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1 MEDIDAS E AVALIAÇÕES 1 SUMÁRIO NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 2 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3 2. MEDIDAS E AVALIAÇÕES .................................................................................. 5 2.1 Objetivos das Medidas e Avaliações na Educação Física ........................... 11 2.2 Conceitos Básicos: Testar, Medir e Avaliar .................................................. 15 2.3 Tipos de Testes ............................................................................................ 17 3. TIPOS DE MEDIDAS .......................................................................................... 18 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 20 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 1. INTRODUÇÃO Na área da Educação Física, os professores podem atuar em diferentes campos, sendo alguns deles na educação física escolar, no treinamento esportivo, nas academias e nos clubes com as mais variadas modalidades esportivas (DANTAS, 2009; OLIVEIRA, 2011). Além dessas modalidades, ainda há a possibilidade de atuação como personal trainer, com arbitragem e com pesquisas científicas. Independentemente do contexto em que o profissional opte por trabalhar, há especificidades que são comuns a todos. Em todos esses contextos de atuação, os profissionais da área devem se valer de estratégias para averiguar se a proposta de trabalho está atingindo os objetivos a que se propõem. Neste sentido, para auxiliar os profissionais em sua atuação profissional, surgem as técnicas de medidas e avaliações. Essas técnicas de medir e avaliar são historicamente antigas e, cada vez mais, têm sofrido aperfeiçoamento teórico. Esse aprofundamento teórico deu origem a dois termos distintos relacionados às medidas e avaliações: a antropometria e a cineantropometria. Essa prática tão antiga continua sendo frequentemente utilizada pelos profissionais. Ao longo do Tópico 1 será apresentada uma breve contextualização histórica sobre as medidas e avaliações, em seguida, a definição de dois termos essenciais para o estudo das medidas e avaliações: antropometria e cineantropometria. E, além disso, serão enfatizadas as diversas possibilidades de atuação prática em medidas e avaliações, tanto nas sociedades antigas como nas sociedades modernas, e também serão identificados os objetivos relacionados às medidas e avaliações de forma generalizada. Aspectos relacionados às medidas e avaliações são historicamente antigos, ainda que com o passar dos anos as formas e os critérios de avaliação tenham se modernizado. Os registros históricos indicam que é antiga a preocupação do homem em mensurar seu corpo (FRANÇA; VÍVOLO, 1998). Essa necessidade surgiu desde os primórdios da humanidade, quando o ser humano lutava por sua sobrevivência. Para Velho et al. (1993), na Pré-história os homens primitivos apresentavam características corporais que os auxiliavam na sobrevivência, sobretudo baseadas no ataque e na defesa. Apesar disso, não há evidências que indiquem a existência de 4 métodos de treinamento ou indícios de que o homem percebia “proporções” ou características corporais que lhe garantiam a sobrevivência. Na Antiguidade, na Grécia, a educação da juventude se relacionava com a preparação física e, assim, a robustez e o endurecimento do corpo eram o propósito de preparação para guerras e conquistas (MARTINS; WALTORTT, 2009). Para os autores Martins e Waltortt (2009), já é possível perceber que nesse período havia uma preocupação com as formas e as proporções corporais a fim de possibilitar vencer guerras e conquistas.Os egípcios, por exemplo, forneceram dados antropométricos curiosos, relacionados à proporção entre a parte e todo o corpo. Na antiguidade clássica há referências que ressaltavam qual era o tipo ideal para o atleta olímpico. E, com o passar dos anos, novos estudos foram desenvolvidos e deixaram em evidência a importância da antropométrica para a atividade humana (FRANÇA; VÍVOLO, 1998).Para Martins e Waltortt (2009), inicialmente, os seres humanos elaboram formas de atribuir medidas aos segmentos corporais a fim de estabelecer padrões de proporcionalidade necessários às manifestações da arte em esculturas, desenhos e pinturas. As medidas dos segmentos corporais passaram a ser vistas como um meio importante e necessário ao entendimento das diferentes características do homem, em suas diversas apresentações raciais. Foi-se percebendo que o homem realmente se diferencia entre si, enquanto indivíduo e enquanto agrupamento humano (raças, etnias, culturas), a partir da instituição da necessidade