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editora científica digital Robson José de Oliveira (Organizador) Robson José de Oliveira (Organizador) 2022 - GUARUJÁ - SP 1ª EDIÇÃO editora científica digital Diagramação e arte Equipe editorial Imagens da capa Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2022 Revisão Autores e Autoras 2022 by Editora Científica Digital Copyright© 2022 Editora Científica Digital Copyright do Texto © 2022 Autores e Autoras Copyright da Edição © 2022 Editora Científica Digital Acesso Livre - Open Access EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA Guarujá - São Paulo - Brasil www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org Parecer e revisão por pares Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação. O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e autoras. É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que pela origem da publicação e no formato Acesso Livre (Open Access), com os créditos atribuídos aos autores e autoras, mas sem a possibilidade de alteração de nenhuma forma, catalogação em plataformas de acesso restrito e utilização para fins comerciais. Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) E57 Engenharia florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa / Robson José de Oliveira (Organizador). – Guarujá-SP: Científica Digital, 2022. E- BO OK AC ES SO LI VR E O N L INE - IM PR ES SÃ O P RO IBI DA Formato: PDF Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web Inclui bibliografia ISBN 978-65-5360-099-7 DOI 10.37885/978-65-5360-099-7 1. Engenharia florestal. I. Oliveira, Robson José de (Organizador). II. Título. CDD 634.928 Índice para catálogo sistemático: I. Engenharia florestal 2 0 2 2 Elaborado por Janaina Ramos – CRB-8/9166 editora científica digital editora científica digital CORPO EDITORIAL Direção Editorial Reinaldo Cardoso João Batista Quintela Editor Científico Prof. Dr. Robson José de Oliveira Assistentes Editoriais Elielson Ramos Jr. Erick Braga Freire Bianca Moreira Sandra Cardoso Bibliotecários Maurício Amormino Júnior - CRB-6/2422 Janaina Ramos - CRB-8/9166 Jurídico Dr. Alandelon Cardoso Lima - OAB/SP-307852 Prof. Dr. Robson José de Oliveira Universidade Federal do Piauí, Brasil Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo Universidade Estadual de Campinas, Brasil Profª. Ma. Eloisa Rosotti Navarro Universidade Federal de São Carlos, Brasil Prof. Dr. Ernane Rosa Martins Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Brasil Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin FSG Centro Universitário, Brasil Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke Universidade Federal do Pampa, Brasil Prof. Esp. Domingos Bombo Damião Universidade Agostinho Neto, Angola Prof. Me. Reinaldo Eduardo da Silva Sales Instituto Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Auristela Correa Castro Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Dalízia Amaral Cruz Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Susana Jorge Ferreira Universidade de Évora, Portugal Prof. Dr. Fabricio Gomes Gonçalves Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Prof. Me. Erival Gonçalves Prata Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me Gevair Campos Faculdade CNEC Unaí, Brasil Prof. Me. Flávio Aparecido De Almeida Faculdade Unida de Vitória, Brasil Prof. Me. Mauro Vinicius Dutra Girão Centro Universitário Inta, Brasil Prof. Esp. Clóvis Luciano Giacomet Universidade Federal do Amapá, Brasil Profª. Dra. Giovanna Faria de Moraes Universidade Federal de Uberlândia, Brasil Prof. Dr. André Cutrim Carvalho Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Esp. Dennis Soares Leite Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Silvani Verruck Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Prof. Me. Osvaldo Contador Junior Faculdade de Tecnologia de Jahu, Brasil Profª. Dra. Claudia Maria Rinhel-Silva Universidade Paulista, Brasil Profª. Dra. Silvana Lima Vieira Universidade do Estado da Bahia, Brasil Profª. Dra. Cristina Berger Fadel Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Profª. Ma. Graciete Barros Silva Universidade Estadual de Roraima, Brasil Prof. Dr. Carlos Roberto de Lima Universidade Federal de Campina Grande, Brasil Prof. Dr. Wescley Viana Evangelista Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Prof. Dr. Cristiano Marins Universidade Federal Fluminense, Brasil Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Brasil Prof. Dr. Daniel Luciano Gevehr Faculdades Integradas de Taquara, Brasil Prof. Me. Silvio Almeida Junior Universidade de Franca, Brasil Profª. Ma. Juliana Campos Pinheiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Prof. Dr. Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento Universidade Federal do Piaui, Brasil Prof. Dr. Antônio Marcos Mota Miranda Instituto Evandro Chagas, Brasil Profª. Dra. Maria Cristina Zago Centro Universitário UNIFAAT, Brasil Profª. Dra. Samylla Maira Costa Siqueira Universidade Federal da Bahia, Brasil Profª. Ma. Gloria Maria de Franca Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Profª. Dra. Carla da Silva Sousa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Prof. Me. Dennys Ramon de Melo Fernandes Almeida Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Prof. Me. Mário Celso Neves de Andrade Universidade de São Paulo, Brasil Prof. Me. Julianno Pizzano Ayoub Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil Prof. Dr. Ricardo Pereira Sepini Universidade Federal de São João Del-Rei, Brasil Profª. Dra. Maria do Carmo de Sousa Universidade Federal de São Carlos, Brasil Prof. Me. Flávio Campos de Morais Universidade Federal de Pernambuco, Brasil Prof. Me. Jonatas Brito de Alencar Neto Universidade Federal do Ceará, Brasil Prof. Me. Reginaldo da Silva Sales Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Moisés de Souza Mendonça Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Patrício Francisco da Silva Universidade de Taubaté, Brasil Profª. Esp. Bianca Anacleto Araújo de Sousa Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil Prof. Dr. Pedro Afonso Cortez Universidade Metodista de São Paulo, Brasil Profª. Ma. Bianca Cerqueira Martins Universidade Federal do Acre, Brasil Prof. Dr. Vitor Afonso Hoeflich Universidade Federal do Paraná, Brasil Prof. Dr. Francisco de Sousa Lima Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Sayonara Cotrim Sabioni Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Thais Ranielle Souza de Oliveira Centro Universitário Euroamericano, Brasil Profª. Dra. Rosemary Laís Galati Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil Profª. Dra. Maria Fernanda Soares Queiroz Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil Prof. Dr. Dioniso de Souza Sampaio Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Leonardo Augusto Couto Finelli Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil Profª. Ma. Danielly de Sousa Nóbrega Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil Prof. Me. Mauro Luiz Costa Campello Universidade Paulista, Brasil Profª. Ma. Livia Fernandes dos Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil Profª. Dra. Sonia Aparecida Cabral Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Camila de Moura Vogt Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. José Martins Juliano Eustaquio Universidade de Uberaba, Brasil Prof. Esp. Walmir Fernandes Pereira Miami University of Science and Technology, USA Profª. Dra. Liege Coutinho Goulart Dornellas UniversidadePresidente Antônio Carlos, Brasil Prof. Me. Ticiano Azevedo Bastos Secretaria de Estado da Educação de MG, Brasil Prof. Dr. Jónata Ferreira De Moura Universidade Federal do Maranhão, Brasil Profª. Ma. Daniela Remião de Macedo Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Brasil Prof. Dr. Francisco Carlos Alberto Fonteles Holanda Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Bruna Almeida da Silva Universidade do Estado do Pará, Brasil Profª. Ma. Adriana Leite de Andrade Universidade Católica de Petrópolis, Brasil Profª. Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Instituto Federal do Sertão Pernambucano,, Brasil Prof. Dr. Claudiomir da Silva Santos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil Prof. Dr. Fabrício dos Santos Ritá Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil Prof. Me. Ronei Aparecido Barbosa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil CONSELHO EDITORIAL Mestres, Mestras, Doutores e Doutoras CONSELHO EDITORIAL Prof. Dr. Julio Onésio Ferreira Melo Universidade Federal de São João Del Rei, Brasil Prof. Dr. Juliano José Corbi Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Dra. Alessandra de Souza Martins Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Prof. Dr. Francisco Sérgio Lopes Vasconcelos Filho Universidade Federal do Cariri, Brasil Prof. Dr. Thadeu Borges Souza Santos Universidade do Estado da Bahia, Brasil Profª. Dra. Francine Náthalie Ferraresi Rodriguess Queluz Universidade São Francisco, Brasil Profª. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante Universidade Federal do Ceará, Brasil Profª. Dra. Luciane Martins de Oliveira Matos Faculdade do Ensino Superior de Linhares, Brasil Profª. Dra. Rosenery Pimentel Nascimento Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Profª. Esp. Lívia Silveira Duarte Aquino Universidade Federal do Cariri, Brasil Profª. Dra. Irlane Maia de Oliveira Universidade Federal do Amazonas, Brasil Profª. Dra. Xaene Maria Fernandes Mendonça Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Ma. Thaís de Oliveira Carvalho Granado Santos Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. Fábio Ferreira de Carvalho Junior Fundação Getúlio Vargas, Brasil Prof. Me. Anderson Nunes Lopes Universidade Luterana do Brasil, Brasil Profª. Dra. Iara Margolis Ribeiro Universidade do Minho, Portugal Prof. Dr. Carlos Alberto da Silva Universidade Federal do Ceara, Brasil Profª. Dra. Keila de Souza Silva Universidade Estadual de Maringá, Brasil Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves do Nascimento Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Réia Sílvia Lemos da Costa e Silva Gomes Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Evaldo Martins da Silva Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. António Bernardo Mendes de Seiça da Providência Santarém Universidade do Minho, Portugal Profª. Dra. Miriam Aparecida Rosa Instituto Federal do Sul de Minas, Brasil Prof. Dr. Biano Alves de Melo Neto Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil Profª. Dra. Priscyla Lima de Andrade Centro Universitário UniFBV, Brasil Prof. Dr. Gabriel Jesus Alves de Melo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Brasil Prof. Esp. Marcel Ricardo Nogueira de Oliveira Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil Prof. Dr. Andre Muniz Afonso Universidade Federal do Paraná, Brasil Profª. Dr. Laís Conceição Tavares Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Me. Rayme Tiago Rodrigues Costa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme Universidade Federal do Tocatins, Brasil Prof. Me. Valdemir Pereira de Sousa Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Profª. Dra. Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida Universidade Federal do Amapá, Brasil Prof. Dr. Arinaldo Pereira Silva Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil Profª. Dra. Ana Maria Aguiar Frias Universidade de Évora, Portugal, Brasil Profª. Dra. Deise Keller Cavalcante Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, Brasil Profª. Esp. Larissa Carvalho de Sousa Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal Esp. Daniel dos Reis Pedrosa Instituto Federal de Minas Gerais, Brasil Prof. Dr. Wiaslan Figueiredo Martins Instituto Federal Goiano, Brasil Prof. Dr. Lênio José Guerreiro de Faria Universidade Federal do Pará, Brasil Profª. Dra. Tamara Rocha dos Santos Universidade Federal de Goiás, Brasil Prof. Dr. Marcos Vinicius Winckler Caldeira Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Prof. Dr. Gustavo Soares de Souza Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Brasil Profª. Dra. Adriana Cristina Bordignon Universidade Federal do Maranhão, Brasil Profª. Dra. Norma Suely Evangelista-Barreto Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil Prof. Me. Larry Oscar Chañi Paucar Universidad Nacional Autónoma Altoandina de Tarma, Peru Prof. Dr. Pedro Andrés Chira Oliva Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Dr. Daniel Augusto da Silva Fundação Educacional do Município de Assis, Brasil Profª. Dra. Aleteia Hummes Thaines Faculdades Integradas de Taquara, Brasil Profª. Dra. Elisangela Lima Andrade Universidade Federal do Pará, Brasil Prof. Me. Reinaldo Pacheco Santos Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil Profª. Ma. Cláudia Catarina Agostinho Hospital Lusíadas Lisboa, Portugal Profª. Dra. Carla Cristina Bauermann Brasil Universidade Federal de Santa Maria, Brasil Prof. Dr. Humberto Costa Universidade Federal do Paraná, Brasil Profª. Ma. Ana Paula Felipe Ferreira da Silva Universidade Potiguar, Brasil Prof. Dr. Ernane José Xavier Costa Universidade de São Paulo, Brasil Profª. Ma. Fabricia Zanelato Bertolde Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil Prof. Me. Eliomar Viana Amorim Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil Profª. Esp. Nássarah Jabur Lot Rodrigues Universidade Estadual Paulista, Brasil Prof. Dr. José Aderval Aragão Universidade Federal de Sergipe, Brasil Profª. Ma. Caroline Muñoz Cevada Jeronymo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Brasil Profª. Dra. Aline Silva De Aguiar Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Prof. Dr. Renato Moreira Nunes Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Prof. Me. Júlio Nonato Silva Nascimento Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil Profª. Dra. Cybelle Pereira de Oliveira Universidade Federal da Paraíba, Brasil Profª. Ma. Cristianne Kalinne Santos Medeiros Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Profª. Dra. Fernanda Rezende Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudo em Educação Ambiental, Brasil Profª. Dra. Clara Mockdece Neves Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil Profª. Ma. Danielle Galdino de Souza Universidade de Brasília, Brasil Prof. Me. Thyago José Arruda Pacheco Universidade de Brasília, Brasil Profª. Dra. Flora Magdaline Benitez Romero Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Brasil Profª. Dra. Carline Santos Borges Governo do Estado do Espírito Santo, Secretaria de Estado de Direitos Humanos., Brasil Profª. Dra. Rosana Barbosa Castro Universidade Federal de Amazonas, Brasil Prof. Dr. Wilson José Oliveira de Souza Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Dr. Eduardo Nardini Gomes Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Dr. José de Souza Rodrigues Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil Prof. Me. Willian Carboni Viana Universidade do Porto, Brasil Prof. Dr. Diogo da Silva Cardoso Prefeitura Municipal de Santos, Brasil Prof. Me. Guilherme Fernando Ribeiro Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil Profª. Dra. Jaisa Klauss Associacao Vitoriana De Ensino Superior, Brasil Prof. Dr. Jeferson Falcão do Amaral Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- Brasileira, Brasil Profª. Ma. Ana Carla Mendes Coelho Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil Prof. Dr. Octávio BarbosaNeto Universidade Federal do Ceará, Brasil APRESENTAÇÃO Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões neste espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e de ações de incentivo à pesquisa que congregam pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes Instituições de Educação Superior públicas e privadas de abrangência nacional e internacional. Tem como objetivo integrar ações interinstitucionais nacionais e internacionais com redes de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a formação continuada dos profissionais da educação, por meio da produção e socialização de conhecimentos das diversas áreas do Saberes. Agradecemos aos autores e autoras pelo empenho, disponibilidade e dedicação para o desenvolvimento e conclusão dessa obra. Esperamos também que esta obra sirva de instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos diversos níveis de ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. Prof. Dr. Robson José de Oliveira PREFÁCIO O Organizador desa Obra teve a felicidade de reunir diversos trabalhos relevantes à Engenharia Florestal e áreas afins, trazendo artigos que tratam desde o substrato, passando pela quebra de dormência, pela produção de sementes, pela produção e dinâmica de crescimento de mudas, pelo reflorestamento, até a análise dos produtos e subprodutos obtidos. Além de abordar, também, a regularização de propriedades rurais ao molde do Novo Código Florestal; a satisfação dos trabalhadores empregados na extração de resina de Pinus e discussões referentes aos problemas advindos do descumprimento de algumas das Leis Florestais. Essa Obra nos alerta que o seguimento das Leis Florestais e a boa prática das diversas atividades que compõem o Setor Florestal são necessários para a geração de impactos positivos que se revertem em ganhos ambientais, econômicos, políticos e sociais. Boa leitura! Giovani Levi Sant”Anna Pós Doutor - Ciência Florestal/UFVMG SUMÁRIO CAPÍTULO 01 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES FÍSICO-MECÂNICAS DE PAINÉIS COMPOSTOS POR CIMENTO E RESÍDUOS ADVINDOS DA INDÚSTRIA AGRÍCOLA E FLORESTAL DO ESTADO DO TOCANTINS Ana Caroline Pereira dos Santos; Renata Carvalho da Silva; Meire Cirqueira Santos; Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes; Guilherme Henrique Carvalho Vieira; Amanda Martins Cardoso; Bruno Aurélio Campos Aguiar; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes; Raquel Marchesan ' 10.37885/220308104 .............................................................................................................................................................................................12 CAPÍTULO 02 ASPECTOS SOCIAIS E SATISFAÇÃO DOS TRABALHADORES FLORESTAIS EXTRATORES DE RESINA DE PINUS ELLIOTTII ENGELM. Samara Lazarotto; Rafaelo Balbinot; Luana Candaten ' 10.37885/220308342 ............................................................................................................................................................................................30 CAPÍTULO 03 ATUAÇÃO DA MÁFIA DA MADEIRA NO ESTADO DE RONDÔNIA: ANÁLISE DO QUINQUÊNIO 2013-2018 Julio Cesar de Souza Ferreira; Carolina Yukari Veludo Watanabe ' 10.37885/220308379 ............................................................................................................................................................................................40 CAPÍTULO 04 AVALIAÇÃO DO EFEITO DE DIFERENTES TÉCNICAS DE CURA NA RESISTÊNCIA DE COMPÓSITOS DE CIMENTO E LIGNINA Raquel Marchesan; Renata Carvalho da Silva; Grasiella Costa Milhomen Soares; Meire Cirqueira Santos; Karolayne Ferreira Saraiva; Amanda Martins Cardoso; Bruno Aurélio Campos Aguiar; Vanessa Coelho Almeida; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes ' 10.37885/220207713 .............................................................................................................................................................................................58 CAPÍTULO 05 DENDROLOGÍA Y PROPIEDADES TECNOLÓGICAS DE LA MADERA DE HEVEA BRASILIENSIS (WILLD. EX A. JUSS.) MULL. ARG. PROVENIENTE DE LA AMAZONÍA SURORIENTAL DEL PERÚ Leif Armando Portal-Cahuana; Erick Grandez Piña; German Payeza Tuesta; Yuset Enrique Quispe Quispe; Javier Navio Chipa; Mauro Vela Da Fonseca; Jorge Cardozo Soarez; Edwin Misael Mamani Luque; Richard Rondan Huaman; Miguel Angel Ranilla Huamantuco ' 10.37885/220308142 ............................................................................................................................................................................................ 76 CAPÍTULO 06 DESENVOLVIMENTO INICIAL DE CINCO ESPÉCIES ARBÓREAS NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA EM PLANTIOS DE RECOMPOSIÇÃO FLORESTAL NO SUL DO BRASIL Edison Bisognin Cantarelli; Charles Rodrigo Belmonte Maffra; Felipe Turchetto ' 10.37885/220408542 ............................................................................................................................................................................................90 SUMÁRIO CAPÍTULO 07 DINÁMICA DE CRECIMIENTO DE LAS ESPECIES FORESTALES EN UNA PARCELA PERMANENTE EN EL BOSQUE SECO LA CEIBA, ZAPOTILLO, LOJA, ECUADOR Zhofre Aguirre-Mendoza; Jhonatan Alverca-Álvarez; Cristian Contento-Yunga ' 10.37885/220308284 ..........................................................................................................................................................................................105 CAPÍTULO 08 ELABORAÇÃO DE PROGRAMAS DE SECAGEM PARA MADEIRAS DE EUCALYPTUS SPP. E CORYMBIA CITRIODORA Thallyta Barros da Silva; Renata Carvalho da Silva; Natália Stheffany de Brito Lima; Lorrainy Azevedo de Carvalho; Karolayne Ferreira Saraiva; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; Pedro Lício Loiola; Morgana Cristina França; Cristiano Bueno de Moraes; Raquel Marchesan ' 10.37885/220308101 ........................................................................................................................................................................................... 118 CAPÍTULO 09 ESPÉCIES ESTRUTURANTES PARA A RESTAURAÇÃO FLORESTAL DE ÁREAS MINERADAS Rafael Paiva Salomão; André Luis Ferreira Hage; Silvio Brienza Júnior; Gabriel Negreiros Salomão; Vitor Hugo Freitas Gomes ' 10.37885/220308271 ...........................................................................................................................................................................................130 CAPÍTULO 10 ESTUDO DE CASO DE MANEJO FLORESTAL COMUNITÁRIO NA AMAZÔNIA: DA ILEGALIDADE À CERTIFICAÇÃO FLORESTAL Philippe Waldhoff ' 10.37885/220307984 ..........................................................................................................................................................................................140 CAPÍTULO 11 INSTITUCIONALIDADE LEGAL E DESCENTRALIZAÇÃO DA GESTÃO FLORESTAL NO ESTADO DO AMAZONAS José das D. de Sá Rocha; José de Arimatéa Silva ' 10.37885/220307985 ..........................................................................................................................................................................................158 CAPÍTULO 12 LEVANTAMENTO ARBÓREO E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS NO RIO POTI NO PERÍMETRO URBANO DE CRATEÚS-CE Nathalia Brandão Gomes; Flavio Pereira Silva; Giovani Levi Sant’anna; Robson José de Oliveira; Larissa Rocha Santos; Ana Pérola Mendes Carvalho do Nascimento; Angelina Milka Veras da Costa; Lais de Carvalho França; Inaldo Ferreira Fortes; Paula Barbosa Santos ' 10.37885/220308362 ...........................................................................................................................................................................................171 CAPÍTULO 13 PAINEL CIMENTO-MADEIRA PRODUZIDO POR COMPACTAÇÃO VIBRO DINÂMICA NO SUL DO TOCANTINS Raquel Marchesan; RenataCarvalho da Silva; Matheus Rodrigues Fonseca; Meire Cirqueira Santos; Karolayne Ferreira Saraiva; Thatiele Pereira Eufrazio; Guilherme Henrique Carvalho Vieira; Júlia Gabriela do Nascimento Mendes; André Orathes do Rêgo Barros; Rodrigo Araújo Fortes ' 10.37885/220207709 ..........................................................................................................................................................................................185 CAPÍTULO 14 QUEBRA DE DORMÊNCIA, ERMERGÊNCIA E VIGOR EM SEMENTES DE MIMOSA CAESALPINIIFOLIA BENTH (FABACEAE) Alexandro Dias Martins Vasconcelos; Mario Lima dos Santos; Rossana Cortelini da Rosa; Elizane Alves Arraes Araújo; Walmer Bruno Rocha Martins; Dione Dambrós Raddatz; Robson José de Oliveira ' 10.37885/220308392 ......................................................................................................................................................................................... 203 SUMÁRIO CAPÍTULO 15 REFLORESTAMENTO COM MUDAS ALTAS: UMA INOVAÇÃO DA RESTAURAÇÃO FLORESTAL NA MINERAÇÃO DE BAUXITA EM MINAS GERAIS Sebastião Venâncio Martins; Wesley da Silva Fonseca; Christian Fonseca de Andrade; Rodrigo da Silva Barros; Juliana Marcela de Paiva; Clayton Henriques da Silva; Marcos Antônio Fernandes Brito ' 10.37885/220308108 ..........................................................................................................................................................................................213 CAPÍTULO 16 RELAÇÃO ENTRE A BIOMETRIA E A PREDAÇÃO DE FRUTOS E SEMENTES DE CENOSTIGMA MACROPHYLLUM Tul. Allanne Pillar Dias Gonzaga; Hisaias de Souza Almeida; Anne Priscila Dias Gonzaga; Evandro Luis Mendonça Machado ' 10.37885/220207820 ..........................................................................................................................................................................................231 CAPÍTULO 17 SÍNDROMES DE DISPERSÃO NO PERFIL DE UM ECÓTONO FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL/SEMIDECIDUAL NO SUDOESTE DE MINAS GERAIS Allanne Pillar Dias Gonzaga; Hisaias de Souza Almeida; Eduardo Van Den Berg ' 10.37885/220207802 ......................................................................................................................................................................................... 240 CAPÍTULO 18 TECNOLOGIA DE SEMENTES NA SUPERAÇÃO DE DORMÊNCIA PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ALTA QUALIDADE DE NIM INDIANO Julcinara Oliveira Baptista; José Carlos Lopes; Thuanny Lins Monteiro Rosa; Caroline Palacio de Araujo; Edilson Romais Schmildt; Silvia Kátia de Souza Ramanhole; Rodrigo Sobreira Alexandre ' 10.37885/220107191 ........................................................................................................................................................................................... 253 CAPÍTULO 19 USO ALTERNATIVO DO BIOSSÓLIDO COMO CONSTITUINTE DE SUBSTRATO PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE ESPÉCIES FLORESTAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA Oclizio Medeiros das Chagas Silva; Rodolfo Soares de Almeida; Djavan Valentim da Paixão Evangelista; Edevaldo de Castro Monteiro ' 10.37885/220308182 ......................................................................................................................................................................................... 264 CAPÍTULO 20 UTILIZAÇÃO DE ADESIVO PVA COM REFORÇO DE LIGNINA PARA A PRODUÇÃO DE PAINÉIS DE EUCALYPTUS SPP. TRATADO TERMICAMENTE Samara Farias de Melo; Renata Carvalho da Silva; Thaiury Oliveira Sousa; Amanda Stephany Dutra de Oliveira; Mateus Almeida Silva; Júlia Gabriela Nascimento Mendes; Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes; Guilherme de Miranda Fernandes Reis; Bruno Aurélio Campos Aguiar; Raquel Marchesan ' 10.37885/220308306 ..........................................................................................................................................................................................274 SOBRE O ORGANIZADOR ................................................................................................................................................. 291 ÍNDICE REMISSIVO ...........................................................................................................................................................292 01 Análise das propriedades físico-mecânicas de painéis compostos por cimento e resíduos advindos da indústria agrícola e florestal do estado do Tocantins Ana Caroline Pereira dos Santos UFT Renata Carvalho da Silva UFPR Meire Cirqueira Santos UFT Thatiele Pereira Eufrazio de Moraes UFT Guilherme Henrique Carvalho Vieira UFT Amanda Martins Cardoso UFT Bruno Aurélio Campos Aguiar UnB André Orathes do Rêgo Barros Unopar Rodrigo Araújo Fortes IFTO Raquel Marchesan UFT '10.37885/220308104 https://dx.doi.org/10.37885/220308104 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 13 Palavras-chave: Bagaço de Cana, Casca de Arroz, Reutilização. RESUMO O presente trabalho teve por objetivo a produção de painéis compostos por cimento e resíduos da indústria agrícola e florestal utilizando a casca de arroz, o bagaço de cana e resíduos de pinus em sua composição. Os mesmos, foram coletados em indústrias locais da região, no município de Gurupi-TO. Nos painéis foram avaliados densidade aparente, compressão axial, absorção e inchamento. Para a confecção dos corpos de prova os resíduos foram submetidos ao processo de moagem e determinados três tratamentos: T1-resíduo sem pré-tratamento; T2-resíduo imerso em água por duas horas; T3-resíduo imerso em hidróxido de cálcio por duas horas sem enxague. Conforme a NBR 5738, (2003) e ASTM D1037, (1995) adaptadas, foram confeccionados moldes cilíndricos e prismáticos para os ensaios de compressão axial absorção e inchamento respectivamente. Foi utilizado na confecção dos corpos de prova o cimento Portland do tipo II (CP II), água, os resíduos e dois aditivos adicionados à argamassa de cimento que após pronta, foi colocada em moldes e submetidos a compactação vibro mecânica. Após o tempo de cura, os corpos de prova foram submetidos aos ensaios. Os painéis de cimento e resíduo de pinus apresentaram os melhores valores médios para densidade aparente de 1,5 g/cm³, compressão axial de 21,05 MPa, absorção em 24 horas de 12,27% e inchamento com 1,25% em 24 horas, seguido dos painéis com resíduos de casca de arroz e de bagaço de cana respectivamente. Recomenda-se o uso dos painéis compostos por resíduos de pinus voltados a diversas finalidades na área da construção civil de acordo com sua resistência, e para os demais painéis o uso como revestimentos variados. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 14 INTRODUÇÃO A inovação de painéis compostos por resíduos variados vem sendo cada vez mais es- tudada, tendo atualmente o painel de cimento-madeira como referência nessa área. Os mes- mos são compostos de partículas de madeira e aglutinante de origem mineral, sendo este o cimento empregado em sua fabricação (IWAKIRI e PRATA, 2008). Além desses materiais, ainda podem ser adicionados plastificantes, adesivos, dentre outros compostos para me- lhorar a resistência do painel. O uso dos painéis cimento-madeira vem aumentando significativamente no ramo da construção civil, principalmente em países europeus e asiáticos (FONSECA, 2017). Esse fato se concretiza por este material apresentar características vantajosas descritas por Iwakiri e Prata, (2008) como sendo produtos que possuem baixa combustão; apresentam alta re- sistência mecânica e à umidade; são resistentes ao ataque de agentes biodegradantes e são isolantes térmicos e acústicos. Nesses painéis são possíveis usinagem e moldagem, e podem ser aplicados comorevestimento, possibilitando várias opções de uso. De acordo com Cincotto, (1989) o uso de resíduos na aquisição de diferentes materiais de construção civil se dá pela necessidade de redução das despesas advindas da cons- trução, pela alta quantidade de matéria prima que é consumida e com isso a preocupação com a escassez dessa matéria prima e, ainda custos advindos do processamento e trans- porte. Atualmente tem-se buscado cada vez mais inovar tecnologias que tenham resultados satisfatórios em todos os ramos de produção e, atrelado a essas inovações, o conceito de sustentabilidade e reutilização de resíduos tem tomado um lugar importante mediante as novas técnicas, tanto por apresentarem bons resultados quanto por terem um menor custo na maioria das vezes. Segundo Ramirez (1996) o emprego de fibras naturais ou artificiais, como reforços de pastas, argamassas e concretos, vem se apresentando de grande valia, pois os produtos derivados desses compostos, além de apresentarem menor densidade aparente, apresentam ainda valores aceitáveis de resistência a tração e ao impacto. Desse modo, a reutilização de resíduos advindos das diversas indústrias, tanto florestais quanto agrícolas, podem favorecer o aumento da produção, reduzir custos no ramo da construção civil e ainda favorecer o uso de recursos renováveis. O pinus, o arroz e a cana-de-açúcar são produzidos em grande escala, em que possuem diversas funções, o que influi diretamente na geração de resíduos como as maravalhas de pinus, o bagaço de cana e a casca de arroz. Esses por sua vez são utilizados de diversas formas, principalmente na geração de energia por meio da queima, porém a quantidade dos mesmos que é descartada, muitas vezes de forma inapropriada, ainda é significativa. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 14 15 O pinus é uma espécie florestal madeireira do grupo das coníferas, produzidas em gran- de escala no Brasil, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A uti- lização de resíduos de pinus, advindos de indústrias madeireiras em painéis de cimento-ma- deira tem sido muito usual por ser de fácil aquisição, apresentar uma boa trabalhabilidade e resultados satisfatórios. O bagaço de cana é um resíduo lignocelulósico, fibroso, do colmo da cana-de-açúcar proveniente da moagem e extração do caldo da cana (GEPLACEA, 1990). Quando compara- do com outros resíduos da agroindústria, o bagaço de cana agrupa uma série de qualidades, que faz com que seja o material mais fibroso com mais possibilidades de ser industrializado, já que encontram-se potencialmente disponível em grandes quantidades devido a produção de álcool e também da produção de açúcar (RAMIREZ, 1996). Já a casca de arroz, é descrita por Rama (2014), como sendo um resíduo que possui a forma de um colmo cilíndrico, simples, com diâmetro de 3 - 5 mm e 60 - 85 cm de com- primento, sendo constituída majoritariamente por celulose com uma porcentagem de 32%, 29,9% de hemicelulose e 18,8% de lignina. Em relação à composição química, a casca de arroz possui cerca de 38% de carbono, 37% de oxigênio e 5% de hidrogênio, sendo o res- tante compostos nitrogênio e enxofre (RAMA, 2014). Neste contexto, este trabalho teve como objetivo produzir e avaliar a caracterização física e mecânica dos painéis compostos por cimento e resíduos de pinus, bagaço de cana e casca de arroz com base na densidade aparente, absorção, inchamento, e compressão axial, visando a possibilidade de sua produção em escala comercial e com isso o reapro- veitamento de resíduos produzidos em grandes quantidades. MATERIAIS E MÉTODOS Coleta e processamento dos materiais utilizados para produção dos corpos de prova Foram utilizados três materiais para a elaboração do trabalho, sendo eles a casca de arroz, o bagaço de cana e resíduos de pinus, coletados em indústrias no município de Gurupi-TO. Posteriormente foram levados para o laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais da Universidade Federal do Tocantins campus de Gurupi-TO, onde foram processados para a confecção dos corpos de prova. Os resíduos de bagaço de cana, logo após serem coletados em condições ainda frescos, foram colocados em um tambor e imersos em água durante quatro dias, a qual foi trocada uma vez ao dia para retirada do excesso de açúcar contido no resíduo. Em seguida, todos os resíduos de bagaço de cana e pinus foram secos em estufa a uma temperatura Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 16 de 100±3°C por um período de 10 a 12 horas. A casca de arroz, por estar visivelmente com baixa umidade, foi seca em estufa à 60±2°C, para evitar a combustão do material. Após a secagem, os materiais foram moídos em partículas menores, com a utilização de um moinho de facas do tipo Willey. O moinho composto por peneiras de 0,84 mm gerou resíduos em forma de agregados miúdos, segundo a classificação descrita por Pinheiro et al. (2007) onde considera partículas menores que 4,8 mm como agregados miúdos e acima desse valor agregados graúdos. Logo após este processo o material foi submetido à tratamentos para posteriormente serem utilizados na composição dos corpos de prova. Tratamentos dos resíduos Foram realizados três tratamentos semelhantes para os três tipos de resíduos: casca de arroz, bagaço de cana, e resíduo de pinus, sendo eles T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento; T2: Partículas totalmente imersas em água por 2 horas sem enxágue, com posterior secagem em estufa por 42 horas a uma temperatura de 60 ± 2°C; T3: Partículas imersas em solução de hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) por 2 horas sem enxágue, com pos- terior secagem em estufa por 42 horas a uma temperatura de 60 ± 2°C. A proporção de (Ca(OH)2), água e partícula utilizada no tratamento T3, foi de 50g de (Ca(OH)2) em 450g de água para 160g de partículas, sendo necessárias para os resíduos de bagaço de cana cinco medidas, e para a casca de arroz duas medidas dessa mesma proporção para que os resíduos ficassem totalmente imersos no líquido. Determinação do teor de Umidade dos resíduos tratados Após os tratamentos, considerando a massa seca do resíduo para fabricação dos corpos de prova, cada resíduo foi submetido à determinação do teor de umidade conforme a norma TAPPI (1996), porém, na base úmida, para determinar a quantidade de água presente nos mesmos, que juntamente com a quantidade de plastificante e adesivo foram descontadas do total de água encontrada através da equação do consumo de água citada por Parchen (2012) que determina a quantidade de líquidos necessários para compor a mistura na fabri- cação dos corpos de prova. Para este procedimento, conforme as equações descritas abaixo, foi realizado o cálculo do teor de umidade (Equação 1) e depois o consumo de água (Equação 2). (1) Em que: TU = teor de umidade (%); MU = massa úmida(g); MS = massa seca(g). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 16 17 (2) Em que: CA = consumo de água; C = massa de cimento (g); TU = teor de umidade da partícula; M = massa das partículas (g); 0,40 = relação A/C (relação água:cimento). Para os tratamentos dos resíduos de pinus, arroz e o tratamento T3 de bagaço de cana, a relação água:cimento foi de 0,40. No entanto, para os tratamentos T1 e T2 com bagaço de cana essa relação foi de 0,60, pois o volume de resíduo de bagaço de cana é maior, se comparado com a mesma quantidade em gramas dos demais resíduos. Confecção dos corpos de prova Adaptados às NBR 5738 (2003) e ASTM D1037 (1995) foram utilizados moldes cilín- dricos confeccionados com tubos PVC de 40 mm de diâmetro, para a confecçãodos corpos de prova do ensaio de compressão axial, com corte transversal ao longo da geratriz, para facilitar a retirada dos corpos de prova. Os mesmos foram dimensionados com 40 mm de diâmetro externo e com 80 mm de comprimento, obtendo-se para o molde um volume liquido de 86,01 cm³. Na parte inferior de cada molde foi utilizado o cap (tampas para fechamento de tubos de PVC). Para os corpos de prova de absorção e inchamento utilizaram-se moldes prismáticos de compensado de madeira de pinus, laterais parafusadas e removíveis, para facilitar a retirada dos corpos de prova. Os mesmos apresentaram dimensões de 2,5 cm x 10,0 cm x 10,0 cm totalizando para o molde um volume líquido de 250 cm³. Os materiais utilizados na fabricação dos painéis foram o cimento Portland do tipo II (CP II), água e os resíduos. Também foram adicionados dois aditivos à argamassa de cimento para proporcionar uma melhor liga aos materiais utilizados. Os aditivos utilizados foram o superplasticifante derivado de lignosulfonatos para argamassas minerais, onde se utilizou 2,5% em relação ao peso do cimento para cada corpo de prova e o aditivo derivado de co- polímero estireno acrílico denominado adesivo sintético na proporção de 2:1, sendo duas partes de água para uma de adesivo. Feitos alguns pré-testes e observando-se o ponto de liga do cimento com os resíduos utilizados, estimou-se uma densidade base dos corpos de provas de 1,20 g/cm³ com pro- porções de 10:1, sendo dez partes de cimento para uma de resíduo. Assim, com o valor da densidade estimada, utilizando-se a Equação 3, foi possível determinar a quantidade em gramas de cimento e de resíduo, considerando sua massa seca, que seria necessária para compor um corpo de prova, já que os volumes dos moldes utilizados eram conhecidos. Da=m/V (3) Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 18 Em que: Da = densidade aparente unitária (g/cm³); m = massa(g); V = volume (cm³). Nas Tabelas 1 e 2 subsequentes são apresentadas as quantidades de insumos uti- lizadas na confecção dos corpos de prova de compressão axial, absorção e inchamento respectivamente, para a composição do cimento-resíduo, no qual determina a quantidade em gramas necessária para fabricar um corpo de prova. Tabela 1. Insumos utilizados na fabricação dos corpos de prova destinados aos ensaios de compressão axial. PINUS INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 93,82 23,90 9,38 13,33 2,34 Tratamento 2 93,82 23,76 9,38 13,29 2,34 Tratamento 3 93,82 24,48 9,38 13,36 2,34 BAGAÇO DE CANA INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 93,82 36,36 9,38 19,56 2,34 Tratamento 2 93,82 36,7 9,38 19,63 2,34 Tratamento 3 93,82 36,53 9,38 19,59 2,34 CASCA DE ARROZ INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 93,82 23,04 9,38 13,28 2,34 Tratamento 2 93,82 23,73 9,38 13,28 2,34 Tratamento 3 93,82 24,32 9,38 13,4 2,34 Tabela 2. Insumos utilizados na fabricação dos corpos de prova destinados aos ensaios de absorção e inchamento. PINUS INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 272,72 69,44 27,27 38,76 6,81 Tratamento 2 272,72 69,05 27,27 38,64 6,81 Tratamento 3 272,72 69,96 27,27 38,85 6,81 BAGAÇO DE CANA INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 272,72 69,3 27,27 38,68 6,81 Tratamento 2 272,72 106,68 27,27 57,06 6,81 Tratamento 3 272,72 70,37 27,27 70,07 6,81 CASCA DE ARROZ INSUMOS (g) CIMENTO ÁGUA RESÍDUO ADESIVO PLASTIFICANTE Tratamento 1 272,72 66,94 27,27 38,25 6,81 Tratamento 2 272,72 68,98 27,27 38,62 6,81 Tratamento 3 272,72 70,69 27,27 38,95 6,81 É importante ressaltar que a massa dos resíduos citadas acima, encontradas atra- vés da fórmula da densidade aparente é a massa seca, sendo necessário a utilização da Equação 4, determinada como Absolutamente Seca (AS) adquirida através do teor de umi- dade (Equação 1) encontrado de cada resíduo como mostra a tabela 3 abaixo de acordo Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 18 19 com seus tratamentos para que fosse possível descobrir a massa úmida dos resíduos em cada tratamento, sendo esta a real massa utilizada na fabricação dos corpos de prova. Tabela 3. Teor de umidade encontrado em cada resíduo de acordo com seus respectivos tratamentos. RESÍDUOS TEOR DE UMIDADE (%) T1 T2 T3 Bagaço de Cana 4,42 2,25 3,24 Casca de Arroz 9,16 5,08 1,47 Pinus 3,59 4,92 2,61 AS%=( MS)/MU x100 (4) Em que: AS= massa absolutamente seca (%); MS= massa seca (g); MU= massa úmida (g). Após a mistura de todos os materiais, a argamassa foi colocada em seus moldes até o preenchimento total dos mesmos. Em seguida os moldes já preenchidos foram submetidos à compactação vibro mecânica realizada pela mesa vibratória, com duração de 60 segundos para os corpos de prova de compressão axial e 120 segundos para os corpos de prova de absorção e inchamento. Cura dos corpos de prova Depois de confeccionados, os corpos de prova ainda em seus moldes, foram colocados para secar em temperatura ambiente a 25°C. Após cinco dias, o cap inferior dos moldes foi retirado para proporcionar uma melhor ventilação, permanecendo dentro dos moldes por mais dois dias, totalizando 7 dias para que os corpos de provas fossem retirados total- mente dos moldes. Após esse período os mesmos foram desenformados e mantidos em temperatura ambiente por 21 dias para completar o tempo mínimo de cura que é de 28 dias, antes de serem ensaiados. Durante este período de 21 dias, uma vez ao dia borrifou-se água nos corpos de prova para auxiliar no processo de cura. Ensaios Corpos de prova cilíndricos: Os corpos de prova cilíndricos foram submetidos ao ensaio mecânico, sendo este a compressão axial, em concordância com a NBR 7215 (1996) e a caracterização física, den- sidade aparente, de acordo com a norma EN 323 (1993). Os ensaios de compressão axial que determinam a resistência do material, foram rea- lizados na Universidade Federal do Tocantins no campus de Palmas-TO, com a utilização Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 20 da máquina universal de ensaios da marca Quanteq com capacidade de 3000 kN, em que conhecida a área da seção transversal e a altura do corpo de prova foi possível obter a tensão de compressão fornecida pela máquina em Megapascal (MPa). Seguindo a norma EN 323 (1993) adaptada para a densidade aparente, foi adquirida a área, o volume e o peso de cada corpo de prova cilíndrico aos 46 dias (Equação 5). (5) Em que: Da= densidade aparente (g/cm³); m= massa (g); V= volume (cm³). Corpos de prova prismáticos: Os corpos de prova prismáticos foram ensaiados para se obter as porcentagens de absorção e inchamento do cimento-resíduo. Foram medidas espessuras nos quatro lados para posteriormente obter uma média de cada corpo de prova. Foram obtidos também os pesos iniciais dos corpos de prova. Posteriormente foram totalmente submersos um recipiente com água. Após 2 horas, obteve-se novas medidas de espessura e peso e em seguida foram novamente imersos até completar 24 horas para a obtenção de uma terceira e última medida. Para a obtenção do percentual de absorção e inchamento, utilizaram-se as Equações 6 e 7 respectivamente. Empregadas para determinar-se o percentual de absorção e incha- mento, comparando-se as dimensões e pesos coletados dos corpos de prova ainda secos, com as dimensões e pesos coletados dos corpos de prova às 2 horas e às 24 horas, de acordo com a ASTM D1037 (1995) adaptada. (6) Em que: Pu= peso úmido (g); Ps= peso seco (g). (7) Em que: If: Inchamentofinal (mm); Ii: Medida inicial (mm). Análises Estatísticas Para a análise estatística dos dados foi utilizado um delineamento inteiramente ca- sualizado com arranjo em fatorial 3x3, considerando dois fatores: os resíduos utilizados na produção dos painéis e os tratamentos dos resíduos utilizados. Para avaliar as estatísticas da densidade aparente e da tensão gerada pelo teste de compressão axial, utilizou-se o programa Statgraphics, aplicando o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, no qual não houve normalidade para esses dois parâmetros, então foi aplicada a transformação box-cox para obter-se a normalidade adequada. Após obter a normalidade dos dados, foi gerada a análise Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 20 21 de variância (ANOVA), onde constatou-se interação entre os fatores. Para realização do desdobramento utilizou-se o programa Sisvar aplicando o Teste Tukey de comparação de médias ao nível de 5% de significância. Para absorção e inchamento realizou-se o teste de normalidade e posteriormente a ANOVA, constatando interação entre os fatores. Para tal, foi utilizando o Sisvar para fazer o desdobramento e aplicar o teste Tukey ao nível de 5% de significância. Além desses programas, utilizou-se o Excel para realização do teste de corre- lação de PEARSON. RESULTADOS E DISCUSSÃO Densidade aparente dos painéis cimento-resíduos Na tabela 4 são apresentados os valores médios de densidade aparente dos corpos de provas de cimento e resíduo e seus respectivos tratamentos. Tabela 4. Densidade aparente dos corpos de prova de painel cimento-resíduo para os diferentes resíduos e seus tratamentos. TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DA (g/cm³) F RESÍDUO T1 T2 T3 MÉDIA GERAL Casca Arroz 1,43 bA (0,58) 1,43 bA (0,91) 1,47 bB (1,36) 1,44 7,37*Bagaço de cana 1,06 aA (2,83) 1,11 aA (3,01) 1,33 aB (3,07) 1,17 Pinus 1,51 cB (0,81) 1,47 cA (0,77) 1,51 cB (1,81) 1,50 T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas; T3, Partículas imersas em (Ca(OH)2) por duas horas, DA: densidade aparente em (g/cm³). Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). Observando a tabela acima nota-se que houve interação entre os fatores, constatan- do-se diferença significativa tanto entre os tratamentos, quanto entre os resíduos. Dentre os valores de densidade encontrados para os diferentes painéis, o painel composto por resíduos de bagaço de cana assumiu o valor de menor densidade no T1 (1,06g/cm³) e o painel de maior densidade foi o composto por resíduo de pinus (1,51 g/cm³) tanto para T1 quanto para T3. A maior densidade para o painel de pinus é atribuída pelo maior peso das partículas quando comparado ao resíduo de bagaço de cana. Estes fatores se concretizam quando comparado às médias gerais dos painéis, sendo o painel com resíduo de pinus o de maior densidade (1,50 g/cm³), seguido do painel com resíduo de casca de arroz (1,44 g/cm³) e por último o painel composto por resíduos de bagaço de cana (1,17 g/cm³). Iwakiri e Prata (2008) em seus estudos obtiveram uma densidade aparente para o painel cimento-madeira com pinus de 1,19 g/cm³ para uma a relação cimento: madeira de Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 22 2, 75:1, sendo esta a relação mais empregada industrialmente conforme Latorraca e Iwakiri (2005). Já, a média encontrada no presente trabalho foi de 1,50 g/cm³. Isso pode ser expli- cado devido a relação cimento: madeira utilizada neste trabalho ter sido de 10:1, levando em consideração que essa proporção foi a mais adequada para o ponto de liga da argamassa para todos os resíduos em estudo. Comparando-se com a densidade aparente de materiais empregados na construção civil Segundo Dolabella (2018) e Prata (2010), o tijolo cerâmico furado assume densidades entre 1,1 g/cm³ a 1,4g/cm³ e o tijolo cerâmico poroso entre 1,0g/cm³ a 1,1g/cm³, podendo ser um dos usos dos painéis em estudo, pois os valores médios de densidade aparente encontrados para os painéis compostos por pinus (1,5 g/cm³), bagaço de cana (1,17g/cm³) e casca de arroz (1,44 g/cm³) se enquadram dentro desta densidade citada pelos autores descritos acima. Compressão axial dos painéis Na tabela 5 são apresentados valores médios de tensão de compressão axial nos corpos de provas para cada resíduo em seus respectivos tratamentos. Tabela 5. Valores médios de tensão a compressão axial dos painéis de cimento para os diferentes resíduos e seus tratamentos. RESÍDUO TRATAMENTO DOS RESÍDUOS TENSÃO (MPa) F T1 T2 T3 MÉDIA Arroz 2,17 aB (20,62) 2,39 aB (5,90) 1,79 bA (11,44) 2,12 42,62*Bagaço de cana 2,20 aB (12,45) 3,52 bC (4,00) 1,20 aA (6,71) 1,31 Pinus 22,09 bA (3,45) 20,50 cA (2,00) 20,55 cA (7,01) 21,05 T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas imersas em (Ca(OH)2) por duas horas, Tensão em MPa: megapascal. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). Segundo Simantupang et al. (1978), os extrativos existentes na madeira são os maiores responsáveis pela inibição da solidificação do cimento, porém neste trabalho o tratamento T1, sem nenhum tipo de pré-tratamento dos resíduos de pinus, apresentou melhor resistência a compressão (22,09 MPa), e a diferença entre os tratamentos T2 (20,55 MPa) e T3 (20,50 MPa) não foram significativas. Para o painel de bagaço de cana, todos os tratamentos se diferiram estatisticamente, apresentando o menor valor de resistência a tensão o tratamento T3, com 1,20 MPa. O me- lhor tratamento para o painel de resíduo de bagaço de cana foi o T2 com uma resistên- cia à tensão de 3,52 MPa, onde o mesmo foi apenas imerso em água. Portanto, pode-se Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 22 23 observar que quanto mais açúcar foi retirado desse resíduo, melhor foi a resistência na composição do painel. Cabral (2016), em seu trabalho sobre a utilização de partículas homogêneas com fibras de tamanhos de 8 mm de bagaço de cana em painéis curados por carbonatação acelerada, obteve um valor de 7,13 MPa. Isso mostra que a utilização de um tamanho maior da partícula e uma alteração na cura, nesse caso a carbonatação acelerada, pode auxiliar no aumento da resistência do painel composto por bagaço de cana. No trabalho desenvolvido por Ramirez (1996), utilizando compostos feitos de argamas- sa de cimento e areia reforçada com fibras de bagaço de cana, a resistência aumentou ao longo do tempo obtendo um valor médio de 2,25 MPa aos 56 dias de cura quando ensaiados no teste de compressão axial simples, valor inferior ao encontrado no presente trabalho no tratamento T2 (3,52 MPa), o que mostra que o tamanho da partícula utilizada e a adição da areia no composto cimento-resíduo se mostrou com uma resistência inferior a encontrada no painel do presente trabalho. O painel com casca de arroz obteve uma resistência à compressão axial intermediária se comparado com resíduo de pinus e o bagaço de cana, obtendo o maior valor de ten- são no T2 com 2,39 MPa, não diferindo significativamente do T1 com uma tensão de 2,17 MPa. O tratamento T3 obteve o menor valor de resistência à tensão de 1,79 MPa. Silva et al. (2017), estudou o uso da casca eda palha de arroz em painéis leves para vedação e obteve resultados satisfatórios. A resistência dos painéis com palha de arroz se apresentaram com valores maiores, em torno de 3 MPa, já para a casca de arroz inteira sem nenhum tratamento a resistência ao ensaio de compressão axial foi de 2,85 MPa, valor próximo aos encontrados no tratamento T1 (2,17MPa) e T2 (2,39 MPa) neste estudo, o que mostra que a casca de arroz inteira não influi significativamente no aumento da resistência do painel quando comparado com o tamanho das partículas utilizadas neste trabalho, levando em consideração a relação cimento:resíduo de 10:1 adotada para este estudo. Silva et al. (2017), avaliaram ainda o desempenho acústico dos painéis compostos com casca e palha de arroz e relataram que em comparação com outros componentes do mer- cado utilizados para vedação de ambientes os compósitos exibiram desempenho acústico superior ou semelhante para as faixas de frequência maiores. De modo geral, pode-se observar que os painéis tratados em (Ca(OH)2) sem enxague (T3), principalmente os compostos por resíduos de bagaço de cana e casca de arroz, apre- sentaram os menores valores de resistência, e até mesmo o pinus, o qual se esperaria melhor resistência com o tratamento T3, ficou como segundo painel de maior resistência, sendo o painel composto por pinus com o tratamento T1 o de melhor valor para esse parâmetro, o Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 24 que não era esperado, devido a outros trabalhos terem apresentado resultados de resistência melhores utilizando o tratamento das partículas com (Ca(OH)2). O que pode ter influenciado nesse resultado é que a proporção de partículas utilizada no presente trabalho foi inferior a outros trabalhos realizados com pinus ou outros resíduos. Essa quantidade menor de resíduos pode ter sido afetada no tratamento T3, onde os resí- duos, depois de tratados e secos não foram peneirados, e uma quantidade considerável de partículas menores de (Ca(OH)2) se fez presente juntamente com todos os resíduos tratados, dessa forma, influenciando na estrutura dos resíduos ou na relação água: cimento de forma física ou química afetando na resistência dos painéis com esse tratamento, o que pode ser estudado em posteriores trabalhos. Tendo em vista que a densidade pode influenciar nas propriedades físicas e mecâ- nicas dos painéis, foi realizado também um teste de correlação de PEARSON (R) entre a densidade e a tensão de todos os painéis com seus respectivos tratamentos. Foi obtido um valor intermediário de correlação entre densidade aparente e tensão de compressão axial de 0,53115, resultando em uma correlação positiva, sendo esta diretamente proporcional, ou seja, quanto maior a densidade maior a resistência dos painéis. Conforme a NBR 11578 (1991) que trata da classe de cimento CP II, a mesma apresenta limites de classes de acordo com a resistência à compressão axial para os corpos de prova de no mínimo 28 dias de cura sendo: ≥25 MPa, ≥32,0 MPa e ≥40,0 MPa. Se comparado aos painéis deste trabalho o que mais se aproximou da norma, foi o painel composto por cimento e pinus, com um valor médio de resistência a compressão axial de 21,05 MPa. Os painéis compostos por casca de arroz (2,12 MPa) e bagaço de cana (1,31 MPa) assumiram valores de resistência muito distantes dos valores propostos pela norma. De acordo com a NBR 8953 (1992) que trata de Concreto para fins estruturais - Classificação por grupos de resistência, todos os painéis compostos por cimento e resíduos do presente estudo, se enquadram na classificação CL (concretos leves) que assumem valores de densidade menores que 2000 kg/m³, ou seja, menores que 2 g/cm³, porém essa massa se relaciona com a resistência dada em MPa, onde o a menor resistência designada pela norma é de 10 MPa, sendo assim apenas o painel composto por resíduos de pinus com valor médio de 21,05 MPa, se enquadrou no Grupo I de Resistência, ocupando a Classe CL20, a qual possui uma resistência de 20 MPa. Absorção e inchamento dos painéis cimento-resíduos Na tabela 6 são apresentados os valores médios em porcentagem do quanto cada painel, de acordo com seu resíduo e tratamento, absorveu de água por um período de 2 horas e 24 horas. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 24 25 Tabela 6. Valores médios de Absorção dos painéis de cimento e resíduos imersos em água por 2 horas e 24 horas. RESÍDUO TRATAMENTO DOS RESÍDUOS ABSORÇÃO 2 HORAS (%) F T1 T2 T3 MÉDIA Arroz 24,89 bA (2,38) 25,80 cA (5,90) 26,14 bA (0,51) 25,61 60,5*Bagaço de cana 36,18cC (5,09) 23,96bA (1,99) 27,18bB (3,89) 29,10 Pinus 7,72aA (2,57) 6,5aA (5,28) 7,93aA (10,59) 7,38 RESÍDUO TRATAMENTO DOS RESÍDUOS ABSORÇÃO 24 HORAS (%) F T1 T2 T3 MÉDIA Arroz 25,84bA (2,65) 27,72cB (0,42) 27,11bAB (0,65) 26,74 123,1*Bagaço de cana 39,28cC (4,30) 26,18bA (0,87) 29,09cB (2,72) 31,55 Pinus 12,64aA (2,97) 11,47aA (4,51) 12,71aA (6,54) 12,27 T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas imersas em (Ca(OH)2) por duas horas, Absorção dada em %. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). No ensaio de absorção com os painéis imersos em água por 2 horas, houve interação entre os fatores e diferença significativa para os tratamentos dos painéis compostos por baga- ço de cana, onde obteve-se a maior média geral dentre todos os painéis de 29,10%. O trata- mento T1 apresentou a maior porcentagem de absorção (36,18%), superando todos os outros resíduos em todos os tratamentos. Os painéis compostos com casca de arroz assumiram as segundas maiores porcentagens de absorção, com média geral de 25,61%, não apre- sentando diferença significativa entre os tratamentos desse resíduo. Os painéis compostos por resíduos de pinus não apresentaram diferença significativa entre os tratamentos com relação a porcentagem de absorção, assumindo ainda a menor média geral em relação aos outros painéis com 7,38% de absorção. Ao avaliar a absorção dos painéis de cimento e resíduos após 24 horas, onde também foi constatado interação entre os fatores, os resultados foram semelhantes aos resultados da absorção constatada a 2 horas, até mesmo para os tratamentos dos resíduos que apre- sentaram maiores e menores porcentagens de absorção. Os painéis de resíduos de bagaço de cana e casca de arroz apresentaram diferença significativa entre os tratamentos e as maiores porcentagens de absorção respectivamente. Os painéis compostos por resíduos de pinus também apresentaram resultados bastante parecidos se comparado a absorção por 2 horas, não apresentando diferença significativa entre os tratamentos e assumindo a menor porcentagem de absorção dentre os painéis cimento:resíduos. As médias gerais de absorção em 24 horas para os três tipos de painéis foram de 31,55% para o painel composto por resíduos de bagaço de cana e 26,74% para o painel composto por resíduos de casca de arroz. Para o painel composto com resíduos de pinus a absorção foi de 12,27%, obtendo um resultado melhor do que o encontrado por Iwakiri Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 26 e Prata (2008) que utilizaram partículas de pinus sem tratamento e obtiveram um valor de 14,05 % de absorção. Desse modo pode-se observar que a diferença de absorção entre 2 horas e 24 horas não foi tão discrepante para os painéis composto por bagaço de canae casca de arroz, ape- sar desses terem apresentado alta absorção. No entanto para o painel composto com resí- duos de pinus houve uma diferença maior de absorção entre o período de 2 horas e 24 horas. Uma observação importante a ser feita é que para o ensaio de absorção de 24 horas, ao manusear o corpo de prova composto por resíduos de bagaço de cana, onde as par- tículas foram usadas com T1, de forma a exercer uma leve pressão, o mesmo se desfez facilmente, constatando fragilidade do painel quando exposto a água. Fato que pode ser explicado pela grande capacidade de absorção da fibra de bagaço de cana e também a maior quantidade de açúcares contidos no resíduo, já que nesse estado não recebeu nenhum tipo de pré-tratamento. Feita a correlação de PEARSON entre a densidade aparente e a absorção de 2 horas e 24 horas, as mesmas apresentaram respectivos valores de -0,67196 e -0,72168, sendo estes negativos, ou seja, inversamente proporcionais, indicando que quanto maior a densi- dade menor a absorção dos painéis, consistindo em um bom resultado. Na tabela 7 são apresentados os valores médios em porcentagem de inchamento de cada painel de acordo com seu resíduo e tratamento, imersos em água por um período de 2 horas e 24 horas. Tabela 7. Valores médios de inchamento dos painéis de cimento e resíduos imersos em água por 2 horas e 24 horas. RESÍDUO TRATAMENTO DAS PARTÍCULAS INCHAMENTO 2 HORAS (%) F T1 T2 T3 MÉDIA Arroz 0,29aA (44,74) 0,56aAB (73,96) 1,10aB (44,93) 0,65 3,96*Bagaço de cana 0,85aA (42,69) 0,56abA (73,96) 1,00aA (59,56) 0,80 Pinus 0,26aA (52,43) 1,33bB (24,43) 0,58aA (53,35) 0,72 RESÍDUO TRATAMENTO DAS PARTÍCULAS INCHAMENTO 24 HORAS (%) F T1 T2 T3 MÉDIA Arroz 1,02aA (27,31) 0,95aA (46,83) 1,85aA (23,02) 1,27 5,12*Bagaço de cana 2,06bB (36,04) 2,20bB (18,87) 1,03aA (24,78) 1,76 Pinus 0,9aA (48,96) 1,38abA (56,82) 1,47aA (48,70) 1,25 T1: Partículas sem nenhum tipo de pré-tratamento, T2: Partículas imersas em água por duas horas, T3: Partículas imersas em (Ca(OH)2) por duas horas. Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na linha e letras minúsculas na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). Analisando o inchamento dos painéis imersos em água por 2 horas, o painel composto por resíduo de bagaço de cana apresentou a maior porcentagem de inchamento, com uma média de 0,80%, não apresentando diferença significativa entre os tratamentos para esse Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 26 27 painel, seguido do painel composto por resíduo de pinus com média de 0,72% de inchamento e, posteriormente, o painel composto por casca de arroz com uma porcentagem de 0,65%. Dentro do tratamento T1 e T3 não houve diferença significativa entre os resíduos para o inchamento dos painéis imersos em água por 2 horas. Em relação ao inchamento dos painéis imersos em 24 horas, os painéis que assumiram as maiores porcentagens foram os compostos por de bagaço de cana com uma média de 1,76%, sendo para esse painel os tratamentos T1 e T2 que apresentaram os maiores valores de inchamento, considerados estatisticamente iguais, apresentando diferença significativa somente para o tratamento T3 que ofereceu o menor valor de inchamento. O painel composto por resíduos de casca de arroz apresentou uma porcentagem média de inchamento de 1,27%, valor próximo ao apresentado pelo painel de resíduo de pinus (1,25%), não apresentando diferença significativa dos resíduos e seus respectivos tratamentos. Comparando o tratamento T1 de pinus no ensaio de inchamento com o trabalho de Iwakiri e Prata (2008) o presente trabalho obteve melhor resultado, pois ao se tratar do mesmo resíduo e do mesmo tratamento obteve-se uma porcentagem de inchamento de 0,9%, já no trabalho realizado pelos autores citados acima a porcentagem de inchamento foi de 1,69%. Porém a relação cimento: madeira utilizada pelos autores foi de 1:2,75, já neste trabalho a relação utilizada foi de 10 partes de cimento para 1 de madeira, isso pode ter contribuído para o melhor resultado de inchamento encontrado no presente trabalho. Comparando com o ensaio de absorção discutido acima, o inchamento avaliado a 24 horas condiz com os resultados encontrados, sendo o painel composto por resíduos de pinus o de melhor resultado, seguido do resíduo da casca de arroz e por último do resíduo do bagaço de cana. Para a correlação de PERSON entre a densidade aparente e o inchamento de 2 horas e 24 horas os valores resultantes foram de -0,14928 e -0,31486 respectivamente, sendo inversamente proporcional, assim como para a correlação de densidade aparente e absor- ção, porém as correlações para esses parâmetros foram muito baixas, quase insignificantes. CONCLUSÕES Com base nos resultados apresentados neste estudo pode-se concluir que: Com base na densidade aparente dos painéis de cimento e resíduos produzidos com partículas de pinus, os mesmos obtiveram uma densidade superior aos demais painéis compostos por resíduos de casca de arroz e bagaço de cana que obtiveram as menores densidades respectivamente. Em relação à resistência dos painéis, o painel com resíduo de pinus se destacou for- temente em relação aos outros painéis, podendo ser empregado nas áreas de construção Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 28 civil com diversas finalidades, como blocos de concretos, pavers de calçadas, artefatos como vasos e esculturas dentre outros, de acordo com sua resistência, e consequentemente reduzindo custos e auxiliando em questões ambientais. Para os painéis produzidos com partículas de bagaço de cana e casca de arroz, por apresentarem baixa resistência, recomenda-se o uso em revestimentos em geral. A absorção e inchamento dos painéis tanto em duas horas, quanto em vinte e quatro horas apresentaram resultados semelhantes, sendo as menores porcentagens de absorção e inchamento para os painéis compostos por resíduos de pinus, seguido dos painéis de resíduo de casca de arroz e por último com resíduo do bagaço de cana, inviabilizando painéis com resíduos bagaço de cana sem tratamento das partículas para serem expostos a umidade. De modo geral os painéis compostos por resíduos de pinus atenderam às expecta- tivas, sendo recomendado como o melhor resíduo para compor um painel de cimento e resíduos neste estudo REFERÊNCIAS 1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. D1037 - Standard Test Methods for Evaluating Properties of Wood-Base Fiberand Particles Panel Materials, Philadelphia, PA, USA, 1995. 2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11578 - Cimento Portland Com- posto, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, jul. 1991. 3. 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Engenharia Florestal:contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 28 29 10. EUROPEAN COMMITTEE FOR STANDARDIZATION. European Standard EN 323 – Wood- -based panels – determination of density, Bruxelas, BE, 1993. 11. FONSECA, M.R., Painel cimento madeira produzido por compactação vibro dinâmica no sul do Tocantins, Monografia, UFT, Gurupi, TO, Brasil, 2017. 12. GEPLACEA - Manual de los derivados de Iacelia de azucar. Grupo de Palses Latinoame- ricanos y del Caribe Exportadores de Azucar, 447p. 1990. 13. IWAKIRI, S., PRATA, J.G., “Utilização da madeira de Eucalyptus grandis e Eucalyptus dunnii na produção de painéis de cimento-madeira”, Cerne, v. 14, n. 1, pp. 68-74, jan./mar. 2008. 14. LATORRACA, J.V. de F., IWAKIRI, S., “Painéis de cimento-madeira”, In: Iwakiri, S. (Org.), Painéis De Madeira Reconstituída, Curitiba, FUPEF, v. 1, p. 213-239. 2005. 15. 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RESUMO Objetivo: As pesquisas socioambientais podem auxiliar na tomada de decisões e gerar benefícios aos colaboradores envolvidos, por este motivo o objetivo foi analisar o nível de satisfação e compreender quem são os colaboradores que extraem a resina das flores- tas plantadas de Pinus elliottii Engelm. no litoral do Rio Grande do Sul. Método: As in- formações foram adquiridas por meio de entrevistas estruturadas e aplicadas em 128 colaboradores presentes no campo. A prática da entrevista permitiu um contato pessoal do entrevistador com o entrevistado, assim foi possível obter informações analisadas em Planilha Excel que auxiliaram a entender como o atual resineiro vive, trabalha e se está satisfeito com a atividade que realiza. Resultados: Dos entrevistados, 75% foram do gênero masculino, residem na cidade de São José do Norte no extremo litoral do Rio Grande do Sul, possuem ensino fundamental incompleto e estão satisfeitos quanto aos aspectos estudados. Conclusão: O diferencial que leva ao resultado positivo quanto a satisfação dos colaboradores com o seu trabalho, com os seus colegas, com a estrutura e instalações que a empresa oferece e também com a remuneração pode estar relacio- nado com o modo de gerência e resolução de conflitos da empresa. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 32 INTRODUÇÃO A indústria brasileira de árvores plantadas no Brasil, é uma referência mundial por sua atuação pautada pela sustentabilidade, competitividade e inovação (HORACIO, 2017). Segundo o Anuário Florestal do Rio Grande do Sul, o estado produziu 56 mil toneladas de resina em 2019 representando o segundo lugar em produção nacional, ficando atrás somente do Estado de São Paulo (AGEFLOR, 2020). O processo de extração da resina, fundamenta-se na realização de estrias sequenciais na árvore, expondo a interface entre o xilema secundário e o floema, o ferimento ativa a liberação de resina dos ductos resiníferos (RODRIGUES, 2006). No trabalho de Candaten et al. (2021) estão descritos os aspectos gerais da resinagem, diferentes métodos empregados ao longo do tempo e como eles eram utilizados e também contempla o mercado para a resina e seus subprodutos. Os subprodutos da resina de Pinus elliottii Engelm. são denominados breu e terebintina e tem usos diversificados. O breu pode ser usado na fabricação de tintas, colas, adesivos, entre outros e a terebintina é utilizada na indústria química e farmacêutica, em produtos de limpeza, inseticidas, entre outros, demonstrando assim alta importância econômica. Porém, a economia como conhecemos hoje é feita por pessoas, sejam eles gestores, colaboradores ou compradores e por isso a maneira com a qual se faz a gestão interna dos colaboradores precisa estar adequada a práticas atuais, a missão e aos valores das empresas e também as suas políticas de recursos humanos. Este fato pode estar diretamente relacionado com a taxa de sucesso das empresas do setor florestal, por este motivo, realizar pesquisas socioam- bientais pode auxiliar na tomada de decisões e no caminho para a melhor gestão possível. Portanto, o presente trabalho teve por objetivo compreender quem são os trabalhado- res florestais resineiros do litoral do estado do Rio Grande do Sul, descrevendo seu perfil e analisando o nível de satisfação em relação a atividade que exercem. MÉTODOS O levantamento dos dados foi realizado com 128 resineiros que desenvolvem suas atividades em plantações de Pinus elliottii Engelm. localizadas no extremo sul do Rio Grande do Sul, no município de São José do Norte situado entre a lagoa dos patos e o oceano atlân- tico. A prática utilizada para levantamento de dados foi a de entrevista pessoal com o auxílio de questionário estruturado com perguntas fechadas (de padrão dicotômico, de escala Likert e de escala de importância e de classificação) conforme descrição detalhada na literatura (KOTLER; KELLER, 2006). A metodologia utilizada nos questionários foi desenvolvida por Likert para medir escalas comportamentais (LIKERT, 1932). Especificamente para o ques- tionário, foi utilizada uma série de questões com cinco alternativas de respostas: (5) muito Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 32 33 satisfeito, (4) satisfeito, (3) indiferente, (2) insatisfeito, e (1) muito insatisfeito. Na construção do questionário (Tabela 1) seguimos as orientações básicas sobre o que é certo e errado num questionário, certificando-se de seguir todos os itens relacionados a não tendenciosi- dade e complexidade. Tabela 1. Questionário aplicado na realização das entrevistas. Questionário 1 – Gênero: 2 – Cidade Natal: Cidade atual: 3 – Nível de Escolaridade: 4 – Função: 5 – Nível de satisfação dos colaboradores em relação ao grupo de trabalho: ( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito 6 – Nível de satisfação com a maneira que você desenvolve sua função: ( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito 7 – Nível de satisfação com as instalações eestruturas oferecidas: ( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito 8 – Nível de satisfação com a remuneração: ( ) muito satisfeito ( ) satisfeito ( ) indiferente ( ) insatisfeito ( ) muito insatisfeito Fonte: Autores. Ao final da elaboração do questionário, foi adicionado um cabeçalho contendo informa- ções organizacionais, como a data e número da entrevista a ser realizada. Propositalmente, não há lugar para o nome do entrevistado, com o intuito de respeitar a privacidade dos re- sineiros. No decorrer da aplicação da entrevista foi contabilizado a quantidade de pessoas que responderam o questionário, sendo realizado o controle do número de entrevistas que foram efetuadas durante o dia e, ao final de todo o processo. Com a finalidade de entrevistar todas as pessoas que estavam trabalhando nas florestas no dia da entrevista, e realizar uma análise completa causando o mínimo de transtorno no decorrer das atividades, a estratégia para a aplicação das entrevistas envolveu uma entre- vistadora e uma organização, dividida em dois momentos. O primeiro momento funcionava em horários especiais, como o amanhecer e o entar- decer, no qual os colaboradores estavam reunidos, e, em um segundo momento que funcio- nava durante o dia onde percorriam-se as florestas para realização das entrevistas e desta forma, otimizar o tempo disponível. Os dados foram analisados em planilhas do aplicativo Microsoft Office Excel®. RESULTADOS Dos 128 colaboradores entrevistados, quando analisados os dados de gênero, os re- sultados são: 75% homens e 25% mulheres. Com a análise inicial das entrevistas, pode-se Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 34 observar dados importantes quanto a função desempenhada pelos resineiros. Esses resulta- dos são apresentados na Tabela 2, juntamente à quantidade de pessoas por função e gênero. Tabela 2. Resineiros entrevistados por função e gênero (São José do Norte/RS, 2017). Função Gênero Masculino Feminino Capataz Estriadores Colheita Auxiliar de tratorista Tratorista Cavaleiro Supervisor e Auxiliares Auxiliar de Troll 5 65 5 7 2 7 2 3 - - 32 - - - - - Total 96 32 Fonte: Autores. Os resineiros apresentam naturalidade de 11 cidades diferentes, sendo elas: São José do Norte/RS; Rio Grande/RS; Santa Vitória do Palmar/RS; Bujuru/RS; Canguçu/RS; Estrela/ RS; Gravataí/RS; Mostardas/RS; Pelotas/RS; Tavares/RS e Florianópolis/SC. Do total, 78,1% é natural de São José do Norte/RS, seguido de cidades da circun- vizinhança como Rio Grande (13.3%), Santa Vitoria do Palmar (1,5%), Bojuru (1,6%) e outras (5,5%). Todos os colaboradores entrevistados residem atualmente no município de São José do Norte. Quanto a escolaridade, a maioria dos resineiros entrevistados têm o Ensino Fundamental Incompleto (Figura 1), sendo que, entre estes existem diferentes níveis de ensino. Vale res- saltar que entre os resineiros existe um nível muito baixo de analfabetismo (3,9%). Figura 1. Escolaridade dos resineiros entrevistados (São José do Norte/RS, 2017). Fonte: Autores. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 34 35 Ao analisar as questões que apresentam a escala de satisfação dos colaboradores, pode-se observar que 92,9% dos colaboradores estão satisfeitos em relação às pessoas com que trabalham e 4,7% se dizem muito satisfeitos (Figura 2). Já os colaboradores que se mostraram indiferente à relação com os seus colegas, correspondem a 2,4%. Em relação ao grau de satisfação com a maneira de desenvolver seu trabalho, com os horários, e a confiança que a empresa tem com cada colaborador, o nível de satisfação é elevado, sendo que destes, 96,1% diz estar satisfeito com a maneira que desenvolve seu trabalho, 2,3% está muito satisfeito e apenas 1,6% é indiferente quanto as condições de trabalho que a empresa estabelece. Figura 2. Satisfação dos colaboradores quando ao seu grupo de trabalho e ao trabalho que desenvolvem (São José do Norte/RS, 2017). Fonte: Autores. As estruturas oferecidas para os colaboradores das fazendas passaram por muitas me- lhorias com o decorrer do tempo e este pode ser o fator que leva 65,6% dos colaboradores a estarem satisfeitos quanto as estruturas oferecidas (Figura 3). Pode-se observar que 8,6% dos colaboradores se diz indiferente. Uma parcela dos colaboradores (17,2%) se diz insatisfeito com as instalações. Nesses casos, foram ques- tionados sobre o que eles compreendiam como algo a mudar nas estruturas oferecidas. Alguns colaboradores comentaram negativamente acerca da maneira como eles realizam as refeições nas estações mais frias. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 36 Figura 3. Satisfação dos resineiros quanto as estruturas e instalações para desenvolverem seu trabalho (São José do Norte/RS, 2017). Fonte: Autores. A escala de satisfação quanto a remuneração obteve resultados onde a maioria (80,3%) se mostrou satisfeito com a remuneração total que atingem e 2,4% demonstraram muita sa- tisfação com a sua remuneração final (Figura 4). Um percentual de 3,9% dos colaboradores é indiferente e 13,4% se mostraram insatisfeitos com a remuneração que atingiam. Figura 4. Satisfação dos resineiros quanto a remuneração. (São José do Norte/RS, 2017). Fonte: Autores. DISCUSSÃO A maioria dos colaboradores resineiros como pode-se observar na Tabela 2, se concen- tra na área de maior demanda (abertura das estrias) e são denominados estriadores. Estes, realizam as estrias sob a árvore e colocam os recipientes que armazenam a resina. Os colhe- dores então, realizam a coleta dos recipientes quando os mesmos se encontram cheios de Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 36 37 resina. Contudo, todas as funções desempenhadas, tem sua importância no funcionamento total da atividade que é a extração de resina. Quando analisado o paradigma de gênero, a operação de resinagem se encontra em uma situação de transformação, pois a presença feminina já é notória (Tabela 2), no entanto, os homens representam a maioria dos resineiros. Quando analisado o contexto histórico da empresa pode-se perceber que há um aumento da participação feminina nas atividades a campo. As mulheres gaúchas são mais representativas no mercado de trabalho do que a média brasileira que foi 48,9% (média do Rio Grande do Sul) contra 45,4% (média brasileira) (Stein et al. 2015). Atualmente, a igualdade de gênero é considerada um requisito de uma sociedade desenvolvida e democrática, onde a preocupação com o bem-estar dos indivíduos é levada em consideração. Também, deve-se considerar o desenvolvimento que a atividade proporciona para a sociedade da região, entre os entrevistados a maioria (78.1%) tem sua naturalidade em São José do Norte e encontraram nesta atividade a maneira de garantir sua subsistência. Um dado muito interessante que foi levantado é o fato de todos os entrevistados residirem atualmente na cidade, passando pelo processo de mudança, o que impacta na sociedade economica- mente, culturalmente e até mesmo ambientalmente. Percebeu-se que os colaboradores possuem níveis educacionais diferentes e entre eles a maior parte têm o Ensino Fundamental Incompleto. No Brasil, o nível de escolarização da população ainda é muito baixo, mas tem havido alguma melhora relativa (COUTO e SILVA, 2022). O aperfeiçoamento do trabalhador de uma maneira geral é relevante e necessário, por ser uma condição para disputar postos de trabalho (SILVA, MELO e VIEIRA, 2020). Contudo,para a resinagem que é considerada uma atividade artesanal, o aperfeiçoamento leva a evolução do próprio resineiro na atividade que ele desenvolve, o que acarreta em uma estria com maior qualidade favorecendo o desenvolvimento da árvore e a produção de resina. Ao analisar as questões que apresentam a escala de satisfação dos colaboradores, pode-se observar que 92.9% dos colaboradores estão satisfeitos em relação às pessoas com que trabalham e 4.7% se dizem muito satisfeitos (Figura 2). Foi possível perceber que há preocupação uns com os outros. Já os colaboradores que se mostraram indiferente à relação com os seus colegas, correspondem a 2.4%. Isto pode vir a denotar pessoas que tendem a encarar as situações de maneiras diferentes e muitas vezes preferem não se envolver, já que o seu trabalho é realizado de forma independente. Para que este sistema seja funcional deve existir uma relação de confiança e a maioria se organiza positivamente permitindo um melhor desenvolvimento das atividades. Alguns colaboradores residem no entorno das florestas e tem a resinagem não só como um trabalho, mas como cultura e demonstram o quanto estão satisfeitos com essa rotina e esse trabalho. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 38 Para que os resineiros possam desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível e ter um trabalho digno, analisamos a escala de satisfação em relação as estruturas oferecidas, a maior parte dos colaboradores se mostrou satisfeito, porém uma parte dos entrevistados (17.2%) se diz insatisfeito (Figura 3). O ponto dessa insatisfação foi atribuído a complexida- de que é realizar as refeições em ambiente laboral, nas estações mais frias principalmente. Existem casos em que os resineiros estão logisticamente alocados para trabalhar perto de suas casas, não necessitando de estruturas físicas. Esse procedimento de trabalho também está integrado a escala de satisfação quanto a remuneração obtida pelos resineiros, a maior parte dos resineiros está satisfeito com a remuneração obtida. Fator muito importante quando analisamos o contexto social, pessoas que estão satisfeitas com a sua remuneração estão com a vida financeira adequada a seus propósitos o que influencia a economia da região. Uma parte (13.4%) se mostra insatisfeito e o motivo da insatisfação é relacionado a força que é necessária utilizar para realizar as estrias nas árvores, o trabalho braçal não estaria equilibrado com os ganhos no final do mês. Em cada entrevista havia uma história diferente, a cada entrevista acontecia o ensejo de conhecer uma pessoa e praticar o aprendizado ao escutar. Existe um conhecimento sobre as florestas que só se adquire com quem trabalha e vive com ela diariamente. Ao tomar conhe- cimento da realidade das fazendas de São José do Norte e compreender a importância que a resinagem desenvolve na vida de seus colaboradores torna-se possível acreditar em um sistema florestal efetivo que gera empregos, renda e empreendedorismo na sociedade atual. CONCLUSÃO Os resineiros são majoritariamente do gênero masculino, no geral, a maioria dos co- laboradores são naturais e residem no município de São José do Norte e tem ensino fun- damental incompleto. Boa parte dos colaboradores está satisfeito quanto aos aspectos estudados. O modo como a empresa se relaciona com os colaboradores é o diferencial que leva a resolução de conflitos e, consequentemente, satisfação com o seu grupo de trabalho, com as tarefas desenvolvidas, com as instalações da empresa e com a sua remuneração, destacando-se assim a importância das relações humanas no ambiente de trabalho. Agradecimentos Agradecemos ao Laboratório de Manejo e Política Florestal (LMPF) da Universidade Federal de Santa Maria Campus Frederico Westphalen. As empresas que foram par- ceiras no desenvolvimento desse trabalho: Âmbar Florestal e FLOPAL – Florestadora Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 38 39 Palmares. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES). REFERÊNCIAS 1. ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE EMPRESAS FLORESTAIS. O setor de Base Florestal no Rio Grande do Sul 2020 Ano Base 2019, Porto Alegre, RS, p 01-84, 2020. 