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CÓD: SL-026JH-23
7908433236801
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS
CAMPOS – SÃO PAULO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SP
Guarda Municipal
a solução para o seu concurso!
Editora
EDITAL Nº 01/2023
INTRODUÇÃO
a solução para o seu concurso!
Editora
Como passar em um concurso público?
Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro
estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação. É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como
estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação.
Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução
preparou esta introdução com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação.
Então mãos à obra!
• Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter
que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho;
• Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você
tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma
área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área;
• Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito,
determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não
pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total;
• Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É
praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha
contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo;
• Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto
estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque
refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação.
• Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses
materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais
exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame;
• Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma
menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é
tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse.
A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo
com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos.
Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação
e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial.
A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Vamos juntos!
ÍNDICE
a solução para o seu concurso!
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Língua Portuguesa
1. Interpretação e Compreensão de texto. .................................................................................................................................... 7
2. Organização estrutural dos textos. Marcas de textualidade: coesão, coerência e intertextualidade. ...................................... 8
3. Modos de organização discursiva: descrição, narração, exposição, argumentação e injunção; características específicas de
cada modo. ................................................................................................................................................................................ 10
4. Tipos textuais: informativo, publicitário, propagandístico, normativo, didático e divinatório; características específicas de
cada tipo. ................................................................................................................................................................................... 11
5. Textos literários e não literários. ................................................................................................................................................ 14
6. Tipologia da frase portuguesa. Estrutura da frase portuguesa: operações de deslocamento, substituição, modificação e cor-
reção. Problemas estruturais das frases. Organização sintática das frases: termos e orações. Ordem direta e inversa ........... 14
7. Norma culta. .............................................................................................................................................................................. 17
8. Pontuação e sinais gráficos. ....................................................................................................................................................... 18
9. Tipos de discurso ....................................................................................................................................................................... 20
10. Registros de linguagem .............................................................................................................................................................. 23
11. Funções da linguagem. .............................................................................................................................................................. 24
12. Elementos dos atos de comunicação. ........................................................................................................................................ 25
13. Estrutura e formação de palavras. ............................................................................................................................................. 26
14. Formas de abreviação ................................................................................................................................................................ 28
15. Classes de palavras; os aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e textuais de substantivos, adjetivos, artigos, numerais,
pronomes, verbos, advérbios, conjunções e interjeições; ......................................................................................................... 30
16. os modalizadores. ...................................................................................................................................................................... 38
17. Semântica: sentido próprio e figurado; antônimos, sinônimos, parônimos e hiperônimos. Polissemia e ambiguidade........... 44
18. Os dicionários: tipos................................................................................................................................................................... 45
19. a organização de verbetes ......................................................................................................................................................... 47
20. Vocabulário: neologismos, arcaísmos, estrangeirismos............................................................................................................. 54
21. latinismos ...................................................................................................................................................................................55
22. Ortografia ................................................................................................................................................................................... 56
23. acentuação gráfica. .................................................................................................................................................................... 57
24. crase ........................................................................................................................................................................................... 58
Raciocínio Lógico e Matemático
1. Lógica: proposições, conectivos. Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictí-
cios ............................................................................................................................................................................................. 87
2. equivalências lógicas .................................................................................................................................................................. 88
3. quantificadores .......................................................................................................................................................................... 91
4. predicados ................................................................................................................................................................................. 92
5. Conjuntos e suas operações ...................................................................................................................................................... 92
6. diagramas .................................................................................................................................................................................. 94
7. Números inteiros, racionais e reais e suas operações, .............................................................................................................. 96
8. porcentagem e juros .................................................................................................................................................................. 99
9. Proporcionalidade direta e inversa ............................................................................................................................................ 101
ÍNDICE
a solução para o seu concurso!
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10. Medidas de comprimento, área, volume, massa e tempo ........................................................................................................ 103
11. dedução de novas informações das relações fornecidas e avaliação das condições usadas para estabelecer a estrutura daque-
las relações ................................................................................................................................................................................ 107
12. Compreensão e análise da lógica de uma situação, utilizando as funções intelectuais: raciocínio verbal, raciocínio matemáti-
co, raciocínio sequencial, orientação espacial e temporal, formação de conceitos, discriminação de elementos ................... 112
13. Compreensão de dados apresentados em gráficos e tabelas .................................................................................................... 115
14. Raciocínio lógico envolvendo problemas aritméticos, geométricos e matriciais ....................................................................... 118
15. Problemas de contagem e noções de probabilidade ................................................................................................................. 120
16. Geometria básica: ângulos, triângulos, polígonos, distâncias, proporcionalidade, perímetro e área ....................................... 123
17. Noções de estatística: média, moda, mediana e desvio padrão ................................................................................................ 128
18. Plano cartesiano: sistema de coordenadas, distância................................................................................................................ 130
19. Problemas de lógica e raciocínio ................................................................................................................................................ 133
Noções de Informática
1. Componentes de um computador: processadores, memória e periféricos mais comuns; dispositivos de armazenagem de
dados; propriedades e características. ...................................................................................................................................... 137
2. Arquivos digitais: documentos, planilhas, imagens, sons, vídeos; principais padrões e características .................................... 139
3. Arquivos PDF .............................................................................................................................................................................. 144
4. Conhecimentos sobre sistema operacional Windows 10: conceitos gerais, principais utilitários, configurações. Produção e
edição de documentos. .............................................................................................................................................................. 148
5. Funções para edição, buscas, formatação, impressão e manipulação de arquivos. Controle de alterações, uso de senhas para
proteção, formatos para gravação e integração com outros aplicativos no ambiente Windows. Produção e edição de plani-
lhas. Funções para edição, buscas, formatação, impressão e manipulação de arquivos. Manipulação de fórmulas, funções e
gráficos. Importação e exportação de dados. MS OFFICE 2010 BR (ou posterior) e Libre Office 4 (ou posterior) .................... 154
6. Internet: conceitos gerais e funcionamento. Endereçamento de recursos. Navegadores (browsers) e suas principais funções.
Google Chrome. Firefox. Internet Explorer: buscas, salva de páginas, cache e configurações. ................................................ 169
7. Navegação segura: cuidados, ameaças, uso de senhas e criptografia. Tokens e outros dispositivos de segurança. ................ 173
8. E-mail: utilização e configurações usuais. .................................................................................................................................. 177
9. Transferência de arquivos e dados: upload, download, banda, velocidades de transmissão. Referência ................................. 179
Conhecimentos Específicos
1. Constituição Federal de 1988 (Título I; Título II – Capítulo I; Título V – Capítulo III, art. 144) ................................................... 191
2. Lei 10.826/2003 – Estatuto do Desarmamento ......................................................................................................................... 192
3. Lei 13.869/2019 – Abuso de Autoridade ................................................................................................................................... 197
4. Noções de Direito Penal: Lei Penal no Tempo e no Espaço ........................................................................................................ 201
5. Tipicidade, Ilicitude, Culpabilidade ............................................................................................................................................ 202
6. Crimes em Espécie; Crimes contra Pessoa (Título I, Capítulo I e II) ........................................................................................... 204
7. Crimes contra o Patrimônio (Título II, Capítulo I e II) ................................................................................................................. 215
8. Crimes contra a Dignidade Sexual (Título IV, Capítulo I e II) ...................................................................................................... 221
9.Crimes contra a Administração Pública (Título XI, Capítulo I e II) .............................................................................................. 226
10. Lei 13.022/2014 – Estatuto Geral das Guardas Municipais ....................................................................................................... 228
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LÍNGUA PORTUGUESA
INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTO.
Definição Geral
Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois
sempre que compreendemos adequadamente um texto e o objetivo
de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é
do que as conclusões específicas. Exemplificando, sempre que
nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação,
a resposta será localizada no próprio no texto, posteriormente,
ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão fundamentada
em nossos conhecimentos prévios.
Compreensão de Textos
Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do
que está explícito no texto, ou seja, na identificação da mensagem.
É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso
da capacidade de entender, atinar, perceber, compreender.
Compreender um texto é apreender de forma objetiva a mensagem
transmitida por ele. Portanto, a compreensão textual envolve a
decodificação da mensagem que é feita pelo leitor. Por exemplo,
ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos
a mensagem transmitida por ela, assim como o seu propósito
comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado
evento.
Interpretação de Textos
É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os
resultados aos quais chegamos por meio da associação das ideias
e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar
é decodificar o sentido de um texto por indução.
A interpretação de textos compreende a habilidade de se
chegar a conclusões específicas após a leitura de algum tipo de
texto, seja ele escrito, oral ou visual.
Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado
da leitura, integrando um conhecimento que foi sendo assimilado
ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva,
podendo ser diferente entre leitores.
Exemplo de compreensão e interpretação de textos
Para compreender melhor a compreensão e interpretação de
textos, analise a questão abaixo, que aborda os dois conceitos em
um texto misto (verbal e visual):
FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar
Especial > 2015
Português > Compreensão e interpretação de textos
A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social.
“A Constituição garante o direito à educação para todos e a
inclusão surge para garantir esse direito também aos alunos com
deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou
menos severas.”
A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta.
(A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de
1988.
(B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos
severas.
(C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes
ou não.
(D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser
incluídos socialmente.
(E) “Educação para todos” inclui também os deficientes.
Comentário da questão:
Em “A” – Errado: o texto é sobre direito à educação, incluindo as
pessoas com deficiência, ou seja, inclusão de pessoas na sociedade.
Em “B” – Certo: o complemento “mais ou menos severas” se
refere à “deficiências de toda ordem”, não às leis.
Em “C” – Errado: o advérbio “também”, nesse caso, indica a
inclusão/adição das pessoas portadoras de deficiência ao direito à
educação, além das que não apresentam essas condições.
Em “D” – Errado: além de mencionar “deficiências de
toda ordem”, o texto destaca que podem ser “permanentes ou
temporárias”.
Em “E” – Errado: este é o tema do texto, a inclusão dos
deficientes.
Resposta: Letra B.
LÍNGUA PORTUGUESA
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ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL DOS TEXTOS. MARCAS DE
TEXTUALIDADE: COESÃO, COERÊNCIA E INTERTEXTUALI-
DADE.
— Definições e diferenciação
Coesão e coerência são dois conceitos distintos, tanto que um
texto coeso pode ser incoerente, e vice-versa. O que existe em comum
entre os dois é o fato de constituírem mecanismos fundamentais
para uma produção textual satisfatória. Resumidamente, a coesão
textual se volta para as questões gramaticais, isto é, na articulação
interna do texto. Já a coerência textual tem seu foco na articulação
externa da mensagem.
— Coesão Textual
Consiste no efeito da ordenação e do emprego adequado
das palavras que proporcionam a ligação entre frases, períodos e
parágrafos de um texto. A coesão auxilia na sua organização e se
realiza por meio de palavras denominadas conectivos.
As técnicas de coesão
A coesão pode ser obtida por meio de dois mecanismos
principais, a anáfora e a catáfora. Por estarem relacionados à
mensagem expressa no texto, esses recursos classificam-se como
endofóricas. Enquanto a anáfora retoma um componente, a catáfora
o antecipa, contribuindo com a ligação e a harmonia textual.
As regras de coesão
Para que se garanta a coerência textual, é necessário que as
regras relacionadas abaixo sejam seguidas.
Referência
– Pessoal: emprego de pronomes pessoais e possessivos.
Exemplo:
«Ana e Sara foram promovidas. Elas serão gerentes de
departamento.” Aqui, tem-se uma referência pessoal anafórica
(retoma termo já mencionado).
– Comparativa: emprego de comparações com base em
semelhanças.
Exemplo:
“Mais um dia como os outros…”. Temos uma referência
comparativa endofórica.
– Demonstrativa: emprego de advérbios e pronomes
demonstrativos.
Exemplo:
“Inclua todos os nomes na lista, menos este: Fred da Silva.”
Temos uma referência demonstrativa catafórica.
– Substituição: consiste em substituir um elemento, quer seja
nome, verbo ou frase, por outro, para que ele não seja repetido.
Analise o exemplo:
“Iremos ao banco esta tarde, elas foram pela manhã.”
Perceba que a diferença entre a referência e a substituição é
evidente principalmente no fato de que a substituição adiciona ao
texto uma informação nova. No exemplo usado para a referência, o
pronome pessoal retoma as pessoas “Ana e Sara”, sem acrescentar
quaisquer informações ao texto.
– Elipse: trata-se da omissão de um componente textual –
nominal, verbal ou frasal – por meio da figura denominando eclipse.
Exemplo:
“Preciso falar com Ana. Você a viu?” Aqui, é o contexto que
proporciona o entendimento da segunda oração, pois o leitor fica
ciente de que o locutor está procurando por Ana.
– Conjunção: é o termo que estabelece ligação entre as orações.
Exemplo:
“Embora eu não saiba os detalhes, sei que um acidente
aconteceu.” Conjunção concessiva.
– Coesão lexical: consiste no emprego de palavras que fazem
parte de um mesmo campo lexical ou que carregam sentido
aproximado. É o caso dos nomes genéricos, sinônimos, hiperônimos,
entre outros.
Exemplo:
“Aquele hospital público vive lotado. A instituição não está
dando conta da demanda populacional.”
— Coerência Textual
A Coerência é a relação de sentido entre as ideias de um texto
que se origina da sua argumentação – consequência decorrente
dos saberes conhecimentos do emissor da mensagem. Um texto
redundante e contraditório, ou cujas ideias introduzidas não
apresentam conclusão, é um texto incoerente. A falta de coerência
prejudica a fluência da leitura e a clareza do discurso. Isso quer dizer
que a falta de coerência não consiste apenas na ignorância por parte
dos interlocutores com relação a um determinado assunto, mas da
emissão de ideias contrárias e do mal uso dos tempos verbais.
Observe os exemplos:
“A apresentação está finalizada, mas a estou concluindo até
o momento.” Aqui, temos um processo verbal acabado e um
inacabado.
“Sou vegana e só como ovos com gema mole.” Os veganos
não consomem produtos de origem animal.
PrincípiosBásicos da Coerência
– Relevância: as ideias têm que estar relacionadas.
– Não Contradição: as ideias não podem se contradizer.
– Não Tautologia: as ideias não podem ser redundantes.
Fatores de Coerência
– As inferências: se partimos do pressuposto que os
interlocutores partilham do mesmo conhecimento, as inferências
podem simplificar as informações.
Exemplo:
“Sempre que for ligar os equipamentos, não se esqueça de que
voltagem da lavadora é 220w”.
Aqui, emissor e receptor compartilham do conhecimento de
que existe um local adequado para ligar determinado aparelho.
LÍNGUA PORTUGUESA
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– O conhecimento de mundo: todos nós temos uma bagagem
de saberes adquirida ao longo da vida e que é arquivada na nossa
memória. Esses conhecimentos podem ser os chamados scripts
(roteiros, tal como normas de etiqueta), planos (planejar algo
com um objetivo, tal como jogar um jogo), esquemas (planos de
funcionamento, como a rotina diária: acordar, tomar café da manhã,
sair para o trabalho/escola), frames (rótulos), etc.
Exemplo:
“Coelhinho e ovos de chocolate! Vai ser um lindo Natal!”
O conhecimento cultural nos leva a identificar incoerência na
frase, afinal, “coelho” e “ovos de chocolate” são elementos, os
chamados frames, que pertencem à comemoração de Páscoa, e
nada têm a ver com o Natal.
Elementos da organização textual: segmentação, encadea-
mento e ordenação.
A segmentação é a divisão do texto em pequenas partes para
melhorar a compreensão. A encadeamento é a ligação dessas par-
tes, criando uma lógica e coesão no texto. A ordenação é a dispo-
sição dessas partes de forma a transmitir uma mensagem clara e
coerente. Juntos, esses elementos ajudam a criar uma estrutura
eficiente para o texto.
INTERTEXTUALIDADE.
— Definições gerais
Intertextualidade é, como o próprio nome sugere, uma relação
entre textos que se exerce com a menção parcial ou integral de
elementos textuais (formais e/ou semânticos) que fazem referência
a uma ou a mais produções pré-existentes; é a inserção em um texto
de trechos extraídos de outros textos. Esse diálogo entre textos
não se restringe a textos verbais (livros, poemas, poesias, etc.) e
envolve, também composições de natureza não verbal (pinturas,
esculturas, etc.) ou mista (filmes, peças publicitárias, música,
desenhos animados, novelas, jogos digitais, etc.).
— Intertextualidade Explícita x Implícita
– Intertextualidade explícita: é a reprodução fiel e integral
da passagem conveniente, manifestada aberta e diretamente nas
palavras do autor. Em caso de desconhecimento preciso sobre a
obra que originou a referência, o autor deve fazer uma prévia da
existência do excerto em outro texto, deixando a hipertextualidade
evidente.
As características da intertextualidade explícita são:
– Conexão direta com o texto anterior;
– Obviedade, de fácil identificação por parte do leitor, sem
necessidade de esforço ou deduções;
– Não demanda que o leitor tenha conhecimento preliminar
do conteúdo;
– Os elementos extraídos do outro texto estão claramente
transcritos e referenciados.
– Intertextualidade explícita direta e indireta: em textos
acadêmicos, como dissertações e monografias, a intertextualidade
explícita é recorrente, pois a pesquisa acadêmica consiste
justamente na contribuição de novas informações aos saberes já
produzidos. Ela ocorre em forma de citação, que, por sua vez, pode
ser direta, com a transcrição integral (cópia) da passagem útil, ou
indireta, que é uma clara exploração das informações, mas sem
transcrição, re-elaborada e explicada nas palavras do autor.
– Intertextualidade implícita: esse modo compreende os textos
que, ao aproveitarem conceitos, dados e informações presentes em
produções prévias, não fazem a referência clara e não reproduzem
integralmente em sua estrutura as passagens envolvidas. Em
outras palavras, faz-se a menção sem revelá-la ou anunciá-la.
De qualquer forma, para que se compreenda o significado da
relação estabelecida, é indispensável que o leitor seja capaz de
reconhecer as marcas intertextuais e, em casos mais específicos,
ter lido e compreendido o primeiro material. As características da
intertextualidade implícita são: conexão indireta com o texto fonte;
o leitor não a reconhece com facilidade; demanda conhecimento
prévio do leitor; exigência de análise e deduções por parte do leitor;
os elementos do texto pré-existente não estão evidentes na nova
estrutura.
— Tipos de Intertextualidade
1 – Paródia: é o processo de intertextualidade que faz uso da
crítica ou da ironia, com a finalidade de subverter o sentido original
do texto. A modificação ocorre apenas no conteúdo, enquanto a
estrutura permanece inalterada. É muito comum nas músicas, no
cinema e em espetáculos de humor. Observe o exemplo da primeira
estrofe do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel
Bandeira:
TEXTO ORIGINAL
“Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei?”
PARÓDIA DE MILLÔR FERNANDES
“Que Manoel Bandeira me perdoe, mas vou-me embora de
Pasárgada
Sou inimigo do Rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei”
2 – Paráfrase: aqui, ocorre a reafirmação sentido do texto
inicial, porém, a estrutura da nova produção nada tem a ver com
a primeira. É a reprodução de um texto com as palavras de quem
escreve o novo texto, isto é, os conceitos do primeiro texto são
preservados, porém, são relatados de forma diferente. Exemplos:
observe as frases originais e suas respectivas paráfrases:
“Deus ajuda quem cedo madruga” – A professora ajuda quem
muito estuda.
“To be or not to be, that is the question” – Tupi or not tupi,
that is the question.
3 – Alusão: é a referência, em um novo texto, de uma dada
obra, situação ou personagem já retratados em textos anteriores,
de forma simples, objetiva e sem quaisquer aprofundamentos. Veja
o exemplo a seguir:
“Isso é presente de grego” – alusão à mitologia em que os
troianos caem em armadilhada armada pelos gregos durante a
Guerra de Troia.
LÍNGUA PORTUGUESA
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4 – Citação: trata-se da reescrita literal de um texto, isto é,
consiste em extrair o trecho útil de um texto e copiá-lo em outro.
A citação está sempre presente em trabalhos científicos, como
artigos, dissertações e teses. Para que não configure plágio (uma
falta grave no meio acadêmico e, inclusive, sujeita a processo
judicial), a citação exige a indicação do autor original e inserção
entre aspas. Exemplo:
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se
transforma.”
(Lavoisier, Antoine-Laurent, 1773).
5 – Crossover: com denominação em inglês que significa
“cruzamento”, esse tipo de intertextualidade tem sido muito
explorado nas mídias visuais e audiovisuais, como televisão, séries
e cinema. Basicamente, é a inserção de um personagem próprio de
um universo fictício em um mundo de ficção diferente. Freddy &
Jason” é um grande crossover do gênero de horror no cinema.
Exemplo:
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br
6) Epígrafe: é a transição de uma pequena passagem do texto
de origem na abertura do texto corrente. Em geral, a epígrafe está
localizada no início da página, à direita e em itálico. Mesmo sendo
uma passagem “solta”, esse tipo de intertextualidade está sempre
relacionado ao teor do novo texto.
Exemplo:
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu,
mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre
aquilo que todo mundo vê.”
Arthur Schopenhaus
MODOS DE ORGANIZAÇÃO DISCURSIVA: DESCRIÇÃO,
NARRAÇÃO, EXPOSIÇÃO, ARGUMENTAÇÃO E INJUNÇÃO;
CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DE CADA MODO.
Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais
são dois conceitos distintos, cada qual com sua própria linguagem
e estrutura. Os tipos textuais gêneros se classificam em razão
da estrutura linguística, enquanto os gêneros textuais têm sua
classificação baseada na forma de comunicação. Assim,os gêneros
são variedades existente no interior dos modelos pré-estabelecidos
dos tipos textuais. A definição de um gênero textual é feita a partir
dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura específica.
Logo, para cada tipo de texto, existem gêneros característicos.
Como se classificam os tipos e os gêneros textuais
As classificações conforme o gênero podem sofrer mudanças
e são amplamente flexíveis. Os principais gêneros são: romance,
conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, cardápio
de restaurante, lista de compras, receita de bolo, etc. Quanto aos
tipos, as classificações são fixas, e definem e distinguem o texto
com base na estrutura e nos aspectos linguísticos. Os tipos textuais
são: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo.
Resumindo, os gêneros textuais são a parte concreta, enquanto
as tipologias integram o campo das formas, da teoria. Acompanhe
abaixo os principais gêneros textuais inseridos e como eles se
inserem em cada tipo textual:
Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em: apresentação,
desenvolvimento, clímax e desfecho. Esses textos se caracterizam
pela apresentação das ações de personagens em um tempo e
espaço determinado. Os principais gêneros textuais que pertencem
ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas
e fábulas.
Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem
lugares ou seres ou relatam acontecimentos. Em geral, esse tipo de
texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e,
em termos de gêneros, abrange diários, classificados, cardápios de
restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc.
Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir
ideias utilizando recursos de definição, comparação, descrição,
conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias,
jornais, resumos escolares, entre outros, fazem parte dos textos
expositivos.
Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o objetivo
de apresentar um assunto recorrendo a argumentações, isto é,
caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é
composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. Os textos
argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e
abaixo-assinado.
Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade de
orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma que o emissor
procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de
verbos no modo imperativo é sua característica principal. Pertencem
a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais
de instruções, entre outros.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir
o leitor em relação ao procedimento. Esses textos, de certa forma,
impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele
siga o que diz o texto. Os gêneros que pertencem a esse tipo de
texto são: leis, cláusulas contratuais, edital de concursos públicos.
TIPOS TEXTUAIS: INFORMATIVO, PUBLICITÁRIO, PROPA-
GANDÍSTICO, NORMATIVO, DIDÁTICO E DIVINATÓRIO; CA-
RACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DE CADA TIPO.
Texto Informativo
Sua função é ensinar e informar, esclarecendo dúvidas sobre
um tema e transmitindo conhecimentos. Este tipo de texto é co-
mum em jornais, livros didáticos, revistas, etc.
As características do texto informativo são:
- Escrito em 3ª pessoa, em prosa.
- Apresenta informações objetivas e reais a respeito de um
tema.
- É um texto que evita ser ambíguo, não fazendo uso de figuras
de linguagem, utilizando a linguagem denotativa.
- A opinião pessoal do autor não se reflete no texto.
- Há a citação de fontes, que garantem a credibilidade, e o texto
apresenta caráter utilitário e prático.
O conteúdo deste tipo de texto é mais importante que sua es-
trutura. O objetivo do texto é a transmissão de conhecimento sobre
determinado tema, por isso o texto informativo pode apresentar
diversos recursos, como gráficos, ilustrações, tabelas, etc.
Texto Didático
Esse tipo de texto possui objetivos pedagógicos e está disposto
de uma forma a que qualquer leitor tenha a mesma conclusão. Sua
construção dá-se de maneira conceitual, visando a necessidade de
compreensão do assunto exposto por parte do interlocutor.
A linguagem de um texto didático não é figurativa, mas sim
própria, utilizando os termos de maneira exata. A apresentação das
informações pode considerar, ou não, os conhecimentos prévios do
leitor. Trata-se de um tipo textual muito utilizado em artigos cientí-
ficos e livros didáticos.
Algumas características desse tipo de texto são: impessoalida-
de, objetividade, coesão, abordagem que permite uma interpreta-
ção única e específica.
Gêneros Textuais e Gêneros Literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se refe-
rem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêneros literários se re-
ferem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características
formais comuns em obras literárias, agrupando-as conforme crité-
rios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.
Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no po-
ema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emo-
ções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente
os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da
função emotiva da linguagem.
Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a mor-
te é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William
Shakespeare.
Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites ro-
mânticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é
a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino)
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à
pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acom-
panhamento musical.
Idílio (ou écloga)
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à
natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema
bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas
e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais
a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com
diálogos (muito rara).
Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém
ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte sarcasmo, pode
abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assun-
tos políticos, ou pessoas de relevância social.
Acalanto
Canção de ninar.
Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso for-
mam uma palavra ou frase. Ex.:
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/
Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas
de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se
destinam à dança.
Canção (ou Cantiga, Trova)
Poema oral com acompanhamento musical.
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Gazal (ou Gazel)
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio.
Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quarte-
tos e dois tercetos.
Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escár-
nio e de maldizer); satíricas, portanto.
Gênero Épico ou Narrativo
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos
eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos,
o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do
gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de
prosacom características diferentes: o romance, a novela, o conto,
a crônica, a fábula.
Épico (ou Epopeia)
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de
um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens,
gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta-
ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exem-
plos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero.
Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático,
expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de
certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado.
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e
subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social,
cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em for-
malidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de
caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Lo-
cke.
Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse
tipo de texto, não há um narrador contando a história. Ela “aconte-
ce” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os
papéis das personagens nas cenas.
Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar
compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma re-
presentação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em
linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando
dó e terror”. Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de
processos como o absurdo, as incongruências, os equívocos, a ca-
ricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o
engano.
Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento
comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas popu-
lares.
Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômi-
cos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.
Poesia de cordel
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo
linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da
realidade vivida por este povo.
Textos publicitários
“Os textos publicitários são aqueles que têm o objetivo de
anunciar alguma coisa, fazer com que uma informação torne-se pú-
blica, desde uma campanha de vacinação até os anúncios de produ-
tos e/ou prestação de serviços. Podemos encontrar os textos publi-
citários circulando em diversos suportes de comunicação, como os
midiáticos (televisão, internet e rádio) e jornalísticos (jornais, revis-
tas), e espalhados pelas vias urbanas (outdoors, pontos de ônibus,
postes de iluminação pública etc.).
Linguagem
Podemos dizer que a linguagem, sobretudo no que se refere
à sua função e ao tipo, é a característica mais relevante dos textos
publicitários, já que se trata do principal recurso que o autor da
peça (texto) publicitária tem para que os efeitos de sentido gerados
sejam aqueles desejados pelo autor para alcançar os leitores.
Quanto à função da linguagem dos textos publicitários, ela
pode ser abordada de várias formas: linguagem referencial (quando
o texto tem o objetivo de divulgar uma informação real), linguagem
emotiva (quando o texto pretende alcançar seu objetivo por meio
da emotividade dos leitores) e linguagem apelativa ou conativa
(quando o texto tem o objetivo de convencer alguém a fazer ou
comprar alguma coisa, é conhecida como retórica).
Com relação ao tipo de linguagem, os textos publicitários po-
dem ser criados a partir das linguagens verbal (oral ou escrita), não
verbal (imagens, fotografias, desenhos) e mista (verbal e não ver-
bal).
É relevante ressaltarmos também que a linguagem dos textos
publicitários é pensada no sentido de atingir um grande número de
interlocutores, ou seja, as massas, e, por essa razão, deve ser de
fácil compreensão, objetiva, simples e acessível a interlocutores de
todos as classes e faixas etárias.
Criatividade
De maneira geral, para conseguir causar efeitos de sentido e
seduzir, chamar a atenção dos interlocutores, os autores das peças
publicitárias fazem trocadilhos e trabalham as linguagens verbal e
não verbal de maneira criativa.
Objetividade
Geralmente, os textos publicitários têm extensão bem reduzi-
da, já que circulam em suportes cujo espaço também é reduzido
e o valor de cada anúncio depende de seu tamanho. A seção dos
classificados de jornal, que é um exemplo de texto publicitário, é
um bom exemplar para que possamos observar essa característica.
Outro exemplo que ilustra a objetividade dos textos publicitários é a
criação de slogan (uma frase curta e de fácil memorização) ou man-
chetes, os quais resumem em um único enunciado as informações
e os objetivos do texto.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Exemplos de slogan:
- “Cheetos, é impossível comer um só. (Elma Chips)
- Vem pra Caixa você também. Vem! (Caixa Econômica Federal)
- A rádio que toca notícias, só notícias. (Rádio CBN)
Publicidade e o público
Em virtude de seu caráter persuasivo e pelo fato de alcançar
as grandes massas, o texto publicitário exerce grande influência e
poder sobre o público. Esse texto promove o compartilhamento de
ideias, produtos e serviços e, de certa forma, orientações ideológi-
cas.
Devido ao seu papel importante na nossa cultura, existe uma
autorregulamentação para a divulgação/publicação de textos pu-
blicitários, a qual define limites de atuação e aprovação (ou não)
quanto à veiculação de alguns anúncios. Essa autorregulamentação
é necessária porque, conforme o Código de Defesa do Consumidor
(CDC), os textos publicitários respondem pela qualidade dos pro-
dutos e serviços que estão sendo oferecidos, portanto, não devem
realizar propaganda enganosa, que é crime.
Ainda de acordo com o CDC, propaganda enganosa significa
qualquer modalidade de informação falsa, capaz de induzir o con-
sumidor ao erro no que diz respeito à natureza, característica, qua-
lidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros
dados sobre produtos e serviços.
Estrutura do texto publicitário
O texto publicitário é composto, muitas vezes, por imagem, tí-
tulo, texto, assinatura e slogan. A assinatura é o nome do produto/
serviço e do anunciante. Slogan, como já dissemos, é um enunciado
conciso e de fácil associação ao produto e lembrança do leitor. O
título/headline é um enunciado breve com o objetivo de captar a
atenção do leitor, incitando sua curiosidade. O texto deve incitar no
consumidor o interesse, o desejo por aquilo que está sendo ofere-
cido/anunciado.
A extensão do texto publicitário depende da intencionalidade
discursiva do autor/anunciante e do espaço disponível/sugerido
pelo suporte de circulação no qual o texto será veiculado: jornal,
revista, outdoors, jingles em rádio (aliado à musicalidade), redes
sociais, sites etc.
Vertentes do texto publicitário
Existem duas vertentes filosóficas do texto publicitário, ambas
com origens filosóficas: a apolínea e a dionisíaca.
Apolínea
A vertente apolínea visa ao desenvolvimento de textos que
remetem à individualização, ou seja, descrevendo e/ou narrando,
como ocorre com as artes plásticas, fotografia e narração de his-
tórias.
Dionísica
A vertente dionisíaca busca despertar sentimentos diversos
em seus leitores/interlocutores para que assim possa criar empa-
tia, contradição, terror, carinho etc. Geralmente, para causar esses
efeitos, a música, a dramatização e a expressividade corporal são
utilizadas.
Características do texto propagandístico
Os textos propagandísticos/publicitários, como o próprio nome
já diz, têm como objetivo principal a propaganda. Através desta,
anuncia-se um determinado produto, ideia, benefício, movimento
social, partido, entre outros. Como seu objetivo é convencer, é na-
tural que a função apelativa da linguagem se destaque neste gênero
textual.
Sendo o objetivo persuadir o receptor, otexto publicitário, a
fim de chamar a atenção, apresenta um produto ou serviço ao con-
sumidor, promove sua venda ou garante a boa imagem da marca
explicando por que o produto é bom e, ao mesmo tempo, estimu-
lando a possuí-lo e depois comprar. No entanto, isso não é feito
aleatoriamente.
Toda propaganda tem um público-alvo, sempre voltado para
uma pessoa ou coletividade, com base em dados como idade, con-
dição socioeconômica, escolaridade, costumes e hábitos de consu-
mo.
Para atingir o seu propósito, os textos publicitários costumam
utilizar verbos no modo imperativo e contam com outras estratégias
argumentativas. A boa propaganda trabalha com uma linguagem
sugestiva por meio da ambiguidade, da ironia, do jogo de palavras e
de subentendidos, ou seja, vários formatos conotativos que fazem
com que o público perceba a sutileza da inteligência dos textos.
Estrutura do texto propagandístico
Título: É composto de pequenas frases atrativas, com o objeti-
vo de chamar a atenção do leitor.
Imagem: Apresentam uma imagem, cuidadosamente trabalha-
da e selecionada, que vai muito além do mero papel de ilustração.
Nesse gênero textual, a imagem tem um papel persuasivo impor-
tante e dialoga com a parte escrita.
Corpo do texto: Nele, o anunciante desenvolve melhor sua
ideia, demonstrando um pouco mais as qualidades e vantagens do
produto. Normalmente, o vocabulário é adequado ao público para
o qual é destinado, contendo frases também atraentes.
Identificação do produto ou marca: A maioria dos anunciantes
desenvolve um slogan para que o consumidor identifique a marca.
Certamente você conhece inúmeros exemplos, como músicas que
ficam na cabeça.
Gênero normativo
Os textos normativos são considerados como textos regulató-
rios capazes de sistematizar leis e códigos que asseguram nossos
direitos e deveres. Esta modalidade textual também regula as nor-
mas funcionais de uma determinada comunidade, instituição, igre-
ja, escola, empresas privadas ou instituições públicas. Atualmente
viver em sociedade significa seguir regras e respeitar normas, não é
verdade? Regras de como conviver com outras pessoas. Regras para
se ter segurança no trânsito. Respeitar normas de boa convivência
no trabalho ou na escola. Formais ou informais. No entanto, muitas
vezes para que uma regra seja respeitada é necessário um registro,
desta forma protocolos, portarias e editais são claros exemplos de
textos normativos.
Os textos normativos e legais devem ser claros, de modo a não
causar problemas de compreensão para o público a quem ele se
destina. Deve ser objetivo e centra-se na regulamentação do que
está em questão, podendo ser relações de convivência, trabalho e
comércio.
Em nosso cotidiano, temos inúmeros exemplos de textos nor-
mativos, dentre eles ressaltamos:
● Um contrato de trabalho ou compra e venda
● O código de defesa do consumidor
LÍNGUA PORTUGUESA
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● As leis de trânsito
● A Constituição Federal
● A Declaração Universal dos Direitos Humanos
● Diário Oficial
● ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
● Estatuto do idoso
Os textos normativos são fundamentais para relações humanas
e acima de tudo são considerados como gêneros que asseguram
nossos direitos e deveres.
Texto divinatório
Função - prever.
Modelos - horóscopo, oráculos.
Fontes: brasilescola.uol.com.br
descomplica.com.br
TEXTOS LITERÁRIOS E NÃO LITERÁRIOS.
Detecção de características e pormenores que identifiquem o
texto dentro de um estilo de época
Principais características do texto literário
Há diferença do texto literário em relação ao texto referencial,
sobretudo, por sua carga estética. Esse tipo de texto exerce uma
linguagem ficcional, além de fazer referência à função poética da
linguagem.
Uma constante discussão sobre a função e a estrutura do tex-
to literário existe, e também sobre a dificuldade de se entenderem
os enigmas, as ambiguidades, as metáforas da literatura. São esses
elementos que constituem o atrativo do texto literário: a escrita
diferenciada, o trabalho com a palavra, seu aspecto conotativo,
seus enigmas.
A literatura apresenta-se como o instrumento artístico de análi-
se de mundo e de compreensão do homem. Cada época conceituou
a literatura e suas funções de acordo com a realidade, o contexto
histórico e cultural e, os anseios dos indivíduos daquele momento.
Ficcionalidade: os textos baseiam-se no real, transfigurando-o,
recriando-o.
Aspecto subjetivo: o texto apresenta o olhar pessoal do artista,
suas experiências e emoções.
Ênfase na função poética da linguagem: o texto literário mani-
pula a palavra, revestindo-a de caráter artístico.
Plurissignificação: as palavras, no texto literário, assumem vá-
rios significados.
Principais características do texto não literário
Apresenta peculiaridades em relação a linguagem literária, en-
tre elas o emprego de uma linguagem convencional e denotativa.
Ela tem como função informar de maneira clara e sucinta, des-
considerando aspectos estilísticos próprios da linguagem literária.
Os diversos textos podem ser classificados de acordo com a
linguagem utilizada. A linguagem de um texto está condicionada à
sua funcionalidade. Quando pensamos nos diversos tipos e gêneros
textuais, devemos pensar também na linguagem adequada a ser
adotada em cada um deles. Para isso existem a linguagem literária
e a linguagem não literária.
Diferente do que ocorre com os textos literários, nos quais há
uma preocupação com o objeto linguístico e também com o estilo,
os textos não literários apresentam características bem delimitadas
para que possam cumprir sua principal missão, que é, na maioria
das vezes, a de informar. Quando pensamos em informação, alguns
elementos devem ser elencados, como a objetividade, a transpa-
rência e o compromisso com uma linguagem não literária, afastan-
do assim possíveis equívocos na interpretação de um texto.
TIPOLOGIA DA FRASE PORTUGUESA. ESTRUTURA DA FRA-
SE PORTUGUESA: OPERAÇÕES DE DESLOCAMENTO, SUBS-
TITUIÇÃO, MODIFICAÇÃO E CORREÇÃO. PROBLEMAS ES-
TRUTURAIS DAS FRASES. ORGANIZAÇÃO SINTÁTICA DAS
FRASES: TERMOS E ORAÇÕES. ORDEM DIRETA E INVER-
SA.
Definição: sintaxe é a área da Gramática que se dedica ao
estudo da ordenação das palavras em uma frase, das frases em um
discurso e também da coerência (relação lógica) que estabelecem
entre si. Sempre que uma frase é construída, é fundamental que
ela contenha algum sentido para que possa ser compreendida pelo
receptor. Por fazer a mediação da combinação entre palavras e
orações, a sintaxe é essencial para que essa compreensão se efetive.
Para que se possa compreender a análise sintática, é importante
retomarmos alguns conceitos, como o de frase, oração e período.
Vejamos:
Frase
Trata-se de um enunciado que carrega um sentido completo
que possui sentido integral, podendo ser constituída por somente
uma ou várias palavras podendo conter verbo (frase verbal) ou
não (frase nominal). Uma frase pode exprimir ideias, sentimentos,
apelos ou ordens. Exemplos: “Saia!”, “O presidente vai fazer seu
discurso.”, “Atenção!”, “Que horror!”.
A ordem das palavras: associada à pontuação apropriada,
a disposição das palavras na frase também é fundamental para a
compreensão da informação escrita, e deve seguir os padrões da
Língua Portuguesa. Observe que a frase “A professora já vai falar.”
Pode ser modificada para, por exemplo, “Já vai falar a professora.” ,
sem que haja prejuízo de sentido. No entanto, a construção “Falar a
já professora vai.” , apesar da combinação das palavras, não poderá
ser compreendida pelo interlocutor.
Oração
É uma unidade sintática que se estrutura em redor de um
verbo ou de uma locução verbal. Uma frase pode ser uma oração,
desde que tenha um verbo e um predicado; quanto ao sujeito, nem
sempre consta em uma oração, assim como o sentido completo. O
importante é que seja compreensível pelo receptor da mensagem.
Analise, abaixo, uma frase que é oração com uma quenão é.
