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CIRURGIA ABORDAGEM SINDRÔMICA 2024 @casalmedresumos É expressamente proibida a reprodução, parcial ou total, do conteúdo, conforme preceitua a lei 9610/98. O uso e a reprodução desautorizada do material imputa em crime de violação de direito autoral, que está previsto no artigo 184 do Código Penal, sob o risco de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa. Se você compactua de qualquer forma com a reprodução indevida, saiba que está cometendo CRIME. O seu acesso é concedido pela plataforma da Kiwify, detentora do programa DRM Social (Digital Right Management), que possui um conjunto de tecnologias que são aplicadas visando inibir a reprodução e/ou compartilhamento indesejado de arquivos digitais. São monitorados acessos suspeitos e envios indevidos dos arquivos fornecidos a você, que são protegidos por senha, com seu nome e CPF na forma de marca d’água no rodapé de todas as páginas. ABORDAGEM SINDRÔMICA HIPERTENSÃO-PORTA E INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA DISFAGIA E DISPEPSIA I DISFAGIA E DISPEPSIA II HEMORRAGIA DIGESTIVA ABDOME AGUDO CLÍNICO E CIRÚRGICO OBSTRUÇÃO INTESTINAL NEOPLASIAS CLÍNICO-CIRÚRGICAS DOR LOMBAR CIRURGIA 5 12 20 23 29 38 47 60 TRAUMA I TRAUMA II PERIOPERATÓRIO QUEIMADURA FIOS, CICATRIZAÇÃO E REMIT UROLOGIA 64 78 86 91 93 97 \ 1. Hipertensão Porta Conceitos Importantes: LÓBULO HEPÁTICO: é a unidade funcional do fígado ESPAÇOS PORTAIS: compostos por ramo terminal da artéria hepática, ramo terminal da veia-porta e ducto biliar. VEIA-PORTA: é uma veia que se encontra entre duas redes de capilares. Formada pela UNIÃO da veia MESENTÉRICA SUPERIOR com a veia ESPLÊNICA 3/4 do fluxo hepático é VENOSO! Diferente do que ocorre na maioria dos órgãos! HIPERTENSÃO-PORTA: GRADIENTE DE PRESSÃO > 5MMHG (medido através da diferença de pressão entre o sistema porta e o sistema cava). SISTEMA PORTA-HEPÁTICO: metabolização de substâncias Clínica: - ESPLENOMEGALIA - CIRCULAÇÃO COLATERAL: ESÔFAGO, FUNDO GÁSTRICO, ABDOMINAIS, ANORRETAIS - ASCITE - ENCEFALOPATIA Hipertensão-Porta e Insuficiência Hepática @ casalmedresumos Imagem: dreduardoramos.com.br Imagem: JUNQUEIRA | Histologia Básica Imagem: mdsaude.com Imagem: progastrojoinville.com.br 5 Classificação: Pré-Hepática (muitas varizes/pouca ascite) - TROMBOSE DE VEIA PORTA pode ser espontânea (mais comum em crianças) ou por trombofilias (hipercoagubilidade). - TROMBOSE DE VEIA ESPLÊNICA hipertensão porta segmentar (varizes de fundo gástrica ISOLADAS) = lembrar da pancreatite crônica! Intra-Hepática PRÉ-SINUSOIDAL (muitas varizes/pouca ascite) - ESQUITOSSOMOSE: o ovo do schistossoma não consegue passar para o sinusoide e acaba parando no espaço porta. SINUSOIDAL (muitas varizes/muita ascite) - CIRROSE: com a alteração da arquitetura hepática, acaba havendo aumento na pressão intrasinusoidal e extravasamento de líquido. PÓS-SINUSOIDAL (poucas varizes/muita ascite) - DOENÇA VENO-OCLUSIVA (obstrução de veia centrolobular = pode estar relacionada com o chá da Jamaica | Bush Tea Disease) Pós-Hepática (hepatomegalia) - BUDD-CHIARI (trombose de veia hepática devido hipercoagubilidade) - OBSTRUÇÃO DE CAVA INFERIOR (causada por trombose, neoplasia) - DOENÇAS CARDÍACAS (pericardite obstrutiva, insuficiência tricúspide) 2. Varizes Esofagogástricas Fisiopatologia: Hipertensão porta > shunt pela VEIA GÁSTRICA ESQUERDA E VASOS CURTOS Gradiente pressórico > 5mmHg = hipertensão porta Gradiente pressórico > 10mmHg = varizes Gradiente pressórico > 12mmHg = risco aumentado de romper/sangrar Primeiros Conceitos... - Grande risco: hemorragia (30% costumam sangrar) - Presente em 50% dos cirróticos (é importante EDA 2-2 anos) - Mortalidade: 20-30% se romper (50% se Child C) - É a principal causa de morte por cirrose - Ocorre ressangramento em 60-70% dos casos em 1 ano. - Fatores de risco p/sangramento: CHILD B/C, CHERRY-RED- SPOTS, > 5mm Classificação: - F1: pequeno calibre (< 5mm de diâmetro) - F2: médio calibre (5-20mm) - F3: grande calibre (> 20mm) Abordagem: SITUAÇÃO A: NUNCA SANGROU - SE CIRROSE = realizar rastreamento com EDA - SE VARIZES DE “ALTO RISCO” (calibres de médio a grosso; child B ou C; sinais vermelhos ou “cherry-red-spots”) = profilaxia primária. Como fazer a profilaxia primária? BETABLOQUEADOR*. Ligadura elástica é opção! - Fazer betabloqueador NÃO SELETIVO (propranolol, nadolol, carvedilol) - Se contraindicação: LIGADURA ELÁSTICA VIA EDA. (*) Na prática (e segundo algumas literaturas), atualmente fazemos betabloqueador para todos os pacientes com hipertensão-porta, independente das características das varizes. SITUAÇÃO B: SANGROU (1) Estabilização hemodinâmica (primeira coisa sempre!) (2) Investigação e tratamento agudo (EDA + Drogas) (3) Prevenção de complicações Vamos dissecar cada um desses tópicos (1) ESTABILIZAÇÃO HEMODINÂMICA: - Cristaloides/Sangue/Plasma (mais detalhes em hemorragia digestiva) - Não é para fazer betabloqueador na vigência de sangramento! (2) DESCOBERTA DA FONTE E TRATAMENTO: 2.1. ENDOSCOPIA EM ATÉ 12 HORAS LIGADURA ELÁSTICA (escolha)/escleroterapia/cianocrilato Cianocrilato é a melhor opção para VARIZES GÁSTRICAS 2.2. DROGAS IV (Somatostatina/Octreotide/TERLIPRESSINA) para promover vasoconstrição esplâncnica por 2-5 dias 2.3. BALÃO (SE REFRATÁRIO OU INDISPONIBILIDADE DE EDA) COMO MEDIDA TEMPORÁRIA (máximo 24-48 horas) SENGSTAKEN-BLAKEMORE (3 vias) ou MINNESOTA (4 vias) 300ml de ar no balão gástrico e 30-45mmHg no balão esofágico 2.4. TIPS (shunt portossistêmico intra-hepático transjugular) SE AINDA REFRATÁRIO Vantagem: controla sangramento e ascite e permite o transplante Desvantagem: disponibilidade, encefalopatia/estenose (“o tubo colocado não banha os hepatócitos, que deixam de detoxificar a amônia”) Contraindicação: IC direita/doença cística hepática, hipertensão pulmonar moderada/severa, trombose de veia porta ou hepáticas. ENTÃO, AS GRANDES INDICAÇÕES DE TIPS SÃO: (1) sangramento ativo e refratário na fila de transplante; (2) falha na EDA + terlipressina; (3) ascite refratária 2.5. CIRURGIA (URGÊNCIA) Shunts NÃO SELETIVOS (“porto-cava calibrada”) = encefalopatia é regra e cursa com hepatite isquêmica. Não permite transplante. Usada em último caso, como em pacientes instáveis/sangrando. Não é mais feita na prática e não tem caído mais em prova. (3) PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES: - PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Ceftriaxone 1g IV, seguido por NORFLOXACINO 400mg 12/12h por 7d - RESSANGRAMENTO (PROFILAXIA SECUNDÁRIA) BETABLOQUEADOR E LIGADURA ELÁSTICA (após 6 dias de estabilidade hemodinâmica) + EDA MENSAL TIPS/transplante Cirurgias eletivas (shunt seletivo – Warren*/desconexão**) 6 (*) É a DERIVAÇÃO ESPLENORRENAL DISTAL (liga esplênica com renal). Vantagem: mantém o fluxo mesentérico portal (resolve as varizes) Desvantagem: pode piorar a ascite (**) É a DESCONEXÃO ÁZIGO-PORTAL Ligadura de v. gástricas + esplenectomia (única com esplenectomia) Mais simples, boa para esquistossomose 3. Ascite Manobras Semiológicas: - Piparote - Macicez móvel de decúbito - Semicírculos de Skoda - Sinal da Poça - Manobra da “arranhadura” - Toque retal - USG: exame de escolha (identifica derrames a partir de 100ml) Avaliação Paracentese: Onde? Fossa ilíaca esquerda Qual ponto? 1/3 médio lateral da linha entre umbigo e crista ilíaca Quanto? 20-30ml. E se estiver causando desconforto respiratório? Litros! O que pedir? CELULARIDADE com diferencial, PROTEÍNAS totais, ALBUMINA, glicose, LDH, amilase, gram + cultura (pacote mínimo) + pesquisa de células neoplásicas se vier sangue ou ADA se desconfiar de TB. Ascite... Ou é hipertensão porta ou é doença do peritônio! Gradiente de albumina soro-ascite (GASA) = albumina soro – albumina ascite > 1,1 = TRANSUDATO/HIPERTENSÃO PORTA (cirrose, IC, Budd-Chiari, pericardite obstrutiva) < 1,1 = EXSUDATO/DOENÇADO PERITÔNIO (via neoplasia, tuberculose, doença pancreática, nefrótica...) Refinando os conceitos... ASCITE DA CIRROSE - Causa mais comum... GASA alto (‘alto gradiente/alta pressão’) - Bioquímica e citometria normais (PROTEÍNAS TOTAIS < 2,5) ** A ascite da síndrome nefrótica também cursa com proteínas totais < 2,5 ASCITE NEOPLÁSICA - 2ª causa mais comum de ascite... GASA baixo - Citologia oncótica positiva, proteínas e LDH altos ASCITE CARDÍACA - GASA alto - Citometria e bioquímica normais (PROTEÍNAS TOTAIS > 2,5) ASCITE TUBERCULOSA - GASA baixo - Predomínio de mononucleares (> 500), ADA ALTA - Laparoscopia (excelente exame com ± 100% de sensibilidade = detecta granulomas no peritônio) Tratamento: - RESTRIÇÃO DE SÓDIO (2g/dia ou 88mEq/dia) - RESTRIÇÃO HÍDRICA SOMENTE SE HIPONATREMIA (Na < 125) - SE RESTRIÇÃO DE SÓDIO NÃO ADIANTAR: DIURÉTICOS (espironolactona 100-400mg/dia + furosemida 40-160mg/dia) - SE ASCITE REFRATÁRIA (FALÊNCIA/RECORRÊNCIA PRECOCE): PARACENTESES TERAPÊUTICAS SERIADAS/TIPS/transplante/shunt peritônio-venoso. Obs: no caso de ascite refratária aos diuréticos, ainda podemos tentar como medida conservadora a SUSPENSÃO DE BETABLOQUEADORES, caso estejam em uso (muitos pacientes têm varizes de esôfago associadas), para melhorar a perfusão renal; ou MIDODRINA, que realiza vasoconstrição periférica, aumenta a PA e também melhora a perfusão renal. Qual a meta do tratamento? ↓0,5kg/dia ou ↓1kg/dia se edema. E a reposição de ALBUMINA? - SE PARACENTESE DE GRANDE VOLUME (> 5 LITROS): REPOR 6-8G DE ALBUMINA POR LITRO RETIRADO (!!!) 4. Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) - Translocação MONOBACTERIANA (E. coli ou Klebsiella) Se síndrome nefrótica: pensar em pneumococo - Febre, dor abdominal, encefalopatia (mas pode ser assintomática) - PNM > 250 (é neutrófilos! Não é leucócitos! Cuidado em prova) O diagnóstico é CONFIRMADO com PNM > 250 + CULTURA POSITIVA, mas o tratamento está autorizado sem o resultado da cultura. Conduta: cefalosporina de 3ª geração (preferência por CEFOTAXIMA) por 5 dias + ALBUMINA no 1º e 3º dias (1,5g/kg + 1g/kg) Profilaxias: PRIMÁRIA - Aguda (pós-sangramento por varizes) = CEFTRIAXONE ou NORFLOXACINO por 7 dias - Crônica (proteínas na ascite < 1,5) = NORFLOXACINO 400mg/dia para o resto da vida SECUNDÁRIA - Após PBE = NORFLOXACINO 400mg/dia para o resto da vida SÍNDROME HEPATORRENAL - ALBUMINA (1,5g/kg 1º dia e 1g/kg 3º dia) ASCITE NEUTROFÍLICA: PNM > 250 e cultura negativa = não muda a conduta, trata BACTERASCITE: PNM < 250 e cultura positiva = se tiver sintomas, trata. Se não tem sintomas, repunciona em 48 horas, se quiser. 5. Peritonite Bacteriana Secundária (PBS) - Lesão de víscera + leucocitose com desvio e POLIMICROBIANA - Falam a favor de PBS: 2 ou + no líquido ascítico PROTEÍNA > 1G/DL GLICOSE < 50 LDH ELEVADA Conduta: EXAME DE IMAGEM (“saber o que houve com essa barriga”) + CEFALOSPORINA DE 3ª + METRONIDAZOL + avaliar intervenção cirúrgica (pode ser apendicectomia, diverticulite, etc) DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Condição PMN Cultura Proteína LDH Glicose Conduta PBE > 250 (+) Mono < 1g ↓ > 50 Cefotaxima + Albumina Ascite Neutrofílica (-) Bacterascite < 250 (+) Mono Tratar ou reavaliar PBS > 250 (+) Poli > 1g ↑ < 50 Cefotaxima + Metronidazol + Cirurgia 7 6. Encefalopatia Hepática - ↑Amônia (NH3) - Causas: insuficiência hepatocelular, hipertensão-porta - Clínica: FLAPPING, LETARGIA, SONOLÊNCIA - Diagnóstico CLÍNICO (!), por mais que seja possível dosar a NH3 ( dosagem é errátil e varia muito ao longo do dia) - Precipitada por: pós-hemorragia TGI, constipação, PBE, ALCALOSE (seja por hipocalemia ou uso de diuréticos. É a que mais cai em prova). - Tratamento: corrigir precipitantes + EVITAR RESTRIÇÃO PROTEICA (mas priorizar proteínas vegetais), por mais que a amônia seja derivada das proteínas da dieta, visto que o paciente já tem pouca proteína + LACTULOSE (efeito laxativo e de tornar o pH do cólon mais ácido, facilitando a conversão de NH3 em NH4) + ATB (neomicina, metronidazol, rifaximina) - Transplante: tratamento definitivo! ATENÇÃO EM PROVA! “Insônia + dormir muito durante o dia + cirrose” = provável encefalopatia hepática 7. Síndrome Hepatorrenal Conceitos: - Pode ser decorrente de uma PBE ou de uma DOENÇA HEPÁTICA GRAVE - Falência hepática Injúria renal aguda O que acontece? - VASODILATAÇÃO PERIFÉRICA por liberação de ÓXIDO NÍTRICO pelos vasos em resposta ao surgimento de toxinas não depuradas na circulação > VASOCONSTRIÇÃO RENAL (mecanismo pouco esclarecido) sem hipovolemia/lesão renal. Diagnóstico: “IRA pré-renal que não melhora com volume” Urina concentrada e com pouco sódio Critérios: - CREATININA > 1,5 - ↓SÓDIO URINÁRIO - PROTEINÚRIA < 500 - HEMATÚRIA < 50 - AUSÊNCIA OUTRAS CAUSAS - AUSÊNCIA DE MELHORA DA CREATININA COM VOLUME Tipos: - TIPO 1: rápida progressão (< 2 semanas); precipitada por PBE; Cr > 2,5 - TIPO 2: insidiosa, melhor prognóstico; espontânea; Cr entre 1,5 – 2,0 Tratamento: ALBUMINA (para aumentar a perfusão renal, pois mantém o líquido no intravascular) + TERLIPRESSINA (por gerar vasoconstrição esplâncnica e redirecionar o fluxo para o rim). Entretanto, o definitivo é TRANSPLANTE. Domínio do assunto... RESUMINDO AS PROFILAXIAS PRIMÁRIAS: - Cirrose com varizes: betabloqueador OU ligadura elástica - Sangramento por varizes: ceftriaxone/norfloxacino 7d - PBE: albumina 1º e 3º dia para SHR PROFILAXIAS SECUNDÁRIAS: - Varizes: betabloqueador E ligadura elástica - PBE: norfloxacino 400mg/dia para o resto da vida. 8. Insuficiência Hepática Funções Hepáticas: - Metabolismo da bilirrubina (icterícia, com ↑principalmente de BD) - Síntese de proteínas (diminui albumina, aumenta TAP) - Eliminação de toxinas (encefalopatia, vasodilatação [óxido nítrico]) - Metabolismo intermediário/hormonal (aumenta glicemia, diminui testosterona, aumenta estrogênio) Quadro Clínico: - Falência hepática aguda: icterícia, alterações circulatórias e neurológicas - Falência hepática crônica (> 6 meses): fadiga (principal manifestação), “estigmas hepáticos”, hipertensão porta Obs: pacientes com cirrose devem obrigatoriamente fazer RASTREIO PARA CARCINOMA HEPATOCELULAR com ULTRASSONOGRAFIA SERIADA A CADA 6 MESES! Uma alternativa é a dosagem de ALFAFETOPROTEÍNA. Quais os estigmas hepáticos? ERITEMA PALMAR/TELANGIECTASIAS (vasodilatação) BAQUETEAMENTO DIGITAL CONTRATURA PALMAR DE DUPUYTREN (sugestiva de hepatopatia alcoólica). “Ficou assim de tanto segurar o copo de cachaça” TUMEFAÇÃO DE PARÓTIDAS (sugestiva de hepatopatia alcoólica) IMPORTANTE! Transaminases estão NORMAIS ou DISCRETAMENTE ELEVADAS! Estadiamento e Prognóstico: CHILD-PUGH - B: bilirrubina - E: encefalopatia - A: albumina - T: TAP (INR) - A: ascite 1 2 3 Bilirrubina < 2 2-3 3 Encefalopatia - Graus I e II Graus III e IV Albumina > 3,5 2,8 – 3,5 < 2,8 TAP < 1,7 1,7 – 2,3 > 2,3 Ascite - Leve Moderada MELD - B: bilirrubina - I: INR - C: creatinina Pausa... O que é a CIRROSE? Cirrose hepática células estreladas ativadas fibrose. Então... CIRROSE = FIBROSE + NÓDULOS DE REGENERAÇÃO Causas: 1) INFILTRAÇÃO GORDUROSA (alcoólica ou não-alcoólica) 2) VÍRUS (B/C) 3) DEPÓSITO (Wilson, hemocromatose) 4) AUTOIMUNE (hepatite autoimune/colangite biliar primária) Se > 20: TRANSPLANTE! 8 9. Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NASH) Fisiopatologia: - É a “manifestação hepática” da síndrome metabólica - RESISTÊNCIA A INSULINA > ↑ Triglicerídeos (“a esteatose é decorrente da obesidade!”) | ↑ TNF-alfa e estresse oxidativo - Esteatose esteato-hepatite (NASH) cirrose (10-50% evoluem para esse estágio) - Tem mais risco de evoluir para cirrose: DM, OBESO e > 45 ANOS. Manifestações: - ASSINTOMÁTICO - AUMENTO DE TRANSAMINASES (ALT > AST) Diagnóstico: - Excluir outras causas! - USG: detecta esteatose - ESCORE CLÍNICO FIB-4: estratifica! - FIBROSCAN: está indicado se FIB-4 evidenciar riscomoderado-alto - BIÓPSIA: se indício de cirrose, rigidez > 8,5kPa ou dúvida diagnóstica Tratamento: - Dieta + exercício - GLITAZONA E ANÁLOGO GLP-1 tem benefícios para diabéticos - Vitamina E Diagnóstico Diferencial: EH ALCOÓLICA EH Ñ ALCOÓLICA (NASH) TRANSAMINASES AST > ALT (!) ALT > AST ↓FOLATO/B1/B6 SIM (!) NÃO BIÓPSIA MALLORY +++ MALLORY + ASSOCIAÇÃO > 40G ETANOL SD. METABÓLICA (!) FERRITINA NORMAL ALTA (!) CLÍNICA FEBRE DOR ABDOMINAL ICTERÍCIA ASSINTOMÁTICO TRATAMENTO ABSTINÊNCIA PREDNISOLONA 40MG 28D DIETA/EXERCÍCIO GLITAZONA/GLP-1 VITAMINA E ATENÇÃO! O quadro de hepatite alcóolica é AGUDO! Como rastrear o abuso de álcool? Escore CAGE: “Se 2 ou + respostas positivas = abuso de álcool” C: cut-down (acha que deve diminuir a quantidade de bebiba?) A: annoyed (fica aborrecido quando reclamam que você bebe muito?) G: guilty (se sente culpado pela maneira que costuma beber?) E: eye openner (bebe para conseguir fazer as atividades?) Se mentir, FALAM A FAVOR DE INGESTA ALCOÓLICA: - AUMENTO ISOLADO DE GGT - CARÊNCIA DE B1/B6 - MACROCITOSE (VCM > 100) - TGO > TGP 10. Hepatite B Crônica Definição: - HBSAG POSITIVO > 6 MESES - Cronificação: adultos (1-5%); crianças (20-30%); RN (90%) - Em 20-50% dos casos evolui para cirrose - Pode evoluir para CHC (10%) sem passar por cirrose Objetivo do tratamento: HBSAG negativo Indicações: (1) LESÃO HEPÁTICA - ALT > 2x LSN e HBEAG (+) OU HBV-DNA > 2.000 UI/ml (pré-core) - HBEAG (+) e idade > 30 anos independente de transaminases/HBV- DNA - Atividade fibroinflamatória (biópsia/elastrografia/fibroscan) - Cirrose (2) LESÃO EXTRA-HEPÁTICA - Nefropatia membranosa/PAN (3) FATORES DE RISCO - HCV/HIV/imunossupressão - História familiar de CHC R: replicação viral (HBeAg/HBV-DNA > 2000) + idade > 30 anos ou lesão hepatocelular (TGP > 2x) E: exame complementar (biópsia > A2F2, elastografia) C: coinfecção (HCV, HIV) I: imunossupressão (droga, quimioterapia) F: família (história de hepatocarcinoma) E: extra-hepáticas (PAN, GN membranosa) Como tratar? HBEAG POSITIVO INTERFERON OU Alfapeg-IFN, SC, 48 semanas TENOFOVIR (TDF) VO, tempo indefinido SEM RESPOSTA AO INTERFERON HBEAG NEGATIVO HIV TENOFOVIR (TDF) VO, tempo indefinido DOENÇA RENAL OU HEPÁTICA GRAVE IMUNOSSUPRESSÃO QUIMIOTERAPIA ENTECAVIR OU VO, tempo indefinido TENOFOVIR ALAFENAMIDA (TAF) Pouco usado no Brasil (caro) Não tem restrição quanto doença renal ou óssea Alternativa para a contraindicação ao tenofovir ou entecavir (uso prévio de lamivudina é contraindicação ao entecavir por conta de resistência cruzada) ALFAPEGUINTERFERON Trata: virgem de tratamento | HBEAG POSITIVO Via subcutânea, 1x/semana por 48 semanas Alta toxicidade Não pode: hepatopatia grave, gestante, citopenias TENOFOVIR Trata: SEM RESPOSTA AO IFN | HBEAG POSITIVO/NEGATIVO | HIV Via oral, tempo indefinido, 300mg/dia Não pode: doença renal ou óssea ENTECAVIR Trata: HEPATOPATIA GRAVE | DOENÇA RENAL | IMUNOSSUPRESSÃO/QT Via oral, tempo indefinido Não pode: gestante 9 Então... - HBeAg positivo - HBeAg negativo - S/resposta ao interferon - HIV - Doença renal/hepática grave - Imunossupressão - Quimioterapia 11. Hepatite C Crônica Definição: - HCV-RNA POSITIVO > 6 MESES - Cronificação: 80-90% - Possui múltiplos genótipos (principais: 1 e 3) - 20-30% dos casos evoluem para cirrose e 5-10% para CHC (diferente da hepatite B, obrigatoriamente passa pelo estágio de cirrose) Transmissão: - Drogas injetáveis, sexual, perinatal, familiar Conduta: - TRATAMENTO PARA TODOS! Objetivo do tratamento: RESPOSTA VIROLÓGICA SUSTENTADA (RVS) HCV-RNA negativo 12-24 semanas após o tratamento Opções terapêuticas? ESQUEMA PANGENOTÍPICO: SOFOSBUVIR + VELPASTAVIR (12 semanas) Se cirrose ou CHILD B/C: associar ribavirina ou prolongar para 24 semanas ESQUEMA GENÓTIPO 1 (MAIS PREVALENTE): SOFOSBUVIR + LEDIPASVIR (12 semanas) ESQUEMA SE CLEARANCE < 30: GLECAPREVIR/PIBRENTASVIR Detalhe: mesmo curado após o tratamento, o paciente pode se reinfectar! O ANTI-HCV POSITIVO NÃO CONFERE IMUNIDADE PERMANENTE! Se liga! Hepatite B Hepatite C Cronificação RN > criança > adulto 80-90% Extra-hepática PAN, GN membranosa, Gianotti-Crosti Crioglobulinemia, GN mesangiocapilar Tratamento Alguns... INF, Tenofovir ou Entecavir Todos! Sofosbuvir + Ledispavir/Velpastavir 12. Doença de Wilson Fisiopatologia: - MUTAÇÃO NA ATP7B (autossômica recessiva) - ↓Excreção biliar e consequente ↑COBRE, que geralmente se acumula no fígado ou no sistema nervoso central. - ↓CERULOPLASMINA (proteína plasmática que transporta o cobre) Manifestações: Forma HEPÁTICA: - Aguda/crônica com evolução para cirrose/fulminante Forma NEUROPSIQUIÁTRICA: - DISTÚRBIO DO MOVIMENTO (PARKINSONISMO) - ALTERAÇÃO DE PERSONALIDADE/PSICOSE - ANÉIS DE KAYSER-FLEISHER (98% dos pacientes com lesão do SNC) “Lâmpada em fenda” - Geralmente JOVEM (5-30 ANOS) Se pintar uma criança de 10 anos com cirrose, fica atento, pode ser doença de Wilson! - Pode ter ANEMIA HEMOLÍTICA COOMBS NEGATIVO, SÍNDROME DE FANCONI/LESÃO TUBULAR PROXIMAL, CATARATA Diagnóstico: - Triagem: ↓CERULOPLASMINA - Confirmação: ↑COBRE LIVRE, URINÁRIO OU HEPÁTICO (em biópsia) /ANÉIS DE KF, GENÉTICA (mutaçãoATP7B) Tratamento: - Quelante (ZINCO/TRIENTINA/D-PENICILAMINA) - TRANSPLANTE (graves/refratárias) CURA! 13. Hemocromatose “DM bronzeado” - Relativamente comum (1:250) - Mais comum em homens (caucasianos) de 40-50 anos - Menos comum em mulheres, pois sangram mensalmente Fisiopatologia: - Mutações nos genes C282Y e H36D ↑Absorção intestinal e consequente ↑FERRO nos tecidos: fígado, pâncreas, coração... Clínica: - 6 H’s HEPATOMEGALIA (+ risco ↑CHC) HIPERPIGMENTAÇÃO (“DM bronzeado”) HEART (IC, arritmias) HIPOGONADISMO (atrofia testicular/redução de libido) HIPERGLICEMIA (DM insulinodependente: 70%) HARTRITE (pseudogota/artropatia hemocromatótica) Diagnóstico: - Triagem: ↑FERRITINA (> 150-200) E/OU SATURAÇÃO DA TRANSFERRINA (> 45-60%) - Confirmação: teste genético (MUTAÇÃO C282Y E H63D) importante rastrear parentes de primeiro grau - Dúvida: RM, biópsia hepática Tratamento: - FLEBOTOMIAS (500ml, seriada). Vai tirando ferro até a ferritina chegar em torno de 50 - Quelantes? (DESFEROXAMINA). Até pode, mas não é a base do tratamento. - TRANSPLANTE NÃO CURA! INTERFERON 48 SEMANAS SC OU TENOFOVIR, TEMPO INDETERMINADO, VO TENOFOVIR VO TEMPO INDETERMINADO ENTECAVIR VO TEMPO INDETERMINADO Alternativa: TENOFOVIR ALAFENAMIDA Acrescentar RIBAVIRINA se: pacientes com cirrose e em todos aqueles com menor chance de RVS: falhados a esquema com interferon, genótipo 3, sexo masculino, > 40 anos, etc. Seus principais efeitos colaterais são HEMÓLISE e INJÚRIA RENAL. 10 14. Transplante Hepático Para passar o olho... O transplante hepático somente deve ser indicado quando a probabilidade de sobrevida e qualidade de vida forem maiores que quando adotado método terapêutico convencional. Assim, pacientes com doença hepática grave e progressiva, seja crônica ou aguda, que não se beneficiem com outro tratamento alternativo deverão ser submetidos ao transplante. Causas/Indicações: (1) CIRROSE NÃO COLESTÁTICA (65%): hepatites B/C, alcoólicas, NASH, síndrome hepatopulmonar e doenças metabólicas; (2) CIRROSE COLESTÁTICA: cirrose biliar, colangite esclerosante, atresia biliar e doença de Caroli; (3) AUTOIMUNE: hepatite autoimune (4) NEOPLASIA: metástase de TNE e hepatocarcinoma (5) MISCELÂNEA: amiloidose, trauma, hepatite fulminante As principais são... 1º HEPATITE C (~ 20%) > 2º ÁLCOOl (~ 15%) > 3º CHC (~ 8%) > 4º HEPATITE FULMINANTE (~ 5%) > 5º AUTOIMUNE (~ 3%) Cada doença possui a sua “nuance” para o transplante (exemplo: critérios de Milão para CHC; critérios de King’s College para hepatite fulminante, etc), mas as principais causas de transplante são as citadas acima! Contraindicações: (1) ABSOLUTAS:- Doença cardiopulmonar avançada - Malignidade extra-hepática - Sepse NÃO controlada - Uso ativo de substâncias ilíticas (deve haver abstinência > 6 meses) - Incompatibilidade ABO (2) RELATIVAS: - Instabilidade hemodinâmica - Hipóxia grave - HIV - Doença psiquiátrica refratária - Suporte social inadequado Complicações: (1) VASCULARES: TROMBOSE DE ARTÉRIA HEPÁTICA (2-8%) Assintomático ou falência hepática fulminante Se elevação de BT/AST/ALT: investigar com USG doppler. Se alterado: arteriografia celíaca/angioTC Conduta: reconstrução cirúrgica. Se não der certo: trombólise. Se ainda refratário: recoloca na fila de transplante. TROMBOSE DE VEIA-PORTA Geralmente ocorre antes do transplante Tratar com trombectomia ou by-pass OBSTRUÇÃO DE VEIA CAVA INFERIOR (raro) Tratar com anticoagulação e/ou Stent (não é indicado o procedimento cirúrgico) (2) BILIARES (podem ou não ser acompanhadas por trombose de artéria hepática) FÍSTULA (10-50%) Diagnóstico: colangiografia pelo tubo T ou CPRE Conduta: Drenagem + ATB + Stente endoscópico ESTENOSE OU OBSTRUÇÃO (7-15%) Erro técnico na anastomose Diagnóstico: USG + colangiografia + biópsia hepática Conduta: reconstrução cirúrgica (3) INFECÇÃO (66%) - BACTÉRIAS: fazer antibioticoprofilaxia cirúrgica convencional - FUNGOS: fazer fluconazol 14 dias + SMX-TMP 1 ano (cândida + aspergillus + Pneumocystis) - VÍRUS: fazer ganciclovir 6-12 meses (HSV + CMV) (4) REJEIÇÃO CELULAR AGUDA (45%) - Febre + dor abdominal + mal-estar + anorexia - Aumento de bilirrubina ↑↑↑ (MUITO expressivo) - Aumento de FA/ALT/AST ↑ - Biópsia percutânea confirma o diagnóstico - Corticoide em altas doses é o tratamento +/- OKT3 (anticorpo monoclonal CD3, específico para tratar esse tipo de rejeição atenção para o risco de infecção pelo CMV) (5) REJEIÇÃO CELULAR CRÔNICA (10%) - Rejeição ductopênica ou “Vanishing Bile Duct Syndrome” - Geralmente nos primeiros 2 meses pós-transplante - Perda dos ductos biliares > 50% dos tratos portais - A conduta é o re-transplante Imagem: vaidam.com 11 1. Disfagia Disfagia de Transferência “ENGASGO” (1/3 superior = músculo esquelético) - Doenças MUSCULARES (ex: dermatopolimiosite, miastenia gravis) - Doenças NEUROLÓGICAS (ex: ELA, esclerose múltipla, AVE) Disfagia de Condução “ENTALO” (2/3 inferiores = músculo liso) - Distúrbio MOTOR (principais exemplos: acalasia e EED) Disfagia: sólido e líquido - Distúrbio OBSTRUTIVO (principal exemplo: divertículo de Zenker) Disfagia: sólido e, depois, líquido Aprofundando a disfagia de condução... Clínica: DISFAGIA + REGURGITAÇÃO + HALITOSE + PERDA DE PESO Abordagem Inicial: ESOFAGOGRAFIA BARITADA Causas Obstrução mecânica: Divertículo Aneis e membranas Estenose péptica Tumor Distúrbio motor: Acalásia (primária ou secundária a doença de Chagas) Esclerodermia Espasmo esofagiano difuso Divertículo de Zenker Conceitos: - PSEUDODIVERTÍCULO com origem na hipertonia do músculo cricofaríngeo - Mais comum em IDOSOS (60-70 anos) e do LADO ESQUERDO - Entre os músculos tireo e cricofaríngeo (TRIÂNGULO DE KILLIAN) Eventos: - HIPERTONIA DO ESFÍNCTER ESOFAGIANO SUPERIOR - HIPERTONIA DO CRICOFARÍNGEO - HERNIAÇÃO DA MUCOSA E SUBCMUCOSA (divertículo falso de pulsão) Clínica: - DISFAGIA, HALITOSE, REGURGITAÇÃO - Massa palpável - Pode ter perda de peso (dificuldade alimentação) Diagnóstico: - ESOFAGOGRAFIA BARITADA (padrão-ouro) - ENDOSCOPIA NÃO! Risco de perfuração... Tratamento: - < 2cm: MIOTOMIA CRICOFARÍNGEA - > 2cm: MIOTOMIA + DIVERTICULOPEXIA (ATÉ 5CM) OU DIVERITULECTOMIA (> 5CM) - Se > 2-3cm: ENDOSCOPIA COM MIOTOMIA + DIVERTICULOTOMIA (PROCEDIMENTO DE DOHLMAN) é uma alternativa cada vez mais utilizada. Divertículo Médio-Esofágico - São divertículos VERDADEIROS - Mais comuns no LADO DIREITO - Geralmente ASSINTOMÁTICOS Formação: Tração: linfonodos inflamados Pulsão: desordem muscular primária Diagnóstico: ESOFAGOGRAFIA BARITADA Tratamento: SE SINTOMÁTICOS OU > 2 CM Divertículo Epifrênico - São divertículos FALSOS - Mais comuns no LADO DIREITO - Geralmente ASSINTOMÁTICOS Formação: Pulsão: desordem muscular primária Diagnóstico: ESOFAGOGRAFIA BARITADA Tratamento: SE SINTOMÁTICOS OU > 2 CM Acalásia Fisiopatologia: - DESTRUIÇÃO DO PLEXO DE AUERBACH - Se secundária à doença de Chagas: destruição de Auerbach e Meissner - HIPERTONIA DO EEI (P > 35mmHg) - INSUFICIÊNCIA DO RELAXAMENTO FISIOLÓGICO DO EEI - PERDA DA PERISTALSE DO CORPO DO ESÔFAGO - Mais comum em JOVENS - É FATOR DE RISCO (e diagnóstico diferencial) PARA CA DE ESÔFAGO Acalásia CA de Esôfago Jovens Idosos Evolução arrastada (5, 10 anos) Evolução rápida Perda de peso progressiva Perda de peso expressiva Clínica: - DISFAGIA, REGURGITAÇÃO, PERDA DE PESO Diagnóstico: - ESOFAGOGRAFIA BARITADA (mostra o afilamento distal e megaesôfago “BICO DE PÁSSARO, PONTA DE LÁPIS, CHAMA DE VELA”) - EDA (visualiza as pregas convergentes da acalasia e a retenção de saliva/afasta neoplasia) - ESOFAGOMANOMETRIA (PADRÃO-OURO): mostra a HIPERTONIA DO EEI, REDUÇÃO DA PERISTALSE DO CORPO E PERDA DO RELAXAMENTO FISIOLÓGICO DO EEI. NA ESOFAGOMANOMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO: IRP AUMENTADA (> 15) E PERISTALSE DEFEITUOSA Disfagia e Dispepsia I @ casalmedresumos Imagem: researchgate Imagem: Sabiston Imagem: Divertículo de Zenker. Senaga, Cristiano EPIFRÊNICO MÉDIO ESOFÁGICO ESTÔMAGO 12 E a manometria de ALTA RESOLUÇÃO? A manometria de alta resolução tem vantagens claras em relação à convencional, apesar de seu alto custo. A análise detalhada da peristalse esofágica pela manometria de alta resolução alterou diversos paradigmas da motilidade esofágica, incluindo novos parâmetros manométricos e uma classificação diferente para os chamados “distúrbios de motilidade com base na topografia de pressão”, a CLASSIFICAÇÃO DE CHICAGO, que foi recentemente revisada. IRP = Integral da Pressão de Relaxamento COMO ESTÃO OS ACHADOS DA ACALÁSIA? A CLASSIFICAÇÃO DE CHICAGO DIVIDIU A ACALÁSIA EM TRÊS SUBTIPOS, de acordo com pressurização esofágica. ACHADOS COMUNS AOS 3 TIPOS: IRP AUMENTADA (> 15) E PERISTALSE DEFEITUOSA TIPO 1 (“clássica”): APERISTALSE E SEM PRESSURIZAÇÃO ESOFÁGICA (sem contrações) TIPO 2 (“compressão esofágica”): APERISTALSE E COM PRESSURIZAÇÃO ESOFÁGICA (com contrações) TIPO 3 (“espástica”): CONTRAÇÕES ESPÁSTICAS (pior prognóstico) O tipo I é caracterizado por 100% de falha nas contrações e não pressurização esofágica; o tipo II tem pressurização panesofágica em pelo menos 20% das deglutições; e o tipo III é definido pela presença de fragmentos preservados de peristalse distal ou contrações prematuras por pelo menos 20% das deglutições. Essa classificação também pode ser aplicada a esofagopatia chagásica, apesar do tipo III ser raro. Para não perder o “fio da meada”, vamos entender os achados dos diagnósticos diferenciais que veremos adiante! E O ESPASMO ESOFAGIANO DIFUSO? O espasmo esofágico distal é definido por mais de 20% de contrações prematuras + IRP NORMAL (não há problema de relaxamento do esfíncter esofagiano inferior). E O ESÔFAGO HIPERCONTRÁTIL? O esôfago hipercontrátil (esôfago “em britadeira”) é caracterizado por pelo menos duas deglutições com hipercontratilidade. Existe certa peristalse, mas com um VIGOR MUITO INTENSO, com EEI normal e, portanto, com IRP também normal! PERISTALSE NORMAL: “pressão aumentando ao longo do caminho” UM ESFÍNCTER ESOFAGIANO INFERIOR NORMAL TEM UM IRP < 15MMHG Imagem: adaptado de Tratado de Clínica Médica (2009) | Lopes, Antônio Carlos 13 AS PRINCIPAIS VANTAGENS DA MAR EM RELAÇÃO À MANOMETRIA CONVENCIONAL SÃO: - PERMITE LOCALIZAÇÃO MAIS FÁCIL E IMEDIATA DE MARCOS ANATÔMICOS COMO OS ESFÍNCTERES SUPERIOR E INFERIOR; - É POSSÍVEL AQUISIÇÃO SIMULTÂNEA DE DADOS REFERENTES AO ESFÍNCTER SUPERIOR, CORPO ESOFÁGICO E ESFÍNCTER INFERIOR DO ESÔFAGO; - PROPORCIONA MAIOR CONFORTO AO PACIENTE DEVIDO AO TEMPO REDUZIDO DEEXAME E PELA AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE TRAÇÃO DO CATETER A CADA CENTÍMETRO; - NÃO SOFRE INFLUÊNCIA DE ARTEFATOS DE MOVIMENTO; - IDENTIFICAÇÃO DE FENÓTIPOS CLINICAMENTE RELEVANTES, COMO OS SUBTIPOS DE ACALÁSIA, QUE POSSUEM RESPOSTAS TERAPÊUTICAS DISTINTAS. AGORA SIM, VAMOS VOLTAR A DISCUSSÃO DE ACALÁSIA! Tratamento: (1) FARMACOLÓGICO - POUCO RESOLUTIVO! TOXINA BOTULÍNICA Drogas VO antes das refeições (BLOQUEADORES DO CANAL DE CÁLCIO, NITRATO) (2) DEFINITIVO DILATAÇÃO PNEUMÁTICA MIOTOMIA A HELLER (+ fundoplicatura) MIOTOMIA ENDOSCÓPICA PERORAL (POEM – PerOral Endoscopic Myotomy) (3) ESOFAGECTOMIA - Se megaesôfago (grau IV) A escolha do tratamento pode ser pautada de acordo com a CLASSIFICAÇÃO DE MASCARENHAS/REZENDE Grau I: esôfago normal | até 4cm = NITRATO, ANTAGONISTA DE CÁLCIO, SILDENAFIL/BOTOX (a cada 3 meses) Grau II: megaesôfago | 4-7cm = DILATAÇÃO PNEUMÁTICA POR BALÃO Grau III: megaesôfago | 7-10cm = CARDIOMIOTOMIA HELLER-PINOTTI + FUNDOPLICATURA (evita refluxo) OU POEM Grau IV: dolicomegasôfago, esôfago em sigmoide | > 10cm = ESOFAGECTOMIA Anel de Schatzki É um estreitamento laminar da porção inferior do esôfago que provavelmente se tem desde nascença) Obs: PLUMMER VINSON PEGA ESÔFAGO MAIS CERVICAL E A ESTENOSE NÃO É COMPLETA (ASSOCIADA A ANEMIA FERROPRIVA) Obs: SE BIOPSIAR, ACIMA DO ANEL DE SCHATZKI É MUCOSA ESOFÁGICA E ABAIXO É MUCOSA GÁSTRICA (metaplasia para proteger o esôfago de uma DRGE) Clínica: disfagia de condução induzida pela ingestão de grandes pedaços de alimentos Diagnóstico: esofagografia baritada Tratamento: ruptura endoscópica do anel/dilatação com balão Espasmo Esofagiano Difuso Conceitos: - Contrações simultâneas e vigorosas do esôfago - Mais comum: MULHERES DEPRESSIVAS, ANSIOSAS Clínica: - DISFAGIA + PRECORDIALGIA (diagnóstico diferencial com IAM) Diagnóstico: - ESOFAGOGRAFIA BARITADA: “ESÔFAGO EM SACA-ROLHAS” ou “CONTA DE ROSÁRIO” - ESOFAGOMANOMETRIA CONVENCIONAL (mostra CONTRAÇÕES VIGOROSAS E SIMULTÂNEAS) - ESOFAGOMANOMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO: IRP NORMAL + > 20% de CONTRAÇÕES SIMULTÂNEAS Tratamento: - Explicar benignidade - Bala de hortelã para alívio dos sintomas - NITRATOS, ANTAGONISTAS DO CANAL DE CÁLCIO, TRICÍCLICO - MIOTOMIA LONGITUDINAL, se refratariedade Esôfago Hipercontrátil (Quebra Nozes) Conceitos: - Ondas peristálticas com ALTA AMPLITUDE, porém, EFICAZES, diferente de acalasia e EED Clínica: - DISFAGIA E DOR RETROESTERNAL Diagnóstico: - ESOFAGOMANOMETRIA CONVENCIONAL: PERISTALSE DE ELEVADA AMPLITUDE - ESOFAGOMANOMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO: IRP NORMAL + > 20% de CONTRAÇÕES HIPERCONTRÁTEIS Tratamento: - Mesmo esquema do EED EED (Difuso) Hipercontrátil (Quebra-Nozes) CLÍNICA Disfagia + Precordialgia ESOFAGOGRAFIA Saca-Rolha ou Conta de Rosário Peristalse normal MANOMETRIA CONVENCIONAL Contrações simultâneas não peristálticas Peristalse de elevada amplitude MANOMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO IRP normal + > 20% contrações simultâneas IRP normal + > 20% contrações hipercontráteis TRATAMENTO (1) Explicar benignidade/bala hortelã (2) Bloqueadores do canal de cálcio (3) Tricíclico (4) Cirurgia (miotomia) Imagem: dralexandrecoutinho.com.br Imagem: edisciplinas.usp.br Imagem: MSD Manuals 14 2. Dispepsia Conceitos: - DOR EPIGÁSTRICA no ÚLTIMO MÊS +/- outros sintomas OBS: DRGE não é dispepsia, mas confunde (abordagem própria) - Pode ser ORGÂNICA (DUP, câncer) ou FUNCIONAL (sem causa estrutural) Critérios de Roma IV para Dispepsia Funcional - DISPEPSIA nos ÚLTIMOS 3 MESES - > 1 achados: Plenitude pós-prandial Saciedade precoce Dor ou queimação Ausência de lesão estrutural na EDA Quando Indicar Endoscopia? Em situações que o risco de câncer é maior! - Idade > 40 anos OU - PRESENÇA DE SINAIS DE ALARME: emagrecimento, anemia, disfagia e odinofagia. Esses são os principais! Isso é muito cobrado em prova! Abordagem: DRGE Fisiopatologia: Perda de mecanismos antirrefluxo! - RELAXAMENTOS TRANSITÓRIOS E FREQUENTES DO EEI, não associados a deglutição, e PROLONGADOS (5-35 segundos) - EEI HIPOTÔNICO - JUNÇÃO ESOFAGO- GÁSTRICA ALTERADA – hérnia de hiato. Quadro Clínico: Esofagiano: - PIROSE, REGURGITAÇÃO (sintomas TÍPICOS) - Complicações: esofagite, úlcera, estenose péptica (dispéptica), esôfago de Barret... Podem ou não estar presentes! Geralmente presente em 50% dos casos e identificadas pela endoscopia. Extra-esofagiano: - FARINGITE, ROUQUIDÃO, TOSSE CRÔNICA, BRONCOESPASMO, PNEUMONIA DE REPETIÇÃO (sintomas ATÍPICOS) Diagnóstico: (1) CLÍNICO (pirose + regurgitação)! (2) EDA Se normal: não exclui DRGE! Pode ser normal em 50% dos casos! Não é imprescindível para o diagnóstico! É pedida com frequência para afastar câncer e outras patologias/complicações Quando pedir? Idade > 40-45 anos Existe bastante divergência na literatura quanto a esse ponto de corte. O 4º Consenso de H.Pylori, em documento sobre dispepsia, coloca o ponto de corte como 45 anos. O Colégio Americano, por outro lado, coloca como 60 anos. De qualquer forma, guarde: quanto maior a idade, “mais forte” a indicação. Sinais de alarme (anemia, emagrecimento, odinofagia, disfagia)* Refratariedade ao tratamento de DRGE “IHH... O ALARME” - Idade > 40-45 anos - Linfadenopatia - Hist. Fam. de câncer gástrico - Amarelão (icterícia) - Hematêmese - Rauuuuull (vômitos de repetição) - Odinofagia e disfagia - Massa palpável - Anemia - Emagrecimento (3) PHMETRIA 24H Padrão-ouro! Confirma ÍNDICE DE DEMEESTER > 14 + PH < 4 EM MAIS DE 7% DAS MEDIDAS. (4) IMPEDÂNCIO-PHMETRIA Mostra REFLUXO ÁCIDO E ALCALINO. Algumas literaturas já colocam como o atual padrão-ouro para o diagnóstico, sendo mais sensível que a pHmetria convencional, mas ainda é pouco utilizado no nosso meio. Tratamento: (1) Medidas Comportamentais Antirrefluxo - Perder peso, elevar cabeceira e evitar comer 2-3h antes de deitar (para quem tem sintomas noturnos) - Fracionar a dieta - Eliminar alimentos que pessoalmente causem sintoma (2) Tratamento Farmacológico - Objetivo: reduzir acidez - Duração: 8 SEMANAS (6-12 semanas) - Anti-ácidos (hidróxido de alumínio) e pró-cinéticos (plasil, domperidona) possuem pouco benefício prático/pouco prescritos - Bloqueadores histamínicos (ranitidina): também reduzem acidez, mas são segunda opção. Qual a droga de escolha? - Usar INIBIDOR DA BOMBA DE PRÓTONS EM “DOSE PLENA”: omeprazol 20mg, pantoprazol 40mg, esomeprazol 40mg, lansoprazol 30mg EM JEJUM. Se houver melhora dos sintomas após as 8 semanas, mas eles continuam aparecendo de vez em quando? - IBP “SOB DEMANDA” (teve sintoma, usa; parou o sintoma, pára) ou CRÔNICO (menos indicado) Se não houver melhora nenhuma após 8 semanas de tratamento? - IBP EM DOSE DOBRADA (2x/dia) Se não melhorar nem com a dose dobrada? - TRATAMENTO CIRÚRGICO (3) Tratamento Cirúrgico FUNDOPLICATURA VLP! Para quem? - REFRATÁRIOS (sintomas mesmo com IBP em dose dobrada) - ALTERNATIVA AO USO CRÔNICO DE IBP (paciente que prefere cirurgia) - Complicação: ESTENOSE/ÚLCERA Repare que Barret não é indicação! Não há consenso na literatura! É obrigatório fazer antes da cirurgia... PHMETRIA DE 24H: exame complementar PADRÃO-OURO para confirmar o diagnóstico de refluxo ou EDA c/ esofagite grau C ou D ESOFAGOMANOMETRIA: para escolher a técnica cirúrgica. Imagem: medicinenet.com (2004) > 40 anos OU alarme ENDOSCOPIA Dispepsia Orgânica Dispepsia Funcional < 40 anos E sem alarme Testa e trata H.pylori IBP Tricíclico Pró-Cinético 15 ESTENOSE PÉPTICA Quando desconfiar? - DRGE + DISFAGIA INSIDIOSA E PROGRESSIVA Nesses casos de disfagia insidiosa e progressiva, nosso pensamento deve ser voltado ou para câncer, ou para estenose péptica. Como tratar? - DILATAÇÃO PNEUMÁTICA Qual a cirurgia? FUNDOPLICATURA VLP! “Fundo do estômago ‘abraçando’ o esôfago” FUNDOPLICATURA DE NISSEN (360º): - Melhor técnica - EVITAR SE ESOFAGOMANOMETRIA MOSTRARDISMOTILIDADE ESOFAGIANA (< 30MMHG NO ESÔFAGO DISTAL OU < 60% DE ATIVIDADE PERISTÁLTICA) FUNDOPLICATURA PARCIAL ANTERIOR (DOR/THAL) OU POSTERIOR (TOUPET/LIND) - SE NÃO PUDER A FUNDOPLICATURA DE NISSEN Esôfago de Barret - METAPLASIA INTESTINAL: estratificado escamoso esofagiano é trocado por colunar do tipo intestinal (mais resistente) - É uma LESÃO PRÉ-ADENOCARCINOMATOSA: principal fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago - HÁ MELHORA SINTOMÁTICA INICIAL: pela troca de epitélio, que é mais resistente - O DIAGNÓSTICO É HISTOLÓGICO! TEM QUE FAZER EDA + BIÓPSIA! A endoscopia não dá diagnóstico (apenas SUGERE). Qual achado endoscópico que leva a suspeita? - COR VERMELHO SALMÃO do esôfago. Qual a conduta nesse caso? - BIÓPSIA! A confirmação é histológica E como trata o esôfago de Barret? - IBP 1x/dia CRONICAMENTE (não importa se não tem mais sintomas) + VIGILÂNCIA ENDOSCÓPICA! De acordo com o resultado da biópsia... - Metaplasia intestinal (sem displasia) EDA 3-5 anos - Displasia de baixo grau Ablação endoscópica (ou EDA 12 meses) - Displasia de alto grau (CA in situ) Ablação endoscópica (ou esofagectomia) - Adenocarcinoma invasivo veremos na aula de câncer PEGADINHA RECORRENTE DE PROVA! NÃO EXISTE RELAÇÃO ENTRE H.PYLORI E DRGE! Classificação Endoscópica de Savery Miller - Grau 1: erosão em “uma prega” - Grau 2: erosão em “duas pregas” - Grau 3: erosão em “toda a circunferência do esôfago” - Grau 4: “estenose péptica ou úlcera” - Grau 5: “Barret” Classificação Endoscópica de Los Angeles - Grau A: > 1 erosões menores que 5mm - Grau B: > 1 erosões maiores que 5mm, não contínuas, entre os ápices das duas pregas esofágicas - Grau C: erosões contínuas entre os ápices de pelo menos duas pregas esofágicas, envolvendo menos de 75% do órgão - Grau D: erosões ocupando pelo menos 75% do órgão medicinaatual.com.br cbcsp.org.br/wp-content