Prévia do material em texto
SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 Pós-Graduação em História do Cristianismo e do Pensamento Cristão https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 MÓDULO 2: HISTÓRIA DA IGREJA E DO PENSAMENTO CRISTÃO NA MEDIEVALIDADE História do Cristianismo e História do Pensamento Cristão na Idade Média: a formação da Medievalidade (séc. V-X) Professor Me. Lucas Gesta1 AULA 01 – A FORMAÇÃO DA MEDIEVALIDADE p.1 1. O conceito de “Idade Média” O conceito de uma “Idade Média”, em si, já carrega um valor pejorativo como um espaço intermediário entre dois “importantes” períodos – a Antiguidade greco- romana e a “Modernidade”. Este é um termo consolidado no século XV, sobretudo pelos autores humanistas. Os iluministas a partir do século XVIII colocaram esse período como “Idade das Trevas”, onde não brilharia a “luz” do conhecimento através da razão científica. 1.2. Divisão do período medieval A Idade Média é um conceito classificado entre a Queda de Roma (476 d.C.) e a Queda de Constantinopla (1453 d.C.). Podemos dividir esse período didaticamente em três: Primeira Idade Média: da metade do século V ao século X – período que engloba a queda do Império Romano às últimas invasões bárbaras. Alta Idade Média: do século X à metade do século XIII – período de consolidação do feudalismo e demais instituições medievais. 1 Doutorando em História Política (UERJ). Mestre em História Social (UNIRIO). Master in Biblical and Ministries Studies (FABAT/STBSB). Especialista em História da Igreja (FAECAD). Coordenador da Pós-Graduação em História do Cristianismo e do Pensamento Cristão da FABAT/STBSB. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 Baixa Idade Média: da metade do século XIII ao século XV – período de declínio da Idade Média e suas instituições, bem como de crise de transição para a Idade Moderna. 2. A Primeira Idade Média (séc. V – X) Os séculos IV e V marcaram o a queda do Império Romano no Ocidente com as invasões sucessivas dos povos “bárbaros”, aqueles que não falavam latim e não compartilhavam da cultura greco-romana. Em 410, os godos tomaram e saquearam Roma. Em 476, o general germânico Odoacro depôs o último imperador romano, Rômulo Augusto e tomou seu lugar. 2.1. Consequências das invasões bárbaras Observamos o desaparecimento em certa medida da antiga cultura greco- romana; o recrudescimento inicial dos avanços tecnológicos, culturais, sociais, políticos e econômicos do Império Romano; o desaparecimento do latim e grego nos vernáculos populares e também o aparecimento de escritos nas línguas vernáculas. Em relação à cultura, há a desestruturação e desaparecimento (ou posterior incorporação sob sincretismo) das antigas religiões greco-romanas; as línguas, culturas, formas de política, economia e religião dos povos invasores serão fundidas, incorporadas, reinterpretadas, formando as regiões e países que constituem hoje a Europa. Há um progressivo movimento de regionalização das leis e desaparecimento da noção de cidadania, substituída por laços individuais; conservação parcial das artes limitando-se à utilização cristã. Por fim, o desaparecimento ou destruição de rotas comerciais terrestres e marítimas e isolamento do Ocidente vai gerar a cada vez maior separação entre a Igreja do Ocidente com a do Oriente. 3. Teologia Ocidental no final da Antiguidade A teologia ocidental no final da Antiguidade se vê marcada pelas intensas disputas políticas entre imperadores e bispos, sejam arianos ou nicenos. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 Apesar de não experimentar grandes controvérsias cristológicas, o arianismo dominava não apenas setores das antigas igrejas do mundo romano, mas também entre povos bárbaros convertidos. Logo, já que nenhum partido teológico cederia naquele momento a novos debates, o campo eclesiológico dominará as inovações teológicas do Ocidente. 3.1 Ambrósio de Milão Ambrósio (340-397) provinha de família nobre e rica e era governador de Milão quando o bispo ariano Auxêncio faleceu. Para evitar derramamento de sangue, ele foi até a igreja onde seria a eleição, controlando a multidão com a sua oratória impecável e saindo de lá aos gritos de “Ambrósio bispo!”