LÍNGUA PORTUGUESA
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1 – Silêncio!”: É uma frase, mas não uma oração, pois não
contém verbo.
2 – “Eu quero silêncio.”: A presença do verbo classifica a frase
como oração.
Unidade sintática (ou termo sintático): a sintaxe de uma
oração é formada por cada um dos termos, que, por sua vez,
estabelecem relação entre si para dar atribuir sentido à frase. No
exemplo supracitado, a palavra “quero” deve unir-se às palavras
“Eu” e “silêncio” para que o receptor compreenda a mensagem.
Dessa forma, cada palavra desta oração recebe o nome de termo
ou unidade sintática, desempenhando, cada qual, uma função
sintática diferente.
Classificação das orações: as orações podem ser simples ou
compostas. As orações simples apresentam apenas uma frase; as
compostas apresentam duas ou mais frases na mesma oração.
Analise os exemplos abaixo e perceba que a oração composta tem
duas frases, e cada uma tem seu próprio sentido.
– Oração simples: “Eu quero silêncio.”
– Oração composta: “Eu quero silêncio para poder ouvir o
noticiário”.
Período
É a construção composta por uma ou mais orações, sempre com
sentido completo. Assim como as orações, o período também pode
ser simples ou composto, que se diferenciam em razão do número
de orações que apresenta: o período simples contém apenas uma
oração, e o composto mais de uma. Lembrando que a oração é uma
frase que contém um verbo. Assim, para não ter dúvidas quanto à
classificação, basta contar quantos verbos existentes na frase.
– Período simples: “Resolvo esse problema até amanhã.” -
apresenta apenas um verbo.
– Período composto: Resolvo esse problema até amanhã ou
ficarei preocupada.” - contém dois verbos.
— Análise Sintática
É o nome que se dá ao processo que serve para esmiuçar a
estrutura de um período e das orações que compõem um período.
Termos da oração: é o nome dado às palavras que atribuem
sentido a uma frase verbal. A reunião desses elementos forma o
que chamamos de estrutura de um período. Os termos essenciais
se subdividem em: essenciais, integrantes e acessórios. Acompanhe
a seguir as especificidades de cada tipo.
1 – Termos Essenciais (ou fundamentais) da oração
Sujeito e Predicado: enquanto um é o ser sobre quem/o qual
se declara algo, o outro é o que se declara sobre o sujeito e, por
isso, sempre apresenta um verbo ou uma locução verbal, como nos
respectivos exemplos a seguir:
Exemplo: em “Fred fez um lindo discurso.”, o sujeito é “Fred”,
que “fez um lindo discurso” (é o restante da oração, a declaração
sobre o sujeito).
Nem sempre o sujeito está no início da oração (sujeito direto),
podendo apresentar-se também no meio da fase ou mesmo após
o predicado (sujeito inverso). Veja um exemplo para cada um dos
respectivos casos:
“Fred fez um lindo discurso.”
“Um lindo discurso Fred fez.”
“Fez um lindo discurso, Fred.”
– Sujeito determinado: é aquele identificável facilmente pela
concordância verbal.
– Sujeito determinado simples: possui apenas um núcleo
ligado ao verbo. Ex.: “Júlia passou no teste”.
– Sujeito determinado composto: possui dois ou mais núcleos.
Ex.: “Júlia e Felipe passaram no teste.”
– Sujeito determinado implícito: não aparece facilmente na
oração, mas a frase é dotada de entendimento. Ex.: “Passamos no
teste.” Aqui, o termo “nós” não está explícito na oração, mas a
concordância do verbo o destaca de forma indireta.
– Sujeito indeterminado: é o que não está visível na oração
e, diferente do caso anterior, não há concordância verbal para
determiná-lo.
Esse sujeito pode aparecer com:
– Verbo na 3a pessoa do plural. Ex.: “Reformaram a casa velha”.
– Verbo na 3a pessoa do singular + pronome “se”: “Contrata-se
padeiro.”».
– Verbo no infinitivo impessoal: “Vai ser mais fácil se você
estiver lá.”
– Orações sem sujeito: são compostas somente por predicado,
e sua mensagem está centralizada no verbo, que é impessoal.
Essas orações podem ter verbos que constituam fenômenos da
natureza, ou os verbos ser, estar, haver e fazer quando indicativos
de fenômeno meteorológico ou tempo. Observe os exemplos:
“Choveu muito ontem”.
“Era uma hora e quinze”.
– Predicados Verbais: resultam da relação entre sujeito e
verbo, ou entre verbo e complementos. Os verbos, por sua vez,
também recebem sua classificação, conforme abaixo:
– Verbo transitivo: é o verbo que transita, isto é, que vai adiante
para passar a informação adequada. Em outras palavras, é o verbo
que exige complemento para ser entendido. Para produzir essa
compreensão, esse trânsito do verbo, o complemento pode ser
direto ou indireto. No primeiro caso, a ligação direta entre verbo e
complemento. Ex.: “Quero comprar roupas.”. No segundo, verbo e
complemento são unidos por preposição. Ex.: “Preciso de dinheiro.”
– Verbo intransitivo: não requer complemento, é provido de
sentido completo. São exemplos: morrer, acordar, nascer, nadar,
cair, mergulhar, correr.
– Verbo de ligação: servem para expressar características de
estado ao sujeito, sendo eles: estado permanente (“Pedro é alto.”),
estado de transição (“Pedro está acamado.”), estado de mutação
(“Pedro esteve enfermo.”), estado de continuidade (“Pedro continua
esbelto.”) e estado aparente (“Pedro parece nervoso.”).
– Predicados nominais: são aqueles que têm um nome
(substantivo ou adjetivo) como cujo núcleo significativo da oração.
Ademais, ele se caracteriza pela indicação de estado ou qualidade,
e é composto por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito.
– Predicativo do sujeito: é um termo que atribui características
ao sujeito por meio de um verbo. Exemplo: em “Marta é
inteligente.”, o adjetivo é o predicativo do sujeito “Marta”, ou seja,
é sua característica de estado ou qualidade. Isso é comprovado pelo
“ser” (é), que é o verbo de ligação entre Marta e sua característica
LÍNGUA PORTUGUESA
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atual. Esse elemento não precisa ser, obrigatoriamente, um adjetivo,
mas pode ser uma locução adjetiva, ou mesmo um substantivo ou
palavra substantivada.
– Predicado Verbo-Nominal: esse tipo deve apresentar sempre
um predicativo do sujeito associado a uma ação do sujeito acrescida
de uma qualidade sua. Exemplo: “As meninas saíram mais cedo da
aula. Por isso, estavam contentes.
O sujeito “As meninas” possui como predicado o verbo “sair”
e também o adjetivo “contentes”. Logo, “estavam contentes” é o
predicativo do sujeito e o verbo de ligação é “estar”.
2 – Termos integrantes da oração
Basicamente, são os termos que completam os verbos de uma
oração, atribuindo sentindo a ela. Eles podem ser complementos
verbais, complementos nominais ou mesmo agentes da passiva.
– Complementos Verbais: como sugere o nome, esses termos
completam o sentido de verbos, e se classificam da seguinte forma:
– Objeto direto: completa verbos transitivos diretos, não
exigindo preposição.
– Objeto indireto: complementam verbos transitivos indiretos,
isto é, aqueles que dependem de preposição para que seu sentido
seja compreendido.
Quanto ao objeto direto, podemos ter:
– Um pronome substantivo: “A equipe que corrigiu as provas.”
– Um pronome oblíquo direto: “Questionei-a sobre o
acontecido.”
– Um substantivo ou expressão substantivada: “Ele consertou
os aparelhos.»
– Complementos Nominais: esses termos completam o sentido
de uma palavra, mas não são verbos; são nomes (substantivos,
adjetivos ou advérbios), sempre seguidos por preposição. Observe
os exemplos:
– “Maria estava satisfeita com seus resultados.” – observe que
“satisfeita” é adjetivo, e “com seus resultados” é complemento
nominal.
– “O entregador atravessou rapidamente pela viela. –
“rapidamente” é advérbio de modo.
– “Eu tenho medo do cachorro.” – Nesse caso, “medo” é um
substantivo.
– Agentes da Passiva: são os termos de uma oração que praticam
a ação expressa pelo verbo, quando este está na voz passiva. Assim,
estão normalmenteacompanhados pelas preposições de e por.
Observe os exemplos do item anterior modificados para a voz
passiva:
– “Os resultados foram motivo de satisfação de Maria.”
– “O cachorro foi alvo do meu medo.”
– “A viela foi atravessada rapidamente pelo entregador.”
3 – Termos acessórios da oração
Diversamente dos termos essenciais e integrantes, os termos
acessórios não são fundamentais o sentido da oração, mas servem
para complementar a informação, exprimindo circunstância,
determinando o substantivo ou caracterizando o sujeito. Confira
abaixo quais são eles:
– Adjunto adverbial: são os termos que modificam o sentido
do verbo, do adjetivo ou do advérbio. Analise os exemplos:
“Dormimos muito.”
O termo acessório “muito” classifica o verbo “dormir”.
“Ele ficou pouco animado com a notícia.”
O termo acessório “pouco” classifica o adjetivo “animado”
“Maria escreve bastante bem.”
O termo acessório “bastante” modifica o advérbio “bem”.
Os adjuntos adverbiais podem ser:
– Advérbios: pouco, bastante, muito, ali, rapidamente longe, etc.
– Locuções adverbiais: o tempo todo, às vezes, à beira-mar, etc.
– Orações: «Quando a mercadoria chegar, avise.” (advérbio de
tempo).
– Adjunto adnominal: é o termo que especifica o substantivo,
com função de adjetivo. Em razão disso, pode ser representado
por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, numerais adjetivos ou
pronomes adjetivos. Analise o exemplo:
“O jovem apaixonado presenteou um lindo buquê à sua colega
de escola.”
– Sujeito: “jovem apaixonado”
– Núcleo do predicado verbal: “presenteou”
– Objeto direto do verbo entregar: “um lindo buquê”
– Objeto indireto: “à amiga de classe” – Adjuntos adnominais:
no sujeito, temos o artigo “o” e “apaixonado”, pois caracterizam
o “jovem”, núcleo do sujeito; o numeral “um” e o adjetivo “lindo”
fazem referência a “buquê” (substantivo); o artigo “à” (contração
da preposição + artigo feminino) e a locução “de trabalho” são os
adjuntos adnominais de “colega”.
– Aposto: é o termo que se relaciona com o sujeito para
caracterizá-lo, contribuindo para a complementação uma
informação já completa. Observe os exemplos:
“Michael Jackson, o rei do pop, faleceu há uma década.”
“Brasília, capital do Brasil, foi construída na década de 1950.”
– Vocativo: esse termo não apresenta relação sintática nem
com sujeito nem com predicado, tendo sua função no chamamento
ou na interpelação de um ouvinte, e se relaciona com a 2a pessoa
do discurso. Os vocativos são o receptor da mensagem, ou seja, a
quem ela é dirigida. Podem ser acompanhados de interjeições de
apelo. Observe:
“Ei, moça! Seu documento está pronto!”
“Senhor, tenha misericórdia de nós!”
“Vista o casaco, filha!”
— Estudo da relação entre as orações
Os períodos compostos são formados por várias orações.
As orações estabelecem entre si relações de coordenação ou de
subordinação.
– Período composto por coordenação: é formado por
orações independentes. Apesar de estarem unidas por conjunções
ou vírgulas, as orações coordenadas podem ser entendidas
individualmente porque apresentam sentidos completos.
Acompanhe a seguir a classificação das orações coordenadas:
– Oração coordenada aditiva: “Assei os salgados e preparei os
doces.”
– Oração coordenada adversativa: “Assei os salgados, mas não
preparei os doces.”
LÍNGUA PORTUGUESA
17
a solução para o seu concurso!
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– Oração coordenada alternativa: “Ou asso os salgados ou
preparo os doces.”
– Oração coordenada conclusiva: “Marta estudou bastante,
logo, passou no exame.”
– Oração coordenada explicativa: “Marta passou no exame
porque estudou bastante.”
– Período composto por subordinação: são constituídos por
orações dependentes uma da outra. Como as orações subordinadas
apresentam sentidos incompletos, não podem ser entendidas
de forma separada. As orações subordinadas são divididas em
substantivas, adverbiais e adjetivas. Veja os exemplos:
– Oração subordinada substantiva subjetiva: “Ficou provado
que o suspeito era realmente o culpado.”
– Oração subordinada substantiva objetiva direta: “Eu não
queria que isso acontecesse.”
– Oração subordinada substantiva objetiva indireta: “É
obrigatório de que todos os estudantes sejam assíduos.”
– Oração subordinada substantiva completiva nominal: “Tenho
expectativa de que os planos serão melhores em breve!”
– Oração subordinada substantiva predicativa: “O que importa
é que meus pais são saudáveis.”
– Oração subordinada substantiva apositiva: “Apenas saiba
disto: que tudo esteja organizado quando eu voltar!”
– Oração subordinada adverbial causal: “Não posso me
demorar porque tenho hora marcada na psicóloga.”
– Oração subordinada adverbial consecutiva: “Ficamos tão
felizes que pulamos de alegria.”
– Oração subordinada adverbial final: “Eles ficaram vigiando
para que nós chegássemos a casa em segurança.”
– Oração subordinada adverbial temporal: “Assim que eu
cheguei, eles iniciaram o trabalho.”
– Oração subordinada adverbial condicional: “Se você vier logo,
espero por você.»
– Oração subordinada adverbial concessiva: “Ainda que
estivesse cansado, concluiu a maratona.”
– Oração subordinada adverbial comparativa: “Marta sentia
como se ainda vivesse no interior.”
– Oração subordinada adverbial conformativa: “Conforme
combinamos anteriormente, entregarei o produto até amanhã.”
– Oração subordinada adverbial proporcional: “Quanto mais
me exercito, mais tenho disposição.”
– Oração subordinada adjetiva explicativa: “Meu filho, que
passou no concurso, mudou-se para o interior.”
– Oração subordinada adjetiva restritiva: “A aluna que esteve
enferma conseguiu ser aprovada nas provas.”
NORMA CULTA.
A Linguagem Culta ou Padrão
É aquela ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências
em que se apresenta com terminologia especial. É usada pelas
pessoas instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se
pela obediência às normas gramaticais. Mais comumente usada
na linguagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É
mais artificial, mais estável, menos sujeita a variações. Está presente
nas aulas, conferências, sermões, discursos políticos, comunicações
científicas, noticiários de TV, programas culturais etc.
Ouvindo e lendo é que você aprenderá a falar e a escrever bem.
Procure ler muito, ler bons autores, para redigir bem.
A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto fa-
miliar, que é o primeiro círculo social para uma criança. A criança
imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis
combinatórias da língua. Um falante ao entrar em contato com ou-
tras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a escola
e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma.
Há pessoas que falam de forma diferente por pertencerem a outras
cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo
ou classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as
variedades linguísticas.
Certas palavras e construções que empregamos acabam de-
nunciando quem somos socialmente, ou seja, em que região do
país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e,
às vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies. O uso
da língua também pode informar nossa timidez, sobre nossa capa-
cidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa insegurança.
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas,
contida na maior parte dos livros, registros escritos, nas mídias te-
levisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem:
a linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou
profissões. O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade
de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou
em nossa comunidade. O domínio da língua culta, somado ao do-
mínio de outras variedades linguísticas, torna-nos mais preparados
para nos comunicarmos nos diferentes contextos lingísticos, já que
a linguagem utilizadaem reuniões de trabalho não deve ser a mes-
ma utilizada em uma reunião de amigos no final de semana.
Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empre-
gá-la de modo adequado às mais diferentes situações sociais de que
participamos.
A norma culta é responsável por representar as práticas lin-
guísticas embasadas nos modelos de uso encontrados em textos
formais. É o modelo que deve ser utilizado na escrita, sobretudo
nos textos não literários, pois segue rigidamente as regras gramati-
cais. A norma culta conta com maior prestígio social e normalmente
é associada ao nível cultural do falante: quanto maior a escolariza-
ção, maior a adequação com a língua padrão.
Exemplo:
Venho solicitar a atenção de Vossa Excelência para que seja
conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima
da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao
movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças,
atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem
se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte
violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico de suas fun-
ções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe.
A Linguagem Popular ou Coloquial
É aquela usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-
se quase sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de
vícios de linguagem (solecismo – erros de regência e concordância;
barbarismo – erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade;
cacofonia; pleonasmo), expressões vulgares, gírias e preferência
pela coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua.
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1818
a solução para o seu concurso!
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A linguagem popular está presente nas conversas familiares ou
entre amigos, anedotas, irradiação de esportes, programas de TV e
auditório, novelas, na expressão dos esta dos emocionais etc.
Dúvidas mais comuns da norma culta
Perca ou perda
Isto é uma perda de tempo ou uma perca de tempo? Tomara
que ele não perca o ônibus ou não perda o ônibus? Quais são as fra-
ses corretas com perda e perca? Certo: Isto é uma perda de tempo.
Embaixo ou em baixo
O gato está embaixo da mesa ou em baixo da mesa? Continu-
arei falando em baixo tom de voz ou embaixo tom de voz? Quais
são as frases corretas com embaixo e em baixo? Certo: O gato está
embaixo da cama
Ver ou vir
A dúvida no uso de ver e vir ocorre nas seguintes construções:
Se eu ver ou se eu vir? Quando eu ver ou quando eu vir? Qual das
frases com ver ou vir está correta? Se eu vir você lá fora, você vai
ficar de castigo!
Onde ou aonde
Os advérbios onde e aonde indicam lugar: Onde você está?
Aonde você vai? Qual é a diferença entre onde e aonde? Onde indi-
ca permanência. É sinônimo de em que lugar. Onde, Em que lugar
Fica?
Como escrever o dinheiro por extenso?
Os valores monetários, regra geral, devem ser escritos com al-
garismos: R$ 1,00 ou R$ 1 R$ 15,00 ou R$ 15 R$ 100,00 ou R$ 100
R$ 1400,00 ou R$ 1400.
Obrigado ou obrigada
Segundo a gramática tradicional e a norma culta, o homem ao
agradecer deve dizer obrigado. A mulher ao agradecer deve dizer
obrigada.
Mal ou mau
Como essas duas palavras são, maioritariamente, pronunciadas
da mesma forma, são facilmente confundidas pelos falantes. Qual a
diferença entre mal e mau? Mal é um advérbio, antônimo de bem.
Mau é o adjetivo contrário de bom.
“Vir”, “Ver” e “Vier”
A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas
situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é,
por exemplo, “quando você o vir”, e não “quando você o ver”.
Já no caso do verbo “ir”, a conjugação correta deste tempo ver-
bal é “quando eu vier”, e não “quando eu vir”.
“Ao invés de” ou “em vez de”
“Ao invés de” significa “ao contrário” e deve ser usado apenas
para expressar oposição.
Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.
Já “em vez de” tem um significado mais abrangente e é usado
principalmente como a expressão “no lugar de”. Mas ele também
pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas reco-
mendam usar “em vez de” caso esteja na dúvida.
Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bici-
cleta.
“Para mim” ou “para eu”
Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase
com um verbo, deve usar “para eu”.
Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para
eu curtir as fotos dele.
“Tem” ou “têm”
Tanto “tem” como “têm” fazem parte da conjugação do verbo
“ter” no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo
no plural.
Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de
mudança.
“Há muitos anos”, “muitos anos atrás” ou “há muitos anos
atrás”
Usar “Há” e “atrás” na mesma frase é uma redundância, já que
ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro.
Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O
romance começou muito tempo atrás.
Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás,
de Raul Seixas, está incorreta.
PONTUAÇÃO E SINAIS GRÁFICOS.
— Visão Geral
O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais
gráficos que, em um período sintático, têm a função primordial
de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas
e, ocasionalmente, manifestar as propriedades da fala (prosódias)
em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os
gestos e as expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a
compreensão da frase.
O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades:
– Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos
tipos textuais;
– Garantir os efeitos de sentido dos enunciados;
– Demarcar das unidades de um texto;
– Sinalizar os limites das estruturas sintáticas.
— Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um
enunciado
Vírgula
De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado
para indicar que os termos por ela isolados, embora compartilhem
da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas,
se, ao contrário, houver relação sintática entre os termos, estes
não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo
tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em
outras, ela é vetada. Confira os casos em que a vírgula deve ser
empregada:
• No interior da sentença
1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição:
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ENUMERAÇÃO
Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate.
Paguei as contas de água, luz, telefone e gás.
REPETIÇÃO
Os arranjos estão lindos, lindos!
Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada.
2 – Isolar o vocativo
“Crianças, venham almoçar!”
“Quando será a prova, professora?”
3 – Separar apostos
“O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.”
4 – Isolar expressões explicativas:
“As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi
responsabilizado.”
5 – Separar conjunções intercaladas
“Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.”
6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado:
“Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos
funcionários do setor.”
“Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.”
7 – Separar o complemento pleonástico antecipado:
“Estas alegações, não as considero legítimas.”
8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas
por conjunções)
“Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.”
9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas:
“São Paulo, 16 de outubro de 2022”.
10 – Marcar a omissão de um termo:
“Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo
“fazer”).
• Entre as sentenças
1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas
“Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.”
2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e
assindéticas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”:
“Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos
ajudasse.”
3 – Para separaras orações substantivas que antecedem a
principal:
“Quando será publicado, ainda não foi divulgado.”
4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas
ou reduzidas, especialmente as que antecedem a oração principal:
Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá
atenção!
Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá
atenção!
5 – Separar as sentenças intercaladas:
“Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu
leito, até que você se recupere por completo.”
• Antes da conjunção “e”
1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire
valores que não expressam adição, como consequência ou
diversidade, por exemplo.
“Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.”
2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sempre
que a conjunção “e” é reiterada com com a finalidade de destacar
alguma ideia, por exemplo:
“(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede;
e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o
esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha)
3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas
apresentam sujeitos distintos, por exemplo:
“A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.”
O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito
e predicado, verbo e objeto, nome de adjunto adnominal, nome
e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração
substantiva e oração subordinada (desde que a substantivo não seja
apositiva nem se apresente inversamente).
Ponto
1 – Para indicar final de frase declarativa:
“O almoço está pronto e será servido.”
2 – Abrevia palavras:
– “p.” (página)
– “V. Sra.” (Vossa Senhoria)
– “Dr.” (Doutor)
3 – Para separar períodos:
“O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.”
Ponto e Vírgula
1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou
orações coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula:
“Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG;
nossa amiga, de praticar esportes.”
2 – Para separar os itens de uma sequência de itens:
“Os planetas que compõem o Sistema Solar são:
Mercúrio;
Vênus;
Terra;
Marte;
Júpiter;
Saturno;
Urano;
Netuno.”
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2020
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Dois Pontos
1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas,
enumerações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem
ideias anteriores.
“Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.”
“Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela
grande ofensa.”
2 – Para introduzirem citação direta:
“Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente
muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde, tudo se
transforma’.”
3 – Para iniciar fala de personagens:
“Ele gritava repetidamente:
– Sou inocente!”
Reticências
1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta
sintaticamente:
“Quem sabe um dia...”
2 – Para indicar hesitação ou dúvida:
“Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar
ainda.”
3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o
objetivo de prolongar o raciocínio:
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas
faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar).
4 – Suprimem palavras em uma transcrição:
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros -
Raimundo Fagner).
Ponto de Interrogação
1 – Para perguntas diretas:
“Quando você pode comparecer?”
2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para
destacar o enunciado:
“Não brinca, é sério?!”
Ponto de Exclamação
1 – Após interjeição:
“Nossa Que legal!”
2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva
“Infelizmente!”
3 – Após vocativo
“Ana, boa tarde!”
4 – Para fechar de frases imperativas:
“Entre já!”
Parênteses
a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases
intercaladas de valor explicativo, podendo substituir o travessão ou
a vírgula:
“Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como
sempre)
quem seria promovido.”
Travessão
1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto:
“O rapaz perguntou ao padre:
— Amar demais é pecado?”
2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:
“— Vou partir em breve.
— Vá com Deus!”
3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários:
“Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.”
4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:
“Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.”
Aspas
1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta,
como termos populares, gírias, neologismos, estrangeirismos,
arcaísmos, palavrões, e neologismos.
“Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.”
“A reunião será feita ‘online’.”
2 – Para indicar uma citação direta:
“A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de
Assis)
TIPOS DE DISCURSO
Discurso direto
É a fala da personagem reproduzida fielmente pelo narrador,
ou seja, reproduzida nos termos em que foi expressa.
— Bonito papel! Quase três da madrugada e os senhores com-
pletamente bêbados, não é?
Foi aí que um dos bêbados pediu:
— Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual de nós quatro é
o seu marido que os outros querem ir para casa.
(Stanislaw Ponte Preta)
Observe que, no exemplo dado, a fala da personagem é intro-
duzida por um travessão, que deve estar alinhado dentro do pará-
grafo.
O narrador, ao reproduzir diretamente a fala das personagens,
conserva características do linguajar de cada uma, como termos de
gíria, vícios de linguagem, palavrões, expressões regionais ou caco-
etes pessoais.
O discurso direto geralmente apresenta verbos de elocução (ou
declarativos ou dicendi) que indicam quem está emitindo a mensa-
gem.
LÍNGUA PORTUGUESA
21
a solução para o seu concurso!
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Os verbos declarativos ou de elocução mais comuns são:
acrescentar
afirmar
concordar
consentir
contestar
continuar
declamar
determinar
dizer
esclarecer
exclamar
explicar
gritar
indagar
insistir
interrogar
interromper
intervir
mandar
ordenar, pedir
perguntar
prosseguir
protestar
reclamar
repetir
replicar
responder
retrucar
solicitar
Os verbos declarativos podem, além de introduzir a fala, indicar
atitudes, estados interiores ou situações emocionais das persona-
gens como, por exemplo, os verbos protestar, gritar, ordenar e ou-
tros. Esse efeito pode ser também obtido com o uso de adjetivos ou
advérbios aliados aos verbos de elocução: falou calmamente, gritou
histérica, respondeu irritada, explicou docemente.
Exemplo:
— O amor, prosseguiu sonhadora, é a grande realização de nos-
sas vidas.
Ao utilizar o discurso direto – diálogos (com ou sem travessão)
entre as personagens –, você deve optar por um dos três estilos a
seguir:
Estilo 1:
João perguntou:
— Que tal o carro?
Estilo 2:
João perguntou: “Que tal o carro?” (As aspas são optativas)
Antônio respondeu: “horroroso” (As aspas são optativas)
Estilo 3:
Verbos de elocução no meio da fala:
— Estou vendo, disse efusivamente João, que você adorou o
carro.
— Você, retrucou Antônio, está completamente enganado.
Verbos de elocução no fim da fala:
— Estou vendo que você adorou o carro — disse efusivamente
João.
— Você está completamente enganado — retrucou Antônio.
Os trechos que apresentam verbos de elocução podem vir com
travessões ou com vírgulas. Observe os seguintes exemplos:
— Não posso, disse ela daí a alguns instantes, não deixo meu
filho. (Machado de Assis)
— Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria, disse
ele, escarrachando-se diante de mim. (Machado de Assis)
— Vale cinquenta, ponderei; Sabina sabe que custou cinquenta
e oito. (Machado de Assis)
— Ainda não, respondi secamente. (Machado de Assis)
Verbos de elocução depois de orações interrogativas e excla-
mativas:
— Nunca me viu? perguntou Virgília vendo que a encarava com
insistência. (Machado de Assis)
— Para quê? interrompeu Sabina. (Machado de Assis)
— Isso nunca; não faço esmolas! disse ele. (Machado de Assis)
Observe queos verbos de elocução aparecem em letras minús-
culas depois dos pontos de exclamação e interrogação.
Discurso indireto
No discurso indireto, o narrador exprime indiretamente a fala
da personagem. O narrador funciona como testemunha auditiva e
passa para o leitor o que ouviu da personagem. Na transcrição, o
verbo aparece na terceira pessoa, sendo imprescindível a presen-
ça de verbos dicendi (dizer, responder, retrucar, replicar, perguntar,
pedir, exclamar, contestar, concordar, ordenar, gritar, indagar, de-
clamar, afirmar, mandar etc.), seguidos dos conectivos que (dicendi
afirmativo) ou se (dicendi interrogativo) para introduzir a fala da
personagem na voz do narrador.
A certo ponto da conversação, Glória me disse que desejava
muito conhecer Carlota e perguntou por que não a levei comigo.
(Ciro dos Anjos)
Fui ter com ela, e perguntei se a mãe havia dito alguma coisa;
respondeu-me que não.
(Machado de Assis)
Discurso indireto livre
Resultante da mistura dos discursos direto e indireto, existe
uma terceira modalidade de técnica narrativa, o chamado discurso
indireto livre, processo de grande efeito estilístico. Por meio dele,
o narrador pode, não apenas reproduzir indiretamente falas das
personagens, mas também o que elas não falam, mas pensam, so-
nham, desejam etc. Neste caso, discurso indireto livre corresponde
ao monólogo interior das personagens, mas expresso pelo narrador.
As orações do discurso indireto livre são, em regra, indepen-
dentes, sem verbos dicendi, sem pontuação que marque a passa-
gem da fala do narrador para a da personagem, mas com transpo-
sições do tempo do verbo (pretérito imperfeito) e dos pronomes
LÍNGUA PORTUGUESA
2222
a solução para o seu concurso!
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(terceira pessoa). O foco narrativo deve ser de terceira pessoa. Esse
discurso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e
ritmo que confere ao texto.
Fabiano ouviu o relatório desconexo do bêbado, caiu numa in-
decisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversa
à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era
bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se.
Estava preso por isso? Como era? Então mete- se um homem na
cadeia por que ele não sabe falar direito?
(Graciliano Ramos)
Observe que se o trecho “Era bruto, sim” estivesse um discur-
so direto, apresentaria a seguinte formulação: Sou bruto, sim; em
discurso indireto: Ele admitiu que era bruto; em discurso indireto
livre: Era bruto, sim.
Para produzir discurso indireto livre que exprima o mundo inte-
rior da personagem (seus pensamentos, desejos, sonhos, fantasias
etc.), o narrador precisa ser onisciente. Observe que os pensamen-
tos da personagem aparecem, no trecho transcrito, principalmente
nas orações interrogativas, entremeadas com o discurso do narra-
dor.
Transposição de discurso
Na narração, para reconstituir a fala da personagem, utiliza-se
a estrutura de um discurso direto ou de um discurso indireto. O
domínio dessas estruturas é importante tanto para se empregar
corretamente os tipos de discurso na redação.
Os sinais de pontuação (aspas, travessão, dois-pontos) e outros
recursos como grifo ou itálico, presentes no discurso direto, não
aparecem no discurso indireto, a não ser que se queira insistir na
atribuição do enunciado à personagem, não ao narrador. Tal insis-
tência, porém, é desnecessária e excessiva, pois, se o texto for bem
construído, a identificação do discurso indireto livre não oferece
dificuldade.
Discurso Direto
• Presente
A enfermeira afirmou:
– É uma menina.
• Pretérito perfeito
– Já esperei demais, retrucou com indignação.
• Futuro do presente
Pedrinho gritou:
– Não sairei do carro.
• Imperativo
Olhou-a e disse secamente:
– Deixe-me em paz.
Outras alterações
• Primeira ou segunda pessoa
Maria disse:
– Não quero sair com Roberto hoje.
• Vocativo
– Você quer café, João?, perguntou a prima.
• Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
• Forma interrogativa ou imperativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa:
– E o amarelo?
• Advérbios de lugar e de tempo
aqui, daqui, agora, hoje, ontem, amanhã
• Pronomes demonstrativos e possessivos
essa(s), esta(s)
esse(s), este(s)
isso, isto
meu, minha
teu, tua
nosso, nossa
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Discurso Indireto
• Pretérito imperfeito
A enfermeira afirmou que era uma menina.
• Futuro do pretérito
Pedrinho gritou que não sairia do carro.
• Pretérito mais-que-perfeito
Retrucou com indignação que já esperara (ou tinha espera-
do) demais.
• Pretérito imperfeito do subjuntivo
Olhou-a e disse secamente que o deixasse em paz.
Outras alterações
• Terceira pessoa
Maria disse que não queria sair com Roberto naquele dia.
• Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
• Forma declarativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa
pelo amarelo.
lá, dali, de lá, naquele momento, naquele dia, no dia an-
terior, na véspera, no dia seguinte, aquela(s), aquele(s), aquilo,
seu, sua (dele, dela), seu, sua (deles, delas)
REGISTROS DE LINGUAGEM.
Definição de linguagem
Linguagem é qualquer meio sistemático de comunicar ideias
ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos,
gestuais etc. A linguagem é individual e flexível e varia dependendo
da idade, cultura, posição social, profissão etc. A maneira de arti-
cular as palavras, organizá-las na frase, no texto, determina nossa
linguagem, nosso estilo (forma de expressão pessoal).
As inovações linguísticas, criadas pelo falante, provocam, com
o decorrer do tempo, mudanças na estrutura da língua, que só as
incorpora muito lentamente, depois de aceitas por todo o grupo
social. Muitas novidades criadas na linguagem não vingam na língua
e caem em desuso.
Língua escrita e língua falada
A língua escrita não é a simples reprodução gráfica da língua
falada, por que os sinais gráficos não conseguem registrar grande
parte dos elementos da fala, como o timbre da voz, a entonação, e
ainda os gestos e a expressão facial. Na realidade a língua falada é
mais descontraída, espontânea e informal, porque se manifesta na
conversação diária, na sensibilidade e na liberdade de expressão
do falante. Nessas situações informais, muitas regras determinadas
pela língua padrão são quebradas em nome da naturalidade, da li-
berdade de expressão e da sensibilidade estilística do falante.
Linguagem popular e linguagem culta
Podem valer-se tanto da linguagem popular quanto da lingua-
gem culta. Obviamente a linguagem popular é mais usada na fala,
nas expressões orais cotidianas. Porém, nada impede que ela esteja
presente em poesias (o Movimento Modernista Brasileiro procurou
valorizar a linguagem popular), contos, crônicas e romances em que
o diálogo é usado para representar a língua falada.
Linguagem Popular ou Coloquial
Usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase
sempre rebelde à norma gramatical e é carregada de vícios de lin-
guagem (solecismo – erros de regência e concordância; barbarismo
– erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleo-
nasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela coordenação,
que ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem popular
está presente nas conversas familiares ou entre amigos, anedotas,
irradiação de esportes, programas de TV e auditório, novelas, na
expressão dos esta dos emocionais etc.
A Linguagem Culta ou Padrão
É a ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em que
se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pessoas
instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela
obediência às normas gramaticais. Mais comumente usada na
linguagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É
mais artificial, mais estável, menos sujeita a variações. Está presente
nas aulas, conferências, sermões, discursos políticos, comunicações
científicas,noticiários de TV, programas culturais etc.
Gíria
A gíria relaciona-se ao cotidiano de certos grupos sociais como
arma de defesa contra as classes dominantes. Esses grupos utilizam
a gíria como meio de expressão do cotidiano, para que as mensa-
gens sejam decodificadas apenas por eles mesmos.
Assim a gíria é criada por determinados grupos que divulgam
o palavreado para outros grupos até chegar à mídia. Os meios de
comunicação de massa, como a televisão e o rádio, propagam os
novos vocábulos, às vezes, também inventam alguns. A gíria pode
acabar incorporada pela língua oficial, permanecer no vocabulário
de pequenos grupos ou cair em desuso.
Ex.: “chutar o pau da barraca”, “viajar na maionese”, “galera”,
“mina”, “tipo assim”.
Linguagem vulgar
Existe uma linguagem vulgar relacionada aos que têm pouco
ou nenhum contato com centros civilizados. Na linguagem vulgar
há estruturas com “nóis vai, lá”, “eu di um beijo”, “Ponhei sal na
comida”.
Linguagem regional
Regionalismos são variações geográficas do uso da língua pa-
drão, quanto às construções gramaticais e empregos de certas pala-
vras e expressões. Há, no Brasil, por exemplo, os falares amazônico,
nordestino, baiano, fluminense, mineiro, sulino.
Os níveis de linguagem e de fala são determinados pelos fato-
res a seguir:
O interlocutor:
Os interlocutores (emissor e receptor) são parceiros na comu-
nicação, por isso, esse é um dos fatores determinantes para a ade-
quação linguística. O objetivo de toda comunicação é a busca pelo
sentido, ou seja, precisa haver entendimento entre os interlocuto-
res, caso contrário, não é possível dizer que houve comunicação.
Por isso, considerar o interlocutor é fundamental. Por exemplo, um
professor não pode usar a mesma linguagem com um aluno na fa-
culdade e na alfabetização, logo, escolher a linguagem pensando
em quem será o seu parceiro é um fator de adequação linguística.
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Ambiente:
A linguagem também é definida a partir do ambiente, por isso,
é importante prestar atenção para não cometer inadequações. É
impossível usar o mesmo tipo de linguagem entre amigos e em um
ambiente corporativo (de trabalho); em um velório e em um campo
de futebol; ou, ainda, na igreja e em uma festa.
Assunto:
Semelhante à escolha da linguagem, está a escolha do assunto.
É preciso adequar a linguagem ao que será dito, logo, não se con-
vida para um chá de bebê da mesma maneira que se convida para
uma missa de 7º dia. É preciso ter bom senso no momento da es-
colha da linguagem, que deve ser usada de acordo com o assunto.
Relação falante-ouvinte:
A presença ou ausência de intimidade entre os interlocutores é
outro fator utilizado para a adequação linguística. Portanto, ao pe-
dir uma informação a um estranho, é adequado que se utilize uma
linguagem mais formal, enquanto para parabenizar a um amigo, a
informalidade é o ideal.
Intencionalidade (efeito pretendido):
Nenhum texto (oral ou escrito) é despretensioso, ou seja, sem
pretensão, sem objetivo, todos são carregados de intenções. E para
cada intenção existe uma forma de linguagem que será compatível,
por isso, as declarações de amor são feitas diferentes de uma soli-
citação de emprego. Há maneiras distintas para criticar, elogiar ou
ironizar. É importante fazer essas considerações.
FUNÇÕES DA LINGUAGEM.
Funções da linguagem são recursos da comunicação que, de
acordo com o objetivo do emissor, dão ênfase à mensagem trans-
mitida, em função do contexto em que o ato comunicativo ocorre.
São seis as funções da linguagem, que se encontram direta-
mente relacionadas com os elementos da comunicação.
Funções da Linguagem Elementos da
Comunicação
Função referencial ou denotativa contexto
Função emotiva ou expressiva emissor
Função apelativa ou conativa receptor
Função poética mensagem
Função fática canal
Função metalinguística código
Função Referencial
A função referencial tem como objetivo principal informar, re-
ferenciar algo. Esse tipo de texto, que é voltado para o contexto da
comunicação, é escrito na terceira pessoa do singular ou do plural,
o que enfatiza sua impessoalidade.
Para exemplificar a linguagem referencial, podemos citar os
materiais didáticos, textos jornalísticos e científicos. Todos eles, por
meio de uma linguagem denotativa, informam a respeito de algo,
sem envolver aspectos subjetivos ou emotivos à linguagem.
Exemplo de uma notícia:
O resultado do terceiro levantamento feito pela Aliança Global
para Atividade Física de Crianças — entidade internacional dedica-
da ao estímulo da adoção de hábitos saudáveis pelos jovens — foi
decepcionante. Realizado em 49 países de seis continentes com o
objetivo de aferir o quanto crianças e adolescentes estão fazendo
exercícios físicos, o estudo mostrou que elas estão muito sedentá-
rias. Em 75% das nações participantes, o nível de atividade física
praticado por essa faixa etária está muito abaixo do recomendado
para garantir um crescimento saudável e um envelhecimento de
qualidade — com bom condicionamento físico, músculos e esquele-
tos fortes e funções cognitivas preservadas. De “A” a “F”, a maioria
dos países tirou nota “D”.
Função Emotiva
Caracterizada pela subjetividade com o objetivo de emocionar.
É centrada no emissor, ou seja, quem envia a mensagem. A mensa-
gem não precisa ser clara ou de fácil entendimento.
Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que
empregamos, etc., transmitimos uma imagem nossa, não raro in-
conscientemente.
Emprega-se a expressão função emotiva para designar a utili-
zação da linguagem para a manifestação do enunciador, isto é, da-
quele que fala.
Exemplo: Nós te amamos!
Função Conativa
A função conativa ou apelativa é caracterizada por uma lingua-
gem persuasiva com a finalidade de convencer o leitor. Por isso, o
grande foco é no receptor da mensagem.
