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SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL 
FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO 
 
FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro 
 R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pós-Graduação em História do Cristianismo e do 
Pensamento Cristão 
 
 
 
 
 
 
 
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SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL 
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FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro 
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MÓDULO 2: HISTÓRIA DA IGREJA E DO 
PENSAMENTO CRISTÃO NA MEDIEVALIDADE 
 
História do Cristianismo e História do Pensamento Cristão 
na Idade Média: a formação da Medievalidade (séc. V-X) 
 
Professor Me. Lucas Gesta1 
 
 
AULA 01 – A FORMAÇÃO DA MEDIEVALIDADE p.1 
 
1. O conceito de “Idade Média” 
 
O conceito de uma “Idade Média”, em si, já carrega um valor pejorativo como 
um espaço intermediário entre dois “importantes” períodos – a Antiguidade greco-
romana e a “Modernidade”. Este é um termo consolidado no século XV, sobretudo 
pelos autores humanistas. Os iluministas a partir do século XVIII colocaram esse 
período como “Idade das Trevas”, onde não brilharia a “luz” do conhecimento através 
da razão científica. 
 
1.2. Divisão do período medieval 
 
A Idade Média é um conceito classificado entre a Queda de Roma (476 d.C.) e a 
Queda de Constantinopla (1453 d.C.). Podemos dividir esse período didaticamente em 
três: 
Primeira Idade Média: da metade do século V ao século X – período que 
engloba a queda do Império Romano às últimas invasões bárbaras. 
Alta Idade Média: do século X à metade do século XIII – período de 
consolidação do feudalismo e demais instituições medievais. 
 
1 Doutorando em História Política (UERJ). Mestre em História Social (UNIRIO). Master in 
Biblical and Ministries Studies (FABAT/STBSB). Especialista em História da Igreja 
(FAECAD). Coordenador da Pós-Graduação em História do Cristianismo e do Pensamento 
Cristão da FABAT/STBSB. 
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Baixa Idade Média: da metade do século XIII ao século XV – período de 
declínio da Idade Média e suas instituições, bem como de crise de transição para a Idade 
Moderna. 
 
2. A Primeira Idade Média (séc. V – X) 
 
Os séculos IV e V marcaram o a queda do Império Romano no Ocidente com as 
invasões sucessivas dos povos “bárbaros”, aqueles que não falavam latim e não 
compartilhavam da cultura greco-romana. Em 410, os godos tomaram e saquearam 
Roma. Em 476, o general germânico Odoacro depôs o último imperador romano, 
Rômulo Augusto e tomou seu lugar. 
 
2.1. Consequências das invasões bárbaras 
 
Observamos o desaparecimento em certa medida da antiga cultura greco-
romana; o recrudescimento inicial dos avanços tecnológicos, culturais, sociais, políticos 
e econômicos do Império Romano; o desaparecimento do latim e grego nos vernáculos 
populares e também o aparecimento de escritos nas línguas vernáculas. 
Em relação à cultura, há a desestruturação e desaparecimento (ou posterior 
incorporação sob sincretismo) das antigas religiões greco-romanas; as línguas, culturas, 
formas de política, economia e religião dos povos invasores serão fundidas, 
incorporadas, reinterpretadas, formando as regiões e países que constituem hoje a 
Europa. 
Há um progressivo movimento de regionalização das leis e desaparecimento da 
noção de cidadania, substituída por laços individuais; conservação parcial das artes 
limitando-se à utilização cristã. 
Por fim, o desaparecimento ou destruição de rotas comerciais terrestres e 
marítimas e isolamento do Ocidente vai gerar a cada vez maior separação entre a Igreja 
do Ocidente com a do Oriente. 
 
3. Teologia Ocidental no final da Antiguidade 
 
A teologia ocidental no final da Antiguidade se vê marcada pelas intensas 
disputas políticas entre imperadores e bispos, sejam arianos ou nicenos. 
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Apesar de não experimentar grandes controvérsias cristológicas, o arianismo 
dominava não apenas setores das antigas igrejas do mundo romano, mas também entre 
povos bárbaros convertidos. 
Logo, já que nenhum partido teológico cederia naquele momento a novos 
debates, o campo eclesiológico dominará as inovações teológicas do Ocidente. 
 