científica de mensurar e estudar os segmentos corporais (MARTINS; WALTORTT, 2009).As antigas civilizações da Índia, Grécia e Egito foram as pioneiras no uso das dimensões corporais como primeiro padrão de medida, quando então se tentava estabelecer o perfil das proporções do corpo humano (PETROSKI, 1995 apud MARTINS; WALTORTT, 2009). De acordo com Michels (2000), nos livros sagrados do Velho Testamento, no Talmude Babilônico e no Midrashin já havia referências à forma, proporções e estaturas do corpo humano. Existem alguns registros históricos que sugerem alguns períodos iniciais que impulsionaram as medidas e avaliações.Como foi visto, a preocupação dos homens mensurarem o corpo é antiga. Contudo, pode-se dizer que a antropometria e a cineantropometria foram sistematizadas há pouco tempo. E desde as utilizações iniciais de formas e proporcionalidades do corpo humano, ocorreram inúmeros avanços não só nas técnicas utilizadas para mensurar, mas também nos instrumentos criados para efetuar as mensurações do corpo humano. 5 2. MEDIDAS E AVALIAÇÕES Figura 1 Nesse cenário, nos deparamos com duas terminologias distintas. Há a antropometria e há a cineantropometria. A palavra “antropometria” possui origem grega. Assim, anthropo identifica “homem” e metry significa “medida”. A antropometria consiste na avaliação das dimensões físicas e da composição global do corpo humano. Velho et al. (1993) complementa que a antropometria serve para determinação objetiva dos aspectos referentes ao desenvolvimento do corpo humano, assim como para determinar as relações existentes entre físico e performance. Há outras definições da palavra, que serão apresentadas a seguir para melhor compreensão do que é antropometria. Para Michels (2000), a antropometria pode ser definida comoa parte da antropologia que estuda as proporções e medidas do corpo humano. E para Martins e Waltortt (2009), a antropometria destina-se à medição dos segmentos corporais (MARTINS; WALTORTT, 2009). E a palavra “cineantropometria”, também de origem grega, deriva de kines,que significa “movimento”, anthropo, que significa homem, e metry, quesignifica “medida”. Esse termo possui maior amplitude conceitual e, por isso, sugere o uso da medida no estudo do tamanho, da forma, da proporcionalidade, da composição, da maturação e da função geral do corpo humano. A cineantropometria nos auxilia a entender o movimento humano no contexto de crescimento, de atividade física, exercício físico, desempenho e nutrição. 6 Salienta-se que a antropometria é fundamental, mas a cineantropometria é mais abrangente e atual (MARTINS; WALTORTT, 2009). Assim, apresenta-se no Quadro 3a importância dessas duas áreas de estudos. No referido quadro, as palavras grifadas em negrito representam a contribuição da antropometria para a cineantropometria. Em razão de as medidas e avaliações serem um recurso utilizado desde as sociedades mais antigas, é possível compreender que com o passar dos anos ocorreram diversos aperfeiçoamentos no que concerne às técnicas de medidas e suas aplicações práticas até as sociedades modernas. Por essa razão, serão apresentados alguns exemplos que ilustram aplicações práticas das medidas e avaliações tanto nas sociedades antigas como nas sociedades modernas. Nas sociedades antigas, os dados antropométricos foram muito utilizados. Como já foi mencionado anteriormente, as proporções humanas eram utilizadas nas obras de arte (esculturas, desenhos e pinturas). Além disso, também eram utilizadas para a confecção de ferramentas e outros utensílios que auxiliassem na realização das atividades dos trabalhadores. Outro exemplo que revela o uso das medidas e avaliações foi durante a escravidão. Os compradores de escravos poderiam avaliar a estatura, o peso, entre outras características para definir qual escravo seria comprado. Essa mesma lógica poderia ser aplicada aos gladiadores, que, muitas vezes, eram comprados como escravos. Contudo, a forma de utilização mais importante relacionada às medidas e avaliações é a utilização do corpo humano como referência de medidas. Frequentemente, as sociedades antigas mediam distâncias utilizando os dedos polegares, ou a palma da mão ou as plantas dos pés. Essas unidades de medida eram denominadas de polegadas, de palmos e de pés, respectivamente. Faz-se necessário explicar que a medida denominada polegada se refere ao comprimento do dedo médio. A medida denominada palmos se refere à distância da extremidade do polegar até a extremidade do dedo mínimo com a palma da mão aberta. E a medida denominada pés se refere ao comprimento da palma do pé. Para a realização dessas três medidas mencionadas (polegadas, palmos