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Preparo de canais radiculares 
com patência e ampliação 
do forame apical 
FRANCISCO JOSÉ DE SOUZA FILHO 
CONSIDERAÇÕES GERAIS 
Desde o início da Endodontia moderna, tem havido inúmeros conceitos, estratégias 
e técnicas para o preparo de canais radiculares. Ao longo das décadas, uma impres­
sionante variedade de instrumentos e técnicas padronizadas vieram para negociar e 
modelar os canais radiculares. Independentemente dos métodos utilizados, os obje­
tivos e a preparação mecânica foram descritos de forma brilhante há quase 40 anos 
pelo Dr. Herbert Schilder. i.i Autores e clínicos concordam sobre a importância da 
preparação e limpeza completa do conteúdo do canal radicular e sua influência sobre 
o sucesso clínico do tratamento e sua resposta biológica. A despeito dessa concordân­
cia, há várias abordagens para o preparo de canais radiculares. 
A preparação adequada do canal radicular, em toda a sua extensão, requer um 
planejamento específico, cuja diretriz parte da avaliação, em profundidade, da radio­
grafia pré-operatória. Embora cada canal tenha sua específica morfologia e variações 
quanto à amplitude e ao grau de achatamento, curvatura radicular e dificuldades téc­
nicas, há um critério comum, para todos os dentes, que deve ser avaliado: para que 
o tratamento tenha sucesso, é fundamental que os instrumentos façam a patência e a 
limpeza (ampliação) do forame apical. 
Aos iniciantes e jovens especialistas, recomenda-se essa técnica que, se seguida 
passo a passo, evitará iatrogenias, desvios, degraus e fraturas de instrumentos e con­
duzirá o clínico com segurança ao sucesso do tratamento endodôntico. Os especia­
listas em Endodontia que já possuem habilidade e ampla casuística clínica, desde que 
consigam a patência, podem variar essa sequência passo a passo. 
O preparo dos canais radiculares deve ser executado em duas etapas: a primeira 
fase envolve a ampliação do corpo do canal; a segunda fase, a modelagem do ter­
ço apical. O que determina a sequência do preparo é a anatomia radicular. Embora 
exista uma grande variedade de instrumentos, manuais ou automatizados, os canais 
182 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
devem ser preparados da anatomia para os instrumentos e não dos instrumentos 
para a anatomia. 
Assim, nos canais de amplitude média ou amplos (classe I), o preparo da pri­
meira fase pode ser feito com instrumentos rotatórios que possuam bom poder de 
corte, para efetuar a limpeza e descontaminação de istmos e reentrâncias do corpo do 
canal. O instrumento recomendado é o rotatório Hero 20.06 (Hero 642, MicroMega•, 
Besançon, França) com motor VDW (Vow•, Munique, Alemanha) na velocidade de 
900 rpm. Para complementar a ampliação, são recomendadas as brocas de Gates-Gli­
dden (Dentsply-Maillefer•, Suíça) no sentido coroa-ápice, numa sequência decres­
cente da# 5 até# 2 até o limite de 16 mm coronários. Cada broca deve penetrar cerca 
de 1 mm no interior do canal radicular. Essa ampliação visa proporcionar uma irri­
gação mais efetiva e facilitar a ação dos instrumentos na modelagem do terço apical. 
Nos canais constritos (classes II e III), o acesso ao canal radicular deve ser fei­
to com instrumentos manuais. Os instrumentos rotatórios podem ficar presos na 
dentina e sofrer fratura por torção. Nesses casos, é fundamental fazer a patência do 
canal radicular e do forame apical antes da utilização dos instrumentos rotatórios ou 
reciprocantes. Os instrumentos mais fmos (08 ou# 10), usados com suavidade, são 
apropriados para "negociar a anatomia do canal radicular" e conseguir a patência do 
forame apical. Esse preparo inicial visa à formação de um leito no canal radicular 
(Glidepath) para que os instrumentos rotatórios trabalhem com suavidade e com 
a ponta livre. Após a patência com a lima# 10, é importante ampliar o forame com 
a lima# 15. Dessa forma, transforma-se um canal atrésico (classe II ou III) em um 
canal de amplitude média (classe I). 
SEQUÊNCIA PASSO A PASSO 
Passo 1-anamnese 
• Estabelecer o perfil de saúde do paciente. 
• Verificar a pressão arterial antes do atendimento. 
• Conferir se o paciente faz uso de medicações de uso contínuo e suas interações 
com fármacos comumente empregados na clínica odontológica. 
• Verificar se o paciente apresenta problemas sistêmicos (hipertensão, diabetes, pro­
blema cardíaco, renal, etc.). 
Passo 2 - avaliação endodôntica 
A avaliação endodôntica compreende o exame clínico extra e intraoral, o exame da 
radiografia inicial e os testes clínicos para determinar a origem da dor e a conclusão 
do diagnóstico. 
Exame clínico extra e intraoral 
• Observar se existem assimetrias ou tumefações na face. 
• Verificar a cor e a normalidade da mucosa nos lábios, nas bochechas e no palato. 
• Verificar o dorso e as bordas laterais da língua. 
• Examinar o fundo de sulco e verificar se há aumento de volume ou fístula. 
Endodontia passo a passo 183 
• Observar se existem lesões brancas ou ulceradas na mucosa oral. 
• Examinar os dentes e identificar cáries, fraturas, alteração de cor, abrasão, etc. 
• Identificar problemas periodontais. 
• Identificar problemas oclusais (bruxismo, contato prematuro). 
Testes para o diagnóstico pulpar e periapical (sinais e sintomas) 
• Verificar qual o estímulo que provoca a dor: percussão (problemas periapicais) ou 
aplicação de testes térmicos (problemas pulpares). 
• Verificar se a dor é localizada ou difusa. 
• Certificar-se de que a dor é contínua ou ocasional. 
• Avaliar a magnitude e a duração da dor. 
• Diferenciar o diagnóstico entre problema odontogênico e não odontogênico (dor 
orofacial). 
Exame radiográfico inicial e planejamento do caso clínico 
• Fazer uma profunda análise da radiografia inicial para identificar alterações ana­
tômicas, lesões periapicais, grau de curvatura radicular, amplitude dos canais radi­
culares, presença de reabsorções radiculares, fraturas, etc. 
• Seguir uma sequência de análise iniciando pela coroa, canais, periápice e perio­
donto. 
• Determinar o comprimento aparente do dente (CAD). 
• Classificar o tratamento de acordo com a dificuldade do caso clínico (classes 1, li, 
Ili, IV, V, VI e VII). 
Passo 3 - anestesia 
• Tranquilizar o paciente quanto à anestesia. 
• Selecionar a técnica mais adequada. 
• Selecionar a solução anestésica indicada para o caso. 
• Observar a dosagem máxima para segurança. 
• Fazer a anestesia tópica na mucosa. 
• Aquecer levemente o tubete anestésico (chama de lamparina) para evitar o "cho­
que térmico" da solução anestésica com a temperatura normal do corpo. 
• Fazer a punção da mucosa com o bisei da agulha voltado para o osso. 
• Verificar se houve refluxo de sangue no interior do tubete pela penetração da agu­
lha em vaso sanguíneo. 
• Injetar lentamente a solução anestésica. 
Passo 4 - adequação da região 
• Remover os cálculos supragengivais com instrumentos manuais ou com ultrassom 
(em consulta prévia ou na própria). 
184 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
• Remover as áreas de hiperplasia gengival com auxílio de eletrocautério ou lâminas 
de bisturi. 
