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de mudanças nas formas de organização do trabalho, tem levado à promoção de 
cursos de alfabetização e formação profissional (SENAI e universidades) para os operários. 
 
f2) Motivação e participação 
f2.1)Utilização de mão de obra própria 
É tradição no setor da construção a utilização da mão de obra subcontratada. Este fato é 
freqüentemente utilizado para justificar as razões pelas quais as empresas não investem em 
recursos humanos. Segundo pesquisa feita em algumas empresas, utilizar mão de obra 
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predominantemente própria permite absorver as variações dos níveis de ocupação, sem perder 
a cultura tecnológica da empresa. 
f2.2) Eliminação da hora-extra e aumento do salário-base 
A realização de horas-extra ou a adoção do regime de tarefa são artifícios empregados pelas 
empresas para o aumento da remuneração, que, na maioria dos casos, não garantem melhoria 
significativa na produtividade, ou qualidade de serviços, nem na qualidade de vida do 
trabalhador. Diante disto, algumas empresas optaram por aumentar o salário-base, a partir da 
eliminação prática das horas extras. 
f2.3) Pagamento pontual 
Para evitar o descontentamento provocado pela desconfiança dos operários quanto à forma de 
pagamento, algumas empresas procuram, além da pontualidade, manter total transparência dos 
procedimentos adotados, fornecendo memória de cálculo dos valores pagos, prêmios por 
tarefas ou empreitadas, discriminação de descontos sobre o salário, e benefícios concedidos. 
f2.4) Quadro de presença e astral dos operários 
Considerando as dificuldades em registrar as variações de humor e comportamento dos 
operários (para, assim, saber como tratar com estes), e para amenizar as rotinas e dificuldades 
do trabalho, algumas empresas adotam o painel para o registro de humor dos operários. Cada 
um coloca seu cartão na faixa pintada do quadro que corresponde ao seu estado emocional no 
dia. 
f2.5) Galeria de fotos com operário do mês e de bons e maus serviços 
Com o objetivo de estimular a participação e o bom desempenho qualitativo e quantitativo, 
algumas empresas adotam painéis onde são exibidas fotos de empregados que se destacaram 
ao longo do mês. Também é organizada uma galeria de fotos mostrando os bons e maus 
serviços realizados na obra. 
f2.6) Premiações especiais 
Premiação para férias: forma de permitir ao operário que mora longe, visitar seus familiares; 
Premiação por tarefas grupais: os próprios trabalhadores terão o máximo interesse em distribuir 
adequadamente as tarefas, visando atingir as metas. 
f2.7) Concurso para sugestões e criação de frases / caixas de sugestões 
Forma utilizada pelas empresas para envolver e motivar os trabalhadores, considerando que as 
pessoas sentem-se mais estimuladas quando elas próprias estão participando do processo. 
f2.8) Introdução de células de trabalho e ampliação dos trabalhos das equipes 
As células de trabalho são formadas por grupos de pessoas capacitadas e designadas para 
desempenhar uma ou várias funções, que distribuem entre si as atividades e dividem a 
premiação obtida. Ampliando-se o trabalho, a célula pode ter atribuições mais completas na 
construção, desde a preparação da cancha, abastecimento de materiais, produção 
propriamente dita, até a verificação de itens de qualidade que devem ser atendidos. 
f2.9) Formação de trabalhadores polivalentes 
Para contornar o problema decorrente da estrutura de ofícios em que se encaixa a construção 
civil e evitar a elevada rotatividade, algumas empresas estão adotando a polivalência ou 
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multifuncionalidade de seus operários, permitindo que os mesmos permaneçam empregados 
mesmo quando sua profissão básica já não é necessária para aquela fase da obra. 