2. CANDATEN, Luana et al. Resinagem de pinus no Brasil: aspectos gerais, métodos emprega- dos e mercado. In: EVANGELISTA, Wescley Viana (org.). PRODUTOS FLORESTAIS NÃO MADEIREIROS: tecnologia, mercado, pesquisas e atualidades. .: Científica, 2021. p. 01-407. 3. COUTO, Ana Cristina Lima; SILVA, Claudeci da. POBREZA, ESCOLARIDADE E FORMAS DE INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO: ma análise para o brasil nos anos de 2012 e 2019. Orbis Latina, Latina, v. 12, n. 1, p. 62-82, jun. 2022. Semestral. 4. HORACIO L. P. Presidente do Conselho Deliberativo (Org.). Relatório Ibá. Brasília: Studio 113, 2017. 80 p. Disponível em: http://iba.org/images/Biblioteca/IBA_RelatorioAnual2017.pdf. 5. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração De Marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. 767p. 6. LIKERT, Rensis. A Technique for the Measurement of Attitudes. N° 140. Ed. New York: R. S. Woodworth, 1932. 53p. 7. RODRIGUES, K. C. S. (2006). Caracterização e otimização da produção de resina em Pinus eliiottii Engelm. – Papel de moduladores bioquímicos. Tese de Doutorado – Pro- grama de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular, Centro de Biotecnologia. UFRGS. Porto Alegre. 8. SILVA, Maria do Socorro Rodrigues; MELO, Marcia Maria de; VIEIRA, Jeferson de Castro. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E SEUS EFEITOS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO JOVEM. Contribuciones A Las Ciencias Sociales, Malaga, v. 1, jan. 2020. 9. STEIN, G.; SULZBACH, V. N.; BARTELS, M. Relatório sobre o mercado de trabalho do Rio Grande do Sul — 2001-13. Porto Alegre: 2015. 03 Atuação da máfia da madeira no estado de Rondônia: análise do quinquênio 2013- 2018 Julio Cesar de Souza Ferreira UNIR Carolina Yukari Veludo Watanabe UNIR '10.37885/220308379 https://dx.doi.org/10.37885/220308379 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 41 Palavras-chave: Crimes Florestais, Amazônia, Desflorestamento. RESUMO A Amazônia é hoje a maior cobertura florestal tropical do planeta e sua preservação é tema debatido nos maiores e mais importantes foros da comunidade internacional. Infelizmente a devastação da Amazônia tem aumentado nos últimos anos, principalmente devido a ação criminosa de grupos que a exploram ilegalmente. A falta de dados sobre estes crimes impede que políticas públicas eficientes de combate ao crime florestal sejam elaboradas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um diagnóstico quanto ao crime florestal em Rondônia para suporte ao desenvolvimento de políticas públicas e desenvolvimento da justiça. O estado de Rondônia é relevante neste cenário, já que está totalmente incluído no arco de desmatamento. Como metodologia, foi realizada pesquisa quantitativa e qualitativa acerca dos crimes contra a flora dentro do estado de Rondônia, apresentando números de ocorrências por localidade e ano, bem como comparando os registros com as demais fases de persecução criminal, demonstrando a ação dos diferentes órgãos de fiscalização e repressão. Foram coletados dados constantes de documentos oficiais, especialmente de (i) registros de ocorrência policiais sobre crimes contra a flora, no período entre 2013 e 2018 no estado de Rondônia, (ii) dados esta- tísticos de ações penais e inquéritos policiais em tramitação e (iii) dados coletados em entrevistas com policiais civis de Rondônia, lotados em várias unidades policiais. Como resultado, tem-se os dados sobrea ineficiência do estado no trato com a questão dos crimes florestais, desde o baixo índice de elucidação até a baixa punição e consequente aumento desse tipo de delito. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 42 INTRODUÇÃO A Amazônia é hoje a maior cobertura florestal tropical do planeta e sua preserva- ção é tema debatido nos maiores e mais importantes foros da comunidade internacional. Infelizmente a devastação da Amazônia tem aumentado nos últimos anos, principalmente devido a ação criminosa de grupos que a exploram ilegalmente. A falta de dados sobre estes crimes impede que políticas públicas eficientes de com- bate ao crime florestal sejam elaboradas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um diagnóstico quanto ao crime florestal em Rondônia para suporte ao desenvolvimento de políticas públicas e desenvolvimento da justiça. O estado de Rondônia é relevante neste cenário, já que está totalmente incluído no arco de desmatamento. Como metodologia, foi realizada pesquisa quantitativa e qualitativa acerca dos crimes contra a flora dentro do estado de Rondônia, apresentando números de ocorrências por localidade e ano, bem como comparando os registros com as demais fases de persecução criminal, demonstrando a ação dos diferentes órgãos de fiscalização e repressão. Os procedimentos técnicos adotados foram a pesquisa bibliográfica, pesquisa docu- mental e o levantamento por meio de entrevista semiestruturada. O pesquisador também se colocou na condição de observador participante quanto às apurações de crimes ambientais. Para tal, foram coletados dados constantes de documentos oficiais, especialmente de (i) registros de ocorrência policiais sobre crimes contra a flora, no período entre 2013 e 2018 no estado de Rondônia, considerando os sistemas policiais SISDEPOL Web, INFOPOL e SISDEPOL CSP; (ii) dados estatísticos de ações penais e inquéritos policiais em tramitação e (iii) dados coletados em entrevistas com policiais civis de Rondônia, lotados em várias unidades policiais. A pesquisa está ancorada em robusto referencial teórico acerca do direito humano ao meio ambiente equilibrado, da necessidade de proteção do bioma amazônico e da legis- lação administrativa e criminal acerca da proteção à flora, bem como, teorias de crimino- logia que explicam o fenômeno criminoso, aplicadas nesse caso aos crimes florestais no estado de Rondônia. Como resultado, tem-se os dados sobre a ineficiência do estado no trato com a questão dos crimes florestais, desde o baixo índice de elucidação até a baixa punição e consequente aumento desse tipo de delito. Os resultados obtidos poderão subsidiar políticas públicas para melhor enfrentamento do desflorestamento na região, reduzindo consequentemente o desmatamento na Amazônia legal. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 42 43 O CRIME AMBIENTAL COMO DELITO ECONÔMICO OU “CRIME DE COLARINHO-BRANCO” O direito penal econômico é subespécie do direito penal que trata dos crimes econômi- cos, cuja finalidade é a proteção da atividade econômica presente e desenvolvida em uma economia de livre mercado (PRADO, 2019). Dentre os crimes econômicos, podem ser citados: crimes contra o sistema financeiro, crimes tributários, crimes contra a ordem econômica e lavagem de capitais, praticados ou não por organizações criminosas. Os crimes econômicos são justamente aqueles que são classificados como delitos de “colarinho-branco” na criminologia, praticados por altos executivos e pessoas com influência social e política em sua comunidade. Nesse sentido, a partir do momento em que se tem a prática de um crime por organiza- ções criminosas, com execução a partir de gabinetes e escritórios de empresas, e cujo lucro seja posteriormente objeto de lavagem de capitais, ter-se-ia, em tese, um crime econômico, ou crime de colarinho branco. Na seção seguinte, a análise considera a possibilidade de aplicar a lei de organizações criminosas e a lei de lavagem de capitais aos crimes contra o meio ambiente, precisamente crimes contra a flora. O conceito de organização criminosa foi utilizado pela primeira vez no ordenamen- to jurídico brasileiro em 1995 com a edição da lei nº 9.034/1995 (MASSON e MARÇAL, 2018). A referida lei tratou dos procedimentos para investigação de organizações criminosas, não abordando, contudo, o conceito exato de organização criminosa. O conceito mais aceito de organização criminosa viria ser incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro somente no ano de 2004, com a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, conhecida também por Convenção de Palermo, promul- gada internamente pelo Decreto 5.015/2004 (MASSON e MARÇAL, 2018, p. 20). Contudo, não foi ainda tipificado o delito de organização criminosa, mas tão somente definido em seu artigo 2º o grupo criminoso organizado da seguinte forma: “Grupo criminoso organizado” - grupo estruturado de três ou mais pessoas, existente há algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de cometer uma ou mais infrações graves ou enunciadas na presente Convenção, com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um benefício econômico ou outro benefício material. (BRASIL, 2004) Esse conceito por algum tempo foi aceito de forma majoritária para complementar o que previa a lei 9.034/95. No entanto, em 2012 esse conceito foi novamente alterado pela edição da lei federal nº 12.694/12, a qual passou a definir como organização criminosa: Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 44 Art. 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se organização criminosa a asso- ciação, de 3 (três) ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional. (BRASIL, 2012) Essa lei, contudo, ainda não previu um crime de constituir ou integrar organizações criminosas, preocupando-se sobretudo com a segurança dos magistrados que viria a julgar tais delitos. Assim, apesar de um conceito legal, ainda não havia, naquele momento, pre- visão de um crime. Somente com a publicação da lei 12.850 em 02 de agosto de 2013, o Brasil passou a contar com uma sólida legislação tratando de organizações criminosas, com definição e tipificação para tais condutas. A nova lei de Organizações Criminosas (ORCRIM) como ficou conhecida, trouxe pre- visões exatas do que seria considerado organização criminosa, e qual seria a pena para esse tipo de infração penal nos moldes a seguir apresentados: Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o pro- cedimento criminal a ser aplicado. § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, van- tagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. (...) Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por inter- posta pessoa, organização criminosa: Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas. § 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organizaçãocriminosa. § 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver emprego de arma de fogo. § 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coleti- vo, da organização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução. § 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços): I - se há participação de criança ou adolescente; II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal; III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior; Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 44 45 IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes; V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da orga- nização. (grifo nosso) (BRASIL, 2013) A partir da publicação da lei 12.850/2013 trabalha-se com o conceito de organização criminosa como a associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada e carac- terizada pela divisão de tarefas, cujo objetivo é a obtenção direta ou indireta de vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cuja pena seja superior a 04 anos. Uma vez configurada essa circunstância, todos aqueles que integrem a referida ORCRIM podem ser punidos com uma pena que varia de três a oito anos de reclusão. O crime de organização criminosa é então relativamente novo, e começou a ser apli- cado a partir de 2013 com a publicação da lei mencionada, o que explicaria a não atuação do poder público nesse viés antes dessa data no que toca a crimes ambientais. Contudo, lendo-se friamente o conceito de organização criminosa, questionar-se-ia acerca de sua aplicabilidade aos delitos florestais cujas penas máximas não extrapolam os quatro anos de detenção ou reclusão. Daí a importância de uma compreensão global sobre condutas todas que tenham sido praticadas por infratores ambientais, a fim de checar a adequação da norma ao caso. Além de todas essas fraudes, o órgão investigador (especialmente o Ministério Público, responsável pela persecução criminal) deverá estar atento para a ocor- rência de outros crimes que, apesar de não serem propriamente “ambientais”, conjugam-se, na prática, com os crimes de exploração e comércio ilegal de madeira. Como vimos, a própria existência estruturada de diversas condutas e de diversos atores, que precisam cooperar a fim de promover a delinqu- ência contra o meio ambiente, remete-nos à possível ocorrência dos crimes de associação criminosa (antigo crime de quadrilha ou bando) ou mesmo de formação de organização criminosa. (BRASIL. MPF, 2015) A orientação acima colacionada é destinada à atuação do Ministério Público Federal quando do enfrentamento dos delitos ambientais na Amazônia, roteiro que indica a necessi- dade do investigador não se ater somente ao delito ambiental, mas olhar o contexto como um todo e identificar todas as nuances do fato e as condutas criminosas porventura praticadas. Conforme Abi-Eçab e Gaio (2019), o crime organizado situa-se no campo dos cri- mes economicamente motivados, gerando prejuízos difusos em sua ampla maioria. Nesse contexto, o crime ambiental em diversas situações se encaixa dentre aqueles empreendi- mentos lucrativos. Nesse raciocínio, insta observar que o objetivo último do delito ambiental, notadamente o crime contra a flora, é o lucro obtido de forma criminosa a partir da exploração ilegal do meio ambiente e a custo da degradação da Amazônia. Logo, sendo auferido lucro de fonte Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 46 criminosa, uma vez ocultado, estar-se-ia diante do delito de lavagem de capitais, melhor explicado a seguir. O crime de lavagem de capitais deriva da necessidade da comunidade internacional em criminalizar o lucro obtido pelas organizações criminosas (LIMA, 2014). No Brasil foi editada a lei 9.613, publicada em 3 de março de 1998, alterada posteriormente pela lei 12.683 em 2012. A lei 9.613 traz logo em seu primeiro artigo o conceito do crime de lavagem: Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movi- mentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) VI - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) VII - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) VIII - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) § 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) I - os converte em ativos lícitos; II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere; III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. § 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. § 4o A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nes- ta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) § 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) (BRASIL, 1998) Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 46 47 Como se percebe, houve a revogação dos tipos penais constantes do rol taxativo ori- ginalmente previsto. Antes a lei de lavagem poderia ser aplicada somente a alguns delitos taxativamente previstos, mas com a mudança em 2012, passa a ser aplicada sobre o lucro obtido com a prática de qualquer infração penal. É importante ressaltar que antes de 2012 não havia previsão para aplicação da lei de lavagem de capitais sobre o lucro obtido no caso de crimes ambientais, o que pode explicar a não utilização desse mecanismo legal pelos órgãos de fiscalização e persecução. O cerne do crime, portanto, é a ocultação ou dissimulação de origem, natureza, movi- mentação, disposição ou propriedade de bens, direitos ou valores que provenham direta ou in- diretamente de prática criminosa. A pena varia de três a dez anos de reclusão, além de multa. Veja-se que há a previsão não só para bens e valores, como também direitos, e ainda a criminalização da utilização dolosa desses bens, direitos ou valores em atividadefinanceira ou econômica. Ou seja, aquele que utiliza dolosamente o bem, direito ou valor incorporado também incorre no delito de lavagem de capitais. Nesse contexto, considerado apenas o delito de lavagem de capitais, poder-se-ia já falar em organização criminosa, vez que a pena máxima do delito ultrapassa e muito o patamar de quatro anos que fora estabelecido na lei de organizações criminosas. Também há de se considerar que havendo corrupção de agentes públicos, a pena desse delito (tanto para o corrupto quanto para o corruptor) é de até doze anos de reclusão (CP, Art. 317 e Art. 333), o que, além de permitir o enquadramento na lei de ORCRIM, permitiria a aplicação da lei de lavagem de capitais. Por outro lado, há um segundo viés na questão da lavagem de capitais, que é a utiliza- ção do saldo virtual falsificado ou lançado ilegalmente. Aliás, essa também é uma orientação do Ministério Público Federal para enfrentamento desse delito: Finalmente, devemos ter em conta que a comercialização ilícita de produtos de madeira, quando é feita de forma a ocultar a origem criminosa da extração e por meio de artifícios fraudulentos (principalmente por meio da manipulação do Sistema DOF ou de guias florestais), consubstancia o crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, tipificado no art. 1º da Lei nº 9.613/98, modificada pela Lei nº 12.683/2012. (BRASIL. MPF, 2015) Isso porque, em compreensão ao que orienta referido órgão, o saldo falso constante do sistema DOF, quando feito, o foi por falsidade ideológica (art. 299 do CP), falsificação de documento público ou privado (art. 297 e 298 do CP), corrupção ativa e passiva (art. 317 e 333 do CP) e/ou inserção de dados falsos em sistema oficial (art. 313-A do CP), logo, produto de crime. Como o saldo de créditos no sistema DOF é um direito à exploração de volumetria, forçoso concluir que se trata de direito obtido de forma criminosa e sua dissimulação seria sim lavagem de capitais, bem como, sua utilização na atividade econômica. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 48 Como se percebe pelo exposto, conforme a orientação, é possível aplicar a tipificação da lei 9.613/98 (lavagem de capitais) não somente ao lucro obtido e ocultado a partir de atividade ilícita, como também à própria transação de saldo virtual no sistema DOF, quando ilegal e realizada a partir de falsidade ideológica. Voltando às organizações criminosas, é importante tratar do formato das organizações criminosas de acordo com a melhor doutrina. Nesse sentido, atualmente são conhecidas quatro formas básicas de organizações criminosas que, por vezes, se mesclam (MASSON e MARÇAL, 2018, p. 42). Nessa conjuntura, poder-se-ia tratar de vários formatos de organizações criminosas que atuam em crimes florestais. Desde a empresa (ORCRIM Empresarial) até a corrupção (ORCRIM Endógena), passando pela ORCRIM em Rede. Quanto ao delito de lavagem de capitais, ao contrário do que alguns imaginam, não se exige uma quantia vultuosa, tampouco complexidade de operações para a caracterização desse crime (ABI-EÇAB e GAIO, 2019). Uma vez auferido recurso proveniente de infração penal e ocultado o numerário (depositando-se em conta de terceiro por exemplo) devida- mente configurado o delito. Nesse tipo de exemplo, uma madeireira que explora ilegalmente madeira de área protegidas, ou que receba essa madeira ciente de sua ilicitude, ocultando o seu lucro (com o depósito em conta de empregados por exemplo) cometeu o delito de lavagem de capitais previsto na lei 9.613/98. Uma vantagem ainda na aplicação dessa legislação criminal em desfavor dos infratores florestais é a possibilidade de confisco ainda maior que aquela definida na lei nº. 9.605/98 (lei de crimes ambientais), como efeito da condenação, promovendo assim a descapitalização dos criminosos e organizações. Concluindo, é possível aplicar a lei de organizações criminosas e também a lei de lavagem de capitais para o combate de delitos contra a flora, tendo em vista a gama de possibilidades jurídicas diante das inúmeras condutas criminosas que são praticadas pelos exploradores ilegais. DADOS COLETADOS ACERCA DOS CRIMES FLORESTAIS EM RONDÔNIA DESMATAMENTO EM RONDÔNIA A Tabela 1 apresenta a evolução do desmatamento em Rondônia entre os anos de 2013 e 2018 de acordo com o INPE. Por essa tabela, nota-se que os anos de 2016 e 2017 foram aqueles em que maior área foi desmatada. É possível notar também um aumento do desmatamento ano a ano desde 2014 a 2017, com ligeira redução em 2018. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 48 49 Tabela 1. Evolução do desmatamento em Rondônia. ANO QUILÔMETROS QUADRADOS DESMATADOS 2013 950,2 km² 2014 758,7 km² 2015 958,3 km² 2016 1191,1 km² 2017 1273,3 km² 2018 1186 km² TOTAL 6.317,6 km² Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do INPE (2019). O gráfico da Figura 1 mostra a onda de aumento do desmatamento na série 2013-2018, com atenção especial para os anos 2016 e 2017. Portanto, é possível afirmar categorica- mente que o ano de 2017 foi aquele em que mais se desmatou no estado de Rondônia, de acordo com os dados fornecidos pelo INPE. Figura 1. Gráfico de Desmatamento por ano em Rondônia (2013-2018). Fonte: INPE (Terra Brasilis, consulta em julho de 2019). Essa informação vem ao encontro das demais informações coletadas nessa pesquisa e apresentadas nos pontos seguintes, levando a crer uma relação entre o aumento de crime florestal e o desmatamento conforme se demonstrará a seguir. REGISTROS DE CRIMES FLORESTAIS NO PERÍODO ENTRE 2013 E 2018 NO ESTADO DE RONDÔNIA De acordo com os dados extraídos dos sistemas policiais, em Rondônia foram regis- tradas no período entre 2013 e 2018 o total de 9.753 ocorrências policiais. Todas referentes a condutas que podem ser enquadradas como “crime contra a flora”. As ocorrências em questão não foram estudadas caso a caso, até mesmo pelo volume, sendo separadas pela classificação inicial recebida. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 50 Tabela 2. Volume total de ocorrências no quinquênio 2013-2018. TOTAL 2013 2014 2015 2016 2017 2018 9753 1558 1167 1326 1343 2958 1401 Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO. Buscou-se organizar a tabela de forma decrescente, com as localidades onde ocorreram maior número de registros no quinquênio 2013-2018. Vale ressaltar que as localidades em questão são municípios onde estão sediadas delegacias de polícia atualmente. Nesse contex- to, algumas dessas unidades policiais são novas e não registraram ocorrências antes de 2016. Tabela 3. Volume de ocorrências no quinquênio 2013-2018, por localidade. ORDEM LOCALIDADE TOTAL 1 TOTAL 9753 2 PORTO VELHO 2881 3 NOVA MUTUM 1318 4 BURITIS 1002 5 MACHADINHO DO OESTE 803 6 ARIQUEMES 426 7 VILHENA 395 8 CUJUBIM 316 9 JI-PARANÁ 290 10 NOVA MAMORÉ 260 11 CANDEIAS DO JAMARI 258 12 EXTREMA 185 13 CEREJEIRAS 173 14 ALTA FLORESTA DO OESTE 133 15 PIMENTA BUENO 130 16 OURO PRETO DO OESTE 128 17 COSTA MARQUES 113 18 SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ 106 19 JARU 87 20 CACOAL 83 21 SÃO MIGUEL DO GUAPORÉ 79 22 MIRANTE DA SERRA 78 23 GUAJARÁ-MIRIM 70 24 COLORADO DO OESTE 67 25 ESPIGÃO DO OESTE 65 26 PRESIDENTE MÉDICI 65 27 SANTA LUZIA DO OESTE 63 28 SERINGUEIRAS 46 29 ROLIM DE MOURA 40 30 ALVORADA DO OESTE 33 31 NOVA BRASILANDIA 16 32 URUPÁ 15 33 ITAPUÃ DO OESTE 12 34 MONTE NEGRO 13 35 MINISTRO ANDREAZZA 4 36 ALTO PARAISO 0 Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7- Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 50 51 Importante observar que a Tabela 3 se refere ao número de registros policiais, reali- zados tanto pela atividade da polícia ostensiva por meio do batalhão de polícia ambiental, quanto pelas demais instituições policiais como a PRF e a PCRO. Há ocorrências em área urbana inclusive, embora a maioria esmagadora seja em área rural. A Tabela 4 apresenta a evolução percentual, por ano e por localidade, de registros poli- ciais de crimes contra a flora no período de 2013 a 2018 no estado de Rondônia, organizada de forma decrescente, considerando o número total de registros na localidade. Na elabora- ção forma considerados os períodos em que determinadas localidades não contavam com unidade policial (Delegacia de Polícia) em funcionamento regular. Foram excluídas também as localidades com menos de 40 registros no quinquênio. O gráfico da Figura 2 apresenta os dados que constam da Tabela 4, com os picos de registro por localidade, seno possível observar as tendências de aumento de registros de crimes contra a flora de forma similar em várias das localidades do estado. Tabela 4. Evolução percentual de registros na série 2013-2018. LOCALIDADE 2013 2014 P.Q.A.A.* 2015 P.Q.A.A.* 2016 P.Q.A.A.* 2017 P.Q.A.A.* 2018 P.Q.A.A.* TOTAL PORTO VELHO 292 391 33,90% 454 16,11% 606 33,48% 768 26,73% 370 -51,82% 2881 NOVA MUTUM 581 198 -65,92% 333 68,18% 109 -67,27% 70 -35,78% 27 -61,43% 1318 BURITIS 129 132 2,33% 119 -9,85% 103 -13,45% 244 136,89% 275 12,70% 1002 MACHADINHO DO OESTE 51 137 168,63% 145 5,84% 59 -59,31% 349 491,53% 62 -82,23% 803 ARIQUEMES 32 68 112,50% 49 -27,94% 65 32,65% 153 135,38% 59 -61,44% 426 VILHENA 21 11 -47,62% 22 100,00% 43 95,45% 204 374,42% 94 -53,92% 395 CUJUBIM 241 8 -96,68% DP.S.F.** 52 SD*** 15 -71,15% 316 JI-PARANÁ 39 40 2,56% 35 -12,50% 37 5,71% 96 159,46% 43 -55,21% 290 NOVA MAMORÉ 8 18 125,00% 23 27,78% 48 108,70% 109 127,08% 54 -50,46% 260 C A N D E I A S D O JAMARI 1 5 400,00% 5 0,00% 41 720,00% 126 207,32% 80 -36,51% 258 EXTREMA DP.S.F.** 30 S/D*** 110 266,67% 45 -59,09% 185 CEREJEIRAS 8 12 50,00% 8 -33,33% 27 237,50% 90 233,33% 28 -68,89% 173 ALTA FLORESTA DO OESTE 12 18 50,00% 20 11,11% 22 10,00% 47 113,64% 14 -70,21% 133 PIMENTA BUENO 2 8 300,00% 12 50,00% 14 16,67% 74 428,57% 20 -72,97% 130 OURO PRETO DO OESTE 8 23 187,50% 9 -60,87% 17 88,89% 52 205,88% 19 -63,46% 128 COSTA MARQUES 43 23 -46,51% 11 -52,17% 10 -9,09% 23 130,00% 3 -86,96% 113 SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ 15 9 -40,00% 8 -11,11% 11 37,50% 46 318,18% 17 -63,04% 106 JARU 7 8 14,29% 18 125,00% 16 -11,11% 35 118,75% 3 -91,43% 87 CACOAL 2 4 100,00% 7 75,00% 7 0,00% 53 657,14% 10 -81,13% 83 SÃO MIGUEL DO GUAPORÉ 6 4 -33,33% 4 0,00% 3 -25,00% 43 1333,33% 19 -55,81% 79 MIRANTE DA SERRA 10 6 -40,00% 8 33,33% 6 -25,00% 21 250,00% 27 28,57% 78 GUAJARÁ-MIRIM 4 1 -75,00% 2 100,00% 14 600,00% 23 64,29% 26 13,04% 70 C O L O R A D O D O OESTE 6 5 -16,67% 7 40,00% 9 28,57% 31 244,44% 9 -70,97% 67 ESPIGÃO DO OESTE 11 10 -9,09% 8 -20,00% 11 37,50% 20 81,82% 5 -75,00% 65 PRESIDENTE MÉDICI 10 9 -10,00% 5 -44,44% 3 -40,00% 24 700,00% 14 -41,67% 65 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 52 LOCALIDADE 2013 2014 P.Q.A.A.* 2015 P.Q.A.A.* 2016 P.Q.A.A.* 2017 P.Q.A.A.* 2018 P.Q.A.A.* TOTAL SANTA LUZIA DO OESTE 9 5 -44,44% 3 -40,00% 16 433,33% 16 0,00% 14 -12,50% 63 SERINGUEIRAS 2 3 50,00% 3 0,00% 12 300,00% 19 58,33% 7 -63,16% 46 ROLIM DE MOURA 3 1 -66,67% 0 -100,00% 0 - 28 - 8 -71,43% 40 * P.Q.A.A : Percentual de diferença em relação ao ano anterior. Calcula o percentual de aumento ou redução de registros com relação ao ano anterior. **DP.S.F: Delegacia da localidade sem funcionamento no período ***S/D: Sem dados percentuais por falta de parâmetro Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO. Figura 2. Evolução dos registros de ocorrência em percentual (2013-2018). Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados fornecidos pela PCRO. RELAÇÃO ENTRE O CRIME FLORESTAL EM RONDÔNIA COM O DESMATAMENTO NA REGIÃO AMAZÔNICA Conforme demonstrado nas Figuras apresentadas (sobretudo nas figuras 1,2 e 3), há uma semelhança em tendência se comparado o desmatamento no estado de Rondônia com os registros de crimes florestais no mesmo período de 2013 a 2018. Ademais, as localidades mais atingidas (aquelas em que mais houve registro de ocor- rências de crimes contra a flora) estão localizadas justamente dentro das regiões indicadas como locais onde o desmatamento mais cresceu, ou também pertencentes ao chamado “arco do desmatamento”. Como se viu nos gráficos e nas tabelas, as localidades que mais tiveram registros de crimes contra a flora foram os municípios de Porto Velho, Ariquemes, Machadinho Do Oeste, Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 52 53 Buritis, Vilhena, Ji-Paraná, Guajará Mirim, São Francisco do Guaporé, Alta Floresta do Oeste e Espigão do Oeste. Essas localidades são justamente aquelas próximas às reservas ambientais e uni- dades de conservação que estão dentro do território do estado de Rondônia, o que leva a crer justamente que o índice de crimes florestais decorre da extração ilegal de madeira nas áreas protegidas. Embora essa informação pareça genérica e até um pouco óbvia, até o momento não há qualquer trabalho ou pesquisa voltado à comprovação dessa relação entre o crime florestal e o desmatamento no estado de Rondônia, bem como, não há dado oficial que sustente qualquer tese de que o crime florestal é um fator que contribui para o desmatamento. Até então, as pesquisas indicam a atividade produtiva (especialmente a pecuária de corte) e a lavoura como fatores que mais contribuem para o desmatamento da região. Contudo, esse estágio (formação de pastagens) é posterior ao desflorestamento ilegal, ou seja, o crime florestal antecede essa etapa por razões lógicas. Como se vê, as unidades de conservação (popularmente conhecidas como Reservas Ambientais) estão localizadas dentro ou próximo aos municípios onde há maior índice de crimes contra a flora, o que comprova a relação entre esse tipo de delito e a redução das áreas florestadas. Consequentemente, também há direta relação entre os municípios onde há maior nú- mero de ocorrências de crimes contra a flora e as áreas de desmatamento conforme dados oficiais do INPE. É possível concluir, diante de tudo que fora coletado, que: 1 – Nos períodos em que houve aumento do registro de crimes florestais no estado de Rondônia, também houve aumento do desmatamento registrado pelos sistemas de detecção do INPE, o que é indício de uma relação entre os fenômenos citados; 2 – As áreas mais desmatadas de acordo com os dados do INPE são também aquelas em que mais se registrou ocorrência policial relacionada a crime contra a flora no estado de Rondônia no período pesquisado, quais sejam, as regiões do Vale do Jamari e Porto Velho, o que é mais um indício da influência do crime florestal nas taxas de desmatamento; 3 – As áreas com maior volume de ocorrências registradas se localizam na gran- de região de Porto Velho e no Vale do Jamari, as quais são próximas à maior parte das Unidades de Conservação do Estado, mais um indício da relação entre o crime florestal e o desmatamento; Ocorre que, a punibilidade de crimes florestais não acompanha o número de registros, conforme todas as tabelas e gráficos já apresentadas, o número de ocorrências que resulta em ações penais é ínfimo se comparado com os demais delitos e com a própria atividade Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 54 persecutória dos órgãos envolvidos,o que se detalhará melhor no ponto seguinte. De an- temão se percebe que o número de ações penais vai em contramão em relação ao número de ocorrências. Ou seja, são números inversamente proporcionais, o número de registros cresce, mas o número de ações cai, como ficará mais claro a seguir. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa buscou diagnosticar o crime florestal em Rondônia, visando oferecer maior suporte ao desenvolvimento de políticas públicas e consequentemente ao desenvolvimento da justiça. Para tal, a metodologia foi voltada a aferir a efetividade das ações de enfrenta- mento ao crime florestal pelo poder público no estado de Rondônia. Com esse intuito, os objetivos que foram traçados foram atingidos. Foram identificados os focos de extrativismo ilegal de madeira em Rondônia e apre- sentadas as localidades em que o crime contra a flora é mais acentuado, com informa- ções precisas sobre a evolução dessa criminalidade e o seu volume no decorrer do quin- quênio 2013/2018. Verificou-se que as localidades próximas a unidades de conservação, por exemplo, são as mais afetadas. As regiões de Porto Velho e Ariquemes são aquelas onde maior percentual de crimes contra a flora foram registrados, acompanhadas pela microrregião de Vilhena e Guajará-Mirim. As áreas onde há maior incidência de crimes contra a flora coincidem também com as áreas onde já fora identificado maior foco de desmatamento pelo INPE, com base em dados de satélites, o que demonstra a ligação entre essas duas variáveis (desmatamento e crime florestal). É possível afirmar, nesse contexto, que o crime florestal (exploração ilegal de ma- deira) contribui significativamente para o desmatamento. Essa constatação vai de encontro com algumas pesquisas apresentadas no referencial teórico, que consideravam até então a pecuária e agricultura como causas preponderantes para o desmatamento. Também foi apresentado o índice de atuação da Polícia Judiciária estadual na apuração dos delitos contra a flora, ao se tratar dos inquéritos que foram instaurados no período, e o número de ações penais que são movidas pelo Ministério Público, com gráfico específico sobre a disparidade. Ficou constatado que o índice de punibilidade de crimes florestais em Rondônia, a julgar pela disparidade entre ocorrências e ações penais, é muito baixo. Esses dados demonstram uma ineficiência na atividade de investigação de crimes contra a flora, que reflete diretamente na baixa produtividade do órgão ministerial e con- sequentemente se traduz em baixa punibilidade de criminosos que atuam contra o meio ambiente. A partir desses dados foi possível concluir que a atuação da Polícia Civil nesse tipo de delito é deficitária. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 54 55 Foi verificado ainda que o recurso do estado destinado à preservação e fiscalização do meio ambiente está investido em outras ações que não a de polícia judiciária, o que contribui para a ineficiência das investigações, as quais demandam recursos logísticos e orçamento. Por outro lado, os dados qualitativos informam que as ações mais exitosas no combate ao crime contra a flora foram aquelas destinadas a atacar a macro criminalidade ambiental, ou seja, as organizações criminosas que atuam explorando ilegalmente o meio ambiente. O enfrentamento do delito ambiental com prática de policiamento ostensivo apenas tem se mostrado invariavelmente ineficiente. Por outro lado, não há investimento adequado na atividade de investigação para elucidação de delitos, comprovação de materialidade e responsabilização de autores. Dessa forma, foram considerados alguns fatores que comprometem a eficiência no combate ao crime florestal, a saber: 1) o método escolhido pelos tomadores de decisão para a canalização de recursos, que prioriza a ação ostensiva e descoordenada de fiscalização; 2) a inexistência de mecanismos de inteligência voltados ao enfrentamento do crime contra a flora; 3) a inexistência de método e qualificação dos servidores da polícia civil em geral para o enfrentamento da macro criminalidade e 4) déficit de recursos humanos alocados no órgão de Polícia Judiciária. O que foi apresentado, em linhas gerais, diz respeito sobretudo à necessidade de combater à macro criminalidade, atacando os conglomerados empresariais que se valem da exploração ilegal da madeira para altos lucros, bem como, valer-se de políticas públicas mais efetivas para redução do poder dessas quadrilhas dentro das comunidades. Conforme apresentado no referencial da pesquisa, um modelo de combate ao crime florestal individualizado, com captura de pessoas que estão fazendo o corte da madeira dentro das áreas, além de não ser efetivo, gera injustiça social. A lei de crimes ambientais se mostra socialmente injusta na medida em que as condutas com maior pena são aquelas praticadas por pessoas que muitas vezes dependem do trabalho braçal para sua subsistência. As penas aplicadas aos receptadores de madeira ilegalmente extraída, por outro lado, são diminutas e sujeitas a procedimento mais brando, tendo em vista que são infrações penais de menor potencial ofensivo. Por outro lado, ainda parece novo o conceito de organização criminosa ambiental, não sendo algo frequente na rotina dos operadores ou na mídia, o que exige melhor compreen- são e adaptação por parte dos aplicadores em todos os órgãos e instituições, a começar pela Polícia Judiciária. Quando se parte para a perspectiva de grupos criminosos agindo na exploração ilegal de madeira a constatação é ainda pessimista com pouquíssimas apurações e sem notícia de ações penais ajuizadas ou sentenças prolatadas no poder judiciário estadual. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 56 Isso decorre de um problema sistêmico de enfrentamento errôneo pela falta de canali- zação adequada de recursos em atividade de inteligência, aparato tecnológico e sobretudo no formato de enfrentamento do delito já praticado (ação de polícia judiciária). O formato de enfrentamento é inadequado justamente pela não utilização dos recursos legais disponíveis desde a investigação criminal. A investigação isolada (comum e rotineira) dos exploradores ou extrativistas, com indiciamentos individualizados e sem apuração da rede criminosa envolvida e tampouco da lavagem de capitais é deveras ineficaz. A correta atuação estatal é justamente partindo do enfrentamento macro para o enfrenta- mento micro e não o contrário (realidade atual) até mesmo por uma questão de justiça social, tendo em vista que os punidos atualmente são as pessoas que trabalham humildemente com a exploração ilegal de madeira, muitas vezes sem outras opções como meio de vida. Em muitas localidades do estado, o mercado madeireiro é tão pujante que se torna uma das maiores forças motrizes da economia local, deixando a população hipossuficiente com a sensação de fazer o correto ao trabalhar em áreas de extração ilegal, até mesmo pelo desconhecimento da norma. A mudança que se espera, portanto, é uma atuação voltada a punir quem efetivamente lucra e se beneficia com a prática criminosa quanto à exploração ilegal da madeira, e não apenas aquelas pessoas que dependem de um mecanismo ilegal para sua subsistência. Ante esses resultados, com a descoberta dos problemas citados e dos prejuízos para eficiência do enfrentamento aos crimes contra a flora no estado de Rondônia, o presente relatório é o produto dessa pesquisa, a ser encaminhado aos tomadores de decisão em todos os poderes do estado. Tais instrumentos possibilitam a adoção de novos métodos para canalização de recursos humanos e materiais, com melhor aproveitamento desses recursos e melhores resultados, privilegiando o princípio da eficiência no combate ao crime ambiental florestale talvez até mesmo a redução de custos, com maior economicidade para o erário. Assim, as soluções que são apresentadas como produto do trabalho na respectiva carta de recomendações visam minimizar a inoperabilidade e aumentar o índice de elucidação desses delitos, sem, contudo, implicar aumento excessivo de gastos. REFERÊNCIAS 1. ABI-EÇAB, P. C.; GAIO, A. Tutela do Meio Ambiente. In: VIRORELLI, E. Manual de Direitos Difusos. 2ª. ed. Salvador/BA: Juspodivm, 2019. p. 661-846. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 56 57 2. BRASIL. LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras pro- vidências, 1998. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 28 outubro 2019. 3. BRASIL. LEI Nº 9.613, DE 3 DE MARÇO DE 1998. Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF, e dá outras providências., 1998. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L9613compilado.htm>. Acesso em: 2019. 4. BRASIL. DECRETO Nº 5.015, DE 12 DE MARÇO DE 2004. Promulga a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional., 2004. Disponivel em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5015.htm>. Acesso em: 9 novembro 2019. 5. BRASIL. LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012 (NOVO CÓDIGO FLORESTAL). Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e, 2012. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/L12651compilado.htm>. Acesso em: 09 novembro 2019. 6. BRASIL. LEI Nº 12.694, DE 24 DE JULHO DE 2012. Dispõe sobre o processo e o julgamento colegiado em primeiro grau de jurisdição de crimes praticados por organizações criminosas; Altera o CP e CPP e da outras providencias., 2012. Disponivel em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12694.htm>. Acesso em: 2019. 7. BRASIL. LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013. Define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal;, 2013. Disponivel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2013/Lei/L12850.htm>. Acesso em: 2019. 8. BRASIL. MPF. Roteiro de Atuação: Desmatamento. Brasília: Ministério Público Federal (2ª CCR), v. 7, 2015. 9. INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Sistema TERRABRASILIS, 2019. Disponivel em: <http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/map/deforestation?hl=pt-br>. Acesso em: Julho 2019. 10. LIMA, R. B. D. Legislação Criminal Especial Comentada. 2ª. ed. Salvador: JusPodivm, 2014. 11. MASSON, C.; MARÇAL, V. Crime Organizado. 4ª. ed. São Paulo: Forense, 2018. 12. PRADO, L. R. Direito Penal Econômico. 8ª. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. 04 Avaliação do efeito de diferentes técnicas de cura na resistência de compósitos de cimento e lignina Raquel Marchesan UFT Renata Carvalho da Silva UFPR Grasiella Costa Milhomen Soares UFT Meire Cirqueira Santos UFT Karolayne Ferreira Saraiva UFT Amanda Martins Cardoso UFT Bruno Aurélio Campos Aguiar UnB Vanessa Coelho Almeida UFT André Orathes do Rêgo Barros Unopar Rodrigo Araújo Fortes IFTO '10.37885/220207713 https://dx.doi.org/10.37885/220207713 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 59 Palavras-chave: Absorção, Inchamento, Painéis Cimento-Madeira. RESUMO O objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito de diferentes técnicas de cura, com ou sem a presença de água, na resistência e na absorção de compósitos a base de cimento e lignina. Foram realizados quatro tratamentos, sendo T1: sem tratamento de cura; T2: cura por aspersão de água; T3: cura em água fria; T4: cura em água quente. Para a confecção dos corpos de provas foram utilizados o cimento Portland do tipo II (CP II), água, lignina industrial em pó e dois aditivos sintéticos. Foi determinado o teor de umidade da lignina, valores médios de densidade aparente dos corpos de prova, tensão, absorção em 2 horas, absorção em 24 horas, inchamento em 2 horas e inchamento em 24 horas dos tratamentos. Os tratamentos de cura T3 e T4 foram os que apresentaram melhor com- portamento diante dos demais, tanto para densidade como para resistência e absorção, podendo ser utilizados para fins como telhas, tijolos e argamassa, com menores médias em relação a absorção em 2 horas de imersão em água (3,08% e 2,64%, respectivamen- te) e em 24 horas de imersão (7,35% e 7,54%, respectivamente). O melhor processo de cura foi o de imersão em água fria, por apresentar os melhores resultados, alterando a propriedade de ligação interna das partículas positivamente e por possuir vantagem em relação a cura em água quente, que ao mesmo tempo é eficiente, mas que necessita de um sistema de aquecimento, aumentando os gastos no processo. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 60 INTRODUÇÃO Os painéis cimento-madeira são utilizados principalmente no setor de construção civil, principalmente nos países da Europa e no Japão, devido suas propriedades estruturais. Esse tipo de painel possui inúmeras qualidades favoráveis, como características isolantes e ser potencialmente incombustível, além de possuir uma boa trabalhabilidade, alta resistência mecânica à umidade e ao ataque de agentes biodegradadores (MOSLEMI, 1974). Devido suas vantagens, o desenvolvimento de painéis com a inclusão de constituin- tes da madeira é uma possibilidade viável para uso de subprodutos das indústrias de base florestal como serrarias, indústria de painéis, celulose, entre outras, reduzindo a pressão praticada sobre os ecossistemas florestais. A lignina é um desses constituintes que vem ganhando destaque tanto na área de painéis de madeira, como também para painéis cimentícios, principalmente na substituição de aditivos sintéticos por aditivos naturais que auxiliem no aumento de resistência e na di- minuição da absorção de água pelos painéis. Segundo Chakar et al. (2004) a lignina é um polímero amorfo tridimensional, composto por estruturas fenilpropano metoxiladas. Sua aquisição provém basicamente de fontes ve- getais, biomassa de subprodutos e do resíduo da polpação da madeira. Neste último caso a matéria-prima é abundantemente importante por ser adquirida de um setor industrial brasileiro. A lignina pode ter destinação para uso em adesivos, resinas e compósitos, na substi- tuição de materiais sintéticos, sendo considerado de grande interesse industrial em virtude da procura por materiais com custos menores, cujas fontes sejam renováveis e que tenham potencial para melhorar características importantes nos produtos finais. As resinas com lig- nina em sua composição têm como vantagens: maior valor agregado, eliminação de resíduo, otimização do produto existente e diminuição do uso do formaldeído (LABAT et al. 2008). No concreto, os aditivos alteram suas propriedades, sendo usualmente empregados para melhoria da trabalhabilidade, na aceleração ou desaceleração de tempo de cura e equilíbrio do desenvolvimento da resistência do concreto (MEHTA e MONTEIRO, 1994). A água é necessária para que aconteçam as reações químicas do cimento, para os aditivos se dissolverem, e ainda, para permitir a mistura do cimento que irá revestirunifor- memente as partículas de madeira (LATORRACA e IWAKIRI, 2005). Além da importância na composição do traço do concreto e argamassas, a água também tem papel importante no processo de cura dos mesmos. A cura correta da argamassa evita a perda precoce de umidade e ajuda a controlar a temperatura por um período suficiente, aumentando as propriedades mecânicas e reduzindo a absorção de água (UNGERICHT e PIOVESAN, 2011). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 60 61 A resistência mecânica em argamassas é alcançada pelas reações de hidratação dos silicatos, que ocorre durante o processo de cura. Desta forma, a resistência à compres- são simples é uma propriedade mecânica afetada pelo tipo e tempo de cura (FAMY et al., 2003; FREITAS, 2001). Os principais tipos de cura são a cura úmida, cura imersa, cura química e cura térmi- ca. A cura úmida, consiste em proporcionar a inserção de água em contato com a superfície da argamassa deixando-a úmida, e assim evitar a evaporação rápida da água (UNGERICHT e PIOVESAN, 2011), permitindo que as reações químicas ocorram de forma correta refor- çando, assim, as ligações dos painéis. Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes téc- nicas de cura, com ou sem a presença de água, na resistência e na absorção de compósitos a base de cimento e lignina. MÉTODO O presente trabalho foi realizado na Universidade Federal do Tocantins, no laboratório de Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais, Campus Universitário de Gurupi, locali- zado no sul do estado do Tocantins. Coleta e preparo do material Para a confecção dos corpos de prova foram utilizados o cimento e a lignina como princi- pais compostos dos painéis. A lignina foi disponibilizada por uma indústria de Papel e Celulose, já o cimento Portland tipo II (CP II) foi adquirido no comércio do município de Gurupi, TO. Foram utilizados, para a confecção dos corpos de provas, o cimento Portland do tipo II (CP II), água, lignina em pó e dois aditivos reforçadores para a junção da argamassa, que permitem melhor liga aos materiais usados nos tratamentos (Figura 1). Figura 1. Matérias separados para confecção dos corpos de provas. Fonte: Autor (2019). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 62 Os aditivos sintéticos empregados foram o superplastificante derivado de lignosulfo- natos para argamassas minerais e o aditivo derivado de copolímero estireno acrílico de- nominado adesivo sintético. Os aditivos são aplicados na fabricação de concretos, quali- ficados como sendo o quarto elemento da composição, auxiliando os agregados, cimento e água. Ao mesmo tempo maximizam os pontos positivos do concreto e diminuem seus defeitos (PORTAL DO CONCRETO, 2013). Determinação de quantidade de insumos Na definição da quantidade de insumos a serem usados na argamassa para a produção dos corpos de provas, inicialmente determinou-se a densidade aparente nominal dos mesmos em 1,20 g.cm–³. Em seguida, foi definido para cada corpo de prova cilíndrico e prismático o volume dos recipientes, e a proporção de cimento e lignina de 9:1, sendo nove partes de cimento para uma de lignina. Determinou-se a quantidade total de sólidos, considerando a massa seca necessária para compor um corpo de prova, de acordo com os volumes dos moldes utilizados. Corpos de prova cilíndricos: Volume de 86,01 cm3; corpos de prova prismáticos: volume de 250 cm3. Na Equação 1 foi definida a massa total de cimento e lignina, para qual se utilizou a densidade de 1,20 g.cm–³ e o volume do molde, consequentemente adquiriu-se a massa total de sólidos (cimento e lignina). (1) Em que: Da = densidade aparente (g.cm–3); M = massa total de sólidos (g); V = volume do corpo de prova (cm³). De posse do valor total de massa de cada corpo de prova, definiu-se, por meio da proporção de 9:1, a quantidade necessária de cimento e de lignina (massa seca). Em relação à lignina, foi necessário determinar o teor de umidade para descontar da composição da argamassa, a quantidade de água contida no material. Determinação do teor de umidade Para a determinação do teor de umidade da lignina, utilizou-se a norma Tappi (1996). Em balança analítica foram pesados três cadinhos vazios e em seguida foram adi- cionados em cada cadinho 3 g de lignina. Posteriormente, os mesmos foram colocados em estufa à temperatura de 103°C±2 até estabilização do peso. Depois de resfriadas em dessecador, foram submetidas a pesagem da amostra seca. Utilizou-se a Equação 2 para Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 62 63 a cálculo de TU% e a Equação 3 para a determinação da massa úmida utilizada na com- posição da argamassa. (2) Em que: TU = teor de umidade (%); MU = massa úmida (g); MS = massa seca (g). (3) Em que: AS = absolutamente seco (%); MS: Massa seca da amostra de lignina; MU: Massa úmida da amostra de lignina. Com os valores adquiridos de quantidade de cimento, teor de umidade da lignina e da massa seca dessas partículas foi calculada a quantidade de líquidos totais a ser utilizada na argamassa (Equação 4). (4) Em que: QLT= quantidade de líquidos totais (g); C = massa de cimento (g); TU = teor de umidade da partícula (%); MS = massa das partículas (g); 0,65 = fator água: cimento. Na obtenção dos valores de aditivos a serem usados, para o cálculo de superplasti- ficante, empregou a proporção de 2,5% em relação ao peso do cimento. Na determinação da quantidade de adesivo sintético, utilizou a proporção de 2:1, constituindo duas partes de água para uma de adesivo (Equação 5). Portanto foi possível adquirir a quantidade exata de água necessária para argamassa (Equação 6). (5) Em que: QD = quantidade de adesivo (g); QLT = quantidade de líquidos totais (g); P = proporção do adesivo. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 64 (6) Em que: QA = quantidade de água (g); QLT = quantidade de líquidos totais (g); MU = massa úmida da lignina (g); MS = massa seca da lignina (g); QD = quantidade de adesivo (g); QP = quantidade de plastificante (g). Por fim, foi possível definir a quantidade de insumos necessários para a confecção dos corpos de prova cilíndricos e prismáticos dos tratamentos T1, T2, T3 e T4, como descritos na Tabela 1 e Tabela 2. Tabela 1. Insumos utilizados na fabricação de um corpo de prova destinado ao ensaio de compressão axial. INSUMOS TRATAMENTOS T1 (g) (Cura a seco) T2 (g) (aspersão de água) T3 (g) (água fria) T4 (g) (água quente) Cimento 92,89 92,89 92,89 92,89 Lignina 10,32 10,32 10,32 10,32 Adesivo 15,69 15,69 15,69 15,69 Plastificante 2,32 2,32 2,32 2,32 Água 44,02 44,02 44,02 44,02 Nota: T1: sem tratamento de cura; T2: cura borrifando água; T3: cura em água frio; T4: cura em água quente. Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019). Tabela 2. Insumos utilizados na fabricação de um corpo de prova destinado aos ensaios de absorção e inchamento. INSUMOS TRATAMENTOS T1 (g) (Cura a seco) T2 (g) (aspersão de água) T3 (g) (água fria) T4 (g) (água quente) Cimento 270 270 270 270 Lignina 30 30 30 30 Adesivo 45,62 45,62 45,62 45,62 Plastificante 6,75 6,75 6,75 6,75 Água 127,96 127,96 127,96 127,96 Nota: T2: sem tratamento de cura; T2: cura borrifando água; T3: cura em água frio; T4: cura em água quente. Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019). Confecção dos corpos de prova Seguindo as normas NBR 5738 (ABNT, 2003) e D 1037 (ASTM, 1999), foram fabricados corpos de prova empregando-semoldes cilíndricos e prismáticos. Os corpos de provas cilín- dricos de ensaio de compressão axial, devem ter uma altura igual ao dobro do diâmetro, e o molde deve ser de material que não interaja com o cimento Portland, fornecendo, portanto, um fácil desenforme. Desta forma, os mesmos foram confeccionados com tubos de PVC, com dimensões de 40 mm de diâmetro exterior e 80 mm de comprimento, proporcionando Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 64 65 ao molde um volume líquido de 86,01 cm³, possuindo um corte ao longo do cilindro para promover a fácil retirada dos corpos de prova (Figura 2). Para o fechamento do fundo do molde, colocou-se um capo próprio para tubos de PVC. Figura 2. Moldes cilíndricos confeccionados para fabricação dos corpos de prova submetidos ao ensaio de compressão axial. Fonte: Autor (2019). Para os moldes prismáticos de ensaio de absorção e inchamento foram utilizados ma- deira e chapa dura na sua confecção. Os mesmos possuem dimensões de 2,5 cm x 10,1 cm x 10,0 cm com volume líquido de 250 cm³ (Figura 3). Figura 3. Moldes prismáticos para confecção dos corpos de prova submetidos aos ensaios de absorção e inchamento. Fonte: Autor (2019). Todos os corpos de provas tiveram o mesmo método de mistura dos insumos. Inicialmente, em uma balança semi-analítica, os materiais sólidos foram submetidos a pe- sagem exata, logo depois, fez-se a mistura da parte sólida (lignina e cimento) e os líquidos, já misturados, foram despejados aos poucos à argamassa. Com o auxílio de uma espátula, foi realizada a homogeneização da massa até a uniformidade completa da mesma, garan- tindo a consistência plástica (Figura 4). Em seguida, a argamassa já pronta foi transferida para os moldes até o enchimento total, os mesmos foram sujeitos à compactação vibro mecânica na mesa vibratória (Figura 5), com duração de 2 minutos para todos os corpos de provas. Foram produzidos seis corpos de provas cilíndricos e quatro corpos de provas prismáticos para cada tratamento. Conforme Parchen (2012), o procedimento de vibro-compactação na fabricação de compósitos cimento-madeira fornece benefícios como adequar a compactação e aglutina- ção entre as partículas dos insumos sem a necessidade de prensagem e grampeamento. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 66 Para produção de painéis com baixa densidade, aproveitando resíduos de madeiras da construção civil, Wolfe e Gjinolli (1997) verificaram que, por meio de vibrações de baixa frequência chega-se a uma compactação e distribuição mais uniformemente das partículas dentro dos compósitos. Posterior à confecção dos corpos de prova, ainda em seus moldes, os mesmos foram alocados em temperatura ambiente por sete dias para facilitar o desmolde. Em seguida os mesmos foram retirados dos moldes para iniciar o processo de cura, completando os 28 dias. Figura 4. Balança semi-analítica; insumos separados para mistura; argamassa pronta. Fonte: Autor (2019). Figura 5. Mesa vibratória usada na compactação vibro mecânica na confecção dos corpos de prova. Fonte: Autor (2019). Cura dos corpos de prova De posse dos corpos de prova já prontos, foram realizados quatro tipos de tratamentos de curas diferentes, sendo esses: T1: cura à seco; T2: cura por aspersão de água; T3: cura em água fria; T4: cura em água quente. O T1 permaneceu em temperatura ambiente sem cura, ou seja, sem a presença de água; os corpos de prova do T2 foram submetidos a cura por aspersão água fria uma vez por dia durante 21 dias; os corpos de prova do T3 foram destinados à cura submersos em água fria por 7 dias; os corpos de prova do T4 em cura submersos em água quente em Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 66 67 banho maria a 90°C por 3 horas por 7 dias. Após o término da cura dos tratamentos T3 e T4, os mesmos foram submetidos à aspersão de água até atingir os 28 dias. O processo da cura do concreto por aspersão é um dos métodos mais básicos de proteção, podendo ser efetivada de forma contínua ou intermitente (BAUER, 2008). Ensaios dos corpos de prova Para realização dos cálculos de densidade aparente, resistência à compressão axial, percentual de absorção e inchamento foi necessária a determinação dos diâmetros, raios e peso dos corpos de prova cilíndricos. Para os prismáticos, foram necessárias as medidas de larguras, espessuras e peso. Para os corpos de prova cilíndricos, calculou-se a densidade aparente unitária de acordo com a norma EN 323 (1993), por meio da relação da massa e do volume de cada corpo de prova (Equação 7). (7) Sendo: Da = densidade aparente unitária (g.cm–3); M = massa (g); V = volume (cm³). Baseando-se na NBR 7215 (ABNT, 1996) que estabelece a resistência do material, os corpos de provas cilíndricos foram sujeitos ao ensaio mecânico de compressão axial, efetua- do numa prensa hidráulica com capacidade de 10 toneladas. Estabelecida a área da seção transversal do corpo de prova e tendo a força efetuada na mesma, foi obtido a resistência de compressão axial em Mega Pascal (MPa) com base na Equação 8 (Figura 7). (8) Em que: f = resistência à compressão axial (MPa); F = força exercida (N); S = área (mm2) Para os corpos de provas prismáticos foram obtidas inicialmente as medidas de es- pessura dos quatro lados para cálculo da sua média. Em seguida os corpos de prova foram pesados e colocados em um recipiente com água com a finalidade de se obter as porcenta- gens de absorção e inchamento de todos os tratamentos após 2 horas e 24 horas de imersão. Para a obtenção do percentual de absorção e inchamento foram aplicadas as Equações 9 e 10, de acordo com a D 1037 (ASTM, 1999), adaptada. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 68 (9) Em que: Pu = peso úmido (g); Ps = peso seco (g). (10) Em que: If: Medida final (mm); Ii: Medida inicial (mm). Análises estatísticas Para a análise estatística dos dados, foi utilizando um delineamento inteiramente ca- sualizado, sendo 4 tratamentos diferentes de cura, em que primeiramente aplicou-se o teste de normalidade de Shapiro-Wilk. Para os dados que não apresentaram normalidade, foi aplicada a transformação BOX-COX para o ajuste da normalidade. Em seguida, foi realizada a análise de variância (ANOVA), para averiguar se houve diferença significativa entre os tratamentos. Havendo diferença, para a comparação de médias, utilizou-se o teste de Tukey ao nível de 5% de significância. Os programas utilizados para a análise foram: Satatigraphics Centurion XVI.I (Normalidade e transformação Box-Cox), Sisvar 5.6 (Análise de variância e Teste de Tukey), Excel 2007 ® (Tabulação dos dados, a determinação do coeficiente de variação e teste de correlação de PEARSON (R). RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 3 são apresentados os valores de densidade aparente, resistência à com- pressão axial, absorção em 2 horas e 24 horas, inchamento em 2 horas e 24 horas e o coeficiente de variação entre os tratamentos. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 68 69 Tabela 3. Valores médios de densidade aparente, resistência à compressão axial, absorção em 2 horas, absorção em 24 horas, inchamento em 2 horas e inchamento em 24 horas dos tratamentos e seus respectivos coeficientes de variação. Tratamentos Da (g/cm–³) ƒ (MPa) Abs 2 hs (%) Abs 24 hs (%) Inch 2 hs (%) Inch 24 hs (%) Cura a seco (T1) 1,20 b (3,32)5,32 b (10,13) 5,06 a (8,74) 9,38 a (9,41) 0,33 a (104,49) 0,83 a (51,28) Por aspersão (T2) 1,25 ab (3,06) 5,32 b (9,10) 3,52 ab (4,39) 8,87 a (3,95) 0,39 a (41,00) 0,87 a (46,64) Em água fria (T3) 1,28 a (2,82) 7,57 a (5,01) 3,08 b (10,48) 7,35 b (2,24) 0,24 a (66,68) 0,70 a (81,87) Em água quente (T4) 1,28 a (0,80) 7,40 a (1,59) 2,64 c (6,43) 7,54 b (5,41) 0,15 a (54,51) 0,59 a (51,28) F 4,50* 35,39* 50,65* 14,42* 0,93ns 0,35ns Nota: Da: Densidade aparente; ƒ: resistência em mega pascal (MPa); Abs 2 hs: absorção em 2 horas; Abs 24 hs: absorção em 24 horas; Inch 2 hs: inchamento em 2 horas; Inch 24 hs: inchamento em 24 horas. Médias seguidas pelas mesmas letras minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey. * significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05), ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade (P≥0,05). Valores entre parênteses correspondem ao coeficiente de variação (%). Fonte: Dados trabalhados pelo autor (2019). Conforme a Tabela 3, para a densidade aparente dos painéis, os tratamentos T3 e T4 não apresentaram diferença significativa, com as maiores médias (1,28 g.cm–3). Para os demais tratamentos observou-se diferença significativa, sendo T1 com menor média (1,20 g.cm–3) e o tratamento T2 com média intermediária (1,25 g.cm–3). Na Tabela 4 é apresentada a comparação das densidades de materiais usualmente empregados na construção civil. Tabela 4. Densidade de materiais empregados na construção civil – adaptado de PARCHEN (2012). MATERIAL DENSIDADE (g.cm–3) Bloco de concreto 2,2 Concreto para enchimento de piso 2,2 a 2,3 Painéis de cimento-amianto 1,9 Tijolo cerâmico furado 1,1 a 1,4 Pinus spp. 0,39 a 0,48 Compósitos madeira-cimento 0,51 a 0,66 Diante dos valores de densidade apresentados na tabela acima e fazendo um com- parativo com o presente estudo, em que as médias obtidas variaram de 1,20 g.cm–3 a 1,28 g.cm–3, nota-se que todos os tratamentos apresentaram densidade maior que os compósitos cimento-madeira apresentados por Parchen (2012). Todos os valores encontrados nos tratamentos são maiores que os apresentados no trabalho realizado por Iwakiri e Prata (2008) onde obtiveram médias de densidade aparente para painéis cimento-madeira com Pinus taeda (testemunha) e Eucalyptus grandis sem tratamento de cura de 1,19 g.cm–3 e 1,12 g.cm–3 respectivamente, sendo inferior ao T1 com valor de 1,20 g.cm–3. Já, para a cura em água fria e cura em água quente apresentou para a espécie Eucalyptus grandis média de 1,1 g.cm3, também inferior ao encontrado, que nas mesmas condições obteve média de 1,28 g.cm–3. Verifica-se uma semelhança dos valores com De Sá et. al. (2012) que encontrou para a densidade aparente, na produção de painéis ci- mento-madeira em 50% de Toona ciliata e 50% E. grandis x E. urophylla, valor de 1,21 g.cm–3. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 70 O presente estudo obteve médias semelhantes e até superiores quando comparado com Iwakiri et al. (2012) que encontraram valores médios de densidade dos painéis cimento-ma- deira na faixa de 1,04 g.cm–3 a 1,13 g.cm–3 para os diferentes tratamentos avaliados. Os valo- res obtidos também estão compatíveis com a densidade dos painéis comerciais, que segundo a Bison (1978) é de 1,10 g.cm-3. Conforme a NBR 8953 (ABNT, 1992), relacionada a concreto para destinações estruturais com classificação por grupos de resistência, é possível atestar que no presente estudo, os painéis se adequam na classificação CL (concretos leves) que atribui valores de densidade menores que 2 g.cm–³. Verifica-se que a medida que se aumenta as médias de densidade dos tratamentos, os valores médios de resistência à compressão axial foram aumentando, porém se observa o inverso quanto ao inchamento em 2 horas e em 24 horas, fazendo com que a escolha do melhor tratamento, seja influenciado pelas características desejadas pelo uso, fato que também pode ser comprovado no trabalho realizado por Villas-Boas et al. (2017) que afirma que valores menores de resistência à compressão estão intimamente ligados a menores valores de densidade dos corpos de prova. Segundo Gazola (2007), o cimento tem a função básica de atuar como aglomerante propiciando características físico-mecânicas de resistência e durabilidade, enquanto que a madeira tem a função de aumentar a resistência à flexão, diminuir a densidade e melhorar outras propriedades como o isolamento térmico e acústico. Quanto a resistência a compressão, é possível analisar os valores na Tabela 3, em que apresenta a maior média no Tratamento 3 de 7,57 MPa, seguido pelo T4 de 7,40 MPa e por fim, com as menores médias de 5,32 MPa para T1 e o T2. A água influencia diretamente na resistência dos painéis compostos por cimento, de- vido sua relação direta com as propriedades dos materiais, na durabilidade da massa e na hidratação do cimento depois de finalizado o corpo de prova. Isso ocorre pela estreita ligação entre a relação A/C (água/cimento) e a porosidade capilar da pasta de cimento (SENFF et al., 2005). Nota-se que com a imersão dos corpos de prova em água fria (T3) houve um aumento considerável na resistência a compressão dos mesmos, com médias de 7,57 MPa, confir- mando a eficiência da cura em água. O tratamento de cura T3 possui vantagem sobre o T4, por ser um processo mais simples e que exige menor investimento. Já em tratamentos com menor quantidade de água aplicada, ou sem a presença da mesma, não se teve diferença significativa, apresentando valores iguais de 5,32 MPa para T1 e T2. Hermeto (2016) observou que acrescentando diferentes proporções de lignina (0; 2,5%; 5% e 7,5%) no cimento para a produção de argamassa, consequentemente à medida que Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 70 71 aumentou a quantidade de lignina a resistência foi inversamente proporcional. Ao acrescentar a maior percentagem de lignina (7,5%) foi obtido o menor valor de flexão e tração. Comparando os resultados obtidos em T1 (5,32 MPa) e T3 (7,54 MPa), com os valores mencionados na literatura, se constatou que Iwakiri; Prata (2008), apresentaram valores médios superiores obtidos para painéis de E. grandis, sem tratamento (9,90 MPa) e com tratamento de partículas em água fria (8,82 MPa), também foram inferiores em relação ao valor mínimo referencial do processo Bison (BISON WOOD-CEMENT BOARD, 1978), que é de 8,82 MPa. Porém, os resultados foram satisfatórios em comparação aos valores obtidos por Latorraca (2000), para painéis produzidos com madeiras de E. pellita, E. robusta, E. uro- phylla e E. citriodora, cujas médias variaram na faixa de 3,53 a 6,77 MPa. Os valores dos compósitos foram suficientes para atender ao requisito mínimo de 0,40 MPa exigido para painéis comerciais (NCL Industries LTD., 2011). O comportamento da relação entre as densidades médias e os parâmetros de resis- tência tem a mesma tendência conforme observado por Wolfe e Gnolli (1997). Ou seja, há uma tendência ao crescimento dos valores com o aumento da densidade. Segundo Matoski (2005) essa influência pode ser devido ao fato de que a madeira absorve boa quantidade da água de amassamento e essa água por sua vez pode ficar retida nos poros dessa argamassa, colaborando com o aumento de vazios e assim diminuindo a densidade e consequentemente a resistência do corpo de prova. Em relação a aplicação do teste de absorção de água em 2 horas e 24 horas verificou- -se diferença significativa entre os tratamentos. O T1 apresentou os maiores valores (5,06% e 9,38% respectivamente) para 2 e 24 horas como evidenciado na tabela 3. Diante disto, para o tratamento com cura a seco, o painel é indicado para revestimentos que não tenham contato direto com umidade. Os painéis que apresentaram menoresabsorções foram os do tratamento T4 com menor média em 2 horas (2,64%), e com 7,54% em 24 horas de imersão, valores próximos ao T3 que também obtiveram valores baixos para absorção com 3,08% em 2 horas e 7,35% em 24 horas. Desta forma, pode-se afirmar que cura em água fria e água quente auxiliaram no comportamento dos painéis com lignina neste quesito, reforçando sua boa característica para a utilização em telhas de concreto. O tratamento T3, foi o que apresentou melhor comportamento tanto para densidade, resistência e para absorção, podendo ser utilizado para fins estruturais como telhas, tijolos e argamassa. O T2 obteve média de 3,52% e 8,87% para 2 e 24 horas respectivamente, permanecendo intermediário entre os demais tratamentos. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 72 Iwakiri; Prata (2008) empregando as espécies Eucalyptus grandis, Eucalyptus dunnii e Pinus taeda na manufatura de painéis cimento-madeira, encontraram valores de absorção de água, após 24 h de imersão, de 15,2; 16,7; e 14,05%, respectivamente. Valores maiores dos que os apresentados no presente estudo. Verifica-se então que há tendências de diminuição na absorção de água dos painéis produzidos com cura em água fria e água quente. Os valores médios de absorção de água 24 horas, obtidos nesse estudo estão abaixo da faixa de 15,69% a 22,22%, encontrados por Latorraca (2000) para quatro espécies de eucalipto. Hermeto (2016) constatou que, ao aumentar o teor de lignina em argamassa para revestimento, a absorção de água diminuiu e o teor maior de lignina (7,5%) destacou-se por apresentar menor porcentual de absorção, resultado este que confirma a eficiência da lignina quando se trata deste par parêmetro. Em relação ao inchamento dos corpos de prova, não houve diferença significativa entre os tratamentos em 2 e 24 horas. Apresentou coeficientes de variação acima de 30%, o que demonstra que houve grande variação na coleta de dados para inchamentos. O que pode ocasionar esses resultados é a superfície irregular dos corpos de prova, que pode causar grandes diferenças na coleta. No entanto, mesmo sem diferença estatística, ainda há uma tendência de aumento do inchamento de acordo com a diminuição dá água no processo de cura, principalmente em 24 horas de imersão em água, em que os tratamentos T1 e T2 apre- sentaram as maiores médias de 0,83% e 0,87% respectivamente e, consequentemente, os menores valores foram encontrados para os tratamentos T3 com 0,70% e T4 com 0,59 %. Verifica-se a obtenção de valores maiores que os encontrados por Iwakiri; Prata (2008) que constataram em seu estudo para painéis de E. dunnii, não há diferença estatisticamente significativa entre os valores médios de inchamento em espessura em 24 horas, obtidos para painéis produzidos com partículas. Para essa característica dimensional, os valores médios obtidos são satisfatórios, sendo em 2 e 24 horas os maiores 0,39%; 0,87% (T2) e os menores 0,15%; 0,59 (T4) respectiva- mente, assim considerados abaixo até mesmo da faixa de 1,64 a 2,12% apresentados por Latorraca (2000) em seu trabalho com quatro espécies de eucalipto e do valor referencial máximo de 1,8% do processo Bison (BISON WOOD-CEMENT BOARD, 1978). Na Tabela 5 é apresentado o teste de correlação de Pearson entre todos os parâme- tros analisados. A correlação de Pearson é utilizada para determinar se um fator se corre- laciona com outros fatores e se sua influência é inversamente ou diretamente proporcional, que segundo Lira e Neto (2006) é o método usualmente conhecido para medir a correlação entre duas variáveis. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 72 73 Tabela 5. Correlação de Pearson entre os parâmetros analisados. Correlações Pearson Nível Da x ƒ 0,2455 Baixa Da x Abs 2 -0,4456 Baixa Da x Abs 24 -0,1165 Baixa Da x Inch 2 -0,0999 Baixa Da x Inch 24 -0,0942 Baixa ƒ x ABS 2 -0,6866 Média ƒ x ABS 24 -0,8182 Alta ƒ x Inch 2 -0,3242 Baixa ƒ x Inch 24 -0,1602 Baixa Nota: Da: Densidade aparente; ƒ: resistência; Abs 2 hs: absorção em 2 horas; Abs 24 hs: absorção em 24 horas; Inch 2 hs: inchamento em 2 horas; Inch 24 hs: inchamento em 24 horas. Valor positivo próximo de 1,0 implica uma correlação diretamente proporcional, quanto mais próximo de -1,0 significa uma correlação inversamente proporcional, ou seja, quanto maior uma variável menor será a variável que está sendo comparada. A densidade aparente dos painéis demostrou baixa correlação em relação a resistência, absorção e inchamento. A resistência apresentou média correlação com absorção em 2 horas com valor de -0,6866 e alta correlação com absorção em 24 horas -0,8182. Ambos os comparativos demos- traram valores próximos de -1,0, sendo assim as variáveis são inversamente proporcionais e com correlação negativa. CONCLUSÃO Diante dos resultados constatou-se que os tratamentos T3 e T4 (Cura em água fria e água quente) apresentaram melhores comportamentos para densidade, resistência e ab- sorção podendo ser utilizados para fins como telhas, tijolos e argamassa. Porém, a imersão dos painéis em água fria, além de apresentar resultados satisfatórios, é considerada mais vantajosa em relação a cura em água quente, que embora seja eficiente, necessita de um sistema de aquecimento, aumentando assim os gastos no processo. Houve média e alta correlação inversamente proporcional em relação à absorção de água e a resistência dos painéis, contatando que as curas em água fria e quente melhoram essa característica. REFERÊNCIAS 1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIAL. 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Mull.Arg. proveniente de la Amazonía suroriental del Perú Leif Armando Portal-Cahuana USP/ESALQ Erick Grandez Piña German Payeza Tuesta Yuset Enrique Quispe Quispe Javier Navio Chipa GRFFS-GOREMAD Mauro Vela Da Fonseca UNAMAD Jorge Cardozo Soarez Edwin Misael Mamani Luque GRFFS-GOREMAD Richard Rondan Huaman GRFFS-GOREMAD Miguel Angel Ranilla Huamantuco LDP- Ministerio Público '10.37885/220308142 https://dx.doi.org/10.37885/220308142 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 77 Palabras-Claves: Madera Nativa, Anatomía de la Madera, Shiringa, Madre de Dios. RESUMEN El objetivo del presente trabajo de investigación fue determinar la dendrología, anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie Hevea brasiliensis en un bosque tropical nativo del Perú. Fue utilizado un árbol de H. brasiliensis, de ocurrencia natural en distrito de Iberia, sector de Bello Horizonte. Fueron determinadas las características dendrológicas, anatómicas: generales, macroscópicas, y las propiedades físicas del conte- nido de humedad, densidades: básica, normal, anhidra, contracciones: radial, tangencial, longitudinal, volumétrica y el índice de estabilidad, teniendo como protocolo la IAWA, COPANT, Norma Técnica Peruana. Los resultados de las características anatómicas muestran que no existe diferencia entre albura y duramen y presenta abundante tilosis en los vasos o poros y parénquima en bandas de tipo reticulado, sobre las propiedades físicas es una madera de densidad media estable y de buen comportamiento al seca- do. En función a la dendrología, anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie H. brasiliensis, conocido comúnmente por Shiringa, los posibles usos para esta especie en estudio son: construcción, revestimiento, encofrados, estructuras clavadas y empernadas, como carpintería, para hacer puertas y ventanas. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 78 INTRODUCCIÓN Los bosques tropicales son los reservorios de la biodiversidad, se encargan también de la regulación del clima global y regional interactuando en los siglos biogeoquímicos globales y aportan muchos beneficios a la humanidad como madera, alimento, etc., su conservación e importancia es bien conocidos por aportar diversos servicios ecosistémicos (Aguirre et al., 2021; Barrufol et al., 2013; Edwards et al., 2019). Sin embargo, estos bosques tropicales están siendo impactados cada vez más principalmente por la intensidad y cambio del uso de la tierra y la contaminación por ejemplo la tasa de deforestación es los trópicos sigue aumentando asociadas a inversiones en otros usos de la tierra siendo principalmente la agricultura, mientras que la degradación está relacionada con la extracción a corto plazo de rentas o incendios forestales (Nasi et al., 2011; Sebbenn et al., 2008). Las búsquedas de soluciones a los bosques tropicales se basan en varias formas de manejo de los bosques naturales, la cual involucra la cosecha de los árboles maduros, de tal forma que permita que los bosques se regeneren naturalmente antes del próximo ciclo de cosecha, estando estrechamente relacionados al poder regenerativos inherentes del mismo bosque en lugar de una intervención silvícola extensiva. (Bawa & Seidler, 1998) Por otro lado los bosques tropicales no solo nos dan madera sino también productos forestales no maderables (PFNM) y su recolección representa una importante fuente de ingreso para millones de personas en todo el mundo, dando desarrollo y alivio de la pobre- za entre las poblaciones rurales, principalmente a las comunidades que viven junto a las reservas forestales, esta cosecha de los PFNM pueden afectar los procesos ecológicos a muchos niveles, desde el individuo, la población y el ecosistema (Ticktin, 2004), es por ello que necesita de un plan de manejo de los PFNM para su aprovechamiento, teniendo como principal criterio en la conservación y manejo de los PFNM es entender como las poblacio- nes que viven cerca a estos recursos interactúan con estos productos y el bosque (Arnold & Pérez, 2001; Guariguata & Evans, 2010; Suleiman et al., 2017). Shiringa historia (Amazonía peruana) Con respecto a la historia de extracción del latex de H. brasiliensis en la Amazonía peruana específicamente en el suroriente en el departamento de Madre de Dios, la explo- tación del caucho Castilla ulei hasta 1880 era muy limitada principalmente por el transporte que se realizabapor vía fluvial, sin embargo el sistema de aprovechamiento del caucho era talando el árbol y posteriormente realizarle hendiduras por donde se recolectaba el látex lo que mermaba las poblaciones naturales y generaba la necesidad de encontrar nuevas áreas de extracción; sin embargo la shiringa Hevea brasiliensis permitía un aprovechamiento Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 78 79 estable además de tener mayor valor su látex denominada jebe o goma fina. En 1894, Fermín Fitzcarrald el cauchero peruano, que tenía su base en Iquitos y cuyo imperio cauchero se extendía por las zonas del alto y bajo Ucayali, explora la zona del río Mishagua y descubre un paso de 09 kilómetros, que une esta zona con el río Manu, denominado desde entonces istmo de Fitzcarrald (Reyna, 1942). El descubrimiento de este paso permitía el transporte del caucho y mercadería del bajo Ucayali y de toda la zona peruana del Madre de Dios hasta el Beni y viceversa. La demanda para llantas de bicicletas en 1888 y posteriormente para automóviles 1895 llevó la producción y los precios del látex a unos niveles sin precedentes, esto impulsaba las exploraciones cada vez más adentro de la selva amazónica. Esto trajo una serie de problemas fronterizos entre Brasil (Acre), Bolivia (Pando) y Perú (Madre de Dios) una vez que se solucionaron estos problemas principalmente por la shiringa el futuro parecía prometedor sin embargo la demanda internacional entro en total declinación debi- do principalmente a las plantaciones de Hevea en Asia, esto generado por las colecciones botánicas del inglés H.A. Wickhman en Brasil (Santarém y Tapajós), trasladando semillas al jardín botánico de Kew en Gran Bretaña donde fueron climatizadas en 1876 comenzaron las plantaciones en Ceylán y Malasia en 1898. En 1915 las plantaciones de Asia produjeron 2 veces más producción que las explotaciones amazónicas, en 1920 ocho veces más y en 1939 antes del comienzo de la segunda guerra mundial las plantaciones asiáticas producían el 98% de la producción mundial (García Morcillo, 1982). Sobre la producción de látex de la especie Hevea brasiliensis se tiene que la vida útil de producción de látex es de 20 a 30 (Eufrade et al., 2015; Hytönen et al., 2019; Teoh et al., 2011), después de este ciclo de producción ya no es rentable y las plantaciones se cambian por nuevas (Eufrade et al., 2015). Posteriormente la madera de estas plantaciones son apro- vechadas tradicional mente como energía (leña), sin embargo, la madera de H. brasiliensis presenta diferentes usos en función a sus propiedades tecnológicas como: buena materia prima para madera aserrada, contrachapada, tableros de partículas, muebles, carbón (ramas grandes), vigas laminadas, etc. (Hytönen et al., 2019; Parra-Serrano et al., 2018). Para conocer las características botánicas y las propiedades tecnológicas de la ma- dera de la especie Hevea brasiliensis creciendo naturalmente, se determinó la dendrología, anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie H. Brasiliensis en un bosque tropical nativo del Perú. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 80 MATERIALES Y MÉTODOS Área de estudio Muestreamos árboles ubicados en el bosque húmedo tropical de Madre de Dios al sureste de Perú. Los bosques del departamento de Madre de Dios (Fig. 1) se caracterizan por su alta biodiversidad (Foster et al., 1994), específicamente la investigación se realizó en la provincia del Tahuamanu, distrito de Iberia, sector Bello Horizonte, en el predio agrícola de la señora Lizeth Piña Caimata de una extensión de 48 hectáreas. Fase de campo El inventario se realizó en una subárea de dos hectáreas, una vez realizado el inventario forestal dentro de la subárea del predio agrícola de la especie Hevea brasiliensis (Shiringa), se consiguió inventariar seis árboles de dicha especie. Posteriormente de los seis árboles de H. brasiliensis se seleccionó un árbol mediante el método aleatorio simple no probabilís- tico, tomando siempre en cuenta que el árbol seleccionado sea de buenas características fitosanitarias, de fuste lo más recto y alto posible, teniendo en consideración las caracterís- ticas morfológicas de la especie. (NTP N°251.008, 2016). Del árbol seleccionado, se obtuvo muestras botánicas, los cuales fueron enviados al Herbario Alwyn Gentry de la Universidad Nacional Amazónica de Madre de Dios, para su identificación botánica. Figura 1. Mapa de ubicación del área de estudio de la madera de la especie H. brasiliensis y fotografía del árbol. a) Características Dendrológicas. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 80 81 Del árbol seleccionado se extrajeron ramas terminales con hojas, para el árbol fue re- gistrado el número, los datos taxonómicos como: nombre común, nombre científico, género y familia, también fueron recabados los parámetros morfológico-dendrométrico como: diá- metro a la altura del pecho y altura. Las imágenes de las partes del árbol fueron obtenidas con una cámara digital con zoom óptico. La caracterización dendrológica de la especie fue aplicada la metodología de Reynel et al. (2007). b) Características Anatómicas. Las características anatómicas de la especie H. brasiliensis (organolépticas y ma- croscópicas), estuvieron basadas en normas internacionales. Estas normas son Comisión Panamericana de Normas Técnicas (COPANT, 1974) y “Descripción de Características Organolépticas, Macroscópicas y Microscópicas de Dicotiledóneas, Angiospermas” e International Association of Wood Anatomists (IAWA, 1989) (Asociación Internacional de Anatomistas de la Madera). Descripción anatómica de la Madera a nivel organoléptico y macroscópico. La determinación del grano se usó las probetas de5x5x5 cm procedentes del duramen, para lo cual se utilizó una cuchilla y un martillo para partir el cubo en sentido de los radios y así de esa manera se identificó el tipo de grano. La descripción del brillo, veteado, poros, parénquima, radios se utilizó las tablillas de 2x10x15 cm para lo cual se empleó una lupa de 10X. Las características organolépticas como: olor, sabor, color de la madera se usaron probetas. Las rodajas, se utilizó para hallar diferenciación entre albura y duramen. c) Propiedades físicas de la madera. Las propiedades físicas de la madera de la especie H. brasiliensis analizas fueron Densidades: básicas, normal y anhidra; contenido de humedad; contracciones: volumétrica, tangencial, radial y el índice de estabilidad (T/R), los ensayos se ejecutaron de acuerdo a especificaciones de la Norma Técnica Peruana. De cada una de las probetas por árbol de H. brasiliensis, se procedió a sacar el peso inicial, dimensiones: volumétrica inicial, radial inicial, tangencial inicial y longitudinal ini- cial. El volumen se determinó por el método de desplazamiento de agua o inmersión. Las contracciones se determinaron con un micrómetro, con una precisión de ± 0.01 mm., y el peso con una balanza de precisión de ± 0.01 gramos. Luego se secaron las probetas en estufa, y se incrementó gradualmente la temperatura de 40°, 60°, 80° hasta que se alcance los 103°±02ºC. Durante el tiempo que se secaron las probetas en la estufa, se realizó el Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 82 pesado tomando datos diariamente en el peso de cada probeta, teniendo cuidado de colo- carlas en un desecador (provista de silicagel) para que se enfriaran a temperatura ambiente. Cuando las probetas alcanzaron su peso constante se determinaron las dimensionesfinales y el volumen final. Las fórmulas utilizadas en todo el proceso de las propiedades físicas, en función a las Normas Técnicas Peruanas: (NTP N°251.010, 2016; NTP N°251.011, 2016; NTP N°251.012, 2016) (Tabla 01). RESULTADOS Y DISCUSION Nombre científico: Hevea brasiliensis. Familia: EUPHORBIACEAE. Nombre común: Shiringa. Caracterización dendrológica El árbol de la especie H. brasiliensis en condiciones naturales alcanza una altura de 30 a 40 metros, pudiendo llegar hasta 50 metros considerando la copa del árbol y el diámetro a la altura del pecho es de 1 a 1.5 metros, tronco es cilíndrico y por lo general recto. Corteza externa es de color grisáceo a marrón oscuro, lisa a ligeramente fisurada. Corteza interna de color crema a rosado, no presenta olor característico, textura arenosa y suave, cuando se hace una hendidura exuda un látex de color blanco a amarillento abundante (Fig. 2). Ramas terminales cilíndricas glabras y en el corte de la rama puede observarse exudación de lá- tex. Hojas son compuestas, alternas trifoliadas con grande peciolo presentando glándulas en su base, los foliolos son elípticos, presenta el ápice acuminado y la base arredondeada con borde entero. Inflorescencia en panícula axilares, flores son pequeñas de coloración amarillo claro a beige unisexuales, sin pétalos y con cinco sépalos. Frutos son trilobados de coloración verde al madurar en su madurez fisiológica presentan una dehiscencia explosiva. Semilla de color gris a marrón grandes y brillantes. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 82 83 Figura 2. Imágenes dendrológicas de la especie H. brasiliensis. Corteza externa con las cicatrices de la extracción del látex. Anatomía de la madera Comprende las características organolépticas y macroscópicas de la especie H. brasi- liensis, dicha descripción se complementa con macrofotografías en las secciones transversal, radial y tangencial. Caracterización organoléptica En condición seca al aire, no existe diferencia significativa entre la albura y el duramen (Fig. 3), de un color crema amarillento, (10YR 8/6). Anillos de crecimiento visibles y diferen- ciados por zonas fibrosas (Fig. 3), olor y sabor no distintivos, grano recto, textura media, brillo alto, veteado en el corte tangencial arcos superpuestos, en el corte radial en bandas paralelas. Moderadamente dura al corte con cuchilla. Caracterización macroscópica Madera de porosidad difusa, vasos visibles con lupa 10x, solitarios y múltiples radiales, de igual proporción de 2-3-4 pudiendo llegar a 6, de forma redonda. Parénquima visible con lupa 10x, en bandas reticulado. Radios visibles a simple vista, clasificados como medianos. Inclusiones tilosis obstruyendo los vasos. (Fig. 3). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 84 Figura 3. A) Rodaja de la madera Hevea brasiliensis. Cortes macroscopicos en 3D de la madera de H. brasiliensis B) Corte transversal. C) Corte radial. D) Corte tangencial. Sobre las características anatómicads de la madera, coincide con la bibliografía cien- tífica (Borges, 2020; Ogata et al., 2001; Ramos et al., 2018). Propiedades fisicas de la madera En la tabla 01, se presentan los valores promedios, del estudio de las propiedades fisicas de la madera de la especie H. brasiliensis (Shiringa). Tabla 01. Propiedades físicas de la especie Hevea brasiliensis. Contenido de humedad (%) Densidad g/cm3 Contracción (%) Índice de esta- bilidad (T/R)Densidad nor- mal (DN) Densidad básica (DB) Densidad anhi- dra (DAH) Contracción radial (CR) contracción tangencial (CT) Contracción vo- lumétrica (CV) 87.12 1.00 0.53 0.60 3.52 6.13 10.53 1.74 La densidad básica promedio de la Shiringa es de 0.53 g/cm3, permite clasificar de acuerdo a lo propuesto por (Acevedo y Chavesta 1991; Aróstegui 1982), dentro del grupo III (de 0.4l g/cm3 a 0.60 g/cm3) que corresponde a la madera de densidad media. La contracción volumétrica promedio de la Shiringa es de 10.53%, la ubica en el grupo III (10.1-13%), que corresponde a un cambio dimensional medio. Si bien existe una relación directa entre la densidad básica y la contracción volumétrica, a mayor proporción de la pared celular (mayor Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 84 85 densidad), mayor será el efecto de la capacidad higroscópica (contracción). Sin embargo, en el caso de la H. brasiliensis la densidad básica es media y una contracción media, debido a que la densidad básica es de 0.53g/cm3, el cual se encuentra en un valor medio del rango de clasificación de la densidad media (0.40 – 0.60 g/cm3). El índice de estabilidad promedio de la Shiringa es de 1.74 permitiendo clasificarle como estable y de buen comportamiento al secado (1.51 – 2.00), información que se puede inferir desde las propiedades físicas de la madera hacia el secado de la madera de Shiringa, con la salvedad que necesita estudios específicos sobre el secado de esta especie para confirmar la información. Comparación de las propiedades físicas de H. brasiliensis con otras especies de similar densidad básica. La madera de a especie H. brasiliensis, al compararse con especies de similar den- sidad básica (Fig. 4) como: Podocarpus oleifolius (Ulcumanu). Densidad básica de 0.53 g/cm3, contracción tan- gencial 6.15%, contracción radial 3.22% y contracción volumétrica 9.00% (Confederación Peruana de la madera, 2008) Macrobrachiumace ceineifolium (Pashaco colorado). Densidad básica de 0.53 g/cm3, contracción tangencial 5.57%, contracción radial 2.98% y contracción volumétrica 8.65% (Beuzeville & Tello, 1993). Carapa guianensis (Andiroba). Densidad básica de 0.54 g/cm3, contracción tangencial 8.00%, contracción radial 3.90% y contracción volumétrica 12.11% (Beuzeville & Tello, 1993). Aniba purchury-minor (Moenal amarilla). Densidad básica de 0.52 g/cm3, con- tracción tangencial 5.73%, contracción radial 3.80% y contracción volumétrica 9.53% (Baluarte V. Antonio, 1991). Se observa (Fig. 4) que los valores promedio de la contracción radial, volumétrica y el índice de estabilidad se encuentran en promedio a las otras especies, sin embargo, cuando se analiza la contracción tangencial si presenta diferencias significativas que caracteriza a la especie. Sin embargo, a pesar de esta característica de H. brasiliensis, se puede observar que el índice de estabilidad es similar estas especies de similar densidad básica. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 86 Figura 4. Comparación de las propiedades físicas de la H. brasiliensis, con aquellas de similar densidad. 0 2 4 6 8 10 12 14 Densidad básica Contracción radial Contrancción tangencial Contracción volumétrica Índice de estabilidad Podocarpus oleifolius Macrobrachiumace ceineifolium Carapa guianensis Aniba purchury-minor Hevea brasiliensis Comparación de la densidad básica de la madera de Hevea brasiliensis, con otras especies del género hevea. Con la base de datos de Global wood density database, creada el por (Zanne et al. 2009), y disponible en la página web: https://datadryad.org//handle/10255/dryad.235. Se pue- de realizar la comparación de H. brasiliensis, con otras especies del género Hevea estudiadas en el mundo y sistematizada en la base de datos antes mencionada. De este análisis (Fig. 5), se puede observar que el rango de la variación de la densidad básica del género Hevea se encuentra entre 0.40 – 0.57 g/cm3, y que si se analiza con la clasificación de maderas propuesto por (Acevedo y Chavesta 1991; Aróstegui 1982), lasespecies de este género se clasifican cualitativamente por ser maderas de densidad básica baja a media. Figura 5. Comparación de la densidad básica de la madera de Hevea brasiliensis, con otras especies del género Hevea. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 86 87 Uso de la madera de Hevea brasiliensis En función a la anatomía y las propiedades físicas de la madera de la especie H. brasi- liensis, conocido comúnmente por Shiringa, los posibles usos para esta especie en estudio son: Construcción, revestimiento, encofrados, estructuras clavadas y empernadas, como carpintería, para hacer puertas y ventanas. CONCLUSIÓN Del análisis realizado a la dendrología, anatomía y propiedades físicas de la madera de la especie H. brasiliensis, después de su ciclo de producción en los bosques tropicales de Madre de Dios en el Perú se puede aprovechar la madera por sus características tec- nológicas, siendo un recurso maderable disponible en los bosques naturales y que puede aprovecharse en diferentes usos con un aprovechamiento sostenible. Por último, densidad básica del género Hevea se encuentra entre 0.40 – 0.57 g/cm3, considerándola como una madera de densidad baja a media. REFERENCIAS 1. Aguirre, J., Guerrero, E., & Campana, Y. (2021). How effective are protected natural areas when roads are present? An analysis of the Peruvian case. Environmental Economics and Policy Studies. https://doi.org/10.1007/s10018-021-00304-y 2. Arnold, J. E. M., & Pérez, M. R. (2001). Can non-timber forest products match tropical forest conservation and development objectives? Ecological Economics, 39(3), 437-447. https://doi. org/10.1016/S0921-8009(01)00236-1 3. Baluarte V. Antonio, J. R. ; A. V. (1991). Usos probables de las maderas de 20 especies del departamento de Loreto. Folia Amazónica, 3, 59-79. 4. Barrufol, M., Schmid, B., Bruelheide, H., Chi, X., Hector, A., Ma, K., Michalski, S., Tang, Z., & Niklaus, P. A. (2013). Biodiversity Promotes Tree Growth during Succession in Subtropical Forest. 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RESUMO A regularização de propriedades rurais, aos moldes do Novo Código Florestal, depende doestudo silvicultural de espécies nativas dos biomas brasileiros. Assim, o objetivo deste estudo foi caracterizar o desenvolvimento inicial de cinco espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica com vistas à sua utilização em projetos de recomposição e aproveitamen- to florestal em propriedades rurais. As seguintes espécies foram plantadas e avaliadas quanto ao desenvolvimento: Araucaria angustifolia, Mimosa scabrella, Trichilia claussenii, Schizolobium parahyba. e Cordia trichotoma. Essas espécies foram conduzidas em dois experimentos distintos, tomando-se por base o delineamento experimental de blocos ca- sualizados. No experimento 1, as espécies A. angustifolia, M. scabrella e C. Trichotoma foram distribuídas em 3 blocos casualizados, sendo cada um composto por 11 plantas de cada espécie.; no experimento 2, as espécies A. angustifolia, M. scabrella, T. calussenii e S. parahyba foram distribuídas em 3 blocos casualizados, sendo cada um composto por 5 plantas de cada espécie. De modo geral, S. parahyba e M. scabrella apresentaram desenvolvimento mais acelerado que as demais espécies, e nesse quesito, a princípio, podem ser apresentadas como promissoras para a constituição ou reconstituição de áreas florestais em que exista interesse de se obter retorno econômico em menor espaço de tempo. A. angustifolia e T. claussenii demonstraram desenvolvimento relativamente baixo, ao passo que C. trichotoma, demonstrou desenvolvimento intermediário em relação às demais espécies estudadas. Apesar das diferenças de desempenho, todas as espécies se mostraram adequadas para uso em plantios de recomposição florestal principalmente para a região em que o estudo foi desenvolvido. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 92 INTRODUÇÃO O Brasil é conhecido por ser um país de características continentais, detentor de uma riquíssima biodiversidade, sem igual em qualquer outra parte do globo terrestre. É também conhecido como um dos maiores produtores de commodities agrícolas do mundo, tendo alcançado esta condição devido às demandas de uma crescente população mundial, que atualmente é de 7,5 bilhões de pessoas (POPULATION PYRAMID, 2019). Para aproveitar a oportunidade econômica gerada pela demanda por alimentos, nos últimos anos, a produção agrícola tem sido cada vez mais incentivada e intensificada, o que por sua vez tem cobrado um considerável preço ambiental ao país (GARCÍA-ORTH; MARTÍNEZ-RAMOS, 2011). Isso se constata na expansão das fronteiras agrícolas que, ano após ano, tem reduzido o habitat de muitas espécies nativas e, em alguns casos, degradado intensamente e de maneira irreversível algumas das principais regiões fitoecológicas do país (MESQUITA, 2018). Dentre os biomas brasileiros, é a Mata Atlântica que figura como um dos mais prejudi- cados (BERTACCHI et al., 2016), necessitando de medidas práticas urgentes que auxiliem em políticas de correção e/ou redução dos danos já provocados. As medidas adotadas no sentido de recuperar uma área degradada devem considerar a possibilidade de que as pessoas que vivem da terra possam, se assim desejarem, obter algum proveito ou benefício econômico de suas ações de conservação e/ou recuperação de ambientes degradados, o que pode ser realizado, talvez, aos moldes de pagamentos por serviços ambientais (BRASIL, 2011). Esse entendimento se mostra fundamental, pois resulta em um incentivo à adoção de práticas conservacionistas na regularização de áreas rurais, em atendimento às exigências Novo Código Florestal Brasileiro, representado pela Lei n°12.651, de 25 de maio de 2012 (BRASIL, 2012). Nesse contexto, observa-se, portanto, a necessidade de adoção de práticas que tornem áreas como, por exemplo, as averbadas como Reserva Legal, uma parte produtiva da propriedade, de modo que as mesmas possam gerar mais do que retornos paisagísticos e ecológicos aos seus donos e ao ambiente em que estão inseridas. Assim, em um contexto de preocupação ambiental aliada ao manejo sustentável, é importante que surjam, paulatinamente, propostas práticas úteis ao desenvolvimento de atividades florestais. Exemplo disso são trabalhos que ajudem na tomada de decisão com relação às espécies arbóreas a serem utilizadas em plantios planejados, que descrevam o seu desenvolvimento inicial para a região de estudo, indicando aquelas que a priori podem se destacar como espécies de importância ecológica e com possibilidades de aproveitamento a curto ou longo prazo, por meio de produtos madeireiros ou não madeireiros. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 92 93 Contribuir para o conhecimento técnico-científico de espécies florestais nativas que podem ser utilizadas em diferentes situações e realidades em propriedades rurais é uma pretensão que inicialmente deve ser desenvolvida em âmbito local ou regional. Nesse sen- tido, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desenvolvimento inicial de cinco espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica, na região do Alto Uruguai – RS, com vistas à sua utili- zação em recomposição de áreas como, por exemplo, a Reserva Legal. MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo O local de estudo possui 4,25 ha e está localizado no município de Frederico Westphalen, na região do Médio Alto Uruguai, em área pertencente a Universidade Federal de Santa Maria (27°23’31” S e 53°25’32” O), a aproximadamente 480 m acima do nível do mar (Figura 1). Figura 1. Localização do local de estudo (a) e vista das áreas onde os experimentos foram conduzidos (b). Fonte: Google Earth. O clima da região, conforme classificação climática de Köppen, é do tipo Cfa (Subtropical Úmido). A precipitação média anual varia de 1.900 a 2.200 mm, bem distribuídos ao longo do ano. As temperaturas máximas são superiores ou iguais a 22 °C e as mínimas dos meses mais frios entre -3 a 17 °C (ALVARES et al., 2013). Na região há predomínio de Latossolos Vermelhos Distroférricos, caracterizados como profundos, homogêneos e bem drenados (CUNHA et al., 2009). Estes solos, por serem bastante intemperizados, têm o predomínio de caulinita e óxidos de ferro, além de baixa capacidade de troca de cátions (STRECK et al., 2008). Apresentam também acentuada acidez, baixa reserva de nutrientes e toxidez por alumínio para as plantas. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 94 Material vegetal e delineamento experimental As espécies arbóreas nativas utilizadas no experimento foram selecionadas com base na velocidade de crescimento, adequação à condição de pleno sol e competição com ou- tras espécies, potencialidade para uso como fonte de matéria-prima e na restauração ou recomposição de áreas degradadas. No total foram utilizadas 5 espécies florestais nativas do Bioma Mata Atlântica (Tabela 1). Tabela 1. Lista das cinco espécies nativas da Mata Atlântica utilizadas no experimento. Nome científico Nome comum Família Grupo sucessional Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze Araucária Araucariaceae Pioneira Cordia trichotoma Vell. Arrab. ex Steud Louro-pardo Boraginaceae Secundária inicial Mimosa scabrella Benth. Bracatinga Fabaceae Pioneira Schizolobium parahyba Vell. Blake. Guapuruvu Fabaceae Pioneira Trichilia claussenii C. DC. Catiguá vermelho Meliaceae Secundária tardia As mudas foram produzidas no viveiro florestal da Universidade Federal de Santa Maria, campus de Frederico Westphalen, a partir de sementes de árvores matrizes previamente selecionadas mediante avaliação de suas características morfológicas e de sanidade. Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol (área 1) Experimento conduzido em delineamento blocos ao acaso, sendo testadas as es- péciesAraucaria angustifolia, Mimosa scabrella e Cordia trichotoma. As espécies foram plantadas em 3 blocos casualizados, cada um composto por 11 indivíduos de cada espécie, totalizando 33 indivíduos por bloco. A área, anteriormente a intervenção, era utilizada para atividades agrícolas (cultivos anuais) e, no momento do plantio, caracterizada pela presença de gramíneas nativas. Experimento 2: Enriquecimento de capoeira (área 2) Para a condução do experimento utilizou-se delineamento de blocos ao acaso, sendo testadas as espécies Araucaria angustifolia, Mimosa scabrella, Schizolobium parahyba e Trichilia claussenii, distribuídas em três blocos. Em cada bloco foram utilizados 5 indivíduos de cada espécie, totalizando 20 indivíduos por bloco. A área anterior ao plantio era com- posta por plantio de Eucalyptus grandis, com intensa regeneração de espécies nativas, o qual foi explorado um ano antes da intervenção, sendo que no momento do plantio a área encontrava-se em estágio inicial de regeneração. Em ambos os experimentos as espécies foram plantadas em covas de 30 cm de pro- fundidade por 30 cm largura, em espaçamento 5 m x 5 m. Antes da realização do plantio Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 94 95 foram adicionados e incorporados ao solo 100 g de adubo NPK (10-20-20) por cova, de modo a favorecer o desenvolvimento inicial das mudas. O controle das plantas espontâneas foi realizado por meio de capina manual em um raio de 50 cm no entorno de cada muda, sendo realizado a cada dois meses. O controle de formigas cortadeiras, dos gêneros Atta e Acromyrmex, foi feito de forma sistemática na área total do experimento, com o uso de isca formicida a base de sulfluramida. Coleta e análise dos dados Os dados foram coletados ao final do primeiro ano de desenvolvimento das plantas a campo. Nos dois experimentos foram coletados dados de diâmetro de coleto (DC) e altura total (H), para as medições de DC utilizou-se paquímetro digital e para a medição da H foi utilizada régua graduada, tomando-se como padrão a gema apical da planta. A partir dos dados de DC e H determinou-se a relação H/DC de cada uma das espécies. Os dados obtidos em cada experimento foram submetidos a análise dos pressupostos de normalidade dos erros e homogeneidades de variâncias. Posteriormente, foram subme- tidos a análise de variância, quando constatada diferença entre os tratamentos foi realizado teste de comparação de médias pelo teste Tukey, com nível de probabilidade de erro de 0,05. As análises foram realizadas no programa SISVAR (FERREIRA, 2014). RESULTADOS Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol Por meio da análise de variância constatou-se efeito significativo das espécies condu- zidas (p<0,05) para todas as variáveis analisadas, sendo os melhores resultados de cresci- mento verificados para M. scabrella (Figura 2). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 96 Figura 2. Crescimento em altura (a), diâmetro do coleto (b) e relação entre altura / diâmetro do coleto (c) de três espécies florestais nativas, aos 12 meses após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. Onde: Aa = Araucaria angustifolia; Ct = Cordia trichotoma; Ms = Mimosa scabrella. *Comparação de médias por meio de Teste Tukey a 5% de probabilidade de erro. Aa Ct Ms Al tur a ( cm ) 0 50 100 150 200 250 Aa Ct Ms Di âm etr o d o c ole to (m m) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Aa Ct Ms H/ DC (c m mm -1 ) 0 5 10 15 20 c* a b c* b a a b c* (a) (b) (c) Dentre as três espécies plantadas na área, o menor coeficiente de variação (CV) para o DC foi apresentado pela espécie A. angustifolia (CV=8,64%), sendo seguida por M. sca- brella (CV=13,72%) e C. trichotoma (CV=15,63%). Desse modo, pode-se constatar que todas as espécies apresentaram baixo coeficiente de variação, o que indica um crescimento semelhante dos indivíduos de cada uma das três espécies implantadas na área em questão, demonstrando que, após um ano, nenhum fator externo interferiu negativamente no desen- volvimento das espécies. Para o crescimento em H, as espécies C. trichotoma e A. angustifolia apresenta- ram CV abaixo de 16,7%, indicando o crescimento semelhante entre os indivíduos de mes- ma espécie. O menor CV foi apresentado pela espécie C. trichotoma (CV=11,63%), sendo seguida por A. angustifolia (CV=16,65%) e M. scabrella com o maior valor (CV=24,63%). O elevado valor de CV apresentado pela espécie M. scabrella é um indicativo de que algum fator ambiental biótico ou abiótico teve influência em seu desenvolvimento em altura. Isso se comprovou ao ser constatado que abelhas da espécie Trigona spinipes (Hymenoptera: Apidae), também conhecidas como irapuá, causaram diversos danos ao longo do caule e galhos das plantas (Figura 3a e 3b). Esses danos, que geralmente ficaram restritos à casca, em alguns casos resultaram em anelamento completo do caule, provocando a sua quebra (Figura 3c). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 96 97 Figura 3. Aspectos do ataque de Trigona spinipes a um indivíduo de Mimosa scabrella na Área 2, um ano após o plantio. (a) Ataque realizado ao tronco da planta. (b) Ataque a um galho. (c) Planta com o tronco quebrado em decorrência do ataque dos insetos. Apesar do ataque dos insetos, M. scabrella apresentou a maior média de altura ao tér- mino do primeiro ano de desenvolvimento, diferindo estatisticamente das demais espécies. Nota-se, nesse caso, que a espécie M. scabrella tem característica inicial de investir principal- mente em altura, sendo o crescimento aproximadamente três e cinco vezes maior que C. tri- chotoma e A. angustifólia, respectivamente. Os aspectos gerais de desenvolvimento das três espécies um ano após o plantio em área a pleno sol, podem ser observados na Figura 4. Figura 4. Aspectos gerais do desenvolvimento das espécies Cordia trichotoma (a), Araucaria angustifolia (b) e Mimosa scabrella, aos 12 messes após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. Ao lado das plantas, a escala de referência tem 1 m de altura. Experimento 2: Enriquecimento de capoeira A análise de variância demonstrou diferença significativa no crescimento em altura, diâmetro do coleto e relação H/DC das espécies florestais testadas (p<0,05). No que se refere a altura o maior valor foi verificado para plantas de M. scabrella, seguido por S. parahyba, Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 98 sendo as únicas com média de altura superior a 100 cm após 12 meses do plantio (Figura 5a). Adicionalmente, todas as espécies apresentaram coeficiente de variação abaixo de 15%, ba- sicamente destacando a mesma qualidade de desenvolvimento. O menor CV foi apresentado pela espécie S. parahyba (CV=11,42%), seguida por M. scabrella (CV=12,24%), T. claussenii (CV=12,56%) e A. angustifolia (CV=14,58%). Nota-se, nesse caso, que foram relativamente pequenas as variações em altura e os valores de CV foram semelhantes. Figura 5. Crescimento em altura (a), diâmetro do coleto (b) e relação entre altura / diâmetro do coleto (c) de quatro espécies florestais nativas, aos 12 meses após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. Onde: Aa = Araucaria angustifolia; Ms = Mimosa scabrella; Sp = Schizolobium parahyba; Tc = Trichilia claussenii. *Comparação de médias por meio de Teste Tukey a 5% de probabilidade de erro. Aa MsSp Tc Al tur a ( cm ) 0 50 100 150 200 Aa Ms Sp Tc Di âm etr o d o c ole to (m m) 0 5 10 15 20 25 Aa Ms Sp Tc H/ DC (c m mm -1 ) 0 2 4 6 8 10 12 14 c* a b d b* b a c a b cc* (a) (b) (c) Quando analisou-se o diâmetro do coleto observou-se a maior média para a espé- cie S. parahyba (Figura 5b). Por outro lado, a menor média de diâmetro de colo foi apre- sentada pela espécie T. claussenii, com 0,73 cm, valor este que diferiu estatisticamente das demais espécies. Dentre as quatro espécies testadas, a menor variação no CV do diâmetro de colo foi apresentada pela espécie M. scabrella (CV=9,39%), sendo seguida por A. angus- tifolia (CV=13,51%), T. claussenii (CV=13,94%) e S. parahyba (CV=15,81%). Estes valores indicam que as plantas apresentaram pouca variabilidade em seu crescimento secundário. A relação H/DC também apresentou diferença significativa entre as espécies (p<0,05), sendo o maior valor constato para M. scabrella, a segunda espécie com melhor relação H/ DC foi S. parahyba (Figura 5c), o que corrobora com os dados obtidos para H e DC, no qual tais espécies apresentaram o maior crescimento. Os aspectos gerais de desenvolvimento das quatro espécies um ano após o plantio de enriquecimento de capoeira, podem ser ob- servados na Figura 6. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 98 99 Figura 6. Aspectos gerais do desenvolvimento inicial das espécies Schizolobium parahyba (a), Mimosa scabrella (b), Trichilia claussenii (c) e Araucaria angustifolia (d), aos 12 messes após o plantio em área de recomposição florestal a pleno sol, no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. Ao lado das plantas, a escala de referência tem 1 m de altura. DISCUSSÃO Experimento 1: Plantio de espécies a pleno sol Os resultados de crescimento de M. scabrella obtidos no estudo denotam o potencial da espécie em compor plantios de recomposição florestal, bem como a implantação de povoa- mentos homogêneos da espécie, uma vez que apresentou incremento de aproximadamente 220 cm e 14 mm, em H e DC respectivamente, já no primeiro ano de plantio a pleno sol. Caron et al. (2013a) avaliando o crescimento inicial de 4 espécies florestais em diferentes espaçamentos, verificaram elevadas taxas de crescimento de M. scabrella, sendo semelhante ao comportamento de plantas de Eucalyptus grandis. Dessa forma, os resultados obtidos indicam a elevada adaptabilidade ao ambiente e arranque inicial da espécie. No plantio, registrou-se o ataque de Trigona spinipes, sendo verificado danos na cas- ca e/ou quebra dos galhos ou troncos causados pelos insetos, interferindo negativamente no crescimento, denotando em elevada variabilidade entre os indivíduos avaliados. Caron et al. (2013b) avaliando o crescimento de espécies florestais em um Sistema Agroflorestal, também reportaram a ocorrência de insetos da espécie em árvores de M. scabrella, sendo constatado elevada mortalidade. Desse modo, em plantios homogêneos ou consorciados da Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 100 espécie deve-se considerar métodos de controle de T. spinipes, como forma de maximizar as taxas de sobrevivência e crescimento de M. scabrella. C. trichotoma e A. angustifolia apresentaram menores taxas de crescimento, quando comparado ao desenvolvimento de M. scabrella. No que tange a A. angustifolia, Rosot et al. (2017) observaram variação de crescimento em altura de 2,0 m a 3,0 m em um plantio misto de enriquecimento aos 24 meses de idade. Tapanotti et al. (2019) avaliando o desempenho de espécies florestais madeireiras na região sul do Brasil, verificaram crescimento relati- vamente lento para A. angustifolia, especialmente nos primeiros três anos, resultados que corroboram os obtidos no presente estudo. C. trichotoma é considerada uma espécie prioritária para compor plantios de recom- posição no sul do Brasil, sendo considerada uma espécie de rápido/moderado crescimento (CORADIN et al., 2011). Rorato et al. (2018a) verificaram plantas de C. trichotoma com valores médios de H e DC de 87 cm e 12,2 mm, respectivamente, aos 12 meses após a implantação em uma área ripária na região central do Rio Grande do Sul. Berghetti et al. (2020) verificaram maiores taxas de crescimento (H~125 cm ano–1; DC~30 mm ano–1) em plantas de C. trichotoma quando fornecidas maiores taxas fosforo (P) no momento do plantio. Dessa forma, verifica-se o potencial em compor plantios na região sul do Brasil, bem como a responsividade da espécie ao uso de maiores doses de fertilizantes no momento do plantio. Adicionalmente, é necessário enfatizar os danos causados pelas geadas no desenvol- vimento dos indivíduos nesse período. A geada, dependendo da intensidade, compromete o desenvolvimento de plantios iniciais (VANONI et al., 2016; TURCHETTO et al., 2020a). Rorato et al. (2018b) reportaram redução de crescimento de espécies florestais em um plantio de restauração florestal no extremo sul do Bioma Mata Atlântica. No presente estu- do, verificou-se que M. scabrela, A. angustifolia e C. trichotoma, conseguiram retomar seu crescimento após os eventos de geada, sugerindo certa tolerância a baixas temperaturas. Experimento 2: Enriquecimento de capoeira Nesta área, as espécies que se destacaram no crescimento foram M. scabrella e S. pa- rahyba, com elevadas taxas de crescimento, principalmente em H. Os resultados obtidos para M. scabrella corroboram os resultados obtidos no plantio o pleno sol, indicando que a espécie apresenta elevado potencial para compor tanto plantio iniciais a pleno sol, como constituir plantios de enriquecimento de capoira. Os resultados obtidos neste estudo com relação ao crescimento de M. scabrella, podem estar relacionados as características da espécie. Conforme Carvalho (1994), a espécies é pouco exigente quanto às condições físicas e químicas do solo, além disso a rusticidade e o caráter heliófilo da espécie proporcionam rápida cobertura de áreas de solos alterados ou Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 100 101 degradados em que suas populações ocorrem. Assim, denota-se o potencial econômico e ecológico da espécie, uma vez que pode gerar renda em função do seu rápido crescimento, bem como auxilia nas melhorias das propriedades químicas do solo, pela grande quantidade de nitrogênio incorporado ao solo. S. parahyba demonstrou ser uma espécie de rápido crescimento, sendo uma alternativa interessante como espécie de recobrimento em plantios de recomposição florestal. Conforme Coradin et al. (2011), S. parahyba é uma espécie pioneira, heliófila, pouco exigente às con- dições edáficas. Weidlich et al. (2010) avaliando a alocação de recursos no desenvolvimento inicial de plântulas de Schizolobium parahyba, verificaram altos teores de açúcares solúveis alocados para epicótilos, os quais são necessários para suprir a demanda de rápido cres- cimento de S. parahyba como espécie pioneira. Essas características da espécie podem explicar, ao menos parcialmente, a sua vantagem em relação às demais espécies. A espécie com menor taxa de crescimento foi T. claussenii, o qual pode ser um com- portamento esperado da espécie. Turchetto et al. (2020b) avaliando diferentes técnicas silviculturais em um plantio de restauração de mata ciliar no extremo sul do Bioma Mata Atlântica, também verificaram baixo crescimento em H e DC, independentemente da práti- ca utilizada. Conforme Coradin et al. (2011), a espécie ocorre geralmente em solos férteis e ricos em matéria orgânica, preferencialmente em áreas de mata fechada em estádio avançado de regeneração, onde constitui o estrato médio da vegetação. Dessaforma, na introdução da espécie T. claussenii em áreas de recomposição florestal deve-se optar por enriquecer plantios em estágio mais avançado, em que as copas interceptem a maior parte da energia luminosa. Adicionalmente, para a variável diâmetro de colo, todas as espécies apresentaram coe- ficientes de variação abaixo de 16%, indicando que ocorreu taxa de crescimento semelhante dos indivíduos de cada espécie. Além disso, demonstra que, em um ano de desenvolvimento a campo, nenhum fator externo, como insetos, mato competição ou clima, interferiu negati- vamente no desenvolvimento das mesmas. É possível que este resultado esteja associado a maior diversidade de plantas existentes na área, que é de enriquecimento, e também à cobertura orgânica existente no solo resultante de restos da colheita de Eucalyptus grandis que foi realizada previamente ao plantio. Além da contribuição desses fatores, as espécies inseridas na área receberam proteção contra intempéries climáticas proporcionada pelas árvores de maior porte (sub-bosque, árvores entre 5-10 m de altura), tanto nativas quanto exóticas, que não foram removidas na colheita dos indivíduos de Eucalyptus sp. No estudo das espécies nativas para emprego em propriedades rurais, cabe ressaltar que o objetivo de estudar o desenvolvimento das plantas não deve estar atrelado somen- te à comparação entre desenvolvimento das espécies e/ou à qualidade de seus produtos Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 102 madeireiros. Mais do que as taxas de crescimento, deve-se considerar que as espécies nativas podem fornecer, além dos benefícios ecológicos para os locais em que estão sendo inseridas (como, por exemplo, melhoria no microclima, combate à erosão, alimentos e abri- go para a fauna, etc.), produtos diferenciados, como é o caso das sementes comestíveis e as flores para a produção de mel. Além disso, é importante enfatizar que, a fim de adquirir mais informações sobre o comportamento inicial dessas espécies, é necessário ampliar a o tempo de observação, bem como realizar estudos adicionais em outras regiões subtropicais. CONCLUSÕES Schizolobium parahyba e Mimosa scabrella foram as espécies de desenvolvimento mais acelerado, e por isso podem, a princípio, ser indicadas como promissoras para a cons- tituição ou reconstituição de áreas florestais e possivelmente, para a eventual obtenção de renda em menor espaço de tempo. Araucaria angustifolia e Trichilia claussenii demonstraram desenvolvimento relativamen- te baixo, ao passo que Cordia trichotoma demonstrou ser uma espécie de desenvolvimento mediano em relação às demais espécies. Com relação às características morfológicas, M. scabrella desenvolveu muito em altura, o que associado aos ataques da abelha T. spinipes resultou na quebra de galhos e/ou do tronco das plantas, condição que inspira cuidados especiais com relação ao tutoramento de mudas e ao controle da ação dos insetos. As demais espécies apresentaram menor relação H/D, o que influenciou na maior estabilidade de seus caules. Apesar das diferenças nas características de desenvolvimento das cinco espécies tes- tadas, todas podem ser consideradas promissoras para uso em plantios de recomposição florestal na região em que o estudo foi desenvolvido. A composição de povoamentos com diferentes espécies tende a resultar em importantes contribuições às questões ambientais e econômicas de uma propriedade rural. Agradecimentos Os Autores agradecem o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo auxílio financeiro na forma de bolsa de pesquisa e provimentos necessários à execução do presente trabalho. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 102 103 REFERÊNCIAS 1. ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P.C.; GONCALVES, J. L. M.; SPAROVEK, G. Köppen’s climate classification map for Brazil. Meteorologische Zeitschrift, v. 22, n. 6, p. 711 - 728, 2013. 2. BERGHETTI, Á. L. P.; ARAUJO, M. M.; TABALDI, L. A.; TURCHETTO, F.; AIMI, S. C.; RORATO, D. G.; MARCHEZAN, C.; GRIEBELER, A. M.; BARBOSA, F. M.; BRUNETTO, G. Morphological, physiological and biochemical traits of Cordia trichotoma under phosphorous application and a water-retaining polymer. Journal of Forestry Research, v. 31, n. 3, 2020. 3. BERTACCHI, M. I. F.; AMAZONAS, N. 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Revista Árvore, Viçosa, v. 34, n. 4, p. 627-635, 2010. 07 Dinámica de crecimiento de las especies forestales en una parcela permanente en el bosque seco La Ceiba, Zapotillo, Loja, Ecuador Zhofre Aguirre-Mendoza Universidad Nacional de Loja Jhonatan Alverca-Álvarez Universidad Nacional de Loja Cristian Contento-Yunga Universidad Nacional de Loja '10.37885/220308284 https://dx.doi.org/10.37885/220308284 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 106 Palabras-Clave: Parcela Permanente, Dinámica de Crecimiento, Mortalidad, Reclutamiento, Crecimiento, Incremento Periódico Anual y Variables Dasométricas. RESUMEN El conocimiento de la dinámica de crecimiento de las especies forestales es fundamental para su manejo y conservación dentro del bosque. El estudio se desarrolló en el bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, con el objetivo de determinar la dinámica de crecimiento de las especies leñosas en una parcela permanente. Se remidió una parcela permanente de 1 ha, considerando individuos mayores a 5 cm de D1,30 m; se midió el D1,30 m y altura total, incluyendo los individuos nuevos o ingresos. Se calculó el crecimiento e incremento periódico del D1,30 m, altura, área basal y volumen. Se encontraron 935 individuos/ha, de 30 especies de 29 géneros y 22 familias, existe una mortalidad del 2,5 (195 individuos) y 168 individuos/ha que han ingresado que representan el 2,2 %, el dinamismo es de 2,3 %. El período de análisis es de nueve años, se registró un crecimiento en diámetro de 0,037 m/ha, en altura de 3,29 m/ha, en área basal de 0,0208 m2/ha y en volumen de 0,2922 m3/ ha. El incremento periódico anual del diámetro es de 0,0042 m/ha/año, de altura 0,3629 m/ha/año, de área basal 0,0023 m2/ha/año y de volumen 0,0325 m3/ha/año. Las espe- cies que mayor crecimiento promedio presentan durante el periodo son: en D1,30 m Ceiba trichistandra (0,029 m/ha) y Acacia macracantha (0,01 m/ha), en altura Ceiba trichistandra (1,04 m/ha) y Celtis iguanaea (0,86 m/ha), en área basal Ceiba trichistandra (0,046 m2/ ha) y Acacia macracantha (0,007 m2/ha), y en volumen Ceiba trichistandra (0,733 m3/ha) y Acacia macracantha (0,065 m3/ha). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 106 107 INTRODUCCIÓN Los bosques secos, llamados también bosques estacionalmente secos, son ecosiste- mas, con crecimiento lento de sus especies, y la mayoría de sus plantas se defoliación para conservar la humedad y adaptarse a las escasas precipitaciones y humedad. En Ecuador los bosques secos se encuentran en el centro y sur de la región Litoral, en las provin- cias de Manabí, Santa Elena, Guayas, El Oro y Loja. En Loja, los bosques secos ocupan un extensión de 3 400 km2 y se encuentran entre 0 a 1 000 msnm (Aguirre et al., 2006; Aguirre y Kvist, 2009). Los bosques secos son ecosistemas que poseen una gran diversidad biológica, alberga más de 400 especies de aves y 150 de mamíferos, de las cuales más de 40 especies de aves y una de cada cinco plantas son endémicas (The Nature Conservancy -TNC-, 2016). Por lo que se considera a estos bosques como el "Corazón del Centro de Endemismo Tumbesino". Por esta razón, la UNESCO en 2014 declaró e inscribió a estos bosques en la Red Mundial de Reservas de Biosfera (Ministerio del Ambiente del Ecuador -MAE-, 2014). El bosque seco es un ecosistema presionado y de crecimiento lento, por ende el estu- dio de la dinámica de crecimiento de las especies forestales es importante para entender el comportamiento de las especies y planificar la conservación de los bosques secos. Además, del constante cambio en número de individuos, es fundamental conocer el decrecimiento o desaparición, para dar paso a las nuevas especies en el proceso natural de sucesión. En este contexto el estudio realizado constituye una base científica para comprender el comportamiento de las especies y realizar una adecuada planificación para el manejo y conservación de los bosques secos; el objetivo de determinar la dinámica de crecimiento de las especies leñosas en una parcela permanente de una hectárea. Se presenta la dinámica de crecimiento de las individuos con D1,30 m igual o mayor a 5 cm, la mortalidad y reclutamiento de individuos, el crecimiento e incremento periódico del D1,30 m, altura, área basal, volumen y crecimiento bruto periódico anual de las especies vegetales del bosque con y sin ingreso. METODOLOGÍA Ubicación del Área de Estudio El área estudiada es la Reserva Natural La Ceiba, ubicada en el cantón Zapotillo, provin- cia de Loja, de propiedad de la Fundación Naturaleza y Cultura Internacional (NCI). La parcela permanente se encuentra ubicada entre las coordenadas: 582 574 E, 9 532 733 N; y 582 472 E, 9 532 631 N (Figura 1, 2). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 108 Figura 1. Ubicación espacial del área de estudio. Figura 2. Panorámica de bosque seco de Zapotillo, Ecuador. Descripción de la parcela permanente La parcela permanente evaluada, está ubicada en el centro del bosque de la Reserva Natural La Ceiba, a 160 m del costado de la vía con el fin de evitar el efecto de borde. Tiene un área de 1 ha (100 x 100 m), dividida en 25 subparcelas de 400 m2, conforme se ilustra en la Figura 3. Cada árboles esta etiquetado con una letra y número que representa la parcela y el número de árbol, esta parcela fue instalada por Granda y Guamán (2006). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 108 109 Figura3. Esquema de distribución de las subparcelas permanente. Medición de datos de individuos arbóreos iguales o mayores a 5 cm de D1,30 m Se realizó la nueva remedición de todos los individuos arbóreos registrados en la pri- mera medición (hace nueve años); además, se midió el D1,30 m y altura total de los individuos ingresados o reclutados que tengan un D1,30 m mayor a 5 cm. Determinación del dinamismo de las especies arbóreas identificadas Con la base de datos generada en la primera medición (Granda y Guamán, 2006), se procedió a determinar la tasa de mortalidad y reclutamiento de individuos arbóreos, así como también el dinamismo del bosque utilizando las formulas planteadas por Palacios (1997). • • • Donde: – In = Logaritmo natural – No = Número de individuos en la primera toma de datos. – Ns = Número de individuos originales sobrevivientes al final del periodo. – Nf = Número de individuos al final del periodo. – t = Años del periodo. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 110 Evaluación de los incrementos medios anuales de las especies forestales Se calculó el crecimiento e incremento medio anual de D1,30 m, altura total, área basal y volumen, considerando los datos de la primera medición y de la segunda medición (con intervalo de 9 años). Se utilizaron las formulas planteadas por Quezada et al. (2012), pre- sentadas en la Tabla 1. Tabla 1. Formulas empleadas para los cálculos de las variables que integran la dinámica de crecimiento del bosque La Ceiba, Zapotillo, Ecuador. Cr. D = Crecimiento del diámetro. Df = Diámetro al final del periodo. Di = Diámetro al inicio del periodo. Cr. H = Crecimiento de la altura. Hf = Altura al final del periodo. Hi = Altura al inicio del periodo. Cr. G = Crecimiento en área basal. Gf = Área basal al final del periodo. Gi = Área basal al inicio del periodo. Cr. V = Crecimiento en volumen. Vf = Volumen al final del periodo. Vi = Volumen al inicio del periodo. Ipa (D) = Incremento periódico anual del diámetro. Ipa (H) = Incremento periódico anual de la altura. Ipa (G) = Incremento periódico anual del área basal. Ipa (V) = Incremento periódico anual del volumen. Cr. B + i = Crecimiento bruto con ingreso. M = Mortalidad. A = Aprovechamiento. Cr. B – i = Crecimiento bruto sin ingreso. M = Mortalidad. A = Aprovechamiento. CrBPa + i = Crecimiento bruto periódico anual con ingresos. CrBPa – i = Crecimiento bruto periódico anual sin ingresos. i = Ingresos. t = Número de años del periodo. Fuente: Quezada et al. (2012). RESULTADOS Dinamismo de las especies en la parcela permanente El bosque expresa su dinamismo a través de la mortalidad y reclutamiento de individuos al paso de los años. Se encontró 935 individuos/ha, de 30 especies de 29 géneros y de 22 familias (Anexo 1), en la Tabla 2 se detalla el dinamismo. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 110 111 Tabla 2. Dinamismo de la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba, para árboles ≥ 5 cm D1,30 m en el período 2006-2015. Variable 2006 2015 Tasa anual (%) Número de árboles 962 935 Mortalidad 0 195 2,5 Reclutamiento 0 168 2,2 Dinamismo 0 0,0235 2,3 Crecimiento e incremento de las especies en la parcela permanente Los resultados de crecimiento en D1,30 m, altura, área basal y crecimiento volumétrico de la parcela, considerando el número de individuos de cada especie, en un periodo de nueve años se desarrolla en los siguientes párrafos. Crecimiento promedio e incremento periódico anual en diámetro Las especies registradas en la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba, tuvieron un crecimiento promedio en diámetro de 0,0376 m/ha y un incremento periódico anual de 0,0042 m/ha/año. En la Figura 4, se presenta las 10 especies con mayor crecimiento promedio e incremento periódico anual. Figura 4. Crecimiento promedio e incremento periódico anual en diámetro de 10 especies, en un período de nueve años. Crecimiento promedio e incremento periódico anual en área basal En cuanto al crecimiento promedio en área basal, en la parcela existe 0,0208 m2/ha y un incremento periódico anual de 0,0023 m2/ha/año. En la Figura 5, se presenta las 10 especies con mayor crecimiento e incremento periódico anual en área basal. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 112 Figura 5. Crecimiento e incremento periódico anual en área basal de 10 especies, en un período de nueve años. Crecimiento promedio e incremento periódico anual de la altura Las especies presentaron un crecimiento promedio en altura de 3,29 m/ha con un incremento periódico anual promedio de 0,3659 m/ha/año. En la Figura 6, se presentan las 10 especies que mayor crecimiento promedio e incremento periódico anual en altura. Figura 6. Crecimiento e incremento periódico anual en altura de 10 especies, en un período de nueve años. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 112 113 Crecimiento promedio e incremento periódico anual en volumen Las especies obtuvieron un crecimiento promedio en volumen de 0,29 m3/ha, con un incremento periódico anual promedio de 0,0325 m3/ha/año. En la Figura 7, se muestran las 10 especies con su respectivo crecimiento promedio e incremento periódico anual en volumen. Figura 7. Crecimiento e incremento periódico anual en volumen de 10 especies forestales, en un período de nueve años. Crecimiento bruto periódico con y sin ingreso. En la Tabla 3 se muestran los valores obtenidos del crecimiento e incremento perió- dico anual de las diferentes variables evaluadas en la parcela permanente ubicada en el bosque seco La Ceiba. Tabla 3. Crecimiento e incremento periódico anual de las variables dasométricas y volumétricas analizadas en la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba en el periodo 2006 – 2015. Parámetros Unidad de medida Valor obtenido Crecimiento en diámetro m/ha 0,0376 Crecimiento en altura m/ha 3,2934 Crecimiento en área basal m2/ha 0,0208 Crecimiento en volumen m3/ha 0,2922 Incremento periódico anual del diámetro m/ha/año 0,0042 Incremento periódico anual de la altura m/ha/año 0,3659 Incremento periódico anual del área basal m2/ha/año 0,0023 Incremento periódico anual del volumen m3/ha/año 0,0325 Crecimiento bruto del bosque con ingreso m3/ha 56,9768 Crecimiento bruto del bosque sin ingreso m3/ha 53,7129 Crecimiento bruto periódico anual del bosque con ingreso m3/ha/año 6,3308 Crecimiento bruto periódico anual del bosque sin ingreso m3/ha/año 5,9681 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 114 DISCUSIÓN Composición y sucesión de especies en la parcela permanente en la Reserva Natural La Ceiba. En la primera medición se identificaron 30 especies, correspondientes a 29 géneros en 22 familias; composición similar a lo reportando por Buri (2011) en otro sitio de La Ceiba reportando 28 especies dentro de 28 géneros y 19 familias y al estudio de Aguirre et al. (2021) que reporta 32 especies dentro de 32 géneros y 18 familias. Por otra parte, es- tos resultados son altos comparados con el estudio de Bustamante (2009) realizado en la Reserva Laipuna, donde obtuvo 24 especies correspondientes a 24 géneros en 17 familias; y, al estudio realizado por Aguirre et al. (2016) en Algodonal donde reporta 24 especies de 23 géneros y 14 familias. En el periodo de 9 años especies como: Bougainvillea peruviana, Ficus jacobii, Piptadenia flava, Sorocea sprucei y Vernonanthura patens, desaparecieronde forma natu- ral, las cuales a su vez fueron sustituidas por: Celtis iguanaea y Chloroleucon mangense, esto debido a la existencia de claros en el bosque, ocasionado por la caída de grandes individuos de Ceiba trichistandra y Cochlospermun vitifolium que abrieron espacio al morir y caer, datos diferentes a los reportados por Aguirre et al. (2016), quienes en un estudio desarrollado en el bosque seco estacional del sector Algodonal, cantón Macará, provincia de Loja, reportaron únicamente la desaparición de manera natural de Gliricidia brenningii. Dinamismo, mortalidad y reclutamiento de Individuos en la parcela permanente de la Reserva Natural La Ceiba. La tasa anual de dinamismo del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba en nueve años (2006 – 2015), es alto comparado con el estudio realizado por Aguirre et al. (2016) en el bosque Algodonal en un periodo de ocho años (2006 - 2014) donde se obtuvo una tasa anual de dinamismo de 1,5 %, esto debido a la alta diferencia existente entre la mortalidad y reclutamiento ocurrido en los sectores. En cuanto a mortalidad y reclutamiento en el bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, hasta el año 2015 se encontró 195 individuos muertos y 168 reclutados, por lo que se puede interpretar que las especies del bosque seco dentro de la parcela permanente ha decrecido en el tiempo; resultados que concuerdan con lo reportado por Wolfgang y Mariaca (2007), quienes afirman que el bosque seco decrece en el tiempo, reportando 9 individuos muertos y 4 individuos reclutados. Por otra parte se refuta a lo manifestado por Aguirre et al. (2016), que reporta 130 individuos muertos y 137 reclutados, por lo que interpreta que el bosque seco Algodonal se mantiene dinámicamente en el tiempo. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 114 115 La mortalidad en este estudio es de 2,5 % anual, debido a que en la parcela permanente de La Ceiba algunos árboles de gran altura y volumen como Ceiba trichistandra al morir de manera natural caen y derriban árboles que se encuentran a su alrededor aumentando así la mortalidad; por su parte Uslar et al. (2003), reporta que en el bosque seco se da una tasa anual de mortalidad de 1,9 %; resultados similares reportan Wolfgang y Mariaca (2007), con una mortalidad de 2,0 % anual; mientras que Aguirre et al. (2016), discrepa con estos resultados, registrando una tasa anual de mortalidad de 1,5 %. El reclutamiento de individuos al 2015 en la Reserva Natural La Ceiba obtuvo una tasa anual de 2,2 % y, en su mayoría con individuos de Cordia macrantha, debido a que la tem- porada de lluvias ha provocado un deslave en las subparcelas B1 y B2, dando la oportunidad de que estos individuos se desarrollen favorablemente; sin embargo, Aguirre et al. (2016), reporta valores menores en el bosque seco del Algodonal, donde obtuvo una tasa anual de 1,6 % y, los individuos de Simira ecuadorensis con el 52,5 % son los de mayor ingreso; también Wolfgang y Mariaca (2007), en el bosque seco de Santa Cruz, Bolivia, reportan una tasa anual de 0,9 % que es bajo comparado con La Ceiba; igual que Uslar et al. (2003), en el jardín botánico Santa Cruz obtienen una tasa anual de reclutamiento de 0,7 %. Crecimiento e incremento periódico anual de las especies en la parcela Permanente de la Reserva Natural La Ceiba. En cuanto al crecimiento e incremento periódico anual (Ipa) durante un período de nueve años, en el bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba son altos, comparados con el estudio de Aguirre et al. (2016), en un periodo de ocho años, esto debido a la pluviosidad y presencia de hondonadas en los sitios estudiados, donde se almacena agua, favoreciendo el crecimiento de individuos cercanos, además se encuentra dentro de una área protegida por Naturaleza y Cultura Internacional. El crecimiento bruto con y sin ingreso durante un período de nueve años del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, es superior, comparados con el estudio de Aguirre et al. (2016), en un periodo de ocho años con 42,11 m3/ha., más en el crecimiento bruto con ingreso y 39,56 m3/ha, en el crecimiento bruto sin ingreso. En cuanto al volumen total de las especies de la parcela permanente del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, es inferior, comparado con el estudio de Wolfgang y Mariaca (2007) con 79,35 m3/ha., de diferencia; mientras que en relación con el estudio de Aguirre et al. (2016), el volumen es alto, con una diferencia de 71,62 m3/ha. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 116 CONCLUSIONES El bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba, en un periodo de nueve años ha decrecido, presenta una mortalidad de 195 individuos/ha., que equivale a una tasa del 2,5 %; y reclutó 168 individuos /ha., que representa el 2,2 %, dando un dinamismo del 2,3 % anual, esta situación no es generalizada para los bosques secos, pero es un buen indicio para considerar que estos ecosistemas son muy susceptibles al cambio climático, por esta razón tal vez muchos árboles murieron y pocos ingresaron, otros factores que influyen son deslizamiento de tierras y caída de árboles de Ceiba trichistandra de gran tamaño que des- truyen los individuos jóvenes. La composición florística del bosque seco de la Reserva Natural La Ceiba duran- te el periodo de evaluación se mantiene, se registra el aparecimiento de Celtis iguanaea y Chloroleucon mangense y la desaparición de Bougainvillea peruviana, Ficus jacobii, Piptadenia flava, Sorocea sprucei y Vernonanthura patens, estos registros demuestran el dinamismo existente en el bosque seco, especialmente que desaparecen son pioneras, que seguramente dieron espacio a otras intermedias y clímax. La especie con mayor incremento periódico anual en diámetro, área basal, altura y volumen es Ceiba trichistandra con un diámetro de 0,029 m/ha/año, en altura 1,044 m/ha/ año, en área basal 0,046 m2/ha/año y en volumen 0,733 m3/ha/año. REFERENCIAS 1. Aguirre, Z. Kvist L. y Linares R. (2006). Especies leñosas y formaciones vegetales en los bos- ques estacionalmente secos de Ecuador y Perú. Arnaldoa, 13(2), 324 – 350. 2. Aguirre, Z. y Kvist, L. (2009). Composición florística y estructura de bosques estacionalmente secos en el sur-occidental de Ecuador, provincia de Loja, municipios de Macara y Zapotillo. Arnaldoa 16(2), 87 – 99. 3. Aguirre Mendoza Z., J. L. Reategui Betancourt, V. H. Eras. (2016). Dinámica de crecimiento de las especies leñosas en una parcela permanente de bosque seco en Loja, Ecuador. Arnaldoa 23 (1), 235 – 246. 4. Aguirre, Z., Aponte, C., y Quizhpe, W. (2021). Bosque seco de la parroquia Mangahurco, Zapotillo, Loja, estudio de su composición florística, estructura y endemismo. Revista Ciencia Latina, 5(1), 7162-7182. DOI: https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i5.838 5. Buri, D. (2011). Composición florística, estructura y endemismo en el bosque seco de la re- serva natural “La Ceiba”, cantón Zapotillo, Provincia de Loja. [Tesis de Ingeniería Forestal. Universidad Nacional de Loja]. Loja, Ecuador. https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i5.838 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 116 117 6. Bustamante, E. (2009). Composición florística, estructura y endemismo en el bosque seco de la Reserva Natural Laipuna, Macara, Loja. [Tesis de Ingeniería Forestal. Universidad Nacional de Loja]. Loja, Ecuador. 7. Granda, V. Guamán S. (2006). Composición florística, estructura, endemismo y etnobotánica de los bosques secos “Algodonal” y “La Ceiba” en los cantones Macará y Zapotillo de la provincia de Loja. [Tesis Ingeniero Forestal, Universidad Nacional de Loja]. Loja, Ecuador. 8. Ministerio del Ambientedel Ecuador (MAE). (2014). Bosque Seco ecuatoriano es parte de la Red Mundial de Reservas de Biosfera de la UNESCO. http://www.ambiente.gob.ec/bosque- -seco-ecuatoriano-es-parte-de-la-red-mundial-de-reservas-de-biosfera-de-la-unesco/ 9. Palacios, W. 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Estructura, composición y dinámica del bosque seco Chi- quitano. San Ignacio de Velasco, Bolivia. 08 Elaboração de programas de secagem para madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora Thallyta Barros da Silva UFT Renata Carvalho da Silva UFPR Natália Stheffany de Brito Lima UFT Lorrainy Azevedo de Carvalho UFT Karolayne Ferreira Saraiva UFT Júlia Gabriela do Nascimento Mendes UFT Pedro Lício Loiola UFPR Morgana Cristina França UFPR Cristiano Bueno de Moraes UFT Raquel Marchesan UFT '10.37885/220308101 https://dx.doi.org/10.37885/220308101 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 119 Palavras-chave: Defeitos de Secagem, Fluxo de Fluidos, Taxa de Secagem. RESUMO Este estudo teve por objetivo determinar as temperaturas iniciais, finais e o potencial de secagem adequados para o melhor gerenciamento do processo de secagem da madeira em estufas convencionais para as espécies de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora. Foram utilizadas amostras com dimensões nominais de 100,0 mm x 55,0 mm x 10,0 mm (comprimento, largura e espessura) tendo a determinação dos parâmetros para a elabo- ração do programa de secagem o método de secagem drástica a 100°C. Os resultados obtidos mostram que as madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora, possuem massa específica básica compreendendo valores de 0,562 a 0,782 g.cm–3, as quais se classificam como madeiras de média densidade e alta densidade. Quanto ao tempo de secagem e a velocidade de secagem das espécies estudadas, os Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora, são espécies que possuem baixa permeabilidade e baixa propen- são à incidência de defeitos de colapso e rachaduras durante o processo de secagem. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 120 INTRODUÇÃO A secagem da madeira é uma etapa de grande importância nos processos de trans- formação, pois proporciona a melhoria das características de trabalhabilidade, estabilida- de dimensional e minimiza a incidência de ataques por organismos xilófagos. Além disso, quando o processo é realizado e conduzido de maneira adequada, obtém-se considerável redução dos custos envolvidos e maior controle das etapas subsequentes de beneficiamento da matéria-prima (GLASS et al, 2010). Esta etapa do processo produtivo, demanda eleva- do consumo de energia elétrica e térmica, resultando em investimentos iniciais elevados, quando comparados ao método de secagem natural. Essas são as principais razões para a comunidade científica, juntamente com empreendedores buscarem maiores informações sobre a qualidade da madeira após a secagem, em que a utilização de um programa de secagem adequado é de fundamental importância. Madeiras do gênero Eucalyptus tem por característica a secagem de forma lenta, difí- cil e complexa (LOIOLA et al. 2015; LIEBL et al. 2017), em razão principalmente, da baixa permeabilidade, a qual é responsável por um acentuado gradiente de umidade, elevadas contrações, alta suscetibilidade ao colapso, rachaduras e altas tensões de secagem. Além da baixa permeabilidade, a manifestação de tensões de crescimento contribui para maior aparecimento de defeitos, tornando a secagem da madeira de Eucalyptus ainda mais com- plexa (MARCHESAN et al. 2015). Portanto, ao adotar programas de secagem suaves, que utilizam baixas temperaturas e altas umidades relativas até completa remoção de água livre, existem técnicas complementares que são promovidas, com o emprego de tratamen- tos antes da secagem, visando reduzir o tempo e melhorar a qualidade da madeira (PAES et al. 2015) como a vaporização das toras, utilização de herbicidas e anelamento da árvore para tentar reduzir a manifestação das tensões de crescimento durante o desdobro e se- cagem da madeira. Dentre as espécies que mais se destacam na indústria madeireira estão as dos gêneros Eucalyptus e Corymbia que pertencem à família Myrtaceae e possuem mais de 800 espé- cies, variedades e híbridos, o qual vem evoluindo constantemente a nível de melhoramento genético ao longo dos anos (ACR, 2015). Em função da importância econômica dos plan- tios comerciais de Eucalyptus, os interesses e investimentos em programas de secagem, gerenciamento da secagem, melhoramento genético e manejo para espécies do gênero têm se intensificado e proporcionado o desenvolvimento e aprimoramento de técnicas para avaliação e seleção de clones com bons fenótipos para as características silviculturais e tecnológicas (RAMALHO et al., 2012). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 120 121 Portanto, este trabalho teve como objetivo determinar as temperaturas iniciais, finais e o potencial de secagem adequados para o melhor gerenciamento do processo de secagem da madeira em estufas convencionais. MATERIAIS E MÉTODOS Localização e características das amostras de madeiras A madeira utilizada no presente estudo foi proveniente de plantio localizado no muni- cípio de Aliança – TO (11.8173° S, 49.5242° W) com idade de 08 anos, sendo seleciona- das e traçadas três árvores com bom aspecto fitossanitário. A seleção das árvores para a derrubada considerou o aspecto visual do fuste, dando preferência às árvores com tronco cilíndrico, reto, sem bifurcações e sem defeitos. Foram avaliadas madeiras das espécies de Eucalyptus urophylla, Eucalyptus camaldu- lensis, o híbrido Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis e Corymbia citriodora. Para cada espécie, foram confeccionados dez corpos de provas com dimensões nominais de 100,0 x 55,0 x 10,0 mm (comprimento, largura e espessura), sendo selecionadas 40 amostras para a elaboração dos programas de secagem. Para a determinação das propriedades físicas da madeira (teor de umidade e massa específica básica) foram utilizadas cinco repetições por espécie, tendo as amostras dimen- sões nominais de 10,0 x 5,0 x 5,0 mm (comprimento, largura e espessura). Caracterização física da madeira Os ensaios para a determinação do teor de umidade inicial e da massa específi- ca básica e aparente a 12% de umidade, foram de acordo com as recomendações da COPANT – 461 (1972). Para a determinação da massa específica aparente, as amostras foram acondicionadas em um ambiente climatizado à temperatura de 25 ± 3ºC e 65 ± 5% de umidade relativa, até massa constante, em seguida determinou-se a massa e o volume dos corpos de provas. Elaboração dos programas de secagem Para a realização dos programas de secagem as amostras foram submetidasà seca- gem em estufa de laboratório aquecida previamente a 100°C, sem sistema de circulação forçada de ar, conforme metodologia proposta por Ciniglio (1998). Durante esta secagem drástica, a evolução dos defeitos (rachaduras e colapso) e a perda de massa foram acom- panhados através de medições periódicas, até que o teor de umidade atingisse cerca de Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 122 5% de umidade final. Em cada avaliação eram mensurados a largura e o comprimento das rachaduras (topo e superfície), considerando-se sempre a maior intensidade de ocorrência do defeito. A determinação do grau de colapso foi realizada de acordo com as recomenda- ções de Welling (1994). Ao término da secagem, foram determinadas as variáveis tempo de secagem e velo- cidade de secagem nas umidades de verde à 30%, 30% a 5% e verde a 5%. Os valores médios das variáveis do ensaio a 100°C (Tabela 2), foram usados na esti- mativa dos parâmetros de secagem, por meio das equações descritas na Tabela 1. Tabela 1. Parâmetros da secagem das madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora. Parâmetro Equação TI 27,9049 + 0,7881 * T2 + 419,0254 V1 + 1,9483 * R2 TF 49,2292 + 1,1834 * T2 + 273,8685 V2 + 1,0754 * R1 PS 1,4586 - 30,4418 * V3 + 42,9653 * V1 + 0,1424 * R3 TI: Temperatura Inicial; TF: Temperatura Final; PS: Potencial de Secagem; T: Tempo de Secagem; V: Velocidade de Secagem; R: Rachadura. Fonte: Ciniglio (1998). Velocidade de secagem A velocidade de secagem foi calculada a partir da equação 1. Sendo que o cálculo foi realizado para as velocidades de secagem das amostras verdes até 5%, de verde até 30% e de 30 até 5% de umidade. (1) Em que: = velocidade de secagem (g/(cm³.h)–¹); = perda média de massa (g); = tempo de secagem (h); = perda média de área (cm²). Análise Estatística O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado. Foi realizado o teste de normalidade e análise de variância (ANOVA). Também se empregou o teste de Tukey para a comparação das médias a nível de 5% de probabilidade, com auxílio do pro- grama estatístico - Sisvar. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 122 123 RESULTADOS E DISCUSSÃO As espécies de E. camaldulensis e o híbrido do cruzamento E. urophylla x E.grandis tiveram densidades que permitem enquadrá-las como madeiras de média densidade. Já as madeiras de E. urophylla e o Corymbia citriodora como madeira de alta densidade (Tabela 2). A densidade da madeira foi classificada, de acordo com os estudos de Melo et al. (1990); Vale et al. (2002); Coradin et al. (2010); Silveira et al. (2013), onde se classificam madeiras de baixa densidade aquelas que apresentam valores abaixo de 0,550 g cm-³, média densidade aquelas com densidade entre 0,550 e 0,720 g cm-³, e madeiras pesadas ou de alta densidade aquelas com valores superiores a 0,730 g cm-³. Figura 1. Massa específica básica para as madeiras de Corymbia citriodora, E. camaldulensis, E. urophylla e E. urophylla x E. grandis. E. urophylla x E.grandisE. urophyllaE. camaldulensisCorymbia citriodora 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Espécies avaliadas M as sa e sp ec íf ic a bá sic a (g .c m -3 ) A densidade da madeira pode ser considerada como resultante da interação das pro- priedades anatômicas e químicas presentes no lenho, afetando de forma significativa a secagem das madeiras, sendo que, madeiras que possuem elevadas densidades, são ma- deiras menos permeáveis (PANSHIN; DE ZEEUW, 1980). A importância em avaliar a massa específica básica da madeira para a secagem é em função da anisotropia da madeira e pela espessura da parede celular que o fluxo de fluido irá percorrer no sentido radial da madeira. Lopes et al. (2011) ao comparar três espécies de eucaliptos obtiveram médias de densidade de 0,690 g.cm–³ para Eucalyptus urophylla, já Torres et al. (2016) encontraram densidade aparente de 0,470 g.cm–³ para madeira de Eucalyptus camaldulensis. Gonçalez et. al. (2014) obteve densidade básica de 0,510 g.cm–³ para madeira do híbrido Eucaliptys urophylla x Eucaliptys grandis e Paula et al. (2014) encontraram densidade básica para Corymbia citriodora de 0,590 g.cm–³. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 124 Tabela 2. Massa específica básica, teor de umidade inicial, tempo de secagem (T1, T2 e T3) e velocidade de secagem (V1, V2 e V3). Espécies Massa específica básica Umidade Inicial T1 T2 T3 V1 V2 V3 (g.cm–3) % Horas [g. (cm².hora)–1] E. urophylla 0,774 A (0,02) 46,99 BC (9,07) 2,51 8,31 11,12 0,0213 0,0122 0,0142 E. camaldulensis 0,675 B (0,04) 52,39 B (10,60) 4,57 8,24 13,21 0,0164 0,0103 0,0127 E. urophylla x E.grandis 0,562 C (0,02) 73,58 A (2,82) 7,37 5,44 13,21 0,0176 0,0116 0,0151 Corymbia citriodora 0,782 A (0,02) 44,44 C (4,40) 5,51 7,04 9,55 0,0260 0,0122 0,0167 Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação; T1: Tempo de secagem de verde até 30%; T2: Tempo de secagem de 30% até 5%; T3: Tempo de secagem de verde até 5%; V1: Velocidade de secagem de verde até 30%; V2: Velocidade de secagem de 30% até 5%; V3: Velocidade de secagem de verde até 5%. Para o teor de umidade inicial das madeiras avaliadas, notam-se valores que com- preendem entre 44,44% e 73,58%. A umidade da madeira, está relacionada principalmente à massa específica básica, pois quanto maior a massa específica da madeira, menor a quantidade de água presente no material. Fato este, observado para as espécies de E. uro- phylla e Corymbia citriodora. A determinação da temperatura ideal para a secagem de qualidade de uma espécie, tem influência direta na quantidade de água capilar presente na madeira, consequentemente, no tempo necessário para remoção deste fluído, em função da baixa permeabilidade que a madeira do gênero Eucalyptus possui (BATISTA et al., 2015). Entretanto, ao construir uma curva de secagem para a madeira em câmara convencional, existe a etapa inicial denominada de aquecimento, onde se eleva a umidade relativa do ambiente de secagem com o intuito de promover o aquecimento das moléculas de água presentes na madeira e homogeneizar o teor de umidade de toda a carga. Em relação ao tempo necessário do fluxo de fluido nas madeiras avaliadas, nota-se que a remoção da água de difusão (abaixo do PSF) para o E. urophylla foi 3,31 vezes maior que o tempo necessário para a remoção da água capilar (2,51 horas). Já o híbrido E. urophylla x E.grandis, teve o fluxo de fluido da água de difusão (5,44 horas) menor que a remoção da água capilar (7,37 horas). Tal fato, está relacionado à combinação dos fatores teor de umidade inicial e massa específica básica da madeira (73,58%; 0,562 g.cm–3, respectiva- mente). Observa-se que madeiras com massa específica de 0,680 e 0,560 g.cm–3 e teor de umidade inicial 52,39% e 73,58%, respectivamente para às espécies de E. camaldulensis e o híbrido E. urophylla x E. grandis, o tempo necessário para o fluxo da água de difusão foi de 2,4 vezes superior para a madeira com maior massa específica básica (E. camaldu- lensis). Esta análise evidencia a forte relação da massa específica da madeira com o fluxo de fluído no material poroso. Quanto à velocidade de secagem ou taxa de secagem, sendo o tempo necessário para a remoção de água capilar da madeira (v1) ou, remoção da água higroscópica da madeira Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 124 125 (v2) ou da água total presente na madeira (v3), está diretamente relacionado à quantidadede água a ser removida (teor de umidade) e o tempo necessário para o fluxo. Portanto, quanto maior o tempo de fluxo de água, menor é a velocidade de secagem ou taxa de secagem. Outro fator relacionado à velocidade de secagem é a permeabilidade da madeira a líquidos, sendo esta, diretamente relacionada à viscosidade do fluido (SIAU, 1971). Os baixos valores obtidos para a velocidade de secagem, condizem com os elementos vasculares presentes na madeira de Eucalyptus, geralmente curtos e com placa de perfuração simples (NISGOSKI et al. 1998), apresentando pouca resistência à passagem dos fluidos. Estes podem ser so- litários ou múltiplos, comunicando-se com os adjacentes por meio de pares de pontoações, que auxiliam na passagem dos fluídos entre eles (PANSHIN; ZEEUW, 1980). Ao avaliar estudos semelhantes a este na literatura, Barbosa et al. (2005) estudaram 10 clones de Eucalyptus spp. e obtiveram tempos de secagem compreendendo valores de 14,31 e 8,48 horas. Já, Eleotério et al. (2015) encontraram tempos de secagem para a água capilar de 2,7 horas para o híbrido de Eucalyptus urophylla x Eucaliptys grandis e uma velo- cidade de secagem de 0,0344 g/cm².h, 0,0733 g/cm².h, 0,0144 g/cm².h. Para o Corymbia os mesmos autores detectaram a necessidade de 3,0 horas para a remoção da água capilar. A remoção da água capilar na madeira do gênero Eucalyptus ocasiona danos nas es- truturas anatômicas tornando a madeira mais suscetível a defeitos, sendo muito propenso a ocorrência de defeitos no início da secagem (colapso). À medida que o teor de umidade da madeira reduz, inicia-se o fluxo de fluidos por difusão de vapor, função do gradiente de vapor existente na parede celular da madeira. Neste momento o processo torna-se mais lento, necessitando de mais calor e permitindo assim aumentar a velocidade de seca- gem (SIAU, 1971). Com relação à ocorrência de defeitos originários pela secagem da madeira (Tabela 3), observa-se que a espécie que obteve a maior incidência de colapso e rachadura foi o E. uro- phylla. Para o C. citriodora não foi observado este tipo de defeito, entretanto foi obtido maior escore de rachaduras em todas as fases da secagem drástica. Tabela 3. Variáveis de determinação de defeitos das madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia citriodora à 100ºC. Espécies Colapso (mm) Escore de Rachaduras R1 R2 R3 Eucalyptus urophylla Eucalyptus camaudulensis E. urophylla x E. grandis Corymbia citriodora 0,48 (40,90) 0,33 (72,90) 0,38 (48,19) Ausente 2,07 0,86 0,30 2,72 1,10 0,80 0,30 1,30 2,10 0,90 0,30 2,70 Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação. R1= Rachadura de topo da Ui até 5%; R2= Rachadura de topo da Ui até 30%; R3= Rachadura de topo da Ui de 30% a 5%. A espécie de C. citriodora destaca-se pela ausência de colapso, indicando que pro- vavelmente as tensões geradas foram menores, e as forças de compressão e tração não Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 126 ocasionaram fissuras nas amostras. Esse defeito ocorre durante a retirada da água capilar, estando relacionado com a permeabilidade da madeira. O grau de colapso obtido foi baixo com relação à média das espécies do gênero (BARBOSA et al., 2005; REZENDE et al., 2015), esse comportamento pode ser em função do baixo teor de umidade. Comparando resultados com a literatura, Barbosa et al. (2005) obtiveram valores de colapso para várias espécies de Eucalyptus spp. entre 1,67 e 5,0 sendo classificados com baixo e alto grau de colapso. Rezende et al. (2015) trabalhando com efeito da vaporização na secagem de tábuas em madeiras de Eucalyptus grandis tiveram como resultado grau de colapso forte, ou seja, valores superiores aos encontrados nesta pesquisa. A localização das rachaduras foi manifestada em três momentos distintos que cor- respondem aos teores de umidade de verde a 30% (água capilar), verde a 5% e de 30% a 5% (água higroscópica), sendo basicamente no topo e na superfície das peças, em que se verificava maior incidência. De acordo com Galvão e Jankowsky, (1985) as rachaduras aparecem como consequência da diferença de retração nas direções radial e tangencial da madeira, e de diferenças de umidade entre regiões contíguas da mesma peça, durante o processo de secagem. A maior presença de rachaduras foi verificada no teor de umidade de verde até 5% (fluxo de fluido de difusão e capilaridade), este comportamento já era previsto, pois geralmente as rachaduras ocorrem no início da secagem (remoção água capilar), quando as camadas externas estão sofrendo tensões suficiente para ocasionar fissuras das microfibrilas de celulose da madeira. Klitzke et al. (2010) ainda complementam que madeiras de grã reta (fibras paralelas ao eixo longitudinal da peça serrada), possuem a tendência de minimizar os defeitos oriundos do processo de secagem. Com base nas informações contidas nas Tabelas 2 e 3 foram determinadas faixas de temperaturas (inicial e final), assim como o potencial de secagem com o objetivo de nortear a comunidade científica e à indústria de beneficiamento da madeira a elaborar curvas ou programas de secagem que minimizem os defeitos oriundos desta etapa (Tabela 4) Tabela 4. Parâmetros de temperatura inicial, temperatura final e potencial de secagem das madeiras de Eucalyptus spp. e Corymbia Citriodora para a secagem drástica a 100°C. Espécies Temperatura Inicial (100°C) Temperatura Final (°C) Potencial de Secagem (PS) Eucalyptus urophylla Eucalyptus camaldulensis E. urophylla x E. grandis Corymbia citriodora 38,06 (6,37) 38,42 (6,40) 40,65 (2,60) 39,48 (8,77) 60,26 (4,09) 60,06 (3,45) 63,11 (1,01) 62,27 (4,44) 1,99 (14,83) 1,81 (11,31) 1,80 (4,88) 2,19 (16,40) Nota: Valores entre parênteses indicam os coeficientes de variação. O programa de secagem para as espécies de Eucalyptus sugere uma temperatura inicial de 40°C, baixas diferenças psicrométricas e alta umidade relativa até o ponto de saturação das fibras. A partir desse ponto a combinação de temperaturas inicial e final passam a ser Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 126 127 maiores, acelerando o processo de secagem, até atingir a temperatura final que variou de 60,26°C a 63,11°C. Os valores do potencial de secagem variaram em torno de 1,80 e 2,19, tendo o programa de secagem considerado suave (KLITZKE, 2007). Os valores obtidos neste trabalho para a temperatura inicial são similares aos obtidos por Barbosa et al. (2005); Eleotério et al. (2015); Batista et al. (2015) ao estudarem madeiras de Eucalyptus spp. CONCLUSÃO As madeiras tiveram massa específica básica consideradas como média e alta densidade. As madeiras de Eucalyptus spp. e C. citriodora podem ser consideradas como de difícil secagem, consequentemente, necessitam de tempos elevados de secagem. As espécies apresentaram baixas susceptibilidade a ocorrências de defeitos como rachaduras e colapsos. A temperatura inicial de secagem recomendada para as espécies avaliadas é próxima de 40 ºC. O potencial de secagem recomendado para a secagem é de 1,80 a 2,20. REFERÊNCIAS 1. BARBOSA, C. G.; LIMA, J. T.; ROSADO, S. C. D. S. R.; TRUGILHO, P. F. Elaboração de um programa de secagem para madeiras de clones de híbridos de Eucalyptus spp. Cerne, v. 11, n. 1, p. 40-48, 2005. 2. BATISTA, D. C; KLITZKE, R. J.; ROCHA, M. P. qualidade da secagem convencional conjunta da madeira de clones de três espécies de Eucalyptus sp. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 25, n. 3, p. 711-719, 2015. 3. CINIGLIO, G. Avaliação da secagem de madeira serrada de E. grandis e E. urophylla. 69f. 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RESUMO A restauração florestal, após a lavra do minério, abrange vários pressupostos; dentre esses, destacam-se a necessidade de o ecossistema restaurado conter um conjunto de espécies estruturantes (espécies-chave) que ocorre no ecossistema de referência (floresta original), e desta forma, proporcionar uma estrutura apropriada de comunidade, além de ser constituído do maior número possível de espécies nativas. O conceito de espécie es- truturante envolve duas características essenciais que se espera daquelas espécies que serão selecionadas: refletir uma distribuição diamétrica dos seus indivíduos semelhante àquela da floresta original e, apresentar uma composição florística, traduzida pelas prin- cipais famílias e associações de gêneros, análoga àquela observada na florestal original. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 132 INTRODUÇÃO Na restauração busca-se a todo momento, o aprimoramento constante das diversas etapas de tal forma que sua trajetória seja a mais precisa possível culminando-se, assim, numa restauração de precisão. A restauração florestal em sentido amplo, é a melhoria das funções do ecossistema sem que necessariamente se atinja um retorno a condições pré- -distúrbios (Aronson et al., 2011). Geralmente, é dada ênfase à recuperação de processos e funções do ecossistema sem que haja um compromisso explícito em se restabelecer a composição florística original (SER, 2004; Clewell e Aronson, 2007) mas, sim, da estrutura vertical e das principais famílias e gêneros da nova floresta em formação (Salomão et al. 2012a, 2012b; Salomão 2014, 2015). A restauração florestal, após a lavra do minério abrange vários atributos. Dentre esses, destaca-se a necessidade de o ecossistema restaurado conter um conjunto de espécies estruturantes (espécies-chave) que ocorre no ecossistema de referência (floresta original), e desta forma, proporcionar uma estrutura apropriada de comunidade, além de ser constituído do maior número possível de espécies nativas. O conceito de espécie estruturante envolve duas características essenciais que se espera daquelas espécies que serão selecionadas para compor o mix (cesta) de espécies para a restauração florestal de precisão: refletir uma distribuição diamétrica dos seus in- divíduos semelhante àquela da floresta original e, apresentar uma composição florística,traduzida pelas principais famílias e associações de gêneros, análoga àquela observada na florestal original (anterior a supressão vegetal para a mineração), conforme demonstrado por Salomão et al. (2012b, 2015). Um importante instrumento da ecologia de comunidade é a análise multivariada, que trata todas as variáveis simultaneamente, sumariando os dados e revelando a sua estrutura com a menor perda de informações possível (Gauch, 1982; Pielou, 1984). Diferentemente da estatística clássica, que possibilita o teste de hipótese, as análises multivariadas se pres- tam mais a investigar os dados e gerar hipóteses (Gauch, 1982; Oliveira-Filho et al. 1994). Recentemente as análises multivariadas tornaram-se instrumentos acessíveis, apesar de há muito conhecidas (Goodall, 1954). Muitos estudos em comunidades vegetais utilizam como base esse tipo de análise, seja para agrupar amostras, classificar tipos de formações, rela- cionar variáveis ambientais às diferenças na comunidade ou mesmo para definir prioridades para a conservação (Taggart, 1994; Ogutu, 1996; La Roi, 1992; Kappelle et al., 1995). As florestas densas que recobrem praticamente toda a Amazônia têm milhares espécies arbóreas; cerca de 16 mil espécies segundo estudo de Steege (2013). Em áreas pontuais onde ocorre a mineração o número de espécies chega a atingir oito centenas (Salomão et al 2012a,b). No sentido de propiciar uma forma de selecionar as espécies estruturantes Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 132 133 da comunidade florestal, Salomão et al (2012b, 2015) propuseram a adoção do índice fitos- sociológico e socioeconômico (IFSE), obtido por técnicas de análise multivariada. Objetivou-se neste trabalho aplicar o índice fitossociológico e socioeconômico - (IFSE) em todas as espécies inventariadas do Platô Monte Branco (onde a Mineração Rio do Norte - MRN promove a restauração florestal desde o ano de 1979), para determinação das espécies estruturantes que deverão ser empregadas nos plantios para restauração de áreas mineradas. Foi também determinada a densidade de plantio (nº de mudas ha–1) dessas espécies-chave. O uso do índice (IFSE) poderá auxiliar também na tomada de decisão de quais es- pécies arbóreas estruturantes deverão ser selecionadas nos trabalhos de restauração flo- restal em áreas de preservação permanente (APPs) e áreas de reserva legal (ARL) que, com o advento do cadastro ambiental rural, obriga os proprietários e detentores de posses a recuperar o passivo ambiental da propriedade (APP e/ou ARL) e que, no caso do Pará, dependendo do zoneamento ecológico-econômico, poderá ser de 50% ou 80% do total da área da referida propriedade. METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido no Platô Saracá (altitude média de 180 m) da Floresta Nacional Saracá Taquera (01º45’16,0” S - 056º23’09,4” W), subordinada ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade-ICMBIO, onde é desenvolvido o projeto de mineração de bauxita da MRN, no distrito de Porto Trombetas, município de Oriximiná, estado do Pará. O processo de amostragem da vegetação utilizado no inventário florestal foi baseado na amostragem sistemática. A estrutura horizontal da floresta foi caracterizada através das variáveis fitossociológicas incluídas na análise fatorial como abundância (NI), frequência (FQ) e área basal/dominância (AB) das espécies registradas nas parcelas da amostra. Além destas variáveis foram incluídas outras três na construção do índice: a biomassa dos indivíduos das espécies (Y), uma econômica relativa ao valor comercial da madeira de cada espécie (VCM) e uma socioeconômica que abrangeu o uso e a utilidade expressado através da quantidade de produtos florestais não madeireiros da espécie (PFNM). A biomassa aérea viva (Y, peso seco, em kg) dos indivíduos das espécies foi estimada através da equação alométrica em função do diâmetro a 1,30 m do solo (D, em cm), Y = 38,4908 - 11,7883D + 1,1926D² (r² = 0,78), proposta por Brown et al. (1989), para indivíduos com DAP ≥ 10 cm. No caso da variável econômica (VCMr) multiplicou-se o volume comercial total (m³) da espécie pelo respectivo valor da madeira em tora (R$/m³). A variável socioeconômica, referente ao uso/ utilidade da espécie quantificou o número de aplicações (PFNM) de cada espécie em: ali- mento para o homem (AH), espécie medicinal (ME), produção de corante (CO), produção de essência aromática (EA), produção de fibra (FI), produção de látex (LA), produção de Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 134 óleos essenciais (OE); produção de resina (RE) e produção de substância venenosa (VE), de acordo com Salomão et al. (1995), Shanley e Medina (2005), Shanley e Rosa (2005) e Salomão et al. (2007). O modelo do índice fitossociológico e socioeconômico (IFSE), analisado neste trabalho, é uma função de seis variáveis quantitativas e igual número de variáveis qualitativas expres- sadas pelas respectivas variáveis dummy (VD). (i) Variáveis quantitativas: abundância relativa (NIr), frequência relativa (FQr), área basal/dominância relativa (ABr), biomassa relativa (Yr), valor comercial da madeira em tora e em pé relativa (VCMr), quantidade de produtos florestais não madeireiros relativa (PFNMr). (ii) Variáveis qualitativas: adicionalmente, definiu-se para cada uma destas variáveis, uma variável qualitativa (variável dummy) para captar a influência das espécies em que pelo menos 50% dos valores das variáveis envolvidas constavam na amostra. O IFSE foi definido por Salomão et al (2012a,b) como sendo (Equação 1): � �= ÷ ÷ ÷ ÷ � � � � � � � � = q j ij j j j ki FPIFSE 1 , � � (Eq. 1) em que λ é a variância explicada por cada fator e Σλ é a soma total da variância expli- cada pelo conjunto de fatores comuns extraídos. RESULTADOS Foram registrados nas 301 parcelas (2.500m² por parcela) do inventário florestal do Platô Monte Branco 36.546 árvores, totalizando 745 espécies, distribuídas em 61 famí- lias. A adequação da análise fatorial foi determinada pelos testes Bartlett e KMO. O teste de Bartlett indicou que as correlações, em geral, são significantes ao nível de 1% de proba- bilidade. O teste KMO no valor de 0,725, indicou que as variáveis estão correlacionadas e o modelo fatorial apresentou um bom nível de adequação aos dados. O IFSE calculado para cada uma das espécies variou de 0,115% a 0,369% conse- quentemente, a amplitude total de 0,255%, dividida por 3, gerou os três intervalos pré-esta- belecidos quanto a predominância ecológica e socioeconômica das espécies alta (0,369% a 0,285%), média (0,284% a 0,201%) e baixa (0,200% a 0,115%). Duas espécie foram classificadas como de alta predominância, 34 como média e as demais 709 espécies como de baixa predominância. As espécies de alta e média predominância ecológica e socioeco- nômica, em número de 36, são classificadas como espécies estruturantes (Tabela 1). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 134 135 Tabela 1. Relação das espécies estruturantes selecionadas para os plantios florestais da restauração florestal do Platô Monte Branco, Porto Trombetas (PA). Convenção: MAD-COM - madeira com valor comercial; Nº PFM - número de produtos florestais não madeireiros produzidos pela espécie. Espécie Autor Família MAD-COM Nº PFNM Dinizia excelsa Ducke Mimosaceae X Brosimum rubescens Taub. Moraceae X 6 Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. Caryocaraceae X 4 Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Caryocaraceae X 5 Ecclinusa guianensis Eyma Sapotaceae X 3 Endopleura uchi (Huber) Cuatrec. Humiriaceae X 5 Eschweilera amazonica R. Knuth Lecythidaceae X 3 Eschweilera atropetiolata S.A. Mori Lecythidaceae XEschweilera coriacea (DC.) S.A. Mori Lecythidaceae X 4 Eschweilera grandiflora (Aubl.) Sandwith Lecythidaceae X 4 Geissospermum sericeum Benth. & Hook. f. ex Miers Apocynaceae X 2 Goupia glabra Aubl. Celastraceae X 3 Guatteria olivacea R.E. Fr. Annonaceae X Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) Rusby Moraceae X 4 Hevea guianensis Aubl. Euphorbiaceae 2 Hymenaea courbaril L. Caesalpiniaceae X 6 Hymenaea parvifolia Huber Caesalpiniaceae X 6 Inga alba (Sw.) Willd. Mimosaceae X 5 Laetia procera (Poepp.) Eichler Flacourtiaceae X 3 Licania heteromorpha Benth. Chrysobalanaceae X 4 Licania impressa Prance Chrysobalanaceae X Minquartia guianensis Aubl. Olacaceae Oenocarpus bacaba Mart. Arecaceae 6 Pouteria eugeniifolia (Pierre) Baehni Sapotaceae X 2 Pouteria guianensis Aubl. Sapotaceae X 3 Pouteria krukovii (A.C. Sm.) Baehni Sapotaceae X 3 Protium apiculatum Swart Burseraceae X 3 Rinorea guianensis Aubl. Violaceae 2 Rinorea racemosa (Mart.) Kuntze Violaceae 2 Sclerolobium chrysophyllum Poepp. Caesalpiniaceae X 3 Swartzia polyphylla DC. Fabaceae X 2 Swartzia recurva Poepp. Fabaceae X 3 Tetragastris panamensis (Engl.) Kuntze Burseraceae X 3 Virola calophylla (Spruce) Warb. Myristicaceae X 3 Virola michelii Heckel Myristicaceae X 4 Zygia racemosa (Ducke) Barneby & J.W. Grimes Mimosaceae X 3 DISCUSSÃO As variáveis quantitativas e qualitativas incluídas no índice e que envolveram fatores fitossociológicos, econômicos e sociais permitiram definir 36 espécies estruturantes para o sucesso da restauração florestal sem, no entanto, excluir a opção de inclusão de outras espécies, uma vez que as legislações estaduais de alguns estados brasileiros estabeleceram Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 136 algo em torno de 80 espécies nos trabalhos com este objetivo (Resolução SMA-21 SP, Resolução SMA-47 SP e o Decreto Nº 31.594 do Estado do Pará). Alguns estudos abordando quais seriam as espécies florestais que melhor se adap- tariam às condições vigentes do ecossistema antropizado a restaurar, após a remoção da cobertura florestal original, foram apresentadas por Guedes et al. (1997), Barbosa et al. (1997a), Barbosa et al. (1997b), Drumond et al. (1997) e Marques et al. (1997). Analisando-se a estrutura diamétrica de todas as 745 espécies registradas na amostra- gem e a das 36 espécies estruturantes selecionadas pelo modelo, observou-se que ambas são rigorosamente iguais, ou seja, todas as classes diamétricas presentes na distribuição dos indivíduos de todas as espécies da floresta têm, também, indivíduos das espécies es- truturantes (Figura 1). Figura 1. Distribuição diamétrica de todos os indivíduos das 745 espécies da floresta ombrófila densa em comparação com a das 36 espécies estruturantes. 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Todas 745 espécies Espécies Estruturantes (36) A composição florística das principais famílias botânicas no que tange a riqueza (núme- ro de espécies) e abundância (número de indivíduos) da floresta primária, em comparação com a das espécies estruturantes demonstrou, também, serem análogas (Figura 2). Estas constatações permitem afirmar que as 25 espécies selecionadas para o plantio nas áreas anuais de restauração florestal da empresa são, comprovadamente, espécies estruturantes na nova floresta advinda da restauração. Considerou-se como do grupo de pioneiras as espécies que se desenvolvem a pleno sol (PS) e o de não pioneiras as tolerantes a sombra (TS), que são aquelas que necessitam de luz difusa durante toda sua vida ou apenas durante a fase juvenil, como a maioria das espécies climácicas. As espécies do sub-bosque foram consideradas como sendo aquelas que não atingem o dossel da floresta; apenas uma das espécies estruturantes encontrava-se nesta categoria, as demais foram classificadas como climácicas. No grupo das tolerantes foram selecionadas 18 espécies cuja densidade de plantio conjunta atingiu 32,5% do total Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 136 137 de 1.667 mudas·ha–1 a plantar. No grupo das espécies de pleno sol foram selecionadas sete, perfazendo 4,2% do total de mudas. Figura 2. Riqueza (número de espécies) - gráfico superior - e abundância (número de indivíduos) das principais famílias da floresta ombrófila densa e das espécies estruturantes. 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 Sapotaceae Mimosaceae Lauraceae Fabaceae Annonaceae Myrtaceae Chrysobalanaceae Caesalpiniaceae Burseraceae Moraceae RIQUEZA (% nº de espécies) 36 Espécies estruturantes Todas 745 espécies 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0 20,0 22,0 24,0 26,0 28,0 Sapotaceae Violaceae Lecythidaceae Annonaceae Mimosaceae Burseraceae Lauraceae Euphorbiaceae Fabaceae Chrysobalanaceae ABUNDÂNCIA (% nº de indivíduos) 36 Espécies estruturantes Todas 745 espécies O índice analisado (IFSE) pode contribuir para as políticas públicas que visam a re- cuperação de áreas degradadas pelas atividades minerárias e agropecuárias, assim como, para a restauração de áreas de preservação permanente (APP) de reserva legal (RL), com base na indicação das espécies estruturantes mais adequadas para a restauração florestal. CONCLUSÃO Foram selecionadas 36 espécies estruturantes, entre as 745 amostradas no inventário florestal, que refletem uma estrutura diamétrica muito semelhante à da floresta original além Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 138 de incluírem as principais famílias botânicas em relação a riqueza de espécies e abundân- cia de indivíduos. REFERÊNCIAS 1. ARONSON, J.; DURIGAN, G.; BRANCALION, P. H. S. Conceitos e definições correlatos à ciência e à prática da restauração ecológica. São Paulo, IF Sér. Reg., n. 44 p. 1 - 38. 2011. 2. BARBOSA, L.M. et al. Desenvolvimento inicial de oito espécies vegetais arbóreas em dois modelos de reflorestamentos implantados em área de mata ciliar degradada em Santa Cruz das Palmeiras, SP. In: Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas, 3., 1997, Ouro Preto. Anais.... 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Verificaram-se os documentos relacionados à legalização do manejo florestal e uma revisão sobre as políticas e nor- mas. Os resultados demonstram que os extratores de madeira, que desenvolviam suas atividades de maneira tradicional, tiveram de se adaptar às novas orientações políticas e técnicas. Houve uma mudança de um padrão de produção informal e ilegal para o manejo florestal comunitário juridicamente institucionalizado sob a forma de associação, com licença ambiental e certificação florestal. A coerção da sociedade visando à diminuição do desmatamento na Amazônia e o desenvolvimento de um ambiente favorável ao manejo florestal comunitário podem ser considerados como causas desta mudança. O conhe- cimento tradicional aliado ao conhecimento técnico científico possibilitou o desenvolvi- mento de um projeto de referência para a região. A falta de estratégias específicas para o empoderamento dos manejadores florestais aliado a mudanças nas políticas públicas para o manejo comunitário levou à busca por arranjos produtivos mais simples, mudando a orientação do manejo florestal de comunitário para o individual/familiar. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 142 INTRODUÇÃO A exploração das florestas primitivas da bacia amazônica ficou proibida a partir do Código Florestal de 1965, que só permitiu a exploração por meio de planos técnicos de con- dução e manejo (BRASIL, 2007). A regulamentação do Código Florestal só veio a ocorrer com a publicação do Decreto Federal no 1282/1994, que definiu o que seria o manejo florestal sustentável e estabeleceu os seus princípios e diretrizes (BRASIL, 1994). A partir de então houve diversas regulamentações que revogaram este primeiro decreto e apresentaram no- vas diretrizes para controlar e orientar o manejo florestal na Amazônia Brasileira (BRASIL, 1995; BRASIL, 1998; BRASIL, 2002; BRASIL 2007; BRASIL, 2009a). Ao mesmo tempo em que vinham senda desenvolvidas as regulamentações para o manejo florestal sustentável, foi estruturado o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). Apoiado pelos países membros do G7, da União Europeia e dos Países Baixos o programa teve como objetivo de diminuir as taxas de desmatamento no Brasil, (ANTONI, 2010). Dentro do PPG-7, foi desenvolvido o projeto “Apoio ao Manejo Florestal Sustentável na Amazônia” (PróManejo), que apoiou 46 projetos como iniciativas promissoras, sendo 14 projetos de manejo florestal comunitário. (IBAMA, 2007), entre esses, o projeto apresentado neste capítulo (WALDHOFF, 2015). A diversidade de contextos, de atores, de objetivos e de tipos de estratégias geram dificuldades para encontrar uma definição que possa englobar a amplitude de experiências e casos de manejo florestal comunitário (AMARAL; AMARAL NETO, 2005). Para Pokorny e Johnson, (2008), a silvicultura comunitária se refere ao envolvimento de uma ampla gama de atores sociais, seja individual ou coletivamente, na tomada de decisões que afetam os recursos florestais.O Programa Federal de Manejo Florestal Comunitário e Familiar é mais específico em relação ao público quando define que o manejo comunitário é a execução de planos de manejo realizada pelos agricultores familiares, assentados da reforma agrária e pelos povos e comunidades tradicionais (BRASIL, 2009b). Para Sunderlin (2006) quando o sistema de manejo florestal é apresentado por agen- tes externos à comunidade como o governo, agências internacionais ou ONGs locais, ou alguma combinação destes três, pode ser considerado como um “modelo introduzido” de manejo florestal. A maioria dos planos de manejo florestal que vêm sendo desenvolvidos no Brasil são um modelo introduzido pois são decorrentes da presença de ONG’s e/ou agências governamentais e visam a melhoria de renda dentro das comunidades e o atendimento às normas ambientais (STONE-JOVICICH et al., 2007; POKORNY; JOHSON, 2008; MEDINA; POKORNY, 2011; HUMPHRIES et al., 2012). As possibilidades para o manejo florestal comunitário são expressivas. Aproximadamente 22% da área territorial da Amazônia Legal é composta por Terras Indígenas e 16% por Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 142 143 Unidades de Conservação de Uso Sustentável (PEREIRA et al, 2010). Foram identificadas 1.213 iniciativas de manejo comunitário, em seis estados da Amazônia brasileira, sendo a maioria destes, 898, no estado do Amazonas (BRASIL, 2010). No entanto, a implementa- ção desses planos de manejo passa por grandes dificuldades. A maior parte dos planos de manejo elaborados no estado do Amazonas, não receberam a licença ambiental prova- velmente devido à centralização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) em Manaus, à falta de recursos humanos preparados e às interpretações divergentes das normas (KIBLER e SILVA, 2008). Neste trabalho foi feita uma revisão das normas federais e das do estado do Amazonas, com enfoque no manejo florestal comunitário. O objetivo foi de identificar como os instru- mentos de regulamentação e de promoção do manejo florestal sustentável influenciaram na formação de novos sistemas produtivos. É apresentado o estudo de caso da Associação Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos da Floresta (Acaf). METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido no município de Boa Vista do Ramos (BVR), Amazonas, a 367 km via fluvial de Manaus, às margens do Paraná do Ramos, nas bacias dos rios Massauarí e Curuçá. O Plano de Manejo Florestal foi desenvolvido em uma área caracterizada como de terra firme formada por latossolos amarelos, com manchas de podzólicos, textura média, ocorrendo solos arenosos e a topografia variando entre plana e suave ondulada. O acesso à área é via fluvial. A vegetação do local é caracterizada como Floresta Ombrófila Densa. As principais espécies de madeiras comerciais encontradas são: Manilkera huberi (Ducke) Cheval (ma- çaranduba); Dinizia excelsa Ducke (angelim); Mezilaurus itaúba (Meisn.) Taub. Ex Mez (itaúba); Tabebuia serratifolia (Vahl) Nich. (ipê amarelo); Hymenaea courbaril L. (jatobá) e; Minquartia guianensis Aubl. (acariquara). Os produtos não madeireiros mais comuns são: Bertholletia excelsa H.B.K. (castanha do Brasil), Carapa guianensis Aubl. (andiroba), Copaífera sp. (copaíba), Protium sp (breu) e Heteropsis sp (cipó titica). O estudo compreendeu: (i) análise das normas e políticas voltadas ao manejo florestal comunitário; (ii) estudo de caso de uma associação comunitária e; (iii) análise de documentos formais apresentados pela associação para o licenciamento e certificação florestal. Inicialmente, foi realizada uma revisão das políticas e do arcabouço normativo, volta- dos ao manejo florestal sustentável comunitário e as Instruções Normativas específicas que serviram de base para elaboração do plano de manejo. A seguir foi realizado o estudo de caso do processo de formação e estruturação do manejo florestal comunitário desenvolvi- do pela Associação Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos Florestais (Acaf) com Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 144 base no método de observação participante e de entrevistas não estruturadas (BERNARD, 1988). A análise documental foi focada na documentação apresentada pela associação: (i) Atas de reuniões da associação; (ii) Regimento interno; (iii) Estatuto social; (iv) Cadastro na- cional de pessoa jurídica; (v) Plano de Manejo Florestal Sustentável; (vi) Planos Operacionais Anuais das Unidades Produtivas; (vii) Autorizações de transporte de produtos florestais; (viii) Declarações de venda de produtos florestais; (ix) Relatórios de certificação florestal; (x) Relatórios do projeto do ProManejo-PPG7. As viagens para as comunidades iniciaram em 1999, ano de formação da Acaf, e conti- nuaram constantes até 2007. Durante esse período, foi mantido o diálogo com os presidentes da associação, com diferentes associados e houve a participação direta em reuniões técnicas e assembleias. A observação participante ocorreu junto aos trabalhos de: (i) elaboração e implementação do plano de manejo; (ii) certificação florestal – Forest Stewardship Coucil (FSC) e o atendimento às condicionantes; e (iii) implementação do projeto “Manejo flores- tal por meio do planejamento participativo nas comunidades do rio Curuçá – Boa Vista do Ramos/AM”, apoiado pelo ProManejo/PPG7. RESULTADOS E DISCUSSÃO Normas para o manejo florestal comunitário e de pequena escala As regulamentações para o manejo florestal sustentável tiveram início em 1994, mas foi o Decreto Federal no 2.788/1998, que possibilitou a apresentação de plano de manejo florestal simplificado (BRASIL, 1998). Esse decreto deu margens para que pequenos pro- dutores florestais, agroextrativistas e agricultores familiares, desenvolvessem, em glebas rurais de até quinhentos hectares, planos de manejo simplificados (com menos requisitos técnicos). Possibilitou também, que as explorações florestais efetuadas de forma comunitária, por intermédio de associações ou cooperativas, fossem realizadas mediante a apresentação de um único plano de manejo florestal sustentável simplificado. O plano de manejo deveria respeitar o limite de 500ha anualmente explorados. O decreto e as Instruções Normativas dele decorrentes impulsionaram os principais projetos de manejo comunitários desenvolvidos no final dos anos 90 e início da primeira década de 2000, na Amazônia brasileira. Em 2002, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) passou a regulamentar sobre o manejo florestal e editou a Instrução Normativa (IN) Federal no 4. Essa IN trouxe problemas para a regulamentação de planos de manejo comunitários, pois estabeleceu o limite máximo de 500ha para área total do plano de manejo florestal e não mais como limite de área a ser anual- mente explorada. No entanto, as áreas comunitárias normalmente apresentavam dimensões superiores a 500 ha. Nesse caso, os planos de manejo passaram a ser classificados como Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 144 145 manejo florestal empresarial. Essa classificação implicou na adoção de procedimentos téc- nicos e administrativos mais sofisticados, nem sempre acessíveis aos projetos comunitários. Em 2006, a Lei Federal no 11.284/2006 (Lei de Gestão de Florestas Públicas) e o Decreto Federal no 5.975/2006 promoveram a descentralização da gestão ambiental, pas- sando a responsabilidade do licenciamento dos planos de manejo florestal para os órgãos estaduais de meio ambiente (OEMAs). Mesmo assim, o Ministério do Meio Ambiente editou novas Instruções Normativas Federais, a IN 4/2006, que dispõe sobre a Autorização Prévia à Análise Técnica e a IN 5/2006, que dispõessobre os procedimentos técnicos de Plano de Manejo Florestal Sustentável (BRASIL, 2007). As novas instruções não estabeleceram diretrizes específicas para o manejo florestal simplificado e o comunitário, não reconhecendo as peculiaridades dos diferentes grupos sociais. Por outro lado, essas instruções inovaram ao separar a análise da viabilidade jurídica do projeto (IN 4/2006), da análise da viabilidade técnica do plano de manejo (IN 5/2006). Outra inovação importante foi a de estabelecer proce- dimentos diferenciados para os planos de manejo, em função da intensidade de exploração. Foram criadas duas categorias de plano de manejo florestal: o pleno e o de baixa intensidade. A descentralização da gestão florestal gerou a princípio certa disputa sobre as com- petências e os papéis dos órgãos federais e os estaduais. Visando diminuir os conflitos, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) publicou a Resolução Federal no 406/2009 (BRASIL, 2009a), ressaltando a obrigatoriedade de sua aplicação em qualquer nível de competência pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. No entanto, nenhum destes instrumentos legais abordou novamente a questão do manejo florestal comunitário, que só veio a ser mencionado novamente com a Lei Federal no 12.651/2012 (novo Código Florestal) onde foi previsto o estabelecimento de disposições diferenciadas (BRASIL, 2012). O Estado do Amazonas assumiu a gestão florestal em 2003, quando foi criada pelo governo estadual, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). A SDS promoveu o desenvolvimento de projetos de manejo florestal em pequena escala e estabeleceu um convênio com o IBAMA para que Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas assumisse a responsabilidade sobre o licenciamento ambiental de Planos de Manejo Florestal Sustentáveis de Pequena Escala (PMFSPE). A SDS publicou, em 2003, a Portaria Estadual no 40/03, estabelecendo procedimentos orientadores para a apresentação, tramitação, acompanhamento e condução das atividades de PMFSPE (KIBLER; SILVA, 2008). Essa Portaria estabeleceu, entre outros aspectos, o tamanho máximo 500 hectares para o desenvolvimento dos projetos e o limite máximo de 1 m3/ha a ser anualmente explorado, sem a necessidade da subdivisão da área em talhões anuais. Em 2011, o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amazonas aprovou a Resolução Estadual N° 007/2011, Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 146 consolidando a política estadual do manejo florestal em pequena escala. A resolução re- duziu a intensidade de exploração para 0,86 m3/ha, seguindo as orientações do CONAMA. Também, adotou medidas inclusivas quando possibilitou aos ocupantes de terras públicas estaduais, de até 4 módulos fiscais e sem o documento de posse, de apresentar o PMFSPE (AMAZONAS, 2011). Contextualização da formação da ACAF Os moradores das comunidades da região dos rios Massauarí e Curuçá, no municí- pio de Boa Vista do Ramos, já tinham tradição na extração de madeira muito antes de o ambiente político e normativo apresentar-se favorável ao desenvolvimento de projetos de manejo florestal comunitário. Em um mapeamento participativo realizado no município, em 1999, foram identificados 250 entrevistados com vínculo com exploração madeireira, dos quais 139 possuíam motosserra (KOURY, 2007). A tradição de extração de madeira na região remete aos tempos em que a derruba e processamento da madeira eram realizados com o machado ou com serrote traçador. Depois, a motosserra se apresentou como uma inovação tecnológica, no entanto, o trabalho continuou sendo desenvolvido dentro do contexto de uso dos recursos naturais adaptado às condições das comunidades locais, realizado com base no conhecimento tradicional. Segundo o Sr. Francisco Valente, primeiro presidente da Acaf (informação verbal), o trabalho era realizado dentro de um sistema de extração seletiva de espécies de interesse comercial sendo realizada por pequenos grupos de caráter familiar. A extração de madeira atendia a encomendas específicas principalmente para a cons- trução de casas e mobiliário em geral. O desdobro das árvores derrubadas era realizado com a motosserra dentro da própria floresta e seguia as dimensões, volumes e espécies solicitadas por encomendas. A madeira era transportada manualmente de dentro da floresta até à margem de algum igarapé ou rio, em seguida, por meio de barcos, até algum entreposto ou consumidor, no próprio município ou nos municípios vizinhos de Maués e de Parintins. Ainda no Séc. XXI a exploração de madeira realizado por extratores de pequenos volumes segue procedimentos muito similares. A mudança para o “modelo introduzido” de manejo florestal teve origem com a chegada ao município do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) - organiza- ção brasileira, sem fins lucrativos que verifica a adequação dos empreendimentos florestais conforme os critérios do FSC). O Imaflora iniciou em 1998, em parceria com a Prefeitura Municipal de Boa Vista do Ramos, um projeto de mapeamento participativo do potencial agro- -extrativista do município (IMAFLORA, 2002). Nesta época, a cadeia produtiva da madeira funcionava com base na informalidade e na ilegalidade, pois seriam necessários realização da Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 146 147 atividade a obtenção da Licença de Operação (LO), da Autorização de Exploração (AUTEX), do Documento de Origem Florestal (DOF) e das notas fiscais. Alguns extratores de madeira na região do Curuçá mostraram interesse na regularização das suas atividades, passando a se organizar coletivamente e formando a Acaf, o que levou ao fortalecimento das relações com o Imaflora, com a Prefeitura Municipal de BVR e com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM, campus Manaus Zona Leste. O Imaflora e o IFAM ofertaram a assistência técnica ao projeto de manejo flo- restal da Acaf, entre 1999 e 2007, envolvendo-se integralmente na elaboração do plano de manejo, apoiando a formação da associação e o desenvolvimento institucional. O arranjo institucional entre a Acaf e os parceiros, possibilitou a estruturação do projeto de manejo florestal sustentável comunitário que viria a se tornar uma referência para manejo florestal comunitário na região do baixo Amazonas. Trocas de experiências e treinamentos Para que pudesse ser estruturado o Plano de Manejo Florestal Sustentável Comunitário foi necessário estabelecer inicialmente uma relação de confiança entre as instituições e as pessoas envolvidas no processo, alcançada durante os treinamentos e trocas de experiên- cias prévios à elaboração do Plano de Manejo. A primeira atividade realizada em conjunto entre as instituições foi um inventário florestal amostral na região do Curuçá. O trabalho foi realizado aliando o conhecimento etno-botânico dos moradores locais sobre as espécies florestais, com o conhecimento técnico e científico de amostragem e inventário florestal. A segunda atividade realizada foi um curso de uso e manutenção de motosserras e de técnicas de corte de árvores. A se imaginar, tal curso seria como “ensinar o pai nosso ao vigário”, uma vez que os extratores de madeira da região já possuíam longa experiência com motosserra. Para a surpresa dos próprios comunitários, os resultados foram muito po- sitivos. Ao agregar o conhecimento dos técnicos à experiência dos extratores de madeira chegou-se a avanços qualitativos nos aspectos ambientais e econômicos. As técnicas de derruba direcionada de árvores diminuem os danos na floresta remanescente, bem como o desperdício de madeira (AMARAL et al, 1998). Outro ganho foi em relação à segurança do trabalhadorflorestal, com a adoção do Diálogo Diário de Segurança (DDS) e a construção de trilhas de fuga, o que reduziu riscos inerentes à atividade. A aproximação da Acaf com o IFAM e o Imaflora, possibilitou a implementação de um plano de manejo florestal baseado na conciliação dos conhecimentos e das habilida- des tradicionais com os métodos técnicos/científicos. Como se tratou de uma experiência pioneira, a prática adotada foi a de se “aprender-fazendo”. Ao mesmo tempo e no mesmo local em que se estruturou o plano de manejo da Acaf, foram aplicadas aulas práticas e Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 148 estágios profissionalizantes para os alunos do IFAM. Dessa forma, promoveu-se a troca de experiências entre comunitários, técnicos, alunos e professores. Em paralelo à estruturação do plano de manejo foi elaborado coletivamente pelos asso- ciados da Acaf, pelos técnicos do Imaflora e do IFAM, um projeto intitulado “Manejo florestal por meio do planejamento participativo nas comunidades do rio Curuçá, BVR/AM”. O projeto foi submetido ao ProManejo/PP-G7, visando atender às demandas da Associação em termos de: cursos, treinamentos e intercâmbios; materiais e equipamentos; infraestrutura e logísti- ca. O projeto promoveu um salto qualitativo em relação ao manejo florestal comunitário na região. Além da capacitação nas técnicas de manejo florestal, houve uma organização social e laboral para o manejo florestal comunitário, fortalecendo o capital humano e social da ACAF. A partir de 2006, diversos associados passaram a ser requisitados para outros projetos de manejo florestal na região. O diferencial adquirido por aqueles que participaram dos treina- mentos e intercâmbios passou a ser valorizado, beneficiando outras iniciativas que surgiram na região, evidenciando os princípios do um “desenvolvimento territorial” ((PECQUEUR, 2005). Muitos dos moradores locais foram beneficiados, em momentos posteriores, ao de- senvolverem planos de manejo florestal sustentável de pequena escala (PMFSPE), utilizando o capital humano, social e físico da ACAF. Regularização fundiária Para iniciar um projeto de manejo florestal é imprescindível ter o direito legal de acesso a uma área florestal a qual será manejada. Para a Acaf, esta etapa poderia ter se tornado intransponível caso não houvesse na época uma política pública favorável ao manejo flo- restal comunitário. Durante a 3ª Oficina de Manejo Florestal Comunitário, promovida pelo ProManejo e realizada na Comunidade Menino Deus do Curuçá, Boa Vista do Ramos, foi definida entre os comunitários, autoridades e lideranças presentes, uma área para o desen- volvimento das atividades da Acaf. A área foi cedida pela Prefeitura Municipal de Boa Vista do Ramos, por meio de uma concessão de direito real de uso, documento que permitiu o início da elaboração do Plano de Manejo Florestal e a solicitação das licenças ambientais aos órgãos competentes. A concessão expedida pela prefeitura possibilitou o desenvolvimento das atividades relacionadas às Unidades de Produção Anual (UPA) 1 e 2, mas, como verificada poste- riormente, a área em questão era de jurisdição do estado, e a concessão passou a não ter mais validade legal. Foi solicitada então junto ao Instituto de Terras do Estado do Amazonas a regularização da área. Surgiram 2 problemas de ordem jurídica: (i) para serem tituladas áreas acima de 1500ha, teria de haver a aprovação pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e (ii) não existem mecanismos na Lei Estadual de Terras para titulação de Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 148 149 áreas coletivas. Para contornar os problemas, de forma paliativa, o Instituto de Terras do Estado do Amazonas emitiu 3 Cartas de Anuência em nome de associados da Acaf, des- membrando a área de 2400 ha, em três áreas menores. Após a perda da validade das Cartas de Anuência, foram solicitados três Títulos Definitivos do Instituto de Terras do Estado do Amazonas, em nome de associados da Acaf, seguindo as mesmas orientações para a solicitação das Cartas de Anuência. A celeuma da questão fundiária permaneceu sem os devidos encaminhamentos, sendo o principal entrave para a continuidade das atividades da Acaf na área de manejo florestal comunitário. Fica evidente a dificuldade institucional e jurídica de se trabalhar com projetos de manejo florestal comunitário, principalmente daqueles fora de unidades de conservação ou assentamentos oficiais, onde muitas vezes os documentos fundiários, quando existem, não apresentam respaldo jurídico (HAJJAR et al., 2011). Licenças ambientais A Acaf seguiu as prerrogativas para elaboração de plano de manejo florestal sustentável prescritas no Decreto Federal 2.788/1988 e as orientações da Instrução Normativa Federal do IBAMA Nº 4/1998, voltados a exploração de recursos florestais na bacia amazônica de forma comunitária. Nessa época ainda não havia ocorrido a descentralização da gestão florestal promovida pela Lei 11.284, de 2 de março de 2006, sendo necessário o licencia- mento do Plano de Manejo Florestal Sustentável Comunitário, pelo IBAMA e a licença do Plano Operacional Anual - POA1, junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). As licenças foram solicitadas em abril de 2001 e emitidas em julho e agosto do mesmo ano (Tabela 3). A partir de então, foram desenvolvidas as atividades de exploração florestal e elaborado um novo Plano Operacional Anual - POA2. Foi solicitada a Licença de Operação para a Unidade de Produção Anual - UPA 2 em agosto de 2002, no entanto, essa licença foi emitida apenas em dezembro de 2003, 16 meses após a solicitação. Mudanças nas instruções técnicas para o manejo florestal estabelecidas pela IN no 4/2002, do Ministério do Meio Ambiente, geraram dificuldades para os projetos de manejo florestal comunitários em operação (IBAMA, 2009). De acordo com as novas instru- ções, a Acaf que explorava anualmente uma área aproximada de 50 ha, deveria apresentar um projeto com os mesmos detalhes técnicos que um plano de manejo empresarial que explorasse milhares de hectares anualmente. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 150 TABELA 3. Datas e períodos das principais ações de regularização da Associação Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos da Floresta. No. Ação Data Período (entre ações) 1 Fundação ACAF 06/ago/99 2 Solicitação de LO e AUTEX - UPA 1 09/abr/01 1 e 2: 20 meses e 12 dias 3 Liberação LO - UPA 1 - IPAAM 23/jul/01 2 e 3: 03 meses e 15 dias 4 Liberação AUTEX - UPA 1 – IBAMA 10/ago/01 2 e 4: 04 meses e 10 dias 1 e 4: 24 meses e 04 dias 5 Solicitação de LO e AUTEX - UPA 2 07/ago/02 6 Liberação LO - UPA 2 - IPAAM 05/dez/03 5 e 6: 16 meses e 5 dias 7 Liberação AUTEX UPA 2 - IBAMA jan/04 5 e 7: 17 meses e 2 dias 8 Solicitação de AUTEX - UPA 3 não ident. 9 Liberação UPA 3 - IBAMA (AUTEX) 06/out/05 10 Solicitação a IPAAM de L.O. para UPA-3 15/dez/05 11 Solicitação de Transferência IBAMA – IPAAM 20/mar/06 12 Liberação UPA 3 - IPAAM (LO) 29/ago/06 10 e 12: 08 meses e 17 dias Fonte: adaptado de Koury, 2007. O longo tempo de espera pelas licenças levou ao descontentamento e desmotivação de muitos dos associados e foi um dos grandes entraves vivenciados pela ACAF no decorrer de suas atividades. Mesmo assim, de posse das licenças a Acaf realizou a exploração na UPA2 e em 2005, solicitou nova Autorização de Exploração para o IBAMA, que foi emitida em outubro do mesmo ano. A Licença de Operação, solicitada ao IPAAM, só foi concedida 8 meses depois, reflexo da descentralização da gestão florestal que já estava para acontecer e que determinoua transferência do plano de manejo do IBAMA para o IPAAM. A Acaf sofreu com alterações nas normas do manejo florestal por três vezes, em 2001, 2002 e 2006. Fialho (2009) destaca a necessidade de simplificação do processo burocrático, para promover a expansão da base produtiva florestal no Estado do Paraná, no entanto, esta necessidade se faz presente também para a expansão do manejo florestal comunitário na Amazônia brasileira. As mudanças nas normas de manejo promoveram um aumento da complexidade nos procedimentos burocráticos para o manejo comunitário, gerando incertezas sobre novas normas de conduta do manejo e insegurança para o setor produtivo. Plano de Manejo Florestal Comunitário O plano de manejo florestal da Acaf foi desenvolvido em uma área de 2400 hectares, destinadas exclusivamente para o manejo florestal, na Comunidade Monte Horebe, região do rio Curuçá em Boa Vista do Ramos. O plano prevê um ciclo de 25 anos em sistema po- licíclico com unidades de produção anual (UPA) de até 80 ha. Nas UPA foram realizados o inventário florestal de todas as espécies comerciais e potencialmente comerciais com o DAP acima de 45cm e confeccionado o mapa de exploração florestal. Foi realizado o corte de cipós junto às árvores que seriam exploradas. As árvores foram derrubadas com motosserras Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 150 151 utilizando-se técnicas de derrubada direcionada. As toras foram desdobradas no local, uti- lizando-se, no início do projeto, a motosserra e, depois, passou-se a utilizar uma serraria portátil. O transporte primário, considerado aqui como o transporte da madeira até as margens de um curso d’água que permite a navegação de barcos regionais, foi feito inicialmente de forma manual, depois, com o apoio de um micro trator agrícola com reboque. O transporte secundário, da margem dos igarapés até os pontos de consumo e/ou comercialização, foi realizado via fluvial em embarcações regionais de pequeno calado. O manejo florestal da Acaf sempre foi plenamente coletivo, sendo que, não houve a subdivisão da área de manejo em lotes para trabalhos individuais ou de subgrupos. Todas as tarefas foram planejadas e desenvolvidas conjuntamente. Formaram-se equipes de trabalho para determinadas tarefas do manejo florestal de acordo com as habilidades individuais es- pecíficas. Associados que melhor identificavam as árvores trabalhavam nesta função durante o inventário florestal, Da mesma forma, os que tinham maiores habilidades no manuseio da motosserra, eram responsáveis pela derrubada direcionada das árvores. O monitoramento, o controle do trabalho, os valores e a quantidade de diárias a serem pagos eram feitos pelos próprios associados. As atividades de exploração eram realizadas somente com o fecha- mento do contrato de comercialização. Pagos todos os valores de diárias e outros custos operacionais, o lucro da operação era em parte aplicado na própria associação. Foram manejadas três UPA entre 2001 e 2007. As duas primeiras UPAs, foram de 50 ha e a terceira de 80 ha. A produção florestal sempre foi menor do que 20% do potencial madeireiro autorizado. No caso da UPA 2, onde foi autorizada uma exploração de 1900 m³ de madeira em pé, só foram comercializados 103,33m³ de madeira serrada. A causa principal foi o atraso da liberação das licenças e dificuldades em conseguir compradores de pequenos volumes de madeira certificada. Para Koury (2007) o projeto da ACAF foi considerado eco- nomicamente insustentável. Sendo a depreciação das máquinas e equipamentos principal responsável pelo alto custo de produção, em relação ao baixo volume comercializado. O autor apontou para a necessidade de buscar alternativas para melhorar a gestão do projeto e para atingir a maturidade do empreendimento florestal comunitário, que estabeleçam um melhor arranjo produtivo e diminuam os custos mencionados. Um caminho para diminuir dos custos seria aumentar a produção, o que diluiria os custos administrativos e os da depreciação. A intensidade de exploração próxima de 2m³/ha realizada pela ACAF foi bastante baixa. Carvalho e Oliveira (2010), estudando a viabilidade econômica do manejo florestal madeireiro em áreas extrativistas na Amazônia, encontrou um valor presente líquido positivo apenas para intensidade de 9,8 m³/ha. Em contraponto às avaliações focadas nos aspectos econômicos, Wanderley (1989) considerou que em unidades de produção familiar, como pode ser considerado o modelo de manejo da Acaf, Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 152 os princípios que regem o funcionamento interno são diferentes daqueles encontrados na unidade de produção capitalista, pois são os próprios proprietários são a fonte de trabalho que aciona o capital envolvido no processo de produção. No final do processo, é o produtor quem efetua um balanço entre o esforço exigido para a realização do trabalho e o grau de satisfação das suas necessidades. Considerando uma visão ampla sobre a Amazônia, Angelo et al. (2004) apontou que o manejo florestal sustentável ainda não contribui significativamente para explicar a oferta de madeira tropicais da região. Para Hajjar et al. (2011), a madeira originária de desmatamentos ou da extração ilegal entram com produtos mais baratos no mercado de madeira, sendo um entrave para a viabilidade de projetos de manejo florestal sustentável. Certificação florestal: foi bom enquanto durou A auditoria para obter o certificado e Bom Manejo Florestal do Forest Stewardship Council (FSC) foi realizado pela Scientific Certification Systems, uma empresa internacional credenciada para certificar pelo FSC. A auditoria de certificação foi feita em maio de 2004. Foram emitidas 17 pré-condicionantes (a serem cumpridas antes da certificação) e 10 con- dicionantes (a serem cumpridas após a certificação). Em fevereiro de 2005, a associação adquiriu a Certificação Florestal do FSC, o mais importante e reconhecido selo socioambien- tal do setor florestal. Os custos diretos da primeira auditoria de certificação foram cobertos pelo WWF-Brasil. O processo de certificação foi de grande importância para a melhoria dos processos internos da associação principalmente no que se refere a aspectos sociais e ambientais. Foram realizadas 2 vendas de madeira certificada, a