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Aspectos sociolinguísticos da Língua Brasileira de Sinais

Material sobre os aspectos sociolinguísticos da Língua Brasileira de Sinais; apresenta os modelos teóricos Variacionista e Interacional, discute variação e mudança linguística, relações com o contexto educacional da Libras, objetivos e orientação para consulta terminológica.

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Jeane Souza

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Aspectos sociolinguísticos da Língua Brasileira de Sinais
Prof. Roberto de Freitas Junior
Descrição
Apresentação dos modelos teóricos da Sociolinguística no contexto da
Libras: a Sociolinguística Variacionista e a Sociolinguística Interacional.
Propósito
Discutir os principais conceitos da Sociolinguística Variacionista e da
Sociolinguística Interacional articulados com a realidade das
comunidades usuárias de Libras, a fim de ampliar a visão sobre língua e
sociedade.
Preparação
Tenha à mão um dicionário de Linguística para consultar os termos
específicos da área. Na Internet, você pode acessar o Dicionário de
Termos Linguísticos, hospedado no Portal da Língua Portuguesa.
Objetivos
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Módulo 1
Variação linguística e a mudança na língua
Identificar os tipos de variação linguística e a mudança na língua.
Módulo 2
Sociolinguística e o contexto educacional da
Libras
Relacionar a Sociolinguística com o contexto educacional da Libras.
Introdução
Algumas questões importantes relacionadas aos aspectos
sociolinguísticos da Língua Brasileira de Sinais são:
Como explicar o fato de que falantes de uma mesma língua
a usem de modo tão diferente?
Você já reparou como uma pessoa modifica seu modo de
falar, quando se encontra em uma festa com amigos ou
quando está em uma reunião de trabalho?
Notou como pessoas de diferentes grupos sociais
escolhem palavras e expressões específicas?
E o que dizer da dificuldade que pessoas mais idosas às
vezes apresentam para entender a fala de adolescentes e
vice-versa?
Essas questões nos apontam para alguns fenômenos ou
processos que verificamos no uso de determinada língua e que

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nos interessam aqui.
Estudaremos os diferentes tipos de variações pelas quais as
línguas passam, como isso se relaciona com a mudança em
determinada língua e como os aspectos sociais e linguísticos
interferem no diálogo com textos distintos, sem deixar de
considerar em todas essas questões o contexto da Libras, a
Língua Brasileira de Sinais.
1 - Variação linguística e a mudança na língua
Ao �nal deste módulo, você identi�cará os tipos de variação linguística e a mudança na língua.
Os estudos linguísticos e a
sociolinguística
Uma das maiores contribuições da Linguística sobre o funcionamento e
a natureza da linguagem advém da corrente Sociolinguística, que tem
por princípio básico o estudo da linguagem em diferentes recortes e
realidades sociais.
Será por meio da Sociolinguística que trataremos do uso da língua e das
situações de variação e mudança, pois essa corrente se localiza no
campo dos estudos da linguagem como uma área de teorização e
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investigação que observa aspectos relacionados à variação e à
mudança linguística.
A Sociolinguística também trata de tendências relacionadas aos usos
que diferentes grupos sociais fazem da língua, e das ideologias e
relações de poder envolvidas no processo de percepção, legitimação e
estigmatização dessas formas de uso da língua.
A Sociolinguística se impõe como um campo de ação
diverso, na medida em que se desdobra em áreas da
interface linguagem/sociedade, trazendo contribuições
para o entendimento das relações interacionais, para a
descrição linguística em diferentes momentos do
curso de formação da língua e para o enriquecimento
de outras áreas, como a educação e a política.
Ao focalizar o uso real e efetivo da língua por indivíduos socialmente
localizados, a Sociolinguística se coloca no campo das ciências
humanas e sociais, subsidiando discussões voltadas para o valor ou
reconhecimento das formas de expressão de grupos majoritários e
minoritários.
Comentário
No contexto da discussão sobre as línguas de sinais, línguas de
minorias linguísticas compostas por indivíduos surdos, por exemplo, a
Sociolinguística traz informações importantes para o combate ao
preconceito linguístico.
Aqui vamos tomar dois direcionamentos, a fim de entender um pouco
sobre alguns princípios da Sociolinguística e como essa corrente
dialoga com as discussões sobre a Libras e sua comunidade linguística.
Trataremos, portanto, das duas grandes áreas, tradicionalmente falando,
da Sociolinguística:

A Variacionista

A Interacional
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A sociolinguística
No início da década de 1960, William Labov, que posteriormente se
tornaria um dos maiores linguistas da história, desenvolveu dois
grandes estudos:
Em ambos os estudos, seu objetivo era mostrar:
O papel crucial dos fatores sociais na explicação da
variação linguística.
O autor identificou que a variação de usos linguísticos de funções e
significados semelhantes era altamente controlada e organizada por
fatores ligados aos perfis sociais de seus falantes, além de fatores
internos de seus dialetos.
A partir dos estudos de Labov, foi superada a ideia de que a variação
linguística seria aleatória e não sistêmica. A ideia de que a variação
seria ordenada tornou-se um contraponto ao pensamento de que a
língua se organizaria estruturalmente a despeito de seus falantes e seus
usos diversos.
Resumindo
A variação linguística passou a ser entendida como objeto não aleatório,
baseando-se na correlação existente entre fatores linguísticos e sociais.
Vários pontos são identificados a partir dessa discussão, dos quais
destacamos:
 Uma grande investigação sobre o inglês falado na
ilha Martha's Vineyard, em Massachusetts, Estados
Unidos.
 Um estudo de mesma natureza, com o dialeto
falado na cidade de Nova York.
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O fato da heterogeneidade
sistematizada
A despeito da irregularidade observada no uso da língua, existe um
conceito de homogeneidade advindo de certa concepção linguística que
consiste em entender a língua como um sistema fechado de regras e
possibilidades, como um objeto homogêneo, estruturalmente
consistente e previsível, a partir de suas próprias possibilidades internas
de arranjo.
Essa é a concepção estruturalista da língua.
Nesse sentido, o uso individual da língua é visto como o lugar do caos,
da não regularidade, o lugar onde múltiplas formas surgem, como as
formas menos legitimadas de um grupo social. Por outro lado, a
dimensão coletiva ou social da língua representa o regular, o sistêmico,
o homogêneo.
Uso individual da língua
Caos
Uso coletivo ou social da
língua
Regularidade
O fato da heterogeneidade
sistematizada
O aparato metodológico
variacionista
A relação entre variação e
mudança linguísticas

