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APROVADO
UMA INTRODUÇÃO DE TERMOS 
TEOLÓGICOS EM LATIM E GREGQ J
PARA ESTUDANTES DE VÁRIOS NÍVEIS
TA M B É M 
D ISP O N ÍV EL 
N A V E R S Ã O 
E -B O O K
m c io n a n o
dc T ermos Teológic<
Latinos e 
G resos
IM KOIM ÇÀO A U V 4 U.LM ftCMCA 
n u M VTE N W OM AS üCAPtM Ti »
ona
Trobolhor produtivomente no campo da teologia não é tarefa fácil para os estudantes 
da área. pois a sua linguagem técnica faz uso com frequência de grego ou latim.
O objetivo deste volume é fornecer um conhecimento introdutório que ajudará os 
estudantes a superar as dificuldades inerentes ao vocabulário teológico das obras 
acadêmicas oferecendo definições claras e concisas dos termos latinos e gregos 
para estudantes de vários níveis.
CAR TA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo 
da CPAD
É a Obra de 
Cristo, aplicada 
diariamente em 
nossa vida pelo 
Espírito Santo, 
que opera a 
santificação, 
quando nos 
submetemos à 
Sua ação em nós
Os aspectos 
gloriosos da 
santificação à luz 
das Escrituras
N
esta edição da revista O breiro A provado, o tema 
tratado c a Doutrina Bíblica da Santificação. Trata-se 
de uma doutrina importantíssima para a vida cristã. 
Simplesmente, a Bíblia afirma que "sem santificação, 
ninguém verá o Senhor" (11b 12.14). A Obra de Cristo no Calvá­
rio não apenas apaga as nossas culpas, mas também nos liberta 
do poder do pecado: "Porque o pecado não terá domínio sobre 
vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. [...] E, 
libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça" (Rm 6.14,18). 
É a Obra de Cristo, aplicada diariam ente em nossas vidas pelo 
Espírito Santo, por meio da Sua Palavra, que opera essa realidade, 
quando nos submetemos à Sua ação em nós.
Entendemos, à luz das Sagradas Escrituras, que há três tem­
pos na santificação: há a santificação posicionai, que ocorre logo 
quando aceitam os a Cristo; há a santificação progressiva, que 
é esse processo diário de aperfeiçoam ento em Cristo pela ação 
do Espírito Santo em nossas vidas; e há a santificação total, que 
ocorrerá quando finalmente adentrarmos à Eternidade. E no que 
tange à santificação diária, um tema muito importante também é 
a doutrina bíblica da mortificação da carne. Sondo assim, nesta 
edição, tem os os artigos dos pastores VVagnr Tadeu dos Santos 
G aby (PR), tratando sobre o conceito bíblico de santificação; 
Eduardo Leandro Alves (PB), sobre a santificação posicionai; 
Claiton Ivan Pommerening (SC), sobre santificação progressiva; 
Douglas Baptista, sobre santificação total; e Silas Queiroz, sobre 
mortificação da carne.
Acreditamos que esta edição da revista O breiro Aprovado, 
preparada com tanto carinho, será, com o as dem ais, tam bém 
bênção para o seu ministério. Nesta convicção, desejamos a você 
uma boa leitura e até a nossa próxima edição!
A PR O V A D O
Presidente da Convenção Geral 
José Weüington Costa Junior 
Presidenta» do (otisarlho Administrativo
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
JESUS, O FILHO DE ABRAÃO, E A SALVAÇÃO PARA O MUNDO
Pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos M inis­
tros das Igrejas Ev angélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), fala sobre 
como o ministério de Cristo cumpre uma das promessas divinas dadas ao patriar­
ca Abraão, o pai da fé.
José Wellington Bezerra da Costa
Diretof-execulivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
E ditnr-C hefr
Süasüanid
Editor
Eduardo Araújo 
Gerente Financeiro
O pastor Francisco Soares Raposo Filho, líder da CEADEMA, fala 
sobre aspectos da Doutrina da Santificação à luz do texto bíblico 
visando o aperfeiçoamento da liderança assembleiana nacional.
Josafá Franklin Santos Bomfim
Gerente de Produção c Arte
Jarbes Ramires Silva 
Gerente de Publicações
Atezamtn1 CJaudbto Coelho
Gerente Comercial
Cícero da Súva
Chefe do Setor de Arte e Design
Wagner de Almeida
Projeto Gráfico
Fábio Longo
Diagram ação e Cap j
tremardo Fngd
12. ARTIGO
A DEFINIÇÃO BÍBLICA DE SANTIDADE
Pastor Wagner Gabv, líder da Assembléia de Deus em Curitiba (PR), membro Fun­
dador da Casa de Letras Emílio Conde, membro titular da Academia Evangélica 
de Letras do Brasil (AELB), membro do Conselho Deliberativo da Sociedade B í­
blica do Brasil (SBB), mestre em Teologia e Educação, e Major Capelão Reformado 
do Exército Brasileiro aborda os conceitos bíblicos de santidade e de santificação 
no Antigo e no Novo Testamentos.
Projeto Digital
A b tn V a llc
Ilustrações
Banco de Imagens Shutterstock
Fotografia
A n ju w o (C P A D )
TF.I.EMARKET1NC 
(2* a 6* das 8h as 17:30min)
20. ARTIGO
SANTIFICAÇÃO POSICIONAL
Pastor Eduardo Leandro Alves, líder da Assembléia de Deus em Rio Tinto (PB), 
doutor e mestre em Teologia pela Faculdades EST, e diretor do Centro de Estu­
dos Teológicos da Assembléia de Deus na Paraíba (CETAD PB), discorre sobre o 
primeiro aspecto da santificação, que ocorre imediatamente â conversão a Cristo.
080W C1-7373 - Olfpçfe gratuita)
•UfçÊDS SAC 
A sU fiatu ra ln p n > « u
27. RESENHA
Santidade: Uma Introdução Teológica - Bernie A. Van de Walle 
Santidade: O Plano de Deus Para Uma Vida Abundante - Henrv Blackabv
A s a l iu t u n D ig ita l 
KSZM V H flBi s o t ít m átigm tamM
A te n d im e n to A m in a tu ra Im p r w bJ 
O I) i É u d É y i f iw ilr
Suporte •
01)24017.
iIN gU al
>2406-7315- 
I JV R A R IA V IR T U A I- 
w w m rp * d x o m i> r
Ouvidoria: in iu idoririkimd.cuM.br
SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA
Pastor Claiton Ivan Pommerening, diretor e professor de Teologia na Faculdade 
Refidim e no Colégio CEEDUC em Santa Catarina, trata sobre o processo diário e 
sinérgico entre o Espírito Santo e o crente para o aperfeiçoamento deste.
r A C A M O T T O - A C P A I ) « t o mantem nmkum 
tip o de pessoa, representante ou vendedor de 
uúdnuturm m ttorim do u receber diretamente do 
d im te < ) pagamento de assinaturas den r srr frito 
pm m em demm im rm ai4m ia\ tmmÉhas ematrmotf 
d e cm m é e a ê ã la .
O B R E IR O Rrrrsta rzm d iC Ê trim a tnd , criu h 
em outubro de 1977, editam peta Com Puakmdoru 
das Assembléias de Deus. f destinada ê liderança 
p en tem ta t de modo gera i. Registrada sob « .* 
00/Ü77A78, conforme le i de Imprensa__________
A v. B n td 34.401. Bangu
Cep 21852002. R io de faneim. RJ
T H i (2 V 24017373/24017413 
t e 2406.7370
38. ARTIGO
SANTIFICAÇÃO TOTAL
Pastor Douglas Baptista, líder da Assembléia de Deus de Missão do Distrito Fede­
ral e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, discorre sobre a promessa 
divina de glorificação dos crentes, concluindo o processo de Salvação nas suas 
vidas, e conhecido como "Santificação Total".
44. ARTIGO
A MORTIFICAÇÃO DA CARNE
Pastor Silas Queiroz, da Assembléia de Deus em Ji-Paraná (RO), graduado em 
Teologia e Direito, aborda a luta diária do crente contra o pecado e como o cristão 
é vitorioso nessa batalha diária com a ajuda do Espírito Santo.
MENSAGENS
r
Contribui no 
conhecimento teológico
A revista O breiro Aprovado contribui 
sobremaneira para o meu ministério e 
também dos demais leitores, uma vez 
que encontramos em suas páginas arti­
gos de cunho teológico que acrescentam 
ao conhecimento do obreiro e auxiliam 
na lida ministerial.
P b C léb io A zevedo,
Ju n d ia í (SP)
Material enriquecedor
Aprecio a cada edição a leitura da revista 
O breiro Aprovado por causa dos subsí­
dios que encontro em suas páginas e que 
são fruto do trabalho de teólogos reno- 
mados, que enriquecem o nosso saber en­
quanto ceifeiros na Seara do Mestre.
Pr L eon ardo A lbuquerque,
R io d a s O stras (RJ)
Manancial de bênçãos
Esta revista editada pela CPAD tem se 
tornado para mim um manancial de bên­
çãos, pois tem ser\’ido de auxílio para o 
meu ministério. A revista chega sempre 
para enriquecer o nosso conhecimento, 
para aprimorar, através da sua leitura, o 
ministério de cada leitor, e em especial 
o m inistério que o Senhor Jesus a mim 
confiou.
P r M arcos R odrigues M artins,
N iteró i (RJ)
Quer também
mandar sua mensagem?
F.ntáo escreva para a revista Obreiro Aprovado.Pode 
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.com. 
br ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço 
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ)
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
mailto:obreiro@cpad.com
CAR TA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
PR.DOSÉ WELLINCTON 
COSTA JUNIOR
Presidente da 
Convenção Geral dos 
Ministros das Igrejas 
Evangélicas Assembléias 
de Deus no Brasil
Quando dizemos 
'Jesus, filho 
de Abraão', 
estamos falando 
do Senhor 
contemplando 
as famílias de 
todo o mundo
Jesus, o filho 
de Abraão, e 
o projeto de 
salvação para 
todos os povos
A o lermos a genealogia de Jesus Cristo no primeiro capí­
tulo do Evangelho de Mateus, vemos uma extensa lista 
contendo nomes de seus antepassados e um deles chama 
a nossa atenção: o patriarca Abraão, o velho peregrino 
que, através de sou filho Isaquc c do noto jacó, dou origem ao povo 
judeu (Jo 833). A genealogia de Cristo inicia com Ele sendo chamado 
"filho do Davi", o que significa que o Nazareno tom direito sobre o 
trono de Israel e veio exclusivamente para os judeus; mas, quando 
lemos que Jesus também é identificado como "filho de Abraão", isso 
quer dizer que Elo veio dentro do projeto divino que contempla não 
somente os filhos de Israel, mas abraça toda a humanidade.
A encarnação de Cristo não visava apenas contemplar os judeus com 
a mensagem das Boas Novas, mas abrangia toda a humanidade. O Filho 
de Deus veio para mim e para você, prezado leitor. A palavra emitida 
pelo Criador ao velho patriarca foi com o seguinte teor: "E abençoarei 
os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti 
serão benditas todas as famílias da terra" ( ( in 12.3). Quando dizemos 
"Jesus, filho de Abraão", estamos falando do Senhor contemplando as 
famílias espalhadas por todo o planeta, estamos falando da promessa 
divina ao patriarca de que a bênção que viria por meio dele atingiría o 
seu objetivo, mencionado durante a sua chamada registrada no livro de 
C iênesis. E essa expressão também nos lembra do jovem Isaque sendo 
poupado pelo próprio Deus, com seu substituto sendo sacrificado: um 
carneiro com os chifres presos nos galhos do arbusto, representando o 
Senhor Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar (Gn 22.12,13).
A história de Jesus é incontestável. Gerações se passaram desde 
o Seu nascimento, mas a mudança de pensamento e estilo de vida 
dos seres humanos através das gerações não foi suficiente para 
apagar ou mudar a história dos propósitos da vinda do Senhor a 
este mundo. O alcance da vida de Jesus permanece inalterado. O 
conceito acerca do Messias continua o mesmo: Ele salva, perdoa e 
restaura o homem do pecado. Somente Jesus Cristo continua sendo 
o Salvador do mundo, conforme as Sagradas Escrituras (At 4.12).
6
o b s I r o■
ENTREVISTA
Pastor
Francisco
Soares
Raposo
Filho
RO
A Doutrina da 
Santificação 
e a sua 
importância 
na jornada do 
cristão
O entrevistado da atu­
al edição da revista 
O breiro Aprovado 
é o pastor Francisco 
Soares Raposo Filho, presiden­
te da Convenção Estadual das 
Igrejas Evangélicas Assembléias 
de Deus no Estado do M aranhão 
(CEADEMA) e da Assembléia de 
Deus em Bacabal (MA). Nela, ele 
fala acerca da Doutrina da Santi­
ficação, que para certos cristãos 
parece que já caiu em desuso 
por considerarem sem efeito em 
suas vidas, quando a Bíblia diz 
que sem santificação "ninguém 
verá o Senhor" (Hb 12.14).
O pastor Francisco Raposo é 
formado em Teologia e Pedago­
gia, e considerado uma das mais 
relevantes lideranças assembleia- 
nas do Nordeste brasileiro. Entu­
siasta do modelo bíblico para a 
vida cristã, ele faz nesta entrevista 
uma análise minuciosa acerca do 
real significado da santidade na 
vida do cristão, bem como sobre 
as três etapas da santificação, a 
distinção entre a real santifica­
ção e a religiosidade humana, a 
relevância do ensino da doutrina 
da santificação e outros tem as A
relevantes relacionados ao a s­
sunto. Km uma época de avanço 
da degradação moral no mundo, 
cuja influência tenta adentrar as 
igrejas, urge a necessidade, frisa­
da pelo pastor Francisco Raposo, 
de a Igreja enfatizar a sua missão 
de "salgar" e "ilum inar" pelo tes­
temunho (Mt 5.16) e pela pregação 
da genuína Palavra de Deus, que 
é lâmpada para os cam inhos do 
ser humano (SI 119.105).
Como o senhor definiría 
biblícamente o que é a san­
tificação?
Santificação é o ato de apar­
tar-se do pecado para viver em 
com u n h ão com D eus. P. um a 
decisão consciente e firme de re­
jeitar o mundo e as suas paixões 
e buscar de todo o coração fazer 
a vontade de Deus. A santificação 
é um a exigência inegociável de 
Deus para todo aquele que dese­
ja scrvi-lO. A Bíblia enfatiza que 
sem a santificação "ninguém verá 
o Senhor" (Hb 12.14).
Como o senhor definiría e 
resumiría as três etapas da 
santificação: a santificação 
posicionai, a santificação 
progressiva e a santificação 
total?
