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1
D I S C I P L I N A
Correntes Elétricas 
Aplicadas à Estética
Fabiana Tozo
2
1. CORRENTES ELÉTRICAS APLICADAS À ESTÉTICA 
Antes de trabalhar com os equipamentos de eletroterapia, é necessário lembrar de 
alguns conceitos importantes, como (KITCHEN, 2003):
 • Cargas elétricas: Tratam-se de uma propriedade elétrica de partículas atômicas 
que compõem a matéria. As cargas podem ser positivas (próton), neutras (nêutron) ou 
negativas (elétron).
 • Átomos: são as menores moléculas do corpo, e são formados pelos prótons, 
elétrons e nêutrons, que possuem diferentes cargas elétricas.
 • Ânion: quando um corpo ganha elétrons, a sua carga passa a ser negativa; assim, 
é chamado de ânion. 
 • Cátodo: quando um corpo perde elétrons, fica carregado positivamente e é 
chamado de cátodo.
 • Atração e repulsão: moléculas com cargas elétricas possuem uma interação 
entre as cargas celulares. Energias contrárias se atraem, e cargas do mesmo sinal se 
repulsam. A lei de Dufay comprovou a existência de dois tipos de forças elétricas: uma 
de atração, e outra de repulsão. 
 • Campo elétrico: ao redor de todas as partículas carregadas ocorre um campo 
elétrico, e é através dele que a força elétrica das partículas carregadas é transmitida 
para as moléculas. 
 • Corrente elétrica: a corrente pode ser definida como uma quantidade de carga 
(q) que se move por um condutor por unidade de tempo (t). A corrente elétrica pode 
ser medida por um amperímetro, sendo a sua unidade de medição o ampère (A). Na 
Estética, são utilizadas correntes elétricas menores que não causam lesões graves 
nos tecidos.
3
A corrente elétrica é o fluxo da carga elétrica, geralmente de elétrons (-); ou seja, o 
movimento de partículas carregadas através de um condutor em resposta a um campo 
elétrico aplicado. Para produzir uma corrente elétrica e uma interação entre o meio, é 
necessário ter partículas carregadas e meios condutores (MACHADO, 2002).
A diferença de potencial, ou tensão elétrica, é uma grandeza física que está ligada ao 
conceito de corrente elétrica. Para existir uma corrente elétrica entre dois pontos, é 
necessário haver uma diferença de potencial elétrico entre os mesmos dois pontos, pois, 
assim, haverá um fluxo de cargas elétricas em busca da igualdade (GUIRRO; GUIRRO, 
2003).
Figura 1: Esquema representativo da corrente elétrica entre dois potenciais elétricos.
Fonte: BORGES, 2020.
A corrente elétrica pode seguir dois sentidos: o real e o convencional. No primeiro, a 
condução é feita por condutores sólidos, havendo o movimento dos elétrons e ocorrendo 
do polo negativo para o polo positivo. Já no segundo, o sentido da corrente elétrica está 
associado ao sentido do campo elétrico no interior do condutor, que vai do polo positivo 
para o negativo (NELSON; HAYES; CURRIER, 2003).
4
Figura 2: Sentidos que a corrente elétrica pode seguir.
Fonte: BORGES, 2020.
Os íons em líquidos corporais são os meios condutores para a corrente elétrica. É 
necessário fazer a aplicação de uma força motriz nos equipamentos para mover essas 
partículas, que nada mais é do que as voltagens aplicadas nos equipamentos (MACHADO, 
2002).
As correntes elétricas podem ser de modo contínuo ou alternado. No modo contínuo, 
essas correntes são unidirecionais, podendo ser constantes ou pulsantes. Os elétrons 
movem-se ordenadamente, sem variar (PEREIRA, 2014). Na corrente constante, não 
há variação da sua intensidade durante o tempo; já na pulsante, ocorre variação da 
intensidade no decorrer do tempo. No entanto, independentemente de ser constante ou 
pulsante, essa corrente estará sempre atuando no mesmo polo; ou seja, não há variação 
do polo positivo para o negativo, e vice-versa. É devido a essa característica que esse 
tipo de corrente tem os efeitos ligados à polaridade (AGNE, 2017).
5
Figura 3: Esquema representativo de uma corrente contínua constante.
Fonte: SOFÍSICA, 2021.
Figura 4: Esquema representativo de uma corrente contínua pulsante.
Fonte: SOFÍSICA, 2021.
Figura 5: Corrente alternada. Relações entre a frequência de pulso e a duração de fase de 
6
ondas sinusoidais liberadas de forma contínua. (A) Duração da fase. (B) Duração (1 ciclo) 
do pulso. Deve-se observar que tanto a duração da fase quanto a do pulso diminuem 
conforme a frequência aumenta.
Fonte: NELSON; HAYES; CURRIER, 2003.
Já na corrente alternada, o sentido do movimento dos elétrons é periodicamente 
invertido; ou seja, há uma mudança do polo positivo para o negativo. Essa mudança ocorre 
devido a uma inversão na polaridade do potencial que é aplicado ao condutor. Portanto, 
é uma corrente bidirecional, não possuindo efeitos polares, e seu gráfico apresenta duas 
fases: uma positiva e uma negativa. A alteração entre os polos deve ser modelada e 
pulsada de acordo com os objetivos terapêuticos do tratamento (PEREIRA, 2014).
É importante salientar que a modulação das correntes utilizadas deve levar em 
consideração a resistência elétrica do corpo. A resistência elétrica é a capacidade de 
um corpo se opor à passagem de corrente elétrica. A resistência elétrica pode variar 
de acordo com largura, comprimento, condições ambientais e natureza do material 
condutor. No sistema internacional, a unidade de medida da resistência é ohm, que é 
uma homenagem ao alemão George Simon Ohm (AGNE; 2017).
