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Lycia Abigail – P6/U3 SAÚDE DO ADULTO CARDIOLOGIA – Dr. Felipe Cabral ★ VALVOPATIAS 1. FISIOLOGIA 1.1. CICLO CARDÍACO (1) Sístole atrial O sangue flui do átrio para os ventrículos enquanto os ventrículos estão em diástole; Esse fluxo do átrio para os ventrículos ocorre mediante abertura das valvas atrioventriculares; Obs.: durante essa etapa as valvas semilunares (aórtica e pulmonar) permanecem fechadas para evitar o retorno do sangue das artérias aorta e pulmonar para os ventrículos. (2) Contração ventricular Quando o ventrículo se enche (pós-diástole), este começa a se contrair causando o fechamento das valvas atrioventriculares e, posteriormente a abertura das valvas semilunares (aórtica e pulmonar); (3) Sístole ventricular Com a abertura das valvas semilunares, há a sístole ventricular e a ejeção de sangue para a grande (sistêmica) e pequena (pulmonar) circulação; (4) Diástole ventricular Após a sístole, o ventrículo entra, novamente, em diástole (para receber sangue dos átrios mediante abertura das valvas A-V). 1.2. BULHAS CARDÍACAS Primeira bulha (B1) – representa a sístole; é o som do fechamento simultâneo das valvas atrioventriculares mitral e tricúspide. Segunda bulha (B2) – representa a diástole; é o som do fechamento simultâneo das valvas semilunares aórtica e pulmonar. Terceira bulha (B3) – ruído protodiastólico (no início da diástole (pós-B2) que representa a vibração da parede ventricular durante a fase de enchimento ventricular rápido. Está relacionada com sobrecarga de volume. Quarta bulha (B4) – ruído ao fim da diástole/pré-sístole; brusca desaceleração do fluxo sanguíneo ao fim da diástole. Está relacionado com hipertrofia. 2. INTRODUÇÃO ÀS VALVOPATIAS - Os quatro mandamentos das valvopatias: (1) A valvopatia que dá sintoma (ela sendo a causa desse sintoma) é anatomicamente importante; (2) A história clínica das valvopatias é semelhante; (3) Não há tratamento medicamentoso para as doenças valvares → são utilizados sintomáticos; (4) Fluxograma de avaliação das doenças valvares: pix: lyciaabigail@icloud.com Lycia Abigail – P6/U3 (A) Avaliar gravidade da doença – se é leve, moderada, grave ou importante; (B) Etiologia – procurar a causa da doença; (C) Há sintomas? (a) Sim → intervenção, pois se trata de uma valvopatia importante; (b) Não → avaliar complicadores para intervir sobre eles; - Classificação das valvopatias: Risco: são os pacientes que possuem fatores de risco para o desenvolvimento das valvopatias; Doença progressiva: são os pacientes que possuem a valvopatia, mas que são assintomáticos de gravidade leve a moderada; Assintomático grave: pacientes com valvopatia grave, sem sintomas; Sintomático grave: os pacientes que desenvolveram sintomas PELA valvopatia. Obs.: o desenvolvimento da doença até o aparecimento dos sintomas (do paciente assintomático para o sintomático) é gradativo, porém, a partir do momento que este desenvolve sintomas deve-se fazer o tratamento de imediato porque a curva cai subitamente – desenvolvimento de morbidades. Obs2.: quando o paciente apresenta sintoma decorrente da própria valvopatia, essa é considerada como valvopatia importante. 