Trata-se de uma função muito utilizada nas propagandas, pu-
blicidades e discursos políticos, a fim de influenciar o receptor por
meio da mensagem transmitida.
Esse tipo de texto costuma se apresentar na segunda ou na ter-
ceira pessoa com a presença de verbos no imperativo e o uso do
vocativo.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com
a ordem, o pedido, a súplica. Há textos que nos influenciam de ma-
neira bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios
publicitários que nos dizem como seremos bem-sucedidos, atraen-
tes e charmosos se usarmos determinadas marcas, se consumirmos
certos produtos.
Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos,
que colocam o respeito ao outro acima de tudo, quanto esperta-
lhões, que só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemoriza-
dos, que se deixam conduzir sem questionar.
Exemplos: Só amanhã, não perca!
Vote em mim!
Função Poética
Esta função é característica das obras literárias que possui
como marca a utilização do sentido conotativo das palavras.
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Nela, o emissor preocupa-se de que maneira a mensagem será
transmitida por meio da escolha das palavras, das expressões, das
figuras de linguagem. Por isso, aqui o principal elemento comunica-
tivo é a mensagem.
A função poética não pertence somente aos textos literários.
Podemos encontrar a função poética também na publicidade ou
nas expressões cotidianas em que há o uso frequente de metáforas
(provérbios, anedotas, trocadilhos, músicas).
Exemplo:
“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...”
(Cecília Meireles)
Função Fática
A função fática tem como principal objetivo estabelecer um ca-
nal de comunicação entre o emissor e o receptor, quer para iniciar a
transmissão da mensagem, quer para assegurar a sua continuação.
A ênfase dada ao canal comunicativo.
Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exem-
plo, nas expressões de cumprimento, saudações, discursos ao tele-
fone, etc.
Exemplo:
-- Calor, não é!?-- Sim! Li na previsão que iria chover.
-- Pois é...
Função Metalinguística
É caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a lingua-
gem que se refere a ela mesma. Dessa forma, o emissor explica um
código utilizando o próprio código.
Nessa categoria, os textos metalinguísticos que merecem des-
taque são as gramáticas e os dicionários.
Um texto que descreva sobre a linguagem textual ou um do-
cumentário cinematográfico que fala sobre a linguagem do cinema
são alguns exemplos.
Exemplo:
Amizade s.f.: 1. sentimento de grande afeição, simpatia, apreço
entre pessoas ou entidades. “sentia-se feliz com a amizade do seu
mestre”
2. POR METONÍMIA: quem é amigo, companheiro, camarada.
“é uma de suas amizades fiéis”
ELEMENTOS DOS ATOS DE COMUNICAÇÃO.
Dentro do processo de comunicação existem alguns fatores
que são imprescindíveis de serem citados como elementos da co-
municação, que são:
Emissor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de produzir e trans-
mitir uma mensagem.
Receptor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de receber e inter-
pretar essa mensagem transmitida.
Codificar: é transformar, num código conhecido, a intenção da
comunicação ou elaborar um sistema de signos, ou seja, é interpre-
tar a mensagem transmitida para a sua correta compreensão.
Descodificar: Decifrar a mensagem, operação que depende do
repertório (conjunto estruturado de informação) de cada pessoa.
Mensagem: trata-se do conteúdo que será transmitido, as in-
formações que serão transmitidas ao receptor, ou seja, é qualquer
coisa que o emissor envie com a finalidade de passar informações.
Código: é o modo como a mensagem é transmitida (escrita,
fala, gestos, etc.)
Canal: é a fonte de transmissão da mensagem, ou o meio de
comunicação utilizado (revista, livro, jornal, rádio, TV, ar, etc.)
Contexto: é a situação que estão envolvidos o emissor e re-
ceptor.
Ruído: são os elementos que interferem na compreensão da
mensagem que está sendo transmitida, podem ser ocasionados
pelo ambiente interno ou externo. Podem ser tanto os barulhos de
uma maneira geral, uma palavra escrita incorretamente, uma dor
de cabeça por parte do emissor como do receptor, uma distração,
um problema pessoal, gírias, neologismos, estrangeirismos, etc.,
podem interferir no perfeito entendimento da comunicação.
Linguagem verbal: as dificuldades de comunicação ocorrem
quando as palavras têm graus distintos de abstração e variedade
de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas
nas pessoas (no repertório de cada um e que lhe permite decifrar e
interpretar as palavras).
Linguagem não-verbal: as pessoas não se comunicam apenas
por palavras, os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olha-
res, e a entonação são também importantes (são os elementos não
verbais da comunicação).
Retroalimentação ou Feedback: é o processo onde ocorre a
confirmação do entendimento ou compreensão do que foi transmi-
tido na comunicação.
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Macromodelo do Processo de Comunicação
Fonte: Kotler e Keller, 2012.
Em resumo, a comunicação é um processo pelo qual a informação é codificada e transmitida por um emissor a um receptor por meio
de um canal, ela é, portanto, um processo pelo qual nós atribuímos e transmitimos significado a uma tentativa de criar entendimento
compartilhado.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS.
As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas menores - os morfemas, também chamados de elementos mórficos:
– radical e raiz;
– vogal temática;
– tema;
– desinências;
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação.
Radical: Elemento que contém a base de significação do vocábulo.
Exemplos
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR.
Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos.
Dividem-se em:
Nominais
Indicam flexões de gênero e número nos substantivos.
Exemplos
pequenO, pequenA, alunO, aluna.
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas.
Verbais
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos
Exemplos
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo)
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número)
Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem.
Exemplos
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1ª conjugação: – A – cantAr
2ª conjugação: – E – fazEr
3ª conjugação: – I – sumIr
Observação
Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica oposição masculino/feminino.
Exemplos
livrO, dentE, paletó.
Tema: União do radical e a vogal temática.
Exemplos
CANTAr, CORREr, CONSUMIr.
Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se interpõem aos vocábulos por necessidade de eufonia.
Exemplos
chaLeira, cafeZal.
Afixos
Os afixos são elementos que se acrescentam antes ou depois do radical de uma palavra para a formação de outra palavra. Dividem-se
em:
Prefixo: Partícula que se coloca antes do radical.
Exemplos
DISpor, EMpobrecer, DESorganizar.
Visão geral: a formação de palavras que integram o léxico da língua baseia-se em dois principais processos morfológicos (combinação
de morfemas): a derivação e a composição.
Derivação: é a formação de uma nova palavra (palavra derivada) com base em uma outra que já existe na língua (palavra primitiva ou
radical).
1 – Prefixal por prefixação: um prefixo ou mais são adicionados à palavra primitiva.
PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA PALAVRA DERIVADA
inf fiel infiel
sobre carga sobrecarga
2 – Sufixal ou por sufixação: é a adição de sufixo à palavra primitiva.
PALAVRA
PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
gol leiro goleiro
feliz mente felizmente
3 – Prefixal e sufixal: nesse tipo, a presença do prefixo ou do sufixo à palavra primitiva já é o suficiente para formação de uma nova
palavra.
PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
inf feliz – Infeliz
– feliz mente Felizmente
des igual – desigual
– igual dade igualdade
4 – Parassintética: também consiste na adição de prefixo e sufixo à palavra primitiva, porém, diferentemente do tipo anterior, para
existência da nova palavra, ambos os acréscimos são obrigatórios. Esse processo parte de substantivos e adjetivos para originar um verbo.
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PREFIXO PALAVRA PRIMITIVA SUFIXO PALAVRA DERIVADA
em pobre cer empobrecer
em trist ecer estristecer
5 – Regressiva: é a remoção da parte final de uma palavra primitiva para, dessa forma, obter uma palavra derivada. Esse origina
substantivos a partir de formas verbais que expressam uma ação. Essas novas palavras recebem o nome de deverbais. Tal composição
ocorre a partir da substituição da terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de infinitivo (“–ar” ou “–er”) por uma das
vogais temáticas nominais (-a, -e,-o).”
VERBO RADICAL DESINÊNCIA VOGAL TEMÁTICA SUBSTANTIVO
debater debat er e debate
sustentar sustent ar o sustento
vender vend er a venda
6 – Imprópria (ou conversão): é o processo que resulta na mudança da classe gramatical de uma palavra primitiva, mas não modifica
sua forma. Exemplo: a palavra jantar pode ser um verbo na frase “Convidaram-me para jantar”, mas também pode ser um substantivo na
frase “O jantar estava maravilhoso”.
Composição: é o processo de formação de palavra a partir da junção de dois ou mais radicais. A composição pode se realizar por
justaposição ou por aglutinação.
– Justaposição: na junção, não há modificação dos radicais. Exemplo: passa + tempo - passatempo; gira + sol = girassol.
– Aglutinação: existe alteração dos radicais na sua junção. Exemplo: em + boa + hora = embora; desta + arte = destarte.
FORMAS DE ABREVIAÇÃO.
Abreviatura
Existem algumas regras para abreviar as palavras, porém a maioria das abreviaturas que ganham o gosto do público são aquelas que,
mesmo sem seguir as regras preditas pela gramática, são usuais, práticas. Vejamos algumas regras para se fazer uma abreviatura da ma-
neira correta (prevista na gramática).
Quando usar:
Quando há necessidade de redução de espaço em títulos, legendas, tabelas, gráficos, infográficos, creditagemde TV e crawl.
Mesmo assim, é necessário ter cuidado para que o uso de abreviaturas não prejudique a compreensão.
Regra Geral: primeira sílaba da palavra + a primeira letra da sílaba seguinte + ponto abreviativo. Exemplos: adj. (adjetivo), num. (nu-
meral).
Outras Regras:
As abreviaturas devem ser acentuadas quando o acento gráfico ocorrer antes do ponto abreviativo.
Exemplos:
– técnicas → téc.
– páginas → pág.
– século → séc.
Nunca se deve cortar a palavra numa vogal, sempre na consoante. Caso a primeira letra da segunda sílaba seja vogal, escreve-se até
a consoante.
Se a palavra tiver acento na primeira sílaba, ele é conservado.
núm. (número)
lóg. (lógica)
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Caso a segunda sílaba se inicie por duas consoantes, utiliza-se
as duas na abreviatura.
Constr. (construção)
Secr. (secretário)
O ponto abreviativo também serve como ponto final, sendo as-
sim, se a abreviatura estiver no final da frase, não há necessidade
de se utilizar outro ponto. Ex: Comprei frutas, verduras, legumes,
etc.
Alguns gramáticos não admitem que as flexões sejam marca-
das na abreviatura.
Profª (professora)
Págs. (páginas)
Algumas palavras, mesmo não seguindo as regras descritas aci-
ma, são aceitas pela gramática normativa, é o caso de:
a.C. ou A.C. (antes de Cristo)
ap. ou apto. (apartamento)
bel. (bacharel)
cel. (coronel)
Cia. (Companhia)
cx. (caixa)
D. (Dom, Dona)
Ilmo. (Ilustríssimo)
Ltda. (Limitada)
p. ou pág. (página) e pp. Págs. (páginas)
pg. (pago)
vv. (versos, versículos)
Mesmo sabendo que estas siglas são permitidas e reconheci-
das pela gramática, ao escrevermos textos oficiais, artigos, traba-
lhos, redações, não devemos utilizá-las abusivamente, pois acabará
atrapalhando a clareza da comunicação. Em textos informais, no en-
tanto, não há nenhuma restrição, a abreviatura pode ser utilizada
quando quisermos.
Símbolos
O desenvolvimento científico e tecnológico exigiu medições
cada vez mais precisas e diversificadas. Por essa razão, o Sistema
Métrico Decimal acabou sendo substituído pelo Sistema Internacio-
nal de Unidades - SI, adotado também no Brasil a partir de 1962.
As unidades SI podem ser escritas por seus nomes ou repre-
sentadas por meio de SÍMBOLOS, um sinal convencional e invari-
ável utilizado para facilitar e universalizar a escrita e a leitura das
unidades SI.
Lembre-se de que os símbolos que representam as unidades SI
não são abreviaturas; por isso mesmo não são seguidos de ponto,
não têm plural nem podem ser grafados como expoentes.
Abreviaturas e símbolos mais usados
etc. Etcetera Usa-se com ponto.
A vírgula antes é facultativa
KB
GB
MB
kilobyte
gigabyte
megabyte
KW
MW
GW
quilowatt
megawatt
gigawatt
h
min
s
hora
minuto
segundo
Não têm ponto nem plural
kg
l
quilograma
litro
Sem ponto, sem plural
Hz
KHz
MHz
GHz
hertz
quilo-hertz
mega-hertz
giga-hertz
mi
bi
tri
milhão
bilhão
trilhão
Só são usadas para valores
monetários.
m
km
metro
quilômetro
m²
km²
metro
quadrado
quilômetro
quadrado
Ltda. limitada
jan.,
fev.
Com todas as letras em
caixa alta, use sem ponto:
JAN, FEV, OUT
pág. página Mantém-se o acento
Plural: págs.
S.A. sociedade
anônima
Plural: S.As.
TV Tevê também pode ser
usado.
Para emissoras, use apenas
TV.
Não use tv ou Tv
Sigla
As siglas são a junção das letras iniciais de um termo composto
por mais de uma palavra:
P.S. (pós escrito = escrito depois)
S.A. (Sociedade Anônima)
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
Se a sigla tiver até três letras, ou se todas as letras forem pro-
nunciadas individualmente, todas ficam maiúsculas.
MEC, USP, PM, INSS.
Porém, se a sigla tiver a partir de quatro letras, e nem todas
forem pronunciadas separadamente, apenas a primeira letra será
maiúscula, e as demais minúsculas:
Embrapa, Detran, Unesco.
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3030
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CLASSES DE PALAVRAS; OS ASPECTOS MORFOLÓGICOS, SINTÁTICOS, SEMÂNTICOS E TEXTUAIS DE SUBSTANTIVOS, ADJETI-
VOS, ARTIGOS, NUMERAIS, PRONOMES, VERBOS, ADVÉRBIOS, CONJUNÇÕES E INTERJEIÇÕES;
— Definição
Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra existente na língua portuguesa
condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua função. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe
gramatical.
— Artigo
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero.
A classificação dos artigos
Artigos definidos: servem para especificar um substantivo ou para referirem-se a um ser específico por já ter sido mencionado ou por
ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número (singular e plural) e gênero (masculino e feminino).
Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou a ocorrência inicial do representante de uma dada espécie, cujo conhecimento não
é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que aparece no discurso. Podem variar em número e gênero.
Observe:
NÚMERO/GÊNERO MASCULINO FEMININO EXEMPLOS
Singular Um Uma Preciso de um pedreiro.
Vi uma moça em frente à casa.
Plural Umas Umas Localizei uns documentos antigos.
Joguei fora umas coisas velhas.
Outras funções do artigo
Substantivação: é o nome que se dá ao fenômeno de transformação de adjetivos e verbos em substantivos a partir do emprego do
artigo. Observe:
– Em “O caminhar dela é muito elegante.”, “caminhar”, que teria valor de verbo, passou a ser o substantivo do enunciado.
Indicação de posse: antes de palavras que atribuem parentesco ou de partes do corpo, o artigo definido pode exprimir relação de
posse. Por exemplo:
“No momento em que ela chegou, o marido já a esperava.”
Na frase, o artigo definido “a” esclarece que se trata do marido do sujeito “ela”, omitindo o pronome possessivo dela.
Expressão de valor aproximado: devido à sua natureza de generalização, o artigo indefinido inserido antes de numeral indica valor
aproximado. Mais presente na linguagem coloquial, esse emprego dos artigos indefinidos representa expressões como “por volta de” e
“aproximadamente. Observe:
“Faz em média uns dez anos que a vi pela última vez.”
“Acrescente aproximadamente umas três ou quatro gotas de baunilha.”
Contração de artigos com preposições
Os artigos podem fazer junção a algumas preposições, criando uma única palavra contraída. A tabela abaixo ilustra como esse processo
ocorre:
PREPOSIÇÃO
de em a per/por
ARTIGOS
DEFINIDOS
masculino
singular o do no ao pelo
plural os dos nos aos pelos
feminino
singular a da na à pela
plural as das nas às pelas
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ARTIGOS
INDEFINIDOS
masculino
singular um dum num
plural uns duns nuns
feminino
singular uma duma numa
plural umas dumas numas
— Substantivo
Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos e espirituais). Os substantivos
se subdividem em:
Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pessoas (Pedro, Paula) ou lugares
(São Paulo, Brasil). São comuns os que nomeiam algo na sua generalidade (garoto, caneta, cachorro).
Primitivos ou derivados: se não for formado por outra palavra, é substantivo primitivo (carro, planeta); se formado por outra palavra,
é substantivo derivado (carruagem, planetário).
Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cavalo, unicórnio); os que nomeiam
sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos.
Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: manada (rebanho de gado),
constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães).
— Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo para alterar o seu significado, atribuindo-lhe caracterização conforme uma
qualidade, um estado e uma natureza, bem comouma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração, pronome, enfim, ao que quer
que seja nomeado.
Os tipos de adjetivos
Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular); apresenta mais de um
radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão).
Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos originados de verbo,
substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo morte → adjetivo mortal; adjetivo lamentar → adjetivo
lamentável).
Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro, mineiro, latino).
O gênero dos adjetivos
Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam seu termo. Exemplo: “Fred é um amigo leal.” /
“Ana é uma amiga leal.”
Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Menino travesso.” / “Menina
travessa”.
O número dos adjetivos
Por concordarem com o número do substantivo a que se referem, os adjetivos podem estar no singular ou no plural. Assim, a sua
composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa instruída → pessoas instruídas; campo formoso → campos formosos.
O grau dos adjetivos
Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo (compara qualidades) e superlativo (intensifica qualidades).
Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom quanto o anterior.”
Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do que Luciana.”
Comparativo de inferioridade: “O gerente está menos atento do que a equipe.”
Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser:
– Analítico - “A modelo é extremamente bonita.”
– Sintético - “Pedro é uma pessoa boníssima.”
Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de:
– Superioridade - “Ela é a professora mais querida da escola.”
– Inferioridade - “Ele era o menos disposto do grupo.”
Pronome adjetivo
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos quais se referem. Assim, esse tipo
de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os substantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da
escola.” (o pronome adjetivo esta determina o substantivo comum professora).
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Locução adjetiva
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único adjetivo. Basicamente, consiste
na união preposição + substantivo ou advérbio.
Exemplos:
– Criaturas da noite (criaturas noturnas).
– Paixão sem freio (paixão desenfreada).
– Associação de comércios (associação comercial).
— Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se subdividem em:
Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam a mesma desinência do
verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda conjugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o
exemplo do verbo “nutrir”:
– Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu significado).
– Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a, 2a, 3a), número (singular ou
plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou futuro). Perceba que a conjugação desse no presente
do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações, tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutre; ele/
ela nutre; nós nutrimos; vós nutris; eles/elas nutrem.
– Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando conjugados e /ou têm
desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma. Exemplo: analise o verbo dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu
disse; tu dissestes; ele/ela disse; nós dissemos; vós dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem seu
radical, diz, alterado, além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”. Se o verbo dizer fosse regular, sua conjugação
no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu, dizemos, dizestes, dizeram.
— Pronome
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala), a posse de um objeto
e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os pronomes podem suplantar o substantivo ou
acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em:
pessoais, possessivos, demonstrativos, interrogativos, indefinidos e relativos.
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em pronomes do caso reto
(desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemento), sendo que, para cada caso reto, existe
um correspondente oblíquo.
CASO RETO CASO OBLÍQUO
Eu Me, mim, comigo.
Tu Te, ti, contigo.
Ele Se, o, a , lhe, si, consigo.
Nós Nos, conosco.
Vós Vos, convosco.
Eles Se, os, as, lhes, si, consigo.
Observe os exemplos:
– Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria.
– Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que? O forno.
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas a função de objeto direto.
Pronomes possessivos
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.
PESSOA DO DISCURSO PRONOME
1a pessoa – Eu Meu, minha, meus, minhas
2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas
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3a pessoa– Seu, sua, seus, suas
Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).
Pronomes de tratamento
Tratam-se termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o pronome você. Eles têm a
função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de comunicação). São divididos conforme o nível de
formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual
seria adequado o emprego do pronome na segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser
usados em 3a pessoa.
PRONOME USO ABREVIAÇÕES
Você situações informais V./VV
Senhor (es) e
Senhora (s) pessoas mais velhas Sr. Sr.a (singular) e Srs. , Sra.s. (plural)
Vossa Senhoria em correspondências e outros textos redigidos V. S.a/V.Sas
Vossa Excelência altas autoridades, como Presidente da República, senadores,
deputados, embaixadores V. Ex.a/ V. Ex.as
Vossa Magnificência reitores das Universidades V. Mag.a/V. Mag.as
Vossa Alteza príncipes, princesas, duques V.A (singular) e V.V.A.A. (plural)
Vossa Reverendíssima sacerdotes e religiosos em geral V. Rev. m.a/V. Rev. m. as
Vossa Eminência cardeais V. Ex.a/V. Em.as
Vossa Santidade Papa V.S.
Pronomes demonstrativos
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo ao espaço e à pessoa do discurso – nesse último caso, o pronome
determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em gênero e número.
PESSOA DO DISCURSO PRONOMES POSIÇÃO
1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa que fala.
2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa com quem se
fala.
3a pessoa Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. Com quem se fala.
Observe os exemplos:
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.”
Pronomes IndefinidosEsses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do discurso. Os pronomes
indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis (não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
– Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefinida ou não especificada).
– Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de modo vago, pois não se
sabe de qual convidado se trata.
– Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase “criança”, sem especificá-lo.
– Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem especificar de quais lojas se
trata.
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INDEFINIDOS
VARIÁVEIS Muito, pouco, algum, nenhum, outro, qualquer, certo, um, tanto, quanto, bastante, vários, quantos, todo.
INVARIÁVEIS Nada, ninguém, cada, algo, alguém, quem, demais, outrem, tudo.
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Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, sendo importante, portanto, para
prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
– Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos (“pessoas” e “história”) e se
relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”).
– Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o substantivo dito anteriormente
(“problemas”).
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS
VARIÁVEIS O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que, onde.
Pronomes interrogativos
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e indiretas. Exemplos:
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta)
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)
CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS
VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas.
INVARIÁVEIS Quem, que.
— Advérbio
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, aos adjetivos e mesmo aos advérbios, com o objetivo de modificar ou
intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo,
lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, aprovação, afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:
CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAIS TERMOS EXEMPLOS
ADVÉRBIO DE MODO
Bem, mal, assim, melhor, pior, depressa,
devagar.
Grande parte das palavras terminam em
“-mente”, como cuidadosamente, calmamente,
tristemente.
“Coloquei-o cuidadosamente no berço.”
“Andou depressa por causa da chuva”
ADVERBIO DE LUGAR Perto, longe, dentro, fora, aqui, ali, lá e atrás.
“O carro está fora.”
“Foi bem no teste?”
“Demorou, mas chegou longe!”
ADVÉRBIO DE TEMPO Antes, depois, hoje, ontem, amanhã sempre,
nunca, cedo e tarde.
“Sempre que precisar de algo, basta chamar-me.”
“Cedo ou tarde, far-se-á justiça.”
ADVÉRBIO DE INTENSIDADE Muito, pouco, bastante, tão, demais, tanto.
“Eles formam um casal tão bonito!”
“Elas conversam demais”
“Você saiu muito depressa”
ADVÉRBIO DE AFIRMAÇÃO
Sim e decerto e palavras afirmativas com o
sufixo “-mente” (certamente, realmente).
Palavras como claro e positivo, podem ser
advérbio, dependendo do contexto.
“Decerto passaram por aqui”
“Claro que irei!”
“Entendi, sim.”
ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO
Não e nem. Palavras como negativo, nenhum,
nunca, jamais, entre outras, podem ser
advérbio de negação, conforme o contexto.
“Jamais reatarei meu namoro com ele.”
“Sequer pensou para falar.”
“Não pediu ajuda.”
ADVÉRBIO DE DÚVIDA
Talvez, quiçá, porventura e palavras que
expressem dúvida acrescidas do sufixo
“-mente”, como possivelmente.
“Quiçá seremos recebidas.”
“Provavelmente sairei mais cedo.”
“Talvez eu saia cedo.”
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ADVÉRBIO DE
INTERROGAÇÃO
Quando, como, onde, aonde, donde, por que.
Esse advérbio pode indicar circunstâncias de
modo, tempo, lugar e causa. É usado somente
em frases interrogativas diretas ou indiretas.
“Por que vendeu o livro?” (oração interrogativa
direta, que indica causa)
“Quando posso sair?” (oração interrogativa direta,
que indica tempo)
“Explica como você fez isso.”
(oração interrogativa indireta, que indica modo).
— Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado ou oração e, com isso,
estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados. Em função dessa relação entre os termos
conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectivamente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras
palavras, as conjunções são um vínculo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior mais clareza e precisão
ao enunciado.
Conjunções coordenativas: observe o exemplo:
“Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e chamaram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações em um mesmo período: além
de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há relação de dependência entre ambas as sentenças, e que,
para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as
relaciona, como coordenativa.
Conjunções subordinativas: analise este segundo caso:
“Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.”
Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além disso, notamos que o sentido
da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração
principal, enquanto a segunda, de oração subordinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa.
Classificação das conjunções
Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e subordinação), as conjunções
possuem subdivisões.
Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco subclassificações, em função o
sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco:
CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS
Conjunções coordenativas
aditivas
Estabelecer relação de adição (positiva
ou negativa). As principais conjunções
coordenativas aditivas são “e”, “nem” e
“também”.
“No safári, vimos girafas, leões e zebras.” /
“Ela ainda não chegou, nem sabemos quando vai
chegar.”
Conjunções coordenativas
adversativas
Estabelecer relação de oposição. As principais
conjunções coordenativas adversativas
são “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”,
“entretanto”.
“Havia flores no jardim, mas estavam murchando.” /
“Era inteligente e bom com palavras, entretanto,
estava nervoso na prova.”
Conjunções coordenativas
alternativas
Estabelecer relação de alternância. As principais
conjunções coordenativas alternativas são “ou”,
“ou... ou”, “ora... ora”, “talvez... talvez”..
“Pode ser que o resultado saia amanhã ou depois.” /
“Ora queria viver ali para sempre, ora queria mudar
de país.”
Conjunções coordenativas
conclusivas
Estabelecer relação de conclusão. As principais
conjunções coordenativas conclusivas são
“portanto”, “então”, “assim”, “logo”.
“Não era bem remunerada, então decidi trocar de
emprego.” /
“Penso, logo existo.”
Conjunções coordenativas
explicativas
Estabelecer relação de explicação. As principais
conjunções coordenativas explicativassão
“porque”, “pois”, “porquanto”.
“Quisemos viajar porque não conseguiríamos
descansar aqui em casa.” /
“Não trouxe o pedido, pois não havia ouvido.”
Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a conjunção subordinativa pode ser
de dois subtipos:
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1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo,
complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exemplos:
«É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.”
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância adverbial relacionada à oração
principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:
CLASSIFICAÇÃO FUNÇÃO EXEMPLOS
Conjunções Integrantes
São empregadas para introduzir a oração que
cumpre a função de sujeito, objeto direito,
objeto indireto, predicativo, complemento
nominal ou aposto de outra oração.
Que e se. Analise:
“É obrigatório que o senhor compareça na data
agendada.” e
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
Conjunções subornativas
causais
Introduzem uma oração subordinada que
denota causa.
Porque, pois, por isso que, uma vez que, já que, visto
que, que, porquanto.
Conjunções subornativas
conformativas
Estabelecer relação de alternância. As principais
conjunções coordenativas alternativas são “ou”,
“ou... ou”, “ora... ora”, “talvez... talvez”..
Conforme, segundo, como, consoante.
Conjunções subornativas
condicionais
Introduzem uma oração subordinada em que
é indicada uma hipótese ou uma condição
necessária para que seja realizada ou não o fato
principal.
Se, caso, salvo se, desde que, contanto que, dado
que, a menos que, a não ser que.
Conjunções subornativas
comparativas
Introduzem uma oração que expressa uma
comparação.
Mais, menos, menor, maior, pior, melhor, seguidas
de que ou do que. Qual depois de tal. Quanto depois
de tanto. Como, assim como, como se, bem como,
que nem.
Conjunções subornativas
concessivas
Indicam uma oração em que se admite um
fato contrário à ação principal, mas incapaz de
impedí-la.
Por mais que, por menos que, apesar de que,
embora, conquanto, mesmo que, ainda que, se bem
que.
Conjunções subornativas
proporcionais
Introduzem uma oração, cujos acontecimentos
são simultâneos, concomitantes, ou seja,
ocorrem no mesmo espaço temporal daqueles
contidos na outra oração.
À proporção que, ao passo que, à medida que, à
proporção que.
Conjunções subornativas
temporais
Introduzem uma oração subordinada indicadora
de circunstância de tempo.
Depois que, até que, desde que, cada vez que, todas
as vezes que, antes que, sempre que, logo que, mal,
quando.
Conjunções subornativas
consecutivas
Introduzem uma oração na qual é indicada a
consequência do que foi declarado na oração
anterior.
Tal, tão, tamanho, tanto (em uma oração, seguida
pelo que em outra oração). De maneira que, de
forma que, de sorte que, de modo que.
Conjunções subornativas
finais
Introduzem uma oração indicando a finalidade
da oração principal. A fim de que, para que.
— Numeral
É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro de uma sequência. Os
numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro), fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos
(dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades:
1 – Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após, devem ser utilizados os
numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo 10).
2 – Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única exceção é a indicação do primeiro
dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos: dezesseis de outubro; primeiro de agosto.
3 – Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal até o décimo; após o décimo
utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto); Henrique VIII (oitavo), Bento XVI (dezesseis).
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Os tipos de numerais
Cardinais: são os números em sua forma fundamental e
exprimem quantidades.
Exemplos: um dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil.
– Alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas,
quinhentos/quinhentas).
– Alguns números cardinais variam em número, como é o caso:
milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/trilhões, e assim por diante.
– Apalavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois
significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio e Pedro fizeram o teste,
mas os dois/ambos foram reprovados.
Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo,
décimo, centésimo, milésimo…), isto é, apresentam a ordem de
sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos.
– Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e
feminino) e número (singular e plural). Exemplos: primeiro/
primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas,
trigésimo/trigésimos, trigésima/trigésimas.
– Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo.
Exemplo: A carne de segunda está na promoção.
Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas
reduzidas, ou seja, para representar uma parte de um todo.
Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três
quartos (¾), 1/12 avos.
– Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino
e feminino) e número (singular e plural). Exemplos: meio copo de
leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo.
Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre
um grupo, seja de coisas ou objetos ou coisas, ao atribuir-lhes uma
característica que determina o aumento por meio dos múltiplos.
Exemplos: dobro, triplo, undécuplo, doze vezes, cêntuplo.
– Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando
atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam a flexionar número
e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios,
duplos sentidos.
Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem
quantidades precisas, como dezena (10 unidades) ou dúzia (12
unidades).
– Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/
unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas, centena/centenas.
— Preposição
Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações
gramaticais que outras classes (substantivos, adjetivos, verbos e
advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas
relações entre as unidades linguísticas dentro do enunciado,
as preposições não possuem significado próprio se isoladas no
discurso. Em razão disso, as preposições são consideradas classe
gramatical dependente, ou seja, sua função gramatical (organização
e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que
gera significado e sentido, esteja presente, possui um valor menor.
Classificação das preposições
Preposições essenciais: são aquelas que só aparecem na língua
propriamente como preposições, sem outra função. São elas: a,
antes, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante,
por (ou per, em dadas variantes geográficas ou históricas), sem,
sob, sobre, trás.
Exemplo 1 – ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em
ambas as sentenças, a preposição de manteve-se sempre sendo
preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades
linguísticas diferentes, garantindo-lhes classificações distintas
conforme o contexto.
Exemplo 2 – “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei
o quadro com textura.” Perceba que nas duas fases, a mesma
preposição tem significados distintos: na primeira,indica recurso/
instrumento; na segunda, exprime companhia. Por isso, afirma-se
que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao
valor estrutural (gramática).
Classificação das preposições
Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não
apresentam função de preposição, porém, a depender do contexto,
podem assumir essa atribuição. São elas: afora, como, conforme,
durante, exceto, feito, fora, mediante, salvo, segundo, visto, entre
outras.
Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do
suspeito apresentaram contradições.” A palavra “segundo”, que,
normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao
ser inserida nesse contexto, passou a ser uma preposição acidental,
por tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”.
Locuções prepositivas
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e
emprego de uma preposição. As principais locuções prepositivas
são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da
preposição de, a ou com. Confira algumas das principais locuções
prepositivas.
abaixo de de acordo junto a
acerca de debaixo de junto de
acima de de modo a não obstante
a fim de dentro de para com
à frente de diante de por debaixo de
antes de embaixo de por cima de
a respeito de em cima de por dentro de
atrás de em frente de por detrás de
através de em razão de quanto a
com respeito a fora de sem embargo de
— Interjeição
É a palavra invariável ou sintagma que compõem frases que
manifestam por parte do emissor do enunciado uma surpresa, uma
hesitação, um susto, uma emoção, um apelo, uma ordem, etc.,
por parte do emissor do enunciado. São as chamadas unidades
autônomas, que usufruem de independência em relação aos demais
LÍNGUA PORTUGUESA
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elementos do enunciado. As interjeições podem ser empregadas
também para chamar exigir algo ou para chamar a atenção do
interlocutor e são unidades cuja forma pode sofrer variações como:
– Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras
que, associadas, assumem o valor de interjeição. Exemplos: “Ai de
mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”.
– Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!”
– Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!»
Os tipos de interjeição
De acordo com as reações que expressam, as interjeições
podem ser de:
ADMIRAÇÃO “Ah!”, “Oh!”, “Uau!”
ALÍVIO “Ah!, “Ufa!”
ANIMAÇÃO “Coragem!”, “Força!”, “Vamos!”
APELO “Ei!”, “Oh!”, “Psiu!”
APLAUSO “Bravo!”, “Bis!”
DESPEDIDA/SAUDAÇÃO “Alô!”, “Oi!”, “Salve!”, “Tchau!”
DESEJO “Tomara!”
DOR “Ai!”, “Ui!”
DÚVIDA “Hã?!”, “Hein?!”, “Hum?!”
ESPANTO “Eita!”, “Ué!”
IMPACIÊNCIA
(FRUSTRAÇÃO) “Puxa!”
IMPOSIÇÃO “Psiu!”, “Silêncio!”
SATISFAÇÃO “Eba!”, “Oba!”
SUSPENSÃO “Alto lá!”, “Basta!”, “Chega!”
OS MODALIZADORES.
O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma
informação a alguém. Quem comunica pretende criar uma imagem
positiva de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado,
ou inteligente, ou culto), quer ser aceito, deseja que o que diz
seja admitido como verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de
convencer, ou seja, tem o desejo de que o ouvinte creia no que o
texto diz e faça o que ele propõe.
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo
texto contém um componente argumentativo. A argumentação é o
conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir
a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo
tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de
vista defendidos.
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas
uma prova de verdade ou uma razão indiscutível para comprovar a
veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse
acima, é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor
a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que
está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio da
retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recursos
de linguagem.
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom
voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., numa
obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de
escolher entre duas ou mais coisas”.
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e
uma desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos
argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher
entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse
caso, precisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável.
O argumento pode então ser definido como qualquer recurso que
torna uma coisa mais desejável que outra. Isso significa que ele atua
no domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor
crer que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, mais
possível que a outra, mais desejável que a outra, é preferível à outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de
um fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o
enunciador está propondo.
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação.
O primeiro opera no domínio do necessário, ou seja, pretende
demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das
premissas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos
postulados admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não
dependem de crenças, de uma maneira de ver o mundo, mas
apenas do encadeamento de premissas e conclusões.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento:
A é igual a B.
A é igual a C.
Então: C é igual a B.
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente,
que C é igual a A.
Outro exemplo:
Todo ruminante é um mamífero.
A vaca é um ruminante.
Logo, a vaca é um mamífero.
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão
também será verdadeira.
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele,
a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso, deve-
se mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais
plausível. Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-
se mais confiável do que os concorrentes porque existe desde a
chegada da família real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-
nos que um banco com quase dois séculos de existência é sólido
e, por isso, confiável. Embora não haja relação necessária entre
a solidez de uma instituição bancária e sua antiguidade, esta tem
peso argumentativo na afirmação da confiabilidade de um banco.
Portanto é provável que se creia que um banco mais antigo seja
mais confiável do que outro fundado há dois ou três anos.
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase
impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer
as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante
entender bem como eles funcionam.
Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso
acrescentar mais uma: o convencimento do interlocutor, o
auditório, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais
LÍNGUA PORTUGUESA
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fácil quanto mais os argumentos estiverem de acordo com suas
crenças, suas expectativas, seus valores. Não se pode convencer
um auditório pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas
que ele abomina. Será mais fácil convencê-lo valorizando coisas
que ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem
com frequência associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos
Estados Unidos, essa associação certamente não surtiria efeito,
porque lá o futebol não é valorizado da mesma forma que no Brasil.
O poder persuasivo de um argumento está vinculado ao que é
valorizado ou desvalorizado numa dada cultura.
Tipos de Argumento
Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado
a fazer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um
argumento. Exemplo:
Argumento de Autoridade
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas
pelo auditório como autoridades em certo domínio do saber,
para servirde apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse
recurso produz dois efeitos distintos: revela o conhecimento do
produtor do texto a respeito do assunto de que está tratando; dá ao
texto a garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do
texto um amontoado de citações. A citação precisa ser pertinente e
verdadeira. Exemplo:
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para
ele, uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há
conhecimento. Nunca o inverso.
Alex José Periscinoto.
In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais
importante do que o conhecimento. Para levar o auditório a aderir
a ela, o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo.
Se um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem
acreditar que é verdade.
Argumento de Quantidade
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior
número de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior
duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento
desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz
largo uso do argumento de quantidade.
Argumento do Consenso
É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se
em afirmações que, numa determinada época, são aceitas como
verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que
o objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia
de que o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao
indiscutível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que
não desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por exemplo,
as afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de
que as condições de vida são piores nos países subdesenvolvidos.
Ao confiar no consenso, porém, corre-se o risco de passar dos
argumentos válidos para os lugares comuns, os preconceitos e as
frases carentes de qualquer base científica.
Argumento de Existência
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar
aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas
provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o
argumento de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na
mão do que dois voando”.
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais
(fotos, estatísticas, depoimentos, gravações, etc.) ou provas
concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica.
Durante a invasão do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o
exército americano era muito mais poderoso do que o iraquiano.
Essa afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia
ser vista como propagandística. No entanto, quando documentada
pela comparação do número de canhões, de carros de combate, de
navios, etc., ganhava credibilidade.
Argumento quase lógico
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa
e efeito, analogia, implicação, identidade, etc. Esses raciocínios
são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios
lógicos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias
entre os elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis,
plausíveis. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a
C”, “então A é igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade
lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu
amigo” não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade
provável.
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente
aceito do que um texto incoerente. Vários são os defeitos que
concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir
do tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais
com fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações
indevidas.
Argumento do Atributo
É aquele que considera melhor o que tem propriedades típicas
daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais
raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o
que é mais grosseiro, etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência,
celebridades recomendando prédios residenciais, produtos de
beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o
consumidor tende a associar o produto anunciado com atributos
da celebridade.
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da
competência linguística. A utilização da variante culta e formal
da língua que o produtor do texto conhece a norma linguística
socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um
texto em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o
modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz.
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de
saúde de uma personalidade pública. Ele poderia fazê-lo das duas
maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais
adequada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria
certa estranheza e não criaria uma imagem de competência do
médico:
- Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em
conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve
por bem determinar o internamento do governador pelo período
de três dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001.
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a solução para o seu concurso!
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- Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque
alguns deles são barrapesada, a gente botou o governador no
hospital por três dias.
Como dissemos antes, todo texto tem uma função
argumentativa, porque ninguém fala para não ser levado a sério,
para ser ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de
comunicação deseja-se influenciar alguém. Por mais neutro que
pretenda ser, um texto tem sempre uma orientação argumentativa.
A orientação argumentativa é uma certa direção que o falante
traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista, ao falar de um
homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo
ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza.
O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto
dando destaque a uns fatos e não a outros, omitindo certos
episódios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e
não outras, etc. Veja:
“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras
trocavam abraços afetuosos.”
