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GESTÃO EDUCACIONAL Prof. Me. Rita de Cassia de Campos Andery 004 Aula 01: 010 Aula 02: 015 Aula 03: 021 Aula 04: 026 Aula 05: 030 Aula 06: 035 Aula 07: 040 Aula 08: 046 Aula 09: 051 Aula 10: 059 Aula 11: 064 Aula 12: 070 Aula 13: 077 Aula 14: 082 Aula 15: 085 Aula 16: Gestão Educacional Introdução às Políticas Educacionais na Gestão da Educação Dentro do Contexto Brasileiro Estrutura e Funcionamento: a LDB e as Políticas para Educação Básica Políticas Públicas e o Fator da Inclusão A Educação de Surdos na Esteira das Políticas de Inclusão Gestão de Sistemas – Organização Pedagógica da Escola Sistema de Ensino Sistema de Ensino e Sistema Municipal de Educação Gestão Democrática Gestão Escolar Participativa Gestão Escolar Participativa e as Funções dos seus Conselhos Gestão Democrática no Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 O Olhar do Gestor para as 20 Metas do Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 e a BNCC Gestão Educacional e a Escola Cidadã Gestão de uma Escola Reflexiva O Papel do Gestor Educacional Frente aos Desafios Do Século XXI 2 Introdução Caro(a) aluno(a): É um prazer estar com você nesta caminhada. Nosso objetivo durante esse tempo que vamos �car juntos passa pelo desenvolvimento da sua formação como educador para atuação competente na gestão educacional e escolar, além de subsidiá-lo como gestor educador, capacitá-lo para a análise de políticas educacionais e seus re�exos na escola e estimulá-lo no enfrentamento dos desa�os do cotidiano escolar dentro de uma gestão democrática sempre com uma atitude re�exiva sobre os desa�os da gestão educacional e escolar. Vamos, neste primeiro momento, discutir, re�etir e analisar juntos as questões que envolvem a gestão educacional. Para se fazer uma boa discussão sobre esse assunto, é necessário um esforço individual, ou seja, você precisará investir tempo em leituras para que os objetivos propostos sejam atingidos nesta etapa de estudo. O debate sobre a gestão educacional sempre envolve muito mais que teorias parciais sobre o ser humano e suas ações. A gestão educacional pode se con�gurar como um diálogo do ser humano com todas as outras vertentes que envolvem a política e gestão da educação, a escola cidadã, a gestão democrática da educação, os desa�os do cotidiano escolar, o processo de gestão participativa e a gestão de uma escola re�exiva. Portanto, caro(a) aluno(a), vou lhe dar uma “diquinha”: acomode-se, use uma mesa �rme e uma cadeira com espaldar maior, boa iluminação, mente aberta a novos conhecimentos e vamos juntos trilhar essa jornada. 3 01 Gestão Educacional 4 Fonte: Institucional, 2020 Gestão ou administração: o que traz a atualidade? Gestão é caracterizada pelo reconhecimento da importância da participação consciente e esclarecida das pessoas e nas decisões sobre a orientação e planejamento de seu trabalho. É uma expressão que ganhou corpo no contexto educacional acompanhando uma mudança de paradigma no encaminhamento das questões desta área. 5 Fonte: Institucional, 2020 Acesse o link: Disponível aqui Você sabe o que é paradigma? Leia a respeito em slideplayer: O conceito de gestão está associado ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e signi�cativos. 6 https://slideplayer.com.br/slide/2572158/ A alteração do conceito da administração para a gestão vem acontecendo no âmbito das organizações e nos processos educacionais como parte de um trabalho fundamental para a articulação do talento do indivíduo e a harmonia coletiva, voltados à busca da melhoria e evolução do ensino. A causa pela qual houve a mudança de administração para gestão educacional foi a forte dinâmica da realidade empírica social, um ambiente em movimento que faz com que os fenômenos e fatos alterem seu signi�cado ao longo do tempo. No entanto, não adianta um ambiente educacional com excelentes condições físicas, materiais, professores quali�cados e dinâmicos e uma proposta pedagógica avançada se não houver uma parceria entre gestão pedagógica e corpo docente que estimule o trabalho em equipe e a ação conjunta e articulada. Uma ação isolada não é garantia de resultados, pois a falta de conexão levará ao fracasso dos sistemas de ensino. A promoção da qualidade da educação ainda é carente de uma visão global do âmbito educacional como uma instituição social capaz de oferecer a dinamização e a coordenação do processo. Para isso, ainda falta uma visão holística do estabelecimento de ensino, como instituição social, capaz de promover a dinamização e a coordenação do processo coparticipativo para atender às necessidades educacionais de uma sociedade dinâmica extremamente pragmática e tecnológica. Para se ter uma gestão democrática e participativa, entende-se que é necessário compartilhar responsabilidades no processo de tomada de decisão entre os diversos níveis e segmentos de autoridades do sistema educacional. No entanto, a própria instituição de ensino seria a mais adequada para resolver seus problemas, realizar uma leitura e atender às suas necessidades especí�cas, em conformidade com os princípios de autonomia e participação. 7 Segundo Heloisa Luck (2011), “a gestão não pretende se sobrepor à administração, mas sim superar suas limitações, dando a esta uma nova signi�cação, mais abrangente e de caráter potencialmente ‘transformador’; as ações administrativas continuam a fazer parte do trabalho dos dirigentes das organizações de ensino, como controle de recursos, de tempo, etc. Sendo assim, a ‘gestão educacional supera a administração”, tratando-se não somente a novos ideais, mas, sobretudo, um novo paradigma, ‘que busca estabelecer na instituição uma orientação transformadora, a partir da dinamização de rede de relações que ocorrem, dialeticamente, no seu contexto interno e externo’”. A escola é um campo de debates, espaço de construções e ressigni�cações, onde as demandas exigem novas estratégias e novos paradigmas relacionados à organização para atender a questões referentes ao ambiente escolar, pedagógico e social. Diferentemente da administração, a gestão educacional abrange uma série de questões não mencionadas na visão administrativa, tais como a democratização do processo de determinação dos destinos do estabelecimento de ensino e seu projeto político-pedagógico, a compreensão da questão dinâmica e con�itiva das relações interpessoais da organização, o entendimento dessa organização como uma instituição viva e dinâmica, exigindo uma atuação especial de liderança, o entendimento de que a mudança dos processos pedagógicos envolve alterações nas relações sociais da organização e a compreensão de que os avanços das organizações se assentam muito mais em seus processos sociais, união e competência do que sobre trabalhos e recursos. Desta forma, a administração deixa lacunas para críticas e mudanças epistemológicas e metodologias voltadas à prática da organização �exível, empática e interpessoal, democrática e dinâmica. A administração erra ao corresponder ao ato de comandar e controlar e, sob um prisma estático e mecânico, apresentar inúmeras limitações que 8 são justi�cadas com a âncora do autoritarismo e da rigidez no processo. Esses embasamentos não tiveram sucesso, pois apenas aumentam a exclusão de alunos. Nessa visão, a instituição de ensino deixará de cumprir seu papel social. Por isso, tornou-se necessária a mudança de padrão com objetivo de enriquecer o processo pedagógico organizacional, com a participação consciente e crítica da categoria, para o melhor desenvolvimento coletivo. Heloisa Luck (2011) demonstra que foi uma grande evolução a superação do enfoque administrativo para a gestão educacional, pois houve ampliação do processo que era limitado e outras transformações tais como: da ótica fragmentada para a ótica globalizada, a evolução é realizada de modo interativo entreos vários elementos que constroem em conjunto uma realidade social; da limitação de responsabilidade para sua expansão, as interferências em outras dinâmicas da escola e não apenas a um espaço isolado; de ação esporádica para o processo contínuo; hierarquização e burocratização para a coordenação, compreensão da complexidade do trabalho educacional e percepção da importância da contribuição individual e da organização coletiva; da ação individual para a coletiva; descentralização dos processos de direção e tomada de decisões em educação e em democratização dos processos de gestão da escola. Lembre-se: Quem lê mais sabe mais! Quem procura estar atualizado(a) sempre estará à frente! 9 02 Introdução às Políticas Educacionais na Gestão da Educação Dentro do Contexto Brasileiro 10 Vamos relembrar um pouco o desenvolvimento de re�exões e desa�os educacionais no âmbito brasileiro? Historicamente, o sistema educacional brasileiro tem se constituído como um marco regulador e reforçador de uma educação marcada pela exclusão, ou seja, de uma educação que divide. Temos visto ao longo dos governos que a racionalidade que se impõe aponta para a necessidade de acompanhamento e reforma no campo da educação, seguindo agendas internacionais, num esforço de superação das diferenças. Tomar consciência de sua humanidade tornou-se, mais do que nunca, uma necessidade do ser humano. A maioria concorda que a escola é uma instituição dedicada principalmente à educação. O convívio familiar também tem sua força educativa e, além deste e da escola, existem outros espaços de saber cujos conteúdos e mensagens podem e devem ser questionados. Torna-se necessário, por isso, entender e compreender, porque é clara a percepção de que a melhoria na qualidade de vida, bem como o desenvolvimento das comunidades e a transformação do Brasil em uma nação desenvolvida, passam pelas relações de poder intrínsecas às relações sociais. Somente uma educação de qualidade tornará possível que se tenha uma população saudável em todos os aspectos. Algumas mudanças precisam acontecer no contexto macro da educação brasileira para alcançar essa qualidade. Uma mudança importante é a participação efetiva do Brasil no processo de globalização econômica e técnico-cientí�ca. Vale ressaltar que nenhuma ação local e isolada é su�ciente para promover avanços consistentes e que perdure na área de ensino. Acesse o link: Disponível aqui E então, você realmente sabe o que é globalização? Con�ra em: 11 https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-globalizacao.htm A gestão educacional tem um papel muito importante na determinação desse novo destino, tendo por base a mobilização de pessoas articuladas em equipes que permitam proferir ações e estabelecer a devida mobilização de sujeitos e instituições. Falar de gestão educacional, entretanto, é falar em âmbito macro, a partir dos órgãos superiores dos sistemas de ensino e em âmbito micro, a partir das escolas. Esses dois âmbitos são necessários e não podem se focalizar unicamente na escola. Para você, o que é política? O ser humano é um ser político desde que vive em sociedade, onde está imbricado em diversos relacionamentos e em negociações com seus semelhantes. Então, o que é política? É apenas o ato de poder votar e ser votado? Ou representa ainda mais na vida das pessoas? A referência à política está dentro de toda a vida coletiva, e nosso cotidiano é marcado pela sua presença. 12 Acesse o link: Disponível aqui Para compreender o que é sistema de ensino, leia o Texto de Dermeval Saviani: “Sistemas de ensino e planos de educação: O âmbito dos municípios”. É inevitável que a política esteja presente no relacionamento do ser humano com o Estado, o poder, a ideologia, a participação, a representatividade e a violência. Em todos, ou em vários momentos da vida humana, essas relações estão presentes em situações de compra e venda, no casamento, no trabalho, num jogo de futebol, num tribunal ou na escola, etc. Existem diversos signi�cados para a palavra política, sejam eles na relação entre as ações de um governo e empresas ou da igreja, os sindicatos e organizações feministas, mas principalmente como “referência ao poder político e à esfera política institucional” (MAAR, 1995, p. 9). Maar (1995) ainda destaca que embora muitas instituições tais como a igreja e a escola não sejam instituições políticas, elas fazem política e sustentam a proposta de fazê-la, proporcionando um nível de atuação que busca exprimir anseios e interesses. Dessa forma, percebe-se que não existe uma política universal, mas várias políticas em conformidade com a região, interesses e anseios de determinadas comunidades. Essa é uma relação dinâmica que envolve sociedade, cultura e a ordem social vigente. 