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1 HISTÓRIA DAS RELIGIÕES 1 FACUMINAS A história do Instituto FACUMINAS, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a FACUMINAS, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A FACUMINAS tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 2 Sumário FACUMINAS ............................................................................................................... 1 Sumário .................................................................................................................... 2 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 PRESENÇA DA RELIGIÃO EM TODA A CULTURA HUMANA ................................ 8 TIPOS DE RELIGIÕES ............................................................................................. 10 PANTEÍSMO ............................................................................................................. 12 POLITEÍSMO ............................................................................................................ 13 MONOTEÍSMO ......................................................................................................... 15 ATEÍSMO .................................................................................................................. 18 RELIGIÕES ATEÍSTAS E NEO-PANTEÍSTAS ........................................................ 20 SÍNTESE DE RELIGIÕES......................................................................................... 23 RELIGIÕES DO FUTURO......................................................................................... 25 MAX MÜLLER E A CIÊNCIA RELIGIÃO.................................................................. 29 TIPOS DE RELIGIÕES ............................................................................................. 30 O SAGRADO COMO OBJETO DE ESTUDO DO ENSINO RELIGIOSO ................. 33 CRISTIANISMO ........................................................................................................ 37 ISLAMISMO .............................................................................................................. 40 HINDUÍSMO .............................................................................................................. 44 BUDISMO ................................................................................................................. 47 JUDAÍSMO ............................................................................................................... 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 53 3 INTRODUÇÃO A religião surgiu em algum momento entre os períodos Paleolítico e Neolítico, assim que os primeiros grupos humanos tornaram-se sedentários. As primeiras manifestações religiosas relacionavam-se com os fenômenos da natureza, ou seja, os fenômenos naturais eram entendidos como uma manifestação divina. Com o desenvolvimento da humanidade e o surgimento de novas culturas, novos tipos de religião foram surgindo em diferentes partes do planeta. A palavra “religião” tem origem da expressão latina “religio”. Existem debates a respeito do real significado desse termo. A interpretação mais aceita afirma que a palavra significa “religar”. Essa ideia faz menção ao fato de que, por meio da religião, o homem religa-se aos deuses e ao sagrado. Existem estudiosos, porém, que sugerem que o termo significa “reeleger”. Trazendo o conceito de religião para uma visão mais moderna, a palavra faz referência ao conjunto de crenças e visões do mundo que forma as noções de espiritualidade e de sagrado do ser humano. Sendo assim, corresponde ao conjunto de crenças que faz o ser humano acreditar na existência de uma entidade ou ser superior. A religião é praticada pelo ser humano desde tempos antigos e era utilizada, muitas vezes, para explicar os fenômenos da natureza. Cada religião possui suas particularidades: suas histórias sagradas, seus símbolos, contos e seu próprio código de conduta. Apesar disso, os estudiosos da área conseguem identificar aproximações em diferentes religiões, como acontece no caso das maiores religiões monoteístas do mundo: judaísmo, cristianismo e islamismo. Atualmente, existem diversas religiões no mundo, as quais podem ser classificadas em três diferentes grupos: • Politeístas: sistema religioso que possibilita a crença em mais de um deus. 4 • Monoteístas: sistema religioso que possibilita a crença em apenas um deus. • Panteístas: sistema religioso que afirma que a força da natureza é a manifestação de uma divindade em si. Baseia-se, portanto, na crença em espíritos da natureza. Além desses três tipos citados, é importante mencionar os ateístas, ou seja, pessoas que não acreditam em nenhum tipo de religião e não acreditam na existência de uma entidade ou ser superior aos humanos. O princípio básico do ateísmo é o ceticismo, isto é, o questionamento do princípio básico de toda religião: a crença no divino. O Brasil é, atualmente, um país que garante liberdade religiosa e de culto a todas as pessoas que residem no país. Esse princípio está presente no artigo 5º da Constituição de 1988. A legislação brasileira também garante a preservação dos lugares de culto e da liturgia de cada religião. O Brasil é também um Estado laico, isto é, teoricamente, o governo cria condições para o convívio harmônico entre as religiões e não favorece nenhuma religião específica. Apesar de tudo isso, sabemos que há um longo caminho em nosso país para garantir a liberdade religiosa para todos os grupos, uma vez que minorias religiosas ainda sofrem preconceito e perseguição. Quando o assunto são as maiores religiões do mundo, a composição muda consideravelmente. Dados disponibilizados pela CIA, a inteligência dos Estados Unidos, afirma que as maiores religiões do mundo são2: cristianismo (31,4% da população mundial), islamismo (23,2% da população mundial) e hinduísmo (15% da população mundial). Religião deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação" com o divino. Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico. 5 Sendo assim o hábito, geralmente por parte de grupos religiosos de taxarem tal ou qual grupo religioso rival de seita, não têm apoio na definição do termo. Seita, derivado da palavra latina "Secta", nada mais é do que um segmento minoritário que se diferencia das crenças majoritárias, mas como tal também é religião. Heresia é outro termo mal compreendido. Significa simplesmente um conteúdo que vai contra a estrutura teórica de uma religião dominante. Sendo assim o Cristianismo foi uma Heresia Judáica assimcomo o Protestantismo uma Heresia Católica, ou o Budismo uma Heresia Hinduísta. A Mitodologia é uma coleção de contos e lendas com uma concepção mística em comum, sendo parte integrante da maioria das religiões, mas suas formas variam grandemente dependendo da estrutura fundamental da crença religiosa. Não há religião sem mitos, mas podem existir mitos que não participem de uma religião. Mística pode ser entendida como qualquer coisa que diga respeito a um plano sobre material. Um "Mistério". Religião e conhecimento religioso são patrimônios da humanidade, pois, constituíram- se historicamente na inter-relação dos aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos. Em virtude disso, a disciplina de Ensino Religioso deve orientar-se para a apropriação dos saberes sobre as expressões e organizações religiosas das diversas culturas na sua relação com outros campos do conhecimento. No Brasil, a atuação de alguns segmentos sociais/culturais vem consolidando o reconhecimento da diversidade religiosa e demandando da escola o trabalho pedagógico com o conhecimento sobre essa diversidade, frutos das raízes culturais brasileiras. Nesse sentido, um dos grandes desafios da escola e da disciplina de Ensino Religioso é efetivar uma prática de ensino voltada para a superação do preconceito religioso, como também, desprender-se do seu histórico confessional catequético, 6 para a construção e consolidação do respeito à diversidade cultural e religiosa. Um Ensino Religioso de caráter doutrinário, como ocorreu no Brasil Colônia e no Brasil. Império, estimula concepções de mundo excludentes e atitudes de desrespeito às diferenças culturais e religiosas. É justamente esse contexto que reclama uma reformulação do Ensino Religioso adequada ao ideal republicano de separação entre Igreja e Estado, pois, suas formas confessionais são incapazes de cumprir exigências que hoje se apresentam. Assim, a disciplina de Ensino Religioso deve oferecer subsídios para que os estudantes entendam como os grupos sociais se constituem culturalmente e como se relacionam com o Sagrado. Essa abordagem possibilita estabelecer relações entre as culturas e os espaços por elas produzidos, em suas marcas de religiosidade. Tratado nesta perspectiva, o Ensino Religioso contribuirá para superar desigualdades étnico-religiosas, para garantir o direito Constitucional de liberdade de crença e de expressão e, por consequência, o direito à liberdade individual e política. Desta forma atenderá um dos objetivos da educação básica que, segundo a LDB 9394/96, é o desenvolvimento da cidadania. O desafio mais eminente da nova abordagem do Ensino Religioso é, portanto, superar toda e qualquer forma de apologia ou imposição de um determinado grupo de preceitos e sacramentos, pois, na medida em que uma doutrinação religiosa ou moral impõe um modo adequado de agir e pensar, de forma heterônoma e excludente, ela impede o exercício da autonomia de escolha, de contestação e até mesmo de criação de novos valores. Diante disso, o Ensino Religioso: Em termos metodológicos propõe-se, nestas Diretrizes, um processo de ensino e de aprendizagem que estimule a construção do conhecimento pelo debate, pela não pode prescindir da sua vocação de realidade institucional aberta ao universo da cultura, ao integral acontecimento do pensamento e da ação do homem: a experiência religiosa faz parte desse acontecimento, com os fatos e sinais que a expressam. O fato religioso como todos os fatos humanos, pertencem ao universo da cultura e, portanto, tem uma relevância cultural, tem uma relevância em sede cognitiva 7 apresentação da hipótese divergente, da dúvida – real e metódica –, do confronto de ideias, de informações discordantes e, ainda, da exposição competente de conteúdos formalizados. Opõe-se, portanto, a um modelo educacional que centra o ensino tão- somente na transmissão dos conteúdos pelo professor, o que reduz as possibilidades de participação do aluno e não atende a diversidade cultural e religiosa. Para isso, retoma-se a necessidade de: • superar as tradicionais aulas de religião; • abordar conteúdos escolares que tratem das diversas manifestações culturais e religiosas, dos seus ritos, das suas paisagens e dos seus símbolos, e relações culturais, sociais, políticas e econômicas de que são impregnadas as formas diversas de religiosidade Assim, nestas diretrizes, qualquer religião deve ser tratada como conteúdo escolar, uma vez que o Sagrado compõe o universo cultural humano e faz parte do modelo de organização de diferentes sociedades. A disciplina de Ensino Religioso deve propiciar a compreensão, comparação e análise das diferentes manifestações do Sagrado, com vistas à interpretação dos seus múltiplos significados. Ainda, subsidiará os educandos na compreensão de conceitos básicos no campo religioso e na forma como as sociedades são influenciadas pelas tradições religiosas, tanto na afirmação quanto na negação do Sagrado. Em outras palavras, pode-se dizer que: aquilo que para as igrejas é objeto de fé, para a escola é objeto de estudo. Isto supõe a distinção entre fé/crença e religião, entre o ato subjetivo de crer e o fato objetivo que o expressa. Essa condição implica a superação da identificação entre religião e igreja, salientando sua função social e o seu potencial de humanização das culturas. Por isso, o Ensino Religioso na escola pública não pode ser concebido, de maneira nenhuma, como uma espécie de licitação para as Igrejas (neste caso é melhor não fazer nada). A instituição escolar deve reivindicar a título pleno a competência sobre essa matéria Para se chegar a bom termo nesse trabalho pedagógico será necessária uma criteriosa definição dos conteúdos escolares, produção de materiais didático pedagógicos e científicos, bem como a contínua formação dos professores, ações que em conjunto podem orientar a disciplina do Ensino Religioso. 