endoscopiaterapeutica.com.br gastroclinic.com.br 16 Úlcera Péptica Úlcera gástrica e/ou duodenal, decorrente da agressão ácida Fisiopatologia: - Desbalanço entre agressão (ácido) e proteção (barreira mucosa via prostaglandinas) Agressão direta: acidez Facilitadores: H. pylori e AINE Entendendo a fisiologia gástrica... FUNDO GÁSTRICO - CÉLULA PARIETAL (bombas de H+): ESTIMULADAS POR GASTRINA, NERVO VAGO E HISTAMINA ANTRO GÁSTRICO - CÉLULA G (gastrina) - CÉLULA D (somatostatina = inibe a gastrina) Então, para reduzir a acidez... - Inibidor da bomba de prótons: (inibe a bomba toda! Melhor!) - Bloqueador histamínico: ranitidina (só inibe um dos estímulos da bomba) - Vagotomia (inibe o estímulo do nervo vago) - Antrectomia (inibe o estímulo da gastrina) Entendendo a participação do H. pylori... Mecanismo de ação: - Primeiro momento = infecção do antro > menor ação da célula D >↓somatostatina HIPERCLORIDRIA úlcera péptica Repare que a infecção começa no antro! Se não tem antro, não tem célula D para secretar somatostatina, que deixa a gastrina livre para agir e gerar hipercloridria. - Segundo momento = infecção disseminada > menor ação da célula parietal >↓ácido HIPOCLORIDRIA E ↓BARREIRA MUCOSA O pouco ácido ainda é capaz de agredir a parede do estômago, visto que houve a redução da barreira mucosa! ATENÇÃO! H. PYLORI É CAPAZ DE ESTIMULAR LINFÓCITOS B RISCO DE LINFOMA MALT Entendo a participação dos AINES... Mecanismo: inibição da COX - COX-1: prostaglandinas “do bem”. Constituem a barreira mucosa. Inibir a COX-1 é ruim! - COX-2: prostaglandinas “do mal” = inflamação Inibir a COX-2 é bom! Tipos de AINES: - Inibidores não-seletivos: ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco, etc - Inibidores seletivos da COX-2: “coxibe”. Induzem agregação plaquetária e por isso são poucos disponíveis no mercado. Tipos de Úlcera: HIPERCLORIDRIA: - Duodenal - Gástrica tipo 2 (corpo) associada a duodenal - Gástrica tipo 3 (pré-piloro) HIPOCLORIDRIA: - Gástrica tipo 1 (pequena curvatura baixa) - Gástrica tipo 4 (pequena curvatura alta) Quadro Clínico: DISPEPSIA + DOR Úlcera gástrica: dispepsia PIORA com alimentação Úlcera duodenal: dispepsia piora 2-3h após alimentação e à noite Diagnóstico: < 40 anos e sem sinais de alarme: - DIAGNÓSTICO CLÍNICO/PRESUNTIVO > 40 anos ou sinais de alarme: - EDA - + BIÓPSIA se for GÁSTRICA! Pode ser câncer! Biopsiar sempre + controle de cura (nova EDA). Não precisa biópsia de úlcera duodenal! A úlcera gástrica pode estar gritando que é benigna, mas tem que biopsiar sempre! IMPORTANTE! A PESQUISA DE H. PYLORI É OBRIGATÓRIA NA ÚLCERA... (1) Por endoscopia (testes invasivos): - TESTE DA UREASE NA BIÓPSIA (mais utilizado)/histologia/cultura (2) Sem endoscopia (testes não invasivos): - TESTE DA UREASE RESPIRATÓRIA (mais utilizado)/Ag fecal/sorologia Fique atento... NÃO USAR SOROLOGIA PARA CONTROLE DE CURA! O anticorpo anti-H. pylori pode ficar positivo mesmo por anos após a erradicação Tratamento: - Em ambos: IBP 4-8 SEMANAS + ERRADICAÇÃO H.PYLORI SE POSITIVA. Indicações de Erradicação do H.Pylori - ÚLCERA PÉPTICA - LINFOMA MALT - DISPEPSIA FUNCIONAL - Prevenção de CA gástrico: pós-gastrectomia por CA, metaplasia intestinal, parente de 1º grau com CA - Uso crônico de AAS/AINE e alto risco de úlcera (idoso, úlcera péptica prévia) Tratamento de Escolha no Brasil - 14 DIAS de: CLARITROMICINA 500MG 2X/DIA + AMOXICILINA 1G 2X/DIA + OMEPRAZOL 20MG 2X/DIA (“H. PYLORI de CAÔ”) Controle de Cura: - H.pylori + úlcera gástrica: NOVA EDA após término do tratamento - Só H. pylori: QUALQUER MÉTODO QUE NÃO SEJA A SOROLOGIA (após 4 semanas) - Úlcera duodenal: NÃO PRECISA Complicações Agudas: - HEMORRAGIA REFRATÁRIA (ver no resumo de hemorragia digestiva), OBSTRUÇÃO E PERFURAÇÃO - São relativamente MAIS COMUNS NA ÚLCERA DUODENAL! Local mais comum (55-60%): PEQUENA CURVATURA BAIXA 17 Cirurgia na Ulcera Péptica: Quando? - REFRATARIEDADE OU RECIDIVA AO TRATAMENTO CLÍNICO - Complicação aguda: HEMORRAGIA (REFRATÁRIA), PERFURAÇÃO, OBSTRUÇÃO Leis do tratamento cirúrgico... SE HIPERCLORIDRIA: VAGOTOMIA ± ANTRECTOMIA SE GÁSTRICA: RETIRAR ÚLCERA + SEGMENTO GÁSTRICO QUE A CONTÉM (“alguma gastrectomia”) Entendendo... Úlcera Duodenal (Hipercloridria) Vagotomia troncular + piloroplastia Vagotomia troncular + antrectomia + reconstrução do trânsito* Vagotomia superseletiva (gástrica proximal) = conserva o piloro. Úlcera Gástrica Tipo I (pequena curvatura baixa/hipocloridria) Antrectomia + reconstrução a Billroth I Tipo II (corpo/hipercloridria) e Tipo III (pré-piloro/hipercloridria) Vagotomia troncular + antrectomia + reconstrução Billroth II (ou I). É assim na prova, mas na prática o cirurgião tira a área do corpo do estômago que contém a úlcera do tipo II. Tipo IV (pequena curvatura alta/hipocloridria) Gastrectomia subtotal + reconstrução em Y de Roux ATENÇÃO! Vagotomia superseletiva: ↑recidiva; ↓complicações Vagotomia troncular + piloroplastia: intermediária Vagotomia troncular + antrectomia: ↓recidiva; ↑complicações E EM CASOS DE PERFURAÇÃO? RAFIA DA ÚLCERA + PROTEÇÃO COM OMENTO (PATCH DE GRAHAM) Primeiro conceito importante de entender: sempre que formos operar um paciente com uma complicação de úlcera, guarde que MENOS É MAIS! Como assim? Se o paciente tiver uma úlcera perfurada, mas está com sinais vitais normais, sem maiores complicações, podemos adotar as mesmas condutas citadas acima (vagotomia, gastrectomia, etc). Agora, se o paciente estiver com abdome em tábua, instável... Não dá para fazer grandes ressecções e anastomoses. Você só resolve a úlcera! Não tem vagotomia, gastrectomia... Você complementa o tratamento da acidez com IBP! Se for fazer gastrectomia nesse contexto de instabilidade, chance de complicação, fístula, etc. Complicações Cirúrgicas (Gastrectomia + Reconstrução): Síndrome de Dumping “É quem passa a não ter a função pilórica” - Perda da barreira pilórica: ALIMENTO DIRETO AO DUODENO - Pode ocorrer em BI e BII - Dumping precoce(15-30 minutos depois da alimentação): Distensão intestinal Gastrointestinais: DOR, NÁUSEA, DIARREIA Vasomotores: TAQUICARDIA, PALPITAÇÃO, RUBOR - Dumping tardio (1-3 horas depois da alimentação): HIPOGLICEMIA Tratamento: - ORIENTAÇÕES DIETÉTICAS (1. Deitar após a alimentação para lentificar a chegada do alimento ao duodeno e 2. Fracionar as refeições e reduzir carboidratos) Gastrite Alcalina ou Gastropatia por Refluxo Biliar “Retorno de conteúdo biliar e pancreático para o estômago” - REFLUXO BILIAR E PANCREÁTICO gerando gastrite - Mais comum na reconstrução a Billroth 2 - Clínica? DOR CONTÍNUA, SEM MELHORA COM VÔMITO (BILIOSO) - Tratamento: - REOPERAR E RECONSTRUIR EM Y DE ROUX. COLESTIRAMINA, um quelante de sal biliar, é usada para atenuar sintomas (não resolve o problema, pois continua havendo agressão pelo suco pancreático). Síndrome da Alça Aferente - ANGULAÇÃO DA ALÇA AFERENTE gerando uma semi-obstrução. - Só ocorre em Billroth 2 Clínica: - DOR QUE PIORA COM ALIMENTAÇÃO E MELHORA COM VÔMITO (BILIOSO E EM JATO) Tratamento: - REOPERAR E RECONSTRUIR EM Y DE ROUX Síndrome de Zollinguer-Ellison (SZE) e NEM-1 Conceitos Iniciais: - A SZE é uma doença ocasionada pelo EXCESSO DE GASTRINA produzida por um TUMOR NEUROENDÓCRINO = GASTRINOMA. Lembre-se que as células neuroendócrinas ficam espalhadas pelo trato gastrointestinal produzindo hormônios! O nome do tumor neuroendócrino que produz gastrina é GASTRINOMA! - Local mais comum: PRIMEIRA PORÇÃO DUODENAL. Outros locais: jejuno, estômago, pâncreas, gânglios linfáticos 70% – 90% SÃO ENCONTRADOS NO TRIÂNGULO DE PASSARO! Junção entre os ductos biliares cístico e comum (colédoco) 2ª e 3ª porções do duodeno Colo e corpo do pâncreas (*) Reconstrução do trânsito: - Billroth I = gastroduodenostomia - Billroth II = gastrojejunostomia + alça aferente (duodeno) - Y de Roux = gastrojejunostomia + duodenojejunostomia researchgate.com lecturio.com 18 Etiologia: - Até 80% SURGEM ESPORADICAMENTE - 20%-30% ASSOCIADOS A NEM-1 (neoplasia endócrina múltipla 1) Quadro Clínico: - DOR ABDOMINAL (HISTÓRIA DE DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA) Geralmente é o paciente REFRATÁRIO AO TRATAMENTO CLÍNICO! - SINTOMAS DE DRGE Pirose e regurgitação podem estar presentes! - DIARREIA/ESTEATORREIA O excesso de ácido promove uma espécie de “lesão química” no intestino delgado! Muita atenção aqui! Fique atento para o paciente com história de DUP refratária e que apresenta diarreia! Diagnóstico: (1) GASTRINA SÉRICA EM JEJUM: - Se baixa: diagnóstico improvável - Se alta: diagnóstico possível prosseguir com investigação (2) MEDIÇÃO DO PH GÁSTRICO: - Se > 2: diagnóstico improvável - SE < 2: DIAGNÓSTICO POSSÍVEL prosseguir com investigação (3) REPETIR DOSAGEM DE GASTRINA: - SE > 1.000PG/ML: DIAGNÓSTICO CONFIRMADO prosseguir com investigação - Se < 150: diagnóstico descartado - Se 150-1.000: fazer TESTE DA SECRETINA (positivo se aumento da gastrinemia em 200pg/ml) prosseguir com investigação, se positivo (4) LOCALIZAR O TUMOR: - TC OU RNM DE ABDOME, ECOENDOSCOPIA, CINTILOGRAFIA/OCTREOSCAM Tratamento: - CLÍNICO: IBP EM DOSE ALTA (ex: omeprazol 40mg 12/12h) - CIRÚRGICO: RESSECÇÃO ONCOLÓGICA Enucleação para tumores “pequenos e localizados” Duodenopancreatectomia + linfadenectomia para “grandes”NEM-1 (SÍNDROME DE WERMER) - Associação de GASTRINOMA, PROLACTINOMA, HIPERPARATIREOIDISMO - Lembrar os 3 P’s = PÂNCREAS gastrinoma, insulinoma; PITUITÁRIA prolactinoma; PARATIREOIDE hiperparatireoidismo ATENÇÃO PARA AS “PISTAS” DE PROVA! (1) Múltiplas úlceras pépticas (2) Úlceras além do bulbo duodenal (3) Úlcera H.pylori negativa e sem uso de AINE (4) Hipertrofia das pregas gástricas Síndrome de Zollinger-Ellison: Diagnóstico e Manejo - Dr. Maneesh H. Singh & Dr. David C. Metz 19 1. Esofagites Esofagites Infecciosas Conceitos Iniciais: - Mais comum em IMUNOSSUPRIMIDOS: AIDS, QT, uso de corticoide em dose imunossupressora... - Outros fatores de risco: ACALÁSIA, DIABETES, USO DE ATB PROLONGADO Principais Etiologias: - CANDIDA ALBICANS, HERPES VIRUS SIMPLEX e CITOMEGALOVÍRUS Quadro Clínico: - ODINOFAGIA, DISFAGIA - FEBRE pode ocorrer, principalmente nas doenças VIRAIS Diagnóstico E Tratamento: - Diagnóstico: ENDOSCOPIA + BIÓPSIA Detalhe: nos casos de pacientes de alto risco (como HIV/AIDS), esse diagnóstico pode ser presuntivo/clínico, sem necessidade de investigação complementar, com autorização, inclusive, de iniciar o tratamento de forme empírica! VÍRUS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO CANDIDA ALBICANS CLÍNICO NOS PACIENTES DE RISCO (ex: HIV/AIDS) EDA: placas COR CREME aderidas na mucosa Biópsia: hifas e leveduras na mucosa FLUCONAZOL VO 7-14 DIAS (IV se disfagia grave) HERPES VIRUS SIMPLEX EDA: ÚLCERAS RASAS, com BORDAS ELEVADAS (“em vulcão”) Biópsia: células mul�nucleadas, com inclusões virais (COWDRY TIPO A) Melhor local para biópsia: periferia (halo) da lesão ACICLOVIR VO 14-21 dias CITOMEGALOVÍRUS EDA: ÚLCERAS PROFUNDAS e pouco numerosas Biópsia: inclusões em OLHOS DE CORUJA Melhor local para biópsia: centro da lesão GANCICLOVIR IV 14-21 dias Esofagite Eosinofílica Definição: - É como se fosse a “ASMA DO ESÔFAGO” infiltração esofágica CRÔNICA por eosinófilos por mecanismo imune-mediado. - Mais comum em JOVENS Fatores de Risco: - HISTÓRIA DE ATOPIA: alergia alimentar, asma, eczema, rinite... - HISTÓRIA FAMILIAR POSITIVA - Sexo MASCULINO Quadro Clínico: - DISFAGIA/IMPACTAÇÃO ALIMENTAR - DOR RETROESTERNAL/EPIGÁSTRICA - Em crianças: DIFICULDADE EM PROGREDIR DIETA/NÃO ACEITAÇÃO ALIMENTAR/SEMELHANTE DRGE Diagnóstico: (1) EDA + BIÓPSIAS ESOFÁGICAS TRAQUEIZAÇÃO DO ESÔFAGO (MÚLTIPLOS ANEIS CONCÊNTRICOS) achado típico de questões de prova! SULCOS LONGITUDINAIS COM EXSUDATO ESTENOSES com estreitamento do lúmen e risco de impactação alimentar Presença de > 15 EOSINÓFILOS POR CAMPO DE GRANDE AUMENTO tem que saber o valor! (2) EXCLUIR OUTRAS CAUSAS DE EOSINOFILIA DRGE, PARASITOSE, MALIGNIDADE são causas que também podem causar infiltração de eosinófilos no esôfago! Tratamento: (1) DIETA: retirar gatilhos alimentares (mais comuns: leites, ovos, soja e trigo) muitas vezes não é o suficiente para o tratamento! (2) INIBIDOR DA BOMBA DE PRÓTONS POR 8 SEMANAS (se houver boa resposta: manter terapia crônica) efeito “anti-inflamatório” no esôfago, impedindo o recrutamento de eosinófilos. (3) CORTICOTERAPIA TÓPICA COM FLUTICASONA OU BUDESONIDA SPRAY não é a “asma do esôfago”? Só não confunda a via de administração! Aqui o paciente deglute o corticoide! Tem que ficar pelo menos 30 minutos sem beber/comer nada após o uso! 2. Hérnia de Hiato Conceitos Iniciais: - A HÉRNIA DE HIATO OCORRE QUANDO O ESTÔMAGO, QUE DEVERIA ESTAR NA CAVIDADE ABDOMINAL, SE ENCONTRA PARTE OU TOTALMENTE NA CAVIDADE TORÁCICA. Ele faz essa troca de região se insinuando (ou seja, formando uma hérnia) pelo hiato do diafragma por onde o esôfago desce para entrar no abdome. Já adiantando, as principais formas de hérnia de hiato são: DESLIZAMENTO: responsável por 95% dos casos, onde a parte abdominal do esôfago e a parte superior do estômago sobem juntas para a cavidade torácica. ROLAMENTO: também chamada HÉRNIA PARAESOFÁGICA, corresponde a 5% dos casos. Aqui a parte abdominal do esôfago e inicial do estômago estão na sua localização habitual, porém parte do estômago (na sua maioria, o fundo), se insinua no hiato do diafragma e adentra a cavidade torácica. Disfagia e Dispepsia II @ casalmedresumos TRAQUEIZAÇÃO SULCOS LONGITUDINAIS COM EXSUDATO igastroped.com.br 20 Etiologia: Ainda não se sabe ao certo porque essas hérnias acontecem, mas alguns estudos sugerem: Hiato do diafragma mais aberto do que o usual; Mudanças no diafragma com o decorrer da idade; Lesão na área do hiato; Fatores que aumentam a pressão abdominal (obesidade, gravidez, constipação intestinal, tossecrônica, etc) Dessa forma, os fatores de risco para desenvolver hérnia hiatal são idade (de preferência acima dos 50 anos), ser mulher e estar acima do peso. Quadro Clínico: - A maioria dos casos é ASSINTOMÁTICA! Apenas tem a hérnia de hiato como ACHADO DE EXAME! - Quando sintomático, tem APRESENTAÇÃO MUITO INESPECÍFICA, com dor torácica após as refeições, disfagia, eructação, vômitos, respirações curtas (pela compressão do pulmão pelo estômago). Mas o mais importante deles é a ASSOCIAÇÃO COM DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO E SEUS SINTOMAS. ATENÇÃO AQUI! Se dor forte e intermitente no peito e na região epigástrica, ou sangramentos exteriorizados, podemos estar frente a isquemia e necrose da hérnia hiatal, que podem estar sendo causadas por compressão do hiato sob o parênquima do órgão ou por uma torção (volvo). Diagnóstico: (1) RADIOGRAFIA SIMPLES: é o exame de mais fácil acesso e que muitas vezes já auxilia no diagnóstico! Observe o estômago junto ao mediastino. Nessas imagens, sabemos que o conteúdo anormal no tórax é o estômago pela presença de nível hidroaéreo no seu interior. (2) ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA: a hérnia hiatal é confirmada endoscopicamente quando encontramos uma bolsa revestida com dobras rugosas gástricas situadas à 2cm ou mais acima das margens dos pilares do diafragma. Ou seja, quando a junção esofagogástrica não está junto dos pilares diafragmáticos. (3) MANOMETRIA E PHMETRIA: Ambos são exames feitos para programar a cirurgia conjunta de hérnia de hiato e refluxo gastroesofágico. Classificação e Tratamento: De uma forma geral, as hérnias hiatais se tornam necessariamente cirúrgicas se: Forem muito grandes; Os pacientes sintomáticos forem refratários ao tratamento clínico; Exista evidência de sangramentos ou sinais de estrangulação e isquemia. A via cirúrgica preferencial é a laparoscópica por ser menos invasiva, causar menos cicatrizes, ter um menor risco de infecção, causar menos dor e permitir uma recuperação mais rápida do paciente. Isso é importante pois a maioria das hérnias hiatais está presente em pessoas mais idosas ou com múltiplas comorbidades (obesos, principalmente). Complicações: Algumas das complicações que podem acontecer na hérnia hiatal são: Estrangulamento da hérnia; Isquemia e necrose do esôfago e estômago; Perfuração do esôfago ou estômago pela compressão e distensão; Volvo gástrico. Todas elas demandam cirurgia imediata! iGastroProcto.com.br Imagem: obesogastro.com.br/hernia-de-hiato Imagem: Pinterest.pt Hiatal and Paraesophageal Hernias. Callaway. J.P et al. Clinical Gastroenterology and Hepatology. Vol. 16. Nº. 6. Pg 810-813. Junho 2018 21 ORGANIZANDO O RACIOCÍNIO... TIPO I DESLIZAMENTO = JEG HERNIADA + FUNDO NORMAL - Tratamento: CONSERVADOR (indicação conforme DRGE) TIPO II ROLAMENTO = JEG NORMAL + FUNDO GÁSTRICO HERNIADO - Tratamento: CIRÚRGICO, SE GRANDE E/OU SINTOMÁTICA TIPO III MISTA = JEG HERNIADA + FUNDO GÁSTRICO HERNIADO - Tratamento: CIRÚRGICO, SE GRANDE E/OU SINTOMÁTICA TIPO IV “OUTROS” = ESÔFAGO, CÓLON, BAÇO... - Tratamento: CIRÚRGICO, SE GRANDE E/OU SINTOMÁTICA Detalhe: não existe uma “quantificação” específica para o tamanho da hérnia “grande” que tem indicação cirúrgica. A banca costuma utilizar o termo “volumosa” ou “grande quantidade de conteúdo herniado” 3. Perfuração Esofágica (Boerhaave) Etiologia: A síndrome de Boerhaave foi historicamente nomeada para a perfuração ESPONTÂNEA do esôfago. Atualmente, não é a principal causa. Vamos entender quais são: - LESÃO IATROGÊNICA DURANTE A ENDOSCOPIA atualmente responde por mais de 50% dos casos - PERFURAÇÃO ESPONTÂNEA (15%) - CORPO ESTRANHO (14%) - TRAUMA CERVICAL (10%) - Neoplasias (1%) Clínica: - TRÍADE DE MACKLER VÔMITOS + DOR TORÁCICA + ENFISEMA SUBCUTÂNEO Quando encontrar paciente com enfisema subcutâneo em prova, tem que suspeitar de ruptura de víscera ou pneumotórax! No contexto de vômitos, temos que pensar em ruptura esofágica! - Achado de MAU PROGNÓSTICO: DERRAME PLEURAL Diagnóstico: (1) ESOFAGOGRAFIA CONTRASTADA OU TC COM CONTRASTE ORAL (BÁRIO E GASTROFRAFIN) (2) LARINGOSCOPIA E ENDOSCOPIA Tratamento: (1) CONTROLE DA CONTAMINAÇÃO: ATB DE AMPLO ESPECTRO +/- ANTIFÚNGICO. Sabiston defende a cobertura com antifúngico, mas há certa divergência na literatura. (2) CONTROLE DA PERFURAÇÃO: - SE PRECOCE (< 24H): RAFIA EM 2 PLANOS + RETALHO - SE TARDIA (> 24H): ESOFAGOSTOMIA (“exclusão esofágica”). Não tem como fazer rafia! Paciente em dieta-zero e esofagostomia! Toda saliva produzida vai sair pela esofagostomia. Faz uma gastrostomia também e espera a fístula fechar! - STENT VIA EDA: SE HOUVER LIMITAÇÃO CIRÚRGICA (indisponibilidade do local ou limitação do paciente) no local OU PERFURAÇÃO MUITO PEQUENA < 24H. (3) DRENAGEM AMPLA: DRENOS DE TÓRAX +/- VATS OU TORACOTOMIA (4) NUTRIÇÃO ENTERAL: GASTROSTOMIA OU JEJUNOSTOMIA 4. Ingestão de Corpo Estranho CONCEITOS INICIAIS: - Mais comum em CRIANÇAS (75% dos casos) - Agentes envolvidos: MOEDAS (crianças) e IMPACTAÇÃO ALIMENTAR (adultos) - Objetos de “risco”: BATERIA DE DISCO, objetos PONTIAGUDOS, IMÃS, objetos LONGOS QUADRO CLÍNICO: - Pode ser ASSINTOMÁTICO = geralmente crianças, trazidas pelos pais ou responsáveis - Quadro gastrointestinal: DISFAGIA, SIALORREIA, DOR RETROESTERNAL - Quadro obstrutivo pulmonar: ESTRIDOR, CIANOSE, DISPNEIA DIAGNÓSTICO: - Exame inicial: RADIOGRAFIA DE PESCOÇO, TÓRAX E ABDOME AP/PERFIL - Para diferenciar MOEDA X BATERIA DE DISCO... Moeda: não tem duplo halo/estrutura única circunscrita/regular Bateria: tem duplo halo/irregular/percebe-se “2 camadas” na imagem - Se não encontrar com RX: fazer TOMOGRAFIA DE PESCOÇO, TÓRAX E ABDOME TRATAMENTO: REMOÇÃO POR ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA. Quando? (1) OBJETO IMPACTADO ATÉ O DUODENO: - OBSTRUÇÃO GASTROINTESTINAL OU RESPIRATÓRIA - OBJETO DE “RISCO” = BATERIA DE DISCO, PONTIAGUDOS, IMÃS, LONGOS - OBJETOS SEM RISCO IMPACTADOS NO ESÔFAGO APENAS ACOMPANHAMENTO RADIOGRÁFICO (SEM EDA). Quando? (1) OBJETOS SEM RISCO A PARTIR DO ESTÔMAGO (2) QUALQUER OBJETO (inclusive os de risco) ALÉM DO DUODENO - No ADULTO com IMPACTAÇÃO: GLUCAGON IV “relaxa o esôfago” SE ASSINTOMÁTICA E HÉRNIA DE ROLAMENTO GRANDE = TRATAMENTO CIRÚRGICO QUESTIONÁVEL SE > 60 ANOS. Como a taxa de complicação é pequena (~ 1% ao ano), temos que pesar o risco- benefício de operar um paciente idoso. MOEDA BATERIA EDA EM ATÉ 2-6 HORAS (emergência), se: EDA EM ATÉ 24 HORAS (urgência), se: Objetos SEM RISCO = frequência semanal Objetos COM RISCO = frequência diária Laxativos e indutores de vômitos NÃO são indicados! 22 1. Abordagem Inicial (1) PRIMEIRO PASSO, SEMPRE ESTABILIZAÇÃO CLÍNICA! “ABC DO TRAUMA” (garantir perviedade das vias aéreas, fornecer oxigênio se necessário, 2 acessos periféricos para reposição volêmica) ESTIMAR PERDA VOLÊMICA REPOSIÇÃO VOLÊMICA (alvo PAS > 100mmHg). SOLUÇÃO INICIAL: CRISTALOIDE OU RINGER LACTATO. LABORATÓRIO: hemograma, eletrólitos, coagulograma, Ur/Cr, etc. DIETA-ZERO SONDAGEM NASOGÁSTRICA: controverso (sua passagem permite suspeitar a etiologia do sangramento) DROGAS (para HDA): IBP IV (supressão ácida na úlcera péptica), ATB + terlipressina (se hipertensão-porta) Primeiras 48h: não confiar no hematócrito. Avaliar diurese! Considerar: hemácias (se > 30% de perda sanguínea, hipotensão refratária ou hb < 7), plasma (se INR > 1,5), plaquetas (se < 50.000). (2) LOCALIZAR O SANGRAMENTO: Acima do ligamento de Treitz: ALTA Abaixo do ligamento de Treitz: BAIXA DIFERENCIANDO POR PARÂMETROS CLÍNICOS... Alta (80%) = mais comum/mais grave - CAUSAS MAIS COMUNS: DUP, varizes - CLÍNICA: HEMATÊMESE/MELENA - SONDA NASOGÁSTRICA: sangue - EXAME CONFIRMATÓRIO E TERAPÊUTICO: EDA (boa S e E) Baixa (20%) = menos comum/menos grave - CLÍNICA: HEMATOQUEZIA (vermelho vivo misturado com as fezes em pequena quantidade)/ENTERORRAGIA (vermelho vivo em grande quantidade)- SONDA NASOGÁSTRICA: sem sangue - EXAME CONFIRMATÓRIO E TERAPÊUTICO: colonoscopia Obs: 10-20% das hematoquezias representam hemorragia digestiva alta (situações com trânsito intestinal acelerado). HDA HDB Ângulo Treitz Acima Abaixo Frequência 85-90% 10-15% Clínica Hematêmese Melena Hematoquezia Hematoquezia Enterorragia CNG Sangue, borra de café Bile, sem sangue Exame/ Conduta Estável: - EDA nas 1ª 24h Instável: - EDA de emergência Se não achar (1-2%): - Cirurgia Colonoscopia, outros Causas Úlcera péptica Varizes Mallory-Weiss Gastrite/Duodenite Esofagite Divertículo Angiodisplasia CA colorretal 2. Hemorragia Digestiva Alta Etiologia: (1) SEM HIPERTENSÃO-PORTA: ÚLCERA PÉPTICA (+ comum) MALLORY-WEISS GASTRITE/ESOFAGITE NEOPLASIAS Outras (DIEULAFOY, GAVE, HEMOBILIA) (2) COM HIPERTENSÃO-PORTA: CIRROSE HEPÁTICA COM VARIZES ESOFAGOGÁSTRICAS Principal Exame: - ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA Solicitar em ATÉ 24H da admissão hospitalar (ou 12H SE VARIZES), APÓS ESTABILIZAÇÃO HEMODINÂMICA! E se não estabilizar? Optar por ANGIOEMBOLIZAÇÃO OU CIRURGIA! A angioembolização é feita por radiologia intervencionista: coloca-se uma substância dentro da artéria, obliterando esse vaso e estancando o sangramento! A cirurgia é outra opção, a depender da causa do sangramento. AGORA VAMOS APROFUNDAR CADA UMA DAS CAUSAS! Doença Ulcerosa Péptica (DUP) - Complicações possíveis: perfuração, obstrução e SANGRAMENTO (+comum/principal causa de óbito/maior indicação de cirurgia). Ver o manejo a seguir! - Fatores de risco: AINES/H.PYLORI - Classificação de Forrest: DE UMA FORMA GERAL... SIMPLIFICANDO A CONDUTA: Se alto risco = medicação IV + terapia endoscópica (cirurgia se refratário) Se baixo risco = não precisa terapia endoscópica Agora vamos ver os detalhes! Hemorragia Digestiva e Proctologia @ casalmedresumos ALTO risco! researchgate.net residenciamedica.com.br André Agnoletto PRINCIPAIS CAUSAS “UVL = UVULA” Úlcera Varizes esôfago-gástricas Laceração (Mallory-Weiss) 23 (1) TERAPIA CLÍNICA: - IBP/SUSPENDER MEDICAÇÃO CAUSADORA/ERRADICAR H.PYLORI Omeprazol ou Esomeprazol 40-80mg IV 12/12h (ou infusão contínua) (2) TERAPIA ENDOSCÓPICA: - Se Forrest I, IIA (ALTO RISCO): 2.1. IBP INTRAVENOSO 12/12h (OU EM BI) POR 72H + 2.2. TERAPIA ENDOSCÓPICA! Química com ADRENALINA Térmica com ELETROCOAGULAÇÃO Mecânica com CLIPS METÁLICOS Geralmente se faz terapia combinada química + térmica). - Em caso de falha, PODEMOS TENTAR A TERAPIA ENDOSCÓPICA UMA SEGUNDA VEZ! - Em caso de nova falha, ARTERIOGRAFIA COM EMBOLIZAÇÃO ARTERIAL, se disponível, é opção! - Perceba que a terapia cirúrgica deve ser realizada em último caso! (3) TERAPIA CIRÚRGICA (10%): - FALHA NA ENDOSCOPIA (2x)/ARTERIOGRAFIA - INSTABILIDADE HEMODINÂMICA MANTIDA - SANGRAMENTO CONTÍNUO NECESSITANDO DE > 3 CH/DIA (4) REINTRODUÇÃO DE DIETA: - Se BAIXO RISCO (Forrest IIC e III) - Se RISCO INTERMEDIÁRIO (Forrest IIB): considerar, A DEPENDER DE CONDIÇÕES CLÍNICAS (5) APÓS A ALTA: - ERRADICAR H. PYLORI, SUSPENDER MEDICAÇÃO CAUSADORA - IBP VIA ORAL + RETORNO AMBULATORIAL Qual cirurgia? ULCERORRAFIA! - Úlcera duodenal: ULCERORRAFIA + PILOROTOMIA com VAGOTOMIA TRONCULAR - Úlcera gástrica: ULCERORRAFIA + GASTRECTOMIA + B1, B2 OU Y Conceitos de prova... Úlcera que mais sangra: DUODENAL (parede posterior) Artéria responsável: GASTRODUODENAL Porção que mais perfura do duodeno: parede anterior Varizes Esofagogástricas Conceitos Iniciais: - Principal causa: cirrose hepática - Mecanismo: OBSTRUÇÃO HEPÁTICA > HIPERTENSÃO PORTA > SHUNT VENOSO - PRESSÃO PORTAL > 12MMHG (risco de sangramento) Tratamento Medicamentoso: - Volume: REPOSIÇÃO CAUTELOSA - Droga (VASOCONSTRICTOR ESPLÂNCNICO): terlipressina IV 5 dias, octreotide, somatostatina (fazer antes da EDA) Tratamento Endoscópico: - EDA: LIGADURA (preferencialmente) - Se varizes gástricas isoladas: CIANOCRILATO (questão recorrente de provas de SP) - Se sangramento incontrolável: BALÃO DE SENGSTAKEN-BLAKEMORE (terapia “ponte” de 24h). O balão não pode ficar por mais de 24-48h! Serve apenas para “segurar” o sangramento até se tomar outra medida! - Se EDA falhar: 2ª TENTATIVA ENDOSCÓPICA (escleroterapia é possibilidade) - Refratários: TIPS OU CIRURGIA (mais detalhes em hepatologia) - Profilaxia primária: BETABLOQUEADOR (propranolol/carvedilol) ou LIGADURA ELÁSTICA - Profilaxia secundária: BETABLOQUEADOR (propranolol/carvedilol) + LIGADURA/ATB (ceftriaxone IV/ciprofloxacino VO 7 dias) ATENÇÃO! NÃO USAR O BETABLOQUEADOR NOS PRIMEIROS DIAS DA HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA! Paciente em vigência de sangramento, hipotenso, não deve receber betabloqueador até estabilização (geralmente os 5 dias da terlipressina). Laceração de Mallory-Weist “Mallory Weeeeist = vomitando” - LIBAÇÃO ALCOÓLICA + VÔMITOS + HDA - Vômitos vigorosos (geralmente ETILISTAS/GRÁVIDAS COM HIPERÊMESE) - EDA com LACERAÇÕES NA JUNÇÃO ESOFAGO-GÁSTRICA (‘rasgo no esôfago’) - Tratamento de SUPORTE (IBP e ANTIEMÉTICOS) OU TERAPIA ENDOSCÓPICA/EMBOLIZAÇÃO, SE SANGRAMENTO ATIVO. - 90% dos casos são AUTOLIMITADOS (BOM PROGNÓSTICO). DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: SÍNDROME DE BOERHAAVE - Conceito: PERFURAÇÃO ESOFAGIANA APÓS VÔMITOS DE REPETIÇÃO - Em 30% dos casos pode haver hemorragia digestiva - Tríade de Mackler: VÔMITO + DOR NO PEITO + ENFISEMA SUBCUTÂNEO - É uma importante causa de PNEUMOMEDIASTINO - SINAL DE HAMMAN: percepção durante a ausculta cardíaca de um som de atrito a cada bulha, que reflete a influência do ar no mediastino Lesão de Dieulafoy - ARTÉRIA DILATADA E TORTUOSA NA SUBMUCOSA DO ESTÔMAGO (PEQUENA CURVATURA) - Mais comum no homem de 50 anos, com doença cardiovascular e em uso de AINE - “PONTO SANGRANTE CIRCUNDADO POR UMA MUCOSA NORMAL” - Diagnóstico: EDA encontra o ponto sangrante em aproximadamente 80% dos casos - Sangramento MACIÇO, INDOLOR E RECORRENTE no fundo gástrico - Tratamento: EDA com coagulação (“hemostasia endoscópica”) endoscopiaterapeutica.com.br Imagem: MSD Manuals Imagem: MSD Manuals 24 GAVE Ectasia Vascular Antral Gástrica (“Estômago Em Melancia”) - Mais comum em: mulher, cirrose, colagenose, esclerodermia, doença renal em fase terminal - “VÊNULAS INDO PARA O ANTRO” - Clínica: anemia ferropriva (nada muito além disso) e/ou HDA pouco volumosa - Tratamento: ferro, transfusão se necessário, EDA com coagulação (“hemostasia endoscópica”) Hemobilia “Sangue saindo pela via biliar” - Causa: TRAUMA HEPÁTICO, CIRURGIA DE VIA BILIAR, neoplasia hepática formação de fístula entre vaso e via biliar - TRÍADE DE SANDBLOM/QUINCKE: HDA + DOR EM HCD + ICTERÍCIA (tríade de Charcot sem febre e com HDA) - ENDOSCOPIA PODE SER NORMAL! Se visualizar sangramento através da papila duodenal: pode facilitar o diagnóstico! - Diagnóstico: ANGIOTC ou ARTERIOGRAFIA (pode ser terapêutica) - Tratamento: ARTERIOGRAFIA COM EMBOLIZAÇÃO ARTERIAL (atenção para a prova!) Hemosuccus Pancreaticus - DOR ABDOMINAL + HDA + PANCREATITE Fístula Aortoentérica - COMUNICAÇÃO ENTRE AORTA ABDOMINAL E INTESTINO DELGADO - Fatores de risco e etiologia: ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL, PRÓTESE AÓRTICA O paciente pode ter simplesmente uma dilatação da aorta abdominal que “fistulizou” com o intestino delgado. O mais típico de prova, entretanto, é alguma complicação de uma prótese aórtica, como infecção, que gerou fístula com o delgado. Então, fique atento! Sangramento digestivo alto com história de aneurisma de aorta e correção por prótese, pode ser fístula aortoentérica! O sangramento costuma ser grave! - Clínica: SANGRAMENTO “CATASTRÓFICO”, HEMORRAGIA SENTINELA É possível que a exteriorização do sangramento não seja imediata e os sinais iniciais sejam apenas hipotensão! Outra possibilidade é a hemorragia sentinela: sangramento de pequena monta antes de haver a exteriorização mais grave do sangramento. É como se a fístula “avisasse” que vai sangrar de formamais grave em breve. - Diagnóstico: ANGIOTOMOGRAFIA - Tratamento: REPARO CIRÚRGICO 3. Hemorragia Digestiva Baixa Causas: “DDDDD” - DIVERTÍCULO (em crianças, adolescentes e adultos jovens a principal causa é o divertículo de Meckel) - ANGIODISPLASIA (é a principal causa de sangramento obscuro/de delgado = quando endoscopia e colonoscopia não acham nada). - Câncer (‘DENOCARCINOMA’) - DOENÇA ANORRETAL (por isso é sempre importante fazer exame proctológico) - DOENÇA DE CROHN (COLITE) Abordagem: (1) Se hematoquezia... Hemorragia digestiva baixa PROVÁVEL! - EXCLUIR DOENÇA ANORRETAL (particularmente em jovens, sem história para câncer) com TOQUE + ANUSCOPIA. (2) ESCOLHER O MELHOR EXAME PARA DIAGNÓSTICO: 1º COLONOSCOPIA + ESPECÍFICO Vê bem os cólons (divertículos e angiodisplasia) Diagnóstica e terapêutica Útil para sangramentos mínimos e moderados É possível que o foco de sangramento seja pequeno e acabe não identificado; ou é muito intenso e dificulta a visualização. Nesses casos, optar por exames mais sensíveis: arteriografia mesentéria e cintilografia mesentérica com hemácias marcadas. 2º CINTILOGRAFIA + SENSÍVEL Vê um fluxo de 0,1ml/min Só localiza (e mal) e não vê causa Não é terapêutico 3º ARTERIOGRAFIA + ESPECÍFICO Vê um fluxo de 0,5 a 1ml/min Diagnóstica e terapêutica Útil para sangramentos volumosos e instabilidade refratária (permite a embolização arterial) Pode ser guiada pela angioTC PERCEBA! Sangramentos maciços/volumosos baixos + paciente estável = ARTERIOGRAFIA + EMBOLIZAÇÃO ARTERIAL, que possui caráter diagnóstico e terapêutico! Isso cai bastante em prova... E A ANGIOTC? + SENSÍVEL (2º mais sensível) Cada vez mais utilizada para HDB Vê um fluxo de 0,3 a 0,5ml/min Melhor para localizar em relação a cintilografia Muito mais disponível que a cintilografia SE EM 10-20% DOS CASOS UMA HEMATOQUEZIA PODE SER HDA, COMO PROCEDER? Sangramento moderado + paciente estável: - Pensar em HDB e fazer COLONOSCOPIA Sangramento volumoso ou paciente instável: - Pensar em HDA e fazer ENDOSCOPIA RESUMINDO A ABORDAGEM... (1) EXCLUIR DOENÇA ANORRETAL (2) COLONOSCOPIA Se lesão visualizada: Tratar! Se lesão não visualizada: - CINTILOGRAFIA (mais sensível = detecta fluxos de 0,1ml/min método de triagem/não detecta precisamente o local do sangramento) - ARTERIOGRAFIA (detecta fluxos de > 0,5ml/min diagnóstico e terapêutico) Se refratário a essas condutas: colectomia total ou subtotal Agora vamos ver alguns detalhes das principais causas! endoscopiaterapeutica.com.br Imagem: F. C. Wheelock Jr. and J. Prat, “Gastrointestinal bleeding in a man with a history of duodenal ulcer and peripheral vascular disease”, NEJ, vol. 297, no. 15 25 MECKEL: jovens < 30 anos, íleo, origem no ducto onfalomesentérico, tecido ectópico gástrico que erode e sangra, diagnóstico por cintilografia e tratamento com ressecção. ANGIODISPLASIA: malformação vascular intestinal, associação com estenose aórtica, doença renal e DvW, mais comum no ceco e principal causa de HDB em delgado, diagnóstico por cápsula endoscópica por ser causa importante de sangramento obscuro, tratamento com colono, inibidor VEGF, embolização ou cirurgia. Doença Diverticular - Presença de divertículos no cólon - Possíveis complicações: sangramento, inflamação (diverticulite) - Fatores de risco: dieta pobre em fibras, constipação, AAS, AINE, idade elevada - MAIORIA ASSINTOMÁTICA - Mais comum no CÓLON ESQUERDO - Complicações: DIVERTICULITE E SANGRAMENTO - Local que mais sangra: CÓLON DIREITO - Diagnóstico: COLONOSCOPIA, ENEMA - Tratamento: COLONOSCOPIA, EMBOLIZAÇÃO VIA ARTERIOGRAFIA, CIRURGIA SE REFRATÁRIO (veremos mais detalhes em outra ocasião) Angiodisplasia - MÁ FORMAÇÃO VASCULAR INTESTINAL (com ectasia de veias submucosa) - O sangramento é de origem VENOSA é um sangramento “MAIS LENTO” - Principal causa de SANGRAMENTO OBSCURO - Grupos sob risco: IDOSOS, DOENÇA RENAL TERMINAL, ESTENOSE AÓRTICA, DOENÇA DE VON WILLEBRAND - Local mais comum: CECO (obs: principal causa de HDB do delgado) > sigmoide > reto > cólon D > transverso > cólon E - Clínica: hematoquezia indolor/anemia ferropriva - Diagnóstico: colonoscopia, cápsula endoscópica - Tratamento: COLONO OU ARTERIOGRAFIA, se sangrante. Se achado de exame: não precisa fazer nada Divertículo de Meckel - ANOMALIA CONGÊNITA MAIS COMUM DO TGI - Ocorre pelo FECHAMENTO INCOMPLETO DO CONDUTO ONFALOMESENTÉRICO se forma na BORDA ANTIMESENTÉRICA DO INTESTINO DELGADO - Divertículo VERDADEIRO - JOVENS (< 30 anos) - ÍLEO, origem no DUCTO ONFALOMESENTÉRICO - Clínica: ASSINTOMÁTICO, SANGRAMENTO, DIVERTICULITE - Tecido ectópico gástrico erosão sangramento - Complicações: SANGRAMENTO, VOLVO, INTUSSUSCEPÇÃO, DIVERTICULITE, PERFURAÇÃO, OBSTRUÇÃO, MALIGNIZAÇÃO - Diagnóstico: CINTILOGRAFIA COM TECNÉCIO-PERTECNETATO - Tratamento: RESSECÇÃO/DIVERTICULECTOMIA (obrigatório em crianças e opcional em adultos). Se sangramento: retirar o segmento adjacente da porção intestinal que tem o divertículo (ENTERECTOMIA) REGRA DOS 2 2% da população geral 2 pés da válvula ileocecal (45-60cm) 2 polegadas de comprimento (5cm) 2cm de diâmetro 2 tipos de mucosa (gástrica/pancreática) Doenças Anorretais Noções de Anatomia: - Canal anal anatômico (epitélio escamoso) > linha pectínea (epitélio de transição) > reto (epitélio cilíndrico) - Canal anal cirúrgico = canal anal anatômico + reto distal Avaliação Inicial: - Orientação e posição: Sims, genupeitoral, litotomia modificada - Inspeção e toque retal (vai até o reto médio) - Retossigmoidoscopia e anuscopia Hemorroidas “Sangramento indolor e prurido” - Acima da linha pectínea: interna - Abaixo da linha pectínea: externa INTERNAS Clínica: - Sangramento indolor ± Prolapso - Pode evoluir com anemia ferropriva (diagnóstico de exclusão) Fatores de Risco: - Constipação intestinal e fezes endurecidas Classificação e Conduta: - Grau 1: sem prolapso dieta e higiene local - Grau 2: prolapso com redução espontânea ligadura elástica* > escleroterapia ou fotocoagulação com infravermelho - Grau 3: prolapso com redução manual mesma coisa grau 2 ou hemorroidectomia* - Grau 4: prolapso sem redução hemorroidectomia* (*) Ligadura elástica: - Contraindicações: imunussuprimidos (relativa) ou usuários de anticoagulantes (absoluta). - Complicações: bacteremia transitória e sangramento - Se ñ puder utilizar: escleroterapia ou fotocoagulação com RIV (*) Hemorroidectomia: - Técnica: Milligan-Morgan (excisão + cicatrização por 2ª intenção) - Complicações: ligadura inadvertida do pedículo (hemorragia horas depois da cirurgia) ou deslocamento do coágulo primário (hemorragia 7-16 dias depois da cirurgia) EXTERNAS Clínica: - Geralmente assintomáticas, mas podem complicar com trombose (dor latejante, súbita e insuportável, com sensação de plenitude anal) Conduta: - Excisão se trombose < 72 horas - Se > 72 horas: tratamento conservador (calor local, banhos de assento com água morna, AINES, dieta rica em fibras...) Imagem: sped.pt Imagem: Pronto- socorro Pediatria (FMUSP), 3° edição. 26 Fissura Anal “Sangramento doloroso à evacuação” Clínica: - Sangramento doloroso (“lâmina cortante”) que persiste por horas após evacuação. Não evolui com anemia ferropriva - Ocorre principalmente na linha média posterior - Se estiver fora da linha média: deve ser secundária pensar em doença de Crohn (!), tuberculose, DST, sífilis... Conduta: - Aguda: dieta/higiene/analgesia/corticoide - Crônica (> 3-6 semanas): interromper o ciclo “fissura hipertonia redução da vascularização fissura” com uma droga relaxante esfincteriana (nitrato/bloqueador do canal de cálcio). Se não der certo, lateral esfincterotomia interna (cirurgia que é ‘lei’). Fazer manometria antes! - Se elevado risco cirúrgico: pode tentar toxina botulínica Abscesso Anorretal “Dor perianal + febre” Clínica: - Dor perianal com febre - Mais clássico em idosos, diabéticos,imunodeprimidos Classificação: Perianal Mais comum e de mais fácil diagnóstico Interesfincteriano Assintomático ou simula fissura Isquiorretal Enduração de nádegas e abcesso em ferradura Pelvirretal Único que deriva de infecção intra-abdominal Submucoso Menos comum Conduta: - DRENAGEM DE URGÊNCIA! Não tem essa história de encaminhar, conduta conservadora... - Em ambiente ambulatorial: somente se perianal - Em ambiente hospitalar: se interesfincteriano, isquirretal, pelvirretal ou submucoso; ou se febre alta, imunossuprimidos, DM, celulite extensa - Fazer ATB: se imunossuprimido, DM, celulite extensa, doença orovalvar Complicações: - Podem complicar com fístula anal. Cisto Pilonidal - Local: SULCO SACROCOCCÍGENO - Perfil: HOMENS JOVENS (~ 20 ANOS) - Fatores de risco: PELOS, TRAUMA LOCAL, HIGIENE, OBESIDADE - Conduta: depende... Assintomático: DEPILAÇÃO + EVITAR TRAUMAS Abscesso/Inflamação/Pús: DRENAGEM +/- ANTIBIÓTICO (se imunossuprimido ou manifestações sistêmicas. Cobrir S.aureus = cefalexina, cefazolina, etc) Crônico: EXCISÃO CIRÚRGICA +/- RETALHO (técnicas de Karydakis ou Limberg) Fístula Anal Conceitos: - Ocorrem pela disseminação do abcesso das glândulas de Chiari - Composição: orifício interno (cripita infectada) + trajeto + abertura externa - Localização mais comum: interesfincteriana (45%) Clínica: - Drenagem de secreção seropurulenta pela região perianal Regra de Goodsall-Salmon: - Orifício externo posterior: trajeto curvo e orifício interno na linha média - Orifício externo anterior: trajeto retilíneo Obs: o trajeto pode ser muito bem delimitado por ressonância magnética. Tratamento: - FISTULOTOMIA + TRAÇÃO COM SETON (poupa o esfíncter externo e ajuda a preservar a continência) 4. Hemorragia Digestiva Obscura Definição: - Etiologia não identificada após EDA e colonoscopia 75% dos casos: lesão no INTESTINO DELGADO 25% dos casos: lesão ALTA OU BAIXA DE DIFÍCIL VISUALIZAÇÃO Quadro Clínico: - Se a hemorragia estiver EVIDENTE: MELENA/HEMATOQUEZIA - Se a hemorragia estiver OCULTA: SANGUE OCULTO NAS FEZES/ANEMIA FERROPRIVA Etiologia: - Tumores - Doença de Crohn - Divertículo de Meckel - Úlcera por AINE (+ comum em > 40 anos) - Angiodisplasia (+ comum em > 40 anos) Diagnóstico: (1) REPETIR EDA E COLONOSCOPIA, caso exame inicial seja duvidoso. - Se achar a causa: tratar - Se não achar: INVESTIGAR INTESTINO DELGADO (2) AVALIAÇÃO INICIAL DO DELGADO: - CÁPSULA ENDOSCÓPICA (contraindicada se obstrução do trato gastrointestinal) ou - ENTERO-TOMOGRAFIA (se houver obstrução do trato gastrointestinal) - Se achar a causa: tratar - Se não achar: prosseguir com a investigação (ENTEROSCOPIA, CINTILOGRAFIA, ANGIOGRAFIA) 27 (3) OUTROS EXAMES COMPLEMENTARES: 3.1. ENTEROSCOPIA - É a “endoscopia do intestino delgado” - É diagnóstica e TERAPÊUTICA (permite injeção de epinefrina, hemoclipe, coagulação térmica) 3.2. CINTILOGRAFIA - Define e topografa o sangramento - Realizado com tecnécio99m + hemácias ou pertecnetato 3.3. ANGIOGRAFIA: - É o exame INICIAL SE INSTABILIDADE HEMODINÂMICA - Útil para SANGRAMENTOS GRAVES - Pode ser terapêutica através da EMBOLIZAÇÃO ARTERIAL Embolização de hemorragia digestiva com molas e microesferas. Angiografia inicial evidenciando extravasamento de contraste (seta vermelha) (A). Seletivação dos ramos causadores da hemorragia com microcateter (seta azul) (B). Embolização dos ramos com molas de liberação controlada (setas amarelas) e microesferas (C). Angiografia de controle evidenciando controle da hemorragia (D). Tratamento: 1) Suporte hemodinâmico (se instável: ARTERIOGRAFIA) 2) Reposição de ferro 3) Tratar de acordo com a etiologia! 