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As pesquisas de Labov e toda a prática sociolinguística variacionista
mostraram, entretanto, que a suposta homogeneidade linguística,
prevista pela perspectiva estruturalista, poderia ser questionada pela
ideia de heterogeneidade sistematizada.
O que vem a ser essa heterogeneidade sistematizada?
Trata-se de um fato verificável em qualquer língua natural ao notarmos
que a variação linguística é controlada e fortemente condicionada por
fatores inerentes à língua e por outros a ela externos: os fatores sociais.
Há, portanto, uma dimensão probabilística nesse contexto: a tendência
de que determinados usos ocorram em dado contexto, graçasà ação
desse conjunto de fatores.
Atenção!
É um grande erro acharmos que o modo diferenciado como as pessoas
se expressam para dizer a mesma coisa possa ser classificado
simplesmente como resultado de escolhas aleatórias, ignorância, déficit
cognitivo e tantos outros argumentos que costumamos testemunhar
quando o assunto é a maneira diferenciada como todos nós nos
expressamos.
Qualquer fenômeno de variação linguística é explicável, portanto, por um
conjunto de fatores relacionados que pode apontar o modo como as
possibilidades de usos para um mesmo sentido se distribuem na língua.
É nessa combinação de fatores que identificaremos o que há de
sistemático na heterogeneidade linguística. A visão de homogeneidade
linguística estruturalista é posta em xeque pela proposta da
heterogeneidade sistematizada da Sociolinguística, que mostra que
nada na língua é, por assim dizer, caótico.
Exemplos do funcionamento da variação
Gerúndio e ressilabi�cação
Para falar dos fatores que explicam o funcionamento sistêmico da
variação, vejamos o caso dos gerúndios no português do Brasil (PB):
Há um fenômeno de variação no uso do gerúndio, a realização ou
apagamento do fonema /d/.
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Atualmente, observamos brasileiros usando as formas mais tradicionais
/ando/, /endo/ e /indo/, mas também é comum encontrarmos o seu uso
com apagamento, como verificamos inclusive no registro escrito das
formas <andano>, <bebeno> e <vino>. Podemos levantar várias
hipóteses sobre os fatores internos e fatores externos relacionados ao
fenômeno em questão.
Fatores internos
Se pensarmos em termos de fatores internos, veremos que talvez
esse seja um fenômeno relacionado à possibilidade de
ressilabificação, isto é, de reestruturação das sílabas: o
apagamento do fonema /d/ não compromete a recuperação do
sentido da palavra, já que o último fonema da sílaba anterior é
uma consoante que é reanalisada como parte da nova sílaba em
conjunto com a vogal final e guardando o morfema marcador do
gerúndio.
Esse condicionamento está previsto pelas possibilidades de
articulação das palavras no português do Brasil, e o exemplo nos
mostra que existem fatores internos do sistema linguístico do
português que se relacionam à questão do apagamento do
fonema /d/ nesse contexto. Não se trata, portanto, de um
acontecimento (um fenômeno) aleatório.
Fatores externos
Se pensarmos em termos de fatores externos, veremos que
talvez pessoas com maior grau de escolaridade apresentem
menos o apagamento que pessoas de menor grau de
escolarização. Veremos, talvez, que pessoas de determinada
região geográfica apresentem menos o apagamento em
comparação com pessoas de outras regiões do país.
Podemos nos perguntar sobre o que estaria contribuindo para
essa variação regional. Talvez percebamos que, a depender do
grau de formalidade de dada situação linguística, as pessoas
possam estar mais ou menos sujeitas a realizar o apagamento do
fonema em questão.
Vale notar que estamos falando de realizações que ocorrem
inconscientemente, o que evidencia a sistematicidade natural do
fenômeno de variação, aqui exemplificado.
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Gerúndio no PB e portugês de Portugal
A heterogeneidade linguística pode ser identificada, também, a partir do
exemplo apresentado, se compararmos a variedade do português de
Portugal e a do PB.
A variedade europeia prevê o uso da forma [ESTAR + a
+ Verbo no infinitivo] para construções no gerúndio,
como em <estou a cantar> e <estou a beber>.
Vemos aqui outro desdobramento sobre a discussão da variação e
sobre o fato de ela ser, ou não, prevista a partir de fatores diversos. Se
pensarmos no português brasileiro e no português europeu como uma
mesma língua, teremos um caso de variação regionalmente orientada e
que revela implicações internas ainda mais complexas e específicas de
cada variedade.
Vemos, assim, que a diversidade linguística pode ser descrita por
fatores internos e externos aos usos, às variedades, aos dialetos etc.
Resumindo
Considerando os conjuntos de fatores (internos e externos) à língua, e
que atuam na realização (articulação) ou no apagamento do fonema
/d/, vemos que tal fenômeno não é algo que acontece de modo aleatório
ou não previsível. Trata-se de um fenômeno que pode ser
cientificamente descrito.
Os tipos de variações linguísticas
O tratamento científico sobre a variação linguística permite a
identificação de ao menos três agrupamentos, três tipos de variações
linguísticas, que são diastrática (social), diatópica (regional) e diafásica
(estilística/registro).
Tais agrupamentos são identificados no uso de qualquer língua natural,
independentemente de serem línguas orais ou de sinais.
Os fenômenos podem acontecer em qualquer nível da língua:
 Nível fonológico
Na pronúncia
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Mas, lembre-se:
Em todos os níveis, esses fenômenos estarão sujeitos
tanto à pressão de fatores linguísticos quanto sociais.
Vamos conhecer agora cada um dos três tipos de variações linguísticas:
O agrupamento das variações diastráticas aponta para os
fenômenos que apresentam condicionamentos de ordem não
especificamente linguística, mas de orientação social. Assim,
identifica-se a distribuição de usos específicos em subgrupos de
macrogrupos sociais.
É possível localizar e explicar, por exemplo, as diferenças na
distribuição de formas de mesmo sentido, existentes nas falas
de indivíduos de sexos ou gêneros diversos, crianças e idosos,
 Nível semântico/lexical
Entre as palavras
 Nível morfossintático
Na construção das frases
 Nível discursivo-pragmático
Em como o discurso é construído
Variações diastráticas 
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pessoas com diferentes graus de escolarização e assim por
diante.
A variação diastrática corresponde aos diferentes modos de uso
da língua em função da classe social ou do grau de escolaridade.
As variações diatópicas, por sua vez, são aquelas em que
verificamos diferenças de usos entre subgrupos regionais de um
grupo maior. É possível localizar diferenças de usos entre
falantes, explicáveis em decorrência da localização em que se
encontram.
Assim, a variação diatópica é a que se dá na dimensão
geográfica, do espaço. Os diferentes dialetos de uma língua ou
os regionalismos (o dialeto carioca, o dialeto caipira etc.) são
exemplos de variação diatópica.
A alternância entre “mexerica”, nas regiões Sudeste e Centro-
Oeste no Brasil, e bergamota, na região Sul, também ilustra a
variação diatópica.
Os fenômenos de variação que compõem o agrupamento das
variações diafásicas são aqueles que refletem como o uso da
língua é sensível ao contexto de uso, ao registro, às situações
comunicativas diversas e que nos levam a optarmos, em geral,
inconscientemente, por registros mais ou menos formais e
adequados de usos.
Assim, a variação diafásica corresponde às diferenças de
modalidades expressivas, ou seja, os diferentes usos de uma
mesma língua em função do contexto, da situação de
comunicação, da atividade profissional etc.
Por exemplo, a maneira de um professor se expressar em sala de
aula, em um discurso professoral ou acadêmico, é distinta do
jeito como se expressa em uma roda de conversa com amigos.
Vejamos um exemplo que reúne os três tipos de variação.
Variações diatópicas 
Variações diafásicas 
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Exemplo
Imagine o seguinte diálogo:
- Zé, desta vez cheguei bem cedinho para não perder a cavalgada!
- Poxa, fiz ocê madrugá! Coitado!
Nesse pequeno diálogo, podemos ilustrar o funcionamento dos três
agrupamentos de variações que estudamos até aqui:
O uso das formas <ocê> e <madrugá>, sem a pronúncia do /R/ final,
pode estar associado à fala de pessoas com menor grau de
escolaridade, opondo-se a formas como <você> e <madrugar>, as
quais possivelmente surgiriam com maior probabilidade nas falas
de grupos de maior escolarização, ilustrando a variação diastrática.
O uso das formas <você> e <ocê>, por exemplo, ilustra um tipo de
variação existente entre a fala de pessoas de centros urbanos e
pessoas do interior, uma variação regional, ou seja, diatópica.
O uso de <cedinho>, <Poxa!> e <Coitado!> aponta para o grau de
