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1 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Estruturas Neurovasculares da Pelve e Períneo Anatomia dos Sistemas As principais estruturas neurovasculares da pelve são extraperitoneais, situadas adjacentes às paredes posterolaterais. Os nervos somáticos situam-se lateralmente (adjacentes às paredes) e as estruturas vasculares, medialmente a eles. Em geral, as veias situam-se lateralmente às artérias. Os linfonodos pélvicos agrupam-se principalmente ao redor das veias pélvicas, e a drenagem linfática costuma ser paralela ao fluxo venoso. Na dissecção da cavidade pélvica em direção às paredes da pelve, primeiro encontram-se as artérias pélvicas, seguidas pelas veias pélvicas associadas e, a seguir, os nervos somáticos da pelve. ARTÉRIAS PÉLVICAS A pelve é ricamente irrigada por artérias, entre as quais ocorrem múltiplas anastomoses, o que proporciona significativa circulação colateral. OBS: acompanhar pelo Netter, pranchas 378 a 381. Seis artérias principais entram na pelve menor das mulheres: duas artérias ilíacas internas, duas artérias ováricas, uma artéria sacral mediana e uma artéria retal superior. Como as artérias testiculares não entram na pelve menor, apenas quatro artérias principais entram na pelve menor dos homens. ARTÉRIA ILÍACA INTERNA A artéria ilíaca interna é a mais importante da pelve, principal responsável pela vascularização das vísceras pélvicas e por parte da vascularização da porção musculoesquelética da pelve; entretanto, também envia ramos para a região glútea, regiões mediais da coxa e períneo. 2 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Cada artéria ilíaca interna, com cerca de 4 cm de comprimento, começa como a artéria ilíaca comum e bifurca-se nas artérias ilíacas interna e externa no nível do disco entre as vértebras LV e SI. OBS: o ureter cruza a artéria ilíaca comum ou seus ramos terminais na bifurcação ou imediatamente distal a ela. A artéria ilíaca interna é separada da articulação sacroilíaca pela veia ilíaca interna e pelo tronco lombossacral. Desce posteromedialmente até a pelve menor, medialmente à veia ilíaca externa e ao nervo obturatório, e lateralmente ao peritônio. DIVISÃO ANTERIOR DA ARTÉRIA ILÍACA INTERNA Embora as variações sejam comuns, a artéria ilíaca interna geralmente termina na margem superior do forame isquiático maior, dando origem às divisões (troncos) anterior e posterior. Os ramos da divisão anterior da artéria ilíaca interna são principalmente viscerais (isto é, irrigam a bexiga urinária, o reto e os órgãos genitais), mas também incluem ramos parietais que seguem até a coxa e a nádega. A disposição dos ramos viscerais é variável. OBS: Telma chamou atenção em aula para o fato de que essa divisão de “tronco anterior” e “tronco inferior” acontece, mas a frequência é bem baixa. Existem MUITAS variações anatômicas. ARTÉRIA UMBILICAL Antes do nascimento, as artérias umbilicais são a principal continuação das artérias ilíacas internas. Elas seguem ao longo da parede lateral da pelve, ascendem pela parede anterior da pelve, chegam ao anel umbilical e atravessam-no até o cordão umbilical. No período pré-natal, as artérias umbilicais levam o sangue pobre em oxigênio e nutrientes até a placenta, onde é feita a reposição. Quando o cordão umbilical é seccionado, as partes distais desses vasos não funcionam mais e são ocluídas distalmente aos ramos que seguem até a bexiga urinária. As partes ocluídas formam cordões fibrosos chamados ligamentos umbilicais medianos. Os ligamentos elevam pregas de peritônio (as pregas umbilicais medianas) na face profunda da parede anterior do abdome. No período pós-natal, as partes pérvias das artérias umbilicais seguem anteroinferiormente entre a bexiga urinária e a parede lateral da pelve. Irrigam a face superior da bexiga urinária e, em alguns homens, ducto deferente. ARTÉRIA OBTURATÓRIA A origem da artéria obturatória é variável; em geral surge perto da origem da artéria umbilical, onde é cruzada pelo ureter. Segue anteroinferiormente sobre a fáscia obturatória na parede lateral da pelve e passa entre o nervo e a veia obturatórios. 