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PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR PATOLOGIA A função da célula normal requer um equilíbrio entre as exigências fisiológicas e as limitações da estrutura celular e da capacidade metabólica - homeostasia. Estresses fisiológicos excessivos ou estímulos patológicos adversos (lesão) resultam em: * 1. Adaptações; * 2. Lesão reversível; * 3. Lesão irreversível e morte celular. Adaptação celular ao estresse - são mudanças reversíveis no número, tamanho, fenótipo, atividade metabólica ou função de células em resposta às modificações no ambiente; correspondem a respostas estruturais e funcionais às alterações fisiológicas ou a alguns estímulos patológicos, durante as quais um novo estado de equilíbrio, alterado, é alcançado, permitindo a sobrevivência e a atividade funcional da célula. - Adaptação fisiológica: resposta de células a estímulos normais por hormônios ou mediadores químicos endógenos. - Adaptação patológica: resposta ao estresse que permite à célula modular sua estrutura e assim fugir da lesão. Quando o estímulo é eliminado, a célula PODE retornar ao seu estado original sem ter sofrido qualquer consequência danosa. Se os limites das respostas adaptativas forem excedidos ou se células forem expostas a agentes ou estímulos nocivos, privadas de nutrientes essenciais, ou ficarem comprometidas por mutações que afetam constituintes celulares essenciais, ocorre uma sequência de eventos denominada lesão celular. A lesão pode ser reversível até certo ponto; caso o estímulo persista ou seja intenso o suficiente, a lesão torna-se irreversível e por fim leva à morte celular. Adaptação > Lesão > Morte celular podem ser os estágios de um dano progressivo que sucede diferentes tipos de agressões. Hipertrofia: é um aumento no tamanho da célula com consequente aumento do tamanho do órgão. O aumento é devido ao aumento da síntese de proteínas estruturais e organelas; ocorre quando células são incapazes de se dividir. O ÓRGÃO HIPERTROFIADO NÃO POSSUI NOVAS CÉLULAS. - Tipos de hipertrofia; fisiológico, patológico - Causas; aumento da demanda funcional e estímulo hormonal Por exemplo, as células musculares estriadas da musculatura esquelética e cardíaca que possuem capacidade de divisão limitada, respondem ao aumento da demanda metabólica sofrendo predominantemente hipertrofia. Em muitos órgãos, hipertrofia e hiperplasia coexistem, contribuindo para o aumento do tamanho do órgão. Hiperplasia: aumento temporário do número de células do parênquima. Resulta no aumento do órgão; Ocorre devido ao aumento da mitose = aumento da proliferação de células maduras induzidas por fatores de crescimento, e em alguns casos, o aumento ocorre pelo surgimento de novas células a partir de células-tronco teciduais. A neoplasia causa mudança na composição genética das células. - Causas: Fisiológico hormonal (por exemplo na gravidez com o aumento da mama) e compensatória (regeneração das células hepáticas depois da hepatectomia); Acontece quando há necessidade de aumentar a capacidade funcional dos órgãos hormônios-sensíveis; quando há necessidade de aumento compensatório após lesão ou ressecação. Em indivíduos que doam um lobo do fígado para transplante, as células que permanecem proliferam de modo que o órgão cresça e retorne, em pouco tempo, ao seu tamanho original. - Patológico hiperplasia endometrial no excesso de estrógeno; proliferação de fibroblastos; formação de papiloma viral na infecção; A maioria é causada pela ação excessiva ou inapropriada de hormônios ou fatores de crescimento sobre as células-alvo. Algumas hiperplasias patológicas podem regredir em caso de eliminação do estímulo; no câncer, os mecanismos de controle de crescimento tornam-se desregulados ou ineficientes devido a anormalidades genéticas existentes = proliferação incontrolável. Atrofia: é definida como a redução do tamanho de um órgão ou tecido que resulta da diminuição do tamanho e do número de células. Causas; Fisiológica - é comum no desenvolvimento normal; algumas estruturas embrionárias, como a notocorda, sofrem atrofia