A intensidade da corrente elétrica consiste na quantidade de carga elétrica que 
atravessa um condutor em determinado intervalo de tempo, quando existe uma diferença 
de potencial elétrico entre as extremidades. A sua unidade de medida é o ampère (A). O 
aumento da intensidade do estímulo proporciona alcance profundo da corrente no tecido 
(DINGLEY; FRANCIS, 2015).
A frequência está relacionada ao número de vezes que um fenômeno se repete em um 
intervalo de tempo, e a sua unidade de medida é em hertz (Hz). Os equipamentos podem 
ser classificados em baixa, média e alta frequência (DINGLEY; FRANCIS, 2015):
 • Baixa frequência: 1 a 1000 Hz.
 • Média frequência: 1000 a 100000 Hz.
 • Alta frequência: acima de 100000 Hz.
7
A pele tem, como característica, agir como uma resistência linear e como um capacitor. 
Para “vencer” essa resistência, a intensidade do equipamento deve ser aumentada, o 
que pode causar uma sensação desagradável no paciente. A resistência capacitiva 
decresce à medida que se aumenta a frequência; ou seja, frequência mais altas estão 
relacionadas a uma menor resistência da pele. A frequência é inversamente proporcional 
à resistência: quanto maior a frequência, menos ela penetra no tecido, e frequências 
mais baixas penetram mais profundamente no tecido (ROBINSON; SNYDER-MACKLER, 
2010).
2. MICROCORRENTES 
As microcorrentes vêm sendo utilizadas há muito tempo. No entanto, no início da sua 
utilização, ainda não se sabia o mecanismo de ação dessa técnica; tinha-se apenas o 
conhecimento de que causava benefícios ao organismo. Sua utilização seguiu a seguinte 
linha do tempo (POLAK; FRANEK; TARADAJ, 2012):
1925: uso em cicatrizes e varíola.
1968: uso em feridas abertas. Porém, até 1968, os efeitos e o mecanismo de ação da 
técnica não eram conhecidos.
1982: descoberta do mecanismo de ação.
1983: verificação de estímulo de colágeno.
1985: verificação do auxílio drenante da corrente. No entanto, não é igual à drenagem 
linfática manual; apenas possui um estímulo dos líquidos estagnados através das 
microcorrentes.
1989: efetividade em quadros infecciosos.
Em um ponto de vista comercial, as microcorrentes não possuem um padrão industrial, 
mas é importante que a intensidade dessa tecnologia seja em microamperagem. O 
tempo poderá ser em segundos ou minutos, e podem existir equipamentos com corrente 
contínua, sem frequência, ou então com corrente alternada, os quais possuem frequência 
de 1 a 1000 Hz. A substância de contato ou acoplamento é o gel neutro (AGNE, 2017).
8
As microcorrentes são correntes de baixa intensidade que possuem efeitosterapêuticos conhecidos; no entanto, não devem ser confundidas com as correntes 
contínuas. Corrente contínua tem efeitos polares, já as microcorrentes utilizam as 
polaridades, mas com uma alternância entre elas (POLAK; FRANEK; TARADAJ, 2012).
As microcorrentes produzem uma forma retangular de corrente com pulsos monofá-
sicos que variam periodicamente sua polaridade (0,5 a 4 Hz). É uma eletroestimulação 
que utiliza correntes com parâmetros de intensidade na faixa de microamperagem de 
baixa frequência, e troca de polo rapidamente, sendo, portanto, uma corrente alternada 
(AGNE, 2013).
A corrente microgalvânica é diferente das microcorrentes, pois é contínua e polariza-
da, enquanto a microcorrente é alternada e despolarizada, causando uma bioestimula-
ção ou terapia bioelétrica. Através disso, é feita uma entrega de energia ao tecido (AGNE, 
2013).
 A amplitude ajustada produz variação entre 0 e 600 μA, sendo uma intensidade muito 
baixa e com uma carga insuficiente para excitar as fibras nervosas periféricas; ou seja, é 
uma técnica subsensorial (AGNE, 2004). Essa forma de estimulação elétrica tende a ser 
aplicada em nível subsensorial ou sensorial muito baixo: elas não ativam as fibras ner-
vosas sensoriais e, dessa forma, não há percepção sensorial durante a aplicação. Essa é 
outra diferença da corrente galvânica, que é polarizada e gera estímulos sensoriais nos 
pacientes (VIEIRA et al., 2011).
Essa técnica utiliza a menor quantidade de corrente elétrica que há no corpo, e os 
eletrodos precisam ficar perto ou sobre (quando possível) a lesão, fornecendo energia 
exógena para regenerar o tecido. Como já explicado, a aplicação não ativa respostas sen-
soriais; portanto, o paciente não sente nada. A técnica fornece uma energia exógena que 
faz estímulo no organismo, promovendo uma energização interna (VIEIRA et al., 2011). 
Em uma área lesada, há diminuição do fluxo elétrico e, assim, ocorre diminuição da 
capacitância celular (diminuição da capacidade das células de armazenar a energia), que 
afeta a velocidade da reparação tecidual. Sempre que ocorre uma lesão, há diminuição 
no potencial de ação transepitelial e interrupção da passagem da corrente natural do or-
9
ganismo. Além disso, ocorre diminuição da oxigenação, nutrição e energia celular (VIEI-
RA et al., 2011).
A corrente alternada faz a reestruturação energética da área lesada. Na lesão, os íons 
direcionam-se à borda da lesão para tentar fazer o restabelecimento de energia. Ao apli-
car a microcorrente nesse local, o efeito é potencializado, fazendo um estímulo elétrico 
celular e o restabelecimento de ATP (REID; ZHAO, 2014).