e pés) não era necessário instrumento específico, bastava o indivíduo fazer uso de seus segmentos corporais. Um exemplo: a unidade de medida polegadas foi frequentemente utilizada pelos egípcios, entre os séculos XXXV e XXII a.C. Estimava- 7 se que a estatura de um ser humano “ideal” deveria corresponder a 19 vezes a medida da polegada. Já para os gregos, estimava-se que a estatura de um ser humano “ideal” deveria corresponder a oito vezes a altura da cabeça do indivíduo. Essas estimativas foram elaboradas a partir de métodos de observação. Outro exemplo da utilização da unidade de medida com base em segmentos corporais foi para efetuar as medidas de um terreno. Para estabelecer as medidas de largura e de comprimento de um terreno era possível contabilizar a quantidade de pés necessários para percorrer as extremas do terreno. Assim, um terreno poderia medir 405 pés de largura por 300 pés de comprimento. Essas medidas eram muito utilizadas e, de certa forma, é possível utilizá-las ainda na atualidade, apesar de não ser uma prática comum no Brasil. É sabido que as unidades de medida evoluíram ao longo dos anos e, por conseguinte, instrumentos de medida foram criados para auxiliar nas medições. Na atualidade, os brasileiros utilizam unidades de medidas baseadas em centímetros (cm), metros (m) e quilômetros (km). As medidas em centímetros, metros e quilômetros podem facilmente ser transformadas em polegadas, palmos e pés, por meio do uso de um sistema equivalente. Apresentam-se na Figura 1 as unidades de medidas polegada, palmo e pé com os valores atribuídos em centímetros. Nos dias atuais, o tamanho da tela de uma televisão, por exemplo, continua sendo medido com base nas polegadas. Assim, há aparelhos televisores com tamanhos diversificados, sendo: 14, 32, 49 ou 85 polegadas. Nas sociedades modernas, os dados antropométricos continuam sendo muito utilizados. Às vezes, pode lhe parecer que os termos antropometria ou cineantropometria designam um conteúdo novo, com o qual você talvez não se tenha deparado antes. Contudo, vale ressaltar que possivelmente o termo lhe seja uma novidade, mas certamente você conhece muitos contextos que fazem uso frequente do conhecimento da antropometria ou cineantropometria. Na sequência, veremos alguns exemplos onde são aplicadas as medidas e avaliações. Na Figura 2apresenta- se o panorama geral dos exemplos que serão abordados neste subtópico. Indústria automobilística: As empresas que planejam o design interno dos automóveis fazem uso das medidas. Muitos dos automóveis são idealizados por uma empresa e posteriormente são fabricados em lojas localizadas em diferentes países. Ou seja, os automóveis são vendidos em países distintos e, assim, os compradores 8 dos automóveis possuem diversas nacionalidades e características corporais diferentes. Por exemplo, atualmente os carros possuem ajustes de elevação de bancos, de volantes, dos cintos de segurança; além de inclinação dos espelhos e retrovisores. Todos esses aspectos foram pensados em proporcionar que os motoristas e passageiros estejam confortáveis e seguros no momento da condução do veículo. Indústria da beleza: A indústria da beleza também se utiliza das medidas com a finalidade de lançar e definir padrões. Para ilustrar, recorre-se ao caso dos tradicionais concursos de beleza, que medem altura, peso, circunferência de quadril e de cintura das candidatas a Miss Universo ou Miss Brasil. Outra vertente dos concursos de beleza, essa tendo sua prática mais atual, são os concursos de beleza Plus Size, que privilegiam corpos de candidatas que não atendem à “ditadura” da beleza, são, portanto, corpos com características corporais contrárias à magreza. Os estereótipos das candidatas nos dois contextos de concursos de beleza são diferentes. No primeiro, de forma geral são contempladas candidatas preferencialmente com pernas longas, cintura fina e reduzido peso corporal e percentual de gordura. Já no segundo, são candidatas que apresentam cintura não tão fina e peso corporal e percentual de gordura aumentado. Atenta-se ao fato de que ao longo dos anos os padrões de beleza se modificam com as alterações da sociedade. Na Grécia antiga, devido aos ideais heroicos da época e ao culto aos deuses, os padrões de beleza cultuavam o corpo belo, forte e esbelto (inspirado nos atletas olímpicos). Já na Idade Média era considerada bela e saudável a mulher que possuía quadris largos, em sinal de que apresentaria facilidade durante o parto de seus filhos.