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valores monetários dos benefícios desejados e das despesas 
indiretas praticadas ou orçados, devidamente reconhecidos. 
Como definido no item I, o preço de uma obra ou serviço pode ser composto pela soma de duas 
principais parcelas, do custo direto e do BDI – Benefícios e Despesas Indiretas. 
Em expressão algébrica tem-se: 
Preço = Custo Direto + BDI Eq. 3 
Realizando a expressão do BDI em função do custo direto, define-se o índice “k”, denominado
 comercialmente de mark up, ou multiplicador que permite o estabelecimento do 
preço de um produto, sendo conhecido o seu custo de aquisição. 
Então, 
BDI = k × CD ∴ k = BDI em que k = Mark up Eq. 4 
 CD 
 
Passando à demonstração da obtenção BDI e, levando este em função de “k” na equação do 
preço, fica demonstrado como se obtém o BDI, sob a forma de índice, em função do custo 
direto e expresso em porcentagem deste custo. 
 
Preço = CD + k CD ∴ Preço = ( 1+ k ) CD, Eq. 5 
 
Denominando (1 + k) de IBDI, fica demonstrada a origem do BDI caracterizado como índice. 
Desta forma, o BDI é definido como índice e expresso em porcentagem do custo direto, o que 
facilita a definição de um preço ou produto de engenharia. 
 
IBDI = ( 1 + k ) Eq. 6 
 
II.a) Lei de formação do BDI 
 
Conhecida a relação existente entre os dois modos de expressar o BDI, Eq. 1 e Eq. 2, a etapa 
seguinte é a demonstração da metodologia da composição e da obtenção do benefício e 
despesas indiretas, BDI, de uma empresa. 
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Para a demonstração desta metodologia é importante o reconhecimento, passo a passo, da 
forma de como se pode chegar a obter o índice, IBDI. Primeiro deve-se calcular o valor 
monetário, BDI, e posteriormente obter o valor do índice, IBDI segundo o demonstrado no item 
II. 
O BDI expresso em termos de valor monetário é instrumento gerencial de domínio interno da 
empresa. Expresso como índice, serve como parâmetro a ser utilizado pelas áreas fins no 
estabelecimento de preços e que poderá ser especificado em contratos. 
Para o gerenciador de projetos, é importante o reconhecimento de que a contabilidade e a área 
jurídica podem contribuir para o seu trabalho como fontes fornecedoras de informações. A 
primeira, como detentora da apropriação final e fonte fidedigna de informação dos custos 
praticados pela empresa, principalmente aqueles relativos à despesas indiretas. A segunda, 
como conhecedora e intérprete da legislação tributária que especifica as obrigações legais a 
serem recolhidas aos tesouros dos municípios, estados e da União. 
Além disso, estas informações e obrigações legais, no Brasil, costumam ser alteradas de um 
exercício fiscal para outro e o gerenciador de projetos deve estar atento quanto ao impacto que 
alterações causam no valor dos contratos e, consequentemente, na mutação dos valores dos 
BDI’s praticados. 
O BDI, Benefícios e Despesas Indiretas, podem ser formados e considerados como função do 
somatório de quatro principais variáveis, a saber: 
• custo indireto – CI; 
• o valor do risco calculado para o empreendimento – VR; 
• o montante do lucro desejado - ML ; 
• impostos a serem recolhidos aos poderes públicos – IMP. 
O modelo a seguir define a expressão para obtenção do valor monetário do BDI em função de 
suas principais variáveis: 
BDI = ƒ ( CI + VR + ML + IMP ) Eq. 7 
Cada variável apresentada na equação acima, por sua vez, pode ser subdividida em outras 
variáveis cujo tratamento é distinto quanto à metodologia de obtenção do valor correspondente 
a cada uma delas. Algumas destas podem ser calculadas diretamente a partir de dados 
disponíveis. Outras, por meio de algum método de rateio. 
Especial cuidado deve ser atribuído à definição dos impostos. A inadequada avaliação da 
metodologia do seu cálculo pode influir na redução de lucros esperados e na competitividade da 
empresa. Primeiro, pôr subestimar os impostos inclusos no BDI e acarretando uma redução do 
lucro ao ter de recolher, futuramente, imposto em valor superior ao previsto. Segundo, pôr 
superestimá-los e resultar na prática de preços fora da realidade de mercado. 
Nos itens seguintes, serão analisadas cada uma das variáveis acima descritas e a forma de 
como podem ser decompostas e definidos os seus respectivos valores. 
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II.b) O Custo Indireto. 
Participa da formação do custo indireto o seguinte grupo de custos: 
• Custos gerais de administração do processo – CGP; 
• Custos gerais de administração da empresa – CGA; 
• Custos financeiros vinculados ao capital de giro - CFI; 
• Custos de manutenção, depreciação, operação e reposição – CMR; 
• Custos de comercialização, propaganda e promoção de vendas – CMV. 
O montante dos custos indiretos pode ser efetuado com a utilização da expressão abaixo, cuja 
definição e forma de obtenção de cada termo é realizada a seguir. 
CI = CGP + CGA + CFI + CMR + CMV Eq. 8 
a) CGP = Custos Gerais de Administração do Processo 
Os custos gerais de administração do processo englobam despesas administrativas realizadas 
diretamente na obra, os custos de cartas de garantia ou caução dada por bancos, às despesas 
relativas ao processo de medição, cobrança e acompanhamento de documentos fiscais, o 
controle administrativo do canteiro e do almoxarifado de obras, o serviço de cozinha e 
transporte de pessoal, o serviço de vigilância e o pessoal lotado em serviços de manutenção e 
oficinas sob responsabilidade do canteiro, etc. 
Podem, também, ser consideradas neste item alguma despesa vinculada à estrutura de apoio, 
tais como engenheiros de suporte à obra, os integrantes da estrutura de compras lotados na 
sede da empresa e escritórios de apoio, desde que vinculados e destinados a atender, 
exclusivamente, determinado contrato. 
Pelo exposto, fica visível que estas despesas são de cunho indireto, porém especificamente 
vinculadas a determinado empreendimento e, em termos de despesa, tem comportamento 
variável segundo a mutação da carteira de contratos disponíveis pela empresa. 
b) CGA = Custos Gerais de Administração da Empresa 
Os custos apropriados neste grupo dizem respeito à administração central ou superior da 
empresa e que ocorrerão independentemente do tamanho da carteira de contratos da empresa, 
mantida a mesma capacidade de produção. 
Nestes custos estão apropriados todos os custos indiretos, fixos ou variáveis, relativos à 
administração da empresa. Como exemplo: o salário de diretores, de pessoal técnico e 
burocrático vinculados ao quadro permanente da empresa, os encargos sociais relativos a esse 
pessoal, despesas administrativas e de representação, aluguel de sede e almoxarifados, 
despesas com serviços públicos, etc. 
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Cada contrato, então, deverá contribuir para a amortização desses custos e que deverão ser 
rateados atendendo algum critério objetivo. No item IV será discutida a questão de rateio. 
No caso da empresa ter apenas uma obra ou um contrato, este deverá suprir a totalidade dos 
fundos necessários à cobertura das despesas apropriadas sob a rubrica Custos Gerais de 
Administração da Empresa. 
Porém, quando a empresa dispõe de uma carteira de contratos, é recomendado que os custos 
gerais de administração da empresa sejam rateados pelos diversos contratos em andamento. 
Na indústria da construção civil, como todo contrato tem um tempo determinado para a 
contribuição à conta CGA, é recomendável que a cada nova proposta seja revisto o rateio 
desses custos e a avaliação