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REGÊNCIA DE BANDA, CORO E 
ORQUESTRA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. José Luis Manrique 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O estudo da regência pode ser aplicado a vários estilos musicais e 
formações instrumentais, mas cada gênero possui suas particularidades. 
Quando levamos à prática os conceitos da regência, os padrões de movimento 
e os estudos socioculturais da música, nos encontramos com uma verdadeira 
diversidade de possiblidades, onde cada caso particular será abordado de 
maneira diferente a partir dos mesmos princípios. Assim, cada regente 
aprofundará, em maior ou menor grau, nos estilos e formações musicais que irá 
liderar. Como exemplo concreto no Brasil, uma formação bastante difundida 
atualmente é a chamada Big Band, que carrega similaridades com a banda e a 
fanfarra principalmente nos elementos percussivos e de sopro. Com uma 
tradição enraizada em terras estrangeiras, a Big Band é capaz de interpretar 
diversos repertórios sem deixar para atrás sua origem no jazz. 
Nesta aula faremos a análise e preparação de alguns fragmentos de obras 
arranjadas para Big Band: Gonna fly now e The Incredibles, dos compositores 
Bill Conti e Michael Giacchino, respectivamente. A partir deste estudo veremos 
o aquecimento, preparação do grupo e como seria a execução da regência para 
estes trechos. Por último, exploraremos algumas ideias de emissão e recepção 
do capital artístico e avaliaremos os resultados da nossa prática. 
TEMA 1 – ANÁLISE E PREPARAÇÃO DE UMA OBRA DE BANDA, FANFARRA 
OU SIMILAR 
Como foi proposto anteriormente, seguiremos com os passos básicos da 
preparação de uma interpretação musical, concretamente para as duas obras 
escolhidas em formação de Big Band. 
1.1 Investigar sobre as obras 
O primeiro passo é investigar sobre as obras a serem executadas. As 
duas obras foram compostas especificamente para serem trilha sonora de filmes. 
Gonna fly now foi composta por Bill Conti para o filme Rocky, enquanto The 
Incredibles foi composta por Michael Giacchino para o filme com o mesmo nome. 
Bill Conti é um compositor reconhecido em temas de filmes, dentre seus 
trabalhos mais importantes podemos mencionar The Karate Kid, He-Man - 
Masters of the Universe e 007 - For Your Eyes Only. A trilha de Rocky foi 
 
 
3 
composta em 1976, contribuindo com o perfil emocional do protagonista Rocky 
Balboa, um boxeador de bairro pobre em Filadélfia, Estados Unidos da América, 
que depois de muita derrota, desmotivado e com tensões na vida pessoal 
consegue ganhar o Campeonato Mundial de Pesos Pesados. Como menciona o 
compositor numa entrevista, “é um filme sobre um perdedor, [...] mas começa a 
treinar para uma grande luta e queremos manipular ao público para que eles 
acreditem que ele pode ganhar” (ABC10 News, 2021). Essa é a emoção 
norteadora da música, a firmeza por alcançar coisas que parecem impossíveis. 
No caso de Michael Giacchino, ele é um compositor de trilhas sonoras 
com um sucesso mais recente que Conti e que também compõe para seriados 
e jogos de videogame. Dentre seus trabalhos mais importantes podemos 
mencionar Mission: Impossible III, Jurassic World: Fallen Kingdom e Spider-Man: 
Far From Home. “O estilo de Michael Giachino é caraterizado por uma 
sensibilidade musical à moda antiga e nostalgia pela música dos Anos Dourados 
de Hollywood” (Wixon Music Works, 2011). Assim, a música do filme The 
Incredibles, que estreou em 2004, “tem a elegância distintiva dos anos 60, que 
ajuda a estabelecer a atmosfera retro e configuração desejada para o filme” 
(Ibidem). Neste sentido, a obra “exorta ao público a aceitar o mundo estiloso de 
super-herói, espionagem e aventura” (Ibidem). Com isto podemos ter uma ideia 
da emoção a ser transmitida na execução da peça musical. 
1.2 Escolha da partitura 
As duas obras contempladas foram escritas originalmente para Orquestra 
Sinfônica de Trilha Sonora, mas devido ao estilo são compatíveis sem nenhum 
problema com a formação de Big Band. Por esse motivo, a escolha será por 
arranjos para Big Band disponíveis no mercado ou elaborados pelo próprio 
regente ou arranjador do grupo musical. Para Gonna fly now será utilizado o 
arranjo de Jay Chattaway1 e para The Incredibles será utilizado o arranjo de 
Stephen Bulla2, em ambos os casos para Jazz Ensemble. Esta formação 
comercialmente aceita conta com a configuração típica de Big Band: 2 sax alto, 
 