→Indústria da moda: Frequentemente, as indústrias de roupas fazem uso dessas medidas antropométricas da população. Afinal, na confecção de roupas e calçados é necessário reconhecer os tamanhos (peso, altura, comprimentos dos segmentos corporais) dos possíveis consumidores desses produtos, de modo que lhes sirvam ao corpo. Por exemplo, a média de estatura da população chinesa é diferente da média brasileirae, por isso, quando as roupas dos brasileiros são importadas da China, é comum haver alterações no tamanho. Assim, se o indivíduo utiliza roupas de tamanho “Médio” fabricadas no Brasil, é possível que utilize tamanho “Grande” das roupas fabricadas na China. Mas é importante mencionar que no próprio Brasil pode haver diferenças no tamanho das roupas, a depender dos valores de referência adotados 9 pela empresa fabricante. Isso ocorre porque, geralmente, os valores de referência utilizados são a média da população geral. É possível exemplificar esse fato ilustrando que a média da população chinesa apresenta manequins menores do que a população americana ou alemã. Isso explica porque, quando algumas pessoas viajam do Brasil para os Estados Unidos da América, percebem que há diferenças nos tamanhos das roupas e dos calçados. Para exemplificar essa questão dos valores de referências, na Figura 3 são apresentados dados sobre o estado nutricional relacionado ao perfil antropométrico da população brasileira de mulheres idosas em cada região do país. Tabela 1 As profissões de alfaiate e costureira mostram com reverência a aplicação prática das medidas. Para confeccionar uma roupa para um indivíduo é preciso mensurar seus segmentos corporais. No caso da confecção de ternos, é necessário mensurar o comprimento e o diâmetro dos membros superiores, bem como aferir a circunferência da cintura, o comprimento e o diâmetro dos membros inferiores. Produção de móveis: A mesma lógica se repete na indústria dos móveis. Em móveis comprados em lojas populares que não confeccionam a mobília sob medida, é comum constatar que pessoas com estatura elevada sofrem prejuízos posturais com a altura das pias de cozinha, que tendem a ser baixas. Assim, para realizar tarefas 10 básicas para limpeza da residência, esses indivíduos se sujeitam à má postura para se ajustarem à altura da pia. Ou ainda, no caso de indivíduos com nanismo, eles precisam adaptar a residência para atender às suas necessidades diárias com base na estatura. Neste caso, os móveis prontos, muitas vezes, adotam valores de referência que não lhes atenderão. Equipamentos eletrônicos: As aplicações práticas das medidas em equipamentos eletrônicos também são evidentes. As empresas que planejam o design externo dos telefones celulares e tablets os fabricam com opções de tamanho e teclados diferentes. Com isso, além de atender aos interesses estéticos dos compradores desses produtos, permitam que tenham opções de tamanhos menores ou maiores, que melhor se ajustem ao tamanho de suas mãos e dedos. Ciências da saúde: É notável a aplicação prática das medidas e das avaliações na área de conhecimento das ciências da saúde. Em especial, na medicina e na educação física. Rotineiramente, os médicos utilizam as medidas e as avaliações para acompanhar o crescimento da barriga das gestantes, para acompanhar o desenvolvimento do bebê desde a barriga da mãe até os primeiros anos de vida. Já a educação física, foco de interesse principal para nós, ao longo dos anos tem se apropriado das medidas e avaliações de modo que sua aplicação se tornou fundamental não só no contexto escolar, mas também no esporte de participação e esporte de alto rendimento, portanto, é fundamental aos profissionais da área reunir informações sobre medidas e avaliações.Rural87613,750,025,311,0* IMC - Kg/m²** Magreza (todas as formas - IMC < 18,5); adequado (18,5 < IMC < 25,0); sobrepeso I (25,0 < IMC < 30,0); sobrepeso II e III (IMC > 30,0) Nota-se que a aplicação prática das medidas e das avaliações na educação física é abrangente. Assim, na educação física escolar utilizam-se as medidas e as avaliações para acompanhar os processos de crescimento e desenvolvimento dos alunos. Tanto nas escolas como nos clubes é possível utilizar as medidas e as avaliações para identificar possíveis talentos em determinadas modalidades esportivas, como o atletismo e a natação, pois há um ideal de corpo atlético de forma geral. Já no atletismo almejam-se atletas com pernas longas para corredores e, na natação, atletas de estatura alta e envergadura elevada são requisitos desejáveis para a otimização do desempenho na água. Já para os atletas de rugby, as exigências são diversificadas, pois procuram-se atletas velozes e outros atletas fortes de modo a cumprir as diferentes funções da 11 modalidade. Destaca-se que essa lógica não se repete nas modalidades esportivas adaptadas para