3 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 OBS: lembrar que a artéria obturatória sai da pelve pelo forame obturado. Na pelve, a artéria obturatória emite ramos musculares, uma artéria nutrícia para o ílio e um ramo púbico [assim, irriga músculos pélvicos, ílio, cabeça do fêmur e músculos do compartimento medial da coxa]. O ramo púbico origina-se logo antes da artéria obturatória deixar a pelve. Ascende na face pélvica do púbis para se anastomosar com seu companheiro do lado oposto e o ramo púbico da artéria epigástrica inferior, um ramo da artéria ilíaca externa. OBS: em uma variação comum (20%), uma artéria obturatória aberrante ou acessória origina-se da artéria epigástrica inferior e desce até a pelve ao longo da via habitual do ramo púbico. Os cirurgiões que realizam reparos de hérnias não devem se esquecer dessa variação comum. ARTÉRIA VESICAL INFERIOR A artéria vesical inferior é encontrada apenas nos homens [IMPORTANTE: Telma disse que isso está ERRADO, a artéria vesical inferior também é encontrada em mulheres], sendo substituída pela artéria vaginal nas mulheres. Irriga face inferior da bexiga urinária, parte pélvica do ureter, próstata e glândulas seminais; às vezes, ducto deferente. ARTÉRIA UTERINA A artéria uterina é outro ramo da artéria ilíaca interna em mulheres, geralmente com origem separada e direta da artéria ilíaca interna. Pode originar-se da artéria umbilical. É o homólogo embriológico da artéria para o ducto deferente no homem. Desce sobre a parede lateral da pelve, anterior à artéria ilíaca interna, e segue medialmente para chegar à junção do útero com a vagina, onde há protrusão do colo do útero na parte superior da vagina. Ao seguir medialmente, a artéria uterina passa diretamente acima do ureter. OBS: a relação entre o ureter e a artéria costuma ser lembrada pela expressão “A água (urina) passa sob a ponte (artéria uterina)”. Ao chegar ao lado do colo, a artéria uterina divide-se em um ramo vaginal descendente menor, que irriga o colo e a vagina, e um ramo ascendente maior, que segue ao longo da margem lateral do útero, irrigando-o. O ramo ascendente bifurca-se em ramos ovárico e tubário, que continuam a suprir as extremidades mediais do ovário e da tuba uterina e anastomosam-se com os ramos ovárico e tubário da artéria ovárica. 4 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 ARTÉRIA VAGINAL A artéria vaginal é o homólogo da artéria vesical inferior em homens. Não raro origina-se da parte inicial da artéria uterina em vez de se originar diretamente da divisão anterior. Divide-se nos ramos vaginal e vesical inferior, o primeiro desce sobre a vagina, o segundo vai até a bexiga urinária. Assim, enquanto o ramo vaginal irriga a parte inferior da vagina, bulbo do vestíbulo e reto adjacente, o ramo vesical inferior irriga o fundo da bexiga. ARTÉRIA RETAL MÉDIA A artéria retal média pode originar-se independentemente na artéria ilíaca interna, ou pode ter uma origem comum com a artéria vesical inferior ou a artéria pudenda interna. Irriga a parte inferior do reto, glândulas seminais, próstata (vagina). ARTÉRIA PUDENDA INTERNA A artéria pudenda interna, maior nos homens do que nas mulheres, segue inferolateralmente, anterior ao músculo piriforme e ao plexo sacral. Deixa a pelve entre os músculos piriforme e isquioccoccígeo, atravessando a parte inferior do forame isquiático maior. A artéria pudenda interna então passa ao redor da face posterior da espinha isquiática ou do ligamento sacroespinal e entra na fossa isquioanal através do forame isquiático menor. A artériapudenda interna, junto com as veias pudendas internas e ramos do nervo pudendo, atravessa o canal pudendo na parede lateral da fossa isquioanal. Quando sai do canal do pudendo, medialmente ao túber isquiático, a artéria pudenda interna divide-se em seus ramos terminais, as artérias profunda e dorsal do pênis ou clitóris. É a principal artéria do períneo, irriga