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AULA 6 SISTEMA DE SEGURANÇA E DEFESA CIBERNÉTICA NACIONAL Prof. Luiz Augusto de Oliveira Santiago 2 TEMA 1 – CONCEITOS SOBRE ATAQUES CIBERNÉTICOS 1.1 Introdução Desde o início de nosso estudo, navegamos pela história da humanidade e do conflito, passamos ao estágio atual de desenvolvimento chegando à Era da Informação, onde tudo está conectado. Vimos o processo de evolução dessa Era da Informação desde o início, com os primeiros computadores até a conexão entre eles por meio da Arpanet, desembocando no que chamamos atualmente de internet. Vimos as características que compõem essas conexões tanto no seu modo físico quanto no lógico. Isso tudo nos fez chegar ao atual momento, em que vamos abordar a questão da insegurança que paira sobre esse mundo conectado, que paira sobre esse mundo cibernético. 1.2 Conceitos básicos 1.2.1 Introdução Para ilustrar o nosso estudo, é necessária a apreensão de alguns conceitos que servirão de base para a proposta daqui para frente. É importante ressaltar que estamos tratando de um assunto que, por ser até agora de domínio recente das ciências, ainda apresenta muitas falhas tanto na delimitação de seus pontos quanto de uma regulamentação que satisfaça, em respostas, ao desafio que nos vem sendo apresentado dia após dia. 1.2.2 Ataque cibernético Iniciemos tratando de definições para o que vem a ser o ambiente em que vamos navegar a partir de agora. O próprio nome nos diz tratar de ataques cibernéticos. Ataques nós bem sabemos o conceito. E cibernética é uma palavra que já foi, anteriormente, definida e explicada. No entanto, para o rol de assuntos dos quais vamos tratar, se faz mister adotar um conceito que ampare nosso estudo futuro. Assim, segundo o site Significados, 3 ataque cibernético ou ciberataque é uma ação praticada por hackers que consiste na transmissão de vírus (arquivos maliciosos) que infectam, danificam e roubam informações de computadores e demais bancos de dados online, por exemplo. (Significados, S.d.) Encontraremos outra definição no relatório Technology, Policy, Law and Ethics Regarding US Acquisition and Use of Cyberattack Capabilities (National Academy of Sciences, 2009), o qual nos diz que ataque cibernético se refere a ações deliberadas para alterar, interromper, enganar, degradar, ou destruir sistemas de computador ou redes ou as informações sem trânsito ou programas residentes em sistemas ou redes. As características dos ciberataques são: Os resultados de um ataque cibernético são, muitas vezes, altamente incertos. Ataques cibernéticos são frequentemente muito complexos para planejar e executar. A identidade da origem por trás de um ataque cibernético significativo pode ser escondida com relativa facilidade, comparada com a de um ataque de cinético significativo. 1.2.3 Espaço cibernético Essas ações se dão no espaço cibernético, que pode ser conceituado como “espaço virtual, composto por dispositivos computacionais conectados em redes ou não, onde as informações digitais transitam, são processadas ou armazenadas” (Brasil, 2011, p. 17). Dada a dimensão que a conexão mundial tomou, podemos encontrar definições até mais apaixonadas, como nos traz Lévy (1994): “o espaço cibernético é um terreno onde está funcionando a humanidade, hoje”, ainda que também tenha conceituado o espaço cibernético como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores” (Lévy, 1999, p. 92). Podemos encontrar outra definição de ciberespaço na Wikipédia: Ciberespaço é um espaço existente no mundo de comunicação em que não é necessária a presença física do homem para constituir a comunicação como fonte de relacionamento, dando ênfase ao ato da imaginação, necessária para a criação de uma imagem anônima, que terá comunhão com os demais. É o espaço virtual para a comunicação que surge da interconexão das redes de dispositivos digitais interligados 4 no planeta, incluindo seus documentos, programas e dados, portanto, não se refere apenas à infraestrutura material da comunicação digital, mas também ao universo de informações que ela abriga. O conceito de ciberespaço, ao mesmo tempo, inclui os sujeitos e instituições que participam da interconectividade e o espaço que interliga pessoas, documentos e máquinas. O ciberespaço representa a capacidade dos indivíduos de se relacionar criando