. O clamor do povo foi tão grande que ele se fez batizar e no transcorrer de uma semana foi de leitor a bispo, em 373. Seu episcopado foi marcado pela luta contra o arianismo, as invasões bárbaras e as relações políticas, tendo influenciado profundamente o imperador Teodósio I. Foi sua pregação que levou decisivamente à conversão de Santo Agostinho de Hipona. Durante seu episcopado, conseguiu que a fé nicena triunfasse na Itália, além de ter sido um grande pregador e liturgista. Combateu o paganismo com todas as forças trazendo o Cristianismo a um caráter nacional e político. Lutou pelo direito exclusivo da Igreja em face do paganismo e de outras heterodoxias como também pela independência dessa em relação ao Estado. Foi o primeiro bispo a ser solicitado por imperadores para sustentar seu trono e o primeiro a colocar um imperador em penitência pública. Ele pode ser considerado como um teólogo de transição no Ocidente, entre a Igreja Antiga e a Igreja Medieval. Suas obras teológicas constatam uma grande influência dos pais gregos, e da exegese alexandrina, sendo grandemente influenciado por Fílon e Orígenes. A maior parte de suas obras são pregações, sermões e obras de interesse prático, pouco inclinado à especulação teológica e demonstrando caráter teológico prático, como em geral é a teologia do Ocidente. Sua interpretação bíblica é dependente de Fílon e Orígenes, dando grande destaque à exegese alegórica e moralizante. Quase a totalidade de suas obras se baseiam no Antigo Testamento. Um exemplo prático é a comparação da arca de Noé com o corpo humano, e os animais nela aos pecados. Outro é associar God, em Ezequiel ao povo godo. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCASEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 Em relação a moral e ética, escreveu a primeira obra sinótica de ética cristã da História, baseando-se em Cícero. Exaltou a virgindade e o estado delas consagradas a Deus. Em relação a dogmática defendeu a divindade do Filho contra os arianos e a integral divindade do Espírito Santo contra os macedonianos. Se refere ao Espírito como procedente do Pai e do Filho, mas em relação à economia, e não à processão intratrinitária. Na Cristologia defendeu a verdadeira humanidade de Cristo contra os docetistas, maniqueus e apolinaristas. Para ele, Cristo é um só em ambas as naturezas, e completo nas duas. Estabeleceu os anjos como instrumentos de Deus para sua vontade salvífica. Como em Orígenes, aceitava anjos da guarda de Igrejas, categorias sociais e até de um anjo custódio para cada homem. Na Mariologia afirmou que esta era incorrupta, pois apesar de ter em si o pecado original, era isenta de pecado pessoal. Delineou uma tipologia de Maria e sua vida como escola de virtude: ela é a nova Eva, portadora da salvação, que venceu o demônio. Em relação a eclesiologia atacou o rigorismo dos novacianos, mas estabeleceu que a disciplina penitencial só poderia ser feita apenas uma vez. Além disso, somente a Igreja pode perdoar os pecados. O homem está em um estado de culpabilidade herdado do pecado original e, por isso, todos devem ser batizados, inclusive as crianças. Nos seus escritos vemos pela primeira vez o uso da palavra “missa” para a liturgia eucarística, e seu caráter sacrificial. A penitência pública é admitida apenas uma vez. Existe um segundo grau de penitência, para os pecados não-graves, a qual deve ser feita todos os dias particularmente Mantém a sucessão apostólica, porém, particularmente colocando a Igreja em Roma como cabeça da sociedade romana, e de onde provém a autoridade eclesiástica. Pedro teria o primeiro lugar entre os apóstolos, assim como a Igreja de Roma entre as igrejas. Em relação a soteriologia, para ele, as almas de todos os defuntos vão passar pelas chamas. Os justos, porém, passam como Israel atravessando o Mar Vermelho. Os injustos permanecem no fogo eterno. O fogo dos justos é um fogo purificador, para poderem entrar no Paraíso. Há um aspecto origenista, pois acredita em uma esperança de salvação para os injustos e também uma redenção para os justos que morreram em https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 pecado mortal sem confessá-lo. Em ambos os casos, vemos uma semente da ideia de purgatório nascendo. Em relação a liturgia Ambrósio era um grande autor de hinos e compositor, tendo como inspiração a melodia litúrgica grega. Introduziu o canto popular na liturgia e instituiu o canto dos hinos e antifônico dos Salmos. Exteriorizou a veneração à cruz e os cravos de Cristo, o culto aos anjos, santos, mártires e relíquias. Mas a estes só é devido veneração e não adoração, que é somente à Trindade. Nas orações fúnebres fez prece intercessória pelos mortos e ofereceu sacrifício eucarístico por eles. BIBLIOGRAFIA BÁSICA ALTANER, B.; STUIBER, A. Patrologia: Vida, Obras e Doutrina dos Padres da Igreja. 