13 http://www.scielo.br/pdf/es/v20n69/a06v2069.pdf Fonte: Disponível aqui Para aprofundar o debate sobre política e participação social, acompanhe as considerações feitas em um blog sobre sociologia política: 14 http://adrianocodato.blogspot.com.br/ 03 Estrutura e Funcionamento: a LDB e as Políticas para Educação Básica 15 Introdução Considerando a necessidade de ampliar o acesso às etapas da Educação Básica e ainda melhorar os padrões de qualidade do ensino público, as políticas educacionais atuais estão voltadas para a inclusão sob a perspectiva de prover educação para todos e a favor do desenvolvimento social. A Educação Básica no Brasil corresponde à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cuja �nalidade é desenvolver o educando e assegurar-lhe a formação comum, que é indispensável para o exercício da cidadania, além de meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. (Arts. 21 e 22). Fonte: Institucional, 2020 Entendendo a LDB Sendo considerada a mais importante lei educacional brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional pode ser considerada a "Carta Magna" para a educação dos brasileiros. A LDB contém as leis que regulamentam o sistema educacional (público ou privado) do Brasil da educação básica ao ensino superior. Após a promulgação da Constituição de 1988, a LDB de então (5.692/71) foi considerada obsoleta. O debate sobre a nova lei foi concluído no ano de 1996, sendo então sancionada a atual LDB (9394/96) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da educação Paulo Renato em 20 de dezembro de 1996. 16 Baseada no princípio do direito universal à educação para todos/as, a nova LDB trouxe diversas mudanças em relação às leis anteriores, como a inclusão da educação infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação básica. Nesse sentido, faz-se necessário compreender a in�uência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 na mudança do panorama das políticas educacionais, principalmente na Educação Básica. Pois, como ressalta Brzezinski: A nova LDB [...] foi um novo passo �rme na consolidação e na concretização de muitas conquistas, de avanços signi�cativos! Acreditava-se que a lei iria assegurar não apenas princípios, mas, sobretudo, compromissos e deveres aptos a implementarem os direitos de outras tantas pessoas marginalizadas, sitiadas, excluídas! A�nal, tinha-se a �rme convicção de que a educação, pelo que ela pode trazer aos indivíduos, em termos de recursos para trabalho, para sociabilidade e para a cultura, é a mediação signi�cativa para as mediações da existência histórica (BRZEZINSKI, 2008, p. 67). As três principais diretrizes da atual LDB (9394/96) são: acesso e permanência de crianças e jovens na escola; gestão democrática e qualidade da educação em âmbito educacional nas políticas públicas para a Educação Básica. Incluídas como parte da agenda política, nas duas últimas décadas as diretrizes mencionadas tornaram-se a meta principal do governo e, para isso, foram realizadas signi�cativas mudanças na estrutura e no �nanciamento da educação no país. Uma das mais recentes ações originadas no governo (período de 1de janeiro de 2003 a 1 de janeiro de 2011) foi a mudança já prevista no Plano Nacional de Educação (2001) para ampliação da permanência na escola de alunos do Ensino Fundamental de oito anos para nove anos, baseada nas Leis 11.114/05 e 11.274/06. É possível considerar que a medida, de um modo geral, foi um avanço no sentido de ampliar o tempo de escolaridade obrigatória, levando em conta a tendência que já vinha sendo discutida há tempos sobre iniciar a alfabetização no último ano da pré- escola, ou seja, aos 6 anos. Almeja-se, dessa forma, que a medida venha favorecer e efetivamente garantir uma educação de qualidade. 17 No decorrer dos nove anos do ensino fundamental, é esperado o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias dos educandos para que possam exercer com criticidade e autonomia a sua cidadania, pois como a�rma Saviani (2008, p. 91): [...] se prevalecer a atual orientação das políticas educacionais de considerar a escolarização como um ritual mecânico mais preocupado em assegurar estatísticas aceitáveis pelos organismos internacionais do que em garantir a efetiva aprendizagem das crianças, a extensão para nove anos não terá nenhuma importância pedagógica. Assim, o governo ampliou as possibilidades de �nanciamento na educação partindo da descentralização dos recursos e da perspectiva da gestão democrática com o intuito de favorecer a melhoria das condições da oferta, da qualidade do ensino e da perspectiva de valorização do magistério. Entretanto, é necessário ressaltar que muitas outras mudanças foram realizadas no sistema de ensino a partir da promulgação da atual LDB. Veja alguns exemplos: direção do currículo nacional, com a adoção dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e o programa de formação continuada denominado Parâmetros em Ação; avaliação dos sistemas de ensino, com a criação de instrumentos avaliativos direcionados, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e Exame Nacional do Desempenho de Estudante voltado para os cursos de Graduação (ENADE); �nanciamento da educação, principalmente com a criação o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF. O FUNDEF, ao tratar de questões referentes apenas ao ensino fundamental, não atende à demanda da Educação Básica como um todo, e existe uma tendência de que deva ser substituído. O Ministério da Educação (MEC) apresentou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Pro�ssionais da Educação - FUNDEB após diversas discussões acerca da criação de um novo fundo, que foi �nalmente aprovado em dezembro de 2006 pelo Congresso Nacional, por meio da Emenda Constitucional n° 53/2006. Com prazo de vigência de 14 anos, o FUNDEB será provisório e, durante esse tempo, os Estados e Municípios e o Distrito Federal deverão investir os recursos na manutenção e desenvolvimento da educação básica e na 18 remuneração de seus pro�ssionais. Os recursos do FUNDEB são distribuídos de acordo com o número de matrículas de alunos com a �nalidade de ampliação do �nanciamento das etapas e modalidades da educação anteriormente excluídas do FUNDEF. Segundo Freitas (1992), pro�ssional da educação é aquele que foi preparado para desempenhar determinadas relações no interior da escola ou fora dela, em que o trato com o trabalho pedagógico ocupa posição de destaque, constituindo o mesmo núcleo de sua formação. A LDB (9394/96) no Título VI, principalmente nos Artigos 61 ao 67, dedica atenção especial às questões referentes aos pro�ssionais da educação. Lá estão estabelecidos a �nalidade e os fundamentos da formação pro�ssional, utilizando a expressão formação de pro�ssionais da educação, e também refere-se à formação de docentes. A LDB aponta como �nalidade da formação dos pro�ssionais da educação “atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase de desenvolvimento do educando” (Art. 61). Desta forma, a razão de ser dos pro�ssionais de educação é criar condições e meios para se atingir os objetivos da educação básica. Segundo a LDB, a formação com tal �nalidade terá por fundamentos “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante capacitação em serviço” e “o aproveitamento da formação e experiências anteriores”, adquiridas, estas, não só em instituições de ensino, mas também em “outras atividades” diferentes do ensino. “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação (...)” (Art. 62). Destacando que na ordem de disposições gerais, a Nova LDB, em seu Art. 65, detalha aspectos da formação docente, incluindo a prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas. Esta prática engloba o espaço por excelência da vinculação entre formação teórica e início da vivência pro�ssional, supervisionada pela instituição formadora (CNE/MEC, 1997). É possível perceber que a Nova LDB, mesmo de forma sucinta, vem defender a questão de o professor construir sua identidade relacionando-a com a prática e a teoria e aponta a necessidade de o professor ser formado em licenciaturas que o preparem para o exercício na educação básica. Existem questões que seriam possíveis ser discutidas na perspectiva das disposições no que se referem aos pro�ssionais da educação, e, em particular, da formação docente. 19 Pode-se concluir que a formação docente provoca uma intervenção direta na sociedade, com o objetivo de garantir a função da escola, que é socializar saberes, produzir conhecimentos e formar para o exercício crítico e autônomo da cidadania. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que os professores estejam em processo constante de aperfeiçoamento, da mesma forma que os docentes devem estar em contínuo processo de formação continuada. As re�exões acerca das políticas educacionais na Educação Básica devem, sempre que possível, estar articuladas com as ações educacionais desenvolvidas no âmbito local. É necessário considerar que as políticas devam estar fundamentadas numa concepção ampla de educação que considere sua implementação de acordo com a realidade de cada região, estado, município, bairro, escola; com os processos de participação e decisões democráticas e implementação da autonomia nos espaços sociais além do envolvimento efetivo com a sociedade civil organizada. Se você, caro(a) aluno(a), um dia pensou em prestar um concurso ou mesmo aprimorar seus conhecimentos sobre a LDB, assista aos vídeos abaixo: Vídeo 01: Disponível aqui Vídeo 02: Disponível aqui Vídeo 03: Disponível aqui LDB (9394/96) atualizada e comentada: 20 https://www.youtube.com/watch?v=MAj_mXGkgJU https://drive.google.com/file/d/1w1ii5bIBURvLYtfTXwUEqSgZD8EshL2G/view https://www.youtube.com/watch?v=UxHAvC-dZgc 04 Políticas Públicas e o Fator da Inclusão 21 Introdução A educação especial tem sido alvo de crítica com relação ao distanciamento, voluntário ou não, entre teoria e prática. Numa discussão mais ampla sobre educação, tem sido acirrado o debate que cerca a educação especial e que a efetiva sob a perspectiva de práticas inclusivas no contexto de escola, conhecida pela normalidade de “regular/comum”. Dentro do debate educacional existem algumas di�culdades em aceitar quem são os sujeitos da educação e o que são as aprendizagens signi�cativas, tendo em vista que os discursos presentes ainda de�nem uma construção contínua de exclusão versus inclusão. A partir da década de 1990, as políticas da educação traduziram, de maneira restrita, o conceito de inclusão, passando a visualizar apenas o ensino regular como espaço de conhecimento. Partindo de requerimentos dos movimentos sociais e discussões em espaços escolares sobre o direito de todos à educação, é necessária a aplicação desse conceito também para os espaços da educação infantil, educação de jovens e adultos e educaçãopara o trabalho. Os movimentos de direito ao acesso à educação passam a requerer que a qualidade e permanência na educação, dentro de uma revisão estratégica dos espaços e contextos, sejam presentes e que não sejam classi�cados como “especiais” ou “comuns”. 22 Acesse o link: Disponível aqui Para que você amplie seus horizontes dentro dos nossos estudos, conheça o Plano de Ação para satisfazer às necessidades básicas de aprendizagem, aprovada pela Conferência Mundial sobre Educação para Todos. Jomtien, Tailândia – 5 a 9 de março de 1990. Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem. A inclusão na educação de surdos Em parceria com a comunidade, os pro�ssionais em educação estão se movimentando para de�nir políticas educacionais de diálogo, com a de�nição de uma gestão descentralizada de modo a estimular a participação e a autonomia seguindo na esteira da redemocratização do país. Um dos resultados desse movimento foi a introdução do conceito de gestão no debate educacional diante da crítica ao caráter conservador e autoritário do conceito de administração. Os anos de 1980 tiveram como característica a participação popular na organização da sociedade para reivindicação de seus direitos. Nesse contexto, os enfoques principais da educação também estavam vinculados à democracia, à gestão democrática e à participação da comunidade, ou seja, aos métodos de efetivação das preocupações educacionais, características desse período deveriam envolver toda a comunidade [...] (MACHADO, 2006). 23 https://www.unicef.org/brazil/declaracao-mundial-sobre-educacao-para-todos-conferencia-de-jomtien-1990 É importante lembrar que nesse período não se aceitava mais a ideia de que democratizar a escola é simplesmente garantir o acesso porque a democratização das práticas pedagógicas, administrativas e de gestão �nanceira das escolas também passaram a fazer parte das discussões para garantir a permanência do aluno no sistema escolar. Toda a estruturação de propostas pedagógicas inclusivas esteve atrelada na condução dessas importantes discussões, cujo objetivo era de que a democratização dos espaços fosse feita com a participação mais ativa dos sujeitos da escola, mesmo que no início não podia ser percebida na área da educação de surdos. Até meados dos anos 1908, todas as discussões que envolviam a inclusão e a educação de surdos consideravam que esses alunos eram incapazes de de�nir propostas para seus caminhos educacionais. As políticas a�rmativas introduzidas pelos movimentos de inclusão trouxeram práticas de escolarização, assim, teve início no Brasil a formação de professores surdos por meio dos processos de “ouvintização”, traduzidos no colonialismo da língua e da cultura, após um diálogo tenso entre educadores, que resultou, por meio de um movimento de contracultura, em espaços de discussão sobre a diferença surda (GIORDANI, 2010). Trata-se de um documento elaborado na Conferência Mundial sobre Educação Especial, em Salamanca, na Espanha, em 1994, com o objetivo de fornecer diretrizes básicas para a formulação e reforma de políticas e sistemas educacionais de acordo com o movimento de inclusão social. A Declaração de Salamanca é considerada um dos principais documentos mundiais que visam à inclusão social, ao lado da Convenção de Direitos da Criança (1988) e da Declaração sobre Educação para Todos, de 1990. Ela é o resultado de uma tendência mundial que consolidou a educação inclusiva. 