Essa adição de energia faz a aceleração da síntese proteica e de adenosina trifosfato 
(ATP), e o incremento do transporte de membrana de aminoácidos, auxiliando na recu-
peração do tecido lesado (CHENG, 1982). Ocorre aceleração da síntese de ATP, estímulo 
do transporte da membrana e restabelecimento da bioeletricidade tecidual, promovendo 
redução da inflamação e aceleração do reparo (SANTOS et.al 2004).
Há um incremento da formação do gradiente de prótons, fornecendo íons positivos à 
membrana externa e íons negativos à membrana interna. Esse processo promove uma 
grande diferença elétrica entre as membranas, gerando maior força próton motriz, que 
leva à formação de ATP (POLAK; FRANEK; TARADAJ, 2014).
Foi observado o aumento da concentração de ATP celular em cerca de três a cinco 
vezes na faixa de 50 µA a 1000 µA, mas, ao exceder os 1000 µA, os valores retornam aos 
níveis basais (CHENG et al., 1982). O aumento na síntese proteica inicia com aplicação de 
microcorrentes na intensidade de 10 µA e atinge o nível máximo com 100µA. Portanto, 
utilizar altas intensidades não é necessário; baixas intensidades já causam efeitos dese-
jados no organismo (HOUGHTON, 2014).
A adenosina trifosfato (ATP) tem grande importância no organismo, pois regula a bom-
ba sódio e potássio, fazendo a movimentação de resíduos metabólicos que levam à nutri-
ção celular. A eliminação dos resíduos metabólicos refere-se ao estímulo que a corrente 
faz no organismo para que seja feito o transporte de proteínas do meio extracelular para 
o sistema linfático. Com isso, a pressão osmótica dos vasos linfáticos é aumentada, ab-
sorvendo o fluido do espaço intersticial. Não é uma drenagem linfática, mas sim, um es-
tímulo para a eliminação de resíduos metabólicos, e o organismo recebe um auxílio para 
fazer essa drenagem. A técnica atinge a camada superficial da pele; portanto, elimina 
10
apenas resíduos metabólicos ou estagnados na camada superficial (YU; HU; PENG, 2014).
Observou-se, também, que as microcorrentes ajudam na diminuição da duração da 
fase inflamatória devido à redução da liberação de interleucinas TNF-ⲁ. A intensidade 
de 70 a 90 µA auxilia nesse processo inflamatório. Em terapias que causaram uma in-
flamação descontrolada, pode-se utilizar as microcorrentes para reverter esse quadro; 
em pós-inflamatório, tratamentos com esse recurso também são indicados (HOUGHTON, 
2014).
Observou-se diminuição significativa dos sinais inflamatórios, como retração da le-
são, desenvolvimento precoce da crosta, diminuição do edema e ausência de exsudato 
inflamatório (SILVA, 2006). Segundo Kirsch e Lerner, a microcorrente com frequências 
de 80 a 100 Hz pode produzir resultados mais rápidos ao tratar problemas articulares 
inflamatórios, mas essas frequências não contribuem para resultados a longo prazo. Re-
latam, ainda, que a intensidade deve manter-se em torno de 500 a 600 μA, dependendo 
do tipo de eletrodo (KIRSCH; LERNER, 1990).
Outros estudos evidenciaram que a utilização de microcorrentes com intensidade de 
50 a 300uA induz a granulação do tecido cicatricial, com consequente aumento de co-
lágeno no local de uma ferida, além da melhora da angiogênese. Sendo assim, acelera o 
processo de cicatrização e regeneração. É uma técnica efetiva na estimulação de colá-
geno; no entanto, outras técnicas possuem maior eficácia para esse objetivo. Portanto, 
as microcorrentes podem ser utilizadas como complemento para tratamentos com esse 
objetivo (YU; HU; PENG, 2014).
O modo analgésico é usado para reduzir a dor do paciente, e consiste em uma forma de 
onda trapezoidal a uma frequência de 30Hz, e uma corrente de 80 a 100 µA. Esse efeito 
pode ser utilizado em pós-operatório. Dependendo do objetivo, como em pacientes que 
possuem lesões, pode-se elencar, inicialmente, a microcorrente com efeito analgési-
co, e posteriormente, utilizá-la para auxiliar na cicatrização e regeneração (HOUGHTON, 
2014). Ocorre a liberação de encefalinas, principalmente as endorfinas; a internalização 
da substância P; a teoria de controle da comporta da dor e a ativação dos receptores de 
diferentes opioides. 
11
O modo de reparação tecidual ou o modo curativo (Enhancement of Tissue Repair) 
consiste em uma forma de onda quadrada, bipolar, simétrica, a uma frequência de 0,3 Hz 
e uma corrente de 20 a 40 µA. O tratamento comum inclui 10 minutos no módulo analgé-
sico, seguido por 20 minutos no módulo ETR. (ASSUNÇÃO et. al 2006). O efeito da técnica 
varia conforme os parâmetros utilizados.
Além dessas ações, as microcorrentes podem ter efeitos bactericidas, pois o polo ne-
gativo da corrente possui essa ação. Estudos mostraram que feridas contaminadas por 
Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa ficaram estéreis após alguns dias de eletro-
estimulação com microcorrente (SNYDER-MACKLER, 2001).
Os efeitos dessa técnica têm relação com o estado do tecido que recebe a energia; 
portanto, definir em que fase de cicatrização está o tecido é imprescindível. Resumindo, 
os efeitos das microcorrentes incluem (YU; HU; PENG, 2014):
 • Estímulo elétrico celular.
 • Restabelecimento de ATP.
 • Eliminação de resíduos metabólicos.
 • Oxigenação e nutrição celular.
 • Efeito anti-inflamatório.
 • Neovascularização.
 • Aumento da síntese de colágeno.