O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras
e sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria escolhido esse
fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até,
que serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
Além dos defeitos de argumentação mencionados quando
tratamos de alguns tipos de argumentação, vamos citar outros:
- Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão
amplo, que serve de argumento para um ponto de vista e seu
contrário. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente,
pode ser usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras
podem ter valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia)
ou vir carregadas de valor negativo (autoritarismo, degradação do
meio ambiente, injustiça, corrupção).
- Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por
um único contra exemplo. Quando se diz “Todos os políticos são
ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir
o argumento.
- Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do
contexto adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-as e
atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite
que outras crescam”, em que o termo imperialismo é descabido,
uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir
outros à sua dependência política e econômica”.
A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação
concreta do texto, que leva em conta os componentes envolvidos
na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação, o
assunto, etc).
Convém ainda alertarque não se convence ninguém com
manifestações de sinceridade do autor (como eu, que não costumo
mentir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas
feitas (como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é
evidente, afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer,
em seu texto, sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o
enunciador deve construir um texto que revele isso. Em outros
termos, essas qualidades não se prometem, manifestam-se na ação.
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer
verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso, levar a pessoa a
que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um
ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação, que inclui
a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir.
Argumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações
para chegar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é
um processo de convencimento, por meio da argumentação, no
qual procura-se convencer os outros, de modo a influenciar seu
pensamento e seu comportamento.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão
válida, expõem-se com clareza os fundamentos de uma ideia
ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo
do raciocínio empregado na argumentação. A persuasão não
válida apoia-se em argumentos subjetivos, apelos subliminares,
chantagens sentimentais, com o emprego de “apelações”, como a
inflexão de voz, a mímica e até o choro.
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades,
expositiva e argumentativa. Esta, exige argumentação, razões a favor
e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresenta
dados sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos
dados levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam uma
“tomada de posição”, a adoção de um ponto de vista na dissertação,
ainda que sem a apresentação explícita de argumentos. Desse
ponto de vista, a dissertação pode ser definida como discussão,
debate, questionamento, o que implica a liberdade de pensamento,
a possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade
de questionar é fundamental, mas não é suficiente para organizar
um texto dissertativo. É necessária também a exposição dos
fundamentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto de
vista.
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude
argumentativa. A argumentação está presente em qualquer tipo de
discurso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia.
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições,
é necessária a capacidade de conhecer outros pontos de vista e
seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas vezes,
a análise de argumentos opostos, antagônicos. Como sempre,
essa capacidade aprende-se com a prática. Um bom exercício
para aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em
desenvolver as seguintes habilidades:
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de
uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor que adote a posição
totalmente contrária;
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os
argumentos que essa pessoa imaginária possivelmente apresentaria
contra a argumentação proposta;
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação
oposta.
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto,
argumentar consiste em estabelecer relações para tirar conclusões
válidas, como se procede no método dialético. O método dialético
não envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas.
Trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo
de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno
em questão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na
sociedade.
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou
o método de raciocínio silogístico, baseado na dedução, que
parte do simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência
são a mesma coisa, e pelo raciocínio torna-se possível chegar a
LÍNGUA PORTUGUESA
41
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conclusões verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em
partes, começando-se pelas proposições mais simples até alcançar,
por meio de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio
cartesiana, é fundamental determinar o problema, dividi-lo em
partes, ordenar os conceitos, simplificando-os, enumerar todos os
seus elementos e determinar o lugar de cada um no conjunto da
dedução.
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a
argumentação dos trabalhos acadêmicos. Descartes propôs quatro
regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma
série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca
da verdade:
- evidência;
- divisão ou análise;
- ordem ou dedução;
- enumeração.
A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão
e a incompreensão. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o
encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
A forma de argumentação mais empregada na redação
acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado nas regras cartesianas,
que contém três proposições: duas premissas, maior e menor,
e a conclusão. As três proposições são encadeadas de tal forma,
que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A
premissa maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois
alguns não caracteriza a universalidade.
Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução
(silogística), que parte do geral para o particular, e a indução, que vai
do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo
é o silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se
em uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva
à conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais,
de verdades universais, pode-se chegar à previsão ou determinação
de fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa
para o efeito. Exemplo:
Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
Fulano é homem (premissa menor = particular)
Logo, Fulano é mortal (conclusão)
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseiase
em uma conexão ascendente, do particular para o geral. Nesse caso,
as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de
fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O
percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo:
O calor dilata o ferro (particular)
O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
O ferro, o bronze, o cobre são metais
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido
e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as duas premissas
também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos
fatos, pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma
conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma definição
inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa
analogia são algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe
má fé, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o
sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-se chamar
esse processo de argumentação de paralogismo. Encontra-se um
exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:
- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
- Lógico, concordo.
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
- Claro que não!
- Então você possui um brilhante de 40 quilates...
Exemplos de sofismas:
Dedução
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
Fulano tem um diploma (particular)
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)
Indução
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor.
(particular)
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral
– conclusão falsa)
Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão podeser falsa. Nem todas as pessoas que têm diploma são professores;
nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete-
se erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A
“simples inspeção” é a ausência de análise ou análise superficial
dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados nos
sentimentos não ditados pela razão.
Tem-se, ainda, outros métodos, subsidiários ou não
fundamentais, que contribuem para a descoberta ou comprovação
da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses,
existem outros métodos particulares de algumas ciências, que
adaptam os processos de dedução e indução à natureza de uma
realidade particular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu
método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A
análise, a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos
sistemáticos, porque pela organização e ordenação das ideias visam
sistematizar a pesquisa.
Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados;
a análise parte do todo para as partes, a síntese, das partes para
o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma
depende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto
a síntese recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém,
que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém
reunisse todas as peças de um relógio, não significa que reconstruiu
o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria
todo se as partes estivessem organizadas, devidamente combinadas,
seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, o
relógio estaria reconstruído.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo
por meio da integração das partes, reunidas e relacionadas num
conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a
análise, que é a decomposição. A análise, no entanto, exige uma
decomposição organizada, é preciso saber como dividir o todo em
partes. As operações que se realizam na análise e na síntese podem
ser assim relacionadas:
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias
a respeito do tema proposto, de seu desdobramento e da criação de
abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha
dos elementos que farão parte do texto.
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou
informal. A análise formal pode ser científica ou experimental;
é característica das ciências matemáticas, físico-naturais e
experimentais. A análise informal é racional ou total, consiste
em “discernir” por vários atos distintos da atenção os elementos
constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou
fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece
as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as
partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se
confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos:
análise é decomposição e classificação é hierarquisação.
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos
por suas diferenças e semelhanças; fora das ciências naturais, a
classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou
menos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores
são empregados de modo mais ou menos convencional. A
classificação, no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens,
gêneros e espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas
características comuns e diferenciadoras. A classificação dos
variados itens integrantes de uma lista mais ou menos caótica é
artificial.
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão,
canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio,
sabiá, torradeira.
Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
Os elementos desta lista foram classificados por ordem
alfabética e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer
critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem
de importância, é uma habilidade indispensável para elaborar
o desenvolvimento de uma redação. Tanto faz que a ordem seja
crescente, do fato mais importante para o menos importante, ou
decrescente, primeiro o menos importante e, no final, o impacto
do mais importante; é indispensável que haja uma lógica na
classificação. A elaboração do plano compreende a classificação
das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do plano devem
obedecer a uma hierarquização. (Garcia, 1973, p. 302304.)
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na
introdução, os termos e conceitos sejam definidos, pois, para
expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara
e racionalmente as posições assumidas e os argumentos que as
justificam. É muito importante deixar claro o campo da discussão e
a posição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também
os pontos de vista sobre ele.
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da
linguagem e consiste na enumeração das qualidades próprias
de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento
conforme a espécie a que pertence, demonstra: a característica que
o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição
é um dos mais importantes, sobretudo no âmbito das ciências.
A definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às
palavras seu sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou
metafórica emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica
tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:
- o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
- a diferença específica.
O que distingue o termo definido de outros elementos da
mesma espécie. Exemplo:
Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:
Elemento especie diferença
a ser definido específica
É muito comum formular definições de maneira defeituosa,
por exemplo: Análise é quando a gente decompõe o todo em
partes. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando
é advérbio de tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é
forma coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão importante
é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia (1973,
p.306), para determinar os “requisitos da definição denotativa”.
Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos:
- o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em
que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está
realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta
ou instalação”;
- o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os
exemplos específicos da coisa definida, e suficientemente restrito
para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade;
- deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade,
definição, quando se diz que o “triângulo não é um prisma”;
- deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui
definição exata, porque a recíproca, “Todo ser vivo é um homem”
não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem);
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição,
ou o que se pretenda como tal, é muito longa (séries de períodos
ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição
expandida;d
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) +
cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as
diferenças).
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio
de paráfrases definitórias, ou seja, uma operação metalinguística
que consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a
palavra e seus significados.
A força do texto dissertativoestá em sua fundamentação.
Sempre é fundamental procurar um porquê, uma razão verdadeira
e necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional
do mundo não tem valor, se não estiver acompanhado de uma
fundamentação coerente e adequada.
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica
clássica, que foram abordados anteriormente, auxiliam o
julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é
clara e pode reconhecer-se facilmente seus elementos e suas
relações; outras vezes, as premissas e as conclusões organizam-se
de modo livre, misturando-se na estrutura do argumento. Por isso,
é preciso aprender a reconhecer os elementos que constituem um
argumento: premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar
se tais elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar
se o argumento está expresso corretamente; se há coerência e
adequação entre seus elementos, ou se há contradição. Para isso
é que se aprende os processos de raciocínio por dedução e por
indução. Admitindo-se que raciocinar é relacionar, conclui-se que
o argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e
a conclusão.
Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos
argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação:
exemplificação, explicitação, enumeração, comparação.
Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio
de exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões comuns
nesse tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de
maior relevância que. Empregam-se também dados estatísticos,
acompanhados de expressões: considerando os dados; conforme
os dados apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela
apresentação de causas e consequências, usando-se comumente as
expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto que,
por causa de, em virtude de, em vista de, por motivo de.
Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar
ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar
esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpretação.
Na explicitação por definição, empregamse expressões como: quer
dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista, ou
melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme,
segundo, na opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no
entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela
interpretação, em que são comuns as seguintes expressões: parece,
assim, desse ponto de vista.
Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de
elementos que comprovam uma opinião, tais como a enumeração
de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são
frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes,
depois, ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente,
depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente,
respectivamente. Na enumeração de fatos em uma sequência de
espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí,
além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no
interior, nas grandes cidades, no sul, no leste...
Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras
de se estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar
uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da
mesma forma, tal como, tanto quanto, assim como, igualmente.
Para estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais que,
menos que, melhor que, pior que.
Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar
o poder de persuasão de um texto dissertativo encontram-se:
Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade
reconhecida em certa área do conhecimento dá apoio a uma
afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a
credibilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais
no corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. Ao
fazer uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos
na linha de raciocínio que ele considera mais adequada para
explicar ou justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento
tem mais caráter confirmatório que comprobatório.
Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam
explicação ou comprovação, pois seu conteúdo é aceito como válido
por consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural.
Nesse caso, incluem-se
- A declaração que expressa uma verdade universal (o homem,
mortal, aspira à imortalidade);
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos
postulados e axiomas);
- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de
natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem razões que a própria
razão desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto
não se discute); diz respeito a fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda
que parece absurdo).
Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de
um fato ou afirmação pode ser comprovada por meio de dados
concretos, estatísticos ou documentais.
Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação
se realiza por meio de argumentos racionais, baseados na lógica:
causa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência.
Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações,
julgamento, pronunciamentos, apreciações que expressam opiniões
pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada,
e só os fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que
expresse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na
evidência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade
dos argumentos, porém, pode ser contestada por meio da contra-
argumentação ou refutação. São vários os processos de contra-
argumentação:
Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação
demonstrando o absurdo da consequência. Exemplo clássico é a
contraargumentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o
cordeiro”;
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses
para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela que se julga
verdadeira;
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento
à opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-se a
universalidade da afirmação;
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade:
consiste em refutar um argumento empregando os testemunhos de
autoridade que contrariam a afirmação apresentada;
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em
desautorizar dados reais, demonstrando que o enunciador
baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou
inconsequentes. Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por
meio de dados estatísticos, que “o controle demográfico produz o
desenvolvimento”, afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois
baseia-se em uma relação de causa-feito difícil de ser comprovada.
Para contraargumentar, propõese uma relação inversa: “o
desenvolvimento é que gera o controle demográfico”.
LÍNGUA PORTUGUESA
4444
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Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para
desenvolver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas
ao desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em
seguida, sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados
para a elaboração de um Plano de Redação.
Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução
tecnológica
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder
a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o porquê da
resposta, justificar, criando um argumento básico;
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e
construir uma contra-argumentação; pensar a forma de refutação
que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la
(rever tipos de argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias
que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias
podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e
consequência);
-Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o
argumento básico;
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que
poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias transformam-se
em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do
argumento básico;
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma
sequência na apresentação das ideias selecionadas, obedecendo
às partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou
menos a seguinte:
Introdução
- função social da ciência e da tecnologia;
- definições de ciência e tecnologia;
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.
Desenvolvimento
- apresentação de aspectos positivos e negativos do
desenvolvimento tecnológico;
- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as
condições de vida no mundo atual;
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade
tecnologicamente desenvolvida e a dependência tecnológica dos
países subdesenvolvidos;
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social;
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do
passado; apontar semelhanças e diferenças;
- analisar as condições atuais de vida nos grandes centros
urbanos;
- como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar
mais a sociedade.
Conclusão
- a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/
consequências maléficas;
- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos
apresentados.
SEMÂNTICA: SENTIDO PRÓPRIO E FIGURADO; ANTÔNI-
MOS, SINÔNIMOS, PARÔNIMOS E HIPERÔNIMOS. POLIS-
SEMIA E AMBIGUIDADE.
Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudo
da semântica, a área da gramática que se dedica ao sentido das
palavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas.
Denotação e conotação
Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das
palavras, enquanto a conotação diz respeito ao sentido figurado das
palavras. Exemplos:
“O gato é um animal doméstico.”
“Meu vizinho é um gato.”
No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro
sentido, indicando uma espécie real de animal. Na segunda frase, a
palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma
de dizer que ele é tão bonito quanto o bichano.
Hiperonímia e hiponímia
Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo,
palavra superior com um sentido mais abrangente, engloba um
hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito.
Exemplos:
– Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia.
– Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho.
Polissemia e monossemia
A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra
apresentar uma multiplicidade de significados, de acordo com o
contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas
palavras apresentam apenas um significado. Exemplos:
– “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma
ou um órgão do corpo, dependendo do contexto em que é inserida.
– A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não
tem outro significado, por isso é uma palavra monossêmica.
Sinonímia e antonímia
A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem
semelhantes em significado. Já antonímia se refere aos significados
opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras
expressam proximidade e contrariedade.
Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido =
veloz.
Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x
atrasado.
Homonímia e paronímia
A homonímia diz respeito à propriedade das palavras
apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas, mas distinção de
sentido (palavras homônimas), semelhanças homófonas, mas
distinção gráfica e de sentido (palavras homófonas) semelhanças
gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas).
A paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de
forma parecida, mas que apresentam significados diferentes. Veja
os exemplos:
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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– Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo morrer).
– Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com força) e arroxar (tornar roxo).
– Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro (pranto) e choro (verbo
chorar) .
– Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e cumprimento (saudação).
Ambiguidade
Observe a propaganda abaixo:
https://redacaonocafe.wordpress.com/2012/05/22/ambiguidade-na-propaganda/
Perceba que há uma duplicidade de sentido nesta construção. Podemos interpretar que os móveis não durarão no estoque da loja, por
estarem com preço baixo; ou que por estarem muito barato, não têm qualidade e, por isso, terão vida útil curta.
Essa duplicidade acontece por causa da ambiguidade, que é justamente a duplicidade de sentidos que podem haver em uma palavra,
frase ou textos inteiros.
OS DICIONÁRIOS: TIPOS
O dicionário é um livro que possui a explicação dos significados das palavras. As palavras são apresentadas em ordem alfabética. Al-
guns dicionários são ilustrados para facilitar a assimilação dos significados das palavras.
Principais tipos de dicionários
Existem também os dicionários de tradução de línguas, ou seja, aqueles destinados a mostrar os significados ou sinônimos das pala-
vras em outra língua. Exemplo: Dicionário de português-inglês, português-italiano, português-espanhol.
Existem também os dicionários de termos técnicos, usados em áreas específicas do conhecimento. Num dicionário de medicina, por
exemplo, são explicados os termos relacionados à área médica. Desta forma, existem os dicionários de eletrônica, mecânica, Biologia,
informática, mitologia, etc.
Importância do uso
O uso de dicionário é muito importante para os estudantes e profissionais de todas as áreas. Como é impossível conhecer o significado
de todas as palavras, o ideal é consultar o dicionário para ganhar vocabulário.
Dicionários modernos
Com o avanço da informática e da internet, temos atualmente os chamados dicionários eletrônicos (em CD-ROMs) e os dicionários
on-line (encontrados na Internet) ou em formato de aplicativos para smartphones.
Exemplos dos principais dicionários da Língua Portuguesa (editados no Brasil):
- Dicionário Aurélio
- Dicionário Houaiss
- Dicionário Michaelis
- Dicionário da Academia Brasileira de Letras
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- Dicionário Aulete da Língua Portuguesa
- Dicionário Soares Amora da Língua Portuguesa
Organização do dicionário
1. Entrada
A entrada do verbete está em azul e, logo abaixo, há a indica-
ção da divisão silábica.
abécédaire
a.bé.cé.daire
[ɑbesedɛʀ]
nm
abecedário.
abanador
a.ba.na.dor
[abanad′or]
sm
éventoir.
As remissões, introduzidas pela abreviatura V (ver / voir), indi-
cam uma forma vocabular mais usual.
ascaris
as.ca.ris
[askaʀis]
V ascaride.
desatencioso
de.sa.ten.ci.o.so
[dezatẽsj′ozu]
V desatento.
Os verbos essencialmente pronominais encontram-se na entra-
da principal da seguinte maneira:
blottir (se)
blot.tir (se)
[blɔtiʀ]
vpr
enroscar-se, aconchegar-se.
ajoelhar-se
a.jo.e.lhar-se
[aʒoeλ′arsi]
vpr
s’agenouiller.
2. Transcrição fonética
A pronúncia figurada é representada entre colchetes. Veja ex-
plicações detalhadas na seção “Transcrição fonética” em “Como
consultar”.
abeille
a.beille
[abɛj]
nf
ZOOL abelha.
abaixar
a.bai.xar
[abajʃ′ar]
vt+vpr
baisser.
3. Classe gramatical
É indicada por uma abreviatura. Entenda o que significa cada
abreviatura deste dicionário na seção “Abreviaturas” em “Como
consultar”.
abolition
a.bo.li.tion
[abɔlisjɔ]̃
nf
abolição.
abatido
a.ba.ti.do
[abat′idu]
adj
abattu.
alimentar
a.li.men.tar
[alimẽt′ar]
vt+vpr
nourrir.
adj
alimentaire.
4. Área de conhecimento
É indicada por uma abreviatura. Entenda o que significa cada
abreviatura deste dicionário naseção “Abreviaturas” em “Como
consultar”.
abdomen
ab.do.men
[abdɔmɛn]
nm
ANAT abdome, barriga.
abacate
a.ba.ca.te
[abak′ati]
sm
BOT avocat.
5. Tradução
Os diferentes sentidos de uma mesma palavra estão separados
por algarismos em negrito. Os sinônimos reunidos num algarismo
são separados por vírgulas.
administrer
ad.mi.nis.trer
[administʀe]
vt
1 administrar, gerir.
2 dar uma medicação.
3 aplicar um castigo.
alimento
a.li.men.to
[alim′ẽtu]
sm
1 nourriture.
2 denrée.
3 nourriture, victuaille, aliment.
pl
4 alimentos vivres.
LÍNGUA PORTUGUESA
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Veja nota em vivre.
A tradução, na medida do possível, fornece os sinônimos na ou-
tra língua e, quando estes não existem, define ou explica o termo.
docteur
doc.teur
[dɔktœʀ]
nm
1 doutor, médico.
2 doutor, pessoa que possui o maior grau universitário numa
faculdade.
6. Exemplificação
Frases elucidativas usadas para esclarecer definições ou acep-
ções, são apresentadas em itálico.
amorce
a.morce
[amɔʀs]
nf
1 isca.
2 início, começo, esboço: cette rencontre pourrait être l’amorce
d’une négociation véritable / este encontro poderia ser o início de
uma verdadeira negociação.
agitado
a.gi.ta.do
[aʒit′adu]
adj
agité: o doente passou uma noite agitada / le malade a passé
une nuit agitée.
7. Formas irregulares
No final dos verbetes em português, numa seção denominada
“Informações complementares”, registram-se plurais irregulares e
plurais de substantivos compostos com hífen, além dos femininos e
masculinos irregulares.
açafrão
a.ça.frão
[asafr′ãw]
sm
BOT safran.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL açafrões.
micro-organismo
mi.cro-or.ga.nis.mo
[mikroorgan′ismu]
sm
micro-organisme.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL micro-organismos.
No final dos verbetes em francês, numa seção denominada “In-
formações complementares”, são indicadas as terminação do femi-
nino e do plural, quando irregulares.
abattu
a.bat.tu
[abaty]
adj
1 abatido.
2 triste, decaído.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
-ue
abdominal
ab.do.mi.nal
[abdɔminal]
adj
abdominal.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
-aux, -ale
8. Expressões
No final do verbete, numa seção denominada “Expressões” são
apresentadas expressões usuais em ordem alfabética.
accord
ac.cord
[akɔʀ]
nm
1 acordo, assentimento, concordância, pacto, trato.
2 MUS acorde.
EXPRESSÕES
d’accord de acordo, sim, o.k.
donner son accord dar autorização, permissão.
mettre d’accord conciliar.
tomber d’accord concordar, chegar a um acordo.
acaso
a.ca.so
[ak′azu]
sm
hasard
EXPRESSÕES
por acaso par hasard.
Fonte: michaelis.uol.com.br
A ORGANIZAÇÃO DE VERBETES
Organização do verbete
A cabeça de verbete, também conhecida como entrada de ver-
bete, constitui-se de uma palavra simples, uma palavra composta
por hífen, uma locução, uma sigla, um símbolo ou uma abreviatura.
Ela está destacada na cor azul.
daltonismo
dal·to·nis·mo
sm
MED Incapacidade congênita para distinguir certas cores, prin-
cipalmente o vermelho e o verde, que geralmente afeta indivíduos
do sexo masculino.
ETIMOLOGIA
der do np Dalton+ismo, como fr daltonisme.
pão-durismo
pão-du·ris·mo
sm
LÍNGUA PORTUGUESA
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COLOQ Qualidade ou característica do que é pão-duro ou sovi-
na; avareza, sovinice.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: pão-durismos.
ETIMOLOGIA
der de pão-duro+ismo.
piña colada
[ˈpiña koˈlada]
loc subst
Coquetel preparado com rum, leite de coco, suco de abacaxi
e gelo.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: piña coladas.
ETIMOLOGIA
esp.
OAB
Sigla de Ordem dos Advogados do Brasil.
°C
FÍS, METEOR Símbolo de grau Celsius.
d.C.
Abreviatura de depois de Cristo.
Logo após a cabeça de verbete, há a indicação da divisão si-
lábica assinalada por um ponto, com a separação das vogais dos
ditongos (crescentes e decrescentes).
dedicatória
de·di·ca·tó·ri·a
sf
Palavras afetuosas, escritas principalmente em livros, fotos,
CDs ou outro objeto artístico, dedicadas a alguém; dedicação.
ETIMOLOGIA
fem de dedicatório, como fr dédicatoire.
As siglas aparecem com letras maiúsculas, mas aquelas que fo-
ram cristalizadas apenas com a inicial maiúscula estão no dicionário
respeitando essa forma; já os símbolos científicos aparecem com
inicial maiúscula ou minúscula.
ONU
Sigla de Organização das Nações Unidas.
Unesco
Sigla do inglês United Nations Educational, Scientific and Cultu-
ral Organization (Organização das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultura).
Os substantivos que denominam seres sagrados (Buda, Deus
etc.), seres mitológicos (Diana, Zeus etc.), astros (Marte, Terra etc.),
festas religiosas (Natal, Páscoa etc.) e pontos cardeais que indicam
regiões são grafados com inicial minúscula e com a informação
“[com inicial maiúscula]”.
buda
bu·da
sm
FILOS, REL
1 [com inicial maiúscula ] Título dado pelos seguidores do bu-
dismo a quem alcançou um nível superior de entendimento e che-
gou à plenitude da condição humana por meio da libertação dos
desejos e da dissolução da ilusão produzida por estes. O título se
refere especialmente a Siddharta Gautama (563-483 a.C.), o maior
de todos os budas e o real fundador do budismo: “E, por fim, can-
sados, sentaram-se num banco de pedra próximo a uma imagem de
Buda e foram invadidos pela paz” (CV2).
2 Representação de Siddharta Gautama, geralmente em forma
de estátua ou estatueta: Suspende o buda de porcelana e o coloca
com cuidado sobre a cômoda.
ETIMOLOGIA
sânscr Buddha.
natal
na·tal
adj m+f
1 Relativo ao nascimento; natalício.
2 Em que ocorre o nascimento; natalício.
sm
1 Dia do nascimento; natalício.
2 REL [com inicial maiúscula ] O dia de nascimento de Jesus
Cristo, comemorado em 25 de dezembro.
3 MÚS Cântico medieval executado por ocasião das festas na-
talinas.
ETIMOLOGIA
lat natalis.
As palavras homógrafas que possuem etimologias próprias são
registradas como entradas diferentes, com número sobrescrito, ou
alceado.
cabana 1
ca·ba·na
sf
Pequena habitação rústica, geralmente construída de madeira
e coberta de colmo; barraca, choupana.
ETIMOLOGIA
lat capannam, como esp cabaña.
cabana 2
ca·ba·na
sf
AERON Conjunto de cabos usado como contravento em asas
de avião.
ETIMOLOGIA
ingl cabane
As formas do feminino só apresentam entradas autônomas
quando há acepções diferentes daquela da mera indicação de gê-
nero.
nora 1
no·ra
sf
A mulher do filho em relação aos pais dele.
ETIMOLOGIA
lat vulg *nuram.
nora 2
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no·ra
sf
Engenho de tirar água de poços, cisternas etc.; sarilho.
ETIMOLOGIA
ár nāᶜūrah, como esp noria.
Os verbetes que se referem a marcas registradas são indicados
por meio do símbolo ®, grafado logo após a cabeça de verbete.
teflon®
te·flon
sm
[com inicial maiúscula ] Marca registrada do produto comercial
feito com politetrafluoretileno.
ETIMOLOGIA
marca Teflon.
As palavras estrangeiras que integram este dicionário são gra-
fadas em itálico e não trazem divisão silábica. A transcrição fonéti-
ca, logo após a cabeça de verbete, sempre entre colchetes, indica a
pronúncia da palavra na língua de origem.
NOTA: Entenda todos os símbolos fonéticos utilizados neste di-
cionário na seção “Transcrição fonética” em “Como consultar”.
mailing
[ˈmeɪlɪŋ]
sm
Relação de mensagens eletrônicas recebidas por meio de rede
de computadores.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: mailings.
ETIMOLOGIA
ingl.
Os estrangeirismos que no idioma original são grafados com
inicial maiúscula, como, por exemplo, os substantivos da língua ale-
mã, são registrados neste dicionário com inicial minúscula pois as-
sim são usados na língua portuguesa.
blitz
[bliːtz]
sf
1 HIST, MIL Ataque aéreo relâmpago e inesperado.
2 Batida policial inesperada, com grande número de policiais
armados: “Foi então que vimos a blitz: dois carros da polícia com
aquelas luzes giratórias acionadas, os cones estreitando a pista, al-
guns carros e motos parados no acostamento e vários policiais em
volta deles” (LA3).
3 Mobilização de improviso, decaráter fiscalizador, a fim de
combater qualquer tipo de infração: “– Se algum vidro for quebra-
do, se alguma parede for derrubada, se alguém se machucar, se a
polícia der uma blitz e apreender drogas ou drogados” (TB1).
4 FUT Ataque em massa; sucessão de ataques.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: blitze.
ETIMOLOGIA
alem Blitz.
A rubrica, sempre destacada no verbete e geralmente abrevia-
da, refere-se às categorias gramaticais (substantivo, adjetivo, pro-
nome etc.), às áreas de conhecimento (botânica, medicina etc.), aos
regionalismos (Nordeste, Sul etc.) e aos níveis de linguagem (colo-
quialismo, vulgarismo, gíria etc.).
NOTA: Entenda o que significa cada abreviatura na seção “Abre-
viaturas” em “Como consultar”.
chapadeiro
cha·pa·dei·ro
sm
1 Habitante das chapadas; caipira, matuto.
2 Terreno irregular e árido de certas chapadas.
3 REG (MG) Vvaqueiro, acepção 1.
4 REG (MG) Nome de uma raça bovina.
ETIMOLOGIA
der de chapada+eiro.
rabanete
ra·ba·ne·te
sm
BOT
1 Planta herbácea ( Raphanus sativus), da família das crucífe-
ras, de folhas denteadas, flores com veias amarelas e violeta e raiz
branca ou vermelha; nabo-japonês, rábano, rábão.
2 A raiz carnosa dessa planta, de sabor picante, geralmente
usada em saladas.
ETIMOLOGIA
der de rábano+ete.
fanchona
fan·cho·na
sf
PEJ, GÍR Mulher de aspecto e maneiras viris; virago.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fanchonaça.
ETIMOLOGIA
fem de fanchão.
Registra-se, logo após a cabeça de verbete, a categoria grama-
tical.
eclampsia
e·clamp·si·a
sf
MED Afecção que ocorre em geral no final do período de gravi-
dez, caracterizada por convulsões associadas à hipertensão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: eclampse, eclâmpsia.
EXPRESSÕES
Eclampsia puerperal: convulsões e coma associados com hiper-
tensão, edema ou proteinúria que podem ocorrer em paciente após
o parto.
ETIMOLOGIA
der do gr éklampsis+ia1, como fr éclampsie.
ilegal
i·le·gal
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Editora
adj m+f
Que contraria os preceitos ou as determinações da lei; sem le-
gitimidade jurídica; ilícito.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: legal.
ETIMOLOGIA
voc comp do lat in2-+legal, como fr illégal.
barbear
bar·be·ar
vtd e vpr
1 Fazer ou aparar as barbas de: Barbeou o pai doente, pouco
antes de sua morte. “[…] não pudera barbear-se sequer, dizia en-
quanto ela retirava o chapéu guardando cuidadosamente os gram-
pos” (CL).
vtd
2 ART GRÁF Cortar as barbas de livro, papel etc.; aparar.
vtd e vint
3 Passar com uma embarcação muito próximo de outra ou do
cais; fazer a barba.
ETIMOLOGIA
der de barba+ear, como esp.
cromado
cro·ma·do
adj
1 Que tem cromo.
2 Revestido de cromo.
sm
Parte ou acessório cromado de um veículo automotor.
ETIMOLOGIA
der de cromo+ado, como fr chromé.
Os substantivos de gênero oscilante apresentam duplo regis-
tro, separados por barra (sm/sf).
personagem
per·so·na·gem
sm/sf
1 Pessoa que desfruta de atenção por suas qualidades, habili-
dades ou comportamento singular e diferenciado.
2 Cada um dos papéis que um ator ou atriz representa baseado
em figuras humanas imaginadas por um autor: Ele já desempenhou
várias personagens: um criminoso sádico, um herói trágico, um ban-
cário metódico etc.
3 POR EXT Figura humana criada por um autor de obra de fic-
ção: “A peça vivia esse ponto de crise, que um poeta chamou de
tensão dionisíaca. Eis o que acontecera no palco: o personagem
central, que passara, até então, por paralítico, ergue-se da cadeira
de rodas. “‘– Não sou paralítico, nunca fui paralítico’, é ele próprio
quem o diz” (NR).
4 Figura humana representada em diversas expressões artís-
ticas.
5 POR EXT O homem definido por seu papel social.
ETIMOLOGIA
fr personnage.
A rubrica referente à área de conhecimento, geralmente abre-
viada, é indicada antes das definições quando se aplica a todas elas.
labaça 1
la·ba·ça
sf
BOT
1 Arbusto ( Rumex conglomeratus) da família das poligonáceas,
nativo do sul da Europa e do leste da Ásia; alabaça.
2 Erva ( Rumex obtusifolius) da família das poligonáceas, oriun-
da da Europa, muito usada por suas propriedades medicinais; laba-
ça-obtusa, labaçol.
ETIMOLOGIA
lat lapathia.
emoticon
[ɪˈməʊtɪkən]
sm
INTERNET Representação pictórica da expressão facial de uma
pessoa, indicando estados emocionais (alegria, tristeza, espanto,
zanga etc.), que é utilizada nos bate-papos e mensagens.
ETIMOLOGIA
ingl.
Quando ocorre mudança de área de conhecimento, a rubrica é
indicada antes de cada acepção.
cravo 1
cra·vo
sm
1 BOT Flor do craveiro1, acepção 1.
2 BOT Vcraveiro 1, acepção 1.
3 BOT Botão da flor do craveiro-da-índia, que é usado no
mundo todo como condimento e tem também usos medicinais e
farmacêuticos, entre outros; africana, cravinho, cravo-aromático,
cravo-cabecinha, cravo-da-índia, cravo-da-terra-de-minas, cravo-
-da-terra-de-são-paulo, cravo-de-cabeça, cravo-de-cabecinha, cra-
vo-giroflê, girofle, giroflê.
4 Prego quadrangular que se usa em ferraduras.
5 Prego com que os pés e as mãos dos suplicados eram fixados
à cruz e ao ecúleo.
6 MED Calo profundo e doloroso que se localiza na planta do pé
e tem forma semelhante a um cone.
7 MED Afecção do folículo sebáceo, causada pelo acúmulo de
resíduos epiteliais; comedão.
8 Pessoa incômoda ou nociva; chato, importuno, inconvenien-
te.
9 Mau negócio; embuste, fraude, trapaça.
10 VET Tumor duro no casco das cavalgaduras.
11 Afecção do folículo pilossebáceo; ponto negro.
EXPRESSÕES
Dar uma no cravo e outra na ferradura, COLOQ: a) dar um golpe
certo e outro errado; b) apoiar duas coisas que encerram contradi-
ção, em geral por maldade ou dissimulação.
ETIMOLOGIA
lat clavum, como esp clavo.
A mesma definição pode conter mais de uma rubrica referente
à área de conhecimento.
LÍNGUA PORTUGUESA
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crioidrato
cri·o·i·dra·to
sm
FÍS, QUÍM Eutético constituído por água e um sal.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr krýos+hidrato, como ingl cryohydrate.
Há referência às vozes dos animais, no final do verbete, indi-
cando-se os verbos e os substantivos que se relacionam a elas.
canário
ca·ná·ri·o
adj sm
Vcanarino.
sm
1 ZOOL Pássaro canoro pequeno da família dos fringilídeos (
Serinus canaria), de plumagem geralmente amarela e canto melo-
dioso, originário das ilhas Canárias, da Madeira e dos Açores.
2 POR EXT Pessoa que canta bem.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VOZ (acepção 1): canta, dobra, modula, trila, trina.
EXPRESSÕES
Canário de uma muda só, COLOQ: pessoa que anda todo o tem-
po com uma só roupa.
Canário sem muda, COLOQ: Vcanário de uma muda só.
ETIMOLOGIA
de Canárias, np, como esp canario.
Todos os comentários gramaticais são sempre mencionados
entre colchetes.
certamente
cer·ta·men·te
adv
1 Com certeza, sem dúvida [usado como modificador de frase,
indica grande probabilidade e pequeno grau de incerteza ] : “Tão
determinado que, se alguém o olhasse mais atento, certamente
perceberia alguma forma mais precisa nos movimentos” (CFA).
2 Com certeza, é claro, sim [usado como resposta afirmativa a
uma solicitação ] : “[…] não é assim? … – Certamente, respondeu a
mocinha, sem perturbar-se” (JMM).
ETIMOLOGIA
voc comp do fem de certo+mente.
A transitividade dos verbos é indicada em todas as acepções,
antes dos números que as registram, já que os verbos podem exigir
um ou mais complementos no sintagma verbal, a fim de formar um
sentido completo.
excetuar
ex·ce·tu·ar
vtd
1 Fazer exceção de; pôr fora: Conhecia quase todos na festa,
excetuando um ou outro convidado.
vtdi e vpr
2 Deixar(-se) de fora: Não excetuou nenhum parente de sua
lista de convidados. Conseguiu excetuar-se da lista dos mais bagun-
ceiros da turma.
vtd
3 JUR Impugnar uma demanda por meio de exceção.
vint
4 JUR Propor uma exceção.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: exceptuar.
ANTÔN (acepção 1): incluir.
ETIMOLOGIA
der do lat exceptus+ar1.
Quando o verbo é essencialmente pronominal, usa-se a partí-
cula se na cabeça de verbete.
queixar-se
quei·xar-se
vpr
1 Manifestar lamúrias ou lamentaçõesdiante da dor física ou
da mágoa; gemer, lastimar-se, reclamar: No enterro do marido, a
viúva queixava-se aos prantos.
vpr
2 Manifestar desgosto ou desprazer; lamentar-se: “A cada dia,
a Igreja, contudo, se queixa de que há menos vocações sacerdotais”
(Z1).
vpr
3 Mostrar-se magoado ou ofendido: Queixa-se diante de tantas
injustiças.
vpr
4 Denunciar algo de que foi vítima: “Se você quiser, vá queixar-
-se à polícia… Está no seu direito! Eu me explicarei em juízo!” (AA1).
vpr
5 Descrever estado físico ou moral: Ele se queixa de dores crô-
nicas no peito.
ETIMOLOGIA
lat vulg *quassiare, como esp quejar.
Os verbos irregulares, defectivos ou impessoais trazem essa in-
formação entre colchetes, no final do verbete.
cerzir
cer·zir
vtd e vint
1 Costurar ou remendar tecido rasgado ou esgarçado, com
pontos miúdos, a fim de reconstituir sua trama original, sem deixar
defeito: “Na barcaça […], apenas duas ou três mulheres catando su-
ruru, dois ou três pescadores cerzindo redes” (JU). “Foi pouco fogo.
O buraco é pequeno, dá para cerzir invisível” (TM1).
vtd e vtdi
2 Juntar, reunir ou incorporar alguma coisa a outra: A atitude
do político perante as câmeras cerziu os piores comentários. O au-
tor cerziu o romance com textos picantes. [Verbo irregular. ]
ETIMOLOGIA
lat sarcire.
carpir
car·pir
vtd
1 ANT Arrancar (fios de barba ou de cabelo) em sinal de dor ou
de sentimento.
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vtd
2 Arrancar (erva daninha ou mato); capinar.
vtd
3 Expressar-se por meio de lamento; chorar, lamentar.
vtd e vpr
4 Lastimar(-se), prantear(-se).
vtd e vint
5 Expressar sons tristes e comoventes; sussurrar como que
chorando.
vpr
6 Exprimir-se em tom de lamento; lamentar-se, prantear-se.
[Verbo defectivo. ]
ETIMOLOGIA
lat carpĕre.
garoar
ga·ro·ar
vint Cair garoa, chuviscar: Ontem, garoou à noitinha. [Verbo
impessoal.]
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: garuar.
ETIMOLOGIA
der de garoa1+ar1.
Quando uma unidade lexical tem sua definição em outro ver-
bete, por ser sinônimo ou não ser o termo preferencial, a remissão
é indicada pela letra V (veja) seguida do verbete a consultar. Se a re-
missão refere-se a determinada acepção, esta também é indicada.
guri
gu·ri
sm
1 REG (RS) Vmenino, acepção 1.
2 BOT Vguriri.
3 ZOOL Denominação comum aos peixes teleósteos silurifor-
mes, da família dos ariídeos, encontrados em águas marinhas, com
o corpo revestido de escamas grossas, que formam uma couraça,
dotados de grandes barbilhões; uri.
ETIMOLOGIA
tupi wyrí, como esp.
