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C A P Í T U L O 1
Biologia Pulpar e Perirradicular
José F. Siqueira, Jr, Isabela N. Rôças, Luciana Armada e Domenico Ricucci
EMBRIOLOGIA DO COMPLEXO DENTINOPULPAR
DENTINA
Composição
Tipos de Dentina
Túbulos Dentinários
Permeabilidade e Sensibilidade
POLPA
Funções
Composição
Zonas da Polpa
Vascularização
Inervação
REAÇÃO DO COMPLEXO DENTINOPULPAR À CÁRIE
Redução da Permeabilidade Dentinária
Formação de Dentina Terciária
Resposta Imune − Inflamação Inicial
Os Tecidos Perirradiculares Normais
Ligamento Periodontal
Cemento
O Osso Normal
O Osso Alveolar
A dentina e a polpa são tecidos que apresentam origem embrionária semelhante, estão
intimamente integrados em relação à anatomia e à fisiologia e frequentemente são
considerados um complexo − o complexo dentinopulpar. Este complexo encontra-se
geralmente isolado do ambiente oral pelo revestimento de esmalte, na coroa, e de cemento, na
raiz. Quando estas camadas protetoras naturais são perdidas, o complexo pode ser exposto a
agentes irritantes e responder de diferentes maneiras. A presença de túbulos dentinários
assegura que o estímulo aplicado à dentina também exerça com frequência efeito sobre a
polpa. Por esta razão, o complexo responde a estímulos externos de forma integrada.
A polpa dental pode ser anatomicamente dividida como coronária (porção do tecido
presente na câmara pulpar) e radicular (porção presente no canal radicular). A polpa radicular
se conecta com o ligamento periodontal diretamente através dos forames apical(is) e lateral(is).
Consequentemente, alterações patológicas no tecido pulpar podem afetar, por extensão, os
tecidos perirradiculares (ligamento periodontal, osso alveolar e cemento). Este capítulo aborda
os aspectos fisiológicos, fisiopatológicos e microbiológicos do complexo dentinopulpar e suas
consequências nos tecidos perirradiculares. A compreensão desses aspectos básicos da
ciência endodôntica é essencial para a realização de uma prática clínica de excelência.
EMBRIOLOGIA DO COMPLEXO DENTINOPULPAR
O dente deriva de dois tipos de tecidos embrionários básicos: o ectoderma, que origina o
esmalte, e o ectomesênquima, derivado da crista neural, que origina a dentina, a polpa e os
tecidos periodontais. O início da formação do dente ocorre durante a sexta semana de vida
embrionária e se caracteriza por um espessamento localizado do ectoderma oral, associado
aos processos embrionários maxilar e mandibular. Este crescimento epitelial ocasiona a
formação da lâmina dentária. A etapa seguinte do desenvolvimento dentário é dividida em três
estágios sequenciais, que são denominados de acordo com a morfologia do desenvolvimento
do germe dentário: (a) botão, (b) capuz e (c) campânula.1 No estágio inicial, o germe dentário
assume a forma de um “botão”, em decorrência da proliferação do epitélio da lâmina dentária
do ectomesênquima (Fig. 1-1). A proliferação epitelial contínua origina o órgão do esmalte e
forma uma concavidade semelhante a um “capuz” (Fig. 1-1). O germe dentário aumenta e a
invaginação se torna mais profunda, originando uma forma semelhante a um “sino”,
característica do estágio de campânula (Fig. 1-1). O tecido localizado dentro da invaginação é
conhecido como papila dentária e será responsável por originar a dentina e a polpa.2–3
Durante o estágio de campânula, as células da camada interior do órgão do esmalte se
diferenciam em ameloblastos. A seguir, as células da camada exterior da papila dentária se
diferenciam em odontoblastos por meio de um processo iniciado e modulado por fatores de
crescimento e moléculas sinalizadoras, que são liberados por células do epitélio interno de
esmalte. Os odontoblastos iniciam a deposição da matriz de dentina e a primeira dentina a ser
formada é denominada dentina do manto.
FIGURA 1-1 Estágios de desenvolvimento do dente. A, Botão. B,
Capuz. C, Câmpanula inicial.
A formação radicular inicia quando as células do epitélio interno e externo do esmalte
convergem para formar a alça cervical, que demarca o término anatômico da coroa e o ponto
no qual a raiz começa a se formar.1, 4 A fusão epitelial origina a bainha epitelial de Hertwig, que
orienta e inicia a formação radicular fornecendo sinais para a diferenciação dos odontoblastos
e para a produção adicional de dentina. Após a deposição da primeira camada de dentina da
raiz, a membrana basal abaixo da bainha epitelial de Hertwig se fragmenta. Em seguida, as
células da camada mais interna da bainha secretam um material hialino sobre a dentina recém-
formada, formando a camada hialina de Hopewell-Smith. Esta camada será importante para
auxiliar a adesão do cemento à dentina radicular.5
Os tecidos periodontais são originários do ectomesênquima condensado que envolve o
órgão do esmalte e a papila dentária e forma o folículo (ou saco) dentário.4 Após a deposição
da dentina, os fragmentos da bainha epitelial de Hertwig e as células do folículo dentário entram
em contato com a dentina formada e, em seguida, se diferenciam em cementoblastos. Os
cementoblastos depositam cemento acelular sobre a camada hialina. Em sequência, feixes de
colágeno são produzidos por fibroblastos na região central do folículo dentário. Estes feixes são
denominados fibras de Sharpey e são incorporados ao cemento em formação.5
Concomitantemente, as células na área mais externa do folículo dentário se diferenciam em
osteoblastos e começam a produzir osso, que vai ancorar as fibras do ligamento periodontal.
Os fibroblastos produzem uma quantidade maior de colágeno para originar as principais fibras
do ligamento periodontal. As células-tronco mesenquimais indiferenciadas, abundantes no
ligamento periodontal, são capazes de se diferenciar nas principais células produtoras de
matriz do tecido perirradicular, ou seja, fibroblastos, cementoblastos e osteoblastos.1, 2, 4 A
Tabela 1-1 resume a origem dos tecidos dentários e perirradiculares.
TABELA 1-1
Formação do Dente e dos Tecidos Perirradiculares
A morfologia e a fisiologia da porção apical da papila dental durante o estágio de
desenvolvimento radicular não têm sido bem descritas na literatura. Recentemente, foram
avaliadas as características físicas e histológicas da papila dental, localizada no ápice radicular
de dentes permanentes em desenvolvimento. Este tecido, que se encontra frouxamente ligado
ao ápice da raiz em desenvolvimento, passou a ser denominado papila apical. Foi identificada
uma zona apical rica em células, inclusive células-tronco, no limite entre a papila apical e a
polpa radicular.3
DENTINA
Composição
A dentina é um tecido mineralizado que constitui grande parte da estrutura dentária. É
constituída por 70% de material inorgânico, principalmente cristais de hidroxiapatita, 10% de
água e 20% de matriz orgânica, composta principalmente de colágeno (cerca de 90%).1–2 O
colágeno tipo I é o mais abundante, mas o tipo V também pode ser encontrado em menor
proporção. A matriz orgânica da dentina também contém diversas proteínas não colagenosas,
incluindo fosfoproteínas, proteoglicanas, proteínas contendo gamacarboxiglutamato (proteínas-
gla), glicoproteínas acídicas, sialoproteínas dentinárias, osteonectina, osteocalcina e
osteopontina.1, 2, 6 A matriz da dentina também contém muitos fatores de crescimento,
incluindo o fator de crescimento transformante beta (TGF-β), fator de crescimento derivado de
plaquetas (PDGF), fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF) e proteínas
morfogenéticas ósseas (BMP). Esses fatores de crescimento estão ligados à matriz da dentina
durante a dentinogênese, mas podem ser liberados durante o processo de dissolução da
dentina (por exemplo, durante lesões cariosas) e desta forma contribuir para eventos de
reparo, incluindo a estimulação da formação da dentina terciária.7 A dentina também possui um
pequeno percentual de lipídios.6
Tipos de Dentina
Existem diferentes tipos de dentina. A dentina do manto é a primeira a ser formada e está
localizada imediatamente abaixo do esmalte ou cemento. A dentina primária é depositada
durante a formação fisiológicada dentina pelos odontoblastos e constitui grande parte do
elemento dentário.8 A pré-dentina é uma zona estreita com espessura de 10 a 40 μm de
dentina não mineralizada, localizada entre a camada odontoblástica e a dentina mineralizada.
