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APROVADO
UMA INTRODUÇÃO DE TERMOS
TEOLÓGICOS EM LATIM E GREGQ J
PARA ESTUDANTES DE VÁRIOS NÍVEIS
TA M B É M
D ISP O N ÍV EL
N A V E R S Ã O
E -B O O K
m c io n a n o
dc T ermos Teológic<
Latinos e
G resos
IM KOIM ÇÀO A U V 4 U.LM ftCMCA
n u M VTE N W OM AS üCAPtM Ti »
ona
Trobolhor produtivomente no campo da teologia não é tarefa fácil para os estudantes
da área. pois a sua linguagem técnica faz uso com frequência de grego ou latim.
O objetivo deste volume é fornecer um conhecimento introdutório que ajudará os
estudantes a superar as dificuldades inerentes ao vocabulário teológico das obras
acadêmicas oferecendo definições claras e concisas dos termos latinos e gregos
para estudantes de vários níveis.
CAR TA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo
da CPAD
É a Obra de
Cristo, aplicada
diariamente em
nossa vida pelo
Espírito Santo,
que opera a
santificação,
quando nos
submetemos à
Sua ação em nós
Os aspectos
gloriosos da
santificação à luz
das Escrituras
N
esta edição da revista O breiro A provado, o tema
tratado c a Doutrina Bíblica da Santificação. Trata-se
de uma doutrina importantíssima para a vida cristã.
Simplesmente, a Bíblia afirma que "sem santificação,
ninguém verá o Senhor" (11b 12.14). A Obra de Cristo no Calvá
rio não apenas apaga as nossas culpas, mas também nos liberta
do poder do pecado: "Porque o pecado não terá domínio sobre
vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. [...] E,
libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça" (Rm 6.14,18).
É a Obra de Cristo, aplicada diariam ente em nossas vidas pelo
Espírito Santo, por meio da Sua Palavra, que opera essa realidade,
quando nos submetemos à Sua ação em nós.
Entendemos, à luz das Sagradas Escrituras, que há três tem
pos na santificação: há a santificação posicionai, que ocorre logo
quando aceitam os a Cristo; há a santificação progressiva, que
é esse processo diário de aperfeiçoam ento em Cristo pela ação
do Espírito Santo em nossas vidas; e há a santificação total, que
ocorrerá quando finalmente adentrarmos à Eternidade. E no que
tange à santificação diária, um tema muito importante também é
a doutrina bíblica da mortificação da carne. Sondo assim, nesta
edição, tem os os artigos dos pastores VVagnr Tadeu dos Santos
G aby (PR), tratando sobre o conceito bíblico de santificação;
Eduardo Leandro Alves (PB), sobre a santificação posicionai;
Claiton Ivan Pommerening (SC), sobre santificação progressiva;
Douglas Baptista, sobre santificação total; e Silas Queiroz, sobre
mortificação da carne.
Acreditamos que esta edição da revista O breiro Aprovado,
preparada com tanto carinho, será, com o as dem ais, tam bém
bênção para o seu ministério. Nesta convicção, desejamos a você
uma boa leitura e até a nossa próxima edição!
A PR O V A D O
Presidente da Convenção Geral
José Weüington Costa Junior
Presidenta» do (otisarlho Administrativo
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
JESUS, O FILHO DE ABRAÃO, E A SALVAÇÃO PARA O MUNDO
Pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos M inis
tros das Igrejas Ev angélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), fala sobre
como o ministério de Cristo cumpre uma das promessas divinas dadas ao patriar
ca Abraão, o pai da fé.
José Wellington Bezerra da Costa
Diretof-execulivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
E ditnr-C hefr
Süasüanid
Editor
Eduardo Araújo
Gerente Financeiro
O pastor Francisco Soares Raposo Filho, líder da CEADEMA, fala
sobre aspectos da Doutrina da Santificação à luz do texto bíblico
visando o aperfeiçoamento da liderança assembleiana nacional.
Josafá Franklin Santos Bomfim
Gerente de Produção c Arte
Jarbes Ramires Silva
Gerente de Publicações
Atezamtn1 CJaudbto Coelho
Gerente Comercial
Cícero da Súva
Chefe do Setor de Arte e Design
Wagner de Almeida
Projeto Gráfico
Fábio Longo
Diagram ação e Cap j
tremardo Fngd
12. ARTIGO
A DEFINIÇÃO BÍBLICA DE SANTIDADE
Pastor Wagner Gabv, líder da Assembléia de Deus em Curitiba (PR), membro Fun
dador da Casa de Letras Emílio Conde, membro titular da Academia Evangélica
de Letras do Brasil (AELB), membro do Conselho Deliberativo da Sociedade B í
blica do Brasil (SBB), mestre em Teologia e Educação, e Major Capelão Reformado
do Exército Brasileiro aborda os conceitos bíblicos de santidade e de santificação
no Antigo e no Novo Testamentos.
Projeto Digital
A b tn V a llc
Ilustrações
Banco de Imagens Shutterstock
Fotografia
A n ju w o (C P A D )
TF.I.EMARKET1NC
(2* a 6* das 8h as 17:30min)
20. ARTIGO
SANTIFICAÇÃO POSICIONAL
Pastor Eduardo Leandro Alves, líder da Assembléia de Deus em Rio Tinto (PB),
doutor e mestre em Teologia pela Faculdades EST, e diretor do Centro de Estu
dos Teológicos da Assembléia de Deus na Paraíba (CETAD PB), discorre sobre o
primeiro aspecto da santificação, que ocorre imediatamente â conversão a Cristo.
080W C1-7373 - Olfpçfe gratuita)
•UfçÊDS SAC
A sU fiatu ra ln p n > « u
27. RESENHA
Santidade: Uma Introdução Teológica - Bernie A. Van de Walle
Santidade: O Plano de Deus Para Uma Vida Abundante - Henrv Blackabv
A s a l iu t u n D ig ita l
KSZM V H flBi s o t ít m átigm tamM
A te n d im e n to A m in a tu ra Im p r w bJ
O I) i É u d É y i f iw ilr
Suporte •
01)24017.
iIN gU al
>2406-7315-
I JV R A R IA V IR T U A I-
w w m rp * d x o m i> r
Ouvidoria: in iu idoririkimd.cuM.br
SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA
Pastor Claiton Ivan Pommerening, diretor e professor de Teologia na Faculdade
Refidim e no Colégio CEEDUC em Santa Catarina, trata sobre o processo diário e
sinérgico entre o Espírito Santo e o crente para o aperfeiçoamento deste.
r A C A M O T T O - A C P A I ) « t o mantem nmkum
tip o de pessoa, representante ou vendedor de
uúdnuturm m ttorim do u receber diretamente do
d im te < ) pagamento de assinaturas den r srr frito
pm m em demm im rm ai4m ia\ tmmÉhas ematrmotf
d e cm m é e a ê ã la .
O B R E IR O Rrrrsta rzm d iC Ê trim a tnd , criu h
em outubro de 1977, editam peta Com Puakmdoru
das Assembléias de Deus. f destinada ê liderança
p en tem ta t de modo gera i. Registrada sob « .*
00/Ü77A78, conforme le i de Imprensa__________
A v. B n td 34.401. Bangu
Cep 21852002. R io de faneim. RJ
T H i (2 V 24017373/24017413
t e 2406.7370
38. ARTIGO
SANTIFICAÇÃO TOTAL
Pastor Douglas Baptista, líder da Assembléia de Deus de Missão do Distrito Fede
ral e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, discorre sobre a promessa
divina de glorificação dos crentes, concluindo o processo de Salvação nas suas
vidas, e conhecido como "Santificação Total".
44. ARTIGO
A MORTIFICAÇÃO DA CARNE
Pastor Silas Queiroz, da Assembléia de Deus em Ji-Paraná (RO), graduado em
Teologia e Direito, aborda a luta diária do crente contra o pecado e como o cristão
é vitorioso nessa batalha diária com a ajuda do Espírito Santo.
MENSAGENS
r
Contribui no
conhecimento teológico
A revista O breiro Aprovado contribui
sobremaneira para o meu ministério e
também dos demais leitores, uma vez
que encontramos em suas páginas arti
gos de cunho teológico que acrescentam
ao conhecimento do obreiro e auxiliam
na lida ministerial.
P b C léb io A zevedo,
Ju n d ia í (SP)
Material enriquecedor
Aprecio a cada edição a leitura da revista
O breiro Aprovado por causa dos subsí
dios que encontro em suas páginas e que
são fruto do trabalho de teólogos reno-
mados, que enriquecem o nosso saber en
quanto ceifeiros na Seara do Mestre.
Pr L eon ardo A lbuquerque,
R io d a s O stras (RJ)
Manancial de bênçãos
Esta revista editada pela CPAD tem se
tornado para mim um manancial de bên
çãos, pois tem ser\’ido de auxílio para o
meu ministério. A revista chega sempre
para enriquecer o nosso conhecimento,
para aprimorar, através da sua leitura, o
ministério de cada leitor, e em especial
o m inistério que o Senhor Jesus a mim
confiou.
P r M arcos R odrigues M artins,
N iteró i (RJ)
Quer também
mandar sua mensagem?
F.ntáo escreva para a revista Obreiro Aprovado.Pode
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.com.
br ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ)
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
mailto:obreiro@cpad.com
CAR TA À LIDERANÇA PENTECOSTAL
PR.DOSÉ WELLINCTON
COSTA JUNIOR
Presidente da
Convenção Geral dos
Ministros das Igrejas
Evangélicas Assembléias
de Deus no Brasil
Quando dizemos
'Jesus, filho
de Abraão',
estamos falando
do Senhor
contemplando
as famílias de
todo o mundo
Jesus, o filho
de Abraão, e
o projeto de
salvação para
todos os povos
A o lermos a genealogia de Jesus Cristo no primeiro capí
tulo do Evangelho de Mateus, vemos uma extensa lista
contendo nomes de seus antepassados e um deles chama
a nossa atenção: o patriarca Abraão, o velho peregrino
que, através de sou filho Isaquc c do noto jacó, dou origem ao povo
judeu (Jo 833). A genealogia de Cristo inicia com Ele sendo chamado
"filho do Davi", o que significa que o Nazareno tom direito sobre o
trono de Israel e veio exclusivamente para os judeus; mas, quando
lemos que Jesus também é identificado como "filho de Abraão", isso
quer dizer que Elo veio dentro do projeto divino que contempla não
somente os filhos de Israel, mas abraça toda a humanidade.
A encarnação de Cristo não visava apenas contemplar os judeus com
a mensagem das Boas Novas, mas abrangia toda a humanidade. O Filho
de Deus veio para mim e para você, prezado leitor. A palavra emitida
pelo Criador ao velho patriarca foi com o seguinte teor: "E abençoarei
os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti
serão benditas todas as famílias da terra" ( ( in 12.3). Quando dizemos
"Jesus, filho de Abraão", estamos falando do Senhor contemplando as
famílias espalhadas por todo o planeta, estamos falando da promessa
divina ao patriarca de que a bênção que viria por meio dele atingiría o
seu objetivo, mencionado durante a sua chamada registrada no livro de
C iênesis. E essa expressão também nos lembra do jovem Isaque sendo
poupado pelo próprio Deus, com seu substituto sendo sacrificado: um
carneiro com os chifres presos nos galhos do arbusto, representando o
Senhor Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar (Gn 22.12,13).
A história de Jesus é incontestável. Gerações se passaram desde
o Seu nascimento, mas a mudança de pensamento e estilo de vida
dos seres humanos através das gerações não foi suficiente para
apagar ou mudar a história dos propósitos da vinda do Senhor a
este mundo. O alcance da vida de Jesus permanece inalterado. O
conceito acerca do Messias continua o mesmo: Ele salva, perdoa e
restaura o homem do pecado. Somente Jesus Cristo continua sendo
o Salvador do mundo, conforme as Sagradas Escrituras (At 4.12).
6
o b s I r o■
ENTREVISTA
Pastor
Francisco
Soares
Raposo
Filho
RO
A Doutrina da
Santificação
e a sua
importância
na jornada do
cristão
O entrevistado da atu
al edição da revista
O breiro Aprovado
é o pastor Francisco
Soares Raposo Filho, presiden
te da Convenção Estadual das
Igrejas Evangélicas Assembléias
de Deus no Estado do M aranhão
(CEADEMA) e da Assembléia de
Deus em Bacabal (MA). Nela, ele
fala acerca da Doutrina da Santi
ficação, que para certos cristãos
parece que já caiu em desuso
por considerarem sem efeito em
suas vidas, quando a Bíblia diz
que sem santificação "ninguém
verá o Senhor" (Hb 12.14).
O pastor Francisco Raposo é
formado em Teologia e Pedago
gia, e considerado uma das mais
relevantes lideranças assembleia-
nas do Nordeste brasileiro. Entu
siasta do modelo bíblico para a
vida cristã, ele faz nesta entrevista
uma análise minuciosa acerca do
real significado da santidade na
vida do cristão, bem como sobre
as três etapas da santificação, a
distinção entre a real santifica
ção e a religiosidade humana, a
relevância do ensino da doutrina
da santificação e outros tem as A
relevantes relacionados ao a s
sunto. Km uma época de avanço
da degradação moral no mundo,
cuja influência tenta adentrar as
igrejas, urge a necessidade, frisa
da pelo pastor Francisco Raposo,
de a Igreja enfatizar a sua missão
de "salgar" e "ilum inar" pelo tes
temunho (Mt 5.16) e pela pregação
da genuína Palavra de Deus, que
é lâmpada para os cam inhos do
ser humano (SI 119.105).
Como o senhor definiría
biblícamente o que é a san
tificação?
Santificação é o ato de apar
tar-se do pecado para viver em
com u n h ão com D eus. P. um a
decisão consciente e firme de re
jeitar o mundo e as suas paixões
e buscar de todo o coração fazer
a vontade de Deus. A santificação
é um a exigência inegociável de
Deus para todo aquele que dese
ja scrvi-lO. A Bíblia enfatiza que
sem a santificação "ninguém verá
o Senhor" (Hb 12.14).
Como o senhor definiría e
resumiría as três etapas da
santificação: a santificação
posicionai, a santificação
progressiva e a santificação
total?