durante o desenvolvimento fetal. Patológica - diminuição de atividades (atrofia de desuso), perda de inervação (atrofia por denervação), diminuição do suprimento sanguíneo (isquemia), nutrição inadequada, perda de estímulo endócrino (para tecidos que respondem a hormônios), envelhecimento, compressão tecidual. A resposta inicial de atrofia é uma diminuição do tamanho das organelas, o que reduz as necessidades metabólicas da célula o suficiente para permitir sua sobrevivência - culmina com aumento da degradação das proteínas na célula. No início do processo, as células e tecidos atróficos têm sua função diminuída, mas a morte celular é mínima. No marasmo (desnutrição proteico-calórica profunda) está associado um processo de atrofia por uso das proteínas do músculo esquelético como fonte de energia, após o esgotamento de outras reservas, com o tecido adiposo. Marina Moraes PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Metaplasia: Mudança reversível na qual o tipo celular (epitelial ou mesenquimal) é substituída por outro tipo de célula adulta. É a adaptação celular em que células sensíveis a um tipo de estresse são substituídas por outros tipos celulares com maior capacidade de suportar o ambiente adverso. O esôfago de Barrett representa mucosa esofágica distal substituída por epitélio do tipo intestinal (colunar com células caliciformes) em resposta a injúrias crônicas, podendo regredir após tratamento. O epitélio do esôfago normal é estratificado pavimentoso. Exemplo de metaplasia: Mudança no epitélio respiratório em fumantes (células normais colunares da traqueia e brônquio são substituídas por células estratificadas); refluxo gástrico crônico (células normais do epitélio esofágico - parte inferior - substituídas por células colunares). A mudança para células escamosas metaplásicas tem um preço; por exemplo, no trato respiratório, embora o revestimento epitelial se torne resistente, os importantes mecanismos de proteção contra infecções (secreção de muco e movimento ciliar) são perdidos. Além disso, as influências que predispõem à metaplasia, se persistentes, podem iniciar a transformação maligna no epitélio metaplásico. A metaplasia é resultado de uma reprogramação de células-tronco que sabidamente existem nos tecidos normais ou de células mesenquimais indiferenciadas presentes no tecido conjuntivo. Em uma alteração metaplásica, essas células precursoras diferenciam-se ao longo de um novo caminho. Necrose: refere-se ao espectro de alterações morfológicas que ocorrem após morte celular em um tecido ou órgão vivo. Ocorre por desnaturação das proteínas e digestão enzimática de organelas e outros componentes do citosol. As células necróticas são incapazes de manter a integridade da membrana e seus conteúdos sempre são liberados no meio externo, um processo que provoca a inflamação no tecido circundante. As enzimas que digerem a célula necrótica são derivadas da própria célula que está morrendo ou dos lisossomos dos leucócitos que são recrutados como parte da reação inflamatória. A digestão dos conteúdos celulares e a resposta do hospedeiro podem levar horas para se desenvolver. Características: * Células mais eosinofílicas - devido à perda do RNA citoplasmático e às proteínas citoplasmáticas desnaturadas. * Picnose - Núcleo fica pequeno e mais basofílico; * Cariólise - Núcleo descondensa; basofilia esmaecida; * Cariorrexe - Necrose total; fica a sombra do que antes era o núcleo; o núcleo picnótico sofre fragmentação. A célula necrótica tem uma aparência mais homogênea e vítrea do que as células normais, principalmente devido à perda de partículas de glicogênio. Quando as enzimas já digeriramas organelas citoplasmáticas, o citoplasma se torna vacuolado e parece roído por traças. A necrose causa edema celular no início do seu processo, a membrana é danificada e é sempre patológica. “Morte celular focal acompanhada de degradação do tecido por enzimas hidrolíticas liberadas pelas células e acompanhada por inflamação. Agentes que causam podem ser hipóxia, agentes físicos e químicos, agentes microbianos e lesão imunológica”. O citoplasma