No final do verbete, numa seção denominada “Informações
complementares”, registram-se os sinônimos, os antônimos, as va-
riantes, os plurais, os femininos, os aumentativos e os diminutivos
irregulares e os superlativos absolutos sintéticos. Às vezes essas
formas (antônimo, sinônimo, plural etc.) podem referir-se apenas a
uma acepção. Nesse caso, essa acepção é indicada.
molambento
mo·lam·ben·to
adj
Que está em farrapos; roto e sujo.
adj sm
Que ou aquele que se veste com farrapos.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SIN: maltrapilho, molambudo, mulambudo.
VAR: mulambento.
ETIMOLOGIA
der de molambo+ento.
anorexia
a·no·re·xi·a
(cs)
sf
MED Falta ou perda de apetite.
EXPRESSÕES
Anorexia nervosa, MED, PSICOL: distúrbio nervoso grave, ca-
racterizado pelo medo obsessivo de engordar, fazendo com que a
pessoa pare de se alimentar, fique desnutrida e tenha sua vida ame-
açada. Acomete especialmente mulheres, em geral entre 16 e 25
anos, e provoca menstruação irregular, queda de peso repentina,
palidez, atrofia dos músculos, recusa do organismo em ingerir ali-
mentos, insônia, diminuição ou ausência da libido etc. O tratamen-
to inclui a administração de antidepressivo, psicoterapia individual
e reeducação alimentar.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: orexia.
ETIMOLOGIA
gr anoreksía.
plástico-bolha
plás·ti·co-bo·lha
sm
Material plástico, produzido em polietileno de baixa densida-
de, com bolhas de ar prensadas, utilizado na embalagem de pro-
dutos diversos, proporcionando-lhes proteção. É também usado no
revestimento de pisos, antes da colocação de carpetes de madeira
e afins, conferindo-lhes isolação acústica.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: plásticos-bolhas e plásticos-bolha.
ETIMOLOGIA
voc comp.
barão
ba·rão
sm
1 Título nobiliárquico imediatamente inferior ao de visconde:
“Lia-se no Jornal do Comércio que Sua Excelência fora agraciado
pelo governo português com o título de Barão do Freixal […]” (AA1).
2 ANT Senhor feudal, subordinado ao rei.
3 ANT Homem ilustre por seus feitos e por sua riqueza.
4 BOT Variedade de algodoeiro.
5 Homem de muito poder: É o barão da pequena cidade.
6 COLOQ Pessoa muito rica: Os barões vivem enclausurados em
suas mansões.
7 Homem que se destaca em determinado ramo de negócios:
“Os últimos brilhos do poente já iam e, a pedido do barão do café,
fogueiras e tochas não deveriam ser acesas” (TM1).
8 OBSOL Cédula antiga de mil cruzeiros.
9 ETNOL Entidade sobrenatural do boi de mamão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
FEM: baronesa.
ETIMOLOGIA
lat baronem.
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animal
a·ni·mal
sm
1 BIOL Ser vivo multicelular, dotado de movimento, de cresci-
mento limitado, com capacidade de responder a estímulos.
2 Ser animal destituído de razão; animal irracional.
3 COLOQ Pessoa insensível ou cruel.
4 COLOQ Pessoa muito grosseira ou ignorante.
5 Animal cavalar, especialmente o macho.
6 FIG A natureza animal; animalidade.
adj m+f
1 Relativo ou pertencente aos animais.
2 Próprio de animal.
3 Extraído ou obtido de animal.
4 FIG Que se entrega aos prazeres do sexo; lascivo, libidinoso.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
AUM (sm): animalaço, animalzão.
DIM: animalzinho, animalejo, animálculo.
EXPRESSÕES
Animal inferior, ZOOL: animal invertebrado.
Animal irracional: qualquer animal, exceto o homem.
Animal sem fogo, REG (CE): cavalo ainda não marcado ou fer-
rado.
Animal sem rabo, COLOQ: pessoa grosseira, mal-educada.
Animal superior: animal vertebrado.
ETIMOLOGIA
lat anĭmal.
ágil
á·gil
adj m+f
1 Que se movimenta com rapidez ou agilidade: “Firmo […] era
um mulato pachola, delgado de corpo e ágil como um cabrito […]”
(AA1).
2 FIG Que tem raciocínio rápido; desembaraçado, ligeiro, pers-
picaz.
3 Que atua ou trabalha com eficiência; diligente.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SUP ABS SINT: agílimo e agilíssimo.
ANTÔN: moroso, sonolento, vagaroso.
ETIMOLOGIA
lat agĭlis.
Também são chamadas de subverbetes as expressões na es-
trutura de um verbete. Elas estão destacadas ao final do verbete,
numa seção denominada “Expressões”.
barba
bar·ba
EXPRESSÕES
Barba a barba: em situação de confronto.
Barba de baleia, MAR: pequena haste ao lado do mastro da
proa, utilizada para disparos de cabos que prendem as velas.
Barba de bode: Vcavanhaque.
À barba, COLOQ: bem visível.
Fazer a barba: raspar a barba, barbear-se.
Fazer barba, cabelo e bigode, ESP: vencer pelo menos três ve-
zes o mesmo adversário em categorias diferentes em curto espaço
de tempo.
Nas barbas de: na presença de alguém, faltando-lhe o respeito.
Pôr as barbas de molho: agir com prevenção contra alguma si-
tuação perigosa.
Ter barbas: ser muito antigo.
tomate
to·ma·te
EXPRESSÕES
Tomate francês, BOT: tomate de forma e tamanho de um ovo,
de coloração vermelho-escura, de tom alaranjado no interior, con-
sistência firme, sabor levemente ácido, com sementes pretas.
Tomate italiano, BOT: tomate pequeno, de formato geralmente
cilíndrico, com a extremidade inferior pontuda. É adocicado e tem
menos sumo que a maioria das variedades dos tomates. É muito
usado na preparação de molhos.
Tomate seco, CUL: tomate cortado em duas metades, retiran-
do-se as sementes, seco no forno ou ao sol, temperado com azeite,
orégano, sal e, frequentemente, alho. É comumente servido em sa-
ladas ou como antepasto.
fuga 2
fu·ga
EXPRESSÕES
Fuga escolar, MÚS: aquela com rígida observância das regras
formais.
Fuga real, MÚS: aquela cuja resposta não apresenta alteraçõesintervalares em relação ao sujeito.
Fuga tonal, MÚS: aquela cuja resposta apresenta alterações in-
tervalares em relação ao sujeito.
Foram utilizados exemplos e abonações com o objetivo de au-
torizar o emprego das palavras. As abonações foram extraídas de
textos literários de autores brasileiros consagrados e estão transcri-
tas entre aspas, com a sigla que representa o autor e a obra entre
parênteses. Os exemplos foram criados pela equipe de lexicógrafos
e são registrados em itálico.
NOTA: Entenda o que significa cada sigla das abonações na se-
ção “Abonações – obras e siglas” em “Como consultar”.
fadigar
fa·di·gar
vtd e vpr Causar ou sentir fadiga; afadigar: A alta temperatu-
ra fadigou alguns corredores. O rapaz fadigou-se com o excesso de
trabalho.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fatigar.
ETIMOLOGIA
der de fadiga+ ar1, como esp fatigar.
fabricação
fa·bri·ca·ção
sf
1 Ação, processo ou arte de fabricar algo; fábrica, fabrico, ma-
nufatura: “Três meses mais tarde Mr. Chang Ling apareceria em
Antares com a mulher e seus cinco filhos e mais três compatriotas
seus, especialistas na fabricação de óleos comestíveis” (EV).
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2 POR EXT O que resulta da fabricação; fabrico.
3 Ação de inventar ou elaborar algo novo; criação, produção: É
um mestre na fabricação de personagens.
4 Ação de produzir de modo natural: A fabricação de anticor-
pos pelo organismo é a sua principal defesa.
5 Produção ou criação de algo de modo ilícito, com o objetivo
de distorcer os fatos: A fabricação das provas era evidente.
EXPRESSÕES
Fabricação em série: fabricação em grande escala, segundo es-
pecificações padronizadas.
ETIMOLOGIA
der de fabricar+ção, como esp fabricación.
O campo destinado à etimologia do vocábulo está sempre no
final do verbete, após a indicação “Etimologia” e nele há diversos
tipos de informação como a língua de origem, o étimo e os elemen-
tos de composição.
NOTA: Entenda como a etimologia dos vocábulos foi criada e
como está padronizada neste dicionário lendo a seção “Etimologia”
em “Como consultar”.
astroquímica
as·tro·quí·mi·ca
sf
ASTROQ Estudo da composição química dos astros, baseado
especialmente nas análises espectroquímicas.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr ástron+química, como ingl astrochemistry.
Fonte: michaelis.uol.com.br
VOCABULÁRIO: NEOLOGISMOS, ARCAÍSMOS, ESTRANGEI-
RISMOS
É possível encontrar no Brasil diversas variações linguísticas,
como na linguagem regional. Elas reúnem as variantes da língua
que foram criadas pelos homens e são reinventadas a cada dia.
Delas surgem as variações que envolvem vários aspectos histó-
ricos, sociais, culturais, geográficos, entre outros.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os
seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. Sabe-se
que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mes-
mo significado dentro de um mesmo contexto.
As variações que distinguem uma variante de outra se mani-
festam em quatro planos distintos, a saber: fônico, morfológico,
sintático e lexical.
Variações Morfológicas
Ocorrem nas formas constituintes da palavra. As diferenças en-
tre as variantes não são tantas quanto as de natureza fônica, mas
não são desprezíveis. Como exemplos, podemos citar:
– uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-
-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha (o
champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal).
– a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e ad-
jetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os livro
indicado, as noite fria, os caso mais comum.
– o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o
Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições; Se
eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que
ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu.
– o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o
superlativo de adjetivos, recurso muito característico da linguagem
jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo),
uma prova hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossan-
te (em vez de possantíssimo).
– a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regula-
res: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se ele ver (vir)
o recado, quando ele repor (repuser).
– a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares:
vareia (varia), negoceia (negocia).
Variações Fônicas
Ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da pala-
vra. Entre esses casos, podemos citar:
– a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petró-
polis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formas típicas de
pessoas de baixa condição social.
– A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das
regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande
do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira):
quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol.
– deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar,
estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa condição social.
– a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem
oral no português: falá, vendê, curti (em vez de curtir), compô.
– o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me
alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem clássica,
hoje frequentes na fala caipira.
– a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, ma-
relo (amarelo), margoso (amargoso), características na linguagem
oral coloquial.
Variações Sintáticas
Correlação entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe,
como no da morfologia, não são tantas as diferenças entre uma va-
riante e outra. Como exemplo, podemos citar:
– a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome
“que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” com
o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família
dele (em vez de cuja família eu já conhecia).
– a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando
se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar com
você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz
me irrita.
– ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles che-
gou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou naquela se-
mana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
– o uso de pronomes do caso reto com outra função que não
a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; não irão
sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti)
e ele.
– o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de
“o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem.
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– a ausência da preposição adequada antes do pronome relati-
vo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez de:
de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que)
eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
Variações Léxicas
Conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do
léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas e caracteri-
zam com nitidez uma variante em confronto com outra. São exem-
plos possíveis de citar:
– as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às
vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de lado a
lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil
chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Por-
tugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz pequeno
almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de
suéter, malha, camiseta.
– a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para
formar o grau superlativo dos adjetivos, características da lingua-
gem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil;
Esse amigo é um carinha maior esforçado.
Designações das Variantes Lexicais:
– Arcaísmo: palavras que já caíram deuso. Por exemplo, um
bobalhão era chamado de coió ou bocó; em vez de refrigerante usa-
va-se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
– Neologismo: contrário do arcaísmo. São palavras recém-cria-
das, muitas das quais mal ou nem entraram para os dicionários. A na
computação tem vários exemplos, como escanear, deletar, printar.
– Estrangeirismo: emprego de palavras emprestadas de outra
língua, que ainda não foram aportuguesadas, preservando a forma
de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo da
linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas
o corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso facto
(“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo.
As palavras de origem inglesas são várias: feeling (“sensibilida-
de”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações
básicas).
– Jargão: vocabulário típico de um campo profissional como
a medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. Furo é no-
tícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma
barriga.
– Gíria: vocabulário especial de um grupo que não deseja ser
entendido por outros grupos ou que pretende marcar sua identida-
de por meio da linguagem. Por exemplo, levar um lero (conversar).
– Preciosismo: é um léxico excessivamente erudito, muito raro:
procrastinar (em vez de adiar); cinesíforo (em vez de motorista).
– Vulgarismo: o contrário do preciosismo, por exemplo, de
saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez de se deu mal,
arruinou-se).
Tipos de Variação
As variações mais importantes, são as seguintes:
– Sociocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com
certa facilidade.
– Geográfica: é, no Brasil, bastante grande. Ao conjunto das
características da pronúncia de uma determinada região dá-se o
nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque
gaúcho etc.
– De Situação: são provocadas pelas alterações das circuns-
tâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Um modo de
falar compatível com determinada situação é incompatível com
outra
– Histórica: as línguas se alteram com o passar do tempo e com
o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o senti-
do delas. Essas alterações recebem o nome de variações históricas.
LATINISMOS
EXPRESSÕES E VOCÁBULOS LATINOS
Embora muitos gramáticos e estudiosos da língua defendam
que se deve privilegiar o uso de palavras em português, diversas
palavras e expressões latinas são usadas diariamente pelos falantes
da língua, quer em linguagem formal ou de áreas específicas, quer
em linguagem informal.
As expressões latinas não sofrem processos de aportuguesa-
mento, devendo assim ser escritas em sua forma original, sem qual-
quer tentativa de aproximação às regras ortográficas e fonológicas
da língua portuguesa.
Deverão, contudo, ser grafadas com algum sinal indicativo da
sua condição de expressão de outro idioma: em itálico, entre aspas,
sublinhadas, em negrito. Confira exemplos das principais palavras e
expressões latinas usadas atualmente na língua portuguesa:
Ab initio: desde o princípio.
A contrario sensu: em sentido contrário, pela razão contrária.
A posteriori: pelo que segue, depois de um fato. Diz-se do ra-
ciocínio que se remonta do efeito à causa.
A priori: segundo um princípio anterior, admitido como eviden-
te; antes de argumentar, sem prévio conhecimento.
Apud: em, junto a, junto em. Emprega-se em citações indiretas,
isto é, citações colhidas numa obra.
Carpe Diem: “Aproveita o dia”. (Aviso para que não desperdi-
cemos o tempo).
Curriculum Vitae: conjuntos de dados relativos ao estado civil,
ao preparo profissional e às atividades anteriores de quem se can-
didata a um emprego.
Data venia: concedida a licença, com a devida vênia. É uma
expressão respeitosa com que se inicia uma argumentação discor-
dante da de outrem.
Et cetera (ou Et caetera) (abrev.: etc.): e as outras coisas, e os
outros, e assim por diante. Apesar de seu sentido etimológico (= e
outras coisas), emprega-se, atualmente, não somente após nomes
de coisas, mas também de pessoas, como expressão continuativa.
Exempli gratia: por exemplo. É expressão sinônima de Verbi
gratia.
Habeas corpus: “Que tenhas o corpo”. Meio extraordinário de
garantir e proteger todo aquele que sofre violência ou ameaça de
constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte
de qualquer autoridade legítima.
Habeas data: “Que tenha os dados”, “Que conheça os dados”.
Trata-se de garantia ativa dos direitos fundamentais, que se destina
a assegurar:
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a) o conhecimento de informações relativas à pessoa do impe-
trante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público;
b) a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por pro-
cesso sigiloso, judicial ou administrativo.
Homo sapiens: homem sábio; nome da espécie humana na no-
menclatura de Lineu.
Id est: isto é, quer dizer. Às vezes, aparece abreviadamente
(i.e.).
In memoriam: em comemoração, para memória, para lem-
brança.
In posterum: no futuro.
In terminis: no fim. Decisão final que encerra o processo.
In verbis: nestes termos, nestas palavras. Emprega-se para ex-
primir as citações ou as referências feitas com as palavras da pessoa
que se citou ou do texto a que se alude.
Ipsis Verbis: pelas próprias palavras, exatamente, sem tirar
nem pôr.
Lato sensu: em sentido amplo, em sentido geral.
Per capita: por cabeça, para cada indivíduo.
Quorum: número mínimo de membros presentes necessário
para que uma assembleia possa funcionar ou deliberar regularmen-
te.
Sic: assim, assim mesmo, exatamente. Pospõe-se a uma cita-
ção, ou nela se intercala, entre parênteses ou entre colchetes, para
indicar que o texto original é da forma que aparece.
Statu quo: “No estado em que”. Emprega-se, na linguagem jurí-
dica, para indicar a forma, a situação ou a posição em que se encon-
tra certa questão ou coisa em determinado momento.
Stricto sensu: em sentido restrito, em sentido literal.
Verbi gratia: por exemplo.
Verbum ad verbum: palavra por palavra, textualmente, literal-
mente.
ORTOGRAFIA
— Definições
Com origem no idioma grego, no qual orto significa “direito”,
“exato”, e grafia quer dizer “ação de escrever”, ortografia é o nome
dado ao sistema de regras definido pela gramática normativa que
indica a escrita correta das palavras. Já a Ortografia Oficial se refere
às práticas ortográficas que são consideradas oficialmente como
adequadas no Brasil. Os principais tópicos abordados pela ortografia
são: o emprego de acentos gráficos que sinalizam vogais tônicas,
abertas ou fechadas; os processos fonológicos (crase/acento grave);
os sinais de pontuação elucidativos de funções sintáticas da língua e
decorrentes dessas funções, entre outros.
Os acentos: esses sinais modificam o som da letra sobre
a qual recaem, para que palavras com grafia similar possam
ter leituras diferentes, e, por conseguinte, tenham significados
distintos. Resumidamente, os acentos são agudo (deixa o som da
vogal mais aberto), circunflexo (deixa o som fechado), til (que faz
com que o som fique nasalado) e acento grave (para indicar crase).
O alfabeto: é a base de qualquer língua. Nele, estão
estabelecidos os sinais gráficos e os sons representados por cada
um dos sinais; os sinais, por sua vez, são as vogais e as consoantes.
As letras K, Y e W: antes consideradas estrangeiras, essas letras
foram integradas oficialmente ao alfabeto do idioma português
brasileiro em 2009, com a instauração do Novo Acordo Ortográfico.
As possibilidades da vogal Y e das consoantes K e W são, basicamente,
para nomes próprios e abreviaturas, como abaixo:
– Para grafar símbolos internacionais e abreviações, como Km
(quilômetro), W (watt) e Kg (quilograma).
– Para transcrever nomes próprios estrangeiros ou seus
derivados na língua portuguesa, como Britney, Washington, Nova
York.
Relaçãosom X grafia: confira abaixo os casos mais complexos
do emprego da ortografia correta das palavras e suas principais
regras:
«ch” ou “x”?: deve-se empregar o X nos seguintes casos:
– Em palavras de origem africana ou indígena. Exemplo: oxum,
abacaxi.
– Após ditongos. Exemplo: abaixar, faixa.
– Após a sílaba inicial “en”. Exemplo: enxada, enxergar.
– Após a sílaba inicial “me”. Exemplo: mexilhão, mexer,
mexerica.
s” ou “x”?: utiliza-se o S nos seguintes casos:
– Nos sufixos “ese”, “isa”, “ose”. Exemplo: síntese, avisa,
verminose.
– Nos sufixos “ense”, “osa” e “oso”, quando formarem adjetivos.
Exemplo: amazonense, formosa, jocoso.
– Nos sufixos “ês” e “esa”, quando designarem origem, título ou
nacionalidade. Exemplo: marquês/marquesa, holandês/holandesa,
burguês/burguesa.
– Nas palavras derivadas de outras cujo radical já apresenta “s”.
Exemplo: casa – casinha – casarão; análise – analisar.
Porque, Por que, Porquê ou Por quê?
– Porque (junto e sem acento): é conjunção explicativa, ou seja,
indica motivo/razão, podendo substituir o termo pois. Portanto,
toda vez que essa substituição for possível, não haverá dúvidas de
que o emprego do porque estará correto. Exemplo: Não choveu,
porque/pois nada está molhado.
– Por que (separado e sem acento): esse formato é empregado
para introduzir uma pergunta ou no lugar de “o motivo pelo qual”,
para estabelecer uma relação com o termo anterior da oração.
Exemplos: Por que ela está chorando? / Ele explicou por que do
cancelamento do show.
– Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e,
por isso, pode estar acompanhado por artigo, adjetivo, pronome
ou numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento
do show.
– Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao
fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi embora novamente.
Por quê?
LÍNGUA PORTUGUESA
57
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Parônimos e homônimos
– Parônimos: são palavras que se assemelham na grafia e na
pronúncia, mas se divergem no significado. Exemplos: absolver
(perdoar) e absorver (aspirar); aprender (tomar conhecimento) e
apreender (capturar).
– Homônimos: são palavras com significados diferentes, mas
que divergem na pronúncia. Exemplos: “gosto” (substantivo) e
“gosto” (verbo gostar) / “este” (ponto cardeal) e “este” (pronome
demonstrativo).
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
— Definição
A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas
palavras grafadas com a finalidade de estabelecer, com base nas
regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras.
Isso quer dizer que os acentos gráficos servem para indicar a sílaba
tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo com
as regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na
língua portuguesa:
– Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som
aberto. Ex.: área, relógio, pássaro.
– Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e
“o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada. Ex.: acadêmico,
âncora, avô.
– Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com
o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse acento não indica sílaba
tônica!
– Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de
determinada palavra tem som nasal, e nem sempre recai sobre a
sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que
indica que a sílaba forte é “o” (ou seja, é acento tônico), e um til
(˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro
exemplo semelhante é a palavra bênção.
— Monossílabas Tônicas e Átonas
Mesmo as palavras com apenas uma sílaba podem sofrer
alteração de intensidade de voz na sua pronúncia. Exemplo: observe
o substantivo masculino “dó” e a preposição “do” (contração
da preposição “de” + artigo “o”). Ao comparar esses termos,
percebermos que o primeiro soa mais forte que o segundo, ou seja,
temos uma monossílaba tônica e uma átona, respectivamente.
Diante de palavras monossílabas, a dica para identificar se é tônica
(forte) ou fraca átona (fraca) é pronunciá-las em uma frase, como
abaixo:
“Sinto grande dó ao vê-la sofrer.”
“Finalmente encontrei a chave do carro.”
Recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas terminadas em: -a(s) → pá(s), má(s);
-e(s) → pé(s), vê(s); -o(s) → só(s), pôs.
– As monossílabas tônicas formados por ditongos abertos -éis,
-éu, -ói. Ex: réis, véu, dói.
Não recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis.
– As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas
quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”. Antes do novo
acordo ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles
lêem leem.
Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos
terminados em “-em”, já que a terceira pessoa termina em “-êm”.
Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem →
Eles têm; Ele vem → Eles vêm.
Acentuação das palavras Oxítonas
As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas
as oxítonas com sílaba tônica terminada em vogal tônica -a, -e e
-o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé,
vocês. Logo, não se acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”.
Ex.: caqui, urubu.
Acentuação das palavras Paroxítonas
São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima
sílaba é tônica. De acordo com a regra geral, não se acentuam as
palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados
abaixo. Observe as exceções:
– Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis,
hóquei, jóquei, pônei, saudáveis.
– Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex,
esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil, tórax.
– Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis,
grátis, júri, lápis, oásis, táxi.
– Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus,
tônus.
– Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons.
– Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns,
quórum, quóruns.
– Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs,
órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos.
Acentuação das palavras Proparoxítonas
Classificam-se assim as palavras cuja antepenúltima sílaba é
tônica, e todas recebem acento, sem exceções. Ex.: ácaro, árvore,
bárbaro, cálida, exército, fétido, lâmpada, líquido, médico, pássaro,
tática, trânsito.
Ditongos e Hiatos
Acentuam-se:
– Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”,
“_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.: anéis, fiéis, herói,
mausoléu, sóis, véus.
– As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de
um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por “_s” na sílaba. Ex.: caí
(ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú).
Não se acentuam:
– A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.:
moinho, rainha, bainha.
– As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.:
juuna, xiita. xiita.
– Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem,
enjoo, magoo.
LÍNGUA PORTUGUESA
5858
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O Novo Acordo Ortográfico
Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem
acentuação em razão do Acordo Ortográfico de 1990, que entrou
em vigor em 2009:
1 – Vogal tônica fechada -o de -oo em paroxítonas.
Exemplos: enjôo – enjoo; magôo – magoo; perdôo – perdoo;
vôo – voo; zôo – zoo.
2 – Ditongos abertos -oi e -ei em palavras paroxítonas.
Exemplos: alcalóide – alcaloide; andróide – androide; alcalóide
– alcaloide; assembléia – assembleia; asteróide – asteroide;
européia – europeia.
3 – Vogais -i e -u precedidas de ditongo em paroxítonas.
Exemplos: feiúra – feiura; maoísta – maoista; taoísmo –
taoismo.
4 – Palavras paroxítonas cuja terminação é -em, e que
possuem -e tônico em hiato.
Isso ocorre com a 3a pessoa do plural do presente do indicativo
ou do subjuntivo. Exemplos: deem; lêem – leem; relêem – releem;
revêem.
5 – Palavras com trema: somentepara palavras da língua
portuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; enxágüe – enxágue;
linguïça – linguiça.
6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma
grafia, mas apresentam significados diferentes. Exemplo: o verbo
PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo
“parar” era acentuada para que fosse diferenciada da preposição
“para”.
Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim:
Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo /
preposição]
Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo /
preposição]
CRASE
Definição: na gramática grega, o termo quer dizer “mistura “ou
“contração”, e ocorre entre duas vogais, uma final e outra inicial,
em palavras unidas pelo sentido. Basicamente, desse modo: a
(preposição) + a (artigo feminino) = aa à; a (preposição) + aquela
(pronome demonstrativo feminino) = àquela; a (preposição) +
aquilo (pronome demonstrativo feminino) = àquilo. Por ser a junção
das vogais, a crase, como regra geral, ocorre diante de palavras
femininas, sendo a única exceção os pronomes demonstrativos
aquilo e aquele, que recebem a crase por terem “a” como sua vogal
inicial. Crase não é o nome do acento, mas indicação do fenômeno
de união representado pelo acento grave.
A crase pode ser a contração da preposição a com:
– O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não
assistiu às aulas.”
– O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.”
– Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
“Retorne àquele mesmo local.”
– O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às
quais devemos o maior respeito e consideração”.
Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de
duas vogais a (preposição + artigo ou preposição + pronome) na
construção sintática.
Técnicas para o emprego da crase
1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe
semelhante. Se a combinação ao aparecer, ocorrerá crase diante da
palavra feminina.
Exemplos:
“Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.”
“Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.”
“Comprei o carro / a moto.”
“Irei ao evento / à festa.”
2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir,
chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar. Se aparecer a preposição da,
ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não
deve ser empregado.
Exemplos:
“Vou a São Paulo. / Voltei de São Paulo.”
“Vou à festa dos Silva. / Voltei da Silva.”
“Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.”
3 – Troque o termo regente da preposição a por um que
estabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas preposições não
se façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas
pela(s), na(s) ou da(s), a crase não ocorrerá.
Exemplos:
“Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar / Gosta
de estudar / Insiste em estudar.”
“Refiro-me à sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua
filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.”
“Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você /
Gosto de você / Penso em você.”
4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que
expressam uma única ideia, a crase somente deve ser empregada
se a locução for iniciada por preposição e essa locução tiver como
núcleo uma palavra feminina, ocorrerá crase.
Exemplos:
“Tudo às avessas.”
“Barcos à deriva.”
5 – Outros casos envolvendo locuções e crase:
Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão
“moda de”, ficando somente o à explícito.
Exemplos:
“Arroz à (moda) grega.”
“Bife à (moda) parmegiana.”
Nas locuções relativas a horários, ocorra crase apenas no caso
de horas especificadas e definidas: Exemplos:
“À uma hora.”
“Às cinco e quinze”.
LÍNGUA PORTUGUESA
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QUESTÕES
1. IBADE - Recenseador (IBGE)/2020/»Teste de Homologação
de Equipamentos e Sistemas»
Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Texto 2
Planeta Água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de tro-
vão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos la-
gos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d›água é misteriosa can-
ção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de
algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra planeta água.
Guilherme Arantes
(Fonte: https://www.letras.mus.br/guilherme-arantes/46315/, acesso
em janeiro de 2020.)
Destaca-se no fragmento: “Água que faz inocente riacho e de-
ságua na corrente do ribeirão” um vocábulo grafado devidamente
com “ch”, o que também se verifica na alternativa:
(A) frouxo, queixa, enxugar.
(B) enxoval, enxame, enxada.
(C) enchente, chapéu, chiqueiro.
(D) chingar, xampu, xará.
(E) enxergar, engrachar, eixo.
2. IBADE - Professor (Pref Linhares)/Educação Básica I/2020
(e mais 7 concursos)
Texto
O casamento da Lua
O que me contaram não foi nada disso. A mim, contaram-me
o seguinte: que um grupo de bons e velhos sábios, de mãos en-
ferrujadas, rostos cheios de rugas e pequenos olhos sorridentes,
começaram a reunir-se todas as noites para olhar a Lua, pois an-
davam dizendo que nos últimos cinco séculos sua palidez tinha
aumentado consideravelmente. E de tanto olharem através de
seus telescópios, os bons e velhos sábios foram assumindo um ar
preocupado e seus olhos já não sorriam mais; puseram-se, antes,
melancólicos. E contaram-me ainda que não era incomum vê-los,
peripatéticos, a conversar em voz baixa enquanto balançavam gra-
vemente a cabeça.
E que os bons e velhos sábios haviam constatado que a Lua
estava não só muito pálida, como envolta num permanente halo
de tristeza. E que mirava o Mundo com olhos de um tal langor
e dava tão fundos suspiros – ela que por milênios mantivera a
mais virginal reserva – que não havia como duvidar: a Lua estava
pura e simplesmente apaixonada. Sua crescente palidez, aliada
a uma minguante serenidade e compostura no seu noturno ni-
cho, induzia uma só conclusão: tratava-se de uma Lua nova, de
uma Lua cheia de amor, de uma Lua que precisava dar. E a Lua
queria dar-se justamente àquele de quem era a única escrava e
que, com desdenhosa gravidade, mantinha-a confinada em seu
espaço próprio, usufruindo apenas de sua luz e dando azo a que
ela fosse motivo constante de poemas e canções de seus menes-
tréis, e até mesmo de ditos e graças de seus bufões, para distra-
í-lo em suas periódicas hipocondrias de madurez.
Pois não é que ao descobrirem que era o Mundo a causa do
sofrimento da Lua, puseram-se os bons e velhos sábios a dar gri-
tos de júbilo e a esfregar as mãos, piscando-se os olhos e dizen-
do-se chistes que, com toda franqueza, não ficam nada bem em
homens de saber... Mas o que se há de fazer? Frequentemente,
a velhice, mesmo sábia, não tem nenhuma noção do ridículo nos
momentos de alegria, podendo mesmo chegar a dançar rodas e
sarabandas, numa curiosa volta à infância. Por isso perdoemos
aos bons e velhos sábios, que se assim faziam é porque tinham
descoberto os males da Lua, que erammales de amor. E males
de amor curam-se com o próprio amor – eis o axioma científico a
que chegaram os eruditos anciãos, e que escreveram no final de
um longo pergaminho crivado de números e equações, no qual
fora estudado o problema da crescente palidez da Lua.
(MORAES, Vinícius de. Para viver um grande amor: crônicas e poemas.
São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 52-53, excerto.)
O substantivo sublinhado em “eis o axioma científico a que
chegaram os eruditos anciãos” está corretamente flexionado na
forma do plural, segundo a norma culta da língua. Sabe-se, toda-
via, que os nomes terminados no singular em “-ão” constituem
um problema de flexão para o plural porque são três termina-
ções possíveis: “-ãos”, “-ães” e “-ões”. Dos nomes relacionados
nas opções abaixo, fazem o plural com a mesma terminação os
que estão relacionados em:
LÍNGUA PORTUGUESA
6060
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(A) facção / órgão.
(B) pagão / tabelião.
(C) catalão / escrivão.
(D) paredão / alemão.
(E) cidadão / sabichão.
3. IBADE - Agente Censitário (IBGE)/Municipal/2019 (e mais
1 concurso)
Programa detecta 90% de precisão se a autoria de um texto
é falsa
Pense bem antes de considerar colar no seu próximo trabalho
escrito. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dina-
marca, combinaram uma grande base de dados com inteligência
artificial para criar um sistema que determina se um texto é original
ou foi copiado da internet.
A pesquisa coletou 130 mil redações de estudantes de 10 mil
escolas dinamarquesas, e o sistema adivinhou, com 90% de acer-
to, quais eram falsos. Já existem programas capazes de identificar
se um texto foi plagiado de um artigo previamente publicado. Um
exemplo é o Lectio, usado nas escolas da Dinamarca. As coisas com-
plicaram quando os alunos começaram a contratar outras pessoas
para fazer seus textos, os ghostwriters. A situação é muito expres-
siva principalmente no último ano do colegial, quando os alunos
precisam entregar um trabalho final – como se fosse um TCC do
Ensino Médio.
No caso de a redação ter sido escrita por um ghostwriter, os
programas utilizados atualmente não são tão eficientes. A técnica
criada pelos cientistas identifica diferenças no estilo de escrita do
aluno comparando seus textos anteriores. Alguns aspectos que o
programa procura são tamanho das palavras, estrutura das frases
e como as palavras são usadas. Um exemplo é a própria palavra
“exemplo” — ela pode ser escrita inteira ou usando uma abrevia-
ção, como ex.
Por enquanto, o novo programa, chamado Ghostwriter, ain-
da está em fase de pesquisa. Os autores do estudo acreditam que
em breve ele poderá ser levado para dentro das escolas, mas antes
disso é preciso existir um debate ético. O programa não deve ser
o único recurso utilizado para identificar a falsidade do texto. Ele
pode indicar ou suspeitar da legitimidade do autor, mas quem deve
dar a palavra final são seres humanos.
O Ghostwriter também pode ser útil em outras áreas. Ele pode
analisar grandes quantidades de documentos e ajudar a polícia a
identificar quais deles são falsificados. Ele também contribui para
separar os tweets de usuários verdadeiros daqueles que foram pa-
gos ou feitos por robôs. No Brasil – em que até receita de miojo
recebe nota boa no Enem – a tecnologia será muito bem-vinda.
Maria Clara Rossini. Disponível em: https://super.abril.com.br.
Acesso em 5/7/2019
Assinale a opção em que a palavra foi corretamente grafada
com S, como a destacada em “Ele pode ANALISAR grandes quanti-
dades de documentos”.
(A) As escolas PARALISARAM as atividades.
(B) O jardim, ao fundo, EMBELESAVA o prédio.
(C) O povo, HORRORISADO, corria pelas ruas.
(D) O técnico PARABENISOU os atletas.
(E) O diretor foi DESMORALISADO.
4. IBADE - Recenseador (IBGE)/2019
Empresa alfabetiza auxiliares de limpeza em vez de demiti-los
por não saberem ler
Nátaly Bonato é community manager da WeWork Paulista,
um espaço de trabalho compartilhado, na Avenida Paulista, em
São Paulo. Para resolver problemas de limpeza da unidade, Ná-
taly imaginou que um relatório seria o suficiente.
O relatório deveria ser preenchido pelos funcionários da
limpeza todos os dias dizendo se a sala do cronograma tinha sido
limpa e, caso não, colocar um comentário explicando o porquê.
“O relatório demorou uma semana para chegar e, quando
veio, o banheiro virou um caos. Não entendi nada, nos reunimos e
a descoberta foi que 50% do time (terceirizado) era iletrado”, escre-
veu Nátaly no Facebook.
Em vez de trocar a equipe [o que infelizmente é uma prá-
tica bastante recorrente], Nátaly teve uma ideia muito melhor:
procurar nas escolas que fazem parte da WeWork alguém que
pudesse alfabetizar os auxiliares de limpeza. Foi assim que ela
conheceu a pedagoga Dani Araujo, da MasterTech, que topou o
desafio.
“As pessoas não são descartáveis. Eu não queria que alguém
passasse pela minha vida sem ter o meu melhor, sem que eu
pudesse tentar. Então, eu não queria que eles saíssem daqui um
dia e continuassem tendo aquelas profissões porque eles não
tinham escolha”, disse Nátaly em entrevista ao Razões para Acre-
ditar.
As aulas aconteciam às terças e quintas-feiras, no horário
de almoço, e duravam 1 hora e meia. “Foi ousado participar des-
se projeto. Não tinha experiência com letramento para adultos.
Vibrei e chorei com cada conquista que fazíamos juntos, me sin-
to privilegiada pelo aprendizado que eles me proporcionaram”,
afirmou a pedagoga, que continuou dando as aulas mesmo de-
pois de se desligar da MasterTech.
Cinco meses depois, Irene, Neuraci e ‘Madruga’ já conse-
guiam escrever uma carta. Para celebrar essa conquista, Nátaly e
seu time organizaram uma formatura surpresa. “Na hora que eu
vi eles vindo de beca, eu comecei a desfalecer de chorar e não
só eu! Todo mundo. A gente fez na área comum da WeWork”,
lembra Nátaly. “Foi muito incrível mesmo. Acho que é a melhor
experiência da minha vida”.
E eles tiveram inclusive “formatura” com direito à beca e
tudo!
Por Redação.
Disponível em: https://razoesparaacreditar.com.08/01/2018.
Acesso em 05/07/2019
No título do texto, as palavras EMPRESA e LIMPEZA foram cor-
retamente grafadas. Assinale a opção em que a palavra destacada
também está escrita de acordo com a ortografia oficial.
(A) Eles ENFATISARAM o problema.
(B) O resultado da PESQUIZA não agradou.
(C) Tudo foi feito com muita DELICADESA.
(D) A gerente ANALISOU o relatório.
(E) Eles conseguiram FINALISAR o projeto.
LÍNGUA PORTUGUESA
61
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5. IBADE - Professor (Pref Vitória)/Educação Básica III - PEB III
- Língua Portuguesa/2019
Leia o texto abaixo e responda à questão proposta.
Caso de chá
A casa da velha senhora fica na encosta do morro, tão bem si-
tuada que dali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas
riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive ao abandono.
O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem
por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na
propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passe-
ar entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas
sempre assusta.
O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para
matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra
tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau.
Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses.
Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite
a carrocinha de verduras.
— Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta.
— Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
— Incomoda não, meu filho.
A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas
as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a
gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.
— Madame gosta de chá?
— Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
— Pois eu sou doido por chá. Masestá tão caro que nem tenho
coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a ma-
dame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar
uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?
Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ga-
nha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço
imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a ter-
ra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por
toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador.
Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois
enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção
prosperando rapidamente.
— Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena
quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pe-
dindo um pouco e eu não vou negar a eles. É pena madame não ex-
perimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar
neste chá.
O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou
anos estudando. Achou a mãe lépida, bem-disposta.
— E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plan-
tação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal.
Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.
O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende
o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum,
é também um pouco sua.
O filho quase cai duro:
— A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na
Índia. Isso é maconha, mamãe!
(ANDRADE, C. Drummond de. Cadeira de Balanço. 11 ed. Rio de Janei-
ro: Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 7-8.)
A palavra “chá” pronuncia-se da mesma forma que “xá”, deno-
minação atribuída a uma série de monarcas iranianos. São palavras
homônimas, mas não homógrafas e constituem um problema se-
mântico e ortográfico da língua.
Das frases abaixo, aquela em que a lacuna tem de ser preenchi-
da com o segundo termo entre parênteses, e não com o primeiro,
como nas demais frases, é:
(A) Hoje haverá umdos grilos e cigarras no jardim. (concerto /
conserto).
(B) Parana vida, é preciso estudo e trabalho. (ascender / acen-
der).
(C) Numa tumultuada, a justiça condenou o traficante. (seção
/ sessão).
(D) A polícia resolveu os presos, após a indisciplina. (arrochar
/ arroxar).
(E) Se velhinha agisse com bom , não iria na conversa do ver-
dureiro. (senso / censo)
6. IBADE - Auxiliar Administrativo (Pref Vilhena)/2019 (e mais
1 concurso)
Com relação ao uso de ch ou x, está correta a palavra:
(A) cherife.
(B) chícara.