redes que estão cada vez mais conectadas a um número maior de pontos, tornando-se as fontes de informação mais acessíveis. Porém, o ciberespaço se compreende não só como um ambiente de divulgação de informação, mas também de entretenimento e cultura, no qual os indivíduos podem expressar suas singularidades e, ao mesmo tempo, se relacionar criando novas e diversas pluralidades. Isto é possível porque o ciberespaço é considerado um espaço de acesso livre e descentrado, onde todos os tipos de texto, voz, imagens, vídeos, etc. são traduzidos a uma única linguagem: a informática. Apesar da internet ser o principal ambiente do ciberespaço, devido a sua popularização e sua natureza de hipertexto, o ciberespaço também pode ocorrer na relação do homem com outras tecnologias: celular, pagers, comunicação entre radioamadores e por serviços do tipo “teleamigos”, por exemplo. (Wikipedia, 2019a) O conceito de ciberespaço associado ao de ataque cibernético nos leva ao de segurança cibernética, sendo esta a arte de assegurar a existência e a continuidade da sociedade da informação de uma nação, garantindo e protegendo, no Espaço Cibernético, seus ativos de informação e suas infraestruturas críticas. (Brasil, 2015) Esse conceito, ainda que estatal, pode ser estendido a toda e qualquer organização que tenha seus ativos digitais violados de alguma maneira. Portanto, acabamos de conceituar o delito, o meio em que este ocorre e o grande prejudicado. Passemos ao estudo, nos próximos temas, dos agentes que atuam nesse espaço. TEMA 2 – O HACKER 2.1 Introdução Toda vez que presenciamos uma notícia sobre um ataque cibernético, é comum dizermos que hackers invadiram o sistema, roubaram as senhas etc. Na realidade, hacker é um termo comum adotado pela mídia para designar todo aquele que pratica uma ação ilegal. Mas isso nem sempre reflete a realidade, já que veremos que nem todo hacker é um criminoso. Existe uma variada gama de agentes causadores de delitos cibernéticos que pretendemos apresentar a seguir. 5 2.2 O hacker Há uma corrente que defende que o termo hacker está ligado àquele que, por conta própria e pesquisa, se destina a realizar seus próprios experimentos, em qualquer setor, baseado num grande conhecimento e curiosidade que tem sobre o assunto. Por exemplo, um “hacker culinário” seria aquele que gosta de pegar uma receita e modificá-la através da introdução de novos ingredientes, ou maneira de confeccionar o prato. Da mesma forma, alguém que gosta de estudar um tema por um ângulo novo, diferente do usual. Dessa forma o termo seria usado não apenas no que tange à Informática e TI. No entanto como este é o nosso propósito iremos nos ater a essas definições. Vamos pegar uma definição de hacker da Wikipédia: Em informática, hacker é um indivíduo que se dedica, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos de dispositivos, programas e redes de computadores. Graças a esses conhecimentos, um hacker frequentemente consegue obter soluções e efeitos extraordinários, que extrapolam os limites do funcionamento “normal” dos sistemas como previstos pelos seus criadores; incluindo, por exemplo, contornar as barreiras que supostamente deveriam impedir o controle de certos sistemas e acesso a certos dados. Na língua inglesa, a palavra deriva do verbo to hack, que significa “cortar grosseiramente”, por exemplo, com um machado ou facão. Usado como substantivo, hacksignifica “gambiarra” – uma solução improvisada, mais ou menos original ou engenhosa. Os verbos “hackear” e “raquear” costumam ser usados para descrever modificações e manipulações não triviais ou não autorizadas em sistemas de computação. Hackers são necessariamente programadores habilidosos (mas não necessariamente disciplinados). Muitos são jovens, especialmente estudantes (desde nível médio a pós-graduação). Por dedicarem muito tempo à pesquisa e experimentação, hackers tendem a ter reduzida atividade social e se encaixar no estereótipo do “nerd”. Suas motivações são muito variadas, incluindo curiosidade, necessidade profissional, vaidade, espírito competitivo, patriotismo, ativismo ou mesmo crime. Muitos hackers compartilham informações e colaboram em projetos comuns, incluindo congressos, ativismo e criação de software livre, constituindo uma comunidade hacker com cultura, ideologia e motivações específicas. Outros trabalham