músculos e pele das regiões anal e urogenital e corpos eréteis. ARTÉRIA GLÚTEA INFERIOR A artéria glútea inferior é o maior ramo terminal da divisão anterior da artéria ilíaca interna, mas pode originar-se da divisão posterior. Segue posteriormente entre os nervos sacrais (geralmente S2 e S3) e deixa a pelve através da parte inferior do forame isquiático maior, inferiormente ao músculo piriforme (Figura 3.16). Irriga os músculos e a pele das nádegas e a face posterior da coxa [diafragma da pelve, mm. piriforme e quadrado femoral, porção superior dos mm. isquiotibiais, m. glúteo máximo e n. isquiático]. 5 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 DIVISÃO POSTERIOR DA ARTÉRIA ILÍACA INTERNA Quando a artéria ilíaca interna dá origem às divisões anterior e posterior, a divisão posterior normalmente dá origem às três artérias parietais a seguir: ARTÉRIA ILIOLOMBAR A artéria iliolombar segue superolateralmente de forma recorrente (voltando-se para trás bruscamente em direção à sua origem) até a fossa ilíaca. Na fossa, a artéria divide-se em um ramo ilíaco, que supre o músculo ilíaco e o ílio, e um ramo lombar, que supre os músculos psoas maior e quadrado do lombo. ARTÉRIAS SACRAIS LATERAIS As artérias sacrais laterais superior e inferior podem originar-se como ramos independentes ou através de um tronco comum. As artérias sacrais laterais seguem medialmente e descem anteriormente aos ramos sacrais anteriores, emitindo ramos espinais, que atravessam os forames sacrais anteriores e irrigam as meninges vertebrais que envolvem as raízes dos nervos sacrais. Alguns ramos dessas artérias seguem do canal sacral através dos forames sacrais posteriores e irrigam os músculos eretores da espinha no dorso e a pele sobre o sacro. ARTÉRIA GLÚTEA SUPERIOR A artéria glútea superior, o maior ramo da divisão posterior, irriga os músculos glúteos nas nádegas [m. piriforme, os três mm. glúteos e m. tensor da fáscia lata]. ARTÉRIA OVÁRICA A artéria ovárica origina-se da parte abdominal da aorta inferiormente à artéria renal, mas bem superiormente à artéria mesentérica inferior. Enquanto segue inferiormente, a artéria ovárica adere ao peritônio parietal e passa anteriormente ao ureter na parede abdominal posterior, geralmente emitindo ramos para ele. Ao entrar na pelve menor, a artéria ovárica cruza a origem dos vasos ilíacos externos. A seguir, continua medialmente, dividindo-se em um ramo ovárico e um ramo tubário, que irrigam o ovário e a tuba uterina, respectivamente. Esses ramos anastomosam-se com os ramos correspondentes da artéria uterina. OBS: lembrar que essa parte do livro não fala da artéria testicular [derivada da parte abdominal da aorta] porque ela não atravessa a pelve menor. Contudo, é bom lembrar que ela atravessa o canal inguinal e entra no escroto, e irriga a parte abdominal do ureter, testículo e epidídimo. 6 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 ARTÉRIA SACRAL MEDIANA A artéria sacral mediana é uma pequena artéria ímpar que geralmente se origina na face posterior da parte abdominal da aorta, imediatamente superior à sua bifurcação, mas pode originar-se na face anterior. Esse vaso segue anteriormente aos corpos da última ou duas últimas vértebras lombares, do sacro e do cóccix e termina em uma série de alças anastomóticas. OBS: às vezes a artéria sacral mediana, antes de entrar na pelve menor, dá origem a um par de artérias L5. Quando desce sobre o sacro, a artéria sacral mediana emite pequenos ramos parietais (sacrais laterais) que se anastomosam com as artérias sacrais laterais. Também dá origem a pequenos ramos viscerais para a parte posterior do reto, que se anastomosam com as artérias retais superior e média. OBS: a artéria sacral mediana representa a extremidade caudal da aorta dorsal embrionária, que diminui de tamanho quando a eminência caudal do embrião desaparece. ARTÉRIA RETAL SUPERIOR A artéria retal superior é a continuação direta da artéria mesentérica inferior. Ela cruza os vasos ilíacos comuns esquerdos e desce no mesocolo sigmoide até a