24 Acesse o link: Disponível aqui Acesse o link e leia a Declaração de Salamanca na íntegra: 25 https://www.educabrasil.com.br/declaracao-de-salamanca/ 05 A Educação de Surdos na Esteira das Políticas de Inclusão 26 O Decreto 5.626/2005 O Decreto 5.626/2005 que trata da garantia do direito à educação das pessoas surdas ou com de�ciência auditiva, em seu capítulo VI: Art. 22, diz que as instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com de�ciência auditiva, por meio da organização de: II – escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos �nais do ensino fundamental, ensino médio ou educação pro�ssional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras Língua Portuguesa. Art. 23: As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação. § 2º – As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com de�ciência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação. O que se espera do professor e a educação de surdos? Desenvolver competências para identi�car as necessidades educacionais especiais, de�nir e implementar respostas educativas a essas necessidades, apoiar o docente da classe comum; Atuar nos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, desenvolvendo estratégias de �exibilização, adaptação curricular e práticas pedagógicas alternativas, entre outras; Cursos de licenciatura em educação especial ou em uma de suas áreas, preferencialmente de modo concomitante e associado à licenciatura para 27 educação infantil ou para os anos iniciais do ensino fundamental; Complementação de estudos ou pós-graduação em áreas especí�cas da educação especial, posterior à licenciatura nas diferentes áreas do conhecimento, para atuação nos anos �nais do ensino fundamental e no ensino médio (de acordo com o inciso III do artigo 59 da LDBEN). Professor itinerante Itinerância: serviço de orientação e supervisão pedagógica desenvolvida por professores especializados que fazem visitas periódicas às escolas para trabalhar com os alunos que apresentem necessidades educacionais especiais e com seus respectivos professores/as de classe comum da rede regular de ensino (Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica). Professor da sala comum capacitado Formação de nível médio ou superior, com a comprovação de que foram incluídos conteúdos ou disciplinas sobre educação especial e desenvolvidas competências para: i. perceber as necessidades educacionais especiais dos alunos; ii. �exibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas do conhecimento; iii. avaliar continuamente a e�cácia do processo educativo; iv. atuar em equipe, inclusive com professores especializados em educação especial (de acordo com o inciso III do artigo 59 da LDBEN). Capacitação de professores As Políticas Públicas falam não somente na formação de professores especializados, mas também na capacitação dos professores da classe comum que devem estar minimamente preparados para receber e dar condições de o aluno surdo se integrar a ter acesso ao conhecimento dentro da sala de aula. Os docentes, em qualquer modalidade, que estejam inseridos no contexto da educação de surdos, necessitam de formação adequada para trabalhar com essa realidade. 28 O processo de inclusão em educação representa um paradigma educacional que se fundamenta na concepção de direitos humanos e que busca articular igualdade e diferença como valores indissociáveis. Esse processo trata de reconhecer as di�culdades já existentes nos sistemas de ensino e busca criar alternativas para superá-las, portanto, implica uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas necessidades atendidas e participação garantida no processo de ensino-aprendizagem. Acesse o link: Disponível aqui Leia o artigo: “Inclusão no sistema educacional: desa�os para a gestão escolar”. 29 http://www.lapeade.com.br/publicacoes/artigos/INCLUSAO 06 Gestão de Sistemas – OrganizaçãoPedagógica da Escola 30 Introdução Neste momento, vamos falar sobre a organização da educação brasileira considerando os seguintes aspectos: estrutura, sistema de ensino, conselhos da educação e plano municipal de educação. Esses quatro aspectos são fundamentais para entendermos os processos de gestão de sistemas de ensino, porque são eles que os organizam e dão corpo ao projeto de educação dos municípios e das escolas. A divisão da estrutura educacional brasileira se dá nas esferas federal, regional, estadual e municipal, sendo que os sistemas de ensino têm previsto a sua implantação por meio da LDB e, para a constituição desse sistema, é necessário que tenha também um Conselho de Educação organizado e um bom plano de ação. Estrutura administrativa da educação A organização administrativa da educação brasileira está hierarquizada em níveis, órgãos e instituições que têm a incumbência e o objetivo de administrar a educação no país. O objetivo desses níveis de administração é procurar atingir os objetivos sugeridos pela sociedade, por meio de leis, da participação, de decretos e políticas públicas. 31 Os níveis administrativos da educação brasileira Administração de nível federal – essa administração é composta pelo Ministério da Educação (MEC) e tem a função de organizar, manter e desenvolver a educação como um todo no país. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB – 9.394/96, no art. 8°: Par. 1° – Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. Administração de nível regional – composta por Delegacias Regionais do MEC. São subsecretarias de planejamento e orçamento que também objetivam organizar a educação nacional. Administração de nível estadual – esse nível de administração envolve as Secretarias ou Departamentos Estaduais de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação. Segundo Faustini (1998), “ela deve organizar, desenvolver, �scalizar, congregar atividades pedagógicas e administrativas, manter 32 instituições e órgãos o�ciais de seu sistema de ensino”. Uma secretaria estadual da educação deve objetivar a melhoria na qualidade do ensino dentro de seu estado. Normalmente, é composta de superintendências, diretorias, núcleos, departamentos de ensino, grupos setoriais e coordenações. Administração de nível municipal – esse nível de administração envolve as Secretarias ou Departamentos Municipais da Educação e os Conselhos Estaduais de Educação. Também deve organizar, desenvolver, �scalizar, congregar atividades pedagógicas e administrativas, manter instituições, e órgãos o�ciais de seu sistema de ensino. Ainda, de acordo com Faustini (1998), “a administração de nível municipal, tendo seu sistema organizado, deve autorizar, credenciar e supervisionar as escolas que compõem seu sistema de ensino”. Essa administração normalmente é composta por superintendências, diretorias, núcleos, departamentos de ensino, grupos setoriais e coordenações. As secretarias do ministério da educação As secretarias que compõem o MEC fazem parte da estrutura administrativa da educação e são divididas em seis, com objetivos próprios e programas vinculados a elas. i. Secretaria de Educação Básica (SEB). ii. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD). iii. Secretaria de Educação a Distância (SEED). iv. Secretaria de Educação Especial (SEESP). v. Secretaria de Educação Pro�ssional e Tecnológica (SETEC). vi. Secretaria de Educação Superior (SESU). Órgãos vinculados ao MEC Os órgãos que compõem o MEC fazem parte da estrutura administrativa da educação e são divididos em nove, com objetivos próprios e programas vinculados a elas. i. Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (CAPES). 33 ii. Instituto Benjamin Constant. iii. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). iv. Colégio Pedro II. v. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). vi. Conselho Nacional de Educação (CNE). A organização administrativa estabelece diretrizes e bases legais comuns para a coordenação da educação nacional. vii. Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ). viii. Comissão Nacional de Educação Superior (CONAES). ix. Instituto Nacional de Educação de Surdos. 34 07 Sistema de Ensino 35 É importante conhecer os conceitos dos sistemas escolares existentes na organização educacional brasileira para compreender o funcionamento da gestão no interior da escola. Sistema escolar Denomina-se Sistema Escolar o conjunto da educação coerente e operante com diferentes elementos, que reúne as escolas, mas não se esgota nelas, sendo instituído para atender às necessidades da educação, seja articulando diferentes aspectos de modo a desenvolver a ação sistematizada, como sendo voltada a objetivos de forma a movimentar os meios direcionados para esse �m (SAVIANI, 2009). Partindo desta de�nição, deve ser regulado e operar segundo normas inerentes ao sistema e para que possa ser constituído tornam-se necessárias normas próprias. De acordo com Dias (1998), são três os sistemas vinculados à educação: Sistema de Educação – é a expressão mais ampla, abrange todas as instâncias envolvidas com a educação, como famílias, clubes, igrejas, empresas, escolas, etc. Sistema de Ensino – abrange escolas e instituições regulamentadas que desenvolvem uma educação sistemática, como escolas, escolas de inglês, professores particulares, etc. Sistema Escolar – envolve uma rede de escolas e sua estrutura de sustentação. No entanto, para Saviani (2009), “os Sistemas de Educação são apenas as instituições públicas, desde que organizadas e regulamentadas, pois são unidades políticas capazes de legislar na educação. Já as instituições particulares podem somente organizar-se por meio de redes, pois integram o sistema público e precisam seguir normas públicas”. 36 Acesse o link: Disponível aqui Para compreender melhor o que é Sistema Nacional de Educação, leia o texto de Carlos Cury: “Sistema Nacional de Educação: desa�o para uma educação igualitária e federativa.” A estrutura do sistema escolar brasileiro Segundo Dias (1998), “um sistema escolar é composto por uma rede de escolas destinada à atividade-�m da educação: o processo de ensino-aprendizagem”. Então, para que essa atividade ocorra, é necessária uma estrutura de sustentação com normas (leis, decretos, regimentos, portarias), metodologia e conteúdo de ensino. As escolas que compõem um sistema escolar ou uma rede de escolas são sustentadas por entidades mantenedoras de diferentes instâncias, como: Poder Público: Federal; Estadual; Municipal. Entidades particulares: Leigas; Confessionais. 37 http://www.scielo.br/pdf/es/v29n105/v29n105a12.pdf O sistema escolar brasileiro é composto por níveis e modalidades. As modalidades da educação são compostas por educação pro�ssional, educação a distância, educação especial, educação de jovens e adultos e educação do campo. Já os níveis da educação nacional são organizados conforme a disposição abaixo: Educação básica – Educação infantil 0 a 5 anos. Variável de acordo com a opção familiar. Ensino fundamental 6 a 14 anos (9 anos). Ensino médio 14 a 17 anos (3 anos). Educação superior Graduação – a partir de 17 anos. Variável. Pós-graduação – Variável. O sistema escolar é composto por uma rede de escolas dedicadas ao processo de ensino-aprendizagem. Para que essa atividade-�m da escola ocorra, é necessária uma estrutura que a sustente, composta de normas (leis, decretos, regimentos e portarias), metodologia e conteúdo de ensino. Reforçando, é necessária também uma organização administrativa para que a atividade-�m aconteça com o objetivo de gerir esse sistema. Os níveis de administração são divididos em Federal, Regional, Estadual e Municipal, que explanaremos na nossa próxima aula! 38 39 08 Sistema de Ensino e Sistema Municipal de Educação 40 Sistema de Ensino De acordo comBordignon (2009), “sistema compreende um conjunto de elementos, ideais ou concretos, que mantém relação entre si formando uma estrutura; formando um todo dotado de certo grau de autonomia e voltado para uma �nalidade”. Isto signi�ca que a construção de um sistema de ensino organiza, formaliza e dá coesão ao projeto de educação do município, articulando-se e contextualizando-se com o Sistema Nacional de Educação. Necessariamente, a construção de um sistema de educação deve sofrer um processo de institucionalização por meio de normas. A de�nição da organização das ações educacionais, por exemplo, requer a criação de um Sistema Municipal de Educação, o qual será responsável pelos seus aspectos legais e formais. Assim, cada cidade tem sua autonomia e a responsabilidade para se inserir em um processo de gestão democrática de educação. O município, conforme a legislação, deve elaborar um plano municipal de ensino com metas e objetivos estabelecidos sempre priorizando a autonomia das escolas e a gestão democrática do ensino. A Constituição de 1988 institui a organização de sistemas do ensino, com a seguinte redação: Art. 211 – A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. Parágrafo 4° – Na organização de seus sistemas de ensino, os estados e os municípios de�nirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. Ou seja, os estados e municípios têm autonomia para se organizarem com o objetivo de cumprir as responsabilidades incumbidas pela Constituição Federal em regime de colaboração. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, 9394/96) acrescenta que “os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta lei (...)” e completa, no artigo 11, a respeito dos municípios que não constituírem seus sistemas de ensino, que esses poderão “se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica”. 41 A criação do Sistema Municipal de Ensino deve se basear nas leis nacionais e municipais, nos referenciais teóricos, na realidade local e, ainda, ser formalizado em ato decreto do poder Executivo, em portaria da Secretaria da Educação ou resolução do Conselho de Educação, e constituído por: Rede de escolas e instituições de Educação infantil; Secretaria Municipal da Educação; Conselho Municipal de Educação. Conselho municipal de educação A rede pública de ensino normalmente é responsabilidade dos estados e municípios, com poucas exceções em que são ofertadas e orientadas pela união, como é o caso de alguns cursos técnicos federais. Geralmente, a rede de atendimento da educação infantil, até o 5° ano do ensino fundamental (0 a 10 anos, aproximadamente) é vinculado aos municípios e do 6° ano até o �nal do ensino médio (11 a 17 anos, aproximadamente) é de responsabilidade dos estados. Gradativamente, os sistemas municipais devem �car responsáveis pela educação básica na íntegra. O princípio democrático participativo tem norteado a educação no âmbito nacional, sendo essa uma conquista histórica. A partir desse princípio, várias estruturas que proporcionam a participação do cidadão têm sido criadas em diversas instâncias de governo, saúde, segurança, etc. Na educação, não poderia ser diferente, com a organização de conselhos de diversos tipos nos diferentes níveis de governo, como união, estados e municípios. Os municípios, segundo a legislação em vigor, pode compor os seguintes conselhos: Conselho Municipal de Educação; Conselho de Alimentação Escolar: o Sistema de Educação é articulador, o Conselho de Educação é o que normatiza o sistema e o plano como um instrumento para a organização das ações; Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. A participação nos conselhos gera convivência, estimula a manifestação do con�ito, fruto das diferenças entre os pontos de vista de grupos, camadas e classes sociais diferentes, o que deve ser visto como algo natural e necessário em um contexto de participação 42 democrática. Os conselhos devem ter espaço e mecanismo operativo a favor da democracia e do exercício da cidadania, em todo e em qualquer contexto sociopolítico. Eles podem se transformar em aliados potenciais e estratégicos na democratização da gestão das políticas sociais (GOHN, 2007, p. 104 e 105). Os conselhos apresentam como funções: Caráter deliberativo; Caráter consultivo; Caráter mobilizador; Caráter �scal. Os conselhos municipais são órgãos normativos, consultivos e deliberativos e são regulamentados por leis federais e estaduais e criados por uma lei municipal, por ação do Poder Executivo. A eleição de seus membros se dá uma parte por eleição entre os pares e uma parte por indicação pelos representantes da administração pública. Todos devem ser nomeados pelo prefeito do município. A organização dos conselhos é de grande importância para a sociedade de uma forma geral, pois auxilia no conhecimento, discussão, re�exão, transformação e controle de sua realidade. Ele age para garantir a continuidade das políticas na área da educação, por conta da transitoriedade de governos. Sua composição normalmente se dá pela representação de vários segmentos da sociedade, que compõem: Poder Executivo; Sociedade civil (entidades e ONGs). Essa composição deve estar de acordo com o tamanho do Sistema Municipal de Ensino, prevendo a duração do mandato (normalmente varia de dois a quatro anos) e a equidade entre a participação dos segmentos representados (igualdade entre a representação de executivo e sociedade civil). De acordo com Gohn, Uma sociedade civil participativa, autônoma, com seus direitos de cidadania conquistados, respeitados e exercidos em várias dimensões, exige também vontade política dos governantes, principalmente daqueles eleitos representantes do povo, pois trata-se de uma tarefa que não é apenas dos cidadãos isolados. As di�culdades de representatividade nos diversos tipos de conselho da área da educação decorrem também da não transparência das 43 gestões públicas – dado o fato de não tornarem públicas as informações. Na luta pela igualdade, a sociedade deve se organizar politicamente para acabar com as distorções do mercado (e não apenas corrigir suas iniquidades) e lutar para coibir os desmandos dos políticos e administradores inescrupulosos. A exigência de uma democracia participativa deve combinar lutas sociais com lutas institucionais, e a área da educação é um grande espaço para essas ações, via participação nos conselhos (GOHN, 2007, p. 105 e 106). Plano municipal de educação (PME) De acordo com Ferreira (1983, p. 15 e 16), “uma ação planejada é uma ação não improvisada: uma ação improvisada é uma ação não planejada. Não improviso quando tenho um objetivo em vista e estou interessado em alcançá-lo”. Um planejamento é importante a partir do momento em que ele re�ete a respeito da prática, além de organizá-la, com a �nalidade de alcançar objetivos propostos. Essas ações estão fundamentadas em princípios e intenções que necessitam de um rumo, uma direção. Acesse o link: Disponível aqui O Plano Municipal de Educação deve apresentar como prioridade o atendimento e desenvolvimento das escolas, na busca da qualidade na educação. Leia mais em: Três perguntas básicas e imprescindíveis para se organizar um PME: 44 http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_pme_caderno_de_orientacoes.pdf i. Onde está? ii. O que deseja? iii. O que fazer? De acordo com Bordignon (2009), “um PME na sua construção deve, a título de sugestão, seguir os seguintes princípios: construção participativa, visão sistêmica, governabilidade, �exibilidade e regime de colaboração”, além de seguir os seguintes referenciais: PNE, PDE, Plano Estadual de Educação, FUNDEB, Diretrizes Curriculares Nacionais, regime de colaboração, lei orgânica e demais leis municipais pertinentes ao plano, missão do município, concepção de educação do município, análise da situação da educação no município.Para a compreensão das questões que envolvem um Sistema Municipal de Educação e, consequentemente, um Conselho Municipal de Educação e um Plano Municipal de Educação, é necessário discutir as relações existentes e imbricadas na sociedade. Ver PDF: Disponível aqui Para compreender e aprofundar o que é sistema de ensino, leia o texto de Dermeval Saviani: “Sistemas de ensino e planos de educação: o âmbito dos municípios” em: 45 http://www.scielo.br/pdf/es/v20n69/a06v2069.pdf 09 Gestão Democrática 46 Entendendo o conceito de gestão democrática Segundo Souza (2005, p. 26), a gestão democrática é “o processo político através do qual as pessoas na escola discutem, deliberam e planejam, solucionam problemas e os encaminham, acompanham, controlam e avaliam o conjunto das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola”. O autor destaca, nessa passagem, a importância do planejamento coletivo e da discussão das ações tomadas. Para Souza, o processo deve ser “sustentado no diálogo e na alteridade, e tem como base a participação efetiva de todos os segmentos da comunidade escolar, o respeito a normas coletivamente construídas para os processos de tomada de decisões” (SOUZA, 2005, p. 27). O contexto da gestão democrática Na década de 1970, foi instituída a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, n.º 5.692. Com o �m do regime militar, aprovou-se uma nova Constituição, que cita a gestão democrática na escola no artigo 206: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei”. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, os sistemas de ensino passaram a se organizar de modo compartilhado entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios em regime de colaboração. Em 1996, com a Emenda Constitucional n.º 14, foi implantado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF. O FUNDEF foi, em seguida, regulamentado pela lei n.º 9.424, de 24 de dezembro do mesmo ano, e pelo decreto n.º 2.264, de junho de 1997, sendo implantado nacionalmente em 1º de janeiro de 1998, quando passou a vigorar a nova sistemática de redistribuição dos recursos destinados ao ensino fundamental. O objetivo do processo de municipalização é entendido como sendo o motivador da mudança de uma educação marcada pelo fracasso e pela exclusão para uma educação de qualidade pela perspectiva de uma maior participação e controle dos 47 O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: i. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; ii. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; iii. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; iv. gratuidade do ensino público em estabelecimentos o�ciais; v. valorização dos pro�ssionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional n.º 53, de 2006); vi. gestão democrática do ensino público, na forma da lei; vii. garantia de padrão de qualidade; viii. piso salarial pro�ssional nacional para os pro�ssionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (Incluído pela Emenda Constitucional n.º 53, de 2006). envolvidos na educação, ou seja, uma gestão mais democrática. No art. 206, inciso VI da Constituição Federal, estabelece-se, prescritivamente, o caráter democrático permeia a intenção do Estado ao o�cializar que: Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, art. 14, o caráter democrático é reforçado por meio da gestão democrática: Art. 14 – Os sistemas de ensino de�nirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: i. Participação dos pro�ssionais da educação na elaboração do Projeto pedagógico da escola; ii. Participação das comunidades escolares e local em conselhos escolares ou equivalentes. O princípio da gestão democrática encontra-se reforçado também no Estatuto da Criança e do Adolescente, lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, que assegura, como direito dos pais, a participação na de�nição das propostas pedagógicas da escola de 48 seus �lhos, ter conhecimento do processo pedagógico, acompanhamento de seu desenvolvimento escolar e dos resultados da avaliação, assim como, garante a liberdade de expressão à criança e ao adolescente. Conforme Cária (2006), embora a gestão democrática não tenha ainda se efetivado de fato, legalmente ela já é uma realidade, faltando apenas ser implantada na prática e no cotidiano da escola. Para isso, o processo de gestão da escola já prevê a participação coletiva em diversos procedimentos formais e regulamentares da escola, como: a elaboração do Projeto Político Pedagógico, os conselhos e colegiados ou equivalentes, que são processos democráticos previstos apenas às escolas públicas, com exceções no ensino privado (Cária, 2006). O conselho escolar é muito importante na gestão democrática, pois é uma ligação da escola com a comunidade e possibilita uma ruptura da gestão verticalizada e autoritária do diretor. O regimento escolar expressa o projeto educativo da escola, por isso deve ser construído coletivamente com a participação de todos os segmentos da comunidade escolar, permitindo que a escola expresse sua identidade sem perder de vista a legislação e as diretrizes e políticas educacionais nacionais e estaduais. Vale ressaltar que, na forma da lei, a gestão democrática está limitada ao ensino público, conforme Cária (2006), merece questionamento, uma vez que o princípio democrático é assegurado a todos os cidadãos brasileiros e não apenas àqueles que se formam no ensino público. O apelo sistemático à adoção de medidas descentralizadoras e mais democráticas no campo educacional se intensi�cou a partir da década de 1990, mais especi�camente após a Conferência Mundial de Educação para Todos em Jontiem, Tailândia, que foi �nanciada pela UNESCO, UNICEF, PNUD e Banco Mundial. Desse evento participaram representantes de 155 governos que subscreveram a declaração ali aprovada, comprometendo-se a assegurar uma educação básica de qualidade às crianças, jovens e adultos. A partir das prerrogativas dessa conferência, a educação passou a ocupar espaço nas discussões e agenda dos governos, em nível mundial, o que deu origem a novas conferências e a diversos documentos o�ciais contemplando metas para atingir a educação de qualidade. 49 Fonte: Disponível aqui Dentro da gestão democrática. 