da célula começa a se soltar (ele aumenta de tamanho), não vê mais definido. sthef Realce sthef Realce Marina Moraes PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Principais tipos de necrose; Liquefativa - de modo geral ocorre no sistema nervoso central. Na liquefativa onde era a célula vira um líquido; não tem sombra do que antes era a célula. É caracterizada pela digestão de células mortas, resultando na transformação do tecido em uma massa viscosa líquida. O material é frequentemente amarelo- cremoso devido à presença de leucócitos mortos e é chamado de pus. Coagulativa - fica com a sombra do que antes era a célula, comum de quando ocorre isquemia. A arquitetura básica dos tecidos mortos é preservada por um intervalo de alguns dias; a lesão desnatura também enzimas, bloqueando, assim, a proteólise das células mortas = células anucleadas e eosinófilas persistem por alguns dias; depois, leucócitos digerem. Uma área localizada de necrose de coagulação é chamada de infarto. **Gangrenosa - não é um padrão específico de morte celular; em geral é aplicado a um membro que tenha perdido seu suprimento sanguíneo e que tenha sofrido necrose, envolvendo seus diversos planos teciduais. Caseosa - focos de infecção tuberculosa; derivado da aparência friável esbranquiçada da área de necrose = exibe uma coleção de células rompidas ou fragmentadas e restos granulares amorfos delimitados por uma borda inflamatória distinta. Gordurosa - não denota padrão específico de necrose; áreas focais de destruição adiposa. Fibrinoide - forma especial de necrose; observadas nas reações imunes que envolvem os vasos sanguíneos. Quando complexos de antígenos e anticorpos são depositados nas paredes das artérias em combinação com a fibrina que extravasa, resultando em uma aparência amorfa rósea-brilhante: Necrose caseosa (na imagem anterior): característica de lesões pela tuberculose. Aspecto macroscópico de queijo. Microscopicamente se apresenta como material amorfo eosinofílico com resíduos celulares. Tendência a se calcificar. A necrose caseosa aparece no meio de um granuloma; Necrose do tecido adiposo, mais comum na hipoderme, mama, retroperitônio e epíplon. Lesões traumáticas, isquêmicas ou químicas podem levar à ruptura de células adiposas. A ativação de lipases libera ácidos graxos de triglicérides que reagem com íons cálcio dos líquidos intersticiais e produzem sabão (saponificação), que têm aspecto semelhante a cera de vela à macroscopia. A área com ‘acúmulo’ de gordura não tem delimitação bem definida, não vê muito bem os núcleos e eles não são ligados ao vacúolo de gordura. Em uma esteatose, por exemplo, em que é somente um acúmulo de gordura, o núcleo é visto adjacente ao vacúolo de gordura. sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Padrão patológico resultante da deposição de imunocomplexos nos vasos sanguíneos. Histologicamente, há material amorfo rosa-brilhante (deposição de fibrina) nas paredes arteriais, frequentemente associado à inflamação e trombose. Mecanismos de Lesão Celular; O ATP é necessário para o transporte na membrana, manutenção de gradientes iônicos e síntese proteica. Hipóxia acarreta uma maior glicólise anaeróbica com redução de glicogênio, maior produção de ácido lático e acidose intracelular. A depleção de ATP e redução de sua síntese são consequências comuns tanto das lesões isquêmicas, quanto das lesões tóxicas. Depleção de ATP: perde ATP e a célula perde funções, pois não vai ter energia - configura principal forma de lesão celular. As principais causas de depleção do ATP são a redução do fornecimento de oxigênio e nutrientes, danos mitocondriais e a ação de algumas substâncias tóxicas. A depleção de 5% a 10% dos níveis normais de ATP produz extensos efeitos em muitos sistemas celulares críticos. Sem o ATP, vias alternativas serão adotadas para gerar energia, por exemplo com a produção de ácido lático - que causa acidose na célula e desencadeia processo de lesão. Dano mitocondrial: Elas fornecem energia e sustentam a vida através da produção de ATP. O dano mitocondrial pode culminar com a morte celular tanto