Prévia do material em texto
1 Alysson Mendes – 7° Período CHOQUE NO PACIENTE PEDIÁTRICO Choque é uma condição determinada pela falência do sistema cardiovascular em transportar quantidades suficientes de oxigênio e de nutrientes para manter uma função orgânica vital, resultando em uma perfusão tecidual inadequada. A causa subjacente deve ser reconhecida e tratada prontamente, ou o resultado pode ser disfunção celular ou orgânica que pode levar a morte. - A perfusão adequada dos tecidos requer um sistema cardiovascular íntegro. Isso inclui um volume de líquido adequado (volemia sanguínea), um recipiente para regular a distribuição do líquido (os vasos sanguíneos) e uma bomba (o coração) com força suficiente para mover o líquido através do recipiente. Um mau funcionamento ou disfunção em qualquer um destes componentes pode afetar a perfusão. Choque em estágios iniciais: Choque compensado é chamado também de choque reversível, poque nesse estágio os sintomas de choque são reversíveis, mediante pronto reconhecimento e adequada intervenção. - O choque compensado é uma perfusão inadequada dos tecidos sem hipotensão (i.e., choque com uma pressão arterial "normal"). - No choque compensado, os mecanismos de defesa do corpo tentam preservar os órgãos vitais (i.e., cérebro, coração, pulmões). O sistema simpático do SNA é estimulado devido à diminuição do DC. - Este estágio do choque geralmente é reversível se a causa for prontamente identificada e corrigida. Se não for corrigida, o choque irá progredir para o próximo estágio. - A presença de choque compensado pode ser identificada por: Avaliação da FC Presença e qualidade (volume e força) dos pulsos periféricos Adequação da perfusão orgânica para cérebro (avaliação de nível de consciência), pele (avaliação preenchimento capilar e temperatura da pele) e rins (avaliação do débito urinário) Choque tardio (progressivo): Descompensado. Inicia-se quando os mecanismos compensatórios começam a falhar - Neste estágio, os sinais e sintomas “clássicos'' do choque são evidentes. O choque descompensado é difícil de tratar, mais ainda é reversível se um tratamento agressivo e apropriado for iniciado. - Presença de hipotensão diferencia o choque descompensado do compensado, pois acaba sendo uma alteração mais tardia. - Nesse estágio de choque, os vasos sanguíneos respondem com liberação de epinefrina e norepinefrina com vasocontsrição máxima. Fígado e baço liberam as reservas armazenadas de plasma. Capilares se tornam obstruídos com coágulos de hemácias. Coagulopatia intravascular disseminada e outras coagulopatias se desenvolvem. Choque irreversível: Falência de mecanismos compensatórios. - Arritmias cardíacas podem-se desenvolver devido ao aumento da excitabilidade ventricular. As membranas celulares se rompem e liberam enzimas nocivas. Dano irreversível para os órgãos vitais devido à má perfusão mantida e da alteração do metabolismo, resultando em falência de múltiplos órgãos e morte Sinais gerais de choque: • Alteração do nível de consciência • Oligúria (< 1 mL/kg/h ou 12 mL/m2/h) • Acidose láctica • Taquicardia • Vômitos • Íleo paralitico (distensão, dor abdominal RHA diminuídos) • Aumento de RVS (perfusão ruim) 2 Alysson Mendes – 7° Período CHOQUE HIPOVOLÊMICO: Decorre de volume inadequado. Hipovolemia e sepse como principais causas de choque em crianças. - Decorre da redução do DC secundário a um volume intravascular inadequado. Por consequência há uma diminuição do aporte de oxigênio aos tecidos. - Choque hemorrágico se enquadra dentro de choques hipovolêmicos e esse sangramento excessivo pode ocorrer por sangramento interno ou externo grave, seja por lesão vascular, ruptura de fígado ou baço, hemotórax, lacerações do couro cabeludo, hemorragia intracraniana ou fratura de fêmur. - Choque hipovolêmico ainda pode decorrer de perda de plasma, líquidos e eletrólitos, desidratação ou distúrbios endócrinos - Em uma criança saudável, uma perda de 10 a 15% do volume circulante de sangue geralmente é bem tolerada e facilmente compensada. Embora o volume sanguíneo proporcional seja maior na criança que no adulto, o volume sanguíneo absoluto é menor de modo que uma perda sanguínea será mais sentida na criança. Achados