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Programa Mais Médicos para o Brasil
2ª edição
EIXO 2 | FERRAMENTAS DA MEDICINA DE FAMÍLIA E 
COMUNIDADE
Abordagem 
familiar
MÓDULO 06
Programa Mais Médicos para o Brasil
EIXO 2 | FERRAMENTAS DA MEDICINA DE FAMÍLIA E 
COMUNIDADE
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
2023
Abordagem 
familiar
MÓDULO 06
2ª edição
Instituições patrocinadoras:
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)
Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
 Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon)
 Universidade Aberta do SUS da Universidade Federal de Minas Gerais (UNA-SUS/UFMG)
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
B823a
Brasil. Ministério da Saúde.
Abordagem familiar [módulo 6 / Ministério da Saúde, Universidade Federal de Minas 
Gerais. - 2. ed. - Brasília : Fundação Oswaldo Cruz, 2023.
Inclui referências.
110 p. : il., tabs. (Projeto Mais Médicos para o Brasil. Ferramentas da medicina da família e 
comunidade ; 2).
ISBN: 978-65-84901-43-8
1. Composição Familiar. 2. Medicina de família. 3. Sistema Único de Saúde. 4. UNA-SUS. I. 
Título II. Universidade Federal de Minas Gerais. III. Série.
CDU 610
Bibliotecária: Juliana Araujo Gomes de Sousa | CRB1 3349
Ficha Técnica
© 2023. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do SUS. Fundação Oswaldo 
Cruz. Universidade Federal de São Paulo.
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e utilização dessa 
obra, em parte ou em sua totalidade, nos termos da licença para usuário final do Acervo 
de Recursos Educacionais em Saúde (ARES). Deve ser citada a fonte e é vedada a sua 
utilização comercial.
 
Referência bibliográfica
MINISTÉRIO DA SAÚDE. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Abordagem familiar 
[módulo 6]. 2. ed. In: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Projeto Mais Médicos para o Brasil. Eixo 2: 
ferramentas da medicina de família e comunidade. Brasília: Ministério da saúde, 2023. 110 p.
Ministério da Saúde
Nísia Trindade Lima | Ministra
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)
Nésio Fernandes de Medeiros Junior| Secretário
Departamento de Saúde da Família (DESF)
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas| Diretora
Coordenação Geral de Provimento Profissional (CGPROP)
Wellington Mendes Carvalho | Coordenador
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Mario Moreira | Presidente
Secretaria-executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
Maria Fabiana Damásio Passos | Secretária-executiva
Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Projetos e Programas (UNA-SUS)
Alysson Feliciano Lemos | Coordenador
Assessoria de Planejamento (UNA-SUS)
Aline Santos Jacob 
Assessoria Pedagógica (UNA-SUS)
Márcia Regina Luz
Sara Shirley Belo Lança
Revisor Técnico-Científico UNA-SUS
Paula Zeni Miessa Lawall 
Rodrigo Luciano Bandeira de Lima
Rodrigo Pastor Alves Pereira
Universidade Federal de Minas Gerais
Sandra Goulart Almeida | Reitora
Alessandro Fernandes Moreira | Vice – Reitor
Faculdade de Medicina
Humberto José Alves | Diretor
Alamanda Kfoury Pereira | Vice – Diretora
Núcleo de Educação em Saúde Coletiva – Nescon/UFMG
Francisco Eduardo de Campos| Diretor
Edison José Correa | Vice – Diretor
Coordenação da UNA-SUS/Universidade Federal de Minas Gerais (EAD-UFMG)
Edison José Correa | Coordenador
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Secretaria editorial / Núcleo de Educação em Saúde 
Coletiva Nescon / UNA-SUS/UFMG:
(http://www.nescon.medicina.ufmg.br)
Faculdade de Medicina /Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Av. Alfredo Balena, 190 – 7º andar
CEP 30.130-100
Belo Horizonte – MG – Brasil
Tel.: (55 31) 3409-9673
Fax: (55 31) 3409-9675
Site: www.nescon.medicina.ufmg.br
Créditos
Revisor Técnico-Científico UNA-SUS
Debora Carvalho Ferreira
Paula Zeni Miessa Lawall
Rodrigo Pastor Alves Pereira
Rodrigo Luciano Bandeira de Lima
Designer Gráfico UNA-SUS
Claudia Schirmbeck
Apoio Técnico UNA-SUS
Acervo de Recursos Educacionais em Saúde (ARES) – UNA-SUS
Fhillipe de Freitas Campos 
Juliana Araujo Gomes de Sousa
Tainá Batista de Assis
Engenheiro de Software UNA-SUS
José Rodrigo Balzan
Onivaldo Rosa Júnior
Desenvolvedor de Moodle UNA-SUS
Claudio Monteiro
Jaqueline de Carvalho Queiroz
Josué de Lacerda
Luciana Dantas Soares Alves
Lino Vaz Moniz
Márcio Batista da Silva
Rodrigo Mady da Silva
Coordenador Geral da UNA-SUS/UFMG
Edison José Correa
Coordenador Acadêmico UNA-SUS/UFMG
Raphael Augusto Teixeira de Aguiar
Coordenador de Produção Pedagógica UNA-SUS/UFMG
Marcelo Pellizzaro Dias Afonso
Coordenadora Administrativa e Financeira UNA-SUS/UFMG
Mariana Aparecida de Lélis
Coordenadora de Design Educacional UNA-SUS/UFMG
Sara Shirley Belo Lança
Gerente de Tecnologias da Informação UNA-SUS/UFMG
Gustavo Storck
Gestora Acadêmica UNA-SUS/UFMG
Roberta de Paula Santos
Conteudistas UNA-SUS/UFMG
Alex Christian da Silva Alves 
Artur Oliveira Mendes 
Daniele Falci de Oliveira 
Leonardo Cançado Monteiro Savassi 
Thereza Cristina Gomes Horta
Avaliador de Pertinência UNA-SUS/UFMG
Elisa Toffoli Rodrigues
Marília Faleiro Malaguth Mendonça 
Ruth Borges Dias
Marcelo Pellizzaro Dias Afonso
Editoração UNA-SUS/UFMG
Soraya Falqueiro
Revisão Bibliográfica e Normalização UNA-SUS/UFMG
Gabriel Henrique Silva Teixeira
Soraya Falqueiro
Designer Gráfico UNA-SUS/UFMG
Giselle Belo Lança Antenor Barbosa
Designer Instrucional UNA-SUS/UFMG
Angela Moreira
Weder Hovadich Gonçalves
Ilustrador UNA-SUS/UFMG
Isabel Rodriguez
Leonardo Ribeiro Moore
Matheus Manso
Web Designer UNA-SUS/UFMG
Felipe Thadeu do Carmo Parreira
Desenvolvedor Moodle UNA-SUS/UFMG
Daniel Lopes Miranda Junior
Simone Myrrha
Apoio Técnico UNA-SUS/UFMG
Leonardo Aquim de Queiroz
Michel Bruno Pereira Guimarães
Roteirista de Audiovisual UNA-SUS/UFMG
Daniele Falci de Oliveira 
Leonardo Cançado Monteiro Savassi 
Edgard Antônio Alves de Paiva
Produtor de Audiovisual UNA-SUS/UFMG
Edgard Antônio Alves de Paiva
Objetivo geral de aprendizagem do 
módulo 
Aplicar ferramentas de Abordagem Familiar e reconhecer conceitos pertinentes à família.
Objetivo de ensino do módulo 
Capacitar o especializando para a aplicação de conceitos e ferramentas relacionados à 
Abordagem Familiar.
Carga horária de estudo recomendada 
para este módulo 
Para estudar e apreender todas as informações e conceitos abordados, bem como trilhar 
todo o processo ativo de aprendizagem, estabelecemos uma carga horária de 30 horas 
para este módulo.
Sumário
Apresentação do módulo 11
Unidade 01. A abordagem da família diante do processo 
saúde - adoecimento 12
Introdução 12
1.1 Compreendendo as famílias brasileiras 14
1.2 Tipologia familiar 17
1.3 Os ciclos de vida familiar 21
1.4 Funcionalidade familiar 27
1.5 Violência intrafamiliar 34
Encerramento da unidade 47
Unidade 02. Ferramentas para abordagem familiar na Atenção 
Primária à Saúde 48
Introdução 48
2.1 Ferramentas de representação familiar 50
2.2 Ferramentas de avaliação familiar 60
2.3 Avaliação da vulnerabilidade familiar 67
2.4 Ferramentas de abordagem familiar 74
2.5 Abordagem familiar e visita domiciliar 85
2.6 Intervenções familiares em cuidados paliativos 87
Encerramento da unidade 95
Encerramento do módulo 96
Referências 97
Biografia dos conteudistas 107
Lista de figuras
Figura 01 Transições dos ciclos familiares 
Figura 02 Instrumentos da Abordagem Familiar 
Figura 03 Benefícios do genograma
Figura 04 Símbolos padrão do genograma 
Figura 05 Representação das Relações 
Figura 06 Exemplo de genograma 
Figura 07 Exemplo de genograma 
Figura 08 Simbologia do Ecomapa – linhas de relações 
Figura 09 Exemplo de Ecomapa 
Figura 10 Atenção domiciliar a famílias 
22
49
51
53
54
55
55
58
59
86
Apresentação do módulo
Olá, caro profissional!
Boas-vindasao módulo de Abordagem Familiar. Neste módulo serão apre-
sentados diversos conceitos sobre a relação entre família e saúde bem como 
as principais aplicações desses na prática diária de cuidado na Atenção Pri-
mária à Saúde (APS). 
O módulo está dividido em duas unidades. Na primeira unidade, vamos co-
nhecer os ciclos vitais familiares e o conceito de funcionalidade familiar, a 
fim de compreendermos a interferência desses no processo saúde-doença. 
Serão ainda apresentadas as tarefas da família no processo de adoecimento 
de um dos seus membros e as responsabilidades da equipe de saúde em 
promover o apoio ao paciente por meio de sua família. Por fim, a unidade 
introduz alguns conceitos sobre violência familiar e algumas orientações de 
como abordar tais casos na APS. 
Já a segunda unidade apresentará os instrumentos mais utilizados para a 
abordagem da família na APS, divididos didaticamente em instrumentos de 
representação, de avaliação e de abordagem familiar. São ainda introduzi-
dos alguns tópicos da visita domiciliar e dos cuidados paliativos relacionados 
à abordagem familiar.
Esperamos que este módulo seja muito útil a você para a incorporação práti-
ca e qualificada da orientação familiar, importante atributo da APS. 
Desejamos a você bons estudos!
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
12
A abordagem da 
família diante do 
processo saúde-
adoecimento
OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
Reconhecer os ciclos vitais familiares e a funcionalidade familiar como instrumen-
to para promoção e recuperação da saúde de indivíduos e família
INTRODUÇÃO 
O médico de família e comunidade tem a família como foco de sua atuação. Diante 
dos desafios que enfrentará em sua prática, torna-se necessário o desenvolvimen-
to de diversas competências a fim de que possa desempenhar suas funções de 
maneira efetiva. Nesta unidade, estudaremos algumas ferramentas que auxiliarão 
o médico de família e comunidade a realizar a abordagem familiar. 
Segundo Wagner e colaboradores (2001) apud Abud (2020), a abordagem familiar 
é aquela 
abordagem emocionalmente refletida e cientificamente adequada 
ao contexto social e familiar, respeitando as concepções, crenças e 
valores pessoais da instituição abordada; para tanto, é preciso saber 
ouvir, explorar o entendimento e potencializar os recursos familiares 
para promoção da saúde, além de realizar avaliações e intervenções 
familiares refletidas na história e contexto familiar.
UNIDADE 01
13
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Nesta unidade, vamos conversar sobre o conceito de família, tipologia familiar, os 
ciclos familiares e suas características principais, as crises previsíveis (chamadas 
evolutivas) e não previsíveis (chamadas de acidentais) e quais são os papeis de cada 
membro da família nesses respectivos estágios e situações que fazem parte da di-
nâmica familiar.
Abordaremos ainda aspectos sobre funcionalidade familiar na saúde e na doença, 
coping, resiliência familiar e estratégias de suporte ao paciente. Por fim, conversa-
remos sobre violência intrafamiliar e como o médico de família e comunidade 
poderá intervir.
Pretende-se que ao final desta unidade você esteja apto a:
• Compreender os ciclos vitais familiares, seus estágios, as crises vitais, a fun-
cionalidade familiar e sua interferência no processo saúde-doença.
• Identificar as tarefas da família no processo de adoecimento de um dos seus 
membros.
• Identificar o papel da equipe de saúde no suporte às estratégias da família de 
apoio ao paciente (coping).
• Identificar casos de violência familiar em sua área de abrangência e saber con-
duzir os casos de menor complexidade.
Segundo as mesmas autoras, “para descobrir como 
uma pessoa resolve seus problemas e ajudá-la a 
alcançar suas expectativas de bem-estar, é neces-
sário conhecer e compreender a constituição da 
sua família e o papel que essa pessoa exerce 
dentro dela, qual sua ocupação, seu nível de edu-
cação formal, as expectativas da família em relação 
ao indivíduo e as conexões afetivas que construiu 
com suas vivências ao longo do tempo” (FERNAN-
DES; DIAS, 2015). Nesse interim, os princípios de 
abordagem sistêmica aplicada à família fornecem 
os recursos necessários para uma intervenção 
adequada.
Fernandes e Dias (2015) afirmam que o primeiro nível de cuidado e de resolução 
dos problemas de saúde das pessoas ocorre por meio do autocuidado e da busca 
de respostas dentro dos recursos próximos, como a família e a comunidade.
Fonte: MARINHO, 2008b | Acervo Fundação Oswaldo Cruz
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
14
1.1 COMPREENDENDO AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS
Neste momento, convidamos você a refletir um pouco: como você define família?
Essa tarefa pode parecer, à primeira vista, algo simples, mas ao reconhecermos as 
múltiplas variações de famílias encontradas hoje na nossa sociedade fica claro que 
o conceito mais abrangente de família pode ser desafiador. Assim, sugerimos que 
você analise algumas das diferentes concepções de família apresentadas a seguir 
e avalie: qual delas acha que melhor explica o conceito de família?
Concepções de família.
“A família, base da sociedade, tem especial 
proteção do Estado. [...]
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é 
reconhecida a união estável entre homem 
e mulher como entidade familiar, devendo 
a lei facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade 
familiar a comunidade formada por 
qualquer dos pais e seus descendentes.” 
(BRASIL, 1988)
“A família é um grupo de pessoas que convi-
vem, têm laços intensos de proximidade e 
compartilham o sentimento de identidade e 
pertencimento, que influenciarão, de alguma 
forma, suas vidas.” (GUSSO et al.,2018)
“A família é o modelo universal para o viver; 
ela é unidade de crescimento, de experiên-
cia; de sucesso e fracasso; ela é também 
unidade de saúde e doença.” (ACKERMAN, 
apud ANDERSON, 1980, p. 37)
“A família constitui um sistema aberto, dinâ-
mico e complexo, cujos membros pertencem 
a um mesmo contexto social e dele compar-
tilham. É o lugar do reconhecimento da di-
ferença e o aprendizado quanto ao unir-se 
e separar-se; é a sede das primeiras trocas 
afetivo-emocionais e da construção da iden-
tidade.” (FERNANDES; CURRA, 2005)
“A família representa uma agregação de in-
divíduos unidos por laços afetivos ou de pa-
rentesco (consanguinidade). Dentro dessa 
relação, os adultos são responsáveis pelo 
cuidado com as crianças. A família também 
é compreendida como a primeira institui-
ção responsável pela socialização dos indi-
víduos. O conceito de família assume sua 
complexidade por relacionar a natureza, a 
partir do nascimento de novos indivíduos 
da espécie humana, com a cultura e a orga-
nização de grupos sociais (familiares)”. 
(TEODORO; BAPTISTA, 2020)
“Família é o conjunto de pessoas ligadas 
por laços de parentesco, dependência 
doméstica ou normas de convivência, 
que residem na mesma unidade domi-
ciliar. Inclui empregado(a) que reside no 
domicílio, pensionistas e agregados” 
(BRASIL, 1998)
15
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Várias foram as transformações que a concepção de família vem sofrendo ao longo 
do tempo. A seguir, podemos acompanhar algumas delas, confira. 
Transformações com relação ao conceito de família.
Fonte: Silva, 2005.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,2015), por meio do documen-
to Síntese dos Indicadores Sociais, detectou mudanças na família brasileira, 
dentre as quais as destacadas a seguir no infográfico.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
16
Fonte: IBGE, 2015.
17
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
1.2 TIPOLOGIA FAMILIAR
Vamos, agora, acompanhar um exemplo de caso relacionado à tipologia familiar, 
confira!
Aguardando o início da aula, Carlos disputa com sua colega Júnia quem tem a família 
maior e mostra uma foto de sua família que trouxe para mostrar no seu “Para Casa”. 
Espantada olhando o grande número de pessoas, ela questiona:
Como podemos ajudar Carlos a resolveressa situação?
Com o passar do tempo, a família sofreu grandes modificações decorrentes dos 
processos socioculturais. O conceito tradicional de família, compreendida pela 
família nuclear, composta por pai (provedor da casa), mãe (cuidadora da família) e 
seus filhos foi sendo diversificado por novos tipos de família. Atualmente, o enten-
dimento jurídico sobre a família comporta vários tipos de agregado familiar e visa 
dar conta de toda a complexidade dos fatores que unem as pessoas (BIROLI, 2014).
– Carlos, sua família é muito grande! Quem são eles?
– Essa aqui é minha mãe, Luiza. Esse é meu irmão mais 
velho, Jorge. Atrás é o Álvaro, namorado da minha avó, Silvia.
– E esses dois pequenos com essa moça?
– É a minha tia Angela e os dois filhos gêmeos dela, Airton 
e Arilton.
– Ela é irmã da sua mãe?
– Não. Ela é filha do Álvaro. 
– Peraí?! Aí não vale você está trapaceando!!! Onde esse 
povo todo mora?
– Ué, Junia... Lá em casa mesmo...
– Mas não você não pode contar todo mundo! Não são todos 
da sua família!
Nesse momento, Carlos, sem saber o que falar, olha para 
a foto e fica pensativo:
“Será que eu sempre tive errado? Como pode ser? Quem re-
almente é da minha família?”
Fica, portanto, evidente que a conformação das famílias na sociedade vai se alte-
rando com o passar do tempo. Paralelamente, os conceitos de família vão se atu-
alizando e aprimorando, a depender do momento histórico e do seu contexto po-
lítico e social.
Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
18
Fernandes e Curra (2015) classificam os tipos de família em:
• nuclear (formada pelos familiares consanguíneos da pessoa-referência, possuin-
do geralmente um núcleo de um casal e seus filhos);
• extensiva (constituída por mais de uma geração podendo ter também vínculos 
colaterais com tios, primos, padrinhos, etc.);
• unitária (composta por uma só pessoa como, por exemplo, uma viúva sem filhos);
• monoparental (constituída por um dos pais biológicos ou adotivos e os filhos, 
independente de vínculos externos ao núcleo);
• reconstituída (composta por membros de uma família que em algum momento 
teve outra configuração, sofreu uma ruptura e passou a ter o novo formato);
• instituicional (representada por um instituto que possui a função de criar e 
desenvolver afetivamente a criança/adolescente);
• homoafetivo (formada por casais homossexuais, com filhos ou não, sendo os 
filhos quando existentes de origem biológica de uma das partes ou adotados);
• constituição funcional (constituída por pessoas que moram juntas e 
desempenham papéis parentais em relação a criança/adolescente).