informalidade da situação comunicativa. Em situações mais
formais, os itens <cedo>, <Lamento!> e <Pobre rapaz!> seriam
preferidos, ilustrando um caso de variação diafásica.
A variação linguística nas línguas de sinais também se materializa por
fatores linguísticos, em geral, relacionados a seus parâmetros
fonológicos e a fatores sociais ligados aos seus usuários.
No âmbito da variação diastrática, identificamos diferenças na forma
dos sinais DIA, PAI, SIM e NUNCA. Tais sinais são tradicionalmente
denominados como sinais soletrados, graças ao uso da datilologia,
quando foram incorporados à Libras via empréstimo do PB.
Datilologia
É a representação ortográfica, via uso do alfabeto manual, usada pelos
usuários de línguas de sinais para a representação de palavras das línguas
orais que ainda não possuem um sinal específico na Libras, como nome de
pessoas, lugares e termos técnicos.
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Alfabeto da Língua Brasileira de Sinais.
A importância dessas palavras no uso diário, sua frequência de uso e
vários outros fatores relacionados à sua incorporação nesse sistema
fizeram com que elas sofressem erosão fonológica, uma alteração
importante na maneira como são representadas e que indica perda da
soletração e a emergência de um único sinal, em bloco.
De algum modo, esses sinais guardam semelhança com as formas
datilológicas originais, mas são diferentes. Usuários da Libras mais
novos podem, portanto, usar os sinais DIA, PAI, SIM e NUNCA de
maneira diferenciada de falantes mais velhos, por não terem sido
expostos com maior frequência às formas datilológicas originais,
indicando uma mudança linguística importante nesse sistema
linguístico.
Exemplos de variações em Libras
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O sinal NUNCA, originado a partir da soletração N-U-N-C-A, passa a ser
realizado com as configurações de mão em <N> e <U>, alternadamente
e com mais velocidade, sem a realização das letras referentes à palavra
no português, como pode ser visto na imagem a seguir:
Sinal de Nunca com as configurações de mão em <N> e <U>.
Na Libras, alguns exemplos clássicos de variação diatópica consistem
nos sinais correspondentes às palavras BRANCO, TREM, ÔNIBUS,
PESSOA e FRUTA.
Os conceitos <branco> e <trem> em Libras são formalmente
representados por um item lexical (um sinal) no Rio de Janeiro e outro
em São Paulo.
Isso também ocorre com <ônibus> e <pessoa>, que apresentam formas
diferentes no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Com o item <fruta>,
há uma forma em Pernambuco e outra nos demais estados brasileiros.
O sinal de FRUTA, no Rio de Janeiro e em vários locais do Brasil, é o
mesmo de MAÇÃ, acrescido da palavra VÁRIOS [MAÇÃ + VÁRIOS],
conforme vemos na figura a seguir:
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Sinal de Fruta no Rio de Janeiro e em vários locais do Brasil.
Em Pernambuco, entretanto, a palavra FRUTA é apresentada na
configuração da letra <F< do alfabeto manual, com localização na
bochecha do usuário, que é pressionada pelo dedo indicador.
Na composição do sinal, há ainda o movimento esquerda-direita da
mão. Novamente, a diferença de representação formal do sinal FRUTA,
que é orientada por distribuição regional, é um exemplo de variação
diatópica.
A alternância de uso de idiomatismos típicos de contextos
comunicativos de menor grau de formalidade e de outras expressões de
mesmo sentido pode exemplificar a variação diafásica em Libras: seus
usuários saberão qual forma usar em qual contexto comunicativo
apesar da semelhança de sentido. Do mesmo modo, a interpretação
para Libras de discursos políticos, em geral da maior formalidade,
apresentará marcas linguísticas mais associadas ao registro formal
dessa língua.
Resumindo
A variação linguística, em suma, reflete a diversidade linguística, por sua
vez, espelhada na diversidade sociocultural das comunidades
linguísticas, inclusive a da comunidade surda.
A visão da heterogeneidade sistematizada reflete a imbricada teia que
constitui os grupos, em todas as suas interfaces e seus perfis, e revela
as idiossincrasias do nível individual. Assim, os conceitos de dialeto e
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de idioleto emergem na discussão sociolinguística, apontando para as
variantes usadas pelos múltiplos agrupamentos sociais, no caso dos
dialetos, e para a língua falada ou sinalizada do indivíduo, no caso dos
idioletos.
Características sociais, identitárias, históricas e culturais desses grupos
são refletidas na língua, que emerge como espelho do seu contexto
social maior, mas que também funciona como fator identitário no nível
do indivíduo.
O aparato metodológico variacionista
Uma das maiores contribuições do advento da Sociolinguística
Variacionista, ou Teoria da Variação, foi a incorporação de uma
metodologia, proposta para a análise e interpretação dos fenômenos de
variação, contemplando a observação da interação dos fatores,
linguísticos e extralinguísticos, condicionantes dos fenômenos
observáveis.
A incorporação do tratamento estatístico para as análises
sociolinguísticas, portanto, permite a observação do que é ou não
relevante em termos de condicionamentos estruturantes dos
fenômenos em variação. Assim, atrelada à identificação de dado
fenômeno variável está a observação sobre as formas em competição,
as variantes linguísticas, sobre as quais se voltará a investigação.
As variantes linguísticas são as diferentes formas
identificadas na língua e que expressam o mesmo
sentido, o mesmo valor de verdade. As variáveis
independentes são o conjunto de fatores, linguísticos
ou extralinguísticos, relacionado ao uso de uma ou
outra forma em competição.
Segue-se, então, uma sequência, mais ou menos fixa, mais ou menos
ordenada, de etapas metodológicas que embasam a investigação
científica para a descrição dos fenômenos da língua:
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 Levantamento do(s) corpus/corpora para
identi�cação de dados
 Coleta e registro de dados
 Formação da amostra
 Delimitação dos per�s sociais dos
indivíduos
 Levantamentos de hipóteses
 Transcrição
 Submissão ao tratamento estatístico
 Análises
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Por meio da análise estatística sobre como os diferentes grupos sociais
usam a língua, é possível identificar os fatores significativamente
relevantes para a explicação das regularidadesda variação. Ela se dá da
seguinte forma:
A partir de uma abordagem
controlada para o estudo da
linguagem, é possível chegar a
conclusões embasadas sobre os
fatores que explicam a
aparentemente caótica, mas
regular natureza da variação.
A escolha criteriosa de um
conjunto de textos, orais,
escritos ou sinalizados, consiste
na observação dos ambientes de
uso em que determinado
fenômeno estará mais suscetível
a emergir.
Dessa escolha decorre o
trabalho de identificação, a
coleta e o registro das diversas
variantes linguísticas e seus
contextos, o que leva à formação
da amostra dos dados a serem
analisados.
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Os fatores envolvidos nos condicionamentos sobre os usos das formas
podem ser diversos. As variáveis linguísticas são as de natureza
fonológica, morfossintática, semântica e discursivo-pragmática.
As variáveis extralinguísticas, de orientação mais social, podem ser
resumidas em: idade, região, gênero/sexo, estrato social, grau de
escolarização etc., podendo ainda serem adicionadas variáveis
relacionadas ao contexto de uso das formas e seus gêneros
discursivos.
A relaçāo entre variaçāo linguística e
mudança
A terceira observação, vinda a partir da perspectiva sociolinguística,
consiste na relação existente entre variação e mudança. Se a
heterogeneidade linguística é controlada a partir de fatores
condicionantes específicos, esses mesmos fatores podem ajudar a
explicar os motivos que levam determinada forma competidora, em
variação, a ser implantada no sistema não mais em contexto de
alternância, mas como única possibilidade, implicando a mudança.
Atenção!
A identificação dos fatores
sociais, contextuais linguísticos
e extralinguísticos dos usos e a
transcrição dos dados permitirão
o levantamento de hipóteses
para as motivações relacionadas
à regularidade do fenômeno.
O suporte do modelo
quantitativo permitirá o trabalho
de análise, que poderá ainda ser
acompanhado por alguma
abordagem de orientação
qualitativa.
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Em primeiro lugar, é preciso salientar que fenômenos em variação não
significam necessariamente mudança linguística em curso. O
dinamismo da língua é refletido na variação e na mudança, mas isso
não significa dizer que toda variação aponte necessariamente para um
processo de mudança linguística em curso.
Considere, por exemplo, o caso dos pronomes “você” e “Vossa Mercê”
no português brasileiro (PB).