3.1 Ambrósio de Milão 
 
Ambrósio (340-397) provinha de família nobre e rica e era governador de Milão 
quando o bispo ariano Auxêncio faleceu. Para evitar derramamento de sangue, ele foi 
até a igreja onde seria a eleição, controlando a multidão com a sua oratória impecável e 
saindo de lá aos gritos de “Ambrósio bispo!”. O clamor do povo foi tão grande que ele 
se fez batizar e no transcorrer de uma semana foi de leitor a bispo, em 373. 
Seu episcopado foi marcado pela luta contra o arianismo, as invasões bárbaras e 
as relações políticas, tendo influenciado profundamente o imperador Teodósio I. Foi sua 
pregação que levou decisivamente à conversão de Santo Agostinho de Hipona. Durante 
seu episcopado, conseguiu que a fé nicena triunfasse na Itália, além de ter sido um 
grande pregador e liturgista. Combateu o paganismo com todas as forças trazendo o 
Cristianismo a um caráter nacional e político. Lutou pelo direito exclusivo da Igreja em 
face do paganismo e de outras heterodoxias como também pela independência dessa em 
relação ao Estado. 
Foi o primeiro bispo a ser solicitado por imperadores para sustentar seu trono e o 
primeiro a colocar um imperador em penitência pública. Ele pode ser considerado como 
um teólogo de transição no Ocidente, entre a Igreja Antiga e a Igreja Medieval. 
Suas obras teológicas constatam uma grande influência dos pais gregos, e da 
exegese alexandrina, sendo grandemente influenciado por Fílon e Orígenes. A maior 
parte de suas obras são pregações, sermões e obras de interesse prático, pouco inclinado 
à especulação teológica e demonstrando caráter teológico prático, como em geral é a 
teologia do Ocidente. 
Sua interpretação bíblica é dependente de Fílon e Orígenes, dando grande 
destaque à exegese alegórica e moralizante. Quase a totalidade de suas obras se baseiam 
no Antigo Testamento. Um exemplo prático é a comparação da arca de Noé com o 
corpo humano, e os animais nela aos pecados. Outro é associar God, em Ezequiel ao 
povo godo. 
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 R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 
Em relação a moral e ética, escreveu a primeira obra sinótica de ética cristã da 
História, baseando-se em Cícero. Exaltou a virgindade e o estado delas consagradas a 
Deus. 
Em relação a dogmática defendeu a divindade do Filho contra os arianos e a 
integral divindade do Espírito Santo contra os macedonianos. Se refere ao Espírito 
como procedente do Pai e do Filho, mas em relação à economia, e não à processão 
intratrinitária. 
Na Cristologia defendeu a verdadeira humanidade de Cristo contra os docetistas, 
maniqueus e apolinaristas. Para ele, Cristo é um só em ambas as naturezas, e completo 
nas duas. 
Estabeleceu os anjos como instrumentos de Deus para sua vontade salvífica. 
Como em Orígenes, aceitava anjos da guarda de Igrejas, categorias sociais e até de um 
anjo custódio para cada homem. 
Na Mariologia afirmou que esta era incorrupta, pois apesar de ter em si o pecado 
original, era isenta de pecado pessoal. Delineou uma tipologia de Maria e sua vida como 
escola de virtude: ela é a nova Eva, portadora da salvação, que venceu o demônio. 
Em relação a eclesiologia atacou o rigorismo dos novacianos, mas estabeleceu 
que a disciplina penitencial só poderia ser feita apenas uma vez. Além disso, somente a 
Igreja pode perdoar os pecados. O homem está em um estado de culpabilidade herdado 
do pecado original e, por isso, todos devem ser batizados, inclusive as crianças. 
Nos seus escritos vemos pela primeira vez o uso da palavra “missa” para a 
liturgia eucarística, e seu caráter sacrificial. A penitência pública é admitida apenas uma 
vez. Existe um segundo grau de penitência, para os pecados não-graves, a qual deve ser 
feita todos os dias particularmente 
Mantém a sucessão apostólica, porém, particularmente colocando a Igreja em 
Roma como cabeça da sociedade romana, e de onde provém a autoridade eclesiástica. 
Pedro teria o primeiro lugar entre os apóstolos, assim como a Igreja de Roma entre as 
igrejas. 
Em relação a soteriologia, para ele, as almas de todos os defuntos vão passar 
pelas chamas. Os justos, porém, passam como Israel atravessando o Mar Vermelho. Os 
injustos permanecem no fogo eterno. O fogo dos justos é um fogo purificador, para 
poderem entrar no Paraíso. Há um aspecto origenista, pois acredita em uma esperança 
de salvação para os injustos e também uma redenção para os justos que morreram em 
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pecado mortal sem confessá-lo. Em ambos os casos, vemos uma semente da ideia de 
purgatório nascendo. 
Em relação a liturgia Ambrósio era um grande autor de hinos e compositor, 
tendo como inspiração a melodia litúrgica grega. Introduziu o canto popular na liturgia e 
instituiu o canto dos hinos e antifônico dos Salmos. 
Exteriorizou a veneração à cruz e os cravos de Cristo, o culto aos anjos, santos, 
mártires e relíquias. Mas a estes só é devido veneração e não adoração, que é somente à 
Trindade. Nas orações fúnebres fez prece intercessória pelos mortos e ofereceu 
sacrifício eucarístico por eles. 
 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
 
