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TEORIA DO TESTEMUNHO TESE DE PSICOLOGIA

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mayor e quando ocorre a emoção tristeza entra em acção o anguli oris depressor 
e o corrugator. A detecção é possível através da análise do registo 
electromiográfico, até mesmo que o movimento da pele do rosto seja reduzido ou 
não se verifique. 
(…) As emoções tendem a ser mascaradas pelo sorriso. E são essas próprias 
emoções que fornecem sinais para o esclarecimento do sorriso falso ou 
verdadeiro. 
O rosto é uma referência incontornável da nossa auto-consciência. Não se pode 
esconder. E é nele que se encontra a verdadeira mentira. A análise da micro-
expressão tem de ser feita em três momentos interdependentes: onset (início), 
offset (fim) e apex (duração da intensidade)” (Freitas-Magalhães, 2009, pp. 69-
70). 
 
4.4.7.2. As Emoções 
 
“A palavra emoção vem do latim emovere que significa abalar, sacudir, deslocar. 
Esta, por sua vez, deriva de movi, que significa literalmente: pôr em movimento, 
mover. Logo, emoção, antes de mais nada, significa movimento. Ou ainda, 
energia em movimento. Portanto, não devemos perder de vista o facto de que 
sem emoção nada avança. Em poucas palavras, a emoção é um estado 
psicológico (estou frontalmente em desacordo com quem afirma ser «um 
sentimento»: a emoção é uma resposta reactiva e automática, ao nível do 
inconsciente, perante o peri-mundo. Um dos exemplos é a reacção dos 
espectadores perante um golo marcado pela sua equipa; o sentimento ocorre 
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quando os estados emocionais são pré-conscientes ou conscientes. Um dos 
exemplos é a alegria que os adeptos sentem depois do jogo (quando este traduz 
a vitória para a respectiva equipa) que, para além da génese psicológica, 
também pode apresentar elementos de cariz cognitivo, o qual vai determinar a 
conduta do indivíduo (…). 
A vivência de uma emoção ocorre ao nível dos estados mentais superiores e 
pode, em consequência, manifestar-se em alterações psicofisiológicas. Vejo, 
agora, o guarda-redes da selecção nacional, Ricardo, a defender uma grande 
penalidade no jogo decisivo. (…) E vejo o mesmo guarda-redes a sair do relvado 
após a derrota. (…) São duas perspectivas de constatar-se a emoção. (…) O 
certo é que todos os dias se ouve falar em emoções” (Freitas-Magalhães, 2009, 
pp. 89-91). 
―O ex-apresentador de televisão Carlos Cruz é indiciado pelo Ministério Público 
de «cinco crimes de abuso sexual de crianças e 1 de acto homossexual com 
adolescente. Esteve detido, desde 31 de Janeiro de 2003, 458 dias e 19 horas». 
Interessa-me a heteropercepção dos amigos, citados pela revista Visão, que o 
consideram «muito envelhecido e triste». Carlos Cruz tem 64 anos. O escândalo 
de pedofilia da Casa Pia foi conhecido em Novembro de 2002 e arrasta-se pelos 
Tribunais portugueses. Diz outro dos arguidos, o médico Ferreira Dinis, 52 anos, 
citado pela mesma publicação, e pronunciado por 18 crimes de abuso sexual, 
«(...) ganhei uma tristeza que nunca desaparecerá». Todos nós vivemos estados 
psicológicos mais ou menos intensos na lufa-lufa do quotidiano. Aqueles estados 
psicológicos podem representar estados emocionais” (Freitas-Magalhães, 2009, 
pp. 89-91). 
 
4.4.7.2.1. A Tristeza 
 
“O sofrimento, a mágoa, o desânimo, a melancolia, a solidão, o desamparo, o 
desespero e o desalento são algumas das características psicológicas 
associadas à emoção tristeza. As reacções psicofisiológicas caracterizam-se 
pela diminuição drástica dos mecanismos que levam ao entusiasmo, ao convívio, 
diversão e manifestação de actividades de prazer”. (…) 
Podemos identificar a emoção tristeza nos outros através dos seguintes 
movimentos faciais: 
- As sobrancelhas descaem e ficam mais juntas; 
- As pálpebras superiores também descaem e as pálpebras inferiores contraem-
se fazendo um movimento para baixo e na horizontal; 
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- As narinas contraem-se fazendo um movimento descendente; 
- A raiz do nariz encorrilha muito para baixo; 
- Nas bochechas não se verifica qualquer movimento; 
- A boca fica fechada mas contraída; 
- E o queixo fica tenso e pode até franzir” (Freitas-Magalhães, 2009, p. 110). 
 
