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CIRURGIA INFANTIL - PARTE 1 P R O F . S A R A H C O Z A R Estratégia MED 2Prof. Sarah Cozar|Cirurgia Infantil - Parte 1CIRURGIA PROF. SARAH COZAR APRESENTAÇÃO Olá, aluno Estratégia MED! Seja bem-vindo à Cirurgia Infantil! Neste resumo discutiremos apenas as principais afecções cirúrgicas congênitas cobradas pelas bancas dos diferentes concursos para residência médica em todo o Brasil! Entretanto, não deixe de reservar um tempo para aprofundar o seu estudo: em nossos livros digitais de Cirurgia Infantil - Partes 1, 2 e 3 você encontra o conteúdo completo para gabaritar 100% das questões da especialidade! 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As HDC póstero-laterais são conhecidas como HÉRNIAS DE BOCHDALEK. O defeito é mais comum do lado esquerdo (90%). A HDC bilateral é extremamente rara. As HDC anteromediais são conhecidas como HÉRNIAS DE MORGAGNI, bem menos frequentes que as hérnias póstero-laterais (figura 01). Figura 01: Localização dos principais defeitos diafragmáticos congênitos, em vista inferior do diafragma: forames de Morgagni (anterior) e de Bochdalek (póstero-lateral). O defeito diafragmático póstero-lateral permite que o conteúdo abdominal hernie para a cavidade pleural e comprima o pulmão ipsilateral em formação, provocando o desenvolvimento anormal das vias aéreas e da vasculatura pulmonar. A HIPOPLASIA PULMONAR e a HIPERTENSÃO PULMONAR PERSISTENTE resultantes são as responsáveis pelas manifestações clínicas, que normalmente se instalam nas primeiras horas de vida do recém-nascido. SÍNDROME DA HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA: a herniação das vísceras abdominais para o tórax, a hipoplasia pulmonar e a hipertensão pulmonar persistente podem ter como consequência o surgimento de diversas outras anomalias, consideradas partes integrantes da chamada “síndrome da HDC”. As mais frequentes são a persistência do ducto arterioso, a persistência do forame oval e a má rotação intestinal. Estratégia MED CIRURGIA 6 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 1.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA São muitas as afecções que se manifestam através de desconforto respiratório nas primeiras horas de vida de um RN, mas, nas provas, você não encontrará grandes dificuldades para identificar um neonato com HDC. Um neonato com SINAIS DE INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA que, ao exame físico, apresenta ABDOME ESCAFOIDE, e/ou AUMENTO DO DIÂMETRO ÂNTERO-POSTERIOR DO TÓRAX E DESVIO DAS BULHAS CARDÍACAS PARA DIREITA é portador de HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA, até que se prove o contrário. 1.3 DIAGNÓSTICO O diagnóstico é frequentemente pré-natal, através de ultrassom realizado durante a gestação. A HDC está entre as causas de polidrâmnio materno, devido à diminuição do volume de líquido amniótico deglutido pelo feto, provavelmente por causa de obstrução digestiva relacionada à hérnia. Após o nascimento, a radiografia simples do tórax confirma o diagnóstico. A imagem típica é a de várias alças intestinais na cavidade torácica e desvio mediastinal contralateral, além de diminuição ou ausência de gás no abdome (figura 02). Quando realizada sondagem orogástrica, o cateter aparece enrolado no tórax, caso o estômago esteja herniado. Figura 02: Radiografia de tórax de recém-nascido com hérnia de Bochdalek. Imagens radiolucentes semelhantes a bolhas no hemitórax esquerdo correspondem às alças intestinais. O mediastino encontra-se desviado para direita. Estratégia MED CIRURGIA 7 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 1.4 TRATAMENTO Quando o diagnóstico pré-natal é realizado, a cirurgia fetal tem se destacado como uma abordagem promissora - através da oclusão traqueal fetal, resultando no acúmulo de fluido pulmonar para estimular seu crescimento. O manejo pós-natal da HDC é direcionado inicialmente para estabilização cardiorrespiratória. A HDC não é uma emergência cirúrgica, mas sim fisiológica. O reparo cirúrgico da HDC deve ser postergado por 2 a 4 dias, até que a estabilização cardiorrespiratória tenha sido alcançada. O tratamento operatório inclui a redução das vísceras herniadas para a cavidade abdominal e a correção do defeito diafragmático póstero-lateral. CAPÍTULO 