8 PRESENÇA DA RELIGIÃO EM TODA A CULTURA HUMANA Ao longo da história, a fé e a prática da religião têm sido uma parte importante da sociedade, preocupando-se em oferecer uma explicação ao desconhecido. Hoje, o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo são as cinco principais religiões, embora existam muitas outras profissões de fé. Muitas outras apareceram e desapareceram ao longo do tempo. Todavia, as diferentes religiões não emergiram do nada, mas em algum momento da história o ser humano começou a ter e estruturar esses tipos de crenças. De onde vem essa necessidade de vida espiritual? É difícil determinar em que ponto da evolução humana começaram a surgir as crenças religiosas, não sendo possível definir com certeza quando surgiram as primeiras religiões organizadas, uma vez que a origem remonta à pré-história (não havendo registros escritos sobre isso). O que podemos afirmar é que existem fortes indícios evidenciando que a religião é ainda mais antiga que o próprio Homo Sapiens. As primeiras crenças de tipo religioso são anteriores à expansão de nossa espécie. Concretamente sabemos que nossos parentes neandertais já realizavam enterros rituais, algo que mostra a existência de um sentido da morte e uma preocupação com o que acontece depois dela. Nos restos de assentamentos de algumas tribos ou clãs parece que eles observavam algum tipo de culto a certos animais, como aos ursos. Outro aspecto a destacar é a consideração do que possibilita o surgimento do pensamento religioso. Neste sentido, é preciso ter uma série de capacidades mentais básicas: é necessária uma certa capacidade de abstração, a existência de uma teoria da mente (que permite ao sujeito perceber que os outros têm a sua própria perspectiva, objetivos e vontades distintas das que ele próprio tem), a detecção de agentes causais e a capacidade de fazer associações complexas.9 Considera-se que a fé pode ter surgido ou como uma adaptação vantajosa que se manteve por seleção natural (uma vez que permite a criação e a coesão grupal, o que facilita a sobrevivência e a reprodução) ou como um subproduto do surgimento de habilidades cognitivas como as mencionadas anteriormente. Outro aspecto a se notar é o fato de as religiões frequentemente incluírem diferentes tipos de crenças, surgindo, seguramente, alguns tipos delas antes que outras. O animismo, a crença na existência de uma força vital ou alma em todos os animais, plantas ou mesmo acidentes geológicos e fenômenos naturais, possuindo estes uma vontade própria, é o tipo mais difundido e antigo de crença religiosa. Este tipo serve como base para o desenvolvimento posterior da crença no sobrenatural ou no místico. Logo depois dela se situa a crença no além ou na vida após a morte, que é considerada como um dos aspectos mais comuns e antigos das religiões. Para isso é necessário o conceito de alma ou algo que existe além da morte, justamente sendo necessário que o animismo existisse anteriormente. Depois disso pode se desenvolver a ideia de um especialista que gere as normas que permitam um acesso ou um contato com o além. Daí surgiria o xamã e, mais tarde, a instituição clerical. Esta figura se tornaria um especialista na comunicação e gestão do fato religioso. Também daí pode surgir a crença no culto aos antepassados. Finalmente, a crença nos deuses é algo que pode ser derivado da crença em entidades superiores que podem nos olhares e afetar nossas vidas, mas que parecem surgir de um reflexo do modo como uma sociedade ou tribo se organiza. Quem e como somos e onde estamos é o resultado do avanço da história. Qualquer fenômeno é um fenômeno humano que se tornou o que é. E isso também acontece com a religião. Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes e técnicas. 10 Grande parte de todos os movimentos humanos significativos tiveram a religião como impulsor, diversas guerras, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa, estruturas sociais foram definidas com base em religiões e grande parte do conhecimento científico, "filosófico" e artístico tiveram como vetores os grupos religiosos, que durante a maior parte da história da humanidade estiveram vinculados ao poder político e social. Hoje em dia, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteverão seu fim. A grande maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente e a Religião continua a promover diversos movimentos humanos, e mantendo estatutos políticos e sociais. Tal como a Ciência, a Arte e a Filosofia, a Religião é parte integrante e inseparável da cultura humana, é muito provavelmente sempre continuará sendo. TIPOS DE RELIGIÕES Há várias formas de religião, e são muitos os modos que vários estudiosos utilizam para classificá-las. Porém há características comuns às religiões que aparecem com maior ou menor destaque em praticamente todas as divisões. A primeira destas características e cronológica, pois as formas religiosas predominantes evoluem através dos tempos nos sucessivos estágios culturais de qualquer sociedade. Outro modo é classificá-las de acordo com sua solidez de princípios e sua profundidade filosófica, o que irá separá-las em religiões com e sem Livros Sagrados. Pessoalmente como um estudioso do assunto, prefiro uma classificação que leva em conta essas duas características, e divide as religiões nos seguintes 4 grandes grupos distintos, sendo eles panteístas, monoteístas, politeístas e ateístas. 11 Nessa divisão há uma ordem cronológica. As Religiões PANTEÍSTAS são as mais antigas, dominando em sociedades menores e mais "primitivas". Tanto nos primórdios da civilização mesopotâmica, europeia e asiática, quanto nas culturas das Américas, África e Oceania. As Religiões POLITEÍSTAS por vezes se confundem com as Panteístas, mas surgem num estágio posterior do desenvolvimento de uma cultura. Quanto mais a sociedade se torna complexa, mais o Panteísmo vai se tornando Politeísmo. Já as MONOTEÍSTAS são mais recentes, e atualmente as mais disseminadas, o Monoteísmo quantitativamente ainda domina mais de metade da humanidade. E embora possa parecer estranho, existem religiões ATEÍSTAS, que negam a existência de um ser supremo central, embora possam admitir a existência de entidades espirituais diversas. Essas religiões geralmente surgem como uma reação a um sistema religioso Monoteísta ou pelo menos Politeísta, e em muitos aspectos se confunde com o Panteísmo embora possua características exclusivas. Essa divisão também traça uma hierarquia de rebuscamento filosófico nas religiões. As Panteístas por serem as mais antigas, não têm Livros Sagrados ou qualquer estabelecimento mais sólido do que a tradição oral, embora na atualidade o renascimento panteísta esteja mudando isso. Já as politeístas muitas vezes possuem registros de suas lendas e mitos em versão escrita, mas nenhuma possui uma revelação propriamente dita. Isto é um privilégio do Monoteísmo. Todas as grandes religiões monoteístas possuem sua Revelação Divina em forma de Livro Sagrado. As Ateístas também possuem seus livros guias, mas por não acreditarem num Deus pessoal, não tem o peso dogmático de uma revelação divina, sendo vistas em geral como tratados filosóficos. 12 PANTEÍSMO As religiões primitivas são PANTEÍSTAS, acredita-se num grande "Deus- Natureza". Todos os elementos naturais são divinizados, se atribuí "inteligências" espirituais ao vento, a água, fogo, populações animais e etc. É a mais antiga, remontando a pré-história onde tinha predominância absoluta, e também presente em muitos dos povos silvícolas das Américas, África e Oceania. Há uma clara noção de equilíbrio ecossistêmico, onde é comum ritos de agradecimento pelas dádivas naturais e pedidos às divindades da natureza, em alguns casos requisitando autorização mesmo para o consumo da caça que embora tenha sido obtida pelo esforço humano, seria na verdade permitida, se não ofertada, pelos entes espirituais. A relação de dependência do ser humano com o ecossistema é clara, assim como a de parentesco e de submissão. As entidades elementais da natureza estão presentes em toda a parte, conferindo a onisciência do espírito divino. Embora haja a tendência da predominância de uma presença mística feminina, a "mãe-terra", o elemento masculino também é notável a partir do momento que os seres humanos passam a compreender o papel do macho na reprodução. Ocorre então a presença de dois elementos divinos básicos, o Feminino e Masculino universal. É um domínio de pensamento transcendente, mais compatível com a subjetividade e a síntese, não sendo então casual que este seja o tipo religioso onde as mulheres mais tenham influência. A presença de sacerdotisas, bruxas e feiticeiras é em muitos casos, muito mais significativa que a de seus equivalentes masculinos. Todas essas religiões são ágrafas, sem escrita, com exceção é claro dos NeoPanteísmos contemporâneos. Portanto são as mais envoltas em obscuridade e mistérios, não tendo deixado nenhum registro além da tradição oral e de vestígios arqueológicos. Sua metodologia é que Deus é o próprio mundo, tudo está interligado num equilíbrio ecossistêmico e místico. Crê-se em espíritos e geralmente em 13 reencarnação, é comum também o culto aos antepassados. Procura-se manter a harmonia com a natureza, e o mundo comumente é tido como eterno. Seus rituais são geralmenteligados a natureza e ocorrem em contato com ela. É comum o uso de infusões de ervas, danças, oráculos e cerimonias ao ar livre. Seu símbolo é utilizado no máximo totens e alguns outros fetiches, é comum o uso de vegetais, ossos, ou animais vivos ou mortos. SÍMBOLO POLITEÍSMO Surgiu num estágio posterior de desenvolvimento social, tendo sido predominantes na Idade Antiga em todo o velho mundo, e mesmo nas civilizações mais avançadas das américas pré-colombianas. Com o tempo e o desenvolvimento as necessidades humanas passam a se tornar mais complexas. A sobrevivência assume contornos mais específicos, o crescimento populacional hipertrofiado graças a tecnologia que garante maior sucesso 14 na preservação da prole e da longevidade, gera uma série de atividades competitivas e estruturalistas nas sociedades, que se tornam cada vez mais estratificadas. Nesse meio tempo a influência racional em franca ascensão tenta decifrar as transcendentes essências espirituais da natureza. Surge então o POLITEÍSMO, onde os elementos divinos são então personificados com qualidades cada vez mais humanas. O que era antes apenas a Água, um ser de essência espiritual metafísica e sagrada, agora passa a ser representada por uma entidade antropomórfica ou zoomórfica relacionada a água. No princípio as características dessas divindades não são muito afetadas, mas com o tempo, a imaginação humana ou a tentativa de se adequar as religiões às estruturas sociais, elas ficam cada vez mais parecidas com os seres humanos comuns, surgindo então entre os deuses relacionamentos similares aos humanos inclusive com conflitos, ciúmes, traições, romances e etc. E cada vez mais os deuses perdem características transcendentes até que a "degeneração" chegue a ponto destes se relacionarem sexualmente com seres humanos, o que significa a perda da natureza metafísica, da característica invisível, ou mais, de haver relações físicas e pessoais de violência entre humanos e divindades, sem qualquer caráter transcendente. Em muitos casos é difícil distinguir com clareza se determinadas religiões são Pan ou Politeístas. Mesmo no estágio Panteísta por vezes pode-se identificar com muita evidência algumas personificações das entidades divinas, mas algumas características como as citadas no parágrafo anterior são exclusivas do politeísmo. É possível que os elementos que contribuam ou realizem essa transição sejam o Animismo, Fetichismo e Totemismo. Ocorre também uma relativa equivalência entre deidades femininas e masculinas, embora as masculinas mostrem sinais de predominância a medida que o sistema de crenças se torne mais mundano, características de uma fase mais racional e técnica onde muitas vezes a religião politeísta caminha junto com filosofias da natureza. 