• Fazer o aumento de coroa clínica se houver indicação específica. 
• Pedir que o paciente faça bochecho com clorexidina a 0,12%. 
Passo 5 - descontaminação coronária: remoção de cáries e restaurações 
• Remover completamente a dentina cariada e todo o remanescente de restaurações 
com auxílio de pontas diamantadas esféricas de alta rotação de haste longa 1012, 
1014 ou 1016 (KG Sorensen). 
• Fazer a adequação dos espaços interproximais removendo contatos deteriorados 
com uma ponta diamantada de ponta fina 2200 (KG Sorensen) para facilitar o 
isolamento absoluto com dique de borracha. 
Passo 6 - acesso e remoção do teto da câmara pulpar 
• Demarcar os pontos de referência para a abertura de acesso coronário, preservan­
do as áreas de resistência da estrutura dental. 
• Remover a dentina dentro dos limites determinados e, assim que houveruma co­
municação com a cavidade pulpar, remover o teto da câmara com a ponta diaman­
tada 3082 (KG Sorensen) e fazer a forma de contorno adequada para a abertura de 
acesso. 
Passo 7 - isolamento absoluto 
• O isolamento absoluto deve ser feito após a abertura de acesso coronário. 
• Selecionar e experimentar o grampo mais adequado para o dente. 
• Preferencialmente, fazer a adaptação do grampo e depois colocar o lençol de bor­
racha. 
• Finalizar o isolamento absoluto com os procedimentos de vedamento com ciano­
crilato e barreira gengival. 
O isolamento absoluto é a marca registrada da qualidade do endodontista. O isolamento 
absoluto do dente deve ser feito com qualidade, observando sempre o enquadramento do 
dique e a invaginação da borracha pelos espaços interproximais e com os vedamentos ne­
cessários para manutenção do dique de borracha, sem infiltração de saliva, até o final do 
tratamento. 
Passo 8 - localização e preparo da entrada dos canais 
• Após o isolamento absoluto, fazer o acabamento adequado da abertura de acesso 
e as formas de conveniência necessárias para dar um acesso mais livre aos instru­
mentos para o interior dos canais radiculares. 
• Preencher a câmara pulpar com gel de clorexidina a 2% por 1 minuto para iniciar 
a descontaminação química da câmara pulpar. 
Endodontia passo a passo 185 
• Aspirar o excesso da substância química auxiliar com cânula aspiradora. 
• Explorar a anatomia do assoalho da câmara pulpar com sonda endodôntica de 
ponta fma (ponta de Rhein) para localizar as entradas dos canais radiculares. 
• Nos canais e nas câmaras pulpares constritas, remover o colar de dentina que en­
volve a entrada dos canais radiculares com auxílio de broca esférica HL # 4 (Ko­
met) para baixa rotação, acionada em motor elétrico na velocidade de 500 rpm. 
• Esse desgaste superficial permite a visualização do "olho do canal", uma área mais 
esbranquiçada que pode ser vista principalmente com auxílio de microscópio (su­
gestão do Prof. Tauby Coutinho - Endodontia da UERJ). 
• Em canais amplos e médios, a remoção do colar de dentina pode ser feita com 
broca de Largo # 2 (Dentsply), inicialmente com movimentos de bicadas para 
o interior do canal seguidos de movimento suave de pressão na parede anticur­
vatura. 
• Esse desgaste anticurvatura tem a finalidade de reduzir ou minimizar a primeira 
curvatura do canal (Figura 19.1). 
à FIGURA 19.1 
A) Radiografia inicial mostrando a primeira curvatura do canal na raiz mesial do molar inferior. B) 
Radiografia mostrando o tratamento endodôntico realizado e o alívio rea lizado pelos instrumentos 
no sentido do desgaste anticurvatura. 
Fonte : Rad iografias gentilmente cedidas pela Ora. Marcelle l ouise Sposito Bourreau. 
Passo 9 - preparo e modelagem de canais radiculares em canais de 
amplitude média ou amplos 
Primeira fase - descontaminação progressiva e preparo do corpo do canal 
• Fazer uma radiografia inicial e a medida do CAD. 
• Preencher a câmara pulpar com gel de clorexidina a 2%. 
• Explorar os 16 mm iniciais do canal radicular (terço cervical e médio) com limas 
tipo K manuais(# 10 e # 15) (Hi-5, Miltex•, NY, EUA) para defmir sua amplitude. 
• Se as limas# 10 ou# 15 penetrarem com folga nos 16 mm iniciais do canal radi­
cular, fazer a instrumentação com instrumento rotatório Hero 20.06 (Hero 642, 
MicroMega•, Besançon, França). O design desse instrumento é apropriado para 
186 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
as regiões de istmos e reentrâncias, comuns em canais achatados, localizados nos 
terços cervical e médio dos canais radiculares. 
• O primeiro movimento com a Hero 20/ .06 deve ser de bicada, de milímetro a mi­
límetro, até atingir a profundidade de 16 a 17 mm (deve-se prestar muita atenção 
na radiografia inicial para observar o CAD ou a presença de interferências anatô­
micas). 
• Irrigar copiosamente o canal radicular com 5 mL de soro fisiológico para facilitar 
a remoção dos debris. 
• O segundo movimento com a Hero 20/.06 é de instrumentação de encontro às 
paredes do canal, nas áreas de istmos e reentrâncias (sobretudo nos polos de canais 
achatados) (Figura 19.2). 
• Irrigar copiosamente o canal radicular com 5 mL de soro fisiológico para facilitar 
a remoção dos debris. 
• Fazer uma ampliação do corpo do canal com brocas de Gates-Glidden (Dentsply­
-Maillefer•, Suíça), na sequência coroa-ápice,# 5, # 4, # 3 e# 2, em motor elétrico 
na velocidade de 900 rpm. 
• Colocar a broca de Gates na entrada do canal radicular e ajustar o stop de borracha 
a 1 a 2 mm do ponto de referência oclusal (Figura 19.3). 
• Acionar o motor e pressionar o contra-ângulo em direção apical para efetuar o 
corte da dentina 
• O corte da dentina é feito com apenas um movimento de pressão apical. 
• Remover a broca do canal radicular e fazer copiosa irrigação com soro fisiológico, 
renovando a substância química auxiliar. 
Segunda fase - modelagem do terço apica/ (deve ser feita ap6s a potência do 
/arame apical) 
• Fazer o cateterismo progressivo da porção remanescente com lima manual# 10 
(Hi-5, Miltex) até uma estimativa de comprimento baseada no comprimento mé­
dio do dente e no aparente medido na radiografia inicial. Quando atingir as pro­
ximidades do comprimento estimado, monitorar o avanço com localizador apical 
até fazer a patência do forame apical. 
• Fazer a odontometria (medida do comprimento real do canal - CRC). 
• Ampliar o diâmetro do forame apical com a lima# 15 e em seguida com a lima# 
20, em movimentos de limagem (vaivém) com amplitude de 2 mm, ultrapassando 
o forame apical. 
• Em seguida, fazer a modelagem do terço apical utilizando instrumentos rotató­
rios ou reciprocantes, de acordo com as especificações dos fabricantes, conforme 
orientação no Capítulo 15: 
• Rotatórios: K3 RS6, Easy ProDesign S, MTWO VDW 
• Reciprocantes: Reciproc VDW OU ProDesign Duo Híbrido Easy. 
• Prosseguir para os procedimentos pré-obturadores no passo 12. 