para empresas ou agências governamentais, ou por conta própria. Hackers foram responsáveis por muitas importantes inovações na computação, incluindo a linguagem de programação C e o sistema operacional Unix (Kernighan e Ritchie), o editor de texto Emacs (Stallman), o sistema GNU/Linux (Stallman e Torvalds) e o indexador Google (Page e Brin). Hackers também revelaram muitas fragilidades em sistemas de criptografia e segurança, como, por exemplo, urnas digitais (Gonggrijp e Haldeman), cédula de identidade com chip, discos Blu-ray, bloqueio de telefones celulares etc. (Wikipedia, 2019b) 6 TEMA 3 – O CRACKER 3.1 Introdução Como foi visto, nem toda ação praticada por um hacker é ilícita. Logo, a denominação generalizada de hacker para todos acabou gerando incômodo, pois, sentindo que este termo havia virado pejorativo, em 1985 acabaram criando o termo cracker, a fim de designar aquele indivíduo que pratica a quebra (cracking) de um sistema de segurança de forma ilegal ou sem ética. Era uma clara revolta contra os que, se valendo do mesmo grau de conhecimento, utilizavam a prática para roubo e vandalismo no espaço cibernético. 3.2 O cracker No entanto, a simplificação dessa divisão provoca controvérsias. Existem mesmo crackers que dizem que suas atividades não são de todo ilegal e se recusam a se enquadrar na ilegalidade. O objetivo desta disciplina não é fazer julgamento e sim apresentar ao futuro gestor toda uma gama de definições, significados e agentes que permeiam o meio. Assim, conforme o site Hardware (2005), encontramos duas definições para cracker: Na primeira, o cracker é um vândalo virtual, alguém que usa seus conhecimentos para invadir sistemas, quebrar travas e senhas, roubar dados etc. Alguns tentam ganhar dinheiro vendendo as informações roubadas, outros buscam apenas fama ou divertimento. Na hierarquia hacker ou cracker está acima do lamer (que sabe muito pouco), mas abaixo do hacker, que é alguém de mais maturidade, que ao invés de usar seu conhecimento para destruir tudo que vê pela frente, o utiliza para construir coisas, desenvolver novos sistemas (principalmente de código aberto) etc. Uma segunda definição, mais branda, é alguém que quebra travas de segurança de programas e algoritmos de encriptação, seja para poder rodar jogos sem o CD-ROM, ou gerar uma chave de registro falsa para um determinado programa, quebrar as travas anticópia usadas em alguns softwares, quebrar o sistema de encriptação do DVD (este último realmente importante, pois permitiu que os usuários do Linux e outros sistemas não Windows pudessem assistir DVDs). Ou seja, nesta segunda definição o cracker é alguém na margem da lei, cujas ações ainda são ilegais, embora muitas vezes eticamente justificáveis (os usuários têm direito a fazer cópias de CDs legalmente comprados, tem direito de assistir DVDs no Linux e assim por diante). (Hardware, 2005) Os crackers podem até serem subdivididos na seguinte classificação, segundo a Wikipédia (2019c): 7 1. Crackers de criptografia: termo usado para designar aqueles que se dedicam à quebra de criptografia (cracking codes). Tal procedimento pode ser executado tanto com lápis e papel bem como com uso de computadores: tudo depende da fonte do problema a ser solucionado. 2. Crackers de softwares: termo usado para designar programadores e decodificadores que fazem engenharia reversa de um determinado programa, ou seja, que alteram o conteúdo de um determinado programa para fazê-lo funcionar de forma incorreta. Muitos crackers alteram datas de expiração de um determinado programa para fazê-lo funcionar por mais de 30 dias, ou seja, modificam o modo trial para utilizá-lo como se fosse uma cópia legítima, ou fazem um desvio interno na rotina de registro do programa para que ele passe a aceitar quaisquer seriais: tais softwares alterados são conhecidos como warez. 3. Desenvolvedores de vírus, worms, trojans e outros malwares (serão abordados em próximas aulas): programadores que criam pequenos softwares que causam danos ao usuário. No exercício de suas atividades, ainda segundo a Wikipédia (2019c), podemos verificar que, muitas vezes, os crackers são também confundidos com: 1. Pichadores digitais: agem principalmente com o objetivo de serem reconhecidos. Desejam tornar-se famosos no universo cyberpunk e, para tanto, alteram páginas da internet, num comportamento muito semelhante aos pichadores de muro, deixando sempre assinados seus pseudônimos. Alguns deixam mensagens de conteúdo político, o que não deve ser confundido com o ciberterrorismo. Um dos maiores e mais conhecidos grupos de pichadores digitais é o Anonymous. 