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sobre Produtos 
Industrializados e o ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Como as 
empresas de engenharia são enquadradas como consumidores finais, estão dispensadas do 
recolhimento deste tributo sobre seus serviços e empreendimentos. 
No caso do fisco municipal, é comum a legislação definir alíquotas de contribuição distintas 
para serviços em que haja fornecimento de materiais e mão de obra ou, somente, de mão de 
obra. Além disso, essas alíquotas variam de um município para outro. 
Deste modo, recomenda-se verificar, antes da apresentação de qualquer proposta de preços, 
qual a alíquota praticada, já que o tributo é devido ao município onde o serviço será prestado. 
O perfeito entendimento da mecânica e da influência contábil de cada tributo é importante para 
a avaliação gerencial do engenheiro no estabelecimento de preços. Isto porque, é comum 
ocorrer a frustração do lucro desejado dado o desconhecimento da mecânica de cálculo dos 
impostos e da forma de definir, claramente, o valor monetário da base de cálculo que servirá de 
ponto de partida para o cálculo de imposto devido. 
A lei de formação do BDI, Equação 7, mostra que ele é função de quatro variáveis principais, 
em que os impostos são a quarta variável da expressão. 
BDI = ƒ ( CI + VR + ML + IMP ) (Eq.7) 
Para o cálculo do preço, uma das abordagens é estabelecer todos os custos que contribuem 
para sua formação, a partir dos quais poderá ser definido o montante, em valor monetário, dos 
impostos a serem recolhidos e, após, leva-los à equação do BDI como acima expressa. 
Há, porém, um procedimento mais expedito de calcular a influência dos impostos na 
composição do BDI e que dispensa o conhecimento do montante dos impostos. 
Este procedimento prevê a majoração de dois fatores: 
a) da taxa de lucro desejada, devido à influência dos impostos incidentes sobre o lucro 
da empresa; 
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b) e, do IBDI a ser utilizado no cálculo final dos preços, visando considerar tributos 
incidentes, diretamente, sobre o faturamento. 
A abordagem a ser desenvolvida para a definição do BDI e, consequentemente, do IBDI é a que 
prevê a majoração tanto da taxa de lucro como a majoração do IBDI, definido este como IBDI 
líquido. Utilizando esta abordagem, é dispensável o conhecimento antecipado do montante dos 
tributos a serem devidos, o que facilita o trabalho gerencial. 
O fisco faz distinção entre os conceitos de faturamento e receita. 
No estudo em pauta, será utilizado o conceito faturamento, já que ele decorre da 
contraprestação de um serviço, pois razão do objeto social das empresas de engenharia. Além 
disto, o faturamento é função do BDI praticado e, um número expressivo de tributos, o tem 
como base de cálculo. 
Receita, por sua vez, é entendida como todo e qualquer ganho que contribui ao caixa, a 
exemplo da venda de algum bem integrante do ativo imobilizado ou proveniente de aplicação 
financeira e sobre ela não incide diversos dos tributos como no caso do faturamento. 
2.15.1.2 Influência dos Tributos no BDI. 
Neste item serão apresentados os principais impostos e taxas a serem considerados na 
definição do IBDI e, portanto do BDI, sob pena de, havendo uma avaliação deficiente de suas 
incidências, frustrar a realização de lucro no montante desejado, como já comentado. 
O princípio estabelecido e que permitirá o entendimento do procedimento a seguir realizado, é 
que a empresa tem por objetivo manter a lucratividade - µ, incidência de tributos. 
Em outras palavras, a margem de lucro estabelecida como objetivo empresarial será mantida, 
após ocorrer o devido recolhimento de todos os tributos. 
Dois são os principais grupos de tributos a serem analisados: 
• Tributos incidentes sobre o lucro; 
• Tributos incidentes sobre o faturamento. 
Como já citado, a metodologia utilizada por facilidade de procedimento, nos dois casos em 
pauta é a que efetua a majoração da margens de lucro e do IBDI devido, respectivamente, aos 
tributos incidentes sobre o lucro e aqueles incidentes sobre o faturamento. 