2.ed. São Paulo: Paulinas, 1988. BETTENSON, H. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 2011. DROBNER, H.R. Manual de Patrologia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. GONZÁLEZ, J. L. História ilustrada do cristianismo. A era dos mártires até a era dos sonhos frustrados. 2. ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2011. ____. Uma História do Pensamento Cristão: de Agostinho às vésperas da Reforma. Vol. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2015. ____. Retorno à História do Pensamento Cristão. São Paulo: Hagnos, 2011. IRVIN, D. & SUNQUIST, S. História do movimento cristão mundial. Vol. 1: do cristianismo primitivo a 1453. São Paulo: Paulus, 2004. KAUFMANN, T; et alli (org). História Ecumênica da Igreja. Dos primórdios até a Idade Média. São Paulo: Paulus; São Leopoldo: Sinodal; São Paulo: Loyola, 2012. LIÉBAERT, Jacques. Os Padres da Igreja. Séculos I-IV. São Paulo: Edições Loyola, 2000. PADOVESE, L. Introdução à Teologia Patrística. São Paulo: Edições Loyola, 1999. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 PELIKAN, Jaroslav. A tradição cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina. Vol. 1. O surgimento da tradição católica (100-600). São Paulo: Shedd Publicações, 2014. ____ ____. A tradição cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina. Vol. 3. O desenvolvimento da teologia medieval (600-1300). São Paulo: Shedd Publicações, 2015. SPANNEUT, M. Os Padres da Igreja. Volume 2 [séculos IV-VIII]. 2.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2013. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 MÓDULO 2: HISTÓRIA DA IGREJA E DO PENSAMENTO CRISTÃO NA MEDIEVALIDADE Tópicos Especiais em Estudos na Idade Média Cristã I: A Institucionalização do Catolicismo Professor Me. Vitor Hugo2 AULA 03 – A Formação do Papado p.1 1. Hierarquia no Século 1 Seguindo as rotas comerciais, pelas estradas romanas e pelas rotas marítimas, o cristianismo foi difundido para além de seu ambiente inicial palestino-judaico atingindo o mundo romano. Assim durante o século I surgiram as primeiras comunidades cristãs. Para Kenneth Scott Latourette, durante as três primeiras gerações as comunidades cristãs apresentavam uma grande variedade sem um “padrão abrangente e uniforme de prática e de governo de igreja" (LATOURETTE, 2006, p. 153). Por isso as formas exatas que tinham são motivos de debates. Alguns líderes cristãos partilhavam de um ideal de unidade. A Igreja de Jerusalém inicialmente exerceu um papel de unidade como no caso do primeiro concílio cristão narrado no livro dos Atos dos Apóstolos capítulo 15, durante o ano 51. Sua centralidade se dava mais devido ao seu prestígio como centro primeiro do cristianismo do que a seu poder. Ela não tinha um aparato administrativo que pudesse manter as novas comunidades unidas. A jurisdição ode Paulo sobre as igrejas que fundou é outro exemplo desse ideal de unidade. Contudo, não havia um padrão organizacional que permeasse todo o cristianismo, seja a nível local, seja a nível geral ou universal. Sobre a organização das comunidades locais o autor do livro dos Atos dos Apóstolosnos indica a existência de profetas e mestres na Igreja de Antioquia (At. 13:1). Aos corintos Paulo fava de apóstolos, profetas e mestres (I Co. 12:28). Já aos romanos ele fala em profetas, ministros, mestres, exortadores, doadores e administradores (Rm 12:7-8). Aos efésios Paulo fava em apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4:11). O autor da segunda e terceira carta de João se identifica como presbítero, que em algumas tradições aparece como ancião. 