15 É sempre nesse estágio também que as sociedades desenvolvem escrita, ou pelo menos passa a utilizar símbolos abstratos e códigos visuais mais elaborados, no caso do politeísmo asiático, egípcio e europeu por exemplo, evoluiu para um sistema de escrita complexo. Muitas destas religiões têm então, narrativas de seus mitos em forma escrita, mas tais não possuem o valor e a significância de uma Revelação propriamente dita. Num estágio final tende a ocorrer o fenômeno da Monolatria, onde a adoração se concentra numa única divindade, o que pode ser o ponto de partida para o Monoteísmo. Diversos deuses, regem e destroem o mundo. Se relacionam de forma tensa com os seres humanos, não raro hostil. As lendas dos deuses se assemelham a dramas humanos, havendo contos dos mais diversos tipos. Na sua simbologia surgem os ídolos zoo ou antropomórficos na forma de pinturas e esculturas em larga escala. A simbologia icônica se torna complexa em alguns casos resultando em formas de escrita ideográfica. Seus rituais passam a surgir nos templos, embora em geral não abandonem totalmente os rituais ao ar livre. Em muitos casos ocorrem os sacrifícios humanos, oráculos e as feitiçarias de controle ambiental. MONOTEÍSMO Mais recentes, surgindo a partir do último milênio aC e predominando da idade média até a atualidade. Chega um momento onde o Politeísmo está tão confuso, que parece forçar o "inconsciente coletivo", ou a "intuição global" a buscar uma nova forma de crença. Alguém precisa pôr ordem na casa, surge então um poderoso Deus que acaba com a confusão e se proclama como o Único soberano. Acabam-se as adorações isoladas e hierarquiza-se rigidamente as deidades, de modo a se submeter toda a autoridade do universo a um ente máximo. 16 O MONOTEÍSMO não é a crença em uma única divindade, mas sim a soberania absoluta de uma. A própria teologia judáico-cristã-islâmica adota hierarquias angélicas que são inclusive encarregadas de reger elementos específicos da natureza. Um elemento que caracteriza mais claramente o MONOTEÍSMO mais específico, Zoroastrista, Judáico, Cristão, Islâmico e Sikh, é antes de tudo a ausência ou escassez de representações icônicas do Deus supremo, e sua desatribuição parcial de qualidades humanas, nem sempre bem sucedida. Já as entidades secundárias são comumente retratadas artisticamente. A própria mitologia grega através da Monolatria, já estaria a dar sinais de se dirigir a um monoteísmo similar ao que chegou a religião Hindu, ou a egípcia com a instituição do deus único Akhenaton, embora ainda impregnadas fortemente de Politeísmo a até de reminiscências Panteístas no caso do Bhramanismo. Zeus assomava-se cada vez mais como o regente absoluto do universo. Entretanto um certo obstáculo teológico impedia que tal mitologia atingisse um estágio sequer semi- Monoteísta. Zeus é filho de Chronos, neto de Urano, essa descendência evidencia sua natureza subordinada ao tempo, ele não é eterno ou sequer o princípio em si próprio, que é uma característica obrigatória de um Deus Uno e absoluto como Bhraman ou Jeová. Um fator complicador é que todas essas religiões apesar de seu princípio Uno, são também Dualistas, pois contrapõem um deus do Bem contra um do Mal. Entretanto não se presta "Sob Hipótese Alguma!", qualquer culto ao deus maligno, como ocorre nas Politeístas. Saber se o deus maligno está ou não sujeito afinal ao deus supremo é uma discussão que vem rendendo há mais de 3.000 anos. Diferente do estado Panteísta original não ocorre harmonia entre os opostos, e um deles passa a ser privilegiado em detrimento do outro. Sendo assim onde antes ocorria a divinização dos aspectos Masculinos e Femininos do Universo, e a sacralidade da união, aqui ocorre a associação de um com o maligno, fatalmente do elemento Feminino uma vez que todas as religiões monoteístas surgiram na fase patriarcal da humanidade. 17 O Bhramanismo sendo o mais antigo, ainda conserva qualidades tais como veneração a manifestações femininas da divindade, não condena a relação sexual e ainda detém a crença reencarnacionista que é uma quase constante no Panteísmo. Do Politeísmo guarda toda um miríade de deuses personificados, com estórias bastante humanas que envolvem conflitos e paixões. Mas a subordinação a um Uno supremo, no caso representado pela trindade Bhrama-Vinshu-Shiva, é clara. O panteão anterior Hindu foi completamente absorvido pelo monoteísmo Bhraman, e conservou até mesmo a deusa Aditi, que outrora fora a divindade suprema. Já os monoteísmos posteriores, mais afastados do fenômeno panteísta, entram em choque mais evidente com o Politeísmo que geralmente está em estado caótico. Ocorre um abafamento da religião anterior pela nova e seu caráter patriarcal e associado a violência, especialmente a partir do Judaísmo, se impõe de forma opressiva. As divindades femininas são erradicadas ou demonizadas, sendo então obrigatoriamente associadas ao elemento maligno do universo. Esse fenômeno acompanha a queda da condição social feminina na sociedade. Emboraas teologias monoteístas, especialmente na atualidade, se esforcem para afirmar o contrário, o deus único Hebreu, Cristão e Islâmico, basicamente o mesmo, assim como o do anterior Zoroastrismo e posterior Sikhismo, são nitidamente masculinos, aparentemente renegando o aspecto feminino divino do universo, mas na verdade o absorvendo, uma vez que ao contrário de deuses "supremos" Politeístas como Zeus, Osíris e Odin, eles são carregados de atribuições de amor e compaixão, embora ainda conservem sua Ira divina e seus atributos violentos, o que resulta em entidades complexas, que possuem aspectos paternos e maternos simultaneamente. Tal como a própria emocionalidade, esse é o período mais contraditório da evolução do pensamento Teológico. Apesar de estar sob o domínio de uma característica de predominância subjetiva, é o momento onde as sociedades se mostraram paradoxalmente mais androcráticas. Os elementos femininos são absorvidos pelo Deus Único dando a ele o poder de atrair e seduzir as massas pela sua bondade, mostrando sua face benevolente, mas por outro lado a espada da masculinidade está sempre pronta a desferir o golpe fatal em quem se opuser a sua soberania. 18 Tal união, confere aos deuses monoteístas um poder supremo inigualável, e tal contradição, tal desarmonia intrínseca, resultou não por acaso no período religiosamente mais violento da história. As religiões monoteístas, especialmente o trio Judaísmo-Cristianismo-Islamismo, são as mais intolerantes e sanguinárias da história. Possuem livros sagrados definidos e que padronizam as formas de crença, servindo como referência obrigatória e trazendo códigos de leis. São tidos como detentores de verdades absolutas. A sua metodologia é um ser transcendente criou o mundo e o seu humano, há uma relação paternal entre criador e criaturas. Na maioria dos casos um semideus se rebela contra o criador trazendo males sobre todos os seres. Messias são enviados para conduzir os povos, profetiza-se um evento renovador violento no final dos tempos, onde a ordem será restaurada pela divindade. Seus rituais são geralmente restritos aos templos, as hierarquias ritualistas são mais rígidas, não há oráculos pessoais mais sim profecias generalizadas com base no livro sagrado. Não há rituais de controle ambiental. ATEÍSMO As religiões aqui caracterizadas como Ateístas negam simplesmente a existência de um Ser Supremo central, que tudo tenha criado e a tudo controle, e talvez seja nesse grupo que se sinta mais radicalmente a ruptura entre Ocidente e Oriente, mas basicamente o Ateísmo religioso tende a funcionar da seguinte forma. Embora possuam representantes em todos os períodos históricos, popularizam-se ou surgem a partir do século XXIII. Se o Monoteísmo tenta acabar com o "pandemonium" Politeísta e estabelecer uma nova ordem por algum tempo, acaba por também se mundanizar. As autoridades religiosas interferindo fortemente na política e na estruturação social, enfraquecem como símbolos transcendentes. A inflexibilidade fundamentalista do sistema se revela injustificável ante a problemática social e as conquistas e descobertas filosóficas e 19 científicas e num dado momento o sentimento de descrença é tal que deixa-se de acreditar num deus. Surge o ATEÍSMO. Esse é o ponto crucial, a razão pela qual de fato não acredito que existam Ateus no sentido mais profundo do termo, no máximo "agnósticos". Geralmente o ateu não é aquele que desacredita do "invisível", de qualquer forma de Téos, mas sim o que descrê dos deuses personificados e corrompidos. Afinal até o mais materialista e cético dos cientistas trabalha com forças invisíveis! Fenômenos da natureza ainda inexplicáveis. Gravitação Universal, Lei de Entropia, Mecânica Quântica e etc. não podem ser vistas! Apenas seus efeitos. Tal como sempre se alegou com relação aos deuses. No que se refere a uma visão do Princípio, não creio fazer diferença acreditar que um corpo é atraído para o centro da Terra por uma força invisível da natureza ou pela vontade de um deus também invisível. Há apenas uma maior compreensão racional do fenômeno, com maiores resultados práticos, mas de um modo ou de outro, a explicação possui um certo caráter de fé, tão racionalmente satisfatório para o cientista quanto para o religioso, capaz de explicar com clareza o funcionamento do mundo e mesmo quando isso não ocorre, admite-se como mistérios divinos, ou causas científicas ainda desconhecidas. No caso do Oriente, o Ateísmo religioso surge principalmente na Índia, sob a forma do Budismo e do Jainísmo, e na China, sob o Taoísmo e o Confucionismo. Todas essas religiões possuem textos base com certo grau de respeitabilidade mística ou filosófica, mas o grau de liberdade com que se pode reinterpretar ou mesmo discordar destes textos é incomparável em relação aos livros sagrados Monoteístas. E nesse nível que muitas posturas passam a ser desconsideradas como religiões, sendo tidas em geral como filosofias. No Ocidente, tal movimento ocorreu também na Grécia Antiga, através de Filósofos da Natureza que estabeleciam como princípio primário universal alguma "substância" completamente impessoal. Mais especificamente, Aristóteles colocava o MOTOR IMÓVEL como o princípio primário, e PLOTINO, estabelecia o UNO. Porém essa breve ascensão do Ateísmo filosófico e científico ocidental foi logo minada pelo sucesso do Monoteísmo cristão. 