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FILOSOFIA
AULA 02
FILOSOFIA ANTIGA
Ao longo deste capítulo, vamos apresentar os aspectos da Filosofia antiga.
A Filosofia Antiga corresponde ao período do surgimento da filosofia grega no
século VII a.C. Ela surge da necessidade de explicar o mundo de um novo modo.
Os filósofos buscam encontrar respostas racionais para a origem das coisas, dos
fenômenos da natureza, da existência e da racionalidade humana.
Bons estudos.
Nesta aula, vamos conhecer as escolas filosóficas e os momentos
históricos tais como a renascença, a reforma protestante, surgimento do
humanismo, fenômeno do iluminismo, revolução industrial, romantismo e
individualismo, além de compreender a importância da política e o
desenvolvimento cientifico. Sendo assim, são objetivos desta aula:
▪ Compreender a filosofia antiga.
▪ Identificar as principais mudanças dos períodos filosóficos.
▪ Conhecer os grandes filósofos do século XVIII
2 FILOSOFIA ANTIGA
Geralmente, a Filosofia é estudada a partir de sua história cronológica, mas
outros critérios podem ser utilizados. Para efeito de estudos, nesta e na maioria das
obras, os períodos históricos estão organizados da seguinte forma (VASCONCELOS,
2016):
Filosofia
antiga
Filosofia
medieval
Filosofia
moderna
Filosofia
contemporânea
Ao se falar da Filosofia antiga, um dos períodos que fazem parte da mesma é
a Filosofia pré-socrática, que é assim denominada por ser a Filosofia que antecedeu
a Sócrates, um filósofo grego de grande importância. Como vimos, essa fase da
Filosofia iniciou-se na Grécia com Tales de Mileto (624 a 547 a.C.). Essa divisão
ocorre em decorrência do objeto da Filosofia tomado pelos filósofos pré-socráticos e
também pelas novidades introduzidas por Sócrates no campo da Filosofia
(VASCONCELOS, 2016).
Os filósofos pré-socráticos tinham como preocupação explicar o princípio da
natureza e da ordem do mundo, ou seja, as leis gerais que regem o mundo físico
(cosmologia). Essa preocupação fez com que eles procurassem um princípio lógico
que explicasse a própria natureza. Para isso, enfatizaram a Filosofia natural e até a
cosmologia, além de descobriram princípios materiais e causas motoras dos eventos
naturais. Foram eles que introduziram conceitos que se tornaram fundamentais nas
atuais teorias da evolução cósmica, biológica e cultural. Tiveram importância também
para a genética e para o desenvolvimento da Teoria do Contrato Social.
Sendo assim, o berço da Filosofia pré-socrática é Mileto, a mais importante
cidade da Jônia, no litoral ocidental da Ásia Menor. Nessa cidade, quatro filósofos se
destacaram: Tales, Anaximandro, Anaximenes e Heráclito. Eles preocupavam-se em
descobrir o princípio substancial de todos os seres materiais (VASCONCELOS, 2016).
Apesar de serem extremamente importantes para a Filosofia, os escritos
desses filósofos encontram-se apenas por meio de fragmentos ou de ideias e
testemunhos sobre eles, escritos por autores posteriores aos mesmos.
Os pensamentos dos filósofos da época foram reunidos pelos historiadores da
área que, por meio de citações reais dos pré-socráticos, procuravam conhecer as
ideias que eles pregavam. Aristóteles e Teofrasto foram filósofos gregos que
contribuíram para o conhecimento de seus antecessores pré-socráticos, pois viveram
logo depois destes. Desse modo, puderam conhecer suas ideias e teorias,
interpretando-as e deixando anotações para a posteridade.
Para efeito de estudo, os historiadores destacam quatro principais "escolas" do
período pré-socrático. São elas (VASCONCELOS, 2016):
Escola
Jônica
Escola
Pitagórica ou
Itálica
Escola Eleata ou
Eleática
Escola Atomista
2.1 A Renascença: A aurora dos novos tempos
A "Renascença" é o período histórico que vai do século XV até o final do
século XVI. Correspondendo ao início dos "Tempos Modernos", ela exprime o rápido
progresso intelectual provocado pelo retorno às ideias e à arte greco-latinas.