2.0 ATRESIA DO ESÔFAGO E FÍSTULA TRAQUEOESOFÁGICA 2.1 DEFINIÇÃO E ETIOPATOGÊNESE A atresia do esôfago é uma malformação caracterizada pela interrupção da luz esofágica em sua porção torácica, com ausência de um segmento, o que cria uma falha entre o esôfago proximal e o distal. Uma fístula traqueoesofágica (FTE) - comunicação anormal que se estabelece entre o esôfago e a traqueia - pode ocorrer associada ou isoladamente. São frequentes as anomalias associadas, ocorrendo em mais de 60% dos neonatos acometidos. Em 10% dos pacientes, há associação de anomalias relacionadas pelo acrônimo VACTERL - Vertebral, Anorretal, Cardíaca, Traqueal, Esofágica, Renal e Limb (Membro). 2.2 CLASSIFICAÇÃO Anatomicamente, apresenta-se nas seguintes formas mais comuns (representadas na imagem abaixo - figura 03 - nesta ordem): com fístula distal, sem fístula, com fístula proximal, dupla fístula proximal e distal e fístula em H sem atresia. Estratégia MED CIRURGIA 8 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 Figura 03: Formas de apresentação da atresia de esôfago e fístula traqueoesofágica. O tipo mais comum é a atresia com fístula traqueoesofágica distal, em que o esôfago proximal termina em fundo cego, à distância de aproximadamente um a dois corpos vertebrais da fístula traqueoesofágica distal, tipicamente localizada logo acima da carina, na porção membranosa da traqueia. 2.3 QUADRO CLÍNICO Se uma FTE está presente, o quadro é predominantemente respiratório. Ocorre tosse, taquipneia, cianose e/ou apneia. Nos casos de atresia sem fístula, o quadro respiratório é menos intenso, de início mais tardio e predomina a sialorreia. Estratégia MED CIRURGIA 9 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 Figura 04: Atresia de esôfago. Observe a sonda nasogástrica enovelada no coto esofagiano proximal. Após o diagnóstico, outras anomalias associadas devem ser pesquisadas. O ecocardiograma é indicado para avaliação de defeitos cardíacos congênitos e anomalias do arco aórtico, enquanto o ultrassom renal, para identificar malformações geniturinárias.O exame radiológico permite, ainda, o reconhecimento de malformações vertebrais. 2.5 TRATAMENTO A atresia de esôfago não é uma urgência cirúrgica, devendo ser operada quando o recém-nascido estiver em boas condições, principalmente respiratórias. Enquanto aguarda a cirurgia, o tratamento inicial inclui decúbito elevado, descompressão da bolsa esofágica proximal com uma sonda de aspiração em sucção contínua, nutrição parenteral e antibióticos de amplo espectro. A abordagem do tipo mais comum de atresia do esôfago com FTE envolve toracotomia posterior, identificação da fístula e sua ligadura e secção e anastomose primária esôfago-esofagiana término-terminal. Em cerca de 25% dos casos, não é possível realizar anastomose esôfago-esofagiana, pois os cotos esofágicos proximal e distal estão muito distantes um do outro. Nesses casos, realiza-se esofagostomia cervical esquerda, ressecção do coto esofágico distal e gastrostomia para alimentação. Reconstrói-se o trânsito alimentar com cerca de um ano de idade, pela interposição de tubo gástrico (esofagogastroplastia) ou de um segmento do cólon (esofagocoloplastia). 2.4 DIAGNÓSTICO O diagnóstico antenatal é suspeitado pela presença de polidrâmnio materno, frequentemente presente. Após o nascimento, a parada na progressão de sonda nasogástrica em 8 a 12 cm da narina de um RN é característica cardinal para o diagnóstico da atresia de esôfago. Radiografias simples de tórax e abdome podem ser realizadas. No caso de haver gás no trato gastrointestinal abaixo do diafragma, é confirmada uma FTE associada; por outro lado, a ausência de gás no abdome diagnostica atresia de esôfago isolada. Em ambos os casos a radiografia pode demonstrar a sonda enovelada no coto esofagiano proximal (figura 04). Estratégia MED CIRURGIA 10 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 CAPÍTULO 3.0 OBSTRUÇÃO DUODENAL 3.1 ETIOPATOGÊNESE As obstruções duodenais congênitas são classificadas em intrínsecas (atresia ou estenose duodenal) ou extrínsecas. As principais causas de obstrução extrínseca são o pâncreas anular; as bridas de Ladd, que ocorrem com as anomalias de rotação e fixação do intestino; a duplicação duodenal; e, mais raramente, a veia porta anterior. Geralmente as obstruções ocorrem na segunda porção do duodeno, distais à ampola de Vater em mais de 85% dos casos. A malformação duodenal associa-se, ainda, à Síndrome de Down (30%). Outras anomalias, como as cardíacas, renais, esofágicas e anorretais, também são comuns. 