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Livro - Engenharia Florestal

Livro de engenharia florestal organizado por Robson José de Oliveira (2022). Reúne capítulos submetidos a parecer e revisão por pares, corpo editorial listado e bibliografia; disponível em PDF em Acesso Livre (CC BY-NC-ND 4.0) com ISBN e DOI.

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editora
científica digital
Robson José de Oliveira
(Organizador)
Robson José de Oliveira
(Organizador)
2022 - GUARUJÁ - SP
1ª EDIÇÃO
editora
científica digital
Diagramação e arte
Equipe editorial
Imagens da capa
Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2022
Revisão
Autores e Autoras
2022 by Editora Científica Digital 
Copyright© 2022 Editora Científica Digital 
Copyright do Texto © 2022 Autores e Autoras
Copyright da Edição © 2022 Editora Científica Digital
Acesso Livre - Open Access
EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA
Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org
Parecer e revisão por pares
Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora 
Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação.
O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e autoras.
É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que pela origem da publicação e no formato 
Acesso Livre (Open Access), com os créditos atribuídos aos autores e autoras, mas sem a possibilidade 
de alteração de nenhuma forma, catalogação em plataformas de acesso restrito e utilização para fins 
comerciais.
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 
Internacional (CC BY-NC-ND 4.0).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
E57 Engenharia florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa / Robson José de Oliveira (Organizador). – Guarujá-SP: 
Científica Digital, 2022.
E-
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IBI
DA
Formato: PDF
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5360-099-7
DOI 10.37885/978-65-5360-099-7
1. Engenharia florestal. I. Oliveira, Robson José de (Organizador). II. Título. 
CDD 634.928
Índice para catálogo sistemático: I. Engenharia florestal 2 0 2 2
Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166
editora
científica digital
editora
científica digital
CORPO EDITORIAL
Direção Editorial
Reinaldo Cardoso
João Batista Quintela
Editor Científico
Prof. Dr. Robson José de Oliveira
Assistentes Editoriais
Elielson Ramos Jr. 
Erick Braga Freire
Bianca Moreira
Sandra Cardoso
Bibliotecários
Maurício Amormino Júnior - CRB-6/2422
Janaina Ramos - CRB-8/9166
Jurídico
Dr. Alandelon Cardoso Lima - OAB/SP-307852
Prof. Dr. Robson José de Oliveira
Universidade Federal do Piauí, Brasil
Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo
Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Profª. Ma. Eloisa Rosotti Navarro
Universidade Federal de São Carlos, Brasil
Prof. Dr. Ernane Rosa Martins
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Brasil
Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin
FSG Centro Universitário, Brasil
Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke
Universidade Federal do Pampa, Brasil
Prof. Esp. Domingos Bombo Damião
Universidade Agostinho Neto, Angola
Prof. Me. Reinaldo Eduardo da Silva Sales
Instituto Federal do Pará, Brasil
Profª. Ma. Auristela Correa Castro
Universidade Federal do Pará, Brasil
Profª. Dra. Dalízia Amaral Cruz
Universidade Federal do Pará, Brasil
Profª. Ma. Susana Jorge Ferreira
Universidade de Évora, Portugal
Prof. Dr. Fabricio Gomes Gonçalves
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Prof. Me. Erival Gonçalves Prata
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Me Gevair Campos
Faculdade CNEC Unaí, Brasil
Prof. Me. Flávio Aparecido De Almeida
Faculdade Unida de Vitória, Brasil
Prof. Me. Mauro Vinicius Dutra Girão
Centro Universitário Inta, Brasil
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Prof. Dr. André Cutrim Carvalho
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Prof. Esp. Dennis Soares Leite
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Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
Prof. Me. Osvaldo Contador Junior
Faculdade de Tecnologia de Jahu, Brasil
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Universidade Paulista, Brasil
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Profª. Dra. Cristina Berger Fadel
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Profª. Ma. Graciete Barros Silva
Universidade Estadual de Roraima, Brasil
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Vitória, Brasil
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Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Prof. Me. Mário Celso Neves de Andrade
Universidade de São Paulo, Brasil
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Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil
Prof. Dr. Ricardo Pereira Sepini
Universidade Federal de São João Del-Rei, Brasil
Profª. Dra. Maria do Carmo de Sousa
Universidade Federal de São Carlos, Brasil
Prof. Me. Flávio Campos de Morais
Universidade Federal de Pernambuco, Brasil
Prof. Me. Jonatas Brito de Alencar Neto
Universidade Federal do Ceará, Brasil
Prof. Me. Reginaldo da Silva Sales
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Prof. Me. Moisés de Souza Mendonça
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Prof. Me. Patrício Francisco da Silva
Universidade de Taubaté, Brasil
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Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil
Prof. Dr. Pedro Afonso Cortez
Universidade Metodista de São Paulo, Brasil
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Prof. Dr. Vitor Afonso Hoeflich
Universidade Federal do Paraná, Brasil
Prof. Dr. Francisco de Sousa Lima
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Profª. Dra. Sayonara Cotrim Sabioni
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Profª. Dra. Rosemary Laís Galati
Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil
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Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil
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Secretaria de Estado da Educação de MG, Brasil
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Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Brasil
Prof. Dr. Francisco Carlos Alberto Fonteles Holanda
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Profª. Dra. Bruna Almeida da Silva
Universidade do Estado do Pará, Brasil
Profª. Ma. Adriana Leite de Andrade
Universidade Católica de Petrópolis, Brasil
Profª. Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Instituto Federal do Sertão Pernambucano,, Brasil
Prof. Dr. Claudiomir da Silva Santos
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, 
Brasil
Prof. Dr. Fabrício dos Santos Ritá
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, 
Brasil
Prof. Me. Ronei Aparecido Barbosa
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, 
Brasil
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Universidade Federal de São João Del Rei, Brasil
Prof. Dr. Juliano José Corbi
Universidade de São Paulo, Brasil
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Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Prof. Dr. Francisco Sérgio Lopes Vasconcelos Filho
Universidade Federal do Cariri, Brasil
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Universidade do Estado da Bahia, Brasil
Profª. Dra. Francine Náthalie Ferraresi Rodriguess Queluz
Universidade São Francisco, Brasil
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Universidade Federal do Ceará, Brasil
Profª. Dra. Luciane Martins de Oliveira Matos
Faculdade do Ensino Superior de Linhares, Brasil
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Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Profª. Esp. Lívia Silveira Duarte Aquino
Universidade Federal do Cariri, Brasil
Profª. Dra. Irlane Maia de Oliveira
Universidade Federal do Amazonas, Brasil
Profª. Dra. Xaene Maria Fernandes Mendonça
Universidade Federal do Pará, Brasil
Profª. Ma. Thaís de Oliveira Carvalho Granado Santos
Universidade Federal do Pará, Brasil
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Fundação Getúlio Vargas, Brasil
Prof. Me. Anderson Nunes Lopes
Universidade Luterana do Brasil, Brasil
Profª. Dra. Iara Margolis Ribeiro
Universidade do Minho, Portugal
Prof. Dr. Carlos Alberto da Silva
Universidade Federal do Ceara, Brasil
Profª. Dra. Keila de Souza Silva
Universidade Estadual de Maringá, Brasil
Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves do Nascimento
Universidade Federal do Pará, Brasil
Profª. Dra. Réia Sílvia Lemos da Costa e Silva Gomes
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Dr. Evaldo Martins da Silva
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Dr. António Bernardo Mendes de Seiça da Providência Santarém
Universidade do Minho, Portugal
Profª. Dra. Miriam Aparecida Rosa 
Instituto Federal do Sul de Minas, Brasil
Prof. Dr. Biano Alves de Melo Neto 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil
Profª. Dra. Priscyla Lima de Andrade 
Centro Universitário UniFBV, Brasil
Prof. Dr. Gabriel Jesus Alves de Melo 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Brasil
Prof. Esp. Marcel Ricardo Nogueira de Oliveira 
Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil
Prof. Dr. Andre Muniz Afonso 
Universidade Federal do Paraná, Brasil
Profª. Dr. Laís Conceição Tavares 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Prof. Me. Rayme Tiago Rodrigues Costa 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme 
Universidade Federal do Tocatins, Brasil
Prof. Me. Valdemir Pereira de Sousa 
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Profª. Dra. Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida 
Universidade Federal do Amapá, Brasil
Prof. Dr. Arinaldo Pereira Silva 
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil
Profª. Dra. Ana Maria Aguiar Frias 
Universidade de Évora, Portugal, Brasil
Profª. Dra. Deise Keller 
Cavalcante Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, 
Brasil
Profª. Esp. Larissa Carvalho de Sousa 
Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal 
Esp. Daniel dos Reis Pedrosa 
Instituto Federal de Minas Gerais, Brasil
Prof. Dr. Wiaslan Figueiredo Martins 
Instituto Federal Goiano, Brasil
Prof. Dr. Lênio José Guerreiro de Faria 
Universidade Federal do Pará, Brasil
Profª. Dra. Tamara Rocha dos Santos 
Universidade Federal de Goiás, Brasil
Prof. Dr. Marcos Vinicius Winckler Caldeira 
Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil
Prof. Dr. Gustavo Soares de Souza 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito 
Santo, Brasil
Profª. Dra. Adriana Cristina Bordignon 
Universidade Federal do Maranhão, Brasil
Profª. Dra. Norma Suely Evangelista-Barreto 
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil
Prof. Me. Larry Oscar Chañi Paucar 
Universidad Nacional Autónoma Altoandina de Tarma, Peru 
Prof. Dr. Pedro Andrés Chira Oliva 
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Dr. Daniel Augusto da Silva 
Fundação Educacional do Município de Assis, Brasil
Profª. Dra. Aleteia Hummes Thaines 
Faculdades Integradas de Taquara, Brasil
Profª. Dra. Elisangela Lima Andrade 
Universidade Federal do Pará, Brasil
Prof. Me. Reinaldo Pacheco Santos 
Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil
Profª. Ma. Cláudia Catarina Agostinho 
Hospital Lusíadas Lisboa, Portugal 
Profª. Dra. Carla Cristina Bauermann Brasil 
Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Prof. Dr. Humberto Costa 
Universidade Federal do Paraná, Brasil
Profª. Ma. Ana Paula Felipe Ferreira da Silva 
Universidade Potiguar, Brasil
Prof. Dr. Ernane José Xavier Costa 
Universidade de São Paulo, Brasil
Profª. Ma. Fabricia Zanelato Bertolde 
Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil
Prof. Me. Eliomar Viana Amorim 
Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil
Profª. Esp. Nássarah Jabur Lot Rodrigues 
Universidade Estadual Paulista, Brasil
Prof. Dr. José Aderval Aragão 
Universidade Federal de Sergipe, Brasil
Profª. Ma. Caroline Muñoz Cevada Jeronymo 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Brasil
Profª. Dra. Aline Silva De Aguiar 
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Prof. Dr. Renato Moreira Nunes 
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Prof. Me. Júlio Nonato Silva Nascimento 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil
Profª. Dra. Cybelle Pereira de Oliveira 
Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Profª. Ma. Cristianne Kalinne Santos Medeiros 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Profª. Dra. Fernanda Rezende 
Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudo em Educação Ambiental, 
Brasil
Profª. Dra. Clara Mockdece Neves 
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Profª. Ma. Danielle Galdino de Souza 
Universidade de Brasília, Brasil
Prof. Me. Thyago José Arruda Pacheco 
Universidade de Brasília, Brasil
Profª. Dra. Flora Magdaline Benitez Romero 
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil
Profª. Dra. Carline Santos Borges 
Governo do Estado do Espírito Santo, Secretaria de Estado de Direitos 
Humanos., Brasil
Profª. Dra. Rosana Barbosa Castro 
Universidade Federal de Amazonas, Brasil
Prof. Dr. Wilson José Oliveira de Souza 
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil
Prof. Dr. Eduardo Nardini Gomes 
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil
Prof. Dr. José de Souza Rodrigues 
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil
Prof. Me. Willian Carboni Viana 
Universidade do Porto, Brasil
Prof. Dr. Diogo da Silva Cardoso 
Prefeitura Municipal de Santos, Brasil
Prof. Me. Guilherme Fernando Ribeiro 
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil
Profª. Dra. Jaisa Klauss 
Associacao Vitoriana De Ensino Superior, Brasil
Prof. Dr. Jeferson Falcão do Amaral 
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- 
Brasileira, Brasil
Profª. Ma. Ana Carla Mendes Coelho 
Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil
Prof. Dr. Octávio BarbosaNeto 
Universidade Federal do Ceará, Brasil
APRESENTAÇÃO 
Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, estudantes e pesquisadores que se destacaram 
e qualificaram as discussões neste espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e de ações de incentivo 
à pesquisa que congregam pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes Instituições de Educação 
Superior públicas e privadas de abrangência nacional e internacional. Tem como objetivo integrar ações interinstitucionais 
nacionais e internacionais com redes de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a formação continuada dos profissionais 
da educação, por meio da produção e socialização de conhecimentos das diversas áreas do Saberes.
Agradecemos aos autores e autoras pelo empenho, disponibilidade e dedicação para o desenvolvimento e conclusão dessa 
obra. Esperamos também que esta obra sirva de instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos diversos 
níveis de ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. 
Prof. Dr. Robson José de Oliveira
PREFÁCIO 
O Organizador desa Obra teve a felicidade de reunir diversos trabalhos relevantes à Engenharia Florestal e áreas afins, 
trazendo artigos que tratam desde o substrato, passando pela quebra de dormência, pela produção de sementes, pela produção 
e dinâmica de crescimento de mudas, pelo reflorestamento, até a análise dos produtos e subprodutos obtidos. Além de abordar, 
também, a regularização de propriedades rurais ao molde do Novo Código Florestal; a satisfação dos trabalhadores empregados 
na extração de resina de Pinus e discussões referentes aos problemas advindos do descumprimento de algumas das Leis 
Florestais. Essa Obra nos alerta que o seguimento das Leis Florestais e a boa prática das diversas atividades que compõem 
o Setor Florestal são necessários para a geração de impactos positivos que se revertem em ganhos ambientais, econômicos, 
políticos e sociais. 
Boa leitura!
Giovani Levi Sant”Anna
Pós Doutor - Ciência Florestal/UFVMG
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
ANÁLISE DAS PROPRIEDADES FÍSICO-MECÂNICAS DE PAINÉIS COMPOSTOS POR CIMENTO E RESÍDUOS ADVINDOS DA 
INDÚSTRIA AGRÍCOLA E FLORESTAL DO ESTADO DO TOCANTINS
Ana Caroline Pereira dos Santos; Renata Carvalho da Silva; Meire Cirqueira Santos; Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes; Guilherme 
Henrique Carvalho Vieira; Amanda Martins Cardoso; Bruno Aurélio Campos Aguiar; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes; 
Raquel Marchesan
 ' 10.37885/220308104 .............................................................................................................................................................................................12
CAPÍTULO 02
ASPECTOS SOCIAIS E SATISFAÇÃO DOS TRABALHADORES FLORESTAIS EXTRATORES DE RESINA DE PINUS ELLIOTTII 
ENGELM.
Samara Lazarotto; Rafaelo Balbinot; Luana Candaten
 ' 10.37885/220308342 ............................................................................................................................................................................................30
CAPÍTULO 03
ATUAÇÃO DA MÁFIA DA MADEIRA NO ESTADO DE RONDÔNIA: ANÁLISE DO QUINQUÊNIO 2013-2018
Julio Cesar de Souza Ferreira; Carolina Yukari Veludo Watanabe
 ' 10.37885/220308379 ............................................................................................................................................................................................40
CAPÍTULO 04
AVALIAÇÃO DO EFEITO DE DIFERENTES TÉCNICAS DE CURA NA RESISTÊNCIA DE COMPÓSITOS DE CIMENTO E LIGNINA
Raquel Marchesan; Renata Carvalho da Silva; Grasiella Costa Milhomen Soares; Meire Cirqueira Santos; Karolayne Ferreira Saraiva; Amanda 
Martins Cardoso; Bruno Aurélio Campos Aguiar; Vanessa Coelho Almeida; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes
 ' 10.37885/220207713 .............................................................................................................................................................................................58
CAPÍTULO 05
DENDROLOGÍA Y PROPIEDADES TECNOLÓGICAS DE LA MADERA DE HEVEA BRASILIENSIS (WILLD. EX A. JUSS.) MULL.
ARG. PROVENIENTE DE LA AMAZONÍA SURORIENTAL DEL PERÚ
Leif Armando Portal-Cahuana; Erick Grandez Piña; German Payeza Tuesta; Yuset Enrique Quispe Quispe; Javier Navio Chipa; Mauro Vela Da 
Fonseca; Jorge Cardozo Soarez; Edwin Misael Mamani Luque; Richard Rondan Huaman; Miguel Angel Ranilla Huamantuco
 ' 10.37885/220308142 ............................................................................................................................................................................................ 76
CAPÍTULO 06
DESENVOLVIMENTO INICIAL DE CINCO ESPÉCIES ARBÓREAS NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA EM PLANTIOS DE 
RECOMPOSIÇÃO FLORESTAL NO SUL DO BRASIL
Edison Bisognin Cantarelli; Charles Rodrigo Belmonte Maffra; Felipe Turchetto
 ' 10.37885/220408542 ............................................................................................................................................................................................90
SUMÁRIO
CAPÍTULO 07
DINÁMICA DE CRECIMIENTO DE LAS ESPECIES FORESTALES EN UNA PARCELA PERMANENTE EN EL BOSQUE SECO LA 
CEIBA, ZAPOTILLO, LOJA, ECUADOR
Zhofre Aguirre-Mendoza; Jhonatan Alverca-Álvarez; Cristian Contento-Yunga
 ' 10.37885/220308284 ..........................................................................................................................................................................................105
CAPÍTULO 08
ELABORAÇÃO DE PROGRAMAS DE SECAGEM PARA MADEIRAS DE EUCALYPTUS SPP. E CORYMBIA CITRIODORA
Thallyta Barros da Silva; Renata Carvalho da Silva; Natália Stheffany de Brito Lima; Lorrainy Azevedo de Carvalho; Karolayne Ferreira 
Saraiva; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; Pedro Lício Loiola; Morgana Cristina França; Cristiano Bueno de Moraes; Raquel Marchesan
 ' 10.37885/220308101 ........................................................................................................................................................................................... 118
CAPÍTULO 09
ESPÉCIES ESTRUTURANTES PARA A RESTAURAÇÃO FLORESTAL DE ÁREAS MINERADAS
Rafael Paiva Salomão; André Luis Ferreira Hage; Silvio Brienza Júnior; Gabriel Negreiros Salomão; Vitor Hugo Freitas Gomes
 ' 10.37885/220308271 ...........................................................................................................................................................................................130
CAPÍTULO 10
ESTUDO DE CASO DE MANEJO FLORESTAL COMUNITÁRIO NA AMAZÔNIA: DA ILEGALIDADE À CERTIFICAÇÃO FLORESTAL
Philippe Waldhoff
 ' 10.37885/220307984 ..........................................................................................................................................................................................140
CAPÍTULO 11
INSTITUCIONALIDADE LEGAL E DESCENTRALIZAÇÃO DA GESTÃO FLORESTAL NO ESTADO DO AMAZONAS
José das D. de Sá Rocha; José de Arimatéa Silva
 ' 10.37885/220307985 ..........................................................................................................................................................................................158
CAPÍTULO 12
LEVANTAMENTO ARBÓREO E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS NO RIO POTI NO PERÍMETRO URBANO DE CRATEÚS-CE
Nathalia Brandão Gomes; Flavio Pereira Silva; Giovani Levi Sant’anna; Robson José de Oliveira; Larissa Rocha Santos; Ana Pérola Mendes 
Carvalho do Nascimento; Angelina Milka Veras da Costa; Lais de Carvalho França; Inaldo Ferreira Fortes; Paula Barbosa Santos
 ' 10.37885/220308362 ...........................................................................................................................................................................................171
CAPÍTULO 13
PAINEL CIMENTO-MADEIRA PRODUZIDO POR COMPACTAÇÃO VIBRO DINÂMICA NO SUL DO TOCANTINS
Raquel Marchesan; RenataCarvalho da Silva; Matheus Rodrigues Fonseca; Meire Cirqueira Santos; Karolayne Ferreira Saraiva; Thatiele Pereira 
Eufrazio; Guilherme Henrique Carvalho Vieira; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes
 ' 10.37885/220207709 ..........................................................................................................................................................................................185
CAPÍTULO 14
QUEBRA DE DORMÊNCIA, ERMERGÊNCIA E VIGOR EM SEMENTES DE MIMOSA CAESALPINIIFOLIA BENTH (FABACEAE)
Alexandro Dias Martins Vasconcelos; Mario Lima dos Santos; Rossana Cortelini da Rosa; Elizane Alves Arraes Araújo; Walmer Bruno Rocha 
Martins; Dione Dambrós Raddatz; Robson José de Oliveira
 ' 10.37885/220308392 ......................................................................................................................................................................................... 203
SUMÁRIO
CAPÍTULO 15
REFLORESTAMENTO COM MUDAS ALTAS: UMA INOVAÇÃO DA RESTAURAÇÃO FLORESTAL NA MINERAÇÃO DE BAUXITA 
EM MINAS GERAIS
Sebastião Venâncio Martins; Wesley da Silva Fonseca; Christian Fonseca de Andrade; Rodrigo da Silva Barros; Juliana Marcela de Paiva; 
Clayton Henriques da Silva; Marcos Antônio Fernandes Brito
 ' 10.37885/220308108 ..........................................................................................................................................................................................213
CAPÍTULO 16
RELAÇÃO ENTRE A BIOMETRIA E A PREDAÇÃO DE FRUTOS E SEMENTES DE CENOSTIGMA MACROPHYLLUM Tul.
Allanne Pillar Dias Gonzaga; Hisaias de Souza Almeida; Anne Priscila Dias Gonzaga; Evandro Luis Mendonça Machado
 ' 10.37885/220207820 ..........................................................................................................................................................................................231
CAPÍTULO 17
SÍNDROMES DE DISPERSÃO NO PERFIL DE UM ECÓTONO FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL/SEMIDECIDUAL NO SUDOESTE 
DE MINAS GERAIS
Allanne Pillar Dias Gonzaga; Hisaias de Souza Almeida; Eduardo Van Den Berg
 ' 10.37885/220207802 ......................................................................................................................................................................................... 240
CAPÍTULO 18
TECNOLOGIA DE SEMENTES NA SUPERAÇÃO DE DORMÊNCIA PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ALTA QUALIDADE DE NIM 
INDIANO
Julcinara Oliveira Baptista; José Carlos Lopes; Thuanny Lins Monteiro Rosa; Caroline Palacio de Araujo; Edilson Romais Schmildt; Silvia Kátia 
de Souza Ramanhole; Rodrigo Sobreira Alexandre
 ' 10.37885/220107191 ........................................................................................................................................................................................... 253
CAPÍTULO 19
USO ALTERNATIVO DO BIOSSÓLIDO COMO CONSTITUINTE DE SUBSTRATO PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ESPÉCIES 
FLORESTAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Oclizio Medeiros das Chagas Silva; Rodolfo Soares de Almeida; Djavan Valentim da Paixão Evangelista; Edevaldo de Castro Monteiro
 ' 10.37885/220308182 ......................................................................................................................................................................................... 264
CAPÍTULO 20
UTILIZAÇÃO DE ADESIVO PVA COM REFORÇO DE LIGNINA PARA A PRODUÇÃO DE PAINÉIS DE EUCALYPTUS SPP. TRATADO 
TERMICAMENTE
Samara Farias de Melo; Renata Carvalho da Silva; Thaiury Oliveira Sousa; Amanda Stephany Dutra de Oliveira; Mateus Almeida Silva; Júlia 
Gabriela Nascimento Mendes; Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes; Guilherme de Miranda Fernandes Reis; Bruno Aurélio Campos Aguiar; 
Raquel Marchesan
 ' 10.37885/220308306 ..........................................................................................................................................................................................274
SOBRE O ORGANIZADOR ................................................................................................................................................. 291
ÍNDICE REMISSIVO ...........................................................................................................................................................292
01
Análise das propriedades físico-mecânicas 
de painéis compostos por cimento e 
resíduos advindos da indústria agrícola e 
florestal do estado do Tocantins
Ana Caroline Pereira dos Santos
UFT
Renata Carvalho da Silva
UFPR
Meire Cirqueira Santos
UFT
Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes
UFT
Guilherme Henrique Carvalho Vieira
UFT
Amanda Martins Cardoso
UFT
Bruno Aurélio Campos Aguiar
UnB
André Orathes do Rêgo Barros
Unopar
Rodrigo Araújo Fortes
IFTO
Raquel Marchesan
UFT
'10.37885/220308104
https://dx.doi.org/10.37885/220308104
Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
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Palavras-chave: Bagaço de Cana, Casca de Arroz, Reutilização.
RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo a produção de painéis compostos por cimento e 
resíduos da indústria agrícola e florestal utilizando a casca de arroz, o bagaço de cana e 
resíduos de pinus em sua composição. Os mesmos, foram coletados em indústrias locais 
da região, no município de Gurupi-TO. Nos painéis foram avaliados densidade aparente, 
compressão axial, absorção e inchamento. Para a confecção dos corpos de prova os 
resíduos foram submetidos ao processo de moagem e determinados três tratamentos: 
T1-resíduo sem pré-tratamento; T2-resíduo imerso em água por duas horas; T3-resíduo 
imerso em hidróxido de cálcio por duas horas sem enxague. Conforme a NBR 5738, 
(2003) e ASTM D1037, (1995) adaptadas, foram confeccionados moldes cilíndricos e 
prismáticos para os ensaios de compressão axial absorção e inchamento respectivamente. 
Foi utilizado na confecção dos corpos de prova o cimento Portland do tipo II (CP II), água, 
os resíduos e dois aditivos adicionados à argamassa de cimento que após pronta, foi 
colocada em moldes e submetidos a compactação vibro mecânica. Após o tempo de cura, 
os corpos de prova foram submetidos aos ensaios. Os painéis de cimento e resíduo de 
pinus apresentaram os melhores valores médios para densidade aparente de 1,5 g/cm³, 
compressão axial de 21,05 MPa, absorção em 24 horas de 12,27% e inchamento com 
1,25% em 24 horas, seguido dos painéis com resíduos de casca de arroz e de bagaço 
de cana respectivamente. Recomenda-se o uso dos painéis compostos por resíduos 
de pinus voltados a diversas finalidades na área da construção civil de acordo com sua 
resistência, e para os demais painéis o uso como revestimentos variados.
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INTRODUÇÃO
A inovação de painéis compostos por resíduos variados vem sendo cada vez mais es-
tudada, tendo atualmente o painel de cimento-madeira como referência nessa área. Os mes-
mos são compostos de partículas de madeira e aglutinante de origem mineral, sendo este o 
cimento empregado em sua fabricação (IWAKIRI e PRATA, 2008). Além desses materiais, 
ainda podem ser adicionados plastificantes, adesivos, dentre outros compostos para me-
lhorar a resistência do painel.
O uso dos painéis cimento-madeira vem aumentando significativamente no ramo da 
construção civil, principalmente em países europeus e asiáticos (FONSECA, 2017). Esse 
fato se concretiza por este material apresentar características vantajosas descritas por Iwakiri 
e Prata, (2008) como sendo produtos que possuem baixa combustão; apresentam alta re-
sistência mecânica e à umidade; são resistentes ao ataque de agentes biodegradantes e 
são isolantes térmicos e acústicos. Nesses painéis são possíveis usinagem e moldagem, e 
podem ser aplicados comorevestimento, possibilitando várias opções de uso.
De acordo com Cincotto, (1989) o uso de resíduos na aquisição de diferentes materiais 
de construção civil se dá pela necessidade de redução das despesas advindas da cons-
trução, pela alta quantidade de matéria prima que é consumida e com isso a preocupação 
com a escassez dessa matéria prima e, ainda custos advindos do processamento e trans-
porte. Atualmente tem-se buscado cada vez mais inovar tecnologias que tenham resultados 
satisfatórios em todos os ramos de produção e, atrelado a essas inovações, o conceito de 
sustentabilidade e reutilização de resíduos tem tomado um lugar importante mediante as 
novas técnicas, tanto por apresentarem bons resultados quanto por terem um menor custo 
na maioria das vezes.
Segundo Ramirez (1996) o emprego de fibras naturais ou artificiais, como reforços de 
pastas, argamassas e concretos, vem se apresentando de grande valia, pois os produtos 
derivados desses compostos, além de apresentarem menor densidade aparente, apresentam 
ainda valores aceitáveis de resistência a tração e ao impacto. Desse modo, a reutilização de 
resíduos advindos das diversas indústrias, tanto florestais quanto agrícolas, podem favorecer 
o aumento da produção, reduzir custos no ramo da construção civil e ainda favorecer o uso 
de recursos renováveis.
O pinus, o arroz e a cana-de-açúcar são produzidos em grande escala, em que possuem 
diversas funções, o que influi diretamente na geração de resíduos como as maravalhas de 
pinus, o bagaço de cana e a casca de arroz. Esses por sua vez são utilizados de diversas 
formas, principalmente na geração de energia por meio da queima, porém a quantidade 
dos mesmos que é descartada, muitas vezes de forma inapropriada, ainda é significativa.
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O pinus é uma espécie florestal madeireira do grupo das coníferas, produzidas em gran-
de escala no Brasil, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A uti-
lização de resíduos de pinus, advindos de indústrias madeireiras em painéis de cimento-ma-
deira tem sido muito usual por ser de fácil aquisição, apresentar uma boa trabalhabilidade 
e resultados satisfatórios.
O bagaço de cana é um resíduo lignocelulósico, fibroso, do colmo da cana-de-açúcar 
proveniente da moagem e extração do caldo da cana (GEPLACEA, 1990). Quando compara-
do com outros resíduos da agroindústria, o bagaço de cana agrupa uma série de qualidades, 
que faz com que seja o material mais fibroso com mais possibilidades de ser industrializado, 
já que encontram-se potencialmente disponível em grandes quantidades devido a produção 
de álcool e também da produção de açúcar (RAMIREZ, 1996).
Já a casca de arroz, é descrita por Rama (2014), como sendo um resíduo que possui 
a forma de um colmo cilíndrico, simples, com diâmetro de 3 - 5 mm e 60 - 85 cm de com-
primento, sendo constituída majoritariamente por celulose com uma porcentagem de 32%, 
29,9% de hemicelulose e 18,8% de lignina. Em relação à composição química, a casca de 
arroz possui cerca de 38% de carbono, 37% de oxigênio e 5% de hidrogênio, sendo o res-
tante compostos nitrogênio e enxofre (RAMA, 2014).
Neste contexto, este trabalho teve como objetivo produzir e avaliar a caracterização 
física e mecânica dos painéis compostos por cimento e resíduos de pinus, bagaço de cana 
e casca de arroz com base na densidade aparente, absorção, inchamento, e compressão 
axial, visando a possibilidade de sua produção em escala comercial e com isso o reapro-
veitamento de resíduos produzidos em grandes quantidades.
MATERIAIS E MÉTODOS
Coleta e processamento dos materiais utilizados para produção dos corpos de prova
Foram utilizados três materiais para a elaboração do trabalho, sendo eles a casca 
de arroz, o bagaço de cana e resíduos de pinus, coletados em indústrias no município de 
Gurupi-TO. Posteriormente foram levados para o laboratório de Tecnologia e Utilização de 
Produtos Florestais da Universidade Federal do Tocantins campus de Gurupi-TO, onde 
foram processados para a confecção dos corpos de prova.
Os resíduos de bagaço de cana, logo após serem coletados em condições ainda 
frescos, foram colocados em um tambor e imersos em água durante quatro dias, a qual foi 
trocada uma vez ao dia para retirada do excesso de açúcar contido no resíduo. Em seguida, 
todos os resíduos de bagaço de cana e pinus foram secos em estufa a uma temperatura 
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de 100±3°C por um período de 10 a 12 horas. A casca de arroz, por estar visivelmente com 
baixa umidade, foi seca em estufa à 60±2°C, para evitar a combustão do material.
Após a secagem, os materiais foram moídos em partículas menores, com a utilização 
de um moinho de facas do tipo Willey. O moinho composto por peneiras de 0,84 mm gerou 
resíduos em forma de agregados miúdos, segundo a classificação descrita por Pinheiro 
et al. (2007) onde considera partículas menores que 4,8 mm como agregados miúdos e 
acima desse valor agregados graúdos. Logo após este processo o material foi submetido 
à tratamentos para posteriormente serem utilizados na composição dos corpos de prova.
Tratamentos dos resíduos
Foram realizados três tratamentos semelhantes para os três tipos de resíduos: casca 
de arroz, bagaço de cana, e resíduo de pinus, sendo eles T1: Partículas sem nenhum tipo de 
pré-tratamento; T2: Partículas totalmente imersas em água por 2 horas sem enxágue, com 
posterior secagem em estufa por 42 horas a uma temperatura de 60 ± 2°C; T3: Partículas 
imersas em solução de hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) por 2 horas sem enxágue, com pos-
terior secagem em estufa por 42 horas a uma temperatura de 60 ± 2°C.
A proporção de (Ca(OH)2), água e partícula utilizada no tratamento T3, foi de 50g de 
(Ca(OH)2) em 450g de água para 160g de partículas, sendo necessárias para os resíduos 
de bagaço de cana cinco medidas, e para a casca de arroz duas medidas dessa mesma 
proporção para que os resíduos ficassem totalmente imersos no líquido.
Determinação do teor de Umidade dos resíduos tratados
Após os tratamentos, considerando a massa seca do resíduo para fabricação dos corpos 
de prova, cada resíduo foi submetido à determinação do teor de umidade conforme a norma 
TAPPI (1996), porém, na base úmida, para determinar a quantidade de água presente nos 
mesmos, que juntamente com a quantidade de plastificante e adesivo foram descontadas 
do total de água encontrada através da equação do consumo de água citada por Parchen 
(2012) que determina a quantidade de líquidos necessários para compor a mistura na fabri-
cação dos corpos de prova.
Para este procedimento, conforme as equações descritas abaixo, foi realizado o cálculo 
do teor de umidade (Equação 1) e depois o consumo de água (Equação 2).
 (1)
Em que: TU = teor de umidade (%); MU = massa úmida(g); MS = massa seca(g).
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 (2)
Em que: CA = consumo de água; C = massa de cimento (g); TU = teor de umidade da 
partícula; M = massa das partículas (g); 0,40 = relação A/C (relação água:cimento).
Para os tratamentos dos resíduos de pinus, arroz e o tratamento T3 de bagaço de cana, 
a relação água:cimento foi de 0,40. No entanto, para os tratamentos T1 e T2 com bagaço 
de cana essa relação foi de 0,60, pois o volume de resíduo de bagaço de cana é maior, se 
comparado com a mesma quantidade em gramas dos demais resíduos.
Confecção dos corpos de prova
Adaptados às NBR 5738 (2003) e ASTM D1037 (1995) foram utilizados moldes cilín-
dricos confeccionados com tubos PVC de 40 mm de diâmetro, para a confecçãodos corpos 
de prova do ensaio de compressão axial, com corte transversal ao longo da geratriz, para 
facilitar a retirada dos corpos de prova. Os mesmos foram dimensionados com 40 mm de 
diâmetro externo e com 80 mm de comprimento, obtendo-se para o molde um volume liquido 
de 86,01 cm³. Na parte inferior de cada molde foi utilizado o cap (tampas para fechamento 
de tubos de PVC).
Para os corpos de prova de absorção e inchamento utilizaram-se moldes prismáticos 
de compensado de madeira de pinus, laterais parafusadas e removíveis, para facilitar a 
retirada dos corpos de prova. Os mesmos apresentaram dimensões de 2,5 cm x 10,0 cm x 
10,0 cm totalizando para o molde um volume líquido de 250 cm³.
Os materiais utilizados na fabricação dos painéis foram o cimento Portland do tipo II (CP 
II), água e os resíduos. Também foram adicionados dois aditivos à argamassa de cimento 
para proporcionar uma melhor liga aos materiais utilizados. Os aditivos utilizados foram o 
superplasticifante derivado de lignosulfonatos para argamassas minerais, onde se utilizou 
2,5% em relação ao peso do cimento para cada corpo de prova e o aditivo derivado de co-
polímero estireno acrílico denominado adesivo sintético na proporção de 2:1, sendo duas 
partes de água para uma de adesivo.
Feitos alguns pré-testes e observando-se o ponto de liga do cimento com os resíduos 
utilizados, estimou-se uma densidade base dos corpos de provas de 1,20 g/cm³ com pro-
porções de 10:1, sendo dez partes de cimento para uma de resíduo. Assim, com o valor da 
densidade estimada, utilizando-se a Equação 3, foi possível determinar a quantidade em 
gramas de cimento e de resíduo, considerando sua massa seca, que seria necessária para 
compor um corpo de prova, já que os volumes dos moldes utilizados eram conhecidos.
 Da=m/V (3)
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Em que: Da = densidade aparente unitária (g/cm³); m = massa(g); V = volume (cm³).
Nas Tabelas 1 e 2 subsequentes são apresentadas as quantidades de insumos uti-
lizadas na confecção dos corpos de prova de compressão axial, absorção e inchamento 
respectivamente, para a composição do cimento-resíduo, no qual determina a quantidade 
em gramas necessária para fabricar um corpo de prova.
Tabela 1. Insumos utilizados na fabricação dos corpos de prova destinados aos ensaios de compressão axial.
PINUS
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 93,82 23,90 9,38 13,33 2,34
Tratamento 2 93,82 23,76 9,38 13,29 2,34
Tratamento 3 93,82 24,48 9,38 13,36 2,34
BAGAÇO DE CANA
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 93,82 36,36 9,38 19,56 2,34
Tratamento 2 93,82 36,7 9,38 19,63 2,34
Tratamento 3 93,82 36,53 9,38 19,59 2,34
CASCA DE ARROZ
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 93,82 23,04 9,38 13,28 2,34
Tratamento 2 93,82 23,73 9,38 13,28 2,34
Tratamento 3 93,82 24,32 9,38 13,4 2,34
Tabela 2. Insumos utilizados na fabricação dos corpos de prova destinados aos ensaios de absorção e inchamento.
PINUS
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 272,72 69,44 27,27 38,76 6,81
Tratamento 2 272,72 69,05 27,27 38,64 6,81
Tratamento 3 272,72 69,96 27,27 38,85 6,81
BAGAÇO DE CANA
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 272,72 69,3 27,27 38,68 6,81
Tratamento 2 272,72 106,68 27,27 57,06 6,81
Tratamento 3 272,72 70,37 27,27 70,07 6,81
CASCA DE ARROZ
INSUMOS (g)
CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE
Tratamento 1 272,72 66,94 27,27 38,25 6,81
Tratamento 2 272,72 68,98 27,27 38,62 6,81
Tratamento 3 272,72 70,69 27,27 38,95 6,81
É importante ressaltar que a massa dos resíduos citadas acima, encontradas atra-
vés da fórmula da densidade aparente é a massa seca, sendo necessário a utilização da 
Equação 4, determinada como Absolutamente Seca (AS) adquirida através do teor de umi-
dade (Equação 1) encontrado de cada resíduo como mostra a tabela 3 abaixo de acordo 
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com seus tratamentos para que fosse possível descobrir a massa úmida dos resíduos em 
cada tratamento, sendo esta a real massa utilizada na fabricação dos corpos de prova.
Tabela 3. Teor de umidade encontrado em cada resíduo de acordo com seus respectivos tratamentos.
RESÍDUOS
TEOR DE UMIDADE (%)
T1 T2 T3
Bagaço de Cana 4,42 2,25 3,24
Casca de Arroz 9,16 5,08 1,47
Pinus 3,59 4,92 2,61
 AS%=( MS)/MU x100 (4)
Em que: AS= massa absolutamente seca (%); MS= massa seca (g); MU= 
massa úmida (g).
Após a mistura de todos os materiais, a argamassa foi colocada em seus moldes até o 
preenchimento total dos mesmos. Em seguida os moldes já preenchidos foram submetidos 
à compactação vibro mecânica realizada pela mesa vibratória, com duração de 60 segundos 
para os corpos de prova de compressão axial e 120 segundos para os corpos de prova de 
absorção e inchamento.
Cura dos corpos de prova
Depois de confeccionados, os corpos de prova ainda em seus moldes, foram colocados 
para secar em temperatura ambiente a 25°C. Após cinco dias, o cap inferior dos moldes 
foi retirado para proporcionar uma melhor ventilação, permanecendo dentro dos moldes 
por mais dois dias, totalizando 7 dias para que os corpos de provas fossem retirados total-
mente dos moldes.
Após esse período os mesmos foram desenformados e mantidos em temperatura 
ambiente por 21 dias para completar o tempo mínimo de cura que é de 28 dias, antes de 
serem ensaiados. Durante este período de 21 dias, uma vez ao dia borrifou-se água nos 
corpos de prova para auxiliar no processo de cura.
Ensaios
Corpos de prova cilíndricos:
Os corpos de prova cilíndricos foram submetidos ao ensaio mecânico, sendo este a 
compressão axial, em concordância com a NBR 7215 (1996) e a caracterização física, den-
sidade aparente, de acordo com a norma EN 323 (1993).
Os ensaios de compressão axial que determinam a resistência do material, foram rea-
lizados na Universidade Federal do Tocantins no campus de Palmas-TO, com a utilização 
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da máquina universal de ensaios da marca Quanteq com capacidade de 3000 kN, em que 
conhecida a área da seção transversal e a altura do corpo de prova foi possível obter a 
tensão de compressão fornecida pela máquina em Megapascal (MPa).
Seguindo a norma EN 323 (1993) adaptada para a densidade aparente, foi adquirida 
a área, o volume e o peso de cada corpo de prova cilíndrico aos 46 dias (Equação 5).
 (5)
Em que: Da= densidade aparente (g/cm³); m= massa (g); V= volume (cm³).
