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Habilidades: EF09HI10 – EF09HI14 2 Entre as muitas mudanças que ocorreram no mundo no final do século XIX, uma das mais marcantes foi o crescimento dos movimentos nacionais. “Nacionalismo” é um termo que conota uma luta política em nome de uma nação. Contudo, sempre foi complicado compreender de forma racional o que é uma nação, pois esse conceito não define de forma teórica , e sim na prática, na experiência cotidiana das pessoas que se sentem pertencentes a uma mesma nação. Foco no Conteúdo Nacionalismo: é uma ideologia ou movimento político que discursa em defesa dos interesses da nação. Esse indivíduos identificam-se, muitas vezes, por terem em comum a mesma língua, os mesmos hábitos, a mesma cultura e as mesmas origens históricas. Embora esse seja um processo de identificação natural em muitas nações há casos em que o nacionalismo exacerbado leva à xenofobia. O sentimento nacionalista extremo também pode dar origem a conflitos políticos e disputas por território. Foi o que aconteceu na Europa, que, a partir de 1830, foi varrida por diversas revoltas nacionalistas; no entanto, poucas obtiveram sucesso naquele momento. Foco no Conteúdo Xenofobia: apesar de o sufixo “fobia” significar “medo”, neste contexto de nacionalismo significa aversão, repugnância. Xenofobia é a intolerância a outras etnias ou outras nações. Desde o início do século XIX, os ideais iluministas de liberdade e igualdade, que influenciaram fortemente a Revolução Francesa, estimularam nações europeias a lutar pela sua autodeterminação, ou seja, pelo direito de autogovernar-se, formando um Estado-nação. Com o aumento da concorrência econômica no processo industrial, mesmo as nações que já eram Estados autônomos (como a França) passaram a incentivar o nacionalismo para garantir seu papel como potência, o que garantia o direito de se manter no controle do cenário econômico mundial. O Império Alemão e o Reino da Itália são exemplos de lutas muito importantes pela formação de Estados nacionais na história do século XIX. Até 1860, tanto a região que hoje conhecemos como Itália quanto a região da Alemanha foram formadas por inúmeros pequenos Estados, cada um com suas próprias leis, moedas e relações políticas internacionais. Isso dificultava o crescimento econômico dessas regiões. Assim, os Estados que tinham atingido maior desenvolvimento industrial e que, por isso, possuíam interesse em ampliar seus mercados passaram a lutar pela formação de um único país. Nesse contexto, a Itália foi unificada por meio da liderança do Reino de Sardenha-Piemonte, ao passo que a Alemanha teve seu processo de unificação liderado pelo Reino da Prússia. Em ambos os casos, o processo se deu por meio de guerras com as potências vizinhas, principalmente contra o Império Austro-Húngaro e a França. O processo de unificação do território italiano envolveu vários movimentos nacionalistas, como o Jovem Itália e o Risorgimento (Ressurgimento, em português). Em decorrência das lutas nessa região, o Reino da Itália foi constituído em 1861, e, até o início do século XX, outros territórios foram sendo anexados a ele, como podemos ver no mapa a seguir: Foco no Conteúdo Unificação da Itália: Movimentos nacionalistas: Jovem Itália; Risorgimento. Reino da Itália foi construído em 1861 e até o final do século XX teve outros territórios anexados a ele. Já no caso da nação alemã, o chanceler (primeiro-ministro) prussiano Otto von Bismark aumentou os armamentos e os contingentes militares da Prússia, a fim de guerrear contra os países que se opunham à unificação dos Estados alemães. Assim em 1871, foi fundado o Império Alemão, cuja proporção vemos no mapa a seguir: Os dois novos Estados formados estavam sedentos para recuperar seu atraso industrial em relação aos demais países do continente, buscando se colocar como potências mundiais. Dentro desse processo, na segunda metade do século XIX, a Grã-Bretanha, a França, a Holanda, a Bélgica e os Estados Unidos eram as maiores potências industriais do mundo. A concorrência econômica entre essas potências só crescia. Nesse cenário, quando surgiram a Alemanha e a Itália, dois novos países industrializados. As relações econômicas internacionais, tornaram-se ainda mais complexas e tensas. Intensifica-se, a partir daí, uma busca constante por matérias-primas e mercado consumidor, fruto do momento da Segunda