3.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA Os RN com obstrução duodenal apresentam quadro de obstrução alta do trato gastrointestinal: vômitos precoces e pouca ou nenhuma distensão abdominal. Como, na maioria dos casos, a obstrução do duodeno é distal à ampola de Vater, os vômitos são biliosos. Vômitos biliosos, algumas horas após o nascimento, são o mais precoce e mais comum sinal de obstrução duodenal, ocorrendo em 100% dos casos com obstrução total. 3.3 DIAGNÓSTICO O polidrâmnio materno e a dilatação gástrica e do duodeno proximal do feto antecipam o diagnóstico. Imediatamente após o nascimento, uma radiografia abdominal simples mostra o típico “SINAL DA DUPLA BOLHA” (figura 05). Se estiver presente ar no trato GI distal, um estudo contrastado do trato GI superior deve ser obtido, a fim de excluir obstrução duodenal extrínseca causada por bridas de Ladd e acompanhada de má rotação intestinal. Nessa situação, o retardo no diagnóstico pode resultar em volvo intestinal e necrose. Estratégia MED CIRURGIA 11 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 Figura 05: A imagem radiológica de “dupla bolha”, formada pelo estômago dilatado e a primeira porção do duodeno distendida, com níveis hidroaéreos na posição supina é conclusiva para o diagnóstico de obstrução duodenal. 3.4 TRATAMENTO A correção cirúrgica da atresia de duodeno somente é realizada após estabilização clínica do RN. Quando o trânsito não puder ser reestabelecido por anastomose duodenal término-terminal, o tratamento é feito pelo bypass da obstrução duodenal através de duodenoduodenostomia laterolateral ou suturando o duodeno proximal incisado, transversalmente ao duodeno distal incisado, de forma longitudinal (anastomose em forma de diamante – diamond-shaped) (figura 06). Figura 06: Duodenoduodenostomia do tipo “diamond shaped”. Estratégia MED CIRURGIA 12 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 CAPÍTULO 4.0 ATRESIAS JEJUNOILEAIS A atresia gastrointestinal mais comum é a jejunoileal. Diferentemente do que observamos na atresia duodenal, as atresias jejunoileais geralmente não se associam a outras anomalias, com exceção da gastrosquise. Habitualmente, o bebê nasce sem distensão abdominal, que começa a se tornar evidente após 18 a 24 horas e será mais intensa quanto mais baixa a obstrução provocada pelo segmento atrésico. Ocorrem vômitos biliosos e, nas obstruções mais baixas, os bebês frequentemente não eliminam mecônio. O diagnóstico é confirmado através de RX simples do abdome, que identifica distribuição heterogênea de gases pelo abdome. Na atresia jejunal alta, há poucas alças intestinais dilatadas, visíveis na parte mais alta do abdome (figura 07). Na atresia ileal baixa, há grande distensão gasosa abdominal, com dilatação de maior extensão de alças de intestino delgado. O tratamento é cirúrgico e envolve a ressecção do (s) segmento (s) atrésico (s), preservando a maior quantidade possível de intestino em extensão. Figura 07: Radiografia simples de abdome de recém-nascido com atresia jejunal. Observe a distribuição irregular do gás intestinal, restrito aos quadrantes superiores. CAPÍTULO 5.0 MALFORMAÇÕES DA PAREDE ABDOMINAL 5.1 ONFALOCELE A onfalocele é um defeito da parede abdominal localizado no sítio do anel umbilical. Ele é associado à persistência, em graus variados, da hérnia fisiológica fetal (ou seja, presença de alças intestinais fora da cavidade celômica – que, normalmente, retornam a essa cavidade após a décima semana de desenvolvimento intrauterino). As vísceras herniadas são recobertas por membrana avascular translúcida, composta internamente por peritônio e externamente por âmnio. O cordão umbilical está sempre no ápice do defeito – fato que constitui um dos critérios para diferenciação diagnóstica com a gastrosquise (figura 08). O defeito na parede abdominal geralmente apresenta diâmetro maior que 04 cm (04 cm – 10 cm). Estratégia MED CIRURGIA 13 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 Figura 08: Onfalocele. Observe as vísceras recobertas por membrana translúcida. O cordão umbilical está sempre no ápice do defeito. A onfalocele apresenta importante associação com outras anomalias congênitas estruturais (cardiovasculares, defeitos do tubo neural, meningoceles, má rotação intestinal, anomalias musculoesqueléticas, hérnia diafragmática) e com anomalias cromossômicas. 