3.1. ANGIODISPLASIA ENTEROSCOPIA: injeção de epinefrina, hemoclipe, coagulação térmica Fármacos: TALIDOMINA ou OCTREOTIDE (inibem a angiogênese), se refratariedade 3.2. TUMORES Tratamento CIRÚRGICO 3.3. DIVERTÍCULO DE MECKEL DIVERTICULECTOMIA ou ENTERECTOMIA 3.4. DOENÇA DE CROHN FÁRMACOS/CORTICOIDE/IMUNOBIOLÓGICOS 3.5. ÚLCERA POR AINE Suspender medicação, ENTEROSCOPIA (injeção de epinefrina, hemoclipe, coagulação térmica) Imagens: rogerioparra.site.med.br CÁPSULA ENDOSCÓPIA (EXAME NORMAL) CÁPSULA ENDOSCÓPIA (ÚLCERAS NO JEJUNO – DOENÇA DE CROHN) CÁPSULA ENDOSCÓPIA (ANGIODISPLASIA) Imagens: researchgate.net Imagens: Instituto Endovascular 28 ABDOME AGUDO = dor abdominal SÚBITA e NÃO TRAUMÁTICA ABORDAGEM: “Em 25% dos casos não se tem diagnóstico feito!” 1. Avaliar a gravidade (choque?) 2. Aliviar os sintomas (dor, náuseas, vômitos) 3. Excluir gravidez e DIP 4. Saber diferenciar abdome clínico ou cirúrgico ABDOME AGUDO (CLÍNICO X CIRÚRGICO): Cirúrgico: mais doloroso, associados a sinais de irritação peritoneal. É tranquilo reconhecer o diagnóstico em prova. A dificuldade está na conduta. Apendicite Diverticulite Pancreatite Isquemia mesentérica Colecistite Clínico: as questões costumam explorar o diagnóstico e não a conduta! Existem 3 diagnósticos principais para a nossa prova. Intoxicação pelo chumbo (saturnismo) Porfiria Febre tifoide Padrões Clássicos – BATER O OLHO E SABER! - Dor no abdome superior que irradia para o dorso, com vômitos importantes: PANCREATITE - Dor contínua, > 6 horas, no hipocôndrio direito, com irradiação escapular, após alimentação gordurosa: COLECISTITE - Dor abdominal súbita, difusa, de grande intensidade, com defesa e rebote: PERFURAÇÃO - Dor subesternal, em queimação, que melhora com alimentação: ÚLCERA DUODENAL - Dor súbita, mesogástrica + massa pulsátil + hipotensão: RUPTURA ANEURISMA DE AORTA - Dor periumbilical que localiza na fossa ilíaca direita: APENDICITE - Dor abdominal no HCD, febre com calafrios e icterícia: COLANGITE - Dor abdominal difusa desproporcional ao exame físico + acidose metabólica + FA: ISQUEMIA MESENTÉRICA - Dor periumbilical que localiza na fossa ilíaca esquerda: DIVERTICULITE - Dor abdominal difusa + distensão + hiperperistaltismo: OBSTRUÇÃO INTESTINAL (FASE INICIAL) - Dor abdominal difusa + distensão + hiperperistaltismo 2: PORFIRIA INTERMITENTE AGUDA - Dor abdominal difusa + distensão + hipoperistaltismo: OBSTRUÇÃO INTESTINAL (FASE TARDIA) - Dor abdominal difusa + distensão + hipoperistaltismo: ÍLEO PARALÍTICO - Dor abdominal que piora com a contração do abdome: DOR DA PAREDE ABDOMINAL - Dor abdominal + disúria + punho-percussão positiva: ITU, NEFROLITÍASE - Desidratação + acidose + hiperglicemia + abdome agudo: CETOACIDOSE DIABÉTICA - Dor abdominal + doença aterosclerótica difusa + emagrecimento por “medo de comer”: ISQUEMIA MESENTÉRICA CRÔNICA - Dor abdominal em queimação, coçando, neuropática + distribuição em dermátomos: HERPES-ZOSTER Em casos de abdome agudo CLÍNICO... “Pistas” na questão: Associação com ENCEFALOPATIA (sintomas neuropsiquiátricos): Intoxicação: exposição? Metabólico: história familiar? Precipitantes? Associação a FEBRE prévia: Infecção ATENÇÃO! Sempre que aparecer um paciente com manifestações neurológicas e gastrointestinais = pensar em INTOXICAÇÃO! 1. Abdome Agudo Clínico Porfiria Conceito: - Distúrbio na síntese do HEME da hemoglobina. - A pessoa não sintetiza PORFIRINA - Porfiria é um grupo de condições relacionadas ao DEFEITO EM VÁRIAS ENZIMAS QUE PARTICIPAM DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA PORFIRINA. Isso acontece principalmente em dois locais: MEDULA ÓSSEA (importante para formar as hemácias) FÍGADO (importante para formar o citocromo P450) Porfiria Cutânea Tarda - Deficiência de UROPORFIRINOGÊNIO DESCARBOXILASE - Achados: ÚLCERAS CUTÂNEAS em regiões foto-expostas e ATROFIA CUTÂNEA progressiva, HIPERTRICOSE, ANEMIA... Porfiria Intermitente Aguda “Encefalopatia + piora com fatores precipitantes + jovem + “surtos” + TC normal” - Deficiência de HMB-SINTASE OU PORFOBILINOGÊNIO DEAMINASE ACÚMULO DE ALA E PBG, principalmente se associada a precipitantes como álcool, tabagismo, drogas, estresse, progesterona, etc. Ocorre principalmente na população ADULTA DE 20-30ANOS. Clínica: Tem padrão de SURTOS! - DOR ABDOMINAL (com hiperperistaltismo) - Hiperatividade simpática = gera “CRISES ADRENÉRGICAS” (às vezes lembra os pacientes com feocromocitoma). - NEUROPATIA PERIFÉRICA (às vezes lembra síndrome de Guillain Barré) - CRISES CONVULSIVAS - SINTOMAS PSIQUIÁTRICOS - Fatores precipitantes: álcool, tabagismo, medicamentos (ATB, anticonvulsivante, hormônios, vários...), infecções/cirurgias, chumbo 3 GRANDES INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DE DOR ABDOMINAL: PERITONITE, OBSTRUÇÃO TOTAL, ISQUEMIA Abdome Agudo Clínico e Cirúrgico @ casalmedresumos 29 Diagnóstico: Dosar precursores da via do heme! - DOSAGEM DO PORFOBILINOGÊNIO URINÁRIO (inicial) - DOSAGEM DE ALA URINÁRIO (- confiável) - PBG DEAMINASE ERITROCITÁRIA E TESTES GENÉTICOS - A TC É NORMAL - Dica: “a urina fica mais escura/arroxeada” Tratamento: - SORO GLICOSADO HIPERTÔNICO (mais disponível) ou HEMATINA/ARGINATO DE HEME (alto custo, pouco disponível) + SUSPENDER FATORES PRECIPITANTES A formação da protoporfirina envolve gasto energético. Sem HMB-sintase, ocorre acúmulo de PBG e ALA. Para evitar isso, ou eu dou diretamente o heme, ou dou excesso de calorias para inibir as transformações da cadeia metabólica, já que elas envolvem gasto energético. Intoxicação pelo Chumbo (Saturnismo) “Encefalopatia + alteração hematológica + linha gengival + história ocupacional” Fontes de exposição: - MINERADORAS - Fabricação de BATERIAS - Indústria AUTOMOBILÍSTICA - Exposição a TINTAS (menos frequente, mas ainda aparece em prova) - Projéteis de ARMA DE FOGO (pouco provável, mas pode acontecer) - DESTILADOS CLANDESTINOS Manifestações clínicas: Gastrointestinais - DOR ABDOMINAL (!), náuseas, vômitos, anorexia Hematológicas - ANEMIA HIPO/MICRO + PONTILHADOS BASOFÍLICOS** (por causa da hemólise) é extremamente sugestivo Renais - NEFRITE INTERSTICIAL PROXIMAL Neurológicas - ENCEFALOPATIA (+ agudo), dificuldade de concentração (+ crônico) - DISTÚRBIO PSQUIÁTRICO Outros achados - HAS/GOTA/INFERTILIDADE/DISFUNÇÃO ERÉTIL - LINHA GENGIVAL (DE BURTON) Diagnóstico: - DOSAGEM DE CHUMBO SÉRICO (>5mcg/dl) Sintomas graves cursam com níveis > 50mcg/dl Tratamento: - Interromper a exposição - Quelantes do chumbo (dimercaprol/DMSA/EDTA) - Vitamina C - NOTIFICAÇÃO semanal (**) CONDIÇÕES QUE CURSAM COM PONTILHADOS BASOFÍLICOS - Hemoglobinopatias (talassemia) - Anemias hemolíticas - Intoxicação por metais pesados - Síntese anormal do Heme - Hepatopatias Febre Tifoide “Encefalopatia + rash, hemorragia digestiva, perfuração + sinal de Faget” Conceitos: - Infecção pela SALMONELLA entérica (sorotipo TYPHI) - Transmissão por ÁGUA E ALIMENTOS CONTAMINADOS (às vezes por contato direto). - Fator de risco: FALTA DE SANEAMENTO/HIGIENE Ciclo: - Se carga elevada do patógeno (o que acontece em áreas endêmicas) ou pessoas com hipocloridria (idosos, usuários de IBP) = Salmonella foge do estômago e atinge o delgado invade as placas de Peyer do íleo macrófagos fagocitam e caminham pela circulação vai para o sistema reticuloendotelial medula (!), baço e fígado passa pela vesícula e depois é eliminada nas fezes. Quadro Clínico: 1ª SEMANA - FEBRE, SINAL DE FAGET, DOR ABDOMINAL, DIARREIA/CONSTIPAÇÃO 2ª SEMANA: - ROSÉOLAS (lesões hiperemiadas em pele), TORPOR 3ª-4ª SEMANA: - HEPATOESPLENOMEGALIA - MELHORA CLÍNICA/CONVALESCENÇA OU COMPLICAÇÕES SANGRAMENTO (+ comum) PERFURAÇÃO (principalmente ileal, + grave) A PARTIR DA 4ª SEMANA: - < 5% DOS CASOS EVOLUEM PARA PORTADOR CRÔNICO O grande fator de risco é a COLELITÍASE/VIA BILIAR ALTERADA. Outros: SEXO FEMININO, ITU POR SCHISTOSSOMA HAEMATOBIUM). Diagnóstico: Laboratório - Leve desvio para esquerda + linfomonocitose relativa + LEUCOPENIA PARADOXAL + VHS NORMAL + elevação de TGO, TGP e CPK Cultura - Hemocultura (1ª-2ª semana). Positiva em 50-70% dos casos. - Coprocultura (3ª-4ª semana). Positiva em 30-40% dos casos. - Mielocultura (método + sensível). Positiva em > 90% dos casos. Obs: prova costuma colocar hemocultura e coprocultura negativas e a conduta é pedir mielocultura! Biópsia - Roséolas tifoídicas (bx de lesões cutâneas) - Placas de Peyer (bx de delgado) Sorologia - Pode fazer, mas não é tão boa PCR - Pode fazer se persistir dúvida, como hemocultura negativa Tratamento: - CEFTRIAXONE (10-14 dias) OU AZITROMICINA (5 dias) - Segundo o MS: CLORANFENICOL 14-21 dias (+ barato, mas tem vários efeitos adversos. Risco de aplasia de medula raro, mas pode acontecer. Pouco usado na prática). - DEXAMETASONA 2-3 dias: se o paciente evoluir com choque/coma - Portador crônico: CIPROFLOXACINO 4 SEMANAS +/- COLECISTECTOMIA - NOTIFICAÇÃO imediata Profilaxia: SANEAMENTO BÁSICO E a vacinação? Existe vacina! Mas é pouco imunogênica e o efeito é transitório. Não é usada de rotina. QUANDO VIAJAR PARA ÁREAS ENDÊMICAS (ÍNDIA, HAITI), EXISTE INDICAÇÃO. PONTILHADOS BASOFÍLICOS L. GENGIVAL DE BURTON 30 2. Abdome Agudo Cirúrgico Apendicite Aguda “Principal causa de abdome agudo não traumático” Patogenia: - Obstrução luminal (geralmente por fecalitos) ↑pressão intraluminal + estase de secreção congestão/muco + ↑bactérias (polimicrobiana, mas principalmente por E. COLI E B.FRAGILIS) distensão do apêndice irritação o peritônio visceral (fibras desmielinizadas) DOR VAGA, INESPECÍFICA em REGIÃO PERI-UMBILICAL depois de 12-24 horas ocorre isquemia/necrose/perfuração irrita o peritônio PARIETAL (fibras mielinizadas) DOR EM FOSSA ILÍACA DIREITA. ATENÇÃO! Em CRIANÇAS, essa obstrução luminal pode ter como principal causa a HIPERPLASIA LINFOIDE! - Ponto de McBurney: terço médio lateral entre a crista ilíaca antero-superior e a cicatriz umbilical (onde está a ponta do apêndice). Problema: a ponta do apêndice é móvel! Em gestantes, por exemplo, há dor em quadrante superior direito. Clínica: - DOR PERIUMBILICAL QUE MIGRA PARA FID (!) - ANOREXIA*, NÁUSEAS/VÔMITOS, FEBRE, DISÚRIA... (*) Alguns autores dizem que a anorexia é a 1ª manifestação e que, se ausente, você deve até duvidar do diagnóstico. O Sabiston diz que ela pode ou não existir. Sinais clássicos que podem indicar PERITONITE: BLUMBERG: descompressão súbita dolorosa no ponto de McBurney ROVSING: pressão em FIE e dor em FID (“fazer movimento de peristalse retrógrada deslocar o ar do cólon direito para o cólon esquerdo distende o cedo dor”). LAPINSKY: compressão da FID + elevação do MID esticado OBTURADOR: flexão da coxa + rotação interna do quadril DUMPHY: dor em FID que piora com a tosse ILEOPSOAS: extensão + abdução do MID LENANDER: temperatura retal > temperatura axilar em pelo menos 1ºC Diagnóstico: ESCORE DE ALVARADO 1 PONTO - Náuseas/vômitos - Anorexia - Dor com migração para FID - Descompressão brusca em FID - Febre (> 37,5) - * Desvio para a esquerda (alguns autores consideram) 2 PONTOS - Dor à palpação em FID - Leucocitose CONDUTA 0-3 pontos: improvável AVALIAR OUTRAS CAUSAS 4-6 pontos: provável OBSERVAR 12H (se o escore permanecer o mesmo, indica-se a cirurgia) > 7 pontos: muito provável CONSIDERAR APENDICETOMIA Então... - Alta probabilidade (história clássica): DIAGNÓSTICO CLÍNICO - Probabilidade intermediária, dúvida (criança, idoso, mulher), complicação (abscesso) ou tardio (> 48h): PEDIR EXAME DE IMAGEM* (*) GESTANTE OU CRIANÇA: USG (sinal do alvo ou sinal da roda de fogo se usar Doppler | apêndice > 7mm, espessamento, aumento de vascularização, dificuldade de compressão). OBS: em gestantes, se USG inconclusivo, seguir com RNM. (*) SEXO MASCULINO, NÃO GESTANTE: TC (apêndice > 7mm, espessamento, borramento da gordura, abscesso, apendicolito) - Se imagem negativa com dor persistente: OBSERVAR 8-12 HORAS. - Se persistir dor: LAPAROSCOPIA! Obs: PODEMOS FAZER VLSC MESMO QUE A APENDICITE TENHA PERITONITE! É inclusive o método de escolha nesse caso! O que contraindica a VLSC é a instabilidade hemodinâmica! Diagnóstico Diferencial: Condição Dica/DiferencialRuptura de folículo ovariano Dor no meio do ciclo (Mittelschmerz) Cisto de ovário roto Massa anexial na USG DIP Corrimento + dor à mobilização do colo (sinal de Chandelier) Tubária rota Dosagem de B-HCG Linfadenite mesentérica Criança + infecção respiratória + linfonodos Apendagite epiploica Videolaparoscopia (indistinguível) O epíplon sofre uma torção (motivo idiopático), isquemia, necrosa e cai COSTUMA MELHORAR SOZINHA CONDIÇÃO BENIGNA! Gastroenterite aguda Diarreia e vômitos intensos Litíase urinária Dor lombar + irradiação para bolsa escrotal Infecção urinária Disúria + hematúria + piúria (sem bacteriúria) Tratamento: I CATARRAL Distensão + edema II FLEGMOSA Inflamação III GANGRENOSA Necrose IV PERFURATIVA Peritonite Algumas provas cobram essas fases... Pouca importância prática! (1) APENDICECTOMIA + ATB PROFILÁTICO: se precoce (< 48h) e não complicada (2) DRENAGEM + ATB TERAPÊUTICO: se complicada (abscesso). 4-6 SEMANAS DEPOIS: COLONOSCOPIA para considerar e avaliar necessidade de APENDICECTOMIA TARDIA Não opera logo de cara por causa do risco de romper um abscesso localizado e ocasionar uma peritonite. Por isso fazemos a drenagem antes (percutânea e guiada por método de imagem)! Manda para casa depois disso... Depois de 4-6 semanas, faz colonoscopia porque abscesso não é comum de acontecer na apendicite! Será que é tumor de cólon? Por isso a colonoscopia é importante. (3) SOMENTE ATB TERAPÊUTICO: se tardia não complicada (fleimão). 4-6 SEMANAS DEPOIS: COLONOSCOPIA para considerar e avaliar necessidade de APENDICECTOMIA TARDIA (mesmo esquema) “Fleimão” é como se fosse um “abscesso não puncionável”. É um termo muito utilizado na literatura americana, mas não tem uma tradução específica. Entenda como um “pré-abscesso”. Obs: a principal complicação pós-cirurgia é a infecção do sítio cirúrgico (4) CIRURGIA DE URGÊNCIA + HV VIGOROSA + ATB TERAPÊUTICO: se peritonite difusa (IDEALMENTE VIA LAPAROSCÓPICA, SE ESTABILIDADE) (5) APENDICECTOMIA INCIDENTAL: se laparotomia realizada para esclarecimento de abdome agudo; procedimento cirúrgico para diagnóstico de dor pélvica crônica em mulher; paciente com doença de Crohn que, por ventura, foi submetido a uma laparotomia. Imagem: pontodosconcursos.com.br Imagens: rb.org.br 31 Doença Diverticular dos Cólons (Diverticulose) Conceitos: - HERNIAÇÃO DA MUCOSA/SUBMUCOSA DOS CÓLONS, por onde entramas artérias retas (conceitualmente, é um divertículo “falso”) Patogenia: - Cólon DIREITO: base larga + fezes moles trauma arterial = hemorragia (15%) - Cólon ESQUERDO: base estreita + ↓diâmetro/↑pressão diverticulite (25%) Fatores de Risco: - População ocidental (DIETA POBRE EM FIBRAS) - IDOSOS - ↑PRESSÃO NOS CÓLONS: CONSTIPAÇÃO, sedentarismo, obesidade, uso de AINE/AAS, síndrome do intestino irritável É o idoso que comeu mal a vida inteira! Com a alimentação pobre em fibras, o bolo fecal fica duro e pequeno! O cólon precisa fazer muita força para empurrá-lo e acabam surgindo os divertículos. Clínica: - Os pacientes são ASSINTOMÁTICOS Diagnóstico: - COLONOSCOPIA/CLISTER OPACO - O LOCAL MAIS COMUM É NO CÓLON ESQUERDO (SIGMOIDE)! Complicações: - HEMORRAGIA (geralmente no CÓLON DIREITO/15%) - DIVERTICULITE (geralmente no CÓLON ESQUERDO/25%) - Obstrução: menos comum Diverticulite Aguda Fisiopatologia: - Obstrução do divertículo Isquemia Microperfurações Formação do abscesso pericólico para “cobrir” as microperfurações. Clínica: - “APENDICITE” DO LADO ESQUERDO NO IDOSO (FEBRE + DOR ABDOMINAL EM FIE + PERITONITE). - Dor há alguns dias e recorrente: em prova, O PACIENTE SENTE A DOR HÁ MAIS TEMPO (4-5 DIAS) quando comparado com a apendicite (12- 24h) e também há episódios de melhora-piora-melhora-piora Diagnóstico: - HISTÓRIA CLÍNICA + EXAME FÍSICO. - Se dúvida: TC (PADRÃO-OURO) EVITAR COLONOSCOPIA E CLISTERNO MOMENTO DA INFLAMAÇÃO! Fazemos a COLONOSCOPIA 4-6 SEMANAS DEPOIS (“depois que esfriar o processo”) para afastar neoplasia! Tratamento: HINCHEY KAISER CONDUTA 0 Leve Espessamento ATB IA Fleimão Densificação gordurosa ATB IB Abscesso Pericólico Drenagem se > 4cm II Abscesso Pélvico III Peritonite Purulenta Gás + Coleções Espessamento peritônio Lavagem laparoscópica IV Peritonite fecal Hartmann Complicação Prévia Imunodeprimido Exclusão de câncer colorretal Fístula colovesical Cirurgia Eletiva Entendendo... Complicação? (abscesso > 4cm, peritonite ou obstrução) - Não: tratamento clínico Sintomas mínimos: dieta líquida + ATB VO (ambulatorial) CIPRO + METRO (OU AMOX-CLAV) 7-10 DIAS Sintomas exuberantes: dieta zero + HV + ATB IV (internação) Colonoscopia após 4-6 semanas - Sim + abscesso > 4cm (Estágio I ou II) Drenagem + ATB Colonoscopia após 4-6 semanas Cirurgia eletiva - Sim + peritonite (Estágio III ou IV) ATB + cirurgia de urgência (Hartmann) Se estágio III: opção de lavagem laparoscópica (é uma possibilidade segundo as duas últimas edições do Sabiston) (*) CIRURGIA ELETIVA. QUANDO? COMPLICAÇÃO PRÉVIA (já precisou abordar na urgência) FÍSTULAS (colovesical/mais comum no homem PNEUMATÚRIA) IMUNODEPRIMIDOS INCAPAZ DE EXCLUIR CA. “Se tem abscesso, esfria o processo” Perceba que SEMPRE TEM ATB! Imagem:endocentro.com.br Imagem:julianoludvig.com.br Imagem:endocolono.com.br 32 Doença Vascular Intestinal “Em prova, se estamos diante de um evento súbito = pensar em causa vascular!” Conceitos: Vascularização dos intestinos: - TRONCO CELÍACO: estômago, fígado e via biliar, baço, pâncreas, duodeno - MESENTÉRICA SUPERIOR: jejuno, íleo, apêndice, cólon ascendente, ¾ cólon transverso - MESENTÉRICA INFERIOR: ¼ cólon transverso, cólon descendente, sigmoide, reto superior - ILÍACA INTERNA: reto médio, reto inferior Anastomoses: - ENTRE MESENTÉRICA SUPERIOR E MESENTÉRICA INFERIOR: artérias marginais (ou de Drumoond) e arco de Riolan - ENTRE T. CELÍACO E MESENTÉRICA SUPERIOR: arcadas pancreatoduodenais Penumbra vascular: Áreas de maior risco vascular por menor irrigação - FLEXURA ESPLÊNICA: comunicação entre mesentérica superior e inferior - JUNÇÃO RETOSSIGMOIDE: comunicação entre mesentérica inferior e ilíaca interna Possibilidades: - Doença MACROvascular (doença de DELGADO): isquemia mesentérica - Doença MICROvascular (doença de CÓLON): colite isquêmica Isquemia Mesentérica Crônica Causa: - ATEROSCLEROSE Clínica: - ANGINA MESENTÉRICA (dor com alimentação “COMEU, DOEU”) - EMAGRECIMENTO (“medo de comer”) - SINAIS SISTÊMICOS DE ATEROSCLEROSE: angina, IAM, DAP... A dor que piora com alimentação faz com que a isquemia mesentérica crônica seja diagnóstico diferencial com pancreatite. Para ajudar nessa diferenciação, aqui o paciente manifesta sinais e sintomas da aterosclerose em vários locais do corpo! Diagnóstico: - CLÍNICA + ANGIOGRAFIA MESENTÉRICA. Alternativas: DOPPLER, ANGIOTC, RM ABDOME É doença de macrovasculatura e eu posso ter acesso com exame que vê vaso! É diferente da doença de microvasculatura (colite isquêmica), que não me permite visualizar! Tratamento: - JOVEM: REVASCULARIZAÇÃO CIRÚRGICA - IDOSO/COMORBIDADES: ANGIOPLASTIA COM STENT Isquemia Mesentérica Aguda Causas: Embolia (50%) - FA (!), IAM recente = “dor desproporcional ao exame físico” Não-oclusiva/Vasoconstrição (20%) - Isquemia não oclusiva: ICC grave, sepse, vasoconstritor, cocaína Trombose arterial (15%) - Paciente “vascular” (aterosclerose): insuficiência vascular periférica Trombose venosa (5%) - Trombofilias: policitemia vera, neoplasias, hipertensão-porta Clínica: - DOR ABDOMINAL INTENSA DESPROPORCIONAL AO EXAME FÍSICO - Temperatura retal < temperatura axilar - Metabolismo anaeróbico (↑ÁCIDO LÁCTICO = ACIDOSE METABÓLICA TAQUIPNEIA/RESPIRAÇÃO OFEGANTE) - Irritação peritoneal (TARDIO, quando já evoluiu com necrose) Diagnóstico: - Laboratório (inespecífico): LEUCOCITOSE, ACIDOSE, AUMENTO DE LACTATO - RX de tórax pode evidenciar (em casos +tardios) PNEUMATOSE INTESTINAL - Mais comumente realizado/primeiro exame solicitado: ANGIOTC, que evidencia FALHA NO ENCHIMENTO DE CONTRASTE, PNEUMATOSE INTESTINAL, GÁS NA VEIA-PORTA - Padrão ouro: ANGIOGRAFIA MESENTÉRICA Tratamento: Restaurar o fluxo vascular + avaliar a alça intestinal SE ÊMBOLO/TROMBO ARTERIAL DE A. MESENTÉRICA SUPERIOR: - HEPARINIZAÇÃO + LAPAROTOMIA + EMBOLECTOMIA +/- RESSECÇÃO DA ALÇA (AVALIAR A ALÇA)* (*) Coloração durante a cirurgia = se estiver rosada, corada, pode deixar; se estiver arroxeada, necrosada = ressecção; avaliar peristalse, fluxo, etc. - No pós-operatório: PAPAVERINA (evitar vasoespasmo) SE TROMBOSE DE V. MESENTÉRICA SUPERIOR: - HEPARINIZAÇÃO + CIRURGIA SE COMPLICADA (SINAIS DE IRRITAÇÃO PERITONEAL, ACIDOSE...) SE VASOCONSTRIÇÃO (NÃO OCLUSIVA): - PAPAVERINA INTRA-ARTERIAL (promover vasodilatação) - Se complicar (irritação peritoneal, continua com acidose...) ou não melhora com papaverina: laparotomia Obs: avaliar peritoniostomia e operar em 12-24h dependendo da viabilidade da alça. O problema é que às vezes existe um segmento enorme com aspecto necrótico e a ressecção teria que ser muito grande, com chance de o paciente evoluir com síndrome de alça curta, síndrome disabsortiva... Então, nesses casos, ou de dúvida (será que essa alça é viável mesmo?), ou de grande segmento de aspecto necrótico, depois da trombo/embolectomia e restauração do fluxo, essa conduta pode ser tentada. 33 Colite Isquêmica Conceitos: - Forma mais comum de isquemia intestinal - Doença microvascular - Porções mais acometidas: flexura esplênica e junção retossigmoide Quadro Clínico: - IDOSO + HIPOPERFUSÃO (EX: CORREÇÃO DE ANEURISMA) + COLITE (DOR, DISTENSÃO, DIARREIA COM SANGUE, FEBRE, MEGACÓLON) “A doença acomete microvasculatura! Ninguém nasce com microvasculatura doente! Por isso o paciente típico é o idoso que passou por algum momento de hipoperfusão! A situação emblemática de prova é a correção de aneurisma!” Diagnóstico: - RX ABDOME/CLISTER: SINAL DAS IMPRESSÕES DIGITAIS (“THUMBPRINTING”) - RETOSSIGMOIDOSCOPIA (MUCOSA INFLAMADA, HEMORRÁGICA, ISQUÊMICA) Lembre que é doença de microvasculatura e fica difícil fazer diagnóstico por angiografia! Tratamento: - SUPORTE: dieta-zero, hidratação, ATB - COLECTOMIA (PARCIAL OU TOTAL) SE: hemorragia maciça, peritonite, colite fulminante, casos refratários Pancreatite Aguda Patogenia: - AUTODIGESTÃO ENZIMÁTICA DO ÓRGÃO INFLAMAÇÃO Causas: - Biliar (30-60%): mais comum (+ relacionada a cálculos < 5mm) - Álcool (15-30%): 2ª mais comum (porém, causa + comum na crônica) - Hipertrigliceridemia - Drogas: ácido valproico, estrogênio, azatioprina - Pós-trauma - Idiopática - Picada de escorpião (Tytius trinitatis) - Pós-CPRE* (*) São complicações da CPRE: pancreatite, perfuração duodenal com retropneumoperitônio, hemorragia digestiva. Classificação: (1) Pancreatite EDEMATOSA INTERSTICIAL: forma branda da doença que geralmente é resolvida na primeira semana. (2) Pancreatite NECROSANTE: forma com pior prognóstico, caracterizada por inflamação com consequente necrose de tecido pancreático ou peripancreático. Diagnóstico: 2 dos 3 abaixo 1. Clínica - DOR ABDOMINAL EM BARRA, IRRADIAÇÃO PARA O DORSO, NÁUSEAS, VÔMITOS (também pode ter febre, icterícia) - SINAL DE CULLEN, GREY-TURNER E FOX são indicativos de hematoma retroperitoneal. Não são patognomônicos! Apenas sugerem! - Pode haver DERRAME PLEURAL A ESQUERDA (clássico, mas não é comum) 2. Laboratório - ↑AMILASE OU LIPASE (3x o valor da normalidade). - Também há leucocitose, aumento de PCR... Lipase (normaliza em 7-8 dias) é mais específica. Várias outras causas cursam com elevação de amilase (normaliza em 3-6 dias) SUAS ELEVAÇÕES NÃO GUARDAM RELAÇÃO COM O PROGNÓSTICO! Isso cai direto em prova! Se TGP > 3x valor normal, fala a favor de causa biliar Pancreatite por álcool/↑TG podem cursar com enzimas normais! 3. Imagem - TOMOGRAFIA (PADRÃO-OURO). SOLICITAR IDEALMENTE COM 72- 96H DO QUADRO. Antes desse período você pode subestimar a gravidade! Se fizer ela logo na admissão, vai ter que repetir com 48-72h depois! - USG (útil para avaliar colelitíase, somente. Não é boa para ver o pâncreas, que é um órgão retroperitoneal) Classificação: (1) CRITÉRIOS DE ATLANTA REVISADO - Leve [“edematosa”]: restrita ao parênquima pancreático - Moderadamente grave: falência orgânica transitória (< 48h) ou complicação local isolada - Grave [“necrosante”]: falência persistente (> 48h) e geralmente** com complicações locais/sistêmicas (**) “Por que “geralmente”? Uma pancreatite edematosa pode cursar com falência orgânica por > 48 horas. Então, para ser grave, não interessa se é edema ou necrose... (2) PROTEÍNA C REATIVA - Quadro grave se PCR > 150 (por mais de 48h) é a partir de 48h que o PCR ganha “mais importância” do ponto de vista de prognóstico! (3) RANSON É o menos utilizado na prática, mas o que mais cai em prova! - Quadro grave se > 3: - “Legal, fechou” ADMISSÃO Leucocitose > 16-18.000 TGO “Enzimas” > 250 Glicose > 200-220 Idade (Anos) > 55-70 anos LDH > 350-400 PRIMEIRAS 48H Déficit de Fluido > 4-6 litros Excesso de base (mais negativo que -4/-5) Cálcio sérico < 8 Queda do Hematócrito (> 10% pós-hidratação) PaO2 < 60 (não leva em consideração se pancreatite biliar) Ureia (BUN) > 10-4mg/dl (4) APACHE-II - Vantagem: calcula critérios e imediatamente diz se é leve ou grave! - Desvantagem: só serve para pacientes em CTI. Para o paciente que está em enfermaria não serve... Não avalia especificamente a pancreatite! Vale para qualquer paciente grave! - São 12 parâmetros + avaliação da idade e estado prévio do paciente - Grave se > 8 (5) CRITÉRIOS DE GRAVIDADE DE BALTHAZAR (TOMOGRAFIA) 34 1 Definir por internação em ENFERMARIA ou UTI 2 Iniciar dieta ZERO e SUPORTE NUTRICIONAL 3 HIDRATAÇÃO + CORREÇÃO ELETROLÍTICA 4 ANALGESIA (OPIOIDE) + ANTIEMÉTICOS 5 CPRE + PAPILOTOMIA = se COLANGITE OU ICTERÍCIA 6 ANTES DA ALTA = USG + COLECISTECTOMIA Entendendo melhor... Leve (80-90%) - Repouso + Internação hospitalar + Dieta zero + Analgesia (opioide) + Hidratação IV (maior impacto sobrevida) + Eletrólitos + suporte - Voltar a alimentar: redução da dor, fome, ↓PCR Moderadamente Grave ou Grave - Mesma conduta da leve + CTI - A hidratação IV é uma verdadeira reanimação volêmica. Buscar diurese de 0,5ml/kg/h - ATB? Não! - Vias biliares: CPRE se colangite ou icterícia progressiva e persistente Como fica o suporte nutricional? - Optar sempre pela via ENTERAL! O paciente fica internado 4, 5, 8, 10 semanas... Ele não vai poder se alimentar novamente em 7-10 dias, como na pancreatite leve. Agora... Como não pode VO, você tem que escolher entre a enteral e a NPT. Procure sempre optar pela enteral, que estimula a trofia do TGI, diminui risco de translocação bacteriana... Só escolhe NPT se o paciente não tolerar nutrição enteral (teve diarreia volumosa) ou se houver íleo paralítico ou se você não consegue ofertar a quantidade necessária de calorias para o paciente com a enteral. E as vias biliares? - CPRE + PAPILOTOMIA (depois de estabilizar o paciente, geralmente 48h depois) SE COLANGITE OU OBSTRUÇÃO PERSISTENTE/MANTIDA. Colecistectomia? - Se pancreatite aguda leve: na mesma internação (após resolução dos sintomas) - Se pancreatite aguda grave: após 6 semanas - Se risco cirúrgico elevado para colecistectomia: papilotomia via EDA USG ENDOSCÓPICO PARA SUSPEITA DE MICROLITÍASE: se história típica de pancreatite biliar, mas com USG/TC/colangio que não evidenciam cálculos, tem que fazer USG+EDA para descartar microlitíase! E a alta? Quando? - Dor controlada e alimentação normal Complicações: CONSENSO DE ATLANTA (2012) AGUDA (< 4 semanas) CRÔNICA (> 4-6 semanas) ESTÉRIL INFECTADA ESTÉRIL INFECTADA FLUIDO Coleção fluida Coleção fluida infectada Pseudocisto Pseudocisto infectado (abscesso pancreático) SÓLIDO MISTO Necrose Necrose infectada Walled-Off-Necrosis (WON) WON infectado Coleção fluida Acompanhamento Coleção infectada Punção (pode ser guiada) + ATB (imipenem) Necrose Acompanhamento Necrose Infectada Punção + ATB Necrosectomia Pseudocisto | WON Acompanhamento ou Drenagem EDA Pseudocisto | WON infectado Punção + ATB Necrosectomia - A Revisão da Classificação de Atlanta, 2012, subdivide as pancreatites agudas em dois subtipos: EDEMATOSA e NECRÓTICA. - Para ambas as apresentações na literatura elucida duas fases que se sobrepõem e estão relacionadas intimamente com dois picos de mortalidade: inicial e tardia. - A fase inicial geralmente se encerra ao final da primeira semana de apresentação dos sintomas, mas pode atingir a segunda com resolução da isquemia pancreática e peripancreática, desenvolvimento de coleção de fluidos ou evolução para necrose permanente e liquefação. - As classificações e coleções associadas são descritas em Zhao e colaboradores na figura abaixo: Coleção Fluida Aguda (30-50%) - Coleção encapsulada - < 4 SEMANAS - Conduta expectante! - Se infectar: punção guiada por TC + ATB É o paciente com pancreatite aguda um pouco mais grave e com uma TC que você vê que é uma coleção fluida aguda. O paciente evolui bem e, de repente, volta a ter febre, piora o leucograma... O quadro clínico não ‘afunda’, mas dá uma piorada. Coleção de fluido peripancreático (<4 semanas). TC mostra realce normal do pâncreas com coleção fluida se estendendo para o compartimento pararrenal anterior esquerdo (flechas). A coleção fluida não possui paredes bem definidas e se conforma aos espaços anatômicos do entorno. A coleção fluida peripancreática se resolveu de maneira espontânea. (Extraído de:) Imagem: Imaging of Acute Pancreatitis: Update of the Revised Atlanta 35 Tratamento: Entendendo melhor... Pseudocisto (15%) - Só se forma com > 4-6 SEMANAS (suspeita se ↑amilase ou massa palpável em região epigástrica após 4-6 semanas). - Revestimento não epitelizado (se fosse epitelizado, seria um cisto verdadeiro) - Tratamento: se sintomas (pseudocisto muito grande que gera compressão de estruturas) ou complicação (infecciosa/hemorrágica), fazer DRENAGEM ENDOSCÓPICA TRANSGÁTRICA OU POR CPRE. A drenagem percutânea pode causar fístula! Necrose (grave) - Se estéril: expectante - Se infectada: punção guiada por TC + necrosectomia + ATB (imipenem) O paciente com necrose estéril tem um quadro de pancreatite aguda mais arrastado, que demora mais para melhorar, mas que vai melhorando devagar... A necrose infectada, que geralmente ocorre somente após 1 semana de evolução, tem um ‘afundamento’ do quadro clínico, com febre, dor abdominal, PCR aumenta... Tem que fazer a punção! Se vier positiva, tem que fazer a necrosectomia! Podemos desconfiar na TC quando a captação é heterogênea (necrose) e quando há o sinal da bolha de sabão (infecção da necrose). WON - Necrose encapsulada (> 4 semanas) - Tratamento: intervenção se infectada, dor persistente e falha nutricional Necrose peripancreática com “Walled-off” (> 4 semanas) (A) e necrose pancreática (B). (A) TC descreve corpo e cauda do pâncreas normalmente perfundidos (asteriscos), a coleção heterogênea bem definida (flechas) com densidade fluida principalmente e dispersas áreas de densidade gordurosa (ponta de flecha), indicativas de necrose de tecidos peripancreticos. (B) Uma grande coleção heterogênea completamente encapsulada é vista (flechas) com predomínio de densidade fluida misturada com densidade não-fluida (gordura) (ponta de flecha). A coleção substitui a maior parte do parênquima pancreático. Por causa da heterogeneidade e a presença de necrose pancreática, a lesão não é um pseudocisto. Entendendo de uma vez por todas... 1) INDICAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS (IMIPENEM): 1.1. Sepse 1.2. Necrose INFECTADA (ñ se usa profilático) - Como saber? Gás na TC! - Suspeitou, mas não tem gás: diagnóstico invasivo com punção + cultura. 2) INDICAÇÕES DE NECROSECTOMIA: 2.1. Necrose SINTOMÁTICA (febre baixa, anorexia, SIRS) 2.2. Necrose INFECTADA - Endoscópica: melhor para encapsulada - Percutânea via TC: ponte para cirurgia ou terapêutica única - Cirúrgica: padrão-ouro ou as anteriores não resolveram. Fazer 3-4 semanas após o início do quadro Pancreatite Crônica “Inflamação crônica + fibrose + insuficiência pancreática” Anatomopatologia: - LESÃO IRREVERSÍVEL: tecido pancreático evolui para quadro irreversível e incurável de CALCIFICAÇÃO Etiologia: - ÁLCOOL (70 – 80%), FIBROSE CÍSTICA (crianças) - Outros: idiopático, genético, autoimune, metabólica Clínica: - Dor: “COMEU, DOEU” - ESTEATORREIA (> 90%): déficit de secreção enzimática - DIABETES: destruição das ilhotas - ICTERÍCIA, COLANGITE: fibrose e retração Diagnóstico (geralmente tardio): - HISTOPATOLÓGICO: padrão ouro (pouco utilizado/invasivo) - Exames de imagem TC: dilatação, calcificação e atrofia USG endoscópica: alterações mais precoces CPRE: se intervenção endoscópica - Funcionais: SECRETINA/GLICEMIA - Diagnóstico diferencial com CA de pâncreas Classificação: - Grandes ductos - Pequenos ductos Tratamento Clínico: É um tratamento PALIATIVO! - CESSAR ETILISTMO/TABAGISMO/CORREÇÃO DA DISLIPIDEMIA - Esteatorreia: FRACIONAR REFEIÇÕES + IBP + ENZIMAS - Diabetes: HIPOGLICEMIANTE ORAL +/- INSULINOTERAPIA - Dor: ESFINCTEROTOMIA (CPRE) OU CIRURGIA (PUESTOW) Entendendo melhor... - CESSAR ETILISMO E TABAGISMO (o tabagismo é o principal fator de risco para CA de pâncreas). - DIETA POBRE EM GORDURA. - ENZIMAS PANCREÁTICAS + PRAZOL + ADEK + B12 IM + ÁCIDO FÓLICO. A administração de IBP bloqueia a secreção ácida e potencializa a ação das enzimas. - Se ainda sentir dor com as medidas acima → ANALGESIA ESCALONADA: DIPIRONA AINE AMITRIPTILINA, GABAPENTINA OPIOIDE. - INSULINA em DOSES MAIS BAIXAS quando comparados a DM1 (também tem redução de glucagon!) - CIRURGIA: se dor CLINICAMENTE INTRATÁVEL (lembrar de fazer CPRE ANTES!). A principal indicação de cirurgia na pancreatite aguda é a necrose infectada! Aqui, é a dor clinicamente intratável! Tratamento Cirúrgico: Dilatação por cálculos/estenose: - CPRE - Descompressão cirúrgica (se refratário e dilatação > 7 cm): cirurgia de Partington-Rochelle (Puestow modificado) - Se cálculo ou dilatação únicos: pancreatectomia segmentar Doença parenquimatosa, sem dilatação: - Pancreatectomia total Imagem: Imaging of Acute Pancreatitis: Update of the Revised Atlanta Imagem: Imaging of Acute Pancreatitis: Update of the Revised Atlanta 36 3. Abdome Agudo na Gestante As duas principais causas são APENDICITE E COLECISTITE! Apendicite Aguda Conceitos Iniciais: - Principal causa de abdome agudo não obstétrico - Incidência: 1 para cada 1.500 partos - Período mais comum: 2º trimestre é também o MELHOR PERÍODO PARA CIRURGIA. Cirurgias no 1º trimestre: maior risco de abortamento Cirurgias no 2º trimestre: maior risco de parto prematuro Quadro Clínico: - É DIFERENTE DO QUADRO TÍPICO EM 50% DOS CASOS, devido aos seguintes fatores: ALTERAÇÃO DA ANATOMIA ABDOMINAL (o crescimento intrauterino gera um deslocamento POSTERO-INFERIOR das alças intestinais). A dor pode ser manifestada no HIPOCÔNDRIO DIREITO. COEXISTÊNCIA COM SINTOMAS DA PRÓPRIA GESTAÇÃO CONFUNDEM O DIAGNÓSTICO (anorexia, dor abdominal, náusea, vômitos...) LEUCOCITOSE FISIOLÓGICA confunde o diagnóstico Diagnóstico: - Preferência por ULTRASSONOGRAFIA. - Em últimos casos: RESSONÂNCIA > TOMOGRAFIA* (*) Alguns recentes estudos relatam que não há problema a realização de uma tomografia eventual. Tratamento: - Apendicectomia VIDEOLAPAROSCÓPICA (preferencial em relação a aberta)! Desvantagens da abordagem por vídeo: redução do fluxo sanguíneo uterino pelo pneumoperitônio e compressão dos grandes vasos; absorção do excesso de CO2 pela circulação fetal. E se a apendicite for no 1º ou 3º trimestre? APENDICECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA também! O maior benefício é a CIRURGIA PRECOCE! As provas costumam cobrar esse conceito, colocandonas alternativas a possibilidade de manejo conservador. Colecistite Aguda Conceitos Iniciais: - Segunda causa mais de abdome agudo não obstétrico - A gravidez FAVORECE A COLELITÍASE (pelo aumento de estrogênio e progesterona) Quadro Clínico: - É SEMELHANTE A NÃO GESTANTE! A posição da vesícula não se altera na gravidez. Diagnóstico: - ULTRASSONOGRAFIA Tratamento: - Colecistectomia VIDEOLAPAROSCÓPICA PRECOCE. Também não muda em relação a não gestante! - Melhor momento para cirurgia: 2º trimestre. Perceba que a colecistite aguda não muda nada em relação a não gestante! Colelitíase Sintomática - Em não gestantes: a colelitíase sintomática deve ser tratada CIRURGICAMENTE. - Em gestantes: a preferência é pelo manejo CONSERVADOR para COLECISTECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA SOMENTE APÓS O PARTO! Em casos muito sintomáticos, refratários, caso seja necessária a cirurgia, fazer o possível para realizá-la no SEGUNDO TRIMESTRE. Pancreatite Biliar - Em não gestantes: a colecistectomia é realizada durante a internação, antes da alta. - Em gestantes: a preferência é pelo manejo CONSERVADOR para COLECISTECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA SOMENTE APÓS O PARTO (e não na internação do tratamento da pancreatite). Se por algum motivo a cirurgia for imprescindível, também fazer no SEGUNDO TRIMESTRE. 4. Abdome Agudo no Idoso Particularidades: - Diagnóstico mais TARDIO, devido a SINTOMATOLOGIA MAIS ATÍPICA E ARRASTADA. - O laboratório pode ser INESPECÍFICO. - A PERCEPÇÃO DA DOR é ALTERADA e ainda pode ser confundida com o possível uso de analgésicos de forma crônica. - A MORBIMORTALIDADE É MAIS ALTA e envolve a queda global das funções, maior número de complicações e comorbidades associadas. Causas: - Principal: DOENÇA DAS VIAS BILIARES - Segunda causa: OBSTRUÇÃO INTESTINAL - Terceira causa: APENDICITE AGUDA (maior risco de perfuração pela sintomatologia atípica = mais insidiosa, sintomas inespecíficos e consequente evolução para complicação) PONTOS ÁLGICOS DA APENDICITE NA GRAVIDEZ: a partir do 2º/3º trimestre (segunda imagem), ocorre o DESLOCAMENTO CRANIAL DO PONTO DE MCBURNEY, A dor pode ser referida em HIPOCÔNDRIO DIREITO. 