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AULA 2 GESTÃO DE PESSOAS Prof. Marco Antonio de Andrade 2 INTRODUÇÃO Refletir a gestão de pessoas nas organizações é um assunto de extrema importância, afinal tudo o que se utiliza nas empresas é feito através de pessoas. Neste contexto, é importante refletirmos e analisarmos a gestão sob o prisma das pessoas, da forma como elas aprendem e do talento que podem ter e oferecer, que serve para organizações de todos os nichos de mercado alcançarem seus objetivos e alavancarem seus indicadores de produtividade e lucratividade. Nesta etapa, refletiremos sobre a Gestão de Pessoas sob o prisma das Pessoas, Talentos e Aprendizagem. TEMA 1 – IDENTIFICAÇÃO E REALOCAÇÃO DE TALENTOS E GESTÃO DE PESSOAS Uma das primeiras formas de estratégia mais assertiva para o sucesso de qualquer organização está na forma de encontrar pessoas e talentos para que desempenhem suas funções de maneira eficiente e eficaz nos diversos processos existentes nas empresas. Desta forma, identificar as pessoas certas, talentos, ou os recursos humanos torna-se vantagem competitiva para qualquer organização, e esta vantagem competitiva é difícil de ser imitada, pois é proporcionada pela atuação das pessoas, ou seja, pela forma como a empresa administra seus recursos humanos e obtém deles o comprometimento, lealdade, dedicação e forte contribuição ao desempenho organizacional. Isto quer dizer que, atualmente, a vantagem competitiva das empresas não decorre de suas patentes, tecnologia ou ramo de negócio, mas, sim, pela forma de administrar seu pessoal, afinal, qualquer recurso tecnológico ou mecânico necessita ser usado por pessoas. Com isso, podemos concluir que o recurso humano é fundamental para que as empresas tomem vantagem competitiva no mundo dos negócios. Neste contexto, podemos concluir que os resultados organizacionais dependem das competências das pessoas envolvidas. Mas o que é competência? O autor Gramigna (2007) diz que competência são “repertórios de comportamentos e capacitações que algumas pessoas ou organizações dominam melhor que outras, tornando-as eficazes em determinada situação”. Já Fleury e Fleury (2001 apud Fernandes, p. 50), partindo da pesquisa em dicionários, destacam duas definições sobre a competência individual, ou seja: capacidade 3 para resolver qualquer assunto; aptidão; idoneidade (Dicionário Aurélio); qualidade ou estado de ser funcionalmente adequado ou ter suficiente conhecimento, julgamento, habilidade ou força para determinada atividade (Dicionário Wesbster). Neste contexto, é possível percebermos que as empresas e as pessoas fazem como que uma “troca” de competências contínua, em que as organizações repassam para as pessoas seus recursos financeiros, materiais e tecnológicos e desenvolvem nelas habilidades e conhecimentos. Essa análise é corroborada por Dutra (2001), que diz que as pessoas transferem para as empresas todo seu conhecimento, fazendo-as superarem diversas crises e alcançar metas e resultados satisfatórios. Organizações podem obter vantagem competitiva, na visão e percepção do autor Bohlander (2005), quando assumem quatro critérios como princípios para a condução de seus recursos humanos, conforme quadro a seguir: Quadro 1 – Recursos RECURSOS DEVEM TER VALOR Quando as pessoas aprimoram a eficiência e a efetividade da empresa. Exemplo: quando funcionários usam estratégias para diminuir custos. RECURSOS DEVEM SER DIFERENCIADOS Quando as habilidades, conhecimentos e competências não estão igualmente disponíveis aos concorrentes. RECURSOS DEVEM SER DIFÍCEIS DE IMITAR Quando suas capacidades e contribuições são difíceis de imitar. RECURSOS DEVEM SER ORGANIZADOS Quando seus talentos podem ser combinados e empregados para atuar em novas atribuições. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Bohlander, 2005. Podemos concluir que existe uma certa reciprocidade de interesses entre as organizações e as pessoas para o alcance dos objetivos individuais e organizacionais, e neste contexto, surge a reflexão sobre a importância de perceber e identificar talentos para usar internamente nas empresas, e se já existe estes talentos, alocá-los de maneira eficiente e eficaz dentro dos departamentos. Neste sentido, quando nos referimos à identificação e à alocação de talentos, estamos nos referindo ao processo de Recrutamento e Seleção de Pessoas, que está diretamente ligado à movimentação de pessoas dentro das organizações que inclui temas importantes, como remanejamento de pessoas, inclusão, recolocação e exclusão de talentos e das competências nas empresas. 4 1.1 O Recrutamento e a seleção de pessoas Recrutar e selecionar pessoas sempre vai ser um tremendo desafio para qualquer organização. Pessoas são diferentes, únicas e com forças e fraquezas difíceis de serem identificadas num primeiro momento. Quando se busca por aspectos técnicos como saber trabalhar com Excel avançado, TI, IA, tráfego pago, marketing etc., um teste prático pode ajudar na identificação dessas competências, mas o grande problema se encontra nas questões comportamentais, que na maioria dos casos são difíceis de serem identificadas. O recrutamento e a seleção fazem parte do processo de Recursos Humanos, objetivando prover de forma eficiente e eficaz as empresas com a força de trabalho necessárias. O autor Camargo (1999, p. 19) afirma ser fundamental que o profissional de Recursos Humanos esteja municiado de informações e ferramentas que o permitam não apenas colocar a pessoa certa no lugar certo, mas preencher com um ser humano e toda sua complexidade. Podemos entender também o Recrutamento como um processo intenso de busca, seja interna ou externa, de candidatos que atendam às exigências profissionais para ocupar os cargos disponíveis, sendo um meio que as empresas transmitem sua imagem à comunidade (Chiavenato, 2005). Neste contexto, Vizioli (2011) afirma que podemos entender que há dois pontos no processo de recrutamento que devem ser observados pelo recrutador. Quadro 2 – Vizioli (2011) IDENTIFICAR FONTES DE FUNCIONÁRIOS (TALENTOS) PARA AS ORGANIZAÇÕES. ADICIONAR TAIS FONTES, A FIM DE ENCAMINHAR AS PESSOAS MAIS ADEQUADAS À ETAPA SEGUINTE, QUE É A SELEÇÃO. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Vizioli, 2011. Para um recrutamento ser bem elaborado, faz-se necessário um processo sério e que seja relacionado de maneira eficaz com o cargo em aberto. Neste sentido, podemos refletir sobre alguns objetivos de um programa de Recrutamento: • Comunicar a posição de tal maneira que as pessoas em busca de emprego consigam responder. • Fornecer informações suficientes sobre cargo para que candidatos não qualificados desistam de se apresentar. 5 • Atrair candidatos qualificados, mas não os não qualificados, reduzindo os custos do processo de candidatos não qualificados. É vital para qualquer recrutador fornecer as informações suficientes sobre o cargo em aberto para os candidatos. O autor Ribeiro (2006) corrobora com a afirmação, afirmando que são necessárias informações claras e registradas do que se faz em um cargo e de quais são os requisitos pessoais necessários para um bom desempenho do processo. Conhecer os tipos de processo de recrutamento e saber quando utilizá-los pode ser a chave para cumprir a missão de atrair e escolher as melhores pessoas e da forma mais adequada possível. Vamos observar os tipos de recrutamento mais usados na atualidade: Quadro 3 – Tipos de recrutamento TIPO DE RECRUTAMENTO VANTAGENS DESVANTAGENS INTERNO – Procura profissionais que já estejam atuando na empresa. Retenção e valorização dos talentos da empresa, é ideal quando a empresa quer reduzir custos e contratar com mais precisão. Aumento dacompetitividade entre os colaboradores da empresa. EXTERNO – Busca profissionais fora da empresa. É ideal para empresas que buscam oxigenação de ideias, entrada de novos talentos e mais opções de profissionais para o processo seletivo. O processo pode ser custoso e demorado, pois demanda mais tempo para fazer a triagem dos candidatos e avaliar o fit cultural e habilidades técnicas e comportamentais. MISTO – Envolvimento de candidatos internos e externos no mesmo processo. Uma das principais vantagens é a abrangência do público, pois é possível encontrar os melhores