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6 GLP_2013

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pressões iniciais: 
a) Trechos em baixa pressão (após o regulador de 2o estágio) : 2,8 kPa; 
b) Trechos em média pressão (após o regulador de 1o estágio): 150 kPa. 
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Salienta-se, porém, que os trechos dimensionados em baixa pressão nos exemplos da NBR 13932, 
poderiam ter pressão inicial de até 5 kPa, desde que a pressão final nos pontos de utilização 
estivesse compreendida entre 2,6 kPa e 2,8 kPa. Já nos exemplos da NBR 13933, as redes internas 
são dimensionadas considerando uma pressão inicial de 1,96 kPa (200 mmca) e a perda de carga 
nas tubulações é sempre inferior a 0,19 kPa (20 mmca). 
 
Quando a rede de distribuição é dimensionada para uso alternativo de GN ou GLP deve-se atentar 
para as exigências da NBR 14570. As tubulações deverão ser dimensionadas em baixa pressão, 
tanto para GN quanto para GLP, e deverá ser adotado o maior diâmetro de tubulação calculado. Nos 
exemplos de dimensionamento desta norma, as pressões iniciais de cálculo são iguais a 2,80 kPa 
para GLP e 1,96 kPa para GN, porém, no texto da norma é estabelecida uma pressão inicial 
ligeiramente inferior para o GLP, igual a 2,74.kPa. Essa diferença pode ser, possivelmente, oriunda 
da conversão das unidades de pressão. Entretanto, é importante ressaltar que boa parte dos 
reguladores de 2o estágio, comercializados atualmente, são dimensionados para uma pressão de 
saída de 2,80 kPa. 
 
A seguir é sugerido um roteiro de dimensionamento da tubulação baseado nas fórmulas da 
NBR 13932, NBR 13933 e NBR 14570. 
 
1o Verificar a potência nominal de cada aparelho de utilização de gás através da Tabela 6.5. 
 
Caso o fabricante forneça a potência nominal do aparelho, ela poderá ser utilizada. 
 
2o Apurar a potência computada (C) em cada trecho através do somatório das potências nominais 
dos aparelhos por ele supridos. 
 
3o Encontrar o fator de simultaneidade (F) em função da potência computada (C). Cabe ao 
projetista verificar as condições prováveis da utilização dos equipamentos e possíveis expansões de 
utilizações para decidir sobre qual valor será utilizado no fator de simultaneidade, sendo permitido o 
valor encontrado através do gráfico da Figura 6.14 ou o calculado pelas equações 6.2 a 6.5. 
 
C < 350 F = 100 (6.2) 
350 < C < 9612 F = 100 / [1 + 0,001 (C - 349)0,8712] (6.3) 
9612 < C < 20000 F = 100 / [1 + 0,4705 (C - 1055)0,19931] (6.4) 
C > 20000 F = 23 (6.5) 
 
Onde: 
C é a potência computada (kcal/min); 
F é o fator de simultaneidade (%). 
 
Observação: para um único equipamento o fator de simultaneidade deve ser igual a 100% 
 
4o Calcular a potência adotada (A) através da equação 6.6. 
 
A = C x F / 100 (6.6) 
 
Onde: 
A é a potência adotada (kcal/h); 
C é a potência computada (kcal/h); 
F é o fator de simultaneidade (%). 
 
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Figura 6.14. Fator de simultaneidade em função da potência computada 
Fonte: ABNT (1997a), ABNT (1997b) e ABNT (2000c) 
 
5o Determinar a vazão de gás (Q) por meio da equação 6.7. 
 
Q = A / PCI (6.7) 
 
Onde: 
Q é a vazão de gás (m³/h); 
A é a potência adotada (kcal/h); 
PCI é o poder calorífico inferior do gás (kcal/m³). 
 
O poder calorífico do gás deve ser adotado em função dos seguintes usos para as instalações 
internas: 
• Uso exclusivo de gás liquefeito de petróleo: PCIGLP = 24000 kcal/m³ (ABNT, 1997a); 
• Uso exclusivo de gás natural: PCIGN = 9230 kcal/m³ (ABNT, 1997b); 
• Uso alternativo de GN ou GLP: PCIGLP = 24000 kcal/m³, PCIGN = 8600 kcal/m³ (ABNT, 2000c). 
 
6o Adotar um diâmetro interno inicial (D) para determinar o comprimento equivalente total (L). 
 
O comprimento equivalente total deve ser calculado somando-se os trechos retos da tubulação e os 
comprimentos equivalentes de conexões e registros conforme valores fornecidos pelos fabricantes. 
Na falta destes dados, pode-se utilizar valores consagrados internacionalmente, desde que se 
garanta que a perda de carga localizada real não ultrapasse o valor utilizado no cálculo. As Tabelas 
6.9 e 6.10 apresentam os comprimentos equivalentes para diferentes conexões em função do 
diâmetro nominal para tubos de cobre e aço, respectivamente. Nestas tabelas são apresentados 
ainda os diâmetros internos dos tubos. 
 
