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www.cers.com.br 1 www.cers.com.br 2 Cristiano Sobral, Doutor em Direito, Advogado do Escritório Sylvio Tostes e Sobral Pinto, autor das Obras Direito Civil Sistematizado 9ª edição, Código Civil Anotado, Direito do Consumidor para Concursos 2ª edição. Professor Exclusivo do CERS, FGV, Pós Candido Mendes e das principais escolas oficiais no Rio de Janeiro. www.cers.com.br 3 AO JUÍZO CÍVEL DA COMARCA DE ________ . ________ , ________ , ________ , inscrito no CPF sob nº ________ , ________ , residente e domiciliado na ________ , ________ , ________ , ________ , ________ , vem à presença de Vossa Excelência, propor AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA em face de ________ , pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob nº ________ , ________ , com sede na ________ , ________ , ________ , ________ , ________ , pelos motivos e fatos que passa a ex- por. DOS FATOS DOS JUROS ABUSIVOS A Ré lançou unilateralmente mês a mês, juros extorsivos ao patamar mensal de, aproximadamen- te, ________ % , resultando num débito total, após ________ meses, o valor de ________ . Coagido, o Autor renegociou uma dívida indevida, que elevou expressivamente o montante devi- do, contemplando taxas exorbitantes e pré-fixadas, tornando-se impossível à continuidade do pactuado. Conforme extratos mensais, tem-se evidente a prática de cobrança de juros de forma composta e acima dos patamares legais que atingem ao absurdo de ________ % ao mês, conforme se prova pelos extratos e cálculos em anexo e sem previsão contratual. DA APLICAÇÃO DO CDC E INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA A norma que rege a proteção dos direitos do consumidor, define, de forma cristalina, que o con- sumidor de produtos e serviços deve ser abrigado das condutas abusivas de todo e qualquer fornecedor, nos ter- mos do art 3º do referido Código. No presente caso, tem-se de forma nítida a relação consumerista caracterizada, conforme reda- ção do Código de defesa do Consumidor: Lei. 8.078/90 - Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. Lei. 8.078/90 - Art. 2º. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que ad- quire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Assim, uma vez reconhecido o Autor como destinatário final dos serviços contratados, e demonstrada sua hipossuficiência técnica, tem-se configurada uma relação de consumo, conforme entendimen- to doutrinário sobre o tema: "Sustentamos, todavia, que o conceito de consumidor deve ser interpretado a partir de dois elementos: a) a aplicação do princípio da vulnerabilidade e b) a destinação econômica não profissional do produto ou do serviço. Ou seja, em linha de princípio e tendo em vista a teleologia da legislação protetiva deve-se identificar o consumidor como o destinatário final fático e econômico do produto ou serviço." (MIRAGEM, Bruno. Curso de Direito do Consumidor. 6 ed. Editora RT, 2016. Versão ebook. pg. 16) Trata-se de redação clara da Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça, que assim dispõe: www.cers.com.br 4 O Código de Defesa do consumidor é aplicável às instituições financeiras. Assim, diante da inequívoca e presumida hipossuficiência, inquestionável a necessária concessão do direito à inversão do ônus da prova, que desde já requer. JUROS ABUSIVOS - COMPOSTOS MENSAIS Conforme documentos que junta em anexo e planilhas explicativas, estão sendo exigidos pela instituição financeira, juros sobre juros (anatocismo), que chegam a ultrapassar ________ % ao ano, o que fere os direitos básicos do consumidor. Ocorre que referidos JUROS COMPOSTOS, têm sua cobrança vedada pelo ordenamento jurídico pátrio, nos estritos termos do art. 4º, do decreto n.º 22.626/93, que assim dispõe: "Art. 4º. É proibido contar juros dos juros; esta proibição não compreen- de a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta-corrente de ano a ano." Este posicionamento é cristalino na redação da Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal com a seguinte redação: "Súmula 121 do STF: É vedada a capitalização de juros, ainda que ex- pressamente convencionada." Desta forma, fica claro que durante todo o período do contrato foram cobrados juros sobre um saldo acumulado imediatamente precedente, sobre o qual já foram incorporados juros de períodos anteriores, caracterizando o vedado juros sobre juros, conforme precedentes sobre o tema: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. REVISIONAL BANCÁRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS. Demonstrada a abusividade, os juros devem ser limitados à taxa média do mercado cobrada em operações da mesma espécie. REPETIÇÃO DO INDÉBITO OU COM- PENSAÇÃO. A repetição do indébito ou a compensação deve ser admitida quando houver o reconhecimento de abusividade. APELAÇÃO PARCIAL- MENTE PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70076098573, Décima Nona Câma- ra Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marco Antonio Angelo, Julgado em 29/03/2018). APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁ- RIO. Na esteira do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, os juros remuneratórios somente são considerados abusivos quando comprovado que discrepantes em relação à taxa de mercado. Caso em que restou caracterizada a abusividade. Limitação à taxa média de merca- do, observados os limites do pedido formulado em razões de apelação. APELO PROVIDO. (Apelação Cível Nº 70072346497, Décima Sexta Câma- ra Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli, Jul- gado em 28/09/2017). APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO DO CONSUMIDOR - AÇÃO REVISIONAL - PREVENÇÃO - CONTRATO DE FINANCIAMENTO PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO - PRÁTICA DE ANATOCISMO - VEDAÇÃO - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 121 DO STF - A Perícia contábil apurou a prática de anato- cismo, o que permanece vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. Aplicação da Súmula nº 121 do Supremo Tribunal Federal. Impossibili- dade de restituição, em dobro, dos valores pagos indevidamente ante a existência de saldo devedor a ser pago pelo autor ao réu. Manutenção da sentença de parcial procedência que se impõe. Negado provimento ao re- curso. (TJ-RJ - APL: 00148444320098190063 RIO DE JANEIRO TRES RIOS 1 VARA, Relator: EDSON AGUIAR DE VASCONCELOS, Data de www.cers.com.br 5 Julgamento: 26/07/2017, DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL, Data de Publi- cação: 28/07/2017) APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁU- SULA CONTRATUAL C/C DANOS MORAIS. CONTRATO DE MÚTUO. COMPETÊNCIA DESTA CÂMARA NÃO ESPECIALIZADA EM RAZÃO DE PREVENÇÃO ANTE O JULGAMENTO DE RECURSO ANTERIOR. CO- BRANÇA INDEVIDA DE JUROS REMUNERATÓRIOS E PRÁTICA DE ANATOCISMO. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. SÚMULA 75 DESTE TRIBUNAL. No caso em tela, consi- derando as alegações veiculadas pelas partes em suas respectivas peças, não há como se afastar a responsabilidade do Réu pelas cobranças indevi- das perpetradas. Restou apurado, através da prova pericial realizada, que houve a prática do anatocismo, bem como a incidência de juros remuneratórios acima do contratado e, ainda, da média praticada pelo mercado financeiro, restando apurada a cobrança a maior que deve ser restituída ao consumidor. Reforma parcial da sentença para condenar o réu em custas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% (dez) por cento sobre o valor da condenação, de acordo com o artigo 85, § 2 e in- cisos do CPC. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DO 2º APELANTE E PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO DA 1ª APELANTE. (TJ-RJ - APL: 00248226920088190066 RIO DE JANEIRO VOLTA REDONDA 6 VA- RA CIVEL, Relator: VALÉRIA DACHEUX NASCIMENTO, Data de Julga- mento: 28/03/2017, DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 30/03/2017) Portanto, demonstrada a ilegalidade, demonstra-se a necessária adequação dos valores cobra- dos, em vista da nulidade da cláusula que prevê tal método de cobrança. DO DIREITO À INFORMAÇÃO O Art. 52 do Código de Defesa do Consumidor é muito claro ao dispor: Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deve- rá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre: I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros; III - acréscimos legalmente previstos; IV - número e periodicidade das prestações; V - soma total a pagar, com e sem financiamento. § 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da presta- ção.(Redação dada pela Lei nº 9.298, de 1º.8.1996) Assim, diante da inexistência de prévia e clara informação sobre os juros incidentes, ilegal a sua aplicação. Em consequência do exposto, constata-se que várias cláusulas são abusivas, portanto nulas. DA COBRANÇA INDEVIDA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO O réu, ao impor cobranças abusivas, responde pelo débitos indevidos realizados na conta do Au- tor. Desta forma, o réu deverá ressarcir ao autor os valores descontados em dobro e eventuais des- contos futuros, nos termos do parágrafo único do artigo 42 da Lei 8078/90, verbis: www.cers.com.br 6 Art. 42. (...) Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição de indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável. Entendimento predominante nos Tribunais: APELAÇÃO CÍVEL - REPETIÇÃO DO INDÉBITO - CARTÃO DE CRÉDITO - ANUIDADE - COBRANÇA INDEVIDA. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de atualização monetária e juros, salvo hipó- tese de engano justificável. Inteligência do parágrafo único, do artigo 42, do CDC. (TJ-MG - AC: 10394120102683001 MG, Relator: Marcos Henrique Caldeira Brant, Data de Julgamento: 03/05/2017, Câmaras Cíveis / 16ª CÂ- MARA CÍVEL, Data de Publicação: 12/05/2017) Portanto, inequívoca a responsabilidade e dever do réu no pagamento em dobro dos valores inde- vidamente descontados conforme memória de cálculo que junta em anexo. DA LIMINAR - TUTELA DE URGÊNCIA PERICULUM IN MORA - O risco da demora fica demonstrado diante da continuidade dos des- contos na fatura mensal do Autor, indisponibilidade do crédito necessário para a condução de sua rotina, além da inscrição indevida nos órgãos de proteção ao crédito, fato que vem gerando inúmeros transtornos e constrangi- mentos, o que deve cessar imediatamente. FUMUS BUNI IURIS - A probabilidade do direito fica perfeitamente demonstrada diante da comprovação do abuso sofrido pela Autora, como consumidora, diante de um constrangimento ilegal. Razão pela qual se requer a imediata retirada da inscrição do Autor do cadastro de inadimplentes, sob pena de multa diária, conforme precedentes sobre o tema: AGRAVO DE INSTRUMENTO - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS - LIMINAR - CADASTRO DE INADIMPLENTES - PRAZO EXÍ- GUO. Se foi instaurada discussão sobre o débito é porque o devedor não reconhece a dívida ou a sua integralidade, razão pela qual a inscrição de seu nome em cadastros de maus pagadores no curso do litígio, é abu- siva. A multa diária fixada para o caso de descumprimento da ordem judici- al tem o objetivo de forçar a parte a cumprir a obrigação estipulada na deci- são. Considera-se suficiente o prazo de 3 dias para retirada do nome do consumidor, do SPC. (TJ-MG - AI: 10000170546097001 MG, Relator: Evangelina Castilho Duarte, Data de Julgamento: 07/11/0017, Câmaras Cí- veis / 14ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 09/11/2017) DEPÓSITO EM JUÍZO - Para fins da concessão da tutela de urgência, requer CONSIGNAR EM JUÍZO O VALOR INCONTROVERSO, no total de R$ ________ , para que não seja considerada inadimplente e/ou em mora no lapso do decurso processual. Requer-se, assim, que o Poder Judiciário, tenha o bom senso de determinar a cessação imediata dos descontos indevidos da conta corrente do Autor, bem como a determinação de imediata exclusão do cadastro de inadimplentes. DO PEDIDO Ante o exposto, requer: 1. A concessão da Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 98 do Código de Processo Civil; 2. A citação do réu, na pessoa de seu representante legal, para, querendo responder a presente demanda; 3. A concessão do pedido liminar para determinar que o Réu cesse imediatamente os descontos na Conta Corrente do Autor das parcelas não reconhecidas, restabeleça o crédito total para utilização no cartão e retire www.cers.com.br 7 imediatamente o nome do Autor nos órgão de proteção ao crédito; 4. Seja dada total procedência à ação: 4.1 Declarando a nulidade das cláusulas abusivas, com a inexistência dos débitos exorbitantes imputados ao Autor; 4.2 Condenando o requerido a pagar ao requerente o valor correspondente à repetição de indébito no total de R$ ________ , acrescidos de juros e correções; 4.3 Seja renegociada a dívida restante, sem os juros abusivos em parcelas não superiores às parcelas que vinha adimplindo; 5. A condenação do requerido em custas judiciais e honorários advocatícios, 6. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas e cabíveis à espécie, especialmente a prova pericial nos cálculos realizados pela Instituição Financeira; 7. Dá-se à presente o valor de R$ ________ . Termos em que, pede deferimento. ________ , ________ . ________ , ________ ANEXOS: 1. Prova dos pagamentos 2. Documentos de identidade do Autor 3. Comprovante de Residência 4. Procuração 5. Provas da ocorrência 6. Provas da tentativa de solução www.cers.com.br 8