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Aula 2 Personalidade e capacidade civil

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que o incapaz agiu com dolo (art. 180, CC novo). Conflito : Proteger o adolescente x resguardar a boa fé. 
Obs. Em alguns atos o menor relativamente incapaz procede independente de assistente: ser eleitor (Código Eleitoral, art. 4º); aceitar mandato (666, CC novo).
II - Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;
III - Os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. - Segundo Silvio Rodrigues, temos aqui as hipóteses de deficiência mental mais branda.
IV - Os pródigos - Aquele que dilapida o seu patrimônio, fazendo gastos anormais. - art. 1782 CC novo. Interesse social: proteção à família. Apto a todos os demais atos da vida civil.
Parágrafo único: A Capacidade do índio será regulada por lei especial ( Obs. O Código Civil 1916 inclui o silvícola como relativamente incapaz) 
FICHAMENTO: SILVIO RODRIGUES, DIREITO CIVIL, PARTE GERAL VOL I , (atualizado com o novo Código Civil); NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY, Novo Código Civil e Legislação Extravagante anotados; MARIA HELENA DINZ, Compêndio de Introdução ao Estudo do Direito. 
2 - MAIORIDADE CIVIL - Art. 5º, CC novo. - 18 anos - maioridade plena, adquire a capacidade de exercício.
3 - EMANCIPAÇÃO: É a aquisição antecipada da capacidade de fato plena
 Art. 5º, Parágrafo Único: Cessará para os menores a incapacidade.
I - Emancipação voluntária : concessão dos pais ou por sentença do juiz.
Nas outras hipóteses decorre de determinados eventos (II, III, IV e V) - Emancipação legal.
( A emancipação concedida pelos pais é ato unilateral. Segundo Nelson Nery Junior: "Para existência, validade e eficácia do ato de emancipação, não há sua necessidade de homologação pelo juiz". Acrescenta Silvio Rodrigues que tal modalidade de emancipação é irrevogável (RT, 156/776). Obs. Salvo quando concedida com o intuito de fraudar a lei.
( O inciso I do parágrafo único do art. 5º exige que a concessão dos pais seja feita mediante escritura pública. Estabelece, portanto, forma solene (art. 107, 215 e §§ sob pena de nulidade 166, IV, todos do CC novo. cfe. Nelson Nery Junior). Ademais, segundo Nelson Nery Junior a escritura de emancipação tem que ser registrada no cartório do registro civil, à margem do assento de nascimento (LRP 29 IV, 89 e 90). 
 (Na hipótese de tutela, o tutor pode conceder a emancipação, necessário, também, a homologação por sentença do juiz (CC, 1763,I), conforme disciplinado nos artigos 1103 e seguintes do CPC. Esclarece Silvio Rodrigues que a sentença que conceder a emancipação será registrada (Lei 6015/73, art. 89) 
II - casamento - é irreversível. Separação e viuvez não comprometem a emancipação. Silvio Rodrigues citando acórdão do Tribunal de São Paulo: "A emancipação prevalecerá ou não, conforme se entenda válido ou não o matrimônio. (...) RT, 182/523".
III -emprego público efetivo - Silvio Rodrigues, citando Vicente Rao, sustenta a hipótese em tela se refere também as nomeações a título" efetivo, interino ou em comissão"
IV - pela colação de grau científico em curso de ensino superior .
V - Pelo estabelecimento ensino ou comercial, com economia própria. Silvio Rodrigues cita julgado do Tribunal de São Paulo, RT,117/565 (...) "A circunstância de ser menor de 18 anos, infringindo a proibição do art. 1º, nº 3, do Código Comercial, não o beneficiava, porque era possível aplicar, art. 155, CC (1916) - atual 180." E, transcreve o autor parte do julgado "Achando-se devidamente comprovado que um menor de 21 anos de idade é comerciante e tem economia própria, a conseqüência legal e forçada de tal situação de fato é que dela cessa a incapacidade decorre automaticamente a emancipação do menor".
4 - A EXISTÊNCIA DA PESSOA NATURAL TERMINA COM A MORTE.
( A personalidade termina com a morte, ocorrendo transmissão de bens aos herdeiros (art. 1784, CC) - Art. 6º do CC novo ; a morte é presumida em relação ao ausentes. Registra Silvio Rodrigues que a presunção da morte é aceita desde que comprovado que o ausente conta com 80 anos, à época do desaparecimento, e que há 5 anos foram as últimas notícias do ausente.