5.2 GASTROSQUISE A gastrosquise é um defeito da parede abdominal adjacente e lateral (quase sempre à direita) ao cordão umbilical, que está inserido normalmente. O defeito é pequeno (< 04 cm), não é recoberto por saco membranoso e é acompanhado por prolapso de alças de delgado e parte do intestino grosso, e algumas vezes do estômago, trompas, ovários e bexiga (figura 09). Devido à ausência de um saco e à exposição direta do intestino ao líquido amniótico no útero, o intestino é frequentemente espessado, edematoso e encurtado. A associação com outras anomalias é menor, mas em cerca de 15% dos casos associa-se à atresia intestinal. Bebês nascidos com gastrosquise devem receber cuidado especial para evitar a lesão das alças intestinais expostas e minimizar a perda de fluidos. Assim como na onfalocele, quando possível, as alças intestinais são reduzidas e o defeito naparede abdominal é fechado primariamente. Se as vísceras não podem ser reduzidas, um silo protético é colocado, ainda no setor de terapia intensiva, e as alças evisceradas são reduzidas progressivamente, ao longo de 05 a 07 dias. Em seguida, é realizado o fechamento fascial operatório. O tratamento neonatal da onfalocele inclui a preservação da membrana intacta com gaze estéril, umedecida em solução salina. Nos defeitos pequenos e médios, o fechamento primário é preferível. Quando ele não é possível, opções alternativas incluem o emprego de enxertos protéticos, fechamentos com retalhos de pele ou colocação de um silo para redução sequencial e fechamento estagiado. Figura 09: Gastrosquise. Observe o defeito paraumbilical, à direita do cordão umbilical. As alças intestinais evisceradas não são reco- bertas por membrana. Estratégia MED CIRURGIA 14 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 A tabela 01 (abaixo) apresenta os principais detalhes morfológicos que permitem diferenciar a onfalocele e a gastrosquise. É muito importante que você saiba esses conceitos para as provas de Residência! Tabela 01: Principais diferenças entre a Onfalocele e a Gastrosquise ONFALOCELE GASTROSQUISE É recoberta por membrana (âmnio e peritônio). Ausência de membrana amniótica recobrindo as vísceras. Defeito umbilical; cordão umbilical inserido no ápice do defeito. Defeito paraumbilical, à direita do cordão umbilical. Defeito abdominal > 4 cm. Defeito abdominal pequeno (< 4 cm). Frequente associação com outras malformações (> 40%). Associação com outras malformações é menos frequente (15%). Quando presente, a grande maioria é representada pelas atresias jejunoileais. CAPÍTULO 6.0 DOENÇA DE HIRSCHSPRUNG A Aganglionose Intestinal Congênita ou Doença de Hirschsprung (DH) é um distúrbio congênito do cólon decorrente de alteração da inervação intestinal parassimpática. Há predomínio no sexo masculino (4:1) e evidência de influência genética em sua patogênese. 6.1 PATOGÊNESE A DH decorre de interrupção na migração das células da crista neural em direção ao intestino distal que, em cerca de 80% das vezes, ocorre ao nível do retossigmoide. Devido à ausência de células ganglionares colinérgicas nos plexos mioentérico e submucoso, a zona aganglionar é aperistáltica, espástica e constitui um obstáculo ao trânsito intestinal normal. Os segmentos proximais, ganglionares, dilatam-se e há progressiva hipertrofia muscular. Assim, veja que o intestino anormal é o segmento distal contraído, enquanto o intestino normal é a porção dilatada proximal. A área entre os segmentos dilatado e espástico é chamada de zona de transição. Nessa área, as células ganglionares começam a aparecer, mas estão em número reduzido. Estratégia MED CIRURGIA 15 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 6.