por apoptose como por necrose. Influxo de cálcio intracelular e perda da homeostase do cálcio: Influxo de cálcio é normalmente baixo e ele é sequestrado pela mitocôndria e retículo endoplasmático; aumento de cálcio citosólico ativa enzimas como ATPases, fosfolipases, proteases, endonucleases que levam à lesão celular e morte. O aumento de cálcio também é pró-apoptose. Acúmulo de radicais livres derivados de oxigênio (estresse oxidativo): Os radicais livres são espécies químicas que têm um único elétron não emparelhado em um orbital externo. Os elétrons não emparelhados são altamente reativos e atacam e modificam as moléculas adjacentes, tanto substâncias inorgânicas quanto orgânicas. Algumas dessas reações são autocatalíticas - as moléculas que reagem com os radicais livres são convertidas em radicais livres, gerando uma propagação de danos em cadeia. As espécies reativas de oxigênio quando não degradadas e removidas configuram o mecanismo de lesão por estresse oxidativo. Defeitos na permeabilidade da membrana: Pode ser danificada diretamente (toxinas, agentes físicos e químicos, componentes líticos do complemento e perforinas) ou indiretamente (ROS, ativação do cálcio, fosfolipases). Danos ao DNA e às proteínas: Excedem a capacidade de reparo normal, bem como proteínas inadequadamente dobradas, acarretando ativação de apoptose; as células possuem mecanismos que reparam danos ao DNA, porém, se o dano é muito grave para ser corrigido, a célula inicia um programa de suicídio que resulta em morte por apoptose. As alterações histopatológicas do infarto agudo do miocárdio seguem a sequência prevista de necrose coagulativa como primeiro achado à microscopia óptica (4-12 horas após o infarto em pacientes sobreviventes). A necrose é seguida por infiltrado neutrofílico visto em 12-24 horas após o início do quadro. Esta fotomicrografia mostra área de infarto com edema e denso infiltrado neutrofílico (seta de cima). Esta área lesionada é bem demarcada. A liberação de enzimas ou proteínas intracelulares para a corrente sanguínea através das membranas plasmáticas anormalmente permeáveis proporciona importantes marcadores clínicos de morte celular. SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight SAMSUNG Highlight Marina Moraes Marina Moraes Marina Moraes PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Lesão isquêmica e hipóxica; A hipóxia consiste em uma redução na capacidade de transporte de oxigênio. A isquemia ocorre devido a uma redução no fluxo sanguíneo. A isquemia é otipo mais comum de agressão celular em medicina clínica e que resulta da redução do fluxo sanguíneo, geralmente devido a uma obstrução mecânica arterial. A restauração do fluxo sanguíneo para tecidos isquêmicos pode resultar em recuperação celular, se as células sofreram lesão reversível, ou não alterar o resultado final, se já houver ocorrido lesão irreversível. Dependendo da intensidade e da duração do dano isquêmico, mais células podem evoluir para morte celular após a recuperação do fluxo sanguíneo, tanto por necrose quanto por apoptose; os tecidos reperfundidos continuam perdendo células além daquelas já irreversivelmente lesadas no final da isquemia. Esta lesão por reperfusão é um processo clinicamente importante em condições como infarto do miocárdio, insuficiência renal aguda e acidente vascular cerebral. Novos processos lesivos são desencadeados durante a reperfusão, causando a morte celular que, de outro modo, poderiam ter se recuperado. A isquemia também pode ser causada por redução da drenagem venosa. Ao contrário da hipóxia, durante a qual a produção de energia através da glicólise anaeróbica continua, a isquemia também compromete o fornecimento de substratos para a glicólise - A isquemia tende a causar lesão celular e tecidual mais rápida e intensa que a hipóxia na ausência de isquemia. O infarto pode gerar uma hipóxia que pode culminar em um infarto; na fase de infarto a célula morreu. Apoptose: é a morte celular programada - induzida por um programa de suicídio finamente regulado no qual as células destinadas a morrer ativam enzimas que degradam