37 SÍNDROME DE OBSTRUÇÃO INTESTINAL CLÍNICA - Parada na eliminação de gases e fezes - Peristalse e timbre metálico - Dor + Distensão abdominal DIAGNÓSTICO - Clínica + TOQUE RETAL + imagem IMAGEM - Rotina de abdome agudo - Radiografias: tórax, abdome deitado, abdome em pé TRATAMENTO - Dieta zero + SNG - Hidratação/Correção eletrolítica - Avaliar necessidade de ATB - Avaliar necessidade de cirurgia - Investigar a causa Classificação: ALTA BAIXA DOR Cólica Contínua ou indolor VÔMITOS Precoces e biliosos Tardios e fecaloides CONSTIPAÇÃO Tardia Precoce DISTENSÃO Discreta Importante DILATAÇÃO Central e múltipla Periférica e maior IMAGEM Empilhamento moedas Níveis hidroaéreos Haustrações U invertido (grão de café) Clínica: - Se obstrução ALTA: VÔMITO PRECOCE “Alta” = até o jejuno - Se obstrução BAIXA: VÔMITOS TARDIOS/ASPECTO FECALOIDE “Baixa” = íleo e cólon - Se obstrução GRAVE: ISQUEMIA/NECROSE - Se obstrução PARCIAL: DIARREIA PARADOXAL - Se ESTRANGULADA: OLIGÚRIA, ↑FC, FEBRE, LEUCOCITOSE Laboratório: ALCALOSE METABÓLICA HIPOCLORÊMICA (vômitos) HIPOCALEMIA (por ativação do SRAA) Acidose metabólica se isquemia Investigação: (1) Primeiro: TOQUE RETAL (avalia fezes, massas e FECALOMA) Se você sentir a presença de fezes, essa obstrução é FUNCIONAL! (2) RX: rotina abdome agudo (tórax e abdome em ortostase e decúbito) Diz se a obstrução é em delgado ou cólon. - Obstrução de delgado: DISTENSÃO MAIS CENTRAL (ATÉ 5CM) E ORGANIZADA + PREGAS CONIVENTES (aspecto de empilhamento de moedas) - Obstrução de cólon: HAUSTRAÇÕES + DISTENSÃO MAIS PERIFÉRICA (ATÉ 20CM) E GROSSEIRA - Volvo de sigmoide: sinal do ‘U INVERTIDO’ ou ‘GRÃO DE CAFÉ’. Se enema baritado: sinal do ‘BICO DE PÁSSARO’. Tratamento: (1) SUPORTE CLÍNICO (SNG, correção de distúrbios hidroeletrolíticos) (2) OBSERVAR OBSTRUÇÃO PARCIAL E NÃO COMPLICADA (24-48h). Não precisa operar de cara. A tendência é que o suporte clínico resolva o quadro espontaneamente em 24-48h. (3) AVALIAR CIRURGIA DE IMEDIATO em casos de ESTRANGULAMENTO, ISQUEMIA, OBSTRUÇÃO TOTAL... Estatísticas: 1) Principal causa de obstrução alta (delgado)? Brida > Neoplasias > Hérnia > Crohn 2) Principal causa de obstrução baixa (cólon)? Neoplasias > Volvo > Divertículos > Fecaloma 3) Principal causa de obstrução em crianças (6 meses – 3 anos)? Intussuscepção intestinal 1. Obstruções Extrínsecas de Delgado Aderência (Brida) - PRINCIPAL CAUSA! - Fator de risco: CIRURGIA ABDOMINAL PRÉVIA (independente do tempo) é o grande fator de risco! Principais: colorretal/gineco > apêndice > cesariana. Outros: infecção e corpos estranhos - Diagnóstico: “obstrução intestinal + cirurgia prévia = brida” - Tratamento: Se não complicada: MEDIDAS DE SUPORTE (48h) + GASTROGRAFIN* (contraste com ação hiperosmolar) Se quadro refratário/complicado: LISE DE ADERÊNCIAS (PREFERÊNCIA POR VLSC) (*) O gastrogafin, por ser hiperosmolar, ajuda a reduzir o edema de parede, favorecendo a contração da alça intestinal a retomar a sua peristalse normal! Seu uso também é útil para avaliar a necessidade de cirurgia. Após administrado, você consegue através de acompanhamento radiográfico, checar se o intestino está funcionando. Exemplo: deu o gastrofrafin e, 24h após, o contraste chegou ao cólon nesses casos, provavelmente ocorrerá resolução espontânea. Se não chegar, provavelmente necessitará de tratamento cirúrgico... Neoplasias - SEGUNDA PRINCIPAL CAUSA - Mais comum: CARCINOMATOSE PERITONEAL Hérnias - TERCEIRA PRINCIPAL CAUSA - Diagnóstico: EXAME FÍSICO +/- IMAGEM - Tratamento: HERNIOPLASTIA COM TELA Decorando as principais causas... DElgado = DErência Cólon = Câncer INfância = INvaginação Obstrução Intestinal @ casalmedresumos Imagem: andregoulart.pt 38 2. Obstruções Intrínsecas/Extrínsecas de Cólon Neoplasias - CA COLORRETAL! Suspeita: > 50 anos + constipação + emagrecimento Imagem: sinal da maçã mordida Obstrução: cólon e sigmoide Perfuração: ceco (> 12cm) Válvula ileocecal competente: obstrução em ALÇA FECHADA! Volvo - TORÇÃO SOBRE O PRÓPRIO EIXO. - OBSTRUÇÃO EM ALÇA FECHADA (em 2 pontos simultâneos) Obstrução em 2 pontos simultaneamente. A evolução para isquemia e perfuração é muito mais fácil de acontecer. Na verdade, qualquer obstrução colônica com válvula ileocecal competente funciona como obstrução em alça fechada. - Local: SIGMOIDE (+comum), ceco, gástrico - Imagem: U INVERTIDO GRÃO DE CAFÉ - Enema: BICO DE PÁSSARO - Diagnóstico: clínica + imagem (RX +/- TC) - Tratamento: Ceco: cirurgia Sigmoide: desobstrução endoscópica > cirurgia Entendendo melhor o tratamento do volvo de sigmoide... Não complicado (sem estrangulamento, instabilidade hemodinâmica) - DESCOMPRESSÃO ENDOSCÓPICA (colonoscopia, retossigmoidoscopia...) INICIALMENTE - Depois, para evitar recidiva: realizar SIGMOIDECTOMIA ELETIVA. “O sucesso da descompressão endoscópica não descarta necessidade de cirurgia.” Complicado (com estrangulamento, instabilidade hemodinâmica): - CIRURGIA IMEDIATA (SIGMOIDECTOMIA À HARTMANN) E o volvo de ceco? Como diferenciar na imagem? - Padrão de haustrações é mantido (no volvo de sigmoide a parede costuma ser bem “lisa”, sem haustrações) - Sinal da VÍRGULA - Ausência completa de gás no cólon distal (não aparece na radiografia, já que não chega conteúdo devido a obstrução do ceco) Diverticulose - RARO causar obstrução intestinal! - Vínculo mental: DIVERTÍCULOS + OBSTRUÇÃO = PENSAR EM CA COLORRETAL ASSOCIADO Fecaloma - TOQUE RETAL COM FEZES! - Perfil: idosos, institucionalizados, Chagas, Hirchsprung - Clínica: constipação + dor abdominal + DIARREIA PARADOXAL - Diagnóstico: toque retal/exames contrastados - SINAL DE GERSUNY: massa moldável que recupera a forma vagarosamente depois de palpada(sensação de “crepitação”) - Tratamento: hidratação/fratura digital ou instrumental, laxantes, lavagem intestinal 3. Obstruções Intraluminais de Delgado ÍLEO BILIAR BOUVERET LOCAL Íleo terminal Bulbo duodenal FÍSTULA Colecistoentérica Gástrica ou duodenal CLÍNICA Constipação + distensão abdominal Vômitos T. DE RIGLER PNEUMOBILIA + DISTENSÃO + CÁLCULO ECTÓPICO TRATAMENTO Remoção do cálculo + colecistectomia Tem que haver HISTÓRIA DE COLECISTITE + COLELITÍASE + FÍSTULA! ÍLEO BILIAR - Obstrução intestinal por cálculo ectópico biliar em ÍLEO DISTAL (+comum) - Fisiopatologia: colecistite aguda + formação de fístula intestinal (vesícula e intestino) + obstrução de delgado - Local mais comum de obstrução: íleo distal (segmento mais estreito) - Diagnóstico com RX ou TC - TRÍADE DE RIGLER (distensão de delgado + cálculo ectópico + pneumobilia) - Tratamento: medidas de suporte + retirada do cálculo do intestino (via enterotomia) +/- colecistectomia BOUVERET - O cálculo ectópico obstrui DUODENO OU PILORO Corpo Estranho - Vínculo: CRIANÇAS E DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS Bezoar - MATERIAIS NÃO DIGERIDOS - Tipos: fito (vegetais), trico (cabelo), fármaco... - Local: ESTÔMAGO - Conduta: EDA. Cirurgia, se não resolver. 4. Obstruções Intrínsecas de Delgado Intussuscepção Intestinal “Invaginação de uma alça intestinal dentro da outra” Conceitos: - Geralmente ocorre ENTRE 3 MESES E 6 ANOS (caracteristicamente até os 2 ANOS). Causas: IDIOPÁTICA (em crianças), pólipo, divertículo, tumor (em adultos) - Local mais comum: VÁLVULA ÍLEO-CECAL. - Clínica: DOR ABDOMINAL PAROXÍSTICA E INTERMITENTE + MASSA PALPÁVEL (“SALSICHA”) + FEZES EM GELEIA DE FRAMBOESA. Choro incontrolável pode ser uma pista. - Diagnóstico: clínica + exame de imagem (RX/USG*/enema) (*) USG = “SINAL DO ALVO E DO PSEUDORIM” diferente das outras causas de obstrução, a USG aqui é um excelente método! (**) Enema = DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO - Tratamento: ENEMA (REDUÇÃO COM BÁRIO OU HIDROSSOLÚVEL OU COM AR). Se o enema não resolver ou se paciente adulto: CIRURGIA. É uma das coisas que mais cai em prova. Imagem: researchgate Imagem: radiopedia.org Imagem: radiopedia.org Imagem: sbcp.org.br Imagem: Radiol Bras 2005 (Fábio Motta da Cunha e colaboradores) 39 Lesão Actínica - Complicação da RADIOTERAPIA - Patogenia: lesão direta vasculite + fibrose - Tratamento: CONSERVADOR + ajuste da RT Neoplasias - RARAMENTE - Tipos: adenoma, GIST e adenocarcinoma - Conduta: IMAGEM + CIRURGIA (SEM BIÓPSIA) CA de delgado é raro! Diferente de todo o resto do TGI, que tem como padrão EDA/COLONO + biópsia, aqui o diagnóstico é com exame de imagem! Você faz exame de imagem, localiza a lesão e faz a cirurgia/ressecção do tumor. 5. Obstrução Funcional Comprometimento da função motora “Por algum motivo o intestino deixa de funcionar da maneira correta.” Íleo Paralítico “Apesar do nome de ÍLEO paralítico, é TODO o intestino que fica paralisado! Estômago, delgado e cólon ficam paralisados!” Causas: - PÓS-OPERATÓRIO/ÍLEO METABÓLICO (o íleo metabólico/fisiológico é esperado que aconteça! O intestino demora 24h, o estômago 48h e o cólon até 72h para voltar ao normal após uma cirurgia). NÃO CONFUNDA OS TERMOS! - Drogas (OPIOIDES, ANTAGONISTAS DO CANAL DE CÁLCIO, etc) - Distúrbios hidroeletrolíticos (principalmente HIPOCALEMIA: idoso com obstrução = provavelmente potássio baixo) Diagnóstico: - PARADA NA ELIMINAÇÃO DE GAZES/FEZES (ausência de flatos), DOR, DISTENSÃO - APERISTALSE + DILATAÇÃO DIFUSA Tratamento: - SUPORTE (HV, SNG, correção de eletrólitos, suspender opioides). - Excluir obstrução mecânica e Ogilve - Se pós-operatório: deve voltar ao normal em 24-72h. Síndrome de Ogilvie “Conhecida como pseudo-obstrução COLÔNICA aguda. Só o cólon fica paralisado!” Local: - Exclusivamente CÓLON Causas: - Pacientes GRAVES por SEPSE, IAM, TRAUMA Diagnóstico: - DOR, DISTENSÃO ABDOMINAL... - COM PERISTALSE + Timpanismo + DILATAÇÃO DO CÓLON Tratamento: - SUPORTE! - Se não houver melhora em 48-72h ou ceco > 12cm: + NEOSTIGMINA 2,5mg IV (anti-colinesterásico). Efeito colateral: bradicardia sinusal - Se refratário: DESCOMPRESSÃO COLONOSCÓPICA - Se ainda refratário: avaliar CECOSTOMIA PERCUTÂNEA ou CIRÚRGICA (raramente é necessário). 6. Hérnias da Parede Abdominal Noções de Anatomia: - Camadas de fora para dentro: pele > fáscia de Camper > fáscia de Scarpa > aponeurose do músculo oblíquo externo > canal inguinal > músculo oblíquo interno > músculo transverso do abdome > fáscia transversalis > gordura peritoneal > peritônio. - Parede posterior do canal inguinal: FASCIA TRANSVERSALIS + MÚSCULO TRANSVERSO + MÚSCULO OBLÍQUO INTERNO (alguns autores dizem que é só a fascia transversalis). - Parede anterior do c. inguinal: APONEUROSE DO MUSC OBLÍQUO EXTERNO. - Canal femoral: se anuncia ABAIXO DO LIGAMENTO INGUINAL - Canal inguinal: “rampa” que vai do anel inguinal interno até o anel inguinal externo (de lateral para medial, de cima para baixo, de posterior para anterior) - Triângulo de Hasselbach: delimitado por LIGAMENTO INGUINAL, VASOS EPIGÁSTRICOS INFERIORES e BORDA LATERAL DO MÚSCULO RETO ABDOMINAL. Constitui a área de maior fragilidade da fáscia transversalis! 40 Estruturas que passam pelo canal inguinal... Homem: - FUNÍCULO ESPERMÁTICO (composto por MÚSCULO CREMASTER, DUCTO DEFERENTE COM SUA ARTÉRIA E VEIA, PLEXO VENOSO PAMPINIFORME, CONDUTO PERITÔNIO-VAGINAL OBLITERADO (LIGAMENTO DE CLOQUET), RAMO GENITAL DO NERVO GENITOFEMORAL, ARTÉRIA E VEIA ESPERMÁTICA) - Os nervos íleo-inguinal e íleo-hipogástrico passam pelo canal inguinal, mas não fazem parte do funículo espermático Mulher: - LIGAMENTO REDONDO DO ÚTERO Nervos importantes... - N. Ilio-Hipogástrico - N. Ilioinguinal - N. Genitofemoral - Ramo Genital - Ramo femoral Aprofundando... TRIÂNGULO DE HASSELBACH - Região da parede posterior de mais fragilidade, por onde se anunciam as hérnias diretas - Limite inferior: ligamento inguinal - Limite medial: borda lateral do músculo reto abdominal - Limite lateral/superior: vasos epigástricos inferiores TRIÂNGULO DE HESSERT - Limite inferior: ligamento inguinal - Limite medial: borda lateral do músculo reto-abdominal - Limite lateral/superior: músculo oblíquo interno - Quando tempos a contração do músculo oblíquo interno, ele ocupa uma parte do triângulo de Hasselbach, tornando-o mais resistente, como menos predisposição a formação de hérnias. - O triângulo de Hessert seria justamente o triângulo de Hasselbach sem essa área ocupada pelo músculo oblíquo interno. Dessa forma, podemos dizer que, na verdade, o verdadeiro ponto de mais fragilidade da parede posterior seria o triângulo de Hessert. - É por isso, inclusive, que uma implantação mais alta do músculo obliquo interno acaba sendo fator de risco para a formação de hérnias, visto que a área de fragilidade seria maior. ORIFÍCIO MIOPECTÍNEO DE FRUCHAUD - Limite medial: borda lateral do músculo reto abdominal (coincidente com o triângulo de Hessert) - Limite superior: músculo oblíquo interno (coincidente com o triângulo de Hessert) - Limite lateral: músculo iliopsoas - Limite inferior: ligamento de Cooper (pectíneo) - Somatória do TRIÂNGULO DE HESSERT + CANAL FEMORAL - É a ÁREA DE FRAGILIDADE COMPLETA/TOTAL onde pode haver a formação das hérnias da região da virilha (inguinais e femoral) - É justamente essa a estrutura que deve ser identificada na abordagem videolaparoscópica CANAL FEMORAL - Limite superior: ligamento inguinal - Limite medial: ligamento lacunar - Limite lateral: veia femoral - Limite inferior: ligamento pectíneo (Cooper) - Perceba que o canal femoral é medial a veia femoral! teachmeanatomy.info 41 Licensed to 5502099317390924 - rocymarjr@outlook.com - 07484508586 VÍNCULO MENTAL 1) Quais os músculos formam a região inguinal? - Oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do abdome 2) Quais nervos podem ser lesados na abordagem convencional? - Ilio-hipogástrico, ilio-inguinal eramo genital do genitofemoral 3) Quais nervos podem ser lesados na abordagem VSLC? - Cutâneo femoral lateral, femoral e ramo femoral do genitofemoral 4) Quais vasos são importantes? - Plexo pampiniforme, artéria testicular e vasos epigástricos inferiores 5) Quem forma o TENDÃO CONJUNTO? - Inserção do oblíquo interno e transverso 6) Limites do Trígono de Hesselbach? - Ligamento inguinal + retoabdominal + vasos epigástricos 7) Limites do Triângulo de Hessert? - Ligamento inguinal + borda lateral do retoabdominal + músculo oblíquo interno 8) ORIFÍCIO MIOPECTÍNEO DE FRUCHAUD? - Somatória do triângulo de Hessert + canal femoral - Área de fragilidade completa - Limites: borda lateral do retoabominal + músculo oblíquo interno + iliopsoas + ligamento de Cooper Agora sim, vamos prosseguir! Patogênese: - PREDISPONENTE + DESENCADEANTE! Indireta: congênito = conduto peritôneovaginal patente Direta: adquirido = fraqueza da parede posterior DIMINUIÇÃO DA HIDROXIPROLINA, PROLIFERAÇÃO ANORMAL DE FIBROBLASTOS, TABAGISMO, IDADE AVANÇADA, DESNUTRIÇÃO, DOENÇAS CRÔNICAS DEBILITANTES, ATIVIDADE FÍSICA INTENSA = Qualquer coisa que mexa com o colágeno e permita que os tendões fiquem fracos. Mais comum: inguinal indireta à direita Diagnóstico - MANOBRA DE VALSALVA (assoprar contra o dorso da mão) INDEX do dedo = INDIRETA DENTRO do dedo = DIRETA - MANOBRA DE LANDIVAR (ocluir anel interno + valsalva) Abaulamento = DIRETA Nada = INDIRETA - USG/TC DE ABDOME (dúvida) Classificação de Nyhus - Tipo 1: hérnia indireta com anel inguinal interno normal (até 2cm). - Tipo 2: hérnia indireta com anel inguinal interno alargado, porém com parede posterior preservada. - Tipo 3: defeito na parede posterior: A: hérnia direta B: hérnia indireta com alargamento no anel inguinal interno e defeito na parede posterior (mista). C: hérnia femoral. - Tipo 4: hérnias recidivadas: A: hérnia direta; B: hérnia indireta; C: hérnia femoral; D: hérnia mista ENTENDENDO MELHOR... Hérnia Inguinal Indireta - Se anuncia pelo ANEL INGUINAL INTERNO. - Causa: patência do conduto peritônio-vaginal (se patência completa: hérnia inguino-escrotal). É um defeito congênito! - Hérnia típica da Infância. É a que mais Incarcera (dentre as inguinais) Hérnia Inguinal Direta - Se anuncia pelo TRIÂNGULO DE HASSELBACH - Causa: enfraquecimento da parede posterior. É um defeito adquirido! Para a prova... Direta ou indireta? - Se lateral aos vasos epigástricos inferiores: indireta - Se medial aos vasos epigástricos inferiores: direta - Maior risco de encarceramento: indireta (dentre as inguinais!) Pelo exame físico... Direta ou indireta? - Se sentir na polpa digital: direta - Se sentir na ponta do dedo: indireta Nyhus era um cara que entendia de hérnia inguinal... Não foi à toa que colocou a hérnia indireta, a mais comum, logo nos tipos 1 e 2. Na tipo 2, temos o anel inguinal interno alargado (> 2cm)... Na tipo 3, você tem defeito na parede posterior! E qual a hérnia que tipicamente surge por defeito na parede posterior? É a direta! Então, 3A é direta! 3B é indireta (mista). 3C é femoral. No tipo 4 de Nyhus, temos as recidivadas! Reparou que toda vez que Nyhus coloca a femoral, temos a letra ‘C’? Lembra que é hérnia femoral ou Crural! Outra dica: tipo 3 não é defeito na parede posterior? Então, defeito na parede pos(três)rior! Leve essas dicas para a prova! 42 Hérnia Femoral (ou Crural) LIMITES DO CANAL FEMORAL - LIGAMENTO INGUINAL (POUPART) - LIGAMENTO PECTÍNEO (COOPER) - LIGAMENTO LACUNAR - VEIA FEMORAL - Se anuncia ABAIXO do ligamento inguinal - Mais comum em MULHERES OBESAS > 45 ANOS (“femoral = fêmeas”) - Mais comum à DIREITA (por causa do sigmoide tapando na esquerda) - É a que MAIS ENCARCERA dentre as hérnias da virilha - Tratamento: técnica de MCVAY OU PLUG FEMORAL Tratamento: REDUTÍVEL (“VAI E VOLTA”) - ANALGESIA + REDUÇÃO COM MANOBRA DE TAXE + CIRURGIA ELETIVA - Se paciente idoso: evitar cirurgia e corrigir fatores que estejam ocasionando o aumento da pressão abdominal (ex: prostatismo) Antes de prosseguir... SINAIS DE SOFRIMENTO ISQUÊMICO - Dor intensa local - Febre ou sinais de sepse - Instabilidade hemodinâmica - Peritonite - Obstrução intestinal (náuseas, vômitos, distensão e parada de eliminação de gases e fezes) - Tempo de encarceramento (agudo) > 6-8 horas (USP) ENCARCERADA (“VAI E NÃO VOLTA, SEM SOFRIMENTO ISQUÊMICO”) - TENTAR REDUÇÃO MANUAL DESDE QUE NÃO HAJA RISCO DE ESTRANGULAMENTO (estabilidade hemodinâmica, ausência de irritação peritoneal, ausência de sinais flogísticos, ausência de obstrução intestinal e tempo de encarceramento menor que 6-8h) + CIRURGIA ELETIVA - Caso contrário ou casos refratários/complicados (sofrimento isquêmico, tempo maior que 6-8h, obstrução intestinal, hiperemia, hipotensão: CIRURGIA DE URGÊNCIA ESTRANGULADA (“VAI E NÃO VOLTA, COM SOFRIMENTO ISQUÊMICO”) - CIRURGIA DE EMERGÊNCIA. Aqui existe isquemia, instabilidade hemodinâmica, flogose... Qual procedimento? - INGUINOTOMIA! Se houver redução espontânea durante a anestesia... - LAPAROTOMIA XIFOPUBIANA EXPLORADORA! Tipos de Cirurgia: - ABORDAGEM ANTERIOR: Convencional: de fora para dentro (pele > subcutâneo > etc) HERNIORRAFIA ANTERIOR + REFORÇO DA PAREDE POSTERIOR Técnicas: SHOULDICE, LICHTENSTEIN, MCVAY* (*) Diferentes formas de reforço da parede posterior: - SHOULDICE: imbricação de músculos (não usa tela) com rafia em 4 planos musculares. Não é técnica livre de tensão. Gera bastante dor no pós-operatório. - LICHTENSTEIN: tela livre de tensão (técnica atual de escolha). Técnica de “Lichtenstela”. Principal ponto de recidiva: LIGAMENTO LACUNAR. É a sutura mais importante para evitar recidivas! - MCVAY: boa para hérnia femoral. O reforço é feito através da sutura do tendão conjunto dos músculos da parede posterior com o ligamento de Cooper. - ABORDAGEM POSTERIOR: De dentro para fora Acesso pré-peritoneal Sempre utiliza tela! Indicações: PRIMÁRIAS E UNILATERAIS (principalmente em mulheres), *RECIDIVAS (usar abordagem diferente da anterior, para evitar fibrose), HÉRNIAS BILATERAIS Técnicas: STOPPA (tela bilateral), VLSC (!) (*) Atenção! No caso de hérnias recidivadas, sempre utilizar a técnica antagônica para a correção! Exemplo: se fez VLSC (abordagem posterior) e houve recidiva, a correção deve ser feita através de abordagem anterior. O contrário também é verdadeiro! - STOPPA: tela bilateral - VIDEOLAPAROSCOPIA: também pode ser abordagem inicial (escolha para mulheres) TAPP: transabdominal pré-peritoneal Pode ser realizada mesmo em casos de cirurgia prévia isso ficaria dificultado na TEP pela possibilidade de fibrose Melhor visualização das estruturas Penetra a cavidade abdominal TEP: totalmente extraperitoneal Possibilidade de realização sem anestesia geral, pois não precisa de pneumoperitônio (a anestesia pode ser mais “alta”) Acesso bilateral mais fácil Não penetra a cavidade abdominal não manipula alças intestinais não tem risco de aderências/bridas) Então... - Mais encarcera (dentre as da virilha): FEMORAL - Mais encarcera (dentre as inguinais): INDIRETA - Mais recidiva: DIRETA - Mais comum: INDIRETA, À DIREITA, NO HOMEM 43 ATENÇÃO! Se hérnia bilateral ou recidivada... Optar por STOPPA ou VLSC! Procedimentos que usam tela... Lichtenstein, STOPPA e VLSC! Complicações: São infrequentes, mas podem existir. - COMPLICAÇÕES DA FERIDA OPERATÓRIA: hematoma, seroma, infecção - ORQUITE ISQUÊMICA: lesão do plexo pampiniforme (aumento do volume testicular e dor no 2º-5º dia de pós-operatório). O testículo evolui com atrofia em ± 12 semanas e não há muito o que se fazer. - DOR E HIPERESTESIA NA BOLSA ESCROTAL OU GRANDES LÁBIOS: lesão do ramo genital do nervo genitofemoral - DOR INESPECÍFICA NA VIRILHA: lesão de nervo íleo-inguinal ou íleo- hipogástrico. É a complicação mais comum! - PARESTESIA NA FACE EXTERNA DA COXA (“MERALGIA PARESTÉSICA”): lesão do nervo cutâneo femorallateral. É a complicação mais comum da VLSC! Hérnias Especiais Hérnia de Richter - PINÇA A BORDA ANTIMESENTÉRICA (evolui para estrangulamento sem passar antes por uma obstrução). - É mais comum na hérnia femoral. - Clínica: isquemia sem obstrução Hérnia de Littré - Contém DIVERTÍCULO DE MECKEL. Hérnia de Amyand - Contém o APÊNDICE VERMIFORME Hérnia em Pantalona - Hérnia mista (COMPONENTE DIRETO E INDIRETO) Hérnia de Spiegel - Entre a BORDA LATERAL DO RETO DO ABDOME E LINHA SEMILUNAR (ou linha de Spiegel) - No mesmo nível ou um pouco abaixo da LINHA ARQUEADA DE DOUGLAS (aproximadamente “2 dedos” abaixo da cicatriz umbilical) - Diagnóstico: por ser uma hérnia INTEPARIETAL, que se desenvolve entre folhetos musculares, é difícil visualizar no exame físico. Por isso, AVALIAR EXAMES DE IMAGEM para o diagnóstico. - Tratamento: SEMPRE TRATAR pelo RISCO DE ENCARCERAMENTO Hérnias Lombares - GRYNFELT: abaixo da 12ª costela + paraespinhal + músculo oblíquo interno (triângulo lombar superior). É a + comum. - PETIT: acima da crista ilíaca + músculo grande dorsal + músculo oblíquo externo (triângulo lombar inferior). Mais comum em mulheres atletas! Hérnia de Garengeot - Contém o APÊNDICE, MAS NA HÉRNIA FEMORAL Hérnia por Deslizamento - Parte do saco herniário é formado pelo PRÓPRIO CONTEÚDO - Geralmente CÓLON E BEXIGA - RISCO DE LESÃO durante a dissecção Hérnia Obturadora - ENFRAQUECIMENTO DA MEMBRANA OBTURADORA - COMPRESSÃO do feixe vasculonervoso obturatório - Canal obturatório fica entre o osso púbico e o isquio a hérnia será localizada PRÓXIMO A REGIÃO INGUINAL - Fatores de risco: sexo feminino, idade, multiparidade, obesidade - SINAL DE HOWSHIP-ROMBERG: dor na face anteromedial da coxa, que é aliviado pela flexão da coxa Hérnia Umbilical ATENÇÃO! Adulto + Hérnia inguinal indireta: - Fazer reforço da parede posterior! Criança + Hérnia inguinal indireta: - Operar o mais rápido possível! - Não precisa reforço da parede posterior! Hérnia Epigástrica - Entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide na linha mediana - Vários pequenos defeitos na linha média que proporcionam pequenos anéis herniários - Costuma haver dor/incômodo importante, apesar de a hérnia ser pequena, sem muita visualização no exame físico (desproporção entre a clínica/exame físico) Na CRIANÇA... Defeito CONGÊNITO! ‘Criança = Congênito’. Operar quando? (regra do 1-2-3-4) (1) Concomitante à hérnia inguinal (2) Anel herniário > 2cm (3) DVP. ‘3 letrinhas = DVP’. (4) Não fechou espontaneamente após > 4-6 anos No ADULTO... Defeito ADQUIRIDO! ‘Adulto = Adquirido’ (aumento da pressão abdominal gravidez, ascite volumosa, obesidade, etc) Operar quando? (1) Sintomática ou Encarcerada (2) Com ascite volumosa (3) Estética ou desejo do paciente 44 Hérnia Incisional - Em ÁREA DE INCISÃO CIRÚRGICA PRÉVIA - Fatores de risco: infecção do sítio cirúrgico, técnica incorreta, desnutrição, idade avançada, uso de corticoide, obesidade, aumento da pressão intra-abdominal, DPOC, diabetes, etc - PELE ÍNTEGRA, SEM EVISCERAÇÃO - Tratamento: Até 2cm: reparo sem a colocação de tela Maior que 2cm: reparo + colocação de tela** Até 4cm: reparo aberto ou laparoscópico Até 4-10cm: reparo laparoscópico, de preferência (opção: aberto) Maior que 10cm: técnica de separação de componentes (**) Colocação de TELA: apresenta diferentes técnicas (que tem caído em prova) - ONLAY Acima da aponeurose É a técnica mais tradicional Exige menos trabalho Maior risco de ISC (por estar em contato mais próximo com a pele) - SUBLAY (técnica de RIVES-STOPPA) Abaixo do músculo reto do abdome Acima do peritônio - UNDERLAY (técnica de IPOM) Abaixo do peritônio Usada em técnica videolaparoscópica - INLAY Entre as aponeuroses (no defeito) Usada em defeitos grandes Hérnia Inguinal na Infância Conceitos Iniciais: - É hérnia INDIRETA (defeito congênito) Mais comum em PREMATUROS e BAIXO PESO AO NASCER Mais comum em MENINOS > meninas Mais comum a DIREITA (60%) o fechamento do CPV ocorre de forma mais tardia à direita Bilateral em 10% dos casos Taxa de ENCARCERAMENTO DE 15-30% (risco alto) Clínica e Diagnóstico: - Exame físico: TUMORAÇÃO REDUTÍVEL - HISTÓRIA POSITIVA COMPATÍVEL E EXAME FÍSICO NEGATIVO: “história contada pelos pais” alguns colégios indicam a cirurgia mesmo sem a visualização da hérnia no exame físico - Na dúvida: ULTRASSONOGRAFIA Tratamento: - Hérnia redutível: CIRURGIA IMEDIATA (“o mais rápido possível”) A cirurgia não é de emergência, mas deve ser feita o mais rapidamente possível, pelo alto risco de encarceramento. NÃO HÁ NECESSIDADE DE REFORÇO DA PAREDE POSTERIOR Fazer a LIGADURA ALTA (“o mais alto possível”) - Hérnia encarcerada: TENTAR REDUÇÃO MANUAL se não houver sinais de sofrimento isquêmico (sucesso em 70-90% dos casos). Depois da redução: CIRURGIA IMEDIATA OU NA MESMA INTERNAÇÃO 24-48H APÓS (depende da referência a redução da hérnia pode ocasionar edema/inflamação local, o que dificultaria a cirurgia imediata = por isso algumas fontes preferem aguardar 24-48h) E a exploração contralateral? Se existe uma malformação de um lado, o que garante que o outro não está também? Antigamente, se fazia sempre; hoje em dia, somente em casos selecionados! Hérnia em PREMATUROS Hérnias ENCARCERADAS Meninos < 2 anos e meninas < 4 anos (controverso) DVP Diagnóstico Diferencial: - HIDROCELE: pode ser comunicante ou não comunicante HIDROCELE COMUNICANTE - Causa: não fechamento do conduto peritoniovaginal (mesma fisiopatologia da hérnia indireta) - Transiluminação POSITIVA (nas hérnias: negativa) - Ocorre ALTERAÇÃO DO VOLUME AO LONGO DO DIA (ex: aumenta com o choro, diminui quando dorme) Perceba na imagem o exame de transiluminação sendo feito. Note que saco escrotal “acendeu”, indicando presença de conteúdo líquido = hidrocele comunicante. No caso de hérnia, não acenderia. Outra forma de diagnosticar é através do USG, comparando bolsa escrotal direita e esquerda. Perceba na imagem que na bolsa escrotal direta, o testículo está envolto por conteúdo anecóico, caracterizando a presença de líquido HIDROCELE NÃO COMUNICANTE - Líquido residual que NÃO ALTERA O VOLUME (o tamanho continua o mesmo ao longo do dia) Tratamento: - REGRESSÃO ESPONTÂNEA EM 12 MESES é o esperado - Se concomitante a hérnia inguinal (comunicante): correção cirúrgica UptoDate.com PORTO, Celmo. 45 Abordagem Videolaparoscópica É um tema que está caindo cada vez mais em prova! Anatomia Laparoscópica: - Y INVERTIDO É fundamental a visualização do Y invertido, que vai nos delimitar 5 triângulos que são importantes para o entendimento anatômico, na técnica TAPP. Depois de “aberto” o peritônio, essas são as estruturas que serão visualizadas! Vamos entender... (1) Vasos epigástricos inferiores (VEI) (2) Vasos deferentes (VD): limite medial (3) Vasos espermáticos (VE): limite lateral (4) Trato iliopúbico (TI): é como se fosse o “ligamento inguinal” é a “impressão interna/posterior” do ligamento inguinal. As hérnias que se anunciam abaixo do trato iliopúbico são as femorais. Através do Y invertido, conseguimos identificar os famosos triângulos, que também tem caído cada vez mais nas provas! Conhecendo os TRIÂNGULOS por onde se anunciam as hérnias... - Hérnias diretas (D): medial ao VEI e acima do trato iliopúbico - Hérnias indiretas (I): lateral a os VEI e acima do trato iliopúbico - Hérnias femorais (F): abaixo do TI lembre que as hérnias femorais se anunciam abaixo do ligamento inguinal, mas na visão laparoscópica, ela se anuncia abaixo do trato iliopúbico! TRIÂNGULO DE DOOM - Também conhecido como “triângulo da desgraça” - Entre os VASOS DEFERENTES (limite medial) e VASOS ESPERMÁTICOS (limite lateral) - Por esse triângulo passa os VASOS ILÍACOS EXTERNOS, que em hipótese alguma podem ser lesados/grampeados, pelo risco de sangramento intenso TRIÂNGULO DA DOR - Entre os VASOS ESPERMÁTICOS (limitemedial) e TRATO ILIOPÚBICO (limite lateral) - Por esse triângulo passa INERVAÇÃO, que também em hipótese alguma pode ser lesado/grampeado, pelo risco de dor crônica/inguinodínea PERCEBA! Do trato iliopúbico para baixo, lateral aos vasos deferentes, NÃO GRAMPEAR, pelo risco de lesão nos vasos ilíacos externos e na inervação da região! Sistematização do reparo da hérnia inguinal laparoscópica (TAPP) baseada em um novo conceito anatômico: Y invertido e cinco triângulos: Marcelo FURTADO, Christiano M. P. CLAUS, Leandro Totti CAVAZZOLA, Flavio MALCHER, Alexandre BAKONYI-NETO, Rogério SAAD-HOSSNE Sistematização do reparo da hérnia inguinal laparoscópica (TAPP) baseada em um novo conceito anatômico: Y invertido e cinco triângulos: Marcelo FURTADO, Christiano M. P. CLAUS, Leandro Totti CAVAZZOLA, Flavio MALCHER, Alexandre BAKONYI-NETO, Rogério SAAD-HOSSNE 1 2 3 4 Sistematização do reparo da hérnia inguinal laparoscópica (TAPP) baseada em um novo conceito anatômico: Y invertido e cinco triângulos: Marcelo FURTADO, Christiano M. P. CLAUS, Leandro Totti CAVAZZOLA, Flavio MALCHER, Alexandre BAKONYI-NETO, Rogério SAAD-HOSSNE NÃO GRAMPEAR 46 1. Nódulo Pulmonar Solitário Tamanho da Lesão Pulmonar: - < 3cm: NÓDULO Harrison: < 6cm - > 3cm: MASSA Abordagem Diagnóstica: - EXAME “PREFERIDO”: TC TÓRAX - O QUE AVALIAR? PADRÃO DE CALCIFICAÇÃO, VELOCIDADE DE CRESCIMENTO, MORFOLOGIA E LOCALIZAÇÃO Benigno ou Maligno? Benigno - Pensar em CICATRIZ DE TUBERCULOSE - Conduta: Se < 8mm: TC A CADA 6-12 MESES POR 2 ANOS Se > 8mm, sem fatores de risco: TC A CADA 3 MESES POR 2 ANOS OU PET-CT Maligno - Pensar em CA DE PULMÃO (é o câncer que mais mata) - Nódulo > 8mm + fatores de risco (tabagismo, > 35 anos, CRESCIMENTO EM 2 ANOS, PADRÃO DE CALCIFICAÇÃO E FORMATO DO NÓDULO SUGESTIVOS) - Conduta: BIÓPSIA OU RESSECÇÃO/LOBECTOMIA BENIGNO MALIGNO IDADE > 35 anos > 35 anos TABAGISMO Não Sim TAMANHO < 0,8cm > 0,8cm CONTORNO Regular Irregular PADRÃO DE CALCIFICAÇÃO Central, pipoca, difusa, concêntrica Ausente, excêntrica, salpicado, vidro fosco MORFOLOGIA Contorno regular Irregular, espiculado CRESCIMENTO EM 2 ANOS Não Sim (> 2mm) LOCALIZAÇÃO Fissural Lobo superior CONDUTA RX/TC/PET 3-6-12 meses por 2 anos Biópsia/Ressecção Padrões de Calcificação e Formato do Nódulo: Entendendo... OS PADRÕES SALPICADO E EXCÊNTRICO FALAM A FAVOR DE LESÃO MALIGNA! A CALCIFICAÇÃO EM PIPOCA DO TIPO HAMARTOMA FALA A FAVOR DE LESÃO BENIGNA E POSSUI DENSIDADE DE GORDURA NA TC. É o tumor benigno de pulmão mais comum. 2. Carcinoma Broncogênico de Pulmão Ca de pulmão que deriva do epitélio respiratório (brônquio, bronquíolo, alvéolo) representa > 90% das neoplasias pulmonares Fatores de Risco: - TABAGISMO, EXP. OCUPACIONAL (ASBESTO, ARSÊNICO), HIST. FAMILIAR Tipos: Não Pequenas Células (80-85%) ADENOCARCINOMA MAIS COMUM (40%) Paciente mais atípico: NÃO FUMANTES, JOVEM, MULHERES PERIFÉRICO MAIOR RELAÇÃO COM DERRAME PLEURAL BRONQUIOLO-ALVEOLAR: variante do adenocarcinoma, bem diferenciado, com melhor prognóstico e TC que evidencia imagem com aspecto em vidro fosco (não invade alvéolo) EPIDERMOIDE 2º MAIS COMUM (30%) Paciente mais típico: TABAGISTA/IDOSO CENTRAL MAIS RELACIONADO COM CAVITAÇÃO GRANDES CÉLULAS Mais raro (10%) PERIFÉRICO (cai pouco em prova) Pequenas Células (15-20%%) OAT CELL MENOS COMUM MAIS AGRESSIVO/PIOR PROGNÓSTICO ORIGEM NEUROENDÓCRINA SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS CENTRAL Clínica: Inespecíficos: anorexia, perda ponderal, fadiga... TOSSE (!), HEMOPTISE, DISPNEIA, DOR TORÁCICA SÍNDROMES COMPRESSIVAS: SÍNDROME DE PANCOAST (associado ao epidermoide) Tumor do sulco superior DOR TORÁCICA (invasão do gradil costal/nervos intercostais) + COMPRESSÃO DO PLEXO BRAQUIAL (PARESTESIA EM RAÍZES LUNARES) + SÍNDROME DE HORNER (compressão do tronco simpático cervical prevalece o parassimpático = MIOSE, PTOSE, ANIDROSE IPSILATERAL, ENOFTALMIA) SÍNDROME DA VEIA CAVA SUPERIOR (associado ao OAT cell) VEIAS SOBRESSALENTES (TÓRAX + MMSS) + EDEMA DE FACE/PLETORA + TURGÊNCIA JUGULAR SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS OAT-CELL: SÍNDROME MIASTÊNICA DE EATON-LAMBERT, SIADH, CUSHING ADENOCARCINOMA: OSTEOARTROPATIA HIPERTRÓFICA PULMONAR EPIDERMOIDE: HIPERCALCEMIA (PTH-LIKE) Neoplasias Clínico/Cirúrgicas @ casalmedresumos Imagem: Kikano GE, Fabien A, Schilz R. Evaluation of the Solitary 47 Diagnóstico: - HISTOPATOLÓGICO (BIÓPSIA) Tumor central: BRONCOSCOPIA (OAT cell e epidermoide), USG ENDOSCÓPICO (“EBUS”), ESCARRO/LAVADO BRÔNQUICO (baixa sensibilidade) Tumor periférico: PERCUTÂNEA COM AGULHA FINA OU CORE BIOPSY (adenocarcinoma), TORACOTOMIA, VIDEOTORACOSCOPIA (VATS). Rastreio: NÃO É CONSENSO! MS NÃO PRECONIZA! Pela USPSTF/ACS: - TC DE BAIXA DOSE ANUAL (SEM CONTRASTE) - TABAGISTAS (OU EX-TABAGISTAS RECENTES) COM CARGA TABÁGICA DE 20 ANOS/MAÇO ENTRE 50-80 ANOS (ou 55-74 anos) - ATÉ IDADE MÁXIMA OU 15 ANOS DE RASTREIO NORMAL Estadiamento: PET-SCAN: avalia invasão local ou metástase RNM CEREBRAL: avalia implante metastático SNC CINTILOGRAFIA ÓSSEA: avalia metástase óssea (útil em casos de impossibilidade de PET-SCAN) SE PEQUENAS CÉLULAS + HEMOGRAMA ALTERADO: ASPIRADO + BIÓPSIA DE MEDULA ÓSSEA (pela capacidade de invasão medular desse tipo de tumor) NÃO PEQUENAS CÉLULAS T1: lesão < 3cm (nódulo pulmonar solitário) A: < 1cm | B: < 2cm | C: < 3cm T2: lesão de 3-5cm ou brônquio-fonte e não acomete carina A: 3-4cm | B: 4-5cm T3: lesão 5-7cm ou que acomete pleura, pericárdio, parede torácica ou nervo frênico ou nódulo satélite ipsilateral no mesmo lobo T4: > 7cm ou atingiu estruturas adjacentes (coração, traqueia, esôfago...) ou nódulo satélite ipsilateral em lobo diferente N1: LN hilares no mesmo lado da lesão N2: LN mediastinais no mesmo lado da lesão N3: LN contralaterais ou supraclaviculares M1a: derrame pleural/pericárdico ou nódulo contralateral M1b: metástase em órgão único M1c: metástase em mais de um órgão PEQUENAS CÉLULAS - Limitado: um hemitórax - Extenso: bilateral Tratamento: Primeiro passo: INVESTIGAÇÃO LINFONODAL com MEDIASTINOSCOPIA ou ENDOSCOPIA BRÔNQUICA (EBUS) OU ESOFÁGICA (EUS) para DEFINIR O “N” do estadiamento CIRURGIA - ESTÁGIOS: I até IIIa | GUARDAR: tumor < 7cm e < N2 QUIMIOTERAPIA - ESTÁGIOS: a partir de IIA | GUARDAR: tumor > 4cm ou > N1 - Se EGFR positivo = OSIMERTINIBE TRATAMENTO PALIATIVO - ESTÁGIOS: IIIC e IV | GUARDAR: T4 (exceto NPS ipsilateral), N3 ou M1 Destrinchando... NÃO PEQUENAS CÉLULAS - Estágio IA (T1N0M0 = nódulo pulmonar solitário): SÓ CIRURGIA/RESSECÇÃO - Estágio IB ou II: CIRURGIA/RESSECÇÃO + QT - Estágio IIIA: AVALIAR LESÃO. IRRESSECÁVEL SE T4, N3, M1 - Estágio IIIB: QT + RT - Estágio IV: QT PALIATIVA OBS: SE TUMOR EGFR POSITIVO = fazer OSIMERTINIBE CONTRAINDICAM A RESSECÇÃO CIRÚRGICA: - T4 (exceção: nódulo satélite ipsilateral pode fazer cirurgia) - N3 - M1 PEQUENAS CÉLULAS (OAT CELL) - Limitado: QT + RT (CURA 15-25%) - Extenso: QT PALIATIVA 3. Câncer de Tireoide Tipos: BEM DIFERENCIADO - Mais comum (90%) - Bom prognóstico - Representantes: PAPILÍFERO E FOLICULAR POUCO DIFERENCIADO - Menos comum (9%) - Pior prognóstico - Representantes: MEDULAR (CMT) E ANAPLÁSICO Estadiamento: ESCORE DE AMES/AGES (usar o bom senso!) BAIXO RISCO ALTO RISCO IDADE < 40 anos > 40 anos SEXO Feminino Masculino EXTENSÃO Tumor confinado a tireoide, sem extensão capsular ou extracapsular Extensão extratireoidiana, com invasão capsular METÁSTASE Ausente Presente TAMANHO < 2cm > 4cm GRAU Bem diferenciado Pobremente diferenciado Carcinoma Papilífero - MAIS COMUM! - MULHER DE 20-40 ANOS - CRESCIMENTO LENTO e disseminação por via LINFÁTICA - PROGNÓSTICO EXCELENTE! - Patogênese: mutações BRAF (1º) > RAS (2º) > RET/PTC (3º) relação com HISTÓRIA PRÉVIA DE IRRADIAÇÃO DE CABEÇA/PESCOÇO (principalmente na infância)- Presença de CORPOS PSAMOMATOSOS - Diagnóstico: PAAF CITOLOGIA - SE < 1CM: tireoidectomia parcial - SE > 1CM, METÁSTASE, IRRADIAÇÃO OU < 15 ANOS: tireoidectomia total Carcinoma Folicular - 2º MAIS COMUM - MULHER DE 40-60 ANOS - Disseminação por via HEMATOGÊNICA - PROGNÓSTICO BOM! - Mais prevalente em região com DEFICIÊNCIA DE IODO - PAAF: mostra aumento de células foliculares (NÃO FECHA DIAGNÓSTICO). Diagnóstico é fechado com HISTOPATOLÓGICO para visualizar INVASÃO (CÁPSULA/VASCULAR) - SE NÓDULO < 2CM SUSPEITO: tireoidectomia parcial, se adenoma; total, se carcinoma - SE > 2CM: tireoidectomia total - SUBTIPO: CARCINOMA DE CÉLULAS DE HURTHLE variante mais agressiva e menos diferenciada do folicular, com disseminação linfática e pior prognóstico (↓resposta ao radioiodo) 48 Carcinoma De Células De Hurthle - VARIANTE MAIS AGRESSIVA E MENOS DIFERENCIADA DO FOLICULAR. - DISSEMINAÇÃO LINFÁTICA - Grande tamanho e citoplasma eosinofílico e granular: ONCÓCITOS - TRATAMENTO: TIREOIDECTOMIA TOTAL + LINFADENECTOMIA. BAIXA RESPOSTA AO RADIOIODO! SEGUIMENTO PÓS-TIREOIDECTOMIA - SUPRIMIR TSH COM LEVOTIROXINA! Se TSH estiver alto, há estímulo de resíduo tumoral! Tem que suprimir! - ABLAÇÃO COM RADIOIODO, se alto risco; Lembre: não pode ter resíduo tumoral! - ACOMPANHAMENTO COM TIREOGLOBULINA SÉRICA + USG SERIADA OU CINTILOGRAFIA DE CORPO INTEIRO (PCI), SE ALTO RISCO SE TIREOGLOBULINA > 1-2 OU USG/CINTILOGRAFIA +: ABLAÇÃO COM IODO RADIOATIVO Papilífero X Folicular PAPILÍFERO FOLICULAR Tipo Bem diferenciado Bem diferenciado Características Gerais - Mais comum - Mulher 20-40 anos - Excelente prognóstico - Crescimento lento - Disseminação linfática - Associado à irradiação - Associado a oncogene RAS - Corpos psamomatosos - 2º mais comum - Mulher 40-60 anos - Bom prognóstico - Dissem hematogênica - Assoc c/ carência iodo - ↑↑↑céls foliculares Diagnóstico PAAF Histopatológico (!) (PAAF não ≠ de adenoma) Tratamento < 1cm e s/risco: parcial > 1cm ou c/risco: total < 15a ou hist de irrad: total < 2cm e s/risco: parcial Se adenoma: ok Se CA: totalizar > 2cm ou c/risco: total Seguimento Supressão TSH Levotiroxina USG a cada 6 meses Se tireoglobulina > 1-2 ou cintilografia +: ablação com iodo radioativo Carcinoma Medular De Tireoide (CMT) - Se desenvolvem nas CÉLULAS C PARAFOLICULARES (produtoras de CALCITONINA) é uma neoplasia ENDÓCRINA! - MARCADORES: CALCITONINA - 2 APRESENTAÇÕES DISTINTAS: ESPORÁDICO (80%) FAMILIAR (20%): associação com NEM-2! NEM-2A: CMT + FEOCROMOCITOMA + HIPERPARATIREOIDISMO NEM-2B: CMT + FEOCROMOCITOMA + NEUROMAS - PATOGÊNESE: Importante associação com o PROTO-ONCOGENTE-RET: PESQUISAR EM PARENTES DE 1º GRAU e fazer tireoidectomia profilática se positivo. - DIAGNÓSTICO: PAAF + DOSAGEM DE CALCITONINA. Sempre pesquisar feocromocitoma e hiperparatireoidismo! - TRATAMENTO: TIREOIDECTOMIA TOTAL + LINFADENECTOMIA - SEGUIMENTO: CALCITONINA Carcinoma Anaplásico Ou Indiferenciado - INDIFERENCIADO - PIOR PROGNÓSTICO - MAIS AGRESSIVO - Predomínio em IDOSAS - MAIS RARO (2% das neoplasias tireoidianas) - PATOGÊNESE: mutações no GENE SUPRESSOR TUMORAL P53 - DIAGNÓSTICO: PAAF +/- IMUNOHISTOQUÍMICA - TRATAMENTO: PALIATIVO (traqueostomia + QT/RT) PERCEBA QUE O FOLICULAR É O ÚNICO SUBTIPO QUE NÃO SE DÁ O DIAGNÓSTICO COM PAAF! 4. Nódulo Tireoidiano Sempre se preocupar com 2 coisas: FUNCIONALIDADE E MALIGNIDADE Abordagem: ANAMNESE + EXAME FÍSICO (história de irradiação, linfadenopatia, etc) 1º PASSO: TSH - Normal/Alto: SOLICITAR USG < 1cm: SEGUIMENTO > 1cm ou suspeito*: PAAF - Baixo: CINTILOGRAFIA Quente/captante: ADENOMA TÓXICO (DOENÇA DE PLUMMER) Frio/não captante: SOLICITAR USG < 1cm: seguimento > 1cm ou suspeito*: PAAF FATORES QUE SUGEREM MALIGNIDADE (SUSPEITOS) Sexo masculino Idade < 20 ou > 65 anos História de irradiação Rápido crescimento História familiar positiva Nódulo fixo, endurecido e aderido Sintomas obstrutivos (ex: rouquidão) CARACTERÍSTICAS SUSPEITAS NA USG Nódulo HIPOecoico Nódulo mais ALTO do que largo Margens irregulares Microcalcificações Extensão extra-tireoidiana Vascularização CENTRAL (Chammas IV-V) CLASSIFICAÇÃO DE CHAMMAS I AUSÊNCIA DE VASCULARIZAÇÃO II VASCULARIZAÇÃO PERIFÉRICA III VASCULARIZAÇÃO PERIFÉRICA > À CENTRAL IV VASCULARIZAÇÃO CENTRAL > PERIFÉRICA V VASCULARIZAÇÃO CENTRAL E SE NÓDULO ISO/HIPERECOICO, SEM CARACTERÍSTICAS SUSPEITAS? Deve ser benigno... Será? CONSIDERAR PAAF SE > 1,5-2,0cm PAAF COMO AVALIAR O RESULTADO? CLASSIFICAÇÃO DE BETHESDA Classe Risco Descrição Conduta I 1-5% Insatisfatório Repetir PAAF II 0-3% Benigno Acompanhar (USG 1-2 anos) III 5-15% Lesão folicular indeterminada Repetir PAAF ou cirurgia IV 15-30% Neoplasia folicular Cirurgia ou repetir PAAF V 65-75% Suspeito de malignidade Cirurgia VI 97-100% Maligno Cirurgia (*) Para as classes III/IV, podemos fazer TESTE MOLECULAR. Se não houver mutações, podemos tratar como classe II. Se houver, tratar como classe V. 49 5. Câncer de Próstata Introdução: - Tipo histológico: ADENOCARCINOMA (95%) - É o segundo CÂNCER MAIS COMUM EM HOMEM NO BRASIL (só perde para pele não melanoma). Nasce na ZONA PERIFÉRICA. - LETALIDADE BAIXA Fatores de Risco: - IDADE (principal), HISTÓRIA FAMILIAR, NEGROS, MUTAÇÃO BRCA 1 E 2, CARNES VERMELHAS DEFUMADAS, DIETA GORDUROSA - Tabagismo, etilismo e HPB não são fatores de risco! Clínica: - MAIORIA ASSINTOMÁTICA (apresentação mais periférica não obstrui a uretra prostática) - Se tumor avançado: SINTOMAS OBSTRUTIVOS/IRRITATIVOS (CISTITE) - Metástase: OSSO (blástica coluna lombar > fêmur proximal > pelve > coluna torácica > costela) Diagnóstico: - HISTOPATOLÓGICO! Adenocarcinoma (95%) Rastreamento: - MS: não rastrear | SBU/AUA/UPTODATE: rastrear! Quando indicar? - > 50 anos: TODOS ATÉ 69 ANOS - > 40-45 anos: NEGROS OU HISTÓRIA FAMILIAR O que indicar? - TOQUE RETAL E PSA A CADA 2 ANOS Como confirmar? - USG TRANSRETAL COM BIÓPSIA Quando indicar a biópsia? - TOQUE RETAL SUSPEITO: nódulo endurecido, irregular... OU - PSA > 4 E se PSA entre 2,5 e 4? - Se < 60 anos: BIÓPSIA! - Se > 60 anos: REFINAR! São sugestivos de tumor maligno: FRAÇÃO LIVRE < 25% DENSIDADE > 0,15 VELOCIDADE DE CRESCIMENTO > 0,75NG/ML/ANO Estadiamento: - Parâmetros utilizados: PSA + GLEASON + TNM PSA: > 10 = baixo risco | 10-20 = médio risco | > 20 = alto risco GLEASON: < 6 = baixo risco | 7 = médio risco | 8-10 = alto risco Gleason representa a soma das 2 histologias mais presentes na biópsia (exemplo: Gleason 3 + Gleason 4 = Gleason 7. Quanto maior o valor, pior o prognóstico) TNM: T1-T2a = baixo risco | T2B = médio risco | > T2C = alto risco. Exames fundamentais são RESSONÂNCIA DA PRÓSTATA (para T e N) e CINTILOGRAFIA ÓSSEA (para avaliar M em casos de Gleason > 7) Tratamento: Sempre ponderar a classificação e a expectativa de vida! DOENÇA LOCALIZADA (RESTRITA A PRÓSTATA): PROSTATECTOMIA RADICAL (principalmente se expectativa de vida > 10 anos) OU RADIOTERAPIA (opção para quem tem vida sexual ativa, menor chance de cura, mas menos efeitos adversos) OU VIGILÂNCIA (principalmente se PSA < 10 e Gleason < 6) - DOENÇA AVANÇADA (INVASÃO DE ESTRUTURAS/METÁSTASE): PRIVAÇAO ANDROGÊNICA CIRÚRGICA COM ORQUIECTOMIA BILATERAL OU PRIVAÇÃO ANDROGÊNICA QUÍMICA COM AGONISTA DO GNRH/LEUPROLIDA/GOSERELINA Complicações: - Prostatectomia: DISFUNÇÃO ERÉTIL E INCONTINÊNCIA URINÁRIA - Radioterapia: PROCTITE ACTÍNICA E DIARREIA COM