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QUESTÕES SBP 2019-2002 PROVA 2 - PEDIATRIA I MED UNIFAL-MG AGRADECIMENTOS Primeiramente obrigado a Deus por nos dar forças para sobreviver esse tormentoso final de semestre Segundamente os créditos a quem fez esse PDF possível: Arthur Viegas, Bethânia Lissa, Daniela Rennó, Fillipe Tourinho, Gabriel Lessa, Gabriel Tadeu, Júlia Quintão, Mariana Coelho, Marina Alves e Paulo Vinícius (06 melhor turma) A derrota de hoje não será maior do que a de amanhã 1) Alimentação 1°s anos de Vida Lactente de um mês é levado para consulta de puericultura. A lactante refere que o bebê é muito “bonzinho” e mama de 4 em 4 horas. Está em aleitamento materno (AM) exclusivo. Nasceu pesando 3.000g e medindo 50cm. Testes de triagem neonatal sem alterações. Exame físico: normal; P: 3450g, C:53cm. A mãe está assustada, pois acha que o bebê não engordou bem. A conduta adequada neste caso é: (A) manter o AM, complementando com fórmula infantil no copinho, já que ganhou pouco peso e cresceu pouco em 30 dias (B) manter o AM de forma exclusiva, orientar a técnica correta de amamentação e reavaliar o ganho de peso do bebê em três dias (C) manter o AM de forma exclusiva, sem complementos, verifi cando a técnica de amamentação na próxima consulta, em 15 dias (D) manter o AM exclusivo, mas solicitar exames laboratoriais de urgência, pois o mais provável é que este lactente apresente infecção urinária (E) manter o AM, complementando com suco de frutas no copinho, para não atrapalhar a amamentação e favorecer maior ganho de peso Resposta correta: B Este bebê cresceu 3 cm em 30 dias. Este excelente crescimento já é por si um indicador de que a amamentação deva estar correta. Além disso, é preciso lembrar que um bebê, normalmente, pode perder até 10% de seu peso de nascimento, recuperando esta perda em até 14 dias de vida. Desta forma este bebê pode ter engordado 450g nos últimos 16 dias e não em 30 dias. O mais sensato é verificar a técnica de amamentação, pois pode se tratar ou não de um bebê “dorminhoco” pelo tempo de intervalo de amamentação. Marcar retorno em um curto período (no caso em três dias) e verificar se o ganho de peso se mostrou adequado. Neste caso, que é o mais provável, bastará tranquilizar a mãe e manter o Aleitamento Materno Exclusivo. Recém-nascido a termo, parto normal, pesando 3.600g. Exame físico: normal. Os exames pré-natais indicaram infecçªo em atividade pelo citomegalovírus no final da gestaçªo. A recomendaçªo em relaçªo à alimentaçªo é: (A) indicar aleitamento materno em regime de livre demanda (B) contraindicar a amamentaçªo e prescrever fórmula láctea (C) contraindicar a amamentaçªo e prescrever fórmula láctea e aciclovir (D) indicar aleitamento materno com leite ordenhado após congelamento (E) indicar aleitamento materno com leite ordenhado após pasteurizaçªo Gabarito: A A amamentaçªo é permitida e encorajada no caso de recém nascidos a termo filho de mªes soropositivas para o citomegalovírus. Infecções sintomáticas ou seqüelas tardias nªo tem sido observadas nos lactentes que nascem a termo, provavelmente pela passagem de anticorpos maternos específicos transferidos de forma passiva para o recém nascido, protegendo o mesmo contra a doença sistêmica. Em recém nascidos de mªes soronegativas para o CMV que soroconvergem durante a lactaçªo e em recém nascidos prematuros com concentrações baixas de anticorpos maternos transferidos por via transplacentária contra o CMV, a amamentaçªo estaria contra indicada pois os mesmos podem desenvolver doença sintomática com seqüelas por adquirirem o CMV através o leite humano. A mãe de um lactente de quatro meses procura o serviço de saúde, pois ela está amamentando seu filho exclusivamente ao seio e não sabe como proceder em relação ao retorno ao trabalho. Ela é empregada de uma pequena firma comercial que tem cinco funcionárias com contratos de trabalho regidos pela CLT. A orientação a ser dada, neste caso, é: (A) exigir do empregador a manutenção de creche no local de trabalho ou, como alternativa, o pagamento de auxílio-creche (B) retornar ao emprego, iniciando aleitamento artificial complementar para o lactente durante o período em que estiver no trabalho (C) procurar perícia médica para demonstrar que está mantendo aleitamento exclusivo e solicitar 15 dias de licença amamentação (D) apresentar ao empregador atestado médico de que está mantendo aleitamento materno exclusivo a fim de solicitar 30 dias de licença amamentação (E) retornar ao emprego, mantendo o aleitamento materno com o leite materno ordenhado nos dois períodos de repouso garantidos pela lei, durante a jornada de trabalho. GABARITO E. A mulher que amamenta e trabalha no regime da CLT goza dos seguintes direitos legais: licença maternidade de 120 dias, garantida a partir da 36ª semana de gestação; estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto; mudança de função no local de trabalho e dois descansos de meia hora para amamentar até o sexto mês de vida do lactente ou mais, a critério de autoridade competente. Os estabelecimentos em que trabalharem pelo menos 30 mulheres com mais de 16 anos são obrigados ou a ter creche no local de trabalho ou a adotar o sistema de reembolso de gastos de suas trabalhadoras com creches. Recém-nascido de sete dias é trazido para consulta de revisão. A mãe informa que a criança está mamando exclusivamente ao seio, aproximadamente a cada três horas, por 15 a 20 minutos. Ela está preocupada porque seu filho está eliminando fezes pretas. A conduta indicada no primeiro momento é: (A) suspender o leite de vaca da dieta materna por suspeita de intolerância à proteína do mesmo no recémnascido (B) avaliar clinicamente o recém-nascido para descartar a possibilidade de sangramento gastrintestinal (C) prescrever fórmula láctea para aumentar o aporte calórico a ser oferecido ao recém-nascido (D) orientar medidas que aumentem a produção do leite materno por tratar-se de hipogalactia (E) tranqüilizar a mãe por tratar-se de eliminação de mecônio própria desta faixa etária GABARITO B. A eliminação de fezes escuras em um recém nascido ao final da primeira semana de vida deve sempre alertar para a possibilidade de hemorragia digestiva. É importante lembrar que o mecônio (que também se caracteriza por sua cor escura) em geral é eliminado logo após o nascimento (primeiras 12 horas de vida) e começa a ser substituído pelas fezes de transição em torno do quarto a quinto dias de vida sendo virtualmente ausente ao final da primeira semana de vida. Na consulta de puericultura do primeiro mês, um lactente em amamentação exclusiva está com 300g acima do seu peso de nascimento. A mãe relata que ele é uma criança inquieta. Depois de um exame clínico rigoroso, você certificouse de que se trata de um lactente aparentemente normal, em bom estado geral, hidratado, ativo e responsivo. A conduta inicial a ser tomada é: (A) prescrever fórmula láctea como complementação calórica (B) agendar consulta para pesagem do lactente em uma semana (C) tranqüilizar a mãe por se tratar de lactente com crescimento lento (D) solicitar exames complementares básicos para descartar infecção (E) certificar-se de que o lactente está sendo amamentado corretamente GABARITO E. Trata-se de um lactente com um ganho ponderal aquém do esperado para o período (em torno de 700g). Antes de se prescrever intempestivamente complemento, o médico deve avaliar se a amamentação está sendo realizada de maneira adequada. Isso inclui uma anamnese dirigida para o aleitamento materno, o exame das mamas e a observação da mamada com a avaliação da posição com que o lactente é levado ao seio e a adequação da pega. Muitas vezes, pequenos problemas são identificados e sua solução é capaz de promover um aleitamento materno bem sucedido. Recém-nascido com 72 horas de vida, Apgar de 5 e 8, idade gestacional de 31 semanas e peso de 1.300g ao nascimento, apresenta-se estável clinicamente, com abdome flácido e sem resíduo gástrico. A melhor conduta dentre as abaixo, em termos de alimentação neste momento,é oferecer: (A) leite da própria mãe por sonda orogástrica (B) leite de banco por sonda orogástrica (C) fórmula para prematuros por sucção (D) aleitamento materno ao seio (E) leite de banco por sucção GABARITO A. O melhor alimento para o recém nascido, mesmo o prematuro, é o leite de sua própria mãe. O leite de mulheres que deram a luz a prematuros, comparado ao leite de mães que pariram a termo, tem maiores concentrações de proteína e eletrólitos, indispensáveis para o crescimento acelerado destes recém nascidos. A alimentação por gavagem permite o início gradual da alimentação e a avaliação do resíduo gástrico, reduzindo o risco de vômito e distensão abdominal. Além disso, é preciso lembrar que essa população está sob risco de enterocolite necrosante e que o aumento gradual da dieta tem a vantagem de adequar o substrato colocado na luz intestinal à capacidade digestiva do prematuro, reduzindo o risco desta grave complicação. A mãe de um escolar de sete anos pediu ao pediatra orientações sobre merenda escolar. A cantina da escola oferecia uma grande variedade de alimentos, mas ela não tinha certeza se, nesta idade, a melhor conduta seria continuar mandando uma merenda, como fazia até então, ou dar dinheiro ao menino para comprála. A conduta indicada neste caso é: (A) recomendar que a merenda seja mista com frutas levadas de casa e salgados e sucos comprados na cantina (B) esclarecer que a merenda não tem importância na ração diária e que, portanto, a escolha é livre, levar ou comprar (C) recomendar que dê o dinheiro para que o menino não sofra discriminação pelos colegas que freqüentam a cantina (D) ressaltar a importância de não permitir o uso de refrigerantes, portanto nunca autorizar que a merenda seja comprada na cantina (E) recomendar que, desde que a merenda seja balanceada, pois significa uma parte importante da alimentação, ela poderá ser levada ou comprada GABARITO E. Está é uma questão freqüente, e até negligenciada na orientação dos escolares. Na realidade, a merenda escolar é parte importantíssima da alimentação diária desta faixa etária, e como tal deve ser balanceada, ou seja: ter em torno de 30% do teor calórico em lipídios ricos em poli-insaturados e ácidos graxos essenciais, carboidratos em torno de 50 a 60% e 10 a 20% de proteínas. Deverá também contar com fibras (frutas), minerais e vitaminas. Isto pode ser obtido com frutas, sucos, pães, leite, queijos,outros produtos lácteos, sanduíches com carne, frango, folhas, água. Deve-se evitar biscoitos com glutamatos (daqueles que parecem isopor salgado) e que traz dependência pelo sabor, biscoitos doces com recheio que são muito calóricos; refrigerantes; salgadinhos e frituras. É importante haver uma orientação especifica de um nutricionista nas elaborações de cardápios balanceados oferecidos pelas cantinas escolares, com supervisão e instrução das crianças e dos fornecedores destas merendas. Na falta deste tipo de suporte cabe ao pediatra estabelecer estes critérios para as mães baseado em bom senso e conhecimento do que deve ser ofertado ao escolar durante esta refeição. Lactente de sete meses foi levado a atendimento médico. Estava hidratado, não apresentava infecção, nem diarréia. Nunca foi amamentado ao seio e nem vacinado. Segundo sua mãe, vinha sendo alimentado com leite em pó integral diluído com adição de açúcar e farinha, além de sopa de legumes. Exame físico: peso: 4.200g, cabelos secos e rarefeitos, pele também ressecada e descamativa, com várias lesões por coçadura sugerindo escabiose, emagrecimento extremo, face com aspecto envelhecido. O tratamento dietético a ser instituído é: (A) hidrolisado de caseína enriquecido com caseinato de cálcio e papa de legumes com frango (B) leite de cabra com óleo de milho e farinha de arroz e papa de legumes com carne de rã (C) leite de vaca enriquecido (carboidratos e óleo) e papa de legumes com carne de vaca (D) leite de soja com mucilagem de arroz, óleo de soja e papa de legumes sem carne (E) hidrolisado de soja e cartilagem enriquecidos com triglicerídeos de cadeia média GABARITO C. Este lactente apresenta um quadro de desnutrição grave de causa primária, ou seja por baixa oferta de ingestão nutricional e má qualidade da oferta de alimentos. A avaliação nutricional dele fica incompleta por não se dispor da altura. Um déficit de peso para altura superior a 70% do esperado, utilizando-se o padrão NCHS para peso e altura é indicativo de internação. No caso, o lactente apresenta menos de 60% do peso esperado para a idade e sinais clínicos de marasmo. Não há relato de edema, o que por si já indicaria maior risco e indicação de internação. A melhor condição para a recuperação destes pacientes de baixa renda é aumentar a densidade calórica dos alimentos ofertados e melhorar a qualidade dos mesmos. A oferta de proteína de alto valor biológico através do leite de vaca, e engrossado e adicionado de óleo vegetal para aumentar a densidade calórica, mais a oferta de papas de legumes com carne são as condutas alimentares ideais tanto em ambiente hospitalar quanto em residência. O uso de dietas hidrolisadas ou sofisticadas, além de aumentar a desadaptação intestinal, traz graves problemas para a continuidade do tratamento. Estas devem ser indicadas em situações especiais, quando houver falência digestiva, ou quando for necessário o suporte nutricional por sonda e acesso a via digestiva pós-pilórica. O uso de suplementos minerais e vitamínicos também é desejável. A opção por medicamentos oferecidos pelos serviços de saúde, ou de muito baixo custo, possibilita uma recuperação mais segura e a continuidade de uma boa nutrição. Recomenda-se a leitura do manual elaborado pela OMS em 1999 e distribuído pelo Ministério da Saúde do Brasil sob o título: “Manejo da Desnutrição Grave”, no momento uma excelente fonte de informação e de conduta para o tema. Considere que, em todos os três casos apresentados abaixo, o pediatra está diante de um lactente de 40 dias de vida em aleitamento materno exclusivo, cuja mãe procura o serviço com as seguintes queixas: CASO 1 - Há quatro semanas o lactente vem apresentando oito a dez episódios diários de evacuações líquidas, amareladas, que são eliminadas de forma ruidosa. Ao exame: bom estado geral, sem alterações clínicas. Crescimento e desenvolvimento normais. CASO 2 - Há duas semanas o lactente vem apresentando choro persistente, nconsolável, mama com freqüência em intervalos curtos, particularmente à noite. Ao exame: bom estado geral, crescimento e desenvolvimento normais. CASO 3 - Há três semanas o lactente vem apresentando choro intenso durante a mamada, fazendo com que encurve o corpo para trás e largue o peito. Regurgita algumas vezes. Exame clínico sem alterações, crescimento e desenvolvimento normais Em relação a cada caso cite: A) hipótese diagnóstica mais provável B) orientação a ser dada aos pais em relação à(s) queixa(s) apresentada(s) C) prescrição medicamentosa, se houver, ou justificativa para não indicá-la. GABARITO: CASO 1: A) A hipótese diagnóstica mais provável é a de reflexo gastrocólico, normal em lactentes desta idade. A elevada concentração de lactose no leite humano (7g/dl) parece ser um dos fatores responsáveis pela presença de fezes semilíquidas ou líquidas no lactente, principalmente nas primeiras semanas de vida. O crescimento adequado praticamente afasta a possibilidade de doença do tubo digestivo B) A conduta é tranqüilizar os pais esclarecendo-os de que se trata de um processo fisiológico. C) Não há necessidade de prescrição de qualquer tipo de medicação. CASOS 2: A) A principal hipótese diagnóstica é a de cólicas do lactente. Algumas crianças são particularmente suscetíveis e na maioria das vezes a causa dos “ataques” não é identificada. As crises em geral ocorrem ao cair da tarde e no início da noite, sugerindo que algum fator da rotina da família possa estar envolvido. B) A principal conduta é tranqüilizar os pais. Algumas medidas podem trazer alívio como a utilização de bolsas de água quente (com enorme atenção para apossibilidade de acidentes relacionados a queimaduras) no abdome da criança e a eliminação, pelo lactente, de gases e fezes espontaneamente ou com o auxílio de um supositório. Carregar a criança no colo por períodos prolongados também pode ajudar a reduzir o choro. C) Não há necessidade de medicações. Em casos extremos, em crises prolongadas de choro, alguns autores preconizam a prescrição de sedativos. CASO 3 A) Trata-se provavelmente de refluxo gastro-esofágico com esofagite. A intensificação durante a mamada é altamente sugestiva de dor retroesternal por esofagite de refluxo. B) Os pais devem ser esclarecidos a respeito do mecanismo da doença e de sua ocorrência nos primeiros meses de vida. Devem ser orientados em relação às medidas posturais adequadas que incluem: posicionamento mais vertical durante a mamada, a manutenção do lactente em posição vertical após a mamada, a elevação da cabeceira do berço e o posicionamento em decúbito lateral direito após as mamadas para facilitar o esvaziamento gástrico. Os pais devem ser orientados também que qualquer manipulação do lactente após as mamadas deve ser evitada, particularmente aquelas que implicam em aumento da pressão abdominal. C) A conduta medicamentosa inclui a prescrição de drogas pró-cinéticas como a domperidona e o tratamento da esofagite com antiácidos, antagonistas H2 ou omeprazol. Lactente, dois meses, em aleitamento materno exclusivo, vem apresentando há uma semana sangramento vivo ou raias de sangue em todas as evacuações. Apresenta bom ganho pôndero-estatural e o exame físico é normal. A mãe não faz nenhuma restrição alimentar. Nesse caso, a abordagem diagnóstica é: A) realizar o teste do desencadeamento B) dosar as imunoglobulinas específicas C) rastrear por meio de ultrassonografia D) retirar o leite materno no momento Resposta correta: A A proctite e a proctocolite são manifestações clínicas comuns da alergia alimentar, sendo esta a causa mais frequente deste sintoma em lactentes jovens, tendo início entre três e seis semanas de vida, mantendo o estado geral excelente. O princípio básico do diagnóstico da alergia alimentar é o chamado teste de desencadeamento ou desafio: desaparecimento dos sintomas com dieta de exclusão da proteína alergênica e reaparecimento com a reintrodução. Desta forma, procedendo-se a retirada (com a melhora clínica) e posteriormente com a reintrodução do alimento suspeito, aqui gerando sintoma, estabelece o diagnóstico; apesar de ser a única forma confiável de diagnostico, há que se considerar o risco/benefício individualmente em cada paciente. Lactente de 30 dias, em aleitamento materno exclusivo, é levado à consulta de revisão. A mãe refere estar com febre (até 39,5o C) desde ontem, calafrios, prostração e observou uma área de coloração vermelha, dolorosa, localizada no quadrante superior externo da mama direita. O diagnóstico e conduta nesse caso são: A) mastite / antibiótico para a mãe e manter a amamentação B) ingurgitamento mamário / ordenha e mamadas mais frequentes C) abscesso mamário/ hospitalização e drenagem cirúrgica imediata D) abscesso mamário / suspender a amamentação e prescrever fórmula Resposta correta: A A história e o exame físico dessa mãe mostra uma situação muito típica de mastite. A febre alta e os sintomas gripais, com calafrio e mal-estar generalizado, com área de vermelhidão localizada no local mais comumente observado em mastites. Ocorre uma infiltração do tecido com resposta inflamatória e posteriormente colonização bacteriana, mais comumente por Staphylococcus aureus. A prescrição de antibiótico muitas vezes é empírica, mas pode ser indicada cultura por punção do local afetado. Ingurgitamento mamário em geral não apresenta tantas e tão intensas manifestações sistêmicas como nesse caso. A mama fica mais homogeneamente comprometida e muitas vezes ambas as mamas são afetadas. Abscesso mamário pode ser a evolução de uma mastite não tratada ou que não responda ao tratamento com antibiótico. Apresenta área de vermelhidão localizada, com flutuação central. Não se deve prescrever fórmula nesta situação. A mãe deve ser estimulada a manter a amamentação e a sucção serve para aliviar a tensão da mama afetada. Mãe que está amamentado um filho de 18 meses foi surpreendida por uma gravidez não planejada, atualmente com 20 semanas de idade gestacional. Imediatamente ela procura o seu pediatra para obter orientação quanto à amamentação. Você deverá recomendar que a mãe: A) desmame o filho imediatamente B) desmame totalmente o filho mais velho quando ele completar dois anos C) amamente as duas crianças pelo tempo que quiser, se não houver contraindicação durante a gestação D) desmame o filho gradualmente a partir de agora, de maneira que ele esteja completamente desmamado quando o irmão nascer Resposta correta: C De uma maneira geral, não há contraindicação de amamentação durante a gestação e a mãe tem condições biológicas de amamentar os dois filhos, se assim o desejar. O desejo da mãe e da criança deve ser respeitado. Recém-nascido, 15 dias, amamentado exclusivamente ao seio, pesou ao nascer 2.910g e hoje pesa 3.035g. Avaliando esses dados, a conduta adequada é: A) internar e investigar possível infecção B) vigilância nutricional e pesar aos 30 dias de vida C) iniciar complementação das mamadas com fórmula D) avaliar a pega buscando encontrar as possíveis falhas Resposta correta: B Espera-se que, durante o 1º trimestre, o ganho ponderal seja de 25 a 30 g/dia; durante o 2º trimestre, de 20 g/dia; durante o 3º trimestre, de 12 g/ dia; e no 4º trimestre, de cerca de 8 g/ dia. Deve-se lembrar que, nos primeiros dias, o recém-nascido pode vir a perder até 10% do peso de nascimento, que deve ser recuperado até o 10o dia de vida. Desse modo, ao calcular o ganho de peso diário que idealmente deve ocorrer entre o 15º e o 30º dia de vida, essa perda deve ser considerada. Na pratica, subtraem-se do peso de nascimento os 10% esperados e procede-se o cálculo: [peso medido – (peso ao nascer – 10%)] / tempo decorrido (em dias). O ganho de peso diário nessa fase tem sido erroneamente utilizado como indicador de suplemento alimentar, técnica que está diretamente relacionada com o desmame precoce, com repercussões deletérias para o recém-nascido e sua mãe. Assim, em razão de dificuldades para o início do aleitamento materno e, muitas vezes, da falta de orientação correta da lactante, pode ser que o recém-nascido apresente menor ganho ponderal durante essa fase. Pode-se admitir que o peso medido até o 10º dia de vida esteja, ainda, 10% menor que o de nascimento, sem que isso seja indicativo da necessidade de intervenção nutricional. Ressalta-se que, nessa condição de menor ganho ponderal, deve-se rever toda a técnica de aleitamento materno, examinar as condições das mamas e conduzir a investigação da condição orgânica adversa – principalmente infecção urinaria – em conjunto com maior atenção ao vinculo mãe-filho, antes de indicar qualquer orientação alimentar suplementar. O Ministério da Saúde orienta que na rotina de acompanhamento de puericultura sejam realizadas consultas com 15, 30 e 60 dias de vida (Caderneta da Criança). Lactente de três meses, com história de uso de fórmula infantil na maternidade, está em aleitamento materno exclusivo desde o segundo dia de vida. Apresenta diarreia com raias de sangue nas fezes e eczema. Não fez o teste do pezinho. Exame físico: eutrófico e com bom desenvolvimento pôndero-estatural. O diagnóstico e a conduta adequada são: A) fenilcetonúria / fórmula sem fenilalanina B) galactosemia / suspender a amamentação C) intolerância à lactose / fórmula sem lactose D) alergia à proteína do leite de vaca / amamentação exclusiva Resposta correta: D A alergia à proteína do leite de vaca é uma reação adversa à proteína existente no leite de vaca, que envolve mecanismos imunológicos. Pequenas quantidades de proteína do leite de vaca podem estar presentes no leite de mulheres que ingerem leite de vaca, provocando colite e eczema na criança, mesmo que ela esteja em aleitamentomaterno exclusivo. Desse modo, o diagnóstico mais provável no caso em discussão é alergia à proteína do leite de vaca, sobretudo porque a criança usou fórmula de leite de vaca nos primeiros dias de vida. A conduta recomendada é manter o aleitamento materno exclusivo com eliminação estrita da proteína do leite de vaca da dieta da mãe. Lactente, dois meses, em aleitamento materno exclusivo, vem apresentando há uma semana sangramento vivo ou raias de sangue em todas as evacuações. Apresenta bom ganho pôndero-estatural e o exame físico é normal. A mãe não faz nenhuma restrição alimentar. Nesse caso, a abordagem diagnóstica é: A) realizar o teste do desencadeamento B) dosar as imunoglobulinas específicas C) rastrear por meio de ultrassonografia D) retirar o leite materno no momento Resposta correta: A A proctite e a proctocolite são manifestações clínicas comuns da alergia alimentar, sendo esta a causa mais frequente deste sintoma em lactentes jovens, tendo início entre três e seis semanas de vida, mantendo o estado geral excelente. O princípio básico do diagnóstico da alergia alimentar é o chamado teste de desencadeamento ou desafio: desaparecimento dos