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DESCRIÇÃO A transição agroecológica no Brasil, principais conceitos e componentes associados à Agroecologia e ao sistema de produção de base ecológica com ênfase na conservação da biodiversidade. PROPÓSITO Compreender os principais conceitos relativos à Agroecologia a fim de contribuir para a formação de profissionais com competência e habilidades para a atuação em sistemas agroecológicos com ênfase na edafoclimatologia brasileira. OBJETIVOS MÓDULO 1 Reconhecer a Ciência da Agroecologia, seus aspectos históricos e tecnológicos MÓDULO 2 Identificar a formação científica e interdisciplinar na área da Agroecologia aplicada ao manejo agropecuário de sistemas sustentáveis MÓDULO 3 Empregar o senso crítico referente a técnicas agrícolas potencialmente nocivas ao ambiente e à sustentabilidade dos agroecossistemas MÓDULO 4 Reconhecer as técnicas em Agroecologia aplicadas ao desenvolvimento sustentável INTRODUÇÃO A Agroecologia como proposta para uma agropecuária sustentável Neste tema vamos apresentar e discutir os principais conceitos e elementos considerados essenciais para a compreensão da Agroecologia, proporcionando conhecimentos em sistemas de produção agroecológica e despertando uma visão crítica sobre a interação do espaço rural e urbano dentro da perspectiva do desenvolvimento sustentável. MÓDULO 1 Reconhecer a Ciência da Agroecologia, seus aspectos históricos e tecnológicos UM BREVE HISTÓRICO DA TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA NO BRASIL CONCEITOS BÁSICOS EM AGROECOLOGIA O desenvolvimento de técnicas de cultivo e de criação busca prover a humanidade com elementos que satisfaçam suas necessidades não somente por alimentos, mas também por fibras e combustíveis. A AGRICULTURA SE INICIOU NA PRÉ-HISTÓRIA E NO DECORRER DOS SÉCULOS PASSOU POR DIVERSOS MODELOS DE PRODUÇÃO. Fonte: Wikimedia Toda essa evolução trouxe inúmeros impactos socioambientais, principalmente a partir da segunda metade do Século XX quando ocorreu uma considerável expansão econômica logo após a Segunda Guerra Mundial. Tal expansão econômica trouxe, como consequência, impactos negativos sobre a biodiversidade, além de causar contaminação do solo e das águas, erosão e diminuição das populações rurais. O surgimento da Agroecologia em 1930 e seu fortalecimento a partir da década de 70 contribuiu para que novas técnicas e métodos de cultivo e criação fossem desenvolvidas visando a conservação da biodiversidade e a garantia da qualidade de vida da sociedade. O conceito de Agroecologia foi discutido por diversos autores e a ele foi incorporado conhecimentos sobre compostagem, adubação orgânica, permacultura, uso e manejo do solo, dentre outros assuntos de base ecológica. Ao longo de seu desenvolvimento, recebeu contribuições de várias ciências como a Ecologia, Sociologia, Geografia etc. Essa gama de conhecimentos e informações incorporadas permitiu conceituar a Agroecologia como sendo uma ciência multidisciplinar que busca manter o equilíbrio ecológico e a conservação da biodiversidade através de práticas de cultivo e de criação sustentáveis, minimizando assim, os impactos ambientais produzidos pelas práticas da agricultura convencional. Para melhor compreensão do termo Agroecologia, é necessário conhecer alguns conceitos básicos relacionados a essa ciência: ECOSSISTEMA O ecossistema é um sistema funcional, delimitado arbitrariamente, onde se dão relações complementares entre os organismos e seu ambiente. É constituído de organismos vivos, que interagem no ambiente, de fatores bióticos, e de componentes físicos e químicos não vivos do ambiente, como solo, luz, umidade, temperatura etc., que constituem os fatores abióticos. As relações entre ambos formam a estrutura do sistema, e os processos dinâmicos de que participam constituem a função do sistema (FEIDEN, 2005). AGROECOSSISTEMAS Os agroecossistemas são formados a partir da modificação de um ecossistema natural pelo homem para produção de bens necessários à sua sobrevivência, além de serem manejados de forma a aumentar a produtividade. A interferência antrópica substitui os mecanismos e controles naturais por controles artificiais, condicionada pelo tipo de sociedade na qual se insere o agricultor, ou seja, o ambiente vai determinar a presença de cada componente, no tempo e no espaço. Esse arranjo de componentes será capaz de processar inputs (insumos) ambientais e produzir outputs (produtos). Para fins práticos, um agroecossistema pode ser considerado equivalente a um sistema de produção, sistema agrícola ou unidade de produção. Nesse caso, é o conjunto de explorações e de atividades realizadas por um agricultor, com um sistema de gestão próprio (FEIDEN, 2005). AGROBIODIVERSIDADE O conceito de agrobiodiversidade reflete as dinâmicas e complexas relações entre as sociedades humanas, as plantas cultivadas e os ambientes em que convivem, repercutindo sobre as políticas de conservação dos ecossistemas cultivados, de promoção da segurança alimentar e nutricional das populações humanas, de inclusão social e de desenvolvimento rural sustentável (SANTILLI, 2012). SUSTENTABILIDADE O conceito de sustentabilidade está relacionado à capacidade que os ecossistemas possuem de se recuperarem e se reproduzirem diante de impactos ambientais negativos produzidos por desmatamentos, erosão, fogo, uso indiscriminado dos recursos naturais etc. Além disso, o termo sustentabilidade também está associado à economia quando se discute a utilização de recursos naturais como principal matéria-prima para o desenvolvimento econômico, trazendo à tona questionamentos quanto à disponibilidade destes recursos para as gerações futuras. Portanto, o conceito de sustentabilidade está diretamente ligado à preocupação com a qualidade do meio ambiente e com a qualidade de vida daqueles que o utilizam, considerando para isso, os aspectos ambientais, sociais e econômicos. AGRICULTURA CONVENCIONAL E AGROECOLÓGICA Todo e qualquer processo de modernização é responsável por incorporar novos elementos e tecnologias a metodologias já existentes. Com a agricultura convencional não é diferente. O processo de modernização traz benefícios que contribuem para o crescimento econômico, porém podem ainda gerar riscos potenciais quando se utiliza de práticas que comprometem a qualidade do meio ambiente, tais como, manejo inadequado do solo e das culturas, desmatamento, perda da biodiversidade, erosão, contaminação dos recursos naturais, entre outras. Os processos utilizados pela agricultura convencional, por exemplo, dependem do consumo de insumos externos, como fertilizantes químicos e agrotóxicos que empregados de forma inadequada pode provocar a contaminação de solos, da água e do ar. Fonte: Freepik - aleksandarlittlewolf A utilização desses insumos, tanto na agricultura quanto na pecuária, gerou questionamentos por parte das comunidades acadêmica e científica, além de despertar grande preocupação da sociedade em relação aos impactos que o meio ambiente e o homem podem sofrer, uma vez que o consumo de alimentos contaminados e/ou o contato direto com agrotóxicos ou resíduos destes produtos podem comprometer a saúde humana e a qualidade do meio ambiente. Sabemos que a agricultura convencional busca atingir a maior produtividade em curto prazo, objetivando resultados econômicos significativos. Em contrapartida, um dos principais objetivos da agricultura ecológica é a redução do uso de agroquímicos e, consequentemente, garantir a segurança alimentar, a conservação dos recursos naturais, além de valorizar o pequeno produtor. As práticas convencionais, entretanto, não podem simplesmente ser abandonadas para dar lugar aos sistemas agroecológicos. É necessário a formação de uma consciência ecológica que deverá produzir uma nova abordagem em relação às técnicas e metodologias de produção utilizadas, visando garantir a sustentabilidade dos agrossistemas. A Agroecologia difere da agricultura convencional principalmente por buscar desenvolveruma metodologia ecológica que priorize a conservação dos recursos naturais e a utilização de técnicas tradicionais. A Tabela 1 apresenta as principais características que diferenciam os sistemas de produção convencional e agroecológico: Características Convencional Agroecológico Dependência de petróleo Alta Baixa Necessidade de mão de obra Baixa Alta Intensidade de manejo Baixa Alta e complexa Intensidade de cultivo Alta Baixa Diversidade de plantas Baixa Alta Integração (animais e vegetais) Baixa Alta Características Convencional Agroecológico Pragas Muito imprevisível Mais estável Manejo