URGÊNCIA FECAL 6. Câncer de Bexiga (Urotelial) Introdução: - Tipo histológico: CARCINOMA DE CÉLULAS TRANSICIONAIS (questão de prova). Outros tipos: escamoso (3-5%), adenocarcinoma <2%) - Paciente típico: HOMEM BRANCO (4:1) > 70 ANOS, TABAGISTA (!) - Relação com EXPOSIÇÃO A HIDROCARBONETOS (pintor, frentista, sapateiro, petroquímica) e IRRADIAÇÃO Fatores de Risco: - TABAGISMO (principal), IDADE AVANÇADA (> 60a), RAÇA BRANCA - Também pode ser considerado um“CÂNCER OCUPACIONAL”: ARILAMINAS (indústria de corantes), HIDROCARBONETOS (petroquímica) - Relacionado ao SCHISTOSSOMA HAEMATOBIUM (endêmico no Egito), CÁLCULO VESICAL, CISTITES CRÔNICAS, DIETA RICA EM CARNES/GORDURAS e CICLOFOSFAMIDA (relação com cistite hemorrágica, inflamatória, risco de CA) Clínica: - CLÁSSICO: “HEMATÚRIA E MAIS NADA” (Hematúria não dismórfica, com função renal e exames de imagem normais) - PODE ACONTECER: sintomas irritativos vesicais (20%), massa pélvica + obstrução urinária, edema de MMII (envolvimento linfonodal) Diagnóstico: - Inicial: USG DE VIAS URINÁRIAS, TC DE ABDOME TOTAL COM CONTRASTE (comum associação do CA de bexiga com CA de outras porções do trato urinário) - CITOLOGIA URINÁRIA (baixa sensibilidade, alta especificidade) - CISTOSCOPIA COM BIÓPSIA (padrão-ouro retirar músculo adjacente!) Sítios mais comuns de metástase: LINFONODOS > OSSO > PULMÃO Estadiamento: - Cai pouco em prova! Guardar: a partir de T2 = invasão da muscular Detalhe de prova: O CA IN SITU é extremamente agressivo e imprevisível! Tratamento: INVADE A CAMADA MUSCULAR? T2 - NÃO SUPERFICIAL (T1 N0 M0) RTU-BEXIGA + SEGUIMENTO ADJUVÂNCIA COM BCG INTRA VESICAL SE: recorrência, > 3cm, multifocais (> 40%), carcinoma in situ, > T1, alto grau Se refratário: CISTECTOMIA RADICAL - SIM INVASIVO (>T2) QT NEOADJUVANTE (3 ciclos com CISPLATINA) + CISTECTOMIA RADICAL (+ linfadenectomia) + QT ADJUVANTE (3 CICLOS) METÁSTASE: TENTAR REMISSÃO COMPLETA - QT (CISPLATINA) + AVALIAR RESSECÇÃO 50 7. Câncer de Rins Carcinoma de Células Renais (ou Claras) Fatores de Risco: - TABAGISMO - Outros: OBESIDADE, EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL (ASBESTO, CÁDMIO, DERIVADOS DO PETRÓLEO), SÍNDROMES GENÉTICAS (VON HIPPEL-LINDAU, ESCLEROSE TUBEROSA), USO PROLONGADO DE AINES OBS: ANGIOMIOLIPOMA RENAL (TUMOR BENIGNO) É MUITO RELACIONADA A ESCLEROSE TUBEROSA Quadro Clínico: - TRÍADE CLÁSSICA: HEMATÚRIA + MASSA ABDOMINAL PALPÁVEL + DOR EM FLANCO (aproximadamente 5-10% dos pacientes apresentam a tríade completa, mas isso não é levado em consideração em prova). - ACHADO CARACTERÍSTICO DE PROVA: VARICOCELE AGUDA (pode ser a primeira manifestação) Síndromes Paraneoplásicas: ANEMIA, FEBRE E PERDA PONDERAL POLICITEMIA HIPERCALCEMIA SÍNDROME DE STAUFFER: disfunção hepática reversível, na ausência de metástase hepática AMILOIDOSE AA Laboratório: ANEMIA, POLICITEMIA ↑VHS, LDH, FOSFATASE ALCALINA HIPERCALCEMIA Diagnóstico: - TC COM CONTRASTE - Em 50% dos casos, é um achado ACIDENTAL. E se for uma MASSA CÍSTICA? Classificação de BOSNIAK BOSNIAK I Conteúdo homogêneo sem septações, calcificações ou captação pelo meio de contraste Malignidade ~ 0% ALTA BOSNIAK II Finas septações (1mm), pequenas calcificações e < 3cm Malignidade < 5% ALTA BOSNIAK IIF Várias septações finas, calcificações espessas e > 3cm Malignidade 5-25% ACOMPANHA BOSNIAK III e IV (1) Massa multiloculada com septações espessas ou grosseiras (2) Realce pelo contraste (3) Calcificações espessas Malignidade: III: 45-55% IV: 75-95% NEFRECTOMIA PORTANTO, FALAM A FAVOR DE MALIGNIDADE: PAREDE ESPESSADA E IRREGULAR, SEPTAÇÃO, MASSA MULTILOCULADA, CAPTAÇÃO PELO CONTRASTE Tratamento: - NEFRECTOMIA! Se < 4-7cm: PARCIAL Se > 7-10cm: RADICAL Se doença avançada (T4 e/ou M1): CITORREDUTORA FALAM A FAVOR DA REALIZAÇÃO DE NEFRECTOMIA PARCIAL: A tendência é fazer o possível para que a nefrectomia seja parcial! - TAMANHO < 7-10CM - TUMOR EXOFÍTICO - TUMOR QUE NÃO INVADE SISTEMA COLETOR 8. Câncer de Testículo Conceitos Iniciais: - Tumores de CÉLULAS GERMINATIVAS correspondem a 95% dos casos. - Representam 1-2% do total de tumores em homens - Tumor maligno MAIS COMUM ENTRE HOMENS DE 20-40 ANOS Fatores de Risco: - CRIPTORQUIDIA (↑4-6x o risco) - História familiar, história pessoal, neoplasia intratubular de células germinativas, infertilidade Histologia: Dentro dos tumores de células germinativas, há uma subdivisão em: - SEMINOMATOSOS: mais comum e melhor prognóstico - NÃO-SEMINOMATOSOS (pior prognóstico): carcinoma embrionário, tumor do saco vitelino, teratoma, coriocarcinoma Quadro Clínico: - MASSA TESTICULAR INDOLOR - PODE HAVER: DESCONFORTO OU PESO ESCROTAL, GINECOMASTIA, DOR ABDOMINAL/LOMBAR Sítio mais comum de metástase: LINFONODOS RETROPERITONEAIS Exame Físico: - Avaliar sempre, de forma bilateral: MASSA TESTICULAR ENDURECIDA MASSA ABDOMINAL PALPÁVEL LINFADENOPATIA INGUINAL E SUPRACLAVICULAR GINECOMASTIA Diagnóstico: - ULTRASSONOGRAFIA DE TESTÍCULO: evidencia NÓDULO HIPOECOICO, que pode ser mais heterogêneo (primeira imagem) ou mais homogêneo (segunda imagem) Massa mais HERETOGÊNEA: fala a favor de tumor de célula germinativa NÃO-SEMINOMATOSO Massa mais HOMOGÊNEA: fala a favor de tumor de célula germinativa SEMINOMATOSO - MARCADORES TUMORAIS: ALFAFETOPROTEÍNA: positiva somente no NÃO-SEMINOMA HCG: positiva em não seminoma e seminoma LDH: positiva em não seminoma e seminoma EXAMES NECESSÁRIOS PARA ESTADIAMENTO: TC DE ABDOME TOTAL COM CONTRASTE, RX/TC DE TÓRAX, MARCADORES TUMORAIS Tratamento: - ORQUIECTOMIA INGUINAL RADICAL, sempre, já na SUSPEITA! ORQUIECTOMIA PARCIAL: altamente controversa, é possibilidade em tumores bilaterais < 2-3cm ou em testículo solitário - NÃO SE FAZ BIÓPSIA DE MASSA TESTICULAR, pois a manipulação da região pode provocar a ascensão de célula cancerígena e gerar metástase! Palpou massa suspeita = marcar cirurgia! Não pode perder tempo! - APÓS ORQUIECTOMIA: QUIMIOTERAPIA (excelente resposta, mesmo em casos de metástase) Imagem: Dra. Lucy Kerr Imagem: fcm.unicamp.br 51 9. Câncer de Esôfago Tipos: ESCAMOSO - Principal no BRASIL - Fatores de risco: tabagismo e etilismo, HPV, tilose, idoso, acalasia... - Mais comum no TERÇO MÉDIO SUPERIOR ADENOCARCINOMA - Principal nos PAÍSES DESENVOLVIDOS - Fatores de risco: DRGE, Barret (metaplasia intestinal) - Esófago DISTAL Clínica: - DISFAGIA PROGRESSIVA (sólido > pastoso > líquido), ODINOFAGIA, EMAGRECIMENTO... Diagnóstico: - EDA + BIÓPSIA (padrão-ouro) - SINAL DA MAÇà MORDIDA NA ESOFAGOGRAFIA BARITADA Estadiamento: T: USG ENDOSCÓPICA +/- BRONCOSCOPIA (avaliar infiltração de traqueia/brônquio que, se presente, contraindica cirurgia) N: USG ENDOSCÓPICA COM PAAF + TC DE TÓRAX M: TC DE TÓRAX E ABDOME COM CONTRASTE OU PET-SCAN T1a: LIMITADO A MUCOSA (CA de esôfago precoce) (!) T1b: SUBMUCOSA T2: MUSCULAR T3: ADVENTÍCIA T3a: ÓRGÃOS ADJACENTES RESSECÁVEIS T4b: ÓRGÃOS ADJACENTES IRRESSECÁVEIS (!) CÂNCER DE ESÔFAGO PRECOCE Acomete ATÉ SUBMUCOSA (T1a, T1b, estágio I) Se o tumor está restrito a mucosa, o risco de metástase linfática praticamente não existe! Saiba que os vasos linfáticos só existem a partir da camada submucosa! E, cuidado! Esse conceito de “precoce” leva em consideração o “T”, identificado através da USG endoscópica. Não vale para o “N”. Tratamento: - Se PRECOCE ATÉ MUCOSA (T1a): MUCOSECTOMIA ENDOSCÓPICA Tem que estar restrito a mucosa! Não pode pegar submucosa! Então, perceba! Não basta ser “precoce”! Tem que ser “precoce” e restrito a mucosa! - Padrão (o resto): ESOFAGECTOMIA SUBTOTAL + LINFADENECTOMIA Margem de segurança: 8cm - QT/RT NEOADJUVANTE (5 CICLOS): > T3 N positivo > 3cm Indiferenciado - Avançado (T4b ou M1): PALIAÇÃO (endoprótese, RT para sangramento etc.) 10. Câncer de Estômago Tipos: - ADENOCARCINOMA (90%). Outros: GIST, LINFOMA MALT Fatores de Risco: - DIETA (nitrogenados) + TABAGISMO + ETILISMO - H. PYLORI (GASTRITE ATRÓFICA ou GASTRECTOMIA PRÉVIA) Clínica: - DISPEPSIA + SINAIS DE ALARME + EMAGRECIMENTO - Linfonodos de VIRCHOW (supraclavicular), KRUKENBERG (ovário), IRISH (axilar), PRATELEIRA DE BLUMMER (fundo de saco), MARIA JOSÉ (umbigo) indicam DISSEMINAÇÃO PERITONEAL (incurável) - SD PARANEOPLÁSICA: ACANTOSE (!), SÍNDROME NEFRÓTICA, CERATOSE SEBORREICA DIFUSA (SÍNDROME DE LESER-TRELAT), TROMBOFLEBITE, DERMATOMIOSITE- METÁSTASE: FÍGADO, PULMÃO, PERITÔNIO (mais comuns) Diagnóstico: - EDA + BIÓPSIA Classificação Histopatológica: LAUREN - INTESTINAL: homem, > 50 anos, melhor prognóstico, bem diferenciado, associado a gastrite crônica atrófica (grande fator de risco, associado a H.pylori), estômago distal e acloridria - DIFUSO: mulher, jovem, tipo sanguíneo A, pior prognóstico, pouco diferenciado, disseminação linfática, estômago proximal, sem relação com acloridria Classificação Macroscópica: BOURMANN - I: polipoide - II: ulcerado com bordas nítidas (igual a uma úlcera péptica benigna) - III: ulcerado com bordas não nítidas (maioria dos diagnósticos é aqui) - IV: infiltrante (linite plástica) - V: não se encaixa em nenhuma das acima Obs 1: se úlcera gástrica = biópsia SEMPRE Obs 2: pequena curvatura/incisuras angulares = localização mais comum de CA e úlceras! Tilose – Fonte: Semiologia UNIVALI Adaptado de researchgate.net 52 Estadiamento: - T: USG ENDOSCÓPICA - N: USG ENDOSCÓPICA COM PAAF + TC DE ABDOME - M: LAPAROSCOPIA T1a: MUCOSA (permite ressecção endoscópica) T1b: SUBMUCOSA N3b: > 15 LINFONODOS Tratamento: • Inicial (T1a): MUCOSECTOMIA ENDOSCÓPICA INDICADO PARA CA INICIAL: NÃO ULCERADO (ESTÁGIO 1 DE BORMANN), TIPO INTESTINAL DE LAUREN, < 2 CM E SEM LINFONODOS. - Padrão (o resto): QT/RT NEOADJUVANTE (> T2 OU N POSITIVO) + CIRURGIA (gastrectomia total, se tumor proximal/médio; ou subtotal, se tumor distal) + LINFADENECTOMIA D2 + QT/RT ADJUVANTE (> T3 OU N POSITIVO OU NEOADJUVANTE PRÉVIA) - Avançado (M1): PALIAÇÃO ATENÇÃO! RESSECAR NO MÍNIMO 16 LINFONODOS PARA ANÁLISE e MANTER MARGEM DE PELO MENOS 6 CM! ATENÇÃO! - Ressecção endoscópica: SÓ MUCOSA, TIPO INTESTINAL, NÃO ULCERADO, SEM LINFONODO E < 2CM. NÃO CONFUNDIR COM CA GÁSTRICO PRECOCE envolve apenas o “T” do estadiamento (MUCOSA OU SUBMUCOSA), independente se o “N” está acometido. Ou seja, o CA gástrico precoce pode, ou não, ser submetido a ressecção endoscópica. 10.1. Linfoma Gástrico Epidemiologia: - É a SEGUNDA NEOPLASIA MAIS COMUM DO ESTÔMAGO (~ 3%) - Representa o LOCAL EXTRANODAL (fora dos linfonodos) MAIS COMUM DOS LINFOMAS - Principal fator de risco: INFECÇÃO POR H. PYLORI predispõe ao LINFOMA MALT (linfoma do tecido linfoide associado a mucosa) - Doenças autoimunes relacionadas ao linfoma MALT: LES, SJOGREN, HASHIMOTO, POLICONDRITE RECIDIVANTE Quadro Clínico: - DESCONFORTO EPIGÁSTRICO - ANOREXIA, SACIEDADE PRECOCE - HEMORRAGIA DIGESTIVA - SINTOMAS B: FEBRE, SUDORESE NOTURNA, PERDA DE PESO (presentes em ~ 10% dos casos). Perceba que são sintomas inespecíficos! Somente com os sintomas constitucionais, fica difícil o diagnóstico! Agora... Se aparecer os sintomas B, já podemos aumentar a suspeita! Diagnóstico: - EDA + BIÓPSIA COM AVALIAÇÃO HISTOPATOLÓGICA De uma forma geral, é difícil diferenciar do adenocarcinoma. Por isso é importante a biópsia! Quais as possibilidades diagnósticas? Os mais comuns são: (1) LINFOMA MALT (relação bem estabelecida com H. pylori) (2) LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B (sem relação estabelecida com H. pylori) Estadiamento: - TC/RNM TÓRAX, ABDOME, PELVE OU PET-SCAN - BIÓPSIA DE MEDULA ÓSSEA: é restrito ao estômago? Localizado? Já se espalhou? TRATAMENTO: LINFOMA MALT - ERRADICAÇÃO DO H. PYLORI: atinge a cura do linfoma em até 80% dos casos - EDA SERIADA DE CONTROLE SEMESTRAL POR 2 ANOS (depois disso, se duas EDAS com biópsia negativa, pode suspender o controle) - SE DOENÇA AVANÇADA (DISSEMINAÇÃO ACIMA DO DIAFRAGMA): acrescenta QT COM RITUXIMABE LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS B - QUIMIOTERAPIA COM R-CHOP (rituximabe, ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) - CIRURGIA no caso de COMPLICAÇÕES (ex: perfuração) 10.2. GIST Conceitos Iniciais: - TUMOR MESENQUIMAL CÉLULAS INTERSTICIAIS DE CAJAL - Locais mais comuns: ESTÔMAGO (60-70%) > DELGADO > CÓLON O que aparece em prova é o GIST gástrico! - Marcadores: CD-117 (ou C-KIT) POSITIVO. Outros: CD-34 e PDGF Diagnóstico: - ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA! - BIÓPSIA somente se IRRESSECÁVEL OU METÁSTASE Cuidado que aqui é diferente! Aqui, a princípio, não se faz biópsia! - TC/USG ENDOSCÓPICO para avaliar a EXTENSÃO INTRAMURAL Tratamento: (1) RESSECÇÃO DA LESÃO COM MARGEM DE SEGURANÇA Se > 2cm ou sintomático: ressecção com margem SEM LINFADENECTOMIA. Aqui que geralmente está a maldade de prova! Quando há metástase, costuma ser hematogênica e não linfática! Se < 2cm: ACOMPANHAMENTO COM EDA SE ASSINTOMÁTICO (se sintomático: ressecção com margem sem linfadenectomia) Se < 2cm, PORÉM irregular, ulcerado e heterogêneo: ressecção com margem sem linfadenectomia (2) IMATINIBE (“GLEVEEC”) Se METÁSTASE Se RECORRÊNCIA Se RISCO MODERADO OU ALTO DE RECORRÊNCIA < 5cm e 6-10 mitoses ou 5-10cm e > 5 mitoses > 5cm e > 5 mitores ou > 10cm ou > 10 mitoses (3) NEOADJUVÂNCIA COM IMATINIBE Se IRRESSECÁVEL 11. Pólipos Intestinais e CA Colorretal Pólipos Intestinais Classificação: - Podem ser “isolados” ou fazendo parte de uma “síndrome polipose” - Podem ser “pedunculados” ou “sésseis” (pior prognóstico) - Podem ser “neoplásicos” ou “não neoplásicos” NEOPLÁSICOS: maligno (adenocarcinoma) ou benigno (adenoma) NÃO NEOPLÁSICOS: hiperplásico, inflamatório, hamartoma O mais importante nesse contexto neoplásico é o ADENOMA que pode vir a se tornar um ADENOCARCINOMA. Dentro dos pólipos adenomatosos, quais as histologias possíveis? TUBULAR corresponde a 85% dos casos (melhor prognóstico) VILOSO pior prognóstico TUBULOVILOSO 53 Então, confere RISCO PARA SE TORNAR NEOPLASIA: tamanho > 2CM, adenoma VILOSO e presença de DISPLASIA DE ALTO GRAU Tratamento: - É sempre POLIPECTOMIA! Para dizermos que o paciente está “curado”, os seguintes pré-requisitos devem ser preenchidos: MARGENS LIVRES RESSECÇÃO TOTAL SEM “PEACEMEAL” (fragmentação do pólipo) isso é mais difícil nos pólipos sésseis ATÉ SUBMUCOSA passando disso, o risco de metástase linfática é alto! BEM DIFERENCIADO SEM INVASÃO ANGIOLINFÁTICA SEM “TUMOR BUDDING” (escape de células tumorais) Preenchendo todos esses critérios, podemos afirmar que o paciente está CURADO! E é só isso? Não... COLONOSCOPIA APÓS 3-5 ANOS deve ser realizada para ACOMPANHAMENTO! E se o pólipo for séssil ou tiver fragmentação (“peacemal”)? A colonoscopia deve ser feita mais precocemente, em 3-6 MESES. CA Colorretal Introdução: - Curável em grande parte dos casos - MUTAÇÃO NO GENE APC (adquirida ou hereditária) Adquirida: CÂNCER ESPORÁDICO (80%) Hereditário: PAF - História natural: ADENOMA > ADENOCARCINOMA - Fatores de risco: idoso, história familiar, DII, síndromes hereditárias, alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo... ESPORÁDICO (+ COMUM) - História familiar, idade elevada, tabagismo, alcoolismo, DII, dieta (carne vermelha, gordura, pouca fibra), hábitos de vida (sedentarismo, síndrome metabólica) HEREDITÁRIO ASSOCIADO A PÓLIPOS - Polipose adenomatosa familiar (PAF) e suas variantes HEREDITÁRIO NÃO-POLIPOSE - Síndrome de Lynch Clínica: “Crescimento lento e manifestações tardias (10 anos).” - Inicialmente, pode ser ASSINTOMÁTICO! - Cólon direito: MELENA, ANEMIA FERROPRIVA, MASSA PALPÁVEL, FEBRE - Cólon esquerdo: DIARREIA, CONSTIPAÇÃO - Reto: HEMATOQUEZIA, FEZES EM FITA, TENESMO, CONSTIPAÇÃO Diagnóstico: - COLONOSCOPIA + BIÓPSIA Obs: RETOSSIGMOIDOSCOPIA NÃO É SUFICIENTE PARA O DIAGNÓSTICO NÃO DETECTA TUMOR SINCRÔNICO. - CEA: ACOMPANHAMENTO/PROGNÓSTICO. Não dá diagnóstico! Estadiamento: - TC DE ABDOME: avalia metástase hepática e linfonodos - TC DE TÓRAX: solicitar se CEA > 10 - RESSONÂNCIA PÉLVICA/USG ENDOANAL TRANSRETAL: se acometimento reto (para avaliar T/N + avaliação de invasão de mesorreto) - PET-CT: se recorrente T e M: igual ao estômago! N1: 1-3 linfonodos N2: > 4 linfonodos Tratamento: É fundamental entender a divisão abaixo para escolhermos o tratamento correto! Cólon e Reto Alto - RESSECÇÃOCOM MARGEM (5cm) + LINFADENECTOMIA (12 linfonodos) - QT ADJUVANTE: se T3/T4, N + (ou insuficiente), indiferenciado ou pouco diferenciado, com complicação (perfuração, obstrução) ou margens comprometidas. Reto Médio e Baixo - RESSECÇÃO COM MARGEM de 2cm (se reto baixo) - Realizar a EXCISÃO TOTAL DO MESORRETO (ETM) - Sem acometimento de esfíncter: ressecção anterior do reto (RAR) ou ressecção abdominal baixa (RAB) - Com acometimento de esfíncter: ressecção abdominoperineal (RAP ou CIRURGIA DE MILLES) - QT/RT NEOADJUVANTE: se T3/T4, N+ (ou seja, invasão de mesorreto); invasão de esfíncter, lesão circunferencial, invasão linfovascular. A neoadjuvância visa reduzir o tamanho do tumor para tentarmos poupar o esfíncter do paciente “DOWNSTAGE” (ou seja, evitar a ressecção abdominoperineal). IMPORTANTE! Tradicionalmente, por mais que a neoadjuvância consiga reduzir o tumor por completo (fazê-lo “desaparecer”), ainda assim, se indica a cirurgia. Mas isso tem mudado... Vamos ver! Atualmente, alguns estudos indicam que se a “TERAPIA NEOADJUVANTE TOTAL (TNT)” gerar RESPOSTA CLÍNICA COMPLETA, podemos adotar a estratégia de “WATCH AND WAIT” (acompanhamento periódico com colonoscopia). - Avançado: PALIAÇÃO Observação muito importante! Em CA DE CÓLON E RETO, PODEMOS RESSECAR METÁSTASE nas seguintes condições: - No FÍGADO: se até 3 lesões unilobares. - No PULMÃO E PERITÔNIO: se sem outras metástases. É claro que existem outras condições que devem ser avaliadas, mas essas são as principais! ATENÇÃO! - Tumores altos (1/3 médio e superior) drenagem para veia porta - Tumores baixos drenagem pelas ilíacas > cava - Tumores de RETO possuem maior risco de invasão de outros órgãos por contiguidade (contato próximo com sacro, parede pélvica, próstata, bexiga e outros). RETO MÉDIO E BAIXO - < 10-12cm da margem anal - “Lesão tocável” RETO ALTO - > 10-12cm da margem anal - “Lesão não tocável” 54 Síndromes Hereditárias Polipose Adenomatosa Familiar - > 100 PÓLIPOS ADENOMATOSOS + HISTÓRIA FAMILIAR - Presença do GENE APC MUTANTE - Herança AUTOSSÔMICA DOMINANTE - Clínica: CA COLORRETAL < 20 ANOS (risco de câncer = 100%) - 70-75% podem apresentar RETINITE PIGMENTOSA - Tratamento: PROCTOCOLECTOMIA TOTAL PROFILÁTICA + BOLSA ILEAL + RASTREIO com COLONOSCOPIA ANUAL (10-12 anos) - 2 variantes: GARDNER: PAF + DENTES EXTRANUMERÁRIOS, OSTEOMAS (MANDIBULARES E CRANIANOS), LIPOMA/CISTOS/TUMORES DERMOIDES TURCOT: PAF + TUMORES SNC (ex: MEDULOBLASTOMA, GLIOBLASTOMA...) - Rastreamento familiar: Peutz-Jeghers - Síndrome HAMARTOMATOSA - Mais em delgado/MANCHAS MELANÓTICAS em pele e mucosas - MUTAÇÃO STK11 - Clínica: INTUSSUSCEPÇÃO (DOR), MELENA E ANEMIA - RISCO BAIXO PARA CA DE CÓLON - Tratamento: SEGUIMENTO (COLONOSCOPIA 2-2 ANOS) Polipose Juvenil Familiar - Síndrome HAMARTOMATOSA - CRIANÇA + ANEMIA FERROPRIVA Síndrome De Lynch | HNPCC Não Polipoide Hereditária - Mutação: INSTABILIDADES MICROSSATÉLITES - Clínica: CA colorretal < 50 anos +/- endométrio, pâncreas e urológicas - Tratamento: COLECTOMIA TOTAL Critérios de Amsterdam: 1 caso de câncer < 50 anos 2 gerações consecutivas 3 ou mais familiares próximos acometidos (1º grau entre si) Não associada a polipose hereditária (PAF) LYNCH 1: somente COLORRETAL LYNCH 2: COLORRETAL + OUTROS (principalmente GINECOLÓGICO endométrio, ovário; estômago, pâncreas e trato urinário superior) Rastreamento: TODOS: > 50 ANOS (segundo a ACS [sociedade americana de cancerologia]: 45 anos) - PSOF anual - Retossigmoidoscopia 5-5 anos - Colonoscopia virtual 5-5 anos - Colonoscopia 10-10 anos (melhor!) - Se história familiar positiva: começar com > 40 anos ou 10 anos antes do aparecimento do CA no parente. LYNCH/HNPCC: > 21-40 ANOS - 21-40 anos: colonoscopia 2-2 anos - > 40 anos: colonoscopia anual PAAF: > 10-12 ANOS - Colonoscopia anual até 35-40 anos Síndrome de Cowden - SÍNDROME HAMARTOMATOSA (rara) - Os pacientes manifestam MÚLTIPLOS HAMARTOMAS BENIGNOS dos 3 tipos de tecidos: ectoderma, mesoderma e endoderma. - A transmissão autossômica dominante, 85% dos pacientes apresentam mutação no gene supressor de tumor PTEN. Costuma se apresentar na adolescência e em adultos jovens. - Achados: PAPILOMAS HIPERQUERATÓTICOS NOS LÁBIOS, LÍNGUA E NARINAS são os achados extraintestinais mais comuns. Os marcadores mais importantes da síndrome são os ACHADOS MUCOCUTÂNEOS e a MACROCEFALIA. Os achados patognomônicos são: trichilemmomas (PÁPULAS VERRUCÓIDES ASSINTOMÁTICAS), PAPILOMAS NAS CAVIDADES MUCOSAS, QUERATOSE ACRAL NAS MÃOS E PÉS, doença de Lhermitte-Duclos (GANGLIOCITOMA DISPLÁSICO DO CEREBELO), os quais são menos frequentes na infância que em adultos. - O tratamento depende da localização do hamartoma. Síndrome de Cronkite-Canadá - É uma SÍNDROME DE POLIPOSE NÃO HEREDITÁRIA INTESTINAL - Trata-se de uma condição rara, que afeta predominantemente IDOSOS (> 50-60 anos), descendentes de japoneses, caracterizada pela presença de HAMARTOMAS NO ESTÔMAGO, DELGADO E CÓLON, associados à ALOPECIA, DISTROFIA UNGUEAL E HIPERPIGMENTAÇÃO CUTÂNEA. DIARREIA é um sintoma proeminente. A cirurgia se encontra reservada para complicações do pólipo, como obstrução. O prognóstico é péssimo. Legenda: (A) HIPERPIGMENTAÇÃO CUTÂNEA E ALOPECIA; (B/C/E) ONICODISTROFIA; (D) HIPERPIGMENTAÇÃO E EDEMA DE MEMBROS INFERIORES. IMPORTANTE! NÃO ESQUEÇA! PÓLIPOS SUGESTIVOS DE MALIGNIDADE: VILOSO > 2CM DISPLASIA GRAVE Imagem: Universidade do Estado de New York (Dulce M Barros e colaboradores) Imagens: Zhao Y, Lv F, Yang X, Wang Y, Zhang S e Li P (2022) Positivo (Portador +) Teste Genético (mutação APC) no portador de PAF Negativo (Portador -) Teste Genético em todos os familiares > 10-12 anos em risco Negativo = nenhuma medida adicional Positivo = Retossigmoidoscopia > 10- 12 anos até 35-40 anos + EDA a cada 1-3 anos a partir dos 20-25 anos Se não for possível fazer o teste 55 12. Câncer de Pâncreas Tipo: - ADENOCARCINOMA DUCTAL (90%) Perfil: - HOMEM, NEGRO, IDOSO, TABAGISTA Clínica: - DOR ABDOMINAL + EMAGRECIMENTO + ICTERÍCIA - SÍNDROME DE TROSSEAU: tromboflebite migratória - DIABETES (súbito e fora da faixa etária) - VIRCHOW - DERMATOMIOSITE Trosseau, Virchow e dermatomiosite podem estar presentes, de forma semelhante ao CA de estômago. - Se cabeça (+ comum): SÍNDROME COLESTÁTICA + SINAL DE COURVOISIER (vesícula palpável e indolor) - Se corpo: PERDA PONDERAL + DOR ABDOMINAL são predominantes Diagnóstico: - TC DE ABDOME COM CONTRASTE - Não há necessidade de biópsia (TC é suficiente) - Acompanhamento/Prognóstico: CA-19.9 Tratamento: Se não tem invasão vascular/metástase: - CIRURGIA: não pode ter metástase nem invasão vascular (tronco celíaco, A. mesentérica superior) Cabeça: DUODENOPANCREATECTOMIA (WHIPPLE) Corpo: PANCREATECTOMIA DISTAL + ESPLENECTOMIA Se tem invasão vascular “boderline” (limite entre o curativo e o paliativo)/sem metástase: - QT/RT NEOADJUVANTE + CIRURGIA Indicações... Como funciona essa invasão vascular “boderline”? < 180° de invasão de artéria mesentérica superior ou tronco celíaco > 180° de invasão de veia mesentérica superior ou veia porta Se tem invasão vascular (> 180º em AMS, tronco celíaco)/metástase/falha terapêutica: - PALIAÇÃO (ex: STENT NO COLÉDOCO, DERIVAÇÃO BILIODIGESTIVA, etc) Tumores Neuroendócrinos do Pâncreas Classificação (OMS 2019): Antigamente, pensava-se que todos os tumores BEM DIFERENCIADOS eram benignos e os POUCO DIFERENCIADOS eram malignos... Atualmente sabemos que não é mais assim... Além desse fator, precisamos utilizar como critério alguns ÍNDICES PROLIFERATIVOS CELULARES para avaliar o grau de malignidade do tumor! TIPO DE CÉLULA TAXA MITÓTICA ÍNDICE Ki-67 GRAU BEM DIFERENCIADO < 2 por campo de aumento < 3% Baixo (G1) “benigno” 2-20 por campo de aumento 3-20% Intermediário (G2) “benigno” > 20 por campo de aumento > 20% Alto (G3) “maligno”*Perceba aqui que um tumor, mesmo que bem diferenciado, pode ter alto grau de malignidade! POUCO DIFERENCIADO > 20 por campo de aumento > 20% Alto “maligno” Panorama Geral: TIPO MALIGNIDADE CARACTERÍSTICAS INSULINOMA < 10% TRÍADE DE WHIPLE (hipoglicemia laboratorial, sintomas de hipoglicemia, reversão após administração de glicose) VIPOMA 40-70% SÍNDROME DE VERNER- MORRISON (diarreia, hipocloridria, hipocalemia) GLUCAGONOMA 50-80% SÍNDROME “4D” (diabetes, diarreia, dermatite com eritema necrolítico migratório, deep vein trombosis) SOMATOSTATINOMA > 70% SÍNDROME “INIBITÓRIA” (hiperglicemia + esteatorreia + colelitíase) GASTRINOMA 60-90% SÍNDROME DE ZOLLINGER- ELLISON (já visto em “doenças do estômago”) Insulinoma Clínica: TRÍADE DE WHIPLE (1) SINTOMAS DE HIPOGLICEMIA ADRENÉRGICOS + NEUROGLICOPÊNICOS (PALPITAÇÕES, SUORESE, TREMOR + REBAIXAMENTO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA, CONVULSÕES, ETC) (2) GLICEMIA BAIXA (3) REVERSIBILIDADE APÓS ADMINISTRAÇÃO DE GLICOSE Diagnóstico: (1) TESTE DE JEJUM DE 72H (padrão-ouro para diagnóstico) Glicemia BAIXA (< 40) Insulina ALTA (> 6) Peptídeo C ALTO (> 200) (2) EXAMES DE IMAGEM CONVENCIONAIS (US, TC ou RNM) Limitação: a maioria dos tumores são PEQUENOS (< 2cm), SOLITÁRIOS e BENIGNOS difíceis de se encontrar nestes exames convencionais. (3) OCTREOSCAN/PET-CT COM GALIO-DOTATATE Tratamento: (1) CIRURGIA! ENUCLEAÇÃO (SE TUMOR < 2CM, LONGE DO DUCTO PANCREÁTICO PRINCIPAL) PANCREATECTOMIA CORPO-CAUDAL OU WHIPPLE (SE TUMOR > 2CM OU EM CONTATO DOM O DUCTO) (2) Se necessário CONTROLE DOS SINTOMAS enquanto aguarda a cirurgia... DIAZÓXIDO (não disponível no Brasil, atua como um inibidor da produção de insulina) ANÁLOGOS DE SOMASTOTATINA (lembre que os tumores têm receptores para somastotatina) BLOQUEADORES DO CANAL DE CÁLCIO (pouco usado, mas estudos garantem algum benefício) 56 VIPoma Clínica: - SÍNDROME VERNER-MORRISON DIARREIA SECRETÓRIA (MUITO INTENSA) + HIPOCLORIDRIA E HIPOCALEMIA VIP significa “peptídeo intestinal vasoativo”. Dessa forma, conseguimos entender os componentes dessa síndrome! Diagnóstico: - DIARREIA AQUOSA DE PADRÃO SECRETÓRIO (COM ELEVAÇÃO DE ELETRÓLITOS | GAP OSMOLAR BAIXO (< 50) - Dosagem de VIP PLASMÁTICO AUMENTADO - IMAGEM: mesmo esquema do insulinoma! Aqui, os tumores costumam ser GRANDES (> 3cm) e GERALMENTE MALIGNOS! Tratamento: - REPOSIÇÃO VOLÊMICA E ELETROLÍTICA - CIRURGIA (SE POSSÍVEL ausência de metástases, etc) - CONTROLE DOS SINTOMAS COM ANÁLOGOS DE SOMATOSTATINA Glucagonoma Clínica: 4 D’s DIABETES DIARREIA DERMATITE (ERITEMA NECROLÍTICO MIGRATÓRIO) é o que mais costuma aparecer em prova DEEP VEIN TROMBOSIS (TVP) Diagnóstico: - GLUCAGON SÉRICO ALTO (> 500-1000) - IMAGEM: mesmo esquema dos anteriores! Aqui, os tumores costumam ser GRANDES (> 3CM), SOLITÁRIOS E GERALMENTE MALIGNOS! Perceba que, a exceção do insulinoma, o restante tem essas características! Tratamento: - CIRURGIA (SE POSSÍVEL ausência de metástases, etc) - CONTROLE DOS SINTOMAS COM ANÁLOGOS DE SOMATOSTATINA Somatostatinoma Clínica: Lembre... A SOMATOSTATINA INIBE! Inibe insulina, glucagon, GH, TSH, hormônios do TGI... Mas quais os mais relevantes? INSULINA = HIPERGLICEMIA HORMÔNIOS DO TRATO GASTROINTESTINAL = ESTEATORREIA E COLELITÍASE (pela inibição da CCK) Então, a tríade clássica é HIPERGLICEMIA + ESTEATORREIA + COLELITÍASE Diagnóstico: - DOSAGEM SÉRICA DE SOMATOSTATINA ALTA (> 160) - IMAGEM: mesmo esquema das anteriores Assim como os anteriores, o somatostatinoma também costuma ser GRANDE (> 3CM), SOLITÁRIO E GERALMENTE MALIGNO! Tratamento: - CIRURGIA (SE POSSÍVEL ausência de metástases, etc) - CONTROLE DOS SINTOMAS COM ANÁLOGOS DE SOMATOSTATINA Controverso, né? Um paciente com somatostatinoma e o tratamento é com um análogo de somatostatina? Isso mesmo! Por estranho que pareça, quando fazemos um análogo de somatostatina, inibimos a produção de somatostatina pelo tumor... Confuso, mas é isso mesmo! Tumores Císticos do Pâncreas – Resumão! CISTO ADENOMA SEROSO CISTO ADENOMA MUCINOSO (tumor cístico + comum) NEOPLASIA MUCINOSA PAPILAR INTRADUCTAL (IPMN) TU. SÓLIDO- CÍSTICO PSEUDOPAPILAR (ou TUMOR DE FRANTZ) M > H (4:1) M >> H (10:1) M = H MULHER JOVEM Todo o pâncreas Corpo/cauda Cabeça Corpo/cauda Não comunica com ductos Em geral não comunica com ductos. Raro COMUNICA COM DUCTOS! SAI MUCO PELA PAPILA! Pode obstruir ducto e causar pancreatite! - Maioria assintomática EFEITO DE MASSA Maioria assintomática É MALIGNO! CÂNCER! Maioria assintomática PANCREATITE (fique atento para casos em que não se encontra a causa...) Maioria assintomática DOR! Imagem: múltiplos microcistos que juntos formam uma imagem GRANDE semelhante a um favo de mel Imagem: unilocular ou septado (com SEPTOS GROSSEIROS) Imagem: DILATAÇÃO do ducto Imagem: massas sólidas ou císticas (tumor HETEROGÊNEO) Mucina NEGATIVA Mucina Positiva Mucina Positiva - Amilase Baixa Amilase Baixa Amilase ALTA - CEA BAIXO CEA Alto CEA Alto - Malignidade: BAIXA Malignidade: Alta Malignidade: Alta Malignidade: Alta Tratamento: Benigno. Tratamento conservador. Cirurgia se complicar. Tratamento: Pancreatectomia Tratamento: IPMN Ducto principal = Pancreatectomia IPMN Ducto secundário = Pancreatectomia se ducto principal > 1cm, nódulo mural > 5mm ou icterícia na IPMN de cabeça do pâncreas Tratamento: Pancreatectomia 13. Tumores de Mediastino MEDIASTINO ANTEROSSUPERIOR 1) TIMOMA (MAIS COMUM DE TODOS) 2) TERATOMA 3) TIREOIDE 4) TERRÍVEL LINFOMA (SEGUNDO MAIS COMUM DE TODOS) MEDIASTINO MÉDIO 1) CISTO BRONCOGÊNICO (MAIS COMUM DO MEDIASTINO MÉDIO) 2) LINFOMA 3) CISTO PERICÁRDICO 4) CISTO ENTÉRICO MEDIASTINO POSTERIOR 1) TUMORES NEUROGÊNICOS (SCHWANNOMA (!), NEUROFIBROMA) 2) LINFOMA Imagem: ECHENIQUE-ELIZONDO, M; MARTINEZ DE LIZARDUY, I. 57 14. Tumores Hepáticos Tipos Malignos - Metástase - Hepatocarcinoma Benignos - Adenoma - Hemangioma (+comum) - Hiperplasia nodular focal Diagnóstico de Tumores Benignos TC dinâmica (trifásica) - Fase sem contraste: aorta sem contraste - Fase arterial: aorta e tumor com contraste - Fase portal: tumor com contraste - Fase de equilíbrio: tumor com pouco contraste - Avaliar fase arterial: hemangioma Fase arterial: captação arterial periférica (tem mais contraste na periferia da flexão) Fase portal: captação porta centrípeta (contraste marca o centro) - Wash out (lavar: tumor aparece e some rapidamente) Fase arterial: tumor com contraste Fase portal: tumor sem contraste É característico de tumores muito vascularizados, com características malignas Tumores Benignos Adenoma - Associação com ACO - RISCO DE RUPTURA E MALIGNIZAÇÃO - Tratamento: RESSECÇÃO - TC trifásica: captação arterial HETEROGÊNEA (“WASH OUT”) Hemangioma - Mais frequente - Tratamento EXPECTANTE (exceção: sintoma/crescimento) - Complicações: RISCO DE RUPTURA; SÍNDROME DE KASABACH- MERRIT (↓plaquetas, CIVD) - TC trifásica: CAPTAÇÃO ARTERIAL PERIFÉRICA Hiperplasia Nodular Focal - Segunda mais frequente - CICATRIZ CENTRAL - Tratamento: EXPECTANTE - TC trifásica: CAPTAÇÃO ARTERIAL EM RODA DE CARRUAGEM (“WASH OUT”) Hemangioma HNF Adenoma Perfil Mulher Mulher Mulher Jovem Vínculo 1º mais comum 2º mais comum ACO e anabolizante “Dor + Hipotensão”. Complicação - - Ruptura, sangramento, malignização. TC Trifásica Periférica Centrípeta Cicatriz central Hipercaptação heterogênea Fígado Normal Normal Normal Se cirrose: CA Conduta Acompanha Acompanha < 5: suspender ACO > 5: cirurgia Tumores Malignos Hepatocarcinoma - Fatores de risco: CIRROSE (!), HEPATITE B (pode evoluir para CHC sem passar por cirrose), HEPATITE C - Clínica: DOR HCD, ICTERÍCIA, EMAGRECIMENTO, HEPATOMEGALIA - Diagnóstico: ALFAFETOPROTEÍNA> 400 + TC DINÂMICA (WASHOUT) ou RNM Na TC trifásica: CAPTAÇÃO ARTERIAL (“WASH OUT”) Sem contraste: tumor não aparece FASE ARTERIAL: TUMOR APARECE Fase portal: tumor desaparece Tratamento: Lesão única + CHILD A: HEPATECTOMIA Se não for CHILD A, usar os CRITÉRIOS DE MILÃO: Lesão única < 5cm ou até 3 lesões < 3cm (Child B e C = refletem cirróticos descompensados): TRANSPLANTE Lesão irressecável: ABLAÇÃO, QUIMIOEMBOLIZAÇÃO, SORAFENIB Metástase: PALIATIVO OBSERVAÇÃO GERAL: QT e RT neoadjuvantes são feitas para órgãos EXTRAPERITONEAIS. Metástase - Tumor hepático maligno MAIS COMUM! - Diagnóstico: TC DINÂMICA com MÚLTIPLOS NÓDULOS HIPOCAPTANTES! - Sítios primários mais frequentes: CÓLON, PÂNCREAS, MAMA - Típico: MÚLTIPLOS NÓDULOS HIPOCAPTANTES DE TAMANHOS SEMELHANTES = bastante sugestivo de lesão metastática - Tratamento: Geral: PALIATIVO Colorretal ou tumor neuroendócrino: METASTASECTOMIA (“fazer desde que sobre quantidade de fígado viável, de acordo com a volumetria hepática”) Volumetria hepática: > 20-25%: se fígado normal > 30-40%: se pós-QT > 40%: se cirrose Child A ADENOMA HEMANGIOMA HIPERPLASIA NODULAR 58 15. CA Epidermoide de Canal Anal Fatores de Risco: - HPV, PROMISCUIDADE, CA DE VULVA E VAGINA (ÍNTIMA RELAÇÃO), TABAGISMO, HIV Características: - Se surgir próximo à linha denteada (epitélio de transição): subtipos BASALOIDE E CLOACOGÊNICO - “TUMOR BONZINHO”: poucas metástases (apenas 25% têm envolvimento linfonodal) - Estadiamento: avaliar linfonodos inguinais + TC tórax/abdome + RNM pelve Clínica: - MASSA ANAL + DOR + SANGRAMENTO + LINFADENOPATIA INGUINAL Conduta: - QT + RT EXCLUSIVAS (ESQUEMA NIGRO) - Se recorrência: MILES (RAP) 16. Tumores de Apêndice NEUROENDÓCRINO (CARCINOIDE) - Prevalência: é o tumor de apêndice mais comum (65% dos casos) - Clínica: maioria das vezes é achado incidental, mas pode evoluir com SÍNDROME CARCINOIDE = FLUSHING CUTÂNEO, DIARREIA, HEPATOESPLENOMEGALIA, LESÃO CARDÍACA DIREITA, ASMA ADENOCARCINOMA - Prevalência: raro - Clínica: maioria das vezes é achado incidental - Prognóstico: semelhante ao câncer colorretal TUMOR MUCINOSO (MUCOCELE DE APÊNDICE) - Prevalência: raro - Clínica: PSEUDOMIXOMA PERITONEAL. - Prognóstico: variável CONDUTA VAI DEPENDER DO MOMENTO EM QUE FOI ACHADO: INTRA OU PÓS- OPERATÓRIO? (1) Intraoperatório: - SE TAMANHO > 2CM OU LOCALIZAÇÃO EM BASE OU INVASÃO DE MESO- APÊNDICE: HEMICOLECTOMIA DIREITA - SE NÃO PREENCHER NENHUMA ACIMA: APENDICECTOMIA - SE MUCINA VISUALIZADA NA CAVIDADE OU ASCITE MUCINOSA: APENDICECTOMIA + LAVADO PERITONEAL + CITORREDUÇÃO + HIPEC (hiper-termo-quimioterapia-intraperitoneal) (2) Pós-operatório: vai depender do histopatológico... - ADENOCARCINOMA: HEMICOLECTOMIA DIREITA + LINFADENECTOMIA +/- QT ADJUVANTE. - NEUROENDÓCRINO: COM TAMANHO > 2CM OU INVASÃO LINFOVASCULAR OU INVASÃO DE MESO-APÊNDICE: HEMICOLECTOMIA DIREITA SE NÃO PREENCHER NENHUM ACIMA: APENDICECTOMIA - TUMOR MUCINOSO: ALTO GRAU: HEMICOLECTOMIA DIREITA + CITORREDUÇÃO + HIPEC +/- QT BAIXO GRAU: COM MARGENS LIVRES OU TAMANHO > 2CM OU LOCALIAZAÇÃO EM BASE OU INVASÃO DE MESO- APÊNDICE: HEMICOLECTOMIA DIREITA SE NÃO PREENCHER NENHUM ACIMA: APENDICECTOMIA 17. Sarcomas Sarcomas de Partes Moles Localização: - Mais comum: EXTREMIDADES (60%), principalmente as PROXIMAIS, sendo + comum as COXAS. - Outro mais comum: TRONCO (19%) - O sarcoma de retroperitônio representa 15% dos sarcomas. Melhor Exame para Visualização: - Extremidades: RESSONÂNCIA MAGNÉTICA - Tronco: TOMOGRAFIA - Retroperitônio: TOMOGRAFIA Tipos Histológicos Mais comuns: - Adulto: LIPOSSARCOMA - Infância: RABSOMIOSSARCOMA ALVEOLAR Causa de Morte: - METÁSTASE PULMONAR (é fundamental a realização de TC DE TÓRAX no estadiamento para avaliação) Diagnóstico: - PUNÇÃO COM AGULHA GROSSA (CORE BIOPSY) para LESÕES > 5 CENTÍMETROS OU PROFUNDAS. Na impossibilidade de core biopsy, fazer biópsia incisional. Tratamento: - RESSECÇÃO RADICAL DO TUMOR COM MARGEM DE 1-2 CENTÍMETROS). Não é necessária a amputação do membro acometido, como era realizado antigamente. - RT/QT ADJUVANTE, se tumor > 5 CENTÍMETROS, DE ALTO GRAU OU AVANÇADO Sarcoma de Retroperitônio Diagnóstico Diferencial: - “Massaroca” no retroperitônio pode ser: LINFOMA (a dosagem de LDH ajuda no diferencial), TUMOR DE CÉLULAS GERMINATIVAS (a dosagem de beta-HCG ou alfafetoproteína ajuda no diferencial) ou SARCOMA. Tipo Histológico Mais Comum: - LIPOSSARCOMA. Em segundo lugar: leiomiossarcoma Diagnóstico: - NÃO SE FAZ BIÓPSIA DE SARCOMA DE RETROPERITÔNIO! - O diagnóstico é feito com TOMOGRAFIA DE ABDOME Tratamento: - RESSECÇÃO CIRÚRGICA EM BLOCO (“tumor + estrutura que está sendo invadida”). - Resposta ruim a RT/QT adjuvante. Recorrência: - ALTA. Novas ressecções geralmente são necessárias. Tumor Desmoide - Comportamento LOCALMENTE AGRESSIVO - Localização: EXTREMIDADES > TRONCO > CICATRIZES - Fatores de risco: GESTANTES, SÍNDROME DE GARDNER (PAF) - Diagnóstico: CORE BIOPSY OU INCISIONAL - Tratamento: RESSECÇÃO CIRÚRGICA 59 1. Dor Lombar Musculoesquelética: > 95% Visceral (rins, vias urinárias): 2% Neoplasia: < 1% Osteoartrose Conceitos: - DOENÇA DEGENERATIVA ARTICULAR “Destruição da cartilagem articular lesão subcondral osteófitos” - Paciente clássica: MULHER IDOSA, COM SOBREPESO Clínica: - Dor que MELHORA com o REPOUSO (AR: permanece no repouso) E PIORA COM MOVIMENTO - RIGIDEZ pós-repouso MENOR QUE 30 MINUTOS (AR: > 1 hora) - REDUÇÃO DA AMPLITUDE DO MOVIMENTO - SEM manifestações sistêmicas (AR: com manifestações sistêmicas) - EXAMES NORMAIS (VHS, FR, hemograma) - Dor UNIarticular no início, PROGRESSIVA Quais as articulações mais acometidas? - COLUNA CERVICAL E LOMBAR (zigoapofisárias), QUADRIL, JOELHO, INTERFALANGEANAS - ACOMETE IFD (AR: poupa IFD) - Em mãos: HEBERDEN (IFD/mais comuns) e BOUCHARD (IFP) Radiografia: - REDUÇÃO DO ESPAÇO ARTICULAR - OSTEÓFITOS (proeminências ósseas na borda da articulação) - ESCLEROSE SUBCONDRAL (acentuação da hipotransparência abaixo da cartilagem que foi destruída) Diagnóstico: - SINAIS RADIOLÓGICOS + CLÍNICA - LÍQUIDO ARTICULAR NÃO INFLAMATÓRIO IMPORTANTE: A CLÍNICA NÃO ACOMPANHA O ACHADO RADIOGRÁFICO! Pode haver várias manifestações radiológicas e a clínica ser pobre, e vice-versa. ATENÇÃO! OA COM FR POSITIVO, CONTINUAR PENSANDO EM OA, pois ATÉ 20% DOS IDOSOS TÊM FR POSITIVO EM BAIXOS TÍTULOS. Tratamento: - FISIOTERAPIA + PERDA DE PESO - SINTOMÁTICOS: AINES, CREME DE CAPSAICINA, DULOXETINA - Outros: CORTICOIDE INTRA-ARTICULAR, ARTROSCOPIA, CIRURGIA Lombalgia Idiopática (Mecânica) - “Espasmo doloroso muscular” - PRINCIPAL CAUSA DE DOR LOMBAR (70-75%) - Dor lombar que RARAMENTE IRRADIA, PODE SER SÚBITA - DURA EM MÉDIA 3-4 DIAS - DIAGNÓSTICO DE EXCLUSÃO - Tratamento com REPOUSO E SINTOMÁTICOS Hérnia de Disco Conceitos: - HERNIAÇÃO DO NÚCLEO PULPOSO pela parte póstero- lateral do disco intervertebral e podendo gerar compressão de nervo periférico - Local mais comum: L4-L5 e L5-S1 Clínica: - LOMBOCIATALGIA (“dor lombar que irradia”) - Por “cutucar” o nervo periférico: ↓FORÇA, SENSIBILIDADE, REFLEXOS DOR FRAQUEZA REFLEXO C5 Ombro e face anterior braço Deltoide e bíceps Bicepital C6 Face lateral braço e antebraço Bíceps e braquiorradial Braquirradial C7 Posterior braço e antebraço Tríceps Triceptal L4 Face anterior coxa e perna Quadríceps Patelar L5 Face lateral coxa e perna Dorsiflexão pé - S1 Face posterior coxa e perna Flexão plantar Aquileu Dor Lombar @ casalmedresumos Imagem: rsaude.com.br Imagem: clinicacotaporangas.com.br Imagem: Netter Imagem: researchgate.net 60 ATENÇÃO! - Hérnia de disco + reflexos em MMII preservados: HÉRNIA DE L5! ATENÇÃO! - NEM SEMPRE O NÍVEL DE HERNIAÇÃO É CONDIZENTE COM A RAIZ ENVOLVIDA (ex: raiz de L5 pode estar comprometida em L3, L4...) ATENÇÃO! - SINAL DE LASÉGUE POSITIVO (se cruzado: mais específico)Não importa o lado do membro que você levante, é o membro doente que vai doer (lembre que se for cruzado, é mais específico). E, cuidado! No laségue meníngeo, doem as duas! - PARA AS HÉRNIAS CERVICAIS: TESTE DE SPURLING POSITIVO: consiste em 3 etapas (é positivo se a dor interromper qualquer um destes): extensão do pescoço, flexão para o lado da dor ou pressão com as mãos “empurrando” a cabeça do paciente para baixo) Diagnóstico: - RNM (melhor método/mais sensível) Tratamento: - REPOUSO RELATIVO - ANALGÉSICO/AINE > CORTICOIDE Indicações de Cirurgia: - REFRATÁRIO AO TRATAMENTO CLÍNICO (> 6-8 semanas) - PIORA SINTOMÁTICA - SÍNDROME DA CAUDA EQUINA: anestesia em sela, incontinência urinária paradoxal (por transbordamento), incontinência fecal, paraparesia incompleta de membros inferiores, reflexo bulbocavernoso. É uma “constelação neurológica” - DÉFICIT MOTOR: fraqueza (sinal de compressão de raiz nervosa) - INCONTINÊNCIA FECAL/URINÁRIA (compressão de nervos autonômicos) Qual a técnica? - LAMINECTOMIA PARCIAL + EXCISÃO DO DISCO HERNIADO = é uma cirurgia SINTOMÁTICA e que não resolve o problema (tem que manter fisioterapia, fortalecimento muscular, etc) Espondilite Anquilosante Conceitos: - ENTESITE ASCENDENTE (coluna vertebral) que SEMPRE começa com uma SACROILEÍTE (!), típica de HOMENS JOVENS (média de 23 anos). Clínica: - LOMBALGIA + RIGIDEZ MATINAL - MELHORA COM ATIVIDADE FÍSICA, piora com o frio e inatividade física (é uma lombalgia inflamatória) - POSIÇÃO DO ESQUIADOR (coluna rígida, em bambu) - UVEÍTE ANTERIOR (manifestação extra-articular mais comum) - SINOVITE, ENTESITE DE OUTRAS ARTICULAÇÕES Diagnóstico: - Manobra semiológica: SCHOBER POSITIVO (útil para acompanhamento) Você marca um ponto na apófise espinhosa de L5 e outro 10cm acima e depois pede para o paciente se curvar. Caso o paciente não ultrapasse 15cm nessa marcação, o teste é positivo - Critérios: CLÍNICA (> 3 meses) + SACROILEÍTE (obrigatório) + SINDESMÓFITOS (imagem = RNM/TC/RX) - Laboratório: HLA-B27 POSITIVO (90%) FR E ANTI-CCP NEGATIVOS Tratamento: - FISIOTERAPIA, PARAR DE FUMAR, AINES (não mudam a história natural) - ANTI-TNF-ALFA (inflixmab = caro/pode levar à imunossupressão) - ANTI-IL17 (secuquinumabe) - EVITAR CORTICOIDE! Imagem: saudebemestar.pt Imagem: drmichelkanas.com.br Imagem: rb.org.br | Cristiano Montandon 61 Mieloma Múltiplo Conceitos: É a neoplasia hematológica que mais aparece em prova! - É um tumor de PLASMÓCITOS/LINFÓCITOS B MODIFICADOS que produz EXCESSO DE IMUNOGLOBULINA (ANTICORPO/GAMAGLOBULINA) Como descobrir esse excesso? - Através da ELETROFORESE DE PROTEÍNAS! - Será identificado proteínas com PICO FRAÇÃO GAMA (COMPONENTE M OU PARAPROTEÍNA), MONOCLONAL, COM BASE ESTREITA Clínica - Paciente mais típico: HOMEM, IDOSO, NEGRO - ANEMIA (invasão da medula e doença inflamatória crônica) - Lesão óssea LÍTICA (ativação de osteoclastos) que POUPA PEDÍCULO ATENÇÃO! São 3 principais cânceres que promovem lesão LÍTICA = PULMÃO, MAMA e MIELOMA MÚLTIPLO. Pulmão e mama, entretanto, também podem gerar lesão blástica. - FA E CINTILOGRAFIA NORMAIS (paradoxo, por causa da lesão óssea) - HIPERCALCEMIA (pelas lesões líticas) - INSUFICIÊNCIA RENAL (vários mecanismos possíveis) CADEIA LEVE (BENCE-JONES) = lesão tubular renal ÁCIDO ÚRICO = lesão tubular renal (“tipo síndrome de lise tumoral”) NEFROCALCINOSE AMILOIDOSE (vem com síndrome nefrótica, macroglossia e ICC associadas) - Outros: VHS AUMENTADO, (“ROULEAUX”), COMPRESSÃO MEDULAR, PREDISPOSIÇÃO A INFECÇÕES SECUNDÁRIAS (principalmente pneumococo) Diagnóstico - Critério 1: > 10% DE PLASMÓCITOS OU PLASMOCITOMA + - Critério 2: PELO MENOS 1 CARO OU PRESENÇA DE “BIOMARCADOR” > 60% DE PLASMÓCITOS NA MEDULA ÓSSEA Relação cadeias leves envolvidas/não envolvidas > 100 Presença de > 1 lesão focal na RNM ATENÇÃO! - Mieloma indolente/latente (assintomático): > 10% DE PLASMÓCITO + COMPONENTE M, MAS SEM CARO - Mieloma não secretor: > 10% DE PLASMÓCITOS + CARO, MAS SEM COMPONENTE M Estadiamento: - BETA-2-MICROGLOBULINA (principal fator PROGNÓSTICO quanto maior, pior o prognóstico) - ALBUMINA (quanto menor, pior o prognóstico) Tratamento: - QUIMIOTERAPIA COM IMUNOMODULADOR (lenalidomida, bortezomib) + GLICOCORTICOIDE EM DOSES ALTAS - Não há tratamento curativo - TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE MO: < 76 anos com boa resposta a QT Só para completar... Macroglobulinemia de Waldenstrom - Clínica: síndrome de HIPERVISCOSIDADE (cefaleia, vertigem, alterações visuais, confusão mental, sangramento gengival, hemorragia retiniana, epistaxe) - AUSÊNCIA DE CARO - Tratamento: PLASMAFÉRESE para hiperviscosidade e RITUXIMAB para Waldenstrom Lembre que MIELOMA MÚLTIPLO É C-A-R-O! C: calcemia ↑↑ A: anemia R: rins (↓função renal) O: osso (lesões líticas) Imagem: researchgate.net LESÕES LÍTICAS FENÔMENO DE ROULEAUX Laboratório de mieloma + CARO = MIELOMA. Laboratório de mieloma + hiperviscosidade = WALDENSTROM. Laboratório de mieloma + POEMS = MIELOMA OSTEOESCLERÓTICO. Laboratório de mieloma + sem clínica = MIELOMA INDOLENTE (SMOLDERING). Laboratório de mieloma + sem pico monoclonal = MIELOMA NÃO- SECRETOR ou OLIGOSSECRETOR. Sem laboratório de mieloma + sem clínica + pico monoclonal com componente M < 3g/dl = GAMOPATIA MONOCLONAL DE SIGNIFICADO INDETERMINADO. 