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a 
necessidade da adoção de uma série de cuidados na fase de construção, como por 
exemplo: 
– controle de locação; 
– controle de continuidade; 
– controle da verticalidade; 
– controle da compactação e comprimento dos drenos; 
– controle do material de enchimento; 
– adequadas análises de estabilidade; 
– não acumular material de aterro lançado em qualquer ponto da área 
trabalhada; 
– carregamento lento durante a construção; 
– presença constante de fiscalização. 
A evolução tecnológica chegou, também, ao setor de consolidação de materiais de baixa 
consistência, fazendo com que indústrias em vários países tenham criado diversos tipos 
de drenos pré-fabricados visando, basicamente, igualar ou suplantar a eficiência dos 
drenos de areia, a menores custos. 
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MT/DNIT/DPP/IPR 
O princípio fundamental veio da constatação do cientista sueco Kjellman (1948) de que a 
eficiência dos drenos verticais depende em grande parte do perímetro e muito pouco da 
área de sua seção transversal e, em conseqüência, que a eficiência do dreno será 
proporcional ao perímetro do dreno. 
O dreno fibro-químico de origem japonesa é constituído de um núcleo acanelado de 
polietileno, revestido em ambos os lados por um tecido de fibra sintética, fabricado 
industrialmente em faixas extensas de larguras igual a 100 mm e espessura de 2,8 mm e 
cuja execução reside em um processo de extrema simplicidade e rapidez, podendo 
admitir-se uma produção média de 1000 m de drenos por dia. 
Com base na afirmativa de Kjellman, citada, admitindo que um dreno de areia tenha o 
diâmetro D, o perímetro da seção transversal será πD, enquanto se admitido o dreno 
fibro-químico com largura igual a A e espessura igual a B, o perímetro do dreno será 
2B2A+ . Estabelecendo um coeficiente de forma para a seção transversal retangular, por 
equivalência, temos: 
( )2B2AD +=π α ou ( )π+= 2B2AD α 
Admitindo-se para valores de A e B e α, respectivamente 10,0cm, 0,28cm e 0,75cm, 
encontra-se D = 5,0cm, o que equivale dizer que o dreno fibro-químico será equivalente a 
um dreno de areia de 5cm de diâmetro. 
Existem ainda numerosos produtos sintéticos para drenagem vertical (geocompostos), 
constituídos basicamente por núcleos condutores plásticos flexíveis de seções variadas 
envolvidos por filtros geotêxteis. 
 
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66 -- DDRREENNAAGGEEMM DDEE TTRRAAVVEESSSSIIAA UURRBBAANNAA 
 
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MT/DNIT/DPP/IPR 
6 DRENAGEM DE TRAVESSIA URBANA 
6.1 OBJETIVO E CARACTERÍSTICAS 
Em todo o País, são de ocorrência frequente trechos urbanos ao longo das rodovias, 
tornando-se um fato grave a inexistência de uma drenagem específica, no enfoque 
urbano, quando o país experimenta um rápido processo de urbanização. 
As áreas urbanas ao longo das rodovias são inevitáveis e problemáticas, apresentando 
dois processos de ocorrência bem definidos: em primeiro lugar, com a implantação da 
rodovia e com os benefícios dela resultantes, surgem núcleos populacionais, ou os já 
existentes e relativamente distantes da rodovia avançam sobre suas margens, na maioria 
das vezes de forma desordenada; em segundo lugar, quando de sua implantação, as 
rodovias atravessam áreas urbanas levando consigo seus benefícios à população. 
Em trechos urbanos, a drenagem deve ser tratada de forma mais específica e detalhada, 
não se aplicando a sistemática adotada em trechos rurais, uma vez que aqui não está 
envolvida somente a segurança do veículo e do seu usuário, mas também, de toda a 
população urbana que vive as margens da rodovia. 
No primeiro caso citado cabe, nos projetos de restauração, a adequação do sistema de 
drenagem as novas realidades, e no segundo cabe ao projeto de implantação o adequado 
sistema pluvial de drenagem para os trechos urbanos. 