(C) xingar.
(D) mechedor.
(E) enchoval.
7. IBADE - Eletricista Predial (Pref Vilhena)/2019 (e mais 5
concursos)
Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
Amada,
que a vida é breve, e o amor
mais breve ainda...
Mario Quintana
A opção abaixo que NÃO apresenta erro ortográfico é:
(A) Sua indentidade foi roubada naquele evento.
(B) Os extintores estavam dentro da validade.
(C) Os mendingos sempre se aproximam para pedir ajuda.
(D) Não encontrei os ingrendientes para fazer o bolo.
(E) Adoro sanduíche de mortandela defumada.
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8. IBADE - Agente Administrativo (Pref Seringueiras)/2019 (e
mais 21 concursos)
Dentre os verbos relacionados abaixo, terminados em “-isar” e
“-izar”, escolha a alternativa na qual a grafia NÃO está correta.
(A) paralisar.
(B) amenizar
(C) normalizar.
(D) realisar.
(E) analisar.
9. IBADE - Braçal (CM Cacoal)/2018 (e mais 1 concurso)
Texto para responder à questão.
Como surgiu a noite
No começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormeci-
da nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senho-
ra do rio. A filha de Boiúna, uma bela, tinha se casado com um rapaz
de um vilarejo nas margens do rio. Seu marido, um jovem muito
bonito, não entendia porque ela não queria dormir com ele. A filha
de Boiúna respondia sempre:
– É porque ainda não é noite.
– Mas não existe noite. Somente dia! – ele respondia.
Até que um dia a moça disse-lhe para buscar a noite na casa de
sua mãe Boiúna. Então, o jovem esposo mandou seus três fiéis ami-
gos ir pegar a noite nas profundezas do rio. Boiúna entregou-lhes a
noite dentro de um caroço de tucumã*, como se fosse um presente
para sua filha.
Os três amigos estavam carregando a tucumã quando começa-
ram a ouvir barulho de sapinhos e grilos que cantam à noite. Curio-
sos, resolveram abrir a tucumã para ver que barulho era aquele.
Ao abri-la, a noite soltou-se e tomou conta de tudo. De repente,
escureceu.
Amoça, em sua casa, percebeu o que os três amigos fizeram.
Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se mistu-
rassem. Pegou dois fios. Enrolou o primeiro, pintou-o de branco e
disse:
– Tu serás cujubin, e cantarás sempre que a manhã vier raian-
do.
Dizendo isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e
saiu voando. Depois, pegou o outro foi, enrolou-o, jogou as cinzas
da fogueira nele e disse:
– Tu serás coruja, e cantarás sempre que a noite chegar. Dizen-
do isso, soltou-o, e o pássaro saiu voando.
Então, todos os pássaros cantaram a seu tempo e o dia passou
a ter dois períodos: manhã e noite.
<http://www.portalsaofrancisco.com.br/folclore/como-surgiunoite>.
Acesso 20 dez 2017.
(*) Tucumã: s.m. palmeira frutífera dos sertões de cujo fruto
se faz vinho.
Ao flexionar o substantivo “esposo” no feminino, substitui-se o
“–o” final por –“a”: esposO / esposA. A alternativa que apresenta
um substantivo que, no feminino, é flexionado da mesma maneira
que ESPOSO é:
(A) moço.
(B) rio.
(C) grilo.
(D) pássaro.
(E) fio.
10. IBADE - Agente de Manutenção e Reparos (CM Caco-
al)/2018 (e mais 3 concursos)
Texto para responder à questão.
Cidades Sustentáveis
Quando falamos de preservação do meio ambiente, além da
preservação das florestas, oceanos e tudo o que faz parte da paisa-
gem natural, é importante também pensarmos nas cidades, princi-
palmente nas grandes cidades.
O ritmo acelerado de crescimento das cidades deixou muitos
rastros de desrespeito às pessoas e ao meio ambiente.
Mas, atualmente, as cidades estão cada vez mais envolvidas
no sentido de pensar em soluções sustentáveis para melhoria da
qualidade de vida e respeito à natureza e é justamente daí que sai o
conceito de cidades sustentáveis, ou seja, são aquelas cidades que
adotam práticas eficientes voltadas para a melhoria da qualidade
de vida da população e desenvolvimento econômico, sem se esque-
cer da preservação do meio ambiente.
<http://www.smartkids.com.br/trabalho/cidades-sustentaveis.>
Acessoem18 dez 2017. Fragmentado eAdaptado
No trecho “O ritmo acelerado de crescimento das CIDADES
deixou muitos RASTROS de desrespeito às PESSOAS e ao meio am-
biente.” As palavras destacadas são substantivos e estão no plural.
A alternativa em que todas as palavras destacadas também estão
no plural é:
(A) Cada vez mais aumenta o PROCESSO de devastação da CO-
BERTURA vegetal no PLANETA.
(B) Uma atividade que atinge diretamente a CONSERVAÇÃO
das FLORESTAS é o EXTRATIVISMO vegetal, ou seja, corte de
madeira.
(C) O desmatamento é RESULTADO direto do conjunto de ATIVI-
DADES humanas desenvolvidas ao longo de DÉCADAS.
(D) O desmatamento promove uma série de CONSEQUÊNCIAS
de ordem ambiental, tais como perda de BIODIVERSIDADES,
degradação dos solos, PROCESSOS erosivos, mudanças no cli-
ma.
(E) O desmatamento compromete o FUNCIONAMENTO regular
das CHUVAS, ventos, além de prejudicar os RECURSOS hídricos.
11. IBADE - Agente de Manutenção e Reparos (CM Caco-
al)/2018 (e mais 3 concursos)
Texto para responder à questão.
Cidades Sustentáveis
Quando falamos de preservação do meio ambiente, além da
preservação das florestas, oceanos e tudo o que faz parte da paisa-
gem natural, é importante também pensarmos nas cidades, princi-
palmente nas grandes cidades.
O ritmo acelerado de crescimentodas cidades deixou muitos
rastros de desrespeito às pessoas e ao meio ambiente.
Mas, atualmente, as cidades estão cada vez mais envolvidas
no sentido de pensar em soluções sustentáveis para melhoria da
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qualidade de vida e respeito à natureza e é justamente daí que sai o
conceito de cidades sustentáveis, ou seja, são aquelas cidades que
adotam práticas eficientes voltadas para a melhoria da qualidade
de vida da população e desenvolvimento econômico, sem se esque-
cer da preservação do meio ambiente.
<http://www.smartkids.com.br/trabalho/cidades-sustentaveis.>
Acessoem18 dez 2017. Fragmentado eAdaptado
A alternativa que apresenta uma palavra que se registra com Ç,
tal qual PRESERVAÇÃO é:
(A) extra__ão.
(B) emi__ão.
(C) impre__ão.
(D) dimen__ão.
(E) ero__ão.
12. IBADE - Agente de Combate a Endemias (Pref Vila Ve-
lha)/2018
O alto preço de viver longe de casa
Voar: a eterna inveja e frustração que o homem carrega no
peito a cada vez que vê um pássaro no céu. Aprendemos a fazer
um milhão de coisas, mas voar… Voar a vida não deixou. Talvez por
saber que nós, humanos, aprendemos a pertencer demais aos luga-
res e às pessoas. E que, neste caso, poder voar nos causaria crises
difíceis de suportar, entre a tentação de ir e a necessidade de ficar.
Muito bem. Aí o homem foi lá e criou a roda. A Kombi. O pa-
tinete. A Harley. O Boeing 737. E a gente descobriu que, mesmo
sem asas, poderia voar. Mas a grande complicação foi quando a
gente percebeu que poderia ir sem data para voltar.
E assim começaram a surgir os corajosos que deixaram suas
cidades de fome e miséria para tentar alimentar a família nas
capitais, cheias de oportunidades e monstros. Os corajosos que
deixaram o aconchego do lar para estudar e sonhar com o futuro
incrível e hipotético que os espera. Os corajosos que deixaram
cidades amadas para viver oportunidades que não aparecem
duas vezes. Os corajosos que deixaram, enfim, a vida que tinham
nas mãos, para voar para vidas que decidiram encarar de peito
aberto.
A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É
o peito eternamente dividido. É chorar porque queria estar lá,
sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na parti-
da, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da esco-
lha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha
que te subtraiu outras mil pedras preciosas.
E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama,
pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pen-
sar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você,
nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava
lá para ajudar. (...)
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a
sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar aparta-
mentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos,
dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via
Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa
do bar pode ser
substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de
caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir
o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos
lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos per-
guntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será
opção, será coragem ou será carma?
Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo?
Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um
turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita
controlar?
Eu sei que não é fácil. E que admiro quem encarou e encara
tudo isso, todo dia. (...)
O preço é alto.Agente se questiona, a gente se culpa, a gente
se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a
gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e
iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas es-
tamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep
walking.
Ruth Manus 14/06/2015 Disponível em:emais.estadão.com.br
Keep walking: continue andando
Assinale a opção em que a palavra destacada foi corretamente
grafada com CH, como ACONCHEGO.
(A) Os dois MECHIAM na papelada que se encontrava sobre a
mesa.
(B) Eles ENCHUGARAM as lágrimas e foram em frente.
(C) A jovem já havia feito o ENCHOVAL.
(D) As pessoas ENCHIAM a mesa de papel.
(E) Soltou uma ENCHURRADA de bobagens.
13. IBADE - Agente Comunitário de Saúde (Pref Vila Ve-
lha)/2018
Por que a educação moderna criou adultos que se compor-
tam como bebês
Os alunos do 3º ano de uma das melhores escolas de ensino
médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Mas-
sachusetts, estavam reunidos, numa tarde ensolarada no mês
passado, para o momento mais especial de sua vida escolar, a
formatura. Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos
na plateia, todos se preparavam para ouvir o discurso do professor
de inglês David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas
ocasiões, uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais.
O que ouviram do professor, porém, pode ser resumido em qua-
tro palavras: vocês não são especiais. (...) “Ao contrário do que
seus troféus de futebol e seus boletins sugerem, vocês não são
especiais”, disse McCullough logo no começo. “Adultos ocupados
mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam,
os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os enco-
rajam de novo. (...) Mas não tenham a ideia errada de que vocês
são especiais. Porque vocês não são.”
O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atô-
nito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia
o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em
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a solução para o seu concurso!
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sua caixa postal. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu te-
lefone não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais,
revistas, TV e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber
mais sobre o professor que teve a coragem de esclarecer que
seus alunos não eram o centro do universo. Sem querer, ele to-
cara num tema que a sociedade estava louca para discutir – mas
não tinha coragem. Menos de uma semana depois, McCullough
fez a primeira aparição na TV. Teve de explicar que não
menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário
alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como
eles crescem cercados por adultos que os tratam como precio-
sidades”, disse ele a ÉPOCA. “Mas, para se dar bem daqui para
a frente, eles precisam saber que agora estão todos na mesma
linha, que nenhum é mais importante que o outro.”
A reação ao discurso do professor McCullough pode parecer
apenas mais um desses fenômenos de histeria americanos. Mas
a verdade é que ele tocou numa questão que incomoda pais,
educadores e empresas no mundo inteiro – a existência de ado-
lescentes e jovens adultos que têm uma percepção totalmente
irrealista de si mesmos e de seus talentos. Esses jovens cresce-
ram ouvindo de seus pais e professores que tudo o que faziam
era especial e desenvolveram uma autoestima tão exagerada
que não conseguem lidar com as frustrações do mundo real. (...)
Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados des-
de o berço formam a turma do “eu me acho”. Porque se acham
mesmo. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota
ruim, é o professor que não os entenda). Eles se acham os mais
competentes no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe
tem inveja do frescor de seu talento). (...)
Você conhece alguém assim em seu trabalho ou em sua tur-
ma de amigos? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo,
foi bem educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras
línguas e, claro, é ligada em tecnologia e competente em seu
uso. São bons, é fato. Mas se acham mais do que ótimos.
Camila Guimarães e Luiza Karam in RevistaÉpoca 13/07/2012
Apenas uma das palavras a seguir foi corretamente grafada
com Hinicial, como HISTERIA. Identifique-a.
(A) Esse é um HESPÉCIME raro.
(B) Eu havia sido HIPNOTIZADO.
(C) Minha ideia é apenas uma HESPECULAÇÃO.
(D) Sentia-se vigiado pelos HESPECTROS dos antepassados.
(E) Os HABUTRES esperavam sua morte, pensando na herança.
14. IBADE - Agente Comunitário de Saúde (Pref Vila Ve-
lha)/2018
Por que a educação moderna criou adultos que se comportam
como bebês
Os alunos do 3º ano de uma das melhores escolas de ensino
médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Massachu-
setts, estavam reunidos, numa tarde ensolarada no mês passado,
para o momento mais especial de sua vida escolar, a formatura.
Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos na plateia,
todos se preparavam para ouvir o discurso do professor de inglês
David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas ocasiões,
uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais. O que ou-
viram do professor, porém, pode ser resumido em quatro palavras:
vocês não são especiais. (...) “Ao contrário do que seus troféus de
futebol e seus boletins sugerem, vocês não são especiais”, disse
McCullough logo no começo. “Adultos ocupados mimam vocês, os
beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os acon-
selham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (...)
Mas não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque
vocês não são.”
O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atô-
nito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia
o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em sua
caixa postal. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu telefone
não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais, revistas, TV
e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber mais sobre o
professor que teve a coragem de esclarecer que seus alunos não
eram o centro do universo. Sem querer, ele tocara num tema que
a sociedade estava louca para discutir – mas não tinha coragem.
Menos de uma semana depois, McCullough fez a primeira aparição
na TV. Teve de explicar que não
menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário aler-
tá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles
crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades”,
disse ele a ÉPOCA. “Mas, para se dar bem daqui para a frente, eles
precisam saber que agora estão todos na mesma linha, que ne-
nhum é mais importante que o outro.”
A reação ao discurso do professor McCullough pode parecer
apenas mais um desses fenômenos de histeria americanos. Mas a
verdade é que ele tocou numa questão que incomoda pais, educa-
dores e empresas no mundo inteiro – a existência de adolescentes
e jovens adultos que têm uma percepção totalmente irrealista de
si mesmos e de seus talentos. Esses jovens cresceram ouvindo de
seus pais e professores que tudo o que faziam era especial e desen-
volveram uma autoestima tão exagerada que não conseguem lidar
com as frustrações do mundo real. (...)
Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados desde
o berço formam a turma do “eu me acho”. Porque se acham mes-
mo. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota ruim, é o
professor que não os entenda). Eles se acham os mais competentes
no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe tem inveja do
frescor de seu talento). (...)
Você conhece alguém assim em seu trabalho ou em sua turma
de amigos? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo, foi bem
educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras línguas e,
claro, é ligada em tecnologia e competente em seu uso. São bons, é
fato. Mas se acham mais do que ótimos.
Camila Guimarães e Luiza Karam in Revista Época 13/07/2012
Observe a frase “Com seus CHAPÉUS e becas” e assinale a op-
ção em que o substantivo destacado também foi corretamente em-
pregado no plural.
(A) Com cuidado, subiu os DEGRAIS da escadaria.
(B) Vários PROJETIS subiram aos céus.
(C) O folheto foi editado em CARACTERES itálicos.
(D) Ele usava os PINCÉUS para expressar seus sentimentos na
tela.
(E) Todos os CIDADÕES de bem aplaudiram o discurso.
LÍNGUA PORTUGUESA
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15. IBADE - Oficial de Diligência (CM Porto Velho)/2018 (e
mais 5 concursos)
As Boas Coisas da Vida
Rubem Braga
Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para
dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar
demasiado, fiz esta pequena lista:
- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exem-
plo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem
numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um
certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.
- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa
confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estra-
nha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas.
E acontecerem.
- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola,
sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute
perfeito-e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.
- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pe-
daço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.
- Aquele momento em que você sente que de um velho amor
ficou uma grande amizade - ou que uma grande amizade está viran-
do, de repente, amor.
- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal,
para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne- essa
amaldiçoada.
- Viajar, partir ...
-Voltar.
- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se
vive no Brasil, voltar para o Rio.
- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma
solução, a morte - o assim chamado descanso eterno.
Texto adaptado de BRAGA, R., As Boas Coisas da
Vida, 1988.
As palavras “exemplo”, “excelente” e “deixou”, retiradas do texto,
são escritas com a letra X apresentando distintas variações fonéticas. A
palavra que deve ser escrita com CH é:
(A) ê _ odo.
(B) en_ arcado.
(C) e_ ímio.
(D) ve _ ame.
(E) en_ ame.
16. IBADE - Aluno Soldado (PM AC)/Combatente/2017
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado
dos celulares. Fossem só para falar,já seria ruim. Mas servem tam-
bém para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook
com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro fa-
rejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada. Se de-
pender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos·, o tempo dos
“selfies” está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a
achar ridícula a mania delirar retratos de si mesmos em qualquer
ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os co-
legas.
“Fulaninha? Tira foto na frente do espelho,” Hábito que pode
ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar
sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas
entregue, no inicio da adolescência, a descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira
um Eiffel” tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá,
Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece
- e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no
caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma
espécie de degradação da experiência.
Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estada
em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sen-
tido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez
de simplesmente viajar, posso estar fugindo das minhas próprias
sensações. [ ...]
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa via-
jar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge
do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel: o que fazer com ela?
O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me a paisagem,sentir como respiro diante da-
quela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar
atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me
diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e
sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como
o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circun-
ferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há
ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo
na torre Eiffel. O mundo se fechou no visar do aparelho. Não por
acaso eu visor, fazendo uma careta idiota: dou de costas para o mo-
numento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.
[ ... ]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que
daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catas-
trofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador
recupere os “selfies” e e as fotos de batata
frita.
“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa
seria dizer: “Como eram tontas! Dependerá, por certo, dos humores
do pesquisador.
COELHO , Marcelo . Dísponlvel em : < http: //www1 .fo!lha . uol.com.
br/ fs p /i! u slra da/16 252 5- selfies.shtml>. Acessoem 19mar. 2017
Assinale a opção em que a palavra destacada foi corretamente
grafada com H Iniciar como em HABITO (parágrafo 2).
(A) Aquela era uma terra HESTÉRIL.
(B) O ladrão linha mãos HÁGEIS.
(C) Os soluços vinham-lhe do HÁMAGO,
(D) Há povos que HIDOLATRAM os animais.
(E) Os filhos HERDARAM uma bela fortuna.
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17. IBADE - Assistente Escolar (Pref RB)/2016
Teclar demais no celular pode causar
“WhatsAppinite”
Uma mulher de 34 anos recebeu o diagnóstico de “WhatsA-
ppinite”, inflamação nos polegares e punhos pelo uso excessivo do
smartphone e do aplicativo de mensagens de texto WhatsApp. O
caso foi descrito na revista de medicina “The Lancet” por uma mé-
dica da Espanha.
A paciente chegou ao hospital com fortes dores nas mãos e
relatou que, na véspera de Natal, ficou trabalhando, por isso no dia
seguinte passou cerca de seis horas trocando mensagens de boas
festas.
O movimento contínuo e repetitivo com os polegares causou a
WhatsAppinite. O tratamento prescrito foi abstinência total do tele-
fone, além de anti-inflamatórios.
A inflamação nos músculos da região da mão e antebraços
pelo uso de dispositivos tecnológicos não é nova. Na década de
1990, médicos relataram a “Nintendinite”, ou “Nintendo thumb”,
diagnosticada emusuários constantes de videogames.
Segundo o ortopedista Mateus Saito, do Instituto de Ortopedia
e Traumatologia da USP, a WhatsAppinite é mais comum do que se
imagina e o número de pessoas atingidas cresce diariamente.
“Muitos profissionais tentam transformar o smartphone num
escritório portátil, mas esses aparelhos não estão adaptados a um
uso tão
constante e repetido”.
Saito ressalta que uma das formas de evitar problemas é
utilizar smartphones e tablets para consumir informação e não
para produzir textos longos.
“A interface desses aparelhos ainda precisa melhorar. Não
dá para substituir um computador quando se quer saúde para
as mãos.”
O fisioterapeuta Rodrigo Peres diz que, para usuários cons-
tantes de dispositivos móveis, é importante fortalecer músculos.
“Exercícios localizados e fisioterapia ajudam a resolver do-
res.”
Outras dicas são alternar as posições de uso e usar com-
pressas geladas para amenizar o processo inflamatório.
O reumatologista José Ribamar Moreno, especialista em
dor, recomenda que, caso seja necessário teclar por mais de 45
minutos, sejam feitos intervalos de 15 minutos. Segundo ele, há
fatores que podem gerar mais risco de desenvolver tendinite.
“Gravidez, obesidade, estresse, tabagismo e sedentarismo
são fatores de risco. É importante não somar fatores.”
O médico ainda ressalta a importância do diagnóstico de
“WhatsAppinite”, que ligou a dor ao uso de um dispositivo es-
pecífico.
“O interessante do diagnóstico é que a autora conseguiu fazer
a relação direta do uso do WhatsApp e do quadro que apareceu
logo em seguida. Foram seis horas diretas de uso do app, um fator
que desencadeou a tendinite.”
Apesar do problema, a paciente diagnosticada com “What-
sAppinite” não cumpriu a indicação médica e voltou a enviar
mensagens pelo aplicativo na véspera do Ano Novo.
Stephanie Silveira. Folha de S. Paulo.7/4/2014
Apenas uma das palavras a seguir foi corretamente grafada
com Ç, como INFORMAÇÃO. Essa palavra é:
(A) diverção.
(B) excurção.
(C) emição.
(D) expreção.
(E) descrição.
18. IBADE - Condutor de Veículos (Pref Linhares)/2020
O último poema
Assim eu quereria o meu
último poema.
Que fosse terno dizendo as
coisas mais simples e menos
intencionais
Que fosse ardente como um
soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores
quase sem perfume
A pureza da chama em que se
consomem os diamantes mais
límpidos
A paixão dos suicidas que se
matam sem explicação.
Manuel Bandeira
Assinale a alternativa em que a palavra POR QUE deve vir se-
parada.
(A) Permaneceu triste porque não passou no vestibular.
(B) Não compareci ao evento porque estava doente.
(C) Eu soube porque viraste as costas para ela.
(D) Não conseguimos compreender o porquê daquilo.
(E) Nestas situações não se deve discutir, porque é pior.
19. IBADE - Analista (Pref Vila Velha)/Ambiental/2020 (e mais
21 concursos)
Observe as frases a seguir e identifique aquela que se adequa
corretamente à norma culta.
(A) A cerca de três anos, Marinho e os outros chegaram à ci-
dade.
(B) Desde o ocorrido, já há alguns meses, ela não quis mais falar
com sua irmã, tão pouco vê-la junto de seu marido.
(C) O acidente ocorreu há cerca de dois quilômetros daqui,
anos atrás.
(D) A apresentação à cerca do tema não satisfez os critérios do
professor, à despeito do que os alunos pensavam.
(E) Falou-se muito a respeito disso naquele dia, mas há pouco o
que possamos fazer quanto a isso agora.
LÍNGUA PORTUGUESA
67
a solução para o seu concurso!
Editora
20. IBADE - Recenseador (IBGE)/2020/»Teste de Homologa-
ção de Equipamentos e Sistemas»
Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Texto 2
Planeta Água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de tro-
vão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos la-
gos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d›água é misteriosa can-
ção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de
algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra planeta água.
Guilherme Arantes
(Fonte: https://www.letras.mus.br/guilherme-arantes/46315/, acesso
em janeiro de 2020.)
Muito comum em nossa língua do cotidiano, o pronome “onde”
é constantemente trocado por aonde, muitas vezes de maneira in-
devida.
Identifique o uso correto, indicando lugar, a partir do trecho:
“Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d’água é misteriosa canção/
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algo-
dão”.
(A)Você vai onde?
(B) A sociedade onde a violência cresce é assustadora.
(C) Em 2019, onde a tecnologia se tornou nossa maior inimiga.
(D) Moro na casa onde nasceram meus pais.
(E) Aonde crescemos é meu lugar preferido.
21. IBADE - Agente Administrativo (Pref Linhares)/2020 (e
mais 3 concursos)
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.
Segurança no trabalho
A importância da segurança do trabalho é imensurável e, feliz-
mente, a implantação de práticas seguras no trabalho vem crescen-
do bastante ultimamente.
Hoje é difícil encontrar um funcionário que “nunca” tenha pas-
sado por pelo menos uma palestra sobre prevenção de acidentes
de trabalho, uso do EPI, integração, etc. A segurança do trabalho
possibilita a realização de um serviço mais organizado. Isso leva não
somente a evitar acidentes mas também ao aumento da produção,
pois, tornado o ambiente mais agradável, os funcionários produzi-
rão mais e com melhor qualidade.
A Segurança do Trabalho proporciona também melhoria nas
relações entre patrões e funcionários. Quando o funcionário perce-
ber melhorias no ambiente de trabalho, passará a ter mais carinho
e respeito com a direção da empresa. O resultado pode aparecer
em produtos de mais qualidade.
O ponto alto da Segurança do Trabalho é evitar acidentes. Atra-
vés das ações de prevenção desenvolvidas na empresa podemos
evitar o aparecimento de acidentes de trabalho e as doenças ocu-
pacionais.
A Segurança do Trabalho se aplica a todos os segmentos. Evi-
dentemente cada segmento tem suas características e riscos espe-
cíficos e, exatamente por isso, cada ambiente precisa ser “cuidado”
com um olhar particular.
É importante que o profissional de Segurança do Trabalho
tenha capacidade técnica necessária para avaliar desde os riscos
grandes até os pequenos. O risco pequeno de hoje pode se tornar
grande amanhã. Acidentes são acidentes, todos são desagradáveis.
(https://segurancadotrabalhonwn.com)
Assinale a frase gramaticalmente CORRETA:
(A) Jônio foi demitido por que dormia no trabalho.
(B) Não sei por que não foram mais chamados na firma.
(C) Porque você desistiu tão facilmente do trabalho?
(D) Não escrevi nada porquê não entendi o ditado.
(E) Eis o porque da nossa separação conjugal.
22. IBADE - Advogado (CM S Felipe do Oeste)/2020
Leia o texto abaixo e responda à questão proposta.
Vidinha
Vidinha era uma rapariga que tinha tanto de bonita como de
movediça e leve; um soprozinho, por brando que fosse, a fazia
voar, outro de igual natureza a fazia revoar, e voava e revoava na
direção de quantos sopros por ela passassem; isto quer dizer, em
linguagem chã e despida dos trejeitos da retórica, que ela era uma
formidável namoradeira, como hoje se diz, para não dizer lambeta,
como se dizia naquele tempo.
Portanto não foram de modo algum mal recebidas as primeiras
finezas do Leonardo, que desta vez se tornou muito mais desemba-
raçado, quer porque já o negócio com Luisinha o tivesse desasnado,
quer porque agora fosse a paixão mais forte, embora esta última
LÍNGUA PORTUGUESA
6868
a solução para o seu concurso!
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hipótese vá de encontro à opinião dos ultrarromânticos, que põem
todos os bofes pela boca pelo tal primeiro amor: no exemplo que
nos dá o Leonardo aprendam o quanto ele tem de duradouro.
Se um dos primos de Vidinha, que dissemos ser o atendido
naquela ocasião, teve motivos para levantar-se contra o Leonardo
como seu rival, o outro primo, que dissemos ser o desatendido,
teve dobrada razão para isso, porque além do irmão apresentava-
-se o Leonardo como segundo concorrente, e o furor de quem se
defende contra dois é, ou deve ser sem dúvida, muito maior do que
o de quem se defende contra um.
Declarou-se, portanto, desde que começaram a aparecer os
sintomas do quer que fosse entre Vidinha e o nosso hóspede, guer-
ra de dois contra um, ou de um contra dois. A princípio foi ela surda
e muda; era guerra de olhares, de gestos, de desfeitas, de más ca-
ras, de maus modos de uns para com os outros; depois, seguindo
o adiantamento do Leonardo, passou a dictérios, a chasques, a re-
moques.
Um dia finalmente desandou em descompostura cerrada, em
ameaças do tamanho da Torre de Babel, e foi causa disto ter um
dos primos pilhado o feliz Leonardo em flagrante gozo de uma pri-
mícia amorosa, um abraço que no quintal trocava ele com Vidinha.
(ALMEIDA, M. Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São
Paulo: Editora FTD, 1996, p. 123.)
“embora esta última hipótese vá de encontro à opinião dos ul-
trarromânticos”
É comum os falantes confundirem o emprego das locuções
prepositivas “de encontro a” (ir no sentido contrário a alguma coi-
sa, chocando-se com, opondo-se) e “ao encontro de” (ir no mesmo
sentido de alguma coisa, indo a seu favor), por serem semelhantes
na construção.
Das frases abaixo, em que foram empregadas ambas as locu-
ções, aquela que está INCORRETA porque, pelo sentido da frase, foi
empregada uma locução pela outra é:
(A) os interesses do rapaz foram ao encontro dos sentimentos
da moça: estavam apaixonados.
(B) as atitudes agressivas dos personagens iam de encontro às
normas de convivência pacífica.
(C) as ações de um iam de encontro aos interesses do outro,
pois ambos disputavam a mesma namorada.
(D) na briga, o corpo agredido do rival foi ao encontro de uma
parede, produzindo ferimentos.
(E) as boas atitudes do rapaz iam ao encontro da moral e bons
costumes.
23. IBADE - Professor (SEE AC)/P2/Atendimento Educacional
Especializado/2020 (e mais 13 concursos)
Texto 2
Na fala da professora “Alguma dúvida acerca do trabalho em
grupo sobre o sistema respiratório?”, o emprego de ‘acerca de’
está correto. Assinale a alternativa com devido uso também.
(A) Moro há cerca de cinco metros da escola
(B) Estávamos conversando a cerca de educação
(C) Elas jogam conversas fora a cerca de muitas coisas
(D) Há cerca de dois anos nós nos mudamos
(E) O rapaz foi encontrado acerca de 10 metros do local
24. IBADE - Recenseador (IBGE)/2019
Empresa alfabetiza auxiliares de limpeza em vez de demiti-los
por não saberem ler
Nátaly Bonato é community manager da WeWork Paulista, um
espaço de trabalho compartilhado, na Avenida Paulista, em São
Paulo. Para resolver problemas de limpeza da unidade, Nátaly ima-
ginou que um relatório seria o suficiente.
O relatório deveria ser preenchido pelos funcionários da lim-
peza todos os dias dizendo se a sala do cronograma tinha sido limpa
e, caso não, colocar um comentário explicando o porquê.
“O relatório demorou uma semana para chegar e, quando
veio, o banheiro virou um caos. Não entendi nada, nos reunimos e
a descoberta foi que 50% do time (terceirizado) era iletrado”, escre-
veu Nátaly no Facebook.
Em vez de trocar a equipe [o que infelizmente é uma prática
bastante recorrente], Nátaly teve uma ideia muito melhor: procu-
rar nas escolas que fazem parte da WeWork alguém que pudesse
alfabetizar os auxiliares de limpeza. Foi assim que ela conheceu a
pedagoga Dani Araujo, da MasterTech, que topou o desafio.
“As pessoas não são descartáveis. Eu não queria que alguém
passasse pela minha vida sem ter o meu melhor, sem que eu pu-
desse tentar. Então, eu não queria que eles saíssem daqui um dia
e continuassem tendo aquelas profissões porque eles não tinham
escolha”, disse Nátaly em entrevista ao Razões para Acreditar.
LÍNGUA PORTUGUESA
69
a solução para o seu concurso!
Editora
As aulas aconteciam às terças e quintas-feiras, no horário de
almoço, e duravam 1 hora e meia. “Foi ousado participar desse pro-
jeto. Não tinha experiência com letramento para adultos. Vibrei e
chorei com cada conquista que fazíamos juntos, me sinto privilegia-
da pelo aprendizado que eles me proporcionaram”, afirmou a peda-
goga, que continuou dando as aulas mesmo depois de se desligar
da MasterTech.
Cinco meses depois, Irene, Neuraci e ‘Madruga’ já conseguiam
escrever uma carta. Para celebrar essa conquista, Nátaly e seu time
organizaram uma formatura surpresa. “Na hora que eu vi eles vindode beca, eu comecei a desfalecer de chorar e não só eu! Todo mun-
do. A gente fez na área comum da WeWork”, lembra Nátaly. “Foi
muito incrível mesmo. Acho que é a melhor experiência da minha
vida”.
E eles tiveram inclusive “formatura” com direito à beca e tudo!
Por Redação.
Disponível em: https://razoesparaacreditar.com.08/01/2018.
Acesso em 05/07/2019
A palavra destacada no trecho “colocar um comentário expli-
cando o PORQUÊ” pode assumir grafias diferentes, dependendo do
contexto.
Assinale a única opção em que a palavra destacada foi corre-
tamente grafada.
(A) Eu não sabia POR QUE eles haviam sido despedidos.
(B) PORQUE eles foram despedidos?
(C) Eles foram despedidos POR QUE?
(D) Foram despedidos, POR QUE eram iletrados.
(E) Continuaram no emprego, PORQUÊ estudaram.
25. IBADE - Professor (Pref Vitória)/Educação Básica III - PEB
III - Língua Portuguesa/2019
Leia o texto abaixo e responda à questão proposta.
Caso de chá
A casa da velha senhora fica na encosta do morro, tão bem si-
tuada que dali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas
riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive ao abandono.
O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem
por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na
propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear
entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas
sempre assusta.
O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para
matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra
tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau.
Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses.
Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noi-
te a carrocinha de verduras.
— Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta.
— Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
— Incomoda não, meu filho.
A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas
as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a
gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons ami-
gos.
— Madame gosta de chá?
— Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
— Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho
coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a ma-
dame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar
uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?
Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo
ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é
viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a
terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo
por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom la-
vrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cau-
tela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a
atenção prosperando rapidamente.
— Madame sabe: minha intenção era colher só uma peque-
na quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me
pedindo um pouco e eu não vou negar a eles. É pena madame não
experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo to-
car neste chá.
O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou
anos estudando. Achou a mãe lépida, bem-disposta.
— E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plan-
tação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal.
Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.
O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora esten-
de o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em co-
mum, é também um pouco sua.
O filho quase cai duro:
— A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na
Índia. Isso é maconha, mamãe!
(ANDRADE, C. Drummond de. Cadeira de Balanço. 11 ed. Rio de Janei-
ro: Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 7-8.)
Considere, quanto ao sentido e à sintaxe, o emprego do verbo
“haver” na frase “O jardineiro despediu-se há tempos” (1º §).
Das frases abaixo, aquela em que o verbo “haver” está em de-
sacordo com o sentido e a sintaxe da frase acima e, por isso, está
INCORRETA, é a seguinte:
(A) Os delitos relativos ao narcotráfico acontecem há muito
tempo.
(B) O verdureiro tinha saído há cerca de 2 horas.
(C) O filho estava no exterior há 5 anos.
(D) Estamos há poucos anos de uma reação para acabar com o
narcotráfico.
(E) A velhinha há 3 semanas não trabalhava na plantação.
26. IBADE - Advogado (CM Vilhena)/2018 (e mais 14 concur-
sos)
Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.
ÉTICA E MORAL
Ethos - ética, em grego - designa a morada humana. O ser hu-
mano separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito,
construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada
humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser hu-
LÍNGUA PORTUGUESA
7070
a solução para o seu concurso!
Editora
mano está sempre tornando habitável a casa que construiu para
si. Ética significa, segundo Leonardo Boff, “tudo aquilo que ajuda
a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável:
materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritu-
almente fecunda”.
A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação
dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma de-
terminada sociedade, um povo, uma religião, certa tradição cultu-
ral, etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais res-
tritos: uma instituição, um partido político. Há, portanto, muitas e
diversas morais. Isto significa dizer que uma moral é um fenômeno
social particular, que não tem compromisso com a universalidade,
isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens. Exce-
to quando atacada: justifica-se dizendo-se universal, supostamente
válida para todos. Mas, então, todas e quaisquer normas morais
são legítimas? Não deveria existir alguma forma de julgamento da
validade das morais? Existe, e essa forma é o que chamamos de éti-
ca. A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é
puramente teoria. A ética é um conjunto de princípios e disposições
voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é
balizar as ações humanas. A ética existe como uma referência para
os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade pos-
sa se tornar cada vez mais humana.
A ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a
forma de uma atitude diante da vida cotidiana, capaz de julgar cri-
ticamente os apelos críticos da moral vigente. Mas, a ética, tanto
quanto a moral, não é um conjunto de verdades fixas, imutáveis. A
ética se move, historicamente, se amplia e se adensa. Para enten-
dermos como isso acontece na história da humanidade, basta lem-
brarmos que, um dia, a escravidão foi considerada “natural”. Entre
a moral e a ética há uma tensão permanente: a ação moral busca
uma compreensão e uma justificação crítica universal, e a ética, por
sua vez, exerce uma permanente vigilância crítica sobre a moral,
para reforçá-la ou transformá-la.
A ética tem sido o principal regulador do desenvolvimento his-
tórico-cultural da humanidade. Sem ética, ou seja, sem a referência
a princípios humanitários fundamentais comuns a todos os povos,
nações, religiões etc., a humanidade já teria se despedaçado até a
autodestruição. Também é verdade que a ética não garante o pro-
gresso moral da humanidade. O fato de que os seres humanos são
capazes de concordar minimamente entre si sobre princípios como
justiça, igualdade de direitos, dignidade da pessoa humana, cidada-
nia plena, solidariedade etc., cria chances para que esses princípios
possam vir a serem postos em prática, mas não garante o seu cum-
primento.
As nações do mundo já entraram em acordo em torno de mui-
tos desses princípios. A “ Declaração Universal dos Direitos Huma-
nos”, pela ONU (1948), é uma demonstração de o quanto a ética é
necessária e importante. Mas a ética não basta como teoria, nem
como princípios gerais acordados pelas nações,povos, religiões etc.
Nem basta que as Constituições do países reproduzam esses princí-
pios ( como a Constituição Brasileira o fez, em 1988).
É preciso que cada cidadão e cidadã incorpore esses princí-
pios como uma atitude prática diante da vida cotidiana, de modo
a pautar por eles seu comportamento. Isso traz uma consequência
inevitável: frequentemente o exercício pleno da cidadania (ética)
entra em colisão frontal com a moral vigente ... Até porque, a moral
vigente , sob pressão dos interesses econômicos e de mercado, está
sujeita a constantes e graves degenerações.
(https://www.portaleducacao.com.br - Texto adptado)
No período “Não sei por que a moral vigente está sujeita a tan-
tas degenerações.» a alternativa que apresenta a expressão desta-
cada acima, de forma correta e idêntico valor, é:
(A) As sociedades por que passamos eram bastante iguais.
(B) Ela é mais considerada pelos alunos por que respeita seus
semelhantes.
(C) Não investigaram o por que daquele procedimento desres-
peitoso e inesperado.
(D) Explicou por que teve aquela atitude antiética ma frente de
todos os amigos.
(E) Precisamos entender a ética por que o mundo precisa pro-
gredir.
27. IBADE - Agente de Segurança Socioeducativo (SEJUDH
MT)/2018
Leia o texto abaixo e responsa a questão proposta.
O PASTEL E A CRIS(E)
Otto Lara Resende
Quando a crise convida ao pessimismo ou a ameaça descamba
na depressão, está na hora de ler poesia ou prosa, tanto faz.
A partir de certa altura, bom mesmo é reler. Reler sobretudo o
que nunca se leu, como repeti outro dia a um amigo que não é che-
gado à leitura. Ele mergulhou no Proust sem escafandro e se sente
mal quando vem à tona e respira o ar poluído aqui de fora.
Verdadeiro sábio era o Rubem Braga. Tinha com a vida uma
relação direta, sem intermediação intelectual. Houvesse o que
houvesse, trazia no coração uma medida de equilíbrio que era um
dom de nascença, mas era também fruto do aprendizado que só a
experiência dá. No pequeno mundo do cotidiano, sabia como nin-
guém identificar as boas coisas da vida. E assim viveu até o último
instante.
Certa vez, no auge de uma crise, crivada de discursos e de diag-
nósticos, o Rubem estava de olho nas frutas da estação. Madruga-
dor, cedinho já sabia das coisas. Quando o largo horizonte nacional
andava borrascoso, ele se punha a par das nuvens negras, mas não
mantinha o olhar fixo no pé-direito alto da crise. Baixava o olhar ao
rodapé, pois o sabor do Brasil está também no rés-do-chão.