62 Nefrolitíase Tipos de Cálculos: - OXALATO DE CÁLCIO (70-80%) HIPERCALCIÚRIA IDIOPÁTICA - ESTRUVITA (10-20%) CORALIFORME = muito grande! FOSFATO DE AMÔNIO MAGNESIANO ITU POR PRODUTORES DE UREASE (pH > 6,0) - ÁCIDO ÚRICO (5-10%) HIPERURICOSÚRIA (pH < 5) = radiotransparente (cálculo puro de ácido úrico não aparece na radiografia) Causas: - HIPOCITRATÚRIA - HIPEROXALÚRIA (síndrome disabsortiva) - HIPERCALCIÚRIA (idiopática/principal causa) Clínica: - MAIORIA ASSINTOMÁTICA - Se tem clínica: HEMATÚRIA é a mais comum - CÓLICA NEFRÉTICA (dor lombar com ou sem irradiação = pode ir para flanco, região inguinal...) Complicações: - INFECÇÃO: risco de sepse - OBSTRUÇÃO TOTAL: risco de IRA pós-renal Diagnóstico: - RX/USG (ruim para ver ureter/examinador dependente) - TC DE ABDOME SEM CONTRASTE (padrão-ouro) Tratamento Agudo: - ANALGESIA (AINE VO/IV > OPIOIDES) - EVITAR DESIDRATAÇÃO - ALFABLOQUEADOR (tansulosina relaxa a musculatura lisa do ureter) - AVALIAR INTERVENÇÃO UROLÓGICA Quando indicar intervenção urológica? - > 10MM - BILATERAL - RIM ÚNICO - SINTOMAS REFRATÁRIOS, RECORRENTES. - OBSTRUÇÃO COM INSUFICIÊNCIA RENAL - CÁLCULO CORALIFORME Quais as opções terapêuticas? LECO (LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA COM ONDAS DE CHOQUE) - Cálculo proximal (rim/ureter proximal), < 2cm e densidade < 1.000 UH - Não fazer: gestante ou aneurisma NEFROLITOTRIPSIA PERCUTÂNEA - Cálculo proximal (rim/ureter proximal), > 2cm ou densidade > 1.000 UH - Cálculo coraliforme - Cálculo em pólo renal inferior URETEROLITOTRIPSIA - Cálculo em terço médio ou distal do ureter Litíase Complicada - Associação com PIELONEFRITE OU IR OBSTRUTIVA - NECESSIDADE DE DESOBSTRUÇÃO IMEDIATA: INTERVENÇÃO UROLÓGICA PALIATIVA COM NEFROSTOMIA PERCUTÂNEA OU STENT URETERAL DUPLO J Tratamento Crônico PARA TODOS: ESTIMULAR INGESTA HÍDRICA! OXALATO DE CÁLCIO (HIPERCALCIÚRIA IDIOPÁTICA) - Restrição de sódio e proteína - Tiazídico se refratário - Não restringir cálcio (aumenta absorção intestinal de oxalato) ESTRUVITA - Tratar infecção/antibiótico - Refratários: ácido aceto-hidroxâmico (inibidor da uréase) ÁCIDO ÚRICO - Dieta com restrição de purinas - Citrato de potássio (alcalinizar a urina) - AlopurinolImagem: radiopaedia.org 63 1. Distribuição Trimodal das Mortes - Segundos a minutos (50%): apneia (TCE, TRM), lesão cardíaca ou aorta. Conduta: PREVENÇÃO - Minutos a 24h (30%): potencial de cura Conduta: ATLS bem realizado > 24 horas (20%): sepse, TEP, disfunção de múltiplos órgãos e sistemas Conduta: “medicina” bem realizada 2. Índices De Trauma “Escores usados para avaliar a probabilidade de sobrevida notrauma” Trauma Score (TS) - Pouco usado atualmente - Avalia ECG, FR, esforço respiratório, PAS e enchimento Revised Trauma Score (RTS) - Mais usado - Avalia ECG, FR, PAS → score mais fisiológico - Mortalidade precoce Injury Severity Score (ISS) - Baseado no AIS (score anatômico) - Gravidade das lesões: avalia exame físico, radiológico, cirurgia e autópsia - Mortalidade tardia Trauma and Injury Severity Score (TRISS) - RTS + ISS + idade (< 54 anos) + mecanismo de trauma (penetrante ou contuso) - Usado pelo colégio americano de cirurgiões 3. Preparação PRÉ-HOSPITALAR - Sempre AVALIAR A SEGURANÇA DA CENA ANTES! Questão batida de prova... - X-ABDE PHTLS = PRIMEIRO COMPRIMIR O SANGRAMENTO! Não é um conceito do ATLS! É um conceito voltado para paramédicos, principalmente. Num ambiente extra-hospitalar, se o paciente estiver EXSANGUINANDO (“jorrando sangue”), a primeira medida é COMPRIMIR A FERIDA/SANGRAMENTO! HOSPITALAR - Idealmente PARAMENTAÇÃO COMPLETA. - SALA DE TRAUMA sempre PREPARADA e EQUIPE sempre POSICIONADA. 4. Triagem - Número de vítimas < capacidade de atendimento: avaliar os mais graves inicialmente - Número de vítimas > capacidade do atendimento (desastre): avaliar inicialmente aquele com maior chance de sobrevida E como fazer isso? São várias as maneiras... Vamos conhecer o MÉTODO START (Simple Triage And Rapid Treatment) Qualquer socorrista pode realizá-la! Avaliar rapidamente respiração, circulação e nível de consciência = regra “30:2:PODE FAZER” = avaliar FR < 30, TEC < 2 e “pode fazer o que eu peço?” Divisão em cores através de cartões. COR VERMELHA FR > 30 ou respira após manobras MEDIDA IMEDIATA E TRANSFERÊNCIA IMEDIATA COR AMARELA não apresenta risco imediato “ALGUM ATENDIMENTO” ENQUANTO AGUARDA O TRANSPORTE COR VERDE lesão sem risco a vida/paciente deambulando PODE AGUARDAR O ATENDIMENTO COR PRETA óbito ou sem chances de sobrevida 5. Atendimento Inicial 1ª coisa sempre: garantir a SUA segurança (sinalizar/EPI) A: COLUNA CERVICAL + VA B: RESPIRAÇÃO C: CIRCULAÇÃO + CONTROLE DA HEMORRAGIA D: DISFUNÇÃO NEUROLÓGICA E: EXPOSIÇÃO + CONTROLE DO AMBIENTE A: COLUNA CERVICAL + VIA AÉREA Estabilizar coluna cervical com COLAR + PRANCHA + COXINS AVALIAR SE A VIA AÉREA ESTÁ PÉRVIA: Sim: fonação preservada (pode passar para “B” e dar O2 12l/m) Não: afastar possibilidade de corpo estranho/queda de base da língua (CHIN-LIFT/JAW-THRUST) para indicar VA artificial. Trauma I @ casalmedresumos 64 Quais as indicações de VA artificial? - APNEIA - PROTEÇÃO DE VA (ex: sangramento expressivo em face) - TCE GRAVE (Glasgow < 8) Quais os tipos de VA artificial? Definitiva (protege a via aérea com balonete na traqueia) - INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL (+ utilizada) - INTUBAÇÃO NASOTRAQUEAL (exige paciente cooperativo) - CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA - TRAQUEOSTOMIA (é um procedimento “eletivo”) Qual o padrão ouro de via aérea definitiva? Cuidado... O padrão-ouro não existe! Depende do paciente! Temporária (não protege a via aérea) - CRICOTIREOIDOSTOMIA POR PUNÇÃO - MÁSCARA LARÍNGEA (ML) (ñ necessita de laringoscopia) - COMBITUBO (CT) (acesso à via aérea as cegas) Se não conseguir IOT ML OU CT Se não tem ML/CT CRICO (“o crico faço?) - CIRÚRGICA: definitiva - PUNÇÃO: se criança < 12 anos ou “sufoco”. Temporária. Máximo de 30-45 minutos pelo risco de CARBONARCOSE. - TRAQUEOSTOMIA: definitiva. Usar em casos de fratura de laringe (rouquidão, enfisema, palpação) e IOT sem sucesso PARTICULARIDADES DE CADA ETAPA – APROFUNDANDO O CONHECIMENTO INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL (IOT) Intubação Assistida por Drogas (conceito atual de “sequência rápida”): - ETOMIDATO (0,3mg/kg) e SUCCINILCOLINA (1mg/kg) - Pode ser utilizada a MANOBRA DE SELLICK para auxílio (que tem como grande função a redução do risco de broncoaspiração) - NÃO PRECISA AMBUZAR O PACIENTE COM MÁSCARA - A PRÉ-OXIGENAÇÃO é feita com OXIGÊNIO 100% - Indicação básica: EVITAR O RISCO DE BRONCOASPIRAÇÃO (muito usada quando não sabemos por quanto tempo o paciente está em jejum) Avaliação do tubo: - VISUALIZAÇÃO DIRETA - EXAME FÍSICO do aparelho respiratório com ausculta - CAPNOGRAFIA (padrão-ouro) - RX DE TÓRAX Tempo permitido para o procedimento: - O TEMPO DE UMA APNEIA Se não consigo ou não posso (distorção anatômica/fraturas, incapacidade de visualização, sangramento): ML/CT Se não tenho ou não quero ML/CT: CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA - Realizada em casos de IMPOSSIBILIDADE DE IOT/ML/CT - Exceções: crianças < 12 anos ou “sufoco” = fazer CRICO POR PUNÇÃO - Acopla ao jelco o sistema em Y e coloca oxigênio em 15l/m (40-50psi) - Inspiração e expiração numa fração de 1:4 SEGUNDOS - Usar por no máximo 30-45 MINUTOS (se passar disso, há risco de CARBONARCOSE) TRAQUEOSTOMIA - Indicada nos casos de FRATURA DE LARINGE (rouquidão, enfisema, percebida à palpação) - ÚLTIMA EDIÇÃO DO SABISTON E ATLS: em casos de fratura de laringe, primeiro tentar a IOT BELEZA... MAS QUANDO RETIRAR COLAR E PRANCHA? Restringir a mobilidade da coluna cervical evita comprometimento fatal de medula espinhal alta em pacientes com fraturas e movimentações intempestivas do pescoço! RETIRAR PRANCHA ASSIM QUE POSSÍVEL; O uso prolongado pode acarretar em úlceras de pressão e até mesmo insuficiência respiratória. Devem ser usadas apenas no transporte! SOLICITAR EXAME DE IMAGEM DA COLUNA CERVICAL, SE: IDADE > 65 ANOS PARESTESIA EM EXTREMIDADES MECANISMO PERIGOSO DE TRAUMA (quedas > 1 metro ou 5 degraus, sobrecarga axial na cabeça (ex: mergulho), colisão automobilística com alta velocidade, capotamento ou ejeção; colisão de bicicleta; colisão de “veículo motorizado recreativo” (ex: trailers, motocasa, minitrailer, etc). SE TODAS NEGATIVAS, RETIRAR O COLAR, SE: PACIENTE CONSCIENTE/GLASGOW 15 E CAPAZ DE SENTAR-SE AUSÊNCIA DE DOR CERVICAL (à movimentação ativa e passiva de movimento rotacional do pescoço, à esquerda e à direita, em um ângulo de 45º), EXAME FÍSICO CONFIÁVEL (neuro normal, sem uso de substâncias); OUTRA FORMA DE AVALIAR, MAIS SIMPLES, É A CHAMADA REGRA NEXUS! B: RESPIRAÇÃO - Oferecer OXIGÊNIO (10-12l/m) + EXAME RESPIRATÓRIO + OXÍMETRO DE PULSO - Principais “ARMADILHAS QUE EXIGEM CONDUTA IMEDIATA”: pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto e hemotórax (ver mais detalhes adiante em trauma torácico) CONDUTAS IMEDIATAS PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO PNEUMO/HEMOT SIMPLES HEMOTÓRAX MACIÇO Punção alívio 5º EIC + Drenagem Drenagem Drenagem + Volume/ Hemotransfusão FRATURA DE COSTELA CONTUSÃO PULMONAR TÓRAX INSTÁVEL Analgesia Suporte Ventilatório e O2 Analgesia, Suporte O2 REGRA NEXUS para RETIRADA DO COLAR CERVICAL SEM EXAME DE IMAGEM: Ausência de dor na linha média cervical Ausência de déficits focais neurológicos Ausência de intoxicação Sem outras lesões dolorosas que distraem o paciente Estado de alerta normal 65 C: CIRCULAÇÃO + CONTROLE DA HEMORRAGIA Todo paciente de trauma, até que se prove o contrário, tem choque hemorrágico hipovolêmico Possíveis focos de sangramento: - TÓRAX, ABDOME, PELVE, FRATURAS DE OSSOS LONGOS, EXSANGUINAÇÃO 1ª coisa a se fazer: 2 acessos venosos PERIFÉRICOS - A punção é com JELCO CALIBROSO (14) - Se não conseguir periférico: central, dissecção safena, intra-ósseo - Se não conseguir em crianças < 6 anos: intra-ósseo 2ª: reposição com CRISTALOIDE (SF0,9 ou RL) aquecido (37-40ºc) - Adulto: até 1 litro (se ñ melhorar, já pensar em hemoderivados) - Criança: 20ml/kg ESTIMATIVA DA PERDA VOLÊMICA... CONCEITOS FUNDAMENTAIS! HIPOTENSÃO PERMISSIVA: - REANIMAÇÃO DE CONTROLE DE DANOS - GARANTIR PA MÍNIMA PARA GARANTIR A PERFUSÃO - NÃO FAZER EM CASOS DE TCE (pela redução da pressão de perfusão cerebral) TRANSFUSÃO MACIÇA: - > 10UI/24h ou > 4UI/1h - Repor na proporção 1CH: 1 plasma: 1 plaquetas - Repor O negativo até a tipagem - Indicação: classe IV ou escoreABC* > 2 pontos (*) ESCORE ABC Quando usar o ÁCIDO TRANEXÂMICO (TRANSAMIN)? - Antifibrinolítico - Fazer para SANGRAMENTOS INTENSOS E NÃO COMPRESSÍVEIS, INSTÁVEIS, COM NECESSIDADE DE TRANSFUSÃO MACIÇA - SÓ PODE FAZER SE 1ª DOSE (1 grama) NAS PRIMEIRAS 3H E DOSE DE REFORÇO (+ 1 grama) EM 8 HORAS - Idealmente: fazer nos PRIMEIROS 10 MINUTOS APÓS O TRAUMA 3ª coisa: avaliação da resposta DIURESE: - Adulto: 0,5ml/kg/hora - Criança: 1ml/kg/hora - Menores de 1 ano: 2ml/kg/hora Para quantificar a diurese... É necessário fazer uma SONDAGEM VESICAL! - Em casos de SANGUE NO MEATO, HEMATOMA PERINEAL, RETENÇÃO URINÁRIA (BEXIGOMA), FRATURAS DE PELVE, DESLOCAMENTO CEFÁLICO DA PRÓSTATA (“PRÓSTATA FLUTUANTE”): NÃO SONDAR e fazer URCG RETRÓGRADA para AFASTAR LESÃO DE URETRA. SE FEZ O EXAME E NÃO TEM LESÃO: PASSA O CATETER. SE TEM LESÃO: CITOSTOMIA/PUNÇÃO SUPRAPÚBICA. PARA O CONTROLE DA HEMORRAGIA... - COMPRIMIR! - TORNIQUETE: PODE SER FEITO - Principais “ARMADILHAS DE CONDUTA IMEDIATA”: fratura de pelve e tamponamento cardíaco (ver adiante em trauma torácico/abdominal). Vamos entender alguns detalhes! FRATURA DE PELVE Estabilização externa com lençol Tamponamento pré-peritoneal Angioembolização QUALQUER LESÃO EM SÍTIO COMPRESSÍVEL Compressão manual LESÃO EM EXTREMIDADE COM SANGRAMENTO AMEAÇADOR A VIDA Torniquete FRATURA DE OSSOS LONGOS Estabilização do membro LESÃO EM VÍSCERAS INTRA- ABDOMINAIS Angioembolização QUALQUER LESÃO, A DEPENDER DO CONTEXTO CLÍNICO Cirurgia pode ser necessária D: DISFUNÇÃO NEUROLÓGICA - GLASGOW + PUPILAS + MOVIMENTO DAS EXTREMIDADES E: EXPOSIÇÃO + CONTROLE DO AMBIENTE - DESPIR O PACIENTE + PREVENIR HIPOTERMIA Classe I Classe II Classe III Classe IV PA Normal Normal Hipotensão Hipotensão FC < 100 > 100 > 120 > 140 PERDA < 750ml (15%) 750-1500ml (15-30%) 1500-2000ml (30-40%) > 2000ml (> 40%) Sangue Não Talvez Sim Transfusão Maciça LEMBRANDO... X-ABDE PHTLS = PRIMEIRO COMPRIMIR O SANGRAMENTO! Num ambiente extra-hospitalar, se o paciente estiver EXSANGUINANDO (“jorrando sangue”), a primeira medida é COMPRIMIR A FERIDA/SANGRAMENTO! 66 5. Medidas Auxiliares ao ABCDE/Exame Primário - CATETER URINÁRIO: importante para quantificação do débito urinário e avaliação da resposta à reposição volêmica. Lembre que é contraindicado em casos de suspeita de trauma/lesão de uretra - CATETER NASOGÁSTRICO: o paciente politraumatizado tem gastoparesia por aumento de catecolaminas. Também é útil para reduzir distensão, risco de broncoaspiração e ainda auxilia na investigação de hemorragia do TGI. CONTRAINDICADA NOS CASOS EM QUE HÁ SUSPEITA DE FRATURA DE BASE DE CRÂNIO (hemotímpano, rinorreia, otorreia, equimose bilateral periorbitária e retroauricular). - MONITORAÇÃO DE SINAIS VITAIS COM ELETROCARDIOGRAFIA, OXIMETRIA DE PULSO, GASOMETRIA ARTERIAL: repetir periodicamente. - EXAMES RADIOLÓGICOS QUE DEVEMOS SOLICITAR: COLUNA CERVICAL PERFIL, TÓRAX AP PELVE AP. - LAVADO PERITONEAL E USG ABDOMINAL podem revelar sangramento oculto. 6. Exame Secundário - EXAME SECUNDÁRIO (“CABEÇA AOS PÉS”) E HISTÓRIA: realizada nos pacientes que já estão “normalizando”. História clínica e exame físico detalhado. A utilização do mnemônico AMPLA muitas vezes é útil. A= alergias; M= medicamentos em uso (anticoagulantes, antiplaquetários, glicocorticoides); P= passado médico, prenhez; L= líquidos e alimentos ingeridos antes do acidente (última hora que o paciente ingeriu líquido ou alimento); A= ambiente (como foram as circunstâncias do acidente). Pode ser colhida com familiares, com o povo do hospital ou com o próprio paciente se estiver lúcido. 7. Medidas Auxiliares ao Exame Secundário - MEDIDAS AUXILIARES AO EXAME SECUNDÁRIO: exames diagnósticos mais específicos, se necessidade. Exemplo: urografia, endoscopia, colonoscopia, ecocardiograma, broncoscopia, TC, etc. 8. Trauma Torácico Pneumotórax hipertensivo Pneumotórax aberto Tamponamento cardíaco Tórax instável e contusão pulmonar Hemotórax Contusão miocárdica Lesão de aorta Devemos lembrar que em todo politraumatizado que esteja chocado, a hemorragia é a primeira causa; no entanto, a presença de choque não responsivo à administração de volume deve suscitar alguns diagnósticos alternativos, como pneumotórax hipertensivo, lesão miocárdica, tamponamento cardíaco e embolia aérea para artéria coronária com infarto extenso e choque cardiogênico. Pneumotórax Hipertensivo - Pode ser decorrente de um TRAUMA PENETRANTE OU CONTUSO - A principal causa é VPP e paciente com lesão pleuro-pulmonar - Clínica: MV DIMINUÍDO/ABOLIDO PERCUSSÃO TIMPÂNICA DESVIO DA TRAQUEIA TURGÊNCIA JUGULAR HIPOTENSÃO CHOQUE OBSTRUTIVO - O diagnóstico é CLÍNICO (os exames de imagem apenas auxiliam, mas não são fundamentais para o diagnóstico) - Conduta imediata: TORACOCENTESE DE ALÍVIO 4º e 5º EIC anterior a linha axilar média Crianças: 2º EIC na linha hemiclavicular - Conduta definitiva: TORACOSTOMIA (DRENAGEM EM SELO D’ÁGUA) 5º EIC anterior a linha axilar média - Se drenou e não melhorou/escape aéreo intenso: pensar em LESÃO DE GRANDE VIA AÉREA Diagnóstico: BRONCOSCOPIA Conduta imediata: 2º DRENO Conduta definitiva: TORACOTOMIA SINAIS DE SUSPEITA DE FRATURA DE BASE DE CRÂNIO SINAL DE BATTLE “SINAL DO GUAXINIM” Imagem: ATLS Imagem: BRANT Imagem: ULAKES 67 Pneumotórax Aberto - Lesão > 2/3 DO DIÂMETRO DA TRAQUEIA - MV REDUZIDO E HIPERTIMPANISMO - Conduta imediata: CURATIVO DE 3 PONTAS - Conduta definitiva: TORACOSTOMIA (DRENAGEM EM SELO D’ÁGUA) em 5º EIC anterior a linha axilar média Pneumotórax Simples - Pode ser espontâneo - A PRINCÍPIO, NÃO DRENAR - Drenagem, se: TRANSPORTE AÉREO VENTILAÇÃO MECÂNICA SUBMETIDO A ANESTESIA GERAL (lembrar da VIDEOLAPAROSCOPIA) O aumento da pressão ocasionado nessas situações pode tornar um pneumotórax simples e pequeno em um “grande e complicado” UM ALGO A MAIS... E-FAST: normal: SINAL DA PRAIA (areia da praia e ondas do mar); alterado: SINAL DA ESTRATOSFERA OU CÓDIGO DE BARRAS A: Sinal da praia. B: Analogia ao sinal da “areia da praia” e “ondas do mar”. Acima da linha pleural (setas), os tecidos superficiais sem movimentação são visualizados na forma de linhas paralelas à pleura, aspecto semelhante a “ondas do mar” (colchetes azuis). Abaixo da linha pleural obtém-se uma imagem artefatual do deslizamento pleural semelhante a “areia da praia” (colchetes brancos). O conjunto desses achados é conhecido como “sinal da praia”. Aqui verifica-se o “sinal da estratosfera” ou “sinal do código de barras” (representado ao lado direito da imagem), que indica ausência de deslizamento pleural. Não mais é caracterizado o “sinal da praia”. A pleura hiperecogênica é identificada pela seta. Este achado também pode estar presente em outras condições como intubação seletiva e paralisia diafragmática. OS CRITÉRIOS PARA RETIRADA DO DRENO LÍQUIDO DE DRENAGEM < 100ml/dia RADIOGRAFIA EVIDENCIANDO PULMÃO TOTALMENTE EXPANDIDO NÃO BORBULHAMENTO/ESCAPE DE AR PELO FRASCO DE DRENAGEM POR NO MÍNIMO 24 HORAS (ausência de fístula). Hemotórax - Lesão de VASOS INTERCOSTAIS OU DE PARÊNQUIMA PULMONAR: SANGRAMENTO AUTOLIMITADO - Clínica: MV DIMINUÍDO, PERCUSSÃO MACIÇA, HIPOTENSÃO - HEMOTÓRAX MACIÇO: + DESVIO DA TRAQUEIA, COLABAMENTO DA JUGULAR - Conduta: DRENAGEM EM SELO D’ÁGUA DRENOU E NÃO PAROU DE SANGRAR... E AGORA? Quando fazer a toracotomia? Quando não parar de sangrar ou sangrar muito! Ou seja, em um HEMOTÓRAX MACIÇO! Vamos quantificar: TORACOTOMIA DE URGÊNCIA + AUTOTRANSFUSÃO* EM CASOS DE HEMOTÓRAX MACIÇO DRENAGEM INICIAL DE > 1500ML DE SANGUE DRENAGEM CONSTANTE DE > 200ML/H EM 2-4H NECESSIDADE PERSISTENTE DE TRANSFUSÃO AUTOTRANSFUSÃO é uma possibilidade que pode substituir a transfusão habitual, através do REAPROVEITAMENTO do sangue que está sendo perdido pelo hemotórax, que passa por uma espécie de “filtro” e é transfundido de volta para o paciente.É como se fosse “devolvido” o sangue que foi perdido. TORACOTOMIA DE EMERGÊNCIA (REANIMAÇÃO) - Indicada em casos de PCR PÓS- TRAUMA DE TÓRAX + SINAIS DE VIDA (pupilas reagentes, movimentação de extremidades, ECG com atividade organizada) APÓS MANOBRAS DO ACLS E DRENAGEM BILATERAL. - Objetivos: MASSAGEM DIRETA, ACESSAR SACO PERICÁRDICO, CONTROLE DA HEMORRAGIA, CLAMPEAR AORTA DISTAL, EMBOLIA GASOSA QUANDO DESCONFIAR DE “HEMOTÓRAX RESIDUAL”? SUSPEITA: - Paciente com sinais de EMPIEMA PLEURAL (FEBRE, DOR PLEURÍTICA...) após TRAUMA TORÁCICO/HEMOTÓRAX DRENADO, até que se prove o contrário, a causa é um HEMOTÓRAX RETIDO. Questão recente da USP (RP). CONDUTA: - Em hemotóraces retidos não infectados e menores que 300ml, pode ser adotada a CONDUTA EXPECTANTE. - Hemotórax residual associado a empiema e/ou maiores que 300ml podem ser abordados por VIDEOTORACOSCOPIA (VATS) PRECOCE (ENTRE 3-5 DIAS DO DIAGNÓSTICO) - Hemotórax muito volumoso (sem quantidade definida), com sinais de loculação, aprisionamento pulmonar ou em falha de videotoracoscopia pode ser conduzido por TORACOTOMIA. - ATENÇÃO: não há indicação de segunda drenagem pleural no hemotórax retido. Imagem: wandersonmonteiro.wordpress.com Imagem: cirurgiatoracica.net Imagem: rb.org.br 68 Tamponamento Cardíaco - Líquido no espaço pericárdico (100-150ml) - TRÍADE DE BECK: TURGÊNCIA JUGULAR + HIPOFONESE DE BULHAS + HIPOTENSÃO - PULSO PARADOXAL: redução da PAs > 10mmHg na inspiração - SINAL DE KUSSMAUL: aumento da turgência jugular na inspiração - Diagnóstico: CLÍNICA + FAST Conduta: - Medidas Gerais: VOLUME! - Medidas Específicas: a conduta definitiva é a TORACOTOMIA. Se não houver profissional habilitado ou nos casos de “sufoco”, proceder com PERICARDIOCENTESE subxifoidiana (“punção de Marfan”) com agulha de ponta romba (tira apenas 10-20 ml – isso já é capaz de estabilizar o paciente). Atualmente, a pericardiocentese é considerada conduta de exceção! Tórax Instável - Fratura em 2 OU MAIS ARCOS COSTAIS CONSECUTIVOS EM PELO MENOS 2 PONTOS EM CADA ARCO - Clínica: DOR + RESPIRAÇÃO PARADOXAL “A respiração paradoxal chama atenção no exame físico, mas não mata. O que incomoda o paciente é a dor.” - Conduta: ACOMPANHAMENTO COM ANALGESIA (bloqueio intercostal, SN) e SUPORTE DE O2 Contusão Pulmonar - Muito associado ao TÓRAX INSTÁVEL - RX: CONSOLIDAÇÕES (fazer diagnóstico diferencial com atelectasia) - Troca gasosa inadequada (PARECE SDRA) - Conduta: ACOMPANHAMENTO COM OXIMETRIA/GASOMETRIA E SUPORTE COM ANALGESIA. Se HIPOXEMIA: IOT + VM Contusão Miocárdica - Suspeitar quando TRAUMA INTENSO QUE COMPREENDE ESTERNO E ARCOS COSTAIS SUPERIORES. A câmara cardíaca que bate na caixa torácica é o VD - Clínica: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AS CUSTAS DE VD/ARRITIMA/BRD - Diagnóstico: CLÍNICA + ECO. Definitivo: ANATOMOPATOLÓGICO - Conduta: NÃO HÁ O QUE FAZER (OBSERVAÇÃO POR 24-48H) Laceração De Aorta - LESÃO “TUDO OU NADA”: mata em 80% dos casos. Nos 20% restantes, há a formação de um hematoma que tampona a aorta. - A LACERAÇÃO OCORRE A NÍVEL DE LIGAMENTO ARTERIOSO (local onde a aorta é fixa no tórax), bem na EMERGÊNCIA DA SUBCLÁVIA - Clínica: PULSO MMSS NORMAL E PULSO MMII REDUZIDO. “O quadro clínico geralmente é pobre!” - Investigar se história compatível (TRAUMA SEM CINTO DE SEGURANÇA COM IMPACTO SOBRE O VOLANTE, FRATURA DE ESTERNO) - RX: ALARGAMENTO DO MEDIASTINO > 8CM + PERDA DO CONTORNO AÓRTICO + DESVIO PARA DIREITA DA TRAQUEIA - Diagnóstico: ANGIOTC/AORTOGRAFIA - Conduta: BETABLOQUEADOR + TRATAR OUTRAS COISAS ASSOCIADAS (hematoma segura a aorta por 24h). MANTER FC < 80BPM E PAM EM TORNO DE 60-70MMHG. - Conduta Definitiva: TORACOTOMIA ESQUERDA OU TERAPIA INTRAVASCULAR ANTES DE PROSSEGUIR... Perceba as principais diferenças NO TRAUMA TORÁCICO entre a 9ª e a 10ª edição do ATLS! CRITÉRIO 9ª EDIÇÃO 10ª EDIÇÃO LESÕES AMEAÇADORAS DE VIDA Pneumotórax hipertensivo Pneumotórax aberto Hemotórax maciço Tamponamento cardíaco Toráx instável* Pneumotórax hipertensivo Pneumotórax aberto Hemotórax maciço Tamponamento cardíaco Lesão de árvore brônquica* PUNÇÃO DE ALÍVIO SEGUNDO espaço intercostal na linha HEMICLAVICULAR QUINTO espaço intercostal na linha AXILAR ANTERIOR NORMAL TAMPONAMENTO CARDÍACO 69 6. Trauma Abdominal Conceitos epidemiológicos: TRAUMA CONTUSO - Mais comum: BAÇO TRAUMA PENETRANTE - Sem dizer o mecanismo: FÍGADO - Por arma de fogo: DELGADO - Por arma branca: FÍGADO SINAL DO CINTO DE SEGURANÇA - DELGADO - MESENTÉRIO Exames: Tomografia Computadorizada: - Melhor exame para avaliar o trauma contuso - Avalia LESÕES ESPECÍFICAS e também o RETROPERITÔNIO - NÃO É IDEAL PARA: DELGADO, VÍSCERAS OCAS E DIAFRAGMA - Exige ESTABILIDADE HEMODINÂMICA Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD): - Útil para trauma contuso + INSTABILIDADE Exame MAIS SENSÍVEL para DETECTAR SANGUE NA CAVIDADE PERITONEAL - Positivo se: Aspirado inicial com > 10ML DE SANGUE OU CONTEÚDO DO TGI Se aspirado inicial negativo, realizar o lavado, que é positivo se: GRAM MOSTRANDO BICHO, HEMÁCIAS > 100.000, LEUCÓCITOS > 500, FIBRAS ALIMENTARES OU BILE. - Pode levar muito tempo para ser utilizado FAST: - Útil para trauma contuso + INSTABILIDADE - Procura a presença de LÍQUIDO LIVRE NA CAVIDADE PERITONEAL - Locais onde é procurado líquido: SACO PERICÁRDICO, ESPAÇO HEPATORRENAL, ESPAÇO ESPLENORRENAL E HIPOGASTRO/FUNDO DE SACO/ESPAÇO SUPRAPÚBICO (questão de prova direto!) - FAST estendido (e-FAST): + ESPAÇO PLEURAL (ex: pneumo/hemotórax) VLSC: - DÚVIDA DIAGNÓSTICA - Lesão da TRANSIÇÃO TORACOABDOMINAL (5º, 6º EIC, abdome alto) e LESÃO DO DIAFRAGMA - Exige ESTABILIDADE HEMODINÂMICA Abordagem: Quando indicar LAPAROTOMIA? “Toda vez que o abdome for cirúrgico” - Trauma penetrante: CHOQUE, PERITONITE OU EVISCERAÇÃO - Trauma fechado/contuso: PERITONITE, RETRO/PNEUMOPERITÔNIO - “Lesão óbvia”: trauma contuso + toque retal com sangue, lesão perfurativa em abdome (“facada na barriga”) Trauma Penetrante Não Cirúrgico Sem Choque, Peritonite Ou Evisceração Por arma de fogo: sempre LAPAROTOMIA Obs: se lesão em flancos ou dorso realizar TC se estabilidade hemodinâmica Por arma branca: algoritmo abaixo EXPLORAÇÃO DA FERIDA - Negativa (não violou peritônio): alta + conferir vacina antitetânica - Positiva ou duvidosa: observar por 24h (exame físico seriado + HMG 8/8h) Sem alteração: reiniciar dieta + alta + conferir vacina antitetânica Com alteração (abdome cirúrgico ou leucocitose ou ↓Hb > 3): considerar TC/LPD/VLSC/laparotomia exploradora Obs: se o trauma for em REGIÃO POSTERIOR DO ABDOME, É DIFÍCIL AVALIAR PERITÔNIO (A REGIÃO É RETROPERITONEAL). Se o abdome for cirúrgico, a conduta é laparotomia. Se não, como não se faz a exploração digital da ferida, a conduta é TC COM TRIPLO CONTRASTE! QUANDO A EXPLORAÇÃO DIGITAL É POSITIVA? Quando houve PERFURAÇÃO DA CAVIDADE PERITONEAL A APONEUROSE DO MÚSCULO RETO DO ABDOME NÃO ESTÁ ÍNTEGRA! S. DO CINTO DE SEGURANÇA EXPLORAÇÃO DA FERIDA NEGATIVA ALTA POSITIVA OU DUVIDOSA OBSERVAR 24H + EXAME FÍSICO SERIADO + HEMOGRAMA 8/8H NÃO HOUVE ALTERAÇÕES CHOQUE, EVISCERAÇÃO, INSTABILIDADE HEMODINÂMICA LEUCOCITOSE OU QUEDA DE HB > 3MG/DL ALTA LAPAROTOMIA EXPLORADORA VLP OU TC CONSIDERAR LAPAROTOMIA EXPLORADORA Imagem: researchgate.net 70 Trauma Contuso Não Cirúrgico AVALIAR HEMODINÂMICA - Estável: TC com contraste (pode ou não fazer FAST antes “FAST de segurança”) para avaliar o grau da lesão - Instável: Politrauma: FAST ou LPD para provar que o sangramento é do abdome > se positivo: laparotomia Não politrauma (apenas lesão em abdome): laparotomia Perceba... QUANDO INDICAR O TRATAMENTO CONSERVADOR? Abdome não é cirúrgico Estabilidade hemodinâmica Condições de observação: CTI Condições para intervenção imediata, SN (equipe de cirurgia e angioembolização disponível) Conceito de CIRURGIA PARA CONTROLE DE DANOS: EVITAR TRÍADELETAL: HIPOTERMIA + COAGULOPATIA + ACIDOSE Fazer CIRURGIA INICIAL BREVE: controle da hemorragia e lesões grosseiras + peritoneostomia REANIMAÇÃO EM UTI (24-72H): controle da hipotermia, DHE e distúrbios hemorrágicos Cirurgia definitiva: REPARO DEFINITIVO Trauma De Baço Conceitos Importantes: - LESÃO MAIS COMUM NO TRAUMA CONTUSO - RELAÇÃO COM FRATURA DE ARCOS COSTAIS A ESQUERDA NO TRAUMA Clínica: SINAL DE KEHR – DOR REFERIDA NO OMBRO ESQUERDO SINAL DE LAFFONT – DOR REFERIDA NO OMBRO DIREITO Sinal clássico de lesão esplênica... O sangue por ali irrita o diafragma e gera a clínica. Não são sinais patognomônicos, apesar de clássicos. Indicam hemoperitônio e irritação diafragmática. Se a esquerda, pensar principalmente em baço; se a direita, pensar principalmente em fígado. Diagnóstico: - FAST pode sugerir no paciente INSTÁVEL - TC DE ABDOME COM CONTRASTE é o PADRÃO-OURO no paciente estável ou que respondeu à reposição volêmica Classificação AAST (American Association for the Surgery of Trauma): Permite a descrição anatômica das lesões, auxilia na decisão do tratamento, mas NÃO é fator determinante isolado. GRAU LACERAÇÃO NO PARÊNQUIMA HEMATOMA I < 1cm de profundidade < 10% da super�cie II < 3cm de profundidade < 50% da super�cie < 5cm de extensão III > 3cm de profundidade Lesão de vasos trabeculares > 50% da super�cie > 5cm de extensão ou em expansão Ruptura subcapsular IV Desvascularização hilar > 25% Blush intraparenquimatoso Qualquer lesão vascular - V Baço pulverizado Desvascularização hilar Blush com extravasamento peritoneal - TRATAMENTO: - CRITÉRIOS OBRIGATÓRIOS PARA CONDUTA CONSERVADORA: Abdome não é cirúrgico (choque, peritonite, evisceração, retro/pneumoperitônio) Estabilidade hemodinâmica Condições de observação: CTI por 48h com exame físico e hemograma seriados de 4/4h *** Condições para intervenção imediata, se necessário (equipe de cirurgia e angioembolização disponível) Exame físico confiável/condições ideais (cuidado em pacientes alcoolizados) Quando optar pela conduta clínica? - LESÕES GRAUS I, II E III NA TC + CRITÉRIOS OBRIGATÓRIOS Para a gente optar pela conduta clínica, o paciente obrigatoriamente deve estar estável hemodinamicamente e, além disso, a TC deve mostrar lesões graus I e III. NO PAPEL... INDICAÇÕES DE LAPAROTOMIA PELO ATLS: - Trauma contuso com FAST/LPD positivos e instabilidade hemodinâmica - Trauma penetrante com instabilidade hemodinâmica - FAF com trajeto transperitoneal - Evisceração - Sangramento TGI pós-FAB - Peritonite - Pneumo/retroperitônio/ruptura diafragma OUTRAS LESÕES QUE INDICAM LAPAROTOMIA IMEDIATA NO FAB: (*) Sangramento franco pela SNG ou no toque retal (*) Empalamento (lesão causada quando um objeto penetra o corpo e fica retido) AVALIAR HEMODINÂMICA ESTÁVEL TC DE ABDOME COM CONTRASTE OU USG FAST + TC POSITIVA: CONDUTA DE ACORDO COM O GRAU DA LESÃO INSTÁVEL POLITRAUMA USG FAST (+): LAPAROTOMIA Ñ POLITRAUMA APENAS LESÃO EM ABDOME DISTENSÃO E ESCORIAÇÕES ABDOMINAIS LAPAROTOMIA SE A LESÃO TIVER “BLUSH ARTERIAL” IDENTIFICADA NA TC, PODE SER POSSÍVEL A ANGIOEMBOLIZAÇÃO. O blush arterial nada mais é do que o sangramento que você consegue visualizar na tomografia. (***) CUIDADO! Uma primeira queda de Hb é ESPERADA! Agora... Se houver uma segunda queda: FAZER NOVA TOMOGRAFIA! 71 Quando optar pelo tratamento cirúrgico? - Não preenche os critérios citados acima - LESÃO GRAU IV (DESVASCULARIZAÇÃO MAIOR QUE 25% DO BAÇO) Se estável e com blush: tentar ANGIOEMBOLIZAÇÃO (!) LESÃO GRAU V (BAÇO PULVERIZADO – o baço ‘explode’ dentro de sua cápsula). Esplenectomia É só inverter! Quando há instabilidade ou lesões IV e V! Essas lesões tem que conhecer, pois são indicações de cirurgia! ILUSTRANDO UMA ANGIOEMBOLIZAÇÃO... CUIDADOS EXTRAS: - NÃO PRECISA DEIXAR UM DRENO no paciente após a cirurgia. - NÃO SE ESQUECER DE VACINAR CONTRA PNEUMOCOCO, HAEMOPHILOS E MENINGOCOCO + VACINA ANUAL DA GRIPE, idealmente no pré-operatório, mas possivelmente até 14 dias após a esplectomia ou exclusão vascular do baço (lesão grau V ou angioembolização) Ao contrário do que muita gente imagina, não precisa deixar o dreno sentinela. E, número 2: não posso esquecer de vacinar esse paciente contra pneumococo, haemophilos e meningococo! Trauma De Fígado Conceitos Iniciais: - LESÃO MAIS COMUM NO TRAUMA PENETRANTE Diagnóstico: - FAST no paciente INSTÁVEL pode sugerir! - TC COM CONTRASTE é o PADRÃO-OURO no paciente ESTÁVEL ou que respondeu à reposição volêmica. Anatomia: - FORAME DE WINSLOW: comunicação da cavidade peritoneal maior e menor Classificação (AAST): GRAU LACERAÇÃO HEMATOMA/LESÃO VASCULAR I < 1cm Subcapsular < 10% II < 3cm Subcapsular < 50% Intraparenquimatoso < 10% III > 3cm Subcapsular > 50%, expansivo ou sangrando Intraparenquimatoso > 10% ou expansivo IV < 75% do lobo V > 75% do lobo Lesão vascular RETRO HEPÁTICA (veia cava inferior ou veias hepá�cas) VI Avulsão hepá�ca Tratamento Clínico: - CRITÉRIOS OBRIGATÓRIOS (NÃO INTERESSA O GRAU). Abdome não é cirúrgico (choque, peritonite, evisceração, retro/pneumoperitônio) Estabilidade hemodinâmica Condições de observação: CTI por 48h com exame físico e hemograma seriados de 4/4h Condições para intervenção imediata, se necessário (equipe de cirurgia e angioembolização disponível) Exame físico confiável/condições ideais (cuidado em pacientes alcoolizados) Tratamento Cirúrgico: - AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS OBRIGATÓRIOS A conduta é muito similar ao trauma esplênico! - LESÃO GRAU V Se estável com BLUSH: ARTERIOGRAFIA COM ANGIOEMBOLIZAÇÃO Objetivos: - Controlar a hemorragia e vazamento biliar. ANGIOEMBOLIZAÇÃO É A PRIMEIRA ESCOLHA SE ESTABILIDADE + BLUSH ARTERIAL, INDEPENDENTE DO GRAU DE LESÃO! É um procedimento que PODE SER REPETIDO nos casos de ineficácia do primeiro procedimento ou necessidade contínua de transfusão. PRÉ-EMBOLIZAÇÃO PÓS-EMBOLIZAÇÃO FORAMA DE WINSLOW ABERTURA DO LIGAMENTO HEPATODUODENAL Imagem: Start Pearls Publishing Imagem: Febrasgo I, II e III: lesões SIMPLES (80% dos casos) IV, V e VI: lesões COMPLEXAS (50% dos óbitos) 72 (1) “Fazer o mínimo”: SUTURA, CLIPES CIRÚRGICOS, ELETROCOAGULAÇÃO, LIGADURA DE VASOS... (2) Para o sangramento: TAMPONAMENTO ou EMPACOTAMENTO HEPÁTICO (compressas/balão) MANOBRA DE PRINGLE: clampeamento do ligamento hepatoduodenal no forame de Winslow (colédoco, veia porta e artéria hepática) Se clampeou e continuou sangrando: a origem do sangramento é provavelmente de cava inferior ou veias hepáticas a conduta é reforçar o tamponamento/empacotamento com gaze ou SHUNT ÁTRIO-CAVAL (manobra “heroica”) Cuidados Extras: - SEMPRE DEIXAR O DRENO após a cirurgia. Trauma De Pâncreas Conceitos Iniciais: - Raro! - 2 principais causas: ACIDENTES AUTOMOBILÍSTICOS E FAF Mecanismo de trauma: impacto direto, esmagamento - Semelhança com o trauma duodenal: raro, difícil diagnóstico, tratamento cirúrgico Anatomia: - Órgão de localização RETROPERITONEAL repleto de estruturas importantes adjacentes. - Possuem VASCULARIZAÇÃO COMUM: cabeça do pâncreas, duodeno e colédoco Diagnóstico: - Mais comum no INTRAOPERATÓRIO (associado a lesões graves como aorta, cava, porta). - 1º exame: TC DE ABDOME COM CONTRASTE IV (baixa sensibilidade, pois não enxerga os ductos) - Padrão-ouro: COLANGIORNM - Opção: CPRE (pouco disponível + risco de pancreatite) - Aumento de amilase: alta sensibilidade e baixa especificidade (também pode aumentar em outras causas, como TCE com sangramento e lesões de delgado) - MAIORIA! Segundo o Sabiston: SEMPRE! Sempre devemos operar, pois o conteúdo cáustico do pâncreas iria destruir o peritônio do paciente! Qual a cirurgia? - SEM LESÃO DE DUCTO: REPARO PRIMÁRIO + DRENAGEM - COM LESÃO DE DUCTO: Acometimento de CORPO/CAUDA (esquerda da veia mesentérica superior): DRENAGEM + PANCREATECTOMIA DISTAL (+/- esplenectomia) Acometimento de CABEÇA (direita da veia mesentérica superior): depende... Lesão SIMPLES: HEMOSTASIA + DRENAGEM +/- REPARO Lesão GRAVE ou JUNTO COM DUODENO: HEMOSTASIA + DRENAGEM + WHIPPLE (duodenopancreatectomia) Complicação Pós-Operatória: - FÍSTULA PANCREÁTICA (principal) Cuidados Extras: - SEMPRE DEIXAR O DRENO! O conteúdo é muito cáustico, tem que deixar! Trauma De Duodeno Conceitos Iniciais: - Mais comumente acometido após FAF de abdome - Segundo mais acometido por FAB - Terceiro mais acometido por trauma contuso lembrar sempre do SINAL DO CINTO DE SEGURANÇA! Suspeita: - Presença de LÍQUIDO LIVRE NA TOMOGRAFIA, mas SEM LESÃO DE ÓRGÃOS PARENQUIMATOSOS. Possibilidades: - Laceração - Trauma fechado/Contusão (hematoma) A maior parte do duodeno é localizada em retroperitônio! Para que haja lesão duodenal, normalmente você tem um trauma penetrante (75% dos casos). LACERAÇÃO DE DUODENO Clínica: - RETROPNEUMOPERITÔNIO – ESCOLIOSE ANTÁLGICA, DOR LOMBAR QUE IRRADIA PARA BOLSA ESCROTAL/GRANDES LÁBIOS, CREPITAÇÃO AO TOQUE RETAL. Sinal Radiológico Clássico: - DESAPARECIMENTO DA SOMBRA DO PSOAS + AR DELINEANDO OS RINS. Tratamento: - Laceração < 50%: RAFIA SIMPLES + SONDA NASOGÁSTRICA - Laceração > 50%: EXCLUSÃO PILÓRICA - Desvascularização: DUODENOPANCREATECTOMIA Outra lesão associada ao SINAL DO CINTO DE SEGURANÇA é a FRATURA DE CHANCE fratura transversa das vertebras torácicas ou lombares, resultante da hiperflexão da coluna. AR DELINEANDO OS RINS SOMBRA DO PSOAS 73 Princípios Técnicos: Tratamento Cirúrgico: CONTUSÃO/TRAUMA FECHADO DE DUODENO (bem menos comum) Lesão clássica: “HEMATOMA DA PAREDE DUODENAL” – esse hematoma é capaz de fazer obstrução duodenal – o quadro clínico surge com DOR E VÔMITOS PÓS-PRANDIAIS – “bebeu algo e vomitou: desconfia” Diagnóstico: - RX CONTRASTADO – imagem em “MOLA EM ESPIRAL” OU “EMPILHAMENTO DE MOEDAS”. - MELHOR EXAME: TOMOGRAFIA! Conduta: - DESCOMPRESSÃO COM CATETER NASOGÁSTRICO + NUTRIÇÃO PARENTERAL TOTAL (OU JEJUNOSTOMIA) POR 5-7 DIAS. NÃO PRECISA CIRURGIA NUM PRIMEIRO MOMENTO – temos que esperar que o hematoma vá embora... Isso geralmente leva de 5-7 dias. Se não melhorar em até 14 dias CIRURGIA. Trauma de Jejuno/Íleo Conduta: - REPARO PRIMÁRIO: I – hematoma sem desvascularização ou laceração/lesão superficial sem perfuração - RESSECÇÃO DO SEGMENTO ACOMETIDO + ANASTOMOSE PRIMÁRIA: II – laceração < 50% da circunferência III – laceração ≥ 50% sem transecção IV – transecção do intestino delgado com perda segmentar de tecido V – vascular (desvascularização segmentar) Trauma de Cólon e Reto Conceitos Iniciais: - Mais frequentemente lesados em traumas PENETRANTES - Risco de lesão associada em casos de ESPÍCULAS ÓSSEAS DO TRAMA DE PELVE Segmento Mais Afetado: CÓLON TRANSVERSO. Abordagem: RAFIA PRIMÁRIA ESTABILIDADE HEMODINÂMICA + LESÃO < 50% DA CIRCUNFERÊNCIA + CIRURGIA PRECOCE (4-6 HORAS) + AUSÊNCIA DE LESÃO VASCULAR NO INTESTINO + < 4-6 CONCENTRADOS DE HEMÁCIAS. RESSECÇÃO + ANASTOMOSE - ESTÁVEL HEMODINAMICAMENTE, MAS NÃO PREENCHE UM DOS CRITÉRIOS CITADOS ACIMA. Exemplo: está estável, mas recebeu > 4-6 concentrados de hemácias = ressecção + anastomose; outro exemplo: está estável, mas há > 50% de circunferência acometida = ressecção + anastomose. Repare que tanto para a rafia primária, como para a ressecção + anastomose, a estabilidade hemodinâmica é exigida! E SE O PACIENTE ESTIVER INSTÁVEL HEMODINAMICAMENTE? - CIRURGIA DE HARTMAN: pegar a área que há uma continuidade com o TGI e fazer uma colostomia com posterior reconstrução do trânsito. - CIRURGIA DE CONTROLE DE DANOS: não é para operar o paciente vítima de um trauma complexo abdominal em um primeiro momento. Primeiro realizamos um uma cirurgia breve para controle inicial de hemorragia. Então, cirurgia de controle de danos = cirurgia inicial breve (controla a hemorragia com ligadura inicial dos vasos sangrantes, por exemplo) + reanimação em CTI (em 12- 72h) + reoperação planejada. LESÃO DE RETO - SE > 25% DA CIRCUNFERÊNCIA, FACES LATERAL OU POSTERIOR COLOSTOMIA DE PROTEÇÃO + POSTERIOR RECONSTRUÇÃO DO TRÂNSITO. - DRENAGEM PRÉ-SACRA. Conduta indicada pelo Scwartz. Sabiston questiona. - LAVAGEM DE RETO DISTAL. Conduta também questionada, mas já caiu em prova (UNIFESP). E EM CASOS DE EMPALAMENTO? Conceito: - Penetração de objeto de grande eixo longitudinal no ânus ou na região perianal. Abordagem: - Abdome cirúrgico? LAPAROTOMIA - Inicial: SEDAÇÃO (ex: benzodiazepínico) e tentativa de retirada - Não resolveu: ANESTESIA e tentativa de retirada - Não resolveu ou retirada apenas parcial do objeto: CIRURGIA 7. Trauma Vascular Abdominal | Hematoma Retroperitoneal ZONA 1: LINHA MÉDIA ARTÉRIA AORTA, TRONCO CELÍACO, ARTÉRIA MESENTÉRICA SUPERIOR E INFERIOR, VEIA CAVA, SEGMENTO PROXIMAL DE ARTÉRIAS E VEIAS RENAIS - Conduta no trauma: SEMPRE ABORDAGEM CIRÚRGICA/EXPLORAR O HEMATOMA, independente se lesão penetrante ou contusa (EXCETO SE O HEMATOMA É RETRO-HEPÁTICO – também chamado de hematoma negro). ZONA 2: LINHAS LATERAIS PARÊNQUIMA E VASOS RENAIS, ADRENAIS. - Conduta no trauma penetrante: SEMPRE CIRÚRGICO/EXPLORAR O HEMATOMA - Conduta no trauma contuso: em princípio NÃO HÁ INDICAÇÃO DE EXPLORAR (EXCETO NOS CASOS DE HEMATOMA SE EXPANDINDO/PULSÁTIL/SANGRAMENTO ATIVO) ZONA 3: PELVE VASOS ILÍACOS OU FRATURAS PÉLVICAS - Conduta no trauma penetrante: SEMPRE CIRÚRGICO/EXPLORAR O HEMATOMA - Conduta no trauma contuso: em princípio também NÃO HÁ INDICAÇÃO DE EXPLORAR (EXCETO NOS CASOS DE HEMATOMA SE EXPANDINDO/PULSÁTIL/SANGRAMENTO ATIVO E PACIENTES EXSANGUINANDO/CHOCANDO). PERCEBA... NO TRAUMA PENETRANTE, independente da zona, A EXPLORAÇÃO SEMPRE DEVE SER REALIZADA. 