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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI SUPERVISÃO ESCOLAR GUARULHOS – SP SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 2 A TRAJETÓRIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR 3 3 O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR NO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO NA ESCOLA 5 4 SUPERVISOR ESCOLAR: CONCEITO, ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES 6 4.1 Planejamento participativo na escola 9 4.2 Desafios enfrentados pelo supervisor escolar no planejamento pedagógico 10 5 A IMPORTÂNCIA DA INSPEÇÃO ESCOLAR: UM BREVE HISTÓRICO 13 5.1 As funções e responsabilidades da inspeção escolar 15 5.2 Enfrentando os desafios do trabalho do inspetor escolar 17 6 INSPEÇÃO X SUPERVISÃO 18 7 ANÁLISE DA ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL 25 7.1 Aspectos legais e normativos da administração escolar 27 7.2 Principais enfoques da gestão escolar 29 7.3 Superando desafios e vislumbrando futuros na gestão escolar 30 8 SINERGIA ENTRE INSPEÇÃO ESCOLAR E GESTÃO ESCOLAR: DESAFIOS E OPORTUNIDADES 32 9 COMUNIDADE ESCOLAR: INDIVÍDUOS E VÍNCULOS 37 9.1 Relações de autoridade, cultura escolar e hierarquia 41 9.2 Dinâmica de equipes e liderança 46 9.3 A contribuição da comunidade no ambiente escolar 51 9.4 A capacitação profissional em contexto de trabalho 58 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 2 A TRAJETÓRIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR De acordo com Rangel (2001), a supervisão teve sua origem no Brasil com a implementação da Reforma Francisco Campos, através do Decreto-Lei n.º 19.890, em 18 de abril de 1931. Essa reforma trouxe uma concepção completamente distinta daquela que era realizada anteriormente, que se limitava à fiscalização simples, passando a adquirir o caráter de supervisão e inspeção. Existem indícios de que o conceito de supervisão tenha surgido durante a Revolução Industrial, com o intuito de melhorar tanto a produção em termos quantitativos quanto qualitativos, buscando assim o lucro. Dessa forma, a figura do supervisor emergiu como resultado da demanda por técnicas aprimoradas, a fim de orientar os profissionais em suas atividades nas áreas industrial e comercial (ALVES, DUARTE, 2012; RANGEL, 2001). Conforme FERREIRA (2010): Ao longo do tempo, prevaleceu uma imagem da supervisão ligada à fiscalização e ao controle. Contudo, alguns estudos históricos revelam que se muitas vezes eles pareciam ligados aos políticos pela hierarquia administrativa e enfrentando os docentes, outras tantas se recortavam com independência dos mandatos governamentais e se uniam às lutas do magistério. Este leque de posições em torno do vínculo com as gestões políticas e com os mestres também está presente nos discursos e práticas que hoje os supervisores realizam (FERREIRA, 2010, p.149). Segundo Ferreira (2010), em termos etimológicos, o termo supervisão significa visão sobre, e sua origem carrega a conotação de administração, sendo compreendida como uma forma de gerenciamento para controlar as atividades realizadas. Quando aplicada ao campo da educação, passou a exercer uma função de controle no processo educacional. Assim, a função específica do supervisor escolar só foi oficialmente regulamentada pelo Parecer N.º 252/69, com o objetivo de promover a melhoria na qualidade do ensino (MENDES, 2009). Segundo RANGEL et al. (2001): Recentemente (Decreto Lei 95/97 de 23/4), a supervisão foi assumida como uma das áreas de formação especializada já previstas na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) e no Decreto-Lei que aprovou o regime jurídico da formação de educadores e professores (Decreto-Lei 344/89 de 11/10). efetivamente, o reforço da autonomia das escolas como fator de construção de uma escola democrática e de qualidade traduziu-se também no reconhecimento oficial da necessidade de formações especializadas para o exercício de cargos, funções ou atividades especificas, por meio de cursos de especialização realizados em instituições do ensino superior. Define-se que a área de supervisão pedagógica e formação de formadores visa qualificar para o exercício de funções de gestão e coordenação de projetos e atividades de formação inicial e contínua de educadores e professores (RANGEL et al., 2001, p.15). De acordo com Pereira e Ribeiro (s.d.), a supervisão escolar passou por uma nova concepção a partir da década de 80, quando foi adotada a gestão democrática. Esse novo enfoque foi impulsionado por debates intensos nas esferas política e educacional, destacando o papel do supervisor como mediador e agente de mudança, responsável pela implementação de novas propostas curriculares. A origem da supervisão escolar também está associada ao Programa de Assistência e Formação de Professores Leigos (PABAEE), introduzido no Brasil com influência dos Estados Unidos. Consequentemente, o conceito de supervisão educacional tem passado por adaptações ao longo do tempo, ajustando seus objetivos de acordo com as diferentes fases que marcaram a evolução dessa profissão. Essas transformações têm provocado mudanças significativas na abordagem do trabalho educativo e na compreensão da escola como um espaço especializado para conduzir o processo educacional (FERREIRA, 2010). Conforme Pereira e Ribeiro (s.d.), a supervisão escolar tem suas bases nas ciências da educação e nas ciências sociais, que explicam a formação e o desenvolvimento de grupos organizados socialmente para realizar funções ou atividades consideradas desejáveis. A partir da década de 80, surge uma nova concepção de supervisão escolar com a adoção da gestão democrática, impulsionada por debates intensos entre os setores político e educacional, ressaltando o papel do supervisor como mediador ligado à ideia de mudança e implementação de novas propostas curriculares. De acordo com Pereira e Ribeiro [s.d.], a política da Gestão Democrática, implementada no sistema educacional com a Constituição de 1988, fortaleceu a ideia de que a escola pública pertence ao setor público. Isso resultou em uma determinação legal para a implementação de um trabalho pedagógico articulado, com o objetivo de permitir a elaboração de um projeto educacional que conecte os projetos individuais dos educadores a um projeto mais amplo e coletivo, conferindo ainda mais importância ao papel do supervisor escolar. Outro aspecto relevante é o significado específico que o termo supervisão adquire nos diferentes sistemas de ensino. No estado de São Paulo, a expressão sempre esteve associada ao cargo de supervisor, designado nas delegacias de ensino (Lei Complementar n.º 836, dezembro de 1977). Em demais escolas a função correspondente é desempenhada por profissionais que atuam na escola como coordenadores, orientadores, assistentes pedagógicos ou equivalentes. Essa distinção é importante, uma vez que surgem algumas dificuldades na compreensão de críticas direcionadas ao trabalho do supervisor (FERREIRA,2010). A profissão de Supervisor Escolar ou Supervisor Educacional sempre foi permeada por indefinições, apesar de sua contribuição decisiva para o sucesso das práticas educativas no contexto escolar (PEREIRA; RIBEIRO [s.d.]). 3 O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR NO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO NA ESCOLA Segundo Nogueira (2011), é importante ressaltar inicialmente que, apesar da grande importância do profissional de Supervisão Escolar, não existe no Brasil uma lei que regulamente e especifique suas atribuições. Conforme relatado por SOUZA et al. (2017), há um projeto de lei em tramitação no Congresso brasileiro desde 2012, conhecido como Projeto de Lei 4.106, cujo objetivo é regularizar a profissão de gestor educacional e permitir a organização e representação sindical desses profissionais. Existem diversas diferenças entre essa função e a de professor, começando pela carga horária, que é significativamente distinta. Além disso, outra diferença notável é o período necessário para a aposentadoria, o qual tem gerado discordâncias nos tribunais. É evidente que esse assunto requer maior atenção por parte da sociedade, considerando a importância desse profissional para o bom funcionamento da escola e o cumprimento adequado de sua função social. Vale ressaltar que os gestores educacionais desempenham o papel de articuladores da comunidade escolar e, por estarem envolvidos na administração da escola, têm a responsabilidade de criar um ambiente propício para debates que aproximem os membros dessa comunidade escolar (SOUZA et al., 2017). 4 SUPERVISOR ESCOLAR: CONCEITO, ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES Conforme mencionado anteriormente, não há no Brasil uma previsão legal quanto ao reconhecimento do profissional de supervisão escolar. Para determinar suas atribuições, é utilizado o que é previsto pelo Projeto de Lei 4.106/2012. – supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos legalmente; – orientar e acompanhar os professores no planejamento e desenvolvimento dos conteúdos; – planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional; – coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando; – acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e o trabalho do professor junto ao aluno, auxiliando em situações adversas; – participar da análise qualitativa e quantitativa do rendimento escolar, junto aos professores e demais especialistas, visando a reduzir os índices de evasão e repetência, e qualificar o processo ensino-aprendizagem; e – valorizar a iniciativa pessoal e dos projetos individuais da comunidade escolar; entre outras (BRASIL, 2012). De acordo com SOUZA et al. (2017), o que já é estabelecido pelo Projeto de Lei tem sido amplamente realizado pelos profissionais que exercem a função de supervisor escolar nas escolas. Em alguns municípios, como Osório, no Rio Grande do Sul, não há sequer concursos públicos para essa área, devido à ausência de regulamentação legal. Por outro lado, diversos autores auxiliam na definição e compreensão da função do supervisor escolar e na identificação de sua principal contribuição. Ferreira (2007, p. 327) destaca que o aspecto essencial do supervisor escolar reside na "formação humana" do processo educacional. Libâneo (2002, p. 35) descreve o supervisor escolar como “um agente de mudanças, facilitador, mediador e interlocutor”. Portanto, trata-se de um profissional capaz de promover a interlocução entre a direção da escola, os alunos, os educadores e todos os demais indivíduos que fazem parte da comunidade escolar. Seu objetivo principal é contribuir para o desenvolvimento individual, político, econômico, ético, entre outros. Dessa forma, busca-se romper com “a cultura política do Brasil há 500 anos, que foi sempre fazer da educação uma grande bandeira, mas sempre a reduziu. Para os dominantes, o povo é analfabeto, é ignorante, é bárbaro, e a educação viria, então, para resolver esses problemas” (ARROYO, 2000, p. 2). Essa cultura política permeou a cultura pedagógica. Com base nesses conceitos, fica evidente que o supervisor escolar deve adotar uma postura crítica, construtiva e participativa em relação ao seu conhecimento pedagógico, trabalhando de maneira articulada, lógica e coerente com todos os envolvidos no ambiente escolar. Todas as suas ações devem estar voltadas para a qualidade do ensino e da aprendizagem. Segundo SOUZA et al. (2017), para que a escola alcance resultados positivos na aprendizagem dos alunos, é essencial realizar um planejamento, avaliação e aperfeiçoamento das práticas pedagógicas, visando um processo educacional de qualidade. Essas responsabilidades são atribuídas ao supervisor escolar, sendo fundamental garantir que a escola obtenha resultados excelentes e envolver toda a comunidade nas decisões que afetam seu bom funcionamento. É importante que a comunidade participe ativamente do Projeto Político-Pedagógico, expressando suas aspirações e perspectivas à gestão escolar. Além disso, a escola deve ter a capacidade de articular os diversos conhecimentos que permeiam a vida dos estudantes, incluindo os professores, a família e o entorno, que também desempenham um papel educativo relevante. Conforme afirma Freire (2014), desconsiderar a sabedoria que surge inevitavelmente da experiência sociocultural constitui simultaneamente um equívoco científico e uma manifestação clara de uma ideologia elitista. Pode-se argumentar que esse é o substrato ideológico oculto, que obscurece a realidade objetiva por um lado e torna míopes aqueles que negam o conhecimento popular, levando-os a cometer erros científicos. Nesse sentido, o papel do supervisor escolar é aprimorar a prática dos educadores que atuam na escola, identificando suas potencialidades, personalidade e qualidades, de modo que cada um possa contribuir com seu conhecimento na elaboração do planejamento pedagógico. Essa identificação requer do supervisor escolar uma atualização constante e uma avaliação de seu desempenho profissional (SOUZA et al., 2017). Portanto, é fundamental que o supervisor escolar tenha um compromisso com a prática educativa, compreenda o ambiente em que a escola está inserida e desperte o interesse dos educadores em relacionar os conteúdos programáticos com a realidade dos alunos. Os professores devem compreender que a escola deve valorizar os saberes dos estudantes, especialmente aqueles provenientes das classes populares, que são construídos socialmente na prática comunitária. Conforme Freire (2006): a escola deve respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os das classes mais populares, cujos saberes são socialmente construídos na prática comunitária [...], discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de alguns conteúdos [...] porque não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina (FREIRE, 2006, p. 30). No entanto, é importante lembrar que o supervisor escolar está envolvido no planejamento curricular da escola, o qual deve ser participativo, visando melhorar a qualidade da aprendizagem e do ensino. Isso implica trazer a realidade para o debate em sala de aula e envolver a escola com a comunidade familiar dos alunos. Vasconcellos (2002), ressalta que não podemos ser ingênuos, pois para estabelecer uma nova ordem é necessário agir de forma direcionada, pois qualquer ação não nos levará aos resultados desejados. O planejamento é fundamental para alcançar os objetivos estabelecidos, e nesse sentido, o supervisor escolar desempenha um papel fundamental na elaboração do plano político-pedagógico a ser seguido pela escola. Segundo SOUZA et al. (2017), esse processo requer que o supervisor tenha uma compreensão do contexto histórico-social em que a escola está inserida,bem como conhecimento sobre os diferentes níveis e modalidades de aprendizagem. Além disso, é essencial conhecer os fundamentos teóricos que sustentam o ensino e a aprendizagem na escola, assim como os princípios que orientam a prática da instituição em que atua. Além disso, o supervisor escolar deve promover o compartilhamento das práticas pedagógicas com aqueles que são impactados por elas. É necessário envolver toda a comunidade escolar no processo decisório dessas práticas, garantindo que o planejamento seja verdadeiramente participativo. Dessa forma, busca-se promover a autonomia da instituição de forma a engajar a comunidade como um todo (SOUZA et al., 2017). Freire (2006), em seu livro Pedagogia da autonomia, amplia o conceito de autonomia, afirmando que o ato de ensinar requer o respeito à autonomia do educando e o: [...] respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para a sua negação, por isso é imprescindível deixar claro que a possibilidade do desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgrida os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (FREIRE, 2006, p. 489). A autonomia da instituição escolar só será efetiva quando o próprio educando tiver sua independência respeitada, permitindo sua participação nas decisões do ambiente escolar. Nesse sentido, SOUZA et al. (2017) destaca que o respeito à liberdade do aluno vai além de uma obrigação, sendo um imperativo ético para o educador. Além disso, é crucial valorizar os educadores, fornecendo-lhes uma formação contínua e de qualidade, que contribua para o desenvolvimento de sua autoestima e estimule a adoção de novas práticas educativas nas salas de aula. Essa valorização profissional é fundamental para o aprimoramento do ensino e a busca pela excelência educacional. 