A santificação posicionai é o 
passo inicial na fé. Acontece no 
momento em que aceitamos a Je­
sus como Salvador e Senhor das 
nossas vidas. Quando o pecador 
encerra uma vida sob o domínio 
do pecado e passa a viver em 
Cristo. Cumpre-se, assim, o que 
está escrito: "Haveis sido lavados, 
haveis sido santificados, haveis 
sido justificados em nome do Se­
nhor Jesus e pelo Espírito do nosso 
Deus" (ICo 6.11). Ao aceitar Jesus 
e o Seu sacrifício na cruz, o peca­
dor passa a ser uma nova criatu­
ra, passa a fazer parte da família 
de Deus e a viver numa posição 
muito privilegiada e maravilhosa, 
pois nesse novoestado, segundo a 
Palavra de Deus, "as coisas velhas 
já passaram; eis que tudo se fez 
novo" (2Co 5.17).
A san tificação progressiva, 
por sua vez, é um processo que 
acontece diariamente na vida do 
cristão. Uma vez que a pessoa já 
aceitou Jesus, ela agora precisa se 
esforça r conti nua mente pa ra viver 
em novidade de vida. A santifica­
ção também é uma decisão pes­
soal de abandonar diariam ente 
o pecado para crescer em Cristo. 
A santificação não é um processo 
lento em que a pessoa aos poucos 
vai deixando o pecado, mas é uma 
decisão definitiva de negar todo o 
pecado e buscar viver no centro da 
vontade de Deus. A partir dessa 
decisão, a pessoa não estará mais 
sob o dom ínio do pecado, mas 
precisará lutar e vigiar cm todo 
o tempo para não cair mais em 
pecado. Já a santificação total se 
dará na vinda de nosso Senhor 
Jesu s C risto , qu and o, através 
da ressurreição, para os que já 
morreram, ou do arrebata mento, 
para os que estiverem vivos, re­
ceberemos novos corpos que não 
estarão m ais sujeitos ao pecado. 
Para chegarmos finaImente ã san­
tificação total, a recom endação 
bíblica c: "Todo o vosso espírito, 
e alma, e corpo sejam plena mente 
conservados irrepreensíveis para 
a vinda de nosso Senhor Jesus 
C risto" (lTs 5.23).
Como distinguir a mera 
religiosidade da verdadeira 
vida de santidade?
A mera religiosidade consiste 
no fato de apenas fazer parte de 
um a denominação religiosa. Al-
A santificação 
é uma 
exigência 
inegociável 
de Deus para 
todo aquele 
que deseja 
servi-IO. A 
Bíblia enfatiza 
que sem a 
santificação 
‘ninguém verá 
o Senhor’ 
(Hb 12.14)”
guem que é apenas um religioso 
não se importa real mente com as 
coisas de I )eus, se satisfaz em tão 
somente frequentar as programa­
ções de uma igreja. Uma vida de 
santidade fala de uma entrega 
total a D eus. É quando C risto 
vive em nós. Quando vivemos em 
santidade, andamos em tanta co­
munhão com Deus que c possível 
perceber a Sua presença em nós! 
Com isso não estam os dizendo 
que a religiosidade deve ser des­
prezada. A boa e correta religião 
( lg 1.27) não pode ser desprezada. 
O Senhor Jesus tem uma igreja e 
nós sabemos disso. A igreja local
O B
8
RÉr
é importante e faz parte do pro­
cesso de santificação do crente. A 
pessoa salva em Cristo Jesus ama 
a sua igreja e procura zelar por ela.
Em uma época em que a 
sociedade tem se degene­
rado cada vez mais e essa 
corrupção moral e espiritualtem tentado entrar nas Igre­
jas, fale da importância de 
se ensinar a Doutrina Bíblica 
da Santificação.
A igreja do Senhor Jesus Cristo 
é "a coluna e firmeza da verdade" 
(lTm 3.15). A defesa da verdade 
faz parte da nossa missào. Além 
de estabelecer a santificação como 
fator vital para a nossa sobre­
vivência espiritual, precisam os
nos dispor, com todas as nossas 
forças e recursos, para pregá-la 
como meio de transformação da 
nossa sociedade. Com o igreja, 
não podemos negociar os valores 
e princípios da Palavra de Deus. 
A mensagem do m undoé um des­
prezo ao temor do Senhor. A men­
sagem da igreja deve ser apontar 
o senhorio de Cristo e o dever que 
temos de sermos santos para Ele 
em toda a nossa maneira de viver. 
O Senhor Jesus Cristo nos chamou 
para sermos sal da terra e luz do 
mundo, e isso fala de uma pos­
tura que consegue influenciar os 
outros para que deixem o mundo 
e busquem a Deus.
Quais os instrumentos 
que Deus usa para operar
a santificação na vida do 
crente?
Deus trabalha em nós de mui­
tas m aneiras. A santificação é 
primeiramente uma obra de Deus, 
mas que ocorre com a cooperação 
hum ana. Atos 26.18 aponta um 
dos instrumentos que Deus usa 
para gerar santificação em nós: 
a fé. Pela fé viva e verdadeira, o 
crente é despertado para se apro­
ximar mais de Deus, rejeitando, 
assim, o pecado. Também somos 
santificados pelo sangue de Jesus: 
"O sangue de Jesus Cristo, seu 
Filho, nos purifica de todo peca­
do" (ljo 1.7). O Senhor Jesus tra­
balhou (e continua trabalhando) 
para santificar os Seus discípulos 
por meio da Sua Palavra: "Vós já
estais limpos pola palavra que 
vos tenho falado" (Jo 15.3) . Na 
sua oração sacerdotal, ele rogou 
ao Pai: "Santifica-os na verdade; a 
tua palavra é a verdade" (Jo 1717).
Quais hábitos o cristão 
deve manter diariam ente 
em sua vida espiritual para 
que o Santo Espírito o faça 
crescer em santificação?
A v erd ad eira s a n tific a ç ã o 
requer de nós o esforço para vi­
verm os de tal forma a não nos 
contam in arm os com o pecado
que tão de perto nos rodeia. Nes­
ta determinação, alguns hábitos 
d evem m arcar o n o sso v iver 
diário. Gosto de lembrar dc três 
coisas que fazem parte da vida 
do verdadeiro cristão: a Bíblia, 
a oração e o culto. Todo crente 
salvo gosta de ler a Bíblia, orar 
ao Senhor e participar do culto. 
E quando falo em culto, não me 
refiro ao rito, mas, sim, ao ato de 
louvar e adorar a Deus em espíri­
to e em verdade. São essas coisas 
que m antêm a nossa vida com 
Deus. Essas são as d iscip linas
que nutrem e fortalecem a nossa 
vida esp iritual. Sim plesm ente, 
não conseguirem os m anter a fé 
que recebemos se desprezarmos 
ou mesmo negligenciarmos essas 
coisas. O apóstolo Paulo escreveu 
que "o exercício corporal para 
pouco aproveita, mas a piedade 
para tudo é proveitosa" (lTm 4.8). 
O Diabo, a carne e o mundo e as 
suas paixões buscam a cada ins­
tante nos seduzir, mas o Senhor 
Jesus disponibilizou e nos oferece 
os recursos necessários e suficien­
tes para a nossa vitória. I
10
Q B p f e o
■
SEJAMOS IMITADORES 
DE CRISTO EM ESPÍRITO 
E VERDADE
Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou uma ética que se espera atingir. 
Escrito de forma abrangente para leigos e estudiosos, Santidade desafia esta ideia comumente
aceita, ao mergulhar no seu conceito teológico. Buscando ocupar um espaço não antes desbravado 
no estudo do tema, o pastor e doutor em filosofia Bernie A. Van De Walle preparou esta introdução
Zr— v
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S A N T ID A D E
UMA INTRODUÇÀO
TEO LÓ G ICA
v*vA*<pa<Ucnvbr
« & S 9 I 0800-021-7373 
© (021)2406-7373
H Livrarias CPAD
o © O O
Persiste
emLer
CBO
Wagner Tadeu dos santos Gaby é 
pastor, presidente da Assembléia 
de Deus em Curitiba (PR), membro 
fundador da casa de Letras 
Emílio Conde, m embro titu la r da 
Academia Evangélica de Letras 
do Brasil, m embro do Conselho 
Deliberativo da sociedade Bíblica 
do Brasil, autor de vários livros 
pela CPAD, mestre em Teologia e 
Educaçao, advogado, comentarista 
de Lições Bíblicas da c p a d e major 
capelao reformado do Exercito.
A a p ro x im a ç ã o 
d o h o m e m d o 
seu C ria d o r faz 
c o m q u e o seu 
c a rá te r se to rn e 
cad a vez m a is 
p a re c id o c o m o 
d e seu M e s tre
Wagner Tadeu dos Santos Caby
A definição I
Desde a criação, Deus 
quis um povo santo. 
"Sede santos porque 
sou santo ' (lPe 1.16). 
Ele desejou uma comunhão es­
pecial com os homens que tos­
sem capazes de andar com Ele e 
falar com Ele numa união espe 
ciai. Mas a própria natureza de 
Deus estabelece limites para tal 
associação. Seu caráter santo não 
pode perm itir ser contaminado 
pelo pecado e pela corrupção. Os 
homens só podem estar na Sua 
presença se forem puros.
Quando o Senhor começou a 
falar com Moisés sobre o minis­
tério sacerdotal que Arão deveria 
exercer no Antigo Testamento, 
um dos primeiros preceitos que 
Ele exigiu foi a santidade. Ao de­
talhar sobre toda a indumentária 
que Arão e seus filhos deveríam 
usar, Ele encerrou com uma lâmi­
na de ouro a qual deveria estar na 
testa de Arão com esta expressão: 
"Santidade ao Senhor" (Cx 28.36). 
Em hebraico, Qotlesh In YHWH. Isso 
significa consagrado, separado, de­
dicado ao Senhor. Como dizia A. 
VV. Tozer, "nào podemos estudar a 
Bíblia com diligência e seriedade 
sem que nos deparemos com um 
fato óbvio: toda a questão da san­
tidade pessoal é extrem am ente 
importante para Deus".
Definição e conceito 
d e s a n t id a d e
No hebraico, o su bstan tivo 
Qodesh quer dizer separação, san­
tidade; o verbo Qadash significa
separar; e o adjetivo Qadosh quer 
d izer santo, sagrado. Q odesh é 
ainda a palavra cognata de termos 
que significam "honra", "brilho", 
gloria, peso, abundancia.
No grego, temos hagiasmos, que 
significa tornar santo, consagrar, 
separar do mundo e apartar-se do 
pecado a fim de termos ampla co­
munhão com Deus e servi-lO com 
alegria (Ou em sua forma verbal, 
santificar). Significa literal mente o 
processo pelo qual se separa algo 
ou alguém para um uso ou um 
propósito religioso, por isso tem 
o sentido de tornar sagrado ou 
consagrar. Haguiôsynê é o estado 
que resulta de ser dedicado ao 
serviço de Deus - é "dedicação", 
"consagração". É a qualidade de 
santidade como uma expressão 
do divino em contraste com o hu­
mano, "qualidade divina" (LOW, 
Johannes P. e NIDA, Eugene A. 
(editores). Léxico Grego-Português 
do N ovo Testam ento baseado em 
domínios semânticos, Barueri, SP: 
Sociedade Bíblica do Brasil, 2013, 
pp. 479 e 480).
H agu iázo s ig n ific a "sep aro 
das coisas profanas” c "consagro 
para a possessão e o uso divino"; 
purifico por expiação"; purifico 
intima mente"; "considero limpo, 
legítimo, lícito"; "santifico", quer 
no sentido jurídico de considerar 
separado de vez e pertencente a 
Deus os recipientes da expiação 
de Cristo, quer no sentido da pro­
gressiva e gradual realização des­
ta consagração do crente a Deus 
e à santidade pela obra do Espí-
líblica de santidade
rito Santo na sua vida (TAYLOR, 
William Carey. Dicionário do Novo 
Testamento Grego. Rio de Janeiro: 
JUERP, 1991, pp. 8 e c>).
Hágios e separodo do uso prol a no 
por Deus e para Deus, sacro, santo; 
uma referência aos cristãos, aos cren­
tes, ao novo povo de Deus, sucessor 
dos hebreus no favor e propósito d i- 
vino; enfim, os santos. Haguiôsynê é 
estado do santo, santidade, pureza 
mora I (BR( )VV N, Colin e C( )EN KN, 
Lothar (organizadores). Dicionário 
Internacional de Teologia do Noix) Tes­
tamento, tradução Gordon Chown, 
2J edição, São Paulo: Vida Nova, 
2000, pp. 2257 a 2265).
Em suma, santidade significa 
separação total a Deus, dedicação 
total a Deus; vem de sagrado, con­
sagrado. Sem um coração santo 
não se pode viver em santidade.
Santidade é o clam or do co­
ração de Deus para o Seu povo 
desde a Antiguidade até os dias 
de hoje. Na Teologia, a santificação 
é o processo de aperfeiçoamentogradual do ser humano em que 
ele se aproxima do caráter divino 
e afasta-se do pecado.
Na Bíblia, as palavras "santo" e 
"santidade" ocorrem mais de 600 
vezes, quase sempre se referindo 
ao caráter do homem e ao atributo 
de Deus. Deus deseja uma geração 
que seja exclusiva para si, separa­
da para si, consagrada para si. E 
esse anseio do coração de Deus 
se revela em toda a Bíblia. É um 
cuidado da parte de Deus com os 
Seus escolhidos. Não há como fa­
lar em santidade, separação, con-
Â
j A
sagração, dedicação, obediência e 
fidelidade sem falar de Daniel e 
seus amigos Sadraquc, Mesaquc e 
Abede-Ncgo. Danie c seus amigos 
sào um exemplo forte, com a his­
tória deles se apresentando como 
uma das mais lindas no que diz 
respeito à dedicação a Deus.
A santidade, por nos aproxi­
mar de Deus, por ser agradável a 
Deus e totalmente desagradável 
ao inferno, abre portas para a 
manifestação poderosa de Deus. 
Os milagres acontecem c os livra­
mentos vêm, deixando os inimigos 
perplexos. Tudo isso porque a san­
tidade nos aproxima de Deus e o 
desejo do nosso coração se alinha 
ao desejo do coração de I )eus, que 
se realiza plenamente em nossas 
vidas e através das nossas vidas. 
Quem já experim entou a graça
da santificação não precisa fazer 
esforço em praticar o bem e a jus­
tiça. É tão lógico como a figueira 
dar figos c a videira, uvas.
O homem santificado opòe-se 
a todo pecado, anda nos estatutos 
do Senhor, guarda os Seus juízos 
e O s observa. Um homem com 
coração puro vê pureza em tudo; 
o de coração impuro ve impureza 
em tudo e interpreta com malícia 
qualquer coisa. Não basta falar de 
santidade. É preciso vivê-la. Esse é 
o testemunho.
A verdade não pode ser adul­
terada ou deturpada. A mente 
carnal combate sistematicamente 
a santidade. O coração do homem 
carnal não admite a lei de Deus, 
a verdade, porque esta restringe 
suas tendências impuras. Sem a 
sant idade, ninguém verá o Sen hor
(Hb 12.14), isto é, não entrará no 
Reino de Deus. A santidade não 
pode ser protelada para se bus­
car nos momentos de agonia e 
sofrimentos na vida. Quem não 
se preparar e tiver vida santa na 
terra, não terá santidade na Eter­
nidade. A santidade é requerida 
na vida presente.