de inseto Químico Cultural e biológico Manejo de vegetação espontânea Químico e cultivo Competição e rotação de culturas Manejo de doenças Químico Rotação e consórcios Nutrição de plantas Química, aplicação concentrada Reconstrução da biologia (vida) do solo Importância da decomposição e da reciclagem de nutrientes Baixa Alta Necessidade de capital Alta Baixa Produtividade da terra Baixa e média Alta Produtividade de mão de obra Mais alta Baixa a Média Retorno do investimento Alto a Baixo Alto Rentabilidade líquida Alto a baixo Variável Risco para saúde Alto Baixo Danos ambientais Mais altos Mais Baixos Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Tabela 1 - Principais diferenças entre os sistemas de produção convencional e o agroecológico. A TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA NO BRASIL Fonte: Pixabay A sustentabilidade é a principal via para promover a transição de uma agricultura convencional para uma agricultura ecológica, considerando os aspectos econômicos, ambientais e sociais. Os novos sistemas agrícolas partem do princípio que os modelos de desenvolvimento rural e de agricultura convencional são insustentáveis, o que pode acarretar, em longo prazo, sérios problemas relacionados à produção e ao consumo devido à utilização de recursos naturais não renováveis, além de gerar impactos negativos para o meio ambiente, para a sociedade e para a economia. No processo de transição agroecológica, podemos identificar três níveis ou passos, conforme concepção de Gliessman (2005): PRIMEIRO NÍVEL SEGUNDO NÍVEL TERCEIRO NÍVEL PRIMEIRO NÍVEL Refere-se à redução do uso de insumos externos, caros, escassos e ambientalmente impactantes, maximizando a eficiência das práticas convencionais. SEGUNDO NÍVEL Onde ocorreria a substituição de insumos químicos-sintéticos por insumos orgânicos e práticas alternativas. TERCEIRO NÍVEL Onde são redesenhados os sistemas produtivos para que passem a funcionar com base em um novo conjunto de processos ecológicos, sendo o expressivo aumento da biodiversidade um dos seus principais indicadores. A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), definida pelo Decreto nº 7.794, de 20 de agosto de 2012, tem por objetivo integrar, articular e adequar políticas, programas e ações indutoras da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroecológica, como contribuição para o desenvolvimento sustentável, possibilitando melhoria de qualidade de vida à população por meio da oferta e consumo de alimentos saudáveis e do uso sustentável dos recursos naturais. O referido Decreto, em seu Art. 2º, define o termo transição agroecológica como sendo processo gradual de mudança e práticas e de manejo de agroecossistemas, tradicionais ou convencionais, por meio da transformação das bases produtivas e sociais do uso da terra e dos recursos naturais, que levem a sistemas de agricultura que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica. SAIBA MAIS O processo de transição agroecológica vem sendo objeto de diversos estudos no Brasil, buscando-se compreender os fatores que estão envolvidos nesse método e estabelecer diretrizes que possam facilitar a transição. Aliado a esses estudos, iniciativas do setor público e da sociedade contribuem para o fortalecimento do processo de transição. O Quadro 1 apresenta uma linha do tempo contemplando as principais ações que visam a colaboração para tal processo. Quadro 1 – Linha do tempo do processo de transição agroecológica no Brasil 1970 - Surge o Movimento de Agricultura Alternativa. 1980 - O Trabalho das Comunidades Eclesiais de Base. 1981 - I EBAA – Curitiba/PR - Encontro Brasileiro de Agricultura Alternativa (EBAA). 1983 - É criada, no Rio de Janeiro, a Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA). 1984 - II EBAA – Petrópolis/RJ- Encontro Brasileiro de Agricultura Alternativa (EBAA). 1985 - 1º Encontro Nacional dos Seringueiros. 1987 - III EBAA – Cuiabá/MT - Encontro Brasileiro de Agricultura Alternativa (EBAA). 1989 - IV EBAA – Porto Alegre/RS - Encontro Brasileiro de Agricultura Alternativa (EBAA). 11 de julho de 1989 - Lei Nº 7.802 - Lei de Agrotóxicos. Quadro 1 – Linha do tempo do processo de transição agroecológica no Brasil 30 de janeiro de 1990 - Decreto Nº 98.897 - Institui a Reserva Extrativista como Figura Jurídica. 1995 - Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA) 17 de Maio de 1999 - Publicada a Instrução Normativa 007 - Diretrizes para a produção de orgânicos. A IN também criou os Órgãos Colegiados, Nacional (OCN) e Estadual (OCE), com a função de credenciar as Instituições Certificadoras que seriam as responsáveis pela certificação e pelo controle da qualidade dos produtos orgânicos. 26 de novembro de 1999 - Publicada a Declaração do Semiárido Brasileiro. 01 de janeiro de 2000 - Convivência com o Semiárido. 01 de janeiro de 2000 - Programa um Milhão de Cisternas. 01 de janeiro de 2000 - Encontros Nacionais de Agroecologia. 08 de março de 2000 - Primeira Marcha das Margaridas. 01 de janeiro de 2002 - Articulação Nacional de Agroecologia – ANA. 01 de janeiro de 2003 - Programa Desenvolvimento Sustentável dos Territórios Rurais – PRONAT. 3 de janeiro de 2003 - Lançamento da Campanha "Sementes: Patrimônio do Povo a Serviço da Humanidade". 18 de novembro de 2003 - I Congresso Brasileiro de Agroecologia. Quadro 1 – Linha do tempo do processo de transição agroecológica no Brasil 23 de dezembro de 2003 - Lei da Agricultura Orgânica. 01 de janeiro de 2004 - Criada a Associação Brasileira de Agroecologia – ABA. 21 de maio de 2004 - Resolução PAA Nº 12 – Incentivo à Produção Orgânica. 25 de maio de 2004 - Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – PNATER . 08 de julho de 2004 - Portaria N° 158, de 8 de julho de 2004 - Programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Pro-Orgânico). 01 de janeiro de 2005 – Criada, no Assentamento Contestado, no Município da Lapa (PR), a Escola Latino-Americana de Agroecologia – ELAA. 27 de junho de 2005 – Criada a modalidade de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar destinada ao Financiamento da Transição Agroecológica entre os Agricultores Familiares, O Pronaf Agroecologia. 1 de janeiro de 2007 – Criado o Programa Uma Terra e duas Águas. 8 de março de 2007 - Lançada a Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis, pelo Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil. 27 de dezembro de 2007 - Decreto Nº. 6.323, Regulamentando a Lei de Orgânicos (Lei Nº 10.831, de dezembro de 2003). 05 de novembro de 2009 - I Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia (ENGA) e a Criação da Rede dos Grupos de Agroecologia (Rega). Quadro 1 – Linha do tempo do processo de transição agroecológica no Brasil 01 de janeiro de 2011 - Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. 01 de janeiro de 2011 - Programa Segunda Água. 26 de setembro de 2011 - Encontro Nacional de Diálogos e Convergências. 20 de agosto de 2012 - Decreto Nº 7.794 – Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). 17 de outubro de 2013 - Brasil Agroecológico - Lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), um dos principais instrumentos da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), Instituído pela Portaria Interministerial Nº 54, de 12de novembro de 2013. 28 de novembro de 2013 - MPA entrega Plano Camponês à Presidência da República. 14 de março de 2014 - 1º Edital Ecoforte. 01 de janeiro de 2015 - Lançado o dossiê ABRASCO: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. 13 de outubro de 2015 -1º Congresso Nacional do MPA. 01 de julho de 2016 - PLANAPO 2016 – 2019. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O QUE É AGROECOLOGIA? A) É um sistema funcional, delimitado arbitrariamente, onde se dão relações complementares entre os organismos vivos e seu ambiente. B) É a capacidade de recuperação e reprodução dos ecossistemas (resiliência) em face de agressões antrópicas (uso abusivo dos recursos naturais, desflorestamento, fogo etc.) ou naturais (terremoto, tsunami, fogo etc.). C) É uma ciência multidisciplinar cujo principal objetivo é buscar a adoção de tecnologias e práticas em sistemas de produção que sejam semelhantes aos processos que ocorrem na natureza, utilizando-se dos princípios e conceitos da ecologia para o dimensionamento e manejo de agroecossistemas sustentáveis. D) É um sistema funcional capaz de controlar os meios biótico e abiótico. E) É a capacidade de produção em larga utilizando insumos industriais. 