Uma nova era
O termo Renascença não está desprovido de ambiguidade: ele não tenderia
a ocultar os elementos vivazes do período medieval - por exemplo, o seu humanismo?
Sem perder de vista a riqueza da Idade Média, que não é um simples período de
transição histórica, impõe-se reconhecer que os homens da Renascença tiveram a
certeza de viver em uma nova era, distinta do passado medieval. O Renascimento
experimenta, por exemplo, uma expansão fulminante de indústrias surgidas no final
da Idade Média, como a tipografia que irá desenvolver-se e facilitará a difusão da
cultura e das ideias. Do mesmo modo, as grandes descobertas, com Cristóvão
Colombo (1451-1506) e Vasco da Gama (cerca de 1460 ou 1469-1524), conduzem a
uma ampliação do mundo conhecido.
Desencadeia-se uma nova época de ideias: passagem de um mundo confinado
para o universo infinito, reforma, humanismo, entre outros. Desfazem-se lentamente
as antigas certezas. O retorno ao passado e à cultura grega não significa estagnação,
nem arcaísmo, mas abertura a construções e visões inéditas.
De um mundo confinado ao universo infinito
O cosmos medieval, finito e limitado, vai fragmentar-se, dissipar-se diante dos
espaços infinitos. Essa nova imagem do mundo é decisiva: ela significa o abandono
do geocentrismo - segundo o qual a Terra é o centro do universo - em favor do
heliocentrismo (Copérnico), mas também a ideia de que milhões de mundos se
desdobram em um universo infinito (Giordano Bruno). Neste período é que o espaço
espiritual, confinado para o pensamento cristão da Idade Média, quebra-se
definitivamente e abre-se para a expansão indefinida da atividade cognitiva dos
Tempos Modernos (RUSS,2015).
O teólogo alemão, Nicolau de Cusa (1401-1464) - que, além de uma figura
importante da Idade Média declinante, pode ser considerado como um pensador da
Renascença do século XV - afirma, em sua obra, “Da douta ignorância”, não a
infinidade do universo, propriamente falando, mas a ausência de limites: não se pode
concebê-lo como finito (RUSS,2015).
O astrônomo polonês, Nicolau Copérnico (1473-1543), por sua vez, passou do
geocentrismo para o heliocentrismo: em seu entendimento, a Terra deixa de ser o
centro do mundo, como havia sido preconizado pela teologia cristã e pelo sistema
astronômico de Ptolomeu (astrônomo grego do século II a.C.), ou seja, visões que
eram então dominantes.
Mas é, essencialmente, o teólogo, filósofo e frade dominicano italiano, Giordano
Bruno (1548-1600), que se arrisca a afirmar a infinidade do universo e a
pluralidade dos mundos. Em suas obras, “Acerca do infinito, do universo e dos
mundos” (1584) e “Acerca da causa, do princípio e do uno” (1584), ele chega à ideia
de um Deus infinito, imanente à natureza: Bruno reintegra o infinito ao seio de uma
Natureza divina. Acabou por ser imolado na fogueira em fevereiro de 1600, condenado
pelo tribunal da Inquisição (RUSS,2015).
2.2 A Reforma
A Reforma Protestante contribui também para algumas mudanças, já que ela
desestabiliza a dominação da Igreja Católica Romana ao fazer apelo à consciência de
cada um. Enquanto Martinho Lutero (1483-1546) afirmava a autoridade exclusiva
da Sagrada Escritura (em 1520), tendo sido excomungado e banido do Império pela
Dieta de Worms (1521), João Calvino (1509-1564) interiorizava ainda mais o
cristianismo: desta vez, ele abalou o método da autoridade da Igreja Católica Romana
ao apelar para o julgamento pessoal do sujeito. Primazia da Bíblia, retorno à Escritura:
eis o que enuncia à Reforma. Fé e graça trazem a salvação aos homens (RUSS,2015).
A adesão profunda do coração é muito mais importante que as obras. Neste
caso, a ênfase é colocada no sujeito e na pessoa, no ser humano distinto dos outros.
Ocorre, assim, uma drástica revolução espiritual visto que o conhecimento direto da
Escritura é muito mais relevanteque a tradição da Igreja.