pelve menor. No nível da vértebra SIII, a artéria retal superior divide-se em dois ramos, que descem de cada lado do reto e irrigam-no até o músculo esfíncter interno do ânus inferiormente. VEIAS PÉLVICAS Os plexos venosos pélvicos são formados pelas veias que se anastomosam circundando as vísceras pélvicas. Essas redes venosas intercomunicantes são importantes do ponto de vista clínico. Os vários plexos na pelve menor (retal, vesical, prostático, uterino e vaginal) se unem e são drenados principalmente por tributárias das veias ilíacas internas, mas alguns deles drenam através da veia retal superior para a veia mesentérica inferior do sistema porta do fígado ou através das veias sacrais laterais para o plexo venoso vertebral interno. OBS: outras vias relativamente pequenas de drenagem venosa da pelve menor são a veia sacral mediana parietal e, nas mulheres, as veias ováricas. 7 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 As veias ilíacas internas formam-se superiormente ao forame isquiático maior e situam-se posteroinferiormente às artérias ilíacas internas. As tributárias das veias ilíacas internas são mais variáveis do que os ramos da artéria ilíaca interna com as quais compartilham os nomes, mas acompanham-nas aproximadamente, drenando os mesmos territórios que as artérias irrigam. No entanto, não há veias acompanhando as artérias umbilicais entre a pelve e o umbigo, e as veias iliolombares das fossas ilíacas da pelve maior geralmente drenam para as veias ilíacas comuns. As veias ilíacas internas unem-se às veias ilíacas externas para formar as veias ilíacas comuns, que se unem no nível da vértebra LIV ou LV para formar a veia cava inferior. As veias glúteas superiores, as veias acompanhantes das artérias glúteas superiores da região glútea, são as maiores tributárias das veias ilíacas internas, exceto durante a gravidez, quando as veias uterinas tornam-se maiores. As veias testiculares atravessam a pelve maior enquanto seguem do anel inguinal profundo em direção a suas terminações abdominais posteriores, mas geralmente não drenam estruturas pélvicas. As veias sacrais laterais costumam parecer desproporcionalmente grandes em angiografias. Elas anastomosam-se com o plexo venoso vertebral interno, estabelecendo uma via colateral alternativa para chegar à veia cava inferior ou superior. Essa via também pode servir para metástase de câncer da próstata ou do ovário para áreas vertebrais ou cranianas. LINFONODOS DA PELVE Os linfonodos que recebem drenagem linfática dos órgãos pélvicos variam em número, tamanho e localização. Muitas vezes a sua divisão em grupos definidos é arbitrária. Os quatro grupos principais de linfonodos estão localizados na pelve ou adjacentes a ela, recebendo o mesmo nome dos vasos sanguíneos aos quais estão associados: Linfonodos ilíacos externos: situam-se acima da margem da pelve, ao longo dos vasos ilíacos externos. Recebem linfa principalmente dos linfonodos inguinais; entretanto, recebem linfa das vísceras pélvicas, sobretudo das partes superiores dos órgãos pélvicos médios e anteriores. Linfonodos ilíacos internos: reunidos em torno das divisões anterior e posterior da artéria ilíaca interna e as origens das artérias glúteas. Recebem drenagem das vísceras pélvicas inferiores,do períneo profundo e da região glútea, e drenam para os linfonodos ilíacos comuns. Linfonodos sacrais: situam-se na concavidade do sacro, adjacentes aos vasos sacrais medianos. Recebem linfa das vísceras pélvicas posteroinferiores e drenam para os linfonodos ilíacos internos ou comuns. 