Corpos de prova prismáticos:
Os corpos de prova prismáticos foram ensaiados para se obter as porcentagens de 
absorção e inchamento do cimento-resíduo. Foram medidas espessuras nos quatro lados 
para posteriormente obter uma média de cada corpo de prova. Foram obtidos também os 
pesos iniciais dos corpos de prova. Posteriormente foram totalmente submersos um recipiente 
com água. Após 2 horas, obteve-se novas medidas de espessura e peso e em seguida foram 
novamente imersos até completar 24 horas para a obtenção de uma terceira e última medida.
Para a obtenção do percentual de absorção e inchamento, utilizaram-se as Equações 
6 e 7 respectivamente. Empregadas para determinar-se o percentual de absorção e incha-
mento, comparando-se as dimensões e pesos coletados dos corpos de prova ainda secos, 
com as dimensões e pesos coletados dos corpos de prova às 2 horas e às 24 horas, de 
acordo com a ASTM D1037 (1995) adaptada.
 (6)
Em que: Pu= peso úmido (g); Ps= peso seco (g).
 (7)
Em que: If: Inchamentofinal (mm); Ii: Medida inicial (mm).
Análises Estatísticas
Para a análise estatística dos dados foi utilizado um delineamento inteiramente ca-
sualizado com arranjo em fatorial 3x3, considerando dois fatores: os resíduos utilizados na 
produção dos painéis e os tratamentos dos resíduos utilizados. Para avaliar as estatísticas 
da densidade aparente e da tensão gerada pelo teste de compressão axial, utilizou-se o 
programa Statgraphics, aplicando o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, no qual não houve 
normalidade para esses dois parâmetros, então foi aplicada a transformação box-cox para 
obter-se a normalidade adequada. Após obter a normalidade dos dados, foi gerada a análise 
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de variância (ANOVA), onde constatou-se interação entre os fatores. Para realização do 
desdobramento utilizou-se o programa Sisvar aplicando o Teste Tukey de comparação de 
médias ao nível de 5% de significância.
Para absorção e inchamento realizou-se o teste de normalidade e posteriormente a 
ANOVA, constatando interação entre os fatores. Para tal, foi utilizando o Sisvar para fazer 
o desdobramento e aplicar o teste Tukey ao nível de 5% de significância.
Além desses programas, utilizou-se o Excel para realização do teste de corre-
lação de PEARSON.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Densidade aparente dos painéis cimento-resíduos
Na tabela 4 são apresentados os valores médios de densidade aparente dos corpos 
de provas de cimento e resíduo e seus respectivos tratamentos.
Tabela 4. Densidade aparente dos corpos de prova de painel cimento-resíduo para os diferentes resíduos e seus 
tratamentos.
TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DA (g/cm³)
F
RESÍDUO T1 T2 T3 MÉDIA GERAL
Casca Arroz 1,43 bA
(0,58)
1,43 bA
(0,91)
1,47 bB
(1,36) 1,44
7,37*Bagaço de cana 1,06 aA
(2,83)
1,11 aA
(3,01)
1,33 aB
(3,07) 1,17
Pinus 1,51 cB
(0,81)
1,47 cA
(0,77)
1,51 cB
(1,81) 1,50
T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas; T3, Partículas imersas 
em (Ca(OH)2) por duas horas, DA: densidade aparente em (g/cm³). Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas 
na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% 
de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
Observando a tabela acima nota-se que houve interação entre os fatores, constatan-
do-se diferença significativa tanto entre os tratamentos, quanto entre os resíduos. Dentre os 
valores de densidade encontrados para os diferentes painéis, o painel composto por resíduos 
de bagaço de cana assumiu o valor de menor densidade no T1 (1,06g/cm³) e o painel de 
maior densidade foi o composto por resíduo de pinus (1,51 g/cm³) tanto para T1 quanto para 
T3. A maior densidade para o painel de pinus é atribuída pelo maior peso das partículas 
quando comparado ao resíduo de bagaço de cana. Estes fatores se concretizam quando 
comparado às médias gerais dos painéis, sendo o painel com resíduo de pinus o de maior 
densidade (1,50 g/cm³), seguido do painel com resíduo de casca de arroz (1,44 g/cm³) e por 
último o painel composto por resíduos de bagaço de cana (1,17 g/cm³).
Iwakiri e Prata (2008) em seus estudos obtiveram uma densidade aparente para o 
painel cimento-madeira com pinus de 1,19 g/cm³ para uma a relação cimento: madeira de 
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2, 75:1, sendo esta a relação mais empregada industrialmente conforme Latorraca e Iwakiri 
(2005). Já, a média encontrada no presente trabalho foi de 1,50 g/cm³. Isso pode ser expli-
cado devido a relação cimento: madeira utilizada neste trabalho ter sido de 10:1, levando em 
consideração que essa proporção foi a mais adequada para o ponto de liga da argamassa 
para todos os resíduos em estudo.
Comparando-se com a densidade aparente de materiais empregados na construção 
civil Segundo Dolabella (2018) e Prata (2010), o tijolo cerâmico furado assume densidades 
entre 1,1 g/cm³ a 1,4g/cm³ e o tijolo cerâmico poroso entre 1,0g/cm³ a 1,1g/cm³, podendo 
ser um dos usos dos painéis em estudo, pois os valores médios de densidade aparente 
encontrados para os painéis compostos por pinus (1,5 g/cm³), bagaço de cana (1,17g/cm³) 
e casca de arroz (1,44 g/cm³) se enquadram dentro desta densidade citada pelos autores 
descritos acima.
Compressão axial dos painéis
Na tabela 5 são apresentados valores médios de tensão de compressão axial nos 
corpos de provas para cada resíduo em seus respectivos tratamentos.
Tabela 5. Valores médios de tensão a compressão axial dos painéis de cimento para os diferentes resíduos e seus 
tratamentos.
RESÍDUO
TRATAMENTO DOS RESÍDUOS TENSÃO (MPa)
F
T1 T2 T3 MÉDIA
Arroz 2,17 aB
(20,62)
2,39 aB
(5,90)
1,79 bA
(11,44) 2,12
42,62*Bagaço de cana 2,20 aB
(12,45)
3,52 bC
(4,00)
1,20 aA
(6,71) 1,31
Pinus 22,09 bA
(3,45)
20,50 cA
(2,00)
20,55 cA
(7,01) 21,05
T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas 
imersas em (Ca(OH)2) por duas horas, Tensão em MPa: megapascal. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas 
na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de 
probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
Segundo Simantupang et al. (1978), os extrativos existentes na madeira são os maiores 
responsáveis pela inibição da solidificação do cimento, porém neste trabalho o tratamento T1, 
sem nenhum tipo de pré-tratamento dos resíduos de pinus, apresentou melhor resistência 
a compressão (22,09 MPa), e a diferença entre os tratamentos T2 (20,55 MPa) e T3 (20,50 
MPa) não foram significativas.
Para o painel de bagaço de cana, todos os tratamentos se diferiram estatisticamente, 
apresentando o menor valor de resistência a tensão o tratamento T3, com 1,20 MPa. O me-
lhor tratamento para o painel de resíduo de bagaço de cana foi o T2 com uma resistên-
cia à tensão de 3,52 MPa, onde o mesmo foi apenas imerso em água. Portanto, pode-se 
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observar que quanto mais açúcar foi retirado desse resíduo, melhor foi a resistência na 
composição do painel.
Cabral (2016), em seu trabalho sobre a utilização de partículas homogêneas com fibras 
de tamanhos de 8 mm de bagaço de cana em painéis curados por carbonatação acelerada, 
obteve um valor de 7,13 MPa. Isso mostra que a utilização de um tamanho maior da partícula 
e uma alteração na cura, nesse caso a carbonatação acelerada, pode auxiliar no aumento 
da resistência do painel composto por bagaço de cana.
No trabalho desenvolvido por Ramirez (1996), utilizando compostos feitos de argamas-
sa de cimento e areia reforçada com fibras de bagaço de cana, a resistência aumentou ao 
longo do tempo obtendo um valor médio de 2,25 MPa aos 56 dias de cura quando ensaiados 
no teste de compressão axial simples, valor inferior ao encontrado no presente trabalho no 
tratamento T2 (3,52 MPa), o que mostra que o tamanho da partícula utilizada e a adição da 
areia no composto cimento-resíduo se mostrou com uma resistência inferior a encontrada 
no painel do presente trabalho.
O painel com casca de arroz obteve uma resistência à compressão axial intermediária 
se comparado com resíduo de pinus e o bagaço de cana, obtendo o maior valor de ten-
são no T2 com 2,39 MPa, não diferindo significativamente do T1 com uma tensão de 2,17 
MPa. O tratamento T3 obteve o menor valor de resistência à tensão de 1,79 MPa.
Silva et al. (2017), estudou o uso da casca eda palha de arroz em painéis leves para 
vedação e obteve resultados satisfatórios. A resistência dos painéis com palha de arroz se 
apresentaram com valores maiores, em torno de 3 MPa, já para a casca de arroz inteira 
sem nenhum tratamento a resistência ao ensaio de compressão axial foi de 2,85 MPa, valor 
próximo aos encontrados no tratamento T1 (2,17MPa) e T2 (2,39 MPa) neste estudo, o que 
mostra que a casca de arroz inteira não influi significativamente no aumento da resistência do 
painel quando comparado com o tamanho das partículas utilizadas neste trabalho, levando 
em consideração a relação cimento:resíduo de 10:1 adotada para este estudo.
Silva et al. (2017), avaliaram ainda o desempenho acústico dos painéis compostos com 
casca e palha de arroz e relataram que em comparação com outros componentes do mer-
cado utilizados para vedação de ambientes os compósitos exibiram desempenho acústico 
superior ou semelhante para as faixas de frequência maiores.
De modo geral, pode-se observar que os painéis tratados em (Ca(OH)2) sem enxague 
(T3), principalmente os compostos por resíduos de bagaço de cana e casca de arroz, apre-
sentaram os menores valores de resistência, e até mesmo o pinus, o qual se esperaria melhor 
resistência com o tratamento T3, ficou como segundo painel de maior resistência, sendo o 
painel composto por pinus com o tratamento T1 o de melhor valor para esse parâmetro, o 
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que não era esperado, devido a outros trabalhos terem apresentado resultados de resistência 
melhores utilizando o tratamento das partículas com (Ca(OH)2).
O que pode ter influenciado nesse resultado é que a proporção de partículas utilizada 
no presente trabalho foi inferior a outros trabalhos realizados com pinus ou outros resíduos. 
Essa quantidade menor de resíduos pode ter sido afetada no tratamento T3, onde os resí-
duos, depois de tratados e secos não foram peneirados, e uma quantidade considerável de 
partículas menores de (Ca(OH)2) se fez presente juntamente com todos os resíduos tratados, 
dessa forma, influenciando na estrutura dos resíduos ou na relação água: cimento de forma 
física ou química afetando na resistência dos painéis com esse tratamento, o que pode ser 
estudado em posteriores trabalhos.
Tendo em vista que a densidade pode influenciar nas propriedades físicas e mecâ-
nicas dos painéis, foi realizado também um teste de correlação de PEARSON (R) entre a 
densidade e a tensão de todos os painéis com seus respectivos tratamentos. Foi obtido um 
valor intermediário de correlação entre densidade aparente e tensão de compressão axial 
de 0,53115, resultando em uma correlação positiva, sendo esta diretamente proporcional, 
ou seja, quanto maior a densidade maior a resistência dos painéis.
Conforme a NBR 11578 (1991) que trata da classe de cimento CP II, a mesma apresenta 
limites de classes de acordo com a resistência à compressão axial para os corpos de prova 
de no mínimo 28 dias de cura sendo: ≥25 MPa, ≥32,0 MPa e ≥40,0 MPa. Se comparado aos 
painéis deste trabalho o que mais se aproximou da norma, foi o painel composto por cimento 
e pinus, com um valor médio de resistência a compressão axial de 21,05 MPa. Os painéis 
compostos por casca de arroz (2,12 MPa) e bagaço de cana (1,31 MPa) assumiram valores 
de resistência muito distantes dos valores propostos pela norma.
De acordo com a NBR 8953 (1992) que trata de Concreto para fins estruturais - 
Classificação por grupos de resistência, todos os painéis compostos por cimento e resíduos 
do presente estudo, se enquadram na classificação CL (concretos leves) que assumem 
valores de densidade menores que 2000 kg/m³, ou seja, menores que 2 g/cm³, porém essa 
massa se relaciona com a resistência dada em MPa, onde o a menor resistência designada 
pela norma é de 10 MPa, sendo assim apenas o painel composto por resíduos de pinus com 
valor médio de 21,05 MPa, se enquadrou no Grupo I de Resistência, ocupando a Classe 
CL20, a qual possui uma resistência de 20 MPa.
Absorção e inchamento dos painéis cimento-resíduos
Na tabela 6 são apresentados os valores médios em porcentagem do quanto cada 
painel, de acordo com seu resíduo e tratamento, absorveu de água por um período de 2 
horas e 24 horas.
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Tabela 6. Valores médios de Absorção dos painéis de cimento e resíduos imersos em água por 2 horas e 24 horas.
RESÍDUO
TRATAMENTO DOS RESÍDUOS ABSORÇÃO 2 HORAS (%)
F
T1 T2 T3 MÉDIA
Arroz 24,89 bA
(2,38)
25,80 cA
(5,90)
26,14 bA
(0,51) 25,61
60,5*Bagaço de cana 36,18cC
(5,09)
23,96bA
(1,99)
27,18bB
(3,89) 29,10
Pinus 7,72aA
(2,57)
6,5aA
(5,28)
7,93aA
(10,59) 7,38
RESÍDUO
TRATAMENTO DOS RESÍDUOS ABSORÇÃO 24 HORAS (%)
F
T1 T2 T3 MÉDIA
Arroz 25,84bA
(2,65)
27,72cB
(0,42)
27,11bAB
(0,65) 26,74
123,1*Bagaço de cana 39,28cC
(4,30)
26,18bA
(0,87)
29,09cB
(2,72) 31,55
Pinus 12,64aA
(2,97)
11,47aA
(4,51)
12,71aA
(6,54) 12,27
T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas imersas 
em (Ca(OH)2) por duas horas, Absorção dada em %. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras 
minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade 
(P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
No ensaio de absorção com os painéis imersos em água por 2 horas, houve interação 
entre os fatores e diferença significativa para os tratamentos dos painéis compostos por baga-
ço de cana, onde obteve-se a maior média geral dentre todos os painéis de 29,10%. O trata-
mento T1 apresentou a maior porcentagem de absorção (36,18%), superando todos os outros 
resíduos em todos os tratamentos. Os painéis compostos com casca de arroz assumiram 
as segundas maiores porcentagens de absorção, com média geral de 25,61%, não apre-
sentando diferença significativa entre os tratamentos desse resíduo. Os painéis compostos 
por resíduos de pinus não apresentaram diferença significativa entre os tratamentos com 
relação a porcentagem de absorção, assumindo ainda a menor média geral em relação aos 
outros painéis com 7,38% de absorção.
Ao avaliar a absorção dos painéis de cimento e resíduos após 24 horas, onde também 
foi constatado interação entre os fatores, os resultados foram semelhantes aos resultados 
da absorção constatada a 2 horas, até mesmo para os tratamentos dos resíduos que apre-
sentaram maiores e menores porcentagens de absorção. Os painéis de resíduos de bagaço 
de cana e casca de arroz apresentaram diferença significativa entre os tratamentos e as 
maiores porcentagens de absorção respectivamente. Os painéis compostos por resíduos 
de pinus também apresentaram resultados bastante parecidos se comparado a absorção 
por 2 horas, não apresentando diferença significativa entre os tratamentos e assumindo a 
menor porcentagem de absorção dentre os painéis cimento:resíduos.
As médias gerais de absorção em 24 horas para os três tipos de painéis foram de 
31,55% para o painel composto por resíduos de bagaço de cana e 26,74% para o painel 
composto por resíduos de casca de arroz. Para o painel composto com resíduos de pinus 
a absorção foi de 12,27%, obtendo um resultado melhor do que o encontrado por Iwakiri 
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e Prata (2008) que utilizaram partículas de pinus sem tratamento e obtiveram um valor de 
14,05 % de absorção.
Desse modo pode-se observar que a diferença de absorção entre 2 horas e 24 horas 
não foi tão discrepante para os painéis composto por bagaço de canae casca de arroz, ape-
sar desses terem apresentado alta absorção. No entanto para o painel composto com resí-
duos de pinus houve uma diferença maior de absorção entre o período de 2 horas e 24 horas.
Uma observação importante a ser feita é que para o ensaio de absorção de 24 horas, 
ao manusear o corpo de prova composto por resíduos de bagaço de cana, onde as par-
tículas foram usadas com T1, de forma a exercer uma leve pressão, o mesmo se desfez 
facilmente, constatando fragilidade do painel quando exposto a água. Fato que pode ser 
explicado pela grande capacidade de absorção da fibra de bagaço de cana e também a maior 
quantidade de açúcares contidos no resíduo, já que nesse estado não recebeu nenhum tipo 
de pré-tratamento.
Feita a correlação de PEARSON entre a densidade aparente e a absorção de 2 horas 
e 24 horas, as mesmas apresentaram respectivos valores de -0,67196 e -0,72168, sendo 
estes negativos, ou seja, inversamente proporcionais, indicando que quanto maior a densi-
dade menor a absorção dos painéis, consistindo em um bom resultado.
Na tabela 7 são apresentados os valores médios em porcentagem de inchamento de 
cada painel de acordo com seu resíduo e tratamento, imersos em água por um período de 
2 horas e 24 horas.
Tabela 7. Valores médios de inchamento dos painéis de cimento e resíduos imersos em água por 2 horas e 24 horas.
RESÍDUO
TRATAMENTO DAS PARTÍCULAS INCHAMENTO 2 HORAS (%)
F
T1 T2 T3 MÉDIA
Arroz 0,29aA
(44,74)
0,56aAB
(73,96)
1,10aB
(44,93) 0,65
3,96*Bagaço de cana 0,85aA
(42,69)
0,56abA
(73,96)
1,00aA
(59,56) 0,80
Pinus 0,26aA
(52,43)
1,33bB
(24,43)
0,58aA
(53,35) 0,72
RESÍDUO
TRATAMENTO DAS PARTÍCULAS INCHAMENTO 24 HORAS (%)
F
T1 T2 T3 MÉDIA
Arroz 1,02aA
(27,31)
0,95aA
(46,83)
1,85aA
(23,02) 1,27
5,12*Bagaço de cana 2,06bB
(36,04)
2,20bB
(18,87)
1,03aA
(24,78) 1,76
Pinus 0,9aA
(48,96)
1,38abA
(56,82)
1,47aA
(48,70) 1,25
T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas imersas 
em (Ca(OH)2) por duas horas. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras minúsculas na coluna 
não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre 
parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
Analisando o inchamento dos painéis imersos em água por 2 horas, o painel composto 
por resíduo de bagaço de cana apresentou a maior porcentagem de inchamento, com uma 
média de 0,80%, não apresentando diferença significativa entre os tratamentos para esse 
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26 27
painel, seguido do painel composto por resíduo de pinus com média de 0,72% de inchamento 
e, posteriormente, o painel composto por casca de arroz com uma porcentagem de 0,65%. 
Dentro do tratamento T1 e T3 não houve diferença significativa entre os resíduos para o 
inchamento dos painéis imersos em água por 2 horas.
Em relação ao inchamento dos painéis imersos em 24 horas, os painéis que assumiram 
as maiores porcentagens foram os compostos por de bagaço de cana com uma média de 
1,76%, sendo para esse painel os tratamentos T1 e T2 que apresentaram os maiores valores 
de inchamento, considerados estatisticamente iguais, apresentando diferença significativa 
somente para o tratamento T3 que ofereceu o menor valor de inchamento. O painel composto 
por resíduos de casca de arroz apresentou uma porcentagem média de inchamento de 1,27%, 
valor próximo ao apresentado pelo painel de resíduo de pinus (1,25%), não apresentando 
diferença significativa dos resíduos e seus respectivos tratamentos.
Comparando o tratamento T1 de pinus no ensaio de inchamento com o trabalho de 
Iwakiri e Prata (2008) o presente trabalho obteve melhor resultado, pois ao se tratar do mesmo 
resíduo e do mesmo tratamento obteve-se uma porcentagem de inchamento de 0,9%, já no 
trabalho realizado pelos autores citados acima a porcentagem de inchamento foi de 1,69%. 
Porém a relação cimento: madeira utilizada pelos autores foi de 1:2,75, já neste trabalho a 
relação utilizada foi de 10 partes de cimento para 1 de madeira, isso pode ter contribuído 
para o melhor resultado de inchamento encontrado no presente trabalho.
Comparando com o ensaio de absorção discutido acima, o inchamento avaliado a 24 
horas condiz com os resultados encontrados, sendo o painel composto por resíduos de 
pinus o de melhor resultado, seguido do resíduo da casca de arroz e por último do resíduo 
do bagaço de cana.
Para a correlação de PERSON entre a densidade aparente e o inchamento de 2 horas 
e 24 horas os valores resultantes foram de -0,14928 e -0,31486 respectivamente, sendo 
inversamente proporcional, assim como para a correlação de densidade aparente e absor-
ção, porém as correlações para esses parâmetros foram muito baixas, quase insignificantes.
CONCLUSÕES
Com base nos resultados apresentados neste estudo pode-se concluir que:
Com base na densidade aparente dos painéis de cimento e resíduos produzidos com 
partículas de pinus, os mesmos obtiveram uma densidade superior aos demais painéis 
compostos por resíduos de casca de arroz e bagaço de cana que obtiveram as menores 
densidades respectivamente.
Em relação à resistência dos painéis, o painel com resíduo de pinus se destacou for-
temente em relação aos outros painéis, podendo ser empregado nas áreas de construção 
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civil com diversas finalidades, como blocos de concretos, pavers de calçadas, artefatos 
como vasos e esculturas dentre outros, de acordo com sua resistência, e consequentemente 
reduzindo custos e auxiliando em questões ambientais.
Para os painéis produzidos com partículas de bagaço de cana e casca de arroz, por 
apresentarem baixa resistência, recomenda-se o uso em revestimentos em geral.
A absorção e inchamento dos painéis tanto em duas horas, quanto em vinte e quatro 
horas apresentaram resultados semelhantes, sendo as menores porcentagens de absorção e 
inchamento para os painéis compostos por resíduos de pinus, seguido dos painéis de resíduo 
de casca de arroz e por último com resíduo do bagaço de cana, inviabilizando painéis com 
resíduos bagaço de cana sem tratamento das partículas para serem expostos a umidade.
De modo geral os painéis compostos por resíduos de pinus atenderam às expecta-
tivas, sendo recomendado como o melhor resíduo para compor um painel de cimento e 
resíduos neste estudo
REFERÊNCIAS
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posto, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, jul. 1991.
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Janeiro, RJ, Brasil, dez. 2003.
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RJ, Brasil, dez. 1996.
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-based panels – determination of density, Bruxelas, BE, 1993.
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sul do Tocantins, Monografia, UFT, Gurupi, TO, Brasil, 2017.
12. GEPLACEA - Manual de los derivados de Iacelia de azucar. Grupo de Palses Latinoame-
ricanos y del Caribe Exportadores de Azucar, 447p. 1990.
13. IWAKIRI, S., PRATA, J.G., “Utilização da madeira de Eucalyptus grandis e Eucalyptus dunnii 
na produção de painéis de cimento-madeira”, Cerne, v. 14, n. 1, pp. 68-74, jan./mar. 2008.
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Painéis De Madeira Reconstituída, Curitiba, FUPEF, v. 1, p. 213-239. 2005.
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concreto e projeto de edifícios, chapter 1, São Carlos, SP, Brasil, 2007.
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para produção de painéis colados lateralmente (Edge GluedPanels - EGP). Tese de D.Sc., 
UFPR, Curitiba, PR, Brasil, 2010.
18. RAMA, J.P.F., Eco-painéis construídos a partir de madeira e resíduos de casca/casca de 
arroz. Dissertação de M.Sc., FCTUC, Coimbra, Portugal, 2014.
19. RAMIREZ SARMIENTO, C., Argamassa de cimento reforçada com fibras de bagaço de 
bagaço de bagaço de cana-de-açúcar e sua utilização como material de construção, 
Dissertação de M.Sc., UNICAMP, Campinas, SP, Brasil, 1996.
20. SILVA, D.B. et al., “Uso de resíduos agrícolas em painéis leves para vedação”, In: 9º 
SIEPE Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, 11, Santana do Livramento, 
RS, Brasil, 2017.
21. TAPPI. Preparationofwood for chemicalanalysis. T-264 om-88. TAPPI testmethods. Atlanta: 
TAPPI Press. 1996.
02
Aspectos sociais e satisfação dos 
trabalhadores florestais extratores de 
resina de Pinus elliottii Engelm.
Samara Lazarotto
UFSM
Rafaelo Balbinot
UFSM
Luana Candaten
UFSM
'10.37885/220308342
https://dx.doi.org/10.37885/220308342
Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022
31
Palavras-chave: Sistema Florestal, Resinagem, Socioambiental, Entrevista.
RESUMO
Objetivo: As pesquisas socioambientais podem auxiliar na tomada de decisões e gerar 
benefícios aos colaboradores envolvidos, por este motivo o objetivo foi analisar o nível de 
satisfação e compreender quem são os colaboradores que extraem a resina das flores-
tas plantadas de Pinus elliottii Engelm. no litoral do Rio Grande do Sul. Método: As in-
formações foram adquiridas por meio de entrevistas estruturadas e aplicadas em 128 
colaboradores presentes no campo. A prática da entrevista permitiu um contato pessoal 
do entrevistador com o entrevistado, assim foi possível obter informações analisadas 
em Planilha Excel que auxiliaram a entender como o atual resineiro vive, trabalha e se 
está satisfeito com a atividade que realiza. Resultados: Dos entrevistados, 75% foram 
do gênero masculino, residem na cidade de São José do Norte no extremo litoral do Rio 
Grande do Sul, possuem ensino fundamental incompleto e estão satisfeitos quanto aos 
aspectos estudados. Conclusão: O diferencial que leva ao resultado positivo quanto a 
satisfação dos colaboradores com o seu trabalho, com os seus colegas, com a estrutura 
e instalações que a empresa oferece e também com a remuneração pode estar relacio-
nado com o modo de gerência e resolução de conflitos da empresa.
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32
INTRODUÇÃO
A indústria brasileira de árvores plantadas no Brasil, é uma referência mundial por 
sua atuação pautada pela sustentabilidade, competitividade e inovação (HORACIO, 2017). 
Segundo o Anuário Florestal do Rio Grande do Sul, o estado produziu 56 mil toneladas 
de resina em 2019 representando o segundo lugar em produção nacional, ficando atrás 
somente do Estado de São Paulo (AGEFLOR, 2020). O processo de extração da resina, 
fundamenta-se na realização de estrias sequenciais na árvore, expondo a interface entre o 
xilema secundário e o floema, o ferimento ativa a liberação de resina dos ductos resiníferos 
(RODRIGUES, 2006). No trabalho de Candaten et al. (2021) estão descritos os aspectos 
gerais da resinagem, diferentes métodos empregados ao longo do tempo e como eles eram 
utilizados e também contempla o mercado para a resina e seus subprodutos.
Os subprodutos da resina de Pinus elliottii Engelm. são denominados breu e terebintina 
e tem usos diversificados. O breu pode ser usado na fabricação de tintas, colas, adesivos, 
entre outros e a terebintina é utilizada na indústria química e farmacêutica, em produtos de 
limpeza, inseticidas, entre outros, demonstrando assim alta importância econômica. Porém, 
a economia como conhecemos hoje é feita por pessoas, sejam eles gestores, colaboradores 
ou compradores e por isso a maneira com a qual se faz a gestão interna dos colaboradores 
precisa estar adequada a práticas atuais, a missão e aos valores das empresas e também 
as suas políticas de recursos humanos. Este fato pode estar diretamente relacionado com a 
taxa de sucesso das empresas do setor florestal, por este motivo, realizar pesquisas socioam-
bientais pode auxiliar na tomada de decisões e no caminho para a melhor gestão possível.
Portanto, o presente trabalho teve por objetivo compreender quem são os trabalhado-
res florestais resineiros do litoral do estado do Rio Grande do Sul, descrevendo seu perfil e 
analisando o nível de satisfação em relação a atividade que exercem.
MÉTODOS
O levantamento dos dados foi realizado com 128 resineiros que desenvolvem suas 
atividades em plantações de Pinus elliottii Engelm. localizadas no extremo sul do Rio Grande 
do Sul, no município de São José do Norte situado entre a lagoa dos patos e o oceano atlân-
tico. A prática utilizada para levantamento de dados foi a de entrevista pessoal com o auxílio 
de questionário estruturado com perguntas fechadas (de padrão dicotômico, de escala Likert 
e de escala de importância e de classificação) conforme descrição detalhada na literatura 
(KOTLER; KELLER, 2006). A metodologia utilizada nos questionários foi desenvolvida por 
Likert para medir escalas comportamentais (LIKERT, 1932). Especificamente para o ques-
tionário, foi utilizada uma série de questões com cinco alternativas de respostas: (5) muito 
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satisfeito, (4) satisfeito, (3) indiferente, (2) insatisfeito, e (1) muito insatisfeito. Na construção 
do questionário (Tabela 1) seguimos as orientações básicas sobre o que é certo e errado 
num questionário, certificando-se de seguir todos os itens relacionados a não tendenciosi-
dade e complexidade.
Tabela 1. Questionário aplicado na realização das entrevistas.
Questionário
1 – Gênero:
2 – Cidade Natal: Cidade atual:
3 – Nível de Escolaridade:
4 – Função:
5 – Nível de satisfação dos colaboradores em relação ao grupo de trabalho:
( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito
6 – Nível de satisfação com a maneira que você desenvolve sua função:
( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito
7 – Nível de satisfação com as instalações eestruturas oferecidas:
( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito
8 – Nível de satisfação com a remuneração:
( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito
Fonte: Autores.
Ao final da elaboração do questionário, foi adicionado um cabeçalho contendo informa-
ções organizacionais, como a data e número da entrevista a ser realizada. Propositalmente, 
não há lugar para o nome do entrevistado, com o intuito de respeitar a privacidade dos re-
sineiros. No decorrer da aplicação da entrevista foi contabilizado a quantidade de pessoas 
que responderam o questionário, sendo realizado o controle do número de entrevistas que 
foram efetuadas durante o dia e, ao final de todo o processo.
Com a finalidade de entrevistar todas as pessoas que estavam trabalhando nas florestas 
no dia da entrevista, e realizar uma análise completa causando o mínimo de transtorno no 
decorrer das atividades, a estratégia para a aplicação das entrevistas envolveu uma entre-
vistadora e uma organização, dividida em dois momentos.
O primeiro momento funcionava em horários especiais, como o amanhecer e o entar-
decer, no qual os colaboradores estavam reunidos, e, em um segundo momento que funcio-
nava durante o dia onde percorriam-se as florestas para realização das entrevistas e desta 
forma, otimizar o tempo disponível. Os dados foram analisados em planilhas do aplicativo 
Microsoft Office Excel®.
RESULTADOS
Dos 128 colaboradores entrevistados, quando analisados os dados de gênero, os re-
sultados são: 75% homens e 25% mulheres. Com a análise inicial das entrevistas, pode-se 
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observar dados importantes quanto a função desempenhada pelos resineiros. Esses resulta-
dos são apresentados na Tabela 2, juntamente à quantidade de pessoas por função e gênero.
Tabela 2. Resineiros entrevistados por função e gênero (São José do Norte/RS, 2017).
Função
Gênero
Masculino Feminino
Capataz
Estriadores
Colheita
Auxiliar de tratorista
Tratorista
Cavaleiro
Supervisor e Auxiliares
Auxiliar de Troll
5
65
5
7
2
7
2
3
-
-
32
-
-
-
-
-
Total 96 32
Fonte: Autores.
Os resineiros apresentam naturalidade de 11 cidades diferentes, sendo elas: São José 
do Norte/RS; Rio Grande/RS; Santa Vitória do Palmar/RS; Bujuru/RS; Canguçu/RS; Estrela/
RS; Gravataí/RS; Mostardas/RS; Pelotas/RS; Tavares/RS e Florianópolis/SC.
Do total, 78,1% é natural de São José do Norte/RS, seguido de cidades da circun-
vizinhança como Rio Grande (13.3%), Santa Vitoria do Palmar (1,5%), Bojuru (1,6%) e 
outras (5,5%). Todos os colaboradores entrevistados residem atualmente no município de 
São José do Norte.
Quanto a escolaridade, a maioria dos resineiros entrevistados têm o Ensino Fundamental 
Incompleto (Figura 1), sendo que, entre estes existem diferentes níveis de ensino. Vale res-
saltar que entre os resineiros existe um nível muito baixo de analfabetismo (3,9%).
Figura 1. Escolaridade dos resineiros entrevistados (São José do Norte/RS, 2017).
Fonte: Autores.
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Ao analisar as questões que apresentam a escala de satisfação dos colaboradores, 
pode-se observar que 92,9% dos colaboradores estão satisfeitos em relação às pessoas 
com que trabalham e 4,7% se dizem muito satisfeitos (Figura 2). Já os colaboradores que 
se mostraram indiferente à relação com os seus colegas, correspondem a 2,4%.
Em relação ao grau de satisfação com a maneira de desenvolver seu trabalho, com 
os horários, e a confiança que a empresa tem com cada colaborador, o nível de satisfação 
é elevado, sendo que destes, 96,1% diz estar satisfeito com a maneira que desenvolve seu 
trabalho, 2,3% está muito satisfeito e apenas 1,6% é indiferente quanto as condições de 
trabalho que a empresa estabelece.
Figura 2. Satisfação dos colaboradores quando ao seu grupo de trabalho e ao trabalho que desenvolvem (São José do 
Norte/RS, 2017).
Fonte: Autores.
As estruturas oferecidas para os colaboradores das fazendas passaram por muitas me-
lhorias com o decorrer do tempo e este pode ser o fator que leva 65,6% dos colaboradores 
a estarem satisfeitos quanto as estruturas oferecidas (Figura 3).
Pode-se observar que 8,6% dos colaboradores se diz indiferente. Uma parcela dos 
colaboradores (17,2%) se diz insatisfeito com as instalações. Nesses casos, foram ques-
tionados sobre o que eles compreendiam como algo a mudar nas estruturas oferecidas. 
Alguns colaboradores comentaram negativamente acerca da maneira como eles realizam 
as refeições nas estações mais frias.
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Figura 3. Satisfação dos resineiros quanto as estruturas e instalações para desenvolverem seu trabalho (São José do 
Norte/RS, 2017).
Fonte: Autores.
A escala de satisfação quanto a remuneração obteve resultados onde a maioria (80,3%) 
se mostrou satisfeito com a remuneração total que atingem e 2,4% demonstraram muita sa-
tisfação com a sua remuneração final (Figura 4). Um percentual de 3,9% dos colaboradores 
é indiferente e 13,4% se mostraram insatisfeitos com a remuneração que atingiam.
Figura 4. Satisfação dos resineiros quanto a remuneração. (São José do Norte/RS, 2017).
Fonte: Autores.
DISCUSSÃO
A maioria dos colaboradores resineiros como pode-se observar na Tabela 2, se concen-
tra na área de maior demanda (abertura das estrias) e são denominados estriadores. Estes, 
realizam as estrias sob a árvore e colocam os recipientes que armazenam a resina. Os colhe-
dores então, realizam a coleta dos recipientes quando os mesmos se encontram cheios de 
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resina. Contudo, todas as funções desempenhadas, tem sua importância no funcionamento 
total da atividade que é a extração de resina.
Quando analisado o paradigma de gênero, a operação de resinagem se encontra em 
uma situação de transformação, pois a presença feminina já é notória (Tabela 2), no entanto, 
os homens representam a maioria dos resineiros. Quando analisado o contexto histórico da 
empresa pode-se perceber que há um aumento da participação feminina nas atividades a 
campo. As mulheres gaúchas são mais representativas no mercado de trabalho do que a 
média brasileira que foi 48,9% (média do Rio Grande do Sul) contra 45,4% (média brasileira) 
(Stein et al. 2015). Atualmente, a igualdade de gênero é considerada um requisito de uma 
sociedade desenvolvida e democrática, onde a preocupação com o bem-estar dos indivíduos 
é levada em consideração.
Também, deve-se considerar o desenvolvimento que a atividade proporciona para a 
sociedade da região, entre os entrevistados a maioria (78.1%) tem sua naturalidade em São 
José do Norte e encontraram nesta atividade a maneira de garantir sua subsistência. Um dado 
muito interessante que foi levantado é o fato de todos os entrevistados residirem atualmente 
na cidade, passando pelo processo de mudança, o que impacta na sociedade economica-
mente, culturalmente e até mesmo ambientalmente.
Percebeu-se que os colaboradores possuem níveis educacionais diferentes e entre eles 
a maior parte têm o Ensino Fundamental Incompleto. No Brasil, o nível de escolarização da 
população ainda é muito baixo, mas tem havido alguma melhora relativa (COUTO e SILVA, 
2022). O aperfeiçoamento do trabalhador de uma maneira geral é relevante e necessário, 
por ser uma condição para disputar postos de trabalho (SILVA, MELO e VIEIRA, 2020). 
Contudo,para a resinagem que é considerada uma atividade artesanal, o aperfeiçoamento 
leva a evolução do próprio resineiro na atividade que ele desenvolve, o que acarreta em uma 
estria com maior qualidade favorecendo o desenvolvimento da árvore e a produção de resina.
Ao analisar as questões que apresentam a escala de satisfação dos colaboradores, 
pode-se observar que 92.9% dos colaboradores estão satisfeitos em relação às pessoas 
com que trabalham e 4.7% se dizem muito satisfeitos (Figura 2). Foi possível perceber que 
há preocupação uns com os outros. Já os colaboradores que se mostraram indiferente à 
relação com os seus colegas, correspondem a 2.4%. Isto pode vir a denotar pessoas que 
tendem a encarar as situações de maneiras diferentes e muitas vezes preferem não se 
envolver, já que o seu trabalho é realizado de forma independente. Para que este sistema 
seja funcional deve existir uma relação de confiança e a maioria se organiza positivamente 
permitindo um melhor desenvolvimento das atividades. Alguns colaboradores residem no 
entorno das florestas e tem a resinagem não só como um trabalho, mas como cultura e 
demonstram o quanto estão satisfeitos com essa rotina e esse trabalho.
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Para que os resineiros possam desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível e 
ter um trabalho digno, analisamos a escala de satisfação em relação as estruturas oferecidas, 
a maior parte dos colaboradores se mostrou satisfeito, porém uma parte dos entrevistados 
(17.2%) se diz insatisfeito (Figura 3). O ponto dessa insatisfação foi atribuído a complexida-
de que é realizar as refeições em ambiente laboral, nas estações mais frias principalmente. 
Existem casos em que os resineiros estão logisticamente alocados para trabalhar perto de 
suas casas, não necessitando de estruturas físicas.
Esse procedimento de trabalho também está integrado a escala de satisfação quanto 
a remuneração obtida pelos resineiros, a maior parte dos resineiros está satisfeito com a 
remuneração obtida. Fator muito importante quando analisamos o contexto social, pessoas 
que estão satisfeitas com a sua remuneração estão com a vida financeira adequada a seus 
propósitos o que influencia a economia da região. Uma parte (13.4%) se mostra insatisfeito 
e o motivo da insatisfação é relacionado a força que é necessária utilizar para realizar as 
estrias nas árvores, o trabalho braçal não estaria equilibrado com os ganhos no final do mês.
Em cada entrevista havia uma história diferente, a cada entrevista acontecia o ensejo de 
conhecer uma pessoa e praticar o aprendizado ao escutar. Existe um conhecimento sobre as 
florestas que só se adquire com quem trabalha e vive com ela diariamente. Ao tomar conhe-
cimento da realidade das fazendas de São José do Norte e compreender a importância que 
a resinagem desenvolve na vida de seus colaboradores torna-se possível acreditar em um 
sistema florestal efetivo que gera empregos, renda e empreendedorismo na sociedade atual.
CONCLUSÃO
Os resineiros são majoritariamente do gênero masculino, no geral, a maioria dos co-
laboradores são naturais e residem no município de São José do Norte e tem ensino fun-
damental incompleto. Boa parte dos colaboradores está satisfeito quanto aos aspectos 
estudados. O modo como a empresa se relaciona com os colaboradores é o diferencial que 
leva a resolução de conflitos e, consequentemente, satisfação com o seu grupo de trabalho, 
com as tarefas desenvolvidas, com as instalações da empresa e com a sua remuneração, 
destacando-se assim a importância das relações humanas no ambiente de trabalho.
Agradecimentos
Agradecemos ao Laboratório de Manejo e Política Florestal (LMPF) da Universidade 
Federal de Santa Maria Campus Frederico Westphalen. As empresas que foram par-
ceiras no desenvolvimento desse trabalho: Âmbar Florestal e FLOPAL – Florestadora 
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Palmares. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).
REFERÊNCIAS
1. ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE EMPRESAS FLORESTAIS. O setor de Base Florestal no Rio 
Grande do Sul 2020 Ano Base 2019, Porto Alegre, RS, p 01-84, 2020.
2. CANDATEN, Luana et al. Resinagem de pinus no Brasil: aspectos gerais, métodos emprega-
dos e mercado. In: EVANGELISTA, Wescley Viana (org.). PRODUTOS FLORESTAIS NÃO 
MADEIREIROS: tecnologia, mercado, pesquisas e atualidades. .: Científica, 2021. p. 01-407.
3. COUTO, Ana Cristina Lima; SILVA, Claudeci da. POBREZA, ESCOLARIDADE E FORMAS 
DE INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO: ma análise para o brasil nos anos de 2012 e 
2019. Orbis Latina, Latina, v. 12, n. 1, p. 62-82, jun. 2022. Semestral.
4. HORACIO L. P. Presidente do Conselho Deliberativo (Org.). Relatório Ibá. Brasília: Studio 
113, 2017. 80 p. Disponível em: http://iba.org/images/Biblioteca/IBA_RelatorioAnual2017.pdf.
5. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração De Marketing. 12. ed. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2006. 767p.
6. LIKERT, Rensis. A Technique for the Measurement of Attitudes. N° 140. Ed. New York: R. 
S. Woodworth, 1932. 53p.
7. RODRIGUES, K. C. S. (2006). Caracterização e otimização da produção de resina em 
Pinus eliiottii Engelm. – Papel de moduladores bioquímicos. Tese de Doutorado – Pro-
grama de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular, Centro de Biotecnologia. UFRGS. 
Porto Alegre.
8. SILVA, Maria do Socorro Rodrigues; MELO, Marcia Maria de; VIEIRA, Jeferson de Castro. 
REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E SEUS EFEITOS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO 
JOVEM. Contribuciones A Las Ciencias Sociales, Malaga, v. 1, jan. 2020.
9. STEIN, G.; SULZBACH, V. N.; BARTELS, M. Relatório sobre o mercado de trabalho do Rio 
Grande do Sul — 2001-13. Porto Alegre: 2015.
03
Atuação da máfia da madeira no estado 
de Rondônia: análise do quinquênio 2013-
2018
Julio Cesar de Souza Ferreira
UNIR
Carolina Yukari Veludo Watanabe
UNIR
'10.37885/220308379
https://dx.doi.org/10.37885/220308379
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Palavras-chave: Crimes Florestais, Amazônia, Desflorestamento.
RESUMO
A Amazônia é hoje a maior cobertura florestal tropical do planeta e sua preservação 
é tema debatido nos maiores e mais importantes foros da comunidade internacional. 
Infelizmente a devastação da Amazônia tem aumentado nos últimos anos, principalmente 
devido a ação criminosa de grupos que a exploram ilegalmente. A falta de dados sobre 
estes crimes impede que políticas públicas eficientes de combate ao crime florestal 
sejam elaboradas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um diagnóstico quanto 
ao crime florestal em Rondônia para suporte ao desenvolvimento de políticas públicas e 
desenvolvimento da justiça. O estado de Rondônia é relevante neste cenário, já que está 
totalmente incluído no arco de desmatamento. Como metodologia, foi realizada pesquisa 
quantitativa e qualitativa acerca dos crimes contra a flora dentro do estado de Rondônia, 
apresentando números de ocorrências por localidade e ano, bem como comparando 
os registros com as demais fases de persecução criminal, demonstrando a ação dos 
diferentes órgãos de fiscalização e repressão. Foram coletados dados constantes de 
documentos oficiais, especialmente de (i) registros de ocorrência policiais sobre crimes 
contra a flora, no período entre 2013 e 2018 no estado de Rondônia, (ii) dados esta-
tísticos de ações penais e inquéritos policiais em tramitação e (iii) dados coletados em 
entrevistas com policiais civis de Rondônia, lotados em várias unidades policiais. Como 
resultado, tem-se os dados sobrea ineficiência do estado no trato com a questão dos 
crimes florestais, desde o baixo índice de elucidação até a baixa punição e consequente 
aumento desse tipo de delito.
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INTRODUÇÃO
A Amazônia é hoje a maior cobertura florestal tropical do planeta e sua preserva-
ção é tema debatido nos maiores e mais importantes foros da comunidade internacional. 
Infelizmente a devastação da Amazônia tem aumentado nos últimos anos, principalmente 
devido a ação criminosa de grupos que a exploram ilegalmente.
A falta de dados sobre estes crimes impede que políticas públicas eficientes de com-
bate ao crime florestal sejam elaboradas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um 
diagnóstico quanto ao crime florestal em Rondônia para suporte ao desenvolvimento de 
políticas públicas e desenvolvimento da justiça. O estado de Rondônia é relevante neste 
cenário, já que está totalmente incluído no arco de desmatamento.
Como metodologia, foi realizada pesquisa quantitativa e qualitativa acerca dos crimes 
contra a flora dentro do estado de Rondônia, apresentando números de ocorrências por 
localidade e ano, bem como comparando os registros com as demais fases de persecução 
criminal, demonstrando a ação dos diferentes órgãos de fiscalização e repressão.
Os procedimentos técnicos adotados foram a pesquisa bibliográfica, pesquisa docu-
mental e o levantamento por meio de entrevista semiestruturada. O pesquisador também se 
colocou na condição de observador participante quanto às apurações de crimes ambientais. 
Para tal, foram coletados dados constantes de documentos oficiais, especialmente de (i) 
registros de ocorrência policiais sobre crimes contra a flora, no período entre 2013 e 2018 
no estado de Rondônia, considerando os sistemas policiais SISDEPOL Web, INFOPOL e 
SISDEPOL CSP; (ii) dados estatísticos de ações penais e inquéritos policiais em tramitação 
e (iii) dados coletados em entrevistas com policiais civis de Rondônia, lotados em várias 
unidades policiais.
A pesquisa está ancorada em robusto referencial teórico acerca do direito humano ao 
meio ambiente equilibrado, da necessidade de proteção do bioma amazônico e da legis-
lação administrativa e criminal acerca da proteção à flora, bem como, teorias de crimino-
logia que explicam o fenômeno criminoso, aplicadas nesse caso aos crimes florestais no 
estado de Rondônia.
Como resultado, tem-se os dados sobre a ineficiência do estado no trato com a questão 
dos crimes florestais, desde o baixo índice de elucidação até a baixa punição e consequente 
aumento desse tipo de delito. Os resultados obtidos poderão subsidiar políticas públicas 
para melhor enfrentamento do desflorestamento na região, reduzindo consequentemente o 
desmatamento na Amazônia legal.
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O CRIME AMBIENTAL COMO DELITO ECONÔMICO OU “CRIME DE 
COLARINHO-BRANCO”
O direito penal econômico é subespécie do direito penal que trata dos crimes econômi-
cos, cuja finalidade é a proteção da atividade econômica presente e desenvolvida em uma 
economia de livre mercado (PRADO, 2019). Dentre os crimes econômicos, podem ser citados: 
crimes contra o sistema financeiro, crimes tributários, crimes contra a ordem econômica e 
lavagem de capitais, praticados ou não por organizações criminosas.
Os crimes econômicos são justamente aqueles que são classificados como delitos de 
“colarinho-branco” na criminologia, praticados por altos executivos e pessoas com influência 
social e política em sua comunidade.
Nesse sentido, a partir do momento em que se tem a prática de um crime por organiza-
ções criminosas, com execução a partir de gabinetes e escritórios de empresas, e cujo lucro 
seja posteriormente objeto de lavagem de capitais, ter-se-ia, em tese, um crime econômico, 
ou crime de colarinho branco.
Na seção seguinte, a análise considera a possibilidade de aplicar a lei de organizações 
criminosas e a lei de lavagem de capitais aos crimes contra o meio ambiente, precisamente 
crimes contra a flora.
O conceito de organização criminosa foi utilizado pela primeira vez no ordenamen-
to jurídico brasileiro em 1995 com a edição da lei nº 9.034/1995 (MASSON e MARÇAL, 
2018). A referida lei tratou dos procedimentos para investigação de organizações criminosas, 
não abordando, contudo, o conceito exato de organização criminosa.
O conceito mais aceito de organização criminosa viria ser incorporado ao ordenamento 
jurídico brasileiro somente no ano de 2004, com a Convenção das Nações Unidas contra o 
Crime Organizado Transnacional, conhecida também por Convenção de Palermo, promul-
gada internamente pelo Decreto 5.015/2004 (MASSON e MARÇAL, 2018, p. 20). Contudo, 
não foi ainda tipificado o delito de organização criminosa, mas tão somente definido em seu 
artigo 2º o grupo criminoso organizado da seguinte forma:
“Grupo criminoso organizado” - grupo estruturado de três ou mais pessoas, 
existente há algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de 
cometer uma ou mais infrações graves ou enunciadas na presente Convenção, 
com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um benefício econômico ou 
outro benefício material. (BRASIL, 2004)
Esse conceito por algum tempo foi aceito de forma majoritária para complementar o 
que previa a lei 9.034/95. No entanto, em 2012 esse conceito foi novamente alterado pela 
edição da lei federal nº 12.694/12, a qual passou a definir como organização criminosa:
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Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa a asso-
ciação, de 3 (três) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada 
pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta 
ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de crimes 
cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de 
caráter transnacional. (BRASIL, 2012)
Essa lei, contudo, ainda não previu um crime de constituir ou integrar organizações 
criminosas, preocupando-se sobretudo com a segurança dos magistrados que viria a julgar 
tais delitos. Assim, apesar de um conceito legal, ainda não havia, naquele momento, pre-
visão de um crime. Somente com a publicação da lei 12.850 em 02 de agosto de 2013, o 
Brasil passou a contar com uma sólida legislação tratando de organizações criminosas, com 
definição e tipificação para tais condutas.
A nova lei de Organizações Criminosas (ORCRIM) como ficou conhecida, trouxe pre-
visões exatas do que seria considerado organização criminosa, e qual seria a pena para 
esse tipo de infração penal nos moldes a seguir apresentados:
Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação 
criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o pro-
cedimento criminal a ser aplicado.
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais 
pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, 
ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, van-
tagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas 
penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter 
transnacional.
(...)
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por inter-
posta pessoa, organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas 
correspondentes às demais infrações penais praticadas.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça 
a investigação de infração penal que envolva organizaçãocriminosa.
§ 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização 
criminosa houver emprego de arma de fogo.
§ 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coleti-
vo, da organização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de 
execução.
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):
I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa 
dessa condição para a prática de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em 
parte, ao exterior;
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IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações 
criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da orga-
nização. (grifo nosso) (BRASIL, 2013)
A partir da publicação da lei 12.850/2013 trabalha-se com o conceito de organização 
criminosa como a associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada e carac-
terizada pela divisão de tarefas, cujo objetivo é a obtenção direta ou indireta de vantagem de 
qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cuja pena seja superior a 04 anos. 
Uma vez configurada essa circunstância, todos aqueles que integrem a referida ORCRIM 
podem ser punidos com uma pena que varia de três a oito anos de reclusão.
O crime de organização criminosa é então relativamente novo, e começou a ser apli-
cado a partir de 2013 com a publicação da lei mencionada, o que explicaria a não atuação 
do poder público nesse viés antes dessa data no que toca a crimes ambientais.
Contudo, lendo-se friamente o conceito de organização criminosa, questionar-se-ia 
acerca de sua aplicabilidade aos delitos florestais cujas penas máximas não extrapolam os 
quatro anos de detenção ou reclusão. Daí a importância de uma compreensão global sobre 
condutas todas que tenham sido praticadas por infratores ambientais, a fim de checar a 
adequação da norma ao caso.
Além de todas essas fraudes, o órgão investigador (especialmente o Ministério 
Público, responsável pela persecução criminal) deverá estar atento para a ocor-
rência de outros crimes que, apesar de não serem propriamente “ambientais”, 
conjugam-se, na prática, com os crimes de exploração e comércio ilegal de 
madeira. Como vimos, a própria existência estruturada de diversas condutas 
e de diversos atores, que precisam cooperar a fim de promover a delinqu-
ência contra o meio ambiente, remete-nos à possível ocorrência dos crimes 
de associação criminosa (antigo crime de quadrilha ou bando) ou mesmo de 
formação de organização criminosa. (BRASIL. MPF, 2015)
A orientação acima colacionada é destinada à atuação do Ministério Público Federal 
quando do enfrentamento dos delitos ambientais na Amazônia, roteiro que indica a necessi-
dade do investigador não se ater somente ao delito ambiental, mas olhar o contexto como um 
todo e identificar todas as nuances do fato e as condutas criminosas porventura praticadas.
Conforme Abi-Eçab e Gaio (2019), o crime organizado situa-se no campo dos cri-
mes economicamente motivados, gerando prejuízos difusos em sua ampla maioria. Nesse 
contexto, o crime ambiental em diversas situações se encaixa dentre aqueles empreendi-
mentos lucrativos.
Nesse raciocínio, insta observar que o objetivo último do delito ambiental, notadamente 
o crime contra a flora, é o lucro obtido de forma criminosa a partir da exploração ilegal do 
meio ambiente e a custo da degradação da Amazônia. Logo, sendo auferido lucro de fonte 
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criminosa, uma vez ocultado, estar-se-ia diante do delito de lavagem de capitais, melhor 
explicado a seguir.
O crime de lavagem de capitais deriva da necessidade da comunidade internacional em 
criminalizar o lucro obtido pelas organizações criminosas (LIMA, 2014). No Brasil foi editada 
a lei 9.613, publicada em 3 de março de 1998, alterada posteriormente pela lei 12.683 em 
2012. A lei 9.613 traz logo em seu primeiro artigo o conceito do crime de lavagem:
Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movi-
mentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
VI - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
VII - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
VIII - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. (Redação dada pela Lei 
nº 12.683, de 2012)
§ 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de 
bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela 
Lei nº 12.683, de 2012)
I - os converte em ativos lícitos;
II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem 
em depósito, movimenta ou transfere;
III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros.
§ 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, 
de 2012)
I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores 
provenientes de infração penal; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que 
sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos 
nesta Lei.
§ 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código 
Penal.
§ 4o A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nes-
ta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização 
criminosa. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)
§ 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime 
aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a 
qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe 
colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos 
que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, 
coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto 
do crime. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) (BRASIL, 1998)
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Como se percebe, houve a revogação dos tipos penais constantes do rol taxativo ori-
ginalmente previsto. Antes a lei de lavagem poderia ser aplicada somente a alguns delitos 
taxativamente previstos, mas com a mudança em 2012, passa a ser aplicada sobre o lucro 
obtido com a prática de qualquer infração penal.
É importante ressaltar que antes de 2012 não havia previsão para aplicação da lei de 
lavagem de capitais sobre o lucro obtido no caso de crimes ambientais, o que pode explicar 
a não utilização desse mecanismo legal pelos órgãos de fiscalização e persecução.
O cerne do crime, portanto, é a ocultação ou dissimulação de origem, natureza, movi-
mentação, disposição ou propriedade de bens, direitos ou valores que provenham direta ou in-
diretamente de prática criminosa. A pena varia de três a dez anos de reclusão, além de multa.
Veja-se que há a previsão não só para bens e valores, como também direitos, e ainda 
a criminalização da utilização dolosa desses bens, direitos ou valores em atividadefinanceira 
ou econômica. Ou seja, aquele que utiliza dolosamente o bem, direito ou valor incorporado 
também incorre no delito de lavagem de capitais.
Nesse contexto, considerado apenas o delito de lavagem de capitais, poder-se-ia já falar 
em organização criminosa, vez que a pena máxima do delito ultrapassa e muito o patamar 
de quatro anos que fora estabelecido na lei de organizações criminosas.
Também há de se considerar que havendo corrupção de agentes públicos, a pena desse 
delito (tanto para o corrupto quanto para o corruptor) é de até doze anos de reclusão (CP, 
Art. 317 e Art. 333), o que, além de permitir o enquadramento na lei de ORCRIM, permitiria 
a aplicação da lei de lavagem de capitais.
Por outro lado, há um segundo viés na questão da lavagem de capitais, que é a utiliza-
ção do saldo virtual falsificado ou lançado ilegalmente. Aliás, essa também é uma orientação 
do Ministério Público Federal para enfrentamento desse delito:
Finalmente, devemos ter em conta que a comercialização ilícita de produtos 
de madeira, quando é feita de forma a ocultar a origem criminosa da extração 
e por meio de artifícios fraudulentos (principalmente por meio da manipulação 
do Sistema DOF ou de guias florestais), consubstancia o crime de lavagem ou 
ocultação de bens, direitos ou valores, tipificado no art. 1º da Lei nº 9.613/98, 
modificada pela Lei nº 12.683/2012. (BRASIL. MPF, 2015)
Isso porque, em compreensão ao que orienta referido órgão, o saldo falso constante 
do sistema DOF, quando feito, o foi por falsidade ideológica (art. 299 do CP), falsificação de 
documento público ou privado (art. 297 e 298 do CP), corrupção ativa e passiva (art. 317 e 
333 do CP) e/ou inserção de dados falsos em sistema oficial (art. 313-A do CP), logo, produto 
de crime. Como o saldo de créditos no sistema DOF é um direito à exploração de volumetria, 
forçoso concluir que se trata de direito obtido de forma criminosa e sua dissimulação seria 
sim lavagem de capitais, bem como, sua utilização na atividade econômica.
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Como se percebe pelo exposto, conforme a orientação, é possível aplicar a tipificação 
da lei 9.613/98 (lavagem de capitais) não somente ao lucro obtido e ocultado a partir de 
atividade ilícita, como também à própria transação de saldo virtual no sistema DOF, quando 
ilegal e realizada a partir de falsidade ideológica.
Voltando às organizações criminosas, é importante tratar do formato das organizações 
criminosas de acordo com a melhor doutrina. Nesse sentido, atualmente são conhecidas 
quatro formas básicas de organizações criminosas que, por vezes, se mesclam (MASSON 
e MARÇAL, 2018, p. 42).
Nessa conjuntura, poder-se-ia tratar de vários formatos de organizações criminosas 
que atuam em crimes florestais. Desde a empresa (ORCRIM Empresarial) até a corrupção 
(ORCRIM Endógena), passando pela ORCRIM em Rede.
Quanto ao delito de lavagem de capitais, ao contrário do que alguns imaginam, não se 
exige uma quantia vultuosa, tampouco complexidade de operações para a caracterização 
desse crime (ABI-EÇAB e GAIO, 2019). Uma vez auferido recurso proveniente de infração 
penal e ocultado o numerário (depositando-se em conta de terceiro por exemplo) devida-
mente configurado o delito.
Nesse tipo de exemplo, uma madeireira que explora ilegalmente madeira de área 
protegidas, ou que receba essa madeira ciente de sua ilicitude, ocultando o seu lucro (com 
o depósito em conta de empregados por exemplo) cometeu o delito de lavagem de capitais 
previsto na lei 9.613/98.
Uma vantagem ainda na aplicação dessa legislação criminal em desfavor dos infratores 
florestais é a possibilidade de confisco ainda maior que aquela definida na lei nº. 9.605/98 (lei 
de crimes ambientais), como efeito da condenação, promovendo assim a descapitalização 
dos criminosos e organizações.
Concluindo, é possível aplicar a lei de organizações criminosas e também a lei de 
lavagem de capitais para o combate de delitos contra a flora, tendo em vista a gama de 
possibilidades jurídicas diante das inúmeras condutas criminosas que são praticadas pelos 
exploradores ilegais.
DADOS COLETADOS ACERCA DOS CRIMES FLORESTAIS EM RONDÔNIA
DESMATAMENTO EM RONDÔNIA
A Tabela 1 apresenta a evolução do desmatamento em Rondônia entre os anos de 
2013 e 2018 de acordo com o INPE. Por essa tabela, nota-se que os anos de 2016 e 2017 
foram aqueles em que maior área foi desmatada. É possível notar também um aumento do 
desmatamento ano a ano desde 2014 a 2017, com ligeira redução em 2018.
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Tabela 1. Evolução do desmatamento em Rondônia.
ANO QUILÔMETROS QUADRADOS DESMATADOS
2013 950,2 km²
2014 758,7 km²
2015 958,3 km²
2016 1191,1 km²
2017 1273,3 km²
2018 1186 km²
TOTAL 6.317,6 km²
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do INPE (2019).
O gráfico da Figura 1 mostra a onda de aumento do desmatamento na série 2013-2018, 
com atenção especial para os anos 2016 e 2017. Portanto, é possível afirmar categorica-
mente que o ano de 2017 foi aquele em que mais se desmatou no estado de Rondônia, de 
acordo com os dados fornecidos pelo INPE.
Figura 1. Gráfico de Desmatamento por ano em Rondônia (2013-2018).
Fonte: INPE (Terra Brasilis, consulta em julho de 2019).
Essa informação vem ao encontro das demais informações coletadas nessa pesquisa 
e apresentadas nos pontos seguintes, levando a crer uma relação entre o aumento de crime 
florestal e o desmatamento conforme se demonstrará a seguir.
REGISTROS DE CRIMES FLORESTAIS NO PERÍODO ENTRE 2013 E 2018 NO ESTADO 
DE RONDÔNIA
De acordo com os dados extraídos dos sistemas policiais, em Rondônia foram regis-
tradas no período entre 2013 e 2018 o total de 9.753 ocorrências policiais. Todas referentes 
a condutas que podem ser enquadradas como “crime contra a flora”. As ocorrências em 
questão não foram estudadas caso a caso, até mesmo pelo volume, sendo separadas pela 
classificação inicial recebida.
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Tabela 2. Volume total de ocorrências no quinquênio 2013-2018.
TOTAL 2013 2014 2015 2016 2017 2018
9753 1558 1167 1326 1343 2958 1401
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO.
Buscou-se organizar a tabela de forma decrescente, com as localidades onde ocorreram 
maior número de registros no quinquênio 2013-2018. Vale ressaltar que as localidades em 
questão são municípios onde estão sediadas delegacias de polícia atualmente. Nesse contex-
to, algumas dessas unidades policiais são novas e não registraram ocorrências antes de 2016.
Tabela 3. Volume de ocorrências no quinquênio 2013-2018, por localidade.
ORDEM LOCALIDADE TOTAL
1 TOTAL 9753
2 PORTO VELHO 2881
3 NOVA MUTUM 1318
4 BURITIS 1002
5 MACHADINHO DO OESTE 803
6 ARIQUEMES 426
7 VILHENA 395
8 CUJUBIM 316
9 JI-PARANÁ 290
10 NOVA MAMORÉ 260
11 CANDEIAS DO JAMARI 258
12 EXTREMA 185
13 CEREJEIRAS 173
14 ALTA FLORESTA DO OESTE 133
15 PIMENTA BUENO 130
16 OURO PRETO DO OESTE 128
17 COSTA MARQUES 113
18 SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ 106
19 JARU 87
20 CACOAL 83
21 SÃO MIGUEL DO GUAPORÉ 79
22 MIRANTE DA SERRA 78
23 GUAJARÁ-MIRIM 70
24 COLORADO DO OESTE 67
25 ESPIGÃO DO OESTE 65
26 PRESIDENTE MÉDICI 65
27 SANTA LUZIA DO OESTE 63
28 SERINGUEIRAS 46
29 ROLIM DE MOURA 40
30 ALVORADA DO OESTE 33
31 NOVA BRASILANDIA 16
32 URUPÁ 15
33 ITAPUÃ DO OESTE 12
34 MONTE NEGRO 13
35 MINISTRO ANDREAZZA 4
36 ALTO PARAISO 0
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO.
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Importante observar que a Tabela 3 se refere ao número de registros policiais, reali-
zados tanto pela atividade da polícia ostensiva por meio do batalhão de polícia ambiental, 
quanto pelas demais instituições policiais como a PRF e a PCRO. Há ocorrências em área 
urbana inclusive, embora a maioria esmagadora seja em área rural.
A Tabela 4 apresenta a evolução percentual, por ano e por localidade, de registros poli-
ciais de crimes contra a flora no período de 2013 a 2018 no estado de Rondônia, organizada 
de forma decrescente, considerando o número total de registros na localidade. Na elabora-
ção forma considerados os períodos em que determinadas localidades não contavam com 
unidade policial (Delegacia de Polícia) em funcionamento regular. Foram excluídas também 
as localidades com menos de 40 registros no quinquênio. O gráfico da Figura 2 apresenta 
os dados que constam da Tabela 4, com os picos de registro por localidade, seno possível 
observar as tendências de aumento de registros de crimes contra a flora de forma similar 
em várias das localidades do estado.
Tabela 4. Evolução percentual de registros na série 2013-2018.
LOCALIDADE 2013 2014 P.Q.A.A.* 2015 P.Q.A.A.* 2016 P.Q.A.A.* 2017 P.Q.A.A.* 2018 P.Q.A.A.* TOTAL
PORTO VELHO 292 391 33,90% 454 16,11% 606 33,48% 768 26,73% 370 -51,82% 2881
NOVA MUTUM 581 198 -65,92% 333 68,18% 109 -67,27% 70 -35,78% 27 -61,43% 1318
BURITIS 129 132 2,33% 119 -9,85% 103 -13,45% 244 136,89% 275 12,70% 1002
MACHADINHO DO 
OESTE 51 137 168,63% 145 5,84% 59 -59,31% 349 491,53% 62 -82,23% 803
ARIQUEMES 32 68 112,50% 49 -27,94% 65 32,65% 153 135,38% 59 -61,44% 426
VILHENA 21 11 -47,62% 22 100,00% 43 95,45% 204 374,42% 94 -53,92% 395
CUJUBIM 241 8 -96,68% DP.S.F.** 52 SD*** 15 -71,15% 316
JI-PARANÁ 39 40 2,56% 35 -12,50% 37 5,71% 96 159,46% 43 -55,21% 290
NOVA MAMORÉ 8 18 125,00% 23 27,78% 48 108,70% 109 127,08% 54 -50,46% 260
C A N D E I A S D O 
JAMARI 1 5 400,00% 5 0,00% 41 720,00% 126 207,32% 80 -36,51% 258
EXTREMA DP.S.F.** 30 S/D*** 110 266,67% 45 -59,09% 185
CEREJEIRAS 8 12 50,00% 8 -33,33% 27 237,50% 90 233,33% 28 -68,89% 173
ALTA FLORESTA DO 
OESTE 12 18 50,00% 20 11,11% 22 10,00% 47 113,64% 14 -70,21% 133
PIMENTA BUENO 2 8 300,00% 12 50,00% 14 16,67% 74 428,57% 20 -72,97% 130
OURO PRETO DO 
OESTE 8 23 187,50% 9 -60,87% 17 88,89% 52 205,88% 19 -63,46% 128
COSTA MARQUES 43 23 -46,51% 11 -52,17% 10 -9,09% 23 130,00% 3 -86,96% 113
SÃO FRANCISCO DO 
GUAPORÉ 15 9 -40,00% 8 -11,11% 11 37,50% 46 318,18% 17 -63,04% 106
JARU 7 8 14,29% 18 125,00% 16 -11,11% 35 118,75% 3 -91,43% 87
CACOAL 2 4 100,00% 7 75,00% 7 0,00% 53 657,14% 10 -81,13% 83
SÃO MIGUEL DO 
GUAPORÉ 6 4 -33,33% 4 0,00% 3 -25,00% 43 1333,33% 19 -55,81% 79
MIRANTE DA SERRA 10 6 -40,00% 8 33,33% 6 -25,00% 21 250,00% 27 28,57% 78
GUAJARÁ-MIRIM 4 1 -75,00% 2 100,00% 14 600,00% 23 64,29% 26 13,04% 70
C O L O R A D O D O 
OESTE 6 5 -16,67% 7 40,00% 9 28,57% 31 244,44% 9 -70,97% 67
ESPIGÃO DO OESTE 11 10 -9,09% 8 -20,00% 11 37,50% 20 81,82% 5 -75,00% 65
PRESIDENTE MÉDICI 10 9 -10,00% 5 -44,44% 3 -40,00% 24 700,00% 14 -41,67% 65
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LOCALIDADE 2013 2014 P.Q.A.A.* 2015 P.Q.A.A.* 2016 P.Q.A.A.* 2017 P.Q.A.A.* 2018 P.Q.A.A.* TOTAL
SANTA LUZIA DO 
OESTE 9 5 -44,44% 3 -40,00% 16 433,33% 16 0,00% 14 -12,50% 63
SERINGUEIRAS 2 3 50,00% 3 0,00% 12 300,00% 19 58,33% 7 -63,16% 46
ROLIM DE MOURA 3 1 -66,67% 0 -100,00% 0 - 28 - 8 -71,43% 40
* P.Q.A.A : Percentual de diferença em relação ao ano anterior. Calcula o percentual de aumento ou redução de registros com relação 
ao ano anterior.
**DP.S.F: Delegacia da localidade sem funcionamento no período
***S/D: Sem dados percentuais por falta de parâmetro
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO.
Figura 2. Evolução dos registros de ocorrência em percentual (2013-2018).
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO.
RELAÇÃO ENTRE O CRIME FLORESTAL EM RONDÔNIA COM O DESMATAMENTO 
NA REGIÃO AMAZÔNICA
Conforme demonstrado nas Figuras apresentadas (sobretudo nas figuras 1,2 e 3), há 
uma semelhança em tendência se comparado o desmatamento no estado de Rondônia com 
os registros de crimes florestais no mesmo período de 2013 a 2018.
Ademais, as localidades mais atingidas (aquelas em que mais houve registro de ocor-
rências de crimes contra a flora) estão localizadas justamente dentro das regiões indicadas 
como locais onde o desmatamento mais cresceu, ou também pertencentes ao chamado 
“arco do desmatamento”.
Como se viu nos gráficos e nas tabelas, as localidades que mais tiveram registros de 
crimes contra a flora foram os municípios de Porto Velho, Ariquemes, Machadinho Do Oeste, 
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Buritis, Vilhena, Ji-Paraná, Guajará Mirim, São Francisco do Guaporé, Alta Floresta do Oeste 
e Espigão do Oeste.
Essas localidades são justamente aquelas próximas às reservas ambientais e uni-
dades de conservação que estão dentro do território do estado de Rondônia, o que leva a 
crer justamente que o índice de crimes florestais decorre da extração ilegal de madeira nas 
áreas protegidas.
Embora essa informação pareça genérica e até um pouco óbvia, até o momento não há 
qualquer trabalho ou pesquisa voltado à comprovação dessa relação entre o crime florestal 
e o desmatamento no estado de Rondônia, bem como, não há dado oficial que sustente 
qualquer tese de que o crime florestal é um fator que contribui para o desmatamento.
Até então, as pesquisas indicam a atividade produtiva (especialmente a pecuária de 
corte) e a lavoura como fatores que mais contribuem para o desmatamento da região. 
Contudo, esse estágio (formação de pastagens) é posterior ao desflorestamento ilegal, ou 
seja, o crime florestal antecede essa etapa por razões lógicas.
Como se vê, as unidades de conservação (popularmente conhecidas como Reservas 
Ambientais) estão localizadas dentro ou próximo aos municípios onde há maior índice de 
crimes contra a flora, o que comprova a relação entre esse tipo de delito e a redução das 
áreas florestadas.
Consequentemente, também há direta relação entre os municípios onde há maior nú-
mero de ocorrências de crimes contra a flora e as áreas de desmatamento conforme dados 
oficiais do INPE.
É possível concluir, diante de tudo que fora coletado, que:
1 – Nos períodos em que houve aumento do registro de crimes florestais no estado de 
Rondônia, também houve aumento do desmatamento registrado pelos sistemas de detecção 
do INPE, o que é indício de uma relação entre os fenômenos citados;
2 – As áreas mais desmatadas de acordo com os dados do INPE são também aquelas 
em que mais se registrou ocorrência policial relacionada a crime contra a flora no estado de 
Rondônia no período pesquisado, quais sejam, as regiões do Vale do Jamari e Porto Velho, 
o que é mais um indício da influência do crime florestal nas taxas de desmatamento;
3 – As áreas com maior volume de ocorrências registradas se localizam na gran-
de região de Porto Velho e no Vale do Jamari, as quais são próximas à maior parte das 
Unidades de Conservação do Estado, mais um indício da relação entre o crime florestal 
e o desmatamento;
Ocorre que, a punibilidade de crimes florestais não acompanha o número de registros, 
conforme todas as tabelas e gráficos já apresentadas, o número de ocorrências que resulta 
em ações penais é ínfimo se comparado com os demais delitos e com a própria atividade 
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persecutória dos órgãos envolvidos,o que se detalhará melhor no ponto seguinte. De an-
temão se percebe que o número de ações penais vai em contramão em relação ao número 
de ocorrências. Ou seja, são números inversamente proporcionais, o número de registros 
cresce, mas o número de ações cai, como ficará mais claro a seguir.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa buscou diagnosticar o crime florestal em Rondônia, visando oferecer maior 
suporte ao desenvolvimento de políticas públicas e consequentemente ao desenvolvimento 
da justiça. Para tal, a metodologia foi voltada a aferir a efetividade das ações de enfrenta-
mento ao crime florestal pelo poder público no estado de Rondônia. Com esse intuito, os 
objetivos que foram traçados foram atingidos.
Foram identificados os focos de extrativismo ilegal de madeira em Rondônia e apre-
sentadas as localidades em que o crime contra a flora é mais acentuado, com informa-
ções precisas sobre a evolução dessa criminalidade e o seu volume no decorrer do quin-
quênio 2013/2018.
Verificou-se que as localidades próximas a unidades de conservação, por exemplo, 
são as mais afetadas. As regiões de Porto Velho e Ariquemes são aquelas onde maior 
percentual de crimes contra a flora foram registrados, acompanhadas pela microrregião de 
Vilhena e Guajará-Mirim.
As áreas onde há maior incidência de crimes contra a flora coincidem também com as 
áreas onde já fora identificado maior foco de desmatamento pelo INPE, com base em dados 
de satélites, o que demonstra a ligação entre essas duas variáveis (desmatamento e crime 
florestal). É possível afirmar, nesse contexto, que o crime florestal (exploração ilegal de ma-
deira) contribui significativamente para o desmatamento. Essa constatação vai de encontro 
com algumas pesquisas apresentadas no referencial teórico, que consideravam até então 
a pecuária e agricultura como causas preponderantes para o desmatamento.
Também foi apresentado o índice de atuação da Polícia Judiciária estadual na apuração 
dos delitos contra a flora, ao se tratar dos inquéritos que foram instaurados no período, e o 
número de ações penais que são movidas pelo Ministério Público, com gráfico específico 
sobre a disparidade. Ficou constatado que o índice de punibilidade de crimes florestais em 
Rondônia, a julgar pela disparidade entre ocorrências e ações penais, é muito baixo.
Esses dados demonstram uma ineficiência na atividade de investigação de crimes 
contra a flora, que reflete diretamente na baixa produtividade do órgão ministerial e con-
sequentemente se traduz em baixa punibilidade de criminosos que atuam contra o meio 
ambiente. A partir desses dados foi possível concluir que a atuação da Polícia Civil nesse 
tipo de delito é deficitária.
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Foi verificado ainda que o recurso do estado destinado à preservação e fiscalização do 
meio ambiente está investido em outras ações que não a de polícia judiciária, o que contribui 
para a ineficiência das investigações, as quais demandam recursos logísticos e orçamento.
Por outro lado, os dados qualitativos informam que as ações mais exitosas no combate 
ao crime contra a flora foram aquelas destinadas a atacar a macro criminalidade ambiental, 
ou seja, as organizações criminosas que atuam explorando ilegalmente o meio ambiente.
O enfrentamento do delito ambiental com prática de policiamento ostensivo apenas 
tem se mostrado invariavelmente ineficiente. Por outro lado, não há investimento adequado 
na atividade de investigação para elucidação de delitos, comprovação de materialidade e 
responsabilização de autores.
Dessa forma, foram considerados alguns fatores que comprometem a eficiência no 
combate ao crime florestal, a saber: 1) o método escolhido pelos tomadores de decisão para 
a canalização de recursos, que prioriza a ação ostensiva e descoordenada de fiscalização; 
2) a inexistência de mecanismos de inteligência voltados ao enfrentamento do crime contra 
a flora; 3) a inexistência de método e qualificação dos servidores da polícia civil em geral 
para o enfrentamento da macro criminalidade e 4) déficit de recursos humanos alocados no 
órgão de Polícia Judiciária.
O que foi apresentado, em linhas gerais, diz respeito sobretudo à necessidade de 
combater à macro criminalidade, atacando os conglomerados empresariais que se valem 
da exploração ilegal da madeira para altos lucros, bem como, valer-se de políticas públicas 
mais efetivas para redução do poder dessas quadrilhas dentro das comunidades.
Conforme apresentado no referencial da pesquisa, um modelo de combate ao crime 
florestal individualizado, com captura de pessoas que estão fazendo o corte da madeira 
dentro das áreas, além de não ser efetivo, gera injustiça social. A lei de crimes ambientais 
se mostra socialmente injusta na medida em que as condutas com maior pena são aquelas 
praticadas por pessoas que muitas vezes dependem do trabalho braçal para sua subsistência.
As penas aplicadas aos receptadores de madeira ilegalmente extraída, por outro lado, 
são diminutas e sujeitas a procedimento mais brando, tendo em vista que são infrações 
penais de menor potencial ofensivo.
Por outro lado, ainda parece novo o conceito de organização criminosa ambiental, não 
sendo algo frequente na rotina dos operadores ou na mídia, o que exige melhor compreen-
são e adaptação por parte dos aplicadores em todos os órgãos e instituições, a começar 
pela Polícia Judiciária.
Quando se parte para a perspectiva de grupos criminosos agindo na exploração ilegal 
de madeira a constatação é ainda pessimista com pouquíssimas apurações e sem notícia 
de ações penais ajuizadas ou sentenças prolatadas no poder judiciário estadual.
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Isso decorre de um problema sistêmico de enfrentamento errôneo pela falta de canali-
zação adequada de recursos em atividade de inteligência, aparato tecnológico e sobretudo 
no formato de enfrentamento do delito já praticado (ação de polícia judiciária).
O formato de enfrentamento é inadequado justamente pela não utilização dos recursos 
legais disponíveis desde a investigação criminal. A investigação isolada (comum e rotineira) 
dos exploradores ou extrativistas, com indiciamentos individualizados e sem apuração da 
rede criminosa envolvida e tampouco da lavagem de capitais é deveras ineficaz.
A correta atuação estatal é justamente partindo do enfrentamento macro para o enfrenta-
mento micro e não o contrário (realidade atual) até mesmo por uma questão de justiça social, 
tendo em vista que os punidos atualmente são as pessoas que trabalham humildemente 
com a exploração ilegal de madeira, muitas vezes sem outras opções como meio de vida.
Em muitas localidades do estado, o mercado madeireiro é tão pujante que se torna 
uma das maiores forças motrizes da economia local, deixando a população hipossuficiente 
com a sensação de fazer o correto ao trabalhar em áreas de extração ilegal, até mesmo 
pelo desconhecimento da norma.
A mudança que se espera, portanto, é uma atuação voltada a punir quem efetivamente 
lucra e se beneficia com a prática criminosa quanto à exploração ilegal da madeira, e não 
apenas aquelas pessoas que dependem de um mecanismo ilegal para sua subsistência.
Ante esses resultados, com a descoberta dos problemas citados e dos prejuízos para 
eficiência do enfrentamento aos crimes contra a flora no estado de Rondônia, o presente 
relatório é o produto dessa pesquisa, a ser encaminhado aos tomadores de decisão em 
todos os poderes do estado.
Tais instrumentos possibilitam a adoção de novos métodos para canalização de recursos 
humanos e materiais, com melhor aproveitamento desses recursos e melhores resultados, 
privilegiando o princípio da eficiência no combate ao crime ambiental florestale talvez até 
mesmo a redução de custos, com maior economicidade para o erário.
Assim, as soluções que são apresentadas como produto do trabalho na respectiva carta 
de recomendações visam minimizar a inoperabilidade e aumentar o índice de elucidação 
desses delitos, sem, contudo, implicar aumento excessivo de gastos.
REFERÊNCIAS
1. ABI-EÇAB, P. C.; GAIO, A. Tutela do Meio Ambiente. In: VIRORELLI, E. Manual de Direitos 
Difusos. 2ª. ed. Salvador/BA: Juspodivm, 2019. p. 661-846.
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2. BRASIL. LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998. Dispõe sobre as sanções penais e 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras pro-
vidências, 1998. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso 
em: 28 outubro 2019.
3. BRASIL. LEI Nº 9.613, DE 3 DE MARÇO DE 1998. Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou 
ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para 
os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF, 
e dá outras providências., 1998. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L9613compilado.htm>. Acesso em: 2019.
4. BRASIL. DECRETO Nº 5.015, DE 12 DE MARÇO DE 2004. Promulga a Convenção das Nações 
Unidas contra o Crime Organizado Transnacional., 2004. Disponivel em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5015.htm>. Acesso em: 9 novembro 2019.
5. BRASIL. LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012 (NOVO CÓDIGO FLORESTAL). Dispõe 
sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, 
9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nºs 
4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e, 2012. Disponivel em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/L12651compilado.htm>. Acesso 
em: 09 novembro 2019.
6. BRASIL. LEI Nº 12.694, DE 24 DE JULHO DE 2012. Dispõe sobre o processo e o julgamento 
colegiado em primeiro grau de jurisdição de crimes praticados por organizações criminosas; 
Altera o CP e CPP e da outras providencias., 2012. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12694.htm>. Acesso em: 2019.
7. BRASIL. LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013. Define organização criminosa e dispõe 
sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o 
procedimento criminal;, 2013. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2013/Lei/L12850.htm>. Acesso em: 2019.
8. BRASIL. MPF. Roteiro de Atuação: Desmatamento. Brasília: Ministério Público Federal (2ª 
CCR), v. 7, 2015.
9. INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Sistema TERRABRASILIS, 2019. Disponivel 
em: <http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/map/deforestation?hl=pt-br>. Acesso em: Julho 2019.
10. LIMA, R. B. D. Legislação Criminal Especial Comentada. 2ª. ed. Salvador: JusPodivm, 2014.
11. MASSON, C.; MARÇAL, V. Crime Organizado. 4ª. ed. São Paulo: Forense, 2018.
12. PRADO, L. R. Direito Penal Econômico. 8ª. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
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Avaliação do efeito de diferentes técnicas 
de cura na resistência de compósitos de 
cimento e lignina
Raquel Marchesan
UFT
Renata Carvalho da Silva
UFPR
Grasiella Costa Milhomen Soares
UFT
Meire Cirqueira Santos
UFT
Karolayne Ferreira Saraiva
UFT
Amanda Martins Cardoso
UFT
Bruno Aurélio Campos Aguiar
UnB
Vanessa Coelho Almeida
UFT
André Orathes do Rêgo Barros
Unopar
Rodrigo Araújo Fortes
IFTO
'10.37885/220207713
https://dx.doi.org/10.37885/220207713
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Palavras-chave: Absorção, Inchamento, Painéis Cimento-Madeira.