Todo aquele que crê no Deus 
Santo deve buscar ser santo. Ser 
santo não é sugestão, mas impe­
rativo para todo aquele que se 
tornou filho de Deus. "Sede santos 
porque eu sou santo" (lPe 1.15,16).
A santidade é uma qualidade 
moral de pureza do espírito, alma e 
corpo. Ocristãoe, portanto, um ele­
mento raro no mundo corrompido, 
pois tem a qualidade de santidade, 
cujo grau e intensidade vai gradu­
al mente crescendo.
14
OB O
Deus é 100% santo e essa qua­
lidade de ser santo, puro, isento 
de m istura da velha natureza, 
hum ana e adâm ica, deve fazer 
parte da vida do cristão. Um cris­
tão autêntico tem cm sou coração 
o amor, a fé, a paz, a mansidão, a 
sinceridade, a bondade, a honesti­
dade e esses traços de caráter vão 
sendo confirm ados, ampliados, 
amadurecidos e desenvolvidos.
Em síntese, podem os d izer 
como escreveu John Brown, teólo­
go escocês do século XIX: "Santi­
dade consiste em pensar como Deus 
pensa e querer como Deus quer".
Pureza é a ausência do pecado, 
assim como a saúde é a ausência 
da doença. E svaziand o-se dos 
pecados, imediata mente o cristão 
deve ser cheio da santidade de 
Deus, e essa plenitude de pureza 
deve ser o estado permanente de
cada um que segue a Jesus Cristo. 
D escarte qualquer tentativa de 
desejar ver a Deus se você guar­
da em seu coração iniquidades c 
impurezas.
As expressões "santo" e "as coi­
sas santas" denotavam, no início 
da história da religião, "poder", 
"tabu" e, depois, de modo geral, 
a esfera do poder divino que o 
homem considerava superior e 
ameaçador. O antônimo do "santo" 
era o "profano", a esfera da vida 
humana fora do âmbito do divino. 
As raízes da religião se acham nos 
esforços no sentido de separar o 
que é santo, mediante processos 
cultuais c rituais, da profanação c 
contaminação causadas por coisas 
profanas. Os gregos empregavam 
três grupos de palavras diferentes 
para denotar aquilo que é "santo": 
hieros, com seus derivados nume-
15
rosos, denotando aquilo que é es­
sencialmente "santo", o "tabu", o 
"poder divino" ou 'aquilo que era 
consagrado àquele", c.g., "santuá­
rio", "sacrifício", "sacerdote". Por 
contraste, hágios - com o grupo de 
palavras mais frequente no Novo 
Testamento - contém um elemen­
to ético. Enfatiza-se o dever de 
adorar àquilo que é santo. Hosios 
também se inclina nesta direção: 
de um lado, indica o mandamento 
e a providência divinos; do outro 
lado, a obrigação e a moralidade 
humanas.
Não existe etim ologia certa 
para /j í Í ç k j s . O termo relaciona-se 
com hazontai (de hagiomai), que não 
se acha na I .XX nem no Novo Tes­
tamento, e significa "ter reverente 
temor" dos deuses ou dos pais, e.g. 
de Apoio (Homero, 77.1,21), bem 
como "respeitar", e.g. de Zeus, que A
O B 0 1R O
respeita àqueles que estão debaixo 
da proteção de Palas.
Temos também hagizo, "consa­
grar", de onde se forma hagiázoi 
por extensão. Esta última palavra, 
com seus derivados (hagiasm a, 
"santuário", "santidade"; hagias- 
tttos, "san tid ad e"; hag iasterioti, 
"san tu ário "), ocorre p rin cip al­
mente na LXX. Os substantivos 
posteriores hagiotes e haguiôsynê, 
"santidade" (também principal­
mente na I.XX), derivam de há- 
gios, que não era especialm ente 
frequente em grego fora da LXX. 
Empregava-se, sem dúvida, como 
equivalente do hebraico qudosh, 
porque expressava, cm contraste 
com hieros, não aquilo que era 
santo em c por si mesmo, mas, 
si m, o convite à adoração que ema­
na daquilo que é santo. Na LXX, 
somente hagiázo, hagiasma e hágios 
desempenham qualquer papel.
%
As vezes, pode-se pensar na 
santidade quase de modo físico; 
é transferid a pelo contato (Êx 
29:37; 30:29) e o contato incorreto 
pode ser fatal (Nm 4:15,20). Da 
mesma forma, a impureza tam ­
bém é transferível (Ag 2:11 e ss). 
Visto que a pureza é a caracterís­
tica apropriada de tudo quanto 
é santo (puro), é dever de todo 
participante do cu lto ser puro 
("santificar-se"). Quem é impuro 
precisa tom aras medidas imedia­
tas para se purificar. Há também 
pessoas santas (sacerdotes, levitas, 
nazireus) e a santa unçâo dos reis 
davídicos (SI 89.20; cf. ISm 24.6).
Da ressu rreição em diante, 
Jesus é o Cristo, poder que opera 
segundo o Espírito da santidade 
(Rm 1.4). A santidade é uma di- 
ção de aceitação na parousia e da 
entrada na herança do povo de 
Deus (Cl 1.12; At 20.32; 26.18). Em
todos estes casos, "santidade" dá 
a entender um relacionam ento 
com Deus que não se expressa 
primariamente através do culto, 
mas, sim, através do fato de os 
crentes serem guiados pelo Espí­
rito Santo (Rm 8.14). Assim como 
no Antigo Testamento, a santidade 
é um termo pré-ético; ao mesmo 
tempo, também como no Antigo 
Testamento, ela exige o momento 
em que responde corretamente ao 
Espírito Santo.
A santificação é como o cres­
cimento de um fruto que resulta 
na vida (Rm 6.19-22; cf. 1 T s4.3-7). 
A adoração espiritual e racional 
é oferecer-se a si mesmo como 
sacrifício vivo, santo e aceitável a 
Deus (Rm 12.1). Os "santos" não 
são simplesmente pessoas "agra­
dáveis" e dignas. São aqueles que 
foram chamados, e um aspecto 
essencial da santificação é o amor
por todos os santos (Ef 1.15), é ficar 
fiel a eles nas necessidades (Rm 
12.13), é abrir mão do profanar o 
sagrado por meio de levar ques­
tões com irmãos crentes diante 
das autoridades seculares, e per­
mitir que os santos as julguem (1 
Co 6.1-2). Paulo emite o juízo de 
que um cônjuge não-cristão não 
profana o cristão; pelo contrário, 
o não-cristão é santificado pelo 
cristão, assim como santificados 
ficam os filhos do casamento (ICo 
7.14). Por ser o próprio Deus quem 
santifica (lTs 5.23), frutificar para 
a santificação fica tanto mais im­
portante (Fp 2.12-16).
Santidade nas Epístolas
de Hebreus e 1 Pedro
A Epístolaaos Hebreus apre­
senta um aspecto altam ente es­
pecializado da santidade. Jesus 
como Sumo-Sacerdote é Aquele 
que san tifica o Seu povo (H b 
13.12; 2.11) e oficia santuário não
feito com mãos (Hb 9.24; 8.2). A 
divisão do santuário terrestre de 
Israel em Lugar Santo e Santo dos 
Santos (Hb 9.2-3) mostra que o 
acesso ao santuário ainda não foi 
conseguido. Cristo, porém, entrou 
no santuário para sempre, com a 
oferta do Seu próprio sangue, c 
obteve eterna redenção (Hb 10.14). 
Seu sacrifício de Si mesmo torna 
obsoletos os sacrifícios de animais.
Segundo a vontade de Deus, 
"temos sido santificados, mediante 
a oferta do corpo de Jesus Cristo, 
uma vez por todas" (Hb 10.10). 
Mesmo assim, Hebreus nos adver­
te que, "tendo ousadia para entrar 
no Santo dos Santos" (11b 10.19), 
não devemos profanar o santo da 
aliança com o qual cada um foi 
santificado, pois "nósconhecemos 
aquele que disse: ’A mim pertence 
a vingança; eu retribuirei'. E outra 
vez: 'O Senhor julgará o seu povo " 
(Hb 10.29,30; cf. Dt 32.35,36). De­
vemos, portanto, esforçar-nos por
termos a paz com todos os homens, 
e a santidade, sem a qual ninguém 
poderá ver a Deus (Hb 12.14).
Para proposição inversa, os 
irm ãos santos (H b 3.1) devem 
reconhecera disciplina que Deus 
aplica para ajudar, pois Ele nos 
disciplina a fim de que ganhe­
m os um a p articip ação na Sua 
santidade (hagiotes, 11b 12.10; cf. 
Pv 3.11-12).
1 Pedro é de especial impor­
tância no desenvolvimento adi­
cional do conceito. À ideia da 
santificação pelo Espirito (1 Pe 1.2) 
acrescenta-se a advertência fran­
ca: "Como filhos da obediência, 
não vos amoldeis às paixões que 
tínheis anteriormente na vossa ig­
norância; pelo contrário, segundo 
é santo aquele que vos chamou, 
tornai-vos santos tam bém vós 
mesmos em todo o vosso proce­
dimento" (IPe 1.14-15; cf. Lv 19.2). 
O conceito continua em 1 Pedro 
2.5: " Também vós mesmos, como
pedras que vivem, sois edificados 
casa espiritual para serdes sacer­
dócio santo, a fim de oferecerdes 
sacrifícios espirituais, agradáveis 
a Deus por intermédio de Jesus 
Cristo". A ssim , a d inâm ica do 
derramamento do Espírito é aqui 
re-declarada em termos das fun­
ções sagradas do sacerdócio.
Os crentes são considerados sa­
cerdotes outra vez em Apocalipse 
1.6; 5.10 e 20.6. Além disso, o Apo­
calipse retrata a moradia futura dos 
cristãos como sendo a Cidade Santa, 
a Nova Jerusalém (Ap 21.2,10; 22.19). 
Oaspecto mais importante de Jeru­
salém era que continha o Templo, 
o ponto central de encontro entre 
Deus e o homem. Na Nova Jerusa­
lém, porém, não há templo, "porque 
o seu santuário é o Senhor, o Deus 
lódo-poderoso e o Cordeiro" (Ap 
21.22). Estes quadros apresentam, ao 
mesmo tempo, uma continuidade 
com as instituições estabelecidas de
Israel e um rompimento radical com 
o Israel histórico. Alguns argumen­
tam que conceber a igreja em tais 
termos institucionais representa 
uma institucionalização do caráter 
dinâmico e carismático da comuni­
dade cristã primitiva. Ao fazer as­
sim, a igreja se resguardava contra 
o tipo de excessos que ocorriam na 
igreja de Corinto. O emprego des­
tas figuras, no entanto, tem uma 
função mais importante. De um 
lado, a aplicação delas ã igreja sig­
nifica que agora estão obsoletas as 
instituições históricas cm Israel. Do 
outro lado, o emprego dos conceitos 
de sacerdote, templo e cidade santa 
desta maneira dinâmica eespiritual 
ofereceã igreja sofredora, persegui­
da, uma perspectiva que a capacita 
a ver a sua situação e o seu papel 
em termos dos propósitos de I )cus.
A busca da santidade começa 
com uma vida intensa de oração. 
A ideia de viver uma vida santa
em um mundo conturbado c in­
justo pode parecer um a utopia. 
Porém , ao ad otar a santid ad e 
como estilo de vida, devemos ter 
em mente que isso não será possí­
vel se deixarmos as coisas aconte­
cerem naturalmente. Para buscar 
a santidade, é preciso querer ter 
uma vida irrepreensível diante de 
Deus. I lá um preço a ser pago - a 
saber, o preço da renúncia. A san­
tidade só é possível para aqueles 
que tem o Senhor Deus habitando 
em seu coração e para isso é neces­
sário ter uma experiência pessoal 
com o Senhor Jesus Cristo. Sc ado­
tarmos a santidade como estilo de 
vida, estaremos cm consonância 
com a vontade do Deus. "Porque 
esta é vontade de Deus, a vossa 
santificação" (lTs 4.3). Como dizia 
Clemente de Roma, "por sermos, 
portanto, uma porção santa, tudo 
devemos fazer de acordo com a 
santidade". I
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Eduardo Leandro Alves e pastor 
da a d em Rio Tinto (PB). Doutor 
e Mestre em Teologia pela 
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COMADEP. Secretario Executivo 
da SEMAD-PB, Diretor do Centro 
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(CETAD-PB)
O Espírito Santo 
ajuda o crente 
a se opor às 
tendências 
malignas de 
nossa natureza 
pecaminosa após 
a nossa conversão
a Cristo
Pr Eduardo Leandro Alves
A s a n t i f ic j 
e a a ç ã o d
A chamada santificação 
posicionai ou inicial 
ocorre no início da 
jornada cristã, quan­
do aceitamos a Cristo como Se­
nhor e Salvador (ICo 6.11). Nesse 
instante, por um ato de fé no sa­
crifício vicário de Cristo, deixa­
mos de ser escravos do pecado 
e somos redimidos pelo sangue 
de Jesus. Desta forma, ao sermos 
perdoados, também somos de­
clarados santos em Cristo Tesus. 
Logo, somos santos por estarmos 
em Cristo. A santificação ocorre 
junto com a justificação, dois ter­
mos que estão no cerne do Evan­
gelho. A justificação dirige se à 
culpa em relação aos nossos pe­
cados, ao passo que a santificação 
dirige-se ao domínio e a corrup­
ção produzida pelo pecado no ser 
humano. Ou seja, diz respeito às 
nossas mentes, vontades, senti­
mentos e comportamentos.
O escritor aos Hebreus destaca 
o aspecto inicial da santificação 
ao escrever “Temos sido santifi­
cados pela oblação do corpo de 
Jesus Cristo, feita uma vez". So­
mos santos em Jesus. Por isso as 
expressões do apóstolo Paulo ao 
iniciar muitas de suas cartas: “Aos 
santos em Cristo Jesus que estão 
em..." (ICo 1.2; Ef 1.1; Cl 1.2).
O Dicionário Vine, editado pela 
CPAD, explica que a palavra san­
tificação (ihagiasmos) c usada para 
significar 1) separação para Deus 
(ICo 1.30; 2Ts 2.13; lPe 1.2); e 2) o 
curso de vida adequado aos que 
assim são separados (lTs 4.3,4,7; 
Rm 6.19,22; lTm 2.15; Hb 12.14). 
Assim, a santificação é a relação 
com Deus na qual os seres huma­
nos entram pola fc no sacrifício do 
Jesus no Calvário.
D esd e a d eso b ed iên c ia de 
Adão e Eva no Jard im, o ser huma­
no teve a sua natureza manchada 
pelo pecado, tornando a huma­
nidade desobediente à vontade 
de Deus e, assim, distante de Sua 
santidade (Rm 5.12). O apóstolo 
Pedro desafia os seguidores de 
Jesus a refletirem a santidade de 
Deus: "Segundo é santo aquele 
que vos chamou, tornai-vos santos 
também vós mesmos em todos os 
vosso proced i mento, porque escri­
to está: Sede santos, porque eu sou 
santo" (lPe 5.15,16).