2. O QUE É TRANSIÇÃO ECOLÓGICA? A) Transição dos métodos naturais de plantio, cultivo e colheita, para métodos industriais automatizados, que utilizam maquinários pesados acoplados a tratores. B) Processo gradual de mudança e práticas, além de manejo de agroecossistemas, tradicionais ou convencionais, por meio da transformação das bases produtivas e sociais do uso da terra e dos recursos naturais, que levem a sistemas de agricultura que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica. C) Capacidade do ecossistema em manter ou retornar às suas condições originais após um distúrbio provocado por forças naturais ou pela ação humana. D) Transição do cultivo comum, em solo para o cultivo hidropônico, utilizando como meio principal de cultivo solos alagados e ambientes aquosos com maior nível de vitaminas e sais minerais. E) Processo radical de mudança em práticas, e manejo do agroecossistemas, por meio da transformação das bases produtivas e sociais do uso da terra e dos recursos naturais, que levem a sistemas de agricultura que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica. GABARITO 1. O que é Agroecologia? A alternativa "C " está correta. A Agroecologia é uma ciência que busca desenvolver agroecossistemas sustentáveis com uma dependência mínima de insumos agroquímicos e energéticos externos visando ao manejo ecologicamente responsável dos recursos naturais. 2. O que é transição ecológica? A alternativa "B " está correta. A transição ecológica é um processo que busca realizar mudanças nas bases da produção, com adoção de práticas que visam à conservação dos recursos naturais e ao bem-estar da população. MÓDULO 2 Identificar a formação científica e interdisciplinar na área da Agroecologia aplicada ao manejo agropecuário de sistemas sustentáveis CARACTERIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS E SUAS DIFERENÇAS CONCEITUAIS AGROECOSSISTEMAS: CONCEITO E PRINCIPAIS COMPONENTES Fonte: pixabay Os agroecossistemas são originados a partir das alterações que o homem produz sobre um ecossistema natural, na busca por produzir bens necessários para sua sobrevivência. Essas interferências antrópicas substituem os mecanismos e controles naturais existentes nos ecossistemas por controles artificiais, alterando significativamente o ambiente. Os agroecossistemas são compostos pelas interações físicas e biológicas de seus componentes, ou seja, o ambiente vai determinar a presença de cada componente, no tempo e no espaço e esse arranjo de componentes será capaz de processar inputs (insumos) ambientais e produzir outputs (produtos) (FEIDEN, 2005). As interações entre os diversos componentes bióticos contribuem positivamente para o controle biológico de pragas, reciclagem de nutrientes, conservação da água, conservação e/ou regeneração do solo, sendo também fundamentais para o aumento da produtividade agrícola de forma sustentável, ou seja, sem a necessidade de uso de insumos externos. Componente ativo nas interações nos agroecossistemas, o homem possui papel fundamental nos processos de organização e gerenciamento dos recursos disponíveis nos sistemas. Odum (1984) descreve quatro características principais dos agroecossistemas, a saber: Envolvem fontes auxiliares de energia, como a humana, animal e energia de combustíveis, a fim de aumentar a produtividade de organismos em particular. A diversidade pode estar bem reduzida ao se comparar com ecossistemas naturais. Os animais e as plantas dominantes estão mais sob seleção artificial do que natural. Os controles dos sistemas são na maioria das vezes externos e não internos, via subsistemas de feedback. Uma das contribuições mais importantes da Agroecologia é a definição de alguns princípios básicos relacionados com a estrutura e função dos agroecossistemas e que foram propostos por Altieri (2002): O agroecossistema é a unidade ecológica principal direcionada para a produção. Contém componentes abióticos e bióticos interdependentes e interativos, por intermédio dos quais se processam os ciclos de nutrientes e o fluxo de energia. O funcionamento dos agroecossistemas está relacionado com o fluxo de energia e com a ciclagem dos materiais através dos componentes estruturais do ecossistema, os quais são modificados de acordo com o nível de manejo dos insumos. A quantidade total de energia que flui através de um agroecossistema depende da quantidade fixada pelas plantas ou produtores e dos insumos incorporados durante o manejo do sistema. O volume total de matéria viva pode ser expresso em termos de sua biomassa. A quantidade, a distribuição e a composição da biomassa variam com o tipo de organismo, de ambiente físico, de estádio de desenvolvimento do ecossistema e das atividades humanas. Os agroecossistemas tendem à complexidade, porém esta sofisticação é inibida na agricultura moderna com as monoculturas, que são de baixa diversidade e de baixo nível de complexidade. A principal unidade funcional do agroecossistema é a população vegetal cultivada. Ela exerce papel fundamental no fluxo de energia e na ciclagem dos nutrientes, ainda que a biodiversidade associada a ela também desempenhe uma função-chave. Um nicho dentro de agroecosssistema, não pode ser ocupado simultânea e indefinidamente por uma população autossuficiente de mais de uma espécie. Quando uma população alcança os limites impostos pelo agroecossistema, o número de indivíduos deve se estabilizar. Caso isso não ocorra, as doenças, a degradação, a competição, a baixa reprodução etc. irão promover o seu declínio. As mudanças e as flutuações no ambiente representam pressões seletivas sobre a população vegetal cultivada. A diversidade das espécies está associada com o ambiente. Um ambiente, com uma estrutura vertical mais complexa, abriga, em geral, mais espécies que um outro com uma estrutura mais simples. Em sistemas de cultivo, que são semelhantes às condições de isolamento das ilhas, as taxas de imigração tendem a equilibrar-se com as taxas de extinção. Quanto mais próximo este cultivo isolado estiver de uma fonte de populações, maior será a taxa de imigração por unidade de tempo. Os principais aspectos que diferem os agroecossistemas dos ecossistemas naturais estão elencados no Quadro 2: Quadro 2: Principais diferenças entre agroecossistemas e ecossistemas Agroecossistemas Ecossistemas Fluxo de Energia Alterado pela interferência humana; Insumos externos; Parte da energia é dirigida para fora do sistema não sendo armazenada na biomassa. Ausência de interferência humana; Não utiliza insumos internos; A energia não é eliminada e fica armazenada na biomassa. Ciclagem de Nutrientes Baixa ciclagem de nutrientes;Baixo nível de biomassa; Perda de nutrientes através da lixiviação e/ou erosão; Utilização de insumos internos para repor nutrientes. Alta ciclagem de nutrientes; Alto nível de biomassa; Não necessita utilizar insumos internos para repor nutrientes. Mecanismos Reguladores de Populações Biodiversidade reduzida; Estruturas tróficas simplificadas. Alta biodiversidade; Estruturas tróficas mais elaboradas, apresentando as interações entre os fatores bióticos e abióticos. Quadro 2: Principais diferenças entre agroecossistemas e ecossistemas Agroecossistemas Ecossistemas Estabilidade Reduzida diversidade funcional e estrutural; Baixa resiliência. Alta resistência e alta resiliência. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal TIPOS DE AGROECOSSISTEMAS Agroecossistemas tradicionais Surgiram após séculos de evolução biológica e cultural. Representam as experiências acumuladas de agricultores interagindo com o ambiente sem acessar, no entanto, insumos externos, capital ou conhecimento científico. LEIA MAIS... Agroecossistemas modernos ou tecnificados Apresentam como característica muita artificialização das condições ambientais, o que os torna altamente dependentes de insumos produzidos industrialmente e adquiridos no mercado. Esses insumos são baseados em recursos não renováveis e são importados de outras regiões, o que, consequentemente, implica gasto de energia com transporte. LEIA MAIS... javascript:void(0) javascript:void(0) AGROECOSSISTEMAS TRADICIONAIS Tais sistemas se caracterizam por apresentar um elevado grau de diversidade das plantas, geralmente na forma de policultivos e/ou sistemas agroflorestais, o que minimiza os riscos e estabiliza a produtividade em longo prazo, promovendo a diversidade das dietas. Também maximiza os retornos a partir da produção baseada em baixos níveis de tecnologia e recursos limitados (ALTIERI, 1995). AGROECOSSISTEMAS MODERNOS OU TECNIFICADOS Nesses tipos de agroecossistemas há pouca preocupação com a conservação e a ciclagem de nutrientes, sendo comum o emprego de práticas como correção da acidez do