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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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exteriorizam na possibilidade de alteração e rescisão 
unilateral do contrato; no equilíbrio econômico e financeiro; na revisão de preços e tarifas; na 
inoponibilidade da exceção de contrato não cumprido; no controle do contrato e na aplicação de 
penalidades contratuais pela Administração. 
O poder de alteração e rescisão unilaterais do contrato administrativo é 
inerente à Administração, pelo quê podem ser feitas ainda que não previstas expressamente em lei 
ou consignadas em cláusula contratual. Assim, nenhum particular, ao contratar com a Administração, 
adquire direito à imutabilidade do contrato ou à sua execução integral ou, ainda, às suas vantagens 
in specie, porque isto equivaleria a subordinar o interesse público ao interesse privado do contratado.
A rescisão unilateral ou rescisão administrativa pode ocorrer tanto por 
inadimplência do contratante como por interesse público na cessação da normal execução do 
contrato, mas em ambos os casos exige justa causa para o rompimento do ajuste, pois não é ato 
discricionário, mas vinculado aos motivos que a norma ou as cláusulas contratuais consignam como 
ensejadores desse excepcional distrato.
O contrato administrativo ilegal pode ser extinto por anulação unilateral da 
Administração, mas sempre com oportunidade de defesa para o contratado, em cujo expediente se 
demonstre a ilegalidade do ajuste. É de se advertir que somente o contrato tipicamente 
administrativo é passível de anulação unilateral, não o sendo o contrato de Direito Privado (compra e 
venda, doação e outros), firmado pela Administração, o qual só pode ser extinto por acordo entre as 
partes ou por via judicial. Observe-se, porém, que, mesmo nos contratos anulados, o que foi 
realizado com proveito da Administração deve ser pago, não por obrigação contratual, mas pelo 
dever moral que impede o enriquecimento ilícito de qualquer das partes.
O equilíbrio financeiro, ou equilíbrio econômico, ou equação econômica, ou, 
ainda, equação financeira, do contrato administrativo é a relação estabelecida inicialmente pelas 
partes entre os encargos do contratado e a retribuição da Administração para a justa remuneração do 
objeto do ajuste. Essa relação encargo-remuneração deve ser mantida durante toda a execução do 
contrato, a fim de que o contratado não venha a sofrer indevida redução nos lucros normais do 
empreendimento. 
O reajustamento contratual de preços e de tarifas é a medida convencionada 
entre as partes contratantes para evitar que, em razão das elevações do mercado, da desvalorização 
da moeda ou do aumento geral de salários no período de execução do contrato administrativo, venha 
a romper-se o equilíbrio financeiro do ajuste. 
A exceção de contrato não cumprido usualmente invocada nos ajustes de 
Direito Privado, não se aplica, em princípio, aos contratos administrativos quando a falta é da 
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Administração. Esta, todavia, pode sempre argüir a exceção em seu favor, diante da inadimplência 
do particular contratante.
Com efeito, enquanto nos contratos entre particulares é lícito a qualquer das 
partes cessar a execução do avençado quando a outra não cumpre a sua obrigação (CC, art. 1.092), 
nos ajustes de Direito Público o particular não pode usar dessa faculdade contra a Administração. 
Impede-o o princípio maior da continuidade do serviço público, que veda a paralisação da execução 
do contrato mesmo diante da omissão ou atraso da Administração no cumprimento das prestações a 
seu cargo. Nos contratos administrativos a execução é substituída pela subsequente indenização dos 
prejuízos suportados pelo particular ou, ainda, pela rescisão por culpa da Administração. 
O controle do contrato administrativo é um dos poderes inerentes à 
Administração e, por isso mesmo, implícito em toda contratação pública, dispensando cláusula 
expressa. Com efeito, desde que à Administração incumbem a realização de obras públicas e a 
prestação de serviços à coletividade, há de ter a correspondente prerrogativa de controlar os seus 
contratos e de adequá-los às exigências do momento, supervisionando, acompanhando e 
fiscalizando a sua execução ou nela intervindo.
A aplicação de penalidades contratuais diretamente pela Administração é 
outra de suas prerrogativas, correlata a do controle do contrato. Realmente, seria inútil o 
acompanhamento da execução contratual se, verificada a infração do contratado, não pudesse a 
Administração puni-lo pela falta cometida. 
Na interpretação do contrato administrativo é preciso ter sempre em vista 
que as normas que o regem são as do Direito Público, suplementadas pelas do Direito Privado, e 
não o contrário, como, lamentavelmente, ainda se pratica entre nós.
Enquanto nos ajustes privados a liberdade contratual é ampla, sendo 
permitido a qualquer dos contratantes renunciar direitos e assumir as obrigações que lhe aprouver, 
nos contratos administrativos uma das partes - a Administração - está sempre vinculada ao interesse 
público e não pode abrir mão de seus direitos e poderes por mera liberalidade para com a outra 
parte. Assim, qualquer cláusula que contrarie o interesse público ou consubstancie renúncia a direitos 
e poderes da Administração deve ser considerada como não escrita, salvo se autorizada por lei.
Até o advento do Dec.-lei 2.300/86 poucas eram as leis que tratavam de 
contrato administrativo e a matéria era regulada de modo incompleto e assistemático, propiciando 
errôneas aplicações da lei e hesitação da jurisprudência na interpretação de suas normas. Contudo, 
com a edição do referido Estatuto passamos a ter uma legislação orgânica e sistemática regendo 
toda a matéria.
O instrumento do contrato administrativo é, em regra, termo, em livro próprio 
da repartição contratante, ou escritura pública, nos casos exigidos em lei (os relativos a direitos reais 
sobre imóveis, p. ex.). O contrato verbal constitui exceção, pelo evidente motivo de que os negócios 
administrativos dependem de comprovação documental e de registro nos órgãos de controle interno.
Além do termo de contrato, obrigatório nos casos que exigem concorrência, 
os ajustes administrativos podem ser formalizados mediante outros documentos hábeis, tais como 
carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra e ordem de serviço. Todos 
esses são também instrumentos de contrato administrativo, e instrumentos bilaterais, porque 
expedidos pela Administração e aceitos pela outra parte, expressa ou tacitamente, para a 
formalização do ajuste.
A publicação do contrato é formalidade geralmente exigida pelas normas 
administrativas como consectário da natureza pública dos atos da Administração. Não é necessário 
seja integral, bastando a notícia resumida na imprensa oficial, com indicação das partes, objeto e 
valor do ajuste. 
O contrato administrativo regularmente publicado dispensa testemunhas e 
registro em cartório, pois, como todo ato administrativo, traz em si a presunção de legitimidade e 
vale contra terceiros desde a sua publicação.
O conteúdo do contrato é a vontade das partes expressa no momento de sua 
formalização. Daí a necessidade de cláusulas que fixem com fidelidade o objeto do ajuste e definam 
com precisão os direitos, obrigações, encargos e responsabilidades dos contratantes, em 
conformidade com o edital e a proposta vencedora. No caso de dispensa de licitação, o conteúdo do 
contrato deve ater-se ao despacho que autorizou sua realização e à proposta escolhida.
Integram o contrato também o edital, o projeto com suas especificações, 
memoriais, cálculos, planilhas, cronogramas e demais elementos pertinentes e complementam-no, 
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ainda que não expressas em suas cláusulas, as disposições de leis, regulamentos, caderno de 
encargos da repartição contratante e normas técnicas oficiais concernentes ao seu objeto.
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