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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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ou retardar seu andamento, sem culpa de qualquer das partes.
O que caracteriza determinado evento como força maior ou caso fortuito são, 
pois, a imprevisibilidade (e não a imprevisão das partes), a inevitabilidade de sua ocorrência e o 
impedimento absoluto que veda a regular execução do contrato. 
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Fato do príncipe é toda determinação estatal, positiva ou negativa, geral, 
imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do contrato administrativo. 
O fundamento da teoria do fato do príncipe é o mesmo que justifica a 
indenização do expropriado por utilidade pública ou interesse social, isto é, a Administração não pode 
causar danos ou prejuízos aos administrados, e muito menos a seus contratados, ainda que em 
benefício da coletividade. Quando isso ocorre, surge a obrigação de indenizar.
O fato do príncipe, caracterizado por um ato geral do Poder Público, tal como 
a proibição de importar determinado produto, só reflexamente desequilibra a economia do contrato 
ou impede sua plena execução. 
Fato da Administração é toda ação ou omissão do Poder Público que, 
incidindo direta e especificamente sobre o contrato, retarda ou impede sua execução. O fato da 
administração equipara-se à força maior e produz os mesmos efeitos excludentes da 
responsabilidade do particular pela inexecução do ajuste. É o que ocorre, p. ex., quando a 
Administração deixa de entregar o local da obra ou serviço, ou não providencia as desapropriações 
necessárias, ou atrasa os pagamentos por longo tempo, ou pratica qualquer ato impeditivo dos 
trabalhos a cargo da outra parte. Em todos esses casos o contratado pode pleitear a rescisão do 
contrato, amigável ou judicialmente, por culpa do Poder Público; o que não se lhe permite é a 
paralisação sumária dos trabalhos pela invocação da exceção de contrato não cumprido, inaplicável 
aos ajustes administrativos.
Interferências imprevistas são ocorrências materiais não cogitadas pelas 
partes na celebração do contrato mas que surgem na sua execução de modo surpreendente e 
excepcional, dificultando e onerando extraordinariamente o prosseguimento e a conclusão dos 
trabalhos.
As interferências imprevistas não se confundem com outras eventuais 
superveniências (caso fortuito, força maior, fato do príncipe, fato da Administração), porque estas 
sobrevêm ao contrato, ao passo que aquelas o antecedem, mas se mantêm desconhecidas até 
serem reveladas através das obras e serviços em andamento, dada sua omissão nas sondagens ou 
sua imprevisibilidade para o local, em circunstâncias comuns de trabalho. P. ex., numa obra pública, 
o encontro de um terreno rochoso e não arenoso como indicado pela Administração, ou mesmo a 
passagem subterrânea de canalização ou dutos não revelados no projeto em execução.
A inexecução do contrato administrativo propicia sua rescisão e pode 
acarretar, para o inadimplente, conseqüências de ordem civil e administrativa, inclusive a suspensão 
provisória e a declaração de inidoneidade para contratar com a Administração. 
Responsabilidade civil é a que impõe a obrigação de reparar o dano 
patrimonial. Pode provir da lei (responsabilidade legal), do ato ilícito (responsabilidade por ato ilícito) 
e da inexecução do contrato (responsabilidade contratual), que é a que nos interessa.
Na inexecução do contrato administrativo a responsabilidade civil surge 
como uma de suas primeiras conseqüências, pois, toda vez que o descumprimento do ajustado 
causar prejuízo à outra parte, o inadimplente fica obrigado a indenizá-la. 
Responsabilidade administrativa é a que resulta da infringência de norma da 
Administração estabelecida em lei ou no próprio contrato, impondo um ônus ao contratado para com 
qualquer órgão público.
As sanções administrativas - multa, interdição de atividade, suspensão 
provisória e declaração de inidoneidade - são aplicáveis diretamente pela Administração, mediante 
procedimento interno em que se faculte defesa ao infrator. Se a responsabilização for ilegal, abusiva 
ou arbitrária, o interessado poderá opor-se a ela pelo recurso hierárquico ou pela via judicial 
adequada.
Suspensão provisória ou temporária do direito de participar de licitação e de 
contratar com a Administração é sanção administrativa com que se punem os contratados que 
culposamente prejudicarem a licitação ou a execução do contrato, embora por fatos ou atos de 
menor gravidade. Se o infrator age com dolo ou se a infração é grave, a sanção adequada será a 
declaração de inidoneidade.
Declaração de inidoneidade é penalidade aplicável por faltas graves do 
contratado inadimplente, para impedir que continue contratando com a Administração. Não é, a rigor, 
uma penalidade contratual, mas uma sanção administrativa genérica, que só pode ser aplicada pela 
autoridade indicada na norma legal que a consigna, na forma e nos casos expressamente 
estabelecidos.
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A derradeira observação é a de que a declaração de inidoneidade exige 
oportunidade de defesa e admite cancelamento, desde que afastada a diretoria, a equipe técnica ou 
o profissional responsável pelas falhas contratuais e técnicas, pois, cessada a causa, devem cessar 
os efeitos da sanção. Mesmo a pessoa física atingida pela sanção poderá reabilitar-se demonstrando 
seu bom desempenho posterior perante outras Administrações, porque são contra a índole do Direito 
as interdições administrativas perpétuas.
A revisão do contrato, ou seja, a modificação das condições de sua 
execução, pode ocorrer por interesse da própria Administração ou pela superveniência de fatos 
novos que tornem inexeqüível o ajuste inicial. A primeira hipótese surge quando o interesse público 
exige a alteração do projeto ou dos processos técnicos de sua execução, com aumento dos encargos 
ajustados; a segunda, quando sobrevêm atos do Governo ou fatos materiais imprevistos e 
imprevisíveis pelas partes que dificultam ou agravam, de modo excepcional, o prosseguimento e a 
conclusão do objeto do contrato, por obstáculos intransponíveis em condições normais de trabalho 
ou por encarecimento extraordinário das obras e serviços a cargo do particular contratado, que 
impõem uma recomposição dos preços ajustados, além do reajuste prefixado.
Em qualquer desses casos o contrato é passível de revisão, para adequação 
à nova realidade e recomposição dos preços, em face da situação emergente. Não se trata, aqui, do 
reajustamento de preço constante do contrato, mas sim de revisão do próprio ajuste diante de 
circunstâncias e fatos imprevistos, imprevisíveis e estranhos ao acordo inicial das partes. 
É obrigatória a recomposição dos preços quando as alterações do projeto ou 
do cronograma de sua execução, impostas pela Administração, aumentam os custos ou agravam os 
encargos do particular contratado, ou quando atos gerais do Governo ou dificuldades materiais 
especificas passam a onerar extraordinariamente o cumprimento do contrato, desequilibrando a 
equação financeira estabelecida inicialmente entre as partes. 
Rescisão é o desfazimento do contrato durante sua execução por 
inadimplência de uma das partes, pela superveniência de eventos que impeçam ou tornem 
inconveniente o prosseguimento do ajuste ou pela ocorrência de fatos que acarretem seu 
rompimento de pleno direito.
A rescisão pode efetivar-se por diversas formas, a saber: por ato unilateral da 
Administração (rescisão administrativa), por acordo entre as partes (rescisão amigável), por decisão 
judicial (rescisão judicial), por declaração da ocorrência de fato previsto como extintivo do contrato 
(rescisão de pleno direito). Vejamos cada uma dessas formas de rescisão.
Rescisão administrativa é a efetivada por ato próprio e unilateral da 
Administração, por inadimplência do