f3) Incentivos 
A motivação não pode ser conferida a um ser humano, e sim, induzida neste pela alteração de 
fatores e circunstâncias externas, tornando-os mais favoráveis. É elemento de extrema 
importância ao se pensar em trabalhar com pessoas, visando resultados de influência positiva 
no gerenciamento destas que constituem os chamados recursos humanos das empresas. MAIA 
(1994) afirma que gerenciar tais recursos consiste em envolver as pessoas, aumentando sua 
participação, satisfação, motivação para se obter produtividade e qualidade na realização das 
tarefas. Ressalta, ainda que satisfazer os seres humanos não é tarefa simples, uma vez que, de 
acordo com Maslow, a insatisfação é o estado natural do ser humano, estando ele satisfeito 
apenas em situações momentâneas. Daí vem a necessidade da continuidade dos estímulos 
aos trabalhadores, sob a forma de valorização do trabalho e do trabalhador. 
Há inúmeros outros fatores que contribuem para o aumento da produtividade, podendo ser 
citados, conforme CARVALHO (1989): 
 Fatores humanos: elevação do nível de qualificação técnica e cultural do trabalhador, 
motivando-o a progredir na carreira profissional; treinamento e reciclagem 
permanentes; salário justo; trabalho em equipe; supervisão participativa; bom ambiente 
psicológico e emocional de trabalho. 
 Fatores técnicos: avanço tecnológico; utilização correta de máquinas, equipamentos, 
ferramentas, etc.; aplicação de princípios de organização do trabalho. 
Algumas tentativas já aplicadas com sucesso por algumas empresas como incentivos para a 
fixação de recursos humanos na empresa são apresentadas abaixo: 
f3.1) Instalação de refeitório no canteiro 
Este local deve atender às condições mínimas de limpeza, conforto ambiental e adequação a 
atividades sociais. Há duas formas predominantes de estruturação de refeitórios em obras: com 
mesas de madeira, fixas, com capacidade para acomodação de um número variável de 
operários, ou mesas de aço, com capacidade para 4 pessoas. 
f3.2) Fornecimento de refeições e de cesta básica 
As condições sócio-econômicas dos operários e o esforço físico envolvido na execução de suas 
tarefas criam uma carência alimentar que, se não for suprida, afeta seu rendimento no trabalho. 
Por isto algumas empresas fornecem refeições no próprio canteiro de obra (geralmente café da 
manhã e almoço; jantar só é oferecido em canteiros com alojamento). 
A cesta básica geralmente é fornecida como forma de premiação aos funcionários que não 
possuem faltas num determinado período. O SESI é o principal fornecedor de cestas básicas, 
oferecendo 4 tipos padrões. 
f3.3) Aquecedor de marmita, refrigerador e bebedouro 
O aquecedor de marmita pode ser adquirido de fabricantes (elétricos ou a gás), ou 
confeccionado na obra, através da utilização de lâmpadas para gerar a energia térmica 
necessária. 
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Os refrigeradores permitem aos funcionários manterem sua marmita adequadamente 
refrigerada até a hora de aquecê-la e disporem de água fresca, o que também pode ser suprido 
por bebedouros elétricos. 
f3.4) Instalações sanitárias em canteiros, alojamentos e vestiários 
Três aspectos são importantes quanto às instalações sanitárias: o local deve ser de fácil acesso 
aos operários, devem apresentar proporção adequada ao número de usuários, e devem 
apresentar boas condições de higiene. 
Segundo a NR-24, é exigido 1 lavatório e 1 chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores. 
Quanto à bacia sanitária, é satisfatória a proporção de 1 para cada grupo de 20 trabalhadores. 
Sanitário móvel, em andares intercalados: forma de diminuir o percurso dos operários. 
Em obras de grande porte, em locais afastados, as empresas enfrentam o problema de recrutar 
e fixar os operários, devido aos grandes percursos que estes têm que vencer para chegar ao 
local de trabalho. Em função disto, algumas empresas oferecem alojamentos, dando condições 
aos operários de permanecerem na obra por longos períodos, com visitas aos familiares. 
f3.5) Assistência médica, odontológica