4.1 Planejamento participativo na escola Em primeiro lugar, é importante destacar que não é necessário abordar a crise na escola, uma vez que sua existência é amplamente reconhecida e discutida. Nesse contexto, o planejamento participativo surge como uma alternativa para lidar com essa crise. Trata-se de antecipar o futuro e reduzir os riscos, ou seja, é a elaboração de ações em si. O planejamento é a base para obter o poder de agir e, assim, aumentar as possibilidades de intervenção no futuro (SOUZA et al., 2017). De acordo com Souza et al. (2017), o planejamento desempenha um papel fundamental na comunicação e articulação de interesses. Existem diversas abordagens para o planejamento, incluindo o diagnóstico da realidade, análise de riscos/viabilidades, elaboração de planos com narrativas escritas e orçamentos para a execução das ações, propostas ou cartas de consulta, planos de ação, monitoramento e relatórios de avaliação. É essencial gerenciar os projetos de planejamento, ou seja, estabelecer um conjunto de atividades definidas no tempo, com um orçamento específico, com o objetivo de gerar produtos ou serviços inovadores fora da rotina. Esse gerenciamento é uma ação crucial no processo. O planejamento escolar vai além desses conceitos e requer conhecimentos específicos sobre a prática pedagógica. Ele desempenha um papel decisivo na formação da identidade da escola, pois é por meio do planejamento que são estabelecidas as práticas pedagógicas que a instituição seguirá (SOUZA et al., 2017). Segundo Popham e Baker (1978), uma forma clara e simples de compreender o planejamento curricular é considerá-lo como o processo pelo qual o educador se dedica a determinar os objetivos do sistema educacional. Nesse sentido, existem duas categorias principais de decisões que o educador precisa tomar. Primeiro, é necessário decidir quais devem ser os objetivos (ou seja, os fins) do sistema de ensino. Em seguida, é preciso focar na conquista desses objetivos. Quando um professor está envolvido na seleção de objetivos para uma determinada sequência de ensino, seja ao longo de um ano acadêmico ou de um único período de aula, ele está tomando decisões relacionadas ao currículo. Por outro lado, quando o foco está na escolha ou avaliação dos métodos de ensino pelos quais os objetivos devem ser alcançados, o professor está envolvido na tomada de decisões sobre o ensino. Portanto, a distinção entre currículo e ensino é essencialmente baseada na diferença entre fins e meios. 4.2 Desafios enfrentados pelo supervisor escolar no planejamento pedagógico O profissional responsável pela supervisão escolar encara diariamente uma infinidade de desafios, que são extremamente variados. De acordo com Vasconcellos (2002), a necessidade do planejamento é essencial, sendo que o fator determinante para a importância do planejamento é a percepção do indivíduo sobre a necessidade de mudança. É evidente que, se tudo está indo bem e não há nada a ser modificado na escola, por que introduzir esse tal plano? É surpreendente, mas muitos professores parecem tão satisfeitos ou alienados com suas práticas que não sentem a necessidade de aprimoramento. Talvez, quando questionados sobre a escola, até tenham algo a dizer; ou talvez não, com medo de que, ao expressarem suas opiniões, possam ser atribuídas a eles novas tarefas. Todo o trabalho da ideologia dominante visa amortecer a percepção das contradições e a consequente necessidade de mudança. De acordo com Souza et al. (2017), o supervisor escolar atua impulsionado por qualidades essenciais para alcançar os objetivos estabelecidos no planejamento escolar. Para isso, é necessário ter determinação para desenvolver um trabalho focado na transformação. Esse profissional deve possuir compreensão, empatia e consideração pelas opiniões dos outros, além de estar conectado à realidade escolar, enriquecendo esse ambiente com ideias e estímulos em colaboração com seus colegas, enquanto coordena ações integradas em toda a comunidade escolar. É evidente toda essa sensibilidade quando se aborda a temática da formação contínua dos professores. Nesse momento, o supervisor precisa dedicar total atenção às características individuais de cada professor, considerando seu pensamento e prática. É nesse contexto, com a união de tantas diferenças, que novos conhecimentos podem ser gerados, assim como oportunidades de mudança (SOUZA et al., 2017). Vasconcellos (2002), aborda o planejamento como uma prática desafiadora: A questão do planejamento é desafiadora, pois projetar é para o humano, e não poucas vezes estamos reduzidos em nossa humanidade, estamos desanimados, descrentes, cansados. Também no meio educacional – entre professores, membros de equipes de coordenação, direção, mantenedores, pais, funcionários, alunos – , estão presentes forças de vida e de morte. Chegamos a nos sentir com ausência de desejo: quem quer a escola? quem acredita na escola como caminho de construção de uma sociedade mais justa? Escola para quê? Simplesmente como meio de subsistência? (VASCONCELLOS, 2002, p. 37). As responsabilidades do supervisor escolar abrangem todos esses aspectos. Ele precisa lidar com os desafios que envolvem a tarefa de planejamento. Nesse sentido, Veiga-Neto (2002, p. 34) afirma que isso “tem sido entendido tanto numa acepção macro – em nível sistêmico, governamental,etc. quanto na acepção micro – em nível escolar ou mesmo de sala de aula”. O planejamento educacional tem como principal objetivo promover transformações no dia a dia da escola, visando melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem. No contexto do planejamento participativo, Gandin (1984), destaca que sua efetividade reside na crença de que o melhor para as pessoas é aquilo que elas mesmas decidem em seus grupos. De acordo com Souza et al. (2017), o planejamento participativo só será eficaz quando aqueles que atuam no contexto escolar tiverem voz nas decisões. Isso pode ser observado em outros campos, como na política, por exemplo, em que se busca a implementação do orçamento participativo, uma ação na qual os próprios cidadãos decidem sobre a destinação dos recursos públicos, entre outras medidas. Dessa forma, o planejamento educacional tem como objetivo abordar os problemas relacionados à educação nacional, à estrutura e ao funcionamento dos sistemas educacionais brasileiros. A intenção é melhorar a educação, o ensino no país, ressaltando os valores essenciais de cada indivíduo e, principalmente, da escola na sociedade. O planejamento deve ter uma visão abrangente e de longo prazo em relação ao desempenho. Segundo Parente Filho (2003), o planejamento é entendido como o processo de mobilização dos recursos para alcançar uma missão específica ou organizacional. Nesse sentido, planejar é antecipar uma atividade que será realizada e agir de acordo com o que foi planejado. Planejar é transformar. É questionar paradigmas e reinventar o que já existe. Mais do que isso, é lutar pelo que é justo, pelo que é correto, pelo que é um direito de todos. Freire (2003, p. 38) afirma que “o destino do homem deve ser criar e transformar o mundo”. Conforme mencionado por Vasconcellos (2002): é possível a transformação da escola? Entendemos que, fundamentalmente, o que possibilita sua mudança é o fato da contradição estar também ali presente e não apenas fora dela, pois a escola não consegue ser um lugar isolado da sociedade – apesar deste parecer ser o sonho de certos educadores. Para além do otimismo ou pessimismo, temos que tomar a escola como local de contradições dialéticas. [...] Essas contradições, ao serem assumidas por vários segmentos da escola, passam a atuar ainda mais fortemente, ocupando mais espaço e provocando mais reação, o que vai exigir a definição mais clara de posições por parte de todos os membros da comunidade educativa. Por outro lado, à proporção que as contradições são postas a descoberto, são tematizadas, favorece-se a tomada de consciência, a superação do senso comum. (VASCONCELLOS, 2002, p. 54). Segundo Becker (2003), o sujeito epistêmico desenvolve-se por meio de suas próprias ações. Ele interage com o ambiente com o objetivo de atender às suas necessidades. Essa atividade promove transformações no ambiente em que ele vive. No entanto, ao modificar esse ambiente, o sujeito se depara com as resistências presentes nele. Segundo Fullan e Hargreaves (2003), quando se trata da transformação do professor: se modificar o professor envolve modificar a pessoa que é, precisamos saber como as pessoas se modificam. Nenhum de nós é uma ilha; não nos desenvolvemos em isolamento. Nosso desenvolvimento dá-se através de nossas relações, em especial aquelas que estabelecemos com pessoas importantes para nós. Essas pessoas agem como uma espécie de espelho para nossos “eus” em desenvolvimento. Se em nossos locais de trabalho há pessoas que são importantes para nós e estão entre aquelas por quem temos consideração, eles terão uma enorme capacidade para positiva ou negativamente, influenciar a espécie de pessoas e, por conseguinte, a espécie de professores que nos tornamos (FULLAN; HARGREAVES, 2003, p. 55). De acordo com Souza et al. (2017), o conceito de transformação epistemológica diz respeito a romper com ações que causam imobilidade. Essas ações têm um impacto significativo, uma vez que promovem mudanças no indivíduo, no ambiente em que vive e na realidade que o cerca. O planejamento, por sua vez, desempenha um papel crucial na concretização das metas estabelecidas em cada sala de aula, escola e comunidade escolar envolvida. 5 A IMPORTÂNCIA DA INSPEÇÃO ESCOLAR: UM BREVE HISTÓRICO Para compreender a relevância da inspeção escolar, é necessário revisitar a história dessa profissão no Brasil. O trabalho de fiscalização da educação no país remonta a tempos antigos, mesmo antes do Período Imperial. Conforme apontado por Saviani (2002), nessa época, a função do inspetor era presidir os exames dos professores, conceder-lhes diplomas, autorizar a abertura de escolas privadas e até mesmo revisar, corrigir ou substituir livros didáticos. Segundo Gomes (2022), a atribuição do inspetor não estava necessariamente ligada à gestão da escola, mas sim voltada para a inspeção do ensino, com foco no trabalho do professor. Suas responsabilidades incluíam verificar se todo o conteúdo estava sendo ensinado, se o professor estava presente, o número de alunos e outras atividades desenvolvidas pelo docente. Isso muitas vezes gerava conflitos com os professores e, consequentemente, os inspetores não eram bem-vindos no ambiente escolar. Quanto à origem etimológica da palavra inspeção, ela pode ser relacionada a uma análise detalhada realizada com o objetivo de identificar problemas ou a um estudo técnico minucioso. De acordo com a etimologia, a palavra tem origem no grego inspectio. onis e no latim inspectiōne. No contexto do português brasileiro, inspeção significa ação de olhar, exame, observação e fiscalização. Essa palavra se refere a examinar ou observar com atenção aos detalhes (GOMES, 2022). Essa afirmação recai sobre a importância da fiscalização a partir de um olhar atento para a educação e para o universo que envolve a escola, incluindo os processos de gestão da secretaria de educação no ambiente escolar (GOMES, 2022). De acordo com Augusto (2010), a história da inspeção na educação brasileira remonta a 1756, quando desempenhava o papel de validar a estrutura burocrática e o controle estatal sobre as escolas. Naquela época, os indivíduos encarregados dessa função eram selecionados com base na confiança das autoridades locais. Com o aumento do número de instituições de ensino, surgiu a necessidade de estabelecer um sistema para controlar as atividades educacionais. Nesse contexto, a presença do inspetor escolar se tornou essencial para a organização do sistema público de educação no Brasil, especialmente durante o processo de democratização da escola. Apesar da importância desse papel, o caráter fiscalizador desse serviço continuou diretamente ligado ao poder do Estado, no sentido de implementar as políticas públicas nas décadas de 1960. Conforme apontado por Barbosa (2008): A aprovação da LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal 4024/61) o Estado passa a assumir o controle do ensino primário como também do ensino médio, que até então, era da competência do órgão Federal. Sendo assim, o processo de controle do Estado se intensifica. E o Inspetor Escolar torna-se submisso às normas Estaduais, que por sua vez, são subordinadas às leis federais. A Lei Federal 4027/61, além de delegar aos Estados e ao Direito Federal poderes para autorizar, reconhecer e inspecionar os estabelecimentos de ensino primário e médio estabelece também a qualificação do inspetor escolar (BARBOSA, 2008, p. 47). Seguindo esse princípio, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 4024/61 regulamenta a função da inspeção escolar em nível nacional, estabelecendo no Art. 65 que o profissional deve ser selecionado por meio de concurso público e avaliação de títulos, além de possuir conhecimentos técnicos e pedagógicos (BRASIL, 1961). Com a reforma educacional promovida pela LDB 5692/71,que estabeleceu a organização do ensino em 1º e 2º graus, houve uma alteração nos requisitos de formação necessários para atuar como inspetor escolar. A partir desse momento, o profissional deveria possuir formação em curso superior de curta ou plena duração, ou pós-graduação. Por fim, a última versão da LDB (Lei 9394/1996) ampliou o conceito de educação e reforçou o entendimento expresso na Constituição Federal de que a educação é um direito da sociedade e um dever da família e do Estado (BRASIL, 1996). Nessa versão da LDB, é estabelecido que o inspetor escolar deve ter formação em curso de nível superior, de acordo com o Art. 64: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional (BRASIL, 1996). Segundo Augusto (2010), a inspeção escolar é responsável por supervisionar e acompanhar todos os aspectos relacionados à organização e funcionamento das escolas. Portanto, resgatar esse serviço de forma abrangente, dentro dos parâmetros legais, pode contribuir significativamente para a melhoria da educação, assegurando que as atividades escolares sejam realizadas de acordo com respaldo e garantias legais. Além disso, essa abordagem preventiva pode ajudar a evitar problemas futuros. 