A santificação posicionai é o
passo inicial na fé. Acontece no
momento em que aceitamos a Je
sus como Salvador e Senhor das
nossas vidas. Quando o pecador
encerra uma vida sob o domínio
do pecado e passa a viver em
Cristo. Cumpre-se, assim, o que
está escrito: "Haveis sido lavados,
haveis sido santificados, haveis
sido justificados em nome do Se
nhor Jesus e pelo Espírito do nosso
Deus" (ICo 6.11). Ao aceitar Jesus
e o Seu sacrifício na cruz, o peca
dor passa a ser uma nova criatu
ra, passa a fazer parte da família
de Deus e a viver numa posição
muito privilegiada e maravilhosa,
pois nesse novoestado, segundo a
Palavra de Deus, "as coisas velhas
já passaram; eis que tudo se fez
novo" (2Co 5.17).
A san tificação progressiva,
por sua vez, é um processo que
acontece diariamente na vida do
cristão. Uma vez que a pessoa já
aceitou Jesus, ela agora precisa se
esforça r conti nua mente pa ra viver
em novidade de vida. A santifica
ção também é uma decisão pes
soal de abandonar diariam ente
o pecado para crescer em Cristo.
A santificação não é um processo
lento em que a pessoa aos poucos
vai deixando o pecado, mas é uma
decisão definitiva de negar todo o
pecado e buscar viver no centro da
vontade de Deus. A partir dessa
decisão, a pessoa não estará mais
sob o dom ínio do pecado, mas
precisará lutar e vigiar cm todo
o tempo para não cair mais em
pecado. Já a santificação total se
dará na vinda de nosso Senhor
Jesu s C risto , qu and o, através
da ressurreição, para os que já
morreram, ou do arrebata mento,
para os que estiverem vivos, re
ceberemos novos corpos que não
estarão m ais sujeitos ao pecado.
Para chegarmos finaImente ã san
tificação total, a recom endação
bíblica c: "Todo o vosso espírito,
e alma, e corpo sejam plena mente
conservados irrepreensíveis para
a vinda de nosso Senhor Jesus
C risto" (lTs 5.23).
Como distinguir a mera
religiosidade da verdadeira
vida de santidade?
A mera religiosidade consiste
no fato de apenas fazer parte de
um a denominação religiosa. Al-
A santificação
é uma
exigência
inegociável
de Deus para
todo aquele
que deseja
servi-IO. A
Bíblia enfatiza
que sem a
santificação
‘ninguém verá
o Senhor’
(Hb 12.14)”
guem que é apenas um religioso
não se importa real mente com as
coisas de I )eus, se satisfaz em tão
somente frequentar as programa
ções de uma igreja. Uma vida de
santidade fala de uma entrega
total a D eus. É quando C risto
vive em nós. Quando vivemos em
santidade, andamos em tanta co
munhão com Deus que c possível
perceber a Sua presença em nós!
Com isso não estam os dizendo
que a religiosidade deve ser des
prezada. A boa e correta religião
( lg 1.27) não pode ser desprezada.
O Senhor Jesus tem uma igreja e
nós sabemos disso. A igreja local
O B
8
RÉr
é importante e faz parte do pro
cesso de santificação do crente. A
pessoa salva em Cristo Jesus ama
a sua igreja e procura zelar por ela.
Em uma época em que a
sociedade tem se degene
rado cada vez mais e essa
corrupção moral e espiritualtem tentado entrar nas Igre
jas, fale da importância de
se ensinar a Doutrina Bíblica
da Santificação.
A igreja do Senhor Jesus Cristo
é "a coluna e firmeza da verdade"
(lTm 3.15). A defesa da verdade
faz parte da nossa missào. Além
de estabelecer a santificação como
fator vital para a nossa sobre
vivência espiritual, precisam os
nos dispor, com todas as nossas
forças e recursos, para pregá-la
como meio de transformação da
nossa sociedade. Com o igreja,
não podemos negociar os valores
e princípios da Palavra de Deus.
A mensagem do m undoé um des
prezo ao temor do Senhor. A men
sagem da igreja deve ser apontar
o senhorio de Cristo e o dever que
temos de sermos santos para Ele
em toda a nossa maneira de viver.
O Senhor Jesus Cristo nos chamou
para sermos sal da terra e luz do
mundo, e isso fala de uma pos
tura que consegue influenciar os
outros para que deixem o mundo
e busquem a Deus.
Quais os instrumentos
que Deus usa para operar
a santificação na vida do
crente?
Deus trabalha em nós de mui
tas m aneiras. A santificação é
primeiramente uma obra de Deus,
mas que ocorre com a cooperação
hum ana. Atos 26.18 aponta um
dos instrumentos que Deus usa
para gerar santificação em nós:
a fé. Pela fé viva e verdadeira, o
crente é despertado para se apro
ximar mais de Deus, rejeitando,
assim, o pecado. Também somos
santificados pelo sangue de Jesus:
"O sangue de Jesus Cristo, seu
Filho, nos purifica de todo peca
do" (ljo 1.7). O Senhor Jesus tra
balhou (e continua trabalhando)
para santificar os Seus discípulos
por meio da Sua Palavra: "Vós já
estais limpos pola palavra que
vos tenho falado" (Jo 15.3) . Na
sua oração sacerdotal, ele rogou
ao Pai: "Santifica-os na verdade; a
tua palavra é a verdade" (Jo 1717).
Quais hábitos o cristão
deve manter diariam ente
em sua vida espiritual para
que o Santo Espírito o faça
crescer em santificação?
A v erd ad eira s a n tific a ç ã o
requer de nós o esforço para vi
verm os de tal forma a não nos
contam in arm os com o pecado
que tão de perto nos rodeia. Nes
ta determinação, alguns hábitos
d evem m arcar o n o sso v iver
diário. Gosto de lembrar dc três
coisas que fazem parte da vida
do verdadeiro cristão: a Bíblia,
a oração e o culto. Todo crente
salvo gosta de ler a Bíblia, orar
ao Senhor e participar do culto.
E quando falo em culto, não me
refiro ao rito, mas, sim, ao ato de
louvar e adorar a Deus em espíri
to e em verdade. São essas coisas
que m antêm a nossa vida com
Deus. Essas são as d iscip linas
que nutrem e fortalecem a nossa
vida esp iritual. Sim plesm ente,
não conseguirem os m anter a fé
que recebemos se desprezarmos
ou mesmo negligenciarmos essas
coisas. O apóstolo Paulo escreveu
que "o exercício corporal para
pouco aproveita, mas a piedade
para tudo é proveitosa" (lTm 4.8).
O Diabo, a carne e o mundo e as
suas paixões buscam a cada ins
tante nos seduzir, mas o Senhor
Jesus disponibilizou e nos oferece
os recursos necessários e suficien
tes para a nossa vitória. I
10
Q B p f e o
■
SEJAMOS IMITADORES
DE CRISTO EM ESPÍRITO
E VERDADE
Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou uma ética que se espera atingir.
Escrito de forma abrangente para leigos e estudiosos, Santidade desafia esta ideia comumente
aceita, ao mergulhar no seu conceito teológico. Buscando ocupar um espaço não antes desbravado
no estudo do tema, o pastor e doutor em filosofia Bernie A. Van De Walle preparou esta introdução
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« & S 9 I 0800-021-7373
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H Livrarias CPAD
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CBO
Wagner Tadeu dos santos Gaby é
pastor, presidente da Assembléia
de Deus em Curitiba (PR), membro
fundador da casa de Letras
Emílio Conde, m embro titu la r da
Academia Evangélica de Letras
do Brasil, m embro do Conselho
Deliberativo da sociedade Bíblica
do Brasil, autor de vários livros
pela CPAD, mestre em Teologia e
Educaçao, advogado, comentarista
de Lições Bíblicas da c p a d e major
capelao reformado do Exercito.
A a p ro x im a ç ã o
d o h o m e m d o
seu C ria d o r faz
c o m q u e o seu
c a rá te r se to rn e
cad a vez m a is
p a re c id o c o m o
d e seu M e s tre
Wagner Tadeu dos Santos Caby
A definição I
Desde a criação, Deus
quis um povo santo.
"Sede santos porque
sou santo ' (lPe 1.16).
Ele desejou uma comunhão es
pecial com os homens que tos
sem capazes de andar com Ele e
falar com Ele numa união espe
ciai. Mas a própria natureza de
Deus estabelece limites para tal
associação. Seu caráter santo não
pode perm itir ser contaminado
pelo pecado e pela corrupção. Os
homens só podem estar na Sua
presença se forem puros.
Quando o Senhor começou a
falar com Moisés sobre o minis
tério sacerdotal que Arão deveria
exercer no Antigo Testamento,
um dos primeiros preceitos que
Ele exigiu foi a santidade. Ao de
talhar sobre toda a indumentária
que Arão e seus filhos deveríam
usar, Ele encerrou com uma lâmi
na de ouro a qual deveria estar na
testa de Arão com esta expressão:
"Santidade ao Senhor" (Cx 28.36).
Em hebraico, Qotlesh In YHWH. Isso
significa consagrado, separado, de
dicado ao Senhor. Como dizia A.
VV. Tozer, "nào podemos estudar a
Bíblia com diligência e seriedade
sem que nos deparemos com um
fato óbvio: toda a questão da san
tidade pessoal é extrem am ente
importante para Deus".
Definição e conceito
d e s a n t id a d e
No hebraico, o su bstan tivo
Qodesh quer dizer separação, san
tidade; o verbo Qadash significa
separar; e o adjetivo Qadosh quer
d izer santo, sagrado. Q odesh é
ainda a palavra cognata de termos
que significam "honra", "brilho",
gloria, peso, abundancia.
No grego, temos hagiasmos, que
significa tornar santo, consagrar,
separar do mundo e apartar-se do
pecado a fim de termos ampla co
munhão com Deus e servi-lO com
alegria (Ou em sua forma verbal,
santificar). Significa literal mente o
processo pelo qual se separa algo
ou alguém para um uso ou um
propósito religioso, por isso tem
o sentido de tornar sagrado ou
consagrar. Haguiôsynê é o estado
que resulta de ser dedicado ao
serviço de Deus - é "dedicação",
"consagração". É a qualidade de
santidade como uma expressão
do divino em contraste com o hu
mano, "qualidade divina" (LOW,
Johannes P. e NIDA, Eugene A.
(editores). Léxico Grego-Português
do N ovo Testam ento baseado em
domínios semânticos, Barueri, SP:
Sociedade Bíblica do Brasil, 2013,
pp. 479 e 480).
H agu iázo s ig n ific a "sep aro
das coisas profanas” c "consagro
para a possessão e o uso divino";
purifico por expiação"; purifico
intima mente"; "considero limpo,
legítimo, lícito"; "santifico", quer
no sentido jurídico de considerar
separado de vez e pertencente a
Deus os recipientes da expiação
de Cristo, quer no sentido da pro
gressiva e gradual realização des
ta consagração do crente a Deus
e à santidade pela obra do Espí-
líblica de santidade
rito Santo na sua vida (TAYLOR,
William Carey. Dicionário do Novo
Testamento Grego. Rio de Janeiro:
JUERP, 1991, pp. 8 e c>).
Hágios e separodo do uso prol a no
por Deus e para Deus, sacro, santo;
uma referência aos cristãos, aos cren
tes, ao novo povo de Deus, sucessor
dos hebreus no favor e propósito d i-
vino; enfim, os santos. Haguiôsynê é
estado do santo, santidade, pureza
mora I (BR( )VV N, Colin e C( )EN KN,
Lothar (organizadores). Dicionário
Internacional de Teologia do Noix) Tes
tamento, tradução Gordon Chown,
2J edição, São Paulo: Vida Nova,
2000, pp. 2257 a 2265).
Em suma, santidade significa
separação total a Deus, dedicação
total a Deus; vem de sagrado, con
sagrado. Sem um coração santo
não se pode viver em santidade.
Santidade é o clam or do co
ração de Deus para o Seu povo
desde a Antiguidade até os dias
de hoje. Na Teologia, a santificação
é o processo de aperfeiçoamentogradual do ser humano em que
ele se aproxima do caráter divino
e afasta-se do pecado.
Na Bíblia, as palavras "santo" e
"santidade" ocorrem mais de 600
vezes, quase sempre se referindo
ao caráter do homem e ao atributo
de Deus. Deus deseja uma geração
que seja exclusiva para si, separa
da para si, consagrada para si. E
esse anseio do coração de Deus
se revela em toda a Bíblia. É um
cuidado da parte de Deus com os
Seus escolhidos. Não há como fa
lar em santidade, separação, con-
Â
j A
sagração, dedicação, obediência e
fidelidade sem falar de Daniel e
seus amigos Sadraquc, Mesaquc e
Abede-Ncgo. Danie c seus amigos
sào um exemplo forte, com a his
tória deles se apresentando como
uma das mais lindas no que diz
respeito à dedicação a Deus.
A santidade, por nos aproxi
mar de Deus, por ser agradável a
Deus e totalmente desagradável
ao inferno, abre portas para a
manifestação poderosa de Deus.
Os milagres acontecem c os livra
mentos vêm, deixando os inimigos
perplexos. Tudo isso porque a san
tidade nos aproxima de Deus e o
desejo do nosso coração se alinha
ao desejo do coração de I )eus, que
se realiza plenamente em nossas
vidas e através das nossas vidas.
Quem já experim entou a graça
da santificação não precisa fazer
esforço em praticar o bem e a jus
tiça. É tão lógico como a figueira
dar figos c a videira, uvas.
O homem santificado opòe-se
a todo pecado, anda nos estatutos
do Senhor, guarda os Seus juízos
e O s observa. Um homem com
coração puro vê pureza em tudo;
o de coração impuro ve impureza
em tudo e interpreta com malícia
qualquer coisa. Não basta falar de
santidade. É preciso vivê-la. Esse é
o testemunho.
A verdade não pode ser adul
terada ou deturpada. A mente
carnal combate sistematicamente
a santidade. O coração do homem
carnal não admite a lei de Deus,
a verdade, porque esta restringe
suas tendências impuras. Sem a
sant idade, ninguém verá o Sen hor
(Hb 12.14), isto é, não entrará no
Reino de Deus. A santidade não
pode ser protelada para se bus
car nos momentos de agonia e
sofrimentos na vida. Quem não
se preparar e tiver vida santa na
terra, não terá santidade na Eter
nidade. A santidade é requerida
na vida presente.