20 O Ateísmo no Ocidente só surgiu novamente após a renascença, no Iluminismo, onde outras formas filosóficas se desenvolveram, mas a mistura destas com os Neo Panteísmos e o avanço científico em geral resulta num quadro difícil de se diferenciar. Mas o ponto mais complexo na verdade, e que Ateísmo e Panteísmo se confundem. Possuem textos básicos de conteúdo predominantemente filosófico, não possuindo entretanto força dogmática arbitrária ainda que sendo também revelados por sábios ou seres iluminados. Sua metodologia é a seguinte: o universo é uma emanação de um princípio primordial “vazio”, um não-ser. Crê-se na possibilidade de evolução espiritual através de um trabalho íntimo, crê-se em diversos seres consciente dos mais variados níveis, e geralmente em reencarnação. Embora ainda comuns nos templos são também frequentes fora destes. Desenvolvem-se técnicas de concentração, meditação e purificação mais especificas, baseadas antes de tudo no controle dos impulsos e emoções, essa seria a forma de ritual. RELIGIÕES ATEÍSTAS E NEO-PANTEÍSTAS As religiões Ateístas não creem numa entidade suprema central, mas pregam a interdependência harmônica do Universo, da mesma forma que o Panteísmo. Pregam a harmonia dos opostos como Yin e Yang, da mesma forma que a harmonia entre a Deusa e o Deus no Panteísmo, e constantemente adotam uma posição de neutralidade em relação aos eventos. Provavelmente não por acaso TAOÍSMO e BUDISMO são as mais avançadas das grandes religiões num sentido metafísico, racional e mesmo científico. São imunes a contestação racional pois seus conceitos trabalham num plano mais abstrato mas ao mesmo tempo capaz de explicar a realidade, e fartos de paradoxos escapistas, sendo extremamente mais flexíveis que as religiões monoteístas por exemplo. Não há 21 casos significativos de atrocidades cometidas em nome destas religiões em larga escala como as monoteístas ou nas politeístas monolátricas. Porém, barreiras intransponíveis impedem que essas religiões sejam nesse esquema de divisão, classificadas como Panteístas. TAOÍSMO e CONFUCIONISMO que são chinesas equanto o BUDISMO e o JAINISMO Indianos, são religiões letradas. Possuem seus escritos fundamentais como os Sutras Budistas, o Tao Te-King Taoísta e os Anacletos Confucianos e os textos dos Tirthankaras Jainistas. Todas possuem seus mentores, Buda, Lao-Tsé, Confúcio e Mahavira. E todas são muito desenvolvidasfilosoficamente, por vezes sendo consideradas não religiões, mas filosofia. Todas essas características inexistem no Panteísmo primitivo. Portanto isso me leva a classificá-las como RELIGIÕES ATEÍSTAS, por declararem a inexistência de um Ser Supremo. Pelo contrário, o TAO ou o NIRVANA, o centro de todo o Universo segundo o Taoísmo e Confucionismo, e o Budismo, são uma espécie de Vazio, um Não-Ser. Já o Neo-Panteísmo possui sim seus textos. É o caso do Espiritismo Kardecista, do Bahaísmo, do Racionalismo Cristão e etc. Embora muitos insistam em negar-se como Panteístas se inclinando para o Monoteísmo, porém uma série de fatores a distanciam muito deste grupo. Tais como: A ênfase atenuada dada ao livro base da doutrina, que embora seja uma revelação, não tem o mesmo peso dogmático e em geral se apresenta de forma predominantemente racional. A postura passiva e não proselitista, e muito menos violenta, do Monoteísmo tradicional. A caraterização de seu fundador que mesmo sendo dotado de dons supra-naturais, não reivindica deificação e nem mesmo reverência especial. E o mais importante, diferenciando-as principalmente do Monoteísmo "Ocidental", o tratamento totalmente diferenciado dado a questão da existência do "Mal". Esses são alguns exemplos que tendem a afastar essas novas religiões, que prefiro agrupar na categoria Neo-Panteísmo, do grupo das Monoteístas. 22 Evidentemente, afirmar que DEUS é TUDO é muito similar a afirmar que é NADA. O ZERO é tão imensurável e incalculável quanto o INFINITO. Eles não podem ser medidos ou divididos, assim como não se divide por eles. Vale lembrar que não se pode também rotular tal ou qual religião como meramente Pan, Poli ou Monoteísta. Muitas passaram pelas várias fases nem sempre de maneira perceptível e consensual. O próprio Budismo tem várias escolas bastante diferentes entre si, e mesmo o Cristianismo tem suas variantes com direito a reencarnação e sexo tântrico, e cujas atribuições de Deus o afastam das características monoteístas. Mas o processo macro, inconsciente, me parece ser esse! O de fases "psicohistóricas" que vão na forma: PANTEÍSMO-POLITEÍSMO-MONOTEÍSMO-ATEÍSMO-PANTEÍSMO Outro ponto importante é que jamais uma dessas formas religiosas deixou de existir totalmente, principalmente na atualidade onde a intolerância religiosa não é mais "tolerada" na maior parte do mundo. Esses tipos de religiões se misturam e se confundem, o que explica porque qualquer tentativa de se classificar as religiões é tão complexa. Até mesmo essa divisão esquemática apresenta problemas, como a notável diferença entre o Monoteísmo "Ocidental", Judaísmo-Cristianismo-Islamismo, fortemente interligadas, o Monoteísmo Oriental, Hindu, Bhramanismo e Sikhismo, e o sempre complexo Zoroastrismo, de características fortemente Maniqueistas, o que viria por vezes a suscintar a questão de se o Maniqueísmo, que tem forte influência sobre o Gnosticismo e o Catolicismo, poderia ser considerado Monoteísta. 23 SÍNTESE DE RELIGIÕES Acabo de lançar uma série de hipóteses que explicariam simplificadamente como se deu o despertar do fenômeno religioso. Posteriormente pretendo confrontá- las com evidências tidas como certas por nosso conhecimento histórico e cultural. No momento proponho fazer uma reflexão sobre o que é inegavelmente essencial no fenômeno religioso. O que está presente necessariamente em qualquer tipo de manifestação cultural que entendamos como religiosa? Algumas coisas podem ser descartadas logo de imediato, como por exemplo a ideia de um Deus Supremo Central, que é ausente no Budismo e Taoísmo por exemplo, bem como a ideia de um cosmo gênese, ausente também em alguns mitos indígenas norte-americanos. Além do mais, pode-se sem muita dificuldade demonstrar que estes, e muitos outros elementos não são necessários ao fenômeno religioso em si, pois sem dúvida pode-se concebê-lo sem eles. Mas há pelo menos 3 coisas que, creio eu, são absolutamente imprescindíveis. Primeiro porque não é possível, ou pelo menos disso nunca tive conhecimento, encontrar qualquer sistema religioso que não os possua, e segundo porque é mesmo difícil conceber uma ideia de religião sem eles. Trata-se dos seguintes três itens: TODO sistema religioso propõe alguma explicação sobre o Universo. TODO sistema religioso propõe alguma solução para a expectativa futura da inexistência. TODO sistema religioso propõe alguma legislação sobre como se harmonizar com o invisível. Com relação ao primeiro item, vemos que qualquer religião tem algo a dizer sobre o mundo a nossa volta. Ela explica como certas coisas ocorrem, e em geral o porquê. Nem sempre fala sobre de onde veio, se veio, e nem sempre diz que um dia deixará de existir, ou sofrerá uma tremenda transformação Mas me parece inquestionável, que a religião SEMPRE diz algo sobre a natureza da realidade, quer seja apenas sobre alguns eventos ou sobre sua totalidade, e não vejo como conceber o contrário. 24 Quanto ao segundo item, deriva diretamente do inegável, insuportável e onipresente drama da sensciência. Se sei que existo, posso imaginar que poderia não existir! A tudo me leva a crer que minha existência é, como diria Welte, um breve hiato entre duas inexistências. De certo há muitas outras necessidades que um contato com o plano transcendente pode satisfazer, mas não tenho dúvidas de qual seja o mais importante. Como nosso impulso pela existência é mais do que fundamental, é muito difícil se conformar com a ideia de que deixaremos de existir, a religião então será nossa salvação. Ela fornece ao menos uma possibilidade de transcender a morte. E o terceiro item, que na verdade terá íntima relação com o segundo, também me parece onipresente, pois ao afirmar como funciona o mundo além das aparências, vêm então o conhecimento transcendente. Todos os sistemas religiosos, em maior ou menor grau, orientam o fiel ao menos no sentido de dizer o que se deve fazer para obter tal ou qual resultado. O primeiro item, creio eu, já foi suficientemente abordado anteriormente na argumentação das relações causais. Dado as dimensões desta monografia, não estou pretendendo, a princípio, desenvolvê-lo mais longamente. Direi apenas que a Intuição- Mística irá orientar o indivíduo num processo de obtenção de respostas para o funcionamento da realidade, que será explicada mediante a ação do plano invisível. E por sinal é bom lembrar que a crença no invisível, ou seja, a postura Espiritualista, baseada na Intuição do Mistério, não está listada nos itens imprescindíveis pelo simples fato de que ela não é um item, ela é base sobre a qual se constrói qualquer Mística, Espiritualidade e Consequentemente Religião. Como afirmei antes, seria possível articular uma posição Espiritualista sem se preocupar com qualquer um dos 3 itens fundamentais da religião, ou seja, pode-se crer que há um plano sutil, mas não se propor a conhecê-lo ou lhe dar importância. Vemos isso amplamente entre pessoas que não vivenciam diretamente religiões mas que não hesitam em concordar que deva haver algo mais entre o Céu e a Terra. Da Intuição-Mística deriva então a noção do plano sutil, a semente da Espiritualidade, que pode então desenvolver-se em forma de Religião. É claro que o que normalmente entendemos como Espiritualidade está impregnado de conceitos que foram desenvolvidos pela Religião, pois ocorre evidentemente uma 25 retroalimentação, e mesmo porque as pessoas sensíveis à Espiritualidade ainda que não sigam religiões, não deixam de considerar algumas de suas premissas. Também podemos, baseado nestas classificações, estabelecer parâmetros de demarcação entre a Religião e a Não-Religião, quer seja como mera Espiritualidade, ou como qualquer outro corpo de pensamento. Admitir que há um plano espiritual, mediante a aceitação do "Mistério",quer por via da Intuição-Mística direta quer seja pela herança cultural, como já vimos, não implica necessariamente no desenvolvimento de uma postura religiosa. Da mesma forma, a expectativa de superação da morte, por si só, também e insuficiente para tal, pois é facilmente concebível que tal se dê por outras vias, ou melhor dizendo por via meramente materialista, quer seja mediante conceitos como memória genética, obtenção de imortalidade via Ciência, ou mesmo ousadas hipóteses de ressurreição corporal ou sobrevivência mental baseadas em possibilidades de uma ultra ciência futura. Da mesma forma, uma simples "ética" é ainda menos eficiente, mesmo que associada ao item anterior, pois tais preceitos poderiam ser dar meramente por condições filosóficas. Seria até concebível que uma "ética" baseada em Espiritualidade pudesse fundamentar uma Religião sem a solução Meta Existencial, porém faltaria-nos simplesmente um único exemplo. Portanto, é necessária uma coordenação destes 3 itens fundamentais para que um sistema de pensamento seja classificado como Religioso, faltando um deles, teríamos uma Não-Religião. Estabelecido então esses requisitos, e não perdendo de vista a derivação condicional, para haver Religião é necessário a Espiritualidade, e esta depende da Mística, mas agora devemos nos ater a aquele que talvez, seja o elemento mais crucial. RELIGIÕES DO FUTURO Defendi nesta tese que os fundamentos primários da Religião podem ser reduzidos a 3, a intuição de uma ordem sutil no mundo, a necessidade de aliviar a angústia da perspectiva inexistencial, e a decorrência de um conjunto de 26 procedimentos relativos à ordem sutil a serem observados para obter a Meta- Continuidade da existência, e outros benefícios. Mas é claro que, uma vez que as Religiões não se resumem a isso, sobre esse tripé se incorporaram inúmeros outros objetivos e características que ao longo da história nos legaram os inúmeros sistemas religiosos distintos mas inegavelmente interligados que possuímos. Uma vez que utilizei o termo Intuição-Mística, que defendi que Intuição é o diferencial entre o humano e não-humano, e que potencializa a inteligência humana, que nada mais é que a capacidade de buscar, entender ou supor relações de causa e efeito, creio que a pergunta "É a religião inerente ao Ser Humano?" Está positivamente respondida. Simplesmente seria impossível, nesse sistema, que se desenvolvesse qualquer grupamento humano sem noções religiosas, que se fundem com outras atividades humanas também inevitáveis, nos moldes de desenvolvimento primevo de nossa espécie cultural. A grande questão então fica sendo: "Sempre haverá religião?" Primeiro, devo cobrir aquela lacuna que provavelmente deve ter ficado evidente ao leitor. Concebi apenas como surgiram os fundamentos da Mística, Espiritualidade e Religião na mente humana primitiva, mas não como esses conceitos são transmitidos prontos para outras mentes. Evidentemente isso é tema para um desmembramento desta monografia, mas não deve ser de difícil entendimento e aceitação que um sistema religioso transmitido pronto satisfaz a necessidade primárias decorrentes da Intuição-Mística da maioria das pessoas. Uma vez que qualquer pessoa, em maior ou menor grau, é afetada pelos mesmos impulsos mentais que serviram aos primitivos para desenvolver as bases da religião, ela será sensível em maior ou menor grau a conceitos desenvolvidos sobre esses mesmos impulsos. Por isso, para a maioria, a Intuição-Mística serviu meramente como meio de reconhecer e valorar estruturas culturalmente transmitidas. Uma pessoa que não a 27 tiver, ou