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necessário o caso de rochas 
sedimentares ou metamórficas fraturadas (gnaisses bandeados, por exemplo). É 
necessário levantar o sistema de faturamento e as direções das fraturas. A direção dos 
drenos deve ser tal que intercepte cada família de fraturas, com o maior número possível 
de fraturas interceptadas por dreno. Pode ser necessário, em alguns casos, dispor os 
drenos em forma de leque, irradiando-os de um único ponto na superfície do talude, em 
um ou vários locais. 
No caso de rochas ou solos homogêneos quanto à permeabilidade, podem-se utilizar 
ábacos existentes para uma primeira estimativa do número, comprimento e espaçamento 
dos drenos, de modo a atingir-se a redução desejada das poro-pressões. 
No terceiro caso, o comprimento dos drenos deve ser tal que a camada saturada de alta 
permeabilidade seja interceptada ao longo de um trecho perfurado do tubo com 
comprimento razoável. Deve ser considerada a necessidade de utilizar o dreno dotado de 
trecho perfurado apenas nesta camada mais profunda, de modo a não se irrigar camadas 
mais superficiais, não saturadas, com a água que corre pelo tubo sob pressão. 
5.4.3 DIMENSIONAMENTO 
Considera-se que o fluxo no interior dos tubos é livre, isto é, a pressão da água no interior 
dos drenos é igual à pressão atmosférica. As Figs. 105 e 106 reproduzem os ábacos 
citados. 
Noveiller (1981) apresenta ábaco para um caso particular de talude usando o método das 
diferenças finitas para resolver a equação tridimensional de Laplace, não sendo aplicável 
para um caso mais geral. 
A condição inicial da pressão dos poros em talude (antes da colocação dos drenos) é 
caracterizada pela relação Hu/H das Figs. 105 e 106. Nas faixas de Hu/H entre 0,5 e 0,64 
a melhora da estabilidade do talude expressa por ∆F/Fo (onde ∆F é o acréscimo do fator 
de segurança existente, Fo) é muito pouco influenciada pelas condições de pressões dos 
poros. Os ábacos dão, pois, resultados aceitáveis para a faixa de Hu/H = 0,5 a 0,7. Em 
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taludes com relação superior a este os resultados ficam subestimados, e para relações 
menores os ábacos superestimam a influência dos drenos. 
A altura do talude H é definida como a altura entre o pé e a crista. Em alguns casos a 
área instável ou de instabilidade potencial poderá ser localizada ocupando apenas uma 
parcela da altura total. Em tais casos, a altura equivalente do talude a ser utilizada como 
entrada nos ábacos pode ser a distância vertical entre a base até a parte superior da área 
instável ou potencialmente instável, como mostra a Fig. 105. 
Para estabilizar trechos com extensões maiores que 4H, em planta , deve usar-se os 
ábacos para estabilização geral, partes (a) das Figs. 105 e 106, adotando-se o 
incremento de segurança desejado, ∆F/Fo. Com este valor busca-se a curva e, 
comprimento do dreno para a largura unitária do talude, de menor valor. Da interseção 
obtêm-se os valores ótimos de S/H e L/H, onde S é o espaçamento em planta dos drenos 
e L o seu comprimento. Na Fig. 104 (a), para o caso do valor desejado na melhoria do 
fator de segurança ∆F/Fo = 0,25, obtem-se, interpolando nas curvas e , o valor mínimo 
requerido para e (no caso, 0,7), e os valores ótimos de S/H e L/H são 2,5 e 3,6, 
respectivamente. Se, por alguma outra razão, for mais vantajoso usar drenos mais curtos, 
o mesmo aumento de segurança obtém-se para L/H = 2 e S/H = 2,9, para um mesmo 
comprimento total de drenos. 
Pode-se ainda, no mesmo gráfico, verificar que para drenos com relação L/H = 1 e S/H = 
0,8 tem-se o mesmo acréscimo de segurança, porém com um comprimento unitário total 
de drenos, e, igual a 1,1. Neste caso, portanto, estarão sendo gastos mais drenos para 
obter um mesmo aumento de segurança. 
No entanto, as condições reais podem conduzir a esta última escolha, desde que a 
geologia do local não atenda às hipóteses de homogeneidade e de isotropia admitidas 
nos ábacos. Assim, os ábacos de Kenney devem ser usados com a devida cautela. 
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Figura 103 - Elementos de um dreno sub-horizontal 
 
