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serviços o valor dos tributos, definindo o 
preço a ser proposto. 
Calculando: 
Preço (1) = 950.000,00 + (950.000,00 × 0,1127) = R$ 1.057.065,00 
Novo Imposto = 1.057.065,00 x 0,1127 = R$ 119.131,23 
Valor Disponível = 1.057.065,00 – 119.131,23 = R$ 937.933,77 
 
VD1 = 937.933,77 < 950.000,00 
 
2º ) O segundo procedimento é seguindo a metodologia proposta em que, após recolhidos os 
tributos devidos, a importância disponível pela empresa permanece os mesmos R$ 
950.000,00. 
Neste caso: 
Preço (2) = 950.000,00 ÷ (1 - 0,1127) = R$ 1.070.663,81 
Imposto = 1.070.663,81 x 0,1127 = R$ 120.663,80 
VD2 = 1.070.663,81 – 120.663,80 = R$ 950.000,00 
Comparando o VD1 com o VD2, é verificada uma diferença de R$ 12.066,23 a favor da 
metodologia proposta. 
Deduzindo do VD2 o valor do tributo, fica disponível para a empresa exatamente o valor orçado 
de R$ 950.000,00, o que é o desejado. No caso de ter sido escolhido primeiro procedimento, a 
importância disponível após a dedução dos tributos seria R$ 937.933,77. 
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A diferença pode ser pequena, mas proveniente de um procedimento que reduz o lucro 
desejado. Em conseqüência, a taxa de lucro realmente obtida é distinta e inferior àquela 
arbitrada pela direção da empresa. 
2.15.1.3 Rateio dos Custos Indiretos. 
O rateio dos custos atinge apenas os custos fixos ou indiretos, já denominados de CGA – 
Custos Gerais de Administração da empresa, porque incorridos pela administração central da 
empresa e necessários à sua operacionalização, devendo ser absorvidos pelos diversos 
contratos em carteira. 
Os custos diretos, ou variáveis, serão apropriados, diretamente, à conta específica do contrato, 
sem necessidade de rateio. 
Sem um procedimento adequado no rateio dos custos indiretos pode ocorrer redução da 
competitividade da empresa, pois eles podem influir na composição da proposta de preços 
propiciando a formação de um valor acima daquele praticado pelo mercado. Ou, em caso 
oposto, contribuir para a formação de uma proposta irreal, pois os preços orçados são 
compostos por custos inferiores aos que serão incorridos, com a decorrente expressão na 
redução dos lucros, situação que pode levar a empresa a conviver com dificuldades financeiras. 
Para o rateio dos custos fixos, ou custos indiretos, é recomendado estabelecer algum critério 
que apresente racionalidade, para que não haja distorção nas informações e apropriações 
indevidas a qualquer serviço. 
No exemplo exposto nos quadros acima, os custos fixos são apropriados, classicamente, nas 
contas 3.7; 3.8 e 3.9 do Demonstrativo de Resultados do Exercício, a partir das Fichas de 
Controle de Custos. 
Os critérios de rateio podem ser divididos em dois grandes grupos: 
(I) Critérios Globais de Rateio 
(II) Critérios Específicos de Rateio 
I) Critérios Globais 
o Rateio e superávit 
o Manutenção do nível de produção 
o Aproveitamento da capacidade ociosa 
A literatura disponível recomenda que o rateio dos custos fixos deva ser definido em função de 
algum fator diretamente vinculado ao volume produzido. 
Esses fatores ou critérios globais podem ser: 
o Horas de mão de obra direta; 
o Horas de utilização de máquinas e equipamentos; 
o Custo da mão de obra direta; 
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o Valor dos contratos em carteira de contratos. 
Neste item é apresentada uma discussão sobre o rateio dos Custos Indiretos da empresa, 
também denominados Custos Gerais de Administração - CGA – considerando como critério de 
rateio a participação percentual do valor de cada contrato no conjunto da carteira. 
O objetivo de definir como fator de rateio a proporcionalidade do valor dos contratos em função 
do volume total da carteira, permite, de forma simples, o estabelecimento de uma distribuição 
eqüitativa de custos indiretos entre eles. 
Devido a sua peculiar característica, a indústria da construção civil favorece a redução dos tipos 
de critérios de rateio normalmente encontrados na literatura que trata o assunto. 
Porém, é ressaltada a importância de ser mantido sob constante observação a utilização do 
fator em pauta, devido a conclusão dos contratos em carteira e a adjudicação de novos, 
situação que altera a proporcionalidade estabelecida para os fatores em consideração. 
Na construção civil, o rateio dos custos indiretos pode ocorrer em dois níveis: 
a) o primeiro, visando definir qual fração dos custos indiretos será absorvido por cada 
contrato componente da carteira de serviços da empresa. Esta situação será 
analisada nos items (I) e (II); 
b) o segundo nível, relativo a rateio intra-contrato, visa definir o valor dos custos 
indiretos atribuído a um contrato que será alocado a cada serviço que o compõe. 
Este caso será discutido no item (III). 
É fácil de entender que a carteira da empresa tendo apenas um contrato, os custos totais da 
empresa e nesses incluídos os custos gerais de administração ou custos indiretos, deverão ser, 
indiretamente, absorvidos por esse contrato. 
Uma situação mais complexa ocorre quando a empresa já dispõe de um conjunto de 
contratos em andamento normal ou em fase de conclusão e está atuando para conseguir a 
adjudicação de outros. 
Frente a esse cenário, é exigida habilidade na definição do critério de rateio dos custos 
gerais de administração da empresa, isto é, dos custos indiretos a serem atribuídos à uma nova 
proposta. 
Nessa situação, existe a possibilidade de ocorrer uma grande variedade de casos e, 
assim sendo, serão apresentados três casos característicos, visando ilustrar possíveis 
procedimentos. 
O princípio adotado nestes casos, é ratear o custo proporcionalmente ao valor da 
participação de cada contrato frente ao montante do valor da carteira. 
Nos casos em exemplo, serão analisadas situações em que a empresa dispondo, no 
momento, de três contratos em andamento esta formulando uma nova proposta, “k”, numa data 
qualquer “t”. 
 