tenha em baixo grau, fatalmente será menos sensível ao discurso religioso, a não ser que este assuma outras características. Quando uma religião se funde com várias outras questões sociais, seus elementos transcendentes podem ficar dissolvidos, de modo que muitas pessoas se integram aos sistemas sem preocupação maior com as questões fundamentais primárias. A Intuição-Mística está lá, ajudando a adequar a mente ao sistema, tentando compatibilizar os impulsos individuais com os conceitos apreendidos. Quando uma religião se torna apenas um sistema de exploração social baseado em conceitos fantasmagóricos, elementos fundamentais podem ser exponenciados, como o medo da inexistência ou a perspectiva de uma transexistência ruim, bem como a delineação de fenômenos ocultos malignos, e a sugestão de regras transcendentes dolorosas e assustadoras, ou ainda, que a ordem transcendente esteja particularmente interessada em detalhes da vida pessoal do indivíduo estabelecendo diretrizes que determinam sua vida prática. Quando uma religião se une a filosofias éticas humanistas, seus elementos condicionais podem ser associados aos parâmetros éticos de uma sociedade, muitas vezes de modo extremamente satisfatório e produtivo socialmente. Mas tudo isso, como eu já disse, é contingente ao fenômeno religioso, a essência em si não é alterada, apenas sua manifestação, por isso, é errônea basear- se nesses subprodutos para julgar o futuro da religião. Temos que nos atermos aos elementos fundamentais para supor se é possível uma experiência humana totalmente isenta de religiosidade, espiritualidade ou mística. Suponhamos que num tempo e local específico, as crianças de uma sociedade jamais aprendam nenhum conceito religioso, espiritual ou místico, sendo educadas de modo unicamente pragmático e recebendo como respostas aos questionamentos inevitáveis sobre os eventos apenas explicações científicas de ordem bastante avançada, de modo que a natureza, pelo menos a nível macro, não seja mais mistério. 28 Muitos apostariam que uma sociedade como essa seria totalmente a-religiosa e materialista, mas eu tenho minhas dúvidas. Primeiro porque não acredito que a Ciência, ou qualquer outra atividade humana, tenha respostas definitivas a todas as questões, portanto, sempre haverá mistérios, e sendo assim, sempre a Intuição-Mística estará a atuar Numa sociedade como essas no entanto, sem dúvida, não teremos os sistemas religiosos como os temos em sua maioria hoje em dia, mas uma vez que haja não só mistérios sobre a natureza, mas que as questões fundamentais da Ontologia e Metafísica também muito provavelmente não serão solucionadas, jamais será possível negar a possibilidade da dualidade ou propriedade espiritualista. Para desespero dos ateístas mais radicais, sempre haverá lacunas para "deus" preencher. Sendo assim, o mínimo que se esperaria é que haveriam filosofias místicas, uma versão extremamente refinada de religião, mas ainda assim, Religião, Espiritualidade e Mística. Como já disse, tais sistemas religiosos seriam praticamente irreconhecíveis para a maioria de nós, principalmente com nossa concepção viciada de Deus, muitos de nossa cultura não os aceitariam como religiões, mas eles reuniriam pelo menos os 3 itens fundamentais. Ao senso de uma ordem sutil, o primeiro e mais inevitável, se uniria a insondável questão meta existencial, que despontará, tenho certeza, sempre como uma esperança, resultando na suposição de como seria o meio, ou o melhor modo, de obter essa imortalidade, pois simplesmente não consigo conceber a ideia de que o Ser Humano algum dia se contentará com a possibilidade de só possuir uma única existência temporária. Mesmo que a Ciência obtenha conquistas extremas, como a imortalidade e a ressurreição, algumas questões filosóficas, como a continuidade mental, o solipsismo 29 ou o problema de outras mentes simplesmente não serão solucionados. Não importa que você desperte num paraíso futuro com as lembranças de todas as suas existências passadas, é simplesmente impossível ter certeza objetiva de que, por exemplo, essas lembranças não foram criadas juntamente com você um segundo antes. Nem mesmoo você de agora pode ter certeza objetiva de que é o mesmo você de um segundo atrás, a possibilidade de que todo o Universo tenha sido criado um instante no passado e totalmente pronto, inclusive com memórias, é impossível de refutar, bem como a possibilidade de que você ter sido copiado do original e este destruído e reduzido a nada, o que, duvido, não deixaria ninguém tranquilo quanto a possibilidade de ser destruído baseado na garantia de que uma cópia sua garantiria sua continuidade pessoal. Por todas essas questões, considero impossível que o sentimento de mistério seja completamente anulado no Ser Humano, isso faz parte de nós. Nosso impulso de vida é forte demais para se conformar com a morte, e procurará transcendê-la a qualquer custo, e a religião é somente um dos meios. Um meio para conquistarmos a imortalidade, ou sonharmos. Afinal estamos vivos. E enquanto estivermos, somos imortais. MAX MÜLLER E A CIÊNCIA RELIGIÃO No momento em que a História buscava garantir a sua especificidade e a sua autonomia em relação à Filosofia e às Ciências Naturais, tendo em Droysen uma de suas grandes referências, outro intelectual aparecia com uma proposta para constituição de uma nova disciplina dedicada ao estudo das religiões. Trata-se de Friedrich Max Müller (1823- 1900), comumente considerado como o fundador da Ciência da Religião. Seu nome aparece relacionado, na obra História social do conhecimento, do historiador inglês Peter Burke, ao visível o interesse pela religião comparada. 30 De acordo com o cientista da religião Frank Usarski, apesar de o termo “Ciência da Religião” ter sido usado esporadicamente na década de 1850, foi Müller que o empregou no sentido de uma “disciplina própria” ‒ autônoma ‒, em 1867, no prefácio à obra Chips from a German Workshop. Nesse texto, Müller, considerando os avanços feitos no campo da “análise comparativa das linguagens” ‒ que, segundo ele, havia sido “firmemente estabelecida” como “Ciência da Linguagem” ‒ comentou: Será o mesmo com a Ciência da Religião. Por uma adequada divisão do trabalho, os materiais que ainda faltam serão coletados, publicados e traduzidos, e, enquanto isso é feito, certamente o homem nunca descansará até que tenha descoberto o propósito que percorre as religiões da humanidade e até que tenha reconstruido a verdadeira Civitas Dei em fundações tão amplas quanto os fins do mundo. A Ciência da Religião pode ser a última das ciências que o homem está destinado a elaborar; ela mudará o aspecto do mundo e dará uma nova vida à própria Cristandade. Segundo Usarski, tais ideias tornaram-se mais claras em outro texto, publicado em 1870, onde Müller considerou que a Ciência da Religião teria de ser uma disciplina “comparativa”. Trata-se do livro Introduction to the Science of Religion, que, conforme consta explicado no seu prefácio, consistia em material composto por quatro “leituras” escritas para servirem como uma introdução ao “estudo comparado” das “principais religiões do mundo”. O conjunto havia sido originalmente enviado ao Royal Institution, em Londres, em março de 1870, e publicado na Frazer’s Magazine, nas edições de fevereiro, março, abril e maio do mesmo ano. TIPOS DE RELIGIÕES O ensino de história, quando aborda religiões/religiosidades, possibilita a compreensão de diferentes experiências religiosas no tempo e o entendimento de que estas experiências são descontínuas. Mas o ensino de história traz, no seu horizonte, o compromisso com a cidadania, com o aprendizado da convivência com o outro, com o aprendizado do compartilhar e viver com o diferente, o estranho, o distante. Essas diferentes maneiras de ser ou não religioso, em diferentes temporalidades, se exprimem por meio de símbolos, cujos significados podem ser compreendidos a partir do estudo e conhecimento da cultura que os criou historicamente. 31 O ensino de história pode problematizar a história vivida, a atuação e o papel dos agentes sociais na vida prática, cotidiana, especialmente da fluidez das identidades religiosas, das perspectivas que apontam para o elevado trânsito contemporâneo por entre práticas religiosas diversas e dos significados híbridos que estas assumem nas configurações identitárias. A “concorrência” religiosa na contemporaneidade favorece muito mais supressão das fronteiras, gerando uma porosidade das crenças e um livre trânsito dos sujeitos por diferentes práticas religiosas, não sem conflitos, negociações ou reelaborações.18 Daí, por exemplo, ser possível perceber facilmente católicos, evangélicos, espíritas e umbandistas participando de um mesmo ritual religioso (seja batuque, sessão, culto, missa, etc.), católicos acendendo velas e jogando flores ao mar à Iemanjá e à Nossa Senhora dos Navegantes, umbandistas e batuqueiros assistindo à missa festiva a determinado santo. A cada diferente rito, novos sentidos são negociados, novas maneiras de expressar as crenças podem estar presentes, num movimento que expressa muito mais do que o simples, automático e linear “trânsito” religioso, mas que pode conjugar diferentes tradições religiosas, articular registros de práticas religiosas e construir novos significados, os quais são definidos, em estudos socio antropológicos, como sincretismo, hibridismo, bricolagem, butinagem.19 Estes plurais e distintos modos de manifestar a fé estão presentes nas práticas culturais de diversos sujeitos sociais e são reflexos dos pensamentos, dos sentimentos e dos dinâmicos modos – instáveis e incertos – de vida humana contemporâneos. Embora se perceba esse rápido e dinâmico trânsito religioso, o qual o ensino de história pode problematizar, há de se considerar o importante papel do ensino na desconstrução dos discursos de intolerância religiosa. Entre os inúmeros possíveis exemplos de casos de intolerância na contemporaneidade, citaremos aquele destacado pelo antropólogo Vagner Gonçalves da Silva: em um livro didático, de 2003, de uma editora do estado de São Paulo, atendendo à necessária inclusão da temática “História e Cultura Afro-brasileira”, enfatizou-se o tema religiões afro brasileiras como parte dessa cultura, abordado “de forma não sectária ou proselitista, como convém a um material destinado ao ensino laico, humanista e de difusão da tolerância à diversidade cultural”. No entanto, “colocar nos livros escolares as religiões de origem africana ao lado de religiões hegemônicas”, cristãs, “dando-lhes o mesmo espaço e legitimidade destas últimas, têm gerado, por si só, protestos”. 