5.1 As funções e responsabilidades da inspeção escolar Segundo Gomes (2022), as atribuições da inspeção escolar estão relacionadas ao funcionamento, organização e legalidade das instituições de ensino. Grouwe (2006), destaca a forte relação dessa função com o Estado, que a representa perante a sociedade. Por esse motivo, muitas vezes a inspeção é vista como os olhos e mãos do Estado junto às comunidades escolares. Embora seja frequentemente associada ao controle, sua atuação vai além disso, buscando medidas preventivas para evitar problemas futuros dentro dos parâmetros legais. Atualmente, o inspetor escolar busca exercer sua função de forma mais democrática, sem abandonar o caráter fiscalizador exigido pelo sistema. Além de identificar falhas e desvios, seu papel inclui aspectos preventivos, corretivos e de assessoramento. É essencial que esse profissional esteja bem informado sobre a legislação educacional para oferecer suporte às instituições escolares, professores e alunos (GOMES, 2022). Embora o prestígio do cargo de inspetor escolar tenha diminuído em relação a décadas anteriores, ele ainda exerce um grande poder de atração entre os profissionais da educação. Apesar de ser considerada impopular e quase extinta por alguns, a função é indispensável para uma boa gestão escolar, mesmo com o número reduzido de profissionais atuantes (GOMES, 2022). De acordo com Libâneo (2001), a escola é vista como um espaço educativo e uma comunidade de aprendizagem, onde os profissionais têm autonomia para decidir sobre seu trabalho e aprimorar sua profissão. A organização e gestão da escola vão além das questões administrativas e burocráticas, sendo entendidas como práticas educativas que influenciam as aprendizagens de professores e alunos. Nesse sentido, quando se fala em participação democrática na educação, é necessário repensar o funcionamento das escolas e considerar sua função social, que é contribuir para a formação de novos cidadãos. A gestão escolar desempenha um papel fundamental nesse processo, e para alcançar seus objetivos democráticos, deve contar com a participação de todos os profissionais da escola, incluindo professores, administradores, orientadores, supervisores e também os inspetores escolares, oferecendo autonomia para que contribuam, opinem e participem ativamente da gestão (GOMES, 2022). Lück (2009), destaca que a participação é uma expressão de responsabilidade social intrínseca à democracia. A gestão democrática é um processo que estabelece condições e orientações necessárias para que os membros de uma comunidade assumam os compromissos necessários para sua efetivação. Lück (2009) destaca: A participação constitui uma forma significativa de, ao promover maior aproximação entre os membros da escola, reduzir desigualdades entre eles. Portanto, a participação está centrada na busca de formas mais democráticas de promover a gestão de uma unidade social. As oportunidades de participação se justificam e se explicam, em decorrência, como uma íntima interação entre direitos e deveres, marcados pela responsabilidade social e valores compartilhados e o esforço conjunto para a realização de objetivos educacionais (LÜCK, 2009, p. 71). Conforme Gomes (2022), é evidente que a participação colaborativa entre os profissionais da instituição desempenha um papel crucial para avançar em direção à conquista de resultados positivos no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, sendo considerada uma responsabilidade social na escola. Nessa perspectiva, destaca-se a importância fundamental do inspetor escolar, integrante do corpo administrativo da educação, que se torna indispensável para a gestão educacional e aprimoramento da qualidade do ensino. O papel do inspetor escolar está intrinsecamente ligado às políticas e à gestão da educação, concentrando-se na orientação pedagógica dos professores, em vez de ser meramente fiscalizador. A inspeção escolar tem a responsabilidade de supervisionar os aspectos administrativos e pedagógicos, bem como a interação entre o sistema de ensino e a instituição escolar, desempenhando uma função tanto administrativa quanto pedagógica. Assim, o inspetor escolar torna-se um valioso orientador e colaborador nesse processo de transformação na educação, orientando e agindo dentro do sistema de ensino em prol do aprimoramento do ensino nas instituições (GOMES, 2022). 5.2 Enfrentando os desafios do trabalho do inspetor escolar A Constituição Federal de 1988 estipula a educação como um direito social (BRASIL, 1988). Em uma nação democrática, a responsabilidade de garantir direitos recai sobre o Estado, e esse dever é cumprido por meio de diversos agentes públicos, incluindo o inspetor escolar. Embora nem todos os estados brasileiros tenham a inspeção escolar, nos locais em que ela é implementada, observa-se a existência de um sistema educacional bem estruturado, que busca efetivar o direito à educação, especialmente no âmbito público. Como mencionado anteriormente, segundo o Art. 64 da Lei n.º 9394/96, é exigida formação em Pedagogia, tanto em nível de graduação quanto pós-graduação, para o exercício da função de inspetor escolar (BRASIL, 1996). Portanto, pode-se compreender que o inspetor escolar possui conhecimentos pedagógicos que lhe permitem intervir nas atividades da escola. Segundo Gomes (2022), o serviço de inspeção escolar tem o cuidado de aplicar as leis que regulam a educação e requer conhecimentos pedagógicos para que possa intervir e desenvolver suas atividades. Ao atuar diretamente nas escolas, o inspetor escolar pode identificar e intervir nos fatores determinantes das ações escolares, colaborando com professores e gestores para garantir a conformidade com a legislação. A prática desse serviço enfrenta desafios ao lidar com a educação em uma sociedade em constante evolução, na qual as estruturas familiares mudaram e as regras e normas foram atualizadas. Isso evidencia que o inspetor escolar permanece atento a tais mudanças e atua de maneira efetiva em prol da qualidade do ensino, desempenhando um papel significativo nesse processo (GOMES, 2022). 6 INSPEÇÃO X SUPERVISÃO De acordo com Pereira e Santos (1981), a ideia de supervisão surgiu durante o período de industrialização como uma estratégia para aprimorar a produção e, posteriormente, foi introduzida no contexto educacional dos Estados Unidos com o intuitode melhorar o desempenho das escolas. Meneses (1977), destaca que o termo inspeção escolar não é encontrado na literatura americana, mas sim o termo supervisão, utilizado para tratar de questões relacionadas ao controle das unidades escolares, ou seja, atividades típicas da inspeção. A supervisão evoluiu a partir das atividades da inspeção e, no cenário educacional dos Estados Unidos, passou por quatro estágios: supervisão como vigilância, supervisão como orientação e aconselhamento, liderança democrática e trabalho de análise e melhoria de sistemas (PEREIRA, SANTOS, 1981). No Brasil, a ideia de supervisão começou a se disseminar no campo educacional na década de 30. Saviani (2002), aponta que a Reforma pernambucana de 1928 marcou o início de uma "reorganização do aparato organizacional", com o objetivo de separar os setores técnicos-pedagógicos dos setores administrativos. Dessa forma, tornou-se necessário criar órgãos específicos para lidar com a parte técnica (pedagógica) e órgãos específicos para lidar com a parte administrativa. Segundo o autor, essa divisão permitiu o surgimento do supervisor, responsável pela parte pedagógica, enquanto ao diretor cabia a parte administrativa. Nesse sentido, a Reforma Campos, por meio do Decreto-Lei n.º 19.890/31, propunha uma inspeção: [...] de forma bem diferente da que vinha ocorrendo até então, uma vez que se tornara formal, mera fiscalização, surgindo a necessidade de uma ação supervisora que, sem deixar de zelar pelos aspectos legais, estivesse voltada para a dinamização do sistema de ensino, na busca de sua melhoria e de maior produtividade no campo pedagógico (PEREIRA, SANTOS, 1981, p. 13). Nesse contexto, o supervisor assume um novo papel, reconfigurando a função do inspetor, com um enfoque privilegiado no aspecto pedagógico. Conforme destaca Saviani (2002), é quando se busca atribuir ao inspetor um papel predominantemente voltado para a orientação pedagógica e estímulo à competência técnica, em vez de se concentrar na fiscalização para identificar falhas e aplicar punições, que esse profissional passa a ser denominado como supervisor. Segundo Saviani (2002), a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n.º 4.024/61, refletiu as transformações ocorridas a partir da Reforma Francisco Campos (1931) e da Reforma Capanema (1942), com o objetivo de estruturar e reestruturar o sistema educacional brasileiro. Com o Decreto n.º 19.851/31, a responsabilidade de formar os professores do ensino secundário foi atribuída às Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras. Nesse contexto, foi estabelecido o curso de Pedagogia, que visava formar os professores das disciplinas do Curso Normal e os chamados técnicos da educação, a saber Saviani (2002) diz que: A categoria ‘técnicos da educação tinha, aí, um sentido genérico. Em verdade, os cursos de Pedagogia formavam pedagogos, e estes eram os técnicos ou especialistas em educação. O significado de ‘técnico da educação’ coincidia, então, com o ‘pedagogo generalista’ (SAVIANI, 2002, p. 28 e 29). Durante o período da ditadura militar, foram implementadas reformas no campo educacional para se adequarem à conjuntura estabelecida. Acompanhando os princípios da teoria taylorista de administração, que visa controlar os processos para reduzir tempos e movimentos, diminuir custos e aumentar o ritmo de trabalho, consequentemente elevando a produtividade (BARBOSA, 2008), as reformas educacionais nesse período foram amplamente direcionadas ao tecnicismo, fortalecendo a burocratização do ensino. De acordo com Aranha (1996), a tendência tecnicista, influenciada pelos Estados Unidos, consiste em: [...] planejamento e organização racional da atividade pedagógica; operacionalização dos objetivos; parcelamento do trabalho, com a especialização das funções; incentivo à utilização de várias técnicas e instrumentos, como instrução programada, ensino por computador, máquinas de ensinar, telensino, procurando tornar a aprendizagem ‘mais objetiva’. Como todo processo em que predominam práticas administrativas, a tendência tecnicista privilegia as funções de planejar, organizar, dirigir e controlar, intensificando a burocratização que leva à divisão do trabalho (ARANHA, 1996, p. 183; grifo do autor). É nesse contexto que ocorreu a aprovação do Parecer n.º 252 de 1969, que trouxe uma reformulação para o curso de Pedagogia, em conformidade com o disposto na Lei n.º 5.540/68. Com essa reforma, o curso passou a ser estruturado em diferentes habilitações, deixando de formar apenas técnicos da educação e passando a formar especialistas em educação. O currículo do curso de Pedagogia passou a incluir quatro habilitações: administração, supervisão, orientação e inspeção. Durante as discussões acerca do Parecer n.º 252/69, surgiram divergências de opinião em relação à inclusão da habilitação em inspeção escolar. Entre os que se opuseram à inclusão, o Conselheiro Durmeval Trigueiro defendeu a extinção da inspeção escolar no currículo de pedagogia e apresentou um voto separado para propor essa questão. Por sua vez, o Conselheiro e Relator Valnir Chagas, ao se pronunciar sobre esse voto, argumentou que a inspeção deveria ser excluída devido à sua inutilidade, pois havia se transformado em uma forma de vigilância excessiva da escola, devendo assim ressurgir em momentos de correção, em assistência técnica, associada à supervisão ou transferida para a competência dos diferentes sistemas de ensino (MENESES, 1977). Embora as discussões apontassem para a fusão das habilitações de inspeção e supervisão, o que acabou ocorrendo foi uma reconfiguração da ideia em relação ao papel da inspeção, mantendo-se a habilitação. Menezes (1977), dispõe o relato de Conselheiro Valnir Chagas: O inspetor é, e tende a ser cada vez mais, um profissional que atua em âmbito macroeducacional, orientando e coordenando escolas dentro do sistema, enquanto o supervisor está situado no plano da microeducação, orientando e coordenando a atividade de professores dentro da escola. A fusão proposta redundaria, fatalmente na absorção do segundo pelo primeiro, o que seria tanto mais de lastimar quanto, no progresso da supervisão repousam fundadas esperanças de uma renovação qualitativa da educação brasileira de graus primário e médio (MENESES, 1977, p. 53). Conforme mencionado por Meneses (1977), a decisão de manter a habilitação em inspeção seguiu a perspectiva de que ao oferecer ao inspetor uma formação educacional básica e uma formação específica, seria possível superar o estilo burocrático que caracterizava sua atuação. O autor também destaca que no currículo da habilitação em inspeção foram estabelecidas três disciplinas específicas: Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1º e 2º graus, Princípios e Métodos de Inspeção Escolar, e Legislação do Ensino. No entanto, em relação à disciplina "Princípios e Métodos de Inspeção Escolar", havia um "desalinhamento conceitual". De acordo com Meneses (1977), as denominações "Princípios" e "Métodos" também têm resultado em abordagens divergentes no estudo do tema. A maioria dos autores tem apresentado os princípios como um conjunto de regras de conduta do inspetor escolar, enquanto os métodos se limitam principalmente à descrição da orientação pedagógica. Segundo o ponto de vista desse autor, defende a inspeção como uma habilitação essencial no sistema educacional, a inspeção escolar é uma atividade administrativa embasada nas principais correntes teóricas da administração, que convergem para assegurar a eficiência por meio do controle. Além da questão relacionada à formação do pedagogo, não devemos ignorar o fato de que essa reforma consolidou uma divisão tecnicista do trabalho, baseada nos princípios tayloristas surgidos de uma lógica capitalista. Essa divisão acarreta consequências que não se limitamapenas à distribuição de tarefas, mas também, como destacado por Coelho (1982), subestima a capacidade reflexiva dos professores (executores), reprimindo sua capacidade intelectual e criativa. O pedagogo assume o papel de especialista que dá ordens, enquanto o professor se torna meramente um executor. Mais do que uma fragmentação, ocorre uma desvalorização da prática docente. De acordo com Coelho (1982): Ser ‘habilitado’ em supervisão, orientação, administração ou inspeção, significa, pois, estar livre, alforriado do trabalho quase braçal de regência de classe e em condições para o exercício de uma função na tecnoburocracia educacional, melhor remunerada e menos desgastante do que o trabalho direto e permanente com uma classe de alunos. A passagem da docência ao exercício de uma função burocrática é, em geral, entendida como uma ‘promoção’, ao passo que a ‘volta’ à sala de aula é frequentemente tomada como punição (COELHO, 1982, p. 36). As discussões sobre as habilitações e a relevância da Inspeção Escolar foram prolongadas. A maioria dos sistemas educacionais foi organizada com uma perspectiva de supervisão, como ocorreu em São Paulo, onde os supervisores assumiram as responsabilidades da Inspeção. Em Minas Gerais, a nomenclatura Inspeção Escolar foi mantida, mas as práticas se direcionaram a uma atuação menos burocrática. Aguiar et al. (2006) destacam que, no contexto das discussões sobre a reforma do curso de Pedagogia, várias entidades se uniram em busca de uma redefinição da identidade do curso. Influenciadas por esse movimento, muitas faculdades públicas e privadas, utilizando sua autonomia, reorganizaram seus currículos com ênfase na docência nos anos iniciais do Ensino Fundamental, eliminando as habilitações. A partir de 1998, fortaleceu-se o movimento em defesa da valorização do magistério, buscando a formação em nível superior para os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental. Diversos documentos foram elaborados e encaminhados ao Conselho Nacional de Educação, propondo novas diretrizes para o curso de Pedagogia, visando ampliar essa formação com base na docência, além de conectar-se à gestão educacional e à produção de conhecimento na área educacional. Em 2006, foi aprovada a Resolução n.