Endodontia passo a passo 187 
• A sequência para o uso dos diferentes instrumentos rotatórios encontra-se no Capitulo 15. 
• Os principais objetivos da ampliação do corpo do canal são facilitar a irrigação do terço 
apical e promover melhores condições para a modelagem e obturação desse terço. 
• Não esquecer que os instrumento rotatórios e reciprocantes têm vida útil e devem ser 
substituídos sistematicamente, a fim de prevenir a ocorrência de fraturas. 
• Os instrumentos manuais trabalham com a ponta. 
• Os instrumentos rotatórios trabalham com a ponta livre. 
FIGURA 19.3 ~ 
Broca de Gates no preparo do corpo do canal. 
Note que o stop de borracha está ajustado 
a 1 mm da referência marcada na superfície 
oclusal. 
• FIGURA 19.2 
Corte longitudinal em pré-molar inferior, mos­
trando o grau de achatamento do canal radi­
cular e o direcionamento do instrumento Hero 
20/.06 de encontro à parede vestibular do 
canal. 
Passo 10 - preparo e modelagem de canais radiculares em canais 
constritos (Classe li) 
Primeira fase - acesso ao fora me apica/ (técnica da ampliação anatômica 
progressiva-AAP) 
• Preencher a câmara pulpar com gel de clorexidina a 2%. 
• Inserir uma lima tipo K # 8 ou# 10 (Hi-5, Miltex•, NY, EUA) no canal radicular até 
que ela toque a parede do canal e prenda-se suavemente na dentina. 
• A inserção da lima no canal deve ser feita delicadamente, num movimento rápido, 
com um giro de cerca de ~ de volta no sentido horário, igual ao lançamento de um 
dardo no alvo. 
188 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
• "Movimento de dardo": o instrumento deve ser arremessado, suavemente, para o 
interior do canal para que fique preso na dentina (a pressão no instrumento pode 
formar um degrau ou uma obstrução do canal). 
• Liberar o instrumento da dentina com um movimento único de tração. 
• Não retirar o instrumento do canal; apenas liberá-lo da dentina e repetir o movi­
mento de inserção e tração por duas ou três vezes. 
• Ao liberar o instrumento, não fazer movimentos oscilatórios - pode ocorrerfra­
tura. 
• Para dar amplitude e conicidade ao corpo do canal radicular, fazer uma AAP com 
a sequência de limas# 8, # 10, # 15, # 20 e# 25, todas inseridas com o mesmo mo­
vimento de "lançamento de dardo': 
• Ao completar a série, retornar sempre com a lima # 8 ou # 1 O, com os mesmos 
movimentos de "lançamento de dardo': para avançar gradativamente em dire­
ção apical (a série step-back anatômica libera o corpo do instrumento da parede 
do canal e permite o avanço gradativo dos instrumentos mais finos em direção 
apical). 
• A passagem de um instrumento para outro deve ser de uma forma suave e sem 
pressão apical. 
• Quando o instrumento estiver próximo do forame apical, tomar como referência 
a medida do CAD na radiografia inicial e transpassar o forame apical (patência) 
com a lima# 10 usando os mesmos movimentos de "lançamento de dardo': 
• Agora que o instrumento está próximo do forame, não corre o risco de "flam­
bagem", e uma pressão maior no sentido apical pode ser feita para conseguir a 
patência. 
• Ao conseguir a patência, fazer movimentos de vaivém, sem remover o instrumento 
do forame, até conseguir demarcar bem a trajetória do canal e do forame apical. 
• Ampliar o diâmetro do forame apical com a lima # 15 (lima anatômica inicial -
LAI). 
• Fazer a odontometria com localizador eletrônico (Novapex, Forum Engineering 
Technologies•, Israel) e determinar o comprimento real do canal no ponto zero do 
localizador (CRC). 
• Definir o comprimento de trabalho (CT) a 1 mm além do CRC. 
• Irrigar copiosamente o canal radicular com 5 mL de soro fisiológico e renovar a 
substância química auxiliar. 
• Ao finalizar esta primeira fase, houve a transformação de um canal classe II ou III 
(constritos) em um canal classe I. 
• Prosseguir o preparo retornando ao passo 9 no primeiro movimento com as bro­
cas Hero 20/.06. 
A Figura 19.4 mostra a sequência da AAP. 
#10 # 15 #20 # 25 
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Endodontia passo a passo 189 
# 16 
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~ FIGURA 19.4 
Sequência da ampliação anatômica progressiva. 
Passo 11-procedimentos pré-obturadores (cuidados prévios para o 
sucesso da obturação) 
• 
O principal objetivo desta fase é determinar o diâmetro final do forame apical após o 
preparo e a ampliação com os instrumentos rotatórios ou reciprocantes. O conheci­
mento desse diâmetro é fundamental, pois não existe batente para ancorar o cone de 
guta-percha, que será travado nas paredes do canal radicular na distância aproxima­
da de 2 mm aquém do CRC. Para conseguir esse travamento, é necessário saber qual 
foi a lima anatômica final (LAF) que determinou o diâmetro final do forame apical. 
Sequência para conferir o diâmetro final do /arame 
• Preencher o canal radicular com o gel de clorexidina. 
• Transpassar o forame com uma lima manual, com diâmetro correspondente (TIP) 
ao último instrumento que passou o forame apical, 1 mm além do CRC. 
• Ajustar o stop no CT, colocar o instrumento no canal e fazer suave pressão apical 
para verificar se o instrumento ultrapassa o forame apical ou fica contido no inte­
rior do canal. 
• Se o instrumento ultrapassar o forame, retirá-lo do canal e inserir um instrumento 
com o diâmetro imediatamente superior e verificar seu travamento. 
• O diâmetro final do forame corresponderá ao diâmetro da lima que transpassar o 
forame apical mais ajustado às paredes. 
• Ao passar ajustado ao forame, conferir novamente o CRC com o localizador ele­
trônico. 
• Existem agora duas medidas: o comprimento real do canal e o diâmetro do forame 
apical. 
• Para ajustar o cone de guta-percha medium, de taper .06 (Konne•, Belo Hori­
zonte, Brasil), para a obturação, utilizar a régua calibradora e fazer o corte da 
190 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
ponta do cone na perfuração correspondente ao diâmetro duas vezes superior 
ao diâmetro da LAF (p. ex., se a LAF foi# 35, o diâmetro do cone de guta-percha 
deve ser# 45). 
• Fazer copiosa irrigação com soro fisiológico e preencher o canal com gel de clore­
xidina. 
• Realizar a modelagem da ponta do cone de guta-percha preparado com uma se­
quência de batidas do cone de encontro ao canal, no sentido apical, até que se 
perceba um ligeiro travamento do cone. 
• Fazer uma radiografia da prova do cone para confirmar o limite apical de 2 mm 
aquém do vértice radiográfico. 
• Irrigar copiosamente o canal radicular com soro fisiológico para remover o gel de 
clorexidina. 
• Para finalizar a etapa de preparo para obturação, é necessário fazer a limpeza das 
paredes do canal com EDTA a 17% (Fórmula&Ação, São Paulo, Brasil) para remo­
ver a camada de smear layer. 
• Para que o EDTA tenha uma melhor ação, é necessário fazer uma agitação durante 
10 segundos, com ultrassom ou com um cone de guta-percha calibrado no diâme­
tro da LAF. 
• Remover o conteúdo de EDTA do canal com pontas de aspiração e repetir o pro­
cedimento três vezes. 