I.a) Majoração da Margem Líquida µL 
A metodologia proposta, no caso, é a de estabelecer duas margens de lucro. 
A primeira, denominada de margem de lucro líquido - µL , é definida como sendo aquela 
estabelecida pela empresa como meta a ser atingida devido a contra prestação de seus 
serviços e expressa em termos percentuais. 
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É importante ressaltar, que a “µLÍQUIDA“ exprime a margem de lucro liquido esperado, após o 
desconto de todos os impostos e taxas incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento, sendo 
compatível com a taxa de atratividade arbitrada pela administração da empresa. Então: 
µL = ƒ (µ , αCS , αIR) 
A segunda, denominada de margem de lucro bruto - µ, obtida a partir da fixação da primeira, 
porém majorada, devido à influência dos tributos incidentes sobre o lucro. 
Esta margem bruta é aquela a ser adotada nos procedimentos propostos para o cálculo do BDI, 
em que αL corresponde ao total das alíquotas incidentes sobre o lucro. 
µL = µL / (1- αL) 
O denominador da expressão da margem bruta ( 1 - αL ) é definido como o fator de majoração 
da margem líquida, µL , estando nele considerado as alíquotas dos dois impostos incidentes 
sobre o lucro. 
Se houvesse apenas o Imposto de Renda incidindo sobre o lucro, a expressão acima poderia 
ser utilizada na forma como exposta na Eq. 10, quando αL seria idêntico a αIR. 
No Brasil, porém, dois são os impostos incidentes sobre o lucro: a contribuição social e o 
imposto de renda. e, conforme estabelece a legislação específica, o imposto de renda é 
descontado do lucro do exercício após o abatimento da contribuição social. Em outras palavras, 
estes tributos não são cumulativos. 
Dado este fato, o fator de majoração da margem líquida a ser adotado é função do produto das 
alíquotas estabelecidas para ambos os tributos. 
Adotando como nomenclatura: αIR para a alíquota do Imposto de Renda e αCS para a 
Contribuição Social e não sendo cumulativo o desconto dos dois tributos citados, o fator de 
majoração da margem passa a ter a seguinte expressão: 
( 1 - αL ) = ( 1 - αIR ) ( 1 - αCS) Eq. 11 
Então, a margem de lucro bruta a ser utilizada no cálculo do IBDI, é obtida levando o resultado 
da expressão da Eq. 11, na Eq 10. Deste modo: 
 Eq. 12 
Analisando a expressão acima, é fácil concluir que µ > µL pois a expressão em denominador é, 
necessariamente, menor que 1. Por isso a expressão é denominada de fator de majoração da 
margem de lucro. 
 
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I.b) Majoração do IBDI 
De forma similar à abordagem adotada para o tratamento da margem de lucro, idêntico 
procedimento pode ser efetuado para a consideração da influência dos tributos incidentes sobre 
o faturamento. 
Neste caso, o IBDI já deve ter sido calculado. Porém, o recomendado é não utilizar o valor 
obtido, diretamente, no estabelecimento do preço, dado ainda não terem sido considerados os 
tributos cuja base de cálculo é o faturamento. 
Anteriormente comentado, o princípio financeiro adotado é manter a margem de lucro 
estabelecida, µ, que se deseja manter inalterada após a dedução de todos os tributos devidos e 
das despesas incorridas. 
O objetivo, deste modo, é garantir que o faturamento disponível da empresa seja mantido 
segundo o desejado ou planejado, após o recolhimento dos tributos incidentes sobre o valor 
total de cada nota fiscal, valor este denominado de preço. 
Desta forma, a metodologia em consideração propõe a adoção de um I*BDI definido como 
valor líquido e um IBDI definido como valor bruto. 
Adotando, como nomenclatura: IBDI, ou Índice bruto, como o índice de BDI a ser utilizado na 
definição final