Durante a dentinogênese, os odontoblastos se movem em direção centrípeta, deixando seus
processos celulares na dentina para formar os túbulos dentinários (Fig. 1-2). O processo
odontoblástico se estende de um terço até a metade do túbulo dentinário. A dentina que reveste
o interior dos túbulos é denominada dentina intratubular (peritubular). A dentina que circunda a
dentina intratubular constitui grande parte da massa dentinária e é denominada dentina
intertubular. A dentina intratubular é mais calcificada e rígida que a dentina intertubular.
FIGURA 1-2 Túbulos dentinários em seção transversal. Microscopia
eletrônica de varredura.
A dentina secundária é depositada fisiologicamente após a raiz estar completamente
formada e o ápice ter alcançado o estágio final de desenvolvimento. Ela é depositada por
odontoblastos originais em taxa menor que a primária.
A dentina terciária é formada em resposta a estímulos externos. É depositada no lado pulpar,
logo abaixo do local de injúria. A taxa de deposição é proporcional ao grau de agressão.8 A
dentina terciária pode ser categorizada como reacional ou reparadora. A dentina reacional é
formada por odontoblastos que sobreviveram à injúria e exibem túbulos que são contínuos aos
túbulos da dentina secundária. A dentina reparadora, por sua vez, é formada por células
recém-diferenciadas semelhantes aos odontoblastos, que se originam a partir de células-tronco
mesenquimais da polpa, que substituem os odontoblastos originais destruídos pelo estímulo.9
Na dentina reparadora, os túbulos (se presentes) não são contínuos aos túbulos da dentina
secundária.
A dentina esclerosada (ou esclerótica) é caracterizada pela obliteração total ou parcial dos
túbulos dentinários e pode resultar tanto do aumento da produção de dentina intratubular como
da deposição de hidroxiapatita e de cristais de whitlockite na luz tubular. As dentinas terciária e
esclerosada podem ser importantes mecanismos de defesa do complexo dentinopulpar contra
injúrias externas (ver adiante).
Túbulos Dentinários
Os túbulos dentinários se estendem por toda a espessura da dentina e apresentam
conformação cônica, com o diâmetro maior voltado para a polpa (média de 2,5 μm) e o
diâmetro menor voltado para a periferia, próximo ao esmalte ou cemento (média de 0,9 μm).10
A densidade tubular também é maior próximo à polpa, com aproximadamente 65.000
túbulos/mm2, quando comparada com aproximadamente 15.000 túbulos/mm2 na junção
amelodentinária (JAD).10, 11 De fato, a área ocupada pelos túbulos dentinários varia de 1% (na
JAD) a 30% (próximo à polpa). Túbulos associados à polpa vital contêm fluido dentinário,
processos odontoblásticos, terminações nervosas (até 100 μm de profundidade), colágeno tipo
I, proteoglicanas e outras proteínas. Como consequência da presença do conteúdo tubular, o
diâmetro funcional ou fisiológico dos túbulos dentinários corresponde apenas de 5% a 10% do
diâmetro anatômico observado por meio de microscopia.12
Permeabilidade e Sensibilidade
A estrutura tubular garante à dentina duas propriedades importantes: permeabilidade e
sensibilidade. Por causa da permeabilidade, qualquer substância aplicada à dentina tem o
potencial de atingir e afetar a polpa. A permeabilidade dentinária depende essencialmente de
alguns fatores físicos importantes, incluindo a área da superfície de difusão dentinária, a
espessura da dentina, a proximidade com a polpa e algumas características do soluto
(tamanho, carga, concentração e solubilidade).13 Uma vez que tanto a densidade e o diâmetro
dos túbulos aumentam com a profundidade, a permeabilidade da dentina aumenta
substancialmente com a proximidade da polpa. A presença de smear layer (camada de debris
dentinários de 1 a 5 μm de espessura, formada após o corte da dentina) e o grau de oclusão
dos túbulos (p. ex., em virtude da esclerose) também influenciam a permeabilidade.13, 14
A sensibilidade dentinária também está relacionada com a presença dos túbulos. Apesar de
existirem outras teorias que tentam explicar os mecanismos de sensibilidade dentinária, a teoria
hidrodinâmica é a mais aceita atualmente. Esta teoria considera que estímulos externos atuam
na dentina, induzindo o movimento abrupto do fluido dentinário no interior dos túbulos, seja em
direção à polpa ou em direção à periferia, dependendo do estímulo (Fig. 1-3). O rápido
deslocamento do fluido dentinário por estímulos que provocam dor, como os estímulos térmicos
(calor e frio), mecânicos (mastigação e sondagem), osmóticos (doces) e evaporativos (jato de
ar) provocam o deslocamento de odontoblastos e a deformação mecânica direta das
terminações nervosas sensoriais de baixo limiar, as fibras A-δ, que se encontram em contato
próximo com odontoblastos nos túbulos ou na camada odontoblática adjacente. Em
decorrência da deformação, essas fibras são ativadas, provocando dor.
FIGURA 1-3 Teoria hidrodinâmica da sensibilidade da dentina.
Estímulos externos causam movimento do fluido dentinário em direção
externa ou interna, com consequente distorção mecânica e ativação
das fibras nervosas sensoriais.
POLPA
Funções
A polpa dental é um tecido conjuntivo frouxo, cujas principais funções são:
a) Formativa: os odontoblastos do tecido pulpar são responsáveis pela dentinogênese;4
b) Sensitiva: a inervação sensorial pulpar atua como um sistema de alarme eficaz, indicando
alterações na normalidade. Por exemplo, em um dente despolpado, a sensação dolorosa não
será percebida até que eventuais estímulos nocivos afetem os tecidos ao redor da raiz;15
c) Nutritiva: a vascularização pulpar fornece oxigênio e nutrientes, que são essenciais para a
formação de dentina e para a própria sobrevivência pulpar;
d) Defensiva: o tecido pulpar pode se defender contra infecções microbianas por meio da
produção de dentina esclerosada e/ou terciária e da ativação da resposta imune. Dentes com
polpas sadias, que apresentam vascularização abundante, são muito mais resistentes à
infecção bacteriana e não desenvolvem lesão perirradicular. Consequentemente, a
manutenção da vitalidade pulpar pode ser considerada a melhor forma de prevenção da lesão
perirradicular.
Composição
A polpa dental é um tecido conjuntivo frouxo, constituído de células, matriz extracelular, vasos
sanguíneos e nervos. O odontoblasto é a célula mais característica do complexo dentinopulpar.
Os odontoblastos são organizados em uma única camada de células (a camada
odontoblástica) no limite entre a dentina e a polpa (Fig. 1-4). O corpo celular dos odontoblastos
está localizado na camada pulpar adjacente à pré-dentina. Esta célula também apresenta uma
projeção citoplasmática que foi deixada para trás durante a dentinogênese para formar o túbulo
dentinário, denominada processo odontoblástico. Os odontoblastos maduros são células
altamente diferenciadas que perdem a capacidade de realizar mitose. Estas células
apresentam formato colunar, são mais numerosas na região coronária da polpa e são
achatadas e menos numerosas na região radicular.
FIGURA 1-4 Os odontoblastos formam uma camada (seta) na
periferia da polpa em contato com a dentina. Estas células são
características da polpa.
Outras células estão presentes na polpa: os fibroblastos, as células-tronco mesenquimais
indiferenciadas e as diversas células de defesa (macrófagos, células dendríticas, linfócitos). O
fibroblasto é o tipo de célula mais abundante da polpa (Fig. 1-5) e é responsável pela produção
e manutenção de colágeno. As células-tronco mesenquimais indiferenciadas se encontram por
todo o tecido pulpar, sendo mais abundantes na região da polpa propriamente dita.16 Estas
células têm a capacidade de se diferenciar em células semelhantes a odontoblastos em
resposta à injúria e à estimulação.17
FIGURA 1-5 Fibroblastos da polpa. Estas células são as mais
abundantesno tecido pulpar.