1.2.1 AS MUDANÇAS CULTURAIS E COMPORTAMENTAIS DAS FAMÍLIAS 
E SUAS IMPLICAÇÕES ÉTICAS
Retomando a dúvida de Carlos, como se explica todos na sua casa formarem a 
mesma família? Para entender a situação é importante lembrarmos que os padrões 
nos arranjos familiares no Brasil mudaram muito nas últimas décadas – com di-
vórcios, novos tipos de união entre as pessoas, que se casam mais tarde, por 
exemplo. A média dos filhos reduziu e mais crianças crescem em ambientes do-
mésticos distantes do padrão da família nuclear. 
Fonte: SCOFANO, 2017 | Acervo Comer Pra Quê?
Outras mudanças pertinentes são muito 
mais mulheres como chefes de família, 
como principais provedoras da casa e 
mais mães criando seus filhos sozinhas. 
Aumentaram também as famílias cons-
tituídas por casais sem filhos, as famí-
lias unipessoais e o número de casa-
mentos e arranjos familiares que se 
distanciam da norma heteroafetiva.
19
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
1.2.2 E AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS PARA OS MÉDICOS DE FAMÍLIA?
Sabe-se que a ética profissional “é o conjunto de normais morais pelas quais a 
pessoa deve orientar seu comportamento na profissão que exerce”, orientadas 
pelos princípios da beneficência, não maleficência, autonomia e justiça (DALLA; 
LOPES, 2019, p. 441). 
Importante!
Vamos, agora, retomar o exemplo de caso do início da unidade, acompanhe. 
Voltando à família de Carlos, após uma noite passando um mal-estar grande, seu irmão 
Jorge, de 12 anos, foi levado a Unidade Básica de Saúde por Angela. Após uma avalia-
ção cuidadosa, o médico comunicou a importância de uma autorização para realiza-
ção de um exame mais invasivo e uso de medicamentos parenterais em Jorge.
• A atuação do médico de família na APS requer vínculo e res-
ponsabilização com as famílias estabelecendo os limites da 
relação profissional-pessoa e da interferência no estilo de 
vidas das famílias. 
• Evitar pré-julgamento e desrespeito diante dos valores das 
pessoas deve ser a atitude do médico de família. 
• Ele deve ter acesso às informações pertinentes para persu-
adir mudanças necessárias no estilo de vida não saudável, 
mas sempre respeitando a autonomia dos membros fami-
liares e a cidadania dos mesmos. 
• Respeitar diferenças e o foco da atenção à saúde no atendi-
mento das necessidades das pessoas e/ou suas famílias 
imbuído da disponibilidade do diálogo é fundamental na 
atuação desse profissional (DALLA; LOPES, 2019).
Devido a aspectos econômicos como o aumento das jornadas de trabalho e, prin-
cipalmente, a dupla jornada das mulheres reduziu-se o tempo para o lazer e para 
atividades coletivas, o que gerou mais esgotamento e falta do tempo para o auto-
desenvolvimento. Com isso, o tempo para cuidar dos outros e de si, além do tempo 
para definir afetos, é impactado profundamente pelo império da racionalidade 
econômica (BIROLI, 2014). 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
20
REFLEXÃO
Considerando os laços afetivos e os aspectos conceituas de família, 
como a postura do profissional pode ser avaliada? 
Desenvolver competências e adotar uma postura aberta para trabalhar com famí-
lias, sempre procurando se vincular com os indivíduos em foco, ter atitude que es-
timule a construção de soluções, respeitar as regras familiares, hierarquias e estí-
mulo à comunicação entre seus membros são posturas fundamentais para os 
médicos de família (CHAPADEIRO et al., 2011).
Nesse tipo de situação, devemos 
lembrar que a família é um sistema 
formado por outros subsistemas, 
unidos por fortes laços afetivos, com 
limites e papéis explícitos ou velados. 
Normalmente, quando um dos seus 
membros tem algum tipo de problema, 
toda a família sofre e a tendência é o 
desenvolvimento de estratégias que 
possibilitem o retorno à harmonia fa-
miliar com novas definições de papéis 
entre os seus componentes.
– Infelizmente precisamos de sua autorização para cuidar 
do Jorge. Você é a responsável por essa decisão?
– Na verdade, eu moro na casa com ele, mas sou filha do 
namorado da avó dele.
– Como assim? Onde estão os pais deles?
– A mãe está em viagem e não consegui contato com ela. E 
não conhecemos o pai.
– Então não é com você que tenho que conversar. Você não 
tem nenhum laço com ele. Fui enganado por vocês com ele 
te chamando de tia. Infelizmente não podemos fazer 
nenhum procedimento necessário. Terá que voltar com ele 
para casa e só atenderemos com a presença de um dos 
seus responsáveis...
Fonte: ILICCIEV, 2007 | Acervo Fundação 
Oswaldo Cruz
Fonte: Freepik.com
21
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
1.3 OS CICLOS DE VIDA FAMILIAR
Fonte: MARINHO, 2009 | Acervo Fundação 
Oswaldo Cruz
Ditterich e colaboradores (2009), corroborando com outros autores, afirma que o 
conhecimento do desenvolvimento da família é útil porque facilita a previsão e an-
tecipa os desafios que serão enfrentados no estágio de desenvolvimento de uma 
dada família, e isso permite melhorar o 
entendimento do contexto dos sintomas 
e das doenças (DITTERICH et al., 2009). 
Ressalta ainda a necessidade de se com-
preender que os estágios do desenvolvi-
mento humano não podem ser tratados 
de maneira fragmentada, de modo a 
gerar estratégias de ações e serviços em 
saúde verticalizados para cada etapa da 
vida em que o indivíduo esteja.
Você já ouviu falar de ciclos familiares e sua importância?
Nesta seção, vamos conversar sobre os ciclos familiares,suas características principais, 
as crises previsíveis (chamadas evolutivas) e não previsíveis (chamadas de acidentais) 
e quais são os papeis de cada membro da família nesses respectivos estágios e situa-
ções que fazem parte da dinâmica familiar. Compreender os ciclos familiares e como 
eles interferem no processo saúde-doença possibilita à equipe de saúde prever quando 
e como as doenças podem ocorrer (OLIVEIRA et al., 1999). 
Segundo Minuchin e Fishman (1990), a família pode ser concebida como um organis-
mo vivo que sempre constrói mecanismos para manter sua funcionalidade, estando às 
vezes em equilíbrio com o meio interno e externo e em outras vezes encontrando-se 
em desequilíbrio. 
Segundo Cesar (2010), é possível reconhecer diferentes padrões na organização das fa-
mílias ao longo do tempo, assim como diversas formas de relacionamento entre seus 
membros. Apesar dessas diversidades, podemos também observar muitas caracterís-
ticas semelhantes ao longo do ciclo de vida das famílias. Essas características seme-
lhantes costumam ser chamadas de fases do ciclo de vida das famílias. 
Fernandes e Dias (2015) definem ciclo de vida familiar como “as etapas de evolução da 
vida que todos passamos. Situações de vida com problemas previsíveis e que precisa-
mos resolver para evoluirmos como pessoas. A resposta adequada a esses problemas 
resulta no bem-estar individual e familiar”. 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
22
Para se conhecer e compreender melhor uma família devemos 
observar o cenário em que ela está inserida e as influências so-
fridas. Segundo Carter e McGoldrick (1995), essas influências 
podem ser classificadas como verticais ou horizontais, que por 
sua vez podem representar eventos estressores sobre a família. 
Lembre-se! 
Os fatores estressores ou crises podem ser previsíveis, como as transições dos 
ciclos familiares, ou imprevisíveis, como o adoecimento, os acidentes, separação 
ou divórcio, perda do emprego, perda de um membro da família, etc. (GUSSO, 2018). 
Veja a figura a seguir.
Fonte: Nescon (2011), adaptado de Carter e McGoldrick (1995).
Figura 01 - Transições dos ciclos familiares.
23
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
1.3.1 OS CICLOS DE VIDA DA FAMÍLIA
Vamos acompanhar agora os ciclos de vida da família, especialmente no que se 
refere ao ciclo de vida da classe média e da classe popular. Confira!
Ciclo de vida da classe média
A classificação mais utilizada dos ciclos de vida de famílias de classe média é a pro-
posta por Carter e McGoldrick (1995). Ela é sintetizada no quadro a seguir, junta-
mente com as características de cada ciclo e as tarefas que os indivíduos precisam 
lidar respectivamente.
Quadro 01 – Os ciclos de vida, suas características e as tarefas a 
cumprir.
Fase do ciclo Características Tarefas
Adulto jovem 
independente
Autonomia e 
responsabilização 
emocional e financeira. 
Investimento profissional. 
Síndrome dos filhos-
cangurus (permanência 
na casa dos pais na vida 
profissional).
Diferenciação do eu em 
relação à família.
Desenvolvimento de 
relacionamentos íntimos com 
adultos iguais.
Estabelecimento do eu com 
relação ao trabalho, com 
independência financeira.
Casamento
O novo casal inicia 
a vida a dois. 
Comprometimento com 
um novo sistema familiar. 
Renegociação das 
relações com seus pais e 
amigos novos e antigos.
Conhecimento recíproco.
Construção de regras próprias 
de funcionamento
Formação do sistema conjugal 
e realinhamento dos outros 
relacionamentos.
Maior autonomia em relação à 
família de origem e da tomada 
de decisões sobre filhos, 
educação e gravidez, divisão 
de vários papéis do casal de 
modo equilibrado.
(continua)
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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Fase do ciclo Características Tarefas
Nascimento do 
primeiro filho
Gravidez: profundas 
transformações e novos 
acordos. A relação 
altera-se: ela, sensível 
e introspectiva, requer 
apoio e atenção; ele 
pode não entender e 
afastar-se. Nascimento: 
função materna. Nova 
alteração: a mãe sente-se 
sobrecarregada e o pai 
pode afastar-se mais.
Abertura da família para a 
inclusão de um novo membro.
Divisão dos papéis dos pais 
para atuação em novos papéis 
que promovam a igualdade de 
gênero no cuidado com filhos.
Realinhamento dos 
relacionamentos com a família 
ampliada para incluir os 
papéis dos pais e dos avós.
Famílias com filhos 
pequenos
Outros filhos. Preparar o 
sistema para a aceitação 
dos novos membros. 
Antecipação de possíveis 
dificuldades entre os 
irmãos. Novos contatos 
externos, cada vez mais 
íntimos com a sociedade. 
Crescente autonomia dos 
filhos.
Novos ajustes das relações e 
do espaço.
Redivisão das tarefas de 
educação dos filhos, além 
das tarefas financeiras e 
domésticas.
Papel preponderantemente 
materno de ajuste e 
desenvolvimento das crianças, 
com o estabelecimento de 
uma vida satisfatória a todos.
Famílias com filhos 
adolescentes
Filhos adolescentes/
pais na meia-idade/
avós na velhice. Toda a 
família vive uma crise: 
mãe sobrecarregada/pai 
autorizador. 
Papel dos avós.
Adolescente: encontrar a sua 
própria identidade.
Pais: equilibrar a liberdade e 
considerar a individualidade 
do adolescente.
Família: independência dos 
filhos e fragilidade dos avós 
(mudança do cuidado para a 
geração mais velha).
Preparação dos pais para a 
autonomia dos filhos.
(continua)
25
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Fonte: (MCGOLDRICK, 1995; SAVASSI, 2011).
Fase do ciclo Características Tarefas
Lançando os filhos 
e seguindo em 
frente
Os filhos começam a 
sair de casa e deixam 
para trás os pais 
novamente sozinhos, 
um com o outro, vivendo 
a crise da meia idade 
e a perspectiva da 
incapacidade e da morte 
dos próprios pais.
Aceitar as múltiplas entradas e 
saídas de membros no sistema 
familiar.
Renegociar o sistema conjugal 
como um casal (fim do papel 
de pais).
Incluir os genros, noras e 
netos.
Planejamento financeiro para 
a aposentadoria.
Aposentadoria
Novas relações com 
seus filhos. Tornam-se 
avós. Realinhamento do 
convívio mais intenso 
pelo maior tempo 
disponível, porém com 
objetivos diferenciados.
Ajuste ao fim do salário 
regular, com redução da renda 
mensal.
Aumento dos gastos com 
medicações, além da 
necessidade de prover 
conforto, saúde e bem-estar.
Famílias no estágio 
tardio: a velhice
Aceitação da mudança 
dos papéis em cada 
geração. Papel mais 
central nas gerações do 
meio. Abrir espaço no 
sistema para a sabedoria 
e a experiência dos 
idosos, apoiando a 
geração mais velha, sem 
superfuncionar por ela.
Funcionamento do sistema, 
mesmo com o declínio 
fisiológico, lidando com a 
perda da habilidade, com 
maior dependência dos 
outros.
Lidar com a perda de um 
amigo, familiar ou do próprio 
companheiro (geralmente a 
mulher sobrevive) e com a 
proximidade da própria morte.
Ciclo de vida da classe popular
É necessário reconhecer que as famílias de estratos socioeconômicos mais baixos 
frequentemente apresentam importantes particularidades nos ciclos de vida em 
relação aos descritos anteriormente para as famílias de classe média. As diferen-
ças mais relevantes são sintetizadas no quadro abaixo.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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Quadro 02 – Os ciclos de vida em famílias populares.
Fase do ciclo Características
Família composta por jovem adulto
Adolescentes são levados a buscar 
formas de subsistência fora de casa 
ou são fontes muito exploradas 
de ajuda, tornando-se um adulto 
sozinho, que cresce por conta 
própria, sem que outro adulto se 
responsabilize por ele. Começa 
muito precocemente, por volta dos 
10 anos de idade.
Família com filhos pequenos
Ocupa grande parte do ciclo, 
incluindo, dentro da mesma casa, 
três ou quatro gerações. As tarefas 
desta fase se misturam: formar um 
sistema conjugal, assumir papéis 
paternos e reorganizar os papéis 
com as famílias de origem.
Família no estágio tardio
É mais raro ocorrer um ninho vazio 
de fato, uma vez que os idosos 
costumam ser membros ativos dafamília, com papel de sustentar 
e de educar as gerações mais 
novas. As mulheres tornam-se avós 
precocemente, mesmo que ainda 
estejam consolidando sua fase 
reprodutiva e reconstruindo sua vida 
afetiva. Esta é a fase que mais vem 
crescendo ao longo dos anos.
Fonte: (FERNANDES; CURRA, 2006; SAVASSI, 2011).
REFLEXÃO
Diante do que você aprendeu sobre os ciclos de vida, conseguiria 
falar sobre a importância deste assunto? 
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Importância do ciclo de vida
A seguir, citamos algumas contribuições desta ferramenta para o Médico de Família 
e Comunidade (MFC). 
1.4. FUNCIONALIDADE FAMILIAR
Para aprofundar conhecimentos sobre a funcionalidade familiar, vamos verificar im-
portantes informações e definições sobre a doença no meio familiar, a resiliência fa-
miliar e as estratégias de suporte ao paciente e à família, assim como as fases da 
doença, os papéis envolvidos e as tarefas próprias a serem completadas pelos 
membros. Acompanhe. 
1.4.1 A DOENÇA NO MEIO FAMILIAR
Tal qual ocorre com os ciclos de vida, as doenças podem ser entendidas como crises 
na família, com necessidade de interpretação e redefinição de papéis (CORSO, 2011). 
Assim, é importante compreender como a doença se comporta diante da família e 
como suas características impactam no movimento do ciclo. Neste sentido, as doenças 
podem ser compreendidas pela forma como se iniciam, seu curso e suas 
consequências. 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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No caso das doenças que se instalam gradualmente (como artrite reumatoide, por 
exemplo) a tensão familiar para esse ajustamento é menor, facilitando (ainda que 
não garantindo) as adaptações.
Nas doenças de curso agudo (não confundir com início agudo), após a crise da doença 
os membros da família tendem a um retorno aos papeis originais, ainda que ressig-
nificados. É o que ocorre, por exemplo, quando existe internação por uma pneumo-
nia. As pessoas retomam suas atividades e posturas prévias, mas agora mais cons-
cientes das próprias fragilidades. Já as doenças de curso crônico podem ser 
progressivas, constantes ou reincidentes/episódicas.
Nas doenças de curso progressivo há uma tensão constante pelas mudanças no fun-
cionamento da família. Novas tarefas vão surgindo ao longo do tempo e essa flexi-
bilidade para reorganização interna está o tempo todo sendo exigida. Ocorre no dia-
betes mellitus mal controlado, quando lesões em órgãos alvo vão levando à 
incapacidades cada vez mais graves, com uma carga de cuidados cada vez maior 
para com o familiar enfermo ao mesmo tempo que restringe tarefas que ele vinha 
desempenhando no grupo. 
Sobre como se inicia, a doença pode 
ter início agudo ou gradual (OSORIO, 
2009). As doenças de início abrupto 
(como acidentes vasculares cerebrais, 
por exemplo) por exigirem adaptações 
muito rápidas da família trazem um 
complicador a mais para grupos pouco 
flexíveis ou hipossuficientes (sendo 
nesses casos muitas vezes necessária 
uma maior busca por apoios externos). 
Sempre que alguém adoece, os papéis se modificam. O antigo cuidador pode 
passar a ser quem agora precisa de ajuda. O provedor financeiro da família pode 
ter de delegar a outro esse protagonismo. Jovens adoecidos, se em momento 
de serem “lançados na vida”, precisam adiar tal experiência e as expectativas dos 
demais membros precisam ser adiadas ou reconstruídas. Um novo significado 
é sempre exigido e o sucesso na passagem dessa crise depende de como os 
papéis podem mudar sem gerar problemas ainda maiores. Quando a doença 
surge muito rapidamente, esse ajuste precisa se dar em um período muito curto.
Fonte: Freepik.com
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Nas doenças de curso constante, após 
um evento inicial e readaptações, a si-
tuação se estabiliza. A tensão devido 
a uma incapacidade permanente pode 
levar à exaustão dos demais membros 
(muitas vezes ainda não amadureci-
dos para as novas funções que passam 
assumir). É o que ocorre quando existe 
amputação de membro após um aci-
dente, o que pode inviabilizar o traba-
lho, além de consequências psicológi-
cas diversas, dor fantasma, entre 
outros problemas. Se entender como 
alguém dependente é um processo 
que pode levar à negação da necessi-
dade de cuidados, recusa terapêutica 
e do novo papel no grupo, dificultan-
do o processo de ressignificação da 
estrutura da família. 
Por fim, nas doenças de curso reincidente/episódico, os períodos de necessidade 
de adaptações se alternam com aqueles em que existe relativa normalidade. É o 
que acontece na asma persistente, quando, ainda que com necessidade de vigilân-
cia constante, deve ser rápida a troca de papéis e responsabilidades quando o 
membro doente é acometido por uma crise e esses acordos precisam estar pre-
viamente definidos, evitando tensionamentos que se somem à agudização do pro-
blema de saúde. 
As doenças podem também ser classificadas conforme suas consequências. A pos-
sibilidade de morte ou incapacidade permanente podem tanto concentrar muita 
energia da família no cuidado com o membro quanto levar ao isolamento do enfermo 
de participação ativa na dinâmica do grupo. A superproteção pode trazer ganhos 
secundários para o doente ao ponto de dificultar os trabalhos que tentem promo-
ver ganho de autonomia (comum na hemofilia, quando a criança não raras vezes 
exige dos adultos que supram todos os seus desejos). No caso da iminência de 
morte, a constante apreensão contribui para declínio do humor de todos os envol-
vidos, dificultando maior envolvimento em estratégias promotoras de saúde (como 
nos pacientes com câncer terminal, quando a equipe de saúde muitas vezes tem 
dificuldade para fazer a família compreender que cuidados paliativos não são si-
nônimo de cuidados mínimos ou mínima atenção e cuidado).
Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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1.4 .2 RESIL IÊNCIA FAMILIAR E ESTRATÉGIAS DE SUPORTE AO 
PACIENTE
Na Física, chama-se resiliência a ca-
pacidade dos metais de se molda-
rem em determinadas condições im-
postas. Fazendo um paralelo, é 
possível perceber que toda família 
é submetida a diferentes estresso-
res ao longo do ciclo de vida de seus 
membros e, nesse contexto, nas ci-
ências sociais, resiliência familiar é 
a capacidade da família de, a partir 
de seu conjunto de crenças, enfren-
tar e se adaptar a situações de es-
tresse e crises, moldando-se para o 
futuro (CARTER; McGOLDRICK, 1995). 
Não se trata de abafar os problemas, 
mas de não sucumbir a eles. Em toda família, em cada fase do ciclo de vida, existem 
papéis e tarefas esperadas dos membros. Existem inclusive algumas crises que, se 
não desejadas, são por vezes necessárias para que a família se reorganize. A capa-
cidade de se movimentar no sentido de troca de funções e responsabilidades, bem 
como mudanças de planejamento com um mínimo necessário de tensão emocio-
nal (prosseguir o itinerário da vida a despeito dos problemas, sobrevivendo e se 
desenvolvendo apesar deles), é do que se trata a resiliência. 
Houve um tempo em que os estudos sobre resiliência focavam na capacidade in-
dividual de adaptação (OSORIO, 2009). Já há algum tempo, tem sido dada especial 
importância aos processos que ocorrem na família como um todo, considerando 
para a capacidade de resiliência os recursos que podem ser compartilhados pelos 
seus membros, acesso a apoiadores, bem como sua história, movimentos no ciclo 
de vida e flexibilidade, criando para tal as chamadas estratégias de coping. A família, 
assim, a partir de suas experiências, mal ou bem sucedidas, e recursos elabora 
meios para o enfrentamento dos problemas e a superação de crises.
Não se trata, é preciso atentar, de mera absorção das influências externas ou de 
acobertar os problemas, mas de um processo que leva em conta o potencial de re-
generação e crescimento saudável que um grupo familiar desenvolve para trans-
cender às crises, reinterpretar o sofrimento e dar novo significado ao mesmo na 
caminhada que os membros empreendem.Fonte: Freepik.com
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Pelo profissional de saúde, a família precisa ser enxergada não 
como prejudicada, mas desafiada pelos problemas. A busca de 
recursos e o reconhecimento de forças internas devem dar 
suporte a essa reconstrução. Não é simplesmente como encon-
trar a cura das feridas adquiridas na batalha diária pela sobre-
vivência, é mais sobre aprender a lidar com as cicatrizes e seguir 
adiante. Quanto mais capaz de redefinir seus caminhos, desen-
volvendo estratégias de sucesso para se manter funcional, mais 
resiliente é a família.
Importante!
1.4.3 ESTRATÉGIAS DE SUPORTE AO PACIENTE E À FAMÍLIA
A equipe de saúde tem o dever de ajudar a família a reconhecer seus recursos e 
sua capacidade de adaptação, tanto quanto fornecer apoio para fortalecimento 
da resiliência (OSORIO, 2009). Entre as estratégias podem ser citadas:
1- Avaliar estressores e processos de enfrentamento: por meio do genogra-
ma, que será estudado mais adiante nesta unidade, é possível compreender 
estressores presentes e recursos potenciais nas relações familiares. Analisan-
do a história da família é possível, ainda, refletir sobre as estratégias já utiliza-
das com sucesso em situações semelhantes. Exemplo: desenhar o genograma 
com famílias com filhos pequenos adoecidos, procurando quem pode dar, ou 
deveria estar dando, algum tipo de apoio, aliviando que a carga de cuidados se 
concentre sobre uma ou poucas pessoas (muitas vezes a mãe, potencialmen-
te adoecida no papel solitário de cuidadora e gerando assim novas demandas 
para o serviço de saúde).
2- Normalizar a situação problema: é o processo de contextualizar o problema, 
evitando tratar a mudança na dinâmica familiar como mais uma “patologia”, 
mas como desafio a ser enfrentado, procurando usar de empatia com os 
membros do grupo. Exemplo: pessoa acometida por infarto agudo do miocár-
dio, com consequente afastamento de atividades laborais e necessidade de 
suporte para atividades diárias até sua recuperação (se a reorganização de 
tarefas na família for tratada como um problema a mais e não como potencial 
solução, o processo de melhora do paciente fica prejudicado).
3- Identificar, afirmar e construir forças familiares para lidar com o proble-
ma: quando se reforça comportamentos positivos para o enfrentamento da 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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doença e se busca, junto com a família, encontrar apoios, facilitando assim o 
emergir de potencialidades. Exemplo: adolescente seguindo com uso recorren-
te de drogas ilícitas e que encontra em um membro do grupo familiar apoio e 
confiança para relatar seus medos e desejos, situação que, ao ser identificada 
pela equipe de saúde, precisa ser elogiada e reforçada.
4- Diminuir fatores de risco: trata-se de explicar processo de adoecimento, evi-
tando crenças falaciosas e catastróficas, além de preparar os membros da família 
para situações realmente ameaçadoras. Exemplo: paciente com bolsa de colos-
tomia após ressecção de câncer intestinal. A equipe de saúde precisa explicar 
o que aconteceu, organizando a ideia da doença, e informando os próximos 
passos na gestão do cuidado, esclarecendo as dúvidas e se colocando como 
apoio para responder quaisquer questionamentos.
5- Reduzir reações negativas: trabalhar para minimizar os efeitos do estresse, 
tanto apontando para a família como um todo a necessidade de alteração de 
estratégias mal sucedidas quanto ajudando a superar obstáculos. Exemplo: 
idoso analfabeto com diabetes mellitus insulino dependente morando sozinho, 
mas cujos filhos pegam os medicamentos na unidade de saúde e deixam com 
o mesmo. Devido risco de hipoglicemia, torna-se necessário a equipe de saúde 
conversar com familiares sobre necessidade de melhorar a atenção prestada e 
meios para gerenciar os cuidados.
6- Fortalecer processos familiares protetores e reduzir vulnerabilidades: va-
lorização de forças familiares identificadas e habilidades individuais e grupais 
para lidar com o problema, ajudando a compreender as mudanças da estrutu-
ra familiar e refletir sobre elas. Exemplo: no processo de compreensão do pa-
ciente como um todo, identificar que para uma pessoa acamada com escaras 
existem filhos com formação na área de saúde que podem ajudar a orientar os 
demais para o cuidado e se colocar como referência, passando a ter um papel 
de protagonismo na dinâmica familiar.
7- Encorajar a eficácia individual e familiar: apontar o controle bem-sucedido 
do problema ao longo do tempo, refletindo sobre as competências adquiridas, 
a atenção e as conexões criadas por meio da participação dos indivíduos nas 
soluções encontradas. Exemplo: paciente acometido por acidente vascular ce-
rebral e, tornando-se acamado, passa a contar com o apoio dos netos que se 
revezam durante a semana no cuidado evitando sobrecarga para a esposa e 
filhos (também envelhecidos). A equipe precisa tanto incentivar essas estraté-
gias quanto apontar para a necessidade de diversificação de atores e estraté-
gias para lidar com o aumento gradual do estado de dependência do 
paciente.
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
8- Construir significado das experiências com crises: compreender a percep-
ção da família sobre como vem lidando com o problema, solicitando feedback 
sobre o papel da equipe de saúde, instigando a busca por mais informações e 
se colocando mais uma vez como apoio. Exemplo: paciente com quadro de Al-
zheimer em rápida evolução, quando é preciso discutir com a família sobre as 
novas exigências de cuidado, os ciclos de vida e da vida, conferindo significado 
e noção de valor ao ato de cuidar. 
A divisão apresentada é didática, mas na realidade todos esses 
processos estão entrelaçados. O mais importante é que a equipe 
de saúde, na atenção primária, possa sempre reforçar seu papel 
de apoio para o enfrentamento do adoecimento, na busca por 
parceiros e no incentivo para que as famílias, nessas crises, 
possam refletir sobre seu funcionamento e, conferindo signifi-
cado a esses eventos, se fortaleçam cada vez mais para novos 
enfrentamentos, aumentando seu poder de resiliência para 
seguir a estrada da vida que compartilham. 
1.4.4 FASES DA DOENÇA JUNTO À FAMÍLIA E PAPÉIS
Como toda crise no meio familiar, a doença gera tarefas próprias a serem comple-
tadas pelos membros. Com o apoio da equipe de saúde, esse grupo pode melhor 
ressignificar sua trajetória e promover as adaptações necessárias (CARTER, McGOL-
DRICK, 1995).
No período de instalação da crise (e enfermidade) é necessário um reajustamento 
inicial. É preciso apreender como as coisas acontecem e são interpretadas, para o 
que uma boa exploração da experiência da doença é essencial (seguindo os passos 
do método clínico centrado na pessoa). Um bom relacionamento com a equipe de 
saúde precisa ser desenvolvido, uma vez que a equipe precisará se converter em 
parceira durante todo o curso do problema. É natural que as pessoas se entriste-
çam durante esse período de incertezas e o apoio profissional poderá minimizar a 
angústia. 
A fase de cronificação do problema ocorre quando, compreendendo o paciente 
como um todo, os profissionais de saúde podem buscar pelos apoiadores exter-
nos e internos da família para construir um projeto comum de manejo. 
Na fase terminal, quando a morte é iminente, a partir da intensificação da relação 
durante todo esse processo, é o momento de ser realista e lidar com o luto e a re-
tomada da vida e reorganização da estrutura familiar, ressignificando papéis, ela-
borando novos planos e incorporando ações de prevenção e promoção de saúde. 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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Além disso, durante todo o itinerário de vida familiar, existem movimentos centrí-
petos e centrífugos (para fora e para dentro do núcleo familiar, respectivamente). 
A doença tende a promover movimentos centrífugos. As tarefas dos ciclos envol-
vem também esses dois movimentos. O casal jovem deve, por exemplo, fazer um 
movimento centrífugo para construçãodo núcleo e um movimento centrípeto para 
aprender a lidar com a família de origem de cada cônjuge. Quando ocorre o pro-
cesso de adoecimento de um dos membros do casal, o movimento centrífugo é 
potencializado, aumentando a tensão, enquanto as tarefas de movimento centrí-
peto são negligenciadas, criando potencial conflito para as fases seguintes e difi-
culdades para gerenciamento do cuidado e consolidação de apoios. A equipe de 
saúde precisa estar atenta para alertar a família e orientar busca de ajuda para que 
possam melhor se organizar. 
Assim, muitas vezes as tarefas próprias do ciclo de vida entram em conflito com as 
tarefas relacionadas aos cuidados com familiares doentes. Os papeis de cada pessoa 
no núcleo familiar são questionados e, muitas vezes, é necessário um reequilíbrio 
de tarefas e responsabilidades para enfrentar aquela situação.
Quando o problema de saúde se torna crônico, as responsabilidades assumidas 
precisam ser revistas e repensadas, sob pena de prejuízo na execução das tarefas 
usuais do ciclo de vida e sobrecarga de apenas um ou poucos membros da família.
REFLEXÃO
Você já assistiu ao filme “O óleo de Lorenzo”, drama americano de 
1992 e dirigido por George Miller? Como a família do protagonista 
se organizou para o cuidado? Quais as consequências (boas e ruins) 
das estratégias de coping adotadas?
1.5 VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR
Para dar continuidade aos estudos, vamos agora aprofundar conhecimentos sobre 
a violência intrafamiliar, acompanhe.
1.5.1 CONVERSANDO SOBRE VIOLÊNCIA
A violência não é um evento natural, nem acidental, sendo determinada por múl-
tiplos fatores sociais e individuais, interligados e historicamente determinados 
(DAHLBERG; KRUG, 2007).
Violência é definida como o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, 
contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou 
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Quadro 03 - Classificação de tipos de violência.
Violência coletiva
Os crimes cometidos por 
grupos organizados, os atos 
terroristas, os crimes de 
multidões, as guerras e os 
processos de aniquilamento 
de determinados povos e 
nações
Atos violentos que acontecem 
nos âmbitos macrossociais, 
políticos e econômicos e 
caracterizam a dominação de 
grupos e do Estado
Violência 
Auto-infligida
Comportamentos suicidas
Ideações e atos que têm 
como objetivo dar fim na 
própria vida voluntariamente
Autoabusos Agressões a si próprio e 
automutilações
Violência 
interpessoal
Violência comunitária
Violência juvenil
Atos aleatórios de violência
Estupro
Ataque sexual por estranhos
Violência em grupos 
institucionais (escolas, 
trabalho, prisões e asilos)
Violência Familiar
Violência infligida por 
parceiro íntimo
Abuso infantil
Abuso contra idoso
Fonte: Adaptado de COELHO; GRUDTNER; LINDNER, 2014.
possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudi-
cado ou privação (COELHO; GRUDTNER; LINDNER, 2014; D´OLIVEIRA; SCHRAIBER, 
2019; DAHLBERG; KRUG, 2007). 
No âmbito familiar, a violência apresenta alta prevalência e repercute significati-
vamente na vida das pessoas, por tratar-se de uma grave situação de violação dos 
direitos humanos e um sério problema de saúde pública e do tecido social (CURRA; 
FERNANDES, 2005; CURRA; FERNANDES; MAZZONCINI, 2018). 
Podemos também classificar a violência em três grandes grupos, de acordo com 
quem comete o ato violento (COELHO; GRUDTNER; LINDNER, 2014), apresentados 
no quadro a seguir.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
36
A violência familiar se enquadra na categoria de violência interpessoal e pode ser 
definida como toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a integridade 
física e a psicológica, ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimento de outro 
membro da família. Esse tipo de violência é cometido dentro ou fora de casa, por 
algum membro da família, inclusive pessoas que passam a assumir função paren-
tal, ainda que sem laços de consanguinidade, e que apresentam relação de poder 
sobre a outra pessoa (COELHO; GRUDTNER; LINDNER, 2014).
Segundo a Lei nº 11.340, de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, 
que rege os mecanismos para coibir a violência familiar contra a mulher, a defini-
ção dos tipos de violência delimita cinco domínios, a saber: físico, patrimonial, sexual, 
moral e psicológico (PASSOS, 2010). 
Confira no Infográfico, algumas considerações importantes!
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
A lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como lei Maria da Penha, 
é um marco na proteção de mulheres em situação de violência, pois torna 
crime a violência doméstica e familiar contra a mulher, definindo-as cla-
ramente e tipificando essa violência – física, psicológica, sexual, patrimo-
nial e moral, que podem ser praticadas juntas ou separadamente.
A Lei Maria da Penha fortalece a autonomia das mulheres, educa a socie-
dade e cria meios de assistência e atendimento humanizado, além de 
agregar à política pública valores de direitos humanos, tornando o Estado 
responsável pelo enfrentamento da violência contra a mulher.
Acesse o texto completo da lei Maria da Penha, lei n° 11.340, de 7 de agosto 
de 2006, disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11340.htm
1.5.2 A LENTE DA APS
Os profissionais de saúde estão em uma posição estratégica para detectar riscos 
e identificar as possíveis vítimas de violência, pois costumam ser os primeiros a 
serem informados sobre esses episódios. O motivo da busca de atendimento é 
mascarado por outros problemas ou sintomas que não se configuram, isolada-
mente, em elementos para um diagnóstico, como relatado na situação hipotética 
que abre essa temática. Por isso, é responsabilidade do profissional de saúde estar 
atento quanto à possibilidade de um membro da família estar praticando ou sendo 
vítima de violência, mesmo que não haja, à primeira vista, indicações para suspei-
tas (DAHLBERG; KRUG, 2007).
A APS tem como foco a atenção e prevenção dos agravos relacionados à saúde, 
além de ser um dos setores de saúde que visa atender a população em situação 
de violência a partir do reconhecimento dos casos confirmados e suspeitos. A APS 
tem em seus atributos o reforço das competências para o manejo dessas situa-
ções, sendo a porta de entrada e primeira referência da população, cuidando de 
todos ao longo do tempo, de forma integral, independente da presença ou não de 
adoecimento, coordenando os cuidados nos vários setores de cuidados. Além disso, 
o foco da APS na família e na comunidade, sendo recurso da população definida, 
e trabalhando com habilidades culturalmente adequadas ao mesmo, otimiza a 
abordagem de situações mais complexas, como no caso das violências.
Partindo da definição de APS da professora Bárbara Starfield, pode-se determinar 
como cada um dos atributos da APS valida e direciona a abordagem das situações 
de violência por esse nível de cuidado em saúde: 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
38
Fonte: MARINHO, 2009 | Acervo Fundação Oswaldo Cruz
A chegada à unidade de 
saúde precisa ser assegura-
da ou a equipe deve se mo-
bilizar para ir até a vítima, 
cuidando para não aumen-
tar o risco envolvido na abor-
dagem. A escuta sem pre-
conceitos e condenações, 
apontamentos desnecessá-
rios ou culpabilização da 
vítima ajuda na vinculação e 
posterior planejamento de 
ações adequadas.
A Atenção Primária é aquele nível de um sistema de serviços de saúde 
que oferece a entrada para todas as novas necessidades e proble-
mas, fornece atenção para a pessoa (não direcionada para a enfer-
midade) no decorrer do tempo, fornece atenção para todas as con-
dições, exceto as muito incomuns ou raras, e coordena ou integra a 
atenção fornecida em outro lugar ou por terceiros. (STARFIELD, 2002, 
p. 28) 
Apesar de a violência ter como peculiaridade o fato de sua detecção ser dificulta-
da, especialmente pelos diversos recursos de tentativa de ocultação dos fatos e 
dificuldade de observaçãoda sociedade e das equipes de saúde, sua prevalência 
é muito significativa, o que a tira da condição de raridade e torna parte essencial 
do trabalho da APS. Especialmente em situações de maior vulnerabilidade e fragi-
lidade social, que caracterizam maior risco, as demandas de cuidado nesse aspecto 
são ainda maiores, exigindo dos profissionais atenção e competência na aborda-
gem dos casos.
É fundamental garantir que a pessoa vítima de violência tenha acesso fácil aos ser-
viços de assistência, com a privacidade e o sigilo necessários, incluindo o serviço 
de saúde, com a certeza do atendimento adequado e livre de julgamento (DAHL-
BERG; KRUG, 2007).
Ao pensarmos na porta de entrada para esses casos, as pessoas precisam saber a 
qual serviço se dirigir, a quais profissionais pedir ajuda, sentindo segurança ao ex-
ternar a situação vivida e quais os possíveis envolvidos (LANDSBERG; SIQUEIRA; 
PEREIRA, 2012). Cabe lembrar que na maioria das vezes tanto a pessoa em situa-
ção de violência quanto o provável agressor vivem na mesma comunidade, possi-
velmente na mesma casa e são atendidos pela mesma equipe de saúde, e é ne-
cessário trabalhar para que isso não seja um impedidor do cuidado ou um 
complicador maior. Além disso, deve-se cuidar e acolher todos os envolvidos e a 
primeira garantia para que isso aconteça é garantindo o acesso.
39
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Caso a pessoa não consiga acessar o serviço de referência, todo 
o processo de identificação de situações de risco e continuida-
de do cuidado fica comprometido. Por isso, o acompanhamen-
to ao longo do tempo traz diferenciais na identificação de fatores 
de risco para violência. Confira alguns elementos a seguir.
Importante!
Identificação de fatores de risco para violência.
Fonte: Elaborado pelos autores.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
40
Podem também ser observadas questões relacionadas ao autocuidado, presença 
de lesões sugestivas de violência na observação ou exame, distanciamento ou maior 
aproximação com a equipe de saúde, piora de rendimento escolar ou no trabalho, 
aumento no consumo de álcool e drogas, dificuldade de cumprimento de tarefas 
sociais (CURRA; FERNANDES, 2005; CURRA; FERNANDES; MAZZONCINI, 2018).