O m odelo de san tid ad e do 
crente está em Deus. A ideia é que 
se somos chamados por Deus e 
seguimos ao Senhor, devemos ser 
santos assim como Deus é santo. 
No entanto, essa é uma tarefa 
extrem am ente d ifícil - por que 
não d izer im possível - à nossa 
natureza pecadora. Na jornadarumo à santidade, o Espírito de 
Deus vem nos ajudar. Essa é Sua 
obra especial. Nenhum membro
ação posicionai 
o Espírito Santo
da Trindade é mais santo que o 
outro, pois as três Pessoas da San­
tíssima Trindade são igualmente 
santas; no entanto, é o Espírito que 
opera em nós Sua obra de tornar 
santos os seguidores de Jesus.
A obra de santidade operada 
pelo Espírito Santo visa a cooperar 
conosco para que se possa conse­
guir separar a vida do pecado e 
dedicar-se à prática da vontade de 
Deus. O novo nascimento, a nos­
sa regeneração em Cristo, é obra 
do Espírito Santo, que convence 
o homem do pecado, da justiça e 
do juízo. Estando o ser humano 
morto em seus delitos e pecados, 
há a necessidade da manifestação 
da graça preveniente.
Em uma definição inicial, por­
tanto, a graça prevenienteé o meio 
polo qual Deus, antes de qualquer 
ação humana, atrai graciosamente 
o pecador e o capacita espiritual­
mente para que se arrependa e se 
converta a Cristo. Ela não salva 
por si só, mas apenas permite o 
arrepend im ento , crian d o uma 
condição favorável para que todos 
venham a crer 0o 3.16).
A graça preveniente, portanto, 
é o meio pelo qual Deus vai ao 
encontro do pecador para com e­
çar a obra da salvação, atraindo-o 
e capacitando-o espiritual mente 
para responder á obra divina. Tal 
doutrina bíblica ensina que, em se
Â
tratando de salvação, é Deus quem 
tom a a in iciativa de chegar-se 
ao homem caído, e nunca o con­
trário, reconhecendo ao mesmo 
tempo tanto a total depravação 
humana quanto a possibilidade 
de o homem resistir a essa oferta 
graciosa.
A ação do Espírito, gerando o 
novo nascimento em Cristo, torna 
o ser humano habitação de Deus, 
pois o Espírito, que é Deus, passa a 
fazer morada nos salvos (K o 3.16). 
Essa habitação do Espírito capa­
cita o ser humano a desenvolver 
a verdadeira espiritualidade em 
santidade, não por ausência do 
mal, mas por obra e graça de Deus.
Visto que o mal sempre surge 
no coração por causa do poder 
ativo da natureza pecaminosa, o 
poder do Espírito Santo é sempre 
necessário para vencê-lo; e vis­
to que a obrigação de viver e de 
servir para a glória de Deus está
sempre presente, o mesmo poder 
capacitador do Espírito é inces- 
santemente exigido. Existe uma 
noção mal refletida e excêntrica 
de que a espiritualidade é conse­
guida quando há uma cessação 
de algumas formas exteriores do 
mal, que a espiritualidade consis­
te naquilo que uma pessoa não 
faz. Contudo, a espiritualidade 
não é uma supressão apenas; ela 
é também uma expressão. Ela é 
somente restringente do eu; ela é 
sobrevivente do Cristo que habita. 
O não-regenerado não seria salvo 
se ele cessasse de pecar; ele ainda 
estaria sem o novo nascimento; 
faltariam a ele ainda as m anifes­
tações positivas do Espírito.'
Assim, embora a santificação 
seja posicionai, ou seja, é um ato 
junto á justificação, a obra da san­
tidade é um trabalhar do Espírito 
Santo juntamente com o crente, é 
uma cooperação entre o crente e
o Espirito Santo. O apóstolo Pau­
lo expressou essa ideia em aos 
filipenses: "Assim, pois, amados 
meus, como sempre obedecestes, 
não só na m inha presença, po­
rém, muito mais agora, na minha 
ausência, desenvolvei a vossa sal­
vação com temor e tremor; porque 
Deus é que efetua em vós tanto o 
querer como o realizar, segundo 
a sua boa vontade" (Fp 2.12,13).
O esforço humano pode 
gerar santidade?
Ao lermos o texto do apóstolo 
Paulo em Gaiatas 3.3 ("Sois assim 
insensatos que, tendo começado 
no Espírito, estejais, agora, vos 
aperfeiçoando na carne?"), vemos 
que o que era fundamental para 
tornar-se cristão - a ação do Espí­
rito - também permanece funda­
mental para permanecer cristão. O 
anseio pelo crescimento espiritual
1 CHAFER. Le-»\-is. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos. 2003, p. 514.
é legítim o. O Novo Testamento 
fala sobre aumentar, crescer na 
fé, crescer no conhecimento, na 
justiça, na santificação, no amor, 
no t raba I ho o na entrega. Mas esse 
crescim ento deve acontecer na 
sequência correta, da forma que 
Paulo orienta em Filipenses 1.6: 
"Estou plenamente certo de que 
aquele que começou boa obra em 
vós há de completá-la até ao Dia 
de Cristo Jesus."
Os tolos e néscios gaiatas pro­
curaram crescim ento e aperfei­
çoam ento "pela carne", ou seja, 
fora do acontecimento criador por 
meio do Espírito. Entregaram-se 
às màos de pessoas que realiza­
vam nelas cerimônias como, por 
exemplo, a circuncisão. O bede­
ciam a instruções de alimentação 
e prescrições de festas, isto é, a 
"rudimentos fracos e pobres" (G1 
4.9), com vistas a coroar as obras 
de Deus com tais coisas, um triste 
"progresso" para trás.
Paulo com bate um a pseudo- 
-esp iritualid ade, uma pseudo- 
santidade, um falso crescimento 
espiritual, os quais eram baseados 
na carne, em esforços humanos. 
Adolf Pohl nos diz que os produ­
tos finais desse desenvolvimento 
podem ser depreendidos no texto 
do capítulo 5 da Carta aos Gálatas. 
F.les não demoraram a "morder- 
-se , devorar-se, v an g loriar-se , 
m agoar-se e conduzir in fin d á­
veis brigas facciosas (Gl 5.15,26). 
No final, surge a vergonha pelas 
flagrantes infâmias nas próprias 
fileiras (Gl 5.19-21)".2 Isso confirma 
o que está cm Gálatas 6.8: "O que 
semeia para a sua própria carne da 
carne colherá destruição" (NVI).
O engano dos Gálatas era fruto 
de uma má compreensão sobre a 
salvação. Pode-se dizer que eles 
seguiram um caminho muito pa­
recido com os legalistas nos dias 
de hoje: "A salvação é por graça, a 
salvação é por fé, a salvação é pelo
Espírito; mas o aperfeiçoamento, 
a santificação, c por esforços hu­
manos. Deus dá em nós o pontapé 
inicial, mas depois disso, você tem 
que se empenhar. Deus faz uma 
parte, e você tem que fazer a outra. 
A justificação é pela fé, mas não a 
santificação; a santificação é por 
seu esforço; a santificação é algo 
que você tem que obter". Ao que 
parece, chegaram pregadores na 
Igreja dos gálatas com essa mensa­
gem. Mas, nas palavras de Paulo, 
tais pregadores estavam perver­
tendo o Evangelho. Infelizmente, 
não é difícil ouvir mensagens como 
essa no Brasil do século XXI.
A m ensagem de Paulo, no 
entanto, vai de encontro a essa 
ideia de esforço humano, de mé­
rito humano, de espiritualidade e 
santificação por esforço humano. 
Paulo diz que não só o começo 
é por fé, mas também todo o ca­
minhar, toda a jornada, é por fé; 
não é por obras nem no princípio,
2 POHL. Adolf. Caria aos Gálatas - Comentário Esperança. Curitiba, PR: 1999, p. 102. á
nem no meio, nem no final. Paulo 
quer que os Cálatas (c todos nós) 
entendam que o evangelho de 
Cristo, o evangelho da graça de 
Cristo, deve conserva-se puro. 
Não há lugar para a carne, nào há 
lugar para o esforço humano, não 
há lugar para as obras do homem 
em nenhum ponto da vida cristã.
É uma boa notícia dizer que 
tudo é por fé; do começo ao final, 
tudo é por fé. É uma boa notícia 
dizer que nossas obras não servem 
nem antes, nem agora, nem nunca. 
Portanto, não só a justificação é 
por fé, mas também a santifica­
ção, ou o aperfeiçoamento da vida 
cristã, é por fé.
Como entender a 
santificação pelo Espírito
Quando se diz que a santifi­
cação é por fé, o que se está di­
zendo na prática? Dizendo que 
não é por obras, que não é com 
esforço humano. Então, surge a 
pergunta: "O que faço? Se para ser 
justificado somente tive que crer, 
e agora você me diz que para ser 
santo, para alcançar a santidade, 
ou para experimentar a santifica­
ção, não tenho que fazer esforços 
humanos - em outras palavras, 
não é algo que eu posso conseguir 
ou obter -, então o que tenho que 
fazer? Fico sentado, usando redes 
sociais? Fico dormindo?". Bem, 
parece uma contradição, mas não 
é suficiente afirmar que é por fé. 
E Paulo não encerra aqui a discus­
são. No capítulo 5 da Carta aos 
C álatas, ele segue o raciocínio. 
Vamos acompanhá-lo.
Quando Paulo diz que a santi­
ficação é por meio da fé, significa 
que a santificação é pelo Espírito. 
Ele dizem Cálatas 5.16, com um
tom imperativo - ou seja, é algo que 
temos que fazer -, que temos que 
andar no Espírito: "Digo, porém: 
andai no Espírito e jam ais satis­
fareis à concupiscência da carne". 
Então, o que significa a santifica­
ção ser por fé? Significa que não 
se pode alcançar a santidade por 
esforços próprios porque a obra 
santificadora é uma função espe­
cial do Espírito Santo. Precisa men­
te, chama-se Espírito Santo porque 
uma de suas íunçòes principais é 
santificar o povo de Deus.
O que tem os que fazer? O 
apóstolo Paulo diz: "Vivam no 
Espírito, andem pelo Espírito, e 
então não vão satisfazer os desejos 
da carne." file segue orientando: 
"Porque o desejo da carne é contra 
o Espírito, e o do Espírito é contra 
a carne; e estes se opõem entre si, 
para que não façais o que quereis. 
Mas se sois guiados pelo Espírito,
OB RO
não estais debaixo da lei" (17-18). 
Dessa forma, conforme o ensino 
do apóstolo, o único que pode 
derrotar a carne não ó a natureza 
humana por si só, mas o Espírito 
Santo (que é contra a carne) que 
habita naqueles que pela fé creram 
em Jesus como Salvador. Tudo o 
que se tem que fazer e andar no 
Espírito, ser guiado por Ele. No 
entanto, a decisão de andar ou não 
no Espírito cabe a cada pessoa. 
Uma vez que se decide a andar no 
Espírito, Ele nos capacita nas lutas 
diárias na jornada da santificação.
A santificação é por fé, porque 
é pelo Espírito Santo. E, sem o Es­
pírito Santo, não há experiência de 
santidade. É certo que a obra de 
Cristo nos santificou, Dessa forma, 
somos santos. Mas a verdade sub­
jetiva, a verdade da experiência, da
prát ica dessa verdade, só é possível 
pelo Espírito Santo de Deus.
Conclusão
Paulo conclui em Gálatas 5.25 
da seguinte forma: "Se vivemos 
pelo Espírito, andemos também 
pelo Espírito". Ou seja, se você 
é salvo em Cristo Jesus, se tem a 
vida pelo Espírito, se tudo come­
çou pelo Espírito, tudo o que terá 
que fazer é seguir pelo Espírito. 
Se tens recebido a vida pelo Es­
pírito, tudo o que tens que fazer 
é continuar com o Espírito, andar 
pelo Espírito. É por fé, do princípio 
ao fim; é pelo Espírito, do princí­
pio ao fim. A ideia é que a carne 
nunca teve lugar no processo de 
santificação, "pois a inclinação da 
carne é para o mal". Os esforços
humanos não servem nem para 
o começo, nem para o meio, nem 
para o final; os esforços humanos 
só fazem que o pecado abunde e 
se multiplique.
Não defendemos o monergis- 
mo, mas o sinergismo,3 onde há a 
colaboração do ser humano. A coi­
sa não parte do ser humano, mas, 
sim, do Espírito; no entanto, o ser 
humano necessita deixar-se domi­
nar pelo Espírito. Se não, ele pode 
amar mais as trevas do que a luz, 
visto que suas obras são más, con­
forme João 3.19,20: "O julgamento 
é este: que a luz veio ao mundo, e 
os homens amaram mais as trevas 
do que a luz; porque as suas obras 
eram más. Pois todo aquele que 
pratica o mal aborrece a luz e não 
se chega para a luz, a fim de não 
serem arguidas as suas obras". H
3 Monergismo - Essa palavra faz parte do vocabulário radical do agostinianismo e do calvinismo. Afinna que a regeneração depende 
totalmente das operações do Espírito Santo, onde a vontade humana torna-se totalmente passiva durante todo o processo da 
salvação (Enciclopédia de Bíblia. Teologia e Filosofia, Hagnos, volume 4, M/O, p. 344). Sinergismo - Essa palavra vem do termo grego 
composto que significa "trabalhar junto com". No contexto, teológico, essa palavra significa que a salvação do Indivíduo é o 
resultado final de um esforço cooperativo com Deus (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Hagnos, volume 6, S/Z, p. 233).
OB
25
REIRO
I
AO LEREM O QUE ESCREVÍ, PODERÃO ENTENDER 
A MINHA COMPREENSÃO DO MISTÉRIO DE C R ISTO ;; |
Efésios 3.4
CRISTOLOGIA PAULINA, GORDON D. FEE
Esta obra única em sua abordagem e temática oferece um estudo exaustivo da 
Cristologia Paulina pelo acadêmico Gordon Fee. O autor oferece uma análise detalhada
8
C
cn
CL
3
CD
X
*o
CRISTOLOGIA
PAULINA
das cartas de Paulo individualmente, explorando a cristologia de cada uma e então elabora 
uma síntese da obra exegética com os seguintes temas:
• O papel de Cristo como o salvador 
divino preexistente e salvador 
encarnado;
• Jesus como o segundo Adão;
• O Messias judeu e filho de Deus;
• Como o Messias e Senhor exaltado.