A matriz extracelular da polpa é produzida principalmente por fibroblastos e consiste em
proteínas colagenosas e não colagenosas. Colagénos tipos I e III correspondem à maioria do
total de colágeno do tecido pulpar. As proteínas não colagenosas incluem laminina,
fibronectina, tenascina e proteoglicanas. Por causa da alta celularidade, a polpa dental possui
10% a 15% de sua massa seca composta por lipídios.6
Zonas da Polpa
Histologicamente, zonas distintas são perceptíveis na polpa sadia (Fig. 1-6). A camada
odontoblástica é a zona mais periférica da polpa e se encontra adjacente à pré-dentina. Uma
alta densidade celular, incluindo fibroblastos, células-tronco indiferenciadas e células imunes, é
observada na região pulpar denominada zona rica em células, que é separada da camada
odontoblástica pela zona pobre em células (ou zona de Weil). A zona rica em células é mais
proeminente na polpa coronária que na polpa radicular. A zona pobre em células, por sua vez,
contém capilares sanguíneos, uma rica rede de fibras nervosas (formando o plexo nervoso de
Rashkow) e processos fibroblásticos. A polpa também possui uma região denominada polpa
propriamente dita, que é a zona central da polpa e contém os maiores vasos sanguíneos e
nervos, junto a fibroblastos e outras células.
FIGURA 1-6 Zonas morfológicas da polpa. A camada de
odontoblastos é a zona mais periférica, revestindo internamente a pré-
dentina. A zona livre de células (ou zona de Weil) contém capilares
sanguíneos e uma rica rede de fibras nervosas (plexo nervoso de
Rashkow). Uma alta densidade de células, incluindo fibroblastos,
células mesenquimais indiferenciadas e células da defesa imune,
forma a zona rica em células. A zona central da polpa, ou polpa
propriamente dita, contém vasos e nervos mais calibrosos, além de
fibroblastos e outras células.
Vascularização
A vascularização pulpar é fornecida por vasos sanguíneos que entram na polpa via forame
apical ou foraminas e, em seguida, se estendem e ramificam no sentido coronário. A
vascularização é originada a partir dos ramos da artéria infraorbital, da artéria alveolar
posterossuperior ou da artéria alveolar inferior, que, por sua vez, tem origem na artéria maxilar,
um ramo da artéria carótida externa (Fig. 1-7). Uma ou algumas vezes, duas arteríolas, com
cerca de 100 μm (ou até menos) de diâmetro, entram pelo forame apical e se posicionam um
pouco deslocadas do centro do tecido pulpar.1, 18 Estas arteríolas se estendem
longitudinalmente em direção à polpa coronária, enquanto numerosos capilares se ramificam
em ângulo reto para formar uma densa rede de capilares na periferia da polpa (Figs. 1-8 e 1-
9). O sangue, em seguida, drena para as vênulas, que geralmente são inferiores a 200 μm de
diâmetro e ocupam uma área maior na porção central da polpa.18 A microcirculação pulpar
também apresenta anastomoses arteriovenosas, anastomoses venovenosas e arteríolas que
formam alças em U, que participam da regulação do fluxo sanguíneo.19, 20 Ao contrário da
maioria dos tecidos vascularizados do corpo, a polpa dental não contém um verdadeiro
suprimento sanguíneo colateral, o que torna esse tecido mais suscetível aos efeitos deletérios
de uma inflamação grave.
FIGURA 1-7 Suprimento vascular e inervação sensorial da polpa e
dos tecidos perirradiculares.
FIGURA 1-8 Vasos sanguíneos (setas) na porção mais periférica da
polpa.
FIGURA 1-9 Vasos sanguíneos próximos à camada de
odontoblastos.
A função primária da microcirculação em qualquer tecido é fornecer oxigênio e nutrientes
para as células e drenar gás carbônico e resíduos do metabolismo celular para fora do tecido.
O percentual do volume de tecido pulpar ocupado por vasos sanguíneos é de
aproximadamente 14%.21 Consequentemente, a polpa dental tem o maior valor de fluxo
sanguíneo por unidade de peso entre os tecidos orais.18 O fluxo sanguíneo pulpar é de
aproximadamente 40 a 50 mL/minuto/100 g.18 As medições da pressão de arteríolas,
capilares e vênulas na polpa revelaram, respectivamente, os valores de 43 mmHg, 35 mmHg e
19 mmHg.22 A pressão tecidual na polpa normal tem sido estimada em torno de 6 a
11 mmHg.23–25 Em condições de exposição da dentina, esta pressão relativamente alta
provoca um fluxo de fluido dentinário em direção externa. Se a exposição da dentina tiver sido
causada por cárie, este mecanismo auxilia a diluir os produtos bacterianos e oferece
resistência à invasão bacteriana da polpa vital através dos túbulos.
Inervação
Aproximadamente 1.000 a 2.000 nervos penetram em um único dente – 80% são
amielinizados e 20% são mielinizados. Os nervos pulpares geralmente seguem os vasos
sanguíneos que se estendem e ramificam no sentido coronário. Na zona subodontoblástica
pobre em células, as fibras nervosas originam uma rica rede de terminações nervosas para
formar o plexo nervoso de Rashkow.
A polpa dental apresenta inervação sensorial e autônoma. A inervação sensorial da polpa e
dos tecidos perirradiculares é originada das divisões maxilar e mandibular do nervo trigêmio
(quinto par craniano) (Fig. 1-7). Os neurônios sensoriais do trigêmio possuem uma projeção
primária aferente que se encerra como terminações nervosas livres na polpa e no tecido
periodontal.
A inervação sensorial da polpa é representada por três tipos de fibras nervosas trigeminais:
A-β, A-δ e C (Tabela 1-2). As fibras nervosas A-β são mielinizadas com rápida velocidade de
condução. Constituem apenas um pequeno percentual das fibras mielinizadas (1% a 5%) e tem
função ainda desconhecida no tecido pulpar. Acredita-se que essas fibras possam ser
recrutadas para nocicepção. As fibras nervosas A-δ também são mielinizadas, com rápida
velocidade de condução e baixo limiar de excitabilidade.2, 26 As fibras A-δ mediam a dor
aguda e transitória característica da sensibilidade dentinária. Após deixar o plexo nervoso de
Rashkow, as fibras A-δ perdem os envoltórios de células de Schwann e acabam como
terminações nervosas livres na camada odontoblástica e no limite entre a polpa e a dentina.
Estas fibras podem penetrar em alguns túbulos e se estender por não mais que 100 μm de
profundidade, principalmente na dentina coronária e raramente na dentina radicular.27 As
fibras nervosas sensoriais são especialmente numerosas na região próximo à extremidade do
corno pulpar e, consequentemente, esta área pode ser a região mais sensível da dentina
(Tabela 1-3).27–29 A inervação mielinizada da polpa não alcança plena maturação e
organização até o dente estar totalmente formado, o que ajuda a explicar por que a polpa de
dentes jovens é menos responsiva a testes de sensibilidade que a de adultos.30
TABELA 1-2
Características dos Principais Tipos de Fibras Nervosas Encontradas na Polpa
TABELA 1-3
Percentual de Túbulos Dentinários em Diferentes Áreas do Dente Contendo
Terminações Nervosas
*Dados de acordo com Lilja.27
As fibras do tipo C são amielínicas, com velocidade de condução lenta e alto limiar de
excitabilidade.2, 26 A estimulação das fibras C produz uma dor que se caracteriza por ser lenta,
excruciante e, algumas vezes, difusa, típica de pulpite irreversível sintomática. A inflamação
pulpar severa pode causar aumento da pressão tecidual e redução nos níveis de oxigênio,
podendo comprometer a função condutora das fibras A-δ, mas praticamente não afeta as fibras
C.