Todo aquele que crê no Deus
Santo deve buscar ser santo. Ser
santo não é sugestão, mas impe
rativo para todo aquele que se
tornou filho de Deus. "Sede santos
porque eu sou santo" (lPe 1.15,16).
A santidade é uma qualidade
moral de pureza do espírito, alma e
corpo. Ocristãoe, portanto, um ele
mento raro no mundo corrompido,
pois tem a qualidade de santidade,
cujo grau e intensidade vai gradu
al mente crescendo.
14
OB O
Deus é 100% santo e essa qua
lidade de ser santo, puro, isento
de m istura da velha natureza,
hum ana e adâm ica, deve fazer
parte da vida do cristão. Um cris
tão autêntico tem cm sou coração
o amor, a fé, a paz, a mansidão, a
sinceridade, a bondade, a honesti
dade e esses traços de caráter vão
sendo confirm ados, ampliados,
amadurecidos e desenvolvidos.
Em síntese, podem os d izer
como escreveu John Brown, teólo
go escocês do século XIX: "Santi
dade consiste em pensar como Deus
pensa e querer como Deus quer".
Pureza é a ausência do pecado,
assim como a saúde é a ausência
da doença. E svaziand o-se dos
pecados, imediata mente o cristão
deve ser cheio da santidade de
Deus, e essa plenitude de pureza
deve ser o estado permanente de
cada um que segue a Jesus Cristo.
D escarte qualquer tentativa de
desejar ver a Deus se você guar
da em seu coração iniquidades c
impurezas.
As expressões "santo" e "as coi
sas santas" denotavam, no início
da história da religião, "poder",
"tabu" e, depois, de modo geral,
a esfera do poder divino que o
homem considerava superior e
ameaçador. O antônimo do "santo"
era o "profano", a esfera da vida
humana fora do âmbito do divino.
As raízes da religião se acham nos
esforços no sentido de separar o
que é santo, mediante processos
cultuais c rituais, da profanação c
contaminação causadas por coisas
profanas. Os gregos empregavam
três grupos de palavras diferentes
para denotar aquilo que é "santo":
hieros, com seus derivados nume-
15
rosos, denotando aquilo que é es
sencialmente "santo", o "tabu", o
"poder divino" ou 'aquilo que era
consagrado àquele", c.g., "santuá
rio", "sacrifício", "sacerdote". Por
contraste, hágios - com o grupo de
palavras mais frequente no Novo
Testamento - contém um elemen
to ético. Enfatiza-se o dever de
adorar àquilo que é santo. Hosios
também se inclina nesta direção:
de um lado, indica o mandamento
e a providência divinos; do outro
lado, a obrigação e a moralidade
humanas.
Não existe etim ologia certa
para /j í Í ç k j s . O termo relaciona-se
com hazontai (de hagiomai), que não
se acha na I .XX nem no Novo Tes
tamento, e significa "ter reverente
temor" dos deuses ou dos pais, e.g.
de Apoio (Homero, 77.1,21), bem
como "respeitar", e.g. de Zeus, que A
O B 0 1R O
respeita àqueles que estão debaixo
da proteção de Palas.
Temos também hagizo, "consa
grar", de onde se forma hagiázoi
por extensão. Esta última palavra,
com seus derivados (hagiasm a,
"santuário", "santidade"; hagias-
tttos, "san tid ad e"; hag iasterioti,
"san tu ário "), ocorre p rin cip al
mente na LXX. Os substantivos
posteriores hagiotes e haguiôsynê,
"santidade" (também principal
mente na I.XX), derivam de há-
gios, que não era especialm ente
frequente em grego fora da LXX.
Empregava-se, sem dúvida, como
equivalente do hebraico qudosh,
porque expressava, cm contraste
com hieros, não aquilo que era
santo em c por si mesmo, mas,
si m, o convite à adoração que ema
na daquilo que é santo. Na LXX,
somente hagiázo, hagiasma e hágios
desempenham qualquer papel.
%
As vezes, pode-se pensar na
santidade quase de modo físico;
é transferid a pelo contato (Êx
29:37; 30:29) e o contato incorreto
pode ser fatal (Nm 4:15,20). Da
mesma forma, a impureza tam
bém é transferível (Ag 2:11 e ss).
Visto que a pureza é a caracterís
tica apropriada de tudo quanto
é santo (puro), é dever de todo
participante do cu lto ser puro
("santificar-se"). Quem é impuro
precisa tom aras medidas imedia
tas para se purificar. Há também
pessoas santas (sacerdotes, levitas,
nazireus) e a santa unçâo dos reis
davídicos (SI 89.20; cf. ISm 24.6).
Da ressu rreição em diante,
Jesus é o Cristo, poder que opera
segundo o Espírito da santidade
(Rm 1.4). A santidade é uma di-
ção de aceitação na parousia e da
entrada na herança do povo de
Deus (Cl 1.12; At 20.32; 26.18). Em
todos estes casos, "santidade" dá
a entender um relacionam ento
com Deus que não se expressa
primariamente através do culto,
mas, sim, através do fato de os
crentes serem guiados pelo Espí
rito Santo (Rm 8.14). Assim como
no Antigo Testamento, a santidade
é um termo pré-ético; ao mesmo
tempo, também como no Antigo
Testamento, ela exige o momento
em que responde corretamente ao
Espírito Santo.
A santificação é como o cres
cimento de um fruto que resulta
na vida (Rm 6.19-22; cf. 1 T s4.3-7).
A adoração espiritual e racional
é oferecer-se a si mesmo como
sacrifício vivo, santo e aceitável a
Deus (Rm 12.1). Os "santos" não
são simplesmente pessoas "agra
dáveis" e dignas. São aqueles que
foram chamados, e um aspecto
essencial da santificação é o amor
por todos os santos (Ef 1.15), é ficar
fiel a eles nas necessidades (Rm
12.13), é abrir mão do profanar o
sagrado por meio de levar ques
tões com irmãos crentes diante
das autoridades seculares, e per
mitir que os santos as julguem (1
Co 6.1-2). Paulo emite o juízo de
que um cônjuge não-cristão não
profana o cristão; pelo contrário,
o não-cristão é santificado pelo
cristão, assim como santificados
ficam os filhos do casamento (ICo
7.14). Por ser o próprio Deus quem
santifica (lTs 5.23), frutificar para
a santificação fica tanto mais im
portante (Fp 2.12-16).
Santidade nas Epístolas
de Hebreus e 1 Pedro
A Epístolaaos Hebreus apre
senta um aspecto altam ente es
pecializado da santidade. Jesus
como Sumo-Sacerdote é Aquele
que san tifica o Seu povo (H b
13.12; 2.11) e oficia santuário não
feito com mãos (Hb 9.24; 8.2). A
divisão do santuário terrestre de
Israel em Lugar Santo e Santo dos
Santos (Hb 9.2-3) mostra que o
acesso ao santuário ainda não foi
conseguido. Cristo, porém, entrou
no santuário para sempre, com a
oferta do Seu próprio sangue, c
obteve eterna redenção (Hb 10.14).
Seu sacrifício de Si mesmo torna
obsoletos os sacrifícios de animais.
Segundo a vontade de Deus,
"temos sido santificados, mediante
a oferta do corpo de Jesus Cristo,
uma vez por todas" (Hb 10.10).
Mesmo assim, Hebreus nos adver
te que, "tendo ousadia para entrar
no Santo dos Santos" (11b 10.19),
não devemos profanar o santo da
aliança com o qual cada um foi
santificado, pois "nósconhecemos
aquele que disse: ’A mim pertence
a vingança; eu retribuirei'. E outra
vez: 'O Senhor julgará o seu povo "
(Hb 10.29,30; cf. Dt 32.35,36). De
vemos, portanto, esforçar-nos por
termos a paz com todos os homens,
e a santidade, sem a qual ninguém
poderá ver a Deus (Hb 12.14).
Para proposição inversa, os
irm ãos santos (H b 3.1) devem
reconhecera disciplina que Deus
aplica para ajudar, pois Ele nos
disciplina a fim de que ganhe
m os um a p articip ação na Sua
santidade (hagiotes, 11b 12.10; cf.
Pv 3.11-12).
1 Pedro é de especial impor
tância no desenvolvimento adi
cional do conceito. À ideia da
santificação pelo Espirito (1 Pe 1.2)
acrescenta-se a advertência fran
ca: "Como filhos da obediência,
não vos amoldeis às paixões que
tínheis anteriormente na vossa ig
norância; pelo contrário, segundo
é santo aquele que vos chamou,
tornai-vos santos tam bém vós
mesmos em todo o vosso proce
dimento" (IPe 1.14-15; cf. Lv 19.2).
O conceito continua em 1 Pedro
2.5: " Também vós mesmos, como
pedras que vivem, sois edificados
casa espiritual para serdes sacer
dócio santo, a fim de oferecerdes
sacrifícios espirituais, agradáveis
a Deus por intermédio de Jesus
Cristo". A ssim , a d inâm ica do
derramamento do Espírito é aqui
re-declarada em termos das fun
ções sagradas do sacerdócio.
Os crentes são considerados sa
cerdotes outra vez em Apocalipse
1.6; 5.10 e 20.6. Além disso, o Apo
calipse retrata a moradia futura dos
cristãos como sendo a Cidade Santa,
a Nova Jerusalém (Ap 21.2,10; 22.19).
Oaspecto mais importante de Jeru
salém era que continha o Templo,
o ponto central de encontro entre
Deus e o homem. Na Nova Jerusa
lém, porém, não há templo, "porque
o seu santuário é o Senhor, o Deus
lódo-poderoso e o Cordeiro" (Ap
21.22). Estes quadros apresentam, ao
mesmo tempo, uma continuidade
com as instituições estabelecidas de
Israel e um rompimento radical com
o Israel histórico. Alguns argumen
tam que conceber a igreja em tais
termos institucionais representa
uma institucionalização do caráter
dinâmico e carismático da comuni
dade cristã primitiva. Ao fazer as
sim, a igreja se resguardava contra
o tipo de excessos que ocorriam na
igreja de Corinto. O emprego des
tas figuras, no entanto, tem uma
função mais importante. De um
lado, a aplicação delas ã igreja sig
nifica que agora estão obsoletas as
instituições históricas cm Israel. Do
outro lado, o emprego dos conceitos
de sacerdote, templo e cidade santa
desta maneira dinâmica eespiritual
ofereceã igreja sofredora, persegui
da, uma perspectiva que a capacita
a ver a sua situação e o seu papel
em termos dos propósitos de I )cus.
A busca da santidade começa
com uma vida intensa de oração.
A ideia de viver uma vida santa
em um mundo conturbado c in
justo pode parecer um a utopia.
Porém , ao ad otar a santid ad e
como estilo de vida, devemos ter
em mente que isso não será possí
vel se deixarmos as coisas aconte
cerem naturalmente. Para buscar
a santidade, é preciso querer ter
uma vida irrepreensível diante de
Deus. I lá um preço a ser pago - a
saber, o preço da renúncia. A san
tidade só é possível para aqueles
que tem o Senhor Deus habitando
em seu coração e para isso é neces
sário ter uma experiência pessoal
com o Senhor Jesus Cristo. Sc ado
tarmos a santidade como estilo de
vida, estaremos cm consonância
com a vontade do Deus. "Porque
esta é vontade de Deus, a vossa
santificação" (lTs 4.3). Como dizia
Clemente de Roma, "por sermos,
portanto, uma porção santa, tudo
devemos fazer de acordo com a
santidade". I
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Eduardo Leandro Alves e pastor
da a d em Rio Tinto (PB). Doutor
e Mestre em Teologia pela
Faculdades EST. m embro da
COMADEP. Secretario Executivo
da SEMAD-PB, Diretor do Centro
de Estudos leologicosda ADPB
(CETAD-PB)
O Espírito Santo
ajuda o crente
a se opor às
tendências
malignas de
nossa natureza
pecaminosa após
a nossa conversão
a Cristo
Pr Eduardo Leandro Alves
A s a n t i f ic j
e a a ç ã o d
A chamada santificação
posicionai ou inicial
ocorre no início da
jornada cristã, quan
do aceitamos a Cristo como Se
nhor e Salvador (ICo 6.11). Nesse
instante, por um ato de fé no sa
crifício vicário de Cristo, deixa
mos de ser escravos do pecado
e somos redimidos pelo sangue
de Jesus. Desta forma, ao sermos
perdoados, também somos de
clarados santos em Cristo Tesus.
Logo, somos santos por estarmos
em Cristo. A santificação ocorre
junto com a justificação, dois ter
mos que estão no cerne do Evan
gelho. A justificação dirige se à
culpa em relação aos nossos pe
cados, ao passo que a santificação
dirige-se ao domínio e a corrup
ção produzida pelo pecado no ser
humano. Ou seja, diz respeito às
nossas mentes, vontades, senti
mentos e comportamentos.
O escritor aos Hebreus destaca
o aspecto inicial da santificação
ao escrever “Temos sido santifi
cados pela oblação do corpo de
Jesus Cristo, feita uma vez". So
mos santos em Jesus. Por isso as
expressões do apóstolo Paulo ao
iniciar muitas de suas cartas: “Aos
santos em Cristo Jesus que estão
em..." (ICo 1.2; Ef 1.1; Cl 1.2).
O Dicionário Vine, editado pela
CPAD, explica que a palavra san
tificação (ihagiasmos) c usada para
significar 1) separação para Deus
(ICo 1.30; 2Ts 2.13; lPe 1.2); e 2) o
curso de vida adequado aos que
assim são separados (lTs 4.3,4,7;
Rm 6.19,22; lTm 2.15; Hb 12.14).
Assim, a santificação é a relação
com Deus na qual os seres huma
nos entram pola fc no sacrifício do
Jesus no Calvário.
D esd e a d eso b ed iên c ia de
Adão e Eva no Jard im, o ser huma
no teve a sua natureza manchada
pelo pecado, tornando a huma
nidade desobediente à vontade
de Deus e, assim, distante de Sua
santidade (Rm 5.12). O apóstolo
Pedro desafia os seguidores de
Jesus a refletirem a santidade de
Deus: "Segundo é santo aquele
que vos chamou, tornai-vos santos
também vós mesmos em todos os
vosso proced i mento, porque escri
to está: Sede santos, porque eu sou
santo" (lPe 5.15,16).
O m odelo de san tid ad e do
crente está em Deus. A ideia é que
se somos chamados por Deus e
seguimos ao Senhor, devemos ser
santos assim como Deus é santo.