50 https://www.youtube.com/watch?v=23MPl9ZiwO4 10 Gestão Escolar Participativa 51 Figura 1 - Gestão escolar | Fonte: Institucional, 2020 Introdução A gestão democrática é apenas um dos modelos de gestão existentes e, até o momento só é adotado nas escolas públicas. Nas instituições privadas ou mistas ainda se adota o modelo gerencial, em que as metas, resultados e principalmente a viabilidade �nanceira da instituição são prioridades. Promover o encontro coletivo entre todos os envolvidos no processo pedagógico da escola de forma a discutir o Projeto Político Pedagógico, de�nindo a função social da escola e assumindo o compromisso com a realização de um trabalho pedagógico de qualidade ainda é uma premissa praticada somente na gestão democrática. A questão que se coloca, então, é de�nir um modelo de gestão que atenda às expectativas de todos os componentes envolvidos, inclusive a viabilidade social e �nanceira tendo em vista que a destinação de verbas o�ciais para a educação ainda está um pouco distante da real necessidade do dia a dia das escolas. 52 Fonte: Disponível aqui Você sabe o que é o PPP? Um projeto é um esforço temporário empreendido cujo objetivo é criar um produto, serviço ou processo. O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um instrumento que re�ete a proposta educacional da escola.É através dele que a comunidade escolar pode desenvolver um trabalho coletivo, cujas responsabilidades pessoais e coletivas são assumidas para execução dos objetivos estabelecidos. Para Ferreira (2004), a cultura globalizada que se faz presente, leva a gestão da educação, entendida como o processo de tomar decisões coletivas, ser repensada e ressigni�cada. A autora também a�rma que a gestão deve assumir um compromisso com a construção humana do mundo. Ao organizar coletivamente o trabalho pedagógico na escola, a autora entende que se deve superar a visão gerencialista da educação, o que o diretor da escola e o pedagogo fazem na medida em que articulam o trabalho de forma a promover a discussão e a construção do Projeto Político Pedagógico norteador do trabalho. No PPP, deve-se de�nir a concepção de aluno que a escola deseja formar, o que auxiliará no processo de assumir postos de�nidos no mercado de trabalho como objetivo ou assumir a formação humana integral. É fundamental, ainda, que o Plano de Gestão da Escola seja de�nido coletivamente, tendo à sua frente o diretor e a equipe pedagógica. Todo esse esforço visa superar a fragmentação do trabalho pedagógico, na medida em que todos os pro�ssionais da escola assumirem esse projeto coletivo de emancipação humana. É necessário que o foco do diretor esteja sempre voltado para o processo pedagógico para que ocorra a efetivação do trabalho coletivo. Ele precisa contar com o apoio da equipe pedagógica, que o auxiliará na execução do Plano de 53 https://www.infoescola.com/educacao/projeto-politico-pedagogico/ Ação, assegurando que a função social da escola estará voltada para a garantia da apropriação do conhecimento sistematizado pelo aluno. Isso é necessário para que a qualidade do ensino permita ao aluno a participação na sociedade em que está inserido de forma crítica e consciente de suas decisões. Ou seja, a função social da escola deve estar voltada a uma educação que promova a formação humana em todas as suas dimensões. Escola pública: democratização e superação na gestão escolar As pedagogias das competências ou pedagogias do aprender a aprender tiveram uma grande alavancagem durante a década de 1990, por sua forte presença no Relatório Jacques Delors, publicado no Brasil em 1998, com uma apresentação do então ministro da educação Paulo Renato Costa Souza. As orientações contidas nesse Relatório foram assumidas como política de estado por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documentos elaborados por iniciativa do Ministério da Educação (MEC) para servir de referência à montagem dos currículos de todas as escolas do país. Uma vez que o foco passou a ser o trabalho com Temas Transversais, o trabalho fundamentado sobre essa base levou a um esvaziamento dos conteúdos escolares dos currículos das escolas. Os PCNs preconizavam a organização por área, dando ênfase à pedagogia de projetos. O trabalho pedagógico estruturado por essas bases trouxe prejuízos para o processo de aprendizagem dos alunos, que saíam da escola sem o domínio dos conteúdos básicos necessários para a participação na sociedade. Devemos começar garantindo um ensino de qualidade, que possibilite o acesso e a apropriação do conhecimento a todos, e não apenas a uma minoria privilegiada se visamos à construção de uma sociedade democrática com acesso aos benefícios sociais para todos os cidadãos. Ou seja, podemos dizer que precisamos garantir uma 54 escola que promova o desenvolvimento integral das capacidades humanas e que ofereça possibilidades de atuar conscientemente sobre a sociedade em que estamos inseridos. Torna-se necessário o enfrentamento das políticas educacionais focadas no esvaziamento dos conteúdos curriculares, o que acaba afetando os �lhos das classes trabalhadoras que têm, na escola pública, a possibilidade do acesso ao saber cientí�co sistematizado. A defesa de um ensino público de qualidade, por isso, é a verdadeira base de uma gestão fundamentada sobre princípios democráticos que promovam a emancipação dos homens. Para garantir as condições necessárias para que os alunos tenham seu direito de aprender assegurado, a gestão da escola deve estar comprometida com tais princípios e terá sempre como objetivo principal o acompanhamento do trabalho pedagógico. Dessa forma, o trabalho do diretor não está mais pautado no gerenciamento, como apregoado pelas pedagogias empresariais. Seu Plano de Gestão passa a ser discutido coletivamente e, a partir disso, torna-se o Plano de Ação da Escola, com �ns e objetivos claros comungados por todo o coletivo escolar. 55 O projeto político pedagógico (PPP) Veiga (2003) ressalta o caráter de “inovação emancipatória ou edi�cante” do Projeto Político Pedagógico. Para a autora, o aspecto inovador do PPP é marcado pela sua intencionalidade tendo em vista a sua busca pelo aumento e pela melhoria da comunicação e do diálogo com os saberes locais e com os diferentes atores. Esta intencionalidade é algo que deve permear o processo de construção, de execução e de avaliação do PPP. Veiga também destaca as inovações trazidas pelo Projeto Político Pedagógico, porque, se construído coletivamente, possibilita a troca de informações e o embate de ideias, tornando possível a modi�cação e o aprimoramento das práticas pedagógicas dos envolvidos. O PPP, no entanto, pode ser construído sobre bases diferentes, podendo, a partir disso, se con�gurar como instrumento regulatório ou técnico ou como instrumento emancipatório ou edi�cante. O compromisso com a perspectiva emancipatória da construção do Projeto Político Pedagógico voltará suas ações para a efetivação de um processo de vivência democrática, promovendo a articulação do trabalho coletivo e rompendo com o individualismo e a fragmentação do trabalho. O PPP de dimensão emancipatória é construído coletivamente e se con�gura como um documento vivo, concreto e real, que direcionará o trabalho de todo o coletivo escolar na medida em que é assumido por todos como o norte da prática pedagógica. O Projeto Político Pedagógico na dimensão regulatória, por sua vez, con�gura-se como um mero documento burocrático elaborado para cumprir as exigências formais e legais. Sua construção, execução e avaliação deixam de fora o coletivo escolar e, por isso, ele acaba não expressando a identidade da escola e não sendo assumido como o norte da prática pedagógica dos professores e dos demais funcionários. 56 Parte 01: Disponível aqui Parte 02: Disponível aqui Parte 03: Disponível aqui Para aprofundar-se no assunto, assista ao vídeo “O Projeto Político Pedagógico”, por Ilma Passos Alencastro Veiga (em 3 partes): Marcos a serem considerados na elaboração do PPP Veiga (1998) aponta três marcos a serem considerados na elaboração do PPP: O marco situacional, em que se descreve a realidade da escola; O marco conceitual, em que se apresentam as concepções de homem, educação, escola, currículo, ensino e aprendizagem; O marco operacional, como instrumento emancipatório, o PPP não é um documento para �car guardado na sala da pedagoga ou da diretora, mas sim, para estar disponível para a consulta em todos os momentos necessários. Assim sendo, como o pedagogo pode articular esse processo de forma a promover a leitura e o estudo desse documento entre os professores? O qual se descreve o plano de ação da escola? Ferreira (2007) alega que o Projeto Político Pedagógico, enquanto documento que de�ne a identidade da escola, deve ser posto em prática por meio de um plano de ação coletivo: 57 https://www.youtube.com/watch?v=k_I6M3lW6ss https://www.youtube.com/watch?v=i21q2PUY0ew https://www.youtube.com/watch?v=tiNBweGr_eQ Vale lembrar que o projeto pedagógico não pode restringir-se às discussões e re�exões. Esses procedimentos deverão anteceder e oferecer elementos para a tomada de decisão, pois tratam do plano de ação coletivo. A coordenação exerce uma função imprescindível nesse âmbito, pois tem a tarefa de (co)ordenar as ações do coletivo com o objetivo de registrar os resultados do processo re�exivoe as decisões tomadas, garantir que os encontros para as discussões, análises, re�exões e estudos não se percam no esquecimento, caso não sejam sistematizadas e formalizadas com base no coletivo (FERREIRA, 2007, p. 34). O plano de ação da escola tem como objetivo de�nir as prioridades e ações a serem realizadas a cada ano de trabalho letivo, no qual deve ser elencado o conjunto de ações a serem realizadas para que se atinjam os objetivos pretendidos, sendo que dele decorre também o plano de ação da equipe pedagógica. 58 11 Gestão Escolar Participativa e as Funções dos seus Conselhos 59 Conselho escolar Segundo a SEED (2008), as reuniões do Conselho Escolar poderão ser ordinárias ou extraordinárias: reuniões ordinárias serão mensais ou bimestrais, e reuniões extraordinárias poderão ocorrer a qualquer momento. Nessas reuniões, o Conselho deverá tomar decisões que estejam de acordo com suas quatro funções: deliberativa, consultiva, avaliativa e �scalizadora. Vejamos ao que se refere cada uma delas. Função deliberativa: diz respeito às tomadas de decisão relativas ao Projeto Político Pedagógico, à organização e ao funcionamento da escola; Função consultiva: diz respeito à emissão de pareceres apresentando sugestões ou soluções; Função avaliativa: diz respeito ao acompanhamento das ações educativas visando à melhoria do processo pedagógico; Função �scalizadora: diz respeito ao acompanhamento e à �scalização das ações pedagógicas, administrativas e �nanceiras. A função do Conselho Escolar vai, então, muito além da aplicação de verbas repassadas pelo Programa de Descentralização de Recursos. Com o objetivo de planejar ações para a melhoria da qualidade do ensino público, as questões pedagógicas devem ser discutidas pelo Conselho Escolar de modo que o Projeto Político Pedagógico seja constantemente repensado e discutido pelo Conselho Escolar. Paro (1996) realizou uma pesquisa sobre os Conselhos Escolares e constatou que há uma di�culdade para encontrar pais que estejam disponíveis para integrar o Conselho Escolar e para comparecer às reuniões, bem como para reunir-se com seus pares e discutir, com antecedência, suas posições. Há pouco conhecimento por parte da comunidade escolar a respeito do que é o Conselho Escolar e de sua função, o que aponta para a necessidade de estudos e discussões sobre a legislação que embasa o trabalho dos Conselheiros. A gestão democrática é algo a ser construído diariamente nas escolas com o envolvimento e a participação de todos os envolvidos. 60 A comunidade e as associações de pais As Associações de Pais têm sua origem ligada aos Caixas Escolares e às Cooperativas Escolares, destinadas a arrecadar fundos para a assistência escolar. Balzer (2010) revela que a inserção das famílias no interior da escola, ainda que parecesse uma iniciativa democrática, escamoteava o seu verdadeiro caráter, determinado por um conjunto de práticas assistenciais e �lantrópicas que relega o papel do Estado a um segundo plano. Essa prática obteve legitimidade com a LDB 4.024/61, que recomenda a colaboração popular em favor das fundações e instituições culturais, estimulando a formação de Associações de Pais e Professores (Artigo 107º e 115º). A partir de 1968, com a publicação da Portaria n.º 11.124, a participação da comunidade escolar assume outra con�guração. Segundo essa nova orientação, a Associação de Pais e Mestres deve se constituir como pessoa jurídica de direito privado, sendo um órgão de representação dos pais e pro�ssionais do estabelecimento, sem caráter político- partidário, religioso ou racial e sem �ns lucrativos (PARANÁ, 2009). Diante disso, pode-se dizer que as Associações de Pais e Mestres (APMs), visando à captação e à aplicação de recursos �nanceiros nas escolas públicas, desoneram o Estado da sua responsabilidade na manutenção da escola. A partir da década de 1990, por causa da descentralização, as APMs foram responsabilizadas pela gestão de recursos repassados pelo Estado. Segundo Souza (2005), essas tarefas �nanceiras vêm crescendo por duas razões: a primeira está associada à implantação de programas de transferência de dinheiro público às escolas; a segunda, à insu�ciência desses recursos, o que levou as escolas à tentativa de sanar seus problemas �nanceiros por meio da arrecadação junto às comunidades, promovendo festas, bingos, bazares, rifas etc. A função principal do Conselho Escolar e das APMFs, nessa perspectiva, deve ser o acompanhamento do processo pedagógico por meio da discussão do Projeto Político Pedagógico da escola. Os Conselhos Escolares e as APMFs constituem-se como espaço de atuação democrática, e suas ações voltam-se para a melhoria da qualidade do ensino. A participação dos pais assume outra dimensão na medida em que eles são estimulados a participar da gestão da escola por meio de sua representação nessas instituições. 