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I.a) Rateio e Superávit 
Este é o caso mais geral a ser comentado. 
Como exemplo, é analisada a situação de uma empresa que dispõe de uma carteira de 
contratos cuja monta é de 4,41 milhões. 
Os custos gerais de administração da empresa por um determinado período (digamos 6 meses) 
somam R$ 360.000,00. Na data “t” tais custos estão sendo rateados entre os contratos x, y e z, 
respectivamente, 80 mil, 108 mil e 172 mil reais, correspondendo, respectivamente, a uma taxa 
de rateio de 22,29%; 29,95% e 47,85% do total destes custos. Considerar 1 período de 4 
meses. 
Considerando que a empresa deseja realizar novos contratos, a questão que surge é como 
será efetuado o rateio para uma nova proposta, dado a conclusão, em futuro próximo, do 
contrato relativo à obra “x”. 
Como premissa necessária ao estabelecimento do critério de rateio, a empresa deseja manter 
inalterada a atual capacidade de produção e, portanto, manter inalterado o nível dos custos 
indiretos que vem praticando. 
A priori, três hipóteses de rateio podem ser consideradas: 
a) Como primeira hipótese, os custos gerais de administração, até então suportadas pela obra 
“x”, passarão inteiramente a serem cobertos pela nova proposta, no momento de R$ 80 mil, 
independentemente do valor a ser fixado para o novo contrato. 
Havendo adjudicação de contrato visando a realização da proposta, a empresa disporá de um 
ganho extraordinário durante o período em que operar, simultaneamente, as obras “x” e “k”, no 
valor de R$ 80 mil. 
b) A segunda hipótese considera que o valor dos custos gerais de administração a serem 
cobertos pela Obra-k será proporcional ao futuro montante da carteira, na data de 
adjudicação dessa obra. 
c) A terceira hipótese parte do princípio da exclusão do valor da obra-x no agregado do novo 
montante da carteira, Situação-2, que passará a ser