º 01 do Conselho Nacional de Educação, que estabelece as novas Diretrizes Curriculares para o curso de Graduação em Pedagogia, Licenciatura. De acordo com essa resolução, as habilitações foram extintas (Art. 10), uma vez que a formação passa a ser direcionada para a docência: [...] na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2006). Com a nova resolução, as instituições de ensino superior passarão a formar não mais o Pedagogo, mas o Licenciado em Pedagogia. Dessa forma, fortalece-se a compreensão de que o professor não é apenas um executor de tarefas. Quanto às habilitações que foram eliminadas, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9.394/96 estabelece que: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional (BRASIL, 1996). Assim, não ocorre mais uma formação fragmentada para cada habilitação, uma vez que as diretrizes propõem um currículo que permite ao licenciado em pedagogia adquirir competências para desempenhar funções de gestão. Um exemplo prático disso é que os concursos para cargos de orientação ou supervisão passaram a exigir como requisito mínimo apenas a licenciatura em pedagogia ou a licenciatura em pedagogia acompanhada de uma pós-graduação lato sensu na área específica (orientação ou supervisão) (SILVA, 2010). No entanto, as discussões sobre a formação dos profissionais da educação ainda continuam. A promulgação de uma legislação não representa o fim dos problemas, pelo contrário, pode gerar novas questões, demandas e configurações que precisarão ser refletidas, debatidas e reformuladas. Após a década de 90, o Brasil passou a adotar políticas educacionais com uma perspectiva de gestão democrática da escola pública e de Gestão de Qualidade Total. O termo gestão vem ganhando cada vez mais destaque e promovendo algumas mudanças. Por exemplo, o título diretor está sendo substituído por gestor. Isso não se trata apenas de uma mudança de nomenclatura, mas de uma alteração na concepção de administração escolar (SILVA, 2010). Em um contexto em que as políticas educacionais são moldadas de acordo com as exigências do neoliberalismo, que vão além de questões econômicas e jurídicas de atuação do Estado, os problemas educacionais são tratados como questões técnicas de gerenciamento e administração de recursos humanos e materiais. Como uma tendência passageira, a Gestão da Qualidade Total (GQT) invade o campo educacional, provocando uma reorganização da estrutura escolar para atender às demandas do mercado. No entanto, a lógica de organizar a educação como uma mercadoria já não é mais eficaz, sendo necessário reorganizar o funcionamento interno das escolas de acordo com modelos de organização do processo de trabalho (SILVA, 2010). De acordo com Pereira (2012), em conformidade com os princípios da gestão democrática, o diretor deve desempenhar o papel de gestor, ou seja, um líder que dá ênfase aos aspectos pedagógicos, que distribui atribuições e que promove a formação de novos líderes. Sua preparação e atuação abarcam elementos de administração, orientação e supervisão, portanto, sua formação acadêmica deve atender a essas demandas. Diante desse cenário, observa-se um aumento no número de cursos de especialização em gestão, abrangendo as áreas de administração, orientação e supervisão. Adotando uma abordagem empresarial, o gestor precisa possuir uma visão abrangente e multidimensional da organização escolar e, no contexto da escola pública, é necessário que ele seja democrático, ou seja, sua gestão é compartilhada com a comunidade escolar. Cada vez mais, observa-se a adoção de terminologias provenientes do mundo empresarial no contexto educacional, como foi o caso da aplicação dos princípios da gestão da qualidade total, amplamente discutida a partir da década de 90. Dentro dessa abordagem, os alunos são tratados como "clientes", transmitindo a ideia de que os objetivos educacionais estão alinhados com as necessidades desses consumidores. No entanto, isso cria uma ilusão de democracia, escolha e participação, pois, na realidade, a estratégia da qualidade total molda o processo educacional em uma estrutura de pensamento e concepção que impede qualquer outra forma de pensar a educação (PEREIRA, 2012). Embora os clientes tenham a ilusão de determinar o que desejam, na verdade, suas opções já estão pré-determinadas quando todo o quadro mental e conceitual é definido antecipadamente com base em princípios empresariais e industriais. sob a aparência de escolha e participação, a gestão da qualidade total impõe uma visão específica de educação e gestão educacional, fechando qualquer possibilidade de pensarmos de maneira diferente, a verdadeira escolha consistiria em poder rejeitar a própria ideia de qualidade total, o que equivaleria a rejeitar toda a noção neoliberal de educação (SILVA, 2010). De acordo com Pereira (2012), embora o termo qualidade total não cause tanto entusiasmo nos dias de hoje, o conceito de qualidade almejado ainda está fundamentado nesse modo de operação. A responsabilidade pelo sucesso do processo educacional passa a ser compartilhadapor todos, e todos assumem o compromisso de buscar a garantia dessa qualidade. É evidente que essas mudanças refletem os interesses do mercado na área da educação, com maior liberdade de atuação para o setor privado, o que influencia nas políticas educacionais, além da importância dos acordos internacionais. No entanto, é nesse contexto, marcado por uma visão democrática e pela superação da formação fragmentada do pedagogo, com valorização do supervisor pedagógico, que a inspeção escolar volta a ganhar destaque no sistema estadual do Rio de Janeiro como um mecanismo de controle para garantir a qualidade (PEREIRA, 2012). 7 ANÁLISE DA ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL De acordo com Nogueira (2011), a gestão escolar tem como objetivo primordial descentralizar o desenvolvimento pedagógico e administrativo dentro do sistema educacional. Esse processo resulta em uma maior autonomia da escola, por meio do compromisso e envolvimento de todos os atores envolvidos nessa construção democrática. Portanto, a gestão escolar também engloba diversos indicadores a serem trabalhados, como a gestão participativa, as relações interpessoais, o desempenho e a autoavaliação. Atualmente, a educação no Brasil tem na gestão escolar um dos principais pilares de transformação. No entanto, implementar mudanças de mentalidade, postura e atitude é algo desafiador, especialmente no contexto educacional. De acordo com Vasconcellos (2002), no contexto específico do Brasil, as mudanças no campo educacional são mais complexas devido ao histórico de colonização, que sempre relegou a educação a um plano secundário. Isso dificultou o acesso à escolaridade para a maioria da população, uma vez que o sistema de ensino brasileiro permaneceu elitizado e centralizador, diferindo da descentralização educacional, que promove a autogestão institucional. No entanto, a implementação dessa descentralização no sistema escolar exigirá tempo e necessitará de discussões e debates sobre novas formas de organização e descentralização da prática educativa. Segundo Boschetti, da Mota e Freitas (2016), as questões de autonomia escolar no currículo, na pedagogia e na administração têm sido demandadas há muito tempo pelos profissionais da educação e ganharam destaque a partir da década de 1980, com o objetivo de reduzir problemas educacionais, como taxas de evasão, repetência, abandono escolar e burocratismo na gestão administrativa das escolas. No entanto, todos esses fatores estão relacionados à busca pela autonomia escolar. Essa tendência democrática de autogestão precedeu a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), como resposta às mudanças necessárias diante da nova conjuntura mundial e das transformações globais. Além disso, a gestão escolar assume uma liderança democrática que se baseia na ressonância dialética com um grupo unificado, levando em consideração os conflitos presentes na realidade e que podem ser reconstruídos em uma perspectiva dialógica em busca do bem comum (LUCK, 1981). Dessa forma, a escola pública deve adotar um princípio democrático que permita ao gestor, como representante, construir suas ações de forma democrática e coletiva. Conforme Gadotti (1998), a gestão democrática requer, em primeiro lugar, uma mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade escolar, abandonando o antigo preconceito de que a escola pública é apenas um órgão burocrático do estado e reconhecendo-a como uma conquista da comunidade. A concepção de gestão democrática, defendida por Gadotti (1998), parte da compreensão da história em que a escola pública se estabeleceu e de como foi moldada por aqueles que acreditam no potencial humano, independentemente dos mecanismos que a influenciaram, inclusive aqueles respaldados por lei. A mudança é uma parte dessa nova exigência global: na escola, não se busca mais apenas o acesso, mas também a qualidade do ensino. Isso requer uma transformação que envolve uma gestão democrática, com o objetivo de que a escola possa formar cidadãos, resultando em uma nova forma de interação entre sociedade, aluno e conhecimento. A transformação na busca da escola não se limita mais apenas ao acesso, mas também à qualidade do ensino, refletindo uma nova demanda global. Nesse processo de mudança, é essencial uma gestão democrática que tenha como objetivo formar cidadãos, o que requer uma nova dinâmica na relação entre sociedade, aluno e conhecimento. Essa transformação exige um novo tipo de interação que atenda aos anseios, interesses e necessidades da comunidade, conforme destacado por Boschetti, da Mota e Freitas (2016). Dessa forma, o conhecimento se constrói a partir da relação intrínseca entre o aluno e seu mundo, estabelecendo uma conexão entre o conhecimento popular e o conhecimento cientificamente acumulado, servindo como uma ponte entre o senso comum e o saber acadêmico. 7.1 Aspectos legais e normativos da administração escolar A partir do contexto da Constituição Brasileira de 1988, destaca-se a importância da gestão escolar em termos abrangentes de sua influência, conforme mencionado a seguir: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988). Diante dessa afirmação, tornou-se essencial estabelecer princípios direcionadores para a educação, que possibilitassem seu eficiente desenvolvimento no contexto escolar, conforme exposto no art. 206: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida (BRASIL, 1988). Com o objetivo de alcançar uma gestão democrática do ensino sólida, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no Título II, art. 3°, reforça esses princípios para buscar uma administração eficiente e significativa. Isso é evidenciado no art. 3°, item VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino. Assim, os sistemas de ensino pressupõem a necessidade de sua própria regulamentação para a implementação de uma gestão escolar democrática: Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; [...] IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; [...] Art. 14 - I -participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes (BRASIL, 1996). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabeleceu e promoveu a gestão democrática nas instituições de ensino, conferindo a elas a responsabilidade de elaborar e implementar, de forma coletiva, sua proposta pedagógica, gerenciar os recursos humanos e financeiros, bem como estabelecer uma conexão com a comunidade e as famílias dos alunos, promovendo assim a interaçãoentre a sociedade e a escola. A gestão democrática exige a autonomia da escola, e ambas fazem parte da essência do processo educativo. Em consonância com isso, a LDB, no Art. 15, assegura que: os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público (BRASIL, 1996). Foram adotadas outras medidas visando aprimorar a gestão democrática, como a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) por meio da lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014, publicada como anexo, com o objetivo de cumprir o disposto no art. 214 da Constituição Federal do Brasil (1988). O PNE definiu metas e estratégias específicas no anexo desta lei, estabelecendo um prazo de dez anos para sua vigência. Meta 19: assegura condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de métodos e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no apoio técnico da União para tanto (BRASIL, 2014). Além das metas, o mencionado Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 também definiu estratégias a serem alcançadas, com foco direto na gestão escolar: 19.1) priorizar o repasse de transferências voluntárias da União na área da educação para os entes federados que tenham aprovado legislação específica que regulamente a matéria na área de sua abrangência, respeitando-se a legislação nacional, e que considere, conjuntamente, para a nomeação dos diretores e diretoras de escola, critérios técnicos de mérito e desempenho, bem como a participação da comunidade escolar; 19.2) ampliar os programas de apoio e formação aos (às) conselheiros (as) dos conselhos de acompanhamento e controle social do Fundeb, dos conselhos de alimentação escolar, dos conselhos regionais e de outros e aos (às) representantes educacionais em demais conselhos de acompanhamento de políticas públicas, garantindo a esses colegiados recursos financeiros, espaço físico adequado, equipamentos e meios de transporte para visitas à rede escolar, com vistas ao bom desempenho de suas funções; 19.3) incentivar os Estados, o Distrito Federal e os Municípios a constituírem Fóruns Permanentes de Educação, com o intuito de coordenar as conferências municipais, estaduais e distrital bem como efetuar o acompanhamento da execução deste PNE e dos seus planos de educação; 19.4) estimular, em todas as redes de educação básica, a constituição e o fortalecimento de grêmios estudantis e associações de pais, assegurando- se-lhes, inclusive, espaços adequados e condições de funcionamento nas escolas e fomentando a sua articulação orgânica com os conselhos escolares, por meio das respectivas representações; 19.5) estimular a constituição e o fortalecimento de conselhos escolares e conselhos municipais de educação, como instrumentos de participação e fiscalização na gestão escolar e educacional, inclusive por meio de programas de formação de conselheiros, assegurando-se condições de funcionamento autônomo; 19.6) estimular a participação e a consulta de profissionais da educação, alunos (as) e seus familiares na formulação dos projetos político- pedagógicos, currículos escolares, planos de gestão escolar e regimentos escolares, assegurando a participação dos pais na avaliação de docentes e gestores escolares; 19.7) favorecer processos de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira nos estabelecimentos de ensino; 19.8) desenvolver programas de formação de diretores e gestores escolares, bem como aplicar prova nacional específica, a fim de subsidiar a definição de critérios objetivos para o provimento dos cargos, cujos resultados possam ser utilizados por adesão (BRASIL, 2014). De acordo com Boschetti, da Mota e Freitas (2016), com o objetivo de atender às demandas de formação inicial e contínua, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu ajustes e transformações nos cursos de formação, a fim de redefini-los de forma significativa. Um investimento essencial é a formação dos professores. O desafio não se restringe apenas ao contexto das salas de aula dos cursos de formação inicial, mas também à educação contínua. Isso ocorre porque a conjuntura social contemporânea demanda mudanças decorrentes de necessidades reais da sociedade, exigindo a aplicação de teorias que sejam relevantes para essas necessidades e que atendam às expectativas específicas dos gestores em sua prática pedagógica e social. 