pessoas com deficiências. Nas academias, muitos aparelhos possuem regulagens que podem ser ajustadas conforme a altura, a envergadura, o comprimento de membros superiores e inferiores dos alunos matriculados. Esses ajustes são feitos para garantir maior conforto e segurança durante a execução do exercício físico realizado nos aparelhos. Em alguns esportes, como no caso das lutas, é possível utilizar características antropométricas (peso) para inserir os lutadores nas categorias da modalidade (exemplos de algumas categorias: mosca, galo, pena, leve, médio, meio pesado, pesado, entre outras).Além desses, há equipamentos esportivos que podem melhorar a performance do atleta. Isso é observado nas modalidades esportivas convencionais e nas modalidades de esportes adaptados para pessoas com deficiência. Para ilustrar exemplos de equipamentos esportivos que podem melhorar o desempenho esportivo, citam-se os ajustes possíveis às bicicletas (como a altura do banco), o tamanho da vara utilizada nos saltos do atletismo (salto com vara), a evolução das roupas utilizadas na natação. Além dessas, ressaltam-se as chuteiras e tênis, que tendem a efetuar ajustes conforme o tipo de pisada do indivíduo (pisada pronada, supinada ou normal), e o tamanho e o peso da bola que, em algumas modalidades, se diferenciam para homens e mulheres. No que se refere às diferenciações entre homens e mulheres no esporte, destaca-se que há outros, como o tamanho da quadra, o tamanho do gol e a altura da rede. 2.1 Objetivos das Medidas e Avaliações na Educação Física O planejamento é uma exigência que, no dia a dia, se impõe em todas as atividades humanas. Consiste na previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho, de modo a tornar as medidas e avaliações seguras, econômicas e eficientes (CARVALHO, 1984; NÉRECI, 1989; NÉRECI, 1993). 12 Para a elaboração do planejamento, primeiramente deve-se conhecer o público-alvo com quem se trabalhará. É sabido que a educação física é uma ampla área de atuação e, assim, os alunos podem estar inseridos na escola, nas academias, nos clubes, nos locais de trabalho (ginástica laboral), nos ginásios, nas colônias de férias, nos hotéis, entre outros. O atendimento poderá ser individualizado ou coletivo. Essas informações serão necessárias para o planejamento do plano de trabalho na educação física. Para estabelecer os objetivos das medidas e avaliação na educação física, deve-se considerar os seguintes elementos: Além disso, os objetivos das medidas e avaliação permitem ao profissional unir os estudantes em grupos de instrução ou de treinamentos de acordo com suas habilidades, a fim de localizar e nivelar a turma. Também servem para estimular e motivar os alunos que podem receber a avaliação de seu desempenho. E, ainda, justificar as ações realizadas durante o programa de treinamento. Os objetivos das medidas e da avaliação também são importantes para evitar lesões do aluno/atleta, ao escolher corretamente qual será a atividade a ser executada, bem como ajustar corretamente os aparelhos utilizados, evitando prejuízos à saúde do indivíduo. Um exemplo fácil de perceber é ajustar a altura do banco da bicicleta de modo que se vise evitar a lesão no joelho. Existem algumas questões gerais que podem ser inseridas no planejamento,a saber:→ O que deve ser verificado e avaliado?→ Para que serão utilizadas essas informações?→ Quais meios de avaliação estão à disposição?→ Quais são os meios mais econômicos?→ Será necessário auxílio externo?→ Como será feita a análise dos resultados? Todas essas questões são válidas para reforçar a importância de um bom planejamento. Além disso, os objetivos também se relacionam diretamente com o planejamento. Entre eles destaca-se o interesse em conduzir os alunos para os objetivos desejados e planejar as atividades conforme as características dos alunos (NÉRECI, 1993). → Acompanhar o processo de crescimento e desenvolvimento dos alunos.→ Avaliar o estado dos indivíduos ao iniciar um programa de exercícios.→ Detectar limitações físicas, fraquezas ou deficiências.→ Auxiliar o indivíduo na escolha de uma atividade física que, além de motivá-lo, possa desenvolver aptidões. 13 O interesse dos seres humanos por medidas antropométricas é antigo, mas ao longo dos anos se modernizou. • O termo“antropometria” (origem grega) quer dizer: anthropo identifica “homem” e metry significa “medida”. • O termo “cineantropometria” (origem grega) quer dizer: kines significa “movimento”, anthropo significa homem e metry significa “medida” .