Num dia de greve geral, inquietações no ar, tudo fechado, o
Rubem me telefonou: “Vamos ao bar Luís, na rua da Carioca? Va-
mos ver a crise de perto”. E lá fomos. O bar estava aberto e o chope,
esplêndido. Começamos por um preto duplo, que a sede era forte.
Depois mais um, agora louro. Claro que não faltou o salsichão com
bastante mostarda. Calados, mas vorazes, cumpríamos um rito. Al-
guém por perto disse que a Vila Militar tinha descido com os tan-
ques.
Saímos dali e fomos a um sebo. o Rubem comprou “Xamã”, do
Carlos Lacerda, com dedicatória. Depois pegamos o carro e volta-
mos pelo Aterro, onde se pode exercer o direito da livre eructação.
Tinha sido um perfeito programa cultural. E sem nenhum incentivo
do governo. Vi agora na televisão que o maracujá está em baixa e
me lembrei do velho Braga.
LÍNGUA PORTUGUESA
71
a solução para o seu concurso!
Editora
Nem tudo está perdido. Fui à feira e comprei também dois su-
culentos abacaxis. Caem bem nesta hora de atribulação nacional.
Só falta agora descobrir um bom pastel de palmito na Zona Norte.
Se o Rubem estivesse aí, lá iríamos nós atrás da deleitosa descober-
ta. Depois. de cabeça erguida, enfrentaríamos a crise e até o caos.
(RESENDE, O. Lara. Fonte: https://edoc.site/149572393-as-cem-melho-
res-cronicas-brasileiras-011-gpdf-pdf-free.html)
A grafia do vocábulo sublinhado em “...e se sente mal quando
vem à tona...» (§ 2) constitui um problema de ortografia, em razão
da homonímia com o vocábulo mau.
Entre as frases abaixo. aquela em que o correto é grafar MAU,
e não MAL, é:
(A) A falta de leitura toma o cidadão um ____ observador.
(B) _______ completou a leitura recomendada, o aluno supe-
rou a depressão.
(C) As crises fazem muito _____ às pessoas.
(D) Não há ______ que sempre dure.
(E) O cidadão sofria de um _____ incurável.
28. IBADE - Braçal (CM Cacoal)/2018 (e mais 1 concurso)
Texto para responder à questão.
Como surgiu a noite
No começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormeci-
da nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senho-
ra do rio. A filha de Boiúna, uma bela, tinha se casado com um rapaz
de um vilarejo nas margens do rio. Seu marido, um jovem muito
bonito, não entendia porque ela não queria dormir com ele. A filha
de Boiúna respondia sempre:
– É porque ainda não é noite.
– Mas não existe noite. Somente dia! – ele respondia.
Até que um dia a moça disse-lhe para buscar a noite na casa de
sua mãe Boiúna. Então, o jovem esposo mandou seus três fiéis ami-
gos ir pegar a noite nas profundezas do rio. Boiúna entregou-lhes a
noite dentro de um caroço de tucumã*, como se fosse um presente
para sua filha.
Os três amigos estavam carregando a tucumã quando começa-
ram a ouvir barulho de sapinhos e grilos que cantam à noite. Curio-
sos, resolveram abrir a tucumã para ver que barulho era aquele. Ao
abri-la, a noite soltou-se e tomou conta de tudo. De repente, escu-
receu.
Amoça, em sua casa, percebeu o que os três amigos fizeram.
Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se mistu-
rassem. Pegou dois fios. Enrolou o primeiro, pintou-o de branco e
disse:
– Tu serás cujubin, e cantarás sempre que a manhã vier raiando.
Dizendo isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e
saiu voando. Depois, pegou o outro foi, enrolou-o, jogou as cinzas
da fogueira nele e disse:
– Tu serás coruja, e cantarás sempre que a noite chegar. Dizen-
do isso, soltou-o, e o pássaro saiu voando.
Então, todos os pássaros cantaram a seu tempo e o dia passou
a ter dois períodos: manhã e noite.
<http://www.portalsaofrancisco.com.br/folclore/como-surgiunoite>.
(*) Tucumã: s.m. palmeira frutífera dos sertões de cujo fruto
se faz vinho.
Aalternativa que justifica corretamente o emprego da letra
maiúscula na palavra Boiúna no texto é:
(A) A palavra Boiúna é o nome da mãe da jovem moça.
(B) É o nome de um rio da região onde é contada a lenda.
(C) O vilarejo de onde veio o esposo da jovem tem o nome de
Boiúna.
(D) Boiúna é uma palavra que está sempre iniciando uma frase
no texto.
(E) Foi o nome dado pela moça a um dos pássaros que ela criou.
29. IBADE - Agente de Manutenção e Reparos (CM Caco-
al)/2018 (e mais 3 concursos)
Texto para responder à questão.
Cidades Sustentáveis
Quando falamos de preservação do meio ambiente, além da
preservação das florestas, oceanos e tudo o que faz parte da paisa-
gem natural, é importante também pensarmos nas cidades, princi-
palmente nas grandes cidades.
O ritmo acelerado de crescimento das cidades deixou mui-
tos rastros de desrespeito às pessoas e ao meio ambiente.
Mas, atualmente, as cidades estão cada vez mais envolvidas
no sentido de pensar em soluções sustentáveis para melhoria da
qualidade de vida e respeito à natureza e é justamente daí que
sai o conceito de cidades sustentáveis, ou seja, são aquelas cida-
des que adotam práticas eficientes voltadas para a melhoria da
qualidade de vida da população e desenvolvimento econômico,
sem se esquecer da preservação do meio ambiente.
<http://www.smartkids.com.br/trabalho/cidades-sustentaveis.>
Acessoem18 dez 2017. Fragmentado eAdaptado
A alternativa em que a palavra destacada deve ser registrada
obrigatoriamente com letra maiúscula, por representar um nome
próprio, é:
(A) É importante também pensarmos nas cidades, nos Municí-
pios, em bairros de grandes cidades.
(B) É importante também pensarmos nas cidades, principal-
mente São Paulo, a maior cidade do país.
(C) É importantetambém pensarmos no Saneamento Básico
das cidades, principalmente nas grandes cidades.
(D) É importante também pensarmos nas cidades, principal-
mente nos Grandes Centros.
(E) É importante também pensarmos nas cidades, principal-
mente naquelas em que a é População é numerosa.
LÍNGUA PORTUGUESA
7272
a solução para o seu concurso!
Editora
30. IBADE - Cirurgião Dentista (IAPEN AC)/2020 (e mais 4 con-
cursos)
Texto 1
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Rubel
Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste e que eu desista de você
Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver
Eu quero partilhar Eu quero partilhar
A vida boa com você Eu quero partilhar
Eu quero partilhar A vida boa com você
Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver
Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver
Eu quero partilhar Eu quero partilhar
A vida boa com você Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste, e que eu desista de você
Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Não tem, pra trás, nada
Tudo que ficou tá aqui
Se for preciso, eu giro a Terra inteira
Até que o tempo se esqueça de ir pra frente e volte atrás
Milhões de anos, quando todos continentes se encontravam
Pra que eu possa caminhar até você
Eu sei, mulher, não se vive só de peixe, nem se volta no passado
As minhas palavras valem pouco e as juras não te dizem nada
Mas se existe alguém que pode resgatar sua fé no mundo, exis-
te nós
Também perdi o meu rumo, até meu canto ficou mudo
E eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo
Mas não importa, a gente inventa a nossa vida
E a vida é boa, mas é muito melhor com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você (até o final)
Assinale a alternativa em que os vocábulos sejam acentuados
pelas mesmas regras presentes em, respectivamente, “você”, “súbi-
ta” e “desperdício”:
(A) café, rápido, índio.
(B) tô, vêm, lá.
(C) língua, está, convém.
(D) açúcar, tórax, cajú.
(E) álbum, tá, tênis.
31. IBADE - Cirurgião Dentista (IAPEN AC)/2020 (e mais 4 con-
cursos)
Texto 1
Partilhar
Rubel
Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste e que eu desista de você
Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver
Eu quero partilhar Eu quero partilhar
A vida boa com você Eu quero partilhar
Eu quero partilhar A vida boa com você
Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver
Que amor tão grande tem que ser vivido a todo instante
E a cada hora que eu tô longe, é um desperdício
Eu só tenho 80 anos pela frente
Por favor, me dá uma chance de viver
Eu quero partilhar Eu quero partilhar
A vida boa com você Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Se for preciso, eu pego um barco, eu remo
Por seis meses, como peixe pra te ver
Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste, e que eu desista de você
Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver
Eu quero partilhar
LÍNGUA PORTUGUESA
73
a solução para o seu concurso!
Editora
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Não tem, pra trás, nada
Tudo que ficou tá aqui
Se for preciso, eu giro a Terra inteira
Até que o tempo se esqueça de ir pra frente e volte atrás
Milhões de anos, quando todos continentes se encontravam
Pra que eu possa caminhar até você
Eu sei, mulher, não se vive só de peixe, nem se volta no pas-
sado
As minhas palavras valem pouco e as juras não te dizem nada
Mas se existe alguém que pode resgatar sua fé no mundo, exis-
te nós
Também perdi o meu rumo, até meu canto ficou mudo
E eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo
Mas não importa, a gente inventa a nossa vida
E a vida é boa, mas é muito melhor com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você (até o final)
Texto 2
(Fonte: https://www.dicio.com.br/partilhar/, acesso em fevereiro de
2020.)
Os Textos 1 e 2 têm formatos distintos, apesar de serem com-
plementos, assinale a alternativa que justifica a acentuação do ver-
bo em destaque:
(A) o uso de acento está incorreto porque representa o empre-
go do verbo no singular por concordar com o sujeito simples “
Os Textos 1 e 2”.
(B) o uso de acento é opcional desde a Reforma Ortográfica
porque pode concordar com “Texto 1” ou com “Texto 2”, ex-
pressando singular ou plural.
(C) o uso de acento está correto porque representa o emprego
do verbo no plural por concordar com o sujeito simples no plu-
ral “Os Textos 1 e 2”.
(D) o uso de acento está incorreto porque representa o empre-
go do verbo no plural por concordar com o sujeito composto no
plural “Os Textos 1 e 2”.
(E) o uso de acento está correto porque representa o emprego
do verbo no plural por concordar com o sujeito composto no
plural “Os Textos 1 e 2”.
32. IBADE - Recenseador (IBGE)/2020/»Teste de Homologa-
ção de Equipamentos e Sistemas»
Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Texto 2
Planeta Água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de tro-
vão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos la-
gos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d›água é misteriosa can-
ção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de
algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que enchar-
cam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da
terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra planeta água.
Guilherme Arantes
(Fonte: https://www.letras.mus.br/guilherme-arantes/46315/, acesso
em janeiro de 2020.)
LÍNGUA PORTUGUESA
7474
a solução para o seu concurso!
Editora
Assinale a alternativa que possua os vocábulos devidamente
acentuados, conforme norma padrão da Língua Portuguesa:
(A) aldéia,igarapé, sotáo.
(B) igarapé, água, arco-íris.
(C) aguá, igarapê, áldeia.
(D) cháo, igarapê, .Térra.
(E) Têrra, igarapê, âgua.
33. IBADE - Engenheiro (IDAF AC)/Agrônomo/2020 (e mais 2
concursos)
Texto 1
Antes que elas cresçam
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios
filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como ár-
vores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir
licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da
vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos dis-
cursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência
alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de
repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma
frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as
fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você
não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a
pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palha-
ços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e deso-
bediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperan-
do que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais,
ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos
soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lin-
das potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas,
com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos
ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a
gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema
da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento,
com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as
mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recompos-
to. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos
golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das ho-
ras. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas
teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios
filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi re-
cebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colhere-
mos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias
e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias
vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela
canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o
primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para
ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os len-
çóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio
de colagens, pôsteres e agendas coloridas de Pilot. Não, não as le-
vamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver
“Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes
compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afe-
to.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre em-
brulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e ami-
guinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela,
os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade
em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um
esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na
praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio
dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na
montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem
contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto
é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios
filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão
desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são
a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas
cresçam.
Affonso Romano de Sant´ Anna (Fonte: http://www.releituras.com/
arsant_antes.asp, acesso em janeiro de 2020.)
Assinale a alternativa contendo vocábulos acentuados pela
mesma regra:
(A) exílio/ divórcio/ gírias.
(B) pôsteres/ exílio/ país.
(C) órfãos/ há/ princípio.
(D) mênstruo/ pôsteres/ há.
(E) exílio/ país/ órfãos.
34. IBADE - Assistente Público Administrativo (IPVV)/2020
Das alternativas a seguir, uma contém termo que sofreu altera-
ção com o Acordo Ortográfico atual. Temos esse termo em:
(A) estoico.
(B) desarmônico.
(C) convênio.
(D) proteção.
(E) homônimo.
35. IBADE - Assistente Público Administrativo (IPVV)/2020
Com o advento do sistema ortográfico alterado há cerca de dez
anos, certas palavras ainda provocam dúvida quanto ao emprego
do acento.
A alternativa a seguir que apresenta todas as palavras na forma
correta em ortografia e acentuação está em:
(A) eleitor – voto – próximos – vigilantes.
(B) leitor – vaga – idéia – unidos.
(C) eleitor- úrna – capazes – informados.
LÍNGUA PORTUGUESA
75
a solução para o seu concurso!
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(D) eleitoral – comicio – vaga – políticos.
(E) comite – câmara – conscientes – fieis.
36. IBADE - Professor (Pref Vila Velha)/Séries Iniciais/2020
Leia o que se pede e responda à questão.
Pessoas são diferentes
São duas crianças
lindas Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!
Ruth Rocha
http://poesiaparacrianca.blogspot.com/2010/02/pessoas-sao-diferen-
tes-
sao-duas.html 24/01/2020
Em uma turma de 5º ano, ao ler o poema, surgiu a seguinte dú-
vida: por que as palavras ÓCULOS e SÓ têm acento? Um estudante
respondeu que essas duas palavras são acentuadas porque o som
da letra O - /Ó/ é o mesmo.
A justificativa do estudante está:
(A) errada, porque a letra O representa sons distintos nas duas
palavras.
(B) parcialmente errada, porque faltou a informação sobre o
plural da palavra ÓCULOS.
(C) parcialmente correta, porque só justifica o emprego do
acento agudo, mas não se refere à posição da sílaba tônica.
(D) correta, porque o acento agudo recai sobre as vogais aber-
tas átonas, como nos dois exemplos.
(E) errada, porque apesar de justificar a posição da sílaba tôni-
ca, não se refere ao fato de serem, nos dois casos, vogais aber-
tas.
37. IBADE - Auxiliar de Serviços Gerais (Pref S Luzia D›Oes-
te)/2020 (e mais 9 concursos)
TEXTO I
Vocações
Todos diziam que a Leninha, quando crescesse, ia ser médica.
Passava horas brincando de médico com as bonecas. Só que, ao
contrário de outras crianças, quando largou as bonecas não perdeu
a mania. A primeira vez que tocou no rosto do namorado foi para
ver se estava com febre. Só na segunda é que foi carinho. Ia porque
ia ser médica. Só tinha uma coisa: não podia ver sangue.
– Mas Leninha, como é que...
– Deixa que eu me arranjo.
Não que ela tivesse nojo de sangue. Desmaiava. Não podia ver
carne mal passada. Ou Ketchup. Um arranhãozinho era o bastan-
te para derrubá-la. Se o arranhão fosse em outra pessoa ela corria
para socorrê-la - era o instinto médico -, mas botava o curativo com
o rosto virado.
– Acertei? Acertei?
– Acertou o joelho. Só que é na outra perna!
Mas fez vestibular para medicina, passou e preparou-se para
começar o curso.
– E as aulas de anatomia, Leninha? Os cadáveres?
– Deixa que eu me arranjo.
Fez um trato com a Olga, colega desde o secundário.
Quando abrissemum cadáver, fecharia os olhos. A Olga des-
creveria tudo para ela.
– Agora estão tirando o fígado. Tem uma cor meio...
– Por favor, sem detalhes.
Conseguiu fazer todo o curso de medicina sem ver uma gota
de sangue. Houve momentos em que precisou explicar os olhos fe-
chados.
– É concentração, professor.
Mas se formou. Hoje é médica, de sucesso. Não na cirurgia,
claro. Se bem que chegou a pensar a convidar a Olga para fazerem
uma dupla cirúrgica, ela operando com o rosto virado e a Olga dan-
do as coordenadas.
– Mais pra esquerda... Aí. Agora corta!
Está feliz. Inclusive se casou, pois encontrou uma alma gêmea.
Foi num aeroporto. No bar onde foi tomar um cafezinho enquanto
esperava a chamada para o embarque puxou conversa com um ho-
mem que parecia muito nervoso.
– Algum problema?
– perguntou, pronta para medicá-lo.
– Não – tentou sorrir o homem
– É o avião…
– Você tem medo de voar?
– Pavor. Sempre tive.
– Então porque voa?
– Na minha profissão, é preciso.
– Qual é a sua profissão?
– Piloto.
Casaram-se uma semana depois.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. A mãe de Freud. Círculo de Livro, 1985.)
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretas
quanto à acentuação.
(A) vezes, heróico.
(B) círculo, portatil.
(C) baú, alguem.
(D) inglêses, pólicia.
(E) estátua, heroico.
LÍNGUA PORTUGUESA
7676
a solução para o seu concurso!
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38. IBADE - Professor (SEE AC)/PNS-P2/2020 (e mais 2 con-
cursos)
Texto 1
BULLYING
O termo foi cunhado na década de 70 por Dan Olweus, psicó-
logo sueco, é derivado da palavra “bully” (tirano, brutal) e significa
todo tipo de tortura física ou verbal que atormenta um grande nú-
mero de vítimas no Brasil e no mundo.
O bullying corresponde à prática de atos de violência física
ou psicológica, intencionais e repetidos, cometidos por um ou mais
agressores contra uma determinada vítima.
BULLYING NA ESCOL(A)
Conflitos entre crianças e adolescentes são comuns, pois trata-
-se de uma fase de insegurança e autoafirmação. Porém, quando os
desentendimentos são frequentes e partem para humilhações, é aí
que o bullying prolifera.
Nas escolas, as agressões geralmente são praticadas longe das
autoridades. Ocorrem normalmente na entrada ou saída do prédio,
ou ainda quando os professores não estão por perto.
Podem também acontecer de forma silenciosa, na sala de aula,
na presença do professor, com gestos, bilhetes, etc. As agressões
físicas são mais difíceis de serem escondidas e muitas vezes levam a
família a transferir a vítima para outra escola.
Geralmente, as vítimas do bullying têm vergonha e medo de
falar à família sobre as agressões que estão sofrendo e, por isso,
permanecem caladas.
As vítimas de agressão física ou verbal ficam marcadas e essa
ferida pode se perpetuar por toda a vida. Em alguns casos, a ajuda
psicológica é fundamental para amenizar a difícil convivência com
memórias tão dolorosas.
Aqui, portanto, cabem aos pais e familiares notarem os sinto-
mas das crianças e/ou adolescentes. Com isso, se perceber alguma
diferença no comportamento, é importante contactar os responsá-
veis da escola e ainda ter uma conversa franca com a pessoa que
foi agredida.
(Fonte: texto adaptado de https://www.todamateria.com.br/bullying/,
acesso em fevereiro de 2020.)
Observe as formas destacadas em “Ocorrem normalmente na
entrada ou saída do prédio, ou ainda quando os professores não
estão por perto.” e assinale a alternativa com as mesmas regras de
acentuação.
(A) céu/ vítima.
(B) média/ próprias.
(C) célula/ média.
(D) baú/ mídia.
(E) açúcar/ mídia.
39. IBADE - Assistente Educacional (SEE AC)/2020
Animais também podem ser terapeutas e ajudar no tratamen-
to de doenças
Na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. O juramento
dos matrimônios se encaixa muito bem na fidelidade dos animais
de estimação. Inclusive, hoje a última parte pode ser levada ao pé
da letra: está se tornando cada vez mais comum que os pets colabo-
rem para a recuperação de pacientes dos mais variados casos clíni-
cos. “A Terapia Assistida por Animais (TAA) consiste em tratamentos
na área da saúde, onde um animal é co-terapeuta e auxilia o pacien-
te a atingir os objetivos propostos para o tratamento”, ensina Laís
Milani, psicóloga e membro da diretoria da área de Terapia Assistida
por Animais do Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por
Animais (Inataa).
No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a entrada
de bichos de estimação é liberada desde o ano de 2009, desde que
autorizado pelo médico responsável de cada paciente. “Na verdade
sempre existiu essa solicitação, que partia de pacientes e familia-
res. Como existia demanda e isso até encurta a permanência das
pessoas no hospital, de acordo com diversos estudos, criamos esse
fluxo e o transformamos em uma rotina, com procedimentos clara-
mente definidos e institucionalizados”, explica Rita Grotto, gerente
de atendimento ao cliente do hospital.
Qual o animal certo para a pet terapia?
Nem todo animal nasceu para ser um terapeuta, por assim di-
zer. “Ele precisa ser tranquilo, ter uma personalidade que as pes-
soas possam abraçar, beijar e apertar, sem que ele reaja”, explica
o adestrador José Luis Doroci, fundador do Projeto Novo Guia. Os
animais mais comuns são os cães e os cavalos, que no geral tem um
temperamento mais dócil. Mas gatos, jabutis, peixes, coelhos e aves
também podem e são usados nesse tipo de projeto.
Não há uma recomendação específica de quem pode ser aju-
dado pela pet terapia. “Qualquer paciente pode ser beneficiado,
desde que não haja alguma contraindicação, como por exemplo,
medo de animais, alergia ou problemas de respiração, entre ou-
tros”, observa a psicóloga Fabiana Oliveira, do Instituto para Ativi-
dades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas (Ate-
ac). Porém, alguns tipos de pacientes e alguns quadros clínicos têm
um resultado já atestado, dentre os quais se destacam:
Estimula crianças
Diversos problemas infantis podem ser melhorados com o con-
vívio com animais. Um exemplo é a melhora do quadro de porta-
dores de autismo. “Elas têm muita dificuldade no contato social e
a simples presença de um animal treinado associada a atividades
adequadas para eles auxiliam nesse desenvolvimento”, relata Paula
Lopes, neuropsicóloga da Associação Brasileira de Hippoterapia e
Pet Terapia (Abrahipe) e do Centro de Reabilitação Gessy Evaristo
de Souza. Estudos mostram que as crianças autistas apresentam
diminuição nos comportamentos negativos, como agressividade,
alienação, isolamento, entre outros com a presença de cães nas
sessões, por exemplo.
LÍNGUA PORTUGUESA
77
a solução para o seu concurso!
Editora
Benefícios para os idosos
Os animais são usados principalmente em idosos que apresentam o mal de Alzheimer, mas não existem ainda muitas pesquisas corro-
borando essa relação. “Observamos, porém, que o contato com o animal proporciona alguns benefícios que podem ajudar na diminuição
do impacto emocional desta patologia”, descreve a psicóloga Laís Milani, membro da diretoria da área de Inataa. Entre os benefícios estão
a melhora do humor, relaxamento e diminuição da agressividade e do estresse, proporcionados pela doença.
Reduz o estresse
É comprovado que o contato com os animais ajuda a liberar diversos hormônios do bem: endorfinas beta, prolactina e oxitocina. Eles
todos atuam regulando as taxas de cortisol, hormônio relacionado ao estado de alerta, o que reduz o estresse. A psicóloga Laís Milani, da
Inataa, relembra outros benefícios: “Estudos indicam que a interação homem-animal traz uma sensação de bem-estar e conforto, resul-
tando na diminuição dos níveis de adrenalina, relacionado ao aumento da pressão arterial”. Além disso, essa convivência libera outro hor-
mônio, a acetilcolina, que está relacionada ao estado de tranquilidade, diminuição da pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória,
todos sintomas do estresse.
Melhora o quadro de depressãoÉ um consenso entre os especialistas que estar com um animal de estimação aumenta a autoestima, senso de valor próprio, o esta-
belecimento de hábitos positivos e o interesse pelo outro. Tudo isso pode beneficiar pacientes depressivos, que apresentam problemas
nessas áreas. «Estudos verificaram um aumento da produção e liberação da serotonina e dopamina, hormônios responsáveis pela sensa-
ção de prazer e alegria, após 15 a 20 minutos de interação com o cão», reitera a psicóloga Cristiane Blanco.
(Fonte: texto adaptado de https://www.minhavida.com.br/bem-star/galerias/16239-animais-tambem-podem-ser-terapeutas-e-ajudar-no-trata-
mento-de-doencas, acesso em fevereiro de 2020.)
Assinale a alternativa que possua vocábulo acentuado pela mesma justificativa empregada em terapêutico:
(A) saúde.
(B) benefícios.
(C) esquizofrênico.
(D) até.
(E) responsável.
40. IBADE - Professor (SEE AC)/P1/Mediador/2020
Leia a tirinha e responda ao que se pede.
(Fonte:http://dstsaidsnaadolescencia.blogspot.com/2017/08/interpretacao-das-charges.html, acesso em fevereiro de 2020.)
O vocábulo, presente na tirinha, “grávida” é acentuado pela regra ortográfica descrita em:
(A) proparoxítona a ser sempre acentuada.
(B) paroxítona a ser sempre acentuada.
(C) oxítona a ser sempre acentuada.
(D) paroxítona terminada em vogal ‘a’ deve ser sempre acentuada.
(E) oxítona terminada em vogal ‘a’ deve ser sempre acentuada.
LÍNGUA PORTUGUESA
7878
a solução para o seu concurso!
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41. IBADE - Professor (SEE AC)/P2/Atendimento Educacional
Especializado/2020 (e mais 13 concursos)
Texto 1 - Evasão escolar
Uma pesquisa recente do Banco Mundial revelou que 52% dos
jovens brasileiros entre 19 a 25 anos largaram os estudos, não se
dedicam minimamente à escola ou estão com a formação atrasada.
O dado é alarmante.
A mesma pesquisa ainda nos revela outras informações, como
o fato de que, atualmente, 43% da população no Brasil acima dos 25
anos não completaram o Ensino Médio.
Contrariando o senso comum de que a maior causa da evasão
escolar é os jovens deixarem as salas de aula para trabalharem, o
abandono da escola começa com faltas esporádicas, devido à falta
de interesse do aluno.
Mesmo entre a juventude que continua nas salas de aula –
contando adolescentes e jovens acima dos 18 anos -, constata-se
que 62% não estudam no ano adequado a sua idade.
A partir dos dados acima, é necessário fazer um levantamento
das principais causas da evasão escolar a fim de entender a raiz des-
se problema, portanto destacam-se:
Distância - principalmente entre os alunos da educação infantil
e do começo do ensino fundamental, a distância entre a residência
e a escola pode ser um fator determinante para a ausência do aluno
das salas de aula. A oferta de transporte escolar por parte de órgãos
públicos poderia ser uma solução viável para esse problema.
• Desinteresse - mais presente entre alunos do final do ensino
fundamental ou do ensino médio, o desinteresse é a principal causa
da evasão escolar. Criticado por educadores, o atual sistema de en-
sino é considerado ultrapassado. Profissionais do ramo acreditam
que o tradicional “aluno em carteiras enfileiradas e um professor
na frente da sala” não funciona mais como outrora, sendo cada vez
mais necessária uma mudança.
• Situação econômica desfavorável - relacionada às duas cau-
sas citadas, faz-se necessário mais um contribuinte para pagar as
contas de casa – acarretando, então, no abandono da escola pelo
jovem e a consequente inserção precoce no mercado de trabalho.
Essa causa é uma das mais comuns para a evasão escolar. Não
conseguindo conciliar os estudos com as atividades laborais, o jo-
vem prefere trabalhar com o que der desde cedo para conseguir sua
autonomia financeira – mesmo que com um baixo salário.
A não conclusão dos estudos, no entanto, faz com que esse
jovem seja classificado com uma baixa qualificação perante outros
concorrentes formados.
(Fonte: texto adaptado de https://escolaweb.com.br/artigos/conhe-
ca-as-principais-causas-da-evasao-escolar/, acesso em fevereiro de
2020.)
Após leitura do trecho “o jovem prefere trabalhar com o que
der desde cedo para conseguir sua autonomia financeira – mesmo
que com um baixo salário.”, marque a alternativa que descreve a
acentuação da palavra destacada:
(A) monossílabo tônico.
(B) paroxítona terminada em ditongo.
(C) proparoxítona.
(D) oxítona terminada em vogal oral ‘o’.
(E) hiato em posição paroxítona.
42. IBADE - Professor (SEE AC)/PNS-P2/Linguagens/2020 (e
mais 1 concurso)
Texto 3
“Era profundamente derrotado pelo mundo em que vivia. E se-
parara-se das pessoas pela sua derrota e por sentir que os outros
também eram derrotados. Ele não queria fazer parte de um mun-
do onde, por exemplo, o rico devorava o pobre. Como parecia-lhe
um movimento apenas romântico, o seu, se se agregasse aos que
lutavam contra o esmagamento da vida como esta era, então fe-
chou-se numa individualização que, se não tomasse cuidado, podia
se transformar em solidão histérica ou meramente contemplativa.
Enquanto não viesse algo melhor, procurava relacionar-se com os
outros derrotados por intermédio de uma espécie de amor torto,
que atingia tanto os outros como, de algum modo, a si próprio.”
Fonte: http://notaterapia.com.br/2019/02/28/vender-alma-no-coti-
diano-13-cronicas-curtas-de-clarice-lispector/, acesso em fevereiro de
2020
“Próprio” é palavra usada no texto, qual a justificativa para seu
emprego de acentuação:
(A) proparoxítona.
(B) paroxítona terminada em vogal ‘o’.
(C) paroxítona terminada em ditongo.
(D) hiato em posição paroxítona.
(E) hiato em posição oxítona.
43. IBADE - Recenseador (IBGE)/2019
Empresa alfabetiza auxiliares de limpeza em vez de demiti-los
por não saberem ler
Nátaly Bonato é community manager da WeWork Paulista,
um espaço de trabalho compartilhado, na Avenida Paulista, em São
Paulo. Para resolver problemas de limpeza da unidade, Nátaly ima-
ginou que um relatório seria o suficiente.
O relatório deveria ser preenchido pelos funcionários da lim-
peza todos os dias dizendo se a sala do cronograma tinha sido limpa
e, caso não, colocar um comentário explicando o porquê.
“O relatório demorou uma semana para chegar e, quando veio,
o banheiro virou um caos. Não entendi nada, nos reunimos e a des-
coberta foi que 50% do time (terceirizado) era iletrado”, escreveu
Nátaly no Facebook.
Em vez de trocar a equipe [o que infelizmente é uma prá-
tica bastante recorrente], Nátaly teve uma ideia muito melhor:
procurar nas escolas que fazem parte da WeWork alguém que
pudesse alfabetizar os auxiliares de limpeza. Foi assim que ela
conheceu a pedagoga Dani Araujo, da MasterTech, que topou o
desafio.
“As pessoas não são descartáveis. Eu não queria que alguém
passasse pela minha vida sem ter o meu melhor, sem que eu
pudesse tentar. Então, eu não queria que eles saíssem daqui um
dia e continuassem tendo aquelas profissões porque eles não
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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tinham escolha”, disse Nátaly em entrevista ao Razões para Acre-
ditar.
As aulas aconteciam às terças e quintas-feiras, no horário
de almoço, e duravam 1 hora e meia. “Foi ousado participar des-
se projeto. Não tinha experiência com letramento para adultos.
Vibrei e chorei com cada conquista que fazíamos juntos, me sin-
to privilegiada pelo aprendizado que eles me proporcionaram”,
afirmou a pedagoga, que continuou dando as aulas mesmo de-
pois de se desligar da MasterTech.
Cinco meses depois, Irene, Neuraci e ‘Madruga’ já conse-
guiam escrever uma carta. Para celebrar essa conquista, Nátaly e
seu time organizaram uma formatura surpresa. “Na hora que eu
vi eles vindo de beca, eu comecei a desfalecer de chorar e não
só eu! Todo mundo. A gente fez na área comum da WeWork”,
lembra Nátaly. “Foi muito incrível mesmo. Acho que é a melhor
experiência da minha vida”.
E eles tiveram inclusive “formatura” com direito à beca e
tudo!
Por Redação.Disponível em: https://razoesparaacreditar.com.08/01/2018.
Acesso em 05/07/2019
Assinale a opção em que a palavra destacada foi acentuada de
acordo com a mesma regra de acentuação do verbo SAIR em: EU
NÃO QUERIA QUE ELES SAÍSSEM.
(A) No ÍNTIMO, eles sabiam a verdade
(B) Aqueles funcionários eram INCANSÁVEIS
(C) Todos os trabalhos eram pedidos com URGÊNCIA.
(D) Cerca de um entre TRÊS brasileiros não é capaz de assinar
o próprio nome
(E) Depois que se machucou, os pés ficaram DOÍDOS por um
bom tempo
44. IBADE - Técnico Administrativo em Educação (IF RO)/Ad-
ministrador/2019 (e mais 7 concursos)
“Viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, sur-
gir de ombros e braços nus, para dançar. A Lua destoldara-se nesse
momento, envolvendo-a na sua coma de prata, e cujo refulgir os
meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça
irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso,
com muito de serpente e muito de mulher.
Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebo-
lando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda,
ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num re-
quebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga
empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como
se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que
se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltas-
se à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar
e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os
quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente,
erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro,
sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tiri-
lando.”
O cortiço. Aluísio de Azevedo.
Assinale a alternativa em que todas as palavras são acentuadas
pela mesma regra que explica o uso do acento agudo em “paraíso”:
(A) miséria-critério-hemisfério.
(B) saúde-saúva-saída.
(C) chá-crê-pó.
(D) árvore-patético-xícara.
(E) jabá-chuIé-mocotó.
45. IBADE - Motorista (Pref Jaru)/Veículo Leve/Transporte
de Emergência/2019 (e mais 2 concursos)
MINHA HISTÓRI(A)
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com olhar cada dia mais longe
Esperando parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci, minha mãe
embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma
espécie de santo
(...)
(Chico Buarque)
A alternativa em que todas as palavras se acentuam de acordo
com a norma culta da língua é:
(A) límpido – armazém – jóia.
(B) enjôo – lâmpada – estréia.
(C) assembléia – saída – boêmio.
(D) paranóia – juiz – raiz.
(E) troféu – egoísmo – saúde.
46. IBADE - Administrador de Empresas (Pref Vilhena)/2019 (e
mais 46 concursos)
Com base no Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
e nas regras de acentuação gráfica das palavras paroxítonas, levam
acento agudo as seguintes palavras:
I. amável
II. ímpar.
III. enjôo
IV. córtex
V. bóia.
Estão corretas:
(A) somente I e II.
(B) somente I, II e III.
(C) somente I, II e IV.
(D) somente II e IV.
(E) somente I, II, IV e V.
LÍNGUA PORTUGUESA
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47. IBADE - Agente Administrativo (Pref Vilhena)/2019 (e mais
20 concursos)
Em relação ao acento tônico de palavras paroxítonas, assinale
a alternativa correta.
(A) Material, vívido, dinâmico
(B) Prefeitura, barro, miserável
(C) Fundamental, melão, sofá
(D) Café, felicíssimo, fenomenal
(E) Condição, amanhã, carismático
48. IBADE - Agente Administrativo (Pref Vilhena)/2019 (e mais
20 concursos)
De acordo com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portugue-
sa e com base na acentuação gráfica dos ditongos representados
por ei e oi da silaba tônica das palavras paroxítonas, a(s) palavra(s)
grafada(s) corretamente é(são):
I. Proteico.
II. Idéia.
III. Bóia.
IV. Aldeia.
V. Assembléia.
Está(ão) correta(s):
(A) somente I.
(B) somente I e IV.
(C) somente II, III, IV e V.
(D) somente II, III e V.
(E) I, II, III, IV e V.
49. IBADE - Auxiliar Administrativo (Pref Vilhena)/2019 (e
mais 1 concurso)
De acordo com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portugue-
sa e com base na acentuação gráfica dos ditongos representados
por ei e oi da silaba tônica das palavras paroxítonas, a(s) palavra(s)
grafada(s) corretamente é(são):
I. oitenta.
II. proteico.
III. aldeia.
IV. heróico.
V. alcatéia.
Está(ão) correta(s):
(A) somente I.
(B) somente I e IV.
(C) somente II, III, IV e V.
(D) somente II e III.
(E) I, II, III, IV e V.
50. IBADE - Auxiliar Administrativo (Pref Vilhena)/2019 (e
mais 1 concurso)
A palavra grafada INCORRETAMENTE em relação ao uso de
acento circunflexo é:
(A) cortês.
(B) avô.
(C) você.
(D) robô.
(E) vôo.
51. IBADE - Agente Administrativo (Pref Seringueiras)/2019 (e
mais 21 concursos)
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa publicado no DE-
CRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008, define as regras da
acentuação gráfica. Analise as palavras:
I – idéia.
II – frequente.
III - contracheque.
Considerando o conteúdo desse acordo, está(ão) correta(s):
(A) somente I.
(B) somente II.
(C) somente I e III.
(D) somente II e III.
(E) I, II e III.
52. IBADE - Assistente Social (Pref Seringueiras)/2019 (e mais
18 concursos)
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa publicado no DE-
CRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008, define a acentuação
gráfica. Considerando o conteúdo desse acordo, estão corretas to-
das as palavras da alternativa:
(A) vôo / ideia / frequente / contra cheque / contra ataque.
(B) voo / idéia / freqüente / contracheque / contra-ataque.
(C) voo / ideia / frequente / contra-cheque / contra-ataque.
(D) voo / idéia / frequente / contra-cheque / contra ataque.
(E) voo / ideia / frequente / contracheque / contra-ataque.
53. IBADE - Almoxarife (Pref Seringueiras)/2019 (e mais 2 con-
cursos)
Devem ser acentuadas todas as palavras da opção:
(A) ritmo - boia – lapis.
(B) trofeu - juri – gas.
(C) chines - ruim – Piaui.
(D) juriti - gratis – atras.
(E) feiura – deem – pera.
54. IBADE - Soldado (PM RN)/2018
O ANJO DA NOIT(E)
O guarda-noturno caminha com delicadeza, para não assustar,
para não acordar ninguém. Lá vão seus passos vagarosos, cadencia-
dos, cosendo a sua sombra com a pedra da calçada.
Vagos rumores de bondes, de ônibus, os últimos veículos, já
sonolentos, que vão e voltam quase vazios. O guarda-noturno, que
passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o
choro de alguma criança, um resto de conversa, alguma risada. Mas
vai andando. A noite é serena, a rua está em paz, o luar põe uma
névoa azulada nos jardins, nos terraços, nas fachadas: o guarda no-
turno para e contempla.
A noite, o mundo é bonito, como se não houvesse desacordos,
aflições, ameaças. Mesmo os doentes, parece que são mais felizes:
esperam dormir um pouco à suavidade da sombra e do silêncio. Há
LÍNGUA PORTUGUESA
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muitos sonhos em cada casa. É bom ter uma casa, dormir, sonhar. O
gato retardatário que volta apressado, com certo ar de culpa, num
pulo exato galga o muro e desaparece; ele também tem o seu can-
tinho para descansar. O mundo podia ser tranquilo. As criaturas po-
diam ser amáveis. No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno, traz
um bom revólver no bolso, para defender uma rua ...
E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto pare-
ce apontar da esquina, o guarda-noturno torna a trilhar longamen-
te, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro.
E recomeça a andar, passo a passo, firme e cauteloso, dissi-
pando ladrões e fantasmas. É a hora muito profunda em que os
insetos do jardim estão completamente extasiados, ao perfume da
gardênia e a brancura da lua. E as pessoas adormecidassentem,
dentro de seus sonhos, que o guarda noturno está tomando conta
da noite, a vagar pelas ruas, anjo sem asas, porém armado.
(MElRELES,Cecilia.Quadrante2.Inwww.gotasdeliteraturabrasileira.
blogspot.com)
Sobre a acentuação gráfica dos vocábulos do texto estão corre-
tas as afirmativas abaixo, EXCETO:
(A) ônibus, últimos e veículos acentuam-se em obediência à
mesma regra: são proparoxítonas.
(B) rádio acentua-se em obediência à mesma regra que justifica
o acento gráfico em névoa e retardatário.