7.2 Principais enfoques da gestão escolar Com base na premissa de que a escola não opera isoladamente, mas sim em um contexto coletivo, Boschetti, da Mota e Freitas (2016) apresentam quatro eixos fundamentais para alcançar o sucesso no processo educacional: • Gestão, organização, planejamento e avaliação: A gestão compartilhada, liderada pelo diretor, desempenha um papel crucial na escola, envolvendo a participação da família, Estado, sociedade e comunidade no planejamento e avaliação das ações desenvolvidas. • Práticas pedagógicas e currículo: O projeto político-pedagógico da escola é o documento oficial que integra o currículo escolar e suas práticas, proporcionando o desenvolvimento dos alunos sob uma perspectiva crítica e social do processo de cidadania. • Valorização dos profissionais da educação: A escola precisa se manter atualizada, acompanhando o desenvolvimento da sociedade. Por isso, é essencial promover a formação contínua para os membros da comunidade escolar, valorizando o aprimoramento das habilidades individuais e o esforço de cada um. • Infraestrutura, equipamentos e tecnologia: É responsabilidade do Estado oferecer a infraestrutura física mínima para atender à comunidade escolar, sendo um parceiro que apoia e participa das ações planejadas em prol do desenvolvimento escolar. A interação entre a família, o Estado, a comunidade e a sociedade é fundamental para o sucesso dos eixos norteadores mencionados, visando garantir o acesso ao conhecimento e a permanência dos alunos na escola, com o objetivo de torná-la mais eficaz no contexto do ensino e aprendizagem (BOSCHETTI; DA MOTA; FREITAS 2016). 7.3 Superando desafios e vislumbrando futuros na gestão escolar A aprendizagem escolar desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das pessoas. No entanto, o trabalho pedagógico enfrenta diversos desafios a serem superados, conforme apontado por Boschetti, da Mota e Freitas (2016). Entre esses desafios, destacam-se: • O papel social da escola: A gestão democrática nas escolas desempenha um papel crucial na melhoria dos processos de aprendizagem e na formação cidadã. No entanto, ainda existem dificuldades em relação ao reconhecimento e compreensão de sua relevância pela comunidade escolar, devido à falta de conhecimento sobre os saberes e práticas que ocorrem dentro da instituição de ensino. • Democratização da instituição escolar: A gestão compartilhada nas escolas é um desafio constante, pois exige um trabalho coletivo e a participação ativa de todos os envolvidos no processo educacional. É essencial uma liderança efetiva por parte da equipe gestora, com o objetivo de promover uma educação de qualidade. • Valorização dos profissionais da educação: É fundamental promover o crescimento profissional de todos os profissionais da educação, oferecendo oportunidades de formação e espaços para a geração de conhecimento por meio de práticas inovadoras e facilitadoras do processo educativo. • Organização do tempo e do espaço: A organização do tempo e do espaço escolar requer planejamento e o envolvimento de toda a comunidade escolar. É necessário lidar com as constantes mudanças e inovações, buscando avaliar todas as dimensões do tempo escolar, considerando a variedade de situações vivenciadas. • Projeto político-pedagógico: O projetopolítico-pedagógico é um documento oficial que orienta o trabalho realizado na escola. No entanto, ainda não é visto como uma prioridade pela comunidade escolar, devido à falta de envolvimento de todos os atores envolvidos em sua construção e implementação. • Processo formativo: Todos os envolvidos na gestão escolar são corresponsáveis pela formação continuada. No entanto, o interesse nesse processo ainda é incipiente diante das oportunidades oferecidas. • Avaliação da escola: O processo avaliativo da escola é um desafio importante a ser superado, pois ainda existem divergências sobre sua importância. No entanto, a avaliação institucional busca obter informações úteis que permitam à equipe gestora tomar decisões acertadas para alcançar resultados satisfatórios no processo de ensino e aprendizagem. Outro desafio a ser superado é a autoavaliação institucional, que revela fragilidades na gestão escolar e indica o nível de satisfação da comunidade e da sociedade em relação à escola. Nesse sentido, a avaliação deve ser vista como uma ferramenta de planejamento escolar e deve ser realizada de forma contínua, permitindo a identificação de problemas e a busca por soluções para superar as dificuldades (BOSCHETTI; DA MOTA; FREITAS 2016). 8 SINERGIA ENTRE INSPEÇÃO ESCOLAR E GESTÃO ESCOLAR: DESAFIOS E OPORTUNIDADES A qualificação dos profissionais da educação é estabelecida na legislação atual, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Essa regulamentação deve ser estritamente seguida, visando melhorar a qualidade do processo educativo. Conforme mencionado por Albuquerque (2010), é necessário elevar o grau de competência técnico-profissional daqueles envolvidos no campo da educação em todos os níveis. Desde a sua promulgação em 1996, a Lei n.º 9.394 passou por um conjunto significativo de modificações legais, incluindo o Título VI - Dos Profissionais da Educação. A Lei n.º 12.014, datada de 6 de agosto de 2009, promoveu alterações no Art. 61 da Lei n.º 9.394/96, com o objetivo de detalhar as categorias de trabalhadores que devem ser considerados profissionais da educação. A nova redação do Art. 61 ficou estabelecida da seguinte forma: Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim (BRASIL, 2009). Infere-se, a partir do inciso II do Art. 61 mencionado, que a disciplina da Inspeção escolar está integrada ao currículo da graduação em Pedagogia, em nível superior, com a capacitação necessária para atuar nesse campo específico. O Parágrafo Único do mesmo Art., inserido pela Lei n.º 12.014/2009, estabelece os princípios fundamentais da formação e estabelece o seguinte: Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades (BRASIL, 2009). Uma base sólida de conhecimentos, a integração entre teoria e prática, e a valorização da formação e experiências prévias são elementos essenciais que fundamentam a capacitação dos profissionais da educação, de acordo com o estabelecido na Lei n.º 9.394/96. Além disso, o Art. 64 aborda de maneira clara a questão da formação, definindo o seguinte: Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional (BRASIL, 1996). Medina (2005), amplia a discussão ao afirmar que o papel do inspetor é assegurar que o setor público continue a ser público, em vez de se tornar um feudo exclusivo de indivíduos inescrupulosos. Ele deve estar presente para apoiar a autonomia, mas ao mesmo tempo impedir a soberania absoluta. Nesse sentido, é responsabilidade do inspetor encontrar, dentro da complexidade da legislação, os caminhos viáveis e as possíveis alternativas para conciliar o que é desejável, garantindo a qualidade do ensino e melhorando as condições de trabalho dos alunos e professores. É necessário tornar o ambiente educacional produtivo, sem violar as normas e dispositivos legais. Por isso, é essencial que tanto o gestor escolar quanto o inspetor escolar possuam não apenas uma sólida formação nos aspectos técnicos e operacionais relacionados à profissão, mas também uma formação fundamentada nas ciências humanas, como a filosofia, sociologia, história e antropologia. São esses fundamentos epistemológicos que agregarão qualidade ao trabalho do Gestor e do Inspetor, além de auxiliá-los nos desafios políticos e sociais que surgem em suas respectivas áreas (DIAS, 2017). De acordo com Aguiar e Ferreira (2005), a gestão escolar desempenha um papel fundamental na concretização da educação e do ensino. Através do grupo gestor, as diretrizes e normas estabelecidas pelas políticas públicas são implementadas, e seus agentes têm a responsabilidade de garantir sua execução. Este é o instrumento que visa alcançar as metas e objetivos estabelecidos pelo poder público. Portanto, sua missão consiste em transformar o texto normativo em um contexto em que os conhecimentos produzidos e acumulados pela humanidade ao longo da história possam ser sistematizados e transmitidos no processo de aprendizagem. Atualmente, há uma perspectiva mais moderna da gestão, que a encara sob a ótica de cada unidade educacional. Conforme observado por Meneses (1977), o termo moderno refere-se a tudo o que não é tradicional. Segundo Hora (2000), a escola atual é caracterizada pelo critério de efetividade, que se baseia na capacidade de alcançar a solução ou resposta desejada. Isso implica em um compromisso genuíno e autêntico com os objetivos sociais e as demandas políticas da comunidade. Sua principal preocupação é promover o desenvolvimento socioeconômico e melhorar as condições de vida da população. Segundo Dias (2017), é essencial compreender de forma aprofundada os processos escolares participativos e democráticos, bem como as condições que favorecem sua efetividade por meio da atuação do inspetor. Dessa maneira, é possível superar tanto a falta de participação, que ocorre quando a escola age em conjunto de forma negligente, quanto a participação por participação, caracterizada por ações sem um propósito comum em relação aos resultados educacionais. É importante reconhecer desde já a figura do inspetor escolar como um componente indispensável da equipe de gestão escolar. A sistematização dos princípios da inspeção escolar, como integração, flexibilidade, participação e planejamento, orientará a atuação do inspetor na interpretação e implementação das normas que regem a construção da proposta pedagógica pela comunidade escolar, assim como a avaliação institucional. É dessa forma que os inspetores podem contribuir para a transformação da realidadesocial. Por um lado, eles abrangem espaços de avaliação e controle que permitem ações para minimizar injustiças sociais, especialmente a exclusão escolar. Por outro lado, fortalecem a credibilidade da escola, contribuindo para sua reputação (BOTELHO, 2012). Nessa ótica, a escola, por meio de seus gestores, é considerada uma instituição social intrinsecamente ligada à sociedade, buscando elementos para sua constante atualização. É evidente que o conceito de gestão está diretamente relacionado com o aprimoramento da democratização do processo pedagógico. Isso implica o envolvimento responsável da comunidade nos processos de tomada de decisão e na efetiva implementação dessas decisões, por meio de um compromisso conjunto com resultados educacionais cada vez mais significativos e qualitativos (DIAS, 2017). As últimas décadas têm sido marcadas por grandes reformas na área da educação em todos os seus aspectos. Essas mudanças foram propostas em níveis federal, estadual e municipal, e tiveram um impacto significativo na administração escolar, resultando em transformações profundas na gestão das escolas. Essas transformações impuseram novas demandas ao trabalho dos gestores, que precisaram reorientar práticas ultrapassadas e buscar soluções para problemas antes desconhecidos, visando à efetividade. De acordo com Hora (2000), quando aplicado à administração educacional, o conceito de efetividade busca alcançar objetivos sociais mais amplos, externos ao sistema educacional, transcendendo sua pretensa neutralidade científica e demonstrando a capacidade de responder e agir de maneira real. No Art. 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em vigor, fica evidente que: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes (BRASIL, 1996). A tarefa de converter a escola em um ambiente democrático envolve a criação de uma política pública que incorpore a participação ativa dos diversos agentes sociais envolvidos no contexto escolar. Dessa forma, inspetores, diretores, professores, alunos, pais e a comunidade em geral contribuirão para a elaboração e implementação de uma gestão democrática, que, de acordo com Gracindo e Bordignon (2004, p. 165), pode ser definida como: “[...] o processo de coordenação das estratégias de ação para alcançar os objetivos definidos e requer liderança centrada na competência, legitimidade e credibilidade”. Seguindo as ideias dos autores, a administração da escola é, portanto, um processo de coordenação entre indivíduos iguais, e não de subordinação. À medida que as comunidades escolares abraçarem essa vivência coletiva e praticarem o compartilhamento do conhecimento e do trabalho, podemos afirmar que surge a esperança de uma sociedade menos injusta, que não mais exclui e marginaliza. Existe a esperança de uma nova forma de estrutura social. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no Art. 12, inciso VI, é estabelecido que “a escola deve articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração desta com a sociedade” (BRASIL, 1996). O trabalho do Inspetor escolar abrange os aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos das unidades escolares. Além disso, é responsabilidade desse profissional promover a conexão entre a sociedade e os órgãos políticos que fundamentam o sistema educacional. Assim, diversos elementos ligam o Inspetor ao processo democrático de ensino. Segundo Biase (2011), como parte da prática educativa, o Inspetor se torna um agente político e pedagógico fundamental do sistema, pois tem a capacidade de sugerir mudanças estratégicas nas decisões dos órgãos do sistema, visando uma implementação organizacional mais abrangente e democrática. Isso garantirá o acesso de toda a sociedade às Instituições Escolares, ao conhecimento e à cultura. No âmbito educacional, o Inspetor desempenha o papel de fiscalizar a política estabelecida e avaliar sua adequação nas práticas diárias. Segundo Biase (2011), no exercício de sua função, o Inspetor tem como objetivo captar os efeitos da aplicação das normas, visando promover a necessária conciliação entre o formal e o real. Além disso, o Inspetor desempenha um papel comunicativo, coordenador e reinterpretador das diretrizes e fundamentos do sistema. Segundo Luck (2008), a efetiva democratização na área educacional vai além da gestão democrática, conforme estabelecido pela Constituição e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.396/96). O cerne dessa democratização está na garantia de um processo educativo e de um ambiente escolar de alta qualidade, de modo que todos aqueles que buscam educação possam desenvolver os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para participar ativamente e conscientemente na construção de uma sociedade que promova qualidade de vida e condições para o exercício pleno da cidadania. Segundo Dias (2017), essa perspectiva permite ressaltar que na sociedade contemporânea, caracterizada pela participação democrática em diversas esferas, o discurso sobre autonomia, cidadania e participação no ambiente escolar nunca foi tão relevante. Esse tema tem sido um elemento central no atual debate educacional no Brasil e tem levado a uma nova forma de gestão e, principalmente, de planejamento, que se aproxima das abordagens utilizadas em outros tipos de organizações. Essa preocupação se reflete de maneira concreta na concepção de uma política pedagógica específica para cada escola, acompanhada de perto pelo Inspetor, com o objetivo de promover a integração das pessoas envolvidas, o que é fundamental para alcançar os objetivos atualmente propostos. 