• Inicialmente, as medidas antropométricas eram utilizadas em esculturas, desenhos e pinturas, de modo a representar as características dos seres humanos. • A partir dos dados antropométricos foi possível constatar que as características de um indivíduo variam quando comparadas com ele mesmo ou com indivíduos de outros sexos, raças, etnias e culturas. • Percebeu-se que há inúmeras possibilidades de aplicações práticas relacionadas às medidas e avaliações. • Atualmente, os dados antropométricos são muito utilizados pelas sociedades modernas, por exemplo, a indústria da moda na produção de roupas e calçados. • Geralmente, os valores de referência utilizados pela indústria da moda são a média da população geral. Acrescenta-se que cada população (etnia, nacionalidade etc) possui suas próprias medidas .• Assimilar a aplicação prática das medidas e das avaliações .• A educação física utiliza as medidas e avaliações nos seus variados contextos (esporte na escola, esporte de participação e esporte de alto rendimento) e nas atividades físicas em geral. • Os profissionais devem se valer de planejamento a fim de tornar as medidas e avaliações seguras, econômicas e eficientes. • As duas fases iniciais importantes para a realização do planejamento são: conhecer o público-alvo e estabelecer os objetivos desejados. • Conhecer o público-alvo com quem se trabalhará implica identificar o contexto em que se atua (escola, academia etc.) e reconhecer as características peculiares dos alunos. Os objetivos das medidas e avaliação são: acompanhar o processo de crescimento e desenvolvimento dos alunos; avaliar o estado do indivíduo ao iniciar um programa de exercícios; detectar limitações físicas; auxiliar o indivíduo na escolha de uma atividade física que, além de motivá-lo, possa desenvolver aptidões; acompanhar o progresso do indivíduo; desenvolver programas de promoção da saúde na escola; 14 selecionar talentos para integrar equipes de competição; estabelecer e reajustar programa de treinamento; desenvolver pesquisas na educação física. A educação física é uma área do conhecimento que se preocupa em avaliar os indivíduos de modo a auxiliá-los na prática de atividades físicas. Durante um programa de intervenções ocorrerão modificações no corpo do aluno e caberá aos professores acompanhar esse processo por meio de medidas e avaliações. Portanto, os profissionais precisam tomar inúmeras decisões sobre a prescrição e orientação da prática de exercícios físicos, contudo, decidir o que e como avaliar exige conhecimentos e habilidades específicas cada vez mais complexas (GUEDES; GUEDES, 2006). Torna-se necessário, inicialmente, esclarecer alguns conceitos elementares relacionados às medidas e às avaliações. Assim, ao longo deste tópico serão explicados os significados dos termos: testar, medir e avaliar. E, ainda, apresenta-se a diferença entre esses conceitos, que, muitas vezes, são erroneamente entendidos como sinônimos. Todas essas são terminologias importantes para a compreensão dos conteúdos de medidas e avaliações na área da educação física. Além de testar, medir e avaliar, também cabe aos professores de educação física classificar os escores obtidos pelos alunos durante o processo de avaliação. Esse sistema de classificação é útil para verificar se o avaliado atinge os resultados esperados “normais”. A ideia de normalidade é ambígua e se relaciona com parâmetros de avaliação por norma ou critérios. Normalidade pode significar se o indivíduo obtém os resultados considerados desejados ou ideais (ou se está abaixo desse nível) e pode significar que “normal” são os resultados apresentados pela maioria da população. De qualquer forma, o profissional deverá considerar qual tipo de avaliação (norma ou critérios) utilizará durante o programa de intervenções que coordena. Após o entendimento em torno das possibilidades que emergem com as medidas e as avaliações, é válido adentrar em conceitos essenciais. É imprescindível estudar os termos: testar, medir e avaliar. 15 2.2 Conceitos Básicos: Testar, Medir e Avaliar Testar Significa verificar o desempenho do indivíduo mediante situações previamente organizadas e padronizadas. Essas situações padronizadas são denominadas de testes (GUEDES; GUEDES, 2006). O teste é um instrumento, procedimento ou técnica usada para se obter uma informação (medidas). É por meio dos testes que são determinados os valores numéricos das medidas. Os testes podem ocorrer por meio de escrita, observação ou performance. Alguns exemplos de testes são:teste de estatura, prova para verificar o conhecimento, teste de Cooper, testes de sentar e alcançar, entre outros de não menor importância. Medir Significa descrever fenômenos do ponto de vista quantitativo (GUEDES; GUEDES, 2006). Assim, é o processo utilizado para coletar informações