RESUMO
O objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito de diferentes técnicas de cura, com ou sem 
a presença de água, na resistência e na absorção de compósitos a base de cimento e 
lignina. Foram realizados quatro tratamentos, sendo T1: sem tratamento de cura; T2: cura 
por aspersão de água; T3: cura em água fria; T4: cura em água quente. Para a confecção 
dos corpos de provas foram utilizados o cimento Portland do tipo II (CP II), água, lignina 
industrial em pó e dois aditivos sintéticos. Foi determinado o teor de umidade da lignina, 
valores médios de densidade aparente dos corpos de prova, tensão, absorção em 2 
horas, absorção em 24 horas, inchamento em 2 horas e inchamento em 24 horas dos 
tratamentos. Os tratamentos de cura T3 e T4 foram os que apresentaram melhor com-
portamento diante dos demais, tanto para densidade como para resistência e absorção, 
podendo ser utilizados para fins como telhas, tijolos e argamassa, com menores médias 
em relação a absorção em 2 horas de imersão em água (3,08% e 2,64%, respectivamen-
te) e em 24 horas de imersão (7,35% e 7,54%, respectivamente). O melhor processo de 
cura foi o de imersão em água fria, por apresentar os melhores resultados, alterando a 
propriedade de ligação interna das partículas positivamente e por possuir vantagem em 
relação a cura em água quente, que ao mesmo tempo é eficiente, mas que necessita de 
um sistema de aquecimento, aumentando os gastos no processo.
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INTRODUÇÃO
Os painéis cimento-madeira são utilizados principalmente no setor de construção civil, 
principalmente nos países da Europa e no Japão, devido suas propriedades estruturais. Esse 
tipo de painel possui inúmeras qualidades favoráveis, como características isolantes e ser 
potencialmente incombustível, além de possuir uma boa trabalhabilidade, alta resistência 
mecânica à umidade e ao ataque de agentes biodegradadores (MOSLEMI, 1974).
Devido suas vantagens, o desenvolvimento de painéis com a inclusão de constituin-
tes da madeira é uma possibilidade viável para uso de subprodutos das indústrias de base 
florestal como serrarias, indústria de painéis, celulose, entre outras, reduzindo a pressão 
praticada sobre os ecossistemas florestais.
A lignina é um desses constituintes que vem ganhando destaque tanto na área de 
painéis de madeira, como também para painéis cimentícios, principalmente na substituição 
de aditivos sintéticos por aditivos naturais que auxiliem no aumento de resistência e na di-
minuição da absorção de água pelos painéis.
Segundo Chakar et al. (2004) a lignina é um polímero amorfo tridimensional, composto 
por estruturas fenilpropano metoxiladas. Sua aquisição provém basicamente de fontes ve-
getais, biomassa de subprodutos e do resíduo da polpação da madeira. Neste último caso a 
matéria-prima é abundantemente importante por ser adquirida de um setor industrial brasileiro.
A lignina pode ter destinação para uso em adesivos, resinas e compósitos, na substi-
tuição de materiais sintéticos, sendo considerado de grande interesse industrial em virtude 
da procura por materiais com custos menores, cujas fontes sejam renováveis e que tenham 
potencial para melhorar características importantes nos produtos finais. As resinas com lig-
nina em sua composição têm como vantagens: maior valor agregado, eliminação de resíduo, 
otimização do produto existente e diminuição do uso do formaldeído (LABAT et al. 2008).
No concreto, os aditivos alteram suas propriedades, sendo usualmente empregados 
para melhoria da trabalhabilidade, na aceleração ou desaceleração de tempo de cura e 
equilíbrio do desenvolvimento da resistência do concreto (MEHTA e MONTEIRO, 1994).
A água é necessária para que aconteçam as reações químicas do cimento, para os 
aditivos se dissolverem, e ainda, para permitir a mistura do cimento que irá revestirunifor-
memente as partículas de madeira (LATORRACA e IWAKIRI, 2005).
Além da importância na composição do traço do concreto e argamassas, a água também 
tem papel importante no processo de cura dos mesmos. A cura correta da argamassa evita 
a perda precoce de umidade e ajuda a controlar a temperatura por um período suficiente, 
aumentando as propriedades mecânicas e reduzindo a absorção de água (UNGERICHT e 
PIOVESAN, 2011).
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A resistência mecânica em argamassas é alcançada pelas reações de hidratação dos 
silicatos, que ocorre durante o processo de cura. Desta forma, a resistência à compres-
são simples é uma propriedade mecânica afetada pelo tipo e tempo de cura (FAMY et al., 
2003; FREITAS, 2001).
Os principais tipos de cura são a cura úmida, cura imersa, cura química e cura térmi-
ca. A cura úmida, consiste em proporcionar a inserção de água em contato com a superfície 
da argamassa deixando-a úmida, e assim evitar a evaporação rápida da água (UNGERICHT 
e PIOVESAN, 2011), permitindo que as reações químicas ocorram de forma correta refor-
çando, assim, as ligações dos painéis.
Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes téc-
nicas de cura, com ou sem a presença de água, na resistência e na absorção de compósitos 
a base de cimento e lignina.
MÉTODO
O presente trabalho foi realizado na Universidade Federal do Tocantins, no laboratório 
de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais, Campus Universitário de Gurupi, locali-
zado no sul do estado do Tocantins.
Coleta e preparo do material
Para a confecção dos corpos de prova foram utilizados o cimento e a lignina como princi-
pais compostos dos painéis. A lignina foi disponibilizada por uma indústria de Papel e Celulose, 
já o cimento Portland tipo II (CP II) foi adquirido no comércio do município de Gurupi, TO.
Foram utilizados, para a confecção dos corpos de provas, o cimento Portland do 
tipo II (CP II), água, lignina em pó e dois aditivos reforçadores para a junção da argamassa, 
que permitem melhor liga aos materiais usados nos tratamentos (Figura 1).
Figura 1. Matérias separados para confecção dos corpos de provas.
Fonte: Autor (2019).
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Os aditivos sintéticos empregados foram o superplastificante derivado de lignosulfo-
natos para argamassas minerais e o aditivo derivado de copolímero estireno acrílico de-
nominado adesivo sintético. Os aditivos são aplicados na fabricação de concretos, quali-
ficados como sendo o quarto elemento da composição, auxiliando os agregados, cimento 
e água. Ao mesmo tempo maximizam os pontos positivos do concreto e diminuem seus 
defeitos (PORTAL DO CONCRETO, 2013).
Determinação de quantidade de insumos
Na definição da quantidade de insumos a serem usados na argamassa para a produção 
dos corpos de provas, inicialmente determinou-se a densidade aparente nominal dos mesmos 
em 1,20 g.cm–³. Em seguida, foi definido para cada corpo de prova cilíndrico e prismático 
o volume dos recipientes, e a proporção de cimento e lignina de 9:1, sendo nove partes de 
cimento para uma de lignina.
Determinou-se a quantidade total de sólidos, considerando a massa seca necessária 
para compor um corpo de prova, de acordo com os volumes dos moldes utilizados. Corpos 
de prova cilíndricos: Volume de 86,01 cm3; corpos de prova prismáticos: volume de 250 cm3.
Na Equação 1 foi definida a massa total de cimento e lignina, para qual se utilizou a 
densidade de 1,20 g.cm–³ e o volume do molde, consequentemente adquiriu-se a massa 
total de sólidos (cimento e lignina).
 (1)
Em que:
Da = densidade aparente (g.cm–3);
M = massa total de sólidos (g);
V = volume do corpo de prova (cm³).
De posse do valor total de massa de cada corpo de prova, definiu-se, por meio da 
proporção de 9:1, a quantidade necessária de cimento e de lignina (massa seca).
Em relação à lignina, foi necessário determinar o teor de umidade para descontar da 
composição da argamassa, a quantidade de água contida no material.
Determinação do teor de umidade
Para a determinação do teor de umidade da lignina, utilizou-se a norma Tappi 
(1996). Em balança analítica foram pesados três cadinhos vazios e em seguida foram adi-
cionados em cada cadinho 3 g de lignina. Posteriormente, os mesmos foram colocados 
em estufa à temperatura de 103°C±2 até estabilização do peso. Depois de resfriadas em 
dessecador, foram submetidas a pesagem da amostra seca. Utilizou-se a Equação 2 para 
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a cálculo de TU% e a Equação 3 para a determinação da massa úmida utilizada na com-
posição da argamassa.
 (2)
Em que:
TU = teor de umidade (%);
MU = massa úmida (g);
MS = massa seca (g).
 (3)
Em que:
AS = absolutamente seco (%);
MS: Massa seca da amostra de lignina;
MU: Massa úmida da amostra de lignina.
Com os valores adquiridos de quantidade de cimento, teor de umidade da lignina e da 
massa seca dessas partículas foi calculada a quantidade de líquidos totais a ser utilizada 
na argamassa (Equação 4).
 (4)
Em que:
QLT= quantidade de líquidos totais (g);
C = massa de cimento (g);
TU = teor de umidade da partícula (%);
MS = massa das partículas (g);
0,65 = fator água: cimento.
Na obtenção dos valores de aditivos a serem usados, para o cálculo de superplasti-
ficante, empregou a proporção de 2,5% em relação ao peso do cimento. Na determinação 
da quantidade de adesivo sintético, utilizou a proporção de 2:1, constituindo duas partes de 
água para uma de adesivo (Equação 5). Portanto foi possível adquirir a quantidade exata 
de água necessária para argamassa (Equação 6).
 (5)
Em que:
QD = quantidade de adesivo (g);
QLT = quantidade de líquidos totais (g);
P = proporção do adesivo.
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 (6)
Em que:
QA = quantidade de água (g);
QLT = quantidade de líquidos totais (g);
MU = massa úmida da lignina (g);
MS = massa seca da lignina (g);
QD = quantidade de adesivo (g);
QP = quantidade de plastificante (g).
Por fim, foi possível definir a quantidade de insumos necessários para a confecção dos 
corpos de prova cilíndricos e prismáticos dos tratamentos T1, T2, T3 e T4, como descritos 
na Tabela 1 e Tabela 2.
Tabela 1. Insumos utilizados na fabricação de um corpo de prova destinado ao ensaio de compressão axial.
INSUMOS
TRATAMENTOS
T1 (g) (Cura a seco) T2 (g) (aspersão de água) T3 (g) (água fria) T4 (g) (água quente)
Cimento 92,89 92,89 92,89 92,89
Lignina 10,32 10,32 10,32 10,32
Adesivo 15,69 15,69 15,69 15,69
Plastificante 2,32 2,32 2,32 2,32
Água 44,02 44,02 44,02 44,02
Nota: T1: sem tratamento de cura; T2: cura borrifando água; T3: cura em água frio; T4: cura em água quente. 
Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019).
Tabela 2. Insumos utilizados na fabricação de um corpo de prova destinado aos ensaios de absorção e inchamento.
INSUMOS
TRATAMENTOS
T1 (g) (Cura a seco) T2 (g) (aspersão de água) T3 (g) (água fria) T4 (g) (água quente)
Cimento 270 270 270 270
Lignina 30 30 30 30
Adesivo 45,62 45,62 45,62 45,62
Plastificante 6,75 6,75 6,75 6,75
Água 127,96 127,96 127,96 127,96
Nota: T2: sem tratamento de cura; T2: cura borrifando água; T3: cura em água frio; T4: cura em água quente. 
Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019). 
Confecção dos corpos de prova
Seguindo as normas NBR 5738 (ABNT, 2003) e D 1037 (ASTM, 1999), foram fabricados 
corpos de prova empregando-semoldes cilíndricos e prismáticos. Os corpos de provas cilín-
dricos de ensaio de compressão axial, devem ter uma altura igual ao dobro do diâmetro, e o 
molde deve ser de material que não interaja com o cimento Portland, fornecendo, portanto, 
um fácil desenforme. Desta forma, os mesmos foram confeccionados com tubos de PVC, 
com dimensões de 40 mm de diâmetro exterior e 80 mm de comprimento, proporcionando 
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ao molde um volume líquido de 86,01 cm³, possuindo um corte ao longo do cilindro para 
promover a fácil retirada dos corpos de prova (Figura 2). Para o fechamento do fundo do 
molde, colocou-se um capo próprio para tubos de PVC.
Figura 2. Moldes cilíndricos confeccionados para fabricação dos corpos de prova submetidos ao ensaio de compressão axial.
Fonte: Autor (2019).
Para os moldes prismáticos de ensaio de absorção e inchamento foram utilizados ma-
deira e chapa dura na sua confecção. Os mesmos possuem dimensões de 2,5 cm x 10,1 
cm x 10,0 cm com volume líquido de 250 cm³ (Figura 3).
Figura 3. Moldes prismáticos para confecção dos corpos de prova submetidos aos ensaios de absorção e inchamento.
Fonte: Autor (2019).
Todos os corpos de provas tiveram o mesmo método de mistura dos insumos. 
Inicialmente, em uma balança semi-analítica, os materiais sólidos foram submetidos a pe-
sagem exata, logo depois, fez-se a mistura da parte sólida (lignina e cimento) e os líquidos, 
já misturados, foram despejados aos poucos à argamassa. Com o auxílio de uma espátula, 
foi realizada a homogeneização da massa até a uniformidade completa da mesma, garan-
tindo a consistência plástica (Figura 4).
Em seguida, a argamassa já pronta foi transferida para os moldes até o enchimento 
total, os mesmos foram sujeitos à compactação vibro mecânica na mesa vibratória (Figura 
5), com duração de 2 minutos para todos os corpos de provas. Foram produzidos seis corpos 
de provas cilíndricos e quatro corpos de provas prismáticos para cada tratamento.
Conforme Parchen (2012), o procedimento de vibro-compactação na fabricação de 
compósitos cimento-madeira fornece benefícios como adequar a compactação e aglutina-
ção entre as partículas dos insumos sem a necessidade de prensagem e grampeamento. 
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Para produção de painéis com baixa densidade, aproveitando resíduos de madeiras da 
construção civil, Wolfe e Gjinolli (1997) verificaram que, por meio de vibrações de baixa 
frequência chega-se a uma compactação e distribuição mais uniformemente das partículas 
dentro dos compósitos.
Posterior à confecção dos corpos de prova, ainda em seus moldes, os mesmos foram 
alocados em temperatura ambiente por sete dias para facilitar o desmolde. Em seguida os 
mesmos foram retirados dos moldes para iniciar o processo de cura, completando os 28 dias.
Figura 4. Balança semi-analítica; insumos separados para mistura; argamassa pronta.
Fonte: Autor (2019).
Figura 5. Mesa vibratória usada na compactação vibro mecânica na confecção dos corpos de prova.
Fonte: Autor (2019).
Cura dos corpos de prova
De posse dos corpos de prova já prontos, foram realizados quatro tipos de tratamentos 
de curas diferentes, sendo esses:
T1: cura à seco;
T2: cura por aspersão de água;
T3: cura em água fria;
T4: cura em água quente.
O T1 permaneceu em temperatura ambiente sem cura, ou seja, sem a presença de 
água; os corpos de prova do T2 foram submetidos a cura por aspersão água fria uma vez 
por dia durante 21 dias; os corpos de prova do T3 foram destinados à cura submersos em 
água fria por 7 dias; os corpos de prova do T4 em cura submersos em água quente em 
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banho maria a 90°C por 3 horas por 7 dias. Após o término da cura dos tratamentos T3 e 
T4, os mesmos foram submetidos à aspersão de água até atingir os 28 dias. O processo da 
cura do concreto por aspersão é um dos métodos mais básicos de proteção, podendo ser 
efetivada de forma contínua ou intermitente (BAUER, 2008).
Ensaios dos corpos de prova
Para realização dos cálculos de densidade aparente, resistência à compressão axial, 
percentual de absorção e inchamento foi necessária a determinação dos diâmetros, raios e 
peso dos corpos de prova cilíndricos. Para os prismáticos, foram necessárias as medidas 
de larguras, espessuras e peso.
Para os corpos de prova cilíndricos, calculou-se a densidade aparente unitária de 
acordo com a norma EN 323 (1993), por meio da relação da massa e do volume de cada 
corpo de prova (Equação 7).
 (7) 
Sendo:
Da = densidade aparente unitária (g.cm–3);
M = massa (g);
V = volume (cm³).
Baseando-se na NBR 7215 (ABNT, 1996) que estabelece a resistência do material, os 
corpos de provas cilíndricos foram sujeitos ao ensaio mecânico de compressão axial, efetua-
do numa prensa hidráulica com capacidade de 10 toneladas. Estabelecida a área da seção 
transversal do corpo de prova e tendo a força efetuada na mesma, foi obtido a resistência 
de compressão axial em Mega Pascal (MPa) com base na Equação 8 (Figura 7).
 (8)
Em que:
f = resistência à compressão axial (MPa);
F = força exercida (N);
S = área (mm2)
Para os corpos de provas prismáticos foram obtidas inicialmente as medidas de es-
pessura dos quatro lados para cálculo da sua média. Em seguida os corpos de prova foram 
pesados e colocados em um recipiente com água com a finalidade de se obter as porcenta-
gens de absorção e inchamento de todos os tratamentos após 2 horas e 24 horas de imersão.
Para a obtenção do percentual de absorção e inchamento foram aplicadas as Equações 
9 e 10, de acordo com a D 1037 (ASTM, 1999), adaptada.
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 (9)
Em que:
Pu = peso úmido (g);
Ps = peso seco (g).
 (10)
Em que:
If: Medida final (mm);
Ii: Medida inicial (mm).
Análises estatísticas
Para a análise estatística dos dados, foi utilizando um delineamento inteiramente ca-
sualizado, sendo 4 tratamentos diferentes de cura, em que primeiramente aplicou-se o teste 
de normalidade de Shapiro-Wilk. Para os dados que não apresentaram normalidade, foi 
aplicada a transformação BOX-COX para o ajuste da normalidade. Em seguida, foi realizada 
a análise de variância (ANOVA), para averiguar se houve diferença significativa entre os 
tratamentos. Havendo diferença, para a comparação de médias, utilizou-se o teste de Tukey 
ao nível de 5% de significância.
Os programas utilizados para a análise foram: Satatigraphics Centurion XVI.I 
(Normalidade e transformação Box-Cox), Sisvar 5.6 (Análise de variância e Teste de Tukey), 
Excel 2007 ® (Tabulação dos dados, a determinação do coeficiente de variação e teste de 
correlação de PEARSON (R).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 3 são apresentados os valores de densidade aparente, resistência à com-
pressão axial, absorção em 2 horas e 24 horas, inchamento em 2 horas e 24 horas e o 
coeficiente de variação entre os tratamentos.
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Tabela 3. Valores médios de densidade aparente, resistência à compressão axial, absorção em 2 horas, absorção em 24 
horas, inchamento em 2 horas e inchamento em 24 horas dos tratamentos e seus respectivos coeficientes de variação.
Tratamentos Da (g/cm–³) ƒ (MPa) Abs 2 hs (%) Abs 24 hs (%) Inch 2 hs (%) Inch 24 hs (%)
Cura a seco (T1) 1,20 b (3,32)5,32 b (10,13) 5,06 a (8,74) 9,38 a (9,41) 0,33 a (104,49) 0,83 a (51,28)
Por aspersão (T2) 1,25 ab (3,06) 5,32 b (9,10) 3,52 ab (4,39) 8,87 a (3,95) 0,39 a (41,00) 0,87 a (46,64)
Em água fria (T3) 1,28 a (2,82) 7,57 a (5,01) 3,08 b (10,48) 7,35 b (2,24) 0,24 a (66,68) 0,70 a (81,87)
Em água quente (T4) 1,28 a (0,80) 7,40 a (1,59) 2,64 c (6,43) 7,54 b (5,41) 0,15 a (54,51) 0,59 a (51,28)
F 4,50* 35,39* 50,65* 14,42* 0,93ns 0,35ns
Nota: Da: Densidade aparente; ƒ: resistência em mega pascal (MPa); Abs 2 hs: absorção em 2 horas; Abs 24 hs: absorção em 24 horas; 
Inch 2 hs: inchamento em 2 horas; Inch 24 hs: inchamento em 24 horas. Médias seguidas pelas mesmas letras minúscula na coluna não 
diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey. * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05), ns Não significativo ao nível de 5% 
de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%).
 Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019).
Conforme a Tabela 3, para a densidade aparente dos painéis, os tratamentos T3 e T4 não 
apresentaram diferença significativa, com as maiores médias (1,28 g.cm–3). Para os demais 
tratamentos observou-se diferença significativa, sendo T1 com menor média (1,20 g.cm–3) 
e o tratamento T2 com média intermediária (1,25 g.cm–3).
Na Tabela 4 é apresentada a comparação das densidades de materiais usualmente 
empregados na construção civil.
Tabela 4. Densidade de materiais empregados na construção civil – adaptado de PARCHEN (2012).
MATERIAL DENSIDADE (g.cm–3)
Bloco de concreto 2,2
Concreto para enchimento de piso 2,2 a 2,3
Painéis de cimento-amianto 1,9
Tijolo cerâmico furado 1,1 a 1,4
Pinus spp. 0,39 a 0,48
Compósitos madeira-cimento 0,51 a 0,66
Diante dos valores de densidade apresentados na tabela acima e fazendo um com-
parativo com o presente estudo, em que as médias obtidas variaram de 1,20 g.cm–3 a 1,28 
g.cm–3, nota-se que todos os tratamentos apresentaram densidade maior que os compósitos 
cimento-madeira apresentados por Parchen (2012).
Todos os valores encontrados nos tratamentos são maiores que os apresentados no 
trabalho realizado por Iwakiri e Prata (2008) onde obtiveram médias de densidade aparente 
para painéis cimento-madeira com Pinus taeda (testemunha) e Eucalyptus grandis sem 
tratamento de cura de 1,19 g.cm–3 e 1,12 g.cm–3 respectivamente, sendo inferior ao T1 com 
valor de 1,20 g.cm–3. Já, para a cura em água fria e cura em água quente apresentou para 
a espécie Eucalyptus grandis média de 1,1 g.cm3, também inferior ao encontrado, que nas 
mesmas condições obteve média de 1,28 g.cm–3. Verifica-se uma semelhança dos valores 
com De Sá et. al. (2012) que encontrou para a densidade aparente, na produção de painéis ci-
mento-madeira em 50% de Toona ciliata e 50% E. grandis x E. urophylla, valor de 1,21 g.cm–3.
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O presente estudo obteve médias semelhantes e até superiores quando comparado com 
Iwakiri et al. (2012) que encontraram valores médios de densidade dos painéis cimento-ma-
deira na faixa de 1,04 g.cm–3 a 1,13 g.cm–3 para os diferentes tratamentos avaliados. Os valo-
res obtidos também estão compatíveis com a densidade dos painéis comerciais, que segundo 
a Bison (1978) é de 1,10 g.cm-3. Conforme a NBR 8953 (ABNT, 1992), relacionada a concreto 
para destinações estruturais com classificação por grupos de resistência, é possível atestar 
que no presente estudo, os painéis se adequam na classificação CL (concretos leves) que 
atribui valores de densidade menores que 2 g.cm–³.
Verifica-se que a medida que se aumenta as médias de densidade dos tratamentos, 
os valores médios de resistência à compressão axial foram aumentando, porém se observa 
o inverso quanto ao inchamento em 2 horas e em 24 horas, fazendo com que a escolha 
do melhor tratamento, seja influenciado pelas características desejadas pelo uso, fato que 
também pode ser comprovado no trabalho realizado por Villas-Boas et al. (2017) que afirma 
que valores menores de resistência à compressão estão intimamente ligados a menores 
valores de densidade dos corpos de prova.
Segundo Gazola (2007), o cimento tem a função básica de atuar como aglomerante 
propiciando características físico-mecânicas de resistência e durabilidade, enquanto que a 
madeira tem a função de aumentar a resistência à flexão, diminuir a densidade e melhorar 
outras propriedades como o isolamento térmico e acústico.
Quanto a resistência a compressão, é possível analisar os valores na Tabela 3, em 
que apresenta a maior média no Tratamento 3 de 7,57 MPa, seguido pelo T4 de 7,40 MPa 
e por fim, com as menores médias de 5,32 MPa para T1 e o T2.
A água influencia diretamente na resistência dos painéis compostos por cimento, de-
vido sua relação direta com as propriedades dos materiais, na durabilidade da massa e 
na hidratação do cimento depois de finalizado o corpo de prova. Isso ocorre pela estreita 
ligação entre a relação A/C (água/cimento) e a porosidade capilar da pasta de cimento 
(SENFF et al., 2005).
Nota-se que com a imersão dos corpos de prova em água fria (T3) houve um aumento 
considerável na resistência a compressão dos mesmos, com médias de 7,57 MPa, confir-
mando a eficiência da cura em água. O tratamento de cura T3 possui vantagem sobre o T4, 
por ser um processo mais simples e que exige menor investimento. Já em tratamentos com 
menor quantidade de água aplicada, ou sem a presença da mesma, não se teve diferença 
significativa, apresentando valores iguais de 5,32 MPa para T1 e T2.
Hermeto (2016) observou que acrescentando diferentes proporções de lignina (0; 2,5%; 
5% e 7,5%) no cimento para a produção de argamassa, consequentemente à medida que 
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aumentou a quantidade de lignina a resistência foi inversamente proporcional. Ao acrescentar 
a maior percentagem de lignina (7,5%) foi obtido o menor valor de flexão e tração.
Comparando os resultados obtidos em T1 (5,32 MPa) e T3 (7,54 MPa), com os valores 
mencionados na literatura, se constatou que Iwakiri; Prata (2008), apresentaram valores 
médios superiores obtidos para painéis de E. grandis, sem tratamento (9,90 MPa) e com 
tratamento de partículas em água fria (8,82 MPa), também foram inferiores em relação 
ao valor mínimo referencial do processo Bison (BISON WOOD-CEMENT BOARD, 1978), 
que é de 8,82 MPa.
Porém, os resultados foram satisfatórios em comparação aos valores obtidos por 
Latorraca (2000), para painéis produzidos com madeiras de E. pellita, E. robusta, E. uro-
phylla e E. citriodora, cujas médias variaram na faixa de 3,53 a 6,77 MPa. Os valores dos 
compósitos foram suficientes para atender ao requisito mínimo de 0,40 MPa exigido para 
painéis comerciais (NCL Industries LTD., 2011).
O comportamento da relação entre as densidades médias e os parâmetros de resis-
tência tem a mesma tendência conforme observado por Wolfe e Gnolli (1997). Ou seja, há 
uma tendência ao crescimento dos valores com o aumento da densidade. Segundo Matoski 
(2005) essa influência pode ser devido ao fato de que a madeira absorve boa quantidade da 
água de amassamento e essa água por sua vez pode ficar retida nos poros dessa argamassa, 
colaborando com o aumento de vazios e assim diminuindo a densidade e consequentemente 
a resistência do corpo de prova.
Em relação a aplicação do teste de absorção de água em 2 horas e 24 horas verificou-
-se diferença significativa entre os tratamentos. O T1 apresentou os maiores valores (5,06% 
e 9,38% respectivamente) para 2 e 24 horas como evidenciado na tabela 3. Diante disto, 
para o tratamento com cura a seco, o painel é indicado para revestimentos que não tenham 
contato direto com umidade.
Os painéis que apresentaram menoresabsorções foram os do tratamento T4 com 
menor média em 2 horas (2,64%), e com 7,54% em 24 horas de imersão, valores próximos 
ao T3 que também obtiveram valores baixos para absorção com 3,08% em 2 horas e 7,35% 
em 24 horas. Desta forma, pode-se afirmar que cura em água fria e água quente auxiliaram 
no comportamento dos painéis com lignina neste quesito, reforçando sua boa característica 
para a utilização em telhas de concreto.
O tratamento T3, foi o que apresentou melhor comportamento tanto para densidade, 
resistência e para absorção, podendo ser utilizado para fins estruturais como telhas, tijolos 
e argamassa. O T2 obteve média de 3,52% e 8,87% para 2 e 24 horas respectivamente, 
permanecendo intermediário entre os demais tratamentos.
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Iwakiri; Prata (2008) empregando as espécies Eucalyptus grandis, Eucalyptus dunnii e 
Pinus taeda na manufatura de painéis cimento-madeira, encontraram valores de absorção 
de água, após 24 h de imersão, de 15,2; 16,7; e 14,05%, respectivamente. Valores maiores 
dos que os apresentados no presente estudo.
Verifica-se então que há tendências de diminuição na absorção de água dos painéis 
produzidos com cura em água fria e água quente. Os valores médios de absorção de água 
24 horas, obtidos nesse estudo estão abaixo da faixa de 15,69% a 22,22%, encontrados 
por Latorraca (2000) para quatro espécies de eucalipto. Hermeto (2016) constatou que, ao 
aumentar o teor de lignina em argamassa para revestimento, a absorção de água diminuiu 
e o teor maior de lignina (7,5%) destacou-se por apresentar menor porcentual de absorção, 
resultado este que confirma a eficiência da lignina quando se trata deste par parêmetro.
Em relação ao inchamento dos corpos de prova, não houve diferença significativa entre 
os tratamentos em 2 e 24 horas. Apresentou coeficientes de variação acima de 30%, o que 
demonstra que houve grande variação na coleta de dados para inchamentos. O que pode 
ocasionar esses resultados é a superfície irregular dos corpos de prova, que pode causar 
grandes diferenças na coleta. No entanto, mesmo sem diferença estatística, ainda há uma 
tendência de aumento do inchamento de acordo com a diminuição dá água no processo de 
cura, principalmente em 24 horas de imersão em água, em que os tratamentos T1 e T2 apre-
sentaram as maiores médias de 0,83% e 0,87% respectivamente e, consequentemente, os 
menores valores foram encontrados para os tratamentos T3 com 0,70% e T4 com 0,59 %.
Verifica-se a obtenção de valores maiores que os encontrados por Iwakiri; Prata (2008) 
que constataram em seu estudo para painéis de E. dunnii, não há diferença estatisticamente 
significativa entre os valores médios de inchamento em espessura em 24 horas, obtidos 
para painéis produzidos com partículas.
Para essa característica dimensional, os valores médios obtidos são satisfatórios, sendo 
em 2 e 24 horas os maiores 0,39%; 0,87% (T2) e os menores 0,15%; 0,59 (T4) respectiva-
mente, assim considerados abaixo até mesmo da faixa de 1,64 a 2,12% apresentados por 
Latorraca (2000) em seu trabalho com quatro espécies de eucalipto e do valor referencial 
máximo de 1,8% do processo Bison (BISON WOOD-CEMENT BOARD, 1978).
Na Tabela 5 é apresentado o teste de correlação de Pearson entre todos os parâme-
tros analisados. A correlação de Pearson é utilizada para determinar se um fator se corre-
laciona com outros fatores e se sua influência é inversamente ou diretamente proporcional, 
que segundo Lira e Neto (2006) é o método usualmente conhecido para medir a correlação 
entre duas variáveis.
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Tabela 5. Correlação de Pearson entre os parâmetros analisados.
Correlações Pearson Nível
Da x ƒ 0,2455 Baixa
Da x Abs 2 -0,4456 Baixa
Da x Abs 24 -0,1165 Baixa
Da x Inch 2 -0,0999 Baixa
Da x Inch 24 -0,0942 Baixa
ƒ x ABS 2 -0,6866 Média
ƒ x ABS 24 -0,8182 Alta
ƒ x Inch 2 -0,3242 Baixa
ƒ x Inch 24 -0,1602 Baixa
Nota: Da: Densidade aparente; ƒ: resistência; Abs 2 hs: absorção em 2 horas; Abs 24 hs: absorção em 24 horas; Inch 
2 hs: inchamento em 2 horas; Inch 24 hs: inchamento em 24 horas.
Valor positivo próximo de 1,0 implica uma correlação diretamente proporcional, quanto 
mais próximo de -1,0 significa uma correlação inversamente proporcional, ou seja, quanto 
maior uma variável menor será a variável que está sendo comparada.
A densidade aparente dos painéis demostrou baixa correlação em relação a resistência, 
absorção e inchamento.
A resistência apresentou média correlação com absorção em 2 horas com valor de 
-0,6866 e alta correlação com absorção em 24 horas -0,8182. Ambos os comparativos demos-
traram valores próximos de -1,0, sendo assim as variáveis são inversamente proporcionais 
e com correlação negativa.
CONCLUSÃO
Diante dos resultados constatou-se que os tratamentos T3 e T4 (Cura em água fria e 
água quente) apresentaram melhores comportamentos para densidade, resistência e ab-
sorção podendo ser utilizados para fins como telhas, tijolos e argamassa.
Porém, a imersão dos painéis em água fria, além de apresentar resultados satisfatórios, 
é considerada mais vantajosa em relação a cura em água quente, que embora seja eficiente, 
necessita de um sistema de aquecimento, aumentando assim os gastos no processo.
Houve média e alta correlação inversamente proporcional em relação à absorção de 
água e a resistência dos painéis, contatando que as curas em água fria e quente melhoram 
essa característica.
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05
Dendrología y propiedades tecnológicas 
de la madera de Hevea brasiliensis (Willd. 
Ex A. Juss.) Mull.Arg. proveniente de la 
Amazonía suroriental del Perú
Leif Armando Portal-Cahuana
USP/ESALQ
Erick Grandez Piña
German Payeza Tuesta
Yuset Enrique Quispe Quispe
Javier Navio Chipa
GRFFS-GOREMAD
Mauro Vela Da Fonseca
UNAMAD
Jorge Cardozo Soarez
Edwin Misael Mamani Luque
GRFFS-GOREMAD
Richard Rondan Huaman
GRFFS-GOREMAD
Miguel Angel Ranilla Huamantuco
LDP- Ministerio Público
'10.37885/220308142
https://dx.doi.org/10.37885/220308142
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Palabras-Claves: Madera Nativa, Anatomía de la Madera, Shiringa, Madre de Dios.
RESUMEN
El objetivo del presente trabajo de investigación fue determinar la dendrología, anatomía 
y las propiedades físicas de la madera de la especie Hevea brasiliensis en un bosque 
tropical nativo del Perú. Fue utilizado un árbol de H. brasiliensis, de ocurrencia natural 
en distrito de Iberia, sector de Bello Horizonte. Fueron determinadas las características 
dendrológicas, anatómicas: generales, macroscópicas, y las propiedades físicas del conte-
nido de humedad, densidades: básica, normal, anhidra, contracciones: radial, tangencial, 
longitudinal, volumétrica y el índice de estabilidad, teniendo como protocolo la IAWA, 
COPANT, Norma Técnica Peruana. Los resultados de las características anatómicas 
muestran que no existe diferencia entre albura y duramen y presenta abundante tilosis 
en los vasos o poros y parénquima en bandas de tipo reticulado, sobre las propiedades 
físicas es una madera de densidad media estable y de buen comportamiento al seca-
do. En función a la dendrología, anatomía y las propiedades físicas de la madera de la 
especie H. brasiliensis, conocido comúnmente por Shiringa, los posibles usos para esta 
especie en estudio son: construcción, revestimiento, encofrados, estructuras clavadas y 
empernadas, como carpintería, para hacer puertas y ventanas.
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INTRODUCCIÓN
Los bosques tropicales son los reservorios de la biodiversidad, se encargan también de 
la regulación del clima global y regional interactuando en los siglos biogeoquímicos globales 
y aportan muchos beneficios a la humanidad como madera, alimento, etc., su conservación 
e importancia es bien conocidos por aportar diversos servicios ecosistémicos (Aguirre et al., 
2021; Barrufol et al., 2013; Edwards et al., 2019). Sin embargo, estos bosques tropicales 
están siendo impactados cada vez más principalmente por la intensidad y cambio del uso 
de la tierra y la contaminación por ejemplo la tasa de deforestación es los trópicos sigue 
aumentando asociadas a inversiones en otros usos de la tierra siendo principalmente la 
agricultura, mientras que la degradación está relacionada con la extracción a corto plazo de 
rentas o incendios forestales (Nasi et al., 2011; Sebbenn et al., 2008). Las búsquedas de 
soluciones a los bosques tropicales se basan en varias formas de manejo de los bosques 
naturales, la cual involucra la cosecha de los árboles maduros, de tal forma que permita 
que los bosques se regeneren naturalmente antes del próximo ciclo de cosecha, estando 
estrechamente relacionados al poder regenerativos inherentes del mismo bosque en lugar 
de una intervención silvícola extensiva. (Bawa & Seidler, 1998)
Por otro lado los bosques tropicales no solo nos dan madera sino también productos 
forestales no maderables (PFNM) y su recolección representa una importante fuente de 
ingreso para millones de personas en todo el mundo, dando desarrollo y alivio de la pobre-
za entre las poblaciones rurales, principalmente a las comunidades que viven junto a las 
reservas forestales, esta cosecha de los PFNM pueden afectar los procesos ecológicos a 
muchos niveles, desde el individuo, la población y el ecosistema (Ticktin, 2004), es por ello 
que necesita de un plan de manejo de los PFNM para su aprovechamiento, teniendo como 
principal criterio en la conservación y manejo de los PFNM es entender como las poblacio-
nes que viven cerca a estos recursos interactúan con estos productos y el bosque (Arnold 
& Pérez, 2001; Guariguata & Evans, 2010; Suleiman et al., 2017).
Shiringa historia (Amazonía peruana)
Con respecto a la historia de extracción del latex de H. brasiliensis en la Amazonía 
peruana específicamente en el suroriente en el departamento de Madre de Dios, la explo-
tación del caucho Castilla ulei hasta 1880 era muy limitada principalmente por el transporte 
que se realizabapor vía fluvial, sin embargo el sistema de aprovechamiento del caucho era 
talando el árbol y posteriormente realizarle hendiduras por donde se recolectaba el látex 
lo que mermaba las poblaciones naturales y generaba la necesidad de encontrar nuevas 
áreas de extracción; sin embargo la shiringa Hevea brasiliensis permitía un aprovechamiento 
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estable además de tener mayor valor su látex denominada jebe o goma fina. En 1894, Fermín 
Fitzcarrald el cauchero peruano, que tenía su base en Iquitos y cuyo imperio cauchero se 
extendía por las zonas del alto y bajo Ucayali, explora la zona del río Mishagua y descubre 
un paso de 09 kilómetros, que une esta zona con el río Manu, denominado desde entonces 
istmo de Fitzcarrald (Reyna, 1942). El descubrimiento de este paso permitía el transporte del 
caucho y mercadería del bajo Ucayali y de toda la zona peruana del Madre de Dios hasta 
el Beni y viceversa. La demanda para llantas de bicicletas en 1888 y posteriormente para 
automóviles 1895 llevó la producción y los precios del látex a unos niveles sin precedentes, 
esto impulsaba las exploraciones cada vez más adentro de la selva amazónica. Esto trajo 
una serie de problemas fronterizos entre Brasil (Acre), Bolivia (Pando) y Perú (Madre de 
Dios) una vez que se solucionaron estos problemas principalmente por la shiringa el futuro 
parecía prometedor sin embargo la demanda internacional entro en total declinación debi-
do principalmente a las plantaciones de Hevea en Asia, esto generado por las colecciones 
botánicas del inglés H.A. Wickhman en Brasil (Santarém y Tapajós), trasladando semillas 
al jardín botánico de Kew en Gran Bretaña donde fueron climatizadas en 1876 comenzaron 
las plantaciones en Ceylán y Malasia en 1898. En 1915 las plantaciones de Asia produjeron 
2 veces más producción que las explotaciones amazónicas, en 1920 ocho veces más y en 
1939 antes del comienzo de la segunda guerra mundial las plantaciones asiáticas producían 
el 98% de la producción mundial (García Morcillo, 1982).
Sobre la producción de látex de la especie Hevea brasiliensis se tiene que la vida útil 
de producción de látex es de 20 a 30 (Eufrade et al., 2015; Hytönen et al., 2019; Teoh et al., 
2011), después de este ciclo de producción ya no es rentable y las plantaciones se cambian 
por nuevas (Eufrade et al., 2015). Posteriormente la madera de estas plantaciones son apro-
vechadas tradicional mente como energía (leña), sin embargo, la madera de H. brasiliensis 
presenta diferentes usos en función a sus propiedades tecnológicas como: buena materia 
prima para madera aserrada, contrachapada, tableros de partículas, muebles, carbón (ramas 
grandes), vigas laminadas, etc. (Hytönen et al., 2019; Parra-Serrano et al., 2018).
Para conocer las características botánicas y las propiedades tecnológicas de la ma-
dera de la especie Hevea brasiliensis creciendo naturalmente, se determinó la dendrología, 
anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie H. Brasiliensis en un bosque 
tropical nativo del Perú.
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MATERIALES Y MÉTODOS
Área de estudio
Muestreamos árboles ubicados en el bosque húmedo tropical de Madre de Dios al 
sureste de Perú. Los bosques del departamento de Madre de Dios (Fig. 1) se caracterizan 
por su alta biodiversidad (Foster et al., 1994), específicamente la investigación se realizó en 
la provincia del Tahuamanu, distrito de Iberia, sector Bello Horizonte, en el predio agrícola 
de la señora Lizeth Piña Caimata de una extensión de 48 hectáreas.
Fase de campo
El inventario se realizó en una subárea de dos hectáreas, una vez realizado el inventario 
forestal dentro de la subárea del predio agrícola de la especie Hevea brasiliensis (Shiringa), 
se consiguió inventariar seis árboles de dicha especie. Posteriormente de los seis árboles 
de H. brasiliensis se seleccionó un árbol mediante el método aleatorio simple no probabilís-
tico, tomando siempre en cuenta que el árbol seleccionado sea de buenas características 
fitosanitarias, de fuste lo más recto y alto posible, teniendo en consideración las caracterís-
ticas morfológicas de la especie. (NTP N°251.008, 2016). Del árbol seleccionado, se obtuvo 
muestras botánicas, los cuales fueron enviados al Herbario Alwyn Gentry de la Universidad 
Nacional Amazónica de Madre de Dios, para su identificación botánica.