1 Partitura oferecida no site: <https://www.jwpepper.com/Gonna-Fly-
Now/2011641.item#/submit>. Acesso em: 8 jul 2021. 
2 Partitura oferecida no site: <https://www.halleonard.com/product/7011109/the-incredibles>. 
Acesso em: 8 jul 2021. 
https://www.halleonard.com/product/7011109/the-incredibles
 
 
4 
2 sax tenor, 1 sax barítono, 4 trompetes, 4 trombones, 1 guitarra, 1 piano, 1 
baixo, 1 bateria e percussão (auxiliar). 
É possível que em alguns casos a nossa formação instrumental seja um 
pouco diferente à comercialmente aceita. Nesses casos o arranjador local ou 
regente terá que adaptar as partes obtidas para o grupo de forma conveniente, 
cuidando para não modificar muito as intenções musicais e não descaracterizar 
a ideia geral do arranjador e compositor. 
1.3 Estudo da partitura 
Para o estudo da partitura, dentro dos limites desta aula, analisaremos 
alguns trechos importantes de cada obra separadamente. Nesta etapa serão 
aplicados os três elementos mencionados por Labuta: exploração geral da 
partitura, antecipar desafios de regência e identificar desafios para o grupo 
(Labuta, 2010, p.74-76). 
No arranjo de Chattaway da obra Gonna fly now, de modo geral não 
apresenta grandes dificuldades, a não ser pelos agudos do trompete superior 
considerado solista. Se não tivermos um trompetista que alcance 
confortavelmente esses agudos ou a possibilidade de executá-lo com um 
trompete piccolo, esta linha aguda poderia ser substituída por outro instrumento 
embora perdendo o timbre ardido do trompete nos agudos. Inclusive, uma opção 
de troca poderia ser um teclado sintetizador com som de brasses, bastante 
utilizado nos anos 70 e contemporâneo ao estilo composicional da obra. 
Respeitando os fins pedagógicos desta aula, trabalharemos os primeiros 9 
compassos, onde já encontramos passagens interessantes para o estudo da 
regência. Apenas por uma simplificação gráfica, utilizaremos uma redução para 
piano da parte dos metais em som real, não transposto, como mostra-se na 
Figura 1. 
 
 
 
5 
Figura 1 – Gonna fly now – redução do naipe de metais – compassos 1-9 
 
 
Fonte: Manrique, 2014. 
O arranjo inicia com fortíssimos enérgicos nas cabeças dos compassos 
(c.) 1, 3, 5, 6, 7 e 8, e o quarto tempo ativo nos c. 2 e 5. Também podemos notar 
ataques em contratempo nos c. 6 e 8. A partir do c. 9 inicia o tema principal da 
música em anacruse e dinâmica mezzo-forte. 
No caso do arranjo de Bulla da obra The Incredibles, a peça demanda um 
maior nível de preparo tanto do regente como também do grupo musical, pois 
conta com várias mudanças de fórmula de compasso e pulsação, entradas 
rápidas em contratempo, elementos estilísticos de jazz e outras dificuldades de 
performance. Isto se deve principalmente ao fato da obra recolher vários 
momentos musicais diferentes utilizados ao longo do filme. Assim, na 
continuação trabalharemos com alguns trechos diversos na partitura original do 
arranjo. 
Figura 2 – The incredibles – Anotação inicial de tempo e interpretação 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
As indicações iniciais, mostradas na Figura 2, comunicam o tema do filme 
a ser tratado que é Os dias de gloria (The Glory Days), a intenção interpretativa 
que é “rápida com excitação” (fast with excitement), a velocidade do pulso ou 
 
