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Cabe ressaltar que o resultado será uma estimativa – com maiores níveis de incerteza - sendo 
mais indicado para a fase de estudos de viabilidade do empreendimento. 
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Profa Cristine N. Mutti – UFSC – atualização 2013 
 
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Tabela 2: Parâmetros para estimativa de consumo de componentes de concreto armado em estruturas. 
Fonte: Ávila, Librelotto e Lopez3 
Serviço Tipo Critério 
Concreto Lajes maciças (incluindo 
escadas) 
V LM = área do pavimento X 
0,08 (em m3) 
 Vigas (somente considerar a 
parte que se destaca da laje) 
VVG = área do pavimento X 0,04 
(em m3) 
 Pilares VPL = N X área do pavimento X 
(0,002 N + 0,012) (em m3) N = 
número de pavimentos 
 Blocos e cintas VBC = área do pavimento X 0,12 
(em m3) 
Formas Estrutura comum de concreto 
armado 
12 m2/m3 de concreto 
 Baldrames, blocos e cintas 6 m2/m3 de concreto 
Aços CA-50 e CA-60 Lajes maciças PLM = 50 X VL kg de aço (em 
kg) 
 Vigas (somente considerar a 
parte que se destaca da laje) 
PVG = 85 X VV (em kg) 
 Pilares PPL = 95 X VP (em kg) 
 Blocos e cintas PBC = 105 X VBC (em kg) 
 
2.11 Preço, custos e lucro 
2.11.1 Definições2 
a) Preço é a expressão do valor monetário de uma obra ou serviço, resultando no valor 
cobrado do cliente. 
b) Custo representa o valor da soma dos insumos (mão-de-obra, materiais e equipamentos) 
necessários à realização de dada obra ou serviço; constitui-se no valor pago pelos insumos. É o 
gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. 
c) Outras definições importantes 
c.1) Gasto: sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou 
serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos. 
Conceito extremamente amplo e que se aplica a todos os bens e serviços recebidos; assim, 
temos gasto com a compra de matéria-prima, gasto com mão-de-obra, tanto na produção como 
na distribuição, gasto com honorários da diretoria, gasto na compra de imobilizado etc. 
O custo também é um gasto. Exemplo: a matéria-prima foi um gasto na sua aquisição que 
imediatamente se tornou investimento, e assim ficou durante o tempo de sua estocagem, sem 
que aparecesse nenhum custo associado a ela; no momento da sua utilização na fabricação de 
um bem, surge o custo da matéria-prima como parte integrante do bem elaborado. Este por sua 
vez, é de novo um investimento, já que fica ativado até a sua venda. 
Só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço. 
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c.2) Investimento: gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a 
futuro(s) período(s). 
c.3) Despesa: bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de 
receitas. 
A comissão do vendedor, por exemplo, é um gasto que se torna imediatamente uma despesa. 
Todas as despesas são ou foram gasto. Porém, alguns gastos muitas vezes não se 
transformam em despesas (por exemplo, terrenos, que não são depreciados) ou só se 
transformam quando de sua venda. 
c.4) Desembolso: pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço. 
Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada, portanto defasada ou 
não do gasto. 
c.5) Perda: bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária. 
Não se confunde com a despesa (muito menos com o custo), exatamente pela sua 
característica de anormalidade e involuntariedade. 
2.11.2 Relação custo, preço e lucro1,2,3 
A relação entre custos e lucro vem variando de acordo com os tempos, com a alteração de 
características mercado. 
Historicamente, se orçava o necessário para construir, adicionava-se a este custo a margem de 
lucro desejada, e tinha-se o preço de venda - isto considerando que este preço pudesse ser 
qualquer preço. Esta situação levava em conta apenas a contabilidade dos custos. A equação 
abaixo (muito usada na década da 60) representa esta situação: 
PREÇO = f (∑ CUSTOS + MARGEM DE LUCRO) 
Nesta situação, os custos eram geralmente definidos pelos fornecedores de insumos, e a 
margem de lucro definida pela empresa ou o profissional interessado. 
Quando o lucro, as despesas e os custos são englobados num único fator, ocorre o que se 
denomina de mark up (µ). Este fator, aplicado sobre os custos diretos dos produtos e serviços 
define o preço desejado. 
PREÇO = µ X CD 
No mercado atual, a empresa é que tem que racionalizar seus custos, pois é este mercado que 
estabelece o preço (em função da pressão dos clientes, da concorrência entre as empresas). 
Aqui, é levada em conta a necessidade de controle de custos. Neste caso, a equação muda 
para: 
MARGEM DE LUCRO = f (PREÇO - ∑ CUSTOS) 
O lucro passou a ser função do preço praticado pelo mercado e dos custos incorridos, sendo 
que os custos podem/devem ser controlados pela empresa. Enquanto a primeira equação 
levava em conta apenas a contabilidade dos custos, esta já traz a necessidade do controle de 
custos. 
Em função da busca das empresas pela melhoria contínua, a tendência para o futuro é buscar, 
não só um controle, mas um gerenciamento dos custos. Assim, a empresa estabelece a 
margem de lucro desejada e trabalha para que os custos sejam os menores possíveis, fazendo 
com que os preços fiquem dentro dos valores de mercado. 
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CUSTO = f (PREÇO - MARGEM DE LUCRO) 
A figura 13 mostra a evolução da equação de formação de preços. 
PREÇO = CUSTO + MARGEM DE LUCRO
MARGEM DE LUCRO = PREÇO - CUSTO
CUSTO = PREÇO - MARGEM DE LUCRO
Equação para
 formação de preços
Período
Década de 60
Ev
o
lu
çã
o
Década de 90
Futuro próximo
 
