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Ética Profissional do Serviço Social Professora Ana Cristina da Silva Gomes Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira 2022 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2022 Os autores Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP G633e Gomes, Ana Cristina da Silva Ética profissional do serviço social / Ana Cristina da Silva Gomes. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 105 p.: il. Color. 1. Assistentes Sociais – Ética profissional – Brasil. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23 ed.361.30981 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTORA Professora Ana Cristina da Silva Gomes ● Cursando Pós-graduação em Atendimento à Criança e Adolescente Vítima de Violência – Instituto Dimensão – 2020; ● Pós-graduação em Serviço Social na Sociedade Contemporânea: Direção Social, Instrumentais e Política Social – Instituto Dimensão - 2018; ● Pós-graduação em Gestão e Planejamento de Projetos Sociais – Unicesumar (2018); ● Pós-graduação em Psicopedagogia Empresarial – Instituto Paranaense de Ensi- no (2011); ● Graduada em Serviço Social – Bacharelado – Unicesumar (2010); ● Técnico em Meio Ambiente – Colégio Estadual JK (2006) Tutora do curso de Serviço Social (UNIASSELVI), Assistente Social: Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e Programa Jovem Aprendiz CIEE/PR, Palestrante nas áreas: motivacional, violência doméstica contra mulher, idoso e criança e adolescente, prevenção da gravidez na adolescência, formação para Conselheiros tutelares, Conferências municipais e Idealizadora da Campanha Mulheres Maravilhosas nas redes sociais (@anacristina.palestra) sobre a Violência Contra Mulher. Link do Currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/1689530393656228 http://lattes.cnpq.br/1689530393656228 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL É com imenso prazer que apresentamos a disciplina de Ética Profissional do Servi- ço Social! Em primeiro lugar, queremos deixar registrado aqui a nossa alegria em participar da sua jornada acadêmica. Queremos que saiba que o material produzido foi pensado com muito carinho, pois nossa preocupação é realizar a explanação do conteúdo de forma clara e objetiva, fazendo com que você, acadêmico(a), entenda a Ética profissional como essência para sua futura atuação, enquanto Assistente Social. Essa disciplina pretende abordar os princípios éticos, morais, valores e vida cotidiana relacionada ao comportamento humano, como também os aspectos conceituais de vários autores sobre a Ética, tanto na antiguidade, como na contemporaneidade, e a Ética como direitos civil e humano para a sociedade, sendo estes abordados na primeira unidade da apostila, com intuito de compreender o seu significado e os seus princípios norteadores. Na unidade dois vamos ampliar nossos conhecimentos sobre o significado ontológico no trabalho e as relações sociais contemporâneas, relacionando a ontologia de Marx com a questão da ética profissional, finalizando a ética e sua relação com os movimentos sociais, buscando entender essa ligação do trabalho contemporâneo com a ética profissional. Nas unidades três e quatro vamos tratar especificamente dos Códigos de Éticas Profissionais e o Projeto Ético-Político Profissional, perpassando por todos os códigos conquistados até o momento atual, os Projetos Éticos-Políticos do Serviço Social, finalizando com a contextualização dos Conselhos Federais, Municipais e o processo histórico, e a Lei que regulamenta a profissão e o processo de eleições e participação dos profissionais. Caro(a) acadêmico(a), é importante que você faça uma leitura atenta aos conteúdos e também se empenhe na busca das dicas complementares e indicação de livros que estão no decorrer de cada unidade. Agradecemos a oportunidade de fazer parte desse processo de aprendizagem. Desejamos sucesso a você! Bons estudos e boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 4 Moral e Ética UNIDADE II ................................................................................................... 21 Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social UNIDADE III .................................................................................................. 45 Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional UNIDADE IV .................................................................................................. 69 Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 4 Plano de Estudo: ● A moral e a vida cotidiana, ● Aspectos conceituais do serviço social: a moral e a vida cotidiana; ● Ética contemporânea; ● Ética e direitos civis e humanos. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar os termos Moral e Ética; ● Entender, por meio de uma linha do tempo, como os códigos de ética mudaram com o passar do tempo; ● Compreender conceitos de Ética contemporânea; ● Estabelecer relações entre Ética e direitos civis e humanos. UNIDADE I Moral e Ética Professora Ana Cristina da Silva Gomes 5UNIDADE I Moral e Ética INTRODUÇÃO Caríssimo(a) acadêmico(a) do curso de Serviço Social, começo parabenizando você por ter chegado em mais esta etapa de seus estudos. Juntos iremos nos aventurar por um mundo de conhecimentos e de grande relevância para sua prática enquanto profissional da área, no intuito de entender importantes conceitos que precisam ser levados em conta ao se pensar no exercício profissional do Assistente Social, voltando a Ética profissional em Serviço Social. É com grande alegria que lhe digo que vamos entender sobre conceitos estreitamente relacionados a outras áreas e que, mais do que nunca, precisam estar alinhados em seus pensamentos no intuito de lhe proporcionar reflexão, planejamento de ações, bem como práticas efetivas e que respeitem o espaço dos indivíduos que serão os futuros atendidos na Política Pública de Assistência Social, e seus usuários no agir profissional. Nesse sentido, compreender sobre Ética éum assunto delicado e atrelado aos conceitos morais, valores e virtudes, mas de extrema importância para seu aprendizado, uma vez que ambos os conceitos lidam com sua postura e conduta enquanto profissional, envolvendo suas crenças, valores e ética profissional. Entender como atuar eticamente, dentro da sociedade, não é uma tarefa fácil, pois ainda nos deparamos com muito preconceito, e valores enraizados na sociedade civil. A evolução do Assistente Social na sociedade, como trabalho social, é primordial no cerne dos estudos do acadêmico do curso de Serviço Social, para entender a essência da Ética profissional. 6UNIDADE I Moral e Ética 1. ÉTICA Segundo Tomelin e Tomelin (2002, p. 89), “a ética é uma das áreas da filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros [...]”. De acordo com Dennis (2008, p. 10), ética é o “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar social”. Para Sócrates, “o conceito de ética, seria, o corpo seria a prisão da alma, que é imutável e eterna. Existiria um ‘bem em si’ próprio da sabedoria da alma e que podem ser rememorados pelo aprendizado” (DENNIS, 2008, p. 10). Aristóteles (1988) subordina sua ética à política, acreditando que na monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. Desse modo, o homem é moldado de acordo com suas escolhas éticas e sofre com as con- sequências incorretas. De acordo com Vázquez (2005, p. 20), “o ético transforma-se assim numa espécie de legislador do comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade”. Já o autor Emmanuel Kant, afirma que “a ética moderna traz à tona o conceito de que os seres humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para alcançar seus interesses”, ou seja, não há bondade natural, por natureza o ser humano é egoísta, agressivo, mata e rouba (DENNIS, 2008, p. 12). Desse modo, podemos citar que a ética foi pensada nas duas correntes de pen- samentos, sendo ela a ética praxista e a ética pragmática. A primeira está relacionada à capacidade do homem em julgar, tendo uma responsabilidade de agir; a segunda está relacionada às raízes, ao espaço, sobre o transformar, o ter, o saber e o poder. 7UNIDADE I Moral e Ética Destacamos que a ética dentro do Serviço Social, praticada pelos primeiros profissionais da área, surge a partir da Ação Católica. Sua missão era voltada para a doutrina e cumprimento às ideologias da igreja. No entanto, a prática foi reduzida a partir no ano de 1947, com a aprovação do primeiro Código de Ética do Assistente Social, assunto a ser debatido nas próximas unidades. Barroco (2008) menciona a ética descritiva e a especulativa. A descritiva pretende descrever as leis e os fenômenos culturais que sustentam as causas entre elas, ou seja, entre o ser humano e o grupo social; a ética especulativa busca as causas geradoras, por meio do juízo de valor, moral e costumes. 1.1 Aspectos Conceituais do Serviço Social: a Moral e a Vida Cotidiana Para compreensão dos conceitos acerca da Ética, faz-se necessário relembrar que há pouco tempo foram celebrados os 80 anos do Serviço Social no Brasil, ano esse marcado por muitas lutas e conquistas, sendo enaltecidos diariamente nos espaços públicos e privados, um incentivador para militância dos profissionais de Serviço Social. O ano de 2016 serviu como destaque aos estudos voltados para a área do Serviço Social no Brasil, como também para os profissionais da área do Serviço Social, por representar os primeiros pensamentos e atuações de tal campo de estudos no Brasil. Mas para que se possa entender como o Serviço Social atua na sociedade contem- porânea, é necessário entender um pouco sobre a evolução desta profissão, uma vez que “em 1936 foi criada a profissão de assistente social, que se institucionalizou somente em 1945” (ABRAMIDES, 2016, p. 458). Sendo assim, tal data serve como marco de 80 anos dos primeiros pensamentos envoltos a tal prática. 8UNIDADE I Moral e Ética É válido ressaltar que esse período de tempo marca também o processo de rein- venção de estudos deste campo, pois em meados dos anos de 1986, com a tomada do Código de Ética profissional, houve inúmeras mudanças no cerne da atuação do Assistente Social. Ao refletir sobre o início da profissão, Oliveira e Chaves (2017) comentam que nos anos iniciais de atuação dos Assistentes Sociais, a Igreja Católica, por conta de sua hegemonia, influenciava diretamente na atuação. Nos momentos iniciais da profissão, desde as origens até os primeiros anos da institucionalização profissional, houve forte influência da Igreja Católica, especialmente a partir das duas encíclicas papais: a Rerum Novarum, de Leão XIII, e a Quadragésimo Anno, de Pio XI. No contexto atual da profissão, a laicidade e o materialismo histórico dialético compõem o argumento central. De lá para cá a profissão passou por uma reconfiguração significativa, gal- gando posição extremada em relação a sua origem, mas ainda é fortemente marcada pelo sincretismo que acompanhou a sua trajetória histórica (OLIVEI- RA, CHAVES, 2017, p. 1). Embora os primórdios do pensamento social estejam vinculados aos conceitos ca- tólicos impostos pela Igreja, Oliveira e Chaves (2017) afirmam que as revoluções europeias do século XVIII servem como base, isso é, marco inicial para a consolidação do capitalismo. Por conseguinte, ressaltam que à medida em que há o rompimento com sistemas tradicio- nais de organização social, de costumes e instituições vigentes, há a saída das famílias do campo para a cidade. Com a propagação de tais fenômenos, é possível observar, dentro do contexto apresentado, as consequências imediatas da instauração do modo de pro- dução capitalista, que está vinculado à rápida industrialização e urbanização, fatores que resultam nas expressões da questão social, fenômenos como a prostituição, o alcoolismo, a violência e o suicídio. Battini (2016) também é feliz em seu estudo ao afirmar que o Serviço Social surge em meados do período de avanço do capitalismo por meio da inicia- tiva de grupos de classes dominantes, que se expressam por meio da Igreja, e que eram especialmente constituído por jovens moças participantes da Juventude Operária Católica (JOC), dos movimentos leigos e da (JUC) Juventude Universitária Católica. O autor vai além em seus estudos ao lembrar que em pleno desenvolvimento da 2ª Guerra Mundial, tendo como objetivo atender aos segmentos empobrecidos, nasce a 1ª “obra assistencial”, no ano de 1946, que ficou conhecida como Fundação Leão XIII. Desse modo, a criação e o foco dos estudos na Assistência Social, é válido entender que, por conta de sua atuação, tal procedimento ficou conhecido como promotor do bem, atuando no cerne social dos menos favorecidos. 9UNIDADE I Moral e Ética O nascimento do Serviço Social não aconteceu no Brasil, sendo somente no ano de 1936, vinculado à Pontifícia Universidade Católica (PUC), que surgiu a primeira escola de Serviço Social em nosso país. Battini (2016, p. 4) afirma que “os processos de formação profissional de assisten- tes sociais nas primeiras escolas de Serviço Social, no Brasil, tinham como fundamentos teórico-metodológicos o humanismo cristão e o positivismo”. Ainda ao se pensar sobre o território nacional, Silva, Silva e Souza Junior (2016, p. 4) chamam nossa atenção para a Revolução de 30, que mudou a forma de pensar sobre o social no Brasil: O movimento político ocorrido no Brasil em 1930 – conhecido como Revo- lução de 30 - inaugurou um período de intervenção social da Igreja nunca antes visto. A partir da queda da República Velha, a Igreja busca uma rea- proximação com o Estado. No ano de 1931, duas grandes demonstrações de força são engendradas pela hierarquia Católica na cidade do Rio de Janeiro – àquela época,Capital da República –, por meio destas ações tentará fazer com que o novo regime entenda a sua indispensabilidade, estipulando, tam- bém, o preço de seu apoio. Silva, Silva e Souza Junior (2016, p. 4) vão além em seus estudos e lembram que após o período da Revolução de 30 há o surgimento de duas importantes instituições as- sistenciais: “em 1920, no Rio de Janeiro, a Associação das Senhoras Brasileiras e, no ano de 1923, a Liga das Senhoras Católicas, em São Paulo”. Tais instituições surgem dentro do movimento de reação católica e tem o objetivo de atender algumas demandas oriundas do processo de desenvolvimento capitalista. Essas ações podem ser vistas como sendo o embrião do Serviço Social brasileiro (SILVA; SILVA; SOUZA JUNIOR, 2016). Posteriormente, em 1932, foi fundado o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), voltado para a formação técnica especializada, a partir do qual sur- giu a primeira Escola de Serviço Social na PUC de São Paulo, em 1936, vinculada inicialmente à Ação Social, com formação baseada na doutrina so- cial da Igreja Católica. Nesse contexto, destacam-se movimentos como, por exemplo: Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Operária Católica (JOC) e Juventude Universitária Católica (JUC). Em 1937, foi fundada a se- gunda Escola de Serviço Social na PUC do Rio de Janeiro, e em 1940, a terceira no Recife (OLIVEIRA; CHAVES, 2017, p. 02). É necessário entender que em tal momento da evolução dos estudos do Serviço Social, já se buscava uma ruptura com a igreja e com padrões que geravam desconforto ou muitos questionamentos, mas tal acontecimento veio após longos anos. Desse modo, vale ressaltar que o agir ético necessita de estudo da sociedade em sua totalidade, antes da caridade. Conforme ponderam Santana, Silva e Silva (2013), com a criação da Constituição Federal, é que pôde existir uma real preocupação com o homem enquanto cidadão, provido de direito e deveres que lhe devem ser assegurados. Os autores afirmam que por meio das determinações e ampliações dos conceitos de direitos públicos houve a caracterização do Sistema de Proteção Social Brasileiro: saúde, previdência social e assistência social que são dados como o tripé da Seguridade Social. 10UNIDADE I Moral e Ética Na Constituição Federal, os artigos 203 e 204 buscam idealizar a Assistência Social ao ser pensada enquanto política, como sendo de responsabilidade do Estado e também é dada como direito de todo cidadão. Assim sugere o artigo primeiro da Lei Orgânica da Assis- tência Social (LOAS), n° 8.742 de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da assistência social no Brasil (SANTANA; SILVA; SILVA, 2013) Para tanto, entendamos sobre o que diz o documento: A Assistência Social, direito do cidadão e dever do Estado, é política de Segu- ridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada atra- vés de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL, 1993). Assim sendo, as políticas voltadas ao âmbito social na atualidade são de necessi- dade básica de qualquer cidadão e precisam ser aplicadas de forma concisa e assertiva, passando por processos necessários, mas que sejam eficazes na solução de problemas apresentados por um indivíduo. Para tanto, a mesma (Assistência Social) vem apresentando dificuldades no que concerne a materialização de um serviço universal e de qualidade, como prevê a Constituição; a lacuna mais conflitante refere-se à concretização e realização da assistência no cotidiano dos cidadãos, de modo a construir a autonomia destes. Ainda prevalece a necessidade do fortalecimento do sistema público de proteção social no país e o rompimento efetivo com as concepções de clientelismo e práticas assistencialistas que ainda permeiam historicamente essa área (DANTAS, 2016, p. 6). Conforme pondera a autora, ao alinhar o pensamento nessa direção, mesmo possuindo caráter universal, a Assistência Social destina-se unicamente aqueles que dela necessitam e, por assim ser, entende-se que o usuário requer o aparato da assistência, quando em muitas das vezes, esse não tem condições mínimas de subsistência ou pior, está em uma situação de risco e/ou vulnerabilidade social. Assim sendo, a Assistência Social necessita, incorporar e contribuir na criação de espaços para garantir a participação social e a inserção em outras políticas públicas, no sentido de potencializar a universaliza- ção dos direitos (DANTAS, 2016). A sentido do que já foi exposto, a primeira unidade de nossa apostila, busca discorrer sobre a importância do profissional do curso de Serviço Social, sendo referenciado como Assistente Social, fazendo um breve levantamento histórico da sua atuação, enfatizando as mudanças que aconteceram no decorrer do tempo e da aparição de novos estudos para a vertente já denominada, bem como tecer comentários acerca de conceitos importantes relacionados à atuação dos referidos profissionais em contraposto com conceitos de Ética e Moral. 11UNIDADE I Moral e Ética Na contemporaneidade, aplicar e entender sobre ética é um papel difícil, conforme mencionado, devido aos diversos pensamentos, mas que precisa estar claro para uma melhor atuação profissional. Por isso, o material a seguir ajudará você, caro(a) aluno a, entender sobre tais conceitos que se relacionam com o ser e com a filosofia, assim como no caráter pessoal. Por assim ser, acompanhe, desfrute e reflita sobre essa disciplina de grande importância em sua jornada. A compreensão dos aspectos conceituais da ética apresenta uma vasta literatura, estando disponibilizada nos acervos, bibliotecas, pesquisas rápidas no Google, livros, entre outras fontes. A Ética é estudada em todas as áreas de ensino regular, profissionalizante e principalmente no nível superior, ou seja, nos cursos de graduação, sendo lembrada no dia da colação de grau, por meio de um juramento, de cumprimento das atribuições e competências de cada profissional, como também do código ética que regulamenta cada profissão. Sendo assim, conceituamos a ética correlacionados à moral, aos valores do comportamento do homem dentro da sociedade. Dentro da graduação de Serviço Social, a ética é exercida pelo Assistente Social, que carrega em sua trajetória lutas, militância, resultando em conquistas como também em várias derrotas. Você, acadêmico(a) deve estar se perguntando como agir corretamente. É somente ler o Código de Ética? Exato, mas além de ler é necessário compreender. Agir de forma ética é fortalecer o Projeto Ético Político do Serviço Social, como também visar a justiça social, equidade social, previstas nos princípios éticos do Assistente Social, defen- dendo uma sociedade justa e igualitária com busca de uma nova ordem societária para a população necessitada. Retomando a pergunta, para entender e agir eticamente, é de suma importância compreender que “a ética é uma das áreas da filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros” (TOMELIN, 2002, p. 89). Desse modo, se a ética está rela- cionada com a filosofia, isso significa que o agir humano está relacionado com os costu- mes, virtudes e moral vividas diariamente, que vão nos dizer o que é certo ou errado a ser realizado. Segundo Valls (1986, p. 7), a ética pode ser entendida: [...] como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas. Mas também chamamos de ética a própria vida, quando conforme os costumes considera- dos corretos. A ética pode ser o estudo das ações ou dos costumes, e pode ser a própria realização de um tipo de comportamento. Nota-se que a ética está relacionada diretamente com o agir rotineiramente, e que a filosofia tem como papel estudar a racionalidade dos seres humanos, buscando o enten- dimento do ser em sua totalidade. 