da avaliação no choque hipovolêmico 3 Alysson Mendes – 7° Período Choque compensado: Aumento da FC; Vasoconstrição periférica: pele moteada, retardo do preenchimento capilar, extremidades frias; Pressão arterial normal; Pressão de pulso convergente; Nível de consciência normal ou minimamente alterado; Diminuição do débito urinário. Choque descompensado: Hipotensão; Taquicardia significante; Preenchimento capilar acentuadamente lentificado; Alteração do nível de consciência: irritabilidade, letargia; Débito urinário mínimo; Pulsos centrais fracos; Paciente pálido com pele moteada, leve cianose periférica. Intervenções: Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. Na suspeita de trauma estabilizar a cervical e realizar manobra de vias aéreas com Jaw-Trust. Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurando uma oxigenação e ventilação efetivas. Iniciar RCP na ausência de pulso ou se for menor a 60 BpM. Monitorar paciente e identificar o ritmo Obter acesso vascular (2 IV calibrosos de preferência OU acesso que conseguir mediante urgência OU acesso IO como opção) Ressuscitação fluídica/Reanimação volêmica: Classificação de tipo sanguíneo, fator RH e reação cruzada rapidamente. Administrar um bolus de 20 ml/kg de solução cristaloide isotônica (SF ou Ringer lactato) durante 5 a 20 min e avaliar resposta a partir de nível de consciência, preenchimento capilar, FC, esforço respiratório e PA. Na ausência de melhora, administrar mais 20 ml/kg de soro fisiológico ou Ringer lactato em bolus e instalar uma sonda vesical. Avaliar a resposta. Checar a glicemia. Algumas crianças em choque estão hipoglicêmicas devido à rápida depleção das reservas de carboidratos. Se o nível sérico de glicose estiver abaixo de 60 mg/dl, administrar glicose IV. Manter a temperatura corporal normal. Instalar uma sonda vesical de demora. O débito urinário é uma medida sensível da perfusão e da adequação da terapia. Coletar exames laboratoriais apropriados (gasometria arterial; eletrólitos, glicose, hemograma, coagulograma) Considere o uso de vasopressores se a perfusão persistir alterada mediante oxigenação, ventilacão e terapia fluídica adequadas. CHOQUE CARDIOGÊNICO Decorre de um dano na função muscular cardíaca que gera diminuição do DC (bomba está inadequada). O choque cardiogênico pode ocorrer como um evento primário em pacientes com doença cardíaca congênita ou pode ocorrer como uma complicação do choque de qualquer etiologia. Choque compensado: ansiedade, palidez, extremidades frias; sudorese, preenchimento capilar normal ou lentificado; pulsos periféricos filiformes; taquicardia leve, estase de jugular (EJ} (indicando insuficiência ventricular direita), pressão de pulso convergente (elevação na pressão diastólica com pressão arterial sistólica normal), estertores em bases, débito urinário normal ou levemente diminuído, ortopneia. Choque descompensado: letargia, palidez, pele moteada ou cianótica; sudorese intensa, preenchimento capilar acentuadamente lentificado; pulsos centrais fracos (filiformes); pulsos periféricos podem estar ausentes; hipotensão, taquipneia com diminuição do volume corrente, aumento da congestão pulmonar e estertores, oligúria. Intervenções: Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. Na suspeita de trauma estabilizar a cervical e realizar manobra de vias aéreas com Jaw-Trust. 4 Alysson Mendes – 7° Período Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurandouma oxigenação e ventilação efetivas. Titular a administração de oxigênio para manter um nível de saturação de oxigênio de igual ou maior que 94% Iniciar a RCP na ausência de pulso ou se o pulso for inferior a 60 BpM com sinais de má perfusão. Monitorar paciente e identificar o ritmo Obter acesso vascular (2 IV calibrosos de preferência OU acesso que conseguir mediante urgência OU acesso IO como opção) Solicitar exames laboratoriais (hemograma, função renal e hepática, gasometria arterial, lactato, eletrólitos, glicemia, coagulograma) devem ser solicitados para a avaliação. Além disso, na suspeita de choque cardiogênico CK-MB e troponina, devem ser coletadas para avaliação de disfunção miocárdica. Checar os níveis séricos de glicose e eletrólitos. Se a glicemia