O médico de família e comunidade que acompanha um grupo de pessoas conti-
nuamente cria uma vinculação diferenciada com seu grupo de referência e, inde-
pendentemente da presença ou não de queixa ou adoecimento (LANDSBERG; SI-
QUEIRA; PEREIRA, 2012), é capaz de perceber sutilezas de posturas, escolhas e 
condutas que são avisos importantes de risco para a identificação de situações de 
violência (DAHLBERG; KRUG, 2007).
Na abordagem integral das pessoas e comunidades, o profissional percebe o sujeito 
como histórico, social e político, articulado ao seu contexto familiar, ao meio am-
biente e à sociedade que está inserido. Dessa forma, a integralidade desafia o pro-
fissional a caminhar em busca de um horizonte de cuidado adequado ao contexto 
de cada pessoa, considerando suas competências e demandas específicas, enten-
dendo que as necessidades são inúmeras e múltiplas e que o trabalho interseto-
rial e multiprofissional é fundamental (LANDSBERG; SIQUEIRA; PEREIRA, 2012). 
Nas situações de violência, cabe à APS o papel de ser a primeira 
referência de assistência, oferecendo todo seu potencial na re-
solução de problemas que seja possível neste nível de atenção, 
mas também catalisando ações em outros níveis de assistência, 
inclusive em questões mais complexas relacionadas a apoio ju-
rídico e de assistência social. A busca de soluções para cada uma 
das situações cuidadas desenha e desenvolve parceiras e conhe-
cimentos que irão otimizar o cuidado ofertado.
Lembre-se!
Uma vez que será necessário coordenar diferentes atores no plano de cuidados 
em situações de violência, o tecer da teia de atenção sob responsabilidade da APS 
confirma sua importância para o sucesso das ações. Coordenar os cuidados com 
harmonia entre os envolvidos é como reger uma grande orquestra – cada um dos 
instrumentos precisa estar afinado, os musicistas devem estar capacitados a tocar 
sua parte na peça, mas o conjunto da obra é garantido pelo regente, dando o ritmo, 
o compasso, moderando a intensidade, posicionando cada um em seu tempo 
adequado.
41
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
As alternativas de serviços específicos dirigidos à violência são apresentadas e dis-
cutidas, além dos serviços gerais de garantia de direitos que estejam disponíveis. 
O conhecimento e articulação da rede de assistência intersetorial e o trabalho con-
junto integrado é fundamental para o sucesso da abordagem. Deve-se buscar ati-
vamente a rede de suporte familiar e social já existente da pessoa que está sendo 
atendida (DAHLBERG; KRUG, 2007). 
A APS tem sua centralização na família como um 
dos referenciais e o estudo de contexto familiar 
e de meio feito através dos instrumentos de abor-
dagem familiar (como genograma, ecomapa, ciclo 
de vida familiar, entre outros) pode ser bastante 
esclarecedor (LANDSBERG; SIQUEIRA; PEREIRA, 
2012). Devido a essa importância, esses recursos 
serão abordados mais detalhadamente nesta 
unidade. As informações levantadas podem evi-
denciar desde situações de risco (desemprego, 
alcoolismo, uso de drogas, dificuldade de comu-
nicação), passando pela identificação de situa-
ções de violência relatadas durante a aplicação 
dos instrumentos, até a percepção de apoiado-
res e competências pessoais ou da família para 
a resolução do problema (CURRA; FERNANDES, 
2005; D´OLIVEIRA; SCHRAIBER, 2019).
Considerando a orientação comunitária, percebe-se que o desenho da atuação das 
equipes de APS vai ser baseado nas demandas do grupo populacional assistido. 
Ao iniciarmos o trabalho com uma comunidade, é fundamental o entendimento 
de que o trabalho vai respeitar as especificidades de cada local e sua população. 
As ações das equipes de saúde são orientadas para a comunidade, tanto individu-
al quanto coletivamente, abordando o conjunto de necessidades evidentes daquela 
população. Dessa forma, a equipe que trabalhar com uma situação de maior inci-
dência e identificação de casos de violência terá que desenvolver mais competên-
cias no trabalho e diferentes abordagens dessa população (LANDSBERG; SIQUEI-
RA; PEREIRA, 2012).
Ainda é válido considerar também a habilidade cultural que demanda das equipes 
de APS para atuarem em diferentes cenários. Entender que somos todos seres cul-
turais, que trazemos referenciais éticos e sociais e que essas vivências influenciam 
nossas escolhas e posturas ajudam na aproximação respeitosa para avaliação de 
situações complexas como os casos de violência. Crenças e valores familiares, 
papéis e padrões de comunicação, capacidade de enfrentamento de situações de 
Fonte: MARINHO, 2008a | Acervo Fundação Oswaldo Cruz
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
42
estresse e práticas de vida e de saúde são determinantes variáveis e que devem 
ser observados com olhar de aceitação, ainda que aquilo não seja a referência do 
profissional (LANDSBERG; SIQUEIRA; PEREIRA, 2012). Porém, a habilidade de tra-
balhar de forma culturalmente competente em situações de violência compreen-
de exatamente a diferenciação entre “o que não é adequado para mim, mas fun-
ciona bem para você” e “o que não é adequado e não funciona bem para ninguém”. 
Nesse contexto, a percepção de violência e risco indica ação necessária da equipe 
na abordagem, independente de diferenças culturais. É fundamental cuidar sempre 
para evitar a banalização ou relativização do que seria violência, sendo necessário 
coibir tais situações, independentemente dos motivos ou justificativas culturais, 
como “não quero filho bandido”, “ele tem ciúmes e me bate porque já errei com 
ele antes” ou “essa idosa foi muito ruim comigo antes” (DAHLBERG; KRUG, 2007). 
Durante todo o processo de atendimento das situações de violência, o profissio-
nal de saúde necessita manter uma preocupação ética com a qualidadeda inter-
venção e suas consequências, e deve considerar os itens descritos a seguir.
Ética, qualidade da intervenção e suas consequências.
Fonte: Adaptado de BRASIL, (2001).
43
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
1.5.3 A LENTE DA MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE
A Medicina de Família e Comunidade é a especialidade médica que presta assistên-
cia à saúde de forma continuada, integral e abrangente para as pessoas, suas famí-
lias e a comunidade (CAMPOS, 2005).
O Médico de Família e Comunidade (MFC) é comprometido, em primeiro lugar, 
com a pessoa, não se limitando pelo problema de saúde apresentado. Qualquer 
problema apresentado pela pessoa, qualquer queixa ou relato que ela traga, é 
parte do seu campo de trabalho (LOPES, 2019), inclusive quanto à abordagem 
adequada de casos suspeitos ou confirmados de violência.
O MFC é o profissional médico com 
vocação e formação específicas para 
prestar cuidados na APS, especialista 
em manejar os problemas mais fre-
quentes que acometem a população 
sob sua responsabilidade (MCWHIN-
NEY; FREEMAN, 2010); por isso, todos 
os atributos já discutidos previamen-
te são também aplicáveis à atuação 
do MFC.
O MFC age como defensor dos direitos, dos interesses e das necessidades das 
pessoas atendidas e da população pela qual é responsável (DAHLBERG; KRUG, 
2007). O comprometimento entre o médico e a pessoa assistida não tem um ponto 
final definido, sendo então uma especialidade médica definida em termos de cons-
trução de relacionamentos ao longo do tempo (LOPES, 2019).
A medicina de família e comunidade é regida por princípios que norteiam os cami-
nhos dos especialistas e serão aqui discutidos aplicados ao enfrentamento de casos 
de violência. Acompanhe. 
- O médico de família e comunidade é um clínico qualificado
O MFC é o especialista que atende os problemas relacionados com o processo saú-
de-doença, de forma integral, contínua e sobre um enfoque de risco, no âmbito in-
dividual e familiar (LOPES, 2019).
Para tanto, na avaliação dos casos de violência, não basta ao MFC que ele tenha 
apenas boa vontade, é necessário ampliar o conhecimento na detecção e manejo 
desse problema. No entanto, ainda existem profissionais que não têm como hábito 
suspeitar ou tomar a questão da violência para seu trabalho de forma consciente 
e rotineira, questionando de forma equivocada se essa avaliação seria pertinente 
como parte integrante do seu trabalho em saúde (DAHLBERG; KRUG, 2007). 
Fonte: MARINHO, 2008c | Acervo Fundação Oswaldo Cruz
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
44
É sabido que a revelação da violência depende de um bom vínculo, de confiança e 
de uma postura ativa e isenta de julgamento por parte do profissional, o que torna 
o MFC o especialista mais indicado para essa abordagem.
O treinamento de práticas adequadas para que o MFC possa exercer essa ação de 
diagnóstico, propedêutica (se for necessária) e terapêutica para cuidado pertinen-
te a situações de violência é fundamental para uma boa atuação clínica do profis-
sional (DAHLBERG; KRUG, 2007).
- A atuação do médico de família e comunidade é influenciada pela 
comunidade
O MFC tem a prática voltada para a análise dos principais problemas de saúde na 
comunidade. As doenças devem ser analisadas segundo a sua relevância e mag-
nitude assim como os fatores de risco e as vulnerabilidades associadas presentes 
na comunidade (LOPES, 2019).
Assim, o MFC e as equipes da APS estão em posição privilegiada para a detecção 
dos casos de violência, já que o acompanhamento continuado e o estudo da co-
munidade, com as necessárias adequações de condutas pertinentes às queixas 
identificadas, favorecem essa percepção. Além disso, o MFC tem relação com todas 
as pessoas da sua área adscrita e isso representa uma enorme oportunidade para 
a redução de danos causados pela violência (DAHLBERG; KRUG, 2007).
- O médico de família e comunidade é o recurso de uma população definida
O MFC é o acesso facilitado das pessoas ao sistema de saúde e é utilizado por elas 
da forma que for necessária, permitindo ingressar no sistema de maneira coorde-
nada e eficiente. Agindo assim, o MFC gerencia os recursos, sendo a ligação com 
outros especialistas e outros setores sociais o que o converte em gestor e admi-
nistrador dos recursos humanos e materiais do próprio sistema (CASTILLO et al., 
2010).
Essas características favorecem ações coordenadas necessárias à abordagem de 
eventos de violência, que exigem a atuação dos setores de saúde, segurança, pro-
teção e suporte social. 
45
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
A disponibilidade do MFC para atuação nessas situações específicas de contex-
to de violência permite a organização do tempo de atendimento adequado, 
escuta qualificada e detalhada e direcionamento de recursos de forma equâ-
nime, de acordo com as demandas levantadas. A partir dessa escuta, um plano 
de cuidados deve ser estabelecido com o sujeito em questão. A ação sobre 
esses casos visa coibir e evitar a violência, de forma compartilhada, o que 
demanda comprometimento e vinculação. O plano estabelecido deve buscar 
garantir não somente o fim da violên-
cia, mas também a consciência de 
todos sobre a origem de seus proble-
mas e os caminhos para sua resolu-
ção. Para isso, é necessário que o pla-
nejamento faça sentido e seja 
adequado para o sujeito e seus planos 
de vida, que podem ser renovados em 
novos encontros com seu MFC (DAHL-
BERG; KRUG, 2007).
Vale reforçar que o serviço pode e deve 
estender o seu cuidado a todos os envolvidos nas situações de violência, tanto da 
família quanto da comunidade, sendo otimizada sua utilização como recurso social 
que objetiva a redução de violência, de todo tipo de discriminação e de promoção 
dos direitos humanos (DAHLBERG; KRUG, 2007).
- A relação médico-pessoa é fundamental para o desempenho do médico de 
família e comunidade
O MFC tem a capacidade para estabelecer 
empatia, buscando uma relação com 
as pessoas de forma efetiva e especí-
fica, desenvolvendo alto grau de auto-
conhecimento. Reconhece o indivíduo 
como único e que suas características 
individuais contribuem para modificar 
as maneiras como são obtidas infor-
mações e cria explicações (estrutura 
hipóteses) acerca da natureza dos seus 
problemas e de como devem ser ma-
nejados. Entende que ajudar as 
pessoas a resolver seus próprios problemas é uma atividade terapêutica fun-
damental e reconhece que se deve realizar contribuições profissionais para 
uma comunidade mais ampla (CAMPOS, 2005). 
O relacionamento sempre adquire uma importância especial para as pessoas, 
Fonte: MARINHO, 2011 | Acervo Fundação Oswaldo Cruz
Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
46
suas famílias e o médico. Como resultado, o MFC torna-se um defensor da pessoa, 
da sua família e sua comunidade (DAHLBERG; KRUG, 2007; LANDSBERG; SIQUEIRA; PEREIRA, 
2012). 
Para que essa relação ocorra de forma adequada, alguns pontos precisam ser 
valorizados:
- garantir e reforçar a privacidade e o sigilo, avaliando, inclusive, a necessidade 
de restrição de acesso à informação dentro da própria equipe, uma vez que alguns 
profissionais, como os agentes comunitários de saúde, costuma ser parte da 
comunidade;
- garantir a necessidade de consultas, ocasionalmente, com maior periodicida-
de e/ou maior tempo de escuta, inclusive em horários não agendados, que respei-
tem as demandas prioritárias de cada caso;
- acreditar e respeitar a história que está sendo contada, nunca duvidando, des-
merecendo ou desvalorizando o que é importante para a pessoa, com cuidado em 
registro fiel em prontuário e exame físico atencioso para identificação de sinais 
que possam comprovar a violência;
- esclarecer e reforçar que a violência é sempre errada e que ninguém pode ser 
culpado por sofrer violência, evitando a banalização e a relativização do que pode 
ser considerado violência;
- não tratar a pessoa que sofre os atos de violência como uma vítima cristali-
zada em uma atitude passiva e indefesa,mas sim visando recuperar sua capa-
cidade como sujeito e sua potencialidade de vida, favorecendo o comprometimen-
to da pessoa e sua retomada de competências durante o processo;
- o contato com a violência pode ser cansativo e mobilizar emoções no profissional, 
que podem levar a danos e sofrimentos importantes, por isso é fundamental estar 
atento a esse risco e conversar com a equipe envolvida e outros profissionais 
de referência para realizar um trabalho de forma consciente e bem articula-
da (DAHLBERG; KRUG, 2007). 
O MFC como pessoa vai, então, desenvolver a capacidade de conhecer-se a si 
mesmo, identificar seus paradigmas por meio da introspecção, conhecer e manejar 
suas emoções, preconceitos e valores, resultando, também, em seu crescimento 
pessoal, além do profissional (CASTILLO et al., 2010).
47
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Encerramento da unidade 
Nesta unidade, aprofundamos conhecimentos sobre a abordagem da família diante 
do processo de saúde e adoecimento, compreendendo as características das fa-
mílias brasileiras, desde o contexto histórico até a configuração atual. Também 
compreendemos a tipologia familiar, os ciclos de vida familiar e a funcionalidade 
familiar. 
Aprimorando o aprendizado sobre a atuação do médico da família e comunidade, 
também compreendemos melhor tópicos importantes sobre a violência intrafami-
liar, e como as equipes de saúde podem atuar nesse sentido. Continue seus estudos 
na próxima unidade e tenha um excelente aprendizado!
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
48
Ferramentas 
para abordagem 
familiar na 
atenção primária 
à saúde 
OBJETIVO DE APRENDIZAGEM DA UNIDADE
Aplicar os instrumentos de abordagem familiar na Atenção Primária à 
Saúde.
INTRODUÇÃO 
Boas-vindas à Unidade 2 do Módulo de Abordagem Familiar! Como você 
viu até aqui, as famílias podem ser classificadas de acordo com sua com-
posição (tipologia familiar), suas etapas (ciclos de vida) ou seus subsis-
temas relacionais (filial, parental, conjugal). Anteriormente, o IBGE 
também considerava o coletivo de pessoas conviventes, mas “sem laços 
de parentesco”, como nos casos em que a pessoa responsável residia 
com “núcleos familiares formados por agregados, pensionistas, empre-
gado(a) doméstico(a) ou parente do(a) empregado(a) doméstico(a)” (IBGE, 
2014, p. 34). O IBGE (2014) diferencia:
- “Família única” (núcleo familiar da pessoa responsável pela unidade do-
méstica/ domicílio) e 
- “Famílias conviventes” (núcleos familiares em uma mesma unidade 
doméstica). 
UNIDADE 02
49
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Com isso, podemos separar as Ferramentas de Classificação de famílias, já abor-
dadas na Unidade 1, das demais ferramentas que discutiremos a seguir. A partir 
deste momento, discutiremos algumas ferramentas que permitem representar as 
famílias de maneira gráfica, realizar a avaliação familiar quanto à funcionalidade e 
vulnerabilidade, além de apresentar ferramentas de abordagem familiar propria-
mente dita.
Figura 02 - Instrumentos da Abordagem Familiar.
Fonte: elaborado pelos autores, 2020.
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Utilizar instrumentos para classificação, representação, avaliação e aborda-
gem de famílias.
• Reconhecer na abordagem familiar a resiliência, a vulnerabilidade e os ele-
mentos socioculturais familiares relevantes para o cuidado em saúde.
• Avaliar aspectos básicos das necessidades de visita domiciliar
• Identificar as indicações e o manejo essencial adequado em cuidados paliati-
vos no ambiente domiciliar.
Além disso, faremos ao final uma breve análise de como os cuidados domiciliares 
e cuidados terminais devem ser abordados do ponto de vista da família. 
Bons estudos!
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
50
2.1 FERRAMENTAS DE REPRESENTAÇÃO FAMILIAR
Genograma é um diagrama da árvore 
genealógica e das relações entre cada 
um de seus membros. O genograma 
pode focar apenas na unidade fami-
liar, ou em outras formas familiares 
que incluam duas ou mais gerações, 
por exemplo, quando os avós moram 
com seus filhos ou quando, embora 
não vivam com seus filhos e netos, 
desempenham um papel relevante 
na descrição e avaliação da família 
(LOPEZ; ESCUDERO, 2013).
O genograma é uma maneira de representar a família de forma gráfica, esquemáti-
ca, identificando a estrutura familiar (membros), tipos e intensidade dos seus rela-
cionamentos, associados à informações acerca de problemas de saúde, idade/data 
de nascimento e algumas outras questões relevantes que devem ser registradas, 
como problemas biomédicos, genéticos, comportamentais e sociais que envolvem 
a família (DIAS; GUIMARÃES, 2020).
As ferramentas de representação familiar genograma e ecomapa são primordiais 
para compreendermos melhor o processo de adoecimento nas famílias, conhecer 
a situação dos seus membros e suas relações não apenas dentro da família, mas 
também com a comunidade onde vivem e estabelecem suas redes de apoio. São 
também reconhecidas como ferramentas que representam o ecossistema familiar 
(LOPEZ; ESCUDERO, 2013). Vamos aprofundar conhecimentos sobre as duas fer-
ramentas a seguir, acompanhe.
2.1.1 O QUE É O GENOGRAMA
51
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
O link a seguir oferece um aplicativo elaborado com o intuito de facilitar 
a criação e o manuseio de genogramas em formato eletrônico. Você pode 
se cadastrar no sistema e criar o genograma de uma família gratuitamente: 
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/genograma/
Dessa forma, permite uma representação visual de diversos processos ao mesmo 
tempo, cujo registro textual em prontuário se tornaria amplo, por vezes confuso, e 
de difícil localização em meio ao volume de registros normalmente realizados na 
Atenção Primária. Assim, favorece o planejamento terapêutico e permite à família 
alguns benefícios, conforme pode ser visto a seguir. 
Figura 03 - Benefícios do genograma.
Fonte: Elaborado pelos autores.