primeira para a FUCAPI, situada no polo industrial de Manaus e a segunda para duas empresas sediadas em SP, que dividiram um container. A experiência foi exitosa, mas devido às grandes distâncias para os centros consumidores de madeira certificada, os baixos volumes produzidos e as dificuldades lo- gísticas, a Acaf não prosseguiu com vendas de madeira certificada. Cabe ressaltar que os mercados locais não estão dispostos a pagar um diferencial pela madeira certificada. Devidos aos custos da certificação e à impossibilidade legal de continuar o manejo florestal (pela documentação fundiária), em 2008 a Acaf perdeu o selo do FSC. Capacidade de influenciar e irradiar o manejo para outras iniciativas na região. O projeto de manejo florestal comunitário da Acaf transformou em relação aos aspec- tos técnicos, sociais e ambientais, a forma de atuação dos extrativistas florestais na região do baixo Amazonas, principalmente nas calhas dos rios Massauarí e Curuçá. Mas, até alcançar resultados positivos, houve muitos questionamentos e desconfianças por parte Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 152 153 dos comunitários da região. No início, o trabalho de mapeamento participativo do município e a aproximação de instituições desconhecidas levaram à especulação de que as terras seriam fornecidas a gruposestrangeiros. Ao mesmo tempo, o processo de legalização das atividades florestais fez com representantes de órgãos ambientais viessem para a região, provocando o desconforto em extratores que permaneceram alheios à legalização. Somado a estes fatores, o espaço de tempo de três anos necessário à formalização e legalização das atividades, até à extração e comercialização da madeira legalizada, gerou dúvidas a respeito da viabilidade do projeto. Portanto, mesmo sendo uma iniciativa dos moradores locais, a um primeiro momento, a iniciativa não contou com um amplo apoio das comunidades da região. A credibilidade local do projeto só começou a melhorar com a comercialização das madeiras da UPA 2, em 2004. Logo a seguir, o apoio do ProManejo ao projeto permitiu a estruturação e o fortalecimento da atuação da Acaf. Em 2005, o trabalho foi reconhecido pela sua qualidade técnica, ambiental e social, e recebeu o certificado FSC. Este novo panorama fez com muitos extratores de madeira da região que ainda não tinham manifestado interesse na legalização passassem a se aproximar do projeto e buscar orientações. No período entre 2004 e 2007, a Acaf consolida-se como um projeto de referência para os comunitários do baixo Amazonas que buscavam um caminho para realizar o manejo florestal. A experiência da Acaf foi importante para estimular muitos dos extratores que vinham trabalhando de forma ilegal a buscarem novas alternativas. Em outubro de 2007, é formada a Associação dos Manejadores Florestais do Curuçá, uma associação onde os projetos de manejo florestal são todos individuais, desenvolvidos dentro do escopo das normas estaduais para o manejo florestal em pequena escala. Alguns dos associados da Acaf também se fi- liaram à nova associação e procuraram desenvolver planos de pequena escala. De acordo com os estudos voltados aos “dilemas da ação coletiva” (CUNHA, 2004), esta estratégia na busca de adquirir de imediato algum benefício individual condiz com uma situação em que há incertezas nos resultados do trabalho coletivo. Além de terem alguns membros dentro da nova associação, com planos de manejo desenvolvidos individualmente, os associados da Acaf sempre contribuíram com aporte de conhecimento técnico e equipamentos, para a elaboração e a colheita dos projetos de pequena escala. Três períodos marcaram a história da Acaf. O período inicial, de 1999 a 2002, quando as dificuldades de estruturação e legalização das atividades foram preponderantes. O período de atividades intensas, entre 2003 e 2007, com intercâmbios, treinamentos, apoios institucionais, certificação florestal e comercialização de madeira. E o período de entraves e mudanças, entre 2008 e 2012, quando por motivos de mudanças de políticas, por conflitos entre gestão estadual e federal e pela impossibilidade de regularização fundiária, foram paralisadas as atividades florestais dentro da área da Acaf. Nesse período, a ACAF passou a desempenhar Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 154 um papel preponderante na disseminação do manejo em toda a região, apoiando as outras associações e ajudando na elaboração de projetos de manejo florestal simplificado. A capacidade da Acaf de influenciar positivamente o ambiente social a favor do ma- nejo florestal se mostrou como um processo de mobilização dos atores locais, com base na identificação coletiva de uma cultura e um território, se apresentando como uma estratégia de adaptação aos limites externos, o que, para Pecqueur (2005), caracteriza-se como de- senvolvimento territorial. Os principais limites externos enfrentados pela Acaf identificados neste projeto foram o aumento da regulamentação florestal e ambiental, pressão social e de órgãos oficiais sobre a madeira ilegal e a dificuldade de regularização fundiária para o acesso aos recursos florestais. CONCLUSÕES As constantes mudanças dentro das políticas e programas públicos e nas regulamen- tações do manejo florestal dificultam muito caminho de quem busca da regularização da atividade. O manejo florestal sustentável na Amazônia ainda é um desafio a ser supera- do. Exemplos de empresas ou comunidades que apresentam sustentabilidade econômica, ambiental e social a partir do manejo florestal madeireiro, são escassos. Neste sentido, a Acaf foi propulsora de mudanças na forma tradicional de uso dos recursos florestais ma- deireiros em busca da legalização e sustentabilidade do manejo florestal na região do bai- xo Amazonas. O exemplo da Acaf traz uma nova perspectiva para o conceito do “modelo introduzido” de manejo, quando propõe um modelo que concilia o etno-conhecimento com conhecimentos técnicos científicos para a obtenção das licenças ambientais. . As políticas públicas para o desenvolvimento do manejo florestal comunitário e familiar devem ser fortalecidas. O Programa Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar e o Programa de Manejo Florestal em Pequena Escala no Estado do Amazonas ainda estão aquém das necessidades e do potencial que o setor apresenta. Podemos encontrar indícios de que o manejo florestal em pequena escala, desenvolvido no município de Boa Vista do Ramos, com apoio do Estado atuando em toda cadeia produtiva, têm se apresentado mais aplicável ao sistema de produção das comunidades desta região. O empoderamento dos manejadores florestais deve ser entendido como uma ação estratégica a ser contemplada dentro dos programas e projetos visando a superação das dificuldades, a inclusão social e a autonomia do manejo florestal comunitário. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 154 155 Agradecimentos Aos comunitários: Sr. Francisco Valente; Claudio Soares; e Darcy Gonçalves, presi- dentes da Acaf, e em nome deles aos demais associados e comunitários que contribuíram com o trabalho. Aos engenheiros florestais Maximiliano Roncoletta, Cássio C. Guisti. e Marcus A. Biazatti. e aos técnicos florestais Gilson Q. Branco e Joel F. da Trindade que trabalharam diretamente com a ACAF. Ao educador Adalberto Guerreiro, da Casa Familiar Rural de BVR. Ao Sr. Vasco Ribeiro, ex-prefeito de BVR, que emitiu a concessão de uso para o manejo florestal. REFERÊNCIAS 1. AMARAL, P.; NETO, M. A.. Manejo florestal comunitário: processo de aprendizagem na Amazônia brasileira e na América Latina. Belém: IEB: IMAZON, 2005. 84p. 2. AMARAL, P. et al. Floresta para sempre: um manual para a produção de madeira na Amazônia, Belém: Imazon, 1998, 130p. 3. AMAZONAS, 2011. Resolução Estadual CEMAAM no 07, de 21 de junho de 2011. Estabelece normas e procedimentos para PMFSPE. 4. ANGELO, H.; PRADO, A. C.; BRASIL, A. A. Influência do manejo florestal e do desmatamento na oferta de madeiras tropicais na Amazônia brasileira. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 14, n. 2, p. 103-109, 2004. 5. ANTONI, G. de. 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Institui, no âmbito dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, o PMFCF.. 14. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Serviço Florestal Brasileiro. Plano anual de manejo florestal comunitário e familiar: período 2011. - Serviço Florestal Brasileiro. – Brasília: SFB, 2010. 148 p. : Il.; 30 cm 15. BRASIL. Presidência da República, Casa Civil. LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; ... ; e dá outras providências. 16. CARVALHO, R. da S.; OLIVEIRA, A. D. de. Economic feasibility of timber managment in ex- tractive settlement projects of southwestern Amazonia. Cerne, Lavras, v. 16, n. 4, p. 505-516, out/dez. 2010 17. CUNHA, L. H. Da “tragédia dos comuns” à ecologia política: perspectivas analíticas para o manejo comunitário dos recursos naturais. Raízes, Campina Grande, v. 23, n. 1 e 2, p. 10-26, jan/dez. 2004 18. FIALHO, J. T. et al. 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Análise e elaboração de propostas de diretrizes técnicas para ela- boração e execução de planos de manejo florestal por produtores na forma individual, familiar ou comunitária, integrando produtos madeireiros e não madeireiros. Brasília, 2009. 75p. 23. INSTITUTO DE MANEJO E CERTIFICAÇÃO FLORESTAL E AGRÍCOLA - Imaflora. Agenda 21 da Vila Manaus / Comunidade da Vila Manaus – Boa Vista do Ramos. Imaflora, São Paulo. 2002. 75p. 24. KIBLER, J. F.; SILVA, L. N. da. Articulação nacional e internacional no Projeto Floresta Viva. T & C Amazônia, Manaus. Ano VI, n.15, out. 2008. 25. KOURY, C. G. G. Manejo florestal comunitário no baixo Amazonas: custos e entraves da produção madeireira. Dissertação de mestrado. Manaus: INPA, 2007 26. MEDINA, G.; POKORNY, B., 2011. Avaliação financeira do manejo florestal comunitário. 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Campinas. 11 Institucionalidade legal e descentralização da gestão florestal no estado do Amazonas José das D. de Sá Rocha UFRO José de Arimatéa Silva UFRRJ '10.37885/220307985 https://dx.doi.org/10.37885/220307985 Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 159 Palavras-chave: Governança Florestal, Política Florestal, Amazônia. RESUMO O foco deste estudo é evidenciar aspectos da institucionalidade da gestão florestal no Estado do Amazonas para a gestão dos recursos florestais, garantida pelos artigos 23 e 24 da Constituição Federal de 1988. O estudo é centrado na constituição estadual e a legislação sobre uso e proteção dos recursos florestais, tendo como orientação de análise as funções de Estado sobre os recursos florestais. A Constituição do Estado do Amazonas não só reclama para si a coordenação da gestão das florestas, como assegura que esta deve ser manejada de forma sustentável para o bem-estar de sua população. O arcabouço legal contempla seis funções de Estado na área florestal, indi- cando as disposições de amparo legal para assumir a gestão florestal consideradas na Constituição. No entanto, o estudo atenta para o fato da gestão florestal extrapolar os limites do aparato legal, além de apontar a necessidade de construção de uma política para implementar os dispositivos constitucionais existentes e promover o fortalecimento das instituições responsáveis pela gestão florestal. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 160 INTRODUÇÃO A floresta foi apanhada como recurso essencial à vida humana e integrada à economia e a propriedade privada desde seus primórdios pelas sociedades ocidentais. O ordenamento jurídico de uso das florestas remonta ao século IX, das portarias de proibição de retirada de madeira em determinados períodos do ano para a comodidade da prática de caça pelos nobres proprietários de terras, e a partir do século XIII começa a surgir regras de controle da retirada de madeira (KILLIAN, 2000). Imediato à ocupação do território brasileiro pelos europeus, fora à colônia estendidos os ordenamentos de uso dos recursos florestais, iniciadas com as Ordenações Manuelinas em 1514, Ordenações Manuelinas 1603, o Regimento do Pau-Brasil em 1605, dentre outros instrumentos estabelecidos até promulgação do primeiro Código Florestal, do Brasil república, em 1935 (MAGALHÃES, 2001). Hodiernamente, as leis florestais ou o direito florestal compreende o arcabouço nor- mativo que regula a atividade florestal, assim como a que se destina as terras florestais (RUIZ, 1966). Para o caso brasileiro,todas as ações em terras florestais privadas e públicas estão submetidas às normas legais de uso, conservação e proteção. Logo, o livre arbítrio do indivíduo no uso de suas terras florestais está submetido aos ditames legais erigidos pela sociedade e para a sociedade, representada na máquina político e administrativa do Estado, que se antepõe ao indivíduo, através de suas estruturas institucionais de incentivo e coação (ROCHA e SILVA, 2009). Por sua vez, o ordenamento jurídico florestal é feito para ser implementado pelas instituições florestais e ambientais, destinadas a fazerem cumprir suas atribuições que emanam deste princípio legal, que em última instância são os ditames legais que devem assegurar as funções das florestas no longo prazo. No entanto, POTEETE e OSTROM (2002), chamam a atenção para o fato de que muitas sociedades levaram seus recursos florestais à exaustão de forma legal. Neste sentido, a devastação de mais 18% da cobertura florestal na Amazônia brasileira se deu a partir da promulgação do então Código Florestal de 1965, só diminuindo as taxas de desmatamento recentemente, cujos fatores promotores foram as políticas voltadas para agricultura, pecuária, infraestrutura, crédito, agências reguladoras, dentre outros fatores (INPE, 2014; NEPSTAD et al., 2014). Neste contexto, o Estado do Amazonas, detentor da maior área de cobertura florestal dos estados da federação brasileira, com uma área de cerca de 1.559.159,148 de quilometro quadrados, logrou manter até atualmente cerca de 97% sua cobertura florestal em pé, abri- gando uma população de 3.483.985 milhões de habitantes em 2010 (IBGE, 2014) . Todavia, não há evidencias que a manutenção de sua cobertura florestal se deu pelo resguardo do arcabouço legal, nem pelo bom funcionamento das instituições, mas sim por fatores geo- gráficos e políticos (CGEE, 2009 e BECKER, 2004). Atinente às atribuições legais de quem é o dever de fazer o disciplinamento de uso e proteção dos recursos florestais, a Constituição brasileira incumbe à União, estados e municípios o dever comum de preservar as florestas, em seu art. 23, e no artigo seguinte, Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 160 161 o 24, atribui a competência concorrente à União e aos entes federados o papel de legislar em matéria de florestas (BRASIL, 1988). Porém, a regulamentação do primeiro dispositivo constitucional só vem a ser regulamentado com o art. 83 da lei de gestão de florestas pú- blicas (Lei 11.284/2006) e com Lei Complementar 140, no ano de 2011, que promove por completo, no aspecto legal, a descentralização da gestão florestal (BRASIL, 2006 e 2011). Neste contexto de implementação da descentralização da gestão florestal brasileira, vem à tona a complexidade da relação entre recursos florestais e a sociedade, como bem evidenciou TURCKER e OSTROM (2009), POTEETE e OSTROM (2002). Para auxiliar no estudo dessa relação, ROCHA (2007), ROCHA e SILVA (2009), concluem que as funções de Estado na área florestal, apresentadas por SILVA (2001), contribuem para o entendimento da relação funções das florestas, Estado e sociedade. Nesta linha, elucidar o arcabouço legal do Estado do Amazonas atinente ao uso e proteção dos recursos florestais, contribui- rá sobremaneira para o processo de consolidação da descentralização da gestão florestal estadual. Logo, o presente estudo visa elucidar a institucionalidade legal da gestão florestal no Estado do Amazonas. MATERIAL E MÉTODOS A principal fonte de pesquisa deste estudo foi a Constituição do Estado do Amazonas e as leis que desta derivou para regulamentar os dispositivos constitucionais que tratam dos recursos florestais, assim como os demais atos legais que incidem sobre o uso e proteção da vegetação nativa. A análise dos resultados consistiu inicialmente numa análise dos fundamentos da Constituição do Estado do Amazonas a respeito de florestas e extrativismo. Análise esta completada ao se arrolar os principais dispositivos infraconstitucionais do estado sobre ambos os temas. Estabelece-se na sequência a correlação dos dispositivos da mesma Constituição com as seis funções típicas de Estado na área florestal elaboradas por SILVA (1996, 2001, 2003), aplicadas no âmbito federal numa análise do Programa Nacional de Florestas por ROCHA (2007), e, correlacionadas posteriormente com os dispositivos da Constituição Federal, desenvolvido por ROCHA e SILVA (2009). RESULTADOS E DISCUSSÃO Fundamentos constitucionais O Estado do Amazonas reclama para si, na sua Carta Política Maior, a competência de fazer gerir o uso e proteção dos recursos florestais, assegurando o aproveitamento racional, respeitando as funções dos ecossistemas e visando a fixação das populações na floresta. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 162 Para tanto, as ações administrativas que levam o Estado a cumprir suas manifestas funções de uso e proteção dos recursos florestais contemplam a regionalização, de modo a melhor atender as populações, pelo menos no estatuto legal superior. Uso dos recursos florestais e fixação das populações no meio rural permeiam o plane- jamento agrícola, vez que a Constituição inclui as atividades florestais e extrativas no plano da política agrícola. Tal inserção sobressai como um equívoco, da cultura impregnada do agrícola sobre à floresta, um estado eminentemente florestal. A tabela 1 ajuda a entender a análise aqui realizada. Tabela 1. Aspectos constitucionais relativos ao uso e proteção dos recursos florestais no estado do amazonas. Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes Art. 2º da Constitui- ção Estadual (CE) Das Disposições Funda- mentais São objetivos prioritários do Estado, entre outros: III - a defesa da Floresta Amazônica e o seu aproveitamento racional, respeitada a sua função no ecossistema; IV - o equilíbrio no desenvolvimento da coletividade mediante a regionalização das ações administrativas, respeitada a autonomia municipal; VI - a fixação do homem no campo; Art. 17 CE Da Competência do Estado III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar a fauna e a flora; VIII - fomentar a piscicultura, agropecuária, a produção extrativa e organizar o abastecimento alimentar; Art. 18 CE Da Competência do Estado Compete ao Estado legislar concorrentemente com a União sobre: VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da população; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; Art. 162 CE Art. 163 CE Da Ordem Econômica e Social § 3º É da responsabilidade do Poder Público a realização de Investimentos para a formação de infraestrutura básica e de apoio necessários ao desenvolvimento das atividades produtivas, podendo, em casos especiais, expressamente autorizados pelo Legislativo, proceder à concessão para explorar, transferir ou delegar competência para esse fim ao setor privado. Estado e os Municípios exercerão:§ 1º A fiscalização que, na primeira operação será sempre de orientação e esclarecimento, observará com prioridade: I - cumprimento das normas e legislação ambiental; Art. 170 CE Da Política Fundiária, Agrícola e Pesqueira I - criar as condições necessárias à fixação do homem na zona rural e promover melhoria em sua condição socioeconômica; § 2º Incluem-se noplanejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras, florestais e extrativas. Art. 174 CE Da Política Agrícola Da Política Agrícola. Compete ao poder público: I - planejar e implementar a política de desenvolvimento agrícola compatível com a preservação do meio ambiente e conservação do solo, estimulando os sistemas de produção integrados, a policultura, a integração agrícola-pecuária-piscicultura e atividades extrativas. Art. 179 CE Do Turismo IV - fomento à produção artesanal; IX - regulamentação de uso, ocupação e fruição de bens naturais, arquitetônicos e turísticos; Art. 217 CE Da Política de Ciência e Tecnologia III - promover o conhecimento da realidade amazônica como fator de desenvolvimento e meio de possibilitar a utilização racional e não-predatória de seus recursos naturais; Art. 220 CE Da Política de Ciência e Tecnologia O Estado manterá o Conselho Estadual de Meio Ambiente, como órgão superior de assessoramento ao Governador do Estado nas questões atinentes à formulação, ao acompanhamento e á avaliação das políticas de proteção ao meio ambiente e controle da poluição Art. 229 a 241 CE Do Meio Ambiente Todos têm direito ao meio ambiente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo; O Estado fará o inventário e o mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais para a sua Proteção; O Poder Público poderá estabelecer, na forma da lei, restrições administrativas de uso em áreas privadas, visando à proteção ambiental. Art. 249 CE Da População Ribeirinha e do Povo da Floresta O Estado e os Municípios suplementarão, se necessário, a assistência aos grupos, comunidades e organizações indígenas, nos termos da Constituição da República e da legislação própria, e atuarão cooperativamente com a União nas ações que visem à preservação de sua cultura. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 162 163 Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes Art. 251 CE Da População Ribeirinha e do Povo da Floresta É dever do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, ocupação e desbravamento do território prestado pelos grupos nativos, notadamente aqueles que se ocupam de atividades extrativas, assisti-los e ampará-los, principalmente quanto aos seguintes aspectos: IV - acesso ao mercado, inclusive de escoamento para os produtos oriundos de atividades extrativas, ressalvadas as restrições legais e de proteção a vegetais e animais ameaçados de extinção; V - as informações e orientações para que o desenvolvimento da atividade se processe dentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas para tal e de forma não-predatória. Fonte: Elaborada pelos autores. Tabela 2. Regulamentações de aspectos constitucionais relativos ao uso e proteção dos recursos florestais no estado do Amazonas. Ato/Data Instituição e ou Tema Finalidade / Aspectos Relevantes Lei no 2.407 02/06/1996 Estabelece o Sistema Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia - SIEMACT i) Promover, integrar, articular e assegurar o funcionamento do processo de geração, desenvolvimento, utilização, transferência, difusão de conhecimentos e informações em Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, bem como a implementação da política e das diretrizes relativas a essas área de estudo; ii) Incrementar as atividades de formação, desenvolvimento e atuação de recursos humanos nas funções que constituem sua finalidade; iii) Identificar necessidades de estudos e pesquisas no âmbito das suas responsabilidades; iv) Identificar e viabilizar, bem como compatibilizar e executar, os programas e atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico e em ciências ambientais, de acordo com os princípios e diretrizes constantes do Título V, Capítulos IX e XI, da Constituição do Estado; v) Promover o i intercâmbio entre as instituições técnico- científicas e de controle ambiental existentes no Estado, com entidades similares no âmbito regional, nacional e internacional. Lei nº 3.527 28/07/2010 Concessões Florestais Institui as concessões florestais nas unidades de conservação de uso sustentável, objetivando o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e serviços ambientais, a pesquisa científica e o desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais. Lei Complementar nº 5305/06/2007 SEUC Institui o Sistema Estadual de Unidades de Conservação - SEUC, estabelecendo critérios e normas para a criação, implantação e gestão das UC. Lei nº 3.219 28/12/2007 Licenciamento Am- biental Ficam sujeitas ao prévio licenciamento ambiental pelo IPAAM, a construção, instalação, ampliação, derivação, reforma, recuperação, operação e funcionamento de atividades poluidoras, utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetivamente ou potencialmente poluidoras [...]. Lei nº 3.135 05/06/2007 Mudanças Climáticas São objetivos: I - a criação de instrumentos, inclusive econômicos, financeiros e fiscais, para a promoção dos objetivos, diretrizes, ações e programas previstos nesta lei; II - o fomento e a criação de instrumentos de mercado que viabilizem a execução de projetos de redução de emissões do desmatamento (RED), energia limpa (EL), e de emissões líquidas de gases de efeito estufa, dentro ou fora do Protocolo de Quioto - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), ou outros; III - a realização de inventário estadual de emissões, biodiversidade e estoque dos gases que causam efeito estufa de forma sistematizada e periódica; IV - o incentivo às iniciativas e projetos, públicos e privados, que favoreçam a obtenção de recursos para o desenvolvimento e criação de metodologias, certificadas ou a serem certificadas, de redução líquida de gases de efeito estufa; V - o estímulo aos modelos regionais de desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas, mediante incentivos de natureza financeira e não financeira; VI - a orientação, o fomentar e a regulação, no âmbito estadual, da operacionalização do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e de outros projetos de redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa e/ou de redução de emissões de desmatamento (RED) dentro do Estado de Amazonas, inclusive perante a Autoridade Nacional Designada ou quaisquer outras entidades decisórias competentes; [...] Dec. nº 23.636 11/08/2003 Subvenção Econômica a Produtores Extrativistas e Agrícola Objetiva incentivar a produção agroextrativista [...], a produção de borracha natural bruta como atividade básica a ser integrada à exploração de outros produtos florestais e agrícolas Dec. nº 26.581 25/04/2007 Regulamenta a Política Estadual de Mudanças Climáticas Torna público a iniciativa do Estado do Amazonas em desenvolver e estimular esforços dos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta do Poder Executivo, por meio da cooperação com os demais entes da Federação, entidades públicas internacionais, empresas privadas, organizações da sociedade civil e comunidades, o esforço de combate ao aquecimento global. Lei Federal nº 12.651 25/05/2012 Proteção da vegetação nativa Estabelece normas gerais com o fundamento central da proteção e uso sustentável das florestas e demais formas de vegetação nativa em harmonia com a promoção do desenvolvimento econômico. Fonte: Elaborada pelos autores. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.651-2012?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.651-2012?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.651-2012?OpenDocument Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 164 No repertórioconstitucional dos deveres do Estado, a População Ribeirinha e os Povos da Floresta recebem amparo, referente ao acesso aos mercados, assim como a informações e orientações para o manejo do extrativismo vegetal e animal. O conjunto dos dispositivos constitucionais relativo aos recursos florestais, povos da floresta, comunidades ribeirinhas, incentivo à produção, atribui ao Estado o poder de realizar concessão para exploração de recursos florestais, cuja regulamentação foi estabelecida na lei estadual de concessões florestais (Lei 3.527/10). A concessão florestal sobressai como um instrumento de atendimento dos dispositivos que também credita ao Estado a função ‘de criar condições necessárias para fixar o homem no meio rural assim como promover melho- ria em sua condição socioeconômica’. Ainda no atendimento dos preceitos constitucionais de assegurar condições socioeconômicas e fixação das populações ribeirinhas e povos da floresta, concede-se subvenção econômica aos produtores extrativistas quanto ao produto borracha natural bruta, estabelecido pelo Decreto 26.581/07 (Tabela1). No âmbito do planejamento do Estado sobre proteção e uso dos recursos florestais, a Carta Magna Estadual institui o inventário e mapeamento da cobertura florestal como instrumentos indispensáveis, no entanto este dispositivo urge por implementação, funda- mentalmente para subsidiar os povos da floresta. Visando cumprir os ditames constitucionais referentes ao meio ambiente e à ciência e tecnologia, foi estabelecido no ano de 1996 o Sistema Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia – SIEMACT, por meio da Lei nº 2.407 (Tabela 2). O SIEMACT, naquele mo- mento, era constituído pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (COMCITEC), pelo órgão de execução, IPAAM, e pelos órgãos setoriais representantes dos setores econômicos e sociais do Estado. Dando continuidade à implementação dos dispositivos constitucionais relativos à con- servação e preservação dos recursos da biodiversidade, foi criado o Sistema Estadual de Unidades de Conservação – SEUC, no ano de 2007. Ainda na alçada da proteção da bio- diversidade, foi promulgada a Lei nº 3.219/07, que regulamenta o licenciamento ambiental determinado pela Constituição para as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais (Tabela 2). A lei de mudanças climáticas, Lei nº 3.135/07, configura um avanço no marco regula- tório da proteção da biodiversidade, do equilíbrio do clima e da distribuição dos benefícios gerados pela prestação de serviços pelas florestas. Ademais, o Estado detém a função de fazer cumprir o conjunto de suas normas legais e da legislação federal atinente aos recursos florestais, fundamentalmente a Lei Federal 12.651/12, que estabelece normas de proteção à vegetação nativa, no âmbito privado, e a Lei 11.284/06, que institui as modalidades de gestão de florestas públicas. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 164 165 Funções de Estado na Área Florestal O Estado detém funções cujo cumprimento requer estruturas institucionais com atribui- ções e modelos de gestão adequados, de modo a atender as diversas dimensões em que os recursos florestais permeiam a estrutura social, econômica e ambiental. Ao longo da Tabela 1, é possível verificar o conjunto de dispositivos da Constituição Estadual que atribui incumbências ao Estado, tanto na área de produção, proteção e recu- peração das florestas, quanto nos papéis socioeconômicos que as florestas exercem para as populações que nela vivem e / ou que delas obtém produtos e serviços. No aspecto das funções do Estado do Amazonas, na temática floresta, identificam-se atribuições de Estado dadas pela Constituição (Tabela 1), que correspondem aos preceitos teóricos desenvolvidos por SILVA (2001). Estas funções desenvolvidas pelo autor foram posteriormente comparadas ao texto da Constituição Federal em vigor, por ROCHA e SILVA (2009), que estabeleceram as correlações funções/amparos do Estado brasileiro para gerir os recursos florestais. De forma análoga verifica-se no texto da Constituição do Estado do Amazonas o mandato do Estado para gerir os recursos florestais no âmbito do seu terri- tório (Tabela 3). Quanto ao macroplanejamento da proteção e uso dos recursos florestais, a Constituição Amazonense expressa elementos que permeiam o planejamento do estado em pelo me- nos cinco dispositivos (Tabela 3). Dentre estes, o zoneamento socioeconômico-ecológico é norteador do uso e ocupação do solo, bem como do uso dos recursos naturais (Art. 131 da Constituição Estadual). Os artigos 163 e 170 também adentram na função de macroplanejamento, pelas suas características intrínsecas de planejamento do Estado. A inclusão das atividades florestais no planejamento agrícola, dado pelo art. 170, apresenta correspondência com o encontrado na Constituição Federal (ROCHA e SILVA, 2009). Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 166 Tabela 3. Funções do Estado do Amazonas relativas aos recursos florestais. Função de Estado Constituição Estadual Realizar o macroplane- jamento da proteção e utilização dos recursos florestais Art. 131. O Estado, com a participação dos Municípios, efetivará, mediante lei, o zoneamento socioeconômico- ecológico do território estadual, que se constituirá no documento balizador do uso e ocupação do solo e da utilização racional dos recursos naturais. § 1º Respeitado o disposto no art. 231, da Constituição da República, deverão ser observadas, para execução do zoneamento de que trata o caput deste artigo, as seguintes alternativas: IV - áreas de reservas para proteção de ecossistemas naturais e seus componentes, de mananciais do patrimônio histórico e paisagístico e de jazidas arqueológicas e paleontológicas; V - áreas para exploração de recursos extrativistas; Art. 163. Como agentes normativos e reguladores da atividade econômica, o Estado e os Municípios exercerão, na forma da lei, as funções de orientação, fiscalização, promoção, incentivo e planejamento, sendo este último determinante para o setor público e indicativo para o setor privado; Art. 170, § 2º Incluem- se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras, florestais e extrativas. Administrar as áreas florestais públicas Art. 230, V - definir espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através da lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; Art. 232, § 1º O Estado fará o inventário e o mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais para a sua Proteção. Prover extensão e assis- tência técnica florestal Art. 165. O Estado e os Municípios adotarão política de fomento às atividades produtivas, que se efetivarão através de: I - assistência técnica; Art. 170, § 4º Fica assegurada, nos termos desta Constituição, e do art. 187, da Constituição da República, a realização de serviços de assistência técnica e extensão rural gratuita aos pequenos e médios produtores rurais e suas famílias, a serem executadas através de Órgão específico; Art. 251. É dever do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, ocupação e desbravamento do território prestado pelos grupos nativos, notadamente aqueles que se ocupam de atividades extrativas, assisti-los e ampara-los, principalmente quanto aos seguintes aspectos: IV - acesso ao mercado, inclusive de escoamento para os produtos oriundos de atividades extrativas, ressalvadas as restrições legais e de proteção a vegetais e animais ameaçados de extinção; V - as informações e orientações para que o desenvolvimento da atividade se processedentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas para tal e de forma não-predatória. Promover o fomento florestal Art. 162, § 2º O Estado e os Municípios apoiarão e estimularão a criação, a organização e o desenvolvimento de cooperativas e consórcios de produção e outras formas de associação, concedendo-lhes assistência técnica, e, em casos excepcionais a serem definidos em lei, incentivos financeiros, anistia ou remissão tributárias; § 4º O Estado e os Municípios se empenharão em reverter os fatores motivadores do êxodo rural, propiciando condições para a fixação, nesse meio, de contingentes populacionais, possibilitando- lhes acesso aos meios de produção e geração de renda e estabelecendo a necessária infra-estrutura com vistas à viabilização desse propósito; Art. 165. O Estado e os Municípios adotarão política de fomento às atividades produtivas, que se efetivarão através de: I - assistência técnica; II - crédito especializado e subsidiado; III - mecanismo de estímulos fiscais e financeiros; IV - fornecimento de serviços de suporte informativo ou de mercado; Art. 174, § 1º O Estado se obrigará a desenvolver programa especial de apoio ao cultivo da seringueira, dendê, guaraná, castanheira, juta, malva e outros, sem prejuízo da busca constante de novas alternativas para a economia estadual; § 2º, II - assegurar ao pequeno produtor e trabalhador rural condições de trabalho e de mercado para os produtos, a rentabilidade dos empreendimentos, a estabilidade das políticas de preço e a melhoria do padrão de qualidade de vida da família rural; Art. 179, IV - fomento à produção artesanal; Art. 232, § 3º Resguardadas as instâncias de competência de âmbito federal, o Poder Executivo estabelecerá medidas de promoção ao reflorestamento com finalidade de reduzir o impacto da exploração dos adensamentos vegetais nativos e garantir o suprimento da demanda dessa matéria-prima; Art. 251. É dever do Estado e dos Municípios em reconhecimento ao trabalho ou de preservação, ocupação e desbravamento do território prestado pelos grupos nativos, notadamente aqueles que se ocupam de atividades extrativas, assisti-los e ampara-los, principalmente quanto aos seguintes aspectos: IV - acesso ao mercado, inclusive de escoamento para os produtos oriundos de atividades extrativas, ressalvadas as restrições legais e de proteção a vegetais e animais ameaçados de extinção; V - as informações e orientações para que o desenvolvimento da atividade se processe dentro da legalidade, em áreas previamente delimitadas para tal e de forma não-predatória. Realizar a pesquisa florestal Art. 174, II - incentivo e manutenção de pesquisa agropecuária, priorizando os produtos nativos, que garantam o desenvolvimento do setor de produção de alimentos com processo tecnológico voltado ao pequeno e médio produtor, às características regionais e aos ecossistemas; Art. 217, III - promover o conhecimento da realidade amazônica como fator de desenvolvimento e meio de possibilitar a utilização racional e não- predatória de seus recursos naturais; § 2º A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas sociais e ambientais e para o desenvolvimento do sistema produtivo, procurando harmonizá-lo com os direitos fundamentais e sociais dos cidadãos; Art. 219. Terá caráter prioritário, observado o disposto na Constituição da República, a realização de estudos e pesquisas, cujo produto atenda e preencha expectativas da comunidade amazônica, nas seguintes áreas: III - conhecimento do ecossistema amazônico, de modo a permitir a utilização não-predatória de seus recursos ambientais; IV - desenvolvimento de técnicas de manejo, reflorestamento com espécies apropriadas às características da região e recuperação de áreas degradadas. Monitorar, fiscalizar e controlar a cobertura florestal dos proprietá- rios privados Art. 230, VIII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade; IX - controlar a extração, produção, transporte, comercialização e consumo dos produtos e subprodutos da flora e da fauna. Art. 232, § 1º O Estado fará o inventário e o mapeamento da cobertura florestal e adotará medidas especiais para a sua Proteção. Fonte: ROCHA e Silva (2009), adaptado pelos autores. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 166 167 Além de determinar que o Estado deve destinar espaços territoriais a serem protegidos, no inciso V do art. 230, a Constituição dá também ao ente federativo a incumbência de realizar o inventário da cobertura vegetal (§1º, art. 232). Assim, a função de administração das áreas florestais públicas é função do Estado Amazonas por força de sua Marta Magna. No plano da União, esta função de Estado é dada pela Constituição Federal nos arts. 23 e 225. No plano da legislação infraconstitucional, no que concerne à administração das áreas florestais públicas, o Estado do Amazonas regulamenta e instrumentaliza suas atribuições por meio das leis de Concessões Florestais, de Licenciamento Ambiental, do Sistema Estadual de Unidades de Conservação e de Mudanças Climáticas (Tabela 2). Quanto à função de promover a extensão e assistência técnica florestal, a Carta Política amazonense garante, no § 4º do art. 170, aos pequenos e médios produtores rurais a extensão rural e assistência técnica, além do art. 165 que determina ao Estado prestar assistência técnica às atividades produtivas como incentivo à produção. Muito embora não faça menção às comunidades ribeirinhas e povos da floresta, no dispositivo que trata da extensão e assistência técnica, estas comunidades são atendidas no art. 251, onde lhe são afiançados tanto orientações às atividades produtivas quanto acesso aos mercados para os produtos de origem extrativa, atendendo as prescrições legais e de proteção à biodiversidade. A Constituição amazonense trata da promoção do fomento à atividade florestal a partir do art. 162, que dita ao Estado e aos municípios o papel de incentivar a produção visando conter o êxodo rural - e fixando as populações por meio da inserção nos sistemas produtivos e de geração de renda. No mesmo sentido, o art. 165 específica a assistência técnica, o crédito e subsídios, prestação de serviços e informações sobre mercados e fomento às atividades produtivas, o que naturalmente estende-se à atividade florestal. Seguindo na mesma linha, o inciso IV do art. 179, atende o fomento à atividade da produção artesanal. O fomento ao reflorestamento, visando atender a demanda de matéria-prima, é tema do inciso III do art. 232 da Constituição Estadual, assim como o fomento à atividade extrativa, tratado no art. 251. A Carta Política amazonense, além de manifestar o incentivo e manutenção da pesqui- sa agropecuária, com foco nos produtos nativos de populações rurais, enfatiza a necessidade de conhecimento da realidade local para o aproveitamento sustentável dos recursos naturais. Assim, privilegia a pesquisa para a resolução dos problemas ambientais, respaldados nos art. 174, 217 e 219 (Tabela 1 e 3). Nos art. 230 e 232 são assegurados o papel do Estado na proteção da fauna e flora, além do controle sobre a extração, produção e comercialização dos produtos da floresta e da fauna. Ademais, ratifica que o inventário da cobertura florestal é instrumento essencial para adotar medidas de proteção da mesma. Engenharia Florestal: contribuições, análises e práticas em pesquisa - ISBN 978-65-5360-099-7 - Editora Científica Digital - www.editoracientifica.org - Vol. 1 - Ano 2022 168 A Constituição amazonense permeia as seis funções de estado na área florestal, o que atribui ao estado, diante mão, o alicerce legal para fazer gerir sua vasta cobertura florestal, por meio do assento dessas atribuições na sua estrutura administrativa.