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GEOGRAFIA DO MARANHÃO Localização e Aspectos Físicos Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 1 Sumário 1. LOCALIZAÇÃO DO MARANHÃO .................................................................................................................................. 2 1.1 Introdução ....................................................................................................................................................................2 1.2 Localização do Estado do Maranhão ........................................................................................................................2 Limites e suas fronteiras naturais ............................................................................................................................2 Pontos Extremos ........................................................................................................................................................ 4 Forma ou Configuração ..............................................................................................................................................6 1.3 Divisão Política............................................................................................................................................................ 7 Projeto de Divisão do Maranhão: Maranhão x Maranhão do Sul ........................................................................... 10 2. MARANHÃO: ASPECTOS FÍSICOS ............................................................................................................................. 11 2.1 Estrutura Geológica ................................................................................................................................................... 11 2.2 Recursos Minerais .................................................................................................................................................... 13 2.3 Aspectos Geomorfológicos ..................................................................................................................................... 13 Centro-Norte: Predomínio de Planícies................................................................................................................... 16 Centro-Sul: Predomínio de Planalto ........................................................................................................................ 16 2.4 Clima Maranhense ................................................................................................................................................... 17 Classificação Climática ............................................................................................................................................ 17 Tipos Climáticos no Maranhão ................................................................................................................................. 18 2.5 Vegetação Maranhense .......................................................................................................................................... 22 Principais Tipos de Coberturas Vegetais .............................................................................................................. 23 Unidades de Conservação ....................................................................................................................................... 26 Áreas de Proteção Ambiental (APA) e Parques Nacionais ................................................................................... 28 2.6 Hidrografia Maranhense ......................................................................................................................................... 30 Principais Bacias Hidrográficas do Maranhão ...................................................................................................... 32 2.7 Litoral Maranhense .................................................................................................................................................. 41 Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 2 1. LOCALIZAÇÃO DO MARANHÃO 1.1 INTRODUÇÃO Geralmente as provas de concursos que abordam Geografia do Maranhão são simples e exigem um domínio geral do conteúdo, cobrando do candidato uma grande capacidade analítica das proposições e da linguagem escrita e não escrita como tabelas e mapas, que tradicionalmente colocam em todos os exames. Assim, trataremos dos principais tópicos da disciplina com o aprofundamento necessário para acertar todas as questões. Trabalharemos também com questões comentadas ao final do conteúdo teórico. 1.2 LOCALIZAÇÃO DO ESTADO DO MARANHÃO O Estado do Maranhão está localizado na região Nordeste do Brasil, entre os paralelos 1°01” e 10°21” de latitude sul e os meridianos 41°48” e 48°50” de longitude oeste. É o segundo maior estado do Nordeste, depois da Bahia, com uma extensão territorial de 331.983 km², suas dimensões territoriais, corresponde aproximadamente a 4% do terri- tório brasileiro e 18% do tamanho do Nordeste. Situa-se numa faixa transacional entre a Amazônia quente e úmida da região Norte e o sertão quente e seco nordestino. É o único estado do Nordeste brasileiro que compõem a Ama- zônia Legal. Limites e suas fronteiras naturais As divisas do Maranhão são estabelecidas de forma marítima (com o Oceano Atlântico) e terrestre (com rios, serras e chapadas). Ocorre o predomínio de divisas terrestres, com destaque para os rios (fluviais). O Estado do Maranhão possui as seguintes fronteiras: - Ao Norte: Oceano Atlântico - Ao Sul: O Estado do Tocantins (Rios Tocantins e Manuel Alves Grande) - A Oeste: O Estado do Pará (Rio Gurupi) - A Leste: O Estado do Piauí (Rio Parnaíba) Observe melhor esses limites no mapa abaixo. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 3 Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 4 Pontos Extremos Pontos extremos são as localidades que se encontram nas extremidades do Estado do Maranhão. Assim, temos: - Ao Norte: Foz do Rio Gurupi, na baía do Gurupi; cerca de 1 grau LS. Ponta do Tacundeo ou Ponta do Bacanga (Município de Carutapera) - Ao Sul: Nascente do Rio Parnaíba ou nascente do Rio Águas Quentes; cerca de 10 graus LS. Município de Alto Parnaíba (MA) e Chapada das Mangabeiras em Mateiros (TO) - A Leste: Foz do Rio Parnaíba; cerca de 41 graus LnW. Convexidade mais Oriental do Rio Parnaíba – Município de Araioses (MA) - A Oeste: Confluência do Rio Araguaia com o Rio Tocantins em São Pedro da Água Branca (MA), cerca de 48 graus LnW. O Estado é quase uma ilha flúvio-marinha, pois apenas em trechos com o Tocantins e o Pará não têm limites com águas: Chapada das Mangabeiras e Serra do Gurupi. E o espaço geográfico do Maranhão é integralmente habitável (ecúmeno), pois não temos geleiras, desertos, altas montanhas etc. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 5 O Maranhão tem a sua porção oeste dentro da Amazônia oriental, sendo parte integrante do Programa Grande Carajás (junto com o Pará e Tocantins).Além disso, o Estado está situado no 2.