74 UM ALGO A MAIS SOBRE A ABORDAGEM CIRÚRGICA... CONCEITOS BÁSICOS DE UMA CIRURGIA VASCULAR: Exposição ampla da lesão, com controle proximal e distal do vaso Reparo adequado (manter a patência) através de enxertos (autólogos ou sintéticos) Cobertura dos vasos através da interposição de tecidos MANOBRAS DE EXPOSIÇÃO DO RETROPERITÔNIO: MANOBRA DE MATTOX: rotação visceral medial esquerda (“pegar tudo que tem na esquerda e jogar para o centro”) Liberação do cólon esquerdo, baço, rim esquerdo, corpo e cauda do pâncreas e fundo gástrico Exposição de toda aorta, desde o hiato até as ilíacas MANOBRA DE KOCHER: rotação visceral medial direita (“pegar o cólon direito e duodeno e jogar um pouco para o centro”) Liberação do cólon direito e duodeno + reflexão para a linha média Exposição do segmento infra-hepático da cava inferior, porta e origem da artéria mesentérica superior MANOBRA DE CATTELL: extensão medial de Kocher (“como se fosse a manobra de kocher mais intensa”) Liberação do meso até o ligamento duodenojejunal Delgado e cólon direito em direção ao tórax Permite maior visualização do retroperitônio 9. Síndrome Compartimental Abdominal - PIA normal: 5-7mmHg - HIA: PIA > 12mmHg Classificação: - Grau 1: 12-15mmHg - Grau 2: 16-20mmHg - Grau 3: 21-25mmHg - Grau 4: > 25mmHg E o que é a síndrome compartimental abdominal? PIA > 21MMHG + LESÃO DE ÓRGÃOS (IRA, IRPA, HIPOTENSÃO, HIC) Atualmente, o Sabiston afirma que INDEPENDENTE DO GRAU DE HIPERTENSÃO INTRABDOMINAL, SE HOUVER SINAIS DE LESÃO/DISFUNÇÃO ORGÂNICA, já está caracterizada a SÍNDROME COMPARTIMENTAL ABDOMINAL. Classificação: (1) PRIMÁRIA (condição intra-abdominal): trauma abdominal, hemorragia, ruptura de aneurisma de aorta abdominal (2) SECUNDÁRIA (ausência de lesão intra-abdominal): queimaduras graves, fraturas múltiplas, choque séptico... Tratamento: SCA com HIA grau 3: - Tratamento CONSERVADOR com SNG, posição supina, reposição cautelosa, drenagem de coleções intra-abdominais, hematoma, ascite, analgesia, sedação, SUPORTE HEMODINÂMICO - Se não melhorar, IRA ou IRPa: DESCOMPRESSÃO SCA com HIA grau 4 (PIA > 25mmHg): - Medidas conservadoras + DESCOMPRESSÃO (peritoniostomia) SCA com PPA <50: - Medidas conservadoras + DESCOMPRESSÃO (peritoniostomia) Se HIA grau 3 ou 4 em paciente com TCE + HIC: - Sempre fazer a DESCOMPRESSÃO BOLSA DE BOGOTÁ PPA = PAM – PIA Pressão de Perfusão Abdominal = Pressão Arterial Média – Pressão Intrabdominal PPA IDEAL = > 60 75 10. Fratura De Pelve Tipos: - COMPRESSÃO LATERAL (60-70%) relação com lesões viscerais (ex: trauma de bexiga) - COMPRESSÃO VERTICAL (5-15%) relação com lesões viscerais - COMPRESSÃO ANTERO-POSTERIOR (15-20%) relação com “OPEN- BOOK” + INSTABILIDADE. - Clínica: “FRATURA + HIPOTENSÃO” DISCREPÂNCIA DOS MMII, ROTAÇÃO LATERAL DOS MMII, HEMATOMA EM REGIÃO PERINEAL, URETRORRAGIA, DOR, CREPITAÇÃO Fratura “EM LIVRO ABERTO” SANGRAMENTO VENOSO e RAMOS DE ARTÉRIA ILÍACA INTERNA Causa de INSTABILIDADE HEMODINÂMICA - Tratamento: AMARRAR A PELVE AO NÍVEL DO TROCANTER MAIOR DO FÊMUR + POSTERIOR FIXAÇÃO EXTERNA. - Se não parar de sangrar... Possibilidade 1: PODE SER SANGRAMENTO ARTERIAL OU SANGRAMENTO VENOSO “GRAVE”! Considerar angioembolização (se arterial) ou packing pré-peritoneal (se venoso). - Se não parar de sangrar... Possibilidade 2: PODE SER SANGRAMENTO INTRAPERITONEAL/ABDOMINAL: se houver instabilidade hemodinâmica e o USG FAST confirmar a origem abdominal do sangramento, a conduta é LAPAROTOMIA! CAI MUITO EM PROVA! NÃO ESQUEÇA! - Desconfiar quando está presente os SINAIS DE LESÃO DE URETRA (citadas anteriormente), CINÉTICA DO TRAUMA, ROTAÇÃO ANORMAL DO MEMBRO INFERIOR. - Principal representante: fratura em “LIVRO ABERTO” - O sangramento é de ORIGEM VENOSA - Para controle do sangramento: COMPRESSÃO E REDUÇÃO DA FRATURA COM DISPOSITIVO ESPECÍFICO/LENÇOL. Algumas precisam de FIXAÇÃO EXTERNA. 11. Trauma Cranioencefálico Escama de Coma de Glasgow ECG REVISADA (ATLS 10ª EDIÇÃO) ABERTURA OCULAR RESPOSTA VERBAL RESPOSTA MOTORA Espontânea: 4 Es�mulo Verbal: 3 Es�mulo Doloroso: 2 Ausente: 1 NT (não testado) Orientada: 5 Confusa: 4 Inapropriada: 3 Incompreensível: 2 Ausente: 1 NT (não testado) Obedece a comandos: 6 Localiza dor: 5 Flexão normal: 4 Flexão anormal: 3 Extensão anormal: 2 Ausente: 1 NT (não testado) - SEMPRE CONSIDERAR A MELHOR RESPOSTA! - Avaliar TCE Leve: 13-15 Moderado: 9-12 Grave: < 8 GLASGOW-P - É o mesmo esquema, mas com acréscimo da reação pupilar à luz! - Vai de 1-15 pontos. Ambas pupilas reagem = 0 Uma pupila reage = 1 Nenhuma reação = 2 - Tem maior sensibilidade 76 Lesões cerebrais FOCAIS: Relembrando a anatomia... - Calota craniana > espaço epidural (ARTÉRIA MENÍNGEA) > dura-máter > espaço subdural (VEIAS PONTE) > aracnoide > espaço subaracnoide (LCR) > pia-máter - Hematoma epidural: artéria meníngea (vogal- vogal) - Hematoma subdural: veia ponte (consoante- consoante) Hematoma Subdural - VASO: veias-ponte - Mais comum - FATOR DE RISCO: atrofia cortical (idoso/alcoólatra/coagulopatia) - Clínica progressiva - TC: sangramento acompanha a calota (“em crescente”) Hematoma Epidural - VASOS: artéria meníngea - Mais grave - FATOR DE RISCO: trauma intenso no osso temporal - Clínica: intervalo lúcido - TC: imagem “biconvexa” SUBDURAL EPIDURAL Local Espaço subdural Espaço epidural Vaso Veias ponte Artéria meníngea média Frequência Mais comum Menos comum Fator de Risco Atrofia cortical (idoso, alcoólatra) Trauma grave no osso temporal Clínica Progressiva Intervalo lúcido (60%) TC Imagem hiperdensa “em crescente” Imagem hiperdensa biconvexa Dano cerebral Comum Incomum ATENÇÃO! DRENAGEM DO HEMATOMA. DESVIO > 5MM DA LINHA MÉDIA (esse número varia de literatura para literatura/sempre avaliar a clínica) Lesões cerebrais DIFUSAS: Concussão Cerebral - “Nocaute” (lesão por desaceleração súbita) - Clínica: perda súbita da consciência (por ATÉ 6 horas) - Conduta: suporte + observação Lesão Axonal Difusa (LAD) - “Lesão por cisalhamento” - Clínica: perda súbita da consciência (por MAIS de 6 horas) - Dica na prova: Glasgow baixo + TC inocente - Conduta: suporte + observação APROFUNDANDO O CONHECIMENTO EM CONDUTAS NO TCE TCE LEVE: GCS 13 A 15 Indicações de TC: - Risco elevado de intervenção neurocirúrgica GCS < 15 após duas horas do trauma Suspeita de fratura de crânio aberta ou com afundamento Sinais de fratura de base de crânio Vômitos (> 2 episódios) 65 anos Uso de anticoagulantes - Risco moderado de intervenção neurocirúrgica Perda de consciência prolongada Amnésia retrógrada Mecanismo perigoso de trauma: ejeção do veículo, atropelamento, queda de altura superior a 5 degraus de uma escada ou 0,9 metros TCE MODERADO: GCS 9 A 12 - SEMPRE TC E AVALIAÇÃO NEUROCIRÚRGICA - REAVALIAÇÃO SERIADA - NOVA TC EM 24 HORAS SE PIORA OU ALTERAÇÃO NA TC INICIAL TCE grave: GCS < 8 - VIA AÉREA ARTIFICIAL - CATETER DE PIC - CONTROLE DA PPC > 70 MMHG (PPC = PAM – PIC) Cabeceira 30 – 45° PAS > 100 mmHg (50 – 69 anos) ou > 110 mmHg (15-49 ou > 70 anos) Drenagem liquórica Osmoterapia com manitol (salina hipertônica) Hiperventilação leve e transitória (em refratários) - Corticoide: NÃO MELHORA O PROGNÓSTICO - Hipotermia: REDUZ PIC E NEUROPROTEÇÃO, MAS NÃO MELHORA PROGNÓSTICO NO TCE GRAVE (além do alto risco) 77 1. Trauma de Face Classificação de Lefort: Tipo 1 - LINHA DE FRATURA É TRANSVERSA - Também chamada de Guérin ou Disjunção Dentoalveolar Tipo 2 - SEPARA OS OSSOS MAXILAR E NASAL DO OSSO FRONTAL - Fratura piramidal Tipo 3 - Semelhante a tipo 2, mas COM ACOMETIMENTO DE ÓRBITA - Disjunção craniofacial Observação: as fraturas de Lefort Tipo 2 e Tipo 3 podem cursar com fratura de base de crânio. Ordem De Prevalência Das Lesões: - Nasal > Mandíbula > Zigomático > Órbita/Maxila > Frontal Abordagem Geral: - Passo inicial: SEGUIR O ABCDE! Por mais “assustadora” que seja a lesão de face, tem que seguir o protocolo! - TOMOGRAFIA DE FACE OU SEIOS DA FACE É O GRANDE EXAME (reconstrução 3D = padrão-ouro) Conduta Geral: - CIRURGIA SOMENTE SE PREJUÍZO ESTÉTICO OU PERDA DE FUNÇÃO (ex: não consegue abrir a boca, visão prejudicada, etc) - SE SANGRAMENTO PROTUSO DE OROFARINGE = acometimento provável de artéria maxilar ou palatina (ramos da carótida externa). A conduta é o LIGAMENTO DA CARÓTIDA EXTERNA. Complicações Cirúrgicas Mais Comuns: - FÍSTULA LIQUÓRICA (pode complicar com meningite ou sinusite) - EPISTAXE APROFUNDANDO... TRAUMA OCULAR - EVITAR MANIPULAR O OLHO - PROTEÇÃO sobre o olho e ENCAMINHAR PARA O ESPECIALISTA TRAUMA DE ÓRBITA Anatomia: - ZIGOMÁTICO, MAXILAR, PALATINO, FRONTAL, ETMÓIDE, ESFENÓIDE E LACRIMAL Osso nasal NÃO faz parte da órbita Clínica: - HEMATOMA PERIORBITÁRIO, HEMORRAGIA SUBCONJUNTIVAL, ANESTESIA REGIONAL, ALTERAÇÕES OCULARES (enoftalmia, diplopia, motricidade e abertura ocular anômalas) - SÍNDROME DA FISSURA ORBITÁRIA SUPERIOR (FOS): paralisia do III e IV nervos cranianos + anestesia no ramo oftálmico do trigêmeo (V1) - SÍNDROME DO ÁPEX: é a FOS + AMAUROSE Classificação: - “BLOW OUT” Mais comum Enoftalmia: o olho “cai” para dentro e fica “aprisionado” - “BLOW IN” Rara Fragmentos na cavidade orbitária Proptose Diagnóstico: - Blow in: na TC REDUÇÃO VOLUMÉTRICA DA ÓRBITA + EXOFTALMO (mais raro) - Blow out: TC com FRATURA NA PAREDE MEDIAL (LÂMINA PAPIRÁCEA) E ASSOALHO + ENOFTALMO (mais comum) Tratamento: - CIRÚRGICO se prejuízo estético ou perda de função. Se FOS com encarceramento ou Ápex = URGÊNCIA (perda visual) TRAUMA DE MAXILA - Frequentemente associada a outras fraturas, como a de base de crânio. FRATURA NASAL - Fase aguda: avaliar HEMATOMA DE SEPTO se presente = drenar! - TRATAMENTO NÃO PRECISA SER FEITO NA FASE HIPERAGUDA (em geral aguardar 5-7 dias) - Classificação de Stranc: 1 e 2 REDUÇÃO MANUAL 3 FIXAÇÃO CIRÚRGICA LESÕES DO NERVO FACIAL - Muito associada a FRATURAS DO OSSO TEMPORAL - Lesões DESDE A REGIÃO PRÉ-AURICULAR ATÉ ÂNGULO DA BOCA - Conduta: NEURORRAFIA PRIMÁRIA Se lesão de parótida: RAFIA DA GLÂNDULA E AVALIAR DUCTO DE STENSENTrauma II @ casalmedresumos 78 LESÃO DE PARÓTIDA Atenção para lesão do DUCTO DE STENSEN! Lesão SEM acometimento do ducto = SUTURA SIMPLES + DRENAGEM (evitar formação de cistos salivares) Lesão COM acometimento o ducto = RECANALIZAÇÃO MICROCIRÚRGICA FRATURA DE MANDÍBULA - Ramo (onde fica o côndilo): geralmente mais grave, precisa de tratamento cirúrgico - Exame físico: avaliar via aérea, dentição, oclusão oral - Se lesão do alvéolo dentário = fratura exposta ATB + FIXAÇÃO ASSIM QUE POSSÍVEL - Objetivo principal do tratamento é a OCLUSÃO ORAL SATISFATÓRIA - Em geral, o tratamento vai ser CIRÚRGICO COM MINI PLACAS/PARAFUSOS Opção: bloqueio maxilo-mandibular (fraturas mais simples) FRATURA DE ZIGOMÁTICO - Atenção: TRISMO - Em geral vem acompanhada por outras fraturas - Exame físico: paciente não consegue abrir a boca (trismo) - TRATAMENTO CIRÚRGICO FRATURA DE FRONTAL - Seio frontal tem 2 partes: TÁBUA ANTERIOR E POSTERIOR - Fratura de tábua anterior = FIXAÇÃO CIRÚRGICA (prejuízo estético) - Fratura de tábua posterior = CRANIALIZAÇÃO DO SEIO (transforma o seio em parte do crânio) LESÃO DE ORELHA - Atenção para RISCO DE CONDRITE - Avaliar lesão = LIMPEZA - AVALIAR ACOMETIMENTO DE CARTILAGEM - Feridas SEM acometimento de cartilagem = SUTURA PRIMÁRIA E ATB TÓPICO - Feridas COM acometimento de cartilagem = ATB SISTÊMICO + SUTURA com cobertura adequada da cartilagem com tecidos bem vascularizados SE CONDRITE... - Achados: ORELHA EM COUVE-FLOR + DOR + INFLAMAÇÃO - Tratamento: RESSECAR CARTILAGEM ACOMETIDA + PRESERVAR PELE + ATB (ACETATO MAFENIDE*) (*) Efeitos colaterais: dor e acidose metabólica 2. Trauma Cervical CLASSIFICAÇÃO: - PENETRANTE OU NÃO PENETRANTE: em relação a qualquer estrutura vascular, neurológica ou aerodigestiva - SUPERFICIAL OU PROFUNDO: em relação ao músculo PLATISMA ZONAS CERVICAIS: ZONA 1 - Base do pescoço e desfiladeiro torácico - FÚRCULA ESTERNAL até CARTILAGEM CRICOIDE - Acesso cirúrgico difícil e maior mortalidade ZONA 2 - Carótidas, vertebrais, jugulares e trato digestivo - CARTILAGEM CRICOIDE até ÂNGULO DA MANDÍBULA - Acesso cirúrgico mais fácil ZONA 3 - ÂNGULO DA MANDÍBULA até BASE DO CRÂNIO Perceba que da Zona I para a Zona III, vamos “subindo”. A de maior extensão é a Zona II, onde temos várias estruturas possíveis de serem lesadas! CONDUTA: (1) ABORDAGEM INICIAL: ABCDE do trauma A: colar cervical, prancha rígida, via aérea Possibilidade de trauma raquimedular Via aérea em risco: lesão direta de via aérea e hematomas/edema IOT: preferência CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA: se falha na IOT Contraindicada em: crianças <12 anos, fraturas de laringe (fratura palpável, enfisema subcutâneo, rouquidão) → traqueostomia TRAQUEOSTOMIA DE URGÊNCIA: Paciente com fratura de laringe em que não foi possível a IOT Crianças < 12 anos em que não foi possível a IOT Lacerações abertas de pescoço, com secção parcial da laringe ou traqueia B: respiração Possibilidade de acometimento torácico principalmente em zona 1 C: circulação Foco de sangramento importante Inspeção do orifício de entrada e saída NÃO fazer inspeção digital NÃO fazer ligadura às cegas Sangramento ativo → compressão com cautela Imagem: researchgate.net | Adonis Nasr 79 (2) AVALIAR CONDUTA CIRÚRGICA: - SE INSTABILIDADE, SANGRAMENTO ATIVO, HEMATOMA EM EXPANSÃO, LESÃO AERODIGESTIVA (ENFISEMA CERVICAL PROGRESSIVO, VAZAMENTO DE AR POR FERIDA) = CIRURGIA (CERVICOTOMIA EXPLORADORA) - SE ESTABILIDADE + SEM INDICAÇÕES ACIMA = INVESTIGAÇÃO ANGIOTC (melhor opção) Investigação cardiovascular: arteriografia (padrão-ouro), angioTC e USG doppler Investigação respiratória: laringoscopia, broncofibroscopia, Investigação digestiva: EDA, esofagografia... - SE ESTABILIDADE + ASSINTOMÁTICO = EXPLORAR PLATISMA! Íntegro + assintomático = NÃO PRECISA DE ANGIOTC Íntegro + outros sinais (disfagia, enfisema subcutâneo não progressivo, hematoma estável) = ANGIOTC E, SE NORMAL, OBSERVAR POR 24H Lesado + angioTC normal = OBSERVAR POR 24H RESUMÃO DO FLUXOGRAMA Instável? Sim CERVICOTOMIA EXPLORADORA Não: Hemorragia intensa? Hematoma em expansão? Obstrução de vias aéreas? Enfisema subcutâneo progressivo? Piora neurológica? Sim CERVICOTOMIA EXPLORADORA Não EXAMES COMPLEMENTARES: ANGIOTOMOGRAFIA CERVICAL (principal) USG doppler Broncoscopia EDA ou esofagograma 3. Trauma de Coluna Vertebral e Raquimedular TRAUMA DE COLUNA Conceitos Iniciais: 33 VÉRTEBRAS! 7 Cervicais 12 Torácicas 5 Lombares 5 Sacrais 4 Coccígeas Dados Estatísticos: 55%: coluna cervical 15% coluna torácica 15% coluna toracolombar 15% coluna lombossacra 5% das vítimas de TCE também apresentam lesão de coluna vertebral 25% das vítimas com lesão de coluna vertebral apresentam TCE Até 5% dos pacientes apresentam início dos sintomas ou piora clínica APÓS a estabilização AVALIANDO A RADIOGRAFIA DE COLUNA CERVICAL: - AP E PERFIL SEMPRE! - VISUALIZAR AS 7 VÉRTEBRAS CERVICAIS = exame bem feito! Se não visualizou as 7, o exame foi mal feito! - VERIFICAR O ALINHAMENTO! Anterior ao corpo vertebral Posterior ao corpo vertebral Espinolaminar Supraespinhal Principais Fraturas: LUXAÇÃO ATLANTO-OCCIPITAL (C1) - Comum na SÍNDROME DO BEBÊ SACUDIDO (flexão + distração) FRATURA DE JEFFERSON (ATLAS-C1) - “EXPLOSÃO” (trauma de energia) gerando fratura em 4 PARTES em arco anterior e posterior. - É uma força AXIAL (“de cima para baixo”), como em MERGULHOS OU OBJETOS CAINDO NA CABEÇA. FRATURA DO AXIS (C2) - Descontinuidade do processo odontoide - Gerado por HIPEREXTENSÃO CERVICAL. - Também conhecida como “ENFORCADO HANGMAN” FRATURA DE CHANCE (vértebra torácica) - Ocorre o ACHATAMENTO do corpo vertebral - Mecanismo de DESACELERAÇÃO, típico nos casos de acidentes com o USO DE CINTO DE SEGURANÇA DE 2 PONTAS. 80 TRAUMA RAQUIMEDULAR PRINCIPAIS DERMÁTOMOS DE PROVA: C5: ombros T2: axilas T4: mamilos T8: xifoide T10: umbigo T2: sínfise púbica L1-L5: membros inferiores (L3: joelho) S4 e S5: esfíncter/perianal PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE CHOQUE NEUROGÊNICO E MEDULAR: CHOQUE NEUROGÊNICO CHOQUE MEDULAR - HIPOTENSÃO - Lesão do simpático: perda do tônus vasomotor - Se acometimento de T6 para cima: AUSÊNCIA DE TAQUICARDIA - Conduta: volume + vasopressores +/- atropina - NÃO TEM HIPOTENSÃO! - “PANCADA” na medula: arreflexia pós- trauma medular 4. Trauma de Transição Toracoabdominal LIMITES DA TRANSIÇÃO TORACOABDOMINAL: - LINHA DOS MAMILOS E REBORDO COSTAL Anteriormente: 4º EIC Lateralmente: 6º EIC Posteriormente: 8º EIC/ponta da escápula Inferiormente: rebordos costais e apêndice xifoide Conceitos Importantes: - DIAFRAGMA é a principal estrutura lesada - Principal mecanismo: FAF - Atendimento inicial: ABCDE B: avaliar estigmas de trauma, bem como ferimentos de entrada e saída C: reposição volêmica + infusão de ácido tranexâmico se indicada Avaliação secundária: FAST/E-FAST; Rx de transição toracoabdominal CONDUTA ESPECÍFICA: Estável: LAPAROSCOPIA (!) TC (não é bom para avaliar diafragma) esse é o grande conceito que as provas cobram! Conduta de acordo com lesão Instável: E-FAST (!) Tórax + = TORACOTOMIA Abdome + = LAPAROTOMIA Ambos + = depende (em SP geralmente começa pelo tórax) OBS: lesão diafragmática melhor abordar pelo abdome 81 TRAUMA DE DIAFRAGMA Definições: - PODE SER CAUSADO POR TRAUMA CONTUSO OU PENETRANTE! - O ideal é fazer a identificação precoce para evitar herniação de outros órgãos! TRAUMA PENETRANTE: Lesões coincidem com o tamanho do objeto MENOS SINTOMÁTICAS TRAUMA CONTUSO: Ruptura por ↑pressão intra-abdominal = LESÕES MAIORES E MAIS GRAVES Segundo o ATLS: lesões comumente de 5-10cm, com a região póstero-lateral esquerda sendo a mais acometida. Como temos o fígado do lado direito, as lesões acabam sendo mais diagnosticadas no lado esquerdo! Diagnóstico: - RX: HERNIAÇÃODO CONTEÚDO Radiografia pode até ser feita, mas pode deixar passar alterações mais imediatas. - TOMOGRAFIA: MELHOR QUE O RX, MAS NÃO É O MELHOR EXAME! Também não é o melhor exame para identificar lesões diafragmáticas! - VIDEOLAPAROSCOPIA E VIDEOTORACOSCOPIA = PADRÃO-OURO! PODEM SER TERAPÊUTICAS NOS CASOS DE LESÕES PEQUENAS. É o padrão-ouro, mas não é necessário fazer sempre! Geralmente utilizamos nos casos de ESTABILIDADE HEMODINÂNICA e DÚVIDA DIAGNÓSTICA. A laparoscopia é a mais utilizada. 5. Trauma de Esôfago Conceitos Iniciais: - Principal causa de perfuração: EDA - Principal mecanismo externo: TRAUMA PENETRANTE Anatomia: - 3 porções! CERVICAL: da faringe (esfíncter esofagiano superior) até o nível das clavículas Irrigação: EES = a. tireóidea superior; cervical = a. tireóidea inferior TORÁCICO: das clavículas ao diafragma Irrigação: a. brônquicas + ramos da aorta ABDOMINAL: abaixo do diafragma até o cardia Irrigação: a. gástrica esquerda + a. frênica inferior Inervação: - NERVO VAGO! RAMO ANTERIOR > E RAMO POSTERIOR > D Diagnóstico: TC DE PESCOÇO + TÓRAX + ABDOME COM CONTRASTE. Alternativas: RX: pode evidenciar pneumomediastino ou pneumoperitônio EDA: pode visualizar diretamente a lesão Tratamento: - HIDRATAÇÃO IV + ATB DE AMPLO ESPECTRO + MONITORIZAÇÃO Abordagem: - Esôfago Cervical: CERVICOTOMIA ESQUERDA - Esôfago Torácico Superior ou Médio: TORACOTOMIA PÓSTERO- LATERAL DIREITA (4º/5º EIC) - Esôfago Torácico Inferior: TORACOTOMIA ESQUERDA (6º/7º EIC) - Junção Gastroesofágica: LAPAROTOMIA Cirurgia: - REPARO PRIMÁRIO. Em casos tardios (> 12-24 horas) ou instabilidade hemodinâmica: considerar ESOFAGOSTOMIA + FECHAMENTO DO COTO DISTAL + JEJUNOSTOMIA pelo risco de mediastinite. Cuidados Extras: - SEMPRE DEIXAR O DRENO após a cirurgia 82 LESÃO POR SODA CÁUSTICA Clínica: - Quando as substâncias cáusticas são ingeridas, o paciente pode apresentar LESÕES ORAIS E ESOFÁGICAS, ODINOFAGIA, SIALORREIA, VÔMITOS, HEMATÊMESE E DISFAGIA. - SINAIS DE IRRITAÇÃO PERITONEAL podem indicar perfuração do TGI. - DOR RETROESTERNAL OU DORSAL IMPORTANTE pode indicar perfuração esofágica com PNEUMOMEDIASTINO. - Além disso, por consequência de lesão em laringe, o paciente pode apresentar ROUQUIDÃO, DISFONIA E DISPNEIA. Exames: - RX TÓRAX E ABDOME (avaliar perfuração) + EDA Abordagem: - Se sinais de abdome agudo perfurativo ou mediastinite perfurativa: TRATAMENTO CIRÚRGICO DE URGÊNCIA - Se ingesta de pequena quantidade (< 200ml) de produtos com pH próximo de 7: TESTE DE ACEITAÇÃO DE DIETA Iniciar com líquidos, progredir para gelatina e após alimentos pastosos e sólidos: alta se boa aceitação, sem sintomas EDA se sintomas como disfagia, odinofagia ou dor retroesternal - Demais casos: ANALGÉSICOS, ANTIEMÉTICOS SE NECESSÁRIO E INIBIDOR DE BOMBA DE PRÓTONS (IBP) ENDOVENOSOS + EDA precoce (idealmente entre 3-48h após a ingestão, preferencialmente nas primeiras 24h) para avaliar e classificar a lesão (Zargar) - ANTIBIÓTICO: apenas se SUSPEITA DE PERFURAÇÃO. Classificação De Zargar: 0 e I - HV, IBP, OBSERVAÇÃO CLÍNICA 48H (pode piorar) e JEJUM seguido de TESTE DE ACEITAÇÃO DE DIETA conforme evolução IIa e IIb = úlceras - MEDIDAS DE SUPORTE E OBSERVAR POR 24-36H + EDA: melhorou = conservador; piorou = cirurgia IIIa e IIIb = necrose - MEDIDAS DE SUPORTE E OBSERVAR 24-36H + EDA: melhorou = conservador; piorou = cirurgia Qual cirurgia? ESOFAGECTOMIA TRANS-HIATAL + ESOFAGOSTOMIA + JEJUNOSTOMIA Se posterior: ESOFAGOCOLOPLASTIA (não pode usar estômago) O Que Não Fazer? Lavagem gástrica/Carvão ativado/uso de eméticos: podem causar nova lesão pela passagem da substância Agentes neutralizantes: a reação libera calor e pode aumentar a lesão Corticoides: sem evidência científica 6. Trauma de Estômago Conceitos Iniciais: - Principal mecanismo: PENETRANTE - Principais porções acometidas: PAREDE ANTERIOR E GRANDE CURVATURA - Na maioria das vezes não causa maiores problemas Suspeita: - Presença de LÍQUIDO LIVRE NA TOMOGRAFIA, mas SEM LESÃO DE ÓRGÃOS PARENQUIMATOSOS. Classificação: - I (leve): hematoma OU lesão sem perfuração - II: laceração < 2cm no cardia ou piloro; < 5cm no 1/3 proximal; < 10cm nos 2/3 distais - III: laceração > 2cm no cardia ou piloro; > 5cm no 1/3 proximal; > 10cm nos 2/3 distais - IV: laceração < 2/3; perda de tecido ou desvascularização < 2/3 - V: laceração > 2/3; perda de tecido ou desvacularização > 2/3 Tratamento: - I, II e III: OBSERVAÇÃO/CONSERVADOR OU SUTURA SEROMUCULAR - IV: GASTRECTOMIA DISTAL + B1 (anastomose duodenal; CI: lesão duodenal ou pancreática associadas) ou Y-ROUX - V: GASTRECTOMIA TOTAL + Y-ROUX Em raríssimas vezes é necessário gastrectomia. 7. Trauma de Uretra 83 Anatomia da Uretra Masculina (é a que cai em prova): - DIAFRAGMA UROGENITAL: estrutura que divide a uretra masculina em “2 pedaços” Uretra POSTERIOR Segmento prostático Segmento membranoso Uretra ANTERIOR Segmento bulbar Segmento peniano Segmento glandular (fossa navicular) É importante conhecer a anatomia, porque a depender do mecanismo de lesão, vamos pensar especificamente na lesão de determinada estrutura. Mecanismo de Lesão: - URETRA POSTERIOR Membranosa e prostática: FRATURAS E LUXAÇÕES DE PELVE - URETRA ANTERIOR: Bulbar: QUEDA A CAVALEIRO Peniana: TRAUMA PENETRANTE, MORDEDURA OU FRATURA DE CORPOS CAVERNOSOS Clínica: - URETRORRAGIA, HEMATOMA ESCROTAL OU ERINEAL, RETENÇÃO URINÁRIA AGUDA, PRÓSTATA ELEVADA Investigação: - URETROCISTOGRAFIA RETRÓGRADA. Na imagem, temos um paciente vítima de politrauma com fratura da pelve. A uretrocistografia retrógrada da uretra masculina evidencia o extravasamento do meio de contraste para os tecidos periuretrais, caracterizando uma rotura da uretra bulbar (apontado pela seta preta). Conduta: - NÃO PASSAR CATETER VESICAL! - Realizar DESCOMPRESSÃO POR CISTOSTOMIA SUPRA-PÚBICA VIA ABERTA. NÃO É POR PUNÇÃO. Atenção: se gravidez ou fratura de pelve associada: a cistostomia deve ser SUPRAumbilical e ABERTA! Não é para fazer por punção (risco de puncionar um possível hematoma retroperitoneal ou o próprio útero). E se precisa olhar o débito urinário, se precisa aliviar um possível bexigoma por conta da lesão, tem que fazer cistostomia! Entendendo melhor o tratamento... URETRA ANTERIOR Trauma fechado: cistostomia suprapública Trauma aberto: correção cirúrgica URETRA POSTERIOR Cistostomia suprapúbica, realinhamento endoscópico ou cirúrgico 8. Trauma de Uretra RARO! 75% causa iatrogênica 18% trauma fechado 7% trauma penetrante Investigação: - URETROGRAFIA RETRÓGRADA OU EXCRETORA Abordagem: Lesões mínimas = CATETER URETERAL (DUPLO J) OU NEFROSTOMIA 1/3 superior = URETERO-URETEROSTOMIA; 1/3 médio = URETERO-URETEROSTOMIA, RETALHO E BOARI (novo ureter a partir da parede da bexiga) 1/3 distal = REIMPLANTE DIRETAMENTE NA BEXIGA, PSOAS HITCH (eleva a bexiga até a altura da lesão e a fixa no m. psoas) 9. Trauma de Bexiga Mecanismo de Lesão e Causas: - Também dividimos a bexiga em “2 pedaços” INTRAPERITONEAL AUMENTO SÚBITO DA PRESSÃO INTRA-ABDOMINAL (exemplo: acidente de carro em que o cinto pressiona a bexiga cheia) EXTRAPERITONEAL FRATURAS E LUXAÇÃO DE PELVE Clínica: - HEMATÚRIA, FRATURA DE PELVE, DOR ABDOMINAL, INCAPACIDADE DE URINAR, CONTUSÃO SUPRAPÚBICA Investigação: - URETROGRAFIA RETRÓGRADA Conduta: - INTRAPERITONEAL ou LESÃO DE COLO VESICAL ou FRAGMENTOS ÓSSEOS NA PAREDE VESICAL ou APRISIONAMENTO LAPAROTOMIA COM RAFIA DE LESÃO A bexiga “explodiu” dentro da cavidade, tem urina dentro da cavidade... Tem que abrir! - EXTRAPERITONEAL CATETER VESICAL POR ~ 10-14 DIAS Você não precisa fazer a rafia da lesão. Você vai apenas “descomprimir” a bexiga, que vai cicatrizar por segunda intenção. 10. Trauma Renal Conceitos Iniciais: - É o ÓRGÃO DO TRATO GENITOURINÁRIO MAIS ACOMETIDO EM VÍTIMAS DE TRAUMATISMOS EXTERNOS. Trauma contuso: 90% Outras lesões: 75% Suspeita:- HEMATÚRIA + HISTÓRIA DE TRAUMA (REGIÃO DE FLANCO/LOMBAR) Apesar de ser a manifestação mais frequente e clássica na prova, a hematúria não é obrigatória e ainda é pouco específica, sem relação com intensidade e gravidade da lesão. 84 Classificação: Abordagem: - Se estável: TC 3 FASES (ARTERIAL, VENOSA e EXCRETORA) Lesões “menores”: não atingem o sistema coletor (85%) GRAUS I, II e III Lesões “maiores”: atingem o sistema coletor GRAUS IV e V Conduta: LESÕES MENORES NÃO ATINGEM DUCTO COLETOR GRAUS I, II e III TRATAMENTO CONSERVADOR LESÕES MAIORES ATINGEM DUCTO COLETOR GRAU IV TRATAMENTO CONSERVADOR, SE ESTÁVEL (controverso: algumas literaturas indicam nefrectomia). Se “BLUSH ARTERIAL” = ARTERIOGRAFIA + ANGIOEMBOLIZAÇÃO GRAU V NEFRECTOMIA Então... Quando operar? Ferimento penetrante ou trauma contuso + INSTABILIDADE HEMO HEMATOMA PERIRRENAL EM EXPANSÃO OU PULSÁTIL AVULSÃO DA A. RENAL PRINCIPAL (GRAU 5) 11. Embolia Gordurosa Causas: - FRATURA DE OSSOS LONGOS OU PELVE - PROCEDIMENTOS ORTOPÉDICOS (artroplastia de quadril, joelho) - LIPOASPIRAÇÕES, QUEIMADURAS, OSTEOMIELITE, PANCREATITE Quadro Clínico: - Geralmente APÓS 24-72H APÓS A LESÃO INICIAL Não é sempre assim! Pode até haver clínica mais precoce, mas o padrão é esse! - Tríade clássica: HIPOXEMIA: taquipneia, dispneia ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS: confusão mental, convulsão, déficit focal PETÉQUIAS: cabeça, pescoço, tórax, axilas, conjuntivas (são as manifestações mais tardias) Diagnóstico: - CLÍNICA + FATOR DE RISCO Tratamento: - SUPORTE! Não existe tratamento específico! - Atenção: a correção precoce da fratura diminui o risco e um novo evento, mas não se sabe se acelera a cura. - CORTICOIDE: medida controversa na literatura. - HEPARINA: sua administração rotineira não é recomendada. DICA = extravasamento urinário grau > 4 85 1. Pré-Operatório Exames Complementares Com relação à IDADE: USP-SP < 40 anos Nenhum! 40 – 49 anos ECG para homens + hemograma 50 – 64 anos ECG + hemograma > 65 anos ECG + hemograma + Cr/Ur + eletrólitos + GJ + RX de tórax (*) Se tabagista > 20 anos/maço: RX de tórax independentemente da idade SABISTON (20ª) < 45 anos Nenhum! 45 – 54 anos ECG para homens 55 – 70 anos ECG + hemograma > 70 anos ECG + hemograma + Cr/Ur + eletrólitos + GJ (*) Se tabagista: ECG + parar de fumar 8 semanas antes Com relação à COMORBIDADE: - DM: glicemia - DRC: ureia e creatinina - Cirrose: hepatograma/coagulograma Com relação à CIRURGIA: - COAGULOGRAMA: estimativa de perda > 1,5 litros, neurocirurgia, cirurgias cardíaca e torácica - RX DE TÓRAX: cirurgia cardíaca e torácica. Pela USP: + carga tabágica > 20 anos/maço - ESPIROMETRIA: cirurgia pulmonar Avaliação Cardiovascular ÍNDICE DE RISCO CARDÍACO REVISADO (IRCR) (1) Doença coronariana (2) Insuficiência cardíaca (3) DRC (creatinina > 2) (4) DM insulinodependente (5) Doença cerebrovascular (AVE ou AIT) (6) Cirurgia torácica, abdominal ou vascular suprainguinal Se IRCR < 2: - PODE LIBERAR A CIRURGIA! Se IRCR > 2: - AVALIAR CAPACIDADE FUNCIONAL! - > 4 METS: LIBERAR A CIRURGIA - < 4 METS: TESTE CARDIOLÓGICO NÃO INVASIVO (ex: ECO com dobuta) Se normal: pode liberar a cirurgia! Se anormal: tratar condição de base PARA MINIMIZAR O RISCO: - BETABLOQUEADOR SE IRCR > 3 (INICIAR > 1 DIA ANTES) NÃO OPERAR SE CARDIOPATIA ATIVA/DESCOMPENSADA: angina instável, ICC descompensada, arritmia ou valvopatia grave. E A HIPERTENSÃO ARTERIAL NO PRÉ-OPERATÓRIO? Valor ideal: < 140 x 90 SUSPENDER CIRURGIA se > 180 x 110 (se eletiva, claro) Tempo ideal para controle da PA: 30 dias Fatores de Influenciam o Risco Anestésico: - Relacionados ao procedimento: duração > 4 horas, perda sanguínea > 1.500ml, invasão de cavidades, anestesia geral ou bloqueio neuraxial, cirurgia de emergência - Relacionados ao paciente: > 70 anos, doença sistêmica, baixa capacidade funcional, instabilidade cardiovascular ou respiratória Classificação de ASA I: PACIENTE NÃO TEM NADA. II: DOENÇA SISTÊMICA SEM LIMITAÇÃO. Ex: HAS controlada, DM controlado CUIDADO: também entra TABAGISMO, ETILISMO SOCIAL, OBESIDADE III: LIMITA, MAS NÃO INCAPACITA. Ex: HAS não controlada, DM sem controle, IAM prévio IV: LIMITA E INCAPACITA. Ex: IC grave V: MORIBUNDO. Ex: ruptura de aneurisma de aorta, AVEh com HIC VI: MORTE CEREBRAL. Ex: doação de órgãos Obs: se for cirurgia de emergência, acrescentar o sufixo “E” Medicações de Uso Crônico Manter (inclusive no dia): - CORTICOIDE (+ hidrocortisona IV na indução anestésica + novas doses 8/8h por 24-48 horas de pós-operatório para mimetizar a REMIT) - ANTI-HIPERTENSIVOS (INCLUSIVE diuréticos!) (*) IECA/BRA: considerar suspender devido ao risco de hipotensão perioperatória. Se IC: manter. (*) Tiazídicos: considerar suspender - INSULINA (NPH: 1/2 ou 2/3 da dose | Glargina: 1/2 dose). Manter glicemia entre 80-180mg/dl - PSICOTRÓPICOS - LEVOTIROXINA - INALATÓRIOS PARA ASMA/DPOC - AAS PARA CORONARIOPATAS (exceto se neurocirurgia ou RTU) - ESTATINAS - BETABLOQUEADORES Suspender NO DIA: - HNF: 4-6 horas - HBPM: 12-24 horas - ANTI-DIABÉTICO ORAL: no dia (metformina: 24/48h | acarbose: 24h) - (*) IECA/BRA: considerar suspender devido ao risco de hipotensão perioperatória. Se IC: manter. - (*) TIAZÍDICOS: considerar suspender Suspender 2-3 dias: - NOAS: 24/48h - METFORMINA: 24-48h - AINE: 1-3 dias - INIBIDORES DA SGLT-2: ao menos 3 dias Suspender > 5 dias: - AAS 7-10 dias (se coronariopata: mantém AAS [considerar a retirada em casos especiais, como na neurocirurgia, RTU, onde o risco de sangrar é muito perigoso]. - CLOPIDOGREL: 5-7 dias. Diferente do AAS, deve sempre ser suspenso - PRASUGREL: 7 dias. Mesmo raciocínio do clopidogrel. - WARFARIN: 4-5 dias (só operar se INR < 1,5 | faz ponte com heparina) se cirurgia de urgência em usuário de warfarin = PFC na dose de 15-20ml/kg Extra... - GINKO-BILOBA: 36 horas - Cápsulas de ALHO: 7 dias - GINSENG: 7 dias Capacidade funcional = avalia quanto o coração gasta diariamente. É avaliada em METS. - 1 MET: cuidados próprios - 4 METS: subir um lance de escadas - 4-10 METS: limpar a casa/arrastar móveis - > 10 METS: praticar esportes Perioperatório @ casalmedresumos (*) Considerações da última diretriz (2022) da Sociedade EUROPEIA DIANTE DAS DIVERGÊNCIAS NA LITERATURA, SEMPRE USAR O BOM SENSO! 86 Profilaxia TVP/TEP BAIXO RISCO MODERADO/ALTO RISCO Apendicectomia VL Ortopédicas Colecistectomia VL Oncológicas Hernioplastia Bariátrica Urológico endoscópico Imobilização Mastectomia e plástica Trombofilia DEAMBULAÇÃO HEPARINA (2h antes) Pelo Escore de Caprini... 1 ponto: 41-60 anos, cirurgia pequena, anticoncepcional, obesidade, varizes... 2 pontos: 61-74 anos, cirurgia > 45m, câncer ou imobilização... 3 pontos: > 75 anos, história de TVP ou trombofilia 5 pontos: ortopedia, AVC < 1 mês Risco Tromboembólico Estratégia MUITO BAIXO (< 0,5%) | 0 pontos - Cirurgia ambulatorial DEAMBULAÇÃO PRECOCE BAIXO (1,5%) | 1-2 pontos - Cirurgia > 45 minutos, acesso a veia central, restrição ao leito > 72 horas, câncer NÃO FARMACOLÓGICA (compressão pneumática intermitente) MODERADO (3%) | 3-4 pontos - 2 itens anteriores juntos, TVP/TEP prévio, cirurgia cardíaca ou torácica FARMACOLÓGICA - Enoxaparina 40mg SC 1x/dia - HNF 5.000U 12/12 ou 8/8 horas Obs: também pode optar pela não farmacológica. UM OU OUTRO! ALTO (6%) | > 5 pontos - Cirurgia ortopédica (quadril, joelho), oncológica de pelve, abdome FARMACOLÓGICA E NÃO FARMACOLÓGICA E O FILTRO DE VEIA CAVA? são indicações (1) TVP com contraindicação de anticoagulação; (2) complicações da anticoagulação (sangramento); (3) TEP recorrente com anticoagulação Profilaxia Antibiótica Objetivo? Evitar infecção da ferida operatória (principalmente S. aureus) Tipo Definição Esquema Limpa NÃO PENETRA TRATOS CONTAMINADOS = RESPIRATÓRIO, GI E URINÁRIO (hérnia, ortopédica,neuro, cardíaca) NÃO FAZER! (exceções: corpo estranho; cardíaca, neuro, óssea, prótese) Limpa Contaminada PENETRA DE FORMA CONTROLADA, NA AUSÊNCIA DE INFLAMAÇÃO E SEM EXTRAVASAMENTO DE CONTEÚDO (colecistectomia por litíase) CEFAZOLINA (cobre bem gram positivo e alguns gram negativos) AMINOGLICOSÍDEO ou QUINOLONA ou CEFAZOLINA ou CEFRIAXONE + METRONIDAZOL ou CEFOXITINA ISOLADADAMENTE se cirurgia colorretal Exceção: CVL e traqueostomia Contaminada PENETRA COM INFLAMAÇÃO OU EXTRAVASAMENTO (colecistectomia por colecistite) Infectada “ITE” ABDOMINAL SUPURADA OU CONTAMINAÇÃO FECAL ATBTERAPIA Qual posologia? Em geral, basta dose única de cefazolina (meia-vida de 6h) - Cirurgia cardíaca, cirurgias longas (> 6 horas) e cirurgias com perda excessiva de sangue: podem requerer dose adicional (“repique”) Quando fazer? A administração do antibiótico é NA INDUÇÃO ANESTÉSICA (30- 60 MINUTOS ANTES DA INCISÃO)! Quando interromper? Ao final da cirurgia. Manter no máximo até 24 horas pós-cirurgia! 2. Anestesia Classificação de Mallampati “Prediz o risco de dificuldade da intubação” - 1: palato mole + abertura da orofaringe + ponta da úvula + pilar amigdaliano - 2: palato mole + abertura da orofaringe + ponta da úvula - 3: palato mole + base da úvula - 4: só palato duro CLASSES 3/4: solicitar BRONCOSCÓPIO para auxiliar intubação. Jejum - Líquidos claros: 2 horas (maltodextrina, água de coco) - Leite materno: 4 horas - Fórmula láctea e outros leites: 6 horas - Sólidos e líquidos não-claros: 6-8 horas As grandes funções da anestesia... Analgesia - Opioide - Anestésico local Relaxamento muscular - Bloqueadores neuromusculares - Anestésico local Diminuição do nível de consciência - Halogenados (gases) - Hipnóticos - Opioide Bloqueio neurovegetativo - Opioide - Anestésico local Anestesia de Neuroeixo Local, bloqueio de nervo periférico, raquianestesia, peridural e geral Raquianestesia - Atravessa a dura-máter e chega no ESPAÇO SUBARACNOIDE (L3-L4) BLOQUEIO ‘RAQUI PARA BAIXO’ A medula acaba por volta de L2! O bloqueio ocorre na altura de onde foi administrado o anestésico para baixo. É boa para cirurgias perianais, por exemplo. - MENOR QUANTIDADE de anestésico (contato direto com as fibras) - MENOR DURAÇÃO - Efeito adverso: hipotensão (!), ↑PIC, cefaleia Peridural - Não atravessa a dura-máter e vai até o ESPAÇO SUBDURAL BLOQUEIOS SEGMENTAR O anestésico atinge as fibras que saem da medula e por isso o bloqueio é somente daquele segmento do corpo. Como não chega no espaço subaracnoide, não há o risco de lesionar a medula! Por isso, não precisa ser feita somente em regiões onde não há medula (diferente da raquianestesia). - MAIOR QUANTIDADE de anestésico - MAIOR DURAÇÃO (possui cateter para novas doses) - Efeito adverso: hipotensão CONTRAINDICAÇÕES: instabilidade hemodinâmica, hipovolemia, sepse, recusa do paciente, lesão no local do ato anestésico, elevação da PIC, anticoagulação terapêutica... ATENÇÃO! SE INSTABILIDADE HEMODINÂMICA = ANESTESIA GERAL! HIPOTERMIA E DOR SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DE HIPERTENSÃO NO PÓS-OPERATÓRIO! 87 Anestesia Geral É capaz de realizar analgesia, ↓consciência, bloqueio neuromuscular e vegetativo Fases: (1) Indução (2) Manutenção (3) Despertar ou emergência Não há o que falar de manutenção e despertar! Está no conceito. Componentes: - INCONSCIÊNCIA: hipnóticos - ANALGESIA: AINES, analgésicos e opioides - RELAXAMENTO: bloqueador neuromuscular - BLOQUEIO NEUROVEGETATIVO: opioides Indução Anestésica Qual a sequência? - Pré-oxigenação > Indução com hipnótico IV e/ou halogenado (melhor para crianças) > ventilação sob máscara > bloqueio neuromuscular + opioide > IOT INTUBAÇÃO ASSISTIDA POR DROGAS (“SEQUÊNCIA RÁPIDA”) - NÃO VENTILAR SOB MÁSCARA OS PACIENTES COM “ESTÔMAGO CHEIO” (risco de vomitar e broncoaspirar) OU CIRURGIA DE URGÊNCIA - Exemplos: vítimas de TRAUMA, GRAVIDEZ AVANÇADA, OBSTRUÇÃO INTESTINAL, SEM JEJUM Drogas - OPIOIDE (facultativo): FENTANIL - INDUÇÃO RÁPIDA: ETOMIDATO, PROPOFOL, QUETAMINA... - BLOQUEIO NEUROMUSCULAR: SUCCNILCOLINA, ROCURÔNIO... ATENÇÃO! - QUETAMINA: PRODUZ VASOCONSTRIÇÃO (BOM PARA PACIENTES INSTÁVEIS). NUNCA USAR PROPOFOL EM PACIENTES INSTÁVEIS. 3. Protocolo de Cirurgia Segura SIGN IN ANTES DA INDUÇÃO ANESTÉSICA. É feito antes mesmo da internação, ainda na enfermaria! Não é na sala cirúrgica! - Identificação, procedimento, lateralidade. Tem que conferir o nome completo na identificação, qual o tipo e qual o lado no paciente que será operado. Exemplo: hérnia inguinal a direita. Tem que marcar no paciente (com uma caneta por exemplo) para não haver erros. - Consentimento, reserva de sangue e CTI. Conferir se o TCLE foi assinado e checar, antes do paciente subir para a sala de cirurgia, se foi feito a reserva de concentrado de hemácias e de sala de UTI, se necessário. TIME OUT ANTES DA INCISÃO NA PELE - Identificação, procedimento, lateralidade. É o segundo “check- up” que deve ser feito! - ATBprofilaxia, materiais e imagens. Checar se há necessidade de ATB, se todos os materiais estão disponíveis, aparelhos de exames de imagem, se necessário... Tudo isso antes da incisão! SIGN OUT ANTES DE SAIR DA SALA (responsabilidade da EQUIPE CIRÚRGICA circulante, enfermeira, cirurgião, auxiliar, etc) - Instrumentos, compressas, perfurocortantes. Conferir possíveis instrumentos com defeito, contar quantas compressas foram usadas, identificar e eliminar adequadamente perfurocortantes - Identificar amostras e problemas ocorridos Exemplo: líquido ascítico com frasco identificado, dreno de pulmão, etc. Todas as amostras retiradas também devem estar com etiqueta de identificação. 