• Fazer a irrigação fmal com soro fisiológico. 
• Aspirar o conteúdo do canal com auxílio de uma cãnula de silicone (Capillary 
Tips, Ultradent•, EUA) e finalmente fazer a secagem do canal com uma ponta de 
papel absorvente (Endopoints•, Brasil) calibrada no diâmetro da LAF. 
• Prosseguir para a etapa da obturação do canal. 
O Quadro 19.1 mostra como fazer a odontometria; o Quadro 19.2 ensina a fazer 
o "movimento de dardo': 
Quadro 19.1 Como fazer a odontometria 
• A odontometrla deve ser feita com auxílio do localiza dor eletrônico. 
• A posição do Instrumento no interior do canal pode ser controlada por indicadores luminosos ou barras 
digitais, localizadas no dísp/ay do aparelho, ou pela alternância do som emitido pelo aparelho: blp lento 
quando a ponta está no interior do canal; bip rápido quando a ponta está fora do canal; som contínuo 
quando a ponta do instrumento está no forame apica l. 
• As medidas mostradas no disp/ay do localizador não determinam com precisão a posição do instrumento 
no interior do canal, podendo ocorrer pequenas variações de acordo com constrições existentes na ana­
tomia apical. 
• Quando a lima transpassa o foram e, o aparelho define com 100% de precisão que a ponta do instrumento 
está fora do canal radicular. 
• Para certificar-se de que o instrumento está no forame apical (CRC), é necessário recuar lentamente o ins­
trumento que transpassou o forame até que o som emitido pelo localizador fique contínuo ou a marcação 
no display mostre que a ponta do instrumento está no zero. 
• Para se obter o comprimento de trabalho, é necessário acrescentar 1 mm no CRC. 
Endodontia passo a passo 191 
Quadro 19.2 Como fazer o movimento de "lançamento de dardo" 
• Colocar no canal radicular uma lima # 10, com pressão suave e ligeiro movimento de rotação (X de volta). 
• O movimento de inserção do instrumento no canal pode ser comparado ao "arremesso de um dardo". 
• A pressão no instrumento deve ser suficiente para que ele fique preso na dentina, abrindo um pequeno 
espaço no canal, sem o risco de formação de degrau. 
• Fazer a remoção do instrumento com um movimento firme de tração para remover a dentina cortada 
localizada em suas espiras. 
• Evitar movimentos oscilatórios; apenas desprender o instrumento da dentina. 
• Repetir o movimento de inserção da lima # 10, por duas ou três vezes, sem pressão a picai, para ampliar 
este segmento do canal. 
• Em seguida, colocar a lima # 15 e repetir os movimentos de inserção e remoção do canal radicular. 
• Repetir os movimentos com as limas# 20 e# 25 e terá sido executada a AAP deste segmento do canal 
radicular. 
• Fazer uma irrigação copiosa com soro fisiológico e renovar a substância química auxiliar (Endogel•). 
• Em seguida, retornar com a lima # 10, inserindo-a no canal com o mesmo movimento de "lançamento de 
dardo". 
• Com a ampliação anatômica, o corpo do instrumento fica liberado da parede do canal e passa a trabalhar 
somente com sua ponta ativa, avançandono sentido a picai. 
Para aAAP, os instrumentos manuais finos(# 8 ou# 10) devem ser novos, não devendo ser 
pré-curvados, pois a pressão suave na inserção do instrumento no canal precisa ser direcio­
nada para sua ponta, que avançará no sentido apical, com relativa facilidade. 
Passo 12 - obturação dos canais radiculares 
Técnica do cone modelado* 
A técnica do cone modelado é uma modificação da técnica da compressão hidráulica 
vertical proposta por De Deus,3 que consiste em uma termoplastificação da guta­
-percha que, após aquecida e sob pressão hidráulica vertical, será a propulsara do 
cimento para os espaços livres do forame apical e de canais acessórios. O primeiro 
corte da guta-percha é realizado na embocadura do canal radicular, seguido de com­
pressão hidráulica vertical com calcador fino (Konne•, Belo Horizonte, Brasil) por 10 
segundos. Para complementar a propulsão do cimento, um segundo aquecimento da 
guta-percha deve ser realizado, seguido de compressão hidráulica vertical (Figuras 
19.5 a 19.9). 
O objetivo da obturação é o preenchimento tridimensional do espaço intrarradi­
cular com um cimento obturador capaz de escoar pelas paredes do canal, ocupando 
os espaços vazios, e, após sua presa, promover o selamento dos portais de saída do 
canal radicular - forame apical e canais laterais. 
O princípio da técnica é a adaptação de um cone único de guta-percha, modela­
do contra as paredes do canal radicular no terço apical, a uma distância de 2 ou 3 mm 
do forame apical. A calibração do cone, para que se adapte às paredes do canal, deve 
ser feita na régua calibradora. O diâmetro estabelecido para a ponta do cone deve ser 
duas vezes superior ao diâmetro final do forame após sua ampliação. 
• Proposta por Souza Filho. 
192 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
A modelagem do cone é executada a frio, e é fundamental, uma vez que o prepa­
ro com ampliação do forame apical é feito sem deixar batente ou degrau para sua an­
coragem, de tal modo que resista à plastificação e à compressão vertical e permaneça 
no interior do canal radicular. 
Para a obturação do canal radicular, pode ser utilizado o cimento obturador Pulp 
Canal Sealer (EWT, Kerr•, EUA), preparado de acordo com a recomendação do fa­
bricante. O cimento deve ser inserido no canal radicular com auxílio do próprio cone 
de guta-percha, até o seu completo preenchimento. Em seguida, o cone de guta-per­
cha é posicionado no local do travamento para a termoplastificação e compressão 
hidráulica vertical. 
Para a realização do backfill, o excesso de cimento deve ser removido do espaço 
vazio do canal e totalmente preenchido com Coltosol (Vigodent•, Brasil), até a embo­
cadura dos canais na câmara pulpar. Em todos os casos, o acesso coronário é restau­
rado com resina composta ou cimentação de pino de fibra de vidro. 
Sequência da modelagem do cone de guta-percha 
• Determinar o diâmetro final do forame apical. 
• Preparar o cone de guta-percha na régua calibradora no diâmetro duas vezes supe­
rior ao diâmetro final do forame preparado. 
• Preencher o canal radicular com gel de clorexidina a 2%. 
• Fazer a modelagem da ponta do cone de guta-percha com batidas contra as pare­
des do canal até obter um pequeno travamento. 
• Fazer uma radiografia da prova do cone e verificar se o cone encontra-se na posi­
ção ideal (2 mm aquém do forame). 
FIGURA 19.6 ... 
Calibração do cone de guta-percha # 50. 
~ FIGURA 19.5 
Ajuste da LAF # 40. 
FIGURA 19.8 ... 
Obturação do canal com compressão hidráulica 
vertical. 
Seleção do cimento obturador 
Endodontia passo a passo 193 
• FIGURA 19.7 
Radiografia do cone em posição 2 mm aquém 
do vértice radiográfico. 
• FIGURA 19.9 
Radiografia da obturação do canal radicular e 
extravasamento de cimento no forame a picai. 
O princípio da técnica segue os fundamentos propostos por Schilder, 
1 
que preconiza 
a obturação tridimensional do canal com o cimento endodôntico fechando os portais 
de saída do sistema de canais radiculares. Para isso, a escolha do cimento obturador é 
importante, sendo necessário conhecer suas propriedades físicas e biológicas. 