2 Doutorando em História Política (UERJ) e Mestre em História Social (PUC-RJ) https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 Mesmo com tal diversidade de vivencias, alguns aspectos organizacionais que permaneceram na vida da igreja surgiram entre as comunidades cristãs ainda durante o primeiro século, como os ofícios dos diáconos, dos presbíteros e dos bispos. O termo diácono vem do grego διάκονος e significa servo ou ministro. O ofício tem tradicionalmente sua origem quando os apóstolos designaram a sete pessoas para servirem as viúvas, como está descrito nos Atos dos Apóstolos capítulo 6. Presbítero vem do grego πρεσβύτερος e significa ancião. Possivelmente foi uma influência do judaísmo, já que os anciãos compunham a estrutura da sinagoga. O ofício aparece em I Tm 5, I Pe 5:1, Tg 5:14, Tt 1:5, III Jo 1:1. Bispo vem do grego επίσκοπος e significa supervisor ou superintendente. O termo aparece com cargo em Fp. 1:1, I Tm 3, At 20:28 e Tt 1:7. Segundo Latourette, em diversas comunidades cristãs locais havia mais de um bispo e possivelmente no início os termos presbíteros e bispo fossem usados para o mesmo ofício (Cf. LATOURETTE, 2006, p. 154), como pode ser visto na carta a Tito capítulo primeiro, versos de 5 a 7. Para Clemente Romano (c. 35-100), bispo de Roma entre 88 e 97, a distinção dos ofícios ainda não era muito clara. Na Primeira carta de Clemente aos coríntios encontramos dois ofícios: bispo e diáconos: Pregavam [os apóstolos] pelos campos e cidades, e aí produziam suas primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: “Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé [Is 60:17]” (1Cm 42). Sobre os bispos não fica clara se havia distinção para com os presbíteros: Nossos apóstolos conheciam, da parte do nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens provados lhe sucedessem no ministério. [...] Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito” (1Cm 44) Segundo Roger Haight a parte dominante do cristianismo se tornou uma religião urbana. Inicialmente ela se espalhou em direção ao ocidente pela bacia do mar Mediterrâneo estabelecendo-se nas grandes cidades e posteriormente seguiu para as https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 cidades pequenas (Cf. HAIGHT, 2010, p. 174). Entre os séculos II e III a igreja continuou a se espalhar territorialmente e consequentemente cresceu o número de fiéis. Próximo ao fim do século III, nas palavras de Haight, “a igreja já não era formada por pequenos grupos amontoados em grandes cidades. Igrejas locais individuais haviam se tornado mais complexas, ordenadas e rotinizadas” (HAIGHT, 2010, p. 175). Foi nesse contexto de crescimento do cristianismo que se consolidou a figura e o poder dos bispos. 2. O surgimento do monoepiscopado Dois motivos se destacam para emergência do poder episcopal. Primeiro, em fins do século I e início do século II cada comunidade de fé local tinha um presbítero ou um grupo de presbíteros que a lideravam. Segundo Roger Olson, dentre o grupo de presbíteros, um era selecionado para orientar e dirigir os demais presbíteros, servindo assim como bispo. A autoridade desses bispos aumentou pois passaram a serem responsáveis pelas igrejas que suas congregações originais organizavam. Roma, por exemplo, no final do século III, tinha um único bispo que dirigia quarenta congregações individuais (Cf. OLSON, 2001, p. 130). O segundo motivo foi o combate a heresia durante o século II. Para Justo González à medida que o cristianismo crescia entre os não judeus houve a multiplicidade de doutrinas onde se fez necessário a centralização da autoridade (Cf. GONZÁLEZ, 1995, p. 155). Em um período em o cânon do Novo Testamento ainda estava sendo definido, o argumento teológico de que os bispos eram sucessores dos apóstolos contribuiu para a unidade da igreja (Cf. HAIGTH, 2012, p. 225-6). Inácio de Antioquia (c. 35- entre 98 e 107), foi bispo de Antioquia da Síria de 68 até sua morte. Em suas epistolas dirigidas a igrejas n Ásia Menor fornecem evidências do cristianismo o no início do século II. Na epistola aos trálios Inácio afirma que não há igreja sem o bispo, os presbíteros e os diáconos: “E reverenciei-os [os diáconos] como Cristo Jesus, de cujo lugar eles são os guardiães, assim como o bispo é o representante do Pai de todas as coisas e os presbíteros são o sinédrio de Deus e a assembleia dos apóstolos de Cristo. À parte destes, não há Igreja eleita, nenhuma congregação de santos, nenhuma assembleia de santos.” (Trall 3). Aqui Inácio estabelece um paralelismo entre a hierarquia do cosmos e as ordens eclesiais. Roger Haight explica esse paralelismo da seguinte forma: “CÉUS (OU COSMOS) = Deus, Cristo, anjos https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 conselheiros, espíritos servidores, humanos; EKKLESIA (OU COMUNIDADE) = Cristo, bispo, presbítero, diáconos, membros” (HAIGTH, 2012, p. 