Gordon D. Fee
PhO pela Un/verstty o!Southern Califórnia. Fee é professor 
emérito de Estudos do Novo Testamento no Regent CoUege. 
em Vancouver, Canadá. Exerce a função de editor da série 
NewInlcrnahooal Comtnontary Fee lem publicado vários livros 
e artigos, entre eles. Exegese7Para qué7 e Jesus o Senhor 
segundo o Apóstolo Paulo, publicados no Brasil pela CPAO
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ENRIQUECIMENTO DA 
SUA VIDA MINISTERIAL
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TEOLÓGICA
Santidade:
Uma Introdução Teológica
Bemic A. Vau de Walle
Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou 
uma ética que se espera atingir. Escrita de forma abrangente para 
alcançar leigos e estudiosos da Palavra de Deus, esta obra desafia 
essas idéias comumente aceitas ao mergulhar no seu conceito 
teológico. Buscando ocupar um espaço ainda nào desbravado no 
estudo do tema, o pastor e doutor em Filosofia Bernie A. Van De 
Walle preparou esta introdução teológica para que você redescu- 
bra a santidade bíblica. Ela foca na natureza da santidade cristã, 
esclarecendo que santidade não é fundamentalmente um código 
de conduta ou uma espécie de comportamento, mas, antes disso, 
uma referência ao próprio Deus e, somente de modo derivado, 
uma referência à ética. "Antes de abordarmos a santidade como 
uma categoria moral ou legal, nós devemos explorá-la como uma 
categoria divina, teológica e teocêntrica", pois ela "diz respeito a 
Deus e ao que Ele é", enfatiza o autor. Trata-se de uma importante 
e necessária introdução ao tema da santidade bíblica.
O PIANO ix [ ) n > PMU I MA V1UA \m M M K tl
H e n r y
Bl a c k a b y
Santidade: O Plano de Deus 
para Uma Vida Abundante
Hettry Blackaby
Neste livro, Henry Blackaby, doutor em Teologia e célebre pastor 
batista nos Estados Unidos com m ais de 30 anos de ministério 
pastoral, chama a atenção para a necessidade de olharmos para 
dentro de nós, para nossas reais motivações, e observarmos a 
Palav ra de Deus em todas as áreas de nosso viver. Ele concla­
ma seus leitores a ver o pecado sob uma perspectiva divina e e 
reorientarem suas vidas em todos os níveis segundo a vontade 
do Senhor. Ao retratar o modo como Deus lida com o Seu povo 
nas Sagradas Escrituras, o pastor Blackaby ilustra a ligação vital 
entre arrependimento, reaviva mento, julgamento e santificação. 
O autor enfatiza que Deus almeja que o Seu povo seja santo com 
urgência, pois somente dessa forma poderemos experimentar a 
plano de Deus para uma vida abundante. "O verdadeiro reavi- 
vamento só pode acontecer", observa Blackaby, "quando o povo 
de Deus retornar a um temor santo e saudável dEle".
ROOB
27
REI
Claiton Ivan Pommerening e pastor- 
auxiliar na Assembléia de Deus em 
Joinville (SC), mestre em Teologia 
pela Faculdade est. graduado 
em Teologia e ciências contábeis, 
diretor e professor de Teologia 
na Faculdade Ref idim, diretor do 
Colégio CEEDUC, professor visitante 
da Faculdade crista de Curitiba, 
editor da Azusa Revisto de Estudos 
Pentecostois. edrtor-executivo da 
Revista REPAS/CPAD. avaliador 
institucional do in ep / m e c , membro 
fundador do Grupo de Estudo do 
Pentecostalismo (GEP) da Faculdade 
Ref idim. autor de livros e de 
revistas da Escola Dominical 
Lições Bíblicas Adultos da CPAD.
O Espírito Santo 
faz nascer no 
crente o desejo 
de usufruir 
uma vida de 
santidade e de 
combate contra 
o pecado a fim 
de alcançar 
o porvir
Claiton Ivan Pommerening
Santifica<
No Antigo Testamente, 
era o assombro reve­
rente diante da ma­
jestadedivina que 
causava a reação da adoração, 
da reverência e do medo de pe­
car contra Deus (SI 96.9). Assim, 
o Seu povo especialmente esco­
lhido e separado era chamado a 
venerá-lO (Êx 12.16; Dt 7.6; Sl 20.6; 
Is 6). No Novo Testamento, é a 
justificação e a resposta à graça 
que propicia ao crente, com a aju­
da do Espírito Santo, promover o 
seguimento de Jesus numa cami­
nhada de santidade, tonando-se 
"raça eleita, sacerdócio real, na­
ção santa" (lPe 2.9).
A permanência no Corpo de 
Cristo e o que garante ao crente 
a santidade, porque, estando no 
Corpo de Cristo, todos os peca­
dos são afogados nEle; o crente 
so santifica estando no corpo e 
mortifica seu desejo de pecar, mas, 
em pecando, seu pecado é afogado 
no mesmo corpo se há arrependi­
mento (ljo 2.1). Daí a necessidade 
de permanência no Corpo de Cris­
to. A santidade do crente decorre 
da santidade de Cristo e do amor 
de Cristo pelo Seu próprio corpo 
que o impeliu ao sacrifício na cruz 
(Ef 5.27).
Em Cristo, o crente ê santifica­
do de forma definitiva, completa e 
perfeita através da obra do Espíri­
to Santo, que o convence do peca­
do (santificação posicionai). Mas, 
no mesmo Espírito, também se é
2
santificado de forma progressiva, 
substancial c constante no intui­
to de levar à maturidade cristã, à 
produção do fruto do Espírito e à 
manifestação da vida e do amor 
de Cristo. Mas não sem sobressal­
tos, avanços e retrocessos, pois o 
Espírito Santo opera em união e 
simbiose com o desejo e a vontade 
humanas. Ninguém é tão santo 
que esteja livre do pecado.
O que é santificação 
progressiva?
O processo de santificação é 
passivo (Rm 6.13; 12.1; 8.13) e ativo 
(Rm 8.13; Fp 2.12-13) por parte do 
crente. fi passivo porque é obra 
do Espírito Santo e, por isso, é 
necessário apenas entregar-se ao 
Seu agir sem resistir-lhe (Ef 4.30); 
e é ativo porque o crente busca a 
santificação através da leitura e 
meditação da Bíblia, da oração, 
da adoração, do testemunho, da 
comunhão, do domínio próprio e 
praticando disciplinas espirituais 
que lhe aperfeiçoem o caráter. O 
esforço ativo da santificaçãoépara 
não se tornar um cristão passivo 
e indolente. A passividade de se 
render ao Espírito Santo é para 
não se tornar orgulhoso e falsa­
mente confiar na justiça própria 
(IPc 2.11). A santificação deve ser 
almejada e priorizada pelo crente 
(Hb 12.14) com muita determina­
ção, pois a natureza pecaminosa 
que reside quer ter seus privilé-
OB
gios c resistir a este processo (Rm 
714,21) (POMMERENINC, 2017).
Conforme Natalino das Neves, 
a santificação progressiva se dá na 
vida do crente que já foi justifica­
do, tendo a justificação de Cristo 
como base principal, pois esta pes­
soa recebe uma nova natureza que 
a torna uma pessoa que não vive 
mais com voluntariedade para o 
pecado (NATALINO, 2023, p. 17). 
No entanto, a pessoa luta contra 
a sua natureza pecaminosa para 
a subjugar ao domínio de Cristo 
e assim viver uma vida santifica­
da. É preciso salientar que essa 
luta contra o pecado não se dá 
de forma isolada, mas, sim, com 
a ajuda substancial do Espírito 
Santo, que atua na vida do crente 
fazendo a pessoa tanto desejar a 
vida santa quanto a animando no 
embate contra o pecado (ljo 4.4), 
no sentido de fortalecê-la e fazê-la 
aborrecer o pecado.
Para Paulo, a santidade não é 
prioritariamente uma carga nega­
tiva de proibições, negações e pri­
vações da vida, mas o abandono de 
pensamentos e ações que tornam 
a vida pesada e cheia de contradi­
ções (G15.16-21). É antes um desejo 
posit ivo de produzir c viver as boas 
obras do Espírito Santo, conforme 
a lista do fruto do Espírito descri­
ta por Paulo. (POMMERENINC, 
2(117). Assim, a santificação é uma 
vida abundante, plena e feliz que 
transborda no fruto do Espírito e 
nas virtudes cristãs, especialmen-
Á
te o amor, antagonizando com a 
falsa moralidade e a hipocrisia tão 
presente na santificação negativa, 
naquela que apenas proíbe e cer­
ceia. Paulo afirmou que este tipo de 
santidade leva à demência espiritu­
al: "Se vocês morreram com Cristo 
para os rudimentos do mundo, por 
que se sujeitam a regras, como se 
ainda vivessem no mundo? [...] 
essas coisas têm aparência de sa­
bedoria, ao promoverem um culto 
que as pessoas inventam , falsa 
humildade e tratamento austero 
do corpo. Mas elas não têm valor 
algum na luta contra as inclinações 
da carne" (Cl 2.20-23).
Os que vivem sob a liberdade 
da graça desenvolvem uma santi­
dade que reflete a beleza de Cristo 
em sua interioridade, que extrava­
sa nas mais diferentes esferas da 
vida. Neste sentido, santificação é
a capacidade de ser coerente com 
as fraquezas humanas e rcconhocê- 
-las sempre diante de Cristo. Sendo 
assim, quanto mais transparente 
se é neste relacionamento com F.le, 
em que não se esconde nada, tanto 
mais progressividade e possibili­
dades de santidade se adquire.
Mesmo depois de serem justi­
ficados, os crentes continuam co­
metendo pecados (Tg 3.2; ljo 1.8), 
embora não sejam mais escravos 
do pecado (Rm 6.2). Mas esta cons­
tatação não pode ser uma desculpa 
para se tratar os deslizes espiri­
tuais e o pecado com lassidão ou 
indolência; muito pelo contrário, 
exige-se mais cuidado e vigilância 
para não cair em tentação (Mt 6.13; 
26.31) (POM M ERENING, 2017). 
Embora se alcance a santidade 
absoluta somente na eternidade, 
numa dimensão escatológica, está-
-se em tensão contínua e em ambi­
guidade por se viver, de um lado, a 
realidade presente de ter sido jus­
tificado c santificado estando cm 
Cristo - Ele que inspira, ilumina e 
sustenta em toda boa obra, tornan­
do todo crente participante da ple­
nitude dEle e já O vendo como que 
por espelho embaçado (ICo 13.12) 
- e assentado com Ele nos lugares 
celestiais (Ef 2.6) e já co-herdeiro 
com Cristo (Rm 8.17), e por saber, 
por outro lado, que a santificação 
ainda está em processo, pois o 
crente ainda ê carnal e vendido ao 
pecado (Rm 7.14). E nova criatura, 
nascido de novo, lavado no sangue 
de Cristo, mas sofre as fraquezas 
da carne e por vezes facilmente 
sucum be às tentações. Portanto, 
nenhum cristão poderá afirm ar 
que está isento do pecado e que 
não necessita do perdão de Deus.
Assim, está-se vivificado e plena­
mente santificado em Cristo, mas 
a santidade é momentaneamente 
frágil, incompleta eestá em estágio 
germinal, se comparada com a san­
tidade perfeita de Cristo (FIORES; 
GOFFI, 1993, p. 1036), que é o pleno 
santificador e modelo de santidade 
a ser seguido.
Antonio Gilberto (2013, p. 364- 
365) classifica a santificação como 
passada e instantânea, porque em 
Cristo o crente se torna santo no ato 
da conversão (Cl 1.20), chamada de 
santificação posicionai; concomi­
tantemente, 6 presente progres­
sivamente no dia-a-dia da vida 
cristã, cham ada de santificação 
progressiva,experimental ou práti­
ca; e ela também é futura, completa 
e final (Rm 6.22-23), e ocorrerá na 
Segunda Vinda de Cristo.
A ação do Espírito Santo na
santificação processual
O Espírito Santo como o Aju- 
dador amado é o agente da santi­
ficação na vida do crente, conforme 
Paulo: "M as vocês foram lavados, 
foram santificados, foram justifi­
cados no nome do Senhor Jesus 
Cristo e no Espírito do nosso Deus" 
(ICo 6.11). Essa santidade posicio­
nai é alcançada no momento da 
conversão, mas o mesmo Espírito 
promove a santificação progressiva 
na vida do crente, desde que esse se 
deixe conduzir por sua orientação 
amorosa. João Batista, ao vaticinar 
sobre o trabalho salvador do Mes­
sias, disse que "Ele os batizará com 
o Espírito Santo e com fogo" (Mt 
3.11), demonstrando que aqueles 
nos quais se cum prir a descida 
do Espírito Santo não experimen­
tariam apenas um derramar sim­
bólico do poder do Espírito, mas 
teriam em sua vida o fogo purifi­
cador que arde no mais íntimo do 
coração, revelando e removendo 
toda a sujidade do pecado e seus 
cruéis grilhões.
Assim como o Espírito Santo 
conduziu Jesus ao deserto para
ser tentado pelo Diabo (Lc 4.1), a 
tentação permitidapor Deus na 
vida do crente tem um a função 
purificadora no sentido de fazer 
o crente perceber as inclinações 
do seu coração e quais elementos 
perniciosos ocupam os seus espa­
ços mais secretos. O crente poderá 
usar, com a ajuda do Espírito Santo, 
as suas próprias inclinações más 
para confessá-las e purificá-las no 
fogo do Espírito, que começou a 
boa obra e há de completá-la até o 
Dia de Cristo Jesus (Fp 1.6).
O legalism o, com suas proi­
bições, diz que o crente precisa 
m elhorar na santidade para se 
aproximar de Deus; a graça diz que 
o crente precisa se aproximar de 
Deus para melhorar, se tomando 
mais semelhante a Cristo. O lega­
lismo cobra pedágio para chegar à 
santidade; a graça pagou o preço 
completo na cruz de Cristo, o que 
permite o crente ser santo.
No processo de santificação 
operado pelo F.spírito Santo, a Pa- A
lavra de Deus assume um lugar 
decisivo, pois é através dela que, 
agindo como um espelho, o Es­
pírito Santo revela o que precisa 
ser transformado (Rm 12.2). í' a 
Palavra de Deus que penetra até a 
divisão da alma e do espírito, das 
juntas e medulas, e revela todas as 
coisas ocultas, algumas vezes ocul­
tas do próprio crente, outras vezes 
ele nào quer enxergar (Mb 4.12).
A cooperação e a 
responsabilidade humana 
no processo de santificação
A tra n sp a rên c ia para com 
Deus é quando o crente não dei­
xa nada oculto dEle; quando, em 
devoção e quebrantam ento de 
alma, consegue Lhe contar tudo. 
Este é o cam inho m ais sensato
para a santidade e a pureza, pois, 
através da confissão, Ele vai pu­
rificando, perdoando, curando e 
finalmente se tornando íntegro. 
Assim, se reconecta o ser inteiro 
com Cristo, que é o m ais perfeito 
e com pleto modelo de in tegri­
dade e santidade. Quanto mais 
integridade, menor será a neces­
sidade de usar máscaras, pois, ao 
usar máscaras, se torna hipócrita, 
perdendo-se a santidade. A falta 
de integridade produz ídolos e 
permissividade no coração do ser 
humano (Mt 6.24).