solo, fertilização, irrigação, drenagem, entre outras. Dessa maneira, há uma homogeneização dos microambientes, o que possibilita a utilização de um manejo simplificado. Em decorrência disso, impactam fortemente o ambiente, tanto dentro como fora da propriedade. Além disso, reduzem a diversidade genética local, pela introdução de espécies e de cultivares melhoradas e, simultaneamente, desestruturam os conhecimentos e a cultura local. Geralmente, nesses agroecossistemas os rendimentos são proporcionais à aplicação de insumos e pouco dependem do ecossistema original, visto que o objetivo principal da produção é a obtenção de lucro, e o tipo de produção é determinado pelas demandas do mercado global, independentemente das necessidades das comunidades locais (FEIDEN, 2005). PRINCIPAIS ECOSSISTEMAS BRASILEIROS Fonte: pikist Um ecossistema possui dimensões variadas e corresponde a um sistema funcional originado a partir das interações entre as comunidades bióticas (seres humanos, animais e vegetais) e os fatores abióticos (componentes físicos e químicos — solo, luz, umidade, temperatura etc.). Além disso, um ecossistema é responsável por abrigar toda a diversidade de vida existente. SAIBA MAIS O Brasil apresenta grande riqueza em relação à biodiversidade e abrange diferentes e importantes ecossistemas com características de fauna e flora peculiares. O Quadro 3 apresenta os principais ecossistemas brasileiros. Quadro 3 – Principais ecossistemas brasileiros AMAZÔNIA - O maior ecossistema brasileiro. Abrange, aproximadamente, 60% do território do Brasil. Quadro 3 – Principais ecossistemas brasileiros CAATINGA - Compreende o Nordeste do Brasil. Apresenta vegetação adaptada às secas. CERRADO - O segundo maior bioma brasileiro em extensão. Abrange os estados do Amapá, Maranhão, Piauí, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Bahia. MATA ATLÂNTICA - Corresponde a, aproximadamente, 15% do território brasileiro. É o ecossistema mais ameaçado do Brasil. MATA DOS COCAIS - Abrange parte do Nordeste. Representa uma vegetação de transição entre a floresta amazônica e a caatinga. PANTANAL - Localiza-se na região Centro-Oeste do Brasil. É considerado a maior planície inundável do mundo. MATA DE ARAUCÁRIAS - Abrange a região Sul do Brasil. Caracteriza-se pelo predomínio do pinheiro-do-paraná, conhecido como Araucária. MANGUE - É característico de regiões alagadiças do ambiente de encontro entre águas doces e marinhas. PAMPA - Presente no estado do Rio Grande do Sul. Tem como características a presença de gramíneas, plantas rasteiras, arbustos e árvores de pequeno porte. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal AGROECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Fonte: pikist Conforme já mencionado, a estabilidade de um ecossistema está diretamente relacionada à sua capacidade de resistência e de resiliência, sendo esses aspectos considerados fundamentais para a preservação da biodiversidade e para o equilíbrio do sistema. A agricultura é uma atividade que interfere negativamente neste equilíbrio, uma vez que simplifica o ecossistema original causando a perda da biodiversidade, diminuição do fluxo de energia e da ciclagem de nutrientes etc. A Agroecologia apresenta a possibilidade de desenvolver uma agricultura produtiva a partir de técnicas e metodologias capazes de reproduzir as condições dos ecossistemas naturais, além de promover os aspectos sociais e econômicos, possibilitando, assim, reduzir os impactos gerados pelo modelo tradicional de agricultura através de práticas sustentáveis. Com isso, se espera a diminuição da utilização de práticas que envolvem a alta mecanização, o uso de insumos químicos e a monocultura. O grande problema a ser resolvido é conscientizar a todos que as práticas convencionais visam apenas à alta produtividade e o lucro, produzindo impactos ambientais negativos, tais como degradação dos solos, diminuição dos recursos naturais e redução da biodiversidade. É claro que não se pode, simplesmente, descartar as tecnologias e metodologias atribuídas à produção agrícola já amplamente praticadas por tantos anos e que contribuem não somente para o aumento da produtividade, como também para a segurança alimentar. Entretanto, o desenvolvimento e a aplicação de processos mais sustentáveis e ecológicos podem contribuir de forma significativa para a proteção ambiental, sem impactar negativamente a produtividade e os lucros. ATENÇÃO As possíveis tecnologias e metodologias propostas pela Agroecologia devem levar em consideração as características locais e a cultura da população que será responsável pelo manejo dos ecossistemas nos quais estão inseridas. Os princípios da Agroecologia primam por conceitos que integram conhecimentos de Agronomia, Ecologia, Economia e Sociologia, e buscam através desta multidisciplinariedade, desenvolver o processo tecnológico necessário em conformidade com o desenvolvimento sustentável, optando por tecnologias que não degradem o ambiente e não interfiram de forma negativa nos aspectos socioeconômicos locais. O desenvolvimento sustentável busca a melhoria da qualidade de vida humana de acordo com os limites da capacidade de suporte dos ecossistemas, e as pessoas envolvidas nesse processo são fundamentais para garantir tal desenvolvimento. Para alcançar o sucesso deste processo de desenvolvimento sustentável, é necessário garantir que os envolvidos estejam, além de engajados, informados sobre as questões ambientais que permeiam todo o processo. Dessa forma, é possível garantir que os envolvidos se tornem parceiros e não agentes de degradação devido à falta de conhecimento. Sendo assim, podemos afirmar que a adoção de um padrão de agricultura sustentável permite utilizar os recursos naturaisdisponíveis, porém garantindo a conservação da biodiversidade, através da minimização de danos ao meio ambiente e colaborando para uma produção rentável e que atenda às necessidades sociais de todos os envolvidos. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O QUE É ECOSSISTEMA? A) É a região formada a partir da interferência antrópica e destinada para a produção de bens necessários à sua sobrevivência. B) É um modo agrícola onde prevalece a busca da maior produtividade através da utilização intensa de insumos externos, o que em curto prazo traz resultados econômicos visíveis como o aumento da produtividade e eficiência agrícola. C) É um conjunto de organismos formado, apenas, pelo meio biótico que vivem em determinado local e interagem entre si formando um sistema estável. D) É um sistema funcional, delimitado arbitrariamente, fruto da interação entre as comunidades bióticas (seres humanos, animais e vegetais) e os fatores abióticos (componentes físicos e químicos não vivos do ambiente, como solo, luz, umidade, temperatura etc.). E) É um nível de organização biológica caracterizada pela presença de uma única espécie capaz de interagir com o meio físico. 2. QUAL É O PRINCIPAL OBJETIVO DA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL? A) Garantir a renda de todos os envolvidos a partir da utilização, em larga escala, dos recursos naturais disponíveis. B) Utilizar a natureza e seus recursos garantindo, ao máximo, a conservação da biodiversidade e minimizar os danos ao meio ambiente, além de produzir rendimentos econômicos suficientes para o atendimento das necessidades sociais das famílias envolvidas. C) Obter lucro determinando o tipo de produção de acordo com as demandas do mercado global, independentemente das necessidades das comunidades locais. D) Adotar práticas que utilizem alta mecanização e uso intenso de insumos químicos para controle de pragas. E) Garantir a produção agrícola através de parcerias com grandes produtores agropecuários. GABARITO 1. O que é ecossistema? A alternativa "D " está correta. Ecossistema é o nome dado a um conjunto de comunidades formado por dois componentes básicos: o biótico e o abiótico, que vivem em determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente. 2. Qual é o principal objetivo da agricultura sustentável? A alternativa "B " está correta. A agricultura sustentável busca utilizar práticas que sejam compatíveis com o conceito de desenvolvimento sustentável, respeitando o meio ambiente e garantindo a viabilidade econômica, obtendo maior equilíbrio entre ambas as partes. MÓDULO 3 Empregar o senso crítico referente a técnicas agrícolas potencialmente nocivas ao ambiente e à sustentabilidade dos agroecossistemas A DIVERSIDADE BIOLÓGICA E A SUA IMPORTÂNCIA PARA OS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS NO BRASIL BASES E CONCEITOS Fonte: freepik Os recursos