32 Como estamos tratando de religião, podemos dizer que a história ensinada possibilita posicionarmo-nos diante dos discursos de intolerância religiosa, de violência e de agressão, pois a aula de história é fundamental para a manutenção de uma escola que construa “valores necessários a uma convivência democrática” e combata “toda forma de valores preconceituosos”. Na história ensinada, conforme a concebemos, uma disciplina capaz de promover a criticidade da desigualdade e da indiferença, aprende-se a construir possibilidades de ação no presente e, assim, conceber que “as religiões, os cultos, as crenças, não podem continuar sendo, como foram ao longo de toda a história humana, motivo de discriminação, rejeição, agressão e extermínio do outro, de todo aquele que não professe a mesma fé”. Ao recriar a interpretação do historiador Georges Minois, podemos dizer que o ensino de história não faz apologia nem a favor de qualquer forma de crença ou ateísmo nem apologia contra eles. Ao buscar um sentido – histórico ou histórico escolar – o ensino de história não rejeita a priori quaisquer atitudes, mas as problematiza para compreender o presente e perceber que determinadas soluções para conflitos ou acomodações religiosas do passado “não poderiam de modo algum ser as soluções do presente”. Em relação às explicaçõesreligiosas para o mundo que circulam no Ocidente, George Minois categorizou reações sociais: aqueles que absolutamente não se preocupam com tais explicações; outros que têm respostas prontas e sabem bem quais condutas devem adotar (afinal, na linguagem religiosa, a vida pode ser um karma, pode ser o encaminhamento para a salvação ou condenação, pode ser a preparação para a volta de Jesus, etc.); e outros que não compreendem nada, são inquietos, angustiados, insatisfeitos, mas querem compreender. Diante dessas três atitudes, o ensino de história assume um importante papel no sentido de entender estas reações na sua historicidade, o passado dessas atitudes, sabendo que o próprio sujeito que busca tal compreensão “está imerso numa dessas três correntes mais fortes do que ele”. Assim, sujeitos em relação de ensino e de aprendizagem histórica geralmente fazem parte do terceiro grupo: o dos inquietos, dos questionadores, dos insatisfeitos. Como vimos até aqui, quando perguntamos sobre os significados de religiões e religiosidades no ensino da disciplina, estamos buscando compreender como e por que uma dada sociedade construía referências religiosas, ideias de crença e 33 principalmente consolidava determinados comportamentos pautados na religião. Ou seja, trata-se de buscar entender como mulheres e homens viviam, inventando para sua existência sentidos religiosos ou sentidos que excluíam qualquer fé; como pensavam sua existência social e construíam suas expectativas a partir das crenças vividas. Assim, com criticidade, confrontando ideias e versões, vamos racionalizando o discurso religioso perante a vida humana, não no sentido de questionar a fé, mas no de verificar os limites e as possibilidades desses discursos para explicar ou conceber o social em diferentes temporalidades. O SAGRADO COMO OBJETO DE ESTUDO DO ENSINO RELIGIOSO Diante dos obstáculos político-pedagógicos e epistemológicos enfrentados pela disciplina do Ensino Religioso, a SEED procurou, por meio de estudos, debates e palestras definir e delimitar um saber que pudesse articular o estudo do fenômeno religioso com características de um discurso pedagógico, além de ampliar a abordagem teórico-metodológica no que se refere à diversidade religiosa. Assim, definiu-se, como objeto de estudo, o Sagrado. Etimologicamente, o termo Sagrado se origina do termo latino sacrátus e do ato de sagrar. Como adjetivo, refere-se ao atributo de algo venerável, sublime, inviolável e puro. Assim, o Sagrado remete sempre a algo que lhe sirva de suporte. Portanto, algo ou alguém que foi consagrado está ligado invariavelmente ao campo religioso. O espaço e o sentido do Sagrado, não se constituem, no entendimento dessas Diretrizes, como um a priori. Ao contrário, no contexto da educação laica e republicana, as interpretações e as experiências do Sagrado devem ser compreendidas racionalmente como resultado de representações construídas historicamente no âmbito das diversas culturas e das tradições religiosas e filosóficas. Não se trata, portanto, de viver a experiência religiosa ou a experiência do Sagrado, tampouco de aceitar tradições, ethos, conceitos, sem maiores considerações, trata-se antes, de estudá-las para compreendê-las, de problematizá-las. 34 Para a análise do fenômeno religioso é prioritário tocar na essência da experiência religiosa, ou seja, o Sagrado. Neste sentido, o restabelecimento do Sagrado enquanto categoria de análise passa a ser uma premissa de base, uma categoria de avaliação e classificação que nos permita reconhecer a objetividade do fenômeno religioso. Assim, o Sagrado é um conjunto de formas do sujeito, do homem religioso, e não do objeto. O fenômeno religioso deve como adverte ELIADE: Nessa perspectiva, é fundamental que o estudo do Sagrado seja precedido de uma interpretação etimológica da religião e, para tal, tomamos a explicação de Ferrater Mora (2001), que apresenta duas interpretações distintas: religião como religare, ou religação, ou seja, no sentido propriamente religioso do termo; e religião como religiosus, que remete a uma concepção de caráter predominantemente ético- jurídico. Na primeira acepção “religião procede de religio, vocábulo relacionado com religatio que é a substantivação de religare (religar; vincular; atar)”. A condição de ser religioso é estar religado a Deus e, portanto, subordinar-se à divindade. A subordinação, portanto, implica em dependência e, consequentemente em restrição da liberdade. A religião como religação se desdobra, por sua vez, em três vertentes, apresentadas. Como vínculo produzido por um sentimento de dependência, que pode inclusive alcançar um estado de ‘temor’ (ou até ‘terror’) e fascínio; como intuição de certos valores considerados supremos: os valores de santidade; como reconhecimento racional de uma relação fundamental entre a pessoa e a divindade. As três formas de religação não são necessariamente incompatíveis entre si. No entanto, o predomínio de uma delas costuma levar à atenuação das demais. Assim, a insistência no sentimento de dependência torna desnecessária uma consideração racional; em todo caso, racionalizar o sentimento de dependência é diferente de buscar uma razão entre a pessoa e a divindade, porque essa razão pode se encontrar ser apreendido dentro da sua própria realidade, isto é, de ser estudado à escala religiosa. Querer delimitar este fenômeno pela fisiologia, pela psicologia, pela sociologia e pela ciência econômica, pela linguística e pela arte, etc... é trai-lo, é deixar escapar precisamente aquilo que nele existe de único e irredutível, ou seja, o seu caráter Sagrado 35 em outra coisa que não num completo sentimento de dependência: por exemplo, num sentimento de interdependência. No caso da religião imanente, para a qual “a realidade (divina) está no próprio homem”, a religação levada às últimas consequências, faria com que o objeto (divino) não se apresentasse como distinto, logo, não haveria necessidade da religação. Quando se trata da religião transcendente, para a qual “a realidade divina encontra- se infinitamente mais além do homem (absolutamente transcendente)”, a dificuldade ou mesmo impossibilidade de se estabelecer um vínculo está exatamente na distância inatingível entre o homem e o objeto divino. O problema da primeira interpretação – religião como religação – consiste na ameaça da subsunção dos valores da moral pela religião, na subordinação da racionalidade moral aos domínios da fé. Na segunda acepção de religião, cujas origens remontam Cícero, “o termo decisivo é religens (acolher; cumprir) e que significa o contrário de negligens” (negligente). Essa interpretação reveste o termo religião de uma motivação ético- jurídica, uma vez que a religiosidade está relacionada ao “cumprimento dos deveres que se impõe ao cidadão no culto aos deuses da Cidade-Estado”. Essa interpretação traz um problema para a religião, pois, na medida em que se assume integralmente o viés da moral racional, não haveria espaço para as especificidades que caracterizam o religioso e a fé. O fenômeno religioso revela, através dos símbolos Sagrados, a síntese do ethos de uma determinada comunidade. As disposições morais, mesmo as estéticas e o próprio devir da existência fazem parte da visão de mundo congeminada pela religião. Como coloca GEERTZ (1989), muito embora não seja novidade que a religião ajusta as atitudes humanas em uma ordem cósmica e projeta esta mesma ordem na experiência humana, há uma carência de um arcabouço teórico que dê conta de um estudo analítico dos diversos fenômenos resultantes da ação religiosa. Neste intuito, GEERTZ (1989) sugere uma definição de religião como reorientadora e estimuladora de uma nova abordagem do assunto. A saber, religião seria: 36 Como a religiãoauxilia na construção da identidade humana, a pluralidade das confissões religiosas constitui um campo de interesse para aqueles que se dedicam ao estudo das religiões e do Sagrado e, por conseguinte, devem fazer parte dessas Diretrizes. É necessário, nesse sentido, admitir a existência de um elemento universal que perpassa as diversas e distintas tradições religiosas - o Sagrado, que se dá, justamente, em contraposição ao profano. O tratamento da religião como objeto de estudo e não de fé, quase sempre foi matéria controversa e contribuiu para a desconstrução do paradigma da religião enquanto poder. Espinosa, Feuerbach e Marx, por exemplo, tomaram a palavra fazendo a exigência, ainda que por caminhos distintos, da desmistificação do caráter alienante da religião e da sua vinculação a esquemas de dominação, contra a emancipação humana. Feuerbach, em A essência do cristianismo, apresenta uma crítica aguda e consistente à religião, mas que não se efetiva, necessariamente, como uma desconstrução da ideia do Sagrado ou do religioso, outrossim, como sua potencialização, substituindo, no entanto, Deus pelo homem. O filósofo alemão sustentava que a emancipação humana se daria pela supressão da religião, entendida por ele como fator preponderante no processo da alienação humana. Segundo Feuerbach, o homem cria a representação da perfeição em um ser Absoluto − Deus, precisamente porque deseja a perfeição absoluta, mas tem consciência de que não poderá atingi-la. Assim, Deus passa a ser a única possibilidade de realização dos seus sonhos de perfeição inatingíveis. um sistema de símbolos que atua para estabelecer poderosas, penetrantes e duradouras disposições e motivações nos homens através da formulação de conceitos de uma ordem de existência geral e vestindo essas concepções com tal aura de fatualidade que as disposições e motivações parecem singularmente realistas. 37 Muitos dos acontecimentos que marcam a vida em sociedade são atribuídos às manifestações do Sagrado. Tais manifestações intervêm no andamento natural das coisas e são aceitas na medida em que trazem explicações que superam a realidade material ou que servem para responder a assuntos não explicados ou aceitos com facilidade, como por exemplo, a morte. O entendimento do Sagrado ajuda a compreender as explicações sociais que ignoram as leis da natureza e atribuem a um transcendente ou imanente a intervenção no andamento natural das coisas. Sagrado é, pois, o olhar que se tem sobre algo ou a forma como se vê determinado fenômeno. Aquilo que para alguns é normal e corriqueiro, para outros é encantador, sublime, extraordinário, repleto de importância e, portanto, merecedor de um tratamento diferenciado como exemplo, um determinado objeto que pode ser Sagrado para uma pessoa ou na coletividade, para outros não passa de apenas mais um objeto. O mesmo ocorre com locais, templos, símbolos, textos orais ou escritos, manifestações, entre outros. Para que o Sagrado seja tratado como saber (escolar) e possa ser objeto do Ensino Religioso é necessário buscar relações de conteúdos que possam traçar caminhos para atingir o objeto e compreender qual é o papel da disciplina de Ensino Religioso como parte do sistema escolar. Assim, faz-se necessário definir os conteúdos da disciplina de Ensino Religioso, de modo que variados aspectos das mais diversas tradições religiosas possam ser estudados como saberes escolares e o aluno possa compreender a maneira pela qual se dá a manifestação religiosa. CRISTIANISMO O surgimento do cristianismo se deu no contexto da religião judaica e da cultura helenista. Jesus foi entendido pelos primeiros cristões como a pessoa em quem se cumpriu a promessa divina (por cuja realização esperavam os hebreus) de um profeta, sacerdote e rei que possibilitaria ao povo de Israel concretizar a sua vocação, a de ser o povo por intermédio do qual todas as nações poderiam conhecer a Deus. 38 Ao mesmo tempo, os judeus se achavam sob domínio do Império Romano, que por sua vez tinha por maiores forças intelectuais as ideias importadas do pensamento grego, aquela altura, repaginadas e debatidas por diferentes escolas, como o estoicismo, o epicurismo e as várias modalidades de cetismo. O cristianismo começou há mais de dois mil anos e é uma fé baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo. Essa religião começou como um pequeno subgrupo que evoluiu do judaísmo, e cresceu para se tornar a religião mais popular do mundo, com seguidores a serem encontrados em todo o planeta. Os cristãos acreditam na existência de um único Deus que enviou seu único filho, Jesus Cristo, para salvar a humanidade do inferno. O