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1 AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL 2 AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO: AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS – MÉTODOS ................ 4 PEDIDO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL ............................................................. 5 RESOLUÇÃO Nº 237, de 19 de dezembro e 1997 ................................................... 10 TERMO DE REFERÊNCIA – RESOLUÇÃO CONAMA 001/86 ................................ 19 ROTEIRO BÁSICO DE TERMO DE REFERÊNCIA PARA EIA-RIMA E OUTROS DOCUMENTOS TÉCNICOS EXIGIDOS PARA O LICENCIAMENTO AMBIENTAL . 22 Espeleologia .............................................................................................................. 38 Ecossistemas Terrestres ........................................................................................... 39 Ecossistemas Aquáticos ........................................................................................... 40 Geologia e Geomorfologia......................................................................................... 41 Solos ......................................................................................................................... 42 Recursos Hídricos ..................................................................................................... 42 Ecossistemas Terrestres ........................................................................................... 44 Ecossistemas Aquáticos ........................................................................................... 46 Meio Socioeconômico ............................................................................................... 47 Dinâmica Populacional .............................................................................................. 47 Infraestrutura ............................................................................................................. 48 Uso e Ocupação do Solo........................................................................................... 48 Caracterização Socioeconômica das Comunidades Afetadas .................................. 48 Estrutura Produtiva e de Serviços ............................................................................. 48 Patrimônio Histórico, Cultural, Paisagístico e Arqueológico ...................................... 49 Comunidades Indígenas, Ribeirinhas e Quilombolas ................................................ 49 ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ................................................................. 55 TÉCNICAS E METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ... 56 SANEAMENTO BÁSICO ........................................................................................... 66 QUANTO À ESPECIFICIDADE ................................................................................. 68 ESTUDO DE CASO .................................................................................................. 86 Impactos gerados ...................................................................................................... 89 ATIVIDADE DE MINERAÇÃO ................................................................................... 90 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 96 4 INTRODUÇÃO: AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS – MÉTODOS A Avaliação dos Impactos Ambientais é fundada a partir dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA). A constituição desses estudos é composta por um conjunto de atividades técnicas e científicas que abrange o diagnóstico ambiental com a propriedade de identificar, prevenir, medir e interpretar se possível, os impactos ambientais. A Avaliação de Impacto Ambiental não é um instrumento de decisão, mas sim de auxílio ao processo de tomada de decisão (PIMENTEL, 1992). Seu objetivo é obter informações por meio do exame sistemático das atividades do projeto. Os métodos utilizados em uma AIA envolvem a inter e multidisciplinariedade exigida pelo tema, as questões de subjetividade, os parâmetros que permitam quantificação e os itens qualitativos e quantitativos. Assim sendo, torna-se possível observar a proporção da importância destes parâmetros e a possibilidade dos impactos ocorrerem, a fim de se obter dados que aproximem o estudo de uma conclusão mais realística. MANGUE <www.conder.ba.gov.br> Nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA), que originam a Avaliação de Impacto Ambiental para os licenciamentos exigidos por lei, três campos são estudados e enfocados por equipes multidisciplinares.Com o objetivo de obter o cenário daquele momento, para que se possa construir um programa que regule o uso múltiplo dos recursos naturais envolvidos: http://www.conder.ba.gov.br/ http://www.conder.ba.gov.br/ 5 - Meio Físico: o estudo da climatologia, da qualidade do ar, do ruído, da geologia, da geomorfologia, dos recursos hídricos (hidrologia, hidrologia superficial, oceanografia física, qualidade das águas, uso da água), e do solo; - Meio Biológico: para o estudo do ecossistema terrestre, do ecossistema aquático e do ecossistema de transição; - Meio Antrópico: o estudo da dinâmica populacional, uso e ocupação do solo, nível de vida, estrutura produtiva e de serviço e organização social. Portanto, a metodologia de AIA utiliza para um parecer ambiental métodos e técnicas estruturadas para coletar, analisar, comparar e organizar informações e dados sobre os impactos nesses três campos citados. PEDIDO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL Quando da instalação de algum empreendimento (programa, plano ou projeto), o empreendedor deve procurar o órgão ambiental (IBAMA ou o órgão estadual, dependendo do caso) solicitar o Pedido de Licenciamento Ambiental das atividades a serem implantadas. O órgão ambiental licenciador deverá informar ao empreendedor se é necessário e qual o tipo de licenciamento e documentações técnicas que deverão ser apresentadas para se obter as licenças. É da função legal dos órgãos estaduais de meio ambiente ou do IBAMA licenciar as atividades que são consideradas modificadoras do meio ambiente previstas na Lei 6.803/80 e nas Resoluções do CONAMA. No caso de haver necessidade de elaboração de Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental ou de outro documento técnico semelhante (Plano de Controle Ambiental, Relatório de Controle Ambiental, Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, etc.), o órgão licenciador escolhe os elementos para preparar o Termo de Referência, que orientará os procedimentos necessários para a elaboração daqueles documentos. Nas atividades modificadoras do meio ambiente, o empreendedor deverá preencher obrigatoriamente a ficha do Cadastro Técnico Federal e/ou Estadual de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais, caso a atividade a ser implantada não tenha sido ainda cadastrada. 6 Órgãos Estaduais de Meio Ambiente órgão responsável pelo processo de licenciamento das atividades modificadoras do meio ambiente, cabendo-lhe orientar o empreendedor quanto: as atividades que necessitam de licenciamento ambiental. Quais os tipos de licenças a serem obtidas? Quais os estudos ambientais e outros documentos técnicos a serem elaborados? E quais os documentos que devem ser apresentados para o pedido formal da licença. O Empreendedor deve fornecer ao órgão ambiental competente as informações requeridas para a concessão de licenças ambientais a seu empreendimento, podendo ser de setor público ou privado. Agentes sociais envolvidos no momento de pedido de licenciamento ambiental: Procedimentosno Pedido de Licenciamento Ambiental – o empreendedor procura o órgão ambiental licenciador quando: Por exigência de órgãos financiadores de projetos (BASA, BNDES, BID) e/ou de empresas estatais que oferecem infraestrutura aos projetos (SUDAM, SUFRAMA e outras) Por exigência de órgãos públicos responsáveis pelo licenciamento integral de atividades a serem implantadas, como por exemplo: Prefeituras municipais, no caso de loteamentos urbanos e construções gerais; INCRA, para as atividades rurais; DNER e DER, em construções de rodovias; DNPM, no caso de atividades de lavra e/ou beneficiamento mineral. Por exigência do IBAMA e/ou órgão estadual competente, no caso de IBAMA órgão responsável pelo processo de licenciamento ambiental de atividades que envolvam a participação de mais de um estado ou que, por lei, sejam de competência federal. 7 desmate; Em resposta a denúncias no caso de projetos implantados ou em implantação sem o licenciamento ambiental; Cumprindo penalidade disciplinar ou compensatória imposta pelo órgão ambiental pelo não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. Desde o primeiro momento, o empreendedor deverá fornecer ao órgão ambiental todas as informações sobre o empreendimento e sobre a natureza das atividades a serem implantadas. Deve ser realizado o preenchimento da Ficha de Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais. Após o exame da documentação exigida, o órgão ambiental consulta a legislação e os dados disponíveis sobre o local do empreendimento e, analisa a necessidade de elaboração de estudo de impacto ambiental ou documento semelhante. Se for necessário, o órgão ambiental realiza uma vistoria para a análise da situação ambiental no local proposto para o empreendimento, com relação a: - Necessidade de apresentação de EIA-RIMA e/ou outros documentos técnicos semelhantes (PCA, RCA, PRAD, etc.); - Outras exigências, tais como: apresentação de projetos, relatórios e pareceres específicos (p.e. projeto de engenharia ambiental para padarias, marmorarias, lavanderias, serrarias e marcenarias, cortiços, usinagem de metais, parecer da CNEN para atividades que envolvam substâncias radioativas, etc.); - Inviabilidade do empreendimento, quando sua implantação fere a legislação ambiental federal, estadual e/ou municipal (p.e. localização proposta em unidades de conservação, reservas indígenas, nascentes, bordas de chapada, áreas de proteção de mananciais, etc.). Nesse caso licenciamento é negado, e se o empreendedor insistir no projeto, o mesmo deverá ser adequado, com alterações, devendo ser dada com um novo pedido de licenciamento. - 8 FASES DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL 1) Empreendedor realiza consulta ao órgão ambiental. Questões legais, socioeconômicas e políticas relacionadas com a implantação do projeto. 2) Órgão ambiental emite instrução normativa. No termo de referência deverão constar todos os itens a serem seguidos para a elaboração do EIA-RIMA pela empresa consultora a ser contratada. 3) Empreendedor licita/contrata a elaboração do EIA-RIMA. Por meio de convite direto, tomada de preços, carta-convite, licitação. 4) Empresas de consultoria ambiental apresentam suas propostas técnicas em concorrência. Deverão possuir habilitação legal, apresentando suas propostas no prazo determinado e cumprindo todas as exigências definidas no respectivo edital de concorrência. 5) Empreendedor negocia a(s) proposta(s) e contrata a empresa vencedora. Julgamento das propostas técnicas e orçamentos prévios ao estabelecimento/negociação das cláusulas contratuais. 6) Consultora elabora o EIA- RIMA. Cumprindo todas as exigências para a realização dos relatórios, destacando as necessidades de formar uma equipe multidisciplinar habilitada e administrativa. Obter dados e informações técnico-científicas e de dar tratamento a este material. Obedecer a um cronograma de trabalho. Possuir recursos materiais e financeiros para a apresentação do produto final. Garantir a gestão da qualidade. 7) Empreendedor deve fiscalizar os segmentos da realização dos estudos. Acompanhamento sistemático de todas as atividades a serem realizadas na elaboração dos estudos 9 8) Empreendedor submete os estudos ao órgão ambiental Os estudos serão analisados por uma equipe técnica especializada e qualificada, que poderá aprovar os estudos, sugerir modificações ou não aprová-los. 9) Caso for aceito, o órgão ambiental coloca o EIA-RIMA a disposição do público, marcando a audiência pública e inicia-se a análise dos estudos elaborados. A audiência será marcada em local, data e horário acessível para a participação pública, divulgada em jornais de grande circulação e no Diário Oficial da União. O RIMA ficará a disposição da comunidade para análise e conhecimento, por no mínimo 45 dias antes da audiência. 10) Empreendedor encomenda material para a audiência pública à consultora. As equipes técnicas e de comunicação visual prepararão o material para a apresentação na audiência. São encargos do empreendedor todos os custos necessários à realização desta audiência. 11) Órgão ambiental realiza a referida audiência; empreendedor apresenta o empreendimento, e a consultora apresenta detalhadamente o EIA-RIMA para o público presente. Poderão ocorrer audiências prévias e/ou seminários em universidades, auditórios públicos, anteriormente à audiência propriamente dita. Expositores adequadamente treinados para defender seus pontos de vista e o conteúdo técnico de forma objetiva e coloquial no dia da audiência. 12) Órgão ambiental elabora a Ata da Audiência, finaliza a análise do EIA-RIMA e emite o parecer técnico. Levando-se em consideração todas as questões analisadas e comentadas na audiência pública, das interferências técnicas do empreendedor, consultora e comunidade. 13) Órgão ambiental faz exigências e concede ou nega a Licença Ambiental. Deverá ocorrer um detalhamento de informações e/ou informações adicionais e justificativas técnicas, com possíveis exigências, e finalmente será emitida ou não a licença. 10 RESOLUÇÃO Nº 237, de 19 de dezembro e 1997 O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições e competências que lhe são conferidas pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentadas pelo Decreto nº 99.274, de 06 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, e Considerando a necessidade de revisão dos procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental, de forma a efetivar a utilização do sistema de licenciamento como instrumento de gestão ambiental, instituído pela Política Nacional do Meio Ambiente; Considerando a necessidade de se incorporar ao sistema de licenciamento ambiental os instrumentos de gestão ambiental, visando o desenvolvimento sustentável e a melhoria contínua; Considerando as diretrizes estabelecidas na Resolução CONAMA nº 011/94, que determina a necessidade de revisão no sistema de licenciamento ambiental; Considerando a necessidade de regulamentação de aspectos do licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional de Meio Ambiente que ainda não foram definidos; Considerando a necessidade de ser estabelecido critério para exercício da competência para o licenciamento a que se refere o artigo 10 da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981; Considerando a necessidade de se integrar a atuação dos órgãos competentes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA na execução da Política Nacional do Meio Ambiente, em conformidade com as respectivas competências, resolve: Art. 1º - Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições: I -Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. 11 II - Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. III - Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. IV – Impacto Ambiental Regional: é todo e qualquer impacto ambiental que afete diretamente (área de influência direta do projeto), no todo ou em parte, o território de dois ou mais Estados. Art. 2º- A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. § 1º- Estão sujeitos ao licenciamento ambiental os empreendimentos e as atividades relacionadas no Anexo 1, parte integrante desta Resolução. § 2º – Caberá ao órgão ambiental competente definir os critérios de exigibilidade, o detalhamento e a complementação do Anexo 1, levando em consideração as especificidades, os riscos ambientais, o porte e outras características do empreendimento ou atividade. Art. 3º- A licença ambiental para empreendimentos e atividades consideradas efetiva ou potencialmente causadoras de significativa degradação do meio dependerá de prévio estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), ao qual dar-se-á publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando couber, de acordo com a 12 regulamentação. Parágrafo único. O órgão ambiental competente, verificando que a atividade ou empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação do meio ambiente, definirá os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. Art. 4º - Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, órgão executor do SISNAMA, o licenciamento ambiental, a que se refere o artigo 10 da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, a saber: I - localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União. II - localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados; III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais Estados; IV - destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN; V- bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada a legislação específica. § 1º - O IBAMA fará o licenciamento de que trata este artigo após considerar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos Estados e Municípios em que se localizar a atividade ou empreendimento, bem como, quando couber, o parecer dos demais órgãos competentes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, envolvidos no procedimento de licenciamento. § 2º - O IBAMA, ressalvada sua competência supletiva, poderá delegar aos Estados o licenciamento de atividade com significativo impacto ambiental de âmbito regional, uniformizando, quando possível, as exigências. Art. 5º - Compete ao órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal o licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades: 13 I - localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal; II - localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais, estaduais ou municipais; III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais Municípios; IV – delegados pela União aos Estados ou ao Distrito Federal, por instrumento legal ou convênio. Parágrafo único. O órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal fará o licenciamento de que trata este artigo após considerar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos Municípios em que se localizar a atividade ou empreendimento, bem como, quando couber, o parecer dos demais órgãos competentes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, envolvidos no procedimento de licenciamento. Art. 6º - Compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem delegadas pelo Estado por instrumento legal ou convênio. Art. 7º - Os empreendimentos e atividades serão licenciados em um único nível de competência, conforme estabelecido nos artigos anteriores. Art. 8º - O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais 14 condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser expedidas isolada ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do empreendimento ou atividade. Art. 9º - O CONAMA definirá, quando necessário, licenças ambientais específicas, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. Art. 10 - O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes etapas: I - Definição pelo órgão ambiental competente,com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida; II - Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida publicidade; III - Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias; IV - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; V - Audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente; VI - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo 15 haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; VII - Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico; VIII - Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade. § 1º - No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar, obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quando for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competentes. § 2º - No caso de empreendimentos e atividades sujeitos ao estudo de impacto ambiental - EIA, se verificada a necessidade de nova complementação em decorrência de esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada e com a participação do empreendedor, poderá formular novo pedido de complementação. Art. 11 - Os estudos necessários ao processo de licenciamento deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. Parágrafo único - O empreendedor e os profissionais que subscrevem os estudos previstos no caput deste artigo serão responsáveis pelas informações apresentadas, sujeitando-se às sanções administrativas, civis e penais. Art. 12 - O órgão ambiental competente definirá, se necessário, procedimentos específicos para as licenças ambientais, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. § 1º - Poderão ser estabelecidos procedimentos simplificados