9 COMUNIDADE ESCOLAR: INDIVÍDUOS E VÍNCULOS Ao refletir sobre as instituições educacionais e as diversas interações entre os indivíduos que as compõem, é importante compreender que a escola é uma organização singular, com metas e propósitos distintos. A escola funciona como um sistema aberto, interagindo com a comunidade em que está inserida e sendo influenciada por ela. Embora possa parecer simples à primeira vista, a escola é uma entidade complexa que reúne sujeitos essenciais para alcançar diariamente seus objetivos educacionais. Esses sujeitos desempenham um papel crucial na promoção de uma aprendizagem significativa e de qualidade, garantindo o direito dos alunos à educação (DIAS, 2017). Para que uma escola seja bem-sucedida e cumpra sua função social, os processos de gestão devem ser eficientes. A gestão escolar “[...] se assenta sobre a mobilização dinâmica do elemento humano, sua energia e talento, coletivamente organizado, voltado para a constituição de um ambiente escolar efetivo na promoção de aprendizagem e formação dos alunos” (LÜCK, 2008, p. 27). Em outras palavras, a administração educacional deve desenvolver iniciativas voltadas para os integrantes da comunidade escolar, visando incentivar a cooperação e a interação entre eles, aproveitando seus talentos, competências e habilidades individuais em benefício da escola (DIAS, 2017). A comunidade escolar engloba todos os agentes sociais interessados no funcionamento da instituição de ensino ou que sejam impactados por ele. Essa comunidade desempenha um papel fundamental na implementação da gestão escolar de forma participativa. Segundo Lück et al. (2010), a gestão participativa é caracterizada pelo envolvimento regular e significativo dos funcionários em processos de tomada de decisão organizacional. No entanto, o conceito pode ser ampliado para abranger todos aqueles que possuem interesse no projetopolítico-pedagógico da escola. Dessa forma, os principais participantes seriam: • Estudantes; • Professores; • Famílias; • Funcionários da escola; • Diretores escolares; • Comunidade local; • Organizações sociais; • Governo. Diversos agentes sociais estão conectados à escola para que ela desempenhe seu papel educativo e realize suas atividades pedagógicas diárias. Esses agentes podem ser divididos em dois grupos, considerando aqueles que atuam diretamente no ambiente interno da escola e aqueles que fazem parte do ambiente externo, levando em conta suas inter-relações (DIAS, 2017). No ambiente interno da escola, destacam-se: • Estudantes, que são o cerne do processo de ensino e aprendizagem; • Professores, responsáveis pela implementação das práticas pedagógicas que promovem a aprendizagem; • Gestores escolares, incluindo o diretor, o vice-diretor, o coordenador pedagógico, o supervisor escolar e o orientador educacional. Além disso, há os serviços de apoio existentes na instituição, como a secretaria, as salas de recursos da educação inclusiva, o refeitório, os laboratórios, a biblioteca, entre outros. Esses atores trabalham em conjunto para garantir o funcionamento da escola, cumprindo as diretrizes legais e atendendo às expectativas da comunidade presentes no projeto pedagógico da escola. Segundo Dias (2017), no contexto externo da escola, encontramos as famílias, as quais possuem a responsabilidade pelos estudantes e devem atuar em parceria com a escola e seus projetos no processo educativo. As famílias têm a oportunidade de participar ativamente por meio do projeto político-pedagógico da escola e da colaboração em órgãos colegiados, como o conselho escolar ou a associação de pais e mestres. Ademais, desempenham um papel fundamental nas reuniões com os professores, nas atividades comunitárias organizadas pela escola, como eventos, feiras e gincanas, bem como no acompanhamento do desempenho acadêmico de seus filhos. Também devemos considerar as entidades sociais presentes no bairro da escola, como associações, fundações, organizações religiosas e organizações não governamentais, que atuam voluntariamente com o objetivo de promover uma educação de qualidade e garantir o direito à educação para todos. Por fim, o governo, representado pelos órgãos do Ministério da Educação, desempenha um papel regulador no funcionamento da escola em cada esfera governamental, como a Secretaria Municipal de Educação e o Conselho Municipal de Educação em nível municipal, e a Secretaria Estadual de Educação e o Conselho Estadual de Educação em nível estadual (HORA, 2000). Segundo Dias (2017), é essencial compreender que todos esses agentes sociais estão interligados de forma complementar durante o processo educativo realizado na escola, especialmente nos aspectos pedagógicos. Por exemplo, a escola recebe diversas responsabilidades do Ministério da Educação, as quais devem ser implementadas por meio de políticas públicas educacionais. Para cumprir essas políticas, a escola deve organizar sua equipe, contando com gestores, professores e funcionários para atender às demandas. Além disso, é crucial envolver a comunidade, oferecendo acesso e canais de participação aos pais e às organizações locais, tanto nos projetos educacionais quanto nas questões relacionadas à realidade da escola e aos objetivos almejados para a sociedade como um todo. Durante as atividades diárias da escola, os gestores desempenham suas funções específicas, buscando minimizar conflitos e encontrar soluções para os problemas e desafios encontrados em suas respectivas áreas. O supervisor escolar, por exemplo, supervisiona os documentos administrativos que devem ser preenchidos pelos professores, como registros de frequência e diários de classe (HORA, 2000). Já o coordenador pedagógico verifica se o planejamento dos professores está alinhado com as diretrizes curriculares e o projeto pedagógico, além de colaborar com a direção na definição de formações necessárias para que os professores e demais profissionais da escola compartilhem uma visão comum dos objetivos institucionais, inovando e aprimorando suas práticas. Por sua vez, o orientador educacional concentra-se nos problemas de aprendizagem relacionados a questões comportamentais, adotando medidas para mediar conflitos entre estudantes, professores e responsáveis pelos alunos (HORA, 2000). Na sala de aula, o professor deve implementar seu planejamento, elaborado de acordo com o projeto político-pedagógico da escola e alinhado às políticas públicas curriculares, com o objetivo de promover a aprendizagem de seus alunos. Nesse sentido, o professor pode contar com o apoio das famílias para enriquecer o que é desenvolvido em sala de aula, incentivando os pais ou responsáveis a se envolverem ativamente nesse processo. É comum que os professores atribuam tarefas de casa aos alunos, buscando estabelecer uma conexão entre os pais e o que a escola está desenvolvendo em seus projetos educacionais (DIAS, 2017). Fonte: www.jornadaedu.com.br Em sua análise sobre o papel das famílias na educação escolar dos filhos e a relevância da colaboração entre família e escola no contexto das atividades domiciliares, Parolin (2005, p. 66) observa que: “[...] o papel da família diante da tarefa de casa é dar apoio, é criar rotinas, é dar espaço, oferecer materiais, potencializar esse momento, para que o aluno aprenda a pensar, a escolher, a priorizar, enfim, a resolver problemas”. Em outras palavras, a família desempenha um papel importante ao proporcionar um ambiente propício em casa para que o estudante continue a expandir seus conhecimentos adquiridos na escola. De acordo com Andrade et al. (2007), uma escola que possui uma administração competente, ágil e criativa, que busca a qualidade e a eficiência, por http://www.jornadaedu.com.br/ meio da participação de todos os membros da comunidade escolar, geralmente apresenta uma liderança: • Sensível às necessidades da comunidade; • Atenta à atualização dos professores e ao aprimoramento de sua prática pedagógica; • Conectada com os avanços científicos e tecnológicos; • Comprometida com a formação integral e o sucesso dos alunos; • Engajada em planejar, coordenar e avaliar a dinâmica da instituição diante da realidade atual; • Preparada para enfrentar os desafios da gestão escolar, com uma visão democrática de projeto global da escola, a fim de atender às exigências e demandas em constante evolução da sociedade. Como evidenciado, é possível observar que, para que uma instituição educacional alcance seus objetivos e seja reconhecida como uma referência, é crucial possuir uma administração e supervisão escolar eficazes. Essa gestão deve atuar de maneira eficiente, inclusive no âmbito da gestão de recursos humanos, uma vez que os atores sociais da escola desempenham um papel fundamental na implementação dos processos educacionais no dia a dia escolar. A gestão de pessoas na escola é responsável primordial pela formação e capacitação dos grupos e equipes de trabalho (DIAS, 2017). 9.1 Relações de autoridade, cultura escolar e hierarquia Segundo Libâneo (2004), as escolas são consideradas organizações, sendo unidades sociais onde pessoas interagem entre si e operam por meio de estruturas e processos organizacionais próprios para alcançar os objetivos da instituição. Dentro desse conceito, as escolas têm a responsabilidade de (re)construir conhecimentos acadêmicos, culturais e profissionais, o que tem claras repercussões sociais. Sua cultura organizacional pode ser definida como um modo específico de funcionamento da escola, formado por diferentes segmentos, com base nos significados atribuídos ao trabalho, aos objetivos da escola e às decisões que são tomadas. Dessa forma, podem surgir escolas com diferentescaracterísticas, mesmo sendo parte de uma mesma instituição patrocinadora. De acordo com Libâneo (2004), podemos entender que essa visão do funcionamento da escola implica na compreensão de que a cultura organizacional surge da interação entre diretores, professores, coordenadores, funcionários e alunos no convívio diário. São crenças, valores, formas de agir e reagir que definem práticas e configuram traços culturais específicos daquela escola. Dessa forma, a cultura organizacional da escola pode ser identificada no tipo de suporte oferecido aos professores e alunos, na forma como são conduzidas as reuniões, na maneira como são aplicadas penalidades e outras normas disciplinares, no envolvimento dos pais no processo educativo, na transparência das decisões, entre outros aspectos (SANT´ANNA, 2014). Essas ações cotidianas determinam como os membros da escola se comportam, interpretam suas posições, avaliam situações e participam ativamente ou não. Essa identidade vai além do sistema de gestão adotado, pois revela paradigmas ainda mais profundos, geralmente construídos coletivamente ao longo dos anos. Veja a Figura 1: Figura 1 - Hierarquia escolar Fonte: Sant´anna, 2014. É imprescindível que a escola promova a prática da participação e tomada de decisões em um processo coletivo. Nesse sentido, é fundamental compreender a cultura organizacional da escola e estabelecer novas relações sociais que permitam o trabalho coletivo, uma postura cooperativa e colaborativa, além do compartilhamento do poder, visando consolidar órgãos colegiados e fortalecer a participação dos alunos (SANT´ANNA, 2014). O Conselho de Escola, também conhecido como Conselho Escolar, possui atribuições definidas de acordo com o sistema de ensino. Em sua definição, trata-se de um órgão colegiado responsável pela gestão da escola, em conjunto com a direção e os representantes de todos os segmentos que a compõem. Geralmente, suas funções incluem consultoria, deliberação, estabelecimento de normas e avaliação. Outro órgão importante é o Conselho de Classe. Para Sant’Anna (1995): O Conselho de Classe é a atividade que reúne um grupo de professores da mesma série, visando em conjunto chegar a um conhecimento mais sistemático da turma, bem como acompanhar e avaliar o aluno individualmente, através de reuniões periódicas (SANT’ANNA, 1995, p. 87- 88). Segundo Sant'anna (2014), é comum entender o Conselho de Classe como uma reunião de professores, responsáveis pelo conhecimento, que irão avaliar o desempenho dos alunos. Essa ideia se solidificou em algumas instituições escolares. No entanto, esse Conselho é um valioso instrumento da organização escolar para análise e avaliação do trabalho docente e da equipe pedagógica da escola, a participação dos pais no processo de ensino-aprendizagem, a coerência dos conteúdos ministrados, a pertinência das estratégias, técnicas e recursos de ensino adotados, os instrumentos de avaliação utilizados, além da análise do desempenho acadêmico dos alunos (SANT´ANNA, 2014). O Conselho de Classe deve ser um espaço de reflexão pedagógica, especialmente se houver a participação não apenas dos professores, mas também dos pais e alunos. A Associação de Pais e Mestres (APM) é uma instituição auxiliar, uma associação civil sem fins lucrativos e com personalidade jurídica própria. Ela é representada pelo seu diretor executivo, sendo que o diretor da escola é seu presidente nato. Suas legislações básicas estão estabelecidas pelo Decreto 12.983/78, com alterações pelos Decretos 40.785/96, 48.408/04 e 50.756/06. A APM tem a responsabilidade de contribuir para o processo educacional, fornecendo assistência aos alunos e promovendo a integração entre família, escola e comunidade (SANT´ANNA, 2014). De acordo com o artigo 37 do Estatuto Padrão da Associação de Pais e Mestres: “O Diretor da Escola poderá́ participar das reuniões da Diretoria Executiva da APM, intervindo nos debates, prestando orientação ou esclarecimento ou fazendo registrar em atas seus pontos de vista, mas sem direito a voto”. A APM deve ter um Plano de Trabalho com atividades previstas, que deve ser integrado ao Plano Escolar. Além disso, pode receber repasses financeiros através de convênios entre o Fundo de Desenvolvimento da Educação (FDE) e a própria APM. Existem recursos destinados à conservação e manutenção de prédios e equipamentos escolares, além do repasse do FNDE/MEC no segundo semestre de cada ano. Os Grêmios Estudantis são associações colegiadas lideradas pelos alunos. O estímulo à criação e participação dos Grêmios Estudantis deve partir do gestor escolar. Por sua vez, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante a criação tanto da APM quanto dos Grêmios Estudantis nas escolas, sendo responsabilidade da direção escolar favorecer a sua organização. O organograma representado pela Figura 2, ilustra o que foi discutido, modificando a estrutura hierárquica previamente apresentada: Figura 2 – Organograma escolar Fonte: Sant´anna, 2014 Segundo o artigo "Escolas com bom convívio têm muito a ensinar" de Luiz Carlos de Menezes, publicado na Revista Nova Escola: Quando são discutidas as responsabilidades de cada um na formação, as regras de convívio não são ignoradas, as relações não se limitam a queixas de comportamento e o exercício da autoridade, quando necessário, é compreendido [...] Para que essa participação prossiga ao longo do ano letivo, é preciso fazer consultas, mediar conflitos e rever percursos, o que se realiza com corresponsabilidade, especialmente nos conselhos de classe e de escola [...] Com isso, toda a coletividade escolar se desenvolve continuamente em instituições que não são fábricas de ensinar, mas comunidades de aprender (MENEZES, 2011 p. 82). Diretor Vice-diretor Secretaria Serviços administrativos Biblioteca Laboratórios/salda de recursos audiovisuais Serviço de limpeza e segurança Serviços de merenda escolar Orgãos colegiados Coordenadores Professores Alunos 9.2 Dinâmica de equipes e liderança De acordo com Andrade et al. (2007), a administração de recursos humanos é uma das dimensões mais cruciais da gestão contemporânea nas escolas. Seu objetivo é coordenar os esforços de toda a comunidade escolar em prol dos objetivos estabelecidos pela instituição educacional. No entanto, gerenciar um grupo de indivíduos que atuam dentro do ambiente organizacional é uma tarefa complexa. Cada pessoa traz consigo suas particularidades, cultura e perspectiva sobre o mundo. No contexto escolar, isso se aplica especialmente aos professores, que possuem sua própria formação docente. Portanto, a diversidade de ideias pedagógicas implica em diferentes abordagens para compreender a educação e executar tarefas diárias. Assim