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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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pelo contratado e a 
respectiva contraprestação pecuniária pela Administração.
O contrato de obra pública admite três modalidades de regime de execução, 
a saber: empreitada, administração contratada e tarefa, as quais podem ser combinadas entre si, 
formando um contrato misto. Para os grandes e complexos empreendimentos de Engenharia tem-se 
adotado o contrato de gerenciamento.
Pelo contrato de empreitada, que é o mais usado, a Administração comete ao 
particular a execução da obra por sua conta e risco, mediante remuneração previamente ajustada, tal 
como acontece na empreitada civil.
Quanto ao modo de remuneração, o regime de empreitada pode ser por 
preço global e por preço unitário, ou misto.
Empreitada por preço global é aquela em que se ajusta a execução por preço 
certo, embora reajustável, previamente estabelecido para a totalidade da obra. O pagamento, 
entretanto, pode efetuar-se parceladamente, nas datas prefixadas ou na conclusão da obra ou de 
cada etapa, consoante o ajustado pelas partes. É comum nos contratos de empreitada por preço 
global a especificação de preços unitários, tendo em vista a obrigação do contratante de aceitar os 
acréscimos e supressões legais aos preços originariamente ofertados. 
Empreitada por preço unitário é a em que se contrata a execução por preço 
certo de unidades determinadas. É a mais adequada aos casos em que, nos termos do Código Civil 
(art. 1.241), a obra "constar de partes distintas" ou for daquelas que "se determinam por medida". 
Nessa modalidade de empreitada o preço é ajustado por unidades, que tanto podem ser metros 
quadrados de muro levantado, como pisos distintos de um edifício, como metros cúbicos de concreto 
fundido, e o pagamento é devido após o recebimento de cada unidade pela Administração.
No regime de administração contratada o valor da obra é apenas estimado e 
o pagamento é ajustado com base nos custos do material e da mão-de-obra, geralmente fornecidos 
pelo contratado. Trata-se de um sistema em que os riscos correm todos por conta da Administração, 
pois a remuneração do contratado é proporcional aos custos diretos, relacionados com os materiais, 
equipamentos, pessoal e respectivos encargos, e aos custos indiretos, que englobam, dentre outros, 
os gastos com o suporte administrativo do empreendimento, com a captação de recursos financeiros 
e com o pagamento de tributos. Além disso, o contratado é indenizado de todas as denominadas 
despesas reembolsáveis, vale dizer, as que, não se incluindo nos custos diretos nem nos indiretos, 
tenham sido feitas com autorização da Administração contratante, para a cabal execução da avença.
O regime de tarefa é aquele em que a execução de pequenas obras ou de 
parte de uma obra maior é ajustada por preço certo, global ou unitário, com pagamento efetuado 
periodicamente, após a verificação ou a medição pelo fiscal do órgão contratante. Comumente, o 
tarefeiro só concorre com a mão-de-obra e os instrumentos de trabalho, mas nada impede que 
forneça também os materiais.
Contrato de serviço é todo ajuste administrativo que tem por objeto uma 
atividade prestada à Administração, para atendimento de suas necessidades ou de seus 
administrados. O que distingue, pois, o serviço da obra é a predominância da atividade sobre o 
material empregado. A atividade operativa é que define e diversifica o serviço, abrangendo desde o 
trabalho braçal do operário até o labor intelectual do artista ou a técnica do profissional mais 
especializado. Dai por que a gama de serviços é infindável, o que leva as leis administrativas, em 
geral, a enumerá-los exemplificativamente, mencionando apenas os mais freqüentes, tais como 
demolição, fabricação, conserto, instalação, montagem, desmontagem, operação, conservação, 
reparação, manutenção, transporte, comunicação e trabalhos técnico-profissionais. 
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Para fins de contratação administrativa é necessário distinguir os serviços 
comuns, os serviços técnicos profissionais e os trabalhos artísticos, que, por suas características, 
influem diversamente na formação e no conteúdo do contrato.
Serviços comuns são todos aqueles que não exigem habilitação especial 
para sua execução, podendo ser realizados por qualquer pessoa ou empresa, por não serem 
privativos de nenhuma profissão ou categoria profissional.
Os serviços comuns devem ser contratados mediante prévia licitação, para 
que a Administração possa obtê-los nas melhores condições de execução e preço, uma vez que é 
geralmente grande o número de pessoas e firmas com as mesmas possibilidades de realizá-los 
satisfatoriamente.
A contratação desses serviços, de que são exemplos a pintura de edifícios, a 
limpeza e conservação de prédios ou de máquinas simples, admite as três modalidades de regime 
de execução já estudadas, ou seja, empreitada, administração contratada e tarefa.
Serviços técnicos profissionais são os que exigem habilitação legal para sua 
execução. Essa habilitação varia desde o simples registro do profissional ou firma na repartição 
competente até o diploma de curso superior oficialmente reconhecido. O que caracteriza o serviço 
técnico é a privatividade de sua execução por profissional habilitado, seja ele um mero artífice, um 
técnico de grau médio ou um diplomado em escola superior. É serviço que requer capacitação 
profissional e habilitação legal para seu desempenho dentro das normas técnicas adequadas, como 
ocorre com os trabalhos de Engenharia, Eletricidade, Hidráulica, Mecânica, Comunicações, 
Computação, Transportes e outros que exigem conhecimentos especiais para sua realização.
Os serviços técnicos profissionais podem ser generalizados e especializados, 
como veremos a seguir.
Serviços técnicos profissionais generalizados são os que não demandam 
maiores conhecimentos, teóricos ou práticos, que os normalmente exigidos do profissional. Sua 
contratação, conforme o caso, pode ser feita sob qualquer dos três regimes já estudados e, de regra, 
exige licitação, porque há sempre a possibilidade de competição entre os que os executam em 
igualdade de condições e em caráter profissional.
Serviços técnicos profissionais especializados constituem um aprimoramento 
em relação aos comuns, por exigirem de quem os realiza acurados conhecimentos, teóricos ou 
práticos, obtidos através de estudos, do exercício da profissão, da pesquisa científica, de cursos de 
pós-graduação ou de estágios de aperfeiçoamento, os quais situam o especialista num nível superior 
ao dos demais profissionais da mesma categoria. Os serviços técnicos profissionais especializados - 
tais como estudos, planejamentos e projetos em geral; perícias, pareceres e avaliações em geral; 
assessorias, consultorias e auditorias; fiscalização e gerenciamento; supervisão de obras e serviços; 
patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; treinamento e aperfeiçoamento de 
pessoal - autorizam a dispensa de licitação sempre que contratados com profissionais, pessoas 
físicas ou jurídicas, de notória especialização. 
Notória especialização, para fins de contratação administrativa, é o 
reconhecimento público de alta capacidade do profissional. Notoriedade profissional é, pois, algo 
mais que habilitação profissional. 
Trabalhos artísticos são os que visam à realização de "obras de arte", em 
qualquer dos campos das chamadas "belas-artes" ou "artes-maiores", em contraposição às "artes-
menores" ou "artes aplicadas", ou, ainda, "artes utilitárias". O trabalho artístico é serviço profissional, 
embora possa ser realizado por simples diletantismo, e serviço técnico, porque pressupõe 
conhecimentos teóricos e práticos de quem o executa, havidos ou não através de cursos regulares 
de formação artística. Por isso mesmo, o trabalho artístico, ainda que essa expressão não se lhe 
aplique com muita propriedade, é serviço técnico profissional, com a única diferença de