 
6 
tempo em batidas por minuto, e outras caraterísticas básicas de notação musical 
como fórmula de compasso e armadura. 
Figura 3 – The incredibles – Naipe de sax – compassos 4-8 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
Nos c. 4 e5, mostrados na Figura 3, aparecem duas frases sugerindo a 
melodia do tema principal a modo de pergunta e resposta entre os sax alto e 
tenor, com a anotação entre parênteses de “colcheias exatas” (straight 8ths). 
Esta anotação é para alertar aos músicos que não se trata da prática estilística 
do jazz de ler uma dupla de colcheias como se fosse colcheia pontuada mais 
colcheia em ritmo interno de tercinas, comumente chamado “com swing”. Tal 
jogo de pergunta e resposta finaliza num forte-piano dos sax tenores que permite 
o início em bloco da dinâmica em crescendo do c. 6, o qual também contempla 
um acelerando (accel.). Logo depois disto aparece a troca de fórmula de 
compasso para 5/4 inaugurando outro tema que se chama Os Incredits (The 
Incredits), que recebe a aceleração anterior num pulso mais rápido (faster) de 
aproximadamente 192 bpm para mais. Na cabeça do c.7 temos o ataque dos 4 
sax superiores caindo em glissando sem altura definida enquanto o sax barítono 
inicia o novo motivo musical junto com os graves dos outros instrumentos e a 
base harmônica-rítmica, como aparece na Figura 4. 
 
 
 
7 
Figura 4 – The incredibles – Piano, baixo, bateria e percussão – compassos 6-8 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
Complementarmente à análise anterior, é necessário observar também 
que a bateria entra na cabeça do c. 6 com um “preenchimento enérgico” (busy 
fill) enquanto o piano inicia seu glissando no terceiro tempo do c. 6, dois 
elementos que precisariam de atenção no meio do acelerando e crescendo. Já 
no c. 7 inicia a parte rítmica propriamente com notação para bateria e congas. A 
notação de bateria não está totalmente definida atualmente, mas podemos ver 
uma possibilidade de interpretação bastante aceita na Figura 5. 
Figura 5 – Notação geral para bateria 
 
Fonte: Drum Magazine, 2021. 
A única questão desta interpretação de notação de bateria que não 
encaixaria com a nossa partitura é a atribuição dos pratos, pois estilisticamente 
produziria um resultado pouco esperado. Se verificarmos o áudio de amostra da 
página da editora da partitura, escutaremos que o c. 7 inicia com um crash e 
continua com o chimbal nas colcheias. Por esse motivo, assumiremos na nossa 
 
 
8 
partitura que o xis do quarto espaço é o chimbal e o primeiro espaço suplementar 
superior é o crash. 
Figura 6 – Notação geral para congas 
 
Fonte: Rhythm Notes, 2021. 
No caso das congas, na Figura 6 mostra-se similarmente uma convenção 
de notação, embora também possa ser subjetiva. Neste caso, a nossa partitura 
só utiliza a “tumba” que é um som grave e o “quinto” que é um som agudo. Dessa 
forma, a noção de agudo-grave pode ser aplicada indistintamente a qualquer 
outro instrumento de percussão similar às congas que consiga diferenciar essas 
duas batidas. 
Figura 7 – The incredibles – Melodia principal nos trombones – compassos 15-
17 
 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
A melodia do tema principal é apresentada pela primeira vez 
integralmente pelos trombones nos c. 15, 16 e 17, como mostrado na Figura 7. 
Vemos que a agrupação rítmica interna do 5/4 está organizada nos 
agrupamentos de pulsos 3-2, como acontece similarmente nos graves dos c. 7 
e 8. Isto com uma exceção na segunda metade do c. 17 que pode ser assumido 
como uma síncope. 
 
 
9 
Figura 8 – The incredibles – Mudança de andamento “com swing” – compassos 
82-83 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
Na Figura 8 mostra-se a mudança de andamento incluindo a interpretação 
“com swing” mencionada anteriormente, mas agora em fórmula de compasso 
3/4. Este tipo de interpretação típica do jazz se manterá até o final da obra. 
Figura 9 – The incredibles – Naipe de sax, compassos 113-115 
 
Fonte: Hal Leonard, 2021. 
 
