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CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Fundações são os elementos estruturais com função de transmitir as cargas da estrutura ao terreno onde ela se apoia. Deste modo, devem ter resistência adequada para suportar às tensões causadas pelos esforços solicitantes. Além disso, o solo necessita de resistência e rigidez apropriadas para não sofrer ruptura e não apresentar deformações exageradas ou diferenciais. Para se escolher a fundação mais adequada, deve-se conhecer os esforços atuantes sobre a edificação, as características do solo e dos elementos estruturais que formam as fundações. Assim, analisa-se a possibilidade de utilizar os vários tipos de fundação, em ordem crescente de complexidade e custos. Fundações bem projetadas correspondem de 3% a 10% do custo total do edifício; porém, se forem mal concebidas e mal projetadas, podem atingir 5 a 10 vezes o custo da fundação mais apropriada para o caso. De acordo com a NBR 6122 as fundações se dividem em duas categorias, as fundações diretas ou superficiais e as fundações profundas, que são tratadas neste capítulo. 7.1 Fundações Superficiais A NBR 6122 define as fundações superficiais como o elemento estrutural em que a carga é transmitida ao terreno, predominante pelas pressões distribuídas sob a base da fundação e, em que a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação (Figura 7.1). Figura 7.1 – Esquema para fundação superficial segundo a NBR 6122 Os tipos de fundação superficial que se enquadram nesta definição são: Sapata: Elemento de fundação superficial de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração nele produzidas não podem ser resistidas pelo concreto, de que resulta o emprego de armadura. Pode ter espessura constante ou variável (Figura 7.2), e sua base em planta é normalmente quadrada, retangular ou trapezoidal. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Figura 7.2 – Sapata isolada Sapata Corrida Sapata sujeita à ação de uma carga distribuída linearmente ou de pilares ao longo de um mesmo alinhamento. Figura 7.3 – Sapata corrida Bloco Elemento de fundação superficial de concreto, dimensionado de modo que as tensões de tração nele produzidas possam ser resistidas pelo concreto, sem necessidade de armadura. Pode ter as faces verticais, inclinadas ou escalonadas e apresentar planta de seção quadrada ou retangular. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Figura 7.4 – Bloco de concreto Sapata Associada Sapata comum a vários pilares, cujos centros, em planta, estejam situados em um mesmo alinhamento. Transmitem ações de dois ou mais pilares, e é utilizada como alternativa quando a distância entre duas ou mais sapatas é pequena. Figura 7.5 – Sapata associada CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Radier Sapata associada que abrange todos os pilares de obras ou carregamento distribuídos (tanques, depósitos, silos, etc.). São elementos contínuos que podem ser executados em concreto armado, protendido ou reforçado com fibras. Figura 7.6 – Fundação em radier Vigas de Fundação Fundação comum a vários pilares, cujos centros, em planta, não estejam situados no mesmo alinhamento ou para carga linear. Da utilização de viga de equilíbrio resultam cargas nas fundações diferentes das cargas dos pilares nelas atuantes. Figura 7.7 – Viga de fundação CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES 7.2 Fundações Profundas De acordo com a NBR 6122 o elemento de fundação que transmite a carga ao terreno pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência de atrito do fuste) ou por uma combinação das duas, e está assente em profundidade em relação ao terreno adjacente superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, é denominado de fundação profunda. Observe a ilustração da Figura 7.8. Figura 7.8 – Esquema para fundação profunda segundo a NBR 6122 A NBR 6122 divide as fundações profundas em dois grupos: estaca e tubulão. a) Estacas: elemento estrutural esbelto que, colocado ou moldado no solo por cravação ou perfuração, tem a finalidade de transmitir cargas ao solo, seja pela resistência sob sua extremidade inferior (resistência de ponta ou de base), seja pela resistência ao longo de sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas. b) Tubulão: elemento de fundação profunda, cilíndrico, em que, pelo menos na sua etapa final de escavação, há descida de operário. Pode ser feito a céu aberto ou sob ar comprimido (pneumático), e ter ou não base alargada. Os diferentes tipos de estacas existentes diferem entre si pelo processo executivo e materiais de que são constituídos, sendo classificados por diversos critérios: a) Efeito produzido no solo: Estacas que