seu próprio DNA e suas proteínas nucleares e citoplasmáticas. A membrana plasmática permanece intacta, mas sua estrutura é alterada de tal maneira que seus fragmentos tornam-se alvos para fagócitos - são rapidamente devorados antes de seus conteúdos serem liberados no meio = não desperta resposta inflamatória; ocorre condensação celular, as membranas permanecem intactas, requer ATP, célula é fagocitada sem reação tecidual, e a morte é ativa, diferente da necrose que a morte é passiva. A necrose somente ocorre na presença de estímulos patológicos. Já a apoptose, ocorre na presença de estímulos patológicos mas de baixa intensidade e também ocorre com estímulos fisiológicos. Formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos; A célula apoptótica primeiramente mostra bolhas superficiais extensas, sofrendo então fragmentação em corpos apoptóticos envoltos por membrana, compostos de citoplasma e organelas estreitamente acondicionadas. Em situações fisiológicas - fenômeno normal que visa eliminar as células que não são mais necessárias e manter um número constante das diversas populações celulares nos tecidos, por exemplo, a destruição programada de células durante a embriogênese. sthef Realce Marina Moraes Marina Moraes SAMSUNG Highlight PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Em situações patológicas - a apoptose elimina células que são lesadas de modo irreparável, sem produzir reação do hospedeiro, limitando, assim, lesão tecidual adicional, por exemplo, radiação, medicamentos antineoplásicos e a hipóxia podem lesar o DNA e se os mecanismos de reparo não podem lidar com a situação, a célula aciona mecanismos intrínsecos que induzem a apoptose. Mecanismos de apoptose - via intrínseca (mitocôndria) e via extrínseca (receptor). A via intrínseca ocorre pelo aumento da permeabilidade da membrana mitocondrial externa com a consequente libertação de moléculas indutoras de morte do espaço intermembrana mitocondrial para o citoplasma. A via extrínseca é iniciada pela ativação de receptores de morte na membrana plasmática em diversas células. Os receptores de morte são da família do receptor TNF que contêm um domínio citoplasmático envolvido nas interações proteína-proteína, chamado de domínio de morte, porque ele é essencial para a entrega de sinais apoptóticos. Acúmulos celulares: a substância que não deveria estar ali começa a acumular; manifestação de alteração metabólica com quantidades anormais de diversas substâncias que são inofensivas ou estão associadas com graus variados de lesão. 4 mecanismos principais geram acúmulos: - Remoção inadequada; - Resultado de defeito genético ou adquirido; - Falha em degradar um metabólito devido a deficiências enzimáticas hereditárias; - Célula sem maquinaria enzimática para degradar a substância ou não tem capacidade de transportá-la para outros locais; Acúmulo de lipídios: Pode ser de triglicérides, colesterol/ésteres de colesterol e fosfolipídios; Adipócitos dentro de células hepáticas = esteatose hepática (acúmulo anormal de triglicerídeos dentro das células parenquimatosas). Placa de ateroesclerose = acúmulo de colesterol; nas placas de ateroesclerose, as células musculares lisas e os macrófagos dentro da túnica íntima da aorta e das grandes artérias estão repletos de vacúolos lipídicos, a maioria dos quais composta de colesterol e ésteres de colesterol. Acúmulo de proteínas: Os acúmulos intracelulares de proteína geralmente aparecem como gotículas, vacúolos, ou agregados arredondados e eosinófilos no citoplasma. Corpúsculos de Russell: acúmulo de imunoglobulinas no plasmócito. O RE torna-se imensamente distendido, produzindo grandes inclusões eosinófilas homogêneas, os corpúsculos. Marina Moraes Marina Moraes PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Linfonodo; amilóide – Agregação de proteínas anormais; as proteínas anormais ou mal dobradas podem se depositar nos tecidos e interferir com suas funções normais. Os depósitos podem ser intra e extracelulares, ou ambos, e podem causar direta ou indiretamente, alterações patológicas. Certas formas de amiloidose se enquadram