Quanto mais preocupação com 
a inferioridade secreta, expondo- 
-a diante de Deus sem máscaras, 
integral mente, tanto m ais reflexos 
positivos se experim enta na ex- 
terioridade, pois e o interior que 
fornece luz ao exterior (Mt 6.23); é
a partir do interior que se reflete 
a beleza de Cristo (santidade) em 
todas as dimensões da vida. Isso 
é possível em relação direta com 
a capacidade de olhar para dentro 
de si mesmo em atitude de oração 
e perserutação do coração com a 
ajuda do Espírito Santo (POM.V1E- 
R ENING, 2(117), concordando com 
Paulo, que disse "aperfeiçoando 
a nossa santidade no temor de 
Deus" (2Co 7.1). Por isso, a melhor 
maneira de evitar a falta de inte­
gridade é ser transparente consigo 
mesmo, com o próximo e especial­
mente com Deus. O apóstolo Paulo 
admoestou Timóteo no sentido de 
progredir espiritualmente: "Medi­
te estas coisas e dedique-se a elas, 
para que o seu progresso seja visto 
por todos. Cuide dc você mesmo e 
da doutrina" (lTm 4.15-16).
A responsabilidade humana 
na obra de santificação, conforme 
os textos bíblicos, são: "andar na 
luz" (IJo 1.7); "guardaros manda­
mentos" de Deus (IJo 2.3); "agra­
dar a D eus" (lTs 4.1); "viver de 
modo digno do Senhor" (Cl 1.10); 
ter os "corações confirmados em 
santidade, na presença de nosso 
Deus" (lTs 3.13); e estar "aperfeiço­
ando a nossa santidade no temor 
de Deus" (2Co 7.1), dentro outros 
(POMMERENINC, 2017).
O modelo perfeito de
santidade a ser seguido
A santidade, expressa de for­
ma simples, é a união do crente 
com Cristo de forma que se torne 
um com Ele. Dito nas palavras de 
Paulo, ela assume uma conotação 
profunda de seguimento a Cristo: 
"Já não sou eu quem vive, mas 
Cristo vive em mim. E esse viver 
que agora tenho na carne, vivo pela 
fé no Pilho de Deus, que me amou
c se entregou por mim" (Cl 2.20). 
Assim, ela assume característica de 
profunda comunhão com Cristo, 
assumindo seu jeito de ser, agir e 
viver, posturas estas incorporadas 
à vida diária na convivência com 
o amado Salvador, que santifica 
a vida do crente pela intimidade 
piedosa (lPe 1.15). Quando andou 
na Terra, Jesus nos ofereceu o me­
lhor exemplo de integridade, pois 
assumiu a forma humana plena, 
"esvaziou-se a si mesmo" (Pp 1.7), 
e humildemente conviveu com a 
fraqueza humana. A santidade 
de Jesus está baseada na premissa 
antiga, fundamental e que procede 
da I ei de Moisés, que afirma: "Ama 
a E>eus sobre todas as coisas e ao 
próximo como a ti mesmo". Mas 
Jesus amplia isso ao afirmar que 
deveriamos amar uns aos outros 
como Ele mesmo amou (Jo 13.34).
Para Jesus, o pecado e a malda­
de procedem do coração, portanto 
de dentro para fora. No Sermão do 
Monte, Ele trata o pecado em sua
origem, no coração, chamando o 
crente a erradicá-lo ali, antes que 
se torne concretude. Portanto, 
para Jesus, o pecado é anterior 
ao ato em si. Ele nasce no coração 
hum ano para depois se tornar 
em mal. A santidade de Jesus é 
radical, porque trata o pecado 
quando é apenas um sentimento, 
em sua fase embrionária, antes de 
ser praticado. Nessa radical idade, 
Jesus erradica o pecado usando a 
figura da mutilação (Mc 9.43-47), 
pois santidade é discipulado ra­
dical. Ê nesse lugar fundamental 
(no sentido de origem e profundi­
dade) que a santidade deve estar 
inserida para que o crente viva em 
progressividade santificadora e 
em santa progressividade. Embo­
ra experimente vergonhosos e em­
baraçosos retrocessos, ele sempre 
de novo se levanta, com a ajuda 
do Espírito Santo, e se apropria 
novamente do modelo a ser segui­
do: Jesus de Nazaré. O modelo de 
Jesus nos convida a uma santida-
OB
33
REIRO
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BJB11A SAGRADA N A A fcrnion SBR,J018
BORfS,Stpfanode,G OFFI,Tuilo D^xmúriodfh^iritiialidade São P ado Paulus, 1993.
611 B fR TO ,A n tcn io (e ta l) feo loçúS rssm M oP m m tf R o d e Lançiro CFAD,7013 
GRUN. A n sé m . hum de (aoçfcamrtboiparo a tm a de Deus. Petfópdis: Vazes. 2016. 
NtVLS. NdUlino das. Sejurocte para Dem. Rio de Janeiro: L F A U 2023.
POMMERBING. Odilon R » de Janeiro: CPWX 201/.
QUFIR07, Carlos Ser C o íwsfaníe Curitiba: fixcnlro/Viçosa Ultimato, 7006
de ética, onde o que é importante 
não são prioritariamente as regras 
pré-estabelecidas, geralmente de 
cunho moralista, mas as escolhas 
santas que são feitas diante das 
com plexas dem andas da vida, 
preferindo sempre falar, agir e ser 
como Jesus (2Co 3.18).
CONCLUSÃO
Jesus disse: "Abençoados são 
vocês, que puseram em ordem 
seu mundo interior, com a mente 
e o coração no lugar certo. Assim,
vocês poderão ver Deus no mun­
do exterior" (Mt 5.8, AM). Como 
consequência, "os que olham para 
ele estão radiantes de alegria; seus 
rostos jam ais mostrarão decep­
ção" (SI .34.5, NVI)..
Pureza de coração significa ter 
um só propósito na vida, que é di­
recionada para buscar unicamente 
a vontade de Deus e amá-lO acima 
de tudo (Mt 7.33), se desfazendo de 
todas as falsas intenções secundá­
rias, para que se alcance tal pure­
za interior de estar totalmente à
disposição da vontade de Deus. A 
vontade de Deus ocorre na vida da 
pessoa quando os vícios e pecados 
são vencidos. Nesse estágio, o cora­
ção alcança paz, fica livre do medo, 
da agitação o das paixões incon- 
troláveis. Assim, quem alcança a 
pureza de coração encontra a sere­
nidade, ambas se inter-rclacionam, 
pois quem é puro de coração tem 
um coração sossegado. Enquanto 
as paixões e vícios controlarem 
a pessoa, ela não encontrará paz 
interior (GRÜN, 2016). ■
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Saber ou tra língua é essencial. Aprender grego é um diferencial.
fíp re n d e n d o Grego no novo Testam ento tem por objetivo levar o estudante a ler e a traduzir textos 
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Persiste
emLer CBO
Douglas Roberto de Almeida 
Baptista e pastor, líder da Assembléia 
de Deus de Missão do Distrito 
Federal (ADMDF) e do conselho 
de Educaçao e cultura da c g a d b ; 
presidente da Academia Evangélica 
de Letras do Distrito Federal 
(AELDF); vice-presidente da Rede 
Assembleiana de Ensino (RAE); 
graduado em Teologia. Filosofia, 
Pedagogia e Ensino Religioso; mestre 
em ciências das Religiões e novo 
Testamento; doutor em Teologia; 
e comentarista das Lições 
Bíblicas Aduizos da c p a d .
Já na e te rn id a d e , 
o c re n te será 
p le n a m e n te 
re s ta u ra d o em 
sua p e rfe iç ã o 
o r ig in a l, p e rd id a 
n o É den, ap ós 
o a d v e n to d o 
p e c a d o
Douglas Roberto de Almeida Baptista
Santificaç 
definitiva <
As Escrituras apontam 
que a finalidade da 
nossa Eleição em Cris­
to é propiciar uma 
vida nova aos eleitos, isto é, para 
sermos "santos e irrepreensíveis 
diante dEle" (Et 1.4b). O vocábu­
lo grego bugios (santo), no aspecto 
espiritual, significa "separado do 
pecado" (lPe 1.15-16). O adjeti­
vo grego amornos (irrepreensível) 
expressa algo "sem defeito" ou 
"inculpável" (Fp 2.15). Os termos 
apontam para a santificação, isto 
é, para o mais alto padrão ético e 
moral de vida a fim de agradar a 
Deus, que nos elegeu (Ef 5.1-3).
As Escrituras Sagradas ensi­
nam que Deus é "Santo": Ele é o 
"Santo de Israel" (Is 1.4); "Deus, 
o Santo" (Is 5.16); e o Seu nome é 
"Santo" (Is 40.25; 57.15). Portanto, 
o Deus "Santo" requer que Sua 
criação ande em santidade (lPe 
1.15,16). O atributo comunicável 
de Deus da santidade é concedido 
a todos os que verdadeiramente 
são regenerados. Desse modo, o 
salvo precisa ser santificado pelo 
Espírito Santo (lPe 1.2).
Nessa perspectiva, apresen­
tamos abaixo a definição bíblica 
para o pecado; a condição de de- 
pravação humana; a concoituação
do termo santificação; o processo 
de santificação do cristão; os erros 
doantinom ianism o,do legalismo 
e do falso moralismo; bem como 
a erradicação final do pecado na 
vida do crente salvo.
Definição de pecado
No Antigo Testamento, a mais 
im portante expressão hebraica 
para referir-se ao pecado é o con­
junto de palavras representado 
por chattath , que possui o sentido 
básico de errar um alvo ou um ca­
minho (Gn 4.7; Pv 19.2).' No grego 
do Novo Testamento, o principal 
termo para designar o pecado é 
ham artia, que possui conotação 
de "erro morai" (2Pe 2.13,14). Essa 
palavra aparece cerca de 300 ve­
zes com o sentido de errar o alvo 
proposi ta 1 mente.
Nesse aspecto, Millard J. Eri- 
ckson arrazoa que "esse pecado 
é sempre contra Deus, visto que 
não se atinge a m arca que Ele 
estabeleceu, seu padrão de amor 
e obediência perfeitos devido a 
Ele".1 2 Além disso, a Bíblia Sagrada 
disciplina: "Quem comete pecado, 
comete iniquidade; porque o pe­
cado é iniquidade" (ljo 3.4). Nesse 
contexto, a palavra "iniquidade" 
ou "ilegalidad e" significa uma
1 HORTOX, S. (Ed.). Teologia Sistemática: L'ma perspectiva pentecostal. Rio de Janei­
ro: CPAD, 1996, p. 28 
: ERICKSON, 2015, p. 551. 3.
ío Total: a vitória 
:ontra o pecado
atitude de rebelião geral contra 
os mandamentos de Deus.3 Desse 
modo, abrange não apenas errar o 
alvo, mas deliberadamente acertar 
o alvo errado. Trata-se de desobe­
diência intencional contra Deus e 
a Sua Palavra (ISm 15.22,23).
Em consequência, o pecado 
afasta o homem de Deus e tam­
bém o faz pecar contra o próximo. 
O pecado não é somente praticar 
obras contra Deus, mas inclui a 
om issão em praticar o bem (Tg
4.17) . Portanto, pecado é a condi­
ção do homem não regenerado, 
e ele só pode ser expelido por 
meio do novo nascimento (Jo 3.3- 
7). Essa reconciliação do homem 
com Deus só é possível em Cristo 
(2Co 5.19).
A Depravaçáo Total
A doutrina do pecado original 
está sobejamente registrada nas Es­
crituras (Km 5.12-21; ICo 15.21,22, 
Ef 2.1-3). Desse modo, sublinha-se 
que o ser humano foi criado em es­
tado de inocência: não impecável e 
nem pecaminoso, mas perfeito (Ec 
7.29) e dotado de livre-arbítrio (Cn
2.16.17) . Porém, o primeiro homem 
escolheu desobedecer a Deus, e
5 STRONSTAD, Roger & ARRINCTON, 
French (Ed.). Comentário Bíblico Pente- 
cost.il Novo Testamento. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2003, p. 1.779.
A
OB
37
REIRO
a sua Queda contaminou toda a 
humanidade (Gn 3.9-19; Rm 5.12).
A partir da Queda, todos os se­
rem humanos nascem em pecado 
(SI 51.5). Assi m, o pecado não é pas­
sado adiante mera mente pela força 
do mau exemplo, mas é um mal 
inerente à natureza humana (Rm 
7.14-24). Jacó Armínio salienta que a 
"abrangência deste pecado [...] não 
é peculiar aos nossos primeiros 
pais, mas é comum a toda a raça 
humana e a toda sua posteridade".4 
Em consequência, todo ser huma­
no está debaixo da escravidão do 
pecado c da condenação da morte 
(Rm 3.23; 6.23).
Contudo, apesar de corrom ­
pida, a natureza humana pode 
ser eficazmente regenerada pela 
fé em Cristo (Rm 3.24; 2Co 5.17). 
Porém, em decorrência do pecado 
de Adão, o homem encontra-se es­
piritualmente morto e incapacitado 
de vir a Deus por si mesmo (Ef 2.1). 
Significa que, por causa da Queda,
todas as áreas de nosso ser foram 
afetadas. Esse estado de corrupção 
mental, moral eespiritual da natu­
reza humana é denominado de Dc- 
pravação Total, ou seja, a inclinação 
para fazer o errado resultante do 
pecado original. Essa depravação 
impede o homem de tomar a ini­
ciativa no processo de regeneração 
(Rm 8.7,8).
Por co n seg u in te , o hom em 
só pode ser liberto do pecado se 
Deus o buscar primeiro (Fp 1.6). 
Sem a ajuda de Deus, ninguém 
pode ser transformado (2Co 5.17; 
Tt 3.5). Isto significa que o homem 
não pode dar início ao processo 
da salvação, pois seu livre-arbítrio 
precisa ser divina mente restaura­
do (Rm 2.4). Por isso, somente ao 
ser atingido pela graça proveniente 
(ação divina que antecede a con­
versão) é que o homem recebe a 
capacidade de arrependimento e 
fé. E isso mostra que a fé antecede 
a regeneração.
Em síntese, o pecado original e 
a depravação tornaram o homem 
totalmentc incapaz de até mesmo 
desejar se aproxim ar de Deus.15 
Mas, por meio da graça prevenien- 
t e , ele recebe divinamente a capa­
cidade para crer, arrepender-se e 
ser salvo (Rm 3.24,25). Portanto, a 
libertação do pecado não provém 
de nenhum esforço humano, mas 
é gratuita e divinamente ofertada 
(Rm 6.23; Ef 2.8,9). Não obstante, 
na "história da salvação", a dou­
trin a da santificação faz parte 
do plano integral de Deus para 
a hum anidade.6 A salvação e a 
santificação devem andar juntas 
na vida do crente.
Conceito de santificação
No Antigo Testamento, a pala­
vra hebraica qadash, traduzida por 
"ser santo", possui o significado 
básico de separação do uso co­
mum para a dedicação a Deus e ao
4 ARMÍNIO, Jacó. As obras de Armínio. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 439.
*MAIA, Carlos Kleber. Depravação Total. São Paulo: Reflexão, 2015, p. 75.
6 JENNEY, Hmothy P. O Espírito Santo e a santificação. In: HORTON, S. (Ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. 