obtidas por um teste tomando-se por referência um sistema convencional de unidades. As medidas são o resultado obtido através da coleta realizada por um instrumento, procedimento ou técnica atribuindo-se a ela um valor numérico, e devem ser precisas e objetivas. Alguns exemplos de medidas são: a medida em centímetros da estatura do indivíduo, a nota da prova usada para medir o conhecimento ou o percurso realizado pelo aluno no teste de Cooper. Avaliar Significa interpretar dados quantitativos e qualitativos a fim de obter parecer ou julgamento de valores com bases em referenciais previamente definidos (GUEDES; GUEDES, 2006). Acrescenta-se que a avaliação determina a importância ou o valor da informação coletada. Refere-se a um processo pelo qual se pode interpretar os valores de um grupo ou do próprio sujeito (GUEDES; GUEDES, 2006). A avaliação é o ponto de partida para saber o que deve ser trabalhado e, além disso, julga quanto foi eficiente o sistema de trabalho usado, classifica os testados, reflete o progresso, indica se os objetivos são ou não atingidos, indica se o sistema de ensino está sendo satisfatório. Por essa razão, diz-se que a avaliação deve refletir as metas e os objetivos do profissional e geralmente faz comparação com algum padrão (GUEDES; GUEDES, 2006). 16 Destaca-se que a avaliação é um processo essencial na prática docente, pois fornece elementos fundamentais para o desenvolvimento de uma ação pedagógica qualificada, que permite uma reflexão contínua de suas ações, no que se refere à escolha de competências, objetivos, conteúdos e procedimentos (DARIDO; SOUZA JÚNIOR, 2007). Para exemplificar de maneira visual a aplicação desses exemplos, apresenta- se o Quadro 3.Foi criada uma situação hipotética de testes de flexibilidade aplicados a dois indivíduos (sexo masculino) diferentes que se matricularam em uma mesma academia. Assim, cuidadosamente instruídos, os professores de educação física que atuam na academia realizaram o pré-teste no primeiro dia que os alunos compareceram e, após dois meses, executaram o pós-teste. Em seguida, fez-se uma avaliação observacional comparativa entre as medidas obtidas no pré-teste e no pós- teste. Assim, agora, vamos exercitar a habilidade de observação dos resultados a fim de executar uma avaliação observacional comparativa entre os indivíduos A, B, C e D. Pré-teste – Melhor escore obtido no teste de flexibilidade: Indivíduo A = 21 centímetros.→ Pré-teste – Pior escore obtido no teste de flexibilidade: Indivíduo B = 15 centímetros.→ Pós-teste – Melhor escore obtido no teste de flexibilidade: Indivíduo A = 24 centímetros.→ Pós-teste – Pior escore obtido no teste de flexibilidade: Indivíduo B = 13 centímetros. Outra comparação possível de realizar é avaliar os escores do mesmo indivíduo obtidos na situação de pré-teste e de pós-teste. Assim, será possível identificar qual dos indivíduos conseguiu expressivas melhoras no teste de flexibilidade durante os dois meses de academia. E, ainda, qual dos indivíduos apresentou piora no resultado do teste de flexibilidade durante os dois meses de academia.→Indivíduo A: 21 centímetros (pré-teste) → 24 centímetros (pós-teste) →Melhorou 3 centímetros.→Indivíduo B: 15 centímetros (pré-teste) → 13 centímetros (pós-teste) →Piorou 2 centímetros.→Indivíduo C: 17 centímetros (pré-teste) →19 centímetros (pós-teste) →Melhorou 2 centímetros.→Indivíduo D: 19 centímetros (pré- teste) →18 centímetros (pós-teste) →Piorou 1 centímetro. Aquele que apresentou mais melhoras expressivas no teste de flexibilidade durante os dois meses de academia foi o Indivíduo A. Aquele que apresentou acentuada piora no resultado do teste de flexibilidade durante os dois meses de academia foi o Indivíduo B. 17 2.3 Tipos de Testes De maneira geral, os testes de laboratório utilizam não só equipamentos especializados, mas também avaliadores especializados. Geralmente, são testes com custo mais elevado e avaliam menor quantidade de indivíduos por vez.Em contrapartida, os testes de campo se caracterizam pela fácil aplicação, bem como os equipamentos e avaliadores não carecem de elevado grau de especialização. Logo, tornam-se testes com custo reduzido. Frequentemente, os testes de campo podem ser aplicados simultaneamente em grupos de indivíduos. A depender dos objetivos, dos equipamentos, dos atributos e das variáveis a serem testados, dos locais e do valor financeiro disponível para aplicação dos testes, os profissionais poderão optar pelo uso de testes de campo ou testes de laboratório. Para melhor compreensão, apresenta-se na Figura 7 um exemplo de um teste sendo realizado no contexto laboratorial. Figura 2 18 3. TIPOS DE MEDIDAS