produzem grande, pequena ou nenhum deslocamento do solo de fundação durante a sua execução. b) Processo de execução: CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Estacas moldadas in loco: estacas de concreto moldadas após a realização da perfuração prévia, ou simultânea, no terreno de fundação, destacando-se: as estacas tipo Franki; estacas escavadas sem lama betonítica (estacas tipo Strauss, estacas escavadas mecanicamente com trado helicoidal, estacas tipo broca, etc.); estacas tipo hélice contínua; estacas escavadas com lama betonítica; estacas injetadas (micro-estacas e as estacas raiz); Estacas pré-moldadas: onde a execução e confecção do elemento estrutural são anteriores à cravação das estacas, que normalmente é executada a percussão, ou prensagem, destacando-se: estacas de concreto; estacas de madeira; estacas metálicas. c) Forma de funcionamento: Estacas de ponta: trabalham basicamente pela resistência de ponta; Estacas de atrito ou flutuante: trabalham somente por atrito lateral desenvolvido no fuste; Estacas mistas: trabalham pela resistência de ponta e por atrito lateral. d) Forma de carregamento: Estacas de compressão; Estacas de tração; Estacas de flexão. A escolha do tipo de estaca depende de uma série de fatores. Hachich et al. (1998) enumerou aspectos utilizados para a escolha do tipo de estaca para determinada obra: Esforços nas fundações: nível de cargas nos pilares, e esforços de tração e flexão. Características do subsolo: argilas muito moles dificultam a execução de estacas de concreto moldada in loco; solos muitos resistentes são difíceis de serem atravessados por estacas pré-moldadas executadas por cravação; os matacões dificultam a execução de qualquer tipo de estaca; o nível de água elevado dificulta a execução de estacas de concreto moldadas in loco; aterros executados sobre camadas de solo mole, ainda em adensamento, fazem com que seja desenvolvido atrito negativo nas estacas executadas nesta camada. Características da obra: acesso de equipamentos em terrenos acidentados; limitação de altura para instalação do equipamento; obras distantes dos grandes centros que oneram custo dos equipamentos. Características de construção vizinhas: tipo e profundidade das fundações; existência de subsolo; sensibilidade a vibrações; danos já existentes. 7.2.1 Estacas A seguir são apresentadas as definições, processos executivos, vantagens e desvantagens de alguns dos principais tipos de estacas empregadas no Brasil como elemento de fundação. a) Estaca tipo Franki CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Estaca executada por meio da cravação no terreno de um tubo de ponta fechada, por meio da bucha, e execução de uma base alargada, que é obtida introduzindo-se no terreno certa quantidade de material granular por meio de golpes de um pilão. A estaca do tipo Franki foi empregada pela primeira vez no Brasil em 1935, na Casa Publicadora Baptista no Rio de Janeiro (Hachich et al., 1998). Para a execução das estacas tipo Franki é necessário um bate-estaca, cujascaracterísticas estão descritas na Tabela 7.1, tubos para revestimento do furo e pilões, cujas principais características estão descritas na Tabela 7.2. Tabela 7.1 – Características dos bate-estacas (Hachich et al., 1998) Categoria/Característica Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Altura da torre (m) 13,5 20 30 Peso do guincho (kN) 70 a 100 120 a 150 180 Comprimento dos tubos 30 a 52 30 a 60 30 a 60 Profundidade da estaca 15 a 18 20 a 25 30 Tabela 7.2 – Características dos tubos e pilões (Hachich et al., 1998) Característica/Tipo Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Tipo 4 Tipo 5 Diâmetro do tubo (cm) 30 35 40 52 60 Peso do tubo (kN/m) 1,4 1,75 2,25 3,65 4,50 Pilão (kN) 10 15 20 28 35 Diâmetro do pilão (cm) 18 22 25 31 38 Figura 7.9 – Etapas de execução das estacas tipo Franki CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES A Figura 7.92 apresenta a sequencia de execução das estacas tipo Franki, classificadas como estacas de grande deslocamento, que são: Etapa 1: posicionamento do tubo de revestimento e formação da bucha a partir do lançamento de brita e areia no interior do tubo e compactação pelo impacto do pilão fazendo o material aderir fortemente ao tubo; Etapa 2: cravação do tubo no terreno por meio da aplicação de sucessivos golpes do pilão na bucha formada na etapa anterior; Etapa 3: terminada a cravação, o tubo é preso à torre do bate-estaca por meio de cabos de aço, para expulsar a bucha e iniciar a execução da base alargada, que se dá pelo apiloamento de camadas sucessivas de concreto quase seco; Etapa 4: colocação da armação da estaca, tomando-se o cuidado de garantir a sua ligação com a base alargada; Etapa 5: concretagem do fuste, com o lançamento de camadas sucessivas de pequena altura de concreto e recuperação do tubo; Etapa 6: Finalização do processo executivo, onde a concretagem do fuste ocorre até 30 cm acima da cota de arrasamento. A execução das estacas do tipo Franki para ser bem sucedida depende do atendimento ao método executivo, do uso de equipamentos adequados e mão-de-obra especializada e experiente. Pelas características do processo executivo, as estacas tipo Franki não são recomendadas para execução em terrenos com matacões, situações em que as construções vizinhas não possam suportar grandes vibrações, e terrenos com camadas de argila mole saturada, devido aos possíveis problemas de estrangulamento do fuste. b) Estacas tipo broca Tipo de fundação profunda executada por perfuração com trado, conforme mostrado na Figura 7.10, e posterior concretagem in loco, normalmente com diâmetro variando entre 15 e 25 cm e comprimento de até 6,0 m. As estacas tipo broca apresentam como vantagem o fato de não provocar vibrações durante a sua execução, evitando desta forma, danos nas estruturas vizinhas, além de poder servir de cortinas de contenção para construção de subsolos, quando executadas de forma justapostas. Entretanto, as principais desvantagens referem-se às limitações de execução em profundidades abaixo do nível d’água, principalmente em solos arenosos, devendo-se também evitar a sua execução em argilas moles saturadas, a fim de evitar possíveis estrangulamentos no fuste da estaca. Figura 7.10 – Etapas de execução das estacas broca CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES c) Estaca tipo Strauss Estaca executada por perfuração através de piteira, com uso parcial ou total de revestimento recuperável e posterior concretagem in loco. A execução requer um equipamento constituído de um tripé de madeira ou de aço, um guincho acoplado a um motor (combustão ou elétrico), uma sonda de percussão munida de válvula em sua extremidade inferior, para a retirada de terra, um soquete com aproximadamente 300 kg, tubulação de aço com elementos de 2 a 3 metros de comprimento, rosqueáveis entre si, um guincho manual para retirada da tubulação, além de roldanas, cabos de aço e ferramentas. A Figura 7.11 mostra os equipamentos utilizados para a execução das estacas do tipo Strauss. Figura 7.11 – Etapas de execução das estacas tipo Strauss A estaca tipo Strauss apresenta a vantagem de leveza e simplicidade do equipamento, o que possibilita a sua utilização em locais confinados, em terrenos acidentados ou ainda no interior de construções existentes, com o pé direito reduzido. Outra vantagem operacional é de o processo não causa vibrações que poderiam provocar danos nas edificações vizinhas ou instalações que se encontre em situação relativamente precária. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES e) Estacas tipo hélice contínua Tipo de fundação profunda constituída por concreto moldado in loco, executada por meio de trado contínuo e injeção de concreto, sob pressão controlada, através da haste central do trado simultaneamente a sua retirada do terreno. A Figura 7.12 mostra o equipamento empregado para execução das estacas do tipo hélice contínua. Figura 7.12 – Estaca do tipo hélice contínua Fonte: http://rochaabreu.blogspot.com.br As fases de execução das estacas tipo hélice contínua estão ilustradas esquematicamente na Figura 7.13, que também apresenta uma breve descrição para cada uma delas. Figura 7.13 – Etapas de execução para estaca do tipo hélice contínua CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Dentre as principais vantagens deste tipo de estaca destacam-se a elevada produtividade, promovida pela versatilidade de equipamento, que por sua vez leva à economia devido à redução dos cronogramas de obra, pode ser executada na maior parte dos maciços de solo, exceto quando ocorrem matacões e rochas, não produz distúrbios e vibrações típicos dos equipamentos a percussão, controle de qualidade dos serviços executados, além de não causar a descompressão do terreno durante a sua execução. As principais desvantagens estão relacionadas ao porte do equipamento, que necessita de áreas planas e de fácil movimentação, pela sua produtividade exige central de concreto no canteiro de obras, e pelo seu custo é necessário um número mínimo de estacas a se executar para compensar o custo com a mobilização do equipamento. f) Estacas injetadas Tipo de fundação profunda executada através de injeção sob pressão de produto aglutinante, normalmente calda de cimento ou argamassa de cimento e areia, com o objetivo de garantir a integridade do fuste ou aumentar a resistência por atrito lateral, de ponta, ou de ambas. A injeção do produto aglutinante