Rio de Janeiro: CPAD. 1996, p. 407.
seu serviço.7 O N ovo D icionário de 
Teologia leciona que "santificação" 
é um terino técnico de ritual de 
culto. F.lc apresenta a ideia tanto 
de limpeza (Êx 19.10,14) quanto de 
consagração e dedicação ao servi­
ço de Deus (Êx 19.22; Dt 15.19; 2Sm 
8.11; Is 13.3). Contudo, o significa­
do de santificação e de santidade 
se estende para além do ritual, 
para a esfera moral.s
No Novo Testamento, o termo 
grego mais comum traduzido por 
"santo" é hagios. Nosingular, é usa­
do com o adjetivo para descrever 
Deus e o Seu Espírito. No plural, 
é em pregadocom o substantivo 
para referir-se ao povo de Deus.9O 
verbo liagiazo é utilizado no senti­
do ritual de se separar algo dentre 
o que é comum para a utilização 
com propósitos sagrados (Mt 6.9; 
Jo 10.39; IP e 3.15). A expressão
hagnos se refere particularmente à 
pureza no sentido ético. Em termos 
gerais, "a obra da santificação é a 
separação de tudo que é contrário 
à pureza do Espírito".10
A obra T eolog ia S istem ática 
P en tecostal (CPAD) d efin e que 
santificar é "pôr à parte, separar, 
consagrar ou dedicar uma coisa 
ou alguém para uso estritamente 
pessoal". Santo é o crente que vive 
separado do pecado e das práticas 
mundanas pecam inosas, para o
domínio o uso exclusivo de Deus.
*
E exatamente o contrário do crente 
que se mist ura com as coisas tene­
brosas do pecado.11
O teólogo A ntonio G ilberto 
chama a atenção para aquilo que 
não é santificação bíblica: (1) Usos, 
práticas e costum es. Estes últimos, 
quando bons, devem ser o efeito 
da santificação e não a causa dela
(Ef 2.10); (2) M aturidade cristã. Não 
é pelo tempo que algo se torna 
limpo, m as pela ação contínua da 
limpeza; (3) Batism o com o Espírito 
Santo ed on s espirituais. Em si mes­
mos não equivalem à santificação 
como processo divino e contínuo 
em nós (At 1.8; ICo 14.3).'2
A santificação bíblica tem três
*
aspectos: (1) Posicionai: E a santifi­
cação completa e perfeita. O crente 
pela fé torna-se santo "em Cristo" 
(Ef 2.6; Cl 2.10); (2) Progressiva: É 
a santificação prática, aplicada 
ao viver diário do crente. Nesse 
aspecto, a santificação do crente 
pode ser aperfeiçoada (2Co 7.1). Os 
crentes mencionados em Hebreus 
10.10 já haviam sido santificados e 
continuavam sendo santificados 
(vv. 10,14-ARA); e (3) Futura: Trata- 
-se da santificação completa e final 
(Ef 5.27; l is 3.13; 5.13; ljo 3.2).n
7 JENNEY, 1996, p. 412.
S FERGUSON, Sinclair B; WRIGHT David F. Novo dicionário de teologia. São Paulo: Hagnos. 2009. p. 892.
9 JENNEY, 1996, p. 419.
10 HENRY, Carl (org.). Dicionário dc Ética Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 537.
11 GILBERTO, Antonio (Ed.). Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD. 2013, p. 227.
12 GILBERTO, 2013, p. 227.
13 GILBERTO. 2013. p. 22S.
OB
39
R B RO
Santificação como processo
A santificação c uma "obra pro­
gressiva da parte de Deus e do ho­
mem que nos torna cada vez mais 
livres do pecado c semelhantes a 
Cristo em nossa vida presente".14 
Significa que viver separado do 
pecado é um processo mediante 
o qual Deus purifica os que a Ele 
se achegam e passam a ser orien­
tados pelo Espírito Santo (ljo 3.3).
Nossa Declaração de Fé leciona 
que "já salvo e justificado, o novo 
crente entra de imediato no pro­
cesso de santificação, pois assim 
o requer a sua nova natureza em 
Cristo (Rm 6.22; 1 Ts 4.3)".''’ Nesse 
aspecto, a santificação "é uma con­
tinuação do que foi começado na 
regeneração, quando então uma 
novidade de vida foi conferida ao
crente e instilada dentro dele. Em 
especial, a santificação 6 a opera­
ção do Espírito Santo que aplica 
à vida do crente a obra feita por 
Jesus Cristo".16
O Dicionário das Cartas de Paulo 
arrazoa que o apóstolo "insiste no 
comportamento e na conduta san­
ta e pura na vida dos fieis em an­
tecipação da volta de Jesus Cristo, 
embora não preveja o alcance da 
perfeição completa nesta vida".17 
Timothy P. Jenney pondera que, 
embora os crentes sejam cham a­
dos de santos (Mt 27.52; Rm 1.7; 
Ef 1.1), "o cristão não é necessaria­
mente perfeito, mas alguém que 
se arrependeu do seu pecado e 
submeteu-se ao poder pu rificador 
do Espírito de Deus. (...) Nenhum 
crente pode chegar a d izer que
está totalmente livre do pecado".18 
Nesse aspecto, tanto o antinomis- 
mo quanto o legalismo e o falso 
moralismo se constituem graves 
erros. O antinom ism o enfatiza 
de tal modo a liberdade cristã de 
condenação pela lei que deixa de 
salientar a necessidade de o cren­
te confessar constantemente seus 
pecados e buscar de modo sincero 
a sant ificação. O lega 1 ismo c o mo­
ralismo solapam inevitavelmente 
a certeza da salvação e enfatizam 
a responsabilidade cristã a tal 
ponto que a obediência ás normas 
e a regulamentos passa a ser vista 
como um elemento constituinte da 
fé que justifica.19
Em oposição a esses extremos, 
as Escrituras afiançam que a san­
tificação é um processo que vai
14 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Sáo Paulo: Vida Nova, 1999, p. 622.
15 SOARES, E. (Org.). Declaração de Té das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 112.
16 HORTON, 1996, p. 40S.
17 HAWTHORNE, Gerald F.; et. al. (Org.). Dicionário de Paulo c suas cartas. São Paulo: \lda Nova; Paulus, Edições Lovola. 2017, p. 1.136. 
IS JENNEY 1996, p. 425.
19 FERCUSON, 2009, p. 606,607.
40
REIOB
A l* »O V .
sendo aperfeiçoado durante toda 
a jornada do cristão (2 Co 3.18; Fp 
1.6). Essa obra é realizada pelo 
Espírito Santo, ela não cessa após 
a conversão, mas cresce gradu­
almente e requer a contribuição 
contínua do crente (2Co 6.16-7.1; 
ljo 3.2,3; Ap 22.11). Significa que 
temos a responsabilidade de co­
operar nesse processo e que o 
Espírito Santo com pletará essa 
obra em nós por ocasião da Se­
gunda Vinda de Cristo (lTs 3.13). 
Implica em afirmar que o processo 
de santificação dura até a nossa 
glorificação final no Dia de Cristo 
Jesus (Rm 8.30).
A vitória final 
contra o pecado
A doutrina bíblica da glorifi­
cação descreve a última etapa de 
nossa salvação (Rm 8.23,30). Nesse 
processo, o pecador é salvo pela 
graça, justificado pela fé, santifi­
cado pelo Espírito e prossegue até 
que todos cheguemos "a homem 
perfeito, á m edida da estatura 
completa de Cristo" (Eí 4.13, ACF). 
Km nossa trajetória cristã, continu­
amos sondo santificados, mas nun­
ca chegaremos à santificação total 
até chegarmos ao céu. Quer dizer 
que somente ao final do processo 
da salvação é que a glória perdida
*
no Eden pelo primeiro Adão será 
finalmente restaurada (ICo 15.45).
Trata-se da promessa da futu­
ra transformação de nosso corpo 
mortal em corpo glorioso (Fp 3.21), 
que se dará por ocasião da Vin­
da do Senhor (ICo 15.52-54; 2Co 
3.18). Esse novo corpo será eterno, 
imortal, imperecível, impecável.20 
Conforme as Escrituras, o homem, 
nascido de novo, em Cristo, é "nova 
criatura" (2Co 5.17) e se toma parti­
cipante "da natureza divina" (2Pe 
1.4). Contudo, essa participação, no 
tempo presente, é parcial. Isso por­
que, embora o pecado não tenha 
mais domínio sobre o crente, o ho-
20 STRO\'STAD, 2003, p. 1.308.
OB
41
REIRO
mem permanece sujeito a fraque­
zas e ao erro, mas, na glorificação, 
ele será restaurado à "semelhança" 
da "imagem de Deus" (ljo 3.2).
Isso significa que um dia o 
homem será restaurado em sua 
perfeição original e será impecável 
diante de Deus. Assim, ocorrerá a 
salvação da presença do pecado 
(lPe 1.5). Antonio Gilberto ponde­
ra que "a salvação começa com a 
redenção da alma; prossegue com 
a redenção do corpo; e culm ina 
com a glorificação do crente in­
tegral". Ele acrescenta que "João 
Batista, inspirado pelo Espírito, 
disse que Jesus é o Cordeiro que 
tira o pecado do mundo — kosmos. 
Isso só acontecerá plenam ente 
no futuro".21 22 Nesse sentido, Ciro 
Zibordi pontua que "obtemos a 
certeza da vida eterna no momen­
to em que cremos em Jesus Cristo, 
confessando-o como Senhor (Jo 
5.24; Rm 10.9,10), porém a salvação 
no sentido de glorificação só se 
dará a partir do Arrebatamento 
(Rm 13.11; Hb 9.28; Fp 3.20,21)."- 
Por essa razão, o autor de I lebréus 
chamou essa gloriosa obra de Deus 
de "uma tão grande salvação" (Hb 
2.3). O próprio Deus proveu os 
meios de nossa plena santificação, 
pois na Cidade Santa "não entrará 
coisa a Iguma que contam i ne, e co­
meta abominação e mentira; mas 
só os que estão inscritos no livro 
da vida do Cordeiro" (Ap 21.27).
Conclusão
As Escrituras ensinam que "a 
vontade de Deus é a vossa san­
tificação" (lTs 4.3); e que "D eus
não nos cham ou para viver na 
im pureza, m as em santid ad e"(lTs 4.7). Desse modo, uma con­
duta irrepreensível é requerida ao 
cristão, tanto no espírito como na 
alma e no corpo (lTs 5.23). Con­
tudo, essa restauração somente é 
possível por meio do sangue de 
Cristo, pela ação do Espírito e pela 
Palavra de Deus (lPe 1.15-25). O 
fruto do Espírito nós é concedido 
para andarmos no mundo conser­
vando nossa santidade (Cl 5.16-17, 
22). Esse processo é continuo até a 
Volta de Cristo, quando esse corpo 
mortal e pecaminoso se revestir 
da imortalidade e da incorrupti­
bilidade (ICo 15.52,53). Portanto, a 
Escritura nos adverte "sede santos, 
porque Deus é santo" (lPe 1.16), 
pois sem a santificação ninguém 
verá o Senhor (Hb 12.14). H
21 GILBERTO, 2013, p. 377.
22 ZIBORDI. Ciro Sanches. Escatologia: a doutrina das últimas coisas. In: GILBERTO, Antonio (Ed.). Teologia Sistemática Pentecos- 
tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. SOS.
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Silas Rosalino de Queiroz é pastor 
na Assembléia de Deus em Ji- 
Paranâ (RO), graduado em Teologia 
e Direito, pós-graduado em Direito 
Péiblico. Processual Civil e Docência 
Universitária; assessor jurídico 
da CEMADERON e membro do 
Conselho de Comunicação 
e imprensa da CGADB.
A doutrina da 
mortificação 
da carne é um 
dos ensinos que 
mais evidenciam 
o aspecto 
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santificação
Silas Rosalino de Queiroz
A Mortif i<
Relacionada à Doutrina 
da Salvação, a santi­
ficação é apresentada 
no Novo Testamento 
como ocorrente na experiência 
humana em três momentos: pas­
sado, presente e futuro. Tais mo­
mentos correspondem, respec­
tivamente, aos três aspectos da 
santificação: posicionai, progres­
sivo e pleno ou perfeito (GILBER­
TO, 2021, p. 364). Cristo consu­
mou sua obra salvífica na cruz (Jo 
19.30; Hb 9.26-28; 10.11-14). Esta 
obra começou em nós através da 
regeneração e da justificação pela 
fé, quando nos tornamos "santos 
em Cristo" - a santificação posi­
cionai (ICo 1.2; 6.1; Cl 2.10; Fp 1.1; 
Hb 10.10) - e segue sendo reali­
zada pelo Espírito Santo através 
da santificação progressiva (2Co 
3.17,18; 7.1; lPe 1.15,16; Hb 12.14), 
estendendo-se até a glorificação, 
quando se dará a santificação 
completa, a libertação do cor­
po do pecado (Ef 5.27; lTs 3.13; 1 
Co 15.52). Como escreveu Paulo, 
"aquele que em [nós] começou a 
boa obra a aperfeiçoará até ao Dia 
de Jesus Cristo" (Fp 1.6).
A m o rtificação da "ca rn e " 
(sarx, no grego: "natureza huma­
na", como em Romanos 8.5-13) tem
lugar no aspecto progressivo da
santificação, que se dá no tempo
*
presente. E uma obra realizada em 
nós pelo poder do Espírito Santo 
para que possam os vencer d ia­
riamente as inclinações de nossa
natureza pecaminosa, que é "uma 
realidade contínua para o cristão; 
a propensão ou orientação em di­
reção ao pecado e ao afastamento 
da vontade de Deus que persegue 
o crente até o fim de sua vida ter­
rena" (LOWERY in ZUCK, 2018, 
p. 289). A santificação progressi­
va ou contínua tem, na origem, o 
impulso indispensável da graça 
de Deus, mas precisa contar com
uma cooperação ativa e perma-
*
nente de nossa parte. E, portanto, 
resultado da conjugação da im- 
prescind ível operação divina e da 
disposição de vontade, decisões 
e atitudes hum anas (GRUDEM, 
2021, pp. 628-631).
Conformo J. Rodman W illia­
ms (2011, p. 441), "a santificação 
também é tarefa do homem: Deus 
não opera sem o nosso envolvi­
mento. Não é que Deus faz uma 
parte, digamos 50%, enquanto o 
homem é chamado para realizar 
o restante, os outros 50%. É, antes. 
Deus inteira mente através de tt>do 
o caminho do homem". O mesmo 
teólogo diz, contudo, que "é preciso 
observar cuidadosamente que não 
é o Espírito Santo que executa a 
tarefa de mortificação, entretanto 
ele é ciaramente o potênciaI izador. 
E, por outro lado, o próprio cren­
te quem, por meio desse poder, 
executa a mortificação. Portanto, o 
Espírito Santo não é apenas oposto 
á carne; ele é também a força potên­
cia li zad ora na ação de mortificação 
contínua do crente" (p. 442).