sendo, é comum que inicialmente existam grupos de trabalho dentro da escola. Esses grupos são geralmente formados para realizar projetos ou tarefas específicas. Com o tempo e o esforço dos gestores da escola, esses grupos podem evoluir para equipes de trabalho que operam como um time, buscando resultados coletivos e sinérgicos (ANDRADE et al., 2007). No Quadro 1 a seguir, são apresentadas algumas características distintivas entre grupos e equipes. Quadro 1 – Diferenças básicas entre grupo e equipe Grupo Equipe Definição Conjunto de pessoas reunidas. Conjunto de pessoas organizadas para trabalharem juntas. Constituição O grupo se constitui por duas ou mais pessoas que interagem entre si de modo que cada pessoa influencia e é influenciada por outra. A equipe é constituída por poucas pessoas que influenciam mutuamente e têm competências complementares a partir das quais interagem. Objetivos Preocupa-se pouco com o objetivo comum. É comprometida com um propósito comum e seresponsabiliza pelos resultados. Relação Normalmente, não existe interdependência. Quando existe, é simples e linear. Existe interdependência complexa: as tarefas e/ou resultados de um membro dependem dos demais. Metas O grupo pode compartilhar informações sobre as metas As metas são conhecidas e compartilhadas por todos, uma vez que o desempenho é coletivo. Sinergia Neutras, podendo ser negativa. Positiva; o alcance dos objetivos pressupõe convergência de esforços. Responsabilidades Individuais e isoladas Individuais, correlacionadas e coletivas. Habilidades Aleatórias e variadas. Correlacionadas e complementares. Fonte: Adaptada Griffin, Moorhead, 2006. Ao analisar o Quadro 1, é possível observar que as instituições de ensino da educação básica funcionam por meio de um corpo de trabalho principal. Esse corpo é composto pelos administradores da escola, que assumem responsabilidades de liderança, supervisão, coordenação pedagógica e orientação educacional, com o objetivo comum de garantir o direito dos alunos à educação. Para que esse corpo de trabalho possa desempenhar suas funções de gestão, é necessário formar grupos de trabalho ao longo do ano letivo. Os demais membros da comunidade escolar são designados para integrar esses grupos e desempenhar suas funções específicas. De acordo com Libâneo (2008), ao abordar o conceito de equipe no contexto das organizações educacionais, ele define que: Uma equipe é um grupo de pessoas que trabalha junto, de forma colaborativa e solidária, visando à formação e à aprendizagem dos alunos. Do ponto de vista organizacional, é uma modalidade de gestão que, por meio da distribuição de responsabilidades, da cooperação, do diálogo, do compartilhamento de atitudes e modos de agir, favorece a convivência, possibilita encarar as mudanças necessárias, rompe com as práticas individualistas e leva a produzir melhores resultados de aprendizagem aos alunos (LIBÂNEO, 2008, p. 103). A seguir, serão apresentadas algumas das principais atribuições de cada membro da equipe administrativa da escola: diretor, supervisor, coordenador pedagógico e orientador educacional. Como mencionado anteriormente, eles são responsáveis pela formação e aprendizagem dos estudantes. O diretor é o gestor encarregado de cumprir todas as exigências estabelecidas nas leis e políticas educacionais. Para isso, é necessário ter um profundo conhecimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996), da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), da Lei Orgânica do município onde a escola está localizada, dos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Educação, do projeto político-pedagógico da escola, do regimento escolar, entre outros. Com o intuito de alcançar os objetivos que norteiam e estruturam a educação básica, o diretor exerce liderança junto à sua equipe de trabalho, buscando o engajamento e a participação de todos. Os estilos de liderança podem variar, e cabe ao diretor utilizar aquele que melhor se alinhe com as atitudes de participação e colaboração necessárias. Ao enfatizar a importância da liderança exercida pelo diretor para mobilizar a equipe administrativa da escola, Lück (2004) reforça que: É do diretor da escola a responsabilidade máxima quanto à consecução eficaz da política educacional do sistema e ao desenvolvimento pleno dos objetivos educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os esforços nesse sentido e controlando todos os recursos para tal. Devido a sua posição, central na escola, o desempenho de seu papel exerce forte influência (tanto positiva quanto negativa) sobre todos os setores pessoais da escola (LÜCK, 2004, p. 32). Conforme se pode observar, a função do diretor como gestor da escola, tanto nos aspectos financeiros quanto na administração das pessoas que integram a equipe administrativa, é essencial para que a escola estabeleça sua identidade e consiga implementar as concepções presentes em seu projeto pedagógico. Ao abordar a gestão da educação básica, Colombo et al. (2007) comentam que: Em uma prática escolar que abre espaço para uma relação de troca e parceria com a família e a sociedade, que transcende a ideia de ensino depositário, que entende que conteúdo não é fim último do processo de ensino- aprendizagem, buscam-se profissionais engajados, pessoas prontas a interagir com conhecimento, colegas de trabalho e clientela. Um grupo como esse se constitui a partir da ação de um líder capaz de mobilizar a equipe, que tenha credibilidade como implementador e seja inovador, visionário. Longe de ser um super-herói, precisa, antes de mais nada, assumir seu papel como aprendiz e investir em sua própria reciclagem (COLOMBO et al., 2007, p. 242). Observe a relevância das características de liderança para impulsionar a mobilização e a inovação das práticas educacionais, assim como a postura de humildade e busca contínua por aprimoramento que deve ser adotada por todos os gestores escolares. Para explorar diferentes estilos de liderança, consulte o Quadro 2 a seguir. Quadro 2 – Estilos de liderança Lider autocrático Líder Liberal Líder democrático Decisões Decide sozinho, é centralizador. São transferidas aos que irão executar as atividades. São compartilhadas com o grupo. Como trabalha É o guia, planeja conduzindo todas as atividades e distribui as tarefas, sem aceitas ideias ou mudanças no planejamento. Isenta-se das atividades de planejamento, organização e execução dos processos organizacionais. Limita- se a tirar dúvidas, se necessário. Delibera junto ao grupo, dividindo tarefas conforme as aptidões e promovendo a participação de todos. Participação É pessoal, sendo seus elogios e as críticas ao resultado do trabalho realizado. A sua participação é pouco existente. Ele atua somente quando interpelado pelo grupo encarregado de pôr em prática as atividades e os processos. É aberto à comunicação e aceita novas deias e visões. Costuma compartilhar com o grupo, o sucesso e as críticas do trabalho realizado. Fonte: Adaptado de Luck, 2010. Ao analisar o Quadro 2, é possível perceber que os estilos de liderança abrangem desde o autocrático, que é mais autoritário e centralizador, passando pelo liberal, que delega grande parte das decisões, até o democrático, considerado base para a condução das escolas conforme a Constituição Federal. O líder democrático, devido às suas características, possibilita a participação, interação e trocas entre a equipe gestora e os membros da comunidade escolar. Atualmente, o supervisor educacional é responsável por assessorar a escola em questões técnicas e administrativas relacionadas ao sistema educacional. Ele oferece suporte aos gestores e professores nessas áreas, por meio de orientações pontuais ou por meio de programas de formação contínua. Conforme afirmado por Przybylski (1982): Supervisão escolar é o processo que tem por objetivo prestar ajuda técnica no planejamento, desenvolvimento e avaliação das atividades educacionais em nível de sistema ou unidade escolar, tendo em vista o resultado das ações pedagógicas, o melhor desempenho e o aprimoramento permanente do pessoal envolvido na situação ensino-aprendizagem (PRZYBYLSKI, 1982, p. 16). O coordenador pedagógico assume a responsabilidade de monitorar o processo de aprendizagem dos estudantes, verificando se a escola está alcançando os objetivos estabelecidos no projeto pedagógico construído com a participação da comunidade. Além disso, é o coordenador que planeja, organiza e orienta as atividades pedagógicas que ocorrem no dia a dia da escola, oferecendo suporte aos professores em questões didáticas e metodológicas. Orsolon (2006) ressalta que, ocoordenador pedagógico, para coordenar direcionando suas ações para a transformação, precisa estar ciente de que seu trabalho não ocorre isoladamente, mas em colaboração com outros membros da equipe escolar, visando a construção de um projeto político-pedagógico transformador. Em outras palavras, as ações da gestão pedagógica lideradas pelo coordenador exigem o envolvimento e o comprometimento dos professores e de toda a comunidade escolar para poderem realmente promover inovação, transformação e aprendizagem significativa. O orientador educacional é responsável por compreender como a escola se relaciona com a comunidade local e as questões presentes no projeto pedagógico. Ele atua como mediador e solucionador de problemas que surgem dentro da instituição. Ao falar sobre o papel do orientador educacional na escola, Grinspun (2005, p. 93) comenta que “[...] a Orientação Educacional, mais do que nunca, se faz necessária na escola como uma aliada, uma parceira, uma área que está pronta para colaborar e ajudar a escola em especial os alunos a construírem sua subjetividade e qualificar mais e melhor a sua cidadania”. Portanto, em um mundo em constante mudança, que passou por transformações políticas, econômicas, sociais e culturais significativas nas últimas décadas, os gestores devem se empenhar em apoiar os estudantes da educação básica, que estão em processo de formação como indivíduos e para os quais a escola desempenha um papel significativo. Como é possível perceber, o desafio de alcançar os objetivos educacionais propostos no plano político-pedagógico da escola requer liderança. A ideia é que os gestores envolvam e convençam todos os membros da comunidade escolar nessa busca, promovendo atitudes colaborativas, empáticas e participativas. 9.3 A contribuição da comunidade no ambiente escolar Conforme Bordenave (1994), a participação no ambiente escolar tem se tornado cada vez mais relevante devido à insatisfação geral com a exclusão da população das questões que afetam a todos e que são decididas por poucos. O entusiasmo pela participação surge a partir das contribuições positivas que ela oferece. Existem várias formas de comparticipações no ambiente escolar, conforme citado por Lück (2009) são definidas por participação por meio da presença, através de expressão verbal e discussão, representação política, participação na tomada de decisões e por meio de engajamento. Cada uma dessas formas de acompanhamento varia em intensidade e nível de interação. Para que um modelo de gestão escolar participativa seja bem-sucedido, é necessário promover uma sequência gradual de ações que motivem a comunidade a se envolver cada vez mais: estar presente na escola, participar de discussões e debates sobre a viabilidade de novas ideias e projetos, tomar decisões sobre quais ideias e projetos serão implementados e engajar-se na execução das ações necessárias para a implantação dos projetos escolhidos. A comunidade escolar é composta por stakeholders, ou seja, todas as pessoas envolvidas no ambiente escolar em todos os níveis hierárquicos, tanto internamente quanto externamente. Esses stakeholders são o público-alvo estratégico para o qual a gestão escolar deve direcionar suas metas e objetivos. É importante ressaltar o papel fundamental dos stakeholders em legitimar as ações da escola, ao mesmo tempo, em que atuam de forma proativa na busca por resultados. O termo "stakeholder" é derivado da combinação das palavras "stake", que significa interesse, e "holder", que significa aquele que possui (MITCHEL et al., 2010). De acordo com Brito (2013), a comunidade local é um dos vários stakeholders que compõem a comunidade escolar, como ilustrado na Figura 1. No entanto, é observado que a comunidade local geralmente mantém uma distância significativa da gestão escolar, especialmente nos modelos tradicionais de gestão, onde a comunidade tende a não se envolver nos projetos estabelecidos pela escola. Portanto, é considerado que apenas um modelo de gestão participativa bem-planejado e adequadamente implementado pode permitir a aproximação da comunidade local com a escola. Figura 1 – Comunidade Escolar – os stakeholders que afetam e são afetados pelo processo educacional Fonte: Brito, 2013. De acordo com Brito (2013), a organização-escola estabelece interações com diversos atores sociais (stakeholders) presentes em seu ambiente. Por meio dessas relações, surge a sinergia entre Escola, Estado e Comunidade, resultando em parcerias público-privadas relevantes. Dentro dessa perspectiva, a comunidade e as empresas privadas unem esforços para ter uma interferência positiva no processo decisório educacional. No entanto, é essencial haver um projeto pedagógico consistente, que oriente e permita que essas parcerias público-privadas contribuam de forma adequada e somem esforços para o sucesso de todos os envolvidos, especialmente dos estudantes. Nesse contexto de organização e gestão escolar, Santos (2004), enfatiza que os atores sociais ou stakeholders - diretores, coordenadores, professores, pais e alunos, entre outros - são considerados sujeitos com voz ativa no planejamento e implementação dos processos administrativo-pedagógicos da escola. No entanto, para alcançar resultados organizacionais positivos, é necessário que a participação ocorra de maneira clara e responsável, seguindo os princípios de legitimidade, participação, liderança, qualificação e flexibilidade mencionados anteriormente (BRITO, 2013). Considera-se que um ambiente propício ao desenvolvimento de um modelo de gestão participativa só estará completo se houver a participação da comunidade local na qual a escola está inserida, pois, como afirmam Lück, Freitas, Girling e Keith (2010), a gestão escolar implica na criação de um ambiente participativo. Murillo et al. (2007), destacam que um modelo de colaboração na organização escolar, com foco no aluno, no conhecimento, no corpo discente e na comunidade, é um requisito fundamental para a qualificação da escola. Nesse contexto, a qualificação escolar significa capacitar a escola para atender às novas demandas da sociedade e dos alunos em uma era caracterizada pela rápida evolução tecnológica e pelo acesso ao conhecimento. Em um modelo de gestão educacional participativa, a escola é planejada para se tornar um centro comunitário permanente, promovendo a integração entre escola, família e comunidade. Esse modelo de gestão compartilhada resulta em pais, professores e alunos satisfeitos com os serviços oferecidos pela escola (SANTOS, 2008). Conforme ilustrado na Figura 2, o envolvimento da comunidade na escola é um dos fatores mais importantes do modelo de gestão compartilhada: Figura 2 - Um referencial para a melhora da eficácia escolar Fonte: Murillo et al., 2007 O envolvimento da comunidade no âmbito da gestão compartilhada é impulsionado por processos que promovem a colaboração entre a escola e as famílias, com objetivos e visão compartilhados, voltados para a construção e implementação do projeto político-pedagógico, sendo considerado um fator-chave de sucesso (MURILLO et al., 2007). A participação adquire e proporciona diferentes níveis de envolvimento, à medida que as pessoas envolvidas nesse