Revolução Industrial e da formação de novas nações. Foco no Conteúdo Mudança nas potências mundiais industriais no final do século XIX: Grã-Bretanha, França, Holanda, Bélgica e Estados Unidos. O novo modelo Industrial e a alta tecnologia nele empregada exigiam grandes investimentos, como no caso das indústrias químicas e das usinas siderúrgicas. Para se manter dentro da concorrência, donos de fábricas buscaram associar-se a outros proprietários ou a banqueiros. Dessa forma, as pequenas indústrias não conseguiram acompanhar os concorrentes e acabaram sendo “engolidas” pelos monopólios industriais que surgiram. Foco no Conteúdo Monopólio: Controle de um ramo da economia por uma empresa que, por não ter concorrentes, pode oferecer seus produtos e serviços por preços abusivos. Ao mesmo tempo, nas zonas agrícolas desses países, a mecanização e a introdução de fertilizantes e adubos químicos levaram ao êxodo rural, ou seja, ao aumento de pessoas em busca de empregos nas zonas industriais. Isso causou a redução dos salários dos operários, impedindo a ampliação do consumo e intensificando a tensão social, já que cresciam as lutas por leis trabalhistas. O quadro era de tenção: grande concorrência entre as potências; escassez de matéria-prima; falta de mercado consumidor; poucos empresários detentores de muito capital, que não tinha onde ser investido; aumento populacional e lutas sociais nos centros urbanos. No final do século XIX, as potências capitalistas iniciaram um novo processo de colonização de diversos territórios a fim de manter seu crescimento industrial. Essa forma de política a partir de então é chamada de neocolonialismo ou imperialismo. Nesse novo colonialismo, os interesses europeus voltaram-se para a África e a Ásia, enquanto os Estados Unidos buscaram ampliar sua influência na América Latina. É interessante relembrar que as inovações desse período também tinham chegado aos meios de transporte: trens e navios possibilitavam a comunicação dessas potências industriais com o mundo bem como facilitavam o acesso de um território a outro. Para os grandes capitalistas, com o neocolonialismo: As colônias forneceriam matérias-primas em abundância e com custo reduzido; Os povos colonizados seriam explorados como mão de obra barata na obtenção de matéria-prima; As colônias se tornariam mercados consumidores para a produção industrial excedente das metrópoles; As tecnologias de comunicação e transporte, por exemplo, poderiam ser vendidas para as colônias a preços mais altos, gerando mais lucro; O excedente populacional europeu poderia ser direcionado para as regiões coloniais, acalmando, assim, os conflitos sociais na Europa. Por ter sido o primeiro país a se industrializar e possuir a maior marinha da época, a Inglaterra saiu na frente na conquista de colônias, tornando-se a maior potência imperialista daquele tempo. Em 1914, controlava cerca de 20% do território mundial. Veja a seguir a tabela que mostra, em números, a vantagem dos ingleses: Países Inglaterra Rússia França Alemanha Estados Unidos da América Japão Todas as grandes potências Colônias 1875 1914 km Hab. km Hab. 22,5 251,9 33,5 393,8 17 15,9 17,4 33,2 0,9 6 10,6 55,5 - - 2,9 12,3 - - 0,3 0,39 - - 0,3 19,2 40,4 273,8 65 523,4 Possessões coloniais das grandes potências (em milhões de quilômetros quadrados e milhões de habitantes). Como podemos observar na tabela, todas as grandes potências industriais tinham interesses em colônias. Além de trazer vantagens econômicas, possuir colônias era símbolo de poder no cenário político da época, ou seja, concedia ao país colonizadoro status de potência mundial. Assim, a disputa por territórios não significava somente o crescimento econômico, mas também servia como propaganda política e estimulava o nacionalismo em cada uma das metrópoles europeias. Não demorou muito para que as potências começassem a se digladiar por maiores porções de terras. Para o Império Alemão e o Reino da Itália, que há pouco tempo haviam passado pelo processo de unificação, a corrida por colônias começou tardiamente, o que deixou esses países insatisfeitos com o quinhão de territórios que tinham conseguido até então. Digladiar: Entrar em combate. Quinhão: patê ou pedaço de alguma coisa. O mundo que os europeus foram aos poucos conquistando era muito diferente dos padrões econômicos, políticos e culturais construídos na Europa. Por isso, povos africanos e