genéticos são considerados matérias-primas valiosas e fundamentais para a conservação ambiental, por isso são indispensáveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura. Tais recursos são formados por espécies de plantas, animais e micro-organismos, além de utilizado pelo homem devido a seu valor socioeconômico. O Ministério do Meio Ambiente elenca uma série de conceitos fundamentais para melhor compreensão do assunto, a saber: Agrobiodiversidade: É definida na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) como um termo amplo que inclui todos os componentes da biodiversidade que têm relevância para a agricultura e alimentação, bem como todos os componentes da biodiversidade que constituem os agroecossistemas: as variedades e a variabilidade de animais, plantas e de microrganismos, nos níveis genético, de espécies e de ecossistemas os quais são necessários para sustentar as funções chaves dos agroecossistemas, suas estruturas e processos. Biodiversidade: A diversidade de formas de vida da Terra; todos os seres vivos que fazem parte de um ecossistema — de plantas e animais a micro-organismos. Segundo a definição da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), biodiversidade significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. A biodiversidade contempla tanto a diversidade encontrada nos ecossistemas naturais como naqueles com interferência humana, ou antrópicos. Conservação ambiental: Uso ecológico dos recursos naturais; exploração das riquezas produzidas pela natureza sem prejudicar o meio ambiente — ao contrário de “preservação ambiental”, que não permite o uso dos recursos naturais. Preservação ambiental: Ações que garantem a manutenção de um ambiente como ele é, não sendo permitido o uso dos recursos naturais; diferente de “conservação ambiental”, que permite o uso dos recursos naturais. Recurso genético: Qualquer material genético de interesse real ou potencial. Recursos genéticos animais domesticados: Animais de criação selecionados (gado bovino, caprino e ovino); pequenos animais de criação (galinhas, patos); animais domésticos ou de companhia (cães, gatos). Recursos genéticos, animais semidomesticados: Animais silvestres criados em regime semiextensivo ou semiaberto (catetos, queixadas, capivaras); em cativeiro (jacarés); ou em tanques (espécies nativas de peixes, tartarugas). Recursos genéticos manejados no ambiente de ocorrência natural: Frutos nativos, plantas medicinais silvestres (espinheira-santa, arnica, carqueja, unha-de-gato); ervas e chás (erva-mate, carqueja, macela); castanhas (castanha-do-brasil, baru); condimentos (baunilha, pequi); extração de resinas e óleos (copaíba, andiroba, seringueira); fibras (taboa, piaçaba, cipós); extração de taninos. Recursos genéticos vegetais domesticados: Sementes de cultivares agrícolas (milho, feijão, arroz, algodão); raízes, tubérculos e rizomas (batata, batata-doce, cará, mandioca); frutíferas selecionadas (cítricos, manga, abacate, mamão, banana); plantas medicinais e aromáticas cultivadas sob linhagens (hortelã, menta); condimentos cultivados (pimentas, canela, cravo). Recurso genético vegetal: Qualquer material de origem vegetal com valor atual ou potencial para agricultura, alimentação e silvicultura. Diversidade de espécie: É a variedade de espécies de uma região. Diversidade ecológica: Grau de heterogeneidade encontrada em um ecossistema em determinado momento em relação aos números de espécies, de potencial genético, de estrutura espacial vertical e horizontal e de estruturas de alimentação. Diversidade genética: É a variação de genes dentro da mesma espécie. Equilíbrio ecológico: Mecanismo dinâmico que ocorre em um ecossistema pelo qual os organismos interagem e se adaptam uns aos outros. Manutenção do tamanho de uma população cuja taxa de emigração e mortalidade é compensada pela taxa de nascimento e imigração. Variabilidade genética: Quantidade da variação genética existente para determinada espécie. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal MONOCULTIVO X POLICULTIVO Fonte: freepik A MONOCULTURA É CARACTERIZADA PELO CULTIVO DE UMA ÚNICA ESPÉCIE AGRÍCOLA EM DETERMINADA ÁREA OU REGIÃO. No Brasil, esse tipo de cultivo é muito utilizado principalmente em culturas como a cana-de- açúcar, o café e a soja, sendo esta produzida em grande escala e destinada à comercialização, em especial, para o mercado externo. ATENÇÃO A monocultura, apesar de apresentar alta produtividade, é extremamente prejudicial ao solo, provocando desequilíbrio ambiental, pois resulta em desgaste e empobrecimento nutricional devido à produção contínua de uma mesma cultura. É importante ressaltar que a produção contínua de uma mesma planta também pode acarretar a contaminação do solo, uma vez que para manter ou recuperar a produtividade da terra e combatero surgimento de pragas, é feito uso indiscriminado de fertilizantes e de agrotóxicos. Já os policultivos podem proporcionar inúmeras vantagens em relação às atividades de monocultura, como a redução de pragas, supressão de vegetações espontâneas através da utilização de sombreamento por dosséis, melhor aproveitamento dos nutrientes e conservação do solo, visto que não se utiliza insumos externos (agrotóxicos e fertilizantes), dentre outras vantagens. Fonte: pxhere Os policultivos podem ser definidos e classificados como: POLICULTIVO MISTO OU VARIADO POLICULTIVO LINEAR POLICULTIVO EM FAIXAS POLICULTIVO DE SUBSTITUIÇÃO POLICULTIVO MISTO OU VARIADO Cultivo de duas ou mais espécies simultaneamente sem a obrigatoriedade de disposição em fileiras ou linhas. POLICULTIVO LINEAR Cultivo de duas ou mais espécies simultaneamente, sendo uma ou mais espécies cultivadas em linhas ou fileiras. POLICULTIVO EM FAIXAS Cultivo de duas ou mais espécies simultaneamente em faixas diferentes com espaço suficiente para proporcionar interação entre as espécies. POLICULTIVO DE SUBSTITUIÇÃO Cultivo de duas ou mais espécies simultaneamente, sendo o plantio de uma realizado a partir de determinado ciclo da outra, ou seja, uma espécie é plantada depois de outra atingir determinado ciclo, podendo este ser reprodutivo ou outro estágio mais propício. O importante a ressaltar é que o plantio da segunda espécie deve ser realizado antes da colheita da primeira espécie. DIVERSIDADE DE ESPÉCIES UTILIZADAS NA AGROECOLOGIA Fonte: Pixabay Como já mencionado, a Agroecologia caracteriza-se por utilizar práticas conservacionistas de preparo do solo, rotações de culturas e consórcios, uso da adubação verde e de controle biológico de pragas, além do emprego eficiente dos recursos naturais. Para que todas essas práticas possam trazer benefícios, torna-se fundamental a escolha de espécies vegetais que sejam favoráveis para isso. Portanto, deve ser considerado características ecológicas, econômicas e agronômicas, pois tais aspectos podem estar relacionados a diferencias de nutrientes entre as espécies, à capacidade de cobertura do solo, aos preços de comercialização da produção e à lucratividade. Também é preciso ter em vista os aspectos fisiológicos e o clima local a fim garantir o cultivo de espécies adequadas ao local e à região. Sendo assim, visando ao aumento da diversidade funcional e da eficiência produtiva de agroecossistemas, algumas práticas de manejo agroecológicos devem ser utilizadas, a saber: BARREIRAS VEGETAIS EXTERNAS Funcionam como um quebra-vento trazendo benefícios para a produção, pois melhoram o equilibro do microclima local, do solo e das culturas, atraindo insetos benéficos que contribuem para o controle de pragas e reduzem a erosão eólica, dentre outras vantagens. As espécies utilizadas como barreiras vegetais também contribuem para a geração de renda a partir da sua comercialização. Principais espécies utilizadas: Abacate (Persea americana ); banana (Musa spp. ); café arábica (Coffea arabica ); cana-de- açúcar (Saccharum spp. ); capim-elefante (Pennisetum purpureum ); ciprestes (árvores coníferas da família Cupressaceae ); citrus/cravo (Citrus spp./Syzygium aromaticum ); eucalipto (Eucalyptus spp. ); gliricidia (Gliricidia sepium ); hibisco (Hibiscus spp. ); manga (Mangifera indica ); margaridão (Tithonia diversifolia ); sansão do campo (Mimosa caesalpiniifolia ); mamona (Ricinus communis ); anileira (Indigofera hirsuta ), Ingá (Inga spp. ) e amoreira (Morus nigra ). BARREIRAS VEGETAIS INTERNAS Funcionam como cercas vivas com funções semelhantes às barreiras externas. Formam corredores ecológicos facilitando a movimentação de insetos benéficos da vegetação nativa ou das margens do cultivo para o interior das áreas cultivadas. Principais espécies