Tendo em vista o exposto acima, a colocação deste capítulo no Manual de Drenagem 
Rodoviária é plenamente justificável, embora seja importante observar que não será dada 
à matéria o mesmo enfoque que é dado quando do projeto de complexas redes de 
drenagem como importante item do planejamento urbano. 
O objetivo, é, pois, fornecer ao projetista rodoviário os elementos básicos para promover 
de forma satisfatória o escoamento das águas das áreas urbanas, assegurando o trânsito 
público e protegendo a rodovia e as propriedades particulares dos efeitos danosos das 
chuvas intensas. 
Este capítulo será apresentado basicamente na forma de um roteiro para o 
dimensionamento dos dispositivos na parte hidráulica, ajustado aos novos rumos da 
Hidrologia para a determinação das descargas afluentes, salientando-se ainda que, vias 
de regra, a drenagem urbana está afetada ao gerenciamento municipal. 
Tendo em vista os inevitáveis e extensos cálculos no enfoque do movimento 
uniformemente variado, procurou-se minimizar o trabalho com a adoção de planilha de 
cálculo, tabelas e ábacos. 
O sistema de drenagem de transposição urbana de águas pluviais é com posto dos 
seguintes dispositivos: 
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– sarjetas; 
– bocas de lobo; 
– poços de visita; 
– galerias; 
– estruturas especiais. 
Devido à necessidade de constar na planilha, visando à otimização dos cálculos, será 
tratada neste capítulo, embora de domínio da Hidrologia, a determinação das "descargas 
afluentes". 
As estruturas especiais tais como dissipadores de energia contínuos e descontínuos e as 
considerações sobre ressalto hidráulico já foram apresentadas no item 3.10, podendo, se 
necessário, serem aplicadas também na drenagem urbana. 
6.2 SARJETAS 
As sarjetas em trecho urbano têm como objetivo conduzir as águas que se precipitam 
sobre a plataforma da rodovia e áreas adjacentes ao ponto de captação que normalmente 
é uma boca de lobo. 
A capacidade de esgotamento de uma boca de lobo, sua localização e espaçamento, 
qualquer que seja o seu tipo, conforme visto no item anterior, depende da altura d'água no 
trecho da sarjeta imediatamente a montante da boca de lobo, isto é, em suma, da 
capacidade de vazão da sarjeta. Se esta estiver localizada em trecho de declividade 
uniforme, a altura d'água na sarjeta dependerá das suas características de escoamento 
como conduto livre. Tais características incluem a seção transversal, a declividade e a 
rugosidade da sarjeta e as superfícies do pavimento sobre as quais a água escoa. 
Para o cálculo da altura d'água na sarjeta para uma dada vazão ou vice-versa, pode-se 
utilizar a formula de Izzard baseada na fórmula de Manning: 
n
IxZxyx,Q
/
/
oo
21
383750= (equação 6.01) 
onde: 
Qo = vazão da sarjeta, em m3/s; 
Yo = altura d'água na sarjeta, em m; 
Z = recíproca da declividade transversal, Z = θ= tgZ , ver Fig. 110. 
I = declividade longitudinal da sarjeta, em m/m; 
n = coeficiente de rugosidade de Manning. 
Manual de Drenagem de Rodovias 281 
MT/DNIT/DPP/IPR 
Dessa expressão, obtém-se: 
83
2183 1
14451
/
/
o
/ n/
Qx
Z
x,Y ⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛= (equação 6.02) 
e, pela equação da continuidade: 
41
4321
41
19580 /o
//
/o Qxn
Ix
Z
x,V ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛= (equação 6.03) 
A determinação da velocidade de escoamento na sarjeta (V ) é importante, pois, além de 
ter limites restritos, função do tipo de revestimento, permite determinar o tempo de 
percurso na sarjeta. 
Para o cálculo do espaçamento entre as bocas de lobo pode-se utilizar a fórmula de 
Izzard associada à fórmula racional para a determinação das descargas afluentes. 
Pelo método racional, 
AxixCxx,Q 710782 −= (equação 6.04) 
onde: 
Q = descarga afluente à sarjeta, em m/s; 
C = coeficiente de escoamento superficial; 
i = intensidade de precipitação, em mm/h; 
A = área de drenagem, em m2, que