pode ser feita durante, ou após a instalação da estaca. Segundo Hachich et al. (1998), as estacas injetadas diferem dos demais tipos por poderem ser executadas com maiores inclinações (0º a 90º), apresentar resistência de fuste bastante superior, se comparada aos demais tipos de estaca com mesmos diâmetros, e resistir a esforços de compressão e tração, desde que convenientemente armadas, com a mesma eficiência, pelo fato de resistir à carga de trabalho praticamente apenas por atrito lateral. Dentre as suas aplicações podem ser citadas: estabilização de encostas, reforço de fundações, execução de fundações em terrenos com blocos de rocha ou antigas fundações, execução de fundações em alto mar (“offshore”), etc. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Em função do processo de injeção do agente aglutinante, as estacas injetadas são normalmente divididas em dois grupos: Estacas-raiz: são aquelas em que se aplicam injeções de ar comprimido, a baixas pressões (inferiores a 5,0 MPa), imediatamente após a moldagem do fuste e no topo do mesmo, simultaneamente com a remoção do revestimento; Microestacas: as injeções são realizadas empregando-se válvulas tipo “manchete” instaladas nas escavações previamente realizadas. O procedimento de execução das estacas-raiz compreende fundamentalmente quatro etapas, mostradas esquematicamente na Figura 7.14: 1. Perfuração do terreno auxiliada por circulação de água; 2. Instalação da armadura; 3. Preenchimento do furo com argamassa: o tubo de injeção (geralmente PVC de 1 ½” ou de 1 ¼“) é levado até o finalda perfuração, e posteriormente é feita a injeção, de baixo para cima, da argamassa ou calda de cimento, até que extravase pela boca do tubo de revestimento; 4. Aplicação de golpes de ar comprimido e remoção do tubo de revestimento: Vedação da extremidade superior do tubo de revestimento com um tampão metálico rosqueável ligado a um compresso de ar; Aplicação dos golpes de ar comprimido auxiliada por macacos hidráulicos; Remoção simultânea dos tubos de revestimento à medida que são aplicados os golpes de ar comprimido à argamassa existente no interior da perfuração realizada; Correção do nível de argamassa no interior da perfuração; Repetição das operações de retirada e aplicação dos golpes de ar comprimidos. Figura 7.14 – Etapas de execução para estaca raiz A execução das microestacas compreende basicamente as seguintes etapas, esquematicamente mostradas na Figura 7.15: CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES 1. Perfuração auxiliada por circulação de água: feita de forma similar ao descrito anteriormente para as estacas-raiz; 2. Instalação do tubo-manchete: tubo de PVC ou aço no qual são instaladas as válvulas do tipo “manchete” usadas para injeção da calda de cimento, ou argamassa de cimento e areia, conforme for o caso; 3. Execução da bainha: preenchimento da região interna ao tubo de revestimento e externa ao tubo-manchete, com argamassa cimento e areia, ou calda de cimento, conforme for o caso, e que ocorre simultaneamente com a retirada do tubo de revestimento; 4. Injeção da calda de cimento: feita com o auxílio de um tubo dotado de obturador duplo acoplado a um misturador e bomba de injeção, sendo, em geral, iniciada após a bainha ter concluído a pega e iniciado o endurecimento (aproximadamente 12 horas da execução da bainha), e realizada no sentido ascendente, passando-se para a válvula superior quando comprovado que a injeção da válvula inferior já promoveu a suficiente deformação do solo. 5. Vedação do tubo-manchete: preenchimento do tubo manchete com calda de cimento ou com argamassa, podendo-se ou não, complementar a armadura existente. Figura 7.15 – Etapas de execução de microestacas g) Estacas pré-moldadas As estacas pré-moldadas caracterizam-se por serem cravadas no terreno por percussão, prensagem ou vibração, podendo ser constituídas por um único elemento estrutural ou pela associação de dois desses materiais, quando será então denominada de estaca mista. Pela natureza do processo executivo este tipo de estacas classifica-se como estacas de grande deslocamento. As estacas pré-moldadas são ainda subdivididas, conforme o material empregado na sua execução, em: Estacas de concreto: Podem ser de concreto centrifugado ou protendido; Exigem controle tecnológico na sua fabricação; CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Não é recomendado o seu uso em terrenos com matacões ou camadas pedregulhosas; Exige cuidados adicionais durante o transporte; Deve ser feita a verificação de sua integridade antes da sua cravação; A Figura 7.16a mostra esquematicamente os equipamentos usados para a cravação de estacas pré-moldadas de concreto, enquanto que a 7.16b mostra estacas