2. Revanchista: funcionário ou ex-funcionário de alguma empresa que, por qualquer motivo, resolve sabotá-la com objetivo claro de vingança. Geralmente, trabalharam no setor de informática da empresa, o que facilita enormemente seu trabalho, já que estão bem informados das vulnerabilidades do sistema. 3. Vândalos: agem pelo simples prazer de causar danos à vítima. Esse dano pode consistir na simples queda do servidor (deixando a máquina momentaneamente desconectada da Internet) ou até mesmo a destruição total dos dados armazenados. 4. Espiões: agem para adquirirem informações confidenciais armazenados no computador da vítima. Os dados podem ter conteúdo comercial (uma fórmula de um produto químico, por exemplo), político (e-mails entre consulados) ou militar (programas militares). 5. Ciberterroristas: são terroristas digitais. Suas motivações são, em geral políticas, e suas armas são muitas, desde o furto de informações confidenciais até a queda do sistema telefônico local ou outras ações do gênero. 6. Ladrões: têm objetivos financeiros claros e, em regra, atacam bancos com a finalidade de desviar dinheiro para suas contas. 7. Estelionatários: também com objetivos financeiros, em geral, procuram adquirir números de cartões de créditos armazenados em grandes sites comerciais. Geralmente, utilizam uma técnica chamada “phishing scam”, enviando, por e-mail, um programa que é executado por algum usuário, tendo, assim, acesso às suas informações. TEMA 4 – OUTRAS DENOMINAÇÕES E CLASSIFICAÇÕES 4.1 Introdução Várias outras divisões/classificações são utilizadas para tentar definir o modus operandi desses agentes. 8 Dessa forma, a título de conhecimento, passaremos a apresentar algumas denominações encontradas na literatura a respeito. Essas denominações passaram a ser adotadas, inicialmente, entre os próprios hackers, com o objetivo de agruparem indivíduos com as mesmas características. 4.2 Os agentes Existe um consenso já de amplo espectro que denomina os hackers/ crackers da seguinte forma: White hat (chapéu branco) – São hackers que estudam sistemas de computação e redes à procura de falhas na segurança, respeitando sempre os princípios da sua ética. Quando encontram algum tipo de falhas na segurança, reportam aos responsáveis das empresas (bancos,governo, empresas comerciais) para que estes possam tomar as devidas medidas de segurança. Muitos deles aumentam as suas capacidades com estudos e passam a exercer profissões diversas, como professores de informática ou técnicos de rede e computação. Black hat (chapéu preto) – São também conhecidos como dark-side hackers (hackers do lado negro), são aqueles que não respeitam os códigos de ética da comunidade em que se inserem. São eles que têm contribuído para denegrir a imagem dos hackers, pois utilizam os seus conhecimentos para a prática de crimes por meio da internet (roubo de dados e informações secretas das empresas). Grey hat (chapéu cinzento) – São tipos de hackers que estão entre os white hats e os black hats e que invadem sistemas apenas por diversão; no entanto, não mexem nem divulgam dados interditos ou confidenciais. Muitas vezes atuam para obter alguma vantagem pecuniária, ou seja, exploram as vulnerabilidades do sistema de uma determinada empresa, e caso encontrem alguma, oferecem-se para a resolver a troco de dinheiro. Blue hat (chapéu azul) – São hackers contratados por diversas empresas, para testar os sistemas de segurança antes que os mesmos sejam liberados. Estes tentam encontrar quebras nos sistemas para que as mesmas possam ser resolvidas. 