184-5). Como a ordem divina era o parâmetro, os fiéis foram orientados a se relacionar com as diversas funções com a reverencia compatível na ordem divina. Assim a “hierarquia metafísica foi trazida com sua obediência religiosa e, portanto, estruturava e consolidava a unidade” (HAIGTH, 2012, p. 185). Na carta aos filadélfos Inácio tratou da posição e da autoridade do bispo. Ele iniciou sua carta afirmando que o bispo foi designado por Deus e não por homens para servir a comunidade: “Sei que não foi por simesmo, nem por meios humanos, nem tampouco por ambição, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que o Bispo obteve a incumbência de estar a serviço da comunidade” (Phil 1). De acordo com Roger Haight, em Inácio o papel do bispo compreendia três responsabilidades. A primeira é o desempenhar as funções litúrgicas, como presidir a eucaristia. Como a igreja local era subdividida em comunidades menores o bispo podia delegar a outros essa atribuição. A segunda responsabilidade era a função doutrinal. O bispo é o mestre oficial. Ele se contrapõe a heresia. Por fim, a terceira responsabilidade era a autoridade governamental. O que o bispo prescreve é a vontade de Deus (Cf. HAIGTH, 2012, p. 183). Assim, a unidade da comunidade no culto, na doutrina e na organização eram asseguradas. Tal unidade centrada na figura do bispo é clara na carta de Inácio aos magnésios: “Sede vós sujeitos ao bispo e uns aos outros, como Cristo ao Pai, para que haja uma unidade segundo Deus entre vós” (Mag 13). A obra Tradição apostólica, atribuída a Hipólito de Roma (c. 170 - c. 236), é uma compilação de materiais. Serve como vestígio da organização das comunidades cristãs no século III. A Tradição apostólica reconhecia a seguinte ordem eclesial: bispos, presbíteros, diáconos, que eram ministérios ordenados, e viúvas, leitores, virgens e subdiáconos, que formavam os ministérios não ordenados. No ministério ordenado, segundo a obra, os bispos eram escolhidos pelo povo e consagrados pelos bispos da região (TA, 2). De acordo com a oração consagratória do bispo percebe-se que ele era responsável pela eucaristia, tem autoridade para perdoar pecados e que deveria servir noite e dia como ministro. O tema do sacerdócio é afirmado. A associação do sacerdócio à bispos e presbíteros surgiu no século II. Para Haigth, “O sacerdócio não era uma categoria aplicada ao ministério na igreja neotestamentária” (HAIGTH, 2012, p. 228). Tertuliano (c. 160 – c. 220) foi um dos primeiros escritores cristãos a falar https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 dessa relação (Cf. RANKIN, 1995, p. 142 e 190), mas ainda defendia um certo sacerdócio laico. Os presbíteros eram ordenados pelo bispo e pelos outros presbíteros. Na oração ordenatória foram assemelhados os juízes instituídos por Moisés em Êxodo 18. A função do presbítero era auxiliar o bispo no governo do povo de Deus. Os diáconos eram eleitos, mas eram ordenados apenas pelo bispo, pois “o diácono não está sendo ordenado para o sacerdócio, mas apenas para se pôr à serviço do bispo, para executar o que este lhe ordenar” (TA, 9). Por isso o diácono não participa do conselho clerical, mas cuida da administração, são os executores da vontade do bispo. Segundo Kenneth Scott Latourette foi com Inácio no fim do século I que se iniciou a aplicação da palavra católica à igreja que gradualmente entrou em uso (Cf. LATOURETTE, 2006, p. 172). Frente a heresias como os gnósticos e os marcionitas, o adjetivo católico, que quer dizer universal, qualifica a verdadeira igreja. Por isso que no credo niceno-constantinopolitano de 381 as qualidades da verdadeira igreja são identificadas como: “una, santa, católica e apostólica”. O termo católico que atualmente designa uma determinada grupo cristão, surge como um atributo. Assim como ortodoxa, que significa “doutrina correta”, passará a designar a igreja grega, após o Cisma do Oriente em 1045. A obra Sobre a unidade da igreja de Cipriano de Cartago (entre 200 e 210 - 258) é mais um vestígio da emergência do poder episcopal. Foi escrito durante a primeira perseguição em Cartago e durante um cisma. Cipriano estava escondido e um grupo formado por mártires-confessores e de presbíteros advogaram a readmissão dos apóstatas à igreja. Segundo Roger Haight e J. Patout Burns, para Cipriano a igreja é una e tal unidade repousa em Deus que é sua única fonte. Na história essa unidade foi estabelecida sobre Pedro. Para Haigth, o bispo local é comparado a Pedro e não ao papa. O poder conferido a Pedro e aos demais apóstolos seria a base da autoridade dos bispos em suas igrejas individuais (Cf. HAIGTH, 2012, p. 201). Assim fala o Senhor a Pedro: "Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas dos infernos não a vencerão. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado também nos céus" (Mt 16,18-19). (Sobre a unidade, 4,2) Sobre um só edificou a sua Igreja. Embora, depois da sua ressurreição, tenha comunicado igual poder a todos os Apóstolos, dizendo: "Como o Pai me enviou, eu vos https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 envio a vós. Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos" (Jo 20,21-23), todavia, para tornar manifesta a unidade, dispôs com a sua autoridade que a origem da unidade procedesse de um só. (Sobre a unidade, 4,3) É verdade que os demais Apóstolos eram o mesmo que Pedro, tendo recebido igual parte de honra e de poder, mas a primeira urdidura começa pela unidade a fim de que a Igreja de Cristo aparecesse uma só. (Sobre a unidade, 4,4) Esta unidade devemos guardar e exigir com firmeza, especialmente nós, bispos, que na Igreja presidimos, para dar prova de que o episcopado também é um e indiviso. (Sobre a unidade, 5,1) Uma só é a ordem episcopal e cada um de nós participa dela completamente. Mas a Igreja também é uma, embora, em seu fecundo crescimento, se vá dilatando numa multidão sempre maior. (Sobre a unidade, 5,2) Existem duas versões da obra Sobre a unidade da igreja. Uma endossa a primazia papal e a outra não. Para Haight, Maurice Bévenot, ao traduzir a obra de Cipriano em Cyprian: De Lapsis and De Ecclesiae Catholicae Unitate, em 1971, entende que Cipriano teria revisado o texto Sobre a unidade da Igreja, após a disputa com o bispo de Roma sobre a controvérsia sobre o batismo não defendendo um primado jurídico de Roma. Em Cipriano o bispo constitui a igreja e se torna o princípio de sua unidade juntamente com a caridade e o amor. A unidade universal dela é mantida pela comunhão dos bispos. Fora da igreja, seja em caráter local personificada por seu bispo, seja em caráter universal concretizada na comunhão dos bispos, não há salvação. Ou seja, para Cipriano, nas igrejas cismáticas não há salvação. Para o autor o processo de eleição do bispo, que deveria ser conduzido pelos bispos da província e aprovado por eles. Este poderia, para Hipólito ser legitimamente deposto pelo povo. Podemos perceber que os ministérios tripartites de bispo, presbítero e diácono que Inácio de Antioquia falou, já estavam consolidados na época de Hipólito e Cipriano. O bispo era “verdadeiramente monárquico” (HAIGTH, 2012, p. 208), uma vez que que presidia a comunidade em sua vida litúrgica, a ordenação dos presbíterose dos diáconos, a instrução dos catecúmenos (aqueles que vão se batizar), acompanhava as pessoas que voltavam a comunhão, era o responsável pela administração das finanças da comunidade, presidente do conselho presbiteral e o elemento que ligava aquela igreja local as outras igrejas locais (Cf. HAIGTH, 2012, p. 208). Assim, entre os séculos II e https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 III houve uma separação entre clero e leigos na igreja. O que William Hugh Clifford Frend chamou de “clericalização da vida eclesiástica” (FREND, 1984, p. 405- 7) Neste período igreja era entendida como a comunidade eucarística local onde o bispo é o “mediador do poder divino da unidade na liturgia e no sacramento” (HAIGTH, 2012, p. 218). Assim só podia haver uma única igreja em qualquer cidade. Como para ser salvo era necessário partilhar da fé da comunidade e estar submetido a um bispo, a missão central da igreja era trazer pessoas para o seu meio. Assim a igreja também como uma comunidade de salvação. Segundo Roger Haigth, “As igrejas, em toda a parte do império, eram plurais e diferentes. Mas esse pluralismo permanecia em tensão com um senso de pertença a um movimento mais amplo que se propagava em todo o império” (HAIGTH, 2012, p. 223). As igrejas locais não eram autônomas, pois dependiam dos líderes das igrejas vizinhas para estabelecer ou remover seu bispo. Compunham uma espécie de “federação” de igrejas. Assim a igreja em sentido amplo era una. 3. Mudanças no século IV: a igreja pós Constantino Nos dois primeiros séculos da era