61 Os grêmios estudantis Segundo Souza (2005), o Grêmio Estudantil é a entidade representativa dos estudantes. Por meio dele, eles poderão discutir e participar da gestão democrática da escola pública. A Secretaria de Estado da Educação (2009) defende que a participação juvenil ocorra de forma organizada e compreende que os Grêmios Estudantis devem ter sua representatividade assegurada nos Conselhos Escolares. É preciso compreender que os Grêmios tiveram origem nos movimentos estudantis e, por isso, apresentam um caráter político. Em 1984, por ato do Poder Legislativo, o funcionamento dos Grêmios Estudantis �cou assegurado pela Lei 7.398/85, que os considera entidades autônomas de representação dos estudantes. Não possuem �ns lucrativos e devem representar os estudantes e promover a comunicação entre os alunos e a comunidade escolar. Sendo assim, o Conselho Escolar, a Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) e o Grêmio Estudantil constituem-se como 62 segmentos de gestão no interior da escola, representando todo o coletivo escolar. A participação efetiva de cada um desses segmentos na construção de uma gestão democrática deve ser, portanto, garantida e assegurada. 63 12 Gestão Democrática no Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 64 Entenda o que é PNE e para que serve É o Plano Nacional de Educação, decenal, aprovado pela Lei n.º 13.005/2014, e que estará em vigor até 2024. É um plano diferente dos planos anteriores; uma das diferenças é que esse PNE é decenal por força constitucional, o que signi�ca que ultrapassa governos. Tem vinculação de recursos para o seu �nanciamento, com prevalência sobre os Planos Plurianuais (PPAs). O amplo processo de debate, que começou na CONAE 2010 e culminou com sua aprovação pelo Congresso Nacional, reforça o caráter especial e democrático desse PNE. Em 2014, o Congresso Federal sancionou o Plano Nacional de Educação (PNE) com a �nalidade de direcionar esforços e investimentos para a melhoria da qualidade da educação no país. Com força de lei, o PNE estabelece 20 metas a serem atingidas nos próximos 10 anos. Ela estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação. Por que o brasil precisa de um Plano Nacional de Educação? O Brasil é um país federativo, em que Estados, Distrito Federal e Municípios têm autonomia para tomar suas decisões. Mas, para organizar a educação nacional, os entes federativos devem trabalhar juntos, porque têm competências comuns. Nesse 65 contexto, o PNE cumpre a função de articular os esforços nacionais em regime de colaboração, tendo como objetivo universalizar a oferta da etapa obrigatória (de 04 a 17 anos), elevar o nível de escolaridade da população, elevar a taxa de alfabetização, melhorar a qualidade da educação básica e superior, ampliar o acesso ao ensino técnico e superior, valorizar os pro�ssionais da educação, reduzir as desigualdades sociais, democratizar a gestão e ampliar os investimentos em educação. O PNE é do governo federal? A aprovação do PNE pelo Congresso Nacional e sua sanção pela Presidência da República não signi�ca que o PNE é de responsabilidade apenas federal. Trata-sede um plano para a nação brasileira, com responsabilidades compartilhadas entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Por ser decenal, ultrapassa diferentes gestões de governo, superando, dessa forma, a descontinuidade das políticas públicas a cada mudança de condução político-partidária. Trata-se também de um planejamento de médio prazo que orientará todas as ações na área educacional no país, exigindo que cada Estado, o Distrito Federal e cada Município tenham também um plano de educação elaborado em consonância com o PNE. Como está estruturado o PNE? A lei do PNE está organizada em duas partes: O corpo da Lei, que traz questões gerais sobre o plano, tais como: diretrizes, formas de monitoramento e avaliação, a importância do trabalho articulado entre as diferentes esferas governamentais, a participação da sociedade, prazos para a elaboração ou adequação dos planos subnacionais e para a instituição do Sistema Nacional de Educação. As metas e estratégias fazem parte do Anexo. O Anexo, com as metas e suas respectivas estratégias. Metas são objetivos quanti�cados e localizados no tempo e no espaço; são previsões do que se espera fazer em um determinado período para superar ou minimizar um determinado problema. As estratégias, por sua vez, são possibilidades, formas de enfrentar os desa�os da meta. Devem formar um conjunto coerente de ações julgadas como as melhores para se alcançar uma determinada meta. 66 Onde posso encontrar a lei do PNE? A Lei do PNE pode ser acessada em diferentes endereços eletrônicos: Portal da Legislação do Governo Federal Portal da Câmara dos Deputados Portal do MEC – site Planejando a Próxima Década Quais são as metas do PNE? O PNE é constituído por 20 metas e por 254 estratégias, dispostas no Anexo da Lei n.º 13.005/2014. Para conhecer melhor cada meta e compreender sua importância para o país, foi elaborado o documento “Conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação”. Quem é responsável pelas metas do PNE? As metas nacionais são de responsabilidade compartilhada entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e deverão ser cumpridas no período de vigência do PNE (até o ano de 2024). Embora a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios tenham atribuições diferenciadas, a Constituição Federal deixa clara a corresponsabilidade dos entes federativos, que devem organizar seus sistemas de ensino para que o trabalho aconteça de forma colaborativa. Assim, existem algumas metas de responsabilidade direta do Município, como, por exemplo, a expansão da oferta da educação infantil. Mas, a responsabilidade não é só municipal: o plano deve indicar que ações o Município desenvolverá com apoio da União e do Estado para garantir o direito das crianças na creche e na pré-escola. No caso do ensino fundamental, o Município e o Estado têm responsabilidade direta na oferta. Portanto, o plano deverá apontar as ações de ambos para essa etapa, bem como as interfaces que farão com a União para viabilizar que todos tenham seu direito garantido. Já em outras metas, como no caso daquelas relativas ao ensino médio, pro�ssional e superior, por exemplo, não há responsabilidade direta do município com a oferta. 67 http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf Nesses casos, o plano pode descrever as iniciativas que o município desenvolverá junto ao Estado, à União e às instituições de ensino pro�ssional e superior buscando assegurar o acesso de seus munícipes a essa modalidade e nível de ensino. Acesse o link: Disponível aqui Para saber mais sobre a importância do planejamento articulado e sobre as responsabilidades federativas, consulte o documento “Alinhando os Planos de Educação” em: Como as especificidades locais devem se manifestar nos planos? Os planos de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios são instrumentos importantes para o desenvolvimento social de cada lugar. Têm íntima relação com aquilo que uma comunidade projeta para seu futuro; por isso, precisa ser intersetorial, com a participação dos diferentes órgãos dos governos estadual e municipal. Todos os setores da sociedade também devem estar representados e se sentir contemplados em suas especi�cidades. O plano deve contribuir para que o país atinja as metas nacionais, mas não deve ser uma simples reprodução das 20 metas do PNE aprovado, porque precisa considerar as prioridades especí�cas de cada lugar para a próxima década. 68 http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_alinhando_planos_educacao.pdf O “Caderno de Orientações” detalha as cinco etapas sugeridas pelo MEC / CONSED / UNDIME / CNE / FNCE / UNCME para a elaboração ou adequação dos planos subnacionais, tendo em vista as especi�cidades locais. Acesse o link: Disponível aqui Tenha acesso ao "Caderno de Orientações para Monitoramento e Avaliação dos Planos Municipais e Educação" em: 69 http://pne.mec.gov.br/images/pdf/publicacoes/pne_pme_caderno_de_orientacoes_final.PDF http://pne.mec.gov.br/images/pdf/publicacoes/pne_pme_caderno_de_orientacoes_final.PDF 13 O Olhar do Gestor para as 20 Metas do Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 e a BNCC 70 Conhecendo as 20 metas do PNE Como já vimos, o Plano Nacional de Educação, decenal, aprovado pela Lei n.º 13.005/2014, estará em vigor até 2024. É um plano diferente dos planos anteriores; uma das diferenças é que esse PNE é decenal por força constitucional, o que signi�ca que ultrapassa governos. Tem vinculação de recursos para o seu �nanciamento, com prevalência sobre os Planos Plurianuais (PPAs). O amplo processo de debate, que começou na CONAE 2010 e culminou com sua aprovação pelo Congresso Nacional, reforça o caráter especial e democrático desse PNE. Então, caro(a) aluno(a), vamos conhecer as 20 metas? META 1 – EDUCAÇÃO INFANTIL - Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré- escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o �nal da vigência deste PNE. META 2 – ENSINO FUNDAMENTAL - Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE. META 3 – ENSINO MÉDIO - Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o �nal do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento). META 4 – EDUCAÇÃO INCLUSIVA - niversalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, com de�ciência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. META 5 – ALFABETIZAÇÃO - Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o �nal do 3o (terceiro) ano do ensino fundamental. 71 META 6 – EDUCAÇÃO INTEGRAL - Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação básica. META 7 – APRENDIZADO ADEQUADO NA IDADE CERTA - Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do �uxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB. META 8 – ESCOLARIDADE MÉDIA - Elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres,e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística – IBGE. META 9 – ALFABETIZAÇÃO E ALFABETISMO DE JOVENS E ADULTOS - Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o �nal da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional. META 10 – EJA INTEGRADA À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - Oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integrada à educação pro�ssional. META 11 – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - Triplicar as matrículas da educação pro�ssional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da expansão no segmento público. META 12 – EDUCAÇÃO SUPERIOR - Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% (cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento público. META 13 – TITULAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR - Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores. 72 META 14 – PÓS-GRADUAÇÃO - Elevar gradualmente o número de matrículas na pós- graduação de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores. META 15 – FORMAÇÃO DE PROFESSORES - Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos pro�ssionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput art. 61 da Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação especí�ca de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. META 16 – FORMAÇÃO COTINUADA E PÓS-GRADUAÇÃO DE PROFESSORES Formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) pro�ssionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. META 17 – VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR - Valorizar os (as) pro�ssionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos (as) demais pro�ssionais com escolaridade equivalente, até o �nal do sexto ano de vigência deste PNE. META 18 – PLANO DE CARREIRA DOCENTE - Assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de Carreira para os (as) pro�ssionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos (as) pro�ssionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional pro�ssional, de�nido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal. META 19 – GESTÃO DEMOCRÁTICA - Assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto. META 20 – FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO - Ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto – PIB do país no 5o (quinto) ano de vigência desta Lei e, no 73 mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao �nal do decênio. O gestor, em seu âmbito geral, precisa ter conhecimento de todas as leis, metas e planos que a educação vem tratando recentemente. Após vermos o PNE, não poderíamos deixar de lado o conhecimento da Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Introdução à base nacional comum curricular A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que de�ne o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). Este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a de�ne o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei n.