sintomas com dieta de exclusão da proteína alergênica e reaparecimento com a reintrodução. Desta forma, procedendo-se a retirada (com a melhora clínica) e posteriormente com a reintrodução do alimento suspeito, aqui gerando sintoma, estabelece o diagnóstico; apesar de ser a única forma confiável de diagnostico, há que se considerar o risco/benefício individualmente em cada paciente. Gestante vegetariana, que não ingere produtos animais, o procura porque quer saber se há algum problema em amamentar o bebê. A orientação pertinente é que o filho deva receber suplementação de: (A) zinco (B) cálcio (C) vitamina A (D) vitamina C (E) vitamina B12 Uma dieta vegetariana que exclui todos os produtos de origem animal é deficiente em vitamina B12. Suplemento dessa vitamina tomado pela mãe suprirá as necessidades de vitamina B12 do bebê através do leite materno. GABARITO: E. 2) Suplementação de Vitaminas e Ferro Lactente, dois meses, nasceu com 2.200g a termo, sem outras complicações e encontra-se em aleitamento materno exclusivo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a suplementação profilática de ferro neste caso deve ser realizada a partir do: A) Sexto mês de idade, na dose de 1 mg/kg/dia. B) Quarto mês de idade, na dose de 1 mg/kg/dia. C) Terceiro mês de idade, na dose de 2 mg/kg/dia. D) Primeiro mês de idade, na dose de 2 mg/kg/dia. GABARITO D. A anemia ferropriva é a principal causa de anemia no mundo. Tem efeito no crescimento e desenvolvimento de populações, em especial as de risco. Ações tem sido propostas para a prevenção da anemia ferropriva. A suplementação de ferro é política de saúde pública desde 2005 no Brasil. A SBP recomenda a suplementação profilática de ferro 1 mg/kg/dia dos 3 aos 24 meses de idade, independente do tipo de aleitamento. Para aqueles de baixo peso ao nascer (<2.500g) a recomendação é 2 mg/kg/dia a partir do 30º dia de idade até 1 ano e a partir daí, 1 mg/kg/dia por mais um ano. Para prematuros a dose varia de 2 a 4 mg/ kg/dia a partir do 30º dia de idade até 1 ano e a partir daí, 1 mg/kg/dia por mais um ano. Pré-escolar com déficit de crescimento vem recebendo, por iniciativa familiar, suplementação vitamínica em doses elevadas na forma de solução. Após um mês do início do tratamento, começa a apresentar diminuição do apetite, ressecamento da pele, dor nos membros inferiores e cefaléia. Exame físico: hepato-esplenomegalia, dor à movimentação das articulações do joelho e cotovelo e discreto edema de papila à oftalmoscopia. Estes achados sugerem ingestão excessiva de vitamina: (A) A (B) B1 (C) B6 (D) D (E) E GABARITO A. O uso indiscriminado de “vitaminas” como panacéia para vá-rias doenças, ou como prevenção de morbidades vem aumentando em função do crédito de que estes importantes co-fatores de origem alimentar tenham propriedades de panacéia. No afã de proporcionar uma proteção “extra” para seus filhos, alguns pais fazem uso ou lhes fornecem complexos vitamínicos variados. O uso sem a orientação médica, ou em doses excessivas no intuito de se obter efeitos não comprovados cientificamente levam ao aumento do risco de intoxicação. As vitaminas lipossolúveis em especial podem acumular em tecidos gordurosos, e em membranas celulares e tornarem-se potencialmente tóxicas quando ingeridas de forma inadvertida e continuada. Os sintomas descritos na questão são clássicos na intoxicação pelo retinol, forma ativa da vitamina A. O não reconhecimento dos sintomas, e as muitas negativas por parte da família que não consideram as vitaminas como remédios ou não se dá conta de que o uso destas possa ser nocivo poderá levar a grandes desconfortos, seqüelas e até a morte. Recém-nascido, prematuro de 35 semanas, com 20 dias de vida foi submetido a ressecção ileal extensa devido a enterocolite necrosante perfurada. No seguimento desses pacientes, o nutriente que tem sua absorção prejudicada de acordo com área ressecada é: A) ferro B) vitamina A C) ácido fólico D) vitamina B12 Resposta correta: D O ferro é absorvido principalmente no duodeno. No jejuno são absorvidos ácido fólico e as vitaminas lipossolúveis e a maior absorção de B12 é no íleo. Lactente de seis meses, nascido com 35 semanas, PN: 2.500g, sem intercorrências durante seu acompanhamento de puericultura e em aleitamento materno exclusivo irá iniciar a introdução alimentar nesta consulta. De acordo com a SBP, o correto em relação a suplementação desse paciente nesse momento é: A) iniciar suplementação de Ferro 2mg/kg/dia e de vitamina D600UI/dia B) iniciar suplementação de Ferro 1mg/kg/dia e de vitamina D 400UI/dia C) manter suplementação de Ferro 1mg/kg/dia e de vitamina D 600UI/dia D) manter suplementação de Ferro 2mg/kg/dia e de vitamina D 400UI/dia Resposta correta: D Neste caso da questão ele já deveria estar repondo 2mg/kg/dia de ferro, assim como a reposição da vitamina D também já deveria suplementar 400 UI/dia; portanto não iremos iniciar e sim manter a suplementação já em uso 3) IVAS, bronquiolite, rinite, gripe/resfriado, amigdalite, escarlatina, otites, rinossinusites, laringotraqueite aguda e sibilância recorrente do lactente Lactente, 11 meses, apresenta há 24 horas rinorreia, choro e tax.: 37,7 °C. Hoje, a temperatura está em 39 °C e ele se encontra mais prostrado. Exame físico: hiperemia de orofaringe, secreção nasal espessa e amarelada, ausculta pulmonar normal e abaulamento das membranas timpânicas, com efusão purulenta da orelha média bilateralmente. A conduta indicada é prescrever: (A) cefaclor 30 mg/kg/dia 8/8h - 10 dias (B) clindamicina 30mg/kg/dia 6/6h - 10 dias (C) ceftriaxona 50 mg/kg/dia 24/24h - 3 dias (D) azitromicina 10mg/kg/dia 24/24h - 5 dias (E) amoxicilina 45mg/kg/dia 12/12h - 10 dias Resposta: E Para o tratamento da otite média aguda a amoxicilina é eficaz contra a maioria das cepas de Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Embora a maioria das cepas de Moraxella catarrhalis sejam resistentes à amoxicilina devido à produção de β-lactamase, estudos que realizam timpanocentese antes e depois do tratamento, demonstram que cerca de 75% das crianças com infecção por esta bactéria apresentam cura bacteriológica, após o tratamento com amoxicilina. Lactente, 14 meses, sexo masculino, apresenta tosse produtiva com expectoração amarelada, há dois dias. A mãe relata que o quadro iniciou há cinco dias com febre, coriza clara e espirros. A febre desapareceu, mas a secreção nasal aumentou no terceiro dia. Exame físico: bom estado geral, tax: 36,2ºC. Orofaringe discretamente hiperemiada, com secreção pós-nasal amarelada. Secreção amarelada nas duas cavidades nasais. Ausculta pulmonar e otoscopia normais. Diante do quadro descrito a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada são: A) infecção viral / soro fisiológico B) infecção pneumocócica / amoxicilina C) infecção por bactéria atípica / azitromicina D) infecção viral/ descongestionante nasal sistêmico Resposta: A Comentário: As infecções virais de vias aéreas superiores são caracterizadas por sintomas nasais (rinorreia e congestão) e tosse. Geralmente, a rinorréia inicia clara e aquosa e muda durante o curso da doença, ficando mais espessa, mais mucóide, podendo tornar-se purulenta (espessa, colorida e opaca) durante vários dias. Nas infecções virais não complicadas, a evolução para a cura ocorre sem o uso de antimicrobianos. O uso de descongestionantes nasais está contraindicado em crianças, principalmente os lactentes, devido ao risco aumentado de para-efeitos. Lactente, 15 meses, apresenta desde os seis meses otites de repetição (5 episódios) sendo três episódios com supuração. Seu crescimento pôndero-estatural é normal, mas o pediatra encaminha para o imunologista por suspeita de imunodeficiência primária do tipo celular. Esse encaminhamento se justifica: A) Sim, mas a suspeita é de imunodeficiência primária humoral. B) Não, já que a hipogamaglobulinemia fisiológica é comum até dois anos. C) Sim, mas a suspeita é de imunodeficiência primária do sistema complemento. D) Não, pois não veremos imunodeficiência primária após os seis meses de vida. GAB: A O encaminhamento é correto pois a presença de 4 ou mais episódios de Otite Média Aguda nos últimos 12 meses justifica a investigação para provável Imunodeficiência Primária, por ser sinal de alerta, e por se tratar de patógeno capsulado (H. Influenzae; S. Pneumoniae; M catharralis) e início das infecções após os seis meses de idade, a provável suspeita inicial recai sobre as imunodeficiências humorais. Adolescente, sexo masculino, 13 anos, apresenta febre diária há uma semana acompanhada de faringite e fadiga, que se intensificou nos últimos dias. Iniciou a amoxicilina há três dias sem melhora. Refere náuseas ao se alimentar e dor à deglutição. Exame físico: discreto edema em pálpebras superiores, febril, com linfonodos cervicais aumentados, faringite exsudativa e erupção cutânea macular eritematosa leve no tronco e nos braços. O diagnóstico e conduta nesse caso são: A) Faringite estreptocócica; trocar para amoxicilina-clavulanato. B) Doença de Kawasaki; imunoglobulina venosa e AAS. C) Mononucleose infecciosa; sintomáticos. D) Difteria; penicilina cristalina venosa. GABARITO C mal estar, fadiga, febre prolongada (mais de uma semana), dor de garganta, náusea e vômitos são característicos da mononucleose infecciosa Pré-escolar, quatro anos, apresenta há cinco dias secreção e obstrução nasal, e hoje iniciou febre com piora da tosse e queda do estado geral. Exame físico: eupneico, sem dificuldade respiratória. Oroscopia: hiperemia de faringe com drenagem de secreção posterior e visualização de crostas amareladas no vestíbulo nasal. A conduta indicada neste caso é utilizar: A) Soro fisiológico e nafazolina nasais. B) Anti-histamínico oral e nafazolina nasal. C) Antibioticoterapia oral e soro fisiológico nasal. D) Corticoide de baixa potência e soro fisiológico nasais. GAB C. Na maioria das vezes, as rinossinusites são de etiologia viral e apresentam um curso autolimitado que não ultrapassa dez a treze dias de evolução. As rinossinusites bacterianas podem apresentar-se com início súbito e agudo de sinais e sintomas, incluindo febre alta e rinorréia purulenta, ou como rinossinusites que sucedem um quadro viral. Nesse último caso, devem ser suspeitadas quando a sintomatologia de IVAS dura mais de dez a treze dias, sem melhora, ou quando, após leve melhora, constata-se piora do estado geral, com surgimento de febre alta e intensificação dos sinais respiratórios (o que é o que aconteceu no paciente mencionado na questão). A conduta correta é prescrever antibioticoterapia que cubra pneumococo, hemófilos e moraxela. O exame radiológico de seios da face não auxilia no diagnóstico diferencial entre quadros virais e bacterianos e também não é necessário para o diagnóstico de rinossinusites agudas. Escolar, cinco anos, há três dias apresenta obstrução nasal e rinorreia com coriza hialina. Há duas horas iniciou quadro de dor leve e intermitente no ouvido esquerdo, e febre (38,1ºC), que cederam com medicação. Exame físico: abaulamento da membrana timpânica à esquerda. As medidas a serem adotadas neste momento são: A) Paracetamol e amoxicilina. B) Dipirona e reavaliar em até 72 horas. C) Prednisolona e reavaliar em até 72 horas. D) Descongestionante oral e nafazolina nasal. GABARITO B. A OMA deve sempre ser confirmada pela otoscopia. O achado mais significativo no diagnóstico da OMA é o abaulamento da MT, com sensibilidade de 67% e especificidade de 97%. A história natural da OMA, por meio de estudos com metanálise, comprovou que a resolução espontânea ocorre em mais de 80% dos casos, com melhora sem antibiótico, e geralmente não ocorrem complicações. O acompanhamento, a observação e o monitoramento dessas crianças são de extrema importância. Caso elas não comecem a melhorar rapidamente, o antibiótico pode, então, ser considerado. As recomendações da AAP para este caso são: primeira recomendação muito importante é tratar a dor com analgésicos, independentemente de o antibiótico ser ou não administrado; nos casos de OMA uni ou bilateral em crianças com idade acima de 24 meses, sem sinais ou sintomas graves (otalgia leve há < 48 horas, temperatura < 39°C) o médico observar de perto a evolução do quadro ou prescrever antibiótico (com base em decisão conjunta médico/ pais). Caso se decida por observar sem dar antibiótico, mas a evolução piorar ou falhar em melhorar dentro de 48 a 72 horas, então, deve-se dar antibiótico. Outros fármacos, como corticosteroides, anti-histamínicos, descongestionantes e anti-inflamatórios não hormonais, não têm sustentação científica, pois não há estudos confiáveis do tipo randomizado controlado que atestem sua eficácia Escolar de sete anos é atendido em pronto socorro com crise de asma e medicado com O2, β2- agonista a cada 20 minutos por três vezes, e prednisolona oral. Apresentou resposta incompleta mantendo aumento da FR e FC, sibilância moderada, tiragem subcostal moderada e SpO2: 93% em ar ambiente. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia - 2012, nesse caso, está indicado: (A) internação hospitalar na UTI (B) internação hospitalar na enfermaria (C) acrescentar sulfato de magnésio IV (D) alta domiciliar com corticosteroide e β2-agonista (E) manter corticosteroide, β2-agonista e reavaliar em uma hora Resposta correta: E A avaliação da resposta terapêutica deve ser realizada 30 a 60 minutos após o tratamento inicial, quando então se procederá a reclassificação da gravidade do paciente. Entre as medidas objetivas a que melhor se correlaciona com gravidade é a SpO2. Assim a persistência de SpO2 menor que 92% após o tratamento inicial com broncodilatadores é uma das indicações de hospitalização. Por outro lado, os pacientes que não apresentam sinais de gravidade e cujo SpO2 se encontra acima de 95% podem ser liberados para casa. Considerando o quadro clínico descrito associado a uma SpO2 igual a 93%, a conduta a ser adotada será a de manter o tratamento e reavaliar novamente após uma hora. Escolar de seis anos com asma é avaliado pelo pediatra em consulta de revisão pós-alta hospitalar há quatro semanas, por crise de asma. A criança tem apresentado nas últimas quatro semanas sintomas noturnos, limitação das atividades e sintomas diurnos três vezes por semana. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia - 2012, trata- -se de: (A) asma controlada (B) asma não controlada (C) asma parcialmente controlada (D) asma controlada se os sintomas noturnos forem ≤ 2 por semana (E) faltam parâmetros para análise: PFE ou VEF1 e medicação de alívio Resposta correta: B O objetivo do manejo da asma é a obtenção do controle da doença. O controle refere-se a extensão com a qual as manifestações da asma estão suprimidas, espontaneamente ou com uso de medicamentos. O controle clínico deve ser preferencialmente avaliado em relação as últimasquatro semanas e inclui: sintomas diurnos e noturnos, necessidade de medicação de alívio, limitação de atividade física e intensidade da limitação ao fluxo aéreo. Com base nesses parâmetros observa-se que se trata de uma asma não controlada, pois o paciente apresenta sintomas noturnos, limitações das atividades e sintoma diurno três vezes na semana. Convém ressaltar que a presença de apenas três dos parâmetros é sufi ciente para tal classificação. Pré-escolar de cinco anos, com história positiva de asma, é atendido em unidade de pronto atendimento com crise de asma moderada/grave. As técnicas mais adequadas para administração do broncodilatador são: (A) inalador com pó seco / nebulização com O2 (B) spray com espaçador e bocal / nebulização com O2 (C) spray sem espaçador / nebulização com ar comprimido (D) spray com espaçador e máscara / inalador com pó seco (E) nebulização com ar comprimido / spray com espaçador e máscara Resposta correta: B A escolha do melhor dispositivo depende, por exemplo, da satisfação e adesão do paciente. Entretanto, temos que levar em conta ocusto benefício, facilidade de transporte, dispositivos disponíveis, capacidade de aprendizado para uso, entre outras variáveis. Nessa faixa etária, dependemos do dispositivo que se adeque à capacidade de aprendizado para utilização do mesmo com boa adesão. A maioria se adapta bem e consegue usar os aerossóis dosimetrados. Para o uso de inaladores de pó, há que se ter uma boa coordenação motora e capacidade cognitiva para tal. Os nebulizadores de jato são reservados para exacerbações graves, crianças menores de três anos de idade e idosos debilitados ou com dificuldade cognitiva, que não conseguem usar corretamente aerossóis dosimetrados acoplados aos espaçadores ou aos inaladores de pó. Escolar de oito anos é levado ao pronto-socorro em crise de asma iniciada na noite anterior. A mãe relata tosse, chiado, dispneia e vômitos. Exame físico: lúcido, orientado, acianótico, t.ax: 36,7°C, FR: 38 irpm, FC: 118 bpm, SaO2: 91%, dispneia moderada com retrações intercostais e sibilos expiratórios. O tratamento indicado neste momento é: (A) corticosteroide via oral (B) aminofilina intravenosa (C) corticosteroide intravenoso (D) anticolinérgico por via inalatória (E) β2-agonistas de ação curta por via inalatória Resposta correta: E Segundo as IV Diretrizes para o Manejo da Asma, o paciente em questão apresenta achados de crise de asma moderada/leve: lúcido, orientado, acianótico, retrações intercostais, frequência respiratória normal ou aumentada e sibilos expiratórios (sem referência quanto a localizados ou difusos) e achados de crise grave: SaO2 91%, FC maior do que 110 bpm e frequência respiratória normal ou aumentada. Ainda segundo as IV Diretrizes para o Manejo da Asma, o tratamento para casos como este é O2 para SaO2<95%, nebulização com β2-agonista ou spray com espaçador a cada 20 minutos, até uma hora; associar brometo de ipratrópio em crises mais graves. Iniciar corticosteroides se o paciente é cortico-dependente ou não apresentar uma boa resposta ao tratamento inicial com β2-agonista.>. Pré-escolar de quatro anos apresenta dor de ouvido unilateral ao tirar a camiseta para se preparar para o banho noturno. A mãe, aflita, não sabe se coloca gotas para dor de ouvido ou se dá analgésicos. O pré-escolar não apresenta elevação de temperatura (tax 36,8°C), alimentou-se bem e brincou muito durante o dia, tendo ficado na piscina por três horas. A principal hipótese diagnóstica é: (A) mastoidite (B) otite externa (C) otite média aguda (D) nevralgia do trigêmio (E) efusão do ouvido médio Resposta correta: B O toque ou a retração: O da orelha externa, como no caso pela passagem da camiseta sobre a orelha é um dos sintomas mais frequentes de otite externa. A dor, ou sensibilidade, pode ser desproporcional aos achados ao exame do conduto. Em certas ocasiões poderá haver grande manifestação com edema e até secreções purulentas. A permanência por muito tempo dentro d´água reduz a quantidade e a qualidade do cerúmen protetor, sendo que em piscinas com produtos de manutenção da qualidade da água, tais como cloração, este efeito pode ser ampliado. É grande e variável o número de patógenos que poderão então se instalar na pele do canal auditivo externo provocando inflamação de intensidade e gravidades proporcionais aos seus potenciais de invasividade. Lactente de 40 dias é levado ao pronto-socorro com história de febre de 39”C há 24 horas. A mãe refere que a criança diminuiu a aceitação alimentar. Exame físico: regular estado geral, FC: 120 bpm, otoscopia: hiperemia timpânica à direita, ausculta pulmonar normal. A melhor conduta é: (A) internar, investigar e iniciar antibioticoterapia (B) colher urinocultura e iniciar cefalexina oral (C) liberar e orientar para retornar em 24 horas (D) liberar e tratar otite média aguda com amoxicilina (E) colher hemocultura e aplicar ceftriaxona IM ambulatorialmente GABARITO: A Trata-se de um lactente com febre e sem foco identificado. A presença de hiperemia timpânica isolada não caracteriza otite média aguda. Para que este diagnóstico seja inequívoco é necessária a presença de abaulamento da membrana, que é o achado clínico de maior especificidade para o diagnóstico de otite média aguda. Os protocolos para a abordagem dos lactentes febris estªo sendo atualmente questionados devido à reduçªo da prevalência da bacteremia por hemófilo B e à provável reduçªo da bacteremia por pneumococo que se seguirá à introduçªo em nosso meio da vacina conjugada decavalente contra o pneumococo. Entretanto, qualquer protocolo de abordagem que tenha como conduta o acompanhamento ambulatorial do lactente com febre sem foco identificado tem como pressuposto que a criança não apresenta comprometimento do estado geral. Qualquer criança com comprometimento do estado geral, como no caso apresentado, deve ser admitida ao hospital, submetida a hemograma, hemocultura, EAS, urinocultura e punçªo lombar e tratada com antibioticoterapia de largo espectro até que a possibilidade de infecçªo bacteriana grave seja descartada. Lactente de 16 meses é levado a serviço de emergência devido a quadro de tosse, dispneia intensa e estridor. A mãe informa que o quadro vem evoluindo há cinco dias com coriza, rouquidão e tosse ladrante que pioraram nas últimas 24h concomitantemente ao aparecimento de estridor e febre alta (39°C). Exame físico: FR: 52 irpm, estridor acentuado em repouso, tiragem subcostal e supraesternal. Após a nebulização com adrenalina o quadro se mantém inalterado. A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) laringite viral (B) epiglotite aguda (C) laringite estridulosa (D) laringotraqueíte bacteriana (E) aspiraçªo de corpo estranho gabarito: D Laringite viral, laringite estridulosa e laringotraqueíte bacteriana sªo doenças caracterizadas por quadro obstrutivo subglótico e devem ser consideradas no diagnostico diferencial dessa criança. Entretanto, tanto a laringite viral quantoa estridulosa se caracterizam pela pronta resposta à nebulizaçªo com adrenalina, pois o edema da mucosa da regiªo subglótica é o principal fator de obstruçªo nestes casos e este é prontamente resolvido pela vasoconstricçªo induzida pela adrenalina. Além disso, a laringite estridulosa se caracteriza por ser um quadro de obstruçªo súbita, noturna e frequentemente afebril. A nªo resposta à adrenalina em um paciente que tem um quadro sugestivo de laringite viral, principalmente se associada à presença de febre alta, é muito sugestiva de laringotraqueíte bacteriana. Esta condiçªo mórbida é uma doença de etiologia predominantemente estafilocócica na qual a presença de pseudomembranas na árvore respiratória, resultado da secreçªo de muco espesso associado à necrose da mucosa das vias de conduçªo, leva a quadros obstrutivos graves que exigem internaçªo hospitalar, antibioticoterapia e, frequentemente, intubaçªo traqueal Escolar de sete anos, com crises de sibilância desde os dois anos, é levado ao ambulatório com queixa de crises de sibilância mais de duas vezespor semana, necessitando ser nebulizado em casa com β 2 agonista, quase diariamente, e que, pelo menos duas noites por mês, acorda tossindo. Considerando o quadro acima, a classificaçªo diagnóstica e o tratamento indicado para esta criança sªo, respectivamente: (A) asma intermitente/corticoide inalatório em dose baixa (B) asma persistente leve/corticoide inalatório em dose baixa (C) asma persistente moderada/corticoide inalatório em dose moderada (D) asma persistente grave/corticoide inalatório em dose alta associado a β 2 -agonista de curta duraçªo (E) asma intermitente grave/corticoide inalatório em dose baixa associado a β 2 -agonista de longa duraçªo GABARITO: C Segundo as IV Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma, esta criança deve ser classificada como portadora de asma persistente moderada e o tratamento inicial deve ser realizado com corticóide inalatório na dose moderada ou corticóide inalatório na dose baixa associado ao β2 agonista de longa duraçªo, em crianças acima de quatro anos, quando o corticóide inalatório em monoterapia, for insuficiente para o controle da asma. (2007) Pré–escolar de quatro anos é levado à emergência por apresentar dificuldade para respirar. A mãe refere que a criança vinha bem até completar dois anos de idade quando começou a apresentar tosse constante e rouquidão, que se intensificaram no último ano. Nega cirurgias anteriores. Exame físico: afebril; dispnéico, estridor inspiratório; BAN; tiragem intercostal; MV rude. Radiografia de tórax, seios da face, cavum e lateral de pescoço não evidenciaram nenhuma anormalidade. A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) broncomalácia (B) atresia de traquéia (C) papiloma de laringe (D) hemangioma subglótico (E) paralisia de cordas vocais O papiloma de laringe se caracteriza por lesões escamosas benignas que produzem rouquidão crônica no bebê. A maioria dessas lesões ocorre na laringe, mais especificamente nas cordas vocais e conforme o crescimento das cordas vocais a rouquidão aumenta e a comunicação vai se tornando difícil. Desenvolve-se angústia respiratória. Os sintomas surgem inicialmente durante o sono, com sintomas típicos de apnéia obstrutiva do sono. A angústia respiratória progride tornando-se perceptível durante atividades do dia-a-dia até que finalmente é evidente em repouso indicando a necessidade de intervenção cirúrgica. Resposta correta: C (2007) Pré-escolar de cinco anos, sexo masculino, é levado à emergêcia devido a otalgia bilateral aguda e intenso prurido nos ouvidos. Mãe relata que o quadro teve início há três dias, após ter ido à praia. Otoscopia: manipulação dolorosa dos pavilhões auriculares, canal auditivo externo com edema, hiperemia e discreto exsudato purulento. O tratamento indicado é prescrever: (A) antibiótico IM (B) antibiótico por via oral (C) gotas otológicas de álcool a 70% (D) gotas otológicas de cetoconazol (E) gotas otológicas de antibiótico e corticosteróide A otite externa é caracterizada por intensa dor e prurido locais. Os medicamentos de uso tópico contendo neomicina, polimixina e corticódes são efetivos no tratamento. Resposta correta: E. (2018-10) Escolar, seis anos, é trazido à emergência com dor forte em ouvido esquerdo iniciada há menos de 24 horas. Há três dias apresenta febre, que hoje se tornou mais elevada além de tosse e secreção nasal. Exame físico: chorando, fácies de dor, febril (38ºC), com opacidade, hiperemia e abaulamento da membrana timpânica esquerda. Nesse caso, o achado que tem maior especificidade para o diagnóstico é: A) febre. B) tosse. C) hiperemia. D) abaulamento. GABARITO D. A otite média aguda(OMA) é definida como a presença de líquido (efusão) preenchendo a cavidade da orelha média sob pressão, com início abrupto dos sinais e sintomas causados pela inflamação dessa região. A OMA ocorre mais frequentemente como consequência de uma IVAS que causa inflamação/ disfunção da tuba auditiva. Portanto, a OMA incide mais nos meses frios, na vigência ou sequência de uma IVAS e com febre. A OMA deve sempre ser confirmada pela otoscopia. São sinais de alteração da membrana timpânica (MT) encontrados na OMA: mudanças de translucidez, forma, cor, vascularização e integridade. O achado mais significativo no diagnóstico da OMA é o abaulamento da MT, com sensibilidade de 67% e especificidade de 97%. (2018-25) Pré-escolar, cinco anos, sexo masculino, eutrófico, cuja mãe é fumante de longa data, apresenta prurido nasal, rinorreia hialina intensa que piora à noite, associados à hiperemia conjuntival. Não há comorbidades. Apresenta também dificuldade para dormir e na escola não consegue acompanhar as atividades devido ao quadro. Com base nos sintomas apresentados, o tratamento deve incluir além da impermeabilização do colchão do paciente e soro fisiológico nasal: A) fenilefrina nasal + anti-histamínico tópico. B) anti-histamínico oral + corticoide intranasal. C) montelucaste + colírio com anti-histamínico. D) colírio de tobramicina + nafazolina tópica nasal. GABARITO B. A rinite alérgica é caracterizada por congestão nasal, rinorreia, prurido nasal, espirros frequentes e inflamação da conjuntiva. O tratamento inclui a prevenção (limitar a exposição a alergenos), antihistaminicos orais ou tópicos, spray nasal anticolinérgico (ipratropio); descongestionantes intranasais não devem ser usados por mais de 5 dias (congestão de rebote). Os modificadores de leucotrieno tem efeito modesto na rinorreía e obstrução nasal. Pacientes com sintomas mais graves devem receber corticoide intransal, o tratamento mais eficaz da rinite alérgica. Normalmente o tratamento da rinite alérgica com antihistaminicos orais e o corticoide intranasal aliviam a conjuntivite alérgica coexistente. Pré-escolar de quatro anos vem sendo atendido no setor de emergência do hospital por crises de asma, que se acentuam no inverno. Nos últimos seis meses, não chega a ficar um mês sem necessitar de atendimento de urgência. Fora das crises, necessita de broncodilatadores quase diariamente. A melhor alternativa para a prevenção das crises, segundo o III Consenso Brasileiro para o Manejo de Asma, é iniciar: (A) broncodilatador de longa duração inalado e corticóide inalado (B) broncodilatador de longa duração inalado e corticóide oral (C) broncodilatador de curta duração inalado e corticóide oral (D) broncodilatador de curta duração oral e corticóide inalado (E) broncodilatador de longa duração oral e corticóide oral GABARITO A. Segundo o III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma, o pré-escolar da questão é portador de asma persistente moderada, já que necessita de atendimento todo mês e faz uso de broncodilatador de curta duração, quase que diariamente, nos últimos seis meses. Para esses casos, o Consenso recomenda como primeira escolha o uso de broncodilatador de longa duração via inalatória, associado a corticóide inalatório em baixa/ média dose ou alta dose. Lactente de oito meses é levado ao ambulatório devido a quadro de irritabilidade e febre alta há três dias. A mãe informa que, há cerca de uma semana, o lactente parece resfriado e houve piora significativa nos últimos dias. Exame físico: abaulamento de membrana timpânica à esquerda e tumefação dolorosa retroauricular homolateral. A conduta, neste caso, deverá ser: (A) internação hospitalar para antibioticoterapia parenteral (B) liberação para casa com prescrição de amoxicilina (80 mg/kg/dia) por 14 dias (C) liberação para casa com prescrição de amoxicilina (40 mg/kg/dia) por dez dias (D) timpanocentese e liberação para casa com prescrição de amoxicilina por dez dias (E) timpanocentese e liberação para casa com prescrição de ceftriaxona IM por dez dias GABARITO A. Na maioria dos casos de otite média aguda é provável que haja mastoidite aguda subclínica. No caso relatado é direta a correlação de febre, das alterações da membrana timpânica e da tumefação dolorosa retroauricular homolateral caracterizando o quadro clínico de mastoidite aguda. As bactérias mais freqüentes são Streptococcus pneumoniae, Haemophylus influenzae e Pseudomonas aeruginosa.O tratamento correto é internação e antibioticoterapia parenteral. Pré-escolar de quatro anos apresenta à otoscopia opacificação da membrana timpânica e presença de nível líquido no ouvido médio. Tem história de alergia respiratória. Radiografia de cavum: hipertrofia de adenóides. A conduta inicial é: (A) tratamento da alergia respiratória e posterior reavaliação (B) miringotomia com colocação de tubo de ventilação (C) tratamento com descongestionante sistêmico (D) realização de adenoidectomia (E) prescrição de antibiótico GABARITO A. A presença de opacificação da membrana timpânica e de nível líquido no ouvido médio sugerem tratar-se de otite média serosa, freqüentemente associada à alergia respiratória – que está presente no caso. A otite serosa geralmente apresenta resposta favorável – com absorção do líquido seroso – a partir do tratamento da alergia respiratória. Pré-escolar de dois anos é levado à emergência com quadro de tosse, febre e rinorréia mucosa bilateral. É medicado com sintomáticos porém, dois dias depois, a secreção nasal se torna purulenta, unilateral e fétida. A conduta mais adequada é: (A) verificar os registros vacinais no cartão da criança pela possibilidade diagnóstica de rinite diftérica (B) prescrever antibiótico por se tratar de provável sinusite, própria da evolução de quadro respiratório viral (C) manter a conduta anterior por ser o quadro atual próprio de infecções respiratórias virais de trato superior (D) investigar a possibilidade da criança ter introduzido corpo estranho no nariz e encaminhar ao otorrinolaringologista (E) encaminhar ao otorrinolaringologista pela possibilidade de rinite ozenosa que tem evolução semelhante à apresentada GABARITO D. A modificação do quadro inicial, descrita no enunciado da questão, com o aparecimento de secreção nasal purulenta, fétida e unilateral, nos obriga a pensar na possibilidade de tratar-se de corpo estranho nasal. A idade da criança é outro fator importante a ser considerado, uma vez que, com alguma freqüência, crianças desta idade introduzem pequenos objetos no nariz e conduto auditivo. O encaminhamento ao especialista vai depender da facilidade ou não da visualização do corpo estranho e de sua retirada. Muitas vezes faz-se necessário o uso de instrumental e técnicas de acesso que requerem atuação de otorrinolaringologista. Escolar de oito anos retorna ao ambulatório quatro dias após ter sido atendido com quadro progressivo de febre, dor de garganta, hiperemia intensa de orofaringe, hipertrofia de amígdalas, com exsudato e petéquias em palato, linfadenopatia cervical anterior e posterior e submandibular bilateral. Na primeira consulta havia sido prescrita amoxicilina por dez dias. A mãe relata exantema após três dias de tratamento, sem melhora do quadro clínico. Diante dessa evolução, deve-se suspeitar de: (A) faringite por estreptococo β-hemolítico do grupo A (B) mononucleose infecciosa pelo vírus Epstein-Barr (C) faringite por associação fusoespiralar (D) infecção por enterovírus coxsackie (E) faringite por micoplasma GABARITO B. O vírus de Epstein-BarrVEB, durante a progressão da mononucleose infecciosa-MNI, causa faringite que pode ser indistinguível da faringite estreptocócica, inclusive pelas petéquias em palato e exsudato, levando-se ainda em conta que metade das MNI pelo VEB cursa sem esplenomegalia e que cinco por cento das crianças com MNI têm cultura de secreção da faringe positiva para Streptococcus B-hemolítico do grupo A. Frente a uma criança com diagnóstico de faringite estreptocócica tratada com amoxicilina, que não melhora em três dias e apresenta rush cutâneo, pensar em MNI pelo VEB Adolescente de sexo feminino, 15 anos, apresenta febre baixa (38° -38,5°C), fadiga, mal estar, mialgia e adinamia há 14 dias. Exame físico: linfadenopatia generalizada, leve hiperemia de orofaringe e discreta hepatoesplenomegalia. Exames complementares: Leucócitos: 8.200/mm3 , Linfócitos: 60%, Linfócitos atípicos: 10%; Monoteste negativo. Dentre as hipóteses diagnósticas abaixo, a mais provável é: (A) rubéola (B) parvovirose (C) estreptococcia (D) infecção herpética (E) citomegalovirose GABARITO E. A citomegalovirose pode causar uma síndrome “mononucleose-like” caracterizada por fadiga, malestar, mialgia, cefaléia, febre, hepatoesplenomegalia, aumento das enzimas hepáticas e linfocitose atípica. O curso é geralmente leve, durando 2 a 3 semanas. Lactente de nove meses é levado para consulta de revisão após 14 dias de tratamento de otite média aguda com amoxicilina na dose de 50mg/kg/dia. Ao exame verifica-se persistência de efusão no ouvido médio direito. A mãe informa que após 48 horas de início do tratamento o lactente ficou assintomático. A conduta indicada neste caso é: (A) manter o esquema antibiótico na mesma dose por mais sete dias (B) substituir o esquema por sete dias de droga resistente à betalactamase (C) indicar paracentese para colheita de secreção do ouvido médio e cultura (D) aumentar a dose de amoxicilina para 80mg/kg/dia mantendo por mais sete dias (E) suspender o antibiótico e reavaliar posteriormente o aspecto da membrana timpânica GABARITO E. O esquema de tratamento foi adequado para tratamento de otite média aguda. A evolução foi favorável com resolução dos sintomas em 48 horas após início do tratamento. A persistência da efusão em duas semanas não significa má evolução e pode fazer parte do quadro, portanto a conduta é expectante com posterior reavaliação. Pré-escolar de cinco anos é atendido no setor de emergência com crise de asma. Apresenta-se em bom estado geral, dispneico, com sensório normal, com retrações subcostais e sibilos difusos. FR: 48 irpm e FC: 120 bpm. A mãe relata a ocorrência de crises freqüentes, “praticamente todos os dias”, acordando sempre à noite e com muitas faltas à escola. Relata ainda uma internação por asma este ano. O setor de emergência não dispõe de oximetria. A gravidade da crise e da doença, pode ser classificada, respectivamente, em: (A) grave / asma persistente leve (B) grave / asma persistente grave (C) moderada / asma persistente grave (D) muito grave / asma persistente grave (E) moderada / asma persistente moderada GABARITO C. Segundo o III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma, com relação à classificação da intensidade da crise de asma, a presença de retrações subcostais, freqüência cardíaca mais do que 110 bpm, freqüência respiratória aumentada e sibilos difusos, em uma criança com bom estado geral e sensório normal, é classificada como asma moderada. O mesmo Consenso, na sua classificação da gravidade da asma, classifica crises freqüentes graves com internação, risco de vida ou uso de corticóide sistêmico, sintomas noturnos quase diários, e faltas freqüentes à escola como asma persistente grave. Ainda em sequência, Com relação ao tratamento imediato do quadro apresentado acima, a melhor conduta é: (A) β2-adrenérgico via inalatória uso contínuo, oxigênio (3 l/min) e corticóide IV (B) β2-adrenérgico via inalatória uso contínuo, oxigênio (3 l/min), xantina IV e corticóide IV (C) β2-adrenérgico via inalatória a cada 20 minutos, até três doses, com reavaliação após cada etapa e oxigênio (3 l/min) (D) β2-adrenérgico via inalatória a cada 20 minutos, até três doses, com reavaliação após cada etapa, oxigênio (3 l/min) e xantina IV (E) internação imediata em unidade de terapia intensiva, com hidratação venosa, oxigênio (3 l/min), xantina IV, corticóide IV e β2-adrenérgico IV GABARITO C. Segundo o III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma, com relação ao tratamento da crise de asma no pronto-socorro deve-se oferecer oxigênio para saturação de oxigênio igual ou menor do que 95% e β2-agonista a cada 20 minutos, até 3 doses (uma hora). Deve-se avaliar o paciente após cada etapa para detectar melhora do quadro ou piora com sinais de perigo. Pré-escolar de quatro anos é atendido na emergência com história de faringite de início há cinco dias, com melhora da febre no terceiro dia de evolução. Há mais ou menos 24 horas apresentou febre de 40°C, com dor de gargantaintensa, trismo e dificuldade de deglutir, recusando todo alimento oferecido. Ao exame da orofaringe, apresenta hiperemia e hipertrofia de amígdalas, mais intensa à direita, com desvio da úvula para o lado oposto. A conduta indicada no caso é: (A) clindamicina + drenagem (B) penicilina + drenagem (C) amoxicilina-clavulanato (D) oxacilina + drenagem (E) azitromicina GABARITO B. Os abscessos peritonsilares são causados na sua imensa maioria pelo estreptococo β hemolítico do grupo A. Em alguns casos pode-se encontrar a sua associação com anaeróbios. Desta forma o tratamento indicado é a penicilina cristalina associado a drenagem. Pré-escolar, após episódio de rinofaringite viral, persiste com alguns episódios de febre baixa e várias crises diárias de tosse pouco produtiva que se intensificam ao deitar. Ao exame observa-se secreção nasal amarelada também presente na retrofaringe. O tratamento mais indicado é: (A) cefuroxima oral por 15 dias + descongestionante oral sistêmico (B) azitromicina oral por 6 dias + irrigação nasal com soro fisiológico (C) amoxicilina oral por 15 dias + irrigação nasal com soro fisiológico (D) ceftriaxona parenteral por 7 dias + descongestionante oral sistêmico (E) sulfametoxazol-trimetoprim oral por 15 dias + irrigação nasal com soro fisiológico GABARITO C. Os sintomas descritos são compatíveis com o diagnóstico de sinusite. A amoxicilina oral é a droga de eleição para o seu tratamento e deve ser ministrada por 14 a 21 dias. Nas áreas onde existe uma maior incidência de H. influenzae produtor de B-lactamase ou quando ocorre falha do tratamento, a associação de amoxicilina com ácido clavulânico, ampicilina com sulbactam e algumas cefalosporinas são as opções de segunda linha. Pré-escolar de dois anos e seis meses é atendido no posto de saúde com crise leve de asma iniciada há menos de seis horas. A mãe relata que a criança costuma ter crises semelhantes quatro vezes ao ano, que cedem rapidamente com nebulização com β2 em casa, permanecendo assintomática o restante do tempo. Procura o posto nesta ocasião apenas pela dúvida de fazer ou não a dose da vacina anti-hemófilos B, que a criança ainda não tomara. Além de prescrever β2 inalatório, a orientação neste caso é: (A) corticóide inalatório e não aplicar a vacina (B) aplicar naquele momento a única dose da vacina (C) aplicar naquele momento a primeira dose da vacina (D) corticóide inalatório e aplicar naquele momento a única dose da vacina (E) corticóide inalatório e aplicar naquele momento a primeira dose da vacina GABARITO B. Segundo o II Consenso Brasileiro de Asma, a criança é classificada como sendo portadora de asma leve, não havendo indicação de prescrição de corticosteróide inalatório. Baseando-se no III Consenso Brasileiro de Asma, a classificação seria de asma intermitente, não havendo indicação, também, da prescrição do corticosteróide inalatório. Com relação à vacina anti-hemófilos, o correto seria aplicar dose única da vacina, conforme a orientação do Ministério da Saúde para essa faixa de idade. Pré-escolar, após um resfriado, vem apresentando alterações clínicas há 12 dias. Dentre os achados clínicos citados abaixo, aqueles que sugerem o diagnóstico de sinusite são: I - Tosse logo ao deitar e imediatamente ao acordar II - Tosse no meio da madrugada e quando corre III - Tosse durante o dia todo e também durante a noite IV - Rinorréia mucosa e mau hálito V - Cefaléia freqüente (A) I e V (B) I e IV (C) II e IV (D) II e V (E) III e IV GABARITO E. : No caso em tela (préescolar com sinusite), as manifestações mais comuns são tosse e coriza. A tosse ocorre durante todo o dia e piora em decúbito dorsal e a coriza pode ser hialina ou purulenta. Cefaléia, dor facial, dor à palpação dos seios da face e edema facial ocorrem em adolescentes e adultos, mas são incomuns em pré-adolescentes. Escolar de seis anos apresentase com febre e dor de garganta. A mãe refere que, no início do quadro, notou edema bipalpebral e que o exame de urina solicitado foi normal. A criança está com estridor progressivo e dificuldade para respirar. Ao exame: faringe hiperemiada com amígdalas muito hipertrofiadas e recobertas por exsudato brancoacinzentado. Notam-se petéquias no palato e gânglios cervicais anteriores e posteriores nitidamente aumentados, um pouco dolorosos, consistentes e móveis. Ausculta pulmonar é normal. A melhor medida terapéutica é: (A) penicilina benzatina (B) diclofenaco (C) amoxicilina (D) cefalexina (E) prednisona GABARITO E. O quadro é típico de mononucleose infecciosa com amígdalas com exsudato branco acinzentado, petéquias em palato e adenomegalias. A evolução com estridor progressivo e dificuldade de respirar caracteriza obstrução laríngea e neste caso está indicado prednisona na dose de 1-2mg/kg/dia durante cinco a sete dias. Pré-escolar com quatro anos apresenta há cinco dias tosse, secreção e obstrução nasal, evoluindo com leve melhora dos sintomas. Hoje iniciou febre e queda do estado geral sendo levado ao consultório pediátrico. Exame físico: eupneico, hiperemia de faringe com drenagem de secreção posterior e a visualização do vestíbulo nasal mostra crostas amareladas. O diagnóstico de rinossinusite é confirmado por: A) ressonância magnética B) raio-X dos seios da face C) anamnese e exame físico D) tomografia computadorizada Resposta correta: C Na maioria das vezes, as rinossinusites são de etiologia viral e apresentam um curso auto-limitado que não ultrapassa dez a treze dias de evolução. As rinossinusites bacterianas podem apresentar-se com início súbito e agudo de sinais e sintomas, incluindo febre alta e rinorréia purulenta, ou como rinossinusites que sucedem um quadro viral. Nesse último caso, devem ser suspeitadas quando a sintomatologia de IVAS dura mais de dez a trezes dias, sem melhora, ou quando, após leve melhora, constata-se piora do estado geral, com surgimento de febre alta e intensificação dos sinais respiratórios (o que aconteceu no paciente mencionado na questão). A conduta correta é prescrever antibioticoterapia que cubra pneumococo, hemófilos e moraxela. O exame radiológico de seios da face não auxilia no diagnóstico diferencial entre quadros virais e bacterianos e também não é necessário para o diagnóstico de rinossinusites agudas. (2007) Lactente de 45 dias é atendido no pronto-socorro com quadro de bronquiolite viral aguda. Mãe relata prematuridade de 35 semanas, AIG, não necessitando de cuidados ventilatórios. Exame físico: regular estado geral, dispnéica, FR: 72 irpm, sem tiragem ou batimento de aletas nasais, MV presente e diminuído universalmente, com sibilos esparsos. Exames complementares: saturação de O2 de 95% em repouso; radiografia de tórax: pulmões hiperinsuflados com reforço da trama broncovascular. O pediatra assistente decide pela internação hospitalar. As alterações clínicas ou laboratoriais que determinaram essa decisão foram: (A) idade e FR elevada (B) radiografia de tórax e idade (C) estado geral e prematuridade (D) saturação de O2 e prematuridade (E) radiografia de tórax e saturação de O2 São considerados sinais de perigo pela OMS, OPAS e revisões sistemáticas, em menores de 2 meses de idade com tosse ou dificuldade para respirar: freqüência respiratória (FR) elevada, tiragem subcostal, recusa do seio materno, febre alta, entre outros. Na criança com bronquiolite, além destes, são fatores de risco a prematuridade (< 34 semanas), idade menor do que 3 meses, comorbidades como por exemplo, cardiopatia congênita, doença pulmonar crônica e imunodeficiência. Pode-se, acrescentar, ainda, como fatores de risco para hospitalização, saturação de oxigênio <92%, sensório alterado (letargia, sonolência anormal, excitabilidade exagerada), atelectasia ou consolidação à radiografia do tórax. Das opções, a correta é a de letra “a”, que contém idade e FR elevada, contempladas no caso clínico, respectivamente, com 45 dias e 72 irpm. Os outros dados estão dentro do esperado ou não constituem preocupação adicional. GABARITO: A. 4) Constipação Intestinal Os pais de um escolarde seis anos foram chamados à escola, no segundo mês letivo, pois seu filho passou a ser evitado pelos coleguinhas por estar sempre com odor fecal. Era filho único e o casal esperara mais de oito anos para concebê-lo. A mãe era muito cuidadosa e exigente e tentara ensiná-lo desde cedo a evacuar no vaso sanitário.O menino apresentava desde os dois anos e meio dificuldade para evacuar. Passava dias sem apresentar nenhuma emissão, e por muitas vezes ela o viu suar frio e se “apertar”. Era comum ter sangramento anal pois as fezes eram muito volumosas e ressecadas, e o fato era motivo de grande ansiedade na família. Não apresentava déficit ponderoestatural, nem distensão abdominal. Era muito introvertido e o seu exame físico difícil de ser realizado já que ele dificultava muito qualquer abordagem. Com base na história acima responda: Cite o diagnóstico provável e justifique: Constipação funcional crônica ou megacólon funcional, ou megacolón psicogênico em função de fatores familiares, psicológicos e de excessiva manipulação e controle em um menino tímido e propenso a somatizar as pressões sofridas. Descreva outros achados de exame físico e exames complementares que reforçariam a hipótese diagnóstica mais provável: Palpação de grande volume (fecal) em região de baixo ventre, toque retal com fezes no reto, radiografia simples de abdome com indícios de grande volume fecal em reto, radiografia contrastada sem preparo prévio com megacólon funcional, manografia anorretal com resposta normal de esfíncter interno. Descreva o tratamento necessário: Esvaziamento intestinal com clister glicerinado ou outras manobras que possibilitem o esvaziamento tais como retirada manual das fezes, dieta anticonstipante, óleo mineral por via oral em grandes volumes para permitir um deslizamento das fezes com menor sensação dolorosa, aumentar a ingestão de líquidos, treinamento para evacuar, e apoio psicológico. 5) Imunizações 12-Gestante portadora do vírus B da hepatite (HbsAg positivo), 32 semanas de idade gestacional, pré-natal sem intercor rências procura orientação para seu filho. A conduta para a prevenção da transmissão vertical da doença é aplicar: A) Imunoglobulina humana até o 7º dia e vacina até uma hora de vida. B) B) Imunoglobulina específica (HBIG) logo ao nascimento e vacina até o 7º dia. C) Imunoglobulina específica (HBIG) até o 7º dia e vacina até 24 horas de vida. D) Imunoglobulina humana logo ao nascimento e vacina com 30 dias. Comentário: D) Na profilaxia da transmissão perinatal de hepatite B deve ser usada imunoglobulina específica (HBIG) e não imunoglobulina humana conforme item C. 17- A mãe de um lactente de nove meses que está em aleitamento materno necessita viajar para uma região onde a febre amarela é endêmica. A orientação correta nesse caso para que a mãe e seu filho viajem em segurança é vacinar: A) A mãe e o lactente antes da viagem. B) Apenas o lactente, já que lactantes não podem receber a vacina. C) A mãe, e só amamentar após dez dias; o lactente não deve ser vacinado. D) Apenas a mãe antes da viagem; o lactente será imunizado via leite materno. GAB A; TANTO A MÃE QUANTO O BEBÊ PODEM SER VACINADOS. 