nessa categoria de doenças. Acúmulo de pigmentos: Alguns pigmentos são constituintes normais das células, outros são anormais e acumulam-se nas células somente sob circunstâncias especiais. O pigmento acumulado pode ser exógeno, como poeira de carvão, o endógeno, como a lipofucsina. Pele; acúmulo de melanina = melanoma (uma das doenças que causa acúmulo de melanina); além disso o tecido epitelial nesse caso tá modificado por ser uma neoplasia. A melanina é um pigmento endógeno com cor que varia do castanho ao negro; a melanina é o único pigmento endógeno marrom-negro. Há acúmulo de hemossiderina quando há excesso local ou sistêmico de ferro; a ferritina forma grânulos de hemossiderina. Os excessos de ferro, locais ou sistêmicos causam acúmulo de hemossiderina dentro das células. Os excessos locais resultam de hemorragias dos tecidos – o melhor exemplo de hemossiderose é a equimose. Calcificação: É a deposição anormal de sais de cálcio nos tecidos, junto com quantidades menores de ferro, magnésio e outros sais minerais. Quando a deposição é lenta – distrófica (ocorre apesar dos níveis séricos de cálcio normais); quando é resultante de hipercalcemia secundária – metastásica. Calcificação distrófica; elemento roxo na parede do vaso = calcificação; ateroesclerose (comum em valvas cardíacas envelhecidas). É resultado de uma inflamação crônica. Pode ser encontrada em área de necrose Lesão neoplásica de mama; calcificações grosseiras podem ser formadas e percebidas nos exames de imagens e é um sinal de alerta para malignidade na região. Calcificação metastática; mais rara. Alguns cânceres vão cursar por meio de lesões líticas formando depósito de cálcio nos vasos. É muito específico de algumas neoplasias. A calcificação metastática ocorre nos tecidos normais sempre que há Marina Moraes Marina MoraesPAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR hipercalcemia – causada por disfunção do paratormônio, destruição do tecido ósseo, distúrbios relacionados à vitamina D e insuficiência renal. A calcificação metastática pode ocorrer em qualquer lugar do corpo, mas afeta principalmente os tecidos intersticiais da mucosa gástrica, rins, pulmões, artérias sistêmicas e veias pulmonares. RADIOLOGIA Infarto do miocárdio; fatores de risco e exames de imagem: TC corte axial de tórax janela de partes moles; estrutura na imagem: coração; calcificação de artéria coronária restringe a passagem de sangue para o coração, restringindo também a chegada de oxigênio causando a isquemia do tecido do coração = infarto. !!! Situação clínica !!! Mulher, 54 anos,hipertensa, fumante desde os 30 anos,, vai a emergência com queixa de dor no peito que irradia para o braço. Ela relata que a dor teve início súbito. No momento do exame apresenta- se pálida +++/4+, dispneica e hipotensa. No decorrer da consulta mostra exames realizados duas semanas atrás. Ser fumante é um fator de risco importante apresentado por ela. Outros fatores que podem contribuir bastante são sedentarismo, colesterol alto, obesidade, diabetes, idade avançada, história familiar, etc. As calcificações aparecem como hiperdensidades nas artérias coronárias, um achado que indica um fator de risco para infarto futuro. O grau de comprometimento do músculo cardíaco depende do grau de calcificação da artéria. Para achar calcificação não usa contraste!! Cintilografia representando o infarto; o exame é feito por meio de injeção de radiofármaco para estudar células específicas - o radioisótopo marca áreas onde o sangue está chegando (tem afinidade para um tipo celular específico). A parte vermelha deveria circundar toda a estrutura na fig 15; Não usa contraste, pois usa o radioisótopo. Esse exame serve para ver indiretamente como está a cicrulação sanguínea coronariana. Esse exame mostra a perfusão sanguínea. Serve para diagnosticar áreas de infarto, áreas de isquemia ou áreas com cicatriz fibrótica. Onde chegar o radioisótopo fica amarelo ou azul, e onde não chegar, aparece em preto na análise computadorizada. Algumas fotos do coração aparecem como se ele fosse uma rosquinha (CONDIÇÃO NORMAL), e um possível