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do gerenciamento no Brasil. Coutinho e Ferraz (1993) apoiam 
esta visão. Para eles “criatividade é uma característica-chave do gerenciamento no Brasil, a 
qual pode trazer grande vantagem para as empresas brasileiras. Dois são os fatores a 
considerar quanto à criatividade: a adaptabilidade a novas condições, e a inovação causada 
pelas restrições do ambiente industrial. Gestores estão cientes da necessidade de atualização 
tecnológica. Eles investem o que podem. Ainda assim, a adoção de novas tecnologias fica 
limitada à disponibilidade de recursos. 
Coutinho e Ferraz (1993) descreveram, sinteticamente, as dimensões/características da gestão 
no Brasil, conforme apresentado abaixo. 
 Estratégia: Baixa inovação de produtos, pequena busca de outros mercados externos, 
pouca orientação para o cliente; ensaios de terceirização e programas cooperativos entre 
empresas. 
 Estrutura Organizacional: Hierárquica, funcional, já se descentralizando timidamente; 
ênfase recente na redução de níveis hierárquicos, mas ainda bastante voltada para o 
desempenho com foco nas atividades internas. 
 Sistemas Administrativos: Sistemas de planejamento e controle ainda tradicionais, 
poucos sistemas considerados estratégicos e mais relacionados diretamente com os 
resultados dos negócios; baixo nível de integração entre os sistemas. O volume de 
treinamento dos recursos humanos e a informática não estão recebendo a alocação de 
recursos necessária e suficiente para que se possa criar uma massa crítica maior e 
condições operacionais de romper com os atuais padrões do sistema de gestão, esforço 
na implantação dos sistemas de qualidade, necessitando uma maior massa crítica. 
 Liderança: Paternalista, arraigada a valores culturais tradicionais, iniciando um 
movimento de relacionamento mais adulto com os subordinados, transferindo um pouco 
de poder para grupos ou comitês. 
 Processo Decisório: Ainda centrado em poucas pessoas, mas com tendência no sentido 
de uma gestão com maior envolvimento, internamente, das pessoas. 
 Cultura Organizacional: Bastante fundamentada em um excesso de normas e 
regulamentos; baixa capacidade de assumir riscos; imprime muito a postura de 
espectador, pela grande dependência de um poder centralizado; alto grau de criatividade 
e de adaptabilidade, orientado para resolver situações regulamentadas. 
Este estudo foi conduzido há duas décadas, sendo que alguns dos aspectos destacados vêm 
sofrendo alterações. Novas características tendem à descentralização e à busca de estratégias 
para obter maiores fatias de mercado. 
1.4 Administração 
1.4.1 Definições e classificação1 
Gerenciar/administrar significa definir metas, prover recursos (materiais, humanos e financeiros) 
e cobrar resultados. Gerenciar um projeto pode ser definido como: 
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“...a arte de dirigir e coordenar recursos humanos, materiais e financeiros, durante a vida do 
projeto, usando técnicas de administração, visando atingir objetivos pré definidos quanto a 
tempo, custo, qualidade e segurança, necessários á satisfação do cliente” (Ávila e Jungles) 1. 
Administrar, para diferentes autores significa1: 
Henry Fayol: 
 Planejar 
 Organizar 
 Comandar 
 Coordenar 
 Controlar 
Gulik: 
 Planejar 
 Organizar 
 Recrutar 
 Dirigir 
 Coordenar 
 Informar 
 Orçar 
Peter Drucker: 
 Fixar objetivos 
 Organizar 
 Motivar e comunicar 
 Avaliar 
 Desenvolver pessoas 
 
 A administração pode ser classificada nos seguintes ramos1: 
 Administração de pessoal 
 Administração de patrimônio 
 Administração documental 
 Relações públicas 
 Relações humanas 
 Administração orçamentária 
 Organização e métodos 
Para uma boa administração, para que o engenheiro possa gerenciar bem um 
empreendimento, é importante que ele possa entender o funcionamento do processo de 
construção como um todo, bem como o interelacionamento entre as partes e os envolvidos no 
processo. 