º fuso do Brasil (45º LNW – HOB – Horário Oficial do Brasil – Brasília), estando 3 horas atrasadas em relação ao horário do GMT (Greenwich). Através dos seus pontos extremos podemos obter a sua localização em relação ao Equador (latitude) e ao meridiano de Greenwich (longitude). Localizando a Ilha do Maranhão ou Upaon-Açu) A ilha do Maranhão tem 1.543 km2, sendo que mais da metade faz parte do Município de São Luís. É uma ilha costeira no litoral norte do Brasil, banhada pelo Atlântico Sul, estando situada no Golfão Maranhense entre a Baía de São Marcos (Oeste) e Baía de São José (Leste), Estreito dos Mosquitos e Baía do Arraial (Sul) e Atlântico/praias (Norte). Tem 4 municípios: São Luís (1), São José de Ribamar (2), Paço do Lumiar (3) e a Raposa (4 – desmembrada de Paço do Lumiar em meados da década de 90). Faz parte da mesorregião do norte maranhense e da microrregião da aglomeração urbana de São Luís. A Nordestinação do Maranhão Amazônico O Maranhão Amazônico vem sendo nordestinizado, principalmente nas áreas de fronteira agrícola do Oeste do Estado, com a grande imigração de nordestinos, desmatamentos, transformações da paisagem arbórea em Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 6 arbustiva, assoreamento e evaporação dos rios, introdução da agricultura comercial, etc. Alcântara: Boa Localização para o Lançamento de Foguetes A posição do MA próximo ao Equador, com grande velocidade de rotação e força centrífuga, facilita o lançamento de foguetes. Daí a construção do CLA: Centro de Lançamento de Alcântara. Por que lançar satélites de Alcântara em vez do Cabo Canaveral (EUA)? O principal motivo é que o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, está a apenas 2° a sul do Equador. Enquanto a base do Cabo Canaveral, EUA, fica 28° ao norte. Isso faz com que alguns tipos de satélites sejam facilmente posicionados num plano de órbita ideal, ou seja, paralelo à Linha do Equador. Quando lança- dos a partir do Cabo Canaveral, na Flórida, são necessárias várias manobras e um percurso maior para que eles alcancem a órbita correta, o que consome mais combustível. Esses satélites levam vários instrumentos e são muito pesados: em média, entre 1 e 4 toneladas. Se lançados a partir de Alcântara, e usando hidrazina, o peso do combustível equivale a cerca de 2% do total de toneladas do satélite. A partir do Cabo Canaveral, sobe para 24%. (Fonte: Hélio K. Kuga e Valdemir Carrara, engenheiros do Inpe) Forma ou Configuração O Estado do Maranhão possui uma configuração de um Trapézio em função do processo histórico de ocupação do território, com a implantação das atividades econômicas. Nesse processo, podemos identificar três vertentes migratórias a saber: As principais correntes migratórias: - A Corrente Litorânea: Ao longo do litoral ocidental e oriental, nos vales dos rios Itapecuru, Mearim e Pindaré, entre os séculos entre XVII e XIX, com interiorização da cultura do algodão, Cana-de-Açúcar e do Arroz. - A Corrente da Pecuária: Criadores oriundos do caminho do São Francisco, chegaram ao Maranhão na região de Pastos Bons, ao Sul, e ramificou-se por quase todo território maranhense, a partir do século XVII. - A Corrente da Seca ou Sertaneja: Um caminho mais recente – ao longo da primeira metade do século XX – em função das estiagens sertanejas e o declínio da economia da borracha na porção extremo- ocidental do norte brasileiro, a “opção” passou a ser o caminho para o oeste maranhense. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 7 1.3 DIVISÃO POLÍTICA O IBGE coloca o Brasil como um país formado por 5 macrorregiões (Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste). Cada macrorregião é formada por um conjunto de unidades políticas (Estados). Cada Estado é dividido em mesorre- giões (tamanho médio), que são subdivididas em microrregiões (tamanho pequeno), que são formadas por municí- pios. Os municípios maranhenses estão distribuídos em cinco mesorregiões geográficas – Norte Maranhense, Oeste Maranhense, Centro Maranhense, Leste Maranhense e Sul Maranhense –, em 21 Microrregiões Geográficas e 217 mu- nicípios conforme o IBGE. Observe abaixo onde estão essas regiões: Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 8 Melhor explicando essas regiões, temos: 1. Mesorregião Norte Maranhense - É formada pela união de 60 municípios, agrupado em seis microrregiões, a sa- ber: Aglomeração Urbana de São Luís, Baixada Maranhense, Itapecuru Mirim, Lençóis Maranhenses, Litoral Oci- dental Maranhense e Rosário. 2. Mesorregião Sul Maranhense - É formada pela união de 19 municípios, agrupado em três microrregiões, a saber: Chapadas das Mangabeiras, Gerais de Balsas e Porto Franco. 3. Mesorregião Leste Maranhense - É formada pela união de 44 municípios, agrupado em seis microrregiões, a sa- ber: Baixo Parnaíba Maranhense, Caxias, Chapadas do Alto Itapecuru, Chapadinha, Codó e Coelho Neto. 4. Mesorregião Oeste Maranhense - É composta por 52 municípios, agrupado em três microrregiões, conforme se- gue: Gurupi, Imperatriz e Pindaré. 5. Mesorregião Centro Maranhense - É formada pela união de 42 municípios, agrupado em três microrregiões, a saber: Alto Mearim, Grajaú, Médio Mearim e Presidente Dutra. Regionalização geoeconômica Geoeconomicamente, o MA é um Estado de transição, sendo nordestino (2 – leste do meridiano 44ºLNW) e predo- minantemente amazônico (1 – Oeste do meridiano 44ºLNW). Área 1 – Atuação da Sudam e Sudene. Área 2 – Atuação da Sudene Atualmente o Estado do Maranhão está dividido em 32 regiões de planejamento, conforme o mapa disponibilizado na Secretaria de Planejamento: Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 9 01 - Região da Baixada Maranhense 02 - Região da Chapada das Mesas 03 - Região da Ilha do Maranhão 04 - Região da Pré-Amazônia 05 - Região das Serras 06 - Região do Alpercatas 07 - Região do Alto Munim 08 - Região do Alto Turi 09 - Região do Baixo Balsas 10 - Região do Baixo Itapecuru 11 - Região do Baixo Munim 12 - Região do Baixo Turi 13 - Região do Delta do Parnaíba 14 - Região do Flores 15 - Região do Gurupi 16 - Região do Litoral Ocidental 17 - Região do Mearim 18 - Região do Médio Mearim 19 - Região do Médio Parnaíba 20 - Região do Pericumã 21 - Região do Pindaré 22 - Região do Sertão Maranhense 23 - Região do Tocantins 24 - Região dos Carajás 25 - Região dos Cocais 26 - Região dos Eixos Rodoferroviários 27 - Região dos Gerais de Balsas 28 - Região dos Guajajaras 29 - Região dos Imigrantes 30 - Região dos Lagos 31 - Região dos Lençóis Maranhenses 32 - Região dos Timbiras Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 10 Projeto de Divisão do Maranhão: Maranhão x Maranhão do Sul Em 14 de agosto de 2019 foi protocolado o projeto de criação do estado do Maranhão do Sul. Se for aprovado, o Tribunal Regional do Maranhão realizaria um plebiscito para que a população maranhense decida pela divisão ou não do Estado. A ideia é dividir o Maranhão em dois por conta da diferença na colonizaçãoentre o norte e o sul do estado. O norte foi colonizado por imigrantes portugueses, franceses e holandeses, enquanto o sul abrigou principalmente nordestino. Região Nordeste Capital Imperatriz (Maranhão) Estados Limítrofes Pará (Noroeste), Piauí (Leste), Tocantins (Sudoeste), Maranhão (Norte) Municípios 49 Municípios População 1.361.728 habitantes (IBGE/2018) Densidade 9,25 hab/km² Área 146.272 km² Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 11 2. MARANHÃO: ASPECTOS FÍSICOS 2.1 ESTRUTURA GEOLÓGICA A litosfera ou crosta terrestre, é a camada sólida da Terra e apresenta uma espessura variada. A crosta terrestre é constituída por três grandes conjuntos de rochas magmáticas ou ígneas, sedimentares e metamórficas, denomi- nadas de estruturas geológicas que se movimentam, em forma de placas tectônicas, sobre magma pastoso na ca- mada intermediária da Terra. A Geologia de uma região é a base material para o desenvolvimento de toda e qualquer atividade humana, bem como se configura como “palco” para a articulação de todos os processos geoambientais possíveis. O território ma- ranhense possui uma formação geológica onde aproximadamente 90% do seu território está inserido nas bacias sedimentares de cobertura fanerozóica (Eras: Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico), enquanto uma pequena parcela, 10% do território, corresponde a terreno pré-cambriano, representados pelos fragmentos cratônicos de São Luís e o Cinturão Gurupi, compondo o embasamento aflorante no extremo noroeste do Estado. Por suas características geológicas, as bacias de coberturas sedimentares fanerozóicas hospedam minerais e rochas pertencentes às classes de minerais industriais de uso na construção civil, cerâmica, insumos para agricul- tura, gemas, recursos energéticos e água mineral/potável. Eras Períodos Ocorrências Cenozoica (70 milhões de anos aos