º 9.394/1996), e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN). O objetivo principal da BNCC é ser a balizadora, por meio do estabelecimento de um patamar de aprendizagem e desenvolvimento no qual todos os alunos têm direito, da qualidade da educação. A BNCC integra a política nacional da Educação Básica e é a referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das propostas pedagógicas das instituições escolares. Ela também vai contribuir para o alinhamento de outras políticas e ações, em todos os âmbitos, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação. 74 Espera-se que a BNCC ajude, nesse sentido, a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e seja balizadora da qualidade da educação. Dessa forma, para além da garantia de acesso e permanência na escola, é necessário que sistemas, redes e escolas garantam um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes, tarefa para a qual a BNCC é instrumento fundamental. Para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais e as aprendizagens essenciais ao longo da Educação Básica que estão de�nidas na BNCC, deve haver uma consubstanciação no âmbito pedagógico, nos direitos de aprendizagem e no desenvolvimento. Competência é de�nida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho, segundo a BNCC. A BNCC, ao de�nir essas competências, reconhece que a “educação deve a�rmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação 75 da natureza” (BRASIL, 2013), mostrando-se também alinhada à Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Vídeo 01: Disponível aqui Vídeo 02: Disponível aqui Agora, assista à trajetória histórica do PNE e um aprofundamento da BNCC. 76 https://www.youtube.com/watch?v=6IL9Ctz6qBo https://www.youtube.com/watch?v=qe7dNBYowAM 14 Gestão Educacional e a Escola Cidadã 77 Conhecendo a trajetória da escola cidadã No �nal da década de 1980, surgiu no Brasil, o conceito de “Escola Cidadã”, uma escola que forma para e pela cidadania: “é aquela que se assume como um centro de direitos e deveres”. Para que seja uma escola que luta pela superação das desigualdades perante o direito à educação, ela precisa ser uma escola coerente com a liberdade, uma escola de comunidade, de companheirismo, que vive a experiência tensa da democracia e precisa seruma escola diversa na perspectiva unitária de sociedade e de educação. Paulo Freire, educador e pensador brasileiro, autor do livro “Pedagogia do Oprimido” (1968), criou o conceito criado para designar a escola que prepara a criança para tomar decisões. A ideia de escola cidadã entrou em evidência nos anos de 1990, como expressão de um movimento de inovação educacional no Brasil que inclui os temas: autonomia da escola, integração da educação com a cultura e o trabalho, oferta e demanda, escola e comunidade, visão interdisciplinar e a formação permanente dos professores. A Escola Cidadã, segundo o Instituto Paulo Freire (IPF), defende a educação permanente e tem uma formatação própria para cada realidade local, de modo a respeitar as características histórico-culturais, os ritmos e as conjunturas especí�cas de cada comunidade, sem perder de vista a dimensão global do mundo em que vivemos. Para atingir essa �nalidade, o seu projeto político-pedagógico deve ser elaborado com base na realização de um diagnóstico da realidade escolar chamado Etnogra�a da Escola, que possibilita a construção de um currículo escolar fundamentado na criação de espaços interculturais, por sua vez trabalhado na perspectiva inter e transdisciplinar, que levam em conta a dimensão da razão e da emoção, ou seja, a técnica, a sensibilidade e a criatividade. Nesse sentido, a Escola Cidadã é democraticamente organizada e pedagogicamente alegre, criativa e ousada. Como tem se caracterizado como um movimento que inclui o uso e�ciente dos mais recentes avanços tecnológicos, tais como a informática e os computadores, enquanto veículos e instrumentos que colaboram na reconstrução do conhecimento, a Escola 78 Cidadã também leva em conta a necessidade de uma educação sustentável para a sobrevivência do planeta e que defende a ecopedagogia como alternativa para uma educação ética que promove a vida e a solidariedade planetária. Esse movimento defende a construção de uma escola autônoma que só é possível se houver a participação de pessoas que aprendem a decidir no processo de participação e que avaliam dialogicamente o mesmo. Dessa forma, esse programa pressupõe a formação de cidadãs e de cidadãos que efetivamente participam e decidem sobre o destino da escola. Moacir Gadotti (2017) a�rma que se realmente quisermos avançar no enfrentamento de nossos graves desa�os educacionais, devemos pensar seriamente numa verdadeira reconversão cultural da escola. Para Gadotti, o diálogo é a principal prática da educação em direitos humanos, lembrando que o diálogo e a participação só podem ser ensinados pela prática do diálogo e da participação. Partindo dessa a�rmação sobre a proposta da Escola Cidadã, vemos a importância do fortalecimento dos conselhos escolares e da gestão democrática nas escolas e de todos os conselhos representativos da sociedade civil, para que ocorra, de fato, a promoção da consciência de direitos e de deveres e a ampliar o controle social e a participação como método de governo. 79 Com a Revolução Francesa e o seu lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, progressivamente a escola foi sendo debilmente in�uenciada por pedagogias mais progressistas que atribuíam mais direitos à criança. Havia o desejo que ela fosse simplesmente criança! Visando, assim, ao desenvolvimento ético e moral do aluno e a defesa da sua participação em várias tomadas de decisão na escola, foi sendo vista cada vez mais como uma necessidade, considerando que "há política a partir do momento em que são tomadas decisões". (Barbier, 1996). Quais são os grandes eixos que sustentam a escola cidadã? A escola cidadã sabe que todos nascem cidadãos, mas é preciso formar um cidadão esclarecido, consciente, ativo e solidário. Com essa �nalidade, a escola cidadã tem um projeto educativo �lantropo, que combate as desigualdades escolares e sociais, que promove a participação da comunidade na construção do bem comum no interior da escola, na reconstrução do seu conhecimento e, principalmente, do seu projeto de vida. A escola cidadã oferece um currículo aberto à diversidade ou à sensibilidade para as diferenças dos alunos, para que todos aprendam quem são os outros. A Escola Cidadã acredita que a "diversidade dos alunos é uma fonte de enriquecimento mútuo, de intercâmbio de experiências, que permite conhecer outras maneiras de ser e de viver e que desenvolve atitudes de respeito e de tolerância". (Marchesi in Rodrigues: 2001). Na Escola Cidadã, os alunos têm liberdade de escolha e de decisão, discutindo coletivamente a forma de melhorar a vida escolar, fomentando a defesa dos direitos humanos e a solução dos problemas ou con�itos sociais, promovendo a consciência dos direitos e deveres cívicos e potencializando o raciocínio e a argumentação sobre justiça, liberdade, responsabilidade, solidariedade, respeito mútuo, tolerância, verdade e esforço, de modo a induzir o saber estar, ou seja, condutas socialmente responsáveis por meio de modelos de clari�cação de valores, comunidade justa e educação do caráter. 80 A escola cidadã é norteada por uma bússola que conduz os professores e a comunidade numa mesma direção, o bem comum (Sergiovanni, 2004). Ela é acolhedora e encantadora, pois tem salas amplas, espaços lúdicos, ginásios, campo de jogos e zonas verdes que permitem dinamizar hortas e cuidar de animais. A escola cidadã deveria ser a nossa utopia. Acesse o link: Disponível aqui Agora, pare por um momento e amplie sua visão, veja a entrevista de alguns professores e alunos da Escola Municipal Maria das Mercês Aguiar, que falam sobre a relação entre educação e política, práticas e experiências no ambiente escolar e o potencial que uma vivência democrática pode exercer sobre os sujeitos, dentro e fora da escola, ou seja, numa escola cidadã. “Escola cidadã: Educando para a democracia”: 81 https://rbeducacaobasica.com.br/entrevista-escola-cidada/ 15 Gestão de uma Escola Reflexiva 82 Gerir uma escola re�exiva é gerir uma comunidade com um projeto educativo. É desenvolver uma cultura re�exiva por meio do pensamento e de práticas questionadoras que acompanham a vontade de resolver, de forma colaborativa, os problemas confrontados. É desenvolver um ambiente de supervisão, não sustentado no autoritarismo paralisante ou no paternalismo atro�ante, mas na autenticidade e no genuíno espírito de construção conjunta manifestado em apoios, desa�os, questionamentos e decisões em consenso, mais do que em imposições administrativas ou técnico-normativas. Essa concepção de escola re�exiva, não obstante a passagem do tempo, parece ainda hoje fazer sentido. Podem ter mudado os conteúdos e os projetos político- pedagógicos (PPP), mas mantém-se a relevância do currículo como o foco aglutinador das ações, a ideia de projeto como eixo estruturante da de�nição, operacionalização, monitoramento e avaliação dos objetivos a atingir, o valor da colaboração dialogada e construída em conjunto entre colegas, entre alunos e professores, entre a escola e a comunidade, a cultura de indagação e a re�exão e supervisão. Considerando essas temáticas, uma é particularmente destacada e é entendida como "ação de acompanhamento e monitorização das atividades (pro�ssionais, incluindo pré-pro�ssionais, e institucionais) contextualizadas e realizadas por pessoas em desenvolvimento, tendo uma intencionalidade orientadora, formativa, transformadora, de natureza re�exiva e que desenvolva a autonomia baseada em interações que, concretizadas em dinâmicas de realização e sustentadas por atitudes de abertura e corresponsabilização, se a�rmam como instrumentos ao serviço do desenvolvimento" (Alarcão e Canha, 2013). Para que a instituição seja, ela própria, um projeto em movimento, é necessário envolver todos que a fazem, que são a escola, de modo que a sintam como sua e se apropriem do plano em cuja construção colaboraram, o projeto de todos, o PPP da sua escola. Perspectiva-se, assim, "a gestão organizacional como uma prática de natureza eminentemente colaborativa, sem, contudo, dispensara presença de lideranças democráticas" (Alarcão e Canha, 2013). A dinâmica de gestão de uma escola re�exiva, democrática, proativa e colaborativa, centro de produção de saberes sobre si e sobre as suas atividades e os seus atores apoia-se numa atitude de questionamento. Essa re�exão deve ser sustentada por quatro pilares: o da vontade, o dos saberes, o dos métodos e o do afetivo-relacional, 83 sendo que este último envolve desa�ar, encorajar, apoiar e reconhecer a atuação de todos os envolvidos no dia a dia escolar. Com todos eles combinados, a escola torna- se mais responsável, mais dinamizadora e mais humanizada. Fonte: Disponível aqui “O que leva você, professor, a se aperfeiçoar? Como melhorar a atuação em sala? De que modo saber se o planejamento e as intervenções são os mais adequados?” Assim começa esse texto sobre registros pedagógicos para uma escola mais re�exiva: 84 https://novaescola.org.br/conteudo/1882/registros-que-fazem-o-professor-refletir-sobre-a-pratica 16 O Papel do Gestor Educacional Frente aos Desafios Do Século XXI 85 Atualmente, Gestão Escolar Democrática é um tema bastante discutido, pois trata da busca de soluções para uma transformação no sistema atual de ensino, em que se destacam as mudanças para as quais se direcionam a descentralização do poder e a necessidade de um trabalho realizado com ampla participação de todos os segmentos da escola e da comunidade para envolver a sociedade como um todo. Considerando que esse processo é de grande relevância e importância para o início de uma transformação, é necessário que ele ocorra por etapas, proporcione um ambiente de trabalho que seja favorável a essas inovações. Para isso, buscam-se pessoas preparadas e motivadas, que se envolvam, sujeitos que participem direta ou indiretamente desse processo educacional. Na área da educação, a escola é responsável pela transmissão do conhecimento, porém, no mundo globalizado, exige-se que a escola tenha uma nova concepção e uma forma diferenciada de se trabalhar, ou seja, uma constante renovação na sua postura, para transmitir um conhecimento de nível elevado para preparar o aluno a ser criativo e pensante, com o objetivo de formar cidadãos críticos e que se comprometam com uma participação mais efetiva, para obter resultados com e�cácia, favoráveis ao desenvolvimento do estabelecimento. Partindo desse princípio, surge a �gura do gestor escolar, como sendo o indivíduo que propagará ideias para que ocorra a transformação, aquele que articulará essas ideias junto à comunidade escolar. Trata-se de: Repensar a escola como um espaço democrático de troca e produção de conhecimento que é o grande desa�o que os pro�ssionais da educação, especi�camente o Gestor Escolar, deverão enfrentar neste novo contexto educacional, pois o Gestor Escolar é o maior articulador deste processo e possui um papel fundamental na organização do processo de democratização escolar (ALONSO, 1988, p. 11). Diante dessa constatação, o gestor escolar necessita criar situações para romper barreiras entre a teoria e a prática e repensar sua forma de administrar. O ponto de partida para que ocorram mudanças signi�cativas no sistema escolar é o de uma gestão mais democrática em que todos possam participar desse processo, opinar com ideias coerentes, de acordo com as prioridades do estabelecimento. Tal prática exige 86 do gestor conhecimento da realidade de sua escola, assim, poderá coordenar e dirigir ações conjuntamente com todos os indivíduos, preparar o ambiente para um processo de mudança em que terão que se adaptar, de forma gradual. A escola é vista como um espaço de livre articulação de ideias. Segundo Hora: “A Escola como uma instituição que deve procurar a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, deve estar comprometida politicamente e ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando essas necessidades em função de princípios educativos capazes de responder às demandas sociais” (1994, p. 34). Para que ocorra essa socialização, necessita-se de uma gestão democrática e participativa, na qual aconteça uma efetiva participação tanto nas soluções de problemas como na tomada de decisões que vão in�uenciar diretamente a escola. 