As fibras nervosas simpáticas do sistema nervoso autônomo também podem ser
encontradas na polpa e são provenientes do gânglio cervical superior. Estão relacionadas com
a modulação neurogênica da microcirculação e existem suspeitas de que estas fibras exercem
um papel na dentinogênese.
REAÇÃO DO COMPLEXO DENTINOPULPAR À CÁRIE
A cárie é a causa mais comum de agressão ao complexo dentinopulpar (Fig. 1-10). Uma vez
que a dentina é exposta como resultado da destruição do esmalte ou do cemento por cárie, os
túbulos dentinários podem atuar como canais de difusão de produtos bacterianos até a polpa.
Por continuidade biológica, a dentina e a polpa respondem ao estímulo bacteriano da cárie
basicamenteatravés de três mecanismos principais11, 31, 32 (Fig. 1-11):
FIGURA 1-10 A cárie representa a principal forma de agressão ao
complexo dentinopulpar. A, Radiografia mostra cárie extensa. B, Lesão
cariosa extensa e profunda na dentina. (Cortesia do Prof. Ricardo
Carvalhaes Fraga.)
FIGURA 1-11 Mecanismos básicos de resposta do complexo
dentinopulpar ao biofilme da cárie.
a) Redução da permeabilidade dentinária;
b) Formação de dentina terciária;
c) Resposta imune.
As duas primeiras reações envolvem a dentina e são realizadas para reforçar as barreiras
contra a invasão bacteriana, proporcionando proteção adicional à polpa. Todas as três reações
podem se desenvolver simultaneamente e apresentam intensidade diretamente proporcional à
intensidade da agressão causada pelo avanço do processo carioso. Como a cárie pode
progredir rápida ou lentamente, ou ainda pode se tornar inativa, a reação do complexo
dentinopulpar irá variar de acordo com cada situação.
Redução da Permeabilidade Dentinária
A redução da permeabilidade dentinária é um importante mecanismo de defesa contra o
avanço bacteriano em direção à polpa. Em dentes com polpa vital, o movimento do fluido
dentinário em direção externa e a presença de conteúdo tubular vital influenciam a
permeabilidade dentinária e podem retardar a invasão bacteriana intratubular. Além disso, a
polpa pode fazer com que a dentina exposta se torne ainda menos permeável, por meio do
aumento do fluxo de fluidos para o exterior, da indução do revestimento dos túbulos com
proteínas plasmáticas e da deposição de dentina esclerosada. As moléculas de defesa do
hospedeiro, como anticorpos e componentes do sistema complemento, podem estar presentes
no fluido dentinário de dentes vitais e auxiliar na proteção contra a invasão bacteriana profunda
da dentina.33–35 A esclerose dentinária é um fator muito importante que contribui para a
redução da permeabilidade e tem sido relatado que ela ocorre em lesões cariosas em cerca
de 95% dos dentes envolvidos.36
Formação de Dentina Terciária
Outro importante mecanismo de proteção pulpar contra a invasão por bactérias do biofilme da
cárie é a formação de dentina terciária. Este mecanismo pode ser encarado como uma forma
da polpa recuar em resposta ao avanço de uma lesão cariosa na dentina, retardando a
exposição (Figs. 1-12). Como referido anteriormente, a dentina terciária pode ser reacional ou
reparadora. Bactérias presentes no biofilme da cárie produzem ácidos que desmineralizam a
dentina e provocam a consequente liberação de moléculas bioativas previamente isoladas na
matriz dentinária. Muitas dessas moléculas bioativas são fatores de crescimento que têm a
capacidade de estimular a formação de dentina terciária.
FIGURA 1-12 Dentina terciária. A, Extensa área de dentina reacional
(seta) em resposta à lesão de cárie superficial. B, Dentina reparadora
no corno pulpar abaixo de lesão profunda de cárie. Notar inclusões de
tecido necrosado e vasos sanguíneos na dentina recém-formada.
A dentina reacional frequentemente é formada abaixo de cáries superficiais ou de
progressão lenta (Fig. 1-13). Produtos bacterianos liberados do biofilme da cárie induzem
aumento focal da produção de matriz por odontoblastos, resultando na formação de dentina
reacional.37 Entretanto, lesões cariosas mais avançadas e agressivas podem provocar a morte
dos odontoblastos subjacentes. Os túbulos desprovidos dos processos celulares
odontoblásticos são denominados tratos mortos. A polpa reage por meio da deposição de
dentina reparadora na área adjacente à dentina afetada, selando assim a porção pulpar dos
tratos mortos, que são altamente permeáveis (Fig. 1-14). Portanto, enquanto a dentina reacional
é produzida por odontoblastos primários, originais e sobreviventes, que aumentam a formação
de dentina em resposta a um estímulo irritante relativamente suave/moderado, a dentina
reparadora, por sua vez, é produzida por células semelhantes a odontoblastos, recém-
formadas e originadas de células-tronco mesenquimais indiferenciadas, em resposta a um
estímulo irritante mais severo que resultou na morte dos odontoblastos primários.37
FIGURA 1-13 Uma lesão de cárie superficial e/ou de progressão lenta
resulta em estímulo irritante leve que estimula a produção de dentina
reacional.
FIGURA 1-14 Uma lesão de cárie profunda e/ou de progressão
rápida resulta em estímulo irritante intenso que pode causar a morte
dos odontoblastos primários e a produção de dentina reparadora.
A quantidade de dentina terciária formada em resposta a lesões cariosas crônicas de
progressão lenta é maior que aquela produzida em casos de lesões cariosas de progressão
rápida. Tem sido relatado que a dentina reparadora pode ocorrer em cerca de 64% dos dentes
com cáries, muitas vezes em associação à dentina esclerosada.36
Resposta Imune − Inflamação Inicial
Como qualquer outro tecido conjuntivo no corpo, a polpa dental responde à injúria tecidual por
meio de inflamação. As bactérias do biofilme da cárie representam a fonte mais comum de
antígenos e agressão à polpa. A inflamação pulpar se desenvolve como uma resposta de
baixa intensidade a bactérias e seus produtos em lesões cariosas, muito antes de a polpa se
tornar diretamente exposta e infectada.
Algumas alterações inflamatórias são observadas na região pulpar subjacente aos túbulos
afetados, tão logo o processo carioso destrua o esmalte e alcance a dentina. Essas alterações
são induzidas por produtos bacterianos liberados pelo biofilme da cárie e não pelas células
bacterianas per se. Produtos bacterianos se diluem no fluido dentinário e percorrem toda a
extensão tubular até atingir a polpa e induzir uma resposta inflamatória.
A inflamação pulpar inicial em resposta à cárie envolve o acúmulo focal de células
inflamatórias crônicas abaixo da dentina afetada. Os odontoblastos desempenham um papel
importante na resposta inicial. Por serem as células de localização mais periférica na polpa, os
odontoblastos representam as primeiras a entrar em contato com os produtos bacterianos e
com os componentes bioativos da matriz dentinária liberados durante a desmineralização. Os
odontoblastos podem reconhecer produtos bacterianos e liberar moléculas pró-inflamatórias
que recrutam células dendríticas (e mais tarde outras células de defesa) para a região pulpar
subjacente à dentina afetada.38, 39 As células dendríticas, assim como os macrófagos
pulpares, participam ativamente do processo não só pelo fato de também produzirem citocinas
pró-inflamatórias, mas porque capturam antígenos e os levam para os linfonodos para
apresentá-los aos linfócitos. À medida que a cárie avança em direção à polpa, a densidade do
infiltrado inflamatório crônico, no tecido pulpar, aumenta.