Figura 104 - Dreno sub-horizontal com controle na saída 
 
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Figura 105 - Ábacos para dimensionamento 
de drenos sub-horizontais 
(Adup Kenny ET AL., 1977) 
 
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Figura 106 - Ábacos para dimensionamento de drenos sub-horizontais 
(Adup Kenny ET AL., 1977) 
 
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Para o caso de taludes com extensões menores ou iguais a 4H, deve ser usadas as 
partes (b) das Figs. 105 e 106. 
Dos estudos existentes, pode-se concluir, em linhas gerais, que: 
– Para o mesmo comprimento total de drenos instalados, drenos longos mais 
espaçados são mais eficientes no que se refere a aumento de fator de 
segurança do que drenos mais curtos, com espaçamento menor; 
– Quanto mais suave o talude, maior o comprimento necessário dos drenos; 
– Taludes argilosos e compressíveis, saturados, também podem beneficiar-se 
dos efeitos promovidos pelos drenos sub-horizontais Contudo, o tempo 
necessário para que se façam sentir estes benefícios, em termos do aumento 
do fator de segurança, aumenta quanto menor for o coeficiente de 
adensamento (Cv) do solo. Tipicamente, para um aumento de 20 por cento no 
fator de segurança, é necessário esperar 1 mês, para solos siltosos e 
arenosos (Cv entre 10-5 e 10-6 m2/s), e cerca de seis meses para solos com Cv 
entre 10-6 e 10-7 m2/s. Nestes solos de Cv mais baixo é necessário um número 
maior de drenos longos para reduzir o tempo necessário para o aumento de 
segurança desejado. 
É importante salientar, mais uma vez, que os ábacos citados são de aplicação restrita a 
taludes com inclinação da ordem de 1:2 e 1:3 (V:H). Os espaçamentos e comprimentos 
obtidos através dos mesmos são úteis como previsão inicial, devendo ser ajustados, em 
cada caso, de acordo com a geologia local e a experiência do projetista. 
Recomendações para a execução 
Introdução 
Os drenos sub-horizontais previstos nos projetos terão as dimensões indicadas nos 
mesmos, no que se refere a comprimento e diâmetro. 
Materiais 
Os tubos para os drenos sub-horizontais poderão ser metálicos ou plásticos, como o 
PEAD rígido com as dimensões indicadas no projeto, não devendo apresentar fraturas, 
até comprimentos da ordem de 40 metros. Acima deste comprimento poderá ser 
necessário o emprego de material mais resistente, tipo ferro galvanizado ou inoxidável. 
Execução dos drenos 
Generalidades 
Os drenos deverão ser executados nos locais e com as características previstas em 
projeto, devendo ser respeitadas as locações das bocas, a direção em planta e as 
inclinações com a horizontal. 
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As definições de uso e a execução obedecerão às Especificações de Serviço DNIT 
017/2004-ES. 
5.5 VALETÕES LATERAIS 
5.5.1 OBJETIVO, CARACTERÍSTICAS E PROJETO 
Existem casos em que se recomendam os valetões laterais formados a partir do bordo do 
acostamento, sendo este valetão constituído, de um lado, pelo acostamento, e do outro 
pelo próprio talude do corte, processo este designado por falso-aterro. 
Não obstante a economia obtida no sistema de drenagem, a estrada ficará sem 
acostamento confiável na época das chuvas e nos tempos secos terá um acostamento 
perigoso, face à rampa necessária, a não ser que hajam alargamentos substanciais, o 
que equivale a dizer que os valetões laterais vão funcionar independentemente da 
plataforma da rodovia. 
O dispositivo (valetão lateral), por outro lado, em regiões planas, pode exercer sua dupla 
função sem dificuldade, visto poder trabalhar como sarjeta e dreno profundo, ao mesmo 
tempo. 
Recomenda-se