ALTANER, B.; STUIBER, A. Patrologia: Vida, Obras e Doutrina dos Padres da Igreja. 
2.ed. São Paulo: Paulinas, 1988. 
 
BETTENSON, H. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 2011. 
 
DROBNER, H.R. Manual de Patrologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 
 
GONZÁLEZ, J. L. História ilustrada do cristianismo. A era dos mártires até a era dos 
sonhos frustrados. 2. ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2011. 
 
____. Uma História do Pensamento Cristão: de Agostinho às vésperas da Reforma. 
Vol. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2015. 
 
____. Retorno à História do Pensamento Cristão. São Paulo: Hagnos, 2011. 
 
IRVIN, D. & SUNQUIST, S. História do movimento cristão mundial. Vol. 1: do 
cristianismo primitivo a 1453. São Paulo: Paulus, 2004. 
 
KAUFMANN, T; et alli (org). História Ecumênica da Igreja. Dos primórdios até a 
Idade Média. São Paulo: Paulus; São Leopoldo: Sinodal; São Paulo: Loyola, 2012. 
 
LIÉBAERT, Jacques. Os Padres da Igreja. Séculos I-IV. São Paulo: Edições Loyola, 
2000. 
 
PADOVESE, L. Introdução à Teologia Patrística. São Paulo: Edições Loyola, 1999. 
 
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PELIKAN, Jaroslav. A tradição cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina. 
Vol. 1. O surgimento da tradição católica (100-600). São Paulo: Shedd Publicações, 
2014. 
____ 
____. A tradição cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina. Vol. 3. O 
desenvolvimento da teologia medieval (600-1300). São Paulo: Shedd Publicações, 
2015. 
 
SPANNEUT, M. Os Padres da Igreja. Volume 2 [séculos IV-VIII]. 2.ed. São Paulo: 
Edições Loyola, 2013. 
 
 
https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw
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MÓDULO 2: HISTÓRIA DA IGREJA E DO 
PENSAMENTO CRISTÃO NA MEDIEVALIDADE 
 
Tópicos Especiais em Estudos na Idade Média Cristã I: A 
Institucionalização do Catolicismo 
 
Professor Me. Vitor Hugo2 
 
AULA 03 – A Formação do Papado p.1 
 
1. Hierarquia no Século 1 
Seguindo as rotas comerciais, pelas estradas romanas e pelas rotas marítimas, o 
cristianismo foi difundido para além de seu ambiente inicial palestino-judaico atingindo 
o mundo romano. Assim durante o século I surgiram as primeiras comunidades cristãs. 
Para Kenneth Scott Latourette, durante as três primeiras gerações as comunidades 
cristãs apresentavam uma grande variedade sem um “padrão abrangente e uniforme de 
prática e de governo de igreja" (LATOURETTE, 2006, p. 153). Por isso as formas 
exatas que tinham são motivos de debates. 
Alguns líderes cristãos partilhavam de um ideal de unidade. A Igreja de 
Jerusalém inicialmente exerceu um papel de unidade como no caso do primeiro concílio 
cristão narrado no livro dos Atos dos Apóstolos capítulo 15, durante o ano 51. Sua 
centralidade se dava mais devido ao seu prestígio como centro primeiro do cristianismo 
do que a seu poder. Ela não tinha um aparato administrativo que pudesse manter as 
novas comunidades unidas. A jurisdição ode Paulo sobre as igrejas que fundou é outro 
exemplo desse ideal de unidade. Contudo, não havia um padrão organizacional que 
permeasse todo o cristianismo, seja a nível local, seja a nível geral ou universal. 
Sobre a organização das comunidades locais o autor do livro dos Atos dos 
Apóstolosnos indica a existência de profetas e mestres na Igreja de Antioquia (At. 
13:1). Aos corintos Paulo fava de apóstolos, profetas e mestres (I Co. 12:28). Já aos 
romanos ele fala em profetas, ministros, mestres, exortadores, doadores e 
administradores (Rm 12:7-8). Aos efésios Paulo fava em apóstolos, profetas, 
evangelistas, pastores e mestres (Ef 4:11). O autor da segunda e terceira carta de João se 
identifica como presbítero, que em algumas tradições aparece como ancião. 
 