A rica inervação pulpar pode influenciar a resposta imune por meio de um processo
denominado inflamação neurogênica.39 Neste tipo de inflamação, os neurônios aferentes
respondem aos produtos bacterianos por liberação de neuropeptídeos, que são mediadores
que podem atrair células de defesa do hospedeiro e induzir mudanças vasculares
características da inflamação.40
A extensão da inflamação pulpar em resposta à cárie depende da profundidade da invasão
bacteriana intratubular, da virulência bacteriana, da duração do processo de doença e do grau
em que a permeabilidade dentinária foi reduzida. Em relação à profundidade da lesão cariosa,
tem sido verificado que, quando a distância entre o biofilme da cárie e a polpa é maior que 1
mm, a intensidade da inflamação pulpar é quase insignificante.41 Conforme o biofilme avança e
fica a uma distância de 0,5 mm da polpa, a inflamação aumenta significativamente e se torna
ainda mais severa quando a dentina terciária formada abaixo da cárie é invadida por
bactérias.41
Apesar de a reação inflamatória se desenvolver cedo em resposta à cárie superficial e
células bacterianas poderem ser observadas invadindo os túbulos dentinários por alguma
extensão, o tecido pulpar geralmente não é infectado, enquanto a polpa permanecer vital ou a
camadade dentina remanescente abaixo da lesão cariosa não for muito fina. As bactérias
podem alcançar a polpa através de túbulos, mesmo antes de uma real exposição pulpar,42
mas não se espera que um dano irreversível ao tecido pulpar seja causado. É concebível que
a polpa vital possa eliminar bactérias e remover ou inativar produtos bacterianos que chegam
através dos túbulos.
Portanto, a polpa, sob uma lesão cariosa, raramente sofre alterações deletérias significativas
devido à inflamação (p. ex., formação de abscesso e necrose), enquanto a cárie estiver
confinada à dentina.41, 43 Nesses casos, a inflamação pulpar (pulpite) frequentemente é
considerada reversível, uma vez que se a cárie for removida ou tornar-se inativa, ocorre o
reparo tecidual e a polpa volta ao estado normal. A remoção da cárie e o tratamento clínico
adequado geralmente levarão à resolução da reação inflamatória, com redução dos níveis de
células de defesa e de mediadores pró-inflamatórios, preparando o meio para favorecer o
reparo tecidual.37
OS TECIDOS PERIRRADICULARES NORMAIS
Os tecidos perirradiculares compreendem o cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar
(Fig. 1-15). A região perirradicular que circunda o terço apical da raiz é usualmente referida
como “periápice” ou “tecido periapical”.
FIGURA 1-15 Tecidos perirradiculares. A, Coloração de hematoxilina
e eosina. B, Tricrômico de Masson.
Ligamento Periodontal
A espessura do ligamento periodontal normal pode variar entre 150 e 380 μm, com a porção
mais delgada geralmente localizada no terço médio da raiz.1 O ligamento periodontal é um
tecido conjuntivo particularmente adequado para a sua função principal, que é sustentar o
dente no seu alvéolo, tornando possível que ele resista às cargas de compressão
consideráveis decorrentes da mastigação. Também atua como receptor sensorial
indispensável para o posicionamento adequado da maxila e da mandíbula durante a função
normal.
Como qualquer outro tecido conjuntivo, o ligamento periodontal é composto por células e
compartimentos extracelulares, que incluem fibras e substância fundamental amorfa. O
colágeno tipo I é o principal componente, mas outros tipos de colágeno (p. ex., III e XII) e
proteínas não colagenosas (p. ex., fosfatase alcalina, proteoglicanas, undulina, tenascina,
fibronectina) também estão presentes. O colágeno do ligamento periodontal é organizado
principalmente na forma de fibras distintas e bem definidas. As principais fibras se estendem do
cemento até o osso alveolar, mas não necessariamente todas as fibras atingem essa distância.
Coletivamente, essas fibras são organizadas em uma complexa rede de ramificações.44
As características estruturais e histomorfológicas do ligamento periodontal são
exemplificadas nas Figuras 1-16 e 1-17. As células presentes neste tecido incluem
osteoblastos e osteoclastos (funcionalmente associados ao osso), fibroblastos, restos epiteliais
de Malassez, macrófagos, mastócitos, células mesenquimais indiferenciadas e cementoblastos
(funcionalmente associados ao cemento) (Figs. 1-16 e 1-17). Os fibroblastos são as células
predominantes no ligamento periodontal (Fig. 1-16). Apresentam forma alongada quando
localizados entre as fibras principais, mas adquirem forma irregular ou estrelada quando estão
no tecido intersticial. Os macrófagos e os mastócitos aumentam consideravelmente em
quantidade durante a inflamação. Os osteoclastos desempenham um importante papel na
remodelação óssea. Outras células clásticas, genericamente chamadas de “odontoclastos” por
alguns autores,45 podem estar envolvidas na reabsorção radicular induzida por movimentação
ortodôntica ou pela infecção endodôntica. Os “odontoclastos” também estão relacionados com
a esfoliação normal de dentes decíduos. Há questionamentos se o odontoclasto realmente é
morfológica e funcionalmente diferente do osteoclasto e se somente a mudança de tipo de
tecido reabsorvido seria suficiente para justificar a diferença de nome da célula.
FIGURA 1-16 Ligamento periodontal. Células, vasos e relação com
cemento e osso.
FIGURA 1-17 Ligamento periodontal. Vasos sanguíneos e franca
comunicação e interação com o osso alveolar.
A riqueza de vasos sanguíneos no espaço do ligamento periodontal fica evidente na Figura
1-18. Estima-se que o volume vascular total do ligamento periodontal corresponde a 20% do
tecido, em comparação com apenas 3% a 4% na maioria dos outros tecidos do corpo
humano.44
FIGURA 1-18 Ligamento periodontal. Densa vascularização.
O ligamento periodontal também apresenta inervação sensorial e autônoma. Os receptores
sensoriais do ligamento periodontal são os nociceptores (sensação de dor) e
mecanorreceptores (sensíveis a estímulos mecânicos). A maioria das terminações nervosas
mecanorreceptoras é semelhante às terminações de Ruffini e estão localizadas principalmente
na porção apical do ligamento periodontal.
As células epiteliais presentes no ligamento periodontal são os restos da bainha epitelial
radicular (ou bainha radicular de Hertwig). Em cortes histológicos, essas células epiteliais
aparecem como agregados celulares que estão localizados próximo ao cemento radicular
(Fig. 1-19). São conhecidos como restos epiteliais de Malassez e parecem persistir no
ligamento periodontal durante toda a vida do dente. Essas células não têm função conhecida.
Tem sido proposto que elas podem desempenhar um papel de prevenir a anquilose porque
elas impedem a proliferação de osso para o espaço do ligamento.46 Por meio de estudos
imuno-histoquímicos realizados em gatos, foi possível observar que as células dos restos
epiteliais de Malassez contêm neuropeptídeos, sugerindo assim que estas seriam células
endócrinas.47 O que está claro é que, após a estimulação por fatores de crescimento liberados
durante a resposta inflamatória perirradicular à infecção do canal radicular, essas células
podem sofrer proliferação, determinando a formação de um cisto perirradicular (Capítulo 2).
FIGURA 1-19 Restos epiteliais de Malassez no ligamento periodontal.
Cemento
O cemento é um tecido conjuntivo duro que recobre a raiz dentária (Fig. 1-15). A sua principal
função é fornecer uma superfície de contato para as fibras do ligamento periodontal.5
Diferentemente do osso, o cemento não tem sua própria vascularização e geralmente é mais
resistente à reabsorção. De acordo com o padrão celular, dois tipos podem ser distinguidos:
cemento celular e acelular. O cemento celular pode ser observado mais frequentemente no
terço apical radicular e na região inter-radicular, e costuma ser encontrado sobre uma camada
de cemento acelular. No entanto, a distribuição dos dois tipos é altamente variável e ambos
podem ser observados na mesma raiz, distribuídos de forma aleatória. A largura do cemento
geralmente é maior na porção apical da raiz (média, 150 a 200 μm) que na junção
amelocementária (20 a 50 μm), e pode variar com a idade, visto que o lento processo de
cementogênese pode compensar o desgaste oclusal do dente.1 O cemento é coberto por pré-
cemento, que é uma área estreita de matriz de cemento desmineralizada (3 a 5 μm de
espessura) cobrindo o cemento mineralizado e o separando do ligamento periodontal.
O cemento é composto por cerca de 50% de matéria orgânica e 50% de matéria inorgânica.