Em um determinado
intervalo de tempo, eles
estiveram em variação
(ou seja, competiam
pela expressão do
significado SEGUNDA
PESSOA DO
SINGULAR).

Em algum momento do
século XVIII, o “você”
venceu a disputa: seu
uso disparou, o de
“Vossa Mercê” caiu a
zero e, com isso, o
sistema do PB se
modificou (LOPES;
DUARTE, 2003).
Assim, a mudança linguística é prevista como resultado de algum tipo
de fenômeno de variação que a antecede. Nesse sentido, os fatores
linguísticos e extralinguísticos envolvidos no processo de variação
podem evidenciar gatilhos possíveis para alterações nos sistemas, para
a implantação de mudanças.
Duas importantes discussões surgem a partir dessa constatação, são
elas:

A primeira diz respeito ao fato de a mudança ser gradual e ser atestada
primariamente na fala das crianças. As formas em competição que se
tornam a regra do sistema tendem a ser verificadas na fala das
gerações mais novas, servindo de indício para o processo de mudança
em curso.


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A segunda diz respeito à possibilidade de que a implantação de uma
determinada forma não necessariamente se relacione com os
parâmetros de julgamentos sociais, sejam eles favoráveis ou não, sobre
seu uso em tempos anteriores.
Os estudos sociolinguísticos de orientação histórico-temporal
(diacrônicos) abordam diferentes momentos da língua (sincronias), nos
quais determinado fenômeno em variação ocorre, podendo atestar
possível mudança ao detectarem tendência de implantação de uma
forma em detrimento do desaparecimento de outra.
É possível observar como determinado fenômeno pode estar apontando
para uma mudança em curso, a partir do comportamento da variação
em diferentes grupos etários ao longo do tempo.
Da mesma maneira, o tratamento quantitativo associado à prática
sociolinguística permite a observação de que a mudança linguística é
fato inerente às línguas e que ocorrerá naturalmente a despeito da
influência de fatores como julgamentos sociais de usos linguísticos,
convenções linguísticas aprendidas na escola, normatizações
linguísticas oficiais etc.
O que queremos salientar, portanto, é que a
diversidade linguística prevê a diversidade dialetal, a
coexistência de variantes, como o padrão culto, a fala
popular, a fala regional etc. O julgamento de valores
relacionados a essas formas é absolutamente
independente de sua natureza linguística por si
mesmo.
São julgamentos de orientação social, em geral, associados ao poder
que a norma padrão exerce em toda a sociedade e que está refletido na
própria estratificação social e nas forças hegemônicas de dada
sociedade.
A motivação para tais julgamentos também está no cerne de discursos
preconceituosos que tendem, por exemplo, a colocar a Libras como uma
linguagem não verbal, não reconhecendo seu caráter de linguagem
verbal, ou seja, como uma língua.
Comentário
Este julgamento de valores, mais recentemente, se reflete na resistência
ao reconhecimento do uso de formas novas de gênero neutro nas
línguas do mundo, uma demanda de grupos minoritários que desejam
ver na língua o espelhamento da identificação de gênero não binário.
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A possibilidade de que determinada forma, objeto de estigmatização
social em outros tempos, possa vir gradualmente a se tornar legitimada
pelo padrão culto de novos tempos é apenas mais uma evidência da
inexistência de superioridade entre formas, idioletos, dialetos, enfim,
entre línguas.
Exemplos diversos poderiam ser citados para demonstrar que as formas
tidas como socialmente menos privilegiadas podem se tornar as formas
eleitas pela norma culta de outra época.
O pronome pessoal <a gente>, por exemplo, no PB passou a ser usado
amplamente, inclusive em discursos altamente formais e monitorados,
em lugar do pronome <nós>. Um passeio diacrônico (ao longo da
história de uma língua) sobre a trajetória de mudança da forma <as
gentes> à forma atual mostrará claramente a atuação de pressões
internas e externas ao fenômeno, que chega à sincronia (determinado
estágio ou estado de uma língua) atual com uma carga ampliada de
aceitabilidade de uso em contextos mais formais.
A pesquisa na área da Sociolinguística Variacionista pode trazer
inúmeros benefícios para a documentação e ratificação da importância
da Libras para a comunidade surda brasileira, como:
 É possível, por exemplo, aplicar a Teoria da
Variação para a condução de estudos sobre
diferentes tipos de variação a fim de observar como
ela se distribui no território nacional.
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Sociolinguística variacionista
Assista ao vídeo para conhecer alguns exemplos de tipos de variação
linguística e possíveis situações de mudança linguística em línguas de
sinais. Vamos assistir!
 Por meio da teoria, também podemos compreender
como os usuários de diferentes faixasetárias,
gêneros, sexos e classes sociais usam a língua em
todo o Brasil e como os fatores estruturais podem
interagir com os fatores sociais no processo de
variação.
 E, por fim, é possível verificar como a Libras, assim
como qualquer sistema linguístico, evolui e passa
por processos de mudanças linguísticas,
decorrentes de motivações endógenas (internas)
da língua, da comunidade surda, do contato
linguístico com o PB, pelo avanço das novas
tecnologias de comunicação, entre outros fatores.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Leia o texto a seguir para responder às perguntas 1 e 2:
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00995/index.html?brand=estacio# 24/47
[...]
Levanta, preta, que o Sol tá na janela
Leva a gamela pro xaréu do pescador
A alforria se conquista com o ganho
E o balaio é do tamanho do suor do seu amor
Mainha, esses velhos areais
Onde nossas ancestrais acordavam as manhãs
Pra luta sentem cheiro de angelim
E a doçura do quindim
Da bica de Itapuã
[...]
(G.R.E.S. UNIDOS DO VIRADOURO. Samba-enredo 2020 – Viradouro
de Alma Lavada.)
As palavras “balaio” e “mainha” são muito usadas na região da
Bahia, sobre a qual o enredo se refere. Em outros locais do Brasil, as
formas utilizadas para tais conceitos podem ser “cesto” e
“mãezinha”. O tipo de variação linguística que aponta para
diferenças no âmbito regional é denominado:
Parabéns! A alternativa B está correta.
O tipo de variação que espelha diferenças regionais de uso da
língua é chamado de variação diatópica, manifestando falares
regionais, dialetos ou expressões tipicamente regionalistas.
Questão 2
A Variação diafásica
B Variação diatópica
C Variação diastrática
D Diacronia
E Diacronia
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Considere as afirmativas a seguir:
I - O uso da palavra “mainha” está fortemente associado a
contextos de menor grau de formalidade; se um falante do dialeto
baiano, em situações de registro formal, preferir o uso da forma
“mãe” no lugar de “mainha”, evidenciará uma variação diafásica.
II - A forma verbal “tá” no lugar de “estar”, caracterizando um
registro informal da língua e muito próximo da oralidade, não é uma
variação linguística, já que a única maneira da língua a ser
considerada é a língua-padrão.
III - A letra de um samba-enredo pode conter registros mais
coloquiais ou informais da língua para efeitos de expressividade e
adequação ao seu contexto, caracterizando uma variação diafásica.
IV - Se o baiano prefere a forma afetuosa “mainha” e o povo de
outros lugares prefere a forma carinhosa “mãezinha”, estão todos
usando termos de diferentes lugares para a mesma doce figura,
caracterizando a variação diatópica.
Estão corretas somente as afirmativas:
Parabéns! A alternativa D está correta.
O tipo de variação que espelha as diferenças de registro de uso da
língua é chamado de variação diafásica, conforme ilustrado nas
afirmativas I, II e III. No entanto, a afirmativa II contém erro ao não
reconhecer que o uso da forma verbal “tá” é uma variação e que
devemos considerar as formas de variação da língua e não apenas
a língua-padrão ou culta. A afirmativa IV apresenta corretamente
uma situação de variação diatópica, ou seja, diferentes expressões
A I e II.
B I e III.
C I, II e III.
D I, III e IV.
E II, III e IV.
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ou palavras para um mesmo referente em função da região dos
falantes ou usuários da língua.
2 - Sociolinguística e o contexto educacional da Libras
Ao �nal deste módulo, você relacionará a Sociolinguística com o contexto educacional da
Libras.
A sociolinguística interacional
Neste módulo, trataremos do segundo caminho teórico da
Sociolinguística, a Sociolinguística Interacional, para identificarmos
algumas relações com a língua em geral e, posteriormente, com a
Libras.
Diferentemente da perspectiva variacionista, que observa a língua a
partir das variáveis estruturais e sociais que a definem, a
Sociolinguística Interacional propõe seu estudo na interação dialógica.