12UNIDADE I Moral e Ética Entenderde forma sucinta acerca das modificações e alterações no que se refere à atuação dos profissionais da área do Serviço Social, é importante ponderar acerca da relação da área já mencionada com a Moral e a ética, para tanto, Carvalho (2011, p. 1), nos convida a refletir sobre grandes dificuldades encontradas no processo de ação dos Assistentes Sociais: O campo de conhecimento e de ação do Serviço Social remete, desde a sua institucionalização, para as questões da desigualdade social dos grupos que compõem a sociedade. Hoje, o ritmo acelerado de mudança da sociedade tem implicações nas funções do Estado, no contrato social, que substitui va- lores de responsabilidade social por valores de responsabilidade individual, e na cientificação e biologia da vida social, geradoras de fenómenos multidi- mensionais e de desigualdades no acesso a recursos. Presente nos pensamentos da autora, as preocupações sociais são ponto de grande relevância no que se refere ao processo de entendimento dos conceitos de ética e moral, já que ambos estão relacionados com os valores, bem como com as crenças e convicções adotadas por cada ser humano. Assim sendo, Barroco (2009) nos convida a entender acerca do que se trata a ética. Tal conceito é parte integrante da prática social do homem, fator que tem como objetivo as práticas sociais dos seres humanos permitindo ampliação da consciência moral, bem como a evolução dos indivíduos. Barroco (2009) ainda faz importantes considerações no cerne que refere à ética como um termo a ser estudado de maneira histórica. Para tanto, a autora pressupõe que pelo fato de ser um termo que refere-se ao entendimento e compreensão do sujeito, não deve ser tratada única e exclusivamente como sendo um mero termo, mas tem correlação com a práxis e, portanto, como sendo uma parte dessa pode ser entendida como “a prática social de homens e mulheres , em sua objetificação da vida e em suas possibilidades em conexão com exigências éticas conscientes da genericidade humana” (LUKÁCS, 2007, p. 72 apud BARROCO, 2009, p. 16). Por assim ser, a ética nasce pelo processo de entendimento do ser humano e das suas transformações espaciais, sociais e históricas e também pela necessidade do convívio em sociedade em decorrência da humanização dos seres humanos. Na convivência cotidiana os indivíduos se socializam, aprendem a responder às prá- ticas em que estão inseridos, assim como precisam aprender a assimilar hábitos, costumes e normas de comportamento. Faz-se característica do modo de vida do ser humano cotidiano a repetição automática dos estímulos recebidos de incontáveis ambientes, fato que propicia ao indivíduo perceber-se como não sendo um ser singular ou individual, mas que precisa da troca de experiências para aprender, socializar e também viver. Vale ressaltar que tais fatos não significam a inexistência de mediações, elas ficam ocultas pela aparência. 13UNIDADE I Moral e Ética Assim sendo, a cotidianidade é um elemento ontológico do ser social, indispensável à vida social, onde o indivíduo assimila as formas mais elementares de responder às necessidades de autoconservação. Por estar entrelaçada a incontáveis e inconscientes processos de convivência dos seres humanos e na convivência em comunidade, a ética, em seu início de atuação junto dos assistentes sociais precisava levar em conta as regras de convivência de uma determi- nada região, assim fala Carvalho (2011, p. 3): Na sua emergência, a intervenção do Serviço Social estava associada à autoridade e aos princípios e valores que organizavam a sociedade, onde a comunidade, a solidariedade e a identidade decorriam dos princípios do dever moral. A moral determinava "o que devo fazer" ou "o que é preciso fazer" (BESSON; GUAY, 2000, p. 48). Nesse contexto, a moral era um conjunto de "valores, princípios, normas de conduta, proibições de uma comunidade, que formava um sistema coerente num contexto histórico em tempo e forma, que servia como ideia, como modelo de condutas desejáveis e aceites" (SANCHEZ-SERRANO, 2004, p. 127). A norma determinava a ação dos indivíduos e era orientada pela idade, sexo e parentesco e inseria-se num espaço/tempo imutáveis. A intervenção do Serviço Social nesta "ordem moral tradicional" integrava o indivíduo na ordem estabelecida, nas instituições, normalizando-o e/ou reprimindo os comportamentos fora da norma. Conforme os apontamentos da autora, é importante que entendamos que, por se tratar de uma ciência do âmbito social, o Serviço Social e os indivíduos que exercem suas práticas, mesmo que em uma visão que tem primórdio na gênese dos estudos da ética, precisam levar em conta as convicções dos seres a serem alvo de tais práticas, com o intuito de não ferir os valores e convicções dos que precisam de tal serviço. Adentrando ainda mais profundamente na prática dos Assistentes Sociais, existem inúmeras polêmicas que permeiam tal assunto, assim observaram Sousa, Santos e Cardo- so (2013, p. 4) que fazem importantes colocações no sentido de exercer o profissionalismo junto da ética em uma sociedade capitalista e que tem como classes dominantes. O que aqui se coloca em questão é, pois, a relação entre essa objetividade – que determina e permeia a realidade da formação profissional em todo o país – e seu peso ideológico na formação/informação das consciências do corpo discente e docente. Ou seja, quando pensamos a dimensão ética, tal como conquistado nas Diretrizes Curriculares de 1996, somos levadas a questionar o que significa formar assistentes sociais num contexto de grande investi- mento pelas classes dominantes e Estado, na socialização de um universo ideológico e cultural, particularizado na defesa dos interesses do capital e na ruptura com valores civilizatórios, cuja consequência mais imediata é o massivo esvaziamento das capacidades críticas e da problematização em torno da intervenção profissional. A formação profissional precisa ser capaz de buscar uma coerência com este universo formativo/informativo. Por meio das colocações das autoras é importante que você, futuro(a) Assistente So- cial, entenda o quão árduo é seu trabalho e como traçar planos que possam reverter o contexto social da sociedade atual para que, de fato, a parte da população que necessitar de seu trabalho possa recebê-lo de forma coerente e que atenda às necessidades dos que precisam. 14UNIDADE I Moral e Ética Os entendimentos históricos ou sócio-histórico têm grande relevância no que se refere à prática, bem como ao entendimento do conceito de Ética, já que a última influencia diretamente nos meios e procedimentos, como também na visão a ser adotada por você, futuro profissional da área. Assim sendo, vale ressaltar que, por várias vezes durante as colocações apresen- tadas no decorrer de nossos estudos, a ética está relacionada com os valores, assim como a moral. Dessa forma, Podemos considerar a moral como o conjunto de regras que determinam o comportamento dos indivíduos na sociedade. Segundo Aranha (1986), exterior e anterior ao indivíduo, há uma moral constituída, que orienta seu comportamento por meio de normas. Em função da adequação ou não à norma estabelecida, o ato será considerado moral ou imoral (MARQUES, 2015, p. 16). Os trabalhos e exercícios do homem influenciam diretamente o ambiente e a forma em que vivemos, por assim ser, ao se alterar as relações de trabalho também são alterados a moral, a ética, os valores e as crenças que são adotadas pelas pessoas (MARQUES, 2015). Com um olhar histórico, no início das ideias trabalhistas tal ação se restringia somente aos escravos, olhar que mudou grandemente com o instaurar da burguesia e das novas relações de trabalho, fato que gerou novas relações de valores, bem como a valorização do trabalho que passa a acontecer de forma assalariada, assim como a crítica e a luta por melhoria (MARQUES, 2015). No Brasil, o Serviço Social nasce com grande visão conservadorae também por influência da Igreja Católica que exercia grande poder em todos os campos da sociedade tendo influências dos dogmas da entidade. Dogmas esses relacionados à moral e a conduta. Pensando em suas habilidades e atuações, o Assistente Social focava seus olhares em aspectos biológicos, sociológicos, moralistas e doutrinários. Tais objetivos preocupa- vam e desfavoreciam membros pertencentes a outros grupos que não tinham a mesma visão. Ao se pensar nas competências necessárias ao Assistente Social da época, esse necessitava de uma enumeração bastante longa, tais como o “devotamento, critério, senso prático, desprendimento, modéstia, simplicidade, comunicatividade, bom humor, calma, sociabilidade, dentre outras” (MARQUES, 2015, p. 18). 15UNIDADE I Moral e Ética 1.2 Ética na Contemporaneidade Após tanto se falar sobre ética e sua importância, busquemos entender a relação de tal termo com a profissão. Mas, antes é necessário entender que dentro da ética existe uma classificação do que é certo e do que é errado, contudo é necessário entender se o que homem está fazendo é o bem ou mal. Parece confuso né? Mas os “problemas éticos se distinguem da moral pela sua característica genérica, enquanto que a moral se caracteriza pelos problemas da vida cotidiana” (TOMELIN; TOMELIN, 2002, p. 90). A Figura 1 representa como agir de forma correta, sendo que todos os homens fazem parte de uma sociedade em que carregam seus valores e características culturais e morais; como, exemplo: as culturas indígenas, oriental, alemã, italiana, francesa e entre outras. Dessa forma, cada sociedade possui suas normas de condutas, seus princípios morais, ou seja, no decorrer de sua trajetória de vida é constituída a sua moral, ou seja, o que é o bem e o que é mal. Portanto, é de extrema importância que entendamos que, devido à cultura, nem sempre o que é certo para nós é correto para outro grupo ou povoado e vice-versa. O que sabemos é que é comum entre os homens pensar sobre suas ações, definin- do o que é correto e o que não é correto, e, agindo errado, o homem é responsável pelas consequências e danos que estão em sua volta. Destaca-se que a ética é um divisor, pois é ela quem vai diferenciar as atitudes da sociedade. Valls (2003) enaltece que agir correta- mente é sempre agir com ética, mas que devemos respeitar as culturas e as diversidades do agir do Assistente Social. Atualmente, a graduação do curso de Serviço Social, possui o Código de Ética que rege, define e delibera ações, encaminhamentos, assim como esclarece deveres e muitos outros importantes tópicos na atuação de tal profissional. 16UNIDADE I Moral e Ética Nesse sentido, informa como agir, tendo seus valores e princípios morais, mas tendo que seguir a profissão. Tomelin (2002) reafirma que a moral está relacionada a con- sequências grupais, e que a ética pode contribuir para o direcionamento do comportamento moral. FIGURA 1 - O BEM E O MAL Em seus estudos, Carvalho (2011), ao pensar no código de ética, teve foco em en- tendê-lo e fazer apontamentos no que se refere ao uso das informações contidas na cartilha ao se pensar sobre a pessoa idosa e, assim sendo, a autora entende que, uma vez que pensado e aprovado na década de 65, não está alinhado com a atualidade, necessitando de novas informações e considerações. A intervenção do Serviço Social está associada aos direitos do homem e constituiu-se como um potencial de cidadania, entendido como participação do indivíduo e dos grupos, enquanto membros de pleno direito da sociedade. Os princípios, normas e valores inscritos no Código de Ética da profissão (APSS, 1994) clarificam a intervenção social, na relação com os clientes, instituições, colegas e outros grupos profissionais. Mas estes princípios e normas decorrem de certas necessidades identificadas em determinado con- texto, que se vão modificando, fruto das transformações societárias (CARVA- LHO, 2011, p. 10). Assim sendo, embora não seja foco das discussões aqui apresentadas, ao pensarmos sobre o documento e seus direcionamentos para com a pessoa idosa em conjunto das considerações da autora, fica evidente que o Código de Ética do Assistente Social necessita de intervenções, já que não consegue mais se adequar às necessidades atuais. Vale ainda ressaltar acerca das considerações voltadas aos princípios morais e éticos já levantados em nossa discussão que necessitam ter grande relevância no contexto de atuação dos Assistentes Sociais. 17UNIDADE I Moral e Ética Pois bem, partindo do princípio de que a ética está ligada à moral, e que o agir corretamente significa ser ético, Barroco (2008, p. 53 - 54) menciona que: A ética não se restringe a normas! [...] A moral expressa uma resposta as necessidades, mas [...] de onde vem a possibilidade de determinar o que é bom ou ruim, ou ainda de onde vem a possibilidade de escolher entre coisas diferentes? Para responder a essas questões, devemos agora entender os valores e escolhas com capacidades humanas. Desse modo, a conduta humana é composta por um conjunto de ações com o ob- jetivo de obter uma mercadoria, objeto ou alguma coisa, alcançar um sonho ou até mesmo uma meta de vida. É notório que o ser humano vai agir de acordo com os seus interesses, como também aos interesses da coletividade, quando está envolvido em movimentos e lutas. Dessa forma, agimos quando somos indagados, motivados ou encorajados por algo maior, desejo, paixão, resultando no prazer e satisfação a esse respeito; o caráter do ser humano e suas crenças e costumes, hábitos e virtudes é que vão determinar a sua conduta social, ou seja, o seu modo de viver em sociedade. Diante disso, é neste comportamento que a ética vai regular a ação do ser humano. SAIBA MAIS Saiba sobre a Ética em Movimento, no site: http://www.cfess.org.br. REFLITA Caro(a) acadêmico(a), busque literatura no Google Acadêmico sobre a Importância do estudo da Ética relacionada com a vida pessoal e profissional. site: https://scholar.google.com.br/?hl=pt http://www.cfess.org.br https://scholar.google.com.br/?hl=pt 18UNIDADE I Moral e Ética LEITURA COMPLEMENTAR Para aprimorar o seu conhecimento, indicamos a leitura complementar do texto: Moral e Ética: uma leitura psicológica https://doi.org/10.1590/S0102-37722010000500009 Neste sentido, deixamos aqui um trecho do texto As Três Peneiras da Sabedoria, de Sócrates, que nos faz refletir sobre o agir rotineiro, tanto na carreira profissional, como na vida pessoal, sendo um start para adentrar na essência da Ética no dia a dia do ser humano. FIGURA - AS TRÊS PENEIRAS DA SABEDORIA DE SÓCRATES https://doi.org/10.1590/S0102-37722010000500009 19UNIDADE I Moral e Ética AS TRÊS PENEIRAS DA SABEDORIA DE SÓCRATES Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou: – O que você vai me contar já passou pelas três peneiras? – Três peneiras? – indagou o rapaz. – Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, mas não tem certeza da sua veracidade, a coisa deve morrer aqui mesmo. – Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? – Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta? Arremata Sócrates: – Se passou pelas três peneiras, conte! Tanto eu, como você iremos nos benefi- ciar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo! Fonte: Beck (2017). 20UNIDADE I Moral e Ética MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Do mito para a razão: uma dialética do saber. 2 ed. Autores: Janes Fidélis Tomelin; Karina Nones Tomelin. Editora: Nova Letra. Ano: 2002. Sinopse:Literatura e Arte. Filosofia. Teoria do conhecimento. Ensaios filosóficos. Razão. Lógica. FILME/VÍDEO Título: À Procura da Felicidade Ano de Lançamento (EUA): 2006. Sinopse: Chris enfrenta sérios problemas financeiros e Linda, sua esposa, decide partir. Ele agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher, seu filho de 5 anos. Chris tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, mas só consegue um estágio não remunerado. Seus problemas financeiros não podem esperar uma promoção e eles acabam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos ou onde quer que consigam um refúgio, mantendo a esperança de que dias melhores virão. 21 Plano de Estudo: ● O significado ontológico no trabalho e as relações sociais contemporâneas; ● A ontologia social de Marx e a questão ética; ● A face ética do novo conservadorismo; ● Ética e Movimentos Sociais; ● Ética e direitos civis e humanos. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar o significado ontológico do trabalho contemporâneo; ● Enaltecer os pensadores influenciadores do Serviço Social; ● Contextualizar a ética e os movimentos sociais como os direitos civis e humanos; ● Demonstrar a ética no cenário conservador. UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Professora Ana Cristina da Silva Gomes 22UNIDADE I Moral e Ética 22UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social INTRODUÇÃO Caríssimo(a) estudante do curso de Serviço Social, estamos juntos em mais uma unidade de sua apostila. Mais um momento de grande aprendizagem é crucial para sua performance enquanto futuro(a) profissional da área. Na unidade anterior, pudemos entender que não é fácil contextualizar, entender e conceituar as terminologias éticas que estão ligadas à profissão do Assistente Social, no entanto, após muitas discussões, leituras e estudos espero que tais conceitos tenham ficados mais claros para você, afinal ainda temos importantes terminologias a serem estudadas. Agora entraremos em uma das maiores mentes contemporâneas do conceito da filosofia, estudaremos muito sobre o filósofo Karl Marx e seus pensamentos em torno das concepções ontológicas e trabalhistas. Será mais um momento árduo de grandes discus- sões, mas que tem a intenção de corroborar para o seu futuro. Entenderemos a importância do trabalho durante a história, bem como na socieda- de contemporânea, relacionando a ética no novo conservadorismo, como também com os movimentos sociais e direitos civis e humanos. Ainda no contexto da atual unidade, não deixaremos de refletir sobre o trabalho e sua relação com a ética, assim como a visão de Marx sobre ambos os tópicos. Desejo a você bons estudos e que este seja, de fato, mais um momento de evolução e aprendizagem e que some a suas necessidades enquanto acadêmico(a). 23UNIDADE I Moral e Ética 23UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 1. O SIGNIFICADO ONTOLÓGICO NO TRABALHO E AS RELAÇÕES SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS Para darmos inícios aos estudos da presente unidade, é necessário entender sobre o termo ontologia, que tem seus primórdios de entendimento no campo da filosofia, mas não se restringe somente a esse campo. Grandes pensadores antigos e contemporâneos dedicaram seus estudos a entender e caracterizar tal conceito. Nesse sentido, Almeida (2014, p. 3) destaca sobre um consenso de entendimento da terminologia: Existe consenso de que o estudo da Ontologia diz respeito aos tipos de coi- sas que existem. Nesse contexto, “tipo” quer dizer “categoria”, um termo que foi usado ainda por Aristóteles para discutir que declarações sobre uma en- tidade (ACKRILL, 1963). De fato, uma teoria das categorias é o mais impor- tante tópico do estudo da Ontologia. Tais teorias especificam sistemas de categorias estruturados em níveis hierárquicos, em geral, na forma de uma árvore invertida na qual a categoria de mais alto nível é nomeada “entidade”. Qualquer coisa pode ser descrita como uma entidade de algum tipo, mas qual os próximos níveis de categorização são questões para discussão. Em decorrência dos incontáveis pensadores que dedicaram seus estudos no cam- po da ontologia, faz-se necessário enfatizar sobre as variadas concepções que podem ser adotadas ao se pensar em tal terminologia, dentre as quais destacam-se os pensamentos de Aristóteles, Sócrates, Emmanuel Kant, S. Tomás de Aquino e Santo Agostinho. De acor- do com Dennis (2004, p. 11): Para SÓCRATES, o conceito de ética iria além do senso comum da sua épo- ca, o corpo seria a prisão da alma, que é imutável e eterna. Existiria um bem em si próprio da sabedoria da alma e que podem ser rememorados pelo aprendizado. Esta bondade absoluta do homem tem relação a uma ética an- terior à experiência, pertencente à alma e que o corpo para reconhecê-la terá que ser purificado. 