A porção orgânica é constituída principalmente de colágeno tipo I, que corresponde a 90% da
matriz orgânica do cemento. Outros tipos de colágeno, especialmente os tipos III e XII e as
proteínas não colagenosas podem ser encontrados na matriz cementária.
As células associadas ao cemento são os cementoblastos e os cementócitos. Os
cementoblastos formam o cemento e podem ser observados ao longo da superfície radicular,
interpostos entre as fibras do ligamento periodontal.48 Quando se encontram na fase ativa, os
cementoblastos geralmente são maiores em tamanho. A deposição de cemento continua com
fases alternadas de atividade e repouso ao longo da vida de um indivíduo. Quando os
cementoblastos formam cemento acelular, acabam desaparecendo, deixando para trása
matriz cementária. Quando o cemento celular é formado, os cementoblastos são aprisionados
em lacunas no interior da matriz e cessam a atividade funcional, transformando-se em
cementócitos. Os cementócitos apresentam numerosos processos citoplasmáticos, que
ocupam canalículos da matriz cementária mineralizada. Como o cemento é avascular, os
cementócitos recebem nutrientes/nutrição por difusão a partir do ligamento periodontal. Esta é a
razão pela qual os processos dos cementócitos são orientados para o ligamento. À medida
que a deposição de cemento ocorre, cementócitos permanecem separados do ligamento e, se
não receberem nutrientes, se degeneram, deixando lacunas vazias no cemento.
Quando não há patologia, os cementoblastos que revestem a superfície do cemento
normalmente aparecem em fase de repouso. O cemento não é submetido à remodelação
como o osso; assim, a presença de “odontoclastos” pode ser observada apenas em algumas
condições patológicas (especialmente inflamação) e em resposta a forças ortodônticas
excessivas.49
Em virtude das fases repetidas de deposição de cemento, linhas de quiescência podem ser
claramente observadas através de cortes histológicos. Com o envelhecimento, um aumento da
deposição cementária ao redor do ápice radicular pode ser observado. A deposição de
cemento ao redor do forame apical, frequentemente, pode ser observada em resposta ao
tratamento endodôntico. Cemento, muitas vezes do tipo celular, é depositado no interior do
forame apical, reduzindo consideravelmente seu diâmetro (Fig. 1-20). Esta observação tem feito
alguns autores introduzirem o termo “selamento biológico” do forame para indicar este tipo de
resposta reparadora, mas a total oclusão da área foraminal pelo cemento raramente ocorre.50
FIGURA 1-20 Extensa neoformação de cemento estreitando o forame
apical após tratamento endodôntico.
O Osso Normal
O tecido ósseo é extensamente descrito em livros de histologia geral, que são indicados para
uma descrição mais abrangente. Essencialmente, o osso do maxilar e o da mandíbula não
diferem significativamente, sob o ponto de vista estrutural e histológico, de outros ossos do
esqueleto humano. O tecido ósseo é uma forma especializada de tecido conjuntivo, cuja
característica fundamental é a mineralização da matriz extracelular. Não é um tecido estático,
pois é continuamente renovado e remodelado durante a vida de um indivíduo. Este processo
contínuo de remodelação tem, dentre outras, a função fundamental de regular a concentração
de cálcio no sangue.
O tecido ósseo é constituído de uma matriz orgânica (cerca de 30% do peso) e uma
inorgânica (cerca de 70%). A maior parte do componente orgânico do osso é constituída por
fibras colágenas (especialmente tipo I, que corresponde a mais de 95% da matriz orgânica,
mas também os tipos III, V e XII). Uma pequena parte é constituída de fatores de crescimento,
proteoglicanas, glicoproteínas e outras proteínas não colagenosas. A matriz inorgânica é
constituída por hidroxiapatita.
Macroscopicamente, dois tipos de ossos podem ser distinguidos: o osso trabecular (ou
esponjoso) e o osso compacto. O osso trabecular é composto por uma rede de finas camadas
de osso compacto que conferem um aspecto de favo de mel, com uma quantidade inumerável
de pequenas cavidades que alojam a medula óssea. Macroscopicamente, o osso compacto
parece uma massa sólida uniforme. Ambos os tipos de ossos estão presentes em praticamente
todos os ossos, mas a distribuição deles pode variar.
As superfícies ósseas são cobertas pelo periósteo, uma membrana fibrosa densa, ricamente
vascularizada. Tanto a superfície interna do osso compacto como toda a superfície do osso
trabecular são cobertas por uma membrana fibrosa com uma única camada de células ósseas
– o endósteo, que separa fisicamente a superfície óssea da medula óssea. Tanto o periósteo
quanto o endósteo têm capacidade de formar osso.
Microscopicamente, o tecido ósseo está estruturado em lamelas de 3 a 7 μm de espessura,
organizadas em camadas paralelas. Cada lamela é formada por células e substância
intercelular. Os osteócitos estão alojados em cavidades da matriz calcificada, em formato
biconvexo, denominadas lacunas osteocíticas. As lacunas estão conectadas umas com as
outras por meio de pequenos canais denominados canalículos. Estes estão ligados aos canais
haversianos e de Volkmann, que contêm vasos sanguíneos. As lacunas e os canalículos
formam um sistema de cavidades no osso, que possibilita trocas de metabólicos e gases entre
o sangue e os osteócitos. Sem este sistema, tais trocas seriam impossíveis, por causa da
presença da matriz calcificada.
Além dos osteócitos, outros dois tipos celulares muito importantes são encontrados no osso:
osteoblastos e osteoclastos. Os osteoblastos podem ser observados na superfície de
crescimento ósseo e na camada osteogênica do periósteo e do endósteo. Durante a fase ativa
de síntese, os osteoblastos são organizados em uma camada de grandes células com
citoplasmas basofílicos. Quando a formação óssea termina, os citoplasmas basofílicos tendem
a reduzir. Neste momento, os osteoblastos se tornam osteócitos.
Os osteoclastos podem ser vistos na superfície de trabéculas ósseas submetidas à
reabsorção. São grandes células multinucleadas que ocupam depressões escavadas na
superfície óssea, conhecidas como lacunas de Howship, que, na verdade, representam pontos
focais de reabsorção óssea causados por células clásticas (Fig. 1-21).
FIGURA 1-21 Osteoclasto.
Os ossos compacto e trabecular apresentam a mesma estrutura. A diferença é que as
lamelas do osso trabecular estão dispostas de modo a formar uma rede de lâminas de formato
irregular e espículas do trabeculado, que delimitam um labirinto de espaços comunicantes,
ocupados pela medula óssea. No osso compacto, as lamelas estão dispostas paralelamente,
formando estruturas mais compactas e regulares. A estrutura óssea é cruzada por inúmeros
canais longitudinais ou oblíquos, os canais haversianos, que se anastomosam uns com outros.
Uma segunda categoria de canais de menor diâmetro, os canais de Volkmann, cruza o osso
perpendicular ou obliquamente, ligando os canais haversianos e abrindo para as superfícies
periosteal e endosteal do osso. Vasos sanguíneos e nervos penetram através do endósteo e
do periósteo nos canais de Volkmann e destes para os canais haversianos. Este sistema de
canais de intercomunicação vascular é, em seguida, conectado com a rede formada por
canalículos e lacunas osteocíticas.
O Osso Alveolar
A porção da maxila e da mandíbula que contém os dentes e os alvéolos nos quais eles estão
inseridos é chamada de processo alveolar. O processo alveolar é constituído de uma tábua
cortical externa de osso compacto (vestibular, lingual e palatina), um centro esponjoso
(compartimento constituído de osso trabecular) e o osso que reveste o alvéolo (osso alveolar
propriamente dito) (Fig. 1-22). A lâmina cortical e o osso que reveste o alvéolo se encontram na
crista alveolar, normalmente 1,5 a 2 mm abaixo da junção amelocementária. O osso que
reveste o alvéolo é o osso alveolar propriamente dito (também osso fascicular). Ele promove a
fixação das fibras do ligamento periodontal e é perfurado por numerosos orifícios que dão
passagem a vasos e nervos. Por essa razão, são também conhecidos como lâmina
cribriforme.
FIGURA 1-22 Osso alveolar.