para as atividades e empreendimentos de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprovados pelos respectivos Conselhos de Meio Ambiente. § 2º - Poderá ser admitido um único processo de licenciamento ambiental para pequenos empreendimentos e atividades similares e vizinhos ou para aqueles integrantes de planos de desenvolvimento aprovados, previamente, pelo órgão 16 governamental competente, desde que definida a responsabilidade legal pelo conjunto de empreendimentos ou atividades. § 3º - Deverão ser estabelecidos critérios para agilizar e simplificar os procedimentos de licenciamento ambiental das atividades e empreendimentos que implementem planos e programas voluntários de gestão ambiental, visando a melhoria contínua e o aprimoramento do desempenho ambiental. Art. 13 - O custo de análise para a obtenção da licença ambiental deverá ser estabelecido por dispositivo legal, visando o ressarcimento, pelo empreendedor, das despesas realizadas pelo órgão ambiental competente. Parágrafo único. Facultar-se-á ao empreendedor acesso à planilha de custos realizados pelo órgão ambiental para a análise da licença. Art. 14 - O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de análise diferenciados para cada modalidade de licença (LP, LI e LO), em função das peculiaridades da atividade ou empreendimento, bem como para a formulação de exigências complementares, desde que observado o prazo máximo de 6 (seis) meses a contar do ato de protocolar o requerimento até seu deferimento ou indeferimento, ressalvados os casos em que houver EIA/RIMA e/ou audiência pública, quando o prazo será de até 12 (doze) meses. § 1º - A contagem do prazo previsto no caput deste artigo será suspensa durante a elaboração dos estudos ambientais complementares ou preparação de esclarecimentos pelo empreendedor. § 2º - Os prazos estipulados no caput poderão ser alterados, desde que justificados e com a concordância do empreendedor e do órgão ambiental competente. Art. 15 - O empreendedor deverá atender à solicitação de esclarecimentos e complementações, formuladas pelo órgão ambiental competente, dentro do prazo máximo de 4 (quatro) meses, a contar do recebimento da respectiva notificação Parágrafo Único - O prazo estipulado no caput poderá ser prorrogado, desde que justificado e com a concordância do empreendedor e do órgão ambiental competente. Art. 16 - O não cumprimento dos prazos estipulados nos artigos 14 e 15, respectivamente, sujeitará o licenciamento à ação do órgão que detenha 17 competência para atuar supletivamente e o empreendedor ao arquivamento de seu pedido de licença. Art. 17 - O arquivamento do processo de licenciamento não impedirá a apresentação de novo requerimento de licença, que deverá obedecer aos procedimentos estabelecidos no artigo 10, mediante novo pagamento de custo de análise. Art. 18 - O órgão ambiental competente estabelecerá os prazos de validade de cada tipo de licença, especificando-os no respectivo documento, levando em consideração os seguintes aspectos: I - O prazo de validade da Licença Prévia (LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos. II - O prazo de validade da Licença de Instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. III - O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10 (dez) anos. § 1º - A Licença Prévia (LP) e a Licença de Instalação (LI) poderão ter os prazos de validade prorrogados, desde que não ultrapassem os prazos máximos estabelecidos nos incisos I e II § 2º - O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de validade específicos para a Licença de Operação (LO) de empreendimentos ou atividades que, por sua natureza e peculiaridades, estejam sujeitos a encerramento ou modificação em prazos inferiores. § 3º - Na renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou empreendimento, o órgão ambiental competente poderá, mediante decisão motivada, aumentar ou diminuir o seu prazo de validade, após avaliação do desempenho ambiental da atividade ou empreendimento no período de vigência anterior, respeitados os limites estabelecidos no inciso III. § 4º - A renovação da Licença de Operação(LO) de uma atividade ou 18 empreendimento deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente. Art. 19 – O órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá modificar os condicionantes e as medidas de controle e adequação, suspenderou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer: I - Violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais. II - Omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença. III - superveniência de graves riscos ambientais e de saúde. Art. 20 - Os entes federados, para exercerem suas competências licenciatórias, deverão ter implementados os Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e participação social e, ainda, possuir em seus quadros ou a sua disposição profissionais legalmente habilitados. Art. 21 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, aplicando seus efeitos aos processos de licenciamento em tramitação nos órgãos ambientais competentes, revogadas as disposições em contrário, em especial os artigos 3o e 7º da Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986. 19 FIGURA - IBAMA IBAMA licenciamento. Disponível em: <www.ibama.gov.br>. TERMO DE REFERÊNCIA – RESOLUÇÃO CONAMA 001/86 Para a elaboração dos estudos de impactos ambientais, os órgãos licenciadores estaduais e/ou IBAMA estabelecem um roteiro, denominado de Termo de Referência, com o conteúdo necessário ao atendimento do que está disposto na Resolução CONAMA 001/86 (alterada pelas Resoluções nº 11/86, nº 5/87 e nº 237/97) para fins de licenciamento do projeto. O Termo de Referência é o instrumento orientador para a elaboração de qualquer estudo ambiental (EIA/RIMA, PCA, RCA, PRAD, Plano de Monitoramento e outros). Em certos casos, diante de alguma deficiência de infraestrutura ou de http://www.ibama.gov.br/ 20 funcionários especializados, o órgão ambiental pode solicitar ao empreendedor que elabore o Termo de Referência, reservando-se apenas o papel de julgar e aprovar o mesmo. Ou, o próprio empreendedor pode adiantar-se e apresentar a proposta do Termo de Referência no momento em que solicitar o licenciamento, o que poderá agilizar todo o processo. O Termo de Referência bem elaborado é fundamental para que o estudo de impacto ambiental alcance a qualidade esperada. O empreendedor, para atender ao respectivo Termo de Referência, deverá: Para seguir com fidelidade a esse documento, o empreendedor deverá utilizar quaisquer metodologias de abordagem, desde que de acordo com a literatura nacional e/ou internacional sobre o assunto; Submeter à apreciação do órgão licenciador as metodologias gerais e específicas do trabalho, e a serem aplicadas pela equipe responsável, em prazo a ser estipulado pelo referido órgão. Além das metodologias, deverão estar bem claras, também, as interações entre as diversas atividades e o cronograma físico de execução dos trabalhos; Apresentar o referido estudo em duas versões básicas: integral – EIA (para o órgão ambiental) e síntese – RIMA (consulta pública). Os estudos de impactos ambientais deverão conter, basicamente: 1) Dimensionamento do problema a ser estudado: referindo-se ao conhecimento da atividade a ser implantada, em função de suas características locacionais e tecnológicas, dos recursos tecnológicos e financeiros disponíveis para controlar seus efeitos, do contexto socioeconômico, dos objetivos da política de uso e ocupação do solo, da legislação em vigor. Uma das maiores dificuldades na realização de um estudo é dimensionar o objeto a ser estudado de forma a obter os parâmetros que devem orientar sua condução (ou seja, a escolha de métodos e estratégias adequados; a seleção das informações; a identificação de alternativas viáveis à proposta apresentada pelo empreendedor); 2) Descrição geral do empreendimento: com a identificação do empreendedor; os objetivos do empreendimento; identificação do local preferencial para a instalação e justificativas do empreendimento; 3) Descrição técnica do empreendimento: com o detalhamento das 21 tecnologias de implementação do empreendimento – na implantação e operação; alternativas tecnológicas para o empreendimento; área proposta para a implantação; alternativas locacionais; insumos; descartáveis; infraestrutura necessária para a implantação e operação; 4) Planos governamentais: deverá ser apresentada uma relação geral dos planos e programas governamentais que se desenvolvem ou estão propostos para a região, identificando a ação proposta pelo empreendedor com os mesmos; 5) Legislação referente aos recursos naturais, ambientais, ao uso e ocupação do solo: com a apresentação da legislação atualizada aplicada ao projeto; 6) Áreas de estudo: AII (Área de Influência Indireta) e AID (Área de Influência Direta). Considerando-se áreas de estudo os sistemas naturais, sociais e econômicos sujeitos aos impactos diretos e indiretos da implantação e operação do empreendimento. A delimitação dessas áreas é função das características físicas, biológicas e socioeconômicas dos sistemas a serem estudados, das características do empreendimento, de suas ações e da forma de dispersão de seus descartáveis, incluindo os locais sujeitos de serem impactados acidentalmente. A delimitação da AID e da AII do projeto, plano ou programa proposto, e de suas alternativas, constitui um dos aspectos mais discutidos na realização dos estudos ambientais, tanto no ponto de vista conceitual como operacional; 7) Diagnóstico ambiental dos meios físico, biótico e antrópico: caracterização detalhada e atualizada da situação ambiental dos sistemas físicos, biológicos e socioeconômicos das áreas de influência, previamente delimitadas, antes da implantação do projeto; 8) Identificação e avaliação dos impactos ambientais decorrentes da implantação e operação do projeto: os impactos deverão ser identificados e avaliados de acordo com as metodologias da literatura nacional e/ou internacionais adotadas pela equipe responsável pelos estudos incluindo prognósticos realizados nas áreas de influências e estudos quanto à viabilidade do empreendimento. Deverão ser mencionadas, também, as alterações ambientais decorrentes das diferentes alternativas locacionais previstas e os estudos dos custos ambientais e benefícios socioeconômicos decorrentes da implantação e operação do projeto; 9) Programa e planos ambientais: deverão constar os programas e os 22 planos de gerenciamento/monitoramento das ações voltadas para a proteção ambiental e de minimização de impactos negativos provocados pelas diferentes fases do empreendimento (incluindo programas para situações emergenciais e de acidentes e programas e planos estratégicos para incrementar os impactos positivos identificados); 10) Referências bibliográficas: com toda a bibliografia utilizada durante a confecção dos estudos; 11) Deverá conter um relatório simplificado (RIMA) com informações técnicas descritas no EIA, em linguagem acessível ao público, ilustrado por mapas em escalas adequadas, quadros e demais técnicas de comunicação visual, de modo a ficar compreensível ao público leigo. ROTEIRO BÁSICO DE TERMO DE REFERÊNCIA PARA EIA-RIMA E OUTROS DOCUMENTOS TÉCNICOS EXIGIDOS PARA O LICENCIAMENTO AMBIENTAL A fonte deste roteiro é a publicação do IBAMA “Avaliação de impacto ambiental: agentes sociais, procedimentos e ferramentas” (Brasília, 1995). 1. Identificação do empreendedor 1.1. Nome ou razão social; número dos registros legais; endereço completo, telefone, fax; nome, CPF, telefone e fax dos representantes legais e pessoas de contato. 2. Caracterização do empreendimento 2.1. Caracterização e análise do projeto, plano ou programa, sob o ponto de vista tecnológico e locacional. 3. Métodos e técnicas utilizados para a realização dos estudos ambientais 3.1. Detalhamento do método e técnicas escolhidos para a condução do estudo ambiental (EIA/RIMA, PCA, RCA, PRAD, etc.), bem como dos passos metodológicos que levem ao diagnóstico; prognóstico; à identificaçãode recursos tecnológicos e financeiros para mitigar os impactos negativos e potencializar os impactos positivos; às medidas de controle e monitoramento dos impactos. 3.2. Definição das alternativas tecnológicas e locacionais. 4. delimitação da área de influência do empreendimento 4.1. Delimitação da área de influência direta do empreendimento, baseando-se na abrangência dos recursos naturais diretamente afetados pelo empreendimento e considerando a bacia hidrográfica 23 onde se localiza. Deverão ser apresentados os critérios ecológicos, sociais e econômicos que determinaram a sua delimitação. 4.2. Delimitação da área de influência indireta do empreendimento, ou seja, da área que sofrerá impactos indiretos decorrentes e associados, sob a forma de interferências nas suas inter-relações ecológicas, sociais e econômicas, anteriores ao empreendimento. Deverão ser apresentados os critérios ecológicos, sociais e econômicos utilizados para sua delimitação. Delimitação da área de influência deverá ser feita para cada fator natural: solos, águas superficiais, águas subterrâneas, atmosfera, vegetação/flora; e para os componentes: culturais, econômicos e sociopolíticos da intervenção proposta. 5. Espacialização da análise e da apresentação dos resultados. 5.1. Elaboração de base cartográfica referenciada geograficamente, para os registros dos resultados dos estudos, em escala compatível com as características e complexidades da área de influência dos efeitos ambientais. 6. Diagnóstico ambiental da área de influência. 6.1. Descrição e análise do meio natural e socioeconômico da área de influência direta e indireta e de suas interações, antes da implementação do empreendimento. (Dentre os produtos dessa análise, devem constar: uma classificação do grau de sensibilidade e vulnerabilidade do meio natural na área de influência; caracterização da qualidade ambiental futura, na hipótese de não realização do emreendimento). 7. Prognóstico dos impactos ambientais do projeto, plano ou programa proposto e de suas alternativas. 7.1. Identificação e análise dos efeitos ambientais potenciais (positivos e negativos) do projeto, plano ou programa proposto, e das possibilidades tecnológicas e econômicas de prevenção, controle, mitigação e reparação dos seus efeitos negativos. 7.2. Identificação e análise dos efeitos ambientais potenciais (positivos e negativos) de cada alternativa ao projeto, plano ou programa e das possibilidades tecnológicas e econômicas de prevenção, controle, mitigação e reparação de seus efeitos negativos. 7.3. Comparação entre o projeto, plano ou programa proposto e cada uma de suas alternativas; escolha da alternativa favorável, com base nos seus efeitos potenciais e nas suas possibilidades de prevenção, controle, mitigação e reparação dos impactos negativos. 24 8. Controle ambiental do empreendimento: alternativas econômicas e tecnológicas para a mitigação dos danos potenciais sobre o ambiente 8.1. Avaliação do impacto ambiental da alternativa do projeto, plano ou programa escolhido, através da integração dos resultados da análise dos meios: físico e biológico com os do meio socioeconômico. 8.2. Análise e seleção de medidas eficientes, eficazes e efetivas de mitigação ou de anulação dos impactos negativos e de potencialização dos impactos positivos, além de medidas compensatórias ou reparatórias (deverão ser considerados os danos potenciais sobre os fatores naturais e sobre os ambientes econômicos, culturais e sociopolíticos). 8.3. Elaboração de Programa de Acompanhamento e Monitoramento dos Impactos (positivos e negativos), com indicação dos fatores e parâmetros a serem considerados. Vamos ver agora um exemplo de termo de referência para a elaboração do EIA- RIMA da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto do grupo Votorantim, nas cidades de Ribeira (SP) e Adrianópolis (PR). PARA ELABORAÇÃO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL E O RESPECTIVO RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA/RIMA - USINA HIDRELÉTRICA DE TIJUCO ALTO Julho/2004 INTRODUÇÃO Este Termo de Referência tem como objetivo determinar a abrangência, os procedimentos e os critérios para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). E o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), instrumentos de licenciamento ambiental para o Aproveitamento Hidrelétrico de Tijuco Alto, pertencente à bacia hidrográfica do rio Ribeira do Iguape, localizada na divisa dos Estados de São Paulo e Paraná. Esta usina hidrelétrica é parte integrante dos aproveitamentos estudados, enquanto etapa de inventário da bacia hidrográfica do rio Ribeira do Iguape. Assim sendo, para o licenciamento ambiental do empreendimento, o responsável legal por sua implantação deve elaborar EIA, baseando-se no Termo de Referência ora 25 apresentado. O qual tem por finalidade fornecer subsídios técnicos capazes de nortear o desenvolvimento de estudos que diagnostiquem a qualidade ambiental atual da área de implantação do empreendimento e sua área de inserção, na bacia hidrográfica do rio Ribeira do Iguape. A partir deste diagnóstico realizado, os estudos devem possibilitar a avaliação integrada dos impactos ambientais, tanto para aqueles isolados e relacionados especificamente com o empreendimento quanto os cumulativos, que apresentam efeitos sinérgicos com demais projetos inventariados e propostos ou em implantação/operação na área de inserção. PROCEDIMENTOS DO LICENCIAMENTO O ato administrativo para conceder o licenciamento de empreendimentos potencialmente poluidores ou degradadores do meio ambiente, em especial aproveitamentos hidrelétricos, foi instituído como instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente na Lei Federal 6938/81. A referida lei institui ainda o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, atribuindo competências concorrentes entre os diversos entes da Federação (União, Estados e Municípios) para implementação dessa Política. Dessa forma, o IBAMA será o órgão licenciador e nesse procedimento deverá dar oitiva ao órgão Estadual de meio ambiente (§ 1º, art. 4º da Resolução do CONAMA nº 237/97). A referida Resolução preconiza, no seu art. 7º, que o licenciamento ambiental se dará em apenas um nível de competência, podendo o órgão licenciador solicitar ao empreendedor alterações, modificações que se fizerem necessárias para a perfeita consistência técnica do Estudo de Impacto Ambiental. O EIA integra a etapa de avaliação da viabilidade ambiental do empreendimento e a concessão, ou não, da Licença Prévia ao empreendimento, habilitando-o na continuação dos estudos que compreendem o Projeto Básico e o Projeto Executivo, os quais são necessários à obtenção da Licença de Instalação. Ao EIA/RIMA, deverá ser dada publicidade, conforme exige a Constituição Brasileira, em seu artigo 225. Assim sendo, durante o período de análise do EIA, o IBAMA poderá promover a realização de audiências públicas, de acordo com o que estabelece a Resolução CONAMA nº 009/87. 