 
10 
No c.113 retoma-se o tema principal de maneira muito especial, como 
aparece na Figura 9. Tomando apenas um instrumentista de cada linha de sax 
por causa da anotação “soli”, a melodia é executada “com swing” em mezzo-
forte com um ornamento de grupeto descendente no tempo 3 do c. 113. Na 
continuação, a melodia é amolecida ritmicamente na primeira metade do c. 114 
onde aparece uma tercina de semínimas e que na segunda metade sobe em 
glissando. Claramente, este é o trecho mais delicado da obra onde a regência 
será de suma importância. 
1.4 Referências interpretativas 
Como referência interpretativa, que serve para enriquecer a nossa visão 
particular da obra, para Gonna fly now podemos citar a interpretação de Maynard 
Ferguson3 e grupo, por ser uma das mais consagradas e lembradas no 
imaginário coletivo. 
No caso de The Incredibles podemos citar a interpretação da Big Belas 
Band4 da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP-UNESPAR), com 
a condução do maestro José Luis Manrique. Além de bons resultados sonoros, 
a importância desta interpretação para o nosso estudo recai na aproximação à 
realidade brasileira dentro das graduações em música no país. 
TEMA 2 – AQUECIMENTO E PREPARAÇÃO DO GRUPO 
Cada instrumentista da Big Band, e de outras formações instrumentais 
similares, possui aquecimentos específicos para cada caso. Por exemplo, os 
instrumentistas de sopro precisam principalmente ativar o músculo diafragma, 
relaxar língua e lábios e preparar a digitação dos dedos, articulando notas longas 
e curtas numa sequência apropriada para cada nível. Enquanto isso, o próprio 
instrumento também atinge a sua temperatura de execução para garantir a 
afinação. O ideal é que o processo de aquecimento para cada caso seja 
orientado pelo professor de instrumento e/ou trazido pelo próprio instrumentista 
como parte da sua rotina. Por esse motivo é recomendado que o instrumentista 
 
3 A interpretação está disponível aqui: 
<https://open.spotify.com/album/7F6b82HkyRu3optHM2WGcX>. Acesso em: 8 jul 2021. 
4 A interpretação está disponível aqui: <https://youtu.be/IztEwV7y4lw>. Acesso em: 8 jul. 2021. 
 
 
11 
chegue com antecedência para finalizar seu processo de aquecimento antes da 
hora de início do ensaio. 
É necessário que cada instrumentista chegue com suas partes estudadas 
previamente e as pratique momentos antes do ensaio, já aquecidos. Para isto, 
as partes precisam ser enviadas aos instrumentistas com antecedência e de 
acordo ao nível de execução de cada um. 
A distribuição dos instrumentistas no espaço de ensaio pode ser variada 
segundo o número de participantes e o resultado sonoro desejado pelo regente, 
mas recomenda-se que seja a mesma que será utilizada no momento da 
apresentação com público. Uma distribuição de Big Band bastante utilizada que 
serve de referência aparece na Figura 10. 
Figura 10 – Distribuição básica de uma Big Band 
 
Fonte: Donald, 2021/ Crédito: Smile Ilustras. 
A respeito da afinação, na Big Band é usual que cada instrumentista afine 
pessoalmente seu instrumento com algum dispositivo mecânico ou eletrônico no 
padrão de 440hz antes do início do ensaio. Em caso de trabalhar com piano 
 
 
12 
acústico, o mais recomendável será afinar segundo a nota “la” deste instrumento, 
para não correr o risco de ter diferenças de afinação por causa das condições 
climáticas do ambiente e da conservação do instrumento. 
TEMA 3 – EXECUÇÃO DE ALGUNS TRECHOS 
Nesta seção analisaremos os trechos abordados anteriormente desde a 
ótica da execução gestual da regência. As soluções que serão apresentadas 
seguem o estudo gestual apresentado anteriormente, mas também possuem a 
subjetividade do professor e, logicamente, são apenas possibilidades 
norteadoras para o estudo. 
No caso do Gonna fly now, o c. 1 pode ser inaugurado com uma 
preparação em dois tempos fazendo uso do movimento de munheca chamado 
“click”. Este movimento consiste em iniciar no plano de regência com as mãos 
paralelas e perpendiculares em relação a este, marcando com um rápido giro de 
munheca o pulso anterior à preparação propriamente deixando as mãos 
alinhadas sobre o plano. Este gesto precisa ser vigorosopara obter em resposta 
o fortíssimo inicial. No quarto tempo do c. 2, observamos um acento nos 
trombones que precisará de um gesto claramente ativo e atacando na sequência 
a segunda frase que inicia no c. 3, sem perder a dinâmica do fortíssimo. No c. 5 
a frase musical muda, mas mantém a estrutura rítmica do c. 3. No c. 6 
continuamos com o primeiro tempo ativo, mas no segundo tempo aparecem 
elementos rítmicos em contratempo, os quais será preciso marcar na cabeça do 
tempo enfaticamente e receber a resposta sonora uma colcheia depois. A 
marcação de um contratempo se faz na cabeça do tempo ao qual ele pertence, 
a não ser que a musicalidade do trecho justifique o contrário. Nos compassos 
seguintes se segue o mesmo padrão até marcar a entrada do tema principal no 
anacruse do c.9. Estes movimentos garantirão a exatidão das entradas dos 
instrumentistas e a expressividade desejada no resultado sonoro. 
Agora abordaremos as possibilidades gestuais para os trechos 
selecionados de The Incredibles. Mesmo que não apareça na Figura 2, sabemos 
que outros instrumentos entram na cabeça do tempo já no início, o que levará a 
assumir gestos similares aos que foram propostos no início de Gonna fly now, 
só que desta vez em dinâmica forte, na expressividade sugerida e marcando a 
entrada dos saxofones no quarto tempo ativo. Nos c. 4 e 5 uma marcação de 
tempos sólida em 4/4 funciona bem, acentuando o forte-piano e logo em seguida 
 