2 Doutorando em História Política (UERJ) e Mestre em História Social (PUC-RJ) 
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Mesmo com tal diversidade de vivencias, alguns aspectos organizacionais que 
permaneceram na vida da igreja surgiram entre as comunidades cristãs ainda durante o 
primeiro século, como os ofícios dos diáconos, dos presbíteros e dos bispos. O termo 
diácono vem do grego διάκονος e significa servo ou ministro. O ofício tem 
tradicionalmente sua origem quando os apóstolos designaram a sete pessoas para 
servirem as viúvas, como está descrito nos Atos dos Apóstolos capítulo 6. Presbítero 
vem do grego πρεσβύτερος e significa ancião. Possivelmente foi uma influência do 
judaísmo, já que os anciãos compunham a estrutura da sinagoga. O ofício aparece em I 
Tm 5, I Pe 5:1, Tg 5:14, Tt 1:5, III Jo 1:1. Bispo vem do grego επίσκοπος e significa 
supervisor ou superintendente. O termo aparece com cargo em Fp. 1:1, I Tm 3, At 20:28 
e Tt 1:7. 
Segundo Latourette, em diversas comunidades cristãs locais havia mais de um 
bispo e possivelmente no início os termos presbíteros e bispo fossem usados para o 
mesmo ofício (Cf. LATOURETTE, 2006, p. 154), como pode ser visto na carta a Tito 
capítulo primeiro, versos de 5 a 7. 
Para Clemente Romano (c. 35-100), bispo de Roma entre 88 e 97, a distinção 
dos ofícios ainda não era muito clara. Na Primeira carta de Clemente aos coríntios 
encontramos dois ofícios: bispo e diáconos: 
Pregavam [os apóstolos] pelos campos e cidades, e aí produziam suas 
primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos 
e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito 
tempo, Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em 
algum lugar está escrito: “Estabelecerei seus bispos na justiça e seus 
diáconos na fé [Is 60:17]” (1Cm 42). 
 
Sobre os bispos não fica clara se havia distinção para com os presbíteros: 
 
Nossos apóstolos conheciam, da parte do nosso Senhor Jesus Cristo, 
que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, 
prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos 
antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens 
provados lhe sucedessem no ministério. [...] Para nós, não seria culpa 
leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os 
dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que 
percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e 
perfeito” (1Cm 44) 
 
Segundo Roger Haight a parte dominante do cristianismo se tornou uma religião 
urbana. Inicialmente ela se espalhou em direção ao ocidente pela bacia do mar 
Mediterrâneo estabelecendo-se nas grandes cidades e posteriormente seguiu para as 
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cidades pequenas (Cf. HAIGHT, 2010, p. 174). Entre os séculos II e III a igreja 
continuou a se espalhar territorialmente e consequentemente cresceu o número de fiéis. 
Próximo ao fim do século III, nas palavras de Haight, “a igreja já não era formada por 
pequenos grupos amontoados em grandes cidades. Igrejas locais individuais haviam se 
tornado mais complexas, ordenadas e rotinizadas” (HAIGHT, 2010, p. 175). Foi nesse 
contexto de crescimento do cristianismo que se consolidou a figura e o poder dos 
bispos. 
 