Figura 1. Mapa de ubicación del área de estudio de la madera de la especie H. brasiliensis y fotografía del árbol.
a) Características Dendrológicas.
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Del árbol seleccionado se extrajeron ramas terminales con hojas, para el árbol fue re-
gistrado el número, los datos taxonómicos como: nombre común, nombre científico, género 
y familia, también fueron recabados los parámetros morfológico-dendrométrico como: diá-
metro a la altura del pecho y altura. Las imágenes de las partes del árbol fueron obtenidas 
con una cámara digital con zoom óptico. La caracterización dendrológica de la especie fue 
aplicada la metodología de Reynel et al. (2007).
b) Características Anatómicas.
Las características anatómicas de la especie H. brasiliensis (organolépticas y ma-
croscópicas), estuvieron basadas en normas internacionales. Estas normas son Comisión 
Panamericana de Normas Técnicas (COPANT, 1974) y “Descripción de Características 
Organolépticas, Macroscópicas y Microscópicas de Dicotiledóneas, Angiospermas” e 
International Association of Wood Anatomists (IAWA, 1989) (Asociación Internacional de 
Anatomistas de la Madera).
Descripción anatómica de la Madera a nivel organoléptico y macroscópico.
La determinación del grano se usó las probetas de5x5x5 cm procedentes del duramen, 
para lo cual se utilizó una cuchilla y un martillo para partir el cubo en sentido de los radios 
y así de esa manera se identificó el tipo de grano. La descripción del brillo, veteado, poros, 
parénquima, radios se utilizó las tablillas de 2x10x15 cm para lo cual se empleó una lupa 
de 10X. Las características organolépticas como: olor, sabor, color de la madera se usaron 
probetas. Las rodajas, se utilizó para hallar diferenciación entre albura y duramen.
c) Propiedades físicas de la madera.
Las propiedades físicas de la madera de la especie H. brasiliensis analizas fueron 
Densidades: básicas, normal y anhidra; contenido de humedad; contracciones: volumétrica, 
tangencial, radial y el índice de estabilidad (T/R), los ensayos se ejecutaron de acuerdo a 
especificaciones de la Norma Técnica Peruana.
De cada una de las probetas por árbol de H. brasiliensis, se procedió a sacar el peso 
inicial, dimensiones: volumétrica inicial, radial inicial, tangencial inicial y longitudinal ini-
cial. El volumen se determinó por el método de desplazamiento de agua o inmersión. Las 
contracciones se determinaron con un micrómetro, con una precisión de ± 0.01 mm., y el 
peso con una balanza de precisión de ± 0.01 gramos. Luego se secaron las probetas en 
estufa, y se incrementó gradualmente la temperatura de 40°, 60°, 80° hasta que se alcance 
los 103°±02ºC. Durante el tiempo que se secaron las probetas en la estufa, se realizó el 
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pesado tomando datos diariamente en el peso de cada probeta, teniendo cuidado de colo-
carlas en un desecador (provista de silicagel) para que se enfriaran a temperatura ambiente. 
Cuando las probetas alcanzaron su peso constante se determinaron las dimensionesfinales 
y el volumen final. Las fórmulas utilizadas en todo el proceso de las propiedades físicas, en 
función a las Normas Técnicas Peruanas: (NTP N°251.010, 2016; NTP N°251.011, 2016; 
NTP N°251.012, 2016) (Tabla 01).
RESULTADOS Y DISCUSION
Nombre científico: Hevea brasiliensis.
Familia: EUPHORBIACEAE.
Nombre común: Shiringa.
Caracterización dendrológica
El árbol de la especie H. brasiliensis en condiciones naturales alcanza una altura de 30 
a 40 metros, pudiendo llegar hasta 50 metros considerando la copa del árbol y el diámetro a 
la altura del pecho es de 1 a 1.5 metros, tronco es cilíndrico y por lo general recto. Corteza 
externa es de color grisáceo a marrón oscuro, lisa a ligeramente fisurada. Corteza interna 
de color crema a rosado, no presenta olor característico, textura arenosa y suave, cuando se 
hace una hendidura exuda un látex de color blanco a amarillento abundante (Fig. 2). Ramas 
terminales cilíndricas glabras y en el corte de la rama puede observarse exudación de lá-
tex. Hojas son compuestas, alternas trifoliadas con grande peciolo presentando glándulas 
en su base, los foliolos son elípticos, presenta el ápice acuminado y la base arredondeada 
con borde entero. Inflorescencia en panícula axilares, flores son pequeñas de coloración 
amarillo claro a beige unisexuales, sin pétalos y con cinco sépalos. Frutos son trilobados de 
coloración verde al madurar en su madurez fisiológica presentan una dehiscencia explosiva. 
Semilla de color gris a marrón grandes y brillantes.
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Figura 2. Imágenes dendrológicas de la especie H. brasiliensis. Corteza externa con las cicatrices de la extracción del látex.
Anatomía de la madera
Comprende las características organolépticas y macroscópicas de la especie H. brasi-
liensis, dicha descripción se complementa con macrofotografías en las secciones transversal, 
radial y tangencial.
Caracterización organoléptica
En condición seca al aire, no existe diferencia significativa entre la albura y el duramen 
(Fig. 3), de un color crema amarillento, (10YR 8/6). Anillos de crecimiento visibles y diferen-
ciados por zonas fibrosas (Fig. 3), olor y sabor no distintivos, grano recto, textura media, 
brillo alto, veteado en el corte tangencial arcos superpuestos, en el corte radial en bandas 
paralelas. Moderadamente dura al corte con cuchilla.
Caracterización macroscópica
Madera de porosidad difusa, vasos visibles con lupa 10x, solitarios y múltiples radiales, 
de igual proporción de 2-3-4 pudiendo llegar a 6, de forma redonda. Parénquima visible con 
lupa 10x, en bandas reticulado. Radios visibles a simple vista, clasificados como medianos. 
Inclusiones tilosis obstruyendo los vasos. (Fig. 3).
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Figura 3. A) Rodaja de la madera Hevea brasiliensis. Cortes macroscopicos en 3D de la madera de H. brasiliensis B) Corte 
transversal. C) Corte radial. D) Corte tangencial.
Sobre las características anatómicads de la madera, coincide con la bibliografía cien-
tífica (Borges, 2020; Ogata et al., 2001; Ramos et al., 2018).
Propiedades fisicas de la madera
En la tabla 01, se presentan los valores promedios, del estudio de las propiedades 
fisicas de la madera de la especie H. brasiliensis (Shiringa).
Tabla 01. Propiedades físicas de la especie Hevea brasiliensis.
Contenido de 
humedad (%)
Densidad g/cm3 Contracción (%)
Índice de esta-
bilidad (T/R)Densidad nor-
mal (DN)
Densidad básica 
(DB)
Densidad anhi-
dra (DAH)
Contracción 
radial (CR)
contracción 
tangencial (CT)
Contracción vo-
lumétrica (CV)
87.12 1.00 0.53 0.60 3.52 6.13 10.53 1.74
La densidad básica promedio de la Shiringa es de 0.53 g/cm3, permite clasificar de 
acuerdo a lo propuesto por (Acevedo y Chavesta 1991; Aróstegui 1982), dentro del grupo III 
(de 0.4l g/cm3 a 0.60 g/cm3) que corresponde a la madera de densidad media. La contracción 
volumétrica promedio de la Shiringa es de 10.53%, la ubica en el grupo III (10.1-13%), que 
corresponde a un cambio dimensional medio. Si bien existe una relación directa entre la 
densidad básica y la contracción volumétrica, a mayor proporción de la pared celular (mayor 
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densidad), mayor será el efecto de la capacidad higroscópica (contracción). Sin embargo, en 
el caso de la H. brasiliensis la densidad básica es media y una contracción media, debido a 
que la densidad básica es de 0.53g/cm3, el cual se encuentra en un valor medio del rango 
de clasificación de la densidad media (0.40 – 0.60 g/cm3).
El índice de estabilidad promedio de la Shiringa es de 1.74 permitiendo clasificarle 
como estable y de buen comportamiento al secado (1.51 – 2.00), información que se puede 
inferir desde las propiedades físicas de la madera hacia el secado de la madera de Shiringa, 
con la salvedad que necesita estudios específicos sobre el secado de esta especie para 
confirmar la información.
Comparación de las propiedades físicas de H. brasiliensis con otras especies de 
similar densidad básica.
La madera de a especie H. brasiliensis, al compararse con especies de similar den-
sidad básica (Fig. 4) como:
Podocarpus oleifolius (Ulcumanu). Densidad básica de 0.53 g/cm3, contracción tan-
gencial 6.15%, contracción radial 3.22% y contracción volumétrica 9.00% (Confederación 
Peruana de la madera, 2008)
Macrobrachiumace ceineifolium (Pashaco colorado). Densidad básica de 0.53 g/cm3, 
contracción tangencial 5.57%, contracción radial 2.98% y contracción volumétrica 8.65% 
(Beuzeville & Tello, 1993).
Carapa guianensis (Andiroba). Densidad básica de 0.54 g/cm3, contracción tangencial 
8.00%, contracción radial 3.90% y contracción volumétrica 12.11% (Beuzeville & Tello, 1993).
Aniba purchury-minor (Moenal amarilla). Densidad básica de 0.52 g/cm3, con-
tracción tangencial 5.73%, contracción radial 3.80% y contracción volumétrica 9.53% 
(Baluarte V. Antonio, 1991).
Se observa (Fig. 4) que los valores promedio de la contracción radial, volumétrica y el 
índice de estabilidad se encuentran en promedio a las otras especies, sin embargo, cuando 
se analiza la contracción tangencial si presenta diferencias significativas que caracteriza a la 
especie. Sin embargo, a pesar de esta característica de H. brasiliensis, se puede observar 
que el índice de estabilidad es similar estas especies de similar densidad básica.
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Figura 4. Comparación de las propiedades físicas de la H. brasiliensis, con aquellas de similar densidad.
0
2
4
6
8
10
12
14
Densidad básica Contracción
radial
Contrancción
tangencial
Contracción
volumétrica
Índice de
estabilidad
Podocarpus oleifolius
Macrobrachiumace ceineifolium
Carapa guianensis
Aniba purchury-minor
Hevea brasiliensis
Comparación de la densidad básica de la madera de Hevea brasiliensis, con otras 
especies del género hevea.
Con la base de datos de Global wood density database, creada el por (Zanne et al. 
2009), y disponible en la página web: https://datadryad.org//handle/10255/dryad.235. Se pue-
de realizar la comparación de H. brasiliensis, con otras especies del género Hevea estudiadas 
en el mundo y sistematizada en la base de datos antes mencionada. De este análisis (Fig. 
5), se puede observar que el rango de la variación de la densidad básica del género Hevea 
se encuentra entre 0.40 – 0.57 g/cm3, y que si se analiza con la clasificación de maderas 
propuesto por (Acevedo y Chavesta 1991; Aróstegui 1982), lasespecies de este género se 
clasifican cualitativamente por ser maderas de densidad básica baja a media.
Figura 5. Comparación de la densidad básica de la madera de Hevea brasiliensis, con otras especies del género Hevea.
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Uso de la madera de Hevea brasiliensis
En función a la anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie H. brasi-
liensis, conocido comúnmente por Shiringa, los posibles usos para esta especie en estudio 
son: Construcción, revestimiento, encofrados, estructuras clavadas y empernadas, como 
carpintería, para hacer puertas y ventanas.
CONCLUSIÓN
Del análisis realizado a la dendrología, anatomía y propiedades físicas de la madera 
de la especie H. brasiliensis, después de su ciclo de producción en los bosques tropicales 
de Madre de Dios en el Perú se puede aprovechar la madera por sus características tec-
nológicas, siendo un recurso maderable disponible en los bosques naturales y que puede 
aprovecharse en diferentes usos con un aprovechamiento sostenible. Por último, densidad 
básica del género Hevea se encuentra entre 0.40 – 0.57 g/cm3, considerándola como una 
madera de densidad baja a media.
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06
Desenvolvimento inicial de cinco espécies 
arbóreas nativas da mata atlântica em 
plantios de recomposição florestal no sul 
do Brasil
Edison Bisognin Cantarelli
UFSM
Charles Rodrigo Belmonte Maffra
UFSM
Felipe Turchetto
UFSM
'10.37885/220408542
https://dx.doi.org/10.37885/220408542
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Palavras- chave: Espécies Florestais, Plant io Florestal, Si lv icul tura Sustentá-
vel, Reserva Legal.
RESUMO
A regularização de propriedades rurais, aos moldes do Novo Código Florestal, depende 
doestudo silvicultural de espécies nativas dos biomas brasileiros. Assim, o objetivo deste 
estudo foi caracterizar o desenvolvimento inicial de cinco espécies arbóreas nativas da 
Mata Atlântica com vistas à sua utilização em projetos de recomposição e aproveitamen-
to florestal em propriedades rurais. As seguintes espécies foram plantadas e avaliadas 
quanto ao desenvolvimento: Araucaria angustifolia, Mimosa scabrella, Trichilia claussenii, 
Schizolobium parahyba. e Cordia trichotoma. Essas espécies foram conduzidas em dois 
experimentos distintos, tomando-se por base o delineamento experimental de blocos ca-
sualizados. No experimento 1, as espécies A. angustifolia, M. scabrella e C. Trichotoma 
foram distribuídas em 3 blocos casualizados, sendo cada um composto por 11 plantas de 
cada espécie.; no experimento 2, as espécies A. angustifolia, M. scabrella, T. calussenii 
e S. parahyba foram distribuídas em 3 blocos casualizados, sendo cada um composto 
por 5 plantas de cada espécie. De modo geral, S. parahyba e M. scabrella apresentaram 
desenvolvimento mais acelerado que as demais espécies, e nesse quesito, a princípio, 
podem ser apresentadas como promissoras para a constituição ou reconstituição de áreas 
florestais em que exista interesse de se obter retorno econômico em menor espaço de 
tempo. A. angustifolia e T. claussenii demonstraram desenvolvimento relativamente baixo, 
ao passo que C. trichotoma, demonstrou desenvolvimento intermediário em relação às 
demais espécies estudadas. Apesar das diferenças de desempenho, todas as espécies 
se mostraram adequadas para uso em plantios de recomposição florestal principalmente 
para a região em que o estudo foi desenvolvido.
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INTRODUÇÃO
O Brasil é conhecido por ser um país de características continentais, detentor de uma 
riquíssima biodiversidade, sem igual em qualquer outra parte do globo terrestre. É também 
conhecido como um dos maiores produtores de commodities agrícolas do mundo, tendo 
alcançado esta condição devido às demandas de uma crescente população mundial, que 
atualmente é de 7,5 bilhões de pessoas (POPULATION PYRAMID, 2019).
Para aproveitar a oportunidade econômica gerada pela demanda por alimentos, nos 
últimos anos, a produção agrícola tem sido cada vez mais incentivada e intensificada, o 
que por sua vez tem cobrado um considerável preço ambiental ao país (GARCÍA-ORTH; 
MARTÍNEZ-RAMOS, 2011). Isso se constata na expansão das fronteiras agrícolas que, ano 
após ano, tem reduzido o habitat de muitas espécies nativas e, em alguns casos, degradado 
intensamente e de maneira irreversível algumas das principais regiões fitoecológicas do país 
(MESQUITA, 2018).
Dentre os biomas brasileiros, é a Mata Atlântica que figura como um dos mais prejudi-
cados (BERTACCHI et al., 2016), necessitando de medidas práticas urgentes que auxiliem 
em políticas de correção e/ou redução dos danos já provocados.
As medidas adotadas no sentido de recuperar uma área degradada devem considerar 
a possibilidade de que as pessoas que vivem da terra possam, se assim desejarem, obter 
algum proveito ou benefício econômico de suas ações de conservação e/ou recuperação 
de ambientes degradados, o que pode ser realizado, talvez, aos moldes de pagamentos 
por serviços ambientais (BRASIL, 2011). Esse entendimento se mostra fundamental, pois 
resulta em um incentivo à adoção de práticas conservacionistas na regularização de áreas 
rurais, em atendimento às exigências Novo Código Florestal Brasileiro, representado pela 
Lei n°12.651, de 25 de maio de 2012 (BRASIL, 2012). Nesse contexto, observa-se, portanto, 
a necessidade de adoção de práticas que tornem áreas como, por exemplo, as averbadas 
como Reserva Legal, uma parte produtiva da propriedade, de modo que as mesmas possam 
gerar mais do que retornos paisagísticos e ecológicos aos seus donos e ao ambiente em 
que estão inseridas.
Assim, em um contexto de preocupação ambiental aliada ao manejo sustentável, é 
importante que surjam, paulatinamente, propostas práticas úteis ao desenvolvimento de 
atividades florestais. Exemplo disso são trabalhos que ajudem na tomada de decisão com 
relação às espécies arbóreas a serem utilizadas em plantios planejados, que descrevam o 
seu desenvolvimento inicial para a região de estudo, indicando aquelas que a priori podem 
se destacar como espécies de importância ecológica e com possibilidades de aproveitamento 
a curto ou longo prazo, por meio de produtos madeireiros ou não madeireiros.
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Contribuir para o conhecimento técnico-científico de espécies florestais nativas que 
podem ser utilizadas em diferentes situações e realidades em propriedades rurais é uma 
pretensão que inicialmente deve ser desenvolvida em âmbito local ou regional. Nesse sen-
tido, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desenvolvimento inicial de cinco espécies 
arbóreas nativas da Mata Atlântica, na região do Alto Uruguai – RS, com vistas à sua utili-
zação em recomposição de áreas como, por exemplo, a Reserva Legal.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
O local de estudo possui 4,25 ha e está localizado no município de Frederico Westphalen, 
na região do Médio Alto Uruguai, em área pertencente a Universidade Federal de Santa Maria 
(27°23’31” S e 53°25’32” O), a aproximadamente 480 m acima do nível do mar (Figura 1).
Figura 1. Localização do local de estudo (a) e vista das áreas onde os experimentos foram conduzidos (b). Fonte: Google 
Earth.
O clima da região, conforme classificação climática de Köppen, é do tipo Cfa (Subtropical 
Úmido). A precipitação média anual varia de 1.900 a 2.200 mm, bem distribuídos ao longo 
do ano. As temperaturas máximas são superiores ou iguais a 22 °C e as mínimas dos meses 
mais frios entre -3 a 17 °C (ALVARES et al., 2013). Na região há predomínio de Latossolos 
Vermelhos Distroférricos, caracterizados como profundos, homogêneos e bem drenados 
(CUNHA et al., 2009). Estes solos, por serem bastante intemperizados, têm o predomínio 
de caulinita e óxidos de ferro, além de baixa capacidade de troca de cátions (STRECK et al., 
2008). Apresentam também acentuada acidez, baixa reserva de nutrientes e toxidez por 
alumínio para as plantas.
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Material vegetal e delineamento experimental
As espécies arbóreas nativas utilizadas no experimento foram selecionadas com base 
na velocidade de crescimento, adequação à condição de pleno sol e competição com ou-
tras espécies, potencialidade para uso como fonte de matéria-prima e na restauração ou 
recomposição de áreas degradadas. No total foram utilizadas 5 espécies florestais nativas 
do Bioma Mata Atlântica (Tabela 1).
Tabela 1. Lista das cinco espécies nativas da Mata Atlântica utilizadas no experimento.
Nome científico Nome comum Família Grupo sucessional
Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze Araucária Araucariaceae Pioneira
Cordia trichotoma Vell. Arrab. ex Steud Louro-pardo Boraginaceae Secundária inicial
Mimosa scabrella Benth. Bracatinga Fabaceae Pioneira
Schizolobium parahyba Vell. Blake. Guapuruvu Fabaceae Pioneira
Trichilia claussenii C. DC. Catiguá vermelho Meliaceae Secundária tardia
As mudas foram produzidas no viveiro florestal da Universidade Federal de Santa Maria, 
campus de Frederico Westphalen, a partir de sementes de árvores matrizes previamente 
selecionadas mediante avaliação de suas características morfológicas e de sanidade.
Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol (área 1)
Experimento conduzido em delineamento blocos ao acaso, sendo testadas as es-
péciesAraucaria angustifolia, Mimosa scabrella e Cordia trichotoma. As espécies foram 
plantadas em 3 blocos casualizados, cada um composto por 11 indivíduos de cada espécie, 
totalizando 33 indivíduos por bloco. A área, anteriormente a intervenção, era utilizada para 
atividades agrícolas (cultivos anuais) e, no momento do plantio, caracterizada pela presença 
de gramíneas nativas.
Experimento 2: Enriquecimento de capoeira (área 2)
Para a condução do experimento utilizou-se delineamento de blocos ao acaso, sendo 
testadas as espécies Araucaria angustifolia, Mimosa scabrella, Schizolobium parahyba e 
Trichilia claussenii, distribuídas em três blocos. Em cada bloco foram utilizados 5 indivíduos 
de cada espécie, totalizando 20 indivíduos por bloco. A área anterior ao plantio era com-
posta por plantio de Eucalyptus grandis, com intensa regeneração de espécies nativas, o 
qual foi explorado um ano antes da intervenção, sendo que no momento do plantio a área 
encontrava-se em estágio inicial de regeneração.
Em ambos os experimentos as espécies foram plantadas em covas de 30 cm de pro-
fundidade por 30 cm largura, em espaçamento 5 m x 5 m. Antes da realização do plantio 
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foram adicionados e incorporados ao solo 100 g de adubo NPK (10-20-20) por cova, de 
modo a favorecer o desenvolvimento inicial das mudas. O controle das plantas espontâneas 
foi realizado por meio de capina manual em um raio de 50 cm no entorno de cada muda, 
sendo realizado a cada dois meses. O controle de formigas cortadeiras, dos gêneros Atta e 
Acromyrmex, foi feito de forma sistemática na área total do experimento, com o uso de isca 
formicida a base de sulfluramida.
Coleta e análise dos dados
Os dados foram coletados ao final do primeiro ano de desenvolvimento das plantas a 
campo. Nos dois experimentos foram coletados dados de diâmetro de coleto (DC) e altura 
total (H), para as medições de DC utilizou-se paquímetro digital e para a medição da H foi 
utilizada régua graduada, tomando-se como padrão a gema apical da planta. A partir dos 
dados de DC e H determinou-se a relação H/DC de cada uma das espécies.
Os dados obtidos em cada experimento foram submetidos a análise dos pressupostos 
de normalidade dos erros e homogeneidades de variâncias. Posteriormente, foram subme-
tidos a análise de variância, quando constatada diferença entre os tratamentos foi realizado 
teste de comparação de médias pelo teste Tukey, com nível de probabilidade de erro de 
0,05. As análises foram realizadas no programa SISVAR (FERREIRA, 2014).
RESULTADOS
Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol
Por meio da análise de variância constatou-se efeito significativo das espécies condu-
zidas (p<0,05) para todas as variáveis analisadas, sendo os melhores resultados de cresci-
mento verificados para M. scabrella (Figura 2).
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Figura 2. Crescimento em altura (a), diâmetro do coleto (b) e relação entre altura / diâmetro do coleto (c) de três espécies 
florestais nativas, aos 12 meses após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma 
Mata Atlântica. Onde: Aa = Araucaria angustifolia; Ct = Cordia trichotoma; Ms = Mimosa scabrella. *Comparação de 
médias por meio de Teste Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Aa Ct Ms
Al
tur
a (
cm
)
0
50
100
150
200
250
Aa Ct Ms
Di
âm
etr
o d
o c
ole
to 
(m
m)
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
Aa Ct Ms
H/
DC
 (c
m 
mm
-1
)
0
5
10
15
20
c*
a
b
c*
b
a
a
b
c*
(a) (b)
(c)
Dentre as três espécies plantadas na área, o menor coeficiente de variação (CV) para 
o DC foi apresentado pela espécie A. angustifolia (CV=8,64%), sendo seguida por M. sca-
brella (CV=13,72%) e C. trichotoma (CV=15,63%). Desse modo, pode-se constatar que 
todas as espécies apresentaram baixo coeficiente de variação, o que indica um crescimento 
semelhante dos indivíduos de cada uma das três espécies implantadas na área em questão, 
demonstrando que, após um ano, nenhum fator externo interferiu negativamente no desen-
volvimento das espécies.
Para o crescimento em H, as espécies C. trichotoma e A. angustifolia apresenta-
ram CV abaixo de 16,7%, indicando o crescimento semelhante entre os indivíduos de mes-
ma espécie. O menor CV foi apresentado pela espécie C. trichotoma (CV=11,63%), sendo 
seguida por A. angustifolia (CV=16,65%) e M. scabrella com o maior valor (CV=24,63%).
O elevado valor de CV apresentado pela espécie M. scabrella é um indicativo de que 
algum fator ambiental biótico ou abiótico teve influência em seu desenvolvimento em altura. 
Isso se comprovou ao ser constatado que abelhas da espécie Trigona spinipes (Hymenoptera: 
Apidae), também conhecidas como irapuá, causaram diversos danos ao longo do caule 
e galhos das plantas (Figura 3a e 3b). Esses danos, que geralmente ficaram restritos à 
casca, em alguns casos resultaram em anelamento completo do caule, provocando a sua 
quebra (Figura 3c).
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Figura 3. Aspectos do ataque de Trigona spinipes a um indivíduo de Mimosa scabrella na Área 2, um ano após o plantio. 
(a) Ataque realizado ao tronco da planta. (b) Ataque a um galho. (c) Planta com o tronco quebrado em decorrência do 
ataque dos insetos.
Apesar do ataque dos insetos, M. scabrella apresentou a maior média de altura ao tér-
mino do primeiro ano de desenvolvimento, diferindo estatisticamente das demais espécies. 
Nota-se, nesse caso, que a espécie M. scabrella tem característica inicial de investir principal-
mente em altura, sendo o crescimento aproximadamente três e cinco vezes maior que C. tri-
chotoma e A. angustifólia, respectivamente. Os aspectos gerais de desenvolvimento das três 
espécies um ano após o plantio em área a pleno sol, podem ser observados na Figura 4.
Figura 4. Aspectos gerais do desenvolvimento das espécies Cordia trichotoma (a), Araucaria angustifolia (b) e Mimosa 
scabrella, aos 12 messes após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma Mata 
Atlântica. Ao lado das plantas, a escala de referência tem 1 m de altura.
Experimento 2: Enriquecimento de capoeira
A análise de variância demonstrou diferença significativa no crescimento em altura, 
diâmetro do coleto e relação H/DC das espécies florestais testadas (p<0,05). No que se refere 
a altura o maior valor foi verificado para plantas de M. scabrella, seguido por S. parahyba, 
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sendo as únicas com média de altura superior a 100 cm após 12 meses do plantio (Figura 5a). 
Adicionalmente, todas as espécies apresentaram coeficiente de variação abaixo de 15%, ba-
sicamente destacando a mesma qualidade de desenvolvimento. O menor CV foi apresentado 
pela espécie S. parahyba (CV=11,42%), seguida por M. scabrella (CV=12,24%), T. claussenii 
(CV=12,56%) e A. angustifolia (CV=14,58%). Nota-se, nesse caso, que foram relativamente 
pequenas as variações em altura e os valores de CV foram semelhantes.
Figura 5. Crescimento em altura (a), diâmetro do coleto (b) e relação entre altura / diâmetro do coleto (c) de quatro 
espécies florestais nativas, aos 12 meses após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul 
do Bioma Mata Atlântica. Onde: Aa = Araucaria angustifolia; Ms = Mimosa scabrella; Sp = Schizolobium parahyba; Tc = 
Trichilia claussenii. *Comparação de médias por meio de Teste Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Aa MsSp Tc
Al
tur
a (
cm
)
0
50
100
150
200
Aa Ms Sp Tc
Di
âm
etr
o d
o c
ole
to 
(m
m)
0
5
10
15
20
25
Aa Ms Sp Tc
H/
DC
 (c
m 
mm
-1
)
0
2
4
6
8
10
12
14
c*
a
b
d
b* b
a
c
a
b
cc*
(a) (b)
(c)
Quando analisou-se o diâmetro do coleto observou-se a maior média para a espé-
cie S. parahyba (Figura 5b). Por outro lado, a menor média de diâmetro de colo foi apre-
sentada pela espécie T. claussenii, com 0,73 cm, valor este que diferiu estatisticamente das 
demais espécies. Dentre as quatro espécies testadas, a menor variação no CV do diâmetro 
de colo foi apresentada pela espécie M. scabrella (CV=9,39%), sendo seguida por A. angus-
tifolia (CV=13,51%), T. claussenii (CV=13,94%) e S. parahyba (CV=15,81%). Estes valores 
indicam que as plantas apresentaram pouca variabilidade em seu crescimento secundário.
A relação H/DC também apresentou diferença significativa entre as espécies (p<0,05), 
sendo o maior valor constato para M. scabrella, a segunda espécie com melhor relação H/
DC foi S. parahyba (Figura 5c), o que corrobora com os dados obtidos para H e DC, no qual 
tais espécies apresentaram o maior crescimento. Os aspectos gerais de desenvolvimento 
das quatro espécies um ano após o plantio de enriquecimento de capoeira, podem ser ob-
servados na Figura 6.
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Figura 6. Aspectos gerais do desenvolvimento inicial das espécies Schizolobium parahyba (a), Mimosa scabrella (b), Trichilia 
claussenii (c) e Araucaria angustifolia (d), aos 12 messes após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, 
no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. Ao lado das plantas, a escala de referência tem 1 m de altura.
DISCUSSÃO
Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol
Os resultados de crescimento de M. scabrella obtidos no estudo denotam o potencial da 
espécie em compor plantios de recomposição florestal, bem como a implantação de povoa-
mentos homogêneos da espécie, uma vez que apresentou incremento de aproximadamente 
220 cm e 14 mm, em H e DC respectivamente, já no primeiro ano de plantio a pleno sol. 
Caron et al. (2013a) avaliando o crescimento inicial de 4 espécies florestais em diferentes 
espaçamentos, verificaram elevadas taxas de crescimento de M. scabrella, sendo semelhante 
ao comportamento de plantas de Eucalyptus grandis. Dessa forma, os resultados obtidos 
indicam a elevada adaptabilidade ao ambiente e arranque inicial da espécie.
No plantio, registrou-se o ataque de Trigona spinipes, sendo verificado danos na cas-
ca e/ou quebra dos galhos ou troncos causados pelos insetos, interferindo negativamente 
no crescimento, denotando em elevada variabilidade entre os indivíduos avaliados. Caron 
et al. (2013b) avaliando o crescimento de espécies florestais em um Sistema Agroflorestal, 
também reportaram a ocorrência de insetos da espécie em árvores de M. scabrella, sendo 
constatado elevada mortalidade. Desse modo, em plantios homogêneos ou consorciados da 
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100
espécie deve-se considerar métodos de controle de T. spinipes, como forma de maximizar 
as taxas de sobrevivência e crescimento de M. scabrella.
C. trichotoma e A. angustifolia apresentaram menores taxas de crescimento, quando 
comparado ao desenvolvimento de M. scabrella. No que tange a A. angustifolia, Rosot et al. 
(2017) observaram variação de crescimento em altura de 2,0 m a 3,0 m em um plantio misto 
de enriquecimento aos 24 meses de idade. Tapanotti et al. (2019) avaliando o desempenho 
de espécies florestais madeireiras na região sul do Brasil, verificaram crescimento relati-
vamente lento para A. angustifolia, especialmente nos primeiros três anos, resultados que 
corroboram os obtidos no presente estudo.
C. trichotoma é considerada uma espécie prioritária para compor plantios de recom-
posição no sul do Brasil, sendo considerada uma espécie de rápido/moderado crescimento 
(CORADIN et al., 2011). Rorato et al. (2018a) verificaram plantas de C. trichotoma com 
valores médios de H e DC de 87 cm e 12,2 mm, respectivamente, aos 12 meses após a 
implantação em uma área ripária na região central do Rio Grande do Sul. Berghetti et al. 
(2020) verificaram maiores taxas de crescimento (H~125 cm ano–1; DC~30 mm ano–1) em 
plantas de C. trichotoma quando fornecidas maiores taxas fosforo (P) no momento do plantio. 
Dessa forma, verifica-se o potencial em compor plantios na região sul do Brasil, bem como a 
responsividade da espécie ao uso de maiores doses de fertilizantes no momento do plantio.
Adicionalmente, é necessário enfatizar os danos causados pelas geadas no desenvol-
vimento dos indivíduos nesse período. A geada, dependendo da intensidade, compromete 
o desenvolvimento de plantios iniciais (VANONI et al., 2016; TURCHETTO et al., 2020a). 
Rorato et al. (2018b) reportaram redução de crescimento de espécies florestais em um 
plantio de restauração florestal no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. No presente estu-
do, verificou-se que M. scabrela, A. angustifolia e C. trichotoma, conseguiram retomar seu 
crescimento após os eventos de geada, sugerindo certa tolerância a baixas temperaturas.
Experimento 2: Enriquecimento de capoeira
Nesta área, as espécies que se destacaram no crescimento foram M. scabrella e S. pa-
rahyba, com elevadas taxas de crescimento, principalmente em H. Os resultados obtidos 
para M. scabrella corroboram os resultados obtidos no plantio o pleno sol, indicando que 
a espécie apresenta elevado potencial para compor tanto plantio iniciais a pleno sol, como 
constituir plantios de enriquecimento de capoira.
Os resultados obtidos neste estudo com relação ao crescimento de M. scabrella, podem 
estar relacionados as características da espécie. Conforme Carvalho (1994), a espécies é 
pouco exigente quanto às condições físicas e químicas do solo, além disso a rusticidade e 
o caráter heliófilo da espécie proporcionam rápida cobertura de áreas de solos alterados ou 
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degradados em que suas populações ocorrem. Assim, denota-se o potencial econômico e 
ecológico da espécie, uma vez que pode gerar renda em função do seu rápido crescimento, 
bem como auxilia nas melhorias das propriedades químicas do solo, pela grande quantidade 
de nitrogênio incorporado ao solo.
S. parahyba demonstrou ser uma espécie de rápido crescimento, sendo uma alternativa 
interessante como espécie de recobrimento em plantios de recomposição florestal. Conforme 
Coradin et al. (2011), S. parahyba é uma espécie pioneira, heliófila, pouco exigente às con-
dições edáficas. Weidlich et al. (2010) avaliando a alocação de recursos no desenvolvimento 
inicial de plântulas de Schizolobium parahyba, verificaram altos teores de açúcares solúveis 
alocados para epicótilos, os quais são necessários para suprir a demanda de rápido cres-
cimento de S. parahyba como espécie pioneira. Essas características da espécie podem 
explicar, ao menos parcialmente, a sua vantagem em relação às demais espécies.
A espécie com menor taxa de crescimento foi T. claussenii, o qual pode ser um com-
portamento esperado da espécie. Turchetto et al. (2020b) avaliando diferentes técnicas 
silviculturais em um plantio de restauração de mata ciliar no extremo sul do Bioma Mata 
Atlântica, também verificaram baixo crescimento em H e DC, independentemente da práti-
ca utilizada. Conforme Coradin et al. (2011), a espécie ocorre geralmente em solos férteis 
e ricos em matéria orgânica, preferencialmente em áreas de mata fechada em estádio 
avançado de regeneração, onde constitui o estrato médio da vegetação. Dessaforma, na 
introdução da espécie T. claussenii em áreas de recomposição florestal deve-se optar por 
enriquecer plantios em estágio mais avançado, em que as copas interceptem a maior parte 
da energia luminosa.
Adicionalmente, para a variável diâmetro de colo, todas as espécies apresentaram coe-
ficientes de variação abaixo de 16%, indicando que ocorreu taxa de crescimento semelhante 
dos indivíduos de cada espécie. Além disso, demonstra que, em um ano de desenvolvimento 
a campo, nenhum fator externo, como insetos, mato competição ou clima, interferiu negati-
vamente no desenvolvimento das mesmas. É possível que este resultado esteja associado 
a maior diversidade de plantas existentes na área, que é de enriquecimento, e também à 
cobertura orgânica existente no solo resultante de restos da colheita de Eucalyptus grandis 
que foi realizada previamente ao plantio. Além da contribuição desses fatores, as espécies 
inseridas na área receberam proteção contra intempéries climáticas proporcionada pelas 
árvores de maior porte (sub-bosque, árvores entre 5-10 m de altura), tanto nativas quanto 
exóticas, que não foram removidas na colheita dos indivíduos de Eucalyptus sp.
No estudo das espécies nativas para emprego em propriedades rurais, cabe ressaltar 
que o objetivo de estudar o desenvolvimento das plantas não deve estar atrelado somen-
te à comparação entre desenvolvimento das espécies e/ou à qualidade de seus produtos 
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madeireiros. Mais do que as taxas de crescimento, deve-se considerar que as espécies 
nativas podem fornecer, além dos benefícios ecológicos para os locais em que estão sendo 
inseridas (como, por exemplo, melhoria no microclima, combate à erosão, alimentos e abri-
go para a fauna, etc.), produtos diferenciados, como é o caso das sementes comestíveis e 
as flores para a produção de mel. Além disso, é importante enfatizar que, a fim de adquirir 
mais informações sobre o comportamento inicial dessas espécies, é necessário ampliar a o 
tempo de observação, bem como realizar estudos adicionais em outras regiões subtropicais.
CONCLUSÕES
Schizolobium parahyba e Mimosa scabrella foram as espécies de desenvolvimento 
mais acelerado, e por isso podem, a princípio, ser indicadas como promissoras para a cons-
tituição ou reconstituição de áreas florestais e possivelmente, para a eventual obtenção de 
renda em menor espaço de tempo.
Araucaria angustifolia e Trichilia claussenii demonstraram desenvolvimento relativamen-
te baixo, ao passo que Cordia trichotoma demonstrou ser uma espécie de desenvolvimento 
mediano em relação às demais espécies.
Com relação às características morfológicas, M. scabrella desenvolveu muito em altura, 
o que associado aos ataques da abelha T. spinipes resultou na quebra de galhos e/ou do 
tronco das plantas, condição que inspira cuidados especiais com relação ao tutoramento de 
mudas e ao controle da ação dos insetos. As demais espécies apresentaram menor relação 
H/D, o que influenciou na maior estabilidade de seus caules.
Apesar das diferenças nas características de desenvolvimento das cinco espécies tes-
tadas, todas podem ser consideradas promissoras para uso em plantios de recomposição 
florestal na região em que o estudo foi desenvolvido. A composição de povoamentos com 
diferentes espécies tende a resultar em importantes contribuições às questões ambientais 
e econômicas de uma propriedade rural.
Agradecimentos
Os Autores agradecem o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (CNPq) pelo auxílio financeiro na forma de bolsa de pesquisa e provimentos 
necessários à execução do presente trabalho.
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07
Dinámica de crecimiento de las especies 
forestales en una parcela permanente en 
el bosque seco La Ceiba, Zapotillo, Loja, 
Ecuador
Zhofre Aguirre-Mendoza
Universidad Nacional de Loja
Jhonatan Alverca-Álvarez
Universidad Nacional de Loja
Cristian Contento-Yunga
Universidad Nacional de Loja
'10.37885/220308284
https://dx.doi.org/10.37885/220308284
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Palabras-Clave: Parcela Permanente, Dinámica de Crecimiento, Mortalidad, Reclutamiento, 
Crecimiento, Incremento Periódico Anual y Variables Dasométricas.
RESUMEN
El conocimiento de la dinámica de crecimiento de las especies forestales es fundamental 
para su manejo y conservación dentro del bosque. El estudio se desarrolló en el bosque seco 
de la Reserva Natural La Ceiba, con el objetivo de determinar la dinámica de crecimiento 
de las especies leñosas en una parcela permanente. Se remidió una parcela permanente 
de 1 ha, considerando individuos mayores a 5 cm de D1,30 m; se midió el D1,30 m y altura 
total, incluyendo los individuos nuevos o ingresos. Se calculó el crecimiento e incremento 
periódico del D1,30 m, altura, área basal y volumen. Se encontraron 935 individuos/ha, de 
30 especies de 29 géneros y 22 familias, existe una mortalidad del 2,5 (195 individuos) y 
168 individuos/ha que han ingresado que representan el 2,2 %, el dinamismo es de 2,3 
%. El período de análisis es de nueve años, se registró un crecimiento en diámetro de 0,037 
m/ha, en altura de 3,29 m/ha, en área basal de 0,0208 m2/ha y en volumen de 0,2922 m3/
ha. El incremento periódico anual del diámetro es de 0,0042 m/ha/año, de altura 0,3629 
m/ha/año, de área basal 0,0023 m2/ha/año y de volumen 0,0325 m3/ha/año. Las espe-
cies que mayor crecimiento promedio presentan durante el periodo son: en D1,30 m Ceiba 
trichistandra (0,029 m/ha) y Acacia macracantha (0,01 m/ha), en altura Ceiba trichistandra 
(1,04 m/ha) y Celtis iguanaea (0,86 m/ha), en área basal Ceiba trichistandra (0,046 m2/
ha) y Acacia macracantha (0,007 m2/ha), y en volumen Ceiba trichistandra (0,733 m3/ha) 
y Acacia macracantha (0,065 m3/ha).
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INTRODUCCIÓN
Los bosques secos, llamados también bosques estacionalmente secos, son ecosiste-
mas, con crecimiento lento de sus especies, y la mayoría de sus plantas se defoliación para 
conservar la humedad y adaptarse a las escasas precipitaciones y humedad. En Ecuador 
los bosques secos se encuentran en el centro y sur de la región Litoral, en las provin-
cias de Manabí, Santa Elena, Guayas, El Oro y Loja. En Loja, los bosques secos ocupan 
un extensión de 3 400 km2 y se encuentran entre 0 a 1 000 msnm (Aguirre et al., 2006; 
Aguirre y Kvist, 2009).
Los bosques secos son ecosistemas que poseen una gran diversidad biológica, alberga 
más de 400 especies de aves y 150 de mamíferos, de las cuales más de 40 especies de aves 
y una de cada cinco plantas son endémicas (The Nature Conservancy -TNC-, 2016). Por lo 
que se considera a estos bosques como el "Corazón del Centro de Endemismo Tumbesino". 
Por esta razón, la UNESCO en 2014 declaró e inscribió a estos bosques en la Red Mundial 
de Reservas de Biosfera (Ministerio del Ambiente del Ecuador -MAE-, 2014). 
El bosque seco es un ecosistema presionado y de crecimiento lento, por ende el estu-
dio de la dinámica de crecimiento de las especies forestales es importante para entender el 
comportamiento de las especies y planificar la conservación de los bosques secos. Además, 
del constante cambio en número de individuos, es fundamental conocer el decrecimiento o 
desaparición, para dar paso a las nuevas especies en el proceso natural de sucesión.
En este contexto el estudio realizado constituye una base científica para comprender 
el comportamiento de las especies y realizar una adecuada planificación para el manejo y 
conservación de los bosques secos; el objetivo de determinar la dinámica de crecimiento de 
las especies leñosas en una parcela permanente de una hectárea.
Se presenta la dinámica de crecimiento de las individuos con D1,30 m igual o mayor a 
5 cm, la mortalidad y reclutamiento de individuos, el crecimiento e incremento periódico del 
D1,30 m, altura, área basal, volumen y crecimiento bruto periódico anual de las especies 
vegetales del bosque con y sin ingreso. 
METODOLOGÍA
Ubicación del Área de Estudio
El área estudiada es la Reserva Natural La Ceiba, ubicada en el cantón Zapotillo, provin-
cia de Loja, de propiedad de la Fundación Naturaleza y Cultura Internacional (NCI). La parcela 
permanente se encuentra ubicada entre las coordenadas: 582 574 E, 9 532 733 N; y 582 
472 E, 9 532 631 N (Figura 1, 2).
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Figura 1. Ubicación espacial del área de estudio.
Figura 2. Panorámica de bosque seco de Zapotillo, Ecuador.
Descripción de la parcela permanente
La parcela permanente evaluada, está ubicada en el centro del bosque de la Reserva 
Natural La Ceiba, a 160 m del costado de la vía con el fin de evitar el efecto de borde. Tiene 
un área de 1 ha (100 x 100 m), dividida en 25 subparcelas de 400 m2, conforme se ilustra en 
la Figura 3. Cada árboles esta etiquetado con una letra y número que representa la parcela 
y el número de árbol, esta parcela fue instalada por Granda y Guamán (2006).
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Figura3. Esquema de distribución de las subparcelas permanente.
Medición de datos de individuos arbóreos iguales o mayores a 5 cm de D1,30 m
Se realizó la nueva remedición de todos los individuos arbóreos registrados en la pri-
mera medición (hace nueve años); además, se midió el D1,30 m y altura total de los individuos 
ingresados o reclutados que tengan un D1,30 m mayor a 5 cm.
Determinación del dinamismo de las especies arbóreas identificadas
Con la base de datos generada en la primera medición (Granda y Guamán, 2006), se 
procedió a determinar la tasa de mortalidad y reclutamiento de individuos arbóreos, así como 
también el dinamismo del bosque utilizando las formulas planteadas por Palacios (1997).
• 
• 
• 
Donde:
 – In = Logaritmo natural
 – No = Número de individuos en la primera toma de datos.
 – Ns = Número de individuos originales sobrevivientes al final del periodo.
 – Nf = Número de individuos al final del periodo.
 – t = Años del periodo.
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Evaluación de los incrementos medios anuales de las especies forestales
Se calculó el crecimiento e incremento medio anual de D1,30 m, altura total, área basal 
y volumen, considerando los datos de la primera medición y de la segunda medición (con 
intervalo de 9 años). Se utilizaron las formulas planteadas por Quezada et al. (2012), pre-
sentadas en la Tabla 1.
Tabla 1. Formulas empleadas para los cálculos de las variables que integran la dinámica de crecimiento del bosque La 
Ceiba, Zapotillo, Ecuador.
Cr. D = Crecimiento del diámetro.
Df = Diámetro al final del periodo.
Di = Diámetro al inicio del periodo.
Cr. H = Crecimiento de la altura.
Hf = Altura al final del periodo.
Hi = Altura al inicio del periodo.
Cr. G = Crecimiento en área basal.
Gf = Área basal al final del periodo.
Gi = Área basal al inicio del periodo.
Cr. V = Crecimiento en volumen.
Vf = Volumen al final del periodo.
Vi = Volumen al inicio del periodo.
Ipa (D) = Incremento periódico anual del diámetro.
Ipa (H) = Incremento periódico anual de la altura.
Ipa (G) = Incremento periódico anual del área basal.
Ipa (V) = Incremento periódico anual del volumen.
Cr. B + i = Crecimiento bruto con ingreso.
M = Mortalidad.
A = Aprovechamiento.
Cr. B – i = Crecimiento bruto sin ingreso.
M = Mortalidad.
A = Aprovechamiento.
CrBPa + i = Crecimiento bruto periódico anual con ingresos.
CrBPa – i = Crecimiento bruto periódico anual sin ingresos.
i = Ingresos.
t = Número de años del periodo.
Fuente: Quezada et al. (2012).
RESULTADOS
Dinamismo de las especies en la parcela permanente
El bosque expresa su dinamismo a través de la mortalidad y reclutamiento de individuos 
al paso de los años. Se encontró 935 individuos/ha, de 30 especies de 29 géneros y de 22 
familias (Anexo 1), en la Tabla 2 se detalla el dinamismo.
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110 111
Tabla 2. Dinamismo de la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba, para árboles ≥ 5 cm D1,30 m en el período 
2006-2015.
Variable 2006 2015 Tasa anual (%)
Número de árboles 962 935
Mortalidad 0 195 2,5
Reclutamiento 0 168 2,2
Dinamismo 0 0,0235 2,3
Crecimiento e incremento de las especies en la parcela permanente
Los resultados de crecimiento en D1,30 m, altura, área basal y crecimiento volumétrico de 
la parcela, considerando el número de individuos de cada especie, en un periodo de nueve 
años se desarrolla en los siguientes párrafos.
Crecimiento promedio e incremento periódico anual en diámetro
Las especies registradas en la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba, 
tuvieron un crecimiento promedio en diámetro de 0,0376 m/ha y un incremento periódico 
anual de 0,0042 m/ha/año. En la Figura 4, se presenta las 10 especies con mayor crecimiento 
promedio e incremento periódico anual.
Figura 4. Crecimiento promedio e incremento periódico anual en diámetro de 10 especies, en un período de nueve años.
Crecimiento promedio e incremento periódico anual en área basal
En cuanto al crecimiento promedio en área basal, en la parcela existe 0,0208 m2/ha 
y un incremento periódico anual de 0,0023 m2/ha/año. En la Figura 5, se presenta las 10 
especies con mayor crecimiento e incremento periódico anual en área basal.
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Figura 5. Crecimiento e incremento periódico anual en área basal de 10 especies, en un período de nueve años.
Crecimiento promedio e incremento periódico anual de la altura
Las especies presentaron un crecimiento promedio en altura de 3,29 m/ha con un 
incremento periódico anual promedio de 0,3659 m/ha/año. En la Figura 6, se presentan las 
10 especies que mayor crecimiento promedio e incremento periódico anual en altura.
Figura 6. Crecimiento e incremento periódico anual en altura de 10 especies, en un período de nueve años.
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Crecimiento promedio e incremento periódico anual en volumen
Las especies obtuvieron un crecimiento promedio en volumen de 0,29 m3/ha, con un 
incremento periódico anual promedio de 0,0325 m3/ha/año. En la Figura 7, se muestran las 10 
especies con su respectivo crecimiento promedio e incremento periódico anual en volumen.
Figura 7. Crecimiento e incremento periódico anual en volumen de 10 especies forestales, en un período de nueve años.
Crecimiento bruto periódico con y sin ingreso.
En la Tabla 3 se muestran los valores obtenidos del crecimiento e incremento perió-
dico anual de las diferentes variables evaluadas en la parcela permanente ubicada en el 
bosque seco La Ceiba.
Tabla 3. Crecimiento e incremento periódico anual de las variables dasométricas y volumétricas analizadas en la parcela 
permanente de la Reserva Natural La Ceiba en el periodo 2006 – 2015.
Parámetros Unidad de medida Valor obtenido
Crecimiento en diámetro m/ha 0,0376
Crecimiento en altura m/ha 3,2934
Crecimiento en área basal m2/ha 0,0208
Crecimiento en volumen m3/ha 0,2922
Incremento periódico anual del diámetro m/ha/año 0,0042
Incremento periódico anual de la altura m/ha/año 0,3659
Incremento periódico anual del área basal m2/ha/año 0,0023
Incremento periódico anual del volumen m3/ha/año 0,0325
Crecimiento bruto del bosque con ingreso m3/ha 56,9768
Crecimiento bruto del bosque sin ingreso m3/ha 53,7129
Crecimiento bruto periódico anual del bosque con ingreso m3/ha/año 6,3308
Crecimiento bruto periódico anual del bosque sin ingreso m3/ha/año 5,9681
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DISCUSIÓN
Composición y sucesión de especies en la parcela permanente en la Reserva Natural 
La Ceiba.
En la primera medición se identificaron 30 especies, correspondientes a 29 géneros 
en 22 familias; composición similar a lo reportando por Buri (2011) en otro sitio de La Ceiba 
reportando 28 especies dentro de 28 géneros y 19 familias y al estudio de Aguirre et al. 
(2021) que reporta 32 especies dentro de 32 géneros y 18 familias. Por otra parte, es-
tos resultados son altos comparados con el estudio de Bustamante (2009) realizado en la 
Reserva Laipuna, donde obtuvo 24 especies correspondientes a 24 géneros en 17 familias; 
y, al estudio realizado por Aguirre et al. (2016) en Algodonal donde reporta 24 especies de 
23 géneros y 14 familias.
En el periodo de 9 años especies como: Bougainvillea peruviana, Ficus jacobii, 
Piptadenia flava, Sorocea sprucei y Vernonanthura patens, desaparecieronde forma natu-
ral, las cuales a su vez fueron sustituidas por: Celtis iguanaea y Chloroleucon mangense, 
esto debido a la existencia de claros en el bosque, ocasionado por la caída de grandes 
individuos de Ceiba trichistandra y Cochlospermun vitifolium que abrieron espacio al morir 
y caer, datos diferentes a los reportados por Aguirre et al. (2016), quienes en un estudio 
desarrollado en el bosque seco estacional del sector Algodonal, cantón Macará, provincia 
de Loja, reportaron únicamente la desaparición de manera natural de Gliricidia brenningii.
Dinamismo, mortalidad y reclutamiento de Individuos en la parcela permanente de la 
Reserva Natural La Ceiba.
La tasa anual de dinamismo del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba en nueve 
años (2006 – 2015), es alto comparado con el estudio realizado por Aguirre et al. (2016) en 
el bosque Algodonal en un periodo de ocho años (2006 - 2014) donde se obtuvo una tasa 
anual de dinamismo de 1,5 %, esto debido a la alta diferencia existente entre la mortalidad 
y reclutamiento ocurrido en los sectores.
En cuanto a mortalidad y reclutamiento en el bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, 
hasta el año 2015 se encontró 195 individuos muertos y 168 reclutados, por lo que se puede 
interpretar que las especies del bosque seco dentro de la parcela permanente ha decrecido 
en el tiempo; resultados que concuerdan con lo reportado por Wolfgang y Mariaca (2007), 
quienes afirman que el bosque seco decrece en el tiempo, reportando 9 individuos muertos 
y 4 individuos reclutados. Por otra parte se refuta a lo manifestado por Aguirre et al. (2016), 
que reporta 130 individuos muertos y 137 reclutados, por lo que interpreta que el bosque 
seco Algodonal se mantiene dinámicamente en el tiempo.
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La mortalidad en este estudio es de 2,5 % anual, debido a que en la parcela permanente 
de La Ceiba algunos árboles de gran altura y volumen como Ceiba trichistandra al morir de 
manera natural caen y derriban árboles que se encuentran a su alrededor aumentando así 
la mortalidad; por su parte Uslar et al. (2003), reporta que en el bosque seco se da una tasa 
anual de mortalidad de 1,9 %; resultados similares reportan Wolfgang y Mariaca (2007), 
con una mortalidad de 2,0 % anual; mientras que Aguirre et al. (2016), discrepa con estos 
resultados, registrando una tasa anual de mortalidad de 1,5 %.
El reclutamiento de individuos al 2015 en la Reserva Natural La Ceiba obtuvo una tasa 
anual de 2,2 % y, en su mayoría con individuos de Cordia macrantha, debido a que la tem-
porada de lluvias ha provocado un deslave en las subparcelas B1 y B2, dando la oportunidad 
de que estos individuos se desarrollen favorablemente; sin embargo, Aguirre et al. (2016), 
reporta valores menores en el bosque seco del Algodonal, donde obtuvo una tasa anual 
de 1,6 % y, los individuos de Simira ecuadorensis con el 52,5 % son los de mayor ingreso; 
también Wolfgang y Mariaca (2007), en el bosque seco de Santa Cruz, Bolivia, reportan una 
tasa anual de 0,9 % que es bajo comparado con La Ceiba; igual que Uslar et al. (2003), en 
el jardín botánico Santa Cruz obtienen una tasa anual de reclutamiento de 0,7 %.
Crecimiento e incremento periódico anual de las especies en la parcela Permanente 
de la Reserva Natural La Ceiba.
En cuanto al crecimiento e incremento periódico anual (Ipa) durante un período de 
nueve años, en el bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba son altos, comparados con 
el estudio de Aguirre et al. (2016), en un periodo de ocho años, esto debido a la pluviosidad 
y presencia de hondonadas en los sitios estudiados, donde se almacena agua, favoreciendo 
el crecimiento de individuos cercanos, además se encuentra dentro de una área protegida 
por Naturaleza y Cultura Internacional.
El crecimiento bruto con y sin ingreso durante un período de nueve años del bosque 
seco de la Reserva Natural La Ceiba, es superior, comparados con el estudio de Aguirre 
et al. (2016), en un periodo de ocho años con 42,11 m3/ha., más en el crecimiento bruto con 
ingreso y 39,56 m3/ha, en el crecimiento bruto sin ingreso.
En cuanto al volumen total de las especies de la parcela permanente del bosque seco 
de la Reserva Natural La Ceiba, es inferior, comparado con el estudio de Wolfgang y Mariaca 
(2007) con 79,35 m3/ha., de diferencia; mientras que en relación con el estudio de Aguirre 
et al. (2016), el volumen es alto, con una diferencia de 71,62 m3/ha.
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CONCLUSIONES
El bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, en un periodo de nueve años ha 
decrecido, presenta una mortalidad de 195 individuos/ha., que equivale a una tasa del 2,5 
%; y reclutó 168 individuos /ha., que representa el 2,2 %, dando un dinamismo del 2,3 % 
anual, esta situación no es generalizada para los bosques secos, pero es un buen indicio 
para considerar que estos ecosistemas son muy susceptibles al cambio climático, por esta 
razón tal vez muchos árboles murieron y pocos ingresaron, otros factores que influyen son 
deslizamiento de tierras y caída de árboles de Ceiba trichistandra de gran tamaño que des-
truyen los individuos jóvenes.
La composición florística del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba duran-
te el periodo de evaluación se mantiene, se registra el aparecimiento de Celtis iguanaea 
y Chloroleucon mangense y la desaparición de Bougainvillea peruviana, Ficus jacobii, 
Piptadenia flava, Sorocea sprucei y Vernonanthura patens, estos registros demuestran el 
dinamismo existente en el bosque seco, especialmente que desaparecen son pioneras, que 
seguramente dieron espacio a otras intermedias y clímax.
La especie con mayor incremento periódico anual en diámetro, área basal, altura y 
volumen es Ceiba trichistandra con un diámetro de 0,029 m/ha/año, en altura 1,044 m/ha/
año, en área basal 0,046 m2/ha/año y en volumen 0,733 m3/ha/año.
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serva natural “La Ceiba”, cantón Zapotillo, Provincia de Loja. [Tesis de Ingeniería Forestal. 
Universidad Nacional de Loja]. Loja, Ecuador.
https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i5.838
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húmedo tropical, 19 años después de la cosecha bajo cuatro sistemas de aprovechamiento 
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13. Wolfgang, G. y Mariaca, R. (2007). Estructura, composición y dinámica del bosque seco Chi-
quitano. San Ignacio de Velasco, Bolivia.
08
Elaboração de programas de secagem para 
madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia 
citriodora
Thallyta Barros da Silva
UFT
Renata Carvalho da Silva
UFPR
Natália Stheffany de Brito Lima
UFT
Lorrainy Azevedo de Carvalho
UFT
Karolayne Ferreira Saraiva
UFT
Júlia Gabriela do Nascimento Mendes
UFT
Pedro Lício Loiola
UFPR
Morgana Cristina França
UFPR
Cristiano Bueno de Moraes
UFT
Raquel Marchesan
UFT
'10.37885/220308101
https://dx.doi.org/10.37885/220308101
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Palavras-chave: Defeitos de Secagem, Fluxo de Fluidos, Taxa de Secagem.
RESUMO
Este estudo teve por objetivo determinar as temperaturas iniciais, finais e o potencial de 
secagem adequados para o melhor gerenciamento do processo de secagem da madeira 
em estufas convencionais para as espécies de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora. 
Foram utilizadas amostras com dimensões nominais de 100,0 mm x 55,0 mm x 10,0 mm 
(comprimento, largura e espessura) tendo a determinação dos parâmetros para a elabo-
ração do programa de secagem o método de secagem drástica a 100°C. Os resultados 
obtidos mostram que as madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora, possuem 
massa específica básica compreendendo valores de 0,562 a 0,782 g.cm–3, as quais se 
classificam como madeiras de média densidade e alta densidade. Quanto ao tempo de 
secagem e a velocidade de secagem das espécies estudadas, os Eucalyptus spp. e 
Corymbia citriodora, são espécies que possuem baixa permeabilidade e baixa propen-
são à incidência de defeitos de colapso e rachaduras durante o processo de secagem.
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INTRODUÇÃO
A secagem da madeira é uma etapa de grande importância nos processos de trans-
formação, pois proporciona a melhoria das características de trabalhabilidade, estabilida-
de dimensional e minimiza a incidência de ataques por organismos xilófagos. Além disso, 
quando o processo é realizado e conduzido de maneira adequada, obtém-se considerável 
redução dos custos envolvidos e maior controle das etapas subsequentes de beneficiamento 
da matéria-prima (GLASS et al, 2010). Esta etapa do processo produtivo, demanda eleva-
do consumo de energia elétrica e térmica, resultando em investimentos iniciais elevados, 
quando comparados ao método de secagem natural. Essas são as principais razões para 
a comunidade científica, juntamente com empreendedores buscarem maiores informações 
sobre a qualidade da madeira após a secagem, em que a utilização de um programa de 
secagem adequado é de fundamental importância.
Madeiras do gênero Eucalyptus tem por característica a secagem de forma lenta, difí-
cil e complexa (LOIOLA et al. 2015; LIEBL et al. 2017), em razão principalmente, da baixa 
permeabilidade, a qual é responsável por um acentuado gradiente de umidade, elevadas 
contrações, alta suscetibilidade ao colapso, rachaduras e altas tensões de secagem. Além 
da baixa permeabilidade, a manifestação de tensões de crescimento contribui para maior 
aparecimento de defeitos, tornando a secagem da madeira de Eucalyptus ainda mais com-
plexa (MARCHESAN et al. 2015). Portanto, ao adotar programas de secagem suaves, que 
utilizam baixas temperaturas e altas umidades relativas até completa remoção de água 
livre, existem técnicas complementares que são promovidas, com o emprego de tratamen-
tos antes da secagem, visando reduzir o tempo e melhorar a qualidade da madeira (PAES 
et al. 2015) como a vaporização das toras, utilização de herbicidas e anelamento da árvore 
para tentar reduzir a manifestação das tensões de crescimento durante o desdobro e se-
cagem da madeira.
Dentre as espécies que mais se destacam na indústria madeireira estão as dos gêneros 
Eucalyptus e Corymbia que pertencem à família Myrtaceae e possuem mais de 800 espé-
cies, variedades e híbridos, o qual vem evoluindo constantemente a nível de melhoramento 
genético ao longo dos anos (ACR, 2015). Em função da importância econômica dos plan-
tios comerciais de Eucalyptus, os interesses e investimentos em programas de secagem, 
gerenciamento da secagem, melhoramento genético e manejo para espécies do gênero 
têm se intensificado e proporcionado o desenvolvimento e aprimoramento de técnicas para 
avaliação e seleção de clones com bons fenótipos para as características silviculturais e 
tecnológicas (RAMALHO et al., 2012).
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120 121
Portanto, este trabalho teve como objetivo determinar as temperaturas iniciais, finais e 
o potencial de secagem adequados para o melhor gerenciamento do processo de secagem 
da madeira em estufas convencionais.
MATERIAIS E MÉTODOS
Localização e características das amostras de madeiras
A madeira utilizada no presente estudo foi proveniente de plantio localizado no muni-
cípio de Aliança – TO (11.8173° S, 49.5242° W) com idade de 08 anos, sendo seleciona-
das e traçadas três árvores com bom aspecto fitossanitário. A seleção das árvores para a 
derrubada considerou o aspecto visual do fuste, dando preferência às árvores com tronco 
cilíndrico, reto, sem bifurcações e sem defeitos.
Foram avaliadas madeiras das espécies de Eucalyptus urophylla, Eucalyptus camaldu-
lensis, o híbrido Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis e Corymbia citriodora. Para cada 
espécie, foram confeccionados dez corpos de provas com dimensões nominais de 100,0 x 
55,0 x 10,0 mm (comprimento, largura e espessura), sendo selecionadas 40 amostras para 
a elaboração dos programas de secagem.
Para a determinação das propriedades físicas da madeira (teor de umidade e massa 
específica básica) foram utilizadas cinco repetições por espécie, tendo as amostras dimen-
sões nominais de 10,0 x 5,0 x 5,0 mm (comprimento, largura e espessura).
Caracterização física da madeira
Os ensaios para a determinação do teor de umidade inicial e da massa específi-
ca básica e aparente a 12% de umidade, foram de acordo com as recomendações da 
COPANT – 461 (1972).
Para a determinação da massa específica aparente, as amostras foram acondicionadas 
em um ambiente climatizado à temperatura de 25 ± 3ºC e 65 ± 5% de umidade relativa, até 
massa constante, em seguida determinou-se a massa e o volume dos corpos de provas.
Elaboração dos programas de secagem
Para a realização dos programas de secagem as amostras foram submetidasà seca-
gem em estufa de laboratório aquecida previamente a 100°C, sem sistema de circulação 
forçada de ar, conforme metodologia proposta por Ciniglio (1998). Durante esta secagem 
drástica, a evolução dos defeitos (rachaduras e colapso) e a perda de massa foram acom-
panhados através de medições periódicas, até que o teor de umidade atingisse cerca de 
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5% de umidade final. Em cada avaliação eram mensurados a largura e o comprimento das 
rachaduras (topo e superfície), considerando-se sempre a maior intensidade de ocorrência 
do defeito. A determinação do grau de colapso foi realizada de acordo com as recomenda-
ções de Welling (1994).
Ao término da secagem, foram determinadas as variáveis tempo de secagem e velo-
cidade de secagem nas umidades de verde à 30%, 30% a 5% e verde a 5%.
Os valores médios das variáveis do ensaio a 100°C (Tabela 2), foram usados na esti-
mativa dos parâmetros de secagem, por meio das equações descritas na Tabela 1.
Tabela 1. Parâmetros da secagem das madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora.
Parâmetro Equação
TI 27,9049 + 0,7881 * T2 + 419,0254 V1 + 1,9483 * R2
TF 49,2292 + 1,1834 * T2 + 273,8685 V2 + 1,0754 * R1
PS 1,4586 - 30,4418 * V3 + 42,9653 * V1 + 0,1424 * R3
TI: Temperatura Inicial; TF: Temperatura Final; PS: Potencial de Secagem; T: Tempo de Secagem; V: Velocidade de Secagem; 
R: Rachadura. 
Fonte: Ciniglio (1998).
Velocidade de secagem
A velocidade de secagem foi calculada a partir da equação 1. Sendo que o cálculo foi 
realizado para as velocidades de secagem das amostras verdes até 5%, de verde até 30% 
e de 30 até 5% de umidade.
 (1)
Em que:
 = velocidade de secagem (g/(cm³.h)–¹); 
 = perda média de massa (g); 
 = tempo de secagem (h);
 = perda média de área (cm²).
Análise Estatística
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado. Foi realizado 
o teste de normalidade e análise de variância (ANOVA). Também se empregou o teste de 
Tukey para a comparação das médias a nível de 5% de probabilidade, com auxílio do pro-
grama estatístico - Sisvar.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
As espécies de E. camaldulensis e o híbrido do cruzamento E. urophylla x E.grandis 
tiveram densidades que permitem enquadrá-las como madeiras de média densidade. Já as 
madeiras de E. urophylla e o Corymbia citriodora como madeira de alta densidade (Tabela 2).
A densidade da madeira foi classificada, de acordo com os estudos de Melo et al. 
(1990); Vale et al. (2002); Coradin et al. (2010); Silveira et al. (2013), onde se classificam 
madeiras de baixa densidade aquelas que apresentam valores abaixo de 0,550 g cm-³, média 
densidade aquelas com densidade entre 0,550 e 0,720 g cm-³, e madeiras pesadas ou de 
alta densidade aquelas com valores superiores a 0,730 g cm-³.
Figura 1. Massa específica básica para as madeiras de Corymbia citriodora, E. camaldulensis, E. urophylla e E. urophylla 
x E. grandis.
E. urophylla x E.grandisE. urophyllaE. camaldulensisCorymbia citriodora
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
Espécies avaliadas
M
as
sa
 e
sp
ec
íf
ic
a 
bá
sic
a 
(g
.c
m
-3
)
A densidade da madeira pode ser considerada como resultante da interação das pro-
priedades anatômicas e químicas presentes no lenho, afetando de forma significativa a 
secagem das madeiras, sendo que, madeiras que possuem elevadas densidades, são ma-
deiras menos permeáveis (PANSHIN; DE ZEEUW, 1980). A importância em avaliar a massa 
específica básica da madeira para a secagem é em função da anisotropia da madeira e pela 
espessura da parede celular que o fluxo de fluido irá percorrer no sentido radial da madeira.
Lopes et al. (2011) ao comparar três espécies de eucaliptos obtiveram médias de 
densidade de 0,690 g.cm–³ para Eucalyptus urophylla, já Torres et al. (2016) encontraram 
densidade aparente de 0,470 g.cm–³ para madeira de Eucalyptus camaldulensis. Gonçalez 
et. al. (2014) obteve densidade básica de 0,510 g.cm–³ para madeira do híbrido Eucaliptys 
urophylla x Eucaliptys grandis e Paula et al. (2014) encontraram densidade básica para 
Corymbia citriodora de 0,590 g.cm–³.
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Tabela 2. Massa específica básica, teor de umidade inicial, tempo de secagem (T1, T2 e T3) e velocidade de secagem (V1, 
V2 e V3).
Espécies
Massa específica 
básica Umidade Inicial T1 T2 T3 V1 V2 V3
(g.cm–3) % Horas [g. (cm².hora)–1]
E. urophylla 0,774 A
(0,02)
46,99 BC
(9,07) 2,51 8,31 11,12 0,0213 0,0122 0,0142
E. camaldulensis 0,675 B
(0,04) 52,39 B (10,60) 4,57 8,24 13,21 0,0164 0,0103 0,0127
E. urophylla x E.grandis 0,562 C
(0,02)
73,58 A 
(2,82) 7,37 5,44 13,21 0,0176 0,0116 0,0151
Corymbia citriodora 0,782 A
(0,02) 44,44 C (4,40) 5,51 7,04 9,55 0,0260 0,0122 0,0167
Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação; T1: Tempo de secagem de verde até 30%; T2: Tempo de 
secagem de 30% até 5%; T3: Tempo de secagem de verde até 5%; V1: Velocidade de secagem de verde até 30%; V2: Velocidade 
de secagem de 30% até 5%; V3: Velocidade de secagem de verde até 5%.
Para o teor de umidade inicial das madeiras avaliadas, notam-se valores que com-
preendem entre 44,44% e 73,58%. A umidade da madeira, está relacionada principalmente 
à massa específica básica, pois quanto maior a massa específica da madeira, menor a 
quantidade de água presente no material. Fato este, observado para as espécies de E. uro-
phylla e Corymbia citriodora. A determinação da temperatura ideal para a secagem de 
qualidade de uma espécie, tem influência direta na quantidade de água capilar presente na 
madeira, consequentemente, no tempo necessário para remoção deste fluído, em função da 
baixa permeabilidade que a madeira do gênero Eucalyptus possui (BATISTA et al., 2015). 
Entretanto, ao construir uma curva de secagem para a madeira em câmara convencional, 
existe a etapa inicial denominada de aquecimento, onde se eleva a umidade relativa do 
ambiente de secagem com o intuito de promover o aquecimento das moléculas de água 
presentes na madeira e homogeneizar o teor de umidade de toda a carga.
Em relação ao tempo necessário do fluxo de fluido nas madeiras avaliadas, nota-se que 
a remoção da água de difusão (abaixo do PSF) para o E. urophylla foi 3,31 vezes maior que 
o tempo necessário para a remoção da água capilar (2,51 horas). Já o híbrido E. urophylla 
x E.grandis, teve o fluxo de fluido da água de difusão (5,44 horas) menor que a remoção 
da água capilar (7,37 horas). Tal fato, está relacionado à combinação dos fatores teor de 
umidade inicial e massa específica básica da madeira (73,58%; 0,562 g.cm–3, respectiva-
mente). Observa-se que madeiras com massa específica de 0,680 e 0,560 g.cm–3 e teor de 
umidade inicial 52,39% e 73,58%, respectivamente para às espécies de E. camaldulensis 
e o híbrido E. urophylla x E. grandis, o tempo necessário para o fluxo da água de difusão 
foi de 2,4 vezes superior para a madeira com maior massa específica básica (E. camaldu-
lensis). Esta análise evidencia a forte relação da massa específica da madeira com o fluxo 
de fluído no material poroso.
Quanto à velocidade de secagem ou taxa de secagem, sendo o tempo necessário para 
a remoção de água capilar da madeira (v1) ou, remoção da água higroscópica da madeira 
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(v2) ou da água total presente na madeira (v3), está diretamente relacionado à quantidadede 
água a ser removida (teor de umidade) e o tempo necessário para o fluxo. Portanto, quanto 
maior o tempo de fluxo de água, menor é a velocidade de secagem ou taxa de secagem. 
Outro fator relacionado à velocidade de secagem é a permeabilidade da madeira a líquidos, 
sendo esta, diretamente relacionada à viscosidade do fluido (SIAU, 1971). Os baixos valores 
obtidos para a velocidade de secagem, condizem com os elementos vasculares presentes 
na madeira de Eucalyptus, geralmente curtos e com placa de perfuração simples (NISGOSKI 
et al. 1998), apresentando pouca resistência à passagem dos fluidos. Estes podem ser so-
litários ou múltiplos, comunicando-se com os adjacentes por meio de pares de pontoações, 
que auxiliam na passagem dos fluídos entre eles (PANSHIN; ZEEUW, 1980).
Ao avaliar estudos semelhantes a este na literatura, Barbosa et al. (2005) estudaram 
10 clones de Eucalyptus spp. e obtiveram tempos de secagem compreendendo valores de 
14,31 e 8,48 horas. Já, Eleotério et al. (2015) encontraram tempos de secagem para a água 
capilar de 2,7 horas para o híbrido de Eucalyptus urophylla x Eucaliptys grandis e uma velo-
cidade de secagem de 0,0344 g/cm².h, 0,0733 g/cm².h, 0,0144 g/cm².h. Para o Corymbia os 
mesmos autores detectaram a necessidade de 3,0 horas para a remoção da água capilar.
A remoção da água capilar na madeira do gênero Eucalyptus ocasiona danos nas es-
truturas anatômicas tornando a madeira mais suscetível a defeitos, sendo muito propenso 
a ocorrência de defeitos no início da secagem (colapso). À medida que o teor de umidade 
da madeira reduz, inicia-se o fluxo de fluidos por difusão de vapor, função do gradiente 
de vapor existente na parede celular da madeira. Neste momento o processo torna-se 
mais lento, necessitando de mais calor e permitindo assim aumentar a velocidade de seca-
gem (SIAU, 1971).
Com relação à ocorrência de defeitos originários pela secagem da madeira (Tabela 3), 
observa-se que a espécie que obteve a maior incidência de colapso e rachadura foi o E. uro-
phylla. Para o C. citriodora não foi observado este tipo de defeito, entretanto foi obtido maior 
escore de rachaduras em todas as fases da secagem drástica.
Tabela 3. Variáveis de determinação de defeitos das madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora à 100ºC.
Espécies Colapso
(mm)
Escore de Rachaduras
R1 R2 R3
Eucalyptus urophylla
Eucalyptus camaudulensis
E. urophylla x E. grandis
Corymbia citriodora
0,48 (40,90)
0,33 (72,90)
0,38 (48,19)
Ausente
2,07
0,86
0,30
2,72
1,10
0,80
0,30
1,30
2,10
0,90
0,30
2,70
Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação. R1= Rachadura de topo da Ui até 5%; R2= Rachadura de topo 
da Ui até 30%; R3= Rachadura de topo da Ui de 30% a 5%.
A espécie de C. citriodora destaca-se pela ausência de colapso, indicando que pro-
vavelmente as tensões geradas foram menores, e as forças de compressão e tração não 
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ocasionaram fissuras nas amostras. Esse defeito ocorre durante a retirada da água capilar, 
estando relacionado com a permeabilidade da madeira. O grau de colapso obtido foi baixo 
com relação à média das espécies do gênero (BARBOSA et al., 2005; REZENDE et al., 
2015), esse comportamento pode ser em função do baixo teor de umidade.
Comparando resultados com a literatura, Barbosa et al. (2005) obtiveram valores de 
colapso para várias espécies de Eucalyptus spp. entre 1,67 e 5,0 sendo classificados com 
baixo e alto grau de colapso. Rezende et al. (2015) trabalhando com efeito da vaporização 
na secagem de tábuas em madeiras de Eucalyptus grandis tiveram como resultado grau de 
colapso forte, ou seja, valores superiores aos encontrados nesta pesquisa.
A localização das rachaduras foi manifestada em três momentos distintos que cor-
respondem aos teores de umidade de verde a 30% (água capilar), verde a 5% e de 30% 
a 5% (água higroscópica), sendo basicamente no topo e na superfície das peças, em que 
se verificava maior incidência. De acordo com Galvão e Jankowsky, (1985) as rachaduras 
aparecem como consequência da diferença de retração nas direções radial e tangencial da 
madeira, e de diferenças de umidade entre regiões contíguas da mesma peça, durante o 
processo de secagem.
A maior presença de rachaduras foi verificada no teor de umidade de verde até 5% (fluxo 
de fluido de difusão e capilaridade), este comportamento já era previsto, pois geralmente 
as rachaduras ocorrem no início da secagem (remoção água capilar), quando as camadas 
externas estão sofrendo tensões suficiente para ocasionar fissuras das microfibrilas de 
celulose da madeira. Klitzke et al. (2010) ainda complementam que madeiras de grã reta 
(fibras paralelas ao eixo longitudinal da peça serrada), possuem a tendência de minimizar 
os defeitos oriundos do processo de secagem.
Com base nas informações contidas nas Tabelas 2 e 3 foram determinadas faixas de 
temperaturas (inicial e final), assim como o potencial de secagem com o objetivo de nortear 
a comunidade científica e à indústria de beneficiamento da madeira a elaborar curvas ou 
programas de secagem que minimizem os defeitos oriundos desta etapa (Tabela 4)
Tabela 4. Parâmetros de temperatura inicial, temperatura final e potencial de secagem das madeiras de Eucalyptus spp. 
e Corymbia Citriodora para a secagem drástica a 100°C.
Espécies Temperatura Inicial
(100°C)
Temperatura Final
(°C)
Potencial de Secagem
(PS)
Eucalyptus urophylla
Eucalyptus camaldulensis
E. urophylla x E. grandis
Corymbia citriodora
38,06 (6,37)
38,42 (6,40)
40,65 (2,60)
39,48 (8,77)
60,26 (4,09)
60,06 (3,45)
63,11 (1,01)
62,27 (4,44)
1,99 (14,83)
1,81 (11,31)
1,80 (4,88)
2,19 (16,40)
Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação.
O programa de secagem para as espécies de Eucalyptus sugere uma temperatura inicial 
de 40°C, baixas diferenças psicrométricas e alta umidade relativa até o ponto de saturação 
das fibras. A partir desse ponto a combinação de temperaturas inicial e final passam a ser 
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maiores, acelerando o processo de secagem, até atingir a temperatura final que variou de 
60,26°C a 63,11°C. Os valores do potencial de secagem variaram em torno de 1,80 e 2,19, 
tendo o programa de secagem considerado suave (KLITZKE, 2007).
Os valores obtidos neste trabalho para a temperatura inicial são similares aos obtidos 
por Barbosa et al. (2005); Eleotério et al. (2015); Batista et al. (2015) ao estudarem madeiras 
de Eucalyptus spp.
CONCLUSÃO
As madeiras tiveram massa específica básica consideradas como média e alta densidade.
As madeiras de Eucalyptus spp. e C. citriodora podem ser consideradas como de difícil 
secagem, consequentemente, necessitam de tempos elevados de secagem.
As espécies apresentaram baixas susceptibilidade a ocorrências de defeitos como 
rachaduras e colapsos.
A temperatura inicial de secagem recomendada para as espécies avaliadas é 
próxima de 40 ºC.
O potencial de secagem recomendado para a secagem é de 1,80 a 2,20.
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09
Espécies estruturantes para a restauração 
florestal de áreas mineradas
Rafael Paiva Salomão
UFRA
André Luis Ferreira Hage
MPEG
Silvio Brienza Júnior
Embrapa
Gabriel Negreiros Salomão
ITV
Vitor Hugo Freitas Gomes
MPEG
'10.37885/220308271
https://dx.doi.org/10.37885/220308271
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Palavras-chave: Espécie Estruturante, Análise Multivariada, Restauração Florestal, Mo-
nitoramento Vegetação, Áreas Degradadas, Mineração, Amazônia.
RESUMO
A restauração florestal, após a lavra do minério, abrange vários pressupostos; dentre 
esses, destacam-se a necessidade de o ecossistema restaurado conter um conjunto de 
espécies estruturantes (espécies-chave) que ocorre no ecossistema de referência (floresta 
original), e desta forma, proporcionar uma estrutura apropriada de comunidade, além de 
ser constituído do maior número possível de espécies nativas. O conceito de espécie es-
truturante envolve duas características essenciais que se espera daquelas espécies que 
serão selecionadas: refletir uma distribuição diamétrica dos seus indivíduos semelhante 
àquela da floresta original e, apresentar uma composição florística, traduzida pelas prin-
cipais famílias e associações de gêneros, análoga àquela observada na florestal original.
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INTRODUÇÃO
Na restauração busca-se a todo momento, o aprimoramento constante das diversas 
etapas de tal forma que sua trajetória seja a mais precisa possível culminando-se, assim, 
numa restauração de precisão. A restauração florestal em sentido amplo, é a melhoria das 
funções do ecossistema sem que necessariamente se atinja um retorno a condições pré-
-distúrbios (Aronson et al., 2011). Geralmente, é dada ênfase à recuperação de processos 
e funções do ecossistema sem que haja um compromisso explícito em se restabelecer a 
composição florística original (SER, 2004; Clewell e Aronson, 2007) mas, sim, da estrutura 
vertical e das principais famílias e gêneros da nova floresta em formação (Salomão et al. 
2012a, 2012b; Salomão 2014, 2015).
A restauração florestal, após a lavra do minério abrange vários atributos. Dentre esses, 
destaca-se a necessidade de o ecossistema restaurado conter um conjunto de espécies 
estruturantes (espécies-chave) que ocorre no ecossistema de referência (floresta original), e 
desta forma, proporcionar uma estrutura apropriada de comunidade, além de ser constituído 
do maior número possível de espécies nativas.
O conceito de espécie estruturante envolve duas características essenciais que se 
espera daquelas espécies que serão selecionadas para compor o mix (cesta) de espécies 
para a restauração florestal de precisão: refletir uma distribuição diamétrica dos seus in-
divíduos semelhante àquela da floresta original e, apresentar uma composição florística,traduzida pelas principais famílias e associações de gêneros, análoga àquela observada na 
florestal original (anterior a supressão vegetal para a mineração), conforme demonstrado 
por Salomão et al. (2012b, 2015).
Um importante instrumento da ecologia de comunidade é a análise multivariada, que 
trata todas as variáveis simultaneamente, sumariando os dados e revelando a sua estrutura 
com a menor perda de informações possível (Gauch, 1982; Pielou, 1984). Diferentemente 
da estatística clássica, que possibilita o teste de hipótese, as análises multivariadas se pres-
tam mais a investigar os dados e gerar hipóteses (Gauch, 1982; Oliveira-Filho et al. 1994). 
Recentemente as análises multivariadas tornaram-se instrumentos acessíveis, apesar de há 
muito conhecidas (Goodall, 1954). Muitos estudos em comunidades vegetais utilizam como 
base esse tipo de análise, seja para agrupar amostras, classificar tipos de formações, rela-
cionar variáveis ambientais às diferenças na comunidade ou mesmo para definir prioridades 
para a conservação (Taggart, 1994; Ogutu, 1996; La Roi, 1992; Kappelle et al., 1995).