4.4.7.2.2. A Alegria 
 
“O prazer, a diversão, a satisfação, a euforia e o êxtase são algumas das 
características da alegria. A alegria potencia a actividade no centro cerebral e, ao 
mesmo tempo, vai inibir pensamentos negativos. (…) A alegria é a emoção 
básica relacionada com o bem-estar. (…) Esta é uma emoção claramente 
positiva, pois provoca boas sensações nos indivíduos que a experimentam. 
Existem diversos movimentos faciais que nos permitem fazer o reconhecimento 
da emoção alegria. Alguns exemplos: 
- Franzir horizontal em todo o rosto; 
- A testa franze; 
- Uma elevação subtil da pele da testa; 
- A elevação das sobrancelhas muito pronunciadamente; 
- O subir das pálpebras superiores ligeiramente; 
- A contracção das pálpebras inferiores; 
- Os olhos dilatarem-se e ficarem semi-cerrados; 
- A contracção das têmporas. 
Na emoção alegria, o pensamento é rápido, ao contrário da tristeza” (Freitas-
Magalhães, 2009, pp. 111-112). 
 
4.4.7.2.3. A Cólera 
 
“A revolta, a hostilidade, a irritabilidade, o ressentimento, a indignação, o ódio e a 
violência são algumas das referências associadas à emoção cólera. As reacções 
psicofisiológicas são caracterizadas pela afluência de massa sanguínea para as 
mãos e o processo hormonal desencadeia e acelera a actividade cardíaca tendo 
por pressupostos uma conduta firme e vigorosa” (Freitas-Magalhães, 2009, p. 
112). 
 
“(…) Algumas sensações comuns partilhadas por pessoas que sentem cólera 
são: 
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- A aceleração do ritmo cardíaco; 
- A aceleração da respiração; 
- O aumento da pressão sanguínea; 
- A elevação do queixo; 
- O impulso de afastamento do alvo de cólera. 
A emoção cólera, assim como todas as outras, pode provocar movimentos faciais 
próprios. Alguns exemplos: 
- As sobrancelhas descaídas; 
- O enrugamento acentuado da testa; 
- A contracção das têmporas; 
- O cerrar dos olhos; 
- A contracção da raiz do nariz; 
- A dilatação das narinas; 
- A contracção para dentro da infra-orbital; 
- A boca fica cerrada; 
- A contracção do queixo. 
Esta emoção provoca reacções físicas de stress, destinadas à libertação de 
energia” (Freitas-Magalhães, 2009, p. 113). 
 
4.4.7.2.4. A Surpresa 
 
“O espanto, a perplexidade e sobressalto são algumas das características 
associadas à emoção surpresa. As reacções psicofisiológicas caracterizam-se 
pelo erguer acentuado das sobrancelhas com consequente aumento de 
inocência de luz nos olhos. A ideia é perceber o que de facto está a acontecer. 
(…) A surpresa é uma experiência breve e inesperada‖ (Freitas-Magalhães, 
2009, p. 114). 
 
“Podemos identificar a emoção surpresa nos outros através dos seguintes 
movimentos faciais: 
- Os olhos e pálpebras ficam semi-abertos; 
- A raiz do nariz encorrilha; 
- Dá-se uma dilatação das narinas; 
- As bochechas elevam-se; 
- A boca fica aberta em forma de elipse; 
- O queixo eleva-se” (Freitas-Magalhães, 2009, p. 115). 
 
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4.4.7.2.5. O Medo 
 
“A ansiedade, a apreensão, o nervosismo, a preocupação, o susto, a cautela, a 
inquietação, o pavor e o terror são algumas das características associadas ao 
medo. As reacções psicofisiológicas caracterizam-se com a massa sanguínea a 
concentrar-se nas pernas e o rosto fica luzidio. Verifica-se a momentânea 
imobilização do corpo o qual entra, acto contínuo, em alerta geral. Todos os 
mecanismos de defesa estão concentrados na hipotética ameaça. (…) O medo é 
um estado interno do indivíduo pois este sente que há perigo,