8 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Linfonodos ilíacos comuns: situam-se superiormente à pelve, ao longo dos vasos sanguíneos ilíacos comuns, e recebem drenagem dos três principais grupos citados anteriormente. Esses linfonodos iniciam um trajeto comum para drenagem da pelve que passa perto dos linfonodos lombares (cavais/aórticos). Há drenagem direta inconstante de alguns órgãos pélvicos (p. ex., do colo da bexiga e parte inferior da vagina) para os linfonodos ilíacos comuns. Outros pequenos grupos de linfonodos (p. ex., os linfonodos pararretais) ocupam o tecido conjuntivo ao longo dos ramos dos vasos ilíacos internos. Os grupos primários e os grupos menores de linfonodos pélvicos são altamente interconectados, de modo que os principais linfonodos podem ser removidos sem prejudicar a drenagem. As interconexões também permitem a disseminação do câncer em quase todas as direções, para qualquer víscera pélvica ou abdominal. OBS: embora a drenagem linfática tenda a ser paralela à drenagem venosa (exceto pela drenagem para os linfonodos ilíacos externos, onde a proximidade oferece uma orientação aproximada), o padrão não é suficientemente deduzível para permitir a previsão ou estadiamento do progresso do câncer metastático de órgãos pélvicos, como se pode fazer no câncer de mama que avança através dos linfonodos axilares. DRENAGEM LINFÁTICA DO SISTEMA URINÁRIO A porção superior da parte pélvica dos ureteres drena principalmente para os linfonodos ilíacos externos, enquanto a porção inferior drena para os linfonodos ilíacos internos. Os vasos linfáticos das faces superolaterais da bexiga urinária seguem até os linfonodos ilíacos externos, enquanto aqueles do fundo e do colo da bexiga seguem até os linfonodos ilíacos internos. Alguns vasos do colo da bexiga drenam para os linfonodos sacrais ou ilíacos comuns. A maioria dos vasos linfáticos da uretra feminina e da parte proximal da uretra masculina segue até os linfonodos ilíacos internos. No entanto, alguns vasos da uretra feminina também drenam para os linfonodos sacrais e, da porção distal da uretra feminina, para os linfonodos inguinais. DRENAGEM LINFÁTICA DAS VÍSCERAS PÉLVICAS MASCULINAS Os vasos linfáticos dos ductos deferentes, ductos ejaculatórios e partes inferiores das glândulas seminais drenam para os linfonodos ilíacos externos. Os vasos linfáticos das partes superiores das glândulas seminais e da próstata terminam principalmente nos linfonodos ilíacos internos, mas parte da drenagem destes últimos segue para os linfonodos sacrais. DRENAGEM LINFÁTICA DAS VÍSCERAS PÉLVICAS FEMININAS Os vasos linfáticos dos ovários, unidos aos vasos das tubas uterinas e à maioria dos vasos do fundo do útero, seguem as veias ováricas enquanto ascendem para os linfonodos lombares (cavais/aórticos) direitos e esquerdos. 9 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Os vasos linfáticos do útero drenam em muitas direções, seguindo junto com os vasos sanguíneos que irrigam o órgão e também com os ligamentos fixados a ele: A maioria dos vasos linfáticos do fundo e da parte superior do corpo do útero segue ao longo dos vasos ováricos até os linfonodos lombares (cavais/aórticos); mas alguns vasos do fundo do útero, sobretudo aqueles próximos da entrada das tubas uterinas e fixações dos ligamentos redondos, seguem ao longo do ligamento redondo do útero até os linfonodos inguinais superficiais; Os vasos da maior parte do corpo do útero e alguns do colo seguem dentro do ligamento largo até os linfonodos ilíacos externos; Os vasos do colo do útero também seguem ao longo dos vasos uterinos, dentro dos ligamentos transversos do colo, até os linfonodos ilíacos internos, e ao longo dos ligamentos retouterinos (uterossacrais) até os linfonodos sacrais. Os vasos linfáticos da vagina drenam as partes da vagina da seguinte forma: Parte superior: para os linfonodos ilíacos internos e externos; Parte média: para os linfonodos ilíacos internos; Parte inferior: para os linfonodos ilíacos sacrais e comuns; Óstio: para os linfonodos inguinais superficiais. NERVOS DA PELVE A pelve é inervada principalmente pelos nervos espinais sacrais e coccígeos e pela parte pélvica da divisão autônoma do sistema nervoso. Os músculos piriforme e isquiococcígeo formam um leito para os plexos nervosos sacral e coccígeo. Os ramos anteriores dos nervos S2 e S3 emergem entre as digitações desses músculos. NERVO OBTURATÓRIO O nervo obturatório origina-se nos ramos anteriores dos nervos espinais L2–L4 do plexo lombar no abdome (pelve