Um dos textos nos quais Paulo 
trata claramente dessa teologia da 
mortificação é Romanos 8.13: "Por­
que, se vocês viverem segundo a 
carne, caminharão para a morte; 
mas, se, pelo Espírito, mortifica- 
rem os feitos do corpo, certa mente 
viverão" (NAA). Na NVI, a tradu­
ção é ainda mais clara quanto ao 
papel humano nesse processo, ao 
dizer: "Se pelo Espírito fizerem 
m orrer os atos do corpo, vive­
rão". Cabe ao cristão, através de 
disciplinas espirituais, buscar e 
permitir que o Espírito Santo atue 
em seu ser, mortiíicando a carne, a 
fim de que esta nào produza suas 
terríveis e nefastas obras (G1 5.19- 
21). Em lugar delas - das obras da 
carne --, o Espírito passa a produ­
zir em nós, simultaneamente, o 
seu fruto - o fruto do Espírito 
que é manifesto em virtudes espi­
rituais, como listadas em Gaiatas 
5.22: amor, alegria, paz, longani- 
midade, benign idade, bondade, 
fc, mansidão o domínio próprio.
O perigo da Justiça própria
O esforço mera mente humano 
de vencer as inclinações da carne 
leva o homem a confiar em sua 
própria justiça, através do rigo- 
rismo ascético, do legalismo e de 
atitudes penitentes c de autofla- 
gelo, como faziam os monges nos 
monastérios e, ainda hoje, alguns 
cristãos insistem em fazê-lo, ainda 
que em práticas menos radicais,
Á
OB
45
REIRO
tanto do caráter físico quanto 
montai ou intelectual. Mas não é 
possível fazer morrer a carne sem 
a ação direta do Espírito de Deus! 
E é isto que o Novo Testamento 
nos ensina, especialmente as car­
tas paulinas, sendo Rom anos a 
principal delas. Não por acaso, foi 
este, por excelência, o livro redes- 
coberto durante a Reforma Protes­
tante, no qual Lutero encontrou a 
grande chave para sua verdadeira 
conversão a Cristo: "O justo viverá 
da fé" (Rm 1.17).
Para um monge agostiniano 
que vivia afligido em sua cons­
ciência, aturdido pela culpa do 
pecado e golpeado por suas fra­
quezas carnais - crises das quais 
as muitas penitências não podiam 
livrá-lo entender essa revelação 
operou uma profunda transfor­
mação em seu interior e refletiu 
no seu viver diário. Convicto da 
salvação pela graça, Lutero não 
m ais confiaria cm seu próprio 
esforço e obras (incluindo os au-
toflagelos) para vencer o pecado 
e ser aceito por Deus. Agora, sal­
vo pela graça, por meio da fé (Ef 
2.8), viveria sob a dependência do 
Espírito, buscando diariamente a 
mortificação da carne, a suplan- 
tação da natureza pecaminosa e 
suas inclinações.
A responsabilidade 
humana na mortificação
A parte humana no processo 
de m ortificação é, como já afir­
mado, a prática de d iscip lin as 
espirituais, entre as quais estão a 
vigilância (o afastar-se do mal e de 
tudo quanto o aparenta), a oração, 
o jejum e a leitura e meditação 
na Palavra de Deus (Mt 26.41; Mt 
6.16-18; At 10.9,10,30; ICo 7.5; 2Co 
11.27; Jo 15.3; 1717;C13.16; 1Ts 5.22). 
Precisamos reconhecer nossa in­
suficiência pessoal e nos dedicar 
a uma vida de piedade e devoção, 
nos abstondo dos prazeres carnais 
e desejando frutificar no Espírito.
46
Há um evidente aspecto ativo ou 
prático na busca pela mortificação, 
mas a disciplina inclui não apenas 
o fazer, mas também o deixar de 
fazer. Salmos 101.3 diz: "Não porei 
coisa má diante dos meus olhos; 
aborreço as ações daqueles que se 
desviam; nada se me pegará". As­
sim, progredimos no processo de 
mortificação da carnequando nos 
afastamos de todo o mal, livrando 
os nossos sentidos (especialmente 
olhos e ouvidos) de tudo o que 
possa aguçar nossos desejos e ge­
rar o pecado dentro de nós.
Tiago adverte: "H avend o a 
concupiscência concebido, dá â 
luz o pecado; e o pecado, sendo 
consum ado, gera a m orte" (Tg 
1.15). Jesus nos alertou de que 
todo o pecado sai de dentro de 
nós (Mt 15.19). F.xatamente por 
isso, o processo de mortificação 
da carne é im prescindível para 
evitar que sejamos vencidos pelas 
tentações. Como escreveu Donald 
Stamps (BEP, p. 1926), "a tentação
OB O
provem, em princípio, dos desejos 
o inclinações do nosso próprio 
coração [...). Se o desejo mau não 
for resistido e purificado pelo Es­
pírito Santo, levará ao pecado e, 
depois, «i morte espiritual" (Rm
6.23; 7.5,10,13).
Para vencerm os o m al, isto 
é, a nossa própria inclinação ao 
pecado, é preciso que o processo 
de mortificação de nossa nature­
za carnal seja contínuo. Não se 
trata de uma tarefa instantânea, 
mas de uma obra que precisa ser
mantida e ampliada diariamente.
%
A luz de 2 Corínitos 4.10, a mor­
tificação c condição sine qua non 
para que a vida de Jesus se m a­
nifeste em nós e através de nós. 
"Vivo, não m ais eu, mas Cristo 
vive em mim", disse o apóstolo 
dos gentios (G1 2.20).
Estágios do processo 
de mortificação
O capítulo 3 de Colossenses é 
um dos mais belos textos bíblicos 
que tratam dos aspectos posicio­
nai e progressivo da santificação. 
Nele, Paulo faz um paralelo entre 
morte e vida para expressar essa 
p rofu nd a v erd ad e e sp ir itu a l: 
"Porque já estais mortos, e a vossa 
vida está escondida com Cristo 
em Deus" (Cl 3.3). Podemos ver 
aqui uma correlação precisa com 
o aspecto posicionai da santifica­
ção: cm Cristo, já estamos mortos. 
Trata-se dc uma imersão inaugu­
ral na obra vicária, recebendo o sa- 
crif ício dc Jesus cm sua plen it ude. 
A partir do versículo 5, contudo, 
Paulo começa a tratar do aspecto 
progressivo: "M ortificai, pois, os
vossos membros que estão sobre 
a terra". Mesmo já tendo, pela fé, 
abraçado integralmente a obra da 
cruz, descobrimos que nossa na­
tureza pecaminosa ainda existe 
e apresentará muitas resistências 
que precisarão ser vencidas dia­
riamente no processo de contínua 
mortificação.
Algumas etapas bem distintas 
desse processo são vistas no texto 
de Colossenses 3, a partir do ver­
sículo 5:
Colossenses 3.5-7 - No glorioso 
caminho da mortificação da car­
ne, precisamos abandonar, desde 
logo, o que podemos cham ar dc 
pecados flagrantes. Paulo lista, 
de forma exemplificativa, a pros­
tituição, a impureza, o apetite de­
sordenado, a vil concupiscência c 
a avareza. Espera-se que esse pri-
meiro nível da mortificação seja 
alcançado libertando o corpo da 
prática destes pecados. O cristão 
não pode continuar vivendo sob 
o jugo do pecado. Seus membros 
não podem mais ser instrumentos 
dessas práticas pecaminosas.
Colossenses 3.7-9 - Mas a mor­
tificação não para no nível dos 
pecados flagrantes. O apóstolo 
convida os crentes de Colossos e a 
todos nós a continuar avançando. 
A vida da carne precisa ser su­
plantada e ir-se esvain d o-a carne 
deve seguir o curso da morte de 
maneira que já não nos leve à ira, 
à cólera, à malícia, à maledicência, 
a palavras torpes e à mentira. Fica 
evidente, então, que o cristão não 
pode se conformar com uma mor- 
tificação que o liberte apenas dos 
pecados mais aparentes. Precisa 
vencer a natureza carnal também 
quanto a sentimentos ruins e prá­
ticas reprováveis nem sempre tão 
percebidos de todos, mas que são
males terríveis, que insistem em 
querer nos dominar.
Pela d ificu ld ad e de vencer 
tais pecados, não é incomum al­
guns cristãos se conformarem e 
apresentarem, como justificativa, 
aspectos hereditários, principal­
mente quanto ao temperamento. 
Em vez de buscarem a mortifica­
ção da velha natureza, justificam 
atitudes de ira, por exemplo, como 
"herança" dos pais ou avós. Não 
é isso, contudo, que as Escrituras 
nos ensinam . Como disse Pau­
lo, precisam os nos despojar "de 
tudo" (Cl 3.8).
Com o nascidos de novo (Jo 
3.6; lPe 1.23), não podemos nos 
conform ar com pecado algum 
entranhado em nossa natureza. 
A mortificação precisa continuar 
sempre. Na força do Espírito, pre­
cisamos tomar a atitude de rejeitar 
o pecado e abandoná-lo, o que 
"não significa de forma alguma 
uma ação fácil: implica libertar-se
dos pecados, renegá-los, expulsá- 
-los" (WILLIAMS, p. 445). Como 
acentua HENRY (2008, p. 353), 
"não conseguimos fazer isso sem 
o Espírito operando em nós, mas 
Ele não o fará sem o nosso empe­
nho o esforço".
Colossenses 3.12,13 - A mortifi­
cação da carne, com o abandono 
de todos esses pecados já listados 
e de tantos outros que existam 
dentro de nós, traz como resul­
tado a possibilidade de o cristão 
expressar, com m ais vigor, a sua 
nova natureza pela vida de Cristo 
que agora passa a dominá-lo. Daí 
ser possível vencer não apenas os 
pecados do corpo, mas também 
os da alm a (PEDRO, 2012, p. 139) 
e do espírito, como o orgulho, a 
soberba, a ganância e a ira (2Co 
7.1) (GILBERTO, 2021, p. 347), e 
seguir frutificando no Espírito, 
sendo m isericordioso, benigno, 
hum ilde, m anso e longânim o, 
tendo um coração isento de má-
48
OB03RO
goas c ressentim entos, sem pre 
disposto a perdoar.
Colossettses 3.14-17 - O cami­
nho da m ortificação ainda tem 
níveis mais sublimes para o cris­
tão. Paulo anuncia, na sequência, 
a possibi I idade de o crente mortifi- 
cado desfrutar e expressar o amor, 
que é "o vínculo da perfeição" e ter 
"a paz de Deus" dominando cm 
seu coração (Cl 3.14,15). Nesta fase, 
esse vitorioso cristão estará cheio 
de gratidão e terá a palavra de 
Cristo habitando abundantemente 
em seu coração, expressando sabe­
doria e alegria espiritual (Cl 3.16).
Este, portanto, é o processo de 
mortificação e a grande transfor­
mação que ele proporciona ao cris­
tão. De alguém antes dominado 
pelos mais terríveis pecados, como 
a prostituição e a avareza, o cristão 
pode passar a viver livre não ape­
nas dessas práticas, tão facilmente 
reconhecidas, m as tam bém de 
sentimentos ruins (por vezes dis­
farçados e escondidos) que antes o 
inquietavam e dominavam, como o 
orgulho, a ira e a malícia. Esse cris­
tão terá um caráter transformado e 
um temperamento controlado pelo
Espírito, expressando virtudes cx- 
t raord inárias, como a hum iIdade e 
a mansidão. Ao invés de dar-se a 
contendas, estará pronto a perdoar 
c terá seu coração cheio de amor, 
alegria, paz e gratidão. Tudo isso 
somente é possível se ele se subme­
ter ao senhorio de Cristo, aceitando 
sua inteira mortificação como um 
processo contínuo. Na expressão 
paulina, "trazendo sempre [...] a 
mortificação no nosso corpo" (2Co 
4.10). O advérbio "sempre", no gre­
go, é o vocábulopantote, que signi­
fica "a toda hora" ou "em todas as 
ocasiões" (VINE, 2003, pp.848,983).
A mortificação e o 
perfeccionismo de Wesley
Apesar de ser possível ao cris­
tão desenvolver a mortificação e 
alcançar níveis espirituais glorio­
sos como revelados em Colossen- 
ses 3.4-17, nunca lhe será possível 
eli minar sua nat u reza pecami no- 
sa enquanto estiver habitando nes­
te corpo (MENZIES & HORTON, 
p. 127). Portanto, a Perfeição Cristã 
defendida por John Wesley - que 
pregava que é possível alcançar a
santificação perfeita nesta vida - , 
não encontra respaldo no Novo 
Testamento e, muito especia I men­
te, na teologia paulina (GEISLER, 
2017, p. 485).
C) próprio Pau Io, em alusão cla­
ramente autobiográfica, afirmou 
na célebre Carta aos Romanos: 
"Porque eu sei que em mim, isto 
é, na minha carne, não habita bem 
algum; e, com efeito, o querer está 
em mim, mas não consigo realizar 
o bem. Porque não faço o bem que 
quero, mas o mal que não quero, 
esse faço. Ora, se eu faço o que 
não quero, já o não faço eu, mas 
o pecado que habita em mim. [...] 
M iserável homem que eu sou! 
Quem me livrará do corpo desta 
morte" (Rm 7.18-20,24).
Paulo descreve o grave quadrodo homem depois da Queda, tanto 
o inconverso quanto o converti­
do. Para o primeiro, o problema 
perm anece insolúvel, pois não 
pode libertar-se a si mesmo. C) 
segundo encontrou a solução na 
obra de Cristo: a salvação, que 
opera a justificação (a libertação 
da culpa do pecado) e a santifi­
cação (a libertação do poder do
pecado por ação do Espírito). O 
que Paulo está fazendo nada mais 
é que reconhecer a realidade de 
sua natureza pecaminosa, ao mes­
mo tempo cm que se refere ã sua 
nova vida em Cristo, o "homem 
interior" que tem prazer na lei de 
Deus (Rm 7.22). E c exatamente a 
obra do Espírito Santo neste novo 
homem que o faz rejeitar o pecado 
e agir, de forma determinada, para 
alcançar a mortificação da carne, 
o não atendimento de sua própria 
inclinação ao pecado, processo 
dicotômico no qual ele celebra a
vitória do homem espiritual: "Por­
tanto, agora, nenhuma condena­
ção há para os que estão em Cristo 
Jesus, que não andam segundo 
a carne, mas segundo o espírito. 
Porque a lei do Espírito de vida, 
em Cristo Jesus, me livrou da lei 
do pecado e da morte" (Rm 8.1,2).
Conclusão
Dos versículos 11 a 13 de Ro­
manos 8, Paulo ensina sobrea obra 
de mortificação da carne pelo po­
der do Espírito, confirmando que
se trata de um processo contínuo 
nesta vida. Aliás, a mortificação 
é fundam ental para que a vida 
espiritual siga seu curso em cres­
cimento: "Porque, se voccs vive­
rem segu ndo a carne, cam inharào 
para a morte; mas, se pelo Espírito, 
mortificarem os feitos do corpo, 
certamente viverão" (Rm 8.13).
C o n clu ím o s, a ss im , que a 
m ortificação da carne faz parte 
da santificação progressiva, na 
qual devemos estar empenhados 
diariamente, sob a inteira depen­
dência do Espírito Santo. H
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