2.3 Surgimento do humanismo
Com uma revolução complexa surge o humanismo. De fato, no século V aC,
sofistas, professores de retórica, viajavam de cidade em cidade ensinando a arte de
falar. Você aprenderá como defender uma tese independentemente de seu conteúdo,
como desenvolver a tese e a antítese de forma igualmente brilhante. Nele você
aprende a debater e organizar um debate. Da mesma forma em Protágoras de Abdera
(484-404 a.C.) e Górgias de Leontin, que morreu com quase cem anos em por volta
de 380. Essa revolução sutil é muito importante: em Protágoras a ideia de uma pessoa
cuja opinião é estabelecida é a medida de todas as coisas, seja para os que existem
por existirem, seja para os que não existem por sua não existirem. Os sofistas são os
primeiros fundadores do humanismo: a ideia de que o homem é a fonte e a origem
dos valores.
Enquanto o próprio termo sofista se tornou sinônimo de debatedores
enganadores, charlatães no plano linguístico, os sofistas eram na verdade
profissionais do conhecimento, uma espécie de intelectuais no sentido atual do termo:
que vão de cidade em cidade, em suas constantes viagens souberam apreender o
sentido do relativismo (o conhecimento é relativo ao homem) e a ideia de que o poder
sobretudo o poder político - requer o domínio da linguagem e das palavras.
Tudo nos leva a falar de um humanismo da Renascença: o homem aparece
daí em diante como a fonte e a origem dos valores (RUSS, 2015). O termo
"humanismo", obviamente, data de uma época ulterior (1765). No entanto, embora
forjado nos séculos XVIII e XIX, essa palavra não deixa de designar o movimento
espiritual que se espalhou pela Europa a partir do final do século XV, onde a crença
no homem reuniu filósofos, artistas, poetas e eruditos. Por sua abordagem concreta e
total do homem, a filosofia da Renascença é profundamente humanista.
Os grandes filósofos: Maquiavel, Montaigne
Esses abalos e essas rupturas, assim como a afirmação do homem e da
pessoa, iluminam o pensamento político de Maquiavel e o ceticismo de Montaigne.
Nicolau Maquiavel (1469-1527) funda a ciência política moderna, objetiva,
não moralizante, sendo o primeiro teórico do Estado e o criador deste termo.
Michel de Montaigne (1533-1592) foi um humanista que perscruta o eu o que ele
designa por "quarto de guardados" - e, ao mesmo tempo, um cético
que procedeu à análise de todas as razões para não crer ("O que sei eu?"). Ele
manteve-se distante de todos os dogmatismos, tornando-se um verdadeiro
especialista em liberdade.
Conclusão
Assim, emergem os "Tempos Modernos", com as grandes descobertas, o
protestantismo e o humanismo. A modernidade culminará na era clássica (Descartes)
e no Iluminismo (século XVIII) que irão desenvolver os ideais humanistas.
Em particular, o domínio técnico do mundo há de impor-se em um grau cada vez
maior, uma vez que o homem vai encontrar um novo lugar no universo.
2.4 As luzes do triunfo VXIII
Triunfo da razão no campo científico, filosófico e técnico, mas também limites
(Kant) dessa mesma razão: eis o que manifesta este tempo, aliás, "nunca houve
nenhum tão esclarecido quanto ele" (Voltaire).
O triunfo da mentalidade científica
Nesse tempo em que se impõe a ideia de um tribunal da razão, será assim
tão surpreendente que venha a ocorrer o triunfo do espírito científico? Daí em
diante, é forjado um método apoiado nos fatos e vinculado sobretudo ao como,
e não tanto ao porquê, dos fenômenos. Newton, falecido em 1727, marca todo o
século pelas regras do método que ele enuncia. "Não forjo hipóteses", afirmava
ele, exprimindo assim a sua desconfiança em relação às suposições metafísicas.
Observações, experimentações, experiências: com estas palavras-chave, estamos
bem longe da dedução cartesiana (RUSS,2015).
O século dos fatos e da história
O século XVIII foi empirista, já que se voltou, fiel ao método de Newton, para
os fatos. À observação é que ele pedia, em primeiro lugar, que fosse fornecida a chave
do real. Os filósofos do Iluminismo, enquanto discípulos de Newton e de Locke,
confiavam apenas na experiência, já que, a ideia de razão não estava separada dos
fatos. Daí em diante, o campo dos fenômenos é que foi aprofundado pela razão, a
qual abandonou, em maior ou menor grau, a sua função metafísica.