No entanto, essa é uma tarefa
extrem am ente d ifícil - por que
não d izer im possível - à nossa
natureza pecadora. Na jornadarumo à santidade, o Espírito de
Deus vem nos ajudar. Essa é Sua
obra especial. Nenhum membro
ação posicionai
o Espírito Santo
da Trindade é mais santo que o
outro, pois as três Pessoas da San
tíssima Trindade são igualmente
santas; no entanto, é o Espírito que
opera em nós Sua obra de tornar
santos os seguidores de Jesus.
A obra de santidade operada
pelo Espírito Santo visa a cooperar
conosco para que se possa conse
guir separar a vida do pecado e
dedicar-se à prática da vontade de
Deus. O novo nascimento, a nos
sa regeneração em Cristo, é obra
do Espírito Santo, que convence
o homem do pecado, da justiça e
do juízo. Estando o ser humano
morto em seus delitos e pecados,
há a necessidade da manifestação
da graça preveniente.
Em uma definição inicial, por
tanto, a graça prevenienteé o meio
polo qual Deus, antes de qualquer
ação humana, atrai graciosamente
o pecador e o capacita espiritual
mente para que se arrependa e se
converta a Cristo. Ela não salva
por si só, mas apenas permite o
arrepend im ento , crian d o uma
condição favorável para que todos
venham a crer 0o 3.16).
A graça preveniente, portanto,
é o meio pelo qual Deus vai ao
encontro do pecador para com e
çar a obra da salvação, atraindo-o
e capacitando-o espiritual mente
para responder á obra divina. Tal
doutrina bíblica ensina que, em se
Â
tratando de salvação, é Deus quem
tom a a in iciativa de chegar-se
ao homem caído, e nunca o con
trário, reconhecendo ao mesmo
tempo tanto a total depravação
humana quanto a possibilidade
de o homem resistir a essa oferta
graciosa.
A ação do Espírito, gerando o
novo nascimento em Cristo, torna
o ser humano habitação de Deus,
pois o Espírito, que é Deus, passa a
fazer morada nos salvos (K o 3.16).
Essa habitação do Espírito capa
cita o ser humano a desenvolver
a verdadeira espiritualidade em
santidade, não por ausência do
mal, mas por obra e graça de Deus.
Visto que o mal sempre surge
no coração por causa do poder
ativo da natureza pecaminosa, o
poder do Espírito Santo é sempre
necessário para vencê-lo; e vis
to que a obrigação de viver e de
servir para a glória de Deus está
sempre presente, o mesmo poder
capacitador do Espírito é inces-
santemente exigido. Existe uma
noção mal refletida e excêntrica
de que a espiritualidade é conse
guida quando há uma cessação
de algumas formas exteriores do
mal, que a espiritualidade consis
te naquilo que uma pessoa não
faz. Contudo, a espiritualidade
não é uma supressão apenas; ela
é também uma expressão. Ela é
somente restringente do eu; ela é
sobrevivente do Cristo que habita.
O não-regenerado não seria salvo
se ele cessasse de pecar; ele ainda
estaria sem o novo nascimento;
faltariam a ele ainda as m anifes
tações positivas do Espírito.'
Assim, embora a santificação
seja posicionai, ou seja, é um ato
junto á justificação, a obra da san
tidade é um trabalhar do Espírito
Santo juntamente com o crente, é
uma cooperação entre o crente e
o Espirito Santo. O apóstolo Pau
lo expressou essa ideia em aos
filipenses: "Assim, pois, amados
meus, como sempre obedecestes,
não só na m inha presença, po
rém, muito mais agora, na minha
ausência, desenvolvei a vossa sal
vação com temor e tremor; porque
Deus é que efetua em vós tanto o
querer como o realizar, segundo
a sua boa vontade" (Fp 2.12,13).
O esforço humano pode
gerar santidade?
Ao lermos o texto do apóstolo
Paulo em Gaiatas 3.3 ("Sois assim
insensatos que, tendo começado
no Espírito, estejais, agora, vos
aperfeiçoando na carne?"), vemos
que o que era fundamental para
tornar-se cristão - a ação do Espí
rito - também permanece funda
mental para permanecer cristão. O
anseio pelo crescimento espiritual
1 CHAFER. Le-»\-is. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos. 2003, p. 514.
é legítim o. O Novo Testamento
fala sobre aumentar, crescer na
fé, crescer no conhecimento, na
justiça, na santificação, no amor,
no t raba I ho o na entrega. Mas esse
crescim ento deve acontecer na
sequência correta, da forma que
Paulo orienta em Filipenses 1.6:
"Estou plenamente certo de que
aquele que começou boa obra em
vós há de completá-la até ao Dia
de Cristo Jesus."
Os tolos e néscios gaiatas pro
curaram crescim ento e aperfei
çoam ento "pela carne", ou seja,
fora do acontecimento criador por
meio do Espírito. Entregaram-se
às màos de pessoas que realiza
vam nelas cerimônias como, por
exemplo, a circuncisão. O bede
ciam a instruções de alimentação
e prescrições de festas, isto é, a
"rudimentos fracos e pobres" (G1
4.9), com vistas a coroar as obras
de Deus com tais coisas, um triste
"progresso" para trás.
Paulo com bate um a pseudo-
-esp iritualid ade, uma pseudo-
santidade, um falso crescimento
espiritual, os quais eram baseados
na carne, em esforços humanos.
Adolf Pohl nos diz que os produ
tos finais desse desenvolvimento
podem ser depreendidos no texto
do capítulo 5 da Carta aos Gálatas.
F.les não demoraram a "morder-
-se , devorar-se, v an g loriar-se ,
m agoar-se e conduzir in fin d á
veis brigas facciosas (Gl 5.15,26).
No final, surge a vergonha pelas
flagrantes infâmias nas próprias
fileiras (Gl 5.19-21)".2 Isso confirma
o que está cm Gálatas 6.8: "O que
semeia para a sua própria carne da
carne colherá destruição" (NVI).
O engano dos Gálatas era fruto
de uma má compreensão sobre a
salvação. Pode-se dizer que eles
seguiram um caminho muito pa
recido com os legalistas nos dias
de hoje: "A salvação é por graça, a
salvação é por fé, a salvação é pelo
Espírito; mas o aperfeiçoamento,
a santificação, c por esforços hu
manos. Deus dá em nós o pontapé
inicial, mas depois disso, você tem
que se empenhar. Deus faz uma
parte, e você tem que fazer a outra.
A justificação é pela fé, mas não a
santificação; a santificação é por
seu esforço; a santificação é algo
que você tem que obter". Ao que
parece, chegaram pregadores na
Igreja dos gálatas com essa mensa
gem. Mas, nas palavras de Paulo,
tais pregadores estavam perver
tendo o Evangelho. Infelizmente,
não é difícil ouvir mensagens como
essa no Brasil do século XXI.
A m ensagem de Paulo, no
entanto, vai de encontro a essa
ideia de esforço humano, de mé
rito humano, de espiritualidade e
santificação por esforço humano.
Paulo diz que não só o começo
é por fé, mas também todo o ca
minhar, toda a jornada, é por fé;
não é por obras nem no princípio,
2 POHL. Adolf. Caria aos Gálatas - Comentário Esperança. Curitiba, PR: 1999, p. 102. á
nem no meio, nem no final. Paulo
quer que os Cálatas (c todos nós)
entendam que o evangelho de
Cristo, o evangelho da graça de
Cristo, deve conserva-se puro.
Não há lugar para a carne, nào há
lugar para o esforço humano, não
há lugar para as obras do homem
em nenhum ponto da vida cristã.
É uma boa notícia dizer que
tudo é por fé; do começo ao final,
tudo é por fé. É uma boa notícia
dizer que nossas obras não servem
nem antes, nem agora, nem nunca.
Portanto, não só a justificação é
por fé, mas também a santifica
ção, ou o aperfeiçoamento da vida
cristã, é por fé.
Como entender a
santificação pelo Espírito
Quando se diz que a santifi
cação é por fé, o que se está di
zendo na prática? Dizendo que
não é por obras, que não é com
esforço humano. Então, surge a
pergunta: "O que faço? Se para ser
justificado somente tive que crer,
e agora você me diz que para ser
santo, para alcançar a santidade,
ou para experimentar a santifica
ção, não tenho que fazer esforços
humanos - em outras palavras,
não é algo que eu posso conseguir
ou obter -, então o que tenho que
fazer? Fico sentado, usando redes
sociais? Fico dormindo?". Bem,
parece uma contradição, mas não
é suficiente afirmar que é por fé.
E Paulo não encerra aqui a discus
são. No capítulo 5 da Carta aos
C álatas, ele segue o raciocínio.
Vamos acompanhá-lo.
Quando Paulo diz que a santi
ficação é por meio da fé, significa
que a santificação é pelo Espírito.
Ele dizem Cálatas 5.16, com um
tom imperativo - ou seja, é algo que
temos que fazer -, que temos que
andar no Espírito: "Digo, porém:
andai no Espírito e jam ais satis
fareis à concupiscência da carne".
Então, o que significa a santifica
ção ser por fé? Significa que não
se pode alcançar a santidade por
esforços próprios porque a obra
santificadora é uma função espe
cial do Espírito Santo. Precisa men
te, chama-se Espírito Santo porque
uma de suas íunçòes principais é
santificar o povo de Deus.
O que tem os que fazer? O
apóstolo Paulo diz: "Vivam no
Espírito, andem pelo Espírito, e
então não vão satisfazer os desejos
da carne." file segue orientando:
"Porque o desejo da carne é contra
o Espírito, e o do Espírito é contra
a carne; e estes se opõem entre si,
para que não façais o que quereis.
Mas se sois guiados pelo Espírito,
OB RO
não estais debaixo da lei" (17-18).
Dessa forma, conforme o ensino
do apóstolo, o único que pode
derrotar a carne não ó a natureza
humana por si só, mas o Espírito
Santo (que é contra a carne) que
habita naqueles que pela fé creram
em Jesus como Salvador. Tudo o
que se tem que fazer e andar no
Espírito, ser guiado por Ele. No
entanto, a decisão de andar ou não
no Espírito cabe a cada pessoa.
Uma vez que se decide a andar no
Espírito, Ele nos capacita nas lutas
diárias na jornada da santificação.
A santificação é por fé, porque
é pelo Espírito Santo. E, sem o Es
pírito Santo, não há experiência de
santidade. É certo que a obra de
Cristo nos santificou, Dessa forma,
somos santos. Mas a verdade sub
jetiva, a verdade da experiência, da
prát ica dessa verdade, só é possível
pelo Espírito Santo de Deus.
Conclusão
Paulo conclui em Gálatas 5.25
da seguinte forma: "Se vivemos
pelo Espírito, andemos também
pelo Espírito". Ou seja, se você
é salvo em Cristo Jesus, se tem a
vida pelo Espírito, se tudo come
çou pelo Espírito, tudo o que terá
que fazer é seguir pelo Espírito.
Se tens recebido a vida pelo Es
pírito, tudo o que tens que fazer
é continuar com o Espírito, andar
pelo Espírito. É por fé, do princípio
ao fim; é pelo Espírito, do princí
pio ao fim. A ideia é que a carne
nunca teve lugar no processo de
santificação, "pois a inclinação da
carne é para o mal". Os esforços
humanos não servem nem para
o começo, nem para o meio, nem
para o final; os esforços humanos
só fazem que o pecado abunde e
se multiplique.
Não defendemos o monergis-
mo, mas o sinergismo,3 onde há a
colaboração do ser humano. A coi
sa não parte do ser humano, mas,
sim, do Espírito; no entanto, o ser
humano necessita deixar-se domi
nar pelo Espírito. Se não, ele pode
amar mais as trevas do que a luz,
visto que suas obras são más, con
forme João 3.19,20: "O julgamento
é este: que a luz veio ao mundo, e
os homens amaram mais as trevas
do que a luz; porque as suas obras
eram más. Pois todo aquele que
pratica o mal aborrece a luz e não
se chega para a luz, a fim de não
serem arguidas as suas obras". H
3 Monergismo - Essa palavra faz parte do vocabulário radical do agostinianismo e do calvinismo. Afinna que a regeneração depende
totalmente das operações do Espírito Santo, onde a vontade humana torna-se totalmente passiva durante todo o processo da
salvação (Enciclopédia de Bíblia. Teologia e Filosofia, Hagnos, volume 4, M/O, p. 344). Sinergismo - Essa palavra vem do termo grego
composto que significa "trabalhar junto com". No contexto, teológico, essa palavra significa que a salvação do Indivíduo é o
resultado final de um esforço cooperativo com Deus (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Hagnos, volume 6, S/Z, p. 233).
OB
25
REIRO
I
AO LEREM O QUE ESCREVÍ, PODERÃO ENTENDER
A MINHA COMPREENSÃO DO MISTÉRIO DE C R ISTO ;; |
Efésios 3.4
CRISTOLOGIA PAULINA, GORDON D. FEE
Esta obra única em sua abordagem e temática oferece um estudo exaustivo da
Cristologia Paulina pelo acadêmico Gordon Fee. O autor oferece uma análise detalhada
8
C
cn
CL
3
CD
X
*o
CRISTOLOGIA
PAULINA
das cartas de Paulo individualmente, explorando a cristologia de cada uma e então elabora
uma síntese da obra exegética com os seguintes temas:
• O papel de Cristo como o salvador
divino preexistente e salvador
encarnado;
• Jesus como o segundo Adão;
• O Messias judeu e filho de Deus;
• Como o Messias e Senhor exaltado.