38- Adolescente, sexo feminino, 12 anos, é atendida no pronto-socorro após sofrer queda de bicicleta, apresentando-se com múltiplas escoriações e ferimentos corto-contusos profundos. A caderneta de saúde da criança revela que a menor recebeu as três doses do esquema básico com DTP, com um reforço aos seis anos. A conduta mais adequada com relação à profilaxia antitetânica é aplicar: A) Uma dose de reforço de DT (dupla tipo infantil) e de soro antitetânico. B) Uma dose de reforço de DT (dupla tipo adulto) ou vacina antitetânica C) Uma dose de reforço de DT (dupla tipo adulto) e de soro antitetânico. D) Apenas o soro antitetânico, uma vez que a série básica está completa. GAB B. A adolescente não recebeu a dose de 15 meses da vacina DT e as lesões são profundas, justificando uso de proteção contra o tétano 49- Lactente, sexo feminino, doze meses, é trazido à unidade básica de saúde para realizar vacinação de rotina. Sua mãe refere que aos seis meses, ao iniciar alimentação complementar, apresentou “vermelhidão” no pescoço e ombros, que foi relacionado à ingestão de ovo, e o pediatra orientou a retirar ovos e derivados da alimentação do lactente e da mãe. O técnico responsável pergunta se pode aplicar a vacina. A sua conduta nesse caso deverá ser: A) Não vacinar, pois apresentou anafilaxia ao ovo. B) Realizar a vacinação, pois não há história de anafilaxia. C) Encaminhar para o centro de imunobiológicos especiais. D) Solicitar teste de IgE específica para ovo antes de vacinar. GAB B. As pessoas com história de reações anafiláticas em dose anterior de vacina de sarampo não devem ser revacinadas. As vacinas de sarampo em uso no Brasil são produzidas em cultura de células de embrião de galinha e não contém quantidades significativas de ovoalbumina, à exceção da vacina produzida pelo laboratório Serum Institute of India, que contém lactoalbumina hidrolisada, estando contraindicada em pacientes com alergia ao leite de vaca. Família composta de pai , mãe , lactente de cinco meses ( em aleitamento materno exclusivo ) e pré escolar de quatro anos e oito meses, todos saudáveis, chegam ao posto de saúde em 05 de junho de 2019, dizendo que vão morar em Manaus e que gostariam de atualizar as vacinas de seus filhos. Seguem os calendários de vacina das crianças: Em relação ao calendário do Ministério da Saúde: A) Cite as vacinas necessárias para atualizar o esquema vacinal do lactente de cinco meses. B) Cite as vacinas necessárias para atualizar o esquema vacinal do pré escolar de quatro anos e oito meses. GABARITO: ITEM A: 2ª dose da Penta ( DPT , haemofilus e hep B) / 2ª dose Polio / 2ª dose da rotavirus / 2ª dose meningite C e Pneumo 10 valente aos 5 meses. ITEM B: Tetraviral (2ª dose TV + 1ª Varicela) / Hepatite A / Meningite C reforço / DPT+pólio ( reforço) / Febre amarela 2018 3- Escolar de sete anos, portador de nefropatia crônica em uso de corticoide oral em dose > 2mg/ kg/dia, perdeu o cartão vacinal e precisa atualizá-lo. Não tem cicatriz de BCG visível. Em relação a vacinação dessa criança, é correto afirmar que: A) aplicar vacina BCG pelo risco maior de desenvolver tuberculose. B) aplicar tríplice bacteriana e tríplice viral a qualquer momento da terapia. C) aplicar todas as vacinas, pois o uso de corticoide nessa dosagem não é contraindicação. D) não aplicar tetraviral e febre amarela até interromper o tratamento por pelo menos um mês. Comentário: D) Os corticóides podem provocam supressão do sistema imune. Crianças que recebem corticoides em dose ≥2mg/kg/dia ou ≥20mg/dia, de prednisona ou equivalente , por 14 dias ou mais não devem receber vacinas com vírus vivos até que o tratamento seja suspenso por pelo menos 1 mês. Assim sendo as vacinas tetra viral e de febre amarela encontram –se contraindicadas. 15- Lactente, 15 meses, morador de Natal (RN), comparece à unidade básica de saúde para vacinação rotineira com o calendário atualizado até 12 meses. A mãe informa que o seu pai foi transferido para a região do pantanal sul-mato- -grossense e em 20 dias viajarão para lá, onde passarão a morar. A orientação correta sobre a vacinação dessa criança é realizar as vacinas necessárias para a idade e a condição epidemiológica, EXCETO a vacina: A) tetra viral. B) poliomielite. C) meningocócica C. D) tríplice bacteriana (DPT). Comentário: A) Se a criança tiver alguma dose do Calendário Nacional de Vacinação em atraso, ela pode ser aplicada ao mesmo tempo com a febre amarela, com exceção vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) ou tetra viral (que protege contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela). 23- Escolar, sete anos, sexo masculino foi mordido por um cão e levado duas horas depois por seus pais à emergência. O cão é conhecido e está com as vacinas em dia. A criança tem esquema vacinal atualizado incluindo DPTa e VIP com cinco anos. A mordedura ocorreuna região abdominal. Exame da pele: lesão de 4 cm de diâmetro, bem superficial sem sinais inflamatórios na região abdominal. Além da limpeza da ferida com água e sabão deve-se: A) observar o animal por dez dias pós exposição. B) administrar imunoglobulina antirrábica e toxoide tetânico. C) administrar esquema de cinco doses de vacina antirrábica. D) observar o animal e administrar 1ª dose de vacina antirrábica. Comentário: A) Acidentes leves como ferimentos superficiais, pouco extensos e únicos em tronco, abdômen e membros (exceto mãos, polpas digitais e planta dos pés) devem ser acompanhados clinicamente por 10 dias. Se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso, administrar 5 doses da vacina anti-rábica 33- A vacina HPV (papiloma vírus humano) deve ser aplicada em crianças e adolescentes idealmente antes da exposição ao vírus. Segundo o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), devem ser vacinados: A) meninas de 9 a 14 anos de idade. B) meninas a partir de nove anos de idade. C) meninos e meninas de 11 a 14 anos de idade. D) meninos e meninas a partir de nove anos de idade. Comentário: D) Embora disponível gratuitamente pelo programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil somente para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, a SBP recomenda para todas as crianças e adolescentes, de 9 a 20 anos, de ambos os sexos, a vacina HPV. 34- O Brasil é considerado uma região livre da circulação do vírus do sarampo, graças a extensos programas de imunização com elevadas coberturas vacinais. Apesar disso, o risco de reintrodução desse vírus é constante. Em diversas partes do mundo, o sarampo não está controlado, e o exemplo mais recente disso é o caso de Roraima. A migração maciça de venezuelanos para esse estado brasileiro levou ao surgimento de casos de sarampo e a necessidade de ações específicas para conter a doença. No calendário de vacinação da Sociedade Brasileira de Pediatria, a primeira dose para proteção contra o sarampo é indicada a partir do seguinte mês de idade: A) 12 B) 15 C) 9 D) 7 Comentário: A) São considerados protegidos crianças e adolescentes que tenham recebido duas doses da vacina tríplice viral(SCR) e/ou tetraviral(SCRV), acima de um ano de idade, com intervalo mínimo de 1 mês entre elas. Por possível interferência de anticorpos maternos, doses desta vacina aplicadas antes de 12 meses de idade não são consideradas válidas. A vacina tetraviral (SCRV) é priorizada na segunda dose, aos 15 meses, pois na primeira se identificou uma maior frequência de efeitos adversos, quando comparada a tríplice viral (SCR). Assim, sendo possível, deve-se aplicar em separado SCR + V (vacinação simultânea), na primeira dose e junto SCRV na segunda dose (Vacinação combinada), pois os efeitos adversos não aumentaram nessa dose subsequente. 50 - Gestante deu entrada na maternidade em período expulsivo. Na admissão, relatou ter 50 hepatite e trouxe os exames realizados confirmando o diagnóstico. A conduta mais adequada em relação à amamentação é: A) se for hepatite C não deve amamentar, pois o vírus da hepatite C é transmitido pelo leite materno e pelo sangue infectado. B) se for hepatite A pode amamentar e o recém-nascido deverá receber imunoglobulina humana se ela estiver na fase aguda da doença. C) se for hepatite B pode amamentar e o recém-nascido deverá receber a primeira dose da vacina contra hepatite B e a imunoglobulina específica na primeira semana de vida. D) se for hepatite B não deve amamentar, e o recém-nascido deverá receber a primeira dose da vacina contra hepatite B e a imunoglobulina específica nas primeiras 12 horas de vida. Comentário: B) Não é recomendado interromper a amamentação de mães infectadas por VHA. O VHA tem maior possibilidade de transmissão no momento do parto, se este for vaginal, devido à maior probabilidade de contaminação pelas fezes maternas infectadas. No entanto, vale ressaltar que a maioria das mulheres adultas já tem o anticorpo por infecção pregressa. Se o parto ocorrer na fase aguda da doença materna, é aconselhável que o recém-nascido receba imunoglobulina humana. A hepatite B é uma doença infecciosa causada pelo VHB, que pode estar presente no sangue, no esperma, no líquido amniótico, nos fluidos vaginais, no sangue do cordão umbilical e no leite materno. O maior risco de transmissão para o recém-nascido é durante o parto, quando a criança entra em contato com o sangue e secreções maternas infectadas. O antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg) foi detectado no leite de mulheres positivas para HBsAg. No entanto, estudos indicam que a amamentação por mulheres positivas para HBsAg não aumenta significativamente o risco de infecção para os seus filhos, apesar de existir o risco teórico de transmissão se a criança entrar em contato com o sangue materno existente em fissuras ou traumas mamilares. As mães HBsAg positivas devem ser encorajadas a amamentar, desde que o seu filho realize imunoprofilaxia, com administração da primeira dose da vacina contra hepatite B e simultaneamente o uso da imunoglobulina específica contra hepatite B, administradas ainda na sala de parto ou dentro das primeiras 12 horas de vida da criança concomitantemente, em locais de aplicação diferentes. O RNA do VHC e os anticorpos contra o vírus foram detectados no leite de mães infectadas; no entanto, a transmissão do HCV através da amamentação até o momento nunca foi documentada em mães com resultados positivos para o anti- -VHC. Revisão sistemática da literatura conduzida pela força-tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos com o objetivo de avaliar o risco de transmissão do VHC concluiu que a interrupção do aleitamento materno para reduzir o risco de transmissão vertical não se justifica. Evitar a amamentação não diminui a taxa de transmissão vertical do VHC, pois esse risco não é devido ao leite materno ou colostro, por conterem uma quantidade muito baixa de vírus e que são inativados no trato digestório da criança. A hepatite C não contraindica o aleitamento materno e mães infectadas com VHC devem são encorajadas a amamentar. No entanto, sabe-se que o VHC é transmitido pelo sangue infectado; assim, se a mãe infectada tiver fissura de mamilo ou lesão na aréola circundante com sangramento, ela deve parar de amamentar temporariamente na mama com sangramento. 2017 28- Lactente de oito meses é trazido por sua mãe ao ambulatório. Está clinicamente saudável, mas a mãe relata que não recebeu nenhuma vacina, pois moram em região distante do posto de saúde. Com relação específica à vacinação contra tuberculose e paralisia infantil é indicado: A) fazer teste tuberculínico e indicar uma dose da vacina poliomielite inativada B) fazer teste tuberculínico e indicar uma dose da vacina poliomielite atenuada C) iniciar a vacinação com uma dose da vacina BCG e uma dose da vacina poliomielite atenuada D) iniciar a vacinação com uma dose da vacina BCG e uma dose da vacina poliomielite inativada Comentário: D) De acordo com as normas do Programa Nacional de Imunizações toda criança saudável, menor de cinco anos de idade, sem vacinação BCG deve receber uma dose da vacina. Não se indica Teste Tuberculínico prévio. As mesmas normas recomendam um esquema sequencial para vacina poliomielite, iniciando-se com três doses da vacina inativada na imunização primária, mesmo após o sexto mês de vida. 29- Adolescente, 13 anos, masculino, procura unidade pública de saúde para atualizar sua situação vacinal. A carteira vacinal demonstra já ter recebido duas doses da vacina hepatite B, duas doses da vacina tríplice viral e última dose da tríplice bacteriana aos seis anos de idade. Nesse caso, deve-se indicar as seguintes vacinas: A) dupla tipo adulto, hepatite B e HPV B) hepatite B, HPV e meningocócica C C) HPV, meningocócica C e dupla tipo adulto D) hepatite B, meningocócica C e dupla tipo adulto Comentário: B) A vacina Hepatite B é recomendada em um esquema de 3 doses e o adolescente do caso tem o registro de 2 doses – o esquema deve ser finalizado com uma dose a mais.Em 2017 o programa Nacional de imunização (P.N.I) passou a disponibilizar a vacina HPV também para menores de 12 e 13 anos de idade como estratégia de ampliação de proteção do câncer do colo do útero nas adolescentes e mulheres além de proteção dos adolescentes contra outros tipos de câncer e verrugas genitais. Os adolescentes foram incluidos também no programa de vacinação contra o meningococo C. O adolescente de 13 anos recebeu dose de tríplice bacteriana aos 6 anos de idade e assim deverá receber o reforço aos 16 anos da dupla tipo adulto (DT adulto) 6) Desnutrição e Hipovitaminose Recém-nascido de quatro dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, apresenta quadro de apatia, difi culdade para mamar, alguns episódios de vômitos e taquipneia. Deu entrada na emergência com quadro de acidose metabólica, sendo transferido, em algumas horas em coma, para o CTI. A mãe informa que, por sugestão de uma amiga, fez dieta vegetariana, pois não queria seu filho contaminado com “carne de bichos mortos de forma cruel”. O quadro descrito é secundário à carência de: (A) biotina (B) sarcosina (C) L-carnitina (D) cobalamina (E) hidroxifolato Resposta correta: D A base teórica fundamentada da situação de carência causada pelo vegetarianismo não conduzido por profissional, como é o caso proposto na questão. A fonte exclusiva da vitamina B12 (cobalamina) é animal e dietas vegetarianas não acompanhadas causam consequências sérias, inclusive com baixa excreção no leite materno, podendo por isto, não ser incomum lactentes serem gravemente afetados por esta carência alimentar materna. Por outro lado a vitamina B12, como adenosil-cobalamina, é cofator específico de duas mutases (enzimas) no metabolismo de aminoácidos. Estas quando inativas (mutases) são causadoras de defeitos bioquímicos que irão dar origem secundariamente a acidemia metil-malônica. Na evolução de um quadro de Acidemia metil-malônica secundária poderá ocorrer letargia, dificuldades para mamar, vômitos, taquipneia (devido a acidose) e hipotonia nos primeiros dias de vida, que quando não corretamente tratada evolui para coma e morte. Lactente de 11 meses é levado à unidade de saúde pela tia, que o “acha muito magrinho”. No relato da maternidade, consta que nasceu de parto normal, a termo, sem intercorrências, com Apgar de 7 e 10, pesando 2.800g. Durante a consulta, a tia apresentou o Cartão da Criança, com anotações das vacinas em dia, e do peso do segundo, quarto, sexto, oitavo e nono meses. Após pesar a criança, o pediatra verifica que ela se encontra no percentil 9, com inclinação horizontal da curva. Com relação à condição do crescimento da criança, o pediatra deverá classificá-la como: (A) alerta para formas clínicas de desnutrição (B) insatisfatório com risco nutricional (C) peso muito baixo (D) peso baixo (E) satisfatório GABARITO B. De acordo com a classificação da condição de crescimento em vigor preconizado pelo Ministério da Saúde, uma criança entre os percentis 3 e 10 do Cartão da Criança apresenta uma condição de crescimento insatisfatória. Nesta condição a presença de uma curva horizontal de crescimento classifica a condição de crescimento da criança como insatisfatória com risco nutricional, de acordo com o Manual de Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil – Ministério da Saúde – 2002. Um lactente feminino de onze meses portador de cardiopatia grave não consegue ganhar peso suficiente para que possa ser submetido à correção cirúrgica de sua condição. Faz uso de diuréticos e digitálicos, além de restrição hídrica. No momento da avaliação, encontra-se hemodinamicamente compensado e pesando 7200g. Para melhorar o ganho ponderal, sem modificar as restrições necessárias à estabilidade da paciente, a melhor conduta é: (A) aumentar para 20% o teor de carboidratos das mamadeiras (B) enriquecer toda a dieta com carboidratos de fácil aceitação (C) adicionar gordura vegetal em todas as suas refeições (D) fracionar a dieta em várias pequenas refeições (E) aumentar para quatro as suas refeições de sal GABARITO C. Os pacientes portadores de cardiopatias com baixo débito, em especial na insuficiência ventricular esquerda, necessitam de controle volumétrico e uso de diuréticos. Têm reserva tecidual de oxigênio baixa e portanto se beneficiam muito se houver aumento da disponibilidade calórica com reduzido aumento do consumo deste gás. É particularmente benéfico para estes pacientes um aumento da oferta de gorduras, em especial daquelas ricas em triglicerídeos de cadeia longa e composta por ácidos graxos poli-insaturados. Estes proporcionam cerca de 9kcal por grama além de não aumentarem a volemia em água e serem benéficos na prevenção da hipercolesterolemia. Portanto, os óleos vegetais, ricos neste tipo de triglicerídeos são ideais para a adição nas refeições destes pacientes aumentando a oferta calórica, proporcionando um aumento de peso sem interferir com as restrições hídricas e nem no aumento do consumo de oxigênio. 7) Doenças Exantemáticas Escolar de oito anos apresenta exantema em face com lesões maculopapulares que logo confluíram para as regiões malares (aspecto de asa de borboleta). Dois dias depois, o quadro evoluiu com exantema em membros superiores e inferiores de aspecto rendilhado e, passadas duas semanas, ocorreu novo episódio exantemático após atividade física. Em consulta, o paciente está afebril e relata artralgia. A melhor alternativa diagnóstica para o caso é: (A) roséola (B) rubéola (C) eritema infeccioso (D) mononucleose infecciosa Resposta correta: C Comentários: O exantema dessa criança é muito típico de eritema infeccioso e que habitualmente ocorre em 3 estágios: 1- acometimento das bochechas (“face esbofeteada”), 2-progressão para o tronco e membros com clareamento central das máculas dando o aspecto rendilhado, e 3-recidiva entre 10- 20 dias após exposição solar, estresse, calor e atividade física. Mãe relata que seu filho de sete anos apresentou febre alta, calafrios, cefaléia, adinamia e dor de garganta. Dois dias depois, surgiu exantema formado por pápulas eritematosas puntiformes próximas umas das outras, mais intenso em dobras/pregas cutâneas. Percebe-se também um discreto rubor facial, exceto por uma nítida palidez peribucal. Considerando esse quadro, o diagnóstico mais provável é: (A) eritema infeccioso (B) mononucleose (C) escarlatina (D) rubéola Resposta correta: C Comentários: Quadro febril com enantema faríngeo (faringite) e um exantema eritematoso micropapular (puntiforme) exacerbado nas pregas cutâneas (linhas de Pastia) e palidez peribucal (sinal de Filatov) caracterizam um quadro típico de escarlatina. Em uma enfermaria pediátrica é diagnosticado um caso de varicela em um lactente de nove meses internado há dois dias. Nesta mesma enfermaria estão internadas mais duas crianças, ambas sem história de vacinação ou doença prévia para varicela. Paciente 1: um lactente de 15 meses com diagnóstico de mastoidite recebendo antibioticoterapia no terceiro dia de internação e evoluindo afebril com melhora do quadro. Paciente 2: um pré-escolar de quatro anos com leucemia linfoide aguda (LLA) internada por neutropenia febril. A conduta indicada é: A) Aciclovir venoso para os dois pacientes além de vacina de varicela para o paciente 2. B) Observar evolução do paciente 1; aciclovir venoso para o paciente 2. C) Vacina de varicela para o paciente 1; aciclovir venoso e vacina de varicela para o paciente 2. D) Vacina de varicela para o paciente 1; imunoglobulina específica varicela-zoster (VZIG) para o paciente 2. GABARITO: D Pacientes imunodeprimidos podem apresentar formas graves/ disseminadas da varicela complicando a evolução de doença de base. Para a profilaxia de pacientes de risco (como os com leucemia), susceptíveis, expostos recomenda-se o uso de imunoglobulina específica para varicela-zoster (VZIG) Lactente, 15 meses, apresenta há sete dias pápulas eritematosas no tronco, palmas das mãos e plantas dos pés com prurido, apresentadas nas figuras abaixo. Nega fatores de melhora ou piora.A mãe refere lesões pruriginosas nas suas axilas há 20 dias. O diagnóstico e o tratamento são: A) Escabiose / permetrina a 5% tópica. B) Doença pé mão boca / analgésico oral. C) Prurigo estrófulo / corticoesteróides tópico. D) Dermatite de contato eczematizada / antibiótico tópico. GABARITO A. O caso descrito demonstra uma história típica de Escabiose, pois existe prurido e epidemiologia positiva,além de lesões nas localizações clássicas do lactente, que são as regiões de palma e planta. É uma doença contagiosa causada pelo Sarcoptes scabiei e transmitida pelo contato direto pele a pele com pessoas infectadas, no relato do enunciado a mãe apresentas prurido há 30 dias. A doença mão pé boca é doença viral caracterizada por vesículas nas palmas, plantas e cavidade oral, não acomete tronco e raramente atinge os familiares. No prurigo estrófulo as lesões são seropápulas de Tomazolli e se distribuem de forma linear e aos pares. As lesões não acometem palmas e planta e não ocorrem lesões nos familiares adultos. A dermatite de contato apresenta-se sob a forma de eczema, ou seja, placas eritematosas e descamativas, com formatos bizarros ou desenhando o objeto desencadeante como alças de sandálias e bijuterias de níquel. Adolescente, sexo masculino, 15 anos, apresenta lesão na região inguinal e raiz das coxas há 15 dias associada à prurido ocasional. Refere realizar atividades físicas há dois meses. Exame físico: sobrepeso e placas eritematosas bem demarcadas com limites elevados e descamativos na região inguinal bilateral. A orientação preconizada para o tratamento e para evitar a recidiva da lesão é: A) Terbinafina tópica durante quatro semanas / atividade física com roupas de algodão e folgadas. B) Terbinafina sistêmica durante duas semanas / diminuir atividade física e investigar imunodeficiência. C) Nistatina tópica durante quatro semanas / diminuir atividade física com roupas sintéticas antifúngicas. D) Nistatina sistêmica durante duas semanas / manter atividade física alternada e investigar imunodeficiência. GABARITO A. “Tinea cruris é uma infecção superficial da região inguinal e raiz de coxas mais comum em adolescentes do sexo masculino . Torna-se mais sintomática em climas úmidos e quentes sendo mais frequente em indivíduos obesos ou naqueles que realizam atividade física extenuante com suor excessivo e atrito das vestimentas. Apresenta-se como placas eritematosas bem demarcadas com bordas elevadas com descamação vesículas ou pústulas. Em geral bilateral simétrica e envolve áreas intertriginosas junto ao escroto e face medial das coxas.” “A terapia tópica geralmente é suficiente devendo ser aplicada por 3 a 4 semanas. Nos casos de tinea cruris pelo fato de ser geralmente causada pelo gênero Trychophyton a terbinafina outra opção terapêutica. Outras medidas úteis incluem reduzir o excesso de atrito e irritação com o uso de roupas íntimas de algodão largas e soltas secar as áreas acometidas após o banho ou transpiração e estimular a perda de peso no caso dos obesos.” Para o diagnóstico da Doença de Kawasaki usa-se a presença de febre por mais de cinco dias de duração e a presença de quatro dos cinco critérios maiores. Assinale entre as opções abaixo, aquela que apresenta quatro dos critérios maiores: (A) edema de mãos e pés, hiperemia da conjuntiva ocular, exantema, adenite cervical (B) descamação palmo plantar, esplenomegalia, adenomegalia cervical, petéquias (C) descamação peri-ungueal, adenomegalia, hepatomegalia, artralgia (D) aneurisma coronariano, trombocitose, PCR elevado, exantema (E) exantema polimorfo, piúria estéril, esplenomegalia, icterícia Gabarito A Comentário: A Doença de Kawasaki é uma doença febril, aguda, caracterizada por vasculite multissistêmica e exantema. A etiologia da doença permanece desconhecida embora suas características clínicas e epidemiológicas sugiram fortemente uma causa infecciosa. Em torno de 20% dos casos não tratados poderão desenvolver anormalidades das artérias coronárias inclusive aneurisma. Aproximadamente 80% dos casos ocorrem em crianças com menos de cinco anos de idade. Na ausência de um teste diagnóstico específico a DK permanece tendo seu diagnóstico firmado em bases clínicas. Classicamente o diagnóstico da DK é baseado na presença de febre com duração de cinco ou mais dias associado com quatro ou mais das cinco principais manifestações clínicas, descritas a seguir: 1. injeção da conjuntiva bulbar bilateral sem exsudato. 2. hiperemia da cavidade oral e faringe, língua em framboesa, lábios avermelhados e quebradiços. 3. exantema polimorfo e generalizado que pode se apresentar como mobiliforme, maculopapular, escarlatiniforme ou semelhante ao eritema multiforme. 