2. O surgimento do monoepiscopado 
 
Dois motivos se destacam para emergência do poder episcopal. Primeiro, em 
fins do século I e início do século II cada comunidade de fé local tinha um presbítero ou 
um grupo de presbíteros que a lideravam. Segundo Roger Olson, dentre o grupo de 
presbíteros, um era selecionado para orientar e dirigir os demais presbíteros, servindo 
assim como bispo. A autoridade desses bispos aumentou pois passaram a serem 
responsáveis pelas igrejas que suas congregações originais organizavam. Roma, por 
exemplo, no final do século III, tinha um único bispo que dirigia quarenta congregações 
individuais (Cf. OLSON, 2001, p. 130). O segundo motivo foi o combate a heresia 
durante o século II. Para Justo González à medida que o cristianismo crescia entre os 
não judeus houve a multiplicidade de doutrinas onde se fez necessário a centralização 
da autoridade (Cf. GONZÁLEZ, 1995, p. 155). Em um período em o cânon do Novo 
Testamento ainda estava sendo definido, o argumento teológico de que os bispos eram 
sucessores dos apóstolos contribuiu para a unidade da igreja (Cf. HAIGTH, 2012, p. 
225-6). 
Inácio de Antioquia (c. 35- entre 98 e 107), foi bispo de Antioquia da Síria de 68 
até sua morte. Em suas epistolas dirigidas a igrejas n Ásia Menor fornecem evidências 
do cristianismo o no início do século II. Na epistola aos trálios Inácio afirma que não há 
igreja sem o bispo, os presbíteros e os diáconos: “E reverenciei-os [os diáconos] como 
Cristo Jesus, de cujo lugar eles são os guardiães, assim como o bispo é o representante 
do Pai de todas as coisas e os presbíteros são o sinédrio de Deus e a assembleia dos 
apóstolos de Cristo. À parte destes, não há Igreja eleita, nenhuma congregação de 
santos, nenhuma assembleia de santos.” (Trall 3). Aqui Inácio estabelece um 
paralelismo entre a hierarquia do cosmos e as ordens eclesiais. Roger Haight explica 
esse paralelismo da seguinte forma: “CÉUS (OU COSMOS) = Deus, Cristo, anjos 
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conselheiros, espíritos servidores, humanos; EKKLESIA (OU COMUNIDADE) = 
Cristo, bispo, presbítero, diáconos, membros” (HAIGTH, 2012, p. 184-5). Como a 
ordem divina era o parâmetro, os fiéis foram orientados a se relacionar com as diversas 
funções com a reverencia compatível na ordem divina. Assim a “hierarquia metafísica 
foi trazida com sua obediência religiosa e, portanto, estruturava e consolidava a 
unidade” (HAIGTH, 2012, p. 185). 
Na carta aos filadélfos Inácio tratou da posição e da autoridade do bispo. Ele 
iniciou sua carta afirmando que o bispo foi designado por Deus e não por homens para 
servir a comunidade: “Sei que não foi por simesmo, nem por meios humanos, nem 
tampouco por ambição, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que o 
Bispo obteve a incumbência de estar a serviço da comunidade” (Phil 1). De acordo com 
Roger Haight, em Inácio o papel do bispo compreendia três responsabilidades. A 
primeira é o desempenhar as funções litúrgicas, como presidir a eucaristia. Como a 
igreja local era subdividida em comunidades menores o bispo podia delegar a outros 
essa atribuição. A segunda responsabilidade era a função doutrinal. O bispo é o mestre 
oficial. Ele se contrapõe a heresia. Por fim, a terceira responsabilidade era a autoridade 
governamental. O que o bispo prescreve é a vontade de Deus (Cf. HAIGTH, 2012, p. 
183). Assim, a unidade da comunidade no culto, na doutrina e na organização eram 
asseguradas. Tal unidade centrada na figura do bispo é clara na carta de Inácio aos 
magnésios: “Sede vós sujeitos ao bispo e uns aos outros, como Cristo ao Pai, para que 
haja uma unidade segundo Deus entre vós” (Mag 13). 
A obra Tradição apostólica, atribuída a Hipólito de Roma (c. 170 - c. 236), é 
uma compilação de materiais. Serve como vestígio da organização das comunidades 
cristãs no século III. A Tradição apostólica reconhecia a seguinte ordem eclesial: 
bispos, presbíteros, diáconos, que eram ministérios ordenados, e viúvas, leitores, 
virgens e subdiáconos, que formavam os ministérios não ordenados. No ministério 
ordenado, segundo a obra, os bispos eram escolhidos pelo povo e consagrados pelos 
bispos da região (TA, 2). De acordo com a oração consagratória do bispo percebe-se 
que ele era responsável pela eucaristia, tem autoridade para perdoar pecados e que 
deveria servir noite e dia como ministro. O tema do sacerdócio é afirmado. A associação 
do sacerdócio à bispos e presbíteros surgiu no século II. Para Haigth, “O sacerdócio não 
era uma categoria aplicada ao ministério na igreja neotestamentária” (HAIGTH, 2012, 
p. 228). Tertuliano (c. 160 – c. 220) foi um dos primeiros escritores cristãos a falar 
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dessa relação (Cf. RANKIN, 1995, p. 142 e 190), mas ainda defendia um certo 
sacerdócio laico. 
Os presbíteros eram ordenados pelo bispo e pelos outros presbíteros. Na oração 
ordenatória foram assemelhados os juízes instituídos por Moisés em Êxodo 18. A 
função do presbítero era auxiliar o bispo no governo do povo de Deus. Os diáconos 
eram eleitos, mas eram ordenados apenas pelo bispo, pois “o diácono não está sendo 
ordenado para o sacerdócio, mas apenas para se pôr à serviço do bispo, para executar o 
que este lhe ordenar” (TA, 9). Por isso o diácono não participa do conselho clerical, mas 
cuida da administração, são os executores da vontade do bispo. 
Segundo Kenneth Scott Latourette foi com Inácio no fim do século I que se 
iniciou a aplicação da palavra católica à igreja que gradualmente entrou em uso (Cf. 