1.4.2 Princípios de administração1 
a) Princípios da administração introduzida por Taylor (administração científica) 
1ª fase: 
 Racionalização de tarefas, eliminando movimentos inúteis; 
 Explorar melhor as aptidões dos indivíduos, ou seja, selecioná-lo mais cientificamente, 
de acordo com sua capacidade; 
 Distribuição uniforme do trabalho; 
 Remuneração móvel, segundo o nível de produção de cada indivíduo. 
2ª fase: 
 O administrador deveria desenvolver um método científico para cada elemento do 
trabalho de um homem; 
 O administrador deveria cooperar para com os trabalhadores, a fim de que as tarefas 
fossem executadas da melhor forma; 
 Deveria haver uma igual divisão de tarefas e responsabilidade entre o administrador e o 
operário. 
b) Princípios de organização: teoria clássica (Fayol) 
 Divisão do trabalho; autoridade e responsabilidade; 
 Disciplina; 
 Unidade de comando; 
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 Unidade de direção; 
 Subordinação do interesse individual para com o interesse geral; 
 Remuneração do pessoal; 
 Centralização; 
 Princípio de hierarquia; 
 Ordem; 
 Princípio da equidade; 
 Princípio da iniciativa. 
1.5 Atribuições do engenheiro e código de ética 
1.5.1 Atribuções1 
As atribuições dos profissionais de engenharia são as definidas nos artigos 6o e 7o da Lei 
Federal no 5.194, publicada em 24/02/1966 e suas atividades discriminadas na Resolução no 
218 do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia de 20/07/1973, a seguir 
relacionadas. 
Artigo 1o ... ficam designadas as seguintes atividades: 
At. 01 – Supervisão, coordenação e orientação técnica; 
At. 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; 
At. 03 – Estudo de viabilidade técnico-econômica; 
At. 04 – Assistência, assessoria e consultoria; 
At. 05 – Direção de obra e serviço técnico; 
At. 06 – Vistoria, perícia, avaliação; 
At. 07 – Desempenho de cargo e função técnica 
At. 08 – Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; 
At. 09 – Elaboração de orçamento; 
At. 10 – Padronização, mensuração e controle de qualidade; 
At 11 – Execução de obra e serviço técnico; 
At 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico; 
At 13 – Produção técnica e especializada; 
At. 14 – Condução de trabalho técnico; 
At. 15 - Condução de equipe de instalação, montagem e reparo; 
At. 16 – Operação e manutenção de equipamento e instalação; 
At. 17 – Execução de instalação, montagem e reparo; 
At. 18 – Execução de desenho técnico. 
(Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5194.htm) 
Complementando o Artigo anterior que relaciona a gama de atividades legalmente possíveis de 
serem exercidas pelo Engenheiro Civil, a mesma lei em seu Artigo 7º define a sua área de 
competência e diz: 
“Compete ao Engenheiro Civil, ou ao Engenheiro de Fortificação e Construção: 
I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo primeiro desta resolução, referente a 
edificações, estradas, pistas de rolamento e aeroportos: sistemas de transporte, de 
abastecimento de água e de saneamento; portos, rios e canais, barragens e diques; drenagem 
e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos.” 
Pelo contido nos artigos acima expostos, tais atividades são de responsabilidade exclusiva dos 
Engenheiros, respondendo por elas civil e criminalmente. 
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Assim, os engenheiros dispõem de amparo legal que os habilita ao desempenho de suas 
funções, não devendo contribui, permitir ou acobertar pessoas não qualificadas as exercitar. 
Para cumprir a dimensão de sua habilitação, é fundamental que o engenheiro que mantenha-se 
atualizado tanto técnica como gerencialmente, participando da evolução da profissão e 
contribuindo, como cidadão responsável para o aperfeiçoamento da legislação que a rege. 
1.5.2 Código de Ética 
Visando ao bom cumprimento das atividades profissionais, o respeito