Figura 13: Evolução da equação para formação de preços. Fonte adaptada: Kliemann Neto & Antunes 
Júnior por Librelotto2. 
 
2.11.3 Formas de buscar aumento do lucro 
 
$ $$
$
 
AUMENTO DO MERCADO
AUMENTO DO PREÇO DE VENDA
REDUÇÃO DO CUSTO TOTAL
LUCRO
 
Figura 14: Como aumentar o lucro? 
a) Aumento do lucro pelo aumento do custo de venda: 
 Limitações: competição; complacência dos clientes. 
 Riscos: redução do mercado (redução do lucro). 
b) Aumento do lucro pela redução do lucro por unidade: 
 Limitações: competição. 
 Riscos: evitar margem de lucro muito baixa. 
c) Redução do custo total, transferindo as vantagens aos clientes, na forma de redução do 
preço de venda: 
 Limitações: gastos com novos equipamentos; custos de novos materiais; treinamento de 
mão de obra; qualidade do produto. 
Como discutido acima, esta é a tendência buscada hoje pelas empresas. 
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2.12 Classificação dos custos2 
Há duas maneiras de classificar os custos: de acordo com a produção e de acordo com o 
volume de produção. Em relação ao volume de produção, considera-se a relação entre os 
custos e volumes de atividade, numa dada unidade de tempo. De acordo com o volume da 
produção podem ser: 
a) Fixos: são aqueles que não variam em função das oscilações na atividade de 
produção. Ex.: salários de pessoal administrativo, telefone e aluguel. 
b) Variáveis: São os que tem o seu valor determinado pela oscilação do volume de 
produção ou dimensão do produto. Ex.: materiais, mão-de-obra, impostos e taxas. 
c) Semi-variáveis: possuem componentes das duas naturezas – fixos e variáveis. Certos 
autores referem-se as estes custos como os predominantes na construção civil. 
Segundo Mascaró, alterações na área construída não representam alterações 
proporcionais no custo total. 
De acordo com a produção, os custos podem ser classificados em: 
a) Diretos: podem ser diretamente apropriados ao produto, bastando haver uma medida 
de consumo. Ex.: serviços em obra, mão-de-obra diretamente vinculada à 
obra/serviço, leis sociais incidentes sobre a mão-de-obra, materiais, equipamentos, 
instalações do canteiro.