3. TIPOS 3.1. ESTENOSE AÓRTICA (EA) Definição: restrição da abertura da valva semilunar aórtica durante a sístole; o VE tem dificuldade em ejetar o sangue para o corpo → Sobrecarga ventricular esquerda (SVE). Abertura normal = 2,5 – 3,5 cm2 EA grave – área valvar aórtica < 1cm2 ou o gradiente pressórico médio VE-Ao está acima de 40mmHg; Principais causas: estenose calcifica do idoso – degenerativa; sequela de febre reumática; valva aórtica bicúspide (congênita); 3.1.1. SEMIOLOGIA Hipofonese de B2 no FAo (foco aórtico); Quarta bulha (B4) – por hipertrofia ventricular; Pulso arterial parvus e tardus (ascensão tardia e sustentada) – baixa amplitude e duração aumentada – é indicativo de gravidade; Fenômeno de Gallavardin – sopro piante em foco mitral (irradiação do sopro da EA) – é indicativo de gravidade. Sopro mesossistólico – ejetivo, rude, em diamante, mais audível nos focos aórtico e aórtico acessório; irradia para carótidas e fúrcula esternal; A intensidade do sopro na estenose aórtica é proporcional ao retorno venoso → aumenta em posição de cócoras e após exercício físico e diminuem com manobras que diminuem o retorno venoso (ex.: ortostase e vassalva); Quanto mais grave a EA, maior a duração do sopro; 3.1.2. QUADRO CLÍNICO pix: lyciaabigail@icloud.com Lycia Abigail – P6/U3 Tríade clássica (os 3Ds): - Dor torácica – angina devido hipertrofia de VE; - Dispneia – hipertrofia de VE pode causar falência diastólica → IC; - Desmaio – Síncope devido diminuição do DC; No ECG: SVE (sobrecarga de ventrículo esquerdo); 3.1.3. TRATAMENTO - Congestão → diuréticos; - Controlar a PA e os outros fatores de risco; Obs.: não se utiliza betabloqueadores em pacientes com EA, pois, nesse caso, aumenta a congestão; TAVR (transcatheter aortic valve replacement) – hemodinâmica; Balão; Cirurgia de troca valvar; 3.2. INSUFICIÊNCIA AÓRTICA (IA) Definição: incapacidade de fechamento da valva semilunar aórtica durante a diástole → refluxo de sangue da aorta para o VE → aumento do volume (dilatação) → congestão pulmonar; Se o refluxo de sangue for maior que 50-60% do débito sistólico → IA grave; Principais causas: endocardite infecciosa, dissecção aórtica, aneurismas na aorta ascendente e doenças que acometem a valva de forma direta (ex.: febre reumática); 3.2.1. SEMIOLOGIA Terceira bulha (B3); Sopro diastólico decrescente aspiratório – audível em foco aórtico acessório; de alta frequência (diafragma do estetoscópio); aumenta quando o paciente se inclina para frente; A duração do sopro é proporcional à gravidade da IA; Sopro de Austin Flint – audível no foco mitral; o fechamento parcial da valva mitral pela regurgitação da aorta (o sangue bate na aorta mitral) → estenose mitral funcional; Pulso em martelo d'água; PA divergente; Sinal de Musset – pulsação da cabeça; Sinal de Muller – pulsação da úvula; 3.2.2. QUADRO CLÍNICO Sinais de insuficiência cardíaca devido a progressão da dilatação do VE; No ECG – SVE (sobrecarga de ventrículo esquerdo); 3.2.3. TRATAMENTO Vasodilatadores (Ex.: BCC) + iECA → reduz a regurgitação; Diuréticos em caso de congestão; Troca valvar. 3.3. ESTENOSE MITRAL (EM) Definição: restrição da abertura da valva mitral durante a diástole; Reduzida se < 4cm2; Sintomática se < 2,5cm2; Grave se área valvar ≤ 1,5 cm2 Causa mais comum: doença reumática mitral; sequela da febre reumática. pix: lyciaabigail@icloud.com Lycia Abigail – P6/U3 3.3.1. FISIOPATOLOGIA E DESENVOLVIMENTO (1) Valva mitral não abre de forma adequada durante a diástole cardíaca; (2) Sobrecarga de pressão no Átrio Esquerdo (acúmulo de sangue no AE); (3) Pela sobrecarga do AE, há a extensão desta para os pulmões → sinais de congestão pulmonar. 