Na rede de distribuição interna são admitidos tubos de cobre rígido, sem costura, com espessura 
mínima de 0,8 mm para baixa pressão e classes A ou I para média pressão. São admitidos também 
tubos de aço, com ou sem costura, preto ou galvanizado, das classes normal ou média. Caso forem 
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utilizados tubos de aço preto, quando na montagem, deverão receber tratamento superficial 
anticorrosivo (ABNT, 1997a; ABNT, 1997b; ABNT, 2000c). Os tubos de cobre de classe A ou I 
também podem ser utilizados para baixa pressão, visto que os tubos da classe E somente 
apresentam espessura de parede superior a 0,8 mm para diâmetros maiores que 35 mm. 
 
As conexões para tubos de aço, acopladas por rosqueamento, podem ter roscas cônicas (sistema 
NPT - padrão americano) ou do tipo macho cônica e fêmea paralela (sistema BSP - padrão 
internacional). As conexões com rosca BSP devem ser acopladas em tubos de aço de classe média e 
as conexões com rosca NPT devem ser acopladas em tubos de aço de classe normal (ABNT, 1997a; 
ABNT, 1997b; ABNT, 2000c). 
 
Tabela 6.9. - Perda de carga em conexões – comprimento equivalente para tubos de cobre (m) 
Diâmetro 
nominal 
(mm) 
Diâmetro interno (mm) Tipo de conexão 
Classe A Classe I Cotovelo 90o Curva 45o Tê passagem direta 
Tê passagem 
lateral 
15 13,4 13,0 1,1 0,4 0,7 2,3 
22 20,2 19,8 1,2 0,5 0,8 2,4 
28 26,2 25,6 1,5 0,7 0,9 3,1 
35 32,8 32,2 2,0 1,0 1,5 4,6 
42 39,8 39,2 3,2 1,0 2,2 7,3 
54 51,6 51,0 3,4 1,3 2,3 7,6 
66 64,3 63,7 3,7 1,7 2,4 7,8 
79 76,4 75,6 3,9 1,8 2,5 8,0 
104 101,8 100,8 4,3 1,9 2,6 8,3 
Fonte: ELUMA (2006) 
 
Os valores apresentados na Tabela 6.10 foram determinados através de ensaios efetuados pelo 
Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos, estado de São 
Paulo, em maio de 1976. 
 
Tabela 6.10. - Perda de carga em conexões– comprimento equivalente para tubos de aço (m) 
Diâmetro 
nominal 
(pol) 
Diâmetro interno 
mínimo (mm) Tipo de conexão 
Classe 
Normal 
Classe 
Média 
Cotovelo 
90o 
Cotovelo 
45o 
Tê fluxo 
direto 
Tê fluxo 
lateral 
Tê 45o 
fluxo 
direto 
Tê 45o 
fluxo em 
ângulo 
Válvula 
de 
esfera 
1/2 15,8 15,7 0,47 0,22 0,08 0,69 0,09 0,44 0,10 
3/4 20,9 21,2 0,70 0,32 0,12 1,03 0,13 0,66 0,20 
1 26,6 26,6 0,94 0,43 0,17 1,37 0,18 0,88 0,30 
1.1/4 35,0 35,3 1,17 0,54 0,21 1,71 0,22 1,10 0,40 
1.1/2 40,8 41,2 1,41 0,65 0,25 2,06 0,27 1,31 0,70 
2 52,3 52,2 1,88 0,86 0,33 2,74 0,36 1,75 0,80 
2.1/2 62,4 67,8 2,35 1,08 0,41 3,43 0,44 2,19 0,90 
3 77,7 79,9 2,82 1,30 0,50 4,11 0,55 2,70 0,90 
4 102,3 104,1 3,76 1,73 0,66 5,49 0,76 3,51 1,00 
5 127,9 128,5 4,70 2,16 0,83 6,86 - - - 
6 154,1 153,5 5,64 2,59 0,99 8,23 - - - 
Fonte: TUPY (2006) 
 
7o Verificar a perda de carga. 
 
A verificação da perda de carga nas redes de distribuição de GLP pode ser realizada através das 
equações 6.8 e 6.9. 
 
→ Rede de GLP em média pressão (até 150 kPa) 
 
82,4
82,1
g
5
abs
2
abs
2
D
)QxLxdx10x67,4(
PBPA =− (6.8) 
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Onde: 
PAabs é a pressão absoluta inicial na saída do regulador de 1o estágio em média pressão (kPa); 
PBabs é a pressão absoluta na entrada do regulador de 2o estágio no ponto mais crítico do trecho (kPa); 
dg é a densidade relativa do GLP (adota-se 1,8); 
L é o comprimento equivalente total (m); 
Q é a vazão de gás (m³/h); 
D é o diâmetro interno do tubo (mm). 
 
→ Rede de GLP em baixa