 • Pró-cicatrização.A fase de reparação tecidual em que o tecido está é importante para a técnica. A mi-
crocorrente pode ser utilizada no intervalo entre sessões de microagulhamento, por 
exemplo; porém, deve-se respeitar o período inflamatório do recurso, pois, senão, a mi-
crocorrente causará o efeito anti-inflamatório, que não é o objetivo. Após esse período, a 
microcorrente irá estimular a regeneração tecidual, auxiliando a pele para a próxima apli-
cação do microagulhamento. Ao aplicar a microcorrente na fase de proliferação, ocorre 
expansão do tecido de granulação, aumento dos fibroblastos e vasos sanguíneos, e indu-
ção da expressão de fatores de crescimento (YU; HU; PENG, 2014).
12
 Ao ser aplicado na fase de remodelação, haverá rápida epitelização e otimização 
da formação de cicatrizes. São indicações dessa técnica (KAUR et al., 2011): 
 • Cicatrizes em processo de reparação.
 • Lesões de tecidos moles.
 • Edemas.
 • Processos inflamatórios.
 • Pós-operatórios.
 • Ulcerações.
 • Síndromes dolorosas.
 • Envelhecimento cutâneo.
 • Após elencar técnicas que produzem inflamação controlada no tecido, visando 
regeneração e preparação do tecido para nova aplicação, como nos casos de flacidez 
tissular, estrias e cicatrizes atróficas.
Como as demais técnicas, as microcorrentes possuem algumas contraindicações 
(KAUR et al., 2011): 
 • Hipersensibilidade à corrente polarizada. 
 • Aplicações abdominais em gestantes.
 • Portadores de implantes metálicos na região a ser tratada.
 • Tratamento em tecido neoplásico.
 • Alterações circulatórias, como trombose venosa profunda.
 • Aplicação sobre marca-passo cardíaco, e portadores de transtorno cardíaco.
 • Dor idiopática.
Para a aplicação, utiliza-se eletrodos convencionais do tipo borracha ou silicone, que 
são fixos, ou caneta, que é móvel. A técnica utilizando o eletrodo tipo sonda (bastão) ou 
caneta é aplicada com movimentos de maneira a esquadrinhar toda a região, necessitan-
do de dois movimentos para fechar a corrente (YU; HU; PENG, 2014).
Na prática, é utilizado gel neutro como meio de deslizamento e condução da micro-
13
corrente. Sempre deve-se orientar o paciente de que a técnica não causa nenhum efeito 
sensorial; ou seja, ele não vai sentir nada (AGNE, 2017). O deslizamento do eletrodo pelo 
tecido precisa ser lento para possibilitar que a corrente passe pelo tecido.
Conforme já mencionado, os efeitos observados variam de acordo com os parâmetros 
utilizados e a situação em que o tecido se encontra. Esses parâmetros são tempo, inten-
sidade e frequência. A literatura não predefine nenhum tempo; no entanto, há indicação 
de que ultrapasse os 20 minutos. A intensidade pode variar até 990 mA, e a frequência 
pode ter ou não conforme o equipamento e o objetivo do tratamento (AGNE, 2017).
Para a produção de ATP, utiliza-se frequência de 0,8 Hz, intensidade de 500 µA e tem-
po de 30 minutos (YU; HU; PENG, 2014).
Se o objetivo for analgesia, pode-se utilizar uma frequência de 30 Hz, com intensidade 
de 80 µA e tempo de 10 minutos. Para reparo tecidual, a frequência é de 0,3 Hz, intensi-
dade de 20 a 40 µA e tempo de 20 minutos. Já para controle inflamatório, indica-se uma 
frequência de 0,5 Hz, com intensidade de 50 µA e tempo de 20 minutos (HOUGHTON, 
2014). 
Resumindo os parâmetros:
 • Corrente: é alternada, despolarizada, com onda retangular ou quadrada.
 • Frequência: é baixa, de 10 a 150 Hz.
 • Intensidade: é variável, de até 500 mA.
 • Tempo: variável - entre 10 a 30 minutos.
 • Área: depende da área de lesão do paciente.
3. ELETROLIPÓLISE
A eletrolipólise é uma técnica terapêutica que utilizada, inicialmente, por médicos, 
utilizando agulha. O objetivo da conduta era atravessar a epiderme e a derme para chegar 
na gordura e causar efeito lipolítico. As primeiras tecnologias utilizavam corrente polari-
zada com modulação em forma de ondas trapezoidais retangulares, mas com efeito polar 
definido para causar movimentação iônica, aumentando o metabolismo e causando efei-
14
to lipolítico (HAMIDA et al., 2011).
As agulhas, porém, começaram a causar pequenas lesões e necroses. Com isso, sur-
giram os equipamentos mais recentes de eletrolipólise, com as correntes alternadas ou 
despolarizadas, evitando riscos de dano e necrose (HAMIDA et al., 2011).
Não há uma definição padrão do tipo de corrente utilizada; existem equipamentos 
com correntes alternadas e com corrente contínua modulada. Para a realização dessa 
técnica, aplica-se uma corrente específica de baixa frequência – em torno de 30 Hz –, 
tendo, como meio de condução, eletrodos ou agulhas de acupuntura. É uma técnica que 
possui evidências científicas que dão respaldo para sua utilização segura e com mínimo 
risco de intercorrências (HAMIDA et al., 2011).
As células do tecido adiposo são fibroblastos modificados, que têm a capacidade de 
armazenar triglicerídeos quase puros em quantidades equivalentes a 80 a 95% de seu 
volume. Os adipócitos sintetizam e liberam uma variedade de peptídeos e não peptídeos, 
e expressam outros fatores além de sua capacidade de depositar e mobilizar trigliceríde-
os, retinoides e colesterol (CAVALHEIRO; FERREIRA; OLIVEIRA, 2012).
Figura 6: Esquema da formação dos adipócitos.
Fonte: FONSECA-ALANIZ et al., 2006.