3.3.2. SEMIOLOGIA Hiperfonese de B1; Hiperfonese de B2; Estalido de abertura (pensar em doença reumática); Sopro diástólico (ruflar) → meso ou holodiastólico, baixa frequência, melhor audível com campânula em foco mitral (baixa frequência), sem irradiação; Melhor audível em semidecúbito lateral esquerdo e com exercício físico; Diminuído com manobra de vassalva e na inspiração. Obs.: quanto maior a duração do sopro, mais grave a EM. 3.3.3. QUADRO CLÍNICO - Não há repercussão de ventrículo esquerdo – é a única doença valvar do coração esquerdo que poupa o VE; - Fibrilação atrial – decorrente do aumento do átrio esquerdo; ritmo irregular; Há maior risco de embolização; - Rouquidão – quando o crescimento do átrio ocasiona compressão do nervo laríngeo recorrente; - Dispneia – aumento da pressão do átrio esquerdo → congestão pulmonar; - Insuficiência ventricular direita – em casos mais graves, o comprometimento retrógrado pode causar falência de VD. - No ECG: sobrecarga atrial; - No Rx de tórax: Sinal do duplo contorno; Sinal da bailarina; 3.3.4. TRATAMENTO - Para o alívio da congestão pulmonar → diuréticos de alça + betabloqueadores (a reduçãoda FC facilita o esvaziamento do AE); - Se o paciente apresentar FA, tiver embolia prévia, trombo em AE → varfarina (anticoagulação); - Se refratário à varfarina → AAS 100mg/dia; - Etiologia reumática → penicilina G benzatina; Comissurotomia percutânea com balão – para pacientes com estenose mitral grave (área ≤ 1,5 cm2); Cirurgia da valva mitral; 3.4. INSUFICIÊNCIA MITRAL (IM) Definição: incapacidade de fechamento da valva mitral durante a sístole → refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a contração. Principais causas: síndrome do prolapso mitral, sequela de febre reumática, disfunções do músculo papilar (devido isquemia do miocárdio), ICC sistólica, rotura de cordas tendíneas, etc. A IM é subdividida em primária (degenerativa) e secundária (funcional) pix: lyciaabigail@icloud.com Lycia Abigail – P6/U3 Primária: problema relacionado à própria valva. Ex.: prolapso, perfuração de folheto, acometimento pela doença reumática; Secundária: quando outra doença é responsável pela dilatação ventricular e deformação da valva mitral levando à insuficiência desta. Ex.: dilatação de VE (IC), cardiomiopatia hipertrófica, doença arterial coronariana que afeta a contratilidade das paredes inferior e inferolateral (E) do coração; 3.4.1. SEMIOLOGIA Hipofonese de B1 – pois a valva não fecha adequadamente; Terceira bulha (B3) – devido a sobrecarga volumétrica de VE; Sopro sistólico → holossistólico, melhor audível em foco mitral, irradia para linha axilar, dorso ou para focos da base; melhor audível com o diafragma do estetoscópio (alta frequência); 3.4.2. QUADRO CLÍNICO - Há repercussão tanto no átrio quanto no ventrículo esquerdos; A regurgitação causa sobrecarga de volume no AE; Sobrecarga de volume em VE → recebe tanto o sangue que ele mesmo regurgitou para o AE (no ciclo cardíaco anterior) quanto o sangue que ele já receberia no ciclo cardíaco atual (oriundo dos pulmões → AE); → a longo prazo pode desenvolver IC. 3.4.3. TRATAMENTO O tratamento medicamentoso é indicado para os pacientes que têm sintomas de IC; - Congestão → diuréticos; - Para a diminuição da pós-carga → vasodilatadores → facilitam a saída do sangue do VE para a aorta → diminuindo a regurgitação para o AE. Valvoplastia; Troca de valva; Mitraclip; pix: lyciaabigail@icloud.com