sérica estiver abaixo de 60 mg/dl, administrar glicose IV/IO. Administrar pequenos bolus de solução cristaloide isotônicas IV/IO (5 a 10 ml/kg de RL ou SF). O bolus de líquido poderá ser repetido após reavaliação da resposta da criança. Repetir avaliação primária após cada administração de líquidos. Monitorar aumento do trabalho respiratório e estertores crepitantes. Se a criança não melhorar com reposição volêmica, considerar a administração de um inotrópico (p. e.x., dopamina, dobutamina, ou epinefrina) para melhorar a contratilidade miocárdica e aumentar o DC. Inotrópicos são importantes para a melhora da contratilidade miocárdica e serão fundamentais para recuperação do paciente com choque cardiogênico, e a dobutamina é considerada padrão ouro nesses casos na dose de 5 a 20mcg/kg/min. Vasodilatadores podem ser utilizados para reduzir a pré e pós-carga. Tratar as arritmias presentes que estiverem contribuindo para o choque. Realizar uma radiografia de tórax para ajudar a diferenciar o choque cardiogênico do não cardiogênico; identificar a presença de uma infecção pulmonar, cardiomegalia, edema pulmonar ou síndrome de desconforto respiratório agudo em progressão (SDRA). Obter um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações e solicitar avaliação do cardiologista CHOQUE DISTRIBUTIVO No choque distributivo ocorre uma hipovolemia relativa secundária a vasodilatação que aumenta o espaço intravascular desproporcionalmente ao volume sanguíneo disponível (problema do recipiente; aumento do espaço intravascular). - O choque distributivo pode ser causado por uma infecção grave (choque séptico), reação alérgica grave (choque anafilático), lesão da medula espinal (choque neurogênico) ou certas overdoses (p. ex., sedativos, narcóticos). CHOQUE SÉPTICO: Decorre da sepse (resposta inflamatória exacerbada e deletéria do hospedeiro frente a uma infecção adquirida). Choque séptico = sepse + hipotensão persistente que requer uso de vasopressor + lactato sérico>2mmol. - Sepse definida a partir de 2 alterações dentre: alteração do nível de consciência; PA sistólica<100; FR>22. - Febre, taquicardia e vasodilatação são comuns em crianças com infecções benignas. O choque séptico deve ser suspeitado quando uma criança com esta tríade inflamatória apresenta uma alteração no nível de consciência evidenciada por irritabilidade inconsolável, falta de interação com os pais ou incapacidade de responder a estímulos - O choque séptico apresenta-se em duas fases clínicas: 5 Alysson Mendes – 7° Período A fase inicial (hiperdinâmica) se caracteriza por vasodilatação periférica (choque quente) devido às endotoxinas que impedem a vasoconstrição induzida pelas catecolaminas A fase tardia (hipodinâmica ou descompensada) se caracteriza por extremidades frias (choque frio) e se assemelha ao choque hipovolêmico. - A hipotensão não é necessária para o diagnóstico clínico do choque séptico; entretanto, sua presença em uma criança com suspeita clínica de infecção é confirmatória Achados na avaliação: Fase inicial (hiperdinâmica) (aumento do DC). • Pele quente, seca e bem perfundida. • A pressão arterial pode ser normal ou com pressão de pulso divergente. • Pulsos periféricos presentes. • Preenchimento capilar rápido. • Taquicardia. • Taquipneia Fase tardia (hipodinâmica/descompensada). • Extremidades frias com pele moteada. • Diminuição ou ausência de pulsos periféricos. • Alteração do nível de consciência. • Taquicardia. • Preenchimento capilar lentificado. • Diminuição do débito urinário. Fase tardia se assemelha a outros tipos de choque. Intervenções: Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. Na suspeita de trauma estabilizar a cervical e realizar manobra de vias aéreas com Jaw-Trust. Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurando uma oxigenação e ventilação efetivas. Titular a administração de oxigênio para manter um nível de saturação de oxigênio de igual ou maior que 94% Iniciar a RCP na ausência de pulso ou se o pulso for inferior a 60 BpM com sinais de má perfusão. Monitorar paciente e identificar o ritmo Obter acesso vascular. Se o acesso IV não puder ser rapidamente estabelecido obter um acesso IO. A ressuscitação fluídica utilizando bolus de 20 ml/kg de solução cristaloide isotônica (SF ou RL) deve ser administrada e tilulada para alcançar medidas objetivas normais como a frequência cardíaca (utilizando as frequências cardíacas ajustadas para a idade), o débito urinário (pelo menos 1 ml/kg por hora), tempo de preenchimento capilar (inferior a 2 segundos) e normalização do nível de consciência. Se a perfusão não melhorar, deve-se repetir o bolus de líquidos e reavaliar a resposta, repetindo a avaliação primária após cada bolus de líquidos. Monitorar de perto sinais, aumento do trabalho respiratório e aparecimento de estertores crepitantes Checar os níveis de glicose e eletrólitos. Se o nível sérico de glicose for inferior a 60 mg/dl, administrar glicose IV Se o choque séptico durar mais de 1 hora mediante uma ressuscitação fluídica agressiva: Estabelecer acesso venoso central; Iniciar monitoração da pressão arterial invasiva; Recomenda-se dopamina como vasopressor de primeira linha para um choque séptico resistente à administração de fluidos (Comece a infusão com 5 mcg/kg/min). Continue a administração de bolus de líquidos IV durante a infusão de dopamina. Administrar antibióticos IV. Obter hemoculturas ou cultura de qualquer outro sítio corporal suspeito de infecção antes da administração de antibióticos. 6 Alysson Mendes – 7° Período CHOQUE ANAFILÁTICO Anafilaxia ou choque anafilático ocorre quando o corpo é exposto a uma substância que produz uma grave reação alérgica que geralmente ocorre minutos após a exposição. Causas comuns incluem picadas de insetos, medicamentos (p.ex., penicilina, sulfa) e alguns alimentos (p. ex., frutos do mar, nozes, amendoins, morangos). Achados da Avaliação: Edema da língua. • Estridor, sibilos, tosses, roncos, tiragens intercostais e supraesternal. • Taquicardia, hipotensão, arritmia. Vômitos, diarreia. • Ansiedade, inquietação. • Edema facial e angioedema. • Urticária. • Dor abdominal, cólicas. • Prurido (coceira) 7 Alysson Mendes – 7° Período Intervenções: Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. Remover/Interromper agente causador Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurando uma oxigenação e ventilação efetivas. Titular a administração de oxigênio para manter um nível de saturação de oxigênio de igual ou maior que 94% Iniciar a RCP na ausência de pulso ou se o pulso for inferior a 60 BpM com sinais de má perfusão. Iniciar a monitoração do paciente. Identificar o ritmo. Administrar epinefrina 0,01 mg/kg de solução 1:1.000 via intramuscular (IM) (sítio de escolha é o vasto lateral da coxa). A dose única máxima é de 0,5 mg. Pode ser administrada a cada 15 minutos até três doses senecessário enquanto se tenta um acesso IV Obter acesso vascular. Se o acesso vascular não puder ser prontamente estabelecido, obter acesso IO. Administrar rapidamente 20 ml/kg de solução cristaloide isotônica (SF ou RL) em bolus. Se a perfusão não melhorar, repetir um ou dois bolus de líquidos e reavaliar a resposta, repetindo a avaliação primária após cada bolus de líquido. Monitorar de perto aumento do trabalho respiratório e aparecimento de estertores crepitantes. Checar o nível de glicose. Se o nível sérico da glicose estiver abaixo de 60 mg/dl, administrar glicose IV. Considerar terapia broncodilatadora inalatória (p. ex., salbutamol – 50mcg/kg – dose=1jato. Max de 10 jatos). Administrar outros medicamentos para ajudar a interromper a reação inflamatória. Considerar difenidramina (anti-histamínico) 1 a 2 mg/kg IM, IV ou oral. Dosagem máxima de 50 mg. Considerar metilprednisolona 1 a 2 mg/kg/IV CHOQUE NEUROGÊNICO O choque neurogênico é causado por uma lesão grave no cérebro ou na medula espinal (p. ex., lesões do tronco cerebral, transecção completa da medula espinal) que resulta na perda do tônus vascular simpático abaixo do nível da lesão da medula espinal. - A perda do tônus vascular periférico resulta em vasodilatação sistêmica abaixo do nível da lesão: O volume sanguíneo total permanece o mesmo, mas a capacidade vascular aumenta (hipovolemia relativa). - Normalmente, uma diminuição na pressão arterial é acompanhada por um aumento compensatório na FC. No choque neurológico, o paciente não se torna taquícárdico, porque a atividade