pré-moldadas de concreto sendo executadas. Figura 7.16 – Equipamentos de cravação de estacas pré-moldadas de concreto Estacas de madeira: Devem ser de madeira dura, resistente, em peças retas, roliças e descascadas; O diâmetro da seção pode variar de 18 a 35 cm e o comprimento de 5,0 a 8,0 m; Durante a cravação, as cabeças das estacas devem ser protegidas por um anel cilíndrico de aço destinado a evitar o rompimento ou desgaste da madeira sob a ação do pilão, e se a estaca tiver que atravessar camadas resistentes, as pontas devem também ser protegidas por ponteiras de aço; (a) (b) CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Apresenta vida útil praticamente ilimitada quando mantida permanentemente abaixo do nível d’água; Deve receber tratamento para evitar o apodrecimento precoce e o ataque de insetos; As madeiras mais utilizadas são os eucaliptos, peroba do campo, maçaranduba, aroeira, etc; Na Figura 7.17 observa-se que foram utilizadas estacas de madeira para a fundação de um apartamento pertencente a pousada Barra Grande Kite Camp localizada em Parnaíba. Figura 7.17 – Fundação com estacas de madeira Fonte: http://www.barragrandekitecamp.com.br Estacas metálicas: Apresentam elevada capacidade de suporte, podendo ser utilizadas em solos muito resistentes; São executadas com grande rapidez; As perturbações produzidas no solo durante o processo de cravação são inferiores àquelas produzidas durante a cravação das estacas de concreto e madeira; Devem ser tomados cuidados adicionais na soldagem dos perfis constituintes de uma mesma estaca, de forma a se garantir uma união eficiente; Figura 7.17 – Cravação de estacas metálicas CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Fonte: http://www.solofix.com.br 7.2.2 Fundações por Tubulões Os tubulões são elementos estruturais de fundação profundas, geralmente dotados de uma base alargada (Figura 7.18), construídos concretando-se um poço revestido ou não, aberto no terreno com um tubo de diâmetro mínimo de 70 cm de modo a permitir a entrada e o movimento do operador, pelo menos na sua etapa final, para completar a geometria da escavação e também realizar a limpeza do solo. Figura 7.18 – Tubulão a céu aberto com base alargada Divide-se em dois tipos básicos: os tubulões a céu aberto, normalmente sem revestimento e não armados, no caso de existir somente carga vertical, e os tubulões a ar comprimido ou pneumáticos, que são sempre revestidos, podendo esse revestimento ser constituído de uma camisa de concreto armado ou uma camisa de aço metálica. Neste último caso, a camisa de aço pode ser recuperada ou não. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES O fuste dos tubulões é sempre cilíndrico enquanto que a base poderá ser circular ou em forma de falsa elipse (Figura 7.19). Deve-se evitar trabalho simultâneo em bases alargadas de tubulões, cuja distância entre centros seja inferior a duas vezes o diâmetro ou dimensão da maior base, principalmente em tubulões a ar comprimido. Figura 7.19 – Tubulões a céu aberto de seção circular e falsa elipse a) Tubulão a céu aberto Os tubulões a céu aberto são normalmente executados acima do nível d’água natural ou rebaixado, e, em casos especiais, em terrenos saturados onde seja possível bombear a água sem riscos de desmoronamento. No caso do carregamento atuar apenas na direção vertical não há necessidade de se armar o tubulão, sendo necessário, neste caso, apenas uma ferragem de topo para a ligação do mesmo com o bloco de coroamento, conforme mostra a Figura 7.20. Figura 7.20 – Tubulão a céu aberto Os procedimentos realizados para a execução do tubulão a céu aberto são os seguintes: 1. Inicia-se a escavação do poço até a cota especificada em projeto. No caso de escavação manual usa-se pá, balde e um sarrilho para a retirada de terra (Figuras 7.21a e 7.21b). Nas obras com perfuração mecânica o aparelho rotativo acoplado a um caminhão retira a terra. 2. Se na fase de escavação ocorrer a presença de água, a execução da perfuração manual se fará com um bombeamento simultâneo da água acumulada no poço. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES 3. Poderá ocorrer, ainda, que alguma camada do solo não resista à perfuração e desmorone (no caso de solos arenosos). Então, será necessário o encamisamento da peça ao longo dessas camadas. Isto poderá ser feito através de tubos de concreto com o diâmetro interno igual ao diâmetro do fuste do tubulão. 4. Faz-se o alargamento da base de acordo com as dimensões do projeto. 5. Verificação das dimensões do poço, como: profundidade, alargamento da base e o tipo de solo na base. Certifica-se, também, se os poços estão limpos. 