Sociolinguística
Variacionista
Observa a língua a partir
das variáveis
estruturais.

Sociolinguística
Interacional
Propõe o estudo da
língua na interação
dialógica.
≠
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Os principais nomes da Sociolinguística Interacional e que estão na
base de sua estrutura são:

Erving Goffman
(1922-1982)
Antropólogo, sociólogo e escritor canadense.

John Gumperz
(1922-2013)
Sociolinguista norte-americano, mas nascido na Alemanha.

Dell Hymes
(1927-2009)
Linguista e antropólogo norte- americano.
Nessa proposta, o foco de investigação consiste na construção da
interação, a partir de fatores micro e macrossociolinguísticos. Nesse
sentido, a Sociolinguística Interacional observa as estruturas sociais,
históricas e culturalmente construídas que subjazem a toda interação
verbal, o uso da língua.
A conjunção de fatores linguísticos com fatores comportamentais e
ideológicos é a base da construção dialógica e permeia todo o
pensamento sociolinguístico interacional.
Os estudiosos dessa área trabalham na busca do entendimento sobre
como os usuários da língua criam, reforçam e replicam, no nível micro,
significados e crenças sociais do nível macro.
Comentário
Nessa perspectiva, a língua não é vista como uma estrutura formal per
se (em si mesma, intrinsecamente), mas como o resultado das pressões
sociais e culturais diversas, espelhadas em seu contexto de uso, nas
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intenções comunicativas, nas escolhas linguísticas, nos perfis sociais
de seus usuários e nas relações de poder que mantêm entre si.
Assim, a Sociolinguística Interacional permite a observação das
relações sociais, refletindo suas características no contexto de uso da
língua, onde se enquadram múltiplas comunidades linguísticas, de
identidades próprias, e no contexto social macro, mais abrangente, onde
se encontram as crenças e os valores penetrados nos diferentes
contextos sociais.
Trata-se, portanto, de uma perspectiva teórica e
metodológica do estudo do uso da língua que envolve
a Linguística e outras áreas sociais, como a Psicologia,
a Sociologia e a Antropologia, ao se dedicar ao que
está na interface língua, sociedade e cultura.
A natureza interdisciplinar da Sociolinguística Interacional garante, por
consequência, material de análise importante para o entendimento das
sociedades em geral. A interpretação dos fenômenos atuantes na
construção do evento comunicativo é alimentada pelo conhecimento
oriundo de diversas áreas e, ao mesmo tempo, permite a observação
acerca das engrenagens sociais, subsidiando o trabalho dessas e de
outras áreas das humanidades.
Em termos metodológicos, há a preocupação do registro, seja por áudio,
vídeo, anotações, transcrições ou qualquer modo de documentação, das
interações reais de comunicação. A observação dos aspectos do
contexto comunicativo em articulação com os aspectos do contexto
linguístico é fundamental para a análise sociolinguística interacional.
Resumindo
Os estudos nessa área focalizam, portanto, as escolhas linguísticas, os
aspectos do nível formal e funcional da língua e as questões culturais
comportamentaisque inconscientemente interagem na construção
dialógica do uso, revelando a simbiose natural entre língua e contexto
social.
Assim, o uso da língua não é visto como objeto desconexo das pressões
sociais contextuais atuantes na conversação, na aula, no atendimento
médico ou em qualquer forma de interação verbal e dialógica
culturalmente construída. A Sociolinguística Interacional dialoga, nesse
sentido, com estas duas abordagens:
Análise do Discurso
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A Análise do Discurso entende a interação verbal como lugar da
materialização, da prática, dos valores sociais estabelecidos. Assim,
comportamentos e ideologias que perpassam o pensamento social
vigente são entendidos como formados e reformados pela e na
linguagem.
Pragmática
O nível de análise linguística em que observamos nosso conhecimento
sobre como funciona o uso da língua, ao trabalhar no nível das
implicaturas conversacionais e dos subentendidos que refletem
ideologias, valores e intenções dos interlocutores do conjunto micro e
macrossocial.
Para exemplificar essa discussão, considere o texto de um meme,
gênero digital muito popularizado atualmente, que diz o seguinte:
Mulheres para �carem
bonitas vão ao salão de
beleza. Homens para �carem
bonitos vão a uma
concessionária.
(Autor desconhecido)
Uma observação rápida sobre as implicaturas conversacionais
presentes no meme permite verificar que se trata de um texto marcado
por ideologias muito difundidas no nível macrossocial.
A interpretação sobre as diferentes condições de beleza para homens e
mulheres indica os seguintes pressupostos:
Implicaturas conversacionais
Correspondem àquilo que é implícito em determinado ato comunicativo.
São inferências que advêm do contexto extralinguístico.
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Vaidade feminina
Prevê a obrigação de mulheres irem ao salão de beleza para
que sejam consideradas bonitas.
Interesse capitalista feminino
Indica que mulheres se aproximam afetivamente de homens de
maior potencial financeiro.
O trabalho textual do meme é extremamente rico:
Há o uso do paralelismo das formas “mulheres para ficarem bonitas
vão... e homens para ficarem bonitos vão...”;
Temos a oposição de valores sociais relacionados com a escolha
das palavras <salão de beleza> e <concessionária>;
Existe a opção de falar dos homens após ter falado das mulheres
etc.
Todos esses elementos, em conjunto, contribuem para a produção do
efeito final de sentido no meme.
Perceba, ainda, que o texto desse meme circula na Internet geralmente
associado a uma personagem cômica, como ocorre com uma das
versões em que vem associado à imagem do personagem Seu Madruga,
do seriado televisivo “Chaves”.
Nesse caso, a escolha da imagem se dá vinculada a um personagem de
uma série cômica, de classe social desfavorecida e que é
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constantemente afastado pela personagem feminina com quem
interage no enredo da série em questão.
Atenção!