15
Os adipócitos são as únicas células especializadas no armazenamento de lipídios na 
forma de triacilglicerol em seu citoplasma, sem que isso seja nocivo para sua integridade 
funcional. Possuem enzimas e proteínas reguladoras necessárias para sintetizar ácidos 
graxos, estocar TAG em períodos em que a oferta de energia é abundante, e mobilizá-lo 
pela lipólise quando há deficit calórico (BARTNESS et al., 2014).
Os adipócitos respondem a alterações nervosas e endócrinas. O sistema nervoso au-
tônomo tem controle direto sobre o tecido adiposo através de seus componentes sim-
pático e parassimpático. A inervação simpática relaciona-se, principalmente, com as 
ações catabólicas: lipólise mediada pelos receptores beta adrenérgicos e dependente 
da atividade da enzima lipase hormônio-sensível. As células do tecido adiposo branco 
possuem uma associação com a inervação neural, e estão relacionadas com o controle 
da lipólise. As catecolaminas, especialmente a epinefrina, é o principal estimulador de 
lipólise pelo tecido adiposo branco (MELLO et al., 2012).
O sistema nervoso parassimpático tem envolvimento com a execução de efeitos ana-
bólicos sobre os depósitos adiposos, como a captação de glicose e de ácidos graxos, 
estimulada pela insulina (MELO et al., 2012).
O campo elétrico formado entre os eletrodos promove uma série de modificações fi-
siológicas no meio intersticial local, favorecendo trocas metabólicas e, sobretudo, a lipó-
lise. Há três tipos de tecido adiposo que se diferenciam pela sua estrutura, localização e 
função: tecido adiposo branco, marrom e bege. O tecido adiposo branco é especializado 
no armazenamento de energia na forma de ácidos graxos, e na sua liberação durante os 
períodos de jejum ou maior demanda energética (BARTNESS et al., 2014).
O tecido adiposo marrom contém numerosas pequenas partículas e uma quantidade 
muito maior de mitocôndrias; além disso, ele é altamente vascularizado. Uma vez que o 
sangue contém ferro, torna-se marrom. Sua função principal é manter o calor corporal, 
em animais ou recém-nascidos. Esse calor é devido à termogenina presente na membra-
na interna da mitocôndria, que faz com que a célula gere calor sem sintetizar ATP (PAU-
LA; PICHERH; SIMOES, 2008).
Os principais receptores que devem ser ativados com a técnica de eletrolipólise são 
16
os beta adrenérgicos, que ativam a proteína G estimulatória, com consequente amplifi-
cação do AMPc e ativação de PKA, que, por sua vez, ativa a lipase hormônio-sensível, a 
qual proporciona a clivagem dos triglicerídeos, liberando glicerol e ácidos graxos (PAU-
LA; PICHERH; SIMOES, 2008).
O AMPc ativa a lipase, que ajuda no processo de degradaçãodo triacilglicerol, tornan-
do mais fácil a remoção desses componentes para fora do adipócito. Na parede dos adi-
pócitos, há receptores alfa e beta, que são importantes para a lipólise, ao passo que os 
demais atuam mais na lipogênese. Portanto, em um tratamento de gordura, utiliza-se 
inibidores de receptores alfa e ativadores de receptores beta (FONSECA - ALANIZ et al., 
2006).
O uso da técnica faz com que a corrente elétrica ative a lipólise, pois essa técnica 
simula um estímulo hormônio lipase-sensível, que causa liberação de norepinefrina 
(HAMIDA et al., 2011).
Figura 7: A ação lipolítica inicia com a estimulação do sistema nervoso simpático a 
partir da liberação de adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias são captadas pelos 
receptores β-adrenérgicos na membrana dos adipócitos, que irá estimular a liberação de 
ácido graxo e glicerol.
Fonte: FÁBRIS et al., 2009.
17
São efeitos fisiológicos da técnica (CAVALHEIRO; FERREIRA; OLIVEIRA, 2012):
 • Aumento de calor local - efeito Joule: o calor produzido pela passagem de corrente 
elétrica, aumentando a temperatura, é suficiente para gerar uma vasodilatação local. 
Assim, há um aumento do fluxo sanguíneo, ajudando na ativação metabólica.
 • Auxilia na permeabilidade da membrana celular pela ação da corrente; ou seja, é 
possível colocar ativos após fazer a eletrolipólise.
 • O estímulo circulatório produzido pela corrente contínua, interrompida ou não, 
tem grande importância na drenagem da área.
 • O estímulo da lipólise, direta ou indiretamente, pela excitação das terminações 
nervosas simpáticas e liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que 
atuam sobre os receptores do adipócito e estimulam a enzima, que potencializa a 
lipólise dos triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos.
 • Melhora a nutrição celular.
 • Eleva os níveis de ATP.
 • Ativação dos receptores beta.
 • Efeito eletrolítico: geração de um campo elétrico que induz o movimento iônico 
promovido pela passagem da corrente elétrica no tecido, modificando a polaridade 
das membranas e consumindo energia celular.
 • Ação neuro-hormonal: é promovida a partir da estimulação elétrica de baixa frequ-
ência, que produz uma estimulação artificial no sistema nervoso simpático e, com isso, 
resulta na liberação de catecolaminas com o aumento do AMP cíclico intradipocitário, e 
no aumento da hidrólise dos triglicerídeos, potencializando a lipólise dos triglicerídeos 
em glicerol e ácidos graxos. Como resultado, há liberação de glicerol e ácidos graxos. 
Os ácidos graxos livres são transportados pela albumina no plasma até as células, onde 
são oxidados para a obtenção de energia. O glicerol, por sua vez, é transportado pelo 
sangue até o fígado, e pode ser usado para formar triacilglicerol. É necessário ter, além 
da eletrolipólise, um tratamento de oxidação para gastar esse material liberado dos adi-
pócitos, pois, senão, serão armazenados novamente.