Alguns critérios devem ser observados na escolha do cimento: 
• Ter um tempo de trabalho compatível para que os procedimentos possam ser rea­
lizados com tranquilidade. 
• Apresentar estabilidade dimensional. 
194 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
• Ser biocompatível. 
• Apresentar bom escoamento. 
• Apresentar radiopacidade. 
Dentro desses critérios, são recomendados os seguintes cimentos obturadores: 
Endomethasone (Septodont, França) (Figura 19.10) 
--- ----·- ----r ----
~ FIGURA 19.10 
Embalagem do cimento Endomethasone 
N Pó. 
• Apresenta um tempo de trabalho excelente (ideal para os iniciantes na técnica). 
• É biocompatível. 
• Apresenta excelente estabilidade dimensional. 
• É lentamente reabsorvido no periápice (acima de dois anos). 
• A resposta pós-operatória é excelente quando extravasa (não provoca dor pós­
-operatória quando ocorre sobreobturação). 
• Não apresenta bom escoamento, motivo pelo qual deve ser levado ao canal na pon­
ta de um cone de guta-percha e manipulado vigorosamente para que possa aderir 
às paredes. 
• A espatulação deve ser vigorosa, e o cimento estará pronto quando perder o brilho 
(excesso de eugenol) e apresentar uma consistência mais resistente. 
Pulp Canal Sealer EWT (Kerr•, EUA) (Figura 19.11) 
FIGURA 19.11 ..... 
Embalagem do cimento Pulp Canal Sealer EWT. ~· 
Endodontia passo a passo 195 
• Apresenta um tempo de trabalho suficiente para profissionais treinados. 
• É biocompatível. 
• Apresenta excelente estabilidade dimensional. 
• A resposta pós-operatória, quando extravasa para o periápice, é excelente (não 
provoca dor pós-operatória quando ocorre sobreobturação ). 
• É lentamente reabsorvido no periápice (acima de um ano). 
• Apresenta excelente escoamento. 
Sealapex (Dentsply-Maillefer•, Suíça) (Figura 19.12) 
-~-
... FIGURA 19.12 
Embalagem do cimento Sealapex. 
• Apresenta bom tempo de trabalho. 
• Quando extravasa para o periápice, apresenta sintoma doloroso nas primeiras 
horas, que desaparece após 24 a 48 horas (exige uma medicação analgésica pós­
-operatória). 
• A reabsorção no periápice é rápida (seis meses). 
Sequência para obturação dos canais radiculares 
• O canal radicular deve estar completamente seco. 
• Levar uma pequena porção de cimento na ponta do cone de guta-percha e fazer 
movimentos rápidos de agitação (vaivém) até que todas as paredes do canal fi­
quem completamente revestidas (é importante visualizar o cimento recobrindo as 
paredes do canal). 
• Em seguida, levar o cone de guta-percha até o ponto do travamento apical, lenta­
mente, para que as bolhas incorporadas no cimento sejam gradativamente elimi­
nadas. 
• Cortar o cone na entrada do canal radicular com o aparelho termoplastificador ou 
com condensador manual aquecido. 
• A consistência do cimento é importante para que o cone empurre o cimento para 
a porção apical, onde o selamento é fundamental. 
196 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
• Para impulsionar o cimento, fazer uma compressão vertical com condensador ma­
nual de ponta fma (frio) por 10 segundos sobre a guta-percha. 
• Para retirar o condensador, fazer movimentos de rotação enquanto comprime o 
cone em direção apical, com objetivo de abrir um espaço na guta-percha enquanto 
ela resfria. 
• Após a remoção do calcador frio, fazer um novo aquecimento da guta-percha e 
repetir a compressão hidráulica vertical. 
• Fazer uma radiografia de qualidade para conferir a compactação do material ob­
turador e conferir se houve extravasamento do cimento através do foram e apical e 
dos canais laterais. 
• O cimento Endomethasone, por apresentar um tempo de presa mais longo, possibilita 
novo aquecimento e nova compressão do cone de guta-percha para melhor compactação 
da obturação. 
• Os cimentos de presa rápida não permitem correções após a presa do material, motivo 
pelo qualdevem ser usados por dentistas mais experientes que podem dispensar a radio­
grafia de qualidade. 
• Após a presa, o material obturador não pode mais ser compactado, pois pode despren­
der-se das paredes do canal e deixar áreas suscetíveis para infiltração. 
• Para limpar a entrada dos canais, cortar o cone de guta-percha 2 a 3 mm abaixo da en­
trada do canal, remover o excesso de cimento e, em seguida, preencher esse espaço com 
Coltosol (backfill). 
Backfill com Coltosol (Figura 19.13) 
' 
,.,COLTENE ' 
C lt 501 Coltoso1 · , 
- Q. -!l. -==-~ - - 20g 
.... FIGURA 19.13 
Embalagem do Coltosol. 
• O backfill com Coltosol permite um selamento ideal na entrada dos canais radicu­
lares (Figura 19.14). 
• Após a limpeza do excesso de cimento obturador, preparar um espaço na entrada 
dos canais com uma broca de Gates # 4. 
• Levar para a entrada do canal uma pequena porção de Coltosol e condensar o ma­
terial no interior do espaço livre. 
• A compressão fmal deve ser feita com condensador maior até que o material fique 
perfeitamente adaptado no interior do canal. 
• Um vez feito o selamento da entrada dos canais, pode ser realizada a limpeza e 
qualificação da dentina do assoalho da câmara pulpar com vistas à restauração 
adesiva. 
Endodontia passo a passo 197 
• Essa qualificação deve ser feita com brocas esféricas de baixa rotação # 6, em mo­
tor elétrico na rotação de 900 a 1.000 rpm. 
• Durante o corte da dentina superficial alterada (por substância químicas, cimento 
endodôntico, Eugenol), o auxiliar deve jogar jatos de ar para remover os detritos e 
possibilitar a visualização da superfície do assoalho da câmara pulpar para que a 
limpeza seja eficaz. 
• Por fun, a dentina deve ser copiosamente lavada com soro fisiológico, com auxílio 
de microbrush, seca com jatos de ar e em seguida preparada para hibridização. 
~ FIGURA 19.14 
Selamento da entrada dos canais com Coltosol. 
Passo 13 - procedimentos pré-restauradores 
Considerações gerais 
Após a obturação do canal radicular, é altamente recomendável que se faça a blinda­
gem da cavidade coronária com materiais restauradores defmitivos (resinas fotopo­
limerizáveis). 
Esse procedimento, se possível, deve ser feito pelo próprio endodontista para 
promover uma impermeabilização ou a blindagem coronária, a fim de evitar mi­
croinfiltração bacteriana e para reforçar e proteger a estrutura coronária, já debilitada 
pelo tratamento de canal. 
Sequência clínica para restauração com resina composta 
A qualificação do substrato dentinário para receber a restauração adesiva consiste na 
remoção da dentina superficial, alterada pelas substâncias químicas utilizadas duran­
te o tratamento, e deve seguir os seguintes passos: 
• Remover a dentina superficial da câmara pulpar com brocas esféricas HL # 4 ou 
# 6, em motor elétrico de baixa rotação, na velocidade de 500 a 900 rpm. 
• Lavar copiosamente a cavidade com água e secar com jatos de ar. 
• Preferencialmente, utilizar o sistema adesivo de dois passos (Clearfil SE Bond -
Kuraray). 
• Condicionar a superfície dentinária com primer ácido por 20 segundos. 
• Aspirar o excesso com ponta de sugador ou com pontas de papel absorvente. 