O meme, como gênero discursivo, está associado à função de ironia e
sarcasmo, o que não é diferente aqui. A única distinção, entretanto, é o
fato de aqui serem tratadas, em tom de comédia, ideologias
completamente preconceituosas e nocivas à nossa sociedade,
mascarando e normalizando o que elas trazem de ruim do e para o
conjunto social. Assim, tal meme representa a maneira como muitos
pensam e, ao mesmo tempo, difunde essas ideologias.
Um importante conceito emerge, ainda, no contexto da Sociolinguística
Interacional, e merece aqui destaque: o conceito de competência
comunicativa, de Hymes (1974). A noção de competência comunicativa
aponta para uma habilidade relacionada ao desempenho linguístico: a
capacidade que permite ao falante se comunicar de modo eficaz em
situações comunicativas diversas e específicas.
A abordagem sociolinguística interacional e
Libras
Todas as características até aqui citadas compõem desdobramentos do
pensamento sociolinguista interacional e podem ser utilizadas para
analisarmos o uso da Libras em diferentes contextos de uso, em
diversas situações de interação social.
É possível aplicar a metodologia de registro, coleta de dados e análise
da Sociolinguística Interacional para estudarmos como se diferenciam,
por exemplo, uma conversa formal e uma conversa informal em Libras:
Alunas de escola bilíngue em Libras e português escrito.
• como se organizam linguisticamente;
• como ocorrem as trocas de turnos;
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• como essas questões se relacionam com os papéis sociais exercidos
pelos interlocutores;
• quais são os valores sociais macro e micro da comunidade surda
revelados nas escolhas e na construção da interação dialógica.
É possível, ainda, pesquisar como usuários da Libras são mais ou
menos comunicativamente eficazes na produção de diferentes tipos de
textos e gêneros discursivos aplicados a essa língua.
As abordagens sociolinguísticas
variacionista e interacional na
educaçāo de surdos
Discutimos até aqui abordagens da Sociolinguística que refletem duas
perspectivas sobre a interface linguagem e sociedade: a proposta
variacionista e a sociointeracional.
Articularemos agora alguns princípios advindos dessas propostas com
a educação de surdos e com a educação em geral. A Sociolinguística,
como área abrangente da Linguística, é um campo de reflexões teóricas
e práticas que muito contribui para o pensar educacional no que diz
respeito à realidade linguística e ao ensino de línguas maternas (LM) e
línguas adicionais (LA).
Nossa jornada é a seguinte:
Primeiramente, articulamos alguns princípios advindos da
perspectiva variacionista para propormos uma reflexão sobre o
papel linguístico social e o do ensino das línguas proeminentes
na comunidade surda no Brasil: a Libras e o PB.
Mais adiante, apresentaremos uma discussão, a partir do
entendimento sobre heterogeneidade, diversidade e
legitimação linguística, acerca da importância de propostas de
ensino linguística e socialmente adequadas para a educação
de surdos.
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Na sequência, desejamos articular princípios da proposta
interacional ao contexto da educação de surdos, por meio de
uma proposta que amplie os conceitos de letramento e
oralidade no contexto de uso das línguas de sinais.
Sociolinguística variacionista e libras como
língua ou linguagem verbal
A visão variacionista da Sociolinguística destaca alguns aspectos que
se tornam expoentes na discussão linguística no campo da surdez.
Inicialmente, é preciso destacar o reconhecimento das
línguas de sinais como língua, em sua natureza e
função social de representação de determinado grupo
linguístico.
Em sua natureza, a Libras possui as mesmas características de
qualquer língua oral. Aspectos morfossintáticos, pragmáticos e
discursivos são objetivamente identificados nesse sistema, que ainda
apresenta aparato articulatório adaptado ao nível fonológico. Também
apresenta variação e mudança linguísticas e é objeto de aquisição de
linguagem, de crianças a adultos, tornando-se conhecimento
cognitivamente armazenado, tal como ocorre em qualquer contexto de
aquisição de língua oral.
Em sua função social, a Libras é a língua usada pela comunidade surda
brasileira, que nela se constitui como grupo social legítimo, de direitos
linguísticos e sociais como qualqueroutro. Apresenta usos
contextualmente motivados, reflete ideologias, relações de poder etc.
Atenção!
O relativismo cultural é um conceito que merece destaque nessa
discussão. A ideia de que há línguas melhores que outras, culturas
superiores a outras e povos mais avançados que outros já foi superada
há tempos e persiste apenas em pensamentos conservadores
equivocados que, em geral, não contemplam o fato da diversidade,
inclusive, linguística.
Assim como não existem culturas melhores que outras, não existem
dialetos melhores, línguas melhores ou modalidades superiores. Em
outras palavras, apesar de toda a tradição e erudição associada à língua
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escrita, por exemplo, a modalidade escrita em nada é superior à língua
falada, ou à sinalizada, assim como a modalidade oral não pode ser tida
como superior à sinalizada.
A própria associação, um tanto errônea, que o senso comum aplica às
línguas de sinais, ao conceito de linguagem não verbal revela o papel
que a (Socio)Linguística possui em função de desfazer enganos, de
desconstruir preconceitos.
Sendo língua, em sua natureza e função social, a Libras
não pode ser elencada no conjunto de linguagens não
verbais, como o teatro mudo, a mímica, a gravura e a
dança, citando apenas algumas, mas deve ser
reconhecida como linguagem verbal de modalidade
gesto-visual.
Sociolinguística e o contexto
educacional da libras e do PB como
LA para surdos
Superada a questão sobre a natureza linguística da Libras e da não
superioridade de línguas orais em relação às línguas de sinais, é preciso
discutir o papel exercido pelo ensino da Libras nas escolas e do PB
como LA para surdos.
Iniciamos tal discussão tratando da situação plural em que se
encontram os indivíduos surdos no Brasil e que apontam como
realidade comum:

O bilinguismo

O multilinguismo
O contato linguístico entre a Libras e o PB é um fato importante para
levarmos em conta, porque dele decorrem diversas questões
importantes para entendermos a caracterização da Libras, sua
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descrição e, principalmente, para compreender como essas línguas
impactam a comunidade surda.
Os objetivos da inclusão dos surdos estão diretamente ligados ao
reconhecimento da Libras como sua L1 (primeira língua) e do PB como
sua L2 (segunda língua).
Nesse sentido, o ensino bilíngue torna-se uma necessidade, prevista
pelas discussões advindas da Lei de Libras.
A abordagem Sociolinguística Educacional evidencia a necessidade de
repensarmos o ensino de gramática nas escolas.
Lei de Libras
Ela implica a garantia do ensino de Libras e do português escrito como L2.
Assim, o cidadão surdo tem garantidos seus direitos e ampliadas suas
possibilidades de desenvolvimento, via ensino adaptado das línguas em
questão. A Sociolinguística entra nesse contexto trazendo diversas
contribuições.
A noção de “erro” espelha a tendência de usarmos a
norma-padrão como a forma ideal da língua,
desconsiderando o fato, já discutido aqui, da variação e
mudança e da heterogeneidade linguística.
Abordagens educacionais equivocadas emergem no contexto escolar
negligenciando a visão, sociolinguisticamente orientada, de que a língua
é diversa e de que cada comunidade linguística possui seu próprio
sistema, legítimo em si e nas funções sociais cumpridas nas vidas de
seus usuários. Diferenças linguísticas e demandas específicas que
podem diferenciar surdos e ouvintes são muito mais evidentes nesse
contexto.
Imagine o seguinte diálogo entre João, um representante de falantes do
dialeto caipira, e sua professora Marta, que representa os falantes da
norma culta escolarizada:
Exemplo
João: Quar são as nota qui tirei?
Marta: Quais são as notas que eu tirei, João!
João: Cumé qui vô sabê? Uai! Ocê feiz prova?
Marta: Além de não saber falar português, também não consegue
entender o que eu falo. João, você precisa melhorar!
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A correção da professora aponta para seu entendimento sobre o que
seria a maneira ideal de falar. Tal atitude poderia evidenciar o não
reconhecimento da variante popular de interior do aluno como forma
legítima de uso da língua. É curiosa a reação do aluno que sequer
entende que está sendo corrigido, levando à atitude do docente de
chamar a sua atenção por não dominar o uso do padrão escolar.
A atitude da professora, em nosso diálogo imaginário, reflete ainda
diversas atitudes comuns no contexto de educação de surdos e que
mostram posições e pensamentos equivocados sobre o que e como
esses alunos precisam aprender, por exemplo.
Sobre esse assunto, podemos dizer que o ensino brasileiro avançou em
direção a discussões mais atualizadas em documentos como os
Parâmetros Curriculares Nacionais de língua materna e de língua
estrangeira (PCNLM e PCNLE).
É consensual o entendimento de que o ensino de gramática deva
permitir ao aluno o desenvolvimento de habilidades sociolinguísticas
que o formem como poliglota da própria L1 e da L2, na medida em que
se torna capaz de transitar linguisticamente nos diferentes espaços
sociais onde o uso da língua seja convencionalmente previsto de uma
ou outra forma.
O ensino da gramática tradicional continua sendo pauta do currículo
escolar, embora a abordagem educacional seja ampliada em função da
formação do aluno multilíngue, com percepção analítica mais
abrangente sobre a língua em sua interface social.
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Alunos da Escola Bilíngue Libras e Português escrito de Taguatinga são alfabetizados nos dois
idiomas.
O mesmo pensamento deve orientar o ensino da Libras e do português
do Brasil como L2 (PBL2) de surdos. A Sociolinguística Educacional
aponta para o entendimento das noções de adequação linguística e de
aceitabilidade como mais apropriadas para o ensino de línguas
maternas (LMs) e línguas adicionais (LAs) do que a noção de erro
pautada nos parâmetros da gramática tradicional.
Desenvolve-se, então, a habilidade no aluno de perceber e ser capaz de
usar as formas mais convencionalmente previstas de uso linguístico,
comunicativamente orientado, em contextos e gêneros discursivos
específicos. Assim, a Sociolinguística Interacional torna-se uma base
teórica importante para o pensamento da prática educacional de surdos
e ouvintes.
Sociolinguística interacional,
letramento e sinalizaçāo como
oralidade
O trabalho Da fala para a escrita: atividades de retextualização, de
Marcuschi, estabelece a necessidade de reconhecimento sobre o
domínio da distinção de usos linguísticos de gêneros orais e escritos.
Nesse trabalho, o autor indica o contínuo existente entre os padrões de
usos da língua socialmente orientados para se materializarem de
modos específicos em textos escritos e orais, desfazendo a visão
dicotômica rígida que divide tanto língua falada de língua escrita quanto
práticas de letramento de práticas de oralidade.
Um dos suportes teóricos que sustenta a proposta de Marcuschi é de
base sociolinguística interacional, por entender que a língua não pode
ser vista distante dos contextos de uso em que se materializa e se
constitui de uma ou outra maneira. Assim, práticas de oralidade e
letramento são vistas como áreas complementares e como
macroespaços de práticas sociais e culturais.
Tais práticas se apresentam sob formas ou gêneros textuais variados e
podem ser realizadas de modo informal ou formal nos mais diversos
contextos de uso.
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Oralidade
Envolve as práticas sociais orais e interativas.
Letramento
Envolve as diversas práticas de escrita na sociedade.
Oralidade e letramento são dois pontos de uma escala
em que se encontram múltiplas possibilidades de
realizações textuais, orais e escritas, e que podem ser
prototipicamente mais ou menos afastadas dos
modelos que representam o texto escrito formal e a
informalidade da conversação.
Por fim, textos escritos podem apresentar características de oralidade e
vice-versa.
O ponto que destacaremos é a necessidade de reconhecimento de que
a sinalização também é uma forma de oralidade.
Se língua falada e língua escrita são definições que apontam para
materializações de práticas de oralidade e letramento, a sinalização
também pode ser interpretada em uma mesma relação com as práticas
sociais sinalizadas de uso da língua.
O usuário da Libras conversa em Libras, faz
apresentações formais e informais em Libras, produz
textos com literariedade em Libras, ministra aulas em
Libras e assim por diante. Similarmente, pelo domínio
da L2 escrita, ele também transitará nos diferentes
espaços de letramentos, a partir daquilo que aprenderá
na sua experiência escolar.
A interpretação que atesta a existência de práticas de oralidade e de
letramento é defendida como proposta de objeto de ensino. Por essa
proposta, caberá à escola, nas aulas de L1 e de L2, trabalhar o
desenvolvimento do aluno no uso da língua em diferentes situações
comunicativas abarcadas nesses dois contextos.
Resumindo
Parte do conteúdo programático para o ensino da Libras como L1 e do
PBL2 de surdos deveria ser voltado para o trabalho de práticas de
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oralidade em Libras e para o trabalho de práticas de letramento no
português, sua L2. Nesse caso, poderíamos até usar o termo
“sinalidade” para oralidade.
Esse seria um trabalho de forte base teórica advinda da Sociolinguística
Interacional e muito mais condizente com as práticas educacionais
tradicionais de uso da língua que se pautam apenas no ensino do
padrão, na L1 ou na L2.
Há muito tempo a discussão sobre fracasso/evasão escolar e
analfabetismo funcional acontece no Brasil. Não é diferente no contexto
de ensino para surdos. Abordagens equivocadas atrapalham o
desenvolvimento do aluno.
A Sociolinguística traz contribuições de base científica que ajudam o
entendimento dessas questões, ao apontar as discrepâncias que
ocorrem entre a compreensão que o senso comum tem sobre as línguas
e o que a ciência linguística atesta. Seguir as orientações teóricas dessa
área apenas contribuirá para o desenvolvimento do ensino também no
campo de educação de surdos.
A discussão sociolinguística no âmbito da surdez
aponta particularmente para um ponto específico: os
múltiplos desdobramentos do conceito de preconceito
linguístico.
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Aluno de escola bilíngue em Libras e português escrito comenta sobre as dificuldades para se
comunicar.
São comuns os discursos que refletem a visão de que:
• a Libras não é língua;
• o surdo não consegue aprender português;
• ouvintes não podem aprender línguas de sinais e apresentar
desempenho nativo;
• o surdo não deve aprender português mesmo como L2 etc.
Todos esses pensamentos são ideologicamente orientados e possuem
algum grau de prejulgamento e equívoco. Os equívocos começam na
ideia de que há línguas superiores a outras, passando pela visão
absolutamente desprovida de fundamento científico de que os surdos
não possuem as condições necessárias para a aprendizagem de uma
língua qualquer.
A Sociolinguística esclarece esses equívocos com relativa facilidade,
como pudemos ver ao longo deste tema. Infelizmente, o peso social
atribuído à língua é muitas vezes utilizado para fins pouco acadêmicos,
mas de orientação política, não contribuindo para o desenvolvimento
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humano real dos indivíduos, pertençam eles a comunidades linguísticas
majoritárias ou minoritárias.
Ideologia e preconceito linguístico
em Língua de Sinais
Assista o vídeo a seguir para conhecer mais sobre os aspectos
ideológicos e o preconceito linguístico relacionados ao uso e ensino de
Libras. Vamos assistir!