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA A manifestação mais precoce é o atraso na eliminação do mecônio. Esse é um sinal clássico, mas não deve ser considerado como fundamental para o diagnóstico. Caso o diagnóstico e o tratamento não sejam realizados no período neonatal, ocorrem constipação intestinal crônica, progressiva; distensão abdominal; desnutrição; além de déficit no crescimento e desenvolvimento. Ao exame físico, identifica-se grande bolo fecal palpável e o toque retal revela uma ampola retal vazia e, após sua realização, pode ocorrer eliminação de fezes explosivas. A enterocolite é a mais temível complicação da DH e a principal causa de óbito em pacientes com a doença não tratada. Na patogenia da enterocolite da DH estão incluídos vários fatores, dentre os quais se destacam a redução da defesa da mucosa contra infecções e a estase fecal. Os pacientes acometidos evoluem com distensão abdominal, eliminação de diarreia pútrida, febre, hematoquezia e acentuada queda do estado geral. O tratamento inicial envolve lavagens intestinais frequentes e antibióticos, em regime hospitalar. 6.3 DIAGNÓSTICO A investigação diagnóstica frequentemente começa com uma radiografia simples do abdome, que identifica grande distensão do cólon. Reconhecendo- se esse padrão, o próximo passo será a realização de enema opaco. Em criança normal, o reto tem calibre igual ou discretamente maior que o restante do cólon. Em pacientes com DH, o espasmo do reto distal resulta em calibre menor quando comparado com o do cólon sigmoide proximal. A identificação de uma zona de transição pode ser útil (figura 10). A ausência da eliminação completa do contraste instilado após 24 horas também é um achado sugestivo de Doença de Hirschsprung. Figura 10: Enema baritado de criança com Doença de Hirschsprung. A seta demonstra zona de transição entre o segmento agangliônico distal e o cólon proximal dilatado. O achado manométrico da ausência de relaxamento do esfíncter interno quando o reto é distendido por um balão (ausência do reflexo de abertura do esfíncter) pode também ser informação útil, principalmente em crianças mais velhas. A biópsia retal é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da DH. Células ganglionares ausentes, hipertrofia de troncos nervosos nos plexos submucoso e mioentérico e imuno-histoquímica positiva para acetilcolinesterase (AChE) são os critérios histopatológicos. Estratégia MED CIRURGIA 16 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 6.4 TRATAMENTO O tratamento é cirúrgico e consiste na ressecção do segmento aganglionar e reconstrução do trânsito intestinal. Classicamente, era realizada uma colostomia no período neonatal e, após alguns meses, cirurgia reparadora de abaixamento de cólon, tipo Duhamel (figura 11). Nos últimos anos a cirurgia passou a ser realizada em um só tempo e em menor idade - entretanto, alguns serviços ainda optam pela realização do tratamento estadiado. Figura 11: Cirurgia de Duhamel. Nessa técnica o reto agangliônico é deixado no lugar e o intestino gangliônico é trazido para o espaço retrorretal. Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! 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Brunicardi, F. C., D. K. Andersen, T. R. Billiar, D. L. Dunn, J. G. Hunter, J. B. Matthews and R. E. Pollock. 2014. Schwartz's Principles of Surgery, 10th edition, McGraw-Hill Education. 5. Gama-Rodrigues, J. J., Machado, M. C. C., Rasslan, S. 2008. Clínica Cirúrgica, 1ª edição, Editora Manole. 6. Ellison, E. C., Zollinger, R. M. 2017. Zollinger - Atlas de Cirurgia. 10ª edição, Guanabara Koogan. 7. Cameron, J. L., Cameron, A. M. 2013. Terapêutica Cirúrgica. 10ª edição, Elsevier Saunders. 8. https://www.uptodate.com/contents/search Estratégia MED CIRURGIA 19 Cirurgia Infantil - Parte 1 Prof. Sarah Cozar| Resumo Estratégico | 2023 https://med.estrategia.com PRINCIPAIS MALFORMAÇÕES CONGÊNITASCIRÚRGICAS 1.0 HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA 1.1 DEFINIÇÃO E ETIOPATOGÊNESE 1.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 1.3 DIAGNÓSTICO 1.4 TRATAMENTO 2.0 ATRESIA DO ESÔFAGO E FÍSTULA TRAQUEOESOFÁGICA 2.1 DEFINIÇÃO E ETIOPATOGÊNESE 2.2 CLASSIFICAÇÃO 2.3 QUADRO CLÍNICO 2.4 DIAGNÓSTICO 2.5 TRATAMENTO 3.0 OBSTRUÇÃO DUODENAL 3.1 ETIOPATOGÊNESE 3.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 3.3 DIAGNÓSTICO 3.4 TRATAMENTO 4.0 ATRESIAS JEJUNOILEAIS 5.0 MALFORMAÇÕES DA PAREDE ABDOMINAL 5.1 ONFALOCELE 5.2 GASTROSQUISE 6.0 DOENÇA DE HIRSCHSPRUNG 6.1 PATOGÊNESE 6.2 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 6.3 DIAGNÓSTICO 6.4 TRATAMENTO 7.0 LISTA DE QUESTÕES