• Aplicar, à distância, um leve jato de ar para evaporar componentes voláteis. 
198 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
• Aplicar o bond com microbrush e remover o excesso com aspiração ou pontas de 
papel absorventes. 
• Fazer a fotoativação do material por 40 segundos. 
• Aplicar uma camada fina de resina jlow nas paredes da cavidade. 
• Fazer a fotoativação do material por 40 segundos. 
• Utilizar a técnica incremental para inserção da resina composta até completar o 
preenchimento da cavidade. 
• Ao final dos procedimentos restauradores, retirar o isolamento absoluto e remover 
a cola aderida na superfície coronária. 
• Ajustar a oclusão. 
• Efetuar o acabamento e polimento do selamento coronário. 
• Encaminhar o caso para o dentista indicador para a realização dos procedimentos 
restauradores, definitivos diretos ou indiretos. 
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1 
A importância dos estudos 
Longitudinais na saúde: 
estrutura, modelos, 
forcas e Limitacões 
J J 
FRANCESCO CHIAPPELLI, XÊNIA MARIA CALDEIRA BRANT 
E CAIO CALDEIRA BRANT SANDY 
Para que os resultados obtidos a partir de uma decisão clínica possam ser avaliados, 
faz-se necessário um acompanhamento clínico radiográfico por meio de protocolos 
bem-definidos, com medições repetidas das mesmas variáveis no mesmo indivíduo 
ao longo do tempo, isto é, um estudo longitudinal. Estudos longitudinais envolvem, 
por definição, medições repetidas das mesmas variáveis no mesmo indivíduo ao lon­
go do tempo, sendo também chamados de estudos de medições repetidas. 
Estudos longitudinais, realizados em uma grande população de pacientes, du­
rante um período de acompanhamento longo podem fornecer ao clínico não somen­
te condições de avaliar a eficácia da tomada de decisão clínica, como também rever 
condutas que não se mostram satisfatórias. 
Um estudo longitudinal é um estudo de pesquisa de correlação que envolve observações 
dos mesmos pacientes por períodos de tempo longos. Essas observações são realizadas de 
forma sistemática, permitindo avaliar alterações que possam surgir ao longo do tempo, for­
necendo informações sobre os fatores que podem influenciar a frequência de um resultado 
e reunindo, dessa forma, resultados de representatividade. 
A natureza da coleta de dados pode ser descritiva ou categórica. Os estudos des­
critivos são usados para descrever a incidência de certas doenças ou variáveis, em 
que são realizadas medições contínuas (ou semicontínuas), como o comprimento do 
canal de determinado dente em milímetros. Os categóricos são usados para analisar 
as associações entre os fatores de risco ou a exposição e o próprio desfecho estudado, 
por exemplo, o número de pacientes com restaurações defeituosas que precisam de 
tratamento endodôntico. 
Em geral, estudos longitudinais de dados categóricos podem se estender por lon­
gos períodos de tempo, medidos em meses ou anos. Projetos descritivos podem ter, 
202 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
similarmente, longas durações, bem como podem se estender por períodos curtos 
de tempo, de minutos (ou mesmo mais curtos quando se mede, p. ex., a condução da 
dor pelas terminações nervosas na pulpite). Essa é uma das razões por que estudos 
longitudinais descritivos de medições contínuas são considerados estatisticamente 
mais rigorosos do que estudos longitudinais de dados categóricos: eles dão ao pesqui­
sador uma força estatística maior - maior certeza de que o resultado observado é um 
efeito verdadeiro, e não aleatório. 
Conforme dito, estudos longitudinais exigem que a mesma variável seja medida 
em intervalos repetidos no mesmo indivíduo. Assim, a verificação inicial da variável 
corresponde a um valor basal antes do início da intervenção. Consequentemente, 
uma abordagem simples para a análise dos dados envolve subtrair o valorbasal de 
cada observação subsequente, comparando os deltas (i.e., as variações) assim obti­
dos. Isso significa que uma abordagem estatisticamente válida da análise de estudos 
longitudinais é simplesmente fazer a análise estatística sobre os valores corrigidos 
pelo valor basal. Para ser mais claro, tal protocolo diz respeito e se aplica aos dados 
obtidos de cada paciente em particular. Como consequência, é justo dizer que os 
estudos longitudinais precisam da análise longitudinal dos dados, cujo centro da aná­
lise são os dados do paciente em particular; ou seja, em estudos longitudinais, cada 
paciente serve como seu próprio controle. 
Esse ponto, estatisticamente falando, é de suma importância porque significa 
que, usando o jargão estatístico, cada paciente é seu próprio blockingfactor, e que é 
possível usar esse blockingfactor para fracionar (i.e., reduzir) o erro aleatório. Isso é 
crítico, de fato, porque se é preciso simplificar a interferência estatística ao máximo, 
poder-se-ia dizer que todo teste estatístico busca descobrir se determinado sinal (i.e., 
resultado clínico) é ou não é maior que o ruído (i.e., que a variabilidade devida ao 
acaso, que os efeitos aleatórios, que as medições aleatórias). Se o ruído puder ser 
reduzido, então há melhores condições de observar o sinal, e o sinal observado será 
mais provavelmente verdadeiro. 
Essa afirmação, traduzida para a terminologia da estatística, fica assim: se o erro 
aleatório é reduzido (i.e., fracionado), então o teste estatístico tem uma capacidade 
maior de estabelecer se o resultado observado é verdadeiro. Em resumo, qualquer 
protocolo, como a introdução de um blockingfactor, é benéfico ao projeto de um es­
tudo porque fraciona o erro aleatório, aumentando, assim, a força da análise e o rigor 
do projeto. É por essa razão que os estudos longitudinais são, em geral, projetos mais 
rigorosos, com maior força estatística que projetos equivalentes de comparação ou 
previsão que não se estendem ao longo do tempo. 
Por outro lado, esse fato traz consigo as principais limitações dos estudos lon­
gitudinais: perda de dados, interrupções e conjuntos de dados incompletos. Os 
estatísticos têm meios de contornar dados faltosos (p. ex., censura de dados, falsa 
atribuição, ou interpolação, dependendo de padrões internos inerentes ao conjunto 
de dados), interrupções (p. ex., análise da intenção de tratar) e conjuntos de dados 
incompletos (p. ex., utilização de meios marginais, etc.). Juntas, essas limitações cos­
tumam ser reduzidas sob o termo genérico de eventos de medição irregularmente 
distribuídos, o qual estatísticos recomendam ser utilizado analiticamente por meio 
de um sofisticado modelo regressivo. 
A questão aqui não é oferecer uma análise crítica dessas intervenções estatísti­
cas, mas explicitar que essas limitações representam um desafio à interferência es-
Endodontia passo a passo 203 
tatística e que, para cada manipulação estatística introduzida em uma análise para 
contrabalancear essas limitações, há uma queda na força estatística. Isso é como dizer 
que "sim, nós dispomos de meios para contornar alguns dos problemas inerentes aos 
estudos longitudinais, mas eles têm seu preço, e esse preço é um enfraquecimento 
progressivo do estudo como um todo". 