dias atuais) Quaternário Terciário Formação do Litoral, Baixada, médio e baixo Grajaú e Pindaré Formação do nordeste e os interflúvios do oeste e ramificações do sul Mesozoica (135 milhões de anos) Cretáceo Jurássico Triássico Formação do centro, oeste, parte do norte, centro-leste e extremo-sul Formação do leste e sudoeste Formação do centro-sul e sudeste Paloezoica (600 a 270 milhões de anos) Permiano Carbonífero Formação de maiores altitudes do sul e leste nas bacias dos rios Bal- sas, Parnaíba e Manoel Alves Grande Formação de menores altitudes no sul e leste das bacias dos rios Bal- sas, Parnaíba e Manoel Alves Grande Arqueozoica e Proterozoica (2 bilhões de anos) Arqueano Algonqueano Formação do extremo noroeste com manifestação entre os baixos Mu- nim e Itapecuru Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 12 O relevo do Maranhão é muito antigo e, por isso mesmo, bastante desgastado, com ausência de dobramentos modernos. Apenas 10% dos terrenos são formados por escudos cristalinos ou maciços antigos. Esses terrenos cris- talinos ficam situados em duas regiões específicas: o Núcleo Gurupi, no oeste do estado, entre os rios Gurupi e Turi- açu, com ocorrência de resíduos auríferos, onde é praticada a garimpagem de ouro; e uma pequena região na parte oriental do Golfão Maranhense, apresentando ramificações cristalinas entre o baixo Munim e o baixo Itapecuru, con- forme destaca o mapa a seguir. O Maranhão está localizado no interior da placa Sul-americana, assim apresenta: - Praticamente não tem mais atuação dos agentes internos; - Ausência de dobramentos modernos; - Relevo de formação antiga; - Grande atuação dos agentes externos, com destaque para as águas correntes; - Relevo com modestas altitudes. - Relevo em declive no sentido sul-norte. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 13 2.2 RECURSOS MINERAIS A produção mineral do Maranhão, que hoje se resume praticamente à extração de areia, argilas, água mineral, calcário, caulim, gipsita, rochas britadas e cascalho, tem um enorme potencial para a produção de bauxita, ouro, areias industriais, zeólita e outros bens minerais, que dependem de pesquisas geológicas, como as que determina- mos fossem feitas, para ser melhor conhecidas e dimensionadas. A mineração é uma grande fonte de riqueza e instrumento de desenvolvimento econômico social em todo o mundo. O Maranhão, não obstante as evidências de que possui grandes recursos minerais em seu subsolo, não co- nhece suficientemente o setor. Vejamos abaixo quais são os principais recursos minerais do Estado. - Ouro: os depósitos e ocorrências de ouro concentram-se nos núcleos cristalinos do Pré-cambriano de São Luís e Gurupi, no norte e noroeste do estado do Maranhão, principalmente nos municípios de Godofredo Viana, Cândido Mendes, Luís Domingues, Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme. - Bauxita Ferrosa: o alumínio, metal tão amplamente usado nos dias de hoje devido as características como leveza, resistência, aparência, entre outras, tem como principal fonte a bauxita – mineral terroso e opaco – encontrado mais comumente em regiões de clima tropical e subtropical. No Maranhão, as reservas estão distribuídas na serra de Pirocaua (município de Godofredo Viana), Ilha Trauíria (município de Cândido Men- des), Itinga do Maranhão e Bom Jardim, no Noroeste e Oeste do Estado. - Calcário: o calcário é uma rocha sedimentar composta por carbonato de cálcio e magnésio, extraído de jazi- das e largamente utilizado na agricultura para neutralizar a acidez do solo. No Maranhão, as reservas estão diluídas pelo território maranhense, mas merece destaques as áreas dos municípios de Balsas, Codó, Impe- ratriz, Barra do Corda, Grajaú, Tuntum, Presidente Dutra e Caxias (Observação: A incorporação de calcário no solo tem o nome de calagem). - Gás Natural: o Maranhão inicia um novo ciclo no papel estratégico para a produção de energia no país. Devido as fontes de gás natural, o estado é considerado a nova fronteira de produção de energia. No estado, o nível atual das reservas é de 18,5 bilhões de metros cúbicos de gás, referentes aos campos já em produção. 2.3 ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS As diversas configurações existentes na superfície da terra são chamadas de relevo. As diversas formas de re- levo estão em permanente processo de destruição (erosão) e formação (acumulação), decorrente das forças endó- genas (agentes internos) e exógenas (agentes externos), que são as forças originadoras e modeladoras da geomor- fologia terrestre ao longo do processo de sedimentação – Erosão, transporte e acumulação. O território maranhense possui um conjunto de formas de relevo que combina um litoral – com a planície litorânea representada por extensas dunas e costões rochosos, as planícies fluviais ao longo dos seus rios –, com as formas Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 14 interioranas, com um relevo de planaltos e a depressão de Balsas. Da porção centro-sul do Maranhão, onde predomina as formas de planaltos – erodido pela ação dos elementos físicos da tropicalidade e principalmente pela erosão fluvial – para direção ao centro-norte, até litoral, há um declive resultante dos depósitos dos sedimentos fluvial e marinho. Com ausência de áreas montanhosas, o terreno maranhense é formado por grandes unidades morfológicas, deacordo com dois renomados geógrafos brasileiros: - Jurandyr Ross – O relevo maranhense é formado por planície/tabuleiros litorâneos e planaltos; - Aziz Nacib Ab'Saber – o relevo maranhense é formado essencialmente por planaltos (centro-sul) e planícies (centro-norte). Perfil do relevo maranhense A porção centro-sul do Maranhão (Planalto Maranhense), de acordo com as classificações do relevo existentes, estão agrupada: - De acordo com Aroldo de Azevedo, faz parte do Planalto central; - De acordo com Aziz Nacib Ab Saber, Faz parte do Planalto Meio Norte; - De acordo com Jurandir Ross, faz parte do Planalto e chapada sedimentar do Meio Norte O Planalto Maranhense, encontra-se dividido em: Planalto Meridional, Planalto Oriental, Planalto Ocidental e Pla- nalto Central. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 15 Relevo maranhense Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 16 Centro-Norte: Predomínio de Planícies 1. Área 1 - Planície Litorânea e Costeira: área de influência dos fluxos das marés, com a presença marcante das praias, mangues, dunas etc. A porção mais para o oeste(ocidente) destaca-se o mangue (rede hidrográfica rica e presença de algumas rias – curso fluvial invadido pelo mar), enquanto mais para o leste (oriente) sali- entam-se as dunas (rede hidrográfica pobre). 2. Área 2 - Planície Flúvio-marinha: ambiente deposicional sedimentar da baixada maranhense, caracterizada pelas inundações periódicas (período chuvoso) dos rios: Pericumã, Pindaré, Mearim e Grajaú. Destaca-se pela presença de lagos e campos. As áreas mais altas da baixada são os tesos, que ficam livres das inundações. 3. Área 3 - Planície Fluvial: corresponde ao curso médio dos rios Pindaré, Grajaú, Mearim e Itapecuru. Presença do solo de várzea, às margens dos rios, bom para o cultivo do arroz (rizicultura) Para a formação dos Lençóis Maranhenses (litoral oriental), em 11.000 anos, foi preciso a ação conjunta dos rios Preguiças, Parnaíba e Periá (transportam sedimentos para o mar), do mar (trazia, através de ondas e marés, os sedimentos de volta para o continente) e dos ventos (especialmente os alísios de Nordeste, que transportavam os sedimentos e os acumulavam, formando as dunas). Centro-Sul: Predomínio de Planalto A área planáltica do centro-sul do Estado tem predomínio de planalto (morfoestrutura com formas dissecadas – que sofrem erosão), possuindo importante papel para a rede de rios (hidrografia) do Maranhão. Vejamos: - Determina o sentido sul-norte dos nossos principais riso; - Funciona como centro dispersor de águas (nascentes de vários rios); - Suas serras e chapadas têm o papel de divisores de água (interflúvio), separando um rio do outro. 