profissionais do mercado, tanto de dentro quanto de fora da organização. Demora no processo seletivo, pois, ao juntar dois tipos de recrutamento, há o aumento de complexidade no processo. ONLINE – Ferramenta usada para tornar os processos internos, externos e mistos mais eficientes. Possibilita entrevistas online, agiliza testes de aptidão e reduz o volume de trabalho operacional do RH. Ausência do contato humano presencial. Isso pode prejudicar a avaliação e experiência do candidato 6 e prejudicar a eficiência e qualidade na contratação. AS CEGAS – Visa diminuir vieses inconscientes e a discriminação na hora de avaliar os candidatos, sendo uma excelente alternativa para contribuir com a diversidade no ambiente de trabalho. Contribuição com o aumento da diversidade dentro da empresa devido à imparcialidade promovida pela ausência de informações que poderiam gerar preconceitos e discriminação. Nesse modelo de processo seletivo, somente requisitos essenciais relativos à vaga são requeridos, ou seja, são avaliados somente as competências técnicas e comportamentais. Um software de recrutamento e seleção pode ajudar a omitir as informações que não são relevantes para a vaga, como: idade, gênero, nome, foto etc. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Ambrust, 2024. Assim que finaliza o processo de recrutamento, inicia-se o processo de seleção e esses dois processos se relacionam e andam juntos. Vamos entendê- lo melhor. A seleção, assim como o recrutamento, é um processo que pertence ao subsistema de provisão de Recursos Humanos, e objetiva colocar a pessoa certa no lugar certo por meio da escolha de possíveis candidatos com maiores possibilidades de desempenhar de maneira adequada as funções e as necessidades da empresa (Lotz, 2015). Essa ação que caracteriza o processo seletivo tem fundamento nas informações do cargo encontradas pelo selecionador na descrição do cargo, e que indicarão os possíveis critérios da seleção. Quando os critérios são objetivos e claros, possivelmente a seleção tende a apresentar um maior grau de precisão. Vamos entender melhor esse processo, analisando o quadro a seguir que tem a seleção como um processo de comparação: 7 Quadro 4 – A seleção é um processo de comparação 1. ESPECIFICAÇÕES DO CARGO 2. O QUE O CARGO REQUER 3. ANÁLISE E DESCRIÇÃO DO CARGO: O QUE O CARGO EXIGE DE SEU OCUPANTE? VERSUS 1. ESPECIFICAÇÕES DO CANDIDATO 2. O QUE O CANDIDATO OFERECE 3. TECNICAS DE SELEÇÃO: QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES PESSOAIS PARA OCUPAR O CARGO ALMEJADO? Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Chiavenato, 2015, p. 136. A seleção deve ser realizada de forma coerente e profunda pelo selecionador, caso contrário pode acontecer problemas que impactarão diretamente na organização. Um candidato mais qualificado que o cargo exige, por exemplo, que chamamos de over qualified, é mais suscetível a pedir desligamento da organização em um curto período de tempo. Caso o colaborador seja selecionado de maneira errada e não se adapte às tarefas do cargo sendo necessário seu desligamento do quadro funcional, a empresa poderá arcar com os custos de desligamento. Neste sentido, podemos entender a seleção de pessoal como um processo comparativo, análogo a um quebra-cabeça, que só terá êxito se houver o encaixe correto das peças (Lotz, 2015). TEMA 2 – GESTÃO DE CARREIRAS, REMUNERAÇÃO E BENEFÍCIOS No contexto atual, de inúmeras mudanças acontecendo como o avanço das tecnologias, mudanças de gerações, aumento populacional (chegamos a 8 bilhões de pessoas no mundo), e o acontecimento da Covid em 2019, as pessoas e as organizações estão revendo a questão da gestão de carreiras, remuneração e os benefícios diante de tantas mudanças. Diante desse contexto, a relação de trabalho entre pessoas e empresas, pode ser entendida como qualquer natureza de prestação de serviço, seja de trabalhador registrado pela organização, seja trabalhador autônomo e eventual sem vínculo empregatício (Lotz, 2015). 