Além dos meios explicitados, é possível agregar os deltas de todos os pacientes 
em um grupo ou clínica em determinado período de tempo e obter meios e desvios­
-padrão para os deltas dos pacientes em um grupo em certo período de tempo. Seria de 
relativamente pouca importância se o tamanho da amostra não fosse mantido igual ao 
longo de todos os momentos, similarmente a uma perda de dados ou interrupção. Da­
dos agregados também poderiam equilibrar, ao menos até certo ponto, erros correlatos 
de medição. Isso significa que, ao usar dados agregados, pode-se tentar certificar-se de 
que os conjuntos de dados serão tão completos e homogêneos (relativamente falan­
do) quanto possível - mas eles deixarão de consistir e de refletir dados individuais do 
paciente e mostrarão, em vez disso, os padrões longitudinais de grupos de pacientes. 
Assim, a análise dos dados individuais do paciente gera informação específica para 
cada paciente individual, enquanto que a análise de dados agregados não representa 
nenhum paciente especificamente, mas mostra uma imagem muito geral do grupo. 
A força de um estudo longitudinal, como é o caso para todos os projetos usados 
na pesquisa relacionada à saúde, é amplamente dependente do tamanho da amostra, 
sobretudo quando se lida com análises de dados de grupos agregados. Apesar do uso 
atualmente muito difundido de projetos longitudinais de medições repetidas, sabe­
-se surpreendentemente pouco sobre a determinação do tamanho da amostra para 
estudos longitudinais. Essa lacuna de conhecimento é explicada, em parte, porque a 
determinação do tamanho da amostra depende das especificidades do protocolo de 
cada estudo longitudinal individual, e por causa de uma falta de robustez predomi­
nante nos dados faltosos em estudos longitudinais como um todo. Um novo software 
de computador (p. ex., SuperMix) existe agora para modelos rotineiros de análise 
longitudinal de dados. 
Resumidamente, há duas familias distintas de modelos para analisar estudos 
longitudinais: a família do modelo regressivo misto de efeitos e a família do modelo 
linear geral. 
O modelo regressivo misto de efeitos pode ser aplicado a dados contínuos nor­
malmente distribuídos e não normalmente distribuídos, bem como a resultados ca­
tegóricos. É robusto quanto a dados faltosos e quanto a eventos de medição irregular­
mente distribuídos e é capaz de lidar com variáveis correlatas que sejam indiferentes 
ao tempo ou não. Ele compreende os modelos mais gerais de probabilidade total para 
a análise de estudos longitudinais que utilizam todos os dados disponíveis de cada 
sujeito. Pode ser computacionalmente complexo, e inclui, de forma específica, os mo­
delos lineares tradicionais, o modelo não linear, o modelo de interceptação aleatória 
(que considera efeitos específicos do indivíduo como efeitos aleatórios e indepen­
dentes de erros de medição) e o modelo aleatório de interceptação e tendência (que 
tem o válido argumento de que a variabilidade aleatória [i.e., o erro aleatório] leva 
ao crescimento, ao longo do tempo, de uma forma que obedece à tendência ligada 
ao tempo que depende do fato de que nem todos os sujeitos mudam e respondem ao 
tratamento na mesma proporção e na mesma medida, e que as medições em momen­
tos temporalmente próximos entre si tendem a ser mais intimamente correlatas [i.e., 
204 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
mais homogêneas] que as medições mais amplamente dispersas ao longo do tempo 
(i.e., efeito dispersão]). 
De modo alternativo, os modelos lineares para analisar estudos longitudinais em 
geral são computacionalmente mais fáceis que os métodos de probabilidade total indi­
cados. Eles podem ser generalizados para uma grande variedade de medições de resul­
tados com distribuições diversas, porém são mais restritos que os modelos de efeitos 
mistos em suas suposições relativas a dados faltosos. Os modelos lineares em geral são 
caracteristicamente menos eficientes que os modelos de probabilidade total para ofe­
recer estimativas de efeitos específicos do sujeito (p. ex., dentro das linhas de tendência 
do sujeito) para ajudar a interpretar a variabilidade intersubjetiva em respostas longi­
tudinais, mas preveem com precisão respostas futuras de um dado sujeito ou conjunto 
de sujeitos em um dado subgrupo ou agregação (p. ex., um hospital ou uma clínica). 
Modelos lineares costumam ser adequados para a análise de resultados categóri­
cos (i.e., contagens) e podem ser usados também para medições contínuas. Por serem 
baseados em estimativas de semiprobabilidade, deixando, como dito, a probabilidade 
total dos dados não especificada, modelos lineares em geral são considerados mo­
delos marginais que simplesmente modelama regressão de y em x e a dependência 
interna ao sujeito e evitam a necessidade de distribuições multivarietais ao assumir 
uma forma funcional simples para a distribuição funcional a cada ponto. Mais im­
portante é que eles se amparam na suposição de que dados faltosos são aleatórios 
e assim podem ser substituídos por meios marginais dos dados observados, mes­
mo quando limitados por interrupção por parte do sujeito. Como consequência, em 
modelos lineares em geral, erros-padrão costumam ser "inchados" para acomodar 
a quantidade reduzida de informação independente produzida pela correlação das 
observações repetidas ao longo do tempo e dentro de agregados. Esse acréscimo re­
lativo de variabilidade aleatória reduz a capacidade desses modelos como um todo, 
se comparados com os modelos regressivos de probabilidade total de efeitos mistos. 
Estudos longitudinais podem ser comparativos em sua natureza: por exemplo, 
compare-se o cimento A com o Bem 6, 12, 18 e 24 meses após o tratamento endo­
dôntico. Estudos longitudinais também podem ser previsões, como a identificação 
das variáveis que melhor predizem o sucesso do tratamento endodôntico em 1, 3, 6 
e 12 meses após a intervenção. Quando estudos longitudinais são conduzidos com 
dados categóricos (p. ex., o número de pacientes cujos tratamentos endodônticos irão 
falhar ao longo de l, 2, 3, 4 e 5 anos), eles se configuram em análises de sobrevivência 
de Kaplan-Meier ou Cox. 
Estudos longitudinais podem ser estudos observacionais ou estudos clínicos do 
tipo l, 2, 3 ou 4, que podem ser, ou não, totalmente controlados ou randomizados 
(como explicitado antes, é inerente ao projeto de medições repetidas o fato de que os 
sujeitos funcionam como seu próprio controle; logo, um controle extrínseco total­
mente estruturado - i.e., um grupo-controle - não é essencial; além disso, por causa 
do blockingfactor inerente ao desenho do projeto, a randomização extrínseca não é 
tão crítica quanto em projetos tradicionais). No caso de projetos longitudinais, como 
em geral, há uma clara vantagem estatística em estruturar o estudo clínico como um 
estudo clínico em grupo, porque o processo de agrupamento funciona similarmente 
a um blocking factor em si e de si mesmo, gerando assim um fracionamento ainda 
maior do erro aleatório, mas com as limitações recém-discutidas. 
Endodontia passo a passo 205 
Tomadas em conjunto, essas observações revelam as razões oportunas e críticas 
pelas quais os estudos longitudinais são cada vez mais considerados de escolha para as 
pesquisas baseadas na prática clínica, apesar do custo e do tempo potenciais associados 
à sua condução. Isso é especialmente verdadeiro no contexto do novo modelo contem­
porâneo de saúde translacional que é, acima de tudo, voltado para o paciente, focado 
em efetividade, baseado em evidências e articulado sobre a obtenção e análise de dados 
do paciente em particular, que é a própria essência dos estudos longitudinais. 
LEITURAS RECOMENDADAS 
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Casos clínicos realizados 
com a técnica da patência e 
ampliação do forame apical 
FRANCISCO JOSÉ DE SOUZA FILHO 
~ FIGURA 21.1 
Sequência de caso clínico realizado com ampliação do forame apical e selamente apical com 
cimento obturador. As radiografias na parte inferior mostram processo de reparo periapical aos 
6 meses e 18 meses (cimento Pulp Canal Sealer). 