18
Na aplicação da técnica, três parâmetros são de extrema importância para garantir a 
eficácia (SCORZA et al., 2008):
 • Tempo de aplicação: 30-50 minutos. Os resultados positivos são encontrados em 
aplicações superiores a trinta minutos de sessão. Alguns equipamentos do mercado 
já vêm com programações pré-definidas, com indicação de tempo.
 • Número de sessões: 6-18 aplicações. Convencionalmente, utiliza-se 10 sessões.
 • Frequência da corrente: 5-50 Hz, para que os receptores da parede dos adipócitos 
consigam fazer a leitura da frequência da corrente elétrica. Frequências de 20-25 Hz 
são o que a maioria da literatura indica.
 • Intensidade: miliampère - alternada; microampère - polarizada. O microampère 
geralmente está relacionado ao uso de agulhas. Os equipamentos que trabalham com 
eletrodos possibilitam o uso da miliamperagem, pois é necessário vencer as barreiras 
da epiderme e da derme para chegar na tela subcutânea; ou seja, uma intensidade 
maior é exigida para atingir o local do tratamento, que é a tela subcutânea. As agulhas, 
quando utilizadas, vão diretamente até a tela subcutânea. Caso o procedimento seja 
subcutâneo, o limite de segurança é de até 1 mA; com os eletrodos, é até 5 mA. A 
intensidade varia de acordo com a sensibilidade do paciente, devendo ser aumentada 
até que uma leve sensação de formigamento seja sentida.
 • Substância de contato/acoplamento: água/gel quando se utiliza eletrodos. Em 
caso de uso de agulhas de acupuntura, materiais condutores não são necessários.
Na aplicação da corrente, pode-se utilizar agulhas (subcutânea) ou eletrodos (epicutâ-
nea). Ambos apresentam resultados positivos. Caso utilize-se agulhas, é recomendado 
manter uma distância de 2 a 5 cm entre elas, e o tamanho e o posicionamento das mes-
mas pode variar de 2 cm a 12 cm de comprimento e de 0,25 mm a 0,3 mm de diâmetro, 
normalmente sendo em aço inoxidável. As agulhas utilizadas nessa técnica são as mes-
mas usadas na acupuntura, e o seu tamanho depende da espessura do tecido adiposo 
do paciente (SCORZA et al., 2008). Antes de iniciar o procedimento, é necessário fazer a 
higienização da área com álcool 70% ou clorexidina.
19
Quando o eletrodo é utilizado, é preciso usar gel de contato para fazer a aderência 
total desse eletrodo com o corpo.
Figura 8: Posicionamento das agulhas na utilização da técnica de eletrolipólise.
Fonte: TASSINARY, 2019.
Essa técnica, assim como as demais, apresenta algumas contraindicações 
(CAVALHEIRO; FERREIRA; OLIVEIRA, 2012): 
 • Pacientes cardiopatas ou portadores de marcapasso, caso a corrente passe no 
eixo do coração ou do marcapasso.
 • Gravidez.
 • Nefropatias, devido à sobrecarga renal que pode acontecer.
 • Uso de anticoagulantes.
 • Neoplasias.
 • Aplicações na face ou na cabeça em pacientes com tendência a ataques 
convulsivos.
 • Presença de dermatites e dermatoses no local da aplicação.
20
4. CORRENTES EXCITOMOTORAS/CORRENTES BMAC
As correntes excitomotoras trabalham com a estimulação elétrica neuromuscular 
através da média frequência, com o objetivo de estimular a contração muscular. Com 
isso, gera benefícios fisiológicos, como trofismo muscular, diástase, redução de medi-
das (como tratamento complementar), estimulação circulatória local, entre outros (DOU-
CET; LAM; GRIFFIN, 2012).
Para tratamento de gordura corporal, a terapia pode ser utilizada apenas como co-
adjuvante, pois as correntes não são capazes de causar a apoptose do adipócito ou o 
esvaziamento do mesmo; elas apenas estimulam o músculo a utilizar os ácidos graxos 
liberados dos adipócitos como fonte de energia. Diversos tratamentos estéticos causam 
mobilização de gordura por via lipolítica, estimulando o esvaziamento dos adipócitos e, 
consequentemente, a liberação de ácidos graxos e glicerol. O ácido graxo liberado deve 
ser oxidado pelo organismo, e os músculos podem fazer isso (AGNE, 2013).
A corrente russa foi divulgada na década de 1970, por um pesquisador soviético cha-
mado Yakov Kots. Uma corrente interrompida de média frequência (2500 Hz) foi utilizada 
para aumento de força muscular na Contração Voluntária Máxima (CVM) dos atletas de 
elite soviéticos, em até 40%. A corrente aussie foi desenvolvida pelo pesquisador Alex 
Ward, da Universidade de La Trobe, em Melbourne - Austrália. Trata-se de uma corrente 
elétrica terapêutica alternada, com frequência portadora na faixa de kHz e modulação 
em baixa frequência. Normalmente, apresenta frequência de 1000 Hz e um ciclo de tra-
balho de 20% (CITTADIN et al., 2020).
As duas correntes têm o mesmo objetivo: tônus muscular, que é o estado de semicon-
tração do músculo. A contração dos músculos esqueléticos comprime as veias, fazendo 
com que o sangue do local seja movido em direção ao coração, pois as válvulas unidire-
cionais impedem o refluxo de sangue. Quando o músculo relaxa, o sangue se impulsiona 
para frente pelas contrações musculares e, em algumas regiões do corpo, pela gravidade 
(CITTADIN et al., 2020).