8 Refletindo carreira como plano e gestão, podemos entendê-la no aspecto organizacional, como uma ferramenta utilizada pelo departamento de RH para possibilitar o desenvolvimento do trabalhador e motivá-lo para que busque o seu melhor desempenho. No aspecto pessoal, a autora Zaccarelli et al (2008) destaca a importância de cada profissional realizar um planejamento de carreira, em que expõe o estabelecimento de metas e ações necessárias para o alcance delas. Zaccarelli ressalta a importância de se escrever esses planejamentos, metas e ações, e consultá-los periodicamente como sendo uma bússola para a vida profissional. Um aspecto importante é perceber que o plano de carreira dependerá da motivação individual, da decisão da própria pessoa sobre o caminho a ser seguido e, neste sentido, o autor Xavier (2006) organiza os passos a serem seguidos para elaboração de um plano de carreira, conforme quadro a seguir: Quadro 5 – Passos a serem seguidos para elaboração de plano de carreira 1. Identificação de oportunidades e ameaças. As ameaças referem-se às situações do contexto fora do nosso controle e que podem influenciar negativamente o nosso plano. As oportunidades referem-se a eventos externos que também não estão sob nosso controle, mas que influenciam positivamente para o alcance de nossos objetivos. 2. Identificação do potencial profissional para a realização do plano. Localizam-se as forças e as fraquezas. O potencial é composto pelo perfil de competências gerais e específicas para a realização das tarefas e funções; competências emocionais; capacidade de trabalho e energia; história de vida, currículo, entre outras. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Xavier, 2006. Como já comentado, o planejamento profissional necessita ser escrito, colocando todas as ações específicas a serem realizadas para cada objetivo. Neste contexto, os quadros 6 e 7 serão usados para ajudar na elaboração de um plano de carreira, conforme a autora Zaccarelli (2008). 9 Quadro 6 – Situação e objetivos profissionais SITUAÇÃO E OBJETIVOS PROFISSIONAIS DESCRIÇÃO DE SUA SITUAÇÃO PROFISSIONAL DESEJADA: OBJETIVOS A SEREM CONQUISTADOS: OBJETIVO 1 OBJETIVO 2 OBJETIVO 3 Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Zaccarelli, Domenico e Teixeira, 2008, p. 157. Quadro 7 – Sugestão para Plano de Ação SITUAÇÃO PARA PLANO DE AÇÃO OBJETIVO 1 PLANO DE AÇÃO O QUE FAZER COMO FAZER QUANDO O QUE VOU PRECISAR ACOMPANHAMENTO INÍCIO FIM Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Zaccarelli, Domenico e Teixeira, 2008, p. 15. No Quadro 6, é necessário estabelecer os objetivos, ações, o tempo necessário para a realização e quais os recursos necessários. No Quadro 7, para cada objetivo elencado, deve-se elaborar um plano de ação. O sistema que detém um dos maiores custos operacionais de uma organização é o seu sistema de remuneração, pois tem um impacto profundo nas estratégias adotadas por qualquer empresa. A remuneração necessita ter um bom planejamento para que impacte de maneira forte nos colaboradores e seja um elementoque desperte a motivação e a satisfação do que estão desempenhando. Quando refletimos a remuneração, podemos entendê-la como sendo uma recompensa, e esta reflete a relação de interdependência e parceria com a empresa, observando o trabalhador que recebe uma recompensa por usar sua força de trabalho para a empresa alcançar seus objetivos e necessidades. O autor Chiavenato (2014) traz um conceito de remuneração total composto por quatro elementos, sendo eles: 10 • Remuneração básica • Incentivos salariais • Incentivos não financeiros • Benefícios Quadro 8 – Componentes da Remuneração Total REMUNERAÇÃO TOTAL REMUNERAÇÃO BÁSICA Salário mensal e salário por hora. INCENTIVOS SALARIAIS Bônus, prêmios, participação nos lucros, remuneração variável. INCENTIVOS NÃO FINANCEIROS Distribuição de ações, opção de compra de ações, participação em metas e resultados, prêmios em viagens, prêmios em bens. BENEFÍCIOS Seguro de vida, seguro de saúde, refeições subsidiadas, transporte subsidiado etc. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Chiavenato, 2014, p. 241. Na questão específica dos benefícios, com base no anuário de benefícios corporativos de 2023, ocorreram avanços e novas possibilidades no quesito benefícios, conforme quadro a seguir: Quadro 9 – Anuário de Benefícios corporativos 2023 CENÁRIO DE 2023 – BENEFÍCIOS VALE REFEIÇÃO E ASSISTÊNCIA MÉDICA Devido ao aumento nos preços dos alimentos e dos custos de assistência médica para as famílias em 2022, o Vale Refeição se posicionou em primeiro lugar, com 81,20%, e a Assistência Médica, com 81,10%, ocupou a segunda posição na lista dos benefícios mais oferecidos pelas empresas. OS COLABORADORES PEDEM POR VALE ALIMENTAÇÃO O Vale Alimentação é um importante componente da remuneração e entrega uma liquidez que nenhum aumento salarial é capaz de entregar. Enquanto a oferta pelas empresas caiu em 2023, para o colaborador, esse é o benefício mais importante. A ERA DA FLEXIBILIZAÇÃO A flexibilidade é parte da demanda por inovação, diversidade, diferencial em Marca Empregadora, atraindo e engajando os melhores talentos. Para a geração Y, parte ativa do mercado de trabalho, e a Z, que já representa 25% dessa força, é mais que um diferencial, é uma prioridade (3º lugar entre os mais importantes com 8,3%). Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em anuário de benefícios corporativos de 2023. 11 Ao compreender e implementar essas inovações, as empresas têm a oportunidade de atrair e manter os melhores talentos, melhorar a satisfação dos colaboradores e estabelecer um ambiente de trabalho positivo. Como já dissertado anteriormente, temos testemunhado nos últimos tempos mudanças transformadoras em vários aspectos, e no campo da remuneração e benefícios não poderia ser diferente. As expectativas dos colaboradores juntamente com o avanço tecnológico definem a forma como as organizações encaram e possivelmente definem suas estratégias de remuneração que exigirá uma adaptação ágil e inovação constante para garantir o sucesso futuro de qualquer empresa. Uma possível e forte tendência para o ano de 2024 e posteriores a ele, segundo pesquisa sobre Perspectiva e Tendências Remuneração Estratégica e Benefícios 2024, será a integração de tecnologias avançadas na gestão de remuneração. A inteligência artificial (IA) e a análise de dados em larga escala se destacarão, proporcionando uma avaliação mais precisa das necessidades dos colaboradores e automatizando processos complexos de administração de benefícios. Outro ponto estratégico para a questão dos benefícios será a personalização da experiência do colaborador, pois as organizações de RH estão buscando oferecer pacotes de remuneração e benefícios altamente personalizados, não se limitando apenas aos valores monetários, mas também a opções flexíveis que atendam às demandas individuais de cada colaborador. Concluindo e resumindo, a Remuneração Estratégica e Benefícios para 2024 e outros anos vindouros certamente será marcada por uma integração mais profunda de tecnologias avançadas, pela personalização extensiva da experiência do colaborador e por um compromisso inabalável com a transparência. As empresas que abraçarem e se adaptarem a essas tendências estarão não apenas alinhadas com as expectativas do futuro, mas também se destacarão como líderes em um ambiente de constante transformação. TEMA 3 – QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE OCUPACIONAL Uma reflexão profunda que todos nós devemos realizar é sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Certamente, necessitamos e muito da questão financeira para alcançarmos nossos sonhos e objetivos de vida, e um recorrente 12 problema sempre está no radar: Como equilibrar o tempo gasto com minha profissão, minhas metas, e minha família, meus planos pessoais? Essa reflexão é extremamente necessária não somente para os colaboradores e profissionais, mas também para as organizações, pois um colaborador com sérios problemas na vida pessoal, familiar e de saúde certamente afetará os indicadores de produtividade e lucratividade da empresa. Atualmente, existe uma tendência na administração no sentido de concordar na afirmação de que uma organização para ser bem-sucedida necessita pensar no seu ambiente interno com estrutura e clima bom aos seus colaboradores, pois esse fator corrobora na retenção de