Ao permitir uma visualização breve sobre a situação da família, como um novo ca-
samento ou nascimento, permite avaliar e compreender a família, por qualquer 
profissional da saúde, melhorando assim a longitudinalidade do acompanhamen-
to, reforçando o vínculo e demonstrando quem vive na mesma residência, identi-
ficando ao início de qualquer contato com membros da família os fatores de risco 
importantes, as necessidades de rastreamento para situações de risco e de pro-
moção da saúde com a possibilidade de reconhecer elementos de crenças que per-
mitam ênfase específica na orientação do paciente (HORTA, 2008).
Com isso, o genograma permite avaliar questões relevantes para elaboração de 
um projeto terapêutico familiar, facilitando a visão do contexto psicossocial e de 
situações vivenciadas tanto pelo paciente quanto pela família, ampliando a detec-
ção de situações conflituosa em suas próprias relações.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
52
O genograma é um instrumento de análise ao mesmo tempo familiar e individual, 
tendo em vista que apresenta a representação da família a partir de uma visão do 
indivíduo entrevistado, e que essa visão é apenas uma das que percebem aquela 
família. A visão de um filho acerca de uma relação conflitiva entre mãe e filha, por 
exemplo, pode ser interpretada como relação muito próxima pelo pai desses 
mesmos filhos.
Elementos do genograma
O genograma é composto por dois grandes grupos de elementos: os elementos 
estruturais e os elementos funcionais. Confira. 
Fonte: Adaptado de CURRA; FERNANDES, 2006; DIAS; GUIMARÃES, 2020.
53
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Podem ainda ser incluídos, dependendo da complexidade e da situação em análise, 
os seguintes pontos: fase do ciclo vital; sistema familiar de origem; estressores; 
rede social de apoio; interpretações do problema (CURRA; FERNANDES, 2006).
As figuras a seguir demonstram as simbologias utilizadas no genograma bem como 
alguns exemplos de genogramas.
Figura 04- Símbolos padrão do genograma.
Fonte: Adaptado de HORTA(2008); MCGOLDRICK; GERSON; PETRY (2020). 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
54
Figura 05- Representação das Relações.
Fonte: Adaptado de HORTA (2008); McGOLDRICK; GERSON; PETRY (2020). 
55
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Figura 06- Exemplo de genograma.
Fonte: SAVASSI, 2017. 
Exemplos de genograma:
Figura 07- Exemplo de genograma.
Fonte: BRASIL (2013, p. 27).
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
56
Uso racional do genograma 
Embora a discussão se o genograma seria “o bisturi” da especialidade – ou seja, um 
instrumento presente em qualquer abordagem do MFC assim como o bisturi o é 
para o cirurgião – ou se seria o “hemograma” dessa – ou seja, um elemento que 
traz muitas informações, mas que deve ter indicações precisas e consequências – 
a percepção da importância dele faz com que devamos ter alguns cuidados, con-
forme veremos a seguir. 
Deve ser colocado no início do prontuário, mas evitar colocá-lo na capa externa do 
mesmo, notadamente em prontuários familiares. Há dados que são sigilosos, mesmo 
para profissionais do campo da saúde (como agentes comunitários de saúde, por 
exemplo) e um prontuário familiar – de papel – aberto em frente a outro familiar 
pode gerar questões éticas importantes. 
Lembre-se de que o genograma é um instrumento de represen-
tação da família a partir de uma visão, e que essa visão é uma 
das lentes de percepção daquela família.
Idealmente deve estar dentro de uma folha de rosto que con-
temple também problemas prévios, ações preventivas, plano te-
rapêutico e plano propedêutico, sendo parte de um inventário 
de vida daquela pessoa sob cuidados. 
Deve ser atualizado na medida em que problemas, relaciona-
mentos, atritos e outros eventos se sucedem. O uso de lápis para 
configurar relacionamentos e funcionalidades é desejável, 
podendo o item estrutural ser desenhado à caneta.
57
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
2.1.2 ECOMAPA
O ecomapa é também uma ferramen-
ta que adota duas representações grá-
ficas complementares: o primeiro 
cenário é o desenho da família, ao 
centro, com foco nos membros que 
residem no mesmo local, delimitados 
por um círculo que determina o núcleo 
familiar; o segundo cenário é o 
desenho dos elementos que são im-
portantes na vida dessa família, sejam 
pessoas, instituições ou agrupamen-
tos. Esses cenários são complementa-
dos com a representação das relações 
e da dedicação entre eles. 
Muitas vezes, entender o contexto próximo da família no genograma não é sufi-
ciente para compreender a família, uma vez que a mesma se relaciona com o meio 
e com outros atores sociais, outras famílias, pessoas ou instituições e que essas 
relações são fundamentais para se atingir e preservar o equilíbrio “bio-psico-espí-
rito-social” da unidade familiar. Assim, surge a necessidade de criação de um novo 
instrumento para detectar e avaliar tais relações (HORTA, 2008).
O ecomapa, portanto, inclui os membros da família e suas idades no centro do 
círculo e utiliza a mesma simbologia do genograma. São desenhados círculos ou 
símbolos externos que mostram os contatos da família com membros da comuni-
dade ou com pessoas significativas, instituições, elementos sociais e grupos signi-
ficativos, dentre outros. São também desenhadas linhas que indicam o tipo de 
conexão. 
Assim, o ecomapa também inclui várias informações acerca das relações da família 
com o ambiente externo (DIAS; GUIMARÃES, 2020): 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
58
Além dos elementos gráficos de relacionamentos, sugerem-se ainda informações 
temporais e espaciais para identificar a disponibilidade de tais recursos. As figuras 
a seguir apresentam a simbologia do ecomapa e um exemplo prático do mesmo 
(LOPES; ESCUDERO, 2013).
Figura 08- Simbologia do Ecomapa – linhas de relações.
Fonte: Adaptado de Horta (2008) e de Dias e Guimarães (s/d).
59
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
No ecomapa, os membros da família e suas idades são mostrados no centro do 
círculo. Os círculos externos mostram os contatos da família com membros da co-
munidade ou com pessoas e grupos significativos. As linhas indicam o tipo de 
conexão: linhas contínuas representam ligações fortes, relações sólidas; linhas pon-
tilhadas, ligações frágeis, relações tênues; linhas com barras ou talhadas, aspectos 
estressantes ou relações conflituosas. Quando setas aparecem desenhadas ao lado 
das linhas significam o fluxo de energia e recursos. Ausência de linhas significa au-
sência de conexão. Pode-se usar de forma combinada o genograma com o ecomapa 
(HORTA, 2008). Confira, agora, um exemplo de ecomapa.
Figura 09- Exemplo de Ecomapa.
Fonte: Internato de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
eMulti
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
60
Uso racional do ecomapa
O ecomapa nos permite uma visão inicial das principais relações entre a família e 
o mundo, permitindo avaliar comportamentos, relacionamentos e vínculos no 
tempo com as famílias, podendo ser usado como um elemento inicial de uma 
terapia familiar, na qual permite “quebrar o gelo” entre essa e o profissional da 
saúde, propiciando um clima favorável para a entrevista (MARINHO, 2004).
Pode ser aplicado individualmente, ou durante a entrevista inicial 
com as famílias, e deve ser modificado ou completado em outras 
entrevistas, para ser um elemento dinâmico de avaliação. Os 
membros das famílias participam ativamente de sua construção 
e o seu uso deve ser estimulado na avaliação da família, mas 
também para planejar e reestruturar assim como entender as 
percepções de indivíduos e suas famílias sobre elas mesmas.
Lembre-se!
2.2 FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR 
As ferramentas de avaliação familiar pretendem-
-se úteis para a avaliação das relações familiares, 
sendo adequadas para entender o grau de fun-
cionalidade das famílias e para servir de elemen-
tos de avaliação para intervenções familiares, 
quando necessárias.
Assim como o genograma, que é ao mesmo tempo uma ferramenta de abordagem 
familiar e individual (por representar a visão de um indivíduo acerca da família), o 
ecomapa será uma ferramenta de análise individual se for construído a partir da 
visão de um indivíduo, mas também familiar e comunitário a partir do momento em 
que são identificados elementos desses contextos e sua influência na família. 
Fonte: Freepik.com
61
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
2.2.1 FUNDAMENTAL INTERPERSONAL RELATIONS ORIENTATION (FIRO) 
– ORIENTAÇÕES FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS)
Trata-se de um instrumento de avaliação que se baseia em uma teoria de necessi-
dades individuais dentro do núcleo familiar. Em outras palavras: representa as ne-
cessidades e ofertas de elementos fundamentais na convivência familiar, sendo pau-
tadas pela percepção da pessoa acerca desses elementos. 
O FIRO auxilia no entendimento de sentimento de desconforto ou preocupação para 
a resolução de problemas de relacionamento pessoal intrafamiliar. Entendendo como 
as pessoas agem e como se interrelacionam, é possível predizer algumas de suas 
ações futuras.
São três os campos de avaliação de necessidades, representados pelos seguintes 
construtos: 
- A inclusão, ou seja, o tanto que existe a possibilidade de a pessoa participar dos 
eventos cotidianos.
- O controle, representado pela capacidade de liderança e participação na tomada 
de decisões dentro do núcleo familiar.
- A intimidade, ou seja, as questões ligadas ao afeto, ao amor, ao carinho e suas res-
pectivas demonstrações.
Para cada um desses construtos, avalia-se tanto a demanda do indivíduo, ou seja, a 
necessidade que essa pessoa tem em ser incluída, em ser guiada e ser querida, quanto 
a oferta desses mesmos construtos, ou seja, o quanto essa mesma pessoa oferta in-
clusão, liderança e afeto. 
O quadro abaixo apresenta uma síntese da interrelação desses construtos.
Quadro 04 – Avaliação de necessidades individuais dentro do núcleo 
familiar.
Inclusão
(Interação, 
associação) 
Controle
(Poder)Intimidade
(Amor, afeto)
Demanda Ser aceito, 
convidado Ser guiado Ser querido 
Oferece Interesse, 
busca da aceitação Liderança Amor,
aproximação 
Fonte: Griffin, 1991.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
62
Como aplicar
A teoria do FIRO parte do princípio que as atitudes dos indivíduos buscam uma res-
posta no outro, e que seres humanos possuem especialmente três necessidades, 
em maior ou menor grau – conforme visto anteriormente, a inclusão, o controle e 
a intimidade (GRIFFIN, 1991; HORTA, 2008).
Assim, o FIRO é um instrumento de análise da família a partir das dimensões de 
inclusão, controle e intimidade, fornecendo condições para se perceber os signifi-
cados dos diferentes processos de interação que ocorrem no grupo em estudo, au-
xiliando no planejamento da abordagem familiar. O quadro a seguir demonstra 
como podemos realizar a avaliação.
Quadro 05 - Avaliação dos domínios do FIRO.
Domínios do FIRO Gradação de cada domínio
- Inclusão demandada 
Eu gosto que as pessoas me 
chamem para participar de 
suas conversas. 
( ) Maioria das pessoas ( ) Muitas pessoas 
( ) Algumas pessoas ( ) Poucas pessoas 
( ) Uma ou duas pessoas ( ) Ninguém 
- Inclusão oferecida 
Quando as pessoas estão 
fazendo coisas juntas, eu 
tendo a me juntar a elas. 
( ) Normalmente ( ) Às vezes ( ) Ocasionalmente
( ) Raramente ( ) Nunca 
- Controle demandado 
Eu deixo outras pessoas 
controlarem minhas ações. 
( ) Normalmente ( ) Às vezes ( ) Ocasionalmente
( ) Raramente ( ) Nunca 
- Controle oferecido 
Eu tento que as outras 
pessoas façam as coisas à 
minha maneira. 
( ) Normalmente ( ) Às vezes ( ) Ocasionalmente
( ) Raramente ( ) Nunca 
- Intimidade demandada 
Eu gosto que as pessoas se 
tornem próximas, íntimas. 
( ) Normalmente ( ) Às vezes ( ) Ocasionalmente
( ) Raramente ( ) Nunca 
- Intimidade oferecida 
Eu tento ter relações mais 
íntimas com as outras 
pessoas. 
( ) Maioria das pessoas ( ) Muitas pessoas 
( ) Algumas pessoas ( ) Poucas pessoas 
( ) Uma ou duas pessoas ( ) Ninguém 
Fonte: Griffin (1991).
63
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Portanto, para se compreender a funcionalidade dessa ferramenta de abordagem 
familiar é necessário levar em consideração que as mudanças ocorridas na família 
irão proporcionar novas formas de interação (de inclusão, controle e intimidade, 
conforme visto anteriormente).
O FIRO tem dois postulados que se referem às mudanças familiares. O primeiro é 
que nas transições de ciclo de vida e nos eventos estressantes a família tem que 
criar novos padrões de inclusão, controle e intimidade para se adaptar. Isso pode 
implicar em uma reorganização de papéis, alianças e limites, por exemplo, que terá 
consequência na disputa pelo controle e também na qualidade de intimidade fa-
miliar. O segundo postulado é que a inclusão, o controle e a intimidade constituem 
uma sequência desenvolvimental no manejo das mudanças familiares que favore-
cem a adaptação (DIETRICH; GABARDO; MOYSES, 2009).
Para o manejo de uma importante mudança familiar a inclusão 
deve vir antes do controle e este, antes da intimidade. 
Importante!
Resolver problemas de inclusão é condição sine qua non para o sucesso nas áreas 
de controle e intimidade, assim como somente depois da solução da categoria de 
controle é que se pode formar novos padrões de intimidade (CHAPADEIRO; ANDRADE; 
ARAÚJO, 2011).
Sérias dificuldades de interações familiares estão ligadas a falhas na adaptação às 
mudanças, ou seja, ao não seguimento da sequência desenvolvimental das três di-
mensões (SALES, 2006, p.75-76). 
Uso racional do FIRO
Enquanto elemento de avaliação das relações interpessoais, o FIRO reserva-se para 
situações nas quais há necessidade de se aprofundar nas relações intrafamiliares, 
quando distúrbios de funcionalidade se tornam prováveis ou reais ao longo de uma 
consulta, da própria elaboração do genograma, ou quando há por exemplo diver-
gência de percepções em atendimentos individuais, que sugiram que há a neces-
sidade de ampliar o entendimento das relações daquela família. 
Como descrito no próprio conteúdo, o FIRO se limita a avaliar as famílias sob os 
componentes de intimidade, afeto e poder, que são altamente definidores de ne-
cessidades familiares, mas não representam um mapa de todas as necessidades 
individuais e pessoais. 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
64
A ferramenta pode ser muito útil, por exemplo, na identificação das necessidades 
individuais não satisfeitas e na comparação entre o que os membros da família 
estão dispostos a oferecer ou a demandar, desnudando essas necessidades e 
podendo ser um potencial elemento de esclarecimento de conflitos familiares que 
possam ser resolvidos entre os membros da família.
2.2.2 APGAR DE FUNCIONALIDADE FAMILIAR
O APGAR da família é um instrumento de avaliação destinado a refletir sobre a sa-
tisfação de cada um de seus membros. O termo APGAR representa um acróstico que 
define os construtos a serem avaliados para determinação da funcionalidade fami-
liar (SMILKSTEIN; ASHWORTH; MONTANO, 1982). Confira.
Significado do acróstico APGAR.
Fonte: SILVA et al., 2014. 
65
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Vamos entender um pouco mais o que significa cada um desses elementos. Veja 
algumas perguntas que podem te ajudar a explorar cada um dos construtos do 
APGAR: 
Como aplicar o APGAR
A avaliação pode ser feita via questionário de cinco perguntas a serem pontuadas 
e analisadas depois. Os diferentes escores devem ser comparados para se avaliar 
o estado funcional da família.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
66
Quadro 06 - Questionário de avaliação de APGAR.
Quase sempre Às vezes Raramente
Estou satisfeito com a atenção que 
recebo da minha família quando algo 
está me incomodando 
( ) ( ) ( )
Estou satisfeito com a maneira com que 
minha família discute as questões de 
interesse comum e compartilha comigo 
a resolução dos problemas 
( ) ( ) ( )
Sinto que minha família aceita meus 
desejos de iniciar novas atividades ou de 
realizar mudanças no meu estilo de vida 
( ) ( ) ( )
Estou satisfeito com a maneira com que 
minha família expressa afeição e reage 
em relação aos meus sentimentos de 
raiva, tristeza e amor
( ) ( ) ( )
Estou satisfeito com a maneira com que 
eu e minha família passamos o tempo 
juntos
( ) ( ) ( )
A pontuação em cada uma das cinco questões é de zero a dois, sendo zero o pior 
cenário e, portanto, cada indivíduo gera um escore de satisfação que varia de zero 
a 10. Sob este aspecto, a família é classificada: 
7 a 10: família altamente funcional
4 a 6: família moderadamente disfuncional
0 a 3: família altamente disfuncional
Fonte: SMILKSTEIN; ASHWORTH; MONTANO, 1982.
Uso racional do APGAR
O APGAR familiar destina-se a avaliar a funcionalidade da família, sendo o instru-
mento desenvolvido para tal, e tem como diferencial, além disso, a possibilidade 
de se classificar famílias a partir de escores. Ao contrário do FIRO, ele apresenta 
escores de avaliação para cada item e uma soma cujos pontos de corte definem o 
grau de funcionalidade familiar, sendo mais objetivo em sua avaliação. Pode ser 
feito a partir de uma avaliação única, individual, ou a partir da média dos escores 
das pessoas envolvidas, notadamente quando há divergência de visões.
67
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Portanto, ele não se destina a todas as famílias sob nossos cuidados, mas também a 
famílias para as quais existe a suspeição de que a mesma não está “funcionante”, 
naquela em que pode haver discrepância na análise em outras etapas da abordagem 
da família (como no desenho do genograma, ou na avaliação das crises previsíveis 
dos ciclos de vida), ou ainda quando há a percepção de algum dos membros da família, 
em qualquer dos encontros com a família, de que a família não é funcional. 
2.3 AVALIAÇÃO DA VULNERABILIDADE FAMILIAR
2.3.1VULNERABILIDADE COMO CONCEITO
Vulnerabilidade é um conceito amplo, com epistemologia rica e, exatamente por isso, 
oriundo de diversas terminologias e diversas percepções, como as da saúde coletiva 
e ambiental, da sociologia, da antropologia e da saúde da família. 
Na saúde, risco refere-se em geral a situações mutáveis por políticas de maior espec-
tro, enquanto a vulnerabilidade refere-se a características das pessoas ou famílias e 
sua capacidade de responder às sentinelas de risco que determinam uma maior vul-
nerabilidade social ou ambiental. Assim, estas podem ser minimizadas ou enfrenta-
das com maior êxito quando pessoas e famílias ou mesmo coletivos e comunidades 
são resilientes (JANCZURA, 2002). 
Na saúde coletiva, a representação conceitual de vulnerabilidade mais consolidada 
considera três vertentes (AYRES et al, 2006): 
- Vulnerabilidade individual: capacidade de resistência individual frente a problemas 
e capacidade de operá-la na construção de práticas protetoras integradas ao 
cotidiano.
- Vulnerabilidade social: elementos do meio social que poderiam ser enfrentados de 
forma coletiva e mediante políticas públicas em busca de segurança e proteção.
- Vulnerabilidade programática: possibilidade de acesso a programas e serviços pú-
blicos, embora haja a percepção de que é compensatório, não é contextual e nem ine-
rente à capacidade intrínseca de resiliência, se afastando do conceito de vulnerabili-
dade no âmbito da APS.