9 Newbie (Novato) – É o nome dado a um principiante no mundo/comunidade hacker. Phreakers (malucos) – Esses tipos de hacker são especialistas em linhas telefônicas (móveis ou fixas). Embora antigamente fosse bastante fácil enganar um sistema de telefone, hoje, no entanto, em dia são poucos os que dominam essa arte devido à complexidade de segurança que as empresas de telecomunicações têm. Script kid/lamer (rapaz do script) – São hackers pouco competentes e que usam ferramentas já criadas por outras pessoas, no entanto, não têm conhecimento do sistema nas suas atividades. Hacktivistas (hackers ativistas) – Termo que surge das palavras “hacker” e “ativista” e denomina hackers que manipulam códigos para promover a expressão política, a liberdade de expressão, os direitos humanos e ética por meio de computadores. Arackers (hackers de araque) – Constituem a maioria dos hackers. Basicamente são pessoas que fingem ser os melhores e os mais espertos, no entanto, não passam apenas de pessoas que fazem downloads do mais variado estilo ou que apenas jogam na internet jogos como “First Person Kill” ou “Killerware”. São conhecidos também como “odonto-hackers” – hackers da boca para fora. Elite – esta é sem dúvida a minoria dos hackers. São os hackers mais respeitados e conceituados do mundo. Por norma essa posição é atingida quando se encontram em grupos de grande visibilidade ou quando desenvolvem um código completamente inovador. Wannabie – Neste nível encontra-se os primeiros usuários que utilizam programas desenvolvido por experts tais como: Brute Force AFD, Exploits, Portscan, NUA Attack, Jammer, ESN Converter etc. Ou seja, é depois que um newbie. Utiliza programas feitos por maiores, sem muito conhecimento sobre qualquer ética hacker, mas com conhecimento básico sobre o que é ser um, e só por diversão e/ou tentativa de reconhecimento social. É o segundo passo para seguir para a área hacker. Larva – Já é um usuário mais experiente. Tem conhecimentos suficientes para produzir pequenos programas para uso pessoal, e pode até conseguir invadir servidores pequenos ou de médio porte com falha na segurança. Já é uma transição para ser um cracker ou hacker. 10 Carder – É o termo usado para designar um cracker que se especializou em roubar senhas de cartões de credito e de bancos, seja por trojan ou “chupa-cabra”. Quando tem essa informação ou usa para um bem próprio ou vende por preços altíssimos. Geralmente se encontram em IRC ou em bate-papo de diretório oculto, para trocar informação e senhas. Defacer – é aquele que invade um servidor de um determinado site (geralmente em grupos) e desfigura a página inicial daquele site. Muitos defacements já ocorreram em todo o mundo nos principais sites. Cada grupo segue uma ética, e cada grupo coloca mensagens e imagens de acordo com ela. Alguns deixam recados de acordo com acontecimentos atuais, sempre a favor da boa ética. Cyberpunk – Foi um conceito utilizado pela primeira vez pelo escritor de ficção cientifica William Gibson, em seu livro intitulado Neuromancer, lançado nos EUA, em 1984. Essa tribo é herdeira da cultura punk como um fenômeno tecnocultural (rock e computadores). São tecnoanarquistas que lutam pela manutenção da privacidade no ciberespaço por meio da difusão de programas de criptografia de massa. Tentam proteger o cidadão comum contra as tentativas governamentais e empresariais de esquadrinhar suas vidas a partir das pistas deixadas quando se utiliza qualquer sistema eletrônico. Rejeitam qualquer tipo de controle. TEMA 5 – A DEEP WEB 5.1 Introdução Em grande parte, a deep web existe, assim como a própria internet, graças à força militar dos Estados Unidos. Nesse caso, graças ao Laboratório de Pesquisas da Marinha do país, que desenvolveu o The Onion Routing para tratar de propostas de pesquisa, design e análise de sistemas anônimos de comunicação. A segunda geração desse projeto foi liberada para uso não governamental, apelidada de TOR e, desde então, vem evoluindo. 5.2 Características Em 2006, TOR deixou de ser um acrônimo de The Onion Router para se transformar em ONG, a Tor Project, uma rede de túneis escondidos na internet 11 em que todos ficam quase invisíveis. Onion, em inglês, significa cebola, e é bem isso que a rede parece, porque às vezes é necessário atravessar várias camadas para se chegar ao conteúdo desejado. Grupos pró-liberdade de expressão são os maiores defensores do Tor, já que pela rede Onion é possível conversar anonimamente e, teoricamente, sem ser interceptado, dando voz a todos, passando por quem luta contra regimes ditatoriais, empregados insatisfeitos, vítimas que queiram denunciar seus algozes, enfim, todos. É claro que, desse anonimato se aproveitam os indivíduos de má índole e até mesmo criminosos, como os adeptos da pedofilia, crime organizado, tráfico de drogas, pornografia etc. A ONG já teve apoio da Electronic Frontier Foundation, da Human Rights Watch e até da National Christian Foundation, mas também recebeu dinheiro de empresas, como o Google, e de órgãos oficiais – o governo dos EUA –, que, inclusive, é um dos principais investidores. Ao acessar um site normalmente, seu computador se conecta a um servidor que consegue identificar o IP; com o Tor isso não acontece, pois, antes que sua requisição chegue ao servidor, entra em cena uma rede anônima de computadores que fazem pontes criptografadas até o site desejado. Por isso, é possível identificar o IP que chegou ao destinatário, mas não a máquina anterior, nem a anterior, nem a anterior etc. Chegar no usuário, então, é praticamente impossível. Também há serviços de hospedagem e armazenagem invisíveis. Assim, o dono da página está seguro se não quiser ser encontrado. 5.3 Dark web Como já foi visto, a deep web tem seu lado positivo (liberdade de veiculação de dados), mas também seu lado negativo, conhecido como dark web. Superficialmente, o que parece fazer mais sucesso na dark web é o tráfico de drogas, tanto que existem listas de vendedores recomendados, de acordo com a confiabilidade de cada um. Mas o comércio de armas acontece livremente, assim como o de contas do PayPal e de produtos roubados – existem lojas específicas para marcas como Apple e Microsoft, por exemplo. Também é possível contratar assassinos de aluguel que possuem valores para cada tipo de pessoa (celebridades, políticos etc.), com preços que vão de US$ 20 mil a US$ 150 mil. 12 Cibercriminosos e espiões oferecem seus serviços, e existemaqueles que garantem fazer trabalhos acadêmicos sobre qualquer assunto, sem copiar de lugar algum. Sites promovem turismo sexual e, por menos de US$ 1 mil, prometem buscar o comprador no aeroporto. Outro destaque é a venda de documentos falsos, com páginas que oferecem até cidadania norte-americana. O dinheiro é abolido na deep web e poucos negociantes confiam no PayPal. A bola da vez é mesmo a Bitcoin, uma moeda digital que torna as transações mais seguras. Por meio de fóruns e redes de comunicação, há a comercialização de todos os tipos de informações que um ataque digital pode ter acesso. E sempre há um público preparado para aproveitar estas informações. A lista dos tipos de dados que podem ser comprados inclui: Cartões de crédito roubados com informações detalhadas das vítimas. Dados pessoais, como nome, CPF, RG, placa do carro, chassi. Páginas falsas idênticas às do banco para serem usadas em golpes de phishing, mandando a vítima para um site falso com o objetivo de roubar informações. Malware de ponto de venda, que infectam computadores de empresas para roubar as informações da companhia e dos clientes. Diplomas falsificados. Aluguel de ataques DDoS sem que seja necessário que a pessoa tenha sua própria botnet (rede de computadores infectados). Basta pagar US$ 10 por uma hora, US$ 50 por dia ou US$ 400 por mês para derrubar algum serviço ou site online. Mas, se o vendedor e o comprador são obviamente criminosos, como um estabelece a confiança no outro para que haja o pagamento e a entrega da “mercadoria”? Para isso, há algumas ferramentas. O dono do fórum normalmente age como mediador das transações, levando uma comissão no caminho. Ele recebe o dinheiro do comprador e só o libera para o vendedor depois de haver a confirmação de que tudo aconteceu de acordo com o combinado. Por isso também são comuns os casos de sites que subitamente desaparecem, levando todo o dinheiro de transações que ainda não haviam sido completadas. Nesses fóruns também normalmente há rankings de confiança, não muito diferentes dos fóruns da surface web, que normalmente exibem um índice de 13 reputação por usuário. Se a pessoa é um negociante “honesto” (muitas aspas aqui), ele tende a receber uma boa avaliação para continuar exercendo mais tranquilamente sua atividade. 5.4 Chans Chans, ou imageboards, são fóruns de discussão na internet. Eles se destacam pela interface mais simples que a de rede sociais e pela viralização de textos e imagens. É lá que nascem alguns memes que se popularizam no Twitter e no WhatsApp, inclusive. Nem todo chan (abreviação de channel, ou canal, em inglês) está na deep web, mas o que estão lá, é quase sempre porque querem compartilhar conteúdo ilegal. Isso inclui discurso de ódio, de racismo, neonazismo, pornografia infantil, homofobia, misoginia, vídeos e imagens de abuso sexual, de assassinatos e de tortura, além de outros assuntos. Os chans são divididos em boards, que são as seções fixas de cada fórum. Cada seção tem um tema específico, embora o board de nome “/b/” seja, normalmente, a seção de tópicos variados, onde nascem memes nos fóruns mais superficiais da internet. Nos chans, os usuários têm um dialeto próprio. Alguns dos termos mais comuns são: Anon: anônimo, usuário que não se identifica no chan. CP: child porn, pornografia infantil. Falho: pessoas consideradas “fracassadas” por terem pouca vida social ou habilidades de comunicação. Incel: involuntary celibacy, ou celibato involuntário, são geralmente homens heterossexuais que criam rejeição a mulheres por não terem conseguido perder a virgindade. Jorge: indivíduo que fracassa na tentativa de cometer atos terroristas. Lulz: expressão que representa alegria pelo sofrimento de outras pessoas. Raid: ataque hacker coordenado a um site ou fórum rival. Sancto/sanctum/Sanctvm: usado como adjetivo para glorificar terroristas. 14 5.5 A parte boa Não é fácil e nem rápido achar conteúdos interessantes ali (as páginas demoram para serem carregadas devido ao longo caminho que percorrem até chegarem a sua máquina). Mas, com a ajuda do Torch, um dos buscadores da oculta web, ou da Hidden Wiki, diretório da web, basta digitar palavras de seu interesse para encontrar conteúdos que vão além de bizarrices, como mutilações e pedofilia. Claro que é preciso cuidado com as palavras e atenção para ler os links listados nos resultados de buscas. No passeio pela deep web dá para encontrar bibliotecas com livros raros, serviços de mensagens instantâneas, cerca de 50 GB de livros sobre religião, psicologia e outros assuntos curiosos, além de acervos de músicas e filmes – dos quais não sabemos a procedência. Há ainda uma espécie de Yahoo! Respostas, em que pessoas anônimas perguntam e respondem sobre os mais diversos temas, e o Tor Status, uma versão privada do Twitter. Existem muitos fóruns com discussões que vão de política internacional a técnicas de programação, porém, todos precisam de cadastro, que pode ser feito por meio do Tor Mail. Este é um serviço criado e totalmente mantido dentro da Onion (nome dado à rede), e possui encriptação refinada e segurança máxima. Com esse endereço de e-mail que os usuários da deep web se identificam em fóruns ou semelhantes. Assim como na web tradicional, a inscrição é gratuita. 15 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Comando de Operações Terrestres. Manual de Campanha Guerra Cibernética. Brasília, EB70-MC- 10.232. Brasília, 2017. 45 p. BRASIL. Presidência da República. Estratégia de Segurança da Informação e Comunicações e de Segurança Cibernética da Administração Pública Federal. Gabinete de Segurança Institucional. Departamento de Segurança da Informação e Comunicações, 2015. Disponível em: <http://dsic.planalto.gov.br/legislacao/4_Estrategia_de_SIC.pdf/view>. Acesso em: 23 nov. 2019. HARDWARE. Cracker. Hardware, 2005. Disponível em: <https://www.hardware.com.br/termos/cracker>. Acesso em: 23 nov. 2019. LÉVY, P. A emergência do cyberspace e as mutações culturais. Palestra realizada no Festival Usina de Arte e Cultura. Porto Alegre: Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1994. _____. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES. Technology, Policy, Law and Ethics Regarding US. Acquisition and Use of Cyberattack Capabilities. National Academy of Sciences, 2009. Disponível em: <https://sites.nationalacademies.org/cs/groups/cstbsite/documents/webpage/cstb _050541.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2019. SIGNIFICADOS. Significado de Ataque Cibernético. Significados, s.d. Disponível em: <https://www.significados.com.br/ataque-cibernetico/>. Acesso em: 23 nov. 2019. TERRA, A. Curso de Especialização em Justiça Social, Criminalidade e Direitos Humanos. Brasília, 2018. WIKIPEDIA. Ciberespaço. Wikipedia, 2019a. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespaço>. Acesso em: 23 nov. 2019. _____. Hacker. Wikipedia, 2019b. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Hacker>. Acesso em: 23 nov. 2019. 16 _____. Cracker. Wikipedia, 2019c. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Cracker>. Acesso em: 23 nov. 2019.