Fonte: Cortesia do Dr. Patrick Baltieri. 
... FIGURA 21.2 
A) Radiografia inicial do dente 36 com 
insucesso do tratamento endodôntico 
e presença de lesão periapical. B) Ra­
diografia final após tratamento endo­
dôntico realizado com ampliação do 
forame apical, mostrando o selamen­
te de canais acessórios com cimento 
Pulp Canal Sealer. 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle Louise Spo­
sito Bourreau. 
210 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
à FIGURA 21.3 
A) Radiografia inicial do dente 47 com insucesso do tratamento endodôntico. B) Radiografia final 
do retratamento endodôntico. C) Controle após o período de 12 meses com a cura da lesão peria­
pical (cimento Pulp Canal Sealer). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
8 e 
à FIGURA 21.4 
A) Radiografia inicial do dente 45 com lesão periapical. B) Radiografia final do retratamento endo­
dôntico com extravasamento de cimento no periodonto. C) Controle após o período de 12 meses 
com desaparecimento da lesão periapical (cimento Pulp Canal Sealer). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
à FIGURA 21.S 
Radiografia inicial do dente 43 com lesão periapical. B) Radiografia final do tratamento endodôn­
tico com extravasamento de cimento através do forame apical e canal lateral. C) Radiografia de 
controle após 12 meses com a cura da lesão periapical e a reabsorção do cimento extravasado 
(cimento Pulp Canal Sealer). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
Endodontia passo a passo 211 
& FIGURA 21.6 
A) Radiografia inicial do dente 21 com lesão periapical. B) Radiografia final do retratamento en­
dodôntico com extravasamento de cimento em canal lateral. C) Radiografia de controle após 12 
meses com reparo da lesão periapical e reabsorção do cimento extravasado (cimento Sealapex). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
& FIGURA 21.7 
A) Radiografia inicial do dente 12 com insucesso do tratamento endodôntico e lesão periapical. B) 
Radiografia final do retratamento endodôntico com extravasamentode cimento em canal lateral. 
C) Radiografia de controle após 12 meses com reparo da lesão periapical e reabsorção do cimento 
a picai (cimento Sealapex). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
& FIGURA 21.8 
A) Radiografia inicial do dente 36 com insucesso do tratamento endodôntico e lesão periapical. B) Ra­
diografia final do retratamento endodôntico com extravasamento de cimento no foram e a picai. C) Ra­
diografia de controle após 8 meses com reparo parcial da lesão periapical (cimento Pulp Canal Sealer). 
Fonte: Cortesia da Ora. Marcelle louise Sposito Bourreau. 
212 Francisco José de Souza Filho (Organizador) 
: 
à FIGURA 21.9 
A) Radiografia inicial do dente 45 com lesão periapical. B) Radiografia final do tratamento endo­
dôntico. C) Radiografia de controle após 1 ano (cimento Sealapex). 
Fonte: Cortesia da Ora . Marcelle louise Sposito Bourreau. 
à FIGURA 21.10 
Sequência do tratamento endodôntico do dente 24, mostrando as radiografias inicial e final e 
ilustrações clínicas do isolamento absoluto, da abertura de acesso, do preparo para restauração e 
do caso finalizado. 
Fonte: Cortesia do Dr. Patrick Baltieri. 
Endodontia passo a passo 213 
.à FIGURA 21.11 
Sequência de um caso de retratamento endodôntico do dente 35 (suporte de prótese fixa). As 
radiografias inicial e fina l mostram o sucesso do acesso ao terço a picai e a obturação endodôntica 
final. As fotografias clínicas mostram as fases do retratamento com a remoção do retentor e a 
instalação do pino de fibra de vidro. 
Fonte: Cortesia do Dr. Patrick Baltieri. 
214 Francisco José de Souza Fi lho (Organizador) 
à FIGURA 21.12 
Sequência do tratamento do dente 36. As rad iografias inicial e fina l mostram o perfeito selamente 
do canal rad icular. As fotografias clínicas mostram as etapas do tratamento até a limpeza e o pre­
paro da câmara pulpar para a restauração coronária. 
Fonte: Cortesia do Dr. Patrick Baltieri. 
à FIGURA 21.13 
Tratamento endodôntico do dente 14 com três raízes e três canais. 
Fonte: Cortesia do Dr. Patrick Baltieri. 
Glossário de termos 
endodônticos 
AAP (AMPLIAÇÃO ANATÔMICA PROGRESSIVA) 
É a técnica de preparo do canal radicular para o acesso ao forame em canais atrésicos pela 
ampliação gradativa da anatomia do canal por meio de um step back progressivo{# 10 - # 
15 - # 20 - # 25), com o objetivo de liberar o corpo do instrumento do contato com as 
paredes do canal, possibilitando o avanço apical com a ponta dos instrumentos manuais 
mais finos. 
ADSORÇÃO 
É a ligação molecular que ocorre com a reação dos íons da clorexidina (carga positiva) 
com os íons da hidroxiapatita ou com a parede celular das bactérias (carga negativa). 
CAD 
É a medida virtual tomada na radiografia inicial que determina o comprimento aparente 
do dente. 
CRC 
É a medida exata que corresponde ao comprimento real do canal quando a ponta da 
lima manual está localizada no forame apical. Para tomar essa medida, é necessário fazer 
a patência do forame apical (a ponta da lima fora do canal dispara um bip rápido). Em 
seguida, retomar o instrumento para o interior do canal até que dispare um som contínuo 
(sem bip). Nessa altura, o instrumento está localizado no ponto mais extremo do canal, 
no interior do forame apical, e determina o comprimento real do canal (CRC). 
CT 
É o comprimento de trabalho para a instrumentação do canal radicular a 1 mm além do 
forame apical. 
GLIDEPOWER (FORÇA LEVE) 
É a denominação para a força suave aplicada ao instrumento manual na passagem de um 
instrumento para outro durante a AAP. 
LAF (LIMA ANATÔMICA FINAL) 
É a lima manual que melhor se ajusta ao forame apical a 1 mm além do CRC, após o 
término da ampliação do forame com instrumentos rotatórios ou reciprocantes. É a lima 
equivalente ao diâmetro do forame preparado. 
LAI (LIMA ANATÔMICA INICIAL) 
É a lima que melhor se ajusta ao forame apical a 1 mm além do forame apical, imediata­
mente após a realização da patência. 
LIMITE coe 
É o limite histológico que corresponde à união cemento-dentina-canal localizada aproxi­
madamente a 1 mm aquém do vértice radiográfico da raiz. Pode coincidir com a região 
de maior estreitamento do canal no terço apical 
216 Glossário de termos endodônticos 
PAT~NCIA 
Qualidade ou estado de estar desimpedido, desobstruído, permitindo livre passagem de 
ar, fluidos, etc. 
TAPER 
É o aumento da conicidade do instrumento a partir de sua ponta. No padrão ISO, um 
instrumento com taper 02 aumenta a conicidade em .02 mm a cada mm a partir de sua 
ponta. Um instrumento com taper 06 aumenta .06 mm a cada mm a partir de sua ponta. 
TIP 
É a medida, em milímetros, da ponta dos instrumentos endodônticos. Na numeração 
dos instrumentos manuais padrão, ISO significa que a ponta da lima # 15 tem a medida 
0,15 mm.