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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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o ato ou 
contrato definitivo.
Os atos administrativos negociais, que acabamos de ver, são normalmente 
seguidos de atos de Direito Privado que completam o negócio jurídico pretendido pelo particular e 
deferido pelo Poder Público. É o que ocorre, p. ex., quando a Administração licencia uma construção, 
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autoriza a incorporação de um banco, aprova a criação de uma escola ou emite qualquer outro ato 
de consentimento do Governo para a realização de uma atividade particular dependente da 
aquiescência do Poder Público. São atos bifaces.
Os dois atos são distintos e inconfundíveis, mas permanecem justapostos um 
ao outro de modo indissociável. Daí por que não podem as partes - Administração e particular - 
alterá-los ou extingui-los unilateralmente, sendo sempre necessária a conjunta manifestação de 
vontade dos interessados para qualquer modificação ou supressão do negócio jurídico objetivado.
Além dos atos normativos, ordinatórios e negociais, que examinamos nos 
tópicos precedentes, merecem apreciação os atos administrativos enunciativos, isto é, aqueles que, 
embora não contenham uma norma de atuação, nem ordenem a atividade administrativa interna, 
nem estabeleçam uma relação negocial entre o Poder Público e o particular, enunciam, porém, uma 
situação existente, sem qualquer manifestação de vontade da Administração. Só são atos 
administrativos em sentido formal, visto que materialmente não contêm manifestação da vontade da 
Administração. 
Atos administrativos enunciativos são todos aqueles em que a Administração 
se limita a certificar ou a atestar um fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, sem se 
vincular ao seu enunciado. Dentre os atos mais comuns desta espécie merecem menção as 
certidões, os atestados e os pareceres administrativos.
Certidões administrativas são cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de 
atos ou fatos constantes de processo, livro ou documento que se encontre nas repartições públicas. 
Podem ser de inteiro teor, ou resumidas, desde que expressem fielmente o que se contém no original 
de onde foram extraídas. Em tais atos o Poder Público não manifesta sua vontade, limitando-se a 
trasladar para o documento a ser fornecido ao interessado o que consta de seus arquivos. 
O fornecimento de certidões, "independentemente do pagamento de taxas", 
é obrigação constitucional de toda repartição pública, desde que requerido pelo interessado para 
defesa de direitos ou esclarecimento de situações de interesse pessoal (CF, art. 5º, XXXIV, "b"). Por 
repartição pública entende-se qualquer das entidades estatais, autárquicas, fundacionais ou 
paraestatais integrantes da Administração direta ou indireta do Estado, em acepção ampla.
Atestados administrativos são atos pelos quais a Administração comprova 
um fato ou uma situação de que tenha conhecimento por seus órgãos competentes. Não se confunde 
o atestado com a certidão, porque esta reproduz atos ou fatos constantes de seus arquivos, ao passo 
que o atestado comprova um fato ou uma situação existente mas não constante de livros, papéis ou 
documentos em poder da Administração. A certidão destina-se a comprovar fatos ou atos 
permanentes; o atestado presta-se à comprovação de fatos ou situações transeuntes, passíveis de 
modificações freqüentes. Ambos são atos enunciativos, mas de conteúdo diferente.
Pareceres administrativos são manifestações de órgãos técnicos sobre 
assuntos submetidos à sua consideração. O parecer tem caráter meramente opinativo, não 
vinculando a Administração ou os particulares a sua motivação ou conclusões, salvo se aprovado por 
ato subsequente. 
O parecer, embora contenha um enunciado opinativo, pode ser de existência 
obrigatória no procedimento administrativo e dar ensejo à nulidade do ato final se não constar do 
processo respectivo, como ocorre, p. ex., nos casos em que a lei exige a prévia audiência de um 
órgão consultivo, antes da decisão terminativa da Administração. Nesta hipótese, a presença do 
parecer é necessária, embora seu conteúdo não seja vinculante para a Administração, salvo se a lei 
exigir o pronunciamento favorável do órgão consultado para a legitimidade do ato final, caso em que 
o parecer se torna impositivo para a Administração.
Parecer normativo é aquele que, ao ser aprovado pela autoridade 
competente, é convertido em norma de procedimento interno, tornando-se impositivo e vinculante 
para todos os órgãos hierarquizados à autoridade que o aprovou. Tal parecer, para o caso que o 
propiciou, é ato individual e concreto; para os casos futuros, é ato geral e normativo.
Parecer técnico é o que provem de órgão ou agente especializado na 
matéria, não podendo ser contrariado por leigo ou, mesmo, por superior hierárquico. Nessa 
modalidade de parecer ou julgamento não prevalece a hierarquia administrativa, pois não há 
subordinação no campo da técnica.
Apostilas são atos enunciativos ou declaratórios de uma situação anterior 
criada por lei. Ao apostilar um título a Administração não cria um direito, pois apenas reconhece a 
existência de um direito criado por norma legal. Eqüivale a uma averbação.
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Atos administrativos punitivos são os que contêm uma sanção imposta pela 
Administração àqueles que infringem disposições legais, regulamentares ou ordinatórias dos bens ou 
serviços públicos. Visam a punir e reprimir as infrações administrativas ou a conduta irregular dos 
servidores ou dos particulares perante a Administração. 
Os atos administrativos punitivos, como facilmente se percebe, podem ser de 
atuação interna e externa. Internamente, cabe è Administração punir disciplinarmente seus 
servidores e corrigir os serviços defeituosos através de sanções estatutárias; externamente, 
incumbe-lhe velar pela correta observância das normas administrativas. Em ambos os casos as 
infrações ensejam punição, após a apuração da falta em processo administrativo regular ou pelos 
meios sumários facultados ao Poder Público.
Diferençam-se, todavia, essas duas modalidades de punição administrativa - 
externa e interna - porque a externa é dirigida aos administrados e, por isso mesmo, é vinculada em 
todos os seus termos à forma legal que a estabelecer, ao passo que a sanção interna, sendo de 
caráter eminentemente disciplinar e endereçada aos servidores públicos, é discricionária quanto à 
oportunidade, conveniência e valoração dos motivos que a ensejam.
Importa, ainda, distinguir o ato punitivo da administração, que tem por base o 
ilícito administrativo, do ato punitivo do Estado, que apena o ilícito criminal. Aquele é medida de 
autotutela da Administração; este é medida de defesa social. Daí por que a punição administrativa 
compete a todos os órgãos da Administração - federal, estadual ou municipal, suas autarquias e 
fundações - ao passo que a punição criminal é da competência legislativa privativa da União e só 
pode ser aplicada pela Justiça Penal do Poder Judiciário.
Dentre os atos administrativos punitivos de atuação externa merecem 
destaque a multa, a interdição de atividades e a destruição de coisas.
Multa administrativa é toda imposição pecuniária a que se sujeita o 
administrado a título de compensação do dano presumido da infração. Nesta categoria de atos 
punitivos entram, além das multas administrativas propriamente ditas, as multas fiscais, que são 
modalidades específicas do Direito Tributário. As multas administrativas não se confundem com as 
multas criminais e, por isso mesmo, são inconversíveis em detenção corporal, salvo disposição 
expressa em lei federal. A multa administrativa é de natureza objetiva e se torna devida 
independentemente da ocorrência de culpa ou dolo do infrator.
Interdição administrativa de atividade é o ato pelo qual a Administração veda 
a alguém a prática de atos sujeitos ao seu controle ou que incidam