Há diferentes tipos de medidas em educação física, que podem ser divididas em dois grandes grupos. No primeiro grupo enquadram-se as medidas antropométricas: massa, estatura, perímetros corporais, diâmetros ósseos e dobras cutâneas. No segundo, enquadram-se as medidas de composição corporal: utilização da espessura de dobras cutâneas, somatória de dobras cutâneas e equações preditivas de gordura corporal. O panorama geral sobre os tipos de medidas. Na educação física, avaliar a condição física do indivíduo é fundamental. Por exemplo, pode ser útil para avaliar a evolução das capacidades físicas após um programa de intervenção. Nessa perspectiva, há três diferentes tipos de avaliação, conforme apresentado no Quadro 4. Cada um desses tipos de avaliação possui suas particularidades. E caberá ao professor escolher qual tipo de avaliação utilizará. É válido ressaltar que, caso seja do interesse do professor, é possível utilizar os tipos de avaliação de forma combinada, sem ter que escolher entre uma avaliação ou outra. No que condiz aos testes que envolvem os componentes da aptidão física relacionada à saúde, aponta-se que eles representam um importante papel na prevenção, na conservação e na melhoria da capacidade funcional das pessoas. No contexto escolar, por exemplo, a avaliação possibilita o acompanhamento do desenvolvimento motor da criança e do adolescente; permite a identificação de possíveis distúrbios de ordem motora, postural e metabólica, bem como, a classificação dos indivíduos ou grupos de risco; fornece informações para a elaboração de programas preventivos ou até mesmo interventivos no contexto escolar. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados quando se trata da utilização de testes motores em ambientes educacionais, tal qual a aplicação sistematizada e científica de técnicas de mensuração que permitam analisar, de forma qualitativa, os aspectos físicos e as adaptações em função do tempo. Além disso, antes de escolher o teste motor, deve-se definir a capacidade a ser avaliada para que sejam obtidos os resultados necessários. Em geral, os modelos de classificação dividem as capacidades motoras em dois grupos, isto é, as capacidades motoras condicionantes, que são constituídas por características da ação muscular, pela disponibilidade de energia biológica e pelas 19 condições orgânicas do avaliado. Neste grupo estão as capacidades motoras relacionadas à resistência, à força, à velocidade e às suas combinações. No segundo grupo, por sua vez, estão as capacidades motoras coordenativas, onde estão presentes os processos de controle motor, permitindo a organização e a formação de movimentos. Para tanto, as capacidades motoras coordenativas se fundamentam na assunção, na elaboração, no processamento de informações e no controle da execução dos movimentos, utilizando para isto analisadores táteis, visuais, acústicos, estático-dinâmicos e cinestésicos (GUEDES; GUEDES, 2006). De acordo com os autores, e conforme já pôde ser observado, em determinados casos, a velocidade e a flexibilidade podem estar presentes em ambos os grupos de capacidade motoras, passando a ser entendidas como capacidades motoras intermediárias. Isto porque, ao serem solicitadas, pode haver maior demanda dos aspectos relacionados à capacidade condicionante em detrimento da capacidade coordenativa, ou vice-versa. Atualmente, a literatura vem apresentando a classificação das capacidades motoras a partir da associação aos componentes da aptidão física, por entender que cada indivíduo possui um desempenho singular na utilização das capacidades motoras isoladamente. Neste sentido, Gallahue e Donnelly (2008) defendem que há componentes de aptidão física relacionados à saúde, sendo eles a força muscular, a resistência muscular, a resistência cardiovascular, a flexibilidade das articulações e a composição corporal dos indivíduos; e os componentes de aptidão física relacionados à performance ou, mais frequentemente, nomeados como componentes de aptidão física relacionados à habilidade ou, simplesmente, aptidão motora, a saber: equilíbrio, coordenação, agilidade, velocidade e energia, estando esta última atrelada à força explosiva. Figura 3 20 REFERÊNCIAS ALVAREZ, B. R.; PAVAN, A. L. Alturas e comprimentos. IN: PETROSKI, E (Org.). Técnicas e Padronizações.4. ed. Pallotti, Porto Alegre, 2009, p. 31-44. ARAÚJO, D. S. M. S. de; ARAÚJO, C. G. S. de. (2000). Aptidão física, saúde e qualidade de vida relacionada à saúde em adultos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v. 6, n. 5, p. 194-203. AVALIAÇÃO FÍSICA. Caderno de referência de esporte. 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