87 Cabe aos pro�ssionais da educação fazerem valer o seu papel de educador, dando ênfase a um ensino mais democrático, com diálogos abertos, com informações que provoquem re�exões a respeito dos fatos sociais existentes. É importante que se trabalhe sempre com o concreto, assim o educando se sentirá estimulado a criar situações como todo o processo democrático, que é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina a necessidade de re�etir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para a ação (PARO, 1997, p. 17). Considera-se que o processo de gestão democrática e participativa não é uma função exclusiva do gestor escolar, mas da realização de um trabalho participativo, que envolve todos os segmentos sociais que compõem a escola. O ato de pesquisar busca desvelar os processos que atravancam a implantação e a real vivência da gestão democrática e participativa nas escolas públicas, e isso viria a oportunizar o rompimento com o autoritarismo ainda encontrado na escola e viabilizaria o aumento da exclusão das classes menos favorecidas quanto às oportunidades de acesso ao ensino. Diante desse princípio, a atual forma de gestão deve extinguir o modelo tradicional, em que a concentração da autoridade �ca a cargo do gestor, pois, assim, ele será responsável por todas as decisões dentro da escola. Para que ocorra uma gestão democrática, norteia-se uma participação efetiva da comunidade, no momento de partilhar o poder através da descentralização até o momento de ser tomadas decisões importantes, que in�uenciarão no cotidiano da escola, na consecução de resultados que proporcionem a satisfação de todos os indivíduos que compõem a comunidade escolar. 88 Acesse o link: Disponível aqui Nesta abordagem prática, você verá um bate-papo com alguns gestores e seus pensamentos e posicionamentos. Aproveite ao máximo! “A escola do século XXI: Qual é o papel do gestor na escola contemporânea? 89 https://direcionalescolas.com.br/a-escola-do-seculo-xxi-qual-e-o-papel-do-gestor-na-escola-contemporanea/ Conclusão Vimos que são muitos os desa�os a serem enfrentados dentro da chamada gestão educacional, comunidade, instituição educacional ou escolar devido à cultura já enraizada ao longo dos anos, na qual o diretor de uma escola desenvolve um papel fundamental na qualidade da educação, na organização e no relacionamento dentro do ambiente escolar. O gestor tem um grande desa�o, que é lidar com o relacionamento entre funcionários, professores, alunos e responsáveis devido ao fato de que todos são pessoas com valores, vivência e ideais diferentes. Partindo do princípio de que a escola também é um local de formação de educadores que atuam dentro do contexto social ao qual estão inseridos, torna-se um espaço propício para problematizar o papel que a organização escolar tem desempenhado na formação de seus atores. Então, para estar coerente com os valores da gestão, é preciso humanizar as relações e preocupar-se com a alternância nos cargos e posições para cuidar no sentido integral e natural, sem deixar de lado a intencionalidade da conjunção de todos os componentes racionais e sensíveis. Durante as nossas aulas, aprendemos que a gestão educacional no Brasil é baseada na organização dos sistemas de ensino federal, estadual e municipal e das incumbências desses sistemas. Também vimos que existem várias formas de articulação entre as instâncias que determinam as normas, executam e deliberam no setor educacional bem como sobre a oferta da educação pelo setor público e privado. Cada um dos sistemas desempenha um papel no contexto educacional do país. No que diz respeito à educação básica, cabe aos Estados, Distrito Federal e Municípios, ofertá-la. Por sua vez, o ensinomédio é um dever dos Estados e do Distrito Federal e a educação infantil, dos Municípios. Aprendemos que as instituições de ensino de responsabilidade da união são as escolas particulares e órgãos federais. Cabe aos Estados e Distrito Federal a competência sobre as instituições de ensino mantidas por eles, incluindo as de nível superior mantidas pelos Municípios, as escolas particulares de ensino fundamental e médio, englobando os órgãos estaduais de educação e as instituições municipais de ensino particulares de educação infantil. Pudemos perceber que embora os entes federativos compartilhem responsabilidades, cada um possui atribuições próprias, tendo a união o papel de coordenar e articular os níveis de sistemas, e os estados e o distrito federal têm a atribuição de elaborar e executar políticas e planos educacionais, e os municípios de organizar, manter e desenvolver seu sistema de ensino através da sua integração com as políticas e planos educacionais da união e dos estados. Entendemos que diferentemente da gestão educacional, a gestão escolar trata das incumbências que os estabelecimentos de ensino possuem, respeitando as normas comuns dos sistemas de ensino. Cada escola deve elaborar e executar sua proposta pedagógica; administrar seu pessoal e seus recursos materiais e �nanceiros; cuidar do processo de ensino-aprendizagem do aluno, proporcionando meios para a sua recuperação; e articular-se com as famílias e a comunidade, proporcionando um processo de integração. Outro ponto importante na gestão educacional e escolar é a autonomia que a escola possui e que está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996. Por meio dessa autonomia, as escolas conseguem atender às especi�cidades regionais e locais, assim como as diversas clientelas e 90 necessidades para o desenvolvimento de uma aprendizagem de qualidade. Com tudo isso, podemos perceber que a gestão educacional é compreendida por meio das iniciativas desenvolvidas pelos sistemas de ensino. Já a gestão escolar, situa-se no âmbito da escola e trata das tarefas que estão sob sua responsabilidade, ou seja, procura promover o ensino e a aprendizagem para todos através de uma gestão de qualidade, re�exiva e humanizada. Vale lembrar que a gestão escolar participativa é aquela na qual podemos praticar a gestão democrática em seu sentido mais amplo, e a comunidade participa ativamente do planejamento, execução e �scalização dos gastos dos recursos da escola. As decisões são tomadas pelo conselho escolar, formado por representantes de pais, alunos, professores, coordenadores, secretários e diretores escolares. Ressalte-se que a gestão escolar democrática tem como princípio a participação de toda a comunidade escolar na gestão da instituição de ensino. Isso requer o envolvimento de pais, alunos, professores, diretores, coordenadores pedagógicos, secretários escolares, secretários de educação e até prefeitos, dentro de uma gestão re�exiva. Sobretudo, é importante ressaltar e relembrar a importância de o gestor estar sempre em constante atualização sobre as diversas leis, portarias, normas e planos envolvidos no dia a dia do sistema educacional, para que cada vez mais possamos dizer que vivemos uma gestão democrática, participativa, re�exiva e cidadã. E não se esqueça: quem lê mais sabe mais! Quem procura estar atualizado sempre estará à frente! Abraços! 91 Material Complementar Livro Gestão Educacional – Uma questão paradigmática Autor: Heloísa Lück Editora: Vozes Sinopse: A série “Cadernos de Gestão” se propõe a contribuir para que gestores educacionais, atuantes no âmbito de sistemas de ensino, e pro�ssionais responsáveis pela gestão escolar – diretores escolares, supervisores e orientadores educacionais, secretários escolares e, porque não dizer, professores – possam re�etir sobre aspectos básicos referentes à sua prática de trabalho, integrando temas básicos da gestão educacional com o avanço e a pro�ssionalização dessa prática pro�ssional que, muitas vezes, tem sido tratada a partir de um viés unilateral de sua expressão política, em esquecimento de suas múltiplas e importantes dimensões. Livro A Gestão Participativa na Escola Autor: Heloísa Lück Editora: Vozes Sinopse: A série “Cadernos de Gestão” foi desenvolvida para o gestor educacional re�etir sobre o seu trabalho. No terceiro volume, a autora fala dos processos de melhoria da gestão escolar e a importância da gestão participativa nesse panorama e na formação humano e social a que a escola se propõe. Relata as diferenças entre a administração e a gestão educacional e visa também orientar pro�ssionais da área de educação que desejam aprofundar sua competência pro�ssional. Livro Gestão Democrática na Escola Pública Autor: Vitor Henrique Paro Editora: Cortez Sinopse: A escola básica, sua gestão, a educação pública e de qualidade como alvo supremo: eis os temas centrais que consagraram esse verdadeiro clássico da gestão escolar no Brasil, que agora aparece em edição revista e atualizada. Nos sete ensaios aqui reunidos são discutidas questões relacionadas à organização e funcionamento da escola básica e ao desenvolvimento das atividades de ensino em seu interior. Sempre na perspectiva da gestão escolar como mediação para a realização de �ns educativos, Vitor Henrique Paro 92 examina problemas relacionados à efetiva participação de alunos, professores, pais e demais sujeitos envolvidos no trabalho da escola, buscando formas democráticas de realização de uma educação verdadeiramente emancipadora de cidadãos humano-históricos. Filme Entre os muros da escola Ano: 2008 Sinopse: Ao tratar de problemas tão semelhantes aos que vemos acontecer no Brasil e assistimos nos �lmes americanos, esse �lme francês de 2008, causa uma sensação de universalidade das questões educacionais. Talvez a solução também ultrapasse fronteiras? O autor do romance autobiográ�co por trás dessa história interpreta a si mesmo nesse vencedor da Palma de Ouro. Descrito por críticos como “uma fatia de realidade”, temos adolescentes interpretando a si mesmos em um recorte do que acontece entre as paredes de uma instituição de ensino. Web O material instrucional do Programa é composto de um caderno instrucional denominado Conselhos Escolares: Uma estratégia de gestão democrática da educação pública, que é destinado aos dirigentes e técnicos das secretarias municipais e estaduais de educação, e seis cadernos instrucionais destinados aos conselheiros escolares, sendo: Caderno 1 – Conselhos Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania. Acesse o link Caderno 2 – Conselho Escolar e a aprendizagem na escola. Acesse o link Caderno 3 – Conselho Escolar e a aprendizagem na escola. Acesse o link Caderno 4 – Conselho Escolar e o aproveitamento signi�cativo do tempo pedagógico. Acesse o link Caderno 5 – Conselho Escolar, gestão democrática da educação e escolha do diretor. Acesse o link 93 http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad1.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad2.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad3.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad4.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf ALARCÃO, I. Escola re�exiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Editora Artmed, 2001. ALONSO, Myrtes. O papel do diretor na administração escolar. Rio de Janeiro: Bertand Brasil, 1988. BALZER, M. D.; ARTIGAS,N.; SEBASTIÃO, R.de C.; FANK, E. A participação e a gestão da escola pública no Estado do Paraná: a passagem da solidariedade e do assistencialismo para o controle público. In: PARANÁ-SEED. Organização do trabalho pedagógico. Curitiba: SEED-PR, 2010. BARBIER, J.M. Elaboração de projectos de acção e plani�cação. Portugal: Porto, 1996. BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In: FERREIRA, N. S. C.; AGUIAR, M. Â. S. 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