talentos e melhora a produtividade. Para buscar e preservar os melhores talentos, que venham a manter vantagem competitiva, muitas organizações necessitam realizar investimentos pessoais e financeiros em sua gestão para que possam proporcionar condições físicas, ambientais, sociais e psicológicas que resultem em bem-estar mental e físico dos colaboradores que nelas trabalham. As organizações necessitam ter uma preocupação constante com os valores humanos e sociais, e a saúde no trabalho entra nesse quesito. Os autores Araujo e Garcia (2009, p. 196) narram que a saúde no trabalho é definida como um processo que se preocupa em manter e assegurar que a estrutura da organização e os procedimentos executados durante a jornada de trabalho estejam corretos, ou seja, garantir que as pessoas se encontram em um ambiente seguro. • Existem alguns critérios básicos que definem o que devem conter os programas empresariais de saúde no trabalho. • Promoção adequada das condições ambientais, tais como iluminação, ruídos, temperatura, ventilação e conforto. • Controle dos fatores causadores de doenças, os riscos à saúde, tais como riscos psicológicos, físicos, químicos ou biológicos. • Prevenção, redução e eliminação das causas prejudiciais, com ações de orientação às pessoas baseadas na utilização adequada das condições ambientais e controle dos fatores causadores de doença. A Norma Regulamentadora número 5 (NR5) regulamenta a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que é obrigatória em todas as 13 empresas com mais de 50 funcionários. Segundo essa mesma norma, a CIPA tem por objetivo prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho, promovendo a preservação da vida e da saúde do trabalhador. A qualidade de vida no trabalho foi cunhada por Luís Davis nos anos de 1970, e seu conceito constitui-se de vários fatores, como satisfação com o trabalho executado, as possibilidades de desenvolvimento na organização, o reconhecimento pelos resultados alcançados, o salário pago, entre outros. (Chiavenato, 2010). A qualidade de vida no trabalho tem sido objeto de preocupação de muitas organizações para conseguir despertar a motivação e o comprometimento dos funcionários, por meio da promoção de inúmeros programas de bem-estar dos funcionários. TEMA 4 – TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Somos seres humanos sempre em movimento, mesmo quando nos imaginamos parados, nosso planeta está a semovimentar constantemente. Neste aspecto, somos seres que não nos contentamos em alcançar uma necessidade e nos manter estagnados, parados nela. Maslow em sua teoria confirma que somos seres sempre em busca de novas necessidades, somos seres insatisfeitos. Diante desse fato, mesmo sendo seres que constantemente buscam novas necessidades, muitas pessoas correm o risco de se acomodarem na chamada “zona de conforto”, e ficarem estagnadas sem buscar novos horizontes e seguir em frente. As organizações também são assim. Uma organização que não faz constantemente uma análise ambiental corre o risco de ser engolida por problemas como concorrência, mudanças sociais e ambientais. Neste contexto, o treinamento e desenvolvimento são ferramentas que ajudam muito as organizações a alcançarem seus objetivos, afinal, o recurso humano é primordial e o que faz a diferença trazendo diferenciais que vão muito mais além do que somente os recursos materiais, financeiros e tecnológicos. O foco no fator humano como vantagem competitiva para um melhor posicionamento no mercado tem levado as organizações a entenderem que qualificação e desenvolvimento não é apenas uma responsabilidade das pessoas, também deve ser foco da organização, e é neste sentido que o treinamento, desenvolvimento e educação corporativa vêm ganhando investimentos cada vez maiores. 