asiáticos foram considerados inferiores, já que não viviam segundo o modelo capitalista, cientificista e utilitarista que os europeus acreditavam ser o símbolo do desenvolvimento. Assim como em épocas passadas, o etnocentrismo foi a marca do neocolonialismo. Etnocentrismo: teoria que considera uma etnia ou cultura mais importante que as outras. O etnocentrismo geralmente está na origem do racismo. Além do forte nacionalismo, o sentimento de superioridade étnica fez com que muitos europeus colonizadores acreditassem que tinham a missão de salvar os povos ditos selvagens de sua suposta ignorância, “civilizando-os”. Naquela época, essa crença – de que o europeu deveria salvar o restante do mundo – era chamada de “fardo do homem branco” e foi justificada por teorias pseudocientíficas, como o darwinismo social defendido pelo filósofo Herbert Spencer. Pseudocientífica: uma teoria que aparenta ser científica, mas é formulada com base em dados errados. Segundo o pensamento de Spencer, nas sociedades humanas, o mais adaptado teria maiores chances de sobreviver e, assim, dominar os outros. Para o filósofo, o “mais adaptado” era o europeu. Com base em uma reelaboração mal fundamentada das ideias de Charles Darwin, essa teoria incentivou o racismo e legitimou as atrocidades que forma cometidas contra os povos colonizados e as minorias étnicas. Apesar da vantagem europeia, a expansão imperialista não foi um processo pacífico e sem resistência por parte dos povos africanos e asiáticos. As guerras nesse contexto foram inúmeras, mas, na maioria das vezes, a tecnologia industrial venceu. Os colonizadores europeus usaram navios para adentrar as regiões mais remotas, rifles de disparo rápido, metralhadoras e medicamentos que os ajudavam a sobreviver em regiões até então inóspitas para eles. Inóspito: local no qual não se pode viver. Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, as potências europeias reuniram-se na Conferência de Berlim para decidir as regras da ocupação da África. Sem a menor preocupação com a organização social e política dos africanos, tampouco em relação à sua cultura, essas nações da Europa repartiram o continente entre si. As formas de exploração das colônias africanas foram as mais variadas, desde a dominação direta, com o governo local nas mãos dos europeus, até o respeito à liberdade política, desde que houvesse dependência econômica. Um dos casos mais graves da dominação europeia foi a colonização belga sobre o Congo, que se tornou uma propriedade particular do rei da Bélgica, Leopoldo II. Os trabalhadores da região eram explorados de forma excessiva e, quando não cumpriam as cotas de produção exigidas pelos colonizadores, tinham suas mãos, seus pés ou narizes decepados. Milhões de africanos morreram durante a ação imperialista belga. No continente americano, os Estados Unidos dedicavam-se a manter o controle sobre o território. Desde a década de 1820, os estadunidenses já buscavam afastar os interesses europeus da América por meio da Doutrina Monroe, que defendia a “América para os americanos”. Ao contrário das potências europeias, os Estados Unidos não se preocuparam com o domínio político da América Latina, optando pelo controle econômico. Entretanto, isso não excluiu conflitos armados, tais como: a guerra contra o México (1846-1848), em que os EUA se apossaram dos territórios do Texas, do Novo México e da Califórnia, entre outros; a Guerra Hispano-Americana (1898), contra a Espanha, que resultou no controle de Porto Rico, Cuba e Filipinas (no Oceano Pacifico) pelos EUA. A forma de Influência mais praticada pelo governo estadunidense era a intervenção indireta em conflitos latino-americanos, a fim de garantir seus interesses econômicos, como no caso da Independência do Panamá, ocorrida em 1903. O Panamá era um território pertencente à Colômbia. Os EUA ajudaram na sua independência e, em troca, exigiram o controle de um canal que foi construído na região, que renderia grandes lucros aos EUA, pois ligaria o Oceano Pacífico ao Atlântico, facilitando todas as suas atividades econômicas no eixo Leste-Oeste. À época, os Estados Unidos começavam a se projetar como potência mundial. media1.mp4 image1.png media2.mp4 image2.png media3.mp4 image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.png media4.mp4 image7.png media5.mp4 image8.png media6.mp4 image9.png media7.mp4 image10.png image11.jpeg media8.mp4 image12.png