4. Complicações da Ferida Operatória Seroma - LINFA NO SUBCUTÂNEO (“abaulamento claro”) - Líquido: amarelo citrino - Volume: pequena quantidade - Ferida: abaulada - Causa: grandes descolamentos de pele - Prevenção: DRENO - Tratamento: CURATIVO COMPRESSIVO, ASPIRAÇÃO, RETIRADA DE ALGUNS PONTOS Hematoma - SANGUE NO SUBCUTÂNEO (“abaulamento escuro”) - Risco: INFECÇÃO SECUNDÁRIA - Tratamento: EXPECTANTE, se pequeno; REABRIR, se volumoso Deiscência Aponeurótica/Evisceração - DEFEITO MÚSCULO-APONEURÓTICO (má técnica, dificuldade cicatricial, desnutrição, idade avançada) - Líquido: serossanguinolento - Volume: grande quantidade - Ferida: extravasamento de líquido - Causa: técnica, urgência, desnutrição, infecção, corticoide, tabagismo, câncer, diabetes e obesidade - Clínica: 4/7-10/14 DIAS DEPOIS DA CIRURGIA COM LÍQUIDO COR SALMÃO (serohemático); RISCO DE EVISCERAÇÃO (!) E HÉRNIA INCISIONAL - Conduta: REOPERAR/LAPAROTOMIA 5. Febre no Perioperatório PULMÃO = Atelectasia (1-3 dias) + Infecção necrosante de ferida (crepitação) PIÚRIA = ITU (3-5 dias + cateter vesical) PERNA = TVP/TEP (dispneia/imobilização) PAREDE = Infecção e deiscência (5-7 dias) PIRIRI = Diarreia (5-7dias/uso prévio de ATB) PERIGOSAS DROGAS = Drogas e transfusão (intraoperatório ou imediato) Entendendo melhor... Peroperatório (durante o ato cirúrgico) - INFECÇÃO PRÉ-EXISTENTE - REAÇÃO A DROGA OU TRANSFUSÃO - HIPERTEMIA MALIGNA 24-72 horas - ATELECTASIA (!) - INFECÇÃO NECROSANTE DA FERIDA (S. PYOGENES, CLOSTRIDIUM PERFINGRENS) Após 72 horas - INFECÇÃO (FERIDA OPERATÓRIA POR S. AUREUS, ITU, PNEUMONIA) - PAROTIDITE SUPURATIVA (S. AUREUS) mais comum em homens idosos, com má higiene bucal - TVP 88 6. Infecção da Ferida Operatória Até 30 dias (ou 1 ano, se prótese) após procedimento Agente: - S. AUREUS Tipos: Superficial (ATÉ 30 DIAS) - DRENAGEM PURULENTA PELA FERIDA (PELE E SUBCUTÂNEO) - DOR, EDEMA OU ERITEMA LOCAL - Pode haver febre, mas não é o mais comum - Tratamento: RETIRAR PONTOS, DRENAR E LAVAR (NÃO FAZ ATB!) Profunda (ATÉ 30 DIAS OU 1 ANO, SE IMPLANTE) - DRENAGEM PURULENTA PELA FERIDA (FÁSCIA E MÚSCULO) - DOR, FEBRE (> 38º) OU ABSCESSO - CREPITAÇÃO (exame físico sugere) - Tratamento: DRENAGEM + ATB Órgãos e cavidades (ATÉ 30 DIASOU 1 ANO, SE IMPLANTE) - DRENAGEM PURULENTA POR DRENO CAVITÁRIO - FEBRE + DISTENSÃO + ↑↑TOXEMIA + ABSCESSO - Tratamento: ATB + DRENAGEM (guiado por USG/TC) 7. Hipertermia Maligna Definição: - SÍNDROME MUSCULAR HEREDITÁRIA FARMACOINDUZIDA - HEREDITÁRIA AUTOSSÔMICA DOMINANTE Fatores desencadeantes: - HALOGENADOS (inalatórios) - SUCCINILCOLINA Achados aumento do cálcio mioplasmático - HIPERTEMIA (ATÉ 42ºC) - TAQUIARRITMIAS - ACIDOSE - ESPASMO MASSETER - HIPERCAPNIA (altera capnografia) - RABDOMIÓLISE (hipercalemia e ↑enzimas musculares) Abordagem: - Cessar exposição ao fármaco - Resfriamento (SF gelado, compressas geladas) - HCO3 (para acidose, hipercalemia) - Evitar bloqueador de canal de cálcio - DANTROLENE ATENÇÃO! Pacientes mais susceptíveis a HIPERTERMIA MALIGNA: HISTÓRIA FAMILIAR e DOENÇAS MUSCULOESQUELÉTICAS (DISTROFIA MUSCULAR E OSTEOGÊNESE IMPERFECTA) 8. Nutrição Perioperatória - Os exames laboratoriais indicados são TRANSFERRINA, PRÉ- ALBUMINA E ALBUMINA. O FÍGADO DO DESNUTRIDO NÃO CONSEGUE PRODUZIR ADEQUADAMENTE ESSAS PROTEÍNAS. - Suporte nutricional no pré-operatório: se houver PERDA DE PESO > 10% EM 6 MESES - Suporte nutricional no pós-operatório: se houver PREVISÃO DE JEJUM > 7-10 DIAS ou DESNUTRIÇÃO. Sempre preferir a via ENTERAL. 9. Fístulas Intestinais Introdução: - As fístulas enterocutâneas se manifestam geralmente ENTRE O 3º E 7º DIAS DE PÓS-OPERATÓRIO, com os pacientes apresentando secreção entérica pelo dreno ou pela incisão cirúrgica. - As fístulas de alto débito podem estar associadas à GRANDE PERDA DE LÍQUIDOS, MÁ ABSORÇÃO E DISTÚRBIO HIDROELETROLÍTICO. - A perda de hormônios inibitórios da produção ácida (que ‘vão embora’ no líquido drenado) leva a um AUMENTO IMPORTANTE DA ACIDEZ E NO VOLUME DAS SECREÇÕES DO ESTÔMAGO. Também cursa com quadro de SEPSE (manifestação principal), sendo o trajeto fistuloso responsável pela DESIDRATAÇÃO E DISTÚRBIOS HIDROELETROLÍTICOS. Sintomas adicionais variam de acordo com a fístula, a exemplo de PNEUMATÚRIA e FECALÚRIA presentes nas fístulas vesicais. Classificação: - BAIXO DÉBITO (ATÉ 200ML/24H) - MODERADO DÉBITO (ATÉ 500ML/24H) - ALTO DÉBITO (ACIMA DE 500ML/24H) Diagnóstico: - Pode ser óbvio nos casos de fístula enterocutânea, mas exames de imagem ajudam a delimitar o trajeto da fístula e a localizar abscessos remanescentes. Os exames mais frequentemente empregados são o FISTULOGRAMA, o enema baritado, a cistoscopia e a TC DE ABDOME COM CONTRASTE intraluminal. Tratamento: - O principal consiste em DIETA-ZERO e INIBIDORES DA BOMBA DE PRÓTON para diminuir a secreção gástrica, REANIMAÇÃO VOLÊMICA com correção de distúrbios hidroeletrolíticos e ANTIBIOTICOTERAPIA. - Entretanto, A MAIOR PARTE DAS FÍSTULAS FECHA SEM QUE NENHUMA INTERVENÇÃO SEJA EFETUADA! Caso não fechem, necessitam de intervenção cirúrgica. E o paciente fica em jejum o tempo todo? As fístulas gastrointestinais são uma INDICAÇÃO FORMAL DE NUTRIÇÃO PARENTERAL TOTAL PRECOCE, uma vez que os distúrbios hidroeletrolíticos estejam corrigidos. A nutrição enteral pode ser empregada nas fístulas cutâneas de baixo débito de delgado e cólon. Quando indicar cirurgia? - A presença de IRRITAÇÃO PERITONEAL E DEISCÊNCIA DA PAREDE SÃO INDICAÇÕES CLÁSSICAS. Se houver abscesso remanescente, podemos abordá-lo por via cirúrgica, percutânea ou transorificial – o tratamento cirúrgico da fístula é constituído pela ressecção do trajeto fistuloso (fistulectomia) com reconstrução do trânsito intestinal e da parede abdominal quando necessário. - FÍSTULAS QUE NÃO FECHAM DEVEM SER SEMPRE OPERADAS. De forma prática, costuma-se avaliar se existem FATORES DE BOM (costumam fechar espontaneamente) ou MAU PROGNÓSTICO (costuma necessitar de intervenção cirúrgica) para o fechamento da fístula: BOM PROGNÓSTICO MAU PROGNÓSTICO Trajeto > 2m Trajeto < 2cm Único trajeto Múltiplos trajetos Sem obstrução Com obstrução Sem abscesso Com abscesso Fístula lateral Fístula terminal Trajeto não epitelizado Trajeto epitelizado Baixo fluxo (<200-500ml/dia) Alto fluxo (> 200-500ml/dia) 89 10. Projeto ERAS/ACERTO Tradicionalmente, as recomendações referentes ao período perioperatório de cirurgias eletivas eram determinadas pelos chefes de cada serviço de maneira empírica, sem embasamento científico, e assim repassadas para as novas gerações de cirurgiões. A medicina baseada em evidências parece ter mudado essa prática. Vários estudos passaram a confrontar os princípios tradicionais. Vamos entender o projeto ERAS (europeu) e o projeto ACERTO (brasileiro). Aceleração da Recuperação Total Operatória Enhanced Recovery After Surgery Group Objetivo: acelerar a recuperação e atenuar a resposta ao estresse cirúrgico. Como? Vamos entender! (1) JEJUM OPERATÓRIO ABREVIADO Líquidos claros: 2 horas (maltodextrina, água de coco) Leite materno: 4 horas Fórmula láctea, leite não-humano, refeições leves: 6 horas Carne/fritura e líquidos não claros: > 8 horas (2) REALIMENTAÇÃO PRECOCE (MÁXIMO: 6 HORAS). No máximo 6 horas após a cirurgia tem que estar comendo! Sem maiores restrições! Exceto, claro, em alguns procedimentos como esofagectomia, etc. Numa colecistectomia, por exemplo, tem que realimentar precocemente! Não faz sentido ter que auscultar peristalse após a cirurgia, visto que teremos “íleo metabólico” por 24-72h, muito menos aguardar a eliminação de flatos. Isso não pode ser parâmetro. (3) PREVENIR NÁUSEAS E VÔMITOS (PRÓ-CINÉTICO DE HORÁRIO). Pode deixar de horário mesmo! Não precisa ser SOS! Alinhando a realimentação, o jejum abreviado e a medicação de horário, conseguimos combater os episódios de náusea e vômito. Caso os sintomas persistam, devemos instituir terapia tripla com dexametasona, prometazina e droperidol. (4) REDUZIR FLUIDOS ENDOVENOSOS (< 30ML/KG/DIA). É muito comum paciente “encharcado” no perioperatório! Evite ultrapassar 30ml/kg/dia. (5) USO RACIONAL DE SONDAS/DRENOS apenas em cirurgias com > risco de dilatação gástrica ou íleo prolongado. Somente para os casos que tem indicação! Não é para usar para qualquer um! (6) ANALGESIA REGULAR (EVITAR OPIOIDES). Não fazer opioides nem no ato operatório, nem no pós-operatório: diminuem peristalse, causam náuseas, constipação... Melhor evitar! (7) MOBILIZAÇÃO PRECOCE. Acordou da cirurgia e está “bem”? Pode iniciar a mobilização para profilaxia de TVP. (8) EVIDÊNCIA CONTRÁRIA AO PREPARO MECÂNICO DO CÓLON. Não há estudos randomizados nem metanálises que demonstrem benefícios de prescrição de laxantes e antibióticos para preparo colônico. O preparo é responsável pela espoliação dos pacientes, principalmente idosos, predispondo a desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos e, consequentemente, elevando a necessidade de terapia hídrica no pré e no intraoperatório. (9) TRICOTOMIA APÓS A INDUÇÃO. Não é para fazer no dia anterior! É para fazer no centro cirúrgico, pela equipe cirúrgica, para não haver tempo de contaminação! É de suma importância que a equipe médica tenha em mente os fundamentos do projeto ACERTO e do protocolo de cirurgia segura para o adequando funcionamento do centro cirúrgico, melhor preparação e segurança do paciente para os procedimentos e para prevenção de desfechos evitáveis no pós-operatório. Fonte: periop.com.br 90 1. Conceitos Iniciais - GRANDE QUEIMADO: ↑histamina e serotonina ↑ PERMEABILIDADE VASCULAR choque do queimado - EVITAR COLÓIDES NAS PRIMEIRAS 24 HORAS o choque é por aumento da permeabilidade! - HIPERCATABOLISMO: ↑200% do metabolismo E como diminuir a REMIT? PROPANOLOL E OXANDROLONA! CUIDADO! A infecção é a principal causa de morte tardia! Focos: cutâneo e pulmonar. 2. Primeiro Atendimento (Pré-Hospitalar) - AFASTAR DA FONTE - RETIRAR ROUPAS E JOIAS - JOGAR ÁGUA: só até 15 minutos após o trauma e em temperatura ambiente ou resfriada (ou > 12ºc) - PREVENIR HIPOTERMIA: ENVOLVER O PACIENTE EM LENÇÓIS E PANOS/COBERTORES SECOS! Quando indicar transferência para CETQ? - Queimadura de 2º GRAU: se > 10% SCQ - Queimadurade 3º GRAU: INDEPENDENTE DE % SCQ - Queimadura ELÉTRICA ou QUÍMICA - Lesão por INALAÇÃO - Lesão em EXTREMIDADES/ARTICULAÇÕES - Lesão em PERÍNEO/GENITÁLIA - Paciente com POTENCIAL DE AGRAVAMENTO DA COMORBIDADE pré- existente pela queimadura (ex: IC, DPOC) - Paciente com “TRAUMA + QUEIMADURA” 3. Atendimento Hospitalar Na Sala de Emergência... - “ESQUEÇA” A QUEIMADURA! É TRAUMA! FAZ O ABCDE! A AIRWAY/COLUNA CERVICAL/FORNECER OXIGÊNIO Atenção com queimadura de face e edema de glote B AVALIAR COMPLICAÇÕES RESPIRATÓRIAS! Atenção com lesão térmica, química e gases tóxicos Vamos entender os TIPOS DE LESÃO POR INALAÇÃO CENÁRIO 1: INCÊNDIO EM RECINTOS FECHADOS + QUEIMADURA EM FACE E PESCOÇO. (1) LESÃO TÉRMICA DE VAS (“SUPRAGLÓTICO”) - “QUEIMOU VAS” - Clínica: HIPEREMIA DE OROFARINGE, ROUQUIDÃO, ESTRIDOR - Insuficiência respiratória: imediata - Diagnóstico: CLÍNICA/LARINGOSCOPIA - Tratamento: IOT PRECOCE (2) LESÃO QUÍMICA PULMONAR POR INALAÇÃO (“SUBGLÓTICA”) - “JOGOU SUJEIRA PARA O PULMÃO” - Clínica: SIBILOS, ESCARRO CARBONÁCEO - Insuficiência respiratória: em ± 24 horas - Diagnóstico: BRONCOSCOPIA/CINTILOGRAFIA COM XE133 - Tratamento: NBZ COM BRONCODILATADOR + HEPARINA (por conta de capilarite pulmonar, que gera microhemorragias alveolares, que podem coagular em contato com a fuligem e COAGULAR e ficar difícil de expelir) + N- ACETILCISTEINA (para “fluidificar” as secreções) IMPORTANTE! Indicam IOT PRECOCE - Grande edema de VAS (estridor, rouquidão...) - PaO2 < 60 (hipóxia grave...) - PaCO2 > 50 “agudo” (retenção aguda grave de CO2 não vale para o DPOC crônico...) - PaO2/FiO2 < 200 (se for DPOC, posso usar essa relação, já que a paco2 não é parâmetro...) CENÁRIO 2: INCÊNDIO EM RECINTOS FECHADOS + “LONGE DO FOCO DE QUEIMADURA” OS GASES TÓXICOS (3) INTOXICAÇÃO POR MONÓXICO DE CARBONO (CO) - CEFALEIA, NÁUSEAS, VÔMITOS, ↓CONSCIÊNCIA - PaO2 e SatO2 não adiantam para o diagnóstico! - Pedir CARBOXIHEMOGLOBINA - Tratamento: ↑FIO2 (O2 POR MÁSCARA), CÂMARA HIPERBÁRICA (4) INTOXICAÇÃO POR CIANETO - ↓Consciência + ACIDOSE LÁCTICA - Pedir CIANETO + LACTATO - Tratamento: HIDROXICOBALAMINA + TIOSSULFATO DE SÓDIO C REPOSIÇÃO VOLÊMICA! Quantificando a Queimadura (REGRA DOS 9 DE WALLACE) - Cabeça/membros superiores: 9% Face anterior: 4,5% Face posterior: 4,5% - Membros inferiores: 18% Face anterior: 9% Face posterior: 9% - Tronco: 36% Tórax anterior: 9% Tórax posterior: 9% Abdome anterior: 9% Abdome posterior: 9% - Mãos e genital: 1% Fórmula de PARKLAND - Primeiras 24 horas: 4ML X PESO(KG) X SCQ - ½ administrada em 8 horas e o restante ao longo das próximas 16 horas de queimadura (e não de internação). REAVALIAR SEMPRE (após 24h, manter diurese > 0,5ml/kg/hora) a fórmula de Parkland é um pontapé inicial! Tem que reavaliar sempre! Podemos aumentar ou diminuir a quantidade de fluido... Lembre-se: o melhor parâmetro para saber se o paciente está sendo bem hidratado é através da diurese! No adulto, deve estar > 0,5ml/kg/hora... Então, a cada 30 minutos ou 1h, você tem que avaliar a diurese do paciente para saber se tem que aumentar ou diminuir a reposição... CUIDADO! Existe uma queimadura em que essa diurese deve estar > 1-1,5ml/kg/h... É a de QUARTO GRAU! Queimaduras @ casalmedresumos Pelo ATLS: 2ML X P X SCQ 91 D/E ANALGESIA (OPIOIDE IV MORFINA) + IMUNIZAÇÃO ANTI- TETÂNICA + PROFILAXIA TEV + CUIDADOS COM A FERIDA QUEIMADURA DE 1º GRAU “O protótipo da queimadura de 1º grau é a QUEIMADURA SOLAR!”. - Profundidade: EPIDERME - Coloração: ERITEMA - Sensibilidade: DOR/ARDÊNCIA - Detalhes: NÃO ENTRA NO CÁLCULO DA SCQ! CUIDADO! Resultado estético: bom. QUEIMADURA DE 2º GRAU: “Espessura parcial” - Profundidade: derme (superficial: papilas dérmicas; profunda: camada reticular) - Coloração: eritema e bolhas (superficial); rósea e bolhas (profunda) - Sensibilidade: muito dolorosas (superficial); dor moderada (profunda) - Detalhes: 2º grau superficial: Ao comprimir: empalidece e depois volta Resultado estético: bom/razoável 2º grau profunda: Ao comprimir: não empalidece Resultado estético: razoável/ruim QUEIMADURA DE 3º GRAU: “Espessura total”. - Profundidade: gordura subcutânea - Coloração: marrom - Sensibilidade: “dor...” - Detalhes: Resultado estético: ruim Retração da “pele dura” ou “escara” Se for circunferencial: compressão vascular/torácica - Conduta: escarotomia QUEIMADURA DE 4º GRAU (ELÉTRICA): - Queimadura elétrica = “de dentro para fora”. - Queima músculo! Consequência 1: LESÃO RENAL AGUDA POR RABDOMIÓLISE Clínica: urina “escura” + CPK > 5x Conduta: FORÇAR A DIURESE COM HIDRATAÇÃO IVI (manter 1-1,5/kg/hora + MANITOL + ALCALINIZAÇÃO (bicarbonato de sódio) são opções a última edição do ATLS orienta “consultar especialista” para realizar essas medicações. - Queima músculo! Consequência 2: SÍNDROME COMPARTIMENTAL Clínica: DOR DESPROPORCIONAL + AO ESTIRAMENTO PASSIVO DO MÚSCULO, PALIDEZ, AUSÊNCIA DE PULSO, REDUÇÃO DE TEMPERATURA, PARESTESIA... Conduta: FASCIOTOMIA 4. Tratamento das Queimaduras - 1º GRAU: limpeza/analgesia/hidratantes - 2º GRAU SUPERFICIAL: limpeza e desbridamento + curativo oclusivo + ATB tópico (sulfadiazina de prata) - 2º GRAU PROFUNDA E 3º GRAU: limpeza e desbridamento + enxerto precocemente QUEIMADURAS QUÍMICAS: Não neutralizar! Irrigação com água: 10-20 litros ou ± 30 minutos Depois... 5. Complicações das Queimaduras - GASTROINTESTINAIS: HDA por ÚLCERA DE CURLING - NEOPLASIA CUTÂNEA MALIGNA: Carcinoma escamoso = LESÃO DE MARJOLIN (foto) REPARE! 3º GRAU = ESCAROTOMIA 4º GRAU = FASCIOTOMIA 1º GRAU 2º GRAU 3º GRAU 4º GRAU 92 1. Fios Cirúrgicos Classificação (1) ABSORVÍVEL vs INABSORVÍVEL Força tênsil (FT) + meia-vida Quando estamos falando de absorção, também estamos falando de força tênsil. UM FIO QUE É ABSORVÍVEL É AQUELE FIO QUE VAI DURAR MENOS TEMPO NA FERIDA! Ou seja, ele PERDE A SUA FORÇA TÊNSIL COM MAIOR VELOCIDADE! (2) MONO vs MULTIFILAMENTAR Memória + atrito tecidual + taxa de infecção Existem os mono e os multifilamentares, onde os filamentos são entrelaçados entre si! O MONOFILAMENTAR TEM UMA MEMÓRIA MAIOR QUE OS MULTIFILAMENTARES! Ou seja, a capacidade de voltar a sua forma original depois que é esticado. Os MULTIFILAMENTARES TÊM UMA TAXA DE INFECÇÃO BEM MAIOR, pois os patógenos podem se localizar entre os vários filamentos, que quando transfixam os tecidos acabam gerando mais atrito. (3) NATURAL vs SINTÉTICO Inerte + reação tecidual Existem os orgânicos (ou naturais) e os sintéticos. Isso tem a ver com a reação tecidual! O FIO NATURAL (TRIPA DE BOI, BOVINOS) GERA UMA REAÇÃO TECIDUAL MUITO MAIOR! Além disso, DURA MENOS! PERDE A TENSÃO BEM MAIS CEDO... É absorvido por fagocitose! O FIO SINTÉTICO, por sua vez, como foi confeccionado especificamente para sutura, tem uma REAÇÃO MUITO MENOR e DURA MAIS TEMPO! É absorvido por hidrólise. Particularidades FIOS ABSORVÍVEIS POLIGLACTINA (VYCRIL) - SINTÉTICO/MULTIFILAMENTAR/PERDE 50% DA FT EM 18 DIAS - Bom para ANASTOMOSES DO SISTEMA URINÁRIO/BILIODIGESTIVO É um fio sintético (gera pouca reação tecidual) e absorvível (bom para suturas, por exemplo, de sistema urinário, pois não gera cálculo). Entretanto, é multifilamentar. Por isso, não costumamos utilizar para a sutura de pele. SURGYCRIL ou PDS II - SINTÉTICO/MONOFILAMENTAR/PERDE 50% DA FT EM 28 DIAS - Bom para ANASTOMOES DO SISTEMA URINÁRIO/BILIODIGESTIVO e FECHAMENTO DE APONEUROSE Outro fio que a gente usa que é absorvível é o PDS (polidioxanona). É muito bom e até preferível em relação ao vycril porque é monofilamentar! E como o vycril perde a força tênsil mais rápido, a PDS é mais usada para fechar aponeuroses! CATGUT SIMPLES/CROMADO - NATURAL (SEROSA BOVINA)/MULTIFILAMENTAR/PERDE A FT EM 7- 14 DIAS (SIMPLES) OU 7-21 DIAS (CROMADO) - Pode ser usado para ANASTOMOSES DO SISTEMA URINÁRIO, mas tem sido utilizado paraFECHAR SUBCUTÂNEO por ser mais barato. É o que tem a menor força tênsil de todas! Por isso, não deve ser usado em aponeuroses! FIOS INABSORVÍVEIS POLIPROPILENO (PROLENE) - SINTÉTICO/MONOFILAMENTAR/FT: INDEFINIDAMENTE - Bom para FECHAMENTO DE APONEUROSES E ANASTOMOSES INTESTINAIS Se formos analisar de forma grosseira, é idêntico ao nylon. A diferença é basicamente a cor! Prolene é azul. Nylon é preto. Mas não costumamos usar o prolene na pele... Pode manchar, mas... A grande explicação pela qual nós usamos nylon na pele é a seguinte: preço! Isso mesmo! O nylon é muito mais barato! NYLON OU MONONYLON - SINTÉTICO/MONOFILAMENTAR/FT: INDEFINIDAMENTE - Bom para o FECHAMENTO DE PELE Lembrando: nylon e prolene são monofilamentares e por isso tem uma memória muito boa! E isso é bom? Não! Não é bom um fio que tenha muita memória! Isso atrapalha na hora de dar o nó... ALGODÃO - SINTÉTICO/MULTIFILAMENTAR/FT: INDEFINIDAMENTE - Bom para AMARRADURAS VASCULARES É um fio que gera muita reação tecidual, mesmo sendo sintético... Por isso, praticamente só utilizamos para fazer AMARRADURA VASCULAR. AÇO - NATURAL/MONO OU MULTIFILAMENTAR/FT: INDEFINIDAMENTE - Bom para FECHAMENTO DE ESTERNOTOMIAS Utilizado praticamente para fechar ESTERNO após esternotomias para cirurgias cardíacas. Calibre Quanto maior o número de “zeros”, menor o diâmetro do fio. Quanto maior o diâmetro, maior a força tênsil Tempo para Remoção da Sutura REGIÃO REMOÇÃO (DIAS) ESCALPE 6-8 ORELHA 10-14 PÁLPEBRA 3-4 SUPERCÍLIO 3-5 NARIZ 3-5 LÁBIO 3-4 FACE (OUTRAS REGIÕES) 3-4 TÓRAX/ABDOME 8-10 DORSO 12-14 EXTREMIDADES 12-14 MÃO 10-14 PÉ/SOLA 12-14 Detalhes Práticos Para fechar aponeurose, ou se usa PROLENE ZERO ou VICRIL ZERO. Em suturas de face, usamos MONONYLON (de preferência usamos 5-0 ou 6-0 em criança), devendo-se retirar o ponto em 3 dias. Os fios de algodão possuem MUITA reação/granuloma. Fios, Cicatrização e REMIT @ casalmedresumos 93 2. Cicatrização de Feridas CONCEITO 1: O CAPRICHO É SACRIFICADO EM FAVOR DA VELOCIDADE Podemos dizer que a cicatrização de feridas é feita meio que ‘às pressas’... Com isso, qualquer problema que aconteça pode trazer um resultado estético ruim. CONCEITO 2: A CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS É DIVIDIDA EM 3 FASES (que conseguimos ver) Estudamos a cicatrização dividida em 3 fases, mas essas 3 fases estão todas acontecendo ao mesmo tempo. O que há na prática é que em determinado momento há predomínio de uma sobre a outra! 1) Fase Inflamatória “EXSUDATO NA FERIDA” - EXSUDATO NA FERIDA + INÍCIO DA HEMOSTASIA - ↑PERMEABILIDADE VASCULAR CAUSADA POR ↑HISTAMINA E SEROTONINA - CHEGAM OS NEUTRÓFILOS, QUE FAZEM A LIMPEZA DO LOCAL POR 24-48 HORAS - DEPOIS, CHEGA O “MAESTRO”: MACRÓFAGO PROMOVE QUIMIOTAXIA/ATIVA CÉLULAS LIBERANDO TGF-BETA - DEPOIS DO 5º DIA, CHEGA O LINFÓCITO T LIBERA IFN-GAMA PARA ESTIMULAR O FIBROBLASTO, QUE INICIA A PRÓXIMA FASE ENTÃO... Na fase inflamatória, há PREDOMÍNIO DAS CÉLULAS DE DEFESA (neutrófilos > macrófagos > linfócitos T)! 2) Fase Proliferativa “TECIDO DE GRANULAÇÃO” - AQUI OCORRE A FORMAÇÃO DO TECIDO DE GRANULAÇÃO através de 3 eventos: FIBROPLASIA DEPOSIÇÃO DE COLÁGENO (INICIAL: TIPO III) ANGIOGÊNESE EPITELIZAÇÃO PELOS QUEREATINÓCITOS ENTÃO... Na fase proliferativa, há PREDOMÍNIO DOS FIBROBLASTOS! 3) Fase De Maturação “BORDAS CONTRAINDO/FECHANDO” - TECIDO NAS BORDAS “CONTRAINDO” MIOFIBROBLASTO APARECE NO 5º DIA E FICA ATÉ 4 SEMANAS ACELERA A CONTRAÇÃO DA FERIDA Aqui, ocorre a ‘contração da ferida’! Resta menos epitélio para “colocar”! E quem faz a contração da ferida? Falou em contração, tem que pensar em músculo! É o MIOFIBROBLASTO! É o fibroblasto diferenciado! Por quem? Pelo macrófago, o maestro! Ele normalmente aparece no 5° dia e fica por até 4 semanas fazendo essa contração. - COLÁGENO TIPO III É SUBSTITUÍDO PELO TIPO I. O colágeno tipo III é mais frouxo... O tipo I é um colágeno que a gente chama de ‘cruzado’. É um colágeno mais forte, que aumenta a força tênsil da cicatriz. RESUMINDO... INFLAMAÇÃO PROLIFERAÇÃO OU REGENERAÇÃO MATURAÇÃO OU REMODELAÇÃO - Início: neutrófilos (24- 48h) - Depois: macrófagos - Dura até ± 4 dias - Fibroblastos - Dura ± 4-12 dias - Miofibroblastos - Dura ± 12 dias (pode chegar em 1 ano) Classificação O fechamento das feridas costuma ser classificado em: primário, secundário e terciário. PRIMÁRIO OU POR PRIMEIRA INTENÇÃO: Fechamento imediato das feridas através de suturas simples, enxertos de pele ou retalhos. O exemplo clássico é o fechamento da ferida após o ato cirúrgico. SECUNDÁRIO OU POR SEGUNDA INTENÇÃO OU ESPONTÂNEO: Não há intervenção ativa inicial de fechar a lesão. Geralmente, este tipo de reparação ocorre quando existem feridas muito contaminadas e o fechamento acontece por re-epitelização, com contração da ferida. Não são feitas suturas e os bordos da lesão ficam abertos. TERCIÁRIO OU POR TERCEIRA INTENÇÃO OU FECHAMENTO PRIMÁRIO TARDIO: Inicialmente a ferida é deixa aberta para realizar lavagens, retirada de debris e antibioticoterapia. Posteriormente, quando é realizado o controle da infecção, por exemplo, a ferida pode ser fechada através de suturas, enxertos ou retalhos.Tecido de Granulação 94 Fatores que Prejudicam a Cicatrização Idade avançada Infecção: causa mais comum Hipóxia: doença vascular, tabagismo, anemia (HT <15%) Diabetes: prejudica todas as fases Hipoalbuminemia (< 2g/dl) Deficiência de vitaminas e minerais: A, C, E, K, zinco Drogas: corticoides, AINE em dose alta. Outras: adriamicina, MTX, ciclofosfamida, tamoxifeno QUELÓIDE HIPERTRÓFICA LIMITES Ultrapassa os limites Não ultrapassa os limites APARECIMENTO > 3 meses Precoce LOCAL + COMUM Acima da clavícula/lobo auricular/dorso (+ em negros) Áreas de tensão/superfícies flexoras CLÍNICA Dor e prurido Pode ter dor e prurido REGRESSÃO Rara/refratária ao tratamento Espontânea/passível de tratamento ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO: INJEÇÃO INTRALESIONAL DE CORTICOIDE PLACAS DE COMPRESSÃO DE SILICONE Do ponto de vista de custo-benefício, há duas coisas que podemos tentar fazer: injeção intralesional de corticoide e placas de compressão de silicone (deve ficar apertando a cicatriz 23h por dia em uma pressão em torno de 40mmHg – não é fácil fazer...). A injeção é muito mais utilizada, mas se você conseguir associar os dois métodos, o resultado estético pode ficar muito bom. 3. REMIT (Resposta Endocrino-Metabólica ao Trauma) A cicatrização de feridas é uma resposta a um trauma local. Existe uma resposta sistêmica a um trauma sistêmico, que chamamos de REMIT. Conceitos Iniciais: GLICOSE, ÁGUA E OXIGÊNIO PRECISAMOS PARA SOBREVIVER É O QUE O CORPO TENTA PROPORCIONAR APÓS UM “TRAUMA”. É o reflexo que nos acompanha desde os primórdios: ‘correr’ ou ‘lutar’ frente a um trauma! Para isso, precisamos de glicose, água e oxigênio! É o que o corpo faz! E ele faz isso através do que do que chamamos de “metabolismo intermediário”. Metabolismo Intermediário O metabolismo intermediário nada mais é do que a oposição das duas formas de estoque que nós temos: anabolismo (construção do estoque) e catabolismo (destruição). No trauma, sabemos que há catabolismo... O problema é que eu preciso entender como esse estoque foi feito, para somente depois entender como ele foi quebrado! Vamos lá... PERÍODO PÓS-PRANDIAL: - ↑GLICOSE/↑INSULINA SOBROU GLICOSE? A INSULINA COMEÇA O ANABOLISMO A CONSTRUÇÃO DO ESTOQUE SE FAZ DE 2 FORMAS: 1) ↑GLICOGÊNIO (GLICOGENOGÊNESE) A primeira forma de estoque que a insulina faz, é uma forma rápida e fácil... Sobrou glicose? A insulina pega essa glicose e ‘empilha’ essa glicose pronta em fígado e em músculo, na forma de glicogênio! 2) ↑GORDURA (LIPOGÊNESE) A insulina continua o seu anabolismo e passa a fazer outro tipo de estoque! Só que agora é de mobilização mais lentae mais difícil... O estoque de mobilização rápida é o glicogênio. O estoque de mobilização lenta é a gordura! Esse processo de fazer o glicogênio nós conhecemos como glicogenogênese. O processo de fazer gordura é a lipogênese. JEJUM OU TRAUMA: - ↓GLICOSE/↓INSULINA + ↑HORMÔNIOS CONTRA-INSULÍNICOS INICIAM O CATABOLISMO A QUEBRA DO ESTOQUE SE FAZ DE 2 FORMAS: No jejum ou no trauma, começa a haver consumo da glicose que está no sangue! Isso é acompanhado de uma resposta pancreática de diminuição da insulina, que automaticamente “manda uma mensagem” para pâncreas para “parar de mandar” insulina, porque agora vamos ter que começar a quebrar estoque! Quem é que faz a quebra desse estoque? São os hormônios que fazem o contrário da insulina! São os hormônios contrainsulínicos! Promovem o catabolismo! Essa quebra de estoque também pode ser feita de duas formas. 1) QUEBRA DO GLICOGÊNIO (GLICOGENÓLISE MÚSCULO > FÍGADO): PODE MANTER A GLICOSE POR ATÉ HORAS A glicose que estava no sangue já foi consumida imediatamente! Tem que ir atrás do primeiro estoque e o estoque “mais fácil” de ser quebrado é o glicogênio! Então, já que não tem tanta glicose no sangue, começamos a quebrar esse glicogênio! Esse processo de quebra do glicogênio chamamos de glicogenólise! É capaz de manter glicose por 12-48 horas. Mas, entenda: essa glicemia de 12-48h é mantida quando o jejum está acontecendo! Quando é trauma, o glicogênio só é capaz de manter a glicemia por poucas horas! Um exemplo disso é o paciente grande queimado: não há na prática uma condição que promova um catabolismo tão intenso quanto um grande queimado – os estoques de glicogênio são exauridos em 2-3 horas! IMPORTANTE! O maior estoque de glicogênio está no MÚSCULO, seguida pelo FÍGADO. Hipertrófica (“respeita os limites”) Queloide (“ultrapassa os limites”) 95 2) GERAÇÃO DE NOVA GLICOSE (NEOGLICOGÊNESE): PROTEÓLISE E LIPÓLISE LIBERAÇÃO DE GLUTAMINA/ALANINA E GLICEROL/ÁCIDOS GRAXOS* JÁ SE INICIA EM CERCA DE 1H APÓS O “TRAUMA” Acabaram os estoques (fígado e músculo) e mais glicose deve ser gerada! É a neoglicogênese! Vamos “quebrar pedaços do corpo” para gerar a liberação de alguns radicais que serão transformados nessa nova glicose! Quebramos músculo (principalmente) e a gordura! Quando se quebra músculo, quando se quebra gordura, o que acontece? Músculo é proteína! Gordura é lipídio! O problema é que nosso corpo não sabe usar proteína ou lipídio ‘inteiros’ como fonte de energia. Ele quebra a proteína (proteólise) e a gordura (lipólise)... Quando “quebramos” a proteína em pedaços menores, o que sobra são os aminoácidos: glutamina e alanina. Quando “quebramos” os lipídios, o que sobra são glicerol e ácidos graxos. Esses 4 são transformados em glicose, ou em fonte primária de energia. E o lactato? SERVE COMO FONTE DE GLICOSE! Além de glutamina, alanina, glicerol e ácidos graxos, existe um 5º elemento que também vai virar glicose... Na área lesionada pelo trauma, em condições de anaerobiose, você gera ácido láctico! Lactato serve para fazer glicose! Quem vira glicose? Quem vira fonte primária energia? (1) Passam pelo fígado e viram GLICOSE: GLUTAMINA, ALANINA, GLICEROL E LACTATO Ciclo de Felig: alanina vira glicose Ciclo de Cori: lactato vira glicose A transformação da alanina em glicose tem um epônimo: é o ciclo de FELIG. O ciclo que transforma lactato em glicose é o ciclo de CORI. (2) Passa pelo fígado e vira ENERGIA: ÁCIDOS GRAXOS (transformados em CORPOS CETÔNICOS) Quem sobrou e não vira glicose? Ácidos graxos! O corpo sabe utilizar ácidos graxos como fonte primária de energia! Não é tão bom quanto a glicose... Cada grama de glicose é capaz de gerar 4kcal de energia. Ácidos graxos geram muito menos que isso, mas geram alguma coisa... Então, quando o ácido graxo passa pelo fígado, ele vira corpo cetônico! Então, quem é que faz esse hálito cetônico além do diabético? Quem está em jejum prolongado! MUITO IMPORTANTE! PARA CONSUMIR ENERGIA... CARBOIDRATOS > GORDURA > MÚSCULO Para gerar energia para o corpo, numa situação de jejum/trauma, quando quebrar músculo? Quando quebrar gordura? Quando quebrar um e poupar o outro? Quem é que o corpo quebra mais? O reflexo não é ‘correr’ ou ‘lutar’? Para isso, ele passa a querer poupar músculo! Ele passa a querer comer mais gordura! Vai haver um determinado momento, ao longo de um trauma grave, de um jejum prolongado, que o corpo começa a diminuir a proteólise e aumentar a lipólise! É preciso de músculo para correr e lutar! IMPORTANTE! TRAUMA GRAVE OU JEJUM PROLONGADO = CÉREBRO TAMBÉM USA CORPO CETÔNICO COMO FONTE ENERGÉTICA! Não é só o músculo que o corpo utiliza para ‘correr ou lutar’... Existe um órgão que ‘por grama de tecido’ consome mais glicose. O cérebro sabe que se ele deixar de ‘correr ou lutar’, “morre” todo mundo... O cérebro, agora, PÁRA DE CONSUMIR GLICOSE! Ele faz isso para deixar a glicose para o músculo continuar ‘correndo ou lutando’! É reflexo! E, além disso, para “poupar” os outros órgãos, TAMBÉM consome corpo cetônico! É isso que ele faz para deixar os ácidos graxos e a glicose para o músculo! E, claro, a partir do momento em que esse cérebro está “comendo lixo”, conseguimos entender o que acontece na prática, do ponto de vista neurológico, tanto para um paciente grave, quanto para um paciente em jejum prolongado: diminui a atividade cerebral, diminui o nível de consciência! Perfil Hormonal da REMIT CORTISOL - Gliconeogênese (catabolismo muscular e lipídico) - Permite a ação das catecolaminas CATECOLAMINAS - Catabolismo - Broncodilatação/↑FC/vasoconstrição - Atonia intestinal ALDOSTERONA - Retém água e sódio - Libera potássio e hidrogênio (participa da alcalose mista) ADH - Retenção de volume + Oligúria funcional (fisiológico) GH - Lipólise PÂNCREAS - ↑Glucagon (hiperglicemia) - ↓Insulina (hiperglicemia) RESPOSTA IMUNOLÓGICA - ↑IL-1, IL-2, e TNF-ALFA: inflamatórias + elevação da temperatura e anorexia - ↑IL-6, TGF-BETA: inflamatórias - ↑IL-4, IL-10, IL-13: anti-inflamatórias (“contrabalanceiam” o aumento das inflamatórias, gerando homeostase) Obs: cuidado em prova IL-4, IL-10 e IL-13 são as únicas com propriedades ANTI-inflamatórias. Todas as citadas acima têm propriedade inflamatórias. Resumão! Hormônios que se elevam no jejum/trauma? Os hormônios CONTRAINSULÍNICOS ou CATABÓLICOS! ACTH Cortisol Catecolaminas GH Aldosterona ADH Hormônio que diminui durante o jejum/trauma? Os hormônios ANABÓLICOS + TIREOIDIANOS Insulina Testosterona T3/T4 (como formar de “poupar energia no trauma” para os sítios nobres) O que é glicogenólise? Quebra do glicogênio (catabolismo) O que é gliconeogênese? Catabolismo através da proteólise e lipólise. Radicais livres viram glicose (glutamina, alanina, lactato e glicerol) ou energia (ácidos graxos) Qual a principal adaptação metabólica no jejum prolongado? Catabolismo: priorizar a lipólise em detrimento da proteólise Uso de corpos cetônicos pelo cérebro como fonte de energia Ciclo de CORI = laCtato vira glicose Ciclo de FELIG = alanina vira glicose 96 1. Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) Conceitos Iniciais: - PESO DA PRÓSTATA: 20-30 GRAMAS - REGIÕES: ZONA CENTRAL, ZONA PERIFÉRICA E ZONA DE TRANSIÇÃO Podemos dividir a próstata em 3 regiões anatomo-histológicas: (1) zona central ou periuretral; (2) zona periférica e (3) zona de transição, que abraça a uretra prostática a partir da região anterior. As regiões central e periférica são separadas por uma fina camada de tecido fibroelástico: a cápsula cirúrgica. - FUNÇÕES DA PRÓSTATA: PRODUÇÃO DE 10% DA COMPOSIÇÃO DO SÊMEN (PSA) É um órgão que serve para PRODUZIR 10% DA COMPOSIÇÃO DO SÊMEN – dentre eles, o PSA e substâncias que dão a coloração esbranquiçada ao sêmen e que “facilitam a vida” do espermatozóide. Fora isso, “só serve para dar problema”: HPB e câncer. HPB E CÂNCER SÃO ENTIDADES INDEPENDENTES HPB NÃO ÉFATOR DE RISCO PARA CA DE PRÓSTATA! ZONA ACOMETIDA CLÍNICA HPB Zona de TRANSIÇÃO Sintomas OBSTRUTIVOS/IRRITATIVOS CÂNCER Zona PERIFÉRICA Inicialmente ASSINTOMÁTICO São, inclusive, anatomicamente independentes! A HPB surge na zona de transição, porção que envolve a uretra – por isso gera sintomas obstrutivos. Se temos um idoso com queixa urinária, é muito provável que ele tenha HPB! O câncer, por sua vez, nasce na zona periférica. Por isso o toque retal é importante, pois pode identificar o CA nas fases iniciais, com um nódulo ou endurecimento nessa zona periférica. Em geral, um câncer de próstata, no início do processo, é assintomático. Só vai desenvolver sintomas numa fase mais avançada. IDADE AVANÇADA + ANDROGÊNIOS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO! Idade avançada e presença de androgênios são os principais determinantes do surgimento de HPB. Além disso, o componente genético aumenta em 3-4x o risco. O ENVELHECIMENTO GERA CONSIGO MAIS RECEPTORES ANDROGÊNICOS! Fisiopatologia: (1) OBSTRUÇÃO URETRAL. Gera como consequências: 1.1. CRESCIMENTO MECÂNICO DA PRÓSTATA + AÇÃO ANDROGÊNICA (componente “estático” do crescimento) 1.2. ESTIRAMENTO DAS FIBRAS DO COLO VESICAL + ESTÍMULO DOS RECEPTORES ALFA-1-ADRENÉRGICOS (componente “dinâmico/funcional” do crescimento) (2) RESPOSTA DO DETRUSOR À OBSTRUÇÃO: 2.1. HIPERTROFIA DA MUSCULATURA = redução da complacência e da capacidade de acomodação da urina 2.2. DENERVAÇÃO PARASSIMPÁTICA = instabilidade e contrações involuntárias da musculatura detrusora (AÇÃO COLINÉRGICA) Já adiantando, as drogas que utilizamos para o tratamento envolvem justamente tudo o que foi falado na fisiopatologia: INIBIDORES DA 5-ALFA- REDUTASE (anti-androgênico), ALFA-BLOQUEADORES e ANTI- COLINÉRGICOS. Manifestações Clínicas: - SINTOMAS OBSTRUTIVOS (“LUTS DE ESVAZIAMENTO”): ESFORÇO MICCIONAL, HESITÂNCIA, GOTEJAMENTO TERMINAL, JATO FRACO, ESVAZIAMENTO INCOMPLETO, INCONTINÊNCIA PARADOXAL, RETENÇÃO URINÁRIA. - SINTOMAS IRRITATIVOS (“LUTS DE ARMAZENAMENTO”): URGÊNCIA, POLACIÚRIA, NICTÚRIA, INCONTINÊNCIA DE URGÊNCIA, PEQUENOS VOLUMES DE MICÇÃO, DOR SUPRAPÚBICA. Um termo utilizado em algumas provas de residência é “LUTS DE ESVAZIAMENTO/ARMAZENAMENTO”, que nada mais é do que sintomas de trato urinário baixo, relacionados aos sintomas obstrutivos e irritativos. IPSS (ESCALA INTERNACIONAL DE SINTOMAS PROSTÁTICOS) O ESCORE DO IPSS vai de 0-35 pontos. Ainda é acrescentado a esse escore a AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA, pontuada de 0-6 pontos. A junção do IPSS + qualidade de vida permite direcionar o tratamento. Urologia: HPB, Hematúria e Disfunção Erétil @ casalmedresumos 97 SINTOMAS LEVES (0-7 PONTOS) - OBSERVAÇÃO E ACOMPANHAMENTO ANUAL SINTOMAS MODERADOS (8-19 PONTOS) - TERAPIA FARMACOLÓGICA SINTOMAS GRAVES (20-35 PONTOS) - TERAPIA FARMACOLÓGICA +/- CIRURGIA Diagnóstico: - IPSS: DEFINIR INTENSIDADE DOS SINTOMAS (descrito acima) - TOQUE RETAL: PRÓSTATA AUMENTADA DE CONSISTÊNCIA FIBROELÁSTICA E COM SULCO INTERLOBULAR PRESERVADO! - PSA: PODE ESTAR ELEVADO (GERALMENTE ENTRE 4-10NG/ML) O PSA É “PRÓSTATA ESPECÍFICO” E NÃO “CÂNCER ESPECÍFICO” Tratamento: TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: “TAMSULOSIN + FINASTERIDA” 1) BLOQ. ALFA1-ADRENÉRGICOS: TAMSULOSINA/DOXASOSINA são as drogas mais utilizadas. 2) INIBIDORES DA 5-ALFA-REDUTASE: FINASTERIDA demora para começar a fazer efeito, interfere na ereção. 3) ANTICOLINÉRGICO: OXIBUTININA/SOLIFENACINA opção para sintomas irritativos severos (gera muito efeito colateral) TRATAMENTO CIRÚRGICO (refratários, complicados = cálculo vesical, hematúria, infecção urinária de repetição, retenção urinária, IRA pós-renal): 1) RESSECTÃO TRANSURETRAL (RTU): se próstata até 80 gramas 2) PROSTETECTOMIA ABERTA: se próstata > 80 gramas Complicação da RTU = SÍNDROME DE ABSORÇÃO HÍDRICA (ou SÍNDROME PÓS-RTU), que evolui com HIPONATREMIA DILUCIONAL. Para evitar essa complicação, é ideal: - Ressecção com cautério BIPOLAR - REDUÇÃO do tempo operatório (< 90 minutos). Já foi questão de prova! - Usar SORO FISIOLÓGICO em vez de soro isotônico 2. Hematúria Valores Fisiológicos: - ATÉ 1-2 HEMÁCIAS/CAMPO (adultos) - ATÉ 1-4 HEMÁCIAS/CAMPO (crianças) Valores maiores não necessariamente indicam patologia. Fatores como método de coleta (primeira urina da manhã), atividade física, febre, etc, interferem no resultado. O que indica patologia? - Hematúria MACROSCÓPICA - > 100 HEMÁCIAS/CAMPO - Hematúria PERSISTENTE (identificada em 3 exames diferentes de EAS) Etiologia: “NEFROLÓGICA OU UROLÓGICA?” Hematúria Nefrológica GLOMERULAR Urina marrom e sem coágulos Cilindros hemáticos Hemácias dismórficas Cilindros leucocitários PROTEINÚRIA > 500mg/dia TUBULOINTERSTICIAL PROTEINÚRIA > 500mg/dia Cilindros leucocitários e raramente hemáticos Hematúria Urológica - TRAUMA - NEFROLITÍASE - ITU BAIXA/PROSTATITE - NEOPLASIAS UROLÓGICAS - HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA Diagnóstico: - USG, UROTC, CISTOSCOPIA - A escolha do exame vai depender da suspeita diagnóstica! Tratamento: - DEPENDE DA CAUSA! Imagem: Netter 98 3. Disfunção Erétil Conceito: - Incapacidade de obter/manter ereção peniana de forma suficiente para permitir uma relação sexual satisfatória. Fatores de Risco: - IDADE AVANÇADA - COMORBIDADES: DM2, HAS, obesidade, sedentarismo, HPB, etc - USO DE DROGAS: antidepressivos (principalmente inibidor seletivo da recaptação de serotonina), tiazídicos, antagonista beta-adrenérgicos - FATORES PSICOGÊNICOS: ansiedade, depressão - FATORES NEUROGÊNICOS, como doenças desmielinizantes - TABAGISMO O INDIVÍDUO COM DISFUNÇÃO ERÉTIL TEM MAIOR RISCO CARDIOVASCULAR! Pacientes com disfunção erétil têm 45% mais chances de ter infarto agudo do miocárdio em relação a quem não tem. Fisiopatologia: - Ereção precisa da homeostase de 4 SISTEMAS: PSÍQUICO, HORMONAL, NERVOSO, VASCULAR. Obrigatoriamente, os sistemas nervoso e vascular devem estar íntegros! ÓXIDO NÍTRICO (liberação estimulada pela ACETILCOLINA) = dilatação da artéria cavernosa e relaxamento do músculo liso rápido influxo de sangue aumento da pressão no corpo cavernoso + compressão venosa e “ingurgitamento” de sangue no pênis ereção FOSFODIESTERASE 5 (PDE 5), via NORADRENALINA, promove contração do músculo liso e saída de sangue do pênis veias “livres” da pressão detumescência. Diagnóstico: - História clínica (manter sigilo) + exame físico - Exames: bioquímica, hemograma, glicemia, perfil lipídico, testosterona total e sérica Etiologia: - PSICOGÊNICA - ORGÂNICA - MISTA PSICOGÊNICA ORGÂNICA Início mais repentino Início mais gradual Perda imediata completa Progressão incremental Disfunção situacional Disfunção global Ereções matinais presentes Ereções matinais ausentes Tratamento: - Sempre ESTRATIFICAR RISCO CARDIOVASCULAR, principalmente se a etiologia for orgânica. - Avaliar a presença de CAUSAS PSICOGÊNICAS. - Avaliar a presença de DISTÚRBIO HORMONAL/HIPOGONADISMO. DESCARTADO QUALQUER DOS PROBLEMAS ACIMA, partir para o tratamento medicamentoso com INIBIDORES DE PDE5 (SILDENAFILA, TADALAFILA, VARDENAFILA). INIBIDORES DA PDE5 - Utilizar 30 MINUTOS A 1 HORA ANTES DA RELAÇÃO - Tadalafila tem meia-vida maior (36h). Sildenafila tem meia-vida de 12h. - NUNCA UTILIZAR EM USUÁRIOS DE NITRATO - CAUTELA EM CARDIOPATAS, CORONARIOPATAS, HIPERTENSOS GRAVES - Lembrar de efeitos adversos: hipotensão postural, vertigem, cefaleia, prurido, flushing, etc. Na refratariedade, partir para outras possibilidades, como DROGAS INTRACAVERNOSAS E PRÓTESE. Quando pensar em ENCAMINHAR PARA O ESPECIALISTA? - Falha no tratamento inicial - Jovem com trauma - Deformidade peniana - Endocrinopatias graves - Distúrbio psicológico/psiquiátrico Imagem: marciodantas.med.br Imagem: brainly.com.br 99