cristã o Império Romano vivenciou o período de relativa estabilidade e crescimento econômico, conhecido como Pax Romana. Foi neste período que o cristianismo surgiu e se espalhou pelo império. Com o fim das guerras de conquista no século II a direção imperial priorizou a manutenção do território conquistado. Como a mão de obra, especialmente na península itálica, era basicamente escrava, o fim das guerras de conquistas e a ampliação da cidadania romana a povos conquistados iniciou uma crise que se prolongou até o século V. Como resposta a crise, em fins do século III, entre 285 e 286 o imperador Diocleciano (entre 243 e 245-305) implementou a diarquia, onde partilhava o poder. Para isso dividiu o Império Romano em duas partes: o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente. Em 293 o imperador instaurou a tetarquia, onde o poder passava a ser divido entre quatro titulares. Cada parte do império contava com um augusto e um césar. Em 306 Constâncio I morreu. Ele havia sido nomeado césar por volta de 293 e proclamado augusto em 305. Com sua morte suas tropas proclamaram seu filho, Constantino (272-337), como imperador do Ocidente. Este só assumiu o poder de fato https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 após ser vitorioso em Roma 312. Assim, em 313 Constantino e Licínio (c. 250-325), imperador da porção oriental, assinaram o Édito de Milão que pós fim a perseguição aos cristãos e declarou a liberdade de culto. O século IV marcou o cristianismo, pois se em seu alvorecer houve uma das maiores perseguições aos cristãos, em seu final o cristianismo era a religião oficial do Império Romano. Isso se deve ao Édito de Tessalônica assinado pelos imperadores Teodósio I (347-395), imperador do Oriente, e Graciano (359-383), imperador do Ocidente. Constantino deu propriedades a igreja, construiu templos, deu isenção de impostos a igreja e ao clero, deu status cívico ao clero. Atribuiu a igreja responsabilidade de assistir aos pobres. Ele ainda outorgou jurisdição aos tribunais eclesiásticos para resolver certos conflitos legais. Assim, Constantino tornou a igreja um instrumento na engrenagem social do império. Ele também assumiu certa liderança na igreja ao administrar algumas crises religiosas, como a querela donatista. Foi estabelecida uma nova relação entre a igreja e o império. Constantino convocou o Concílio de Nicéa em 325. Um dos principais assuntos foi o arianismo. Mas esse concílio também estabeleceu algumas regras sobre a hierarquia da igreja. O concílio estabeleceu que os bispos de cada província civil do império deveriam se submeter ao bispo da capital da província, o bispo metropolita, mais tarde chamado de arcebispo. O cânone 6 do concílio reconheceu como superiores os metropolitas exercido pelos bispos de Roma, Alexandria e Antioquia e estabeleceu uma honra especial ao bispo de Jerusalém, no cânone 7. O Concílio também estabeleceu a jurisdição dos metropolitas: O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo Romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força. O bispo de Aélia [Jerusalém] seja honorificado, preservando-se intactos os direitos da Metrópole. (Cânones 6 e 7) No Primeiro Concílio de Constantinopla, convocado por Teodósio em 381, foi estabelecida a prerrogativa de honra do bispo de Constantinopla. O Primeiro Concílio de Éfeso de 431 e o Concílio de Calcedônia de 451 trataram sobre a jurisdição desses bispos. O imperador oriental Justiniano I (482-565) utilizou o termo “patriarca” https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 exclusivamente para os bispos de Roma, Constantinopla, Alexandria, Atioquia e Jerusalém e especificou suas funções de acordo com a reorganização do direito romano. Assim, nos séculos IV e V, surgiu o sistema patriarcal. Acima dos bispos das cidades estava os bispos metropolitas, e acima deles os patriarcas. Esse sistema contribuiu para a existência de uma pentarquia, onde o poder na igreja universal estava dividido entre os cinco patriarcas. O bispo de Roma não aceitou tal divisão de poder e defendeu uma monarquia onde ele esteva a frente da igreja. Conclusão No início do cristianismo não havia um padrão de governo eclesiástico. Ainda no primeiro século surgiram três ofícios que ao longo do tempo se tornaram importantes na vida eclesiástica: os diáconos, os presbíteros e os bispos. Estes dois últimos, no início não tinham