4. Área 4 - Pediplano Central: destaque para as serras Cinta, Negra, Branca, Alpercatas, Croeira e Itapecuru. Representa o nosso principal centro dispersor e divisor de águas (rios: Pindaré, Grajaú, Mearim e Itapecuru). 5. Área 5 - Planalto Ocidental (oeste): presença das serras do Gurupi, Tiracambu e Desordem (separam os rios Pindaré, Gurupi e Turiaçu). 6. Área 6 - Planalto Oriental (leste): destaque para a Serra do Valentim – divisor de águas entre os rios Itapecuru e Parnaíba. 7. Área 7 - Depressão do Balsas: onde temos a drenagem do rio Balsas, afluente do Parnaíba, entre o pediplano central e o planalto meridional maranhense. 8. Área 8 - Planalto Meridional (sul): Destaque para as serras do penitente, Chapada das Mangabeiras e do Gado Bravo, que separam os rios Manuel Alves Grande, Balsas e Parnaíba. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 17 2.4 CLIMA MARANHENSE Podemos afirmar que o clima vem ser um conjunto dos fenômenos meteorológicos (temperatura, pressão at- mosférica, ventos, precipitações) que caracterizam o estado médio da atmosfera e sua evolução num dado lugar. Sendo assim, as condições climáticas exercem um papel de destaque entre os fatos naturais que compõem o ambi- ente geográfico e neste sentido, o conhecimento do tipo climático de uma região é um importante subsídio para o planejamento de diversas atividades humanas. Observando a posição do Maranhão no globo, verificamos que o seu território está localizado numa área de baixa latitude, dentro da zona intertropical, recebendo os raios solares de forma perpendicular (maior intensidade) e sendo atingido pelos ventos alísios úmidos, causando chuvas. A grande extensão territorial do Maranhão e sua localização geográfica como área de transição entre as regiões amazônica (úmida) e nordeste (semiárido), favorecem o grande contraste espacial pluviométrico anual, como obser- vado em registros anuais. Na região Noroeste do Estado foi verificado uma média pluviométrica de 2.800 mm anual, enquanto no sudeste a média anual é de 1.200 mm. Com relação à temperatura, o Estado do Maranhão apresenta médias térmicas anuais superiores a 22 ºC, devido a sua posição latitudinal e ao seu relevo, a temperatura do ar é normalmente elevada e uniforme ao longo do ano, as temperaturas médias anuais mais elevadas são geralmente, registradas no Norte do Maranhão, superior a 27 ºC, enquanto no centro-sul ficam entre 25 ºC e 27 ºC respectivamente. Além da proximidade com a floresta amazônica, outros fatores contribuem neste comportamento das condições atmosféricas, notadamente a altitude, a latitude, a vegetação e a continentalidade. De maneira geral, o clima maranhense apresenta os seguintes aspectos: - O Estado está em baixa latitude: zona tropical – raios solares perpendiculares. - Médias térmicas: elevadas. - Amplitude térmica: baixa. - Ação dos ventos: alísios de Nordeste – formados pela mEa e causadores de chuvas. - Massas de ar: mEc e mEa. - Chuvas mais concentradas no verão. - Clima quente e úmido. Classificação Climática A presença de massas quentes e úmidas (massas equatoriais continental e atlântica), a grande extensão do litoral e os ventos alísios de nordeste são alguns elementos que determinam uma grande umidade no Estado que é reduzida em direção ao sudeste, pela proximidade do sertão semiárido, apresentando, portanto, menor índice de Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 18 chuvas. Entre os domínios climáticos, o clima equatorial manifesta-se no oeste e noroeste, onde se caracteriza pelas maiores médias, em torno de 27 ºC, menores amplitudes térmicas, não chegando a 2 ºC e o maior índice pluviométrico, que chega a ser superior a 2.000mm, com até nove meses de chuva. Ocupando a maior faixa no Estado, que se estende no litoral, nordeste, centro e sudeste está o clima tropical úmido com temperatura em torno de 24 ºC, também com baixa amplitude térmica e índice de chuvas que varia em torno de 1.700mm distribuída principalmente de dezembro a junho. Esse índice diminui, gradativamente do litoral para o interior, nesse mesmo período. No extremo sul e sudeste, encontra-se uma ramificação do clima tropical semiúmido, quente, com chuvas nos 5 primeiros meses do ano, ultrapassando a 1.200mm anuais. No clima maranhense, a variação térmica é insignificante, no entanto, a distribuição das chuvas é bem notada. As cidades maranhenses do interior apresentam maior variação térmica por influência da continentalidade e da altitude associadaà latitude. No Maranhão, é comum destacar-se o clima tropical, predominante no estado. Tipos Climáticos no Maranhão Os tipos de clima são influenciados pela pressão atmosférica, correntes marítimas, circulação de massas de ar, latitude, altitude, precipitação pluviométrica e incidência solar – a quantidade de luz que incide sobre a superfície terrestre. O Maranhão possui três tipos climáticos principais: Clima Equatorial Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 19 - Localização: oeste e noroeste do Maranhão (Amazônia). - Pluviosidade média anual: superior a 2000 mm/ano; chuvas no verão, outono e inverno. - Temperatura média anual: 26° a 27°C. - Massas de ar que mais atua: mEc. Clima Tropical Úmido - Localização: litoral, baixada, nordeste do Estado e trechos dos vales dos rios Mearim, Pindaré, Munim, Itape- curu. 0 ºC 5 ºC 10 ºC 15 ºC 20 ºC 25 ºC 30 ºC 35 ºC 0 50 100 150 200 250 300 350 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ CHUVAS TEMP. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 20 - Pluviosidade média anual: 1600/1800 mm/ano; sofre grande ação da maritimidade; chuvas no verão e outono. - Temperatura média anual: superior a 24°C. - Massas de ar que mais atua: mEa. Clima Tropical Semiúmido - Localização: centro-sul do Estado. - Pluviosidade média anual: 1200/1300 mm/ano; chuvas de verão. - Temperatura média anual: 25° a 27°C. - Massas de ar que mais atua: mEc. 0 ºC 5 ºC 10 ºC 15 ºC 20 ºC 25 ºC 30 ºC 0 50 100 150 200 250 300 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ CHUVAS TEMP. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 21 Classificação Climática de Thornthwaite A classificação climática de Thornthwaite (1948) para o Maranhão identifica quatro tipos climáticos, tipos que variam desde o clima subúmido seco, que predomina no Sudeste, até o úmido no extremo Noroeste. Os tipos climáticos, de acordo com Thornthwaite, 1948, predominantes no Maranhão são: - Clima úmido tipo (B2), com pequena ou nenhuma deficiência de água, megatérmico, ou seja, temperatura média mensal sempre superior a 18°C, sendo que a soma da evapotranspiração potencial nos três meses mais quentes do ano é inferior a 48% em relação à evapotranspiração potencial anual - Clima úmido tipo (B1), com moderada deficiência de água no inverno, entre os meses de junho a setembro, megatérmico, ou seja, temperatura média mensal sempre superior a 18° C, sendo que a soma da evapotrans- piração potencial nos três meses mais quentes do ano é inferior a 48% em relação à evapotranspiração potencial anual - Clima sub-úmido do tipo (C2), com moderada deficiência de água no inverno, entre os meses de junho a setembro, megatérmico, ou seja, temperatura média mensal sempre superior a 18° C, sendo que a soma da evapotranspiração potencial nos três meses mais quentes do ano é inferior a 48% em relação à evapotrans- piração potencial anual - Clima sub-úmido seco do tipo (C1), com pouco ou nenhum excesso de água, megatérmico, ou seja, tempera- tura média mensal sempre superior a 18° C, sendo que a soma da evapotranspiração potencial nos três meses mais quentes do ano é inferior a 48% em relação à evapotranspiração potencial anua. 0 ºC 5 ºC 10 ºC 15 ºC 20 ºC 25 ºC 30 ºC 0 50 100 150 200 250 300 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ DFGDFG TEMP Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 22 2.5 VEGETAÇÃO MARANHENSE A cobertura vegetal se encontra distribuída pela superfície terrestre, formando uma proteção natural do solo. Este revestimento se apresenta de forma contínua em algumas regiões e descontínua em outros. A diferença exis- tente entre os tipos formações vegetais reflete as características dos elementos naturais que compõem a paisagem natural. Entre os elementos, o clima é o que mais influencia na caracterização nos diversos tipos de cobertura ve- getal. As influências climáticas sobre a vegetação se manifestam através dos elementos do clima: temperatura e umidade. Por esse motivo, as grandes paisagens vegetais estão correlacionadas com os tipos climáticos. O Maranhão apresenta uma diversidade de cobertura vegetal, típicas das condições de transição do Meio norte do Nordeste brasileiro. Em função do caráter transacional, os tipos de vegetação vão refletir as características das condições atmosféricas, (variações de temperatura e umidade), das características do solo e do baixo relevo. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 23 Tipos de vegetação do Maranhão e localidades de coleta: (1) Açailândia; (2) Alto Parnaíba; (3) Araguanã; (4) Caro- lina; (5) Caxias; (6) Codó; (7) Mirador; (8) Pastos Bons; (9) Paço do Lumiar; (10) Santa Inês; (11) São Bento; (12) São João do Sóter; (13) São Pedro da Água Branca; (14) Vila Nova dos Martírios Principais Tipos de Coberturas Vegetais Floresta Amazônica Está localizada no noroeste e oeste do território maranhense, cobrindo um pouco mais de 35% do território. É uma vegetação Ombrófila densa e aberta que reflete a transacionalidade do território. Possui uma grande heteroge- neidade de espécies de vegetais, é Latifoliada, higrófila e megatérmica. Desde a década de 1960, sofre antropização com implantação das atividades da agropecuária, madeireira e mineração, ampliado o desmatamento na Amazônia Legal, na porção Maranhense. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 24 - Muito devastada em função de atividades econômicas: extrativismo vegetal, mineral, implantação de pro- gramas industriais (ex.: P.G.C. – Programa Grande Carajás), construção de rodovias, ferrovias etc. - No município de Açailândia ocorre grande devastação, devido a extração de madeira e a produção de carvão vegetal, utilizado no polo siderúrgico de ferro-gusa. - Área de expansão da fronteira agrícola do Maranhão. - Aproveitamento econômico do espaço: extrativismo e agropecuária. Cerrado Maranhense Cobre as áreas do Centro-sul, algumas “manchas” nas porções Leste e Nordeste do território. É a vegetação predominante no Maranhão e está adaptada ao clima tropical com dois períodos bem definidos: chuvoso e úmido bem definidos. Apresenta uma formação arbustiva com um elevado grau de endemismo, em solos do tipo latossolos amarelo (Predominante) e desde a década de 1980, sofre com o avanço – na confluência com os Estados do Piauí, Tocantins e Bahia – da sojicultura mecanizada com destaque para os municípios de Balsas, Fortaleza dos Nogueiras, Alto do Parnaíba e São Raimundo das Mangabeiras. - Seu solo é ácido, porém facilmente corrigido com o método da calagem: adição do calcário ao solo para perda da acidez. - Vem sendo muito devastado em função da expansão da fronteira agrícola. - Predominantemente arbustiva, de raízes profundas, galhos retorcidos e casca grossa adaptada ao clima tro- pical típico, com chuvas abundantesno verão e inverno bastante seco. - Espaços ocupados para o plantio de arroz, milho e soja (mercado externo). - Ocupação do espaço: tradicionalmente - pecuária extensiva; modernamente - agricultura. Matas de Cocais, de Transição ou das Palmáceas É a vegetação característica do Maranhão. Possui uma maior concentração nos vales médios dos rios Mearim, Grajaú, Itapecuru e Munim. É uma vegetação Secundária mista com a marcante presença da palmeira de Babaçu. É típica da faixa de transição entre a Floresta Amazônica, a Oeste; o Cerrado ao Sul e a Caatinga do sertão, a leste. - Localização: principalmente no Meio-Norte ou Nordeste Ocidental (Maranhão–Piauí). - Comportamento sazonal das folhas: perenes; - Temperatura: megatérmica; - Umidade: babaçu – mais higrófilo; carnaúba – mais xerófilo; - Diversidade vegetal: homogênea; Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 25 - Densidade vegetal: aberta; - É uma mata de transição, pois está localizada entre a Floresta Amazônica (Oeste), cerrado (Sul) e caatinga (Leste). Destaca-se no extrativismo vegetal: óleo (babaçu) e cera (carnaúba). - Os babaçuais no Maranhão vêm avançando bastante para os vales do Mearim e Pindaré, devido à ação an- trópica (desmatamento). Vegetação Litorânea Encontramos a formação de mangue ao longo do litoral ocidental maranhense (entre a foz do rio Gurupi e do rio Periá), as formações de Dunas e Restingas no litoral Oriental, (entre a foz do rio Periá e a foz delta do rio Parnaíba). A vegetação de Mangue é arbustiva e está adaptada ao solo lodoso, halófito, muito orgânico e pobre em oxigênio, de rica biodiversidade. É considerada por muitos a “Maternidade” da vida marinha. Entre a vegetação litorânea do Maranhão, principalmente mangue, para as outras vegetações, podemos encon- trar área de apicum: vegetação secundária que surge em substituição ao mangue, quando o mesmo perde o contato com as marés. Mangues: - Localização: em áreas de ambiente flúvio-marinho com clima quente. No Brasil vai do litoral do Amapá até o de Santa Catarina; - Umidade: higrófila; - Ambiente salino: halófila; - Raízes escoras e pneumatóforas (raízes aéreas – respiratórias); - Ambiente com deficiência de oxigênio; - Processo de exudação: transpira sal pelas folhas. Berçário marinho: onde a vida começa para algumas es- pécies, sendo uma espécie de criatório de camarões, caranguejos etc. Vegetação das praias, dunas ou restingas: - Localização: em áreas litorâneas com ambiente arenoso; - formações arbustivas e herbáceas; - Ambiente salino: halófilos; - Ambiente arenoso: psamófilo; - É uma vegetação mais pobre quando está mais perto do mar (solos mais salino), sendo que à medida que nos afastamos das praias ela vai ficando mais rica (nas dunas – solos menos salinos). Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 26 Campos Inundáveis Localiza-se próximo ao Golfão Maranhense, de formação herbácea, que no período chuvoso é alagado pelo au- mento do volume dos rios que formam a Bacia do Golfão, nos seus baixos cursos. - Ocorrem principalmente da Baixada. - Formações herbáceas: constituídos por gramíneas. - Forma de ocupação do espaço: pecuária extensiva. - Os campos da Baixada têm 2 aspectos: campos inundáveis (mais baixos - búfalos) e campos de tesos (mais altos). Carrasco É uma vegetação de transição entre o Cerrado e a Caatinga, encontrada em espaços descontínuos na porção leste do maranhão, na fronteira com o Estado do Piauí Unidades de Conservação O estado do Maranhão é composto por 26 unidades de conservação, sendo 14 sob jurisdição estadual e 12 sob jurisdição federal, divididas em dois grupos (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000): Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável: - Reservas Biológicas (REBIO), - Parques Estaduais (PES), - Parques Nacionais (PARNA), - Estações Ecológicas (ESEC) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Unidades de Uso Sustentável: - Reservas Extrativistas (RESEX), - Florestas Estaduais (FLORSU), - Florestas Nacionais (FLONA), - Áreas de Proteção Ambiental (APA). Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 27 Unidades de conservação estadual no Maranhão Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 28 Áreas de Proteção Ambiental (APA) e Parques Nacionais O objetivo das áreas de proteção ambiental é racionalizar a intervenção humana no meio ambiente, utilizando seus recursos naturais de forma conservacionista, numa concepção de desenvolvimento sustentável. Porém, esse objetivo não vem sendo alcançado, em virtude de descaso da população, do governo e dos órgãos responsáveis em executá-lo. Temos, no Maranhão, as seguintes áreas de proteção ambiental: 1. Reserva Biológica do Gurupi: noroeste do Maranhão - presença da Floresta Amazônica; degradação: extrati- vismo vegetal; reserva ambiental federal. 2. Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses: litoral oriental - conjunto de dunas; degradação: turismo; reserva ambiental federal. 3. Parque Ecológico da Lagoa da Jansen: em São Luís - laguna de origem antrópica formada pelo represamento de igarapés Ana Jansen e Jaracati. A ligação com o mar se dá por meio de canais de drenagem. Nas margens apresenta faixas de mangues de largura variável, solo variável ao longo da costa, sendo argiloso e arenoso; degradação: eutrofização cultural, aterros em mangues e esgotos domésticos dos bairros no seu entorno. 4. Parque Estadual do Bacanga: em São Luís - resíduo da Floresta Amazônica na Ilha do Maranhão; seus manan- ciais aumentam a represa do Batatã; presença de mangues e matas galerias; degradação: processo de ocu- pação desordenada e invasões. 5. Parque Estadual do Mirador: centro-sul do Estado – presença do cerrado - presença da nascente do Itapecuru (Sistema Italuís); degradação: agricultura da soja. 6. Parque Estadual do Parcel de Manuel Luís: a 50 milhas do litoral de Cururupu, litoral ocidental - maior banco de corais da América do Sul; degradação: turismo para prática de mergulho. 7. Baixada Maranhense: formações lacustres e campos; degradação: criação solta de búfalos. 8. APA da Foz do Preguiças (litoral oriental): dunas, mangues e estuário; degradação: turismo. 9. APA das Reentrâncias Maranhenses: litoral ocidental; de Alcântara até Carutapera; baía, mangues, estuário e ilhas; degradação: pesca predatória e desmatamento dos mangues. 10. APA do Maracanã: no sudoeste da ilha de São Luís; matas galerias, mananciais e igarapés; degradação: Dis- trito Industrial Itaqui-Bacanga. 11. Parque Nacional das Chapadas das Mesas: foi criado em 18 de julho/2005. Área rica em cachoeiras, com grande potencial turístico, entre os municípios de Estreito e Riachão, com destaque para Carolina. É um ber- çário de várias espécies de fauna e flora. Degradação: turismo e projetos de hidrelétricas (represas). Reserva ambiental federal. 12. A.P.A. do Delta do Parnaíba: divisa Maranhão-Piauí. Dunas, Mangues, Ilhas e Delta. Degradação ambiental: Turismo. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 29 Os Parquesnacionais do Maranhão são: 1. Parque Nacional da Chapada das Mesas 2. Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses 3. Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba - A vegetação do parque é complexa e diversificada, pertencendo ao bioma Cerrado; - Destaque no relevo para a Chapada das Mangabeiras; - O clima da região é do tipo Tropical semiúmido, tendo duas estações bem definidas: período seco (entre maio e novembro) e o outro chuvoso (entre dezembro e abril). De agosto a outubro, ocorre o período mais crítico em relação à seca e aos focos de incêndios; - Na hidrografia destaque para Rio Parnaíba (que funciona como divisor entre o Piauí e o Maranhão). - Por se tratar de região de expansão da fronteira agrícola, ocorre forte pressão ambiental sobre o parque, em razão das da produção de soja do MATOPIBA ou MAPITOBA (MA-TO-PI-BA). Parque Nacional da Chapadas das Mesas - A vegetação é dominantemente de cerrado; - Relevo de planalto, com destaque para a chapada do mesmo nome; - Clima tropical semiúmido; - Na hidrografia: destaca-se o Rio Tocantins e afluentes, que foram cachoeiras e balneários de potencial tu- rístico. - Ocorre forte pressão para novos desmatamentos impulsionados por carvoarias e abertura de novas frentes para a agropecuária. Parque nacional dos Lençóis Maranhense - Vegetação de mangues e arbustiva/herbácea em praias, dunas e restingas; - Relevo de planície litorânea, com as costas de dunas. Entre as duas inúmeras lagoas. - Clima tropical úmido; - Destaque para o Rio Preguiças; Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 30 - A região tem grande potencial turístico, que deve ser trabalhado de forma sustentável para evitar problemas ambientais – que já são percebidos. 2.6 HIDROGRAFIA MARANHENSE Cerca de 97% das águas do planeta pertencem a oceanos, mares e lagos de água salgada e a maior parte da água doce estão nas calotas polares, inacessíveis ainda para os seres humanos. Existe apenas 1% de água doce para a vida nos continentes e ilhas. O Brasil é um país rico em recursos hídricos doce. Há grandes e pequenas bacias hidrográficas além de reservas de água subterrânea. É histórica a contaminação pelo esgotamento sanitário, eflu- entes industriais e de resíduo de agrotóxico pela sociedade. Em função desta situação, em 1997, após um amplo debate, foi promulgada a Lei nº 9.433/97, preconizando a água como sendo um bem público e um recurso natural dotado de valor econômico é prioritário para o consumo humano. Para ser viabilizada, a bacia hidrográfica é definida como unidade territorial privilegiada a fim de programar uma política nacional de recursos hídricos. Neste sentido conhecer as características da bacia hidrográfica do Nordeste Ocidental, formada principalmente pelos rios genuinamente maranhenses é essencial para aproveitamento de seu potencial e de preservação para gerações futuras. O Maranhão é um “Nordeste diferente”. É o Estado Nordestino que menos se identifica com a característica maior dessa região: a deficiência de recursos hídricos. É um Estado que apresenta uma invejável rede hidrográfica, com- posta de bacias de rios perenes e predominantemente exorréicos. O Estado quase-Ilha, possui uma enorme rede hidrográfica, diferenciando- se das características gerais da Região Nordeste. Estudos indicam que 74% das sedes municipais são abastecidas exclusivamente por mananciais subterrâneos (poços). De acordo com a ANA – Agencia Nacional de Águas, as águas maranhenses superficiais abastecem 21% dos mu- nicípios e os 5% restantes são abasteci- dos tantos por mananciais superficiais como subterrâneos. As principais vertentes hidrográficas estão nas porções territoriais do centro-sul do Maranhão: A Chapada das Mangabeiras, a Chapada do Azeitão, as Serras das Crueira, Cinta, Gado Bravo, Serra do Gurupi e Serra do Tiracambu entre outras. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 31 Fonte: https://www.nugeo.uema.br/?p=11084 Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 32 Principais Bacias Hidrográficas do Maranhão Bacias limítrofes • Rio Parnaíba Nasce na Serra da Tabatinga, ramificação natural da Chapada das Mangabeiras, a partir da junção dos igarapés Boi Pintado, Surubim e Águas Quentes, desaguando, sob a forma de delta (com vários canais), na Baía das Canárias, após separar em toda a sua extensão, por mais de 1.700 km, o Maranhão e o Piauí. Ponte Estaiada sobre o Rio Parnaíba em Teresina-PI O Parnaíba é o principal rio do Meio Norte, considerado fonte vital para grande parte da população maranhense e piauiense. Do ponto de vista econômico, a particularidade consiste no fornecimento de energia elétrica a partir da hidrelétrica de Boa Esperança (Presidente Castelo Branco). O Delta do Parnaíba, considerado um dos maiores do mundo, formado em pleno mar, possui aproximadamente 70 ilhas, com destaque para Canárias e Ilha Grande. Está relacionado a 7 municípios: Araioses, Água Doce do Mara- nhão, Paulino Neves, Santana do Maranhão e Tutoia, além de Parnaíba e Luís Correa, no Piauí. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 33 Delta do Parnaíba A bacia do Parnaíba ainda apresenta os afluentes que deságuam no rio principal: pela margem direita (lado pi- auiense), rios Urucu-Vermelho, Urucu-Preto, Gurguéia, Itaueiras, Piauí, Poti (que banha a capital Teresina); pela mar- gem esquerda (lado maranhense), rios Parnaibinha, Medonho, Babilônia, Limpeza, Balsas e Bacuri. Em toda a sua trajetória, o Rio Parnaíba é o que mais banha cidades maranhenses. Da nascente para a foz, temos: Alto Parnaíba (na outra margem, Santa Filomena), Tasso Fragoso, Benedito Leite, Nova Iorque, Barão de Grajaú (na outra margem, Floriano), São Francisco do Maranhão (na outra margem, Amarante), Parnarama, Timom (na outra margem, Teresina), Coelho Neto, Duque Bacelar, Santa Quitéria do Maranhão, Milagres do Maranhão, Magalhães de Almeida, Araioses e Água Doce do Maranhão. • Rio Tocantins Nasce na Serra Dourada, no estado de Goiás, e deságua na Baía de Marajó, no golfão Amazônico, com o nome de Rio Pará, após um curso de 2.500 quilômetros, dos quais 400 estão em terras maranhenses. A bacia do rio Tocantins ocupa 9,5% do território nacional. Durante décadas, foi inclusa na bacia amazônica por causa da proximidade da foz de ambos os rios (Amazonas e Tocantins) e também pelo fato de atravessar a floresta Amazônica. Há algum tempo, ela passou a ser considerada uma bacia independente, sendo a maior localizada totalmente no território nacional. O Tocantins tem um afluente principal, o Ara- guaia, tão importante do ponto de vista do volume de água e de extensão que muitos preferem chamar essa bacia de Tocantins-Araguaia. Nesse rio foram instala- das algumas hi- drelétricas, notadamente a de Tucuruí, a maior da região Amazônica. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 34 Seus afluentes, na margem direita (lado maranhense), são os rios Manuel Alves Grande, que separa uma parte do Maranhão e do Tocantins,Sereno, Farinha, Lajeado e Itapecuru; na margem esquerda, está justamente o Araguaia, onde fica localizada a Ilha do Bananal, a mais extensa ilha fluvial do mundo. Hidrelétrica de Estreito - Desastre ambiental No fim da década de 1990, a Eletrobrás sinalizava a construção de uma hidrelétrica no sul do Maranhão como empreendimento de geração de energia elétrica necessário para atender ao aumento da demanda nacional. Em janeiro de 2001, a Eletronorte e a Themag realizaram estudo de revisão das características técnicas da região de Estreito, definindo localização (rio Tocantins), quedas e arranjos gerais do empreendimento, que, anos mais tarde, provocaria grandes problemas ambientais. Em julho de 2002, quatro empresas venceram o leilão promovido pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) para a implantação da nova usina. O Consórcio Estreito Energia – CESTE – era formado pelas em- presas GDF Suez, Vale, Alcoa e Camargo Corrêa. O projeto empregaria capital nacional e internacional na construção da hidrelétrica, com o aval do governo brasileiro. Várias cidades seriam diretamente envolvidas pela construção da usina: Estreito e Carolina, no estado do Maranhão; e Aguiarnópolis, Babaçulândia, Barra do Ouro, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Itapiratins, Pal- meirante, Palmeiras do Tocantins e Tupiratins, no estado do Tocantins. As obras da instalação da hidrelétrica de Estreito foram iniciadas em junho de 2007. Em novembro de 2010, o IBAMA emitiu a Licença de operação, autorizando o início do enchimento do reservatório da usina. O então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, acionou o fechamento da primeira comporta do vertedouro, simbolizando o início do enchimento do reservatório. Dali a alguns anos, com a operacionalização Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 35 da hidrelétrica, ocorreria um grande desastre ambiental entre os estados do Maranhão e do Tocantins. Na época desta foto, 85% do cronograma físico da hidrelétrica estavam concluídos No mês de outubro de 2012 foi inaugurada a hidrelétrica de Estreito. A Presidente da República, Dilma Rousseff, acionou simbolicamente a oitava unidade geradora. Assim, a hidrelétrica maranhense passaria a ofe- recer ao Brasil, em sua capacidade total de 1.087 MW (megawatts), energia renovável, inundando uma área infinitamente maior do que aquela que os técnicos afirmavam que ficaria sob as águas do rio Tocantins. Segundo o Consórcio Estreito de Energia, a área inundada pela hidrelétrica é de 400 km². O Consórcio não explica, porém, porque uma área imensa de floresta foi coberta pela lâmina fluvial, dezenas de praias desapa- receram e centenas de famílias foram obrigadas a deixar suas casas por causa do avanço das águas, após rece- berem a indenização devida. Trituradora de peixes Cerca de 60 toneladas de peixes morreram durante a fase de testes da usina hidrelétrica de Estreito. Segundo o presidente da Associação dos Pesc dores de Estreito e coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) na região, Luis Abreu de Moura, a mortandade dos peixes é criminosa. “É a primeira vez que isso acontece em barragens. Poderia ter sido evitado, pois existe um buraco aonde vão às turbinas da casa de força, para haver o acúmulo de água suficiente. E na tentativa de fazer a piracema, os peixes estavam amontoados na parte funda desse buraco, quando começou a rodar e as turbinas trituraram os peixes”. Portanto, “era necessária uma tela de proteção para que os peixes não se concentrassem lá!”, afir- mou Luis Abreu. Segundo ele, foi necessário abrir três valas de quatro metros de fundura, dois metros de largura e 100 metros Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 36 de comprimento para soterrar os peixes mortos. “Isso sendo removido na calada da noite para ninguém ver!”, revelou Moura. Mortandade de peixes – Rio Tocantins – www.justicanostrilhos.org Ilha dos Botes Um rápido passeio de barco pelo rio Tocantins, próximo à cidade de Carolina, revela um cenário de tristeza e desolação, com centenas de árvores morrendo afogadas, sem esboçar qualquer reação diante do avanço ine- xorável das águas. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 37 A Ilha dos Botes, localizada a cinco quilômetros de Carolina e banhada pelas águas do rio Tocantins, pre- servava uma exuberante mata virgem, formada por babaçuais nativos e coqueiros. E guardava, na época de veraneio, belas praias de águas límpidas, margeadas por pequenas dunas nos seus sete quilômetros de extensão. Depois da construção da hidrelétrica de Estreito, tudo mudou. As águas avançaram sobre a ilha, cobriram toda a linha de praia e afogaram milhares de árvores. As águas do Tocantins avançaram sobre o estiranço (linha de areia), afogando as praias. Milhares de árvo- res afogadas pelo rio agora compõe o triste quadro da região que um dia foi paradisíaca. • Rio Gurupi Nasce na Serra do Gurupi e deságua na Baía do Gurupi, separando em toda a sua extensão o Maranhão e o Pará. Seu curso banha a floresta do noroeste maranhense, sendo muito importante na extração do ouro sob a forma rudi- mentar de garimpagem, com muitos prejuízos ao leito fluvial, sobretudo quando da utilização do mercúrio para se- parar o ouro do cascalho. Aspecto do Rio Gurupi, bacia limítrofe entre Maranhão e Pará Banha Boa Vista do Gurupi, Centro Novo do Maranhão e Amapá do Maranhão. Um dos seus afluentes, o Rio Itinga, separa uma parte do Maranhão com o Pará e banha a cidade do mesmo nome. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 38 Bacias Maranhenses Principais (Golfão Maranhense) • Rio Mearim Nasce nas proximidades da Serra Negra e deságua na Baía de São Marcos, no Golfão Maranhense, formando com o Pindaré o maior estuário (quando o rio deságua num grande canal) do estado, onde o- corre o fenômeno da poro- roca, que é o encontro intenso da água do rio com o mar, formando grandes ondas no leito fluvial. Rio Mearim sob ponta Itapoã, em Arari – MA Seus afluentes, pela margem direita, são: Rio Corda ou Capim (Barra do Corda) e o Rio Flores. Na margem es- querda, o Rio Grajaú (que banha Grajaú, Itaipava do Grajaú e Formosa da Serra Negra). Durante o seu curso, o Mearim banha as cidades de Barra do Corda, Esperantinópolis, Pedreiras, São Luís Gon- zaga, Bacabal, Vitória do Mearim, Arari, Trizidela do Vale e São Raimundo do Doca Bezerra. • Rio Pindaré Nasce na Serra da Cinta e deságua junto do Mearim, na Baía de São Marcos, após banhar as cidades de Pindaré Mirim, Monção, Tufilândia, Alto Alegre do Pindaré e passar próximo a Santa Inês. Seus afluentes, pela margem direita, são: rios Zutiuia e Buriticupu; e, pela margem esquerda, o Rio Caru. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 39 Paisagem do vale do Rio Pindaré em Alto Alegre do Pindaré e Bom Jardim • Rio Itapecuru Nasce na Serra do Itapecuru e deságua na Baía de São José, no Golfão Maranhense, após um curso superior a 1.600 km, sendo o mais extenso e mais navegável riomaranhense. Rio Itapecuru no município de Timbiras Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 40 Seus afluentes, pela margem direita, são: rios Corrente, Itapecuruzinho e Pirapemas; e, pela margem esquerda, os rios Alpercatas, Codozinho e Peritoró. Banhas as seguintes cidades: Mirador, Colinas, Caxias, Codó, Timbiras, Co- roatá, Pirapemas, Cantanhede, Itapecuru-Mirim e Rosário. O Itapecuru é um dos rios mais assoreados do estado. Assoreamento é o entupimento de um rio mediante a destruição de suas matas ciliares – tal destruição pode ocorrer pela especulação madeireira ou pelo avanço da ci- dade em direção ao rio, destruindo a vegetação de suas margens. Outros Rios Maranhenses - Rio Munim: Nasce no município de Aldeias Altas e deságua na Baía de São José, no Golfão Maranhense, após banhar as cidades de Nina Rodrigues, Presidente Juscelino, Morros, Morros, Axixá, Cachoeira Grande e Icatu, na sua foz. Seus afluentes mais importantes são, na margem direita, o Rio Preto (São Benedito do Rio Preto); e, na margem esquerda, o Rio Iguará, que banha Nina Rodrigues. - Rio Periá: É o limite oeste dos Lençóis Maranhenses, uma das regiões mais belas do nosso litoral, banhando Humberto de Campos e Primeira Cruz. - Rio Pericumã: Está diretamente relacionado à Baixada Maranhense. Banha a cidade de Pinheiro e deságua na Baía de Cumã, no litoral ocidental, onde está o município de Guimarães. - Rio Cururupu: Banha a cidade de Cururupu, situada no litoral ocidental maranhense, e deságua na Baía do Cabelo da Velha. - Rio Turiaçu: Nasce na Serra da Desordem e deságua na Baía de Turiaçu, junto à cidade do mesmo nome. Banha os municípios de Santa Helena e Turilândia. Na sua foz, a exemplo do que acontece com o Mearim, ocorre o fenômeno da pororoca. - Rio Maracaçumé: Nasce na Serra do Tiracambu e desemboca na Baía do Curará ou Maracaçumé, após banhar os municípios de Cândido Mendes e Maracaçumé. - Rio Preguiças: É o limite leste dos Lençóis Maranhenses. Abraça a calorosa cidade de Barreirinhas. Suas águas escuras são um atrativo para o turismo dessa região do litoral oriental maranhense. A hidrografia do Maranhão é complementada por uma grande quantidade de lagos, geralmente de origem fluvial. Localizam-se, principalmente, na Baixada Maranhense, onde têm grande importância, pois além de reservatório de água, no período da estiagem, são também grande fonte de alimento pela alta piscosidade. Os lagos da Baixada são: Lago Acará (Monção), Lago-Açu (Conceição do Lago-Açu), que se destaca na produção de pescado; lagos de Apuí, Aquari, Aquiri, Cajari ou Cajarana e Viana (Viana); Lago de Apuí (Cajari); Lagos de Canfun- doca, Faveiro, Laguinho, Grande e Bujiritiva (Pinheiro); Formoso e Ilha de Formosa (Penalva); Lago Itaus (Matinha); Lago Tarupau (Pindaré-Mirim) e Laguinho e Lago da Morte (Ara- ri). Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 41 Aspecto do Rio Preguiças, em Barreirinhas 2.7 LITORAL MARANHENSE O litoral do Estado do Maranhão possui extensão aproximada de 640 km, estendendo-se no sentido oeste-leste da foz do rio Gurupi, no extremo oeste maranhense, na divisa com o Pará, até o delta do rio Parnaíba, no extremo leste, na divisa com o Piauí. É o segundo mais extenso do Brasil, superado apenas pelo Estado da Bahia. A faixa litorânea do Maranhão possui características geoambientais diferenciadas que justificam sua divisão em Litoral Ocidental, da foz do rio Gurupi até a foz do rio Periá e Litoral Oriental, da foz do rio Paruá até a foz do rio Parnaíba. Divisão: - Litoral ocidental - Golfão Maranhense - Litoral Oriental Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 42 DIVISÃO DO LITORAL MARANHENSE Segmentos Localização Paisagens dominantes Acidentes geográficos Foz dos rios Subdivisão Potencialidades Litoral Ocidental Entre os municípios de Caruta- pera e Al- cântara. Rias Mangues Baías Ilhas • Cabo Grupi. • Baías: Gurupi, Turiaçu, Cabelo de Velho, Cumã. • Parcel de Manuel Luís. • Antiulhas Maranhenses (ilhas). Gurupi, Mara- caçumé, Turiaçu, Pericumã. (Rico em rios) • Parte continen- tal: rias e man- gues. • Parte insular: ilhas. • Pesca (destaque). • Turismo. • Sal marinho • Energia sol- eólica Golfão Maranhense Entre os municípios de Alcântara e Icatu Rias Mangues • Baías: São Marcos, São José e Arraial. • Ilha do Maranhão. • Canal do Boqueirão. • Estreito: dos Mosquitos. Itapecuru Mearim Munim Pindaré (rico em rios) ⎯ • Pesca. • Turismo. • Atividade portuária (destaque). • Energia .maremotriz • Energia solar- eólica • Sal marinho. Litoral Oriental Entre os municípios de Icatu e Araioses Dunas • Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. • Baías: Tutóia e Canárias. • Delta do Parnaíba. • Arquipélago das Canárias. Periá Preguiças Parnaíba (pobre em rios) • Parte das reentrâncias: entre Icatu e Primeira Cruz. • Parte mais retilínea: entre Primeira Cruz e Araioses. • Pesca • Turismo (destaque) • Sal marinho • Petróleo e gás natural • Energia solar- eólica A ilha de Upaon-Açu, ilha maranhense, está situada no norte do estado, no Golfão maranhense e se encontra entre a Baia de São marcos, a oeste; a Baia de São José, a leste e pelo Estreito dos Mosquitos ao Sul, separando a ilha da porção continental. Possui uma hidrografia formada por rios de pequena extensão. A bacia hidrográfica de São Luis pelos rios Anil, Bacanga, Tibiri, Itaqui, Paciência, Maracanã, Calhau, Pimenta, Coqueiro, Guarapiranga, Geni- parana, Estiva, Santo Antonio, Inhaúma e Cachorros. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 43 - “Antilhas Maranhenses": conjunto de ilhas pertencente aos municípios de Carutapera e Cururupu, que tem na pesca a sua principal atividade. - Parque Estadual do Parcel de Manuel Luís: localizado a algumas milhas do município de Cururupu (litoral ocidental) - corresponde ao maior banco de corais da América do Sul, sendo muito perigoso para as embarcações. - Golfão Maranhense: maior reentrância do litoral do Estado, correspondendo a um grande coletor de águas das bacias do Mearim, Pindaré, Itapecuru e Munim. - Ilha do Maranhão: principal acidente geográfico do Golfão Maranhense. Tem como limites: (N) praias; (E) Baía de São José; (S) Estreito dos Mosquitos; (W) Baía de São Marcos. - Canal do Boqueirão: localizado na Baía de São marcos, entre a Ilha do Medo e a Ponta do Bonfim (Ilha do Maranhão); local perigoso para embarcações de pequeno porte. - Estreito dos Mosquitos: separa a ilha do continente, interligando as baías de São Marcos e São José. - Baía de São Marcos: importante região portuária localizada a oeste da Ilha do Maranhão: já funciona como um dos principais corredores de exportação do Brasil. - Baía de São José: a leste da ilha do Maranhão, onde encontramos a ilha de Curupu (família Sarney). No seu interior encontra-se a baía do Arraial. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com Geografia do Maranhão © Copyright Júris Sistema de Ensino. É proibida a cópia deste material, no todo ou em parte. Todos os direitos reservados. 44 - Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses: conjunto de dunas localizado no litoral orientaldo Estado. Não deve ser considerado um deserto clássico, pois tem um alto índice pluviométrico e pequena amplitude térmica diária. Está entre os municípios de Santo Amaro e Barreirinhas. - Delta do Parnaíba: entre o Maranhão e o Piauí. É o único da América localizado em pleno mar. São municípios da região do delta: Tutóia (MA), Araioses (MA), Luís Correia e Parnaíba (PI). É o delta das Américas. Licensed to Elizangela Maria Alves de Sousa - ellyalvessousa@outlook.com