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do preço; I*BDI , definido como o índice líquido, calculado antes da consideração 
dos tributos incidentes sobre o faturamento; e αF representando o somatório das alíquotas 
relativas a todos os impostos incidentes sobre o faturamento; o índice a ser utilizado na 
definição do preço é: 
Preço = CD X IBDI 
Em que: 
IBDI = I*BDI / (1 – αF) Eq. 13 
 
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Ressalta-se que este IBDI, é o índice a ser adotado na definição do preço dos produtos. 
A expressão ( 1 - αF ) é definida como o fator de majoração do faturamento e referente, 
unicamente, aos impostos incidentes sobre o mesmo, sendo o fator que relaciona o índice do 
BDI bruto com o do líquido. 
A legislação brasileira considerara a indústria da construção civil como consumidores finais, não 
recolhendo tributo sobre o valor agregado de seus produtos. 
Assim, os tributos analisados são aqueles incidentes sobre o total da prestação de serviços, 
podendo ou não serem retidos na fonte. Assim sendo, tributos como o IPI, de atribuição da 
União e o ICMS, dos estados, não serão considerados para fins de cálculo formação do BDI, 
pois não são incidentes em serviços de engenharia, havendo ou não fornecimento de materiais. 
 
II.a) Tributos Incidentes Sobre o Lucro. 
Neste item é demonstrada a metodologia de tratamento dos tributos incidentes sobre o lucro, 
quando foi adotado o regime de tributação baseado no lucro real. 
Dois são esses impostos e devidos ao fisco federal. 
• a Contribuição Social; 
• o Imposto de Renda. 
Antes de analisar qual a alíquota do Imposto de Renda e da Contribuição Social a que esta 
sujeita a empresa, há que se conhecer qual o regime que ela adota para recolher esses 
tributos. Se os recolhe tendo por base de cálculo do imposto o lucro real ou o lucro presumido. 
No primeiro caso, a empresa recolhe o tributo após ter apurado o lucro do exercício. 
Neste caso, a metodologia apresentada recomenda que seja majorada a margem de lucro, µ. 
No segundo caso, o recolhimento é efetuado apuração trimestral tendo como base de cálculo a 
receita bruta, havendo a presunção de que uma porcentagem fixa, dessa receita seja 
convertida em lucro. 
Considerando que a análise em pauta visa a definição do BDI e a receita em consideração 
deriva dos serviços da empresa, isto é, o faturamento, então, o valor do Imposto de Renda 
incidente sobre o faturamento é dado pelo expressão: 
IR = αIR Faturamento 
Assim, no caso da empresa ter optado pelo regime do lucro presumido, o Imposto de Renda 
pode ser tratado como um tributo incidente sobre o faturamento a ser tratado mais adiante. 
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Especialistas em tributação têm alertado para haver precaução quando da opção do Imposto de 
Renda sob o regime de lucro presumido, pois, sendo alto o nível de despesa da empresa, o 
recolhimento deste tributo com base no lucro real pode ser inferior ao do lucro presumido. 
Atualmente, a pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real, poderá optar 
pela tributação com base no lucro presumido. 
O critério estabelecido para essa opção é definido no Regulamento do Imposto de Renda de 
1999, em seu Art. 516.: “A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano -calendário anterior, 
tenha sido igual ou inferior a quarenta e oito milhões de reais, ou a quatro milhões de reais 
multiplicado pelo número de meses de atividade no ano - calendário anterior, quando inferior a 
doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei n.º 
9.718, de 1998, art. 13).” (o limite passou ser 48.000.000,00 a partir de1o de janeiro de 2003). 
A receita bruta das vendas e serviços, segundo o fisco, compreende o produto da venda de 
bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido 
nas operações de conta alheia. 
Há, porém, que se considerar que na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os 
descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente 
do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja 
mero depositário. 
a) A Contribuição Social. 
Ao ser considerada a influência desta contribuição, deve ser constatado qual o regime de 
tributação e a respectiva base de cálculo que a empresa optou junto à Receita Federal. 
Especificando, se a empresa tem a obrigatoriedade de recolher o Imposto de Renda e a 
Contribuição Social tendo como base de cálculo do tributo o Lucro Real ou o Lucro Presumido. 
No caso da base de cálculo ser o Lucro Presumido (LP), a assunção deste regime deve, 
anteriormente ao exercício fiscal corrente, ser participado à Receita Federal, sendo a base de 
cálculo do imposto a receita bruta presumida e o seu recolhimento efetuado, durante o 
exercício fiscal. 
Nesse regime de tributação pelo Lucro Presumido, a Contribuição Social incide, 
exclusivamente, sobre a receita bruta. Este assunto é tratado no item 3.2.2 – Impostos 
Incidentes Sobre o Faturamento. 
A diferença característica entre o regime de Lucro Presumido e o regime do Lucro Real, é a 
freqüência de recolhimento dos impostos, o lucro. No primeiro caso, os impostos são recolhidos 
trimestralmente (a apuração do IR pelo LP passou a ser trimestral a partir de 1º de janeiro de 
1997) tendo por base de cálculo uma estimativa do faturamento futuro. No segundo, após a 
efetiva apuração do resultado do exercício fiscal, podendo ser recolhido, parceladamente, 
dentro do exercício seguinte ao da apuração. 
Sendo a base de cálculo do tributo o lucro real, o imposto será pago sobre o lucro apurado, isto 
é, após o desconto das despesas operacionais, das taxas e dos impostos do montante do 
faturamento auferido no exercício e demonstrado no respectivo balanço social. 
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A tabela I – Contribuição Social, fornecida pela Receita Federal, apresenta as alíquotas 
estabelecidas para cada regime de apuração e a respectiva base de cálculo. 
 
Tabela I – Contribuição Social 
Apuração do I.R Base de Cálculo Alíquota 
Lucro Presumido 12% da Receita Bruta 8,00% da Base de Cálculo 
Lucro Real Lucro Bruto 9,00% da Base de Cálculo 
 Fonte: RIR/99 
b) O Imposto de Renda. 
O Imposto de Renda é calculado tendo como base de tributação o Lucro Bruto, denominado 
pela Receita Federal de Lucro Real, obtido após serem descontados do faturamento, todas as 
despesas efetuadas pela empresa, taxas, impostos e contribuições devidas. 
O contribuinte somente estará obrigado apagar o IR caso apure lucro real positivo, indicador de 
renda tributável. 
O recolhimento deste imposto varia segundo alíquotas definidas pela Receita Federal, sendo 
importante ter o cuidado de, a cada exercício fiscal, verificar se as alíquotas a serem praticadas 
no exercício seguinte permaneceram as mesmas do exercício anterior. Caso contrário, sua 
influência na expressão do BDI deve ser reconsiderada. 
A legislação brasileira permite que, havendo alteração na legislação fiscal, haja alteração dos 
contratos, sendo possível a repactuação tanto em contratos firmados com a administração 
particular como a administração pública. 
Para calcular a incidência do Imposto de Renda, um primeiro cuidado a verificar é qual o correto 
enquadramento da empresa junto ao fisco federal para fins de estabelecimento da base de 
cálculo deste tributo. 
É importante notar que, mesmo havendo o recolhimento do Imposto de Renda sobre o Lucro 
Real, a Contribuição Social também incide, e prioritariamente, sobre este Lucro, conforme o 
especificado na tabela acima. 
Por facilidade de definição da influência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o 
BDI, este pode ser calculado, diretamente, sobre a margem de lucro (%) desejada. 
Sendo, como já definido: µLiquida como