24UNIDADE I Moral e Ética 24UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Sócrates fala sobre a ética além do senso comum: ARISTÓTELES subordina sua ética à política, acreditando que na monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática ética, nós somos o que faze- mos, ou seja, o Homem é moldado na medida em que faz escolhas éticas e sofre as influências dessas escolhas. (DENNIS, 2004, p. 11). A ética vista por Kant nos mostra que o ser humano deve ser tratado como o fim da ação e não como o meio para conseguir seus interesses pessoais. A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para alcançar seus interesses. Essa ideia foi contundentemente defendida por Emmanuel Kant. Ele afirmava que: “não existe bondade natural. Por natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos. (DENNIS, 2004, p. 12). Cada pensador nos faz refletir sobre sua teoria e no que acreditava e era transmitido por meio da literatura, São Tomás de Aquino se caracteriza pelo fato de ver a teologia e a filosofia como duas ciências que se completam; ele criou a teoria para explicar a existência de Deus. De acordo com Dennis (2004, p. 12), Com o cristianismo romano, através de S.TOMÁS DE AQUINO e SANTO AGOSTINHO, incorpora-se a ideia de que a virtude se define a partir da rela- ção com Deus e não com a cidade ou com os outros. Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os indivíduos. As duas principais vir- tudes são a fé e a caridade. Através deste cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio, sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. A ideia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a estabelecer três tipos de conduta; a mo- ral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral. Outro grande nome que dedicou parte de seus estudos para o campo ontológico é Marx, que, de modo geral, explicita a relação do termo com o trabalho, enfatizando que o último é a ação fundamental que diferencia o homem dos demais animais, em especial, pela sua capacidade de raciocínio e transformação da natureza, bem como com o processo de manuseio de concepções sociais. Assim afirmam Gonçalves e Jimenez (2013, p. 2): No rastro da ontologia marxiano-lukacsiana, ao mesmo tempo em que evi- denciamos a origem animal do homem, reconhecemos que este é qualitativa- mente diferente de seus antepassados animais – marca do salto ontológico resultante do trabalho como complexo que funda o homem como ser social, valendo recuperar que o salto ontológico consiste na passagem de uma for- ma de ser a outro qualitativamente novo. O trabalho está coligado com a concepção ontológica e para tanto precisa ser com- preendido e partindo dos princípiosMarxistas pode ser entendido como sendo, de acordo com Júnior (2015, p. 21): 25UNIDADE I Moral e Ética 25UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social [...] categoria apropriada pela determinabilidade das relações sociais de produção tipicamente burguesas, visto que o capital é uma “[...] potência econômica da sociedade burguesa que tudo domina” (MARX, 2011, p. 60). Cooptado como elemento essencial para a (re)produção da lógica do capital, situamos, numa particularidade que ao mesmo tempo é universal, a inscrição do assistente social na condição de trabalhador assalariado, entendido como uma especialização do trabalho coletivo, que dispõe de um projeto profissio- nal alinhado aos interesses coletivos dos trabalhadores. Por meio das transformações de ambiente, assim como do pensamento social, o homem desenvolve a consciência de que é “um componente do ser social, do qual deriva sua continuidade, fazendo com que este alcance um ser para-se, que não existe nas outras esferas” (LUKÁCS, 1981, p. 65 apud GONÇALVES; JIMENEZ, 2013, p. 3). É evidente que o mundo ontológico tem forte conexão com as concepções de trabalho, já que ambos os termos estão conectados e precisam ser entendidos, assim como são aplicados juntamente. É necessário enfatizar que as ideias trabalhistas mudaram muito com o passar dos anos, em especial, com o pensamento no viés social. Em culturas antigas, o trabalho já foi utilizado até como forma de castigo para aqueles que não respeitavam regras e afins. Impor- tante ressaltar que ainda assim a relação social de entender os valores de uma comunidade ou imposições estão estritamente ligadas com o caráter social e com o trabalho. A realidade é que o sentido de criar coisas e mudar ao seu redor, o homem necessita do trabalho para se caracterizar como, de fato, um ser diferente e que põe em prática o pensamento social, entre outros aspectos que só aparecem com o uso de tal prática. A essência onto-histórica do homem, fundada no ato do trabalho, pelo qual, este transforma o meio natural e, ao mesmo tempo em que cria o novo, cria- -se como um ser radicalmente novo, capaz de atividade livre e consciente. O trabalho como protoforma da atividade humana, complexo social que fun- da o mundo dos homens, conforme as prerrogativas da ontologia marxiana, recuperada por Lukács (1981), torna-se historicamente esvaziado diante da divisão social do trabalho, a qual separa os produtores daquilo que produ- zem, consolidando a exploração do homem sobre o homem (GONÇALVES; JIMENEZ, 2013, p. 12). O caráter ontológico é conceito que também permite ao homem o pensamento próprio, rompendo pensamento pré-determinados pela sociedade em que está inserido e buscando a autonomia e o sendo crítico (JÚNIOR, 2015). Quanto ao salto ontológico, o autor ainda ressalta: [...] implica numa mudança qualitativa e estrutural do ser, na qual a fase inicial contém certamente em si determinadas premissas e possibilidades das fases sucessivas e superiores, mas estas não podem se desenvolver daquelas a partir de uma simples e retilínea continuidade. A essência do salto é consti- tuída por essa ruptura com a continuidade normal do desenvolvimento e não pelo nascimento repentino ou gradual, ao longo do tempo, da nova forma de ser (LUKÁCS, 1979, p. 95 apud JÚNIOR, 2015, p. 6). 26UNIDADE I Moral e Ética 26UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social É evidente que o trabalho e a relação ontológica, conforme já mencionado incontá- veis vezes durante a presente seção, tem uma ligação por conta da transformação do ser humano para com o meio em que vive criando, a relação social, bem como o pensamento no próximo. Contudo, faz-se necessário ressaltar, mesmo na contemporaneidade não é a única relação entre os termos: Assim, o trabalho, enquanto categoria ontológica, não pode ser reduzida ape- nas à questão de transformação da natureza, pois possui características so- cialmente determinadas. Assim sendo, o trabalho necessita ser apreendido a partir da sua função social de caráter coletivo, pois as necessidades de outros indivíduos fazem com que o trabalho apresente sua finalidade social, de caráter coletivo. No capitalismo, aquilo que é produzido pelo trabalhador na esfera privada torna-se social a partir das necessidades coletivas, consti- tuindo os laços sociais entre os indivíduos, os quais estão mediatizados pela mercadoria que produzem, adquirindo um significado monetário, financeiro, ou seja, de um valor socialmente determinado (JÚNIOR, 2015, p. 22). Conforme exposto pelos autores, a relação é muito mais intensa do que aparenta e leva em consideração incontáveis fatores. Vale ressaltar que, dentro do exposto, algo que precisa ser observado é a monetização que também busca o ganho de capital para sobreviver na atual sociedade como sendo uma atividade essencial dos seres humanos atuais. O trabalho, nos termos que conhecemos hoje, é realizado na esfera públi- ca, ele é solicitado, considerado útil e, fundamentalmente, remunerado. Este trabalho é gerador e razão da nossa existência, confere-nos uma identida- de social que nos permite ter direitos e deveres compartilhados socialmente (NETO; KOURY, 2015, p. 8). O trabalho tem papel fundamental na atualidade, pois é por meio dele que nos sentimos pertencentes à sociedade, visto que alcançamos sonhos, criamos e imaginamos um futuro. Saiba mais sobre os clássicos pensadores da época, acompanhe o Quadro 1. 27UNIDADE I Moral e Ética 27UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social QUADRO 1 - PENSADORES CLÁSSICOS Fonte: Anacleto (2018) adaptado pela autora. Sócrates nasceu na cidade de Atenas, no ano 469 a.C. A partir de Sócrates, a filosofia grega passou por uma profunda mudança, pois o centro de seu debate era o homem. Platão nasceu em 428 a.C. e viveu em Atenas até o ano de sua morte em 347 a.C., onde fundou sua escola chamada de Academia. Aristóteles nasceu na cidade de Estagira, no ano 384 a.C. e morreu no ano 322 a.C. na cidade de Atenas. Foi aluno de Platão, contudo sua filoso- fia se distancia da filosofia de seu mes- tre. Os escritos do filósofo abordam os assuntos mais diversos, pois escreveu na área da física, lógica, zoologia, me- tafísica, poesia, entre outras. 28UNIDADE I Moral e Ética 28UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 2. A ONTOLOGIA SOCIAL DE MARX E A QUESTÃO ÉTICA Para Marx, O trabalho é um processo entre o homem e a natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. [...] Não se trata aqui das primeiras formas instintivas, ani- mais, de trabalho [...] Pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a cons- trução dos favos de suas colmeias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resul- tado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e, portanto, idealmente (MARX, 2006, p. 211 apud JÚNIOR, 2015, p. 21-22). De acordo com os apontamentos dos autores, o trabalho é categoria essencial ao homem enquanto ser social. Vale ressaltar que, conforme as entrelinhas das colocações dos estudiosos, o trabalho não é único e exclusivo do homem, mas se difere dos outros animais. Para entendermos melhor sobre tal afirmação, Peto e Veríssimo dissertam: A produção do ser humano é diferente. O animal produz de forma unilate- ral. O ser humano produz de forma “universal” (Marx, 1932/1968, p. 517). O animal produz sob a pressão da dimensão biológica. O ser humano produz “primeira e verdadeiramente, na [sua] liberdade [com relação a ela]” (Marx, 1932/1968, p. 517). O animal produz a si mesmo e a sua cria.O ser humano “reproduz a natureza inteira” (Marx, 1932/1968, p. 517). O produto da produ- ção animal se restringe à satisfação de necessidades de ordem biológica. O ser humano “se defronta livre [mente] com o seu produto” (Marx, 1932/1968, p. 517). A produção animal se limita aos contornos impostos pelas determina- ções específicas da species. O ser humano “sabe produzir segundo a medida de qualquer species” (Marx, 1932/1968, p. 517). O animal produz, em última instância, para sua manutenção e para possibilitar a reprodução. O ser huma- no produz, também, “segundo as leis da beleza” (MARX, 1932/1968, p. 517 apud PETO; VERÍSSIMO, 2018, p. 3). 29UNIDADE I Moral e Ética 29UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Os autores atribuem tal discrepância do processo de trabalho do homem para os demais animais por conta da afetividade. Isso se deve ao fato de a atividade vital (Lebenstätigkeit) humana ser dife- rente da atividade vital do animal. A atividade humana não coincide, estrita- mente, com a satisfação das necessidades biológicas. Ela é “um meio para a satisfação” (Marx, 1932/1968, p. 516) dessas necessidades, mas não se confunde com elas. A atividade humana é um meio para a manutenção da existência, mas não se limita a isso. A atividade vital do animal determina o que é ser animal porque ela está diretamente ligada à dimensão biológica. A atividade vital do ser humano não é determinada pela necessidade. Ela é um processo consciente. E esse processo se dá no pôr teleológico inerente ao processo de trabalho (PETO; VERÍSSIMO, 2018, p. 3). Dos vários pensadores clássicos estudados dentro do Serviço Social, citamos aqui o filósofo e economista alemão Karl Marx, o sociólogo francês Émile Durkheim, o sociólo- go, teórico político alemão Max Weber e o filósofo francês Auguste Comte, que estudam as teorias ou pensamentos: positivistas, método, postura crítica, produção econômica, a organização da sociedade com regras e leis etc. Podemos dizer que Comte é considerado o pai da Sociologia. Esta é uma tentativa de compreensão do ser humano em sociedade, ou seja, examina o ser social. Comte, em consonância com Durkheim, é positivista, entendia que a sociedade funcionava com um corpo, em que cada um necessita desenvolver a sua parte, dependendo do outro para sua sobrevivência. Marx entendia a sociedade como uma divisão, sendo ela proletariado x capitalistas, com um sistema de venda da força de trabalho por parte do trabalhador, em que o capital se enriquece com o acúmulo do excedente, enaltecendo a divisão das classes sociais. Max Weber acredita que a sociedade não é harmoniosa; fazendo uma crítica aos pensamentos de Comte e Durkheim, ele entende que a sociedade não funciona de forma tão simples, sendo necessário o seu entendimento como um todo, Weber tem sua teoria nomeada como compreensiva, sendo contrário ao pensamento positivista. 30UNIDADE I Moral e Ética 30UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social QUADRO 2 - PENSADORES CLÁSSICOS O francês Augusto Comte (1798- 1857), filósofo e matemático, fundador da primeira forma de pensamento social, o positivismo (estado científico). Foi o pri- meiro teórico a definir a Sociologia como – física social: estática e dinâmica – que procura analisar e compreender a socieda- de no sentido da organização (ordem) e da reformulação (progresso). O positivismo expressava uma confiança nos benefícios da industrialização, bem como um otimis- mo em relação ao progresso capitalista guiado pela técnica, pela ciência e pela racionalidade. O alemão Karl Marx (1818-1883), filósofo e economista, crítico idealizador do socialismo e do comunismo. A sociedade é vista como uma inevitável luta de classes sociais, por causa do sistema capitalista. Este conflito de poder terminaria se exis- tisse igualdade social, se os meios de produção fossem de toda a coletividade. Segundo a visão marxista, a sociedade sempre estará em luta de classes, cada qual lutando por seus interesses, e jamais haverá equilíbrio ou harmonia onde existe dominação e/ou exploração. 31UNIDADE I Moral e Ética 31UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Fonte: Oliveira( 2002) adaptado pela autora. Desse modo, podemos afirmar que os pensadores citados são estudados dentro do Serviço Social, no entanto, Karl Marx é considerado um dos influenciadores do Serviço Social mais mencionados, devido a sua crítica severa ao sistema capitalista excludente, indicando a teoria socialista como uma solução de mudança ao processo capitalista, com a proposta de socializar os bens de consumos de produção a todos, viabilizando a igualdade. De acordo com Brayner, Longo e Pereira (2014, p. 21). O Manifesto Comunista foi escrito em uma época em que o capitalismo de- senfreado já fazia suas vítimas: homens, mulheres e mesmo crianças, que trabalhavam até 18 horas por dia em condições subumanas. Tal documento falava em liberdade e igualdade para o trabalhador, e na união da classe trabalhadora contra os abusos do capitalismo: “Trabalhadores do mundo, uni- -vos”, clamava Marx. No manifesto, Marx afirma que não há liberdade sem igualdade econômica O francês David Émile Durkheim (1858-1917), sociólogo, considerado fundador da Sociologia Moderna, a partir de seus estudos a Sociologia passou a ser considerada como uma ciência inde- pendente das demais Ciências Sociais (Antropologia, Política, Economia) e da Filosofia. Para ele, a Sociologia é o es- tudo dos fatos sociais, ou seja, de todos os processos de interação humana. Seu maior estudo foi sobre o suicídio, tipos e causas. O alemão Max Weber (1864- 1920), sociólogo, criou o método compreensivo através da análise dos processos históricos e sociais. Para ele, a pesquisa histórica é essencial para compreensão das sociedades. O objeti- vo maior da Sociologia é compreender a conduta social, que ele chegou a definir como ação social. Foi fundador da So- ciologia da Religião. 32UNIDADE I Moral e Ética 32UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Karl Marx (1987), conforme já exposto, criticava o sistema capitalista, e o seu modo de produção. Em sua teoria, no Manifesto Comunista, critica o poder institucional da igreja, enaltecendo que a religião manipulava o povo, pois as pessoas teriam que lutar e reivindi- car os seus direitos, mas acabavam se acomodando devido às doutrinas da igreja e seus ensinamentos. REFLITA Conforme já mencionado, caro(a) acadêmico(a), os estudos marxistas são de extrema importância para o profissional da área do Serviço Social. Nesse sentido, entender mais acerca dos estudos do filósofo russo agrega incontáveis conhecimentos a sua prática profissional. Fonte: a autora. 33UNIDADE I Moral e Ética 33UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 3. A FACE ÉTICA DO NOVO CONSERVADORISMO Conforme Iamamoto (2006, p. 67), O Serviço Social teve conquistas rompendo com o conservadorismo, e tem sua atuação pautada para o fim da opressão de classe sobre as questões que dizem respeito à sobrevivência social e material dos setores majoritários da população trabalhadora. Diante do exposto, o Serviço Social teve como marco histórico o rompimento com o conservadorismo, ou seja, com as práticas caritativas. Retomando a história de atuação profissional, conferimos que suas práticas com as relações sociais são históricas e pauta- das no modo conservador e autoritário, ainda a autora enaltece que: O Serviço Social não atua apenas sobre a realidade, mas atua na realidade [...] a conjuntura não é o pano de fundo que emoldura o exercício profissional; ao contrário, são partes constitutivas da configuração do trabalho do Serviço Social, devendo ser apreendidas como tais (IAMAMOTO, 2006, p. 55). Nesse sentido, a prática profissional está pautada na análise de tudo que está em sua volta,como seus aspectos econômicos, sociais, políticos, intervindo em sua totalidade, como uma visão ampla, pautada no projeto ético político, com objetivo de encaminhar, dire- cionar e assessorar dentro e fora das políticas públicas, como também no aprimoramento do intelecto para propor melhoria e um olhar crítico da realidade. Destacamos ainda que na prática profissional. [...] o esforço está, portanto, em romper qualquer relação de exterioridade entre a profissão e a realidade, atribuindo-lhe a centralidade que deve ter no exercício profissional [...] e o reconhecimento das atividades de pesquisa e espírito indagativo como condições essenciais ao exercício profissional (IA- MAMOTO, 2006, p. 55-56). 