A tábua cortical é constituída por uma camada superficial de osso lamelar com fascículos
finos, sustentados por osso compacto com sistema haversiano de espessuras variáveis. O
osso trabecular ocupa a região central do processo alveolar e também é constituído de osso
lamelar com fascículos finos e de sistema haversiano nas trabéculas maiores. A principal
função de sustentar o dente é desempenhada pelo osso alveolar. Radiograficamente, o osso
alveolar é denominado lâmina dura em referência à linha radiopaca do osso que segue a linha
radiolúcida correspondente ao espaço do ligamento periodontal. Esta densidade radiográfica
da lâmina dura ocorre por causa do aumentoda espessura do osso, livre de trabéculas, e não
por causa do aumento do conteúdo mineral do osso alveolar.
A superfície do osso alveolar em contato com o ligamento periodontal é recoberta por
osteoblastos que podem estar em fase ativa ou em repouso, dependendo do estado funcional
do ligamento. Assim, em cortes microscópicos os osteoblastos podem ser vistos como células
achatadas na fase de repouso ou como células ativas volumosas. Quando um processo de
reabsorção inflamatória ocorre, por exemplo, associado à lesão perirradicular, osteoclastos
podem ser vistos na superfície óssea. Esta variabilidade na distribuição de células ósseas ao
longo da parede alveolar reflete as mudanças contínuas que podem acontecer no osso
alveolar. A íntima relação e a comunicação entre o osso alveolar e o ligamento periodontal
ilustradas na Figura 1-23 são de extrema importância nos processos patológicos de origem
endodôntica e na reparação após o tratamento endodôntico.
FIGURA 1-23 Extensa comunicação celular e vascular entre o osso
alveolar e o ligamento periodontal.
	Instruções para acesso on-line
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	Sumário
	direitos autorais
	DEDICATÓRIA
	AGRADECIMENTOS
	PREFÁCIO À 4ª EDIÇÃO
	COLABORADORES
	Capítulo 1: Biologia Pulpar e Perirradicular
	EMBRIOLOGIA DO COMPLEXO DENTINOPULPAR
	DENTINA
	POLPA
	REAÇÃO DO COMPLEXO DENTINOPULPAR À CÁRIE
	OS TECIDOS PERIRRADICULARES NORMAIS
	Capítulo 2: Patologia Pulpar e Perirradicular
	DEFESAS DO HOSPEDEIRO CONTRA A INFECÇÃO – VISÃO GERAL
	PATOLOGIA PULPAR
	PATOLOGIA PERIRRADICULAR
	Capítulo 3: Diagnóstico Diferencial das Lesões Perirradiculares Inflamatórias
	ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS/INFECCIOSAS DE ORIGEM NÃO PULPAR QUE PODEM SIMULAR ABSCESSOS PERIRRADICULARES
	ÁREAS RADIOLÚCIDAS (DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE GRANULOMAS, CISTOS E CICATRIZES FIBROSAS PERIAPICAIS)
	ÁREAS MISTAS (RADIOLÚCIDAS E RADIOPACAS) OU TOTALMENTE RADIOPACAS QUE PODEM SIMULAR OSTEÍTES CONDENSANTES E OSTEOMIELITES DOS MAXILARES
	Capítulo 4: Microbiologia Endodôntica
	RELAÇÃO CAUSAL ENTRE MICRORGANISMOS E AS PATOLOGIAS PULPAR E PERIRRADICULAR
	O PROBLEMA DA INFECÇÃO NA ENDODONTIA
	VIAS DE INFECÇÃO DA POLPA DENTAL
	PADRÃO DE COLONIZAÇÃO E O BIOFILME ENDODÔNTICO
	A LESÃO PERIRRADICULAR É UMA DOENÇA CAUSADA POR BIOFILMES
	TIPOS DE INFECÇÃO ENDODÔNTICA
	INFECÇÃO INTRARRADICULAR PRIMÁRIA
	INFECÇÕES SINTOMÁTICAS
	INFECÇÃO INTRARRADICULAR SECUNDÁRIA/PERSISTENTE
	INFECÇÕES EXTRARRADICULARES
	BACTEREMIA E INFECÇÃO FOCAL
	Capítulo 5: Diagnóstico em Endodontia
	CAPÍTULO 5-1 Diagnóstico e Seleção de Casos
	CAPÍTULO 5-2 Aspectos Radiográficos de Interesse Endodôntico
	CAPÍTULO 5-3 Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico em Endodontia
	Capítulo 6: Preparação para o Tratamento Endodôntico
	CAPÍTULO 6-1 Esterilização e Desinfecção em Endodontia
	CAPÍTULO 6-2 Anestesia em Endodontia
	CAPÍTULO 6-3 Isolamento Absoluto em Endodontia
	Capítulo 7: Anatomia Interna
	MÉTODOS DE ESTUDO DA ANATOMIA DO SCR
	ANATOMIA DA CAVIDADE PULPAR
	INCLINAÇÃO DOS DENTES NOS ARCOS
	MORFOLOGIA DA CAVIDADE PULPAR NOS GRUPOS DENTÁRIOS
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	Capítulo 8: Acesso Coronário e Localização dos Canais Radiculares
	PRINCÍPIOS BÁSICOS GERAIS
	ETAPAS OPERATÓRIAS
	ACESSO CORONÁRIO DOS GRUPOS DENTAIS
	LOCALIZAÇÃO DA ENTRADA DOS CANAIS RADICULARES
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	Capítulo 9: Fundamentação Filosófica do Tratamento Endodôntico
	TRATAMENTO DE DENTES NÃO INFECTADOS (BIOPULPECTOMIA)
	TRATAMENTO DE DENTES INFECTADOS (NECROPULPECTOMIA E RETRATAMENTO)
	PROTOCOLO CLÍNICO COM BASE EM ESTRATÉGIA ANTIMICROBIANA
	Capítulo 10: Instrumentos Endodônticos
	LIGAS METÁLICAS
	PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	FABRICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	NOMENCLATURA
	PARTES DOS INSTRUMENTOS
	DIMENSÕES DOS INSTRUMENTOS
	EXTIRPA-POLPAS
	INSTRUMENTOS TIPO K
	LIMAS TIPO HEDSTROM
	INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS EMPREGADOS NO CATETERISMO DE CANAIS RADICULARES ATRESIADOS
	INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE NI-TI MECANIZADOS PARA O RETRATAMENTO DE CANAIS RADICULARES
	INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE NI-TI MECANIZADOS
	DISPOSITIVOS MECÂNICOS DE ACIONAMENTO DE INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE AÇO INOXIDÁVEL MECANIZADOS
	DEFEITOS DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DE INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	CORROSÃO DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	Capítulo 11: Preparo Químico-mecânico dos Canais Radiculares
	OBJETIVOS
	MOVIMENTO DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	CLASSIFICAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES
	LIMITE APICAL DE INSTRUMENTAÇÃO
	TERMINOLOGIA
	INSTRUMENTAÇÃO DE CANAIS RADICULARES
	PRIMEIRA ETAPA – PRÉ-INSTRUMENTAÇÃO