26 REGULAMENTAÇÃO APLICÁVEL A Constituição Federal, no seu artigo 225, inciso IV, trata que, para as atividades ou obras potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, é exigível o estudo prévio de impacto ambiental, ao qual se dará publicidade. A Resolução CONAMA nº 001/86 situa as usinas de geração de energia elétrica com potência acima de 10 MW no campo das obras e empreendimentos sujeitos à avaliação de impacto ambiental, determinando a necessidade de apresentação do EIA/RIMA para aprovação de tais obras potencialmente poluidoras, indicando o conteúdo mínimo dos estudos. A Resolução CONAMA 006/87 correlaciona a requisição e obtenção de Licença Prévia à apresentação e aprovação do EIA/RIMA, sendo que a Licença de Instalação deverá ser obtida antes da construçãodo empreendimento, enquanto que a Licença de Operação deverá ser obtida antes do fechamento da barragem. A Resolução CONAMA nº. 237/87 define as competências para proceder ao licenciamento e indica as fases a serem contempladas. Além desse ordenamento principal que trata da obrigatoriedade de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental, o mesmo deverá se pautar pelos seguintes condicionantes legais: 1) Decreto – Lei nº 25, de 1937, que organiza a proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; 2) Decreto Federal nº 79.367, de 1977, que dispõem sobre normas e padrões de potabilidade da água; 3) Decreto nº 4340, de 2002, que regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, e dá outras providências; 4) Legislação estadual de meio ambiente dos Estados de São Paulo e Paraná; 5) Lei Federal nº 9.427, de 1996, que dispõe sobre solicitação a ANEEL de autorização para realização de estudos ligados ao setor elétrico; 27 6) Lei Federal nº 3.824, de 1960, que torna obrigatória a destoca, limpeza das bacias hidráulicas dos açudes, represas ou lagos artificiais; 7) Lei Federal nº 3.924, de 1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos; 8) Lei Federal nº 5.197, de 1967, que dispõe sobre a proteção à fauna; 9) Lei Federal nº 7.247, de 1985, que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente; 10) Lei Federal nº 7.990, de 1989, que institui para Estados, Distrito Federal e Municípios a compensação financeira derivada de empreendimentos hidrelétricos; 11) Lei Federal nº 9.433, de 08/01/1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e Leis Estaduais de Recursos Hídricos; 12) Lei Federal nº 9.605, de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; 13) Lei Federal nº 9.985, de 2000, que dispõe sobre a criação e categorias das Unidades de Conservação; 14) Portaria IBAMA nº 37 N, de 1992, que apresenta e torna oficial a lista de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção; 15) Portaria IBAMA nº 1.522, que publica a lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção; 16) Resolução CONAMA nº 009/87, que dispõe sobre a realização de audiência pública durante o período de análise do EIA/RIMA; 17) Resolução CONAMA nº 006/87, que dispõe sobre regras gerais para o licenciamento ambiental de obras de grande porte do setor elétrico; 18) Resolução CONAMA nº 004/94, que dispõe sobre os diferentes estágios de regeneração da Mata Atlântica, definição de vegetação primária e secundária e da outras providências; 19) Resolução CONAMA nº 012/94, que dispõe sobre o Glossário de Termos Técnicos, elaborado pela Câmara Técnica Temporária para Assuntos de Mata Atlântica; 20) Resolução CONAMA nº 009/96, que dispõe sobre a definição de 28 "corredores entre remanescentes", citado no artigo 7º do Decreto nº 750/93, assim como estabelece parâmetros e procedimentos para a sua identificação e proteção; 21) Resolução CONAMA nº 300/02, que dispõe sobre os casos passíveis de autorização de corte previstos no art. 2º da Resolução nº 278, de 24 de maio de 2001; 22) Resolução CONAMA nº 303/02 (alterada pela Resolução CONAMA nº 341/03), que dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente; 23) Resolução CONAMA nº 341/06, que estabelece diretrizes aos órgãos ambientais para o cálculo, cobrança, aplicação, aprovação e controle de gastos de recursos advindos de compensação ambiental, conforme a Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza-SNUC e dá outras providências; 24) planos e programas governamentais propostos e em implantação na área de influência do empreendimento, considerando-se sua compatibilidade; 25) dispositivos legais em vigor em níveis Federal, Estadual e Municipal, referentes à utilização, proteção e conservação dos recursos ambientais, ao uso e a ocupação do solo e às penalidades por atividades lesivas ao meio ambiente. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA É um documento de natureza técnico-científica, que tem como finalidade subsidiar a avaliação dos impactos ambientais gerados por atividades e/ou empreendimentos potencialmente poluidores ou que possam causar degradação ambiental e propor medidas mitigadoras e de controle ambiental, procurando garantir o uso sustentável dos recursos naturais. Esse estudo deverá ser desenvolvido considerando-se as seguintes abordagens técnicas: A. Os dados referentes ao Diagnóstico Ambiental deverão abranger pelo menos um período hidrológico completo da região. B. Apresentar os levantamentos e os potenciais impactos, considerando a sinergia dos empreendimentos já implantados e os em fase de implantação, bem como os inventariados na bacia do rio Ribeira do Iguape, principalmente a 29 manutenção da vazão ecológica, a qualidade de água, os impactos na ictiofauna e remanescentes florestais, bem como os impactos socioeconômicos, além de assegurar a manutenção dos usos existentes. C. Descrever e analisar os fatores ambientais e suas interações, caracterizando a situação ambiental atual da área de influência, antes da implantação do empreendimento, englobando: - Variáveis susceptíveis a sofrer, direta ou indiretamente efeitos significativos das ações referentes às fases de planejamento, implantação e operação do empreendimento, destacando a importância da área diretamente afetada no ecossistema da bacia; - A inserção do empreendimento deverá ainda abordar suas inter-relações e influências (positivas ou negativas) em relação às políticas e obras governamentais de desenvolvimento, bem como das políticas de conservação e manejo da biodiversidade. D. Deverá ser apresentada, no momento da análise do estudo ambiental, a declaração de disponibilidade de água para a utilização do recurso hídrico e, no momento do envio do Projeto Básico Ambiental, deverá ser encaminhada à outorga definitiva. Abordagem metodológica A. O diagnóstico ambiental (meios físico, biótico e socioeconômico) deverá ser elaborado através de uma análise integrada, multi e interdisciplinar, a partir de levantamentos básicos primários e secundários. B. Todas as bases e metodologias utilizadas para a realização de cálculos e estimativas deverão ser claramente especificadas, referenciadas e justificadas. C. Todos os mapas apresentados deverão ser georreferenciados com coordenadas geográficas e UTM, legendados, em cores e em escala compatível com o nível do detalhamento dos elementos manejados e adequados para a área de influência. Os mapas deverão conter referência, carimbo com número do desenho, autor, proprietário, data e orientação geográfica em conformidade com o Termo de Referência elaborado pelo Centro de Sensoriamento Remoto do IBAMA. 30 D. Para as áreas referentes às obras de maior porte, unidades de conservação, áreas indígenas e aquelas que apresentarem processo de degradação ambiental, deverão ser apresentados mapas em escala de maior detalhe, de acordo com as definições contidas neste termo de referência. E. A empresa deverá requerer os Pareceres da Fundação Palmares, IPHAN, FUNASA, FUNAI, quando for o caso. F. Todas as referências bibliográficas utilizadas deverão ser mencionadas no texto e relacionadas em capítulo próprio, contendo as informações referentes ao autor, título, origem, ano e demais dados que permitam o acesso à publicação. G. As informações ambientais básicas deverão ser obtidas nos órgãos oficiais, universidades e demais entidades detentoras de tais informações, complementadas com trabalhos de campo para validação ourefinamento destes dados ou informações. Para o meio socioeconômico, o EIA deverá se basear em dados primários e secundários atualizados, tais como: o último Censo Demográfico do IBGE, o Zoneamento Econômico e Ecológico, indicadores de qualidade socioambiental, tais como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH – PNUD/ONU, 1998), dentre outros disponíveis. H. Deverão ser utilizados dados de sensoriamento remoto, com o uso de imagens de satélite, com a plotagem em escala apropriada. I. Deverão ser utilizadas tecnologias de geoprocessamento para avaliação integrada dos temas ambientais, produzindo mapas de sensibilidade ambiental, que deverão dar suporte à avaliação de alternativas de localização do empreendimento, gerando cartas e imagem. J. Apresentar mapa esquemático identificando e localizando todas as áreas legalmente protegidas por lei federal, estadual e municipal nas áreas de influência direta e indireta. K. A abordagem metodológica do meio socioeconômico deverá considerar o histórico das relações entre o homem e a natureza na região de influência analisando, de forma dinâmica, as interações entre os diversos grupos socioculturais ao longo do tempo, de forma a possibilitar o estabelecimento de tendências e cenários. L. O prognóstico ambiental (meios físico, biótico e socioeconômico) 31 deverá ser elaborado considerando as alternativas de execução, de não execução e de desativação do empreendimento. Esse prognóstico deverá considerar, também, a proposição e a existência de outros empreendimentos na bacia hidrográfica (tanto implantados em operação, como os inventariados), bem como dos demais usos do solo e água. E suas relações sinérgicas, principalmente os aproveitamentos hidrelétricos situados a montante e a jusante do empreendimento proposto e nos seus tributários. M. A proposição de programas ambientais deverá ser capaz de minimizar as consequências negativas do empreendimento e potencializar os reflexos positivos. Deverão ser propostos Planos Programas de Controle e Monitoramento. N. Os Programas deverão ser apresentados com Cronograma de Execução e metodologia a ser aplicada. Os laboratórios deverão estar licenciados e cadastrados, conforme legislação vigente. O. O estudo deverá apresentar uma proposta de zoneamento ambiental da área de entorno do reservatório, com objetivo de ordenar e disciplinar os usos naquela faixa, para posterior desenvolvimento de instrumento normatizador, conforme Resolução nº 302/02 do CONAMA. P. O IBAMA encaminhará o Termo de Referência para subsidiar na elaboração do Plano Ambiental de Conservação e Uso do reservatório e zoneamento ambiental da Área de Preservação Permanente e do seu Entorno. Q. A Supressão de vegetação deverá ser realizada em duas fases distintas: a primeira, para o canteiro de obras e a outra, para o reservatório. R. Apresentar os efeitos de sinergia decorrentes dos diversos barramentos de montante e jusante ao longo da bacia hidrográfica (tanto os implantados como os inventariados) em que se propõe o empreendimento. Para o qual deverão ser estudados os impactos decorrentes e referentes aos recursos hídricos e aporte de sedimentos, migração, deslocamento e ausência de ambientes específicos de reprodução para ictiofauna, entre outros. S. Para as hidrelétricas que formarem trechos de vazão reduzida, apresentar análise dessa interferência na dinâmica ecológica do rio (hidrologia, biota aquática) e nas relações socioeconômicas da região. Esse item deverá contar com um cadastro atual dos usos da água e uma análise da interferência do 32 empreendimento proposto em cada uso da água identificado. T. Na época do desvio do rio deverá ser realizado o salvamento da ictiofauna, com acompanhamento de especialista no assunto, bem como do IBAMA. A empresa deverá apresentar Relatório Técnico mostrando os procedimentos adotados e relatando todo o processo de salvamento, inclusive se houve mortandade de peixes, local onde foram relocados os espécimes, bem como identificar as espécies encontradas. Caso existam mamíferos aquáticos ou outros grupos julgados relevantes é fundamental à sua relocação, devendo ser apresentado o Plano de Manejo e Monitoramento para a referida espécie. U. O resgate de fauna deverá ter acompanhamento constante de técnico do IBAMA. A empresa proponente deverá viabilizar a infraestrutura para efetivar a atividade. V. Para realização dos levantamentos da fauna, torna-se imprescindível obter a Licença de Captura e Coleta da fauna, conforme a Portaria nº 332/90 e a Licença de Coleta, Transporte do material botânico, em atendimento as diretrizes estabelecidas na Conversão sobre Diversidade Biológica e na Política Nacional de Meio Ambiente. Área de influência do empreendimento Anteriormente ao início do Estudo de Impacto Ambiental propriamente dito, deverão ser definidos os limites da área geográfica a ser direta e indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do empreendimento. Essa área deverá ser estabelecida a partir dos dados preliminares colhidos, devendo enfocar a bacia hidrográfica na qual o empreendimento será inserido, contemplando empreendimentos associados, tanto aqueles inventariados\propostos como aqueles em implantação\operação. No caso específico da área diretamente afetada, deve contemplar os territórios que serão inundados, parcial ou totalmente, fará parte do trecho à jusante até 05 quilômetros abaixo da cidade de Adrianópolis. As áreas de influência serão, portanto: W. Área de Influência Direta – AID - área sujeita aos impactos diretos da implantação e operação do empreendimento. A sua delimitação deverá ser em 33 função das características sociais, econômicas, físicas e biológicas dos sistemas a serem estudados e das particularidades do empreendimento, considerando-se para o caso do Aproveitamento Hidrelétrico Tijuco Alto, no tocante aos meios: físico e biótico, a área de inundação do reservatório na sua cota máxima acrescida da área de preservação permanente em projeção horizontal, bem como outras áreas contínuas de relevante importância ecológica, além das áreas situadas a jusante da barragem em uma extensão a ser definida pelo estudo. Para os estudos socioeconômicos, será considerada como AID a extensão territorial dos municípios com parcela de área inundada, que apresentam trechos de vazão reduzida ou aqueles localizados a jusante da barragem, numa faixa a ser definida pelo estudo. X. Área de Influência Indireta – AII - é aquela real ou potencialmente ameaçada pelos impactos indiretos da implantação e operação do empreendimento, abrangendo os ecossistemas e o sistema socioeconômico que podem ser impactados por alterações ocorridas na área de influência direta. Para o meio físico e biótico, será considerada parte da bacia hidrográfica em que o empreendimento se insere, a ser definida pelo estudo. Para o meio socioeconômico, a área de influência indireta será compreendida pelo conjunto do território dos municípios que tenham terras alagadas e pelos polos municipais de atração à região. Y. Área de Abrangência Regional – AAR – é a área objeto da caracterização regional dos estudos, utilizada para efeito de distinção de impactos cumulativos, com objetivo de situar no contexto da bacia hidrográfica os eventuais impactos cumulativos decorrentes dos diversos aproveitamentos hidrelétricos inventariados e/ou propostos. Será considerada a bacia hidrográfica do rio Ribeira do Iguape até a cidade de Registro, excluído seu contribuinte, rio Juquiá. Deverão ser apresentadas descrições e análises dos fatores ambientais e das suas interações, caracterizando a situação ambiental da área de influência, antes da implantação do empreendimento, englobando as variáveis susceptíveis de sofrer, direta ou indiretamente, efeitos significativos das ações referentes às fasesde planejamento, implantação, operação e desativação do empreendimento. Também deverão ser apresentadas, informações cartográficas em escalas compatíveis com o nível de detalhamento dos fatores ambientais estudados, em cada uma das áreas. 34 Alternativas tecnológicas e locacionais Deverão ser apresentados estudos de alternativas locacionais do empreendimento, confrontando-as de forma a mostrar a melhor hipótese do ponto de vista ambiental, considerando ainda a possibilidade de não executá-lo. No caso de implantação do empreendimento, deverão ser avaliadas possíveis variantes em relação aos pontos mais críticos estudados, tais como zonas de instabilidade quanto a fatores abióticos, de extrema importância biológica, de importância para conservação ou proteção da biodiversidade, áreas de pressão antrópica, indústrias, projetos agrícolas, entre outras. Apresentar alternativas de localização de eixos de barragem e estudo de variação e viabilidade ambiental do empreendimento em diferentes cotas de operação. Identificação do empreendedor - Nome ou razão social. - Número dos registros legais. - Endereço completo. - Telefone e fax. - Representantes legais (nome, CPF, endereço, e-mail, fone e fax). - Pessoa de contato (nome, CPF, endereço, e-mail, fone e fax). Caracterização do empreendimento Apresentação - Objetivos. - Dados técnicos do empreendimento (arranjo, tipo, comprimento e altura da barragem, potência, lay-out da obra, desvio do rio, tamanho da área a ser inundada, cota e fase do enchimento do reservatório, sistema extravasor, sistema 35 adutor, casa de força, energia, etc.), com previsão das etapas de execução. - Empreendimentos associados e decorrentes. - Localização do empreendimento. - Descrição da linha de transmissão associada incluindo planta planialtimétrica e planta perfil. Histórico do proponente Descrever sucintamente a origem da empresa, os trabalhos que vêm sendo realizados pela organização e os tipos de projetos de desenvolvimento que já foram executados ou propostos. Informar experiência(s) da entidade em desenvolver trabalhos semelhantes ao proposto. Descrição do empreendimento - Deverá ser feito um relato sumário do projeto da UHE e da Linha de Transmissão associada, desde a sua concepção inicial até a conclusão da obra. Informando sobre o projeto, no seu conjunto, dando destaques para a localização; matérias-primas necessárias e tecnologia para a construção e operação; cronograma relativo às fases de planejamento, instalação e operação do empreendimento, bem como os procedimentos de controle e manutenção. - Indicar sistemas de registro e controle das vazões na descrição do regime operacional do reservatório. Apresentar simulações operacionais considerando vazão (m³/s) afluente, vazão de engolimento, de vertimento e remanescente, geração e tempo de operação (h). - Apresentar dados sobre as flutuações no nível do futuro reservatório, indicando cotas, periodicidade, etc. Justificativas para o empreendimento - Justificativas técnicas, econômicas e socioambientais, com a eventual 36 importância da operação do empreendimento, em conjunto com outros reservatórios existentes ou previstos. - Descrever as razões que levaram a entidade a propor o projeto, deixando claro, os benefícios econômicos, sociais e ambientais a serem alcançados. Infraestrutura de apoio à obra - Centros administrativos e alojamentos; - Estradas de acesso e de serviços; - Canteiros de obra (saneamento básico: água, esgoto e lixo); - Áreas de empréstimo e bota-fora; - Mão de obra necessária; - Detalhamento da área para supressão de vegetação do canteiro de obras; - Quantitativos, para a UHE e LT, de escavações em solo e rocha, volume de empréstimo. Diagnóstico Ambiental O Diagnóstico Ambiental deverá retratar a atual qualidade ambiental da área de abrangência dos estudos, indicando as características dos diversos fatores que compõem o sistema ambiental atual, de forma a permitir o pleno entendimento da dinâmica e das interações existentes entre o meio físico, biótico e socioeconômico, bem como a fragilidade ambiental com a inserção do empreendimento, de acordo com a sequência apresentada a seguir. Estudos Específicos para a Bacia Os estudos específicos para a bacia deverão considerar a Área de Influência Indireta e, quando especificado, a Área de Abrangência Regional. 37 Meio Físico Geologia, Geomorfologia e Solos: A partir da caracterização das condições geológicas, geomorfológicas, pedológicas e suas interações na bacia hidrográfica, que deverá considerar as características das rochas e suas possíveis áreas de risco, distribuição espacial do solo e rochas, além da compartimentação geomorfológica. Avaliar o potencial erosivo, tendo como referência o grau de estabilidade do leito do rio e de suas margens, observando se haverá, ou não, uma redução do transporte de sedimentos. Deverá ser realizada ainda, caracterização do tipo de relevo, identificando e delimitando os diversos padrões de formas erosivas e deposicionais, sua constituição e dinâmica superficial, visando à identificação de setores com diferentes graus de suscetibilidade a processos erosivos e deposicionais, tanto natural como de origem antrópica. Clima Caracterizar o clima da área de influência, destacando e avaliando as mudanças ocorridas no comportamento dessa variável, bem como as mudanças microclimáticas que poderão ocorrer após a implantação do empreendimento. O estudo deverá ser baseado em séries de dados históricos, obtidos em estações climatológicas presentes na bacia, além de indicar a metodologia e parâmetros utilizados. Recursos Hídricos: Caracterizar os recursos hídricos da bacia, segundo os subitens a seguir: - Caracterizar a rede hidrográfica da bacia, a partir de dados referenciais do regime hidrológico dos principais cursos d’água (vazões média, mínima e máxima). Esse estudo deverá indicar os cursos d’água perenes e intermitentes, as regiões de cabeceiras e nascentes, as estações hidrometeorológicas existentes (localização, tipo e período de operação) e as estruturas hidráulicas implantadas, bem como os grandes usuários desse recurso. Essas informações deverão ser apresentadas também por meio de mapas e planilhas. 38 - Avaliar a qualidade das águas quanto aos aspectos físicos, químicos e bacteriológicos dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, destacando as principais fontes poluidoras. Esse estudo deverá contar com a indicação e justificativa dos pontos de coleta e dos parâmetros selecionados, além de análise da influência desses níveis de qualidade nas demais atividades da bacia. Também para a AAR. - Identificar os principais usos de água e destacar as demandas futuras por esse recurso. Espeleologia Realizar levantamento detalhado das cavernas (horizontais e verticais) localizadas na microbacia hidrográfica do rio do Rocha e o restante da área de influência direta do reservatório, contendo: - Mapa topográfico das grutas com indicação dos pontos fotografados, espeleotemas encontrados e zoneamento bioespeleológico. - Coordenadas em UTM e cotas altimétricas. - Classificação genética e dossiê fotográfico. - Identificação do nível em que se encontram cada caverna, ou seja, de carstificação ou não. - Identificação das cavernas que se encontram em desenvolvimento e das cavernas classificadas como paleocavernas, com suas cotas altimétricas. - Estudo paleontológico e arqueológico. - Delimitação do raio de influência de todas as cavidades levantadas. A representação cartográfica deve ser elaborada com a utilização de SIG, modelagem 3D da área de influência direta, apresentando a indicação das cavernas com fotografias dos respectivos pórticos. Apresentarcaracterização hidrológica e hidrogeológica das cavernas que estão dentro da cota de inundação. Apresentar os impactos relacionados com a alteração do regime espeleológico (geologia, hidrologia, hidrogeologia e biota) das cavernas levantadas, com a elevação do nível de base. Apresentar estudo de avaliação da ocorrência de inversão do fluxo das 39 microbacias hidrográficas relacionadas na área do reservatório, que poderiam influenciar outros sistemas cársticos. Avaliar a interferência do empreendimento na fauna cavernícola, a partir de levantamento qualitativo e estudo das relações tróficas, caracterizando as inter- relações com o meio. Meio Biótico Deverão ser caracterizados os ecossistemas terrestres e aquáticos da bacia hidrográfica. Todas as fontes de informação devem ser identificadas, assim como as principais publicações relativas à ecologia da região. Para o diagnóstico da fauna e flora, deverá ser indicada claramente a origem dos dados, a saber: dados primários, secundários ou fontes informais, incluindo a descrição da metodologia utilizada, com justificativas. Ecossistemas Terrestres A caracterização e análise dos ecossistemas terrestres deverão abordar: - o mapeamento dos biótopos e ecótonos da área de influência, indicando as fitofisionomias e a florística; - identificação das espécies faunísticas (em especial as endêmicas, raras, e ameaçadas de extinção, migratórias, bem como as de valor econômico e valor ecológico significativo), de seus habitats e biologia reprodutiva, destacando as espécies mais relevantes que utilizam áreas da bacia hidrográfica; - avaliação do grau de conservação dos corredores ecológicos na bacia hidrográfica (AAR) e as conexões existentes com outros fragmentos, com vistas a identificar as áreas a serem utilizadas para o suporte da fauna. - classificação das áreas de sensibilidade ambiental localizadas na bacia (AAR e AII), apresentação de relação contendo as unidades de conservação e áreas protegidas por legislação específica no âmbito federal, estadual e municipal, ressaltando os ecossistemas existentes e as espécies protegidas, além da distância ao empreendimento proposto. Essas informações deverão ser georreferenciadas e apresentadas em escala compatível, em mapa temático específico. 40 - Avaliação da interferência do empreendimento nas espécies da fauna e flora, a partir de dados qualitativos, caracterizando as inter-relações com o meio. Ecossistemas Aquáticos Deverão ser caracterizados todos os ecossistemas nas áreas atingidas pelas intervenções do empreendimento, a distribuição, interferência e relevância na biota regional, por meio de levantamentos de dados primários e secundários, contemplando a sazonalidade regional e caracterizando os estudos com dados recentes, abordando: - a interferência do empreendimento na biota aquática da bacia (AAR), considerando a distribuição e diversidade das espécies de interesse comercial, das espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, bem como a perda de fontes de alimentação, dos locais de desova, de áreas de reprodução e criadouros naturais; - a importância da ictiofauna, principalmente as espécies reofílicas, identificando as rotas migratórias das espécies de maior relevância e prognosticando a sua perda, avaliando a possibilidade de formas de mitigação a partir da instalação de mecanismos de transposição e/ou preservação das rotas alternativas; - os principais tributários e as áreas úmidas, visando verificar ambientes de reprodução da biota aquática, em especial, das espécies migratórias; - a interferência do empreendimento nos mamíferos aquáticos da bacia. Adicionalmente, deve-se caracterizar e georreferenciar as estações de coleta, justificando a escolha dos pontos e a metodologia de análise para cada parâmetro, o índice de similaridade entre os pontos de coleta e o tratamento estatístico aplicado. Meio Socioeconômico Deverá ser apresentado um diagnóstico socioeconômico, a partir de dados secundários, em que deverão constar os aspectos relacionados à dinâmica dos municípios, indicando a evolução, distribuição espacial e crescimento da população residente na área da bacia hidrográfica. A situação de infraestrutura dos mesmos, definições básicas quanto ao uso e ocupação dos solos na bacia, além de uma 41 caracterização da estrutura produtiva regional. Populações Tradicionais, Remanescentes de Quilombos e Quilombos Especificamente para as comunidades quilombolas deverão ser adotadas questões que foram sugeridas pelos assistentes do Ministério Público Federal ainda em 1997, a saber: - Identificação e localização de Comunidades de Quilombos ao longo da Bacia Hidrográfica do Ribeira abordando: denominação; município; área; número de famílias; titulação (tipo e natureza) instância fundiária; - Levantamento detalhado sobre o Patrimônio Cultural Material: sítios com reminiscências históricas, História da Ocupação Econômica e Social na Região e sobre a Formação das Comunidades de Quilombo. - Levantamento detalhado e integrado sobre sistemas produtivos, formas solidárias de produção (troca e venda de dias, mutirão) produção agrícola, estratégias alternativas ao trabalho agrícola (assalariamento, jornada, empreitada), extrativismo, sazonal idade do emprego, migrações regionais. Condições atuais da organização social e perspectivas de reprodução social: descrição dos Quilombos e das Comunidades enquanto tais. - Levantamento sobre os padrões culturais, rituais, festivos, hábitos alimentares, manifestações culturais relacionadas com o meio ambiente natural e sociorreligioso. - Perspectivas sobre o destino das Comunidades de Quilombo com a construção das Barragens. - Sugestões Alternativas dos Quilombolas e das Entidades Representativas. - As lutas locais. Área de Influência Direta Meio Físico Geologia e Geomorfologia Identificar e avaliar possíveis áreas de risco geotécnico e de fuga d’água, a 42 partir do detalhamento geológico/geotécnico da área de influência direta do empreendimento e em especial, para o eixo da barragem e obras civis. Avaliar a interferência da implantação do empreendimento com os recursos minerais de interesse econômico cadastrados na área de influência direta. Identificar e avaliar os principais condicionantes/mecanismos de deflagração de escorregamentos, a partir da caracterização da dinâmica superficial e identificação de setores com diferentes graus de suscetibilidade a processos erosivos e deposicionais, mapeando as encostas quanto as suas declividades, indicando o tipo de solo/afloramento de rocha associado. Deverá ser avaliada a estabilidade das encostas em decorrência do regime de operação do reservatório. Avaliar a interferência do empreendimento com as unidades de paisagem, as cavidades e monumentos naturais cadastrados, identificando as áreas susceptíveis a dolinamento, caracterizando-a como área de risco. Solos Analisar a suscetibilidade natural dos solos à erosão, bem como aptidão agrícola, silvicultural e uso atual dos mesmos, considerando a caracterização e descrição das classes dos solos, sua gênese e distribuição espacial na área de influência do empreendimento. Recursos Hídricos Caracterizar e avaliar o regime hidrológico dos cursos d’água da área de influência direta, a partir da análise das séries históricas de descargas líquidas. Essa avaliação deverá contemplar a estimativa de vazões de referência (Qmáx, Qmín, Qméd, Q7,10, Q90% e outras), variação dos níveis d’água e estudos sobre transporte de sedimentos nas calhas fluviais, identificando suas fontes e os locais de deposição. Essa avaliação deverá resultar na análise do balanço hídrico, tendo em vista os usos atuais e futuros desse recurso, bem como as exigências quantitativas e qualitativas desses usos. Avaliar o comportamentohidrológico do curso d’água considerando a intervenção do empreendimento nesse regime, bem como sua influência nos demais usos desse recurso. Nesse item deverá ser apresentada a regra de operação do 43 empreendimento e suas alterações nos níveis d’água na barragem e a jusante dessas, observando as variações diárias e sazonais. Cálculo da vida útil do reservatório avaliando a sua viabilidade ambiental. Determinação da curva cota x volume e área inundada. Avaliar a potencialidade dos aquíferos existentes na área de influência do empreendimento, estudando, entre outros: - localização, natureza, litologia e estruturas geológicas condicionantes; - alimentação (inclusive recarga artificial), fluxo e descarga (natural e artificial); - profundidade dos níveis das águas subterrâneas, dando enfoque ao lençol freático; - relações com águas superficiais e com outros aquíferos; Indicar as possíveis interferências do enchimento do reservatório sobre o nível do lençol freático, a partir de cadastramento de poços existentes e da rede de perfurações e sondagens e do modelamento do regime de fluxo de águas. Avaliar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, a partir de um refinamento dos dados obtidos no âmbito da bacia hidrográfica. Esse estudo deverá contar com análises de parâmetros físicos, químicos, bacteriológicos e hidrobiológicos, com a identificação das principais fontes de poluição – indicar as condições sanitárias e a presença de metais pesados. As estações, parâmetros e metodologias utilizados deverão ser apresentados e justificados, considerando a sazonalidade da região estudada. Deverá ser avaliada, também, a qualidade de água futura do reservatório e a jusante desses, considerando as fases de implantação e operação. Essa atividade deverá ser realizada a partir do uso de modelos matemáticos específicos. Essa previsão da qualidade de água deverá abordar também a possível dinâmica de eutrofização do reservatório relacionada à biomassa inundada e a carga potencial de nutrientes. Apresentar cadastro atualizado de usuários de água da AID, com representação em mapas. 44 Meio Biótico Deverão ser caracterizados todos os ecossistemas nas áreas atingidas pelas intervenções do empreendimento, a distribuição, interferência e relevância na biota regional, por meio de levantamentos de dados primários e secundários, contemplando a sazonalidade regional e caracterizando os estudos com dados recentes. A metodologia referente ao esforço amostral deverá ser detalhada e os resultados deverão demonstrar compatibilidade com dados preexistentes. Todas as fontes de informação devem ser identificadas, assim como as principais publicações relativas à ecologia da região. Para o diagnóstico da fauna e flora, deverá ser indicada claramente a origem dos dados, a saber: dados primários, secundários ou fontes informais, incluindo a metodologia utilizada. Adicionalmente, deve-se caracterizar e georreferenciar as estações de coleta, justificando a escolha dos pontos e a metodologia de análise para cada parâmetro, o índice de similaridade entre os pontos de coleta e o tratamento estatístico aplicado. Para os ecossistemas terrestres e aquáticos, identificar espécies vetores e hospedeiras de doenças, avaliando o seu potencial de proliferação com a implantação do empreendimento e propondo medidas de controle. Ecossistemas Terrestres A caracterização e análise dos ecossistemas terrestres deverão abordar: - O mapeamento dos biótopos da área de influência, indicando as fitofisionomias e a florística; - Identificação das espécies da fauna e flora que poderão ser objeto de resgate, para fins de elaboração de projetos específicos para conservação e preservação. - Identificação das áreas potenciais para fins de relocação da fauna que será resgatada, quando do desmatamento, avaliando sua capacidade de adaptação à nova área. Flora: - Realizar a caracterização e a elaboração de mapa das fitofisionomias da 45 área de influência direta, contemplando o grau de conservação, os diferentes estratos vegetais (incluindo epífitas), os corredores e as conexões existentes com outros fragmentos. - Identificar as espécies raras endêmicas e ameaçadas de extinção atingidas, além daquelas de valor ecológico significativo, econômico, medicinal, faunístico e ornamental. - Elaborar estudos qualitativos e quantitativos da flora na área de influência direta, incluindo a composição florística e estudos fitossociológicos. Deverão ser contemplados todos os estágios sucessionais que se encontram as formações vegetais. - Realizar o inventário florestal, destacando áreas de preservação permanente, reservas florestais legais e áreas protegidas por legislação específica, o volume madeira e galhadas a ser suprimido, bem como as áreas totais de cada fitofisionomia a ser suprimida e seu georreferenciamento. - Avaliar os efeitos ambientais causados pelo empreendimento em áreas protegidas por lei. - Quantificar a vegetação a ser suprimida no reservatório, a partir da utilização dos parâmetros: qualidade de água, áreas de reprodução da ictiofauna, beleza cênica, erodibilidade e declividade. Para a destinação da vegetação suprimida, apresentar procedimentos para o seu aproveitamento separando os diferentes estratos vegetacionais, discriminando o uso econômico e ecológico do material lenhoso. - Identificar a existência de extrativismo vegetal na área de estudo. - Avaliar o potencial de regeneração dos fragmentos na conservação das espécies nativas existentes. - Identificar as áreas com potencial para o estabelecimento de unidades de conservação e sítios ímpares de reprodução, considerando-se que tais áreas deverão ter a capacidade de manter espécies raras, endêmicas ou em extinção. As áreas prioritárias à aplicação da compensação ambiental deverão levar em conta os aspectos de similaridade entre o ecossistema impactado e as áreas recomendadas à compensação; - Avaliar os efeitos da elevação do lençol freático na vegetação 46 remanescente na nova APP a ser formada, bem como na vegetação existente entre a cota máxima e mínima de operação. Fauna: Avaliar a interferência do empreendimento na fauna local, a partir de dados qualitativos e quantitativos, caracterizando as inter-relações com o meio, contendo: - identificação/mapeamento de habitats, territorialidade, biologia reprodutiva e alimentação de espécies bioindicadoras, que utilizam as áreas que serão atingidas; - inventário faunístico para os grupos de vertebrados (incluir quirópteros) e para alguns grupos de invertebrados (bioindicadores), informando o tipo de registro – pegada, visualização, entrevista (...), com indicação do esforço de amostragem e curva do coletor para cada grupo; - listagem das espécies, destacando as raras, endêmicas, migratórias, vulneráveis, ameaçadas de extinção, de interesse científico, de valor econômico e alimentício, as não descritas previamente para a área estudada, ou as não descritas pela ciência, além de informar o tipo de registro; - levantamento de espécies vetores e hospedeiras de doenças. Selecionar, para amostragem, os locais mais preservados da região, identificando as fitofisionomias. O levantamento da fauna para inventário deverá contemplar a sazonalidade e ser realizado em pelo menos quatro áreas distintas de cada fitofisionomia, sendo duas delas, ao longo das margens do futuro reservatório. Ecossistemas Aquáticos Apresentar e justificar os parâmetros selecionados que serão posteriormente utilizados para monitorar as comunidades por meio de bioindicadores adequados de alterações ambientais. Avaliar a interferência específica do empreendimento na ictiofauna, considerando as composições, distribuição e diversidade das espécies de interesse comercial, as reofílicas, as endêmicas e emextinção. Abordando a perda das fontes de alimentação, locais de desova, de reprodução e de criadouros naturais, bem 47 como a alteração na produção pesqueira e o esforço de pesca. Destacar as espécies introduzidas e de uso antrópico. Avaliar a interferência do empreendimento nas comunidades aquáticas considerando preliminarmente o levantamento do fito e zooplanctôn, bentos, nécton e macrófitas. Deverão ser abordadas as riquezas, diversidade e similaridades, contemplando ainda densidades populacionais das espécies identificadas e a sua diversidade, identificação e localização de lagoas marginais, naturais ou artificiais, relacionando-as aos sítios de alimentação e de reprodução ou pontos de introdução de espécies exóticas. Os pontos amostrais deverão coincidir com aqueles previstos para monitorar a qualidade de água. Avaliar a possível proliferação de espécies vetores ou hospedeiras de doenças, bem como das principais plantas aquáticas e subaquáticas, na região. Localizar as áreas que se destacam por manter maiores adensamentos de plantas aquáticas, identificando as espécies existentes. Avaliar a permanência de espécies migratórias da ictiofauna, por meio de estudos de biologia reprodutiva nos tributários, bem como de medidas de proteção (mecanismos de transposição). Avaliar a interferência do empreendimento nos mamíferos aquáticos da bacia. Estudar os deslocamentos efetuados pelas referidas espécies e o possível isolamento ocasionado pelo barramento. Avaliar a utilização de mecanismos de transposição para estas espécies. Meio Socioeconômico Deverá ser conduzida uma pesquisa socioeconômica, a partir de dados primários e secundários, entrevistas qualificadas, onde deverão constar os aspectos abaixo relacionados. Dinâmica Populacional Avaliar os aspectos socioeconômicos da região, utilizando indicadores básicos para análise do comportamento demográfico, demonstrados por meio de sua evolução, distribuição-espacial e crescimento da população residente nas áreas 48 de influência. Infraestrutura Descrever a situação das áreas de influência, visando à atualização de dados por meio da avaliação do quadro atual da infraestrutura de saúde, educação, segurança, transporte, comunicação, lazer, sistema viário principal, rede de energia elétrica, rede de abastecimento de água e de saneamento básico, entre outros. Uso e Ocupação do Solo Avaliar os principais usos do solo nas áreas de influência direta e a paisagem por meio de análise descritiva e mapeamento, contemplando aspectos que envolvam áreas urbanas e de expansão, culturas sazonais, permanentes, pastagens naturais e\ou cultivadas, matas e outras tipologias de vegetação natural. E outros tipos introduzidos, infraestrutura existente quanto ao sistema viário, pontos de travessias, unidades de conservação, estrutura fundiária indicada segundo o módulo fiscal local, as áreas de colonização ou ocupadas sem titulação e áreas ocupadas por populações tradicionais. Caracterização Socioeconômica das Comunidades Afetadas Analisar o conjunto das propriedades nas comunidades urbanas e rurais afetadas, inclusive dos proprietários não residentes, definindo os padrões da ocupação, por meio de levantamentos qualitativos e quantitativos em amostras representativas desse universo. Avaliando as condições de habitação, a dimensão das propriedades, o regime de posse e uso da terra, o nível tecnológico da exploração, as construções, benfeitorias e equipamentos. As principais atividades desenvolvidas e áreas envolvidas, a estrutura da renda familiar e resultados da exploração econômica, o preço de terras e de benfeitorias e a participação das comunidades em atividades comunitárias e de associativismo. Estrutura Produtiva e de Serviços Avaliar a economia regional, abordando as atividades urbanas e não as urbanas, presentes nas áreas de influência, caracterizando os aspectos gerais do processo de ocupação, com ênfase no período recente, os grandes vetores ou eixos 49 de crescimento econômico, a caracterização da economia regional, a identificação dos tipos de mão de obra necessários, os empregos diretos e indiretos a serem gerados pelo empreendimento. Patrimônio Histórico, Cultural, Paisagístico e Arqueológico Avaliar e identificar, na área de influência direta, a evolução histórica dos municípios, os bens imóveis de interesse histórico-cultural, os recursos físico- bióticos culturalmente valorizados pela população local (paisagístico, espeleológico e ecológico) e as áreas de valor arqueológico. Comunidades Indígenas, Ribeirinhas e Quilombolas Identificar as comunidades ribeirinhas, quilombolas, terras indígenas - quando couberem, grupos e aldeias existentes na área de influência direta do empreendimento. Apresentar a localização geográfica e vias de acesso, caracterizando as populações atuais, avaliando os fatos históricos, descrevendo a vulnerabilidade a partir do planejamento, construção e operação do empreendimento, considerando todas as possíveis pressões sobre as comunidades. Planos e projetos colocalizados Avaliar os planos e projetos que se inserem nas áreas de influência e que possam sofrer interferências com o empreendimento, ou que possuam algum efeito sobre o mesmo. Análise Integrada Após o diagnóstico de cada meio, deverá ser elaborada uma síntese que caracterize a área de influência do empreendimento de forma global. Essa deverá conter a interação dos itens de maneira a caracterizar as principais inter-relações dos meios físico, biótico e socioeconômico. Deverá ser realizada uma análise das condições ambientais atuais e suas tendências evolutivas, explicitando as relações de dependências e/ou de sinergia entre os fatores ambientais anteriormente descritos, de forma a se compreender a 50 estrutura e a dinâmica ambiental da bacia hidrográfica, contemplando projetos implantados ou futuros. Esta análise terá como objetivo fornecer dados para avaliar e identificar todos os impactos decorrentes do empreendimento, bem como a qualidade ambiental futura da região. Prognóstico Ambiental O prognóstico ambiental (meios físico, biótico e socioeconômico) deverá ser elaborado considerando-se as alternativas de execução e de não execução do empreendimento, sendo esta última baseada na identificação e avaliação dos impactos ambientais. Este prognóstico deverá considerar, também, a proposição e a existência de outros empreendimentos inventariados na bacia do rio Madeira, contemplando os efeitos sinérgicos entre os empreendimentos propostos ou que já operam na respectiva bacia hidrográfica. A partir da análise integrada, principalmente do diagnóstico da qualidade ambiental, devem ser elaborados quadros prospectivos, tendências para a região, considerando um horizonte temporal com o empreendimento e outro considerando a sua não implantação. Comparar esses dois quadros prospectivos entre si e também com um quadro de diagnóstico de qualidade ambiental atual. Uma vez considerada a implantação do projeto e a execução das medidas de controle da qualidade ambiental que serão propostas, bem como o desenvolvimento dos programas ambientais, deverá ser feita uma nova reavaliação do impacto global do projeto na sua área de inserção. Buscando-se sempre a perspectiva de efeitos cumulativos sinérgicos da implantação de empreendimentos elétricos em uma bacia hidrográfica. Prognóstico das condições ambientais na ausência do empreendimento Este tópico é uma síntese realizada a partir das tarefas constituintes do item precedente – diagnóstico – devendo representar um quadro sintético das tendências ambientais futuras da região. Dessa forma, com base no inventário dos fatores físicos, bióticos e socioeconômicos, deverá ser feita, basicamente, uma projeção do nível de apropriação futura dos recursosnaturais do meio físico, do estado de 51 conservação da biota e do perfil da população humana na área. Alicerçado nas possibilidades de desenvolvimento econômico, considerando-se a hipótese de não implantação do empreendimento. Prognóstico das condições ambientais com o empreendimento Em função do conhecimento do projeto e do diagnóstico ambiental, serão identificados os fatores a serem impactados pelas ações do empreendimento. Para qualquer tipo de abordagem, deve-se realizar uma avaliação e discussão de todos os aspectos ambientais do empreendimento envolvendo, inclusive, os impactos não quantificáveis de forma precisa, ou seja, aqueles que deverão sofrer uma análise apenas qualitativa. E a avaliação quantitativa com maior profundidade dos impactos mais importantes gerados pelo empreendimento na área diretamente afetada, em função da suscetibilidade ambiental diagnosticada. Os resultados deverão surgir da comparação entre os fatores ambientais mais significativos e as ações a serem geradas pelo empreendimento. Os fatores ambientais a serem impactados serão determinados a partir do diagnóstico ambiental e abrangerão os meios físico, biótico e antrópico. Uma vez caracterizado o elenco de impactos suscetíveis de ocorrerem devido à implantação do Projeto, estes devem ser agregados, de forma a permitir análise das consequências ambientais das diversas ações do empreendimento. O prognóstico ambiental constitui-se em uma etapa onde, a partir do diagnóstico e dos elementos constituintes do empreendimento, delineiam-se quadros prospectivos de uma qualidade ambiental futura e se estabelece o impacto ambiental. Identificação e avaliação de impactos ambientais A avaliação de impacto ambiental deverá levar em consideração os diversos fatores e seus tempos de incidência (abrangência temporal) nas fases de implantação e operação do empreendimento. Essa avaliação deverá abranger os impactos benéficos e adversos do 52 empreendimento, determinando-se uma projeção dos impactos imediatos, a médio e em longo prazo; temporários, permanentes e cíclicos; reversíveis e irreversíveis; locais, regionais e estratégicos. A mesma deverá, ainda, levar em consideração as condições do meio ambiente na fase anterior às obras, bem como os impactos que não possam ser evitados ou mitigados de modo a permitir um prognóstico das condições emergentes. Deverão ser consideradas, na elaboração deste prognóstico, as condições emergentes com e sem a implantação do empreendimento, conduzindo à proposição de medidas destinadas ao equacionamento dos impactos ambientais decorrentes da formação do reservatório. Na apresentação dos resultados, deverão constar: - a metodologia de identificação dos impactos e os critérios adotados para a interpretação e análise de suas interações; - a valoração, magnitude e importância dos impactos; - uma descrição detalhada dos impactos sobre cada fator ambiental relevante, considerado no diagnóstico ambiental; - uma síntese conclusiva dos principais impactos que poderão ocorrer nas fases de implantação e operação, acompanhada de suas interações. Impactos existentes Deverá ser apresentada uma análise dos impactos ambientais já existentes na bacia hidrográfica, em função dos aproveitamentos projetados, já implantados ou em fase de implantação, de forma a possibilitar um planejamento e integração efetiva das medidas a serem adotadas para mitigar efeitos sinérgicos entre os empreendimentos. Para esses levantamentos, é necessária a utilização de dados primários e secundários já disponíveis nos órgãos ambientais, bem como em outras fontes necessárias a consolidação das informações. 53 Medidas Mitigadoras, compensatórias e programas de controle e de monitoramento Com base na comparação do prognóstico das condições emergentes obtidas a partir do diagnóstico ambiental, deverão ser avaliados os impactos potenciais e as medidas recomendadas que venham a minimizá-los, maximizá-los, compensá-los ou eliminá-los. Essas medidas devem ser implantadas visando tanto à recuperação quanto a conservação do meio ambiente, bem como o maior aproveitamento das novas condições a serem criadas pelo empreendimento, devendo ser consubstanciadas em programas. As medidas mitigadoras e compensatórias deverão ser consideradas quanto: - ao componente ambiental afetado; - a fase do empreendimento em que deverão ser implementadas; - ao caráter preventivo ou corretivo de sua eficácia; - ao agente executor, com definição de responsabilidades; Na implementação das medidas, em especial aquelas vinculadas ao meio socioeconômico, deverá haver uma participação efetiva da comunidade diretamente afetada, bem como dos parceiros institucionais identificados, buscando-se, desta forma a inserção regional do empreendimento, o que será possibilitado por meio dos procedimentos de comunicação social. Deverão ser propostos programas integrados para monitoração ambiental da área de influência, com o objetivo de acompanhar a evolução da qualidade ambiental e permitir a adoção de medidas complementares de controle. Esta etapa marca a consolidação dos Estudos de Impacto Ambiental. Relatório de Impacto Ambiental – RIMA As informações técnicas geradas no estudo de Impacto Ambiental - EIA deverão ser apresentadas em um documento em linguagem acessível ao público, que é o Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, em conformidade com a Resolução CONAMA nº 001/86. Este relatório deverá ser ilustrado por mapas, quadros, gráficos 54 e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender claramente as consequências ambientais do projeto e suas alternativas, comparando as vantagens e desvantagens de cada uma delas. Deverá ser encaminhado 01 exemplar do EIA/RIMA para cada OEMA participante do processo de licenciamento, 03 para o IBAMA, 01 para cada Gerência Executiva do IBAMA nos estados, 01 para a FUNASA, 01 para o IPHAN, 01 para a Fundação Palmares e 01 exemplar para cada prefeitura, todos seguidos de cópias digitais. Equipe Técnica Deverá ser apresentada a equipe técnica multidisciplinar responsável pela elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, indicando a área profissional e o número de registro no respectivo conselho de classe e no Cadastro Técnico Federal. Bibliografia O EIA/RIMA deverá conter a bibliografia consultada, a qual deverá ser especificada por área de abrangência do conhecimento e referenciada segundo as normas de publicação de trabalhos científicos da ABNT. Glossário O EIA/RIMA deverá conter uma listagem dos termos técnicos utilizados no estudo. Autenticação O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental deverão conter data e assinaturas dos profissionais responsáveis por sua elaboração, sendo 55 que um exemplar de cada deve ter todas as páginas rubricadas. ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS Os estudos de impacto ambiental envolvem o desenvolvimento de um conjunto de atividades em certa ordem, o que não implica que sejam realizadas necessariamente uma após as outras. De fato, algumas são interdependentes e outras se processam ao longo de todo o estudo, podendo ser aperfeiçoadas à medida que os trabalhos se desenvolvam. Uma das primeiras atividades multidisciplinares importantes do EIA-RIMA, após as descrições do empreendimento e dos planos governamentais para a região, é a delimitação das áreas de influência do projeto, para que se possa dar início ao levantamento da legislação ambiental aplicada a todo o diagnóstico atualizado. Isso significa conhecer os componentes ambientais e suas interações, caracterizando a situação ambiental dessa área antes da implantação do projeto. O mais importante disso é que estes resultados servirão de baseà execução das demais atividades. Outra questão importante a ser comentada é a disponibilidade e organização dos dados necessários. Informações cartográficas atualizadas, em escalas adequadas, e informações de qualidade, completas e atualizadas, referentes ao meio físico, biológico e socioeconômico. São muitas vezes difíceis de serem obtidas (principalmente quando estes dados referem-se a regiões pouco estudadas e/ou bibliotecas e centros de informações dos órgãos/Instituições governamentais locais que não apresentam uma infraestrutura conveniente). Pode ocorrer também a dispersão deste material em instituições diferentes e, em geral, trabalhadas e armazenadas de acordo com os objetivos específicos dessas instituições, dificultando a adaptação desses dados nos respectivos projetos a serem realizados. 56 TÉCNICAS E METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS Com a publicação do NEPA (National Environmental Policy Act of 1969), foi estabelecido formalmente, nos Estados Unidos, o processo de Avaliação de Impacto Ambiental. Desde então, começaram a serem desenvolvidos vários tipos de métodos com o objetivo de sistematizar as análises realizadas, utilizando-se, geralmente, de técnicas correntes de outras áreas do conhecimento. Mesmo que a maioria dos trabalhos de análise de impacto ambiental tenha sido elaborada nos EUA, o interesse do assunto desenvolve-se tanto nos países industrializados quanto nos países em desenvolvimento. As metodologias de avaliação são mecanismos estruturados para comparar, organizar e analisar informações sobre impactos ambientais de um projeto, incluindo os meios de apresentação escrita e visual dessas informações. Devido à variedade de métodos de AIA existentes, sendo que muitos deles não são compatíveis com as condições socioeconômicas e políticas do Brasil faz-se necessário que sejam escolhidos sob as próprias condições, muitas vezes, até adequando-os por meio de alterações e/ou revisões, para que sejam verdadeiramente úteis na tomada de decisão de um projeto. Fica, portanto, a critério de cada equipe técnica a seleção dos métodos mais apropriados, ou parte deles, de acordo com as atividades escolhidas. Assim sendo, a definição da metodologia de avaliação de impactos ambientais consiste em definir os procedimentos lógicos, técnicos e operacionais capazes de permitir que o processo, antes referido, seja completado. Há, basicamente, as diferentes linhas metodológicas desenvolvidas para a avaliação de impactos ambientais: Metodologias espontâneas (Ad hoc), Listagens (Check-list), Matrizes de interações, Redes de interações (Networks), Metodologias quantitativas, Modelos de simulação, Mapas de superposição (Overlays), Projeção de cenários, entre outras. Está cada vez mais, tornando-se consolidada a necessidade de análises e avaliações abrangentes dos impactos gerados por projetos, planos, programas e políticas. Dessa forma, as metodologias para AIA desenvolvidas nos últimos tempos 57 foram e são, em todos os países, resultados desse tipo de necessidade. Serão identificadas, a seguir, metodologias cujos princípios possam ser utilizados ou adaptados às condições específicas de cada estudo ambiental e de cada realidade local e nacional. A) Metodologias Espontâneas (Ad Hoc) São métodos baseados nas experiências (conhecimentos empíricos) de pesquisadores do assunto e/ou da área em questão. Estas metodologias, se utilizadas isoladamente, deverão desenvolver a avaliação de impactos ambientais de forma simples, objetiva e de maneira dissertativa. São ajustadas para casos com escassez de dados, fornecendo orientação para outras avaliações. Os impactos são identificados geralmente por meio de conjunto de ideias, caracterizando-os e sintetizando-os em seguida por meio de tabelas ou matrizes. Apresentam como vantagem uma estimativa rápida da evolução de impactos de forma organizada, facilmente acessível pelo público. Entretanto, não realizam um exame mais detalhado das interferências e variáveis ambientais envolvidas, normalmente considerando-as de forma bastante subjetiva, qualitativa e pouco quantitativa. B) Metodologia de Listagem (Check-list) A listagem representa um dos métodos mais usados em Avaliações de Impactos Ambientais. Consiste na identificação e ordenações dos impactos, a partir do diagnóstico ambiental realizado por especialistas dos meios físico, biótico e antrópico. Os especialistas deverão relacionar os impactos decorrentes das fases de implantação e operação do empreendimento, classificando-os em positivos ou negativos, conforme o tipo da transformação antrópica que esteja sendo inserida no sistema analisado. Os métodos check-lists são relações padronizadas de fatores ambientais dos quais se identificam os impactos produzidos por um projeto específico. Existem hoje várias listas padronizadas por tipo de projetos (projetos hídricos, autoestradas, etc.) além de listas computadorizadas como o programa Meres, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que calcula a emissão de poluentes a partir de 58 especificações sobre a natureza e o tamanho do projeto. Em algumas vezes a metodologia pode ser apresentada sob forma de questionário a ser respondido, para direcionar a avaliação a ser realizada. Esta metodologia apresenta como proveito seu emprego imediato na avaliação qualitativa de impactos mais importantes. Porém, por não considerar relações de causa/efeito entre os impactos (sequência de alterações desencadeadas a partir de uma ação impactante), é apenas adequada em avaliações iniciais. Pode, de forma limitada, agrupar escalas de valores e ponderações. C) Matrizes de Interações As matrizes de interações são técnicas bidimensionais que relacionam ações com fatores ambientais. Apesar de incorporar parâmetros de avaliação, são métodos basicamente de identificação. As matrizes iniciaram-se a partir das tentativas de suprir as deficiências das listagens (check-list). A mais disseminada nacional e internacionalmente, foi a Matriz de Leopold, elaborada em 1971 para o Serviço Geológico do Interior dos EUA. Essa matriz foi projetada para avaliação de impactos associados a quase todos os tipos de implantação de empreendimentos. A Matriz de Leopold basicamente consiste em, primeiramente, destacar todas as possíveis interações entre as ações e os fatores, para em seguida estabelecer, em uma escala de 1 a 10, a dimensão e a importância de cada impacto, identificando se é positivo ou negativo. Sendo a valoração da magnitude relativamente objetiva ou empírica, porque se refere ao grau de mudança provocada pela ação sobre o fato ambiental, a pontuação da importância é subjetiva ou normativa uma vez que envolve imputação de peso relativo ao fator afetado na esfera do projeto. Torna-se um dos pontos mais críticos das matrizes e dos demais métodos quantitativos, o estabelecimento destes pesos a matriz de Leopold pode ser criticada neste sentido, porque em sua concepção primeira não explicita claramente as bases dos cálculos das escalas de pontuação de importância e da magnitude. Podem ser apontados, também, outros aspectos criticáveis, como a não identificação, analogamente às check-lists, das inter-relações entre os impactos, o que pode levar a dupla contagem ou à subestimativa dos mesmos, bem como o pouco destaque 59 atribuído aos fatores sociais e culturais. Um ponto muito discutido no uso deste tipo de técnica é a importância ou não de se calcular um índice global de impacto ambiental resultante da soma ponderada (magnitude x importância) dos impactos específicos. Diante das diferentes naturezas dos impactos, alguns pesquisadores defendem a não contabilização de índice global, recomendando a elaboração de matrizes para diversas alternativas e a comparação entre as mesmas em nível de cada efeitosignificativo específico. De qualquer forma, é importante salientar que o índice global só poderá ser calculado se houver compatibilização entre as escalas utilizadas para os vários impactos, já que apenas escalas de intervalo ou razão estão sujeitas a manipulação matemática. Dessa forma, efeitos medidos em escalas nominais ou ordinais deverão ser convertidos naquele tipo de escala. Como a matriz de Leopold não especifica, em princípio, as bases de cálculo das escalas, a contabilização do índice, apesar de útil para indicar o grau completo de impacto de um determinado empreendimento, não é aconselhável, a não ser que sejam incorporadas as considerações acima mencionadas. As matrizes atuais, baseadas na matriz de Leopold, correspondem a uma listagem bidimensional para identificação de impactos, permitindo, ainda, a imputação de valores de proporção e importância para cada tipo de impacto. Os impactos positivos e negativos de cada meio (físico, biótipo e antrópico) são localizados no eixo vertical da matriz, de acordo com a fase em que se encontrar o empreendimento (implantação e/ou operação), e com as áreas de influência (direta e/ou indireta). Sendo que alguns impactos podem ser localizados, tanto nas fases de implantação e/ou operação, como nas áreas direta e/ou indireta do empreendimento, com valores diferentes para alguns de seus atributos respectivamente. Cada impacto é, então, localizado na matriz por meio (biótico, antrópico e físico), e cada um contém subsistemas distintos no eixo vertical, sobre o qual os impactos são avaliados nominal e ordinalmente, de acordo com seus atributos. Os atributos de impacto, com suas escalas: nominal (atribuindo qualificações, por exemplo, alto, médio e baixo) e ordinal (atribuindo uma ordenação hierarquizada – por exemplo, primeiro, segundo e terceiro graus), possibilitam uma melhora da análise qualitativa, como se destaca a seguir: 60 - Tipo de ação – primária, secundária e enésima; definidas respectivamente como uma simples relação de causa e efeito – como reação secundária em relação à ação, quando faz parte de uma cadeia de reações, ou como uma relação enésima em relação à ação. - Ignição – imediata, médio prazo e longo prazo; definidas como imediata quando o efeito surge simultaneamente com a ocorrência da ação; e, quando o efeito se manifesta com certa defasagem de tempo em relação à ação, esta variação é considerada como de médio ou longo prazo. - Sinergia e criticidade – alta, média e baixa; definidas como o nível de interatividade entre os fatores, de modo a aumentar o poder de modificação do impacto. - Extensão – maior, igual ou menor do que a bacia hidrográfica; definidas respectivamente quando o impacto sobre o subsistema abrange uma área maior, igual ou menor do que a bacia hidrográfica em questão. - Periodicidade – permanente, variável e temporária; definidas respectivamente quando os efeitos não cessam de se manifestar enquanto durar a ação, ou quando não se tem conhecimento preciso de quanto tempo vai durar um determinado efeito e, ainda, quando o efeito tem duração limitada. - Intensidade – alta, média e baixa; definidas pela quantificação da ação impactante. Os estudos nominais e ordinais dos atributos são utilizados para determinação da dimensão e importância dos impactos, sendo a dimensão definida como a medida de gravidade de alteração do valor de um parâmetro ambiental. Dessa maneira, a dimensão é a soma dos valores determinados para os atributos extensão, periodicidade e intensidade. Já a importância do impacto é a medida de significância de um impacto. Logo, a importância é o resultado da soma dos valores de dimensão e dos atributos de ação, ignição e criticidade. Os componentes de cada fase do empreendimento e por área de influência apresentam também uma dimensão e importância médias de impactos positivos e negativos que são calculados. Portanto, a magnitude por meio (físico, biótico e antrópico, ou socioeconômico) é a média das dimensões totais, e a importância dos impactos em cada meio é representada pela média das importâncias totais de cada 61 subsistema ambiental. O método permite uma fácil compreensão dos resultados; aborda fatores biofísicos e sociais; acomoda dados qualitativos e quantitativos, além de fornecer boa orientação para o prosseguimento dos estudos e introduzir multidisciplinaridade. D) Redes de Interações (Network) Esse método estabelece uma sequência de impactos ambientais a partir de uma determinada intervenção, utilizando método gráfico. A rede mais difundida e conhecida é a de Sorensen (1974). Há outros sistemas de redes, como o método CNYRPAB (utilizado com frequência nos EUA), o Bereano (no Alasca) e considerações do Banco Mundial sobre redes de interações modificadas, como muitas utilizadas no Brasil. As redes têm por objetivo as relações de precedência entre ações praticadas pelo empreendimento e os consequentes impactos de primeira e demais ordens. Apresentam como vantagens o fato de permitirem uma boa visualização de impactos secundários e demais ordens, principalmente quando computadorizadas, e a possibilidade de introdução de parâmetros probabilísticos, mostrando tendências. Visam, também, a orientar as medidas a serem propostas para o gerenciamento dos impactos identificados, isto é, recomendar medidas mitigadoras que possam ser aplicadas já no momento de efetivação das ações causadas pelo empreendimento e propor programas de manejo, monitoramento e controle ambientais. E) Metodologias Quantitativas Os métodos quantitativos pretendem relacionar valores às considerações qualitativas que possam ser estabelecidas quando da avaliação de impactos de um projeto. Um dos métodos quantitativos mais importantes foi o apresentado pelo Batelle Columbus Laboratories, em 1972, para o US Bureau of Reclamation. O método utiliza, basicamente, indicadores de qualidade ambiental representados por gráficos que relacionam o estado de determinados segmentos ambientais a um estado de qualidade variando de 0 a 1. Os indicadores são denominados como parâmetros, oferecendo 71 gráficos de qualidade ambiental a 62 eles relacionados. Utiliza ainda um peso relativo para cada fator, comparando-os sob um julgamento subjetivo. Por fim estipula, para cada parâmetro considerado. A diferença, entre o referido produto e o peso relativo do parâmetro considerado na fase anterior ao empreendimento e o produto verificado em cada fase do empreendimento (implantação e operação), determina os impactos que poderão ser gerados pelo projeto. A determinação do grau de impacto líquido para cada parâmetro ambiental é dada pela expressão: Onde: UIA = unidade de impacto ambiental UIP = unidade de importância QA = índice de qualidade ambiental A contabilização final é feita por meio do cálculo de um índice global de impacto, dado pela diferença entre a unidade de impacto ambiental total com a realização do projeto e a unidade de impacto ambiental sem a realização do projeto, ou seja: a) UIA com projeto – UIA sem projeto = UIA por projeto b) UIA = UIP x QA O método Batelle apresenta a vantagem de prover os analistas com boas informações para caracterizar uma dada situação ambiental, com termos de previsão dos impactos que possam ser gerados. A subjetividade do método pode ser diminuída pelo uso de técnicas Delphi, utilizando equipes multidisciplinares. F) Modelos de Simulação São modelos relacionados à inteligência artificial ou modelos matemáticos, destinados a representar tanto quanto possível o comportamento de parâmetros ambientais ou as relações e interações entre as causas e os efeitos de determinadas ações. São bastante úteis em projetos de usos múltiplos e podem ser utilizados mesmo após o início de operação de um projeto. São, assim, capazes de processar variáveis qualitativase quantitativas e incorporar medidas de magnitude e importância de impactos ambientais. Podem se adaptar a diferentes processos de decisão e facilitar o envolvimento de vários participantes no referido processo. Requer pessoal técnico e experiente, bem como exigem programas e emprego de 63 equipamentos apropriados e dispendiosos. Entretanto, observam-se, por vezes, dificuldades quanto à comunicação e consequente entendimento do público, gerando imperfeições para futuras decisões. Observa-se a existência de limite de variáveis a serem estudadas, sendo necessário, portanto qualidade de dados para alimentação dos modelos. G) Mapas de Superposição (Overlay Mapping) As técnicas cartográficas são utilizadas na localização/extensão de impactos, na determinação de aptidão e uso de solos, na resolução de áreas de relevante interesse ecológico, cultural, arqueológico, socioeconômico; logo, em zoneamentos e gerenciamentos ambientais. Perfeitamente adaptável a diagnósticos e avaliações ambientais, tal metodologia consiste na confecção de uma série de cartas temáticas, uma para cada compartimento ambiental. Esses mapas desenhados em material transparente, quando sobrepostos, orientam os estudos em questão. Estas cartas se interagem para produzir a síntese da situação ambiental de uma área geográfica, podendo ser elaboradas de acordo com os conceitos de vulnerabilidade ou potencialidade dos recursos ambientais (segundo se desejam obter cartas de restrição ou de aptidão do solo). Essa metodologia é útil para a localização de conflitos de uso e outras questões de dimensão espacial, como a comparação entre alternativas a serem analisadas num Estudo de Impacto Ambiental de um determinado empreendimento. H) Projeção de Cenários O método de Projeção de Cenários está baseado na análise de situações ambientais prováveis em termos de evolução de um ambiente (cada situação corresponde a um cenário) e/ou de situações hipotéticas, referentes a situações diferenciadas geradas por proposição de alternativas de projetos e programas. Tem por objetivo orientar as autoridades governamentais no cumprimento de suas metas de longo prazo, por meio de indicadores de tendências prováveis. As variáveis a serem analisadas terão maior ou menor grau de influência na determinação dos estudos futuros dos sistemas ambientais. Os cenários surgem a partir da ação contínua do(s) planejador(es) e do ambiente a ser estudado, incluídos 64 aí fatores naturais e de externalidades. Os cenários podem ser classificados em três categorias: 1. Cenários evolutivos e antecipatórios – Os cenários evolutivos descrevem as trajetórias do sistema em estudo, desde o presente até um horizonte dado, procurando ver as consequências de decisões tomadas hoje e no futuro próximo. Já os cenários antecipatórios descrevem um estado futuro do sistema, omitindo considerações de como chegar lá. 2. Cenários tendenciais e cenários alternativos – A distinção entre tendências e alternativas está no escopo da análise. Nos cenários tendenciais, políticas e situações não diferem radicalmente das tradicionais; para alternativos, no entanto, procura-se investigar possibilidades estruturalmente distintas daquelas. 3. Cenários exploratórios e cenários normativos – Os cenários exploratórios procuram, para uma dada situação, analisar as consequências de várias políticas escolhidas a priori ou de maneira interativa; ao contrário, os normativos estabelecem as consequências desejadas e procuram determinar, para cada situação, que políticas permitem atingir a meta desejada. Na construção de cenários, os referidos autores apontam como primeira etapa a construção de uma base, ou seja, a imagem do estado atual do sistema a partir da qual o estudo prospectivo pode se desenvolver. Quando este método é adaptado para os Estudos de Impacto Ambiental, o que ocorre é a elaboração de alguns tipos básicos de estudo: os cenários das alterações ambientais com e sem a implantação e/ou operação do empreendimento em questão e as alternativas construtivas do referido projeto. Uma dificuldade que o uso de cenários apresenta é a necessidade de filtrar apenas as hipóteses plausíveis, o que exige o estabelecimento arbitrário de grande quantidade de coeficiente de impacto entre os eventos e as variáveis e políticas consideradas, normalmente condicionadas à probabilidade ou níveis de coerência. APLICABILIDADE DA AIA Com o advento da Revolução Industrial, o mundo passou por grandes transformações, seja no campo tecnológico, como no aproveitamento de seus 65 recursos naturais. Além disso, a população avançou cientificamente e culturalmente, conquistando novos conhecimentos e ampliando produtos, consumo e trocas de mercadorias entre as nações. O problema da absorção dessas produções em todas as esferas (por causa do desenvolvimento acelerado e da disputa pelo poder mundial que aumentou o poder econômico) gerou recursos naturais que são utilizados de forma indiscriminada e com pouco ou até mesmo nenhuma preocupação sobre a renovação dos mesmos. Como visto, os impactos ambientais tiveram atenção a partir da lei federal NEPA, em 1969 nos Estados Unidos, que passou a exigir ações efetivas através da política nacional do meio ambiente, tornando a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) um instrumento importante para as tomadas de decisões relacionadas às atividades que se utilizam dos recursos naturais. A partir desse foco, a sociedade começa a se mobilizar por uma atitude coerente com seus recursos naturais, na busca pela renovação das áreas destruídas pelo desenvolvimento e também pelo uso de novas áreas com responsabilidade ambiental. O processo de implantação de obras no Brasil assume hoje um papel diferente do início da colonização e industrialização. Porém, são evidentes as deficiências no processo de gestão ambiental, que deveria promover uma menor interferência antrópica por meio de estudos direcionados e coordenados que objetivem a conservação e monitoramento dos recursos naturais, associados a um crescimento socioeconômico. A concepção da AIA foi idealizada com o intuito de reduzir os impactos ambientais e aplicar métodos para o desenvolvimento da AIA, pois são mecanismos que auxiliam na identificação, reunião e organização de dados sobre impactos ambientais pertinentes ao empreendimento proposto. É importante ressaltar que estão incluídos na AIA, os seguintes aspectos: dimensões de conservação da capacidade de suporte dos ecossistemas e qualidade do ambiente, dimensões socioculturais, econômicas e institucionais. (STACHETTI; CAMPANHOLA, 2003). De acordo com Moreira (1985) a AIA é capaz de assegurar desde a implantação de um processo, a realização de análises sistemáticas dos impactos 66 ambientais, bem como as possíveis alternativas para retardar ou mesmo minimizar seus efeitos. Portanto, infere-se que a AIA auxilia na tomada de decisão pautada em planos, políticas e novas tecnologias, e se detém às ações propostas. Segundo La Rovere (2001), para que seja determinado um processo de AIA, alguns aspectos devem ser considerados, podendo-se destacar: • Conhecimento da localização e do processo operacional das possíveis alternativas da proposta em estudo; • Descrição do local do estudo e do empreendimento; • Delimitação dos perímetros geográficos da área estudada; • Avaliação dos impactos previstos nas seguintes etapas: licença de prévia (LP), licença de implantação (LI) e licença de operação (LO); • Definição de medidas mitigadoras e do programa de monitoramento; • Fixação de um padrão de qualidade ambiental desejado após a implementação do projeto. Desse modo, a aplicação da AIA pode acontecer em dois momentos: avaliação “ex-ante” – é desenvolvida anteriormente a ação potencialmente impactante ou “ex–post” depois dela. Umexemplo de uma avaliação “ex-ante” é o registro de um herbicida novo, já a avaliação “ex-post” para o mesmo produto – herbicida seria após o seu uso (SPADOTTO, 2002). Portanto, todo processo de desenvolvimento socioeconômico gera impactos diretos sobre o meio ambiente e suas consequências refletem de forma negativa, e de maneira mais pronunciada em determinados grupos sociais ou elementos. SANEAMENTO BÁSICO 67 É uma atividade econômica direcionada a sociedade que visa o abastecimento de água potável encanada, coleta e tratamento de esgoto, além de controlar pragas e agentes patogênicos, promovendo assim a saúde das comunidades. Trata-se basicamente de serviços prestados por empresas estatais ou públicas, e que é essencial para população devido a sua importância para a saúde e o meio ambiente. Este setor de saneamento apresenta investimentos elevados, pois constantemente são realizadas obras e melhorias. O saneamento básico, por definição: é o conjunto de medidas, visando a preservar ou modificar as condições do ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde. Saneamento básico se restringe ao abastecimento de água e disposição de esgotos, mas há quem inclua o lixo nesta categoria. Outras atividades de saneamento são: controle de animais e insetos, saneamento de alimentos, escolas, locais de trabalho e de lazer e habitações (SABESP, 2008, p.21). Portanto, a atividade de saneamento tem por objetivos: controle e prevenção de doenças, melhoria da qualidade de vida da população, melhorar a produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica. A aplicação da AIA para estes projetos de saneamento consiste numa etapa importante, pois atua como direcionador para as demais fases, pois influencia desde a concepção do sistema até o detalhamento do projeto, bem como na formulação, elaboração e seleção de alternativas para a viabilidade do projeto proposto. Num projeto de esgotamento sanitário ou de abastecimento de água, é de estrema importância à avaliação da viabilidade ambiental, bem como a viabilidade técnica, por assumir caráter de condicionante nas alternativas a serem analisadas, e verificando predominância dos critérios ambientais em relação aos critérios econômicos. No entanto, durante muito tempo foram desconsiderados os eventuais impactos negativos ao ambiente associados a este tipo de projeto. Por exemplo, resíduos sólidos são lançados em corpos d´água como rios e mares, ou mesmo a céu aberto, que resultou em comprometimento de mananciais, ou pelas excessivas retiradas de água modificaram ecossistemas. De acordo com a publicação da Resolução n0 001 do CONAMA 23/01/1986 68 (alterada pelas Resoluções nº 11/86, nº 05/87, e nº 237/97), na qual sistemas de esgotamento sanitário são citados como exemplos de atividades causadoras de alteração ambiental significativa. Com relação à definição de significância ou insignificância de alterações ambientais observam-se diferentes abordagens, principalmente da escolha de projetos de saneamento que necessitam investigação detalhada e sistemática de seus impactos ambientais. São estes os critérios que direcionam as abordagens relacionadas ao projeto de saneamento: • conforme o tipo ou gênero da atividade, análise dos prováveis impactos das ações a serem executadas nas diversas fases projeto (empreendimento); • porte do empreendimento - é avaliada a área de implantação, a extensão, o custo financeiro, a intensidade de utilização dos recursos naturais; • qualidade ambiental da área de influência do empreendimento – é analisada a área considerando sua fragilidade ambiental, grau de saturação em relação a um ou mais poluentes em seu estágio de degradação. QUANTO À ESPECIFICIDADE Embora os tipos de projetos de saneamento sejam variados, como uma simples ampliação de rede de coleta de esgoto de uma cidade, ou a implantação de um completo sistema de abastecimento de água destinado a um novo assentamento urbano e até mesmo a construção de uma estação de tratamento de esgotos (ETE). São observadas intervenções complementares ao projeto de saneamento, devido à necessidade de uma adequada avaliação dos impactos potenciais independe do tipo de projeto. 69 Abastecimento de água Os sistemas de abastecimento de água compreendem basicamente os seguintes componentes ou etapas (Tabela 1). No entanto, deve-se ressaltar que as características locais são determinantes, e que não há obrigatoriedade destes componentes estarem presentes em todos os sistemas. Em caso de empreendimento já existente, pode ocorrer que o mesmo consista de uma ampliação ou adequação de um sistema. Tabela: Componentes de sistema de abastecimento de água. Captação Captação da água do manancial, podendo ser feita por meio de tomada direta ou utilizando sistema de bombeamento. Adução Transporte da água entre duas unidades do sistema de abastecimento, por meio de tubulações ou canais (adutoras). Tratamento Conjunto de processos adotados, visando transformar água bruta em água potável. Reservação Acumulação da água em reservatórios. Rede de distribuição Tubulações dispostas nas vias públicas, para efetuar o fornecimento de água às edificações, podendo incluir estações elevatórias ou de recalque, dependendo da topografia do terreno. FONTE: Banco do Nordeste (1999) Nesse caso existem impactos positivos por se tratar do abastecimento de água, sendo este um serviço que assegura melhoria da saúde e do bem-estar da população. E segundo Reali (1998), a água adequada ao consumo humano, deve obedecer a padrões de potabilidade, ou seja, não devem possuir odor e sabor 70 objetáveis (organolética), devem ter aspecto agradável; não ter cor e turbidez acima do padrão de potabilidade (física), não conter substâncias nocivas ou tóxicas acima dos limites de tolerância para o homem (química) e não conter germes patogênicos (biológica) estabelecidos pelo Ministério da Saúde - Portaria 36/GM de 19/01/1990. Já os impactos negativos estão associados à localização do empreendimento, vulnerabilidade da área de influência, à má escolha de técnicas construtivas e à operação dos sistemas. Tabela: Relação dos impactos ambientais potenciais e medidas atenuantes referentes ao abastecimento de água. IMPACTOS AMBIENTAIS POTENCIAIS MEDIDAS ATENUANTES • dificação dos cursos d'água. • Alteração do balanço hídrico. • Remoção da vegetação; • Erosão das margens e assoreamento dos cursos d'água; • Alteração da fauna e da flora aquática e terrestre; • Rebaixamento do lençol freático. • Implantar programas de proteção ambiental dos mananciais, mediante a recuperação e manutenção das matas ciliares, conservação dos solos e do planejamento territorial. • Implantar sistemas de medição e controle da qualidade e quantidade da água, permitindo a vigilância da contaminação. • Análise e avaliação do uso atual das águas superficiais em toda a área dos mananciais de tal forma a adotar medidas preventivas e corretivas, legais e operacionais. • Riscos de danos à saúde pública por consumo de água contaminada, por falha no sistema de tratamento e/ou vazamento/infiltração na rede. • Realizar controle sanitário em pontos estratégicos e críticos da rede. • Desperdício de água por falhas no sistema de distribuição. • Implantar programas de prevenção do desperdício. 71 • Contaminação do solo e de águas superficiais e subterrâneas, pela disposição inadequada do lodo e águas residuais do sistema de tratamento (limpeza de filtros e decantadores). • Implantar tecnologia adequada para reutilização das águas residuais. • Implantar sistema de disposição adequada ao lodo do sistema de tratamento. • Alteração do fluxo de veículos e tráfego durante a implantação das obras. • Informar acomunidade afetada e implantar sistema de sinalização adequado para minimizar riscos de • acidentes • Geração de poluição atmosférica (emissão de poeira) e ruídos durante a execução das obras civis e geração de ruídos na operação do sistema de captação e tratamento. • Selecionar locais adequados para implantação dos sistemas de captação e tratamento, evitando a proximidade de áreas populosas. • Planejar corretamente a execução das obras, evitando horários inadequados dos trabalhos. • Planejar a implantação dos equipamentos geradores de ruídos para áreas que não afetem a comunidade ou implantar isolamento acústico nas fontes geradoras de ruídos dos sistemas de tratamento e captação. • Envolvimento da comunidade para conhecimento das obras e seus impactos ambientais potenciais. • Riscos de acidentes ambientais e de trabalho provocados por vazamentos de produtos químicos, em especial o cloro. • Implantação de medidas de segurança na unidade de armazenamento, no laboratório e na unidade de tratamento. • Implantação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. • Riscos de acidentes por falhas no sistema de bombeamento, adução ou reservação. • Implantação de sistema de alerta e comunicação entre as unidades. FONTE: Banco do Nordeste (1999) 72 Sistemas de esgotamento sanitário Esgoto - termo utilizado para designar as águas que apresentam características alteradas depois de utilizadas nas diversas atividades humanas, podendo ser empregadas em empreendimentos comerciais, industriais ou doméstico. Também são designadas como águas residuais ou águas servidas. O retorno do esgoto ao meio ambiente deverá passar pelo tratamento de águas residuais, se necessário. Para posteriormente ser lançado em um corpo receptor como: rio, lago ou mar. Os sistemas de esgotos incluem um ou mais componentes como: rede coletora, interceptores, estações elevatórias, estações de tratamento e emissários. Assim como ocorre o abastecimento de água, não todos os componentes que estão presentes e é comum ser analisado uma ampliação ou adequação de um sistema preexistente. As principais características de um sistema de esgotamento sanitário é o potencial de carga poluidor das redes coletoras que poderá induzir uma deterioração do corpo receptor, bem como a biota aquática, e até prejudicar outros usuários como espécies de animais e vegetais. 73 Tabela: Relação dos impactos ambientais potenciais e medidas atenuantes referentes à atividade tratamento de esgoto. IMPACTOS AMBIENTAIS POTENCIAIS MEDIDAS ATENUANTES • Modificação do equilíbrio da bacia hidrográfica pela coleta de grandes áreas. • Alterações nos habitat da flora e fauna aquática durante a construção do sistema. • Avaliar, durante o planejamento, a utilização de tecnologias de menor impacto, como por exemplo, sistemas regionais e comunitários de pequeno porte. • Planejar adequadamente a localização, processo de tratamento e lançamento dos efluentes, de forma a não comprometer a qualidade do corpo hídrico receptor. • Implantar sistemas de monitoramento e acompanhamento das obras, em especial de erosões e sedimentação dos cursos de água durante as obras. • Modificação temporária das condições de • Implementar programas especiais que vida da população durante a execução das obras. envolvam a comunidade no conhecimento dos impactos e medidas atenuantes durante a execução das obras. • Adotar medidas que minimizem as interferências no fluxo de veículos, circulação de pedestres, geração de ruídos e de material particulado, durante a execução das obras. • Produção de odores e ruído do processo de tratamento e de operação do sistema de alimentação de lodo. • Planejar a localização das unidades compatíveis com o uso do solo regional, com tecnologia adequada e com sistema de eliminação e controle de odores. 74 • Comprometimento do solo, culturas agrícolas ou águas subterrâneas e/ou proliferação de vetores transmissores de doenças pelo manejo e eliminação de lodo. • Realizar o planejamento que assegure o uso de tecnologia para manejo, tratamento e destinação adequada do lodo, considerado também a possibilidade de aplicação no solo e em cultivos agrícolas. • Riscos de acidentes à acumulação de gases na rede coletora. • Estabelecer medidas de segurança e capacitação da equipe responsável pela manutenção da rede coletora. • Riscos de contaminação e comprometimento da saúde pública, devido ao vazamento (transbordamento) e a acumulação de esgoto bruto, ou ainda por falha no fornecimento de energia para o tratamento. • Estabelecer programa de monitoramento e manutenção sistematizada do sistema de coleta, bombeamento e tratamento, com a limpeza periódica da rede. • Implantar sistema de alerta por falhas no sistema de bombeamento e/ou tratamento. • Conscientizar a comunidade sobre os riscos de dispor resíduos sólidos na rede coletora. • Implantar conjunto de geradores de energia (automáticos) • Desmatamento de áreas para implantação das estações. • Reflorestamento de áreas equivalentes. FONTE: Banco do Nordeste (1999) Em geral, estas obras propiciam impactos ambientais positivos quando avaliados seus efeitos sobre a população, por melhorar as condições da saúde pública da população e também por eliminar uma fonte poluidora para o meio ambiente. 75 USINAS HIDRELÉTRICAS OU PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS (PCH) São complexos arquitetônicos, ou seja, um conjunto de obras e equipamentos, e têm por objetivo principal a produção de energia elétrica através do aproveitamento do potencial hidráulico existente nos rios. No entanto, este tipo de empreendimento gera impactos ambientais como, por exemplo, o alagamento das áreas circunvizinhas, aumento no nível dos rios, mudança no curso do rio represado causando prejuízos diretos ao meio ambiente devido à alteração do ecossistema local, além de impactar diretamente a fauna e a flora da região, em geral, decorrente da formação do reservatório. A dimensão do impacto depende de características do empreendimento, como o tamanho do reservatório, e do ambiente, como a composição, estrutura e situação da fauna e da vegetação na área do reservatório. Esse impacto pode ser direto, como a morte dos animais por afogamento, e indiretamente com a supressão de recursos, tais como o habitat, alimentos, rota de migração. Esse impacto é permanente e inevitável, no entanto, pode ser mitigado (VASCONCELLOS, 1999). Contudo, trata-se de um tipo de energia barata em relação a outras, como a energia nuclear, além de ser menos prejudicial ao meio ambiente se comparada, por exemplo, com a energia produzida a partir do petróleo ou a do carvão. Porém a energia elétrica é fundamental para o desenvolvimento econômico e social, auxiliando também na qualidade de vida humana. É importante ressaltar que a viabilidade técnica de cada empreendimento deve ser analisada por profissionais especializados, e mesmo assim os impactos positivos e negativos estão intrínsecos neste tipo de empreendimento. Por este motivo projetos direcionados para energia elétrica, embora planejados, devem ser norteados pela aplicação da AIA, pois geram impactos negativos significativos sobre o meio ambiente e às populações vizinhas aos empreendimentos. Atividades relacionadas a empreendimentos elétricos como transmissão, distribuição e geração de energia estão subordinadas à legislação federal, estadual e municipal referente à preservação do meio ambiente. A empresa que violar a 76 legislação ambiental fica sujeita a significativas multas e restrições da sua atividade. Impactos Ambientais Mesmo com a aplicação da AIA, bem como da legislação ambiental específica de formacorreta, apontando os impactos gerados por uma hidrelétrica, as ações mitigadoras desses impactos não alcançam a eficiência necessária para compensar os efeitos negativos. É importante ressaltar que cada rio apresenta características únicas e específicas, como espécies da fauna e flora que em algumas vezes são endêmicas da região, vazões e ciclos particulares. Além disso, e não menos importante é a presença de populações morando em seu entorno, com realidades econômicas e sociais variadas. a) Perda da biodiversidade – a inundação de áreas com vegetação e florestas nativas sofrem os impactos mais evidentes da implantação de hidrelétricas, pois inúmeras vezes estas são construídas em áreas remanescentes de florestas, devido às condições de relevo. Para a formação dos lagos ocorre o desmatamento e a sapecagem, em alguns casos, para aumentar a limpeza da área, antes do alagamento, o que irá influenciar numa menor ocorrência de eutrofização. Nessas áreas, além das perdas relacionadas à fauna silvestre e flora, também ficam comprometidas belezas cênicas, como as observadas com a instalação da hidrelétrica de Itaipu que inundou as Cachoeiras de Sete Quedas, hidrelétrica de Itá que inundou o Estreito do Rio Uruguai, dentre outros exemplos. Pode-se afirmar que a instalação deste tipo de empreendimento acaba por destruir belas paisagens com o alagamento b) Qualidade da água – com a interrupção no curso normal do rio, diversas mudanças ocorrem na composição química da água, na velocidade e na temperatura resultando em consequências diretas sobre a qualidade da água. É sabido que as águas mais profundas de um reservatório apresentam-se mais frias no verão e mais quentes no inverno, enquanto que as águas superficiais são mais quentes. Os efeitos dessas modificações na temperatura alteram os ciclos 77 de vida aquática, tais como procriação, metamorfose, etc. Outro acontecimento frequentemente observado, nos lagos originados de usinas hidrelétricas é a decomposição do material vegetal e do solo presentes no reservatório que estão submersos pelas águas. Pode ocorrer redução da quantidade de oxigênio diluído na água devido à decomposição desse material, além da produção de gases tóxicos e liberação de carbono para a atmosfera. Ressalta-se que no Brasil, a decomposição desta matéria orgânica levará décadas para ser totalmente decomposta, em virtude das condições climáticas. c) Erosão e depósito de sedimentos – normalmente sedimentos são transportados nos cursos normais, provenientes do solo e das rochas existentes nas margens dos rios. No entanto, com a construção de uma barragem esse processo é interrompido e é notado que as águas passam a correr mais lentamente no reservatório e acabam por serem depositados no fundo do reservatório devido à presença de obstáculo (barragem) para o escoamento. As barragens influenciam no nível do rio, para que haja um abastecimento constante de água nas turbinas, para tanto é realizado controle no volume de água presente no reservatório e também da que é liberada rio abaixo. Nos períodos de estiagens o nível do rio abaixa ficando praticamente seco, sendo verificado muitas vezes o descumprimento da norma legal de deixar no rio a sua vazão mínima. Este tipo de procedimento influência diretamente na biodiversidade, no abastecimento público de água a população, além de afetar outras atividades econômicas. Tabela – Enumeração dos impactos diretos sobre o meio físico-biótico e o socioeconômico, observados durante a construção de uma UHE. Meio físico-biótico Meio socioeconômico - desmatamento para instalação de um canteiro de obras, alojamento, vila residencial e estradas; - demanda de mão de obra para construção civil; tendência à criação de focos de prostituição;" - terraplanagem para instalação das obras de apoio: cortes e aterros, intercepção de drenagem e alteração das cabeceiras ou bacias de captação; 78 - serviços de construção dos diques e barragens no leito principal e nos pontos de fuga de água, criando extensas áreas de empréstimo; - crescimento demográfico intenso com surgimento de favelas; - abertura do canal de desvio do leito fluvial e cortes no solo e na rocha, gerando grande volume de rejeito de fragmentos de rochas e de material de alteração que não se presta ao uso em aterros; - aparecimento de comércio clandestino; - ampliação da atividade de caça e pesca nos arredores do empreendimento levado até ao desaparecimento de espécies animais; - incremento do comércio legal em face da demanda de consumo; - interferência na demanda por escolas, professores e por serviços médico- hospitalares; - mudança nos hábitos e costumes dos nativos; - conflitos entre população residente e os forasteiros; - alteração nos custos de serviços (preço de mão de obra); - absorção parcial da mão de obra local para serviços de serventes e auxiliares; - atração de mão de obra agrícola para a construção; - adensamento no tráfego com veículos de serviços e transporte urbano; -deficiências infraestruturais (escolas, hospitais, água tratada, esgotos, energia elétrica, habitações populares); - elevação de preços de mercadorias e serviços FONTE: Autor desconhecido. OLIVEIRA, W. Os impactos socioambientais motivados pela UHE de Porto Primavera no Município de Anaurilândia – MS. Tese de doutoramento. Depto. de Geografia FCT – UNESP, Presidente Prudente, 2003. Os principais impactos socioeconômicos provocados pela implantação de uma usina hidrelétrica são: a criação de expectativas, alteração do cotidiano da população, alteração demográfica, intensificação do tráfego, alteração no quadro de saúde, perda de terras e benfeitorias, desestruturação da unidade de produção familiar e interferência no fluxo turístico da região. Ë importante frisar que os impactos ambientais e socioeconômicos também são observados nas diferentes fases de implantação do empreendimento, por exemplo, na fase de 79 enchimento do reservatório, como na fase de término da construção. Tabela – Enumeração dos impactos diretos sobre o meio físico-biótico e o socioeconômico, observados durante a fase de enchimento e operação de uma UHE. Meio físico-biótico Meio socioeconômico - necessidades de desmatamento da área a ser inundada; - desalojamento de populações ribeirinhas rurais e urbanas; - ocupação de extensas áreas de terras pela água; - interferência em bens de valor afetivo, cultural, religioso; - eliminação de grande volume de biomassa vegetal; - inundação de sítios arqueológicos; - afugentamento ou eliminação da fauna terrestre e alada; - desalojamento de populações nativas; - alteração no regime fluvial do rio; - envolvimento de áreas e aldeias indígenas; - regularização da vazão; - inundações de áreas agrícolas, tornando as pequenas propriedades inviáveis economicamente; - ambiente aquático passa de água corrente para lacustre; - criação de dificuldades de circulação e comunicação entre comunidades vizinhas; - alteração na qualidade da água dos peixes; - desestruturação das famílias de origem rural que, às vezes são transferidas para áreas muito distintas; - submersão de recursos minerais necessários para o futuro; - condicionamento de concentração fundiária em que predominam as pequenas e médias propriedades rurais; - geração de extensos remansos de águas rasas, favorecendo o desenvolvimento de insetos; - criação de um falso pico de desenvolvimento local, que tende a se esgotar com o término da construção e entrada em operação; 80 - surgimento de extensas áreas de penínsulas e ilhas que dificultam a comunicação terrestre; - erosão e deslizamento nas margens do reservatório; - assoreamento nos remansos. OLIVEIRA, W. Os impactos socioambientais motivados pela UHE de Porto Primavera no Município de Anaurilândia– MS. Tese de doutoramento. Depto. de Geografia FCT – UNESP, Presidente Prudente, 2003. Segundo Oliveira (2003), ao término da construção da UHE são observados impactos estritamente relacionados com esta fase, são eles: intensa liberação de mão de obra, desaceleração brusca na economia local, grande quantidade de mão de obra ociosa ou subempregada, desequilíbrio social pela queda do nível de renda, grande número de residências abandonadas (vila residencial), equipamentos ociosos no setor de infraestrutura e o esvaziamento demográfico com forte emigração urbana. DESMATAMENTOS Os processos de desmatamento advêm da intensa atividade humana, que envolvem os setores de produção e economia. Além de estar diretamente ligada ao aumento da densidade demográfica. Como consequência, reduz a capacidade do meio ambiente em absorver dióxido de carbono, causador do efeito estufa, agravando o problema do aquecimento global. Além disso, a retirada da cobertura vegetal ocasiona: a degradação do solo, erosões, perdas de biodiversidade, aumento de áreas em processo de desertificação, modificações climáticas e na hidrografia. A atividade de extrativismo vegetal coloca em risco diversos tipos de vegetações distribuídas no mundo, por exemplo, em países como a Indonésia e o Canadá com florestas temperadas e no Brasil pela presença de florestas tropicais. No Brasil, os estados mais castigados com o processo de desmatamento são Pará e Mato Grosso, sendo este o campeão em área desmatada, embora tenha ocorrido uma redução nos últimos anos. Ressalta-se que os principais fatores que agravam o processo de 81 desmatamento em nosso País são as atividades madeireiras, pecuária e o cultivo de monoculturas, principalmente soja. Sendo que estas atividades em sua maioria operam ilegalmente, especialmente na Amazônia, onde os danos são cada vez maiores e mais intensos. Impactos ambientais e sociais São inúmeros os impactos ambientais causados pelo desmatamento e dentre eles está à emissão de gases que contribuem para o efeito estufa e o uso de combustíveis fósseis nas atividades humanas em países desenvolvidos. Com relação à emissão de gases de efeito estufa, estima-se que o desmatamento seja responsável por 10% a 35% das emissões globais anuais, sendo o principal deles, proveniente das florestas tropicais. O desmatamento tropical e a degradação das florestas são responsáveis pela perda de biodiversidade no planeta, além de contribuir para a extinção de diversas espécies. Sabe-se que as modificações no clima também são decorrentes do desmatamento, podendo afetar ecossistemas e espécies de diversas maneiras, por este motivo, são avaliadas como sendo uma ameaça adicional à biodiversidade. Os efeitos das mudanças climáticas sobre as florestas tropicais podem ser irreparáveis devido a sua suscetibilidade, comprometendo o ciclo das águas e o balanço de carbono na atmosfera, representando assim, uma grande ameaça à biodiversidade das florestas tropicais. A influência mútua entre o desmatamento e as mudanças climáticas revela um aumento na vulnerabilidade das florestas tropicais aos incêndios florestais e a conversão de florestas em ecossistemas mais secos e com baixo número de espécies. Porém, não são apenas o clima e a biodiversidade que são afetados. Milhares de pessoas que vivem e dependem das florestas também são ameaçadas, por exemplo, as comunidades indígenas na Amazônia e comunidades locais e tradicionais que são frequentemente associadas à violência e ameaçados de serem expulsos de suas terras, ficando sujeitos ao trabalho escravo e degradante. 82 Tabela– Efeitos relacionados desmatamento. EFEITOS DO DESMATAMENTO REDUZ A PROTEÇÃO DO SOLO – perda da proteção natural, que consiste numa camada de terra rica em nutrientes inorgânicos e materiais orgânicos que permitem o crescimento da vegetação, além da presença de vegetação com diferentes alturas que atuam como degraus, reduzindo o impacto da água das chuvas; AUMENTA A PREDISPOSIÇÀO À EROSÃO – com o impacto das chuvas no solo desprotegido aumenta o carregamento das partículas superficiais do solo, deixando- o susceptível ao processo de erosão; DIMINUI A ABSORÇÃO DE CARBONO, PROMOVIDO PELAS FLORESTAS – o desflorestamento aumenta as emissões de dióxido de carbono que tem efeitos danosos ao ambiente; INTERFERE NA ESTABILIDADE DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS - com a retirada da cobertura vegetal, reduzem a quantidade de água evaporada do solo e a produzida pela transpiração das plantas, acarretando uma diminuição das chuvas e influenciando no ciclo das águas; PERDA DE PRODUTIVIDADE – influenciada pela redução de macros e micronutrientes do solo, além de materiais orgânicos que atuam no crescimento da vegetação. O desmatamento é, portanto, um problema que atinge grandes proporções. São necessárias ações urgentes para combatê-lo e assim ajudar a prevenir as mudanças climáticas. PROJETOS DE TRANSPORTES As consequências do crescimento populacional ocasionam problemas relacionados à mobilidade, especialmente a urbana resultante de empreendimentos devido à intensificada demanda por tráfego e fatores sociológicos e culturais. Sendo que por meio deste crescimento populacional, a degradação ambiental nas urbes está diretamente ligada com a migração de pessoas do campo para as cidades. 83 Com isso, aumenta a demanda de infraestrutura básica, o que leva a uma degradação mais acentuada do meio. A maioria das atividades humanas desenvolvidas pela engenharia impacta positiva ou negativamente o meio, como visto nas diferentes fases relacionadas aos empreendimentos anteriores, bem como, os sistemas de transporte, além de vários outros não citados. Portanto, a infraestrutura necessária para viabilizar a implantação desses empreendimentos deverá ser cuidadosamente analisada quanto aos impactos econômicos, sociais e ecológicos, sendo esta a maior dificuldade no que se refere à conformidade destes três parâmetros de forma a não inviabilizarem. Com a construção de estradas são gerados impactos irreversíveis ao meio, porém a sua não execução pode causar transtornos maiores quando considerado a probabilidade de acidentes e baixos índices na economia. Impactos ambientais decorrentes da construção de estradas florestais A construção de estradas florestais causa impactos ambientais desde a construção, passando pela manutenção e utilização destas. São observados impactos sobre os meios físico, biótico e antrópico, para que sejam atenuados tais impactos faz-se necessário um planejamento adequado antes de sua construção, de forma que atenda os objetivos deste tipo de empreendimento, bem como adotar medidas mitigadoras e potencializadoras relacionadas aos impactos negativos e positivos. 1) Impactos sobre o meio físico – refere-se principalmente com a emissão de partículas sólidas e gases para atmosfera, enfatizando os fenômenos erosivos, a turbidez e o assoreamento dos corpos d’água, além dos processos relacionados à vazão. 84 a) AR (partículas sólidas e gases) O tráfego de veículos de grande, médio e pequeno porte causa a emissão de gases e poeira para a atmosfera, havendo um desgaste intenso destas estradas pelo tráfego de veículos pesados. A consequência será o aumento de partículas sólidas, sendo que estas são suspensas, resultando na queda da qualidade do ar. As possíveis medidas mitigadoras é a realização de manutenções periódicas nos veículos, especialmente caminhões, para que seja reduzida a emissão de gases. b) Recurso Hídrico (turbidez e assoreamento) O volume de poeira nas estradas nos períodos de estiagem é levado para corpos hídricos quando da ocorrência de chuvas. Ocasionando na turbidez e provável assoreamento de canais de drenagem. Como medidas mitigadoras a construção às margens dasestradas, valas e caixas de retenção para evitar o carreamento de partículas sólidas para os corpos hídricos e promover a revegetação de áreas próximas das bacias. c) Recurso Hídrico (vazão) O intenso tráfego de veículos pesados causa a impermeabilização de parte da malha viária, resultando na baixa infiltração das águas de chuvas no solo, o que reflete no maior escoamento das águas superficiais É recomendado a revegetação destas áreas próximas às bacias. d) Recurso Edáfico (erosão) Ocorrência da desestruturação do solo, devido ao volume de tráfego. São formadas rachaduras no solo que servem de passagem para a descida das águas de chuva, gerando processos erosivos. Também recomendado a revegetação das áreas susceptíveis a estes processos erosivos. 85 2) Impactos sobre o meio biótico – estão relacionados com a flora e fauna (aquática e terrestre). a) Fauna (vertebrados e insetos) e flora terrestre (vegetação nativa) Ocorre o afugentamento da fauna terrestre ao longo das estradas, causando a morte de várias espécies por atropelamento, devido à fragmentação da vegetação nativa, reduzindo a base genética das espécies vegetais. A alternativa é a instalação de placas sinalizando a presença de animais na pista e a construção de corredores para deslocamento. b) Fauna (peixes e zooplâncton) e flora aquática (macrófitas e fitoplâncton) O processo de turbidez anteriormente citado compromete a incidência de luz no ambiente aquático, reduzindo a taxa fotossintética dos componentes bióticos da flora aquática. Já os impactos sobre a fauna aquática ocorrem indiretamente, pois, estes indivíduos utilizam da flora aquática seja como fonte de alimento ou abrigo. Recomenda-se a revegetação das áreas próximas de bacias, impedindo ou reduzindo o carreamento de partículas sólidas para os corpos d'água. 3) Impactos sobre o meio antrópico – estão relacionados com o desenvolvimento regional, emprego e paisagismo. Os impactos decorrentes da construção e manutenção destas estradas, assim como de qualquer outra atividade impactante, podem ser minimizados mediante a um estudo de impacto ambiental. a) Paisagismo A fragmentação da vegetação nativa causa a diminuição da qualidade paisagística do local, além do aumento dos processos erosivos ao longo das estradas. Como medidas mitigadoras possíveis: revegetação em áreas mais expostas; planejamento minucioso para otimização das estradas para redução da densidade de tráfego. 86 b) Desenvolvimento regional Promove o desenvolvimento socioeconômico pela utilização da mão de obra local e pelo escoamento de produtos florestais e comercializados nas regiões circunvizinhas. Priorizar a manutenção das estradas como medida potencializadora, facilitando o escoamento contínuo de produtos. c) Empregos Com a construção e manutenção deste tipo de empreendimento são necessárias mão de obra qualificada (engenheiros civis, topógrafos, engenheiros agrimensores e engenheiros florestais) e também a não qualificada (operadores de máquinas, auxiliares, dentre outros) o que aumenta o número de empregos. Como medida potencializadora deve-se seguir o cronograma, proporcionando uma adequada conservação das estradas, além da contínua utilização de mão de obra. ESTUDO DE CASO O Aeroporto de Londrina (PR – Brasil), em sua ampliação física apresentou algumas interferências no meio ambiente. Um estudo realizado mostrou a aplicação do método de matriz de interação e superposição de cartas, identificando assim os impactos ambientais que foram decorrentes dessas obras e serviços para a ampliação do sítio aeroportuário. “O Aeroporto de Londrina é um dos maiores aeroportos domésticos da Região Sul. Está entre os 25 maiores terminais de passageiros do Brasil e cresceu numa média de 15% nos últimos cinco anos. Localizado a apenas três quilômetros do centro da cidade, as atividades do aeroporto estão totalmente integradas à comunidade local, seja por meio do atendimento aos usuários e passageiros ou por meio de projetos socioculturais desenvolvidos pela Infraero. O terminal de passageiros tem espaço para check-in compartilhado, restaurante, lojas, amplas salas de embarque e desembarque, auditório, modernas instalações administrativas e estacionamento. A capacidade é para 800 mil passageiros ao ano e a área 87 construída é de seis mil metros quadrados.” (INFRAERO, 2008) Porém, como na época de sua ampliação não foi realizado o estudo de impacto ambiental, dois pesquisadores efetuaram quatro décadas após a sua inauguração, já em um contexto diferente e numa situação limite de saturação de sua infraestrutura aeroportuária. Identificou-se que a região do aeroporto encontrava-se totalmente alterada e descaracterizada pela ação da comunidade vizinha, que foi se aproximando cada vez mais das instalações aeroportuárias. Nas conclusões obtidas com esta pesquisa, foi detectado que apesar de muitas organizações se encontrarem em operação sem licenciamento ambiental ou sem terem promovido o estudo prévio dos impactos ambientais das atividades que exercem, a elaboração destes estudos mesmo que tardia, é importante para que se tenha uma real dimensão da inter-relação do mesmo com o meio que o cerca. Ou seja, mesmo depois de quatro décadas da ampliação do aeroporto, foi possível levantar e diagnosticar uma situação local que apresentava características alteradas provocadas pela ação humana da comunidade local que povoou a região aleatoriamente. Dessa forma, foi possível evidenciar que as agressões ambientais não são percebidas ou mesmo ignoradas pela organização. Com este conhecimento da situação tudo pode ser melhorado, procurando amenizar os impactos com medidas simples, de baixo custo, fácil manejo e alto benefício ambiental. Nesse caso do aeroporto de Londrina, em que o EIA foi realizado já 46 anos depois da inauguração, foi observado alterações significativas na região em que se localiza provocadas pela ação da comunidade vizinha que se instalou nas mediações do aeroporto. Alguns impactos importantes, característicos das atividades de aviação, como a propagação de ruídos, não foram avaliados como altos, pois a região em que o mesmo se insere é residencial e apresenta um tráfego intenso de veículos. Também foi detectado que a poluição atmosférica não foi classificada como importante. Com 29.987 operações no ano de 2000 não é considerado preocupante, levando-se em consideração 180.000 operações/ano (nível de alerta). 88 A maior preocupação observada diz respeito ao meio antrópico. A ampliação da área do aeroporto foi positiva, pois ampliou área de uso especial e restrita, que não era respeitada. O aeroporto recuperou o comprimento total da sua pista de pouso e decolagem, com a cabeceira “13” com 300 m de recuo em virtude do zoneamento de ruído. Sua operação com aeronaves para o qual foi projetado permitirá se modernizar, com novos equipamentos de proteção ao voo, possibilitando maior segurança para a comunidade interna e externa ao aeroporto. Estes resultados levantados são pertinentes para pensarmos nas influências que determinados empreendimentos exercem numa comunidade, que pode interferir no meio ambiente. Muitas vezes, o empreendimento em si não apresenta riscos ambientais, mas sua implantação gera situações que aglomeram novas ações prejudiciais e de riscos. Para entender este estudo em sua complexidade, leia-o na íntegra acessando o site: http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/abes22/dcliv.pdf. AGRICULTURA & PECUÁRIA É no setor primário que estão inseridas as atividades econômicas de produção de matérias-primas ou que envolvem a modificação destes recursos naturais em produtos primários. Dentre as atividades econômicas deste setor podemos citar: agricultura, pecuária, caça, pesca, o extrativismo mineral evegetal. Direcionaremos nossos estudos para duas atividades de grande relevância no cenário nacional brasileiro, a agricultura e a pecuária. Buscando evidenciar a relação existente entre o desenvolvimento destas atividades, os impactos ambientais gerados e a aplicação da AIA. A agricultura consiste no uso do solo para o cultivo de plantas com a finalidade de produzir alimentos, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, dentre outros produtos, enquanto que a pecuária refere-se a procedimentos técnicos empregados na domesticação e produção de animais para fins econômicos. http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/abes22/dcliv.pdf 89 Todavia, estes sistemas produtivos evoluem pouco e lentamente, corroborando com um processo constante e recorrente dos impactos ambientais gerados por estas atividades, devido à maneira como foram desenvolvidas estas atividades. Somente após anos de exploração inadequada dos recursos naturais no setor agropecuário, é que produtores e poder público, compreenderam que a maneira como eram explorados estes recursos poderiam torná-los indisponíveis, devido à exaustão de recursos naturais, por exemplo, o solo e as águas. A partir desta verificação, surge a procura por novos modelos de produção associando a sustentabilidade ecológica e econômica. O emprego de novas tecnologias e procedimentos reduz o avanço dos impactos existentes e retarda o surgimento de novos impactos. Impactos gerados Assim como em outros empreendimentos verifica-se que alguns impactos ambientais são comuns tanto para a prática da agricultura como da pecuária, porém com intensidades diferentes. A saber: a) Desmatamento – consiste na supressão da vegetação devido à intensa atividade humana e crescimento populacional, por envolver setores de produção e economia, causam um dos impactos ambientais; b) Erosão – perda de camadas do solo devido à ausência de camada de proteção do solo (vegetação) associado ao emprego incorreto das práticas de cultivo do mesmo e a ação de chuvas e ventos, como consequências torna o solo não agricultável e promove o assoreamento de rios; c) Perda de biodiversidade – decorrente das mudanças ocorridas nos habitats afetando espécies de fauna e flora; d) Esgotamento da água doce – pela intensificação no uso voltado para a irrigação de campos agrícolas; 90 e) Poluição atmosférica – causada pela liberação intensa de carbono pela queima de diesel dos tratores, produção de fertilizantes e defensivos agrícolas, além da decomposição de restos de cultura, f) Poluição de águas – ocorre pela lixiviação de resíduos para o interior de corpos d’água, como adubos e defensivos agrícolas causando contaminação das águas; g) Desertificação – processo irreversível devido ao uso inadequado, também está associado à produção de gado e outros animais; h) Destruição de mananciais – associado à agricultura pela destruição de nascentes, por soterramento, impermeabilização, entre outros fatores; i) Geração de resíduos – a produção de animais gera muitos resíduos, principalmente fezes e urina de porcos (chorume de porco), frango (cama de frango), entre outras, que em contato com o solo e corpos d’ água causam contaminação destes recursos. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO Também inserida no setor primário da economia do país, contribui para o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos. Pois, é fundamental para o desenvolvimento, desde que respeite e assegure a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. O setor de mineração coopera para o desenvolvimento econômico e social brasileiro, devido a sua participação no abastecimento de insumos básicos necessário para o setor industrial e urbano. Além da potencialidade, produção e exportação dos produtos minerais, esse setor tem favorecido a inserção do Brasil no cenário econômico internacional, bem como contribuído na dinamização socioeconômica doméstica. Hoje as companhias mineiras precisam cumprir normas ambientais, desde encerramento até o funcionamento das atividades, sendo estas bastante rigorosas, pois visam garantir que a área afetada pela exploração mineira retorne à sua condição inicial ou próxima dela. Mas vale mencionar que as explorações modernas adotaram procedimentos 91 que reduziram ou buscam atenuar a ocorrência de problemas neste âmbito. A mineração e a agricultura, assim como outros empreendimentos causam grande parte dos impactos ambientais existentes, sendo que os impactos associados às demais atividades econômicas, apresentam-se como pouco significativos quando comparado aos gerados pela mineração e agricultura. Os impactos originados pela mineração são consideráveis, pois alteram intensamente a área explorada e as circunvizinhas, devido à localização de depósitos de estéril e de rejeito, além de originar substâncias químicas lesivas durante a etapa de beneficiamento do minério, que implica sério problema ambiental. Sendo que os principais impactos ambientais oriundos da mineração são: a poluição da água, do ar, sonora, subsistência do terreno, incêndios causados pelo carvão e rejeitos radioativos (CPRM, 2002). Tabela – Atividades relacionadas à produção mineral, problemas (impactos ambientais) e efeitos (consequências). ATIVIDADES PROBLEMAS EFEITOS SERES HUMANOS Pesquisa mineral Lavra Subterrânea: umidade, poeira, ruído, gases de exaustão de máquina e equipamentos. Contribui para a rotatividade da mão de obra. Possível doença respiratória, especialmente para asbesto, fluorita e outros. Stress e outros problemas físicos. Beneficiamento e estocagem Poeira, ruído. Não ferrosos: gases nocivos, problema com manuseio de alguns reagentes tóxicos. Amianto: poeira, fibra. Contribui para a rotatividade da mão de obra. Possíveis doenças respiratórias e cancerígenas, especialmente para asbesto e outros minerais beneficiados a seco. 92 Transporte Ruído, poeira, gases de exaustão de veículos pesados, poeira de correia transportadora. Para o consumidor: veículos pesados causam irritação e são perigosos em áreas povoadas (Ex.: agregados e materiais de construção) SOLO/SUBSOLO Pesquisa mineral Trincheiras, sondagens, vias de acesso, picadas, equipamento abandonado. Erosão, voçorocas. Prejuízo à vegetação. Alteração da drenagem natural. Lavra Cavas e pedreiras Desmatamento desnecessário do capeamento. Contaminação da água da mina. Estradas e vias de acesso. Pilhas de estéril. Impacto de vilas mal projetadas. Possibilidades limitadas de uso sequencial do solo. Afeta a estética da paisagem. Beneficiamento e estocagem Barragens e bacias de rejeito, contaminação devido a vazamento e transbordamento. Pilhas disformes (Ex.: enxofre). Depósitos de rejeito. Lama vermelha (produção de alumina). Terras inúteis criadas pelas áreas de rejeitos finos. Contaminação por lixiviação e enxurradas em depósitos de finos e de rejeitos. Transporte Estradas largas para veículos pesados (áreas de material de empréstimo associadas). Poeira. Desmatamento desnecessário. Transbordamento em descarrilamentos e acidentes rodoviários. Abre áreas virgens a uma possível degradação. Tráfego pesado pode destruir rodovias. ÁGUA 93 Pesquisa mineral Sólidos em suspensão (erosão). Salmoura de sondagem passando para aquíferos (pesquisa de evaporitos). Contaminação de cursos de água subterrânea. Lavra Sólidos em suspensão de água da mina, metais pesados, pH de minas de metálicos. Alteração do lençol freático, degradação da qualidade da água. Prejudicial à vida aquática. Beneficiamento e estocagem Sólidos em suspensão, metais pesados, pH, toxidez de descarga direta e transbordamento de sistemas de finos. Grande consumo de água. Prejudicial à vida aquática. Produzdesequilíbrio ecológico. Transporte Transporte fluvial, lacustre e marítimo: coloração devido a sólidos em suspensão (minério de ferro) em terminais de embarque. Transbordamento em descarrilamentos e acidentes rodoviários. Problemas possíveis com minerodutos. Possível prejuízo à vida aquática. AR Pesquisa Mineral Lavra Poeira levada pelo vento. Gases de motores de combustão. Poeira de detonação e perfuração. Poeira e fibras de asbesto. Pouco importante. 94 Beneficiamento e estocagem Poeira, partículas aéreas (fibras de asbesto), gases, odores, evaporação de bacias de finos. SO2 do processo de secagem (pelotização de minério de ferro). Secagem de concentrado (SO2, metais pesados). Geração de energia térmica (hidrocarbonetos, SO2, NO3). Possíveis efeitos respiratórios. Chuva atuando sobre partículas afetam vegetação e solo. Elevação de custos, devido à corrosão. Próximo às áreas urbanas, efeitos sobre a saúde decorrentes da inalação de fibras de asbesto. Transporte Partículas aéreas provenientes de material sendo transportado e da superfície da estrada. Pouco importante. FONTE: SOUZA, P. A. Impacto econômico da questão ambiental no processo decisório do investimento em mineração. Brasília: DNPM, 2001. 152p.Souza, 2001. Nas últimas décadas, as avaliações de impactos ambientais têm alcançado altos índices de trabalho e ampliação em diversos setores da economia mundial. No Brasil, a preocupação com o meio ambiente tem gerado discussões em torno do que deve ser preservado e de como e a que custo o país deve se desenvolver, passando por cima da legislação ambiental. Todavia, não precisa ir longe para ainda ver e sentir “coronéis” da civilização atual, determinando que áreas de reservas devam ser destruídas por interesses particulares, ferindo não somente o meio natural, mas sociedades e culturas inteiras por conta de seus empreendimentos. Os estudos em torno da preservação ambiental, mesmo intensivos e constantes, ainda têm suas barreiras na ignorância de um povo que não aprendeu valorizar suas riquezas naturais. Porém, pode-se contemplar o outro lado da moeda, em que ações de sustentabilidade promovem o desenvolvimento focado na preocupação de adquirir do meio, suas potencialidades, mas promovendo em conjunto a preservação de espécies locais. Sabe-se que os impactos provocam não somente a perda de riquezas naturais, mas cria novas variedades geneticamente modificadas, detectadas em 95 avaliações ambientais mais rigorosas. O problema de qualquer avaliação de impacto é: Quando fazer? Como e por quê? Os objetivos da avaliação é que determinam essas variações de quando, como e por quê. O tempo de fazer nem sempre é no momento exato da real necessidade, pois se estima, na maioria das vezes, períodos longos e distantes do ponto exato da avaliação. A implantação de quaisquer empreendimentos interceptará sempre um ecossistema terrestre, ocasionando uma quebra na sua continuidade e gerando ao meio ambiente algum impacto negativo. O processo de desenvolvimento de uma avaliação percorre os papéis e burocracia dos Governos, que avaliam com criteriedade demasiada, ou com vistas grossas para determinados interesses. Porém, como fazer as avaliações e as implementações de empreendimentos depende da necessidade de cada projeto. Os porquês das avaliações em nada devem barrar o desenvolvimento do Brasil, mas deve propor mudanças na forma de criar e gerir os empreendimentos que comprometem e esgotam os recursos naturais, que faltarão no futuro para estes mesmos empreendimentos irresponsáveis. Sendo assim, o desenvolvimento da AIA nos setores produtivos são ferramentas importantes, pois contribuem para o desenvolvimento local e sustentável. Deve ser avaliada a aplicabilidade para as atividades, bem como as características de cada região, pois são indicadores dos aspectos ecológicos, socioeconômico e cultural. Em nada consta que a avaliação de impacto ambiental tenha como objetivo criar obstáculos e paradoxos, que são intransponíveis ao desenvolvimento sustentável do Brasil. 96 REFERÊNCIAS ANDRADE, J.C.S.; MARINHO, M.M.D. & KIPERSTOK, A. Uma política nacional do meio ambiente focada na produção limpa: elementos para discussão. Bahia Análises & Dados 10(4): 326-332. 2001. ANDREAZZI, M. A. R.; MILWARD-DE-ANDRADE, R. Impactos das grandes barragens na saúde da população – uma proposta de abordagem metodológica para a Amazônia. In: Forest’ 90, Simpósio Internacional de Estudos Ambientais em Florestas Tropicais Úmidas. Manaus. Anais... Rio de Janeiro, Biosfera, 1990. BASTOS, A. C. S.; FREITAS, A. C. Agentes e processos de interferência, degradação e dano ambiental (17-75). In: Avaliação e perícia ambiental/ Sandra Baptista da Cunha, Antônio José Teixeira Guerra (organizadores) – 2a. Ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 200. 294p. BORSOI, Z. M. F., TORRES, S. D. A. A. Lei de Recursos Hídricos. 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