4. alterações nas extremidades consistindo de enduração das mãos e pés com eritema nas regiões palmar e plantar. 5. adenite cervical aguda, não supurativa, usualmente unilateral, com gânglio de no mínimo 1,5 cm de diâmetro. Escolar de nove anos apresenta quadro de febre alta (tax: 40°C), amigdalite pultácea, petéquias em palato, exantema micropapular difuso com intensificação nas dobras flexurais e palidez peribucal, que se iniciou há cinco dias. A principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada neste caso incluem, respectivamente: (A) mononucleose infecciosa – prescrição de sintomáticos (B) mononucleose infecciosa – prescrição de prednisona oral (C) escarlatina – administração de penicilina por via parenteral (D) doença de Kawasaki – administração venosa de imunoglobulina (E) escarlatina – prescrição de sulfametoxazol – trimetoprim por via oral Resposta correta: C Trata-se de um caso : típico de escarlatina estando presentes alguns sinais clássicos desta condição como o sinal de Pastia (intensifi cação do exantema nas dobras fl exurais) e de Filatov (palidez peribucal), além do exantema micropapular, também chamado de escarlatiniforme por ser característico, muito embora não-patognomônico, desta doença. Ressaltese que nem na mononucleose nem na doença de Kawasaki são encontrados os sinais de Pastia e Filatov. Além disso, a presença de exsudato pultáceo em loja amigdaliana é considerado critério de exclusão de doença de Kawasaki. A escarlatina é uma doença causada por estreptococos produtores de exotoxina pirogênica (anteriormente conhecida como toxina eritrogênica) e, desta forma, a melhor opção para o tratamento é a administração de penicilina. É importante destacar que muito embora a associação sulfametoxazol-trimetoprim possa ser usada para a profilaxia da febre reumática, esta droga é inefi caz no tratamento de doença estreptocócica já estabelecida. a) Cite a principal hipótese diagnóstica. b) Cite três diagnósticos diferenciais. c) Descreva a conduta diante do caso. ITEM A Sarampo. ITEM B Rubéola, exantema súbito, dengue, eritema infeccioso, enterovirose e doença de Kavasaki. ITEM C Por ordem de importância: 1- notificar imediatamente; 2- isolamento respiratório (até quatro dias após o rash); 3- vacina de bloqueio (até 72 horas após o contágio) e /ou imunoglobulina padrªo (até seis dias do contágio); 4- sorologia (IgM); 5- sintomáticos. Pré-escolar de três anos é levado a consulta por apresentar febre alta há 10 dias. Exame físico: edema palpebral, petéquias no palato, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior e posterior, fígado palpável a 3,5cm do RCD e baço a 2,5cm do RCE. O exame laboratorial indicado para confirmaçªo do diagnóstico é: (A) aspirado de medula óssea (B) sorologia para vírus da dengue (C) sorologia para vírus de Epstein-Barr (D) bacterioscopia e cultura da secreçªo faringeia (E) teste rápido para pesquisa de estreptococo do grupo A Comentário: O paciente de tres anos tem quadro clínico sugestivo de monucleose com febre há 10 dias, alterações em orofaringe como petéquias no palato, exsudato amigadaliano, e edema de pálpebra acompanhado de adenomegalia cervical que sªo mais frequentes em monucleose. Junto a isto apresenta hepatoesplenomegalia corroborando ainda mais com o diagnóstico de mononucleose. O exame que se impõe é a sorologia paravírus Epstein-Barr (letra C) Lactente, 12 meses, apresenta há seis dias lesões tipo placa eritematosa e descamativa na região malar e frontal como apresentada na figura a seguir. Teve lesões semelhantes anteriormente em quatro episódios com início aos seis meses de idade, localizadas na região malar e extensora de membros. O prurido é intenso e ocorre piora com mudança de temperatura. O diagnóstico e a conduta são: A) urticaria de contato / anti-histamínico oral. B) dermatite seborreica / cetoconazol creme. C) dermatite atópica leve / hidrocortisona creme. D) dermatite de contato alérgica / anti-histamínico tópico. (2018-4)Pré-escolar, três anos, inicia há três dias quadro de febre baixa (38ºC), dor de garganta, mal-estar, diminuição do apetite e adenomegalias em região suboccipital e pós auriculares bilaterais, seguido de rash macular róseo claro, irregular, disseminado, iniciado em face e pescoço, distribuindo-se pelo corpo. Não há descamação após desaparecimento do mesmo. No início do quadro, o exame da orofaringe revelava lesões pequenas, de coloração rósea e petéquias em palato mole. Em relação ao quadro, o agente causal determinante é: A) rotavírus. B) norovírus. C) vírus da rubéola. D) vírus do sarampo. GABARITO C. A manifestação clínica da rubéola engloba febre baixa, dor de garganta, olhos vermelhos com ou sem dor, cefaléia, mal estar, anorexia e linfadenopatia, sendo os linfonodos cervicais, suboccipitais, pós auriculares e anteriores os mais proeminentes. A erupção cutânea começa na face e pescoço, com máculas rosadas pequenas, irregulares, coalescentes e que se disseminam centrifugamente para tronco e membros. Na época do início das lesões cutâneas, o exame de orofaringe pode revelar lesões pequenas, de coloração rósea (manchas de Forchheimer) ou hemorragias petéquiais em palato mole. Não há descamação após a melhora do rash. (2018-28) Recém-nascido, cinco dias de vida, a termo, apresenta há 24-48 horas máculas, pápulas e pústulas eritematosas localizadas em fronte, face, tronco e membros, sem acometimento de palmas das mãos e plantas dos pés. Mãe relata que as lesões desaparecem de uma área e surgem em outra área em horas e que o RN se encontra em excelente estado geral e sugando bem o seio materno. O diagnóstico mais provável nesse caso é: A) miliária. B) impetigo. C) eritema tóxico. D) melanose pustular transitória. GABARITO C. O eritema tóxico do RN é uma erupção cutânea benigna, autolimitada e idiopática. Geralmente ocorre em RN a termo e deve ser reconhecido pelo pediara geral. As lesões caracterizam-se por máculas, pápulas e pústulas eritematosas transitórias, que se iniciam em geral ao redor de 3 a 4 dias de vida e localizam-se em fronte, face, tronco e membros, tendendo a poupar palmas das mãos e plantas dos pés. Habitualmente têm evolução rápida, desaparecendo de uma área e surgindo em outra em horas. O diagnóstico é na maioria das vezes clínico. Pode-se realizar biópsia nos casos duvidosos, a qual demonstrará acúmulo de eosinófilos no aparelho pilosebáceo. No sangue periférico pode ser encontrada eosinofilia. O tratamento é desnecessário, pois se trata de condição autolimitada. No diagnóstico diferencial devem ser considerados melanose pustular transitória, milium, miliária e impetigo: -O impetigo neonatal inicia-se geralmente ao redor de 2 a 3 dias de vida, sob a forma de lesões superciais vesiculares, pustulosas ou bolhosas, sobre base eritematosa, as quais se rompem facilmente, formando crostas. Localizam-se habitualmente em áreas úmidas da pele, como área das fraldas, virilha, axilas e dobras do pescoço. -A melanose pustular transitória é uma dermatose benigna e autolimitada, de etiologia indefinida, mais frequente em negros e caracterizada por lesões vesicopustulosas superficiais que evoluem para máculas hiperpigmentadas. Localizam-se na porção inferior da face, mento, fronte e regiões cervical, prétibial e lombar. A miliária está associada ao acúmulo de suor, que escapa para o tecido cir-cunjacente formando vesículas. Ocorre igualmente em meninos e meninas, com maior incidência nas primeiras semanas de vida. São fatores predisponentes a prematuridade, o uso de roupas em excesso, e o uso de sabões, cremes, produtos oclusivos e oleosos. As lesões clínicas variam de acordo com o nível da obstrução do ducto écrino na pele. As lesões caracterizam-se por pequenas pápulas, vesículas ou vesicopápulas, eritematosas e pruriginosa Escolar de oito anos é atendida na unidade de saúde com lesões cutâneas hipo e hiperpigmentadas em face e tronco que, quando atritadas, apresentam descamação furfurácea. A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) dermatite seborréica (B) ptiríase versicolor (C) tinea corporis (D) hanseníase (E) vitiligo GABARITO B. A ptiríase é descrita como manchas hipocrômicas, podendo apresentar também manchas hipercrômicas, com descamação furfurácea. A fase hipocrômica (chamada de “pano branco”), é a lesão mais superficial e a fase hipercrômica é devido à profundidade de comprometimento do fungo, principalmente observado nos pacientes negros. A dermatite seborréica pode ser hipocrômica, mas para ser hipercrômica terá que estar na fase final do eczema e, portanto, a descamação não é furfurácea mas sim crostosa. A tinea corporis se caracteriza por lesões vésico-crostosas e não furfuráceas. Não há necessidade de atrito, pois é visto a olho nu. A hanseníase, quando hipocrômica, não apresenta descamação. Quando hipercrômica, é papulosa, infiltrada e eritematosa. No paciente negro é de difícil visualização, mas a descamação é do tipo xerótico, o paciente não precisa ser atritado para ser observado e a descamação não é furfurácea. O vitiligo é caracterizado por mancha acrômica, não havendo descamação. A mãe de um recém-nascido desenvolve quadro compatível com varicela no segundo dia após o parto. A conduta em relação ao recém-nascido é: (A) iniciar aciclovir venoso e suspender o aleitamento materno (B) observar evolução da criança e manter o aleitamento materno (C) administrar vacina anti-varicela e manter o aleitamento materno (D) observar evolução da criança e suspender o aleitamento materno (E) administrar imunoglobulina específica, IM, e suspender o aleitamento materno GABARITO E. A varicela neonatal é uma doença extremamente grave, com alta letalidade. Os recém nascidos cujas mães apresentaram varicela 5 (cinco) dias antes até 2 (dois) dias depois do parto, devem receber imunoglobulina específica e serem isoladas de suas mães, portanto sendo proscrita a amamentação Em relaçªo à infecçªo pelo parvovírus B19, pode-se afirmar que: (A) o exantema da parvovirose (eritema infeccioso) é um fenômeno imunológico pós-infeccioso (B) a manifestaçªo articular que ocorre em adolescentes está diretamente relacionada com a fase de multi plicaçªo viral (C) a infecçªo primária da gestante está frequentemente associada com recém-nascido apresentando má-formaçªo esquelética múltipla (D) os alvos primários da infecçªo sªo os precursores mieloides, o que explica a neutropenia classicamente encontrada nesses pacientes (E) o tratamento com o aciclovir, quando iniciado nos primeiros três dias da doença, atenua de forma significativa as manifestações hematológicas da infecçªo Resposta: A Comentário: A infecçªo pelo Parvovírus B19 nos pacientes pediátricos tem uma primeira fase inespecífica (febre, sinais catarrais) um período livre de sintomas seguido pelas manifestações imunológicas - face avermelhada e exantema em rendilhado que é característico (2007) Pré-escolar de cinco anos é trazida a consulta por apresentar febre baixa e eritema de face há três dias. Há um dia surgiu também eritema em face extensora de membros superiores. Mantém bom estado geral e apetite preservado. Refere artralgia nas mãos, punhos e joelhos. Exame físico: ausência de hepatoesplenomegalia e adenomegalias. O diagnóstico mais provável é: (A) rubéola (B) sarampo (C) exantema súbito (D) eritema infeccioso (E) mononucleose infecciosa O quadro apresentado no enunciado nos remete ao diagnóstico diferencialdas doenças exantemáticas da infância. A evolução clínica, o bom estado geral, a evolução do rash, o comportamento da febre e a ausência de hepatoesplenomegalia e adenomegalias descartam os diagnósticos de rubéola, sarampo, exantema súbito e mononucleose infecciosa. GABARITO D. (2007) Mãe portadora de varicela, ainda com lesões cutâneas vesiculares, dá à luz recém-nascido a termo. A conduta em relação ao recém-nascido será: (A) aplicar VZIG (B) iniciar aciclovir IV (C) iniciar aciclovir oral e aplicar VZIG (D) aplicar VZIG associado a foscarnet (E) informar a mãe quanto ao improvável risco de transmissão A varicela no período neonatal é uma doença extremamente grave com elevada morbidade e mortalidade e que se desenvolve em cerca de 25% dos recém-nascidos cujas mães tenham apresentado a doença no período perinatal. Uma criança que tenha nascido de uma mãe em fase virêmica da catapora foi exposta ao vírus e não recebeu anticorpos protetores, que começam a se surgir no sangue materno somente ao final da fase virêmica (e são responsáveis pelo término da viremia), cerca de cinco a sete dias após o início da doença. Assim, toda criança que tenha nascido de uma mãe que apresentou quadro clínico de varicela desde cinco dias antes até dois dias após dar à luz seu recém-nascido, deve receber uma dose de 125U de imunoglobulina varicela-zoster (VZIG) por via intramuscular. Muito embora apesar da profilaxia alguns recém-nascidos desenvolvam a doença, esta costuma ter manifestações clínicas mais brandas. GABARITO A. 8) Anemias Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos, com história de anemia nªo responsiva ao sulfato ferroso na dose de 5mg/kg/dia, administrado durante seis meses, meia hora antes das refeições com suco de frutas cítricas. Antecedentes pessoais sem intercorrências. A mãe teve anemia na infância e fez vários tratamentos. História nutricional: leite materno exclusivo até o sexto mês de vida. Atualmente come arroz, feijªo, frutas, carne (quatro vezes por semana) e leite integral (três vezes ao dia). Exame físico: paciente pálido, sem outras alterações. Hemograma: Hm: 6.000.000/mm3; Hb: 10,2g/dL; Ht: 30%; VCM: 50fL; HCM: 16pg; CHCM: 22%; RDW: 12%; morfologia da série vermelha: hipocromia e microcitose; leucometria: 7.600/mm3 (eos: 2%, basófilos: 0%, bastões: 2%, seg: 36%, linf: 58%, mon: 2%) e plaquetas: 300.000/mm3; reticulócitos: 1,5%. Para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável, o exame a ser solicitado é: (A) ferritina (B) mielograma (C) eletroforese de hemoglobina (D) curva de fragilidade osmótica (E) índice de saturaçªo da transferrina Resposta: C Comentário: Considerando a Hb < 11 g/dL, VCM < 73 fL, HCM < 30 pg e reticulócitos normais (1,5%), este paciente tem anemia hipocrômica e microcítica sem falha de produçªo. Como etiologias mais frequentes podemos considerar anemia por deficiência deferro e/ou talassemias, uma vez que o paciente pode ter ambas. O diagnóstico diferencial entre anemia ferropriva e a situaçªo de portador do gene da talassemia (traço talassêmico/talassemia menor ou traço alfa-talassemia) é importante para as corretas condutas terapêuticas e de orientaçªo. Esta dife renciaçªo é feita através da eletroforese de hemoglobina e das provas para estudo do metabolismo de ferro. Como o paciente recebeu sulfato ferroso de forma adequada, é mais provável que o diagnóstico seja de traço talassêmico (alfa ou beta). Na talassemia menor (traço beta) os exames relacionados ao metabolismo do ferro sªo normais e o resultado da eletroforese de hemoglobina mostra Hb A2 maior do que 4% e Hb F normal. No traço alfa-talassemia os níveis de Hb A2 e HbF estªo normais ou ligeiramente diminuídos. Adolescente de 13 anos, sexo masculino, Tanner G3P3, apresenta-se com adinamia, indisposição e inapetência. Hemograma: hemoglobina = 12 g/dl; hematocrito = 35%; VCM = <75fl; CHCM =<26,5g/dl. Baseando-se nesses dados, é correto afirmar que: (A) trata-se de um quadro de anemia megaloblástica de grau leve e, portanto, deve-se fazer apenas correção dietética (B) deve-se investigar outras causas que justifiquem as queixas do paciente, uma vez que não apresenta anemia (C) o diagnóstico é de anemia, sugerindo como causa a deficiência de ferro e, portanto, deverá ser tratado com correção dietética e administração de sulfato ferroso (D) o adolescente em questão não apresenta anemia, mas os resultados de seus exames e sintomatologia sugerem deficiência de ferro que deve ser corrigida com dieta adequada e administração de sulfato ferroso Resposta: D Comentário: Adolescente encontra-se em G3P3, indicando estar no estirão pubertário. Nesse período esses dados laboratoriais indicam deficiência de ferro que deve ser corrigida com dieta adequada e administração de sulfato ferroso. Os valores de referência da normalidade de hemoglobina são diferentes quando o adolescente estiver dentro ou fora do estirão pubertário (hemoglobina =12g/dl como no enunciado da questão não indica anemia). Pré-escolar, dois anos e dois meses, sexo masculino, é levado à consulta de rotina. Desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Anamnese nutricional: quatro a cinco mamadeiras de leite de vaca ao dia, eventual ingestão de carne vermelha e de verduras. Exame físico: sobrepeso evidente, hipocorado ++/4+, sem outras anormalidades. O diagnóstico mais provável é que o pré-escolar seja portador de anemia: A) ferropriva B) falciforme C) hemolítica D) de Fanconi Resposta correta: A Comentário: Questão enfocando queixa frequente no ambulatório de pediatria geral, o sinal clínico de palidez e a dieta (pobre em ferro), evidenciam o diagnóstico mais provável. História familiar positiva associada a características clínicas e laboratoriais típicas: esplenomegalia, esferócitos no esfregaço sanguíneo, reticulocitose, volume corpuscular médio (VCM) normal e concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) elevada são suficientes para o diagnóstico de: A) talassemia minor B) anemia falciforme C) eliptocitose hereditária D) esferocitose hereditária Resposta correta: D Comentário: Baseado na história familiar positiva associada a características clínicas (esplenomegalia) e laboratoriais típicas (esferócitos no sangue periférico, reticulocitose, CVM normal e CHCM elevada) o único diagnóstico cabível é de esferocitose hereditária Adolescente, 10 anos portador de anemia falciforme é atendido em uma unidade de emergência com quadro de febre elevada há 24h e sintomas gripais. Durante o período em que permanece na unidade em observação apresenta dor torácica e queda na saturação de hemoglobina (90%). Ausculta pulmonar: diminuída de forma discreta à esquerda. FC: normal. A hipótese diagnóstica e a conduta mais provável para esse quadro são: A) Embolia pulmonar aguda/ Internação, anticoagulação com dose plena de heparina. B) Embolia pulmonar aguda / Internação, anticoagulação com dose profilática de heparina. C) Síndrome torácica aguda / Observação por 24h, analgesia, evitar a transfusão de hemácias. D) Síndrome torácica aguda / Internação, analgesia, antibioticoterapia, e transfusão de hemácias. GABARITO D. : É um quadro de Síndrome Torácica Aguda em evolução e o paciente deve ser internado de imediato para adoção de medidas clínicas. O quadro tem evolução rápida e deve ser realizada antibioticoterapia, analgesia, e transfundir precocemente devido a queda na saturação de hemoglobina. Anticoagulação não indicada nesse caso. 2017 37- Lactente de um ano e seis meses é trazida por uma vizinha ao pronto socorro, com história de que “estava morrendo”, muito pálida e com aumento da barriga há quatro horas. Sabe que a criança é portadora de “anemia de família”, diagnosticada no teste do pezinho. Exame físico: regular estado geral, afebril, hipocorada +++/4, anictérico, taquipneico, hidratado, perfusão periférica lenta. ACV: taquicardia e 3ª bulha na ausculta cardíaca, abdômen: globoso, mas permitindo palpação, fígado no rebordo costal direito e baço a 6cm do rebordo costal esquerdo. Baseado no quadro clínico acima os diagnósticos são: A) anemia hemolíticasecundária a traço talassêmico B) anemia falciforme e sequestro esplênico C) anemia ferropriva e traço falciforme D) anemia ferropriva e infecção Comentário: B) a anemia falciforme constitui hoje um problema de saúde pública, por sua alta prevalência na população. Estima-se o nascimento de 3500 crianças ano com a doença no Brasil. A segunda causa de morte nestes pacientes é o sequestro esplênico agudo, caracterizado por queda abrupta de 2g ou mais da hemoglobina, identificado pela palidez cutâneo mucosa e aumento repentino do baço. O tratamento imediato consiste na transfusão de hemácias e programação de esplenectomia eletiva. Recomenda-se a utilização de 5ml/kg dose na transfusão, pois as hemácias viáveis retidas no baço, retornam à circulação, o que pode causar hemoconcentração e hiperviscosidade, fatores desencadeantes de outras complicações. 38- Os diagnósticos diferenciais de anemias hipocrômicas/ microcíticas incluem: A) deficiência de ferro e ácido fólico, anemia falciforme B) anemia de doença crônica, de ficiência de B12 e ferro C) deficiência de ferro, talassemias e anemia sideroblástica D) anemia ferropriva, traço falcêmico e esferocitose hereditária Comentário: C) São causas de anemias hipocrômicas e microcíticas: deficiência de ferro, síndromes talassêmicas, anemia sideroblástica congênita, intoxicação pelo chumbo. Prematuro, nascido com 28 semanas de idade gestacional, apresenta, na quinta semana de vida, palidez, taquicardia e ganho ponderal insuficiente. Exames laboratoriais: Hb: 7g/dl; reticulócitos: 1%; VCM: 90µ3. O mecanismo responsável por estes achados clínicolaboratoriais é: (A) deficiência de ferro (B) deficiência de vitamina E (C) deficiência de ácido fólico (D) presença de anticorpos circulantes (E) níveis inadequados de eritropoietina GABARITO E. A questão descreve um quadro clássico de anemia da prematuridade, uma doença decorrente do nível inadequadamente baixo de eritropoietina para a capacidade de transporte de oxigênio do paciente. A doença parece estar relacionada ao fato de que no prematuro a maior fonte de produção de eritropoietina é hepática e as células hepáticas são menos sensíveis à hipóxia que as células renais. O hemograma do paciente em questão mostra anemia (Hb:7g/dl), normocítica (VCM:90µ3), com uma contagem de reticulócitos baixa (1%), caracterizando uma anemia por hipofunção medular. A anemia ferropriva, além de não ser comum nesta idade (a não ser que esteja sendo utilizada eritropoietina recombinante), se caracterizaria por microcitose. A deficiência de ácido fólico leva a anemia megaloblástica e macrocitose. A contagem baixa de reticulócitos afasta a possibilidade de anemias hemolíticas como a causada pela presença de anticorpos circulantes e pela deficiência de vitamina E. Lactente de dez meses apresenta anemia resistente ao tratamento com ferro oral. Apresentou icterícia ao nascer, que se prolongou por três semanas, mas não necessitou de tratamento. Não há história familiar de anemia. Exame físico: hipocorado (++/ 4+), baço palpável a 3cm do rebordo costal esquerdo. Hemograma: Hb: 9g/dl, reticulocitose e vários esferócitos. O exame indicado para confirmação da principal hipótese diagnóstica é: (A) teste de Coombs direto (B) teste de fragilidade osmótica (C) eletroforese de hemoglobina (D) teste de afoiçamento de hemácias (E) teste de redução com azul de metileno GABARITO B. A esferocitose hereditária é a anomalia mais comum das membranas eritrocitárias e ocorre mais frequentemente em povos oriundos do norte da Europa, mas pode ocorrer em qualquer etnia. Cerca de 25% não tem história familiar compatível, tratandose de mutação nova de doença autossômica dominante. A esferocitose hereditária pode levar a anemia hemolítica com hiperbilirrubinemia no recém nascido e necessitar de tratamento com fototerapia. Pode não haver sintomas até a vida adulta, mas normalmente cursa com esplenomegalia, pois os esferócitos são retirados de circulação pelo baço. Esta situação determina um elevado “turn-over” das hemácias produzindo uma hiperplasia medular, o que faz com que a hematopoiese seja mais crítica em casos de infecções ou intoxicações por drogas. Por esta razão estes pacientes são mais susceptíveis a anemia aplástica. A retirada do baço é o tratamento para anemia, mas pode deixar, principalmente a criança, mais vulnerável às infecções. O teste para o diagnostico se baseia na maior fragilidade deste tipo de hemácias às soluções salinas hipotônicas do que as hemácias normais bicôncavas Paciente do sexo masculino, com 14 anos, apresenta palidez, anorexia, astenia e sonolência excessiva. Está crescendo muito rápido, segundo informação da mãe. O diagnóstico mais provável é: (A) giardíase (B) mononucleose (C) anorexia nervosa (D) anemia ferropriva (E) deficiência de cobre GABARITO D. Os adolescentes são bastante susceptíveis à deficiência de ferro, devido ao aumento das necessidades geradas pelo estirão do crescimento, dietas inadequadas e, nas meninas, pelas perdas sanguíneas menstruais. Calcula-se que nos meninos ocorra uma diminuição de 50% nos estoques de ferro com a progressão da puberdade. Paciente do sexo masculino, com 14 anos, apresenta palidez, anorexia, astenia e sonolência excessiva. Está crescendo muito rápido, segundo informação da mãe. O diagnóstico mais provável é: (A) giardíase (B) mononucleose (C) anorexia nervosa (D) anemia ferropriva (E) deficiência de cobre GABARITO D. Os adolescentes são bastante susceptíveis à deficiência de ferro, devido ao aumento das necessidades geradas pelo estirão do crescimento, dietas inadequadas e, nas meninas, pelas perdas sanguíneas menstruais. Calcula-se que nos meninos ocorra uma diminuição de 50% nos estoques de ferro com a progressão da puberdade. Recém-nascido de cinco dias é submetido a testes de triagem para