infarto aparece como uma mordida nessa rosquinha! no infarto a falha aparece sempre; em isquemia a falha de preenchimento aparece no esforço. Em outras imagens o coração pode aparecer como uma letra C; na condição de infarto o C vira duas linhas paralelas Cintilografia normal; em estresse pode ser feito num teste de esteira ou administração de medicamento que cause estresse similar. As formas mais conhecidas e frequentes de acúmulo de substâncias no sistema cardiovascular são as placas ateromatosas. Suas consequências são bem estudadas quando ocorrem nas artérias coronárias. Os principais fatores de risco para esses acúmulos são: 1. Dislipidemia (familar ou adquirida). 2. Tabagismo. 3. Sedentarismo. 4. Diabetes. Os exames mais utilizados para diagnóstico, e tratamento, das coronariopatias são cintilografia; TC, RM e arteriografia cardíacas. TC de tórax corte axial mostrando calcificação no coração que pode çlevar a isquemia = infarto sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR RM de coração; normalmente a RM de coração solicita TC/RM cardíaca; detalha para o coração. A RM é boa para ver partes moles - dá para ver com detalhes casos de hipertrofia. Arteriografia das coronárias mostrando uma área de estreitamento da coronária da imagem da esquerda; arteriografia diagnóstica e de tratamento, mostrando a coronária normal na imagem da direita. Arteriografia injeta contraste na artéria femoral ou braquial. Contraste de iodo. Esse exame é considerado padrão ouro para análise de infarto do miocárdio, identificando os vasos acometidos e o grau de obstrução. Uma das principais vantagens associadas a ele é a capacidade terapêutica do mesmo, ou seja, o exame permite realizar diagnóstico e tratamento (colocação de stent por exemplo). Lembrar que se trata de um exame invasivo. Infarto renal; fatores de risco e exames de imagem: !!! Situação clínica !!! Mulher, 65 anos, portadora de diabetes, hipertensão e cardiopatia (valvulopatia) apresenta dor aguda no flanco direito e hematúria. Um rim tá mais hipodenso do que o outro; TC de abdome corte axial com contraste; o rim direito não captou o contraste bem; infarto renal - parou a circulação do rim. A região de infarto aparece como uma região hipodensa - não acende com contraste. A queixa principal desses pacientes é dor intensa no flanco do lado do rim acometido. Negam - se febre, queixas urinárias ou quaisquer outros sintomas na grande maioria dos casos. Tumor de Wilms: sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Na USG – várias formações anecoicas “cacho de uva”; tumor de Wilms - Rim. Diagnóstico diferencial feito com neuroblastoma. Na tomografia mostra o tumor tomando grande parte da região abdominal já tendo acometido todo o rim. A maioria dos tumores de Wilms origina-se nos primeiros cinco anos de vida – assim, mais comum em crianças. Origina-se do tecido renal embrionário e tende a tornar-se muito grande. Os achados revelam grande massa que distorce os cálices e frequentemente desloca e obstrui parcialmente ureter. A USG revela, em geral, massa renal ecogênica e homogênea, podendo ser encontrada pequenas regiões hipoecoicas que representam cistos dentro do tumor. !!! Situação clínica !!! Menino de 3 anos com astenia,dor abdominal e febre há 3 dias. Exame físico: abdome doloroso, com massa palpável no flanco esquerdo; Fez uma ultrassom e uma tomografia. Infarto cerebral (AVC isquêmico): AVC isquêmico - mancha mais hipodensa; infarto cerebral (pode ser por obstrução da carótida interna ou pode ser um trombo que obstruiu a cerebral média). RM corte axial T1 - AVC isquêmico crônico; Encefalomalácia - morte do tecido cerebral; Amolecimento ou perda de tecido cerebral seguido a INFARTO CEREBRAL, isquemia cerebral, infecções, Trauma cranioencefálico ou outras lesões. áreas de hiperintesnidade e hipointensidade. A encefalomalácia pode ser designado como um ‘AVC complicado’. A RM é melhor para avaliar o parênquima, sendo mais bem vista a encefalomalácia nesse exame. ● O termo geralmente é utilizado durante a inspeção patológica grosseira, para Tumor de Wilms Rim normal acendendo com