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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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da Administração é a entrega do local da obra ou do serviço 
na espécie e nas condições que permitam ao contratado a regular execução do contrato. Nesse 
encargo da Administração compreendem-se as desapropriações necessárias, as servidões 
administrativas, as interdições de trânsito e demais atos de autoridade que só o Poder Público pode 
praticar. A não entrega do local nas condições e prazos avençados ou a alteração do projeto rende 
ensejo a ampliação dos cronogramas, à revisão de preços e até mesmo à rescisão do contrato, tais 
sejam os gravames ou a impossibilidade da execução.
Quanto ao particular, ao lado da prestação do objeto do contrato, que é a 
principal, existem outras obrigações exigíveis, ainda que não consignadas expressamente no 
instrumento contratual, por decorrerem dos princípios e normas que regem os ajustes do Direito 
Público, tais como a observância das normas técnicas adequadas; o emprego do material 
apropriado, quantitativa e qualitativamente; a sujeição aos acréscimos ou supressões legais; 
execução pessoal do objeto do contrato; atendimento dos encargos trabalhistas, previdenciários, 
fiscais e comerciais decorrentes da execução; manutenção no local da obra ou serviço de preposto 
em condições de tratar com a Administração e dela receber a orientação cabível.
A observância das normas técnicas adequadas e o emprego do material 
apropriado em quantidade e qualidade compatíveis com o objeto do contrato constituem deveres 
ético-profissionais do contratado, presumidos nos ajustes administrativos, que visam sempre ao 
melhor atendimento do serviço público. Daí por que o contratado é obrigado a reparar, corrigir, 
remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas, no todo ou em parte, o objeto do contrato em 
que se verifiquem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou dos materiais 
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empregados. Entre nós, as normas técnicas oficiais são as da Associação Brasileira de Normas 
Técnicas - ABNT.
Variações de quantidade são acréscimos ou supressões legais, admissíveis 
nos ajustes administrativos, nos limites regulamentares, sem modificação dos preços unitários e sem 
necessidade de nova licitação, bastando o respectivo aditamento, quando se verificar aumento, ou a 
simples ordem escrita de supressão, havendo redução. Nesses casos, que, por isso mesmo, não 
configuram hipóteses de alteração unilateral, o contratado tem direito a executar os acréscimos nas 
mesmas condições do contrato inicial e a Administração não fica obrigada a compor perdas e danos 
quando determina as reduções permitidas, sujeitando-se apenas ao pagamento do que houver sido 
realizado antes da ordem de supressão. Além dos limites de variação, é obrigatória a licitação do 
acréscimo, salvo se houver motivo para a sua dispensa, e, tratando-se de supressão superior ao 
permitido, o contrato poderá ser rescindido, com as indenizações devidas.
Todo contrato administrativo é firmado intuitu personae, isto é, tendo em 
vista a pessoa física ou jurídica que, através do procedimento da licitação ou de outros meios, nos 
casos de dispensa, demonstrou possuir idoneidade para executar plenamente seu objeto, sob o 
tríplice aspecto jurídico, técnico e financeiro. Assim sendo, compete-lhe executar pessoalmente o 
objeto do contrato, ou seja, sem transferência de responsabilidades ou subcontratações não 
autorizadas pela Administração.
Independentemente de cláusula contratual, o contratado é responsável pelos 
encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais decorrentes da execução do contrato, são 
os encargos de execução. Esta é a regra. Mas, por disposição legal, regulamentar ou contratual 
(quando a lei o permitir ou for omissa), poderá a Administração assumir tais encargos ou solidarizar-
se com o contratado no seu pagamento.
É obrigação impostergável do contratante a manutenção, no local da obra ou 
serviço, de preposto credenciado para dirigir os trabalhos, informar a fiscalização e atender às 
recomendações da Administração na execução do contrato.
O acompanhamento da execução do contrato é direito e dever da 
Administração e nele se compreendem a fiscalização, a orientação, a interdição, a intervenção e a 
aplicação de penalidades contratuais. Esse acompanhamento compete aos próprios órgãos 
interessados, mas pode realizar-se por delegação expressa, através de assessorias ou consultorias 
especializadas, ficando sempre reservada à administração a imposição das medidas punitivas.
A fiscalização da execução do contrato abrange a verificação do material e 
do trabalho, admitindo testes, provas de carga, experiências de funcionamento e de produção e tudo 
o mais que se relacionar com a perfeição da obra, do serviço ou do fornecimento. A sua finalidade é 
assegurar a perfeita execução do contrato, ou seja, a exata correspondência dos trabalhos com o 
projeto ou com as exigências previamente estabelecidas pela Administração, tanto nos seus 
aspectos técnicos quanto nos prazos de realização, e, por isso mesmo, há de pautar-se pelas 
cláusulas contratuais, pelas normas regulamentares do serviço e pelas disposições do caderno de 
obrigações, se existente. 
A orientação da execução do contrato é também direito-dever da 
Administração, que se exterioriza pelo fornecimento de normas e diretrizes sobre seus objetivos, 
para que o particular possa colaborar eficientemente com o Poder Público no empreendimento em 
que ambos estão empenhados. Não se confunde com a direção do contrato, que é sempre do 
contratado, principalmente na empreitada, caracterizada pela autonomia técnica, operacional e 
econômica do empreiteiro na execução do ajuste, por sua conta e risco, na forma avençada.
A interdição da execução do contrato é o ato escrito pelo qual a 
Administração determina a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento que venha sendo 
feito em desconformidade com o avençado. É a aplicação dos princípios da autotutela e da auto-
executoriedade, que regem a atividade administrativa, de modo que ao contratado inconformado 
com a decisão só cabe usar dos recursos hierárquicos ou das vias judiciais cabíveis para a defesa de 
seus direitos.
A intervenção na execução do contrato é providência extrema que se justifica 
quando o contratado se revela incapaz de dar fiel cumprimento ao avençado, ou há iminência ou 
efetiva paralisação dos trabalhos, com prejuízos potenciais ou reais para o serviço público. Por isso 
mesmo, e por ser medida autoexecutável pela Administração, exige justa causa, caracterizada pelo 
grave descumprimento do contrato ou pela ocorrência de fatos estranhos à conduta do contratante 
que ponham em risco a execução, sem o quê será ilegítima.
A aplicação de penalidades contratuais é medida auto-executória de que se 
vale a Administração quando verifica a inadimplência do contratado na realização do objeto do 
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contrato, no atendimento dos prazos ou no cumprimento de qualquer outra obrigação a seu cargo. A 
única exceção ao princípio da auto-executoriedade desse poder-dever da Administração ocorre 
quando o punido resiste e há necessidade de cobrança de quantia em dinheiro ou apreensão de seus 
bens, caso em que se impõe a utilização do procedimento judicial adequado. 
A entrega e recebimento do objeto do contrato constitui a etapa final da 
execução de todo ajuste administrativo para a liberação do contratado. O recebimento do objeto do 
contrato pode ser provisório ou definitivo.
Recebimento provisório é o que se efetua em caráter experimental, dentro de 
um período determinado, para a verificação da perfeição do objeto do contrato, que, para tanto, 
deverá ser submetido às provas ou testes necessários à comprovação de sua qualidade, resistência, 
operatividade e conformidade com o projeto e especificações. As falhas e imperfeições verificadas