Naestimulação elétrica neuromuscular de média frequência, a corrente russa é a mais 
utilizada, pois estimula os nervos motores, despolarizando as membranas e induzindo, 
21
assim, a contração muscular mais forte e sincronizada. Com isso, tem-se o fortalecimen-
to muscular (LIMA; RODRIGUES, 2012).
A corrente russa é uma corrente elétrica para eletroestimulação muscular alternada, 
de média frequência, modulada em bursts de baixa frequência. A frequência portadora 
é de 2500 Hz, a frequência de modulação pode variar de 0 a 150 Hz, e a intensidade é na 
casa dos miliamperes (mA). A intensidade é baseada na visualização da contração, sem 
que atinja o limiar da dor (LIMA; RODRIGUES, 2012).
Figura 9: Corrente russa.
Fonte: NELSON; HAYES; CURRIER, 2003.
A corrente aussie também é utilizada para eletroestimulação muscular, sendo alter-
nada, de média frequência, modulada em bursts de baixa frequência. Sua frequência 
portadora é de 1000 Hz, e a frequência de modulação varia de 0 a 120 Hz. A intensidade 
também é em miliampère (mA) (ROSA; LOPES, 2018).
22
Figura 10: Esquema com diferentes tipos de correntes e suas frequências.
Fonte: IBRAMED, 2021.
O músculo esquelético é um importante órgão dinâmico e metabólico em animais, 
sendo composto por vários tipos de miofibrilas, cada uma com diferentes estruturas e 
funções (GAN et al., 2019). 
O tecido muscular é composto, basicamente, por três tipos de fibras musculares: 
oxidativas de contração lenta (tipo I, vermelhas e aeróbicas), intermediárias de contra-
ção rápida (tipo II B, oxidativas glicolíticas) e as glicolíticas de contração rápida (tipo II A, 
brancas, anaeróbicas) (BRACCINI et al., 2021).
A capacidade oxidativa de uma fibra muscular é determinada pelo número de mito-
côndrias e de capilares que circundam a fibra, e pela quantidade de mioglobina no in-
terior da fibra. Na distribuição das fibras, não existem diferenças aparentes segundo a 
idade ou o sexo. O ser humano sedentário médio possui cerca de 47% a 53% de fibras 
lentas (GAN et al., 2019).
A velocidade de propagação do impulso nervoso ao longo da fibra nervosa varia em 
nervos diferentes. Quanto mais largo o diâmetro da fibra nervosa, mais baixa sua resis-
tência elétrica, e assim, maiores são as correntes e mais rápida é a condução (BRACCINI 
et al., 2021).
23
A ordem de recrutamento de unidades motoras em contrações reflexas e voluntárias 
é dependente do tamanho do corpo celular do motoneurônio. Os menores motoneurô-
nios requerem menos impulsos elétricos para excitá-los suficientemente e, consequen-
temente, produzirem potenciais de ação. Quando o tamanho do motoneurônio aumenta, 
maiores quantidades de corrente sináptica são requeridas para excitar essas células 
(BRACCINI et al., 2021).
Portanto, cada fibra também possui um comportamento diferente: a fibra vermelha 
apresenta um neurônio mais fino, que é estimulado com uma frequência menor; já a fibra 
muscular branca é inervada por um neurônio mais espesso, e necessita de uma frequên-
cia maior para ser estimulada. Além disso, a fibra vermelha é mais lenta do que a branca. 
A fibra vermelha é utilizada no dia a dia, nos movimentos posturais e diários. A fibra bran-
ca atua em movimentos rápidos e bruscos (LIMA; RODRIGUES, 2012).
O tônus muscular é o estado de tensão elástica que pode apresentar um músculo, mes-
mo em repouso, e possibilita iniciar a contração rapidamente após o impulso dos centros 
nervosos. Diferentes frequências excitam diferentes estruturas musculares. Além disso, 
potenciais de ação evocados pela estimulação elétrica nos axônios de motoneurônios 
alfa periféricos excitam a contração do músculo esquelético, que parece ser idêntico à 
contração voluntária (GAN et al., 2019).
Além dos exercícios físicos, outro recurso para o aumento do tônus muscular é a ele-
troestimulação através de correntes, cujos estudos vêm se ampliando e mostrando re-
sultados favoráveis no tratamento da flacidez (GAN et al., 2019).
A eletroestimulação causa contração muscular de forma involuntária; ou seja, não 
ocorre por comando do sistema nervoso central. Devido a isso, há inibição da fadiga do 
sistema nervoso central, o que pode causar um aumento na capacidade de resistir a um 
esforço muscular, permitindo a realização de um maior número de repetições ou uma 
maior duração do esforço (FRANCO et al., 2017).
A contração muscular se desencadeia pela eletroestimulação da seguinte forma: ini-
cialmente, tem-se o estímulo pelo eletrodo; após isso, ocorre um potencial de ação no 
axônio com estímulo da liberação de acetilcolina, que causa a abertura dos canais pro-
24
teicos. Assim, tem-se um influxo de sódio para dentro da fibra muscular, a propagação do 
potencial por toda a fibra muscular e o aprofundamento do potencial, liberando o cálcio 
pelo retículo sarcoplasmático. Há estímulo de interação de actina e miosina pelo cálcio, 
e a actina desliza sobre a miosina e se sobrepõe, formando um encurtamento do sarcô-
mero (LIMA; RODRIGUES, 2012).
Figura 11: Imagem do sarcômero (unidade contrátil da fibra muscular).
Fonte: ROSA; LOPES, 2018.
25
Figura 12: Resumo da contração muscular.
Fonte: SMITH; MARKS; LIEBERMAN, 2007.
26
Para isso, é necessário um paciente saudável e que não tenha lesão muscular. Um sis-
tema íntegro fará com que as respostas sejam semelhantes à contração muscular volun-
tária (FRANCO et al., 2017).