34UNIDADE I Moral e Ética 34UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Quando destacamos o termo conservadorismo, o primeiro pensamento é que o termo seja algo, velho, quadrado, punitivo, ou seja, conservado por algo ou alguém. Nesse sentido, o conservadorismo é um pensamento político que defende o tradicional e a ma- nutenção desse pensamento, como, por exemplo, uma religião com modos e costumes, uma determinada família, reconhecida pelo sobrenome em sua região, como também os costumes, tradições, culturas entre outros. A esse respeito o conservadorismo enfatiza a continuidade, a tradição de pai para filho, sendo contrário às lutas, movimentos sociais, como também a quebra dos paradigmas (MATTOS, 2017). Ao refletir dentro do Serviço Social, é importante enaltecer que o conser- vadorismo é um traço constitutivo da profissão, não apenas em sua dimensão ideo-teórica, mas no traço elementar da profissão, qual seja: a sua inserção na divisão sociotécnica do trabalho, em que as demandas para suas respostas profissionais advêm da necessidade de reprodução das relações sociais capitalistas de reprodução. No entanto, dizer que a atuação do assistente social é polarizada, de um lado, pela demanda do capital e, do outro, pelas necessidades do trabalho, fortalecendo um ou outro por meio da mediação do seu oposto, mas tendendo a ser cooptada pela classe dominante (IAMAMOTO, 1995 apud SANTOS, 2007). Destarte, várias profissões estudam sobre a Ética e o conservadorismo, no entanto a história do Serviço Social está pautada em lutas, movimentos sociais e várias conquistas. Desse modo, exaltamos que as expressões das questões sociais são diversas e comple- xas, pois, a cada ano, a questão social vai se ampliando e aumentado, sendo necessária a intervenção crítica no meio social, fazendo parte a economia, a política, a ciência, a cultura e a educação. A esse respeito, a questão social, ou seja, o objeto da prática do Assistente Social, rotineira deve ser pautada em consonância com as Diretrizes Curriculares apro- vadas em 1996, a Lei de Regulamentação da Profissão e o Código de Ética Profissional, ambos aprovados ainda em 1993. Sinalizamos que o movimento de reconceituação é o precursor da quebra do conservadorismo, como também o ano de 1993, com a aprovação da Resolução do CFESS nº 273/93, em que explicita os princípios fundamentais para a prática profissional. De acordo com Faleiros (2005, p. 28), A dialética teoria/prática é uma das questões-chave postas pelo movimento de reconceituação e que tem permanecido crucial ao longo de mais de qua- renta anos de debate. Também têm sido cruciais as questões da transforma- ção social no contexto do capitalismo e da articulação entre o profissional e o científico, do profissional e do político e do profissional com as condições e relações de trabalho. 35UNIDADE I Moral e Ética 35UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Diante do exposto, citamos Faleiros (1997, p. 65), que menciona que o Serviço Social é visto “como produtivo, pois, segundo Maguiña, ele reduz os custos de reprodução da força de trabalho, ao oferecer serviços de consumo (como creches) aos trabalhadores”, o que pode levar à diminuição dos salários, economizando no pagamento ao operário e aumentando o lucro da classe burguesa. Essa discussão sobre o Serviço Social ser produtivo ou improdutivo, é algo a ser refletido mais adiante do seu curso, pois conforme a literatura avança, ou seja, a produção de conhecimento, a reflexão sobre o agir profissional. Pois historicamente o Serviço Social, aqui mencionado, está ligado às práticas caritativas e de ajuda mútua. Na contemporaneidade, o Serviço Social vem sendo debatido e nos remetendo à reflexão acerca da profissão e seu processo de trabalho, sempre em um viés marxista, mas cabe refletir se o Serviço Social é trabalho ou não. Tal indagação nos faz pensar sobre o conflito que há entre o sistema capitalista, ou seja, composto por trabalhador x empregador. Segundo Castro (2012, p. 70), Marx menciona que, os indivíduos seriam independentes, mas somente de- pois de serem eles dependentes da sociedade. Dito de outro modo, o in- divíduo só poderia isolar-se ou individualizar-se em sociedade, pois desta dependeria para viver e produzir. Desta forma, o indivíduo é refém do capitalismo, pois necessita da burguesia para sua subsistência humana, o homem satisfaz suas necessidades interagindo com o meio que está inserido, ou seja, com a natureza e a transformação da mesma, por meio da sua intervenção e trabalho, sendo assim, o trabalho é uma condição da vida humana, podemos mencionar sobre o trabalho produtivo e improdutivo dentro do Serviço Social, tal análise exposta aqui nos remete a pensar enquanto Assistente Social atuante em empresas capita- listas, instituições filantrópicas, organizações Não Governamentais e organizações de tra- balhadores, como também usuário da política de assistência social, ou outros profissionais, ou seja, a execução do trabalho pelo homem. Castro (2012) menciona que a produtividade do trabalho se encaixa com a produção exacerbada do capitalismo, resultando a apropria- ção do excedente de modo mais favorável ao capitalismo, onde o trabalhador não produz para si, mas para o capital, onde muitas vezes ele não terá acesso a sua produção. Marx, em seu livro O Capital, menciona que “apenas é produtivo o trabalhador que produz mais-valia para um capital ou serve à autovalorização do capital” (CASTRO, 2012, p. 72). Dessa forma, o que é produtivo está relacionado com o capital x trabalhador assalariado, ou seja, a produtividade para o capital está relacionada à força de trabalho e suas condições, o trabalho materializado sobre o trabalho vivo e o produto do trabalho 36UNIDADE I Moral e Ética 36UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social sobre aquele quem produziu. A esse respeito, retomamos o rompimento das práticas con- servadoras (FALEIROS, 1997, p. 67-68). A reconceituação rompeu definitivamente com esta metodologia, levando em conta as diferentes formas de conhecimento existentes, suas articulações políticas, ideológicas e econômicas e, fundamentalmente, a troca desses sa- beres diferentes em suas relações de força. [...] A reconceituação do Serviço Social não consiste numa revolução linear da assistência à transformação, mas na luta constante pela conscientização de uma sociedade sem explora- ção e dominação, mudando-se as posições pessoais, políticas e ideológicas e econômicas nas diferentes instituições da cotidianidade. Desse modo, é notório afirmar que o movimento social é uma luta diária, e que o Serviço Social desempenha seu trabalho com uma equipe multidisciplinar, ou seja, com diversos profissionais de outras áreas de atuação. Segundo o Conselho Federal de Serviço Social - CFESS e ABEPSS (2012): O chamado trabalho interdisciplinar também é abordado neste documento sobre o Serviço Social no SUAS, preservando-se o resguardo das atribuições e do sigilo profissional, numa perspectiva ética, alertando-se sobre a neces- sidade de discernir sobre informações, atribuições e tarefas que estejam no campo de atuação de cada profissão.De acordo com Iamamoto (2004, p. 107), [...] o assistente social é chamado a desempenhar sua profissão em um pro- cesso de trabalho coletivo, organizado dentro de condições sociais dadas, cujo produto, em suas dimensões materiais e sociais, é fruto do trabalho com- binado ou cooperativo, que se forja com o contributo específico das diversas especializações do trabalho. Nesse sentido, o projeto ético político foi elaborado analisando o contexto histórico de cada época, de cada governo vigente, das guerras e conflitos sofridos no decorrer dos anos. Reforçando a quebra do conservadorismo presente no Serviço Social brasileiro, como também o amadurecimento na década de 1990, período de profundas transformações so- cietárias que afetam a produção e a economia. 37UNIDADE I Moral e Ética 37UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 4. ÉTICA E MOVIMENTOS SOCIAIS Primeiramente, é importante destacar que logo mais, nesta disciplina, você vai estudar os códigos de ética criados e reformulados ao longo da história do Serviço Social. Nesse sentido, destacamos, a Lei 8.742/1993, que dispõe sobre a Assistência Social, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), 2004, criado pela união dos assistentes sociais, profissionais, militantes da assistência e usuários na participação nos Conselhos, Conferências, movimentos sociais e outros. Anteriormente às aprovações, eram comuns ações assistencialistas ou clientelis- tas, como doações, caridade, práticas em forma de favor, boa vontade com fundamento em princípios cristãos. De acordo com Vázquez (996, p. 243): A ética cristã como a filosofia cristã em geral parte de um conjunto de verda- des reveladas a respeito de Deus, das relações do homem com o seu Criador e do modo de vida prático que o homem deve seguir para obter a salvação no outro mundo. Nesse sentido, sabe-se que ser ético é fazer o que é correto. Nessa perspectiva, a ética cristã, ou seja, a religião, priorizava que toda ação do homem em sociedade deveria estar voltada a Deus, no sentido de executar algo e contemplar a salvação eterna. Contudo, a ética cristã tende a regular o comportamento dos homens com vistas a outro mundo (a uma ordem sobrenatural), colocando o seu fim ou valor supremo fora do homem, isto é, em Deus. Disto decorre que, para ela, a vida moral alcança a sua plena realização somente quando o homem se eleva a esta ordem sobrenatural (VÁZQUEZ, 1996, p. 245). 38UNIDADE I Moral e Ética 38UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Destarte, a ética cristã aqui debatida afirma que o homem deveria ser obediente, sendo sujeito aos seus mandamentos, enaltecendo os valores de fé, esperança e carida- de, destacando os Dez Mandamentos. Nesse sentido, não se poderia exigir e lutar pelos seus direitos, sendo que os Dez Mandamentos são considerados uma forma de tentar garantir a ordem e instituir regras e normas para todos. Desse modo, ao comparar sobre os movimentos sociais, destacamos a quebra do conservadorismo após o movimento de reconceituação. Porém a práxis do assistente social deve ser pautada na história, ou seja, na luta por meio dos movimentos sociais, com a sociedade em busca da democratização do país, ancoradas nos fundamentos teóricos-políticos, éticos metodológicos, código de ética e lei que regulamenta a profissão, esquecendo as práticas conservadoras. A Gestão de trabalho no âmbito do SUAS é pautada na integralidade e universalidade, descentralização, participação e controle social, em âmbitos gerais, se passa uma visão da efetivação da cidadania plena. Os autores Behring e Boschetti (2006, p. 44) mencionam que: No âmbito político, é imprescindível compreender o papel do Estado e sua relação com os interesses das classes sociais, sobretudo na condução das políticas econômicas e social, de maneira a identificar se dá mais ênfase aos investimentos sociais ou privilegia políticas econômicas; se atua na formula- ção, regulação e ampliação (ou não) de direitos sociais; se possui autonomia nacional na definição das modalidades e abrangência das políticas sociais ou segue imperativos dos organismos internacionais; se fortalece e respeita a autonomia dos movimentos sociais; se a formulação e implementação de direitos favorece os trabalhadores ou os empregadores. Enfim, deve-se ava- liar o caráter e as tendências da ação estatal e identificar interesses que se beneficiam de suas decisões e ações. No entanto, a literatura aponta que, nos últimos tempos, houve um esfriamento dos movimentos sociais no cenário brasileiro, parecendo não haver mais violação de direitos na nação, onde os organizadores dos movimentos sociais no Brasil desaparecerem, a luta por direitos parece não ter mais sentido e razão, e as pessoas não se unem mais com o pro- pósito de luta por um objetivo em comum. Sendo destacados que até mesmo os sindicatos laborais, igrejas, associações, instituições, organizações, movimentos tradicionais, partidos e conselhos profissionais de base, se dissiparam na sociedade brasileira. De acordo com Castro e Mota (2012, p. 2), “esta ausência de participação ativa em movimentos sociais organizados denota o caráter de passividade política e aponta para um refluxo dos movi- mentos sociais atualmente existentes e atuantes”. Quando é mencionado a ausência de participação, logo nos vem em mente como está ocorrendo o controle das políticas públicas. Nesse sentido, acredita-se que ocorreu uma despolitização das pessoas que agregavam os movimentos sociais, pois a partir do momento que um grupo ou comunidade é beneficiado, ou seja, suas necessidades supri- das, não há razão para reivindicar. 39UNIDADE I Moral e Ética 39UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social Desse modo, o acesso ao mínimo parece ser satisfatório para muitos, que esque- cem que o mínimo não é somente a alimentação diária, mas o emprego, a habitação, o lazer entre outros direitos fundamentais. De acordo com Gohn (2011, p. 7), O tempo passou, surgiram novos campos temáticos de luta que geraram no- vas identidades aos próprios movimentos sociais, tais como na área do meio ambiente, direitos humanos, gênero, questões etnicorraciais, religiosas, mo- vimentos culturais etc. Alguns movimentos transformaram-se em redes de atores sociais organizados, ou fundiram-se em ONGs, ou rearticularam-se com as novas formas de associativismo que surgiram dos anos de 1990; outros entraram em crise e desapareceram; outros, ainda, foram criados com novas agendas e pautas, como as recentes manifestações antiglobalização. A esse respeito, lembramos de vários movimentos sociais, ligados aos direitos bá- sicos e a classe trabalhadora, como: o Movimentos Sem Terra, Movimentos dos trabalhado- res rurais, Movimentos Revolucionários a CUT, Partido dos Trabalhadores, Movimentos dos Ferroviários entre outros. Desse modo, o Serviço Social deve ser pensado ao tema como agir profissionalmente, lembrando de todas as leis promulgadas, como também dos óbitos ocorridos, devido às conquistas dos direitos, explícitos em Carta Magna, sendo importante entender que direito algum deve ser extinto, como vemos atualmente no ano de 2021. As expressões das questões sociais se configuram no cenário contemporâneo, exigindo uma dialética de ação reflexiva, com ações concretas e objetivas. Nesse aspecto, lembramos que “a ética não pode escapar dos problemas da complexidade. Isso nos obriga a pensar a relação entre conhecimento e ética, ciência e ética, política e ética, economia e ética” (MORIN, 2007, p. 15) , sendo um agir rotineiro, pautado nos protagonismos dos indivíduos, como também dos marcos regulamentares da profissão. 40UNIDADE I Moral e Ética 40UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 5. ÉTICA E DIREITOS CIVIS E HUMANOS Ao discutir a ética dentro dos direitos civis e humanos, partimos de todas as aprova- ções das leis e decretosdo Serviço Social, que serão abordadas ao longo desta disciplina. No entanto, citamos que cidadania está atrelado ao sentimento de pertença a uma nação, mas que, na verdade, cidadania é poder ter acesso a todos os direitos garantidos pelo Estado, em específico ao direito civil, como exemplo: a liberdade individual, o direito de ir e vir, a liberdade de expressão, a liberdade da orientação sexual. Nesse sentido, a luta da sociedade civil antecede a criação das políticas públicas, pois com a promulgação da Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 1988, é instaurando uma nova ordem democrática, que garante o acesso e a ampliação dos direitos civis, individuais e coletivos. É importante ressaltar que: A existência dos Direitos Humanos, foi justificada originariamente pelo jus- naturalismo, corrente do pensamento filosófico que considerava os homens dotados de direitos naturais anteriores à formação da sociedade, direitos que lhes pertenciam, pura e simplesmente, pelo fato de serem humanos. Foi com o contratualismo, todavia, que despontou a exigência de reconhecimento e garantia dos direitos do homem pelo Estado, a fim de que se tornassem ju- ridicamente exigíveis. Posteriormente, em fins do século XVIII, entraram em confronto o racionalismo jusnaturalista, de um lado, e o utilitarismo e o histo- ricismo (DELGADO, 2011, p. 61). Nesse contexto, enaltecemos que as primeiras ações sobre proteção, ajuda aos pobres, aos órfãos, necessitados, aconteceram antes do desenvolvimento do capitalismo, destacamos aqui que a ajuda ao próximo, entende-se por ajuda qualquer tipo de subsídio ou auxílio voltado a práticas do assistencialismo e o clientelismo, que permaneceram por 41UNIDADE I Moral e Ética 41UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social muito tempo. Mas, na história do Serviço Social, antes do movimento de reconceituação, a ajuda era administrada pelas primeiras-damas, ou seja, as esposas dos prefeitos, que coordenavam as Secretarias de Assistência Social, sendo denominado, na época, como “Damismo”. Nesse sentido, é necessário que a categoria permaneça na luta pela equidade, justiça social e a ampliação das políticas públicas. SAIBA MAIS Para nos fundamentar, temos vários dicionários básicos que precisamos ler e reler, para adquirirmos um melhor conteúdo, vocabulário mais próprio da profissão e uma lingua- gem mais qualificada. DICIONÁRIO DAS CRISES E DAS ALTERNATIVAS: Centro de Estudos Sociais La- boratório Associado – CES - Universidade de Coimbra. Coimbra: Almedina, 2012. DICIONÁRIO DO PENSAMENTO SOCIAL DO SÉCULO XX. Editado por William Ou- thwaite e Tom Bottomore - Rio de Janeiro: Zahar, 1996. 42UNIDADE I Moral e Ética 42UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) acadêmico(a), chegamos ao fim desta unidade. Você pode conhecer a história dos clássicos pensadores que contribuíram para o conhecimento científico do graduando em Serviço Social. Sendo enaltecida a importância do pensamento Marxista para a prática do Serviço Social, que atua na divisão sociotécnica do trabalho. Perpassando pela ética e o conservadorismo, ética e os direitos civis e huma- nos, como também os fundamentos sócio-históricos da ética profissional. 43UNIDADE I Moral e Ética 43UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) acadêmico(a), não deixe de completar os seu estudos com as seguintes indicações: NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social no Brasil pós- 64. São Paulo: Cortez, 2007. Faça uma reflexão sobre e leitura complementar com a temática estudada neste capítulo. 44UNIDADE I Moral e Ética 44UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Manifesto do Partido Comunista Autor: Engels, Friedrich; Marx, Karl Editora: LAFONTE Ano: 2018 Sinopse: Obra sempre atual que, embora não tenha consolidado sua visão de futuro, é referência para quem pretende estudar política e economia. No Manifesto do Partido Comunista, o operário surge como força organizadora de uma sociedade onde os menos favorecidos guiam o mundo com o prisma da justiça e igualdade de meios, de oportunidades e do equilíbrio entre produção e riqueza. Marx e Engels convocam o homem comum para enfrentar a burguesia e criar seu próprio Deus, garantindo assim o bem estar de todos. Trata-se de um documento histórico que detalha o pensamento comunista e nos ajuda a compreender o contexto sociopolítico do mundo moderno. FILME/VÍDEO Título: Blade Runner: o Caçador de Andróides Ano: 1982. Sinopse: No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los. 45 Plano de Estudo: ● Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (1947 e 1965); ● Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (1975 e 1986); ● Código de Ética Profissional do Assistente Social (1993) e demais resoluções do CFESS acerca da ética profissional. Objetivos da Aprendizagem: ● Contextualizar e apresentar os Códigos de Ética dos Assistentes Sociais e demais re- soluções do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS. UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional Professora Ana Cristina da Silva Gomes 46UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional INTRODUÇÃO Com as profundas mudanças do comportamento humano, ter um código de ética, que rege o agir profissional, é algo importante e que deve ser estudado, interpretado e colocado em prática. Hoje o Brasil está passando por um momento de violação de direitos e uma situação epidemiológica da COVID-19, em que o cenário a cada dia piora com a falta de vacinas, como também o respeito à população Brasileira. Ou seja, paralelo ao nosso tema, Ética, estamos passando por uma crise ética, que se faz oportuno ressaltar a Ética Profissional. Lembrando que a Ética está relacionada ao fazer o certo ou o errado; à ética é designada a conduta humana, as regras de comportamento, o relacionamento com grupos dentro da sociedade e os costumes e moral de cada ser humano. De acordo com Franke (2007), quem não tem ética pessoal não terá ética profissional, ou seja, o comportamento pessoal reflete no dia a dia do profissional. No entanto, o que a disciplina de Ética nos diz é que é necessário seguir e agir eticamente de acordo com a Resolução do CFESS Nº 273, que institui o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais e dá outras providências, aprovado em 13 de março de 1993. Desse modo, independente da sua moral, costumes e vivências, é necessário atuar de forma Ética, lembrando que ética não é uma regra, e sim uma reflexão sobre a ação humana. Sendo assim, para compreender a história do Código Ética do Assistente Social, é necessário entender a ruptura de todos os códigos existentes, que datam 1947, 1965, 1975, 1986, 1993 e demais retificações em 2011. 47UNIDADE I Moral e Ética 47UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social 1. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS (1947 a 1965) Barroco e Terra (2012) afirmam que os primeiros Códigos de Ética apoiavam ospressupostos do neotomismo, ou seja, com a influência da doutrina da igreja católica e do positivismo, tais influências que emergem desde o nascimento do Serviço Social, como também exposto na grade curricular por meio das disciplinas de filosofia e ética, e a fundamentação teórica, como, por exemplo, o Documento de Araxá, de 1967. A Ética está envolvida com o agir profissional, em específico do Serviço Social, inserido na divisão social do trabalho, sendo um desafio diário a sua prática. A ética profissional é uma dimensão específica do Serviço Social, suas de- terminações são mediadas pelo conjunto de necessidades e possibilidades, de demandas e respostas que legitimam a profissão na divisão social do trabalho da sociedade capitalista, marcando a sua origem e a sua trajetória histórica (BARROCO, 2008, p. 12). Neste sentido, contextualizamos a história do código de ética, destacando que o primeiro Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais, no Brasil, foi elaborado pela Associação Brasileira de Assistentes Sociais (ABAS), em setembro de 1947, em São Paulo, sendo considerado um marco para a profissão. Nele apresentava-se os deveres fundamentais dos assistentes sociais, deveres com os usuários do serviço social, deveres com os demais profissionais e os deveres com a organização laboral. Ressaltamos que nesse período, no Brasil, ocorria uma forte influência do sistema capitalista, que havia passado a forte crise de 1929, quando o capitalismo estava focado em produzir para o mercado interno e intensificar as exportações. Destarte, o período 48UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional também apresentava más condições de vida ao proletariado, com trabalhos insalubres, baixos salários, miséria, mão de obra excedente e o ingresso de mulheres e crianças no mercado de trabalho, sem garantias mínimas e fundamentais para a subsidência humana (BARROCO; TERRA, 2012). Nesse período destacamos também a criação da 1a Escola de Serviço Social, vin- culada ao conservadorismo e de cunho moralizador, doutrinário e subordinado aos dogmas religiosos. QUADRO 1 - CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS (Aprovado em Assembleia Geral da Associação Brasileira de Assistentes Sociais (ABAS) – Seção São Paulo, em 29-IX-1947) INTRODUÇÃO I – Moral ou Ética pode ser conceituada como a ciência dos princípios e das normas que se devem seguir para fazer o bem e evitar o mal. II – A moral aplicada a uma determinada profissão recebe o nome de ÉTICA PROFISSIONAL; relacionada está com o Serviço Social, pode ser chamada de DEONTOLOGIA DO SERVIÇO SOCIAL III – A importância da Deontologia do Serviço Social provém do fato de que o Serviço Social não trata apenas de fator material, não se limita à remoção de um mal físico, ou a uma transação comercial ou monetária: trata com pessoas humanas desajusta- das ou empenhadas no desenvolvimento da própria personalidade. V – A observância dos princípios da Deontologia do Serviço Social exige, da parte do Assistente Social, uma segura formação em todos os ramos da Moral. 49UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional SECÇÃO I - DEVERES FUNDAMENTAIS É dever do Assistente Social: 1. Cumprir os compromissos assumidos, respeitando a lei de Deus, os direitos naturais do homem, inspirando-se, sempre em todos seus atos profissionais, no bem comum e nos dispositivos da lei, tendo em mente o juramento prestado diante do testemunho de Deus. 2. Guardar rigoroso sigilo, mesmo em depoimentos policiais, sobre o que saiba em razão do seu ofício. 3. Zelar pelas prerrogativas de seu cargo ou funções e respeitar as de outrem. 4. Recusar sua colaboração ou tomar qualquer atitude que considere ilegal, injusta ou imoral. 5. Manter uma atitude honesta, correta, procurando aperfeiçoar sua personalidade e dignificar a profissão. 6. Levar ao conhecimento do órgão competente da ABAS Seção São Paulo, qualquer transgressão deste Código. 7. Manter situação ou atitude habitual de acordo com as leis e bons costumes da comunidade. SECÇÃO II - DEVERES PARA COM O BENEFICIÁRIO DO SERVIÇO SOCIAL I – E dever do Assistente Social 1. Respeitar no beneficiário do Serviço Social a dignidade da pessoa humana, inspirando- se na caridade cristã. 2. Aplicar todo zelo, diligência e recursos da ciência no trabalho a realizar e nunca abandonar um trabalho iniciado, sem justo motivo. II – Não é permitido ao Assistente Social Aceitar remuneração de um beneficiário de uma organização, por serviços presta- dos em nome desta. 50UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional SECÇÃO III - DEVERES PARA COM OS COLEGAS I – É dever do Assistente Social 1. Tratar os colegas com perfeita cortesia, evitando fazer quaisquer alusões ou comentários desairosos sobre sua conduta na vida privada e profissional 2. Abster-se de discutir em público sobre assuntos de interesse exclusivo e reservado da classe. II – Não é permitido ao Assistente Social 1. Pronunciar-se sobre serviço confiado a outro Assistente Social, ainda que tenha em vista o bem do Serviço Social, sem conhecer os fundamentos da opinião daquele, e sem contar com seu expresso consentimento. 2. Aceitar funções ou encargos anteriormente confiados a um Assistente Social sem antes procurar informar-se da razão da dispensa deste, de sorte a não aceitar a subs- tituição desde que esta implique em desmerecimento para a classe. SECÇÃO IV DEVERES PARA COM A ORGANIZAÇÃO ONDE TRABALHA I – É dever do Assistente Social 1. Pautar suas atividades por critério justo e honesto, empregando todo o esforço em prol da dignidade e elevação das funções exercidas 2. Tratar os superiores com respeito, o que não implica restrição de sua independência quanto às suas atribuições em matéria específica de Serviço Social II – Não é permitido ao Assistente Social 1. Alterar ou deturpar intencionalmente depoimentos, documentos, relatórios e informes de natureza vária, para iludir seus superiores ou quaisquer outros fins. 2. Valer-se da influência do seu cargo para usufruir, ilicitamente, vantagens de ordem moral ou material. 3. Prevalecer-se de sua situação para melhoria de proventos próprios em detrimento de outrem. 4. Prejudicar a execução de tarefas reclamadas pela natureza do seu cargo, ocupan- do-se de assuntos estranhos ao mesmo durante as horas de serviço. 51UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional Fonte: Brasil (1993). A segunda edição do código de Ética foi aprovada em 8 de maio de 1965, enal- tecendo que de 1947 até chegar à edição de 1965, a aprovação se deu pelo Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS). Trouxe os direitos fundamentais e do bem comum às sociedades brasileiras, apresentando a profissão, os deveres fundamentais, o segre- do profissional, os deveres com os usuários, comunidade, grupos atendidos pelo serviço social, empregadores, colegas de profissão, associações de classe, responsabilidade da preservação da dignidade profissional, como também a observância do código (PIERITZ, 2013). O assistente social, profissional liberal, tecnicamente independente na execu- ção de seu trabalho, se obriga a prestar contas e seguir diretrizes emanadas se seu chefe hierárquico, observando as normas administrativas da entidade que o emprega. No exercício de sua profissão o assistente social tem o dever de respeitar as posições filosóficas, políticas e religiosas daquelas a quem se destinam a sua atividade, prestando-lhes os serviços que lhe são devidos, tendo-se em vista o princípio de autodeterminação (CONSELHO FEDERAL DE ASSISTENTE SOCIAL, 1965). Barroco e Terra (2012) afirmam que o segundo código de ética, apresentou uma renovação no que tange ao conservadorismo, posta pela autocracia burguesa, introduzindo valores liberais,sem romper o neotomista e funcionalista, conforme já exposto, sinalizando o assistente social como profissional liberal, incluindo os princípios da democracia, plura- lismo, justiça e entre outros. SECÇÃO V - DISPOSIÇÕES GERAIS 1. Qualquer alteração no presente Código somente poderá ser feita em assembleia geral da ABAS, Secção São Paulo, especialmente convocada para esse fim. 2. O presente Código entrará em vigor na data de sua publicação. 52UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional 2. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS (1975 E 1986) A Terceira edição do Código de ética foi aprovada em 30 de janeiro de 1975, pelo Conselho Federal de Assistente Social (CFAS), apresentando expressões de “reatuali- zação do conservadorismo profissional no contexto de oposição e luta entre os projetos profissionais que antecederam o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais de 1979” (BARROCO et al., 2010, p. 45). Incluindo, nessa edição, o segredo profissional e as medi- das disciplinares. Como regressão destacamos que esse código exclui a democracia e o pluralismo, e não demonstra questionamento político contrário à ditadura no contexto social (BARROCO, 2010). A quarta edição foi aprovada em 9 de maio de 1986, também pelo Conselho Fe- deral de Assistente Social (CFAS), introduzindo os direitos e responsabilidades gerais do assistente social, como também sua aplicabilidade. A quarta edição é marcada por mudan- ças ocorridas na trajetória da profissão, como também a ruptura com o conservadorismo enraizado, descaracterizando a tendência legalista dos demais códigos, rompendo com a concepção tradicional, ou seja, o código de ética ficou por mais de 30 anos vinculado ao conservadorismo. Destacamos que a conquista é resultado de um amplo processo de trabalho que teve início no ano de 1983, em que a metodologia utilizada foi por meio de debates, comissões, assembleias, seminários como também encontros regionais e nacio- nais, em que foram convocados os Assistentes Sociais para participar e contribuir com as decisões. (CFAS, 1986). Segundo Barroco (2017, p. 17), 53UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional O Código de 1986 não foi suficientemente desenvolvido em sua parte ope- racional e em seus pressupostos teóricos, orientados pelo marxismo. Com o objetivo de ampliá-los, foi feita a reformulação de 1993, em um contexto muito diverso daquele que em 1980 favoreceu a construção do projeto de ruptura profissional. Nota-se que, com a ruptura, a sociedade estava articulada com o projeto profissional, ou seja, com a nova ideologia, pautados na teoria marxista e nos projetos envoltos do homem dotado da sua autonomia, e não mais na doutrina religiosa. Destacamos que, no ano de 1991, no Seminário Nacional de Ética, foi revisado, não havendo retificações, intitulado como quinta edição, como também a sexta edição, no ano de 1992, pelos encontros estaduais e nacionais, finalizando a sétima edição aprovada no ano de 1993 em 13 de março, promulgado pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), citando os princípios fundamentais da profissão, e enaltecendo os direitos e deveres já mencionados. REFLITA Caro(a) acadêmico(a), reflita sobre todas as retificações do Código de Ética até os dias atuais, pesquise em que período político os códigos foram aprovados, vejam como a influência política e católica está intrinsecamente atrelada a nossa profissão. Monte um mapa mental, sobre os anos e as mudanças. Ressaltamos que em diversos concursos públicos a trajetória dos códigos de ética vem sendo evidenciados nas questões. Apro- veite a dica e monte o seu mapa mental sobre a evolução dos Códigos de Éticas do Assistente Social. Fonte: a autora. 54UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional 3. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL (1993) E DEMAIS RESOLUÇÕES DO CFESS ACERCA DA ÉTICA PROFISSIONAL Caro(a) acadêmico(a), neste tópico apresentaremos, na íntegra, o Código de Ética para o exercício do profissional Assistente Social. Destacamos que até a sua aprovação, conforme já explanado nos tópicos anteriores, a luta se iniciou no ano de 1947, com a aprovação da primeira edição do Código, passando por diversas atualizações e edições ao longo dos anos, até a chegada da publicação oficial, no dia 13 de março de 1993, da Resolução CFESS Nº 273, que institui o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais e dá outras providências. Apesar do avanço com a reformulação do Código de Ética, muitos profissio- nais, encontraram dificuldades no cotidiano profissional, havendo assim, a necessidade de revisão no sentido de articular a normalização e a prática do Assistente Social com valores éticos voltados para a identificação da histori- cidade dos interesses de classes. Logo, um código de ética origina-se de ne- cessidades sócio-históricas, resultante de uma trajetória que indica um rumo ético-político para a prática profissional (DALLAGO, 2005, p. 9). De acordo com Barroco (2000), esse Código de Ética foi um grande avanço na história do Serviço Social, pois visou responder às exigências e aos desafios enfrentados pelo Serviço Social, enaltecendo a ruptura do Conservadorismo. 55UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional QUADRO 2 - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo; III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos das classes trabalhadoras; IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; V. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalida- de de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças; VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais demo- cráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual; VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos/as trabalhadores/as; X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional; XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por ques- tões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física. 56UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional TÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art.1º Compete ao Conselho Federal de Serviço Social: a- zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, fiscalizando as ações dos Conselhos Regionais e a prática exercida pelos profissionais, institui- ções e organizações na área do Serviço Social; b- introduzir alteração neste Código, através de uma ampla participação da cate- goria, num processo desenvolvido em ação conjunta com os Conselhos Regionais; c- como Tribunal Superior de Ética Profissional, firmar jurisprudência na observân- cia deste Código e nos casos omissos. Parágrafo único - Compete aos ConselhosRegionais, nas áreas de suas respecti- vas jurisdições, zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste Código, e funcionar como órgão julgador de primeira instância. TÍTULO II - DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES GERAIS DO/A ASSISTENTE SOCIAL Art. 2º Constituem direitos do/a assistente social: a- garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código; b- livre exercício das atividades inerentes à Profissão; c- participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na formula- ção e implementação de programas sociais; d- inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo profissional; e- desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional; f- aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princí- pios deste Código; g- pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se tratar de assuntos de interesse da população; h- ampla autonomia no exercício da Profissão, não sendo obrigado a prestar servi- ços profissionais incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções; i- liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. 57UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional Art. 3º São deveres do/a assistente social: a- desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilida- de, observando a legislação em vigor; b- utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da Profis- são; c- abster-se, no exercício da Profissão, de práticas que caracterizem a censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos, denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes; d- participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. Art. 4º É vedado ao/à assistente social: a- transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da Lei de Regulamen- tação da Profissão; b- praticar e ser conivente com condutas antiéticas, crimes ou contravenções penais na prestação de serviços profissionais, com base nos princípios deste Código, mesmo que estes sejam praticados por outros/as profissionais; c- acatar determinação institucional que fira os princípios e diretrizes deste Código; d- compactuar com o exercício ilegal da Profissão, inclusive nos casos de estagiários/as que exerçam atribuições específicas, em substituição aos/às profissionais; e- permitir ou exercer a supervisão de aluno/a de Serviço Social em Instituições Públicas ou Privadas que não tenham em seu quadro assistente social que realize acompanhamento direto ao/à aluno/a estagiário/a; f- assumir responsabilidade por atividade para as quais não esteja capacitado/a pessoal e tecnicamente; g- substituir profissional que tenha sido exonerado/a por defender os princípios da ética profissional, enquanto perdurar o motivo da exoneração, demissão ou transferência; h- pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função que estejam sendo exercidos por colega; i- adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre situações ou estu- dos de que tome conhecimento; j- assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos de terceiros, mesmo que executados sob sua orientação. 58UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional TÍTULO III -DAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS CAPÍTULO I - Das Relações com os/as Usuários/as Art. 5º São deveres do/a assistente social nas suas relações com os/as usuá- rios/as: a- contribuir para a viabilização da participação efetiva da população usuária nas decisões institucionais; b- garantir a plena informação e discussão sobre as possibilidades e conse- quências das situações apresentadas, respeitando democraticamente as deci- sões dos/as usuários/as, mesmo que sejam contrárias aos valores e às crenças individuais dos/as profissionais, resguardados os princípios deste Código; c- democratizar as informações e o acesso aos programas disponíveis no espa- ço institucional, como um dos mecanismos indispensáveis à participação dos/as usuários/as; d- devolver as informações colhidas nos estudos e pesquisas aos/às usuários/ as, no sentido de que estes possam usá-los para o fortalecimento dos seus interesses; e- informar à população usuária sobre a utilização de materiais de registro au- diovisual e pesquisas a elas referentes e a forma de sistematização dos dados obtidos; f- fornecer à população usuária, quando solicitado, informações concernentes ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Social e as suas conclusões, resguarda- do o sigilo profissional; g- contribuir para a criação de mecanismos que venham desburocratizar a relação com os/as usuários/as, no sentido de agilizar e melhorar os serviços prestados; h- esclarecer aos/às usuários/as, ao iniciar o trabalho, sobre os objetivos e a amplitude de sua atuação profissional. Art. 6º É vedado ao/à assistente social: a- exercer sua autoridade de maneira a limitar ou cercear o direito do/a usuá- rio/a de participar e decidir livremente sobre seus interesses; b- aproveitar-se de situações decorrentes da relação assistente social-usuário/a, para obter vantagens pessoais ou para terceiros; c- bloquear o acesso dos/as usuários/as aos serviços oferecidos pelas insti- tuições, através de atitudes que venham coagir e/ou desrespeitar aqueles que buscam o atendimento de seus direitos. 59UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional CAPÍTULO II Das Relações com as Instituições Empregadoras e outras Art. 7º Constituem direitos do/a assistente social: a- dispor de condições de trabalho condignas, seja em entidade pública ou priva- da, de forma a garantir a qualidade do exercício profissional; b- ter livre acesso à população usuária; c- ter acesso a informações institucionais que se relacionem aos programas e políticas sociais e sejam necessárias ao pleno exercício das atribuições profissio- nais; d- integrar comissões interdisciplinares de ética nos locais de trabalho do/a profissional, tanto no que se refere à avaliação da conduta profissional, como em relação às decisões quanto às políticas institucionais. Art. 8º São deveres do/a assistente social: a- programar, administrar, executar e repassar os serviços sociais assegurados institucionalmente; b- denunciar falhas nos regulamentos, normas e programas da instituição em que trabalha, quando os mesmos estiverem ferindo os princípios e diretrizes deste Código, mobilizando, inclusive, o Conselho Regional, caso se faça necessário; c- contribuir para a alteração da correlação de forças institucionais, apoiando as legítimas demandas de interesse da população usuária; d- empenhar-se na viabilização dos direitos sociais dos/as usuários/as, através dos programas e políticas sociais; e- empregar com transparência as verbas sob a sua responsabilidade, de acordo com os interesses e necessidades coletivas dos/as usuários/as. Art. 9º É vedado ao/à assistente social: a- emprestar seu nome e registro profissional a firmas, organizações ou empresas para simulação do exercício efetivo do Serviço Social; b- usar ou permitir o tráfico de influência para obtenção de emprego, desrespei- tando concurso ou processos seletivos; c- utilizar recursos institucionais (pessoal e/ou financeiro) para fins partidários, eleitorais e clientelistas. 60UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional CAPÍTULO III Das Relações com Assistentes Sociais e outros/as Profissionais Art. 10 São deveres do/a assistente social: a- ser solidário/a com outros/as profissionais, sem, todavia, eximir-se de denun- ciar atos que contrariem os postulados éticos contidos neste Código; b- repassar ao seu substituto as informações necessárias à continuidadedo trabalho; c- mobilizar sua autoridade funcional, ao ocupar uma chefia, para a liberação de carga horária de subordinado/a, para fim de estudos e pesquisas que visem o aprimoramento profissional, bem como de representação ou delegação de entida- de de organização da categoria e outras, dando igual oportunidade a todos/as; d- incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar; e- respeitar as normas e princípios éticos das outras profissões; f- ao realizar crítica pública a colega e outros/ as profissionais, fazê-lo sempre de maneira objetiva, construtiva e comprovável, assumindo sua inteira responsabili- dade. Art. 11 É vedado ao/à assistente social: a- intervir na prestação de serviços que estejam sendo efetuados por outro/a profissional, salvo a pedido desse/a profissional; em caso de urgência, seguido da imediata comunicação ao/à profissional; ou quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada; b- prevalecer-se de cargo de chefia para atos discriminatórios e de abuso de autoridade; c- ser conivente com falhas éticas de acordo com os princípios deste Código e com erros técnicos praticados por assistente social e qualquer outro/a profissio- nal; d- prejudicar deliberadamente o trabalho e a reputação de outro/a profissional. 61UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional CAPÍTULO IV Das Relações com Entidades da Categoria e demais organizações da Socie- dade Civil Art.12 Constituem direitos do/a assistente social: a- participar em sociedades científicas e em entidades representativas e de orga- nização da categoria que tenham por finalidade, respectivamente, a produção de conhecimento, a defesa e a fiscalização do exercício profissional; b- apoiar e/ou participar dos movimentos sociais e organizações populares vinculados à luta pela consolidação e ampliação da democracia e dos direitos de cidadania. Art. 13 São deveres do/a assistente social: a- denunciar ao Conselho Regional as instituições públicas ou privadas, onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar os/as usuários/as ou profissionais; b- denunciar, no exercício da Profissão, às entidades de organização da categoria, às autoridades e aos órgãos competentes, casos de violação da Lei e dos Direitos Humanos, quanto a: corrupção, maus tratos, torturas, ausência de condições míni- mas de sobrevivência, discriminação, preconceito, abuso de autoridade individual e institucional, qualquer forma de agressão ou falta de respeito à integridade física, social e mental do/a cidadão/cidadã; c- respeitar a autonomia dos movimentos populares e das organizações das classes trabalhadoras. Art. 14 É vedado ao/à assistente social valer-se de posição ocupada na direção de entidade da categoria para obter vantagens pessoais, diretamente ou através de terceiros/as. 62UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional CAPÍTULO V Do Sigilo Profissional Art. 15 Constitui direito do/a assistente social manter o sigilo profissional. Art. 16 O sigilo protegerá o/a usuário/a em tudo aquilo de que o/a assistente social tome conhecimento, como decorrência do exercício da atividade profissional. Parágrafo único: Em trabalho multidisciplinar só poderão ser prestadas informações dentro dos limites do estritamente necessário. Art. 17 É vedado ao/à assistente social revelar sigilo profissional. Art. 18 A quebra do sigilo só é admissível quando se tratarem de situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos interesses do/a usuário/a, de terceiros/as e da coletividade. Parágrafo único: A revelação será feita dentro do estritamente necessário, quer em relação ao assunto revelado, quer ao grau e número de pessoas que dele devam tomar conhecimento. CAPÍTULO VI Das Relações do/a Assistente Social com a Justiça Art. 19 São deveres do/a assistente social: a- apresentar à justiça, quando convocado na qualidade de perito ou testemu- nha, as conclusões do seu laudo ou depoimento, sem extrapolar o âmbito da competência profissional e violar os princípios éticos contidos neste Código; b- comparecer perante a autoridade competente, quando intimado/a a prestar depoimento, para declarar que está obrigado/a a guardar sigilo profissional nos termos deste Código e da Legislação em vigor. Art. 20 É vedado ao/à assistente social: a-depor como testemunha sobre situação sigilosa do/a usuário/a de que tenha conhecimento no exercício profissional, mesmo quando autorizado; b- aceitar nomeação como perito e/ou atuar em perícia quando a situação não se caracterizar como área de sua competência ou de sua atribuição profissional, ou quando infringir os dispositivos legais relacionados a impedi- mentos ou suspeição. 63UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional TÍTULO IV Da Observância, Penalidades, Aplicação e Cumprimento Deste Código Art. 21 São deveres do/a assistente social: a- cumprir e fazer cumprir este Código; b- denunciar ao Conselho Regional de Serviço Social, através de comunicação fundamentada, qualquer forma de exercício irregular da Profissão, infrações a princípios e diretrizes deste Código e da legislação profissional; c- informar, esclarecer e orientar os/as estudantes, na docência ou supervisão, quanto aos princípios e normas contidas neste Código. Art. 22 Constituem infrações disciplinares: a- exercer a Profissão quando impedido/a de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício ao/às não inscritos/as ou impedidos/as; b- não cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada do órgão ou autori- dade dos Conselhos, em matéria destes, depois de regularmente notificado/a; c- deixar de pagar, regularmente, as anuidades e contribuições devidas ao Conse- lho Regional de Serviço Social a que esteja obrigado/a; d- participar de instituição que, tendo por objeto o Serviço Social, não esteja inscrita no Conselho Regional; e- fazer ou apresentar declaração, documento falso ou adulterado, perante o Con- selho Regional ou Federal. Das Penalidades Art. 23 As infrações a este Código acarretarão penalidades, desde a multa à cassa- ção do exercício profissional, na forma dos dispositivos legais e/ ou regimentais. Art. 24 As penalidades aplicáveis são as seguintes: a- multa; b- advertência reservada; c- advertência pública; d- suspensão do exercício profissional; e- cassação do registro profissional. 64UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional Parágrafo único: Serão eliminados/as dos quadros dos CRESS aqueles/as que fizerem falsa prova dos requisitos exigidos nos Conselhos. Art. 25 A pena de suspensão acarreta ao/à assistente social a interdição do exercício profissional em todo o território nacional, pelo prazo de 30 (trinta) dias a 2 (dois) anos. Parágrafo único: A suspensão por falta de pagamento de anuidades e taxas só cessará com a satisfação do débito, podendo ser cassada a inscrição profissional após decorridos três anos da suspensão. Art. 26 Serão considerados na aplicação das penas os antecedentes profissionais do/a infrator/a e as circunstâncias em que ocorreu a infração. Art. 27 Salvo nos casos de gravidade manifesta, que exigem aplicação de penalidades mais rigorosas, a imposição das penas obedecerá à gradação estabelecida pelo artigo 24. Art. 28 Para efeito da fixação da pena serão considerados especialmente graves as violações que digam respeito às seguintes disposições: artigo 3º - alínea c; artigo 4º - alínea a, b, c, g, i, j; artigo 5º - alínea b, f; artigo 6º - alínea a, b, c; artigo 8º - alínea b; e artigo 9º - alínea a, b, c; artigo11 - alínea b, c, d; artigo 13 - alínea b; artigo 14; artigo 16; artigo 17; Parágrafo único do artigo 18; artigo 19 - alínea b; artigo 20 - alínea a, b Parágrafo único: As demais violações não previstas no “caput”, uma vez considera- das graves,autorizarão aplicação de penalidades mais severas, em conformidade com o artigo 26. Art. 29 A advertência reservada, ressalvada a hipótese prevista no artigo 33 será confidencial, sendo que a advertência pública, suspensão e a cassação do exercício profissional serão efetivadas através de publicação em Diário Oficial e em outro órgão da imprensa, e afixado na sede do Conselho Regional onde estiver inserido/a o/a denunciado/a e na Delegacia Seccional do CRESS da jurisdição de seu domicílio. 65UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional Fonte: Brasil (1993). Nesse sentido, destacamos que houve a oitava edição, no ano de 1996, quando o código foi revisado e ampliado, incluindo as resoluções do CFESS nº 333, que incidiu sobre o Art. 25, que menciona sobre a pena de suspensão e a interdição do exercício profissional. A esse respeito, finalizamos com a nona edição que sofreu modificações a respeito do reconhecimento da linguagem de gênero, adotando-se em todo o texto a forma masculina e feminina simultaneamente, como também o termo “opção” por “orientação” sexual, incluído a identidade de gênero e entre outras retificações (PIERITZ, 2013). Art. 30 Cumpre ao Conselho Regional a execução das decisões proferidas nos processos disciplinares. Art. 31 Da imposição de qualquer penalidade caberá recurso com efeito suspensivo ao CFESS. Art. 32 A punibilidade do assistente social, por falta sujeita a processo ético e disciplinar, prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da verificação do fato respectivo. Art. 33 Na execução da pena de advertência reservada, não sendo encontra- do o/a penalizado/a ou se este/a, após duas convocações, não comparecer no prazo fixado para receber a penalidade, será ela tornada pública. §1º A pena de multa, ainda que o/a penalizado/a compareça para tomar co- nhecimento da decisão, será publicada nos termos do artigo 29 deste Código, se não for devidamente quitada no prazo de 30 (trinta) dias, sem prejuízo da cobrança judicial. § 2º Em caso de cassação do exercício profissional, além dos editais e das comunicações feitas às autoridades competentes interessadas no assunto, proceder-se-á a apreensão da Carteira e Cédula de Identidade Profissional do/a infrator/a. Art. 34 A pena de multa variará entre o mínimo correspondente ao valor de uma anuidade e o máximo do seu décuplo. Art. 35 As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Serviço Social “ad referendum” do Conselho Federal de Serviço Social, a quem cabe firmar jurisprudência. Art. 36 O presente Código entrará em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União, revogando-se as disposições em contrário. Brasília, 13 de março de 1993 MARLISE VINAGRE SILVA - Presidente do CFESS 66UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional SAIBA MAIS A última atualização do código de ética profissional foi no ano de 2011, por meio da Resolução CFESS nº 594, de 21 de janeiro de 2011, publicada no DOU, em 24 de ja- neiro de 2011. Pesquise no site do Conselho Federal do Assistente Social, sobre essas retificações. Fonte: a autora. REFLITA Para aprimorar ainda mais o seu conhecimento, indicamos como leitura complementar a literatura: Serviço Social e ética, da magnífica autora Bonetti e organizadores. Nela você vai conseguir relacionar o Serviço Social e a Ética em seu agir profissional. Fonte: BONETTI, Dilséia Adeodata et al. Serviço social e ética: convite a uma nova práxis. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2010. 67UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da Unidade III da disciplina de Ética em Serviço Social, enaltecendo a importância dessa unidade para o agir profissional, após formação no curso de Serviço Social. Iniciamos contextualizando a ética como sendo algo correto no agir humano em sociedade civil, demonstramos que aquele que possui ética pessoal, também agirá eticamente na profissão. Sinalizando a trajetória histórica dos Códigos, enaltecemos que o primeiro Código foi aprovado no ano de 1947, e carrega os princípios católicos e doutrinários. No ano de 1965 tivemos a retificação do código, que modelava o conservadorismo posto pela autocracia burguesa; em 1975 sua retificação ficou conhecida pela reatualização desse conservadorismo profissional. Em sua quarta edição, no ano de 1986, é marcado pela ruptura desse conservadorismo, desvelando o caráter político da intervenção ética, enaltecendo a dignidade da pessoa humana. No que se refere às atualizações, enaltecemos os anos de 1991 e 1992 até a chegada da promulgação por meio do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), no dia 13 de março de 1993, que enaltece todos os deveres como também direitos do Assistente Social. Destacamos ainda a retificação no ano de 1996 e 2011, com a inclusão de características particulares de uma determinada realidade social. Por fim, discutir sobre ética profissional significa que você, acadêmico(a), está a um passo de sua formação. Esse material deve ser guardado, pois será utilizado em todos os dias do agir profissional. Aproveite o Código de Ética exposto nessa unidade em sua íntegra e estude, pois vimos que são assuntos pertinentes para seu futuro profissional. 68UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Código de Ética do/a Assistente Social Editora: Cortez; 1ª edição Autora: Maria Lucia Silva Barroco/ Sylvia Helena Terra Ano: 2018 Sinopse: Este livro é destinado a todos os Assistentes Sociais. É um texto acadêmico, comentado do Código de Ética em vigor, de 1993, na sua totalidade. As autoras comentam o Código em seus fundamentos sócio-históricos e ontológicos, bem como em suas reais possibilidades de materialização, no contexto de uma sociabilidade fundada na acumulação e na propriedade privada. FILME/VÍDEO Título: Mar adentro Ano: 2004. Sinopse: Ramón Sampedro (Javier Bardem) é um homem que luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama por 28 anos. Lúcido e extremamente inteligente, Ramón decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo seus familiares. WEB Para um aprofundamento no Código de Ética do Assistente Social, sugiro que você mergulhe no site do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), no ícone Legislações e aproveite a leitura na ínte- gra do Código de ética do/a Assistente Social, como também na Lei 8.662/93 de regulamentação da profissão: http://www.cfess. org.br/visualizar/menu/local/regulamentacao-da-profissao 69 Plano de Estudo: ● Projeto Societários profissionais e Ético-Políticos do Serviço Social; ● Processo histórico dos Conselhos de fiscalização; ● Estrutura dos conselhos e seu funcionamento; ● Lei de regulamentação e resoluções de fiscalização profissional e Gestão; ● Processo de eleições e participação dos profissionais. Objetivos da Aprendizagem: ● Evidenciar como o Projeto Societário é importante para a prática profissional; ● Demonstrar a importância dos Conselhos Regionais e Federais do Serviço Social; ● Entender, a estrutura dos Conselhos e sua dinâmica; ● Leitura atenciosa da Lei que Regulamenta a Profissão. UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Professora Ana Cristina da Silva Gomes 70UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a), chegamos ao final desta disciplina, abordando a importância dos Conselhos Federais e Regionais do Serviço Social, como também o entendimento de sua estrutura e funcionamento, enaltecendo as leis, decretos, código de ética e orientações técnicas sobre o agir rotineiro doAssistente Social. Atualmente no Brasil, existem 27 Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS), como também 23 Seccionais, responsáveis pelo desenvolvimento das políticas aprovadas pelo conjunto, que são: Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) (BARROCO, 2001). Desse modo, o Projeto Ético Político do Assistente Social está relacionado às questões sociais, que é considerado o objeto da prá- tica profissional, sendo regulamentado pelo projeto ético político, juntamente com o código de ética da profissão. Entende-se que o homem necessita da interação com outros homens em sociedade, Marx, em suas obras, diz que o homem se sente pertencente ao seu habitat quando é capaz de transformar a natureza, resultando no trabalho, ou seja, na produção e reprodução da sua vida em meio a sociedade onde está inserido. Os autores Marx e Engels (1987) veem o homem se constituindo historicamente mediante seu agir prático coletivo, sendo por meio desse sistema constituído seus hábitos, costumes e sua moral, como também a decisão do que é certo ou errado, em suas relações dentro da sociedade, grupos de pessoas, definindo como vai ocorrer sua vivência. 71UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 1. PROJETO SOCIETÁRIOS PROFISSIONAIS E ÉTICO-POLÍTICOS DO SERVIÇO SOCIAL Ao se pensar em projetos, Teixeira e Braz (2009, p. 4) ponderam o seguinte: Todo projeto e, logo, toda prática, numa sociedade classista, têm uma di- mensão política, como dissemos anteriormente. Ou seja, se desenvolvem em meio às contradições econômicas e políticas engendradas na dinâmica das classes sociais antagônicas. Na sociedade em que vivemos (a do modo de produção capitalista), elas são a burguesia e o proletariado. Logo, o projeto profissional (e a prática profissional) é, também, projeto político: ou projeto político‐profissional. Detém, como dissera Iamamoto (1992) ao tratar da prá- tica profissional, uma dimensão política, definida pela inserção sociotécnica do Serviço Social entre os distintos e contraditórios interesses de classes. É válido ressaltar acerca do papel do Assistente Social em meio aos projetos que configuram uma atuação social e de mediação entre os membros participantes da esfera a ser colocada em prática. É também necessário entender acerca dos projetos societários. Os projetos societários podem ser, em linhas gerais, transformadores ou con- servadores. Entre os transformadores, há várias posições que têm a ver com as formas (as estratégias) de transformação social. Assim, temos um pres- suposto fundante do projeto ético-político: a sua relação ineliminável com os projetos de transformação ou de conservação da ordem social. Dessa forma, nosso projeto filia-se a um ou outro projeto de sociedade não se confundindo com ele (TEIXEIRA; BRAZ, 2009, p. 5). Ainda acerca dos projetos societários, é importante entendermos um pouco sobre os objetivos: tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor ético central – a liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolher entre alternativas concretas; daí um compromisso com a autonomia, a emancipa- ção e a plena expansão dos indivíduos sociais. 72UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Consequentemente, o projeto profissional vincula-se a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social, sem dominação e/ou exploração de classe, etnia e gênero (NETTO, 1999, p. 104-5 apud TEIXEIRA; BRAZ, 2009, p. 6). Novamente voltando o olhar para o entendimento da importância de tais projetos, é imprescindível enfatizar que esses são em sociedades como a nossa, os “necessários e simultaneamente, projetos de classe, ainda que refletem mais ou menos fortemente deter- minações de outra natureza (culturais, de gênero, étnicas etc.)” (NETTO, 2006, p. 2). Borges (2012) também faz importantes considerações acerca de tais projetos, em especial na relação com a prática do Assistente Social e uso da ética em seu trabalho. O projeto profissional do Serviço Social é denominado como projeto ético- -político profissional. Todo projeto profissional tem uma dimensão ética que pressupõe normalizações como aquelas que estão postas no Código de Ética do assistente social, reconhece a liberdade como centro desse projeto, “uma liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolher entre alternativas concretas; daí um compromisso com a autonomia, a emancipa- ção e plena expansão dos indivíduos sociais.” (NETTO,1999 apud BORGES, 2012, p. 3). Por assim ser, podemos entender do que se trata o conceito de projeto ético político e que tais nomenclaturas estão em constante relação, visto que uma necessita da outra. É válido ressaltar acerca dos objetivos de tais projetos: a dimensão política dos projetos profissionais está no fato desses estarem vinculados a projetos societários maiores que envolvem o conjunto da socie- dade. Esta dimensão tem como princípios a equidade, justiça social, amplia- ção da cidadania, através da garantia dos direitos civis, políticos e sociais da classe trabalhadora, assim como, a democratização enquanto socialização da participação política e socialização da riqueza produzida (BORGES, 2012, p. 3). Assim sendo, tais processos visam a melhoria da sociedade em conjunto a outros serviços que tenham como princípio o bem-estar social. Desse modo, o projeto ético polí- tico do Serviço Social, em sua práxis profissional, conta com as contradições capitalistas, decorrente da construção coletiva que lutam para a justiça social, como também para a efetivação do código de ética do Assistente Social. 73UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 2. PROCESSO HISTÓRICO DOS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO Os Conselhos Regionais e Federais podem ser compreendidos como um órgão regulador, fiscalizador da profissão do Assistente Social, no entanto o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) atua em todo território nacional, e o Conselho Regional do Serviço Social, no âmbito Estadual ou regional. Lima (2018, p. 1) pondera sobre os conselhos e nos ajuda a entender melhor sobre sua importância e funcionamento: Os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) são autarquias públicas federais, cuja função precípua consiste em orientar, disciplinar, fiscalizar e defender o exercício profissional dos/as Assistentes Sociais em sua jurisdi- ção de atuação, articulando suas ações com o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). São também responsáveis por organizar o registro de profis- sionais e de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades no âmbito do Ser- viço Social e atuam ainda como Tribunais Regionais de Ética, dentre outras funções administrativas, conforme dispõe o Art. 10 da Lei Federal nº 8.662/93 que regulamenta a profissão de Serviço Social no Brasil. (CFESS, 1993). A respeito da formação de tais conselhos, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) (s.d., on-line) explica sobre a formação de tais órgãos, bem como a motivação que foi o estopim para sua criação: A criação e funcionamento dos Conselhos de fiscalização das profissões no Brasil têm origem nos anos 1950, quando o Estado regulamenta profissões e ofícios considerados liberais. Nesse patamar legal, os Conselhos têm ca- ráter basicamente corporativo, com função controladora e burocrática. São entidades sem autonomia, criadas para exercerem o controle político do Es- tado sobre os profissionais, num contexto de forte regulação estatal sobre o exercício do trabalho. 74UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional A sociedade da época, assim como a contemporânea, necessita de pessoas e enti- dades que corroborem efetivamente no controle e no gerenciamento dos serviços ofertados aos cidadãos, objetivando a entrega de maneira justa dos encaminhamentos necessários e incumbidosaos devidos profissionais. 75UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 3. ESTRUTURA DOS CONSELHOS E SEU FUNCIONAMENTO Cortês (2015, p. 148) ressalta sobre a disposição da estrutura e do funcionamento dos conselhos: As características institucionais evidenciam-se nas determinações legais, nas normas administrativas editadas em cada área de política pública e nos padrões históricos de organização político-administrativa e de relações dos gestores públicos com os diversos grupos sociais cujos interesses estão afe- tos ao setor. As políticas sociais têm importância diferenciada, no contexto geral da administração pública, tendo em vista a parcela da população para a qual a provisão – de benefícios, bens e serviços – se destina e o modo como ela é financiada, produzida e distribuída. Pieritz et al. (2013b, p. 80) ressaltam tais conselhos: O Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) pode ser compreendido como um órgão que regula a profissão do Assistente Social, mas no âmbito Estadual, ou seja, regional. Sendo que o mesmo está diretamente vinculado ao CFESS – Conselho Federal do Serviço Social. O CRESS possui como nor- te o princípio fundamental: disciplinar, orientar, fiscalizar e defender a prática profissional do Assistente Social. No Brasil, o Conselho Regional do Serviço Social foi dividido em 25 regiões e cada região possui sua regulamentação e suas diretrizes básicas. Assim sendo, voltemos nosso olhar para entender sobre as 27 regiões e seus res- pectivos funcionamentos, com também as 23 Seccionais. 76UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional QUADRO 1 - SITE DOS CRESS ESTADOS SITE PA CRESS 1ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Pará: http://www.cress-pa.org.br MA CRESS 2ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Maranhão: http://www.cressma.org.br CE CRESS 3ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Ceará: http://www.cress-ce.org.br PE CRESS 4ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Pernambuco: http://www.cresspe.org.br MG CRESS 6ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Minas Gerais: http://www.cress-mg.org.br RJ CRESS 7ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro: http://www.cressrj.org.br DF CRESS 8ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Brasília – Distrito Federal: http://www.cressdf.org.br SP CRESS 9ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo: http://www.cress-sp.org.br RS CRESS 10ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio Grande do Sul: http://www.cressrs.org.br PR CRESS 11ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Paraná: http://www.cresspr.org.br SC CRESS 12ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Santa Catarina: http://www.cress-sc.org.br PB CRESS 13ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Paraíba: www.cress-pb.org.br RN CRESS 14ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Rio Grande do Norte: www.cressrn.org.br AM CRESS 15ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Amazonas: www.cress-am.org.br AL CRESS 16ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Alagoas: www.cress16.hpg.com.br ES CRESS 17ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Espírito Santo: www.cress-es.org.br SE CRESS 18ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Sergipe: www.cress-se.org.br GO CRESS 19ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Goiás: http://www.cressgo.org.br MT CRESS 20ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Mato Grosso: www.cressmt.org.br http://www.cress-pa.org.br http://www.cressma.org.br http://www.cress-ce.org.br http://www.cresspe.org.br http://www.cress-mg.org.br http://www.cressrj.org.br http://www.cressdf.org.br http://www.cress-sp.org.br http://www.cressrs.org.br http://www.cresspr.org.br http://www.cress-sc.org.br http://www.cress-pb.org.br http://www.cressrn.org.br http://www.cress-am.org.br http://www.cress16.hpg.com.br http://www.cress-es.org.br http://www.cress-se.org.br http://www.cressgo.org.br http://www.cressmt.org.br 77UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Fonte: Pieritz( 2013) adaptado pela autora. QUADRO 2 - SECCIONAIS Fonte: http://www.cfess.org.br (2021). Destacamos que o Serviço Social foi uma das primeiras profissões da área social a ter aprovada sua lei de regulamentação profissional, a Lei nº 3252, de 27 de agosto de 1957, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 994, de 15 de maio de 1962. De acordo com Felippe (2018), foi por meio do Decreto nº 994, que determinou, em seu artigo 6º, que a disciplina e fiscalização do exercício profissional caberiam ao Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e aos Conselhos Regionais de Assistentes Sociais (CRAS), que anterior ao CFESS era o CFAS. De acordo com o CFESS (s.d., on-line), MS CRESS 21ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Mato Grosso do Sul: www.cress-ms.org.br/ PI CRESS 22ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Piauí: www.cresspi.org.br/ RO CRESS 23ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Rondônia: www.cress-ro.org.br AP CRESS 24ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Amapá: www.cressap.org.br TO CRESS 25ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Tocantins: www.cressto.org.br AC CRESS 26ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Acre www.cress-ac.org.br RR CRESS 27ª Região: Conselho Regional de Serviço Social do Estado de Roraima www.cress-rr.org.br Seccional Região Seccional de Santarém 1ª Região Seccional de Juiz de Fora 6ª Região Seccional de Uberlândia 6ª Região Seccional de Montes Claros 6ª Região Seccional Campos dos Goytacazes 7ª Região Seccional de Volta Redonda 7ª Região Seccional de Santos 9ª Região Seccional de São José dos Campos 9ª Região Seccional de Sorocaba 9ª Região Seccional de Campinas 9ª Região http://www.cress-ms.org.br/ http://www.cresspi.org.br/ http://www.cress-ro.org.br http://www.cressap.org.br http://www.cressto.org.br http://www.cress-ac.org.br http://www.cress-rr.org.br 78UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Esse instrumento legal marca, assim, a criação do então CFAS e dos CRAS, hoje denominados CFESS e CRESS 2. Para efeito da constituição e da jurisdi- ção dos CRESS, o território nacional foi dividido inicialmente em 10 Regiões, agregando em cada uma delas mais de um estado e/ ou território (exceto São Paulo), que progressivamente se desmembraram e chegam em 2008 a 25 CRESS e 2 Seccionais de base estadual. Os Conselhos profissionais nos seus primórdios se constituíram como entidades autoritárias, que não prima- vam pela aproximação com os profissionais da respectiva categoria, nem tampouco se constituíam num espaço coletivo de interlocução. A fiscalização se restringia à exigência da inscrição do profissional e pagamento do tributo devido. Tais características também marcaram a origem dos Conselhos no âmbito do Serviço Social. O Processo de renovação do CFESS e de seus instrumentos normativos: O Código de Ética, a Lei de Regulamentação Pro- fissional e a Política Nacional de Fiscalização. Desse modo, as primeiras décadas da profissão eram orientadas por pressupostos acríticos e despolitizados. Retomando os Códigos de Ética de 1965 e 1975, em que se tinha a visão positivista e neotomistas , ou seja, em que fundamentavam os demais Códigos de Ética Profissional, no Brasil, de 1948 a 1975, conforme já exposto no decorrer desta apos- tila (BARROCO, 2001). Neste contexto, o Serviço Social teve sua ascensão no Movimento de Reconceituação , quando a categoria teve um posicionamento das categorias e das entidades do Serviço Social. Nesse período, é válido destacar osCongressos mais conhecidos na trajetória do Serviço Social, sendo: III CBAS (Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais), realizado em São Paulo em 1979, conhecido no meio profissional como o Congresso da Virada, "pelo seu caráter contestador e de expressão do desejo de transformação da práxis político-profissional do Serviço Social na sociedade brasileira" (CFESS, 1996). Embora o tema central do Congresso ressaltasse uma temática da grande relevância – Serviço Social e Política Social – o seu conteúdo e forma não expressavam nenhum posicionamento crítico quanto aos desafios da conjuntura do país (CEFSS, s.d., on-line). A esse respeito, em busca da redemocratização da sociedade, se organiza e dis- puta a direção dos Conselhos Federal e Regionais, com intuito de fortalecer o novo projeto profissional, com objetivo de articulação política e com os movimentos sociais, em prol da justiça social. 1Movimento impulsionado pelo Papa Leão XIII (1810-1903), que pretendia simultaneamente fazer renascer o tomismo (sistema filosófico de São Tomás de Aquino) e conciliá-lo com a filosofia e a ciência modernas, neoescolástica. 2O Movimento de Reconceituação é o marco do Serviço Social que propõe a ruptura das práticas tradicionais, é através deste movimento que surge um perfil profissional mais crítico, capaz de atuar nos desafios postos à profissão. 79UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 4. LEI DE REGULAMENTAÇÃO E RESOLUÇÕES DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL E GESTÃO Conforme expresso no decorrer da disciplina, o agir profissional tem como direcionamento o Código de Ética, como também a Lei que Regulamenta a Profissão. No entanto, é importante lembrar que tanto o Código de Ética, como a Lei que regulamenta a profissão, sofreu alterações, de acordo com o avanço da profissão. O Serviço Social é regulamentado pela Lei nº 8.662/1993. De acordo com Conselho Federal de Serviço Social (s.d., on-line), o Brasil tem hoje aproximadamente 160 mil profissionais com registro nos 27 Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS), atuando em diversas áreas, como no sistema público, privado, terceiro setor entre outros. Ou seja, profissionais atuando dentro da política pública, como educação, habitação, assistência social, entre outras, com o compromisso ético na defesa e ampliação dos direitos sociais da população. O Brasil é o segundo país no mundo em quantidade de Assistentes Sociais, ficando atrás dos Estados Unidos. Destacamos que o agir profissional está pautado no compromisso com o Projeto Ético Político da Profissão, que reforça seus princípios e valores, como: boa-fé, liberdade, democracia, honestidade, legalidade, cortesia, equidade, discriminação, cidadania, respeito e justiça entre outros; todos esses princípios e valores estão relacionados a conduta profissional. A respeito destes princípios destacamos também os 11 princípios fundamentais que norteiam a prática profissional. 80UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional FIGURA 1 - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL Fonte: a autora. Cada princípio, em sua íntegra, significa algo fundamental e que deve ser respeitado pelo profissional como o reconhecimento da liberdade com valor ético central frente às demandas sociais, os direitos humanos, com sua defesa intransigente e inquestionável, em consonância à Declaração Universal dos Direitos Humanos; a cidadania com algo primordial para sociedade; a democracia enquanto socialização da participação da riqueza produzida; a equidade e justiça social, como algo universal e de acesso às políticas sociais; a diversidade, o respeito, ou seja o empenho à eliminação a todas as formas de preconceito; o pluralismo, respeitando a diversidade humana, como também o compromisso com o aprimoramento intelectual; o projeto societário e profissional, na construção de uma sociedade sem dominação e exploração de classe, etnia e gênero; a articulação e os movimento sociais em prol dos trabalhadores; a qualidade dos serviços com compromisso e qualidade a população; a não incriminação no exercício profissional, sem ser discriminado nem discriminar o cidadão, como também ao respeito à orientação sexual, religião, nacionalidade e entre outros. Abaixo, a Lei que Regulamenta a Profissão, aprovada em 07 de junho de 1993. Tal Lei é fundamental para o agir correto da profissão de Assistente Social, precisando estar diariamente nos espaços sócio-ocupacionais, como também o Código de Ética da Profissão. 81UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional QUADRO 3 - LEI QUE REGULAMENTA A PROFISSÃO LEI Nº 8.662, DE 7 DE JUNHO DE 1993. Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º É livre o exercício da profissão de Assistente Social em todo o território nacio- nal, observadas as condições estabelecidas nesta lei. Art. 2º Somente poderão exercer a profissão de Assistente Social: I - Os possuidores de diploma em curso de graduação em Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no País, devidamente registrado no órgão competente; II - os possuidores de diploma de curso superior em Serviço Social, em nível de graduação ou equivalente, expedido por estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros, conveniado ou não com o governo brasileiro, desde que devidamente revalidado e registrado em órgão competente no Brasil; III - os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação com funções nos vários órgãos públicos, segundo o disposto no art. 14 e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, de 13 de junho de 1953. Parágrafo único. O exercício da profissão de Assistente Social requer prévio registro nos Conselhos Regionais que tenham jurisdição sobre a área de atuação do interessa- do nos termos desta lei. Art. 3º A designação profissional de Assistente Social é privativa dos habilitados na forma da legislação vigente. 82UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Art. 4º Constituem competências do Assistente Social: I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; IV - (Vetado); V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relaciona- das no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; XI - realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empre- sas privadas e outras entidades. 83UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social: I - coordenar,elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empre- sas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-gra- duação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação; VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social; IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferi- dos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assun- tos de Serviço Social; XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. Art. 5º-A. A duração do trabalho do Assistente Social é de 30 (trinta) horas semanais. (Incluído pela Lei nº 12.317, de 2010). 84UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Art. 6º São alteradas as denominações do atual Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e dos Conselhos Regionais de Assistentes Sociais (CRAS), respec- tivamente, Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS). Art. 7º O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) constituem, em seu conjunto, uma entidade com persona- lidade jurídica e forma federativa, com o objetivo básico de disciplinar e defender o exercício da profissão de Assistente Social em todo o território nacional. 1º Os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) são dotados de autonomia administrativa e financeira, sem prejuízo de sua vinculação ao Conselho Federal, nos termos da legislação em vigor. 