uma clara distinção. Conforme o cristianismo ia crescendo a organização das igrejas locais foram ficando mais complexas. Na virada do século I para oséculo II a figura do bispo começou a se consolidar como distinta ao presbítero. Eles passaram a exercer uma supervisão sobre os presbitérios e a dirigirem a comunidade cristã local. No século II durante o combate as heresias o bispo foi visto como responsável pela reta doutrina e pela manutenção da unidade da igreja. Isso contribuiu na centralidade da figura do bispo na vida da igreja local. Os escritos de Inácio de Antioquia, Hipólito de Roma e Cipriano de Cartago são importantes vestígios históricos da consolidação do papel dos bispos neste período. É ainda no contexto do combate às heresias do segundo século que o termo “católico” começa a ser empregado para qualificar a igreja verdadeira. Mas não nomeia ainda uma igreja em particular. No século II começou a associação entre o clero, presbíteros e bispos, com a figura do sacerdote. Isto colaborou na consolidação do poder monoepiscopal, ou como também é chamado, do bispo monárquico. Tal consolidação contribuiu para que entre os séculos II e III houvesse um distanciamento entre o clero e os leigos. No século IV Constantino além de conceder liberdade de culto aos cristãos, transforma a estrutura eclesiástica em engrenagem do império. Nessa relação ele passa a ser o protetor da igreja e exerce liderança na luta contra a heresia. Foi durante o governo de Constantino, em 325, que se estabeleceu que os bispos de cada província deveriam se submeter ao bispo da capital da província, o bispo metropolita (arcebispo). Ganharam https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 destaque os bispos de Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Em 381 o bispo de Constantinopla também obteve lugar de honra. Com o imperador oriental Justiniano I esses bispo foram chamados de patriarcas, superiores aos bispos metropolitas. Tal postura foi contestada pelo bispo de Roma que defendia um governo eclesiástico monárquico. BIBLIOGRAFIA CIPRIANO. Sobre a Unidade da Igreja. Disponível em: <https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cipriano_sobre_a_unidade.ht ml#6>. Acessado em: 10 set. 2020. CLEMENTE. I Clemente In: Padres Apostólicos. vol. 1. São Paulo: Paulus, 1995 (Série Patrística). FREND, William H. C. The rise of Christianity. Philadelphia: Fortress, 1984. GONZÁLEZ, Justo L. E até aos confins da Terra: uma história ilustrada do Cristianismo. vol. 1 – A Era dos Mártires. São Paulo: Vida Nova, 1995. HAIGHT, Roger. A comunidade Cristã na História. Eclesiologia histórica. vol. 1. São Paulo: Paulinas, 2012. (Coleção Ecclesia 21). HIPÓLITO. Tradição Apostólica de Hipólito de Roma. Disponível em: <https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/tradicao_apostolica_hipolito_ro ma.html#2.9%20-%20Os%20Leitores>. Acessado em: 10 set. 2020. IGNATIUS. Epistle to the Trallians: Shorter and Longer Versions. Disponível em: < https://www.ccel.org/ccel/schaff/anf01.toc.html >. Acessado em: 10 set. 2020. INÁCIO. Epístola aos Filadélfos. Disponível em: <https://beinbetter.wordpress.com/documentos/cartas-de-santo-inacio-de- antioquia/epistola-aos-filadelfos/>. Acessado em: 10 set. 2020. LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do cristianismo: vol. I: até 1500 a.C. São Paulo: Hagnos, 2006. OLSON, Roger E. História da teologia cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Pauylo: Editora Vida, 2001. Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia. Disponível em: <https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/documentos_da_igreja/os_canones_de_niceia. htm>. Acessado em: 10 set. 2020. RANKIN, David. Tertullian and the Church. Cambridge: Cambridge University Press, 1995. https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL FABAT – FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO FABAT - Faculdade Batista do Rio de Janeiro R. José Higino, 456 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20520-202 - Telefone: (21) 2157-5577 https://www.google.com.br/search?client=firefox-b-ab&dcr=0&q=semin%C3%A1rio+teol%C3%B3gico+batista+do+sul+do+brasil+telefone&sa=X&ved=0ahUKEwjN2fzG69jZAhWC2VMKHdotBIMQ6BMI0QEwFw https://www.google.com.br/search?q=seminario+do+sul+do+brasil&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b-ab&gws_rd=cr&dcr=0&ei=uSKfWp6HDZDXzgLF97KoCA