As florestas densas que recobrem praticamente toda a Amazônia têm milhares espécies 
arbóreas; cerca de 16 mil espécies segundo estudo de Steege (2013). Em áreas pontuais 
onde ocorre a mineração o número de espécies chega a atingir oito centenas (Salomão 
et al 2012a,b). No sentido de propiciar uma forma de selecionar as espécies estruturantes 
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da comunidade florestal, Salomão et al (2012b, 2015) propuseram a adoção do índice fitos-
sociológico e socioeconômico (IFSE), obtido por técnicas de análise multivariada.
Objetivou-se neste trabalho aplicar o índice fitossociológico e socioeconômico - (IFSE) 
em todas as espécies inventariadas do Platô Monte Branco (onde a Mineração Rio do Norte - 
MRN promove a restauração florestal desde o ano de 1979), para determinação das espécies 
estruturantes que deverão ser empregadas nos plantios para restauração de áreas mineradas. 
Foi também determinada a densidade de plantio (nº de mudas ha–1) dessas espécies-chave.
O uso do índice (IFSE) poderá auxiliar também na tomada de decisão de quais es-
pécies arbóreas estruturantes deverão ser selecionadas nos trabalhos de restauração flo-
restal em áreas de preservação permanente (APPs) e áreas de reserva legal (ARL) que, 
com o advento do cadastro ambiental rural, obriga os proprietários e detentores de posses 
a recuperar o passivo ambiental da propriedade (APP e/ou ARL) e que, no caso do Pará, 
dependendo do zoneamento ecológico-econômico, poderá ser de 50% ou 80% do total da 
área da referida propriedade.
METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido no Platô Saracá (altitude média de 180 m) da Floresta 
Nacional Saracá Taquera (01º45’16,0” S - 056º23’09,4” W), subordinada ao Instituto Chico 
Mendes de Biodiversidade-ICMBIO, onde é desenvolvido o projeto de mineração de bauxita 
da MRN, no distrito de Porto Trombetas, município de Oriximiná, estado do Pará.
O processo de amostragem da vegetação utilizado no inventário florestal foi baseado 
na amostragem sistemática. A estrutura horizontal da floresta foi caracterizada através das 
variáveis fitossociológicas incluídas na análise fatorial como abundância (NI), frequência (FQ) 
e área basal/dominância (AB) das espécies registradas nas parcelas da amostra. Além destas 
variáveis foram incluídas outras três na construção do índice: a biomassa dos indivíduos das 
espécies (Y), uma econômica relativa ao valor comercial da madeira de cada espécie (VCM) 
e uma socioeconômica que abrangeu o uso e a utilidade expressado através da quantidade 
de produtos florestais não madeireiros da espécie (PFNM). A biomassa aérea viva (Y, peso 
seco, em kg) dos indivíduos das espécies foi estimada através da equação alométrica em 
função do diâmetro a 1,30 m do solo (D, em cm), Y = 38,4908 - 11,7883D + 1,1926D² (r² 
= 0,78), proposta por Brown et al. (1989), para indivíduos com DAP ≥ 10 cm. No caso da 
variável econômica (VCMr) multiplicou-se o volume comercial total (m³) da espécie pelo 
respectivo valor da madeira em tora (R$/m³). A variável socioeconômica, referente ao uso/
utilidade da espécie quantificou o número de aplicações (PFNM) de cada espécie em: ali-
mento para o homem (AH), espécie medicinal (ME), produção de corante (CO), produção 
de essência aromática (EA), produção de fibra (FI), produção de látex (LA), produção de 
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óleos essenciais (OE); produção de resina (RE) e produção de substância venenosa (VE), 
de acordo com Salomão et al. (1995), Shanley e Medina (2005), Shanley e Rosa (2005) e 
Salomão et al. (2007).
O modelo do índice fitossociológico e socioeconômico (IFSE), analisado neste trabalho, 
é uma função de seis variáveis quantitativas e igual número de variáveis qualitativas expres-
sadas pelas respectivas variáveis dummy (VD). (i) Variáveis quantitativas: abundância relativa 
(NIr), frequência relativa (FQr), área basal/dominância relativa (ABr), biomassa relativa (Yr), 
valor comercial da madeira em tora e em pé relativa (VCMr), quantidade de produtos florestais 
não madeireiros relativa (PFNMr). (ii) Variáveis qualitativas: adicionalmente, definiu-se para 
cada uma destas variáveis, uma variável qualitativa (variável dummy) para captar a influência 
das espécies em que pelo menos 50% dos valores das variáveis envolvidas constavam na 
amostra. O IFSE foi definido por Salomão et al (2012a,b) como sendo (Equação 1):
 � �= ÷
÷
÷
÷
�
�
�
�
�
�
�
�
=
q
j
ij
j
j
j
ki FPIFSE
1
, �
�
 (Eq. 1)
em que λ é a variância explicada por cada fator e Σλ é a soma total da variância expli-
cada pelo conjunto de fatores comuns extraídos.
RESULTADOS
Foram registrados nas 301 parcelas (2.500m² por parcela) do inventário florestal do 
Platô Monte Branco 36.546 árvores, totalizando 745 espécies, distribuídas em 61 famí-
lias. A adequação da análise fatorial foi determinada pelos testes Bartlett e KMO. O teste 
de Bartlett indicou que as correlações, em geral, são significantes ao nível de 1% de proba-
bilidade. O teste KMO no valor de 0,725, indicou que as variáveis estão correlacionadas e 
o modelo fatorial apresentou um bom nível de adequação aos dados.
O IFSE calculado para cada uma das espécies variou de 0,115% a 0,369% conse-
quentemente, a amplitude total de 0,255%, dividida por 3, gerou os três intervalos pré-esta-
belecidos quanto a predominância ecológica e socioeconômica das espécies alta (0,369% 
a 0,285%), média (0,284% a 0,201%) e baixa (0,200% a 0,115%). Duas espécie foram 
classificadas como de alta predominância, 34 como média e as demais 709 espécies como 
de baixa predominância. As espécies de alta e média predominância ecológica e socioeco-
nômica, em número de 36, são classificadas como espécies estruturantes (Tabela 1).
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Tabela 1. Relação das espécies estruturantes selecionadas para os plantios florestais da restauração florestal do Platô 
Monte Branco, Porto Trombetas (PA). Convenção: MAD-COM - madeira com valor comercial; Nº PFM - número de produtos 
florestais não madeireiros produzidos pela espécie.
Espécie Autor Família MAD-COM Nº PFNM
Dinizia excelsa Ducke Mimosaceae X
Brosimum rubescens Taub. Moraceae X 6
Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. Caryocaraceae X 4
Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Caryocaraceae X 5
Ecclinusa guianensis Eyma Sapotaceae X 3
Endopleura uchi (Huber) Cuatrec. Humiriaceae X 5
Eschweilera amazonica R. Knuth Lecythidaceae X 3
Eschweilera atropetiolata S.A. Mori Lecythidaceae XEschweilera coriacea (DC.) S.A. Mori Lecythidaceae X 4
Eschweilera grandiflora (Aubl.) Sandwith Lecythidaceae X 4
Geissospermum sericeum Benth. & Hook. f. ex Miers Apocynaceae X 2
Goupia glabra Aubl. Celastraceae X 3
Guatteria olivacea R.E. Fr. Annonaceae X
Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) Rusby Moraceae X 4
Hevea guianensis Aubl. Euphorbiaceae 2
Hymenaea courbaril L. Caesalpiniaceae X 6
Hymenaea parvifolia Huber Caesalpiniaceae X 6
Inga alba (Sw.) Willd. Mimosaceae X 5
Laetia procera (Poepp.) Eichler Flacourtiaceae X 3
Licania heteromorpha Benth. Chrysobalanaceae X 4
Licania impressa Prance Chrysobalanaceae X
Minquartia guianensis Aubl. Olacaceae
Oenocarpus bacaba Mart. Arecaceae 6
Pouteria eugeniifolia (Pierre) Baehni Sapotaceae X 2
Pouteria guianensis Aubl. Sapotaceae X 3
Pouteria krukovii (A.C. Sm.) Baehni Sapotaceae X 3
Protium apiculatum Swart Burseraceae X 3
Rinorea guianensis Aubl. Violaceae 2
Rinorea racemosa (Mart.) Kuntze Violaceae 2
Sclerolobium chrysophyllum Poepp. Caesalpiniaceae X 3
Swartzia polyphylla DC. Fabaceae X 2
Swartzia recurva Poepp. Fabaceae X 3
Tetragastris panamensis (Engl.) Kuntze Burseraceae X 3
Virola calophylla (Spruce) Warb. Myristicaceae X 3
Virola michelii Heckel Myristicaceae X 4
Zygia racemosa (Ducke) Barneby & J.W. Grimes Mimosaceae X 3
DISCUSSÃO
As variáveis quantitativas e qualitativas incluídas no índice e que envolveram fatores 
fitossociológicos, econômicos e sociais permitiram definir 36 espécies estruturantes para 
o sucesso da restauração florestal sem, no entanto, excluir a opção de inclusão de outras 
espécies, uma vez que as legislações estaduais de alguns estados brasileiros estabeleceram 
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algo em torno de 80 espécies nos trabalhos com este objetivo (Resolução SMA-21 SP, 
Resolução SMA-47 SP e o Decreto Nº 31.594 do Estado do Pará).
Alguns estudos abordando quais seriam as espécies florestais que melhor se adap-
tariam às condições vigentes do ecossistema antropizado a restaurar, após a remoção da 
cobertura florestal original, foram apresentadas por Guedes et al. (1997), Barbosa et al. 
(1997a), Barbosa et al. (1997b), Drumond et al. (1997) e Marques et al. (1997).
Analisando-se a estrutura diamétrica de todas as 745 espécies registradas na amostra-
gem e a das 36 espécies estruturantes selecionadas pelo modelo, observou-se que ambas 
são rigorosamente iguais, ou seja, todas as classes diamétricas presentes na distribuição 
dos indivíduos de todas as espécies da floresta têm, também, indivíduos das espécies es-
truturantes (Figura 1).
Figura 1. Distribuição diamétrica de todos os indivíduos das 745 espécies da floresta ombrófila densa em comparação 
com a das 36 espécies estruturantes.
0,0
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
Todas 745 espécies Espécies Estruturantes (36)
A composição florística das principais famílias botânicas no que tange a riqueza (núme-
ro de espécies) e abundância (número de indivíduos) da floresta primária, em comparação 
com a das espécies estruturantes demonstrou, também, serem análogas (Figura 2). Estas 
constatações permitem afirmar que as 25 espécies selecionadas para o plantio nas áreas 
anuais de restauração florestal da empresa são, comprovadamente, espécies estruturantes 
na nova floresta advinda da restauração.
Considerou-se como do grupo de pioneiras as espécies que se desenvolvem a pleno 
sol (PS) e o de não pioneiras as tolerantes a sombra (TS), que são aquelas que necessitam 
de luz difusa durante toda sua vida ou apenas durante a fase juvenil, como a maioria das 
espécies climácicas. As espécies do sub-bosque foram consideradas como sendo aquelas 
que não atingem o dossel da floresta; apenas uma das espécies estruturantes encontrava-se 
nesta categoria, as demais foram classificadas como climácicas. No grupo das tolerantes 
foram selecionadas 18 espécies cuja densidade de plantio conjunta atingiu 32,5% do total 
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de 1.667 mudas·ha–1 a plantar. No grupo das espécies de pleno sol foram selecionadas sete, 
perfazendo 4,2% do total de mudas.
Figura 2. Riqueza (número de espécies) - gráfico superior - e abundância (número de indivíduos) das principais famílias 
da floresta ombrófila densa e das espécies estruturantes.
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0
Sapotaceae
Mimosaceae
Lauraceae
Fabaceae
Annonaceae
Myrtaceae
Chrysobalanaceae
Caesalpiniaceae
Burseraceae
Moraceae
RIQUEZA (% nº de espécies)
36 Espécies estruturantes Todas 745 espécies
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0 20,0 22,0 24,0 26,0 28,0
Sapotaceae
Violaceae
Lecythidaceae
Annonaceae
Mimosaceae
Burseraceae
Lauraceae
Euphorbiaceae
Fabaceae
Chrysobalanaceae
ABUNDÂNCIA (% nº de indivíduos)
36 Espécies estruturantes Todas 745 espécies
O índice analisado (IFSE) pode contribuir para as políticas públicas que visam a re-
cuperação de áreas degradadas pelas atividades minerárias e agropecuárias, assim como, 
para a restauração de áreas de preservação permanente (APP) de reserva legal (RL), com 
base na indicação das espécies estruturantes mais adequadas para a restauração florestal.
CONCLUSÃO
Foram selecionadas 36 espécies estruturantes, entre as 745 amostradas no inventário 
florestal, que refletem uma estrutura diamétrica muito semelhante à da floresta original além 
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de incluírem as principais famílias botânicas em relação a riqueza de espécies e abundân-
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http://www.ser.org
10
Estudo de caso de manejo florestal 
comunitário na Amazônia: da ilegalidade 
à certificação florestal
Philippe Waldhoff
IFAM
'10.37885/220307984
https://dx.doi.org/10.37885/220307984
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Palavras-chave: Floresta Amazônica, Comunidades Tradicionais, Adequação Ambiental, 
Legislação Florestal.
RESUMO
Este capítulo apresenta as mudanças no arranjo produtivo da madeira de origem comuni-
tária, no município de Boa Vista do Ramos/AM, decorrentes das alterações nas políticas 
ambientais e normas voltadas ao manejo florestal sustentável. Trata-se de uma pesqui-
sa descritiva baseada em um estudo de caso. Foram realizados: revisão documental, 
observação participante e entrevistas não estruturadas. Verificaram-se os documentos 
relacionados à legalização do manejo florestal e uma revisão sobre as políticas e nor-
mas. Os resultados demonstram que os extratores de madeira, que desenvolviam suas 
atividades de maneira tradicional, tiveram de se adaptar às novas orientações políticas e 
técnicas. Houve uma mudança de um padrão de produção informal e ilegal para o manejo 
florestal comunitário juridicamente institucionalizado sob a forma de associação, com 
licença ambiental e certificação florestal. A coerção da sociedade visando à diminuição do 
desmatamento na Amazônia e o desenvolvimento de um ambiente favorável ao manejo 
florestal comunitário podem ser considerados como causas desta mudança. O conhe-
cimento tradicional aliado ao conhecimento técnico científico possibilitou o desenvolvi-
mento de um projeto de referência para a região. A falta de estratégias específicas para 
o empoderamento dos manejadores florestais aliado a mudanças nas políticas públicas 
para o manejo comunitário levou à busca por arranjos produtivos mais simples, mudando 
a orientação do manejo florestal de comunitário para o individual/familiar.
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INTRODUÇÃO
A exploração das florestas primitivas da bacia amazônica ficou proibida a partir do 
Código Florestal de 1965, que só permitiu a exploração por meio de planos técnicos de con-
dução e manejo (BRASIL, 2007). A regulamentação do Código Florestal só veio a ocorrer 
com a publicação do Decreto Federal no 1282/1994, que definiu o que seria o manejo florestal 
sustentável e estabeleceu os seus princípios e diretrizes (BRASIL, 1994). A partir de então 
houve diversas regulamentações que revogaram este primeiro decreto e apresentaram no-
vas diretrizes para controlar e orientar o manejo florestal na Amazônia Brasileira (BRASIL, 
1995; BRASIL, 1998; BRASIL, 2002; BRASIL 2007; BRASIL, 2009a).
Ao mesmo tempo em que vinham senda desenvolvidas as regulamentações para o 
manejo florestal sustentável, foi estruturado o Programa Piloto para a Proteção das Florestas 
Tropicais do Brasil (PPG-7). Apoiado pelos países membros do G7, da União Europeia e 
dos Países Baixos o programa teve como objetivo de diminuir as taxas de desmatamento 
no Brasil, (ANTONI, 2010). Dentro do PPG-7, foi desenvolvido o projeto “Apoio ao Manejo 
Florestal Sustentável na Amazônia” (PróManejo), que apoiou 46 projetos como iniciativas 
promissoras, sendo 14 projetos de manejo florestal comunitário. (IBAMA, 2007), entre esses, 
o projeto apresentado neste capítulo (WALDHOFF, 2015).
A diversidade de contextos, de atores, de objetivos e de tipos de estratégias geram 
dificuldades para encontrar uma definição que possa englobar a amplitude de experiências 
e casos de manejo florestal comunitário (AMARAL; AMARAL NETO, 2005). Para Pokorny e 
Johnson, (2008), a silvicultura comunitária se refere ao envolvimento de uma ampla gama 
de atores sociais, seja individual ou coletivamente, na tomada de decisões que afetam os 
recursos florestais.O Programa Federal de Manejo Florestal Comunitário e Familiar é mais 
específico em relação ao público quando define que o manejo comunitário é a execução de 
planos de manejo realizada pelos agricultores familiares, assentados da reforma agrária e 
pelos povos e comunidades tradicionais (BRASIL, 2009b).
Para Sunderlin (2006) quando o sistema de manejo florestal é apresentado por agen-
tes externos à comunidade como o governo, agências internacionais ou ONGs locais, ou 
alguma combinação destes três, pode ser considerado como um “modelo introduzido” de 
manejo florestal. A maioria dos planos de manejo florestal que vêm sendo desenvolvidos no 
Brasil são um modelo introduzido pois são decorrentes da presença de ONG’s e/ou agências 
governamentais e visam a melhoria de renda dentro das comunidades e o atendimento às 
normas ambientais (STONE-JOVICICH et al., 2007; POKORNY; JOHSON, 2008; MEDINA; 
POKORNY, 2011; HUMPHRIES et al., 2012).
As possibilidades para o manejo florestal comunitário são expressivas. Aproximadamente 
22% da área territorial da Amazônia Legal é composta por Terras Indígenas e 16% por 
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Unidades de Conservação de Uso Sustentável (PEREIRA et al, 2010). Foram identificadas 
1.213 iniciativas de manejo comunitário, em seis estados da Amazônia brasileira, sendo a 
maioria destes, 898, no estado do Amazonas (BRASIL, 2010). No entanto, a implementa-
ção desses planos de manejo passa por grandes dificuldades. A maior parte dos planos 
de manejo elaborados no estado do Amazonas, não receberam a licença ambiental prova-
velmente devido à centralização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) 
em Manaus, à falta de recursos humanos preparados e às interpretações divergentes das 
normas (KIBLER e SILVA, 2008).
Neste trabalho foi feita uma revisão das normas federais e das do estado do Amazonas, 
com enfoque no manejo florestal comunitário. O objetivo foi de identificar como os instru-
mentos de regulamentação e de promoção do manejo florestal sustentável influenciaram 
na formação de novos sistemas produtivos. É apresentado o estudo de caso da Associação 
Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos da Floresta (Acaf).
METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido no município de Boa Vista do Ramos (BVR), Amazonas, a 367 
km via fluvial de Manaus, às margens do Paraná do Ramos, nas bacias dos rios Massauarí 
e Curuçá. O Plano de Manejo Florestal foi desenvolvido em uma área caracterizada como 
de terra firme formada por latossolos amarelos, com manchas de podzólicos, textura média, 
ocorrendo solos arenosos e a topografia variando entre plana e suave ondulada. O acesso 
à área é via fluvial.
A vegetação do local é caracterizada como Floresta Ombrófila Densa. As principais 
espécies de madeiras comerciais encontradas são: Manilkera huberi (Ducke) Cheval (ma-
çaranduba); Dinizia excelsa Ducke (angelim); Mezilaurus itaúba (Meisn.) Taub. Ex Mez 
(itaúba); Tabebuia serratifolia (Vahl) Nich. (ipê amarelo); Hymenaea courbaril L. (jatobá) 
e; Minquartia guianensis Aubl. (acariquara). Os produtos não madeireiros mais comuns 
são: Bertholletia excelsa H.B.K. (castanha do Brasil), Carapa guianensis Aubl. (andiroba), 
Copaífera sp. (copaíba), Protium sp (breu) e Heteropsis sp (cipó titica).
O estudo compreendeu: (i) análise das normas e políticas voltadas ao manejo florestal 
comunitário; (ii) estudo de caso de uma associação comunitária e; (iii) análise de documentos 
formais apresentados pela associação para o licenciamento e certificação florestal.
Inicialmente, foi realizada uma revisão das políticas e do arcabouço normativo, volta-
dos ao manejo florestal sustentável comunitário e as Instruções Normativas específicas que 
serviram de base para elaboração do plano de manejo. A seguir foi realizado o estudo de 
caso do processo de formação e estruturação do manejo florestal comunitário desenvolvi-
do pela Associação Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos Florestais (Acaf) com 
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144
base no método de observação participante e de entrevistas não estruturadas (BERNARD, 
1988). A análise documental foi focada na documentação apresentada pela associação: (i) 
Atas de reuniões da associação; (ii) Regimento interno; (iii) Estatuto social; (iv) Cadastro na-
cional de pessoa jurídica; (v) Plano de Manejo Florestal Sustentável; (vi) Planos Operacionais 
Anuais das Unidades Produtivas; (vii) Autorizações de transporte de produtos florestais; 
(viii) Declarações de venda de produtos florestais; (ix) Relatórios de certificação florestal; 
(x) Relatórios do projeto do ProManejo-PPG7.
As viagens para as comunidades iniciaram em 1999, ano de formação da Acaf, e conti-
nuaram constantes até 2007. Durante esse período, foi mantido o diálogo com os presidentes 
da associação, com diferentes associados e houve a participação direta em reuniões técnicas 
e assembleias. A observação participante ocorreu junto aos trabalhos de: (i) elaboração e 
implementação do plano de manejo; (ii) certificação florestal – Forest Stewardship Coucil 
(FSC) e o atendimento às condicionantes; e (iii) implementação do projeto “Manejo flores-
tal por meio do planejamento participativo nas comunidades do rio Curuçá – Boa Vista do 
Ramos/AM”, apoiado pelo ProManejo/PPG7.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Normas para o manejo florestal comunitário e de pequena escala
As regulamentações para o manejo florestal sustentável tiveram início em 1994, mas 
foi o Decreto Federal no 2.788/1998, que possibilitou a apresentação de plano de manejo 
florestal simplificado (BRASIL, 1998). Esse decreto deu margens para que pequenos pro-
dutores florestais, agroextrativistas e agricultores familiares, desenvolvessem, em glebas 
rurais de até quinhentos hectares, planos de manejo simplificados (com menos requisitos 
técnicos). Possibilitou também, que as explorações florestais efetuadas de forma comunitária, 
por intermédio de associações ou cooperativas, fossem realizadas mediante a apresentação 
de um único plano de manejo florestal sustentável simplificado. O plano de manejo deveria 
respeitar o limite de 500ha anualmente explorados. O decreto e as Instruções Normativas 
dele decorrentes impulsionaram os principais projetos de manejo comunitários desenvolvidos 
no final dos anos 90 e início da primeira década de 2000, na Amazônia brasileira.
Em 2002, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) passou a regulamentar sobre o manejo 
florestal e editou a Instrução Normativa (IN) Federal no 4. Essa IN trouxe problemas para a 
regulamentação de planos de manejo comunitários, pois estabeleceu o limite máximo de 
500ha para área total do plano de manejo florestal e não mais como limite de área a ser anual-
mente explorada. No entanto, as áreas comunitárias normalmente apresentavam dimensões 
superiores a 500 ha. Nesse caso, os planos de manejo passaram a ser classificados como 
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manejo florestal empresarial. Essa classificação implicou na adoção de procedimentos téc-
nicos e administrativos mais sofisticados, nem sempre acessíveis aos projetos comunitários.
Em 2006, a Lei Federal no 11.284/2006 (Lei de Gestão de Florestas Públicas) e o 
Decreto Federal no 5.975/2006 promoveram a descentralização da gestão ambiental, pas-
sando a responsabilidade do licenciamento dos planos de manejo florestal para os órgãos 
estaduais de meio ambiente (OEMAs). Mesmo assim, o Ministério do Meio Ambiente editou 
novas Instruções Normativas Federais, a IN 4/2006, que dispõe sobre a Autorização Prévia 
à Análise Técnica e a IN 5/2006, que dispõessobre os procedimentos técnicos de Plano 
de Manejo Florestal Sustentável (BRASIL, 2007). As novas instruções não estabeleceram 
diretrizes específicas para o manejo florestal simplificado e o comunitário, não reconhecendo 
as peculiaridades dos diferentes grupos sociais. Por outro lado, essas instruções inovaram 
ao separar a análise da viabilidade jurídica do projeto (IN 4/2006), da análise da viabilidade 
técnica do plano de manejo (IN 5/2006). Outra inovação importante foi a de estabelecer proce-
dimentos diferenciados para os planos de manejo, em função da intensidade de exploração. 
Foram criadas duas categorias de plano de manejo florestal: o pleno e o de baixa intensidade.
A descentralização da gestão florestal gerou a princípio certa disputa sobre as com-
petências e os papéis dos órgãos federais e os estaduais. Visando diminuir os conflitos, 
o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) publicou a Resolução Federal no 
406/2009 (BRASIL, 2009a), ressaltando a obrigatoriedade de sua aplicação em qualquer 
nível de competência pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – 
SISNAMA. No entanto, nenhum destes instrumentos legais abordou novamente a questão 
do manejo florestal comunitário, que só veio a ser mencionado novamente com a Lei Federal 
no 12.651/2012 (novo Código Florestal) onde foi previsto o estabelecimento de disposições 
diferenciadas (BRASIL, 2012).
O Estado do Amazonas assumiu a gestão florestal em 2003, quando foi criada pelo 
governo estadual, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável 
(SDS). A SDS promoveu o desenvolvimento de projetos de manejo florestal em pequena 
escala e estabeleceu um convênio com o IBAMA para que Instituto de Proteção Ambiental 
do Amazonas assumisse a responsabilidade sobre o licenciamento ambiental de Planos de 
Manejo Florestal Sustentáveis de Pequena Escala (PMFSPE). A SDS publicou, em 2003, a 
Portaria Estadual no 40/03, estabelecendo procedimentos orientadores para a apresentação, 
tramitação, acompanhamento e condução das atividades de PMFSPE (KIBLER; SILVA, 2008).
Essa Portaria estabeleceu, entre outros aspectos, o tamanho máximo 500 hectares para 
o desenvolvimento dos projetos e o limite máximo de 1 m3/ha a ser anualmente explorado, 
sem a necessidade da subdivisão da área em talhões anuais. Em 2011, o Conselho Estadual 
de Meio Ambiente do Estado do Amazonas aprovou a Resolução Estadual N° 007/2011, 
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consolidando a política estadual do manejo florestal em pequena escala. A resolução re-
duziu a intensidade de exploração para 0,86 m3/ha, seguindo as orientações do CONAMA. 
Também, adotou medidas inclusivas quando possibilitou aos ocupantes de terras públicas 
estaduais, de até 4 módulos fiscais e sem o documento de posse, de apresentar o PMFSPE 
(AMAZONAS, 2011).
Contextualização da formação da ACAF
Os moradores das comunidades da região dos rios Massauarí e Curuçá, no municí-
pio de Boa Vista do Ramos, já tinham tradição na extração de madeira muito antes de o 
ambiente político e normativo apresentar-se favorável ao desenvolvimento de projetos de 
manejo florestal comunitário. Em um mapeamento participativo realizado no município, em 
1999, foram identificados 250 entrevistados com vínculo com exploração madeireira, dos 
quais 139 possuíam motosserra (KOURY, 2007).
A tradição de extração de madeira na região remete aos tempos em que a derruba 
e processamento da madeira eram realizados com o machado ou com serrote traçador. 
Depois, a motosserra se apresentou como uma inovação tecnológica, no entanto, o trabalho 
continuou sendo desenvolvido dentro do contexto de uso dos recursos naturais adaptado 
às condições das comunidades locais, realizado com base no conhecimento tradicional. 
Segundo o Sr. Francisco Valente, primeiro presidente da Acaf (informação verbal), o trabalho 
era realizado dentro de um sistema de extração seletiva de espécies de interesse comercial 
sendo realizada por pequenos grupos de caráter familiar.
A extração de madeira atendia a encomendas específicas principalmente para a cons-
trução de casas e mobiliário em geral. O desdobro das árvores derrubadas era realizado 
com a motosserra dentro da própria floresta e seguia as dimensões, volumes e espécies 
solicitadas por encomendas. A madeira era transportada manualmente de dentro da floresta 
até à margem de algum igarapé ou rio, em seguida, por meio de barcos, até algum entreposto 
ou consumidor, no próprio município ou nos municípios vizinhos de Maués e de Parintins. 
Ainda no Séc. XXI a exploração de madeira realizado por extratores de pequenos volumes 
segue procedimentos muito similares.
A mudança para o “modelo introduzido” de manejo florestal teve origem com a chegada 
ao município do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) - organiza-
ção brasileira, sem fins lucrativos que verifica a adequação dos empreendimentos florestais 
conforme os critérios do FSC). O Imaflora iniciou em 1998, em parceria com a Prefeitura 
Municipal de Boa Vista do Ramos, um projeto de mapeamento participativo do potencial agro-
-extrativista do município (IMAFLORA, 2002). Nesta época, a cadeia produtiva da madeira 
funcionava com base na informalidade e na ilegalidade, pois seriam necessários realização da 
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atividade a obtenção da Licença de Operação (LO), da Autorização de Exploração (AUTEX), 
do Documento de Origem Florestal (DOF) e das notas fiscais.
Alguns extratores de madeira na região do Curuçá mostraram interesse na regularização 
das suas atividades, passando a se organizar coletivamente e formando a Acaf, o que levou 
ao fortalecimento das relações com o Imaflora, com a Prefeitura Municipal de BVR e com o 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM, campus Manaus 
Zona Leste. O Imaflora e o IFAM ofertaram a assistência técnica ao projeto de manejo flo-
restal da Acaf, entre 1999 e 2007, envolvendo-se integralmente na elaboração do plano de 
manejo, apoiando a formação da associação e o desenvolvimento institucional. O arranjo 
institucional entre a Acaf e os parceiros, possibilitou a estruturação do projeto de manejo 
florestal sustentável comunitário que viria a se tornar uma referência para manejo florestal 
comunitário na região do baixo Amazonas.
Trocas de experiências e treinamentos
Para que pudesse ser estruturado o Plano de Manejo Florestal Sustentável Comunitário 
foi necessário estabelecer inicialmente uma relação de confiança entre as instituições e as 
pessoas envolvidas no processo, alcançada durante os treinamentos e trocas de experiên-
cias prévios à elaboração do Plano de Manejo. A primeira atividade realizada em conjunto 
entre as instituições foi um inventário florestal amostral na região do Curuçá. O trabalho foi 
realizado aliando o conhecimento etno-botânico dos moradores locais sobre as espécies 
florestais, com o conhecimento técnico e científico de amostragem e inventário florestal.
A segunda atividade realizada foi um curso de uso e manutenção de motosserras e 
de técnicas de corte de árvores. A se imaginar, tal curso seria como “ensinar o pai nosso 
ao vigário”, uma vez que os extratores de madeira da região já possuíam longa experiência 
com motosserra. Para a surpresa dos próprios comunitários, os resultados foram muito po-
sitivos. Ao agregar o conhecimento dos técnicos à experiência dos extratores de madeira 
chegou-se a avanços qualitativos nos aspectos ambientais e econômicos. As técnicas de 
derruba direcionada de árvores diminuem os danos na floresta remanescente, bem como o 
desperdício de madeira (AMARAL et al, 1998). Outro ganho foi em relação à segurança do 
trabalhadorflorestal, com a adoção do Diálogo Diário de Segurança (DDS) e a construção 
de trilhas de fuga, o que reduziu riscos inerentes à atividade.
A aproximação da Acaf com o IFAM e o Imaflora, possibilitou a implementação de 
um plano de manejo florestal baseado na conciliação dos conhecimentos e das habilida-
des tradicionais com os métodos técnicos/científicos. Como se tratou de uma experiência 
pioneira, a prática adotada foi a de se “aprender-fazendo”. Ao mesmo tempo e no mesmo 
local em que se estruturou o plano de manejo da Acaf, foram aplicadas aulas práticas e 
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estágios profissionalizantes para os alunos do IFAM. Dessa forma, promoveu-se a troca de 
experiências entre comunitários, técnicos, alunos e professores.
Em paralelo à estruturação do plano de manejo foi elaborado coletivamente pelos asso-
ciados da Acaf, pelos técnicos do Imaflora e do IFAM, um projeto intitulado “Manejo florestal 
por meio do planejamento participativo nas comunidades do rio Curuçá, BVR/AM”. O projeto 
foi submetido ao ProManejo/PP-G7, visando atender às demandas da Associação em termos 
de: cursos, treinamentos e intercâmbios; materiais e equipamentos; infraestrutura e logísti-
ca. O projeto promoveu um salto qualitativo em relação ao manejo florestal comunitário na 
região. Além da capacitação nas técnicas de manejo florestal, houve uma organização social 
e laboral para o manejo florestal comunitário, fortalecendo o capital humano e social da ACAF.
A partir de 2006, diversos associados passaram a ser requisitados para outros projetos 
de manejo florestal na região. O diferencial adquirido por aqueles que participaram dos treina-
mentos e intercâmbios passou a ser valorizado, beneficiando outras iniciativas que surgiram 
na região, evidenciando os princípios do um “desenvolvimento territorial” ((PECQUEUR, 
2005). Muitos dos moradores locais foram beneficiados, em momentos posteriores, ao de-
senvolverem planos de manejo florestal sustentável de pequena escala (PMFSPE), utilizando 
o capital humano, social e físico da ACAF.
Regularização fundiária
Para iniciar um projeto de manejo florestal é imprescindível ter o direito legal de acesso 
a uma área florestal a qual será manejada. Para a Acaf, esta etapa poderia ter se tornado 
intransponível caso não houvesse na época uma política pública favorável ao manejo flo-
restal comunitário. Durante a 3ª Oficina de Manejo Florestal Comunitário, promovida pelo 
ProManejo e realizada na Comunidade Menino Deus do Curuçá, Boa Vista do Ramos, foi 
definida entre os comunitários, autoridades e lideranças presentes, uma área para o desen-
volvimento das atividades da Acaf. A área foi cedida pela Prefeitura Municipal de Boa Vista 
do Ramos, por meio de uma concessão de direito real de uso, documento que permitiu o 
início da elaboração do Plano de Manejo Florestal e a solicitação das licenças ambientais 
aos órgãos competentes.
A concessão expedida pela prefeitura possibilitou o desenvolvimento das atividades 
relacionadas às Unidades de Produção Anual (UPA) 1 e 2, mas, como verificada poste-
riormente, a área em questão era de jurisdição do estado, e a concessão passou a não ter 
mais validade legal. Foi solicitada então junto ao Instituto de Terras do Estado do Amazonas 
a regularização da área. Surgiram 2 problemas de ordem jurídica: (i) para serem tituladas 
áreas acima de 1500ha, teria de haver a aprovação pela Assembleia Legislativa do Estado 
do Amazonas e (ii) não existem mecanismos na Lei Estadual de Terras para titulação de 
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áreas coletivas. Para contornar os problemas, de forma paliativa, o Instituto de Terras do 
Estado do Amazonas emitiu 3 Cartas de Anuência em nome de associados da Acaf, des-
membrando a área de 2400 ha, em três áreas menores.
Após a perda da validade das Cartas de Anuência, foram solicitados três Títulos 
Definitivos do Instituto de Terras do Estado do Amazonas, em nome de associados da Acaf, 
seguindo as mesmas orientações para a solicitação das Cartas de Anuência. A celeuma da 
questão fundiária permaneceu sem os devidos encaminhamentos, sendo o principal entrave 
para a continuidade das atividades da Acaf na área de manejo florestal comunitário. Fica 
evidente a dificuldade institucional e jurídica de se trabalhar com projetos de manejo florestal 
comunitário, principalmente daqueles fora de unidades de conservação ou assentamentos 
oficiais, onde muitas vezes os documentos fundiários, quando existem, não apresentam 
respaldo jurídico (HAJJAR et al., 2011).
Licenças ambientais
A Acaf seguiu as prerrogativas para elaboração de plano de manejo florestal sustentável 
prescritas no Decreto Federal 2.788/1988 e as orientações da Instrução Normativa Federal 
do IBAMA Nº 4/1998, voltados a exploração de recursos florestais na bacia amazônica de 
forma comunitária. Nessa época ainda não havia ocorrido a descentralização da gestão 
florestal promovida pela Lei 11.284, de 2 de março de 2006, sendo necessário o licencia-
mento do Plano de Manejo Florestal Sustentável Comunitário, pelo IBAMA e a licença do 
Plano Operacional Anual - POA1, junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas 
(IPAAM). As licenças foram solicitadas em abril de 2001 e emitidas em julho e agosto do 
mesmo ano (Tabela 3). A partir de então, foram desenvolvidas as atividades de exploração 
florestal e elaborado um novo Plano Operacional Anual - POA2.
Foi solicitada a Licença de Operação para a Unidade de Produção Anual - UPA 2 em 
agosto de 2002, no entanto, essa licença foi emitida apenas em dezembro de 2003, 16 meses 
após a solicitação. Mudanças nas instruções técnicas para o manejo florestal estabelecidas 
pela IN no 4/2002, do Ministério do Meio Ambiente, geraram dificuldades para os projetos de 
manejo florestal comunitários em operação (IBAMA, 2009). De acordo com as novas instru-
ções, a Acaf que explorava anualmente uma área aproximada de 50 ha, deveria apresentar 
um projeto com os mesmos detalhes técnicos que um plano de manejo empresarial que 
explorasse milhares de hectares anualmente.
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TABELA 3. Datas e períodos das principais ações de regularização da Associação Comunitária Agrícola e de Extração de 
Produtos da Floresta.
No. Ação Data Período (entre ações)
1 Fundação ACAF 06/ago/99
2 Solicitação de LO e AUTEX - UPA 1 09/abr/01 1 e 2: 20 meses e 12 dias
3 Liberação LO - UPA 1 - IPAAM 23/jul/01 2 e 3: 03 meses e 15 dias
4 Liberação AUTEX - UPA 1 – IBAMA 10/ago/01
2 e 4: 04 meses e 10 dias
1 e 4: 24 meses e 04 dias
5 Solicitação de LO e AUTEX - UPA 2 07/ago/02
6 Liberação LO - UPA 2 - IPAAM 05/dez/03 5 e 6: 16 meses e 5 dias
7 Liberação AUTEX UPA 2 - IBAMA jan/04 5 e 7: 17 meses e 2 dias
8 Solicitação de AUTEX - UPA 3 não ident.
9 Liberação UPA 3 - IBAMA (AUTEX) 06/out/05
10 Solicitação a IPAAM de L.O. para UPA-3 15/dez/05
11 Solicitação de Transferência IBAMA – IPAAM 20/mar/06
12 Liberação UPA 3 - IPAAM (LO) 29/ago/06 10 e 12: 08 meses e 17 dias
Fonte: adaptado de Koury, 2007.
O longo tempo de espera pelas licenças levou ao descontentamento e desmotivação 
de muitos dos associados e foi um dos grandes entraves vivenciados pela ACAF no decorrer 
de suas atividades. Mesmo assim, de posse das licenças a Acaf realizou a exploração na 
UPA2 e em 2005, solicitou nova Autorização de Exploração para o IBAMA, que foi emitida 
em outubro do mesmo ano. A Licença de Operação, solicitada ao IPAAM, só foi concedida 8 
meses depois, reflexo da descentralização da gestão florestal que já estava para acontecer 
e que determinoua transferência do plano de manejo do IBAMA para o IPAAM.
A Acaf sofreu com alterações nas normas do manejo florestal por três vezes, em 2001, 
2002 e 2006. Fialho (2009) destaca a necessidade de simplificação do processo burocrático, 
para promover a expansão da base produtiva florestal no Estado do Paraná, no entanto, 
esta necessidade se faz presente também para a expansão do manejo florestal comunitário 
na Amazônia brasileira. As mudanças nas normas de manejo promoveram um aumento da 
complexidade nos procedimentos burocráticos para o manejo comunitário, gerando incertezas 
sobre novas normas de conduta do manejo e insegurança para o setor produtivo.
Plano de Manejo Florestal Comunitário
O plano de manejo florestal da Acaf foi desenvolvido em uma área de 2400 hectares, 
destinadas exclusivamente para o manejo florestal, na Comunidade Monte Horebe, região 
do rio Curuçá em Boa Vista do Ramos. O plano prevê um ciclo de 25 anos em sistema po-
licíclico com unidades de produção anual (UPA) de até 80 ha. Nas UPA foram realizados o 
inventário florestal de todas as espécies comerciais e potencialmente comerciais com o DAP 
acima de 45cm e confeccionado o mapa de exploração florestal. Foi realizado o corte de 
cipós junto às árvores que seriam exploradas. As árvores foram derrubadas com motosserras 
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utilizando-se técnicas de derrubada direcionada. As toras foram desdobradas no local, uti-
lizando-se, no início do projeto, a motosserra e, depois, passou-se a utilizar uma serraria 
portátil. O transporte primário, considerado aqui como o transporte da madeira até as margens 
de um curso d’água que permite a navegação de barcos regionais, foi feito inicialmente de 
forma manual, depois, com o apoio de um micro trator agrícola com reboque. O transporte 
secundário, da margem dos igarapés até os pontos de consumo e/ou comercialização, foi 
realizado via fluvial em embarcações regionais de pequeno calado.
