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CASO HIPOTÉTICO DE DIREITO A TIPICIDADE A CULPA E A ILICITUDE a) Você, ao matar o animal de propriedade alheia, cometeu crime de dano, descrito no art. 163 do Código Penal — CP (destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: pena — detenção, de um a seis meses, ou multa). Sendo assim, você poderá ser punido mesmo alegando que estava apenas repelindo o perigo ou a agressão injusta? a) Não, você não cometeu o crime de dano ao matar o animal de propriedade alheia. A legislação penal prevê a excludente de ilicitude da legítima defesa, tanto para proteger a própria vida quanto a de terceiros, e essa proteção se estende aos animais. No caso em questão, você agiu em legítima defesa ao atirar no cão, pois estava sendo ameaçado de forma iminente e não havia outra forma de se proteger. b) Qual dispositivo legal dá guarida a sua conduta? b) O dispositivo legal que ampara sua conduta é o artigo 25 do Código Penal, que prevê a excludente de ilicitude da legítima defesa: Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Além disso, o artigo 23, II, do Código Penal, também respalda sua ação, ao considerar a legítima defesa como uma causa de exclusão da ilicitude: Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: II - em legítima defesa; No caso em questão, a agressão era atual e iminente, representada pelo ataque do cão enfurecido. Você utilizou o meio necessário e moderado para repelir a agressão, que era a arma de fogo, já que não havia outra forma de se proteger. Portanto, sua conduta está amparada pela legítima defesa, não configurando crime. É importante ressaltar que a informação de que o cão foi instigado por Tício pode configurar o crime de perigo para a vida ou saúde de outrem, previsto no artigo 132 do Código Penal, e Tício poderá ser responsabilizado por essa conduta.