sacrifício de Cristo na cruz, sua morte e sua ressurreição, concedeu a vida eterna e o perdão a todos aqueles que aceitam à Cristo como seu salvador pessoal. Seu livro sagrado é chamado de Bíblia, e é composto pelo Antigo Testamento e o Novo Testamento. Existem três tipos de comunidades cristãs: Ortodoxa Oriental, Catolicismo Romano e Protestantismo. Cada uma das seções possui diferentes crenças, pregações e tradições. Mesmo em nossa sociedade moderna, o cristianismo desempenha um papel importante e poderoso, não apenas em termos de rituais religiosos, mas também político. Embora seja possível encontrar algumas diferenças de interpretações na crença cristã, a maior parte das religiões que seguem Jesus Cristo acredita: • A Bíblia é o livro sagrado e está dividida em duas partes: Antigo e Novo Testamento. O Antigo Testamento relata acontecimentos antes do nascimento de Jesus, enquanto o Novo trata dos fatos a partir do seu nascimento. • Há três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) que formam um só Deus. É a Santíssima Trindade. • Após a morte as pessoas têm a vida eterna, e vão para lugares específicos mediante o seu comportamento terrenal. • A volta de Cristo marcará o final dos tempos e uma nova era no mundo. As principais celebrações cristãs são: 39 • o Natal, no dia 25 de dezembro, quando se celebra o nascimento de Jesus; • a Páscoa, quando se comemora a Ressurreição de Jesus, que teria acontecido 3 dias após a morte de Jesus na Sexta-feira Santa; • Pentecostes, cuja palavra significa 50 dias após a Páscoa, é recordada a vinda do Espírito Santo sobre os fiéis. Naturalmente, cada ramo do cristianismo celebra estas datas de maneira específica. Apesar das diferenças, o cristianismo tem símbolos comuns a quase todas as igrejas. Os principais são: A Cruz foi adotada como símbolo pelo Cristianismo por causa de Jesus Cristo ter sido crucificado e representa a Santíssima Trindade: a extremidade superior representa Deus (o Pai) no Céu, a extremidade inferior representa Jesus Cristo (o Filho) na Terra e as duas extremidades horizontais representam o Espírito Santo. O símbolo usado pelo Cristianismo primitivo era o Peixe. Também ja foi utilizado o Peixe em antigas tradições Babilônicas de Satanismo e Paganismo, podem ate ser comparadas ao chapéu que o Papa utiliza, que se chama [Mithra] [Dagon]. A forma da cruz varia de acordo com cada tradição, como a cruz latina, grega, copta, de Santo Antão, lábaro etc. Porém algumas culturas ligam as cruzes como forma de adoração paralelas. O peixe, cujas iniciais em grego significavam Jesus Cristo, Deus, Filho, Salvador Pão e vinho ou trigo e uvas, que simbolizam a última ceia de Jesus Cristo 40 ISLAMISMO O islamismo surgiu no começo do século VIII por meio da obra de Muhammad, o grande profeta dessa religião. Muhammad nasceu em 570 d.C., em Meca, e perdeu seus pais ainda na infância, tendo sido criado pelo seu tio, Abu Taleb. Tornou-se comerciante, realizou inúmeras viagens ao longo de sua vida e, aos 25 anos, casou- se com uma viúva rica chamada Khadija. O pouco que sabemos sobre Muhammad conta que eleera um homem que se isolava com certa frequência para orar e meditar. Em 610 d.C., durante um desses retiros, Muhammad foi para uma caverna, localizada no monte Hira, quando o anjo Gabriel revelou-se chamando-o de rasul Allah (enviado de Deus). Durante esse acontecimento, o anjo pediu para que o profeta recitasse um texto, e então Muhammad recitou: Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Lê, em nome do teu Senhor que criou; criou o homem de algo que se agarra. Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo, que ensinou através do cálamo, ensinou ao homem o que este não sabia. Esse acontecimento ficou conhecido como Noite do Destino e deu início às revelações de Allah para Muhammad. O profeta ficou os dois anos seguintes sem receber novas revelações, até que elas retornaram por volta de 612 d.C. Essas foram, depois, sendo transcritas pelos convertidos ao islamismo no que se chamou Alcorão ou Corão, o livro sagrado do islã. A partir disso, Muhammad começou a pregar a mensagem de Allah por Meca, e os primeiros convertidos foram sua mulher, seu primo, chamado Ali Talib, e Abu Bakr. No entanto, as pregações de Muhammad sobre uma religião monoteísta nas ruas de Meca começaram a incomodar as autoridades da cidade, porque atacavam os altos lucros que a cidade obtinha pela peregrinação de fiéis. Essa peregrinação está relacionada com a antiga religião praticada na Península Arábica na época: o paganismo politeísta. Com isso, Muhammad e seus seguidores começaram a ser perseguidos pelas autoridades locais, e isso fez com que alguns fiéis do islã fugissem para a região da Etiópia. O próprio Muhammad 41 obteve refúgio em Medina, cidade que mostrou certa receptividade à mensagem de Allah. Em 622 d.C., Muhammad então se mudou para Medina, e esse acontecimento ficou conhecido como Hégira, evento que inaugurou o calendário islâmico. O estudioso especialista em islã Jacques Jomier fala que na época da Hégira existiam cerca de 200 adeptos ao islamismo na cidade de Meca. Em Medina, o islamismo cresceu, tornou-se uma religião influente e estabeleceu nela um Estado. Muhammad tornou-se chefe de Medina, e os novos convertidos naquela cidade começaram a organizar-se e atacar caravanas de Meca. Um dos grandes feitos dos muçulmanos de Medina foi a vitória na Batalha de Badr, em 624 d.C. Os muçulmanos também tiveram pequenos conflitos com a comunidade judaica presente em Medina, a qual perdeu forças depois que os muçulmanos desse lugar conseguiram derrotar seguidos ataques realizados por Meca (parte desses judeus tinha criado aliança com essa cidade). Em 628 d.C., Medina e Meca assinaram uma trégua, no entanto, em 630 d.C., Meca foi conquistada pelos muçulmanos depois de um desacordo que levou ao fim da paz entre as duas cidades Depois que Meca foi conquistada, o culto aos ídolos do paganismo foi proibido e o islamismo espalhou-se por toda a Península Arábica. Sua difusão por essa região foi realizada com sucesso até 632 d.C., ano em que Muhammad faleceu. Os seguidores do islamismo, posteriormente, foram responsáveis por levar sua religião para outras partes da Ásia, além de expandirem-na pela África e Europa. Depois que Meca foi conquistada, o culto aos ídolos do paganismo foi proibido e o islamismo espalhou-se por toda a Península Arábica. Sua difusão por essa região foi realizada com sucesso até 632 d.C., ano em que Muhammad faleceu. Os seguidores do islamismo, posteriormente, foram responsáveis por levar sua religião para outras partes da Ásia, além de expandirem-na pela África e Europa. Os muçulmanos acreditam nos profetas enviados por Allah para trazerem sua mensagem, sendo Muhammad o último e mais importante deles. Alguns 42 dos profetas em que esses acreditam são: Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e o próprio Muhammad. Os muçulmanos acreditam no conceito de danação eterna e professam que aqueles que não se converteram à mensagem de Allah serão condenados ao fogo eterno. O julgamento de todos será conduzido pelo próprio Deus durante o juízo final. Lá, as ações em vida definirão o destino de cada um. Esses fiéis acreditam que livros como a Torá, os Salmos e a Suna (acatada somente pelos muçulmanos sunitas) são sagrados e acreditam na existência de anjos — a revelação para Muhammad foi realizada pelo próprio anjo Gabriel. Entre os livros sagrados, o Alcorão é o mais importante deles, tendo sido escrito entre 610 d.C. e 632 d.C. Os muçulmanos acreditam que três cidades são sagradas: Medina, Meca e Jerusalém. Meca possui a Caaba, uma construção sagrada, a mais importante do islamismo. Medina é o local onde há uma mesquita que guarda o túmulo de Muhammad, e Jerusalém é o local onde o profeta foi transportado por um ser mítico, que, depois levou-o ao sétimo céu para encontrar o próprio Allah O islamismo é uma religião que possui cinco pilares que todo muçulmano deve seguir no exercício de sua fé. Estes são os pilares: 1. Recitar o credo “não existe nenhum deus além de Allah, e Muhammad é seu profeta”. 2. Orar cinco vezes ao dia na direção de Meca. 3. Observar o jejum durante o mês sagrado chamado Ramadã. 4. Realizar o zakat, a doação de 2,5% de seus lucros para os mais pobres. 5. Visitar Meca uma vez na vida, desde que se tenha condições para isso. A divisão veio a acontecer após o falecimento de Muhammad, em 632 d.C. Os sunitas ajudaram a eleger Abu Bakr, amigo do profeta e um dos primeiros seguidores do islamismo. Abu Bakr tornou-se um califa e ajudou a expandir essa religião para fora da Península Arábica. Os xiitas foram contrários à eleição de Abu Bakr, preferindo que o sucessor fosse Ali Bin-Abu Talib, primo do profeta. 43 Atualmente, os sunitas correspondem por cerca de 90% dos muçulmanos e são conhecidos por possuir uma interpretação mais flexível do Alcorão e de outros textos sagrados. Os xiitas, por sua vez, correspondem a cerca de 10% dos muçulmanos e defendem uma interpretação literal dos textos sagrados e uma aplicação mais rígida da Sharia (lei islâmica). O islamismo é uma das religiões de pouca difusão na América Latina, e isso inclui o Brasil. Segundo o censo realizado pelo IBGE, em 2010, existem atualmente cerca de 35 mil muçulmanos no país, um número bastante pequeno em relação à população brasileira, que supera 200 milhões de habitantes. Uma das cidades brasileiras com maior presença de muçulmanos é São Paulo. O símbolo do Islã é a lua crescente com uma estrela. A lua crescente e a estrela eram marca do império Otomano, que durou no século XI ao século XX. Como o Islã era a religião do império, o símbolo passou a ser adotado pelos povos muçulmanos conquistados. Tal símbolo pode ser observado em branco na bandeira vermelha da Turquia, fato explicável, se levar-se em consideração que cerca de 99% da população turca são seguidores do islamismo. A lua e a estrela eram utilizadas pelos bizantinos, Inicialmente somente a lua era utilizada, em referência á deusa romana Diana, sendo símbolo do império Bizantino, mas no ano 330, devido a cristianização dos romanos imperador Constantino acrescentou a estrela à medida que a patrona da cidade passaria a ser a Virgem Maria. Após a conquista muçulmana, o símbolo passou a considerar o significado próprio atribuído pelo Islão. Passou a representar a renovação da vida e da natureza visto que os mulçumanos seguiam um calendário lunar. Para alguns, a interpretação do símbolo remete ao casamento, a união da lua com a estrela D’alva. Para outros, as pontas da estrela indicam os cincos pilares da religião islâmica: oração, caridade, fé, jejum e peregrinação. O Islamismo é uma das principais religiões abraâmicas e foi criada pelo profeta Maomé, tomando como base os ensinamentos de outras religiões abraânicas. 44 HINDUÍSMO Considerada uma das religiões mais antigas da humanidade, o Hinduísmo temsua origem na pré-história e remonta à Índia Antiga. Porém, é no período pré-clássico (1500-500 a.C.), Idade do Ferro da Índia, que os Vedas serão escritos pelos invasores arianos, instituindo um conjunto uniforme de crenças e formando o Hinduísmo Védico, onde se cultuava os deuses tribais. Posteriormente, a trindade Brahma-Vishnu-Shiva irá marcar o período conhecido como Hinduísmo Bramânico. Por fim, o Hinduísmo Híbrido terá início com o advento do Cristianismo e Islamismo. 