maior) e entra na pelve menor. Segue no tecido adiposo extraperitoneal ao longo da parede lateral da pelve até o canal obturatório, uma abertura na membrana obturadora que preenche o forame obturado. Aí, ele se divide nas partes anterior e posterior, que deixam a pelve através desse canal e suprem os músculos mediais da coxa. Nenhuma estrutura pélvica é suprida pelo nervo obturatório. TRONCO LOMBOSSACRAL Na margem da pelve, ou imediatamente superior a ela, a parte descendente do nervo L4 une-se ao ramo anterior do nervo L5 para formar o tronco lombossacral espesso, semelhante a um cordão. O tronco segue inferiormente, na face anterior da asa do sacro, e se une ao plexo sacral. 10 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 PLEXO SACRAL O plexo sacral está situado na parede posterolateral da pelve menor. Os dois principais nervos originados no plexo sacral, os nervos isquiático e pudendo, situam-se externamente à fáscia parietal da pelve. A maioria dos ramos do plexo sacral sai da pelve através do forame isquiático maior. O nervo isquiático é o maior nervo do corpo. É formado quando os grandes ramos anteriores dos nervos espinais L4–S3 convergem na face anterior do músculo piriforme. Quando se forma, o nervo isquiático atravessa o forame isquiático maior, geralmente inferior ao músculo piriforme, para entrar na região glútea. A seguir, desce ao longo da face posterior da coxa para suprir a face posterior da coxa e toda a perna e o pé. O nervo pudendo é o principal nervo do períneo e o principal nervo sensitivo dos órgãos genitais externos. Acompanhado pela artéria pudenda interna, sai da pelve através do forame isquiático maior entre os músculos piriforme e isquiococcígeo. A seguir, curva-se ao redor da espinha isquiática e do ligamento sacroespinal e entra no períneo através do forame isquiático menor. O nervo glúteo superior deixa a pelve através do forame isquiático maior, superiormente ao músculo piriforme para suprir músculos na região glútea. O nervo glúteo inferior sai da pelve através do forame isquiático maior, inferiormente ao músculo piriforme e superficialmente ao nervo isquiático, acompanhando a artéria glútea inferior. Ambos dividem-se em vários ramos que entram na face profunda do músculo glúteo máximo sobrejacente. PLEXO COCCÍGEO O plexo coccígeo é uma pequena rede de fibras nervosas formadas pelos ramos anteriores de S4 e S5 e os nervos coccígeos. 11 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Situa-se na face pélvica do músculo isquiococcígeo e supre este músculo, parte do músculo levantador do ânus e a articulação sacrococcígea. Os nervos anococcígeos originados nesse plexo perfuram o músculo isquiococcígeo e o corpo anococcígeo para suprir uma pequena área de pele entre a extremidade do cóccix e o ânus. NERVOS AUTÔNOMOS PÉLVICOS Os nervos autônomos entram na cavidade pélvica por quatro vias: Troncos simpáticos sacrais: proporcionam principalmente inervação simpática para os membros inferiores; Plexos periarteriais: fibras pós-ganglionares, simpáticas, vasomotoras para as artérias retal superior, ovárica e ilíaca interna e seus ramos derivados; Plexos hipogástricos: via mais importante pela qual as fibras simpáticas são conduzidas para as vísceras pélvicas; Nervos esplâncnicos pélvicos: via para inervação parassimpática das vísceras pélvicas e para os colos descendente e sigmoide. A função primária dos troncos simpáticos sacrais é fornecer fibras pós-ganglionares ao plexo sacral para inervação simpática (vasomotora, pilomotora e sudomotora) do membro inferior. Os plexos periarteriais das artérias ováricas, retais superiores e ilíacas internas são pequenas vias pelas quais as fibras simpáticas entram na pelve. Sua principal atribuição é a função vasomotora das artérias que acompanham. Os plexos hipogástricos (superior e inferior) são redes de fibras nervosas aferentes simpáticas e viscerais. OBS: a principal parte do plexo hipogástrico superior é um prolongamento do plexo intermesentérico, situado inferiormente à bifurcação da aorta. Conduz