Mas este século teve também o gosto pela história que se elaborou em todos
os níveis: a terra tem uma história, assim como os seres animados e a humanidade.
Por exemplo, o filósofo italiano João Batista Vico (1668-1744) traça, em seus escritos,
as etapas da humanidade.
As ideias religiosas e a religião natural
Quando se impõe a ideia de um tribunal da razão, que submete tudo à sua lei
e privilegia os fatos, a desconfiança para com os dogmas religiosos e o argumento
de autoridade é praticada de maneira sistemática. A Aufklärung - palavra alemã
para designar a filosofia do Século das Luzes, significa esclarecimento - rompe as
amarras com a fé, assim, o Iluminismo ataca a Revelação, questionando o Deus
tanto dos católicos quanto de Calvino.
No entanto, o século XVIII conservou a ideia de uma religião natural, sem
recorrer a uma revelação divina, mas inscrita na natureza, aliás, palavra-chave do
século XVIII.
Assim, na célebre profissão de fé do vigário saboiano, Rousseau
professou uma religião natural: apesar de sua crítica violenta contra as religiões
reveladas, Jean-Jacques preservava o acesso a Deus pela via do coração
(RUSS,2015).
O século da estética e das ideias políticas
Enfim, a estética surge verdadeiramente neste tempo, ao passo que as ideias
políticas estão colocadas sob o signo da liberdade. O século XVIII é a idade de
ouro da estética (Kant) e da teoria política (Montesquieu, Rousseau).
O Iluminismo tende a se desviar da Ideia do Belo. Preocupado com os fatos e
com o concreto, ele leva em conta o gosto, faculdade de emitir um juízo de ordem
estética. O próprio termo "estética" data de meados do século XVIII, forjado pelo
filósofo alemão Baumgarten (1716-1762). Com a crítica da faculdade de julgar,
Kant ilustra, de maneira brilhante, a disciplina estética.
Constitui-se também uma teoria política, uma nova concepção do direito
político que chegará a seu pleno desenvolvimento em Rousseau. Tanto em
Montesquieu quanto em Rousseau, em um contexto evidentemente muito diferente,
direito e Estado aparecem inseparáveis da liberdade. No século XVIII, a liberdade
torna-se o principal desafio da política, enquanto arte de dirigir o Estado.
Os grandes filósofos: Montesquieu, Hume, Rousseau, Kant
Neste contexto geral é que devem ser compreendidos os grandes filósofos
do século XVIII. Na França, a Enciclopédia, publicada sob a direção de Diderot
e d'Alembert, além de constituir um Dicionário das Ciências, Artes e Ofícios prepara,
por seu espírito de livre-exame e por sua rejeição do princípio de autoridade, a
Revolução Francesa. Na Inglaterra, sob a influência de Newton e Locke,
desenvolve-se uma corrente empirista, ilustrada principalmente por George Berkeley
(1685-1753) e David Hume. Na Alemanha, Christian Wolff (1679-1754) é
o representante mais considerável do racionalismo, além disso, ele acreditava que a
razão poderia chegar a verdades absolutas e constituir uma metafísica. Kant
abandonou esse dogmatismo racionalista, daí em diante, submetido à crítica.
2.5 O Século XIX entre indivíduo e a História
Eis um período complexo e contraditório que, em seu bojo, traz as imagens,
ao mesmo tempo, do indivíduo e da história e a partir disso, é impossível ignorá-las.
Evocação do indivíduo e teoria da história: os dois temas constitutivos desse século.
A revolução industrial
O século XIX é a era da industrialização, permitida então pelos progressos
técnicos e, em primeiro lugar, pela descoberta da máquina a vapor. A industrialização
começa, no século XVIII, na Inglaterrae, depois de 1815, difunde-se no nordeste
Europeu, da França à Renânia. Ao permitir uma redução dos preços, ela conduz
também a importantes disfunções e a crises de superprodução. Os problemas da
revolução industrial estão na origem da florescência de filosofias sociais desse século.