Famílias, como apresentado na discussão sobre 
o método clínico centrado na pessoa, são o con-
texto mais próximo da vida das pessoas sob a 
nossa atenção e influem diretamente na capaci-
dade de resistir ao adoecimento, a crises pesso-
ais, espirituais, sociais ou financeiras, podendo 
ser fonte de apoio ou de fragilidade, podendo 
atuar como elementos de enfrentamento da vul-
nerabilidade individual ou, por outro lado, como 
ponto de ampliação desta.Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
68
Risco associa-se a grupos e populações; vulnerabilidade refere-se aos indivíduos e 
às suas suscetibilidades ou predisposições a respostas ou consequências negativas. 
O “comportamento dos sujeitos perante esses eventos depende de sua vulnerabi-
lidade”. Já o risco se refere “às condições fragilizadas da sociedade tecnológica con-
temporânea, vulnerabilidade identifica a condição dos indivíduos nessa sociedade”. 
Vulnerabilidade, por outro lado, não é uma “estratégia” ou “resposta” para enfren-
tamento de crises, embora seja condição necessária, um “pré-requisito” para isto 
(JANCZURA, 2002; YUNES; SZYMANSKI, 2001).
Um dos elementos que se deve analisar no contexto familiar é o grau de vulnerabi-
lidade em que esta família se encontra, determinando qual é o nível de fragilidade 
e incapacidade de resistência que a acomete; por outro lado, entender quais fatores 
são capazes de gerar esta mesma resistência, ou resiliência, para esta mesma família, 
é fundamental para uma prática de saúde centrada nela. 
2.3.2 DETERMINAÇÃO DA VULNERABILIDADE FAMILIAR
A Escala de Vulnerabilidade Familiar de Coelho e Savassi (EVF-CS) foi elaborada por 
Flávio Coelho, médico de família e comunidade de Contagem (MG), originalmente 
como uma tentativa de sistematizar e priorizar visitas domiciliares para famílias a 
partir das diferentes demandas de cuidados. O uso dessas informações valoriza o 
processo de trabalho do ACS, a partir de dados disponíveis (não demanda nova ficha 
ou coleta ou ação burocrática) na ficha A do Sistema de Informações da Atenção 
Básica (SIAB) que, avaliadas e pontuadas, definem escores de vulnerabilidade que 
determinam a necessidade de um maior ou menor investimento de recursos da 
equipe (COELHO; SAVASSI, 2004; SAVASSI; LAGE; COELHO, 2012).
A escala tem sido utilizada de forma abrangente por equipes de Atenção Primária 
a Saúde (APS). Nem mesmo a modificação do sistema de informação da Atenção 
Básica para o SIS-AB, dentro da lógica das fichas de cadastro diferentes, do eSUS, 
foi capaz de arrefecer os estudos na área da vulnerabilidade familiar. 
A Vulnerabilidade Familiar é mais um eixo de análise, dentre outras vulnerabilida-
des presentes no território, e destacadas no 
campo da saúde coletiva – como a vulnera-
bilidade individual, a social e a ambiental. O 
conceito de vulnerabilidade, ao invés de risco, 
respalda-se no conceito de que vulnerabili-
dade é mutável a partir da construção de 
uma ação individual ou familiar (ou mesmo 
comunitária) que acaba nos aproximando 
do conceito de resiliência como estratégia 
de enfrentamento da própria vulnerabilida-
de (JANCZURA, 2002; SAVASSI, 2018).
Assim, o conceito de vulnerabilidade fami-
Fonte: Freepik.com
69
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
liar se aproxima bem mais do conceito trazido pela área da saúde e das Ciências 
Sociais do que propriamente do conceito de vulnerabilidade ambiental, do concei-
to de vulnerabilidade programática e de outros conceitos mais próximos da lógica 
do risco e do enfrentamento aos fatores de risco (JANCZURA, 2012).
Para entender como aplicar a escala, acesse o seguinte material: 
“Sistematização de instrumento de estratificação de risco familiar: a Escala 
de Risco Familiar de Coelho-Savassi”, disponível em https://doi.org/10.14295/
jmphc.v3i2.155
Assim, o uso da escala prevê a soma das sentinelas de risco a partir da pontuação 
descrita no quadro a seguir.
Quadro 07 – Pontuação dos escores de r isco na escala de 
vulnerabilidade familiar de Coelho e Savassi.
Sentinelas de risco Escore de risco 
Acamado 3
Deficiência física 3
Deficiência mental 3
Baixas condições de saneamento 3
Desnutrição grave 3
Drogadição 2
Desemprego 2
Analfabetismo 1
Indivíduo menor de seis meses de idade 1
Indivíduo maior de 70 anos de idade 1
Hipertensão Arterial Sistêmica 1
Diabetes Mellitus 1
Relação morador/cômodo maior que 1
Relação morador/cômodo igual a 1
Relação morador/cômodo menor que 1 
3
2
0
Fonte: Coelho e Savassi (2004).
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
70
Quadro 08 - Classificação de vulnerabilidade familiar pela escala de 
vulnerabilidade familiar de Coelho e Savassi.
Escore total Vulnerabilidade Familiar 
0 a 4 R0 – Vulnerabilidade habitual
5 e 6 R1 – Vulnerabilidade menor
7 e 8 R2 – Vulnerabilidade média
Acima de 9 R3 – Vulnerabilidade máxima
 Fonte: Coelho e Savassi (2004); Savassi, Coelho e Lage (2011)
Essa estratificação sofre influência do tipo de região que você está assistindo. Sen-
tinelas de riscos sociais que se apresentam de forma sistemática definirão áreas 
de vulnerabilidade e, mais do que servirem para determinar o grau de vulnerabi-
lidade, provavelmente influirão no ponto de corte dos níveis de vulnerabilidade.
Os pontos de corte, por sua vez, são controversos, devendo ser 
mantidos para fins científicos (publicações e pesquisas), mas 
mantendo a liberdade de modificá-los dependendo do perfil 
populacional. Assim, para comunidades com poucas famílias 
vulneráveis, ou sob influência de poucos determinantes sociais, 
possivelmente pontos de corte menores sejam mais adequados 
para priorizar famílias. Por outro lado, em comunidades altamente 
vulneráveis do ponto de vista social, familiar ou com carga elevada 
de doenças, possivelmente será necessário estabelecer um ponto 
de corte mais alto tendo em vista o grande número de famílias 
de alta vulnerabilidade, uma vez que a manutenção do ponto 
de corte, nesse caso, não permitiria uma priorização adequada.
Atenção
A partir dessa pontuação, estabelecem-se estratos de vulnerabilidade, como a 
seguir.
71
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Uso racional da EVF-CS
Apesar de inicialmente usada para a sistematização da Visita Domiciliar (VD) na eSF, 
a EVF-CS temampla gama de usos a partir da determinação do grau de vulnerabilidade 
de uma família, podendo ser utilizada para priorização de famílias para intervenções 
diversas, bem como para definir quais famílias deveriam ser foco da ampliação da 
abordagem familiar. 
A maior utilidade da EVF-CSé no planejamento de ações pela equipe, podendo ser 
o ponto de partida para diferentes intervenções, dentre elas a reorganização das 
VD dos ACS e a priorização por critérios de equidade da aplicação das ferramentas 
de abordagem familiar.
2.3.3 PRACTICE
PRACTICE é um acróstico para uma diretriz para avaliação do funcionamento das 
famílias, permitindo uma estrutura esquematizada para trabalhar com famílias. O 
objetivo é entendimento da dinâmica familiar e dos problemas que aparecem 
dentro da família. Funciona como um roteiro para obtenção de informações e é 
focado na resolução de problemas, sendo geralmente usado para preparar 
conferências ou entrevistas familiares, pois permite a elaboração de uma avaliação 
ampliada, com a construção de intervenção para o problema, seja ele de ordem 
clínica, comportamental ou relacional (CURRA; FERNANDES, 2006).
O acróstico também é proveniente da língua inglesa e seus itens estão dispostos 
no quadro a seguir.
Quadro 09 – Significado do acróstico PRACTICE.
Abreviações Inglês (original) Português (tradução) 
P Presenting problem Problema apresentado 
R Roles and structure Papéis e estrutura 
A Affect Afeto 
C Communication Comunicação 
T Time in life cycle Tempo no ciclo de vida
I Illness in family Doenças na família
C Coping with stress Enfrentando o estresse
E Ecology Ecologia
Fonte: Adaptado de CURRA; FERNANDES, 2006; DIAS; GUIMARÃES, 2020.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
72
Muitas das informações necessárias para este instrumento podem ser extrapola-
das para uma discussão geral com a família sobre a sua percepção do problema 
presente. O treinamento em abordagem sistêmica dá ao profissional de cuidados 
primários a condição única de ter uma visão holística, biopsicossocial, do paciente 
e de sua família, o que permite ações mais eficientes com um mínimo de agressão 
e um máximo de satisfação com o trabalho desenvolvido (WAGNER et al., 2001).
Problema apresentado: refere-se à percepção e definição da família acerca de 
algum problema a ser enfrentado, em geral o problema que desencadeou a des-
compensação familiar. Pode ser descoberto ou representado a partir do genogra-
ma, das ferramentas de avaliação da família, ou pelo próprio prontuário de um 
membro da família, paciente do MFC, como, por exemplo, uma doença grave. 
Papéis e estrutura: aprofunda aspectos do desempenho dos papéis de cada um 
dos familiares e como eles se manifestam e se modificam a partir dos seus posi-
cionamentos, pode ser identificado a partir, por exemplo do FIRO, identificando 
papéis de membros da família (controle, afeto e intimidade) bem como a partir da 
tipologia familiar. Uma ferramenta de análise da família que não pertence a este 
rol, mas pode ser utilizada também, é a Constelação Familiar. Entender os papéis 
de cada membro e a estrutura familiar será fundamental para entender a capaci-
dade de resposta e estruturação dessa família frente às crises. 
Constelação Familiar (Constelações Sistêmicas ou Constelações 
Familiares Sistêmicas) é uma prática baseada em elementos da 
terapia familiar sistêmica, mesclados a aspectos místicos de 
origem indígena. Seu fundador, Bert Hellinger, viveu por 16 anos 
na África do Sul, sofrendo forte influência dos rituais zulus dos 
quais participou. Segundo sua teoria, problemas atuais podem 
estar relacionados a crises e traumas passados em gerações 
anteriores da família, ainda que estes sejam desconhecidos pela 
pessoa índice, gerando “emaranhados sistêmicos” entre presente 
e passado. (HELLINGER, 2013).
Essa prática foi incluída em 2018 na lista da Política Nacional de 
Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS. (BRASIL. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. GABINETE DO MINISTRO, 2018) . 
Entretanto, há intenso debate no meio acadêmico sobre as 
evidências científicas de seus benefícios, consideradas frágeis. 
Existem ainda críticas sobre um possível caráter machista, 
patriarcal, homofóbico e culpabilizante de vítimas de violência 
dessa prática, dividindo opiniões entre profissionais da saúde e 
público leigo. A Constelação Familiar, apesar de estar cada vez 
mais difundida, não é reconhecida atualmente pelo Conselho 
Federal de Medicina e pelo Conselho Federal de Psicologia.
73
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Afeto: refere-se a entender como se estabelecem as trocas de afeto entre os 
membros da família e como essa troca reflete e interfere no problema apresenta-
do, podendo ser analisado também a partir do FIRO, do APGAR ou, ainda, por meio 
dos elementos relacionais do genograma. O entendimento das formas de afeto é 
fundamental para reforçar laços de solidariedade e a resiliência da família. 
Comunicação: como acontece a comunicação interpessoal, como as pessoas se 
relacionam, algo que pode estar presente no genograma, por vezes no FIRO, sendo 
pertinente, quando possível, identificá-la também ao longo dos processos de in-
tervenção (entrevista, conferência ou terapia familiar). Entender a comunicação é 
fundamental para o tipo de abordagem e para os membros que devem participar 
destas. 
Tempo: no ciclo de vida, como o próprio nome do construto diz, representa a etapa 
do ciclo de vida em que a família se encontra, e está presente nas ferramentas de 
classificação da família. Deve identificar as crises previsíveis que podem ocorrer 
nesse determinado ciclo de vida, como problema principal ou como fatores agra-
vantes das crises familiares. 
Illness (doenças) familiares: são representadas no genograma, no ecomapa e 
também estão presentes na história familiar, na escala de vulnerabilidade familiar, 
no inventário de problemas do prontuário ou ainda nas folhas de rosto desses 
prontuários. São problemas que podem remeter a dificuldades adicionais no pro-
cesso de enfrentamento do problema em questão ou das disfuncionalidades 
familiares. 
Coping: refere-se a conhecer ou recordar como a família lidou com o estresse em 
momentos anteriores, e uma análise da resiliência e das vulnerabilidades familia-
res. A equipe procura identificar junto à família as experiências anteriores e analisa 
o problema atual para identificar recursos internos, explorar fontes de cuidado e 
alternativas de enfrentamento. 
Ecologia: identificar os elementos de apoio social que determinam o tipo de sus-
tentação familiar existente e como e quais recursos estão disponíveis e podem ser 
usados. O instrumento ecomapa deve ser utilizado como fonte de informação, e 
outros instrumentos podem ser usados, como o mapeamento social. 
Uso racional do PRACTICE
O objetivo do PRACTICE é planejar abordagens familiares mais amplas, como a con-
ferência familiar ou a terapia familiar sistêmica. Como tal, não é em si uma ferra-
menta, mas um roteiro de avaliações necessárias para estabelecer uma aborda-
gem terapêutica. 
Dietriech, Gabardo e Moises (2009) orientam que apenas uma a três linhas são ne-
cessárias para cada um dos itens do instrumento e que nem todas as áreas cober-
tas pelo PRACTICE serão necessariamente preenchidas em todas as intervenções.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
74
Segundo Wagner (2001), em casos em que é necessária uma exploração mais de-
talhada, utiliza-se o PRACTICE para se desenhar um mapa mais amplo do funcio-
namento familiar e seu modo de se relacionar. Estudam-se os componentes das 
queixas identificadas, papéis, afeto, comunicação, tempo no ciclo de vida, passado 
mórbido e doenças atuais, estratégias de enfrentamento de situações estressan-
tes e apoio social e familiar ao grupo.
2.4 FERRAMENTAS DE ABORDAGEM FAMILIAR
Ao longo da história, a família passa por muitas transformações, constituindo uma 
diversidade de jeitos de ser família, bem como as funções dela na sociedade, funções 
que vão desde:
75
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
2.4.1 TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA (TFS)
Trabalhar sistemicamente “é como ter uma série de lentes que você pode colocar 
na sua câmera e alterar a perspectiva do problema visto” (ASEN et al., 2012, p. 14). 
Implica em entender asrelações que as pessoas têm dentro do contexto, 
notadamente o familiar, incluindo as relações de seus membros entre si, com 
sintomas, com doenças, com experiências, bem como com suas crenças e histórias 
(ASEN et al., 2012).
O pensamento sistêmico se contrapõe ao comportamentalismo (behaviorismo), ao 
mecanicismo e ao pensamento cartesiano de simples causa-efeito, para trazer a 
compreensão que o sujeito em estudo – ou sob cuidados na Medicina de Família – 
está dentro de um sistema, no qual o todo é mais importante que as causas 
(BERTALANFFY, 1968).
Sob este aspecto, o pensamento sistêmico apresenta como premissas a 
interdependência dos membros da família, a capacidade de lidar com os 
acontecimentos cotidianos (coping) e a independência entre seus membros. O 
conjunto de sintomas, doenças, histórias pessoais e familiares pregressas, e como 
o indivíduo e a família lidam com o problema, pode ser chamado de “sistema”, 
dentro do qual a pessoa se desenvolveu e vive, com suas propriedades específicas, 
conforme você poderá acompanhar no quadro exposto a seguir. A teoria sistêmica 
se aplica à abordagem familiar na medida em que a terapia se volta para o 
entendimento da família enquanto sistema de partes independentes e 
interdependentes, e que sob esse aspecto os indivíduos têm o potencial de “adoecer 
famílias” e que famílias por vezes “adoecem pessoas”, já que as crises se resolvem 
no contexto familiar (ASEN et al., 2012). 
Assim, partiu-se inicialmente da terapia individual, psicanalítica, na qual a família 
era apenas um elemento que impactava a psique da pessoa sob cuidados, para 
uma análise de contexto de vida, que passou a considerar os sistemas relacionais, 
e o terapeuta não tentará explicar um comportamento isolando o indivíduo de seu 
meio social, mas sim irá observá-lo em suas relações com os membros da família 
(DORICCI; CROVADOR; MARTINS, 2017; ZORDAN; DELLATORRE; WIECZOREK, 2012).
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
76
Quadro 10 – Propriedades dos sistemas familiares.
Propriedades Conceito
Totalidade
O entendimento de uma família não se constitui apenas pela soma das 
condutas de seus membros, mas sim pela compreensão das relações 
entre eles (o todo é mais importante que as partes). 
Causalidade 
circular ou 
retroalimentação 
(feedback)
As relações familiares são recíprocas, pautadas e repetitivas, de forma 
que a resposta de um membro para a conduta de outro é um estímulo 
para que este dê uma resposta que servirá de estímulo ao anterior. 
Equifinalidade*
A capacidade de um sistema alcançar uma mesma meta utilizando 
diferentes caminhos. “Um sistema pode alcançar o mesmo estado final 
a partir de condições iniciais distintas, o que dificulta buscar uma única 
causa para o problema.” 
Equicausalidade*
A capacidade de um sistema alcança diferentes metas partindo de um 
mesmo caminho. “A mesma condição inicial pode resultar em estados 
finais diversos.”
Limitação
Todo sistema tem limites. O limite pressupõe o ponto de contato entre 
esse sistema (ou subsistema) e outros, sendo sempre semipermeável, 
mas as barreiras são diversas entre eles, e necessárias. Limites frágeis 
ou limites excessivos são igualmente fontes de sofrimento para o 
indivíduo e a família.
Regras de relação
A interação entre seus componentes e a maneira que as pessoas 
enquadram a conduta ao comunicar-se entre si.
Ordenação 
hierárquica
Na família, como em qualquer sistema ou organização, há hierarquia, 
diferença de poder, de responsabilidade. Há domínio que uns exercem 
sobre os outros, mas também são inerentes: a ajuda, a proteção e o 
cuidado que oferecem aos demais. A relação é hierárquica entre as 
pessoas e também entre os subsistemas.
Teleologia
O sistema familiar se adapta às diferentes exigências dos diversos 
estágios de desenvolvimento a fim de assegurar continuidade e 
crescimento psicossocial a seus membros.
 
* “Estas duas propriedades (equifinalidade e equicausalidade) estabelecem a conveniência de 
abandonar a busca de uma causa passada originária do sintoma e centrar-se no aqui e agora, 
nos fatores que estão mantendo o problema.”
Fonte: Adaptado de ZORDAN; DELLATORRE; WIECZOREK, 2012 (p.134-5) e de LOPES; SCUDERO, 2013.
77
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Pressupostos da terapia familiar sistêmica
A luz da família para a abordagem, seja ela individualmente no consultório ou em 
conferência com a família, é entender o contexto no qual os fenômenos ocorrem. 
E o médico de família e comunidade é aquele com especial interesse nas conexões 
entre os sintomas e as situações de vida (ASEN et al., 2013).
Por outro lado, não se consegue despir da nossa armadura “bio-psico-sócio-cultural-
espiritual-religiosa-existencial-profissional” e, portanto, os saberes do terapeuta 
não podem opor-se à construção do diálogo, mas gerar as perspectivas e informações 
terapêuticas. O terapeuta deve respeitar a organização da fala que parte da pessoa 
sob terapia (DORICCI; CROVADOR; MARTINS, 2017).
Ser terapeuta familiar demanda atenção especialmente ao 
processo dialógico, ou seja, à conversação. O papel do terapeuta 
é não trazer seus conhecimentos técnicos (não construídos na 
terapia), mas sim ouvir e compreender a pessoa, a família ou 
pessoas presentes no relato, mantendo necessariamente o 
diálogo funcionando de forma colaborativa, e permanecendo 
pronto para captar a informação inesperada que emergirá.