fibras que entram e saem do plexo intermesentérico pelos nervos esplâncnicos L3 e L4. O plexo hipogástrico superior entra na pelve, dividindo-se em nervos hipogástricos direito e esquerdo, que descem na face anterior do sacro. Esses nervos descem lateralmente ao reto nas bainhas hipogástricas e depois se abrem em leque à medida que se fundem com os nervos esplâncnicos pélvicos para formar os plexos hipogástricos inferiores direito e esquerdo. Assim, os plexos hipogástricos inferiores contêm fibras simpáticas e parassimpáticas, bem como fibras aferentes viscerais, que continuam através da lâmina da bainha hipogástrica até as vísceras pélvicas, sobre as quais formam subplexos coletivamente denominados plexos pélvicos. Os nervos esplâncnicos pélvicos têm origem na pelve a partir dos ramos anteriores dos nervos espinais S2–S4 do plexo sacral. Conduzem fibras parassimpáticas pré-ganglionares derivadas dos segmentos S2–S4 da medula espinal, que formam a via eferente sacral da parte parassimpática (craniossacral) da divisão autônoma do sistema nervoso e fibras aferentes viscerais dos corpos celulares nos gânglios sensitivos dos nervos espinais correspondentes. A maior contribuição dessas fibras geralmente provém do nervo S3. O sistema hipogástrico/pélvico de plexos, que recebe fibras simpáticas através dos nervos esplâncnicos lombares e fibras parassimpáticas através dos nervos esplâncnicos pélvicos, inerva as vísceras pélvicas. 12 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 Embora o componente simpático seja principalmente vasomotor como em outras partes, aqui ele também inibe a contração peristáltica do reto e estimula a contração dos órgãos genitais internos durante o orgasmo, ocasionando a ejaculação no homem. Como a pelve não inclui uma área cutânea, as fibras simpáticas pélvicas não têm função pilomotora nem vasomotora. As fibras parassimpáticas distribuídas na pelve estimulam a contração do reto e da bexiga urinária para defecação e micção, respectivamente. As fibras parassimpáticas no plexo prostático penetram o assoalho pélvico para chegar aos corpos eréteis dos órgãos genitais externos, causando ereção. INERVAÇÃO AFERENTE VISCERAL NA PELVE As fibras aferentes viscerais seguem com as fibras nervosas autônomas, embora os impulsos sensitivos sejam conduzidos centralmente, em direção retrógrada aos impulsos eferentes conduzidos pelas fibras autônomas. Todas as fibras aferentes viscerais que conduzem sensibilidade reflexa (informação que não chega à consciência) seguem com as fibras parassimpáticas. ARTÉRIAS DO PERÍNEO [pranchas 382 e 383 do Netter] 13 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254 DRENAGEM LINFÁTICA DO PERÍNEO MASCULINO A linfa da pele de todas as partes do períneo, inclusive a pele sem pelos inferior à linha pectinada do anorreto, mas excluindo a glande do pênis, drena para os linfonodos inguinais superficiais. Refletindo sua origem abdominal, a linfa dos testículos segue uma via independente da drenagem escrotal, ao longo das veias testiculares até a porção intermesentérica dos linfonodos lombares (cavais/aórticos) e pré-aórticos. A drenagem linfática das partes membranácea e proximal da uretra e dos corpos cavernosos segue para os linfonodos ilíacos internos, enquanto a maioria dos vasos da parte esponjosa da uretra, distal, e da glande do pênis segue para os linfonodos inguinais profundos, mas parte da linfa segue para os linfonodos inguinais externos. DRENAGEM LINFÁTICA DO PERÍNEO FEMININO A linfa da pele do períneo, inclusive da anoderme inferior à linha pectinada do anorreto e da parte inferior da vagina, óstio da vagina e vestíbulo, drena inicialmente para os linfonodos inguinais superficiais. A linfa do clitóris, do bulbo do vestíbulo e da parte anterior dos lábios menores do pudendo, drena para os linfonodos inguinais profundos ou diretamente para os linfonodos ilíacos internos, e a linfa da uretra drena para os linfonodos ilíacos internos ou sacrais. NERVOS DO PERÍNEO 14 LUCY RODRIGUES RIBEIRO - MEDICINA - UFBA - TURMA 254