simpática é interrompida Achados da Avaliação: - A pele está quente e seca. Imediatamente após a lesão, a pele apresenta-se hiperemiada devido à vasodilatação. O sangue eventualmente se acumula, deixando as regiões mais superficiais pálidas. - Se o choque neurogênico ocorrer com hipovolemia, as extremidades geralmente se tornarão frias. - A sudorese não ocorre abaixo do nível de lesão. - FC dentro dos limites normais ou com bradicardia. • Hipotensão. • Pressão de pulso divergente. - A frequência/ esforço respiratório e o padrão da respiração pode ser afetados dependendo da localização da lesão. Intervenções: Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. Na suspeita de trauma estabilizar a cervical e realizar manobra de vias aéreas com Jaw-Trust. 8 Alysson Mendes – 7° Período Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurando uma oxigenação e ventilação efetivas. Iniciar RCP na ausência de pulso ou se for menor a 60 BpM. Monitorar paciente e identificar o ritmo Obter acesso vascular (2 IV calibrosos de preferência OU acesso que conseguir mediante urgência OU acesso IO como opção) Ressuscitação fluídica/Reanimação volêmica: Classificação de tipo sanguíneo, fator RH e reação cruzada rapidamente. Administrar rapidamente 20 ml/kg de solução cristaloide isotônica (SF ou RL) em bolus. Se a perfusão não melhorar, repetir um ou dois bolus de líquidos e reavaliar a resposta, repetindo a avaliação primária após cada bolus de líquido. Monitorar de perto, o aumento do trabalho respiratório e o aparecimento de estertores crepitantes. Repetir a cada 20 a 30 minutos conforme a necessidade até que a perfusão sistêmica melhore. Checar o nível de glicose. Se o nível sérico da glicose estiver abaixo de 60 mg/d L, administrar glicose IV. Manter a temperatura corporal normal. Inserir uma sonda vesical de demora. O débito urinário é uma medida sensível do estado da perfusão e da adequação da terapia. Considerar o uso de vasopressores se a perfusão inadequada persistir a despeito da oxigenação, ventilação e ressuscitação fluídica adequadas. CHOQUE OBSTRUTIVO O choque que se desenvolve após tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, ou embolia pulmonar maciça é chamado de choque obstrutivo, porque a fisiopatologia comum nestas condições é a obstrução ao fluxo de sangue oriundo do coração. - Pode resultar de pneumotórax hipertensivo, o qual pode resultar de um trauma torácico fechado ou penetrante, barotrauma secundário a uma ventilação com pressão-positiva como uma complicação da instalação de cateter venoso central (geralmente subclávia ou jugular interna) ou quando um dreno torácico é pinçado ou se torna bloqueado após sua inserção. - No pneumotórax hipertensivo, o ar entra na inspiração, mas não pode sair. A pressão intratorácica aumenta, o pulmão colapsa e o ar sob pressão desvia o mediastino para o lado oposto. Conforme a pressão intratorácica aumenta, a veia cava é engurgitada e ocorre diminuição do retorno venoso e queda do DC. - O saco pericárdico normalmente contém menos de 1 ml/ kg de líquido. No tamponamento cardíaco, há um acúmulo excessivo de líquidos no saco pericárdico, resultando em uma redução do enchimento ventricular, uma diminuição no VS e uma subsequente diminuição do DC. Pode ocorrer acúmulo excessivo de líquido por pericardite, após cirurgias cardíacas, após traumas, doenças do tecido conjuntivo, radioterapia e como uma complicação de cateteres venosos centrais. Achados da avaliação mediante pneumotórax hipertensivo: Precoces: Dispneia. • Ansiedade. • Taquipneia. • Taquicardia. • Hipertimpanismo da parede torácica no lado afetado. • Diminuição ou ausência do murmúrio vesicular no lado afetado. Tardios: Diminuição do nível de consciência. • Desvio da traqueia para o lado não afetado. • Hipotensão. • Distensão das veias do pescoço (pode não estar presente nos casos de hipovolemia ou hipotensão grave). • Cianose. Achados da avaliação mediante tamponamento cardíaco: - Tríade de Beck: aumento da pressão venosa de jugular, hipotensão, bulhas cardíacas abafadas. • Dispneia. • Ansiedade, inquietação. • Extremidades frias. • Pele pálida, moteada ou cianótica. • Taquicardia. • Pulsos periféricos filiformes ou ausentes. Pressão de pulso convergente. • Pulso paradoxal. Intervenções: Tratamento depende da causa. Profissional deve utilizar EPI’s. Realizar avaliação inicial para obter uma história direcionada. 