A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
142 pág.
LIVRO DE direitoadministrativonogueira

Pré-visualização | Página 23 de 50

no período do recebimento provisório, durante o qual ficam retidas as garantias oferecidas à 
execução, ocorrem todas por conta do contratado. Transcorrido o prazo do recebimento provisório 
sem impugnação da Administração, entende-se o objeto do contrato recebido definitivamente.
A regra é o recebimento definitivo, de modo que o provisório deve ser 
expressamente previsto no edital ou no contrato, em conformidade com as normas regulamentares, 
e ressalvado no termo próprio.
Recebimento definitivo é o que a Administração faz em caráter permanente, 
incorporando o objeto do contrato ao seu patrimônio e considerando o ajuste regularmente executado 
pelo contratado.
O recebimento definitivo exonera o contratado dos encargos contratuais, mas 
não da responsabilidade pela solidez e segurança da obra, por cinco anos, nos termos do art. 1.245 
do CC, nem das faltas ético-profissionais e muito menos das sanções penais cabíveis em razão de 
morte ou lesão corporal causada a terceiro e a ele imputável por dolo ou culpa na execução 
imperfeita do objeto do contrato.
Extinção do contrato é a cessação do vínculo obrigacional entre as partes 
pelo integral cumprimento de suas cláusulas ou pelo seu rompimento, através da rescisão ou da 
anulação. 
A extinção do contrato pela conclusão de seu objeto é a regra, ocorrendo de 
pleno direito quando as partes cumprem integralmente suas prestações contratuais, ou seja, a 
realização do objeto do ajuste por uma delas e o pagamento do preço pela outra. O recebimento 
definitivo importa o reconhecimento da conclusão do objeto do contrato, operando sua extinção.
A extinção do contrato pelo término de seu prazo é a regra nos ajustes por 
tempo determinado, nos quais o prazo é de eficácia do negócio jurídico contratado, de modo que, 
uma vez expirado, extingue-se o contrato, qualquer que seja a fase de execução de seu objeto, 
como ocorre na concessão de serviço público.
A extinção do contrato pela rescisão (administrativa, judicial, amigável ou de 
pleno direito) é forma excepcional, por importar a prematura cessação do ajuste, em meio à sua 
execução. 
A extinção do contrato pela anulação é também forma excepcional e só pode 
ser declarada quando se verificar ilegalidade na sua formalização ou em cláusula essencial. Assim, 
tem-se considerado nulo o contrato realizado sem concorrência, quando a lei a exige, ou mediante 
concorrência fraudada no seu procedimento ou julgamento ou, ainda, quando o ajuste contraria 
normas legais em pontos fundamentais de seu conteúdo negocial.
A anulação do contrato é ato declaratório de invalidade preexistente, pelo 
que opera efeitos ex tunc, retroagindo às suas origens. Quando feita pela Administração, deve 
formalizar-se por decreto, despacho ou termo circunstanciado, em que se apontem os motivos da 
invalidade e o dispositivo legal ou regulamentar infringido, pois só a ilegalidade autoriza a extinção 
do contrato pela via anulatória.
Do mesmo modo, só a ilegalidade autoriza a anulação do contrato 
administrativo pelo Poder Judiciário, através das vias judiciais comuns (ações ordinárias anulatórias) 
ou especiais (mandado de segurança ou ação popular), conforme o caso e o direito subjetivo a ser 
protegido.
Assinale-se, finalmente, que inexiste revogação de contrato, como 
lamentavelmente ainda se entende entre nós, porque o instituto é privativo dos atos unilaterais. 
Todavia, os mesmos motivos que ensejam a revogação dos atos administrativos (conveniência da 
38
Administração ou interesse públicos) podem autorizar a extinção do contrato, o que se faz através da 
rescisão unilateral ou administrativa, com a composição dos prejuízos suportados pelo contratado.