espaço passam a acreditar no valor e impacto de suas ações ou intervenções. Embora o organograma das escolas coloque formalmente o processo de participação em uma posição privilegiada, com as decisões mais importantes sendo tomadas pelo órgão colegiado, lamentavelmente, essa estrutura formal muitas vezes se restringe apenas ao aspecto administrativo, não refletindo o verdadeiro significado da participação. Para compreender o verdadeiro valor da participação no processo de gestão escolar, é necessário que pais, professores, alunos, funcionários e a comunidade localatuem não apenas nas esferas formais, mas também em interações informais (SASTRE, 2003). Uma das expectativas deste estudo foi investigar se o sucesso da gestão compartilhada estaria relacionado à interação entre estruturas formais e informais de participação. A gestão escolar tem a responsabilidade de estabelecer um ambiente e estruturas que favoreçam a participação de forma efetiva e duradoura (LÜCK et al., 2010). Uma vez que seja construído um ambiente participativo, no qual a comunidade esteja envolvida na rotina escolar, ele se tornará uma cultura intrínseca a esse contexto, incentivando todos os envolvidos no processo, especialmente alunos e professores, a se comprometerem genuinamente com a escola e suas atividades. Paro (2010) destaca: A atividade administrativa não se dá no vazio, mas em condições históricas determinadas para atender a necessidades e interesses de pessoas e grupos. Da mesma forma, a educação escolar não se faz separada dos interesses e forças sociais presentes em uma determinada situação histórica. A administração escolar está, assim, organicamente ligada à totalidade social, onde ela se realiza e exerce sua ação e onde, ao mesmo tempo, encontra as forças de seus condicionantes (PARO, 2010, p. 18). No Quadro 1, apresentado a seguir, é possível analisar a participação na escola com base nas perspectivas educacional, social e profissional, conforme destacado por Guerra (2002). Diante da relevância da participação da comunidade na escola, surge a questão sobre como a gestão compartilhada possibilita e incentiva essa participação. O Quadro 1 oferece estratégias que facilitam esse processo e fornece sugestões de como isso pode ocorrer: Quadro 1 – Estratégia para facilitar a participação Fonte: LÜCK et al., 2010 É possível observar, conforme apresentado no Quadro 1, que a democracia na escola depende de certos parâmetros, como o diálogo constante entre todos os membros da comunidade escolar, a discussão aberta sobre questões importantes, a participação nas decisões, a capacidade crítica de analisar situações, conflitos e normas, o respeito, o comprometimento e o controle das decisões por meio de um processo democrático, a liberdade de expressão para todos os membros da comunidade escolar, incluindo os alunos, e a tolerância e o respeito às diversas culturas e formas de pensamento (GUERRA, 2002). No entanto, para que a gestão seja verdadeiramente participativa, é necessário reconhecer a participação como um valor essencial que deve orientar todas as práticas. Nesse sentido, ela se tornará uma dimensão da cultura organizacional da escola, amplamente aceita e praticada por todos os membros da organização e seus líderes (BARROSO, 2008). A escola contribui para a transformação social não apenas ao transmitir conhecimento, mas também ao desenvolver a consciência crítica de seus alunos (PARO, 2010). Estimular e exercer a gestão compartilhada no ambiente escolar é uma forma eficaz de promover a capacidade de pensamento crítico. Para promover a gestão participativa, é necessário estabelecer uma visão e objetivos compartilhados por todos os membros da comunidade escolar; adotar uma abordagem proativa e empreendedora nos processos escolares; definir o perfil e a identidade social da escola; e estabelecer uma perspectiva comum e compartilhada para o desenvolvimento institucional da escola e o aprimoramento profissional do corpo docente e administrativo (LÜCK et al., 2010). Por outro lado, para que a participação seja efetiva, é fundamental ter estruturas adequadas para essa finalidade. Quando as estruturas se mostram ineficazes ou insuficientes para canalizar a participação, é necessário modificá-las, evidenciando o processo cíclico da gestão, no qual os resultados devem ser constantemente avaliados (GUERRA, 2002). É importante ressaltar que a participação vai além da gestão e de seus aspectos formais, abrangendo os processos de aprendizagem, a vida escolar e sua dinâmica geral, conforme destaca Guerra (2002). Para implementar um modelo de gestão compartilhada que envolva a participação da comunidade local e da família, a escola precisa estar preparada para aceitar o posicionamento desses atores no processo educacional e na construção de projetos pedagógicos. Lück (2009), traz uma contribuição relevante ao mencionar que tanto os professores quanto os membros da equipe gestora muitas vezes sentem receio ao considerar a ampliação da participação de pessoas externas à escola, principalmente aquelas mais eloquentes e de personalidade forte. Esse receio pode levar os gestores escolares a evitar a participação da família e da comunidade local. Nesse sentido, é necessário promover um ambiente participativo por meio de um estágio de preparação para a gestão compartilhada, no qual família, comunidade, professores e gestores possam se capacitar para a participação e o trabalho em equipe. Dentro desse contexto, pressupõe-se que as decisões e conflitos devem ser tomados e resolvidos de maneira respeitosa por meio do consenso das equipes de trabalho. No que diz respeito às relações de poder, Paro (2010) argumenta que, devido à sua posição de comando, o diretor é frequentemente percebido como tendo poder e autonomia maiores do que realmente possui. No entanto, a responsabilidade deve ser compartilhada por todos e não apenas pelos membros da direção. Portanto, o desempenho do aluno é resultado do trabalho conjunto de toda a comunidade escolar, e esse objetivo será melhor alcançado em um modelo de gestão compartilhada que envolva a família, a comunidade e outros colaboradores externos da escola. Conforme a concepção de Noblit (1995) sobre essa questão, o modelo de gestão participativa deve funcionar como um mediador das relações implícitas que ocorrem no ambiente escolar, compartilhando decisões e mobilizando pessoas para assumirem a responsabilidade de criar um projeto democrático. No que diz respeito à participação dos alunos no processo educacional, é importante enfatizar que ela deve ser promovida de forma transparente e informativa, permitindo que eles tenham liberdade para escolher os melhores métodos e ter a capacidade real de intervir nas decisões (GUERRA, 2002). De maneira geral, as escolas devem buscar estabelecer parcerias com grupos comunitários e empresas, a fim de participarem de seus projetos e permitir que os alunos contribuam e participem dessas iniciativas. Isso cria uma sinergia na qual a escola recebe apoio e também oferece apoio nas interações com a comunidade, expandindo os limites da sala de aula. Segundo os autores, esse processo de criação de alianças estratégicas entre a comunidade e a escola beneficia a construção de uma "escola que aprende" e de uma "comunidade que aprende". Dessa forma, ambas as partes conseguem se posicionar melhor diante das demandas de uma sociedade em constante interação com novos conhecimentos e tecnologias (SENGE et al., 2005). Dalberio (2002), aborda o conceito de participação em conjunto com a gestão escolar, com um enfoque peculiar ao se referir à participação da família. A autora argumenta que, nesse caso, a participação pode favorecer a inércia do estado e levar ao comodismo diante da responsabilidade de suprir as necessidades básicas da escola, adotando uma perspectiva utilitarista. 9.4 A capacitação profissional em contexto de trabalho A capacitação dos professores é um processo contínuo que começa com a formação inicial, que pode ser adquirida no ensino médio, através do curso normal, ou na graduação, por meio de um curso de licenciatura. Essa formação se estende através da formação continuada, que pode ocorrer de forma independente e externa à instituição de ensino, como em cursos de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado), ou dentro da própria escola. A formação continuada realizada naescola, conhecida como formação em serviço, é um aspecto importante da gestão de pessoal que as instituições de ensino devem promover sob a liderança de seus gestores escolares. Essa formação visa o aprimoramento e a atualização dos profissionais da educação, impactando diretamente em suas práticas pedagógicas diárias. A coordenação pedagógica é responsável por planejar e organizar a formação continuada em serviço. A proposta é oferecer atividades reflexivas e dinâmicas que abordem temas relevantes para a escola e que sejam de importância pedagógica para o desenvolvimento da instituição. Caso contrário, a formação se limitará a reuniões entre professores e outros profissionais, sem causar mudanças significativas. Ao examinar os critérios essenciais para uma formação contínua que alcance seus objetivos de maneira eficaz, Candau (1997) observa que: Este objetivo não se alcança de uma maneira espontânea, não é o simples fato de estar na escola e de desenvolver uma prática escolar concreta que garante a presença das condições mobilizadoras de um processo formativo. Uma prática repetitiva, uma prática mecânica não favorece esse processo. Para que ele se dê, é importante que essa prática seja uma prática reflexiva, uma prática capaz de identificar os problemas, de resolvê-los, e cada vez as pesquisas são mais confluentes, que seja uma prática coletiva, uma prática construída conjuntamente por grupos de professores ou por todo o corpo docente de uma determinada instituição escolar (CANDAU, 1997, p. 57). Neste contexto, é possível reiterar a relevância dos gestores escolares. Através de sua liderança e da maneira como conduzem os procedimentos dentro da instituição educacional, é viável estabelecer uma cultura organizacional que valorize a reflexão diária sobre a prática e suas potenciais melhorias. Esse processo reflexivo não deve se restringir ao âmbito individual, mas deve contagiar toda a comunidade escolar, envolvendo todos os profissionais que atuam nesse ambiente. Ao abordar o processo de formação do professor, Nóvoa (1991, p. 30) enfatiza que “[...] a formação continuada deve alicerçar-se numa [...] reflexão na prática e sobre a prática, através de dinâmicas de investigação-ação e de investigação-formação, valorizando os saberes de que os professores são portadores”. Em outras palavras, a formação em serviço requer necessariamente a reflexão e a investigação das práticas docentes cotidianas, além da aquisição de novos conhecimentos que possam desenvolver novas competências nos professores, a serem aplicadas no futuro com suas turmas. Assim, há temáticas que exigem que os professores e outros profissionais da escola sejam capacitados para lidar com tais situações. Um exemplo disso é a capacitação oferecida pelas escolas para que os professores possam incorporar em seus planos de aula as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que regulamenta a educação básica no sistema educacional brasileiro. Como a BNCC se baseia no desenvolvimento de competências nos alunos, muitos professores precisam se capacitar para compreender esse sistema, revisar metodologias utilizadas, conhecer novas estratégias de aprendizagem e novas formas de avaliação do processo educacional. Essa capacitação pode ser realizada por meio de formações continuadas em serviço. A fim de garantir a efetividade das formações continuadas em serviço e gerar impactos significativos, é crucial reconhecê-las como essenciais para a consolidação e o aprimoramento da formação profissional de todos os envolvidos na instituição. Fusari (2006) destaca que, a formação contínua dos educadores que atuam na educação básica será mais bem-sucedida se a equipe escolar, liderada pelos diretores e coordenadores (pedagógicos, de áreas, cursos e períodos), a encarar como um valor e uma condição básica para o desenvolvimento profissional dos profissionais da educação. A seguir, são apresentados por Fusari (2006), Placco e Silva (2006), os elementos fundamentais para a formação em serviço: • Estruturação e gestão do tempo • Gestão democrática • Integração na cultura organizacional • Articulação com o projeto pedagógico • Abordagem crítica e reflexiva • Avaliação Para garantir a formação contínua das equipes escolares em serviço, é essencial realizar uma organização e planejamento adequados do tempo, espaços, recursos e atividades a serem desenvolvidas. A formação deve estar alinhada aos princípios da gestão participativa, que promovem a participação de todos os envolvidos, estimulando o diálogo e a troca de experiências como impulsionadores dos processos internos da escola. Além disso, é importante que a formação faça parte da cultura institucional, tornando-se uma prática rotineira na escola. Nesse sentido, Placco e Silva (2006, p. 27) ressaltam a dimensão crítica e reflexiva como um elemento fundamental da formação continuada, enfatizando que “[...] perceber-se e perceber as ações que realiza, avaliá-las e modificá-las em função da percepção e avaliação são questões fundamentais e sensíveis na formação do professor, que exigem do formador e do formando disponibilidade e compromisso”. Dessa maneira, tanto aqueles responsáveis por conduzir a formação quanto os participantes devem assumir o papel de aprendizes, comprometendo-se com seu próprio desenvolvimento (ANDRADE, 2007). A formação continuada em serviço deve incluir procedimentos avaliativos do processo, visando fornecer feedback constante para corrigir ações e proporcionar experiências ainda melhores e mais alinhadas à realidade dos profissionais da educação. Uma técnica avaliativa que se adequa bem às formações é a autoavaliação, na qual os profissionais refletem sobre si, identificando áreas que necessitam de ajustes em sua conduta e reconhecendo possíveis fragilidades em sua formação. Essa reflexão impulsiona ações futuras para aprimorar essas questões. Como mencionado, a gestão de pessoas em uma instituição de ensino desempenha um papel fundamental. Os gestores que compõem a equipe de trabalho devem atuar de forma eficiente e eficaz, cumprindo suas atribuições e buscando alcançar os objetivos estabelecidos no projeto político-pedagógico da escola. Além disso, a gestão de pessoas permite que todos os profissionais da educação aprimorem suas competências e desenvolvam habilidades importantes para um trabalho participativo, como liderança, inteligência emocional e relacionamento interpessoal. Com uma gestão de pessoas bem estabelecida, conduzida por gestores que adotam uma abordagem democrática e uma cultura organizacional que valoriza a formação crítica e reflexiva, o caminho para o sucesso se torna mais gratificante. Dessa forma, os profissionais da escola e toda a comunidade escolar se sentem motivados e empenhados em buscar resultados positivos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, M. A.; FERREIRA, N. S. C. Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2005. AGUIAR, Márcia Ângela da S. et al. Diretrizes curriculares do curso de pedagogia no Brasil: disputas de projetos no campo da formação do profissional da educação. Educação & Sociedade, 2006. ALBUQUERQUE, R. L. de. Gestão escolar e inspeção. São Paulo: Know How, 2010. ALVES, Ana Maria Lima de Souza; DUARTE, Elisa Aparecida Ferreira Guedes. Supervisor escolar: Missão, exercício, desafios e perspectivas. Centro Universitário de Patos de Minas, MG, 2012. ANDRADE, R. C. (org.) et al. 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