Art. 7, I, II e parágrafo único do CC novo. ( Registre-se, por oportuno, Anotação ao novo Código Civil, conforme Nelson Nery Junior, "Morte presumida. Impossibilidade do encontro do cadáver para exame. Se a morte não puder ser comprovada , deve ser justificado judicialmente o óbito (LRP 88, par. único), utilizando-se o interessado o procedimento do CPC 861 a 866. Não confundir com os casos de ausência previstos no CC art. 22 e 23."
( COMORIÊNCIA - Instituto também conhecido como morte simultânea. Segundo Nelson Nery no seu Novo Código Civil Anotado, trata-se do instituto que tem por objetivo fixar regra sucessória quanto à herança de pessoas falecidas por ocasião do mesmo acontecimento, ou não sendo possível estabelecer o momento exato do óbito de cada um. Sustenta Silvio Rodrigues que ocorrendo a morte simultânea, cada herdeiro será beneficiado.
( Art. 9º CC - Nascimento (LRP 291, 50 a 66), casamentos (LRP 29 I e 67 a 76), óbitos ((LRP 29 III e 77 a88), emancipações ( LRP 29 IV, V e VI e 89 a 94), Interdições (LRP 29 V c/c VV 1773) sentenças declaratórias de ausência (LRP 29 VI c/c CC 22).
 
- CAPÍTULO II -DOS DIREITO DA PERSONALIDADE. 
Conforme os ensinamentos de Maria Helena Diniz a personalidade serve de base, de fundamento para direitos que desta decorrerão, pelo que sustenta a autora é incorreto dizer que o indivíduo tem direito à personalidade. A personalidade serve de critério para a pessoa adquirir e ordenar outros bens, destinam-se a resguardar a dignidade humana.
Maria Helena Diniz citando Goffredo Telles Jr: "os direitos da personalidade são os direitos subjetivos da pessoa de defender o que lhe é próprio, como a identidade, a liberdade, a honra etc"
Maria Helena Diniz citando Limongi França = Os direitos da personalidade são direitos de defender: 1) integridade física: a vida, os alimentos, o próprio corpo (Constituição Federal, art. 199, § 4º) 2) a integridade intelectual, a liberdade de pensamento, a autoria científica, artística e literária 3) a integridade moral, a honra, a imagem, a identidade pessoal, familiar e social.
Segundo Silvio Rodrigues: "são direitos inerentes à pessoa humana e portanto ligados de maneira perpétua e permanente, não se podendo conceber um indivíduo que não tenha direito à vida, à liberdade física ou intelectual, ao seu nome, à sua imagem. "
( Art. 11 CC novo - Os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis.
 Segundo Caio Mário da Silva Pereira divide os direitos da personalidade em: adquiridos ( decorrem do tratamento conferido pelo direito positivo) e inatos - os inerentes - que independem da atuação legislativa, e que são absolutos (oponíveis erga omnes), irrenunciáveis (vinculados à pessoa, não podendo esta abdicar deles), intransmissíveis ( o indivíduo giza de sues atributos, não comportando cessão), imprescritíveis (sempre poderá ser invocado). 
Constituição Federal de 88 - referência aos direitos da personalidade no art. 5º, X . 
Nelson Nery cita julgado do STJ a respeito. "Intransmissibilidade dos direitos de personalidade. Sucessão do Direito à Imagem. Os direitos de personalidade, de que o direito à imagem é um deles, guardam como principal característica sua intransmissibilidade. Nem por isso, contudo, deixa de merecer proteção a imagem de que falece. (....) Daí por que não se pode subtrair da mãe direito de defender a imagem de sua falecida filha (...) Ademais, a imagem de pessoa famosa projeta efeitos econômicos para além de sua morte, pelo que os seus sucessores passam a ter por direito próprio, legitimidade para postularem a indenização em juízo (STJ, 4ª Turma. Resp. 268660 - RJ, DJU, 19/02/2001).
( Art. 12 , CC (novo) = "exigir que cesse a ameaça ou lesão a direito" . Conforme esclarece Silvio Rodrigues, a cessação da ameaça depende de ordem judicial. Já tendo ocorrido o dano o artigo prevê a possibilidade