45 É importante lembrar que o Hinduísmo foi o caminho escolhido pelos indianos para a liberdade no século XIX, quando Mahatma Gandhi conduziu-os, pela via pacífica, à independência política. O Hinduísmo é a terceira maior religião do mundo (cerca de 1 bilhão de fiéis) e, provavelmente, a mais complexa. Ela engloba quase todas as tradições religiosas daquela região (com exceção do budismo e jainismo). A palavra hinduísmo é de origem persa para denominar o rio Indo (Hindu) e faz referência a todos os povos que viviam no subcontinente indiano. No Hinduísmo, não há um fundador, como em outras religiões. A partir disso, as divindades (que podem chegar a milhões) fazem parte da vida cotidiana. Mesmo existindo templos, o culto é realizado normalmente nos lares, onde existem altares para os deuses favoritos. Nesse sistema de crenças, os dogmas não são rígidos, o que permite a incorporação de tradições variadas. Contudo, respeita-se muito os textos sagrados, a maior parte escrito em sânscrito. Deles, destacam-se o Ramáiana e o Maabárata, com tratados religiosos e filosóficos, bem como narrativas míticas sobre os governantes da Índia antiga. É comum entre os hinduístas a prática de cantoria (especialmente mantras), meditações e recitação de textos religiosos. Normalmente, os rituais envolvem oferendas aos deuses, cultuados em forma de imagens e meditações. Dentre os rituais hindus, podemos citar: • o Annaprashan, quando ocorre a primeira ingestão de alimento; 46 • o Upanayanam, a iniciação na formal para educação das crianças de castas elevadas; • o Shraadh, no qual se reverencia os falecidos em banquetes. Outro aspecto importante refere-se à morte e a cremação, considerada quase sempre obrigatória. Não raramente, os hindus também praticam peregrinações, nas quais o destino favorito é o rio Ganges. Outro aspecto bem conhecido no hinduísmo são os mantras, orações em forma de sons entoados que auxiliam na concentração durante as meditações. O mantra mais conhecido é “OM” (Aum). A crença na reencarnação é outro fato marcante nessa religião. Baseada no Karma, uma lei moral de causa e efeito, a reencarnação é o ciclo contínuo de renascimento a que estamos submetidos, chamado Samsara. Ele termina quando se atinge o Nirvana (moksha), um estado de desprendimento e autoconhecimento que só é alcançado pelos espíritos mais evoluídos e que não precisam mais reencarnar. Lembrando que entre os hinduístas, uma alma pode reencarnar muitas vezes e sob diversas formas (animais e vegetais). A veneração de imagens é outro ponto forte, pois se consideram a imagem como manifestações divinas, para a qual existe uma iconografia específica em termos artísticos. Outro fato curioso é a quantidade de divindades adoradas, chegando a milhões de entidades diferentes. Contudo a trindade (Trimurti): Brahma (criador do Universo), Shiva (Deus Supremo) e Vishnu (responsável pelo equilíbrio do Universo) é a mais popular. Outras divindades, como Ganesha (Deus da sabedoria), Matsya (salvador da espécie humana) e Sarasvati (matrona das artes e da música) também são muito cultuadas. 47 Por fim, os deuses (ou devas) possuem muitos relatos épicos nos Puranas, onde narra-se sua descida à Terra, em encarnações divinas chamadas "Avatares". O Om ou Aum é, além do símbolo do Hinduísmo, o principal mantra do hinduísmo. Assim como muitos outros mantras, este também está presente no Budismo e no Jainismo e representa o trimurti, isto é, o conjunto formado pelas três principais divindades hindus: Brahma, o Criador do universo; Vishnu, o Reformador do universo; e Shiva, o Destruidor (ou transformador) do universo. Sua forma é semelhante à de um número treze, como outros mantras, funciona como uma espécie de oração, mas não relata um diálogo direto com seus deuses. BUDISMO Budismo é uma doutrina religiosa, filosófica e espiritual e tem como preceito a reencarnação do ser humano de forma a prender-nos aos sofrimentos do mundo material. O budismo representa uma atitude perante o mundo, uma técnica de comportamento. Seus seguidores aprendem a desapegar-se de tudo o que é transitório, o que resulta numa espécie de auto suficiência espiritual. No universo budista, o qual não possui início ou fim, o Nirvana seria o estágio ideal, mas esse não pode ser ensinado, apenas percebido. O Carma é assunto de destaque no Budismo. Segundo esta ideia, as boas e más ações (surgidas da intenção mental) trarão consequências nas próximas reencarnações, para as quais não há salvação divina. 48 Portanto, o Renascimento, processo em que passamos por vidas sucessivas, é justamente o ciclo que se busca romper ao ascender às moradas mais puras. Este ciclo vicioso de sofrimento é chamado "Samsara" e é regido pelas leis do Carma. Dessa forma, o caminho pretendido no Budismo é o “Caminho do Meio”, ou seja, a prática do não-extremismo, tanto físico quanto moral. O Buda não é para os seguidores da doutrina um ente particular, mas um título dado a um mestre budista ou a todos os que alcançaram a realização espiritual do budismo. Assim, Buda, em hindu, quer dizer "o Iluminado". No ano de 563 nascia na Índia, Siddhartha Gautama. A vida de Buda pode ser resumida em nascimento, maturidade, renúncia, busca, despertar e libertação, o ensino e a morte. De família aristocrata, culto, se viu chocado quando descobriu a realidade de seu país. Os principais problemas eram a miséria, a fome e o flagelo dos ascetas, que se mortificavam em jejum rigoroso. A perplexidade de Gautama diante dos males do mundo foi pouco a pouco evoluindo. Raspou a cabeça em sinal de humildade, trocou suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje alaranjado, e lançou-se ao mundo em busca de explicações para o enigma da vida. Novato em questões espirituais o andarilho juntou-se aos ascetas para aprender com eles qual o meio melhor de chegar às verdades superiores. Mas, como não aprendeu nada com o estômago vazio, perdeu a fé no sistema. Gautama escolheu a sombra de uma sagrada figueira e passou a meditar, permanecendo assim até esclarecer todas as suas dúvidas. Durante esse tempo, ocorreu o despertar espiritual que ele tanto procurava. Sua confusão se desfez. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida, rumou para a cidade de Benares, à margem do rio Ganges. Sua ideia era transmitir aos outros o que lhe acontecera. Nos 45 anos que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as "Quatro Verdades" e as "Oito Trilhas". Além disso, acrescentou o resumo de todo o seu pensamento - a Regra de Ouro: "Tudo o que somos é resultado do que pensamos". Após sua morte, foi realizado um concílio que definiu os preceitos budistas, dos quais prevaleceu a Theravada. 49 Os ensinamentos de Gautama, proferidos no parque da cidade de Benares, definiu os caminhos a seguir para chegar à sabedoria da moderação e da igualdade. Antes de tudo, segundo ele, é reconhecer que a dor é universal e que sua causa reside no desejo de coisas que não podem satisfazer o espírito. O sofrimento extingue-se quando o homem renuncia a esses desejos. Isso porque a raiz desses desejos se origina da ignorância sendo a sabedoria o melhor caminho para dominar a dor. Com essas "Quatro Verdades Nobres", o homem dispõe dos elementos básicos para enveredarpela "Senda das Oito Trilhas". Dele exigirão pureza de fé, de vontade, de linguagem, de ação, de vida, de aplicação, de memória e de meditação. Da terceira e quarta trilha os seguidores de Buda, mais tarde extraíram cinco preceitos, parecidos com os mandamentos judaico cristão, pois aconselhavam a não matar, não roubar, não cometer atos impuros e não mentir. E também não beber líquidos inebriantes. O espírito pacifista dos budistas era "O ódio não termina com o ódio, mas com o amor", dizia Gautama. Quatro são as escolas budistas mais conhecidas: Nyingma, Kagyu, Sakya, Gelupa. Prevalece nelas o caminho da libertação pelas Três Joias: • O Buda como guia; • O Dharma como lei fundamental do universo; • O Sangha como a comunidade budista. Nesta comunidade, é seguido o Theravada (mais ascético) e Mahayana (mais popular). Ademais, seguem também as “Quatro Nobres Verdades” de Buda: • a vida é sofrimento (1); • o sofrimento é fruto do desejo (2) • ele acaba quando termina o desejo (3); • ele é alcançado quando se segue os ensinados pelo Buda (4). 50 O símbolo do Budismo é a Roda Dharmica ou Dharmacakra. Apesar desta ser um símbolo admitido por todas as religiões dhaemicas, como o Jainismo, tal símbolo é considerado o símbolo oficial do Budismo. É um círculo com oito braços surgidos no centro apontando direções diferentes. Cada um dos braços representa cada uma das oito práticas que constituem o nobre caminho óctuplo: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, atenção correta, sabedoria correta e visão correta. JUDAÍSMO O judaísmo começou quando Abraão foi ordenado por Deus a abandonar o politeísmo e migrar para Canaã (Palestina), em meados de 1800 a.C. De seu neto, Jacó, surgem os doze filhos fundadores das doze tribos que constituíram o povo judeu, o qual é escravizado no Egito, até serem libertados por Moisés, em 1300 a.C. Mais adiante, sob o reinado de Salomão, filho de Davi, surgem o reino de Israel e o reino de Judá. Esses reinos irão sucumbir ao império babilônico e, no século I, aos romanos. Será em 1948, após o Holocausto que matou milhões de judeus durante a II Guerra Mundial, que o judaísmo irá se fortalecer novamente, com a criação do estado de Israel, o qual perdura até os dias de hoje. O Judaísmo foi a primeira religião monoteísta da história da humanidade (mais de três mil anos). Apesar de ser a menor em número de fiéis (cerca de 15 milhões, maior parte desses na América do Norte e Israel), é uma das grandes religiões abraâmicas, junto com o cristianismo e islamismo. 51 Judaísmo é uma palavra de origem grega (Iudaïsmós) para o topônimo "Judá". Segundo a tradição judaica, Deus teria realizado um pacto com os hebreus, tornando- os o povo eleito que irá desfrutar da terra prometida. Esse pacto se deu com Abraão e sua descendência e se fortaleceu com a revelação das Leis divinas à Moisés, no Monte Sinai. Portanto, o judeu é indiretamente um membro da tribo de Judá, um dos doze filhos de Jacó e patriarca fundador de umas das doze tribos de Israel. e igual modo, a religião judaica é basicamente de caráter familiar. É nesse núcleo social que ela se preserva e se difunde, tendo em vista o caráter não messiânico do judaísmo. A sinagoga, o templo judaico, cumpre a função de reunir os fiéis para a prática de leituras dos textos sagrados, sob a orientação de um sacerdote. Ele é chamado Rabino e não possui necessariamente um status social diferenciado que lhe dê privilégios. Apesar da existência de tribunais para a lei judaica, a autoridade religiosa recai sobre os textos sagrados, dos quais o "Torá" é o mais importante. Sua autoria é atribuída à Moisés e narra a "Origem do Mundo", além de trazer os "Mandamentos e Leis Divinas". Por outro lado, vale citar que o judaísmo não é uma religião homogênea; a grosso modo, podemos dividi-lo em: • Ortodoxos: que consideram o Torá como fonte imutável do saber divino, mas não seguem as leis rigidamente. • Ultra-ortodoxos: que possuem tradições que seguem estritamente as leis sagradas. • Conservadores: que têm atitudes e interpretações moderadas e de caráter reformista. O idioma litúrgico é o hebraico, com o qual se dirigem à entidade absoluta do judaísmo, Javé ou Jeová, criador onipotente, onisciente, onipresente de tudo o que existe. Alguns dos sacramentos judaicos são: • a Circuncisão (Brit milá), realizadas nos recém nascidos do sexo masculino; 52 • o Rito de Passagem à Maioridade (B'nai Mitzvá); • o Casamento e o Luto (Shiv'á). Dentre as datas mais importantes, destaca-se a Páscoa, quando se comemora a libertação do povo judeu no Egito (1300 a.C.); os Sábados (Sabat) são dias especiais na religião judaica, pois são reservados à espiritualidade. O maior pecado no judaísmo é a idolatria, o conhecimento místico do judaísmo é chamado Cabala. O judaísmo considera “judeu” todos que nasceram de mãe judia, além dos que foram convertidos, os chapéus utilizados nas sinagogas são chamados de Kipá e representa o respeito a Deus, o judaísmo não é uma religião missionária, portanto, não busca a conversão de pessoas, como o cristianismo. O selo de Salomão é o maior símbolo do Judaísmo. Também chamado de estrela (ou escudo) de Davi, representa os elementos do universo: água, fogo, terra e ar, sendo seus símbolos variação do triangulo. Mas não se pode afirmar que foi realmente o símbolo do rei Salomão nem o do rei Davi. 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOBSIN, O. Protestantismo e transformação social. Estudos Teológicos, n. 2, ano 27, 1987, p. 119-137. CAMARGO, C. P. F. et al. Católicos, protestantes, espíritas. Petrópolis: Vozes, 1973. DEL PRIORE, M. Religião e religiosidade no Brasil colonial. São Paulo: Editora Ática, 1997. DREHER, M. N. 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