utilizadas: Amora (Rubus spp. ); banana (Musa spp. ), café (Coffea arabica); cravo de defunto (Tagetes spp. ), crotalária (Crotalaria spp. ); eucalipto (Eucalyptus spp. ), feijão guandu (Cajanus cajan ); hibisco (Hibiscus spp. ); margaridão ( T. diversifolia ); mentrasto (Ageratum conyzoides ); milho/milheto/sorgo (Zea mays/Pennisetum glaucum/Sorghum bicolor ); pitanga (Eugenia uniflora ); sabugueiro (Sambucus spp. ). PLANTAS CONDICIONADORAS DO SOLO Espécies que, quando utilizadas, melhoram as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, favorecendo o desenvolvimento das plantas cultivadas no agroecossistema. Tais espécies podem ser cultivadas e, posteriormente, incorporadas ou mantidas na superfície do solo, assegurando ou aumentando a capacidade produtiva do solo em médio e longo prazo. Essa prática contribui para o controle da erosão hídrica e eólica e preserva o meio ambiente através do uso racional dos recursos naturais. Principais espécies utilizadas: Aveia preta (Avena strigosa ); cana-de-açúcar (Saccharum spp. ); capim-elefante (Pennisetum purpureum ); crotalária (Crotalaria spp. ); feijão-de-porco (Canavalia ensiformis ); feijão guandu (Cajanus cajan ); milheto (P. glaucum ); milho (Z. mays ); mucuna-preta (Stizolobium aterrimum ); nabo forrageiro (Raphanus sativus ); tefrósia (Tephrosia spp. ); trigo mourisco (Fagopyrum esculentum ). CONSÓRCIO E POLICULTIVOS DE PLANTAS Cultivo de duas ou mais plantas simultaneamente. A combinação de diferentes espécies visa aumentar a eficiência no uso dos recursos disponíveis nos agroecossistemas. Essa prática também favorece a polinização, o controle biológico e a ciclagem de nutrientes. Para que não haja competição pelos recursos naturais entre as plantas cultivadas, é necessário o planejamento na escolha das espécies e o manejo adequado. Principais espécies utilizadas: Alface (Lactuca sativa ); cenoura (Daucus carota ) e cheiro-verde ( Petroselinum crispum ); Alho (Allium sativum ); café (Coffea spp. ) e banana ( Musa spp. ); coentro (C. sativum ); tomate (Solanum lycopersicum ) e repolho ( Brassica oleracea ); Limão (Citrus spp. ); batata- doce (Ipomoea batatas ) e cucurbitáceas; Limão e pimentão (Capsicum annuum ); maracujá (Passiflora spp. ); berinjela (Solanum melongena ); abóbora (Cucurbita spp. ); feijão ( Phaseolus vulgaris ) e maxixe (Cucumis anguria ); maracujá e mamão (Carica papaya ); maxixe, quiabo (Abelmoschus esculentus ); pimenta (Capsicum spp. ); berinjela e jiló (Solanum aethiopicum ); milho e feijão; pimenta-do-reino ( Piper nigrum ) e leguminosas; sistema agroflorestal e hortaliças. MANEJO DE PLANTAS ESPONTÂNEAS A utilização de plantas de crescimento espontâneo nos cultivos tem por objetivo preservar e aumentar as populações de inimigos naturais (parasitoides, predadores e patógenos) contribuindo assim, para o controle das populações de pragas. Principais espécies utilizadas: Assa-peixe (Vernonia ferruginea ); caruru (Amaranthus spp. ); losna branca ( Parthenium hysterophorus ); maria-pretinha (Solanum americanum ); beldroega ( Portulaca spp. ); Joá- de-capote (Nicandra physalodes ); margaridão (T. diversifolia ); mentrasto (A. conyzoides ); picão-preto (Bidens spp. ); serralha (Sonchus oleraceus ) e tiririca (Cyperus spp. ). OLERICULTURA A produção de culturas folhosas, raízes, frutos diversos e partes comestíveis colabora de forma significativa para a economia familiar, gerando renda para a propriedade e, consequentemente, proporcionando boa qualidade de vida. Entretanto, tal modalidade requer mão de obra qualificada. Atualmente, a demanda por produtos de melhor qualidade tem aumentado, e desse modo a produção e comercialização destes produtos tem buscado formas de produção mais sustentáveis que estejam de acordo com a preservação dos recursos naturais e que também sejam consideradas economicamente viáveis e socialmente justas. PLANTAS ALIMENTARES NÃO CONVENCIONAIS (PANC) As plantas alimentares não convencionais (PANC) fazem parte da culinária alimentar de culturas ou povos tradicionais. Atualmente, essas espécies estão sendo muito valorizadas, tanto como resgate cultura quanto pelas suasqualidades nutricionais, muitas vezes superiores às hortaliças convencionais. Dentre as PANC mais comuns, destacam-se: ora-pro-nóbis, bertalha, beldroega, taioba, dente-de-leão, serralha, hibisco etc. A AGROECOLOGIA E A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE Fonte: Wikimedia A biodiversidade refere-se à riqueza de espécies de um local e suas interações, isto é, abrange todos os seres vivos de um local, tanto os vegetais quanto os animais e micro-organismos e suas diversidades genéticas. Na prática da agricultura convencional, frequentemente, a biodiversidade sofre diversos impactos ambientais negativos oriundos do alto consumo de energia, do uso excessivo e indiscriminado dos insumos químicos, da erosão, do desmatamento, da poluição das águas, solos, alimentos e ar aumentando, assim, o risco de desgaste e contaminação dos recursos naturais. As práticas agroecológicas têm contribuído com a conservação da biodiversidade local (fauna e flora), uma vez que contribuem para a diminuição do uso de agroquímicos, aumentam a polinização, protegem o solo e os recursos hídricos, promovem a manutenção dos recursos genéticos e a subsistência das famílias. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. DENTRE AS OPÇÕES ABAIXO, QUAL DELAS SE REFERE A RECURSOS GENÉTICOS? A) Mecanismo dinâmico que ocorre em um ecossistema pelo qual os organismos interagem e se adaptam uns aos outros. Manutenção do tamanho de uma população cuja taxa de emigração e mortalidade é compensada pela taxa de nascimento e imigração. B) Uso ecológico dos recursos naturais e exploração das riquezas produzidas pela natureza sem prejudicar o meio ambiente. C) Apresentam como característica muita artificialização das condições ambientais, o que os torna altamente dependentes de insumos produzidos industrialmente e adquiridos no mercado. D) São formados pelas espécies de plantas, animais e micro-organismos com valor socioeconômico e/ou potencial para a utilização pelo homem e são indispensáveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura e da agroindústria. E) Quantidade da variação genética existente para determinada espécie. 2. O QUE É EQUILÍBRIO ECOLÓGICO? A) Mecanismo dinâmico que ocorre em um ecossistema pelo qual os organismos interagem e se adaptam uns aos outros. Manutenção do tamanho de uma população cuja taxa de emigração e mortalidade é compensada pela taxa de nascimento e imigração. B) Ações que garantem a manutenção de um ambiente como ele é, não sendo permitido o uso dos recursos naturais; diferente de “conservação ambiental”, que permite o uso dos recursos naturais. C) A variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. D) Corresponde ao plantio de duas ou mais espécies simultaneamente em diferentes faixas amplas o suficiente para permitir cultivo independente, mas estreito o suficiente para que haja interação agronômica entre as espécies. E) É o uso ecológico dos recursos naturais; exploração das riquezas produzidas pela natureza sem prejudicar o meio ambiente. GABARITO 1. Dentre as opções abaixo, qual delas se refere a recursos genéticos? A alternativa "D " está correta. Os recursos genéticos são formados por espécies animais, vegetais e microbianas, aquáticas e terrestres, de valor econômico, científico, social ou ambiental, seja este valor atual ou potencial. Tais espécies constituem a base biológica da segurança alimentar. 