fenilcetonúria, hipotireoidismo e anemia falciforme. Em relação a este último teste (anemia falciforme) o objetivo principal da triagem é: (A) reduzir a mortalidade por doenças infecciosas no primeiro ano de vida (B) quantificar o número de portadores da doença na população estudada (C) garantir o acompanhamento seqüencial dos índices hematimétricos (D) permitir o tratamento precoce com transfusões de troca periódicas (E) possibilitar a inclusão precoce em programa de doação de medula GABARITO A. Um percentual significativo dos óbitos nos primeiros anos de vida de pacientes com anemia falciforme se deve a complicações infecciosas, particularmente por germes encapsulados. Devido a hipofunção esplênica, a infecção por estes agentes pode levar a quadros de sepse fulminante. O teste de triagem para a anemia falciforme no período neonatal permite identificar estes pacientes numa fase ainda assintomática da doença, oferecendo-os a possibilidade de medidas profiláticas altamente eficazes para a prevenção destas complicações infecciosas, através da profilaxia com penicilina e da vacinação contra hemófilo e pneumococo (vacina disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais). Pré-escolar de quatro anos deu entrada na emergência com febre elevada, grande esforço respiratório e cianose de extremidades. Enquanto era transportado ao serviço de radiologia, para um exame urgente, apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada, seguida de parada cardio-respiratória. Evoluiu para óbito apesar das manobras de reanimação instituídas. A necrópsia revelou várias áreas hemorrágicas no parênquima cerebral e a microscopia demonstrou trombose de várias artérias cerebrais com células vermelhas agrupadas em forma de foice. Seus pais desconheciam qualquer caso de anemias hereditárias na família e relataram que o menino nunca tivera nenhum sintoma compatível com anemia falciforme. Podemos supor que o óbito foi causado em conseqüência de: (A) crise vasooclusiva em portador de hemoglobinopatia SC (B) crise oclusiva clássica em portador de hemoglobinopatia SS (C) vasooclusão secundária a hipoxemia grave em portador de Hb AS (D) hipercoagulabilidade secundária com trombopenia em portadorde Hb AS (E) hipercoagulabilidade secundária com trombopenia em hemoglobinopatia SS GABARITO C. O caso descrito obviamente não está relacionado a uma crise oclusiva clássica de anemia falciforme. No paciente em questão a possível sequência fisiopatológica foi a seguinte: doença de base que levou a grave hipoxemia. Na presença de hipoxemia grave os paciente portadores de traço falcêmico podem apresentar crises vaso oclusivas conforme é descrito em alpinistas e em situação de vôo em altas altitudes em aviões não pressurizados. Lactente, 13 meses, vem apresentando irritabilidade, hipotonia e hiporreflexia há um mês. Sua família é vegetariana e o acompanhamento pré-natal foi inadequado. Exames laboratoriais: Hm:1.460.000/mm³, Hb: 5,7g/dL, Ht: 18,7%, VCM: 128fL, HCM: 38,7pg, CHCM: 30,2g/dL; leucometria: 3.000/mm³ (eos:3%, bastões: 2%, seg: 60%, linf: 30%, mon:5%); Plaquetas: 80.000/mm³. Anisocitose(+/4+), macrocitose (+++/4+), macroovalócitos, corpúsculos de Howel-Jolly e neutrófilos segmentados. Reticulócitos: 2% LDH: 900U/L (normal: 240 a 480U/L), bilirrubina total: 3,5mg/dL, BD: 0,7mg/ dL, BI: 2,8mg/dL. Com base nesses dados, pode-se afirmar que esse quadro clínico poderia ser evitado caso fizesse parte da dieta desta família: (A) ovo, de forma rotineira (B) sucos de frutas adoçados com mel (C) germinados, como fonte de energia (D) óleo de amendoim no preparo de alimentos (E) vegetais de cor verde, em menor quantidade Resposta: A A cobalamina, está presente nos alimentos de origem animal, especialmente carne, leite e ovos. Considerando que a vitamina B12 nªo é sintetizada pelo organismo e deve ser absorvida por meio da dieta, a ingestão inadequada pode levar a sua deficiência, sendo considerada a causa mais frequente. Fazem parte do quadro clínico característico cansaço, palidez, língua lisa, parestesia de membro inferiores e mªos, dificuldade de locomoção, hipo ou hiper-reflexia e perturbação mental mais ou menos acentuada. No hemograma encontramos: anemia macrocítica, anisocitose e poiquilocitose acentuadas, com presença de corpúsculos de Howell-Jolly. Leucopenia é geralmente observada, com plaquetas normais ou diminuídas e com neutrófilos hipersegmentados. Pré-escolar de quatro anos é trazida ao consultório pela mãe, preocupada com a palidez da filha. A criança está em bom estado geral, a alimentação é adequada e a família é de bom nível socioeconômico. O pai é de origem italiana e a mãe de origem portuguesa. Exames laboratoriais: Hb: 10g/dL; VCM: 60 µ3 ; sem anisocitose. Não houve alteração dos dados laboratoriais após tratamento com ferro por um mês. O resultado mais provável da eletroforese de hemoglobina é: (A) presença de HbS (B) HbA2: 5% e HbF: 3% (C) HbA2: 2% e HbF<1% (D) presença de HbS e HbC (E) HbA2: 5% e presença de HbS GABARITO B. Um dos principais diagnósticos diferenciais da anemia ferropriva é a β-talassemia menor ou traço talassêmico, uma doença genética que altera a produção das cadeias β da hemoglobina e que caracteristicamente afeta algumas populações como as das margens do mediterrâneo. A ausência de anisocitose (típica da ferropenia) é sugestiva de talassemia, mas anemias ferroprivas de longa duração podem cursar sem anisocitose. Em geral, na investigação de uma anemia microcítica, o primeiro dado sugestivo de não se estar diante de um caso de anemia ferropriva, é a ausência de resposta após o tratamento bem conduzido com o sulfato ferroso (considerando-se que o medicamento foi efetivamente administrado e que a dose prescrita estava correta). Na talassemia menor, a anemia é caracteristicamente pouco intensa e 90% dos pacientes apresentam uma elevação diagnóstica da HbA2 (entre 3,4 e 7%). Em 50% dos casos a HbF estará discretamente elevada (entre 2 e 6%). Os diagnósticos diferenciais de anemias hipocrômicas/ microcíticas incluem: A) deficiência de ferro e ácido fólico, anemia falciforme B) anemia de doença crônica, deficiência de B12 e ferro C) deficiência de ferro, talassemias e anemia sideroblástica D) anemia ferropriva, traço falcêmico e esferocitose hereditária Resposta correta: C São causas de anemias hipocrômicas e microcíticas: deficiência de ferro, síndromes talassêmicas, anemia sideroblástica congênita, intoxicação pelo chumbo. Lactente de um ano e seis meses é trazida por uma vizinha ao pronto socorro, com história de que “estava morrendo”, muito pálida e com aumento da barriga há quatro horas. Sabe que a criança é portadora de “anemia de família”, diagnosticada no teste do pezinho. Exame físico: regular estado geral, afebril, hipocorada +++/4, anictérico, taquipneico, hidratado, perfusão periférica lenta. ACV: taquicardia e 3ª bulha na ausculta cardíaca, abdômen: globoso, mas permitindo palpação, fígado no rebordo costal direito e baço a 6cm do rebordo costal esquerdo. Baseado no quadro clínico acima os diagnósticos são: A) anemia hemolítica secundária a traço talassêmico B) anemia falciforme e sequestro esplênico C) anemia ferropriva e traço falciforme D) anemia ferropriva e infecção Resposta correta: B a anemia falciforme constitui hoje um problema de saúde pública, por sua alta prevalência na população. Estima-se o nascimento de 3500 crianças ano com a doença no Brasil. A segunda causa de morte nestes pacientes é o sequestro esplênico agudo, caracterizado por queda abrupta de 2g ou mais da hemoglobina, identificado pela palidez cutâneo mucosa e aumento repentino do baço. O tratamento imediato consiste na transfusão de hemácias e programação de esplenectomia eletiva. Recomenda-se a utilização de 5ml/kg dose na transfusão, pois as hemácias viáveis retidas no baço, retornam à circulação, o que pode causar hemoconcentração e hiperviscosidade, fatores desencadeantes de outras complicações. (2007) Recém-nascido de parto normal a termo apresenta icterícia com 24 horas de vida. Mãe: O +, RN: A+. Exame físico: discreta icterícia em face e parte superior do tórax. Exames laboratoriais: BT: 12 mg/dl; Coombs direto fracamente positivo, presença de esferócitos na lâmina de sangue periférico e teste da fragilidade osmótica negativo. A hipótese diagnóstica é: (A) eliptocitose hereditária (B) esferocitose hereditária (C) doença hemolítica isoimune Rh (D) doença hemolítica isoimune ABO (E) deficiência congênita de piruvatoquinase A presença de icterícia em um recém-nascido nas primeiras 24 horas de vida é francamente patológica e quase sempre se associa ao aumento da produção de bilirrubina em decorrência de anemia hemolítica. A positividade do teste direto de Coombs indica a presença de anticorpos na superfície das hemácias do recém-nascido e esclarecem quanto ao mecanismo causador de anemia nesse paciente, que é a hemólise por mecanismo extracorpuscular em decorrência de anticorpos. Considerando que não há incompatibilidade Rh entre mãe e recémnascido, a única hipótese pertinente dentre as citadas nas assertivas é a incompatibilidade ABO. É importante ressaltar que a presença de esferócitos no sangue periférico não é patognomônica da esferocitose hereditária (descartada no caso pelo teste de fragilidade osmótica negativo) e pode ser encontrada em anemias hemolíticas mediadas por anticorpos. GABARITO: D. 9) Diarreia Aguda e Crônica; Desidratação e terapia de reposição Pré-escolar de três anos é levado à consulta por apresentar quadro de diarreia com fezes que “boiam” no vaso, muito mal-cheirosas. HPP: presença de pólipos nasais. O exame físico revela hepatomegalia, com fígado de consistência aumentada, e sem outras alterações. Baseando-se nesse quadro, o exame mais importante a ser solicitado é: (A) eletrólitos no suor (B) radiografia de tórax (C) biópsia de intestino delgado (D) anticorpo antitransglutaminase IgA Resposta correta: A Comentário: A associação de esteatorreia, hepatomegalia e pólipos nasais sugerem a suspeita diagnóstica de fibrose cística. Neste caso o exame a ser pedido para confirmar o diagnóstico é a dosagem de eletrólitos no suor. Você está em casa em um domingo e recebe mensagem da mãe de um paciente no celular, afirmando que o filho decinco anos está com dor abdominal, febre baixa (38ºC) e diarreia (duas evacuações semi pastosas em 18 horas de evolução). Pergunta se pode usar um probiótico para tratamento. De acordo com o Código de Ética Médica, sua mensagem de resposta deverá ser: A) concordar com o uso do medicamento e orientar ida à emergência B) concordar com o uso do medicamento e examiná-la no dia seguinte C) não concordar com o uso desta medicação e orientar ida à emergência D) não concordar com o uso desta medicação prescrevendo apenas antitérmico Resposta: C De acordo como código de Ética Médica em seu artigo 37: “Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nesse caso, fazê-lo imediatamente após cessar o impedimento.Parágrafo único. O atendimento médico a distância, nos moldes da telemedicina ou de outro método, dar-se-á sob regulamentação do Conselho Federalde Medicina.” Desta forma, qualquer medicamento que seja prescrito sem examinar o paciente fere o Código de Ética Médica.O fato de concordar com a sugestão da mãe implica em respaldo à prescrição sem exame direto, lembrando que o probiótico é um medicamento. Lactente, seis meses, previamente saudável, é internado com quadro de diarreia e vômitos. Exame físico: peso: 8 kg, afebril, FC: 160 bat. /min, FR: 40 irpm, sinais clínicos de desidratação do terceiro grau, alternância do humor (irritabilidade e prostração), restante do exame sem anormalidades. Baseado no quadro acima está indicado: A) ringer lactato, porque é uma solução que contém sódio e cloro em quantidades superiores às encontradas no plasma e osmolaridade final que corresponde a uma vez e meia da encontrada no plasma B) soro fisiológico (NaCl 0,9%), porque é uma solução que contém cloro e sódio em quantidade superiores às encontradas no plasma com osmolaridade final próxima a do plasma C) bicarbonato de sódio 8,4%, porque o quadro é típico de acidose metabólica e o emprego desta solução é a primeira conduta D) albumina a 20% é a primeira opção para a rápida expansão volumétrica no tratamento da desidratação grave/choque Resposta correta: B Comentário: O Soro Fisiológico ( NaCl 0,9%) e o Ringer Lactato são soluções isotônicas, eles têm aproximadamente a mesma tonicidade que o plasma. Os fluidos isotônicos são os geralmente utilizados para a correção da depleção aguda de volume intravascular.Em sua composição, o soro fisiológico contém quantidades de sódio e cloro superiores e uma osmolaridade próxima à do plasma. Já o ringer lactato contém sódio e cloro, assim como a osmolaridade final, próximos dos valores encontrados no plasma. O Manual de Dengue do Ministério da Saúde (Diagnóstico e manejo clínico – criança; 2011) orienta o uso da fórmula de Holliday & Segar para o cálculo do volume do líquido de manutenção. Indica ainda que sejam empregados 3 mEq de Na e 2 mEq de K para cada 100 ml da solução. O resultado final desta orientação será o emprego de uma solução contendo o correspondente a: (A) a mesma quantidade de sódio encontrada no Soro Fisiológico (B) um terço da quantidade de sódio encontrada no Soro Fisiológico (C) a metade da quantidade de sódio encontrada no Soro Fisiológico (D) um quinto da quantidade de sódio encontrada no Soro Fisiológico (E) um quarto da quantidade de sódio encontrada no Soro Fisiológico Gabarito: D. O cloreto de sódio a 0,9% (Soro Fisiológico) contém 154 mEq de sódio e 154 mEq de cloro por litro da solução. Ao prescrever uma solução com 30 mEq de sódio por litro da solução (o que corresponde aos 3 mEq de sódio em 100 ml, indicados no manual) estaremos usando uma solução que contem 1/5 da quantidade de sódio encontrada em 1 litro de soro fisiológico. Ainda segundo o Manual de Dengue do Ministério da Saúde (Diagnóstico e manejo clínico – criança; 2011) o tratamento do “Grupo C” da dengue deverá ser feito com fase de expansão seguida por fase de manutenção e da fase de reposição de perdas continuadas. O volume, a solução e o tempo de infusão usados na fase de reposição das perdas continuadas estão corretamente indicados em: (A) 20ml/Kg de Ringer Lactato em 1 hora (B) 20ml/Kg de Soro Fisiológico em 2 horas (C) 10ml/Kg de albumina humana 20% em 1 a 2 horas (D) 25% do volume da fase de manutenção com Ringer Lactato em 12 horas (E) 50% do volume da fase de manutenção com Soro Fisiológico em 24 horas Gabarito: E. O Manual de Dengue do Ministério da Saúde (Diagnóstico e manejo clínico – criança - 2011) orienta que para a correção das perdas continuadas seja usado o Soro Fisiológico em um volume igual à metade (1/2) do volume calculado para a manutenção. Este volume de Soro Fisiológico deve ser infundido em 24 horas, “correndo em y” com a solução de manutenção. Adolescente de 13 anos, sexo masculino, queixa-se de diarreia e dor abdominal há alguns dias. Mãe relata que há dez dias, após ter passado alguns dias em colônia de férias, seu filho passou a apresentar fezes semi-líquidas a líquidas, duas a três vezes por dia, com algumas raias de sangue e catarro, um pouco de urgência para evacuar e febre baixa não aferida. Exame físico: tax: 37,9°C, palidez cutâneo-mucosa +/4+, abdomen discretamente doloroso em fossa ilíaca esquerda, sem sinais de patologia cirúrgica aguda. Na consulta de retorno, a mãe trouxe os exames solicitados: Hb: 9,3g/dl, Ht: 28%, macrocitose, VHS: 75 mm/1ª hora. Endoscopia baixa: presença de infl amação contínua na mucosa retal e cólon esquerdo. A hipótese diagnóstica é: (A) doença celíaca (B) colite ulcerativa (C) doença de Crohn (D) doença ulcerosa péptica (E) síndrome da polipose juvenil Resposta correta: B A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória crônica localizada no colon e mucosa retal. Maior incidência entre 10-18 anos e os sintomas mais encontrados são dor abdominal e sangramento retal. Não há perda de peso nem hipoalbuminemia; os sintomas sistêmicos aparecem em 30% dos casos e as manifestações extra-intestinais são raras. Já a Doença de Crohn cursa com dor abdominal, perda de peso e diarreia, sendo uma ileite regional. Lactente de um ano, pesando 12kg, é internado com quadro de diarreia e vômitos com 48 horas de evolução. Exame físico: sinais clínicos de desidratação grave. O tratamento é iniciado com a prescrição de soro fisiológico 20ml/kg em 20 minutos. Esta opção terapêutica é acertada porque o soro fisiológico apresenta: (A) sódio/por litro da solução em valores iguais ao do plasma (B) cloro/por litro da solução em valores próximos ao do plasma (C) potássio/por litro da solução em valores iguais ao do plasma (D) eletrólitos/por litro da solução em valores próximos aos do plasma (E) osmolaridade/por litro da solução em valores próximos ao do plasma Resposta correta: E O NaCl 0,9% (soro fisiológico) contém por litro da solução: - 154 mEq de sódio - 154 mEq de cloro - Osmolaridade de 308. Os valores de sódio e principalmente de cloro, do soro fisiológico, estão bem acima dos valores encontrados no plasma humano. O único valor que se aproxima do fisiológico é o da concentração final da solução (308 mOs/l). Lactente de 10 meses é levado a unidade de saúde devido a quadro de diarreia, com fezes líquidas, amareladas, várias vezes por dia, anorexia, vômitos e febre nªo aferida, há três dias. Exame físico: irritado, inquieto, olhos fundos e sinal da prega com desaparecimento lento, bebendo avidamente a água oferecida Considerando as informações acima e as recomendações do Ministério da Saúde, o diagnóstico e a conduta corretos neste caso sªo, respectivamente: (A) desidrataçªo grave – iniciar hidrataçªo venosa e, se após 4-6 horas ainda estiver desidratado, indicar hospitalizaçªo (B) desidrataçªo – liberar com prescrição de sais de reidrataçªo oral, alimentaçªo habitual e oferta de líquidos abundante (C) desidrataçªo – iniciar hidrataçªo com sais de reidrataçªo oral na unidade de emergência (D) desidrataçªo – internar e iniciar hidrataçªo com sais de reidrataçªo oral (E) desidrataçªo grave – internar e iniciarhidrataçªo venosa gabarito: C O lactente descrito na questªo apresenta sinais evidentes de desidrataçªo, como irritabilidade, olhos fundos, sinal da prega com desaparecimento lento e sede intensa. Nªo há sinais de desidrataçªo grave. Nestes casos, definidos pela OMS como desidrataçªo nªo-grave ou, simplesmente, desidrataçªo, indica-se o plano B. Este plano de tratamento consiste na administraçªo de 50-100ml/kg de soluçªo reidratante oral contendo 75mEq/l de sódio, durante 4-6 horas, na unidade de saúde onde é feito o atendimento do paciente Lactente, 12 meses, é levado à unidade de saúde com história de diarreia há 16 dias, inicialmente líquida, sem sangue ou muco, tendo febre nos dois primeiros dias que não excedeu 38,5ºC. Apresentou dois episódios de vômitos no primeiro dia de doença; evacuava seis a oito vezes nos primeiros três dias, diminuindo o volume e melhorando a consistência das fezes posteriormente, mas ainda estão amolecidas, com odor forte e eliminação de flatos. Em aleitamento materno complementado com outros alimentos, incluindo leite de vaca. Exame físico: bom estado geral, hidratado, distensão abdominal e presença de dermatite perianal. Não foi detectado perda ponderal neste atendimento. A) Cite o diagnóstico dessa criança e justifique a resposta. B) Indique a provável doença que deu início ao quadro atual e a sua provável etiologia. C) Cite três exames que podem confirmar o diagnóstico. D) Descreva as orientações que devem ser feitas ao cuidador. GABARITO: ITEM A: Intolerância secundária à lactose (intolerância à lactose, síndrome pós-enterite por intolerância à lactose; deficiência secundária à lactose; síndrome pós-enterite secundária à deficiência de lactose). Justificativa: O importante aqui é caracterizar a lesão das vilosidades e consequente não digestão da lactose o mecanismo osmolar da diarreia crônica (intolerância secundária á lactose). ITEM B: Diagnóstico: diarreia aguda / gastroenterite aguda por agente viral ou bacteriano ITEM C: Ph fecal </= 5; substâncias redutoras >/= 5g% nas fezes; teste da absorção da lactose pela sobrecarga oral; teste do H2 expirado; teste rápido de lactase em fragmento de biópsia; dosagem de dissacaridases em fragmento de mucosa intestinal; teste genético. ITEM D: Restrição dietética temporária da lactose / manutenção do leite materno. Lactente de nove meses é levado ao posto de saúde devido a quadro de vômitos e diarréia de fezes líquidas amareladas, que se iniciou há 24 horas. Exame físico: irritabilidade, choro com lágrimas, boca e língua pouco ressecadas, sede intensa e um sinal da prega que desaparece rapidamente. A conduta indicada, neste caso, é: (A) iniciar, na unidade, terapia de reidratação oral com solução da OMS, reavaliando periodicamente (B) referir para internação hospitalar para hidratação venosa e realização de exames complementares (C) aplicar uma dose de antiemético parenteral e iniciar, após 30 minutos, a terapia de reidratação oral na unidade (D) liberar para casa com recomendação de aumento da ingestão hídrica e administração de soro caseiro após cada evacuação (E) liberar para casa com prescrição de terapia de reidratação oral com solução da OMS e orientação de retorno imediato em caso de piora GABARITO A. O paciente descrito apresenta doença diarréica aguda e três sinais de desidratação: irritabilidade, boca e língua secas e sede intensa. Apesar do choro com lágrimas e do sinal da prega desaparecer rapidamente, a presença de dois ou mais sinais de desidratação já caracteriza a criança como desidratada. Não há sinais de desidratação grave. Desta forma, a conduta preconizada é o plano A que consiste na terapia de reidratação oral, na unidade de saúde, com reavaliações periódicas. Lactente de 14 meses é trazida ao posto de saúde porque sua mãe observou, nos últimos dois dias, a presença de sangue em pequena quantidade, na fralda da criança, sobre as fezes emitidas. Não há relato de outras alterações clínicas. A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) divertículo de Meckel (B) parasitose intestinal (C) retocolite ulcerativa (D) doença de Crohn (E) fissura anal GABARITO E. : O divertículo de Meckel é uma duplicação de tubo digestivo delgado e com epitélio gástrico, portanto com produção de ácido clorídrico e proteases. Estas substâncias agridem a mucosa intestinal próxima levando a ulceração e sangramento, quase sempre de grande monta e sem sintomas de dor ou ardência. A parasitose intestinal que mais agride a mucosa próxima ao reto, e que pode dar algum sangramento (discreto) é a trichuríase. Produz anemia, por vezes grave, mas raramente apresenta sangue visível sobre as fezes. A retocolite ulcerativa raramente afeta lactentes e pré-escolares pequenos. Apresenta-se com fezes diarréicas muco-sanguinolentas, por vezes com febre, malestar, e como doença crônica e insidiosa evolui para desnutrição e mal-estado geral do paciente. A doença de Crohn costuma só ser diagnostida cerca de um a dois anos após sintomas insidiosos como parada de crescimento. Quando surgem os sintomas específicos estes são mais intensos do que a retocolite ulcerativa, com fezes diarréicas muco-sanguinolentas, dor abdominal, febre, ulcerações orais, anais, e vários outros sintomas extra-intestinais. A fissura anal é muito freqüente em crianças com fezes endurecidas e sua freqüência aumenta com o desenvolvimento da habilidade de brincar e de “prender” as fezes, o que as tornam mais endurecidas. Ocorre então a erosão da mucosa anal pela ação mecânica das fezes, com dor, e que estimula a criança a evitar a evacuação fechando um ciclo perpetuador do problema. A criança não apresenta anemia ou outro sintoma geral, e as fezes são emitidas com estrias de sangue sobre as fezes, raramente misturando-se com estas. O tratamento consiste em reduzir a consistência das fezes através de manipulação dietética e redução da dor para a evacuação. Escolar, nove anos, masculino, é encaminhado ao ambulatório com diarreia crônica. Apresenta formigamento nos dedos dos pés e alteração do equilíbrio. Seu peso, altura e IMC estão abaixo do z escore “-3” e apresenta anticorpo antitransglutaminase e antiendomísio, ambos da classe IgA, positivos. No tratamento nutricional, é urgente considerar a reposição de: A) retinol (vitamina A) B) alfa-tocoferol (vitamina E) C) riboflavina (vitamina B2) D) colecalciferol (vitamina D) Gabarito: B Comentário: A deficiência de vitamina E é rara no ser humano pode ocorrer por anormalidades genéticas ou devido a má absorção intestinal de gordura; nas crianças maiores que apresentam má absorção intestinal, podem ocorrer quadros de neuropatia periférica, oftalmoplegia, retinite pigmentosa e ataxia, que pode ser irreversível se não for corrigida precocemente. Os achados clínicos mais frequentes da carência de vitamina D são: crescimento ponderoestatural diminuído, desenvolvimento neuropsicomotor atrasado, palidez, irritabilidade, sudorese, músculos hipotônicos, abdome distendido e hérnias, aumento do baço e dos gânglios linfáticos (principalmente cervicais), estridor laríngeo e laringoespasmo, além dos sinais ósseos. Clinicamente, a deficiência