contraste sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce sthef Realce PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR descrever as margens corticais desfocadas e a consistência diminuída do tecido cerebral, seguidas a infarto. Esôfago de Barret: Endoscopia Digestiva Alta; região esofágica; esôfago de Barret; A parte vermelha é o tecido que está sendo modificado (metaplásico). O esôfago de barret nem sempre é sintomático; na endoscopia não vê o refluxo e sim a consequência dele - a mudança de tecido. É uma patologia pré-maligna; área mais hiperemiada emcomparação a mucosa normal do esôfago. Esteatose hepática: USG do fígado; infiltração de gordura no fígado; esteatose hepática. Quanto maior for o grau da esteatose menos sensibilidade vai ter na USG para ver o parênquima hepático. Tem atenuação do feixe sonoro com o depósito de gordura. O aspecto na USG é de aumento da ecogenicidade do fígado que pode ser de natureza difusa; há uma diferença grande de ecogenicidade entre o rim e fígado - o que comumente não acontece. Essa deposição de gordura é um processo reversível causado pelo acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos; as causas comuns são consumo de álcool, diabete, obesidade, hiperalimentação, terapia com esteroides, gravidez e quimioterapia. Observação - Os depósitos de substâncias, próprias do organismo (gordura, por exemplo) ou não (resíduos industriais) podem causar processos inflamatórios e até resultar em neoplasias malignas. Esteatose na TC; Pneumoconioses: geralmente é uma doença ocupacional; é um acúmulo de algum tipo de substância dentro do pulmão. Mais comuns = silicose e asbestose. Na radiografia de tórax observa-se acúmulo de asbesto (pó do amianto) e na tomografia do tórax, esses acúmulos, que têm relação com tumores malignos da pleura. Áreas radiopacas embaixo com hilo mais denso. Na base do pulmão tem umas granulações, que é o infiltrado indicado = doenças pulmonares/pneumoconioses (relacionadas à aspiração de algum produto que danifique o parênquima pulmonar) Marina Moraes PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR Diagnóstico diferencial - asbestose no terço inferior do pulmão e silicose no terço superior do pulmão; o aspecto é semelhante nos dois casos. Essas doenças fazem com que apareçam infiltrados de fibrose; Fibrose; TC de tórax, na parte inferior tem umas manchas brancas indicando o infiltrado; as linhas são formaões de fibrose que acontecem muito nesses casos de doenças pulmonares por infiltração causada com a aspiração desses produtos. A fibrose produzida elo material estranho acarreta o aparecimento de pequenas opacidades irregulares, principalmente nas bases pulmonares (asbestose), como achado mais precoce. Com o avanço, há aumento das alterações fibróticas basais, que geralmente aparecem em forma de cordão, irregulares e reticulares. !!! Situação clínica !!! Homem, 50 anos, trabalha em uma pedreira desde os 20, chega ao ambulatório com queixa de dispneia enviado pelo médico do trabalho de sua empresa. Volvo de sigmoide: é uma condição que leva à mobilidade excessiva do intestino e, possivelmente, sendo complicada por infarto intestinal; Rx de abdome; volvo de sigmoide; radiopacidade no sigmoide que virou mostrando sinal do U invertido ou da ferradura. Tem pobreza de gás no intestino como um todo. Pode ter isquemia da vascularização do intestino. !!! Situação clínica !!! JSP, masculino, 64 anos, residente de Manaus (AM). Paciente refere aumento abdominal há 15 dias e dor progressiva há 48 horas, relata constipação incomum nos últimos dois dias e refere episódios de vômitos nas últimas 12 horas. Exame físico: Abdome distendido, hipertimpânico e doloroso Volvo de sigmoide na tomografia de abdome corte sagital. PAULO BARATA LESÃO E MORTE CELULAR A- Mamografia; área muito densa e grande B - USG com região anecoica Na RM massa circunscrita hipodensa com área de hiperdenisdade na cápsula Tumor filoide maligno - causa muita necrose e de crescimento muito rápido. Às vezes é de diagnóstico difícil. Lesão hipoecoica no fígado; lesão tumoral. Linfoma hepático não é comum.