O manejo florestal da Acaf sempre foi plenamente coletivo, sendo que, não houve a 
subdivisão da área de manejo em lotes para trabalhos individuais ou de subgrupos. Todas as 
tarefas foram planejadas e desenvolvidas conjuntamente. Formaram-se equipes de trabalho 
para determinadas tarefas do manejo florestal de acordo com as habilidades individuais es-
pecíficas. Associados que melhor identificavam as árvores trabalhavam nesta função durante 
o inventário florestal, Da mesma forma, os que tinham maiores habilidades no manuseio da 
motosserra, eram responsáveis pela derrubada direcionada das árvores. O monitoramento, 
o controle do trabalho, os valores e a quantidade de diárias a serem pagos eram feitos pelos 
próprios associados. As atividades de exploração eram realizadas somente com o fecha-
mento do contrato de comercialização. Pagos todos os valores de diárias e outros custos 
operacionais, o lucro da operação era em parte aplicado na própria associação.
Foram manejadas três UPA entre 2001 e 2007. As duas primeiras UPAs, foram de 50 
ha e a terceira de 80 ha. A produção florestal sempre foi menor do que 20% do potencial 
madeireiro autorizado. No caso da UPA 2, onde foi autorizada uma exploração de 1900 m³ 
de madeira em pé, só foram comercializados 103,33m³ de madeira serrada. A causa principal 
foi o atraso da liberação das licenças e dificuldades em conseguir compradores de pequenos 
volumes de madeira certificada. Para Koury (2007) o projeto da ACAF foi considerado eco-
nomicamente insustentável. Sendo a depreciação das máquinas e equipamentos principal 
responsável pelo alto custo de produção, em relação ao baixo volume comercializado. O autor 
apontou para a necessidade de buscar alternativas para melhorar a gestão do projeto e para 
atingir a maturidade do empreendimento florestal comunitário, que estabeleçam um melhor 
arranjo produtivo e diminuam os custos mencionados.
Um caminho para diminuir dos custos seria aumentar a produção, o que diluiria os 
custos administrativos e os da depreciação. A intensidade de exploração próxima de 2m³/ha 
realizada pela ACAF foi bastante baixa. Carvalho e Oliveira (2010), estudando a viabilidade 
econômica do manejo florestal madeireiro em áreas extrativistas na Amazônia, encontrou 
um valor presente líquido positivo apenas para intensidade de 9,8 m³/ha. Em contraponto 
às avaliações focadas nos aspectos econômicos, Wanderley (1989) considerou que em 
unidades de produção familiar, como pode ser considerado o modelo de manejo da Acaf, 
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os princípios que regem o funcionamento interno são diferentes daqueles encontrados na 
unidade de produção capitalista, pois são os próprios proprietários são a fonte de trabalho 
que aciona o capital envolvido no processo de produção. No final do processo, é o produtor 
quem efetua um balanço entre o esforço exigido para a realização do trabalho e o grau de 
satisfação das suas necessidades.
Considerando uma visão ampla sobre a Amazônia, Angelo et al. (2004) apontou que o 
manejo florestal sustentável ainda não contribui significativamente para explicar a oferta de 
madeira tropicais da região. Para Hajjar et al. (2011), a madeira originária de desmatamentos 
ou da extração ilegal entram com produtos mais baratos no mercado de madeira, sendo um 
entrave para a viabilidade de projetos de manejo florestal sustentável.
Certificação florestal: foi bom enquanto durou
A auditoria para obter o certificado e Bom Manejo Florestal do Forest Stewardship 
Council (FSC) foi realizado pela Scientific Certification Systems, uma empresa internacional 
credenciada para certificar pelo FSC. A auditoria de certificação foi feita em maio de 2004. 
Foram emitidas 17 pré-condicionantes (a serem cumpridas antes da certificação) e 10 con-
dicionantes (a serem cumpridas após a certificação). Em fevereiro de 2005, a associação 
adquiriu a Certificação Florestal do FSC, o mais importante e reconhecido selo socioambien-
tal do setor florestal. Os custos diretos da primeira auditoria de certificação foram cobertos 
pelo WWF-Brasil.
O processo de certificação foi de grande importância para a melhoria dos processos 
internos da associação principalmente no que se refere a aspectos sociais e ambientais. 
Foram realizadas 2 vendas de madeira certificada, a primeira para a FUCAPI, situada no 
polo industrial de Manaus e a segunda para duas empresas sediadas em SP, que dividiram 
um container. A experiência foi exitosa, mas devido às grandes distâncias para os centros 
consumidores de madeira certificada, os baixos volumes produzidos e as dificuldades lo-
gísticas, a Acaf não prosseguiu com vendas de madeira certificada. Cabe ressaltar que os 
mercados locais não estão dispostos a pagar um diferencial pela madeira certificada. Devidos 
aos custos da certificação e à impossibilidade legal de continuar o manejo florestal (pela 
documentação fundiária), em 2008 a Acaf perdeu o selo do FSC.
Capacidade de influenciar e irradiar o manejo para outras iniciativas na região.
O projeto de manejo florestal comunitário da Acaf transformou em relação aos aspec-
tos técnicos, sociais e ambientais, a forma de atuação dos extrativistas florestais na região 
do baixo Amazonas, principalmente nas calhas dos rios Massauarí e Curuçá. Mas, até 
alcançar resultados positivos, houve muitos questionamentos e desconfianças por parte 
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dos comunitários da região. No início, o trabalho de mapeamento participativo do município 
e a aproximação de instituições desconhecidas levaram à especulação de que as terras 
seriam fornecidas a gruposestrangeiros. Ao mesmo tempo, o processo de legalização das 
atividades florestais fez com representantes de órgãos ambientais viessem para a região, 
provocando o desconforto em extratores que permaneceram alheios à legalização. Somado 
a estes fatores, o espaço de tempo de três anos necessário à formalização e legalização das 
atividades, até à extração e comercialização da madeira legalizada, gerou dúvidas a respeito 
da viabilidade do projeto. Portanto, mesmo sendo uma iniciativa dos moradores locais, a um 
primeiro momento, a iniciativa não contou com um amplo apoio das comunidades da região.
A credibilidade local do projeto só começou a melhorar com a comercialização das 
madeiras da UPA 2, em 2004. Logo a seguir, o apoio do ProManejo ao projeto permitiu a 
estruturação e o fortalecimento da atuação da Acaf. Em 2005, o trabalho foi reconhecido pela 
sua qualidade técnica, ambiental e social, e recebeu o certificado FSC. Este novo panorama 
fez com muitos extratores de madeira da região que ainda não tinham manifestado interesse 
na legalização passassem a se aproximar do projeto e buscar orientações. No período entre 
2004 e 2007, a Acaf consolida-se como um projeto de referência para os comunitários do 
baixo Amazonas que buscavam um caminho para realizar o manejo florestal.
A experiência da Acaf foi importante para estimular muitos dos extratores que vinham 
trabalhando de forma ilegal a buscarem novas alternativas. Em outubro de 2007, é formada 
a Associação dos Manejadores Florestais do Curuçá, uma associação onde os projetos de 
manejo florestal são todos individuais, desenvolvidos dentro do escopo das normas estaduais 
para o manejo florestal em pequena escala. Alguns dos associados da Acaf também se fi-
liaram à nova associação e procuraram desenvolver planos de pequena escala. De acordo 
com os estudos voltados aos “dilemas da ação coletiva” (CUNHA, 2004), esta estratégia na 
busca de adquirir de imediato algum benefício individual condiz com uma situação em que 
há incertezas nos resultados do trabalho coletivo. Além de terem alguns membros dentro 
da nova associação, com planos de manejo desenvolvidos individualmente, os associados 
da Acaf sempre contribuíram com aporte de conhecimento técnico e equipamentos, para a 
elaboração e a colheita dos projetos de pequena escala.
Três períodos marcaram a história da Acaf. O período inicial, de 1999 a 2002, quando as 
dificuldades de estruturação e legalização das atividades foram preponderantes. O período de 
atividades intensas, entre 2003 e 2007, com intercâmbios, treinamentos, apoios institucionais, 
certificação florestal e comercialização de madeira. E o período de entraves e mudanças, 
entre 2008 e 2012, quando por motivos de mudanças de políticas, por conflitos entre gestão 
estadual e federal e pela impossibilidade de regularização fundiária, foram paralisadas as 
atividades florestais dentro da área da Acaf. Nesse período, a ACAF passou a desempenhar 
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um papel preponderante na disseminação do manejo em toda a região, apoiando as outras 
associações e ajudando na elaboração de projetos de manejo florestal simplificado.
A capacidade da Acaf de influenciar positivamente o ambiente social a favor do ma-
nejo florestal se mostrou como um processo de mobilização dos atores locais, com base na 
identificação coletiva de uma cultura e um território, se apresentando como uma estratégia 
de adaptação aos limites externos, o que, para Pecqueur (2005), caracteriza-se como de-
senvolvimento territorial. Os principais limites externos enfrentados pela Acaf identificados 
neste projeto foram o aumento da regulamentação florestal e ambiental, pressão social e 
de órgãos oficiais sobre a madeira ilegal e a dificuldade de regularização fundiária para o 
acesso aos recursos florestais.
CONCLUSÕES
As constantes mudanças dentro das políticas e programas públicos e nas regulamen-
tações do manejo florestal dificultam muito caminho de quem busca da regularização da 
atividade. O manejo florestal sustentável na Amazônia ainda é um desafio a ser supera-
do. Exemplos de empresas ou comunidades que apresentam sustentabilidade econômica, 
ambiental e social a partir do manejo florestal madeireiro, são escassos. Neste sentido, a 
Acaf foi propulsora de mudanças na forma tradicional de uso dos recursos florestais ma-
deireiros em busca da legalização e sustentabilidade do manejo florestal na região do bai-
xo Amazonas. O exemplo da Acaf traz uma nova perspectiva para o conceito do “modelo 
introduzido” de manejo, quando propõe um modelo que concilia o etno-conhecimento com 
conhecimentos técnicos científicos para a obtenção das licenças ambientais. .
As políticas públicas para o desenvolvimento do manejo florestal comunitário e familiar 
devem ser fortalecidas. O Programa Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar e 
o Programa de Manejo Florestal em Pequena Escala no Estado do Amazonas ainda estão 
aquém das necessidades e do potencial que o setor apresenta. Podemos encontrar indícios 
de que o manejo florestal em pequena escala, desenvolvido no município de Boa Vista do 
Ramos, com apoio do Estado atuando em toda cadeia produtiva, têm se apresentado mais 
aplicável ao sistema de produção das comunidades desta região. O empoderamento dos 
manejadores florestais deve ser entendido como uma ação estratégica a ser contemplada 
dentro dos programas e projetos visando a superação das dificuldades, a inclusão social e 
a autonomia do manejo florestal comunitário.
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Agradecimentos
Aos comunitários: Sr. Francisco Valente; Claudio Soares; e Darcy Gonçalves, presi-
dentes da Acaf, e em nome deles aos demais associados e comunitários que contribuíram 
com o trabalho. Aos engenheiros florestais Maximiliano Roncoletta, Cássio C. Guisti. e 
Marcus A. Biazatti. e aos técnicos florestais Gilson Q. Branco e Joel F. da Trindade que 
trabalharam diretamente com a ACAF. Ao educador Adalberto Guerreiro, da Casa Familiar 
Rural de BVR. Ao Sr. Vasco Ribeiro, ex-prefeito de BVR, que emitiu a concessão de uso 
para o manejo florestal.
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de 19 de outubro de 1994..
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12. BRASILa. Resolução Federal CONAMA no 406, de 02 de fevereiro de 2009. Estabelece parâ-
metros técnicos a serem adotados na elaboração, apresentação, avaliação técnica e execução 
de PMFS.
13. BRASILb. Decreto Federal no 6.874, de 05 de junho de 2009. Institui, no âmbito dos Ministérios 
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14. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Serviço Florestal Brasileiro. Plano anual de manejo 
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15. BRASIL. Presidência da República, Casa Civil. LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012. 
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Alexander Chayanov, 33 p. Campinas.
11
Institucionalidade legal e descentralização 
da gestão florestal no estado do Amazonas
José das D. de Sá Rocha
UFRO
José de Arimatéa Silva
UFRRJ
'10.37885/220307985
https://dx.doi.org/10.37885/220307985
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Palavras-chave: Governança Florestal, Política Florestal, Amazônia.
RESUMO
O foco deste estudo é evidenciar aspectos da institucionalidade da gestão florestal no 
Estado do Amazonas para a gestão dos recursos florestais, garantida pelos artigos 23 
e 24 da Constituição Federal de 1988. O estudo é centrado na constituição estadual e 
a legislação sobre uso e proteção dos recursos florestais, tendo como orientação de 
análise as funções de Estado sobre os recursos florestais. A Constituição do Estado 
do Amazonas não só reclama para si a coordenação da gestão das florestas, como 
assegura que esta deve ser manejada de forma sustentável para o bem-estar de sua 
população. O arcabouço legal contempla seis funções de Estado na área florestal, indi-
cando as disposições de amparo legal para assumir a gestão florestal consideradas na 
Constituição. No entanto, o estudo atenta para o fato da gestão florestal extrapolar os 
limites do aparato legal, além de apontar a necessidade de construção de uma política 
para implementar os dispositivos constitucionais existentes e promover o fortalecimento 
das instituições responsáveis pela gestão florestal.
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INTRODUÇÃO
A floresta foi apanhada como recurso essencial à vida humana e integrada à economia 
e a propriedade privada desde seus primórdios pelas sociedades ocidentais. O ordenamento 
jurídico de uso das florestas remonta ao século IX, das portarias de proibição de retirada 
de madeira em determinados períodos do ano para a comodidade da prática de caça pelos 
nobres proprietários de terras, e a partir do século XIII começa a surgir regras de controle 
da retirada de madeira (KILLIAN, 2000). Imediato à ocupação do território brasileiro pelos 
europeus, fora à colônia estendidos os ordenamentos de uso dos recursos florestais, iniciadas 
com as Ordenações Manuelinas em 1514, Ordenações Manuelinas 1603, o Regimento do 
Pau-Brasil em 1605, dentre outros instrumentos estabelecidos até promulgação do primeiro 
Código Florestal, do Brasil república, em 1935 (MAGALHÃES, 2001).
Hodiernamente, as leis florestais ou o direito florestal compreende o arcabouço nor-
mativo que regula a atividade florestal, assim como a que se destina as terras florestais 
(RUIZ, 1966). Para o caso brasileiro,todas as ações em terras florestais privadas e públicas 
estão submetidas às normas legais de uso, conservação e proteção. Logo, o livre arbítrio 
do indivíduo no uso de suas terras florestais está submetido aos ditames legais erigidos 
pela sociedade e para a sociedade, representada na máquina político e administrativa do 
Estado, que se antepõe ao indivíduo, através de suas estruturas institucionais de incentivo 
e coação (ROCHA e SILVA, 2009). Por sua vez, o ordenamento jurídico florestal é feito para 
ser implementado pelas instituições florestais e ambientais, destinadas a fazerem cumprir 
suas atribuições que emanam deste princípio legal, que em última instância são os ditames 
legais que devem assegurar as funções das florestas no longo prazo. No entanto, POTEETE 
e OSTROM (2002), chamam a atenção para o fato de que muitas sociedades levaram seus 
recursos florestais à exaustão de forma legal. Neste sentido, a devastação de mais 18% da 
cobertura florestal na Amazônia brasileira se deu a partir da promulgação do então Código 
Florestal de 1965, só diminuindo as taxas de desmatamento recentemente, cujos fatores 
promotores foram as políticas voltadas para agricultura, pecuária, infraestrutura, crédito, 
agências reguladoras, dentre outros fatores (INPE, 2014; NEPSTAD et al., 2014).
Neste contexto, o Estado do Amazonas, detentor da maior área de cobertura florestal 
dos estados da federação brasileira, com uma área de cerca de 1.559.159,148 de quilometro 
quadrados, logrou manter até atualmente cerca de 97% sua cobertura florestal em pé, abri-
gando uma população de 3.483.985 milhões de habitantes em 2010 (IBGE, 2014) . Todavia, 
não há evidencias que a manutenção de sua cobertura florestal se deu pelo resguardo do 
arcabouço legal, nem pelo bom funcionamento das instituições, mas sim por fatores geo-
gráficos e políticos (CGEE, 2009 e BECKER, 2004).
Atinente às atribuições legais de quem é o dever de fazer o disciplinamento de uso 
e proteção dos recursos florestais, a Constituição brasileira incumbe à União, estados e 
municípios o dever comum de preservar as florestas, em seu art. 23, e no artigo seguinte, 
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o 24, atribui a competência concorrente à União e aos entes federados o papel de legislar 
em matéria de florestas (BRASIL, 1988). Porém, a regulamentação do primeiro dispositivo 
constitucional só vem a ser regulamentado com o art. 83 da lei de gestão de florestas pú-
blicas (Lei 11.284/2006) e com Lei Complementar 140, no ano de 2011, que promove por 
completo, no aspecto legal, a descentralização da gestão florestal (BRASIL, 2006 e 2011).
Neste contexto de implementação da descentralização da gestão florestal brasileira, 
vem à tona a complexidade da relação entre recursos florestais e a sociedade, como bem 
evidenciou TURCKER e OSTROM (2009), POTEETE e OSTROM (2002). Para auxiliar no 
estudo dessa relação, ROCHA (2007), ROCHA e SILVA (2009), concluem que as funções de 
Estado na área florestal, apresentadas por SILVA (2001), contribuem para o entendimento 
da relação funções das florestas, Estado e sociedade. Nesta linha, elucidar o arcabouço 
legal do Estado do Amazonas atinente ao uso e proteção dos recursos florestais, contribui-
rá sobremaneira para o processo de consolidação da descentralização da gestão florestal 
estadual. Logo, o presente estudo visa elucidar a institucionalidade legal da gestão florestal 
no Estado do Amazonas.
MATERIAL E MÉTODOS
A principal fonte de pesquisa deste estudo foi a Constituição do Estado do Amazonas 
e as leis que desta derivou para regulamentar os dispositivos constitucionais que tratam dos 
recursos florestais, assim como os demais atos legais que incidem sobre o uso e proteção 
da vegetação nativa.
A análise dos resultados consistiu inicialmente numa análise dos fundamentos da 
Constituição do Estado do Amazonas a respeito de florestas e extrativismo. Análise esta 
completada ao se arrolar os principais dispositivos infraconstitucionais do estado sobre ambos 
os temas. Estabelece-se na sequência a correlação dos dispositivos da mesma Constituição 
com as seis funções típicas de Estado na área florestal elaboradas por SILVA (1996, 2001, 
2003), aplicadas no âmbito federal numa análise do Programa Nacional de Florestas por 
ROCHA (2007), e, correlacionadas posteriormente com os dispositivos da Constituição 
Federal, desenvolvido por ROCHA e SILVA (2009).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Fundamentos constitucionais
O Estado do Amazonas reclama para si, na sua Carta Política Maior, a competência de 
fazer gerir o uso e proteção dos recursos florestais, assegurando o aproveitamento racional, 
respeitando as funções dos ecossistemas e visando a fixação das populações na floresta. 
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Para tanto, as ações administrativas que levam o Estado a cumprir suas manifestas funções 
de uso e proteção dos recursos florestais contemplam a regionalização, de modo a melhor 
atender as populações, pelo menos no estatuto legal superior.
Uso dos recursos florestais e fixação das populações no meio rural permeiam o plane-
jamento agrícola, vez que a Constituição inclui as atividades florestais e extrativas no plano 
da política agrícola. Tal inserção sobressai como um equívoco, da cultura impregnada do 
agrícola sobre à floresta, um estado eminentemente florestal. A tabela 1 ajuda a entender 
a análise aqui realizada.
Tabela 1. Aspectos constitucionais relativos ao uso e proteção dos recursos florestais no estado do amazonas.
Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes
Art. 2º da Constitui-
ção Estadual (CE)
Das Disposições Funda-
mentais
São objetivos prioritários do Estado, entre outros:
III - a defesa da Floresta Amazônica e o seu aproveitamento racional, respeitada a sua 
função no ecossistema; IV - o equilíbrio no desenvolvimento da coletividade mediante 
a regionalização das ações administrativas, respeitada a autonomia municipal; VI - a 
fixação do homem no campo;
Art. 17 CE Da Competência do 
Estado
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, 
os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; VI - proteger 
o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar 
a fauna e a flora; VIII - fomentar a piscicultura, agropecuária, a produção extrativa e 
organizar o abastecimento alimentar;
Art. 18 CE Da Competência do 
Estado
Compete ao Estado legislar concorrentemente com a União sobre:
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos 
naturais, proteção do meio ambiente e controle da população;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - 
responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor 
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
Art. 162 CE
Art. 163 CE
Da Ordem Econômica 
e Social
§ 3º É da responsabilidade do Poder Público a realização de Investimentos para a 
formação de infraestrutura básica e de apoio necessários ao desenvolvimento das 
atividades produtivas, podendo, em casos especiais, expressamente autorizados pelo 
Legislativo, proceder à concessão para explorar, transferir ou delegar competência para 
esse fim ao setor privado. Estado e os Municípios exercerão:§ 1º A fiscalização que, na 
primeira operação será sempre de orientação e esclarecimento, observará com prioridade: 
I - cumprimento das normas e legislação ambiental;
Art. 170 CE Da Política Fundiária, 
Agrícola e Pesqueira
I - criar as condições necessárias à fixação do homem na zona rural e promover melhoria 
em sua condição socioeconômica;
§ 2º Incluem-se noplanejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, 
pesqueiras, florestais e extrativas.
Art. 174 CE Da Política Agrícola
Da Política Agrícola. Compete ao poder público: I - planejar e implementar a política de 
desenvolvimento agrícola compatível com a preservação do meio ambiente e conservação 
do solo, estimulando os sistemas de produção integrados, a policultura, a integração 
agrícola-pecuária-piscicultura e atividades extrativas.
Art. 179 CE Do Turismo IV - fomento à produção artesanal; IX - regulamentação de uso, ocupação e fruição de 
bens naturais, arquitetônicos e turísticos;
Art. 217 CE Da Política de Ciência e 
Tecnologia
III - promover o conhecimento da realidade amazônica como fator de desenvolvimento 
e meio de possibilitar a utilização racional e não-predatória de seus recursos naturais;
Art. 220 CE Da Política de Ciência e 
Tecnologia
O Estado manterá o Conselho Estadual de Meio Ambiente, como órgão superior de 
assessoramento ao Governador do Estado nas questões atinentes à formulação, ao 
acompanhamento e á avaliação das políticas de proteção ao meio ambiente e controle 
da poluição
Art. 229 a 241 CE Do Meio Ambiente
Todos têm direito ao meio ambiente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, 
impondo-se ao Poder e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo; O Estado 
fará o inventário e o mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais 
para a sua Proteção;
O Poder Público poderá estabelecer, na forma da lei, restrições administrativas de uso 
em áreas privadas, visando à proteção ambiental.
Art. 249 CE Da População Ribeirinha 
e do Povo da Floresta
O Estado e os Municípios suplementarão, se necessário, a assistência aos grupos, 
comunidades e organizações indígenas, nos termos da Constituição da República e 
da legislação própria, e atuarão cooperativamente com a União nas ações que visem à 
preservação de sua cultura.
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Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes
Art. 251 CE Da População Ribeirinha 
e do Povo da Floresta
É dever do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, 
ocupação e desbravamento do território prestado pelos grupos nativos, notadamente 
aqueles que se ocupam de atividades extrativas, assisti-los e ampará-los, principalmente 
quanto aos seguintes aspectos:
IV - acesso ao mercado, inclusive de escoamento para os produtos oriundos de atividades 
extrativas, ressalvadas as restrições legais e de proteção a vegetais e animais ameaçados 
de extinção; V - as informações e orientações para que o desenvolvimento da atividade 
se processe dentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas para tal e de forma 
não-predatória.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Tabela 2. Regulamentações de aspectos constitucionais relativos ao uso e proteção dos recursos florestais no estado do 
Amazonas.
Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes
Lei no 2.407
02/06/1996
Estabelece o Sistema 
Estadual do Meio 
Ambiente, Ciência e 
Tecnologia - SIEMACT
i) Promover, integrar, articular e assegurar o funcionamento do processo de geração, 
desenvolvimento, utilização, transferência, difusão de conhecimentos e informações 
em Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, bem como a implementação da política e das 
diretrizes relativas a essas área de estudo; ii) Incrementar as atividades de formação, 
desenvolvimento e atuação de recursos humanos nas funções que constituem sua 
finalidade; iii) Identificar necessidades de estudos e pesquisas no âmbito das suas 
responsabilidades; iv) Identificar e viabilizar, bem como compatibilizar e executar, os 
programas e atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico e em ciências 
ambientais, de acordo com os princípios e diretrizes constantes do Título V, Capítulos IX 
e XI, da Constituição do Estado; v) Promover o i intercâmbio entre as instituições técnico-
científicas e de controle ambiental existentes no Estado, com entidades similares no âmbito 
regional, nacional e internacional.
Lei nº 3.527
28/07/2010 Concessões Florestais
Institui as concessões florestais nas unidades de conservação de uso sustentável, 
objetivando o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e serviços ambientais, a 
pesquisa científica e o desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais.
Lei Complementar 
nº 5305/06/2007 SEUC Institui o Sistema Estadual de Unidades de Conservação - SEUC, estabelecendo critérios 
e normas para a criação, implantação e gestão das UC.
Lei nº 3.219
28/12/2007
Licenciamento Am-
biental
Ficam sujeitas ao prévio licenciamento ambiental pelo IPAAM, a construção, instalação, 
ampliação, derivação, reforma, recuperação, operação e funcionamento de atividades 
poluidoras, utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetivamente ou 
potencialmente poluidoras [...].
Lei nº 3.135
05/06/2007 Mudanças Climáticas
São objetivos: I - a criação de instrumentos, inclusive econômicos, financeiros e fiscais, para 
a promoção dos objetivos, diretrizes, ações e programas previstos nesta lei; II - o fomento 
e a criação de instrumentos de mercado que viabilizem a execução de projetos de redução 
de emissões do desmatamento (RED), energia limpa (EL), e de emissões líquidas de gases 
de efeito estufa, dentro ou fora do Protocolo de Quioto - Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo (MDL), ou outros; III - a realização de inventário estadual de emissões, biodiversidade 
e estoque dos gases que causam efeito estufa de forma sistematizada e periódica; IV - 
o incentivo às iniciativas e projetos, públicos e privados, que favoreçam a obtenção de 
recursos para o desenvolvimento e criação de metodologias, certificadas ou a serem 
certificadas, de redução líquida de gases de efeito estufa; V - o estímulo aos modelos 
regionais de desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas, mediante incentivos de 
natureza financeira e não financeira; VI - a orientação, o fomentar e a regulação, no âmbito 
estadual, da operacionalização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e de outros 
projetos de redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa e/ou de redução de 
emissões de desmatamento (RED) dentro do Estado de Amazonas, inclusive perante a 
Autoridade Nacional Designada ou quaisquer outras entidades decisórias competentes; [...]
Dec. nº 23.636 
11/08/2003
Subvenção Econômica a 
Produtores Extrativistas e 
Agrícola
Objetiva incentivar a produção agroextrativista [...], a produção de borracha natural bruta 
como atividade básica a ser integrada à exploração de outros produtos florestais e agrícolas
Dec. nº 26.581 
25/04/2007
Regulamenta a Política 
Estadual de Mudanças 
Climáticas
Torna público a iniciativa do Estado do Amazonas em desenvolver e estimular esforços 
dos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta do Poder Executivo, por meio 
da cooperação com os demais entes da Federação, entidades públicas internacionais, 
empresas privadas, organizações da sociedade civil e comunidades, o esforço de combate 
ao aquecimento global.
Lei Federal 
nº 12.651 
25/05/2012
Proteção da vegetação 
nativa
Estabelece normas gerais com o fundamento central da proteção e uso sustentável 
das florestas e demais formas de vegetação nativa em harmonia com a promoção do 
desenvolvimento econômico.
Fonte: Elaborada pelos autores.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.651-2012?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.651-2012?OpenDocument
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No repertórioconstitucional dos deveres do Estado, a População Ribeirinha e os Povos 
da Floresta recebem amparo, referente ao acesso aos mercados, assim como a informações 
e orientações para o manejo do extrativismo vegetal e animal.
O conjunto dos dispositivos constitucionais relativo aos recursos florestais, povos da 
floresta, comunidades ribeirinhas, incentivo à produção, atribui ao Estado o poder de realizar 
concessão para exploração de recursos florestais, cuja regulamentação foi estabelecida na 
lei estadual de concessões florestais (Lei 3.527/10). A concessão florestal sobressai como 
um instrumento de atendimento dos dispositivos que também credita ao Estado a função ‘de 
criar condições necessárias para fixar o homem no meio rural assim como promover melho-
ria em sua condição socioeconômica’. Ainda no atendimento dos preceitos constitucionais 
de assegurar condições socioeconômicas e fixação das populações ribeirinhas e povos da 
floresta, concede-se subvenção econômica aos produtores extrativistas quanto ao produto 
borracha natural bruta, estabelecido pelo Decreto 26.581/07 (Tabela1).
No âmbito do planejamento do Estado sobre proteção e uso dos recursos florestais, 
a Carta Magna Estadual institui o inventário e mapeamento da cobertura florestal como 
instrumentos indispensáveis, no entanto este dispositivo urge por implementação, funda-
mentalmente para subsidiar os povos da floresta.
Visando cumprir os ditames constitucionais referentes ao meio ambiente e à ciência e 
tecnologia, foi estabelecido no ano de 1996 o Sistema Estadual do Meio Ambiente, Ciência 
e Tecnologia – SIEMACT, por meio da Lei nº 2.407 (Tabela 2). O SIEMACT, naquele mo-
mento, era constituído pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia 
(COMCITEC), pelo órgão de execução, IPAAM, e pelos órgãos setoriais representantes dos 
setores econômicos e sociais do Estado.
Dando continuidade à implementação dos dispositivos constitucionais relativos à con-
servação e preservação dos recursos da biodiversidade, foi criado o Sistema Estadual de 
Unidades de Conservação – SEUC, no ano de 2007. Ainda na alçada da proteção da bio-
diversidade, foi promulgada a Lei nº 3.219/07, que regulamenta o licenciamento ambiental 
determinado pela Constituição para as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras 
de recursos ambientais (Tabela 2).
A lei de mudanças climáticas, Lei nº 3.135/07, configura um avanço no marco regula-
tório da proteção da biodiversidade, do equilíbrio do clima e da distribuição dos benefícios 
gerados pela prestação de serviços pelas florestas.
Ademais, o Estado detém a função de fazer cumprir o conjunto de suas normas legais 
e da legislação federal atinente aos recursos florestais, fundamentalmente a Lei Federal 
12.651/12, que estabelece normas de proteção à vegetação nativa, no âmbito privado, e a 
Lei 11.284/06, que institui as modalidades de gestão de florestas públicas.
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Funções de Estado na Área Florestal
O Estado detém funções cujo cumprimento requer estruturas institucionais com atribui-
ções e modelos de gestão adequados, de modo a atender as diversas dimensões em que 
os recursos florestais permeiam a estrutura social, econômica e ambiental.
Ao longo da Tabela 1, é possível verificar o conjunto de dispositivos da Constituição 
Estadual que atribui incumbências ao Estado, tanto na área de produção, proteção e recu-
peração das florestas, quanto nos papéis socioeconômicos que as florestas exercem para 
as populações que nela vivem e / ou que delas obtém produtos e serviços.
No aspecto das funções do Estado do Amazonas, na temática floresta, identificam-se 
atribuições de Estado dadas pela Constituição (Tabela 1), que correspondem aos preceitos 
teóricos desenvolvidos por SILVA (2001). Estas funções desenvolvidas pelo autor foram 
posteriormente comparadas ao texto da Constituição Federal em vigor, por ROCHA e SILVA 
(2009), que estabeleceram as correlações funções/amparos do Estado brasileiro para gerir 
os recursos florestais. De forma análoga verifica-se no texto da Constituição do Estado do 
Amazonas o mandato do Estado para gerir os recursos florestais no âmbito do seu terri-
tório (Tabela 3).
Quanto ao macroplanejamento da proteção e uso dos recursos florestais, a Constituição 
Amazonense expressa elementos que permeiam o planejamento do estado em pelo me-
nos cinco dispositivos (Tabela 3). Dentre estes, o zoneamento socioeconômico-ecológico 
é norteador do uso e ocupação do solo, bem como do uso dos recursos naturais (Art. 131 
da Constituição Estadual).
Os artigos 163 e 170 também adentram na função de macroplanejamento, pelas suas 
características intrínsecas de planejamento do Estado. A inclusão das atividades florestais 
no planejamento agrícola, dado pelo art. 170, apresenta correspondência com o encontrado 
na Constituição Federal (ROCHA e SILVA, 2009).
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Tabela 3. Funções do Estado do Amazonas relativas aos recursos florestais.
Função de Estado Constituição Estadual
Realizar o macroplane-
jamento da proteção e 
utilização dos recursos 
florestais
Art. 131. O Estado, com a participação dos Municípios, efetivará, mediante lei, o zoneamento socioeconômico-
ecológico do território estadual, que se constituirá no documento balizador do uso e ocupação do solo e 
da utilização racional dos recursos naturais. § 1º Respeitado o disposto no art. 231, da Constituição da 
República, deverão ser observadas, para execução do zoneamento de que trata o caput deste artigo, as 
seguintes alternativas: IV - áreas de reservas para proteção de ecossistemas naturais e seus componentes, 
de mananciais do patrimônio histórico e paisagístico e de jazidas arqueológicas e paleontológicas; V - áreas 
para exploração de recursos extrativistas;
Art. 163. Como agentes normativos e reguladores da atividade econômica, o Estado e os Municípios 
exercerão, na forma da lei, as funções de orientação, fiscalização, promoção, incentivo e planejamento, 
sendo este último determinante para o setor público e indicativo para o setor privado; Art. 170, § 2º Incluem-
se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras, florestais e extrativas.
Administrar as áreas 
florestais públicas
Art. 230, V - definir espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a 
alteração e a supressão permitidas somente através da lei, vedada qualquer utilização que comprometa 
a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; Art. 232, § 1º O Estado fará o inventário e o 
mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais para a sua Proteção.
Prover extensão e assis-
tência técnica florestal
Art. 165. O Estado e os Municípios adotarão política de fomento às atividades produtivas, que se efetivarão 
através de: I - assistência técnica; Art. 170, § 4º Fica assegurada, nos termos desta Constituição, e do art. 
187, da Constituição da República, a realização de serviços de assistência técnica e extensão rural gratuita 
aos pequenos e médios produtores rurais e suas famílias, a serem executadas através de Órgão específico; 
Art. 251. É dever do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, ocupação 
e desbravamento do território prestado pelos grupos nativos, notadamente aqueles que se ocupam de 
atividades extrativas, assisti-los e ampara-los, principalmente quanto aos seguintes aspectos: IV - acesso 
ao mercado, inclusive de escoamento para os produtos oriundos de atividades extrativas, ressalvadas as 
restrições legais e de proteção a vegetais e animais ameaçados de extinção; V - as informações e orientações 
para que o desenvolvimento da atividade se processedentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas 
para tal e de forma não-predatória.
Promover o fomento 
florestal
Art. 162, § 2º O Estado e os Municípios apoiarão e estimularão a criação, a organização e o desenvolvimento 
de cooperativas e consórcios de produção e outras formas de associação, concedendo-lhes assistência 
técnica, e, em casos excepcionais a serem definidos em lei, incentivos financeiros, anistia ou remissão 
tributárias; § 4º O Estado e os Municípios se empenharão em reverter os fatores motivadores do êxodo 
rural, propiciando condições para a fixação, nesse meio, de contingentes populacionais, possibilitando-
lhes acesso aos meios de produção e geração de renda e estabelecendo a necessária infra-estrutura com 
vistas à viabilização desse propósito; Art. 165. O Estado e os Municípios adotarão política de fomento 
às atividades produtivas, que se efetivarão através de: I - assistência técnica; II - crédito especializado e 
subsidiado; III - mecanismo de estímulos fiscais e financeiros; IV - fornecimento de serviços de suporte 
informativo ou de mercado;
Art. 174, § 1º O Estado se obrigará a desenvolver programa especial de apoio ao cultivo da seringueira, 
dendê, guaraná, castanheira, juta, malva e outros, sem prejuízo da busca constante de novas alternativas 
para a economia estadual; § 2º, II - assegurar ao pequeno produtor e trabalhador rural condições de trabalho 
e de mercado para os produtos, a rentabilidade dos empreendimentos, a estabilidade das políticas de preço 
e a melhoria do padrão de qualidade de vida da família rural; Art. 179, IV - fomento à produção artesanal;
Art. 232, § 3º Resguardadas as instâncias de competência de âmbito federal, o Poder Executivo estabelecerá 
medidas de promoção ao reflorestamento com finalidade de reduzir o impacto da exploração dos 
adensamentos vegetais nativos e garantir o suprimento da demanda dessa matéria-prima; Art. 251. É dever 
do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, ocupação e desbravamento 
do território prestado pelos grupos nativos, notadamente aqueles que se ocupam de atividades extrativas, 
assisti-los e ampara-los, principalmente quanto aos seguintes aspectos: IV - acesso ao mercado, inclusive 
de escoamento para os produtos oriundos de atividades extrativas, ressalvadas as restrições legais e 
de proteção a vegetais e animais ameaçados de extinção; V - as informações e orientações para que o 
desenvolvimento da atividade se processe dentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas para 
tal e de forma não-predatória.
Realizar a pesquisa 
florestal
Art. 174, II - incentivo e manutenção de pesquisa agropecuária, priorizando os produtos nativos, que garantam 
o desenvolvimento do setor de produção de alimentos com processo tecnológico voltado ao pequeno e 
médio produtor, às características regionais e aos ecossistemas; Art. 217, III - promover o conhecimento 
da realidade amazônica como fator de desenvolvimento e meio de possibilitar a utilização racional e não-
predatória de seus recursos naturais; § 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a 
solução dos problemas sociais e ambientais e para o desenvolvimento do sistema produtivo, procurando 
harmonizá-lo com os direitos fundamentais e sociais dos cidadãos;
Art. 219. Terá caráter prioritário, observado o disposto na Constituição da República, a realização de estudos 
e pesquisas, cujo produto atenda e preencha expectativas da comunidade amazônica, nas seguintes áreas: 
III - conhecimento do ecossistema amazônico, de modo a permitir a utilização não-predatória de seus 
recursos ambientais; IV - desenvolvimento de técnicas de manejo, reflorestamento com espécies apropriadas 
às características da região e recuperação de áreas degradadas.
Monitorar, fiscalizar e 
controlar a cobertura 
florestal dos proprietá-
rios privados
Art. 230, VIII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua 
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade; IX - controlar a 
extração, produção, transporte, comercialização e consumo dos produtos e subprodutos da flora e da fauna.
Art. 232, § 1º O Estado fará o inventário e o mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais 
para a sua Proteção.
Fonte: ROCHA e Silva (2009), adaptado pelos autores.
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Além de determinar que o Estado deve destinar espaços territoriais a serem protegidos, 
no inciso V do art. 230, a Constituição dá também ao ente federativo a incumbência de realizar 
o inventário da cobertura vegetal (§1º, art. 232). Assim, a função de administração das áreas 
florestais públicas é função do Estado Amazonas por força de sua Marta Magna. No plano 
da União, esta função de Estado é dada pela Constituição Federal nos arts. 23 e 225.
No plano da legislação infraconstitucional, no que concerne à administração das áreas 
florestais públicas, o Estado do Amazonas regulamenta e instrumentaliza suas atribuições por 
meio das leis de Concessões Florestais, de Licenciamento Ambiental, do Sistema Estadual 
de Unidades de Conservação e de Mudanças Climáticas (Tabela 2).
Quanto à função de promover a extensão e assistência técnica florestal, a Carta 
Política amazonense garante, no § 4º do art. 170, aos pequenos e médios produtores rurais 
a extensão rural e assistência técnica, além do art. 165 que determina ao Estado prestar 
assistência técnica às atividades produtivas como incentivo à produção. Muito embora não 
faça menção às comunidades ribeirinhas e povos da floresta, no dispositivo que trata da 
extensão e assistência técnica, estas comunidades são atendidas no art. 251, onde lhe são 
afiançados tanto orientações às atividades produtivas quanto acesso aos mercados para os 
produtos de origem extrativa, atendendo as prescrições legais e de proteção à biodiversidade.
A Constituição amazonense trata da promoção do fomento à atividade florestal 
a partir do art. 162, que dita ao Estado e aos municípios o papel de incentivar a produção 
visando conter o êxodo rural - e fixando as populações por meio da inserção nos sistemas 
produtivos e de geração de renda. No mesmo sentido, o art. 165 específica a assistência 
técnica, o crédito e subsídios, prestação de serviços e informações sobre mercados e fomento 
às atividades produtivas, o que naturalmente estende-se à atividade florestal. Seguindo na 
mesma linha, o inciso IV do art. 179, atende o fomento à atividade da produção artesanal.
O fomento ao reflorestamento, visando atender a demanda de matéria-prima, é tema do 
inciso III do art. 232 da Constituição Estadual, assim como o fomento à atividade extrativa, 
tratado no art. 251.
A Carta Política amazonense, além de manifestar o incentivo e manutenção da pesqui-
sa agropecuária, com foco nos produtos nativos de populações rurais, enfatiza a necessidade 
de conhecimento da realidade local para o aproveitamento sustentável dos recursos naturais. 
Assim, privilegia a pesquisa para a resolução dos problemas ambientais, respaldados nos 
art. 174, 217 e 219 (Tabela 1 e 3).
Nos art. 230 e 232 são assegurados o papel do Estado na proteção da fauna e flora, 
além do controle sobre a extração, produção e comercialização dos produtos da floresta e 
da fauna. Ademais, ratifica que o inventário da cobertura florestal é instrumento essencial 
para adotar medidas de proteção da mesma.
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A Constituição amazonense permeia as seis funções de estado na área florestal, o que 
atribui ao estado, diante mão, o alicerce legal para fazer gerir sua vasta cobertura florestal, 
por meio do assento dessas atribuições na sua estrutura administrativa.

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