LATOURETTE, 2006, p. 172). Frente a heresias como os gnósticos e os marcionitas, o 
adjetivo católico, que quer dizer universal, qualifica a verdadeira igreja. Por isso que no 
credo niceno-constantinopolitano de 381 as qualidades da verdadeira igreja são 
identificadas como: “una, santa, católica e apostólica”. O termo católico que atualmente 
designa uma determinada grupo cristão, surge como um atributo. Assim como ortodoxa, 
que significa “doutrina correta”, passará a designar a igreja grega, após o Cisma do 
Oriente em 1045. 
A obra Sobre a unidade da igreja de Cipriano de Cartago (entre 200 e 210 - 258) 
é mais um vestígio da emergência do poder episcopal. Foi escrito durante a primeira 
perseguição em Cartago e durante um cisma. Cipriano estava escondido e um grupo 
formado por mártires-confessores e de presbíteros advogaram a readmissão dos 
apóstatas à igreja. Segundo Roger Haight e J. Patout Burns, para Cipriano a igreja é una 
e tal unidade repousa em Deus que é sua única fonte. Na história essa unidade foi 
estabelecida sobre Pedro. Para Haigth, o bispo local é comparado a Pedro e não ao papa. 
O poder conferido a Pedro e aos demais apóstolos seria a base da autoridade dos bispos 
em suas igrejas individuais (Cf. HAIGTH, 2012, p. 201). 
Assim fala o Senhor a Pedro: "Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra 
edificarei a minha Igreja e as portas dos infernos não a vencerão. Dar-te-ei as chaves do 
Reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus, e tudo o que 
desligares na terra será desligado também nos céus" (Mt 16,18-19). (Sobre a unidade, 
4,2) 
Sobre um só edificou a sua Igreja. Embora, depois da sua ressurreição, tenha 
comunicado igual poder a todos os Apóstolos, dizendo: "Como o Pai me enviou, eu vos 
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envio a vós. Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão 
perdoados, a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos" (Jo 20,21-23), todavia, para tornar 
manifesta a unidade, dispôs com a sua autoridade que a origem da unidade procedesse 
de um só. (Sobre a unidade, 4,3) 
É verdade que os demais Apóstolos eram o mesmo que Pedro, tendo recebido 
igual parte de honra e de poder, mas a primeira urdidura começa pela unidade a fim de 
que a Igreja de Cristo aparecesse uma só. (Sobre a unidade, 4,4) 
Esta unidade devemos guardar e exigir com firmeza, especialmente nós, bispos, 
que na Igreja presidimos, para dar prova de que o episcopado também é um e indiviso. 
(Sobre a unidade, 5,1) 
Uma só é a ordem episcopal e cada um de nós participa dela completamente. 
Mas a Igreja também é uma, embora, em seu fecundo crescimento, se vá dilatando 
numa multidão sempre maior. (Sobre a unidade, 5,2) 
Existem duas versões da obra Sobre a unidade da igreja. Uma endossa a 
primazia papal e a outra não. Para Haight, Maurice Bévenot, ao traduzir a obra de 
Cipriano em Cyprian: De Lapsis and De Ecclesiae Catholicae Unitate, em 1971, 
entende que Cipriano teria revisado o texto Sobre a unidade da Igreja, após a disputa 
com o bispo de Roma sobre a controvérsia sobre o batismo não defendendo um primado 
jurídico de Roma. 
Em Cipriano o bispo constitui a igreja e se torna o princípio de sua unidade 
juntamente com a caridade e o amor. A unidade universal dela é mantida pela 
comunhão dos bispos. Fora da igreja, seja em caráter local personificada por seu bispo, 
seja em caráter universal concretizada na comunhão dos bispos, não há salvação. Ou 
seja, para Cipriano, nas igrejas cismáticas não há salvação. Para o autor o processo de 
eleição do bispo, que deveria ser conduzido pelos bispos da província e aprovado por 
eles. Este poderia, para Hipólito ser legitimamente deposto pelo povo. 
Podemos perceber que os ministérios tripartites de bispo, presbítero e diácono 
que Inácio de Antioquia falou, já estavam consolidados na época de Hipólito e Cipriano. 
O bispo era “verdadeiramente monárquico” (HAIGTH, 2012, p. 208), uma vez que que 
presidia a comunidade em sua vida litúrgica, a ordenação dos presbíterose dos 
diáconos, a instrução dos catecúmenos (aqueles que vão se batizar), acompanhava as 
pessoas que voltavam a comunhão, era o responsável pela administração das finanças da 
comunidade, presidente do conselho presbiteral e o elemento que ligava aquela igreja 
local as outras igrejas locais (Cf. HAIGTH, 2012, p. 208). Assim, entre os séculos II e 
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III houve uma separação entre clero e leigos na igreja. O que William Hugh 
Clifford Frend chamou de “clericalização da vida eclesiástica” (FREND, 1984, p. 405-
7) 
Neste período igreja era entendida como a comunidade eucarística local onde o 
bispo é o “mediador do poder divino da unidade na liturgia e no sacramento” 
(HAIGTH, 2012, p. 218). Assim só podia haver uma única igreja em qualquer cidade. 
Como para ser salvo era necessário partilhar da fé da comunidade e estar submetido a 
um bispo, a missão central da igreja era trazer pessoas para o seu meio. Assim a igreja 
também como uma comunidade de salvação. 
Segundo Roger Haigth, “As igrejas, em toda a parte do império, eram plurais e 
diferentes. Mas esse pluralismo permanecia em tensão com um senso de pertença a um 
movimento mais amplo que se propagava em todo o império” (HAIGTH, 2012, p. 223). 
As igrejas locais não eram autônomas, pois dependiam dos líderes das igrejas vizinhas 
para estabelecer ou remover seu bispo. Compunham uma espécie de “federação” de 
igrejas. Assim a igreja em sentido amplo era una. 
 