Prorrogação do contrato é o prolongamento de sua vigência além do prazo 
inicial, com o mesmo contratado e nas mesmas condições anteriores. Assim sendo, a prorrogação, 
que é feita mediante termo aditivo, independe de nova licitação, podendo seu prazo ser igual, inferior 
ou superior ao do contrato original. O essencial é que, nos contratos que se extinguem pelo decurso 
de prazo, tenha sido prevista no edital, ou em cláusula contratual, quando dispensada a licitação 
inicial. 
Renovação do contrato é a inovação no todo ou em parte do ajuste, mantido, 
porém, seu objeto inicial. A sua finalidade é a manutenção da continuidade do serviço público, pelo 
que admite a recontratação direta do atual contratado, desde que as circunstâncias a justifiquem e 
permitam seu enquadramento numa das hipóteses legais de dispensa ou inexigibilidade de licitação, 
como ocorre, p. ex., quando o contrato original se extingue faltando pequena parte da obra, serviço 
ou fornecimento para concluir, ou quando surge durante a execução a necessidade de uma 
ampliação não prevista, mas facilmente executável com o pessoal e equipamento já em atividade.
Inexecução ou inadimplência do contrato é o descumprimento de suas 
cláusulas, no todo ou em parte. Pode ocorrer por ação ou omissão, culposa ou sem culpa, de 
qualquer das partes, caracterizando o retardamento (mora) ou o descumprimento integral do 
ajustado. 
A inexecução ou inadimplência culposa é a que resulta de ação ou omissão 
da parte, decorrente de negligência, imprudência, imprevidência ou imperícia no atendimento das 
cláusulas contratuais. O conceito de culpa no Direito Administrativo é o mesmo do Direito Civil, 
consistindo na violação de um dever preexistente: dever de diligência para o cumprimento de 
prestação prometida no contrato.
A inexecução ou inadimplência sem culpa é a que decorre de atos ou fatos 
estranhos à conduta da parte, retardando ou impedindo totalmente a execução do contrato. Nesse 
caso, embora ocorra a inadimplência e possa haver rescisão do contrato, não haverá 
responsabilidade alguma para os contratantes, porque aqueles eventos atuam como causas 
justificadoras da inexecução do contrato.
Quando sobrevem eventos extraordinários, imprevistos e imprevisíveis, 
onerosos, retardadores ou impeditivos da execução do contrato, a parte atingida fica liberada dos 
encargos originários e o ajuste há que ser revisto ou rescindido, pela aplicação da teoria da 
imprevisão, provinda da cláusula rebus sic stantibus, nos seus desdobramentos de força maior, caso 
fortuito, fato do príncipe, fato da Administração e interferências imprevistas, que examinaremos a 
seguir.
A teoria da imprevisão consiste no reconhecimento de que eventos novos, 
imprevistos e imprevisíveis pelas partes e a elas não imputáveis, refletindo sobre a economia ou a 
execução do contrato, autorizam sua revisão, para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. É a 
aplicação da velha cláusula rebus sic stantibus aos contratos administrativos, a exemplo do que 
ocorre nos ajustes privados, a fim de que sua execução se realize sem a ruína do contratado, na 
superveniência de fatos não cogitados pelas partes, criando ônus excessivo para uma delas, com 
vantagem desmedida para a outra.
Força maior e caso fortuito são eventos que, por sua imprevisibilidade e 
inevitabilidade, criam para o contratado impossibilidade intransponível de normal execução do 
contrato.
Força maior é o evento humano que, por sua imprevisibilidade e 
inevitabilidade, cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do 
contrato. 
Caso fortuito é o evento da natureza que, por sua inprevisibilidade e 
inevitabiliddade, cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do 
contrato. Caso fortuito é, p. ex., um tufão destruidor em regiões não sujeitas a esse fenômeno; ou 
uma inundação imprevisível que cubra o local da obra; ou outro qualquer fato, com as mesmas 
características de imprevisibilidade e inevitabilidade, que venha a impossibilitar totalmente a 
execução do contrato