(C) revólver acentua-se pela mesma razão por que são acentu-
ados os vocábulos âmbar e caráter.
(D) também e porém acentuam-se por serem oxítonas, ao con-
trário de temem e podem, que são paroxítonas.
(E) amáveis e gardênia acentuam-se por serem paroxítonas: a
primeira por estar no plural e a segunda, no singular.
55. IBADE - Oficial de Diligência (CM Porto Velho)/2018 (e
mais 5 concursos)
As Boas Coisas da Vida
Rubem Braga
Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para
dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar de-
masiado, fiz esta pequena lista:
- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exem-
plo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem
numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um
certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.
- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa
confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estra-
nha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas.
E acontecerem.
- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola,
sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute
perfeito-e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.
- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pe-
daço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.
- Aquele momento em que você sente que de um velho amor
ficou uma grande amizade - ou que uma grande amizade está viran-
do, de repente, amor.
- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal,
para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne- essa
amaldiçoada.
- Viajar, partir ...
-Voltar.
- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive
no Brasil, voltar para o Rio.
- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma
solução, a morte - o assim chamado descanso eterno.
Texto adaptado de BRAGA, R., As Boas Coisas da
Vida, 1988.
O acento gráfico da palavra “dará” é justificado pela mesma
regra que determina a acentuação da palavra:
(A) grajaú.
(B) você.
(C) várias.
(D) adorável.
(E) dá.
56. IBADE - Agente Comunitário de Saúde (Pref Ji-Para-
ná)/2018 (e mais 2 concursos)
Assinale a alternativa cuja palavra está acentuada pela mesma
regra de acentuação que a palavra EQUILÍBRIO:
(A) políticas.
(B) várias.
(C) ecológico.
(D) mínimo.
(E) econômico.
57. IBADE - Advogado (CRMV ES)/2018
Aplicativos: inovação em transporte
Rio - A inovação é o fator mais importante para o desenvolvi-
mento econômico. A concorrência só existe em razão da inovação,
das melhorias realizadas no produto. As empresas não devem ba-
sear suas estratégias empresariais de crescimento e maximização
dos lucros apenas e tão somente na variável preço, e sim devem se
tornar competitivas “através de novas mercadorias, novas tecnolo-
gias, novas fontes de oferta, novos tipos de organização (a grande
unidade de controle em larga escala)”, concorrência esta que co-
manda uma vantagem decisiva de custo ou qualidade e que atinge
não a fímbria dos lucros e das produções das firmas existentes, mas
suas fundações e suas próprias vidas.
A empresa que não se atualiza, morre asfixiada! O consumidor
gosta do novo, do melhor, e do custo-benefício que o produto gera
a ele.
Quando falamos de Uber, não é diferente. O Uber é mais uma
inovação conjunta de um serviço já prestado, não é concorrência
desleal, não se pode limitar uma prestação de serviço por fazer con-
corrência a outra. A concorrência existe, é real e é benéfica para a
sociedade, cuja finalidade é o bem maior.
O contraposto veio para o taxista, que deverá melhorar sua
forma de atender o cliente: carro limpo, carro arrumado, sem chei-
ro de cigarro, sem mau humor e o mais importante, não poder dizer
“não” ao cliente em razão do pequeno trajeto a ser realizado; o
que se vê em épocas de grandes eventos aqui na cidade do Rio de
LÍNGUA PORTUGUESA
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a solução para o seu concurso!
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Janeiro, como no carnaval e no ano novo.
Alguns taxistas já aderiram a aplicativos, como o ‘Taxi Rio’, no
qual a relação de preço e o atendimento são tão bons quanto o
Uber. Hoje já podemos notar que a concorrência no setor de trans-
porte privado vem fazendo a diferença, e o beneficiado costumei-
ramente é o consumidor!
A concorrência é um dos Princípios da Ordem Econômica, pre-
visto no artigo 170, da Carta Magna, sendo fator essencial para o
desenvolvimento econômico e o bem estar do consumidor. No caso
‘Táxi x Uber’, e ‘Táxi x Táxi aplicativo’, o que observamos é a mu-
dança vindo com uma roupagem nova na prestação do serviço já
existente, e o fim do monopólio do serviço de transporte individual
dos táxis.
Para concluir, é necessário dar ênfase tanto ao princípio da
livre concorrência quanto ao da livre iniciativa, que possuem como
objetivo proteger os agentes econômicos, as pessoas físicas e jurí-
dicas e os consumidores de quaisquer atos ou condutas que pos-
sam impedir, dificultar, obstruir, falsear ou restringir as atividades
econômicas e o mercado em si, mediante o abuso do poder eco-
nômico.
Por Fernanda Pereira - Advogada criminalista
Retirado em: https://odia.ig.com.br/opiniao/2018/10/5581463-
aplicativos-inovacao-em-transporte.html#foto=1
A palavra “concorrência” é acentuada da mesma forma que:
(A) Míope
(B) Nobel
(C) Cateter
(D) Quilômetro
(E) Imundície
58. IBADE - Aluno Soldado (PM AC)/Combatente/2017
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos
celulares. Fossem só para falar,já seria ruim. Mas servem também
para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com
imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejan-
do a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada. Se depender
do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos·, o tempo dos “selfies”
está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridí-
cula a mania delirar retratos de si mesmos em qualquer ocasião.
Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
“Fulaninha? Tira foto na frente do espelho,” Hábito que pode
ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar
sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas
entregue, no inicio da adolescência, a descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira
um Eiffel” tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá,
Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece
- e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no
caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma
espécie de degradação da experiência.
Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estada em
Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido
como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez
de simplesmente viajar, posso estar fugindo das minhas próprias
sensações. [ ...]
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa via-
jar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge
do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel: o que fazer com ela?
O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me a paisagem, sentir como respiro diante da-
quela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar
atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me
diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral semclero e
sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como
o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circun-
ferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há
ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo
na torre Eiffel. O mundo se fechou no visar do aparelho. Não por
acaso eu visor, fazendo uma careta idiota: dou de costas para o
monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.
[ ... ]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se
que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma
catastrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesqui-
sador recupere os “selfies” e e as fotos de batata frita.
“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa
seria dizer: “Como eram tontas! Dependerá, por certo, dos humo-
res do pesquisador.
COELHO , Marcelo . Dísponlvel em : < http: //www1 .fo!lha . uol.com.
br/ fs p /i! u slra da/16 252 5- selfies.shtml>. Acessoem 19mar. 2017
Dentre as opções a seguir assinale a única em que a palavra
destacada foi acentuada segundo a mesma regra de RUIDOS (pa-
rágrafo 9).
(A) O aparelho estava em lugar ÚMIDO.
(B) O celular era como um IMÃ que os atraia.
(C) Ele usava a imagem de um ÍCONE.
(D) Sena COMPREENSÍVEL se eles fotografassem a paisagem.
(E) Aquilo prejudicava a SAÚDE mental.
59. IBADE - Analista em Previdência (IPERON)/Administra-
dor/2017 (e mais 6 concursos)
Texto para responder à questão.
O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram
como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam.
Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça,
bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada-com-
-queijo.
Ele ... Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que
a emocionou I perguntou-lhe:
- E se me desculpe. senhorinha, pose;o convidar a passear?
- Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele
mudasse de id eia,
- E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
-Macabéa.
-Maca-oquê?
LÍNGUA PORTUGUESA
83
a solução para o seu concurso!
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- Béa, foi ela obrigada a completar.
- Me desculpe, mas até parece doença. doença de pele.
- Eu também acho esquisito. mas minha mãe botou ele por
promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse. até um
ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome. eu pre-
feria continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que
ninguém tem mas parece que deu certo - parou um instante reto-
mando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor
- pois como o senhor vê eu vinguei ... pois é ...
- Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande
dívida de honra.
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa
e pararam diante da vitrine de uma loja de ferragem onde estavam
expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E
Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura,
disse ao recém-namorado:
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fini-
nha que ensopava ps ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos
caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas
escorrendo
Da terceira vez que se encontraram - pois não é que estava
chovendo? - ‘ o rapaz, irritado e perdendo o leve verniz de finura
que o padrasto a custo lhe ensinara, disse-lhe:
- Você também sô sabe é mesmo chover!
-Desculpe.
Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar
dele, eslava em desespero de amor.
Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-
-lhe o nome.
- Olímpico de Jesus Moreira Chaves - mentiu ele porque tinha
como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm
pai. Fora criado por um padrasto que lhe ensinara o modo fino de
tratar pessoas para se aproveitar delas e lhe ensinara como pegar
mulher.
- Eu não entendo o seu nome - disse ela. - Olímpico?
Macabéa fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela
nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas
ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola
e que ele não sabia responder. Disse aborrecido:
- Eu sei mas não quero dizer!
- Não faz mal, não faz mal , não faz mal .. a gente não precisa
entender o nome. .
[ ... ] Olímpico de Jesus trabalhava de operário numa meta-
lúrgica e ela nem notou que ele não se chamava ·operário” e sim
“metalúrgico”, Macabéa ficava contente com a posição social dele
porque tinha orgulho de ser datilógrafa, embora ganhasse menos
que o salário mínimo. Mas ela e Olímpico eram alguém no mundo.
“Metalúrgico e datilógrafa” formavam um casal de classe.
LISPECTOR. Clarice. A hora da estrela . Rio de Janeiro: Rocco,
1998, 30 ian. p. 43 - 45. (Fragmento)
A acentuação é um terna inerente aos postulados gramaticais
que, indiscutivelmente, concebe-se como um fator relevante, em se
tratando da linguagem escrita. No texto, são acentuadas, seguindo
a mesma regra de acentuação, as palavras:
(A) silêncio, operário, salário,
(B) metalúrgico, Macabéa, você.
(C) alguém, datilógrafa, têm
(D) até, fôlego, vê.
(E) só, já, torná-lo.
60. IBADE - Analista em Previdência (IPERON)/Atuário/2017
(e mais 1 concurso)
A mulher que ia navegar
O anúncio luminoso de um edifício em frente, acendendo e
apagando, dava banhos intermitentes de sangue na pele de seu
braço repousado, e de sua face. Ela estava sentada junto à janela
e havia luar; e nos intervalos desse banho vermelho ela era toda
pálida e suave.
Na roda havia um homem muito inteligente que falava muito;
havia seu marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso; uma se-
nhora morena de riso fácil e engraçado; um físico, uma senhora re-
centemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que falava
de política e de pintura? Ela não dava atenção a ninguém. Quieta,
às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, ela apenas
mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. Senti que ela fruía
nisso um prazer silencioso e longo. “Muito!”, disse quando alguém
lhe perguntou se gostara de um certo quadro - e disse mais algumas
palavras; mas mudou um pouco a posição do braço e continuou a se
mirar, interessada em si mesma, com um ar sonhador.
Quando começou a discussão sobre pintura figurativa, abstrata
e concreta, houve um momento em que seu marido classificou cer-
to pintor com uma palavra forte e vulgar; ela ergueu os olhos para
ele, com um ar de censura; mas nesse olhar havia menos zanga do
que tédio. Então senti que ela se preparava para o enganar.
Ela se preparava devagar, mas sem dúvida e sem hesitação ín-
tima nenhuma; devagar, como um rito. Talvez nem tivesse pensado
ainda que homem escolheria, talvez mesmo isso no fundo pouco
lhe importasse, ou seria, pelo menos, secundário. Não tinha pressa.
O primeiro ato de sua preparação era aquele olhar para si mesma,
para seu belo braço que lambia devagar com os olhos, como uma
gata se lambe no corpo; era uma lenta preparação. Antes de se en-
tregar a outro homem, ela se entregaria longamente ao espelho,
olhando e meditando seu corpo de 30 anos com uma certa satisfa-
ção e uma certa melancolia, vendo as marcas do maiô e da mater-
nidade e se sorrindo vagamente, como quem diz: eis um belo barco
prestes a se fazer ao mar; é tempo.
Talvez tenha pensado isso naquele momento mesmo; olhou-
-me, quase surpreendendo o olhar com que eu estudava; não sei;
em todo caso, me sorriu e disse alguma coisa, mas senti que eu
não era o navegador que ela buscava. Então, como se estivesse
despertando, passou a olhar uma a uma as pessoas da roda; quan-
do se sentiu olhado, o homem inteligente que falava muito conti-
nuou a falar encarando-a, a dizer coisas inteligentes sobre homem
e mulher; ela ia voltar os olhos para outro lado, mas ele dizia logo
outra coisa inteligente, como quem joga depressa mais quirera de
milho a uma pomba. Ela sorria, mas acabou se cansando daquele
fluxo de palavras, e o abandonouno meio de uma frase. Seus olhos
passaram pelo marido e pelo pequeno pintor louro e então senti
que pousavam no físico. Ele dizia alguma coisa à mulher recente-
mente desquitada, alguma coisa sobre um filme do festival. Era um
homem moreno e seco, falava devagar e com critério sobre arte e
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a solução para o seu concurso!
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sexo. Falava sem pose, sério; senti que ela o contemplava com uma
vaga surpresa e com agrado. Estava gostando de ouvir o que ele
dizia à outra. O homem inteligente que falava muito tentou chamar-
-lhe a atenção com uma coisa engraçada, e ela lhe sorriu; mas logo
seus olhos se voltaram para o físico. E então ele sentiu esse olhar e
o interesse com que ela o ouvia, e disse com polidez:
– A senhora viu o filme?
Ela fez que sim com a cabeça, lentamente, e demorou dois
segundos para responder apenas: vi. Mas senti que seu olhar já es-
tudava aquele homem com uma severa e fascinada atenção, como
se procurasse na sua cara morena os sulcos do vento do mar e, no
ombro largo, a secreta insígnia do piloto de longo, longo curso.
Aborrecido e inquieto, o marido bocejou – era um boi esque-
cido, mugindo, numa ilha distante e abandonada para sempre. É
estranho: não dava pena.
Ela ia navegar.
BRAGA, Rubem. A mulher que ia navegar. In: Rubem Braga.
Recado da primavera. 5. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991. p.80-
82.
Sobre a acentuação da palavra destacada em “Senti que ela
FRUÍA nisso um prazer silencioso e longo.” pode-se afirmar que:
(A) estáemdesacordo com a nova ortografia.
(B) é facultativo o uso do acento no i tônico formador de
hiato.
(C) não se acentuam graficamente os ditongos abertos.
(D) o i tônico, sozinho na sílaba, formando hiato com a vogal
anterior, deve ser acentuado.
(E) o i tônico de palavras paroxítonas, quando precedidos de
ditongo, deve ser acentuado
.
GABARITO
1 C
2 C
3 A
4 D
5 C
6 C
7 B
8 D
9 A
10 D
11 A
12 D
13 B
14 C
15 B
16 E
17 E
18 C
19 E
20 D
21 B
22 D
23 D
24 A
25 D
26 D
27 A
28 A
29 B
30 A
31 E
32 B
33 A
34 A
35 A
36 C
37 E
38 E
39 C
40 A
41 B
42 C
43 E
44 B
45 E
46 C
47 B
48 B
49 D
50 E
51 D
52 E
53 B
54 E
55 B
56 B
57 E
58 E
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60 D
ANOTAÇÕES
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RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
LÓGICA: PROPOSIÇÕES, CONECTIVOS. ESTRUTURA LÓGI-
CA DE RELAÇÕES ARBITRÁRIAS ENTRE PESSOAS, LUGARES,
OBJETOS OU EVENTOS FICTÍCIOS
Raciocínio lógico é o modo de pensamento que elenca
hipóteses, a partir delas, é possível relacionar resultados, obter
conclusões e, por fim, chegar a um resultado final.
Mas nem todo caminho é certeiro, sendo assim, certas
estruturas foram organizadas de modo a analisar a estrutura da
lógica, para poder justamente determinar um modo, para que
o caminho traçado não seja o errado. Veremos que há diversas
estruturas para isso, que se organizam de maneira matemática.
A estrutura mais importante são as proposições.
Proposição: declaração ou sentença, que pode ser verdadeira
ou falsa.
Ex.: Carlos é professor.
As proposições podem assumir dois aspectos, verdadeiro ou
falso. No exemplo acima, caso Carlos seja professor, a proposição é
verdadeira. Se fosse ao contrário, ela seria falsa.
Importante notar que a proposição deve afirmar algo,
acompanhado de um verbo (é, fez, não notou e etc). Caso a nossa
frase seja “Brasil e Argentina”, nada está sendo afirmado, logo, a
frase não é uma proposição.
Há também o caso de certas frases que podem ser ou não
proposições, dependendo do contexto. A frase “N>3” só pode
ser classificada como verdadeira ou falsa caso tenhamos algumas
informações sobre N, caso contrário, nada pode ser afirmado.
Nestes casos, chamamos estas frases de sentenças abertas, devido
ao seu caráter imperativo.
O processo matemático em volta do raciocínio lógico nos
permite deduzir diversas relações entre declarações, assim,
iremos utilizar alguns símbolos e letras de forma a exprimir estes
encadeamentos.
As proposições podem ser substituídas por letras minúsculas
(p.ex.: a, b, p, q, …)
Seja a proposição p: Carlos é professor
Uma outra proposição q: A moeda do Brasil é o Real
É importante lembrar que nosso intuito aqui é ver se a
proposição se classifica como verdadeira ou falsa.
Podemos obter novas proposições relacionando-as entre si.
Por exemplo, podemos juntar as proposições p e q acima obtendo
uma única proposição “Carlos é professor e a moeda do Brasil é o
Real”.
Nos próximos exemplos, veremos como relacionar uma ou
mais proposições através de conectivos.
Existem cinco conectivos fundamentais, são eles:
^: e (aditivo) conjunção
Posso escrever “Carlos é professor e a moeda do Brasil é o
Real”, posso escrever p ^ q.
v: ou (um ou outro) ou disjunção
p v q: Carlos é professor ou a moeda do Brasil é o Real
: “OU” EXCLUSIVO (ESTE OU AQUELE, MAS NÃO AMBOS)
OU DISJUNÇÃO EXCLUSIVA (REPARE O PONTO ACIMA DO
CONECTIVO).
p v q: Ou Carlos é professor ou a moeda do Brasil é o Real (mas
nunca ambos)
¬ ou ~: negação
~p: Carlos não é professor
->: implicação ou condicional (se… então…)
p -> q: Se Carlos é professor, então a moeda do Brasil é o Real
⇔: Se, e somente se (ou bi implicação) (bicondicional)
p ⇔ q: Carlos é professor se, e somente se, a moeda do Brasil
é o Real
Vemos que, mesmo tratando de letras e símbolos, estas
estruturas se baseiam totalmente na nossa linguagem, o que torna
mais natural decifrar esta simbologia.
Por fim, a lógica tradicional segue três princípios. Podem
parecer princípios tolos, por serem óbvios, mas pensemos aqui, que
estamos estabelecendo as regras do nosso jogo, então é primordial
que tudo esteja extremamente estabelecido.
1 – Princípio da Identidade
p=p
Literalmente, estamos afirmando que uma proposição é igual
(ou equivalente) a ela mesma.
2 – Princípio da Não contradição
p = q v p ≠ q
Estamos estabelecendo que apenas uma coisa pode acontecer
às nossas proposições. Ou elas são iguais ou são diferentes, ou seja,
não podemos ter que uma proposição igual e diferente a outra ao
mesmo tempo.
3 – Princípio do Terceiro excluído
p v ¬ p
Por fim, estabelecemos que uma proposição ou é verdadeira
ou é falsa, não havendo mais nenhuma opção, ou seja, excluindo
uma nova (como são duas, uma terceira) opção).
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
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a solução para o seu concurso!
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DICA: Vimos então as principais estruturas lógicas, como
lidamos com elas e quais as regras para jogarmos este jogo. Então,
escreva várias frases, julgue se são proposições ou não e depois
tente traduzi-las para a linguagem simbólica que aprendemos.
EQUIVALÊNCIAS LÓGICAS
Diz-se que duas ou mais proposições compostas são equivalen-
tes, quando mesmo possuindo estruturas lógicas diferentes, apre-
sentam a mesma solução em suas respectivas tabelas verdade.
Se as proposições P(p,q,r,...) e Q(p,q,r,...) são ambas TAUTOLO-
GIAS, ou então, são CONTRADIÇÕES, então são EQUIVALENTES.
Exemplo
Dada as proposições “~p → q” e “p v q” verificar se elas são
equivalentes.
Vamos montar a tabela verdade para sabermos se elas são
equivalentes
OBSERVAMOS QUE AS PROPOSIÇÕES COMPOSTAS “~P → Q”
E “P Q” SÃO EQUIVALENTES.
~P → Q ≡ P Q OU ~P → Q P Q, ONDE “≡” E “ ” SÃO
OS SÍMBOLOS QUE REPRESENTAM A EQUIVALÊNCIA ENTRE
PROPOSIÇÕES.
Equivalências fundamentais (Propriedades Fundamentais): a
equivalência lógica entre as proposições goza das propriedades si-
métrica, reflexiva e transitiva.
1 – Simetria (equivalência por simetria)
A) P ^ Q Q ^ P
B) P V Q Q V P
D) P ↔ Q Q ↔ P
2 - Reflexiva (equivalência por reflexão)
P → P P → P
3 – Transitiva
SE P(P,Q,R,...) Q(P,Q,R,...) E
Q(P,Q,R,...) R(P,Q,R,...) ENTÃO
P(P,Q,R,...) R(P,Q,R,...) .
Equivalências notáveis
1 - Distribuição (equivalência pela distributiva)
A) P (Q R) (P Q) (P R)
B) P (Q R) (P Q) (P R)
2 - Associação (equivalência pela associativa)
A) P (Q R) (P Q) (P R)
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
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a solução para o seu concurso!
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B) P (Q R) (P Q) (P R)
3 – Idempotência
A) P (P P)
B) P (P P)
4 - Pela contraposição: de uma condicional gera-se outra con-
dicional equivalente à primeira, apenas invertendo-se e negando-se
as proposições simples que as compõem.
1º CASO – (P → Q) (~Q → ~P)
Exemplo
p → q: Se André é professor, então é pobre.
~q → ~p: Se André não é pobre, então não é professor.
2º CASO: (~P → Q) (~Q → P)
Exemplo
~p → q: Se André não é professor, então é pobre.
~q → p: Se André não é pobre, então é professor.
3º CASO: (P → ~Q) (Q → ~P)
Exemplo
p → ~q: Se André é professor, então não é pobre.
q → ~p: Se André é pobre, então não é professor.
4 º CASO: (P → Q) ~P V Q
Exemplo
p → q: Se estudo então passo no concurso.
~p v q: Não estudo ou passo no concurso.
5- Pela bicondicional
A) (P ↔ Q) (P → Q) (Q → P), POR DEFINIÇÃO
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
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a solução para o seu concurso!
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B) (P ↔ Q) (~Q → ~P) (~P → ~Q), APLICANDO-SE A CON-
TRAPOSITIVA ÀS PARTES
C) (P ↔ Q) (P Q) (~P ~Q)
6 - Pela exportação-importação
[(P Q) → R] [P → (Q → R)]
Proposições Associadas a uma Condicional (se, então)
Chama-se proposições associadas a p → q as três proposições
condicionadas que contêm p e q:
– Proposições recíprocas: p → q: q → p
– Proposição contrária: p → q: ~p → ~q
– Proposição contrapositiva: p → q: ~q → ~p
Observe a tabela verdade dessas quatro proposições:
Note que:
Observamos ainda que a condicional p → q e a sua recíproca q
→ p ou a sua contrária ~p → ~q NÃO SÃO EQUIVALENTES.
Exemplos
p → q: Se T é equilátero, então T é isósceles. (V)
q → p: Se T é isósceles, então T é equilátero. (F)
Exemplo
Vamos determinar:
a) A contrapositiva de p → q
b) A contrapositiva da recíproca de p → q
c) A contrapositiva da contrária de p → q
Resolução
a) A contrapositiva de p → q é ~q → ~p
A CONTRAPOSITIVA DE ~Q → ~P É ~~P → ~~Q P → Q
b) A recíproca de p → q é q → p
A contrapositiva de q → p é ~p → ~q
c) A contrária de p → q é ~p → ~q
A contrapositiva de ~p → ~q é q → p
Equivalência “NENHUM” e “TODO”
1 – NENHUM A É B TODO A É NÃO B.
Exemplo:
NENHUM MÉDICO É TENISTA TODO MÉDICO É NÃO TENIS-
TA (= TODO MÉDICO NÃO É TENISTA)
2 – TODO A É B NENHUM A É NÃO B.
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Exemplo:
TODA MÚSICA É BELA NENHUMA MÚSICA É NÃO BELA (=
NENHUMA MÚSICA É BELA)
Referências
ALENCAR FILHO, Edgar de – Iniciação a lógica matemática – São
Paulo: Nobel – 2002.
CABRAL, Luiz Cláudio Durão; NUNES, Mauro César de Abreu -
Raciocínio lógico passo a passo – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
QUANTIFICADORES
QUANTIFICAÇÃO MÚLTIPLA E QUANTIFICAÇÃO PARCIAL
Quantificadores 1são palavras/expressões que referem a quan-
tidades tais como “todos” e “alguns” e indicam para quantos ele-
mentos do domínio um dado predicado é verdadeiro.
QUANTIFICAÇÃO PARCIAL
Consideremos, por exemplo, a expressão:
(Ǝ x ϵ A) (2x + y < 7)
Exemplos
A expressão: (Ǝ x ϵ A) (2x + y < 7), sendo A = {1, 2, 3, 4, 5} o uni-
verso das variáveis x e y. Podemos ler essa expressão como: “Existe
pelo menos um x ϵ A para o qual se tem 2x + y < 7”.
Essa sentença não é uma proposição, visto que seu valor lógico
não depende de x (variável aparente), depende ainda de y (variável
livre). Portanto é uma sentença aberta em y, cujo conjunto verdade
é {1, 2, 3, 4}, pois somente para y = 5 não existe x ϵ A tal que 2x +
y < 7.
A EXPRESSÃO: ( Y Ε A) (2X + Y < 10), SENDO A = {1, 2, 3, 4,
5} O UNIVERSO DAS VARIÁVEIS X E Y. PODEMOS LER ESSA
EXPRESSÃO COMO: “PARA TODO O Y Ε A SE TEM 2X + Y < 10”.
Observamos novamente que a expressão não é uma propo-
sição, é uma sentença aberta em x (variável livre), cujo conjunto
verdade é {1, 2}, pois somente x = 1 e x = 2 se tem 2x + y < 10 para
todo y ϵ A.
QUANTIFICAÇÃO MÚLTIPLA
Toda sentença aberta precedida de quantificadores, um para
cada variável (todas as variáveis quantificadas) é uma proposição,
pois assume os valores lógicos V ou F.
Assim são proposições as seguintes expressões:
- ( X Ε A) ( Y Ε B) (P (X, Y)
1[ ALENCAR FILHO, Edgar de. Iniciação a lógica matemática. São
Paulo, Nobel. 2002.
] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
- ( X Ε A) (Ǝ Y Ε B) (P (X, Y)
- (Ǝ X Ε A) ( Y Ε B) ( Z Ε C) (P (X, Y, Z))
Exemplos
1) Consideremos os conjuntos:
H = {Jorge, Claudio, Paulo}, M = {Suely, Carmen}
e seja p(x,y) a sentença aberta em H x M : “x é irmão de y}.
A proposição
(Ǝ X Ε H) ( Y Ε M) (P(X,Y))
Se pode ler: “Para todo x de H existe pelo menos um y de M tal
que x é irmão de y”. Em outros termos: “Cada homem de H é irmão
de Suely ou de Carmen”.
A proposição:
(Ǝ Y Ε M) ( X Ε H) (P(X,Y))
Se pode ler: “Pelo menos uma das mulheres de M é irmã de
todos os homens de H”. Observe-se que, mudando a ordem dos
quantificadores, obtém-se uma proposição diferente.
2) Dado os conjuntos A = {1, 2, 3, 4} e B = {0, 2, 4, 6, 8} e a sen-
tença aberta em A x B: 2x + y = 8.
A proposição:
( X Ε A) (Ǝ Y Ε B) (2X + Y = 8) É VERDADEIRA, POIS:
Para:
A proposição:
( Y Ε B) (Ǝ X Ε A) (2X + Y = 8) É FALSA, POIS PARA Y = 8 TE-
MOS QUE
X = 0 A.
A proposição:
(Ǝ Y Ε B) ( X Ε A) (2X + Y = 8) TAMBÉM É FALSA, POIS NÃO
EXISTE UM Y Ε B TAL QUE PARA TODO X Ε A SEJA 2X + Y = 8.
A proposição:
(Ǝ X Ε A) ( Y Ε B) (2X + Y = 8) TAMBÉM É FALSA ANALOGA-
MENTE (ANALISANDO AS PROPOSIÇÕES ACIMA).
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a solução para o seu concurso!
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Questão
01. (POLITEC-MT – Papiloscopista – UFMT) Considere verdadei-
ras as seguintes proposições:
I - Nenhum professor é fumante.
II - Existem médicos fumantes.
A partir dessas proposições, é correto afirmar:
(A) Todo médico é fumante.
(B) Nem todo médico é professor.
(C) Nem todo professor é médico.
(D) Existem médicos não fumantes.
Resposta
01. Resposta B
(A) Todo médico é fumante. Não podemos afirmar, o fato de al-
guns médicos fumarem não implica no fato de outros médicos
fumarem, ok?
(B) Nem todo médico é professor. Se nenhum professor fuma
aqueles médicos que fumam não são professores, está correto.
(C) Nem todo professor é médico. É possível que todos os pro-
fessores sejam médicos, uma vez que alguns médicos podem
não fumar, falso ok?
(D) Existem médicos não fumantes. Não se pode afirmar isso,
alguns não é a negação de todos, ok?
PREDICADOS
Uma certa evolução de uma lógica sentencial é a lógica de
primeira ordem ou lógica de predicados, onde além dos conectivos,
estão presente os quantificadores (com expressões como qualquer
e algum, por exemplo)2.
Esta forma de raciocinar segue os mesmos preceitos que a
lógica com conectivos (e, ou, ou exclusivo, implicação, …), tendo
também novos símbolos, que são:
∀: qualquer, todo
∀x(A(x) -> B(x))
Para todo elemento, se pertence a A, pertence a B.
∃: existe, algum, pelo menos um
∃x(A(x)^B(X): existe elemento que pertence a A e a B
∄: Não existe, nenhum
Nenhum A é B = Todo A é não B
A negativa de tais estruturas não são tão diretas como às
apresentadas nas Leis de Morgan. A negativa de ∃ (existe,) é ∄ (não
existe), mas a negativa de ∄ pode ser ∃ ou ∀ (para todo), assim
como a negativa de ∀ pode ser tanto ∃ e ∄, por isso, cada caso deve
ser analisado atentamente.
Tendo elencado estas novas estruturas, basta construirmos
tabelas verdade com elas, para resolvermos questões.
Repare que agora estamos trabalhando não só com o aspecto
verdadeiro/falso mas com a ideia de quantidade (existe um, todo,
nenhum), então nosso estudo das afirmações devem levar em
consideração estas novas peculiaridades.
2 Dizemos que a lógica de primeira ordem é uma extensão da lógica
sentencial.
CONJUNTOS E SUAS OPERAÇÕES.
Um conteúdo matemático comum de ser associado com a
temática da lógica é a Teoria de Conjuntos. Veremos que podemos
estabelecer diversas relações entre os temas, enriquecendo ainda
mais nosso repertório de abordagem para as questões. Mas
primeiro devemos entender do que se trata um conjunto.
Um conjunto é uma coleção de objetos quaisquer. Podem ou
não seguir alguma lógica para se formarem. Podemos elencar um
conjunto através de enumerar seus objetos (um conjunto formado
por parafuso, prego e uma chave de fenda), ou a partir de uma
“lei” (conjunto de ferramentas que tenho em casa: chave de fenda,
furadeira, chave inglesa, entre outras). Além disso, cada um desses
objetos pertencentes a um conjunto iremos chamar de elemento.
Assim, um conjunto é formado por uma coleção de elementos.
Iremos chamar os conjuntos através de letras maiúsculas (A, B,
C, X, Y, Z, …), enquanto que seus elementos por letras minúsculas
(a, b, c, …).
Fonte: autor
Podemos listar que Pedra, Rubi, Esmeralda, Pérola e Diamante
pertencem a esse conjunto A, enquanto Pente, Jeanse Acerola não
pertencem.
Simbolicamente, podemos definir o conjunto A enumerando
seus elementos da seguinte forma:
A = {Pedra; Rubi; Esmeralda; Diamante; Pérola}.
Podemos ter também subconjuntos, ou seja, um conjunto
dentro de outro. Se criássemos um conjunto onde seus elementos
são alimentos amarelos, poderíamos agrupar seus elementos e
obter um subconjunto com frutas amarelas.
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
93
a solução para o seu concurso!
Editora
Fonte: Autor
Neste caso, dizemos que o conjunto E é um subconjunto do
conjunto D.
Dessa forma, dizemos que um conjunto X está contido em outro
Y quando todos seus elementos de Y também são elementos de X,
mas o contrário não vale (no nosso exemplo, abacaxi e maracujá
fazem parte de D, mas milho e quindim não fazem parte de E).
Para tudo isso que vimos, há uma simbologia apropriada.
Para indicar que um elemento está no conjunto (que pertence ao
conjunto) utilizamos o signo ∈, quando ele não está no conjunto
(quando não pertence), utilizamos o mesmo sinal, mas cortado, ∉.
Pedra ∈ A (o elemento Pedra pertence ao conjunto A)
Jeans ∉ A (o elemento Jeans não pertence ao conjunto A)
Quindim ∉ D
Quindim ∉ E
E além de elementos, podemos fazer o mesmo para conjuntos,
através dos símbolos ⊂ (contido), ⊄ (não contido), ⊃ (contém) e ⊅
(não contém).
D ⊃ E (o conjunto D contém o subconjunto E)
E ⊂ D (o conjunto E está contido em D)
A ⊅ D (o conjunto A não contém o conjunto D)
D ⊄ E (o conjunto D não está contido no conjunto E)
Repare que os símbolos são muito próximos, sempre voltados
ao “conjunto principal” que se referem. Mais uma vez, tanto os
símbolos de pertencimento quanto os de contenção fazem alusão
a linguagem oral.
Além destes símbolos, temos também outros que, tais quais
os conectivos lógicos, se assemelham a certas estruturas, são eles:
união, intersecção e diferença.
União (∪)
É a “soma” entre dois ou mais conjuntos, unindo-os.
G = conjunto dos números pares
F= conjunto dos números menores que 10
G ∪ F = {1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; 10; 12; 14; 16; 18; …}
Fonte: Autor
Representação da união entre conjuntos
Intersecção (∩)
São os elementos comuns entre os conjuntos (há nos dois ao
mesmo tempo)
G = conjunto dos números pares
F= conjunto dos números menores que 10
G ∩ F = {2; 4; 6; 8}
Fonte: autor
Representação da intersecção entre conjuntos
Diferença ( — )
São os elementos que um conjunto não tem em comum com
outro. Nos nossos exemplos, G — F seria pensar o que há em G que
não há em F?, assim como F — G seria o que há em F que não há
em G?
G = conjunto dos números pares
F= conjunto dos números menores que 10
G — F = {10; 12; 14; 16; 18; …}
F — G = {1; 3; 5; 7; 9}
Ou seja, em G — F, tirei os elementos de F de G (tirei os números
menores que 10 do conjunto de todos os números pares, tirando
assim os números 2; 4; 6 e 8.
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Fonte: autor
À esquerda temos a representação de G-F, enquanto que à
direita temos F-G.
Um tipo específico de conjuntos são os conjuntos numéricos,
conjuntos os quais seus elementos são números (conjunto dos
números pares, conjunto dos números inteiros).
Os principais conjuntos numéricos são:
Conjunto dos números naturais - números positivos
N = {0; 1; 2; 3; 4; 5; 6; …)
Conjunto dos números inteiros - números positivos e negativos
Z = {...; -3; -2; -1; 0; 1; 2; 3; …}
Conjunto dos números racionais - números que podem ser
escritos como uma fração (razão), ou seja, números com vírgulas,
dízimas periódicas, números inteiros.
Q = {...; -½; …; -0,25; …; 0; 3; 0,222222222222…; …}
Conjunto dos números irracionais - números que não podem
ser escritos como uma fração, ou seja, números que resultam em
dízimas não periódicas.
𝕀 = {...; √ 2; π; 7,135794613…; …}
Conjunto dos números reais - união entre o conjunto dos
números racionais e dos números irracionais.
R = 𝕀 ∪ Q
Interessante notar que estamos aumentando o escopo dos
conjuntos numéricos, podendo assim fazer a seguinte representação
por diagrama destes conjuntos todos:
Fonte: Autor
Vimos então o quão prático é a representação de conjuntos
através de diagramas, fazendo ficar muito mais intuitivo as operações
e estabelecer relações entre os elementos e os subconjuntos devido
ao apelo visual.
Por fim, iremos ver uma equação que nos será muito útil para
contar elementos de um conjunto quando ocorre uma união:
A ∪ B = A + B - A ∩ B
Lemos esta expressão como o número de elementos da união
entre A e B (A ∪ B) é igual a soma do número de elemento de A com
o número de elementos de B - a intersecção entre A e B (A ∩ B).
Pode parecer complicada esta equação, mas pense assim.
Quando somo os elementos de A com os de B, pode ser que
existam elementos repetidos entre estes conjuntos, estes elementos
repetidos são justamente a intersecção. Quando a tiramos, tiramos
esta repetição e obtemos então o número exato de elementos da
união entre A e B.
DIAGRAMAS.
Os diagramas lógicos são usados na resolução de vários
problemas. É uma ferramenta para resolvermos problemas que
envolvam argumentos dedutivos, as quais as premissas deste
argumento podem ser formadas por proposições categóricas.
ATENÇÃO: É bom ter um conhecimento sobre conjuntos
para conseguir resolver questões que envolvam os diagramas
lógicos.
Vejamos a tabela abaixo as proposições categóricas:
Tipo Preposição Diagramas
A TODO
A é B
Se um elemento pertence ao conjunto
A, então pertence também a B.
E NENHUM
A é B
Existe pelo menos um elemento que
pertence a A, então não pertence a B, e
vice-versa.
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I ALGUM
A é B
Existe pelo menos um elemento co-
mum aos conjuntos A e B.
Podemos ainda representar das se-
guintes formas:
O ALGUM
A NÃO é B
Perceba-se que, nesta sentença, a aten-
ção está sobre o(s) elemento (s) de A
que não são B (enquanto que, no “Algum
A é B”, a atenção estava sobre os que
eram B, ou seja, na intercessão).
Temos também no segundo caso, a
diferença entre conjuntos, que forma o
conjunto A - B
Exemplo:
(GDF–ANALISTA DE ATIVIDADES CULTURAIS
ADMINISTRAÇÃO – IADES) Considere as proposições: “todo
cinema é uma casa de cultura”, “existem teatros que não são
cinemas” e “algum teatro é casa de cultura”. Logo, é correto
afirmar que
(A) existem cinemas que não são teatros.
(B) existe teatro que não é casa de cultura.
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro.
(D) existe casa de cultura que não é cinema.
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema.
Resolução:
Vamos chamar de:
Cinema = C
Casa de Cultura = CC
Teatro = T
Analisando as proposições temos:
- Todo cinema é uma casa de cultura
- Existem teatros que não são cinemas
- Algum teatro é casa de cultura
Visto que na primeira chegamos à conclusão que C = CC
Segundo as afirmativas temos:
(A) existem cinemas que não são teatros- Observando o
último diagrama vimos que não é uma verdade, pois temos que
existe pelo menos um dos cinemas é considerado teatro.
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(B) existe teatro que não é casa de cultura. – Errado, pelo
mesmo princípio acima.
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro.
– Errado, a primeira proposição já nos afirma o contrário. O
diagrama nos afirma isso
(D) existe casa de cultura que não é cinema. – Errado, a
justificativa é observada no diagrama da alternativa anterior.
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema. –
Correta, que podemos observar no diagrama abaixo, uma vez
que todo cinema é casa de cultura. Se o teatro não é casa de
cultura também não é cinema.
NÚMEROS INTEIROS, RACIONAIS E REAIS E SUAS OPERA-
ÇÕES,
— Conjuntos Numéricos
O grupo de termos ou elementos que possuem características
parecidas, que são similares em sua natureza, são chamados
de conjuntos. Quando estudamos matemática, se os elementos
parecidos ou com as mesmas características