3. Mudanças no século IV: a igreja pós Constantino 
 
Nos dois primeiros séculos da era cristã o Império Romano vivenciou o período 
de relativa estabilidade e crescimento econômico, conhecido como Pax Romana. Foi 
neste período que o cristianismo surgiu e se espalhou pelo império. Com o fim das 
guerras de conquista no século II a direção imperial priorizou a manutenção do território 
conquistado. Como a mão de obra, especialmente na península itálica, era basicamente 
escrava, o fim das guerras de conquistas e a ampliação da cidadania romana a povos 
conquistados iniciou uma crise que se prolongou até o século V. 
Como resposta a crise, em fins do século III, entre 285 e 286 o imperador 
Diocleciano (entre 243 e 245-305) implementou a diarquia, onde partilhava o poder. 
Para isso dividiu o Império Romano em duas partes: o Império Romano do Ocidente e o 
Império Romano do Oriente. Em 293 o imperador instaurou a tetarquia, onde o poder 
passava a ser divido entre quatro titulares. Cada parte do império contava com um 
augusto e um césar. 
Em 306 Constâncio I morreu. Ele havia sido nomeado césar por volta de 293 e 
proclamado augusto em 305. Com sua morte suas tropas proclamaram seu filho, 
Constantino (272-337), como imperador do Ocidente. Este só assumiu o poder de fato 
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após ser vitorioso em Roma 312. Assim, em 313 Constantino e Licínio (c. 250-325), 
imperador da porção oriental, assinaram o Édito de Milão que pós fim a perseguição aos 
cristãos e declarou a liberdade de culto. O século IV marcou o cristianismo, pois se em 
seu alvorecer houve uma das maiores perseguições aos cristãos, em seu final o 
cristianismo era a religião oficial do Império Romano. Isso se deve ao Édito de 
Tessalônica assinado pelos imperadores Teodósio I (347-395), imperador do Oriente, e 
Graciano (359-383), imperador do Ocidente. 
Constantino deu propriedades a igreja, construiu templos, deu isenção de 
impostos a igreja e ao clero, deu status cívico ao clero. Atribuiu a igreja 
responsabilidade de assistir aos pobres. Ele ainda outorgou jurisdição aos tribunais 
eclesiásticos para resolver certos conflitos legais. Assim, Constantino tornou a igreja um 
instrumento na engrenagem social do império. Ele também assumiu certa liderança na 
igreja ao administrar algumas crises religiosas, como a querela donatista. Foi 
estabelecida uma nova relação entre a igreja e o império. 
Constantino convocou o Concílio de Nicéa em 325. Um dos principais assuntos 
foi o arianismo. Mas esse concílio também estabeleceu algumas regras sobre a 
hierarquia da igreja. O concílio estabeleceu que os bispos de cada província civil do 
império deveriam se submeter ao bispo da capital da província, o bispo metropolita, 
mais tarde chamado de arcebispo. O cânone 6 do concílio reconheceu como superiores 
os metropolitas exercido pelos bispos de Roma, Alexandria e Antioquia e estabeleceu 
uma honra especial ao bispo de Jerusalém, no cânone 7. O Concílio também estabeleceu 
a jurisdição dos metropolitas: 
O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim 
como o bispo Romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de 
Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo 
contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo 
com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá 
força. 
O bispo de Aélia [Jerusalém] seja honorificado, preservando-se intactos os 
direitos da Metrópole. (Cânones 6 e 7) 
No Primeiro Concílio de Constantinopla, convocado por Teodósio em 381, foi 
estabelecida a prerrogativa de honra do bispo de Constantinopla. O Primeiro Concílio 
de Éfeso de 431 e o Concílio de Calcedônia de 451 trataram sobre a jurisdição desses 
bispos. O imperador oriental Justiniano I (482-565) utilizou o termo “patriarca” 
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exclusivamente para os bispos de Roma, Constantinopla, Alexandria, Atioquia e 
Jerusalém e especificou suas funções de acordo com a reorganização do direito romano. 
Assim, nos séculos IV e V, surgiu o sistema patriarcal. Acima dos bispos das cidades 
estava os bispos metropolitas, e acima deles os patriarcas. Esse sistema contribuiu para 
a existência de uma pentarquia, onde o poder na igreja universal estava dividido entre os 
cinco patriarcas. O bispo de Roma não aceitou tal divisão de poder e defendeu uma 
monarquia onde ele esteva a frente da igreja. 
 