de vitamina A manifesta-se pelas alterações da visão, anemia, predisposição a infecções, inapetência e alteração do paladar, alteração do crescimento, deformidades ósseas, xerodermia, ceratinização de mucosas dos tratos respiratório, digestório e geniturinário, das papilas gustativas, com diminuição do paladar, e hiperqueratose folicular. Os sinais cutâneos não são específicos da deficiência (hiperqueratose folicular ou frinoderma, xerose cutânea ou xerodermia). Os achados clínicos mais frequentes da carência de riboflavina são: queilose, queilite angular, glossite, palidez de mucosas e manifestações oculares, como sensibilidade à luz. Lactente de três meses, com história de uso de fórmula infantil na maternidade, está em aleitamento materno exclusivo desde o segundo dia de vida. Apresenta diarreia com raias de sangue nas fezes e eczema. Não fez o teste do pezinho. Exame físico: eutrófico e combom desenvolvimento pôndero-estatural. O diagnóstico e a conduta adequada são: A) fenilcetonúria / fórmula sem fenilalanina B) galactosemia / suspender a amamentação C) intolerância à lactose / fórmula sem lactose D) alergia à proteína do leite de vaca / amamentação exclusiva Gabarito: D Comentário: A alergia à proteína do leite de vaca é uma reação adversa à proteína existente no leite de vaca, que envolve mecanismos imunológicos. Pequenas quantidades de proteína do leite de vaca podem estar presentes no leite de mulheres que ingerem leite de vaca, provocando colite e eczema na criança, mesmo que ela esteja em aleitamento materno exclusivo. Desse modo, o diagnóstico mais provável no caso em discussão é alergia à proteína do leite de vaca, sobretudo porque a criança usou fórmula de leite de vaca nos primeiros dias de vida. A conduta recomendada é manter o aleitamento materno exclusivo com eliminação estrita da proteína do leite de vaca da dieta da mãe. Pré-escolar, quatro anos, é trazido à emergência com história de diarreia que iniciou há dois dias. Apresenta febre alta desde o início dos sintomas, comprometimento do estado geral e sangue nas fezes. Após realizar o exame físico o pediatra assistente o classifica no Plano B. A) Descreva como deve ser a reidratação desta criança. B) Indique as etapas a serem seguidas se: 1- a criança apresentar vômitos: 2- piorar da desidratação: C) Considerando o estado clínico da criança e as orientações do Ministério da Saúde, cite os medicamentos que devem ser usados no tratamento desta criança. Gabarito: ITEM A – sais de reidratação oral, 50 a 100 ml /kg em 4 a 6 horas ITEM B1 – gastróclise (sonda nasogátrica), 50 a 100 ml /kg por 4 a 6 horas ITEM B2 – utilizar o plano C (hidratação venosa). I TEM C – Antibióticos: Ciprofloxacino: 15 mg/kg a cada 12 horas, via oral, por 3 dias; Ceftriaxona: 50 a 100mg/ kg, intramuscular, uma vez ao dia, por 2 a 5 dias, como alternativa. Zinco: deve ser administrado, uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias: até seis (6) meses de idade: 10mg/dia; maiores de seis (6) meses de idade: 20mg/dia. Pré-escolar de três anos, pesando 15kg, foi trazido ao ambulatório com queixa de diarréia desde o nascimento. A mãe relata que seu filho “sempre foi magrinho, come pouco e mal, e sempre evacua amolecido”. Segundo ela, já realizou vários exames de sangue e fezes, que foram normais. No ano passado, em dois períodos diferentes, ele apresentou vômitos e evacuações explosivas, líquidas, com cinco a dez emissões por dia, com duração média de cinco dias em cada episódio, voltando a seguir a apresentar três evacuações por dia amolecidas. Há mais de dois anos vem recebendo uma dieta sem adição de gordura e sem restrição ao tipo de leite oferecido. Não apresenta alterações ao exame físico. A conduta indicada neste caso é: (A) prescrever metronidazol 20mg/kg/ dia por três dias (B) prescrever leite de soja e retirar toda proteína de vaca (C) encaminhar a um serviço de gastroenterologia pediátrica (D) recomendar a adição normal de gordura na sua alimentação (E) solicitar endoscopia com biópsia jejunal e iniciar dieta sem glúten GABARITO D. Diarréia crônica sem afetar o estado geral (o emagrecimento é devido a dieta) com sinais de irritação do cólon (muco) e evidencia de aumento da motilidade intestinal (restos vegetais, gorduras e celulose não digerida) e assadura (pela fermentação da lactose e por ácidos biliares) sugere Cólon irritável. A dieta deve ter elevado teor de gordura e no restante normal, sendo que os alimentos com fibras vegetais solúveis são úteis para a formação do bolo fecal. Pré escolar de quatro anos é levado a atendimento médico por apresentar diarréia durante os últimos três meses. Apresenta seis episódios diários, com evacuações semi-líquidas com restos de alimentos, sem sangue. Sua curva ponderal demonstra perda de 3,5kg nesse período. O médico assistente suspeita de síndrome do cólon irritável. Dentre os dados apresentados, aquele que torna pouco provável este diagnóstico é: (A) idade do paciente (B) duração do quadro (C) características das fezes (D) freqüência das evacuações (E) comprometimento da curva ponderal GABARITO E. A síndrome do cólon irritável ocorre com muitos sintomas desagradáveis para o paciente tais como dor, evacuações diarréicas alternadas com constipação e tem forte conotação psico-afetiva. No entretanto, as condições nutricionais não costumam ter alterações e raramente o paciente tem qualquer prejuízo no seu ganho ponderal ou crescimento. Uma perda ponderal tão significativa (perto de 20% se estimarmos o peso adequado para a idade) em tão pouco tempo fala a favor de doença orgânica e de grande impacto sobre o estado nutricional afastando o diagnóstico de cólon irritável. Os exames laboratoriais de um lactente desidratado pesando 7kg revelam: Gasometria: pH: 7,29; bicarbonato: 10mEq/L; pCO 2 : 20mmHg; pO2: 67mmHg; SatO2 : 91%; BE: -16mEq/L; BB: -30mEq/L; Na: 128mEq/L; K: 5,8mEq/L; glicose: 180mg/dL. A conduta inicial é: (A) hidratar com volumes iguais de soro glicosado e fisiológico e 10mEq de bicarbonato (B) fazer a reposição volêmica com solução salina isotônica e não infundir bicarbonato (C) corrigir o déficit do sódio para 140mEq/L e fazer 5mEq de bicarbonato (D) não corrigir o déficit de sódio e usar apenas solução polarizante (E) aplicar 10mEq de bicarbonato e oxigenar imediatamente GABARITO B. : Não há indicação absoluta do uso de bicarbonato nesta criança. Isto ocorreria nas situações de bicarbonato total inferior a 10mEq/L, ou na alteração ácida de pH inferior a 7.2. É comum na criança desidratada grave, em estado de choque ou préchoque, ocorrer muito baixo débito a vários tecidos que ficam sub-oxigenados levando ao metabolismo anaeróbico uma grande parte dos tecidos. Este tipo de metabolismo gera ácido láctico e a baixa circulação impede que o fígado regenere glicose através do ciclo de Cori que irá refazer glicose a partir do ácido láctico na gliconeogenese. A restauração da volemia com expansão cristalóide produzirá melhor oxigenação dos tecidos além do melhor aproveitamento hepático do ácido láctico e são suficientes para restaurar o equilíbrio ácido básico deste paciente dispensando outras terapêuticas mais agressivas. Pré-escolar de três anos eutrófica é atendida com quadro de oligúria, edema das pálpebras e de membros inferiores. A anamnese revelou que, duas semanas antes, a criança tivera diarréia aguda que evoluiu em dois dias para diarréia sanguinolenta com febre e dor abdominal. Há relato de casos semelhantes na comunidade no mesmo período. Mesmo com coprocultura negativa para Shigella, Salmonella, Campylobacter e colipatogênica clássica, a criança recebeu cefalosporina. Com tratamento de suporte, a evolução foi satisfatória. Exames complementares: elementos anormais e sedimento urinário: densidade baixa, proteinúria; hemograma: anemia, plaquetopenia moderada; uréia e creatinina séricas elevadas. Baseado nesses dados, o diagnóstico mais provável é: (A) doença de Berger (B) síndrome nefrótica (C) síndrome hemolítico-urêmica (D) púrpura de Henoch-Schoenlein (E) glomerulonefrite membranoproliferativa GABARITO C. : A síndrome hemolítica urêmica vem aumentando sua incidência no Brasil após a inclusão do país no Mercosul e é causada pela toxina conhecida como verotoxina produzida pela Escherichia coli 0157H7 que é transmitida por animais domésticos, carne de gado e leite. É comum ocorrer em surtos, afetando outras pessoas com casos semelhantes ocorrendo nas comunidades afetadas. O quadro é típico, após um episódio de diarréia de característica infecciosa, o paciente evolui com um quadro de insuficiência urinária acompanhada de anemia hemolítica, plaquetopenia em função de trombose intra-renal. A urina apresenta excreção aumentada de proteína, hemoglobinúria e cilindrúria evidenciando a agressão renal. As complicações possíveis são relacionadas a hipervolemia e a trombose de vários órgãos e sistemas. É pouco freqüente, mas possível, o acometimento do sistema nervoso central com irritabilidade,convulsões e coma. Este caso teve evolução satisfatória e benigna com tratamento sintomático, mas em alguns casos o paciente vem a necessitar de diálise peritonial, heparina sistêmica e plasmaferese. A corticoterapia é inefetiva e o uso de antibióticos nesta fase não modifica a evolução. - Escolar, nove anos, masculino, é encaminhado ao ambulatório com diarreia crônica. Apresenta formigamento nos dedos dos pés e alteração do equilíbrio. Seu peso, altura e IMC estão abaixo do z escore “-3” e apresenta anticorpo antitransglutaminase e antiendomísio, ambos da classe IgA, positivos. No tratamento nutricional, é urgente considerar a reposição de: A) retinol (vitamina A) B) alfa-tocoferol (vitamina E) C) riboflavina (vitamina B2) D) colecalciferol (vitamina D) Resposta correta: B A deficiência de vitamina E é rara no ser humano pode ocorrer por anormalidades genéticas ou devido a má absorção intestinal de gordura; nas crianças maiores que apresentam má absorção intestinal, podem ocorrer quadros de neuropatia periférica, oftalmoplegia, retinite pigmentosa e ataxia, que pode ser irreversível se não for corrigida precocemente. Os achados clínicos mais frequentes da TEP - Comentado 24 Nestlé Nutrition Institute Sociedade Brasileira de Pediatria TEP - Comentado Nestlé Nutrition Institute Sociedade Brasileira de Pediatria carência de vitamina D são: crescimento ponderoestatural diminuído, desenvolvimento neuropsicomotor atrasado, palidez, irritabilidade, sudorese, músculos hipotônicos, abdome distendido e hérnias, aumento do baço e dos gânglios linfáticos (principalmente cervicais), estridor laríngeo e laringoespasmo, além dos sinais ósseos. Clinicamente, a deficiência de vitamina A manifesta-se pelas alterações da visão, anemia, predisposição a infecções, inapetência e alteração do paladar, alteração do crescimento, deformidades ósseas, xerodermia, ceratinização de mucosas dos tratos respiratório, digestório e geniturinário, das papilas gustativas, com diminuição do paladar, e hiperqueratose folicular. Os sinais cutâneos não são específicos da deficiência (hiperqueratose folicular ou frinoderma, xerose cutânea ou xerodermia). Os achados clínicos mais frequentes da carência de riboflavina são: queilose, queilite angular, glossite, palidez de mucosas e manifestações oculares, como sensibilidade à luz. (2007) Lactente de 18 meses, sexo masculino, é levado ao pediatra por retardo de crescimento, irritabilidade e falta de apetite persistentes, além de constipação eventual. Exame físico: emagrecido, irritado, com palidez cutâneo-mucosa; AR normal; abdome globoso, distendido; peso e estatura abaixo do percentil 5. História alimentar revela oferta de alimentos de boa qualidade. A principal hipótese diagnóstica é: (A) síndrome diencefálica (B) doença de Wolman (C) doença celíaca (D) ascaridíase (E) amebíase A doença celíaca apresenta-se após a introdução do glúten na dieta com quadro clínico variável. A dificuldade de ganhar peso ou os vômitos podem ser as únicas manifestações. Muitos têm diarréia, mas também observa-se constipação. A anorexia é muito freqüente, levando ao baixo peso. Geralmente as crianças são irritadas, tristes e sem interesse pelo alimento, como observamos no caso descrito na questão. Já a Doença de Wolman, por exemplo, é uma doença rara com deposição lipídica em vários órgãos, inclusive intestino, com vômitos, hepatoesplenomegalia e esteatorréia. GABARITO: C. (2007) Lactente de dois meses, em aleitamento materno exclusivo, apresenta evacuações com fezes líquidas, explosivas, de coloração esverdeada, logo após as mamadas. Exame físico: normal. Peso mantido no percentil 25. A conduta é: (A) iniciar SRO (B) prescrever leite de soja (C) manter o leite materno exclusivamente (D) prescrever fórmula láctea sem lactose (E) suspender temporariamente o leite materno Lactente em aleitamento materno exclusivo pode apresentar evacuações líquidas após as mamadas por exacerbação do reflexo gastro-cólico. O aleitamento deve ser mantido pois trata-se de processo fisiológico. GABARITO: C (2007) Lactente de oito meses, sexo feminino, é levada à emergência com quadro de diarréia aguda sem sangue e desidratação não grave. Após a introdução da TRO, observa-se aumento da frequência e volume das evacuações. A conduta é: (A) manter a TRO (B) iniciar gastróclise (C) iniciar hidratação venosa (D) alterar a concentração da TRO (E) iniciar antimicrobiano por via oral No caso de diarréia aguda sem sinais de desidratação grave o aumento do número e volume das fezes não indica a suspensão da TRO. Esta pode ser mantida observando-se cuidadosamente o grau de hidratação da criança. GABARITO: A. 10) Conjuntivites 44- Lactente, dois meses, apresenta lacrimejamento constante e involuntário desde o nascimento e atualmente purulento unilateral à direita, com discreta hiperemia da conjuntiva. Considerando a causa mais frequente, o tratamento imediato deve ser: A) Massagem. B) Sondagem. C) Intubação siliconizada. D) Dacriocistorrinostomia. Comentário: A) A anomalia lacrimal congênita mais frequente é a obstrução do final do conduto lacrimonasal (válvula de Hasner). Estudos demonstram uma média de ocorrência em 50% dos recém- -nascidos, porém, com evidência clínica, cerca de 5 a 15%, pois a abertura espontânea ocorre na grande maioria dos casos entre a 3ª e a 6ª semanas de vida, atingindo 85% no 6º mês e 90% com 1 ano de idade. O diagnóstico baseia-se no lacrimejamento constante e involuntário (epífora), secreção ocular e distensão do saco lacrimal. O quadro inicia com hiperemia ocular, conjuntivite crônica que persiste ao tratamento, geralmente unilateral. A contaminação secundária causa secreção purulenta, e a compressão sobre o saco lacrimal produz refluxo (mucoide ou purulento). Tratamento: Massagem - A compressão do saco lacrimal firme e para baixo, realizada várias vezes por dia (manobra de Criegler) pelos pais, pode diminuir os casos que necessitam de sondagem. A pressão hidrostática gerada pela massagem da via lacrimal excretora pode forçar a abertura na parte final do conduto lacrimonasal e auxiliar também na eliminação do acúmulo de material mucopurulento, reduzindo o risco de dacriocistites. Tratamento: Massagem - A compressão do saco lacrimal firme e para baixo, realizada várias vezes por dia (manobra de Criegler) pelos pais, pode diminuir os casos que necessitam de sondagem. A pressão hidrostática gerada pela massagem da via lacrimal excretora pode forçar a abertura na parte final do conduto lacrimonasal e auxiliar também na eliminação do acúmulo de material mucopurulento, reduzindo o risco de dacriocistites. Pré-escolar de quatro anos é levado a atendimento médico devido a quadro de prurido ocular intenso e lacrimejamento. Não há fotofobia. Exame físico: conjuntivas hiperemiadas e com edema intenso, projetando-se sobre a pálpebra inferior (quemose). A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) iridociclite (B) ceratite herpética (C) conjuntivite alérgica (D) conjuntivite papilar gigante (E) ceratoconjuntivite traumática GABARITO C. A presença de prurido associado a hiperemia e edema conjuntival é altamente sugestiva de conjuntivite alérgica. A ausência de fotofobia é um importante fator clínico para descartar a possibilidade de lesão de córnea (ceratite) e iridociclite. Na conjuntivite papilar gigante há história de exposição crônica a corpo estranho intra-ocular como lentes de contato, fios de sutura etc, e esta doença se caracteriza por desconforto ocular intenso e secreção ocular mucóide. Recém-nascido com 14 dias de vida apresenta secreção ocular unilateral não purulenta, de início há dois dias. Parto vaginal, a termo. Mãe não fez pré-natal e relata disúria e secreção vaginal mucóide há 20 dias. A hipótese diagnóstica mais provável é de conjuntivite: (A) infecciosa por adenovírus (B) reativa ao uso de nitrato de prata (C) infecciosa por Neisseria gonorrhoae (D) nfecciosa por Chlamydia tracomatis (E) infecciosa por Staphylococcus epidermidis GABARITO D. A C. Trachomatis é a principal causa de conjuntiviteneonatal e aproximadamente 30-50% das crianças nascidas de mães infectadas desenvolvem conjuntivite, que surge entre 5- 14 dias, ou mesmo, após semanas. A conjuntivite gonocócica surge entre o 2º e 5º dias de vida, podendo ser uni ou bilateral, evoluindo em 24 horas para descarga purulenta e grossa. Já a inflamação conjuntival causada pelo nitrato de prata ocorre 6-12 horas após o nascimento, regredindo em 24-48 horas 11)Baixa Estatura Dois irmãos procuram o pediatra para saber o motivo de suas alturas serem muito diferentes. A menina (F), de 16 anos, refere menarca há três anos e afirma que parou de crescer há dois anos e está com 162cm. O menino (M), de 17 anos, também parou de crescer há dois anos e está com 175 cm. Eles informam que a mãe tem 157cm e o pai tem 180cm. Considerando o histórico dos irmãos, é correto afirmar que: (A) a diferença tão grande entre as alturas finais dos irmãos não era esperada (B) as alturas de M e F foram as esperadas de acordo com a altura dos pais (C) a altura de M foi abaixo da esperada para a altura dos pais (D) a altura de F foi acima da esperada para a altura dos pais Resposta correta: B Comentários: Os homens são em média 12 a 13 cm mais altos que as mulheres na altura final. Para se calcular a altura esperada, utiliza-se a altura dos pais e corrige-se para o sexo. A altura esperada para o menino seria a altura do pai (175 cm) somada a altura da mãe masculinizada (162 cm + 13 cm = 175 cm) dividida por dois [(175 + 175)/2 = 175 cm]. A altura esperada para a menina seria a altura da mãe (162 cm) somada a altura do pai feminilizada (175 - 13 cm = 162 cm) dividida por dois [(162 + 162)/2 = 162 cm Escolar de dez anos e dez meses, sexo feminino, apresenta condições socioeconômicas e alimentar adequadas. Ao exame físico: normal, Tanner M1P1. Sua mãe tem 153cm e seu pai 170cm. No gráfico de estatura (sem dados disponíveis de idade anterior) observa-se o seguinte registro: Considerando as causas mais prevalentes de baixa estatura, é provável tratar-se de um caso: (A) familiar, não necessitando exames complementares (B) constitucional, devendo ser avaliada radiologicamente (C) congênito, devendo ser realizado genótipo e TORCH (D) de doença orgânica, necessitando investigação laboratorial Resposta: B Comentário: A causa mais comum de déficit de estatura no Brasil são as condições socioeconômicas precárias(como dieta deficiente e infecções de repetição). Como o enunciado da questão afasta estas causas, e a anamnese é fundamental para o diagnóstico destas causas, a ordem de frequência das causas mais prevalentes, como solicitado na questão, coloca a baixa estatura constitucional como a hipótese principal para o caso, já que é a primeira nesta lista. Além disso, o retardo constitucional se inicia perto do final da primeira infância, mantendo a curva de estatura paralela à normal até a aceleração do crescimento no final da adolescência, terminando o crescimento com estatura. Como não se têm dados antes dos cinco anos e a criança ainda não entrou na puberdade (Tanner M1 P1) a hipótese de ser constitucional ainda é a mais provável pela ordem de frequência. O exame radiológico mostraria a compatibilidade entre a idade óssea e a estatura. Na baixa estatura familiar o crescimento se mantém dentro do alvo genético, o que não ocorre neste caso.As doenças orgânicas e as doenças congênitas são causas possíveis para baixa estatura e devem ser investigadas com exames laboratoriais, mas a questão se refere a causa mais prevalente, sendo estas a quarta causa em frequência depois das causas sócio-econômicas. Adolescente, sexo masculino, 14 anos procura atendimento pediátrico preocupado com seu crescimento, pois sempre foi o mais baixo da turma. Anamnese: Os pais são baixos, não sabem suas alturas. HPP: nenhuma patologia prévia. Menarca materna: 11 anos. Exame físico: aparência de 11 anos, altura e peso entre os escores z -2 e z -3, Tanner: G1P2, altura-alvo: entre os escores z -2 e z -3. Idade óssea: compatível com 11 anos. A hipótese diagnóstica é: A) Hipotireoidismo. B) Baixa estatura genética. C) Baixa estatura constitucional. D) Baixa estatura genética + constitucional. GABARITO: D Adolescente com baixa estatura, história clínica e exame físico normais, com altura-alvo entre os escores z -2 e z -3 e atraso da idade óssea, mais provavelmente tem baixa estatura genética + constitucional. Dois irmãos adolescentes procuram o pediatra para saber por que a altura deles é tão diferente. A adolescente(F) de 18 anos, menarca há cinco anos, já parou de crescer há dois anos, está com 162cm, e o adolescente(M), com 20 anos, também já parou de crescer há dois anos, está com 175cm. A mãe deles tem 157cm e o pai, 180cm. Neste caso, pode-se afi rmar que: (A) a altura de F foi acima da esperada para a altura dos pais (B) a altura de M foi abaixo da esperada para a altura dos pais (C) não se pode afirmar nada, pois os pais têm alturas muito diferentes (D) as alturas de M e F foram as esperadas de acordo com a altura dos pais (E) não era esperada uma diferença tão grande entre as alturas finais de dois irmãos Resposta correta: D Para cálculo das alturas devemos utilizar as fórmulas: M: (157 + 13) + 180/2 = 175cm + ou -8 (variando de 167 cm a 183 cm) F: (180 – 13) + 157/2 = 162 cm + ou -8 (variando de 154cm a 170 cm) Os dois irmãos atingiram o percentil 50 esperado conforme a altura dos pais Adolescente, 14 anos, sexo masculino, vem à consulta porque é o mais baixo da turma. Anamnese pregressa: sem agravos à saúde, menarca materna: 13 anos. A altura do pai: 166cm, altura da mãe: 158cm. Exame físico: peso: 48kg, altura 151cm. Estadiamento puberal: G2P2. Alturas anteriores: 11 anos: 131cm, 12 anos: 136cm, 13 anos: 143cm. Considerando o caso acima, responda: ITEM A – Plote os dados antropométricos nos gráficos apresentados a seguir (altura e IMC) ITEM B – Cite a principal hipótese diagnóstica ITEM C – Considerando as dificuldades regionais de acesso à exames complementares, cite o exame fundamental para confirmar a sua hipótese Respostas ITEM A – Ver imagens anexas ITEM B – Baixa estatura familiar-constitucional. Estatura adequada para a idade e baixa estatura dos pais. Baixa estatura é definida como “estatura menor que -2DP ou menor que o percentil 3 para a idade e sexo ou estatura menor que -2DP para o canal de crescimento da estatura alvo”. O paciente está acima do percentil 3 e calculando seu Z escore não tem -2DP. Alguns adolescentes iniciam a puberdade mais tardiamente, mas com previsão de estatura final dentro do alvo genético, fato que ocorre no paciente em questão pois está em G2P2, e seu estirão de crescimento ocorrerá em G3/G4. ITEM C – Idade óssea/ radiografia de punho e mão esquerdos Escolar de nove anos é levado à consulta pois os pais estão preocupados com a sua altura, aparentemente menor do que a dos colegas de mesma idade. No momento o escolar mede 118cm e pesa 28Kg. O registro da consulta de um ano atrás mostra uma altura de 112cm. O pai mede 164cm e a mãe 150cm. A principal hipótese diagnóstica é: (A) retardo constitucional de crescimento (B) baixa estatura genética (C) desnutrição crônica (D) nanismo hipofisário (E) nanismo primordial GABARITO B. Na avaliação do crescimento de um escolar, o alvo genético, que é obtido com a média corrigida da altura dos pais, é avaliado no gráfico de crescimento do NCHS para a idade de 18 anos. No entanto, no caso de se aferir a altura com um intervalo superior a seis meses é possível o cálculo da velocidade de crescimento, que para a idade, é normal acima de 0,4cm/mês. A velocidade de crescimento deste escolar é de 0,5cm/mês, portanto, ele não tem nenhum problema de crescimento e sua baixa estatura é compatível com o alvo familiar. Trata-se, assim, de baixa estatura genética. Escolar de oito anos do sexo feminino é levada ao ambulatório por seus familiares, pois sua estatura aumentou muito nos últimos seis meses. Os pais referem que sempre foi muito alta e que este é um padrão familiar. Ao exame antropométrico verifica-se estaturaentre os percentis 90 e 97 (NCHS). O diagnóstico e os dados de história e exame clínico a serem investigados são, respectivamente: (A) zona de vigilância do crescimento para alta estatura, idade da menarca materna e estadiamento puberal de Tanner (B) zona de vigilância do crescimento para alta estatura, estatura dos avós e dos pais e erupção dentária (C) zona de vigilância do crescimento para alta estatura, erupção dentária e antropometria ao nascimento (D) alta estatura, estatura dos irmãos e estadiamento puberal de Tanner (E) alta estatura, estatura dos pais e estadiamento puberal de Tanner GABARITO A. A monitoração do crescimento, através dos gráficos adequados, é fundamental na consulta de rotina de crianças e adolescentes. O caso em tela não configura alta estatura ou seja, altura acima do percentil 97 (NCHS) e portanto, o acompanhamento periódico no gráfico de crescimento é um dos pontos chave do caso. Entre os dados de anamnese, devem ser colhidos: antroprometria ao nascimento, idade da menarca materna e estatura dos pais. A solicitação de idade óssea facilita o acompanhamento dos casos de baixa ou alta estatura Adolescente, masculino de 14 anos é avaliado pelo pediatra devido a queixa de baixa estatura. Não há relato de doença crônica, alterações alimentares, ou lesões do sistema nervoso central. Gráfico de crescimento mostra altura e peso abaixo e paralelos ao escore –z-2 nos últimos três anos. A altura-alvo é no escorez 0. A idade óssea é três anos mais baixa do que a idade cronológica. Exame físico: idade aparente é inferior à referida e o estágio puberal de Tanner é G1/P1. O diagnóstico para essa baixa estatura é: A) genética B) constitucional C) hipotireoidismo D) genética e constitucional Resposta correta: B Adolescentes com hipotireoidismo apresentam baixa estatura associada à desaceleração do crescimento e tendência a excesso de peso o que não está presente nesse caso. Para ser uma baixa estatura genética a altura-alvo deveria ser igual ou inferior ao P.5 e a idade óssea e estágio puberal deveriam ser compatíveis com a idade cronológica. Para ser uma combinação de baixa estatura genética e constitucional, a altura- -alvo deveria ser igual ou inferior ao P.5. Sendo assim, a suspeita diagnóstica mais provável para esse paciente é uma baixa estatura constitucional com base nos seguintes dados: paciente aparentemente hígido, com velocidade de crescimento e ganho ponderal normais, altura-alvo no P.50, idade aparente inferior a referida, atraso puberal e atraso da idade óssea. (2007) Escolar de 10 anos é levado a consulta, pois seus pais estão preocupados com sua altura. O paciente é o menor da classe e tem sido vítima de agressões dos colegas. Exame físico: P: 30 kg (pP25-50), E: 125 cm (pE<5), Tanner G2P1. O registro de consulta anterior, há um ano, mostra estatura de 119 cm. O pai mede 163 cm e a mãe, 150 cm. Considerando os dados apresentados, a hipótese diagnóstica inicial é: (A) puberdade precoce (B) baixa estatura genética (C) hipotireoidismo adquirido (D) pseudopuberdade precoce (E) retardo constitucional do crescimento De acordo com a idade cronológica (10 anos) espera-se que o paciente esteja na fase inicial da puberdade. O estadiamento de Tanner verificado ao exame físico é adequado para um paciente nessa fase de desenvolvimento. Seu peso é normal para idade e não sugere presença de doença crônica ou desnutrição. A velocidade de crescimento de 6 cm/ano encontra-se dentro do esperado para um menino entre 9 e 10 anos. De acordo com o NCHS, homens com menos de 1,65 m e mulheres com menos de 1,54 m apresentam baixa estatura. Verifica-se que os pais do paciente em questão são, portanto, portadores de baixa estatura. Considerando-se ainda a estatura dos pais, a estatura-alvo da criança é de 1,63 (+/- 5 cm). Portanto, de acordo com dados apresentados, tratase de um caso de baixa estatura genética. GABARITO: B. 12) SD DA adolescência normal Adolescente, sexo masculino, 13 anos, comparece à consulta de rotina e pergunta ao pediatra se “está tudo bem com ele, se ele está normal”, em relaçªo ao seu crescimento e desenvolvimento físico. Exame físico: Tanner G1P1, peso, altura e IMC adequados. O pediatra informa que o próximo evento da puberdade normal será: (A) espermarca (B) poluçªo noturna (C) engrossamento da voz (D) aumento do volume testicular (E) aparecimento de pelos axilares Resposta: D Neste caso o próximo evento da puberdade normal é o aumento do volume testicular. A primeira ejaculação (espermarca), acne e perspiração axilar ocorrem em média aos 13,9 anos, enquanto tanto os pelos axilares como faciais aparecem mais tardiamente entre 12,9 – 14,4 anos. Adolescente de 14 anos e quatro meses, sexo masculino, procura ambulatório porque acha que não está crescendo igual aos seus colegas. Nada sabe informar sobre o pai biológico. Ao exame físico apresenta peso e altura no percentil 15; Tanner G1P1. O achado físico que configura puberdade atrasada é ausência de: (A) pêlos pubianos aos 13 anos (B) aumento do pênis aos 14 anos (C) aumento testicular aos 14 anos (D) aumento testicular aos 13 anos Resposta correta: C Comentários: Os meninos entram em puberdade entre 9 e 14 anos (aumento testicular) configurando o estágio Tanner G 2 Adolescente de 14 anos, sexo masculino, vem à consulta para avaliação de crescimento. Refere ser o mais baixo da turma, há três anos, e que é ridicularizado por todos na escola e na rua onde mora. Peso do nascimento: 3.500g, comprimento: 51cm. Altura da mãe: 160cm, altura do pai: 169cm, menarca materna: 13 anos e 6 meses. Exame físico: altura: 138cm (≤ escore -2 e -3), peso: 39kg, IMC: 21,9 (≥ escore -2 e +1). Tanner: pelugem infantil, volume testicular de 2cm³. Exames complementares: idade óssea: 12 anos. Diante deste quadro clínico, a conduta indicada é iniciar reposição com: (A) testosterona (B) etinilestradiol (C) medroxiprogesterona (D) hormônio do crescimento (hGH) (E) hormônio tireoideano (levotiroxina sódica) Resposta correta: A Conceitua-se atraso puberal quando há ausência de pubarca após 14,5 anos ou ausência do aumento do volume testicular (acima de 3 cm3 ) após 14 anos. Deve ser investigado história familiar de atraso puberal, anosmia (síndrome de Kallmann), doenças crônicas, estado nutricional. Verificar também estigmas sindrômicos, palpar tireoide e checar estágios de Tanner. Os objetivos do tratamento consistem em induzir o desenvolvimento puberal, estirão do crescimento, incorporação de massa óssea mineral, manutenção das funções sexuais e fertilidade Escolar de oito anos, sexo masculino, é levado ao ambulatório por seus pais com queixas de ser muito alto e magro. Relatam que se alimenta muito bem, mas que perdeu sapatos no último semestre e que surgiram alguns pelos pubianos. O pediatra que o acompanhava solicitou idade óssea, que foi compatível com nove anos e meio. Exame físico: peso 26kg (p50), altura: 140cm (acima do p95), testículos com volume de 4cm3 , presença de pelos longos, ligeiramente pigmentados na base do pênis. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, deve-se solicitar: (A) LH, FSH, estradiol e testosterona (B) cariótipo e ultrassonografi a abdominal (C) retorno em seis meses, tranquilizando os pais (D) cariótipo e ressonância magnética de sela túrcica (E) tomografia computadorizada de crânio e ultrassonografia de tireóide Resposta correta: A Nos meninos, o desenvolvimento dos testículos é um indicativo da ativação do eixo HHG, enquanto na puberdade periférica ocorre o crescimento do pênis sem desenvolvimento testicular (aumento do volume testicular indica produção endógena de gonadotrofinas). A avaliação deve incluir: idade óssea e US abdominal e pélvico (massas adrenais), LH, FSH e estradiol e testosterona (caso aumentada indica tumor produtor de androgênio). Adolescente de 13 anos vem à consulta com queixa de ginecomastia há seis meses e pênis pequeno. Exame físico: ginecomastia, obesidade moderada, pênis embutido, restante sem anormalidades. Estadiamento de Tanner: P2G3. A conduta adequada é: (A)encaminhar para endocrinologia (B) pedir exame de cromatina sexual (C) solicitar tomografi a computadorizada de crânio (D) indicar cirurgia para a correção de ginecomastia (E) observar a evolução da ginecomastia por mais um ano Resposta correta: E A ginecomastia é condição característica do adolescente, sendo fi siológica nos estágios G3 e G4, devendo ser acompanhada e caso não regrida ou esteja causando prejuízos à imagem corporal e à auto-estima do jovem, devemos considerar a cirurgia plástica aos 18 anos de idade. Médico atendeu uma adolescente de 17 anos no pronto-socorro com história de sangramento vaginal há cerca de seis horas. Durante o atendimento, ele constatou tratar-se de complicação de aborto. A adolescente confirmou ter realizado aborto em uma clínica no dia anterior, sem declinar o nome e endereço do local. Após realizar os exames e procedimentos para resolver a urgência, o médico internou a adolescente e comunicou aos seus pais e à polícia. Segundo o Código de Ética Médica (CEM), esse médico: (A) não infringiu o CEM, pois em caso de quadro grave não há que manter o sigilo médico (B) infringiu o CEM, pois não deveria ter quebrado o sigilo médico, comunicando à polícia (C) infringiu o CEM, pois não deveria ter quebrado o sigilo médico, comunicando aos pais (D) não infringiu o CEM, pois o aborto é crime por quem executa e por quem permite Resposta: B Conforme o Artigo 28 do Código de Ética Médica (CEM) deve-se denunciar à autoridade competente(Conselho Tutelar) e não a polícia. Você esta realizando uma consulta de rotina com uma adolescente de 11 anos acompanhada de sua mãe. O exame físico revelou ausência de caracteres sexuais secundários e a mãe solicita que descreva os estágios do desenvolvimento sexual e do crescimento de sua filha além de frisar que sua própria menarca foi muito precose aos 10 anos e meio de idade. Sendo assim, responda: ITEM A – Qual será o primeiro sinal de puberdade dessa paciente? ITEM B – Quando ocorrerá a menarca? ITEM C – Quando ela vai apresentar seu estirão de crescimento? RESPOSTAS ITEM A – Aparecimento do broto mamário/ telarca ITEM B – Em média após 2 anos da telarca (com variações individuais) ITEM C – O pico da velocidade de crescimento coincide com os estágios 2-3 de Tanner. O pai de uma pré-escolar de três anos procura o pediatra de sua filha, constrangido e muito angustiado, dizendo-se preocupado com a possibilidade de sua filha ter algum problema. Relata que freqüentemente a menina está se masturbando, o que o deixa sem saber como agir. Sua preocupação se deve também ao fato de que a esposa teve a menina aos treze anos e há outros casos de início precoce de atividade sexual em sua família. A condução do caso requer: (A) avaliação psicológica da criança para descartar transtornos comportamentais da sexualidade (B) avaliação psiquátrica do pai para afastar a possibilidade de fantasias sexuais com a própria filha (C) parecer de ginecologista a fim de investigar uma causa orgânica para o comportamento da criança (D) notificação imediata ao Conselho Tutelar por suspeita de abuso sexual por parte do pai (E) tranqüilizar o pai, esclarecendo que se trata de comportamento normal para a idade GABARITO E. A masturbação e a curiosidade sobre os órgãos sexuais são situações comuns na idade préescolar e os pais devem ser tranqüilizados quanto à normalidade destes comportamentos. É importante informar-lhes que este comportamento não guarda qualquer relação com as manifestações sexuais da adolescência e da idade adulta. Cabe lembrar, outrossim, que a masturbação compulsiva e a simulação de ato sexual em brincadeiras, utilizando bonecos ou mesmo com outras crianças – ou até com adultos – deve nos fazer aventar a possibilidade de que a criança esteja sendo vítima de abuso sexual ou esteja presenciando relações sexuais entre adultos, o que também é inadequado. Escolar de sete anos é levada à consulta médica de rotina. Ao exame, verifica-se que a paciente encontra-se no estádio de Tanner M2P2. A hipótese diagnóstica mais provável é: (A) puberdade normal (B) puberdade precoce (C) telarca idiopática precoce (D) pseudopuberdade precoce (E) síndrome do testículo feminilizante GABARITO B. A presença de sinais de puberdade numa menina abaixo dos oito anos de idade, caracteriza a puberdade precoce. A maioria dos casos de puberdade precoce em meninas se deve a hipergonadismo hipergonadotrófico primário e são idiopáticos. O maior risco para estas crianças diz respeito à estatura final de adulto (devido ao fechamento precoce da cartilagem de crescimento) e à possibilidade de abuso sexual. Escolar de sete anos é levado ao pediatra devido a “queixa de dor nas pernas”. A mãe informa que há cerca de três meses a criança vem acordando há várias noites referindo muita dor. A dor localiza-se no terço médio da coxa direita e cede sem a necessidade de analgésicos. O exame físico é normal, exceto pela presença de dor à digitopressão do terço médio da coxa direita. O dado da história apresentada que torna o diagnóstico de dor de crescimento menos provável é: (A) freqüência (B) intensidade (C) dor localizada (D) idade do paciente (E) predominância noturna GABARITO C. As dores de crescimento são uma das causas mais freqüentes de dores músculo-esqueléticas na infância e, portanto, seu quadro clínico, tem que ser muito bem reconhecido pelo pediatra. A questão visa chamar a atenção para o fato de que a dor de crescimento é difusa, acomentendo necessariamente os dois membros inferiores, simultânea ou alternadamente. O osteoma osteóide é um tumor que apresenta quadro clínico bastante semelhante, exceto que a dor é localizada, mostrando a importância da anamnese e do exame físico no diagnóstico diferencial. Adolescente do sexo feminino, de 14 anos e seis meses, apresenta amenorréia primária. A telarca ocorreu há 18 meses e sua velocidade de crescimento é de 6 cm/ano. Exame físico: Peso: 51kg (percentil 50), altura: 164 cm (percentil 50-75), Tanner M3P2. A menarca materna ocorreu aos 15 anos. A conduta mais adequada é: (A) solicitar idade óssea (B) dosar gonadotrofinas (C) dosar hormônios tireoidianos (D) solicitar retorno em 6 meses (E) realizar teste imunológico para gravidez GABARITO D. : A menina está em puberdade, com boa relação ponderoestatural, sendo que, em geral, a menarca ocorre 2 anos após a telarca. A sua menarca deverá ocorrer em aproximadamente 6 meses, na mesma faixa etária da mãe. Adolescente do sexo masculino, 14 anos, é trazido ao ambulatório por sua mãe, relatando que “o filho está se comportando de maneira estranha nos últimos meses”. O relatório da professora evidencia queda do rendimento escolar, dificuldade de concentração e isolamento do seu grupo de amigos. A mãe também relata adinamia, hipersonia e instabilidade do humor, trazendo exames complementares negativos para doenças orgânicas. Na consulta com o adolescente, percebe-se um jovem desatento, pouco cooperativo, repetindo os mesmos assuntos e relatando sentimentos de desesperança. A conduta adequada é: (A) prescrever estimulantes do sistema nervoso central, já que pode tratar-se de distúrbio do déficit da atenção (B) agendar consulta com os pais e o psicólogo, para afastar vitimização escolar (“bullying”) (C) tranqüilizar a família, já que os sintomas sugerem a “síndrome da adolescência normal“ (D) acompanhamento psicológico e psiquiátrico, já que pode tratar-se de depressão (E) internar imediatamente, visando evitar o suicídio GABARITO D. As manifestações da depressão na adolescência podem simular a chamada “síndrome da adolescência normal” e portanto, devemos estar alertas para: estados de humor irritável duradouro e/ou excessivos, períodos prolongados de isolamento ou hostilidade com a família e amigos, afastamento da escola ou queda escolar, distúrbios do sono e sentimentos de menos valia e desesperança. ITEM A puberdade precoce ITEM B RX punho e mão esquerdos/ idade óssea ITEM C VC= 10cm/ano ou 0.83cm/mês Escolar, 10 anos, filho único, estudante do quinto ano do ensino fundamental, é umgaroto inteligente, educado, estudioso e gosta muito de dança e música. Seus pais foram chamados à escola porque o menino beijou um colega, durante o recreio. A mªe o levou, imediatamente, ao pediatra que fez alguns esclarecimentos sobre o tema: I. A sexualidade resulta de manifestações biológicas, psicológicas e sociais, determinadas pela cultura, ambiente e sociedade, que variam de acordo com o grupo social; II. É fundamental que a sexualidade seja construída com equilíbrio, em uma perfeita interaçªo entre o ser humano e as estruturas sociais, a fim de que haja bem-estar em qualquer fase da vida; III. Alguns comportamentos sexuais, vivenciados por meninos e meninas, como as comparações das genitálias, os toques masturbatórios, as pequenas ereções e outros, sªo curiosidades inerentes ao processo de desenvolvimento e consistem em um direito sexual; IV. Atualmente, evidencia-se o preparo dos professores para enfrentarem as exigências sociais no campo daeducaçªo para a sexualidade e está definido onde tratar do tema nas disciplinas escolares; V. A sexualidade se expressa nos gritos, nos gestos de carinho, no andar de mãos dadas das meninas, nas lutas corporais dos meninos, nas brincadeiras com os órgãos genitais e até em atitudes precoces de experiências homossexuais. A alternativa que contém todos os es clarecimentos corretos é: (A) I, II e V (B) I, III e IV (C) I, II, III e V (D) III, IV e V (E) II, III, IV e V Resposta: C Em pleno século XXI ainda há desconforto, por parte de pais e educadores, para se falar sobre sexualidade humana. É dito que é um tema transversal que permeia a educaçªo escolar, porém o que se vê é um despreparo dos educadores que, muitas vezes, sªo obrigados pela escola a tratar do assunto, principalmente nas disciplinas isoladas de Ciências e Biologia. O item IV, portanto, está incorreto, enquanto os outros itens contêm informações corretas que todo pediatra deve saber para orientar as famílias. Adolescente do sexo masculino de 17 anos procura o ambulatório devido a aumento mamário bilateral. A anamnese revela que esse aumento surgiu aos 13 anos e está se acentuando, causando dores no local. Exame físico: Tanner G5P4, altura no percentil 75 e peso no percentil 50, importante ginecomastia bilateral. Neste caso, está indicada a seguinte conduta: (A) cariotipagem (B) perfil hormonal (C) correção cirúrgica (D) reposição androgênica (E) observação até os 20 anos GABARITO C. O paciente já terminou seu crescimento, apresentando peso adequado e ginecomastia de quatro anos de duração. A ginecomastia normalmente aparece em Tanner G2P2, sendo mais visível em Tanner G3P3, involuindo em dois anos. Nos casos em que há sintomatologia clínica e também, rejeição social e problemas emocionais, indica-se a cirurgia corretiva. - Adolescente, masculino, 13 anos e seis meses vem à consulta com queixa de dor na região torácica, perto da mama, após jogo de futebol. Exame físico: região da mama esquerda levemente aumentada de volume, compatível com tecido mamário acima dos limites da aréola mamária, estadiamento puberal de Tanner P4G3. Diante do quadro, a conduta é: A) tranquilizar o paciente informando que se trata provavelmente de ginecomastia fisiológica B) revisar detalhadamente anamnese e exame físico, além de solicitar exames laboratoriais para investigação C) informar ao paciente que esse aumento mamário é por excesso de estimulação hormonal e que deve ser cirúrgico D) encaminhar paciente para avaliação endocrinológica pela possibilidade deste aumento mamário estar relacionada à doença primária sistêmica Resposta correta: A Devido a estimulação estrogênica mais de 1/3 dos adolescentes do sexo masculino desenvolvem ginecomastia fisiológica (uni ou bilateral) de evolução benigna e temporária, que se manifesta próximo ao estágio G3 de Tanner. As pacientes dos dois casos a seguir apresentam a mesma queixa clínica: referem ser baixinhas e não terem menstruado. CASO 1 Adolescente, 13 anos e 6 meses de idade, altura 148cm. Seus registros anteriores de altura são: 10 anos = 126cm; 11 anos = 131cm; 12 anos = 138cm. Altura do pai = 170cm; altura da mãe = 160cm Exame físico: Figura 1 Radiografia de punho e mão esquerdos = 11 anos. CASO 2 Adolescente, 13 anos e 6 meses de idade, altura 146cm. Seus registros anteriores de altura são: 10 anos = 123cm; 11 anos = 129cm; 12 anos = 137cm. Altura do pai = 162cm; altura da mãe = 150cm Exame físico: Figura 2. Radiografia de punho e mão esquerdos = 13 anos. Utilizado os gráficos de peso e altura e as figuras correspondentes a cada pacientes (Anexos I e II) cite para cada caso: A) Hipótese diagnóstica B) Estadiamento de Tanner C) Conduta adequada e justificativa GABARITO: CASO 1 A) Atraso puberal /puberdade atrasada / baixa estatura constitucional B) M 1 P 1 C) Investigação. CASO 2: A) Baixa estatura familiar B) M 3 P 3 C) Orientação clínica, não há necessidade de exames complementares. Comentários: A baixa estatura familiar é caracterizada por pais baixos, idade óssea igual à idade cronológica e uma curva de crescimento que segue um padrão normal, embora abaixo do percentil 3. Não havendo atraso puberal, confirma-se o diagnóstico de baixa estatura familiar. A ausência de sinais de puberdade em meninas após 13 anos de idade (ausência de telarca) configura atraso puberal. O atraso constitucional do crescimento é sugerido por paciente crescendo em velocidade normal (ou levemente inferior), mas com atraso no desenvolvimento puberal e com IO significativamente abaixo da IC. Esses pacientes atingem altura normal na idade adulta. (2007) Durante o atendimento médico a uma adolescente de 14 anos, a presença de um dos pais ou responsáveis é obrigatória: (A) em todas as consultas (B) somente nas consultas de retorno (C) caso a paciente more com os pais (D) na vigência de gravidez ou abuso de drogas (E) no caso de prescrição de métodos contraceptivos O artigo 103 do Código de Ética Médica dispõe sobre este assunto. Ele diz que é vedado ao médico revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, salvo quando a não revelação possa acarretar danos ao paciente. A vigência de gravidez e o abuso de drogas são situações em que estão implícitas a impossibilidade e incapacidade do menor em avaliar e conduzir por seus próprios meios a abordagem da situação, sendo então obrigatória a presença dos pais à consulta médica. Todavia é importante ressaltar que isto deve ser informado e discutido com a própria adolescente, buscando-se avaliar com ela o momento e a forma mais adequada e oportuna de convocação dos pais à consulta. GABARITO: D. (2007) Escolar de sete anos, com diagnóstico de puberdade precoce, apresentará: (A) baixa estatura durante o crescimento, com alta estatura final (B) alta estatura durante o crescimento, com estatura final normal (C) baixa estatura durante o crescimento, com estatura final normal (D) alta estatura durante o crescimento, com prejuízo da estatura final (E) baixa estatura durante o crescimento, com prejuízo da estatura final Na puberdade precoce, devido à ação dos hormônios sexuais, ocorre aumento da velocidade de crescimento e a criança fica mais alta que seus pares durante alguns anos. No entanto, os mesmos hormônios promovem rápida aceleração da maturação esquelética, com fechamento das cartilagens de crescimento antes da época habitual, ocorrendo prejuízo à estatura final. GABARITO: D. 13) Problemas comuns no ambulatório As medidas abaixo estão relacionadas à segurança da criança em relação à prevenção de acidentes. Assinale aquela que corresponde a uma medida de proteção passiva: (A) tampas de segurança nos medicamentos (B) porta bloqueadora em cozinhas (C) cinto de segurança nos carros (D) telas de proteção nas janelas (E) grade cercando piscinas Resposta correta: A A proteção passiva é aquela onde o mecanismo de proteção independe da ação de um responsávelpara que ela seja efetiva. Ela já vem pronta. No caso do cinto de segurança, para que ele seja efetivo é preciso colocar o cinto na criança, assim ela precisa da ação de uma pessoa para ser efetiva, não sendo considerada proteção passiva. E todas as outras, exceto a tampa de segurança nos medicamentos necessitam da ação de alguém para serem efetivas A respeito do transporte seguro de crianças e adolescentes em veículos automotores, é correto afirmar que: (A) crianças e adolescentes menores de 13 anos podem viajar no banco dianteiro, desde que utilizem cinto de três pontos e air bag desativado (B) crianças e adolescentes com estatura inferior a 1,45m devem utilizar assentos elevadores com cinto de três pontos no banco dianteiro (C) não se aplica o uso de dispositivo restritivo de segurança para crianças ou adolescentes que não tenham ainda a altura de 1,45m (D) crianças com estatura superior a 1,45m (média aos 11 anos de idade) podem passar a usar o cinto de segurança de três pontos (E) criança ou adolescente, independente de altura ou idade, não pode utilizar o banco dianteiro se o air bag estiver ativado Resposta correta: D O Código de Trânsito Brasileiro determina - Para transitar em veículos automotores, os menores de 10 anos deverão ser transportados nos bancos traseiros e usar, individualmente, cinto de segurança ou sistema de retenção equivalente. As crianças (ou adolescentes) poderão sentar no banco da frente, como passageiros, a partir do momento que alcançarem a altura de 1,45 m, conseguirem encostar os dois pés totalmente no chão do veículo, utilizando o cinto de 3 pontos de maneira correta.