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A relação da Sociolinguística com o campo educacional nos ajuda a
pensar sobre as noções de adequação e de aceitabilidade
linguísticas. Essas noções seriam as mais corretas tanto no ensino
de línguas maternas quanto no ensino de línguas adicionais, ao
mesmo tempo que nos levam a questionar determinadas atitudes
diante da falta de domínio que um aluno possa ter da língua ou
variante de maior prestígio social.
Considerando essas afirmações e o que você estudou neste
módulo, assinale a alternativa correta.
A
A adequação linguística consiste na ideia de que um
texto não possibilita o ato comunicativo se estiver,
de alguma maneira, contrário às normas
ortográficas e de concordância previstas na
gramática tradicional.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
A visão tradicional de erro ignora o fato da diversidade linguística e
de usos diversos. A Sociolinguística contribui para que a
abordagem educacional ou didática do ensino-aprendizado da
língua não negligencie nem estigmatize os usos ou registros da
língua distantes do padrão ou da norma culta, ainda que a escola
tenha a missão de tratar da gramática tradicional e levar o aluno
também ao domínio da língua culta.
Questão 2
Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre a
relação entre a Sociolinguística e o contexto educacional da Libras:
B
A Sociolinguística não contribui para o
desenvolvimento de propostas educacionais de
qualidade porque condena e rejeita a gramática
tradicional e o uso culto da língua.
C
A noção de erro, pautada no ensino da gramática
tradicional, não contempla o fato da diversidade
linguística.
D
A sala de aula de língua materna possui propostas
sociolinguísticas absolutamente distintas da sala de
línguas adicionais, pois a Sociolinguística não se
aplica a ambas.
E
A Sociolinguística traz implicações ao campo
educacional estabelecendo quais usos da língua
não podem ser aceitos na escola ou nos atos
comunicativos em geral.
A
O reconhecimento de que a sinalização também é
uma forma de oralidade é desnecessário, pois a
Sociolinguística enfatiza a superioridade do
letramento.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
Os estudos sociolinguísticos nos ajudam a compreender que, em
Libras, parte do conteúdo previsto no objetivo de ensino deve tratar
da oralidade ou “sinalidade”, assim como no estudo da língua
portuguesa como L2 do aluno surdo se deve trabalhar parte do
conteúdo programático com práticas de letramento.
Considerações �nais
Vimos que a Sociolinguística nos ajuda a identificar os tipos de variação
que podem existir em determinada língua, além de perceber que parte
dessas variações pode resultar em umamudança na própria língua.
Também verificamos que a Sociolinguística é uma área que contribui
B
Quem usa Libras com desempenho satisfatório,
produzindo textos com literariedade em Libras, não
tem como dominar com bom desempenho a L2
escrita na sua experiência de aprendizado na
escola.
C
Tanto nas aulas de L1 quanto nas de L2, a escola
deve restringir sua proposta de ensino à oralidade,
no caso do português, ou à sinalidade, no caso da
Libras.
D
No ensino de Libras como L1 e do PBL2 de surdos,
parte do conteúdo deve contemplar as práticas de
oralidade em Libras e as práticas de letramento na
L2.
E
As situações de comunicação em Libras e em PBL2
não são respaldadas como objeto de ensino e
aprendizado a partir da Sociolinguística Interacional.
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para o entendimento da Libras, sua descrição e seu entendimento, e
para o fortalecimento da comunidade surda.
Ao tratar dos aspectos inerentes à variação e mudança das línguas, a
abordagem sociolinguística apresenta uma das diversas características
que definem a Libras como língua natural, por mostrar suas
semelhanças com outras línguas orais.
Ao tratarmos dos aspectos linguísticos e sociais envolvidos no
processo de construção interacional, você aprendeu que a
Sociolinguística mostra como o uso da língua reflete o comportamento
ideológico e social de sua comunidade linguística, revelando aspectos
importantes sobre seu funcionamento interno.
Outra grande contribuição da Sociolinguística para a comunidade surda
tem a ver com seu papel na construção de uma prática educacional
mais adequada para o ensino de línguas. Assim, ao se dedicar aos
estudos voltados para a interface língua/sociedade, é possível desfazer
preconceitos sobre a natureza e função da linguagem, contribuindo com
princípios mais consistentes sobre seu ensino.
Explore +
Se você sabe Libras e deseja conhecer um pouco mais sobre
Sociolinguística em Libras, assista ao vídeo A Sociolinguística e os
diferentes tipos de variação linguística - Coleção Pontes Linguísticas,
disponível no canal da Videoteca Acadêmica em Libras – UFRJ, no
YouTube.
Leia o artigo Reflexões sociolinguísticas sobre Libras, de Angélica
Rodrigues e Anderson da Silva, publicado na revista Estudos
Linguísticos e disponível no portal do GEL (Grupo de Estudos
Linguísticos do Estado de São Paulo).
Leia o e-book Aprendizes surdos e escrita em L2: reflexões teóricas e
práticas, organizado por professores da UFRJ e disponível
gratuitamente na Internet.
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Referências
HYMES, D. Foundations in Sociolinguistics. Philadelphia: University of
Pennsylvania Press, 1974.
LOPES, Célia R. S., DUARTE, Maria Eugênia L. Vossa mercê > você e
vuestra merced > usted: o percurso evolutivo ibérico. Linguística, ALFAL,
v. 14, 2003.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
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