9 Alysson Mendes – 7° Período Na suspeita de trauma estabilizar a cervical e realizar manobra de vias aéreas com Jaw-Trust. Utilizar oxímetro de pulso e ofertar O2 conforme necessidade, assegurando uma oxigenação e ventilação efetivas. Iniciar RCP na ausência de pulso ou se for menor a 60 BpM. Monitorar paciente e identificar o ritmo Obter acesso vascular (2 IV calibrosos de preferência OU acesso que conseguir mediante urgência OU acesso IO como opção) Administrar rapidamente 20 ml/kg de solução cristaloide isotônica (SF ou RL) em /bolus durante 5 a 20 minutos. Avaliar a resposta (i.e., nível de consciência, tempo de preenchimento capilar, FC, esforço respiratório, pressão arterial). Se a criança continuar a demonstrar sinais de perfusão inadequada, administrar um terceiro bolus de 20 ml/kg de líquidos com SF ou RL. Repetir a cada 20 a 30 minutos conforme a necessidade até que a perfusão sistêmica melhore. Checar o nível de glicose. Se o nível sérico da glicose estiver abaixo de 60 mg/dl, administrar glicose IV - Abordagem de pneumotórax hipertensivo: Realizar uma descompressão com agulha (jelco) no lado afetado (2° EIC e linha hemiclavicular). Reavaliar. Após a descompressão por agulha, inserir um dreno de toracostomia. Reavaliar. Obter uma radiografia de tórax para avaliar a reexpansão pulmonar e avaliar a posição do dreno de toracostomia. - Abordagem de Tamponamento Cardíaco: Expandir com solução cristaloide isotônica conforme a necessidade para manter um volume circulante adequado. A administração de um medicamento inotrópico como a dobutamina pode ser útil, porque não aumenta a resistência vascular sistêmica e aumenta o DC. A pericardiocentese é o tratamento definitivopara o tamponamento cardíaco, seguido de uma drenagem pericárdica. Local mais apropriado é através do ângulo infra- esternal apontado para cima e para a esquerda (abordagem sub-xifoide) ANOTAÇÕES DE AULA: Pre carga: volume no Ventrículos ao fim da diástole – correção com administração de volume Carga: Força, contratiidade – Correção com drogas vasoativas Pós carga: resistência imposta ao VE – correção com medicamentos e procedimentos 10 Alysson Mendes – 7° Período Caso pediatria – Choque Hipovolêmico Paciente 5 anos, que esta com vômito e diarreia há 5 dias, hoje não mamou, não teve diurese e está muito sonolento 11 Alysson Mendes – 7° Período - O choque hipovolêmico é resultado de absoluta deficiência de volume sanguíneo, no caso do paciente, estava com provável infecção intestinal, sendo evidenciado pela diarreia e vômito - Paciente evoluiu com choque hipovolêmico devido a diminuição da ingesta de líquidos, apresentando assim hipovolemia - O choque se apresenta por pré carga reduzida, levando a uma fração de ejeção ventricular baixa, e diminuição do débito cardíaco - Inicialmente a contratilidade se apresenta normal, mas com o decorrer do desenvolvimento do choque diminui, pois será o principal mecanismo de compensação A - inicialmente normal, exceto quando houver diminuição do nível de consciência B - taquipneia, sem aumento do esforço respiratório C - taquicardia ; PA adequada, pulso estreito ou hipotensão sistólica com pressão de pulso estreita - Pulsos perifericos fracos ou ausentes - Pulsos centrais normais ou fracos - Preenchimento capilar retardado - Pele fria, gélida, pálida, moteada, diaforética - Extremidades distais escuras ou pálidas - Alterações do nível de consciência - Oligúria - D - redução do nível de consciência - E - extremidades frias Tratamento Deve se fazer manutenção de via aérea em posicionamento que permita vias aéreas perveas Deve se administrar oxigênio e ventilação Monitorização MOVE Execução de avaliações frequentes, incluindo laboratório Perda de volume não hemorrágica, desidratação Obter acesso vascular central Deve se repor o volume - infundir bolus de 20ml/kg de ringer lactato Impedir o repor perdas contínuas - se paciente apresentar hipotensão deve se administrar epinefrina Restaurar o equilíbrio ácido base Corrigir distúrbios metabólicos PA esperada 80mmhg