2. O que é equilíbrio ecológico? A alternativa "A " está correta. O equilíbrio ecológico é fundamental para a manutenção da qualidade e das características essenciais do ecossistema ou de determinado meio. É um estado dinâmico nas relações entre os vários seres que compõem o meio. MÓDULO 4 Reconhecer as técnicas em Agroecologia aplicadas ao desenvolvimento sustentável PRINCIPAIS PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS UTILIZADAS E SEUS POTENCIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA AGRICULTURA NO BRASIL Fonte: freepik CONCEITOS E DEFINIÇÕES As práticas adotadas pelos sistemas agroecológicos favorecem a renovação do solo de forma natural e a reciclagem de nutrientes, além de promover a utilização racional dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade. Dentre os principais modelos agroecológicos podemos citar: ALBERT HOWARD Albert Howard (1873-1947) foi um botânico inglês e o primeiro ocidental a documentar e publicar as técnicas indígenas védicas de agricultura sustentável, agora mais conhecidas como agricultura orgânica. Howard foi chamado de o pai da compostagem moderna, por seu refinamento de um sistema de compostagem tradicional indiano. Fonte: Wikipedia RUDOLF STEINER Rudolf Steiner (1861-1925) foi um filósofo, educador, artista e esoterista fundador da antroposofia, da pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da euritmia. BILL MOLLISON Bruce Charles Mollison, mais conhecido por Bill Mollison (1928-2016), foi um pesquisador, autor, cientista, professor e naturalista, sendo considerado o pai da permacultura, um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. MIGUEL ALTIERI Miguel Altieri é um engenheiro agrônomo e entomologista nascido no Chile. Ele é professor de Agroecologia na Universidade da Califórnia, Berkeley, no Departamento de Ciência Ambiental, Política e Gerenciamento. Agricultura Orgânica A agricultura orgânica surgiu na Índia na década de 30 e teve como precursor, o inglês Albert Howard . Tal modelo tem como base a prática da compostagem, utilizando como javascript:void(0) matéria-prima os restos vegetais e/ou animais da propriedade. Desse modo, busca-se assegurar a vida biológica do solo, a ciclagem dos nutrientes, entre outros benefícios. Agricultura Biodinâmica A agricultura biodinâmica surgiu na Alemanha, em 1924 e foi baseada em uma ciência espiritual apresentada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner denominada Antroposofia, na qual se busca compreender o ser humano a partir de suas particularidades físicas, psicológicas, fisiológicas e espirituais. Tal modelo, portanto, define a propriedade como um organismo agrícola e este deve refletir o equilíbrio das relações que envolvem o solo, as plantas, os animais, o homem, o universo e as energias que interagem com cada um e com a totalidade. Agricultura Biológica A agricultura biológica se originou na França, na década de 1960, a partir dos princípios propostos por Claude Albert que defendiam que a saúde das culturas e dos alimentos produzidos está diretamente relacionada à saúde do solo e ao seu manejo do solo, ou seja, a saúde dos alimentos produzidos é o resultado do equilíbrio ou desequilíbrio dos nutrientes. Agricultura Natural Originou-se na década de 1930, no Japão, a partir de um movimento de caráter filosófico-religioso da Igreja Messiânica, apresentando valores religiosos, filosóficos e éticos. Modelo que defende a menor alteração possível nos ecossistemas, buscando diminuir ao máximo a movimentação do solo. Também estimula a compostagem somente à base de vegetais, sem o uso de estercos animais e com a utilização de micro- organismos que facilitem esse processo. Permacultura A permacultura surgiu na Austrália, na década de 70, com Bill Mollison, e defende a reprodução de agroecossistemas sustentáveis através da simulação dos ecossistemas naturais, além de buscar a menor alteração possível da paisagem. Agricultura ecológica Surgiu nas décadas de 70 e 80, nos Estados Unidos, sendo incentivada pelos javascript:void(0) javascript:void(0) movimentos ecológicos que surgiram após a crise do petróleo ter revelado a fragilidade do modelo agrícola adotado. A Agricultura ecológica busca a utilização de tecnologias e metodologiassustentáveis, além da utilização de fontes alternativas de energia. Agroecologia A Agroecologia surgiu nos Estados Unidos na década de 80 e teve como precursor Miguel Altieri. Tal modelo propõe uma metodologia de visão holística e busca abranger todas as demais alternativas numa base de pesquisa científica. Além disso, procura estudar e tratar os ecossistemas produtivos e/ou preservados de maneira que se tornem agroecossistemas sustentáveis, sendo, portanto, considerados socialmente justos e economicamente viáveis. Sistemas agroflorestais (SAFs) Os sistemas agroflorestais são caracterizados por consórcios de culturas agrícolas com espécies arbóreas. Eles podem ser utilizados para restaurar florestas e recuperar áreas degradadas. É importante ressaltar que a utilização de espécies arbóreas possibilita a recuperação das funções ecológicas, pois restabelece as relações entre as plantas e os animais. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal ATUAL CENÁRIO AGROECOLÓGICO BRASILEIRO javascript:void(0) Fonte: freepik Segundo dados obtidos através de pesquisas realizadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil está se consolidando como um grande produtor de alimentos orgânicos com, aproximadamente, 17 mil propriedades certificadas em todas as unidades da federação, sendo a maior parte da produção oriunda de pequenos produtores. A Região Sul vem à frente, com pouco mais de seis mil produtores, seguida das regiões Sudeste e Nordeste com cerca de quatro mil produtores. SAIBA MAIS Os estados que se destacam em número de produtores são: Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Bahia. O consumo de produtos orgânicos cresce anualmente cerca de 25%, tendo sido previsto R$ 4 bilhões para 2018 (Sebrae, 2020). Dentre os que participaram da pesquisa realizada pelo Sebrae em 2018, 68% eram produtores rurais, principalmente produtores de frutas (72%) e hortaliças (64%). A grande maioria está organizado em associações ou cooperativas (69%) e os canais de venda mais utilizados por eles são as vendas diretas ao consumidor (72%) e as feiras (55%). Outra pesquisa realizada pela Organis (2019) sobre o consumo de orgânicos no brasil, mostrou que 19% da população brasileira já consumiu algum alimento ou bebida orgânica; 6 em cada 10 consumidores optam pelas hortaliças e 1 em cada 4 consumidores optam por legumes e frutas. Além disso, a pesquisa apontou que os principais fatores para a escolha pela agricultura orgânica são: sabor, veiculação na mídia e preocupação ambiental. Os orgânicos são comprados principalmente nos supermercados (64%) e nas feiras orgânicas ou agroecológicas (26%). 65% dos entrevistados afirmam que gostariam de consumir mais produtos orgânicos, no entanto, o preço é o fator mais limitante. SAIBA MAIS Quanto à exportação, ainda não há dados oficiais dos produtos e valores comercializados pelo país, mas estimativas do Ministério da Agricultura mostram que o Brasil exporta principalmente açúcar, mel, grãos, frutas e castanhas para 76 países. PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS APROPRIADAS Fonte: freepik As práticas agroecológicas se apresentam como uma oportunidade de promover mudanças de comportamentos e atitudes, além da busca por uma melhor qualidade de vida. Para isso, é fundamental a adoção de práticas sustentáveis que permitam a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos naturais nos processos de produção de alimentos. Dentre estas práticas, podemos citar a importância da correta preparação do solo, além de técnicas e/ou metodologias que permitam a substituição da utilização de agrotóxicos por novos modelos como, por exemplo, o Manejo Integrado de Pragas (MIP), a utilização de defensivos alternativos e as adubações orgânica e verde, que proporcionam maior diversidade biológica no solo e equilíbrio agroecossistêmico. Para melhor compreensão, é importante observar as seguintes definições: MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS (MIP) O MIP é um conjunto de medidas que visa manter as pragas abaixo do Nível de Dano Econômico (NDE). É importante ressaltar que tais normas devem ser aplicadas de forma preventiva quando a densidade populacional de uma praga atinge o Nível de Controle (NC) evitando assim, a perda de controle. A população de insetos prejudiciais deve ser mantida abaixo do NC, indicando que ela está em Nível de Equilíbrio (NE). O MIP, portanto, refere-se à integração e o manejo planejado de diferentes técnicas e/ou metodologias de controle como, por exemplo, produtos químicos, agentes biológicos, plantas resistentes a pragas, manejo cultural, feromônios, plantas iscas etc. DEFENSIVOS ALTERNATIVOS São produtos preparados a partir de substâncias benéficas à saúde humana e ao meio ambiente. Eles não são tóxicos e não trazem riscos ao homem e a natureza. Além disso, são eficientes no combate às pragas e às doenças, favorecendo a resistência das plantas, e se degradam rapidamente. São utilizados como defensivos alternativos: agentes de biocontrole, biofertilizantes líquidos, caldas sulfocálcica, Viçosa e Bordalesa, feromônios, extratos de plantas, óleos essenciais etc. ADUBAÇÃO ORGÂNICA A adubação orgânica é caracterizada pela utilização de fertilizantes orgânicos sólidos e líquidos compostos por materiais de procedência vegetal ou animal. Esse tipo de adubação tem alto valor agregado e baixo custo de aquisição e produção, uma vez que podem ser produzidos a partir de matérias-primas próprias ou adquiridos de terceiros. ADUBAÇÃO VERDE A adubação verde proporciona melhoria da qualidade física e química do solo fornecendo nutrientes para as plantas, além de servir para a cobertura da terra. Este tipo de adubação traz grandes benefícios aos sistemas agrícolas, pois protege o solo contra erosão, aumenta a taxa de infiltração e a capacidade de retenção de água. Também contribui para a recuperação da estrutura do solo, aumenta a adição de matéria orgânica, promove o crescimento e a diversificação da população de micro-organismos, além de incrementar a capacidade de reciclagem e mobilização de nutrientes etc. As espécies utilizadas neste tipo de adubação devem ser de fácil estabelecimento no campo, crescimento rápido, tolerância ao corte, alta capacidade de rebrota e obtenção de sementes, alta produção de massa vegetal e facilidade de manejo. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE BASE ECOLÓGICA Fonte: freepik Há tempos busca-se definir estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente e que sejam capazes de proteger os recursos naturais garantindo, assim, a conservação da biodiversidade. O sistema convencional de produção agrícola é caracterizado pela simplificação dos agroecossistemas, além da adoção de técnicas e metodologias que se utilizam de procedimentos artificiais. Ele é dependente de insumos externos (pesticidas, fertilizantes solúveis, máquinas e combustíveis) e é caracterizado pela produção de plantas geneticamente similares ou idênticas selecionadas, propositalmente, visando ao aumento da produtividade. ATENÇÃO Esse tipo de prática tende a proporcionar um desequilíbrio ecológico e, consequentemente, produzir inúmeras alterações como, por exemplo, a redução da capacidade produtiva dos solos, contaminação dos recursos hídricos, exaustão dos recursos naturais, entre outros. A Agroecologia, portanto, surge como principal pilar para a construção e manejo de agroecossistemas sustentáveis, contribuindo para a conservação da agrobiodiversidade, dos recursos naturais e demais meios de vida, garantindo também a manutenção da agricultura familiar, a qualidade de vida dos agricultores e a preservação dos recursos naturais para as futuras gerações. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SÃO CONSIDERADAS PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS: A) Manejo Integrado de Pragas (MIP), adubação verde e adubação orgânica. B) Adubação orgânica, monocultura e uso de agrotóxicos. C) Policultivo,adubação verde e uso de pesticidas. D) Pulverização com herbicidas, adubação orgânica e monocultura. E) Adubação, uso de agrotóxicos e policultivo. 2. CONCURSO (SEAP/PR) 2007. SOBRE O MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS (MIP), ASSINALE A RESPOSTA CORRETA: A) No MIP existe uma preocupação em se utilizar agrotóxicos apenas quando a população das pragas atingir um nível de dano econômico (em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos significativos), diminuindo a contaminação do ambiente com tais produtos. B) A aplicação de defensivos de forma escalonada e a aplicação de baixas doses de inseticidas associadas à pulverização com herbicidas antes do plantio, são práticas frequentemente adotadas no MIP. C) Os três princípios básicos do MIP podem ser resumidos em: conhecer a praga, evitar a praga e controlar preventivamente a praga. D) O MIP Soja ficou conhecido, principalmente, devido à utilização de Bacillus thuringiensis no controle da lagarta militar. E) O MIP é definido como um sistema de manejo que se baseia, exclusivamente, na amostragem direta das pragas para seu controle e que utiliza todas as técnicas e métodos do sistema orgânico de produção. GABARITO 1. São consideradas práticas agroecológicas: A alternativa "A " está correta. A adoção de práticas agroecológicas permite a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos nos processos de produção de alimentos. Dentre estas práticas podemos citar a correta preparação do solo, a substituição da utilização de agrotóxicos por técnicas alternativas como Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a utilização de defensivos alternativos, adubações orgânicas e adubação verde, propiciando uma maior diversidade biológica no solo e o equilíbrio agroecossistêmico. 2. Concurso (SEAP/PR) 2007. Sobre o Manejo Integrado de Pragas (MIP), assinale a resposta correta: A alternativa "A " está correta. O MIP é um conjunto de medidas que visa manter as pragas abaixo do Nível de Dano Econômico (NDE). Tais medidas devem ser aplicadas quando a densidade populacional da praga atinge o Nível de Controle (NC). Quando a população de insetos prejudiciais se mantém abaixo do NC, ela está em Nível de Equilíbrio (NE). CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS A Agroecologia busca a promoção de modelos de agriculturas sustentáveis, tendo como principal objetivo a produção de alimentos em quantidade e qualidade adequadas para a sociedade, utilizando a biodiversidade associada às melhores práticas ambientais de conservação e preservação da natureza. A partir dos conceitos e componentes apontados, é possível compreender o processo de transição agroecológica no Brasil, bem como os sistemas de produção de base ecológica. As principais características dos sistemas agroecológicos se baseiam na utilização da potencialidade do policultivo, a utilização de insumos orgânicos e biológicos, o manejo integrado de pragas e o manejo conservacionista do solo, da água e da biodiversidade. Essa compreensão é fundamental para a elaboração de metodologias e políticas públicas que tenham como principal objetivo a redução dos impactos ambientais promovidos pelos atuais modelos de agriculturas e a conservação da biodiversidade através da utilização dos recursos naturais de forma sustentável. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável.Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1995. ALTIERI, M. Introdução. In: ALTIERI, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba: Agropecuária, 2002. p. 15-17 ORGANIS. Associação de promoção dos Orgânicos. Disponível em: https://organis.org.br/. Acesso em: 18 dez. 2020. BRASIL. Decreto nº 7.794, de 20 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. In: Planalto. BRASIL. Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo). Disponível em: http://www.agroecologia.gov.br/politica. Acesso em: 18 dez. 2020. FEIDEN, A. Agroecologia: introdução e conceitos.In: AQUINO, A. M. de; ASSIS, R. L. Agroecologia: princípios e técnicas para uma agricultura orgânica sustentável. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2005. p.49-70. GLIESSMAN, S. R.Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 3.ed. Porto Alegre: UFRGS, 2005. 653p. KOGAN, Marcos; BAJWA, Waheed I. Integrated pest management: a global reality? Anais da Sociedade Entomológica do Brasil,, [S.L.], v. 28, n. 1, p. 01-25, mar. 1999. FapUNIFESP. ODUM, E. Properties of agroecosystems.. In: LOWRANCE, R. et al. Agricultural ecosystems. New York: Wiley Interscience, 1984. PAIVA, João Rodrigues de; SANTOS, Francisco José de Seixas. et al. Policultivo com diferentes espécies frutíferas de valor econômico. Ciência e Agrotecnologia, [S.L.], v. 30, n. 1, p. 81-87, fev. 2006. FapUNIFESP (SCIELO). SANTILLI, J. A Lei de Sementes brasileira e os seus impactos sobre a agrobiodiversidade e os sistemas agrícolas locais e tradicionais. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum., Belém, v. 7, n. 2, p. 457-475, Aug. 2012.In: Scielo. SANTOS, Fernando Passos dos; CHALUB-MARTINS, Leila. Agroecologia, consumo sustentável e aprendizado coletivo no Brasil. Educação e Pesquisa, [S.L.], v. 38, n. 2, p. 469-484, 21 out. 2011. FapUNIFESP (SCIELO) SEBRAE. Pesquisa com produtores orgânicos. 2018. Disponível em: https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/RN/Anexos/Agroecologia-e-organicos- Pesquisa-com-Produtores-Organicos-2018.pdf. Acesso em: 18 dez. 2020. EXPLORE+ Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, pesquise: Agroecologia, consumo sustentável e aprendizado coletivo no Brasil, dos autores Fernando Passos dos Santos e Leila Chalub-Martins. Policultivo com diferentes espécies frutíferas de valor econômico, dos autores João Rodrigues de Paiva, Francisco José de Seixas Santos, Joquebede Bezerra Cacau, Raimundo Nonato Martins de Souza, Antonia Regia Abreu Sobral. Manejo integrado de pragas: uma realidade mundial? dos autores: Marcos Kogan e Waheed I. Bajwa. CONTEUDISTA Felipe da Costa Brasil CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); javascript:void(0);