Uso racional da TFS
A TFS se desenvolve a partir do entendimento de que uma família não se apresen-
ta como funcional e que se encontra sistemicamente impactada. Assim, é funda-
mental que o terapeuta permita que as pessoas ampliem a percepção de seu papel 
dentro do sistema. Para isto, o papel mediador, mais do que interventor, do MFC 
numa seção de TFS deve ser trabalhada a partir de uma organização prévia. Nela, 
pessoa e família ampliarão os seus repertórios “aos quais não têm acesso em suas 
relações cotidianas”, e a ajuda do terapêuta estará provavelmente em conseguir 
um insight, ou seja, ajuda para uma construção conceitual, mais do que uma posição 
ou opinião sobre uma conduta a ser tomada ou decisão (DORICCI; CROVADOR; 
MARTINS, 2017).
Visando contemplar os aspectos necessários para uma boa conversação, à luz da 
teoria comunicacional, sugere-se o uso de uma lista de verificação da primeira 
sessão com a família. Confira no quadro a seguir.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
78
Quadro 11 – Checklist de dez itens para a TFS.
( )
1) Fazer contato com cada membro da família e reconhecer seu 
ponto de vista em relação ao problema e seus sentimentos em 
relação à terapia.
( ) 2) Estabelecer liderança, controlando a estrutura e o ritmo da 
entrevista.
( ) 3) Desenvolver uma aliança de trabalho com a família, equilibrando 
simpatia e profissionalismo.
( ) 4) Elogiar as pessoas por ações positivas e forças familiares.
( ) 5) Ser empático com cada membro da família e demonstrar respeito 
pela maneira da família de fazer as coisas.
( ) 6) Focar problemas específicos e as soluções tentadas.
( ) 7) Desenvolver hipóteses sobre interações prejudiciais em torno do 
problema apresentado. Investigar por que elas persistem.
( ) 8) Não ignorar o possível envolvimento de membros da família, 
amigos ou auxiliares que não estão presentes.
( )
9) Negociar um contrato de tratamento que reconheça os objetivos 
da família e especifique como o terapeuta vai estruturar o 
tratamento.
( ) 10) Estimular perguntas.
Fonte: Nichols e Schwartz (2007) APUD ZORDAN, E. P.; DELLATORRE, R.; WIECZOREK, L., 2012,
A relação estabelecida e a forma como a conversa é conduzida guiarão o proces-
so, e não a fala do terapeuta em si mesma recortada do contexto da conversa, fora 
da tríade das falas. Isso por que, como terapeuta, você não poderia entrar para a 
conversa despindo-se das próprias tradições históricas, relações e formas de 
discurso. 
Muitos autores no campo fazem propostas de tipos e formatos de conversa espe-
cíficos que, apesar de trazerem conteúdos muitasvezes distintos daqueles coloca-
dos pelos clientes, se mantêm coerentes com uma epistemologia construcionista 
social (DORICCI; CROVADOR; MARTINS, 2017).
79
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
A esta altura você deve estar se questio-
nando se cabe ao MFC realizar Terapia 
Familiar Sistêmica. A TFS é uma metodo-
logia de abordagem de famílias relativa-
mente simples de ser executada, porque 
exige tecnologias leves de cuidado, mas 
não está isenta de riscos. O papel do te-
rapeuta familiar é manter o diálogo 
fluido e um bom critério para que o te-
rapeuta familiar sistêmico avalie a qua-
lidade da terapia e o próprio andamen-
to e desenrolar da conversa (DORICCI; 
CROVADOR; MARTINS, 2017).
Entretanto, o papel de terapeuta “generalista”, que procura não estabelecer uma cor-
rente de pensamento dentro da terapia, se enquadra bem no papel do MFC, que terá 
na TFS a oportunidade de conhecer aquela família e apoiá-la no processo dialógico 
que abrirá caminhos para a resolução de situações problema, entendendo-se – a 
família – como um sistema real para ser continente do problema em questão. É im-
portante ressaltar que a Terapia Familiar pertence ao rol de competências avançadas 
do MFC. 
2.4.2 ENTREVISTA FAMILIAR
A entrevista familiar é uma ferramenta de coleta de dados que se propõe a investigar 
elementos do contexto familiar importantes para o processo de decisão em saúde – 
ao contrário da terapia e da conferência, a entrevista se propõe a ampliar o conheci-
mento acerca daquela família. Idealmente, é realizada com os membros da família 
presentes, possibilitando uma troca de informações complementares que pode es-
tabelecer conexões iniciais para um processo terapêutico familiar mais aprofundado 
a ser realizado a seguir. 
Perguntas devem ser inicialmente abertas, estimulando livre resposta e não suges-
tionadas. Você pode “fechar” se dúvidas ou se necessário dirimir dúvidas, lembrando 
que cada pergunta deve referir-se a uma única ideia, com palavras simples e claras e 
ser tão curta quanto possível; e se for mal compreendida inicialmente, deve-se repe-
ti-la de forma mais clara; devem-se evitar perguntas que influenciem a resposta (por 
exemplo: você acha que esse problema teu é devido a algum alimento?); e evitar per-
guntas que usam negativas (por exemplo: não é verdade que...), por estimularem res-
postas afirmativas positivas (CAMPOS; FARIA; SANTOS, 2010).
Fundamental também na entrevista transparecer confidencialidade e angariar a con-
fiança da família. Isso ocorre se você estiver mesmo interessado na tarefa e em apren-
Cabe ao MFC realizar TFS?
Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
80
der com ela bem como começar com as perguntas menos controvertidas para 
deixar o informante à vontade e criar um clima de confiança e confidencialidade. 
A formulação ou a forma como são feitas as perguntas não deve subtender crítica 
ao informante. Perguntas como “por quê?” devem ser usadas com parcimônia, e a 
escuta deve ser ativa, com ritmo de diálogo, sendo melhor anotar pontos-chave ao 
invés de tentar anotar tudo o que é dito (CAMPOS; FARIA; SANTOS, 2010).
Na entrevista propriamente dita, além das técnicas específicas da terapêutica, as 
habilidades de comunicação para o desenvolvimento da entrevista (LOPEZ; ESCU-
DERO, 2013) devem ser as seguintes: 
81
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Antes de se estabelecer um contato familiar, idealmente você deve realizar uma 
“pré-sessão”, preferencialmente em equipe. Antes da Entrevista Familiar, na qual 
se compartilham informações pertinentes à abordagem familiar, criam-se hipóte-
ses sobre os problemas e planeja-se a intervenção, incluindo temas a se abordar 
ou evitar, e membros da família para os quais deve ser direcionada a entrevista.
A duração de uma sessão é variável, mas gira em torno de uma hora a uma hora 
e meia. Deve ser precedida de uma explanação sobre o motivo da entrevista, o es-
tabelecimento de pactos de convivência e respeito, esclarecimento de dúvidas, a 
garantia do sigilo e regras de trabalho em grupo. Ao longo da entrevista, é preciso 
permitir pausas para reflexão, e o profissional de saúde pode dar um tempo para 
que a família discuta sem a sua presença, para encaminhamentos necessários. 
Após a entrevista, é possível estabelecer outros pontos de abordagem como a con-
ferência ou a terapia familiar (ZORDAN; DELLATORRE; WIECZOREK, 2012).
Uso racional da entrevista familiar
Embora seja um instrumento que se utiliza visando a coleta de informações acerca 
da família, o processo de coleta de informações per se já se correlaciona com a 
possibilidade de funcionar como instrumento de abordagem, a partir da reflexão 
dos membros da família acerca dos problemas apresentados, organização da in-
formação e concordância ou discordância acerca dessas informações. A entrevis-
ta familiar pode, portanto, funcionar como o ponto de partida para identificação 
de conflitos que devem ser endereçados na terapia familiar ou na conferência 
familiar. 
2.4.3 CONFERÊNCIA FAMILIAR
A família é pilar de apoio às necessidades e limitações inerentes 
a qualquer período do ciclo vital. A equipe de saúde deve orien-
tar de forma estruturada o apoio familiar e o acompanhamen-
to mediante crises previsíveis e não previsíveis do ciclo de vida. 
Muitas dessas crises decorrem da dificuldade de enfrentamen-
to aos problemas experimentados pela família, demandando in-
tervenção da equipe para potencializar a resiliência familiar. 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
82
Alguns desses problemas resultam da falta de informações sobre questões de 
saúde a serem abordadas, outros se referem a dificuldades de comunicação intra-
familiar ou, ainda, da dificuldade em tomar decisões ou mobilizar recursos. A con-
ferência familiar é um instrumento de trabalho importante na abordagem familiar 
e resolução de conflitos, maximizando o sucesso das intervenções junto à família, 
e deve ser utilizada na tentativa de resolver situações familiares complexas.
Não existe uma definição consensual do que é uma conferência familiar, sendo por 
vezes confundida com avaliações pontuais do estado clínico individual mediante 
um encontro familiar, ou seções de apoio psíquico e emocional a famílias. O con-
ceito operacional é o de um diálogo formal orientado dentro de uma reunião formal 
agendada e planejada, roteirizada (por vezes após uma entrevista familiar), com 
objetivos e motivos específicos predefinidos, que aludem o espetro de necessida-
des sentidas pelo doente e sua família (ROCHA, 2017).
Para que haja uma intervenção de qualidade é preciso garantir um clima de comu-
nicação com respeito e o profissional de saúde deve ser capaz de oferecer confian-
ça e segurança, ajudando a família nas suas preocupações e emoções. Os objeti-
vos de todas as intervenções com a família deverão ter por base (NETO, 2003): 
• A promoção da adaptação emocional individual e coletiva à situação de doença 
terminal.
• A capacitação para a realização de cuidados ao doente e do autocuidado da 
família.
• A preparação para a perda e a prevenção de um luto patológico, caso 
necessário.
 
A conferência familiar corresponde a uma forma estruturada de intervenção na 
família, sendo uma reunião com plano previamente acordado entre os profissio-
nais para além da partilha da informação e de sentimentos, cujo objetivo é ajudar 
a mudar alguns padrões de interação na família. Assim, uma conferência familiar 
é necessária:
• Para clarificar os objetivos dos cuidados, ou seja, decifrando novos sintomas e 
dados clínicos, explorando opções terapêuticas, apoiando na tomada de deci-
sões relativas a nutrição, hidratação, internamento, ressuscitação, etc.
• Para reforçar a resolução de problemas nas necessidades não satisfeitas no 
doente e nos cuidadores, ensinando estratégias de manejo dos sintomas e 
outras dificuldades apresentadas, e discutir assuntos de interesse específico 
dos familiares, incentivando a comunicação.
• Para prestar apoioe aconselhamento, validando e prevendo as reações emo-
cionais, validando o esforço e trabalho da família, nos momentos das preocu-
pações, dos medos e sentimentos, ajudando na resolução dos problemas por 
etapas e mobilizando os recursos familiares. 
83
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Aspectos práticos para uma conferência familiar
Apresentamos a seguir uma lista de tarefas no formato de checklist que Neto (2003), 
da Equipe de Cuidados Continuados do Centro de Saúde Odivelas em Portugal, de-
senvolveu para preparar uma conferência familiar.
Fonte: NETO, 2003. 
Uso racional da conferência familiar
Sabemos que nem todas as famílias necessitarão desse tipo de abordagem, mas 
aquelas que precisam ele é seguramente útil. A possibilidade de reunir vários 
membros da família pode tornar a comunicação mais clara, facilitar a adesão do 
doente à terapêutica, melhorar o controle sintomático e diminuir o sofrimento ex-
perimentado por todos, sendo um recurso que se revela habitualmente muito van-
tajoso a médio e longo prazo, pois possibilita reduzirem-se internamentos inúteis 
e idas indevidas às urgências.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
84
Na busca de mecanismos efica-
zes e eficientes que contribuam 
para a manutenção das rela-
ções familiares é que surge a 
mediação familiar, em caráter 
preventivo ou resolutivo, ou na 
separação, ou em contexto de 
outras relações familiares que 
recorram à mediação familiar 
em uma fase preventiva, 
quando surgem os primeiros 
conflitos.
2.4.4 MEDIAÇÃO DE CONFLITO FAMILIAR
Embora não esteja apontada como uma ferramenta específica, a capacidade de 
mediar conflitos pode ser necessária quando se lida com famílias. Assim, a media-
ção pode estar presente na conferencia familiar, na entrevista familiar e na terapia 
familiar sistêmica. Abordaremos a mediação de conflito familiar como instrumen-
to de solução consensual de conflitos familiares, orientando os profissionais como 
utilizar essa ferramenta. A família tem sido considerada o lócus para a mediação, 
pois possibilita um trabalho interdisciplinar (GALANO, 1999; FALEIROS, 2007).
Percebemos, no entanto, que mudança nas relações familiares podem desenca-
dear desacordos. O ser humano está em constante interação com o seu semelhan-
te e dessa interação resultam espontaneamente conflitos de várias ordens, causa-
dos pela escassez de recursos, diferentes valores, interesses, objetivos, entre os 
outros exemplos.
Os elementos do conflito podem ser definidos e gerados por:
• A pessoa: o ser humano com seus sentimentos e crenças.
• O problema: as necessidades e os interesses contrariados.
• O processo: as formas e os procedimentos adotados.
Fonte: Freepik.com
A mediação trata os conflitos a partir de vários olhares, com diversas pers-
pectivas de abordagens, potencializando a capacidade apaziguadora desse 
meio em restabelecer o diálogo e favorecer as relações interpessoais. Na 
interdisciplinaridade é possível proporcionar um diálogo enriquecedor pelo 
mediador, gerando corresponsabilização por parte de todos os envolvidos 
naquele contexto. A mediação é um meio efetivamente apropriado para 
auxiliar as famílias a refletirem sobre seus conflitos, conversarem sobre eles 
e encontrarem uma maneira de resolvê-los, ou até mesmo de conviverem 
com eles (MIOTTO, 1997).
85
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Uma pluralidade de olhares pode contribuir para auxiliar as famílias a decidirem 
de forma autônoma o que preferem para suas situações, enriquecendo a media-
ção, que tem muito a ofertar para o trabalho com a família. O mediador facilita a 
comunicação entre as partes, permitindo que decidam, analisando em profundi-
dade o contexto do conflito, assegurando novas formas de convivência e preven-
ção de novos conflitos (MIOTTO, 1997).
Os conflitos familiares envolvem emoções vividas ao longo da história relacional 
das pessoas que a constituem. A mediação tem muito a contribuir com as famílias, 
transformando as relações e resolvendo os conflitos. A atividade do mediador ne-
cessita de compreensão do conflito, habilidades conversacionais, técnicas de co-
municação, negociação e outras próprias da mediação – a peculiaridade do traba-
lho do mediador ainda revela a necessidade de características de cunho subjetivo 
e de habilidades emocionais (MIOTTO, 1997).
A mediação de conflito consiste em configurar um meio consensual de encaminha-
mentos e soluções nas quais estão envolvidas duas ou mais pessoas, com o auxílio 
do mediador, que facilitará o diálogo, discutindo-se e buscando-se alcançar uma 
solução satisfatória para o problema. Quando nos referimos à intervenção da 
equipe multiprofissional na mediação do conflito familiar nos referimos a buscar, 
conduzir e focar a discussão na construção do pacto de responsabilidades (GALANO, 
1999; FALEIROS, 2007).
2.5 ABORDAGEM FAMILIAR E VISITA DOMICILIAR
Muitas das intervenções familiares somente serão possíveis no contexto mais íntimo 
delas, ou seja, no domicílio. Sob esse aspecto, saber utilizar e priorizar famílias para 
a avaliação é fundamental para que se estabeleçam ações planejadas para o cuidado 
integral e ao mesmo tempo universalmente acessível de acordo com critérios 
equânimes. 
A ferramenta visita domiciliar cumpre esse papel, na medida em que leva os atores 
para o contexto de maior conforto 
para uma intervenção, no caso, o lar. 
Da mesma forma, pode ser inclusive a 
única maneira de acessar a família em 
situações nas quais um dos familiares 
é restrito ao domicílio ou ao leito. 
Assim, é importante que se discuta o 
papel do cuidado domiciliar na abor-
dagem às famílias. 
A visita domiciliar meio e a aborda-
gem da famíliaFonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
86
Segundo Coelho e Savassi (2004), visitas domiciliares podem ser classificadas em 
visitas fim, quando há um objetivo específico para a realização da mesma, ou visita 
domiciliar meio, nas quais as visitas em si se tornam a forma de descobrir ques-
tões ocultas e na qual se podem desenvolver busca ativa, promoção da saúde e 
ações preventivas específicas, sendo pautadas por uma abordagem estratégica da 
família como uma abordagem educacional mais individualizada ou para estabele-
cer canais permanentes de comunicação.
A Escala de Vulnerabilidade Familiar é um instrumento que pode ser utilizado na 
APS para esse tipo de atuação, definindo estrategicamente quais famílias deveriam 
ser foco de atenção da equipe e a partir daí definido quais outras ferramentas 
podem ser utilizadas (COELHO; SAVASSI, 2004).
Figura 10 – Atenção domiciliar a famílias.
Fonte: elaborado pelos autores, 2020
A figura representa uma estratégia de priorização de famílias como fonte de cui-
dados pelas equipes de APS, a partir da EVF-CS, que determina graus diferentes de 
vulnerabilidade familiar e já demonstrou ser um instrumento adequado para esse 
fim. A partir da classificação da família, deve-se optar por iniciar por aquelas que 
sejam mais vulneráveis, entendendo que serão objeto de múltiplas – e por vezes 
simultâneas – intervenções a partir do tipo de sentinela que esteja presente com 
maior intensidade.
87
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Uma percepção de que há elementos clínicos e critérios para inclusão nos diferen-
tes níveis de cuidados domiciliares demandará o uso de ferramentas de avaliação 
e classificação do nível de cuidados em Atenção Domiciliar (AD), nos níveis de com-
plexidade AD1, AD2 ou AD3, de acordo com a Portaria MS/GM nº 825, de abril de 
2016, equipes responsáveis (equipes de Atenção Primária ou equipes específicas 
de Atenção Domiciliar), e frequência das visitas (BRASIL, 2013; BRASIL, 2016). 
A percepção, por outro lado, que se trata de família com diferentes graus de dis-
funcionalidades ou de demandas específicas no campo do cuidado, da estrutura 
familiar e de conflitos, demandará o uso das ferramentas de classificação, repre-
sentação ou avaliação familiar para determinar qual será a melhor maneira de 
abordaras mesmas. 
Por fim, na presença de sentinelas ou de outras informações percebidas na visita 
domiciliar que aponte para questões sociais graves, o acionamento da Rede de 
Atenção Psicossocial pode se fazer necessária, na medida em que outros elemen-
tos apontam para a ampliação da capacidade de resposta da equipe de APS. Nesse 
aspecto, além do ecomapa como um instrumento relevante, o mapeamento social 
se mostra um elemento que permite a análise de pontos de fortalecimento da re-
siliência, de apoio e da capacidade de lidar com os elementos sociais envolvidos. 
A EVF-CS pode ser utilizada tanto para se estabelecer priorização de familiares 
dentro de equipes, quanto para se destinar maior ou menor quantidade de tempo 
para cada família. Pode ser necessária a identificação de áreas nas quais muitas 
famílias apresentem alta demanda a fim de estabelecer pontos de corte dos escores 
de vulnerabilidade mais elevados, entendendo que em muitas situações estare-
mos lidando com áreas de risco, nas quais um número relevante de famílias tenha 
altos escores. Em geral, se estabelecermos 5 a 10% como o ponto de corte dos 
escores mais elevados de vulnerabilidade já teremos uma estratégia de prioriza-
ção relevante.