 
13 
deixando o gesto pequeno, preparando-o para o crescendo. Antes de analisar o 
c. 6 precisamos definir a marcação de tempos do 5/4 que aparecerá na 
sequência. Este 5/4, além de ser em andamento rápido, tem a organização 
interna de 3-2. Uma possibilidade é marcá-lo como binário irregular em dois 
arcos, o primeiro de 3 tempos e o segundo de 2 tempos. Definida a marcação a 
partir do c. 7, agora teremos maior clareza para definir uma transição que 
prepare para esse momento. Assim, o c. 6 pode ser assumido como binário, 
neste caso regular, em movimento crescente e acelerando. O modelo binário 
será interessante também para mostrar o tempo ativo na entrada do piano e 
deixar um pouco mais livre ao baterista para o crescente preenchimento 
enérgico. A dinâmica pode ser marcada por um dos braços em abertura diagonal 
enquanto o outro braço marca o tempo, tirando proveito da independência dos 
nossos membros superiores. 
O tema principal nos trombones do c. 15 pede para manter o mesmo 
gestual do 5/4, auxiliando as dinâmicas com uma das mãos e cortando a frase 
no final do c. 17. Já no c. 113 o gesto pede outras caraterísticas além de ter a 
marcação de 4/4. O gesto deve ser leve e legato durante todo o trecho. Nas 
tercinas da primeira metade do c. 114 será conveniente arredondar 
completamente a marcação do segundo tempo para não atrapalhar o fluxo 
natural das tercinas e reencontrar a precisão do pulso no terceiro tempo. 
A batuta no caso de Big Band será opcional, dependendo da abordagem 
do regente, da quantidade de instrumentistas e da distribuição destes no espaço. 
Com estas breves orientações e planejamentos estaremos minimamente 
capacitados para encarar a execução das obras. Devemos lembrar também que 
assim como os instrumentistas ensaiam previamente, os gestos do regente já 
devem estar incorporados ao corpo de maneira automática na hora do ensaio, 
para que toda a capacidade de atenção esteja dedicada ao resultado sonoro e 
não à preocupação por acertar movimentos. 
TEMA 4 – PLANEJAMENTO DE EMISSÃO E RECEPÇÃO DO CAPITAL 
ARTÍSTICO 
Por serem obras relativamente atuais, os códigos musicais utilizados não 
se afastam muito da nossa realidade cultural, diferentemente de obras do século 
19 e anteriores. Não obstante, a elaboração de um programa de concerto é 
recomendada em todo caso, onde as obras devem aparecer na ordem em que 
 
 
14 
serão apresentadas com um mínimo de informações que auxiliem ao público 
entrar na poética. A ordem das músicas precisa ser escolhida pelo regente, seja 
pelo grau de dificuldade, seja por ordem cronológica de composição ou por 
elementos estilísticos específicos. No nosso caso concreto, Gonna fly now 
apresenta traços estilísticos dos anos 70 enquanto The Incredibles possui traços 
dos anos 60, o que diferiria se optarmos pela ordem cronológica de composição. 
As duas obras a serem executadas pertencem ao repertório de trilha 
sonora, o que poderia ser valorizado como coesão poética do concerto. Isto 
sugere adicionar ao programa outras músicas que também sejam deste mesmo 
gênero. Algumas possibilidades de fluxo de capital artístico passam pela 
projeção de imagens dos filmes junto à execução do grupo e podem ir até ter os 
personagens fantasiados contracenando com os músicos, como é o caso da 
proposta de The Music of Pixar Live!5, mostrado na Figura 11. 
São muitas as possibilidades de planejamento de fluxo de capital artístico. 
Estes subsídios complementares à experiência sonora estão atrelados 
normalmente à capacidade financeira e logística que o projeto musical possui e 
ao público específico a que será direcionado o evento. É importante notar que 
os cuidados do regente estarão presentes em todas estas decisões. 
TEMA 5 – AVALIAÇÃO E CRÍTICA DOS RESULTADOS 
 Dentro das possibilidades gestuais propostas, tem uma que pode 
apresentar um problema se não for adequadamente controlado. O gesto binário 
irregular de 5/4 aplicado a partir do c. 7 de The Incredibles apresenta um primeiro 
arco subdividido em três pulsações seguido de um segundo subdividido em duas 
pulsações. Pode ocorrer que no primeiro, por ter uma duração métrica maior, a 
amplitude do gesto tenda a ser maior em relação ao segundo. Isto seria 
contraproducente pois é o segundo arco que precisa ter mais amplitude, 
preparando o gesto que marcará a cabeça dos compassos. 
 