O romantismo e o individualismo
Esse desenvolvimento da sociedade industrial de massa é acompanhado por
uma exaltação do indivíduo, em todos os campos, literário, artístico, filosófico e
político: verifica-se a afirmação do indivíduo em reação contra uma evolução
que o ultrapassa. Esse era exatamente o caso do romantismo que não encarna
unicamente uma metamorfose do gosto literário, mas um movimento exuberante,
europeu e não apenas francês, movimento no qual a ideia de indivíduo emerge com
todo o vigor.
A evocação do sujeito individual - com os romances, René (1802) de
Chateaubriand e Obermann (1804) de Senancour - caracteriza essa revolução
romântica em que se encontra também a oposição ao pensamento do Iluminismo e a
rejeição da racionalidade: contra a razão, os poderes da intuição (RUSS,2015).).
Do começo ao fim do século, aparecem, com frequência, os modelos do
individualismo, já presentes no romantismo. Através de Tocqueville, Benjamin
Constant, Max Stirner e Kierkegaard, a evocação do sujeito individual renasce
incessantemente, inclusive na análise das ideias políticas e históricas. Não é verdade
que se deve proteger o indivíduo contra o Estado tutelar?
História e sistema
Se a evocação do sujeito individual constitui a grande reivindicação do século
XIX, no entanto, a figura desse sujeito é recortada no horizonte da História,
outro paradigma importante da época. Daí em diante, o filósofo é o teórico da história
e da política, dedicando-se a uma ontologia da atualidade. O que houve de
surpreendente em tal postura quando, afinal, trata-se de refletir sobre a Revolução
Francesa e sobre as suas prodigiosas reviravoltas? Em cada manhã, a leitura dos
jornais torna-se a oração cotidiana de Hegel.
Ao lado da História, afirma-se o sistema (Hegel), a vasta síntese que totaliza a
experiência da atividade mental: o século XIX é sintético, impelido pela ideia de
abranger o sistema inteiro do saber. Tocqueville, por sua vez, debruça-se de forma
sistematicamente analítica sobre os acontecimentos que abalaram a França, mas
também sobre a democracia norte-americana na qual ele viu a antecipação da
modernidade política europeia.
Na obra, “O Antigo Regime e a Revolução” (1856), ele analisa o crescente
processo de uma centralização que, desde o século XI, garantiu insensivelmente o
triunfo da monarquia sobre os direitos feudais e cujas conquistas acabaram sendo
consolidadas pelos acontecimentos posteriores a 1789. A aparente ruptura
revolucionária dissimula efetivamente e, ao mesmo tempo, consagra uma
continuidade administrativa, limitando-se afinal a acelerar bruscamente sua dinâmica
ao pulverizar um quadro institucional obsoleto (RUSS,2015).
Sem o humanitarismo abstrato dos "escritores" e das classes esclarecidas, sem
a "irreligião" que privou as mentes de qualquer ponto fixo, a Revolução talvez pudesse
ter permanecido fiel à "paixão pelo bem público" que, durante um breve período de
tempo, animou os homens de 1789. Na realidade, faltou aos atores uma verdadeira
educação política, o que provocou a passagem da exaltação doutrinária da liberdade
para a servidão política. A ideia central, porém, é que a Revolução que, na França,
conheceu prolongamentos em 1830 e 1848, aparece como um ajuste violento, embora
superficial, das instituições a um estado social e moral já igualitário e centralizador.
O desenvolvimento científico
Enfim, esse é o século da ciência, ideia-mestra da época. Impõe-se a certeza
do valor da verdade científica. A investigação nas ciências torna-se cada vez mais
especializada. Prevalece a preocupação em proceder as avaliações. As sociedades
científicas continuam desabrochando e desenvolvendo-se, enquanto a razão cientifica
separa-se cada vez mais da ratio filosófica.
Nesse tempo em que a ciência conhece um desenvolvimento tão rápido,
emerge a ideia de uma razão positiva, dedicada unicamente a compreender o
mecanismo dos fenômenos graças às relações científicas. Assim, a doutrina de
Augusto Comte, a "filosofia positiva" passa a estabelecer leis renunciando à busca
pelas causas, substituindo o absoluto pelo relativo (RUSS,2015).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RUSS, J. Filosofia: os autores, as obras. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.
VASCONCELOS, J.A. Fundamentos filosóficos da educação. Curitiba:
InterSaber,2016.