6. A concretagem é feita lançando-se o concreto dasuperfície (diretamente do caminhão betoneira, em caso de utilização do concreto usinado) através de um funil (tremonha), com o comprimento da ordem de 5 vezes seu diâmetro, de modo a evitar que o concreto bata nas paredes do tubulão e se misture com o solo, prejudicando a concretagem (Figura 7.21c). O concreto se espalhará pela base pelo próprio impacto de sua descarga, porém, durante a concretagem, é conveniente sua interrupção de vez em quando e descer para espalhá-lo, de modo a evitar que fiquem vazios na massa de concreto. 7. Colocação da armadura, se necessário (Figura 7.21d). Figura 7.21 – Etapas de execução do tubulão a céu aberto b) Tubulão a ar comprimido CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Os tubulões a ar comprimido, com camisa de concreto, ou de aço, são utilizados quando se deseja executar tubulões em solos onde haja água e não seja possível o seu esgotamento devido ao perigo de desmoronamento das paredes da escavação. Neste tipo de tubulão, a pressão máxima de ar comprimido empregada é de 3,4 atm (340 kPa, ou aproximadamente 34 mca), razão pela qual estes tubulões têm sua profundidade limitada a aproximadamente 30 m abaixo do nível d’água. É importante ressaltar que no caso de utilização de ar comprimido, em qualquer etapa de execução dos tubulões, deve-se observar que o equipamento deve permitir que se atendam rigorosamente os tempos de compressão e descompressão prescritos pela boa técnica e pela legislação vigente, só se admitindo trabalhos sobre pressões superiores a 150 kPa quando as seguintes providências forem tomadas (Hachich et al., 1998): Equipe permanente de socorro médico à disposição da obra; Câmara de descompressão equipada disponível na obra; Compressores e reservatórios de ar comprimido de reserva; Renovação de ar garantida, sendo o ar injetado satisfatório para o trabalho humano. No caso de tubulões com camisa de concreto, as etapas construtivas estão descritas logo a seguir, conforme ilustra a Figura 7.22. Figura 7.22 – Etapas construtivas do tubulão a ar comprimido Fonte: http://infraestruturaurbana.pini.com.br 1. Os serviços são iniciados com a terraplenagem do local. Em seguida, é feita uma escavação preliminar, a céu aberto, onde se executa um poço (geralmente entre 1,5 m CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES e 2 m de profundidade) de apoio ao assentamento das fôrmas. As escavações para executar o tubulão podem ser feitas manualmente ou mecanicamente, com um trado mecânico. 2. No poço primário, é montada uma fôrma circular (metálica ou de madeira) em volta da qual é armada a ferragem do tubulão. Concluída a armação, é instalada uma fôrma circular externa. Os diâmetros variam conforme o projeto. O comprimento desse primeiro segmento costuma ser em torno de 4 m (cerca de metade dentro do poço e metade acima do nível do terreno). 3. É feita a concretagem da camisa (espaço entre as fôrmas interna e externa). Após a concretagem e a cura do concreto, faz-se a desenforma interna e externa. Na extremidade superior da camisa de concreto são fixados chumbadores para acoplar a campânula usada para comprimir o ar. 4. Com o primeiro segmento tubular concretado, é montada a campânula sobre o tubulão em execução. A partir daí, os trabalhos de escavação são feitos sob ar comprimido, avançando normalmente em trechos de 1 m a 1,5 m. A campânula é retirada para concretagem de novos segmentos do tubulão - cada segmento é executado com a mesma composição de armação e de fôrmas internas e externas. A sequência concretagem-escavação-concretagem é repetida até que se atinja a profundidade prevista em projeto ou determinada pela inspeção. 5. A campânula é composta de várias peças, as quais são presas umas as outras através de parafusos, porcas, arruelas e vedações. Uma vez montada, a câmara é pressurizada com compressores. Ela também tem função de segurança para os profissionais: é pela câmara que os operários passam pelo processo de compressão e descompressão para poderem trabalhar sob ar comprimido. 6. Ao atingir a cota de assentamento do tubulão, é feita a inspeção do terreno. Caso a exigência (de capacidade de carga, de resistência, entre outros fatores) seja atendida, pode-se então expandir a base. Na maioria dos casos, usa-se base alargada para melhor aproveitamento da capacidade resistente do terreno. Após o alargamento, uma nova vistoria é feita para conferir as dimensões e verificar a armadura da base. Por fim, é feito o preenchimento com concreto, sem remoção da campânula. 7. O concreto é introduzido na campânula por meio do "cachimbo" de concretagem. Após o preenchimento da base, a execução do tubulão é encerrada. Ele deve permanecer comprimido durante seis horas após a concretagem da base. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES 7.3 Procedimentos Gerais de Projeto Os blocos de fundação devem ser dimensionados, ou seja, devem ter dimensões tais que as tensões de tração geradas sejam totalmente resistidas pelo próprio concreto. O dimensionamento dos blocos consiste na definição das suas dimensões em planta e da sua altura, conforme mostrado na Figura 7.23. Figura 7.23 Para que as tensões geradas sejam resistidas pelo concreto, o bloco deve apresentar a altura h, calculada pela expressão apresentada na Figura 3.2 em função do valor de a, e do ângulo α, obtido a partir da Figura7.24 apresentada a seguir, em função da relação 𝜎 𝜎 Figura 7.24 CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES sendo, σ s : tensão máxima que pode ser transmitida ao solo; σ t : resistência à tração do concreto; f ck :resistência característica do concreto aos 28 dias; P pilar : carga do pilar; P próprio : peso próprio do bloco; A base : área da base do bloco; O projeto de sapatas isoladas consiste inicialmente na definição da área da base necessária para transmitir ao solo as tensões (𝜎 ) que este possa suportar sem sofrer recalques excessivos, nem atingir a ruptura. Desta forma a área da base, em função dos parâmetros já definidos anteriormente pode ser calculada como: Segundo Alonso (2001), a partir do conhecimento da área da base da sapata procede-se à determinação das suas dimensões em planta, levando-se em consideração: a) O centro de gravidade da sapata deve coincidir com o centro de carga do pilar, no caso de a sapata estar submetida apenas a cargas verticais; b) A sapata não deverá ter nenhuma dimensão menor que 0,6 m; c) Sempre que possível, as dimensões da sapata devem ser escolhidas condicionando a forma da sapata à forma do pilar, ou de modo que a relação entre a e b, mostradas na Figura 3.4, esteja entre 2,0 e 2,5; d) A sapata apresente o mesmo balanço nas duas direções, ou seja, o valor de d; Figura 7.25 𝜎 = 𝑃 + 𝑃 ó 𝐴 𝜎 = 𝜎 = 0,8𝑀𝑃𝑎 𝐴 = 𝑃 + 𝑃 ó 𝜎 CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Desta forma podem ocorrer as seguintes situações: a) Pilar de seção quadrada: a sapata mais indicada será com base quadrada; b) Pilar de seção transversal retangular: a base da sapata será também retangular, preservando as seguintes relações: c) Pilar de seção em forma de U, L, Z, etc: deve-se substituir o pilar real por um outro fictício de forma retangular circunscrito ao mesmo e que tenha o seu centro de gravidade coincidente com o centro de carga do pilar real. Tensão Admissível dos Solos A capacidade de carga de uma fundação é definida como a tensão transmitida pelo elemento de fundação capaz de provocar a ruptura do solo ou a sua deformação excessiva. A capacidade de carga das fundações depende de uma série de variáveis, como por exemplo, das dimensões do elemento de fundação, da profundidade de assentamento, das características dos solos, etc. Segundo a NBR 6122/1996, a capacidade de carga dos solos pode ser calculada por vários métodos, destacando-se: Provas de carga sobre placas, cujos resultados devem ser interpretadoslevando-se em consideração as relações de comportamento entre a placa e a fundação real; Métodos teóricos, como as formulações clássicas desenvolvidas por Terzaghi (1943), Meyehof (1963), Vésic (1974), etc., que são baseadas principalmente nas propriedades de resistência ao cisalhamento e compressibilidade dos solos; Métodos empíricos, nos quais a capacidade de carga é obtida com base na descrição das condições do terreno e em tabelas de tensões básicas; Métodos semi-empíricos: aqueles em que as propriedades dos materiais são estimadas por meio de correlações e são usadas em teorias da Mecânica dos Solos. De acordo com a NBR 6122/1996, a tensão admissível de uma fundação direta é a tensão aplicada ao solo que provoca apenas recalques que a construção pode suportar sem inconvenientes, oferecendo segurança satisfatória contra a ruptura ou o escoamento do solo ou do elemento estrutural, podendo ser obtida segundo duas filosofias de projeto diferentes: a) Aplicando-se um fator de segurança global à capacidade de carga obtida por qualquer um dos métodos citados anteriormente. Neste caso, o valor deste fator de segurança depende da precisão da metodologia empregada para o cálculo da capacidade de carga, sendo normalmente, definida pelo seu autor em função das incertezas envolvidas (estimativas dos carregamentos, propriedades dos solos, etc); b) Pela aplicação dos fatores de segurança parciais, definidos na Tabela 2.2 apresentada anteriormente, aos parâmetros de resistência do maciço de solos (Cintra et al., 2003). Neste caso, a tensão admissível é igual ao valor da capacidade de carga obtida por qualquer método a partir dos parâmetros de