Há constatações de que a composição das fibras musculares se modifica ao ser ex-
posta a um período prolongado de excitação produzida por correntes elétricas. Essa mo-
dificação pode depender, principalmente, da frequência com que se despolariza o nervo 
motor por meio de corrente elétrica. Nas fibras há um ponto motor, que é o local onde o 
eletrodo tem menor resistência à passagem da corrente. Quanto menor for a resistência, 
maior será o estímulo no neurônio motor e melhor será a resposta de contração muscular 
(LOW, 2001).
Passo a passo dos eventos que ocorrem na contração muscular:
 • Potencial de ação no axônio.
 • Estímulo da liberação de acetilcolina.
 • Abertura dos canais proteicos.
 • Influxo de sódio para dentro da fibra muscular.
 • Propagação do potencial por toda a fibra muscular.
 • Aprofundamento do potencial, liberando o cálcio pelo retículo sarcoplasmático.
 • Estímulo da interação de actina e miosina pelo cálcio.
Em relação ao fluxo sanguíneo, a corrente elétrica pode aumentá-lo em 20% após 1 
minuto de aplicação, e perdurar por 5 minutos após a mesma. A contração dos músculos 
esqueléticos comprime as veias, fazendo com que o sangue do local seja movido em dire-
ção ao coração, pois as válvulas unidirecionais impedem o seu refluxo. Quando o músculo 
relaxa, o sangue se impulsiona para frente pelas contrações musculares e, em algumas 
regiões do corpo, pela gravidade (CITTADIN et al., 2020).
No equipamento, é necessário definir os parâmetros de tempo, frequência e intensi-
dade. A frequência varia de acordo com o tipo de fibra, e a intensidade de acordo com a 
sensibilidade do paciente. Quanto maior o tempo em que um músculo é recrutado, me-
27
lhor a resposta de tônus. Normalmente utiliza-se 6 segundos de contração e 6 segundos 
de repouso, e nas rampas, 2 segundos. O tempo total de tratamento varia de 10 a 20 mi-
nutos (AGNE, 2013).
A intensidade é definida em mA. Para a eletroestimulação, recomenda-se utilizar a 
intensidade máxima tolerável pelo paciente, pois há uma dependência da intensidade 
da contração eliciada eletricamente com o ganho de força muscular. Como a contração 
muscular é percebida no momento “on”, é nesse período que pode ser incrementada a 
intensidade da corrente no paciente, caso necessário. Jamais deve-se elevar a intensi-
dade no tempo “off”. Ou seja, se em algum momento for necessário elevar a intensidade 
durante a sessão, a contração deve estar no tempo “on” (AGNE, 2017).
A frequência varia conforme o estímulo. A corrente russa deve ser elencada em2500 
Hz, e a aussie, em 1000 Hz. A frequência de 20-30 Hz deve ser para fibras vermelhas, e 
50-150 Hz para fibras brancas. Com frequências acima de 4000 Hz, perde-se o efeito de 
resposta motora e inicia o efeito analgésico. Até 2500 Hz, tem-se resposta motora ade-
quada e tônus muscular (AGNE, 2013).
Alguns equipamentos abrem percentuais de modulação: dentro do ciclo de trabalho, 
quantos bursts são trabalhados e quantos são de resposta de parada. Em uma modula-
ção de 50%, tem-se uma estimulação mais agressiva quando em relação à de 20%, sob o 
ponto de vista de intensidade. Normalmente, utiliza-se 20% em pacientes na fase aguda 
ou em pacientes hipersensíveis à estimulação elétrica (AGNE, 2013).
A emissão das correntes pelos equipamentos pode ser de três maneiras: contínua, 
recíproca ou sincronizada. O modo contínuo é para analgesia; o recíproco, para grupos 
isolados ou não; e o modo sincronizado para agonista e antagonista, ao mesmo tempo 
(CITTADIN et al., 2020).
A frequência de sessões de estimulação elétrica deve ser programada, pelo menos, 
três vezes por semana. Geralmente, os ganhos de força continuarão durante o curso do 
tratamento, mas pode ser necessário aumentar as intensidades para manter o ritmo com 
os torques da contração voluntária máxima (BORGES, 2007).
Os eletrodos utilizados na técnica podem ser de silicone ou autoadesivos, e ter tama-
28
nhos variáveis. Em relação ao tamanho, quanto mais largo o eletrodo, menor a intensida-
de da corrente por unidade de área, e aumentando o tamanho dos eletrodos, diminui-se a 
densidade. A definição é feita pela área anatômica que será trabalhada (CAMARGO, 2011).
A disposição do eletrodo determina o caminho em que a corrente transita no tecido, 
e respeita-se a ideia de origem e inserção muscular. Um eletrodo é posicionado na ori-
gem muscular e o outro, seguindo o mesmo sentido, é colocado na inserção muscular. 
Eletrodo coloca na origem e no mesmo sentido coloca o eletrodo na inserção muscular. 
A colocação deve ser nos pontos motores, e o material de condução entre o eletrodo e o 
paciente é o gel. Os pares de eletrodos sempre irão trabalhar fechando os campos entre 
eles, e precisam estar todos em contato com o tecido (CAMARGO, 2011).
Se for necessário aumentar a intensidade do equipamento durante o procedimento, o 
processo deve ser feito durante a contração, pois, caso contrário, pode causar descon-
forto no paciente (BORGES, 2007).
São indicações estéticas:
 • Estímulo muscular para ganho de tônus.
 • Readequação muscular.
 • Melhora da circulação sanguínea.
 • Possível aumento de gasto energético.
 • São contraindicações da técnica (AGNE, 2013):
 • Traumas musculares - infecções agudas.
 • Membros com fraturas ou em fases de consolidação.
 • Espasticidade.
 • Gravidez.
 • Uso de marcapasso.
 • Distúrbios vasculares.
 • Neoplasias.
29
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