Gordon D. Fee
PhO pela Un/verstty o!Southern Califórnia. Fee é professor
emérito de Estudos do Novo Testamento no Regent CoUege.
em Vancouver, Canadá. Exerce a função de editor da série
NewInlcrnahooal Comtnontary Fee lem publicado vários livros
e artigos, entre eles. Exegese7Para qué7 e Jesus o Senhor
segundo o Apóstolo Paulo, publicados no Brasil pela CPAO
TAMBÉM
DISPONÍVEL
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OBRAS PARA O
ENRIQUECIMENTO DA
SUA VIDA MINISTERIAL
S A N T ID A D E
U M A IMTOODOÇAO
TEOLÓGICA
Santidade:
Uma Introdução Teológica
Bemic A. Vau de Walle
Para a maioria dos cristãos, a santidade é um estilo de vida ou
uma ética que se espera atingir. Escrita de forma abrangente para
alcançar leigos e estudiosos da Palavra de Deus, esta obra desafia
essas idéias comumente aceitas ao mergulhar no seu conceito
teológico. Buscando ocupar um espaço ainda nào desbravado no
estudo do tema, o pastor e doutor em Filosofia Bernie A. Van De
Walle preparou esta introdução teológica para que você redescu-
bra a santidade bíblica. Ela foca na natureza da santidade cristã,
esclarecendo que santidade não é fundamentalmente um código
de conduta ou uma espécie de comportamento, mas, antes disso,
uma referência ao próprio Deus e, somente de modo derivado,
uma referência à ética. "Antes de abordarmos a santidade como
uma categoria moral ou legal, nós devemos explorá-la como uma
categoria divina, teológica e teocêntrica", pois ela "diz respeito a
Deus e ao que Ele é", enfatiza o autor. Trata-se de uma importante
e necessária introdução ao tema da santidade bíblica.
O PIANO ix [ ) n > PMU I MA V1UA \m M M K tl
H e n r y
Bl a c k a b y
Santidade: O Plano de Deus
para Uma Vida Abundante
Hettry Blackaby
Neste livro, Henry Blackaby, doutor em Teologia e célebre pastor
batista nos Estados Unidos com m ais de 30 anos de ministério
pastoral, chama a atenção para a necessidade de olharmos para
dentro de nós, para nossas reais motivações, e observarmos a
Palav ra de Deus em todas as áreas de nosso viver. Ele concla
ma seus leitores a ver o pecado sob uma perspectiva divina e e
reorientarem suas vidas em todos os níveis segundo a vontade
do Senhor. Ao retratar o modo como Deus lida com o Seu povo
nas Sagradas Escrituras, o pastor Blackaby ilustra a ligação vital
entre arrependimento, reaviva mento, julgamento e santificação.
O autor enfatiza que Deus almeja que o Seu povo seja santo com
urgência, pois somente dessa forma poderemos experimentar a
plano de Deus para uma vida abundante. "O verdadeiro reavi-
vamento só pode acontecer", observa Blackaby, "quando o povo
de Deus retornar a um temor santo e saudável dEle".
ROOB
27
REI
Claiton Ivan Pommerening e pastor-
auxiliar na Assembléia de Deus em
Joinville (SC), mestre em Teologia
pela Faculdade est. graduado
em Teologia e ciências contábeis,
diretor e professor de Teologia
na Faculdade Ref idim, diretor do
Colégio CEEDUC, professor visitante
da Faculdade crista de Curitiba,
editor da Azusa Revisto de Estudos
Pentecostois. edrtor-executivo da
Revista REPAS/CPAD. avaliador
institucional do in ep / m e c , membro
fundador do Grupo de Estudo do
Pentecostalismo (GEP) da Faculdade
Ref idim. autor de livros e de
revistas da Escola Dominical
Lições Bíblicas Adultos da CPAD.
O Espírito Santo
faz nascer no
crente o desejo
de usufruir
uma vida de
santidade e de
combate contra
o pecado a fim
de alcançar
o porvir
Claiton Ivan Pommerening
Santifica<
No Antigo Testamente,
era o assombro reve
rente diante da ma
jestadedivina que
causava a reação da adoração,
da reverência e do medo de pe
car contra Deus (SI 96.9). Assim,
o Seu povo especialmente esco
lhido e separado era chamado a
venerá-lO (Êx 12.16; Dt 7.6; Sl 20.6;
Is 6). No Novo Testamento, é a
justificação e a resposta à graça
que propicia ao crente, com a aju
da do Espírito Santo, promover o
seguimento de Jesus numa cami
nhada de santidade, tonando-se
"raça eleita, sacerdócio real, na
ção santa" (lPe 2.9).
A permanência no Corpo de
Cristo e o que garante ao crente
a santidade, porque, estando no
Corpo de Cristo, todos os peca
dos são afogados nEle; o crente
so santifica estando no corpo e
mortifica seu desejo de pecar, mas,
em pecando, seu pecado é afogado
no mesmo corpo se há arrependi
mento (ljo 2.1). Daí a necessidade
de permanência no Corpo de Cris
to. A santidade do crente decorre
da santidade de Cristo e do amor
de Cristo pelo Seu próprio corpo
que o impeliu ao sacrifício na cruz
(Ef 5.27).
Em Cristo, o crente ê santifica
do de forma definitiva, completa e
perfeita através da obra do Espíri
to Santo, que o convence do peca
do (santificação posicionai). Mas,
no mesmo Espírito, também se é
2
santificado de forma progressiva,
substancial c constante no intui
to de levar à maturidade cristã, à
produção do fruto do Espírito e à
manifestação da vida e do amor
de Cristo. Mas não sem sobressal
tos, avanços e retrocessos, pois o
Espírito Santo opera em união e
simbiose com o desejo e a vontade
humanas. Ninguém é tão santo
que esteja livre do pecado.
O que é santificação
progressiva?
O processo de santificação é
passivo (Rm 6.13; 12.1; 8.13) e ativo
(Rm 8.13; Fp 2.12-13) por parte do
crente. fi passivo porque é obra
do Espírito Santo e, por isso, é
necessário apenas entregar-se ao
Seu agir sem resistir-lhe (Ef 4.30);
e é ativo porque o crente busca a
santificação através da leitura e
meditação da Bíblia, da oração,
da adoração, do testemunho, da
comunhão, do domínio próprio e
praticando disciplinas espirituais
que lhe aperfeiçoem o caráter. O
esforço ativo da santificaçãoépara
não se tornar um cristão passivo
e indolente. A passividade de se
render ao Espírito Santo é para
não se tornar orgulhoso e falsa
mente confiar na justiça própria
(IPc 2.11). A santificação deve ser
almejada e priorizada pelo crente
(Hb 12.14) com muita determina
ção, pois a natureza pecaminosa
que reside quer ter seus privilé-
OB
gios c resistir a este processo (Rm
714,21) (POMMERENINC, 2017).
Conforme Natalino das Neves,
a santificação progressiva se dá na
vida do crente que já foi justifica
do, tendo a justificação de Cristo
como base principal, pois esta pes
soa recebe uma nova natureza que
a torna uma pessoa que não vive
mais com voluntariedade para o
pecado (NATALINO, 2023, p. 17).
No entanto, a pessoa luta contra
a sua natureza pecaminosa para
a subjugar ao domínio de Cristo
e assim viver uma vida santifica
da. É preciso salientar que essa
luta contra o pecado não se dá
de forma isolada, mas, sim, com
a ajuda substancial do Espírito
Santo, que atua na vida do crente
fazendo a pessoa tanto desejar a
vida santa quanto a animando no
embate contra o pecado (ljo 4.4),
no sentido de fortalecê-la e fazê-la
aborrecer o pecado.
Para Paulo, a santidade não é
prioritariamente uma carga nega
tiva de proibições, negações e pri
vações da vida, mas o abandono de
pensamentos e ações que tornam
a vida pesada e cheia de contradi
ções (G15.16-21). É antes um desejo
posit ivo de produzir c viver as boas
obras do Espírito Santo, conforme
a lista do fruto do Espírito descri
ta por Paulo. (POMMERENINC,
2(117). Assim, a santificação é uma
vida abundante, plena e feliz que
transborda no fruto do Espírito e
nas virtudes cristãs, especialmen-
Á
te o amor, antagonizando com a
falsa moralidade e a hipocrisia tão
presente na santificação negativa,
naquela que apenas proíbe e cer
ceia. Paulo afirmou que este tipo de
santidade leva à demência espiritu
al: "Se vocês morreram com Cristo
para os rudimentos do mundo, por
que se sujeitam a regras, como se
ainda vivessem no mundo? [...]
essas coisas têm aparência de sa
bedoria, ao promoverem um culto
que as pessoas inventam , falsa
humildade e tratamento austero
do corpo. Mas elas não têm valor
algum na luta contra as inclinações
da carne" (Cl 2.20-23).
Os que vivem sob a liberdade
da graça desenvolvem uma santi
dade que reflete a beleza de Cristo
em sua interioridade, que extrava
sa nas mais diferentes esferas da
vida. Neste sentido, santificação é
a capacidade de ser coerente com
as fraquezas humanas e rcconhocê-
-las sempre diante de Cristo. Sendo
assim, quanto mais transparente
se é neste relacionamento com F.le,
em que não se esconde nada, tanto
mais progressividade e possibili
dades de santidade se adquire.
Mesmo depois de serem justi
ficados, os crentes continuam co
metendo pecados (Tg 3.2; ljo 1.8),
embora não sejam mais escravos
do pecado (Rm 6.2). Mas esta cons
tatação não pode ser uma desculpa
para se tratar os deslizes espiri
tuais e o pecado com lassidão ou
indolência; muito pelo contrário,
exige-se mais cuidado e vigilância
para não cair em tentação (Mt 6.13;
26.31) (POM M ERENING, 2017).
Embora se alcance a santidade
absoluta somente na eternidade,
numa dimensão escatológica, está-
-se em tensão contínua e em ambi
guidade por se viver, de um lado, a
realidade presente de ter sido jus
tificado c santificado estando cm
Cristo - Ele que inspira, ilumina e
sustenta em toda boa obra, tornan
do todo crente participante da ple
nitude dEle e já O vendo como que
por espelho embaçado (ICo 13.12)
- e assentado com Ele nos lugares
celestiais (Ef 2.6) e já co-herdeiro
com Cristo (Rm 8.17), e por saber,
por outro lado, que a santificação
ainda está em processo, pois o
crente ainda ê carnal e vendido ao
pecado (Rm 7.14). E nova criatura,
nascido de novo, lavado no sangue
de Cristo, mas sofre as fraquezas
da carne e por vezes facilmente
sucum be às tentações. Portanto,
nenhum cristão poderá afirm ar
que está isento do pecado e que
não necessita do perdão de Deus.
Assim, está-se vivificado e plena
mente santificado em Cristo, mas
a santidade é momentaneamente
frágil, incompleta eestá em estágio
germinal, se comparada com a san
tidade perfeita de Cristo (FIORES;
GOFFI, 1993, p. 1036), que é o pleno
santificador e modelo de santidade
a ser seguido.
Antonio Gilberto (2013, p. 364-
365) classifica a santificação como
passada e instantânea, porque em
Cristo o crente se torna santo no ato
da conversão (Cl 1.20), chamada de
santificação posicionai; concomi
tantemente, 6 presente progres
sivamente no dia-a-dia da vida
cristã, cham ada de santificação
progressiva,experimental ou práti
ca; e ela também é futura, completa
e final (Rm 6.22-23), e ocorrerá na
Segunda Vinda de Cristo.
A ação do Espírito Santo na
santificação processual
O Espírito Santo como o Aju-
dador amado é o agente da santi
ficação na vida do crente, conforme
Paulo: "M as vocês foram lavados,
foram santificados, foram justifi
cados no nome do Senhor Jesus
Cristo e no Espírito do nosso Deus"
(ICo 6.11). Essa santidade posicio
nai é alcançada no momento da
conversão, mas o mesmo Espírito
promove a santificação progressiva
na vida do crente, desde que esse se
deixe conduzir por sua orientação
amorosa. João Batista, ao vaticinar
sobre o trabalho salvador do Mes
sias, disse que "Ele os batizará com
o Espírito Santo e com fogo" (Mt
3.11), demonstrando que aqueles
nos quais se cum prir a descida
do Espírito Santo não experimen
tariam apenas um derramar sim
bólico do poder do Espírito, mas
teriam em sua vida o fogo purifi
cador que arde no mais íntimo do
coração, revelando e removendo
toda a sujidade do pecado e seus
cruéis grilhões.
Assim como o Espírito Santo
conduziu Jesus ao deserto para
ser tentado pelo Diabo (Lc 4.1), a
tentação permitidapor Deus na
vida do crente tem um a função
purificadora no sentido de fazer
o crente perceber as inclinações
do seu coração e quais elementos
perniciosos ocupam os seus espa
ços mais secretos. O crente poderá
usar, com a ajuda do Espírito Santo,
as suas próprias inclinações más
para confessá-las e purificá-las no
fogo do Espírito, que começou a
boa obra e há de completá-la até o
Dia de Cristo Jesus (Fp 1.6).
O legalism o, com suas proi
bições, diz que o crente precisa
m elhorar na santidade para se
aproximar de Deus; a graça diz que
o crente precisa se aproximar de
Deus para melhorar, se tomando
mais semelhante a Cristo. O lega
lismo cobra pedágio para chegar à
santidade; a graça pagou o preço
completo na cruz de Cristo, o que
permite o crente ser santo.
No processo de santificação
operado pelo F.spírito Santo, a Pa- A
lavra de Deus assume um lugar
decisivo, pois é através dela que,
agindo como um espelho, o Es
pírito Santo revela o que precisa
ser transformado (Rm 12.2). í' a
Palavra de Deus que penetra até a
divisão da alma e do espírito, das
juntas e medulas, e revela todas as
coisas ocultas, algumas vezes ocul
tas do próprio crente, outras vezes
ele nào quer enxergar (Mb 4.12).
A cooperação e a
responsabilidade humana
no processo de santificação
A tra n sp a rên c ia para com
Deus é quando o crente não dei
xa nada oculto dEle; quando, em
devoção e quebrantam ento de
alma, consegue Lhe contar tudo.
Este é o cam inho m ais sensato
para a santidade e a pureza, pois,
através da confissão, Ele vai pu
rificando, perdoando, curando e
finalmente se tornando íntegro.
Assim, se reconecta o ser inteiro
com Cristo, que é o m ais perfeito
e com pleto modelo de in tegri
dade e santidade. Quanto mais
integridade, menor será a neces
sidade de usar máscaras, pois, ao
usar máscaras, se torna hipócrita,
perdendo-se a santidade. A falta
de integridade produz ídolos e
permissividade no coração do ser
humano (Mt 6.24).
Quanto mais preocupação com
a inferioridade secreta, expondo-
-a diante de Deus sem máscaras,
integral mente, tanto m ais reflexos
positivos se experim enta na ex-
terioridade, pois e o interior que
fornece luz ao exterior (Mt 6.23); é
a partir do interior que se reflete
a beleza de Cristo (santidade) em
todas as dimensões da vida. Isso
é possível em relação direta com
a capacidade de olhar para dentro
de si mesmo em atitude de oração
e perserutação do coração com a
ajuda do Espírito Santo (POM.V1E-
R ENING, 2(117), concordando com
Paulo, que disse "aperfeiçoando
a nossa santidade no temor de
Deus" (2Co 7.1). Por isso, a melhor
maneira de evitar a falta de inte
gridade é ser transparente consigo
mesmo, com o próximo e especial
mente com Deus. O apóstolo Paulo
admoestou Timóteo no sentido de
progredir espiritualmente: "Medi
te estas coisas e dedique-se a elas,
para que o seu progresso seja visto
por todos. Cuide dc você mesmo e
da doutrina" (lTm 4.15-16).
A responsabilidade humana
na obra de santificação, conforme
os textos bíblicos, são: "andar na
luz" (IJo 1.7); "guardaros manda
mentos" de Deus (IJo 2.3); "agra
dar a D eus" (lTs 4.1); "viver de
modo digno do Senhor" (Cl 1.10);
ter os "corações confirmados em
santidade, na presença de nosso
Deus" (lTs 3.13); e estar "aperfeiço
ando a nossa santidade no temor
de Deus" (2Co 7.1), dentro outros
(POMMERENINC, 2017).
O modelo perfeito de
santidade a ser seguido
A santidade, expressa de for
ma simples, é a união do crente
com Cristo de forma que se torne
um com Ele. Dito nas palavras de
Paulo, ela assume uma conotação
profunda de seguimento a Cristo:
"Já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim. E esse viver
que agora tenho na carne, vivo pela
fé no Pilho de Deus, que me amou
c se entregou por mim" (Cl 2.20).
Assim, ela assume característica de
profunda comunhão com Cristo,
assumindo seu jeito de ser, agir e
viver, posturas estas incorporadas
à vida diária na convivência com
o amado Salvador, que santifica
a vida do crente pela intimidade
piedosa (lPe 1.15). Quando andou
na Terra, Jesus nos ofereceu o me
lhor exemplo de integridade, pois
assumiu a forma humana plena,
"esvaziou-se a si mesmo" (Pp 1.7),
e humildemente conviveu com a
fraqueza humana. A santidade
de Jesus está baseada na premissa
antiga, fundamental e que procede
da I ei de Moisés, que afirma: "Ama
a E>eus sobre todas as coisas e ao
próximo como a ti mesmo". Mas
Jesus amplia isso ao afirmar que
deveriamos amar uns aos outros
como Ele mesmo amou (Jo 13.34).
Para Jesus, o pecado e a malda
de procedem do coração, portanto
de dentro para fora. No Sermão do
Monte, Ele trata o pecado em sua
origem, no coração, chamando o
crente a erradicá-lo ali, antes que
se torne concretude. Portanto,
para Jesus, o pecado é anterior
ao ato em si. Ele nasce no coração
hum ano para depois se tornar
em mal. A santidade de Jesus é
radical, porque trata o pecado
quando é apenas um sentimento,
em sua fase embrionária, antes de
ser praticado. Nessa radical idade,
Jesus erradica o pecado usando a
figura da mutilação (Mc 9.43-47),
pois santidade é discipulado ra
dical. Ê nesse lugar fundamental
(no sentido de origem e profundi
dade) que a santidade deve estar
inserida para que o crente viva em
progressividade santificadora e
em santa progressividade. Embo
ra experimente vergonhosos e em
baraçosos retrocessos, ele sempre
de novo se levanta, com a ajuda
do Espírito Santo, e se apropria
novamente do modelo a ser segui
do: Jesus de Nazaré. O modelo de
Jesus nos convida a uma santida-
OB
33
REIRO
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BJB11A SAGRADA N A A fcrnion SBR,J018
BORfS,Stpfanode,G OFFI,Tuilo D^xmúriodfh^iritiialidade São P ado Paulus, 1993.
611 B fR TO ,A n tcn io (e ta l) feo loçúS rssm M oP m m tf R o d e Lançiro CFAD,7013
GRUN. A n sé m . hum de (aoçfcamrtboiparo a tm a de Deus. Petfópdis: Vazes. 2016.
NtVLS. NdUlino das. Sejurocte para Dem. Rio de Janeiro: L F A U 2023.
POMMERBING. Odilon R » de Janeiro: CPWX 201/.
QUFIR07, Carlos Ser C o íwsfaníe Curitiba: fixcnlro/Viçosa Ultimato, 7006
de ética, onde o que é importante
não são prioritariamente as regras
pré-estabelecidas, geralmente de
cunho moralista, mas as escolhas
santas que são feitas diante das
com plexas dem andas da vida,
preferindo sempre falar, agir e ser
como Jesus (2Co 3.18).
CONCLUSÃO
Jesus disse: "Abençoados são
vocês, que puseram em ordem
seu mundo interior, com a mente
e o coração no lugar certo. Assim,
vocês poderão ver Deus no mun
do exterior" (Mt 5.8, AM). Como
consequência, "os que olham para
ele estão radiantes de alegria; seus
rostos jam ais mostrarão decep
ção" (SI .34.5, NVI)..
Pureza de coração significa ter
um só propósito na vida, que é di
recionada para buscar unicamente
a vontade de Deus e amá-lO acima
de tudo (Mt 7.33), se desfazendo de
todas as falsas intenções secundá
rias, para que se alcance tal pure
za interior de estar totalmente à
disposição da vontade de Deus. A
vontade de Deus ocorre na vida da
pessoa quando os vícios e pecados
são vencidos. Nesse estágio, o cora
ção alcança paz, fica livre do medo,
da agitação o das paixões incon-
troláveis. Assim, quem alcança a
pureza de coração encontra a sere
nidade, ambas se inter-rclacionam,
pois quem é puro de coração tem
um coração sossegado. Enquanto
as paixões e vícios controlarem
a pessoa, ela não encontrará paz
interior (GRÜN, 2016). ■
ACOPA FICOU FÁCIL
APRENDER GREGO
Saber ou tra língua é essencial. Aprender grego é um diferencial.
fíp re n d e n d o Grego no novo Testam ento tem por objetivo levar o estudante a ler e a traduzir textos
do novo Testamento grego, da Septuaginta e da Patrística, com algum a fluência e capacidade de
compreensão, proporcionando-lhe acesso às gramáticas mais profundas e a um estudo mais elevado
da exegese. Todas as sentenças usadas como exemplos gramaticais de tradução são extraídas
diretamente do novo Testamento.Um curso prático
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o © O O
Persiste
emLer CBO
Douglas Roberto de Almeida
Baptista e pastor, líder da Assembléia
de Deus de Missão do Distrito
Federal (ADMDF) e do conselho
de Educaçao e cultura da c g a d b ;
presidente da Academia Evangélica
de Letras do Distrito Federal
(AELDF); vice-presidente da Rede
Assembleiana de Ensino (RAE);
graduado em Teologia. Filosofia,
Pedagogia e Ensino Religioso; mestre
em ciências das Religiões e novo
Testamento; doutor em Teologia;
e comentarista das Lições
Bíblicas Aduizos da c p a d .
Já na e te rn id a d e ,
o c re n te será
p le n a m e n te
re s ta u ra d o em
sua p e rfe iç ã o
o r ig in a l, p e rd id a
n o É den, ap ós
o a d v e n to d o
p e c a d o
Douglas Roberto de Almeida Baptista
Santificaç
definitiva <
As Escrituras apontam
que a finalidade da
nossa Eleição em Cris
to é propiciar uma
vida nova aos eleitos, isto é, para
sermos "santos e irrepreensíveis
diante dEle" (Et 1.4b). O vocábu
lo grego bugios (santo), no aspecto
espiritual, significa "separado do
pecado" (lPe 1.15-16). O adjeti
vo grego amornos (irrepreensível)
expressa algo "sem defeito" ou
"inculpável" (Fp 2.15). Os termos
apontam para a santificação, isto
é, para o mais alto padrão ético e
moral de vida a fim de agradar a
Deus, que nos elegeu (Ef 5.1-3).
As Escrituras Sagradas ensi
nam que Deus é "Santo": Ele é o
"Santo de Israel" (Is 1.4); "Deus,
o Santo" (Is 5.16); e o Seu nome é
"Santo" (Is 40.25; 57.15). Portanto,
o Deus "Santo" requer que Sua
criação ande em santidade (lPe
1.15,16). O atributo comunicável
de Deus da santidade é concedido
a todos os que verdadeiramente
são regenerados. Desse modo, o
salvo precisa ser santificado pelo
Espírito Santo (lPe 1.2).
Nessa perspectiva, apresen
tamos abaixo a definição bíblica
para o pecado; a condição de de-
pravação humana; a concoituação
do termo santificação; o processo
de santificação do cristão; os erros
doantinom ianism o,do legalismo
e do falso moralismo; bem como
a erradicação final do pecado na
vida do crente salvo.
Definição de pecado
No Antigo Testamento, a mais
im portante expressão hebraica
para referir-se ao pecado é o con
junto de palavras representado
por chattath , que possui o sentido
básico de errar um alvo ou um ca
minho (Gn 4.7; Pv 19.2).' No grego
do Novo Testamento, o principal
termo para designar o pecado é
ham artia, que possui conotação
de "erro morai" (2Pe 2.13,14). Essa
palavra aparece cerca de 300 ve
zes com o sentido de errar o alvo
proposi ta 1 mente.
Nesse aspecto, Millard J. Eri-
ckson arrazoa que "esse pecado
é sempre contra Deus, visto que
não se atinge a m arca que Ele
estabeleceu, seu padrão de amor
e obediência perfeitos devido a
Ele".1 2 Além disso, a Bíblia Sagrada
disciplina: "Quem comete pecado,
comete iniquidade; porque o pe
cado é iniquidade" (ljo 3.4). Nesse
contexto, a palavra "iniquidade"
ou "ilegalidad e" significa uma
1 HORTOX, S. (Ed.). Teologia Sistemática: L'ma perspectiva pentecostal. Rio de Janei
ro: CPAD, 1996, p. 28
: ERICKSON, 2015, p. 551. 3.
ío Total: a vitória
:ontra o pecado
atitude de rebelião geral contra
os mandamentos de Deus.3 Desse
modo, abrange não apenas errar o
alvo, mas deliberadamente acertar
o alvo errado. Trata-se de desobe
diência intencional contra Deus e
a Sua Palavra (ISm 15.22,23).
Em consequência, o pecado
afasta o homem de Deus e tam
bém o faz pecar contra o próximo.
O pecado não é somente praticar
obras contra Deus, mas inclui a
om issão em praticar o bem (Tg
4.17) . Portanto, pecado é a condi
ção do homem não regenerado,
e ele só pode ser expelido por
meio do novo nascimento (Jo 3.3-
7). Essa reconciliação do homem
com Deus só é possível em Cristo
(2Co 5.19).
A Depravaçáo Total
A doutrina do pecado original
está sobejamente registrada nas Es
crituras (Km 5.12-21; ICo 15.21,22,
Ef 2.1-3). Desse modo, sublinha-se
que o ser humano foi criado em es
tado de inocência: não impecável e
nem pecaminoso, mas perfeito (Ec
7.29) e dotado de livre-arbítrio (Cn
2.16.17) . Porém, o primeiro homem
escolheu desobedecer a Deus, e
5 STRONSTAD, Roger & ARRINCTON,
French (Ed.). Comentário Bíblico Pente-
cost.il Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 2003, p. 1.779.
A
OB
37
REIRO
a sua Queda contaminou toda a
humanidade (Gn 3.9-19; Rm 5.12).
A partir da Queda, todos os se
rem humanos nascem em pecado
(SI 51.5). Assi m, o pecado não é pas
sado adiante mera mente pela força
do mau exemplo, mas é um mal
inerente à natureza humana (Rm
7.14-24). Jacó Armínio salienta que a
"abrangência deste pecado [...] não
é peculiar aos nossos primeiros
pais, mas é comum a toda a raça
humana e a toda sua posteridade".4
Em consequência, todo ser huma
no está debaixo da escravidão do
pecado c da condenação da morte
(Rm 3.23; 6.23).
Contudo, apesar de corrom
pida, a natureza humana pode
ser eficazmente regenerada pela
fé em Cristo (Rm 3.24; 2Co 5.17).
Porém, em decorrência do pecado
de Adão, o homem encontra-se es
piritualmente morto e incapacitado
de vir a Deus por si mesmo (Ef 2.1).
Significa que, por causa da Queda,
todas as áreas de nosso ser foram
afetadas. Esse estado de corrupção
mental, moral eespiritual da natu
reza humana é denominado de Dc-
pravação Total, ou seja, a inclinação
para fazer o errado resultante do
pecado original. Essa depravação
impede o homem de tomar a ini
ciativa no processo de regeneração
(Rm 8.7,8).
Por co n seg u in te , o hom em
só pode ser liberto do pecado se
Deus o buscar primeiro (Fp 1.6).
Sem a ajuda de Deus, ninguém
pode ser transformado (2Co 5.17;
Tt 3.5). Isto significa que o homem
não pode dar início ao processo
da salvação, pois seu livre-arbítrio
precisa ser divina mente restaura
do (Rm 2.4). Por isso, somente ao
ser atingido pela graça proveniente
(ação divina que antecede a con
versão) é que o homem recebe a
capacidade de arrependimento e
fé. E isso mostra que a fé antecede
a regeneração.
Em síntese, o pecado original e
a depravação tornaram o homem
totalmentc incapaz de até mesmo
desejar se aproxim ar de Deus.15
Mas, por meio da graça prevenien-
t e , ele recebe divinamente a capa
cidade para crer, arrepender-se e
ser salvo (Rm 3.24,25). Portanto, a
libertação do pecado não provém
de nenhum esforço humano, mas
é gratuita e divinamente ofertada
(Rm 6.23; Ef 2.8,9). Não obstante,
na "história da salvação", a dou
trin a da santificação faz parte
do plano integral de Deus para
a hum anidade.6 A salvação e a
santificação devem andar juntas
na vida do crente.
Conceito de santificação
No Antigo Testamento, a pala
vra hebraica qadash, traduzida por
"ser santo", possui o significado
básico de separação do uso co
mum para a dedicação a Deus e ao
4 ARMÍNIO, Jacó. As obras de Armínio. Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 439.
*MAIA, Carlos Kleber. Depravação Total. São Paulo: Reflexão, 2015, p. 75.
6 JENNEY, Hmothy P. O Espírito Santo e a santificação. In: HORTON, S. (Ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD. 1996, p. 407.
seu serviço.7 O N ovo D icionário de
Teologia leciona que "santificação"
é um terino técnico de ritual de
culto. F.lc apresenta a ideia tanto
de limpeza (Êx 19.10,14) quanto de
consagração e dedicação ao servi
ço de Deus (Êx 19.22; Dt 15.19; 2Sm
8.11; Is 13.3). Contudo, o significa
do de santificação e de santidade
se estende para além do ritual,
para a esfera moral.s
No Novo Testamento, o termo
grego mais comum traduzido por
"santo" é hagios. Nosingular, é usa
do com o adjetivo para descrever
Deus e o Seu Espírito. No plural,
é em pregadocom o substantivo
para referir-se ao povo de Deus.9O
verbo liagiazo é utilizado no senti
do ritual de se separar algo dentre
o que é comum para a utilização
com propósitos sagrados (Mt 6.9;
Jo 10.39; IP e 3.15). A expressão
hagnos se refere particularmente à
pureza no sentido ético. Em termos
gerais, "a obra da santificação é a
separação de tudo que é contrário
à pureza do Espírito".10
A obra T eolog ia S istem ática
P en tecostal (CPAD) d efin e que
santificar é "pôr à parte, separar,
consagrar ou dedicar uma coisa
ou alguém para uso estritamente
pessoal". Santo é o crente que vive
separado do pecado e das práticas
mundanas pecam inosas, para o
domínio o uso exclusivo de Deus.
*
E exatamente o contrário do crente
que se mist ura com as coisas tene
brosas do pecado.11
O teólogo A ntonio G ilberto
chama a atenção para aquilo que
não é santificação bíblica: (1) Usos,
práticas e costum es. Estes últimos,
quando bons, devem ser o efeito
da santificação e não a causa dela
(Ef 2.10); (2) M aturidade cristã. Não
é pelo tempo que algo se torna
limpo, m as pela ação contínua da
limpeza; (3) Batism o com o Espírito
Santo ed on s espirituais. Em si mes
mos não equivalem à santificação
como processo divino e contínuo
em nós (At 1.8; ICo 14.3).'2
A santificação bíblica tem três
*
aspectos: (1) Posicionai: E a santifi
cação completa e perfeita. O crente
pela fé torna-se santo "em Cristo"
(Ef 2.6; Cl 2.10); (2) Progressiva: É
a santificação prática, aplicada
ao viver diário do crente. Nesse
aspecto, a santificação do crente
pode ser aperfeiçoada (2Co 7.1). Os
crentes mencionados em Hebreus
10.10 já haviam sido santificados e
continuavam sendo santificados
(vv. 10,14-ARA); e (3) Futura: Trata-
-se da santificação completa e final
(Ef 5.27; l is 3.13; 5.13; ljo 3.2).n
7 JENNEY, 1996, p. 412.
S FERGUSON, Sinclair B; WRIGHT David F. Novo dicionário de teologia. São Paulo: Hagnos. 2009. p. 892.
9 JENNEY, 1996, p. 419.
10 HENRY, Carl (org.). Dicionário dc Ética Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 537.
11 GILBERTO, Antonio (Ed.). Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD. 2013, p. 227.
12 GILBERTO, 2013, p. 227.
13 GILBERTO. 2013. p. 22S.
OB
39
R B RO
Santificação como processo
A santificação c uma "obra pro
gressiva da parte de Deus e do ho
mem que nos torna cada vez mais
livres do pecado c semelhantes a
Cristo em nossa vida presente".14
Significa que viver separado do
pecado é um processo mediante
o qual Deus purifica os que a Ele
se achegam e passam a ser orien
tados pelo Espírito Santo (ljo 3.3).
Nossa Declaração de Fé leciona
que "já salvo e justificado, o novo
crente entra de imediato no pro
cesso de santificação, pois assim
o requer a sua nova natureza em
Cristo (Rm 6.22; 1 Ts 4.3)".''’ Nesse
aspecto, a santificação "é uma con
tinuação do que foi começado na
regeneração, quando então uma
novidade de vida foi conferida ao
crente e instilada dentro dele. Em
especial, a santificação 6 a opera
ção do Espírito Santo que aplica
à vida do crente a obra feita por
Jesus Cristo".16
O Dicionário das Cartas de Paulo
arrazoa que o apóstolo "insiste no
comportamento e na conduta san
ta e pura na vida dos fieis em an
tecipação da volta de Jesus Cristo,
embora não preveja o alcance da
perfeição completa nesta vida".17
Timothy P. Jenney pondera que,
embora os crentes sejam cham a
dos de santos (Mt 27.52; Rm 1.7;
Ef 1.1), "o cristão não é necessaria
mente perfeito, mas alguém que
se arrependeu do seu pecado e
submeteu-se ao poder pu rificador
do Espírito de Deus. (...) Nenhum
crente pode chegar a d izer que
está totalmente livre do pecado".18
Nesse aspecto, tanto o antinomis-
mo quanto o legalismo e o falso
moralismo se constituem graves
erros. O antinom ism o enfatiza
de tal modo a liberdade cristã de
condenação pela lei que deixa de
salientar a necessidade de o cren
te confessar constantemente seus
pecados e buscar de modo sincero
a sant ificação. O lega 1 ismo c o mo
ralismo solapam inevitavelmente
a certeza da salvação e enfatizam
a responsabilidade cristã a tal
ponto que a obediência ás normas
e a regulamentos passa a ser vista
como um elemento constituinte da
fé que justifica.19
Em oposição a esses extremos,
as Escrituras afiançam que a san
tificação é um processo que vai
14 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Sáo Paulo: Vida Nova, 1999, p. 622.
15 SOARES, E. (Org.). Declaração de Té das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 112.
16 HORTON, 1996, p. 40S.
17 HAWTHORNE, Gerald F.; et. al. (Org.). Dicionário de Paulo c suas cartas. São Paulo: \lda Nova; Paulus, Edições Lovola. 2017, p. 1.136.
IS JENNEY 1996, p. 425.
19 FERCUSON, 2009, p. 606,607.
40
REIOB
A l* »O V .
sendo aperfeiçoado durante toda
a jornada do cristão (2 Co 3.18; Fp
1.6). Essa obra é realizada pelo
Espírito Santo, ela não cessa após
a conversão, mas cresce gradu
almente e requer a contribuição
contínua do crente (2Co 6.16-7.1;
ljo 3.2,3; Ap 22.11). Significa que
temos a responsabilidade de co
operar nesse processo e que o
Espírito Santo com pletará essa
obra em nós por ocasião da Se
gunda Vinda de Cristo (lTs 3.13).
Implica em afirmar que o processo
de santificação dura até a nossa
glorificação final no Dia de Cristo
Jesus (Rm 8.30).
A vitória final
contra o pecado
A doutrina bíblica da glorifi
cação descreve a última etapa de
nossa salvação (Rm 8.23,30). Nesse
processo, o pecador é salvo pela
graça, justificado pela fé, santifi
cado pelo Espírito e prossegue até
que todos cheguemos "a homem
perfeito, á m edida da estatura
completa de Cristo" (Eí 4.13, ACF).
Km nossa trajetória cristã, continu
amos sondo santificados, mas nun
ca chegaremos à santificação total
até chegarmos ao céu. Quer dizer
que somente ao final do processo
da salvação é que a glória perdida
*
no Eden pelo primeiro Adão será
finalmente restaurada (ICo 15.45).
Trata-se da promessa da futu
ra transformação de nosso corpo
mortal em corpo glorioso (Fp 3.21),
que se dará por ocasião da Vin
da do Senhor (ICo 15.52-54; 2Co
3.18). Esse novo corpo será eterno,
imortal, imperecível, impecável.20
Conforme as Escrituras, o homem,
nascido de novo, em Cristo, é "nova
criatura" (2Co 5.17) e se toma parti
cipante "da natureza divina" (2Pe
1.4). Contudo, essa participação, no
tempo presente, é parcial. Isso por
que, embora o pecado não tenha
mais domínio sobre o crente, o ho-
20 STRO\'STAD, 2003, p. 1.308.
OB
41
REIRO
mem permanece sujeito a fraque
zas e ao erro, mas, na glorificação,
ele será restaurado à "semelhança"
da "imagem de Deus" (ljo 3.2).
Isso significa que um dia o
homem será restaurado em sua
perfeição original e será impecável
diante de Deus. Assim, ocorrerá a
salvação da presença do pecado
(lPe 1.5). Antonio Gilberto ponde
ra que "a salvação começa com a
redenção da alma; prossegue com
a redenção do corpo; e culm ina
com a glorificação do crente in
tegral". Ele acrescenta que "João
Batista, inspirado pelo Espírito,
disse que Jesus é o Cordeiro que
tira o pecado do mundo — kosmos.
Isso só acontecerá plenam ente
no futuro".21 22 Nesse sentido, Ciro
Zibordi pontua que "obtemos a
certeza da vida eterna no momen
to em que cremos em Jesus Cristo,
confessando-o como Senhor (Jo
5.24; Rm 10.9,10), porém a salvação
no sentido de glorificação só se
dará a partir do Arrebatamento
(Rm 13.11; Hb 9.28; Fp 3.20,21)."-
Por essa razão, o autor de I lebréus
chamou essa gloriosa obra de Deus
de "uma tão grande salvação" (Hb
2.3). O próprio Deus proveu os
meios de nossa plena santificação,
pois na Cidade Santa "não entrará
coisa a Iguma que contam i ne, e co
meta abominação e mentira; mas
só os que estão inscritos no livro
da vida do Cordeiro" (Ap 21.27).
Conclusão
As Escrituras ensinam que "a
vontade de Deus é a vossa san
tificação" (lTs 4.3); e que "D eus
não nos cham ou para viver na
im pureza, m as em santid ad e"(lTs 4.7). Desse modo, uma con
duta irrepreensível é requerida ao
cristão, tanto no espírito como na
alma e no corpo (lTs 5.23). Con
tudo, essa restauração somente é
possível por meio do sangue de
Cristo, pela ação do Espírito e pela
Palavra de Deus (lPe 1.15-25). O
fruto do Espírito nós é concedido
para andarmos no mundo conser
vando nossa santidade (Cl 5.16-17,
22). Esse processo é continuo até a
Volta de Cristo, quando esse corpo
mortal e pecaminoso se revestir
da imortalidade e da incorrupti
bilidade (ICo 15.52,53). Portanto, a
Escritura nos adverte "sede santos,
porque Deus é santo" (lPe 1.16),
pois sem a santificação ninguém
verá o Senhor (Hb 12.14). H
21 GILBERTO, 2013, p. 377.
22 ZIBORDI. Ciro Sanches. Escatologia: a doutrina das últimas coisas. In: GILBERTO, Antonio (Ed.). Teologia Sistemática Pentecos-
tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. SOS.
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Silas Rosalino de Queiroz é pastor
na Assembléia de Deus em Ji-
Paranâ (RO), graduado em Teologia
e Direito, pós-graduado em Direito
Péiblico. Processual Civil e Docência
Universitária; assessor jurídico
da CEMADERON e membro do
Conselho de Comunicação
e imprensa da CGADB.
A doutrina da
mortificação
da carne é um
dos ensinos que
mais evidenciam
o aspecto
progressivo da
santificação
Silas Rosalino de Queiroz
A Mortif i<
Relacionada à Doutrina
da Salvação, a santi
ficação é apresentada
no Novo Testamento
como ocorrente na experiência
humana em três momentos: pas
sado, presente e futuro. Tais mo
mentos correspondem, respec
tivamente, aos três aspectos da
santificação: posicionai, progres
sivo e pleno ou perfeito (GILBER
TO, 2021, p. 364). Cristo consu
mou sua obra salvífica na cruz (Jo
19.30; Hb 9.26-28; 10.11-14). Esta
obra começou em nós através da
regeneração e da justificação pela
fé, quando nos tornamos "santos
em Cristo" - a santificação posi
cionai (ICo 1.2; 6.1; Cl 2.10; Fp 1.1;
Hb 10.10) - e segue sendo reali
zada pelo Espírito Santo através
da santificação progressiva (2Co
3.17,18; 7.1; lPe 1.15,16; Hb 12.14),
estendendo-se até a glorificação,
quando se dará a santificação
completa, a libertação do cor
po do pecado (Ef 5.27; lTs 3.13; 1
Co 15.52). Como escreveu Paulo,
"aquele que em [nós] começou a
boa obra a aperfeiçoará até ao Dia
de Jesus Cristo" (Fp 1.6).
A m o rtificação da "ca rn e "
(sarx, no grego: "natureza huma
na", como em Romanos 8.5-13) tem
lugar no aspecto progressivo da
santificação, que se dá no tempo
*
presente. E uma obra realizada em
nós pelo poder do Espírito Santo
para que possam os vencer d ia
riamente as inclinações de nossa
natureza pecaminosa, que é "uma
realidade contínua para o cristão;
a propensão ou orientação em di
reção ao pecado e ao afastamento
da vontade de Deus que persegue
o crente até o fim de sua vida ter
rena" (LOWERY in ZUCK, 2018,
p. 289). A santificação progressi
va ou contínua tem, na origem, o
impulso indispensável da graça
de Deus, mas precisa contar com
uma cooperação ativa e perma-
*
nente de nossa parte. E, portanto,
resultado da conjugação da im-
prescind ível operação divina e da
disposição de vontade, decisões
e atitudes hum anas (GRUDEM,
2021, pp. 628-631).
Conformo J. Rodman W illia
ms (2011, p. 441), "a santificação
também é tarefa do homem: Deus
não opera sem o nosso envolvi
mento. Não é que Deus faz uma
parte, digamos 50%, enquanto o
homem é chamado para realizar
o restante, os outros 50%. É, antes.
Deus inteira mente através de tt>do
o caminho do homem". O mesmo
teólogo diz, contudo, que "é preciso
observar cuidadosamente que não
é o Espírito Santo que executa a
tarefa de mortificação, entretanto
ele é ciaramente o potênciaI izador.
E, por outro lado, o próprio cren
te quem, por meio desse poder,
executa a mortificação. Portanto, o
Espírito Santo não é apenas oposto
á carne; ele é também a força potên
cia li zad ora na ação de mortificação
contínua do crente" (p. 442).
Um dos textos nos quais Paulo
trata claramente dessa teologia da
mortificação é Romanos 8.13: "Por
que, se vocês viverem segundo a
carne, caminharão para a morte;
mas, se, pelo Espírito, mortifica-
rem os feitos do corpo, certa mente
viverão" (NAA). Na NVI, a tradu
ção é ainda mais clara quanto ao
papel humano nesse processo, ao
dizer: "Se pelo Espírito fizerem
m orrer os atos do corpo, vive
rão". Cabe ao cristão, através de
disciplinas espirituais, buscar e
permitir que o Espírito Santo atue
em seu ser, mortiíicando a carne, a
fim de que esta nào produza suas
terríveis e nefastas obras (G1 5.19-
21). Em lugar delas - das obras da
carne --, o Espírito passa a produ
zir em nós, simultaneamente, o
seu fruto - o fruto do Espírito
que é manifesto em virtudes espi
rituais, como listadas em Gaiatas
5.22: amor, alegria, paz, longani-
midade, benign idade, bondade,
fc, mansidão o domínio próprio.
O perigo da Justiça própria
O esforço mera mente humano
de vencer as inclinações da carne
leva o homem a confiar em sua
própria justiça, através do rigo-
rismo ascético, do legalismo e de
atitudes penitentes c de autofla-
gelo, como faziam os monges nos
monastérios e, ainda hoje, alguns
cristãos insistem em fazê-lo, ainda
que em práticas menos radicais,
Á
OB
45
REIRO
tanto do caráter físico quanto
montai ou intelectual. Mas não é
possível fazer morrer a carne sem
a ação direta do Espírito de Deus!
E é isto que o Novo Testamento
nos ensina, especialmente as car
tas paulinas, sendo Rom anos a
principal delas. Não por acaso, foi
este, por excelência, o livro redes-
coberto durante a Reforma Protes
tante, no qual Lutero encontrou a
grande chave para sua verdadeira
conversão a Cristo: "O justo viverá
da fé" (Rm 1.17).
Para um monge agostiniano
que vivia afligido em sua cons
ciência, aturdido pela culpa do
pecado e golpeado por suas fra
quezas carnais - crises das quais
as muitas penitências não podiam
livrá-lo entender essa revelação
operou uma profunda transfor
mação em seu interior e refletiu
no seu viver diário. Convicto da
salvação pela graça, Lutero não
m ais confiaria cm seu próprio
esforço e obras (incluindo os au-
toflagelos) para vencer o pecado
e ser aceito por Deus. Agora, sal
vo pela graça, por meio da fé (Ef
2.8), viveria sob a dependência do
Espírito, buscando diariamente a
mortificação da carne, a suplan-
tação da natureza pecaminosa e
suas inclinações.
A responsabilidade
humana na mortificação
A parte humana no processo
de m ortificação é, como já afir
mado, a prática de d iscip lin as
espirituais, entre as quais estão a
vigilância (o afastar-se do mal e de
tudo quanto o aparenta), a oração,
o jejum e a leitura e meditação
na Palavra de Deus (Mt 26.41; Mt
6.16-18; At 10.9,10,30; ICo 7.5; 2Co
11.27; Jo 15.3; 1717;C13.16; 1Ts 5.22).
Precisamos reconhecer nossa in
suficiência pessoal e nos dedicar
a uma vida de piedade e devoção,
nos abstondo dos prazeres carnais
e desejando frutificar no Espírito.
46
Há um evidente aspecto ativo ou
prático na busca pela mortificação,
mas a disciplina inclui não apenas
o fazer, mas também o deixar de
fazer. Salmos 101.3 diz: "Não porei
coisa má diante dos meus olhos;
aborreço as ações daqueles que se
desviam; nada se me pegará". As
sim, progredimos no processo de
mortificação da carnequando nos
afastamos de todo o mal, livrando
os nossos sentidos (especialmente
olhos e ouvidos) de tudo o que
possa aguçar nossos desejos e ge
rar o pecado dentro de nós.
Tiago adverte: "H avend o a
concupiscência concebido, dá â
luz o pecado; e o pecado, sendo
consum ado, gera a m orte" (Tg
1.15). Jesus nos alertou de que
todo o pecado sai de dentro de
nós (Mt 15.19). F.xatamente por
isso, o processo de mortificação
da carne é im prescindível para
evitar que sejamos vencidos pelas
tentações. Como escreveu Donald
Stamps (BEP, p. 1926), "a tentação
OB O
provem, em princípio, dos desejos
o inclinações do nosso próprio
coração [...). Se o desejo mau não
for resistido e purificado pelo Es
pírito Santo, levará ao pecado e,
depois, «i morte espiritual" (Rm
6.23; 7.5,10,13).
Para vencerm os o m al, isto
é, a nossa própria inclinação ao
pecado, é preciso que o processo
de mortificação de nossa nature
za carnal seja contínuo. Não se
trata de uma tarefa instantânea,
mas de uma obra que precisa ser
mantida e ampliada diariamente.
%
A luz de 2 Corínitos 4.10, a mor
tificação c condição sine qua non
para que a vida de Jesus se m a
nifeste em nós e através de nós.
"Vivo, não m ais eu, mas Cristo
vive em mim", disse o apóstolo
dos gentios (G1 2.20).
Estágios do processo
de mortificação
O capítulo 3 de Colossenses é
um dos mais belos textos bíblicos
que tratam dos aspectos posicio
nai e progressivo da santificação.
Nele, Paulo faz um paralelo entre
morte e vida para expressar essa
p rofu nd a v erd ad e e sp ir itu a l:
"Porque já estais mortos, e a vossa
vida está escondida com Cristo
em Deus" (Cl 3.3). Podemos ver
aqui uma correlação precisa com
o aspecto posicionai da santifica
ção: cm Cristo, já estamos mortos.
Trata-se dc uma imersão inaugu
ral na obra vicária, recebendo o sa-
crif ício dc Jesus cm sua plen it ude.
A partir do versículo 5, contudo,
Paulo começa a tratar do aspecto
progressivo: "M ortificai, pois, os
vossos membros que estão sobre
a terra". Mesmo já tendo, pela fé,
abraçado integralmente a obra da
cruz, descobrimos que nossa na
tureza pecaminosa ainda existe
e apresentará muitas resistências
que precisarão ser vencidas dia
riamente no processo de contínua
mortificação.
Algumas etapas bem distintas
desse processo são vistas no texto
de Colossenses 3, a partir do ver
sículo 5:
Colossenses 3.5-7 - No glorioso
caminho da mortificação da car
ne, precisamos abandonar, desde
logo, o que podemos cham ar dc
pecados flagrantes. Paulo lista,
de forma exemplificativa, a pros
tituição, a impureza, o apetite de
sordenado, a vil concupiscência c
a avareza. Espera-se que esse pri-
meiro nível da mortificação seja
alcançado libertando o corpo da
prática destes pecados. O cristão
não pode continuar vivendo sob
o jugo do pecado. Seus membros
não podem mais ser instrumentos
dessas práticas pecaminosas.
Colossenses 3.7-9 - Mas a mor
tificação não para no nível dos
pecados flagrantes. O apóstolo
convida os crentes de Colossos e a
todos nós a continuar avançando.
A vida da carne precisa ser su
plantada e ir-se esvain d o-a carne
deve seguir o curso da morte de
maneira que já não nos leve à ira,
à cólera, à malícia, à maledicência,
a palavras torpes e à mentira. Fica
evidente, então, que o cristão não
pode se conformar com uma mor-
tificação que o liberte apenas dos
pecados mais aparentes. Precisa
vencer a natureza carnal também
quanto a sentimentos ruins e prá
ticas reprováveis nem sempre tão
percebidos de todos, mas que são
males terríveis, que insistem em
querer nos dominar.
Pela d ificu ld ad e de vencer
tais pecados, não é incomum al
guns cristãos se conformarem e
apresentarem, como justificativa,
aspectos hereditários, principal
mente quanto ao temperamento.
Em vez de buscarem a mortifica
ção da velha natureza, justificam
atitudes de ira, por exemplo, como
"herança" dos pais ou avós. Não
é isso, contudo, que as Escrituras
nos ensinam . Como disse Pau
lo, precisam os nos despojar "de
tudo" (Cl 3.8).
Com o nascidos de novo (Jo
3.6; lPe 1.23), não podemos nos
conform ar com pecado algum
entranhado em nossa natureza.
A mortificação precisa continuar
sempre. Na força do Espírito, pre
cisamos tomar a atitude de rejeitar
o pecado e abandoná-lo, o que
"não significa de forma alguma
uma ação fácil: implica libertar-se
dos pecados, renegá-los, expulsá-
-los" (WILLIAMS, p. 445). Como
acentua HENRY (2008, p. 353),
"não conseguimos fazer isso sem
o Espírito operando em nós, mas
Ele não o fará sem o nosso empe
nho o esforço".
Colossenses 3.12,13 - A mortifi
cação da carne, com o abandono
de todos esses pecados já listados
e de tantos outros que existam
dentro de nós, traz como resul
tado a possibilidade de o cristão
expressar, com m ais vigor, a sua
nova natureza pela vida de Cristo
que agora passa a dominá-lo. Daí
ser possível vencer não apenas os
pecados do corpo, mas também
os da alm a (PEDRO, 2012, p. 139)
e do espírito, como o orgulho, a
soberba, a ganância e a ira (2Co
7.1) (GILBERTO, 2021, p. 347), e
seguir frutificando no Espírito,
sendo m isericordioso, benigno,
hum ilde, m anso e longânim o,
tendo um coração isento de má-
48
OB03RO
goas c ressentim entos, sem pre
disposto a perdoar.
Colossettses 3.14-17 - O cami
nho da m ortificação ainda tem
níveis mais sublimes para o cris
tão. Paulo anuncia, na sequência,
a possibi I idade de o crente mortifi-
cado desfrutar e expressar o amor,
que é "o vínculo da perfeição" e ter
"a paz de Deus" dominando cm
seu coração (Cl 3.14,15). Nesta fase,
esse vitorioso cristão estará cheio
de gratidão e terá a palavra de
Cristo habitando abundantemente
em seu coração, expressando sabe
doria e alegria espiritual (Cl 3.16).
Este, portanto, é o processo de
mortificação e a grande transfor
mação que ele proporciona ao cris
tão. De alguém antes dominado
pelos mais terríveis pecados, como
a prostituição e a avareza, o cristão
pode passar a viver livre não ape
nas dessas práticas, tão facilmente
reconhecidas, m as tam bém de
sentimentos ruins (por vezes dis
farçados e escondidos) que antes o
inquietavam e dominavam, como o
orgulho, a ira e a malícia. Esse cris
tão terá um caráter transformado e
um temperamento controlado pelo
Espírito, expressando virtudes cx-
t raord inárias, como a hum iIdade e
a mansidão. Ao invés de dar-se a
contendas, estará pronto a perdoar
c terá seu coração cheio de amor,
alegria, paz e gratidão. Tudo isso
somente é possível se ele se subme
ter ao senhorio de Cristo, aceitando
sua inteira mortificação como um
processo contínuo. Na expressão
paulina, "trazendo sempre [...] a
mortificação no nosso corpo" (2Co
4.10). O advérbio "sempre", no gre
go, é o vocábulopantote, que signi
fica "a toda hora" ou "em todas as
ocasiões" (VINE, 2003, pp.848,983).
A mortificação e o
perfeccionismo de Wesley
Apesar de ser possível ao cris
tão desenvolver a mortificação e
alcançar níveis espirituais glorio
sos como revelados em Colossen-
ses 3.4-17, nunca lhe será possível
eli minar sua nat u reza pecami no-
sa enquanto estiver habitando nes
te corpo (MENZIES & HORTON,
p. 127). Portanto, a Perfeição Cristã
defendida por John Wesley - que
pregava que é possível alcançar a
santificação perfeita nesta vida - ,
não encontra respaldo no Novo
Testamento e, muito especia I men
te, na teologia paulina (GEISLER,
2017, p. 485).
C) próprio Pau Io, em alusão cla
ramente autobiográfica, afirmou
na célebre Carta aos Romanos:
"Porque eu sei que em mim, isto
é, na minha carne, não habita bem
algum; e, com efeito, o querer está
em mim, mas não consigo realizar
o bem. Porque não faço o bem que
quero, mas o mal que não quero,
esse faço. Ora, se eu faço o que
não quero, já o não faço eu, mas
o pecado que habita em mim. [...]
M iserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta
morte" (Rm 7.18-20,24).
Paulo descreve o grave quadrodo homem depois da Queda, tanto
o inconverso quanto o converti
do. Para o primeiro, o problema
perm anece insolúvel, pois não
pode libertar-se a si mesmo. C)
segundo encontrou a solução na
obra de Cristo: a salvação, que
opera a justificação (a libertação
da culpa do pecado) e a santifi
cação (a libertação do poder do
pecado por ação do Espírito). O
que Paulo está fazendo nada mais
é que reconhecer a realidade de
sua natureza pecaminosa, ao mes
mo tempo cm que se refere ã sua
nova vida em Cristo, o "homem
interior" que tem prazer na lei de
Deus (Rm 7.22). E c exatamente a
obra do Espírito Santo neste novo
homem que o faz rejeitar o pecado
e agir, de forma determinada, para
alcançar a mortificação da carne,
o não atendimento de sua própria
inclinação ao pecado, processo
dicotômico no qual ele celebra a
vitória do homem espiritual: "Por
tanto, agora, nenhuma condena
ção há para os que estão em Cristo
Jesus, que não andam segundo
a carne, mas segundo o espírito.
Porque a lei do Espírito de vida,
em Cristo Jesus, me livrou da lei
do pecado e da morte" (Rm 8.1,2).
Conclusão
Dos versículos 11 a 13 de Ro
manos 8, Paulo ensina sobrea obra
de mortificação da carne pelo po
der do Espírito, confirmando que
se trata de um processo contínuo
nesta vida. Aliás, a mortificação
é fundam ental para que a vida
espiritual siga seu curso em cres
cimento: "Porque, se voccs vive
rem segu ndo a carne, cam inharào
para a morte; mas, se pelo Espírito,
mortificarem os feitos do corpo,
certamente viverão" (Rm 8.13).
C o n clu ím o s, a ss im , que a
m ortificação da carne faz parte
da santificação progressiva, na
qual devemos estar empenhados
diariamente, sob a inteira depen
dência do Espírito Santo. H
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