resistência do solo empregados. a – b = a 0 – b 0 a – a 0 = 2d b – b 0 = 2d CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Prova de Carga (Ensaio de Placa) - Tentar reproduzir, no campo, o comportamento da fundação direta sob a ação das cargas que lhe serão impostas pela estrutura; - Para isso, transmite-se uma determinada pressão ao maciço de solo por meio de uma placa rígida de ferro fundido com diâmetro de 80 cm; - Esta placa é carregada por meio de um macaco hidráulico que reage contra um sistema de reação qualquer; - Com base no valor da pressão aplicada, que é lida em um manômetro acoplado ao macaco hidráulico, e no recalque medido traça-se a curva pressão x recalque; CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES - O solo pode apresentar duas formas de ruptura distintas: a ruptura geral, e a ruptura global; - Vários são as metodologias para a interpretação da curva pressão x recalque e a determinação da tensão de ruptura, ou da capacidade de carga; - Destaca-se o processo gráfico de Van der Veen, extrapolação da curva (função exponencial); - A tensão admissível pode ser obtida a partir do ensaio de placa através das seguintes expressões: Ruptura geral: Ruptura local: Método Teórico: TERZAGHI (1943) Principais hipóteses: - Comprimento L do elemento de fundação bem maior que a largura B (L/B > 5); - Profundidade de assentamento inferior à largura da sapata (h ≤ B); - O maciço caracteriza-se por apresentar ruptura generalizada; - Região I: cunha imediatamente abaixo da fundação, onde a superfície de ruptura apresenta um trecho reto; CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES - Região II: caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar a forma de uma espiral logarítmica, e estar submetida a um estado de tensões passivas de Rankine; - Região III: caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar um trecho reto, e pela cunha formada também estar submetida a um estado de tensões passivas de Rankine. - A capacidade de carga é dada por: onde: c: coesão efetiva dos solos; γ: peso específico dos solos; q: tensão efetiva do solo na cota de apoio da fundação; Nc, Nγ, Nq: fatores de carga obtidos em função do ângulo de atrito do solo na Figura; Sc, Sγ, Sq: fatores de forma, obtidos na Tabela; CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Métodos Semi-empíricos A NBR 6122/2010 afirma que os métodos semi-empíricos relacionam resultados de ensaios SPT, com tensões admissíveis ou tensões resistentes de projeto. a) Terzaghi e Peck (1967) propuseram que a tensão admissível do solo pode ser correlacionada com o número de golpes do ensaio SPT (N) e com a menor dimensão da sapata (B em m). Por conseguinte, utiliza-se a seguinte equação: b) Meyerhof (1965) propôs uma equação para obtenção da tensão admissível a partir do recalque admissível (em mm) e da menor dimensão da sapata (B em m), como estará exposto a seguir: c) Teixeira (1996) propôs a seguinte equação para obtenção da tensão admissível do solo (B em metros): CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES Exercícios Propostos: 1. (Alonso, 1983) Dimensionar um bloco de fundação confeccionado com concreto com fck = 15 MPa para suportar uma carga de 1700 kN aplicada por um pilar de 35 x 60 cm, e apoiado num solo com tensão admissível igual a 0,4 MPa. Despreze o peso próprio do bloco. 2. (Alonso, 1983) Determinar o diâmetro de uma sapata circular submetida a uma carga vertical de 550 kN usando a teoria de Terzaghi, com fator de segurança global igual 3,0, considerando que a mesma encontra-se assentada a cota de -1,20 m em relação à superfície, sobre um maciço de solo arenoso homogêneo com ângulo de atrito interno igual a 33º e peso específico igual a 17,5 kN/m³, sem a presença de água. 3. Para a situação exibida na figura abaixo, considerando a sapata com largura igual a 9,0 m, determine a cota de assentamento h. 4. Utilizando o método Aoki e Velloso e Decourt e Quaresma calcular a carga admissível de uma estaca do tipo Franki, com diâmetro do fuste de 40 cm e volume da base V = 180 litros. O comprimento da estaca e as características geotécnicas do solo estão na Fig. E4 5. Com os dados abaixo (Figura E5), calcular a carga admissível de uma estaca pré-moldada com diâmetro de 40 cm, usando o método de Aoki e Velloso e Decourt e Quaresma. 6. Dimensione as seguintes estacas para transmitir a carga de 800 kN, proveniente de um pilar de (30 x 60) cm a um maciço de solo caracterizado pelo perfil apresentado na Figura E6. Faça este dimensionamento para os seguintes tipos de fundação profunda: a) Estaca tipo broca; b) Estaca tipo Strauss; b) Estaca pré-moldada de concreto. CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES CAPÍTULO 7 – FUNDAÇÕES