Conclusão 
 
No início do cristianismo não havia um padrão de governo eclesiástico. Ainda 
no primeiro século surgiram três ofícios que ao longo do tempo se tornaram importantes 
na vida eclesiástica: os diáconos, os presbíteros e os bispos. Estes dois últimos, no início 
não tinham uma clara distinção. Conforme o cristianismo ia crescendo a organização 
das igrejas locais foram ficando mais complexas. 
Na virada do século I para oséculo II a figura do bispo começou a se consolidar 
como distinta ao presbítero. Eles passaram a exercer uma supervisão sobre os 
presbitérios e a dirigirem a comunidade cristã local. No século II durante o combate as 
heresias o bispo foi visto como responsável pela reta doutrina e pela manutenção da 
unidade da igreja. Isso contribuiu na centralidade da figura do bispo na vida da igreja 
local. Os escritos de Inácio de Antioquia, Hipólito de Roma e Cipriano de Cartago são 
importantes vestígios históricos da consolidação do papel dos bispos neste período. É 
ainda no contexto do combate às heresias do segundo século que o termo “católico” 
começa a ser empregado para qualificar a igreja verdadeira. Mas não nomeia ainda uma 
igreja em particular. 
No século II começou a associação entre o clero, presbíteros e bispos, com a 
figura do sacerdote. Isto colaborou na consolidação do poder monoepiscopal, ou como 
também é chamado, do bispo monárquico. Tal consolidação contribuiu para que entre os 
séculos II e III houvesse um distanciamento entre o clero e os leigos. 
No século IV Constantino além de conceder liberdade de culto aos cristãos, 
transforma a estrutura eclesiástica em engrenagem do império. Nessa relação ele passa a 
ser o protetor da igreja e exerce liderança na luta contra a heresia. Foi durante o governo 
de Constantino, em 325, que se estabeleceu que os bispos de cada província deveriam se 
submeter ao bispo da capital da província, o bispo metropolita (arcebispo). Ganharam 
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destaque os bispos de Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Em 381 o bispo de 
Constantinopla também obteve lugar de honra. Com o imperador oriental Justiniano I 
esses bispo foram chamados de patriarcas, superiores aos bispos metropolitas. Tal 
postura foi contestada pelo bispo de Roma que defendia um governo eclesiástico 
monárquico. 
 
 
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