 
5 Este exemplo está disponível em vídeo aqui: <https://youtu.be/qxECsmXu2qA>. Acesso em: 8 
jul 2021. 
 
 
15 
NA PRÁTICA 
Esta aula e as próximas desta disciplina caracterizam-se por serem 
essencialmente práticas. O que “na prática” significa que o estudante de regência 
precisa procurar espaços de desenvolvimento e situações reais de ensaio e 
execução musical, para testar no próprio corpo as soluções apresentadas e pôr 
à prova suas capacidades de comunicação verbal e gestual com algum grupo 
musical concreto. 
FINALIZANDO 
A música propõe sinergia, comunhão, emotividade, caridade e outras 
caraterísticas humanas que precisam estar presentes no ensaio dos grupos. O 
perfil humano de cada grupo é diferenciado, mas também influenciado 
principalmente pela personalidade do regente, quem com entrega espiritual e 
profissionalismo guiará aos músicos nos percursos das interpretações musicais, 
propiciando vivências significativas e comprometidas com a construção social do 
seu entorno. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ABC 10 NEWS. Famed composer Bill Conti explains birth of 'Rocky' theme. 
Disponível em: <https://youtu.be/hKFEckIt-h8>. Acesso em: 6 jul. 2021. 
DIS, T. The Music of Pixar Live! | Disney's Hollywood Studios. Disponível 
em: < https://youtu.be/qxECsmXu2qA>. Acesso em: 6 jul. 2021. 
DONALD, E. Jazz Big Band seating placement. Disponível em: < 
http://www.earlmacdonald.com/jazz-big-band-seating-placement/>. Acesso em: 
6 jul. 2021. 
DRUM MAGAZINE. Drum Notation Guide. Disponível em: 
https://drummagazine.com/drum-notation-guide/>. Acesso em: 6 jul. 2021. 
GRUPO EDUCACIONAL BOM JESUS. The Incredibles - Coral da FAE e Big 
Belas Band. Disponível em: <https://youtu.be/IztEwV7y4lw>. Acesso em: 6 jul. 
2021. 
FERGUSON, Maynard. Gonna Fly Now. Disponível em: < 
https://open.spotify.com/album/7F6b82HkyRu3optHM2WGcX>. Acesso em: 6 
jul. 2021. 
HAL LEONARD. The Incredibles. Jazz Ensemble Library. Disponível em: < 
https://www.halleonard.com/product/7011109/the-incredibles>. Acesso em: 6 jul 
2021. 
JWPEPPER. Gonna Fly Now. Conti/arr. Chattaway - Alfred Publishing Co.,Inc. 
Disponível em: < https://www.jwpepper.com/Gonna-Fly-
Now/2011641.item#/submit >. Acesso em: 6 jul. 2021. 
LABUTA, J A. Basic Conducting Techniques. 6º Edição. New Jersey: Prentice 
Hall, 2010. 
MANRIQUE, J. Gonna fly now (redução). Redução para piano. Curitiba, 2014. 
RHYTHM NOTES. 10 Conga Patterns Every Percussionist Should Know 
Disponível em: <https://rhythmnotes.net/conga-patterns/>. Acesso em: 6 jul 
2021. 
WIXON MUSIC WORKS. The Incredibles: Musical Representations of “New 
Man” Masculinity (Part 1). Disponível em: <http://wixonmusicworks.com/blog/the-
incredibles-musical-representations-of-new-man-masculinity-part-1>. Acesso 
em: 6 jul. 2021. 
http://wixonmusicworks.com/blog/the-incredibles-musical-representations-of-new-man-masculinity-part-1
http://wixonmusicworks.com/blog/the-incredibles-musical-representations-of-new-man-masculinity-part-1

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