14 Embora treinamento e desenvolvimento sempre estejam juntos, são diferentes no conceito e na aplicação. Os autores Milkovich e Boudreau (2000 apud Araujo; Garcia, 2009, p. 96) definem treinamento como sendo um processo sistemático para promover a aquisição de habilidades, regras, conceitos ou atitudes que tragam resultados numa melhoria da adequação entre as características dos empregados e as exigências dos papeis funcionais. Treinar pode ser entendido como sendo um processo para possibilitar aprendizagens que tragam mudanças para melhorar a realização de uma tarefa com benefícios a curto prazo para a empresa. Os mesmos autores Milkovich e Boudreau (2000 apud Araujo; Garcia, 2009, p. 96) definem Desenvolvimento como sendo um processo de longo prazo, buscando aperfeiçoar, capacitar e despertar a motivação dos empregados, a fim de torná-los futuros membros melhores e talentosos para a organização. A grande diferença entre treinar e desenvolver pessoas está no fato de, enquanto o treinamento foca apenas em realizar tarefas a curto prazo, o desenvolvimento foca em aperfeiçoar e capacitar a longo prazo. Quadro 10 – Similaridades e diferenças entre treinar e desenvolver pessoas TREINAMENTO DESENVOLVIMENTO PROCESSO DE APRENDIZAGEM PROCESSO DE APRENDIZAGEM VOLTADO PARA O CONDICIONAMENTO DA PESSOA; PARA EXECUÇÃO DE TAREFAS VOLTADO PARA O CRESCIMENTO DA PESSOA EM NÍVEL DE CONHECIMENTO, HABILIDADE E ATITUDE PONTUAL; ATENDE A NECESSIDADES DO MOMENTO EM CURTO PRAZO PROJEÇÃO DE NECESSIDADES FUTURAS. MÉDIO E LONGO PRAZO. Fonte: elaborado por Andrade, 2024, com base em Araujo e Garcia, 2009. No Quadro 10, percebemos que o Treinamento e Desenvolvimento são processos que envolvem a aprendizagem, contudo com objetivos diferentes. Enquanto o treinamento procura aprendizagens mais focadas em tarefas imediatas, o Desenvolvimento foca na preocupação com o crescimento pessoal dos funcionários para uma carreira, a médio e longo prazo. 15 TEMA 5 – APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E GESTÃO DO CONHECIMENTO Como seres humanos, desde nossa primeira infância, iniciamos um processo que se perpetuará durante nossa caminhada pela vida, a aprendizagem. Aprendemos a falar, a andar, a ler e a escrever, a nos relacionar e, quando entramos numa organização para atuar de forma profissional, continuamos o processo. A aprendizagem focando a questão organizacional é ligada ao que aprendemos individualmente, em que nossas habilidades, valores, conhecimentos ou comportamentos individuais são adquiridos ou modificados. A aprendizagem organizacional depende da capacidade que cada pessoa possui de fazer a junção de conhecimentos formais e informais, permitindo, com isso, que a empresa possa criar seus próprios métodos e modelos de gestão conforme suas necessidades. A gestão do conhecimento é uma parte importante da aprendizagem organizacional, pois envolve a identificação, a aquisição, a distribuição e a aplicação do conhecimento e informação na organização. Chiavenato (2014) nos fala que conhecimento é a informação estruturada com gestão, planejamento dirigido e monitorado capaz de agregar valor e gerar riquezas. Desta forma, quando falamos sobre gestão do conhecimento, estamos tratando de pessoas, relações de trabalho e comunicação, utilizando recursos tecnológicos e combinando boas práticas com a cultura de aprendizagem organizacional, com foco em melhorar cada vez mais o desempenho das organizações no mercado. O autor Meister (2000, apud Gil, 2008, p. 143) nos traz o conceito de Universidade Corporativa, que é uma unidade educativa que funciona dentro das organizações, com a missão de treinar e garantir o aprendizado contínuo de toda a sua cadeia de valor (funcionários, clientes e fornecedores). Com isso, podemos entender através do autor Meister que a universidade corporativa é um conceito que envolve toda a organização, gerando resultado. Não se pode confundir Universidade Acadêmica com Universidade Corporativa. A acadêmica foca no ensino, na pesquisa e na extensão, e a Corporativa tem interesse imediato em gerar bons resultados para a organização. 16 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, L. G. A gestão Estratégica de Pessoas. In: BOSCHINI, R. M. (Ed.). As pessoas na Organização. São Paulo: Editora Gente, 2022. ARAUJO, L. C. G. Gestão de pessoas: estratégias e gestão organizacional. 2. ed. São Paulo: atlas, 2009. BARBOSA, R. Dos S.; ESTENDER, A. C. 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