2º Cabe ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e aos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS), representar, em juízo e fora dele, os interesses gerais e individuais dos Assistentes Sociais, no cumprimento desta lei. Art. 8º Compete ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), na qualidade de órgão normativo de grau superior, o exercício das seguintes atribuições: I - orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o exercício da profissão de Assistente Social, em conjunto com o CRESS; II - assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário; III - aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS; IV - aprovar o Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais juntamente com os CRESS, no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS; V - funcionar como Tribunal Superior de Ética Profissional; VI - julgar, em última instância, os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS; VII - estabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados; VIII - prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados, em matéria de Serviço Social; IX - (Vetado) 85UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Art. 9º O fórum máximo de deliberação da profissão para os fins desta lei dar-se-á nas reuniões conjuntas dos Conselhos Federal e Regionais, que inclusive fixarão os limites de sua competência e sua forma de convocação. Art. 10. Compete aos CRESS, em suas respectivas áreas de jurisdição, na qualidade de órgão executivo e de primeira instância, o exercício das seguintes atribuições: I - organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas, ou de fins filantrópicos; II - fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respecti- va região; III - expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais, fixando a respectiva taxa; IV - zelar pela observância do Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional; V - aplicar as sanções previstas no Código de Ética Profissional; VI - fixar, em assembléia da categoria, as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais; VII - elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. Art. 11. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) terá sede e foro no Distrito Federal. Art. 12. Em cada capital de Estado, de Território e no Distrito Federal, haverá um Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) denominado segundo a sua jurisdição, a qual alcançará, respectivamente, a do Estado, a do Território e a do Distrito Federal. 1º Nos Estados ou Territórios em que os profissionais que neles atuam não tenham possibilidade de instalar um Conselho Regional, deverá ser constituída uma delegacia subordinada ao Conselho Regional que oferecer melhores condições de comunicação, fiscalização e orientação, ouvido o órgão regional e com homologação do Conselho Federal. 2º Os Conselhos Regionais poderão constituir, dentro de sua própria área de jurisdição, delegacias seccionais para desempenho de suas atribuições executivas e de primeira instância nas regiões em que forem instalados, desde que a arrecadação proveniente dos profissionais nelas atuantes seja suficiente para sua própria manutenção. 86UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Art. 13. A inscrição nos Conselhos Regionais sujeita os Assistentes Sociais ao pagamento das contribuições compulsórias (anuidades), taxas e demais emolumentos que forem estabelecidos em regulamentação baixada pelo Conselho Federal, em deliberação conjunta com os Conselhos Regionais. Art. 14. Cabe às Unidades de Ensino credenciar e comunicar aos Conselhos Regio- nais de sua jurisdição os campos de estágio de seus alunos e designar os Assistentes Sociais responsáveis por sua supervisão. Parágrafo único. Somente os estudantes de Serviço Social, sob supervisão direta de Assistente Social em pleno gozo de seus direitos profissionais, poderão realizar estágio de Serviço Social. Art. 15. É vedado o uso da expressão Serviço Social por quaisquer pessoas de direito público ou privado que não desenvolvam atividades previstas nos arts. 4º e 5º desta lei. Parágrafo único. As pessoas de direito público ou privado que se encontrem na situação mencionada neste artigo terão o prazo de noventa dias, a contar da data da vigência desta lei, para processarem as modificações que se fizerem necessárias a seu integral cumprimento, sob pena das medidas judiciais cabíveis. Art. 16. Os CRESS aplicarão as seguintes penalidades aos infratores dos dispositivos desta Lei: I - multa no valor de uma a cinco vezes a anuidade vigente; II - suspensão de um a dois anos de exercício da profissão ao Assistente Social que, no âmbito de sua atuação, deixar de cumprir disposições do Código de Ética, tendo em vista a gravidade da falta; III - cancelamento definitivo do registro, nos casos de extrema gravidade ou de reinci- dência contumaz. 1º Provada a participação ativa ou conivência de empresas, entidades, instituições ou firmas individuais nas infrações a dispositivos desta lei pelos profissionais delas dependentes, serão estas também passíveis das multas aqui estabelecidas,na pro- porção de sua responsabilidade, sob pena das medidas judiciais cabíveis. 2º No caso de reincidência na mesma infração no prazo de dois anos, a multa cabível será elevada ao dobro. 87UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional Fonte: Brasil (1993). Art. 17. A Carteira de Identificação Profissional expedida pelos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS), servirá de prova para fins de exercício profissional e de Carteira de Identidade Pessoal, e terá fé pública em todo o território nacional. Art. 18. As organizações que se registrarem nos CRESS receberão um certificado que as habilitará a atuar na área de Serviço Social. Art. 19. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) será mantido: I - por contribuições, taxas e emolumentos arrecadados pelos CRESS, em percentual a ser definido pelo fórum máximo instituído pelo art. 9º desta lei; II - por doações e legados; III - por outras rendas. Art. 20. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) contarão cada um com nove membros efetivos: Presidente, Vice-Presidente, dois Secretários, dois Tesoureiros e três membros do Conselho Fiscal, e nove suplentes, eleitos dentre os Assistentes Sociais, por via direta, para um mandato de três anos, de acordo com as normas estabelecidas em Código Eleitoral aprovado pelo fórum instituído pelo art. 9º desta lei. Parágrafo único. As delegacias seccionais contarão com três membros efetivos: um Delegado, um Secretário e um Tesoureiro, e três suplentes, eleitos dentre os Assis- tentes Sociais da área de sua jurisdição, nas condições previstas neste artigo. Art. 21. (Vetado). Art. 22. O Conselho Federal e os Conselhos Regionais terão legitimidade para agir contra qualquer pessoa que infringir as disposições que digam respeito às prerrogati- vas, à dignidade e ao prestígio da profissão de Assistente Social. Art. 23. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 24. Revogam-se as disposições em contrário e, em especial, a Lei nº 3.252, de 27 de agosto de 1957. Brasília, 7 de junho de 1993; 172º da Independência e 105º da República. ITAMAR FRANCO Walter Barelli Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 8.7.1993 88UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional De acordo com Barroco (2012), a Lei que regulamenta a profissão necessita ser praticada e sustentada diariamente por uma ação coerente, pautada na teoria e no compromisso ético do fazer profissional. Destacando o objeto da profissão, que requer cautela e atuação pautada na história de lutas por direitos e conquistas, sem deixar os princípios, bem como o Projeto Ético Político, Código de Ética e Lei que Regulamente a Profissão. 89UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional 5. PROCESSO DE ELEIÇÕES E PARTICIPAÇÃO DOS PROFISSIONAIS Quando é mencionado o termo processo de eleição, é importante partir do pressu- posto de um procedimento pelo qual um grupo de pessoas, ou sociedade civil, é escolhido democraticamente para representar um município, Estado ou Nação. Nesse sentido, aqui será abordado o processo de eleição para os representantes do Conselhos Regionais e Federais do Serviço Social. De acordo com a Resolução do CFESS Nº 440, de 28 de março de 2003, que dis- põe sobre as “formas de ingresso e sobre o processo seletivo de pessoal para os quadros dos Conselhos Federal e Regionais de Serviço Social e dá outras providências” (BRASIL, 2003), da seção dos processos públicos de seleção: Art. 26. O processo público de seleção será instaurado pela Comissão de Seleção Pública dos Conselhos Federal ou Regionais de Serviço Social, após autorização e determinação do Conselho Pleno respectivo, devendo a proposta ser instruída com expediente em que haja indicação da vaga ou vagas a serem preenchidas e das justificativas para o seu provimento. Art. 27. O processo público de seleção será conduzido pela Comissão de Seleção, permanente ou temporária, nomeada pelo Conselho, composta de pelo me- nos de três membros, assistentes sociais, designados e nomeados através de Portaria, pelo Conselho Pleno, à qual incumbirá: I - elaborar o edital de seleção e o aviso de convocação; II - recepcionar e analisar os documentos, deliberando sobre o deferimento ou não das inscrições e notificando os in- teressados sobre suas decisões; III - apreciar os recursos interpostos contra suas decisões, recorrendo de ofício ao Conselho Pleno nos casos de impro- vimento dos recursos; IV - aplicar os instrumentos de seleção previstos nesta resolução e no edital; V – avaliar o desempenho dos candidatos concorren- tes, promovendo classificação final, encaminhando-a ao Conselho Pleno, para homologação e deliberação sobre a contratação. Parágrafo único. Por proposta da Comissão de Seleção o Presidente do Conselho Federal ou do Conselho Regional de Serviço Social poderá autorizar a contratação de ins- tituição especializada para realizar algumas ou todas as etapas do processo público de seleção, reservando, as etapas dos incisos I e V deste artigo para serem realizadas pela Comissão de Seleção (BRASIL, 2003). 90UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional É importante enaltecer que, como o Código de Ética, as resoluções do CFESS são retificadas também. Citamos aqui a Resolução nº 586, de 30 de agosto de 2010, que menciona o processo de eleição também. Sendo assim, a Resolução CFESS nº 659, de 01 de outubro de 2013, dispõe sobre as normas que regulamentam o Código Eleitoral do Conjunto CFESS/CRESS: Art. 1º. (...) institui normas destinadas a assegurar a organização e o exercí- cio dos direitos políticos dos/as assistentes sociais, junto ao Conselho Fede- ral de Serviço Social e Regionais de Serviço Social – CFESS/CRESS, bem como suas respectivas seccionais, precipuamente os de votar e ser votado. (CFESS, 2013). Desse modo, o Código Eleitoral é democrático, tendo duração dos mandatos dos membros do CFESS, dos CRESS em suas seccionais de três anos, podendo participar como candidato aquele profissional que esteja em dia com suas obrigações. Art. 4º. São eleitores todos os assistentes sociais que: I. Estejam regular- mente inscritos nos conselhos Regionais respectivos; II – Estejam em pleno gozo de seus direitos profissionais e quites com suas obrigações peculiares perante os Conselhos Regionais, inclusive com as anuidades até o ano ante- rior da eleição, ainda que sob forma de parcelamento, desde que em dia nas datas dos respectivos vencimentos. § 1. O voto é direto, secreto, pessoal e intransferível. § 2. O/a assistente social votará somente na jurisdição de sua inscrição principal (CFESS, 2013). Em relação às resoluções, citamos aqui a resolução CFESS Nº 919, de 23 de outu- bro de 2019, que dispõe sobre o Código Eleitoral do Conjunto CFESS/CRESS, aprovadas e revogadas, a Resolução CFESS nº 659, de 01 de outubro de 2013, que dispõe sobre o Código Eleitoral, a Resolução CFESS nº 780, de 21 de novembro 2016, que regulamenta o recebimento e a apuração dos votos por correspondência em função de greve do correio, aprovadas no 48º Encontro Nacional CFESS/CRESS, ocorrido em Belém, de 05 a 08 de setembro de 2019 (CFESS, 2019). Neste contexto, os membros da comissão do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) contarão cada um com: [...] nove membros efetivos: Presidente, Vice-Presidente, dois Secretários, dois Tesoureiros e três membros do Conselho Fiscal, e nove suplentes, elei- tos dentre os Assistentes Sociais, por via direta, para um mandato de três anos, de acordo com as normas estabelecidas em Código Eleitoral aprovado pelo Encontro Nacional (CFESS, 2019). É importante dizer que o Serviço Social, juntamente com o Conjunto CFESS/ CRESS, em debates críticos e lutas sociais diversas, tornou-se um protagonismo de suas ações. Nessesentido, o que passou a se observar, no âmbito do CRESS, é que as deman- das que chegavam dos assistentes sociais nas ações cotidianas de orientação profissional realizadas pela Comissão de Orientação e Fiscalização COFI não versavam sobre o exer- cício profissional, mas eram demandas de natureza prioritariamente sindical. 91UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional É evidente que os comentários acerca do CRESS afirmam que este não luta pela gente, e que não faz nada para reivindicar sobre os salários. Nesse sentido, sobre a luta e representação da categoria, indicamos com leitura complementar a lei do processo eleitoral em sua íntegra. SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a), busque aprimorar o seu conhecimento e navegue no site da Se- cretaria Especial de Desenvolvimento Social. http://mds.gov.br/sistemas/sistemas-1 REFLITA Conheça a lei em sua íntegra, sobre as disposições gerais, os órgãos eleitorais, as competências das comissões regionais eleitorais, as expedições, o sistema eleitoral, do quórum eleitoral, das eleições extraordinárias, dos registros das chapas, da convocação, do período de votação, da apuração, dos recursos, das nulidades, das transições das gestões e entre outros. Acesse: http://www.cfess.org.br/arquivos/ResCfess919-2019.pdf http://mds.gov.br/sistemas/sistemas-1 http://www.cfess.org.br/arquivos/ResCfess919-2019.pdf 92UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional CONSIDERAÇÕES FINAIS Você chegou ao final de mais uma unidade. Aqui discutimos sobre os Projetos Societários, sendo essencial para a prática profissional do Assistente Social, estando relacionado com o objeto de trabalho do Serviço Social. A estrutura dos conselhos e sua regulação estão diretamente vinculados ao Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) e ao Conselho Regional do Serviço Social (CRESS); e suas divisões em cada região que possuem suas regulamentações e diretrizes básicas. No segundo momento foi abordado sobre a Lei 8.662, de 7 de junho de 1993, que Regulamenta a Profissão, onde estão expostos, em seus artigos 4 e 5, sobre as competên- cias e atribuições privativas, como também os princípios fundamentais do Código de Ética da profissão, finalizando com a resolução da resolução CFESS nº 919, de 23 de outubro de 2019, que dispõe sobre o Código Eleitoral do Conjunto CFESS/CRESS. Vimos nessa unidade a importância do aprimoramento do intelecto, para o agir profissional. 93UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional LEITURA COMPLEMENTAR Conheça sobre o processo dos conselhos por meio da Cartilha de Orientação Téc- nica para os Conselhos da Área de Assistência Social. – 2ª edição atualizada e ampliada. Brasília, 2007. Acesse: https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/assistencia-so- cial/TCU-Cartilha_para_Conselhos_da_Area_de_Assistencia_Social.pdf Indicamos também a leitura sobre o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), o órgão que reúne representantes do governo e da sociedade civil para discutir, estabelecer normas e fiscalizar a prestação de serviços sociais públicos e privados no Município. Acesse: https://fas.curitiba.pr.gov.br/conteudo.aspx?idf=844#:~:text=O%20Conse- lho%20Municipal%20de%20Assist%C3%AAncia,p%C3%BAblicos%20e%20privados%20 no%20Munic%C3%ADpio https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/assistencia-social/TCU-Cartilha_para_Conselhos_da_Area_de_Assistencia_Social.pdf https://www.amavi.org.br/arquivos/amavi/areas-tecnicas/assistencia-social/TCU-Cartilha_para_Conselhos_da_Area_de_Assistencia_Social.pdf https://fas.curitiba.pr.gov.br/conteudo.aspx?idf=844#:~:text=O%20Conselho%20Municipal%20de%20Assist%C3%AAncia,p%C3%BAblicos%20e%20privados%20no%20Munic%C3%ADpio https://fas.curitiba.pr.gov.br/conteudo.aspx?idf=844#:~:text=O%20Conselho%20Municipal%20de%20Assist%C3%AAncia,p%C3%BAblicos%20e%20privados%20no%20Munic%C3%ADpio https://fas.curitiba.pr.gov.br/conteudo.aspx?idf=844#:~:text=O%20Conselho%20Municipal%20de%20Assist%C3%AAncia,p%C3%BAblicos%20e%20privados%20no%20Munic%C3%ADpio 94UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Serviço Social e Ética Convite a Uma Nova Práxis Editora: Cortez. Ano: 2010. Sinopse: Reunindo as principais conferências e comunicações apresentadas durante o amplo processo de discussão que sub- sidiou a elaboração do Código de Ética de 1993, o livro renova o interesse pela ética profissional na área de ensino e nos locais de trabalho. FILME/VÍDEO Título: Sobre Meninos e Lobos (Mystic River) Ano: 2003. Sinopse: Após a filha de Jimmy Marcus (Sean Penn) ser encon- trada morta, Sean Devine (Kevin Bacon), seu amigo de infância, é encarregado de investigar o caso. As investigações de Sean o fazem reencontrar um mundo de violência e dor, que ele acreditava ter deixado para trás, além de colocá-lo em rota de colisão com o próprio Jimmy, que deseja resolver o crime de forma brutal. Há ain- da Dave Boyle (Tim Robbins), que guarda um segredo do passado que nem mesmo sua esposa conhece. A caçada ao assassino faz com que o trio tenha que reencontrar fatos marcantes do passado, os quais eles preferiam que ficassem esquecidos para sempre. 95 REFERÊNCIAS ABRAMIDES, M. B. C. 80 anos de Serviço Social no Brasil: organização política e direção social da profissão no processo de ruptura com o conservadorismo. Serv. Soc. Soc., n.127, p. 456-475, dez. 2016. ALMEIDA, M. B. Uma abordagem integrada sobre ontologias: Ciência da Informação, Ciência da Computação e Filosofia. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 19, n. 3, p. 242-258, jul./set. 2014. ARISTÓTELES. Política. Livro I, cap. 1. Brasília: UnB, 1988. BARBOSA, A. C.; SILVA, R. C. Reflexões sobre a política de Assistência Social Brasileira: Assistencialismo, Política Social e Cidadania. In: IV Congresso em Desenvolvimento Social Mobilidades e Desenvolvimentos, 2016 Disponível em: http://www.congressods. com.br/quarto/anais/GT03/16_GT_03.pdf. Acesso em: 09 abr. 2021. BARROCO, M. L. 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Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. VÁZQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. 105 CONCLUSÃO GERAL Prezado(a) aluno(a), Concluímos essa disciplina enaltecendo a importância da Ética Profissional para o profissional do Serviço Social, e o quanto a teoria e prática precisam estar interligada para gerenciar a prática diária do assistente social, entendendo que o agir de forma correta, significa ser ético, onde a subjetividade do homem não pode alterar na prática profissional, uma vez que os valores e a moral são construídos ao longo da vida de cada ser humano, sendo um dos desafios da contemporaneidade de qualquer profissional graduado e não graduado, no entanto o quanto o entendimento da Ética é essencial para exercer qualquer que seja a profissão. Por meio da leitura do Código de Ética e da Lei que regulamenta a profissão, foi possível conhecer que a gênese do Serviço Social foi pautada na caridade e benevolên- cia, mas que, ao longo de sua história foi retificada, tendo como marco o movimento de reconceituação, como também a inclusão da teoria de Marx na grade curricular do curso de Serviço Social. Atualmente temos como direcionamento para prática profissional os artigos 4 e 5 da Lei 8.662 de 7 de junho de 1993, no qual constituem suas competências e atribuições privativas, como também a importância do Projeto Ético Político. Destacamos nessa disciplina por meio do referencial teórico os autores Marilda Iamamoto e José Paulo Neto que contribuíram para o rompimento do conservadorismo e autonomia profissional. Acadêmicos (as), a ética profissional, proporcionará uma atuação pautada na prática correta, como também baseada nos onze princípios do código de ética e Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, e o quanto a aprovação do primeiro código de ética em 1947 foi um divisor para os profissionais do Serviço Social, comparando a primeira escola de Serviço Social instituída no ano de 1936 na Pontifícia Universidade Católica – PUC, que tinha como linha de atuação a caridade, hoje nos dias atuais, é nítido o quanto o Código profissional necessita de uma nova reformulação. Ressaltamos ainda que a ética profissional pode ser comparada como uma regra de conduta em uma sociedade capitalista, bem como, a sua prática deveria ser rotineira. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado! +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Moral e Ética UNIDADE II Fundamentos Sócio Históricos da Ética no Serviço Social UNIDADE III Código de Éticas Profissionais e Projeto Ético-Político Profissional UNIDADE IV Conselho Federal e Regional - Fiscalização da Atuação Profissional