2.6 INTERVENÇÕES FAMILIARES EM CUIDADOS PALIATIVOS
As intervenções realizadas em cuidados pa-
liativos (CP) objetivam promover a adaptação 
emocional possível, preparando para a perda 
e evitando o luto patológico. Essas interven-
ções podem também ser usadas para capa-
citar cuidadores para a atenção e para o au-
tocuidado de familiares. Realizar cuidados 
paliativos é garantir que todo o possível – para 
além do que é impossível evitar – será feito 
para alívio do sofrimento. Assim, no que 
tange à família, os cuidados paliativos repre-
sentam um desafio ético e profissional. 
Um elemento fundamental dos cuidados pa-
Fonte: Freepik.com
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
88
liativos é uma comunicação eficaz entre doente, família e equipes. A presença da 
família é essencial para o bem-estar do doente, e a conferência familiar pode ser 
uma estratégia relevante para: gestão e avaliação de conflitos, percepção do en-
tendimento e expectativas familiares, preparo do luto, discussões específicas sobre 
limites do cuidado, objetivos do cuidado e planos terapêuticos, propedêuticos e 
demandas específicas baseadas em premissas contextuais e culturais. 
Famílias de pessoas em situação de terminalidade demandam estar com o doente, 
participar dos cuidados, ter apoio emocional e conservar a esperança, inclusive 
sob o ponto de vista da espiritualidade. 
A informação no processo comunicacional deve ser inteligível, na quantidade exata, 
sem falsas esperanças. É importante saber até quando e até quanto o doente 
espera e deseja ser informado, sendo importante sofrer “com” a pessoa e não 
“pela” pessoa, decidir “com” o indivíduo e/ou sua família e não “por” eles. Algumas 
situações específicas são mais plausíveis de demandar uma conferência familiar, 
dentre elas (NETO; TRINDADE, 2007):
• piora clínica da condição clínica, ou paciente em estágio final de terminalidade 
(morte próxima);
• mudança relevante de tratamento ou via de administração de medicamentos e 
alimentação;
• discussão de Diretrizes Antecipadas de Vida;
• situação de disfuncionalidade e/ou presença de conflitos entre familiares e cui-
dadores, entre os membros da família, ou desta com a equipe de cuidados.
• famílias altamente demandantes, ou com divergências importantes de opiniões, 
ou agressivas, ou com necessidades especiais (questões sociais, espirituais, 
culturais).
Um instrumento que ajuda a sistematizar a abordagem da família, estruturando 
etapas para apoiar especialmente nas questões comunicacionais, é o protocolo 
SPIKES, que auxilia na sistematização da comunicação de más notícias. Confira no 
quadro a seguir.
89
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Quadro 12 – Protocolo SPIKES.
S Setting up: Preparando-se para o encontro 
P Perception: Percebendo o paciente
I Invitation: Convidando para o diálogo
K Knowledge: Transmitindo as informações
E Emotions: Expressando emoções
S Strategy and Summary: Resumindo e organizando
Fonte: Baile et al., 2000.
Algumas outras técnicas comunicacionais importantes envolvem o próprio Método 
Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) e habilidades de comunicação: 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
90
Quadro 13 - Habilidades necessárias de profissionais que lidam com 
cuidados paliativos frente à família.
• Interpretar novos sintomas e informações clínicas.
• Explorar opções de tratamento.
• Apoiar a família na tomada de decisões difíceis (nutrição, hidratação, 
hospitalização e ressuscitação).
• Explorar esperanças e expectativas.
• Detectar necessidades não satisfeitas (paciente e cuidadores).
• Ensinar estratégias de gerenciamento de sintomas e outros.
• Discutir assuntos de interesse específico da família.
• Explorar as dificuldades de comunicação.
• Validar e prever o espectro de reações emocionais.
• Validar o trabalho e os esforços da família.
• Convidar familiares e pessoas doentes a expressar medos, preocupações e 
sentimentos ambivalentes.
• Ajudar a resolver problemas em etapas, mobilizando recursos familiares.
• Identificar famílias disfuncionais, que precisam de uma intervenção que vai 
além deste nível; saber quando encaminhá-los para profissionais de saúde 
qualificados para lidar com o problema.
• Permitir que os membros da família participem dos cuidados.
• Aceitar que o plano de cuidados proposto pode ser rejeitado pelo paciente, 
cuidadores, familiares e apoiar a elaboração de um novo.
• Permitir espaço para iniciativas originadas da cultura familiar.
• Incentivar a unidade familiar a assumir a liderança.
Fonte: Adaptado de Neto e Trindade (2007, p. 106).
91
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Quadro 14 - Escala de Performance de Karnofsky.
Gradação (%) Interpretação (significado)
100 Sem sinais ou queixas, sem evidência de doença
90 Realiza atividades habituais, poucos sinais e sintomas da doença
80
Realiza atividades habituais com esforço, alguns sinais e sintomas 
de doença
70 Cuida de si mesmo, ainda é capaz de trabalhar 
60
Requer assistência ocasional, não é capaz de realizar atividades 
habituais ou trabalhar
50 Necessita de cuidados frequentes e assistência médica
40
Incapaz de realizar qualquer atividade, requer cuidados e 
assistência médica especiais
30
Extremamente incapacitada, necessita de hospitalização, sem 
sinal de morte iminente
20
Muito doente, necessita de medidas de suporte, hospitalização 
necessária
10 Moribundo, morte iminente
0 Morte
Fonte: Adaptado de ANCP, 2012.
2.6.1 AVALIAÇÃO DE NECESSIDADES EM CUIDADOS PALIATIVOS
Finalmente, para entender a complexidade do cuidado, uma série de Escalas de 
Avaliação de Funcionalidade deve ser usada, e assim definirmos o grau de neces-
sidade de cuidados paliativos. Confira.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
92
Quadro 15 - Palliative Performance Scale (PPS).
Palliative 
Performance 
Scale (PPS)
Deambulação
Atividade e 
evidência da 
doença
Autocuidado Ingesta Nível da 
consciência
100 Completa
Atividade normal 
e trabalho; sem 
evidência de 
doença
Completo Normal Completa
90 Completa
Atividade normal 
e trabalho; 
alguma evidência 
de doença
Completo Normal Completa
80 Completa
Atividade normal 
com esforço; 
alguma evidência 
de doença
Completo Normal ou 
reduzida Completa
70 Reduzida
Incapaz para o 
trabalho; doença 
significativa
Completo Normal ou 
reduzida Completa
60 Reduzida
Incapaz para 
hobbies/trabalho 
doméstico; 
doença 
significativa
Assistência 
ocasional
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
períodos de 
confusão
50
Maior parte de 
tempo sentado 
ou deitado
Incapacitado 
para qualquer 
trabalho; doença 
extensa
Assistência 
considerável
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
períodos de 
confusão 
40
Maior parte do 
tempo acamado
Incapaz para 
a maioria das 
atividades; 
doença extensa
Assistência 
quasecompleta
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
sonolência;
+/- confusão 
30
Totalmente 
acamado
Incapaz para 
qualquer 
atividade; doença 
extensa
Dependência 
completa
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
sonolência;
+/- confusão 
20
Totalmente 
acamado
Incapaz para 
qualquer 
atividade; doença 
extensa
Dependência 
completa
Mínima, a 
pequenos 
goles.
Completa ou 
sonolência;
+/- confusão 
10
Totalmente 
acamado
Incapaz para 
qualquer 
atividade; doença 
extensa
Dependência 
completa
Cuidados 
com a boca
Sonolência ou 
coma;
+/- confusão
0 Morte - - - -
Fonte: Adaptado de ANCP, 2012.
93
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Quadro 16 – Escore de Lansky.
Fonte: LANSKY, 1987.
Especificamente quanto ao desempenho funcional em crianças, o escore de Lansky 
é o instrumento de funcionalidade utilizado em pediatria.
Escore (%) Elementos de avaliação
100 Totalmente ativa/normal.
90 Pequena restrição em atividades físicas extenuantes.
80 Ativa, mas se cansa rapidamente.
70
Maior restrição nas atividades recreativas e menor tempo gasto 
nessas atividades.
60
Levanta-se e anda, mas brinca ativamente muito pouco, brinca 
principalmente em repouso.
50
Veste-se, mas fica deitada a maior parte do tempo, atividades e 
jogos em repouso.
40 Maior parte do tempo na cama, brinca em repouso sem ajuda.
30
Maior parte do tempo na cama e necessita de auxílio para 
brincar em repouso.
20
Frequentemente dormindo, o brincar se restringe a jogos 
passivos.
10 Não brinca e não sai da cama.
0 Não responde.
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
94
Embora a Portaria nº 825, de 25 de abril 
de 2016, defina cuidados paliativos 
como uma das atribuições das equipes 
de Atenção Domiciliar, e seus respec-
tivos Serviços de AD, os SAD, é impor-
tante reforçar que tal medida não 
impede a continuidade dos cuidados 
pela equipe de APS. Além disso, é na 
longitudinalidade do cuidado, um dos 
princípios da APS, e na duradoura 
relação médico-paciente, um dos ele-
mentos do método clínico centrado na 
pessoa, que reside uma das maiores 
qualidades da MFC, que é o cuidar ao 
longo do tempo. Então, espera-se que 
o MFC esteja junto à pessoa sob seu 
cuidado nos momentos que antece-
dem o óbito (BRASIL, 2016). 
Naqueles lugares onde há cobertura de SAD, esse cuidado pode e deve ser com-
partilhado entre as equipes, e naqueles lugares onde não há tal cobertura, seja 
pelo porte municipal ou pela ausência de iniciativa do poder público local para im-
plantação, a equipe de APS deve estar preparada para lidar com as principais in-
tercorrências em cuidados paliativos. Apoiar família e cuidador, saber lidar com os 
principais quadros clínicos que se apresentam na terminalidade da vida, evitar ia-
trogenias praticando a prevenção quaternária e realizar tratamentos adequados, 
bem como conseguir construir com a família um plano terapêutico e propedêuti-
co adequados, são ações que podem ser desempenhadas pelo MFC nesse proces-
so de cuidado. 
Os cuidados paliativos na prática do MFC
Fonte: Freepik.com
95
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Encerramento da unidade 
Parabéns, você chegou ao final da Unidade 2 do Módulo de Abordagem Familiar! 
Nesta unidade, você aprendeu sobre os instrumentos de representação (genogra-
ma e ecomapa), de avaliação (FIRO, APGAR, Escala de Vulnerabilidade Familiar e 
PRACTICE) e de abordagem familiar propriamente ditos (terapia familiar sistêmica, 
entrevista familiar, conferência familiar). Você ainda conheceu aspectos da visita 
domiciliar e dos cuidados paliativos que se relacionam diretamente com a aborda-
gem das famílias na APS.
Esperamos que os conhecimentos aprofundados sejam muito úteis a você no 
melhor cuidado das pessoas e suas famílias em sua equipe de saúde da família!
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
96
Encerramento do módulo 
Estamos encerrando aqui o Módulo de Abordagem Familiar!
Você viu até aqui que as famílias são unidades de cuidado, bem como fonte de 
bem-estar ou adoecimento, e que há diferentes formas de abordar famílias, que 
vão desde um processo de entendimento do contexto familiar (por meio da clas-
sificação e representação das mesmas), passando pela percepção da funcionalida-
de e da vulnerabilidade, até as ferramentas de abordagem familiar. 
Sob esse aspecto, trabalhar com famílias exige vínculo e associação, sendo funda-
mental que se estabeleçam canais de comunicação para que se possa construir 
uma relação na qual o MFC tenha papel terapêutico no processo. 
O entendimento da família como unidade terapêutica permite ao mesmo tempo 
uma visão sistêmica, mas também da complexidade e das questões contextuais 
que a cercam, proporcionando oportunidades de cuidado que ampliam a clínica 
individual e permitem a construção de projetos terapêuticos com mais possibili-
dades de ação.
Que os novos conhecimentos adquiridos, portanto, lhe permitam a execução plena 
do atributo da APS de orientação familiar e um cuidado cada vez mais integral e 
resolutivo na sua prática!
Até breve!
97
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Referências
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107
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Biografia dos conteudistas 
ALEX CHRISTIAN DA SILVA ALVES
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2001). Residência em 
Medicina de Família e Comunidade pelo HC-UFMG (2009). Médico de família e comunida-
de da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (desde 2009). Especialista em Microbiologia, 
Parasitologia e Imunologia pela UFJF (2005). Preceptor de campo de estágio em APS pelo 
HC-UFMG (desde 2010). Especialista Geriatria pelo CIAPE/FCMMG (2014). Curso de Capa-
citação em Cardiogeriatria pelo CIAPE (2016). Curso de Capacitação em Neuropsiquiatria 
Geriátrica pelo ACER (2018). Médico responsável pelo Ambulatório de Saúde do Idoso 
Clínica Amaros - Belo Horizonte (MG). Corpo Clínico na Atenção ao Idoso Uniclínica BH - 
Belo Horizonte (MG).
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6216582451429322 
ARTUR OLIVEIRA MENDES
Médico de Família e Comunidade, trabalha na Estratégia de Saúde da Família em Belo 
Horizonte (Minas Gerais - Brasil) desde meados de 2004. Graduado em Medicina pela 
Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, (2004). Especialista em Saúde da Família 
pela UFMG (2006) e titulado em Medicina de Família e Comunidade pela Sociedade Bra-
sileira de Medicina de Família e Comunidade, SBMFC, (2007). Especialista em Ativação 
de Processos de Mudanças nos Cursos Superiores da Área da Saúde, pela FioCruz/ENSP 
(2006). Participou de várias gestões da Associação Mineira de Medicina de Família e Co-
munidade (AMMFC), inclusive como presidente, e do Sindicato dos Médicos de Minas 
Gerais (SinMed-MG), como diretor do departamento jurídico e do departamento de cam-
panhas. Atualmente diretor do departamento de defesa profissional do SinMed-MG. Mé-
dico de família cooperado da Unimed-BH. Atua também como preceptor do Programa 
de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade do Hospital das Clínicas da 
UFMG. Atualmente cursando o mestrado profissional em Saúde da Família através da 
UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), o Prof-Saúde (programa em parceria com a 
ABRASCO), além de estar cursando especialização em Saúde Digital pela UFG (Universi-
dade Federal de Goiás).
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/1490329459646772 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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DANIELE FALCI DE OLIVEIRA
Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (2004). Especialista em 
Saúde da Família pela Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG. Titulada em Medici-
na de Família e Comunidade pela Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comuni-
dade (SBMFC). Especialista em Medicina de Tráfego pela Faculdade de Ciências Médicas 
de Minas Gerais. Titulada pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET). 
Mestre pelo Programa de Saúde Pública, área de concentração Epidemiologia, da Facul-
dade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG (2014). Residência 
Médica em Pediatra no Hospital Infantil São Camilo, Belo Horizonte/MG (2017). Especia-
lista em PreceptoriaMédica no SUS, pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio 
Libanês (2017).
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/3605832505991916 
LEONARDO CANÇADO MONTEIRO SAVASSI
Docente Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), DEMSC - Departamento de Medici-
na de Família Comunidade (MFC), Saúde Mental e Coletiva, membro NDE da Escola Medi-
cina (EMED). Coordenador do Mestrado Profissional em Saude Familia (ProfSaude) pela 
UFOP. Coordenador da Colaboração da UFOP junto a Universidade Aberta SUS (UNA-
SUS). Presidente do Colegiado de Curso do ProfSaude UFOP. Membro do Conselho De-
partamental do Curso de Medicina (CODEMED) UFOP. Pediatra Atenção Domiciliar GEAD 
Unimed Belo Horizonte/MG. Diretor do Departamento de Publicações da Sociedade Bra-
sileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), gestão 2020-2022. FORMAÇÃO: 
Qualificação de Gestores para SUS (ENSP/ Fiocruz). Especialização Saúde da Família (MEC/
UFMG/ESPMG). Título de Especialista em MFC (AMB/ SBMFC). Residência Médica em Pe-
diatria (MEC/ Hospital Belo Horizonte). Mestre e Doutor em Ciências da Saúde/ Saúde 
Coletiva, sub-área: Educação em Saúde (CPqRR/FIOCRUZ-Minas) BIOGRAFIA: Presidente 
Assoc. Mineira MFC 2005-07; Diretor Publicações Soc. Brasileira MFC 2008-10; Coordena-
dor Residência MFC SMS Betim/MG 2007-10; Editor Rev. Brasileira de MFC 2009-10; Pre-
sidente Associação Médica Betim 2009-11; Membro Núcleo Pedagógico Curso Ágora CE-
ABSF do Nescon/ UFMG 2009-12; Diretor Educação em Saúde Prefeitura de Betim 2013; 
Coordenador Supervisão Provab pela UFOP 2012-17; Docente PED FM-UFMG 2014-17; 
Editor dos Programas de Capacitação Saúde da Pessoa Idosa 2015-18 e Progr. Multicên-
trico de Qualificação em Atenção Domiciliar 2012-18 pela UNASUS; Supervisor Residência 
MFC PUCMG Campus Contagem 2018-20; Diretor Medicina Rural 2020-21, SBMFC.
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/3650989593840814 
THEREZA CRISTINA GOMES HORTA
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EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
Médica de Família e Comunidade titulada pela Sociedade Brasileira de Medicina de Famí-
lia e Comunidade desde 2008. Médica colaboradora da Organização Não Governamental 
SURI, exercendo assistência voluntária às recuperandas da APAC Belo Horizonte desde 
junho de 2020. Em parceria com o Centro Universitário UNI-BH, desenvolvendo projeto 
de participação dos alunos do 11º periodo da Medicina desta instituição no atendimento 
e organização dos trabalhos em saúde da APAC - BH. Preceptora do 11º período da Facul-
dade de Medicina da UNI-BH, no estágio de Atenção Primária à Saúde, em parceria com a 
Prefeitura Municipal de Belo Horizonte desde outubro de 2015. Atuando na Abertta Saú-
de, do grupo ArcelorMittal, no desenvolvimento e implantação do projeto de Atenção Pri-
mária à Saúde, desde outubro de 2015. Médica de Família e Comunidade pela Prefeitura 
de Brumadinho nas Unidades Básicas de Saúde Rurais de Palhano e Suzana de janeiro 
de 2008 a setembro de 2015. Teleconsultora do Serviço de Telessaúde do Hospital das 
Clinicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2011 a 2017. Professora da Universi-
dade José do Rosário Vellano - Unifenas, na disciplina de Prática Médica na Comunidade, 
com foco na saúde da mulher e da criança, de setembro de 2008 a dezembro de 2009 
Membro associada da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e inte-
grante do Grupo de Trabalho de Medicina Rural da Sociedade Brasileira de Medicina de 
Família e Comunidade. Preceptora da Residência de Medicina de Família e Comunidade 
do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de fevereiro de 2008 a 
2012. Idealizadora e realizadora da Oficina de Abordagem Familiar realizada no Congres-
so Mineiro de Medicina de Família e Comunidade de 2010 e 2012, além da Residência de 
Medicina de Família e Comunidade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de 
Minas Gerais e outras instituições interessadas, anualmente, desde 2009. Residência em 
Medicina de Família e Comunidade pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de 
Minas Gerais. Conclusão do curso: Janeiro/2008. Graduada em Medicina pela Faculdade 
de Ciências Médicas de Minas Gerais. 
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/9215700250675647 
EIXO 02 | MÓDULO 06 Abordagem Familiar
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Programa Mais Médicos para o Brasil
EIXO 2 | FERRAMENTAS DA MEDICINA DE FAMÍLIA E 
COMUNIDADE
REALIZAÇÃO
Abordagem familiar
MÓDULO 06
2ª edição
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

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