	SEGUNDA ETAPA – INSTRUMENTAÇÃO
	AMPLIAÇÃO DO DIÂMETRO APICAL DE CANAIS RADICULARES
	MANOBRAS
	INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE NI-TI MECANIZADOS EMPREGADOS NA INSTRUMENTAÇÃO DE CANAIS RADICULARES
	INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: DESCRIÇÃO SUMÁRIA – 1
	INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: DESCRIÇÃO SUMÁRIA – 2
	INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: DESCRIÇÃO SUMÁRIA – 3
	INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: DESCRIÇÃO SUMÁRIA – 4
	INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: DESCRIÇÃO SUMÁRIA – 5
	INSTRUMENTAÇÃO NÃO SEGMENTADA
	CONSIDERAÇÕES GERAIS
	Capítulo 12: Fratura dos Instrumentos Endodônticos: Fundamentos Teóricos e Práticos
	FRATURA FRÁGIL
	FRATURA DÚCTIL
	FRATURA DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
	FRATURA POR TORÇÃO
	FRATURA POR DOBRAMENTO EM TORÇÃO
	FRATURA POR FLEXÃO ROTATIVA
	FRATURA DE ALARGADORES GATES-GLIDDEN E LARGO
	Capítulo 13: Acidentes e Complicações em Endodontia
	ACIDENTES E COMPLICAÇÕES NA INSTRUMENTAÇÃO
	Capítulo 14: Irrigação dos Canais Radiculares
	SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS AUXILIARES DA INSTRUMENTAÇÃO
	SOLUÇÕES IRRIGANTES
	BIOCOMPATIBILIDADE
	SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS EMPREGADAS NO PREPARO DOS CANAIS RADICULARES
	MTAD
	IRRIGAÇÃO-ASPIRAÇÃO
	“SMEAR LAYER”
	Capítulo 15: Medicação Intracanal
	OBJETIVOS
	CLASSIFICAÇÃO QUÍMICA DOS MEDICAMENTOS INTRACANAIS
	HIDRÓXIDO DE CÁLCIO – CA(OH)2
	INDICAÇÃO E EMPREGO DE MEDICAMENTOS BIOPULPECTOMIA
	NECROPULPECTOMIA E RETRATAMENTO
	SELAMENTO CORONÁRIO
	Capítulo 16: Obturação dos Canais Radiculares
	CAPÍTULO 16-1 Materiais Obturadores
	CAPÍTULO 16-2 Princípios e Técnica de Compactação Lateral
	CAPÍTULO 16-3 Técnicas de Termoplastificação da Guta-Percha
	Capítulo 17: Reparação Pós-tratamento Endodôntico
	PRINCÍPIOS DE REPARAÇÃO
	REPARAÇÃO DOS TECIDOS PERIRRADICULARES
	RESPOSTA TECIDUAL A PROCEDIMENTOS ENDODÔNTICOS
	AVALIAÇÃO HISTOLÓGICA DO SUCESSO ENDODÔNTICO
	INFLUÊNCIA DO MATERIAL OBTURADOR NO SUCESSO ENDODÔNTICO
	NEOFORMAÇÃO DE CEMENTO
	CONCLUSÕES
	Capítulo 18: Tratamento do Fracasso Endodôntico
	CAPÍTULO 18-1 Causas do Fracasso Endodôntico
	CAPÍTULO 18-2 Retratamento Endodôntico
	CAPÍTULO 18-3 Cirurgia Perirradicular
	Capítulo 19: Causas e Manejo da Dor Crônica Persistente Pós-obturação
	INFECÇÕES PERSISTENTES
	INFECÇÕES SECUNDÁRIAS
	INFLAMAÇÃO PERSISTENTE, LESÃO PERIRRADICULAR PRESENTE, MAS NÃO VISÍVEL NA RADIOGRAFIA
	SOBREOBTURAÇÃO
	PERFURAÇÃO RADICULAR
	CANAL NÃO TRATADO
	DENTE ERRADO
	FRATURA VERTICAL/OBLÍQUA OU FISSURAS RADICULARES
	CAUSA NÃO ODONTOGÊNICA
	SINUSITE ODONTOGÊNICA
	SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL
	Capítulo 20: Emergências e Urgências em Endodontia
	EMERGÊNCIA VERSUS URGÊNCIA
	DIAGNÓSTICO
	DOR DE ORIGEM PULPAR
	PULPITE IRREVERSÍVEL SINTOMÁTICA
	DOR DE ORIGEM PERIRRADICULAR
	FLARE-UP
	DOR PÓS-OBTURAÇÃO
	Capítulo 21: Analgésicos em Endodontia
	VIAS DA DOR
	FATORES PREDISPONENTES DA DOR ENDODÔNTICA PÓS-OPERATÓRIA
	ANALGÉSICOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS
	NÃO AINES
	ESTEROIDES
	ANTIBIÓTICOS
	ESTRATÉGIAS PARA CONTROLE DA DOR
	Capítulo 22: Antibióticos em Endodontia
	PRINCÍPIOS DE ANTIBIOTICOTERAPIA
	USO DE ANTIBIÓTICOS SISTÊMICOS EM ENDODONTIA
	RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOS
	PROFILAXIA ANTIBIÓTICA
	TRATAMENTO ODONTOLÓGICO E ENDOCARDITE BACTERIANA
	CONCLUSÕES
	Capítulo 23: Traumatismo Dentário
	INCIDÊNCIA
	HISTÓRIA E EXAME CLÍNICO
	EXAME NEUROLÓGICO
	EXAME EXTERNO
	EXAME DOS TECIDOS MOLES INTRAORAIS
	EXAME DOS TECIDOS DUROS
	TESTES TÉRMICOS E ELÉTRICOS
	EXAMES RADIOGRÁFICOS
	FRATURAS CORONÁRIAS
	FRATURA CORONÁRIA COMPLICADA
	TRATAMENTO DA POLPA VITAL
	MÉTODOS DE TRATAMENTO
	PULPOTOMIA TOTALPULPECTOMIA
	TRATAMENTO DA POLPA NECROSADA
	REVASCULARIZAÇÃO PULPAR
	FRATURA COROA-RAIZ
	FRATURA RADICULAR
	INJÚRIAS POR LUXAÇÃO
	CONSEQUÊNCIAS DO DANO AO SUPRIMENTO NEUROVASCULAR APICAL
	DIAGNÓSTICO DAS INJÚRIAS POR LUXAÇÃO NA SESSÃO DE EMERGÊNCIA
	DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE EMERGÊNCIA
	PROGNÓSTICO DAS INJÚRIAS POR LUXAÇÃO
	AVULSÃO E REIMPLANTE
	PREPARAÇÃO DA RAIZ
	TEMPO EXTRAORAL < 60 MINUTOS
	TEMPO EXTRAORAL > 60 MINUTOS
	PREPARAÇÃO DO ALVÉOLO
	ESPLINTAGEM
	TRATAMENTO DOS TECIDOS MOLES
	TERAPIA COMPLEMENTAR
	TRATAMENTO ENDODÔNTICO
	RESTAURAÇÃO TEMPORÁRIA
	SESSÃO PARA OBTURAÇÃO DO CANAL RADICULAR
	Capítulo 24: Reabsorções Dentárias
	ATIVAÇÃO E MECANISMO DA REABSORÇÃO
	CLASSIFICAÇÃO DAS REABSORÇÕES DENTÁRIAS
	REABSORÇÕES DENTÁRIAS EXTERNAS
	REABSORÇÃO DENTÁRIA EXTERNA ASSOCIADA À INFECÇÃO DA CAVIDADE PULPAR
	REABSORÇÃO DENTÁRIA EXTERNA CERVICAL INVASIVA
	REABSORÇÃO DENTÁRIA INTERNA
	Capítulo 25: Tratamento Endodôntico de Dentes com Rizogênese Incompleta
	TRATAMENTO ENDODÔNTICO
	DENTES COM VITALIDADE PULPAR
	DENTES PORTADORES DE TECIDO PULPAR VIVO NO SEGMENTO APICAL DO CANAL RADICULAR
	DENTES COM NECROSE TOTAL DO CONTEÚDO PULPAR
	REVASCULARIZAÇÃO PULPAR
	FORMAS DA ZONA APICAL APÓS A COMPLEMENTAÇÃO OU O FECHAMENTO DO ÁPICE
	HISTOPATOLOGIA DA REPARAÇÃO
	Capítulo 26: Inter-relação entre Endodontia e Periodontia
	RELAÇÕES ANATÔMICAS
	DOENÇAS RELACIONADAS
	ETIOLOGIA
	FATORES EXTRÍNSECOS
	FATORES INTRÍNSECOS
	FATORES CONTRIBUINTES
	DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
	PROGNÓSTICO
	Capítulo 27: Síndrome do Dente Rachado
	FATORES ETIOLÓGICOS
	CLASSIFICAÇÃO
	SINTOMATOLOGIA
	ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS E PATOLÓGICOS DAS FRATURAS
	TRATAMENTO
	ÍNDICE REMISSIVO
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS